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PROJETO: Cultura, Literatura e Criatividade: Do erudito ao popular – CLIC
COORDENADORA DA ÁREA DE LETRAS: Magliana Rodrigues da Silva
ESCOLA PARTICIPANTE: E.E.E. Fundamental e Médio Professor Raul Córdula
SUPERVISORA DA ESCOLA: Diana Nunes Ramalho
LICENCIANDOS EM LETRAS: Ana Daniele Félix
Eloiza de Oliveira Chaves
Lígia Albuquerque Queiroz
Monalisa Barboza Santos
Nathalia Isis Oliveira
IDENTIDADE FEMININA:
ATUAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DA MULHER NA
SOCIEDADE
Aluno (a)_________________________________________________________________________
www.clicletras.blogs.com
2
 Texto 01:
Entre a Espada e a Rosa
Marina Colasanti
Qual é a hora de casar, senão aquela em que ocoração diz"quero"? A hora que o pai escolhe. Isso descobriu
a Princesa na tarde em que o Rei mandou chamá-la e, sem rodeios, lhe disse que, tendo decidido fazer aliança com
o povo das fronteiras do Norte, prometera dá-la em casamento ao seu chefe. Se era velho e feio, que importância
tinha frente aos soldados que traria para o reino, às ovelhas que poria nos pastos e às moedas que despejaria nos
cofres? Estivesse pronta, pois breve o noivo viria buscá-la.
De volta ao quarto, a Princesa chorou mais lágrimas do que acreditava ter para chorar. Embotada na cama,
aos soluços, implorou ao seu corpo, a sua mente, que lhe fizesse achar uma solução para escapar da decisão do
pai. Afinal, esgotada, adormeceu.
E na noite sua mente ordenou, e no escuro seu corpo ficou. E ao acordar de manhã, os olhos ainda ardendo
de tanto chorar, a Princesa percebeu que algo estranho se passava. Com quanto medo correu ao espelho! Com
quanto espanto viu cachos ruivos rodeando-lhe o queixo! Não podia acreditar, mas era verdade. Em seu rosto,
uma barba havia crescido.
Passou os dedos lentamente entre os fios sedosos. E já estendia a mão procurando a tesoura, quandoafinal
compreendeu. Aquela era a sua resposta. Podia vir o noivo buscá-la. Podia vir com seus soldados, suas ovelhas e
suas moedas. Mas, quando a visse, não mais a quereria. Nem ele nem qualquer outro escolhido pelo Rei.
Salva a filha, perdia-se porém a aliança do pai. Que tomado de horror e fúria diante da jovem barbada, e
alegando a vergonha que cairia sobre seu reino diante de tal estranheza, ordenou-lhe abandonar o palácio
imediatamente.
A Princesa fez uma trouxa pequena com suas jóias, escolheu um vestido de veludo cor de sangue. E, sem
despedidas, atravessou a ponte levadiça, passando para o outro lado do fosso. Atrás ficava tudo o que havia sido
seu, adiante estava aquilo que não conhecia.
Na primeira aldeia aonde chegou, depois de muito caminhar, ofereceu-se de casa em casa para fazer
serviços de mulher. Porém ninguém quis aceitá-la porque, com aquela barba, parecia-lhes evidente que fosse
homem.
Na segunda aldeia, esperando ter mais sorte, ofereceu-se para fazer serviços de homem. E novamente
ninguém quis aceitá-la porque, com aquele corpo, tinham certeza de que era mulher.
Cansada mas ainda esperançosa, ao ver de longe as casas da terceira aldeia, a Princesa pediu uma faca emprestada
a um pastor, e raspou a barba. Porém, antes mesmo de chegar, a barba havia crescido outra vez, mais cacheada,
brilhante e rubra do que antes.
Então, sem mais nada pedir, a Princesa vendeu suas jóias para um armeiro, em troca de uma couraça, uma
espada e um elmo. E, tirando do dedo o anel que havia sido de sua mãe, vendeu-o para um mercador, em troca de
um cavalo.
Agora, debaixo da couraça, ninguém veria seu corpo, debaixo do elmo, ninguém veria sua barba. Montada
a cavalo, espada em punho, não seria mais homem, nem mulher. Seria guerreiro.
E guerreiro valente tornou-se, à medida que servia aos Senhores dos castelos e aprendia a manejar as armas. Em
breve, não havia quem a superasse nos torneios, nem a vencesse nas batalhas. A fama da sua coragem espalhava-
se por toda parte e a precedia. Já ninguém recusava seus serviços. A couraça falava mais que o nome.
Pouco se demorava em cada lugar. Lutava cumprindo seu trato e seu dever, batia-se com lealdade pelo
Senhor. Porém suas vitórias atraíam os olhares da corte, e cedo os murmúrios começavam a percorrer os
1º ENCONTRO
3
corredores. Quem era aquele cavaleiro, ousado e gentil, que nunca tirava os trajes de batalha? Por que não
participava das festas, nem cantava para as damas? Quando as perguntas se faziam em voz alta, ela sabia que era
chegada a hora de partir. E ao amanhecer montava seu cavalo, deixava o castelo, sem romper o mistério com que
havia chegado.
Somente sozinha, cavalgando no campo, ousava levantar a viseira para que o vento lhe refrescasse o rosto
acariciando os cachos rubros. Mas tornava a baixá-la, tão logo via tremular na distância as bandeiras de algum
torreão.
Assim, de castelo em castelo, havia chegado àquele governado por um jovem Rei. E fazia algum tempo que
ali estava.
Desde o dia em que a vira, parada diante do grande portão, cabeça erguida, oferecendo sua espada, ele havia
demonstrado preferi-la aos outros guerreiros. Era a seu lado que a queria nas batalhas, era ela que chamava para
os exercícios na sala de armas, era ela sua companhia preferida, seu melhor conselheiro. Com o tempo, mais de
uma vez, um havia salvo a vida do outro. E parecia natural, como o fluir dos dias, que suas vidas transcoressem
juntas.
Companheiro nas lutas e nas caçadas, inquietava-se porém o Rei vendo que seu amigo mais fiel jamais
tirava o elmo. E mais ainda inquietava-se, ao sentir crescer dentro de si um sentimento novo, diferente de todos,
devoção mais funda por aquele amigo do que um homem sente por um homem. Pois não podia saber que à noite,
trancado o quarto, a princesa encostava seu escudo na parede, vestia o vestido de veludo vermelho, soltava os
cabelos, e diante do seu reflexo no metal polido, suspirava longamente pensando nele.
Muitos dias se passaram em que, tentando fugir do que sentia, o Rei evitava vê-la. E outros tantos em que,
percebendo que isso não a afastava da sua lembrança, mandava chamá-la, para arrepender-se em seguida e pedia-
lhe que se fosse.
Por fim, como nada disso acalmasse seu tormento, ordenou que viesse ter com ele. E, em voz áspera, lhe
disse que há muito tempo tolerava ter a seu lado um cavaleiro de rosto sempre encoberto. Mas que não podia
mais confiar em alguém que se escondia atrás do ferro. Tirasse o elmo, mostrasse o rosto. Ou teria cinco dias para
deixar o castelo.
Sem resposta, ou gesto, a Princesa deixou o salão, refugiando-se no seu quarto. Nunca o Rei poderia amá-
la, com sua barba ruiva. Nem mais a quereria como guerreiro, com seu corpo de mulher. Chorou todas as lágrimas
que ainda tinha para chorar. Dobrada sobre si mesma, aos soluços, implorou ao seu corpo que lhe desse uma
solução. Afinal, esgotada, adormeceu.
E na noite seu mente ordenou, e no escuro seu corpo brotou. E ao acordar de manhã, com os olhos
inchados de tanto chorar, a Princesa percebeu que algo estranho se passava. Não ousou levar as mãos ao rosto.
Com medo, quanto medo! Aproximou-se do escudo polido, procurou seu reflexo. E com espanto, quanto espanto!
Viu que, sim, a barba havia desaparecido. Mas em seu lugar, rubras como os cachos, rosas lhe rodeavam o queixo.
Naquele dia não ousou sair do quarto, para não ser denunciada pelo perfume, tão intenso, que ela própria
sentia-se embriagar de primavera. E perguntava-se de que adiantava ter trocado a barba por flores, quando,
olhando no escudo com atenção, pareceu-lhe que algumas rosas perdiam o viço vermelho, fazendo-se mais
escuras que o vinho. De fato, ao amanhecer, havia pétalas no seu travesseiro.
Uma após a outra, as rosas murcharam, despetalando-se lentamente. Sem que nenhum botão viesse
substituir as flores que se iam. Aos poucos, a rósea pele aparecia. Até que não houve mais flor alguma. Só um
delicado rosto de mulher.
Era chegado o quinto dia. A Princesa soltou os cabelos, trajou seu vestido cor de sangue. E, arrastando a
cauda de veludo, desceu as escadarias que a levariam até o Rei, enquanto um perfume de rosas se espalhava no
castelo.
COLASANTI, Marina. Entre a Espada e a Rosa. Disponível em> http://nucleoatmosfera.blogspot.com.br/2009/07/entre-espada-e-
rosa-conto-de-marina.html. Acesso em>22 de Agosto de 2016.
 Texto 02:
4
Ser mulher...
É viver mil vezes em apenas uma vida.
É lutar por causas perdidas e sempre sair vencedora.
É estar antes do ontem e depois do amanhã.
É desconhecer a palavra recompensa apesar dos seus
atos.
Ser mulher...
É caminhar na dúvida cheia de certezas.
É correr atrás das nuvens num dia de sol.
É alcançar o sol num dia de chuva.
Ser mulher...
É chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza.
É acreditar quando ninguém mais acredita.
É cancelar sonhos em prol de terceiros.
É esperar quando ninguém mais espera.
Ser mulher...
É identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa.
É ser enganada, e sempre dar mais uma chance.
É cair no fundo do poço, e emergir sem ajuda.
Ser mulher...
É estar em mil lugares de uma só vez.
É fazer mil papeis ao mesmo tempo.
É ser forte e fingir que é frágil...
Pra ter um carinho.
Ser mulher...
É se perder em palavras e depois perceber que se
encontrou nelas.
É distribuir emoções que nem sempre são captadas.
Ser mulher...
É comprar, emprestar, alugar, vender sentimentos,
mas jamais dever.
É construir castelos na areia, ve-los desmoronados
pelas águas.
E ainda assim amá-los.
Ser mulher...
É saber dar o perdão... É tentar recuperar o
irrecuperável.
É entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.
Ser mulher...
É estender a mão a quem ainda não pediu.
É doar o que ainda não foi solicitado.
Ser mulher...
É não ter vergonha de chorar por amor.
É saber a hora certa do fim.
É esperar sempre por um recomeço.
Ser mulher...
É ter a arrogância de viver apesar dos dissabores,
das desilusões, das traições e das decepções.
Ser mulher...
É ser mãe dos seus filhos... Dos filhos de outros.
É amá-los igualmente.
Ser mulher...
É ter confiança no amanhã e aceitação pelo ontem.
É desbravar caminhos difíceis em instantes
inoportunos.
E fincar a bandeira da conquista.
Ser mulher...
É entender as fases da lua por ter suas próprias fases.
É ser "nova" quando o coração está à espera do amor.
Ser "crescente" quando o coração está se enchendo
de amor.
Ser "cheia" quando ele já está transbordando de tanto
amor.
E ser "minguante" quando esse amor vai embora.
Ser mulher...
É hospedar dentro de si o sentimento do perdão.
É voltar no tempo todos os dias e viver por poucos
instantes.
Coisas que nunca ficarão esquecidas.
Ser mulher...
É cicatrizar feridas de outros e inúmeras vezes
deixar.
As suas próprias feridas sangrando.
Ser mulher...
É ser princesa aos 20... Rainha aos 30...
Imperatriz aos 40 e... "Especial" a vida toda.
Ser mulher...
É conseguir encontrar uma flor no deserto.
Água na seca... Labaredas no mar.
Ser mulher...
É chorar calada as dores do mundo e
Em apenas um segundo, já estar sorrindo.
Ser mulher...
É subir degraus e se os tiver que descer não precisar
de ajuda.
É tropeçar, cair e voltar a andar.
5
Ser mulher...
É saber ser super-homem quando o sol nasce.
E virar cinderela quando a noite chega.
Ser mulher...
É ter sido escolhida por Deus para colocar no mundo
os homens.
Ser mulher...
É acima de tudo um estado de espírito.
É uma dádiva... É ter dentro de si um tesouro
escondido
E ainda assim dividí-lo com o mundo!
Silvana Duboc
DUBOC, Silvana. Ser mulher. Disponível em>
http://www.lusopoemas.net/modules/news/article.php?stor
yid=80968. Acesso em:22 de Agosto de 2016.
2º ENCONTRO
 Texto 03:
Mulher (Sexo Frágil)
Erasmo Carlos
Dizem que a mulher é o sexo frágil
Mas que mentira absurda!
Eu que faço parte da rotina de uma delas
Sei que a força está com elas
Vejam como é forte a que eu conheço
Sua sapiência não tem preço
Satisfaz meu ego, se fingindo submissa
Mas no fundo me enfeitiça
Quando eu chego em casa à noitinha
Quero uma mulher só minha
Mas pra quem deu luz não tem mais jeito
Porque um filho quer seu peito
O outro já reclama a sua mão
E o outro quer o amor que ela tiver
Quatro homens dependentes e carentes
Da força da mulher
Mulher! Mulher!
Do barro de que você foi gerada
Me veio inspiração
Pra decantar você nessa canção
Mulher! Mulher!
Na escola em que você foi ensinada
Jamais tirei um 10
Sou forte, mas não chego aos seus pés
CARLOS, Erasmo. Mulher. Disponível em>https://www.letras.mus.br/erasmo-carlos/67612/. Acesso em: 29 de Agosto de 2016.
 Texto 04:
Ela Une Todas As Coisas
Jorge Vercillo
Ela une todas as coisas
Como eu poderia explicar
Um doce mistério de rio
Com a transparência de um mar
6
Ela une todas as coisas
Quantos elementos vão lá?
Sentimento fundo de água
Com toda leveza do ar
Ela está em todas as coisas
Até no vazio que me dá
Quando vejo a tarde cair
E ela não está
Talvez ela saiba de cor
Tudo que eu preciso sentir
Pedra preciosa de olhar
Ela só precisa existir
Pra me completar
Ela une o mar
Com o meu olhar
Ela só precisa existir
Pra me completar
Ela une as quatro estações
Une dois caminhos num só
Sempre que eu me vejo perdido
Une amigos ao meu redor
Ela está em todas as coisas
Até no vazio que me dá
Quando vejo a tarde cair
E ela não está
Talvez ela saiba de cor
Tudo que eu preciso sentir
Pedra preciosa de olhar
Ela só precisa existir
Para me completar
Ela une o mar
Com o meu olhar
Ela só precisa existir
Pra me completar
Ela une o mar
Com o meu olhar
Ela só precisa existir
Pra me completar
Une o meu viver
Com o seu viver
Ela só precisa existir
Para me completar
Ela une o mar
Com o meu olhar
Ela só precisa existir
Pra me completar
VERCILLO, Jorge. Ela Une Todas As Coisas. Disponível em>
https://www.letras.mus.br/jorge-vercillo/1101965/.
Acesso em: 29 de Agosto de 2016.
 Texto 05:
Malandramente
Mc Nandinho
Malandramente
A menina inocente
Se envolveu com a gente
Só pra poder curtir
Malandramente
Fez cara de carente
Envolvida com a tropa
Começou a seduzir
Malandramente
Meteu o pé pra casa
Diz que a mãe tá ligando
Nós se vê por aí
Ai Safada!
Na hora de ganhar madeirada
A menina meteu o pé pra casa
E mandou um recadinho pra mim
Nós se vê por aí
Nós se vê por aí
Ai Safada!
Na hora de ganhar madeirada
A menina meteu o pé pra casa
E mandou um recadinho pra mim
Nós se vê por aí
Nós se vê por aí
Malandramente
Malandramente
A menina inocente
Se envolveu com a gente
Só pra poder curtir
Malandramente
Fez cara de carente
Envolvida com a tropa
Começou a seduzir
Malandramente
7
Meteu o pé pra casa
Diz que a mãe tá ligando
Nós se vê por aí
Ai Safada!
Na hora de ganhar madeirada
A menina meteu o pé pra casa
E mandou um recadinho pra mim
Nós se vê por aí
Nós se vê por aí
Ai Safada!
Na hora de ganhar madeirada
A menina meteu o pé pra casa
E mandou um recadinho pra mim
Nós se vê por aí
Nós se vê por aí
Nós se vê por aí
NANDINHO, Mc. Malandramente. Disponível
em>https://www.vagalume.com.br/mc-
nandinho/malandramente-part-mc-nego-bam.html. Acesso
em: 29 de Agosto de 2016.
 Texto 06:
Piriguete
MC Papo
8
Quando ela me vê ela mexe
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete
Rebola devagar depois desce
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete
De mini saia rodada
Blusa rosinha
Decote enfeitado
Com um monte de purpurina
Ela não paga
ganha cortesia
Foge se a sua carteira estiver vazia
Vai na micareta
Vai no Pop Rock
Festa de Axé
Ela só anda de top
Ela usa brilho
Piercing no umbigo
Quando toca reggaeton
Quer ficar comigo ?
Quando ela me ve ela mexe
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete
Rebola devagar depois desce
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete
Foto de espelho na exibição
Ela curte funk quando chega o verão
No inverno essa mina nunca sente frio
Desfila pela night com o short curtinho
157 de marido
Ela gosta é de cara comprometido
Não tem carro
Anda de carona
Ela anda sexy toda guapetona
Ela não é amante
Não é prostituta
Ela é fiel
Ela é substituta
Quando ela me vê ela mexe
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete
Rebola devagar depois desce
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete !
Em Governador
Lá em Salvador
Rio de Janeiro
Santos e BELÔ
Todo mundo já conhece
Sabe o que acontece
Quando vê a gente
Ela se oferece
Mexe o seu corpo como se fosse uma mola
Dedinho na boquinha
Ela olha e rebola
Chama a atenção
Vem na sedução
Essa noite vai ser quente
9
Eu vou dar pressão
Quando ela me vê ela mexe
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete
Rebola devagar depois desce
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete
Quando ela me vê ela mexe.
PAPO, Mc. Piriguete. Disponível em>https://www.letras.mus.br/mc-papo/1112442/. Acesso em: 29 de Agosto de 2016.
ROTEIRO DE DISCUSSÃO
 Reflita sobre os títulos de cada música.
 Existe alguma relação entre as músicas?
 Qual o principal assunto delas?
 Por que as músicas possuem este título?
 Destaque em cada uma das músicas, uma estrofe que na sua opinião relata de forma mais intensa
a imagem da mulher.
 Como os compositores das músicas se apresentam emocionalmente? Há um mesmo
posicionamento das formas que eles se expressam?
 Como as mulheres são tradadas nas músicas “Mulher” e “Ela uni todas as coisas”?
 Os títulos “Malandramente” e “Piriguete”, na sua opinião, é um termo atual, ou as mulheres já eram
tradadas assim em décadas passadas?
 Quais as descrições da imagem feminina nas músicas? Você concorda ou discorda com elas?
 Quais os posicionamentos das mulheres nas músicas executadas?
 Texto 07:
LEITE, Will. Sertanejo e mulheres loucas. Disponível em>
https://lh4.googleusercontent.com/57BbM6wQtpY/UtWhx3BvbFI/AAAAAAAAAiI/NIoKy3RndGE/s720/SERTANEJO-E-
MULHERES-LOUCAS.png. Acesso em: 22 de Agosto de 2016.
10
 Texto 08:
Segunda-feira, 13 de junho de 2011
A degradação da mulher na música brasileira
Dedicado a Santana: o Cantador, Os Nonatos e Alcimar Monteiro grandes artistas defensores e construtores da
boa música
"Tu és divina e graciosa, estátua majestosa do amor por
Deus esculturada..." assim se refere Pixinguinha, na composição
Rosa, exaltando a beleza feminina. O mesmo acontece em Boneca
"Eu vi numa vitrine de cristal, no mais sublime pedestal, uma
boneca encantadora..."
Foi-se o tempo em que a figura da mulher era cantada com
tamanha ternura nas canções brasileiras. A verdade é que, ao
longo dos anos, a mulher foi perdendo a imagem de santa, de rosa
ou boneca, descritas nas inúmeras metáforas utilizadas para descrevê-la.
De Santa e Anjo a diabo, de Gatinha Manhosa - hit dos anos 60 - à Cachorra tão referendada nos bailes
Funks, a imagem feminina foi perdendo moral dando espaço à vulgaridade presente nas composições - vide
"Barraco III": "Me chama de cachorra, que eu faço au-au/Me chama de gatinha, que eu faço miau/Goza na cara,
goza na boca/goza onde quiser". Um som, à época, muito tocado nas noites cariocas e cujo funqueiro compositor
explicou que " o gozar na cara" trata-se de duplo sentido, só se for pra ele em achar que pode "gozar da cara" do
público, mesmo assim o termo pede o uso correto da Preposição "DA".
Deixando a Gramática de lado, o fato é que além de cachorra, a mulher também foi chamada de Doida
Demais, Condenada, Mentirosa, Cara de Cavalo, Rapariga, Ordinária, entre outros.
Até Caetano Veloso que cantou a sensualidade da mulher em Tigresa, a beleza em Você é Linda, cedeu à
moda e gravou Não enche: "Vagaba, vampira, o velho esquema desmorona desta vez pravaler/tarada,mesquinha"...
De mais a mais, a mulher tem sido tratada como lixo musical. Em cada composição, a decomposição do
mito feminino é cada vez mais aparente. E o lado intrigante do fato é observar a rapidez com que as gravadoras
lançam novos hits no mercado e o quanto lucram com suas vendas.
Recentemente, Santana, o Cantador disse durante gravação de programa junino, em Campina Grande,
que a mulher deve selecionar o tipo de música que escuta. Para ele a mulher deve escutar músicas que a
enalteçam e não que destruam a sua moral. Viva Santana!
Entretanto, na contramão da mídia e da moda quem foi que mudou afinal? A mulher que perdeu o
respeito por si? O homem? O tempo? Ou a indústria fonográfica brasileira?
Responda-me quem souber!
MONTEIRO, Geneceuda. A degradação da mulher na música brasileira Disponível em>
https://vocabodario.blogspot.com.br/2011/06/degradacao-da-mulher-na
musica.html?showComment=1471883341858#c5533391150587932546. Acesso em: 22 de Agosto de 2016.
11
3º ENCONTRO
 Texto 09:
Contos de fada atuais mudam imagem da mulher
Hellen Reis Mourão
Os contos de fada, assim como os mitos, as lendas e as fábulas, falam a linguagem da alma. Eles são uma
espécie de sonho coletivo. Em termos psicológicos, os contos são a expressão mais pura e mais simples dos
processos psíquicos que ocorrem no inconsciente coletivo e, por isso, são muito utilizados pelos psicoterapeutas
para compreender as pessoas. E cada conto de fada pode ser analisado sob vários ângulos, levando a uma
infinidade de análises.
Um dos aspectos pelo qual podemos observar os contos é o feminino. Temos várias histórias nas quais
o herói é representado por uma mulher, uma princesa, uma camponesa ou uma rainha, porexemplo. E atentando
para esses contos, podemos observar os problemas pelos quais a mulher passa, bem como o modo que a psique
feminina pode se desenvolver.
Uma das coisas mais interessantes dos contos de fada clássicos é que geralmente a heroína é diferente
do herói. Enquanto o homem costuma enfrentar bruxas, feiticeiros e dragões, a mulher geralmente suporta algo
ou fica apenas passiva diante dos desafios. Vemos em Branca de Neve, Rapunzel, A Bela Adormecida ou
Cinderela, que elas não realizam grandes feitos, apenas esperam, dormem ou tricotam e tecem, como no conto
"Rumpelstilsequim", no qual a futura rainha deve fiar, com o intuito de escapar da morte.
POR QUE ALGUMAS PRINCESAS SÃO SUBMISSAS E APÁTICAS?
Bem, se voltarmos um pouco no tempo e analisarmos a época em que os contos se tornaram populares,
veremos e entenderemos um pouco mais a situação da mulher. Os contos de fadas eram estórias transmitidas
oralmente, com a intenção de entretenimento dos adultos, ou seja, originalmente não eram voltadas para
crianças. Elas começaram a ser registradas em livros na Idade Média, principalmente pelos Irmãos Grimm, que
foram os pioneiros na escrita dos contos de fada.
Pois bem, nessa época havia uma intensa "caça às bruxas" e o patriarcado havia se instalado. Sendo
assim, tudo o que era relacionado ao feminino passou a ser perseguido. Qualquer mulher que andasse sozinha
na floresta, que ousasse exprimir sua opinião ou que buscasse ervas medicinais era queimada na fogueira. A
energia feminina, então, foi reprimida e atitudes tidas comomasculinas, comoa agressividade, a competitividade
e a racionalidade passaram a ser a "bola da vez".
Nos contos, vemos então a forte presença de características da energia feminina, como a espera, a
paciência e principalmente a valorização do amor, cujo desfecho costuma ser com um casamento. Branca de
Neve, Rapunzel, Cinderela, Bela Adormecida, entre outras, sempre se casam com o príncipe no final.
VALENTE, FROZEN E MALÉVOLA: HEROÍNAS NÃO ESPERAM PELO PRÍNCIPE ENCANTADO
Por essa razão, é interessante notar como as meninas de hoje em dia ficam em êxtase com as princesas.
Filmes da Disney são fontes de criatividade e de uma busca de identificação com o papel feminino para as
crianças. E por isso torna-se cada vez mais importante e necessário para o nosso equilíbrio psíquico, enquanto
indivíduos e sociedade, a busca pelo equilíbrio das energias masculinas e femininas.
O resgate do feminino vem ocorrendo aos poucos, mas de forma constante. E podemos observar isso nas
crescentes adaptações do cinema e televisão dos contos de fada. Novas releituras, como Valente, Frozen e
Malévola vêm mostrando, além da busca da compreensão do nosso inconsciente, os novos caminhos que o
feminino vem tomando.
Nessas novas releituras, algo de interessante ocorre. Em Valente, Frozen e Malévola, as personagens
principais encontram a redenção no amor, mas não por meio do amor de um homem. No final das três
adaptações não há casamento."Em Valente, Frozen e Malévola, as personagens principais encontram a redenção
no amor, mas não por meio do amor de um homem. No final das três adaptações não há casamento."
E o amor é experienciado pela relação mãe e filha (Valente e Malévola) ou de irmãs (Frozen).
Em Malévola, por exemplo, a redenção da fada não poderia vir pelo masculino, visto que este a traiu, mas
por uma menina que a fazrelembrar seu ladoamoroso, recordar de um tempo em que era feliz. Assim, ela retoma
a compaixão e o amor.
Em Valente, a heroína resgata sua mãe da prisão que é o papel imposto à mulher pela sociedade. A
rainha-mãe é o feminino que precisa seguir as convenções determinadas, com comportamentos ditados pela
sociedade e que, provavelmente, foi passado por sua mãe. Merida, a pequena valente, é o aspecto juvenil cheio
de sonhos, que a mãe teve que reprimir. Ela é indomável, selvagem e deseja se casar por amor. A rainha, por
12
medo de sua própria sombra, tenta reprimir isso em sua filha. Mas ambas se identificam uma com a outra. A
redenção ocorre quando a menina, por meio da mãe terrível simbolizada pela bruxa - mas que também possui
um aspecto de velha sábia - lhe oferece o veneno que também cura. Com a poção, a rainha conseguiu acessar
novamente seus instintos femininos e maternos. E Merida amadurece, se tornando capaz de assumir
responsabilidades e de ser uma majestade perfeitamente feliz.
Em Frozen, a redenção de ambas as irmãs Elza e Ana ocorre quando elas demonstram amor verdadeiro
uma pela outra. Em nossa sociedade, infelizmente existe um estereótipo de que as mulheres não são
companheiras. E a metáfora de Frozen não serve apenas para irmãs de sangue, mas também para irmãs de
coração. Ana é traída pelo seu primeiro amor e Elza é julgada por ser diferente e poderosa pela sociedade. Mas
sua irmã não a julga e não a teme. E por meio desse amor e da aceitação da forma de ser uma da outra que ocorre
a salvação delas e do reino.
Portanto, esses novos contos nos mostram que a mulher deve resgatar seus valores por meio do amor
ao feminino. Seja como mãe, filha, irmã ou amiga. A mulher hoje conquistou seu espaço no mercado de trabalho,
mas muitas se afastam de seus aspectos de doçura, paciência, amabilidade e sensibilidade, vendo essas
características como algo fraco e inaceitável. Aceitar esses aspectos e integrá-los novamente trará um grande
beneficio à sociedade, que está extremamente competitiva e agressiva, principalmente com a natureza.
O único aspecto negativo dessas novas adaptações dos contos de fada é que o masculino foi deixado de
lado na consumação do amor. Se por um lado foi necessário colocá-lo em segundo plano, em breve será preciso
olharmos novamente para ele, pois o equilíbrio e a união dessas duas forças é que nos farão seres humanos mais
completos.
MOURÃO, Hellen Reis. Contos de fadas atuais mudam imagem da mulher. Disponível em:
<http://www.personare.com.br/contos-de-fada-atuais-mudam-imagem-da-mulher-m5607 >. Acesso em: 28
de agosto de 2016.
13
5º ENCONTRO
 Texto10:
A ditadura da beleza e a autoestima feminina
Jéssica Rodrigues Lima
Vivemos em uma sociedade onde o padrão de beleza imposto pela mídia é inatingível, causando assim
distúrbios psicológicos e transtornos alimentares, além de tornar as pessoas cada vez mais consumistas. As
mulheres são oalvo principal e o fato de não conseguirem atingir os padrões estéticos “estipulados”, pode causar
consequências graves na autoestima feminina. O excesso de preocupação com a beleza muitas vezes é
desnecessário, uma vez que o conceito de beleza é relativo.
No Brasil a valorização do corpo chega a ser gritante e a imagem de perfeição imposta pela mídia está
longe da realidade da maioria das brasileiras, seja por falta de tempo, dinheiro ou até mesmo desejo. Os padrões
de beleza vigentes em nossa sociedade são a magreza, o corpo sarado, a pele e os cabelos perfeitos, entre outros.
Assim, uma mulher pode sentir sua autoestima despencar caso não tenha o corpo da atriz famosa ou da modelo.
Surgem sentimentos como frustração, medo, angústia e insegurança, que levam à depressão.
Os comportamentos típicos da mulher com baixa autoestima são: necessidade de aprovação
(reconhecimentoe agradar); dependência (financeira e emocional); insegurança (ciúmes); não se permite errar,
perfeccionista; sentimento de não ser capaz de realizar nada; não acredita em si e em ninguém; dúvidas
constantes, dúvida de seu próprio valor; depressão; ansiedade; inveja; medo; raiva; agressividade; comodismo;
vergonha; dificuldade em crescer profissionalmente e sentimento de inferioridade.
Outro problema gerado pela ditadura da beleza são os distúrbios alimentares que ocorrem em função
da imagem do corpo perfeito promovida pelos meios de comunicação de massa. É cada vez maior a procura por
academias e clínicas de estética. Não há problema algum em querer se manter bonita e saudável, mas muitas
mulheres acabam exagerando, seja por exercícios em excesso que podem levar a exaustão, seja pela privação de
alimento que pode causar doenças como anorexia, bulimia e vigorexia, ou através de cirurgias estéticas que já
levaram à morte tantas moças famosas e anônimas.
Essa busca incessante pelo ideal de perfeição também pode levar ao consumismo exagerado. Ao mesmo
tempo em que a mídia mostra corpos considerados perfeitos, a publicidade tenta vender produtos para
tratamento estético. Tudo isso é uma jogada comercial para nos tornar cada vez mais consumistas. E aí surge
outro problema. Os tratamentos estéticos e os produtos de beleza geralmente requerem uma quantia em
dinheiro significativa e a maioria das brasileiras tem um baixo poder aquisitivo. Por isso uma mulher pode se
sentir frustrada por não ter uma condição financeira suficiente para bancar os tratamentos e produtos
necessários para alcançar o ideal de perfeição estabelecido. E assim nos tornamos vítimas da beleza.
Todos esses sentimentos gerados pela ditadura da beleza podem ainda causar sérios problemas no
âmbito pessoal e profissional. No campo amoroso, a mulher tem grande chance de se envolver em
relacionamentos instáveis e infrutíferos. Por medo de perder o relacionamento e não conseguir buscar outro,
muitas mulheres acabam ficando sempre em posição de submissão. Já no campo profissional, a mulher não
consegue confiar em si própria e acaba criando obstáculos para os desafios que surgem. Tem medo de se arriscar
por achar que não vai conseguir.
Segundo a psicóloga Andreia Mattiuci, não existem fórmulas mágicas para melhorar a autoestima. A
única solução é o autoconhecimento. Podemos comparar nossas vidas a um guarda-roupa bagunçado, onde é
muito difícil encontrar uma roupa limpa (qualidades), por isso é preciso ver quais roupas precisam ser lavadas,
quais não servem mais (se livrar das mágoas que apenas pesam e ocupam espaço em nossas vidas) e quais estão
ali novinhas sem nunca terem sido usadas (potencial). “Apesar de trabalhoso, o autoconhecimento nos permite
ver as coisas commais clareza, encontrando nossas qualidades, muitas vezes abafadas e anuladas pornos e pelos
outros. O primeiro passo é querer a mudança”, afirma.
Existem algumas mudanças de postura que contribuem para levantar a autoestima feminina. Faça algo
que você gosta; abandone a coitadinha que há dentro de você; aprenda a aceitar críticas construtivas; não afogue
as mágoas comendo; faça exercícios físicos; faça terapia e seja feliz. Não devemos querer nos enquadrar em
modelos já estabelecidos, pois a beleza está nos olhos de quem vê. Não é uma ciência exata como, por exemplo,
a matemática, em que dois mais dois é igual a quatro e não há questionamentos. Ao contrário, o conceito de
beleza é subjetivo e são as imperfeições que formam a perfeição relativa.
LIMA, Jéssica Rodrigues. A ditadura da beleza e a autoestima feminina. Disponível em> http://ulbra-to.br/encena/2013/11/21/A-
ditadura-da-beleza-e-a-autoestima-feminina. Acesso em: 25 de Agosto de 2016.
14
 Texto 11:
Máscara
Pitty
Diga quem você é, me diga
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida
Tira a máscara que cobre o seu rosto
Se mostre e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro jeito de ser
Ninguém merece ser só mais um bonitinho
Nem transparecer consciente inconsequente
Sem se preocupar em ser adulto ou criança
O importante é ser você
Mesmo que seja estranho, seja você
Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro
Mesmo que seja estranho, seja você
Mesmo que seja
Tira a mascara que cobre o seu rosto
Se mostre e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro jeito de ser
Ninguém merece ser só mais um bonitinho
Nem transparecer consciente inconsequente
Sem se preocupar em ser adulto ou criança
O importante é ser você
Mesmo que seja estranho, seja você
Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro
Mesmo que seja estranho, seja você
Mesmo que seja
Meu cabelo não é igual
A sua roupa não é igual
Ao meu tamanho não é igual
Ao seu caráter não é igual
Não é igual, não é igual
Não é igual
I had enough of it
But I don't care
I had enough of it
But I don't care
Diga quem você é, me diga
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida
E o importante é ser você
Mesmo que seja estranho, seja você
Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro
Mesmo que seja estranho, seja você
Disponível em:
https://www.vagalume.com.br/pitty/mascara.html. Acesso
em: 25 de Agosto de 2016.
 Texto 12:
Disponível em: https://www.google.com.br/imgres?imgurl=http%3A%2F%2Fassets2.exame.abril.com.br. Acesso em: 25 de Agosto de
2016.
15
 Texto 13:
Disponível em:https://www.google.com.br/imgres?imgurl=http%3A%2F%2Fmedia.tumblr.com. Acesso em: 25 de
Agosto de 2016.
16
6º ENCONTRO
 Texto 16:
Violência contra a mulher: tempo de medo, tempo de lutas
Profa. Dra. Viviane Melo de Mendonça
"É o tempo do medo. Medo da mulher à violência do homem e medo do homem à mulher sem medo",
disse o escritor Eduardo Galeano. Estas frases ressoavam em mim enquanto lia a publicação dos resultados da
pesquisa mundial realizada pela OMS em 2013 sobre a violência contra a mulher.
Os resultados desta pesquisa apontaram para uma realidade triste: 1/3 das mulheres em todo o mundo
sofrem de violência física ou sexual; a violência sexual é o tipo mais comum das violências contra a mulher e
afeta 30% das mulheres em todo o mundo; e 38% das mulheres assassinadas no mundo foram mortas por seus
parceiros íntimos. O relatório da pesquisa(*) considera a violência contra a mulher, portanto, uma epidemia
global.
As raízes desta violência estão na discriminação ainda persistente contra as mulheres. Esta discriminação
é um dos resultados de como normas e padrões de gênero se constituem sócio-historicamente e engendram
desigualdades nas relações de poder entre homens e mulheres. Cria-se, hierarquicamente, o lugar do homem e
o lugar da mulher, um binarismo perverso que constitui desigualdades, iniquidades e aprisiona subjetividades.
Na sua origem, a violência contra as mulheres decorre do modo como produzimos estas relações de gênero e de
como as reforçamos em nossos discursos, jogos, piadas e brincadeiras, para os quais devemos estar atentos,
afinal, tornamo-nos cúmplices desta violência quando assim fazemos.
Como disse Galeano, é um tempo de medo, medo da mulher à violência do homem. Um medo que está
arraigado em nossas experiências, às vezes de modo quase imperceptível porque já "naturalizado" pela condição
social imposta às mulheres. O medo que nos acostumou ao medo de sairmos sozinhas à noite em nossa cidade,
por exemplo. Não é aquele medo de sermos assaltadas, mas um medo maior, o de sermos violentadas. Um medo
que muitas mulheres também sentem em suas próprias casas: o medo da violência de seus próprios parceiros.
Medo na rua, medo no lar. Um medo tão intenso, naturalizado, arraigado, que pensamos tantas vezes que a culpa
é nossa, e silenciamos, fingimos não ter medo.
Como um medo se transforma em luta para vivermos sem medo? Contarei a história de Maria, uma mulher
brasileira. Seu ex-marido tentou assassiná-la duas vezes em 1983. A primeira tentativa foi com um tiro em suas
costas enquanto dormia, na segunda ele tentou eletrocutá-la no banho. Maria perdeu o movimento das pernas,
ficou paraplégica. O ex-marido não foi punido pelos crimes.
Maria foi à luta, e de sua luta temos hoje uma lei com seu nome: Lei Maria da Penha, que regulamenta os
casos de violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil e que altera o tratamento dado anteriormente
pelo Poder Judiciário aos agressores de mulheres no âmbito familiar. Com a Lei Maria da Penha, o silêncio do
medo começou a ser quebrado, e o número de denúncias de violência contra mulher no Brasil aumentou seis
vezes desde 2006, quando ela foi criada.
Neste ano, mais um medo se transformou em luta, e da luta, mais uma conquista para as mulheres. Foi
sancionada pela Presidência da República a PLC 03/2013, de autoria da deputada federal Iara Bernardi. A Lei
obriga o SUS prestar atendimento emergencial e multidisciplinar às mulheres vítimas de violência sexual, a
realização de diagnóstico e tratamento de lesões, exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis e
contracepção de emergência. Parece óbvio, mas este direito não estava garantido.
Mas o que se deseja é que estas leis não sejam mais necessárias. Portanto, a luta não acaba por ai.
Movimentos sociais, coletivos feministas e de mulheres estão lutando para a superação das desigualdades de
gênero e da violência contra a mulher. Ou seja, entender como as normas e padrões de gênero se constituem, e
a serviço de quem estão assim constituídos, é uma tarefa política de todos. E se somos alvo de resistência,
preconceito ou piadas por conta destas lutas, é porque o tempo, como disse Galeano, ainda é de medo, também
o medo de muitos homens à mulher sem medo.
MENDONÇA, Viviane Melo. Violência contra a mulher: tempo de medo, tempo de lutas, Disponível em >
http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/494039/violencia-contra-a-mulher-tempo-de-medo-tempo-de-lutas. Acesso em: 26
de Agosto de 2016.
17
7º ENCONTRO
 Texto 17:
Apelo
Dalton Trevisan
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti
falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no
lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de
jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário
ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava
só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.
Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora?
Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada.
Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas
mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
TREVISAN, Dalton. Apelo. Disponível em: http://www.releituras.com/daltontrevisan_apelo.asp. Acesso em: 24
de Agosto de 2016.
8º ENCONTRO
 Texto 18:
VOCÊ SABE QUAL A DIFERENÇA ENTRE MACHISMO, FEMISMO, MISANDRIA, MISOGINIA E FEMINISMO?
Em meio a discussões entre homens e mulheres, sobre assuntos que envolvem, direitos, deveres,
igualdade, moral e discriminação, esses termos sempre aparecem. Mas você sabe realmente o que significa cada
um dos termos que você emprega?
Vamos lá...
Machismo é um comportamento onde há exaltação do gênero masculino sobre o feminino. Ou seja, esse
comportamento é oposto a igualdade de gênero. Onde o homem é visto como superior. Esse comportamento
pode ser praticado tanto por homens quanto por mulheres. Quem o pratica é chamado de machista.
Femismo é empregado para enfatizar a ideia de que a mulher é superior ao homem. Ou seja, é o contrário
de machismo. E é oposto a igualdade de gênero. Quem o pratica é chamado de femista.
Misandria é a aversão ou ódio a pessoas do sexo masculino. Normalmente são as mulheres que praticam
misandria. Quem pratica é chamando de misândrica.
Misoginia é a aversão ou ódio a pessoas do sexo feminino. Normalmente são os homens que praticam
misoginia. Quem pratica é chamando de misógino.
Feminismo é considerado um movimento social, político e filosófico, onde se prega a igualdade de
gênero. Nem o homem é superior, nem a mulher é superior, ambos tem seu papel significativo e ambos devem
ser tratados por igual. Tanto homens quanto mulheres podem ser adeptos do feminismo. Quem o pratica é
chamado de feminista.
Em resumo:
 Machismo - Homem é superior;
 Femismo - Mulher é superior;
 Misandria - Ódio ou aversão aos homens;
 Misoginia - Ódio ou aversão às mulheres;
 Feminismo - Igualdade entre homens e mulheres.
Muita gente generaliza os termos machista e feminista, como sendo as únicas definições possíveis.
18
É comum ainda mulheres defenderem o feminismo, e levarem seus discursos, mesmo que sem querer,
para o patamar femistas e misândricos, distorcendo todo o sentido do movimento feminista.
Há também os homens que querem contornar seu discurso machista com alíbis como o masculinismo,
mesmo havendo uma linha ténue entre ambos.
Há também homens e mulheres que se intitulam contra o feminismo, por achar que é a superioridade
da mulher sobre o homem (femismo).
Por isso gente, muita cautela, ao empregar um termo, ou montar um discurso que você acha que está
coerente com o que você prega.
Cuidado com os: "Não sou machista, mas..." ou "Sou feminista, e acho que esses homens não prestam pra
nada..."
É sempre bom a gente pesquisar bastante antes de defender uma causa. Propague essa ideia!
Disponível em> http://brennaceciliaa.blogspot.com.br/2015/12/diferenca-entre-machismo-femismo.html.
Acesso em 28/08/2016.
 Texto 19:
OS FATOS HISTÓRICOS QUE MARCARAM AS CONQUISTAS DAS MULHERES
O dia 8 de março é um marco na luta pelos direitos das mulheres ao redor do mundo. Se fosse possível
retroceder no tempo e contar para um cidadão do começo do século 20 que as mulheres, hoje, votam, tem média
de escolaridade maior que a dos homens, governam países e estão inseridas amplamente no mercado de
trabalho, talvez o sujeito não acreditasse no relato.
No entanto, ainda há muito que avançar para se alcançar a igualdade de direitos entre homens e
mulheres. Os dados sobre a opressão sofrida pelas mulheres é assustador. Segundo pesquisa realizada no ano
2000 pela Comission on the Status of Women da ONU, uma em cada três mulheres no mundo já foi espancada
ou violentada sexualmente.
Os números no Brasil também são alarmantes. A cada cinco minutos, uma mulher é agredida no país. Em
cerca de 70% dos casos, quem agride é o marido ou namorado, de acordo com relatório do Ministério da Justiça
de 2012.
Os direitos constitucionais ainda não garantem igualdade de condições para os gêneros. Para entender
as diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho, por exemplo, a PNAD - Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios, de 2007, diz que a equiparação de salários só deve acontecer daqui a 87 anos, para
mulheres e homens que executam as mesmas funções. As mulheres, no caso, ganham menos.
"A data de comemoração do dia das mulheres é simbólica. No entanto, é uma boa maneira de inserir o
debate sobre os direitos das mulheres e colocar o tema na agenda. Por exemplo, é importante que as políticas
públicas permitam a discussão nas escolas sobre igualdade de condições para os gêneros", afirma Karina Janz
Woitowicz, doutora em Ciências Humanas na área de Estudo de Gênero da Universidade Estadual de Ponta
Grossa (UEPG).
A professora Maria Vilani Cavalcanti Gomes, especialista em Filosofia Clínica, organiza um grupo de
professores na E.E Professora Adelaide Rosa Machado de Souza , Grajaú, São Paulo, para discutir as conquistas
da mulher com os alunos. O projeto interdisciplinar chamado "O feminino e seus contextos" pretende trabalhar
com a turma o atual papel da mulher na sociedade, preconceitos de gênero, história da mulher indígena, entre
outros assuntos.
"Esse projeto nasceu nas conversas com minhas colegas professoras sobre a necessidade de trabalhos
escolares que discutam de maneira mais ampla a questão das lutas femininas e quais são as suas representantes.
Acho importante mostrar para os alunos o protagonismo que a mulher alcançou a base de muitas lutas", afirma
Vilani.
Historicamente, as mulheres foram autorizadas a frequentar a escola no Brasil apenas em 1827, quando
uma lei no período imperial permitiu-lhes o acesso à Educação. No entanto, a lei garantiu acesso apenas às
escolas elementares.
O movimento feminista mundial surgiu como uma forma de reivindicar esses e outros direitos. As
origens do movimento estão atreladas aos acontecimentos da década de 1960. Com o surgimento da pílula
anticoncepcional, por exemplo, as mulheres conquistaram liberdade sexual. Antes, as relações eram
estritamente monogâmicas e voltadas para o casamento.
Escritoras como Simone de Beauvoir e Betty Friedan ganharam espaço por buscarem desconstruir o
papel então convencionado para a mulher na sociedade.
Um caso emblemático desse período aconteceu no dia 7 de setembro de 1968, quando centenas de
mulheres de vários partes dos Estados Unidos saíram às ruas de Atlantic City e protestaram contra os
19
estereótipos femininos e a "ditadura da beleza". A ideia era fazer uma queima coletiva de sutiãs. No entanto, o
plano não foi concretizado.
No Brasil, a autora Céli Regina Pinto, no livro "Breve história do feminismo no Brasil", descreve duas
fases do movimento no país: "feminismo bem-comportado" e "feminismo mal-comportado".
Na primeira fase, entre o final de século 19 até o início do século 20, em 1932, as mulheres conquistam
o direito de votar. A bióloga Bertha Lutz é a principal articuladora feminista do período.
A segunda fase, entendida como "mal-comportada", foi marcada por mobilizações contra a ditadura,
quando muitas mulheres brasileiras foram exiladas. Nesse período, as mulheres tiveram uma participação
efetiva nas lutas pela democracia, mobilizadas para as causas gerais (fim da ditadura) e para causas específicas
(pelo combate à violência doméstica, pela construção de creches para os filhos das trabalhadoras e pelo direito
ao aborto).
Ao longo das décadas, o Brasil conquistou muitas vitórias na luta contra a violência domiciliar. Em 1985,
foi criada a primeira delegacia da mulher. Quase dez anos depois, a Lei 11.340, mais conhecida como Lei Maria
da Penha, aumentou o rigor nas punições para violência doméstica ou familiar. Hoje, agressores de mulheres
podem ser presos em flagrante ou ter prisão preventiva decretada. Além disso, a lei prevê medidas como a saída
do agressor do domicílio e a proibição de sua aproximação da mulher agredida e dos filhos.
A violência contra as mulheres ainda encontra apoiadores de forma velada na sociedade ou explícita em
redes sociais. Luzinete Simões Minella, professora do programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas da
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica que uma grande questão atual na luta por direitos é a
conscientização sobre os preconceitos. "A misoginia, por exemplo, é muito maior que simples preconceito, é o
ódio ao sexo feminino. Essa forma de pensar alimenta a ideia de alguns estereótipos e impede mais conquistas
das mulheres", afirma.
Disponível em> http://novaescola.org.br/fundamental-2/fatos-historicos-conquistas-dia-da-mulher-735607.shtml#ad-image-0.
Acesso em 28/08/2016.
 Texto 20:
AS MULHERES E OS DIREITOS POLÍTICOS NO BRASIL
Augusto Buonicore
É preciso sempre lembrar a situação degradante que viveram as mulheres durante séculos e a luta
persistente que tiveram de travar para conseguirem se firmar como cidadãs portadoras de direitos. É claro que
muito ainda falta para ser conquistado, mas olhan no Brasil, por exemplo, as mulheres puderam se matricular
em estabelecimentos de ensino em 1827. O direito a cursar uma faculdade só foi adquirido 52 anos depois.
Apenas em 1887 o país formaria sua primeira médica. As primeiras mulheres que ousaram a dar esse passo
foram socialmente segregadas.
O primeiro Código Civil brasileiro, aprovado em 1916, reafirmou muitas das descriminações contra a
mulher. Escreveu a professora Lígia Quartimde Moraes: “Com o casamento, a mulher perdia sua capacidade civil
plena. Cabia ao marido a autorização para que ela pudesse trabalhar, realizar transações financeiras e fixar
residência. Além disso, o Código Civil punia severamente a mulher vista como ‘desonesta’, considerava a não
virgindade da mulher como motivo de anulação do casamento (...) e permitia que a filha suspeita de
‘desonestidade’, isto é, manter relações sexuais fora do casamento, fosse deserdada”. As mulheres casadas – ou
sob o pátrio poder – eram consideradas incapazes juridicamente, como as crianças, os ‘deficientes mentais’ e os
mendigos.
Como não poderia deixar de ser, desde os primórdios da sociedade brasileira, as mulheres também
foram excluídas de todo e qualquer direito político. Por exemplo, as constituições do Império (1824) e da
República (1891) não lhes concederam o direito de votar e nem de serem votadas. Uma situação que persistiria
até as primeiras décadas do século 20. Eram, portanto, cidadãs de segunda categoria.
Neste período sombrio elas não ficaram caladas. No entanto, só muito recentemente esta história da
resistência feminina começou a ser desvendada pela historiografia. Elas lutaram pelo direito à educação e pelos
seus direitos civis e políticos. Também se envolveram, na medida de suas possibilidades, nos grandes
movimentos que ajudaram a construir a nação, como as lutas pela independência, abolição da escravidão,
proclamação da República etc.
A primeira feminista brasileira que se tem notícia foi a potiguar Nísia Floresta (1809-1885). Ela se
destacou como educadora, montando e dirigindo diversas escolas femininas no país. Achava que a educação era
o primeiro passo para emancipação da mulher. Traduziu e publicou “Direitos das Mulheres e Injustiças dos
Homens”, manifesto feminista de Mary Wollstonecraft. Foi obrigada a viver 28 anos na Europa e lá travou
contato com as idéias mais avançadas. De volta ao Brasil apoiou o movimento abolicionista e republicano. Nísia
era uma pessoa muito à frente do seu tempo.
20
BUONICORE, Augusto. As mulheres e os direitos políticos. Disponível em>
http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=2115. Acesso em 28/08/2016.
 Texto 21:
DIREITOS FEMININOS: UMA LUTA POR IGUALDADE E DIREITOS CIVIS
A história do movimento feminista pode ser dividida em três momentos: as reivindicações por direitos
democráticos como o direito ao voto, divórcio, educação e trabalho, nos séculos 18 e 19; a liberação sexual,
impulsionada pelo aumento dos contraceptivos, no fim da década de 1960; e a luta por igualdade no trabalho,
iniciada no fim dos anos 1970. Hoje, grupos feministas ainda buscam avanços no que diz respeito aos direitos
reprodutivos, uma briga já ganha em alguns países, mas que enfrenta alas conservadoras em outros.
Nas antigas sociedades mediterrâneas, a mulher vivia uma condição legal limitada e sem direitos
políticos. Foi a partir do século 18 que se começou a falar em reivindicação dos direitos da mulher (a palavra
feminismo só apareceria apenas no final do século 19), com o advento do Iluminismo (e seus ideais de liberdade
e igualdade) e da Revolução Francesa.
Datam dessa época as primeiras obras de caráter feminista, entre elas a da inglesa Mary Wollstonecraft
(1759-1797), autora do livro "Em Defesa dos Direitos das Mulheres", de 1792, sobre educação para mulheres.
A obra foi traduzida pela feminista brasileira Nísia Floresta, em 1832.
A busca pelo direito ao voto pelas sufragistas foi uma das primeiras lutas do feminismo. O movimento
sufragista, que surgiu no contexto da urbanização e na industrialização do século 19, começou em 1897, com a
fundação da União Nacional pelo Sufrágio Feminino pela educadora britânica Millicent Fawcett (1847-1929).
No Reino Unido, o voto feminino só seria aprovado em 1918.
O primeiro país a reconhecer o direto das mulheres de votar foi a Nova Zelândia, em 1893. Entre 1914 e
1939, as mulheres adquiriram o direito ao voto em mais 28 países, entre eles os EUA, em 1920, e o Brasil. Em
1927, a professora Celina Guimarães Viana conseguiu seu registro para votar no município de Mossoró, no Rio
Grande do Norte. O Estado foi pioneiro na inclusão do voto feminino.
Em âmbito nacional, o voto feminino só foi aprovado em 1932 e concretizado em 1933, na eleição para
a Assembleia Constituinte. Em função da ditadura de Getúlio Vargas (1937-1945), porém, as mulheres só
voltaram a votar em 1946.
Ainda no século 19, no contexto da Revolução Industrial, o número de mulheres empregadas aumentou
significativamente, iniciando um período de longas jornadas de trabalho nas fábricas, mas com os salários
significativamente mais baixos em comparação aos homens. Foi a partir desse momento que o feminismo se
fortificou como um aliado do movimento operário e em busca de melhorias trabalhistas.
Foi em Nova York que dois episódios importantes para a conquista dos direitos das mulheres
aconteceram: as greves de 1857 e 1911. A primeira aconteceu em 8 de março e está ligada à luta das operárias
têxteis, que paralisaram suas atividades durante uma semana e foram duramente reprimidas pela polícia. Em
1911, uma nova greve em 25 de março terminou com a morte de 146 pessoas (mais de 100 mulheres) em um
incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist Company. Tais acontecimentos acima ajudaram a instituir o março como
mês da mulher e o dia 8 como o Dia Internacional da Mulher, mesmo sem relatos e documentos que comprovem
o ocorrido em 1857.
As russas também tiveram papel importante para fortalecer os protestos por parte das mulheres. Em 8
de março de 1917, operárias russas foram às ruas em protesto contra o czar Nicolau 2º, a entrada do país na 1ª
Guerra Mundial, contra a fome e os baixos salários.
Embora as mulheres tenham conseguido importantes conquistas com relação ao voto, trabalho,
remuneração, divórcio, proteção no caso de violência doméstica, antigas demandas continuam em aberto, como
é o caso do aborto. Grupos de mulheres – como a Marcha das Vadias, no Brasil, e as ucranianas do Femen -- ainda
reivindicam o direito da mulher de escolher abortar não apenas em caso de estupro ou riscos para a saúde.
Hoje, mais de 50 países já permitem o chamado aborto voluntário, como EUA, Canadá, Cuba, Japão e
China. No Brasil, o aborto é permitido apenas em três situações: quando há risco para a mulher, em caso de
estupro e para fetos com anencefalia, esta última, aprovada em 2012.
A busca pela liberdade sexual e pelos direitos reprodutivos ganhou força a partir da década de 1960,
quando surgiu o primeiro anticoncepcional oral. A pílula provocou uma revolução na vida sexual feminina, que
ganhou mais liberdade, e levou a uma redução drástica da taxa de natalidade mundial.
A punição da violência contra mulher é outra conquista que ainda precisa de avanços. No Brasil, a
questão ganhou reforço com a Lei Maria da Penha, em 2006, aumentando a punição dos agressores, e
recentemente foi classificada como crime de tortura. Segundo dados de 2012 do Governo Federal, a cada 5
minutos uma mulher é agredida no país. Em 80% dos casos, o agressor é o marido, companheiro ou namorado.
21
Em países com tradições culturais patriarcais, os direitos das mulheres ainda são um tabu. Na Índia, por
exemplo, os casos de estupro têm chamado atenção em todo o mundo expondo o aumento e a impunidade de
crimes praticados contra a mulher. Outros países asiáticos também são vistos como perigosos para as mulheres.
No Afeganistão, até 80% das mulheres se casam contra a sua vontade, enquanto no Paquistão, sua participação
na sociedade é limitada e elas chegam a ganhar até 82% menos do que os homens.
Durante anos o direito de cursar o ensino superior foi negado às mulheres. A busca pelo direito à
educação é uma bandeira que passoua ter força no século 19. A entrada das mulheres na universidade aconteceu
primeiramente nos EUA, em 1837, com a criação de universidades exclusivas para as mulheres. Na Europa o
processo foi mais demorado e começou pelas universidades menores. O acesso à educação só começou a
aumentar após a 1ª Guerra Mundial. No Brasil, Rita Lobato Velho Lopes foi a primeira mulher a receber um
diploma superior e a segunda da América Latina. Ela formou-se na Faculdade de Medicina da Bahia em 1887.
Hoje, as mulheres ainda enfrentam diferenças no acesso à educação, em comparação aos homens. De
acordo com dados divulgados neste mês pela Unesco, ainda que o número de analfabetos tenha diminuído na
última década em 150 países, 774 milhões de adultos – pessoas com mais de 15 anos – em todo o mundo
continuam sem saber ler. Desse total, 64% são mulheres. Entre os 123 milhões de analfabetos com idade entre
15 a 24 anos, 76 milhões são do sexo feminino.
DIRETO AO PONTO
Em 2013 completam-se 93 anos da ratificação da 19ª Emenda pelo Congresso dos Estados Unidos, no
dia 18 de agosto de 1920, o que garantiu a todas as mulheres o direito ao voto, uma das primeiras bandeiras do
movimento feminista, que passou a ganhar força nos séculos 18 e 19.
Foi a partir do século 18 que se começou a falar em reivindicação dos direitos da mulher, com o advento
do Iluminismo e da Revolução Francesa. Além do voto, as principais reivindicações na época eram educação e
trabalho.
Embora muitas conquistas tenham sido alcançadas, hoje as mulheres ainda buscam avanços no que diz
respeito aos direitos reprodutivos e proteção da mulher, uma briga já ganha em alguns países, mas que enfrenta
rejeição de alas conservadoras em outros, como no Brasil, e em sociedades com tradições patriarcais, como
Índia, Afeganistão, Paquistão, entre outros, onde são cada vez mais comuns os casos de estupro, violência contra
mulher e desigualdade no que diz respeito a educação e trabalho, comparado com os homens.
Carolina Cunha
CUNHA, Carolina. Direitos femininos: uma luta por igualdade e direitos civis. Disponível em>
http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/direitos-femininos-uma-luta-por-igualdade-
e-direitos-civis.htm. Acesso em 28/08/2016.
 Texto 22:
25 CONQUISTAS DAS MULHERES NO BRASIL
No artigo 25 conquistas históricas das mulheres, eu mostrei como as mulheres foram ganhando seu
espaço mundo afora, conquistando seus direitos enquanto atrizes de uma história que costuma privilegiar o
gênero masculino. Neste artigo, vamos abordar as conquistas históricas das mulheres no Brasil. Estas conquistas
são importantes, mas não podemos esquecer dos abusos e injustiças sofridos pela mulher, muitos em nosso país,
e que precisam ser erradicados.
– 1822: Maria Leopoldina Josefa Carolina, arquiduquesa da Áustria e imperatriz do Brasil, exerce a
regência, em 1822, na ausência de D. Pedro I, que se encontrava em São Paulo. A imperatriz envia-lhe uma carta,
juntamente com outra de José Bonifácio, além de comentários a Portugal criticando a atuação do marido e de
dom João VI. Ela exige que D. Pedro proclame a independência do Brasil e, na carta, adverte: “O pomo está
maduro, colhe-o já, senão apodrece”.
– 1827: surge a primeira lei sobre educação das mulheres, permitindo que frequentassem as escolas
elementares; as instituições de ensino mais adiantado eram proibidas a elas.
– 1879: As mulheres têm autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior; mas
as que seguiam este caminho eram criticadas pela sociedade.
– 1885: A compositora e pianista Chiquinha Gonzaga estreia comomaestrina, ao reger a opereta “A Corte
na Roça”. É a primeira mulher no Brasil a estar à frente de uma orquestra. Precursora do chorinho, Chiquinha
compôs mais de duas mil canções populares, entre elas, a primeira marcha carnavalesca do país: “Ô Abre Alas”.
Escreveu ainda 77 peças teatrais.
– 1887: Formou-se a primeira médica no Brasil: Rita Lobato Velho. As pioneiras tiveram muitas
dificuldades em se afirmar profissionalmente e algumas foram ridicularizadas.
22
– 1917: A professora Deolinda Daltro, fundadora do Partido Republicano Feminino em 1910, em plena
República Oligárquica, lidera uma passeata exigindo a extensão do voto às mulheres.
– 1927: O Governador do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, consegue uma alteração da lei
eleitoral dando o direito de voto às mulheres. O primeiro voto feminino no Brasil – e na América Latina! – foi em
25 de novembro, no Rio Grande do Norte. Quinze mulheres votaram, mas seus votos foram anulados no ano
seguinte. No entanto, foi eleita a primeira prefeita da História do Brasil: Alzira Soriano de Souza, no município
de Lages – RN.
– 1932: Getúlio Vargas, no início da Era Vargas, promulga o novo Código Eleitoral, garantindo finalmente
o direito de voto às mulheres brasileiras. A primeira atleta brasileira a participar de uma Olimpíada, a nadadora
Maria Lenk, de 17 anos, embarca para Los Angeles. É a única mulher da delegação olímpica.
– 1933: Nas eleições para a Assembléia Constituinte, são eleitos 214 deputados e uma única mulher: a
paulista Carlota Pereira de Queiroz.
– 1937/1945: O Estado Novo criou o Decreto 3199 que proibia às mulheres a prática dos esportes que
considerava incompatíveis com as condições femininas tais como: “luta de qualquer natureza, futebol de salão,
futebol de praia, pólo, pólo aquático, halterofilismo e beisebol”. O Decreto só foi regulamentado em 1965.
– 1948: Depois de 12 anos sem a presença feminina, a delegação brasileira olímpica segue para Londres
com 11 mulheres e 68 homens.
– 1960: Durante o Período Democrático, a grande tenista brasileira, a paulista Maria Esther Andion
Bueno torna-se a primeira mulher a vencer os quatros torneios do Grand Slam (Australian Open, Wimbledon,
Roland Garros e US Open). Conquistou, no total, 589 títulos em sua carreira.
– 1979: Eunice Michilles, então representante do PSD/AM, torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo
de Senadora, por falecimento do titular da vaga. A equipe feminina de judô inscreve-se com nomes de homens
no campeonato sul-americano da Argentina. Esse fato motivaria a revogação do Decreto 3.199.
– 1980: Recomendada a criação de centros de autodefesa, para coibir a violência contra a mulher. Surge
o lema: “Quem ama não mata”.
– 1983: Surgem os primeiros conselhos estaduais da condição feminina (MG e SP), para traçar políticas
públicas para as mulheres. O Ministério da Saúde cria o PAISM – Programa de Atenção Integral à Saúde da
Mulher, em resposta à forte mobilização dos movimentos feministas, baseando sua assistência nos princípios da
integralidade do corpo, da mente e da sexualidade de cada mulher.
– 1985: Surge a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher – DEAM (SP) e muitas são
implantadas em outros estados brasileiros. Ainda neste ano, com a Nova República, a Câmara dos Deputados
aprova o Projeto de Lei que criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. É criado o Fundo de
Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), em lugar do antigo Fundo de Contribuições
Voluntárias das Nações Unidas para a Década da Mulher.
– 1988: Através do lobby do batom, liderado por feministas e pelas 26 deputadas federais constituintes,
as mulheres obtêm importantes avanços na Constituição Federal, garantindo igualdade a direitos e obrigações
entre homens e mulheres perante a lei.
– 1990: Eleita a primeira mulher para o cargo de senadora: Júnia Marise, do PDT/MG. Zélia Cardoso de
Mello é a primeira ministra do Brasil. Ela assume a pasta da Economia no governo de Fernando Collor (1990-
92).
– 1993: Assassinada Edméia da Silva Euzébia, líder das Mães de Acari, o grupo de nove mães que ainda
hoje procuram seus filhos, 11 jovens da Favela de Acari (RJ), seqüestrados e desaparecidos em 1990. Ocorre, em
Viena, a Conferência Mundial de Direitos Humanos. Os direitos das mulheres e a questão da violência contra o
gênero recebem destaque, gerando assim a Declaração sobre a eliminação da violência contra a mulher.
– 1994: Roseana Sarney é a primeira mulher eleita governadora de um estado brasileiro: o Maranhão.
Foi reeleita em 1998.
– 1996: O Congresso Nacional inclui o sistema de cotas, na Legislação Eleitoral, obrigando os partidos a
inscreverem, no mínimo, 20% de mulheres nas chapas proporcionais.
– 1996: A escritora Nélida Piñon é a primeira mulher a ocupar a presidência da Academia Brasileira de
Letras. Exerce o cargo até 1997 e é membro da ABL desde 1990.
– 1997: As mulheres já ocupam 7% das cadeiras da Câmara dos Deputados; 7,4% do Senado Federal;
6% das prefeituras brasileiras (302). O índice de vereadoras eleitas aumentou de 5,5%, em 92, para 12%, em
96.
– 1998: A senadora Benedita da Silva é a primeira mulher a presidir a sessão do Congresso Nacional.
– 2003: No Brasil do século XXI, Marina Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT) do Acre, reeleita
senadora com o triplo dos votos do mandato anterior, assume o Ministério do Meio Ambiente do governo Lula.
– 2010: Dilma Rousseff é eleita a primeira presidente mulher do Brasil.
Disponível em: http://www.historiadigital.org/curiosidades/25-conquistas-historicas-das-mulheres-no brasil/. Acesso em
28/08/2016.
23
9º ENCONTRO
 Texto 23:
Desconstruindo a Amélia
Pitty
Já é tarde, tudo está certo
Cada coisa posta em seu lugar
Filho dorme, ela arruma o uniforme
Tudo pronto pra quando despertar
O ensejo a fez tão prendada
Ela foi educada pra cuidar e servir
De costume, esquecia-se dela
Sempre a última a sair
Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar (Uhu!)
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa, assume o jogo
Faz questão de se cuidar (Uhu!)
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também
A despeito de tanto mestrado
Ganha menos que o namorado
E não entende porque
Tem talento de equilibrista
Ela é muita, se você quer saber
Hoje aos 30 é melhor que aos 18
Nem Balzac poderia prever
Depois do lar, do trabalho e dos filhos
Ainda vai pra night ferver
Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar (Uhu!)
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa, assume o jogo
Faz questão de se cuidar (Uhu!)
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também
Uhu, uhu, uhu
Uhu, uhu, uhu
Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar (Uhu!)
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa, assume o jogo
Faz questão de se cuidar (Uhu!)
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também
Disponível em:
https://www.letras.mus.br/pitty/1524312/.
Acesso em: 28 de agosto 2016.
24
 Texto 24:
Pagu
Rita Lee
Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Hum! Hum!
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Hum! Hum! Hum! Hum!
Minha força não é bruta
Não sou freira, nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Ratatá! Ratatá! Ratatá!
Taratá! Taratá!
Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Hanhan! Ah! Hanran!
Fama de porra louca, tudo bem!
Minha mãe é Maria Ninguém
Hanhan! Ah! Hanran!
Não sou atriz, modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Ratatá! Ratatatá
Hiii! Ratatá
Taratá! Taratá!
Disponível em: https://www.letras.mus.br/rita-
lee/81651/. Acesso em: 28 de agosto de 2016.
 Texto 25:
Como Um Garoto
Ciara
Senhoras, acho que é hora de inverter os papéis
C-I-A-RA
Vamos lá
Levante suas calças (assim como ele)
Tire o lixo para fora (assim como ele)
Pegando seu dinheiro como ele, rápido como ele
Garota, você quer agir como ele agiu
(Estou falando sobre) códigos de segurança em tudo
Colocar no silencioso para que o celular nunca toque
(Uma conta conjunta) e outra que ele nem saiba
Queria que pudéssemos inverter os papéis e eu seria assim
Dizer eu te amo, mas quando você ligar, nunca atender
Você faria perguntas como eu, como onde você estava
25
Porque eu estaria fora, as 4 da manhã em uma esquina, em algum lugar
E se eu te traísse?
Fizesse você chorar
As regras iriam mudar ou seriam as mesmas?
Se eu, brincasse com você como um brinquedinho
Às vezes queria poder agir como um garoto
Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso
Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso
Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso
Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso
Garota, vá em frente e seja (assim como ele)
Vá e corra pela rua (assim como ele)
Vá pra casa sem sono como eles
Assuste como eles
Bata de frente com os amigos
Aja com dureza quando estiver com eles, assim como ele
Mantenha um rosto firme quando disser uma mentira
Sempre mantendo um álibi pronto
O mantenha escondido no escuro
O que ele não souber, não vai quebrar o seu coração
Queria que pudéssemos inverter os papéis e eu seria assim
Dizer que eu te amo, mas quando você ligar, nunca atender
Você faria perguntas como eu, como onde você estava
Porque eu estaria fora, as 4 da manhã em uma esquina, em algum lugar
E se eu te traísse?
Fizesse você chorar
As regras iriam mudar ou se manterias as mesmas?
Se eu, brincasse com você como um brinquedinho
Às vezes queria poder agir como um garoto
Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso
Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso
Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso
Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso
Se eu nunca tivesse por perto
Chegando em casa quando o sol nasce (Você gostaria disso?)
Dizer para você que estava com as amigas quando é mentira
Se eu agir assim como você
Caminhasse uma milha nos seus sapatos (gostaria disso?)
Mexendo com a sua cabeça de novo
Fazendo provar do próprio veneno
Se eu te trocar (você iria gostar disso?)
Por meus amigos (você iria gostar disso?)
E nunca ligar (você iria gostar disso?)
Inferno, nah, você não gostaria
Não!
E se eu te traísse?
Fizesse você chorar
As regras iriam mudar ou se manterias as mesmas?
Se eu, brincasse com você como um brinquedinho
Às vezes queria poder agir como um garoto
26
Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso
Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso
Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso
Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso
E se? E se eu brincasse como se você fosse um brinquedo
Às vezes queria poder agir como um garoto
Não sabe lidar com isso.
Disponível em: https://www.letras.mus.br/ciara/855766/traducao.html. Acesso em: 28 de agosto de 2016.
 Texto 26
O Meu Orgulho
Lembro-me o que fui dantes. Quem me dera
Não me lembrar! Em tardes dolorosas
Lembro-me que fui a Primavera
Que em muros velhos faz nascer as rosas!
As minhas mãos outrora carinhosas
Pairavam como pombas...Quem soubera
Porque tudo passou e foi quimera,
E porque os muros velhos não dão rosas!
O que eu mais amo é que mais me esquece...
E eu sonho: "Quem olvida não merece..."
E já não fico tão abandonada!
Sinto que valho mais, mais pobrezinha:
Que também é orgulho ser sozinha,
E também é nobreza não ter nada!
Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"
Disponível em: <http://www.citador.pt/poemas/o-meu-orgulho-florbela-de-alma-conceicao-espanca>. Acesso em 22 de agosto de
2016.
 Texto 27:
Supremo Enleio
Quanta mulher no teu passado, quanta!
Tanta sombra em redor! Mas que me importa?
Se delas veio o sonho que conforta,
A sua vinda foi três vezes santa!
Erva do chão que a mão de Deus levanta,
Folhas murchas de rojo à tua porta...
Quando eu for uma pobre coisa morta,
Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!
Mas eu sou a manhã: apago estrelas!
Hás de ver-me, beijar-me em todas elas,
Mesmo na boca da que for mais linda!
E quando a derradeira, enfim, vier,
Nesse corpo vibrante de mulher
Será o meu que hás de encontrar ainda...
Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"
Disponível em: http://www.citador.pt/poemas/supremo-enleio-
florbela-de-alma-conceicao-espanca. Acesso em 22 de agosto de
2016.
 Texto 28:
Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frase/MjI2NjY/.
Acesso em 22 de agosto de 2016.
27
10º ENCONTRO
 Texto 29:
Cordel: A mulher que vendeu o marido por R$ 1,99 / Autor: Janduhi Dantas
Hoje em dia, meus amigos
os direitos são iguais
tudo o que faz o marmanjo
hoje a mulher também faz
se o homem se abestalhar
a mulher bota pra trás.
Acabou-se aquele tempo
em que a mulher com
presteza
se fazia para o homem
artigo de cama e mesa
a mulher se fez mais forte
mantendo a delicadeza.
Não é mais "mulher de
Atenas"
nem "Amélia" de ninguém
eu mesmo sempre entendi
que a mulher direito tem
de sempre só ser tratada
por "meu amor" e "meu bem".
Hoje o trabalho de casa
meio a meio é dividido
para ajudar a mulher
homem não faz alarido
quando a mulher lava a louça
quem enxuga é o marido!
Também na sociedade
é outra a situação
a mulher hoje já faz
tudo o que faz o machão
há mulher que até dirige
trem, trator e caminhão.
Esse fato todo mundo
já deu pra assimilar
a mulher hoje já pode
seu espaço conquistar
quem não concorda com isso
é muito raro encontrar.
Entretanto ainda existe
caso de exploração
o salário da mulher
é de chamar atenção
bem menor que o do homem
fazendo a mesma função.
Também tem cabra safado
que não muda o pensamento
que não respeita a mulher
que não honra o casamento
que a vida de pleibói
não esquece um só momento.
Era assim que Damião
(o ex-marido de Côca)
queria viver: na cama
sem tirar copo da boca
enquanto sua mulher
em casa feito uma louca...
... cuidando de três meninos
lavando roupa e varrendo
feito uma negra-de-ferro
de fome o corpo tremendo
e o marido cachaceiro
pelos botequins bebendo.
Mas diz o velho ditado
que todo mal tem seu fim
e o fim do mal de Côca
um dia chegou enfim
foi quando Côca de estalo
pegou a pensar assim:
"Nessa vida que eu levo
eu não tô vendo futuro
eu me sinto navegando
em mar revolto e escuro
vou remar no meu barquinho
atrás de porto seguro."
"Na próxima raiva que eu
tenha
desse meu marido ruim
qualquer mal que me fizer
tomarei como estopim
e a triste casamento
eu vou decidir dar fim."
Estava Côca pensando
na vida quando chegou
Damião morto de bêbado
(nem boa-noite falou
passava da meia-noite)
e na cama se atirou!
Dona Côca foi dormir
muito triste e revoltada
contudo tinha na mente
a sua ação planejada
pra dar novo rumo à vida
já estava preparada.
De manhã Côca acordou
com a braguilha pra trás
deu cinco murros na mesa
e gritou: "Ô Satanás
eu vou te vender na feira
vou já fazer um cartaz!"
Pegou uma cartolina
que ela havia escondido
escreveu nervosamente
com a raiva do bandido:
"Por um e noventa e nove
estou vendendo o marido."
Assim mostrou ter no sangue
sangue de Leila Diniz
Pagu, Maria Bonita
de Anayde Beiriz
(de brasileiras de fibra)
de Margarida e Elis!
Pegou o marido bêbado
de jeito, pela abertura
da direção do mercado
ela saiu à procura
de vender o seu marido
ia com muita secura!
28
Ficou na feira de Patos
no mais horrendo lugar
(na conhecida U.T.I.)
e começou a gritar:
"Tô vendendo o meu marido
quem de vocês quer
comprar?"
Umas bêbadas que estavam
estiradas pelo chão
despertaram com os gritos
e uma do cabelão
perguntou a Dona Côca:
"Qual o preço do gatão?"
"É um e noventa e nove
não está vendo o cartaz?"
Dona Côca respondeu
e a bêbada disse: "O rapaz
tem uma cara simpática
acho até que vale mais."
Damião estava "quieto"
e de ressaca passado
com cordas nos pés e braços
numa cadeira amarrado
também tinha um
esparadrapo
em sua boca colado.
Começou a chegar gente
se formou a multidão
em volta de Dona Côca
e o marido Damião
quando deu fé, logo, logo
encostou o camburão.
Nisso um cabo da polícia
do camburão foi descendo
e perguntando abusado:
"Que é que tá acontecendo?"
Alguém disse: "Esta mulher
o marido está vendendo."
Do meio do povo disse
um velho em tom de chacota:
"Esse caneiro já tem
uma cara de meiota
não tem mulher que dê nele
de dois reais uma nota."
E, de fato, ô cabra feio
desalinhado e barbudo
fedendo a cana e a cigarro
com um jeito carrancudo
banguelo, um pouco careca
pra completar barrigudo.
Nisso chegou uma velha
que vinha com todo o gás
e disse para si mesma
depois de ler o cartaz
"Hoje eu tiro o prejuízo
com esse lindo rapaz!".
Disse a velha: "Francamente!
Eu estou achando pouco!
Por 1 e 99?!
Tome dois, nem quero o troco!
Deixe-me levar pra casa
esse meu Chico Cuoco!".
Saiu a velha enxerida
de braços com Damião
a polícia prontamente
dispersou a multidão
e Côca tirou por fim
um peso do coração.
Retornou Côca feliz
pra casa entoando hinos
a partir daquele dia
teria novos destinos...
Com os dois reais da venda
comprou de pão pros
meninos!
Disponível em:
http://cadernodepoesiaseafins.blo
gspot.com.br/2012/08/cordel-
mulher-que-vendeu-o-marido-por-
r.html. Acesso em: 22 de agosto de
2016.
29
 Texto 30
A Sorte de uma Meretriz
João Martins de Athayde
Não se engane com o mundo
Que o mundo não tem que dar,
Quem com ele se iludir
Iludido há de ficar
Pois temos visto exemplos,
Que é feliz quem os tomar
Doze anos tinha Aulina
Seu pai era fazendeiro
Casa que naquele tempo
Havia tanto dinheiro
Muitas joias de valor
Crédito no mundo inteiro
Aulina, eu creio, não tinha
Outra igual na perfeição
Parece que a natureza
Carregou mais nela a mão
Pois nela via-se a força
Do autor da criação
Os olhos dela fingiam
Raios do sol da manhã
O rosto bem regular
Corado como a manhã,
O rosto bem regular
Corado como romã
Parecia que as estrelas,
Queriam chama-la irmã
Os dedos alvos e finos
Qual teclados de piano,
Quem a visse só diria
Que não era corpo humano
Parecia ser propósito,
Do Divino Soberano
Também tinha tanto orgulho
Que nem aos pais conhecia,
Se julgava saliente
A todo mundo que via
Julgando que todo mundo
A ela se curvaria
Quando inteirou vinte anos
Por si se prostituiu
O pai quase enlouquece
Tanto desgosto sentiu
Por que em toda família
Um caso assim nunca viu
Logo caiu no mundo
Por todos foi abraçada
Por as mais altas pessoas
Era sempre visitada
Por fidalgos e militares,
Por todos era adorada
Recebeu logo um presente
De um palacete importante
Com uma mobília sublime
Dada pelo seu amante
A obra de mais estima
A quem se chama elegante
Para sala de visita
Comprou um rico piano
Quatro consolos de mármore
Um aparador de ébano
Uma cômoda muito rica,
Que só a de um soberano
Ricas cadeiras modernas
Candeeiros importantes,
Jarros de fino cristal
Espelhos muito elegantes
O retrato dela em um quadro
Com quatro ou cinco brilhantes
Um grande damasco verde
A sala toda cobria
Toalha bordada a ouro
Em qualquer quarto se via
Era só de porcelana
Toda a louça que existia
Nem é preciso falar
No quarto onde ela dormia,
Porque já se viu na sala
A riqueza que existia
Agora na cama dela,
Faça ideia o que havia
Durante cinco ou seis anos
A vida dela era assim
A casa era um céu de estrelas
Rodeada de marfim
Vivia ela qual vive
Um beija-flor no jardim
Adoeceu de repente
Não cuidou logo em se tratar-
se
Julgando que dos amantes
Nenhum a desamparasse
Devido à sua influência
Qualquer medico curasse
Foi vice-verso o seu cálculo
A si só chegaram dores,
Foi perdendo a influência,
Multiplicando os clamores
Não foi mais em sua casa
Nenhum dos adoradores
Pegou logo a empenhar
As joias que possuía,
Por menos do seu valor
Diversas coisas vendia
E a moléstia no seu auge
Crescendo de dia a dia
No período de dois anos
Gastou o que possuía,
Pegou logo pelas joias
De mais valor que existia
Sofás, cadeiras e consolos,
Vendeu tudo em um só dia
Os quadros, os aparadores
Pianos relógios, espelhos
Vendeu-os para curar
Duas fístulas nos joelhos
Já desejava encontrar
Quem lhe desse alguns
conselhos
Afinal vendeu a casa
E a cama onde dormia
Era o único objeto
Quem em seu poder existia
Ainda um amante vendo
Jamais a conheceria
“Meu Deus”, exclamava ela
Vai infeliz meu futuro
Nasci em berço dourado
Para morrer no monturo
Quanta diferença existe,
Da seda para o chão duro
Quantos lordes aos meus pés
Se esqueciam dos seus cargos,
Me adoravam como santa
Me mostrando mil afagos
Hoje não vejo nenhum,
Nesses dias tão amargos
Quede os grandes militares
Que não podiam passar,
Três dias numa semana
Sem me virem visitar
E faziam de mim santa,
De meu divã um altar
Nada disso existe mais
30
Tudo já se dissipou,
As promessas e os presentes
O vento veio e levou
Em paga de tudo isso
Na miséria me deixou
Essas dores que hoje sofro
É justo que sofra elas,
Essas lágrimas que eu derramo
Serão pagas daquelas
Que fiz gotejar dos olhos
Das casadas e das donzelas
Sinto dores com excesso
Ouço a voz da consciência,
Me dizer: “Filha maldita
Tua desobediência
Clamará perante a Deus
E pedirá providência”
Ela em soluços exclamava:
“Meu Deus, tende compaixão,
Nega-me tudo na vida
Mas me alcançai o perdão
Santíssima Virgem, rogai,
Pela minha salvação”
Que cobertores tão caros
Já forraram meu colchão,
De cortinas de seda
De grande admiração
Hoje não tenho uma estopa
Que fosse aqui esse chão
Ricos vestidos de seda
Lancei muitos no monturo,
Saias ainda em estado
Camisa de linho puro
Não pensava na desgraça
Que vinha para o futuro
Minha mesa nesse tempo
Tinha de tudo que havia,
Só mesa de um personagem
De alta categoria
Hoje o resto de uma sopa
Quando agora me servia
Peço esmola a quem passa
Esse nem me dá ouvido,
Quem outrora me adorava
Não houve mais meu gemido
Passa por mim torce a cara,
Se finge de desconhecido
Eu era como uma flor
Ao despontar da manhã
Representava outrora
Aquela deusa louçã
Meus amantes perguntavam,
Se a lua era minha irmã
As majestades chegavam
Antes da celebração,
Humildes como um escravo
Me faziam saudação
Como se a render-me culto
Seria uma obrigação
O Exército e o comércio
A arte e agricultura,
Todos me ofereciam
Seu afeto de ternura
Tudo vinha admirar
Minha grande formosura
Mas eu vivia enganada
Com essas tristes carícias,
Eu bem podia saber
Que o mundo não tem delícias
É um gozo provisório,
É um cofre de malícias
Donzelas eis o exemplo
Para todos que estão vendo,
Não me viram há poucos dias
Como o sol que vai nascendo?
Já estou aqui no chão
Os tapurus comendo
Ah! Meu pai se tu me visse
Nessa miséria prostrada,
Embora que vossa face
Foi por mim injuriada
Talvez que ainda dissesse:
“Deus te perdoe, desgraçada”
Ah! Minha mãe carinhosa
Se eu agora te abraçasse,
Inda com essa agonia
Talvez que me consolasse
E antes de partir do mundo,
Essa sede saciasse
Sinto o soluço da morte
Já é hora de partir,
Peço ao meu anjo da guarda
Para comigo assistir
Porque temo que o demônio,
Não venha me perseguir
Uma velha caridosa
Trouxe água, ela bebeu
Matou a sede que tinha
E graças a Jesus rendeu
Erguendo os olhos ao céu,
Nesse momento morreu
ATHAYDE, João Martins de. A sorte
de uma meretriz. In: Introdução e
seleção Mário Souto Maior. São
Paulo: Hedra, 2000, p. 95-104.
31
 Texto 31:
A moça que foi enterrada viva
João Martins de Athayde
Nos sertões de Teresina
Habitava um fazendeiro,
Era materialista
Além disso interesseiro
Só amava a suas coisas
Homem valente e dinheiro
Era quase analfabeto
Ostentava o fanatismo
Mostrava grande afeição
Pelo imperialismo
Ele era um potentado
Nos tempos do carrancismo
Como era muito rico
Confiava em sua sorte
Era o temor dos sertões
Naquela zona do Norte
Que o que quisesse fazia,
Ainda encarando a morte
Vivendo como casado
Na mais perfeita harmonia
Tinha quatro filhos homens
Todos em sua companhia
Tinha uma filha moça,
Por nome dona Sofia
Esta moça era a caçula
Vinte e um anos contava,
Os irmãos eram mais velhos
Mas nenhum se emancipava
Só era dono de si
No dia que se casava
O velho não se importava
De fazer revolução,
Para sustentar capricho
Ou vingar sua paixão
Seus filhos também seguiam
Nessa mesma opinião
Quando ele conversava
No meio de muita gente
Dizia: “Tenho uma filha
É uma moça decente
Porém só se casa com ela
Quem for um bicho valente”
Com poucos dias depois
A notícia se espalhava
Qualquer um rapaz solteiro
Que na estrada passava
Já ia com tanto medo,
Pra fazenda nem olhava
Sofia se lastimava
Dizendo: “Até onde vai,
Este meu padecimento
Sem se ver de onde sai
Eu hei de ficar solteira,
Pra fazer gosto a meu pai?!”
Depois enxugou as lágrimas
Que banhavam o lindo rosto
Dizia: “Eu encontrando
Um rapaz moço e disposto
Eu farei com que meu pai
Passe por esse desgosto”
Um rapaz sabendo disto
Se condoeu da donzela
Vendo que não encontrava
Outra moça igual àquela
Um dia determinou-se
Dizendo: “Vou roubar ela”
Escreveu algo um bilhete
Dizendo: “Dona Sofia,
Eu ontem fui sabedor
Do que a senhora sofria
Fiquei muito indignado
Pois lhe tenho simpatia
Conheço perfeitamente
Que vou entrar num perigo
Porque seu pai conhecendo
Torna-se meu inimigo
Basta saber que a senhora
Presente casar comigo
Eu sou um rapaz solteiro
Não tenho conta a quem dar
Responde este bilhete
Pra eu me desenganar
Se me aceita como esposo,
O jeito eu vou procurar”
Sofia mandou o sim
Pela manhã muito cedo,
Fazendo ver a seu noivo
Que de nada tinha medo
Queria falar com ele,
No outro dia em segredo
O moço si preveniu-se
De um punhal e um facão,
Pistola boa na cinta
Cartucheira e munição
Seguiu pra casa do velho
Porém com boa intenção
Encontrou uma criada
Com um candeeiro na mão,
Perguntou-lhe: “Onde é o
quarto
Da filha de seu patrão?”
Diz ela: “Ao lado esquerdo
Pela porta do oitão”
A noite era muito escura
Por ali ninguém o viu,
Ele tanto pelejou
E tanto se retraiu
Que entrou no quarto da moça
E o velho nem pressentiu
Foi entardecendo a noite
Acabaram de cear,
Quando a moça entrou no
quarto
Para se agasalhar
Foi avisando o rapaz,
Ficou sem poder falar
O rapaz muito ligeiro
Pegou ela pela mão,
Porém com muito respeito
Constou-lhe sua intenção
Dizendo: “Eu arranjo tudo,
Sem precisar de questão”
Assim passaram a noite
A moça muito assustada
Quando amanheceu o dia
Por sua mãe foi chamada
Para cuidar dos trabalhos,
Como era acostumada
O rapaz fiou no quarto
Do povo se ocultou
Quando botaram o almoço
Então a moça voltou
De parelha com seu noivo
Ao velho se apresentou
O rapaz saiu do quarto
Seu rosto não desmudava,
Fincou o punhal na mesa
Dizendo se aproximava:
“É este homem valente!...
Que o senhor procurava?”
Sou eu, seu futuro genro
Que amo a esta donzela
Tudo isso que já fiz
Não é criticando dela
Embora me custe a vida
32
Só me casarei com ela!”...
O velho conheceu logo
Que não tinha jeito a dar
Correu a vista nos filhos
Como quem quer avisar
Aí todos convidaram
O moço para almoçar
Ele aceitou o convite
Porque tinha precisão
Disse o velho mansamente:
“Entre nós não há questão
Precisamos fazer logo,
Toda essa arrumação
O senhor vá para casa
Veja o que falta arrumar,
A arrumação para a noiva
Eu também vou aprontar
E o senhor no dia quinze,
Venha para se casar”
Assim que o rapaz saiu
O velho chamou Sofia,
Dizendo: “Filha maldita
Quem te deu tanta ousadia?
Me obrigaste a fazer
O que nunca pretendia!”
Ai gritou para os filhos
Dizendo na cara dura:
“Agarrem esta maldita
Prendam ela bem segura
E vão no quarto do meio
Cavem uma sepultura”
Naquele mesmo momento
Sofia foi amarrada,
Para o quarto que estava
A sepultura cavada
Aonde a triste donzela
Havia de ser sepultada
Reuniu-se em roda dela
Toda aquela comitiva,
O pai, a mãe, os irmãos
Por infame tentativa
Condenaram a pobre moça
Para sepultarem-na viva
Naquela situação
Que estava a pobre Sofia,
Pedindo ao pai, em soluços,
E o velho não atendia:
“Meu pai, não me mate hoje
Deixe eu viver mais um dia!”
Sofia se lastimava
E o velho não dava ouvido,
Depois disse para ela:
“Nada vale seu pedido
A senhora está passando
Da hora de ter morrido”
Sofia disse: “Meu pai
Tenha de mim compaixão
Mande chamar o vigário
Pra me ouvir em confissão
Talvez que por este meio
Eu possa alcançar perdão!”
“A senhora em parte alguma
Podia ser perdoada,
Não há sentença bastante
Para filha excomungada
Quem fez o que você fez
Só paga sendo queimada”
O velho zangou-se e disse:
“Não quero mais discutir
Palavras de sua boca
Não pretendo mais ouvir
Siga; entre para a cova,
Para eu mandar entupir”
Aí botaram Sofia
Pra dentro da cova escura,
O buraco foi cavado
Com dez palmos de fundura
Que sofrimento tirano
Desta infeliz criatura
O velho como uma fera
Mandou ela se deitar
Ela na ânsia da morte
Começou logo a gritar
Pedia aos outros: “Me acudam
Que meu pai quer me matar!”
O velho era malvado
Pior que o Satanás
Pegou Sofia dizendo:
“Veja bem como se faz!”...
Botou-lhe terra por cima,
Atém que não gritou mais
Aí seguiram para a sala
Ele, os filhos e a mulher
Dizendo: “Estou satisfeito
Vou esperar o que houver
Só fica mais perigoso,
Se o noivo dela souber”
Logo preveniu-se tudo
Contra o noivo de Sofia
Nisto bateram à porta
Mandaram ver quem batia
Era o rapaz noivo dela,
Porém de nada sabia
O que velho disse pra ele:
“O senhor de onde vem?
Minha derrota está feita
Aqui não me sai ninguém
Matei sua noiva agora,
E o senhor morre também”
Aí partiu para ele
Como uma fera assanhada,
O rapaz negou-lhe o corpo
E deu-lhe uma punhalada
O velho caiu gritando
Não pode mais fazer nada
Reuniu-se contra ele
Os quatro irmãos de Sofia,
Atirando à queima-roupa
Mas nem um tiro atingia
E ele os poucos que dava,
Lá um ou outro perdia
Com meia hora de luta
Estava tudo sem ação,
Os quatro irmãos de Sofia
Dois morreram na questão
Um correu espavorido
E o outro ficou no chão
O rapaz ficou sozinho
Porém já muito ferido
Quanto foi passando a porta
Ouviu um grande gemido
Diz ele: “Talvez Sofia
Inda não tenha morrido”
O rapaz muito ferido
Conhecendo que morria,
Seguiu pela casa adentro
Procurando quem gemia
Acertou logo no quarto,
Onde enterraram Sofia
No mesmo canto encontrou
A alavanca e a enxada
Os ferros que tinham sido
A dita cova cavada
Com eles tirou Sofia
Quase morta asfixiada
O leitor preste atenção
Sofia foi arrancada
Não morreu por um motivo
A cova não foi socada
Só fazia quatro horas,
33
Que tinha sido enterrada
O rapaz muito doente
Ainda conduziu Sofia
Pra casa de sua mãe
Que nada disso sabia
A velha quando viu ele
Quase morre de agonia
Não fazia des minutos
Que o rapaz tinha chegado,
Na casa de sua mãe
Quando recebeu um recado
Pelo irmão de Sofia
Ia ser assassinado
Disse o rapaz a Sofia:
“Me acabo aqui mas não corro
Já estou muito ferido
Desta conheço que morro
E também não me sujeito
Gritar pedindo socorro”
Aí ele pediu à mãe:
“Veja as armar que aí tem
O bacamarte, a espingarda
E a pistola também
E corra para bem longe
Porque o povo já vem”
A velha morta de medo
Trouxe as armas e entregou
Traspassada de agonia
Chorando o abençoou
Temendo a morte fugiu
Porém Sofia ficou
O rapaz entrincheirou-se
Bem na porta da entrada
Sofia estava por tudo
Não se temia de nada
Foi botar o seu piquete
Atrás pela retarguada
Sofia triste pensando
Tão depressa se acabar
Conhecendo que morria
Talvez antes de se casar
Quando levantou a vista
Foi vendo o grupo chegar
O rapaz que estava pronto
Com seu revólver na mão
Amparou-se num portal
Enfrentou o pelotão
Cada tiro era um defunto
Que embolava no chão
Sofia na retaguarda
Inda emparelhou seis
O bacamarte era bom
Certa pontaria fez
Quando puxou o gatilho
Caiu tudo de uma vez
Entrou um pela janela
Sofia não pressentiu
O rapaz estava lutando
De forma nenhuma o viu
Atirou nele nas costas
Que o pobre rapaz caiu
Aí pegaram Sofia
Que não podia escapar,
Cortaram todo cabelo
Mandaram os olhos furar
Depois penduraram ela
Dizendo: “Vamos sangrar”
Sangraram devagarinho
Pra inda mais judiar
Antes da moça morrer
Eles foram retalhar
Em pedaços tão pequenos
Que não puderam enterrar
Quem me contou esta história
Foi um rapaz muito sério
Foi testemunha de vista
Daquele caso funéreo
Os corpos foram levados
Num cesto pro cemitério
O mundo está corrompido
O erro vem de atrás
Muitos acontecimentos
De resultados fatais
Só acontecem com as filhas
Que vão de encontro aos pais
ATHAYDE, João Martins de. A moça
que foi enterrada viva. In: Introdução
e seleção Mário Souto Maior. São
Paulo: Hedra, 2000, p. 123-138.
 Texto 32:
Em homenagem às mulheres
João Martins de Athayde
Vou descrever a mulher,
Este arcanjo idolatrado,
Cupido, o deus do amor,
Vive a ela associado,
No céu da nossa existência,
Tem ela um trono firmado
A natureza esmerou-se
Em fazê-la assim formosa,
Deu-lhe o cabelo tão lindo,
A boca muito mimosa,
A sua face corada,
Ao romper da madrugada,
Parece um botão de rosa
O sorriso da mulher,
Não pode haver descrição,
É justamente do riso,
Que desabrocha a paixão
Os seus seios virginais,
Para mim são dois punhais,
Que nos fere o coração
Os olhos da mulher são
Duas pedras brilhantes
São dois faróis pelo mar,
A guiar os navegantes
Suas mãos são de cetim,
Os seus dentes de marfim,
Um colar de diamantes
O pranto de uma mulher
Ninguém pode resistir,
São como gotas de orvalho
Serenamente a cair,
Tudo fica comovido,
Ali não há mais pedido,
Que faça o homem sorrir
Deus para fazer a mulher
Muito teve que lutar,
Ela vive aqui no mundo,
Para sofrer e amar,
O homem mais valentão,
Tem de pedir-lhe perdão,
Ante ela se curvar
Pois a mulher é um anjo,
34
Que bem merece atenção,
É ela quem nos consola
Nas horas de ingratidão,
Por nós o pranto derrama,
E com carinho nos chama
Filho do meu coração
O homem não sabe dar
O merecido valor
A esse ser sacrossanto,
Que nos trata com fervor,
E ela a mulher querida,
Que expõe a própria vida,
Em roco do nosso amor
Como uma flor no jardim,
A mulher nasce no mundo,
Tem beleza e tem primor,
O seu perfume é fecundo,
Desabrocha num momento,
Também desfolha-se ao vento,
Murchando assim num segundo
Sendo a mulher virgem ainda
É como a flor em botão,
Quando o dia vem nascendo,
Ao soprar da viração,
Ela ali no verde galho,
Toda banhada de orvalho,
Tem encanto e atração
Vem um dia o beija-flor
Dar-lhe um beijo com ternura,
A flor pendida desmaia,
Perdendo a sua candura,
As pétalas caem no chão,
Nascendo no coração,
O sopro da desventura
O homem que vive no mundo,
Só na mulher a pensar,
Quando chega aos vinte anos,
O seu desejo é casar,
Procura uma namorada,
Meiga, formosa, educada,
Que seu nome possa honrar
Ele tem muita razão,
Em pensar dessa maneira,
Procurando antes de tudo
A querida companheira,
Porque viver sem mulher,
A vida perde o mister,
É uma tristeza inteira
E mesmo o rapaz solteiro,
Leva um viver desgraçado,
Não tem um lar que descanse,
Quando se acha enfadado,
E seja lá como for,
Jamais terá valor,
Que tem o homem casado
Se a pobre mora em castelo,
É tudo desarranjado,
A roupa suja num canto,
O lixo ali do seu lado,
E quando quer passear,
Ralha por não encontrar,
O terno branco engomado
Não há dinheiro que chegue,
Para fazer a despesa,
O ordenado do mês,
Vai embora com certeza,
Além de tudo esse pobre,
Esperdiçou o seu cobre,
Vivendo assim na pobreza
Se ele fosse casado,
Teria a mulher amada,
Que lhe cuidasse de tudo,
Não lhe faltaria mais nada,
Melhorava a sua vida,
Tinha conforto e guarida
A sua roupa engomada
Antigamente a mulher,
Somente em casa vivia,
Trabalhando na cozinha,
Nas obrigações do dia,
E passava a vida inteira,
No seu lar prisioneira,
Pra canto algum não saía
O homem não confiava,
O seu trabalho à mulher
Julgando que ela fosse
Um ser de pouco mister,
Isso foi tempo passado,
Porém hoje tem mostrado,
Que faz tudo quanto quer
Agora vemos mulheres,
Em suas obrigações,
Trabalhando igual ao homem,
Em várias colocações,
Engrandecendo a nação,
A pátria do coração,
São as suas pretensões
Temos mulheres formadas
Em comércio e medicina,
Farmácia, direito e tudo
Quanto a ciência hoje ensina,
Portanto a mulher de agora,
Não é aquela de outrora,
Seu valor já predomina
A mulher considerava-se
Ao homem inferior,
Mas no decorrer do tempo,
Tem mostrado o seu valor
Deu provas de inteligente,
E que não nasceu somente,
Para sofrer o amor
Até na luta ela tem
Mostrado sua façanha,
O soldado vai à guerra,
Sua mulher acompanha,
Enfrenta todo perigo,
Sem temer o inimigo,
Nos horrores da campanha
Então no furor da guerra,
Quando ribomba a metralha,
Ela trata dos feridos,
Pelos campos de batalha,
Com muito zelo e cuidado,
Cumprindo um dever sagrado
Essa heroína batalha
O soldado que levou
Um ferimento no peito,
Lutando por nossa pátria,
Defendendo o seu direito,
Tendo a mulher ao seu lado,
Sendo por ela tratado,
Se morrer vai satisfeito
Agora caros leitores,
Sobre o beijo vou falar,
O beijo de uma mulher,
Muito goza quem o levar,
Sendo ele demorado,
Da boca de um anjo amado,
Que delícia faz causar!
Na terra o beijo contém,
Um gosto excelso e fecundo,
Embriaga o coração,
Tem um perfume profundo,
Quem um jeito assim levou,
Também experimentou,
O maior prazer do mundo
Se o beijo fosse comprado,
Que fortuna não valia?
Com certeza muito caro,
Em toda parte seria,
Ora quem quisesse comprar,
Havia então de gastar,
Muito dinheiro hoje em dia
Porém o beijo na vida,
Qualquer um pode gozar,
Dinheiro algum não precisa,
Da algibeira ele tirar,
Módulo 19 - IDENTIDADE FEMININA: ATUAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DA MULHER

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Módulo 19 - IDENTIDADE FEMININA: ATUAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DA MULHER

  • 1. PROJETO: Cultura, Literatura e Criatividade: Do erudito ao popular – CLIC COORDENADORA DA ÁREA DE LETRAS: Magliana Rodrigues da Silva ESCOLA PARTICIPANTE: E.E.E. Fundamental e Médio Professor Raul Córdula SUPERVISORA DA ESCOLA: Diana Nunes Ramalho LICENCIANDOS EM LETRAS: Ana Daniele Félix Eloiza de Oliveira Chaves Lígia Albuquerque Queiroz Monalisa Barboza Santos Nathalia Isis Oliveira IDENTIDADE FEMININA: ATUAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DA MULHER NA SOCIEDADE Aluno (a)_________________________________________________________________________ www.clicletras.blogs.com
  • 2. 2  Texto 01: Entre a Espada e a Rosa Marina Colasanti Qual é a hora de casar, senão aquela em que ocoração diz"quero"? A hora que o pai escolhe. Isso descobriu a Princesa na tarde em que o Rei mandou chamá-la e, sem rodeios, lhe disse que, tendo decidido fazer aliança com o povo das fronteiras do Norte, prometera dá-la em casamento ao seu chefe. Se era velho e feio, que importância tinha frente aos soldados que traria para o reino, às ovelhas que poria nos pastos e às moedas que despejaria nos cofres? Estivesse pronta, pois breve o noivo viria buscá-la. De volta ao quarto, a Princesa chorou mais lágrimas do que acreditava ter para chorar. Embotada na cama, aos soluços, implorou ao seu corpo, a sua mente, que lhe fizesse achar uma solução para escapar da decisão do pai. Afinal, esgotada, adormeceu. E na noite sua mente ordenou, e no escuro seu corpo ficou. E ao acordar de manhã, os olhos ainda ardendo de tanto chorar, a Princesa percebeu que algo estranho se passava. Com quanto medo correu ao espelho! Com quanto espanto viu cachos ruivos rodeando-lhe o queixo! Não podia acreditar, mas era verdade. Em seu rosto, uma barba havia crescido. Passou os dedos lentamente entre os fios sedosos. E já estendia a mão procurando a tesoura, quandoafinal compreendeu. Aquela era a sua resposta. Podia vir o noivo buscá-la. Podia vir com seus soldados, suas ovelhas e suas moedas. Mas, quando a visse, não mais a quereria. Nem ele nem qualquer outro escolhido pelo Rei. Salva a filha, perdia-se porém a aliança do pai. Que tomado de horror e fúria diante da jovem barbada, e alegando a vergonha que cairia sobre seu reino diante de tal estranheza, ordenou-lhe abandonar o palácio imediatamente. A Princesa fez uma trouxa pequena com suas jóias, escolheu um vestido de veludo cor de sangue. E, sem despedidas, atravessou a ponte levadiça, passando para o outro lado do fosso. Atrás ficava tudo o que havia sido seu, adiante estava aquilo que não conhecia. Na primeira aldeia aonde chegou, depois de muito caminhar, ofereceu-se de casa em casa para fazer serviços de mulher. Porém ninguém quis aceitá-la porque, com aquela barba, parecia-lhes evidente que fosse homem. Na segunda aldeia, esperando ter mais sorte, ofereceu-se para fazer serviços de homem. E novamente ninguém quis aceitá-la porque, com aquele corpo, tinham certeza de que era mulher. Cansada mas ainda esperançosa, ao ver de longe as casas da terceira aldeia, a Princesa pediu uma faca emprestada a um pastor, e raspou a barba. Porém, antes mesmo de chegar, a barba havia crescido outra vez, mais cacheada, brilhante e rubra do que antes. Então, sem mais nada pedir, a Princesa vendeu suas jóias para um armeiro, em troca de uma couraça, uma espada e um elmo. E, tirando do dedo o anel que havia sido de sua mãe, vendeu-o para um mercador, em troca de um cavalo. Agora, debaixo da couraça, ninguém veria seu corpo, debaixo do elmo, ninguém veria sua barba. Montada a cavalo, espada em punho, não seria mais homem, nem mulher. Seria guerreiro. E guerreiro valente tornou-se, à medida que servia aos Senhores dos castelos e aprendia a manejar as armas. Em breve, não havia quem a superasse nos torneios, nem a vencesse nas batalhas. A fama da sua coragem espalhava- se por toda parte e a precedia. Já ninguém recusava seus serviços. A couraça falava mais que o nome. Pouco se demorava em cada lugar. Lutava cumprindo seu trato e seu dever, batia-se com lealdade pelo Senhor. Porém suas vitórias atraíam os olhares da corte, e cedo os murmúrios começavam a percorrer os 1º ENCONTRO
  • 3. 3 corredores. Quem era aquele cavaleiro, ousado e gentil, que nunca tirava os trajes de batalha? Por que não participava das festas, nem cantava para as damas? Quando as perguntas se faziam em voz alta, ela sabia que era chegada a hora de partir. E ao amanhecer montava seu cavalo, deixava o castelo, sem romper o mistério com que havia chegado. Somente sozinha, cavalgando no campo, ousava levantar a viseira para que o vento lhe refrescasse o rosto acariciando os cachos rubros. Mas tornava a baixá-la, tão logo via tremular na distância as bandeiras de algum torreão. Assim, de castelo em castelo, havia chegado àquele governado por um jovem Rei. E fazia algum tempo que ali estava. Desde o dia em que a vira, parada diante do grande portão, cabeça erguida, oferecendo sua espada, ele havia demonstrado preferi-la aos outros guerreiros. Era a seu lado que a queria nas batalhas, era ela que chamava para os exercícios na sala de armas, era ela sua companhia preferida, seu melhor conselheiro. Com o tempo, mais de uma vez, um havia salvo a vida do outro. E parecia natural, como o fluir dos dias, que suas vidas transcoressem juntas. Companheiro nas lutas e nas caçadas, inquietava-se porém o Rei vendo que seu amigo mais fiel jamais tirava o elmo. E mais ainda inquietava-se, ao sentir crescer dentro de si um sentimento novo, diferente de todos, devoção mais funda por aquele amigo do que um homem sente por um homem. Pois não podia saber que à noite, trancado o quarto, a princesa encostava seu escudo na parede, vestia o vestido de veludo vermelho, soltava os cabelos, e diante do seu reflexo no metal polido, suspirava longamente pensando nele. Muitos dias se passaram em que, tentando fugir do que sentia, o Rei evitava vê-la. E outros tantos em que, percebendo que isso não a afastava da sua lembrança, mandava chamá-la, para arrepender-se em seguida e pedia- lhe que se fosse. Por fim, como nada disso acalmasse seu tormento, ordenou que viesse ter com ele. E, em voz áspera, lhe disse que há muito tempo tolerava ter a seu lado um cavaleiro de rosto sempre encoberto. Mas que não podia mais confiar em alguém que se escondia atrás do ferro. Tirasse o elmo, mostrasse o rosto. Ou teria cinco dias para deixar o castelo. Sem resposta, ou gesto, a Princesa deixou o salão, refugiando-se no seu quarto. Nunca o Rei poderia amá- la, com sua barba ruiva. Nem mais a quereria como guerreiro, com seu corpo de mulher. Chorou todas as lágrimas que ainda tinha para chorar. Dobrada sobre si mesma, aos soluços, implorou ao seu corpo que lhe desse uma solução. Afinal, esgotada, adormeceu. E na noite seu mente ordenou, e no escuro seu corpo brotou. E ao acordar de manhã, com os olhos inchados de tanto chorar, a Princesa percebeu que algo estranho se passava. Não ousou levar as mãos ao rosto. Com medo, quanto medo! Aproximou-se do escudo polido, procurou seu reflexo. E com espanto, quanto espanto! Viu que, sim, a barba havia desaparecido. Mas em seu lugar, rubras como os cachos, rosas lhe rodeavam o queixo. Naquele dia não ousou sair do quarto, para não ser denunciada pelo perfume, tão intenso, que ela própria sentia-se embriagar de primavera. E perguntava-se de que adiantava ter trocado a barba por flores, quando, olhando no escudo com atenção, pareceu-lhe que algumas rosas perdiam o viço vermelho, fazendo-se mais escuras que o vinho. De fato, ao amanhecer, havia pétalas no seu travesseiro. Uma após a outra, as rosas murcharam, despetalando-se lentamente. Sem que nenhum botão viesse substituir as flores que se iam. Aos poucos, a rósea pele aparecia. Até que não houve mais flor alguma. Só um delicado rosto de mulher. Era chegado o quinto dia. A Princesa soltou os cabelos, trajou seu vestido cor de sangue. E, arrastando a cauda de veludo, desceu as escadarias que a levariam até o Rei, enquanto um perfume de rosas se espalhava no castelo. COLASANTI, Marina. Entre a Espada e a Rosa. Disponível em> http://nucleoatmosfera.blogspot.com.br/2009/07/entre-espada-e- rosa-conto-de-marina.html. Acesso em>22 de Agosto de 2016.  Texto 02:
  • 4. 4 Ser mulher... É viver mil vezes em apenas uma vida. É lutar por causas perdidas e sempre sair vencedora. É estar antes do ontem e depois do amanhã. É desconhecer a palavra recompensa apesar dos seus atos. Ser mulher... É caminhar na dúvida cheia de certezas. É correr atrás das nuvens num dia de sol. É alcançar o sol num dia de chuva. Ser mulher... É chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza. É acreditar quando ninguém mais acredita. É cancelar sonhos em prol de terceiros. É esperar quando ninguém mais espera. Ser mulher... É identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa. É ser enganada, e sempre dar mais uma chance. É cair no fundo do poço, e emergir sem ajuda. Ser mulher... É estar em mil lugares de uma só vez. É fazer mil papeis ao mesmo tempo. É ser forte e fingir que é frágil... Pra ter um carinho. Ser mulher... É se perder em palavras e depois perceber que se encontrou nelas. É distribuir emoções que nem sempre são captadas. Ser mulher... É comprar, emprestar, alugar, vender sentimentos, mas jamais dever. É construir castelos na areia, ve-los desmoronados pelas águas. E ainda assim amá-los. Ser mulher... É saber dar o perdão... É tentar recuperar o irrecuperável. É entender o que ninguém mais conseguiu desvendar. Ser mulher... É estender a mão a quem ainda não pediu. É doar o que ainda não foi solicitado. Ser mulher... É não ter vergonha de chorar por amor. É saber a hora certa do fim. É esperar sempre por um recomeço. Ser mulher... É ter a arrogância de viver apesar dos dissabores, das desilusões, das traições e das decepções. Ser mulher... É ser mãe dos seus filhos... Dos filhos de outros. É amá-los igualmente. Ser mulher... É ter confiança no amanhã e aceitação pelo ontem. É desbravar caminhos difíceis em instantes inoportunos. E fincar a bandeira da conquista. Ser mulher... É entender as fases da lua por ter suas próprias fases. É ser "nova" quando o coração está à espera do amor. Ser "crescente" quando o coração está se enchendo de amor. Ser "cheia" quando ele já está transbordando de tanto amor. E ser "minguante" quando esse amor vai embora. Ser mulher... É hospedar dentro de si o sentimento do perdão. É voltar no tempo todos os dias e viver por poucos instantes. Coisas que nunca ficarão esquecidas. Ser mulher... É cicatrizar feridas de outros e inúmeras vezes deixar. As suas próprias feridas sangrando. Ser mulher... É ser princesa aos 20... Rainha aos 30... Imperatriz aos 40 e... "Especial" a vida toda. Ser mulher... É conseguir encontrar uma flor no deserto. Água na seca... Labaredas no mar. Ser mulher... É chorar calada as dores do mundo e Em apenas um segundo, já estar sorrindo. Ser mulher... É subir degraus e se os tiver que descer não precisar de ajuda. É tropeçar, cair e voltar a andar.
  • 5. 5 Ser mulher... É saber ser super-homem quando o sol nasce. E virar cinderela quando a noite chega. Ser mulher... É ter sido escolhida por Deus para colocar no mundo os homens. Ser mulher... É acima de tudo um estado de espírito. É uma dádiva... É ter dentro de si um tesouro escondido E ainda assim dividí-lo com o mundo! Silvana Duboc DUBOC, Silvana. Ser mulher. Disponível em> http://www.lusopoemas.net/modules/news/article.php?stor yid=80968. Acesso em:22 de Agosto de 2016. 2º ENCONTRO  Texto 03: Mulher (Sexo Frágil) Erasmo Carlos Dizem que a mulher é o sexo frágil Mas que mentira absurda! Eu que faço parte da rotina de uma delas Sei que a força está com elas Vejam como é forte a que eu conheço Sua sapiência não tem preço Satisfaz meu ego, se fingindo submissa Mas no fundo me enfeitiça Quando eu chego em casa à noitinha Quero uma mulher só minha Mas pra quem deu luz não tem mais jeito Porque um filho quer seu peito O outro já reclama a sua mão E o outro quer o amor que ela tiver Quatro homens dependentes e carentes Da força da mulher Mulher! Mulher! Do barro de que você foi gerada Me veio inspiração Pra decantar você nessa canção Mulher! Mulher! Na escola em que você foi ensinada Jamais tirei um 10 Sou forte, mas não chego aos seus pés CARLOS, Erasmo. Mulher. Disponível em>https://www.letras.mus.br/erasmo-carlos/67612/. Acesso em: 29 de Agosto de 2016.  Texto 04: Ela Une Todas As Coisas Jorge Vercillo Ela une todas as coisas Como eu poderia explicar Um doce mistério de rio Com a transparência de um mar
  • 6. 6 Ela une todas as coisas Quantos elementos vão lá? Sentimento fundo de água Com toda leveza do ar Ela está em todas as coisas Até no vazio que me dá Quando vejo a tarde cair E ela não está Talvez ela saiba de cor Tudo que eu preciso sentir Pedra preciosa de olhar Ela só precisa existir Pra me completar Ela une o mar Com o meu olhar Ela só precisa existir Pra me completar Ela une as quatro estações Une dois caminhos num só Sempre que eu me vejo perdido Une amigos ao meu redor Ela está em todas as coisas Até no vazio que me dá Quando vejo a tarde cair E ela não está Talvez ela saiba de cor Tudo que eu preciso sentir Pedra preciosa de olhar Ela só precisa existir Para me completar Ela une o mar Com o meu olhar Ela só precisa existir Pra me completar Ela une o mar Com o meu olhar Ela só precisa existir Pra me completar Une o meu viver Com o seu viver Ela só precisa existir Para me completar Ela une o mar Com o meu olhar Ela só precisa existir Pra me completar VERCILLO, Jorge. Ela Une Todas As Coisas. Disponível em> https://www.letras.mus.br/jorge-vercillo/1101965/. Acesso em: 29 de Agosto de 2016.  Texto 05: Malandramente Mc Nandinho Malandramente A menina inocente Se envolveu com a gente Só pra poder curtir Malandramente Fez cara de carente Envolvida com a tropa Começou a seduzir Malandramente Meteu o pé pra casa Diz que a mãe tá ligando Nós se vê por aí Ai Safada! Na hora de ganhar madeirada A menina meteu o pé pra casa E mandou um recadinho pra mim Nós se vê por aí Nós se vê por aí Ai Safada! Na hora de ganhar madeirada A menina meteu o pé pra casa E mandou um recadinho pra mim Nós se vê por aí Nós se vê por aí Malandramente Malandramente A menina inocente Se envolveu com a gente Só pra poder curtir Malandramente Fez cara de carente Envolvida com a tropa Começou a seduzir Malandramente
  • 7. 7 Meteu o pé pra casa Diz que a mãe tá ligando Nós se vê por aí Ai Safada! Na hora de ganhar madeirada A menina meteu o pé pra casa E mandou um recadinho pra mim Nós se vê por aí Nós se vê por aí Ai Safada! Na hora de ganhar madeirada A menina meteu o pé pra casa E mandou um recadinho pra mim Nós se vê por aí Nós se vê por aí Nós se vê por aí NANDINHO, Mc. Malandramente. Disponível em>https://www.vagalume.com.br/mc- nandinho/malandramente-part-mc-nego-bam.html. Acesso em: 29 de Agosto de 2016.  Texto 06: Piriguete MC Papo
  • 8. 8 Quando ela me vê ela mexe Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete Rebola devagar depois desce Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete De mini saia rodada Blusa rosinha Decote enfeitado Com um monte de purpurina Ela não paga ganha cortesia Foge se a sua carteira estiver vazia Vai na micareta Vai no Pop Rock Festa de Axé Ela só anda de top Ela usa brilho Piercing no umbigo Quando toca reggaeton Quer ficar comigo ? Quando ela me ve ela mexe Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete Rebola devagar depois desce Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete Foto de espelho na exibição Ela curte funk quando chega o verão No inverno essa mina nunca sente frio Desfila pela night com o short curtinho 157 de marido Ela gosta é de cara comprometido Não tem carro Anda de carona Ela anda sexy toda guapetona Ela não é amante Não é prostituta Ela é fiel Ela é substituta Quando ela me vê ela mexe Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete Rebola devagar depois desce Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete ! Em Governador Lá em Salvador Rio de Janeiro Santos e BELÔ Todo mundo já conhece Sabe o que acontece Quando vê a gente Ela se oferece Mexe o seu corpo como se fosse uma mola Dedinho na boquinha Ela olha e rebola Chama a atenção Vem na sedução Essa noite vai ser quente
  • 9. 9 Eu vou dar pressão Quando ela me vê ela mexe Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete Rebola devagar depois desce Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete Quando ela me vê ela mexe. PAPO, Mc. Piriguete. Disponível em>https://www.letras.mus.br/mc-papo/1112442/. Acesso em: 29 de Agosto de 2016. ROTEIRO DE DISCUSSÃO  Reflita sobre os títulos de cada música.  Existe alguma relação entre as músicas?  Qual o principal assunto delas?  Por que as músicas possuem este título?  Destaque em cada uma das músicas, uma estrofe que na sua opinião relata de forma mais intensa a imagem da mulher.  Como os compositores das músicas se apresentam emocionalmente? Há um mesmo posicionamento das formas que eles se expressam?  Como as mulheres são tradadas nas músicas “Mulher” e “Ela uni todas as coisas”?  Os títulos “Malandramente” e “Piriguete”, na sua opinião, é um termo atual, ou as mulheres já eram tradadas assim em décadas passadas?  Quais as descrições da imagem feminina nas músicas? Você concorda ou discorda com elas?  Quais os posicionamentos das mulheres nas músicas executadas?  Texto 07: LEITE, Will. Sertanejo e mulheres loucas. Disponível em> https://lh4.googleusercontent.com/57BbM6wQtpY/UtWhx3BvbFI/AAAAAAAAAiI/NIoKy3RndGE/s720/SERTANEJO-E- MULHERES-LOUCAS.png. Acesso em: 22 de Agosto de 2016.
  • 10. 10  Texto 08: Segunda-feira, 13 de junho de 2011 A degradação da mulher na música brasileira Dedicado a Santana: o Cantador, Os Nonatos e Alcimar Monteiro grandes artistas defensores e construtores da boa música "Tu és divina e graciosa, estátua majestosa do amor por Deus esculturada..." assim se refere Pixinguinha, na composição Rosa, exaltando a beleza feminina. O mesmo acontece em Boneca "Eu vi numa vitrine de cristal, no mais sublime pedestal, uma boneca encantadora..." Foi-se o tempo em que a figura da mulher era cantada com tamanha ternura nas canções brasileiras. A verdade é que, ao longo dos anos, a mulher foi perdendo a imagem de santa, de rosa ou boneca, descritas nas inúmeras metáforas utilizadas para descrevê-la. De Santa e Anjo a diabo, de Gatinha Manhosa - hit dos anos 60 - à Cachorra tão referendada nos bailes Funks, a imagem feminina foi perdendo moral dando espaço à vulgaridade presente nas composições - vide "Barraco III": "Me chama de cachorra, que eu faço au-au/Me chama de gatinha, que eu faço miau/Goza na cara, goza na boca/goza onde quiser". Um som, à época, muito tocado nas noites cariocas e cujo funqueiro compositor explicou que " o gozar na cara" trata-se de duplo sentido, só se for pra ele em achar que pode "gozar da cara" do público, mesmo assim o termo pede o uso correto da Preposição "DA". Deixando a Gramática de lado, o fato é que além de cachorra, a mulher também foi chamada de Doida Demais, Condenada, Mentirosa, Cara de Cavalo, Rapariga, Ordinária, entre outros. Até Caetano Veloso que cantou a sensualidade da mulher em Tigresa, a beleza em Você é Linda, cedeu à moda e gravou Não enche: "Vagaba, vampira, o velho esquema desmorona desta vez pravaler/tarada,mesquinha"... De mais a mais, a mulher tem sido tratada como lixo musical. Em cada composição, a decomposição do mito feminino é cada vez mais aparente. E o lado intrigante do fato é observar a rapidez com que as gravadoras lançam novos hits no mercado e o quanto lucram com suas vendas. Recentemente, Santana, o Cantador disse durante gravação de programa junino, em Campina Grande, que a mulher deve selecionar o tipo de música que escuta. Para ele a mulher deve escutar músicas que a enalteçam e não que destruam a sua moral. Viva Santana! Entretanto, na contramão da mídia e da moda quem foi que mudou afinal? A mulher que perdeu o respeito por si? O homem? O tempo? Ou a indústria fonográfica brasileira? Responda-me quem souber! MONTEIRO, Geneceuda. A degradação da mulher na música brasileira Disponível em> https://vocabodario.blogspot.com.br/2011/06/degradacao-da-mulher-na musica.html?showComment=1471883341858#c5533391150587932546. Acesso em: 22 de Agosto de 2016.
  • 11. 11 3º ENCONTRO  Texto 09: Contos de fada atuais mudam imagem da mulher Hellen Reis Mourão Os contos de fada, assim como os mitos, as lendas e as fábulas, falam a linguagem da alma. Eles são uma espécie de sonho coletivo. Em termos psicológicos, os contos são a expressão mais pura e mais simples dos processos psíquicos que ocorrem no inconsciente coletivo e, por isso, são muito utilizados pelos psicoterapeutas para compreender as pessoas. E cada conto de fada pode ser analisado sob vários ângulos, levando a uma infinidade de análises. Um dos aspectos pelo qual podemos observar os contos é o feminino. Temos várias histórias nas quais o herói é representado por uma mulher, uma princesa, uma camponesa ou uma rainha, porexemplo. E atentando para esses contos, podemos observar os problemas pelos quais a mulher passa, bem como o modo que a psique feminina pode se desenvolver. Uma das coisas mais interessantes dos contos de fada clássicos é que geralmente a heroína é diferente do herói. Enquanto o homem costuma enfrentar bruxas, feiticeiros e dragões, a mulher geralmente suporta algo ou fica apenas passiva diante dos desafios. Vemos em Branca de Neve, Rapunzel, A Bela Adormecida ou Cinderela, que elas não realizam grandes feitos, apenas esperam, dormem ou tricotam e tecem, como no conto "Rumpelstilsequim", no qual a futura rainha deve fiar, com o intuito de escapar da morte. POR QUE ALGUMAS PRINCESAS SÃO SUBMISSAS E APÁTICAS? Bem, se voltarmos um pouco no tempo e analisarmos a época em que os contos se tornaram populares, veremos e entenderemos um pouco mais a situação da mulher. Os contos de fadas eram estórias transmitidas oralmente, com a intenção de entretenimento dos adultos, ou seja, originalmente não eram voltadas para crianças. Elas começaram a ser registradas em livros na Idade Média, principalmente pelos Irmãos Grimm, que foram os pioneiros na escrita dos contos de fada. Pois bem, nessa época havia uma intensa "caça às bruxas" e o patriarcado havia se instalado. Sendo assim, tudo o que era relacionado ao feminino passou a ser perseguido. Qualquer mulher que andasse sozinha na floresta, que ousasse exprimir sua opinião ou que buscasse ervas medicinais era queimada na fogueira. A energia feminina, então, foi reprimida e atitudes tidas comomasculinas, comoa agressividade, a competitividade e a racionalidade passaram a ser a "bola da vez". Nos contos, vemos então a forte presença de características da energia feminina, como a espera, a paciência e principalmente a valorização do amor, cujo desfecho costuma ser com um casamento. Branca de Neve, Rapunzel, Cinderela, Bela Adormecida, entre outras, sempre se casam com o príncipe no final. VALENTE, FROZEN E MALÉVOLA: HEROÍNAS NÃO ESPERAM PELO PRÍNCIPE ENCANTADO Por essa razão, é interessante notar como as meninas de hoje em dia ficam em êxtase com as princesas. Filmes da Disney são fontes de criatividade e de uma busca de identificação com o papel feminino para as crianças. E por isso torna-se cada vez mais importante e necessário para o nosso equilíbrio psíquico, enquanto indivíduos e sociedade, a busca pelo equilíbrio das energias masculinas e femininas. O resgate do feminino vem ocorrendo aos poucos, mas de forma constante. E podemos observar isso nas crescentes adaptações do cinema e televisão dos contos de fada. Novas releituras, como Valente, Frozen e Malévola vêm mostrando, além da busca da compreensão do nosso inconsciente, os novos caminhos que o feminino vem tomando. Nessas novas releituras, algo de interessante ocorre. Em Valente, Frozen e Malévola, as personagens principais encontram a redenção no amor, mas não por meio do amor de um homem. No final das três adaptações não há casamento."Em Valente, Frozen e Malévola, as personagens principais encontram a redenção no amor, mas não por meio do amor de um homem. No final das três adaptações não há casamento." E o amor é experienciado pela relação mãe e filha (Valente e Malévola) ou de irmãs (Frozen). Em Malévola, por exemplo, a redenção da fada não poderia vir pelo masculino, visto que este a traiu, mas por uma menina que a fazrelembrar seu ladoamoroso, recordar de um tempo em que era feliz. Assim, ela retoma a compaixão e o amor. Em Valente, a heroína resgata sua mãe da prisão que é o papel imposto à mulher pela sociedade. A rainha-mãe é o feminino que precisa seguir as convenções determinadas, com comportamentos ditados pela sociedade e que, provavelmente, foi passado por sua mãe. Merida, a pequena valente, é o aspecto juvenil cheio de sonhos, que a mãe teve que reprimir. Ela é indomável, selvagem e deseja se casar por amor. A rainha, por
  • 12. 12 medo de sua própria sombra, tenta reprimir isso em sua filha. Mas ambas se identificam uma com a outra. A redenção ocorre quando a menina, por meio da mãe terrível simbolizada pela bruxa - mas que também possui um aspecto de velha sábia - lhe oferece o veneno que também cura. Com a poção, a rainha conseguiu acessar novamente seus instintos femininos e maternos. E Merida amadurece, se tornando capaz de assumir responsabilidades e de ser uma majestade perfeitamente feliz. Em Frozen, a redenção de ambas as irmãs Elza e Ana ocorre quando elas demonstram amor verdadeiro uma pela outra. Em nossa sociedade, infelizmente existe um estereótipo de que as mulheres não são companheiras. E a metáfora de Frozen não serve apenas para irmãs de sangue, mas também para irmãs de coração. Ana é traída pelo seu primeiro amor e Elza é julgada por ser diferente e poderosa pela sociedade. Mas sua irmã não a julga e não a teme. E por meio desse amor e da aceitação da forma de ser uma da outra que ocorre a salvação delas e do reino. Portanto, esses novos contos nos mostram que a mulher deve resgatar seus valores por meio do amor ao feminino. Seja como mãe, filha, irmã ou amiga. A mulher hoje conquistou seu espaço no mercado de trabalho, mas muitas se afastam de seus aspectos de doçura, paciência, amabilidade e sensibilidade, vendo essas características como algo fraco e inaceitável. Aceitar esses aspectos e integrá-los novamente trará um grande beneficio à sociedade, que está extremamente competitiva e agressiva, principalmente com a natureza. O único aspecto negativo dessas novas adaptações dos contos de fada é que o masculino foi deixado de lado na consumação do amor. Se por um lado foi necessário colocá-lo em segundo plano, em breve será preciso olharmos novamente para ele, pois o equilíbrio e a união dessas duas forças é que nos farão seres humanos mais completos. MOURÃO, Hellen Reis. Contos de fadas atuais mudam imagem da mulher. Disponível em: <http://www.personare.com.br/contos-de-fada-atuais-mudam-imagem-da-mulher-m5607 >. Acesso em: 28 de agosto de 2016.
  • 13. 13 5º ENCONTRO  Texto10: A ditadura da beleza e a autoestima feminina Jéssica Rodrigues Lima Vivemos em uma sociedade onde o padrão de beleza imposto pela mídia é inatingível, causando assim distúrbios psicológicos e transtornos alimentares, além de tornar as pessoas cada vez mais consumistas. As mulheres são oalvo principal e o fato de não conseguirem atingir os padrões estéticos “estipulados”, pode causar consequências graves na autoestima feminina. O excesso de preocupação com a beleza muitas vezes é desnecessário, uma vez que o conceito de beleza é relativo. No Brasil a valorização do corpo chega a ser gritante e a imagem de perfeição imposta pela mídia está longe da realidade da maioria das brasileiras, seja por falta de tempo, dinheiro ou até mesmo desejo. Os padrões de beleza vigentes em nossa sociedade são a magreza, o corpo sarado, a pele e os cabelos perfeitos, entre outros. Assim, uma mulher pode sentir sua autoestima despencar caso não tenha o corpo da atriz famosa ou da modelo. Surgem sentimentos como frustração, medo, angústia e insegurança, que levam à depressão. Os comportamentos típicos da mulher com baixa autoestima são: necessidade de aprovação (reconhecimentoe agradar); dependência (financeira e emocional); insegurança (ciúmes); não se permite errar, perfeccionista; sentimento de não ser capaz de realizar nada; não acredita em si e em ninguém; dúvidas constantes, dúvida de seu próprio valor; depressão; ansiedade; inveja; medo; raiva; agressividade; comodismo; vergonha; dificuldade em crescer profissionalmente e sentimento de inferioridade. Outro problema gerado pela ditadura da beleza são os distúrbios alimentares que ocorrem em função da imagem do corpo perfeito promovida pelos meios de comunicação de massa. É cada vez maior a procura por academias e clínicas de estética. Não há problema algum em querer se manter bonita e saudável, mas muitas mulheres acabam exagerando, seja por exercícios em excesso que podem levar a exaustão, seja pela privação de alimento que pode causar doenças como anorexia, bulimia e vigorexia, ou através de cirurgias estéticas que já levaram à morte tantas moças famosas e anônimas. Essa busca incessante pelo ideal de perfeição também pode levar ao consumismo exagerado. Ao mesmo tempo em que a mídia mostra corpos considerados perfeitos, a publicidade tenta vender produtos para tratamento estético. Tudo isso é uma jogada comercial para nos tornar cada vez mais consumistas. E aí surge outro problema. Os tratamentos estéticos e os produtos de beleza geralmente requerem uma quantia em dinheiro significativa e a maioria das brasileiras tem um baixo poder aquisitivo. Por isso uma mulher pode se sentir frustrada por não ter uma condição financeira suficiente para bancar os tratamentos e produtos necessários para alcançar o ideal de perfeição estabelecido. E assim nos tornamos vítimas da beleza. Todos esses sentimentos gerados pela ditadura da beleza podem ainda causar sérios problemas no âmbito pessoal e profissional. No campo amoroso, a mulher tem grande chance de se envolver em relacionamentos instáveis e infrutíferos. Por medo de perder o relacionamento e não conseguir buscar outro, muitas mulheres acabam ficando sempre em posição de submissão. Já no campo profissional, a mulher não consegue confiar em si própria e acaba criando obstáculos para os desafios que surgem. Tem medo de se arriscar por achar que não vai conseguir. Segundo a psicóloga Andreia Mattiuci, não existem fórmulas mágicas para melhorar a autoestima. A única solução é o autoconhecimento. Podemos comparar nossas vidas a um guarda-roupa bagunçado, onde é muito difícil encontrar uma roupa limpa (qualidades), por isso é preciso ver quais roupas precisam ser lavadas, quais não servem mais (se livrar das mágoas que apenas pesam e ocupam espaço em nossas vidas) e quais estão ali novinhas sem nunca terem sido usadas (potencial). “Apesar de trabalhoso, o autoconhecimento nos permite ver as coisas commais clareza, encontrando nossas qualidades, muitas vezes abafadas e anuladas pornos e pelos outros. O primeiro passo é querer a mudança”, afirma. Existem algumas mudanças de postura que contribuem para levantar a autoestima feminina. Faça algo que você gosta; abandone a coitadinha que há dentro de você; aprenda a aceitar críticas construtivas; não afogue as mágoas comendo; faça exercícios físicos; faça terapia e seja feliz. Não devemos querer nos enquadrar em modelos já estabelecidos, pois a beleza está nos olhos de quem vê. Não é uma ciência exata como, por exemplo, a matemática, em que dois mais dois é igual a quatro e não há questionamentos. Ao contrário, o conceito de beleza é subjetivo e são as imperfeições que formam a perfeição relativa. LIMA, Jéssica Rodrigues. A ditadura da beleza e a autoestima feminina. Disponível em> http://ulbra-to.br/encena/2013/11/21/A- ditadura-da-beleza-e-a-autoestima-feminina. Acesso em: 25 de Agosto de 2016.
  • 14. 14  Texto 11: Máscara Pitty Diga quem você é, me diga Me fale sobre a sua estrada Me conte sobre a sua vida Tira a máscara que cobre o seu rosto Se mostre e eu descubro se eu gosto Do seu verdadeiro jeito de ser Ninguém merece ser só mais um bonitinho Nem transparecer consciente inconsequente Sem se preocupar em ser adulto ou criança O importante é ser você Mesmo que seja estranho, seja você Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro Mesmo que seja estranho, seja você Mesmo que seja Tira a mascara que cobre o seu rosto Se mostre e eu descubro se eu gosto Do seu verdadeiro jeito de ser Ninguém merece ser só mais um bonitinho Nem transparecer consciente inconsequente Sem se preocupar em ser adulto ou criança O importante é ser você Mesmo que seja estranho, seja você Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro Mesmo que seja estranho, seja você Mesmo que seja Meu cabelo não é igual A sua roupa não é igual Ao meu tamanho não é igual Ao seu caráter não é igual Não é igual, não é igual Não é igual I had enough of it But I don't care I had enough of it But I don't care Diga quem você é, me diga Me fale sobre a sua estrada Me conte sobre a sua vida E o importante é ser você Mesmo que seja estranho, seja você Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro Mesmo que seja estranho, seja você Disponível em: https://www.vagalume.com.br/pitty/mascara.html. Acesso em: 25 de Agosto de 2016.  Texto 12: Disponível em: https://www.google.com.br/imgres?imgurl=http%3A%2F%2Fassets2.exame.abril.com.br. Acesso em: 25 de Agosto de 2016.
  • 15. 15  Texto 13: Disponível em:https://www.google.com.br/imgres?imgurl=http%3A%2F%2Fmedia.tumblr.com. Acesso em: 25 de Agosto de 2016.
  • 16. 16 6º ENCONTRO  Texto 16: Violência contra a mulher: tempo de medo, tempo de lutas Profa. Dra. Viviane Melo de Mendonça "É o tempo do medo. Medo da mulher à violência do homem e medo do homem à mulher sem medo", disse o escritor Eduardo Galeano. Estas frases ressoavam em mim enquanto lia a publicação dos resultados da pesquisa mundial realizada pela OMS em 2013 sobre a violência contra a mulher. Os resultados desta pesquisa apontaram para uma realidade triste: 1/3 das mulheres em todo o mundo sofrem de violência física ou sexual; a violência sexual é o tipo mais comum das violências contra a mulher e afeta 30% das mulheres em todo o mundo; e 38% das mulheres assassinadas no mundo foram mortas por seus parceiros íntimos. O relatório da pesquisa(*) considera a violência contra a mulher, portanto, uma epidemia global. As raízes desta violência estão na discriminação ainda persistente contra as mulheres. Esta discriminação é um dos resultados de como normas e padrões de gênero se constituem sócio-historicamente e engendram desigualdades nas relações de poder entre homens e mulheres. Cria-se, hierarquicamente, o lugar do homem e o lugar da mulher, um binarismo perverso que constitui desigualdades, iniquidades e aprisiona subjetividades. Na sua origem, a violência contra as mulheres decorre do modo como produzimos estas relações de gênero e de como as reforçamos em nossos discursos, jogos, piadas e brincadeiras, para os quais devemos estar atentos, afinal, tornamo-nos cúmplices desta violência quando assim fazemos. Como disse Galeano, é um tempo de medo, medo da mulher à violência do homem. Um medo que está arraigado em nossas experiências, às vezes de modo quase imperceptível porque já "naturalizado" pela condição social imposta às mulheres. O medo que nos acostumou ao medo de sairmos sozinhas à noite em nossa cidade, por exemplo. Não é aquele medo de sermos assaltadas, mas um medo maior, o de sermos violentadas. Um medo que muitas mulheres também sentem em suas próprias casas: o medo da violência de seus próprios parceiros. Medo na rua, medo no lar. Um medo tão intenso, naturalizado, arraigado, que pensamos tantas vezes que a culpa é nossa, e silenciamos, fingimos não ter medo. Como um medo se transforma em luta para vivermos sem medo? Contarei a história de Maria, uma mulher brasileira. Seu ex-marido tentou assassiná-la duas vezes em 1983. A primeira tentativa foi com um tiro em suas costas enquanto dormia, na segunda ele tentou eletrocutá-la no banho. Maria perdeu o movimento das pernas, ficou paraplégica. O ex-marido não foi punido pelos crimes. Maria foi à luta, e de sua luta temos hoje uma lei com seu nome: Lei Maria da Penha, que regulamenta os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil e que altera o tratamento dado anteriormente pelo Poder Judiciário aos agressores de mulheres no âmbito familiar. Com a Lei Maria da Penha, o silêncio do medo começou a ser quebrado, e o número de denúncias de violência contra mulher no Brasil aumentou seis vezes desde 2006, quando ela foi criada. Neste ano, mais um medo se transformou em luta, e da luta, mais uma conquista para as mulheres. Foi sancionada pela Presidência da República a PLC 03/2013, de autoria da deputada federal Iara Bernardi. A Lei obriga o SUS prestar atendimento emergencial e multidisciplinar às mulheres vítimas de violência sexual, a realização de diagnóstico e tratamento de lesões, exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis e contracepção de emergência. Parece óbvio, mas este direito não estava garantido. Mas o que se deseja é que estas leis não sejam mais necessárias. Portanto, a luta não acaba por ai. Movimentos sociais, coletivos feministas e de mulheres estão lutando para a superação das desigualdades de gênero e da violência contra a mulher. Ou seja, entender como as normas e padrões de gênero se constituem, e a serviço de quem estão assim constituídos, é uma tarefa política de todos. E se somos alvo de resistência, preconceito ou piadas por conta destas lutas, é porque o tempo, como disse Galeano, ainda é de medo, também o medo de muitos homens à mulher sem medo. MENDONÇA, Viviane Melo. Violência contra a mulher: tempo de medo, tempo de lutas, Disponível em > http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/494039/violencia-contra-a-mulher-tempo-de-medo-tempo-de-lutas. Acesso em: 26 de Agosto de 2016.
  • 17. 17 7º ENCONTRO  Texto 17: Apelo Dalton Trevisan Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho. Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia. Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor. TREVISAN, Dalton. Apelo. Disponível em: http://www.releituras.com/daltontrevisan_apelo.asp. Acesso em: 24 de Agosto de 2016. 8º ENCONTRO  Texto 18: VOCÊ SABE QUAL A DIFERENÇA ENTRE MACHISMO, FEMISMO, MISANDRIA, MISOGINIA E FEMINISMO? Em meio a discussões entre homens e mulheres, sobre assuntos que envolvem, direitos, deveres, igualdade, moral e discriminação, esses termos sempre aparecem. Mas você sabe realmente o que significa cada um dos termos que você emprega? Vamos lá... Machismo é um comportamento onde há exaltação do gênero masculino sobre o feminino. Ou seja, esse comportamento é oposto a igualdade de gênero. Onde o homem é visto como superior. Esse comportamento pode ser praticado tanto por homens quanto por mulheres. Quem o pratica é chamado de machista. Femismo é empregado para enfatizar a ideia de que a mulher é superior ao homem. Ou seja, é o contrário de machismo. E é oposto a igualdade de gênero. Quem o pratica é chamado de femista. Misandria é a aversão ou ódio a pessoas do sexo masculino. Normalmente são as mulheres que praticam misandria. Quem pratica é chamando de misândrica. Misoginia é a aversão ou ódio a pessoas do sexo feminino. Normalmente são os homens que praticam misoginia. Quem pratica é chamando de misógino. Feminismo é considerado um movimento social, político e filosófico, onde se prega a igualdade de gênero. Nem o homem é superior, nem a mulher é superior, ambos tem seu papel significativo e ambos devem ser tratados por igual. Tanto homens quanto mulheres podem ser adeptos do feminismo. Quem o pratica é chamado de feminista. Em resumo:  Machismo - Homem é superior;  Femismo - Mulher é superior;  Misandria - Ódio ou aversão aos homens;  Misoginia - Ódio ou aversão às mulheres;  Feminismo - Igualdade entre homens e mulheres. Muita gente generaliza os termos machista e feminista, como sendo as únicas definições possíveis.
  • 18. 18 É comum ainda mulheres defenderem o feminismo, e levarem seus discursos, mesmo que sem querer, para o patamar femistas e misândricos, distorcendo todo o sentido do movimento feminista. Há também os homens que querem contornar seu discurso machista com alíbis como o masculinismo, mesmo havendo uma linha ténue entre ambos. Há também homens e mulheres que se intitulam contra o feminismo, por achar que é a superioridade da mulher sobre o homem (femismo). Por isso gente, muita cautela, ao empregar um termo, ou montar um discurso que você acha que está coerente com o que você prega. Cuidado com os: "Não sou machista, mas..." ou "Sou feminista, e acho que esses homens não prestam pra nada..." É sempre bom a gente pesquisar bastante antes de defender uma causa. Propague essa ideia! Disponível em> http://brennaceciliaa.blogspot.com.br/2015/12/diferenca-entre-machismo-femismo.html. Acesso em 28/08/2016.  Texto 19: OS FATOS HISTÓRICOS QUE MARCARAM AS CONQUISTAS DAS MULHERES O dia 8 de março é um marco na luta pelos direitos das mulheres ao redor do mundo. Se fosse possível retroceder no tempo e contar para um cidadão do começo do século 20 que as mulheres, hoje, votam, tem média de escolaridade maior que a dos homens, governam países e estão inseridas amplamente no mercado de trabalho, talvez o sujeito não acreditasse no relato. No entanto, ainda há muito que avançar para se alcançar a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Os dados sobre a opressão sofrida pelas mulheres é assustador. Segundo pesquisa realizada no ano 2000 pela Comission on the Status of Women da ONU, uma em cada três mulheres no mundo já foi espancada ou violentada sexualmente. Os números no Brasil também são alarmantes. A cada cinco minutos, uma mulher é agredida no país. Em cerca de 70% dos casos, quem agride é o marido ou namorado, de acordo com relatório do Ministério da Justiça de 2012. Os direitos constitucionais ainda não garantem igualdade de condições para os gêneros. Para entender as diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho, por exemplo, a PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, de 2007, diz que a equiparação de salários só deve acontecer daqui a 87 anos, para mulheres e homens que executam as mesmas funções. As mulheres, no caso, ganham menos. "A data de comemoração do dia das mulheres é simbólica. No entanto, é uma boa maneira de inserir o debate sobre os direitos das mulheres e colocar o tema na agenda. Por exemplo, é importante que as políticas públicas permitam a discussão nas escolas sobre igualdade de condições para os gêneros", afirma Karina Janz Woitowicz, doutora em Ciências Humanas na área de Estudo de Gênero da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A professora Maria Vilani Cavalcanti Gomes, especialista em Filosofia Clínica, organiza um grupo de professores na E.E Professora Adelaide Rosa Machado de Souza , Grajaú, São Paulo, para discutir as conquistas da mulher com os alunos. O projeto interdisciplinar chamado "O feminino e seus contextos" pretende trabalhar com a turma o atual papel da mulher na sociedade, preconceitos de gênero, história da mulher indígena, entre outros assuntos. "Esse projeto nasceu nas conversas com minhas colegas professoras sobre a necessidade de trabalhos escolares que discutam de maneira mais ampla a questão das lutas femininas e quais são as suas representantes. Acho importante mostrar para os alunos o protagonismo que a mulher alcançou a base de muitas lutas", afirma Vilani. Historicamente, as mulheres foram autorizadas a frequentar a escola no Brasil apenas em 1827, quando uma lei no período imperial permitiu-lhes o acesso à Educação. No entanto, a lei garantiu acesso apenas às escolas elementares. O movimento feminista mundial surgiu como uma forma de reivindicar esses e outros direitos. As origens do movimento estão atreladas aos acontecimentos da década de 1960. Com o surgimento da pílula anticoncepcional, por exemplo, as mulheres conquistaram liberdade sexual. Antes, as relações eram estritamente monogâmicas e voltadas para o casamento. Escritoras como Simone de Beauvoir e Betty Friedan ganharam espaço por buscarem desconstruir o papel então convencionado para a mulher na sociedade. Um caso emblemático desse período aconteceu no dia 7 de setembro de 1968, quando centenas de mulheres de vários partes dos Estados Unidos saíram às ruas de Atlantic City e protestaram contra os
  • 19. 19 estereótipos femininos e a "ditadura da beleza". A ideia era fazer uma queima coletiva de sutiãs. No entanto, o plano não foi concretizado. No Brasil, a autora Céli Regina Pinto, no livro "Breve história do feminismo no Brasil", descreve duas fases do movimento no país: "feminismo bem-comportado" e "feminismo mal-comportado". Na primeira fase, entre o final de século 19 até o início do século 20, em 1932, as mulheres conquistam o direito de votar. A bióloga Bertha Lutz é a principal articuladora feminista do período. A segunda fase, entendida como "mal-comportada", foi marcada por mobilizações contra a ditadura, quando muitas mulheres brasileiras foram exiladas. Nesse período, as mulheres tiveram uma participação efetiva nas lutas pela democracia, mobilizadas para as causas gerais (fim da ditadura) e para causas específicas (pelo combate à violência doméstica, pela construção de creches para os filhos das trabalhadoras e pelo direito ao aborto). Ao longo das décadas, o Brasil conquistou muitas vitórias na luta contra a violência domiciliar. Em 1985, foi criada a primeira delegacia da mulher. Quase dez anos depois, a Lei 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha, aumentou o rigor nas punições para violência doméstica ou familiar. Hoje, agressores de mulheres podem ser presos em flagrante ou ter prisão preventiva decretada. Além disso, a lei prevê medidas como a saída do agressor do domicílio e a proibição de sua aproximação da mulher agredida e dos filhos. A violência contra as mulheres ainda encontra apoiadores de forma velada na sociedade ou explícita em redes sociais. Luzinete Simões Minella, professora do programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica que uma grande questão atual na luta por direitos é a conscientização sobre os preconceitos. "A misoginia, por exemplo, é muito maior que simples preconceito, é o ódio ao sexo feminino. Essa forma de pensar alimenta a ideia de alguns estereótipos e impede mais conquistas das mulheres", afirma. Disponível em> http://novaescola.org.br/fundamental-2/fatos-historicos-conquistas-dia-da-mulher-735607.shtml#ad-image-0. Acesso em 28/08/2016.  Texto 20: AS MULHERES E OS DIREITOS POLÍTICOS NO BRASIL Augusto Buonicore É preciso sempre lembrar a situação degradante que viveram as mulheres durante séculos e a luta persistente que tiveram de travar para conseguirem se firmar como cidadãs portadoras de direitos. É claro que muito ainda falta para ser conquistado, mas olhan no Brasil, por exemplo, as mulheres puderam se matricular em estabelecimentos de ensino em 1827. O direito a cursar uma faculdade só foi adquirido 52 anos depois. Apenas em 1887 o país formaria sua primeira médica. As primeiras mulheres que ousaram a dar esse passo foram socialmente segregadas. O primeiro Código Civil brasileiro, aprovado em 1916, reafirmou muitas das descriminações contra a mulher. Escreveu a professora Lígia Quartimde Moraes: “Com o casamento, a mulher perdia sua capacidade civil plena. Cabia ao marido a autorização para que ela pudesse trabalhar, realizar transações financeiras e fixar residência. Além disso, o Código Civil punia severamente a mulher vista como ‘desonesta’, considerava a não virgindade da mulher como motivo de anulação do casamento (...) e permitia que a filha suspeita de ‘desonestidade’, isto é, manter relações sexuais fora do casamento, fosse deserdada”. As mulheres casadas – ou sob o pátrio poder – eram consideradas incapazes juridicamente, como as crianças, os ‘deficientes mentais’ e os mendigos. Como não poderia deixar de ser, desde os primórdios da sociedade brasileira, as mulheres também foram excluídas de todo e qualquer direito político. Por exemplo, as constituições do Império (1824) e da República (1891) não lhes concederam o direito de votar e nem de serem votadas. Uma situação que persistiria até as primeiras décadas do século 20. Eram, portanto, cidadãs de segunda categoria. Neste período sombrio elas não ficaram caladas. No entanto, só muito recentemente esta história da resistência feminina começou a ser desvendada pela historiografia. Elas lutaram pelo direito à educação e pelos seus direitos civis e políticos. Também se envolveram, na medida de suas possibilidades, nos grandes movimentos que ajudaram a construir a nação, como as lutas pela independência, abolição da escravidão, proclamação da República etc. A primeira feminista brasileira que se tem notícia foi a potiguar Nísia Floresta (1809-1885). Ela se destacou como educadora, montando e dirigindo diversas escolas femininas no país. Achava que a educação era o primeiro passo para emancipação da mulher. Traduziu e publicou “Direitos das Mulheres e Injustiças dos Homens”, manifesto feminista de Mary Wollstonecraft. Foi obrigada a viver 28 anos na Europa e lá travou contato com as idéias mais avançadas. De volta ao Brasil apoiou o movimento abolicionista e republicano. Nísia era uma pessoa muito à frente do seu tempo.
  • 20. 20 BUONICORE, Augusto. As mulheres e os direitos políticos. Disponível em> http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=2115. Acesso em 28/08/2016.  Texto 21: DIREITOS FEMININOS: UMA LUTA POR IGUALDADE E DIREITOS CIVIS A história do movimento feminista pode ser dividida em três momentos: as reivindicações por direitos democráticos como o direito ao voto, divórcio, educação e trabalho, nos séculos 18 e 19; a liberação sexual, impulsionada pelo aumento dos contraceptivos, no fim da década de 1960; e a luta por igualdade no trabalho, iniciada no fim dos anos 1970. Hoje, grupos feministas ainda buscam avanços no que diz respeito aos direitos reprodutivos, uma briga já ganha em alguns países, mas que enfrenta alas conservadoras em outros. Nas antigas sociedades mediterrâneas, a mulher vivia uma condição legal limitada e sem direitos políticos. Foi a partir do século 18 que se começou a falar em reivindicação dos direitos da mulher (a palavra feminismo só apareceria apenas no final do século 19), com o advento do Iluminismo (e seus ideais de liberdade e igualdade) e da Revolução Francesa. Datam dessa época as primeiras obras de caráter feminista, entre elas a da inglesa Mary Wollstonecraft (1759-1797), autora do livro "Em Defesa dos Direitos das Mulheres", de 1792, sobre educação para mulheres. A obra foi traduzida pela feminista brasileira Nísia Floresta, em 1832. A busca pelo direito ao voto pelas sufragistas foi uma das primeiras lutas do feminismo. O movimento sufragista, que surgiu no contexto da urbanização e na industrialização do século 19, começou em 1897, com a fundação da União Nacional pelo Sufrágio Feminino pela educadora britânica Millicent Fawcett (1847-1929). No Reino Unido, o voto feminino só seria aprovado em 1918. O primeiro país a reconhecer o direto das mulheres de votar foi a Nova Zelândia, em 1893. Entre 1914 e 1939, as mulheres adquiriram o direito ao voto em mais 28 países, entre eles os EUA, em 1920, e o Brasil. Em 1927, a professora Celina Guimarães Viana conseguiu seu registro para votar no município de Mossoró, no Rio Grande do Norte. O Estado foi pioneiro na inclusão do voto feminino. Em âmbito nacional, o voto feminino só foi aprovado em 1932 e concretizado em 1933, na eleição para a Assembleia Constituinte. Em função da ditadura de Getúlio Vargas (1937-1945), porém, as mulheres só voltaram a votar em 1946. Ainda no século 19, no contexto da Revolução Industrial, o número de mulheres empregadas aumentou significativamente, iniciando um período de longas jornadas de trabalho nas fábricas, mas com os salários significativamente mais baixos em comparação aos homens. Foi a partir desse momento que o feminismo se fortificou como um aliado do movimento operário e em busca de melhorias trabalhistas. Foi em Nova York que dois episódios importantes para a conquista dos direitos das mulheres aconteceram: as greves de 1857 e 1911. A primeira aconteceu em 8 de março e está ligada à luta das operárias têxteis, que paralisaram suas atividades durante uma semana e foram duramente reprimidas pela polícia. Em 1911, uma nova greve em 25 de março terminou com a morte de 146 pessoas (mais de 100 mulheres) em um incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist Company. Tais acontecimentos acima ajudaram a instituir o março como mês da mulher e o dia 8 como o Dia Internacional da Mulher, mesmo sem relatos e documentos que comprovem o ocorrido em 1857. As russas também tiveram papel importante para fortalecer os protestos por parte das mulheres. Em 8 de março de 1917, operárias russas foram às ruas em protesto contra o czar Nicolau 2º, a entrada do país na 1ª Guerra Mundial, contra a fome e os baixos salários. Embora as mulheres tenham conseguido importantes conquistas com relação ao voto, trabalho, remuneração, divórcio, proteção no caso de violência doméstica, antigas demandas continuam em aberto, como é o caso do aborto. Grupos de mulheres – como a Marcha das Vadias, no Brasil, e as ucranianas do Femen -- ainda reivindicam o direito da mulher de escolher abortar não apenas em caso de estupro ou riscos para a saúde. Hoje, mais de 50 países já permitem o chamado aborto voluntário, como EUA, Canadá, Cuba, Japão e China. No Brasil, o aborto é permitido apenas em três situações: quando há risco para a mulher, em caso de estupro e para fetos com anencefalia, esta última, aprovada em 2012. A busca pela liberdade sexual e pelos direitos reprodutivos ganhou força a partir da década de 1960, quando surgiu o primeiro anticoncepcional oral. A pílula provocou uma revolução na vida sexual feminina, que ganhou mais liberdade, e levou a uma redução drástica da taxa de natalidade mundial. A punição da violência contra mulher é outra conquista que ainda precisa de avanços. No Brasil, a questão ganhou reforço com a Lei Maria da Penha, em 2006, aumentando a punição dos agressores, e recentemente foi classificada como crime de tortura. Segundo dados de 2012 do Governo Federal, a cada 5 minutos uma mulher é agredida no país. Em 80% dos casos, o agressor é o marido, companheiro ou namorado.
  • 21. 21 Em países com tradições culturais patriarcais, os direitos das mulheres ainda são um tabu. Na Índia, por exemplo, os casos de estupro têm chamado atenção em todo o mundo expondo o aumento e a impunidade de crimes praticados contra a mulher. Outros países asiáticos também são vistos como perigosos para as mulheres. No Afeganistão, até 80% das mulheres se casam contra a sua vontade, enquanto no Paquistão, sua participação na sociedade é limitada e elas chegam a ganhar até 82% menos do que os homens. Durante anos o direito de cursar o ensino superior foi negado às mulheres. A busca pelo direito à educação é uma bandeira que passoua ter força no século 19. A entrada das mulheres na universidade aconteceu primeiramente nos EUA, em 1837, com a criação de universidades exclusivas para as mulheres. Na Europa o processo foi mais demorado e começou pelas universidades menores. O acesso à educação só começou a aumentar após a 1ª Guerra Mundial. No Brasil, Rita Lobato Velho Lopes foi a primeira mulher a receber um diploma superior e a segunda da América Latina. Ela formou-se na Faculdade de Medicina da Bahia em 1887. Hoje, as mulheres ainda enfrentam diferenças no acesso à educação, em comparação aos homens. De acordo com dados divulgados neste mês pela Unesco, ainda que o número de analfabetos tenha diminuído na última década em 150 países, 774 milhões de adultos – pessoas com mais de 15 anos – em todo o mundo continuam sem saber ler. Desse total, 64% são mulheres. Entre os 123 milhões de analfabetos com idade entre 15 a 24 anos, 76 milhões são do sexo feminino. DIRETO AO PONTO Em 2013 completam-se 93 anos da ratificação da 19ª Emenda pelo Congresso dos Estados Unidos, no dia 18 de agosto de 1920, o que garantiu a todas as mulheres o direito ao voto, uma das primeiras bandeiras do movimento feminista, que passou a ganhar força nos séculos 18 e 19. Foi a partir do século 18 que se começou a falar em reivindicação dos direitos da mulher, com o advento do Iluminismo e da Revolução Francesa. Além do voto, as principais reivindicações na época eram educação e trabalho. Embora muitas conquistas tenham sido alcançadas, hoje as mulheres ainda buscam avanços no que diz respeito aos direitos reprodutivos e proteção da mulher, uma briga já ganha em alguns países, mas que enfrenta rejeição de alas conservadoras em outros, como no Brasil, e em sociedades com tradições patriarcais, como Índia, Afeganistão, Paquistão, entre outros, onde são cada vez mais comuns os casos de estupro, violência contra mulher e desigualdade no que diz respeito a educação e trabalho, comparado com os homens. Carolina Cunha CUNHA, Carolina. Direitos femininos: uma luta por igualdade e direitos civis. Disponível em> http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/direitos-femininos-uma-luta-por-igualdade- e-direitos-civis.htm. Acesso em 28/08/2016.  Texto 22: 25 CONQUISTAS DAS MULHERES NO BRASIL No artigo 25 conquistas históricas das mulheres, eu mostrei como as mulheres foram ganhando seu espaço mundo afora, conquistando seus direitos enquanto atrizes de uma história que costuma privilegiar o gênero masculino. Neste artigo, vamos abordar as conquistas históricas das mulheres no Brasil. Estas conquistas são importantes, mas não podemos esquecer dos abusos e injustiças sofridos pela mulher, muitos em nosso país, e que precisam ser erradicados. – 1822: Maria Leopoldina Josefa Carolina, arquiduquesa da Áustria e imperatriz do Brasil, exerce a regência, em 1822, na ausência de D. Pedro I, que se encontrava em São Paulo. A imperatriz envia-lhe uma carta, juntamente com outra de José Bonifácio, além de comentários a Portugal criticando a atuação do marido e de dom João VI. Ela exige que D. Pedro proclame a independência do Brasil e, na carta, adverte: “O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece”. – 1827: surge a primeira lei sobre educação das mulheres, permitindo que frequentassem as escolas elementares; as instituições de ensino mais adiantado eram proibidas a elas. – 1879: As mulheres têm autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior; mas as que seguiam este caminho eram criticadas pela sociedade. – 1885: A compositora e pianista Chiquinha Gonzaga estreia comomaestrina, ao reger a opereta “A Corte na Roça”. É a primeira mulher no Brasil a estar à frente de uma orquestra. Precursora do chorinho, Chiquinha compôs mais de duas mil canções populares, entre elas, a primeira marcha carnavalesca do país: “Ô Abre Alas”. Escreveu ainda 77 peças teatrais. – 1887: Formou-se a primeira médica no Brasil: Rita Lobato Velho. As pioneiras tiveram muitas dificuldades em se afirmar profissionalmente e algumas foram ridicularizadas.
  • 22. 22 – 1917: A professora Deolinda Daltro, fundadora do Partido Republicano Feminino em 1910, em plena República Oligárquica, lidera uma passeata exigindo a extensão do voto às mulheres. – 1927: O Governador do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, consegue uma alteração da lei eleitoral dando o direito de voto às mulheres. O primeiro voto feminino no Brasil – e na América Latina! – foi em 25 de novembro, no Rio Grande do Norte. Quinze mulheres votaram, mas seus votos foram anulados no ano seguinte. No entanto, foi eleita a primeira prefeita da História do Brasil: Alzira Soriano de Souza, no município de Lages – RN. – 1932: Getúlio Vargas, no início da Era Vargas, promulga o novo Código Eleitoral, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras. A primeira atleta brasileira a participar de uma Olimpíada, a nadadora Maria Lenk, de 17 anos, embarca para Los Angeles. É a única mulher da delegação olímpica. – 1933: Nas eleições para a Assembléia Constituinte, são eleitos 214 deputados e uma única mulher: a paulista Carlota Pereira de Queiroz. – 1937/1945: O Estado Novo criou o Decreto 3199 que proibia às mulheres a prática dos esportes que considerava incompatíveis com as condições femininas tais como: “luta de qualquer natureza, futebol de salão, futebol de praia, pólo, pólo aquático, halterofilismo e beisebol”. O Decreto só foi regulamentado em 1965. – 1948: Depois de 12 anos sem a presença feminina, a delegação brasileira olímpica segue para Londres com 11 mulheres e 68 homens. – 1960: Durante o Período Democrático, a grande tenista brasileira, a paulista Maria Esther Andion Bueno torna-se a primeira mulher a vencer os quatros torneios do Grand Slam (Australian Open, Wimbledon, Roland Garros e US Open). Conquistou, no total, 589 títulos em sua carreira. – 1979: Eunice Michilles, então representante do PSD/AM, torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de Senadora, por falecimento do titular da vaga. A equipe feminina de judô inscreve-se com nomes de homens no campeonato sul-americano da Argentina. Esse fato motivaria a revogação do Decreto 3.199. – 1980: Recomendada a criação de centros de autodefesa, para coibir a violência contra a mulher. Surge o lema: “Quem ama não mata”. – 1983: Surgem os primeiros conselhos estaduais da condição feminina (MG e SP), para traçar políticas públicas para as mulheres. O Ministério da Saúde cria o PAISM – Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, em resposta à forte mobilização dos movimentos feministas, baseando sua assistência nos princípios da integralidade do corpo, da mente e da sexualidade de cada mulher. – 1985: Surge a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher – DEAM (SP) e muitas são implantadas em outros estados brasileiros. Ainda neste ano, com a Nova República, a Câmara dos Deputados aprova o Projeto de Lei que criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. É criado o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), em lugar do antigo Fundo de Contribuições Voluntárias das Nações Unidas para a Década da Mulher. – 1988: Através do lobby do batom, liderado por feministas e pelas 26 deputadas federais constituintes, as mulheres obtêm importantes avanços na Constituição Federal, garantindo igualdade a direitos e obrigações entre homens e mulheres perante a lei. – 1990: Eleita a primeira mulher para o cargo de senadora: Júnia Marise, do PDT/MG. Zélia Cardoso de Mello é a primeira ministra do Brasil. Ela assume a pasta da Economia no governo de Fernando Collor (1990- 92). – 1993: Assassinada Edméia da Silva Euzébia, líder das Mães de Acari, o grupo de nove mães que ainda hoje procuram seus filhos, 11 jovens da Favela de Acari (RJ), seqüestrados e desaparecidos em 1990. Ocorre, em Viena, a Conferência Mundial de Direitos Humanos. Os direitos das mulheres e a questão da violência contra o gênero recebem destaque, gerando assim a Declaração sobre a eliminação da violência contra a mulher. – 1994: Roseana Sarney é a primeira mulher eleita governadora de um estado brasileiro: o Maranhão. Foi reeleita em 1998. – 1996: O Congresso Nacional inclui o sistema de cotas, na Legislação Eleitoral, obrigando os partidos a inscreverem, no mínimo, 20% de mulheres nas chapas proporcionais. – 1996: A escritora Nélida Piñon é a primeira mulher a ocupar a presidência da Academia Brasileira de Letras. Exerce o cargo até 1997 e é membro da ABL desde 1990. – 1997: As mulheres já ocupam 7% das cadeiras da Câmara dos Deputados; 7,4% do Senado Federal; 6% das prefeituras brasileiras (302). O índice de vereadoras eleitas aumentou de 5,5%, em 92, para 12%, em 96. – 1998: A senadora Benedita da Silva é a primeira mulher a presidir a sessão do Congresso Nacional. – 2003: No Brasil do século XXI, Marina Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT) do Acre, reeleita senadora com o triplo dos votos do mandato anterior, assume o Ministério do Meio Ambiente do governo Lula. – 2010: Dilma Rousseff é eleita a primeira presidente mulher do Brasil. Disponível em: http://www.historiadigital.org/curiosidades/25-conquistas-historicas-das-mulheres-no brasil/. Acesso em 28/08/2016.
  • 23. 23 9º ENCONTRO  Texto 23: Desconstruindo a Amélia Pitty Já é tarde, tudo está certo Cada coisa posta em seu lugar Filho dorme, ela arruma o uniforme Tudo pronto pra quando despertar O ensejo a fez tão prendada Ela foi educada pra cuidar e servir De costume, esquecia-se dela Sempre a última a sair Disfarça e segue em frente Todo dia até cansar (Uhu!) E eis que de repente ela resolve então mudar Vira a mesa, assume o jogo Faz questão de se cuidar (Uhu!) Nem serva, nem objeto Já não quer ser o outro Hoje ela é um também A despeito de tanto mestrado Ganha menos que o namorado E não entende porque Tem talento de equilibrista Ela é muita, se você quer saber Hoje aos 30 é melhor que aos 18 Nem Balzac poderia prever Depois do lar, do trabalho e dos filhos Ainda vai pra night ferver Disfarça e segue em frente Todo dia até cansar (Uhu!) E eis que de repente ela resolve então mudar Vira a mesa, assume o jogo Faz questão de se cuidar (Uhu!) Nem serva, nem objeto Já não quer ser o outro Hoje ela é um também Uhu, uhu, uhu Uhu, uhu, uhu Disfarça e segue em frente Todo dia até cansar (Uhu!) E eis que de repente ela resolve então mudar Vira a mesa, assume o jogo Faz questão de se cuidar (Uhu!) Nem serva, nem objeto Já não quer ser o outro Hoje ela é um também Disponível em: https://www.letras.mus.br/pitty/1524312/. Acesso em: 28 de agosto 2016.
  • 24. 24  Texto 24: Pagu Rita Lee Mexo, remexo na inquisição Só quem já morreu na fogueira Sabe o que é ser carvão Hum! Hum! Eu sou pau pra toda obra Deus dá asas à minha cobra Hum! Hum! Hum! Hum! Minha força não é bruta Não sou freira, nem sou puta Porque nem toda feiticeira é corcunda Nem toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho que muito homem Nem toda feiticeira é corcunda Nem toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho que muito homem Ratatá! Ratatá! Ratatá! Taratá! Taratá! Sou rainha do meu tanque Sou Pagu indignada no palanque Hanhan! Ah! Hanran! Fama de porra louca, tudo bem! Minha mãe é Maria Ninguém Hanhan! Ah! Hanran! Não sou atriz, modelo, dançarina Meu buraco é mais em cima Porque nem toda feiticeira é corcunda Nem toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho que muito homem Nem toda feiticeira é corcunda Nem toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho que muito homem Nem toda feiticeira é corcunda Nem toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho que muito homem Ratatá! Ratatatá Hiii! Ratatá Taratá! Taratá! Disponível em: https://www.letras.mus.br/rita- lee/81651/. Acesso em: 28 de agosto de 2016.  Texto 25: Como Um Garoto Ciara Senhoras, acho que é hora de inverter os papéis C-I-A-RA Vamos lá Levante suas calças (assim como ele) Tire o lixo para fora (assim como ele) Pegando seu dinheiro como ele, rápido como ele Garota, você quer agir como ele agiu (Estou falando sobre) códigos de segurança em tudo Colocar no silencioso para que o celular nunca toque (Uma conta conjunta) e outra que ele nem saiba Queria que pudéssemos inverter os papéis e eu seria assim Dizer eu te amo, mas quando você ligar, nunca atender Você faria perguntas como eu, como onde você estava
  • 25. 25 Porque eu estaria fora, as 4 da manhã em uma esquina, em algum lugar E se eu te traísse? Fizesse você chorar As regras iriam mudar ou seriam as mesmas? Se eu, brincasse com você como um brinquedinho Às vezes queria poder agir como um garoto Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso Garota, vá em frente e seja (assim como ele) Vá e corra pela rua (assim como ele) Vá pra casa sem sono como eles Assuste como eles Bata de frente com os amigos Aja com dureza quando estiver com eles, assim como ele Mantenha um rosto firme quando disser uma mentira Sempre mantendo um álibi pronto O mantenha escondido no escuro O que ele não souber, não vai quebrar o seu coração Queria que pudéssemos inverter os papéis e eu seria assim Dizer que eu te amo, mas quando você ligar, nunca atender Você faria perguntas como eu, como onde você estava Porque eu estaria fora, as 4 da manhã em uma esquina, em algum lugar E se eu te traísse? Fizesse você chorar As regras iriam mudar ou se manterias as mesmas? Se eu, brincasse com você como um brinquedinho Às vezes queria poder agir como um garoto Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso Se eu nunca tivesse por perto Chegando em casa quando o sol nasce (Você gostaria disso?) Dizer para você que estava com as amigas quando é mentira Se eu agir assim como você Caminhasse uma milha nos seus sapatos (gostaria disso?) Mexendo com a sua cabeça de novo Fazendo provar do próprio veneno Se eu te trocar (você iria gostar disso?) Por meus amigos (você iria gostar disso?) E nunca ligar (você iria gostar disso?) Inferno, nah, você não gostaria Não! E se eu te traísse? Fizesse você chorar As regras iriam mudar ou se manterias as mesmas? Se eu, brincasse com você como um brinquedinho Às vezes queria poder agir como um garoto
  • 26. 26 Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso Não pode ficar brava, mas você está brava, mal pode controlar isso E se? E se eu brincasse como se você fosse um brinquedo Às vezes queria poder agir como um garoto Não sabe lidar com isso. Disponível em: https://www.letras.mus.br/ciara/855766/traducao.html. Acesso em: 28 de agosto de 2016.  Texto 26 O Meu Orgulho Lembro-me o que fui dantes. Quem me dera Não me lembrar! Em tardes dolorosas Lembro-me que fui a Primavera Que em muros velhos faz nascer as rosas! As minhas mãos outrora carinhosas Pairavam como pombas...Quem soubera Porque tudo passou e foi quimera, E porque os muros velhos não dão rosas! O que eu mais amo é que mais me esquece... E eu sonho: "Quem olvida não merece..." E já não fico tão abandonada! Sinto que valho mais, mais pobrezinha: Que também é orgulho ser sozinha, E também é nobreza não ter nada! Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade" Disponível em: <http://www.citador.pt/poemas/o-meu-orgulho-florbela-de-alma-conceicao-espanca>. Acesso em 22 de agosto de 2016.  Texto 27: Supremo Enleio Quanta mulher no teu passado, quanta! Tanta sombra em redor! Mas que me importa? Se delas veio o sonho que conforta, A sua vinda foi três vezes santa! Erva do chão que a mão de Deus levanta, Folhas murchas de rojo à tua porta... Quando eu for uma pobre coisa morta, Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta! Mas eu sou a manhã: apago estrelas! Hás de ver-me, beijar-me em todas elas, Mesmo na boca da que for mais linda! E quando a derradeira, enfim, vier, Nesse corpo vibrante de mulher Será o meu que hás de encontrar ainda... Florbela Espanca, in "Charneca em Flor" Disponível em: http://www.citador.pt/poemas/supremo-enleio- florbela-de-alma-conceicao-espanca. Acesso em 22 de agosto de 2016.  Texto 28: Amar! Eu quero amar, amar perdidamente! Amar só por amar: Aqui... além... Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente Amar! Amar! E não amar ninguém! Recordar? Esquecer? Indiferente!... Prender ou desprender? É mal? É bem? Quem disser que se pode amar alguém Durante a vida inteira é porque mente! Há uma Primavera em cada vida: É preciso cantá-la assim florida, Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada Que seja a minha noite uma alvorada, Que me saiba perder... pra me encontrar... Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frase/MjI2NjY/. Acesso em 22 de agosto de 2016.
  • 27. 27 10º ENCONTRO  Texto 29: Cordel: A mulher que vendeu o marido por R$ 1,99 / Autor: Janduhi Dantas Hoje em dia, meus amigos os direitos são iguais tudo o que faz o marmanjo hoje a mulher também faz se o homem se abestalhar a mulher bota pra trás. Acabou-se aquele tempo em que a mulher com presteza se fazia para o homem artigo de cama e mesa a mulher se fez mais forte mantendo a delicadeza. Não é mais "mulher de Atenas" nem "Amélia" de ninguém eu mesmo sempre entendi que a mulher direito tem de sempre só ser tratada por "meu amor" e "meu bem". Hoje o trabalho de casa meio a meio é dividido para ajudar a mulher homem não faz alarido quando a mulher lava a louça quem enxuga é o marido! Também na sociedade é outra a situação a mulher hoje já faz tudo o que faz o machão há mulher que até dirige trem, trator e caminhão. Esse fato todo mundo já deu pra assimilar a mulher hoje já pode seu espaço conquistar quem não concorda com isso é muito raro encontrar. Entretanto ainda existe caso de exploração o salário da mulher é de chamar atenção bem menor que o do homem fazendo a mesma função. Também tem cabra safado que não muda o pensamento que não respeita a mulher que não honra o casamento que a vida de pleibói não esquece um só momento. Era assim que Damião (o ex-marido de Côca) queria viver: na cama sem tirar copo da boca enquanto sua mulher em casa feito uma louca... ... cuidando de três meninos lavando roupa e varrendo feito uma negra-de-ferro de fome o corpo tremendo e o marido cachaceiro pelos botequins bebendo. Mas diz o velho ditado que todo mal tem seu fim e o fim do mal de Côca um dia chegou enfim foi quando Côca de estalo pegou a pensar assim: "Nessa vida que eu levo eu não tô vendo futuro eu me sinto navegando em mar revolto e escuro vou remar no meu barquinho atrás de porto seguro." "Na próxima raiva que eu tenha desse meu marido ruim qualquer mal que me fizer tomarei como estopim e a triste casamento eu vou decidir dar fim." Estava Côca pensando na vida quando chegou Damião morto de bêbado (nem boa-noite falou passava da meia-noite) e na cama se atirou! Dona Côca foi dormir muito triste e revoltada contudo tinha na mente a sua ação planejada pra dar novo rumo à vida já estava preparada. De manhã Côca acordou com a braguilha pra trás deu cinco murros na mesa e gritou: "Ô Satanás eu vou te vender na feira vou já fazer um cartaz!" Pegou uma cartolina que ela havia escondido escreveu nervosamente com a raiva do bandido: "Por um e noventa e nove estou vendendo o marido." Assim mostrou ter no sangue sangue de Leila Diniz Pagu, Maria Bonita de Anayde Beiriz (de brasileiras de fibra) de Margarida e Elis! Pegou o marido bêbado de jeito, pela abertura da direção do mercado ela saiu à procura de vender o seu marido ia com muita secura!
  • 28. 28 Ficou na feira de Patos no mais horrendo lugar (na conhecida U.T.I.) e começou a gritar: "Tô vendendo o meu marido quem de vocês quer comprar?" Umas bêbadas que estavam estiradas pelo chão despertaram com os gritos e uma do cabelão perguntou a Dona Côca: "Qual o preço do gatão?" "É um e noventa e nove não está vendo o cartaz?" Dona Côca respondeu e a bêbada disse: "O rapaz tem uma cara simpática acho até que vale mais." Damião estava "quieto" e de ressaca passado com cordas nos pés e braços numa cadeira amarrado também tinha um esparadrapo em sua boca colado. Começou a chegar gente se formou a multidão em volta de Dona Côca e o marido Damião quando deu fé, logo, logo encostou o camburão. Nisso um cabo da polícia do camburão foi descendo e perguntando abusado: "Que é que tá acontecendo?" Alguém disse: "Esta mulher o marido está vendendo." Do meio do povo disse um velho em tom de chacota: "Esse caneiro já tem uma cara de meiota não tem mulher que dê nele de dois reais uma nota." E, de fato, ô cabra feio desalinhado e barbudo fedendo a cana e a cigarro com um jeito carrancudo banguelo, um pouco careca pra completar barrigudo. Nisso chegou uma velha que vinha com todo o gás e disse para si mesma depois de ler o cartaz "Hoje eu tiro o prejuízo com esse lindo rapaz!". Disse a velha: "Francamente! Eu estou achando pouco! Por 1 e 99?! Tome dois, nem quero o troco! Deixe-me levar pra casa esse meu Chico Cuoco!". Saiu a velha enxerida de braços com Damião a polícia prontamente dispersou a multidão e Côca tirou por fim um peso do coração. Retornou Côca feliz pra casa entoando hinos a partir daquele dia teria novos destinos... Com os dois reais da venda comprou de pão pros meninos! Disponível em: http://cadernodepoesiaseafins.blo gspot.com.br/2012/08/cordel- mulher-que-vendeu-o-marido-por- r.html. Acesso em: 22 de agosto de 2016.
  • 29. 29  Texto 30 A Sorte de uma Meretriz João Martins de Athayde Não se engane com o mundo Que o mundo não tem que dar, Quem com ele se iludir Iludido há de ficar Pois temos visto exemplos, Que é feliz quem os tomar Doze anos tinha Aulina Seu pai era fazendeiro Casa que naquele tempo Havia tanto dinheiro Muitas joias de valor Crédito no mundo inteiro Aulina, eu creio, não tinha Outra igual na perfeição Parece que a natureza Carregou mais nela a mão Pois nela via-se a força Do autor da criação Os olhos dela fingiam Raios do sol da manhã O rosto bem regular Corado como a manhã, O rosto bem regular Corado como romã Parecia que as estrelas, Queriam chama-la irmã Os dedos alvos e finos Qual teclados de piano, Quem a visse só diria Que não era corpo humano Parecia ser propósito, Do Divino Soberano Também tinha tanto orgulho Que nem aos pais conhecia, Se julgava saliente A todo mundo que via Julgando que todo mundo A ela se curvaria Quando inteirou vinte anos Por si se prostituiu O pai quase enlouquece Tanto desgosto sentiu Por que em toda família Um caso assim nunca viu Logo caiu no mundo Por todos foi abraçada Por as mais altas pessoas Era sempre visitada Por fidalgos e militares, Por todos era adorada Recebeu logo um presente De um palacete importante Com uma mobília sublime Dada pelo seu amante A obra de mais estima A quem se chama elegante Para sala de visita Comprou um rico piano Quatro consolos de mármore Um aparador de ébano Uma cômoda muito rica, Que só a de um soberano Ricas cadeiras modernas Candeeiros importantes, Jarros de fino cristal Espelhos muito elegantes O retrato dela em um quadro Com quatro ou cinco brilhantes Um grande damasco verde A sala toda cobria Toalha bordada a ouro Em qualquer quarto se via Era só de porcelana Toda a louça que existia Nem é preciso falar No quarto onde ela dormia, Porque já se viu na sala A riqueza que existia Agora na cama dela, Faça ideia o que havia Durante cinco ou seis anos A vida dela era assim A casa era um céu de estrelas Rodeada de marfim Vivia ela qual vive Um beija-flor no jardim Adoeceu de repente Não cuidou logo em se tratar- se Julgando que dos amantes Nenhum a desamparasse Devido à sua influência Qualquer medico curasse Foi vice-verso o seu cálculo A si só chegaram dores, Foi perdendo a influência, Multiplicando os clamores Não foi mais em sua casa Nenhum dos adoradores Pegou logo a empenhar As joias que possuía, Por menos do seu valor Diversas coisas vendia E a moléstia no seu auge Crescendo de dia a dia No período de dois anos Gastou o que possuía, Pegou logo pelas joias De mais valor que existia Sofás, cadeiras e consolos, Vendeu tudo em um só dia Os quadros, os aparadores Pianos relógios, espelhos Vendeu-os para curar Duas fístulas nos joelhos Já desejava encontrar Quem lhe desse alguns conselhos Afinal vendeu a casa E a cama onde dormia Era o único objeto Quem em seu poder existia Ainda um amante vendo Jamais a conheceria “Meu Deus”, exclamava ela Vai infeliz meu futuro Nasci em berço dourado Para morrer no monturo Quanta diferença existe, Da seda para o chão duro Quantos lordes aos meus pés Se esqueciam dos seus cargos, Me adoravam como santa Me mostrando mil afagos Hoje não vejo nenhum, Nesses dias tão amargos Quede os grandes militares Que não podiam passar, Três dias numa semana Sem me virem visitar E faziam de mim santa, De meu divã um altar Nada disso existe mais
  • 30. 30 Tudo já se dissipou, As promessas e os presentes O vento veio e levou Em paga de tudo isso Na miséria me deixou Essas dores que hoje sofro É justo que sofra elas, Essas lágrimas que eu derramo Serão pagas daquelas Que fiz gotejar dos olhos Das casadas e das donzelas Sinto dores com excesso Ouço a voz da consciência, Me dizer: “Filha maldita Tua desobediência Clamará perante a Deus E pedirá providência” Ela em soluços exclamava: “Meu Deus, tende compaixão, Nega-me tudo na vida Mas me alcançai o perdão Santíssima Virgem, rogai, Pela minha salvação” Que cobertores tão caros Já forraram meu colchão, De cortinas de seda De grande admiração Hoje não tenho uma estopa Que fosse aqui esse chão Ricos vestidos de seda Lancei muitos no monturo, Saias ainda em estado Camisa de linho puro Não pensava na desgraça Que vinha para o futuro Minha mesa nesse tempo Tinha de tudo que havia, Só mesa de um personagem De alta categoria Hoje o resto de uma sopa Quando agora me servia Peço esmola a quem passa Esse nem me dá ouvido, Quem outrora me adorava Não houve mais meu gemido Passa por mim torce a cara, Se finge de desconhecido Eu era como uma flor Ao despontar da manhã Representava outrora Aquela deusa louçã Meus amantes perguntavam, Se a lua era minha irmã As majestades chegavam Antes da celebração, Humildes como um escravo Me faziam saudação Como se a render-me culto Seria uma obrigação O Exército e o comércio A arte e agricultura, Todos me ofereciam Seu afeto de ternura Tudo vinha admirar Minha grande formosura Mas eu vivia enganada Com essas tristes carícias, Eu bem podia saber Que o mundo não tem delícias É um gozo provisório, É um cofre de malícias Donzelas eis o exemplo Para todos que estão vendo, Não me viram há poucos dias Como o sol que vai nascendo? Já estou aqui no chão Os tapurus comendo Ah! Meu pai se tu me visse Nessa miséria prostrada, Embora que vossa face Foi por mim injuriada Talvez que ainda dissesse: “Deus te perdoe, desgraçada” Ah! Minha mãe carinhosa Se eu agora te abraçasse, Inda com essa agonia Talvez que me consolasse E antes de partir do mundo, Essa sede saciasse Sinto o soluço da morte Já é hora de partir, Peço ao meu anjo da guarda Para comigo assistir Porque temo que o demônio, Não venha me perseguir Uma velha caridosa Trouxe água, ela bebeu Matou a sede que tinha E graças a Jesus rendeu Erguendo os olhos ao céu, Nesse momento morreu ATHAYDE, João Martins de. A sorte de uma meretriz. In: Introdução e seleção Mário Souto Maior. São Paulo: Hedra, 2000, p. 95-104.
  • 31. 31  Texto 31: A moça que foi enterrada viva João Martins de Athayde Nos sertões de Teresina Habitava um fazendeiro, Era materialista Além disso interesseiro Só amava a suas coisas Homem valente e dinheiro Era quase analfabeto Ostentava o fanatismo Mostrava grande afeição Pelo imperialismo Ele era um potentado Nos tempos do carrancismo Como era muito rico Confiava em sua sorte Era o temor dos sertões Naquela zona do Norte Que o que quisesse fazia, Ainda encarando a morte Vivendo como casado Na mais perfeita harmonia Tinha quatro filhos homens Todos em sua companhia Tinha uma filha moça, Por nome dona Sofia Esta moça era a caçula Vinte e um anos contava, Os irmãos eram mais velhos Mas nenhum se emancipava Só era dono de si No dia que se casava O velho não se importava De fazer revolução, Para sustentar capricho Ou vingar sua paixão Seus filhos também seguiam Nessa mesma opinião Quando ele conversava No meio de muita gente Dizia: “Tenho uma filha É uma moça decente Porém só se casa com ela Quem for um bicho valente” Com poucos dias depois A notícia se espalhava Qualquer um rapaz solteiro Que na estrada passava Já ia com tanto medo, Pra fazenda nem olhava Sofia se lastimava Dizendo: “Até onde vai, Este meu padecimento Sem se ver de onde sai Eu hei de ficar solteira, Pra fazer gosto a meu pai?!” Depois enxugou as lágrimas Que banhavam o lindo rosto Dizia: “Eu encontrando Um rapaz moço e disposto Eu farei com que meu pai Passe por esse desgosto” Um rapaz sabendo disto Se condoeu da donzela Vendo que não encontrava Outra moça igual àquela Um dia determinou-se Dizendo: “Vou roubar ela” Escreveu algo um bilhete Dizendo: “Dona Sofia, Eu ontem fui sabedor Do que a senhora sofria Fiquei muito indignado Pois lhe tenho simpatia Conheço perfeitamente Que vou entrar num perigo Porque seu pai conhecendo Torna-se meu inimigo Basta saber que a senhora Presente casar comigo Eu sou um rapaz solteiro Não tenho conta a quem dar Responde este bilhete Pra eu me desenganar Se me aceita como esposo, O jeito eu vou procurar” Sofia mandou o sim Pela manhã muito cedo, Fazendo ver a seu noivo Que de nada tinha medo Queria falar com ele, No outro dia em segredo O moço si preveniu-se De um punhal e um facão, Pistola boa na cinta Cartucheira e munição Seguiu pra casa do velho Porém com boa intenção Encontrou uma criada Com um candeeiro na mão, Perguntou-lhe: “Onde é o quarto Da filha de seu patrão?” Diz ela: “Ao lado esquerdo Pela porta do oitão” A noite era muito escura Por ali ninguém o viu, Ele tanto pelejou E tanto se retraiu Que entrou no quarto da moça E o velho nem pressentiu Foi entardecendo a noite Acabaram de cear, Quando a moça entrou no quarto Para se agasalhar Foi avisando o rapaz, Ficou sem poder falar O rapaz muito ligeiro Pegou ela pela mão, Porém com muito respeito Constou-lhe sua intenção Dizendo: “Eu arranjo tudo, Sem precisar de questão” Assim passaram a noite A moça muito assustada Quando amanheceu o dia Por sua mãe foi chamada Para cuidar dos trabalhos, Como era acostumada O rapaz fiou no quarto Do povo se ocultou Quando botaram o almoço Então a moça voltou De parelha com seu noivo Ao velho se apresentou O rapaz saiu do quarto Seu rosto não desmudava, Fincou o punhal na mesa Dizendo se aproximava: “É este homem valente!... Que o senhor procurava?” Sou eu, seu futuro genro Que amo a esta donzela Tudo isso que já fiz Não é criticando dela Embora me custe a vida
  • 32. 32 Só me casarei com ela!”... O velho conheceu logo Que não tinha jeito a dar Correu a vista nos filhos Como quem quer avisar Aí todos convidaram O moço para almoçar Ele aceitou o convite Porque tinha precisão Disse o velho mansamente: “Entre nós não há questão Precisamos fazer logo, Toda essa arrumação O senhor vá para casa Veja o que falta arrumar, A arrumação para a noiva Eu também vou aprontar E o senhor no dia quinze, Venha para se casar” Assim que o rapaz saiu O velho chamou Sofia, Dizendo: “Filha maldita Quem te deu tanta ousadia? Me obrigaste a fazer O que nunca pretendia!” Ai gritou para os filhos Dizendo na cara dura: “Agarrem esta maldita Prendam ela bem segura E vão no quarto do meio Cavem uma sepultura” Naquele mesmo momento Sofia foi amarrada, Para o quarto que estava A sepultura cavada Aonde a triste donzela Havia de ser sepultada Reuniu-se em roda dela Toda aquela comitiva, O pai, a mãe, os irmãos Por infame tentativa Condenaram a pobre moça Para sepultarem-na viva Naquela situação Que estava a pobre Sofia, Pedindo ao pai, em soluços, E o velho não atendia: “Meu pai, não me mate hoje Deixe eu viver mais um dia!” Sofia se lastimava E o velho não dava ouvido, Depois disse para ela: “Nada vale seu pedido A senhora está passando Da hora de ter morrido” Sofia disse: “Meu pai Tenha de mim compaixão Mande chamar o vigário Pra me ouvir em confissão Talvez que por este meio Eu possa alcançar perdão!” “A senhora em parte alguma Podia ser perdoada, Não há sentença bastante Para filha excomungada Quem fez o que você fez Só paga sendo queimada” O velho zangou-se e disse: “Não quero mais discutir Palavras de sua boca Não pretendo mais ouvir Siga; entre para a cova, Para eu mandar entupir” Aí botaram Sofia Pra dentro da cova escura, O buraco foi cavado Com dez palmos de fundura Que sofrimento tirano Desta infeliz criatura O velho como uma fera Mandou ela se deitar Ela na ânsia da morte Começou logo a gritar Pedia aos outros: “Me acudam Que meu pai quer me matar!” O velho era malvado Pior que o Satanás Pegou Sofia dizendo: “Veja bem como se faz!”... Botou-lhe terra por cima, Atém que não gritou mais Aí seguiram para a sala Ele, os filhos e a mulher Dizendo: “Estou satisfeito Vou esperar o que houver Só fica mais perigoso, Se o noivo dela souber” Logo preveniu-se tudo Contra o noivo de Sofia Nisto bateram à porta Mandaram ver quem batia Era o rapaz noivo dela, Porém de nada sabia O que velho disse pra ele: “O senhor de onde vem? Minha derrota está feita Aqui não me sai ninguém Matei sua noiva agora, E o senhor morre também” Aí partiu para ele Como uma fera assanhada, O rapaz negou-lhe o corpo E deu-lhe uma punhalada O velho caiu gritando Não pode mais fazer nada Reuniu-se contra ele Os quatro irmãos de Sofia, Atirando à queima-roupa Mas nem um tiro atingia E ele os poucos que dava, Lá um ou outro perdia Com meia hora de luta Estava tudo sem ação, Os quatro irmãos de Sofia Dois morreram na questão Um correu espavorido E o outro ficou no chão O rapaz ficou sozinho Porém já muito ferido Quanto foi passando a porta Ouviu um grande gemido Diz ele: “Talvez Sofia Inda não tenha morrido” O rapaz muito ferido Conhecendo que morria, Seguiu pela casa adentro Procurando quem gemia Acertou logo no quarto, Onde enterraram Sofia No mesmo canto encontrou A alavanca e a enxada Os ferros que tinham sido A dita cova cavada Com eles tirou Sofia Quase morta asfixiada O leitor preste atenção Sofia foi arrancada Não morreu por um motivo A cova não foi socada Só fazia quatro horas,
  • 33. 33 Que tinha sido enterrada O rapaz muito doente Ainda conduziu Sofia Pra casa de sua mãe Que nada disso sabia A velha quando viu ele Quase morre de agonia Não fazia des minutos Que o rapaz tinha chegado, Na casa de sua mãe Quando recebeu um recado Pelo irmão de Sofia Ia ser assassinado Disse o rapaz a Sofia: “Me acabo aqui mas não corro Já estou muito ferido Desta conheço que morro E também não me sujeito Gritar pedindo socorro” Aí ele pediu à mãe: “Veja as armar que aí tem O bacamarte, a espingarda E a pistola também E corra para bem longe Porque o povo já vem” A velha morta de medo Trouxe as armas e entregou Traspassada de agonia Chorando o abençoou Temendo a morte fugiu Porém Sofia ficou O rapaz entrincheirou-se Bem na porta da entrada Sofia estava por tudo Não se temia de nada Foi botar o seu piquete Atrás pela retarguada Sofia triste pensando Tão depressa se acabar Conhecendo que morria Talvez antes de se casar Quando levantou a vista Foi vendo o grupo chegar O rapaz que estava pronto Com seu revólver na mão Amparou-se num portal Enfrentou o pelotão Cada tiro era um defunto Que embolava no chão Sofia na retaguarda Inda emparelhou seis O bacamarte era bom Certa pontaria fez Quando puxou o gatilho Caiu tudo de uma vez Entrou um pela janela Sofia não pressentiu O rapaz estava lutando De forma nenhuma o viu Atirou nele nas costas Que o pobre rapaz caiu Aí pegaram Sofia Que não podia escapar, Cortaram todo cabelo Mandaram os olhos furar Depois penduraram ela Dizendo: “Vamos sangrar” Sangraram devagarinho Pra inda mais judiar Antes da moça morrer Eles foram retalhar Em pedaços tão pequenos Que não puderam enterrar Quem me contou esta história Foi um rapaz muito sério Foi testemunha de vista Daquele caso funéreo Os corpos foram levados Num cesto pro cemitério O mundo está corrompido O erro vem de atrás Muitos acontecimentos De resultados fatais Só acontecem com as filhas Que vão de encontro aos pais ATHAYDE, João Martins de. A moça que foi enterrada viva. In: Introdução e seleção Mário Souto Maior. São Paulo: Hedra, 2000, p. 123-138.  Texto 32: Em homenagem às mulheres João Martins de Athayde Vou descrever a mulher, Este arcanjo idolatrado, Cupido, o deus do amor, Vive a ela associado, No céu da nossa existência, Tem ela um trono firmado A natureza esmerou-se Em fazê-la assim formosa, Deu-lhe o cabelo tão lindo, A boca muito mimosa, A sua face corada, Ao romper da madrugada, Parece um botão de rosa O sorriso da mulher, Não pode haver descrição, É justamente do riso, Que desabrocha a paixão Os seus seios virginais, Para mim são dois punhais, Que nos fere o coração Os olhos da mulher são Duas pedras brilhantes São dois faróis pelo mar, A guiar os navegantes Suas mãos são de cetim, Os seus dentes de marfim, Um colar de diamantes O pranto de uma mulher Ninguém pode resistir, São como gotas de orvalho Serenamente a cair, Tudo fica comovido, Ali não há mais pedido, Que faça o homem sorrir Deus para fazer a mulher Muito teve que lutar, Ela vive aqui no mundo, Para sofrer e amar, O homem mais valentão, Tem de pedir-lhe perdão, Ante ela se curvar Pois a mulher é um anjo,
  • 34. 34 Que bem merece atenção, É ela quem nos consola Nas horas de ingratidão, Por nós o pranto derrama, E com carinho nos chama Filho do meu coração O homem não sabe dar O merecido valor A esse ser sacrossanto, Que nos trata com fervor, E ela a mulher querida, Que expõe a própria vida, Em roco do nosso amor Como uma flor no jardim, A mulher nasce no mundo, Tem beleza e tem primor, O seu perfume é fecundo, Desabrocha num momento, Também desfolha-se ao vento, Murchando assim num segundo Sendo a mulher virgem ainda É como a flor em botão, Quando o dia vem nascendo, Ao soprar da viração, Ela ali no verde galho, Toda banhada de orvalho, Tem encanto e atração Vem um dia o beija-flor Dar-lhe um beijo com ternura, A flor pendida desmaia, Perdendo a sua candura, As pétalas caem no chão, Nascendo no coração, O sopro da desventura O homem que vive no mundo, Só na mulher a pensar, Quando chega aos vinte anos, O seu desejo é casar, Procura uma namorada, Meiga, formosa, educada, Que seu nome possa honrar Ele tem muita razão, Em pensar dessa maneira, Procurando antes de tudo A querida companheira, Porque viver sem mulher, A vida perde o mister, É uma tristeza inteira E mesmo o rapaz solteiro, Leva um viver desgraçado, Não tem um lar que descanse, Quando se acha enfadado, E seja lá como for, Jamais terá valor, Que tem o homem casado Se a pobre mora em castelo, É tudo desarranjado, A roupa suja num canto, O lixo ali do seu lado, E quando quer passear, Ralha por não encontrar, O terno branco engomado Não há dinheiro que chegue, Para fazer a despesa, O ordenado do mês, Vai embora com certeza, Além de tudo esse pobre, Esperdiçou o seu cobre, Vivendo assim na pobreza Se ele fosse casado, Teria a mulher amada, Que lhe cuidasse de tudo, Não lhe faltaria mais nada, Melhorava a sua vida, Tinha conforto e guarida A sua roupa engomada Antigamente a mulher, Somente em casa vivia, Trabalhando na cozinha, Nas obrigações do dia, E passava a vida inteira, No seu lar prisioneira, Pra canto algum não saía O homem não confiava, O seu trabalho à mulher Julgando que ela fosse Um ser de pouco mister, Isso foi tempo passado, Porém hoje tem mostrado, Que faz tudo quanto quer Agora vemos mulheres, Em suas obrigações, Trabalhando igual ao homem, Em várias colocações, Engrandecendo a nação, A pátria do coração, São as suas pretensões Temos mulheres formadas Em comércio e medicina, Farmácia, direito e tudo Quanto a ciência hoje ensina, Portanto a mulher de agora, Não é aquela de outrora, Seu valor já predomina A mulher considerava-se Ao homem inferior, Mas no decorrer do tempo, Tem mostrado o seu valor Deu provas de inteligente, E que não nasceu somente, Para sofrer o amor Até na luta ela tem Mostrado sua façanha, O soldado vai à guerra, Sua mulher acompanha, Enfrenta todo perigo, Sem temer o inimigo, Nos horrores da campanha Então no furor da guerra, Quando ribomba a metralha, Ela trata dos feridos, Pelos campos de batalha, Com muito zelo e cuidado, Cumprindo um dever sagrado Essa heroína batalha O soldado que levou Um ferimento no peito, Lutando por nossa pátria, Defendendo o seu direito, Tendo a mulher ao seu lado, Sendo por ela tratado, Se morrer vai satisfeito Agora caros leitores, Sobre o beijo vou falar, O beijo de uma mulher, Muito goza quem o levar, Sendo ele demorado, Da boca de um anjo amado, Que delícia faz causar! Na terra o beijo contém, Um gosto excelso e fecundo, Embriaga o coração, Tem um perfume profundo, Quem um jeito assim levou, Também experimentou, O maior prazer do mundo Se o beijo fosse comprado, Que fortuna não valia? Com certeza muito caro, Em toda parte seria, Ora quem quisesse comprar, Havia então de gastar, Muito dinheiro hoje em dia Porém o beijo na vida, Qualquer um pode gozar, Dinheiro algum não precisa, Da algibeira ele tirar,