INTRODUÇÃO
HISTÓRIA MEDIEVAL
LINHA DO TEMPO
OS FRANCOS
O ISLÃ
O FEUDALISMO
Idade Média – Séculos V – XV
A Idade Média começou com a queda do Império
Romano do Ocidente, em 476, e se encerrou com a
tomada da capital do Império Bizantino, Constantinopla,
pelos turco-otomanos, em 1453. Costuma ser dividida em
duas: Alta e Baixa Idade Média.
A Alta Idade Média estendeu-se do século V ao X. Foi a
época de consolidação, na Europa Ocidental, do
feudalismo, sistema socioeconômico predominante na
era medieval. No Oriente, porém, em vez da
descentralização política feudal, o período foi marcado
por dois fortes impérios: o Bizantino e o Árabe.
A Baixa Idade Média vai do século XI até o fim do período
medieval, no século XV. É quando o feudalismo chegou ao
auge e entrou em decadência. Lentamente, ele começou
a sofrer transformações que só se concluiriam na Idade
Moderna, quando seria substituído, no campo político,
pelas monarquias nacionais, e, no econômico, pelo
sistema mercantilista.
Por séculos, a Idade Média foi tida como uma época
de insignificante desenvolvimento científico,
tecnológico e artístico. Essa visão nasceu durante o
Renascimento, no século XVI, quando o período
medieval foi apelidado de Idade das Trevas.
Porém, a Idade Média foi responsável por
importantes avanços, sobretudo no que diz respeito
à produção agrícola: inventaram-se o moinho, a
charrua (um arado mais eficiente) e técnicas de
adubamento e rodízio de terras. Outra herança
medieval são as universidades, que começaram a
surgir na Europa no século XIII. Além disso,
desenvolveram-se importantes movimentos
artísticos, como o românico e o gótico; viveram
influentes filósofos, como Santo Agostinho e São
Tomás de Aquino; e, graças ao trabalho dos monges,
preservou-se a cultura greco-romana - o que
possibilitaria, aliás, o surto de revalorização da
Antiguidade Clássica ocorrido durante o
Renascimento.
Cronologia
482
650
962527
Nasce o Reino Franco
Num momento de auge da civilização maia, é erguida
uma das mais impressionantes construções por ela
deixada: o Templo das Inscrições. Os maias instalam-se na
península do Yucatán, no atual México, a partir de 700
a.C. Séculos depois, fundam cidades-Estado
independentes, com governos teocráticos. Utilizam
avançadas técnicas de irrigação e realizam trocas
comerciais. Criam um calendário que determina com
precisão o ano solar, adotam a escrita hieroglífica e
inventam as casas decimais e o conceito do valor zero.
Conflitos internos, entre outras razões, levam ao colapso
da civilização por volta do ano 900.
O papa João XII nomeia Otto I imperador do
Sacro Império Romano-Germânico, numa
tentativa de conter os ataques húngaros à
Europa cristã. Seus domínios abrangem
porções das atuais França, Holanda, Suíça,
Alemanha, Áustria e Polônia. Acentua-se a
corrupção, e a Igreja Católica torna-se mais
suscetível ao poder político, promovendo a
venda de cargos eclesiásticos (simonia). A
partir de 1250, o império compreende um
conjunto de pequenos Estados, nos quais o
poder local do príncipe supera a autoridade
central do imperador - situação que se
estende até o século XIX.
Com a coroação de Justiniano, o Império
Bizantino começa a viver seu auge. O
imperador reconquista territórios
bárbaros no Ocidente, estimula as artes e
elabora o Código de Justiniano, que
revisa e atualiza o direito romano. Ao fim
de seu governo, em 565, o império
começa a decair. Em 1204, a capital,
Constantinopla, é conquistada pelos
cruzados, e o restante do império é
repartido entre príncipes feudais. Em
1453, a cidade é subjugada pelos turcos.
987
1054
1075
Após a morte de Luís V,
último rei da dinastia
carolíngia, nobres
franceses elegem Hugo
Capeta, conde de Paris,
soberano da França.
Inicia-se o processo de
formação da monarquia
francesa.
A Igreja Oriental (Igreja
Cristã Ortodoxa Grega) e a
Igreja Ocidental (Igreja
Católica Apostólica Romana)
rompem entre si no Cisma
do Oriente.
O Sacro Império Romano-Germânico e o
papa Gregório VII travam uma disputa
conhecida como a Querela das Investiduras.
Procurando diminuir a participação do
imperador nas decisões da Igreja, o papa
proíbe a investidura leiga (nomeação de
bispos e padres pelo imperador). O rei
Henrique IV desacata a ordem e é
excomungado. Após um conflito armado, é
definida a Concordata de Worms, em 1122,
que mantém a proibição da investidura leiga
e determina a não-interferência do papa em
questões políticas.
1096
Começam as
Cruzadas
1163
É iniciada a construção
da Catedral de Notre-
Dame, em Paris, um
dos mais belos
exemplares do estilo
arquitetônico que
marca a Idade Média:
o gótico.
1066
William I (também chamado de Guilherme, o
Conquistador), duque da Normandia, invade a
Inglaterra, na Batalha de Hastings, e submete
os saxões a um poder centralizado. É o início
da monarquia Inglesa.
1215
12311206
Sob pressão da nobreza e
do alto clero, o rei inglês
João II, conhecido como
João Sem-Terra, assina a
Magna Carta. Em vigor até
hoje, é o primeiro
documento escrito da
história a limitar os
poderes da monarquia e a
fixar os direitos dos
vassalos.
São instaurados os tribunais do Santo
Oficio, ou Inquisição, por meio dos quais
a Igreja Católica, alegando agir em nome
de Deus, persegue, tortura e mata
milhares de pessoas consideradas
hereges.
Gêngis Khan unifica tribos da Ásia Central
(atual Mongólia) e inicia o Império
Mongol, que se estende da China até as
cercanias da Hungria. Suas conquistas são
consolidadas pelo neto Kublai Khan, que
funda na China a dinastia Yuan. Ele
impulsiona o comércio com a Europa. Em
1368, os mongóis são expulsos da China
pela dinastia Ming, que isola a nação do
contato com o mundo mediterrâneo. O
Império Mongol se desagrega no século
XIV.
1281 O sultão Otman I funda o Império
Turco-Otomano. No século XVI, o
império vive seu auge, ocupando
o norte da África, a região do mar
Vermelho e a faixa do golfo
Pérsico até a Hungria. A partir do
século XVII, a retração econômica
dá início à decadência, mas o
sultanato só é abolido após a
derrota na 1ª Guerra Mundial
(1914-1919).
1385
1325
A Revolução
de Avis dá
início à
monarquia
nacional
portuguesa,
inaugurada
pelo rei João I
Os astecas fundam
Tenochtitlán, atual Cidade do
México, a partir de onde criam
um império no centro-sul
mexicano. Possuem uma
sociedade altamente
hierarquizada. Desenvolvem
importantes obras de
drenagem e técnicas de
irrigação e cultivo. Estudam a
astronomia, a astrologia e a
matemática. No século XVI, o
império é destruído pelos
espanhóis.
1309
Por causa da intromissão da
Igreja em assuntos do reino, o
rei da França Felipe IV prende o
papa Bonifácio VIII e nomeia
em seu lugar o francês
Clemente V. O evento é
conhecido como Cativeiro de
Avignon (localidade na França
onde o novo papado é
instalado).
1337 A pretensão do rei inglês Eduardo III de
disputar a sucessão do trono francês é o
estopim da Guerra dos Cem Anos, que
opõe França e Inglaterra. O conflito
envolve disputas em torno de territórios
que os duques da Normandia, ingleses,
tinham na França. No fim da guerra, em
1453, a França recupera as possessões
sob o domínio inglês. O embate
impulsiona o nacionalismo francês e
contribui para o fortalecimento do poder
real.
1400
Começa a expansão da civilização
inca, instalada em Cuzco, no atual
Peru. O império se estende pela
região de Equador, Chile e
Bolívia. Ele viabiliza a agricultura
nas montanhas e regiões
desérticas, com técnicas de
irrigação. Os incas são o único
povo pré-colombiano a
domesticar animais. Erguem
centros religiosos e cultuam o
deus Sol. Abalados por guerras
internas, são dominados pelos
espanhóis em 1532.
1453
A tomada de
Constantinopla
pelos turcos-
otomanos marca
o fim da Idade
Média.
Invasões bárbaras: Séculos V-VI
Século VI
Reconquista
bizantina
Reinos
bárbaros
Invasão povos
germânicos
Pressão dos
Hunos
INVASÕES
Bárbaros – Séc. V 
Ocupação da parte
ocidental do
Império Romano
Despovoamento
das cidades
Reforço do poder
da Igreja (defesa e
cristianização)
Medo e
insegurança
Formação dos
reinos bárbaros
Enfraquecimento
do comércio
Dependência dos
camponeses face aos
grandes senhores
Ruralização da
economia
Aumento da
instabilidade
Ataques dos muçulmanos, dos normandos
(vikings) e dos magiares (húngaros) – Séc. VIII-X
Regressão econômica
Economia de subsistência
Os Francos
O Reino Franco foi, dentre os bárbaros, o
de maior duração e estabilidade fundado
no Ocidente. Formou-se no século V,
quando, após várias tentativas, os francos
finalmente conseguiram instalar-se na
antiga província romana da Gália - atual
França. Ele se estendeu até o século IX,
fragmentando-se depois da morte de seu
mais célebre líder, Carlos Magno.
Mapa animado: A expansão dos francos
Após se fixarem na Gália, os francos
permaneceram divididos em tribos, cada
qual com seu chefe. Em 482, Clóvis, um
desses líderes, unificou os grupos e
tornou-se o primeiro rei, fundando a
dinastia merovíngia (cujo nome deriva de
seu avô, Meroveu). Clóvis empenhou-se
em conquistar territórios e converteu-se
ao cristianismo, formalizando uma aliança
com a Igreja Católica.
Após sua morte, seus quatro filhos
dividiram o reino entre si,
enfraquecendo-o. Na época, a Europa
vivia um processo de ruralização e
descentralização do poder, com a
formação do feudalismo .
 Batismo de Clóvis
Dinastia merovíngia
Os monarcas que sucederam a dinastia
merovíngia ficaram conhecidos como reis
indolentes, por demonstrar pouca habilidade
política. O poder de fato passou então a ser
exercido por altos funcionários da corte, os
prefeitos do palácio, denominados
majordomus.
O majordomus Carlos Martel ganhou prestígio
com a vitória contra os muçulmanos na Batalha
de Poitiers, em 732, que impediu o avanço
islâmico sobre a Europa Ocidental. Após sua
morte, seu filho, Pepino, o Breve, depôs o
último monarca merovíngio, Childerico III, e,
com o apoio da nobreza e do papa, tornou-se
rei, iniciando a dinastia carolíngia.
Império Carolíngio
O Reino Franco atingiu o apogeu durante o reinado de
Carlos Magno, filho de Pepino. Em 800, ele foi coroado
imperador pelo papa Leão III, adquirindo, assim, a
incumbência de disseminar e defender a fé cristã.
Para conduzir o agora Império Carolíngio, Magno
dividiu-o em centenas de unidades administrativas
dotadas de certa autonomia - os condados -,
governadas por nobres de confiança - os condes.
Também aumentou o poder dos missi dominici, altos
funcionários reais, em geral membros do clero,
encarregados de fiscalizar a aplicação das leis
capitulares (decretos emitidos em capítulos pelo
imperador).
IMPERADOR
VASSALOS
MISSI DOMINICI
NOBRES
LIVRESSERVOS
BISPOS
fidelidade nomeia fidelidade
fidelidade fidelidadecontrola controla
fidelidadefidelidade
Além de continuar a política
expansionista do pai, Magno
promoveu o Renascimento
Carolíngio, uma grande renovação
educacional, artística, monetária,
jurídica e administrativa. Estimulou a
fundação de escolas e tornou-se um
dos responsáveis pela continuidade
da cultura greco-romana. Morreu em
814, sendo substituído pelo filho,
Luís, o Piedoso.
Mais tarde, com a morte de Luís,
guerras sucessórias entre seus filhos
resultaram no Tratado de Verdun,
de 843, que estabeleceu a divisão do
império em três reinos: Carlos, o
Calvo, recebeu a parte
correspondente à França; Luís, o
Germânico, ficou com o território
alemão; e a Lotário coube a parte
central. A desintegração levou a um
aumento do poder da nobreza local,
fato que, somado às novas invasões
bárbaras, de normandos (originários
da Escandinávia) e magiares (vindos
da atual Hungria), permitiu a
consolidação do feudalismo na
Europa.
...e em 880
... em 870Tratado de Verdum, 843
Islã: uma fé, uma nação
A civilização árabe surgiu no século VII, na península Arábica, a partir de tribos de
origem semita. Anteriormente, elas já compartilhavam algumas características, como
a língua, mas foi somente nessa época que obtiveram união política, conquistada na
esteira da pregação do Islã, religião então recém-nascida. Logo os árabes fundaram
um extenso império que só se desintegraria no fim da Idade Média e deixaria forte
influência cultural nas áreas por onde se estendeu.
Antes de Maomé
Inicialmente, o povo árabe (também conhecido como sarraceno) estava dividido em
cerca de 300 tribos rurais e urbanas, chefiadas pelos xeques. As que habitavam o
deserto - denominadas beduínas - eram nômades e se dedicavam sobretudo à criação
de camelo e ao cultivo de tâmara e de trigo. Faziam constantes peregrinações em
busca de lugares férteis para sobreviver, os oásis, e guerreavam entre si. Já aquelas
que moravam nos centros urbanos da faixa costeira do mar Vermelho se ocupavam
principalmente do comércio, com a organização de caravanas de camelo para o
transporte de produtos. Ao encontrarem melhores condições climáticas e solo mais
favorável à agricultura, esses grupos se fixaram e formaram cidades como Meca e
Iatreb - a atual Medina.
A religião pré-islâmica era politeísta. Os
árabes cultuavam cerca de 300 astros,
representados por ídolos. O maior centro
religioso da península era Meca, que
abrigava o templo da Caaba, com todos os
ídolos tribais e a pedra negra -
provavelmente um pedaço de meteorito,
considerado sagrado. Todos os anos,
milhares de beduínos e comerciantes se
dirigiam à cidade para visitar o santuário,
que era administrado pelos coraixitas,
tribo de aristocratas que lucravam com as
peregrinações e o comércio realizado na
região.
Apesar de compartilharem algumas
tradições, as tribos envolviam-se
freqüentemente em conflitos e guerras,
prejudicando o comércio. A unificação
viria com o surgimento e a disseminação
de uma nova religião: o Islã.
Nasce o profeta...
Em 570 nasceu Maomé ( ). Criado em um
ramo pobre da tribo coraixita, tornou-se
mercador. Aos 25 anos, ele se casou com uma
viúva rica e mais velha e conseguiu certa
estabilidade financeira, o que lhe permitiu
viajar muito. Nesses deslocamentos, entrou
em contato com cristãos e judeus. Aos 40
anos, começou a ter visões e a ouvir vozes,
que acreditava serem do anjo Gabriel.
Os chamados que Maomé recebia o
apontavam como profeta de um deus único e
onipotente, Alá. Dois anos depois, quando já
era aceito pela esposa e pela família como
profeta, ele começou a pregar o monoteísmo
e a abominação dos ídolos a todas as tribos de
Meca, revelando-lhes a religião islâmica. Seus
ensinamentos foram compilados no Corão (ou
Alcorão), livro sagrado dos muçulmanos,
usado por muitos países como código de
moral e justiça.
Ao condenar a peregrinação à Caaba, Maomé ganhou muitos inimigos em Meca e
passou a sofrer perseguições. Em 622, fugiu para Iatreb - atual Medina ("cidade do
profeta"). O episódio, conhecido como hégira, marca o início do calendário árabe. Em
Medina, Maomé tornou-se líder político, religioso e militar. Organizou um Exército e
deu início a uma guerra - dita santa, a jihad - para tomar Meca e propagar a nova
religião. Em 630, a cidade sagrada foi tomada; os ídolos da Caaba, destruídos; e os
opositores, aniquilados. Ao morrer, dois anos depois, Maomé havia deixado as tribos
árabes politicamente unificadas sob uma mesma religião.
O Império
Após Maomé, o poder da Arábia passou
às mãos dos califas, que, como ele,
tinham poder religioso, político e
militar. A necessidade de conquistar
terras férteis, o interesse dos grandes
comerciantes e a crença no islamismo
como a única possibilidade de salvação
fizeram os árabes se engajar na guerra
contra povos estrangeiros. Sob o
governo dos quatro primeiros califas, o
império atingiu a Síria, a Palestina, a
Pérsia e o Egito. Os povos dominados
não eram obrigados a se converter ao
islamismo, mas sofriam certa pressão -
cobrava-se um imposto especial dos
infiéis, por exemplo -, de modo que a
crença em Alá acabou por se tornar
predominante nas áreas ocupadas.
Com a dinastia dos Omíadas (661-750), a
expansão árabe ganhou novo impulso,
avançando em direção à Índia e ao norte da
África. O auge das conquistas ocorreu quando
os árabes atravessaram o estreito de
Gibraltar, entre a África e a Europa, e
ocuparam a península Ibérica - onde
permaneceriam por séculos. Seu avanço só
foi barrado com a derrota na Batalha de
Poitiers, em 732, vencida pelos francos.
Com os califas da dinastia Abássida (750-
1258), o império alcançou o máximo da sua
extensão, tendo Bagdá como a nova capital e
centro do comércio entre o extremo Oriente
e o Ocidente. No entanto, o sucesso durou
pouco. No período final da dinastia, conflitos
políticos e religiosos desmembraram o
califado em grupos independentes.
A perda da unidade política veio
acompanhada da desagregação religiosa,
com o surgimento de duas seitas
principais: a xiita e a sunita - que até hoje
mantêm fortes divergências. A primeira só
admitia como fonte de ensinamentos o
Corão e defendia a idéia de que o poder do
Estado deveria se concentrar em um único
descendente direto de Maomé. Já os
sunitas fundaram sua crença no Suna -
livro com os ditos e atos de Maomé - e
acreditavam na livre escolha dos
governantes pelos crentes.
Com governo fraco e desmembrado, os
abássidas perderam o poder de Bagdá, em
1258, para os mongóis - guerreiros
nômades vindos da Ásia. A derrota final
ocorreria no século XV, quando os turco-
otomanos conquistaram a parte oriental
do império e os espanhóis dominaram o
último reduto árabe na península Ibérica,
expulsando-os definitivamente da Europa.
A Islã no mundo hoje.
Com cerca de 1,2 bilhão de seguidores, o islamismo é a segunda maior religião do mundo em número
de fiéis. O termo "islã" vem do árabe e significa submissão. Uma pessoa se submete à vontade de
Deus, conhecido no Islã como Alá, para viver e pensar como Alá deseja. Islamismo é mais do que um
mero conjunto de convicções religiosas. A fé islâmica proporciona um sistema social e legal e
estabelece diretrizes para administrar a vida em família. O islamismo oferece ainda códigos de
vestimenta, higiene e ética, lei e ordem, assim como rituais religiosos e devoção a Deus.
Feudalismo
O feudalismo foi o sistema político, social e econômico que predominou na Europa
durante a Idade Média. Era marcado pela descentralização política, pouca mobilidade
social e auto-suficiência econômica dos feudos - as unidades de produção da época.
Começou a se desenvolver após a queda do Império Romano do Ocidente, no século
V, consolidou-se no século X, atingiu o auge no século XII e a partir do século XIII
entrou em colapso. Durante a Baixa Idade Média, iniciou-se a transição que o
substituiria pelo capitalismo, sistema dominante na História até hoje.
Formação
A partir do século V, com o enfraquecimento
do Império Romano, a Europa passou a sofrer
diversas invasões dos povos bárbaros - como
os vândalos, pioneiros, que atravessaram a
península Ibérica de norte a sul e chegaram à
África; os anglo-saxões, que desembarcaram
na Inglaterra; e os lombardos, que se
instalaram na Itália. Eles destruíram as
instituições romanas mas, com exceção dos
francos - cujo reino se desmoronou no século
IX -, não conseguiram substituí-las por outro
Estado forte. A tomada do controle do
comércio no mar Mediterrâneo pelos árabes,
nos séculos VII e VIII, deixou os europeus
ainda mais enfraquecidos.
O clima de insegurança e
instabilidade prosseguiu até o século
IX, quando ocorreu uma nova onda
de invasões, realizadas pelos
húngaros magiares e pelos vikings
(também conhecidos como
normandos). Como forma de defesa,
os nobres construíram grandes
castelos, que funcionavam como
fortalezas, em torno dos quais a
população pobre se instalou,
buscando proteção. Essas
propriedades ficaram cada vez mais
isoladas umas das outras, o que criou
a necessidade de produzir ali mesmo
o que era preciso para sobreviver. A
agricultura se tornou a atividade
econômica mais importante e os
donos das terras, os grandes chefes
políticos e militares. Era o início do
feudalismo.
Política
A principal característica política do feudalismo
era a descentralização do poder. O rei tinha
pouca ou nenhuma autoridade e, em troca de
ajuda militar, era comum que cedesse grandes
porções de terra (os feudos) a membros da
nobreza. Esse costume, o beneficium, se tornou
hábito entre os nobres, e eles passaram a doar
terras entre si. Numa cerimônia denominada
homenagem, o proprietário que recebia o
terreno - vassalo - prometia fidelidade e apoio
militar ao doador - suserano. Esse, por sua vez,
jurava proteção ao vassalo.
A homenagem
“Eis dois homens frente a frente: um, que
quer servir; o outro. que aceita. ou deseja
ser chefe. O primeiro une na mãos e, assim
juntas, coloca-as nas mãos do segundo:
claro símbolo de submissão (...). Ao mesmo
tempo, o personagem que oferece as mãos
pronuncia algumas palavras, muito breves,
pelas quais se reconhece ‘o homem’ de
quem está na sua freme. Depois, chefe e
subordinado beijam-se na boca: símbolo de
acordo e amizade”.
Marc Bloch
AS RELAÇÕES FEUDO-VASSÁLICAS
Relações de dependência mútua entre dois senhores
SUSERANO
[nobre mais poderoso]
VASSALO
[nobre menos poderoso]
Contrato de vassalagem (momentos)
Homenagem
[O vassalo encomenda-se
ao suserano]
Juramento de Fidelidade
[Jura-lhe fidelidade e
promete servi-lo com
homens e armas]
Investidura
[Em troca o suserano
concede-lhe um benefício
ou feudo]
Essa obrigação recíproca, uma das características mais marcantes do feudalismo, teve
origem nas tradições dos invasores germânicos, que praticavam o comitatus -
fidelidade mútua entre chefes tribais e guerreiros. Outros costumes que influenciaram
a estruturação da ordem feudal vieram de Roma, como o colonato, que impunha a
fixação do homem à terra e virou prática fundamental no regime da Europa medieval.
Por essa dupla herança, pode-se dizer que o feudalismo é resultado do choque de
dois mundos: o romano e o germânico.
DEVERES DO VASSALO
 Auxílio militar e
monetário
 Fidelidade e conselho
DEVERES DO SUSERANO
 Proteção
 Concessão do feudo
O poder dos senhores
O sistema feudal, com efeito, é edificado como uma
pirâmide em que cada senhor é o vassalo de um
senhor mais poderoso. No topo encontra-se o rei, que
procura, aliás, afastar-se cada vez mais do
sistema; na base, estão os menores dos
vassalos, os sub-vassalos, personagens que
os romances de cavalaria apresentam como
modelos de lealdade, amabilidade e
sabedoria. Entre os dois extremos, há toda
uma hierarquia de grandes e pequenos
barões, desde duques e condes até os
proprietários de modestos
castelos. O poderio de um senhor
mede-se pela extensão de suas
terras, o número de vassalos e o
porte de sua ou suas fortalezas.
"(...) a própria vocação do nobre lhe
proibia qualquer atividade
econômica direta. Ele pertencia de
corpo e alma à sua função própria: a
do guerreiro. (...) Um corpo ágil e
musculoso não é o bastante para
fazer o cavaleiro ideal. É preciso
ainda acrescentar a coragem. E é
também porque proporciona a esta
virtude a ocasião de se manifestar
que a guerra põe tanta alegria no
coração dos homens, para os quais a
audácia e o desprezo da morte são,
de algum modo, valores
profissionais."
Bloch, Marc. A sociedade feudal.
Sociedade: características gerais
Antes de mais nada, a sociedade do século
feudal é uma sociedade cristã; para fazer
parte dela, mesmo como cidadão, é
necessário ser cristão. Pagãos, judeus e
muçulmanos, ainda que sejam às vezes
tolerados, são sempre excluídos. O Ocidente
vive ao ritmo da mesma fé. Cada domínio
senhorial, cada cidade, cada entidade
política, participa mais da cristandade
universal do que um reino determinado. Daí a
intensidade das trocas, a maleabilidade das
fronteiras, a ausência de nações e
nacionalismo; daí também o caráter
universalista, não apenas dos costumes e da
cultura, mas também das estruturas sociais e
mesmo das instituições.
Um mundo rural
A Europa feudal é um mundo rural em que a riqueza repousa na terra. A sociedade é
dominada pelos proprietários de latifúndios, os senhores, cujo poder é ao mesmo
tempo econômico e político.
Sociedade
A sociedade feudal estava dividida basicamente em três
grupos: senhores feudais, que detinham o poder sobre as
terras e o monopólio militar; o clero e camponeses. A
mobilidade social é pequena, e a legitimidade da divisão era
garantida pela amplamente difundida doutrina católica, que
atribuía a estratificação à vontade divina.
“A razão (de ser) dos carneiros é fornecer leite e lã; a dos bois é
lavrar a terra; e a dos cães é defender os carneiros e os bois dos
ataques dos lobos. Se cada uma destas espécies de animais
cumprir a sua missão, Deus protegê-la-á. Deste modo, fez
ordens, que instituiu em vista das diversas missões a realizar
neste mundo. Instituiu uns os clérigos e os monges para que
rezassem pelos outros (...). Instituiu os camponeses para que
eles, como fazem os bois com o seu trabalho, assegurassem a
sua própria subsistência e a dos outros. A outros, por fim, os
guerreiros, instituiu-os para que (...) defendessem dos inimigos,
semelhantes a lobos, os que oram e os que cultivam a terra.”
Bispo Eadmer de Canterbury.
Realeza
Alta nobreza e
alto clero
Nobreza média
(cavaleiros, etc.)
Grupos médios
(artesãos,
comerciantes e
lavradores ricos,
profissionais liberais
Grupo intermediário
(camponeses com
terras, artesãos,
pequenos
comerciantes, etc.)
Servos,
jornaleiros, etc.
Marginalizados
Separação entre
privilegiados e povo
Os camponeses
Os camponeses que usufruem de
concessões dividem-se juridicamente em
dois grupos: os vilões e os servos. O vilão
goza de completa liberdade pessoal;
embora dependa politicamente do senhor,
tem direito a circular livremente, morar
onde quiser e às vezes até mudar de
senhorio. O servo, ao contrário, está preso
ao solo, privado de certas capacidades e
sujeito a maiores encargos. Paga impostos
mais pesados que os devidos pelo simples
vilão; não pode testemunhar num processo
contra um homem livre, entrar no clero ou
beneficiar-se plenamente dos bens
comunais. Sua condição, porém, é diferente
da dos escravos da Antigüidade; ele goza de
uma certa personalidade jurídica e pode
possuir um patrimônio; o senhor, que lhe
deve justiça e proteção, não pode espancá-
lo, matá-lo ou vendê-lo.
As obrigações servis ou melhor, direitos
senhoriais, eram consagrados pela tradição e
variavam de acordo com a região. Os principais
são:
Corvéias: era prestação de serviço gratuitos nas
terras do senhor além de outros serviços.
Talha: era a entrega de parte da produção do
servo. Parte da colheita do servo devia ser
entregue ao senhor feudal. A talha também se
aplicava às criações do servo: porcos, ovelhas,
aves, ettc.
Banalidades: eram taxas diversas, pagas em
dinheiro ou produtos. Por exemplo, o pagamento
do uso dos equipamentos do feudo como o
moinho e os fornos.
As obrigações servis
O escritor Luchaire descreve, no livro A Sociedade Francesa nos
Tempos de Felipe Augusto, os direitos senhoriais, na localidade de
Verson:
“Em São João (24 de junho), os camponeses de Verson, na Normandia,
devem ceifar os prados do senhor e levar os frutos ao castelo. Depois,
devem cuidar dos fossos. Em agosto, colheita do trigo que devem levar
à granja. Eles próprios não podem recolher os seus feixes senão depois
que o senhor tirou antecipadamente a sua parte. Em setembro, devem
a porcagem; um porco, em oito, e dos mais bonitos. Em São Diniz (9 de
outubro), pagam o censo, depois o direito de fechar o seu campo. No
começo do inverno, corvéia sobre a terra senhorial, para prepará-la,
semear e passar a grade. Em Santo André (30 de novembro), paga-se
uma espécie de bolo. Pelo Natal, ‘galinhas boas e finas’. Depois, uma
certa quantidade de cevada e trigo. Se o camponês vender a sua terra,
a décima parte do preço da venda pertence ao senhor. No Domingo de
Ramos deve ele a carneiragem – um certo número de carneiros – e
uma nova corvéia de trabalho. Depois deve ir para a forja, ferrar os
cavalos; ao bosque, cortar as árvores para o senhor e fazer a corvéia
do carreto. Ainda mais: o moleiro do castelo, para moer o grão do
camponês, cobra um alqueire de grão de uma certa quantidade de
farinha; no forno é preciso pagar também, e o ‘forneiro’ jura que, se
não tiver o seu pagamento, o pão do camponês ficará mal cozido e mal
‘virado’.”
Os clérigos
A sociedade eclesiástica é
extremamente diversificada, e suas
fronteiras com o mundo dos leigos não
são sempre nítidas. Clérigo é todo
homem que recebeu a primeira das
ordens menores; ele deve, além disso,
ter sido tonsurado e vestir o longo
hábito que caracteriza seu estado. É
uma condição bastante imprecisa,
havendo muitos graus intermediários
entre as pessoas mundanas e os
verdadeiros membros do clero.
Todo mundo almeja ser clérigo, pois o
clericato proporciona diversos
privilégios.
Os clérigos titulares de um cargo desfrutam de bens cujos rendimentos servem para
sustentá-los: são os benefícios. Há os benefícios menores (paróquias, priorados,
castelanias) e os maiores (arcebispados, dioceses, abadias). Tanto na França como na
Inglaterra, a Igreja é o proprietário mais rico do reino e concede, enquanto tal, parte
de seus domínios àqueles que estão a seu serviço. A importância do benefício é
proporcional à da função ocupada.
A cavalaria
A cavalaria é uma instituição que
se implantou no sistema feudal por
volta do ano 1000. No sentido
estrito, cavaleiro é todo homem de
armas que se submeteu aos ritos
de uma cerimônia de iniciação
específica: a sagração do cavaleiro.
Contudo, não basta ter sido
ordenado; deve-se também
obedecer a certas regras e
sobretudo seguir um modo de vida
particular. Os cavaleiros não
formam uma classe jurídica, mas
uma categoria social que reúne
especialistas em combate de
cavalaria - o único eficaz até o final
do século XIII -, e que dispõe dos
meios de levar essa existência à
parte, que é a vida de cavaleiro.
O povo das cidades
As cidades geralmente não passam de
aldeias ampliadas. No entanto, a partir do
século XI verifica-se em todo o Ocidente
um inegável crescimento urbano, em
decorrência da retomada do comércio e
das atividades de troca, do
desenvolvimento do artesanato e de certas
formas de indústria, da multiplicação das
associações profissionais e municipais. As
cidades passam a atrair novos contingentes
de população, adquirem importância,
ampliam suas muralhas.
De um lado, nobres, comerciantes
afortunados, mestres artesãos e
“capitalistas”, que têm o poder político,
criam e cobram impostos, possuem casas e
terrenos de que retêm o aluguel. Do outro, a
gente comum, pequenos artesãos, operários,
biscateiros, aprendizes e miseráveis de todo
tipo, que, como as tecelãs libertas por Yvain
no romance Chevalier au lion, não podem
senão lamentar a própria sorte:
“Haveremos sempre de tecer panos de seda e
jamais estaremos mais bem vestidas.
Seremos sempre pobres e nuas; teremos
sempre fome e sede. Jamais ganharemos o
suficiente para melhorar nossa alimentação
[...]
Pois quem ganha vinte soldos por semana
não consegue sair da miséria [...]
E, enquanto vivemos na penúria, aquele para
quem trabalhamos enriquece às nossas
custas...“.
SOCIEDADE RURALIZADA E TRIPARTIDA
[A terra é a principal fonte de riqueza e poder]
CLERO NOBREZA POVO
Serviço religioso
Ensino
Assistência aos pobres
e doentes
Guerras
Torneios
Caçadas
CAMPONESESComerciantes
Artesãos
Possuem terras e direitos sobre os camponeses
- Cobram impostos
- Aplicam a justiça
Estão ligados por relações de vassalagem
Trabalham a terra
Pagam renda, corvéias, talhas, banalidades
e outros impostos
Estão dependentes dos senhores
Economia
O senhorio é o conjunto das terras sobre as
quais o senhor - seja qual for sua fortuna e
poder - exerce os direitos de propriedade e
soberania. Representa a entidade política e
econômica de base numa sociedade quase
exclusivamente rural. Há senhorios de todas as
dimensões e de todas as formas.
É o cenário da vida cotidiana.
O senhorio está dividido em duas partes: as
concessões e a reserva. As concessões são
pequenas porções de terra arrendadas pelo
senhor a camponeses, que em troca lhe
devem uma parte de sua produção (paga in
natura ou em dinheiro, conforme as
modalidades extremamente variáveis de
uma região à outra) e a prestação de
serviços nas terras do senhor, a chamada
corvéia (lavoura, colheita, vindima,
transporte).
A reserva é o domínio diretamente
explorado pelo senhor. Ela compreende o
castelo e suas dependências, terras
aráveis cultivadas pelos servos
domésticos ou pelos camponeses na
corvéia, pastagens, bosques e rios sobre
os quais todos os habitantes do senhorio
possuem direitos de uso relativamente
amplos.
Sobre o conjunto das concessões e da reserva,
o senhor representa a autoridade pública: ele
administra a justiça, exerce os direitos de
polícia, assegura a defesa militar. Somado a
esse poder geral de comando, há um poder
econômico decorrente de seu status de
proprietário: por um lado, cobra taxas sobre
todas as atividades de troca (direitos de
passagem, feiras, mercados); por outro, possui
certas oficinas e aparelhos de produção (forja,
moinho, prensa para espremer frutos, forno),
que os habitantes são obrigados a utilizar,
pagando uma taxa. Esse monopólio,
denominado “banalidade”.
Castelo
Bosques
Reserva
senhorial
Reserva
servil
Pedágio
Moinho
Igreja
Vilarejo
O poder da Igreja
Nenhuma instituição foi tão rica, bem organizada
e influente na Europa feudal quanto a Igreja
Católica. Com a transformação do cristianismo em
religião oficial do Império Romano, em 391,
durante o reinado de Teodósio, a Igreja passou a
acumular fortunas e vastos territórios. No século
V, a instituição tinha uma organização hierárquica
definida - com padres e sacerdotes na base da
pirâmide, bispos logo acima e o papa no topo - e
estava bem instalada pelo continente. Os
religiosos dedicaram-se a converter os bárbaros e
a promover sua integração com os romanos,
ganhando prestígio e passando a assumir funções
administrativas nos novos reinos.
Além de deterem poder político e
econômico, os sacerdotes formavam a
elite que sabia ler e escrever e passaram
a encerrar em si o monopólio do
conhecimento. Não à toa, os maiores
expoentes da filosofia medieval são
religiosos: Santo Agostinho e São Tomás
de Aquino. O pensamento filosófico da
época foi intensamente influenciado
pelo cristianismo, confundindo-se com a
teologia.
Com tanto poder nas mãos, as
autoridades católicas fizeram de
tudo para aumentá-lo ainda mais.
Para isso, muitas vezes usavam
como pretexto o suposto combate
à heresia (prática contrária à
doutrina da Igreja). O símbolo
máximo dessa repressão foi a
instauração, em 1231, dos
Tribunais do Santo Oficio, ou
Inquisição, que tinham poderes
para julgar e condenar à morte os
réus considerados infiéis.
A intensa participação dos clérigos
nas questões terrenas provocou
reações de alguns cristãos, que
decidiram isolar-se para viver de
forma simples, sob votos de
castidade e pobreza. Desse setor
nasceram as ordens monásticas,
cujos membros habitavam
mosteiros e se dedicavam ao
trabalho intelectual e à oração. A
Ordem dos Beneditinos, fundada
por São Bento, em 525, consolidou
a estrutura dessas organizações.
PAPA
(Bispo de Roma)
DEUS
COLÉGIO CARDINALÍCIO
CÚRIA ROMANA
CARDEAIS
ABADES
PRIORES
FRADES
CLERO REGULAR
Cidade Campo
MONJAS - MONGES
CLERO SECULAR
SACERDOTES
BISPOS
ARCEBISPOS
PARÓQUIAS
DIOCESES
CARDEAIS
Organização da Igreja
Católica Romana
Cisma do Oriente (1054)
O Grande Cisma do Oriente, Cisma do Oriente ou Cisma
Ocidente-Oriente foi a cisão formal da unidade da igreja
cristã em Igreja Católica e Igreja Ortodoxa, que tornou-
se documentalmente evidente em 1054.
Cisma do Ocidente (1378-1417)
Cisão na Igreja Católica, durante a qual houve dois
Papas ao mesmo tempo, um estabelecido em Roma,
outro em Avinhão. Em 1409, houve até um terceiro
Papa, em Pisa. O Concílio de Constança (1414) e,
depois, a eleição do Papa Martinho V puseram-lhe fim.
Querela das Investiduras (1085-1122)
Disputa político-religiosa entre o Imperador do Sacro
Império Romano-Germânico e o Papa, envolvendo o
direito de nomeação para os cargos eclesiásticos. A
disputa encerrou-se em 1122 com a Concordata de Worms que limitou o poder
do imperador e afirmou o a supremacia do papado. Começava o período de
supremacia do poder papal sobre o poder político dos governantes da Europa.
Decadência do feudalismo
A partir do século XI, as invasões da Europa
começaram a cessar. Além disso, a Igreja
conseguiu diminuir os conflitos entre senhores
feudais. A principal medida tomada nesse
sentido foi a Paz de Deus: para evitar os
prejuízos causados pelos embates, a Igreja
proibiu os confrontos em determinados dias da
semana.
A Europa entrou num período de relativa paz e
segurança. A agricultura se desenvolveu, o que
possibilitou um conseqüente crescimento
populacional. Porém, a partir do fim do século
XIII, aproximadamente, o sistema feudal deixou
de dar conta da sociedade em expansão.
Sobretudo após as Cruzadas, que liberaram o
Mediterrâneo aos europeus, a pressão pelo
aumento do comércio e pela urbanização levou,
aos poucos, à substituição do feudalismo por um
novo sistema econômico: o capitalismo, que se
consolidaria na Idade Moderna.
As Cruzadas
A s Cruzadas foram uma série de expedições militares comandadas pela Igreja Católica
e por nobres europeus, entre o século XI e o XIII, rumo à região de Jerusalém.
Formalmente, tinham um objetivo religioso: retomar a cidade - considerada sagrada
pelos cristãos -, que fora dominada pelos turcos muçulmanos em 1071. Porém, suas
principais motivações eram políticas e econômicas, e foi nesse
último campo que as Cruzadas obtiveram maior
sucesso: possibilitaram o renascimento
do comércio no mar Mediterrâneo -
o que contribuiria decisivamente
para a crise do feudalismo
na Europa.
Motivos
No século XI, a Igreja Católica passava por crises internas. Havia sofrido forte golpe em
1054, no Cisma do Oriente, quando o alto clero de Constantinopla rejeitou a
supremacia papal de Roma, dando origem à Igreja Ortodoxa. Além disso, estava
travando uma disputa de poder com o Sacro Império Romano-Germânico, conhecida
como Querela das Investiduras, que acabaria por restringir a atuação política do papa.
Para completar, as peregrinações a Jerusalém haviam sido impedidas pelos
muçulmanos, e corriam boatos de que
o Santo Sepulcro tinha sido destruído.
Foi então que o papa Urbano II, em
seu discurso durante o Concílio de
Clermont, na França, em 1096,
conclamou todos os cristãos europeus
a conquistar a Terra Santa.
Era a oportunidade de a Igreja
reafirmar seu poder.
Deus Vult!
"A vós, abençoados homens de Deus, dirijo estas palavras. E que não sejam levadas
levianamente, pois são expressas pela Santa Igreja, que, pelo sagrado pacto com Nosso
Senhor, é sua santíssima voz na terra. (...) Não mais levantarão as espadas entre si,
ceifando vidas e pecando contra o Evangelho. Aproximem-se guerreiros abençoados.
Os que dentre vocês roubaram tornem-se agora soldados, pois a causa é suprema. Aqueles
que cultivam mágoas juntem-se aos seus causadores, pois a irmandade é essencial ao
objetivo. Aproximem-se os que desejam vida
eterna, aproximem-se os que desejam
absolvição no sagrado. (...)
Francos! A Palestina é lugar de leite e fluindo,
território precioso aos olhos de Deus. Um
lugar a ser conquistado e mantido apenas
pela fé.
Nós apelamos às vossas espadas! Lutai contra
a amaldiçoada raça que avilta a terra sagrada,
Jerusalém, fértil acima de todas outras. (...)
O caminho será longo, a fé no Onipotente
torná-lo-á possível e frutífero.
Que agora o exército do Deus único brade
em glória sobre os Seus inimigos!”
Para a nobreza - cuja participação
seria fundamental para o sucesso da
empreitada -, a idéia vinha bem a
calhar. O feudalismo começava a não
dar conta do aumento da produção
agrícola e da população. Os senhores
feudais precisavam de novas terras, e
o restabelecimento do comércio com
o Oriente seria uma saída para a
estagnação econômica que o
continente vivia.
Os fiéis atenderam ao chamado do
papa. Ainda em 1096, uma multidão de
mendigos e pobres sem nenhum
preparo saiu caminhando em direção a
Jerusalém. Muitos morreram antes do
destino final e os que chegaram foram
dizimados pelos turcos. A aventura,
liderada pelo pregador Pedro, o
Eremita, ficou conhecida como a
Cruzada dos Mendigos.
Essa, porém, ainda não era uma
cruzada oficial. A primeira foi
organizada naquele mesmo ano. No
total, elas seriam oito e se estenderiam
até meados do século XIII. As quatro
primeiras foram as mais importantes.
Consequências das Cruzadas
As Cruzadas não conseguiram o reconquistar a Terra Santa mas trouxeram muitas
mudanças para a Europa.
 Dinamizaram o comércio, permitiram um maior intercâmbio com o Oriente de
onde vieram novos produtos agrícolas (cana-de-açúcar, arroz), técnicas de cultivo e de
produção de tecidos. Os maiores beneficiados com a dinamização do comércio no
mediterrâneo foram sem dúvida os italianos de Gênova e Veneza.
 Enfraqueceu o feudalismo.
Os fracasso militares, o
endividamento e a morte de
muitos nobres permitiu o
avanço do poder real e o
enfraquecimento dos laços
de servidão.
 A intensificação do intercâmbio cultural com o Oriente (Islã e Bizâncio), além de
trazer novas (e velhas) idéias para a Europa, auxiliou no “refinamento” da sociedade
européia.
 Houve a fundação de várias Ordens
Militares, algumas delas, como a dos
Cavaleiros Teutônicos, existem ainda
hoje e teve uma grande atuação no
leste Europeu, seja na evangelização
seja na expansão dos interesses
comerciais da Liga Hanseática.
 A agressão dos cristãos acirrou a
rivalidade com os muçulmanos que,
por sua vez, começaram a diminuir a
sua tolerância em relação aos cristãos.
Renascimento Comercial e Urbano
A reabertura do Mediterrâneo ao comércio,
consolidada na Quarta Cruzada, começou a
transformar a economia feudal.
Estabeleceram-se rotas comerciais ligando
regiões produtoras - como Flandres (onde
atualmente ficam Bélgica e Holanda), famosa
por sua lã - e as cidades portuárias italianas
que controlavam o contato com o Oriente -
Veneza e Gênova. Nos cruzamentos dessas
novas rotas foram organizados centros de
comércio temporários. Eram as feiras - como
a de Champanhe, na França -, que reuniam
mercadores de diversas partes da Europa.
Nas entradas de muitas cidades da Liga Hanseática, estava escrito:
“O ar da cidade liberta”.
Para se protegerem de assaltos, os mercadores passaram a se estabelecer ao redor de
palácios e mosteiros, formando os burgos (de onde, provavelmente, vem o termo
burguês). Com o tempo, esses núcleos cresceram e ergueram novas muralhas a seu
redor. Constituíam-se assim as cidades. No entanto, por viverem em áreas ainda
pertencentes aos feudos, os burgueses eram obrigados a pagar impostos aos
senhores. A luta pela independência urbana ficou conhecida como movimento
comunal, e a emancipação era garantida pelas cartas de franquia, documento que
assegurava às cidades direitos como o de cobrar impostos e organizar milícia.
Livres da tutela feudal, as novas cidades se organizaram em ligas (ou hansas), para
agilizar o comércio e congregar interesses. A mais importante foi a Liga Teutônica (ou
Hanseática), que chegou a reunir mercadores de mais de 80 pólos urbanos.
Dentro das cidades, os burgueses também se organizaram em corporações, para
garantir o monopólio do comércio local. As mais conhecidas foram as corporações de
mercadores, ou guildas, que limitavam o comércio estrangeiro e controlavam os
preços, e as corporações de ofício, que agrupavam artesãos - com o objetivo de
impedir a concorrência de quem produzisse o mesmo artigo
Na hierarquia das corporações de ofício, os mestres eram os
proprietários das oficinas e donos das ferramentas. Cabia-lhes estipular
salários e normas de trabalho. Abaixo deles estavam os oficiais,
trabalhadores especializados remunerados, e, por último, os
aprendizes, jovens sem experiência que recebiam roupas, alimento e
moradia em troca de trabalho.
“A partir do século XI, a
classe artesã e a classe dos
mercadores, que se haviam
tornado mais numerosos e
muito mais indispensáveis à
vida de todos, afirmaram-se
cada vez mais
vigorosamente no contexto
urbano, em especial a classe
dos mercadores, pois a
economia medieval, a partir
da grande renovação desses
anos decisivos, foi sempre
dominada, não pelo
produtor, mas pelo
comerciante.”
BLOCH, Marc. A Sociedade
Feudal.
Crise do feudalismo
Para comprarem os produtos vendidos nas cidades e, assim, saciarem sua fome por
luxo, os senhores feudais precisaram aumentar a produção. Explorado à exaustão, o
solo começou a mostrar sinais de esgotamento, o que, somado a fortes chuvas do
início do século XIV, diminuiu gravemente a oferta de alimentos, causando a Grande
Fome. A situação piorou
entre 1348 e 1350, com a
Peste Negra, uma epidemia
de peste bubônica que
matou cerca de um terço
da população européia.
A dizimação dos camponeses causou uma crise de mão-de-obra. Em algumas regiões,
os servos foram ainda mais explorados, para manter o ritmo da produção, situação
conhecida como segunda escravidão. Em outras, passaram a exigir o recebimento de
salários e diminuição nos impostos. As tensões sociais levaram a uma série de revoltas
camponesas em várias partes do continente. Na França, elas ficaram conhecidas como
jacqueries.
Evolução demográfica da Europa ocidental
1000 1100 1200 1300 1400 1500
Itália 5,0 5,75 7,25 10,0 7,0 10,0
Alemanha 3,5 4,0 6,0 9,0 6,5 9,0
França 6,5 7,75 10,5 16,0 11,0 15,0
Inglaterra 1,5 1,75 2,5 3,75 2,5 3,75
Espanha 4,0 4,5 5,5 7,5 5,5 6,5
Portugal 0,6 0,7 0,9 1,25 0,9 1,25
Totais 21,1 24,45 32,65 47,5 33,4 45,5
Valores arredondados, em milhões de habitantes.
A crise do feudalismo fez com
que os senhores feudais
fossem lentamente perdendo
poder político. Ao mesmo
tempo, fortaleciam-se a
burguesia e o poder real. Essa
transição só se conclui a
partir da Idade Moderna,
com a formação das
monarquias nacionais e o
nascimento do capitalismo.
Formação das monarquias nacionais
O fortalecimento dos monarcas nacionais dependia da
neutralização de duas grandes forças: o universalismo,
representado pela Igreja Católica, e o localismo,
representado pelos senhores feudais.
Na Idade Média, o poder dos reis era descentralizado e
nominal, limitado a seus próprios domínios. Os reinos
estavam fragmentados, ficando os poderes nas mãos de
senhores feudais. No final da Idade Média, o crescimento
comercial e urbano, as mudanças nas relações de
trabalho e o surgimento da burguesia levaram ao
enfraquecimento do poder local dos senhores e das
cidades autônomas e do poder universal da Igreja (Papa),
em benefício dos reis. Iniciava-se a formação dos Estados
Nacionais.
Aliança rei e burguesia
Interessava à burguesia acabar com os
obstáculos feudais ao comércio: pedágios,
pesos e medidas, moedas, impostos e leis
diferentes. Percebendo que a unificação do
mercado nacional somente seria possível com
a centralização do poder, a burguesia aliou-se
ao rei, fornecendo-lhe capital. Dessa forma, o
rei conseguiu força econômica e militar para
vencer os senhores e a burguesia, condições
favoráveis ao desenvolvimento das atividades
mercantis.
Características das Monarquias Nacionais
Os monarcas organizaram exércitos
profissionais para enfrentar os
senhores e uma burocracia para
administrar os novos Estados.
Foram definindo as fronteiras de
seus reinos e estabelecendo uma
legislação e uma justiça nacionais.
Além disso, promoveram a
unificação do mercado nacional,
estabelecendo moeda e impostos
nacionais e um sistema único de
pesos e medidas.
França
Na França, a formação do Estado Nacional
dependeu do apoio da burguesia aos reis
que, recorrendo à diplomacia e à guerra,
ampliaram os domínios da Coroa e
centralizaram progressivamente o poder.
O processo iniciou-se sob a dinastia
Capetíngia (987-1328) e completou-se
com a Valois (1328-1589), que reorganizou
o governo e recuperou territórios dos
ingleses ao vencer a Guerra dos Cem Anos
(1337-1453.
Inglaterra
Na Inglaterra, a realeza conseguiu manter
a nobreza feudal submetida e estabeleceu
um poder forte. No entanto, em 1215, os
senhores impuseram a Magna Carta ao
rei, limitando suas atribuições ao
subordiná-lo ao Grande Conselho
(Parlamento), formado por nobres e
depois também por burgueses. A
centralização monárquica completou-se
no final da Guerra das Duas Rosas (1455-
1485), com a ascensão da dinastia Tudor.
Guerra dos Cem Anos (1337-1453)
Problemas na sucessão do trono francês e
a disputa pela Flandres (rica região
produtora de tecidos) provocaram o longo
conflito. Com a morte do rei da França,
Filipe IV, não havia herdeiros do sexo
masculino e o rei da Inglaterra Eduardo III
(neto de Filipe IV, por parte de mãe)
pretendeu o trono. Os franceses apoiaram
Filipe VI de Valois (sobrinho do rei) e
Eduardo III invadiu a França para fazer
valer seu direito. Apesar das vitórias
iniciais dos ingleses, coube aos franceses a
vitória final. Destaca-se na guerra o papel
da camponesa francesa Joana D’Arc, que
acirrou o nacionalismo francês. Acusada
de bruxaria, foi condenada à morte pelo
Tribunal da Inquisição, em 1431.
Portugal e Espanha
A centralização do poder real dependeu da
Guerra de Reconquista dos territórios
ibéricos ocupados pelos muçulmanos no
século VIII. Partindo do reino de Astúrias, os
cristãos foram formando vários reinos:
Navarra, Castela, Aragão e Leão. Afonso
Henriques libertou o Condado Portucalense
do reino de Leão, dando origem ao reino de
Portugal, no século XII. No final do século
XIV, Portugal confirmou sua independência
em relação a Castela com a Revolução de
Avis (1383-1385), quando D. João recebeu o
apoio da burguesia. A união dos demais
reinos cristãos gerou a Espanha, em 1469,
após o casamento entre Fernando de
Aragão e Isabel de Castela — os Reis
Católicos. A Reconquista concluiu-se em
1492, com a expulsão dos muçulmanos de
Granada.
A Europa no séc. XIV
Cultura na Idade Média
Durante muito tempo, a Idade Média foi considerada um período de ignorância e
superstições, tendo sido inclusive chamada de "Idade das Trevas". Realmente, nesse
período, houve um declínio nas atividades artísticas, literárias e científicas. Mas, seria
um exagero classificá-lo como um período de trevas.
A destruição de bibliotecas pelos bárbaros, o medo de
invasões e saques, a dificuldade nas comunicações e as
constantes lutas entre senhores feudais contribuíram
para criar um ambiente desfavorável ao
desenvolvimento das artes e ciências. Assim mesmo, a
Idade Média criou obras expressivas.
Os mosteiros eram os únicos lugares onde se
conservava a cultura antiga. O trabalho dos monges
copistas, que passavam a vida inteira copiando obras
da Antigüidade, preservou essa cultura.
O homem medieval, de modo geral, não sabia ler nem
escrever. Os homens da igreja eram os mais instruídos,
que controlavam todas as atividades artísticas,
literárias e científicas da época.
Visão Geral
Literatura
A maior parte da literatura foi escrita em latim e tratava
de temas religiosos. Por volta do século XII, a literatura
começou a ser escrita na língua própria de cada região e
se manifestou a partir de três gêneros: poesia épica,
poesia lírica e romance. A primeira valorizava a
coragem, a honra e a fidelidade dos cavaleiros
medievais. A lírica ou trovadoresca, originária da região
de Provença, no sul da França, tinha como tema
principal o amor. O romance tinha como tema central o
amor e também a aventura. A maior figura literária da
Idade Média foi Dante Alighieri (1265-1321), natural de
Florença, Itália. Dante escreveu em latim e também em
italiano. Sua obra mais importante é A Divina Comédia.
Artes e Arquitetura
A arte medieval era também essencialmente religiosa.
No campo das artes destaca-se a arquitetura, com a
construção de templos, igrejas, mosteiros e palácios.
Na arquitetura da Idade Média prevalecem dois
estilos: o românico e o gótico.
As construções em estilo românico
(séculos X, XI e XII) caracterizam-se
pelos arcos redondos, paredes
baixas e grossas, grandes colunas,
janelas pequenas e interior
pouco iluminado.
As construções em estilo gótico (final do século XII e século XIII) caracterizam-se
pelos arcos em formato ogival (diversos arcos cruzados e colocados sobre
colunas), janelas maiores e mais numerosas, paredes altas e interior iluminado. As
janelas eram ornamentadas com belíssimos vitrais. Estes eram formados por
pequenas placas de vidro colorido, unidas por chumbo, formando desenhos, como
mosaicos.
Na pintura destacam-se as miniaturas
ou iluminuras, feitas para ilustrar
manuscritos e os murais. Os murais
eram pinturas feitas nas paredes,
geralmente retratando figuras
religiosas.
Na escultura utilizaram o metal, o
marfim, e a pedra. Um grande número
de imagens decorava o interior dos
templos.
Filosofia
Na filosofia, destacaram-se Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. A principal
preocupação deles era tentar harmonizar a fé cristã com a razão. Santo Agostinho era
de uma corrente filosófica denominada patrística. Já São Tomás de Aquino, conseguiu
reconstruir , dentro da visão cristã, boa parte das teorias de
Aristóteles.
Santo Agostinho fez a síntese da filosofia clássica com a
platônica junto com a fé cristã. Segundo a teologia
agostiniana, a natureza humana é por essência corrompida.
A remissão estava na fé em Deus , a salvação eterna. Suas
principais obras foram: Confissões e Cidade de Deus.
Essa visão pessimista em relação a natureza humana foi
substituída na Baixa Idade Média por uma concepção
mais otimista e empreendedora do homem, com a
filosofia escolástica, que procurou harmonizar razão e
fé , partindo do fato que o progresso do ser humano
dependia não só da vontade divina, mas do esforço do
próprio homem. Essa atitude refletia uma tendência a
valorização dos atributos racionais do homem, não
devendo existir conflito entre fé e razão, pois ambas
auxiliavam o homem na busca do conhecimento.
A escolástica valorizou a razão e substituiu a
idéia agostiniana de predestinação pela
concepção de livre arbítrio, isto é, de
capacidade de escolha. Mas o clero tinha o
papel de orientar moralmente e
espiritualmente a sociedade , condicionando a
liberdade de escolha com as vontades da
igreja. Desse modo ao mesmo tempo que
buscava assimilar as transformações sociais,
tentava preservar os valores do mundo feudal
decadente, assegurando a supremacia de sua
mais poderosa instituição – a igreja.
São Tomás de Aquino ( 1225- 1274), deu aulas
na universidade de Paris, foi o mais influente
filósofo escolástico inspirado na tecnologia
cristã e no pensamento de Aristóteles,elaborou
a Suma teológica, obra em que discorreu sobre
os mais diversos assuntos, como religião,
economia e política. O pensamento de São
Tomás constituiu um poderoso instrumento de
ação do clero durante a Baixa Idade Média.
Ciências
As ciências não se desenvolveram muito na sociedade
medieval ocidental. Quase todos os estudiosos e
pensadores desta época deixaram de lado as
observações da natureza e a experimentação,
preferindo limitar-se às obras já escritas. Os
conhecimentos da Antigüidade continuaram a ser
aceitos como verdades infalíveis.
Na Idade Média, a maior parte dos estudos foi
dedicada à teologia e à filosofia. A primeira estuda a
divindade e a segunda, a compreensão da realidade.
Os clérigos, os únicos estudiosos, não tinham nenhum
interesse pelo conhecimento da natureza.
"Discutir a natureza e a posição da Terra não nos
auxilia em nossa esperança de vida futura", disse Santo
Agostinho.
Um dos grandes nomes da ciência medieval foi o
monge franciscano Roger Bacon (1214-1294), que
introduziu a observação da natureza e o uso de
experimentação com métodos científicos. Ele ficou
conhecido como doutor Admirável, Bacon conseguiu
desenvolver estudos em diversas áreas como :
geografia, filosofia e física.
Os alquimistas
Em vários lugares da Europa, os
alquimistas trabalhavam
incansavelmente, procurando, entre
outras coisas, transformar chumbo em
ouro e descobrir o elixir da vida
eterna.
Faziam suas experiências escondidos
em torres e subterrâneos, pois eram
considerados bruxos e, como tal,
corriam sérios riscos de serem
apanhados e levados a um tribunal da
Igreja.
Do seu paciente trabalho ficou uma
herança importante para a ciência: os
alquimistas descobriram muitos
elementos químicos e ligas metálicas.
Eles foram os precursores dos
químicos modernos.
Universidades
Junto às catedrais de algumas cidades começaram a surgir, no século XII, escolas que
se chamaram universidades. Pertenciam a corporações de alunos e mestres e eram
dirigidas por elas, seguindo o exemplo das corporações de artesãos e mercadores.
Com as universidades, o ensino e a cultura deixaram de ser privilégio apenas dos
membros da Igreja. Além disso, ampliou-se o campo de estudos com a fundação de
faculdades de Teologia, Direito, Medicina, Filosofia, Literatura, Ciências e
Matemática.
Graças ao desenvolvimento cultural promovido pelas universidades, as obras da
Antigüidade greco-romana
começaram a ser estudadas
e traduzidas. Entre elas
estão as obras do filósofo
grego Aristóteles, que
influenciaram o pensamento
religioso do final da Idade
Média.
Algumas delas são
conhecidas até hoje como
Oxford e Cambridge.
Inovações técnicas
A sociedade medieval conheceu importantes inovações técnicas, principalmente entre
os séculos VII e X. Foi nesse período que se inventou a charrua (arado pesado de
ferro) e o sistema de rotação de culturas em três campos. Desenvolveram-se novos
métodos de atrelar os animais e a integração entre a agricultura e a criação de gado,
que possibilitava a adubação das terras com o esterco dos animais. Além disso,
difundiu-se o uso dos moinhos de água (já conhecidos na Antigüidade Oriental, mas
até então não utilizados na
Europa) para moagem de grãos
como o trigo e a cevada e para
outros fins. Também o moinho
de vento foi aperfeiçoado, de
modo que as pás se movessem
aproveitando o vento de
qualquer direção.
A partir do século X, desenvolveu-se
ainda a extração mineral, devido à
necessidade de pedras para a
construção (castelos) e de metais para
a fabricação de armas e instrumentos
agrícolas.
Como resultado desse grande
desenvolvimento técnico, houve em
toda a Europa, a partir do século X, um
aumento da produção acompanhado
de um progressivo aumento
populacional.
Também houve o aperfeiçoamento na
navegação, com a utilização da
bússola, dos mapas de navegação, do
astrolábio além de outros
instrumentos.
Escolas existentes antes de 1200 logo transformadas em universidades
Universidades fundadas no século XIII
Universidades fundadas na primeira metade do século XIV
ECONOMIA SOCIEDADE CULTURAPOLÍTICA
Teocêntrica
(forte
influência da
Igreja); arte
românica
Poder local;
poder real
limitado pela
nobreza e pelo
alto clero
Divisão
estamental
(nobreza, clero,
povo)
Agrícola, de
subsistência,
manufaturas
caseiras
ALTA IDADE MÉDIA
Ressurgem as
cidades:
centros
econômicos;
aumento da
produção;
revitalização do
comércio
Nas cidades, os
comerciantes
(burguesia),
ganha espaço.
Perdas
demográficas:
fome, peste,
guerras
Fortalecimento
progressivo dos
reis.
Heresias e
movimentos
reformistas na
Igreja;
universidades;
gótico
BAIXA IDADE MÉDIA
A Baixa Idade Média e a Crise do Feudalismo
Caracteriza-se por...
MUDANÇAS
POLÍTICAS
EXPANSÃO
EXTERNA
RENASCIMENTO
DAS CIDADES
Dois
momentos...
CRESCIMENTO
(séc. XII-XIII)
CRISE
(séc. XIV)
 Aumento do
poder real
 Cruzadas
 Aumento do
comércio
oriente-
ocidente
 Centros de
atividade
econômica
 Centros de
atividade cultural
CAUSAS
 Más colheitas
 Peste Negra
CONSEQÜÊNCIAS
 Diminuição da
população
 Crise de
valores
Idade Média - Curso completo

Idade Média - Curso completo

  • 4.
    INTRODUÇÃO HISTÓRIA MEDIEVAL LINHA DOTEMPO OS FRANCOS O ISLÃ O FEUDALISMO
  • 5.
    Idade Média –Séculos V – XV A Idade Média começou com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, e se encerrou com a tomada da capital do Império Bizantino, Constantinopla, pelos turco-otomanos, em 1453. Costuma ser dividida em duas: Alta e Baixa Idade Média. A Alta Idade Média estendeu-se do século V ao X. Foi a época de consolidação, na Europa Ocidental, do feudalismo, sistema socioeconômico predominante na era medieval. No Oriente, porém, em vez da descentralização política feudal, o período foi marcado por dois fortes impérios: o Bizantino e o Árabe. A Baixa Idade Média vai do século XI até o fim do período medieval, no século XV. É quando o feudalismo chegou ao auge e entrou em decadência. Lentamente, ele começou a sofrer transformações que só se concluiriam na Idade Moderna, quando seria substituído, no campo político, pelas monarquias nacionais, e, no econômico, pelo sistema mercantilista.
  • 6.
    Por séculos, aIdade Média foi tida como uma época de insignificante desenvolvimento científico, tecnológico e artístico. Essa visão nasceu durante o Renascimento, no século XVI, quando o período medieval foi apelidado de Idade das Trevas. Porém, a Idade Média foi responsável por importantes avanços, sobretudo no que diz respeito à produção agrícola: inventaram-se o moinho, a charrua (um arado mais eficiente) e técnicas de adubamento e rodízio de terras. Outra herança medieval são as universidades, que começaram a surgir na Europa no século XIII. Além disso, desenvolveram-se importantes movimentos artísticos, como o românico e o gótico; viveram influentes filósofos, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino; e, graças ao trabalho dos monges, preservou-se a cultura greco-romana - o que possibilitaria, aliás, o surto de revalorização da Antiguidade Clássica ocorrido durante o Renascimento.
  • 7.
    Cronologia 482 650 962527 Nasce o ReinoFranco Num momento de auge da civilização maia, é erguida uma das mais impressionantes construções por ela deixada: o Templo das Inscrições. Os maias instalam-se na península do Yucatán, no atual México, a partir de 700 a.C. Séculos depois, fundam cidades-Estado independentes, com governos teocráticos. Utilizam avançadas técnicas de irrigação e realizam trocas comerciais. Criam um calendário que determina com precisão o ano solar, adotam a escrita hieroglífica e inventam as casas decimais e o conceito do valor zero. Conflitos internos, entre outras razões, levam ao colapso da civilização por volta do ano 900. O papa João XII nomeia Otto I imperador do Sacro Império Romano-Germânico, numa tentativa de conter os ataques húngaros à Europa cristã. Seus domínios abrangem porções das atuais França, Holanda, Suíça, Alemanha, Áustria e Polônia. Acentua-se a corrupção, e a Igreja Católica torna-se mais suscetível ao poder político, promovendo a venda de cargos eclesiásticos (simonia). A partir de 1250, o império compreende um conjunto de pequenos Estados, nos quais o poder local do príncipe supera a autoridade central do imperador - situação que se estende até o século XIX. Com a coroação de Justiniano, o Império Bizantino começa a viver seu auge. O imperador reconquista territórios bárbaros no Ocidente, estimula as artes e elabora o Código de Justiniano, que revisa e atualiza o direito romano. Ao fim de seu governo, em 565, o império começa a decair. Em 1204, a capital, Constantinopla, é conquistada pelos cruzados, e o restante do império é repartido entre príncipes feudais. Em 1453, a cidade é subjugada pelos turcos.
  • 8.
    987 1054 1075 Após a mortede Luís V, último rei da dinastia carolíngia, nobres franceses elegem Hugo Capeta, conde de Paris, soberano da França. Inicia-se o processo de formação da monarquia francesa. A Igreja Oriental (Igreja Cristã Ortodoxa Grega) e a Igreja Ocidental (Igreja Católica Apostólica Romana) rompem entre si no Cisma do Oriente. O Sacro Império Romano-Germânico e o papa Gregório VII travam uma disputa conhecida como a Querela das Investiduras. Procurando diminuir a participação do imperador nas decisões da Igreja, o papa proíbe a investidura leiga (nomeação de bispos e padres pelo imperador). O rei Henrique IV desacata a ordem e é excomungado. Após um conflito armado, é definida a Concordata de Worms, em 1122, que mantém a proibição da investidura leiga e determina a não-interferência do papa em questões políticas. 1096 Começam as Cruzadas 1163 É iniciada a construção da Catedral de Notre- Dame, em Paris, um dos mais belos exemplares do estilo arquitetônico que marca a Idade Média: o gótico. 1066 William I (também chamado de Guilherme, o Conquistador), duque da Normandia, invade a Inglaterra, na Batalha de Hastings, e submete os saxões a um poder centralizado. É o início da monarquia Inglesa.
  • 9.
    1215 12311206 Sob pressão danobreza e do alto clero, o rei inglês João II, conhecido como João Sem-Terra, assina a Magna Carta. Em vigor até hoje, é o primeiro documento escrito da história a limitar os poderes da monarquia e a fixar os direitos dos vassalos. São instaurados os tribunais do Santo Oficio, ou Inquisição, por meio dos quais a Igreja Católica, alegando agir em nome de Deus, persegue, tortura e mata milhares de pessoas consideradas hereges. Gêngis Khan unifica tribos da Ásia Central (atual Mongólia) e inicia o Império Mongol, que se estende da China até as cercanias da Hungria. Suas conquistas são consolidadas pelo neto Kublai Khan, que funda na China a dinastia Yuan. Ele impulsiona o comércio com a Europa. Em 1368, os mongóis são expulsos da China pela dinastia Ming, que isola a nação do contato com o mundo mediterrâneo. O Império Mongol se desagrega no século XIV. 1281 O sultão Otman I funda o Império Turco-Otomano. No século XVI, o império vive seu auge, ocupando o norte da África, a região do mar Vermelho e a faixa do golfo Pérsico até a Hungria. A partir do século XVII, a retração econômica dá início à decadência, mas o sultanato só é abolido após a derrota na 1ª Guerra Mundial (1914-1919).
  • 10.
    1385 1325 A Revolução de Avisdá início à monarquia nacional portuguesa, inaugurada pelo rei João I Os astecas fundam Tenochtitlán, atual Cidade do México, a partir de onde criam um império no centro-sul mexicano. Possuem uma sociedade altamente hierarquizada. Desenvolvem importantes obras de drenagem e técnicas de irrigação e cultivo. Estudam a astronomia, a astrologia e a matemática. No século XVI, o império é destruído pelos espanhóis. 1309 Por causa da intromissão da Igreja em assuntos do reino, o rei da França Felipe IV prende o papa Bonifácio VIII e nomeia em seu lugar o francês Clemente V. O evento é conhecido como Cativeiro de Avignon (localidade na França onde o novo papado é instalado). 1337 A pretensão do rei inglês Eduardo III de disputar a sucessão do trono francês é o estopim da Guerra dos Cem Anos, que opõe França e Inglaterra. O conflito envolve disputas em torno de territórios que os duques da Normandia, ingleses, tinham na França. No fim da guerra, em 1453, a França recupera as possessões sob o domínio inglês. O embate impulsiona o nacionalismo francês e contribui para o fortalecimento do poder real. 1400 Começa a expansão da civilização inca, instalada em Cuzco, no atual Peru. O império se estende pela região de Equador, Chile e Bolívia. Ele viabiliza a agricultura nas montanhas e regiões desérticas, com técnicas de irrigação. Os incas são o único povo pré-colombiano a domesticar animais. Erguem centros religiosos e cultuam o deus Sol. Abalados por guerras internas, são dominados pelos espanhóis em 1532. 1453 A tomada de Constantinopla pelos turcos- otomanos marca o fim da Idade Média.
  • 11.
    Invasões bárbaras: SéculosV-VI Século VI Reconquista bizantina Reinos bárbaros Invasão povos germânicos Pressão dos Hunos
  • 12.
    INVASÕES Bárbaros – Séc.V  Ocupação da parte ocidental do Império Romano Despovoamento das cidades Reforço do poder da Igreja (defesa e cristianização) Medo e insegurança Formação dos reinos bárbaros Enfraquecimento do comércio Dependência dos camponeses face aos grandes senhores Ruralização da economia Aumento da instabilidade Ataques dos muçulmanos, dos normandos (vikings) e dos magiares (húngaros) – Séc. VIII-X Regressão econômica Economia de subsistência
  • 13.
    Os Francos O ReinoFranco foi, dentre os bárbaros, o de maior duração e estabilidade fundado no Ocidente. Formou-se no século V, quando, após várias tentativas, os francos finalmente conseguiram instalar-se na antiga província romana da Gália - atual França. Ele se estendeu até o século IX, fragmentando-se depois da morte de seu mais célebre líder, Carlos Magno.
  • 14.
    Mapa animado: Aexpansão dos francos
  • 15.
    Após se fixaremna Gália, os francos permaneceram divididos em tribos, cada qual com seu chefe. Em 482, Clóvis, um desses líderes, unificou os grupos e tornou-se o primeiro rei, fundando a dinastia merovíngia (cujo nome deriva de seu avô, Meroveu). Clóvis empenhou-se em conquistar territórios e converteu-se ao cristianismo, formalizando uma aliança com a Igreja Católica. Após sua morte, seus quatro filhos dividiram o reino entre si, enfraquecendo-o. Na época, a Europa vivia um processo de ruralização e descentralização do poder, com a formação do feudalismo .  Batismo de Clóvis Dinastia merovíngia
  • 16.
    Os monarcas quesucederam a dinastia merovíngia ficaram conhecidos como reis indolentes, por demonstrar pouca habilidade política. O poder de fato passou então a ser exercido por altos funcionários da corte, os prefeitos do palácio, denominados majordomus. O majordomus Carlos Martel ganhou prestígio com a vitória contra os muçulmanos na Batalha de Poitiers, em 732, que impediu o avanço islâmico sobre a Europa Ocidental. Após sua morte, seu filho, Pepino, o Breve, depôs o último monarca merovíngio, Childerico III, e, com o apoio da nobreza e do papa, tornou-se rei, iniciando a dinastia carolíngia.
  • 17.
    Império Carolíngio O ReinoFranco atingiu o apogeu durante o reinado de Carlos Magno, filho de Pepino. Em 800, ele foi coroado imperador pelo papa Leão III, adquirindo, assim, a incumbência de disseminar e defender a fé cristã. Para conduzir o agora Império Carolíngio, Magno dividiu-o em centenas de unidades administrativas dotadas de certa autonomia - os condados -, governadas por nobres de confiança - os condes. Também aumentou o poder dos missi dominici, altos funcionários reais, em geral membros do clero, encarregados de fiscalizar a aplicação das leis capitulares (decretos emitidos em capítulos pelo imperador).
  • 19.
    IMPERADOR VASSALOS MISSI DOMINICI NOBRES LIVRESSERVOS BISPOS fidelidade nomeiafidelidade fidelidade fidelidadecontrola controla fidelidadefidelidade
  • 20.
    Além de continuara política expansionista do pai, Magno promoveu o Renascimento Carolíngio, uma grande renovação educacional, artística, monetária, jurídica e administrativa. Estimulou a fundação de escolas e tornou-se um dos responsáveis pela continuidade da cultura greco-romana. Morreu em 814, sendo substituído pelo filho, Luís, o Piedoso.
  • 21.
    Mais tarde, coma morte de Luís, guerras sucessórias entre seus filhos resultaram no Tratado de Verdun, de 843, que estabeleceu a divisão do império em três reinos: Carlos, o Calvo, recebeu a parte correspondente à França; Luís, o Germânico, ficou com o território alemão; e a Lotário coube a parte central. A desintegração levou a um aumento do poder da nobreza local, fato que, somado às novas invasões bárbaras, de normandos (originários da Escandinávia) e magiares (vindos da atual Hungria), permitiu a consolidação do feudalismo na Europa.
  • 22.
    ...e em 880 ...em 870Tratado de Verdum, 843
  • 24.
    Islã: uma fé,uma nação A civilização árabe surgiu no século VII, na península Arábica, a partir de tribos de origem semita. Anteriormente, elas já compartilhavam algumas características, como a língua, mas foi somente nessa época que obtiveram união política, conquistada na esteira da pregação do Islã, religião então recém-nascida. Logo os árabes fundaram um extenso império que só se desintegraria no fim da Idade Média e deixaria forte influência cultural nas áreas por onde se estendeu.
  • 25.
    Antes de Maomé Inicialmente,o povo árabe (também conhecido como sarraceno) estava dividido em cerca de 300 tribos rurais e urbanas, chefiadas pelos xeques. As que habitavam o deserto - denominadas beduínas - eram nômades e se dedicavam sobretudo à criação de camelo e ao cultivo de tâmara e de trigo. Faziam constantes peregrinações em busca de lugares férteis para sobreviver, os oásis, e guerreavam entre si. Já aquelas que moravam nos centros urbanos da faixa costeira do mar Vermelho se ocupavam principalmente do comércio, com a organização de caravanas de camelo para o transporte de produtos. Ao encontrarem melhores condições climáticas e solo mais favorável à agricultura, esses grupos se fixaram e formaram cidades como Meca e Iatreb - a atual Medina.
  • 26.
    A religião pré-islâmicaera politeísta. Os árabes cultuavam cerca de 300 astros, representados por ídolos. O maior centro religioso da península era Meca, que abrigava o templo da Caaba, com todos os ídolos tribais e a pedra negra - provavelmente um pedaço de meteorito, considerado sagrado. Todos os anos, milhares de beduínos e comerciantes se dirigiam à cidade para visitar o santuário, que era administrado pelos coraixitas, tribo de aristocratas que lucravam com as peregrinações e o comércio realizado na região. Apesar de compartilharem algumas tradições, as tribos envolviam-se freqüentemente em conflitos e guerras, prejudicando o comércio. A unificação viria com o surgimento e a disseminação de uma nova religião: o Islã.
  • 27.
    Nasce o profeta... Em570 nasceu Maomé ( ). Criado em um ramo pobre da tribo coraixita, tornou-se mercador. Aos 25 anos, ele se casou com uma viúva rica e mais velha e conseguiu certa estabilidade financeira, o que lhe permitiu viajar muito. Nesses deslocamentos, entrou em contato com cristãos e judeus. Aos 40 anos, começou a ter visões e a ouvir vozes, que acreditava serem do anjo Gabriel. Os chamados que Maomé recebia o apontavam como profeta de um deus único e onipotente, Alá. Dois anos depois, quando já era aceito pela esposa e pela família como profeta, ele começou a pregar o monoteísmo e a abominação dos ídolos a todas as tribos de Meca, revelando-lhes a religião islâmica. Seus ensinamentos foram compilados no Corão (ou Alcorão), livro sagrado dos muçulmanos, usado por muitos países como código de moral e justiça.
  • 28.
    Ao condenar aperegrinação à Caaba, Maomé ganhou muitos inimigos em Meca e passou a sofrer perseguições. Em 622, fugiu para Iatreb - atual Medina ("cidade do profeta"). O episódio, conhecido como hégira, marca o início do calendário árabe. Em Medina, Maomé tornou-se líder político, religioso e militar. Organizou um Exército e deu início a uma guerra - dita santa, a jihad - para tomar Meca e propagar a nova religião. Em 630, a cidade sagrada foi tomada; os ídolos da Caaba, destruídos; e os opositores, aniquilados. Ao morrer, dois anos depois, Maomé havia deixado as tribos árabes politicamente unificadas sob uma mesma religião.
  • 29.
    O Império Após Maomé,o poder da Arábia passou às mãos dos califas, que, como ele, tinham poder religioso, político e militar. A necessidade de conquistar terras férteis, o interesse dos grandes comerciantes e a crença no islamismo como a única possibilidade de salvação fizeram os árabes se engajar na guerra contra povos estrangeiros. Sob o governo dos quatro primeiros califas, o império atingiu a Síria, a Palestina, a Pérsia e o Egito. Os povos dominados não eram obrigados a se converter ao islamismo, mas sofriam certa pressão - cobrava-se um imposto especial dos infiéis, por exemplo -, de modo que a crença em Alá acabou por se tornar predominante nas áreas ocupadas.
  • 30.
    Com a dinastiados Omíadas (661-750), a expansão árabe ganhou novo impulso, avançando em direção à Índia e ao norte da África. O auge das conquistas ocorreu quando os árabes atravessaram o estreito de Gibraltar, entre a África e a Europa, e ocuparam a península Ibérica - onde permaneceriam por séculos. Seu avanço só foi barrado com a derrota na Batalha de Poitiers, em 732, vencida pelos francos. Com os califas da dinastia Abássida (750- 1258), o império alcançou o máximo da sua extensão, tendo Bagdá como a nova capital e centro do comércio entre o extremo Oriente e o Ocidente. No entanto, o sucesso durou pouco. No período final da dinastia, conflitos políticos e religiosos desmembraram o califado em grupos independentes.
  • 31.
    A perda daunidade política veio acompanhada da desagregação religiosa, com o surgimento de duas seitas principais: a xiita e a sunita - que até hoje mantêm fortes divergências. A primeira só admitia como fonte de ensinamentos o Corão e defendia a idéia de que o poder do Estado deveria se concentrar em um único descendente direto de Maomé. Já os sunitas fundaram sua crença no Suna - livro com os ditos e atos de Maomé - e acreditavam na livre escolha dos governantes pelos crentes. Com governo fraco e desmembrado, os abássidas perderam o poder de Bagdá, em 1258, para os mongóis - guerreiros nômades vindos da Ásia. A derrota final ocorreria no século XV, quando os turco- otomanos conquistaram a parte oriental do império e os espanhóis dominaram o último reduto árabe na península Ibérica, expulsando-os definitivamente da Europa.
  • 33.
    A Islã nomundo hoje. Com cerca de 1,2 bilhão de seguidores, o islamismo é a segunda maior religião do mundo em número de fiéis. O termo "islã" vem do árabe e significa submissão. Uma pessoa se submete à vontade de Deus, conhecido no Islã como Alá, para viver e pensar como Alá deseja. Islamismo é mais do que um mero conjunto de convicções religiosas. A fé islâmica proporciona um sistema social e legal e estabelece diretrizes para administrar a vida em família. O islamismo oferece ainda códigos de vestimenta, higiene e ética, lei e ordem, assim como rituais religiosos e devoção a Deus.
  • 35.
    Feudalismo O feudalismo foio sistema político, social e econômico que predominou na Europa durante a Idade Média. Era marcado pela descentralização política, pouca mobilidade social e auto-suficiência econômica dos feudos - as unidades de produção da época. Começou a se desenvolver após a queda do Império Romano do Ocidente, no século V, consolidou-se no século X, atingiu o auge no século XII e a partir do século XIII entrou em colapso. Durante a Baixa Idade Média, iniciou-se a transição que o substituiria pelo capitalismo, sistema dominante na História até hoje.
  • 36.
    Formação A partir doséculo V, com o enfraquecimento do Império Romano, a Europa passou a sofrer diversas invasões dos povos bárbaros - como os vândalos, pioneiros, que atravessaram a península Ibérica de norte a sul e chegaram à África; os anglo-saxões, que desembarcaram na Inglaterra; e os lombardos, que se instalaram na Itália. Eles destruíram as instituições romanas mas, com exceção dos francos - cujo reino se desmoronou no século IX -, não conseguiram substituí-las por outro Estado forte. A tomada do controle do comércio no mar Mediterrâneo pelos árabes, nos séculos VII e VIII, deixou os europeus ainda mais enfraquecidos.
  • 37.
    O clima deinsegurança e instabilidade prosseguiu até o século IX, quando ocorreu uma nova onda de invasões, realizadas pelos húngaros magiares e pelos vikings (também conhecidos como normandos). Como forma de defesa, os nobres construíram grandes castelos, que funcionavam como fortalezas, em torno dos quais a população pobre se instalou, buscando proteção. Essas propriedades ficaram cada vez mais isoladas umas das outras, o que criou a necessidade de produzir ali mesmo o que era preciso para sobreviver. A agricultura se tornou a atividade econômica mais importante e os donos das terras, os grandes chefes políticos e militares. Era o início do feudalismo.
  • 39.
    Política A principal característicapolítica do feudalismo era a descentralização do poder. O rei tinha pouca ou nenhuma autoridade e, em troca de ajuda militar, era comum que cedesse grandes porções de terra (os feudos) a membros da nobreza. Esse costume, o beneficium, se tornou hábito entre os nobres, e eles passaram a doar terras entre si. Numa cerimônia denominada homenagem, o proprietário que recebia o terreno - vassalo - prometia fidelidade e apoio militar ao doador - suserano. Esse, por sua vez, jurava proteção ao vassalo.
  • 40.
    A homenagem “Eis doishomens frente a frente: um, que quer servir; o outro. que aceita. ou deseja ser chefe. O primeiro une na mãos e, assim juntas, coloca-as nas mãos do segundo: claro símbolo de submissão (...). Ao mesmo tempo, o personagem que oferece as mãos pronuncia algumas palavras, muito breves, pelas quais se reconhece ‘o homem’ de quem está na sua freme. Depois, chefe e subordinado beijam-se na boca: símbolo de acordo e amizade”. Marc Bloch
  • 41.
    AS RELAÇÕES FEUDO-VASSÁLICAS Relaçõesde dependência mútua entre dois senhores SUSERANO [nobre mais poderoso] VASSALO [nobre menos poderoso] Contrato de vassalagem (momentos) Homenagem [O vassalo encomenda-se ao suserano] Juramento de Fidelidade [Jura-lhe fidelidade e promete servi-lo com homens e armas] Investidura [Em troca o suserano concede-lhe um benefício ou feudo]
  • 42.
    Essa obrigação recíproca,uma das características mais marcantes do feudalismo, teve origem nas tradições dos invasores germânicos, que praticavam o comitatus - fidelidade mútua entre chefes tribais e guerreiros. Outros costumes que influenciaram a estruturação da ordem feudal vieram de Roma, como o colonato, que impunha a fixação do homem à terra e virou prática fundamental no regime da Europa medieval. Por essa dupla herança, pode-se dizer que o feudalismo é resultado do choque de dois mundos: o romano e o germânico.
  • 43.
    DEVERES DO VASSALO Auxílio militar e monetário  Fidelidade e conselho DEVERES DO SUSERANO  Proteção  Concessão do feudo
  • 44.
    O poder dossenhores O sistema feudal, com efeito, é edificado como uma pirâmide em que cada senhor é o vassalo de um senhor mais poderoso. No topo encontra-se o rei, que procura, aliás, afastar-se cada vez mais do sistema; na base, estão os menores dos vassalos, os sub-vassalos, personagens que os romances de cavalaria apresentam como modelos de lealdade, amabilidade e sabedoria. Entre os dois extremos, há toda uma hierarquia de grandes e pequenos barões, desde duques e condes até os proprietários de modestos castelos. O poderio de um senhor mede-se pela extensão de suas terras, o número de vassalos e o porte de sua ou suas fortalezas.
  • 45.
    "(...) a própriavocação do nobre lhe proibia qualquer atividade econômica direta. Ele pertencia de corpo e alma à sua função própria: a do guerreiro. (...) Um corpo ágil e musculoso não é o bastante para fazer o cavaleiro ideal. É preciso ainda acrescentar a coragem. E é também porque proporciona a esta virtude a ocasião de se manifestar que a guerra põe tanta alegria no coração dos homens, para os quais a audácia e o desprezo da morte são, de algum modo, valores profissionais." Bloch, Marc. A sociedade feudal.
  • 46.
    Sociedade: características gerais Antesde mais nada, a sociedade do século feudal é uma sociedade cristã; para fazer parte dela, mesmo como cidadão, é necessário ser cristão. Pagãos, judeus e muçulmanos, ainda que sejam às vezes tolerados, são sempre excluídos. O Ocidente vive ao ritmo da mesma fé. Cada domínio senhorial, cada cidade, cada entidade política, participa mais da cristandade universal do que um reino determinado. Daí a intensidade das trocas, a maleabilidade das fronteiras, a ausência de nações e nacionalismo; daí também o caráter universalista, não apenas dos costumes e da cultura, mas também das estruturas sociais e mesmo das instituições.
  • 47.
    Um mundo rural AEuropa feudal é um mundo rural em que a riqueza repousa na terra. A sociedade é dominada pelos proprietários de latifúndios, os senhores, cujo poder é ao mesmo tempo econômico e político.
  • 48.
    Sociedade A sociedade feudalestava dividida basicamente em três grupos: senhores feudais, que detinham o poder sobre as terras e o monopólio militar; o clero e camponeses. A mobilidade social é pequena, e a legitimidade da divisão era garantida pela amplamente difundida doutrina católica, que atribuía a estratificação à vontade divina. “A razão (de ser) dos carneiros é fornecer leite e lã; a dos bois é lavrar a terra; e a dos cães é defender os carneiros e os bois dos ataques dos lobos. Se cada uma destas espécies de animais cumprir a sua missão, Deus protegê-la-á. Deste modo, fez ordens, que instituiu em vista das diversas missões a realizar neste mundo. Instituiu uns os clérigos e os monges para que rezassem pelos outros (...). Instituiu os camponeses para que eles, como fazem os bois com o seu trabalho, assegurassem a sua própria subsistência e a dos outros. A outros, por fim, os guerreiros, instituiu-os para que (...) defendessem dos inimigos, semelhantes a lobos, os que oram e os que cultivam a terra.” Bispo Eadmer de Canterbury.
  • 49.
    Realeza Alta nobreza e altoclero Nobreza média (cavaleiros, etc.) Grupos médios (artesãos, comerciantes e lavradores ricos, profissionais liberais Grupo intermediário (camponeses com terras, artesãos, pequenos comerciantes, etc.) Servos, jornaleiros, etc. Marginalizados Separação entre privilegiados e povo
  • 50.
    Os camponeses Os camponesesque usufruem de concessões dividem-se juridicamente em dois grupos: os vilões e os servos. O vilão goza de completa liberdade pessoal; embora dependa politicamente do senhor, tem direito a circular livremente, morar onde quiser e às vezes até mudar de senhorio. O servo, ao contrário, está preso ao solo, privado de certas capacidades e sujeito a maiores encargos. Paga impostos mais pesados que os devidos pelo simples vilão; não pode testemunhar num processo contra um homem livre, entrar no clero ou beneficiar-se plenamente dos bens comunais. Sua condição, porém, é diferente da dos escravos da Antigüidade; ele goza de uma certa personalidade jurídica e pode possuir um patrimônio; o senhor, que lhe deve justiça e proteção, não pode espancá- lo, matá-lo ou vendê-lo.
  • 51.
    As obrigações servisou melhor, direitos senhoriais, eram consagrados pela tradição e variavam de acordo com a região. Os principais são: Corvéias: era prestação de serviço gratuitos nas terras do senhor além de outros serviços. Talha: era a entrega de parte da produção do servo. Parte da colheita do servo devia ser entregue ao senhor feudal. A talha também se aplicava às criações do servo: porcos, ovelhas, aves, ettc. Banalidades: eram taxas diversas, pagas em dinheiro ou produtos. Por exemplo, o pagamento do uso dos equipamentos do feudo como o moinho e os fornos. As obrigações servis
  • 52.
    O escritor Luchairedescreve, no livro A Sociedade Francesa nos Tempos de Felipe Augusto, os direitos senhoriais, na localidade de Verson: “Em São João (24 de junho), os camponeses de Verson, na Normandia, devem ceifar os prados do senhor e levar os frutos ao castelo. Depois, devem cuidar dos fossos. Em agosto, colheita do trigo que devem levar à granja. Eles próprios não podem recolher os seus feixes senão depois que o senhor tirou antecipadamente a sua parte. Em setembro, devem a porcagem; um porco, em oito, e dos mais bonitos. Em São Diniz (9 de outubro), pagam o censo, depois o direito de fechar o seu campo. No começo do inverno, corvéia sobre a terra senhorial, para prepará-la, semear e passar a grade. Em Santo André (30 de novembro), paga-se uma espécie de bolo. Pelo Natal, ‘galinhas boas e finas’. Depois, uma certa quantidade de cevada e trigo. Se o camponês vender a sua terra, a décima parte do preço da venda pertence ao senhor. No Domingo de Ramos deve ele a carneiragem – um certo número de carneiros – e uma nova corvéia de trabalho. Depois deve ir para a forja, ferrar os cavalos; ao bosque, cortar as árvores para o senhor e fazer a corvéia do carreto. Ainda mais: o moleiro do castelo, para moer o grão do camponês, cobra um alqueire de grão de uma certa quantidade de farinha; no forno é preciso pagar também, e o ‘forneiro’ jura que, se não tiver o seu pagamento, o pão do camponês ficará mal cozido e mal ‘virado’.”
  • 53.
    Os clérigos A sociedadeeclesiástica é extremamente diversificada, e suas fronteiras com o mundo dos leigos não são sempre nítidas. Clérigo é todo homem que recebeu a primeira das ordens menores; ele deve, além disso, ter sido tonsurado e vestir o longo hábito que caracteriza seu estado. É uma condição bastante imprecisa, havendo muitos graus intermediários entre as pessoas mundanas e os verdadeiros membros do clero. Todo mundo almeja ser clérigo, pois o clericato proporciona diversos privilégios.
  • 54.
    Os clérigos titularesde um cargo desfrutam de bens cujos rendimentos servem para sustentá-los: são os benefícios. Há os benefícios menores (paróquias, priorados, castelanias) e os maiores (arcebispados, dioceses, abadias). Tanto na França como na Inglaterra, a Igreja é o proprietário mais rico do reino e concede, enquanto tal, parte de seus domínios àqueles que estão a seu serviço. A importância do benefício é proporcional à da função ocupada.
  • 55.
    A cavalaria A cavalariaé uma instituição que se implantou no sistema feudal por volta do ano 1000. No sentido estrito, cavaleiro é todo homem de armas que se submeteu aos ritos de uma cerimônia de iniciação específica: a sagração do cavaleiro. Contudo, não basta ter sido ordenado; deve-se também obedecer a certas regras e sobretudo seguir um modo de vida particular. Os cavaleiros não formam uma classe jurídica, mas uma categoria social que reúne especialistas em combate de cavalaria - o único eficaz até o final do século XIII -, e que dispõe dos meios de levar essa existência à parte, que é a vida de cavaleiro.
  • 56.
    O povo dascidades As cidades geralmente não passam de aldeias ampliadas. No entanto, a partir do século XI verifica-se em todo o Ocidente um inegável crescimento urbano, em decorrência da retomada do comércio e das atividades de troca, do desenvolvimento do artesanato e de certas formas de indústria, da multiplicação das associações profissionais e municipais. As cidades passam a atrair novos contingentes de população, adquirem importância, ampliam suas muralhas.
  • 57.
    De um lado,nobres, comerciantes afortunados, mestres artesãos e “capitalistas”, que têm o poder político, criam e cobram impostos, possuem casas e terrenos de que retêm o aluguel. Do outro, a gente comum, pequenos artesãos, operários, biscateiros, aprendizes e miseráveis de todo tipo, que, como as tecelãs libertas por Yvain no romance Chevalier au lion, não podem senão lamentar a própria sorte: “Haveremos sempre de tecer panos de seda e jamais estaremos mais bem vestidas. Seremos sempre pobres e nuas; teremos sempre fome e sede. Jamais ganharemos o suficiente para melhorar nossa alimentação [...] Pois quem ganha vinte soldos por semana não consegue sair da miséria [...] E, enquanto vivemos na penúria, aquele para quem trabalhamos enriquece às nossas custas...“.
  • 58.
    SOCIEDADE RURALIZADA ETRIPARTIDA [A terra é a principal fonte de riqueza e poder] CLERO NOBREZA POVO Serviço religioso Ensino Assistência aos pobres e doentes Guerras Torneios Caçadas CAMPONESESComerciantes Artesãos Possuem terras e direitos sobre os camponeses - Cobram impostos - Aplicam a justiça Estão ligados por relações de vassalagem Trabalham a terra Pagam renda, corvéias, talhas, banalidades e outros impostos Estão dependentes dos senhores
  • 59.
    Economia O senhorio éo conjunto das terras sobre as quais o senhor - seja qual for sua fortuna e poder - exerce os direitos de propriedade e soberania. Representa a entidade política e econômica de base numa sociedade quase exclusivamente rural. Há senhorios de todas as dimensões e de todas as formas. É o cenário da vida cotidiana.
  • 60.
    O senhorio estádividido em duas partes: as concessões e a reserva. As concessões são pequenas porções de terra arrendadas pelo senhor a camponeses, que em troca lhe devem uma parte de sua produção (paga in natura ou em dinheiro, conforme as modalidades extremamente variáveis de uma região à outra) e a prestação de serviços nas terras do senhor, a chamada corvéia (lavoura, colheita, vindima, transporte).
  • 61.
    A reserva éo domínio diretamente explorado pelo senhor. Ela compreende o castelo e suas dependências, terras aráveis cultivadas pelos servos domésticos ou pelos camponeses na corvéia, pastagens, bosques e rios sobre os quais todos os habitantes do senhorio possuem direitos de uso relativamente amplos.
  • 62.
    Sobre o conjuntodas concessões e da reserva, o senhor representa a autoridade pública: ele administra a justiça, exerce os direitos de polícia, assegura a defesa militar. Somado a esse poder geral de comando, há um poder econômico decorrente de seu status de proprietário: por um lado, cobra taxas sobre todas as atividades de troca (direitos de passagem, feiras, mercados); por outro, possui certas oficinas e aparelhos de produção (forja, moinho, prensa para espremer frutos, forno), que os habitantes são obrigados a utilizar, pagando uma taxa. Esse monopólio, denominado “banalidade”.
  • 63.
  • 64.
    O poder daIgreja Nenhuma instituição foi tão rica, bem organizada e influente na Europa feudal quanto a Igreja Católica. Com a transformação do cristianismo em religião oficial do Império Romano, em 391, durante o reinado de Teodósio, a Igreja passou a acumular fortunas e vastos territórios. No século V, a instituição tinha uma organização hierárquica definida - com padres e sacerdotes na base da pirâmide, bispos logo acima e o papa no topo - e estava bem instalada pelo continente. Os religiosos dedicaram-se a converter os bárbaros e a promover sua integração com os romanos, ganhando prestígio e passando a assumir funções administrativas nos novos reinos.
  • 65.
    Além de deterempoder político e econômico, os sacerdotes formavam a elite que sabia ler e escrever e passaram a encerrar em si o monopólio do conhecimento. Não à toa, os maiores expoentes da filosofia medieval são religiosos: Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. O pensamento filosófico da época foi intensamente influenciado pelo cristianismo, confundindo-se com a teologia.
  • 66.
    Com tanto podernas mãos, as autoridades católicas fizeram de tudo para aumentá-lo ainda mais. Para isso, muitas vezes usavam como pretexto o suposto combate à heresia (prática contrária à doutrina da Igreja). O símbolo máximo dessa repressão foi a instauração, em 1231, dos Tribunais do Santo Oficio, ou Inquisição, que tinham poderes para julgar e condenar à morte os réus considerados infiéis.
  • 67.
    A intensa participaçãodos clérigos nas questões terrenas provocou reações de alguns cristãos, que decidiram isolar-se para viver de forma simples, sob votos de castidade e pobreza. Desse setor nasceram as ordens monásticas, cujos membros habitavam mosteiros e se dedicavam ao trabalho intelectual e à oração. A Ordem dos Beneditinos, fundada por São Bento, em 525, consolidou a estrutura dessas organizações.
  • 68.
    PAPA (Bispo de Roma) DEUS COLÉGIOCARDINALÍCIO CÚRIA ROMANA CARDEAIS ABADES PRIORES FRADES CLERO REGULAR Cidade Campo MONJAS - MONGES CLERO SECULAR SACERDOTES BISPOS ARCEBISPOS PARÓQUIAS DIOCESES CARDEAIS Organização da Igreja Católica Romana
  • 69.
    Cisma do Oriente(1054) O Grande Cisma do Oriente, Cisma do Oriente ou Cisma Ocidente-Oriente foi a cisão formal da unidade da igreja cristã em Igreja Católica e Igreja Ortodoxa, que tornou- se documentalmente evidente em 1054. Cisma do Ocidente (1378-1417) Cisão na Igreja Católica, durante a qual houve dois Papas ao mesmo tempo, um estabelecido em Roma, outro em Avinhão. Em 1409, houve até um terceiro Papa, em Pisa. O Concílio de Constança (1414) e, depois, a eleição do Papa Martinho V puseram-lhe fim. Querela das Investiduras (1085-1122) Disputa político-religiosa entre o Imperador do Sacro Império Romano-Germânico e o Papa, envolvendo o direito de nomeação para os cargos eclesiásticos. A disputa encerrou-se em 1122 com a Concordata de Worms que limitou o poder do imperador e afirmou o a supremacia do papado. Começava o período de supremacia do poder papal sobre o poder político dos governantes da Europa.
  • 71.
    Decadência do feudalismo Apartir do século XI, as invasões da Europa começaram a cessar. Além disso, a Igreja conseguiu diminuir os conflitos entre senhores feudais. A principal medida tomada nesse sentido foi a Paz de Deus: para evitar os prejuízos causados pelos embates, a Igreja proibiu os confrontos em determinados dias da semana. A Europa entrou num período de relativa paz e segurança. A agricultura se desenvolveu, o que possibilitou um conseqüente crescimento populacional. Porém, a partir do fim do século XIII, aproximadamente, o sistema feudal deixou de dar conta da sociedade em expansão. Sobretudo após as Cruzadas, que liberaram o Mediterrâneo aos europeus, a pressão pelo aumento do comércio e pela urbanização levou, aos poucos, à substituição do feudalismo por um novo sistema econômico: o capitalismo, que se consolidaria na Idade Moderna.
  • 72.
    As Cruzadas A sCruzadas foram uma série de expedições militares comandadas pela Igreja Católica e por nobres europeus, entre o século XI e o XIII, rumo à região de Jerusalém. Formalmente, tinham um objetivo religioso: retomar a cidade - considerada sagrada pelos cristãos -, que fora dominada pelos turcos muçulmanos em 1071. Porém, suas principais motivações eram políticas e econômicas, e foi nesse último campo que as Cruzadas obtiveram maior sucesso: possibilitaram o renascimento do comércio no mar Mediterrâneo - o que contribuiria decisivamente para a crise do feudalismo na Europa.
  • 73.
    Motivos No século XI,a Igreja Católica passava por crises internas. Havia sofrido forte golpe em 1054, no Cisma do Oriente, quando o alto clero de Constantinopla rejeitou a supremacia papal de Roma, dando origem à Igreja Ortodoxa. Além disso, estava travando uma disputa de poder com o Sacro Império Romano-Germânico, conhecida como Querela das Investiduras, que acabaria por restringir a atuação política do papa. Para completar, as peregrinações a Jerusalém haviam sido impedidas pelos muçulmanos, e corriam boatos de que o Santo Sepulcro tinha sido destruído. Foi então que o papa Urbano II, em seu discurso durante o Concílio de Clermont, na França, em 1096, conclamou todos os cristãos europeus a conquistar a Terra Santa. Era a oportunidade de a Igreja reafirmar seu poder.
  • 74.
    Deus Vult! "A vós,abençoados homens de Deus, dirijo estas palavras. E que não sejam levadas levianamente, pois são expressas pela Santa Igreja, que, pelo sagrado pacto com Nosso Senhor, é sua santíssima voz na terra. (...) Não mais levantarão as espadas entre si, ceifando vidas e pecando contra o Evangelho. Aproximem-se guerreiros abençoados. Os que dentre vocês roubaram tornem-se agora soldados, pois a causa é suprema. Aqueles que cultivam mágoas juntem-se aos seus causadores, pois a irmandade é essencial ao objetivo. Aproximem-se os que desejam vida eterna, aproximem-se os que desejam absolvição no sagrado. (...) Francos! A Palestina é lugar de leite e fluindo, território precioso aos olhos de Deus. Um lugar a ser conquistado e mantido apenas pela fé. Nós apelamos às vossas espadas! Lutai contra a amaldiçoada raça que avilta a terra sagrada, Jerusalém, fértil acima de todas outras. (...) O caminho será longo, a fé no Onipotente torná-lo-á possível e frutífero. Que agora o exército do Deus único brade em glória sobre os Seus inimigos!”
  • 75.
    Para a nobreza- cuja participação seria fundamental para o sucesso da empreitada -, a idéia vinha bem a calhar. O feudalismo começava a não dar conta do aumento da produção agrícola e da população. Os senhores feudais precisavam de novas terras, e o restabelecimento do comércio com o Oriente seria uma saída para a estagnação econômica que o continente vivia.
  • 76.
    Os fiéis atenderamao chamado do papa. Ainda em 1096, uma multidão de mendigos e pobres sem nenhum preparo saiu caminhando em direção a Jerusalém. Muitos morreram antes do destino final e os que chegaram foram dizimados pelos turcos. A aventura, liderada pelo pregador Pedro, o Eremita, ficou conhecida como a Cruzada dos Mendigos. Essa, porém, ainda não era uma cruzada oficial. A primeira foi organizada naquele mesmo ano. No total, elas seriam oito e se estenderiam até meados do século XIII. As quatro primeiras foram as mais importantes.
  • 79.
    Consequências das Cruzadas AsCruzadas não conseguiram o reconquistar a Terra Santa mas trouxeram muitas mudanças para a Europa.  Dinamizaram o comércio, permitiram um maior intercâmbio com o Oriente de onde vieram novos produtos agrícolas (cana-de-açúcar, arroz), técnicas de cultivo e de produção de tecidos. Os maiores beneficiados com a dinamização do comércio no mediterrâneo foram sem dúvida os italianos de Gênova e Veneza.  Enfraqueceu o feudalismo. Os fracasso militares, o endividamento e a morte de muitos nobres permitiu o avanço do poder real e o enfraquecimento dos laços de servidão.
  • 80.
     A intensificaçãodo intercâmbio cultural com o Oriente (Islã e Bizâncio), além de trazer novas (e velhas) idéias para a Europa, auxiliou no “refinamento” da sociedade européia.  Houve a fundação de várias Ordens Militares, algumas delas, como a dos Cavaleiros Teutônicos, existem ainda hoje e teve uma grande atuação no leste Europeu, seja na evangelização seja na expansão dos interesses comerciais da Liga Hanseática.  A agressão dos cristãos acirrou a rivalidade com os muçulmanos que, por sua vez, começaram a diminuir a sua tolerância em relação aos cristãos.
  • 81.
    Renascimento Comercial eUrbano A reabertura do Mediterrâneo ao comércio, consolidada na Quarta Cruzada, começou a transformar a economia feudal. Estabeleceram-se rotas comerciais ligando regiões produtoras - como Flandres (onde atualmente ficam Bélgica e Holanda), famosa por sua lã - e as cidades portuárias italianas que controlavam o contato com o Oriente - Veneza e Gênova. Nos cruzamentos dessas novas rotas foram organizados centros de comércio temporários. Eram as feiras - como a de Champanhe, na França -, que reuniam mercadores de diversas partes da Europa.
  • 82.
    Nas entradas demuitas cidades da Liga Hanseática, estava escrito: “O ar da cidade liberta”.
  • 83.
    Para se protegeremde assaltos, os mercadores passaram a se estabelecer ao redor de palácios e mosteiros, formando os burgos (de onde, provavelmente, vem o termo burguês). Com o tempo, esses núcleos cresceram e ergueram novas muralhas a seu redor. Constituíam-se assim as cidades. No entanto, por viverem em áreas ainda pertencentes aos feudos, os burgueses eram obrigados a pagar impostos aos senhores. A luta pela independência urbana ficou conhecida como movimento comunal, e a emancipação era garantida pelas cartas de franquia, documento que assegurava às cidades direitos como o de cobrar impostos e organizar milícia.
  • 84.
    Livres da tutelafeudal, as novas cidades se organizaram em ligas (ou hansas), para agilizar o comércio e congregar interesses. A mais importante foi a Liga Teutônica (ou Hanseática), que chegou a reunir mercadores de mais de 80 pólos urbanos. Dentro das cidades, os burgueses também se organizaram em corporações, para garantir o monopólio do comércio local. As mais conhecidas foram as corporações de mercadores, ou guildas, que limitavam o comércio estrangeiro e controlavam os preços, e as corporações de ofício, que agrupavam artesãos - com o objetivo de impedir a concorrência de quem produzisse o mesmo artigo
  • 85.
    Na hierarquia dascorporações de ofício, os mestres eram os proprietários das oficinas e donos das ferramentas. Cabia-lhes estipular salários e normas de trabalho. Abaixo deles estavam os oficiais, trabalhadores especializados remunerados, e, por último, os aprendizes, jovens sem experiência que recebiam roupas, alimento e moradia em troca de trabalho.
  • 86.
    “A partir doséculo XI, a classe artesã e a classe dos mercadores, que se haviam tornado mais numerosos e muito mais indispensáveis à vida de todos, afirmaram-se cada vez mais vigorosamente no contexto urbano, em especial a classe dos mercadores, pois a economia medieval, a partir da grande renovação desses anos decisivos, foi sempre dominada, não pelo produtor, mas pelo comerciante.” BLOCH, Marc. A Sociedade Feudal.
  • 87.
    Crise do feudalismo Paracomprarem os produtos vendidos nas cidades e, assim, saciarem sua fome por luxo, os senhores feudais precisaram aumentar a produção. Explorado à exaustão, o solo começou a mostrar sinais de esgotamento, o que, somado a fortes chuvas do início do século XIV, diminuiu gravemente a oferta de alimentos, causando a Grande Fome. A situação piorou entre 1348 e 1350, com a Peste Negra, uma epidemia de peste bubônica que matou cerca de um terço da população européia.
  • 89.
    A dizimação doscamponeses causou uma crise de mão-de-obra. Em algumas regiões, os servos foram ainda mais explorados, para manter o ritmo da produção, situação conhecida como segunda escravidão. Em outras, passaram a exigir o recebimento de salários e diminuição nos impostos. As tensões sociais levaram a uma série de revoltas camponesas em várias partes do continente. Na França, elas ficaram conhecidas como jacqueries.
  • 90.
    Evolução demográfica daEuropa ocidental 1000 1100 1200 1300 1400 1500 Itália 5,0 5,75 7,25 10,0 7,0 10,0 Alemanha 3,5 4,0 6,0 9,0 6,5 9,0 França 6,5 7,75 10,5 16,0 11,0 15,0 Inglaterra 1,5 1,75 2,5 3,75 2,5 3,75 Espanha 4,0 4,5 5,5 7,5 5,5 6,5 Portugal 0,6 0,7 0,9 1,25 0,9 1,25 Totais 21,1 24,45 32,65 47,5 33,4 45,5 Valores arredondados, em milhões de habitantes.
  • 91.
    A crise dofeudalismo fez com que os senhores feudais fossem lentamente perdendo poder político. Ao mesmo tempo, fortaleciam-se a burguesia e o poder real. Essa transição só se conclui a partir da Idade Moderna, com a formação das monarquias nacionais e o nascimento do capitalismo.
  • 92.
    Formação das monarquiasnacionais O fortalecimento dos monarcas nacionais dependia da neutralização de duas grandes forças: o universalismo, representado pela Igreja Católica, e o localismo, representado pelos senhores feudais. Na Idade Média, o poder dos reis era descentralizado e nominal, limitado a seus próprios domínios. Os reinos estavam fragmentados, ficando os poderes nas mãos de senhores feudais. No final da Idade Média, o crescimento comercial e urbano, as mudanças nas relações de trabalho e o surgimento da burguesia levaram ao enfraquecimento do poder local dos senhores e das cidades autônomas e do poder universal da Igreja (Papa), em benefício dos reis. Iniciava-se a formação dos Estados Nacionais.
  • 93.
    Aliança rei eburguesia Interessava à burguesia acabar com os obstáculos feudais ao comércio: pedágios, pesos e medidas, moedas, impostos e leis diferentes. Percebendo que a unificação do mercado nacional somente seria possível com a centralização do poder, a burguesia aliou-se ao rei, fornecendo-lhe capital. Dessa forma, o rei conseguiu força econômica e militar para vencer os senhores e a burguesia, condições favoráveis ao desenvolvimento das atividades mercantis.
  • 94.
    Características das MonarquiasNacionais Os monarcas organizaram exércitos profissionais para enfrentar os senhores e uma burocracia para administrar os novos Estados. Foram definindo as fronteiras de seus reinos e estabelecendo uma legislação e uma justiça nacionais. Além disso, promoveram a unificação do mercado nacional, estabelecendo moeda e impostos nacionais e um sistema único de pesos e medidas.
  • 95.
    França Na França, aformação do Estado Nacional dependeu do apoio da burguesia aos reis que, recorrendo à diplomacia e à guerra, ampliaram os domínios da Coroa e centralizaram progressivamente o poder. O processo iniciou-se sob a dinastia Capetíngia (987-1328) e completou-se com a Valois (1328-1589), que reorganizou o governo e recuperou territórios dos ingleses ao vencer a Guerra dos Cem Anos (1337-1453.
  • 96.
    Inglaterra Na Inglaterra, arealeza conseguiu manter a nobreza feudal submetida e estabeleceu um poder forte. No entanto, em 1215, os senhores impuseram a Magna Carta ao rei, limitando suas atribuições ao subordiná-lo ao Grande Conselho (Parlamento), formado por nobres e depois também por burgueses. A centralização monárquica completou-se no final da Guerra das Duas Rosas (1455- 1485), com a ascensão da dinastia Tudor.
  • 97.
    Guerra dos CemAnos (1337-1453) Problemas na sucessão do trono francês e a disputa pela Flandres (rica região produtora de tecidos) provocaram o longo conflito. Com a morte do rei da França, Filipe IV, não havia herdeiros do sexo masculino e o rei da Inglaterra Eduardo III (neto de Filipe IV, por parte de mãe) pretendeu o trono. Os franceses apoiaram Filipe VI de Valois (sobrinho do rei) e Eduardo III invadiu a França para fazer valer seu direito. Apesar das vitórias iniciais dos ingleses, coube aos franceses a vitória final. Destaca-se na guerra o papel da camponesa francesa Joana D’Arc, que acirrou o nacionalismo francês. Acusada de bruxaria, foi condenada à morte pelo Tribunal da Inquisição, em 1431.
  • 98.
    Portugal e Espanha Acentralização do poder real dependeu da Guerra de Reconquista dos territórios ibéricos ocupados pelos muçulmanos no século VIII. Partindo do reino de Astúrias, os cristãos foram formando vários reinos: Navarra, Castela, Aragão e Leão. Afonso Henriques libertou o Condado Portucalense do reino de Leão, dando origem ao reino de Portugal, no século XII. No final do século XIV, Portugal confirmou sua independência em relação a Castela com a Revolução de Avis (1383-1385), quando D. João recebeu o apoio da burguesia. A união dos demais reinos cristãos gerou a Espanha, em 1469, após o casamento entre Fernando de Aragão e Isabel de Castela — os Reis Católicos. A Reconquista concluiu-se em 1492, com a expulsão dos muçulmanos de Granada.
  • 99.
    A Europa noséc. XIV
  • 100.
    Cultura na IdadeMédia Durante muito tempo, a Idade Média foi considerada um período de ignorância e superstições, tendo sido inclusive chamada de "Idade das Trevas". Realmente, nesse período, houve um declínio nas atividades artísticas, literárias e científicas. Mas, seria um exagero classificá-lo como um período de trevas. A destruição de bibliotecas pelos bárbaros, o medo de invasões e saques, a dificuldade nas comunicações e as constantes lutas entre senhores feudais contribuíram para criar um ambiente desfavorável ao desenvolvimento das artes e ciências. Assim mesmo, a Idade Média criou obras expressivas. Os mosteiros eram os únicos lugares onde se conservava a cultura antiga. O trabalho dos monges copistas, que passavam a vida inteira copiando obras da Antigüidade, preservou essa cultura. O homem medieval, de modo geral, não sabia ler nem escrever. Os homens da igreja eram os mais instruídos, que controlavam todas as atividades artísticas, literárias e científicas da época.
  • 101.
  • 102.
    Literatura A maior parteda literatura foi escrita em latim e tratava de temas religiosos. Por volta do século XII, a literatura começou a ser escrita na língua própria de cada região e se manifestou a partir de três gêneros: poesia épica, poesia lírica e romance. A primeira valorizava a coragem, a honra e a fidelidade dos cavaleiros medievais. A lírica ou trovadoresca, originária da região de Provença, no sul da França, tinha como tema principal o amor. O romance tinha como tema central o amor e também a aventura. A maior figura literária da Idade Média foi Dante Alighieri (1265-1321), natural de Florença, Itália. Dante escreveu em latim e também em italiano. Sua obra mais importante é A Divina Comédia.
  • 103.
    Artes e Arquitetura Aarte medieval era também essencialmente religiosa. No campo das artes destaca-se a arquitetura, com a construção de templos, igrejas, mosteiros e palácios. Na arquitetura da Idade Média prevalecem dois estilos: o românico e o gótico. As construções em estilo românico (séculos X, XI e XII) caracterizam-se pelos arcos redondos, paredes baixas e grossas, grandes colunas, janelas pequenas e interior pouco iluminado.
  • 105.
    As construções emestilo gótico (final do século XII e século XIII) caracterizam-se pelos arcos em formato ogival (diversos arcos cruzados e colocados sobre colunas), janelas maiores e mais numerosas, paredes altas e interior iluminado. As janelas eram ornamentadas com belíssimos vitrais. Estes eram formados por pequenas placas de vidro colorido, unidas por chumbo, formando desenhos, como mosaicos.
  • 107.
    Na pintura destacam-seas miniaturas ou iluminuras, feitas para ilustrar manuscritos e os murais. Os murais eram pinturas feitas nas paredes, geralmente retratando figuras religiosas. Na escultura utilizaram o metal, o marfim, e a pedra. Um grande número de imagens decorava o interior dos templos.
  • 108.
    Filosofia Na filosofia, destacaram-seSanto Agostinho e São Tomás de Aquino. A principal preocupação deles era tentar harmonizar a fé cristã com a razão. Santo Agostinho era de uma corrente filosófica denominada patrística. Já São Tomás de Aquino, conseguiu reconstruir , dentro da visão cristã, boa parte das teorias de Aristóteles. Santo Agostinho fez a síntese da filosofia clássica com a platônica junto com a fé cristã. Segundo a teologia agostiniana, a natureza humana é por essência corrompida. A remissão estava na fé em Deus , a salvação eterna. Suas principais obras foram: Confissões e Cidade de Deus. Essa visão pessimista em relação a natureza humana foi substituída na Baixa Idade Média por uma concepção mais otimista e empreendedora do homem, com a filosofia escolástica, que procurou harmonizar razão e fé , partindo do fato que o progresso do ser humano dependia não só da vontade divina, mas do esforço do próprio homem. Essa atitude refletia uma tendência a valorização dos atributos racionais do homem, não devendo existir conflito entre fé e razão, pois ambas auxiliavam o homem na busca do conhecimento.
  • 109.
    A escolástica valorizoua razão e substituiu a idéia agostiniana de predestinação pela concepção de livre arbítrio, isto é, de capacidade de escolha. Mas o clero tinha o papel de orientar moralmente e espiritualmente a sociedade , condicionando a liberdade de escolha com as vontades da igreja. Desse modo ao mesmo tempo que buscava assimilar as transformações sociais, tentava preservar os valores do mundo feudal decadente, assegurando a supremacia de sua mais poderosa instituição – a igreja. São Tomás de Aquino ( 1225- 1274), deu aulas na universidade de Paris, foi o mais influente filósofo escolástico inspirado na tecnologia cristã e no pensamento de Aristóteles,elaborou a Suma teológica, obra em que discorreu sobre os mais diversos assuntos, como religião, economia e política. O pensamento de São Tomás constituiu um poderoso instrumento de ação do clero durante a Baixa Idade Média.
  • 110.
    Ciências As ciências nãose desenvolveram muito na sociedade medieval ocidental. Quase todos os estudiosos e pensadores desta época deixaram de lado as observações da natureza e a experimentação, preferindo limitar-se às obras já escritas. Os conhecimentos da Antigüidade continuaram a ser aceitos como verdades infalíveis. Na Idade Média, a maior parte dos estudos foi dedicada à teologia e à filosofia. A primeira estuda a divindade e a segunda, a compreensão da realidade. Os clérigos, os únicos estudiosos, não tinham nenhum interesse pelo conhecimento da natureza. "Discutir a natureza e a posição da Terra não nos auxilia em nossa esperança de vida futura", disse Santo Agostinho. Um dos grandes nomes da ciência medieval foi o monge franciscano Roger Bacon (1214-1294), que introduziu a observação da natureza e o uso de experimentação com métodos científicos. Ele ficou conhecido como doutor Admirável, Bacon conseguiu desenvolver estudos em diversas áreas como : geografia, filosofia e física.
  • 111.
    Os alquimistas Em várioslugares da Europa, os alquimistas trabalhavam incansavelmente, procurando, entre outras coisas, transformar chumbo em ouro e descobrir o elixir da vida eterna. Faziam suas experiências escondidos em torres e subterrâneos, pois eram considerados bruxos e, como tal, corriam sérios riscos de serem apanhados e levados a um tribunal da Igreja. Do seu paciente trabalho ficou uma herança importante para a ciência: os alquimistas descobriram muitos elementos químicos e ligas metálicas. Eles foram os precursores dos químicos modernos.
  • 112.
    Universidades Junto às catedraisde algumas cidades começaram a surgir, no século XII, escolas que se chamaram universidades. Pertenciam a corporações de alunos e mestres e eram dirigidas por elas, seguindo o exemplo das corporações de artesãos e mercadores. Com as universidades, o ensino e a cultura deixaram de ser privilégio apenas dos membros da Igreja. Além disso, ampliou-se o campo de estudos com a fundação de faculdades de Teologia, Direito, Medicina, Filosofia, Literatura, Ciências e Matemática. Graças ao desenvolvimento cultural promovido pelas universidades, as obras da Antigüidade greco-romana começaram a ser estudadas e traduzidas. Entre elas estão as obras do filósofo grego Aristóteles, que influenciaram o pensamento religioso do final da Idade Média. Algumas delas são conhecidas até hoje como Oxford e Cambridge.
  • 113.
    Inovações técnicas A sociedademedieval conheceu importantes inovações técnicas, principalmente entre os séculos VII e X. Foi nesse período que se inventou a charrua (arado pesado de ferro) e o sistema de rotação de culturas em três campos. Desenvolveram-se novos métodos de atrelar os animais e a integração entre a agricultura e a criação de gado, que possibilitava a adubação das terras com o esterco dos animais. Além disso, difundiu-se o uso dos moinhos de água (já conhecidos na Antigüidade Oriental, mas até então não utilizados na Europa) para moagem de grãos como o trigo e a cevada e para outros fins. Também o moinho de vento foi aperfeiçoado, de modo que as pás se movessem aproveitando o vento de qualquer direção.
  • 114.
    A partir doséculo X, desenvolveu-se ainda a extração mineral, devido à necessidade de pedras para a construção (castelos) e de metais para a fabricação de armas e instrumentos agrícolas. Como resultado desse grande desenvolvimento técnico, houve em toda a Europa, a partir do século X, um aumento da produção acompanhado de um progressivo aumento populacional. Também houve o aperfeiçoamento na navegação, com a utilização da bússola, dos mapas de navegação, do astrolábio além de outros instrumentos.
  • 115.
    Escolas existentes antesde 1200 logo transformadas em universidades Universidades fundadas no século XIII Universidades fundadas na primeira metade do século XIV
  • 116.
    ECONOMIA SOCIEDADE CULTURAPOLÍTICA Teocêntrica (forte influênciada Igreja); arte românica Poder local; poder real limitado pela nobreza e pelo alto clero Divisão estamental (nobreza, clero, povo) Agrícola, de subsistência, manufaturas caseiras ALTA IDADE MÉDIA Ressurgem as cidades: centros econômicos; aumento da produção; revitalização do comércio Nas cidades, os comerciantes (burguesia), ganha espaço. Perdas demográficas: fome, peste, guerras Fortalecimento progressivo dos reis. Heresias e movimentos reformistas na Igreja; universidades; gótico BAIXA IDADE MÉDIA
  • 117.
    A Baixa IdadeMédia e a Crise do Feudalismo Caracteriza-se por... MUDANÇAS POLÍTICAS EXPANSÃO EXTERNA RENASCIMENTO DAS CIDADES Dois momentos... CRESCIMENTO (séc. XII-XIII) CRISE (séc. XIV)  Aumento do poder real  Cruzadas  Aumento do comércio oriente- ocidente  Centros de atividade econômica  Centros de atividade cultural CAUSAS  Más colheitas  Peste Negra CONSEQÜÊNCIAS  Diminuição da população  Crise de valores