O Homem em busca da liberdade
O homem volta-se para si mesmo readquirindo a
consciência de que é uma força criadora capaz de
dominar o universo e transformá-lo.
Conscientiza-se que é necessário o saber,
busca o conhecimento junto da ação. Eis que surge o...
E. E. Rodrigues Alves
Profª Pettine
Humanism
o
O Homem VitruvianoO Homem Vitruviano
(Leonardo Da Vinci - 1490)
“O homem é
a medida de
todas as
coisas”
Historicamente, o Humanismo corresponde a uma fase de
profundas transformações sociais: o desenvolvimento do
comércio, o surgimento da burguesia e das cidades, a aliança
entre o rei e a burguesia (fermento das monarquias nacionais), o
aparecimento da imprensa, a divulgação da cultura clássica e as
Grandes Navegações.
Os primeiros anúncios desse processo de transição foram
registrados, na literatura, pelos italianos Dante Alighieri (1265-
1321), Francesco Patrarca (1304-1374) e Giovanni Boccaccio
(1313-1375).
O Humanismo chega a Portugal em
um momento muito importante: o reinado
da Dinastia de Avis (1385-1580). Tem como
marco inicial a nomeação de Fernão Lopes
como cronista-mor do reino. Ele escreveu
três crônicas:
•Crônica de el-rei D. Pedro I
•Crônica de el-rei D. Fernando
•Crônica de el-rei D. João
O que é o Humanismo?O que é o Humanismo?
 Concepção filosófica: o objetivo da
existência humana é a plena realização das
capacidades do homem, o que equivale à sua
felicidade; para ser feliz, o ser humano
depende apenas de si mesmo
(antropocentrismo).
HOMEM
O homem como centro e medida de todas as coisas – posição já
sustentada por Protágoras (séc. V, a.C.) e reforçada por Sócrates ao
considerar o homem como agente do conhecimento.
O que é o Humanismo?O que é o Humanismo?
 Movimento intelectual: volta aos valores da
Antigüidade Clássica.
 Movimento literário: iniciado na Itália com
Dante Alighieri (1265-1321), Francesco
Petrarca (1304-1374) e Giovanni Bocaccio
(1313-1375), resgata os autores da
Antigüidade greco-latina e fazem uma
transição entre a visão medieval (teocêntrica)
e a visão renascentista (antropocêntrica).
Dante Alighieri
Contexto HistóricoContexto Histórico
 Ascensão do comércio e da
burguesia;
 Invenção da imprensa;
 Peste Negra;
 Guerra dos Cem Anos;
 Crises internas da Igreja;
 Bifrontismo
 Idade Média + Renascença
 Feudalismo + Capitalismo
 Teocentrismo + Antropocentrismo
 Ideais cavalheirescos + ambição
burguesa
Página da Bíblia
de Gutenberg
Contexto HistóricoContexto Histórico
As classes sociais
Trovadorismo Humanismo
Nobreza Nobreza
Clero Clero
Povo Burguesia
Povo
Durante o Humanismo, surgiu uma nova classe social, a
burguesia, que era composta por comerciantes oriundos do povo.
Sua importância em fins do século XV foi tão grande que o próprio
Cristóvão Colombo só conseguiu as caravelas para descobrir as
Américas porque foi financiado pela burguesia.
 Em Portugal:
 Formação do Estado Nacional
Português;
 Batalha de Aljubarrota contra os
nobres galegos e castelhanos;
 Substituição da dinastia de Borgonha
(ligada à Espanha) pela de Avis;
 Início das grandes navegações
(Tomada de Ceuta);
 Diferenciação entre o galego e o
português;
 Mecenatismo oficial: patrocínio das
ciências e das artes.
Contexto HistóricoContexto Histórico
D. João I, da
Dinastia de
Avis
 Poesia palaciana (Cancioneiro Geral,
de Garcia de Resende);
 Prosa historiográfica de Fernão Lopes;
 Teatro de Gil Vicente.
Manifestações literárias doManifestações literárias do
Humanismo em PortugalHumanismo em Portugal
 Compilada no Cancioneiro Geral,
por Garcia de Resende (1516);
 Realizada na corte, destinava-se ao
entretenimento da nobreza;
 Poesia frívola, afetada e
circunstancial;
 Poesia para ler (separada da
música);
 O trovador é substituído pelo poeta.
Poesia PalacianaPoesia Palaciana
 A espontaneidade das cantigas
medievais é substituída pelo uso dos
versos redondilhos: 5 sílabas
(redondilha menor) e 7 sílabas poéticas
(redondilha maior).
 Composições de mote glosado: o
poeta compõe o poema com base em
um mote (tema), sobre o qual
desenvolve a sua glosa, constituída de
voltas (estrofes) que retomam o tema
um ou mais versos do mote.
Poesia PalacianaPoesia Palaciana
 Tema principal: o lirismo amoroso.
 O amor na poesia palaciana: cortês, e
sofrido (coyta) como nas cantigas de
amor; repleto de paradoxos e conflitos
espirituais (influência da poesia de
Petrarca).
 Principais autores: Garcia de
Resende, Bernardim Ribeiro, João
Ruiz de Castelo Branco, Luiz Vaz de
Camões.
Poesia PalacianaPoesia Palaciana
Estátua de
Bernardim
Ribeiro
A poesia ressurgeA poesia ressurge
Foi chamada palaciana por ser Feita
por nobres e para a nobreza,
retratando usos e costumes da
corte. a principal modiFicação
apresentada por essa poesia é a
separação entre a musica e o texto,
o que resultou em um maior apuro
Formal: apresentava rítmo e
melodia próprios, obtidos a partir da
métrica, da rima, das sílabas tônicas
e átonas. desenvolveram-se as
redondilhas, tanto a maior (verso de
sete sílabas poéticas) quanto a
menor (verso de cinco sílabas
poéticas).
Prosa HistoriográficaProsa Historiográfica
 Fernão Lopes: nomeado por D.
João I de Avis Guarda-Mor da
Torre do Tombo (1418 – início do
Humanismo em Portugal);
 Encarregado de contar a história
dos reis de Portugal;
 Crônica: na Idade Média, era a
narração dos feitos da nobreza;
 Autor de 3 crônicas:
 Crônica de El-Rei D. Pedro;
 Crônica de El-Rei D. Fernando;
 Crônica de El-Rei D. João.
Fernão Lopes
Prosa HistoriográficaProsa Historiográfica
 Características das crônicas de F. Lopes:
 imparcialidade, pesquisa, investigação, espírito crítico;
 visão de conjunto da sociedade portuguesa da época, ao
invés de exaltar a figura individual dos monarcas;
 critica a corrupção e as intrigas palacianas;
 nacionalismo;
 linguagem sóbria, cuidada;
 apresentação vibrante dos fatos, plasticidade
cinematográfica das descrições;
 densidade dos retratos psicológicos dos vultos do
passado.
 escrita caudalosa (seguida de perto hoje por José
Saramago).
 Primeiro grande prosador da Língua
Portuguesa.
1.ª página da
Chronica del Rey
D. Pedro I
O Teatro MedievalO Teatro Medieval
 O teatro na Idade Média era dividido em
encenações litúrgicas (voltadas para a
catequese) e profanas (realizadas na corte
ou nas grandes festas populares).
 O teatro litúrgico era chamado com o nome
genérico de auto, podendo apresentar a
dramatização de passagens da Bíblia
(mistérios), da vida dos santos (milagres)
ou a denúncia de comportamentos
pecaminosos (moralidades).
 O teatro profano era representado
sobretudo pela farsa, espécie de comédia
repleta de personagens caricaturescas,
exageradas, envolvidas e situações ridículas
e desastrosas.
GIL VICENTEGIL VICENTE
 Suas peças revelam o bifrontismo humanista: fortes
resíduos medievais somados a antecipações
renascentistas
 Uma visão teocêntrica e conservadora da
sociedade aliada a uma aguçado espírito crítico,
que não poupa os excessos do clero da época
 As críticas de seu teatro não se dirigem às
instituições (Monarquia, Nobreza, Igreja, Clero),
mas contra os indivíduos que as corrompiam
 Convivência de figuras bíblicas com divindades
mitológicas greco-romanas
 Toda a sociedade portuguesa do século XV
encontra-se retratada nas peças gilvicentinas: reis,
bispos, mendigos, beberrões, nobres orgulhosos,
judeus, ciganos, mouros, negros, soldados,
comerciantes, artesãos, agiotas, camponesas
ingênuas, damas da corte, esposas infiéis,...
Gil Vicente
 Serviu-se dos dois principais gêneros
teatrais de seu tempo: o auto (litúrgico) e
a farsa (profana, cômica)
 Dois tipos de peças:
 peças de ação fragmentária: sem ligação
entre as cenas (Auto da barca do inferno)
 peças de enredo: desenvolvem uma trama
(Farsa de Inês Pereira)
 Dois tipos de personagens:
 Personagens-tipos: representam toda uma
classe social (o Fidalgo, o Frade, o Juiz, o
Cavaleiro,... do Auto da barca do inferno)
 Personagens alegóricas: personificam idéias
ou instituições (Todo-o-Mundo, Ninguém, do
Auto da Lusitânia)
Gil Vicente
GIL VICENTEGIL VICENTE
 A linguagem gilvicentina:
 Sincretismo: mistura a fala coloquial
com a culta, formas mais antigas
com outras mais modernas (escritor
de transição)
 Textos com trechos em português,
castelhano, latim e no dialeto
saiaguês (o “caipira” de Portugal)
 Falas das personagens em versos
redondilhos, agrupados em estrofes
rimadas → Teatro poético
GIL VICENTEGIL VICENTE
Calcula-se que o autor tenha escrito cerca de 44
peças (há quem fale em cinqüenta, mas algumas se
perderam), 17 em português, 11 em castelhano e 16
bilíngües. Suas obras podem ser divididas em:
 Autos Pastoris: algumas têm caráter religioso,
outras, profano.
 Autos de Moralidade: gênero em que Gil Vicente se
celebrizou.
 Farsas: peças de caráter crítico, utilizam tipos
populares como personagens e desenvolvem-se em
torno de problemas da sociedade. (Farsa de Inês
Pereira e Farsa do Velho da Horta).
Farsa de Inês PereiraFarsa de Inês Pereira
 Desafio proposto a Gil Vicente para que
escrevesse uma peça baseada no ditado: “Mais
quero asno que me carregue que cavalo que me
derrube”;
 Comédia de costumes, com cenário doméstico;
 Inês Pereira é uma jovem leviana, namoradeira,
louca para arrumar um casamento nobre;
 Aparece-lhe um primeiro pretendente, Pero
Marques, um camponês rústico, meio bobo, mas
honesto, recusado por Inês;
 Dois judeus tentam empurrar para a Inês um
escudeiro chamado Brás da Mata, um pobretão
que finge ser nobre;
 Eles se casam e Brás começa a maltratar a
esposa, que frustra o seu ideal “cavalheiresco”;
 Morto Brás, Inês se casa com Pero Marques;
 Ela se envolve com um ermitão, antigo namorado
seu, ao encontro do qual Pero a leva montado em
suas costas (“mais vale um asno que me leve”).
O Velho da HortaO Velho da Horta
 Expõe ao ridículo o amor de um
velho por uma moça (crítica ao
amor serôdio);
 Um Velho apaixona-se por uma
Moça que vai à sua horta;
 Ele tenta seduzi-la com palavras
galantes, mas só recebe zombarias
da Moça;
 O Velho paga uma alcoviteira
(Branca Gil) para convencer a
Moça a se casar com ele;
 Todo o dinheiro do Velho vai para
Branca, o Velho morre na miséria e
a Moça casa-se com um belo
rapaz.
Auto da Barca do InfernoAuto da Barca do Inferno
Auto da Barca do InfernoAuto da Barca do Inferno
 Integra a Trilogia das Barcas (Auto da Barca do Inferno,
Auto da Barca do Purgatóro, Auto da Barca da Glória);
 Passa a limpo a sociedade portuguesa da época,
denunciando os seus pecados;
 Duas barcas aguardam os mortos na outra margem da vida:
uma, conduzida por um Anjo; outra, pelo Diabo e seu
companheiro;
 Desfilam por essas barcas: a nobreza (Fidalgo, com seu
pajem); os agiotas e avarentos (Onzeneiro, Judeu), um
pobre bobo (Parvo); um comerciante (o Sapateiro Joane
Antão); uma caftina, bruxa e alcoviteira (Brísida Vaz); um
clérigo e sua amante (Frade e Florença); representantes do
poder judiciário (Corregedor, Procurador); um “laranja” da
corrupção estatal (Enforcado); cruzados (quatro
Cavaleiros).
Auto da Barca do InfernoAuto da Barca do Inferno
 Tom coloquial, versos redondilhos maiores (7 sílabas
poéticas), rimados.
 Um único ato, dividido em cenas com pouca ligação
entre si (sketches).
 Personagens-tipo: raramente identificados pelo
nome, representam toda uma classe social.
 Tempo psicológico: as cenas desenvolvem-se no
além-túmulo.
 O Diabo revela um a um os pecados dos
condenados ao inferno, que em vão procuram a
barca da glória. O Anjo só absolve e acolhe o Parvo,
por sua pobreza e ignorância, e os Cavaleiros, que
morreram por Jesus Cristo.
Auto da Barca do Inferno
 Fidalgo: condenado
por seu orgulho,
luxúria e desprezo
pelos pobres.
Auto da Barca do Inferno
 Onzeneiro:
condenado pela usura,
ganância e avareza.
Auto da Barca do Inferno
 Enforcado:
condenado por
envolvimento com a
corrupção estatal.
Auto da Barca do Inferno
 Judeu: condenado por
avareza, suborno e
desrespeito ao
Cristianismo.
Auto da Barca do Inferno
 Frade e Florença:
condenados pela
luxúria e hipocrisia
religiosa.
Auto da Barca do Inferno
 Corregedor e
Procurador:
condenados por
uso do poder
em benefício
próprio.
Auto da Barca do Inferno
 Cavaleiros: salvos por
terem morrido
heroicamente em
defesa no
Cristianismo.
Auto da Barca do Inferno
 Sapateiro:
condenado pela
desonestidade e
hipocrisia religiosa.
Auto da Barca do Inferno
 Parvo: salvo por
sua pobreza e
simplicidade.
Auto da Barca do Inferno
 Brísida Vaz:
condenada por
feitiçaria, prostituição
e alcovitagem.
... o teatro Vicentino não faz distinção
entre as classes sociais. Notabilizou-se por
colocar no centro da cena, erros e ricos e
pobres, nobres e plebeus. Denuncia os
exploradores do povo, ridiculariza os velhos
sensuais. Traça um quadro animado da
sociedade burguesa do século XVI,
procurando sempre, além de divertir,
recuperar as virtudes humanas.
Em suma...
OBRIGADA!!!
Quando é chegado e tido o amor, há forças que
impulsionam e acendem as nossas estrelas...
Sopro de suave brisa na consciência da
revelação.
Nosso Ser transcende, alcança as esferas mais
elevadas, fundindo-se no fulgor das estrelas
que se acenderam.

Humanismo

  • 1.
    O Homem embusca da liberdade O homem volta-se para si mesmo readquirindo a consciência de que é uma força criadora capaz de dominar o universo e transformá-lo. Conscientiza-se que é necessário o saber, busca o conhecimento junto da ação. Eis que surge o... E. E. Rodrigues Alves Profª Pettine
  • 2.
    Humanism o O Homem VitruvianoOHomem Vitruviano (Leonardo Da Vinci - 1490) “O homem é a medida de todas as coisas”
  • 3.
    Historicamente, o Humanismocorresponde a uma fase de profundas transformações sociais: o desenvolvimento do comércio, o surgimento da burguesia e das cidades, a aliança entre o rei e a burguesia (fermento das monarquias nacionais), o aparecimento da imprensa, a divulgação da cultura clássica e as Grandes Navegações. Os primeiros anúncios desse processo de transição foram registrados, na literatura, pelos italianos Dante Alighieri (1265- 1321), Francesco Patrarca (1304-1374) e Giovanni Boccaccio (1313-1375). O Humanismo chega a Portugal em um momento muito importante: o reinado da Dinastia de Avis (1385-1580). Tem como marco inicial a nomeação de Fernão Lopes como cronista-mor do reino. Ele escreveu três crônicas: •Crônica de el-rei D. Pedro I •Crônica de el-rei D. Fernando •Crônica de el-rei D. João
  • 4.
    O que éo Humanismo?O que é o Humanismo?  Concepção filosófica: o objetivo da existência humana é a plena realização das capacidades do homem, o que equivale à sua felicidade; para ser feliz, o ser humano depende apenas de si mesmo (antropocentrismo). HOMEM O homem como centro e medida de todas as coisas – posição já sustentada por Protágoras (séc. V, a.C.) e reforçada por Sócrates ao considerar o homem como agente do conhecimento.
  • 5.
    O que éo Humanismo?O que é o Humanismo?  Movimento intelectual: volta aos valores da Antigüidade Clássica.  Movimento literário: iniciado na Itália com Dante Alighieri (1265-1321), Francesco Petrarca (1304-1374) e Giovanni Bocaccio (1313-1375), resgata os autores da Antigüidade greco-latina e fazem uma transição entre a visão medieval (teocêntrica) e a visão renascentista (antropocêntrica). Dante Alighieri
  • 6.
    Contexto HistóricoContexto Histórico Ascensão do comércio e da burguesia;  Invenção da imprensa;  Peste Negra;  Guerra dos Cem Anos;  Crises internas da Igreja;  Bifrontismo  Idade Média + Renascença  Feudalismo + Capitalismo  Teocentrismo + Antropocentrismo  Ideais cavalheirescos + ambição burguesa Página da Bíblia de Gutenberg
  • 7.
    Contexto HistóricoContexto Histórico Asclasses sociais Trovadorismo Humanismo Nobreza Nobreza Clero Clero Povo Burguesia Povo Durante o Humanismo, surgiu uma nova classe social, a burguesia, que era composta por comerciantes oriundos do povo. Sua importância em fins do século XV foi tão grande que o próprio Cristóvão Colombo só conseguiu as caravelas para descobrir as Américas porque foi financiado pela burguesia.
  • 8.
     Em Portugal: Formação do Estado Nacional Português;  Batalha de Aljubarrota contra os nobres galegos e castelhanos;  Substituição da dinastia de Borgonha (ligada à Espanha) pela de Avis;  Início das grandes navegações (Tomada de Ceuta);  Diferenciação entre o galego e o português;  Mecenatismo oficial: patrocínio das ciências e das artes. Contexto HistóricoContexto Histórico D. João I, da Dinastia de Avis
  • 9.
     Poesia palaciana(Cancioneiro Geral, de Garcia de Resende);  Prosa historiográfica de Fernão Lopes;  Teatro de Gil Vicente. Manifestações literárias doManifestações literárias do Humanismo em PortugalHumanismo em Portugal
  • 10.
     Compilada noCancioneiro Geral, por Garcia de Resende (1516);  Realizada na corte, destinava-se ao entretenimento da nobreza;  Poesia frívola, afetada e circunstancial;  Poesia para ler (separada da música);  O trovador é substituído pelo poeta. Poesia PalacianaPoesia Palaciana
  • 11.
     A espontaneidadedas cantigas medievais é substituída pelo uso dos versos redondilhos: 5 sílabas (redondilha menor) e 7 sílabas poéticas (redondilha maior).  Composições de mote glosado: o poeta compõe o poema com base em um mote (tema), sobre o qual desenvolve a sua glosa, constituída de voltas (estrofes) que retomam o tema um ou mais versos do mote. Poesia PalacianaPoesia Palaciana
  • 12.
     Tema principal:o lirismo amoroso.  O amor na poesia palaciana: cortês, e sofrido (coyta) como nas cantigas de amor; repleto de paradoxos e conflitos espirituais (influência da poesia de Petrarca).  Principais autores: Garcia de Resende, Bernardim Ribeiro, João Ruiz de Castelo Branco, Luiz Vaz de Camões. Poesia PalacianaPoesia Palaciana Estátua de Bernardim Ribeiro
  • 13.
    A poesia ressurgeApoesia ressurge Foi chamada palaciana por ser Feita por nobres e para a nobreza, retratando usos e costumes da corte. a principal modiFicação apresentada por essa poesia é a separação entre a musica e o texto, o que resultou em um maior apuro Formal: apresentava rítmo e melodia próprios, obtidos a partir da métrica, da rima, das sílabas tônicas e átonas. desenvolveram-se as redondilhas, tanto a maior (verso de sete sílabas poéticas) quanto a menor (verso de cinco sílabas poéticas).
  • 14.
    Prosa HistoriográficaProsa Historiográfica Fernão Lopes: nomeado por D. João I de Avis Guarda-Mor da Torre do Tombo (1418 – início do Humanismo em Portugal);  Encarregado de contar a história dos reis de Portugal;  Crônica: na Idade Média, era a narração dos feitos da nobreza;  Autor de 3 crônicas:  Crônica de El-Rei D. Pedro;  Crônica de El-Rei D. Fernando;  Crônica de El-Rei D. João. Fernão Lopes
  • 15.
    Prosa HistoriográficaProsa Historiográfica Características das crônicas de F. Lopes:  imparcialidade, pesquisa, investigação, espírito crítico;  visão de conjunto da sociedade portuguesa da época, ao invés de exaltar a figura individual dos monarcas;  critica a corrupção e as intrigas palacianas;  nacionalismo;  linguagem sóbria, cuidada;  apresentação vibrante dos fatos, plasticidade cinematográfica das descrições;  densidade dos retratos psicológicos dos vultos do passado.  escrita caudalosa (seguida de perto hoje por José Saramago).  Primeiro grande prosador da Língua Portuguesa. 1.ª página da Chronica del Rey D. Pedro I
  • 16.
    O Teatro MedievalOTeatro Medieval  O teatro na Idade Média era dividido em encenações litúrgicas (voltadas para a catequese) e profanas (realizadas na corte ou nas grandes festas populares).  O teatro litúrgico era chamado com o nome genérico de auto, podendo apresentar a dramatização de passagens da Bíblia (mistérios), da vida dos santos (milagres) ou a denúncia de comportamentos pecaminosos (moralidades).  O teatro profano era representado sobretudo pela farsa, espécie de comédia repleta de personagens caricaturescas, exageradas, envolvidas e situações ridículas e desastrosas.
  • 18.
    GIL VICENTEGIL VICENTE Suas peças revelam o bifrontismo humanista: fortes resíduos medievais somados a antecipações renascentistas  Uma visão teocêntrica e conservadora da sociedade aliada a uma aguçado espírito crítico, que não poupa os excessos do clero da época  As críticas de seu teatro não se dirigem às instituições (Monarquia, Nobreza, Igreja, Clero), mas contra os indivíduos que as corrompiam  Convivência de figuras bíblicas com divindades mitológicas greco-romanas  Toda a sociedade portuguesa do século XV encontra-se retratada nas peças gilvicentinas: reis, bispos, mendigos, beberrões, nobres orgulhosos, judeus, ciganos, mouros, negros, soldados, comerciantes, artesãos, agiotas, camponesas ingênuas, damas da corte, esposas infiéis,... Gil Vicente
  • 19.
     Serviu-se dosdois principais gêneros teatrais de seu tempo: o auto (litúrgico) e a farsa (profana, cômica)  Dois tipos de peças:  peças de ação fragmentária: sem ligação entre as cenas (Auto da barca do inferno)  peças de enredo: desenvolvem uma trama (Farsa de Inês Pereira)  Dois tipos de personagens:  Personagens-tipos: representam toda uma classe social (o Fidalgo, o Frade, o Juiz, o Cavaleiro,... do Auto da barca do inferno)  Personagens alegóricas: personificam idéias ou instituições (Todo-o-Mundo, Ninguém, do Auto da Lusitânia) Gil Vicente GIL VICENTEGIL VICENTE
  • 20.
     A linguagemgilvicentina:  Sincretismo: mistura a fala coloquial com a culta, formas mais antigas com outras mais modernas (escritor de transição)  Textos com trechos em português, castelhano, latim e no dialeto saiaguês (o “caipira” de Portugal)  Falas das personagens em versos redondilhos, agrupados em estrofes rimadas → Teatro poético GIL VICENTEGIL VICENTE
  • 21.
    Calcula-se que oautor tenha escrito cerca de 44 peças (há quem fale em cinqüenta, mas algumas se perderam), 17 em português, 11 em castelhano e 16 bilíngües. Suas obras podem ser divididas em:  Autos Pastoris: algumas têm caráter religioso, outras, profano.  Autos de Moralidade: gênero em que Gil Vicente se celebrizou.  Farsas: peças de caráter crítico, utilizam tipos populares como personagens e desenvolvem-se em torno de problemas da sociedade. (Farsa de Inês Pereira e Farsa do Velho da Horta).
  • 22.
    Farsa de InêsPereiraFarsa de Inês Pereira  Desafio proposto a Gil Vicente para que escrevesse uma peça baseada no ditado: “Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube”;  Comédia de costumes, com cenário doméstico;  Inês Pereira é uma jovem leviana, namoradeira, louca para arrumar um casamento nobre;  Aparece-lhe um primeiro pretendente, Pero Marques, um camponês rústico, meio bobo, mas honesto, recusado por Inês;  Dois judeus tentam empurrar para a Inês um escudeiro chamado Brás da Mata, um pobretão que finge ser nobre;  Eles se casam e Brás começa a maltratar a esposa, que frustra o seu ideal “cavalheiresco”;  Morto Brás, Inês se casa com Pero Marques;  Ela se envolve com um ermitão, antigo namorado seu, ao encontro do qual Pero a leva montado em suas costas (“mais vale um asno que me leve”).
  • 23.
    O Velho daHortaO Velho da Horta  Expõe ao ridículo o amor de um velho por uma moça (crítica ao amor serôdio);  Um Velho apaixona-se por uma Moça que vai à sua horta;  Ele tenta seduzi-la com palavras galantes, mas só recebe zombarias da Moça;  O Velho paga uma alcoviteira (Branca Gil) para convencer a Moça a se casar com ele;  Todo o dinheiro do Velho vai para Branca, o Velho morre na miséria e a Moça casa-se com um belo rapaz.
  • 24.
    Auto da Barcado InfernoAuto da Barca do Inferno
  • 25.
    Auto da Barcado InfernoAuto da Barca do Inferno  Integra a Trilogia das Barcas (Auto da Barca do Inferno, Auto da Barca do Purgatóro, Auto da Barca da Glória);  Passa a limpo a sociedade portuguesa da época, denunciando os seus pecados;  Duas barcas aguardam os mortos na outra margem da vida: uma, conduzida por um Anjo; outra, pelo Diabo e seu companheiro;  Desfilam por essas barcas: a nobreza (Fidalgo, com seu pajem); os agiotas e avarentos (Onzeneiro, Judeu), um pobre bobo (Parvo); um comerciante (o Sapateiro Joane Antão); uma caftina, bruxa e alcoviteira (Brísida Vaz); um clérigo e sua amante (Frade e Florença); representantes do poder judiciário (Corregedor, Procurador); um “laranja” da corrupção estatal (Enforcado); cruzados (quatro Cavaleiros).
  • 26.
    Auto da Barcado InfernoAuto da Barca do Inferno  Tom coloquial, versos redondilhos maiores (7 sílabas poéticas), rimados.  Um único ato, dividido em cenas com pouca ligação entre si (sketches).  Personagens-tipo: raramente identificados pelo nome, representam toda uma classe social.  Tempo psicológico: as cenas desenvolvem-se no além-túmulo.  O Diabo revela um a um os pecados dos condenados ao inferno, que em vão procuram a barca da glória. O Anjo só absolve e acolhe o Parvo, por sua pobreza e ignorância, e os Cavaleiros, que morreram por Jesus Cristo.
  • 27.
    Auto da Barcado Inferno  Fidalgo: condenado por seu orgulho, luxúria e desprezo pelos pobres.
  • 28.
    Auto da Barcado Inferno  Onzeneiro: condenado pela usura, ganância e avareza.
  • 29.
    Auto da Barcado Inferno  Enforcado: condenado por envolvimento com a corrupção estatal.
  • 30.
    Auto da Barcado Inferno  Judeu: condenado por avareza, suborno e desrespeito ao Cristianismo.
  • 31.
    Auto da Barcado Inferno  Frade e Florença: condenados pela luxúria e hipocrisia religiosa.
  • 32.
    Auto da Barcado Inferno  Corregedor e Procurador: condenados por uso do poder em benefício próprio.
  • 33.
    Auto da Barcado Inferno  Cavaleiros: salvos por terem morrido heroicamente em defesa no Cristianismo.
  • 34.
    Auto da Barcado Inferno  Sapateiro: condenado pela desonestidade e hipocrisia religiosa.
  • 35.
    Auto da Barcado Inferno  Parvo: salvo por sua pobreza e simplicidade.
  • 36.
    Auto da Barcado Inferno  Brísida Vaz: condenada por feitiçaria, prostituição e alcovitagem.
  • 37.
    ... o teatroVicentino não faz distinção entre as classes sociais. Notabilizou-se por colocar no centro da cena, erros e ricos e pobres, nobres e plebeus. Denuncia os exploradores do povo, ridiculariza os velhos sensuais. Traça um quadro animado da sociedade burguesa do século XVI, procurando sempre, além de divertir, recuperar as virtudes humanas. Em suma...
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    OBRIGADA!!! Quando é chegadoe tido o amor, há forças que impulsionam e acendem as nossas estrelas... Sopro de suave brisa na consciência da revelação. Nosso Ser transcende, alcança as esferas mais elevadas, fundindo-se no fulgor das estrelas que se acenderam.