ROSEMAR SILVA
EDIÇÃO
JORNAL
MENTE
ATIVA
Outubro de 2021
13º edição
Jeane Bordignon
voos.e.palavras
JORNAL MENTE ATIVA
outubro de 2021 - 13º edição
Editorial
“Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança ele vem pra me
dar a mão…”
Nossa edição de outubro, mês da criança, vem
com textos cheios de profundidade sobre o olhar
e o perceber ao outro e a si mesmo. E justamente
por isso lembra o trecho da música de Milton
Nascimento citada acima. Porque mesmo quando
não falamos diretamente de infância, quando
estamos evocando nosso olhar sensível,
buscamos a criança que ainda vive em nós.
Nesses tempos tão duros, de distanciamentos
físicos e julgamentos cruéis, se faz ainda mais
necessário buscar a criança que fomos e que
ainda permanece em algum lugar. Aquele
menino que vê o mundo com uma simplicidade
que vai se perdendo nas pancadas na vida.
Pois é com esse coração de criança, aberto para o
mundo, que apresentamos a nova cara do nosso
jornal e comemoramos um ano desse projeto que
tem crescido como um filho que só traz alegrias.
Primeiro aniversário é sempre especial! E que
bom celebrar com cada um que reserva um
tempinho para encontrar nossas palavras!
Gratidão a todos que fizeram parte desse
primeiro ano! Que possamos continuar
escrevendo essa linda história, com amor e
alegria.
Chegou agora ao Mente Ativa?
Quer saber mais da nossa trajetória?
Em nossa página você encontra os links de todas
as edições.
@Jornal Mente Ativa | Facebook
E sigamos, com nossas mentes mais ativas, felizes
e energizadas pela construção coletiva que gera
nosso jornal.
Juntas somos mais!
Maria Laicir Chagas da Silva
Assistente Social
JORNAL MENTE ATIVA
outubro de 2021 - 13º edição
Um olhar para a juventude
2021 marca o ano em que o educador Paulo
Freire, falecido em 2 de maio de 1997,
completaria 100 anos. Freire deixou um
importante legado de grandes obras que
influenciam na metodologia da educação,
elogiado por muitos, principalmente em outros
países, e, criticado e questionado, na minha
opinião, pelos que seguem um modelo tradicional
e arcaico. O educador tinha frases emblemáticas
que nos levam a pensar na política educacional
que queremos, de pessoas pensantes e atuantes
ou condicionadas e integradas num sistema
social.
Seguindo esta analogia, ao assistir o filme “Pro
dia nascer feliz” (Brasil, 2005), que retrata
situações de adolescentes em escolas públicas e
privadas de diferentes regiões do País, tecerei
alguns questionamentos. No filme, os
adolescentes falam sobre seus medos, suas
angústias, expectativas quanto ao futuro e como
veem a escola, os professores e o que as famílias
esperam deles.
Vejo que a adolescência é uma fase de mudança,
onde se deixa de ser criança, passa de pré-
adolescente a adolescente, sendo um momento
de muita insegurança, inquietações, perguntas,
que alguns adultos não conseguem compreender
ou responder adequadamente, que visam o
esclarecimento e crescimento. Em muitas vezes,
os próprios adultos desconhecem as respostas.
O que me chamou a atenção foi a história de uma
adolescente, que transformava em poesia seus
medos, angústias e dúvidas sobre o presente e o
futuro. Ao final do filme, ao ser entrevistada, ela
reapareceu não demonstrando os sentimentos
passados, não que eles tivessem deixado de
existir, mas ela estava, então, condicionada à sua
realidade, ao que a “sociedade” espera de uma
menina adolescente pobre. Ela estava
trabalhando e não escrevia mais poesias. A
poesia era a forma de dar vazão às suas angústias
e, ao fim do filme, eram sufocadas pelo modelo de
jovem que se tornou.
Como o filme é sobre adolescentes nas escolas,
ele está muito relacionado aos professores, sua
visão sobre os alunos adolescentes e sobre suas
famílias. A inquietação passa também pelos
professores que, com baixos salários e escolas
sucateadas, também ficam apreensivos quanto
ao rumo da Educação no Brasil, onde não são
vistos com o devido valor. Existem professores
que são despreparados para lidar com algumas
questões, principalmente dos adolescentes.
Colocam a situação-problema na família e esta,
muitas vezes, delega para a escola. Atualmente,
os adolescentes têm acesso a muita informação
com a evolução tecnológica, mas o amplo acesso a
esta rede ainda é restrito entre os mais pobres.
“Não é a resignação, mas na rebeldia em face das
injustiças que nos afirmaremos.” Paulo Freire
Meu nome é Sílvia Maria Prado da Silva, filha de
Florentina Prado da Silva e Pertival Lino da Silva. Sou
psicóloga clínica com especialização em Atendimento
Clínico com Ênfase em Psicanálise. Atuo na Atenção
Básica em Saúde em equipe multiprofissional. Sou mãe do
Akin, menino leão que tem me ensinado o quanto pode o
amor. Gosto muito de estar na natureza, pois a terra, as
pedras, o sol, o vento e as águas me fortalecem. Estou
muito contente por fazer parte de um grupo de mulheres
de Mente Ativa.
JORNAL MENTE ATIVA
outubro de 2021 - 13º edição
Apresentação das Colunistas
Márcia Tavares de Mattos
Psicóloga Clínica e Consteladora
Familiar
JORNAL MENTE ATIVA
outubro de 2021 - 13º edição
Aconchego é uma expressão de amor
O encontro entre amigos apresenta o vínculo
existente e traz para o presente a possibilidade de
compartilhar histórias.
Hoje vou falar da Amizade, como uma linha
invisível que liga um grupo de pessoas, essa linha
que sai do coração e constrói uma rede ao redor
de cada um. Que pode atravessar continentes, ou,
mesmo ao ficarmos separados por anos e ao
termos notícias, os corações batem no mesmo
compasso.
São tantos amigos! Os da infância me conhecem
pela voz e, a cada encontro, um cuidado, um
carinho, é sempre bom saber que seguimos
juntos.
Amigos que viram família, a amizade, que pode
começar no trabalho. Porém, podemos mudar de
trabalho, até de profissão e alguns amigos
continuam, em um vínculo que vem da
manifestação de amor e do cuidado.
Criamos outros núcleos familiares, pois, sim, fui
adotada e adoto meus amigos e amigas. Quando
na agenda pergunta quem chamar em situação
de acidente, vem o nome sem dúvida de um
amigo. A amizade tem o tom do amor e do
respeito, conhecendo o tempo e limite de cada
um.
Outro tipo de amigo é o vizinho, que vai além do
bom dia no corredor. Vamos conhecendo,
criando afinidades e o carinho e cuidado se
estabelecem naturalmente. Não estamos juntos
sempre, porém, há reciprocidade.
Há família espiritual, mesmo quando não nos
falamos sinto a conexão, as conversas são sempre
maravilhosas e há momentos que percebemos o
crescimento mútuo envolto no amor e no
respeito à individualidade.
Neste feriado, experienciei um reencontro em
que parecia que havíamos nos despedido há um
mês, só que haviam se passado mais de 25 anos. A
surpresa foi a intensidade, o cordão que sai do
coração, de que falei antes, vibrou e todas nós
falamos e escutamos, rimos e nos emocionamos.
A acolhida é uma característica do encontro, mas
o aconchego acontece quando quem fala não é
julgado e quem escuta não propõe a mudança
mágica para a vida do outro. Na amizade que
falo, a aceitação flui, expandindo o amor.
Mara Lenise Chagas da Silva
Psicóloga Clínica
JORNAL MENTE ATIVA
outubro de 2021 - 13º edição
Autocuidado
10 de outubro foi a data instituída pela
Organização Mundial de Saúde como o Dia
Mundial da Saúde Mental. Esse dia é dedicado a
alertar da importância do autocuidado, o quanto
é fundamental para o bem estar, para melhoria
da qualidade de vida e prevenção de doenças,
físicas, emocionais e mentais.
O autocuidado consiste em um olhar interno,
dedicado a si próprio, não sendo egoísmo, mas
sim se dar importância, se colocar em primeiro
lugar.
Muitas vezes, o acúmulo de trabalho, estudo,
entre outras obrigações, não permitem um
tempo para nós mesmos. O estresse causado por
esses fatores afetam a saúde, por isso, é essencial
o cuidado com a saúde mental. Muitas doenças
físicas estão associadas às emoções mal
administradas e/ou pelo acúmulo de estresse.
O autocuidado consiste em um conjunto de
atitudes que promove o bem estar físico, mental,
emocional e social. O olhar para dentro de si
estabelece uma conexão mais íntima. Mas,
muitas vezes, é preciso de auxílio psicológico de
profissional para ajudar na manutenção ou para
estabelecer o autocuidado.
Da mesma forma que damos atenção à saúde
física, devemos dar atenção à saúde mental.
Atribuir valores aos pensamentos e emoções,
aprender a lidar diferentes situações ou
solucioná-las, ajuda a elevar a autoestima e a
autoconfiança, além de melhorar as condições de
saúde e a percepção positiva diante da vida.
Ju Lopse
lopselazuli
JORNAL MENTE ATIVA
outubro de 2021 - 13º edição
Loucura é não escutar
“E aqueles que foram vistos dançando foram julgados
insanos por aqueles que não podiam escutar a música”
(Friedrich Nietzsche)
Três cidades, Porto Alegre, São Paulo e Curitiba,
recebem, nesses meses de outubro e novembro, a
mesma exposição, A Razão dos Loucos. No
momento em que escrevo esse texto, ouço uma
conversa entre artistas desta exposição, em
cartaz nas Galerias Mamute, Lona e Soma,
respectivamente. Na live, os artistas comentam e
dissertam sobre o mundo interno do artista, suas
obsessões e interesses que se deslocam do ritmo
"normal'' das grandes cidades. Isso, pois, quando a
pessoa artista apura seu olhar e sua técnica
artística, seu ritmo se distribui em um
ritardando, ou seja, ficando mais lento,
destoando da rapidez, da multitarefa e das
conclusões precipitadas.
Em Musicoterapia, uso muito das mudanças de
andamento. Em geral, da rapidez para lentidão,
ocasionalmente com pausas, mas sempre com
escuta, parando para ouvir, perceber e ressoar.
Alterando o meu ritmo para afinar o meu
contato, diminuindo meu volume e aumentando
a intensidade do outro. Para ouvir melhor.
Loucura é não ouvir a música. Como Nietzsche,
que disse que aquelas pessoas que dançavam
eram consideradas loucas, enquanto as pessoas
que as catalogavam eram aquelas que não
escutavam e, assim, não se abriram ao
acolhimento.
Escutar significa, muitas vezes, estranhar,
dissecar os contrastes expostos. Passa por
aproximar os ouvidos, afastar com espanto e
retornar, com ainda mais proximidade,
compreendendo.
Sair da própria posição e aceitar a
desterritorialização, o mover do seu lugar
comum, rotineiro e claustrofóbico. Escutar e
compreender significa dar adeus a esse pago
conhecido. Não ter razão para, mais do que isso,
dar razão, à fala, à forma, ao conteúdo, ao dialeto,
ao sotaque, ao canto.
Eu adoro sotaques e dizeres curiosos. Detesto os
desdéns e os risos jocosos à fala ou forma de falar
de outrem. Mas, mesmo no desdém há uma
razão: uma raiz que sai do riso e vai ver o quão
vão é não ouvir. Loucura é não ouvir. Loucura é
não silenciar o próprio ritmo para escutar o de
outra pessoa. Na correria das grandes cidades, é
preciso afinar os ouvidos, através da escuta.
Através das pausas.
Mariana Pimentas
Professora de Artes e Arteterapeuta
Mariana Dephino
JORNAL MENTE ATIVA
outubro de 2021 - 13º edição
Conheça nossos Trabalhos:
Arte e CaféConsigo.Vem!
Propõem que você se permita uma hora por semana, praticamente, o tempo
de um café para exercitar a criatividade.
Você consegue!
Atividade em grupo online, em sua casa.
Um fazer criativo e fortalecedor para a alma.
Ah, e é claro pode trazer, chá, chimarrão.
Camila Losso
Aprendiz da vida e mãe
JORNAL MENTE ATIVA
outubro de 2021 - 13º edição
Repensar
Vivemos uma vida correndo atrás de tantas
coisas...coisas palpáveis, que precisamos tocar e
sentir.
Corremos atrás de dinheiro para cada vez mais
aumentar o nosso patrimônio...e, muitas vezes,
garantir o “status social”.
Gastamos nossa saúde correndo atrás do
dinheiro, e depois usamos o dinheiro para tratar
nossa saúde....
Entramos num ciclo: Acordar, comer, trabalhar,
comer, trabalhar, dormir...
Levantamos da cama, no estilo “modo
automático”, pensando em todos os afazeres que
teremos naquele dia e nos próximos...
Mas será que a vida é somente isso??
Estamos tão preocupados com as coisas do “nosso
mundinho”, que não percebemos acontecimentos
simples e maravilhosos que a vida nos
proporciona.
Convido–te então a repensar atividades do teu
dia-a-dia, que passam despercebidos por ti...como
o barulho da chuva, o canto de um pássaro,
aquela música que você adora, a beleza de uma
flor... o sorriso do teu filho, e trazer tua
consciência e teu coração para aquele exato
momento.
Vivência com toda sua alegria essas percepções
maravilhosas e agradeça!!
E toda vez em que te sentir perdido ou desolado,
lembra–te de tudo isso e traga para o teu coração
a lembrança de todas essas coisas.
Procure constantemente perguntar para o teu
coração o que realmente te deixa feliz e a
resposta virá.
Siga o teu coração, ele é o melhor guia!!!!
CONVITE A REPENSAR NOSSOS ATOS COM
RELAÇÃO AO PLANETA E A ÁGUA QUE
NÓS SUSTENTAM.
FOTO: MARIANA PIMENTAS
Jeane Bordignon
voos.e.palavras
JORNAL MENTE ATIVA
outubro de 2021 - 13º edição
CONTATOS, REENCONTROS,
RENASCIMENTOS
A noite de 21 de outubro será para sempre um
marco depois de todo esse tempo longe dos
eventos presenciais. Primeira apresentação do
projeto Contatos Imediatos! Mesmo com
máscaras e sem poder abraçar todo mundo
depois, foi bom demais estar no palco, ver o
público, trocar energia!
Para mim, fazia mais tempo do que o isolamento
imposto pelo coronavírus. Em 2016 passei por
uma situação traumática com uma pessoa tóxica
e acabei me afastando dos saraus e eventos.
Enquanto tentava sobreviver no Rio de Janeiro,
conheci meu ex-marido, casei, e continuei
fugindo do meu lado artista, embora meu
parceiro sempre tenha me incentivado. Quando
o casamento entrou em crise e eu mais ainda,
voltei para casa. Aqui comecei a me reconstruir.
E na noite do dia 21, finalmente me senti
reencontrando comigo mesma. Sou uma artista,
sim!
Para o Max, também fazia mais tempo. Há três
anos ele viu um câncer levar sua companheira
de vida e arte, e também minha amiga, a Denise.
Além de muitas memórias de uma pessoa que
movimentava a cultura e se misturou com a
cidade, Denise deixou para o Max o Iberê Obi,
que tinha apenas um ano e meio. Desde então,
Max ainda está aprendendo como seguir, junto
com Obi.
Esse projeto tem sido um renascimento para meu
amigo. Perspectivas que ajudam a seguir em
frente.
Acho que posso falar por nós dois: estamos mais
vivos depois dessa apresentação. A arte é uma
força poderosa, que nos alimenta a alma.
Em tempos que muita gente julga a cultura como
supérflua, é importante reafirmar que alimentar a
alma também é necessário.
“A gente não quer só comida
A gente quer comida, diversão e arte”
É disso que os Titãs falavam há mais de 30 anos.
Comida é combustível para movimentar a
máquina, mas a arte é energia que nos impulsiona a
viver.
Sou grata por ser artista.
E que venham mais encontros!
Acompanhem em
facebook.com/contatosimediatos
FOTOS: ANGELA XAVIER E JULIA REFOSCO

Jornal Mente Ativa 13

  • 1.
  • 2.
    Jeane Bordignon voos.e.palavras JORNAL MENTEATIVA outubro de 2021 - 13º edição Editorial “Há um menino, há um moleque Morando sempre no meu coração Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão…” Nossa edição de outubro, mês da criança, vem com textos cheios de profundidade sobre o olhar e o perceber ao outro e a si mesmo. E justamente por isso lembra o trecho da música de Milton Nascimento citada acima. Porque mesmo quando não falamos diretamente de infância, quando estamos evocando nosso olhar sensível, buscamos a criança que ainda vive em nós. Nesses tempos tão duros, de distanciamentos físicos e julgamentos cruéis, se faz ainda mais necessário buscar a criança que fomos e que ainda permanece em algum lugar. Aquele menino que vê o mundo com uma simplicidade que vai se perdendo nas pancadas na vida. Pois é com esse coração de criança, aberto para o mundo, que apresentamos a nova cara do nosso jornal e comemoramos um ano desse projeto que tem crescido como um filho que só traz alegrias. Primeiro aniversário é sempre especial! E que bom celebrar com cada um que reserva um tempinho para encontrar nossas palavras! Gratidão a todos que fizeram parte desse primeiro ano! Que possamos continuar escrevendo essa linda história, com amor e alegria. Chegou agora ao Mente Ativa? Quer saber mais da nossa trajetória? Em nossa página você encontra os links de todas as edições. @Jornal Mente Ativa | Facebook E sigamos, com nossas mentes mais ativas, felizes e energizadas pela construção coletiva que gera nosso jornal. Juntas somos mais!
  • 3.
    Maria Laicir Chagasda Silva Assistente Social JORNAL MENTE ATIVA outubro de 2021 - 13º edição Um olhar para a juventude 2021 marca o ano em que o educador Paulo Freire, falecido em 2 de maio de 1997, completaria 100 anos. Freire deixou um importante legado de grandes obras que influenciam na metodologia da educação, elogiado por muitos, principalmente em outros países, e, criticado e questionado, na minha opinião, pelos que seguem um modelo tradicional e arcaico. O educador tinha frases emblemáticas que nos levam a pensar na política educacional que queremos, de pessoas pensantes e atuantes ou condicionadas e integradas num sistema social. Seguindo esta analogia, ao assistir o filme “Pro dia nascer feliz” (Brasil, 2005), que retrata situações de adolescentes em escolas públicas e privadas de diferentes regiões do País, tecerei alguns questionamentos. No filme, os adolescentes falam sobre seus medos, suas angústias, expectativas quanto ao futuro e como veem a escola, os professores e o que as famílias esperam deles. Vejo que a adolescência é uma fase de mudança, onde se deixa de ser criança, passa de pré- adolescente a adolescente, sendo um momento de muita insegurança, inquietações, perguntas, que alguns adultos não conseguem compreender ou responder adequadamente, que visam o esclarecimento e crescimento. Em muitas vezes, os próprios adultos desconhecem as respostas. O que me chamou a atenção foi a história de uma adolescente, que transformava em poesia seus medos, angústias e dúvidas sobre o presente e o futuro. Ao final do filme, ao ser entrevistada, ela reapareceu não demonstrando os sentimentos passados, não que eles tivessem deixado de existir, mas ela estava, então, condicionada à sua realidade, ao que a “sociedade” espera de uma menina adolescente pobre. Ela estava trabalhando e não escrevia mais poesias. A poesia era a forma de dar vazão às suas angústias e, ao fim do filme, eram sufocadas pelo modelo de jovem que se tornou. Como o filme é sobre adolescentes nas escolas, ele está muito relacionado aos professores, sua visão sobre os alunos adolescentes e sobre suas famílias. A inquietação passa também pelos professores que, com baixos salários e escolas sucateadas, também ficam apreensivos quanto ao rumo da Educação no Brasil, onde não são vistos com o devido valor. Existem professores que são despreparados para lidar com algumas questões, principalmente dos adolescentes. Colocam a situação-problema na família e esta, muitas vezes, delega para a escola. Atualmente, os adolescentes têm acesso a muita informação com a evolução tecnológica, mas o amplo acesso a esta rede ainda é restrito entre os mais pobres. “Não é a resignação, mas na rebeldia em face das injustiças que nos afirmaremos.” Paulo Freire
  • 4.
    Meu nome éSílvia Maria Prado da Silva, filha de Florentina Prado da Silva e Pertival Lino da Silva. Sou psicóloga clínica com especialização em Atendimento Clínico com Ênfase em Psicanálise. Atuo na Atenção Básica em Saúde em equipe multiprofissional. Sou mãe do Akin, menino leão que tem me ensinado o quanto pode o amor. Gosto muito de estar na natureza, pois a terra, as pedras, o sol, o vento e as águas me fortalecem. Estou muito contente por fazer parte de um grupo de mulheres de Mente Ativa. JORNAL MENTE ATIVA outubro de 2021 - 13º edição Apresentação das Colunistas
  • 5.
    Márcia Tavares deMattos Psicóloga Clínica e Consteladora Familiar JORNAL MENTE ATIVA outubro de 2021 - 13º edição Aconchego é uma expressão de amor O encontro entre amigos apresenta o vínculo existente e traz para o presente a possibilidade de compartilhar histórias. Hoje vou falar da Amizade, como uma linha invisível que liga um grupo de pessoas, essa linha que sai do coração e constrói uma rede ao redor de cada um. Que pode atravessar continentes, ou, mesmo ao ficarmos separados por anos e ao termos notícias, os corações batem no mesmo compasso. São tantos amigos! Os da infância me conhecem pela voz e, a cada encontro, um cuidado, um carinho, é sempre bom saber que seguimos juntos. Amigos que viram família, a amizade, que pode começar no trabalho. Porém, podemos mudar de trabalho, até de profissão e alguns amigos continuam, em um vínculo que vem da manifestação de amor e do cuidado. Criamos outros núcleos familiares, pois, sim, fui adotada e adoto meus amigos e amigas. Quando na agenda pergunta quem chamar em situação de acidente, vem o nome sem dúvida de um amigo. A amizade tem o tom do amor e do respeito, conhecendo o tempo e limite de cada um. Outro tipo de amigo é o vizinho, que vai além do bom dia no corredor. Vamos conhecendo, criando afinidades e o carinho e cuidado se estabelecem naturalmente. Não estamos juntos sempre, porém, há reciprocidade. Há família espiritual, mesmo quando não nos falamos sinto a conexão, as conversas são sempre maravilhosas e há momentos que percebemos o crescimento mútuo envolto no amor e no respeito à individualidade. Neste feriado, experienciei um reencontro em que parecia que havíamos nos despedido há um mês, só que haviam se passado mais de 25 anos. A surpresa foi a intensidade, o cordão que sai do coração, de que falei antes, vibrou e todas nós falamos e escutamos, rimos e nos emocionamos. A acolhida é uma característica do encontro, mas o aconchego acontece quando quem fala não é julgado e quem escuta não propõe a mudança mágica para a vida do outro. Na amizade que falo, a aceitação flui, expandindo o amor.
  • 6.
    Mara Lenise Chagasda Silva Psicóloga Clínica JORNAL MENTE ATIVA outubro de 2021 - 13º edição Autocuidado 10 de outubro foi a data instituída pela Organização Mundial de Saúde como o Dia Mundial da Saúde Mental. Esse dia é dedicado a alertar da importância do autocuidado, o quanto é fundamental para o bem estar, para melhoria da qualidade de vida e prevenção de doenças, físicas, emocionais e mentais. O autocuidado consiste em um olhar interno, dedicado a si próprio, não sendo egoísmo, mas sim se dar importância, se colocar em primeiro lugar. Muitas vezes, o acúmulo de trabalho, estudo, entre outras obrigações, não permitem um tempo para nós mesmos. O estresse causado por esses fatores afetam a saúde, por isso, é essencial o cuidado com a saúde mental. Muitas doenças físicas estão associadas às emoções mal administradas e/ou pelo acúmulo de estresse. O autocuidado consiste em um conjunto de atitudes que promove o bem estar físico, mental, emocional e social. O olhar para dentro de si estabelece uma conexão mais íntima. Mas, muitas vezes, é preciso de auxílio psicológico de profissional para ajudar na manutenção ou para estabelecer o autocuidado. Da mesma forma que damos atenção à saúde física, devemos dar atenção à saúde mental. Atribuir valores aos pensamentos e emoções, aprender a lidar diferentes situações ou solucioná-las, ajuda a elevar a autoestima e a autoconfiança, além de melhorar as condições de saúde e a percepção positiva diante da vida.
  • 7.
    Ju Lopse lopselazuli JORNAL MENTEATIVA outubro de 2021 - 13º edição Loucura é não escutar “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música” (Friedrich Nietzsche) Três cidades, Porto Alegre, São Paulo e Curitiba, recebem, nesses meses de outubro e novembro, a mesma exposição, A Razão dos Loucos. No momento em que escrevo esse texto, ouço uma conversa entre artistas desta exposição, em cartaz nas Galerias Mamute, Lona e Soma, respectivamente. Na live, os artistas comentam e dissertam sobre o mundo interno do artista, suas obsessões e interesses que se deslocam do ritmo "normal'' das grandes cidades. Isso, pois, quando a pessoa artista apura seu olhar e sua técnica artística, seu ritmo se distribui em um ritardando, ou seja, ficando mais lento, destoando da rapidez, da multitarefa e das conclusões precipitadas. Em Musicoterapia, uso muito das mudanças de andamento. Em geral, da rapidez para lentidão, ocasionalmente com pausas, mas sempre com escuta, parando para ouvir, perceber e ressoar. Alterando o meu ritmo para afinar o meu contato, diminuindo meu volume e aumentando a intensidade do outro. Para ouvir melhor. Loucura é não ouvir a música. Como Nietzsche, que disse que aquelas pessoas que dançavam eram consideradas loucas, enquanto as pessoas que as catalogavam eram aquelas que não escutavam e, assim, não se abriram ao acolhimento. Escutar significa, muitas vezes, estranhar, dissecar os contrastes expostos. Passa por aproximar os ouvidos, afastar com espanto e retornar, com ainda mais proximidade, compreendendo. Sair da própria posição e aceitar a desterritorialização, o mover do seu lugar comum, rotineiro e claustrofóbico. Escutar e compreender significa dar adeus a esse pago conhecido. Não ter razão para, mais do que isso, dar razão, à fala, à forma, ao conteúdo, ao dialeto, ao sotaque, ao canto. Eu adoro sotaques e dizeres curiosos. Detesto os desdéns e os risos jocosos à fala ou forma de falar de outrem. Mas, mesmo no desdém há uma razão: uma raiz que sai do riso e vai ver o quão vão é não ouvir. Loucura é não ouvir. Loucura é não silenciar o próprio ritmo para escutar o de outra pessoa. Na correria das grandes cidades, é preciso afinar os ouvidos, através da escuta. Através das pausas.
  • 8.
    Mariana Pimentas Professora deArtes e Arteterapeuta Mariana Dephino JORNAL MENTE ATIVA outubro de 2021 - 13º edição Conheça nossos Trabalhos: Arte e CaféConsigo.Vem! Propõem que você se permita uma hora por semana, praticamente, o tempo de um café para exercitar a criatividade. Você consegue! Atividade em grupo online, em sua casa. Um fazer criativo e fortalecedor para a alma. Ah, e é claro pode trazer, chá, chimarrão.
  • 9.
    Camila Losso Aprendiz davida e mãe JORNAL MENTE ATIVA outubro de 2021 - 13º edição Repensar Vivemos uma vida correndo atrás de tantas coisas...coisas palpáveis, que precisamos tocar e sentir. Corremos atrás de dinheiro para cada vez mais aumentar o nosso patrimônio...e, muitas vezes, garantir o “status social”. Gastamos nossa saúde correndo atrás do dinheiro, e depois usamos o dinheiro para tratar nossa saúde.... Entramos num ciclo: Acordar, comer, trabalhar, comer, trabalhar, dormir... Levantamos da cama, no estilo “modo automático”, pensando em todos os afazeres que teremos naquele dia e nos próximos... Mas será que a vida é somente isso?? Estamos tão preocupados com as coisas do “nosso mundinho”, que não percebemos acontecimentos simples e maravilhosos que a vida nos proporciona. Convido–te então a repensar atividades do teu dia-a-dia, que passam despercebidos por ti...como o barulho da chuva, o canto de um pássaro, aquela música que você adora, a beleza de uma flor... o sorriso do teu filho, e trazer tua consciência e teu coração para aquele exato momento. Vivência com toda sua alegria essas percepções maravilhosas e agradeça!! E toda vez em que te sentir perdido ou desolado, lembra–te de tudo isso e traga para o teu coração a lembrança de todas essas coisas. Procure constantemente perguntar para o teu coração o que realmente te deixa feliz e a resposta virá. Siga o teu coração, ele é o melhor guia!!!! CONVITE A REPENSAR NOSSOS ATOS COM RELAÇÃO AO PLANETA E A ÁGUA QUE NÓS SUSTENTAM. FOTO: MARIANA PIMENTAS
  • 10.
    Jeane Bordignon voos.e.palavras JORNAL MENTEATIVA outubro de 2021 - 13º edição CONTATOS, REENCONTROS, RENASCIMENTOS A noite de 21 de outubro será para sempre um marco depois de todo esse tempo longe dos eventos presenciais. Primeira apresentação do projeto Contatos Imediatos! Mesmo com máscaras e sem poder abraçar todo mundo depois, foi bom demais estar no palco, ver o público, trocar energia! Para mim, fazia mais tempo do que o isolamento imposto pelo coronavírus. Em 2016 passei por uma situação traumática com uma pessoa tóxica e acabei me afastando dos saraus e eventos. Enquanto tentava sobreviver no Rio de Janeiro, conheci meu ex-marido, casei, e continuei fugindo do meu lado artista, embora meu parceiro sempre tenha me incentivado. Quando o casamento entrou em crise e eu mais ainda, voltei para casa. Aqui comecei a me reconstruir. E na noite do dia 21, finalmente me senti reencontrando comigo mesma. Sou uma artista, sim! Para o Max, também fazia mais tempo. Há três anos ele viu um câncer levar sua companheira de vida e arte, e também minha amiga, a Denise. Além de muitas memórias de uma pessoa que movimentava a cultura e se misturou com a cidade, Denise deixou para o Max o Iberê Obi, que tinha apenas um ano e meio. Desde então, Max ainda está aprendendo como seguir, junto com Obi. Esse projeto tem sido um renascimento para meu amigo. Perspectivas que ajudam a seguir em frente. Acho que posso falar por nós dois: estamos mais vivos depois dessa apresentação. A arte é uma força poderosa, que nos alimenta a alma. Em tempos que muita gente julga a cultura como supérflua, é importante reafirmar que alimentar a alma também é necessário. “A gente não quer só comida A gente quer comida, diversão e arte” É disso que os Titãs falavam há mais de 30 anos. Comida é combustível para movimentar a máquina, mas a arte é energia que nos impulsiona a viver. Sou grata por ser artista. E que venham mais encontros! Acompanhem em facebook.com/contatosimediatos FOTOS: ANGELA XAVIER E JULIA REFOSCO