SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 14
Introdução
Neste trabalho iremos relatar especificações e características sobre a miíase vulgarmente
conhecida como ´´Bicheira`` e não podemos deixar de falar também do veiculador desta
doença chamada de Dermatobia hominis.

A Larva de Dermatobia hominis (berne) biontófaga é parasito obrigatório periódico e
responsável por miíase primaria e cutânea nodular.

Miíase é uma doença produzida pela infestação de larvas de moscas em pele ou outros
tecidos animais. Caracteriza-se pelo desenvolvimento e crescimento de larvas de
moscas sobre tais tecidos.

Pode ser classificada em miíase primaria onde a larva da mosca da Dermatobia hominis
invade o tecido sadio e nele se desenvolve. Essa infestação é também conhecida como
berne.

A miíase secundaria é onde a mosca coloca seus ovos em ulcerações na pele ou
mucosas e as larvas se desenvolvem nos produtos de necrose tecidual. Pode apresentar-
se de três formas:

1-Cutânea
2-Cavitaria
3-Intestinal.

A miíase é uma zoodermatose caracterizada pelo acometimento da pele ou orifícios por
larvas de moscas. Classificam-se em primarias e secundarias.

Miíase primaria furunculoide: Caracteriza-se por lesão nodular que surge com o
desenvolvimento da larva, apresentando orifício central de onde sai à secreção serosa. A
lesão é dolorosa e o paciente sente a sensação de ´´ferroada``. Como complicações
podem surgir abscessos, linfangite e raramente tétano.

Miíase secundaria: a infestação ocorre na pele ou mucosas ulceradas e nas cavidades.
Os locais mais atingidos são as fossas e os seios nasais, os condutos auditivos e os
globos oculares. A gravidade do quadro depende da localização e do grau de destruição.

Seu reservatório é a mosca domestica, o modo de transmissão ocorre através da larva da
mosca na pele ou em feridas e o período de incubação pode ser de ate duas semanas.
Especificações e Características
A miíase ou bicheira é a proliferação de larvas de moscas em tecidos vivos. A patologia
é causada quando a ´´mosca varejeira ou mosca verde`` pousa sobre um ferimento de
animal depositando dezenas de ovos que irão eclodir, transformando-se em inúmeras
larvas que se alimentam de tecido vivo (miíase cutânea)e, que se não forem
exterminadas com rapidez, logo,logo, irão cavar verdadeiras galerias sob a pele
causando lesões e um incomodo muito grande ao animal, (isto em qualquer animal).

As lesões, quando não tratadas, vão tão profundamente que chegam a atravessar a
musculatura do animal, atingindo órgãos vizinhos transformando-se em miiase
cavitaria. As larvas das moscas também podem se proliferarem tecidos não lesados,
quando a pele do animal apresenta dermatites exsudativas (produzem líquidos)
mantendo o local úmido.

Também se proliferam animais em animais que vivem em locais anti-higiênicos, cujos
pêlos estejam sempre molhados por urina ou fezes.

Uma das maneiras de se evitar que o animal venha a ter miíase é mantê-lo sempre locais
higiênicos e ter seus ferimentos (caso os tenha), por menor que sejam tratados e
protegidos de moscas.

No caso de gatos, é muito importante castrar, não só a fêmea como também o macho,
pois na luta pelas fêmeas e/ou marcação de territórios, os felinos adquirem ferimentos,
por vezes, imperceptíveis, mas que com muita facilidade chegam a miíase.

Nos primeiros casos de percepção da doença repare se seu animal anda lambendo muito
determinada área do corpo, porque pode ser o primeiro sinal, o dono tem que estar alerta
e ser observador, pois a miíase é fácil de detectar, cheira mal além de deixar um
pequeno orifício na pele.

Dados os fatos acima o melhor a fazer é procurar o médico veterinário. É de grande
facilidade encontrar animais com miíase basta dar uma pequena volta pelos grandes
centros urbanos, onde a maioria dos animais abandonados, mortos de fome, acaba
brigando por qualquer alimento que apareça, ocasionando ferimentos que, não tratados,
facilitam o surgimento de bicheiras.


                                     Etiologia

A miíase ou bicheira é uma infestação de larvas de mosca que ocorre principalmente em
animais mantidos fora de casa, e animais que se mostram incapazes de fazer sua
higienização ou por serem idosos ou por estarem enfermos. Alem disso, animais com
enterite e contaminação perineal também são vitimas. Os agentes etiológicos dessa
doença são moscas pertencentes a espécies dos gêneros Cuterebra, Calliphora e
Sarcophaga. Os califorídeos depositam seus ovos em aglomerados, nas lesões cutâneas
úmidas, já os sarcofagídeos depositam larvas diretamente sobre a pele. As larvas
provocam destruição da pele, escavam tecido cutâneo e migram para os locais corporais
preferidos. As áreas geralmente envolvidas incluem a região cervical ventral e as
regiões inguinal do quarto posterior e axilar.

A incidência é mais alta no outono e no verão.

                                 Sinais Clínicos

Os animais podem apresentar dor, relutar em se mover ou claudicar.

No exame clinico, encontram-se presentes um ou mais inchaços subcutâneos firmes e
fistulados. Freqüentemente se observam as larvas na fistula, circundadas por tecido
necrosado. Na disposição dos ovos ou larvas de moscas nas lesões cutâneas úmidas,
comumente esta presente uma ferida aberta com odor freqüentemente fétido e
característico.

As infecções bacterianas secundarias das lesões são comuns e se caracterizam por um
macerado, por fistulas e ulceras. É visível grande quantidade de larvas. Os animais
podem apresentar sinais de enfermidade sistêmica em decorrência da toxemia.

As larvas podem envolver o olho, isso é conhecido como oftalmiíase.

A infestação severa com larvas cuterebriades múltiplas pode causar debilitação extrema
e morte.

Larvas de moscas cuterebral também podem ser encontradas no cérebro de cães e gatos
com sintomas neurológicos. Nestes hospedeiros anormais, a infecção se faz por uma
larva migratória. As larvas normalmente maturam no tecido subcutâneo, mas podem
fazer migração ectópica até o cérebro.

                                   Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se em uma história de abrigo fora de casa, sinais clínicos e
presença de larvas nos ferimentos.

                                    Tratamento

O tratamento consiste na remoção de larvas intactas com pinças hemostáticas. Essa
remoção deve ser realizada por um medico veterinário, pois apesar de parecer simples,
necessita de vários cuidados, inclusive a utilização de agentes anestésicos. Deve-se
evitar a ruptura da larva, podendo aplicar topicamente éter para anestesiar as larvas
antes da remoção, facilitando a retirada.

Deve-se debridar completamente os ferimentos de tecido necrosado, Esses debris
tissulares deverão ser removidos pela lavagem das feridas com uma solução de peróxido
de hidrogênio ou de povidona duas vezes ao dia, até que o problema tenha sido
resolvido.
Podem ser mantidos cuidados auxiliares, o tratamento da ferida local e o uso de
antibióticos sistêmicos.

                                      Prevenção

Em animais mantidos fora de casa, o proprietário deve estar atento a presença de
ferimentos. E quando eles existirem tratá-los para evitar que moscas pousem na lesão.

Além disso, é aconselhável a limpeza e desinfecção do ambiente para evitar a presença
destes insetos.

Alguns medicamentos ministrados por via oral estão sendo testados com ótimos
resultados para a prevenção de miíase.

          Caracteres de Classificação dos insetos envolvidos

De acordo com o Doutor Carmello Liberato Thadei foi-se dito que:

Recebem o nome miíase ou bicheiras as doenças causadas pela invasão do tecido
cutâneo por larvas de insetos dípteros, e em particular pelos chamados dípteros
miodiários; Conforme a biologia desses insetos, as respectivas afecções que podem
causar são de duas categorias:

1 - BIONTÓFAGAS - Larvas que invadem os tecidos sãos, não necrosados, inclusive a
pele íntegra São essas larvas chamadas de biontófagas, pois se desenvolvem a custa do
tecido vivo, e por conseguinte, podendo comprometer o estado geral do homem ou do
animal por elas parasitado. São essas larvas parasitas obrigatórias. Neste grupo estão
agrupadas as seguintes espécies de insetos: Callitroga americana, Dermatobia hominis e
Oestrus ovis.

2 - NECROBIONTÓFAGAS - Larvas que invadem exclusivamente tecidos já afetados
por necrose de outras causas .Estas nutrem-se exclusivamente de tecido morto e porisso
classificadas como necrobiontófagas; Algumas delas não são prejudiciais, pois limpam
as feridas do material necrosado; Neste grupo estão as moscas do gênero Lucilia, que já
foram inclusive utilizadas como meio terapêutico nos primórdios da medicina.

Raríssimamente iniciam uma miíase, e com certa freqüência são encontradas como
saprófagas de feridas ou cavidades infestadas por outras espécies do grupo anterior. As
principais larvas deste grupo,pertencem aos seguintes gêneros de moscas: Sarcophaga,
Lucilia, Phaenicia, Calliphora, Musca, Mucina e Fannia.

Sob o ponto de vista médico, no Brasil, as miíases podem ser:

1 - Cutâneas - Miíases Furunculosas, produzidas pela Dermatobia homininis e pela
Callitroga americana; Lesões parecidas à de furúnculos, daí o nome acima: Furunculosa.

2 - Cavitárias -
a) Miíases das feridas - Callitroga macellaria;
b) Nasomiíases - Miíases na região do nariz;
c) Otomiíases - Localização na região dos ouvidos:
d) Oculomiíases - Localizadas na região orbital;
e) Cistomiíases - De localização na bexiga;
f) Miíases intestinais - Quando sua localização é nos intestinos.

As miíases causadas por larvas de moscas necrobiontófagas (que se desenvolvem
unicamente em carne pútrida ou em tecidos orgânicos fermentáveis) tornam-se
pseudoparasitas de lesões ou tecidos doentes; Determinam o que se denomina miíases
secundárias, por ser necessária a presença de material necrosado da ferida ou cavidade,
para seu desenvolvimento.

Nas ulcerações, os danos em geral carecem de importância, pois as larvas se limitam a
devovar os tecidos necrosados (mortos), não invadindo as partes sadias, e, por
conseguinte não ocasionando hemorragias. Estas foram já em passado recente utilizadas
na "limpeza" de feridas, porque se alimentando do tecido necrosado que existe em toda
ferida, aceleravam e facilitavam o processo de cicatrização.

Cabe ser observado que nas regiões onde ocorre a Leishmaniose cutânea, como na
região amazônica, principalmente no Território Indígena dos Ianomâmis, são
observados com muita freqüência as naso-miíases, que nada mais são que miíases
secundárias de larvas de moscas necrobiontófagas, que se instalam na região do nariz,
nas lesões causadas primariamente pela Leishmania tegumentar.

As Miíases intestinais são sem sombra de dúvida, causadas pela ingestão de ovos ou
larvas, por meio de bebidas ou alimentos por esses ovos ou vermes contaminados, e
suas conseqüências carecem em geral de gravidade, produzindo algumas vezes apenas
náuseas, vômitos e diarréia. Não obstante, a intensidade desses sintomas dependem da
sensibilidade do próprio enfermo, e do número de larvas ingeridas. Segundo alguns
autores, as larvas de moscas são resistentes à ação de certas substâncias, inclusive à
ação dos sucos digestivos, podendo viver durante algum tempo no tubo digestivo.

Para o tratamento das bicheiras, quando as mesmas são superficiais (cutâneas), basta
aplicação local de qualquer substância que seja ativa contra os insetos em geral, e
concomitantemente não seja tóxica ao hospedeiro, para que as larvas ou morram ou
simplesmente sejam expulsas do local onde se encontram, e a cicatrização subseqüente
do     ferimento    leve    a     bom    termo     a    cura     da     enfermidade.

Quando se dá o caso de serem as bicheiras cavitárias, como é o caso das gasterofiloses
eqüinas, seu diagnóstico pelas técnicas coprológicas usuais não é possível, a não ser
quando encontradas larvas íntegras no bolo fecal desses hospedeiros, o que pode ocorrer
porém de forma fortuita, e portanto o simples exame de fezes com resultado negativo
não descarta sua ocorrência. A presença de ovos íntegros ou as larvas desses ovos já
eclodidas, aderentes aos pêlos dos membros anteriores e nos espaços intermandibulares,
é indicativo do parasitismo pelos gasterophilus.

Durante muito tempo, os únicos tratamentos conhecidos para o combate à gasterofilose
eqüina, foi com a utilização de bissulfeto de carbono administrado oralmente e contido
em cápsulas de gelatina. Devido sua toxidez, caso administrado sem a devida técnica,
muitas vezes causava a morte do animal hospedeiro quando do seu tratamento com essa
substância farmacêutica.
Com a descoberta das substâncias organo-fosforadas, os produtos sintéticos triclorfon e
diclorvos, mostraram-se eficazes contra todos os estágios da fase larval desses insetos.
O primeiro deles tem sido o produto mais utilizado em nosso meio, isola-damente ou
em associação, sob a forma de pasta, com benzimidazoles. Sendo pequena a margem de
segurança, no que diz respeito a dose desses produtos, que tem sua dose terapêutica
fixada em 35/40 mg por quilo de peso vivo do animal, deve tal dose ser fixada e
criteriosamente observada quando do tratamento, sob pena de resultados desastrosos,
inclusive com possível morte do animal.

Em fins dos anos 70, foram desenvolvidos novos fármacos, obtidos da fermentação de
um fungo: (Streptomyces avermitilis), isolado do solo, no Japão. Uma dessas
avermectinas, denominada de B1, apresentou ação antiparasitária contra todas as fases
larvárias desses Gasterophilus, tanto nos ecto quanto endoparasitas.

Recentemente, o anti-helmíntico salicilanilídico closantel, utilizado geralmente
associado aos benimidazoles, sob a forma de pasta, mostrou-se também eficaz como
gasterofilicida, inclusive impedindo reinfestações dos eqüinos até cerca de dois meses
após o tratamento.

As miíases ocorrendo em praticamente todo território brasileiro devido nossas
condições climáticas predominantemente tropicais e equatoriais que muito favorecem o
desenvolvimento dos insetos em geral, possibilitam sua multiplicação em ritmo
acelerado, e com isso concomitante aparecimentos de bicheiras em nossos rebanhos,
quer bovinos, suínos, eqüinos, ovinos ou caprinos.

As perdas decorrentes dessas miíases se traduzem principalmente por menor rendimento
dos rebanhos explorados, quer na produção de leite, quer na produção de carne e seus
subprodutos como o couro, este último muito depreciado pela bicheira.

                          Dermatobia hominis

Nome vulgar:

Mosca berneira.

Distribuição geográfica:
Ocorre em zonas úmidas desde o sul do México ate o norte da Argentina. Ainda não foi
diagnosticada no Chile. É mais freqüente em regiões de vegetação abundante,
temperatura moderadamente alta e umidade relativa do ar elevada (85 a 95%). No
Brasil, não foi registrada no Pará e Nordeste, devido ao clima quente e seco.

Morfologia:
A forma adulta (mosca) é robusta. A cabeça e as antenas são amarelas com arista
plumosa na face dorsal; os olhos cor de tijolo apresentam uma faixa escura dentro no
centro. O tórax é castanho-escuro-azulado, com polinosidade cinza; as asas são
castanho-claras; as pernas amarelas. O abdome azul metálico é recoberto de curtos pêlos
pretos.

Dimensão:
Mede de 14 a 17 milímetros de comprimento.


Biologia:

Hospedeiros- A larva de Dermatobia hominis (berne) parasita bovinos caninos e o
homem; ovinos e felinos com menos freqüência e raramente eqüinos.

Localização- Pele.

Nutrição- A mosca adulta não se alimenta e pode viver de 8 a 12 dias. As larvas nutrem-
se de tecido subcutâneo.

Ciclo evolutivo- Os adultos copulam varias vezes, logo após a eclosão. As fêmeas,
depois de dois dias, iniciam a oviposição e cada uma põe de 250 a 400 ovos durante sua
existência. Os ovos, com 2 a 3 milímetros de comprimento, são esbranquiçados,
operculados e com a forma de um dedo humano, cuja unha é representada pelo
opérculo.

A Dermatobia hominis , no momento de efetuar a postura, captura um inseto menor (de
preferência um hematófago) durante o vôo e sobre a região póstero-lateral do seu
abdome deposita um numero variável de ovos, com opérculo voltado para trás. O
Amblyomma também já foi encontrado portando ovos de Dermatobia. Os ovos ficam
aderidos entre si e ao inseto veiculador graças a uma substância aglutinante. As fêmeas,
armazenando uma grande quantidade de ovos, precisam atacar um grande numero de
insetos para a postura. Depois de 5 a 12 dias as larvas já estão formadas, mas somente
abandonam o ovo quando o inseto veiculador pousar sobre o corpo do hospedeiro de
sangue quente. As larvas que não conseguem deixar o ovo quando o inseto veiculador
se retira, recolhem-se nele, fechando o opérculo. As larvas podem aguardar de 20 a 24
dias no interior do ovo o momento de passar a novo hospedeiro. Uma vez transferida
para o corpo do hospedeiro, a larva penetra a pele intacta ou lesada (picada de insetos)
em 5 a 95 minutos.

No local da penetração, a larva se alimenta de tecido subcutâneo, cresce e provoca a
formação de intumescência com uma abertura central para a respiração.

Em oito dias a larva mede 4 milímetros e sofre a primeira muda; 15 dias depois realiza a
segunda muda e em 30 dias termina sua evolução atingindo então 24 milímetros. A
larva madura (berne) apresenta a extremidade anterior volumosa e arredondada, com
três a cinco segmentos separados circularmente por dupla fileira de espinhos, e a
extremidade posterior afilada.

De acordo com Blanchard as larvas podem ser assim caracterizadas: ´´ As primeiras
larvas são pequenas, piriformes e apresentam uma porção anterior dilatada e uma
porção posterior muito retraída, Os anéis II, III e IV são semeados de pequenos espinhos
negros, que desaparecem pouco a pouco nos dois segmentos; os anéis V. VI e VII
apresentam na sua borda anterior uma cintura completa de fortes espinhos negros com
pontas recurvadas para trás; os anéis IV, V e VI possuem na borda posterior uma
semicintura dorsal e lateral de acúleos semelhantes. Os quatro últimos segmentos, que
foram a parte retraída do corpo, são lisos, salvo na metade posterior do X em toda
extensão do XI, cuja superfície é revestida de pequenos espinhos ``.

É nas primeiras horas do dia que a larva madura abandona espontaneamente seu
hospedeiro e cai ao solo para pupar, em terra fofa. O período pupal é de 22 a 40 dias em
média, mas podendo ir até 67 dias. O imago deixa a pupa nas horas de maior calor de 24
horas após a eclosão e realiza a primeira cópula. O macho emerge primeiro. Os adultos
não se alimentam e copulam varias vezes por dia. O estádio adulto raramente vive mais
de 8 a 12 dias nos bosques, matos próximos às pastagens, lugares visitados por moscas e
mosquitos.

Quadro Clínico:

Os movimentos da larva causam dor, inquietação e irritação, prejudicando o descanso
do animal parasitado, vindo refletir-se no seu estado geral. Comumente as invasões
bacterianas secundarias vão originar pus e abscessos.

As conseqüências são crescimento retardado, menor produção de carne e leite,
desvalorização dos couros e morte.

Patogenia:

As larvas de Dermatobia hominis são responsáveis por miíases cutâneas furunculosas
no homem, bovinos e caninos.

Profilaxia:

Árdua, cada fácil. A ecologia e a freqüência desta mosca fazem com que não existam
medidas praticas para sua profilaxia. Entretanto, Del Ponte (1958), sugere o emprego de
produtos repelente, como ação protetora temporária, em animais de alto valor.
Relato de Caso Clínico

Nome: Aline
Raça: Pitt Bull
Idade: 2 anos

O que o animal apresenta:

Problemas de pele e miíase encontram-se presentes inchações subcutâneos firmes e
fistulados. Encontram-se também deposição de larvas circundadas por tecido necrosado,
as feridas apresentam um odor fétido e característico.
 A cadela apresenta infestação em maior quantidade na região cervical ventral e inguinal
do quarto posterior axilar. Possui extrema debilitação.




Diagnóstico:

O diagnóstico baseou-se nos sinais clínicos apresentados e na presença de larvas nos
ferimentos.




Tratamento:

Foram feito os seguintes procedimentos:

Limpeza do ferimento (com anestesia local), remoção individual dos vermes (fluido
corporal tóxico), aplicação de um antibiótico de largo espectro como Avermectina
(ivermectin), inspeções diárias, capstar.
Resultados:

Dentro de poucas semanas a Cadela Aline sentia-se bem melhor e mais disposta, tudo
claro a partir do tratamento feito de forma correta e devida.
Conclusão
Dentre todos os fatos citados e pesquisados este trabalho foi de suma importância para
aprimorarmos nosso conhecimento sobre uma das doenças mais comum nos meio
veterinário a Miíase e assimila-a com seu inseto proliferador a Dermatobia hominis.

Escolhi este assunto, este caso clínico porque encontrei nele um fator instigante de saber
como era produzida e como curá-la já que é um tipo de zoodermatite tão comum em
nosso meio de trabalho. Através desses conhecimentos pude retirar minhas duvidas e
me tornar um melhor profissional em minha jornada, afinal um bom veterinário tem em
seu caminho o grande conhecimento e maneira de melhor ajudar os animais,
promovendo assim um bem-estar maior ao que nos foi proposto fazer a eles.

Resumidamente as miíases ocorrendo em praticamente todo território brasileiro devido
nossas condições climáticas predominantemente tropicais e equatoriais que muito
favorecem o desenvolvimento dos insetos em geral, possibilitam sua multiplicação em
ritmo acelerado, e com isso concomitante aparecimentos de bicheiras em nossos
rebanhos, quer bovinos, suínos, eqüinos, ovinos ou caprinos.
Bibliografia


URQUHART, G.M et al. Parasitologia Veterinária. 2a edição.Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.



FOREYT,       William     J.Parasitologia   Veterinária-   Manual   de
Referência.5a edição.São Paulo: Rocca., 2005
Anexos




Larva: Dermatobia hominis                      Adulto: Dermatobia hominis




         Ciclo evolutivo: Dermatobia hominis
Miíase Perianal em um Rottweiler.




Miíase: Callitroga macellaria

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Aula 04 apresentação biologia e identificação de serpentes
Aula 04   apresentação biologia e identificação de serpentesAula 04   apresentação biologia e identificação de serpentes
Aula 04 apresentação biologia e identificação de serpentes
filipe
 
Conhecendo o que é zoonoses
Conhecendo o que é zoonosesConhecendo o que é zoonoses
Conhecendo o que é zoonoses
Dessa Reis
 

Mais procurados (20)

Exercício sobre parasitologia veterinária- Filo Artropoda
Exercício sobre parasitologia veterinária- Filo ArtropodaExercício sobre parasitologia veterinária- Filo Artropoda
Exercício sobre parasitologia veterinária- Filo Artropoda
 
Aula 1 conceitos gerais de parasitologia
Aula 1 conceitos gerais de parasitologiaAula 1 conceitos gerais de parasitologia
Aula 1 conceitos gerais de parasitologia
 
Àcaros e Carrapatos
Àcaros e CarrapatosÀcaros e Carrapatos
Àcaros e Carrapatos
 
Berne
Berne   Berne
Berne
 
Aula 9 fasciola hepática
Aula 9 fasciola hepáticaAula 9 fasciola hepática
Aula 9 fasciola hepática
 
Aula 01
Aula 01Aula 01
Aula 01
 
Parasitologia
ParasitologiaParasitologia
Parasitologia
 
Leptospirose
LeptospiroseLeptospirose
Leptospirose
 
Febre aftosa
Febre aftosaFebre aftosa
Febre aftosa
 
Babesiose
BabesioseBabesiose
Babesiose
 
Ordem Siphonaptera
Ordem SiphonapteraOrdem Siphonaptera
Ordem Siphonaptera
 
Trichuris trichiura - PDF/PPT
Trichuris trichiura - PDF/PPTTrichuris trichiura - PDF/PPT
Trichuris trichiura - PDF/PPT
 
Aula de Parasitologia do dia: 01.09.2016
Aula de Parasitologia do dia: 01.09.2016Aula de Parasitologia do dia: 01.09.2016
Aula de Parasitologia do dia: 01.09.2016
 
Ascaris Lumbricoides, Trichuris, Enterobios
Ascaris Lumbricoides, Trichuris, EnterobiosAscaris Lumbricoides, Trichuris, Enterobios
Ascaris Lumbricoides, Trichuris, Enterobios
 
Aula 04 apresentação biologia e identificação de serpentes
Aula 04   apresentação biologia e identificação de serpentesAula 04   apresentação biologia e identificação de serpentes
Aula 04 apresentação biologia e identificação de serpentes
 
Escabiose e Pediculose
Escabiose e PediculoseEscabiose e Pediculose
Escabiose e Pediculose
 
Raiva.
Raiva.Raiva.
Raiva.
 
Sarcoptes Scabiei (sarna) Parasitologia Humana
Sarcoptes Scabiei (sarna) Parasitologia HumanaSarcoptes Scabiei (sarna) Parasitologia Humana
Sarcoptes Scabiei (sarna) Parasitologia Humana
 
Ascaris lumbricoides
Ascaris lumbricoidesAscaris lumbricoides
Ascaris lumbricoides
 
Conhecendo o que é zoonoses
Conhecendo o que é zoonosesConhecendo o que é zoonoses
Conhecendo o que é zoonoses
 

Semelhante a Introdução miiase

Micologia
MicologiaMicologia
Micologia
Tamiris
 
Micologia
MicologiaMicologia
Micologia
Tamiris
 
Parasitologia - ACAROS
Parasitologia - ACAROSParasitologia - ACAROS
Parasitologia - ACAROS
Linique Logan
 
Controle e biologia dos carrapatos
Controle e biologia dos carrapatosControle e biologia dos carrapatos
Controle e biologia dos carrapatos
flaviahuber59
 

Semelhante a Introdução miiase (20)

Aula Micologia.pptx
Aula Micologia.pptxAula Micologia.pptx
Aula Micologia.pptx
 
Os Fungos
Os FungosOs Fungos
Os Fungos
 
Micologia
MicologiaMicologia
Micologia
 
Aula micologia basica slide.pptx
Aula micologia basica slide.pptxAula micologia basica slide.pptx
Aula micologia basica slide.pptx
 
Fungos e doenças relacionadas
Fungos e doenças relacionadas Fungos e doenças relacionadas
Fungos e doenças relacionadas
 
Aula micologia basica.pdf
Aula micologia basica.pdfAula micologia basica.pdf
Aula micologia basica.pdf
 
AULA 04 - MICOLOGIA e VIROLOGIA sem questões.pdf
AULA 04 - MICOLOGIA e VIROLOGIA  sem questões.pdfAULA 04 - MICOLOGIA e VIROLOGIA  sem questões.pdf
AULA 04 - MICOLOGIA e VIROLOGIA sem questões.pdf
 
Parasitologia.pptx
Parasitologia.pptxParasitologia.pptx
Parasitologia.pptx
 
Parasitologia. O que é, parasitas e formas de transmissão
Parasitologia. O que é, parasitas e formas de transmissãoParasitologia. O que é, parasitas e formas de transmissão
Parasitologia. O que é, parasitas e formas de transmissão
 
Micologia
MicologiaMicologia
Micologia
 
Fungos
FungosFungos
Fungos
 
Biologia e controle de carrapatos e ácaros
Biologia e controle de carrapatos e ácarosBiologia e controle de carrapatos e ácaros
Biologia e controle de carrapatos e ácaros
 
Micologia
MicologiaMicologia
Micologia
 
Micologia
MicologiaMicologia
Micologia
 
Miíase
MiíaseMiíase
Miíase
 
Parasitologia - ACAROS
Parasitologia - ACAROSParasitologia - ACAROS
Parasitologia - ACAROS
 
Dermatofilose dermatofitose e feridas
Dermatofilose  dermatofitose e feridasDermatofilose  dermatofitose e feridas
Dermatofilose dermatofitose e feridas
 
Reinos dos fungos prof Ivanise Meyer
Reinos dos fungos prof Ivanise MeyerReinos dos fungos prof Ivanise Meyer
Reinos dos fungos prof Ivanise Meyer
 
Generalidades De MicologìA
Generalidades De MicologìAGeneralidades De MicologìA
Generalidades De MicologìA
 
Controle e biologia dos carrapatos
Controle e biologia dos carrapatosControle e biologia dos carrapatos
Controle e biologia dos carrapatos
 

Último

Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUSHomens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Prof. Marcus Renato de Carvalho
 
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdfManual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
DanieldaSade
 
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdfManual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
DanieldaSade
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdfRELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
HELLEN CRISTINA
 
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades PúblicasAlimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Prof. Marcus Renato de Carvalho
 
relatorio ciencias morfofuncion ais.pdf
relatorio ciencias morfofuncion  ais.pdfrelatorio ciencias morfofuncion  ais.pdf
relatorio ciencias morfofuncion ais.pdf
HELLEN CRISTINA
 
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdfrelatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
HELLEN CRISTINA
 

Último (10)

Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUSHomens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
 
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdfManual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
 
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdfManual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdfRELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
 
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades PúblicasAlimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
 
Características gerais dos vírus- Estrutura, ciclos
Características gerais dos vírus- Estrutura, ciclosCaracterísticas gerais dos vírus- Estrutura, ciclos
Características gerais dos vírus- Estrutura, ciclos
 
relatorio ciencias morfofuncion ais.pdf
relatorio ciencias morfofuncion  ais.pdfrelatorio ciencias morfofuncion  ais.pdf
relatorio ciencias morfofuncion ais.pdf
 
Altas habilidades/superdotação. Adelino Felisberto
Altas habilidades/superdotação. Adelino FelisbertoAltas habilidades/superdotação. Adelino Felisberto
Altas habilidades/superdotação. Adelino Felisberto
 
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdfrelatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
 
01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf
01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf
01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf
 

Introdução miiase

  • 1. Introdução Neste trabalho iremos relatar especificações e características sobre a miíase vulgarmente conhecida como ´´Bicheira`` e não podemos deixar de falar também do veiculador desta doença chamada de Dermatobia hominis. A Larva de Dermatobia hominis (berne) biontófaga é parasito obrigatório periódico e responsável por miíase primaria e cutânea nodular. Miíase é uma doença produzida pela infestação de larvas de moscas em pele ou outros tecidos animais. Caracteriza-se pelo desenvolvimento e crescimento de larvas de moscas sobre tais tecidos. Pode ser classificada em miíase primaria onde a larva da mosca da Dermatobia hominis invade o tecido sadio e nele se desenvolve. Essa infestação é também conhecida como berne. A miíase secundaria é onde a mosca coloca seus ovos em ulcerações na pele ou mucosas e as larvas se desenvolvem nos produtos de necrose tecidual. Pode apresentar- se de três formas: 1-Cutânea 2-Cavitaria 3-Intestinal. A miíase é uma zoodermatose caracterizada pelo acometimento da pele ou orifícios por larvas de moscas. Classificam-se em primarias e secundarias. Miíase primaria furunculoide: Caracteriza-se por lesão nodular que surge com o desenvolvimento da larva, apresentando orifício central de onde sai à secreção serosa. A lesão é dolorosa e o paciente sente a sensação de ´´ferroada``. Como complicações podem surgir abscessos, linfangite e raramente tétano. Miíase secundaria: a infestação ocorre na pele ou mucosas ulceradas e nas cavidades. Os locais mais atingidos são as fossas e os seios nasais, os condutos auditivos e os globos oculares. A gravidade do quadro depende da localização e do grau de destruição. Seu reservatório é a mosca domestica, o modo de transmissão ocorre através da larva da mosca na pele ou em feridas e o período de incubação pode ser de ate duas semanas.
  • 2. Especificações e Características A miíase ou bicheira é a proliferação de larvas de moscas em tecidos vivos. A patologia é causada quando a ´´mosca varejeira ou mosca verde`` pousa sobre um ferimento de animal depositando dezenas de ovos que irão eclodir, transformando-se em inúmeras larvas que se alimentam de tecido vivo (miíase cutânea)e, que se não forem exterminadas com rapidez, logo,logo, irão cavar verdadeiras galerias sob a pele causando lesões e um incomodo muito grande ao animal, (isto em qualquer animal). As lesões, quando não tratadas, vão tão profundamente que chegam a atravessar a musculatura do animal, atingindo órgãos vizinhos transformando-se em miiase cavitaria. As larvas das moscas também podem se proliferarem tecidos não lesados, quando a pele do animal apresenta dermatites exsudativas (produzem líquidos) mantendo o local úmido. Também se proliferam animais em animais que vivem em locais anti-higiênicos, cujos pêlos estejam sempre molhados por urina ou fezes. Uma das maneiras de se evitar que o animal venha a ter miíase é mantê-lo sempre locais higiênicos e ter seus ferimentos (caso os tenha), por menor que sejam tratados e protegidos de moscas. No caso de gatos, é muito importante castrar, não só a fêmea como também o macho, pois na luta pelas fêmeas e/ou marcação de territórios, os felinos adquirem ferimentos, por vezes, imperceptíveis, mas que com muita facilidade chegam a miíase. Nos primeiros casos de percepção da doença repare se seu animal anda lambendo muito determinada área do corpo, porque pode ser o primeiro sinal, o dono tem que estar alerta e ser observador, pois a miíase é fácil de detectar, cheira mal além de deixar um pequeno orifício na pele. Dados os fatos acima o melhor a fazer é procurar o médico veterinário. É de grande facilidade encontrar animais com miíase basta dar uma pequena volta pelos grandes centros urbanos, onde a maioria dos animais abandonados, mortos de fome, acaba brigando por qualquer alimento que apareça, ocasionando ferimentos que, não tratados, facilitam o surgimento de bicheiras. Etiologia A miíase ou bicheira é uma infestação de larvas de mosca que ocorre principalmente em animais mantidos fora de casa, e animais que se mostram incapazes de fazer sua higienização ou por serem idosos ou por estarem enfermos. Alem disso, animais com enterite e contaminação perineal também são vitimas. Os agentes etiológicos dessa doença são moscas pertencentes a espécies dos gêneros Cuterebra, Calliphora e Sarcophaga. Os califorídeos depositam seus ovos em aglomerados, nas lesões cutâneas úmidas, já os sarcofagídeos depositam larvas diretamente sobre a pele. As larvas provocam destruição da pele, escavam tecido cutâneo e migram para os locais corporais
  • 3. preferidos. As áreas geralmente envolvidas incluem a região cervical ventral e as regiões inguinal do quarto posterior e axilar. A incidência é mais alta no outono e no verão. Sinais Clínicos Os animais podem apresentar dor, relutar em se mover ou claudicar. No exame clinico, encontram-se presentes um ou mais inchaços subcutâneos firmes e fistulados. Freqüentemente se observam as larvas na fistula, circundadas por tecido necrosado. Na disposição dos ovos ou larvas de moscas nas lesões cutâneas úmidas, comumente esta presente uma ferida aberta com odor freqüentemente fétido e característico. As infecções bacterianas secundarias das lesões são comuns e se caracterizam por um macerado, por fistulas e ulceras. É visível grande quantidade de larvas. Os animais podem apresentar sinais de enfermidade sistêmica em decorrência da toxemia. As larvas podem envolver o olho, isso é conhecido como oftalmiíase. A infestação severa com larvas cuterebriades múltiplas pode causar debilitação extrema e morte. Larvas de moscas cuterebral também podem ser encontradas no cérebro de cães e gatos com sintomas neurológicos. Nestes hospedeiros anormais, a infecção se faz por uma larva migratória. As larvas normalmente maturam no tecido subcutâneo, mas podem fazer migração ectópica até o cérebro. Diagnóstico O diagnóstico baseia-se em uma história de abrigo fora de casa, sinais clínicos e presença de larvas nos ferimentos. Tratamento O tratamento consiste na remoção de larvas intactas com pinças hemostáticas. Essa remoção deve ser realizada por um medico veterinário, pois apesar de parecer simples, necessita de vários cuidados, inclusive a utilização de agentes anestésicos. Deve-se evitar a ruptura da larva, podendo aplicar topicamente éter para anestesiar as larvas antes da remoção, facilitando a retirada. Deve-se debridar completamente os ferimentos de tecido necrosado, Esses debris tissulares deverão ser removidos pela lavagem das feridas com uma solução de peróxido de hidrogênio ou de povidona duas vezes ao dia, até que o problema tenha sido resolvido.
  • 4. Podem ser mantidos cuidados auxiliares, o tratamento da ferida local e o uso de antibióticos sistêmicos. Prevenção Em animais mantidos fora de casa, o proprietário deve estar atento a presença de ferimentos. E quando eles existirem tratá-los para evitar que moscas pousem na lesão. Além disso, é aconselhável a limpeza e desinfecção do ambiente para evitar a presença destes insetos. Alguns medicamentos ministrados por via oral estão sendo testados com ótimos resultados para a prevenção de miíase. Caracteres de Classificação dos insetos envolvidos De acordo com o Doutor Carmello Liberato Thadei foi-se dito que: Recebem o nome miíase ou bicheiras as doenças causadas pela invasão do tecido cutâneo por larvas de insetos dípteros, e em particular pelos chamados dípteros miodiários; Conforme a biologia desses insetos, as respectivas afecções que podem causar são de duas categorias: 1 - BIONTÓFAGAS - Larvas que invadem os tecidos sãos, não necrosados, inclusive a pele íntegra São essas larvas chamadas de biontófagas, pois se desenvolvem a custa do tecido vivo, e por conseguinte, podendo comprometer o estado geral do homem ou do animal por elas parasitado. São essas larvas parasitas obrigatórias. Neste grupo estão agrupadas as seguintes espécies de insetos: Callitroga americana, Dermatobia hominis e Oestrus ovis. 2 - NECROBIONTÓFAGAS - Larvas que invadem exclusivamente tecidos já afetados por necrose de outras causas .Estas nutrem-se exclusivamente de tecido morto e porisso classificadas como necrobiontófagas; Algumas delas não são prejudiciais, pois limpam as feridas do material necrosado; Neste grupo estão as moscas do gênero Lucilia, que já foram inclusive utilizadas como meio terapêutico nos primórdios da medicina. Raríssimamente iniciam uma miíase, e com certa freqüência são encontradas como saprófagas de feridas ou cavidades infestadas por outras espécies do grupo anterior. As principais larvas deste grupo,pertencem aos seguintes gêneros de moscas: Sarcophaga, Lucilia, Phaenicia, Calliphora, Musca, Mucina e Fannia. Sob o ponto de vista médico, no Brasil, as miíases podem ser: 1 - Cutâneas - Miíases Furunculosas, produzidas pela Dermatobia homininis e pela Callitroga americana; Lesões parecidas à de furúnculos, daí o nome acima: Furunculosa. 2 - Cavitárias - a) Miíases das feridas - Callitroga macellaria; b) Nasomiíases - Miíases na região do nariz;
  • 5. c) Otomiíases - Localização na região dos ouvidos: d) Oculomiíases - Localizadas na região orbital; e) Cistomiíases - De localização na bexiga; f) Miíases intestinais - Quando sua localização é nos intestinos. As miíases causadas por larvas de moscas necrobiontófagas (que se desenvolvem unicamente em carne pútrida ou em tecidos orgânicos fermentáveis) tornam-se pseudoparasitas de lesões ou tecidos doentes; Determinam o que se denomina miíases secundárias, por ser necessária a presença de material necrosado da ferida ou cavidade, para seu desenvolvimento. Nas ulcerações, os danos em geral carecem de importância, pois as larvas se limitam a devovar os tecidos necrosados (mortos), não invadindo as partes sadias, e, por conseguinte não ocasionando hemorragias. Estas foram já em passado recente utilizadas na "limpeza" de feridas, porque se alimentando do tecido necrosado que existe em toda ferida, aceleravam e facilitavam o processo de cicatrização. Cabe ser observado que nas regiões onde ocorre a Leishmaniose cutânea, como na região amazônica, principalmente no Território Indígena dos Ianomâmis, são observados com muita freqüência as naso-miíases, que nada mais são que miíases secundárias de larvas de moscas necrobiontófagas, que se instalam na região do nariz, nas lesões causadas primariamente pela Leishmania tegumentar. As Miíases intestinais são sem sombra de dúvida, causadas pela ingestão de ovos ou larvas, por meio de bebidas ou alimentos por esses ovos ou vermes contaminados, e suas conseqüências carecem em geral de gravidade, produzindo algumas vezes apenas náuseas, vômitos e diarréia. Não obstante, a intensidade desses sintomas dependem da sensibilidade do próprio enfermo, e do número de larvas ingeridas. Segundo alguns autores, as larvas de moscas são resistentes à ação de certas substâncias, inclusive à ação dos sucos digestivos, podendo viver durante algum tempo no tubo digestivo. Para o tratamento das bicheiras, quando as mesmas são superficiais (cutâneas), basta aplicação local de qualquer substância que seja ativa contra os insetos em geral, e concomitantemente não seja tóxica ao hospedeiro, para que as larvas ou morram ou simplesmente sejam expulsas do local onde se encontram, e a cicatrização subseqüente do ferimento leve a bom termo a cura da enfermidade. Quando se dá o caso de serem as bicheiras cavitárias, como é o caso das gasterofiloses eqüinas, seu diagnóstico pelas técnicas coprológicas usuais não é possível, a não ser quando encontradas larvas íntegras no bolo fecal desses hospedeiros, o que pode ocorrer porém de forma fortuita, e portanto o simples exame de fezes com resultado negativo não descarta sua ocorrência. A presença de ovos íntegros ou as larvas desses ovos já eclodidas, aderentes aos pêlos dos membros anteriores e nos espaços intermandibulares, é indicativo do parasitismo pelos gasterophilus. Durante muito tempo, os únicos tratamentos conhecidos para o combate à gasterofilose eqüina, foi com a utilização de bissulfeto de carbono administrado oralmente e contido em cápsulas de gelatina. Devido sua toxidez, caso administrado sem a devida técnica, muitas vezes causava a morte do animal hospedeiro quando do seu tratamento com essa substância farmacêutica.
  • 6. Com a descoberta das substâncias organo-fosforadas, os produtos sintéticos triclorfon e diclorvos, mostraram-se eficazes contra todos os estágios da fase larval desses insetos. O primeiro deles tem sido o produto mais utilizado em nosso meio, isola-damente ou em associação, sob a forma de pasta, com benzimidazoles. Sendo pequena a margem de segurança, no que diz respeito a dose desses produtos, que tem sua dose terapêutica fixada em 35/40 mg por quilo de peso vivo do animal, deve tal dose ser fixada e criteriosamente observada quando do tratamento, sob pena de resultados desastrosos, inclusive com possível morte do animal. Em fins dos anos 70, foram desenvolvidos novos fármacos, obtidos da fermentação de um fungo: (Streptomyces avermitilis), isolado do solo, no Japão. Uma dessas avermectinas, denominada de B1, apresentou ação antiparasitária contra todas as fases larvárias desses Gasterophilus, tanto nos ecto quanto endoparasitas. Recentemente, o anti-helmíntico salicilanilídico closantel, utilizado geralmente associado aos benimidazoles, sob a forma de pasta, mostrou-se também eficaz como gasterofilicida, inclusive impedindo reinfestações dos eqüinos até cerca de dois meses após o tratamento. As miíases ocorrendo em praticamente todo território brasileiro devido nossas condições climáticas predominantemente tropicais e equatoriais que muito favorecem o desenvolvimento dos insetos em geral, possibilitam sua multiplicação em ritmo acelerado, e com isso concomitante aparecimentos de bicheiras em nossos rebanhos, quer bovinos, suínos, eqüinos, ovinos ou caprinos. As perdas decorrentes dessas miíases se traduzem principalmente por menor rendimento dos rebanhos explorados, quer na produção de leite, quer na produção de carne e seus subprodutos como o couro, este último muito depreciado pela bicheira. Dermatobia hominis Nome vulgar: Mosca berneira. Distribuição geográfica: Ocorre em zonas úmidas desde o sul do México ate o norte da Argentina. Ainda não foi diagnosticada no Chile. É mais freqüente em regiões de vegetação abundante, temperatura moderadamente alta e umidade relativa do ar elevada (85 a 95%). No Brasil, não foi registrada no Pará e Nordeste, devido ao clima quente e seco. Morfologia: A forma adulta (mosca) é robusta. A cabeça e as antenas são amarelas com arista plumosa na face dorsal; os olhos cor de tijolo apresentam uma faixa escura dentro no centro. O tórax é castanho-escuro-azulado, com polinosidade cinza; as asas são
  • 7. castanho-claras; as pernas amarelas. O abdome azul metálico é recoberto de curtos pêlos pretos. Dimensão: Mede de 14 a 17 milímetros de comprimento. Biologia: Hospedeiros- A larva de Dermatobia hominis (berne) parasita bovinos caninos e o homem; ovinos e felinos com menos freqüência e raramente eqüinos. Localização- Pele. Nutrição- A mosca adulta não se alimenta e pode viver de 8 a 12 dias. As larvas nutrem- se de tecido subcutâneo. Ciclo evolutivo- Os adultos copulam varias vezes, logo após a eclosão. As fêmeas, depois de dois dias, iniciam a oviposição e cada uma põe de 250 a 400 ovos durante sua existência. Os ovos, com 2 a 3 milímetros de comprimento, são esbranquiçados, operculados e com a forma de um dedo humano, cuja unha é representada pelo opérculo. A Dermatobia hominis , no momento de efetuar a postura, captura um inseto menor (de preferência um hematófago) durante o vôo e sobre a região póstero-lateral do seu abdome deposita um numero variável de ovos, com opérculo voltado para trás. O Amblyomma também já foi encontrado portando ovos de Dermatobia. Os ovos ficam aderidos entre si e ao inseto veiculador graças a uma substância aglutinante. As fêmeas, armazenando uma grande quantidade de ovos, precisam atacar um grande numero de insetos para a postura. Depois de 5 a 12 dias as larvas já estão formadas, mas somente abandonam o ovo quando o inseto veiculador pousar sobre o corpo do hospedeiro de sangue quente. As larvas que não conseguem deixar o ovo quando o inseto veiculador se retira, recolhem-se nele, fechando o opérculo. As larvas podem aguardar de 20 a 24 dias no interior do ovo o momento de passar a novo hospedeiro. Uma vez transferida para o corpo do hospedeiro, a larva penetra a pele intacta ou lesada (picada de insetos) em 5 a 95 minutos. No local da penetração, a larva se alimenta de tecido subcutâneo, cresce e provoca a formação de intumescência com uma abertura central para a respiração. Em oito dias a larva mede 4 milímetros e sofre a primeira muda; 15 dias depois realiza a segunda muda e em 30 dias termina sua evolução atingindo então 24 milímetros. A larva madura (berne) apresenta a extremidade anterior volumosa e arredondada, com três a cinco segmentos separados circularmente por dupla fileira de espinhos, e a extremidade posterior afilada. De acordo com Blanchard as larvas podem ser assim caracterizadas: ´´ As primeiras larvas são pequenas, piriformes e apresentam uma porção anterior dilatada e uma
  • 8. porção posterior muito retraída, Os anéis II, III e IV são semeados de pequenos espinhos negros, que desaparecem pouco a pouco nos dois segmentos; os anéis V. VI e VII apresentam na sua borda anterior uma cintura completa de fortes espinhos negros com pontas recurvadas para trás; os anéis IV, V e VI possuem na borda posterior uma semicintura dorsal e lateral de acúleos semelhantes. Os quatro últimos segmentos, que foram a parte retraída do corpo, são lisos, salvo na metade posterior do X em toda extensão do XI, cuja superfície é revestida de pequenos espinhos ``. É nas primeiras horas do dia que a larva madura abandona espontaneamente seu hospedeiro e cai ao solo para pupar, em terra fofa. O período pupal é de 22 a 40 dias em média, mas podendo ir até 67 dias. O imago deixa a pupa nas horas de maior calor de 24 horas após a eclosão e realiza a primeira cópula. O macho emerge primeiro. Os adultos não se alimentam e copulam varias vezes por dia. O estádio adulto raramente vive mais de 8 a 12 dias nos bosques, matos próximos às pastagens, lugares visitados por moscas e mosquitos. Quadro Clínico: Os movimentos da larva causam dor, inquietação e irritação, prejudicando o descanso do animal parasitado, vindo refletir-se no seu estado geral. Comumente as invasões bacterianas secundarias vão originar pus e abscessos. As conseqüências são crescimento retardado, menor produção de carne e leite, desvalorização dos couros e morte. Patogenia: As larvas de Dermatobia hominis são responsáveis por miíases cutâneas furunculosas no homem, bovinos e caninos. Profilaxia: Árdua, cada fácil. A ecologia e a freqüência desta mosca fazem com que não existam medidas praticas para sua profilaxia. Entretanto, Del Ponte (1958), sugere o emprego de produtos repelente, como ação protetora temporária, em animais de alto valor.
  • 9. Relato de Caso Clínico Nome: Aline Raça: Pitt Bull Idade: 2 anos O que o animal apresenta: Problemas de pele e miíase encontram-se presentes inchações subcutâneos firmes e fistulados. Encontram-se também deposição de larvas circundadas por tecido necrosado, as feridas apresentam um odor fétido e característico. A cadela apresenta infestação em maior quantidade na região cervical ventral e inguinal do quarto posterior axilar. Possui extrema debilitação. Diagnóstico: O diagnóstico baseou-se nos sinais clínicos apresentados e na presença de larvas nos ferimentos. Tratamento: Foram feito os seguintes procedimentos: Limpeza do ferimento (com anestesia local), remoção individual dos vermes (fluido corporal tóxico), aplicação de um antibiótico de largo espectro como Avermectina (ivermectin), inspeções diárias, capstar.
  • 10. Resultados: Dentro de poucas semanas a Cadela Aline sentia-se bem melhor e mais disposta, tudo claro a partir do tratamento feito de forma correta e devida.
  • 11. Conclusão Dentre todos os fatos citados e pesquisados este trabalho foi de suma importância para aprimorarmos nosso conhecimento sobre uma das doenças mais comum nos meio veterinário a Miíase e assimila-a com seu inseto proliferador a Dermatobia hominis. Escolhi este assunto, este caso clínico porque encontrei nele um fator instigante de saber como era produzida e como curá-la já que é um tipo de zoodermatite tão comum em nosso meio de trabalho. Através desses conhecimentos pude retirar minhas duvidas e me tornar um melhor profissional em minha jornada, afinal um bom veterinário tem em seu caminho o grande conhecimento e maneira de melhor ajudar os animais, promovendo assim um bem-estar maior ao que nos foi proposto fazer a eles. Resumidamente as miíases ocorrendo em praticamente todo território brasileiro devido nossas condições climáticas predominantemente tropicais e equatoriais que muito favorecem o desenvolvimento dos insetos em geral, possibilitam sua multiplicação em ritmo acelerado, e com isso concomitante aparecimentos de bicheiras em nossos rebanhos, quer bovinos, suínos, eqüinos, ovinos ou caprinos.
  • 12. Bibliografia URQUHART, G.M et al. Parasitologia Veterinária. 2a edição.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. FOREYT, William J.Parasitologia Veterinária- Manual de Referência.5a edição.São Paulo: Rocca., 2005
  • 13. Anexos Larva: Dermatobia hominis Adulto: Dermatobia hominis Ciclo evolutivo: Dermatobia hominis
  • 14. Miíase Perianal em um Rottweiler. Miíase: Callitroga macellaria