Estudo do livro de Yvonne do Amaral Pereira 
elaborado pelo grupo de Estudo de terças-feiras 
da Sociedade Espírita Renovação 
em 26.08 e 02.09.2014
Focaliza a vida de Espíritos que, desde os tempos de Roma, 
encarnaram em conjunto, sendo sua última existência verificada na 
França, o que foi relatado no romance "Nas voragens do pecado". 
Ressalta a aplicação da lei de causa-e-efeito, descrevendo os 
personagens centrais e identificando-os com a existência passada. O 
romance se passa por volta de 1680, no governo do Rei Luís XIV, 
abordando o amor espiritual de companheiros que encarnam com a 
tarefa de auxiliar aos Espíritos endividados. Enfoca a união dos 
Espíritos comprometidos na busca do reajuste que, levados pelas 
tendências inferiores, envolvem-se em novos dramas. Relata tramas, 
culminando com a fraqueza moral de um dos protagonistas, que 
busca o suicídio como fuga para seus problemas e o seu despertar 
em desequilíbrio no Plano Espiritual. Conclui com o reencontro dos 
personagens no Plano Maior, preparando-se para nova reencarnação, 
na procura de reparação dos seus graves desvios da lei de Deus.
Ruth Carolina 
Século XVI
Na metade do século XVII , houve reunião espiritual para 
planejamento da reencarnação de RUTH e LUIS , e se 
juntaria a eles o Príncipe Frederico de G. Três voluntários 
haviam emigrado para o cenário terreno: Carlos Felipe I, 
Carlos Felipe II e Dama Blandina retornariam para 
apaziguar a consciência de cumplicidade. Juntara ao grupo 
Monsenhor de B e Reginaldo de Troulles. Tratava-se de 
Espíritos ainda moralmente prejudicados pelas PAIXÕES, 
e que precisavam de etapas novas de progresso, à exceção 
de Carlos Felipe I e Carlos Felipe II, almas cândidas, em 
franco ressurgir para a redenção. Os demais 
representantes da família reencarnariam em outras 
localidades.
Prepararam-se, pois, as entidades reencarnantes, e 
atingiram a Terra. 
 Luís de Narbonne como o Cavaleiro Henri Numiers 
 Ruth-Carolina como Berthe de Sourmeville-Stainesbourg 
 Carlos Felipe I como o Padre Rômulo 
 Carlos Felipe II como o professor Padre Antoine Thomas 
 Monsenhor de B. como o camponês Arnold Numiers, pai 
de Henri. 
 Príncipe Frederico como o Barão Louis de Stainesbourg, 
primo de Berthe 
 Dama Blandina como a camponesa Marie Numiers, esposa 
de Arnold e mãe de Henri 
 Reginaldo de Troulles como Ferdnand de Görs, Conde de 
Pracontal.
E novo drama de paixões e aventuras desencadeou-se nos cenários 
da Terra, próprio, como tantos outros, de um planeta de provas e 
expiações, onde reencarnam réprobos e delinquentes. 
Esse grupo de Espíritos havia-se reunido na encarnação, na 
Bélgica, para os trabalhos de reconciliação de hostilidades antigas 
na fraternidade recíproca. 
Não era, pois, de lei que os fatos que se desenrolaram fossem 
obrigatórios. 
Eles, tiveram causa nas paixões incontroláveis daqueles que não 
souberam cumprir o dever consigo próprios e com aqueles que os 
circundavam. 
Foram, pois, inteiramente responsáveis, perante a LEI de DEUS, 
pelos acontecimentos que se sucederam. 
Muitas vezes, sofremos, na vida terrena não propriamente a força 
de uma punção, mas a consequência de erros cometidos na mesma 
existência vigente.
 “Se não perseverardes no Bem e no Amor a Deus, podereis delinquir, pois a Terra é 
eivada de paixões que vos poderão atingir e desviar da rota que devereis trilhar. A 
carne atraiçoa muitas vezes a vontade do Espirito” (16). 
 “Berthe de Sourmeville, a desventurada causadora do drama que enche nossas 
páginas, e triste lição àqueles que desviam do caminho da justiça para perder-se nos 
lamaçais do egoísmo e demais paixões. (165) 
 “ Ainda esta em tempo, Berthe! E seja qual for o erro que cometas eu te ajudarei a te 
libertares dele. ... é o amigo leal, o conselheiro que desde tua infância se habituou a 
zelar por ti que te vem suplicar que, se algo perturba a serenidade do teu lar, que te 
esforces por reagir contra a tentação e o mantenhas respeitável e feliz como até aqui. 
(83 /84). (Oportunidade ignorada de voltar a boa rota traçada no Espaço) 
 “Berthe pouco progredira, mantivera-se estacionária como espírito, cultivando o 
egoísmo e abrigando as más paixões no coração. Com efeito, não é fácil a um 
Espírito endurecido no erro reformar-se” (168 /169) 
 “Como todos os pecadores orgulhosos, ela atribuía os próprios erros à ação de 
outrem, considerando-se vítima e não Cúmplice.” (169). 
 Berthe ... passou por longo período de sono, até que despertou com forças bastante 
para tudo compreender e iniciar a própria reeducação sob tutela de dedicados 
amigos” (204)
 Berthe reencarnara em Flandres a fim de redimir-se , mas reincidira no crime 
de traição, não se redimira, antes agravava a situação praticando erros mais 
nefastos .(205) 
 Lei de causa e efeito é inexorável, dando a cada um segundo suas obras. “ ... 
“entretanto, tudo poderá ser aliviado, dependendo do teu proceder diário” 
(211) 
 “Os grandes erros cometidos durante a vida planetária não podem ser 
reparados no Além. Será necessário o recurso decisivo da reencarnação”. 
(207) 
 “ A reencarnação é bendito ensejo que Deus vos concede a fim de vos 
reabilitardes do mal praticado e não sofrer eternamente... Esta concessão está 
na Lei Natural do Progresso e não deveis rejeita-la... Não obstante, sois livres 
de escolher o gênero das lutas pelos testemunhos, o local, a família onde 
reencarnareis, e ate o pais onde vivereis. Se no entanto, não quiserdes partir 
agora vossa vontade será respeitada. ...( 210) 
 “Sei que sou uma desgraçada. Nada escolho, nada posso escolher. Entrego-me 
à lei de Deus. (211)
Luiz de Narbonne 
Século XVI
Século XVII, nos arredores de Flandres (província da Bélgica), 
novamente reencarnaria uma falange de espíritos afins, ligados por 
um sentimento de amor, mas um amor que em muitos ainda era 
primitivo e precisava ser trabalhado. 
Grandes responsabilidades!!! 
Mas todos tinham possibilidade de vencer se perseverassem no 
bem, no amor... no dever legítimo que impulsiona a vontade a 
resistir as paixões primevas e aos imperativos dos instintos que a 
carne ainda impõe e que levam muitos espíritos aos piores 
desatinos, esquecendo-se dos compromissos e responsabilidades 
assumidos no plano espiritual. 
A todos haveria o auxílio.... mas caberia a cada um ouvi-los e segui-los... 
A cada um seria dado segundo suas obras....
“CADA CRIATURA É RESPONSÁVEL PELO QUE LHE 
ACONTECE, DEVENDO INVESTIR TODOS OS ESFORÇOS E 
HABILIDADES NA COMPREENSÃO DOS OBJETIVOS 
EXISTENCIAIS, ASSIM EQUIPANDO-SE DE FORÇAS PARA AS 
BATALHAS QUE SÃO NECESSÁRIAS PARA O 
ENGRANDECIMENTO DA VIDA”
Nesse contexto reencarnara Luis de Narbonne... agora Cavaleiro de Numiers. 
Nascera na aldeia de Stainesbourg, pacato vilarejo com imponentes pinheiros 
tomado por flores e casarios modestos que envolviam os transeuntes naquela 
aurora de paz! 
Filho único de camponeses abastados... recebeu instrução militar... tornou-se 
soldado, cavaleiro.... alto, forte como um Hércules... não era belo, mas possuía 
os traços dos homens vigorosos da época. 
Seus olhos refletiam o seu ser ... conflitos e desequilíbrios que lhe dominavam a 
alma... porém, estranhamente esses mesmo olhar se enternecia até a meiguice, a 
humildade quando da lembrança de sua “amada” e de seu protetor. 
Era genioso sem ser mau. 
Honesto e incapaz de uma desonra, exigindo de suas relações qualidades 
similares. 
Qualidades que o faziam ser respeitado e que o conduziam a atos de verdadeira 
filantropia cristã, sob o entendimento de que o mais forte deveria proteger o 
mais fraco. 
Todavia.... declarava-se ateu.
“O HOMEM DE GÊNIO, QUE SE LANÇA À REALIZAÇÃO DE 
ALGUM GRANDE EMPREENDIMENTO, TRIUNFA, SE TEM FÉ, 
PORQUE SENTE E SI QUE PODE E HÁ DE CHEGAR AO 
OBJETIVO QUE TEM EM VISTA, E ESSA CERTEZA LHE DÁ 
UMA FORÇA IMENSA (...). ENFIM, COM A FÉ, NÃO HÁ MAUS 
PENDORES QUE NÃO SE CONSIGA VENCER”
Fora irmão colaço de Louis... amigos criados desde a infância. 
Ruth Carolina .... Berthe de Soumeville. Sua amiga... sua paixão de 
outra vida. 
Enamoraram-se e novamente se casaram. Novas vidas.... antigos 
destinos... 
03 primeiros anos do enlace matrimonial.... a aura do amor parecia 
derramar suas bênçãos sobre essa união. 
Porém... todo erro há de ser liquidado. 
Erros de outras vida e da mesma vida. 
Mais uma vez o sentimento desenfreado de “amor” pela bela Berthe 
lhe acometeu em atitudes irrefletidas... o ciúme, a posse, a 
necessidade de exercer o domínio sobre aquele ser “angelical” lhe 
conduziu a humilhação de um suposto contendor. 
Porém nunca se sabe o que as palavras e atitudes impensadas 
podem acarretar...
“... USA A BONDADE NAS TUAS CONSIDERAÇÕES EM 
RELAÇÃO ÀS DEMAIS PESSOAS COM AS QUAIS CONVIVES OU 
NÃO. (...) A PALAVRA É PORTADORA DE GRANDE PODER, 
TANTO PARA ESTIMULAR, CONDUZIR À PLENITUDE, ASSIM 
COMO PARA GERAR SOFRIMENTO, DESTRUIÇÃO E 
AMARGURA...”
O suicídio.... a futura obsessão... 
Casamento realizado sob ódio de um ser 
espiritual... consequências que iriam advir.... 
Naquele lugarejo onde parecia reinar a paz... 
retorna Louis... 
E Berthe, Ruth... novamente se deixa 
envolver.... as preocupações.... os conselhos 
para que os compromissos no plano espiritual 
fossem cumpridos... as promessas... a intuição 
... nada ouvido... tudo esquecido.
“O PRESSENTIMENTO... É O CONSELHO ÍNTIMO E OCULTO DE UM ESPÍRITO 
QUE VOS QUER BEM. TAMBÉM ESTÁ NA INTUIÇÃO DA ESCOLHA QUE SE HAJA 
FEITO. É A VOZ DO INSTINTO. ANTES DE ENCARNAR, TEM O ESPÍRITO 
CONHECIMENTO DAS FASES PRINCIPAIS DE SUA EXISTÊNCIA, ISTO É, DOS 
GÊNEROS DAS PROVAS A QUE SE SUBMETE (...) OS ESPÍRITOS PROTETORES 
OBJETIVAM UNICAMENTE O NOSSO PROCEDIMENTO MORAL (...) MAS QUASE 
SEMPRE TAPAIS OS OUVIDOS AOS AVISOS SALUTARES E VOS TORNAIS 
DESGRAÇADOS POR CULPA VOSSA”
Novamente a traição... o engano... o 
abandono... 
Cavaleiro de Numiers.... novamente 
humilhado, desonrado, angustiado... 
A raiva, o desespero, a saudade lhe 
retornavam do passado e, mais uma vez, lhe 
dominavam. 
E a fé que poderia lhe servir de auxílio... lhe 
faltou. 
Tristeza, dor, sofrimento...
“SENDO A TERRA O ‘PLANETA DAS PROVAS E EXPIAÇÕES’, OS QUE NOS 
VINCULAMOS ÀS SUAS MATRIZES, CONSTITUINDO A SUA 
HUMANIDADE, ESTAMOS SOB O CRIVO DE MIL NECESSIDADES QUE 
NOS IMPELEM A SEGUIR, BUSCANDO LIBERTAÇÃO. O SOFRIMENTO, 
PELA NOSSA PRÓPRIA RESPONSABILIDADE, FAZ-SE O AGUILHÃO QUE 
DESPERTA O ESPÍRITO E O IMPELE A MARCHA”
Mas nunca se está só! E os afetos espirituais de outra vida 
lhe vieram em auxílio. 
Ida para a França... novo trabalho... nova vida? 
Mas a lei do resgate é imperativa! A oportunidade do 
refazimento dos compromissos assumidos é sempre 
oferecida! 
E novamente o destino coloca essas duas almas 
comprometidas no mesmo cenário, a fim de lhes 
possibilitar a modificação de suas vidas. 
Mas a vontade de se transformar ainda era pequenina. 
E diante do novo encontro, novamente Luis de Narbonne... 
Cavaleiro de Numiers.... deixa-se dominar pela ilusão... 
pela paixão desenfreada... pelo amor possessivo.
O ódio, a raiva que o dominavam, o desejo do fim daquele 
ser que tanta dor lhe causara, eram efêmeros... pois não 
conseguia Numiers odiar aquela mulher... 
Todavia, embora houvesse o desfazimento dos sentimentos 
que o angustiavam não conseguia sublimar o seu amor... o 
que tanto precisava! 
Mais uma vez... a ilusão.... a traição...o sofrimento....a 
revolta... 
Porém não teve Numiers força para superar... 
O egoísmo na destinação de seus sentimentos o cegavam, 
pois não enxergava os demais afetos que o cercavam. 
Assim, embora nunca lhe faltassem almas queridas a seu 
favor....o livre arbítrio é definidor! 
E Numiers se suicidou.
“O SUICÍDIO É O COMEÇO DO MAIOR TORMENTO QUE E A CRIATURA 
HUMANA PODE SOFRER, PORQUE DESCOBRE QUE DEPOIS DE MATAR 
SEU CORPO FÍSICO ELA CONTINUA VIVA... PORÉM SOZINHA, E SEM 
SOCORRO ALGUM, DESCOBRE QUE SEUS MALES SÓ SE AGRAVARAM E 
QUE INFELIZMENTE COMETEU UM DOS MAIORES CRIMES QUE A 
CRIATURA PODE COMETER, TIRAR UM EMPRÉSTIMO DE DEUS QUE 
SERVIRIA PARA A EVOLUÇÃO DE SEU ESPÍRITO”
E mais uma vez... anos de sofrimento, de dor... 
O despertar no além túmulo amplia a consciência de si 
mesmo... e Numiers pode perceber que a vida não cessará 
que a dor continuara... 
10 anos vagando sentindo as consequências de seus atos 
impensados... a lembrança do ato atentatório contra si 
mesmo o atormentavam... 
Precisava sofrer os resultados de suas ações irrefletidas.... 
A cada um será dado segundo sua obra... 
Após anos de amarguras, mais uma vez o arrependimento, 
a autoculpa.... mas precisava Numiers superar, resgatar... e 
aceitar as consequências da sua atitude inculta...
“A PASSAGEM DOS ESPÍRITOS PELA VIDA CORPÓREA 
É NECESSÁRIA PARA QUE ELES POSSAM CUMPRIR, 
POR MEIO DE UMA AÇÃO MATERIAL, OS DESÍGNIOS 
CUJA EXECUÇÃO DEUS LHE CONFIA”
Numiers ... Luis de Narbonne errara, errara 
muito, mas sempre por amor... ainda que um 
amor doentio que precisava ser trabalhado, 
precisava ser sublimado. 
Mais uma chance, uma oportunidade... sem 
escolhas... difíceis provações lhe foram 
traçadas ... mas o amor familiar jamais o 
desamparara. 
Então, novamente reencarnara Numiers, entre 
os entes em que precisava ... para aprender a 
verdadeiramente amar e assim se libertar!
Príncipe Frederico 
Século XVI
Herdara da mãe uma debilidade profunda que 
ameaçava lhe roubar a vida. 
Marie Numiers tornou-se sua ama de campo e 
passara a viver no castelo como em sua casa, mas 
sempre com seu pequeno Henri. Louis, portanto, 
criara-se ao lado de Henri. 
Criado junto a prima Berthe e muito afeiçoado a ela, 
prometeu a mãe protege-la. Com a morte da esposa 
querida, o Barão Frederich se abateu e adoecendo 
foi aconselhado a viajar. Pediu ao filho Louis que o 
acompanhasse. Este concordou, mas queria levar 
Berthe, ao que o pai não deixou.
Louis deseja seguir no aprendizado das belas artes. O pai 
se refugiava no Sul da França para após uma tuberculose, 
desencarnar. Louis se vê desamparado, sem recursos com 
más terras e castelos hipotecados aos primos e não manda 
mais notícias ou mesada ao Padre Romulo. 
O jovem refugia-se no convento na Holanda e aí torna-se 
culto. Para, cuidar da vida própria sai do convento e inicia 
vida artística. Louis pensa em buscar Berthe mas passam-se 
os anos e ele não vai buscá-la. Louis torna-se secretário 
particular do Conde Ferdnand de Görs que o leva para 
Flandres. E assim alguns meses após a chegada a Bruges, 
Louis pede licença ao Conde para visitar a terra natal, onze 
anos após sua partida, disposto a cumprir sua promessa de 
matrimônio com a prima Berthe.
Louis aceita hospedar-se na herdade dos Numiers e era 
respeitado pelos aldeões que achavam que ele sabia honrar 
a memória dos pais tão queridos por todos. Sua afeição 
por Henri conservara-se inalterável. Henri feliz com 
presença de Louis oferece-lhe todos os préstimos até as 
terras doadas por sua mãe. Mas Louis recusou. O jovem 
preocupado nota que a presença da prima lhe desperta 
novamente toda paixão por ela. E temeroso procura 
sempre a companhia de Henri porque nota ser 
correspondido. 
O Conde Louis medita que seria melhor partir. Mas Louis 
não se animou a deixar a herdade dos Numiers.
 A FUGA 
Nas horas de meditação Louis sentia-se sobressaltado. A 
consciência acusava-o do erro que praticava e ele, que 
agora possuía a mulher que amava, não era feliz como seria 
se esperar. Era inevitável a desgraça no solar de Louis de 
Stainesbourg e ele o sabia. 
 O DUELO 
Sentia-se sereno. Depois de dolorosamente vibrar, seus 
nervos se aquietaram sob a injunção do inevitável. 
Murmurou para Berthe ”estás perdoada, querida amiga da 
minha infância”. E foi ao encontro de Fernand, pelas mãos 
de quem morreu, pedindo perdão a Henri Numiers, 
compreendendo as leis de justiça.
Louis desviou-se da boa rota traçada no Espaço, antes da 
reencarnação, e errou: fraco, invigilante, imprudente ele 
arrojou-se nos braços da uma felicidade fictícia, que sua 
ingenuidade supusera real. 
A passagem para o Além fora violenta e era difícil o 
despertar, embora não doloroso. Alguns dias após o 
desenlace recuperou a lucidez; apoderou-se de tristeza 
infinita. Era um remorso atroz que nada aplacava. Não 
culpara Fernand pelo duelo que o vitimara e perdoava-o. 
Rogava por um meio de reparar o mal praticado contra 
Henri, pedindo a oportunidade de ama-lo, protegê-lo e de 
sacrificar-se por ele; Sua mãe veio em seu socorro.
Na erraticidade, a mãe de Louis diz que ele precisa 
reparar/reconciliar-se com Henri. Que 2 séculos não serão 
o suficiente para que Henri deixe de sofrer. Para que Louis 
reencarne ligado a fortes laços de parentesco, é necessário 
que Henri concorde. Caso Henry se negue, a Lei facultar-lhe- 
á o direito de reparar em outrem, nas mesmas 
condições que ele, o que a Henri deves. 
Na reunião com os mentores espirituais, Louis solicita 
reencarnar como irmão de Henri e, seu convite é aceito 
pelos mentores e, também, por Henri. 
O sofrimento de Louis foi provocado por sua falta de 
firmeza de caráter, pois se deixou levar pelo desatino de 
Berthe e sua consciência o atormentava pois sabia do erro 
cometido.
 “A dor é o resultado do conflito. Ela ocorre quando duas 
direções opostas coexistem numa personalidade. A direção das 
forças universais criativas orienta-se para a luz, para a vida, para o 
crescimento, o desdobramento, a afirmação, a beleza, o amor, a 
inclusão, a união e o prazer supremo. Sempre que essa direção é 
contrariada por outra, cria-se a dor, mas o desequilíbrio é um tipo 
especial de tensão causada pela direção oposta. É isso que causa 
o sofrimento. [...]A direção negativa e destrutiva não seria tão 
feroz e tão difícil de superar se o princípio do prazer não estivesse 
ligado a ela. Você se encontra na posição de não querer separar-se 
do prazer precário que retira da indulgência para os sentimentos e 
as atitudes destrutivas. Isso pode evoluir sutilmente, 
insidiosamente e inadvertidamente quando um indivíduo começa 
a seguir numa direção saudável e construtiva.”
 O sofrimento do sofrimento é resultado das aflições que ele 
mesmo proporciona. 
 Apresenta-se sob dois aspectos: físico e mental, na imensa área 
das patologias geradoras de doenças. Nesse caso, o sofrimento é 
como uma doença e resultado dela. 
 As origens do sofrimento estão sempre, portanto, naquele que o 
padece, no recôndito do seu ser, nos painéis profundos da sua 
consciência. 
 Ao lado das origens cármicas do sofrimento, surgem as causas 
atuais, quando o homem o busca mediante a irresponsabilidade, a 
precipitação, a prevalência do egoísmo que incita à escolha do 
melhor para si em detrimento do seu próximo. 
 O perdão das falhas alheias luariza a paisagem íntima clareando 
as sombras da angústia insistente que bloqueia a alegria de viver, 
produzindo sofrimentos injustificáveis. 
 Considerando a própria fragilidade, o indivíduo deve conceder-se 
a oportunidade de reparar os males praticados, reabilitando-se 
perante si mesmo e perante aqueles a quem haja prejudicado.
Monsenhor de B. 
Século XVI
Monsenhor de B, pai adotivo de Luis de Narbone, reencarna 
aspirando viver ao lado de seu amado filho para todo o sempre, que 
agora viria como seu filho legítimo Henri de Numiers. 
Arnold abastado camponês da Aldeia de Stainsbourg, protegido 
pelos Barões de Stainsbourg do qual foi fiel seguidor e pai de Henri 
de Numiers. Os Barões agradecidos por salvarem a vida de seu filho 
Barão Fredérich, eleva Arnold a categoria de intendente ou seja 
administrador de suas propriedades. 
O Barão de Stainesbourg partiria para a Europa , junto de seu filho 
Louis, para se tratar, e como Berthe era uma menina muito frágil, 
não aguentaria a viagem, então ela é confiada temporariamente aos 
Numiers, sendo que esta leva por doação o sobrenome Stainesbourg 
e a quantia suficiente para o seu trato e sua educação. 
Passado alguns anos Henri filho de Arnold e a filha do Barão criada 
por eles se casam. 
Depois de três anos Frederich de Stainsbourg volta à aldeia e Berthe 
descobre que aquele (Louis) era seu grande amor (depois de Thom) 
e foge com ele.
Arnold se enfurece vendo o filho querido sofrer e diz: Ele é um 
covarde que se deixa morrer por paixão, sem coragem para reagir a 
aquela situação, Arnold faz um juramento: “juro que no próprio 
inferno que a infame se esconda, lá mesmo eu irei buscá-la para 
beber o sangue maldito e vingar a desgraça desse filho que eu 
desprezo pela sua covardia”. 
Arnold que na encarnação anterior fora Monsenhor B, já não 
gostava de Berthe (ou seja Ruth Carolina) para ser esposa de Luis 
de Narbone (agora Henri Numiers) essa antipatia só se agravava 
nessa encarnação, depois de tudo que ela fez a Henri o levando ao 
suicídio. 
Arnold se desesperava até a demência diante do cadáver mutilado 
de seu filho, que ele mesmo encontrara. 
Arnold dizia blasfêmeas no auge do desespero vendo sepultarem os 
despojos de Henri e de volta a sua casa dizia: 
“Oh Berthe de Stainesbourg, Berthe de Stainsbourg não morrerei 
sem te encontrar, assassina de meu filho! E o crime que cometeste 
nele eu cometerei em ti, ainda que vá buscar no palácio dos Reis”.
Depois desses acontecimentos pai Arnold entregara-se a 
embriaguez, corroído pelo desgosto, ficava fora de casa por 
dias. 
O gado abandonado ou era furtado pelos forasteiros, como 
ele acumulou dívidas os aldeões apoderarem-se de terras 
em pagamento da dívida 
Arnold deixou-se levar pelos arrebatamentos das paixões 
esquecendo não apenas os sábios conselhos dos amigos do 
espaço, mas também os propósitos que trouxeram ao 
aceitar os novos testemunhos da reencarnação. 
Passados dez anos de desolação, coberto de dores e 
angústias, pai Arnold nunca mais trabalhara em sua antiga 
propriedade e isso foi a ruína, com esse abandono os 
senhores de Stainsbourg tomaram a propriedade de volta.
Agora pai Arnold enfermo, tinha as faculdades 
mentais alteradas e vivia perambulando pelas 
aldeias como mendigo, a procura de Berthe a fim de 
executar sua vingança. 
Quando Berthe adoeceu e se encontrava na torre do 
Presbitério, pai Arnold rodeava dia e noite em volta 
só aguardando a hora de fazer sua vingança, porém 
Berthe veio a falecer e Arnold Numiers não 
conseguira praticar sua projetada vingança. 
Já no plano espiritual, em reunião para decidir sua 
nova reencarnação, Arnold foi aconselhado a 
perdoar Berthe, mas não quis, fugiu e seu livre 
arbítrio foi respeitado.
Carlos Felipe II
Era um varão de pouco mais de trinta anos de 
idade. Nascera em certa aldeia de Provença, de 
família nobre, mas sem grandes patrimônios. 
Órfão de pai aos cinco anos de idade, sua mãe, 
paupérrima, confiara-o aos monges de Saint- 
Sulpice, para que se educasse e tomasse ordens [...]. 
Romulo fora seu mestre no convento [...]. 
Ordenando-se, Antoine Thomas tornara-se também 
professor, pois era senhor de grande cultura 
intelectual e artística, exercendo sua profissão não 
somente entre os nobres, mas repartindo-se 
também a beneficio dos menos favorecidos da 
sociedade. [...]
Amava Berthe desde sua infância, quando lhe 
ministrava as letras e a música. “Não a desejava 
como minha mulher; desejava, sim, a sua presença 
em minha vida, o seu sorriso e os seus afagos; 
desejava ser amado por ela á face de Deus, com a 
pureza com que a amava, vê-la fiel e submissa aos 
meus conselhos, aos ditames da lei de Deus. 
Antoine sabendo ser amado por Berthe antes dos 
seus esposais, recolhera-se, agora, ao mais 
completo isolamento; fugira, por assim dizer, do 
convívio da aldeia, a fim de se conservar afastado 
dela, evitando possíveis expansões futuras.
Quando Louis retorna abalando as estruturas do 
casamento feliz o Padre Thom se reaproxima na 
tentativa de guia-la, orienta-la e tenta convencê-la a 
resignar-se, voltando-se para Deus; sem sucesso. E 
com a fuga de Berthe o padre passa a prestar 
assistência á Henri. 
Após o assassinato de Ferdnand de Gors, Romulo e 
Thom escondem Berthe em um aposento humilde e 
tratam-na com desvelo paternal; mas não 
conseguiram pacificar a mente da infeliz mulher.
Na erraticidade, Padre Thom não perdia tempo: 
Visitava Berthe frequentemente, instruindo-a 
quanto à conduta que devia observar. Falava-lhe da 
necessidade de procurar Deus e iniciar o trabalho 
dos resgates necessários. Pois, era um espírito 
delinquente, e quanto antes iniciasse a 
aprendizagem, muito mais fácil seriam as 
reparações terrenas futuras. 
No que consistia o aprendizado: Prática do bem, 
exercício da caridade, Estudo das Leis Divinas que 
ele infligira, no exame de consciência que a levaria a 
emendar-se e, à vontade de expiar o passado no 
trabalho de realizações edificantes.
Na reunião com os mentores espirituais, Thom ofereceu-se para 
auxiliar Berthe, no que fosse possível, pedindo permissão para 
reencarnar ao lado dela, como irmão mais velho. O que foi 
concedido. 
O seu sofrimento não era causado por sua má conduta ou por ter 
uma consciência pesada mas porque acompanhava a vida as pessoas 
que amava e que apesar de os aconselhar não seguiam os seus 
conselhos. 
Então sofre porque não pode evitar o sofrimento alheio. 
Do texto da aula anterior a parte que identifica o Antoine é: 
A educação calcada nos valores ético-morais, não-castradores, que 
estimula a consciência do dever e da responsabilidade do indivíduo 
para com ele próprio, para com seu próximo e para com a vida, 
equipa-o de saúde emocional e valor espiritual para o trânsito 
equilibrado pela existência física.
Reginald de 
Troulles 
Século XVI
Alemão, rico, poderoso, tinha 40 anos "bem vividos", era 
solteiro e dado a conquistas amorosas; excêntrico; era 
exímio esgrimista (era época de duelos, onde os nobres 
não podiam ser desafiados sem aceitar);tornou-se paternal 
com os amigos. 
Admirador da intelectualidade, embora homem de armas, 
protegeu o amigo Louis Frederych —artista pobre 
tornando-o seu secretário particular ( para organizar 
festas,escrever poemas e discursos, restaurar pinturas, etc); 
sendo que este pelos afazeres de trabalho que o 
sobrecarregavam se via obrigado a passar temporadas no 
campo, ficando afastado da esposa Berth, que por sua vez, 
vivia os prazeres nas festas e reuniões de Ferdinand, 
tornando-se seu par constante
Ferdinand apaixonou-se por Berth e redobrou os favores 
concedidos a ela e o esposo Louis tentando conquistá-la 
pela generosidade. Sua intenção era torná-la sua amante 
uma vez que nessa época isso era comum.Mas Berth não 
amava Ferdinand, embora aceitasse a vida principesca 
propiciada por ele. 
Um dia o Conde cansou-se da esquiva de Berth que era fiel 
ao marido e lhe confessara amá-lo com sinceridade , e 
retirou a proteção de ambos intentando conquistá-la pela 
penúria. Demitiu o amigo Louis, deixou de convidá-los 
para festas e reuniões e de comprar as peças teatrais de 
Louis , sendo imitado por todos os fidalgos de Burges. A 
situação do casal tornou-se humilhante e a miséria batia à 
porta. Tentaram vender objetos , mas a custo apenas os 
comerciantes judeus aceitavam comprar.
Então ele enviou cartas a Berth propondo que se ela 
o aceitasse traria de volta a prosperidade e atenções 
de Burges, a que ela recusou. Até que o esposo sofre 
um acidente no trabalho caindo de um andaime na 
Capela em que fazia reparos. Sem recursos, Berth 
não mais conseguia vender suas jóias porque o 
Conde proibira até os judeus de empenhar ou 
comprar e a penúria se abateu sobre seu lar. Então 
Berth cede ao assédio de Ferdinand e se torna sua 
amante em troca dos recursos para a saúde de Louis 
e a sobrevivência de ambos.
Mais tarde Louis pinta um belo retrato de 
Berth o qual é cobiçado por Ferdinand que 
insiste em comprá-lo sem entretanto obter 
sucesso. Mas por este interesse,o Conde 
aproveita para lançar uma suspeita em 
Louis que se choca e intimamente 
compreende nisso uma confissão da relação 
daquele com sua esposa. O insulto do 
Conde induz Louis a desafiá-lo a um duelo 
que culmina com a morte do desafiador.
Berth então entra em desespero pelo remorso, a 
saudade e decepção, adoecendo e sofrendo 
delírios,permanece reclusa por dois meses, alimentando 
seu ódio por Ferdinand a quem responsabiliza 
totalmente por sua desgraça , sem admitir os próprios 
erros , até que planeja sua vingança. 
Ferdinand por sua vez, apaixonado , cada vez mais 
atraído pela mulher pela qual se julgava amado tornou-se 
mal humorado e impaciente ,e insistiu em procurá-la por 
cartas intencionando até desposá-la. Até que um dia 
ela responde marcando encontro na casa dela , onde 
o atrai para assassiná-lo por envenenamento, 
cumprindo assim sua vingança.
Ferdinand era espírito medíocre , fraco, não era um 
homem de todo mau, mas fruto dos valores de sua 
época materialista e frívola : uma época sem moral, 
de culto ao prazer, à boemia, aos prazeres da carne, 
onde era comum tanto o deleite humano aos 
alcoólicos , como as relações sexuais extraconjugais 
como amantes. Amou sinceramente Berth e 
desorientou-se por não ser amado por ela, de quem 
não passou de um joguete em suas mãos. Ele não 
teria proposto o duelo ,que era lícito na época , caso 
não fosse desafiado para isso por Louis, uma vez 
que jamais pensou em matá-lo. Morreu sem ódio no 
coração, porém surpreso com a traição de Berth.
Estudamos na aula passada no capítulo "Viver a 
Dor" que o sofrimento não é imposto por Deus , 
mas sim escolha de cada criatura e que, a 
intensidade e duração dele estão de acordo com o 
estágio espiritual em que ela se encontra. É bom 
lembrar que nesta encarnação este espírito 
envolveu-se com o mesmo grupo espiritual por 
escolha própria, valendo-se de seu livre arbítrio, pois 
fora isento disto pela espiritualidade , a qual 
inclusive o alertou dos riscos de fazê-lo. Insubmisso 
e voluntarioso, sem ser mau, era egoísta e não 
media consequências para satisfazer os próprios 
desejos. Dominado na ocasião por espíritos também 
endurecidos , comparsas de boemia.
Na aula lemos sobre as causas atuais do sofrimento, 
quando o homem pela irresponsabilidade e pelo 
egoísmo busca o melhor para si em detrimento do 
seu próximo. Vimos também dentre os tipos de 
sofrimento, segundo Joanna de Ângelis, o 
sofrimento da impermanência das coisas terrenas, 
que foi o que aconteceu com Ferdinand, que para 
desfrutar do prazer de viver seu amor com Berth 
investiu tudo de si, violando todos os princípios da 
lei divina , numa escala de valores invertidos, tendo 
como base o prazer imediato. O resultado foi o mais 
alto preço a pagar: a própria vida.
Desencarnado, vítima da vingança de sua amada, 
permaneceu muito tempo moribundo, sofrendo os efeitos 
do veneno, retorcendo-se com dores reflexas mentais do 
corpo espiritual. Encontrado perambulando pelas ruas 
acompanhado por corte de entidades nocivas como ele, 
sem o mínimo de responsabilidade espiritual, foi acolhido 
pelos sacerdotes do bem Rômulo e Thom ao que 
agradeceu, mas não se percebeu com faltas a se 
penitenciar, demonstrando temor à Verdade, procurando 
enganar-se a si mesmo com modo de vida espiritual fictício 
e indicando que demoraria a renovar-se. O caso deste 
espírito , portanto será regido pela Lei Divina do 
Progresso, através do trabalho, da dor , e do amor nas 
sucessivas reencarnações.

O cavaleiro de numiers

  • 1.
    Estudo do livrode Yvonne do Amaral Pereira elaborado pelo grupo de Estudo de terças-feiras da Sociedade Espírita Renovação em 26.08 e 02.09.2014
  • 2.
    Focaliza a vidade Espíritos que, desde os tempos de Roma, encarnaram em conjunto, sendo sua última existência verificada na França, o que foi relatado no romance "Nas voragens do pecado". Ressalta a aplicação da lei de causa-e-efeito, descrevendo os personagens centrais e identificando-os com a existência passada. O romance se passa por volta de 1680, no governo do Rei Luís XIV, abordando o amor espiritual de companheiros que encarnam com a tarefa de auxiliar aos Espíritos endividados. Enfoca a união dos Espíritos comprometidos na busca do reajuste que, levados pelas tendências inferiores, envolvem-se em novos dramas. Relata tramas, culminando com a fraqueza moral de um dos protagonistas, que busca o suicídio como fuga para seus problemas e o seu despertar em desequilíbrio no Plano Espiritual. Conclui com o reencontro dos personagens no Plano Maior, preparando-se para nova reencarnação, na procura de reparação dos seus graves desvios da lei de Deus.
  • 4.
  • 5.
    Na metade doséculo XVII , houve reunião espiritual para planejamento da reencarnação de RUTH e LUIS , e se juntaria a eles o Príncipe Frederico de G. Três voluntários haviam emigrado para o cenário terreno: Carlos Felipe I, Carlos Felipe II e Dama Blandina retornariam para apaziguar a consciência de cumplicidade. Juntara ao grupo Monsenhor de B e Reginaldo de Troulles. Tratava-se de Espíritos ainda moralmente prejudicados pelas PAIXÕES, e que precisavam de etapas novas de progresso, à exceção de Carlos Felipe I e Carlos Felipe II, almas cândidas, em franco ressurgir para a redenção. Os demais representantes da família reencarnariam em outras localidades.
  • 6.
    Prepararam-se, pois, asentidades reencarnantes, e atingiram a Terra.  Luís de Narbonne como o Cavaleiro Henri Numiers  Ruth-Carolina como Berthe de Sourmeville-Stainesbourg  Carlos Felipe I como o Padre Rômulo  Carlos Felipe II como o professor Padre Antoine Thomas  Monsenhor de B. como o camponês Arnold Numiers, pai de Henri.  Príncipe Frederico como o Barão Louis de Stainesbourg, primo de Berthe  Dama Blandina como a camponesa Marie Numiers, esposa de Arnold e mãe de Henri  Reginaldo de Troulles como Ferdnand de Görs, Conde de Pracontal.
  • 7.
    E novo dramade paixões e aventuras desencadeou-se nos cenários da Terra, próprio, como tantos outros, de um planeta de provas e expiações, onde reencarnam réprobos e delinquentes. Esse grupo de Espíritos havia-se reunido na encarnação, na Bélgica, para os trabalhos de reconciliação de hostilidades antigas na fraternidade recíproca. Não era, pois, de lei que os fatos que se desenrolaram fossem obrigatórios. Eles, tiveram causa nas paixões incontroláveis daqueles que não souberam cumprir o dever consigo próprios e com aqueles que os circundavam. Foram, pois, inteiramente responsáveis, perante a LEI de DEUS, pelos acontecimentos que se sucederam. Muitas vezes, sofremos, na vida terrena não propriamente a força de uma punção, mas a consequência de erros cometidos na mesma existência vigente.
  • 8.
     “Se nãoperseverardes no Bem e no Amor a Deus, podereis delinquir, pois a Terra é eivada de paixões que vos poderão atingir e desviar da rota que devereis trilhar. A carne atraiçoa muitas vezes a vontade do Espirito” (16).  “Berthe de Sourmeville, a desventurada causadora do drama que enche nossas páginas, e triste lição àqueles que desviam do caminho da justiça para perder-se nos lamaçais do egoísmo e demais paixões. (165)  “ Ainda esta em tempo, Berthe! E seja qual for o erro que cometas eu te ajudarei a te libertares dele. ... é o amigo leal, o conselheiro que desde tua infância se habituou a zelar por ti que te vem suplicar que, se algo perturba a serenidade do teu lar, que te esforces por reagir contra a tentação e o mantenhas respeitável e feliz como até aqui. (83 /84). (Oportunidade ignorada de voltar a boa rota traçada no Espaço)  “Berthe pouco progredira, mantivera-se estacionária como espírito, cultivando o egoísmo e abrigando as más paixões no coração. Com efeito, não é fácil a um Espírito endurecido no erro reformar-se” (168 /169)  “Como todos os pecadores orgulhosos, ela atribuía os próprios erros à ação de outrem, considerando-se vítima e não Cúmplice.” (169).  Berthe ... passou por longo período de sono, até que despertou com forças bastante para tudo compreender e iniciar a própria reeducação sob tutela de dedicados amigos” (204)
  • 9.
     Berthe reencarnaraem Flandres a fim de redimir-se , mas reincidira no crime de traição, não se redimira, antes agravava a situação praticando erros mais nefastos .(205)  Lei de causa e efeito é inexorável, dando a cada um segundo suas obras. “ ... “entretanto, tudo poderá ser aliviado, dependendo do teu proceder diário” (211)  “Os grandes erros cometidos durante a vida planetária não podem ser reparados no Além. Será necessário o recurso decisivo da reencarnação”. (207)  “ A reencarnação é bendito ensejo que Deus vos concede a fim de vos reabilitardes do mal praticado e não sofrer eternamente... Esta concessão está na Lei Natural do Progresso e não deveis rejeita-la... Não obstante, sois livres de escolher o gênero das lutas pelos testemunhos, o local, a família onde reencarnareis, e ate o pais onde vivereis. Se no entanto, não quiserdes partir agora vossa vontade será respeitada. ...( 210)  “Sei que sou uma desgraçada. Nada escolho, nada posso escolher. Entrego-me à lei de Deus. (211)
  • 10.
    Luiz de Narbonne Século XVI
  • 11.
    Século XVII, nosarredores de Flandres (província da Bélgica), novamente reencarnaria uma falange de espíritos afins, ligados por um sentimento de amor, mas um amor que em muitos ainda era primitivo e precisava ser trabalhado. Grandes responsabilidades!!! Mas todos tinham possibilidade de vencer se perseverassem no bem, no amor... no dever legítimo que impulsiona a vontade a resistir as paixões primevas e aos imperativos dos instintos que a carne ainda impõe e que levam muitos espíritos aos piores desatinos, esquecendo-se dos compromissos e responsabilidades assumidos no plano espiritual. A todos haveria o auxílio.... mas caberia a cada um ouvi-los e segui-los... A cada um seria dado segundo suas obras....
  • 12.
    “CADA CRIATURA ÉRESPONSÁVEL PELO QUE LHE ACONTECE, DEVENDO INVESTIR TODOS OS ESFORÇOS E HABILIDADES NA COMPREENSÃO DOS OBJETIVOS EXISTENCIAIS, ASSIM EQUIPANDO-SE DE FORÇAS PARA AS BATALHAS QUE SÃO NECESSÁRIAS PARA O ENGRANDECIMENTO DA VIDA”
  • 13.
    Nesse contexto reencarnaraLuis de Narbonne... agora Cavaleiro de Numiers. Nascera na aldeia de Stainesbourg, pacato vilarejo com imponentes pinheiros tomado por flores e casarios modestos que envolviam os transeuntes naquela aurora de paz! Filho único de camponeses abastados... recebeu instrução militar... tornou-se soldado, cavaleiro.... alto, forte como um Hércules... não era belo, mas possuía os traços dos homens vigorosos da época. Seus olhos refletiam o seu ser ... conflitos e desequilíbrios que lhe dominavam a alma... porém, estranhamente esses mesmo olhar se enternecia até a meiguice, a humildade quando da lembrança de sua “amada” e de seu protetor. Era genioso sem ser mau. Honesto e incapaz de uma desonra, exigindo de suas relações qualidades similares. Qualidades que o faziam ser respeitado e que o conduziam a atos de verdadeira filantropia cristã, sob o entendimento de que o mais forte deveria proteger o mais fraco. Todavia.... declarava-se ateu.
  • 14.
    “O HOMEM DEGÊNIO, QUE SE LANÇA À REALIZAÇÃO DE ALGUM GRANDE EMPREENDIMENTO, TRIUNFA, SE TEM FÉ, PORQUE SENTE E SI QUE PODE E HÁ DE CHEGAR AO OBJETIVO QUE TEM EM VISTA, E ESSA CERTEZA LHE DÁ UMA FORÇA IMENSA (...). ENFIM, COM A FÉ, NÃO HÁ MAUS PENDORES QUE NÃO SE CONSIGA VENCER”
  • 15.
    Fora irmão colaçode Louis... amigos criados desde a infância. Ruth Carolina .... Berthe de Soumeville. Sua amiga... sua paixão de outra vida. Enamoraram-se e novamente se casaram. Novas vidas.... antigos destinos... 03 primeiros anos do enlace matrimonial.... a aura do amor parecia derramar suas bênçãos sobre essa união. Porém... todo erro há de ser liquidado. Erros de outras vida e da mesma vida. Mais uma vez o sentimento desenfreado de “amor” pela bela Berthe lhe acometeu em atitudes irrefletidas... o ciúme, a posse, a necessidade de exercer o domínio sobre aquele ser “angelical” lhe conduziu a humilhação de um suposto contendor. Porém nunca se sabe o que as palavras e atitudes impensadas podem acarretar...
  • 16.
    “... USA ABONDADE NAS TUAS CONSIDERAÇÕES EM RELAÇÃO ÀS DEMAIS PESSOAS COM AS QUAIS CONVIVES OU NÃO. (...) A PALAVRA É PORTADORA DE GRANDE PODER, TANTO PARA ESTIMULAR, CONDUZIR À PLENITUDE, ASSIM COMO PARA GERAR SOFRIMENTO, DESTRUIÇÃO E AMARGURA...”
  • 17.
    O suicídio.... afutura obsessão... Casamento realizado sob ódio de um ser espiritual... consequências que iriam advir.... Naquele lugarejo onde parecia reinar a paz... retorna Louis... E Berthe, Ruth... novamente se deixa envolver.... as preocupações.... os conselhos para que os compromissos no plano espiritual fossem cumpridos... as promessas... a intuição ... nada ouvido... tudo esquecido.
  • 18.
    “O PRESSENTIMENTO... ÉO CONSELHO ÍNTIMO E OCULTO DE UM ESPÍRITO QUE VOS QUER BEM. TAMBÉM ESTÁ NA INTUIÇÃO DA ESCOLHA QUE SE HAJA FEITO. É A VOZ DO INSTINTO. ANTES DE ENCARNAR, TEM O ESPÍRITO CONHECIMENTO DAS FASES PRINCIPAIS DE SUA EXISTÊNCIA, ISTO É, DOS GÊNEROS DAS PROVAS A QUE SE SUBMETE (...) OS ESPÍRITOS PROTETORES OBJETIVAM UNICAMENTE O NOSSO PROCEDIMENTO MORAL (...) MAS QUASE SEMPRE TAPAIS OS OUVIDOS AOS AVISOS SALUTARES E VOS TORNAIS DESGRAÇADOS POR CULPA VOSSA”
  • 19.
    Novamente a traição...o engano... o abandono... Cavaleiro de Numiers.... novamente humilhado, desonrado, angustiado... A raiva, o desespero, a saudade lhe retornavam do passado e, mais uma vez, lhe dominavam. E a fé que poderia lhe servir de auxílio... lhe faltou. Tristeza, dor, sofrimento...
  • 20.
    “SENDO A TERRAO ‘PLANETA DAS PROVAS E EXPIAÇÕES’, OS QUE NOS VINCULAMOS ÀS SUAS MATRIZES, CONSTITUINDO A SUA HUMANIDADE, ESTAMOS SOB O CRIVO DE MIL NECESSIDADES QUE NOS IMPELEM A SEGUIR, BUSCANDO LIBERTAÇÃO. O SOFRIMENTO, PELA NOSSA PRÓPRIA RESPONSABILIDADE, FAZ-SE O AGUILHÃO QUE DESPERTA O ESPÍRITO E O IMPELE A MARCHA”
  • 21.
    Mas nunca seestá só! E os afetos espirituais de outra vida lhe vieram em auxílio. Ida para a França... novo trabalho... nova vida? Mas a lei do resgate é imperativa! A oportunidade do refazimento dos compromissos assumidos é sempre oferecida! E novamente o destino coloca essas duas almas comprometidas no mesmo cenário, a fim de lhes possibilitar a modificação de suas vidas. Mas a vontade de se transformar ainda era pequenina. E diante do novo encontro, novamente Luis de Narbonne... Cavaleiro de Numiers.... deixa-se dominar pela ilusão... pela paixão desenfreada... pelo amor possessivo.
  • 22.
    O ódio, araiva que o dominavam, o desejo do fim daquele ser que tanta dor lhe causara, eram efêmeros... pois não conseguia Numiers odiar aquela mulher... Todavia, embora houvesse o desfazimento dos sentimentos que o angustiavam não conseguia sublimar o seu amor... o que tanto precisava! Mais uma vez... a ilusão.... a traição...o sofrimento....a revolta... Porém não teve Numiers força para superar... O egoísmo na destinação de seus sentimentos o cegavam, pois não enxergava os demais afetos que o cercavam. Assim, embora nunca lhe faltassem almas queridas a seu favor....o livre arbítrio é definidor! E Numiers se suicidou.
  • 23.
    “O SUICÍDIO ÉO COMEÇO DO MAIOR TORMENTO QUE E A CRIATURA HUMANA PODE SOFRER, PORQUE DESCOBRE QUE DEPOIS DE MATAR SEU CORPO FÍSICO ELA CONTINUA VIVA... PORÉM SOZINHA, E SEM SOCORRO ALGUM, DESCOBRE QUE SEUS MALES SÓ SE AGRAVARAM E QUE INFELIZMENTE COMETEU UM DOS MAIORES CRIMES QUE A CRIATURA PODE COMETER, TIRAR UM EMPRÉSTIMO DE DEUS QUE SERVIRIA PARA A EVOLUÇÃO DE SEU ESPÍRITO”
  • 24.
    E mais umavez... anos de sofrimento, de dor... O despertar no além túmulo amplia a consciência de si mesmo... e Numiers pode perceber que a vida não cessará que a dor continuara... 10 anos vagando sentindo as consequências de seus atos impensados... a lembrança do ato atentatório contra si mesmo o atormentavam... Precisava sofrer os resultados de suas ações irrefletidas.... A cada um será dado segundo sua obra... Após anos de amarguras, mais uma vez o arrependimento, a autoculpa.... mas precisava Numiers superar, resgatar... e aceitar as consequências da sua atitude inculta...
  • 25.
    “A PASSAGEM DOSESPÍRITOS PELA VIDA CORPÓREA É NECESSÁRIA PARA QUE ELES POSSAM CUMPRIR, POR MEIO DE UMA AÇÃO MATERIAL, OS DESÍGNIOS CUJA EXECUÇÃO DEUS LHE CONFIA”
  • 26.
    Numiers ... Luisde Narbonne errara, errara muito, mas sempre por amor... ainda que um amor doentio que precisava ser trabalhado, precisava ser sublimado. Mais uma chance, uma oportunidade... sem escolhas... difíceis provações lhe foram traçadas ... mas o amor familiar jamais o desamparara. Então, novamente reencarnara Numiers, entre os entes em que precisava ... para aprender a verdadeiramente amar e assim se libertar!
  • 27.
  • 28.
    Herdara da mãeuma debilidade profunda que ameaçava lhe roubar a vida. Marie Numiers tornou-se sua ama de campo e passara a viver no castelo como em sua casa, mas sempre com seu pequeno Henri. Louis, portanto, criara-se ao lado de Henri. Criado junto a prima Berthe e muito afeiçoado a ela, prometeu a mãe protege-la. Com a morte da esposa querida, o Barão Frederich se abateu e adoecendo foi aconselhado a viajar. Pediu ao filho Louis que o acompanhasse. Este concordou, mas queria levar Berthe, ao que o pai não deixou.
  • 29.
    Louis deseja seguirno aprendizado das belas artes. O pai se refugiava no Sul da França para após uma tuberculose, desencarnar. Louis se vê desamparado, sem recursos com más terras e castelos hipotecados aos primos e não manda mais notícias ou mesada ao Padre Romulo. O jovem refugia-se no convento na Holanda e aí torna-se culto. Para, cuidar da vida própria sai do convento e inicia vida artística. Louis pensa em buscar Berthe mas passam-se os anos e ele não vai buscá-la. Louis torna-se secretário particular do Conde Ferdnand de Görs que o leva para Flandres. E assim alguns meses após a chegada a Bruges, Louis pede licença ao Conde para visitar a terra natal, onze anos após sua partida, disposto a cumprir sua promessa de matrimônio com a prima Berthe.
  • 30.
    Louis aceita hospedar-sena herdade dos Numiers e era respeitado pelos aldeões que achavam que ele sabia honrar a memória dos pais tão queridos por todos. Sua afeição por Henri conservara-se inalterável. Henri feliz com presença de Louis oferece-lhe todos os préstimos até as terras doadas por sua mãe. Mas Louis recusou. O jovem preocupado nota que a presença da prima lhe desperta novamente toda paixão por ela. E temeroso procura sempre a companhia de Henri porque nota ser correspondido. O Conde Louis medita que seria melhor partir. Mas Louis não se animou a deixar a herdade dos Numiers.
  • 31.
     A FUGA Nas horas de meditação Louis sentia-se sobressaltado. A consciência acusava-o do erro que praticava e ele, que agora possuía a mulher que amava, não era feliz como seria se esperar. Era inevitável a desgraça no solar de Louis de Stainesbourg e ele o sabia.  O DUELO Sentia-se sereno. Depois de dolorosamente vibrar, seus nervos se aquietaram sob a injunção do inevitável. Murmurou para Berthe ”estás perdoada, querida amiga da minha infância”. E foi ao encontro de Fernand, pelas mãos de quem morreu, pedindo perdão a Henri Numiers, compreendendo as leis de justiça.
  • 32.
    Louis desviou-se daboa rota traçada no Espaço, antes da reencarnação, e errou: fraco, invigilante, imprudente ele arrojou-se nos braços da uma felicidade fictícia, que sua ingenuidade supusera real. A passagem para o Além fora violenta e era difícil o despertar, embora não doloroso. Alguns dias após o desenlace recuperou a lucidez; apoderou-se de tristeza infinita. Era um remorso atroz que nada aplacava. Não culpara Fernand pelo duelo que o vitimara e perdoava-o. Rogava por um meio de reparar o mal praticado contra Henri, pedindo a oportunidade de ama-lo, protegê-lo e de sacrificar-se por ele; Sua mãe veio em seu socorro.
  • 33.
    Na erraticidade, amãe de Louis diz que ele precisa reparar/reconciliar-se com Henri. Que 2 séculos não serão o suficiente para que Henri deixe de sofrer. Para que Louis reencarne ligado a fortes laços de parentesco, é necessário que Henri concorde. Caso Henry se negue, a Lei facultar-lhe- á o direito de reparar em outrem, nas mesmas condições que ele, o que a Henri deves. Na reunião com os mentores espirituais, Louis solicita reencarnar como irmão de Henri e, seu convite é aceito pelos mentores e, também, por Henri. O sofrimento de Louis foi provocado por sua falta de firmeza de caráter, pois se deixou levar pelo desatino de Berthe e sua consciência o atormentava pois sabia do erro cometido.
  • 34.
     “A doré o resultado do conflito. Ela ocorre quando duas direções opostas coexistem numa personalidade. A direção das forças universais criativas orienta-se para a luz, para a vida, para o crescimento, o desdobramento, a afirmação, a beleza, o amor, a inclusão, a união e o prazer supremo. Sempre que essa direção é contrariada por outra, cria-se a dor, mas o desequilíbrio é um tipo especial de tensão causada pela direção oposta. É isso que causa o sofrimento. [...]A direção negativa e destrutiva não seria tão feroz e tão difícil de superar se o princípio do prazer não estivesse ligado a ela. Você se encontra na posição de não querer separar-se do prazer precário que retira da indulgência para os sentimentos e as atitudes destrutivas. Isso pode evoluir sutilmente, insidiosamente e inadvertidamente quando um indivíduo começa a seguir numa direção saudável e construtiva.”
  • 35.
     O sofrimentodo sofrimento é resultado das aflições que ele mesmo proporciona.  Apresenta-se sob dois aspectos: físico e mental, na imensa área das patologias geradoras de doenças. Nesse caso, o sofrimento é como uma doença e resultado dela.  As origens do sofrimento estão sempre, portanto, naquele que o padece, no recôndito do seu ser, nos painéis profundos da sua consciência.  Ao lado das origens cármicas do sofrimento, surgem as causas atuais, quando o homem o busca mediante a irresponsabilidade, a precipitação, a prevalência do egoísmo que incita à escolha do melhor para si em detrimento do seu próximo.  O perdão das falhas alheias luariza a paisagem íntima clareando as sombras da angústia insistente que bloqueia a alegria de viver, produzindo sofrimentos injustificáveis.  Considerando a própria fragilidade, o indivíduo deve conceder-se a oportunidade de reparar os males praticados, reabilitando-se perante si mesmo e perante aqueles a quem haja prejudicado.
  • 36.
    Monsenhor de B. Século XVI
  • 37.
    Monsenhor de B,pai adotivo de Luis de Narbone, reencarna aspirando viver ao lado de seu amado filho para todo o sempre, que agora viria como seu filho legítimo Henri de Numiers. Arnold abastado camponês da Aldeia de Stainsbourg, protegido pelos Barões de Stainsbourg do qual foi fiel seguidor e pai de Henri de Numiers. Os Barões agradecidos por salvarem a vida de seu filho Barão Fredérich, eleva Arnold a categoria de intendente ou seja administrador de suas propriedades. O Barão de Stainesbourg partiria para a Europa , junto de seu filho Louis, para se tratar, e como Berthe era uma menina muito frágil, não aguentaria a viagem, então ela é confiada temporariamente aos Numiers, sendo que esta leva por doação o sobrenome Stainesbourg e a quantia suficiente para o seu trato e sua educação. Passado alguns anos Henri filho de Arnold e a filha do Barão criada por eles se casam. Depois de três anos Frederich de Stainsbourg volta à aldeia e Berthe descobre que aquele (Louis) era seu grande amor (depois de Thom) e foge com ele.
  • 38.
    Arnold se enfurecevendo o filho querido sofrer e diz: Ele é um covarde que se deixa morrer por paixão, sem coragem para reagir a aquela situação, Arnold faz um juramento: “juro que no próprio inferno que a infame se esconda, lá mesmo eu irei buscá-la para beber o sangue maldito e vingar a desgraça desse filho que eu desprezo pela sua covardia”. Arnold que na encarnação anterior fora Monsenhor B, já não gostava de Berthe (ou seja Ruth Carolina) para ser esposa de Luis de Narbone (agora Henri Numiers) essa antipatia só se agravava nessa encarnação, depois de tudo que ela fez a Henri o levando ao suicídio. Arnold se desesperava até a demência diante do cadáver mutilado de seu filho, que ele mesmo encontrara. Arnold dizia blasfêmeas no auge do desespero vendo sepultarem os despojos de Henri e de volta a sua casa dizia: “Oh Berthe de Stainesbourg, Berthe de Stainsbourg não morrerei sem te encontrar, assassina de meu filho! E o crime que cometeste nele eu cometerei em ti, ainda que vá buscar no palácio dos Reis”.
  • 39.
    Depois desses acontecimentospai Arnold entregara-se a embriaguez, corroído pelo desgosto, ficava fora de casa por dias. O gado abandonado ou era furtado pelos forasteiros, como ele acumulou dívidas os aldeões apoderarem-se de terras em pagamento da dívida Arnold deixou-se levar pelos arrebatamentos das paixões esquecendo não apenas os sábios conselhos dos amigos do espaço, mas também os propósitos que trouxeram ao aceitar os novos testemunhos da reencarnação. Passados dez anos de desolação, coberto de dores e angústias, pai Arnold nunca mais trabalhara em sua antiga propriedade e isso foi a ruína, com esse abandono os senhores de Stainsbourg tomaram a propriedade de volta.
  • 40.
    Agora pai Arnoldenfermo, tinha as faculdades mentais alteradas e vivia perambulando pelas aldeias como mendigo, a procura de Berthe a fim de executar sua vingança. Quando Berthe adoeceu e se encontrava na torre do Presbitério, pai Arnold rodeava dia e noite em volta só aguardando a hora de fazer sua vingança, porém Berthe veio a falecer e Arnold Numiers não conseguira praticar sua projetada vingança. Já no plano espiritual, em reunião para decidir sua nova reencarnação, Arnold foi aconselhado a perdoar Berthe, mas não quis, fugiu e seu livre arbítrio foi respeitado.
  • 41.
  • 42.
    Era um varãode pouco mais de trinta anos de idade. Nascera em certa aldeia de Provença, de família nobre, mas sem grandes patrimônios. Órfão de pai aos cinco anos de idade, sua mãe, paupérrima, confiara-o aos monges de Saint- Sulpice, para que se educasse e tomasse ordens [...]. Romulo fora seu mestre no convento [...]. Ordenando-se, Antoine Thomas tornara-se também professor, pois era senhor de grande cultura intelectual e artística, exercendo sua profissão não somente entre os nobres, mas repartindo-se também a beneficio dos menos favorecidos da sociedade. [...]
  • 43.
    Amava Berthe desdesua infância, quando lhe ministrava as letras e a música. “Não a desejava como minha mulher; desejava, sim, a sua presença em minha vida, o seu sorriso e os seus afagos; desejava ser amado por ela á face de Deus, com a pureza com que a amava, vê-la fiel e submissa aos meus conselhos, aos ditames da lei de Deus. Antoine sabendo ser amado por Berthe antes dos seus esposais, recolhera-se, agora, ao mais completo isolamento; fugira, por assim dizer, do convívio da aldeia, a fim de se conservar afastado dela, evitando possíveis expansões futuras.
  • 44.
    Quando Louis retornaabalando as estruturas do casamento feliz o Padre Thom se reaproxima na tentativa de guia-la, orienta-la e tenta convencê-la a resignar-se, voltando-se para Deus; sem sucesso. E com a fuga de Berthe o padre passa a prestar assistência á Henri. Após o assassinato de Ferdnand de Gors, Romulo e Thom escondem Berthe em um aposento humilde e tratam-na com desvelo paternal; mas não conseguiram pacificar a mente da infeliz mulher.
  • 45.
    Na erraticidade, PadreThom não perdia tempo: Visitava Berthe frequentemente, instruindo-a quanto à conduta que devia observar. Falava-lhe da necessidade de procurar Deus e iniciar o trabalho dos resgates necessários. Pois, era um espírito delinquente, e quanto antes iniciasse a aprendizagem, muito mais fácil seriam as reparações terrenas futuras. No que consistia o aprendizado: Prática do bem, exercício da caridade, Estudo das Leis Divinas que ele infligira, no exame de consciência que a levaria a emendar-se e, à vontade de expiar o passado no trabalho de realizações edificantes.
  • 46.
    Na reunião comos mentores espirituais, Thom ofereceu-se para auxiliar Berthe, no que fosse possível, pedindo permissão para reencarnar ao lado dela, como irmão mais velho. O que foi concedido. O seu sofrimento não era causado por sua má conduta ou por ter uma consciência pesada mas porque acompanhava a vida as pessoas que amava e que apesar de os aconselhar não seguiam os seus conselhos. Então sofre porque não pode evitar o sofrimento alheio. Do texto da aula anterior a parte que identifica o Antoine é: A educação calcada nos valores ético-morais, não-castradores, que estimula a consciência do dever e da responsabilidade do indivíduo para com ele próprio, para com seu próximo e para com a vida, equipa-o de saúde emocional e valor espiritual para o trânsito equilibrado pela existência física.
  • 47.
  • 48.
    Alemão, rico, poderoso,tinha 40 anos "bem vividos", era solteiro e dado a conquistas amorosas; excêntrico; era exímio esgrimista (era época de duelos, onde os nobres não podiam ser desafiados sem aceitar);tornou-se paternal com os amigos. Admirador da intelectualidade, embora homem de armas, protegeu o amigo Louis Frederych —artista pobre tornando-o seu secretário particular ( para organizar festas,escrever poemas e discursos, restaurar pinturas, etc); sendo que este pelos afazeres de trabalho que o sobrecarregavam se via obrigado a passar temporadas no campo, ficando afastado da esposa Berth, que por sua vez, vivia os prazeres nas festas e reuniões de Ferdinand, tornando-se seu par constante
  • 49.
    Ferdinand apaixonou-se porBerth e redobrou os favores concedidos a ela e o esposo Louis tentando conquistá-la pela generosidade. Sua intenção era torná-la sua amante uma vez que nessa época isso era comum.Mas Berth não amava Ferdinand, embora aceitasse a vida principesca propiciada por ele. Um dia o Conde cansou-se da esquiva de Berth que era fiel ao marido e lhe confessara amá-lo com sinceridade , e retirou a proteção de ambos intentando conquistá-la pela penúria. Demitiu o amigo Louis, deixou de convidá-los para festas e reuniões e de comprar as peças teatrais de Louis , sendo imitado por todos os fidalgos de Burges. A situação do casal tornou-se humilhante e a miséria batia à porta. Tentaram vender objetos , mas a custo apenas os comerciantes judeus aceitavam comprar.
  • 50.
    Então ele envioucartas a Berth propondo que se ela o aceitasse traria de volta a prosperidade e atenções de Burges, a que ela recusou. Até que o esposo sofre um acidente no trabalho caindo de um andaime na Capela em que fazia reparos. Sem recursos, Berth não mais conseguia vender suas jóias porque o Conde proibira até os judeus de empenhar ou comprar e a penúria se abateu sobre seu lar. Então Berth cede ao assédio de Ferdinand e se torna sua amante em troca dos recursos para a saúde de Louis e a sobrevivência de ambos.
  • 51.
    Mais tarde Louispinta um belo retrato de Berth o qual é cobiçado por Ferdinand que insiste em comprá-lo sem entretanto obter sucesso. Mas por este interesse,o Conde aproveita para lançar uma suspeita em Louis que se choca e intimamente compreende nisso uma confissão da relação daquele com sua esposa. O insulto do Conde induz Louis a desafiá-lo a um duelo que culmina com a morte do desafiador.
  • 52.
    Berth então entraem desespero pelo remorso, a saudade e decepção, adoecendo e sofrendo delírios,permanece reclusa por dois meses, alimentando seu ódio por Ferdinand a quem responsabiliza totalmente por sua desgraça , sem admitir os próprios erros , até que planeja sua vingança. Ferdinand por sua vez, apaixonado , cada vez mais atraído pela mulher pela qual se julgava amado tornou-se mal humorado e impaciente ,e insistiu em procurá-la por cartas intencionando até desposá-la. Até que um dia ela responde marcando encontro na casa dela , onde o atrai para assassiná-lo por envenenamento, cumprindo assim sua vingança.
  • 53.
    Ferdinand era espíritomedíocre , fraco, não era um homem de todo mau, mas fruto dos valores de sua época materialista e frívola : uma época sem moral, de culto ao prazer, à boemia, aos prazeres da carne, onde era comum tanto o deleite humano aos alcoólicos , como as relações sexuais extraconjugais como amantes. Amou sinceramente Berth e desorientou-se por não ser amado por ela, de quem não passou de um joguete em suas mãos. Ele não teria proposto o duelo ,que era lícito na época , caso não fosse desafiado para isso por Louis, uma vez que jamais pensou em matá-lo. Morreu sem ódio no coração, porém surpreso com a traição de Berth.
  • 54.
    Estudamos na aulapassada no capítulo "Viver a Dor" que o sofrimento não é imposto por Deus , mas sim escolha de cada criatura e que, a intensidade e duração dele estão de acordo com o estágio espiritual em que ela se encontra. É bom lembrar que nesta encarnação este espírito envolveu-se com o mesmo grupo espiritual por escolha própria, valendo-se de seu livre arbítrio, pois fora isento disto pela espiritualidade , a qual inclusive o alertou dos riscos de fazê-lo. Insubmisso e voluntarioso, sem ser mau, era egoísta e não media consequências para satisfazer os próprios desejos. Dominado na ocasião por espíritos também endurecidos , comparsas de boemia.
  • 55.
    Na aula lemossobre as causas atuais do sofrimento, quando o homem pela irresponsabilidade e pelo egoísmo busca o melhor para si em detrimento do seu próximo. Vimos também dentre os tipos de sofrimento, segundo Joanna de Ângelis, o sofrimento da impermanência das coisas terrenas, que foi o que aconteceu com Ferdinand, que para desfrutar do prazer de viver seu amor com Berth investiu tudo de si, violando todos os princípios da lei divina , numa escala de valores invertidos, tendo como base o prazer imediato. O resultado foi o mais alto preço a pagar: a própria vida.
  • 56.
    Desencarnado, vítima davingança de sua amada, permaneceu muito tempo moribundo, sofrendo os efeitos do veneno, retorcendo-se com dores reflexas mentais do corpo espiritual. Encontrado perambulando pelas ruas acompanhado por corte de entidades nocivas como ele, sem o mínimo de responsabilidade espiritual, foi acolhido pelos sacerdotes do bem Rômulo e Thom ao que agradeceu, mas não se percebeu com faltas a se penitenciar, demonstrando temor à Verdade, procurando enganar-se a si mesmo com modo de vida espiritual fictício e indicando que demoraria a renovar-se. O caso deste espírito , portanto será regido pela Lei Divina do Progresso, através do trabalho, da dor , e do amor nas sucessivas reencarnações.