Curso de Auxiliar Técnico de Veterinária   Trabalho realizado por:
HVP, Dezembro 2010                         Filipa Araújo
Tudo o que um animal faz, está dependente da recepção e da forma como interpreta a informação obtida do
meio ambiente que o rodeia. Esta informação acerca do meio envolvente é essencial para que um animal
decida o que irá fazer a seguir.



               mundo exterior         órgãos dos sentidos            sistema nervoso




Os órgãos dos sentidos estão constantemente a recolher informação do ambiente envolvente, que após ser
interpretada pelo sistema nervoso é armazenada, dando assim origem ao “conhecimento” do animal.



Os cães partilham os mesmos sentidos básicos que os humanos:


                                              OLFACTO




                                PALADAR                    AUDIÇÃO




                                      TACTO             VISÃO
O OLFACTO dos cães é o principal dos cinco sentidos. É referido como sendo cerca de cem
mil vezes mais poderoso que o dos humanos. Os cães usam também o olfacto para
comunicar, como por exemplo para as marcações territoriais e na detecção de amigos e
inimigos.


  A AUDIÇÃO dos cães é altamente desenvolvida. Eles possuem orelhas móveis que
capturam sons provenientes de todas as direcções. Podem usar apenas uma orelha para
rastrear a origem do som, usando depois as duas para captar um maior número de ondas
sonoras .



  A VISÃO dos cães é similar à dos humanos, no entanto a visão de um cão é geralmente
inferior à do Homem. Contrariamente ao que muita gente pensa, os cães conseguem ver
cor, visualizar formas estáticas e são muito sensíveis ao movimento, mas as imagens
captadas não têm grande detalhe .




  O TACTO é o primeiro sentido que os cães desenvolvem. Tal como os humanos, os cães
possuem receptores tácteis por todo o seu corpo.




  O PALADAR está directamente relacionado com o olfacto e apesar de os cães terem um
paladar menos desenvolvido que o dos humanos, eles conseguem saborear o doce, o
amargo e o ácido .
A ordem de eficiência dos sentidos de um cão adulto e saudável é:

                                  Olfacto


                                  Audição


                                   Visão


                                   Tacto


                                  Paladar



    Nos cachorros, a ordem varia de acordo com a idade, pois eles
nascem com os ouvidos e olhos totalmente fechados e rastejam em
direcção aos objectos que emitem calor (termotropismo). Destes, o mais
próximo, sem dúvida alguma, é mama de sua mãe que, nesta fase de
sua vida reprodutiva, apresenta-se mais quente do que as outras partes
do seu próprio corpo.



    Com o decorrer dos dias, o sentido
do olfacto supera, definitivamente, o
sentido do tacto e podemos presenciar
o filhote a farejar tudo que se encontra
à sua frente.
Percepção Sensorial




  Ao estudar os órgãos dos sentidos é necessário analisar as propriedades
  das suas células, e o modo como estas transformam os estímulos
  ambientais em informação nervosa.




  Qualquer um dos órgãos dos sentidos actua da mesma forma básica,
  iniciando-se com a detecção do estímulo, seguido da amplificação do sinal
  e posterior transmissão para o sistema nervoso.
Percepção Sensorial


    A recepção sensorial começa nos órgãos que possuem células especializadas para responder aos diferentes
tipos de estímulos, denominadas de células receptoras.




                                                 estímulos




   mecano-receptores                       células receptoras                     foto-receptores




            quimio-receptores                                               termo-receptores
                                           electro-receptores
Percepção Sensorial


    Os receptores especializados dos órgãos dos sentidos são específicos para reconhecer e responder apenas a
certos estímulos.



    De uma forma genérica, podemos resumir o processo de interpretação dos sinais obtidos da seguinte
forma:


                              Captação


                                  Amplificação e Tradução


                                      Transmissão

                                          Descodificação e
                                          Interpretação
Olfacto

   O nariz dos cães é formado por um par de narinas e pela cavidade nasal. As células receptoras do olfacto
estão presentes por toda a camada do epitélio especializado existente na cavidade nasal.

   O epitélio olfactivo contém vários tipos de células olfactivas (permite a percepção de um número elevado de
odores).

    Os cães possuem ainda uma cavidade chamada de vomeronasal, mais conhecida por órgão de Jacobson, que
consiste num par de sacos alongados que conectam com a boca e nariz. Esta estrutura possui células receptoras
distintas da cavidade nasal.
Olfacto

   O nariz dos cães está normalmente frio e húmido (razão pela qual os cães estão constantemente a lamber o
nariz).

    O muco segregado pelas glândulas mucosas da cavidade nasal captura e dissolve as moléculas presentes no
ar e obriga-as a entrarem em contacto com o epitélio olfactivo especializado, que no caso dos cães é muito
desenvolvido, contendo mais de 220 milhões de receptores olfactivos em contraste com os cerca de 5
milhões que o ser humano possui.
Olfacto


  O acto de farejar é utilizado para maximizar a detecção dos odores, uma vez
que força o ar a entrar na cavidade nasal (devido as sucessivas inspirações e
expirações) e a contactar com o epitélio especializado.



   As moléculas de odor que estão dentro da cavidade nasal são absorvidas pelos
receptores especializados até à camada mucosa e posteriormente difundidos até aos
neurónios. Esta interacção gera um impulso nervoso que é transmitido através dos
nervos olfactivos até ao centro olfactivo do cérebro.



   As células do órgão de Jacobson, para além de participarem no processo
normal do olfacto, enviam também impulsos para a região do hipotálamo, que estão
associados a comportamentos sexuais e sociais. Acredita-se ainda que este órgão é
fundamental na detecção das feromonas .
Olfacto



  A sensibilidade olfactiva depende da área desenvolvida do centro
  olfactivo do cérebro, sendo em média, nos cães, cerca de 10% do
  total do cérebro (nos humanos ronda os 0,3%). Os cães possuem
  ainda receptores infravermelhos que são sensíveis à temperatura.




  Em determinadas experiências, ficou demonstrado que os cães
  conseguem detectar certos tumores, prever ataques epilépticos e até
  níveis anormais de glucose no sangue em humanos através do
  cheiro.
Olfacto


   O mundo que existe em redor do cão é rico em diferentes odores, que se
sobrepõem e cruzam, no ambiente. O cão consegue separá-los adequadamente,
identificando, desta maneira, pessoas e coisas.

  Tudo isso ocorre devido aos seus órgãos especializados. A área do cérebro
canino encarregada da sensibilidade ao cheiro possui 40 x mais células que a mesma área
do cérebro humano.

  As células sensitivas do cão estão bem mais juntas e formam uma área que se dobra
várias vezes sobre si mesma, criando sulcos e cristas que aumentam a
capacidade de captação de odores.

  Estima-se que o olfacto do cão é quarenta vezes mais sensível do que o do
homem.

  O homem aproveita esta sensibilidade olfactiva do cão para treiná-lo a procurar pessoas,
objectos, bombas, drogas, etc. Os animais de determinadas raças possuem sensibilidade
maior e são conhecidos como cães farejadores, utilizados pelos exércitos e polícias de vários
países.
Audição



  Os cães, comparativamente com os humanos, possuem uma audição muito
  mais apurada. São capazes de captar frequências baixas entre os 16 e 20Hz
  (os humanos captam entre 20 e 70Hz) e altas entre os 70000 a 100000Hz
  (comparando com os 20000Hz humanos).




  Os cães são ainda capazes de ouvir ultra-som e são excelentes a distinguir
  sons, o que lhes permite “compreender” as palavras pronunciadas pelos donos,
  embora neste caso seja também importante o tom de voz e os gestos usados.
Audição
  O ouvido é formado por três compartimentos:

       O ouvido externo é uma estrutura cartilagínea coberta por músculos e pele, formando a orelha que
     possui uma abertura para o interior constituindo o canal auditivo externo, que se estende até ao tímpano.

        O ouvido médio consiste numa câmara de ressonância que contém três ossículos.

        O ouvido interno é formado pela cóclea, pelo aparelho vestibular e pelo tubo auditivo.

  A função da orelha é captar os sons que depois serão conduzidos pelo canal auditivo externo. No ouvido
médio, os ossículos convertem mecanicamente as vibrações do tímpano em ondas de pressão que são
amplificadas na cóclea.
Audição


    No sistema vestibular, o vestíbulo, é uma componente especializada do ouvido interno que fornece
informações essenciais para o sentido de equilíbrio e para a coordenação dos movimentos da cabeça com
movimentos posturais e dos olhos.
Audição

  As orelhas do cão possuem formas variadas, de acordo com a raça.

  São bastante móveis e giram em diferentes direcções à procura dos sons
que penetram no canal auditivo.

   Apesar das diferenças que ocorrem no pavilhão auricular, as estruturas e
as funções do ouvido médio e interno do cão permanecem as mesmas.


    Muitas vezes nós precisamos virar a cabeça para ouvir melhor alguns
sons, enquanto que o cão movimenta somente as orelhas. Um som emitido a
4 metros e audível para nós, será audível para um cão, na mesma
intensidade, a 25 metros.
Audição


  Outra capacidade impressionante do cão é a identificação da origem do som. Ele conhece o passo de todas as
pessoas de uma casa e consegue identificar os ruídos do carro do seu proprietário, entre outros da mesma
marca, cilindrada etc.



   O cão possui excelente audição e capta sons inaudíveis para nós. O uso de apitos que emitem sons de alta
frequência são, às vezes, utilizados para comando de cães polícias e militares à distância, sem que as pessoas
que se encontram próximas dos mesmos captem tais sons.
Visão


  O olho dos canídeos tem a mesma morfologia básica que o olho
  humano e pode ser comparado com uma máquina de filmar,
  possuindo:

        abertura (pupila)
        lente (córnea e cristalino)
        superfície de recepção (retina).




  Tal como nas câmaras, as estruturas do olhos podem ser
  ajustadas e modificadas fisiologicamente mediante as diferentes
  condições de luz existentes.

  A luz penetra no olho através da pupila, sendo a quantidade
  controlada e regulada pela íris. Quanto mais a pupila estiver
  aberta, maior a quantidade de luz que penetra pelo olho, sendo
  esta uma importante característica para a visão nocturna.

  A luz, após atravessar a pupila, passa pelo cristalino e é
  absorvida pela retina.
Visão


                 RETINA


                 Bastonetes
                                           Detecção do movimento     Rodopsina
                                80%
                                           Adaptados para condições em que há pouca luz

                   Cones        20%        Percepção de cor e do detalhe



    Ao contrário dos humanos em que a retina possui três tipos de cones, o olho canídeo apenas possui dois
tipos. Esta condição faz com que cães não consigam ver todas as cores do espectro visível, não identificando
o verde, o laranja e o vermelho, porque os cones que eles possuem, apenas captam comprimentos de onda
entre os 429nm e 555nm, zona correspondente ao azul, violeta e amarelo.
Visão

    A característica que torna a visão dos cães excelente no escuro, é o
tapetum lucidum que corresponde a uma camada de células altamente
reflectoras localizadas por trás dos foto-receptores.



   Esta camada reflectora é responsável pelo brilho nos olhos dos cães (e
outras espécies) quando uma luz brilhante atinge os olhos no escuro. Esta
camada amplia e reflecte a luz, mesmo quando ela for de pequena
intensidade.
Visão


    Por conseguirem captar melhor o movimento do que os humanos, para
os cães a televisão não passa de uma série de imagens que piscam
rapidamente, enquanto que os humanos não se apercebem das
transições e vêem as imagens numa sequência contínua.

    Quando os cães olham para a televisão, geralmente respondem mais a
sons e mudanças bruscas de luz do que propriamente à imagem.




    O posicionamento dos olhos do cão dá-lhe um campo
de visão mais alargado do que o dos seres humanos,
apesar de a sua visão binocular ser reduzida.

    A visão periférica varia entre raças, dependendo da
posição e da inclinação dos olhos.
Tacto


    As sensações tácteis são primordiais para o desenvolvimento normal dos
animais. Na fase inicial da vida dos cães o tacto é o sentido mais importante, sendo
fundamental o contacto com a progenitora.

    Através do tacto, os cães podem diferenciar sensações de pressão e contacto,
sensações térmicas e sensações dolorosas, dependendo do tipo de estímulo.




    As sensações térmicas apenas são captadas em determinadas zonas:

         superfície cutânea
         cavidade nasal
         cavidade bucal
         ânus

    Existem dois tipos principais de termo-receptores, os de calor e os de frio.
Tacto

   Os receptores para as sensações de pressão encontram-se espalhados praticamente por todo o organismo.

    Os receptores para as sensações de contacto (disco de Merkel; terminação de Ruffini; corpúsculo de Meissner;
corpúsculo de Pacini) encontram-se logo abaixo da superfície cutânea.

   As sensações de pressão e contacto são perceptíveis por todo o corpo, pois os nervos estão localizados na
base dos pêlos.

    Para as sensações dolorosas existem receptores especiais (terminações livres não-mielinizadas de neurónios
aferentes) que estão presentes na pele, nos músculos, tendões e articulações, dentes, etc. A maioria das vísceras,
como, rins e pulmões não possuem receptores para a dor.




                                                sensações de                 todo o
                                                  pressão                  organismo

                                                                           abaixo da
                                                sensações de
                        Receptores                                         superficie
                                                  contacto
                                                                            cutânea

                                                  sensações
                                                                         vários orgãos
                                                  dolorosas
Tacto


   Além das terminações nervosas sensoriais existentes em todo o corpo, os cães possuem pêlos especiais,
denominados vibrissas, que se localizam acima dos olhos, debaixo da mandíbula e no focinho. Os vibrissas
são fortemente irrigados por vasos sanguíneos e possuem um elevado número de terminações nervosas,
conferindo-lhe uma sensibilidade especial.




    Os bigodes ou vibrissas funcionam como verdadeiras antenas. São elas as responsáveis pela manutenção da
distância, quase constante, do focinho do cão dos objectos cheirados. Quando o animal está a farejar um rasto,
ele mantém o focinho a uma pequena distância do chão, sem o tocar.
Paladar


    O paladar é considerado o sentido menos eficiente do cão. É um sentido pouco desenvolvido e está
    directamente relacionado com o olfacto.

    A língua é um músculo em que a superfície é coberta por epitélio especializado que contém as células
    especializadas denominadas de papilas gustativas.



    O cão tem à volta de 12x menos papilas gustativas que o ser humano.


.
Paladar


    O paladar está ligado às papilas gustativas presentes nas mucosas da língua, do palato e da faringe. Os
nervos glossofaringeo e lingual, originados nas pupilas gustativas transmitem os sinais recebidos pelas mesmas
até ao cérebro.


   Tal como no olfacto, esta informação gustativa surge através da interacção das substâncias químicas da
comida que são dissolvidas na saliva e captadas depois pelas papilas gustativas.
Paladar



   A língua nos cães, para além de ser responsável pela resposta ao paladar, desempenha a vital tarefa de
dissipar o calor do animal, sendo ainda usada com função terapêutica em caso de feridas externas.
Os 5 sentidos do cão

Os 5 sentidos do cão

  • 1.
    Curso de AuxiliarTécnico de Veterinária Trabalho realizado por: HVP, Dezembro 2010 Filipa Araújo
  • 2.
    Tudo o queum animal faz, está dependente da recepção e da forma como interpreta a informação obtida do meio ambiente que o rodeia. Esta informação acerca do meio envolvente é essencial para que um animal decida o que irá fazer a seguir. mundo exterior órgãos dos sentidos sistema nervoso Os órgãos dos sentidos estão constantemente a recolher informação do ambiente envolvente, que após ser interpretada pelo sistema nervoso é armazenada, dando assim origem ao “conhecimento” do animal. Os cães partilham os mesmos sentidos básicos que os humanos: OLFACTO PALADAR AUDIÇÃO TACTO VISÃO
  • 3.
    O OLFACTO doscães é o principal dos cinco sentidos. É referido como sendo cerca de cem mil vezes mais poderoso que o dos humanos. Os cães usam também o olfacto para comunicar, como por exemplo para as marcações territoriais e na detecção de amigos e inimigos. A AUDIÇÃO dos cães é altamente desenvolvida. Eles possuem orelhas móveis que capturam sons provenientes de todas as direcções. Podem usar apenas uma orelha para rastrear a origem do som, usando depois as duas para captar um maior número de ondas sonoras . A VISÃO dos cães é similar à dos humanos, no entanto a visão de um cão é geralmente inferior à do Homem. Contrariamente ao que muita gente pensa, os cães conseguem ver cor, visualizar formas estáticas e são muito sensíveis ao movimento, mas as imagens captadas não têm grande detalhe . O TACTO é o primeiro sentido que os cães desenvolvem. Tal como os humanos, os cães possuem receptores tácteis por todo o seu corpo. O PALADAR está directamente relacionado com o olfacto e apesar de os cães terem um paladar menos desenvolvido que o dos humanos, eles conseguem saborear o doce, o amargo e o ácido .
  • 4.
    A ordem deeficiência dos sentidos de um cão adulto e saudável é: Olfacto Audição Visão Tacto Paladar Nos cachorros, a ordem varia de acordo com a idade, pois eles nascem com os ouvidos e olhos totalmente fechados e rastejam em direcção aos objectos que emitem calor (termotropismo). Destes, o mais próximo, sem dúvida alguma, é mama de sua mãe que, nesta fase de sua vida reprodutiva, apresenta-se mais quente do que as outras partes do seu próprio corpo. Com o decorrer dos dias, o sentido do olfacto supera, definitivamente, o sentido do tacto e podemos presenciar o filhote a farejar tudo que se encontra à sua frente.
  • 5.
    Percepção Sensorial Ao estudar os órgãos dos sentidos é necessário analisar as propriedades das suas células, e o modo como estas transformam os estímulos ambientais em informação nervosa. Qualquer um dos órgãos dos sentidos actua da mesma forma básica, iniciando-se com a detecção do estímulo, seguido da amplificação do sinal e posterior transmissão para o sistema nervoso.
  • 6.
    Percepção Sensorial A recepção sensorial começa nos órgãos que possuem células especializadas para responder aos diferentes tipos de estímulos, denominadas de células receptoras. estímulos mecano-receptores células receptoras foto-receptores quimio-receptores termo-receptores electro-receptores
  • 7.
    Percepção Sensorial Os receptores especializados dos órgãos dos sentidos são específicos para reconhecer e responder apenas a certos estímulos. De uma forma genérica, podemos resumir o processo de interpretação dos sinais obtidos da seguinte forma: Captação Amplificação e Tradução Transmissão Descodificação e Interpretação
  • 8.
    Olfacto O nariz dos cães é formado por um par de narinas e pela cavidade nasal. As células receptoras do olfacto estão presentes por toda a camada do epitélio especializado existente na cavidade nasal. O epitélio olfactivo contém vários tipos de células olfactivas (permite a percepção de um número elevado de odores). Os cães possuem ainda uma cavidade chamada de vomeronasal, mais conhecida por órgão de Jacobson, que consiste num par de sacos alongados que conectam com a boca e nariz. Esta estrutura possui células receptoras distintas da cavidade nasal.
  • 9.
    Olfacto O nariz dos cães está normalmente frio e húmido (razão pela qual os cães estão constantemente a lamber o nariz). O muco segregado pelas glândulas mucosas da cavidade nasal captura e dissolve as moléculas presentes no ar e obriga-as a entrarem em contacto com o epitélio olfactivo especializado, que no caso dos cães é muito desenvolvido, contendo mais de 220 milhões de receptores olfactivos em contraste com os cerca de 5 milhões que o ser humano possui.
  • 10.
    Olfacto Oacto de farejar é utilizado para maximizar a detecção dos odores, uma vez que força o ar a entrar na cavidade nasal (devido as sucessivas inspirações e expirações) e a contactar com o epitélio especializado. As moléculas de odor que estão dentro da cavidade nasal são absorvidas pelos receptores especializados até à camada mucosa e posteriormente difundidos até aos neurónios. Esta interacção gera um impulso nervoso que é transmitido através dos nervos olfactivos até ao centro olfactivo do cérebro. As células do órgão de Jacobson, para além de participarem no processo normal do olfacto, enviam também impulsos para a região do hipotálamo, que estão associados a comportamentos sexuais e sociais. Acredita-se ainda que este órgão é fundamental na detecção das feromonas .
  • 11.
    Olfacto Asensibilidade olfactiva depende da área desenvolvida do centro olfactivo do cérebro, sendo em média, nos cães, cerca de 10% do total do cérebro (nos humanos ronda os 0,3%). Os cães possuem ainda receptores infravermelhos que são sensíveis à temperatura. Em determinadas experiências, ficou demonstrado que os cães conseguem detectar certos tumores, prever ataques epilépticos e até níveis anormais de glucose no sangue em humanos através do cheiro.
  • 12.
    Olfacto O mundo que existe em redor do cão é rico em diferentes odores, que se sobrepõem e cruzam, no ambiente. O cão consegue separá-los adequadamente, identificando, desta maneira, pessoas e coisas. Tudo isso ocorre devido aos seus órgãos especializados. A área do cérebro canino encarregada da sensibilidade ao cheiro possui 40 x mais células que a mesma área do cérebro humano. As células sensitivas do cão estão bem mais juntas e formam uma área que se dobra várias vezes sobre si mesma, criando sulcos e cristas que aumentam a capacidade de captação de odores. Estima-se que o olfacto do cão é quarenta vezes mais sensível do que o do homem. O homem aproveita esta sensibilidade olfactiva do cão para treiná-lo a procurar pessoas, objectos, bombas, drogas, etc. Os animais de determinadas raças possuem sensibilidade maior e são conhecidos como cães farejadores, utilizados pelos exércitos e polícias de vários países.
  • 13.
    Audição Oscães, comparativamente com os humanos, possuem uma audição muito mais apurada. São capazes de captar frequências baixas entre os 16 e 20Hz (os humanos captam entre 20 e 70Hz) e altas entre os 70000 a 100000Hz (comparando com os 20000Hz humanos). Os cães são ainda capazes de ouvir ultra-som e são excelentes a distinguir sons, o que lhes permite “compreender” as palavras pronunciadas pelos donos, embora neste caso seja também importante o tom de voz e os gestos usados.
  • 14.
    Audição Oouvido é formado por três compartimentos: O ouvido externo é uma estrutura cartilagínea coberta por músculos e pele, formando a orelha que possui uma abertura para o interior constituindo o canal auditivo externo, que se estende até ao tímpano. O ouvido médio consiste numa câmara de ressonância que contém três ossículos. O ouvido interno é formado pela cóclea, pelo aparelho vestibular e pelo tubo auditivo. A função da orelha é captar os sons que depois serão conduzidos pelo canal auditivo externo. No ouvido médio, os ossículos convertem mecanicamente as vibrações do tímpano em ondas de pressão que são amplificadas na cóclea.
  • 15.
    Audição No sistema vestibular, o vestíbulo, é uma componente especializada do ouvido interno que fornece informações essenciais para o sentido de equilíbrio e para a coordenação dos movimentos da cabeça com movimentos posturais e dos olhos.
  • 16.
    Audição Asorelhas do cão possuem formas variadas, de acordo com a raça. São bastante móveis e giram em diferentes direcções à procura dos sons que penetram no canal auditivo. Apesar das diferenças que ocorrem no pavilhão auricular, as estruturas e as funções do ouvido médio e interno do cão permanecem as mesmas. Muitas vezes nós precisamos virar a cabeça para ouvir melhor alguns sons, enquanto que o cão movimenta somente as orelhas. Um som emitido a 4 metros e audível para nós, será audível para um cão, na mesma intensidade, a 25 metros.
  • 17.
    Audição Outracapacidade impressionante do cão é a identificação da origem do som. Ele conhece o passo de todas as pessoas de uma casa e consegue identificar os ruídos do carro do seu proprietário, entre outros da mesma marca, cilindrada etc. O cão possui excelente audição e capta sons inaudíveis para nós. O uso de apitos que emitem sons de alta frequência são, às vezes, utilizados para comando de cães polícias e militares à distância, sem que as pessoas que se encontram próximas dos mesmos captem tais sons.
  • 18.
    Visão Oolho dos canídeos tem a mesma morfologia básica que o olho humano e pode ser comparado com uma máquina de filmar, possuindo: abertura (pupila) lente (córnea e cristalino) superfície de recepção (retina). Tal como nas câmaras, as estruturas do olhos podem ser ajustadas e modificadas fisiologicamente mediante as diferentes condições de luz existentes. A luz penetra no olho através da pupila, sendo a quantidade controlada e regulada pela íris. Quanto mais a pupila estiver aberta, maior a quantidade de luz que penetra pelo olho, sendo esta uma importante característica para a visão nocturna. A luz, após atravessar a pupila, passa pelo cristalino e é absorvida pela retina.
  • 19.
    Visão RETINA Bastonetes Detecção do movimento Rodopsina 80% Adaptados para condições em que há pouca luz Cones 20% Percepção de cor e do detalhe Ao contrário dos humanos em que a retina possui três tipos de cones, o olho canídeo apenas possui dois tipos. Esta condição faz com que cães não consigam ver todas as cores do espectro visível, não identificando o verde, o laranja e o vermelho, porque os cones que eles possuem, apenas captam comprimentos de onda entre os 429nm e 555nm, zona correspondente ao azul, violeta e amarelo.
  • 20.
    Visão A característica que torna a visão dos cães excelente no escuro, é o tapetum lucidum que corresponde a uma camada de células altamente reflectoras localizadas por trás dos foto-receptores. Esta camada reflectora é responsável pelo brilho nos olhos dos cães (e outras espécies) quando uma luz brilhante atinge os olhos no escuro. Esta camada amplia e reflecte a luz, mesmo quando ela for de pequena intensidade.
  • 21.
    Visão Por conseguirem captar melhor o movimento do que os humanos, para os cães a televisão não passa de uma série de imagens que piscam rapidamente, enquanto que os humanos não se apercebem das transições e vêem as imagens numa sequência contínua. Quando os cães olham para a televisão, geralmente respondem mais a sons e mudanças bruscas de luz do que propriamente à imagem. O posicionamento dos olhos do cão dá-lhe um campo de visão mais alargado do que o dos seres humanos, apesar de a sua visão binocular ser reduzida. A visão periférica varia entre raças, dependendo da posição e da inclinação dos olhos.
  • 22.
    Tacto As sensações tácteis são primordiais para o desenvolvimento normal dos animais. Na fase inicial da vida dos cães o tacto é o sentido mais importante, sendo fundamental o contacto com a progenitora. Através do tacto, os cães podem diferenciar sensações de pressão e contacto, sensações térmicas e sensações dolorosas, dependendo do tipo de estímulo. As sensações térmicas apenas são captadas em determinadas zonas: superfície cutânea cavidade nasal cavidade bucal ânus Existem dois tipos principais de termo-receptores, os de calor e os de frio.
  • 23.
    Tacto Os receptores para as sensações de pressão encontram-se espalhados praticamente por todo o organismo. Os receptores para as sensações de contacto (disco de Merkel; terminação de Ruffini; corpúsculo de Meissner; corpúsculo de Pacini) encontram-se logo abaixo da superfície cutânea. As sensações de pressão e contacto são perceptíveis por todo o corpo, pois os nervos estão localizados na base dos pêlos. Para as sensações dolorosas existem receptores especiais (terminações livres não-mielinizadas de neurónios aferentes) que estão presentes na pele, nos músculos, tendões e articulações, dentes, etc. A maioria das vísceras, como, rins e pulmões não possuem receptores para a dor. sensações de todo o pressão organismo abaixo da sensações de Receptores superficie contacto cutânea sensações vários orgãos dolorosas
  • 24.
    Tacto Além das terminações nervosas sensoriais existentes em todo o corpo, os cães possuem pêlos especiais, denominados vibrissas, que se localizam acima dos olhos, debaixo da mandíbula e no focinho. Os vibrissas são fortemente irrigados por vasos sanguíneos e possuem um elevado número de terminações nervosas, conferindo-lhe uma sensibilidade especial. Os bigodes ou vibrissas funcionam como verdadeiras antenas. São elas as responsáveis pela manutenção da distância, quase constante, do focinho do cão dos objectos cheirados. Quando o animal está a farejar um rasto, ele mantém o focinho a uma pequena distância do chão, sem o tocar.
  • 25.
    Paladar O paladar é considerado o sentido menos eficiente do cão. É um sentido pouco desenvolvido e está directamente relacionado com o olfacto. A língua é um músculo em que a superfície é coberta por epitélio especializado que contém as células especializadas denominadas de papilas gustativas. O cão tem à volta de 12x menos papilas gustativas que o ser humano. .
  • 26.
    Paladar O paladar está ligado às papilas gustativas presentes nas mucosas da língua, do palato e da faringe. Os nervos glossofaringeo e lingual, originados nas pupilas gustativas transmitem os sinais recebidos pelas mesmas até ao cérebro. Tal como no olfacto, esta informação gustativa surge através da interacção das substâncias químicas da comida que são dissolvidas na saliva e captadas depois pelas papilas gustativas.
  • 27.
    Paladar A língua nos cães, para além de ser responsável pela resposta ao paladar, desempenha a vital tarefa de dissipar o calor do animal, sendo ainda usada com função terapêutica em caso de feridas externas.