Prof. Dílson Catarino   [email_address] www.gramaticaonline.net
Sem uma boa escola não pode haver mais que uma péssima sociedade.
Muitos acreditam que  só se dedica a ser professor quem é incapaz de maiores desígnios, sem aptidão para realizar uma carreira universitária completa e cuja posição socioeconômica há de ser necessariamente inferior. Quem assume que os professores são fracassados deveria concluir que a sociedade democrática em que vivemos é um fracasso. Quem quer ser professor?
A possibilidade de ser humano só se realiza por meio dos semelhantes, ou seja, daqueles com os quais a criança fará todo o possível para se parecer. Nascemos humanos, mas isso não basta; temos de chegar a sê-lo.
O fato de ensinar a nossos semelhantes e de aprender com eles é mais importante do que qualquer um dos conhecimentos concretos que se perpetuam ou se transmitem. Praticamente tudo na sociedade humana tem uma intenção pedagógica. A criança, além de ser obrigada a aprender os ensinamentos, também tem de aprender as peculiaridades desse aprendizado. Cultura é o que o ser humano  acrescenta ao ser humano.
Os humanos não só sabemos o que sabemos, mas também percebemos e perseguimos corrigir a ignorância dos que ainda não sabem ou de quem acreditamos que saiba algo erroneamente.  O ser humano é o único ser que possui a constatação da ignorância.
Temos de nos tornar conscientes da realidade de nossos semelhantes. Isso implica considerá-los sujeitos e não meros objetos, protagonistas de sua vida e não meros comparsas vazios da nossa. Ninguém é sujeito na solidão e no isolamento; sempre se é sujeito entre outros sujeitos.  O sentido da vida humana não é um monólogo, mas provém do intercâmbio de sentidos.  A educação é a revelação dos outros, da condição humana como um concerto de cumplicidades inevitáveis. Ninguém é sujeito na solidão.
A capacidade de aprender se compõe de atividade permanente do educando e não de aceitação passiva dos conhecimentos já deglutidos pelo educador, que deposita na cabeça obediente.  O importante é ensinar a aprender. A arte de ensinar a aprender consiste em formar fábricas, não armazéns.
Podemos ser muito pessimistas.  Podemos estar convencidos da maldade onipotente ou da triste estupidez do sistema, da diabólica microfísica do poder, da esterilidade a médio ou longo prazo de todo esforço humano e de que nossas vidas são os rios que vão dar no mar, que é o morrer.  Como educadores, porém, não nos resta outro remédio senão sermos otimistas. Educar pressupõe ser otimista.
Educar é crer na perfectibilidade humana, na capacidade inata de aprender e no desejo de saber. É crer em que há coisas que podem e merecem ser sabidas; em que nós, homens, podemos melhorar uns aos outros por meio do conhecimento, da cultura. Porém, ... As crianças chegam à escola com um núcleo básico de socialização insuficiente para enfrentar com êxito a tarefa de aprendizado.  (Juan Carlos Tedesco)
A criança hoje se incorpora cada vez mais cedo a instituições  diferentes da família, como pré-escolas e creches ou mesmo alguém que cuida dela para que a mãe trabalhe.  Esses adultos são afetivamente menos importantes que os pais.  Por isso, a primeira socialização está se realizando sem tanta carga afetiva, como no passado.  Não se pode simplesmente transmitir conhecimentos se a socialização primária, embutida de valores e afetos importantes, não está completa.  (Juan Carlos Tedesco)
O caminho para chegar a ser livre passa por uma série de coações de instrução, por uma habituação a diversas maneiras de obediência. Não partimos da liberdade, mas chegamos a ela.  Ser livre não é nada; tornar-se livre é tudo. (Hegel) A liberdade é a conquista de uma autonomia simbólica por meio do aprendizado, que nos aclimata a inovações e escolhas só possíveis dentro da comunidade.
Se o educador não for o modelo adequado, a criança não crescerá sem modelos, mas se identificará com os que lhe forem propostos pela televisão, pela perversidade popular ou pela brutalidade das ruas, geralmente exaltando o luxo predatório ou a mera força bruta. O Educador é o modelo. A escola é o lugar para aprender que se mostra amor à vida não apenas brincando, mas também cumprindo atividades socialmente necessárias e, sobretudo, desenvolvendo uma vocação, por mais humilde que seja.
Pouco importa, a rigor, o que se ensine, contanto que se despertem a curiosidade e o gosto de aprender.  (François de Closets) O importante não é o que se aprende, mas a forma de aprender. A questão não é o que, mas como. O dever do professor é estimular os alunos a fazerem descobertas, e não se vangloriar das que ele fez.
Aprender a pensar. Necessita-se saber pensar corretamente, de modo que se saiba agir. Aprender a discutir, a refutar e a justificar é parte indispensável de qualquer educação humanista. Para isso não basta saber expressar-se com clareza e precisão, mas também é preciso saber escutar. Uma pessoa capaz de pensar, de tomar decisões, de buscar informações relevantes de que necessita, de se relacionar positivamente com os outros e de cooperar com eles é muito mais polivalente e tem mais possibilidades de adaptação do que quem só possui uma formação específica.  (Juan Delval)
A palavra escrita é o tônico mais potente que já se inventou para o crescimento intelectual.
A autoridade dos que ensinam prejudica, na maioria das vezes, os que querem aprender.  (Cícero)
Um homem se dirigia à Catedral de Chartres e, no caminho, encontrou um trabalhador quebrando pedras, muito angustiado e aborrecido.  Ao ser indagado do motivo, explicou: "Estou aqui fazendo esse trabalho desumano, tenho dores pelo corpo, tenho sede, nenhum outro trabalho e estou condenado a fazer isso pelo resto de minha vida".  Mais adiante encontrou outro homem fazendo a mesma coisa, mas com uma feição mais satisfeita. Este lhe contou: "Consegui esse emprego que me permite ter um salário e dar de comer aos meus filhos. Estou contente com esse trabalho que me permite viver".  Mais adiante, encontra um terceiro homem, também a quebrar pedras, mas com um rosto de extrema felicidade. Este lhe disse: "Estou construindo uma catedral!".  Saber para que se está fazendo alguma atividade é fundamental para dar um sentido à aprendizagem. Fábula francesa

O Valor De Educar

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    Prof. Dílson Catarino [email_address] www.gramaticaonline.net
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    Sem uma boaescola não pode haver mais que uma péssima sociedade.
  • 3.
    Muitos acreditam que só se dedica a ser professor quem é incapaz de maiores desígnios, sem aptidão para realizar uma carreira universitária completa e cuja posição socioeconômica há de ser necessariamente inferior. Quem assume que os professores são fracassados deveria concluir que a sociedade democrática em que vivemos é um fracasso. Quem quer ser professor?
  • 4.
    A possibilidade deser humano só se realiza por meio dos semelhantes, ou seja, daqueles com os quais a criança fará todo o possível para se parecer. Nascemos humanos, mas isso não basta; temos de chegar a sê-lo.
  • 5.
    O fato deensinar a nossos semelhantes e de aprender com eles é mais importante do que qualquer um dos conhecimentos concretos que se perpetuam ou se transmitem. Praticamente tudo na sociedade humana tem uma intenção pedagógica. A criança, além de ser obrigada a aprender os ensinamentos, também tem de aprender as peculiaridades desse aprendizado. Cultura é o que o ser humano acrescenta ao ser humano.
  • 6.
    Os humanos nãosó sabemos o que sabemos, mas também percebemos e perseguimos corrigir a ignorância dos que ainda não sabem ou de quem acreditamos que saiba algo erroneamente. O ser humano é o único ser que possui a constatação da ignorância.
  • 7.
    Temos de nostornar conscientes da realidade de nossos semelhantes. Isso implica considerá-los sujeitos e não meros objetos, protagonistas de sua vida e não meros comparsas vazios da nossa. Ninguém é sujeito na solidão e no isolamento; sempre se é sujeito entre outros sujeitos. O sentido da vida humana não é um monólogo, mas provém do intercâmbio de sentidos. A educação é a revelação dos outros, da condição humana como um concerto de cumplicidades inevitáveis. Ninguém é sujeito na solidão.
  • 8.
    A capacidade deaprender se compõe de atividade permanente do educando e não de aceitação passiva dos conhecimentos já deglutidos pelo educador, que deposita na cabeça obediente. O importante é ensinar a aprender. A arte de ensinar a aprender consiste em formar fábricas, não armazéns.
  • 9.
    Podemos ser muitopessimistas. Podemos estar convencidos da maldade onipotente ou da triste estupidez do sistema, da diabólica microfísica do poder, da esterilidade a médio ou longo prazo de todo esforço humano e de que nossas vidas são os rios que vão dar no mar, que é o morrer. Como educadores, porém, não nos resta outro remédio senão sermos otimistas. Educar pressupõe ser otimista.
  • 10.
    Educar é crerna perfectibilidade humana, na capacidade inata de aprender e no desejo de saber. É crer em que há coisas que podem e merecem ser sabidas; em que nós, homens, podemos melhorar uns aos outros por meio do conhecimento, da cultura. Porém, ... As crianças chegam à escola com um núcleo básico de socialização insuficiente para enfrentar com êxito a tarefa de aprendizado. (Juan Carlos Tedesco)
  • 11.
    A criança hojese incorpora cada vez mais cedo a instituições diferentes da família, como pré-escolas e creches ou mesmo alguém que cuida dela para que a mãe trabalhe. Esses adultos são afetivamente menos importantes que os pais. Por isso, a primeira socialização está se realizando sem tanta carga afetiva, como no passado. Não se pode simplesmente transmitir conhecimentos se a socialização primária, embutida de valores e afetos importantes, não está completa. (Juan Carlos Tedesco)
  • 12.
    O caminho parachegar a ser livre passa por uma série de coações de instrução, por uma habituação a diversas maneiras de obediência. Não partimos da liberdade, mas chegamos a ela. Ser livre não é nada; tornar-se livre é tudo. (Hegel) A liberdade é a conquista de uma autonomia simbólica por meio do aprendizado, que nos aclimata a inovações e escolhas só possíveis dentro da comunidade.
  • 13.
    Se o educadornão for o modelo adequado, a criança não crescerá sem modelos, mas se identificará com os que lhe forem propostos pela televisão, pela perversidade popular ou pela brutalidade das ruas, geralmente exaltando o luxo predatório ou a mera força bruta. O Educador é o modelo. A escola é o lugar para aprender que se mostra amor à vida não apenas brincando, mas também cumprindo atividades socialmente necessárias e, sobretudo, desenvolvendo uma vocação, por mais humilde que seja.
  • 14.
    Pouco importa, arigor, o que se ensine, contanto que se despertem a curiosidade e o gosto de aprender. (François de Closets) O importante não é o que se aprende, mas a forma de aprender. A questão não é o que, mas como. O dever do professor é estimular os alunos a fazerem descobertas, e não se vangloriar das que ele fez.
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    Aprender a pensar.Necessita-se saber pensar corretamente, de modo que se saiba agir. Aprender a discutir, a refutar e a justificar é parte indispensável de qualquer educação humanista. Para isso não basta saber expressar-se com clareza e precisão, mas também é preciso saber escutar. Uma pessoa capaz de pensar, de tomar decisões, de buscar informações relevantes de que necessita, de se relacionar positivamente com os outros e de cooperar com eles é muito mais polivalente e tem mais possibilidades de adaptação do que quem só possui uma formação específica. (Juan Delval)
  • 16.
    A palavra escritaé o tônico mais potente que já se inventou para o crescimento intelectual.
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    A autoridade dosque ensinam prejudica, na maioria das vezes, os que querem aprender. (Cícero)
  • 18.
    Um homem sedirigia à Catedral de Chartres e, no caminho, encontrou um trabalhador quebrando pedras, muito angustiado e aborrecido. Ao ser indagado do motivo, explicou: "Estou aqui fazendo esse trabalho desumano, tenho dores pelo corpo, tenho sede, nenhum outro trabalho e estou condenado a fazer isso pelo resto de minha vida". Mais adiante encontrou outro homem fazendo a mesma coisa, mas com uma feição mais satisfeita. Este lhe contou: "Consegui esse emprego que me permite ter um salário e dar de comer aos meus filhos. Estou contente com esse trabalho que me permite viver". Mais adiante, encontra um terceiro homem, também a quebrar pedras, mas com um rosto de extrema felicidade. Este lhe disse: "Estou construindo uma catedral!". Saber para que se está fazendo alguma atividade é fundamental para dar um sentido à aprendizagem. Fábula francesa