L   uís Américo Azevedo
                           Carvalho Fernandes,
                     filho mais velho de uma
                     família de 13 irmãos, nasceu
                     em Vila das Aves em 1948,                                                                    LUÍS AMÉRICO
                     frequentou os seminários
                     dos Vicentinos durante                                                                        FERNANDES
                     vários anos onde recebeu
uma apurada formação humanística e sensibilidade
para a música e para a literatura, tendo recebido
um prémio de poesia por volta dos vinte anos num
                                                                                                        BIBLIOTECA DA ESCOLA EB 2,3 DE PRADO
concurso promovido pelo SNI a nível nacional.
                                                                                                            1 6   D E   J U N H O D E   2 0 1 1
Mobilizado para a Guiné entre 1972 e 1974 como
                                                                                                                        2 1 H O R A S
alferes miliciano, iniciou os seus estudos superiores
em 1975, tendo concluído o bacharelato em Filolo-
gia Românica na Faculdade de Letras do Porto e,
mais tarde, a licenciatura em Línguas e Literaturas
Modernas na Universidade Aberta na vertente de
Português e Francês.
Leccionou a disciplina de Francês e Português em
várias escolas dos 2º e 3º ciclos e concomitantemen-                    Contactos
te a disciplina de teatro.
Jubilado do ensino tem-se dedicado à tradução de
autores franceses.                                       AGRUPAMENTO VERTICAL DE ESCOLAS DE PRADO

Personalidade empenhada na vida autárquica e em                   Rua Dr. Lima Cruz - Vila de Prado
movimentos de cultura e de intervenção na sua terra
natal onde sempre residiu, director artístico de um                 http://www.eb23-prado.rcts.pt/
coro polifónico ligado à paróquia e director periódi-
co do “Entremargens”, foi na poesia que encontrou                http://bibliotecaprado.blogspot.com/
uma expressão para o seu mundo interior, uma
“urdidura” para a configuração dos “nós e dos
laços” que tecemos numa vida de relação amorosa
com os outros, com os lugares e os ambientes por
que passamos, uma ânfora, afinal, em que metafori-
zamos a nossa vida e a dos que nos são ou nos
foram mais próximos, numa tensão inexplicável
entre o devaneio e a realidade, a dádiva e a dívida, a
alegria e a culpa, o imediato e o transcendente.
“ ÂNFORA DE AFECTOS “
   CANÇÃO DE EMBALAR                                                  QUASE                                      GOSTO DE TI



M                                             É                                                      G
                                                       quase pleno o abraço                                       osto de ti,
               enino de oiro o teu berço              E há rios de ternura nos teus dedos em delta                Do teu olhar atento ao paladar
               É como um barco no mar.                Sobre o dorso de um mar de penetrar.                        Ao que há de novo nas palavras
               Nunca o sonho será longo                                                                           Tantas vezes ouvidas
               Nem as marés de calhar                                                                No marulhar das ondas contra o mar
                                              Afoitos, procuramos marés comunicantes
Sopram ventos à distância,                                                                           São como restos de barcos
                                              Mas entre o gesto de dar e receber
Sinais dos tempos que vão                                                                            No som do mar naufragados
                                              Há recônditos espaços,
Vai de viagem a infância                                                                             Trazidos pelas marés,
                                              Ilhas de areia, calcário vegetal,
Afagos sim, ventos não,                                                                              Sinais de passos já dados
                                              Coral em que se aloja
Deixem sonhar a criança                                                                              E todavia adiados para outras manhãs de
                                              O silêncio animal.
Ao sabor desta canção.                                                                               sonho,
                                                                                                     Balbucios de crianças que ainda somos
Olhos de água são os teus olhos,                        QUE FLOR OU FRUTO                            Brincando em todas as direcções do dizer con-




                                              Q
Sorrisos de tua mãe;                                                                                 jugando e aprendendo o verbo amar.
                                                         ue flor ou fruto arde na penumbra
Búzios do mar teus ouvidos
                                                         E na polpa dos dedos estremece?             - Ergue as velas ao vento e vai embora!
Em que muralha a canção,
                                                         Rumor de um não sei quê que se vislumbra    Como é diversa essa hora
Canção do berço que embala,
                                                         E que se furta quando se oferece.           Sabendo amarga ou a amora
Seixos que rolam na areia
Com quem o menino fala,                                                                              Aroma de maresia ou névoa de fantasia!...
Peixinhos na sua ideia                        Um halo só, no espaço, a desenhar-se                   O que é preciso é partir
Deixem sonhar a criança                       Onde o real existe mais como perfume,                  E não ficar na demora
Ao longo da vida inteira.                     Erva – doce da vida a sublimar-se,                     Pois por caminhos diversos
                                              A consumir-se em espirais de lume.                     A Roma irão sempre dar teus versos.

ânfora

  • 1.
    L uís Américo Azevedo Carvalho Fernandes, filho mais velho de uma família de 13 irmãos, nasceu em Vila das Aves em 1948, LUÍS AMÉRICO frequentou os seminários dos Vicentinos durante FERNANDES vários anos onde recebeu uma apurada formação humanística e sensibilidade para a música e para a literatura, tendo recebido um prémio de poesia por volta dos vinte anos num BIBLIOTECA DA ESCOLA EB 2,3 DE PRADO concurso promovido pelo SNI a nível nacional. 1 6 D E J U N H O D E 2 0 1 1 Mobilizado para a Guiné entre 1972 e 1974 como 2 1 H O R A S alferes miliciano, iniciou os seus estudos superiores em 1975, tendo concluído o bacharelato em Filolo- gia Românica na Faculdade de Letras do Porto e, mais tarde, a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas na Universidade Aberta na vertente de Português e Francês. Leccionou a disciplina de Francês e Português em várias escolas dos 2º e 3º ciclos e concomitantemen- Contactos te a disciplina de teatro. Jubilado do ensino tem-se dedicado à tradução de autores franceses. AGRUPAMENTO VERTICAL DE ESCOLAS DE PRADO Personalidade empenhada na vida autárquica e em Rua Dr. Lima Cruz - Vila de Prado movimentos de cultura e de intervenção na sua terra natal onde sempre residiu, director artístico de um http://www.eb23-prado.rcts.pt/ coro polifónico ligado à paróquia e director periódi- co do “Entremargens”, foi na poesia que encontrou http://bibliotecaprado.blogspot.com/ uma expressão para o seu mundo interior, uma “urdidura” para a configuração dos “nós e dos laços” que tecemos numa vida de relação amorosa com os outros, com os lugares e os ambientes por que passamos, uma ânfora, afinal, em que metafori- zamos a nossa vida e a dos que nos são ou nos foram mais próximos, numa tensão inexplicável entre o devaneio e a realidade, a dádiva e a dívida, a alegria e a culpa, o imediato e o transcendente.
  • 2.
    “ ÂNFORA DEAFECTOS “ CANÇÃO DE EMBALAR QUASE GOSTO DE TI M É G quase pleno o abraço osto de ti, enino de oiro o teu berço E há rios de ternura nos teus dedos em delta Do teu olhar atento ao paladar É como um barco no mar. Sobre o dorso de um mar de penetrar. Ao que há de novo nas palavras Nunca o sonho será longo Tantas vezes ouvidas Nem as marés de calhar No marulhar das ondas contra o mar Afoitos, procuramos marés comunicantes Sopram ventos à distância, São como restos de barcos Mas entre o gesto de dar e receber Sinais dos tempos que vão No som do mar naufragados Há recônditos espaços, Vai de viagem a infância Trazidos pelas marés, Ilhas de areia, calcário vegetal, Afagos sim, ventos não, Sinais de passos já dados Coral em que se aloja Deixem sonhar a criança E todavia adiados para outras manhãs de O silêncio animal. Ao sabor desta canção. sonho, Balbucios de crianças que ainda somos Olhos de água são os teus olhos, QUE FLOR OU FRUTO Brincando em todas as direcções do dizer con- Q Sorrisos de tua mãe; jugando e aprendendo o verbo amar. ue flor ou fruto arde na penumbra Búzios do mar teus ouvidos E na polpa dos dedos estremece? - Ergue as velas ao vento e vai embora! Em que muralha a canção, Rumor de um não sei quê que se vislumbra Como é diversa essa hora Canção do berço que embala, E que se furta quando se oferece. Sabendo amarga ou a amora Seixos que rolam na areia Com quem o menino fala, Aroma de maresia ou névoa de fantasia!... Peixinhos na sua ideia Um halo só, no espaço, a desenhar-se O que é preciso é partir Deixem sonhar a criança Onde o real existe mais como perfume, E não ficar na demora Ao longo da vida inteira. Erva – doce da vida a sublimar-se, Pois por caminhos diversos A consumir-se em espirais de lume. A Roma irão sempre dar teus versos.