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O AMBIENTE E AS DOENÇAS LABORAIS
Marcella Ferreira e Silva
Zulmira Rosa de Sousa Silva Duque
São Paulo
2014
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O AMBIENTE E AS DOENÇAS LABORAIS
Há muito tempo se sabe que o trabalho, quando executado sob determinadas
condições, pode causar doenças, encurtar a vida ou matar, sem rodeios, os trabalhadores. (8)
O desgaste do corpo durante o processo produtivo gera patologias específicas para
cada tipo de atividade ocupacional, além das diferentes modalidades de acidentes do trabalho,
cujas características encontram-se também diretamente relacionadas com o tipo de trabalho
executado. (18)
Em relação às condições de trabalho, os riscos ambientais estão divididos em
cinco categorias:
• Riscos Biológicos: são diretamente relacionados com micro-organismos, podendo
provocar doenças;
• Riscos Químicos: são substâncias ou produtos que podem contaminar o ambiente de
trabalho e, consequentemente, o organismo humano;
• Riscos Físicos: São resultantes da troca de energia entre o organismo e o ambiente de
trabalho, em quantidade que pode causar o desconforto, acidentes ou doenças do
trabalho;
• Riscos Ergonômicos: são as condições de trabalho que não são adaptadas às
características físicas e psicofisiológicas das pessoas;
• Riscos Mecânicos ou de Acidentes: são agentes relacionados com os processos de
trabalho e as condições físicas do ambiente. (1)
É importante observar que a nocividade do trabalho pode não ser dele próprio, ou
das atividades que o conformam, mas determinada ou agravada por 2 considerações sobre o
“tempo de trabalho”, sendo elas pela “duração” ou pela “configuração”, entendido como
“tempo de trabalho” nas mais distintas acepções, que vão desde o tempo na vida em que se
começa a trabalhar; o tempo na vida em que se para de trabalhar; o tempo ou duração do
trabalho numa jornada de trabalho (jornada, do francês jour = dia), nas semanas, nos meses,
nos anos e, enfim, na vida. “Duração”, no sentido de tempo acumulado, e “configuração”, no
sentido de sua distribuição, ou forma como a duração está organizada ou distribuída no
próprio referencial de periodização do tempo: vida, época da vida, ano, estação do ano, mês,
semana, dia, hora, minuto... (8)
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O grau de sucesso ou insucesso dos mecanismos de “agressão” irá depender não
apenas da natureza e intensidade da “agressão”, e do grau de “vulnerabilidade” aos patógenos
do trabalho, mas também da eficiência ou eficácia dos mecanismos de “defesa” do
trabalhador. (8)
Sobre a ideia de saúde a Organização Mundial da Saúde conceitua da seguinte
forma:
“condição em que um indivíduo ou grupo de indivíduos é capaz de realizar suas
aspirações, satisfazer suas necessidades e mudar ou enfrentar o ambiente. A saúde é um
recurso para a vida diária, e não um objetivo de vida; é um conceito positivo, enfatizando
recursos sociais e pessoais, tanto quanto as aspirações físicas.” (OMS, 1984 apud Rey, 1999.
Grifo introduzido). (8)
Dito em outras palavras:
“saúde é o estado caracterizado pela integridade anatômica, fisiológica e
psicológica; pela capacidade de desempenhar pessoalmente funções familiares, profissionais
ou sociais; pela habilidade para tratar com tensões físicas, biológicas, psicológicas ou
sociais.” (Rey, 1999. Grifo introduzido). (8)
Podemos concluir que, o trabalhador ao ser exposto a um agente agressor, seu
organismo irá reagir com um tipo de mecanismo de defesa, seu resultado pode ser uma
adaptação ou uma lesão. Por exemplo, o trabalhador exposto a uma natureza
predominantemente biológica, seu mecanismo de defesa poderá dar resposta imunológica
competente e adequada, caso não seja adequada irá surgir doenças decorrentes desta
exposição.
Antes de iniciarmos nossos estudos sobre as doenças ocupacionais, precisamos ter
claro algumas definições:
• Acidente de trabalho
• Doença do trabalho
• Doença profissional
A Lei 8.213/91 conceitua o acidente de trabalho, primeiro no sentido restrito,
depois no sentido amplo ou por extensão. (10)
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Do acidente-tipo, ou também chamado de macrotrauma, cuida a lei no art. 19 e
basicamente define como acidente do trabalho aquele que ocorre pelo exercício do trabalho
provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução
da capacidade permanente ou temporária para o trabalho. Ou seja, trata-se de um evento
único, subitâneo, imprevisto, bem configurado no espaço e no tempo e consequências
geralmente imediatas. (10)
O acidente de trabalho representa uma interrupção súbita no processo de trabalho,
traumática para o acidentado, diferente das doenças profissionais ou do trabalho que tem
caráter progressivo e em boa parte dos casos irreversíveis, implicando um processo lento de
degeneração orgânica do qual muitas vezes o próprio trabalhador não se dá conta. Pela
ausência inicial de sintomatologia clínica, as patologias profissionais permitem – ao contrário
dos acidentes – que o indivíduo prossiga trabalhando até que se torne inútil para a produção e
seja substituído por outro. (18)
Deste modo o objetivo deste trabalho é tratar apenas das doenças laborais, das
quais podemos analisar sob algumas características do ponto de vista de Ramazzini, Schilling
e da própria Lei 8.213/91.
Bernardino Ramazzini (1633 – 1714) parece ter sido o primeiro a tentar classificar
o que ele denominou de “doenças do trabalhador”, descrevia as doenças como, por exemplo:
“doença dos mineiros”; “doença dos que trabalham em pé”; “doença dos pintores”, “doença
dos que trabalham com enxofre”, etc. (8)
Da classificação empírica construída por Bernardino Ramazzini, há mais de 300
anos, é possível pinçar os critérios para uma primeira sistematização da patologia do trabalho:
• Num primeiro grupo estão aquelas doenças diretamente causadas pela “nocividade da
matéria manipulada”, de natureza relativamente específica, e que vieram dar origem às
“doenças profissionais” (8)
• Num segundo grupo estão aquelas doenças produzidas pelas condições de trabalho:
“posições forçadas e inadequadas”, “operários que passam o dia de pé, sentados,
inclinados, encurvados etc.”. São as que mais tarde foram denominadas “doenças
causadas pelas condições especiais em que o trabalho é realizado”. (8)
O professor Richard Schilling, da Inglaterra, desenvolveu uma classificação
própria, que agrupa as “doenças relacionadas com o trabalho” em três categorias, resumidas
na tabela 1.1. (8)
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Categorias Exemplos
I - Trabalho como causa necessária, exatamente, e pelas
intoxicações agudas de origem ocupacional.
* Intoxicação por chumbo
* Silicose
* "Doenças profissionais" legalmente prescritas
* Outras
II - Trabalho como fator de risco contributivo ou
adicional, mas não necessário, exemplificadas pelas
doenças comuns, mais frequentes ou mais precoces em
determinados grupos ocupacionais e para as quais o
nexo causal é de natureza eminentemente
epidemiológica.
* Doença coronariana
* Doenças do aparelho locomotor
* Câncer
* Varizes dos membros inferiores
* Outras
III - Trabalho como provocador de um distúrbio
latente, ou agravador de doença já estabelecida ou
preexistente.
* Bronquite crônica
* Dermatite de contato alérgica
* Asma
* Doenças mentais
* Outras
A Lei 8.213/91 subdivide as doenças ocupacionais em doenças profissionais e
doenças do trabalho, estando previstas no art. 20, I e II.
As primeiras, também conhecidas como “ergopatias”, “tecnopatias” ou “doenças
profissionais típicas”, são as produzidas ou desencadeadas pelo exercício profissional peculiar
a determinada atividade (corresponde à classificação Schilling I). Nessa situação, o trabalho é
considerado causa direta do agravo, ou seja, se o agente for eliminado, o agravo poderá ser
completamente prevenido. Dada a sua tipicidade, prescindem de comprovação do nexo de
causalidade com o trabalho. Há uma presunção legal nesse sentido. Decorrem de
microtraumas que cotidianamente agridem e vulneram as defesas orgânicas, e que, por efeito
cumulativo, terminam por vencê-las, deflagrando o processo mórbido. Por exemplo, os
trabalhadores da mineração, sabe-se de há muito que estão sujeitos à exposição do pó de
sílica, e, portanto, com chances de contrair a silicose, sendo considerada uma doença
profissional. (10) (20)
Por sua vez as doenças do trabalho, também chamadas de “mesopatias”, ou
“moléstias profissionais atípicas”, são aquelas desencadeadas em função de condições
especiais em que o trabalho é realizado (classificação Schilling II e III), ou seja, o trabalho é
um dos fatores de risco para a ocorrência do agravo. Contudo, por serem atípicas, exigem a
comprovação do nexo de causalidade com o trabalho, via de regra através de vistoria no
ambiente laboral. A retirada do fator de risco reduzirá a incidência do agravo e/ou modificará
Tabela 1.1 – Classificação das doenças segundo sua relação com o Trabalho
Fonte: Adaptado de Schilling, 1984
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a evolução da doença. Por exemplo, a ocorrência de problemas osteomusculares nos
profissionais de enfermagem. (10) (20)
Enquanto as doenças profissionais resultam de risco específico direto
(característica do ramo de atividade), as do trabalho tem como causa o risco específico
indireto. Assim, por exemplo, uma bronquite asmática normalmente provém de um risco
genérico e pode acometer qualquer pessoa. Mas se o trabalhador exercer sua atividade sob
condições especiais, o risco genérico transforma-se em risco específico indireto. (10)
A Lei 8.213/91 ainda contempla uma terceira categoria de doença, disposto no
parágrafo 2° do art. 20: “Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída na
relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o
trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência Social deve considerá-
la acidente do trabalho”. Estamos diante de uma variante da doença do trabalho, pois há uma
relação direta com as condições especiais em que é executado o trabalho, por exemplo, as
doenças ligadas à voz presentes nos trabalhadores das empresas de telemarketing. (10)
UNIDADE 1 – DOENÇAS RELACIONADAS AOS RISCOS BIOLÓGICOS
Consideram-se riscos biológicos os vírus, bactérias, parasitas, protozoários,
fungos e bacilos. (12)
Os riscos biológicos ocorrem por meio de micro-organismos que, quando entram
em contato com o ser humano, podem causar diversas doenças. Muitas atividades
profissionais favorecem o contato com tais riscos. É o caso das indústrias de alimentação,
hospitais, limpeza pública (coleta de lixo), laboratórios etc. (12)
Dentre as inúmeras doenças profissionais provocadas por micro-organismos,
destacam-se: tuberculose, brucelose, malária e febre amarela. (12)
Para que essas doenças possam ser consideradas doenças profissionais, deve haver
exposição do empregado a tais micro-organismos. Alguns agentes infecciosos que podem ter
relação com o trabalho são:
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• Dos vírus: adenovírus; caxumba; citomegalovírus; ebola; hepatite B; hepatite C;
Herpes simplex; HIV; influenza; parainfluenza; parvovirus B19; poliovirus; rotavirus;
rubéola; sarampo; varicela-zoster; vírus respiratório sincicial.
• Das bactérias: bordetella; campulobacter; corynebacyerium diphteriae; mycobacterium
tuberculosis; neisseria meningitidis; salmonella; shigella; yersínia pestis.
• Outros: chlamydia psittaci; coxiella burnetti; cryptosporidium; mycoplasma
pneumonie; sarcoptes scabiei. (12) (8)
O conhecimento dos riscos biológicos nos ambientes de trabalho é crucial para a
prevenção das doenças ocupacionais. A displicência e complacência podem resultar em
graves e ameaçadoras consequências. Os micro-organismos encontrados nos ambientes de
trabalho variam de vírus extremamente pequenos e bactérias unicelulares, até fungos e
parasitas multicelulares. (8)
É preciso adotar medidas preventivas para que as condições de higiene e
segurança nos diversos setores de trabalho sejam adequadas. (12)
As medidas de controle mais usualmente adotadas são: saneamento básico,
controle médico permanente, uso de EPI, higiene rigorosa, higiene pessoal, uso de roupas
adequadas, vacinação, treinamento, etc. (12)
Para que uma substância seja nociva ao homem, é preciso que ela entre em
contato com o organismo. Há diferentes vias de penetração para os riscos biológicos: (12)
Ingestão: a água, os alimentos em geral, mãos e objetos quando levados à boca constituem as
principais maneiras pelas quais a maioria dos agentes infectantes por via oral é transportada e
introduzida no organismo, por exemplo, ovos de helmintos (Ascaris lumbricoides, Enterobius
vermicularis, Trichuris trichiura), cistos de protozoários (Entamoeba histolytica, Giardia
lambia), bactérias entéricas (Salmonella sp., Shigella sp., Escherichia coli enteropatogênica) e
enterovírus (vírus da poliomielite, rotavírus, e outros). (8)
Inalação através das vias respiratórias superiores: gotículas expelidas pela boca e pelo
nariz contendo vírus diversos (gripe, sarampo, etc.); população viável de Mycobacterium
tuberculosis no escarro em dessecação, associada a micropartículas de poeira; esporos de
fungos das espécies Histoplasma capsulatum e Paracoccidioides braziliensis, responsáveis,
respectivamente, pela histoplasmose e pela paracoccidioidomicose; frações de muco nasal
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contendo Mycobacterium leprae, agente da hanseníase, e diversos outros exemplos, compõem
uma vasta lista de biopatógenos que podem estar presentes em suspensão no ar inalado. (8)
Penetração através das mucosas: de forma geral, as mucosas expostas aos fatores
ambientais – vagina, uretra, olhos, boca – dispõem de condições biofísico-químicas
favoráveis à instalação de germes e consequente desenvolvimento de infecções específicas. O
material chegado à mucosa sadia pode originar-se do contato direto com outra mucosa doente
ou ser trasnportado por algum veículo ou vetor. A Neisseria gonorrhhoeae, responsável pela
blenorragia e pela oftalmia neonatorum, e as clamídeas, responsáveis por alguns tipos de
uretrites e pelo tracoma, são exemplos de micro-organismos que penetram pelas mucosas, aí
permanecendo e desenvolvendo estado patológico. O Trypanosoma cruzi, agente da doença
de Chagas, pode penetrar pela mucosa ocular e daí invadir a corrente sanguínea e outros
tecidos. O Schistosoma mansoni é outro agente que penetra no hospedeiro pelas mucosas. (8)
Penetração através de solução de continuidade: Feridas cirúrgicas, ferimentos acidentais,
tecidos necrosados, queimaduras, escarificações, e, de forma geral, toda descontinuidade da
pele pode servir de porta de entrada para agentes infecciosos. Esses podem ter sido
depositados sobre a pele antes de ocorrido o seu rompimento naquele ponto e introduzidos
durante o processo ou podem vir a ser aí depositados por vetores ou veículos após a
ocorrência da lesão. São conhecidos casos de tétano produzidos por contaminação do coto
umbilical pela deposição intencional de excremento animal, usado como curativo. No entanto,
a penetração do Clostridium tetani não se dá, na maioria dos casos, de forma tão inusitada,
sendo a penetração mais simples. Os esporos são veiculados por poeira e terra contaminadas
com fezes humanas ou de animais. Em alguns casos, o ferimento que deu acesso ao esporo é
tão insignificante que passa despercebido. O Trypanosoma cruzi pode ser levado à circulação
com o rompimento da pele por ação da unha no ato de coçar locais onde o barbeiro defecou
ao sugar sangue. (8)
Deposição sobre a pele seguida de propagação localizada: os agentes etiológicos das
dermatofitoses (fungos dos gêneros Microsporum e Trichophyton) tem acesso ao couro
cabeludo, às unhas e à pele, por contato direto com indivíduos infectados, ou indiretamente
por contato com objetos, pisos úmidos, instrumentos de barbearia e manicure. (8)
Introdução no organismo com auxílio de objetos e instrumentos: neste caso, o acesso
pode se dar pelos orifícios naturais ou através de perfurações cirúrgicas ou acidentais. A
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transmissão por transfusão de sangue poderia também ser enquadrada neste item,
considerando que a penetração do bioagente se dá por intrusão no corpo, com auxílio de
objeto mecânico. Uma grande parte das infecções hospitalares relaciona-se a este mecanismo.
(8)
Introdução em tecido muscular ou na corrente sanguínea, por picadas de inseto ou por
mordedura de animais: através de sua probóscida introduzida na pele, fêmeas dos mosquitos
anofelinos injetam cargas de plasmódios sob a forma de esporozoítas, que darão origem à
malária. Mosquitos do gênero Culex são responsáveis pela introdução, no organismo do
hospedeiro, de larvas infectantes de Wuchereria bancrofti, agente causal da filariose. Neste
caso também a penetração se faz por inoculação através da probóscida do mosquito. Os
agentes causais do calazar (leishmaniose visceral) e da úlcera de Bauru (leishmaniose
tegumentar) são introduzidos no organismo suscetível através da picada da fêmea do
mosquito flebótomo. O vírus rábico é introduzido no organismo de seres humanos por
mordedura lacerante de cães e gatos infectados, e em bovinos, por mordedura de morcego. (8)
Penetração ativa direta do bioagente patogênico: a transmissão da sarna ocorre quando
indivíduos infectados com Sarcoptes scabiei entram em contato com susceptíveis. As fêmeas
recém-fecundadas do agente infeccioso abandonam o seu hospedeiro atual e penetram
ativamente o novo hospedeiro. Cercárias de Schistosoma mansoni saídas do seu hospedeiro
intermediário, molusco do gênero Biomphalaria e vivendo em coleções de água doce,
penetram ativamente pela pele de pessoas suscetíveis que estejam imersas na água durante o
trabalho ou recreação. Larvas infectantes de Strongyloides stercoralis, agente da
estrongiloidíase, Ancylostoma caninum e Ancylostoma braziliensis, agentes da dermtite
serpiginosa (larva migrans), podem penetrar ativamente na pele de pessoas que caminham
com os pés descalços, a partir do solo contaminado. (8)
1.1 – RELAÇÃO ENTRE AS DOENÇAS INFECCIOSAS E TRABALHO
As doenças infecciosas e parasitárias relacionadas ao trabalho apresentam
algumas características que as distinguem dos demais grupos: os agentes etiológicos não são
de natureza ocupacional, e sim as condições ou circunstâncias em que o trabalho é executado
é que são favorecedoras do contato, contágio ou transmissão. São causadas por agentes que
estão disseminados no meio ambiente, dependentes de condições ambientais e de saneamento
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e da prevalência dos agravos na população geral; vulneráveis às políticas gerais de vigilância
e da qualidade dos serviços de saúde. A delimitação ambiente de trabalho/ambiente externo é
frequentemente pouco precisa. (8)
As consequências para a saúde da exposição a fatores de risco biológico presentes
em situações de trabalho, além dos quadros de infecção aguda e crônica, incluem as reações
alérgicas e tóxicas. Um amplo espectro de planas e animais produz substâncias alergênicas,
irritativas e tóxicas com as quais os trabalhadores entram em contato, diretamente, através de
picadas ou mordeduras ou através de poeiras contendo pelos, pólen, esporos de fungos. (8)
A maioria das infecções resulta de exposição não ocupacional. Entretanto, alguns
ambientes ou doenças específicas sugerem que sua origem foi proveniente da exposição
ocupacional. Os trabalhadores da área de saúde, nos seus vários âmbitos, quer estejam em
centros de saúde, hospitais, laboratórios, necrotérios, e os profissionais de saúde que realizam
investigações de campo – vigilância da saúde, controle de vetores, e aqueles que lidam com
animais, mantêm contato direto com pacientes ou vetores transmissores de moléstias
infecciosas. Em se tratando de organismos cuja transmissão se faz através de aerossóis, o
risco de contrair a doença é várias vezes maior para o trabalhador da área de saúde do que
para a população geral. O risco também é grande no tocante à manipulação de material
perfurocortante e no ato de procedimentos invasivos. Neste cenário, torna-se importante
redobrar a atenção quanto às precauções universais, imunizações, manipulação de material
contaminado e perfurocortante, e ao hábito de lavar as mãos antes e após cada exame. (8)
Os trabalhadores que mantêm contato ou manipulam animais também possuem
risco aumentado para contrair certas infecções, principalmente os trabalhadores na
agricultura, as pessoas que trabalham em habitat silvestre (silvicultura), em atividades de
pesca, produção e manipulação de produtos animais – abatedouros, curtumes, frigoríficos,
indústria alimentícia, de carnes, pescados, zoológicos e clínicas veterinárias, além dos que
lidam com pesquisas científicas em espécies animais. (8)
É importante destacar que além das infecções propriamente ditas, algumas
proteínas lideradas através da urina, pela e outros tecidos animais, podem ser carreadas como
aerossóis, causando erupções, sintomas alérgicos ou até mesmo asma ocupacional. (8)
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Os trabalhadores que lidam com dejetos de esgoto ou lixo, principalmente onde
não há condições de sanitarismo e proteção adequadas, estão também expostos a vários riscos
biológicos. (8)
A suspeita clínica de possível doença ocupacional deve ser valorizada sempre que
um paciente pertencer a um grupo onde o risco de exposição a patógenos biológicos é
aumentado. A avaliação mais específica dependerá muito da apresentação clínica e dos
diagnósticos diferenciais. Quando se cogitar em origem ocupacional, a história detalhada deve
ser tomada no sentido de elucidar precisamente como a exposição ocorreu. A avaliação do
local de trabalho através da visita/inspeção ao espaço físico é mandatória para se compreender
o ambiente, as funções e as atividades cotidianas, determinando com mais clareza os riscos
aos quais os trabalhadores estão expostos. Dependendo das circunstâncias e dos recursos
disponíveis, uma equipe composta por médico e enfermeiro do trabalho, engenheiro e
higienista industrial, e até um especialista em biossegurança, deverá determinar a necessidade
de desencadear uma série de ações a nível individual e coletivo. Deve-se lembrar sempre da
notificação compulsória de determinadas doenças para a vigilância sanitária local. (8)
Mesmo para doenças comuns na sociedade, não há um parâmetro limítrofe bem
estabelecido de quando se deve iniciar uma investigação para explicar o surgimento
simultâneo de alguns problemas médicos dentre uma comunidade de trabalhadores. A
natureza da doença, sua prevalência na população de trabalhadores sob risco, e o padrão de
desenvolvimento de surto são critérios importantes para avaliar tais situações. (8)
Em síntese, a relação com o trabalho pode ser estabelecida através de:
• Coleta criteriosa de história ocupacional completa;
• Comparação com dados e estudos epidemiológicos e de literatura científica;
• Solicitação de perfil profissiográfico do trabalhador à empresa;
• Solicitação de dados e avaliações ambientais à empresa;
• Inspeção na própria empresa/local de trabalho.
Na tabela 1.2 alguns exemplos de ocupações e suas doenças infecciosas
relacionadas.
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OCUPAÇÃO
PRINCIPAIS DOENÇAS OU AGENTES
SELECIONADOS
Açougueiro Antraz, Tularemia, Erisipelóide
Explorador de cavernas
Bartonella henselae, celulite por pasteurella, raiva,
histoplasmose
Construção civil em grandes
áreas
Paracoccidioidomicose, Histoplasmose, Leishmaniose,
Malária
Processamento de alimentos Tularemia, Salmonelose, Triquinose
Engenho de algodão Pracoccidioidomicose
Trabalho com gado leiteiro Brucelose, Febre Q, Tinea barbae
Trabalho em creches
Hepatite A, Rubéola, Citomegalovirus e outras doenças da
infância
Dentistas Hepatites B e C, AIDS
Cavador de fossas Larva migrans cutânea, Ascaridíase, Ancilostomíase
Mergulhador ycobacterium marinum
Operador de escavadora Paracoccidioidomicose, Histoplasmose
Trabalho em lavoura
Raiva, Antraz, Brucelose, Tétano, Leptospirose, Tularemia,
Paracoccidioidomicose, Histoplasmose, Ascaridíase,
Esporotricose, Ancilostomíase, Esquistossomose
Pescador/Comerciante de
peixes
Erisipelóde (Erysipelothrix insidiosa), Esquistossomose,
Mycobacterium marinum
Jardineiro/Florista Esporotricose, larva migrans cutânea
Trabalho com pele de animais Tularemia
Trabalho em armazéns de
grãos
Tifo
Trabalho em abatedouro
Brucelose, Leptospirose, Febre Q, Salmonelose,
Estafilococcias
Médico/Enfermeiro Hepatites B e C, AIDS, Tuberculose, etc.
Veterinário/Comércio de
animais
Antraz, Brucelose, Psitacose, Dermatofitoses, Erisipelóide,
Raiva, Tularemia, Salmonelose
Criador de pássaros Psitacose
Trabalho em limpeza urbana Leptospirose, Ascaridíase, Ancilostomíase
Lavadeira Dermatofitoses.
Tabela 1.2 - Exemplos de Doenças Infecciosas Selecionadas por Ocupação
Fonte: Mendes, René - 2007
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1.2 – PRINCIPAIS DOENÇAS
Através da Portaria 1.339 de 18 de novembro de 1.999, é instituído a Lista de
Doenças Relacionadas ao Trabalho, onde também há uma lista de Doenças Infecciosas e
Parasitárias Relacionadas ao Trabalho, como segue abaixo.
DOENÇAS
AGENTES ETIOLÓGICOS OU FATORES DE RISCO DE NATUREZA
OCUPACIONAL
Tuberculose (A15-
A19.-)
Exposição ocupacional ao Mycobacterium tuberculosis (Bacilo de Koch) ou
Mycobacterium bovis, em atividades em laboratórios de biologia, e atividades
realizadas por pessoal de saúde, que propiciam contato direto com produtos
contaminados ou com doentes cujos exames bacteriológicos são positivos
(Z57.8)(Quadro 25)
Hipersuscetibilidade do trabalhador exposto a poeiras de sílica (Sílico-
tuberculose)(J65.-)
Carbúnculo (A22.-)
Zoonose causada pela exposição ocupacional ao Bacillus anthracis, em atividades
suscetíveis de colocar os trabalhadores em contato direto com animais infectados ou
com cadáveres desses animais; trabalhos artesanais ou industriais com pelos, pele,
couro ou lã. (Z57.8) (Quadro 25)
Brucelose (A23.-)
Zoonose causada pela exposição ocupacional a Brucella melitensis, B. abortus, B.
suis, B. canis, etc., em atividades em abatedouros, frigoríficos, manipulação de
produtos de carne; ordenha e fabricação de laticínios e atividades assemelhadas.
(Z57.8) (Quadro 25)
Leptospirose (A27.-)
Exposição ocupacional a Leptospira icterohaemorrhagiae (e outras espécies), em
trabalhos expondo ao contato direto com águas sujas, ou efetuado em locais
suscetíveis de serem sujos por dejetos de animais portadores de germes; trabalhos
efetuados dentro de minas, túneis, galerias, esgotos em locais subterrâneos; trabalhos
em cursos d’água; trabalhos de drenagem; contato com roedores; trabalhos com
animais domésticos, e com gado; preparação de alimentos de origem animal, de
peixes, de laticínios, etc.. (Z57.8) (Quadro 25)
Tétano (A35.-)
Exposição ao Clostridium tetani, em circunstâncias de acidentes do trabalho na
agricultura, na construção civil, na indústria, ou em acidentes de trajeto (Z57.8)
(Quadro 25)
Psitacose, Ornitose,
Doença dos Tratadores
de Aves (A70.-)
Zoonoses causadas pela exposição ocupacional a Chlamydia psittaci ou Chlamydia
pneumoniae, em trabalhos em criadouros de aves ou pássaros, atividades de
Veterinária, em zoológicos, e em laboratórios biológicos, etc.(Z57.8) (Quadro 25)
Dengue [Dengue
Clássico] (A90.-)
Exposição ocupacional ao mosquito (Aedes aegypti), transmissor do arbovírus da
Dengue, principalmente em atividades em zonas endêmicas, em trabalhos de saúde
pública, e em trabalhos de laboratórios de pesquisa, entre outros. (Z57.8) (Quadro 25)
Febre Amarela (A95.-)
Exposição ocupacional ao mosquito (Aedes aegypti), transmissor do arbovírus da
Febre Amarela, principalmente em atividades em zonas endêmicas, em trabalhos de
saúde pública, e em trabalhos de laboratórios de pesquisa, entre outros. (Z57.8)
(Quadro 25)
Hepatites Virais (B15-
B19.-)
Exposição ocupacional ao Vírus da Hepatite A (HAV); Vírus da Hepatite B (HBV);
Vírus da Hepatite C (HCV); Vírus da Hepatite D (HDV); Vírus da Hepatite E (HEV),
em trabalhos envolvendo manipulação, condicionamento ou emprego de sangue
humano ou de seus derivados; trabalho com “águas usadas” e esgotos; trabalhos em
contato com materiais provenientes de doentes ou objetos contaminados por eles.
(Z57.8) (Quadro 25)
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Doença pelo Vírus da
Imunodeficiência
Humana (HIV) (B20-
B24.-)
Exposição ocupacional ao Vírus da Imuno-deficiência Humana (HIV),
principalmente em trabalhadores da saúde, em decorrência de acidentes
pérfurocortantes com agulhas ou material cirúrgico contaminado, e na manipulação,
acondicionamento ou emprego de sangue ou de seus derivados, e contato com
materiais provenientes de pacientes infectados. (Z57.8) (Quadro 25)
Dermatofitose (B35.-)
e Outras Micoses
Superficiais (B36.-)
Exposição ocupacional a fungos do gênero Epidermophyton, Microsporum e
Trichophyton, em trabalhos em condições de temperatura elevada e umidade
(cozinhas, ginásios, piscinas) e outras situações específicas de exposição ocupacional.
(Z57.8) (Quadro 25)
Candidíase (B37.-)
Exposição ocupacional a Candida albicans, Candida glabrata, etc., em trabalhos que
requerem longas imersões das mãos em água e irritação mecânica das mãos, tais como
trabalhadores de limpeza, lavadeiras, cozinheiras, entre outros. (Z57.8) (Quadro 25)
Paracoccidioidomicose
(Blastomicose Sul
Americana,
Blastomicose
Brasileira, Doença de
Lutz) (B41.-)
Exposição ocupacional ao Paracoccidioides brasiliensis, principalmente em
trabalhos agrícolas ou florestais e em zonas endêmicas. (Z57.8) (Quadro 25)
Malária (B50 – B54.-)
Exposição ocupacional ao Plasmodium malariae; Plasmodium vivax; Plasmodium
falciparum ou outros protozoários, principalmente em atividades de mineração,
construção de barragens ou rodovias, em extração de petróleo e outras atividades que
obrigam a entrada dos trabalhadores em zonas endêmicas (Z57.8) (Quadro 25)
Leishmaniose Cutânea
(B55.1) ou
Leishmaniose
Cutâneo-Mucosa
(B55.2)
Exposição ocupacional à Leishmania braziliensis, principalmente em trabalhos
agrícolas ou florestais e em zonas endêmicas, e outras situações específicas de
exposição ocupacional. (Z57.8) (Quadro 25)
Tuberculose
É a doença mais comum da humanidade, e representa a principal doença
infecciosa responsável pela mortalidade de jovens e adultos. Ainda é importante problema de
saúde pública mundial. Em relatório da Organização Mundial de Saúde estima-se que um
terço da população mundial está infectada pelo Mycobacterium tuberculosis, com oito
milhões de novos casos de três milhões de mortes devidas à doença, por ano. (8)
No Brasil havia 35 a 45 milhões de pessoas infectadas no início da década de
1990, sendo esperados 100.000 novos casos e certa de 6.000 mortes por ano (incidência de
aproximadamente 54/100.000 habitantes). (8)
O micro-organismo responsável pela tuberculose humana é o Mycobacterium
tuberculosis, descoberto por Robert Koch, em 1882. Por ser um aeróbio estrito, infecta os
pulmões e aí se localiza preferencialmente. A presença de oxigênio facilita sua multiplicação,
Tabela 1.3 - Doenças infecciosas e parasitárias relacionadas com o trabalho (grupo I da CID-10)
Fonte: Portaria nº 1.339, de 18 de novembro de 1999
15  
  
e a ligação do órgão com o meio externo favorece sua transmissão. Como não há resposta
imediata do hospedeiro, ele cresce no interior do organismo, durante certo tempo, sem
nenhum obstáculo. A transmissão é aerógena através da eliminação de partículas com bacilos
em suspensão por perdigotos favorecidos pela tosse, fala ou espirro. (8)
O conceito que dominou a medicina até o início do século XX foi o de ausência
de risco de infecção para profissionais de saúde e para outras pessoas em contato com
pacientes tuberculosos. A partir da década de 1920, vários estudos demonstraram maior
incidência de tuberculose entre enfermeiras, médicos e estudantes de medicina. Aos poucos,
foram surgindo relatos de tuberculose em outros membros da equipe de saúde, como técnicos
de laboratório e de anatomia patológica, mostrando que o risco de infecção é diretamente
proporcional ao contato do profissional com o paciente. (8)
Em determinados trabalhadores, a tuberculose pode ser considerada “doença
relacionada com o trabalho”, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as
condições de trabalho podem favorecer a exposição a Mycobacterium tuberculosis ou a
Mycobacterium bovis, como no caso de trabalhadores em laboratórios de biologia, e em
atividades que propiciam contato direto com produtos contaminados ou com doentes
bacilíferos.(9)
Em trabalhadores expostos a poeiras de sílica ou portadores de silicose, a
tuberculose e a sílico-tuberculose deverão ser consideradas como “doenças relacionadas com
o trabalho”, do Grupo III da Classificação de Schilling, uma vez que a exposição à sílica pode
favorecer a reativação da infecção tuberculosa latente, pois os cristais de sílica no interior dos
macrófagos alveolares deprimem sua função fagocitária e aumentam sua destruição. (9)
A tuberculose representa também risco ocupacional para trabalhadores em
laboratórios e salas de necropsia. Os riscos para pessoal de laboratório incluem a manipulação
de recipientes contaminados, escarros mal fixados, geração de aerossol. Durante a realização
de exames. Para os trabalhadores em sala de necropsia, o exame em cadáveres de pacientes
com tuberculose não diagnosticada em vida constitui o principal risco. O risco estimado
destes profissionais adquirirem tuberculose é de 100 a 200 vezes maior do que o da população
geral na Inglaterra (Collins & Grange, 1999). (8)
O risco de dentistas contraírem tuberculose de SUS pacientes é relativo ao
ambiente de trabalho, e mais diretamente relacionado ao perfil sócio econômico dos seus
16  
  
pacientes. Este risco pode ser reduzido através de vigilância, educação e atenção ao perfil do
paciente atendido (Anders e cols., 1998). (8)
Carbúnculo
É uma zoonose causada pelo Bacillus anthracis, microrganismo gram-positivo,
manifestando-se, no ser humano, em três formas clínicas: cutânea, pulmonar e gastrintestinal.
A meningite e a septicemia podem ser complicações de todas essas formas. (9)
A doença tem distribuição mundial e ocorre em casos isolados no decorrer do ano,
ocasionalmente na forma de epidemias. Decorre da exposição humana ao bacilo, em
atividades industriais, artesanais, na agricultura ou em laboratórios, estando, portanto,
associada ao trabalho, como, por exemplo, pelo contato direto das pessoas com pelos de
carneiro, lã, couro, pele e ossos, em especial de animais originários da África e Ásia. Nas
atividades agrícolas, ocorre no contato do homem com gato, porco, cavalo doente ou com
partes, derivados e produtos de animais contaminados. (9)
Os principais grupos de risco são os tratadores de animais, pecuaristas, trabalhadores em
matadouros, curtumes, moagem de ossos, tosa de ovinos, manipuladores de lã crua,
veterinários e seus auxiliares. Por sua raridade e quase especificidade em determinados
trabalhadores, pode ser considerada doença profissional ou doença relacionada ao trabalho, do
Grupo I da Classificação de Schilling. (9)
Leptospirose
É uma zoonose ubiquitária causada por uma espiroqueta patogênica do grupo
Leptospiracea. A apresentação clínica é variável, com formas assintomáticas ou leves até
quadros graves, que se manifestam com icterícia, hemorragias, anemia, insuficiência renal,
comprometimento hepático e meningite. A recuperação é, geralmente, total em 3 a 6 semanas.
A gravidade da infecção depende da dose infectante, da variedade sorológica da Leptospira e
das condições do paciente. O período de incubação é variável, de 3 a 13 dias, podendo chegar
a 24 dias. (9)
17  
  
As leptospiroses constituem verdadeiras zoonoses. Os roedores são os principais
reservatórios da doença, principalmente os domésticos. Atuam como portadores os bovinos,
ovinos e caprinos. A transmissão é realizada pelo contato com água ou solo contaminados
pela urina dos animais portadores, mais raramente pelo contato direto com sangue, tecido,
órgão e urina destes animais. Não há transmissão inter-humana, exceto a intrauterina para o
feto. (9)
A leptospirose relacionada ao trabalho tem sido descrita em trabalhadores que
exercem atividades em contato direto com águas contaminadas ou em locais com dejetos de
animais portadores de germes, como nos trabalhos efetuados dentro de minas, túneis, galerias
e esgoto; em cursos d’água e drenagem; contato com roedores e com animais domésticos;
preparação de alimentos de origem animal, de peixes, de laticínios e em outras atividades
assemelhadas. (9)
Em determinados trabalhadores, a leptospirose pode ser considerada como doença
relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias
ocupacionais da exposição à Leptospira podem ser consideradas como contribuintes, no
conjunto de fatores associados com a etiologia desta doença infecciosa. (9)
Tétano
É uma doença aguda produzida pela potente neurotoxina (tetanospasmina) do
Clostridium tetani. A toxina tetânica impede a inibição do arco reflexo da medula espinhal,
promovendo reflexos excitatórios tônicos típicos, em múltiplas regiões do organismo. (9)
O C. tetani é um bacilo anaeróbio, encontrado na natureza em ampla distribuição
geográfica sob a forma de esporos, no solo, principalmente quando tratado com adubo animal,
em espinhos de arbustos e pequenos galhos de árvores, em águas putrefatas, em pregos
enferrujados sujos, em instrumentos de trabalho ou latas contaminadas com poeira da rua ou
terra, em fezes de animais ou humanas, em fios de sutura e agulhas de injeção não
convenientemente esterilizados. (9)
É disseminado pelas fezes de equinos e outros animais e infecta o homem quando
seus esporos penetram através de lesões contaminadas, em geral de tipo perfurante, mas
também de dilacerações, queimaduras, coto umbilical não tratado convenientemente, etc. A
18  
  
presença de tecido necrosado, pus ou corpos estranhos facilita a reprodução local do bacilo,
que não é invasivo e age à distância por sua toxina. (9)
A exposição ocupacional em trabalhadores é relativamente comum e dá-se,
principalmente, em acidentes de trabalho (agricultura, construção civil, mineração,
saneamento e coleta de lixo) ou em acidentes de trajeto. A doença em trabalhadores
decorrente de acidente de trabalho poderá ser considerada como doença relacionada ao
trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling. (9)
A psitacose ou ornitose é uma doença infecciosa aguda produzida por clamídias
(C. psittaci e C. pneumoniae). A enfermidade, em geral, é leve ou moderada, podendo ser
grave em idosos sem tratamento adequado. (9)
A psitacose é quase sempre transmitida aos seres humanos por via respiratória.
Em raras ocasiões a doença pode ser contraída através da bicada de um pássaro. O contato
prolongado não é essencial para a transmissão da doença. Alguns minutos passados no
ambiente previamente ocupado por uma ave infectada tem resultado em infecção humana. (8)
O período de incubação varia de uma a quatro semanas, e a transmissibilidade
dura semanas ou meses. (8)
As fontes mais frequentes de infecção da C. psittaci são periquitos, papagaios,
pombos, patos, perus, canários, entre outros, que transmitem a infecção por meio de suas
fezes dessecadas e disseminadas com a poeira, sendo aspiradas pelos pacientes. Apesar de
rara, é possível a transmissão via respiratória, de pessoa a pessoa, na fase aguda da doença. É
uma zoonose que acomete trabalhadores de criadouros de aves, clínicas veterinárias,
zoológicos e de laboratórios biológicos. A C. pneumoniae infecta somente seres humanos,
sendo transmitida de pessoa a pessoa. Por sua raridade e relativa especificidade, a
psitacose/ornitose poderá ser considerada como doença profissional ou doença relacionada ao
trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling, nos trabalhadores de granjas e criadores de
aves (patos, gansos, periquitos, pombos, etc.), empregados de casas de comércio desses
animais, veterinários, guardas florestais e outros em que se confirme as circunstâncias de
exposição ocupacional. (9)
19  
  
Dengue
É uma doença aguda febril, endemo-epidêmica, causada por um dos Flavivírus do
dengue (família Togaviridae), com quatro tipos sorológicos (1, 2, 3 e 4). Os seres humanos
são reservatórios e a transmissão ocorre pela picada dos mosquitos Aedes aegypti, A.
albopictus e o A. scutellaris. Após repasto de sangue infectado, o mosquito estará apto a
transmitir o vírus após 8 a 12 dias de incubação extrínseca. A transmissão mecânica também é
possível, quando o repasto é interrompido e o mosquito, imediatamente, alimenta-se num
hospedeiro suscetível próximo. Não há transmissão por contato direto de um doente ou de
suas secreções para uma pessoa sadia, nem por fontes de água ou alimento. (9)
O período de incubação da doença é de 3 a 15 dias, em média de 5 a 6 dias. O
período de transmissibilidade ocorre durante o período de viremia, que começa um dia antes
da febre até o sexto dia da doença. Quando o agente etiológico for conhecido, o nome
completo da doença será dengue por vírus tipo 1 ou dengue por vírus tipo 2, etc. (9)
O dengue pode ser considerado como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II
da Classificação de Schilling, uma vez que as circunstâncias ocupacionais da exposição aos
mosquitos vetores (Aedes) e/ou aos agentes infecciosos (Flavivírus) podem ser consideradas
como fatores de risco, no conjunto de fatores associados com a etiologia desta doença
infecciosa. (9)
O dengue relacionado ao trabalho tem sido descrito em trabalhadores que exercem
atividades em zonas endêmicas, em trabalhos de saúde pública e em laboratórios de pesquisa,
entre outras atividades em que a exposição ocupacional pode ser identificada. (9)
Febre amarela
É uma doença febril aguda causada pelo Flavivírus da febre amarela (família
Togaviridae), com quadro clínico variável, desde formas inaparentes até as graves e fatais. A
transmissão se faz pela picada dos mosquitos infectados A. aegypti na febre amarela urbana
(FAU) e Haemagogus na febre amarela silvestre (FAS). O período de incubação é de 3 a 6
dias, após a picada do mosquito infectado, e o período de transmissibilidade é de 24 a 48
horas, antes do aparecimento dos sintomas de 3 a 5 dias após. (9)
20  
  
A febre amarela persiste na América do Sul apenas como enzootia de macacos,
tendo por transmissores mosquitos dos gêneros Haemagogus e Aedes. Os casos humanos,
pouco numerosos, incidem entre as pessoas que trabalham ou mantêm contato com as
florestas. A febre amarela urbana teve o homem como único reservatório e o A. aegypti como
transmissor, na América do Sul. Outros trabalhadores eventualmente expostos, por acidente,
incluem os que exercem atividades de saúde pública e que trabalham em laboratórios de
pesquisa, agricultores, trabalhadores florestais, em extração de madeira, em áreas e regiões
afetadas. (9)
Por sua raridade e por sua relativa especificidade, a febre amarela em
determinados trabalhadores poderá ser considerada como doença profissional ou doença
relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling. (9)
Hepatite
É termo genérico para inflamação do fígado que, convencionalmente, designa
alterações degenerativas ou necróticas dos hepatócitos. Pode ser aguda ou crônica e ter como
causa uma variedade de agentes infecciosos ou de outra natureza. O processo inflamatório do
fígado é caracterizado pela necrose hepatocelular difusa ou irregular, afetando todos os
ácinos. Suas causas principais são as viroses devidas ao vírus da hepatite A (HAV), ao vírus
da hepatite B (HBV), ao vírus da hepatite C (HCV), ao vírus da hepatite D (HDV) e ao vírus
da hepatite E (HEV). (9)
Na hepatite viral A, a fonte de infecção é o próprio homem (raramente os
macacos) e a transmissão é direta, por mãos sujas (circuito fecal-oral) ou por água (hepatite
dos trabalhadores por águas usadas) ou por alimentos contaminados. Vários surtos têm sido
descritos em creches, escolas, enfermarias e unidades de pediatria e neonatologia, com taxas
de transmissão que giram em torno de 20% em trabalhadores suscetíveis. Nos EUA, a
prevalência em trabalhadores da saúde varia de 35 a 54% (comparado com 38% da população
geral). (9)
A maioria dos dados estatísticos que se referem à hepatite A em trabalhadores da
saúde aponta os enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem como principal grupo
21  
  
acometido ou em risco. Dentre os médicos e dentistas, aqueles que lidam com crianças estão
mais expostos. (8)
Os trabalhadores do setor de lavanderia hospitalar, especialmente os
manipuladores de tecidos antes de serem lavados, apresentam taxa elevada de anticorpos IgC
para o VHA (Borg & Portelli 1999). (8)
Os trabalhadores responsáveis pela coleta de lixo estão entre os grupos
ocupacionais de risco, na dependência direta de suas condições de trabalho. (8)
Na hepatite viral B o vírus é encontrado em todas as secreções e excreções do
corpo, mas, aparentemente, apenas o sangue, o esperma e a saliva são capazes de transmiti-lo.
A infecção é adquirida, em geral, por ocasião de transfusões, de injeções percutâneas com
derivados de sangue ou uso de agulhas e seringas contaminadas ou, ainda, por relações
sexuais, homossexuais masculinas ou heterossexuais. Nos trabalhadores da saúde, a
soroprevalência de HBV é de 2 a 4 vezes maior e a incidência anual é de 5 a 10 vezes maior
do que na população em geral. (9)
Na hepatite viral C a soroprevalência em trabalhadores da saúde parece ser similar
à da população geral. A soroconversão dos trabalhadores que se acidentam com material
contaminado ocorre em 1,2 a 10% dos trabalhadores acidentados. Estima-se que 2% dos casos
devem-se à exposição ocupacional. (9)
A hepatite viral D é endêmica na Amazônia Ocidental, onde, em associação com o
vírus da hepatite B, é o agente etiológico da chamada febre negra de Lábrea, de evolução
fulminante. (9)
Portanto, em determinados trabalhadores, as hepatites virais podem ser
consideradas como doenças relacionadas ao trabalho, do Grupo II da Classificação de
Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição aos vírus podem ser
consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia
desta doença infecciosa. (9)
22  
  
HIV
Vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um distúrbio da imunidade mediada
por célula, causado por um vírus da subfamília Lentivirinae (família Retroviridae),
caracterizada por infecções oportunistas, doenças malignas (como o sarcoma de Kaposi e o
linfoma não-Hodgkin), disfunções neurológicas e uma variedade de outras síndromes. A
síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS ou SIDA) é a mais grave manifestação de um
espectro de condições HIV-relacionadas. O risco de que pessoas infectadas, não tratadas,
desenvolvam a AIDS é de 1 a 2% por ano nos primeiros anos após a infecção e cerca de 5%
nos anos seguintes. O risco acumulado de desenvolvimento da síndrome em infectados não
tratados é de cerca de 50%. (9)
Os profissionais de saúde constituem um grupo com características especiais de
exposição ao HIV, devido às suas possibilidades de infectar-se durante as atividades do
trabalho cotidiano. O número de situações de contato com sangue, secreções e fluidos
orgânicos no trabalho, na área da saúde, é muito grande. (8)
Desde o início da epidemia, a possibilidade de contaminação dos profissionais de
saúde motivou investigações dirigidas à quantificação deste risco, e despertou os órgãos
oficiais para a necessidade de medidas voltadas a sua redução. (8)
O primeiro caso confirmado de contaminação ocupacional pelo vírus HIV ocorreu
em 1984, na Inglaterra. Uma enfermeira sofreu acidente pefurocortante por agulha contendo
sangue de uma paciente que se encontrava internada com pneumonia e era portadora do vírus
HIV. Duas semanas após o acidente, a enfermeira apresentou os sintomas de infecção aguda
pelo HIV (febre, cefaleia, mialgia etc.). No segundo mês o seu soro revelava positividade para
o vírus. Houve confirmação da transmissão ocupacional do HIV da paciente para a
enfermeira. (8)
A taxa de soroconversão pós-exposição ocupacional por ferimento percutâneo tem
variado entre 0,1 e 0,4%, sendo maior em função do tamanho do inóculo, da duração do
contato e da extensão do ferimento. A literatura científica internacional registra cerca de 55
casos, confirmados até 1999, decorrentes de exposição ocupacional em trabalhadores de
saúde, em decorrência de acidentes perfurocortantes com agulhas ou material cirúrgico
contaminado, manipulação, acondicionamento ou emprego de sangue ou de seus derivados e
contato com materiais provenientes de pacientes infectados. (9)
23  
  
Assim, em determinados trabalhadores, a doença pelo vírus da imunodeficiência
humana (HIV) pode ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da
Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição ao vírus são
acidentais ou ocorrem em condições específicas de trabalho, se bem documentadas e
excluídos outros fatores de risco. (9)
Dermatofitose
É o termo geral para infecções micóticas que afetam a superfície epidérmica,
devido a fungos dermatófitos. Atacam tecidos queratinizados (unhas, pelos e estrato córneo da
epiderme). As principais dermatofitoses são: Tinea capitis (Tinha tonsurante); Tinea favosa
(Favo); Tinea barbae (Sicose); Tinea corporis; Tinea manuum; Tinea cruris; Tinea imbricata
(Tinha escamosa); Tinea pedis e Tinea unguium, causadas por espécies dos gêneros
Epidermophyton, Microsporum e Trichophyton. (9)
Em determinados trabalhadores, a dermatofitose e outras micoses superficiais
podem ser consideradas como doenças relacionadas ao trabalho, do Grupo II da Classificação
de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição aos fungos dermatófitos
podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com
a etiologia desta doença infecciosa. (9)
A dermatofitose relacionada ao trabalho tem sido descrita em trabalhadores que
exercem atividades em condições de temperatura elevada e umidade (cozinhas, ginásios,
piscinas, etc.) e em outras situações específicas. (9)
Candidíase
Infecção provocada por fungo da classe Saccharomycetes leveduriformes do
gênero Candida, sobretudo pela Candida albicans. A transmissão é feita pelo contato com
secreções originadas da boca, pele, vagina e dejetos de portadores ou doentes. A transmissão
vertical se dá da mãe para o recém-nascido, durante o parto. Pode ocorrer disseminação
endógena. O período de transmissibilidade dura enquanto houver lesões. (9)
24  
  
A candidíase relacionada ao trabalho poderá ser verificada em trabalhadores que
exercem atividades que requerem longas imersões das mãos em água e irritação mecânica das
mãos, tais como trabalhadores de limpeza, lavadeiras, cozinheiras, entre outros, com
exposição ocupacional claramente caracterizada por meio de história laborativa e de inspeção
em ambiente de trabalho. Nesses casos, a candidíase poderá ser considerada como doença
relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling. (9)
Paracoccidioidomicose
Infecção fúngica sistêmica, micose causada pelo fungo Paracoccidioides
brasiliensis. A infecção dá-se por inalação de conídios em poeiras, em ambientes quentes e
úmidos, com formação de foco primário pulmonar (assintomático) e posterior disseminação.
Em pacientes com grande resistência imunológica, as formas são localizadas, com reação
granulomatosa e poucos parasitos. Nos demais, os parasitos são abundantes, os processos são
predominantemente exsudativos e as formas disseminadas predominam, com variados graus
clínicos. (9)
O trabalho com o solo e vegetais em área rural, a exemplo dos lavradores e
operadores de máquinas agrícolas, é fator predisponente importante da
paracoccidioidomicose. Inquérito epidemiológico realizado em 417 trabalhadores da mina
Morro Velho em Nova Lima – MG detectou 13,4% de positividade em teste cutâneo para
paracoccidioidomicose. (8)
Portanto, em determinados trabalhadores, a paracoccidiodomicose pode ser
considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling,
posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição ao fungo podem ser consideradas
como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia desta grave
doença infecciosa. (9)
Malária
Doença infecciosa febril aguda, causada por parasitas do gênero Plasmodium
(vivax, malariae, falciparum, ovale), caracterizada por febre alta acompanhada de calafrios,
25  
  
sudorese e cefaleia, que ocorre em padrões cíclicos, a depender da espécie do parasito
infectante. (9)
A transmissão da doença é realizada por intermédio dos esporozoítas, formas
infectantes do parasita, inoculados no homem pela saliva da fêmea anofelina infectante. (9)
Esses mosquitos, ao se alimentarem em indivíduos infectados, ingerem as formas
sexuadas do parasita – gametócitos – que se reproduzem no interior do hospedeiro
invertebrado, durante 8 a 35 dias, eliminando esporozoítas, durante a picada. A transmissão
também ocorre por meio de transfusões sanguíneas, compartilhamento de seringas,
contaminação de soluções de continuidade da pele e, mais raramente, por via congênita. (9)
A transmissibilidade da infecção ocorre do homem para o mosquito enquanto
houver gametócitos em seu sangue. O homem, quando não tratado, poderá ser fonte de
infecção durante mais de 3 anos da malária por P. malariae, de 1 a 3 anos da malária por P.
vivax e menos de 1 ano da malária por P. falciparum. (9)
O período de incubação é, em média, de 7 a 14 dias para o P. falciparum, de 8 a
14 dias para o P. vivax e de 7 a 30 dias para o P. malariae. (9)
A malária tem sido descrita em garimpeiros, agricultores, lenhadores, motoristas
de caminhão, em trabalhadores que exercem atividades em mineração, construção de
barragens ou rodovias, extração de petróleo, e em outras atividades que obrigam a presença
em zonas endêmica. (8)
A malária pode ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II
da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição aos
anofelinos transmissores podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de
fatores de risco associados com a etiologia da doença. (9)
A malária relacionada ao trabalho tem sido descrita em trabalhadores que exercem
atividades em mineração, construção de barragens ou rodovias, em extração de petróleo e
outras atividades que obrigam à presença dos trabalhadores em zonas endêmicas. (9)
Leishmaniose
Leishmaniose ou leshmaníase por Leishmania braziliensis é zoonose do
continente americano que apresenta, nos seres humanos, duas formas clínicas: a leishmaniose
26  
  
cutânea, relativamente benigna, e a leishmaniose cutaneomucosa, mais grave. É uma doença
parasitária da pele e mucosas, de caráter pleomórfico, transmitida pela picada de insetos
flebotomíneos do gênero Lutzomia. Período de incubação: pode variar de 2 semanas a 12
meses, com média de um mês. (9)
A leishmaniose comporta-se geralmente como doença profissional, ocorrendo em
áreas onde se processam desmatamentos para a colonização de novas terras, construção de
estradas e instalação de frentes de trabalho para garimpo, mineração, extração de madeira e
carvão vegetal. Também estão expostos os profissionais que trabalham sob as matas nas
plantações de cacau, extração de látex da seringueira. Outras atividades de risco são o
treinamento militar nas selvas, as expedições científicas e incursões de caçadores em áreas
florestais. (8)
Em determinados trabalhadores, a leishmaniose cutânea ou a cutaneomucosa pode
ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de
Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição ao mosquito transmissor
podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com
a etiologia desta doença infecciosa. (9)
1.3 – PREVENÇÃO
A prevenção de doenças infecciosas e parasitárias relacionadas com o trabalho
inclui medidas de educação e informação sobre os efeitos e riscos à saúde, sobre os modos de
transmissão e controle, pelo reconhecimento prévio das atividades e locais de trabalho onde
existam agentes biológicos. (8)
São medidas preventivas muito eficazes para ambientes onde há exposição
prolongada ou potencialmente grave. O controle do ambiente visa conter os riscos biológicos
em sua fonte, reduzir a concentração de aerossóis e limitar seu movimento pela atmosfera do
trabalho. Sistemas de ventilação, ar condicionado e aquecimento devem ser adequadamente
projetados e periodicamente vistoriados para prevenir a contaminação por fungos ou
bactérias. Para ambientes fechados, tais como hospitais e laboratórios de pesquisa, a
ventilação deve ser projetada de modo a proporcionar fluxo unidirecional e dirigido. O ar
proveniente de áreas com alto risco de contaminação por agentes infecciosos tais como
enfermarias de pacientes isolados, pode ser descontaminado através de filtração. (8)
27  
  
O uso de equipamentos de proteção individual está indicado toda vez que os
riscos não forem totalmente eliminados através das medidas anteriores. Deve-se sempre calçar
luvas quando em contato com secreções biológicas de qualquer tipo. O uso de aventais ou
capotes, gorros, óculos especiais de proteção, devem sempre fazer parte dos cuidados dos que
lidam com materiais, animais ou indivíduos potencialmente infectados. Deve-se salientar que
máscaras cirúrgicas ordinárias somente protegem o paciente, o animal ou o produto, da
exposição de organismos exalados pelo trabalhador. Para que o trabalhador seja protegido de
patógenos provenientes do ambiente é necessário que ele utilize máscaras especiais ou até
respiradores específicos. (8)
A manipulação, descontaminação ou armazenamento apropriados dos dejetos
biológicos são importantes medidas de controle de infecção em qualquer ambiente de
trabalho. Em hospitais e laboratórios, os dejetos potencialmente infectados devem ser
inicialmente segregados dos outros dejetos e adequadamente identificados em embalagens
próprias para resíduos biológicos. Todas as lâminas e agulhas devem ser colocadas em
contêineres seguros e à prova de furos. Agulhas nunca devem ser encapadas ou cortadas antes
de serem desprezadas. A descontaminação pode ser alcançada através da esterilização,
desinfecção ou antissepsia. (8)
Para exposição a atentes patógenos de transmissão sanguínea estão prescritas
numa série de normas conhecidas como “Normas de Biossegurança ou Prescrições
Universais”, detalhadas na tabela 1.4. (8)
Precauções Universais
1. Evitar contato direto com fluidos orgânicos: sangue, fluido cérebro-espinhal, sêmen, secreções
vaginais, leite materno. Os demais como saliva, lágrima, suor, urina e líquido amniótico não são
considerados meios de transmissão.
* Colocar luva quando da presença de qualquer desses fluidos. A utilização de luvas é
obrigatória quando da execução de punções venosas, em razão do extravasamento de sangue ser
muito grande.
* Se houver contato da boca com esses fluidos, lavar e fazer bochechos com água oxigenada a
3%.
* Se houver contato com a pele, remover os fluidos cuidadosamente, lavar com água e sabão
degermante; não usar escovinhas devido à escarifação da pele, a fim de evitar porta de entrada.
A pele deve estar íntegra, sem abrasão ou cortes.
* Usar máscaras durante os procedimentos em que exista a possibilidade de sangue e outros
fluidos corpóreos atingirem as mucosas da boca e nariz.
28  
  
* Usar óculos durante os procedimentos em que houver a possibilidade de que sangue e fluidos
corpóreos atinjam os olhos, principalmente em procedimentos cirúrgicos, endoscópicos e em
hemodiálise.
* Usar aventais protetores durante procedimentos em que exista a possibilidade de
contaminação das roupas dos trabalhadores de saúde com sangue ou fluidos corpóreos.
2. Quando o profissional tiver alguma lesão de pele, tampá-la bem com curativo impermeável.
3. Evitar picada de agulhas e lesões que provoquem solução de continuidade.
* Não recapar as agulhas, pois esse é procedimento de risco.
* Recolher as agulhas em local apropriado com solução de Hipoclorito de Sódio a 0,5%, e só
depois colocá-las no lixo.
* Caso haja picada de agulhas, pressionar imediatamente para expelir o sangue, lavar com água
e sabão degermante e fazer curativo oclusivo.
* Sempre usar luvas para procedimentos invasivos: injeção endovenosa, intramuscular, colher
sangue, passar sonda vesical, nasogástrica e traqueostomia.
4. Lavar sempre as mãos com água e sabão e secá-las após atendimentos de cada paciente,
inclusive ao se administrar cuidados no leito.
5. Cuidados com o lixo e seu destino.
* O lixo hospitalar deve ser coletado em saco plástico, amarrado e acondicionado em um novo
saco mais resistente, amarrado e encaminhado para incineração.
* A pessoa que coleta o lixo deve estar paramentada com luvas, avental e botas.
6. Cuidados na limpeza com a unidade, utensílios e roupas de cama.
* Fluido corpóreo no chão, bancada, mesa: jogar Hipoclorito de Sódio a 1% no local, por 30
minutos.
* Manipular as roupas sem agitação. Recolhê-las e rotular "contaminado".
* Para lavar as roupas com fluidos contaminantes: detergente mais água a 71°C por 25 minutos;
com temperatura inferior: deixar e molho em Hipoclorito de Sódio a 0,5% por 30 minutos.
A vacinação nos ambientes de trabalho é realizada de acordo com indicações
específicas. Existem algumas indicações gerais:
Os trabalhadores podem ser vacinados visando à proteção a organismos infecciosos tais como
agentes do tétano e hepatite B;
Os profissionais de saúde podem ser vacinados, por exemplo, contra Influenza para evitar que
contaminem inadvertidamente algum paciente;
Algumas vacinas como a da febre amarela são recomendadas para trabalhadores em viagens a
áreas endêmicas.
Tabela 1.4 – Precauções Universais
Fonte: Normas de Biossegurança ou Prescrições Universais
29  
  
UNIDADE 2 – DOENÇAS RELACIONADAS AOS RISCOS QUÍMICOS
Os riscos químicos presentes nos locais de trabalho encontram-se na forma sólida,
líquida e gasosa e classificam-se em: poeiras, fumos, névoas, gases, vapores, neblinas,
substâncias compostas e produtos químicos em geral. Poeiras, fumaças, névoas, gases e
vapores estão dispersos no ar; trata-se dos aerodispersóides. (12)
Poeira: as poeiras são partículas sólidas geradas mecanicamente por ruptura de
partículas menores. São classificadas em:
• Poeiras minerais: sílica, asbesto e carvão mineral, por exemplo. As consequências são:
silicose (quartzo), asbestose (amianto), penumoconiose dos minérios de carvão
(mineral).
• Poeiras vegetais: algodão e bagaço de cana-de-açúcar, por exemplo. As consequências
são: bissinose (algodão), bagaçose (cana-de-açúcar) etc.
• Poeiras alcalinas: calcário, por exemplo. As consequências incluem: doenças
pulmonares obstrutivas crônicas, enfisema pulmonar.
• Poeiras incômodas: incluem consequências como interação com outros agentes
nocivos presentes no ambiente de trabalho, potencializando sua nocividade.
Fumos: Trata-se de partículas sólidas produzidas a partir da condensação de
vapores metálicos. Por exemplo: fumos de óxido de zinco nas operações de sondagem de
ferro. As consequências são: doença pulmonar obstrutiva, intoxicação específica de acordo
com o metal.
Névoas: as névoas são partículas líquidas que resultam da condensação de vapores
ou da dispersão mecânica de líquidos. São exemplos: névoa resultante do processo de pintura
a revólver, monóxido de carbono liberado pelos escapamentos dos carros.
Gases: diz respeito ao estado natural das substâncias em condições normais de
temperatura e pressão. Exemplos: GLP, hidrogênio, ácido nítrico, butano, ozona etc.
Vapores: os vapores consistem em dispersões de moléculas no ar que podem se
condensar para formar líquidos ou sólidos em condições normais de temperatura e pressão.
Por exemplo: gasolina, naftalina etc.
Névoas, gases e vapores podem ser classificados em:
30  
  
• Irritantes: causam irritação das vias aéreas superiores. Exemplo: ácido clorídrico,
ácido sulfúrico, soda caustica, cloro, etc.
• Asfixiantes: produzem dor de cabeça, náuseas, sonolência, convulsões, coma e morte.
Por exemplo: hidrogênio, nitrogênio, hélio, metano, acetileno, dióxido de carbono,
monóxido de carbono etc.
• Anestésicos: em sua maioria, incluem solventes orgânicos, promovendo ação
depressiva sobre o sistema nervoso, danos a diversos órgãos, ao sistema formador de
sangue (benzeno) etc. São exemplos: butano, propano, aldeídos, cetonas, cloreto de
carbono, tricloroetileno, benzeno, tolueno, álcoois, percloritileno, xileno, etc.
As vias de penetração dos agentes químicos são: via cutânea (pele); via digestiva
(boca) e via respiratória (nariz).
A penetração dos agentes químicos no organismo depende de seu modo de
utilização.
Para avaliar o potencial tóxico das substâncias químicas, alguns fatores devem ser
levados em consideração:
• Concentração: quanto maior for a concentração, mais rapidamente seus efeitos nocivos
irão se manifestar no organismo.
• Índice respiratório: a quantidade de ar inalado pelo trabalhador durante a jornada de
trabalho.
• Sensibilidade individual: o nível de resistência varia de indivíduo para indivíduo.
• Toxicidade: o potencial de ação tóxica da substância no organismo.
• Tempo de exposição: o tempo de exposição do organismo à substância contaminante.
2.1 DOENÇAS RELACIONADAS À EXPOSIÇÃO AO RISCO QUÍMICO
2.1.1 DOENÇA RESPIRATÓRIA
Há diversas formas de classificação das doenças ocupacionais pulmonares,
baseadas na reação tecidual, nos tipos de agentes envolvidos ou no quadro clínico
predominante. A tabela 2.1 mostra uma classificação destas doenças. (8)
31  
  
Doenças Agudas
1 Trato respiratório alto
• Irritação/inflamação de cavidades nasais e seios
da face, faringe e laringe, por inalação de gases
ou particulados irritantes e/ou tóxicos.
• Rinite alérgica
2 Trato respiratório baixo
• Asma ocupacional (incluindo bissinose e
síndrome de disfunção reativa das vias aéreas)
3 Doenças do parênquima pulmonar
• Pneumonites por hipersensibilidade
• Pneumonites tóxicas
4 Doenças pleurais
• Derrame pleural
Doenças Crônicas
1 Trato respiratório alto
• Úlcera de septo nasal
2 Trato respiratório baixo
• Bronquite crônica ao fluxo aéreo
• Enfisema pulmonar
• Limitação crônica ao fluxo aéreo
3 Doenças do parênquima pulmonar
• Silicose
• Asbestose
• Pneumoconiose dos trabalhadores do carvão
• Outras pneumoconioses (incluindo reações
granulomatosas)
4 Doenças pleurais
• Fibrose pleural (em placas ou difusa)
5 Carcinomas do trato respiratório
• Adenocarcinomas dos seios da face
• Carcinoma broncogênico
• Mesotelioma
Doenças do trato respiratório alto
Podem ser classificadas conforme sua localização e etiologia em:
Tabela 2.1 - Classificação Clínica das Doenças Pulmonares
Fonte: Mendes, René - 2007
32  
  
1. Ulcerações e perfurações de septo nasal por ação direta devidas a metais pesados
como cromo hexavalente e níquel, antimônio, arsênico e cobre (Newman, 1996) (8).
2. Rinites irritativas e/ou alérgicas secundárias à inalação crônica de substâncias de alto e
baixo peso molecular com potencial alergênico, como material proteico animal,
enzimas, isocianatos, anidridos ácidos e outros. Nesse tipo de situação pode ocorrer
lesão de conjuntiva ocular e de outras mucosas de via aérea como orofaringe, e
traqueia e eventuais sinusites secundárias ao processo obstrutivo alto. (8)
3. Rinolitíase formação de concreções na cavidade nasal secundárias à presença de
substâncias higroscópicas como o cimento (calcário calcinado, desidratado), podendo
produzir desde apenas incômodo local até sangramentos (Parker, 1994) (8).
4. Carcinoma da cavidade nasal e laringe secundários à exposição a metais pesados como
o cromo hexavalente e níquel e poeiras diversas contendo hidrocarbonetos aromáticos
absorvidos nas mesmas, ou poeiras de madeiras (Doll, Morgan & Speizer, 1970;
Spiegel & Sataloff, 1996; Vieren & Imbus, 1989). (8)
Asma ocupacional
A definição mais citada é “a obstrução reversível ao fluxo aéreo e/ou
hiperresponsividade brônquica devido a causas e condições atribuíveis a um determinado
ambiente de trabalho e não a estímulos externos” (Bernstein e cols., 1999). Esta definição é
problemática, pois, com frequência, nota-se o desencadeamento de crises por estímulos
inespecíficos tais como exercício físicos, infecções e outros (Burge & Moscato, 1999). (8)
Trabalhadores com asma preexistente podem ter o quadro agravado por estímulos
inespecíficos no ambiente de trabalho, assim como desenvolver sensibilização a agentes
específicos. Esta primeira condição pode não ser considerada como AO, e sim como asma
agravada pelas condições de trabalho (Chan-Yeung & Malo, 1995), mas, do ponto de vista
prático deve ser investigada, orientada e encaminhada da mesma forma que a AO. (8)
Os mesmos mecanismos que levam um agente ocupacional a causar asma são
semelhantes aos mecanismos da asma brônquica (Gandevia, 1970) e, pode ser assim
sumarizados por ordem de importância: (8).
33  
  
1. Broncocosntrição imunológica: é o tipo de reação mais comum em AO. A maior parte
das respostas orgânicas é media por IgE específica, porém há casos em que também
anticorpos da classe IgG estão envolvidos. (8)
2. Broncoconstrição inflamatória: exposições a gases ou particulados irritantes, em altas
concentrações, podem levar à inflamação das vias aéreas, atingindo ocasionalmente, a
zona de trocas gasosas. (8)
3. Broncoconstrição reflexa: causada pela ação direta de particulados, gases e mesmo ar
frio sobre os receptores da parede brônquica, levando a uma quebra do equilíbrio
adrenérgico. (8)
4. Broncoconstrição farmacológica: alguns agentes ocupacionais têm o potencial de atuar
como agonistas farmacológicos, apresentando uma ação semelhante a drogas, com
relações dose-efeito. (8)
Pneumonite por hipersensibilidade (PH)
Manifestação clínica característica de um grupo de doenças pulmonares,
resultantes da sensibilização por exposições recorrentes a inalações de partículas antigênicas
derivadas de material orgânico e de algumas poucas substâncias químicas sintéticas. Na tabela
2.2 apresenta-se uma listagem de algumas denominações específicas da PH conforme o
antígeno ou o ambiente de trabalho causador da mesma, o tipo de aerossol veiculador do
antígeno e o antígeno específico. (8)
Doença / Exposição Aerossol Antígeno
Pulmão do fazendeiro (ou
agricultor)
Feno/palha/grãos mofados Actinomycetes termophilico
Pulmão dos criadores de aves
Excremento e penas de
aves
Proteínas de aves
Bagaçose Cana mofada
Thermoactinomyces viridis T.
sacharii
Pulmão dos trabalhadores de
malte, cogumelos, cortiça e
boldo.
Cascas e córtex mofados
Thermoactinomyces vulgaris.
Aspergillus clavatus. Penicillium
frequentans. Cryptostoma
corticale
Sequoiose Poeira mofada Pullulania sp
Trabalhadores em serrarias,
carpintarias e marcenarias
Madeiras e poeira de
madeira mofadas
Alternania sp
Pulmão dos manipuladores
de animais e peixe
Epitélio animal, proteínas
de peixe
Proteína animal e de peixes.
Fungos saprófitos
Exposição a isocianatos MDI/TDI Hapteno inorgânico
Tabela 2.2 - Pneumotinte por Hipersensibilidade
Fonte: Mendes, René – 2007
34  
  
Pneumonite tóxica ou edema pulmonar
Resultantes a exposição de altas concentrações de gases irritantes, como amônia,
cloro e dióxido de nitrogênio, a poeiras e fumos metálicos de berílio, cádmio, mercúrio,
níquel, vanádio e zinco, a produtos químicos de pH extremo ou fortemente reagentes, como o
metilisocianato. Sua patogenia envolve diretamente a citotoxicidade das células mucosas, com
liberação de proteínas séricas e mediadores da reação inflamatória. (8)
Derrame pleural benigno
Acometimento de diagnóstico retrospectivo, pois é necessário que o paciente seja
acompanhado durante algum tempo para afastar outras possibilidades diagnósticas, como a
tuberculose e o câncer de pulmão. Outros acometimentos pleurais como espessamento pleural
em placas e espessamento pleural difuso, são mais prevalentes, associadas a exposição ao
asbesto. (8)
Bronquite crônica (BC)
Limitação crônica ao fluxo aéreo (LCFA) são duas entidades distinta, podendo ou
não estar relacionadas. A principal causa de ambas é, sem dúvida, o tabagismo, que agride
tanto grandes vias aéreas, preferencialmente acometidas na BC, como nas pequenas vias
aéreas, preferencialmente acometidas na LCFA. (8)
Há um consenso de que a exposição a poeiras na mineração de carvão leva a um
aumento na prevalência de BC, assim como as poeiras orgânicas, exemplo a poeira de
algodão, também leva a um aumento de prevalência de BC e LCFA. Assim, podemos dizer
que o tabagismo, as exposições ocupacionais e a poluição ambiental têm em ordem
decrescente de grandeza, direta influência em relação às doenças de vias aéreas. (8)
Enfisema
Estado de irritação respiratória crônica, de lenta evolução, quase sempre causada
pelo fumo, mas também por outros agentes (poeira, poluentes, vapores químicos). No
35  
  
enfisema, os alvéolos transformam-se em grandes sacos cheios de ar que dificultam o contato
do ar com o sangue, uma vez que foram destruídos os septos alveolares por onde passavam os
vasos. (22)
Pneumoconioses
São divididas em não-fribogênicas (ou “benignas”) e fibrogênicas de acordo com
o potencial da poeira em produzir fibrose reacional. Apesar de existirem tipos bastante polares
de pneumoconioses fibrogênicas e não fibrogênicas, como a silicose e a asbestose, de um
lado, e a baritose, de outro, existe a possibilidade fisiopatogênica de poeiras tidas como não
fibrogênicas produzirem algum grau de fibrose dependendo da dose, das condições de
exposição e da origem geológica do material. (4)
O Quadro 1, abaixo, apresenta uma lista de pneumoconioses com denominações
mais específicas, seus agentes etiológicos e sua apresentação anatomopatológica. Ressalte-se
que a lista não é exaustiva, não excluindo outras possibilidades etiológicas mais raras, ou
ainda não contempladas pela literatura científica. (4)
Pneumoconiose Agente(s) Etiológico(s) Processo Anatomopatológico
Silicose Sílica livre Fibrose nodular
Asbestose
Todas as fibras de asbesto ou
amianto
Fibrose difusa
Pneumoconiose do
trabalhador do
carvão (PTC)
Poeiras contendo carvão
mineral ou vegetal
Decomposição macular sem fibrose ou
com diferenciados graus de fibrose
Silicatose Silicatos variados Fibrose difusa ou mista
Talcose Talco mineral (silicato) Fibrose nodular e/ou difusa
Pneumoconiose
por poeira mista
Poeiras variadas contendo
menos que 7,5% de sília livre
Fibrose nodular estrelada e/ou fibrose
difusa
Siderose Óxidos de ferro
Deposição macular de óxido de ferro
associado ou não com fibrose nodular
e/ou difusa
Estanose Óxidos de estanho Deposição macular sem fibrose
Baritose Sulfato de bário (barita) Deposição macular sem fibrose
Antimoniose
Óxidos de antimônio ou Sb
metálico
Deposição macular sem fibrose
Pneumoconiose
por rocha fosfática
Poeira de rocha fosfática Deposição macular sem fibrose
Pnemoconiose por
abrasivos
Carbeto de silício (SiC) /
Óxido de alumínio (Al2O3)
Fibrose nodular e/ou difusa
36  
  
Berilliose Berílio
Granulomatose tipo sarcóide. Fibrose
durante evolução crônica
Pneumopatia por
metais duros
Poeiras de metais duros (ligas
de W, Ti, Ta contendo Co)
Pneumonia intersticial de células
gigantes. Fibrose durante evolução
Pneumonites por
hipersensibilidade
(alveolite alérgica
extrínseca)
Poeiras orgânicas contendo
fungos, proteínas de penas,
pelos e fezes de animais
Pneumonia intersticial por
hipersensibilidade (infiltração
linfocitária, eosinofilica e neutrofilica na
fase aguda e neutrofilica na fase aguda e
fibrose difusa na fase crônica)
	
  
	
  
Silicose
Doença respiratória causada pela inalação de poeira de sílica que produz
inflamação, seguida de cicatrização do tecido pulmonar. A silicose decorre da exposição à
sílica livre (quartzo), especialmente na mineração subterrânea de ouro, nas indústrias
extrativas de minerais, no beneficiamento de minerais (corte de pedras, britagem, moagem,
lapidação), nas indústrias de transformação (cerâmicas, marmorarias, abrasivos, fundições),
na fabricação do vidro e de sabões, na construção civil e, em algumas atividades como
protéticos, jateadores de areia, trabalhos com rebolos ou esmeril de pedra, escavação de
túneis, cavadores de poços e artistas plásticos. É uma das mais antigas doenças provocadas
pelo trabalho, sendo que atualmente, no Brasil, é a principal doença pulmonar de origem
ocupacional. (22)
Asbestose
Doença pulmonar causada por depósitos de asbesto ou amianto, que é um silicato
que ocorre na natureza sob a forma de fibras que podem ser fiadas e tecidas. A sua grande
resistência à abrasão e ao calor, a alta resistência à tração e a grande flexibilidade das fibras,
dão aos asbestos propriedades ainda não conseguidas por fibras artificiais. Assim, mais de mil
usos industriais para o amianto têm sido descritos: misturado ao cimento, dá origem às placas
e telhas de cimento-amianto, muito utilizadas para coberturas de edificações, e a tubulações
de vários diâmetros e de baixo preço; é utilizado nas lonas de freio de automóveis, na
fabricação de equipamentos individuais de proteção (luvas, aventais, capuzes, etc.) resistentes
ao calor e ao fogo, na isolação térmica de caldeiras, tubulações de vapor e na isolação elétrica
Tabela 2.3 - Pneumoconioses, poeiras causadoras e processos anatomopatológicos subjacentes
Fonte: Mendes, René - 2007
37  
  
e térmica de equipamentos elétricos. Sob forma de pó, atinge os pulmões de indivíduos que
estão expostos, tais como: mecânicos, operários de indústria de cimento-amianto etc. (22)
Pneumoconiose dos trabalhadores de carvão (PTC)
Na pneumoconiose dos trabalhadores de carvão a deposição de poeiras
desencadeia um processo inflamatório orquestrado inicialmente pelos macrófagos alveolares,
de menor intensidade do que a gerada pelas partículas de sílica, mas suficiente para promover
lesão do epitélio alveolar. Em decorrência, ocorre a passagem de partículas para o interstício e
tem início a formação de acúmulos de carvão e de macrófagos com partículas fagocitadas, ao
redor dos bronquíolos respiratórios, com presença de fibras de reticulina e deposição de
pequena quantidade de colágeno. Estas lesões, conhecidas como mácula de carvão, medem
cerca de 1 a 6mm. São intralobulares, pouco ou não visíveis à radiografia e geralmente
acompanhadas de enfisema focal adjacente às áreas das máculas . Com a progressão da
doença, decorrente da continuada inalação ou mesmo após o afastamento da exposição, pode
ocorrer a formação de nódulos maiores, de cerca de 7 a 20mm, com presença de macrófagos
com pigmento no seu interior, presença de reticulina e aumento da quantidade de colágeno.
Com a exposição crônica, os nódulos podem coalescer dando origem à forma de fibrose
maciça progressiva (FMP). A FMP costuma ser bilateral, predomina nos lobos superiores,
lobo médio e segmentos superiores dos lobos inferiores. Geralmente são assimétricas,
apresentando às vezes características de lesão maligna, podendo cavitar, com o paciente
expectorando material enegrecido, conhecido como melanoptise. As lesões distinguem-se da
FMP pela sílica por apresentar, na análise histopatológica, maior relação reticulina/colágeno,
grande quantidade de poeira de carvão, feixes densos de reticulina e colágeno e ausência de
nódulos silicóticos. A FMP cursa mais frequentemente com dispneia, distúrbio ventilatório
misto, hipertensão pulmonar e cor pulmonale. (4)
O câncer de pulmão representa o principal câncer diagnosticado no mundo. Vários
fatores, como raça, idade, sexo, localização geográfica e condição socioeconômica,
influenciam as taxas nos diversos grupos. Os principais agentes etiológicos são o tabagismo,
exposições ocupacionais, infecções virais e a presença de outras doenças pulmonares,
especialmente as que causam fibrose pulmonar.
38  
  
Na tabela 2.4 traz a lista das principais substâncias consideradas carcinogênicas
para o trato respiratório, pela Agência Internacional para a Pesquisa sobre o Câncer – IARC,
da Organização Mundial da Saúde (IARC, 2000). A lista completa pode ser analisada no link:
http://monographs.iarc.fr/ENG/Classification/
Exposição Órgão Afetado Uso do Produto
Carcinogênicos Reconhecidos: Grupo 1
Agente individuais
Arsênico Pulmão Vidros, metais, pesticidas
Asbesto Pulmão, pleura
Mineração de asbesto, cimento-
amianto, materiais de fricção e
vedação, têxteis
Berílio e seus compostos Pulmão
Indústria aeroespacial e de
metais, rebolos especiais
Éter bis-clorometílico Pulmão
Produtos
intermediários/subprodutos
Cádmio e compostos Pulmão Tintas e pigmentos
Cromo hexavalente e compostos Cavidade nasal, pulmão
Galvanoplastias, tintas e
pigmentos
Gás mostarda Faringe, pulmão Gases bélicos
Talco contendo fibras
asbestiformes
Pulmão Papel, tintas, massa plástica
Cloreto de vinila Pulmão Plásticos, monômeros
Sílica cristalina Pulmão
Mineração, cerâmica, pedreiras,
fundições
Poeira de madeira Cavidade nasal Indústria da madeira
Níquel e compostos Cavidade nasal, pulmão Metalurgia, ligas, catalisador
Radônio Pulmão
Mineração de urânio, nióbio e
fluoretos
Misturas
Alcatrão Pulmão Combustíveis
Piche Pulmão Material de construção/eletrodos
Fulinges Pulmão Pigmentos
Carcinogênicos Prováveis: Grupo 2A
Formaldeído Nasofaringe Plásticos, têxteis, laboratório
Carcinogênicos Prováveis: Grupo 2B
Acrilonitrila Pulmão
Plásticos, borracha, têxteis,
monômeros
39  
  
Aldeído acético Pulmão
Operações de soldagem em
superfícies pintadas
Fumos de solda Pulmão Solda de aço
Fibras cerâmicas Pulmão
Plásticos, têxteis, indústria
aerospacial
2.1.2 DOENÇAS DA PELE
Agentes químicos provocadores de dermatoses ocupacionais, os principais são:
1. Irritantes → cimento, solventes, óleos de corte, detergentes, ácidos e álcalis.
2. Alérgenos → aditivos da borracha, níquel, cromo e cobalto como contaminantes do
cimento, resinas, tópicos usados no tratamento de dermatoses. (3)
Figura  2.1.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Figura  2.2.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007  
Figura  2.3.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007  
Figura  2.4.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007  
Nas  figuras  2.1,  2.2,  2.3  e  2.4  observamos  respectivamente:  dermatite  de  contato;  
micropapuloeritematosas;  dermatite  alérgica  cronificada  e  dermatite  de  contato  irritativa  
forte.  Todas  por  algum  tipo  de  contato  por  cimento.  
Tabela 2.4 - Exposições Ocupacionais Associadas ao Câncer Respiratório
Fonte: Segundo Critérios da IARC (2000)
40  
  
Figura  2.5.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007  
Figura  2.6.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007  
Nas  figuras  2.5  e  2.6  dermatite  alérgica  de  contato  por  bota  de  borracha.  
Figura  2.9.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007  
Figura  2.10.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007  
Figura  2.7.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007  
Figura  2.8.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007  
Na  figura  2.7  Radiodermite  crônica.  
Operador  de  gamagrafia  industrial  tocou  
acidentalmente  na  cápsula  de  irídio  192.   Na  figura  2.8  Dermatite  irritativa  de  contato  
folicular.  Elaioconiose  em  trabalhador  de  
indústria  metalúrgica.  
Na  figura  2.9  Miliária  rubra.  Polidor  em  
galvanoplastia.  Polidor  de  peças  
metálicas  com  rodas  de  tiras  de  couro.  
Na  figura  2.10  Dermatite  irritativa  de  
contato  acneiforme  causada  pela  
exposição  a  fumos  metálicos  de  estanho.  
41  
  
2.1.3 DOENÇAS DO OLHO
Ceratite
Inflamação da córnea, aquelas provocadas pela exposição a agentes físicos e químicos no
ambiente de trabalho podem ser agrupadas em tóxicas e alérgicas. O arsênico e o berílio
podem ser responsáveis por quadros de natureza alérgica. A seiva ou suco de algumas plantas
podem ser tóxicos. Entre os agentes listados como capazes de produzir ceratoconjuntivite
estão:
1. Arsênico e seus compostos arsenicais;
2. Ácido sulfídrico (sulfeto de hidrogênio) em exposições muito altas. (8)
Inflamação coriorretiniana
Inflamação da retina e do trato uveal, pode ser classificado como agudo ou
crônico. Tem sido descrita em trabalhadores expostos ao manganês. (8)
Figura  2.11.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Figura  2.12.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007  
Na  figura  2.12  Dermatite  alérgica  de  
contato  em  marceneiro  que  fazia  
polimento  de  madeira  pau-­‐ferro.  
Na  figura  2.11  Perfuração  do  septo  nasal  em  
trabalhador  no  processo  de  cromação.  
42  
  
Neurite óptica
Inflamação, degeneração ou desmielinização do nervo óptico. Entre as substâncias
químicas tóxicas potencialmente causadores de neurite óptica estão:
• Brometo de metila;
• Cloreto de metileno (diclorometano) e outros solventes clorados neurotóxicos;
• Metanol;
• Sulfeto de carbono;
• Tetracloreto de carbono. (8)
Queimaduras químicas do olho
São causas importantes de acidentes oculares no trabalho, podem ser produzidas
por ácidos e bases fortes, ocorrendo frequentemente, quando essas substâncias espirram ou
derramam no olho. (8)
O epitélio corneano intacto é resistente a alterações do pH, variando entre 4 e 10.
Exposto a pH fora desse intervalo, o epitélio é rapidamente destruído, permitindo que a
substância atinja níveis profundos dos tecidos subjacentes. (8)
Os ácidos fortes tendem a precipitar as proteínas, como foto x. As proteínas
precipitadas formam uma barreira tampão, limitando a penetração do ácido no olho. Já as
bases fortes saponificam os ácidos graxos, que rompem as membranas celulares e não
formam, portanto, nenhuma barreira, permitindo a penetração contínua para todo o segmento
anterior do olho, levando à sua destruição. Portanto, as queimaduras químicas por álcalis são
mais devastadoras do que as causadas por ácidos. (8)
Figura  2.13.    
Fonte:  Mendes,  René  –  2007  
Na  figura  2.13  Queimadura  
química  por  ácido  sulfúrico  
resultando  em  córnea  edemaciada  
e  leucomatosa,  conjuntiva  
avascular  justa-­‐líndrica  na  posição  
entre  12  e  2hs  e  vasos  de  grossos  
calibres  e  hiperemia  no  restante  
da  conjuntiva.  
43  
  
2.1.4 DOENÇAS DO OUVIDO
Há um certo número de medicamentos e produtos químicos que, por si só, podem
lesar as estruturas da orelha interna, sejam cocleares ou vestibulares, seja temporária ou
permanente. Entre os medicamentos, destacam-se os antibióticos aminoglicosídeos, os
salicilatos, alguns diuréticos, alguns oncoterápicos e o quinino. Hoje em dia existe evidência
de propriedades ototóxicas de vários produtos químicos industriais, como certos fumos
metálicos (chumbo, mercúrio, manganês, cobalto, arsênio), alguns gases asfixiantes
(monóxido de carbono, nitrato de butila, tetracloreto de carbono e muitos solventes orgânicos,
tolueno, xileno, estireno, n-hexano, tetracloroetileno e dissulfeto de carbono). (8)
Vários produtos químicos são reconhecidamente neurotóxicos e podem afetar a
audição ou equilíbrio agindo primeiramente no tronco encefálico ou nas vias
auditivas/vestibulares centrais. (apud, Thomas-1985) A indicação de que alguns produtos
químicos industriais podem alterar a função auditiva através de um processo ototóxico ou
neurotóxico, ou da combinação destes dois processos, deve ser considerada, especialmente
quando se selecionam testes diagnósticos. (8)
2.1.4 DOENÇAS DO SANGUE
As alterações do sangue provocadas por substâncias tóxicas agressoras ao sistema
sanguíneo são conhecidas desde o século XIX, quando foi descrito o primeiro caso de anemia
aplástica pelo benzeno, em 1897, mas os conhecimentos tiveram impulso após a I Guerra
Mundial, quando se verificou a ação de gases tóxicos sobre o sangue (Simpósio
“Leucopenia”, 1987; Rugo & Damon, 1990). (8)
O sistema sanguíneo, pela ação das substâncias tóxicas de origem ocupacional,
pode apresentar alterações desde leves até graves e mesmo letais. Alguns tóxicos tem ação
prevalente sobre a medula óssea e menor sobre o sangue periférico, enquanto outros
apresentam ação inversa e outros, ainda, agem sobre o sangue e medula óssea
concomitantemente. (8)
As hemopatias profissionais podem ser consideradas segundo a sua patogenia
relacionada com o agente tóxico ou ocupação. Ver tabela 2.5.
44  
  
Hemopatias Profissionais Segundo Mecanismos e Tipos de Alterações e Possíveis Agentes Etiológicos de
Origem Ocupacional
Alterações Tipos de
Alterações
Mecanismos Possíveis Agentes Etiológicos ou Ocupações*
Alterações do
glóbulo
vermelho
Por diminuição Hemólise numérica Arsina, chumbo, trinitrotolueno, substâncias
oxidantes, oxigênio, mercúrio, cobre, nitro e amino-
derivados do benzeno
Hipoprodução Chumbo, arsênio, benzeno, óxido nitroso
Por alteração no
metabolismo do
heme
Porfiria Hexaclorobenzeno; 2,4-D; 2,4,5-T; 2,3,7,8-
tetraclorodibenzo-p-dioxina; o-benzil-p-clorofenol; 2-
benzil-4-6-diclorofenol; cloreto de vinila; chumbo;
alumínio
Por alteração no
transporte
Meta-
hemoglobinemia
do oxigênio
Anilina, nitroanilina, toluenodiamina,
fenilenodiaminatoluidina, p-cloroanilina, naftaleno,
pradiclorobenzeno, gases nitrosos, nitratos nitritos,
nitrobenzeno, trinitrotolueno, quinona, paraquat
Sulfo-
hemoglobinemia
Agentes oxidantes iguais aos da meta-hemoglocinemia
Carboxi-
hemoglobinemia
Monóxido de carbono
Alteração do
glóbulo branco
Por diminuição
dos
granulócitos
(neutropenia)
Fase inicial da
toxicidade ao
sistema
hematopoético
Benzeno, radiação ionizante, inseticidas
organoclorados
Alteração da
plaqueta
Por diminuição
numérica
Imune, hipoplasia
megacariocítyica,
insuficiência
hepática com
hiperesplenismo
Tolueno diisocianato, terebintina, 2,2-
diclorovinildimetilfosfato, benzeno, radiações
ionizantes, inseticidas organoclorados, piretrina,
cloreto de vinila
Alterações dos
órgãos
hematopoéticos
Por diminuição
numérica das
células da
medula óssea
(aplasia)
Lesão de células
primitivas ou
jovens da medula
óssea
Benzeno, trinitrotolueno, hexaclorociclhexano, DDT,
pentaclorofenol, arsênio, éter monometílico de
etilenoglicol, éter monobutílico de etilenoglicol,
tetracloreto de carbono
Alteração
qualitativa das
células da
medula óssea
(displasias, pré-
leucemia,
leucemias
mielóides
agudas e
crônicas,
mielofibrose)
Lesão da estrutura
molecular de
células da medula
óssea
Benzeno, radiações ionizantes, butadieno, campos
eletromagnéticos, gases de exaustão de motores,
fluidos de motores, óxido de etileno, inseticidas e
herbicidas, solventes orgânicos, produtos de petróleo
(inclusive gasolina) e estireno. Motoristas, eletricistas,
engenheiros eletrônicos, agricultores, jardineiros,
mecânicos, soldadores, trabalhadores das indústrias
metalúrgicas, têxtil, do papel e do petróleo e
trabalhadores de distribuidoras de petróleo.
45  
  
Proliferação
linfóide
(leucemias
linfóides agudas
e crônicas,
linfomas,
mieloma
múltiplo)
Lesão da estrutura
molecular de
células da medula
óssea
Benzeno, radiações ionizantes, herbicidas derivados
do ácido fenoxiacético, asbestos, hidrocarbonetos
clorados, poeiras de madeira, produtos químicos
utilizados na indústria do couro e da borracha, óxido
de etileno, clorofenóis, fertilizantes, inseticidas,
tinturas de cabelo, solventes orgânicos, praguicidas,
2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina, estireno, cloreto
de vinila, poeiras de madeira, gases de exaustão de
motores. Indústria da madeira, agricultores,
trabalhadores de refinarias de petróleo e da indústria
química, manipuladores de grãos, metalúrgicos,
fornecedores de praguicidas, trabalhadores expostos a
fungicidas e fumigantes, pintores e motoristas de
caminhão
*Para alguns agentes e ocupações, a evidência é ainda limitada.
2.1.5 DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO
Estado confusional agudo
Também chamado de delirium, caracteriza-se por um distúrbio mental orgânico,
com alteração da consciência, desatenção e pensamento incoerente. Classicamente, tem um
início súbito, de horas a dias, um curso breve e flutuante, observando-se melhora rápida,
quando o fator causal é identificado e removido. Entre as principais causas do estado
confusional agudo estão doenças do SNC, doenças sistêmicas, abstinência de drogas e
intoxicação por substâncias neurotóxicas, que podem estar presentes no ambiente de trabalho.
Faz parte deste rol de substâncias os metais (chumbo, mercúrio, arsênio, manganês e tálio), os
solventes (tolueno, dissulfeto de carbono, estireno, xileno, tricloroetileno brometo de metila,
cloreto de metila, metanol e tetracloreto de carbono), os pesticidas (organofosforados,
carvamatos, organoclorados e paraquat) e os gases (monóxido de carbono e óxido de etileno).
(8)
Encefalopatia tóxica crônica
Também denominada “síndrome psico-orgânica”, “síndrome neurastênica” ou
“síndrome do pintor”, caracteriza-se por um quadro neuropsiquiátrico com alterações de
personalidade, perda de memória, fadiga, depressão, e perda de interesse pelas atividades
diárias. Considerando-se que a maioria dos quadros de demência seja irreversível, tornam-se
Tabela 2.5 - Hemopatias Profissionais Segundo Mecanismos e Tipos de Alterações e Possíveis Agentes
Etiológicos de Origem Ocupacional
Fonte: Mendes, René 2007
46  
  
imprescindíveis a identificação e o tratamento daqueles possivelmente reversíveis (Sandoval-
Orellana & Sallato, 1995). (8)
Desde a década de 1970, inúmeros estudos têm demonstrado os efeitos
neurocomportamentais da exposição a solventes orgânicos. Contudo, com métodos de
avaliação e análise epidemiológica mais sofisticados, verificou-se que a correlação entre a
exposição no local de trabalho e os distúrbios neurocomportamentais não é tão óbvia (apud
Axelson, 2000). Como os solventes utilizados são geralmente misturas, é difícil identificar a
substância química específica e estabelecer a relação dose-resposta. Também é difícil
estabelecer a intensidade e a duração da exposição, dada à variabilidade das condições de
trabalho. (8)
Epilepsia
A epilepsia designa uma ampla variedade de distúrbios neurológicos
caracterizados por crise epiléticas recorrentes. Entre as causas de epilepsia no adulto estão:
tumores, trauma cranioencefálico, acidente vascular cerebral, porém, a maioria dos distúrbios
epiléticos permanece sem etiologia definida. (8)
Na avaliação do trabalhador que desenvolve epilepsia deve ser considerado, o que
é pouco frequente, que fatores presentes no trabalho sejam a causa da epilepsia. Como
existem muitas etiologias associadas ao início de epilepsia, a história neurológica e exames de
imagem devem ser solicitados para afastar anormalidades intracranianas. Mesmo assim, pode
ser difícil distinguir convulsões relacionadas à exposição ocupacional de outras causas não
relacionadas ao trabalho.(8)
Quadros agudos de intoxicação por substâncias químicas de origem ocupacional
podem produzir convulsões. Algumas dessas substâncias são (metais como alumínio,
chumbo, mercúrio, solventes, benzeno, metanol, etc., e os gases como monóxido de carbono,
sulfeto de hidrogênio, cloreto de metila, etc.). Nestes casos, algumas dessas substâncias
podem ser detectadas no sangue ou na urina. A exposição ao agente tóxico, com
manifestações agudas, produz, frequentemente, sinais e sintomas sistêmicos, facilitando o
nexo causal. (8)
47  
  
Cefaleia
A cefaleia primária abrange a maioria dos quadros observados em trabalhadores.
Nos casos em que cefaleia está relacionada à exposição a certas substâncias neurotóxicas,
como no caso da exposição a nitratos, a descrição cuidadosa das condições de aparecimento
do sintoma pode auxiliar o estabelecimento do nexo. Devem ser exploradas as informações
relativas ao momento de início da cefaleia, se após chegar ao local de trabalho, ou ao seu
término, a ausência de cefaleia quando não está trabalhando e presença de níveis elevados de
substâncias químicas no local de trabalho, ou ainda a presença da cefaleia nos períodos de
suspensão do trabalho, como nas folgas ou nas férias. (8)
Parkinsonismo secundários
É uma síndrome clínica caracterizada pela combinação de tremor em repouso,
rigidez, bradicinesia e instabilidade postural, que se apresentam em vários graus de gravidade.
(8)
No Brasil, é clássica a descrição de parkinsonismo secundário à exposição ao
manganês em trabalhadores de uma fundição de ferro-manganês feita por Antonio de
Almeida, Jorge da Rocha Gomes e Pedro Augusto Zaia (Almeida e cols., 1970), seguida pelos
estudos realizados em Minas Gerais, por Chrysóstomo Rocha de Oliveira, Elizabeth Costa
Dias e Eduardo Henrique Lauar (Oliveira e cols., 1974). (8)
As principais substâncias neurotóxicas presentes em situações de trabalho
capazes de causar a Doença de Parkinson secundária são classificadas de acordo com o grau
de associação já estabelecida, possível ou potencial, e estão mostradas na tabela 2.5. (8)
O parkinsonismo secundário decorrente da exposição a substâncias neurotóxicas
pode assemelhar-se, clinicamente, à forma clássica da doença de Parkinson idiopática, além
das doenças neuro e heredodegenerativas chamadas de parkinsonismo plus, e além das outras
causas de parkinsonismo secundário, dificultando o diagnóstico diferencial. (8)
48  
  
Principais Substâncias Neurotóxicas Presentes em Situações de Trabalho Capazes de
Causar a Doença de Parkinson Secundária
Associação Definida Associação Possível Associação Potencial
Dissulfeto de carbono Monóxido de carbono Cianeto
Manganês Tetracloreto de carbono Metanol
MPTP
Ataxia cerebelar
Síndrome clínica caracterizada pela incapacidade de coordenar os movimentos
voluntários, devido à lesão cerebelar. Pode manifestar-se quando o paciente está de pé,
quando se põe a andar, ou, ainda, quando quer executar um movimento. As ataxias podem se
classificadas em agudas e crônicas e em hereditárias e adquiridas. As ataxias de evolução
crônica e progressiva tem usualmente natureza hereditária. A ataxia aguda é geralmente de
etiologia infecciosa, pós infecciosa ou tóxica. (8)
A intoxicação crônica por mercúrio pode causar uma ataxia cerebelar, coreia e
incefalopatia grave caracterizada por déficit cognitivo e alterações psicológicas. Também
pode estar associada a polineuropatia periférica do tipo axonal (sensitiva e motora). O tremor
é postural, cinético, de alta frequência, baixa amplitude, piora com as atividades e se
assemelha ao do hipertireoidismo. Há também perda de sensibilidade vibratória e posicional
nos membros inferiores. A exposição prolongada ao agente tóxico pode levar à ataxia
permanente, decorrente da neuropatia periférica e/ou encefalopatia com comprometimento
cerebelar, dependendo da idade do paciente, grau de exposição e a forma atômica do
mercúrio. (8)
Transtornos do nervo olfatório caracterizam-se por queixas de alterações
quantitativas, manifestadas por redução, ausência ou, ainda, perversão do olfato, também
denominada de parosmia, que decorre de alterações corticais. A anosmia, ou perda da
acuidade olfatória, é um achado relativamente comum que resulta da desmielinização das
fibras do nervo olfatório. (8)
Na literatura, são escassas as informações sobre a epidemiologia e os fatores de
risco ocupacional referentes aos transtornos olfatórios na população geral. Entretanto, certos
grupos de trabalhadores expostos a substâncias irritantes podem apresentar problemas
Tabela 2.5 - Principais Substâncias Neurotóxicas Presentes em Situações de Trabalho Capazes de Causar a
Doença de Parkinson Secundária
Fonte: adaptado de Rosenberg, 1995
49  
  
olfatórios em uma proporção 15 vezes maior do que os não expostos. Entre as substâncias
químicas reconhecidas como potencialmente capazes de produzir efeitos tóxicos estão o
cádmio; sulfeto de hidrogênio, poeira de cimento; ácido sulfúrico; formaldeído; acrilatos;
solventes como tricloroetileno, benzeno, etilacetato, dissulfeto de carbono, tolueno; chumbo;
cromo; níquel. (8)
Transtornos do nervo trigêmeo
Síndrome clinica caracterizada pela perda da sensibilidade cutânea da face,
geralmente bilateral, acompanhada de parestesia, com formigamento e queimação, além de
prurido leve. A anestesia facial pode ocasionar ferimentos em volta das narinas, decorrente de
traumatismos repetidos. O déficit motor do nervo trigêmeo não tem sido observado. Quando
ocorre pode ser verificado pela fraqueza dos músculos mastigatórios. (8)
Sobre a epidemiologia e os fatores de risco ocupacional, observa-se que a
intoxicação ou a exposição crônica aos derivados halogenados dos hidrocarbonetos alifáticos,
particularmente o tricloroetileno, é importante causa da neuropatia do trigêmeo. O
tricloroetileno e outros derivados halogenados dos hidrocarbonetos alifáticos são utilizados
como matéria-prima ou produtos finais em indústrias químicas; como solventes, na limpeza
de peças e componentes; na indústria eletro eletrônica; como solventes em vernizes, tintas,
adesivos, na indústria da construção; ou como desengraxantes em limpeza a seco de roupas e
similares. (8)
Polineuropatia
Geralmente se apresenta de forma simétrica, afetando inicialmente os pés e
posteriormente as mãos. Estas neuropatias podem comprometer fibras nervosas sensitivas,
motoras ou autonômicas, isoladas ou em associação. (8)
As manifestações mais comuns são fraqueza muscular, hiporreflexia, cãibras,
mialgia, distúrbios sensitivos, como parestesias, disestesias, anestesias; distúrbios motores,
com alteração da marcha; distúrbios tróficos, manifestados por queda de pelos e atrofia de
pele, e distúrbios neurovegetativos, como, por exemplo, bexiga neurogênica, diarreia e
impotência sexual. (8)
50  
  
Sobre a epidemiologia e os fatores de risco ocupacional relacionados à ocorrência
de polineuropatias, as substâncias neurotóxicas mais frequentemente associadas à produção
desses quadros são os metais chumbo, mercúrio, arsênio, estanho, tálio, cromo, manganês,
ouro, zinco e antimônio; os solventes n-Hexano, metil-butil-cetona, tetracloreto de carbono,
matanol, benzeno, dissulfeto de carbono e tricloroetileno; os pesticidas organofostorados,
carbamatos, organoclorados; os gases monóxido de carbono, óxido de etileno. (8)
2.1.6 DOENÇAS DO SISTEMA REPRODUTIVO
Reprodução é um processo complexo e vulnerável. A reprodução normal exige
uma grande interação entre os processos anatômico e fisiológico. Os mecanismos hormonais
envolvidos na reprodução exigem interações precisas entre o hipotálamo, a pituitária, e o
ovário ou testículo. (8)
Exposições ocupacionais não são a causa da maioria dos distúrbios reprodutivos,
mas a exposição ocupacional pode causar sérios problemas reprodutivos, que são inteiramente
evitáveis. A exposição a determinado agente no local de trabalho pode manifestar seus efeitos
reprodutivos tanto em homens como em mulheres. Exposições tóxicas podem reduzir a
fertilidade prejudicando os espermatozoides ou os óvulos. Podem ocorrer abortos se um
embrião é afetado ou se complexas interações hormonais são bloqueadas. A exposição tóxica
durante a gravidez pode causar malformação ou morte do feto. Atribuem-se a algumas
exposições, problemas neuropsiquiátricos ou cânceres descobertos mais tarde na infância.
Outras exposições podem levar a problemas de saúde que não são detectados antes da idade
adulta. (8)
Efeitos adversos causados pela exposição a toxicantes reprodutivos podem se
manifestar em várias etapas do complexo processo da função reprodutiva, iniciando com a
gametogênese e continuando na interação de gametas (fertilização), desenvolvimento e
crescimento embrionário e fetal, nascimento e maturação sexual da prole. (8)
Efeitos da exposição tóxica na gametogênese
A produção de óvulos e espermatozoides e o processo de ovulação dependem
todos da estimulação hormonal. Uma maneira pela qual agentes ocupacionais e ambientais
51  
  
podem ser prejudiciais à reprodução é através do bloqueio das vias hormonais no nível do
hipotálamo, pituitária ou gônadas. A exposição ambiental a praguicidas que agem como
estrogênios ou antiestrogênios demonstrou exercer efeitos tóxicos na reprodução em animais,
através desse mecanismo.8
Exposições a substâncias perigosas podem também exercer um efeito direto nos
gametas e suas células precursoras. A exposição ao dibromocloropropano (DBCP) causa lesão
das células germinativas em homens. Exposição a éteres de glicóis entre pintores de estaleiros
foi associada à redução da contagem de espermatozoides. Efeitos gametotóxicos entre
mulheres são difíceis de medir porque a obtenção de uma amostra folicular envolve um
procedimento invasivo, uma biopsia ovariana. (8)
Como a gametogênese começa durante a vida fetal, exposições ocupacionais e
ambientais durante a gravidez poderiam teoricamente causar efeitos transgeracionais. Danos
às células germinativas primárias de um feto podem ser manifestados mais tarde, quando esse
feto torna-se um adulto e sua reprodução se mostra alterada. Um efeito tóxico pode ser
manifestado pela redução da fertilidade quando o filho da mulher trabalhadora tenta ter filhos.
O mecanismo desse efeito traduz-se em danos às células germinativas que se desenvolvem no
feto da trabalhadora. (8)
Teoricamente, o filho ou neto de um trabalhador pode ser afetado por alteração
subletal do material genético na célula germinativa primordial. Uma preocupação é que as
alterações no DNA dos gametas podem causar câncer nos filhos de pais expostos. (8)
Em mulheres adultas, leva-se cerca de duas semanas para que oócitos primários se
desenvolvam em óvulos maduros. Em homens, leva-se cerca de dois meses para que células
germinativas primárias se desenvolvam em espermatozoides. Exposições tóxicas durante
esses períodos de diferenciação das células germinativas podem resultar em morte dos
gametas em maturação. Esse quadro seria manifestado clinicamente como uma incapacidade
temporária de conceber uma criança. Se as células germinativas imaturas (células tronco)
forem afetadas, o período de infertilidade será maior. (8)
Se a gravidez é alcançada, apesar de um curto período de exposição tóxica durante
a maturação dos gametas, não se estabelecem claramente as relações de causa com os defeitos
congênitos. Suspeita-se que os gametas e embriões que não tenham iniciado o organogênese
sejam relativamente resistentes à ação teratogênica, caso sobrevivam à exposição tóxica. (8)
52  
  
Redução da fertilidade
Os estudos epidemiológicos dirigidos à saúde reprodutiva do homem estão, via
de regra, centrados em parâmetros do esperma, tais como morfologia, motilidade, viabilidade
e concentração. Estes parâmetros, combinados com parâmetros de exposição ocupacional,
foram a base dos estudos epidemiológicos que enfocam a relação entre a ocupação e o
potencial de dano reprodutivo do homem. (8)
Embora a infertilidade seja o efeito sobre a reprodução frequentemente
investigado, também outros efeitos adversos, mediados pelo pai, tem sido estudados, tais
como a perda fetal, os defeitos congênitos e o câncer na infância. (8)
O mais notável exemplo é o dibromocloropropano (DBCP), um fumigante de solo
que foi utilizado por mais de 20 anos em aplicações agrícolas. Um pequeno grupo de homens
empregados na produção de DBCP relatou problemas de esterilidade, sendo constatadas a
azospermia ou oligospermia. Levantamentos adicionais, realizados junto a outros
trabalhadores expostos ao DBCP, revelaram haver contagens diminuídas de espermatozóides,
sendo estas geralmente relacionadas à exposição ao DBCP (Whorton, Krauss & Marshall,
1977; Milby & Whorton, 1980). A exposição ocupacional na produção de um pesticida
semelhante, o dibrometo de etileno, também tem sido associada à diminuição da fertilidade e
decréscimo nas contagens de espermatozóides (Dobbins, 1987). Assim como foram
verificados decréscimos nas contagens de espermatozóides em trabalhadores de fundições, e
pintores expostos a 2-etoxietanol, também conhecido como cellosolve (Welch e cols., 1988;
Ratchleffe e cols., 1989). (8)
Alterações menstruais
Existem diversos exemplos de estudos que sugerem alterações menstruais
associadas à exposição ocupacional a vários solventes. Assim, tem sido demonstrado que a
exposição ocupacional ao benzeno, tolueno e xileno está associada a anormalidades
menstruais, principalmente ao aumento do sangramento e dos intervalos do ciclo (Michon,
1965ª; Michon, 1965b; Syrovadko, Skromin & Pronkova, 1973). Mulheres que trabalharam
com percloroetileno em tinturarias de lavagem a seco tiveram uma prevalência aumentada de
problemas, como alteração da duração do ciclo, menorragia e dismenorréia, quando
53  
  
comparadas a mulheres que trabalham em lavanderias que utilizam água e sabão (Zielhuis,
Gijsen & Van Der Gulden, 1989). (8)
Outros grupos ocupacionais estudados incluem trabalhadores da indústria do
petróleo, onde foi encontrada uma elevada prevalência (50%) de alterações menstruais em
mulheres com idade acima de 40 anos, em comparação com controles emparelhados por
idade, cuja prevalência foi de apenas 19%. A alteração mais frequente e que apresentou
diferença significativa foi a menorragia: 21% contra 8,3% (Panova, 1976). (8)
Abortamentos espontâneos
Estudos epidemiológicos tem sugerido um risco aumentado para abortamentos
espontâneos em grupos específicos de mulheres trabalhadoras da indústria química e de
semicondutores (microeletrônica). Um estudo caso-controle em enfermeiras finlandesas
mostrou uma associação significativa entre perdas fetais e o trabalho com quimioterápicos
durante o primeiro trimestre de gestação (Selevan e cols., 1985). (8)
Já há muitos séculos sabe-se que o chumbo tem provocado abortamentos
espontâneos em gestantes exposta a altos níveis, tendo chegado, por este motivo, a ser
utilizado intencionalmente para este fim (Miller &Bellinger, 1993). (8)
Tem sido investigada a relação entre exposições ocupacionais paternas ao DBCP
e a gases anestésicos com a incidência de abortamentos espontâneos. As evidências mostram
claramente uma relação positiva entre a exposição masculina ao DBCP e a maior incidência
de abortamentos espontâneos em suas esposas (Bostofte, Serup & Rebbe, 1984).
Possivelmente este fato seja devido a mutações relacionadas à exposição. No entanto, estudos
sobre a exposição a anestésicos tem apresentado resultados conflitantes. Apesar de haver um
aumento de 25% de malformações congênitas em filhos de anestesistas do sexo masculino, a
incidência de abortamentos espontâneos aparentemente não é afetada (Cohen e cols., 1975;
Knill-Jones, Newman & Spence, 1975). (8)
54  
  
Malformações congênitas
Nos estudos sobre a relação entre exposições ocupacionais e a presença de
anomalias congênitas predominam aqueles que utilizam a metodologia de estudos
epidemiológicos do tipo casos x controles. Embora este desenho seja o mais eficiente para o
estudo de eventos relativamente raros, como as malformações congênitas, ele limita os
resultados a serem levados em consideração àqueles que foram identificados como “casos” no
início do estudo. (8)
Evidências para o estabelecimento de nexos entre exposições ocupacionais e
malformações tem sido obtidas de estudos sobre a exposição dos pais a solventes. Dois
estudos de caso-controle em filhos de pintores e outros trabalhadores expostos a solventes
mostraram odds ratios elevados para defeitos do sistema nervoso central (Holmberg &
Nurminen, 1980; Olsen, 1983). Outro estudo de caso-controle encontrou uma relação
estatisticamente significativa entre a exposição a solventes, principalmente ao tolueno, e
anomalias com predominância de defeitos renais, urinários e gastrintestinais em 301 crianças
(McDonald e cols., 1987). A exposição ocupacional a solventes também tem sido relatada
com mais elevada frequência em mães cujos filhos nasceram com fenda palatina (Holmberg
& Nurminen, 1980) e defeitos do septo ventricular (Tikkanen & Heinonen, 1988), quando
comparados aos seus respectivos grupos-controle. (8)
Os trabalhadores agrícolas representam outro grupo ocupacional para o qual um
mais elevado risco de malformações tem sido relatado. A exposição aos praguicidas é que
causa mais preocupação nessa população. As malformações mais consistentemente notadas
são defeitos do sistema nervoso central, incluindo anencefalia (Polednak & Janerick, 1983),
defeitos do tubo neural (White e cols., 1980), fendas faciais (Brogan, Brogan & Dadd, 1980;
Gordon & Shy, 1981; White e cols., 1988) e atrofia de membros (Schwartz, Newsum &
Heifetz, 1986; Schwartz & Logerfo, 1988). (8)
55  
  
UNIDADE 3 – DOENÇAS RELACIONADAS AOS RISCOS FÍSICOS
Riscos físicos são os resultantes da troca de energia entre o organismo e o
ambiente de trabalho, em quantidade que pode causar o desconforto, acidentes ou doenças do
trabalho. (1)
Observa-se no quadro abaixo os possíveis danos provocados à saúde, decorrente
da exposição aos agentes dos riscos físicos.
AGENTES POSSÍVEIS DANOS À SAÚDE
Ruído
Cansaço, irritação, dores de cabeça,
diminuição da audição, aumento da
pressão arterial, taquicardia, etc.
Calor
Insolação, prostração térmica,
câimbras, catarata.
Radiação
ionizante
Alterações celulares, câncer,
problemas nos olhos etc.
Condições
hiperbáricas
Dores nas articulações, ruptura do
tímpano, embolia gasosa, etc.
Radiação não
ionizante
Queimaduras, lesões nos olhos, etc.
Frio
Necrose de pele, vaso constrição,
amputação do membro lesado, etc.
Umidade
Doenças do aparelho circulatório e do
respiratório, doenças de pele, etc.
Nesta unidade serão apresentados os mais importantes efeitos colaterais da
exposição aos agentes dos riscos físicos, tipos de prevenção e controle para preservação da
saúde do empregado.
3.1 RUÍDO
Como som, compreende-se qualquer perturbação vibratória em um meio elástico,
que produz uma sensação auditiva. (5)
Os termos som e ruído são frequentemente utilizados indiferenciadamente mas,
geralmente, som é utilizado para as sensações prazerosas como música ou fala, enquanto que
Tabela 3.1 Exemplos de riscos existentes e os efeitos para a saúde
Fonte: Araújo, Wellington - 2010
56  
  
ruído é usado para descrever um som indesejável como buzina, explosão, barulho de trânsito e
máquinas. (5)
As máquinas e equipamentos utilizados pelas empresas emitem ruídos que podem
atingir níveis excessivos, podendo, a curto, médio e longo prazos provocar sérios prejuízos à
saúde dos empregados. Conforme o tempo de exposição, do nível sonoro e da sensibilidade
individual, as alterações danosas podem manifestar-se imediata ou gradualmente. Quanto
maior o nível de ruído, menor deverá ser o tempo de exposição ocupacional. (12)
Considerando que a audição humana é sensível para cada frequência de som, entre
20 a 20.000Hz, é importante considerar esse fator que compõe o ruído, e não apenas sua
intensidade em uma medição pura e simples. (8)
Através da figura que mostra as curvas isofônicas, segundo Robinson e Dadson,
observa-se que a mesma curva que passa por 40 dB a 1.000 Hz, passa 90 dB a 20 Hz e um
pouco menos de 40 dB a 5.000 Hz. Conclui-se que um ruído de menor intensidade, mas de
frequência muito alta, provoca sensação mais intensa em uma frequência baixa. (8)
Pelo fato de o ouvido não responder linearmente ao espectro de frequências, o
medido de nível de som possui circuitos de filtros de ponderação representados pelas letras A,
B e C com o objetivo de reproduzir o comportamento do ouvido humano a níveis de
intensidade, respectivamente, de 40, 70 e 100 dB a 1.000 Hz. Na prática, eles atenuam (o
Figura 3.1 Curvas de isoaudibilidade, segundo Robinson e
Dadson (1961)
Fonte: Mendes, Rene - 2007
57  
  
filtro A mais que o filtro Be, este, mais que o filtro C), as baixas frequências (inferiores a
1.000 Hz) e as frequências superiores a 8.000-10.000 Hz. (5)
As duas ponderações mais relevantes na avaliação de ruído dão a “A” e a “C”.
Outras são mencionadas na literatura como a “B” e a “D”. A primeira está em desuso,
enquanto a segunda é mais aplicada para avaliação de ruído em aeroportos. As ponderações A
e C são elaboradas de acordo com a resposta aproximada da orelha humana e estímulos
sonoros, particularmente tons puros. A ponderação A é a mais empregada no campo de
avaliação de ruído ocupacional e ambiental, pois é a que mais se aproxima da resposta da
orelha humana e se correlaciona com o risco de dano à audição. A curva C é praticamente
linear ao longo do campo de frequências de interesse. A seguir é apresentado o gráfico de
ponderação referente às duas curvas A e C. (8)
3.1.1 ANATOMIA DA ORELHA
Orelha é o nome dado às estruturas que compõe os sistemas auditivo e vestibular
periféricos. Localiza-se na região temporal do crânio, estando a maioria de suas porções
incrustadas no osso temporal. Divide-se em orelha externa, média e interna (ou labirinto). (21)
Figura 3.2 Curvas de ponderação normalizada A e C
Fonte: http://dc358.4shared.com/doc/4tk8hSp9/preview.html
58  
  
A orelha externa é constituída pelo pavilhão e meato acústico externo. As
vibrações sonoras do ar penetram no meato acústico externo e fazem vibrar a membrana do
tímpano. (8)
A orelha média é uma cavidade aerada no osso temporal também chamada
de caixa do tímpano ou cavidade timpânica situada entre a orelha externa e a interna e
revestida por uma mucosa. A membrana timpânica limita a orelha externa da média. Possui
3 ossículos (martelo, bigorna e estribo) suspensos na caixa por ligamentos e
2 músculos (estapediano e tensor do tímpano). Por ela atravessa o nervo corda do tímpano,
ramo do nervo facial. Comunica-se com o antro da mastóide pelo ádito do antro, com a
rinofaringe pela tuba auditiva e com a orelha interna pelas janelas oval e redonda. (21)
A parte anterior da orelha interna é constituída pela cóclea ou caracol, que
responde pela audição e a posterior, pelo vestíbulo e canais semicirculares, que respondem
pelo equilíbrio. A cóclea apresenta em seu interior espiralado três canais membranosos
paralelos: a escala vestibular e a escala timpânica, que contêm perilinfa e se comunicam no
ápice coclear através do helicotrema; e a escala média ou ducto coclear, que contém
endolinfa. A perilinfa tem uma composição química semelhante à dos líquidos extracelulares,
ricos em sódio, enquanto que a endolinfa assemelha-se aos líquidos intracelulares, ricos em
potássio. No interior do ducto coclear, desde a base até o ápice, está situado o órgão de Corti,
que contém as células ciliadas sensoriais, incumbidas de transformar as vibrações sonoras em
Figura 3.3 Corte frontal do órgão periférico (orelhas externa,
média e interna)
Fonte: http://centrootorrinodf.com.br/anatomia/ouvido.php
59  
  
estímulos elétricos, que são transmitidos pelas fibras do nervo estatoacústico para o sistema
nervoso central. No extremo lateral do ducto coclear situa-se a estria vascular. (8)
3.1.2 FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO
Por via aérea: a orelha externa capta os sons ambientes e os dirige para a
membrana timpânica que vibrando junto com a cadeia ossicular transmite e amplifica os sons
para a janela oval. A vibração do estribo faz vibrar a perilinfa desencadeando uma onda de
vibração na membrana basilar da base para o ápice. Para frequências altas a onda é maior na
base da cóclea (cada região ao longo da cóclea corresponde a uma frequência). O órgão de
Corti que se encontra apoiado na membrana basilar acompanha seus movimentos e como as
suas células ciliadas estão em contato com a membrana tectória os cílios são deslocados. Isso
provoca a despolarização das células ciliadas aparecendo o impulso nervoso que é transmitido
para o sistema nervoso central. A orelha possui portanto um segmento que transmite e
amplifica o som para a o órgão de Corti (aparelho de transmissão ou condução) e um
segmento que transforma a vibração em impulso nervoso e o transmite para SNC (aparelho de
recepção ou neuro-sensorial). (8)
Por via óssea: a vibração do crânio, por exemplo tocando-o com um diapasão, faz
vibrar a perilinfa desencadeando o impulso nervoso. Por inércia a cadeia ossicular também
vibra existindo um componente condutivo na audição por via óssea mas para facilitar o
raciocínio clínico considera-se que a audição por via óssea estimula diretamente o aparelho de
recepção. (21)
3.1.3 DOENÇAS RELACIONADAS AO RUÍDO
O ruído age diretamente sobre o sistema nervoso, causando fadiga nervosa e
alterações mentais (perda de memória, irritabilidade, dificuldade para coordenar ideias,
hipertensão, modificação do ritmo cardíaco, modificação do calibre dos vasos sanguíneos,
modificação do ritmo respiratório, perturbações gastrintestinais, diminuição da visão noturna
e dificuldade na percepção de cores). Além dessas consequências, o ruído atinge também o
aparelho auditivo, causando a perda temporária ou definitiva da audição. (12)
60  
  
Entende-se como perda auditiva induzida por ruído – PAIR uma alteração dos
limiares auditivos, do tipo neurossensorial, decorrente da exposição sistemática a ruído, que
tem como características a irreversibilidade e a progressão com o tempo de exposição.
(Resolução SS-317, de 24-5-1994)
Normalmente o processo de perda auditiva se inicia na frequência de 4.000 Hz, e
aparece na audiometria como uma gota (chamada de gota acústica). Observar que se é exposto
a ruído ambiental, a perda se dá biliteralmente de forma equilibrada. (14)
O dano auditivo produzido pela exposição a níveis elevados de pressão sonora
pode ser classificado em três tipos: o trauma acústico, a perda auditiva temporária e a perda
auditiva permanente. (8)
Trauma acústico
Provocado por uma grande intensidade de ruído repentino, e pode provocar lesões
graves na orelha média e/ou interna. Há possibilidade de tratamento com medicações, nos
casos de rompimento da membrana timpânica pode ser corrigida com tratamento cirúrgico.
Perda auditiva temporária
Ocorre logo após a exposição a ruído intenso, por um curto período de tempo, e
tende a regredir espontaneamente após minutos, horas ou, às vezes, até dias de repouso
auditivo. A figura x mostra audiogramas realizados antes e depois da exposição de um
indivíduo com audição normal a um rido de 103 dB(A) durante duas horas contínuas. As
audiometrias realizadas 30s, 15min, 5h e 24h após o término da exposição estão registradas
no esquema e mostram a melhoria progressiva da perda auditiva instalada após aquela
exposição, ao longo das 24 horas subsequentes. (8)
61  
  
Perda auditiva permanente
Consequência da exposição repetida ao ruído excessivo, se dá de forma lenta e
progressiva.
A perda auditiva relaciona-se a um grau de destruição menor ou maior de setores
do órgão de Corti. Por conseguinte, ela é sempre do tipo sensorioneural. Como a maior
concentração das lesões situa-se na espira basal da cóclea, ela compromete primeiro e
predominantemente as frequências altas e, somente em fases mais avançadas, o entalhe
audiométrico se alarga, em direção às frequências médias e baixas. Por isso, os traçados
audiométricos da PAIR têm sempre um formato característico, de entalhe nas frequências
altas, similar bilateralmente, embora sejam comuns as assimetrias nos agudos. Outra
importante característica da doença é que, cessada a exposição ao ruído, a perda auditiva
deixa de progredir. (8)
Além do desconforto e do perigo de surdez profissional, o ruído prejudica a
comunicação, dificultando a emissão e compreensão de ordens, o que influi no rendimento do
trabalhador como no número de acidentes.
Figura 3.4 Níveis de audição de um indivíduo normal
exposto a um ruído de 103 dB(A) (perda auditiva
temporária)
Fonte: Mendes, Rene - 2007
62  
  
3.1.4 MEDIDAS DE CONTROLE DO RUÍDO
Com o intuito de evitar ou diminuir os danos provocados pelo ruído no local de
trabalho, costumam-se adotar as seguintes medidas:
As medidas de proteção coletiva incluem: enclausuramento da máquina produtora
de ruído; isolamento de ruído.
Quanto à medida de proteção individual, esta consiste no fornecimento de
equipamento de proteção individual (EPI) (no caso, protetor auricular). O EPI deve ser
fornecido na impossibilidade de eliminar o ruído ou como medida complementar.
As medidas médicas, por sua vez, incluem: exames audiométricos periódicos,
afastamento do local de trabalho e revezamento.
Há também as medidas educacionais. São elas: orientação para o uso correto do
EPI; campanha de conscientização.
E, por fim, as medidas administrativas: tornar obrigatório o uso do EPI; controlar
o uso. (12)
3.2 CALOR
Podemos definir “calor” como sendo um risco físico que se apresenta de forma
frequente nas mais diversas atividades profissionais, onde existe liberação de grandes
quantidades de energia térmica, podendo estar presente tanto em atividades internas quanto
em atividades ao ar livre, sujeitando o homem a dar ou receber esta energia. (14)
Os mecanismos de troca térmica que importam para a Higiene do Trabalho são:
Condução, Convecção, Evaporação e Irradiação. Estes mecanismos físicos são responsáveis
pela sensação de conforto ambiental num ambiente qualquer, já que são o principal meio de
perda ou ganho de energia térmica pelo organismo humano. (14)
Para que o homem mantenha sua temperatura constante, existem vários
mecanismos automáticos que lhe possibilitam regular a perda de calor, mantendo a
temperatura do corpo em torno de 36 graus centígrados. Tais mecanismos automáticos fazem
com que o organismo perca mais ou menos calor para o ambiente, dependendo da sobrecarga
que recebe, de calor ou frio, respectivamente. (16)
63  
  
Deste modo, um indivíduo nu pode ficar exposto a temperatura de 13°C a 70°C,
em ambientes secos, e manter a temperatura central constante. Entretanto, esta mesma pessoa
não tolera um aumento de 4°C na sua temperatura interna (central) sem que ocorra
comprometimento da capacidade física e mental e até mesmo risco de vida. (8)
Quando a soma do calor recebido e do calor produzido pelo metabolismo é maior
que o calor cedido pelo o organismo ao meio ambiente, o organismo lança mão de
mecanismos de defesa (vasodilatação periférica e ativação de glândulas sudoríparas) para
evitar a hipertermia. (8)
A vasodilatação periférica permite uma maior troca de calor entre o organismo e o
meio ambiente e a ativação das glândulas sudoríparas permite uma maior perda de calor
através da evaporação do suor. (8)
Entretanto, a quantidade de calor que o organismo pode perder pela evaporação do
suor pode ser limitada por fatores fisiológicos e ambientais. (8)
As limitações fisiológicas são resultantes de problemas no funcionamento das
glândulas sudoríparas e as ambientais são, principalmente, a umidade relativa do ar e a
velocidade do ar. (8)
A sensação de desconforto causada pelo calor está diretamente ligada a estes
fatores ambientais (velocidade e umidade relativa do ar). (8)
3.2.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO AO CALOR
A temperatura constitui um dos fatores mais importantes no ambiente de trabalho.
A alteração de sua normalidade ocasiona desde certas perturbações de conforto, até
determinados processos graves. (16)
Choque térmico
Também denominado hipertemia ou intermanção, ocorre por uma falha do centro
termorregulador que leva a uma redução da sudorese e, consequentemente, da perda de calor
por evaporação, resultando numa elevação acelerada e descontrolada da temperatura interna
64  
  
do corpo. É uma emergência médica e os sinais clínicos são pele seca, quente, avermelhada,
manchada ou cianótica. A temperatura central do corpo pode atingir 40,5°C ou mais. Podem
aparecer confusão mental, perda da consciência, convulsões e até ser fatal ou deixar sequelas
neurológicas se o trabalhador não é retirado do ambiente e o tratamento não for imediato. O
reconhecimento e o tratamento precoce do choque térmico são as únicas medidas que podem
prevenir a lesão cerebral permanente e a morte. (8)
Exaustão por calor
A exaustão pelo calor é causada pela perda excessiva de líquidos pelo suor
associada a uma perda excessiva de sal. O trabalhador com exaustão pelo calor ainda
apresenta dudorese e experimenta uma sensação de fadiga e fraqueza extremas, além de
tonturas, náuseas e cefaleia. Casos mais sintomáticos podem apresentar vômitos e evoluir para
o coma. A pele é úmida, pálida ou ruborizada e a temperatura corporal é normal ou levemente
elevada. O tratamento é feito pela retirada do ambiente quente e pela administração de
líquidos e eletrólitos. Não há efeitos permanentes (sequelas). A exaustão pelo calor pode
preceder o choque térmico. (8)
Desidratação pelo calor
Ocorre quando a ingestão de líquidos é insuficiente para compensar as perdas pela
sudorese excessiva. É um dos mecanismos presentes na fisiopatologia da exaustão pelo calor.
(8)
Câimbras e espasmos pelo calor
São contrações ou espasmos musculares dolorosos, motivados pela diluição de
eletrólitos no sangue, decorrentes da perda de sal pela sudorese excessiva e da ingestão de
grandes quantidades de água. Os músculos utilizados para a execução do trabalho são os mais
susceptíveis. As câimbras e os espasmos podem ocorrer durante ou horas após o trabalho e
podem ser tratadas com reposição eletrolítica através de soro por via oral. (8)
65  
  
Síncope pelo calor
Também denominada colapso pelo calor, ocorre quando um trabalhador não
acostumado com ambientes quentes permanece de pé e parado nestes ambientes. A dilatação
dos vasos da pele (principalmente de membros inferiores) diminui o retorno venoso e débito
cardíaco com consequente baixo fluxo cerebral e síncope. Geralmente a síncope é precedida
de palidez cutânea, visão borrada, náuseas e tonturas. A colocação do paciente em decúbito
leva a recuperação do estado de consciência. (8)
Edema pelo calor
Ocorre por mecanismo semelhante ao da síncope pelo calor, ou seja, acúmulo de
sangue nos vasos dilatados da pele dos membros inferiores, resultando em edema,
principalmente quando a pessoa permanece de pé parada em ambientes quentes.
Fadiga transitória pelo calor
Este termo refere-se a um estado transitório de desconforto e de tensão causado
pela exposição prolongada ao calor. Trabalhadores não aclimatizados são particularmente
sensíveis e podem apresentar, em graus variados, diminuição de performace no trabalho, da
coordenação motora e do estado de alerta e vigilância. (8)
Insolação
É um estado patológico causado pela exposição ao calor tendo o sol como a fonte
de calor. (8)
Reações dermatológicas
As reações dermatológicas ao calor mais comuns são chamadas de miliária e
podem ser de três tipos: cristalina, rubra e profunda. A miliária ocorre mais frequentemente
em ambientes quentes e úmidos e com trabalhadores expostos ao calor que usam roupas
66  
  
impermeáveis ao suor. Nestes casos o suor não é facilmente removido da pele pela
evaporação e ocorre obstrução dos ductos das glândulas sudoríparas, causando retenção do
suor. (8)
Queimaduras
As queimaduras resultam de acidentes que são facilitados pela sudorese, que torna
a pega de objetos mais difícil, que pode tornar o chão escorregadio e que pode causar irritação
ocular e interferência na visão, associada a uma diminuição da performance no trabalho e do
estado de alerta causada pelo desconforto térmico. O aumento da temperatura corporal e o
desconforto físico provocam irritabilidade e outros estados emocionais que podem levar o
trabalhador a negligenciar procedimentos de segurança ou a distrair a atenção na realização de
tarefas perigosas. (8)
Sobrecarga do sistema circulatório: Ocorre por competição pelo fluxo sanguíneo
entre a pele, para resfriamento, e os músculos ativos, para suprimento de energia. (8)
Infertilidade masculina e feminina
Há possibilidade de ocorrência quando a temperatura interna do corpo ultrapassa
38°C. (8)
Má-formação fetal
Há possibilidade de ocorrência quando a temperatura interna do corpo da mulher
ultrapassa 39°C por períodos estendidos, no primeiro trimestre da gravidez. (8)
Catarata
É uma opacificação do cristalino, parcial ou completa, em um ou ambos os olhos,
que interfere na visão, podendo causar cegueira. A exposição prolongada à radiação
infravermelho (calor radiante) é reconhecida como uma das causas de catarata. (8)
67  
  
3.2.2 MEDIDAS DE CONTROLE DO CALOR
As medidas relativas ao ambiente, podemos considerar:
• Diminuição do calor metabólico com a automatização de processos de trabalho em
ambiente quentes, minimizando o esforço físico do trabalhador e, consequentemente, a
produção de calor metabólico.
• Diminuição do calor radiante pode ser conseguida pela interposição de barreiras
refletoras entre a fonte de calor e o trabalhador. A barreira de calor mais utilizada é a
de alumínio polido.
• Redução da temperatura do ar pode ser conseguida através da insuflação de ar fresco.
• Redução da umidade relativa do ar pode ser conseguida pela instalação de
desumidificadores ou ventilação local exaustora onde há fontes localizadas de vapor
d’água.
• Aumento da movimentação do ar, através da ventilação local favorece a evaporação
do suor, desde que o ar esteja em temperatura inferior à temperatura corporal. (8)
As medidas relativas ao homem são:
• Aclimatização constitui uma adaptação fisiológica, onde três fenômenos básicos
ocorrem no indivíduo: aumento da capacidade de sudorese, diminuição da
concentração de sódio no suor e diminuição da frequência cardíaca diante de uma
mesma carga de calor ambiental e de trabalho. Essa aclimatização é conseguida em
seis dias e será completa após duas/três semanas. Recomenda-se que se inicie o
trabalho com 50% da carga de trabalho no primeiro dia, aumentando 10% por dia, até
atingir 100% no sexto dia. Esta medida é considerada de fundamental importância na
prevenção dos efeitos do calor sobre o organismo.
• Limitação do tempo de exposição ao calor pode ser conseguida pela otimização de
ciclos na realização das tarefas, pelo revezamento de pessoas ou tarefas.
• Reposição Hidroeletrolítica se dá pela reposição de água que deve ser individualizada,
conforme intensidade da perda. Recomenda-se que o trabalhador seja encorajado a
beber 150ml de água a cada 15-20min.
• Utilização de roupas de proteção deve ser de tecido leve, que absorva pouco calor
radiante e que permita a evaporação do suor.
68  
  
• Utilização de óculos com filtro infravermelho para evitar o desenvolvimento de
catarata em trabalhadores expostos a calor radiante intenso. (8)
3.3 FRIO
Por não ser muito comum no nosso país, o estudo da exposição ao frio não é
muito divulgado, nem claramente coberto pela legislação. A NR 15 anexo 9, se limita a dizer
que trabalhos em locais frios sem a proteção adequada são consideradas insalubres mediante
laudo de inspeção no local de trabalho. Entretanto devemos considerar que muitos
trabalhadores exercem suas atividades em câmaras frias, na indústria alimentícia, na
agricultura, ou ainda em ambientes externos em localidades frias. (14)
1.3.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO AO FRIO
Na exposição do indivíduo ao frio intenso, deve-se considerar o esfriamento do
interior do corpo, através da superfície da pele e pela respiração, e o congelamento de
extremidades. A tabela 3.2 a seguir mostra os efeitos clínicos da vítima de hipotermia, de
forma progressiva. (14)
A permanência num ambiente frio, por exemplo, determina a atividade de
distintos mecanismos de termorregulação do organismo. Assim, para evitar as perdas
calóricas, o organismo produz uma vasoconstrição na periferia do corpo. (16)
Alguns tipos de alterações podem ocorrer, apesar de existirem mecanismos
automáticos de regulação de temperatura do corpo. Muitas vezes, a ação do frio se faz notar
em locais ou modos onde tais mecanismos se tornam ineficazes. É o caso das queimaduras
pelo frio ocasionadas pelo contato da pele com o agente causador do frio. Algumas alterações,
por outro lado, são desencadeadas pelo frio em indivíduos previamente ‘marcados’. São os
indivíduos mais sensíveis que outros ao frio e que podem desenvolver urticárias ou alterações
alérgicas de pele. Varas outras doenças podem ser desencadeadas ou agravadas pelo frio. 16
As doenças causadas pelo frio são classicamente divididas em dois grupos:
aquelas onde não há congelamento (hipotermia, eritema pérnio) e aquelas causadas por
congelamento (geladura ou frostbite). (8)
69  
  
Hipotermia
É definida pela queda da temperatura central do corpo a níveis inferiores a 35°C.
Pessoas hipotérmicas podem apresentar uma gama de sinais e sintomas, conforme tabela 3.2.
(8)
TEMPERATURA
INTERNA (ºC)
SINAIS CLÍNICOS
37,6 Temperatura retal normal
37 Temperatura oral normal
36 Aumento da taxa metabólica para compensar a perda de calor
35 Tremor máximo
34 Vítima consciente e respondendo com pressão sanguínea normal
33 Severa hipotermia abaixo desta temperatura
32 Consciência nublada, dificuldade de obter a pressão, pupilas dilatadas mas
reagindo à luz, cessação dos tremores31
30 Progressiva perda da consciência, aumento da rigidez muscular, pulso e
pressão difíceis de obter, decréscimo da taxa respiratória29
28 Possível fibrilação ventricular com irritação miocardial
27
Cessam os movimentos voluntários, pupilas não reativas à luz, reflexos de
tendões e superficiais ausentes
26 Vítima raramente consciente
25 Fibrilação ventricular pode ocorrer espontaneamente
24 Edema pulmonar
22
Risco máximo de fibrilação ventricular
21
20 Parada cardíaca
18 Vítima de hipotermia acidental mais baixa
17 Eletroencefalograma isoelétrico
9 Paciente de hipotermia induzida artificialmente mais baixa
Eritema Pérnio
O eritema pérnio ou perniose é uma condição inflamatória da pele dos membros
induzida pelo frio e caracterizada por eritema, prurido e ulceração. São reconhecidas uma
forma aguda e uma forma crônica da doença. Nos casos agudos percebe-se uma descoloração
vermelho-azulada e edema da pele nos membros inferiores associados à sensação de
queimação e calor, além de prurido. As lesões geralmente persistem por sete a dez dias e após
regridem, deixando algumas vezes uma pigmentação residual na pele. A lesão histopatológica
consiste de angeíte com proliferação da íntima, espessamento da parede arterial e infiltração
perivascular por linfócitos e leucócitos polimorfonucleares. Nos casos graves as lesões podem
Tabela 3.2 – Efeitos clínicos da vítima de hipotermia
Fonte: American Family Phvsician – AAFP
70  
  
tornar-se hemorrágicas ou podem surgir bolhas. Infecções podem sobrevir. Com a exposição
repetida ao frio, os trabalhadores susceptíveis podem desenvolver lesões crônicas que são
caracterizadas por eritema e úlcera. Pode haver também, nestes casos, formação de bolhas e
hemorragia. (8)
Geladura (Frostbite)
Geladura ou frostbite ou queimadura pelo frio é a lesão que atinge as
extremidades, decorrentes de exposição prolongada a temperaturas extremamente baixas, com
consequente congelamento dos tecidos e lesão vascular. São lesões que ocorrem devido à
intensa vasoconstrição e à deposição de micro cristais nos tecidos. No Brasil não se espera
que seja uma doença comum. Inicialmente ocorre uma sensação de picada seguida de
dormência. A pele torna-se exangue e mostra-se branca e fria. Posteriormente há vermelhidão,
edema e temperatura aumentada. Bolhas com conteúdo seroso amarelo ou hemorrágico
podem se formar 24-48h após o descongelamento. Pode haver hemorragia sob os leitos
ungueais. O curso subsequente pode ser semelhante àquele da oclusão arterial aguda,
inclusive com isquemia, necrose e gangrena. Pode haver amputação espontânea em semanas
ou meses. As geladuras podem ser classificadas em de primeiro grau: lesões com hiperemia e
edema; de segundo grau: lesões com hiperemia, edema e vesículas ou bolhas; de terceiro grau:
lesões com necrose da epiderme, derme ou subcutâneo e de quarto grau: lesões necróticas
profundas, perda de extremidades. (8)
Urticária pelo frio
É caracterizada pelo aparecimento de urticas, que são pápulas edematosas, de
duração efêmera e extremamente pruriginosas, em expostos ao frio. As pápulas podem
confluir formando extensas placas. A lesão é uma reação alérgica que ocorre em consequência
da liberação de histamina dos mastócitos localizados em torno dos vasos da derme, em
resposta ao frio. (8)
Irritação de vias aéreas: A inalação de ar frio pode causar desconforto respiratório,
especialmente se a respiração for nasal. Grandes volumes respirados de ar muito frio podem
ocasionar micro inflamação da mucosa de vias aéreas superiores. (8)
71  
  
3.3.2 MEDIDAS DE CONTROLE DO FRIO
A ACGIH (American Conference of Governamental Industrial Hygienists) faz as
seguintes recomendações para o trabalho com exposição ao frio:
• Trabalhadores que realizam seus trabalhos expostos a temperaturas inferiores a 4°C
devem estar sempre paramentados com roupas isolantes secas;
• A temperaturas de 2°C ou menos é imperativo que se permita aos trabalhadores que
entram na água ou tenham suas roupas molhadas trocar as mesmas de imediato e que
se faça o tratamento da hipotermia;
• Para trabalhos de precisão, com as mãos descobertas por mais de 10-20min em um
ambiente com temperatura abaixo de 16°C, devem ser adotadas medidas especiais
para manter as mãos dos trabalhadores aquecidas (jatos de ar quente, aquecedores ou
placas de contato aquecidas);
• Os trabalhadores devem usar luvas sempre que a temperatura do ar cair abaixo de
16°C para trabalho sedentário, 4°C para trabalho leve e 7°C negativos para trabalho
moderado, se não for necessária destreza manual;
• A temperaturas inferiores a 1°C negativo as partes metálicas das ferramentas e as
barras de controle devem ser cobertas com material isolante térmico;
• O trabalhador deve ser avisado para evitar qualquer contato com a pele em superfícies
com temperaturas inferiores a 7°C negativos;
• Se a temperatura do ar for menor que 17,5°C negativos as mãos devem estar
protegidas por luvas especiais;
• Não deve se permitida a exposição contínua da pele descoberta quando a temperatura
e a velocidade do ar resultem em uma temperatura equivalente de 32°C negativos;
• O manuseio de líquidos voláteis a temperaturas inferiores a 4°C deve merecer
cuidados especiais para evitar molhar as roupas ou luvas em função do resfriamento
adicional por evaporação;
• Se não for possível proteger suficientemente as áreas expostas do corpo, de forma a
prevenir a sensação de frio excessivo, devem ser fornecidos artigos de proteção que
auxiliem no aquecimento.
72  
  
3.4 PRESSÕES ANORMAIS
Há uma série de atividades cuja realização faz com que os trabalhadores fiquem
sujeitos a pressões ambientais acima ou abaixo das pressões normais, isto é, da pressão
atmosférica a que normalmente se expõem. (12)
• Baixas pressões: situam-se abaixo da pressão atmosférica normal e ocorrem com
trabalhadores que realizam tarefas em grandes altitudes. No Brasil, são raros os
trabalhadores expostos a esse risco. (12)
• Altas pressões: situam-se acima da pressão atmosférica normal, sendo comuns em
trabalhos realizados em tubulações de ar comprimido, máquinas de perfuração,
caixões pneumáticos e trabalhos executados por mergulhadores, como por exemplo:
caixões pneumáticos, compartimentos estanques instalados nos fundos dos mares, rios
e em represas onde é injetado ar comprimido que expulsa a água do interior do caixão,
possibilitando o trabalho. São usados na construção de pontes e barragens. (12)
3.4.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO ÀS PRESSÕES ANORMAIS
Barotrauma
É definido como uma síndrome ocasionada pela dificuldade de equilibrar a
pressão no interior de uma cavidade pneumática do organismo com a pressão do meio
ambiente em variação. Além dos espaços aéreos naturais, eventualmente podem ser criados
outros por equipamentos, como, por exemplo, um capacete ou uma máscara de mergulho. A
gênese do barotrauma está relacionada com a lei da física que regula o comportamento entre
as pressões e os volumes (Lei de Boyle). É um efeito direto da pressão sobre o organismo do
trabalhador. (8)
O barotrauma pode assumir as seguintes formas clínicas:
• Do ouvido externo: dor local, abaulamento da membrana timpânica para fora, edema e
congestão do conduto auditivo externo e hemorragia. Eventualmente o rompimento da
membrana timpânica;
• Do ouvido médio: dor, zumbido, hipoacusia e vertigem. Se a membrana timpânica se
romper, a dor cessa e, no mergulho, a penetração de água fria no ouvido médio, a
73  
  
irritação das estruturas do labirinto leva à desorientação espacial, vertigem, náuseas e
vômitos, que cessam logo que a temperatura da água atinja a temperatura corporal;
• Do ouvido interno: dificuldade de equilibrar as pressões e diminuição súbita e
progressiva da audição, zumbido e vertigem. Estas lesões podem se tornar
permanentes;
• Sinusal: edema e congestão da mucosa sinusal, evoluindo para extravasamento de
sangue;
• Pulmonar: congestão pulmonar, edema e hemorragia;
• Facial: máscaras e óculos de mergulho podem atuar como ventosas diante as variações
de pressão, podendo sugar os tecidos da face, acarretando uma sensação de
repuxamento, edema, equimose facial, manchas hemorrágicas nas escleróticas ou
hemorragia no globo ocular e da conjuntiva e sangramento pelo nariz;
• Dental: presença de pequenas bolhas gasosas no interior da polpa dentária ou em
tecidos moles adjacentes;
• Gastrointestinal: produção de gases no intestino aumentando o conteúdo aéreo no
estômago, que durante a descompressão pode causar desconforto e distensão
abdominais e cólicas;
• Cutâneo: manchas equimóticas causadas por espaços entre a roupa de mergulho e o
corpo, como pequenas ventosas;
• Corporal: o esvaziamento brusco de equipamento de mergulho pesado, pode ocasionar
pressão em toda superfície corporal do trabalhador. (8)
Embolia Traumática
A embolia traumática é uma das ocorrências mais sérias da atividade hiperbárica.
Pode acontecer em qualquer modalidade de trabalho sob pressão, quando durante a
descompressão havendo retenção da mistura respiratória, em expansão nos pulmões, a pressão
intrapulmonar fica aumentada em relação ao meio ambiente, provocando diversos fenômenos
que podem variar desde o choque pleural, que é a hiperdistensão sem rotura de estruturas
pulmonares enfisema intersticial com pneumomediastino ou enfisema subcutâneo,
pneumotórax, até a embolia gasosa propriamente dita, que pode atingir toda a circulação com
grandes quantidades de mistura respiratória, afetando, com frequência, a circulação cerebral e
as artérias coronárias. (8)
74  
  
Doença descompresssiva
Esta doença é frequentemente confundida com a embolia traumática. Quando o
trabalhador respira uma mistura respiratória pressurizada, o oxigênio vai sendo utilizado
normalmente no metabolismo e a fração do gás inerte é absorvida no organismo, de acordo
com a Le de Henry. Portanto, o gás inerte vai se acumulando nos tecidos em função da
pressão, do tempo de exposição e de outros fatores como a temperatura e a solubilidade do
gás nos tecidos. No caso do nitrogênio, a solubilidade é cinco vezes maior nas gorduras do
que na água. Quando a pressão ambiente diminui, a soma das tensões do gás inerte nos
diversos tecidos pode levar o gás que estava dissolvido ao estado físico de gás livre e dar
início à doença descompressiva. A liberação de gás inerte livre causa distúrbios orgânicos
bloqueando artérias, veias e vasos linfáticos, podendo romper ou comprimir tecidos. Quando
o gás atua num espaço limitado, como um músculo contido por fáscia, pode provocar uma
síndrome compartimental. A formação de bolhas pode se dar também intracelularmente,
causando a rotura da membrana celular, com liberação de substâncias tóxicas ou vasoativas.
As reações na interface gás/sangue podem ativar mecanismos de coagulação. (8)
3.4.2 MEDIDAS DE CONTROLE DAS PRESSÕES ANORMAIS
Pelo fato de se tratar de uma atividade de alto risco, exige legislação específica
(NR15) a ser obedecida.
3.5 VIBRAÇÕES
Nas indústrias é comum a utilização de máquinas e equipamentos que produzem
vibrações, as quais podem ser nocivas ao trabalhador. Estas podem ser:
• Localizadas (em certas partes do corpo): são causadas por ferramentas manuais,
elétricas e pneumáticas.
• Generalizadas (ou do corpo inteiro): as lesões ocorrem com os operadores de grandes
máquinas, como os motoristas de caminhão, ônibus e tratores. (12)
75  
  
As vibrações como o ruído, podem ser estudadas tanto no domínio do tempo
como no da frequência, expressando-se a amplitude em termos de deslocamento (metros),
velocidade (m/s) ou aceleração (m/s²). (8)
3.5.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO À VIBRAÇÃO
A vibração de corpo inteiro ocorre em diversas situações do cotidiano, expondo o
trabalhador a danos físicos permanentes ou distúrbios no sistema nervoso. A exposição diária
à vibração de corpo inteiro poderá resultar em danos na região espinhal, podendo também
afetar o sistema circulatório e/ou urológico, além do sistema nervoso central. Sintomas de
distúrbios frequentemente aparecem durante ou logo após a exposição sob a forma de fadiga,
insônia, dor de cabeça e tremor. No entanto, esses sintomas geralmente desaparecem após um
período de descanso. (6)
Os efeitos observados em grupos expostos a condições graves de vibração foram:
problemas na região dorsal e lombar, gastrointestinais, sistema reprodutivo, desordens no
sistema visual, problemas nos discos intervertebrais e degeneração na coluna vertebral. 6
Alguns sinais e sintomas, provocados pela exposição à vibração de corpo inteiro
como, náuseas, palidez, suores, calor, salivação, dores de cabeça, tonturas, respiração
irregular, sonolência, vômitos, recebem a denominação de Mal dos Transportes, uma vez que
está associada a veículos em geral, tais como navios, caminhões, trens, plataformas, entre
outros. (6)
De acordo com a norma ISO 5349, os principais efeitos devidos à exposição à
vibração no sistema mão-braço podem se de ordem vascular, neurológica, ósteo-articular e
muscular. Entre esses efeitos, destacam-se as perturbações ósteo-articulares, características de
vibrações de frequência menores que 30 Hz e que atingem o punho, cotovelo e o ombro, e as
perturbações vasculares, que são identificadas como Doença de Raynaud, características de
vibrações de frequência entre 40 e 125 Hz e que provocam sintomas como: formigamento,
entorpecimento, palidez, picada, queimadura, cianose e grangrena. (6)
Em estudo empreendido em laboratório, Zhu, Sakakibara e Yamada (1997)
observaram que a exposição combinada entre vibração segmentar e ruído pode apresentar um
efeito sinérgico sobre a audição. Os voluntários expostos a vibração e ao ruído de 90dB(A)
76  
  
apresentaram elevações significantes nas mudanças temporárias de limiar (TTS – Temporary
Threshold Shift) nas frequências de 4 e 6kHz, comparando-se com o grupo somente exposto
ao ruído de igual intensidade. Provavelmente, segundo aos autores, apenas a exposição à
vibração não é capaz de produzir tais alterações. (8)
3.6.2 MEDIDAS DE CONTROLE DA VIBRAÇÃO
A transmissão da vibração pode ser atenuada por técnicas de isolamento e de
amortecimento. A manutenção preventiva constitui-se como método importante no controle
da vibração de ferramentas portáteis motorizadas.
Conhecer a magnitude da vibração produzida pela ferramenta é o princípio
fundamental que tanto o usuário como o fabricante devem obedecer.
• A vibração deve ser medida;
• Ferramentas manuais vibratórias devem ser selecionadas de modo adequado para a
atividade;
• A ferramenta ou o processo com o nível mais baixo de magnitude de vibração deve ser
o selecionado para a execução da atividade, se possível;
• Equipamentos devem ser mantidos de acordo com as boas práticas de trabalho e com
as orientações dadas pelo fabricante;
• A gerência deve ser advertida sobre ferramentas ou processo ou práticas de trabalho
que gerem exposições de risco à vibração localizada;
• O corpo técnico deve ser capacitado para a medição e a avaliação de vibração
localizada e para a manutenção apropriada do equipamento responsável pela produção
da vibração. (8)
3.6 RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES
As radiações são formas de energia que se transmitem por ondas
eletromagnéticas. A absorção das radiações por parte do organismo é responsável pelo
aparecimento de diversas lesões. Elas podem ser classificadas em dois grupos: radiações
ionizantes e as radiações não ionizantes, esta última trata-se de radiações infravermelha, a
77  
  
proveniente de operação em fornos, ou de solda oxiacetilênica, a radiação ultravioleta, como
aquela que é gerada por operações em solda elétrica, ou, ainda, raios laser, micro-ondas etc.
(12)
Seus efeitos incluem:
• Catarata: por sua exposição superficial, o cristalino do olho fica especialmente
sujeito à ação das ondas eletromagnéticas.
• Esterilidade masculina: os testículos estão também especialmente sujeitos às
radiações eletromagnéticas devido à localização superficial em relação ao corpo e a
grande sensibilidade ao calor por parte das células germinativas.
• Estresse do calor apresenta os mesmos sintomas da insolação, caracteriza-se por
astenia e sudorese na fase inicial e na fase final, aumento de temperatura, sede,
taquicardia e outros sinais de desidratação como câimbras musculares e excitação,
seguidas de sonolência e sinais de depressão do sistema nervoso central.
• Convulsões: a exposição a doses extremamente altas, podem, mesmo em períodos
curtos, produzir fenômenos de aquecimento da massa encefálica com manifestações de
convulsão de tipo “grande mal”, seguida de morte.
• Queimaduras ocorrem em nível do tecido subcutâneo e derme. Os sintomas como
calor, rubor, edema, aparecem após um período de latência de 4 a 12 horas. O edema é
duro, levando a um engrossamento da pele. A repetição de exposições leva a uma
precipitação de mielina com o escurecimento da pele.
3.6.1 MEDIDAS DE CONTROLE DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE
• Planejamento de equipamentos: respeitando os limites de tolerância;
• Enclausuramento da fonte: aplicação de anteparos metálicos adequados;
• Afastamento da fonte: distanciamento entre a fonte da radiação e o operador.
• Proteção individual: óculos, vestimenta adequada, capacete metálico.
78  
  
3.7 RADIAÇÕES IONIZANTES
As radiações ionizantes existem no Planeta Terra desde a sua origem, sendo
portanto um fenômeno natural. No início, as taxas de exposição a estas radiações eram
certamente incompatíveis com a vida. Com o passar do tempo, os átomos radioativos,
instáveis, foram evoluindo para configurações cada vez mais estáveis, através da liberação do
excesso de energia armazenada nos seus núcleos. Pelas suas propriedades esta energia é capaz
de interagir com a matéria, arrancando elétrons de seus átomos (ionização) e modificando as
moléculas.
Considerando a evolução dos seres vivos, a modificação de moléculas levou a um
aumento de sua diversidade, e provavelmente ao surgimento de novas estruturas que,
devidamente associadas, ganharam características de ser vivo. As radiações ionizantes
continuaram a trabalhar este material ao longo das eras, produzindo modificações que
contribuíram para o surgimento da diversidade de seres vivos que povoaram e povoam a
Terra.
No final do século XIX, com a utilização das radiações ionizantes em benefício do
homem, logo seus efeitos na saúde humana tornaram-se evidentes. Ao longo da história, estes
efeitos foram identificados e descritos, principalmente, a partir de situações nas quais o
homem encontrava-se exposto de forma aguda (acidentes e uso médico).
Efeitos que porventura pudessem decorrer de exposições às radiações em
condições naturais foram pouco estudados e pouco entendidos. Recentemente um esforço no
sentido de melhor se entender o papel destas radiações junto à vida tem sido desenvolvido e a
expectativa é que possam ser emitidos novos conceitos a respeito dos efeitos biológicos das
radiações ionizantes. (11)
3.7.1 EFEITO DAS RADIAÇÕES IONIZANTES NO HOMEM
O efeito das radiações ionizantes em um indivíduo depende basicamente da dose
absorvida (alta/baixa), da taxa de exposição (crônica/aguda) e da forma da exposição (corpo
inteiro/localizada).
Qualquer dose absorvida, inclusive das doses provenientes de radiação natural,
pode induzir câncer ou matar células. A questão é de probabilidade de dano, probabilidade de
79  
  
mutações precursoras de câncer e número de células mortas. Quanto maiores as taxas de dose
e as doses absorvidas, maiores as probabilidades de dano, de mutações precursoras de câncer
e de morte celular. Danos podem ser reparados; mutações podem tanto representar falhas nos
mecanismos de reparo como mecanismos de eliminação de células inviabilizadas pelo dano.
A morte celular, resultante de quebras na molécula de DNA, da mesma forma que a
eliminação de células mutantes, pode ser encarada como um mecanismo de eliminação de
produtos inviabilizados pela presença de danos. A questão passa a envolver o número de
células destruídas, o momento em que a morte celular ocorre, (considerado o estágio de
desenvolvimento do ser célula-ovo, embrião, feto, criança, adolescente, adulto, velhice), e o
sexo do indivíduo irradiado. Nas tabelas 3.3 e 3.4 estão relacionados sintomas induzidos por
exposições agudas localizadas e exposições de corpo inteiro. Em todos os casos de
desenvolvimento de sintomatologia clínica o processo reflete a morte de um número
significativo de células com comprometimento de órgão e/ou tecidos. A unidade de dose
absorvida é o Gray (Gy). A dose média de radiação natural absorvida pela população mundial
é de 2,6 Gy x 10-3 x ano 1 , isto é, 2,6 mGy por ano. (11)
Tabela 3.3 – Efeitos de radioexposição aguda em adulto
Fonte: APOSTILA EDUCATIVA CNEN Radiações Ionizantes e a Vida
80  
  
3.7.2 MEDIDAS DE CONTROLE DA RADIAÇÃO IONIZANTE
• Medida coletiva: isolamento da fonte de radiação, por exemplo, pisos e paredes
revestidas de chumbo em salas para realização de exames radiográficos.
• Medida individual: fornecimento de EPI adequado, por exemplo, protetores
plúmbiferos como óculos, avental, protetor de tireoide e protetor de gônada.
• Medida administrativa: dosímetro de bolso para monitoramento de dose absorvidas
dos trabalhadores expostos.
Tabela 3.4 – Exposições agudas localizadas
Fonte: apostila educativa do CNEN Radiações Ionizantes e a Vida
81  
  
UNIDADE 4 – DOENÇAS RELACIONADAS AOS RISCOS ERGONÔMICOS
Ciência par uns, tecnologia para outros, a Ergonomia é um campo de aplicação
interdisciplinar das ciências, reconhecida oficialmente há pouco mais de meio século. Apesar
disso, podemos dizer que há quatro milhões de anos, nossos ancestrais hominídeos,
instintivamente, praticavam a Ergonomia quando escolhiam um seixo que melhor se adaptava
às suas mãos para um determinado propósito ou quando lascavam o sílex, dando-lhe formato
apropriado para o uso pretendido. A Ergonomia também esteve presente, embora anônima, na
criação das primeiras armas, ferramentas, utensílios domésticos e na própria organização das
tarefas diárias. Em busca do conforto, o homem procurou adaptar os materiais da natureza aos
objetivos almejados, alterando sua forma com vistas à maior eficiência, praticidade e
adequação às suas características individuais. Esse fato foi e continua a ser de grande
importância na produção artesanal de roupas, cabos de armas de competição, sapatos, etc. (2)
A princípio, as atenções ergonômicas voltavam-se sobretudo às dimensões de
objetos, ferramentas e componentes dos postos de trabalho, visando a facilitar as atividades
dos operários. Posteriormente, ampliou-se o campo de ação da Ergonomia, que passou a
preocupar-se também com os agentes agressivos do ambiente de trabalho, especialmente os
físicos e químicos. Finalmente, a partir dos anos 80, passaram a ser enfocados os aspectos
cognitivos, ou seja, os sistemas de informação e sua transmissão adequada às capacidades
humanas. A psicopatologia e a análise coletiva do trabalho vem sendo estudadas mais
recentemente, sobretudo pela escola francofônica, enriquecendo a psicologia industrial e a
administração. (2)
A importância da Ergonomia faz-se sentir com o desenvolvimento tecnológico,
pois este pode produzir efeitos nem sempre previsíveis. O homem pode ser submetido
inadvertidamente a estressores por longos períodos de tempo, levando à perda da eficiência e
mesmo a incapacidades; por outro lado, deficiências da capacidade do operador para
cumprimento de requisitos de uma tarefa podem reduzir a produtividade, a qualidade do
trabalho e mesmo acarretar acidentes de maior ou menor gravidade. Um exemplo disso, entre
nós, ocorreu com a difusão dos microcomputadores e a verdadeira “epidemia” de problemas
musculoesqueléticos e tendinosos relacionada ao trabalho de digitação, que resultou numa
maior atenção pra os problemas decorrentes da não observância de princípios ergonômicos e
culminou com o estabelecimento da Norma Regulamentadora 17 – Ergonomia (Portaria
N°.3751 de 23 de novembro de 1990). Embora, por suas limitações, essa NR deva ser
82  
  
considerada apenas como uma referência, seu mérito reside em ter chamado a atenção para as
necessidades de humanização do trabalho, conforto e proteção da saúde dos nossos
trabalhadores. (2)
Podemos descrever risco ergonômico como aqueles resultantes da falta de
adaptação do trabalho ao homem, gerando sobrecarga nas estruturas musculoesqueléticas
como esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso, exigência de postura
inadequadas, repetitividade, controle rígido de produtividade, imposição de ritmos excessivos,
trabalho em turno e noturno, jornada de trabalho prolongada, e que geralmente dão origem à
fadiga, à lombalgia, a doenças osteomusculares (como LER-DORT), etc. (20)
4.1 ALGUMAS SÍNDROMES NEURÓTICAS
Síndrome da fadiga crônica
Fadiga patológica, fadiga industrial, seja qual for a denominação, diferentes
autores descrevem um quadro que é interpretado como resultante da fadiga acumulada ao
longo de períodos de duração variável – meses ou mesmo anos. Diz respeito a situações de
trabalho e de vida em que as pessoas não tem oportunidade de obter a necessária superação da
fadiga através do sono e repouso adequados. (8)
A característica mais marcante é a presença de uma fadiga constante. Por assim
dizer, o indivíduo “acorda cansado”. Essa fadiga é mental e física, simultaneamente. Portanto,
assume o caráter de uma fadiga geral. (8)
A má qualidade do sono é justamente outra manifestação importante: a pessoa não
consegue aprofundar o sono, desperta frequentemente durante a noite e muitas vezes tem
insônia. Para alguns, a dificuldade mais importante é para adormecer, quando o trabalho
intelectual foi muito intensivo e “a cabeça continua trabalhando, não consegue desligar”,
como referem muitos. Os próprios sonhos passam a ter o trabalho como conteúdo, às vezes de
modo repetitivo e perturbador. (8)
A síndrome apresenta, além do cansaço e dos distúrbios de sono, outras
manifestações. A irritabilidade e o desânimo são as alterações psicológicas principais no
quadro. O indivíduo passa a irritar-se mesmo por pequenas coisas que anteriormente não o
83  
  
perturbavam. Isto conduz a conflitos interpessoais no ambiente de trabalho e fora dele,
atingindo negativamente o relacionamento familiar. (8)
O desânimo que se associa ao cansaço faz com que desapareça o interesse pela
vida social e a disposição para atividades de lazer anteriormente praticadas. Deste modo, o
trabalhador tende a se retrair e a se isolar socialmente. (8)
Outros sintomas que tem sido descritos nesta síndrome, com variações de
presenças e de intensidade, são: dores de cabeça, dores no corpo (geralmente nos músculos
mais utilizados no trabalho), perda de apetite e mal-estar geral. Graus variáveis de ansiedade
podem ser notados. (8)
Inicialmente mencionada em correlação ao trabalho industrial e por isso então
denominada “fadiga industrial”, a síndrome foi considerada, por alguns autores, como
decorrente da monotonia do trabalho repetitivo. (8)
Atualmente, as pesquisas científicas vem dando grande atenção a uma outra
síndrome que tem recebido a mesma denominação de “síndrome da fadiga crônica”, e que se
desenvolve depois de infecções viróticas. Na CID-10, a mesma consta como G93.3 –
síndrome de fadiga pós-virose. A análise do histórico de trabalho é de grande importância
para o diagnóstico diferencial os antecedentes de virose (mononucleose tem sido uma das
mais relacionadas com a síndrome) também precisam ser pesquisados. O grau de astenia e as
dores musculares parecem ser mais intensas, em geral, na síndrome pós-virose. (8)
Acredita-se que a sensação de fadiga seja devida à ação da interleucina 1,
substância secretada por monócitos e macrófagos durante processos infecciosos e pelos
astrócitos, em decorrência de esforços prolongados, trabalho físico ou intelectual intenso. A
interleucina seria o “hormônio da fadiga”, tendo como antagonistas as “endofinas”. (2)
Didaticamente, distinguem-se dois tipos básicos de fadiga: a fadiga física e a
fadiga psíquica, mas diversas outras classificações podem ser encontradas na literatura. (2)
A fadiga física ou somatória seria caracterizada pelas seguintes alterações
fisiológicas: (2)
1. Alterações circulatórias e do equilíbrio hidro salino, como se observa nos trabalhos em
ambientes de alta temperatura.
2. Redução do aporte de oxigênio, observado no trabalho em grandes altitudes.
84  
  
3. Aumento dos metabólitos ácidos no sangue, verificado no trabalho muscular pesado e
exaustivo.
4. Redução das reservas de combustível muscular e queda da glicemia, também
observada no trabalho pesado.
5. Alterações neurofisiológicas e hormonais decorrentes de trabalho mental atento e de
trabalho muscular leve com repetição contínua de movimentos, envolvendo o uso
contínuo dos mesmos trajetos nervosos. (2)
Com base na causa e no modo de manifestação, diversas formas de fadiga podem
ser consideradas: (2)
a) Fadiga muscular;
b) Fadiga visual, resultante de sobrecarga ocular;
c) Fadiga geral, consequente à sobrecarga de todo o organismo;
d) Fadiga mental, induzida por trabalho mental ou intelectual;
e) Fadiga nervosa, causada pela solicitação excessiva de uma parte do sistema
psicomotor, como no trabalho aprendido e repetitivo;
f) Fadiga por monotonia, da ocupação ou do ambiente;
g) Fadiga crônica, um acúmulo de efeitos a longo prazo;
h) Fadiga circadiana ou nictemeral, por quebra do biorritimo. (2)
Prevenção da fadiga, diversas são as medidas preconizadas para prevenção da
fadiga dos trabalhadores: (2)
a) Manutenção de um ambiente de trabalho agradável;
b) Jornadas e pausas adequadas no trabalho;
c) Treinamento e adaptação gradual ao trabalho;
d) Ergonomia do posto de trabalho;
e) Racionalização do trabalho e mecanização;
f) Enriquecimento do trabalho;
g) Seleção profissional adequada;
h) Balanceamento nutricional adequado;
i) Conscientização das chefias;
j) Melhoria das relações humanas no trabalho;
k) Música ambiente (orquestrada, em volume audível, ao final dos períodos de trabalho);
85  
  
l) Participação dos trabalhadores na organização do trabalho, etc. (2)
Além disso, não esquecer que numerosos fatores extraprofissionais, ligados à
Qualidade de vida dos trabalhadores, contribuem consideravelmente para a fadiga, tais como
problemas socioeconômicos, de alimentação, de habitação, familiares, de transporte, abuso de
drogas, assistência social, saúde pública, etc. Embora tais problemas sejam de alçada
governamental, as empresas muito podem contribuir para atenuá-los através da instituição de
planos de benefícios de diversos tipos. (2)
Síndrome do esgotamento profissional – burn-out
É tema central do livro de Herbert J. Freudenberger, BURN OUT, publicado em
1980. O autor coloca uma representação de um incêndio devastador, um “incêndio interno”
que reduz a cinzas a energia, as expectativas e a autoimagem de alguém antes profundamente
entusiasta e dedicado ao trabalho. Essa representação corresponde à síndrome que
Freudenberger denominou burn-out ou “esgotamento profissional”, e às vezes ao que
popularmente tem sido designado como estafa. Este último termo, entretanto, tem sido
utilizado muito frequentemente como um eufemismo – isto é, como uma designação
destinada a amenizar e encobrir diferentes diagnósticos psiquiátricos, sob a aparente
justificativa de evitar que tais diagnósticos causem choque em paciente ou em familiares dos
mesmos. Por isto, adotar tal termo para tradução em português de burn-out parece pouco
indicado. Outro motivo para preferir esgotamento profissional é também porque a palavra
estafa, originada do italiano staffare (cansar), embora corresponda a cansaço e esgotamento
nervoso, possui também outros significados – trabalho enfadonho, por exemplo – o que pode
levar a confusões de entendimento. (8)
Baseando-se em seus numerosos estudos de caso, Freudenberger identifica que
especialmente dois tipos de pessoas estão expostos ao burn-out: pessoas particularmente
dinâmicas e propensas a assumir papéis de liderança ou de grande responsabilidade, e
idealistas que colocam grande empenho em alcançar metas frequentemente impossíveis de
serem atingidas, exigindo muito de si mesmos.
O esgotamento profissional tem sido descrito principalmente em profissionais que
trabalham na prestação de cuidados a pessoas doentes, grupos sociais carente e crianças.
86  
  
Assim, vários estudos a respeito do tema foram realizados com enfermeiras, médicos,
assistentes sociais e professores. Freudenberger também relata uma situação de burn-out
coletivo em executivos. Mas a maior parte dos estudos diz respeito a pessoas que, ao longo de
anos de profissão, persistiram em tentar a solução de problemas humanos (dor, sofrimento em
geral, miséria, injustiça), atuando com grande empenho, de forma geralmente intensiva e auto
exigente, sacrificando a vida pessoal, férias, etc. Estas pessoas teriam geralmente altas
expectativas de sucesso em seus objetivos e, também, de obter reconhecimento.
O desencadeante mais frequente seria uma situação de sobrecarga ou de frustração
no trabalho. Freudenbeger aponta para a existência de uma fase prévia a este
desencadeamento, na qual o entusiasmo é substituído pó uma vivência de tédio, surgindo
irritabilidade e mau humor. Em geral, existe uma tendência a negar essas primeiras
manifestações de desgaste por parte da pessoa afetada. Depois, eclode o quadro clínico:
Perda do autocontrole emocional;
Aumento da irritação;
Manifestações de agressividade;
Perturbações do sono;
Manifestações depressivas marcadas pela decepção e pela perda de disposição e interesse pelo
trabalho.
A evolução do esgotamento profissional pode ser favorecida pelo acesso à
psicoterapia e ao apoio social; à compreensão por parte dos colegas e chefias; à possibilidade
de se integrar em comissões de saúde ou grupos voltados para humanizar a situação de
trabalho; à variação de atividade e ao apoio familiar. Se o esgotamento profissional não for
reconhecido, e interpretações equivocadas aumentarem o sentimento de fracasso, a evolução
pode ser para agravamento do quadro depressivo, havendo risco, em casos mais graves, de
tentativa de suicídio. É importante que os gerentes sejam preparados para atuar de modo
adequado, saibam que há hipersensibilidade nesta situação clínica, de modo que qualquer
crítica ou ironia pode precipitar conflitos e/ou piorar o quadro clínico.
87  
  
4.2 DOENÇAS DA COLUNA VERTEBRAL RELACIONADAS AO TRABALHO
A coluna vertebral constitui o eixo longitudinal do corpo, tendo que conciliar dois
imperativos mecânicos aparentemente contraditórios: a rigidez e a flexibilidade, atingidos
graças a sua arquitetura. (2)
Essa estrutura é formada por 24 vértebras livres, empilhadas sobre o sacro. Este,
por sua vez, é constituído por 5 vértebras soldadas entre si e aos ossos do quadril e ligado
inferiormente a outras 3 ou 4 pequenas vértebras que compõem o cóccix. (2)
A vértebra é a unidade básica da coluna. Uma vértebra “tipo” é formada de várias
partes, conforme figura.
Figura 4.1 – Coluna vertebral
Fonte: http://luzquantica.com.br/2013/08/
88  
  
O disco intervertebral é uma estrutura formada por várias camadas concêntricas de
tecido fibroso – o anel fibroso – envolvendo um núcleo gelatinoso central – o núcleo pulposo.
Os discos funcionam como coxins que amortecem os choques e facilitam a mobilidade da
coluna. (2)
Tanto os discos como as demais articulações da coluna são sensíveis a pressões e
movimentos exagerados do corpo, estando sujeitos ao desgaste pelo envelhecimento e a
diversas condições patológicas. (2)
Dores na coluna dorsal não são comuns, posto que tal região seja menos sujeita a
sobrecargas mecânicas, suportando menor peso e tendo menor mobilidade que a coluna
lombar. Em geral, dores tóraco-dorsais decorrem mais comumente de vícios posturais, de
tensão muscular (sobretudo devida ao estresse), nevralgias e de outras condições patológicas
que não as da coluna vertebral. (2)
A doença mais comum é a lombalgia, que pode ser classificada em sete tipos:
A. De origem muscular e ligamentar:
1. Lombalgia/dorsalgia por fadiga da musculatura paravertebral; e
2. Lombalgia por distensão músculo-ligamentar.
B. De origem no sistema de mobilidade e estabilidade da coluna:
3. Lombalgia por torção da coluna lombar (ou por ritmo lombopélvico inadequado);
e
Figura 4.2 – Vértebra tipo
Fonte: Bauk, Douglas A. – 2008
89  
  
4. Lombalgia por instabilidade articular.
C. De origem no disco intervertebral:
5. Protrusão intradiscal do núcleo pulposo; e
6. Hérnia de disco intervertebral.
D. Predominantemente psíquica:
7. Lombalgia como uma forma de conversão psicossomática. (8)
Lombalgia por fadiga da musculatura paravertebral, aparece no trabalho:
1. Quando o plano de trabalho está baixo (mesa baixa, bancada baixa, comandos de
máquinas baixos, ponto de realização de tarefa baixo); quando a pessoa é muito alta,
mesmo os planos de trabalho adequados para pessoas medianas, serão percebidos
como muito baixos; (8)
2. Quando o indivíduo trabalha sentado encurvado excessivamente para a frente. Esse
encurvamento excessivo pode ser devido:
• A uma impossibilidade de aproximar o tronco à mesa de trabalho por
obstrução à entrada das pernas (mesas de trabalho que, no espaço das pernas,
possuem gavetas ou não possuem o espaço para elas);
• A ausência de apoio para o dorso, o que impossibilita o relaxamento periódico
da musculatura; e
• A uma impossibilidade de apoiar o corpo com os cotovelos ou mãos,
normalmente, quando o tronco fica inclinado excessivamente sobre a mesa de
trabalho, a fadiga fica compensada pelo apoio intermitente sobre os cotovelos
ou as mãos. No entanto, quando os instrumentos exigem a ação das duas mãos,
o apoio do corpo por estas partes fica impossível. (8)
3. Quando o indivíduo tem que aliar a posição citada em 1 ao carregamento ou
sustentação de um peso, como no caso de um operador que vai posicionar uma carga
pesada na máquina, e esta não lhe permite aproximar totalmente o corpo; (8)
4. Quando o indivíduo tem que trabalhar de pé ou sentado e a mesa de trabalho é
excessivamente alta, nesta situação, a coluna fica retificada, originando esforço
estático da musculatura do dorso para ser mantida nesta situação; (8)
5. Quando o indivíduo tem que trabalhar sentado num assento muito baixo, sem apoio
para o dorso, nesse caso, o indivíduo fica com as coxofemurais muito fletidas e seu
90  
  
corpo é impulsionado para trás, para compensar, a musculatura do dorso tem que
desenvolver esforço estático prolongado, vindo a fadiga, e com ela, a dor; e (8)
6. Quando o indivíduo tem que trabalhar com a mão atingindo o chão, sem poder
agachar-se. (8)
Embora em si seja um quadro pouco grave, a situação de fadiga, se repetitiva,
pode ocasionar uma tensão muscular crônica, acompanhada de hipoxia e miosite, com a
consequente reação fibrosa intramuscular, aderências e uma situação de dor crônica, aos
menores movimentos, e refratária à volta à posição de repouso. Além disso, a tensão muscular
crônica age comprimindo os discos intervertebrais, prejudicando sua nutrição e contribuindo
para a sua degeneração. (8)
Lombalgia por torção da coluna ou por ritmo lombopélvico incorreto, é uma das
mais frequentes no trabalho, e geralmente acontece quando:
1. O trabalhador escorrega enquanto caminha, e na tentativa de se manter em pé, torce o
corpo;
2. Um objeto cai no chão, a pessoa se esforça por segurá-lo e, na tentativa, tem um
brusco movimento de rotação lateral;
3. O trabalhador vai pegar uma carga e o local está inacessível; isto obriga o indivíduo a
pegar a carga posicionando-se ao lado da mesma, o que faz a coluna lombar a torcer e
girar;
4. O trabalhador vai pegar uma carga mais pesada ou de conformação assimétrica,
aproximando as mãos do chão, com os joelhos eretos; devido ao excesso de peso ou à
conformação assimétrica, o movimento que deveria ser absolutamente simétrico torna-
se assimétrico, podendo ocorrer a lombalgia; e
5. O trabalhador, portador de escoliose, diferença de comprimento dos membros
inferiores, rigidez dos músculos isquiotibiais ou da musculatura paravertebral, rigidez
das coxofemorais ou alterações das sacroilíacas, realiza levantamento ou
movimentação de cargas com o dorso encurvado; nesse caso, por mais que o indivíduo
se esforce por fazer a flexão do tronco em ritmo lombopélvico adequado (simétrico,
fácil e harmônico), não o conseguirá, pois as afecções citadas o impedem. (8)
91  
  
Embora não seja grave, esta forma de lombalgia costuma ser bastante recorrente.
Manifesta-se como um dor forte e intensa na região lombar, geralmente unilateral, que se
prolonga por dois a quatro dias e espasmo muscular de intensidade relativa. (8)
Lombalgia por distensão músculo-ligamentar
Ocorre principalmente quando a musculatura paravertebral tem que desenvolver o
esforço de elevação de uma carga com o tronco fletido e o valor da carga é excessivamente
pesado, acima dos limites dos músculos, ligamentos e fáscias antes citados. (8)
Geralmente ocorre ao se levantar pesos excessivos, mas frequentemente em
pessoas cuja compleição física não as habilitaria a desenvolver esforços mais pesados; uma
causa frequente deste tipo de lombalgia é quando duas pessoas estão carregando uma carga e
uma delas deixa seu lado cair e a outra tem que fazer um grande esforço no sentido de mantê-
la. Também ocorre quando a pessoa vai fazer o esforço sem enrijecer os músculos do dorso.
Ocorre também entre indivíduos que realizam manuseio de cargas com flexão e/ou rotação do
tronco com frequência, mesmo que as cargas manuseadas não sejam muito pesadas. E, ainda,
é uma forma frequente de lombalgias entre trabalhadores habituados a atividades de manuseio
de cargas após a idade de 40 anos. (8)
Clinicamente, é uma dorsolombalgia forte, que piora à tentativa de flexão do
tronco, sem sinais neurológicos. Esta forma de lombalgia pode ser considerada de média
gravidade, por ser recorrente, podendo ocasionar também hipertonia crônica dos músculos,
com compressão dos discos intervertebrais e a consequente degeneração dos discos. (8)
Lombalgia por instabilidade articular na coluna vertebral
Provoca dor decorrente da instabilidade na junção lombossacra, e pode ocorrer
nas seguintes situações de trabalho:
1. Em trabalhadores que tenham algum defeito no fechamento do arco vertebral ou nas
articulações intervertebrais e que permaneçam parados, de pé, durante grande período
de tempo em posição de lordose forçada na coluna lombar, e
92  
  
2. Em trabalhadores que tenham alguma das deficiências citadas e que carreguem cargas
e suportem pesos, mesmo sem curvar o tronco. (8)
A lombalgia, nesse caso, pode ser forte ou não, dependendo da intensidade do
deslocamento anterior de L5 sobre S1 e dependendo também do tempo de evolução do
distúrbio. (8)
Lombalgia por protrusão intradiscal do núcleo pulposo
Surge com o envelhecimento prematuro do disco, ocorrem alterações nas fibras do
mesmo (alterações estas conhecidas como discoartrose), caracterizadas essencialmente por:
(a) as fibras que antes eram elásticas, vão se tornando colágenas e friáveis; e (b) a capacidade
de amortecimento de cargas vai se reduzindo gradativamente. (8)
Mas, à medida que vai ocorrendo a colagenização das fibras do disco, os
aumentos de pressão, principalmente por esforços assimétricos, tendem a empurrar o núcleo
pulposo para o lado oposto. (8)
Geralmente, no ambiente de trabalho, o esforço que causa a protrusão intradiscal
do núcleo pulposo é pegar ou manusear uma carga pesada aproximando o tronco do chão, sem
dobrar os joelhos. Nesse caso, o núcleo pulposo é arremessado para trás, abrindo caminho
entre as fibras agora friáveis, e pode chegar até as porções mais periféricas do disco (quase
herniando-se no forame intervertebral ou no canal vertebral). (8)
As atividades que precipitam este tipo de lombalgia são:
• Pegar ou manusear uma carga mais pesada, com o tronco em flexão;
• Pegar ou manusear uma carga com o tronco em flexão lateral ou rotação; e
• Pegar ou manusear uma carga longe do corpo. (8)
Clinicamente, a dor é fortíssima, acompanhado de espasmo muscular muito
acentuado (que teria a função de ser um mecanismo de proteção e evitar novamente o esforço
excêntrico, no sentido de não haver uma hérnia de disco). A lombalgia aumenta quando o
indivíduo tosse ou espirra, fenômenos que ampliam a pressão no disco. (8)
93  
  
Hérnia de disco intervertebral
Ocorre por trauma cumulativo, o núcleo pulposo fora de seu lugar dentro do disco
irá sair e poderá comprimir a raiz nervosa daquela região dando uma dor fortíssima, que se
irradia ao longo do trajeto do nervo. Na maioria das vezes o disco que se hérnia é o situado
entre L5-S1. (8)
A hérnia de disco é rara quando o indivíduo pega uma carga do chão fletindo o
tronco simetricamente, ela pode ocorrer quando o trabalhador vai pegar uma carga e flete o
tronco assimetricamente. Nessa situação, o núcleo pulposo pode se herniar nas laterais. Outro
movimento que precipita a hérnia de disco é fazer um esforço de levanta uma carga longe do
corpo, pois nesta situação, para poder conseguir realizar a tarefa, os músculos da coluna tem
que fazer um esforço muitíssimo alto, com possibilidade de comprimir os discos da coluna e
promover a sua herniação; é claro, se o esforço for feito de forma assimétrica e, além disso,
longe do corpo, a chance da hérnia de disco fica muito aumentada. (8)
Na tabela 4.1 observamos o quadro clínico de acordo com a área da coluna
atingida pela hérnia de disco.
Local de Ruptura Quadro Clínico
Compressão da raiz espinhal de L4
(indicativa de hérnia de disco L3-
L4 ou condição patológica
localizada ao nível do forame de
L4)
* Deficiência sensitiva: parte póstero-lateral da coxa, anterior do joelho e
medial da perna
* Debilidade motora: quadríceps (variável), adutores do quadril
(variável)
* Alterações nos reflexos: tendão patelar, tendão do tibial anterior
(variável)
Compressão da raiz espinhal de L5
(indicativa de hérnia de disco L4-
L5 ou condição patológica
localizada ao nível do forame de
L5)
* Deficiência sensitiva: parte ântero-lateral da perna, dorso do pé e do
hálux
* Debilidade motora: extensor longo do hálux, glúteo médio, extensores
longo e curto dos dedos do pé
* Alterações nos reflexos: comumente nenhuma, tibial posterior (de
difícil promoção)
Compressão da raiz espinhal de S1
(indicativa de hérnia de disco L5-
S1 ou condição patológica
localicada ao nível do forame de
S1)
* Deficiência sensitiva: maléolo lateral, parte lateral do pé, calcanhar e
membrana do quarto e quinto dedos do pé
* Debilidade motora: dibulares longo e curto, complexo gastrocnêmio-
sóleo, grande glúteo
* Alterações nos reflexos: tendão de Aquiles (complexo gastrocnêmio-
sóleo)
Extrusão maciça de discos lombares
na linha mediana (em geral entre L4
e L5)
* Dor - linha média do dorso, face posterior de ambas as coxas e pernas
* Hipoestesia - no dorso de ambas as coxas, pernas, planta dos pés e
períneo
* Fraqueza - paralisia dos pés de dos esfíncteres
* Reflexo aquileu ausente
94  
  
Lombalgia por conversão psicossomática, apresenta como principal característica:
• Queixa de dor desproporcional à lesão encontrada;
• Recorrência frequente;
• Não há uma definição clara do movimento que provoca a dor;
• Há desajustamentos psíquicos importantes do indivíduo a algum aspecto de sua
realidade de vida. Pode haver insatisfação com o trabalho;
• Esse desajustamento manifesta-se, frequentemente, sob a forma de melancolia,
incapacidade de enfrentar ou superar os obstáculos e tônus vital diminuído.
• À medida que o paciente dirige sua atenção para outros fatores, a dor tende a diminuir
de intensidade;
• As situações de ansiedade geram tensão muscular e dor;
• As situações de depressão geram alterações posturais e dor;
• O paciente pressente que suas costas vão doer à medida que percebe um problema
psíquico iminente;
• Há um condicionamento do estado doloroso, o indivíduo aprende que, à medida que
tem o problema, é alvo de atenção e carinho;
• Dorme mal, o que agrava a dor. (8)
Visão geral sobre o risco para a coluna
Se dá qualitativamente, pois pode ser identificado ao se observar a tarefa, os pesos
levantados, a intensidade dos esforços realizados, o ambiente de trabalho, a capacidade das
pessoas e o grau de instrução e treinamento.
Um check-list eficaz na identificação do risco é o que se segue (a partir de
MacDonald & Haslock, 2000)
As tarefas manuais envolvem:
• Manusear cargas longe do tronco?
Tabela 4.1 – Clínica da Hérnia de Disco, segundo os níveis de acometimento
Fonte: adaptado de Crenshaw, 1997
95  
  
• Torcer ou inclinar o tronco anteriormente?
• Alcançar e pegar objetos acima da cabeça?
• Mover um a carga por um longo trajeto na vertical?
• Carregar cargas por longas distâncias?
• Empurrar ou puxar carrinhos, pateleiras em grande exigência?
• Movimentos imprevisíveis de cargas?
• Levantamento e manuseio repetitivo de cargas?
• Um ritmo de trabalho muito rápido imposto pelo processo coexistindo com esforços
pesados?
• Tempo insuficiente de recuperação?
• Levantar e manusear pacientes?
As cargas são:
• Pesadas, volumosas ou de difícil manejo?
• De pega difícil?
• Instáveis, imprevisíveis?
• Intrinsecamente perigosas, por exemplo, quinas vivas, quentes?
• O trabalho em escritório é caracterizado por:
• Cadeiras sem regulagem da altura ou inclinadas para trás?
• Suporte inadequado na coluna vertebral?
• Pés sem apoio?
• Rodízios muito duros ou excessivamente deslizantes?
• Cadeiras instáveis?
• Posto de trabalho (mesa, mesa do computador, teclado) sem regulagem quando isso
seria necessário?
• Monito de vídeo muito alto ou muito baixo?
• Falta de espaço para as pernas?
Existem no ambiente de trabalho:
• Postura constrita, estática?
• Piso de má qualidade, excessivamente liso ou irregular?
• Variações nos níveis do piso?
96  
  
• Calor, frio ou umidade?
• Fortes corrente de ar?
• Iluminação deficiente?
Quanto à capacidade individual. O trabalho:
• Exige uma capacidade física especial?
• Coloca em maior risco aqueles com um problema de saúde (por exemplo, distúrbio na
coluna)?
• Coloca em maior risco as gestantes?
• Exige informação especial ou treinamento especial sobre como executá-lo?
• Requer roupas especiais?
Instrução e treinamento. As condições atuais de trabalho poderiam ser melhoradas com:
• Uso de utensílios mecânicos?
• Princípios de métodos adequados?
• Boas técnicas de manuseio de cargas?
A prevenção das lombalgias passa por cinco grupos de medidas, cuja
importância é colocada a seguir, na sua ordem decrescente:
1. Medidas de melhoria dos postos de trabalho visando à ergonomia;
2. Reabilitação precoce;
3. Programas de condicionamento físico;
4. Seleção de pessoas; e
5. Técnicas de manuseio de cargas.
4.3 LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS (LER) / DISTÚRBIOS
OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO (DORT)
Lesões por esforços repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares
Relacionados ao Trabalho (DORT) não são uma doença. Esse título engloba um grupo
heterogêneo de quadros clínicos que acometem tendões, sinóvias, músculos, nervos, fáscias,
ligamentos, isolada ou associadamente, com ou sem degeneração tissular, atingindo
97  
  
principalmente os membros superiores, mas também, a região escapular, a coluna vertebral e
os membros inferiores, em decorrência de fatores ligados ao trabalho. (2)
Diversas foram as designações dadas a esse grupo de doenças em outros países,
entre nós, os termos mais empregados foram: Lesões por Esforços Repetitivos (LER), Lesões
por Traumas Cumulativos (LTC) e Doença Cervicobraquial Ocupacional (DCO). (2)
A pluralidade de nomes é explicada pelas várias entidades que compõem esse
conjunto de doenças e as diversas teorias aventadas sobre sua fisiopatologia. No Brasil, o
termo LER teve seu uso consagrado, apesar dos quadros nem sempre implicarem em lesões.
A introdução da denominação DORT, mais apropriada, não conseguiu abolir o uso da LER e
ambas foram adotadas oficialmente pelo Ministério da Saúde e da Previdência Social, sendo
grafadas: LER/Dort. (2)
Ramazzini, em 1713, descreveu com muita propriedade uma doença “típica” dos
escreventes:
... “Três são as causas das afecções dos escreventes: primeira,
contínua vida sedentária; segunda, contínuo e sempre o mesmo movimento da
mão; e terceira, atenção mental para não mancharem os livros e não prejudicarem
seus empregadores nas somas, restos ou outras operações aritméticas... A
necessária posição da mão para fazer correr a pena sobre o papel ocasiona não
leve dano que se comunica a todo o braço, devido à constante tensão tônica dos
músculos e tendões e, com o andar do tempo, diminui o vigor da mão.
Conheci um home, notário de profissão,... o qual dedicou toda sua vida a escrever,
lucrando bastante com isso. Primeiro, começou a sentir grande lassidão em todo o
braço e não pode melhorar com remédio algum e, finalmente, contraiu uma
completa paralisia do braço direito. A fim de reparar o dano, tentou escrever com
a mão esquerda, porém, ao cabo de um tempo, esta também apresentou a mesma
doença”...
Relatos isolados foram publicados desde meados do século XIX sobre a cãibra do
escrivão (1830), a cãibra do telegrafista (1875) e a entrose das lavadeiras (Doença de
DeQuervain) (1891). Já no início do século XX, Hammer (1934) estudou tendinites entre
empacotadores. (2)
98  
  
Apesar disso, esses quadros só começaram a adquirir relevância a partir de
meados do século XX, com a crescente utilização do computador no trabalho. No Japão,
Maeda descreveu problemas musculoesqueléticos entre perfuradores de cartões (1958), caixas
registradoras e datilógrafos (1971) e montadores (1982). (2)
Entre nós, a primeira descrição de casos de tenossinovites ocupacionais entre
lavadeiras, limpadoras e engomadeiras, foi apresentada no XII Congresso Nacional de
Prevenção de Acidentes do Trabalho, em 1973. Entretanto, o problema acomete profissionais
de várias áreas, como açougueiros, datilógrafos, motoristas, professores, empacotadores,
britadores, músicos, dentistas, etc. (2)
A incidência de LER/DORT em membros superiores aumentou dramaticamente
ao longo das últimas décadas em todo o mundo. Estudos realizados nos EUA apontam que
cerca de 65% de todas as patologias registradas como ocupacionais são de LER/DORT,
observando-se que, nas empresas com mais de 11 empregados do setor privado daquele país,
a incidência estimada dessas patologias é de 10 por 10.000 homens. A relação horas
trabalhadas/ano pode determinar incidência mais alta em alguns setores, como, por exemplo,
em atividades que exigem do trabalhador uso de força e de repetição comum em linhas de
produção de frigoríficos, em bancos, em videoterminais, em caixas de supermercado, em
seções de empacotamento, entre outras. (9)
No Brasil, o aumento na incidência de LER/DORT pode ser observado nas
estatísticas do INSS de concessão de benefícios por doenças profissionais. Segundo os dados
disponíveis, respondem por mais de 80% dos diagnósticos que resultaram em concessão de
auxílio-acidente e aposentadoria por invalidez pela Previdência Social em 1998. (9)
Diante do aumento da frequência de LER/DORT, estudiosos têm tentado explicar
sua gênese por meio de várias teorias. Serão apresentadas, a seguir, características de algumas
delas. Apesar das dificuldades decorrentes da falta de um conhecimento sedimentado sobre o
tema, parece estar se formando o consenso de que LER/DORT resultam do entrelaçamento de
três conjuntos de fatores envolvidos na dor musculoesquelética:
• fatores biomecânicos presentes na atividade;
• fatores psicossociais relacionados à organização do trabalho;
99  
  
• fatores ligados à psicodinâmica do trabalho ou aos desequilíbrios psíquicos
gerados em certas situações especiais de trabalho na gênese do processo de adoecimento. (9)
De acordo com Bauk, Douglas – 2008, podemos sintetizar os fatores de risco da
seguinte forma:
Fatores individuais: são representados pelas características físicas e psicológicas, estilo de
vida, hábitos etc. As mulheres teriam uma maior predisposição às LER/Dort em virtude de
maior fragilidade orgânica, de ações hormonais e das próprias condições de trabalho em
relação aos homens, entretanto, alguns autores contestam isso alegando falhas em estudos
estatísticos. Tamanho do pulso, fraturas pregressas, deformidades, práticas esportivas,
carências vitamínicas (B-6) e tabagismo são outros aspectos a considerar.
Fatores Biomecânicos: tarefas envolvendo força e repetitividade de movimentos, posturas
viciosas, uso prolongado de ferramentas manuais de má empunhadura, golpeamento repetitivo
de ferramentas com a base das mãos, constrição do punho por luvas apertadas ou
munhequeiras etc., são de grande importância na gênese das LER/Dort. Equipamento e
mobiliário não ergonômico, bem como precárias condições de visibilidade, contribuem para a
ocorrência de posturas viciosas, trabalho estático e suas consequências.
Fatores organizacionais: pressão excessiva no trabalho, baixo grau de autonomia,
monotonia, jornadas prolongadas, pausas inadequadas, falha de treinamento, gerenciamento
inadequado, política empresarial etc., estão entre as causas mais comuns de insatisfação no
trabalho, potencializando manifestações psicossomáticas e agravamento dos quadros de
LER/Dort.
Fatores psicossociais: tempo de serviço, insatisfação no trabalho, medo de perder o emprego,
ausência de atividades alternativas, aspectos econômicos, falta de suporte social etc., também
influem no problema das LER/Dort de foram marcante.
Fatores ambientais: o frio, pela vasoconstrição, prejudica o aporte de nutrientes e a remoção
de metabólitos dos tecidos musculares, enquanto que as vibrações afetam as estruturas
corporais provocando traumas mecânicos. Ambos contribuem para a instalação e o
agravamento de problemas musculoesqueléticos, vasculares e neurológicos.
Na tabela 4.2 estão relacionadas diversas doenças passíveis de enquadramento
entre as LER/Dort.
100  
  
Patologia Atividade
TENDINITES E TENOSSINOVITES
Tenossinovites dos
extensores
Comuns entre digitadores, resultando provavelmente mais do trabalho
estático desses músculos para manter a posição contra a gravidade.
Doença de DeQuervain Originalmente descrita em lavadeiras, ocorre em atividades que exigem
fixação do polegar com aplicação de força de torção ou desvio ulnar do
carpo.
Dedo em gatilho Uso repetido de ferramentas manuais de empunhadura grande, com bordas
vivas ou que exijam flexão da falange distal antes da proximal.
Tendinite do supra-
espinhoso ou síndrome do
impacto
Atividades que implicam em movimentos com cotovelos elevados e
braços elevados ou abduzidos acima de 45° por longos períodos.
Tendinite bicipital Ocorre em atividades onde o braço é mantido em elevação por longos
períodos.
EPICONDILITES
Epicondilite lateral ou
"cotovelo de tenista"
Esforços repetitivos combinados com rotação contínua do cotovelo, como
no uso de chave de fenda, chave inglesa, corte de carne, etc.
Epicondilite medial,
epitrocleite ou "cotovelo de
golfista"
Tarefas repetitivas com esforço excessivo, implicando em flexão brusca
do punho, como descascar fios elétricos.
BURSITES Provocada pelo apoio do cotovelo sobre uma superfície rígida por tempo
prolongado.
NEUROPATIAS
COMPRESSIVAS
Síndrome do túnel do
carpo
Movimentos repetitivos com extensão, flexão ou desvio ulnar e radial do
punho; vibrações, compressão mecânica da base da mão associada a força
e movimentos de pinça.
Síndrome do túnel e do
canal cubital
Posturas viciosas e repetitivas em pronação, supinação, flexão e estensão,
ou o apoio do cotovelo em flexão sobre uma superfície rígida, como
carimbadores ou motoristas que dirigem com o cotovelo apoiado na janela
do veículo.
Síndrome do canal de
Guyon
Traumas repetitivos sobre a borda ulnar do punho, em carimbadores e
escrivães.
Síndrome do supinador Movimentos repetitivos de pronossupinação, como apertar parafusos.
Síndrome do interósseo
anterior Acomete indivíduos que carregam objetos pesados.
Síndrome cérvico-braquial Traumatismos e manutenção de posturas viciosas que provoquem
estiramento ou compressão dos troncos nervosos do plexo cervical.
DISTÚRBIOS NEUROVASCULARES
Síndrome do desfiladeiro
torácico
Atividades por longos períodos com os braços elevados ou que
comprimem o ombro contra objetos, por exemplo, telefone preso entre o
ombro e a orelha.
Fenômeno de Raynaud Exposição a baixas temperaturas, uso prolongado de ferramentas
vibratórias, etc.
Síndrome do martelo
hipotenar
Bater objetos repetidamente com a região hipotenar lesiona as artérias
acima dos ossos carpais.
Tabela 4.2 – Doenças enquadradas como LER/Dort relacionadas com possíveis atividades como causa
Fonte: adaptado de Bauk, 2008
101  
  
A prevenção das LER/DORT baseia-se na capacitação técnica e definição política para:
• avaliação dos fatores de risco para a saúde dos trabalhadores, a partir da
inspeção aos locais de trabalho e entrevistas com trabalhadores, reconhecendo
situações que podem demandar avaliação ergonômica;
• identificação dos problemas ou danos potenciais para a saúde, decorrentes da
exposição aos fatores de risco;
• proposição das medidas a serem adotadas para eliminação ou controle da
exposição aos fatores de risco e proteção dos trabalhadores;
• utilização dos recursos de vigilância em saúde e de fiscalização do trabalho,
para verificar a obediência, pelo empregador, de suas obrigações em relação à
identificação, avaliação e documentação dos fatores de risco existentes no
processo de trabalho e à adoção de medidas corretivas de controle ambiental e
de saúde do trabalhador.
A intervenção sobre os ambientes e condições de trabalho deve basear-se em análise criteriosa
e global da organização do trabalho, que inclui a análise ergonômica do trabalho (real), da
atividade, do conteúdo das tarefas, dos modos operatórios, dos postos de trabalho; do ritmo e
da intensidade do trabalho; dos fatores mecânicos e condições físicas dos postos de trabalho;
das normas de produção; dos sistemas de turnos, dos sistemas de premiação, dos incentivos,
dos fatores psicossociais, individuais e das relações de trabalho entre colegas e chefias.
Interessa conhecer, também, as medidas de proteção coletiva e individual implementadas
pelas empresas e as estratégias de defesa, individuais e coletivas, adotadas pelos
trabalhadores. Devem ser buscadas estratégias para garantir a participação dos trabalhadores e
a sensibilização dos níveis gerenciais para a implementação das medidas a serem adotadas,
que envolvem modificações na organização do trabalho.
102  
  
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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2. Bauk, Douglas A.: Temas de ergonomia para médicos do trabalho. 2ªEd. – Niterói, RJ:
Nitpress, 2008
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas.: Dermatoses ocupacionais / Ministério da Saúde,
Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. –
Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006.
4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas.: Pneumoconioses / Ministério da Saúde, Secretaria de
Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília:
Editora do Ministério da Saúde, 2006.
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Norte: Uma Alternativa em Saúde Pública) / Danilo Fernandes Costa, José Carlos do
Carmo, Maria Maeno Settimi, Ubiratan de Paula Santos. – São Paulo: Editora Hicitec,
1989
6. I Workshop de vibrações e acústica – Agosto/2011
7. LEI Nº 8.213, de 24 de julho de 1991
8. Mendes, René: Patologia do Trabalho.Vol.1, Vol.2. 2ª edição – São Paulo: Atheneu,
2007
9. Ministério da Saúde do Brasil. Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil.:
Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde
/ Ministério da Saúde do Brasil, Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil;
organizado por Elizabeth Costa Dias; colaboradores Idelberto Muniz Almeida et al. –
Brasília: Ministério da Saúde do Brasil, 2001.
10. Monteiro, Antonio L.: Acidentes do trabalho e doenças ocupacionais: (conceito,
processos de conhecimento e de execução e suas questões polêmicas) / Antonio Lopes
Monteiro, Roberto Fleury de Souza Bertagni. – 4ª ed. atual – São Paulo: Saraiva, 2007
11. Nouailhetas, Yannick.: (Apostila Educativa) Radiações Ionizantes e a Vida / Yannick
Nouailhetas, Carlos Eduardo Bonacossa de Almeida, Sonia Pestana. Rio de Janeiro:
CNEN Comissão Nacional de Energia Nuclear.
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12. Oliveira, Claudio A. D.: Segurança e Medicina do Trabalho (Guia de Prevenção de
Riscos) – São Paulo: Yendis Editora Ltda., 2011
13. Opitz, Oswaldo.: Acidentes do Trabalho e Doenças Profissionais / Oswaldo Optiz,
Silvia C. B. Optiz. – 3ª ed. atual – São Paulo: Saraiva, 1988
14. Paumgartten, Luiz C.R.: Risco Físico. – Edição 2011
15. Paumgartten, Luiz C.R.: Risco Químico. – Edição 2010
16. Pedrotti, Irineu A.: Doenças Profissionais ou do Trabalho. Vol. 1 – São Paulo:
Livraria e Editora Universitária de Direito, 1988
17. PORTARIA Nº 1.339, DE 18 DE NOVEMBRO DE 1999
18. Possas, Cristina A.: Saúde e Trabalho (A crise da Previdência Social). 2ª ed. – São
Paulo: Editora Hucitec, 1989
19. Ramazzini, Bernardino: As doenças dos Trabalhadores. 2ª edição – Tradução pelo Dr.
Raimundo Estrela – São Paulo: Fundacentro, 1985
20. Ribeiro, Maria C. S. R.: Enfermagem e Trabalho: fundamentos para a atenção à saúde
dos trabalhadores. 2ª ed. – São Paulo: Martinari, 2012
21. Souza, Décio G.: Anatomia e Fisiologia do Ouvido – São Paulo, 2007. Disponível em:
http://www.dgsotorrinolaringologia.med.br/apost_ouvido.htm
22. Unifesp. Laboratório de Mediadores Inflamatórios - Universidade Federal de São
Paulo (UNIFESP): Pulmão / Itamar Souza de Oliveira Junior, Rafael de Lima, Janaína
Passos de Oliveira, Sâmia Santos Cavassani, Ricardo Santos Simões, Lidiane Lopes
Reis, Carla Cristina Maganhin, Adriana Aparecida Ferraz Carbonel, Juliana Halley
Hatty , Luiz Fernando Portugal Fuchs, Márcio Alexandre Custódio, Joilson Moura dos
Santos, Wagner Rogério Souza de Oliveira, Pâmela Vieira de Andrade. Disponível
em: http://www.unifesp.br/dmorfo/histologia/ensino/pulmao/patologias.htm
104  
  
LISTA DE FIGURAS
Figura 2.1. Dermatite de contato / Fonte: Mendes, René - 2007
Figura 2.10. Dermatite irritativa de contato acneiforme / Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 2.11. Perfuração do septo nasal / Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 2.12. Dermatite alérgica de contato / Fonte: Mendes, René - 2007
Figura 2.13. Queimadura química por ácido sulfúrico / Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 2.2. Micropapuloeritematosas / Fonte: Mendes, René - 2007
Figura 2.3. dermatite alérgica cronificada / Fonte: Mendes, René - 2007
Figura 2.4. dermatite de contato irritativa forte / Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 2.5. dermatite alérgica de contato por bota de borracha / Fonte: Mendes, René - 2007
Figura 2.6. dermatite alérgica de contato por bota de borracha / Fonte: Mendes, René - 2007
Figura 2.7. Radiodermite crônica / Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 2.8. Dermatite irritativa de contato folicular / Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 2.9. Miliária rubra / Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 3.1 Curvas de isoaudibilidade, segundo Robinson e Dadson (1961) / Fonte: Mendes,
René – 2007
Figura 3.2 Curvas de ponderação normalizada A e C / Fonte:
http://dc358.4shared.com/doc/4tk8hSp9/preview.html
Figura 3.3 Corte frontal do órgão periférico (orelhas externa, média e interna) / Fonte:
http://centrootorrinodf.com.br/anatomia/ouvido.php
Figura 3.4 Níveis de audição de um indivíduo normal exposto a um ruído de 103 dB(A)
(perda auditiva temporária) / Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 4.1 – Coluna vertebral / Fonte: http://luzquantica.com.br/2013/08/
Figura 4.2 – Vértebra tipo / Fonte: Bauk, Douglas A. – 2008
105  
  
LISTA DE TABELAS
Tabela 1.1 – Classificação das doenças segundo sua relação com o Trabalho / Fonte:
Adaptado de Schilling, 1984
Tabela 1.2 - Exemplos de Doenças Infecciosas Selecionadas por Ocupação / Fonte: Mendes,
René – 2007
Tabela 1.3 - Doenças infecciosas e parasitárias relacionadas com o trabalho (grupo I da CID-
10) / Fonte: Portaria nº 1.339, de 18 de novembro de 1999
Tabela 1.4 – Precauções Universais / Fonte: Normas de Biossegurança ou Prescrições
Universais
Tabela 2.1 - Classificação Clínica das Doenças Pulmonares / Fonte: Mendes, René – 2007
Tabela 2.2 - Pneumotinte por Hipersensibilidade / Fonte: Mendes, René – 2007
Tabela 2.3 - Pneumoconioses, poeiras causadoras e processos anatomopatológicos subjacentes
/ Fonte: Mendes, René – 2007
Tabela 2.4 - Exposições Ocupacionais Associadas ao Câncer Respiratório / Fonte: Segundo
Critérios da IARC (2000)
Tabela 2.5 - Hemopatias Profissionais Segundo Mecanismos e Tipos de Alterações e
Possíveis Agentes Etiológicos de Origem Ocupacional / Fonte: Mendes, René – 2007
Tabela 2.5 - Principais Substâncias Neurotóxicas Presentes em Situações de Trabalho
Capazes de Causar a Doença de Parkinson Secundária / Fonte: adaptado de Rosenberg, 1995
Tabela 3.1 Exemplos de riscos existentes e os efeitos para a saúde / Fonte: Araújo, Wellington
- 2010
Tabela 3.2 – Efeitos clínicos da vítima de hipotermia / Fonte: American Family Phvsician –
AAFP
Tabela 3.3 – Efeitos de radioexposição aguda em adulto / Fonte: APOSTILA EDUCATIVA
CNEN
Tabela 3.4 – Exposições agudas localizadas / Fonte: apostila educativa do CNEN
Tabela 4.1 – Clínica da Hérnia de Disco, segundo os níveis de acometimento / Fonte:
adaptado de Crenshaw, 1997
  

Higiene Ocupacional

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    1     OAMBIENTE E AS DOENÇAS LABORAIS Marcella Ferreira e Silva Zulmira Rosa de Sousa Silva Duque São Paulo 2014
  • 2.
    2     OAMBIENTE E AS DOENÇAS LABORAIS Há muito tempo se sabe que o trabalho, quando executado sob determinadas condições, pode causar doenças, encurtar a vida ou matar, sem rodeios, os trabalhadores. (8) O desgaste do corpo durante o processo produtivo gera patologias específicas para cada tipo de atividade ocupacional, além das diferentes modalidades de acidentes do trabalho, cujas características encontram-se também diretamente relacionadas com o tipo de trabalho executado. (18) Em relação às condições de trabalho, os riscos ambientais estão divididos em cinco categorias: • Riscos Biológicos: são diretamente relacionados com micro-organismos, podendo provocar doenças; • Riscos Químicos: são substâncias ou produtos que podem contaminar o ambiente de trabalho e, consequentemente, o organismo humano; • Riscos Físicos: São resultantes da troca de energia entre o organismo e o ambiente de trabalho, em quantidade que pode causar o desconforto, acidentes ou doenças do trabalho; • Riscos Ergonômicos: são as condições de trabalho que não são adaptadas às características físicas e psicofisiológicas das pessoas; • Riscos Mecânicos ou de Acidentes: são agentes relacionados com os processos de trabalho e as condições físicas do ambiente. (1) É importante observar que a nocividade do trabalho pode não ser dele próprio, ou das atividades que o conformam, mas determinada ou agravada por 2 considerações sobre o “tempo de trabalho”, sendo elas pela “duração” ou pela “configuração”, entendido como “tempo de trabalho” nas mais distintas acepções, que vão desde o tempo na vida em que se começa a trabalhar; o tempo na vida em que se para de trabalhar; o tempo ou duração do trabalho numa jornada de trabalho (jornada, do francês jour = dia), nas semanas, nos meses, nos anos e, enfim, na vida. “Duração”, no sentido de tempo acumulado, e “configuração”, no sentido de sua distribuição, ou forma como a duração está organizada ou distribuída no próprio referencial de periodização do tempo: vida, época da vida, ano, estação do ano, mês, semana, dia, hora, minuto... (8)
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    3     Ograu de sucesso ou insucesso dos mecanismos de “agressão” irá depender não apenas da natureza e intensidade da “agressão”, e do grau de “vulnerabilidade” aos patógenos do trabalho, mas também da eficiência ou eficácia dos mecanismos de “defesa” do trabalhador. (8) Sobre a ideia de saúde a Organização Mundial da Saúde conceitua da seguinte forma: “condição em que um indivíduo ou grupo de indivíduos é capaz de realizar suas aspirações, satisfazer suas necessidades e mudar ou enfrentar o ambiente. A saúde é um recurso para a vida diária, e não um objetivo de vida; é um conceito positivo, enfatizando recursos sociais e pessoais, tanto quanto as aspirações físicas.” (OMS, 1984 apud Rey, 1999. Grifo introduzido). (8) Dito em outras palavras: “saúde é o estado caracterizado pela integridade anatômica, fisiológica e psicológica; pela capacidade de desempenhar pessoalmente funções familiares, profissionais ou sociais; pela habilidade para tratar com tensões físicas, biológicas, psicológicas ou sociais.” (Rey, 1999. Grifo introduzido). (8) Podemos concluir que, o trabalhador ao ser exposto a um agente agressor, seu organismo irá reagir com um tipo de mecanismo de defesa, seu resultado pode ser uma adaptação ou uma lesão. Por exemplo, o trabalhador exposto a uma natureza predominantemente biológica, seu mecanismo de defesa poderá dar resposta imunológica competente e adequada, caso não seja adequada irá surgir doenças decorrentes desta exposição. Antes de iniciarmos nossos estudos sobre as doenças ocupacionais, precisamos ter claro algumas definições: • Acidente de trabalho • Doença do trabalho • Doença profissional A Lei 8.213/91 conceitua o acidente de trabalho, primeiro no sentido restrito, depois no sentido amplo ou por extensão. (10)
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    4     Doacidente-tipo, ou também chamado de macrotrauma, cuida a lei no art. 19 e basicamente define como acidente do trabalho aquele que ocorre pelo exercício do trabalho provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução da capacidade permanente ou temporária para o trabalho. Ou seja, trata-se de um evento único, subitâneo, imprevisto, bem configurado no espaço e no tempo e consequências geralmente imediatas. (10) O acidente de trabalho representa uma interrupção súbita no processo de trabalho, traumática para o acidentado, diferente das doenças profissionais ou do trabalho que tem caráter progressivo e em boa parte dos casos irreversíveis, implicando um processo lento de degeneração orgânica do qual muitas vezes o próprio trabalhador não se dá conta. Pela ausência inicial de sintomatologia clínica, as patologias profissionais permitem – ao contrário dos acidentes – que o indivíduo prossiga trabalhando até que se torne inútil para a produção e seja substituído por outro. (18) Deste modo o objetivo deste trabalho é tratar apenas das doenças laborais, das quais podemos analisar sob algumas características do ponto de vista de Ramazzini, Schilling e da própria Lei 8.213/91. Bernardino Ramazzini (1633 – 1714) parece ter sido o primeiro a tentar classificar o que ele denominou de “doenças do trabalhador”, descrevia as doenças como, por exemplo: “doença dos mineiros”; “doença dos que trabalham em pé”; “doença dos pintores”, “doença dos que trabalham com enxofre”, etc. (8) Da classificação empírica construída por Bernardino Ramazzini, há mais de 300 anos, é possível pinçar os critérios para uma primeira sistematização da patologia do trabalho: • Num primeiro grupo estão aquelas doenças diretamente causadas pela “nocividade da matéria manipulada”, de natureza relativamente específica, e que vieram dar origem às “doenças profissionais” (8) • Num segundo grupo estão aquelas doenças produzidas pelas condições de trabalho: “posições forçadas e inadequadas”, “operários que passam o dia de pé, sentados, inclinados, encurvados etc.”. São as que mais tarde foram denominadas “doenças causadas pelas condições especiais em que o trabalho é realizado”. (8) O professor Richard Schilling, da Inglaterra, desenvolveu uma classificação própria, que agrupa as “doenças relacionadas com o trabalho” em três categorias, resumidas na tabela 1.1. (8)
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    5     CategoriasExemplos I - Trabalho como causa necessária, exatamente, e pelas intoxicações agudas de origem ocupacional. * Intoxicação por chumbo * Silicose * "Doenças profissionais" legalmente prescritas * Outras II - Trabalho como fator de risco contributivo ou adicional, mas não necessário, exemplificadas pelas doenças comuns, mais frequentes ou mais precoces em determinados grupos ocupacionais e para as quais o nexo causal é de natureza eminentemente epidemiológica. * Doença coronariana * Doenças do aparelho locomotor * Câncer * Varizes dos membros inferiores * Outras III - Trabalho como provocador de um distúrbio latente, ou agravador de doença já estabelecida ou preexistente. * Bronquite crônica * Dermatite de contato alérgica * Asma * Doenças mentais * Outras A Lei 8.213/91 subdivide as doenças ocupacionais em doenças profissionais e doenças do trabalho, estando previstas no art. 20, I e II. As primeiras, também conhecidas como “ergopatias”, “tecnopatias” ou “doenças profissionais típicas”, são as produzidas ou desencadeadas pelo exercício profissional peculiar a determinada atividade (corresponde à classificação Schilling I). Nessa situação, o trabalho é considerado causa direta do agravo, ou seja, se o agente for eliminado, o agravo poderá ser completamente prevenido. Dada a sua tipicidade, prescindem de comprovação do nexo de causalidade com o trabalho. Há uma presunção legal nesse sentido. Decorrem de microtraumas que cotidianamente agridem e vulneram as defesas orgânicas, e que, por efeito cumulativo, terminam por vencê-las, deflagrando o processo mórbido. Por exemplo, os trabalhadores da mineração, sabe-se de há muito que estão sujeitos à exposição do pó de sílica, e, portanto, com chances de contrair a silicose, sendo considerada uma doença profissional. (10) (20) Por sua vez as doenças do trabalho, também chamadas de “mesopatias”, ou “moléstias profissionais atípicas”, são aquelas desencadeadas em função de condições especiais em que o trabalho é realizado (classificação Schilling II e III), ou seja, o trabalho é um dos fatores de risco para a ocorrência do agravo. Contudo, por serem atípicas, exigem a comprovação do nexo de causalidade com o trabalho, via de regra através de vistoria no ambiente laboral. A retirada do fator de risco reduzirá a incidência do agravo e/ou modificará Tabela 1.1 – Classificação das doenças segundo sua relação com o Trabalho Fonte: Adaptado de Schilling, 1984
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    6     aevolução da doença. Por exemplo, a ocorrência de problemas osteomusculares nos profissionais de enfermagem. (10) (20) Enquanto as doenças profissionais resultam de risco específico direto (característica do ramo de atividade), as do trabalho tem como causa o risco específico indireto. Assim, por exemplo, uma bronquite asmática normalmente provém de um risco genérico e pode acometer qualquer pessoa. Mas se o trabalhador exercer sua atividade sob condições especiais, o risco genérico transforma-se em risco específico indireto. (10) A Lei 8.213/91 ainda contempla uma terceira categoria de doença, disposto no parágrafo 2° do art. 20: “Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída na relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência Social deve considerá- la acidente do trabalho”. Estamos diante de uma variante da doença do trabalho, pois há uma relação direta com as condições especiais em que é executado o trabalho, por exemplo, as doenças ligadas à voz presentes nos trabalhadores das empresas de telemarketing. (10) UNIDADE 1 – DOENÇAS RELACIONADAS AOS RISCOS BIOLÓGICOS Consideram-se riscos biológicos os vírus, bactérias, parasitas, protozoários, fungos e bacilos. (12) Os riscos biológicos ocorrem por meio de micro-organismos que, quando entram em contato com o ser humano, podem causar diversas doenças. Muitas atividades profissionais favorecem o contato com tais riscos. É o caso das indústrias de alimentação, hospitais, limpeza pública (coleta de lixo), laboratórios etc. (12) Dentre as inúmeras doenças profissionais provocadas por micro-organismos, destacam-se: tuberculose, brucelose, malária e febre amarela. (12) Para que essas doenças possam ser consideradas doenças profissionais, deve haver exposição do empregado a tais micro-organismos. Alguns agentes infecciosos que podem ter relação com o trabalho são:
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    7     •Dos vírus: adenovírus; caxumba; citomegalovírus; ebola; hepatite B; hepatite C; Herpes simplex; HIV; influenza; parainfluenza; parvovirus B19; poliovirus; rotavirus; rubéola; sarampo; varicela-zoster; vírus respiratório sincicial. • Das bactérias: bordetella; campulobacter; corynebacyerium diphteriae; mycobacterium tuberculosis; neisseria meningitidis; salmonella; shigella; yersínia pestis. • Outros: chlamydia psittaci; coxiella burnetti; cryptosporidium; mycoplasma pneumonie; sarcoptes scabiei. (12) (8) O conhecimento dos riscos biológicos nos ambientes de trabalho é crucial para a prevenção das doenças ocupacionais. A displicência e complacência podem resultar em graves e ameaçadoras consequências. Os micro-organismos encontrados nos ambientes de trabalho variam de vírus extremamente pequenos e bactérias unicelulares, até fungos e parasitas multicelulares. (8) É preciso adotar medidas preventivas para que as condições de higiene e segurança nos diversos setores de trabalho sejam adequadas. (12) As medidas de controle mais usualmente adotadas são: saneamento básico, controle médico permanente, uso de EPI, higiene rigorosa, higiene pessoal, uso de roupas adequadas, vacinação, treinamento, etc. (12) Para que uma substância seja nociva ao homem, é preciso que ela entre em contato com o organismo. Há diferentes vias de penetração para os riscos biológicos: (12) Ingestão: a água, os alimentos em geral, mãos e objetos quando levados à boca constituem as principais maneiras pelas quais a maioria dos agentes infectantes por via oral é transportada e introduzida no organismo, por exemplo, ovos de helmintos (Ascaris lumbricoides, Enterobius vermicularis, Trichuris trichiura), cistos de protozoários (Entamoeba histolytica, Giardia lambia), bactérias entéricas (Salmonella sp., Shigella sp., Escherichia coli enteropatogênica) e enterovírus (vírus da poliomielite, rotavírus, e outros). (8) Inalação através das vias respiratórias superiores: gotículas expelidas pela boca e pelo nariz contendo vírus diversos (gripe, sarampo, etc.); população viável de Mycobacterium tuberculosis no escarro em dessecação, associada a micropartículas de poeira; esporos de fungos das espécies Histoplasma capsulatum e Paracoccidioides braziliensis, responsáveis, respectivamente, pela histoplasmose e pela paracoccidioidomicose; frações de muco nasal
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    8     contendoMycobacterium leprae, agente da hanseníase, e diversos outros exemplos, compõem uma vasta lista de biopatógenos que podem estar presentes em suspensão no ar inalado. (8) Penetração através das mucosas: de forma geral, as mucosas expostas aos fatores ambientais – vagina, uretra, olhos, boca – dispõem de condições biofísico-químicas favoráveis à instalação de germes e consequente desenvolvimento de infecções específicas. O material chegado à mucosa sadia pode originar-se do contato direto com outra mucosa doente ou ser trasnportado por algum veículo ou vetor. A Neisseria gonorrhhoeae, responsável pela blenorragia e pela oftalmia neonatorum, e as clamídeas, responsáveis por alguns tipos de uretrites e pelo tracoma, são exemplos de micro-organismos que penetram pelas mucosas, aí permanecendo e desenvolvendo estado patológico. O Trypanosoma cruzi, agente da doença de Chagas, pode penetrar pela mucosa ocular e daí invadir a corrente sanguínea e outros tecidos. O Schistosoma mansoni é outro agente que penetra no hospedeiro pelas mucosas. (8) Penetração através de solução de continuidade: Feridas cirúrgicas, ferimentos acidentais, tecidos necrosados, queimaduras, escarificações, e, de forma geral, toda descontinuidade da pele pode servir de porta de entrada para agentes infecciosos. Esses podem ter sido depositados sobre a pele antes de ocorrido o seu rompimento naquele ponto e introduzidos durante o processo ou podem vir a ser aí depositados por vetores ou veículos após a ocorrência da lesão. São conhecidos casos de tétano produzidos por contaminação do coto umbilical pela deposição intencional de excremento animal, usado como curativo. No entanto, a penetração do Clostridium tetani não se dá, na maioria dos casos, de forma tão inusitada, sendo a penetração mais simples. Os esporos são veiculados por poeira e terra contaminadas com fezes humanas ou de animais. Em alguns casos, o ferimento que deu acesso ao esporo é tão insignificante que passa despercebido. O Trypanosoma cruzi pode ser levado à circulação com o rompimento da pele por ação da unha no ato de coçar locais onde o barbeiro defecou ao sugar sangue. (8) Deposição sobre a pele seguida de propagação localizada: os agentes etiológicos das dermatofitoses (fungos dos gêneros Microsporum e Trichophyton) tem acesso ao couro cabeludo, às unhas e à pele, por contato direto com indivíduos infectados, ou indiretamente por contato com objetos, pisos úmidos, instrumentos de barbearia e manicure. (8) Introdução no organismo com auxílio de objetos e instrumentos: neste caso, o acesso pode se dar pelos orifícios naturais ou através de perfurações cirúrgicas ou acidentais. A
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    9     transmissãopor transfusão de sangue poderia também ser enquadrada neste item, considerando que a penetração do bioagente se dá por intrusão no corpo, com auxílio de objeto mecânico. Uma grande parte das infecções hospitalares relaciona-se a este mecanismo. (8) Introdução em tecido muscular ou na corrente sanguínea, por picadas de inseto ou por mordedura de animais: através de sua probóscida introduzida na pele, fêmeas dos mosquitos anofelinos injetam cargas de plasmódios sob a forma de esporozoítas, que darão origem à malária. Mosquitos do gênero Culex são responsáveis pela introdução, no organismo do hospedeiro, de larvas infectantes de Wuchereria bancrofti, agente causal da filariose. Neste caso também a penetração se faz por inoculação através da probóscida do mosquito. Os agentes causais do calazar (leishmaniose visceral) e da úlcera de Bauru (leishmaniose tegumentar) são introduzidos no organismo suscetível através da picada da fêmea do mosquito flebótomo. O vírus rábico é introduzido no organismo de seres humanos por mordedura lacerante de cães e gatos infectados, e em bovinos, por mordedura de morcego. (8) Penetração ativa direta do bioagente patogênico: a transmissão da sarna ocorre quando indivíduos infectados com Sarcoptes scabiei entram em contato com susceptíveis. As fêmeas recém-fecundadas do agente infeccioso abandonam o seu hospedeiro atual e penetram ativamente o novo hospedeiro. Cercárias de Schistosoma mansoni saídas do seu hospedeiro intermediário, molusco do gênero Biomphalaria e vivendo em coleções de água doce, penetram ativamente pela pele de pessoas suscetíveis que estejam imersas na água durante o trabalho ou recreação. Larvas infectantes de Strongyloides stercoralis, agente da estrongiloidíase, Ancylostoma caninum e Ancylostoma braziliensis, agentes da dermtite serpiginosa (larva migrans), podem penetrar ativamente na pele de pessoas que caminham com os pés descalços, a partir do solo contaminado. (8) 1.1 – RELAÇÃO ENTRE AS DOENÇAS INFECCIOSAS E TRABALHO As doenças infecciosas e parasitárias relacionadas ao trabalho apresentam algumas características que as distinguem dos demais grupos: os agentes etiológicos não são de natureza ocupacional, e sim as condições ou circunstâncias em que o trabalho é executado é que são favorecedoras do contato, contágio ou transmissão. São causadas por agentes que estão disseminados no meio ambiente, dependentes de condições ambientais e de saneamento
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    10     eda prevalência dos agravos na população geral; vulneráveis às políticas gerais de vigilância e da qualidade dos serviços de saúde. A delimitação ambiente de trabalho/ambiente externo é frequentemente pouco precisa. (8) As consequências para a saúde da exposição a fatores de risco biológico presentes em situações de trabalho, além dos quadros de infecção aguda e crônica, incluem as reações alérgicas e tóxicas. Um amplo espectro de planas e animais produz substâncias alergênicas, irritativas e tóxicas com as quais os trabalhadores entram em contato, diretamente, através de picadas ou mordeduras ou através de poeiras contendo pelos, pólen, esporos de fungos. (8) A maioria das infecções resulta de exposição não ocupacional. Entretanto, alguns ambientes ou doenças específicas sugerem que sua origem foi proveniente da exposição ocupacional. Os trabalhadores da área de saúde, nos seus vários âmbitos, quer estejam em centros de saúde, hospitais, laboratórios, necrotérios, e os profissionais de saúde que realizam investigações de campo – vigilância da saúde, controle de vetores, e aqueles que lidam com animais, mantêm contato direto com pacientes ou vetores transmissores de moléstias infecciosas. Em se tratando de organismos cuja transmissão se faz através de aerossóis, o risco de contrair a doença é várias vezes maior para o trabalhador da área de saúde do que para a população geral. O risco também é grande no tocante à manipulação de material perfurocortante e no ato de procedimentos invasivos. Neste cenário, torna-se importante redobrar a atenção quanto às precauções universais, imunizações, manipulação de material contaminado e perfurocortante, e ao hábito de lavar as mãos antes e após cada exame. (8) Os trabalhadores que mantêm contato ou manipulam animais também possuem risco aumentado para contrair certas infecções, principalmente os trabalhadores na agricultura, as pessoas que trabalham em habitat silvestre (silvicultura), em atividades de pesca, produção e manipulação de produtos animais – abatedouros, curtumes, frigoríficos, indústria alimentícia, de carnes, pescados, zoológicos e clínicas veterinárias, além dos que lidam com pesquisas científicas em espécies animais. (8) É importante destacar que além das infecções propriamente ditas, algumas proteínas lideradas através da urina, pela e outros tecidos animais, podem ser carreadas como aerossóis, causando erupções, sintomas alérgicos ou até mesmo asma ocupacional. (8)
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    11     Ostrabalhadores que lidam com dejetos de esgoto ou lixo, principalmente onde não há condições de sanitarismo e proteção adequadas, estão também expostos a vários riscos biológicos. (8) A suspeita clínica de possível doença ocupacional deve ser valorizada sempre que um paciente pertencer a um grupo onde o risco de exposição a patógenos biológicos é aumentado. A avaliação mais específica dependerá muito da apresentação clínica e dos diagnósticos diferenciais. Quando se cogitar em origem ocupacional, a história detalhada deve ser tomada no sentido de elucidar precisamente como a exposição ocorreu. A avaliação do local de trabalho através da visita/inspeção ao espaço físico é mandatória para se compreender o ambiente, as funções e as atividades cotidianas, determinando com mais clareza os riscos aos quais os trabalhadores estão expostos. Dependendo das circunstâncias e dos recursos disponíveis, uma equipe composta por médico e enfermeiro do trabalho, engenheiro e higienista industrial, e até um especialista em biossegurança, deverá determinar a necessidade de desencadear uma série de ações a nível individual e coletivo. Deve-se lembrar sempre da notificação compulsória de determinadas doenças para a vigilância sanitária local. (8) Mesmo para doenças comuns na sociedade, não há um parâmetro limítrofe bem estabelecido de quando se deve iniciar uma investigação para explicar o surgimento simultâneo de alguns problemas médicos dentre uma comunidade de trabalhadores. A natureza da doença, sua prevalência na população de trabalhadores sob risco, e o padrão de desenvolvimento de surto são critérios importantes para avaliar tais situações. (8) Em síntese, a relação com o trabalho pode ser estabelecida através de: • Coleta criteriosa de história ocupacional completa; • Comparação com dados e estudos epidemiológicos e de literatura científica; • Solicitação de perfil profissiográfico do trabalhador à empresa; • Solicitação de dados e avaliações ambientais à empresa; • Inspeção na própria empresa/local de trabalho. Na tabela 1.2 alguns exemplos de ocupações e suas doenças infecciosas relacionadas.
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    12     OCUPAÇÃO PRINCIPAISDOENÇAS OU AGENTES SELECIONADOS Açougueiro Antraz, Tularemia, Erisipelóide Explorador de cavernas Bartonella henselae, celulite por pasteurella, raiva, histoplasmose Construção civil em grandes áreas Paracoccidioidomicose, Histoplasmose, Leishmaniose, Malária Processamento de alimentos Tularemia, Salmonelose, Triquinose Engenho de algodão Pracoccidioidomicose Trabalho com gado leiteiro Brucelose, Febre Q, Tinea barbae Trabalho em creches Hepatite A, Rubéola, Citomegalovirus e outras doenças da infância Dentistas Hepatites B e C, AIDS Cavador de fossas Larva migrans cutânea, Ascaridíase, Ancilostomíase Mergulhador ycobacterium marinum Operador de escavadora Paracoccidioidomicose, Histoplasmose Trabalho em lavoura Raiva, Antraz, Brucelose, Tétano, Leptospirose, Tularemia, Paracoccidioidomicose, Histoplasmose, Ascaridíase, Esporotricose, Ancilostomíase, Esquistossomose Pescador/Comerciante de peixes Erisipelóde (Erysipelothrix insidiosa), Esquistossomose, Mycobacterium marinum Jardineiro/Florista Esporotricose, larva migrans cutânea Trabalho com pele de animais Tularemia Trabalho em armazéns de grãos Tifo Trabalho em abatedouro Brucelose, Leptospirose, Febre Q, Salmonelose, Estafilococcias Médico/Enfermeiro Hepatites B e C, AIDS, Tuberculose, etc. Veterinário/Comércio de animais Antraz, Brucelose, Psitacose, Dermatofitoses, Erisipelóide, Raiva, Tularemia, Salmonelose Criador de pássaros Psitacose Trabalho em limpeza urbana Leptospirose, Ascaridíase, Ancilostomíase Lavadeira Dermatofitoses. Tabela 1.2 - Exemplos de Doenças Infecciosas Selecionadas por Ocupação Fonte: Mendes, René - 2007
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    13     1.2– PRINCIPAIS DOENÇAS Através da Portaria 1.339 de 18 de novembro de 1.999, é instituído a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho, onde também há uma lista de Doenças Infecciosas e Parasitárias Relacionadas ao Trabalho, como segue abaixo. DOENÇAS AGENTES ETIOLÓGICOS OU FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL Tuberculose (A15- A19.-) Exposição ocupacional ao Mycobacterium tuberculosis (Bacilo de Koch) ou Mycobacterium bovis, em atividades em laboratórios de biologia, e atividades realizadas por pessoal de saúde, que propiciam contato direto com produtos contaminados ou com doentes cujos exames bacteriológicos são positivos (Z57.8)(Quadro 25) Hipersuscetibilidade do trabalhador exposto a poeiras de sílica (Sílico- tuberculose)(J65.-) Carbúnculo (A22.-) Zoonose causada pela exposição ocupacional ao Bacillus anthracis, em atividades suscetíveis de colocar os trabalhadores em contato direto com animais infectados ou com cadáveres desses animais; trabalhos artesanais ou industriais com pelos, pele, couro ou lã. (Z57.8) (Quadro 25) Brucelose (A23.-) Zoonose causada pela exposição ocupacional a Brucella melitensis, B. abortus, B. suis, B. canis, etc., em atividades em abatedouros, frigoríficos, manipulação de produtos de carne; ordenha e fabricação de laticínios e atividades assemelhadas. (Z57.8) (Quadro 25) Leptospirose (A27.-) Exposição ocupacional a Leptospira icterohaemorrhagiae (e outras espécies), em trabalhos expondo ao contato direto com águas sujas, ou efetuado em locais suscetíveis de serem sujos por dejetos de animais portadores de germes; trabalhos efetuados dentro de minas, túneis, galerias, esgotos em locais subterrâneos; trabalhos em cursos d’água; trabalhos de drenagem; contato com roedores; trabalhos com animais domésticos, e com gado; preparação de alimentos de origem animal, de peixes, de laticínios, etc.. (Z57.8) (Quadro 25) Tétano (A35.-) Exposição ao Clostridium tetani, em circunstâncias de acidentes do trabalho na agricultura, na construção civil, na indústria, ou em acidentes de trajeto (Z57.8) (Quadro 25) Psitacose, Ornitose, Doença dos Tratadores de Aves (A70.-) Zoonoses causadas pela exposição ocupacional a Chlamydia psittaci ou Chlamydia pneumoniae, em trabalhos em criadouros de aves ou pássaros, atividades de Veterinária, em zoológicos, e em laboratórios biológicos, etc.(Z57.8) (Quadro 25) Dengue [Dengue Clássico] (A90.-) Exposição ocupacional ao mosquito (Aedes aegypti), transmissor do arbovírus da Dengue, principalmente em atividades em zonas endêmicas, em trabalhos de saúde pública, e em trabalhos de laboratórios de pesquisa, entre outros. (Z57.8) (Quadro 25) Febre Amarela (A95.-) Exposição ocupacional ao mosquito (Aedes aegypti), transmissor do arbovírus da Febre Amarela, principalmente em atividades em zonas endêmicas, em trabalhos de saúde pública, e em trabalhos de laboratórios de pesquisa, entre outros. (Z57.8) (Quadro 25) Hepatites Virais (B15- B19.-) Exposição ocupacional ao Vírus da Hepatite A (HAV); Vírus da Hepatite B (HBV); Vírus da Hepatite C (HCV); Vírus da Hepatite D (HDV); Vírus da Hepatite E (HEV), em trabalhos envolvendo manipulação, condicionamento ou emprego de sangue humano ou de seus derivados; trabalho com “águas usadas” e esgotos; trabalhos em contato com materiais provenientes de doentes ou objetos contaminados por eles. (Z57.8) (Quadro 25)
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    14     Doençapelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) (B20- B24.-) Exposição ocupacional ao Vírus da Imuno-deficiência Humana (HIV), principalmente em trabalhadores da saúde, em decorrência de acidentes pérfurocortantes com agulhas ou material cirúrgico contaminado, e na manipulação, acondicionamento ou emprego de sangue ou de seus derivados, e contato com materiais provenientes de pacientes infectados. (Z57.8) (Quadro 25) Dermatofitose (B35.-) e Outras Micoses Superficiais (B36.-) Exposição ocupacional a fungos do gênero Epidermophyton, Microsporum e Trichophyton, em trabalhos em condições de temperatura elevada e umidade (cozinhas, ginásios, piscinas) e outras situações específicas de exposição ocupacional. (Z57.8) (Quadro 25) Candidíase (B37.-) Exposição ocupacional a Candida albicans, Candida glabrata, etc., em trabalhos que requerem longas imersões das mãos em água e irritação mecânica das mãos, tais como trabalhadores de limpeza, lavadeiras, cozinheiras, entre outros. (Z57.8) (Quadro 25) Paracoccidioidomicose (Blastomicose Sul Americana, Blastomicose Brasileira, Doença de Lutz) (B41.-) Exposição ocupacional ao Paracoccidioides brasiliensis, principalmente em trabalhos agrícolas ou florestais e em zonas endêmicas. (Z57.8) (Quadro 25) Malária (B50 – B54.-) Exposição ocupacional ao Plasmodium malariae; Plasmodium vivax; Plasmodium falciparum ou outros protozoários, principalmente em atividades de mineração, construção de barragens ou rodovias, em extração de petróleo e outras atividades que obrigam a entrada dos trabalhadores em zonas endêmicas (Z57.8) (Quadro 25) Leishmaniose Cutânea (B55.1) ou Leishmaniose Cutâneo-Mucosa (B55.2) Exposição ocupacional à Leishmania braziliensis, principalmente em trabalhos agrícolas ou florestais e em zonas endêmicas, e outras situações específicas de exposição ocupacional. (Z57.8) (Quadro 25) Tuberculose É a doença mais comum da humanidade, e representa a principal doença infecciosa responsável pela mortalidade de jovens e adultos. Ainda é importante problema de saúde pública mundial. Em relatório da Organização Mundial de Saúde estima-se que um terço da população mundial está infectada pelo Mycobacterium tuberculosis, com oito milhões de novos casos de três milhões de mortes devidas à doença, por ano. (8) No Brasil havia 35 a 45 milhões de pessoas infectadas no início da década de 1990, sendo esperados 100.000 novos casos e certa de 6.000 mortes por ano (incidência de aproximadamente 54/100.000 habitantes). (8) O micro-organismo responsável pela tuberculose humana é o Mycobacterium tuberculosis, descoberto por Robert Koch, em 1882. Por ser um aeróbio estrito, infecta os pulmões e aí se localiza preferencialmente. A presença de oxigênio facilita sua multiplicação, Tabela 1.3 - Doenças infecciosas e parasitárias relacionadas com o trabalho (grupo I da CID-10) Fonte: Portaria nº 1.339, de 18 de novembro de 1999
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    15     ea ligação do órgão com o meio externo favorece sua transmissão. Como não há resposta imediata do hospedeiro, ele cresce no interior do organismo, durante certo tempo, sem nenhum obstáculo. A transmissão é aerógena através da eliminação de partículas com bacilos em suspensão por perdigotos favorecidos pela tosse, fala ou espirro. (8) O conceito que dominou a medicina até o início do século XX foi o de ausência de risco de infecção para profissionais de saúde e para outras pessoas em contato com pacientes tuberculosos. A partir da década de 1920, vários estudos demonstraram maior incidência de tuberculose entre enfermeiras, médicos e estudantes de medicina. Aos poucos, foram surgindo relatos de tuberculose em outros membros da equipe de saúde, como técnicos de laboratório e de anatomia patológica, mostrando que o risco de infecção é diretamente proporcional ao contato do profissional com o paciente. (8) Em determinados trabalhadores, a tuberculose pode ser considerada “doença relacionada com o trabalho”, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as condições de trabalho podem favorecer a exposição a Mycobacterium tuberculosis ou a Mycobacterium bovis, como no caso de trabalhadores em laboratórios de biologia, e em atividades que propiciam contato direto com produtos contaminados ou com doentes bacilíferos.(9) Em trabalhadores expostos a poeiras de sílica ou portadores de silicose, a tuberculose e a sílico-tuberculose deverão ser consideradas como “doenças relacionadas com o trabalho”, do Grupo III da Classificação de Schilling, uma vez que a exposição à sílica pode favorecer a reativação da infecção tuberculosa latente, pois os cristais de sílica no interior dos macrófagos alveolares deprimem sua função fagocitária e aumentam sua destruição. (9) A tuberculose representa também risco ocupacional para trabalhadores em laboratórios e salas de necropsia. Os riscos para pessoal de laboratório incluem a manipulação de recipientes contaminados, escarros mal fixados, geração de aerossol. Durante a realização de exames. Para os trabalhadores em sala de necropsia, o exame em cadáveres de pacientes com tuberculose não diagnosticada em vida constitui o principal risco. O risco estimado destes profissionais adquirirem tuberculose é de 100 a 200 vezes maior do que o da população geral na Inglaterra (Collins & Grange, 1999). (8) O risco de dentistas contraírem tuberculose de SUS pacientes é relativo ao ambiente de trabalho, e mais diretamente relacionado ao perfil sócio econômico dos seus
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    16     pacientes.Este risco pode ser reduzido através de vigilância, educação e atenção ao perfil do paciente atendido (Anders e cols., 1998). (8) Carbúnculo É uma zoonose causada pelo Bacillus anthracis, microrganismo gram-positivo, manifestando-se, no ser humano, em três formas clínicas: cutânea, pulmonar e gastrintestinal. A meningite e a septicemia podem ser complicações de todas essas formas. (9) A doença tem distribuição mundial e ocorre em casos isolados no decorrer do ano, ocasionalmente na forma de epidemias. Decorre da exposição humana ao bacilo, em atividades industriais, artesanais, na agricultura ou em laboratórios, estando, portanto, associada ao trabalho, como, por exemplo, pelo contato direto das pessoas com pelos de carneiro, lã, couro, pele e ossos, em especial de animais originários da África e Ásia. Nas atividades agrícolas, ocorre no contato do homem com gato, porco, cavalo doente ou com partes, derivados e produtos de animais contaminados. (9) Os principais grupos de risco são os tratadores de animais, pecuaristas, trabalhadores em matadouros, curtumes, moagem de ossos, tosa de ovinos, manipuladores de lã crua, veterinários e seus auxiliares. Por sua raridade e quase especificidade em determinados trabalhadores, pode ser considerada doença profissional ou doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling. (9) Leptospirose É uma zoonose ubiquitária causada por uma espiroqueta patogênica do grupo Leptospiracea. A apresentação clínica é variável, com formas assintomáticas ou leves até quadros graves, que se manifestam com icterícia, hemorragias, anemia, insuficiência renal, comprometimento hepático e meningite. A recuperação é, geralmente, total em 3 a 6 semanas. A gravidade da infecção depende da dose infectante, da variedade sorológica da Leptospira e das condições do paciente. O período de incubação é variável, de 3 a 13 dias, podendo chegar a 24 dias. (9)
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    17     Asleptospiroses constituem verdadeiras zoonoses. Os roedores são os principais reservatórios da doença, principalmente os domésticos. Atuam como portadores os bovinos, ovinos e caprinos. A transmissão é realizada pelo contato com água ou solo contaminados pela urina dos animais portadores, mais raramente pelo contato direto com sangue, tecido, órgão e urina destes animais. Não há transmissão inter-humana, exceto a intrauterina para o feto. (9) A leptospirose relacionada ao trabalho tem sido descrita em trabalhadores que exercem atividades em contato direto com águas contaminadas ou em locais com dejetos de animais portadores de germes, como nos trabalhos efetuados dentro de minas, túneis, galerias e esgoto; em cursos d’água e drenagem; contato com roedores e com animais domésticos; preparação de alimentos de origem animal, de peixes, de laticínios e em outras atividades assemelhadas. (9) Em determinados trabalhadores, a leptospirose pode ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição à Leptospira podem ser consideradas como contribuintes, no conjunto de fatores associados com a etiologia desta doença infecciosa. (9) Tétano É uma doença aguda produzida pela potente neurotoxina (tetanospasmina) do Clostridium tetani. A toxina tetânica impede a inibição do arco reflexo da medula espinhal, promovendo reflexos excitatórios tônicos típicos, em múltiplas regiões do organismo. (9) O C. tetani é um bacilo anaeróbio, encontrado na natureza em ampla distribuição geográfica sob a forma de esporos, no solo, principalmente quando tratado com adubo animal, em espinhos de arbustos e pequenos galhos de árvores, em águas putrefatas, em pregos enferrujados sujos, em instrumentos de trabalho ou latas contaminadas com poeira da rua ou terra, em fezes de animais ou humanas, em fios de sutura e agulhas de injeção não convenientemente esterilizados. (9) É disseminado pelas fezes de equinos e outros animais e infecta o homem quando seus esporos penetram através de lesões contaminadas, em geral de tipo perfurante, mas também de dilacerações, queimaduras, coto umbilical não tratado convenientemente, etc. A
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    18     presençade tecido necrosado, pus ou corpos estranhos facilita a reprodução local do bacilo, que não é invasivo e age à distância por sua toxina. (9) A exposição ocupacional em trabalhadores é relativamente comum e dá-se, principalmente, em acidentes de trabalho (agricultura, construção civil, mineração, saneamento e coleta de lixo) ou em acidentes de trajeto. A doença em trabalhadores decorrente de acidente de trabalho poderá ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling. (9) A psitacose ou ornitose é uma doença infecciosa aguda produzida por clamídias (C. psittaci e C. pneumoniae). A enfermidade, em geral, é leve ou moderada, podendo ser grave em idosos sem tratamento adequado. (9) A psitacose é quase sempre transmitida aos seres humanos por via respiratória. Em raras ocasiões a doença pode ser contraída através da bicada de um pássaro. O contato prolongado não é essencial para a transmissão da doença. Alguns minutos passados no ambiente previamente ocupado por uma ave infectada tem resultado em infecção humana. (8) O período de incubação varia de uma a quatro semanas, e a transmissibilidade dura semanas ou meses. (8) As fontes mais frequentes de infecção da C. psittaci são periquitos, papagaios, pombos, patos, perus, canários, entre outros, que transmitem a infecção por meio de suas fezes dessecadas e disseminadas com a poeira, sendo aspiradas pelos pacientes. Apesar de rara, é possível a transmissão via respiratória, de pessoa a pessoa, na fase aguda da doença. É uma zoonose que acomete trabalhadores de criadouros de aves, clínicas veterinárias, zoológicos e de laboratórios biológicos. A C. pneumoniae infecta somente seres humanos, sendo transmitida de pessoa a pessoa. Por sua raridade e relativa especificidade, a psitacose/ornitose poderá ser considerada como doença profissional ou doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling, nos trabalhadores de granjas e criadores de aves (patos, gansos, periquitos, pombos, etc.), empregados de casas de comércio desses animais, veterinários, guardas florestais e outros em que se confirme as circunstâncias de exposição ocupacional. (9)
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    19     Dengue Éuma doença aguda febril, endemo-epidêmica, causada por um dos Flavivírus do dengue (família Togaviridae), com quatro tipos sorológicos (1, 2, 3 e 4). Os seres humanos são reservatórios e a transmissão ocorre pela picada dos mosquitos Aedes aegypti, A. albopictus e o A. scutellaris. Após repasto de sangue infectado, o mosquito estará apto a transmitir o vírus após 8 a 12 dias de incubação extrínseca. A transmissão mecânica também é possível, quando o repasto é interrompido e o mosquito, imediatamente, alimenta-se num hospedeiro suscetível próximo. Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções para uma pessoa sadia, nem por fontes de água ou alimento. (9) O período de incubação da doença é de 3 a 15 dias, em média de 5 a 6 dias. O período de transmissibilidade ocorre durante o período de viremia, que começa um dia antes da febre até o sexto dia da doença. Quando o agente etiológico for conhecido, o nome completo da doença será dengue por vírus tipo 1 ou dengue por vírus tipo 2, etc. (9) O dengue pode ser considerado como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, uma vez que as circunstâncias ocupacionais da exposição aos mosquitos vetores (Aedes) e/ou aos agentes infecciosos (Flavivírus) podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores associados com a etiologia desta doença infecciosa. (9) O dengue relacionado ao trabalho tem sido descrito em trabalhadores que exercem atividades em zonas endêmicas, em trabalhos de saúde pública e em laboratórios de pesquisa, entre outras atividades em que a exposição ocupacional pode ser identificada. (9) Febre amarela É uma doença febril aguda causada pelo Flavivírus da febre amarela (família Togaviridae), com quadro clínico variável, desde formas inaparentes até as graves e fatais. A transmissão se faz pela picada dos mosquitos infectados A. aegypti na febre amarela urbana (FAU) e Haemagogus na febre amarela silvestre (FAS). O período de incubação é de 3 a 6 dias, após a picada do mosquito infectado, e o período de transmissibilidade é de 24 a 48 horas, antes do aparecimento dos sintomas de 3 a 5 dias após. (9)
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    20     Afebre amarela persiste na América do Sul apenas como enzootia de macacos, tendo por transmissores mosquitos dos gêneros Haemagogus e Aedes. Os casos humanos, pouco numerosos, incidem entre as pessoas que trabalham ou mantêm contato com as florestas. A febre amarela urbana teve o homem como único reservatório e o A. aegypti como transmissor, na América do Sul. Outros trabalhadores eventualmente expostos, por acidente, incluem os que exercem atividades de saúde pública e que trabalham em laboratórios de pesquisa, agricultores, trabalhadores florestais, em extração de madeira, em áreas e regiões afetadas. (9) Por sua raridade e por sua relativa especificidade, a febre amarela em determinados trabalhadores poderá ser considerada como doença profissional ou doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling. (9) Hepatite É termo genérico para inflamação do fígado que, convencionalmente, designa alterações degenerativas ou necróticas dos hepatócitos. Pode ser aguda ou crônica e ter como causa uma variedade de agentes infecciosos ou de outra natureza. O processo inflamatório do fígado é caracterizado pela necrose hepatocelular difusa ou irregular, afetando todos os ácinos. Suas causas principais são as viroses devidas ao vírus da hepatite A (HAV), ao vírus da hepatite B (HBV), ao vírus da hepatite C (HCV), ao vírus da hepatite D (HDV) e ao vírus da hepatite E (HEV). (9) Na hepatite viral A, a fonte de infecção é o próprio homem (raramente os macacos) e a transmissão é direta, por mãos sujas (circuito fecal-oral) ou por água (hepatite dos trabalhadores por águas usadas) ou por alimentos contaminados. Vários surtos têm sido descritos em creches, escolas, enfermarias e unidades de pediatria e neonatologia, com taxas de transmissão que giram em torno de 20% em trabalhadores suscetíveis. Nos EUA, a prevalência em trabalhadores da saúde varia de 35 a 54% (comparado com 38% da população geral). (9) A maioria dos dados estatísticos que se referem à hepatite A em trabalhadores da saúde aponta os enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem como principal grupo
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    21     acometidoou em risco. Dentre os médicos e dentistas, aqueles que lidam com crianças estão mais expostos. (8) Os trabalhadores do setor de lavanderia hospitalar, especialmente os manipuladores de tecidos antes de serem lavados, apresentam taxa elevada de anticorpos IgC para o VHA (Borg & Portelli 1999). (8) Os trabalhadores responsáveis pela coleta de lixo estão entre os grupos ocupacionais de risco, na dependência direta de suas condições de trabalho. (8) Na hepatite viral B o vírus é encontrado em todas as secreções e excreções do corpo, mas, aparentemente, apenas o sangue, o esperma e a saliva são capazes de transmiti-lo. A infecção é adquirida, em geral, por ocasião de transfusões, de injeções percutâneas com derivados de sangue ou uso de agulhas e seringas contaminadas ou, ainda, por relações sexuais, homossexuais masculinas ou heterossexuais. Nos trabalhadores da saúde, a soroprevalência de HBV é de 2 a 4 vezes maior e a incidência anual é de 5 a 10 vezes maior do que na população em geral. (9) Na hepatite viral C a soroprevalência em trabalhadores da saúde parece ser similar à da população geral. A soroconversão dos trabalhadores que se acidentam com material contaminado ocorre em 1,2 a 10% dos trabalhadores acidentados. Estima-se que 2% dos casos devem-se à exposição ocupacional. (9) A hepatite viral D é endêmica na Amazônia Ocidental, onde, em associação com o vírus da hepatite B, é o agente etiológico da chamada febre negra de Lábrea, de evolução fulminante. (9) Portanto, em determinados trabalhadores, as hepatites virais podem ser consideradas como doenças relacionadas ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição aos vírus podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia desta doença infecciosa. (9)
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    22     HIV Vírusda imunodeficiência humana (HIV) é um distúrbio da imunidade mediada por célula, causado por um vírus da subfamília Lentivirinae (família Retroviridae), caracterizada por infecções oportunistas, doenças malignas (como o sarcoma de Kaposi e o linfoma não-Hodgkin), disfunções neurológicas e uma variedade de outras síndromes. A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS ou SIDA) é a mais grave manifestação de um espectro de condições HIV-relacionadas. O risco de que pessoas infectadas, não tratadas, desenvolvam a AIDS é de 1 a 2% por ano nos primeiros anos após a infecção e cerca de 5% nos anos seguintes. O risco acumulado de desenvolvimento da síndrome em infectados não tratados é de cerca de 50%. (9) Os profissionais de saúde constituem um grupo com características especiais de exposição ao HIV, devido às suas possibilidades de infectar-se durante as atividades do trabalho cotidiano. O número de situações de contato com sangue, secreções e fluidos orgânicos no trabalho, na área da saúde, é muito grande. (8) Desde o início da epidemia, a possibilidade de contaminação dos profissionais de saúde motivou investigações dirigidas à quantificação deste risco, e despertou os órgãos oficiais para a necessidade de medidas voltadas a sua redução. (8) O primeiro caso confirmado de contaminação ocupacional pelo vírus HIV ocorreu em 1984, na Inglaterra. Uma enfermeira sofreu acidente pefurocortante por agulha contendo sangue de uma paciente que se encontrava internada com pneumonia e era portadora do vírus HIV. Duas semanas após o acidente, a enfermeira apresentou os sintomas de infecção aguda pelo HIV (febre, cefaleia, mialgia etc.). No segundo mês o seu soro revelava positividade para o vírus. Houve confirmação da transmissão ocupacional do HIV da paciente para a enfermeira. (8) A taxa de soroconversão pós-exposição ocupacional por ferimento percutâneo tem variado entre 0,1 e 0,4%, sendo maior em função do tamanho do inóculo, da duração do contato e da extensão do ferimento. A literatura científica internacional registra cerca de 55 casos, confirmados até 1999, decorrentes de exposição ocupacional em trabalhadores de saúde, em decorrência de acidentes perfurocortantes com agulhas ou material cirúrgico contaminado, manipulação, acondicionamento ou emprego de sangue ou de seus derivados e contato com materiais provenientes de pacientes infectados. (9)
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    23     Assim,em determinados trabalhadores, a doença pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) pode ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição ao vírus são acidentais ou ocorrem em condições específicas de trabalho, se bem documentadas e excluídos outros fatores de risco. (9) Dermatofitose É o termo geral para infecções micóticas que afetam a superfície epidérmica, devido a fungos dermatófitos. Atacam tecidos queratinizados (unhas, pelos e estrato córneo da epiderme). As principais dermatofitoses são: Tinea capitis (Tinha tonsurante); Tinea favosa (Favo); Tinea barbae (Sicose); Tinea corporis; Tinea manuum; Tinea cruris; Tinea imbricata (Tinha escamosa); Tinea pedis e Tinea unguium, causadas por espécies dos gêneros Epidermophyton, Microsporum e Trichophyton. (9) Em determinados trabalhadores, a dermatofitose e outras micoses superficiais podem ser consideradas como doenças relacionadas ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição aos fungos dermatófitos podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia desta doença infecciosa. (9) A dermatofitose relacionada ao trabalho tem sido descrita em trabalhadores que exercem atividades em condições de temperatura elevada e umidade (cozinhas, ginásios, piscinas, etc.) e em outras situações específicas. (9) Candidíase Infecção provocada por fungo da classe Saccharomycetes leveduriformes do gênero Candida, sobretudo pela Candida albicans. A transmissão é feita pelo contato com secreções originadas da boca, pele, vagina e dejetos de portadores ou doentes. A transmissão vertical se dá da mãe para o recém-nascido, durante o parto. Pode ocorrer disseminação endógena. O período de transmissibilidade dura enquanto houver lesões. (9)
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    24     Acandidíase relacionada ao trabalho poderá ser verificada em trabalhadores que exercem atividades que requerem longas imersões das mãos em água e irritação mecânica das mãos, tais como trabalhadores de limpeza, lavadeiras, cozinheiras, entre outros, com exposição ocupacional claramente caracterizada por meio de história laborativa e de inspeção em ambiente de trabalho. Nesses casos, a candidíase poderá ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling. (9) Paracoccidioidomicose Infecção fúngica sistêmica, micose causada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis. A infecção dá-se por inalação de conídios em poeiras, em ambientes quentes e úmidos, com formação de foco primário pulmonar (assintomático) e posterior disseminação. Em pacientes com grande resistência imunológica, as formas são localizadas, com reação granulomatosa e poucos parasitos. Nos demais, os parasitos são abundantes, os processos são predominantemente exsudativos e as formas disseminadas predominam, com variados graus clínicos. (9) O trabalho com o solo e vegetais em área rural, a exemplo dos lavradores e operadores de máquinas agrícolas, é fator predisponente importante da paracoccidioidomicose. Inquérito epidemiológico realizado em 417 trabalhadores da mina Morro Velho em Nova Lima – MG detectou 13,4% de positividade em teste cutâneo para paracoccidioidomicose. (8) Portanto, em determinados trabalhadores, a paracoccidiodomicose pode ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição ao fungo podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia desta grave doença infecciosa. (9) Malária Doença infecciosa febril aguda, causada por parasitas do gênero Plasmodium (vivax, malariae, falciparum, ovale), caracterizada por febre alta acompanhada de calafrios,
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    25     sudoresee cefaleia, que ocorre em padrões cíclicos, a depender da espécie do parasito infectante. (9) A transmissão da doença é realizada por intermédio dos esporozoítas, formas infectantes do parasita, inoculados no homem pela saliva da fêmea anofelina infectante. (9) Esses mosquitos, ao se alimentarem em indivíduos infectados, ingerem as formas sexuadas do parasita – gametócitos – que se reproduzem no interior do hospedeiro invertebrado, durante 8 a 35 dias, eliminando esporozoítas, durante a picada. A transmissão também ocorre por meio de transfusões sanguíneas, compartilhamento de seringas, contaminação de soluções de continuidade da pele e, mais raramente, por via congênita. (9) A transmissibilidade da infecção ocorre do homem para o mosquito enquanto houver gametócitos em seu sangue. O homem, quando não tratado, poderá ser fonte de infecção durante mais de 3 anos da malária por P. malariae, de 1 a 3 anos da malária por P. vivax e menos de 1 ano da malária por P. falciparum. (9) O período de incubação é, em média, de 7 a 14 dias para o P. falciparum, de 8 a 14 dias para o P. vivax e de 7 a 30 dias para o P. malariae. (9) A malária tem sido descrita em garimpeiros, agricultores, lenhadores, motoristas de caminhão, em trabalhadores que exercem atividades em mineração, construção de barragens ou rodovias, extração de petróleo, e em outras atividades que obrigam a presença em zonas endêmica. (8) A malária pode ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição aos anofelinos transmissores podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia da doença. (9) A malária relacionada ao trabalho tem sido descrita em trabalhadores que exercem atividades em mineração, construção de barragens ou rodovias, em extração de petróleo e outras atividades que obrigam à presença dos trabalhadores em zonas endêmicas. (9) Leishmaniose Leishmaniose ou leshmaníase por Leishmania braziliensis é zoonose do continente americano que apresenta, nos seres humanos, duas formas clínicas: a leishmaniose
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    26     cutânea,relativamente benigna, e a leishmaniose cutaneomucosa, mais grave. É uma doença parasitária da pele e mucosas, de caráter pleomórfico, transmitida pela picada de insetos flebotomíneos do gênero Lutzomia. Período de incubação: pode variar de 2 semanas a 12 meses, com média de um mês. (9) A leishmaniose comporta-se geralmente como doença profissional, ocorrendo em áreas onde se processam desmatamentos para a colonização de novas terras, construção de estradas e instalação de frentes de trabalho para garimpo, mineração, extração de madeira e carvão vegetal. Também estão expostos os profissionais que trabalham sob as matas nas plantações de cacau, extração de látex da seringueira. Outras atividades de risco são o treinamento militar nas selvas, as expedições científicas e incursões de caçadores em áreas florestais. (8) Em determinados trabalhadores, a leishmaniose cutânea ou a cutaneomucosa pode ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição ao mosquito transmissor podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia desta doença infecciosa. (9) 1.3 – PREVENÇÃO A prevenção de doenças infecciosas e parasitárias relacionadas com o trabalho inclui medidas de educação e informação sobre os efeitos e riscos à saúde, sobre os modos de transmissão e controle, pelo reconhecimento prévio das atividades e locais de trabalho onde existam agentes biológicos. (8) São medidas preventivas muito eficazes para ambientes onde há exposição prolongada ou potencialmente grave. O controle do ambiente visa conter os riscos biológicos em sua fonte, reduzir a concentração de aerossóis e limitar seu movimento pela atmosfera do trabalho. Sistemas de ventilação, ar condicionado e aquecimento devem ser adequadamente projetados e periodicamente vistoriados para prevenir a contaminação por fungos ou bactérias. Para ambientes fechados, tais como hospitais e laboratórios de pesquisa, a ventilação deve ser projetada de modo a proporcionar fluxo unidirecional e dirigido. O ar proveniente de áreas com alto risco de contaminação por agentes infecciosos tais como enfermarias de pacientes isolados, pode ser descontaminado através de filtração. (8)
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    27     Ouso de equipamentos de proteção individual está indicado toda vez que os riscos não forem totalmente eliminados através das medidas anteriores. Deve-se sempre calçar luvas quando em contato com secreções biológicas de qualquer tipo. O uso de aventais ou capotes, gorros, óculos especiais de proteção, devem sempre fazer parte dos cuidados dos que lidam com materiais, animais ou indivíduos potencialmente infectados. Deve-se salientar que máscaras cirúrgicas ordinárias somente protegem o paciente, o animal ou o produto, da exposição de organismos exalados pelo trabalhador. Para que o trabalhador seja protegido de patógenos provenientes do ambiente é necessário que ele utilize máscaras especiais ou até respiradores específicos. (8) A manipulação, descontaminação ou armazenamento apropriados dos dejetos biológicos são importantes medidas de controle de infecção em qualquer ambiente de trabalho. Em hospitais e laboratórios, os dejetos potencialmente infectados devem ser inicialmente segregados dos outros dejetos e adequadamente identificados em embalagens próprias para resíduos biológicos. Todas as lâminas e agulhas devem ser colocadas em contêineres seguros e à prova de furos. Agulhas nunca devem ser encapadas ou cortadas antes de serem desprezadas. A descontaminação pode ser alcançada através da esterilização, desinfecção ou antissepsia. (8) Para exposição a atentes patógenos de transmissão sanguínea estão prescritas numa série de normas conhecidas como “Normas de Biossegurança ou Prescrições Universais”, detalhadas na tabela 1.4. (8) Precauções Universais 1. Evitar contato direto com fluidos orgânicos: sangue, fluido cérebro-espinhal, sêmen, secreções vaginais, leite materno. Os demais como saliva, lágrima, suor, urina e líquido amniótico não são considerados meios de transmissão. * Colocar luva quando da presença de qualquer desses fluidos. A utilização de luvas é obrigatória quando da execução de punções venosas, em razão do extravasamento de sangue ser muito grande. * Se houver contato da boca com esses fluidos, lavar e fazer bochechos com água oxigenada a 3%. * Se houver contato com a pele, remover os fluidos cuidadosamente, lavar com água e sabão degermante; não usar escovinhas devido à escarifação da pele, a fim de evitar porta de entrada. A pele deve estar íntegra, sem abrasão ou cortes. * Usar máscaras durante os procedimentos em que exista a possibilidade de sangue e outros fluidos corpóreos atingirem as mucosas da boca e nariz.
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    28     *Usar óculos durante os procedimentos em que houver a possibilidade de que sangue e fluidos corpóreos atinjam os olhos, principalmente em procedimentos cirúrgicos, endoscópicos e em hemodiálise. * Usar aventais protetores durante procedimentos em que exista a possibilidade de contaminação das roupas dos trabalhadores de saúde com sangue ou fluidos corpóreos. 2. Quando o profissional tiver alguma lesão de pele, tampá-la bem com curativo impermeável. 3. Evitar picada de agulhas e lesões que provoquem solução de continuidade. * Não recapar as agulhas, pois esse é procedimento de risco. * Recolher as agulhas em local apropriado com solução de Hipoclorito de Sódio a 0,5%, e só depois colocá-las no lixo. * Caso haja picada de agulhas, pressionar imediatamente para expelir o sangue, lavar com água e sabão degermante e fazer curativo oclusivo. * Sempre usar luvas para procedimentos invasivos: injeção endovenosa, intramuscular, colher sangue, passar sonda vesical, nasogástrica e traqueostomia. 4. Lavar sempre as mãos com água e sabão e secá-las após atendimentos de cada paciente, inclusive ao se administrar cuidados no leito. 5. Cuidados com o lixo e seu destino. * O lixo hospitalar deve ser coletado em saco plástico, amarrado e acondicionado em um novo saco mais resistente, amarrado e encaminhado para incineração. * A pessoa que coleta o lixo deve estar paramentada com luvas, avental e botas. 6. Cuidados na limpeza com a unidade, utensílios e roupas de cama. * Fluido corpóreo no chão, bancada, mesa: jogar Hipoclorito de Sódio a 1% no local, por 30 minutos. * Manipular as roupas sem agitação. Recolhê-las e rotular "contaminado". * Para lavar as roupas com fluidos contaminantes: detergente mais água a 71°C por 25 minutos; com temperatura inferior: deixar e molho em Hipoclorito de Sódio a 0,5% por 30 minutos. A vacinação nos ambientes de trabalho é realizada de acordo com indicações específicas. Existem algumas indicações gerais: Os trabalhadores podem ser vacinados visando à proteção a organismos infecciosos tais como agentes do tétano e hepatite B; Os profissionais de saúde podem ser vacinados, por exemplo, contra Influenza para evitar que contaminem inadvertidamente algum paciente; Algumas vacinas como a da febre amarela são recomendadas para trabalhadores em viagens a áreas endêmicas. Tabela 1.4 – Precauções Universais Fonte: Normas de Biossegurança ou Prescrições Universais
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    29     UNIDADE2 – DOENÇAS RELACIONADAS AOS RISCOS QUÍMICOS Os riscos químicos presentes nos locais de trabalho encontram-se na forma sólida, líquida e gasosa e classificam-se em: poeiras, fumos, névoas, gases, vapores, neblinas, substâncias compostas e produtos químicos em geral. Poeiras, fumaças, névoas, gases e vapores estão dispersos no ar; trata-se dos aerodispersóides. (12) Poeira: as poeiras são partículas sólidas geradas mecanicamente por ruptura de partículas menores. São classificadas em: • Poeiras minerais: sílica, asbesto e carvão mineral, por exemplo. As consequências são: silicose (quartzo), asbestose (amianto), penumoconiose dos minérios de carvão (mineral). • Poeiras vegetais: algodão e bagaço de cana-de-açúcar, por exemplo. As consequências são: bissinose (algodão), bagaçose (cana-de-açúcar) etc. • Poeiras alcalinas: calcário, por exemplo. As consequências incluem: doenças pulmonares obstrutivas crônicas, enfisema pulmonar. • Poeiras incômodas: incluem consequências como interação com outros agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho, potencializando sua nocividade. Fumos: Trata-se de partículas sólidas produzidas a partir da condensação de vapores metálicos. Por exemplo: fumos de óxido de zinco nas operações de sondagem de ferro. As consequências são: doença pulmonar obstrutiva, intoxicação específica de acordo com o metal. Névoas: as névoas são partículas líquidas que resultam da condensação de vapores ou da dispersão mecânica de líquidos. São exemplos: névoa resultante do processo de pintura a revólver, monóxido de carbono liberado pelos escapamentos dos carros. Gases: diz respeito ao estado natural das substâncias em condições normais de temperatura e pressão. Exemplos: GLP, hidrogênio, ácido nítrico, butano, ozona etc. Vapores: os vapores consistem em dispersões de moléculas no ar que podem se condensar para formar líquidos ou sólidos em condições normais de temperatura e pressão. Por exemplo: gasolina, naftalina etc. Névoas, gases e vapores podem ser classificados em:
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    30     •Irritantes: causam irritação das vias aéreas superiores. Exemplo: ácido clorídrico, ácido sulfúrico, soda caustica, cloro, etc. • Asfixiantes: produzem dor de cabeça, náuseas, sonolência, convulsões, coma e morte. Por exemplo: hidrogênio, nitrogênio, hélio, metano, acetileno, dióxido de carbono, monóxido de carbono etc. • Anestésicos: em sua maioria, incluem solventes orgânicos, promovendo ação depressiva sobre o sistema nervoso, danos a diversos órgãos, ao sistema formador de sangue (benzeno) etc. São exemplos: butano, propano, aldeídos, cetonas, cloreto de carbono, tricloroetileno, benzeno, tolueno, álcoois, percloritileno, xileno, etc. As vias de penetração dos agentes químicos são: via cutânea (pele); via digestiva (boca) e via respiratória (nariz). A penetração dos agentes químicos no organismo depende de seu modo de utilização. Para avaliar o potencial tóxico das substâncias químicas, alguns fatores devem ser levados em consideração: • Concentração: quanto maior for a concentração, mais rapidamente seus efeitos nocivos irão se manifestar no organismo. • Índice respiratório: a quantidade de ar inalado pelo trabalhador durante a jornada de trabalho. • Sensibilidade individual: o nível de resistência varia de indivíduo para indivíduo. • Toxicidade: o potencial de ação tóxica da substância no organismo. • Tempo de exposição: o tempo de exposição do organismo à substância contaminante. 2.1 DOENÇAS RELACIONADAS À EXPOSIÇÃO AO RISCO QUÍMICO 2.1.1 DOENÇA RESPIRATÓRIA Há diversas formas de classificação das doenças ocupacionais pulmonares, baseadas na reação tecidual, nos tipos de agentes envolvidos ou no quadro clínico predominante. A tabela 2.1 mostra uma classificação destas doenças. (8)
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    31     DoençasAgudas 1 Trato respiratório alto • Irritação/inflamação de cavidades nasais e seios da face, faringe e laringe, por inalação de gases ou particulados irritantes e/ou tóxicos. • Rinite alérgica 2 Trato respiratório baixo • Asma ocupacional (incluindo bissinose e síndrome de disfunção reativa das vias aéreas) 3 Doenças do parênquima pulmonar • Pneumonites por hipersensibilidade • Pneumonites tóxicas 4 Doenças pleurais • Derrame pleural Doenças Crônicas 1 Trato respiratório alto • Úlcera de septo nasal 2 Trato respiratório baixo • Bronquite crônica ao fluxo aéreo • Enfisema pulmonar • Limitação crônica ao fluxo aéreo 3 Doenças do parênquima pulmonar • Silicose • Asbestose • Pneumoconiose dos trabalhadores do carvão • Outras pneumoconioses (incluindo reações granulomatosas) 4 Doenças pleurais • Fibrose pleural (em placas ou difusa) 5 Carcinomas do trato respiratório • Adenocarcinomas dos seios da face • Carcinoma broncogênico • Mesotelioma Doenças do trato respiratório alto Podem ser classificadas conforme sua localização e etiologia em: Tabela 2.1 - Classificação Clínica das Doenças Pulmonares Fonte: Mendes, René - 2007
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    32     1.Ulcerações e perfurações de septo nasal por ação direta devidas a metais pesados como cromo hexavalente e níquel, antimônio, arsênico e cobre (Newman, 1996) (8). 2. Rinites irritativas e/ou alérgicas secundárias à inalação crônica de substâncias de alto e baixo peso molecular com potencial alergênico, como material proteico animal, enzimas, isocianatos, anidridos ácidos e outros. Nesse tipo de situação pode ocorrer lesão de conjuntiva ocular e de outras mucosas de via aérea como orofaringe, e traqueia e eventuais sinusites secundárias ao processo obstrutivo alto. (8) 3. Rinolitíase formação de concreções na cavidade nasal secundárias à presença de substâncias higroscópicas como o cimento (calcário calcinado, desidratado), podendo produzir desde apenas incômodo local até sangramentos (Parker, 1994) (8). 4. Carcinoma da cavidade nasal e laringe secundários à exposição a metais pesados como o cromo hexavalente e níquel e poeiras diversas contendo hidrocarbonetos aromáticos absorvidos nas mesmas, ou poeiras de madeiras (Doll, Morgan & Speizer, 1970; Spiegel & Sataloff, 1996; Vieren & Imbus, 1989). (8) Asma ocupacional A definição mais citada é “a obstrução reversível ao fluxo aéreo e/ou hiperresponsividade brônquica devido a causas e condições atribuíveis a um determinado ambiente de trabalho e não a estímulos externos” (Bernstein e cols., 1999). Esta definição é problemática, pois, com frequência, nota-se o desencadeamento de crises por estímulos inespecíficos tais como exercício físicos, infecções e outros (Burge & Moscato, 1999). (8) Trabalhadores com asma preexistente podem ter o quadro agravado por estímulos inespecíficos no ambiente de trabalho, assim como desenvolver sensibilização a agentes específicos. Esta primeira condição pode não ser considerada como AO, e sim como asma agravada pelas condições de trabalho (Chan-Yeung & Malo, 1995), mas, do ponto de vista prático deve ser investigada, orientada e encaminhada da mesma forma que a AO. (8) Os mesmos mecanismos que levam um agente ocupacional a causar asma são semelhantes aos mecanismos da asma brônquica (Gandevia, 1970) e, pode ser assim sumarizados por ordem de importância: (8).
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    33     1.Broncocosntrição imunológica: é o tipo de reação mais comum em AO. A maior parte das respostas orgânicas é media por IgE específica, porém há casos em que também anticorpos da classe IgG estão envolvidos. (8) 2. Broncoconstrição inflamatória: exposições a gases ou particulados irritantes, em altas concentrações, podem levar à inflamação das vias aéreas, atingindo ocasionalmente, a zona de trocas gasosas. (8) 3. Broncoconstrição reflexa: causada pela ação direta de particulados, gases e mesmo ar frio sobre os receptores da parede brônquica, levando a uma quebra do equilíbrio adrenérgico. (8) 4. Broncoconstrição farmacológica: alguns agentes ocupacionais têm o potencial de atuar como agonistas farmacológicos, apresentando uma ação semelhante a drogas, com relações dose-efeito. (8) Pneumonite por hipersensibilidade (PH) Manifestação clínica característica de um grupo de doenças pulmonares, resultantes da sensibilização por exposições recorrentes a inalações de partículas antigênicas derivadas de material orgânico e de algumas poucas substâncias químicas sintéticas. Na tabela 2.2 apresenta-se uma listagem de algumas denominações específicas da PH conforme o antígeno ou o ambiente de trabalho causador da mesma, o tipo de aerossol veiculador do antígeno e o antígeno específico. (8) Doença / Exposição Aerossol Antígeno Pulmão do fazendeiro (ou agricultor) Feno/palha/grãos mofados Actinomycetes termophilico Pulmão dos criadores de aves Excremento e penas de aves Proteínas de aves Bagaçose Cana mofada Thermoactinomyces viridis T. sacharii Pulmão dos trabalhadores de malte, cogumelos, cortiça e boldo. Cascas e córtex mofados Thermoactinomyces vulgaris. Aspergillus clavatus. Penicillium frequentans. Cryptostoma corticale Sequoiose Poeira mofada Pullulania sp Trabalhadores em serrarias, carpintarias e marcenarias Madeiras e poeira de madeira mofadas Alternania sp Pulmão dos manipuladores de animais e peixe Epitélio animal, proteínas de peixe Proteína animal e de peixes. Fungos saprófitos Exposição a isocianatos MDI/TDI Hapteno inorgânico Tabela 2.2 - Pneumotinte por Hipersensibilidade Fonte: Mendes, René – 2007
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    34     Pneumonitetóxica ou edema pulmonar Resultantes a exposição de altas concentrações de gases irritantes, como amônia, cloro e dióxido de nitrogênio, a poeiras e fumos metálicos de berílio, cádmio, mercúrio, níquel, vanádio e zinco, a produtos químicos de pH extremo ou fortemente reagentes, como o metilisocianato. Sua patogenia envolve diretamente a citotoxicidade das células mucosas, com liberação de proteínas séricas e mediadores da reação inflamatória. (8) Derrame pleural benigno Acometimento de diagnóstico retrospectivo, pois é necessário que o paciente seja acompanhado durante algum tempo para afastar outras possibilidades diagnósticas, como a tuberculose e o câncer de pulmão. Outros acometimentos pleurais como espessamento pleural em placas e espessamento pleural difuso, são mais prevalentes, associadas a exposição ao asbesto. (8) Bronquite crônica (BC) Limitação crônica ao fluxo aéreo (LCFA) são duas entidades distinta, podendo ou não estar relacionadas. A principal causa de ambas é, sem dúvida, o tabagismo, que agride tanto grandes vias aéreas, preferencialmente acometidas na BC, como nas pequenas vias aéreas, preferencialmente acometidas na LCFA. (8) Há um consenso de que a exposição a poeiras na mineração de carvão leva a um aumento na prevalência de BC, assim como as poeiras orgânicas, exemplo a poeira de algodão, também leva a um aumento de prevalência de BC e LCFA. Assim, podemos dizer que o tabagismo, as exposições ocupacionais e a poluição ambiental têm em ordem decrescente de grandeza, direta influência em relação às doenças de vias aéreas. (8) Enfisema Estado de irritação respiratória crônica, de lenta evolução, quase sempre causada pelo fumo, mas também por outros agentes (poeira, poluentes, vapores químicos). No
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    35     enfisema,os alvéolos transformam-se em grandes sacos cheios de ar que dificultam o contato do ar com o sangue, uma vez que foram destruídos os septos alveolares por onde passavam os vasos. (22) Pneumoconioses São divididas em não-fribogênicas (ou “benignas”) e fibrogênicas de acordo com o potencial da poeira em produzir fibrose reacional. Apesar de existirem tipos bastante polares de pneumoconioses fibrogênicas e não fibrogênicas, como a silicose e a asbestose, de um lado, e a baritose, de outro, existe a possibilidade fisiopatogênica de poeiras tidas como não fibrogênicas produzirem algum grau de fibrose dependendo da dose, das condições de exposição e da origem geológica do material. (4) O Quadro 1, abaixo, apresenta uma lista de pneumoconioses com denominações mais específicas, seus agentes etiológicos e sua apresentação anatomopatológica. Ressalte-se que a lista não é exaustiva, não excluindo outras possibilidades etiológicas mais raras, ou ainda não contempladas pela literatura científica. (4) Pneumoconiose Agente(s) Etiológico(s) Processo Anatomopatológico Silicose Sílica livre Fibrose nodular Asbestose Todas as fibras de asbesto ou amianto Fibrose difusa Pneumoconiose do trabalhador do carvão (PTC) Poeiras contendo carvão mineral ou vegetal Decomposição macular sem fibrose ou com diferenciados graus de fibrose Silicatose Silicatos variados Fibrose difusa ou mista Talcose Talco mineral (silicato) Fibrose nodular e/ou difusa Pneumoconiose por poeira mista Poeiras variadas contendo menos que 7,5% de sília livre Fibrose nodular estrelada e/ou fibrose difusa Siderose Óxidos de ferro Deposição macular de óxido de ferro associado ou não com fibrose nodular e/ou difusa Estanose Óxidos de estanho Deposição macular sem fibrose Baritose Sulfato de bário (barita) Deposição macular sem fibrose Antimoniose Óxidos de antimônio ou Sb metálico Deposição macular sem fibrose Pneumoconiose por rocha fosfática Poeira de rocha fosfática Deposição macular sem fibrose Pnemoconiose por abrasivos Carbeto de silício (SiC) / Óxido de alumínio (Al2O3) Fibrose nodular e/ou difusa
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    36     BerillioseBerílio Granulomatose tipo sarcóide. Fibrose durante evolução crônica Pneumopatia por metais duros Poeiras de metais duros (ligas de W, Ti, Ta contendo Co) Pneumonia intersticial de células gigantes. Fibrose durante evolução Pneumonites por hipersensibilidade (alveolite alérgica extrínseca) Poeiras orgânicas contendo fungos, proteínas de penas, pelos e fezes de animais Pneumonia intersticial por hipersensibilidade (infiltração linfocitária, eosinofilica e neutrofilica na fase aguda e neutrofilica na fase aguda e fibrose difusa na fase crônica)     Silicose Doença respiratória causada pela inalação de poeira de sílica que produz inflamação, seguida de cicatrização do tecido pulmonar. A silicose decorre da exposição à sílica livre (quartzo), especialmente na mineração subterrânea de ouro, nas indústrias extrativas de minerais, no beneficiamento de minerais (corte de pedras, britagem, moagem, lapidação), nas indústrias de transformação (cerâmicas, marmorarias, abrasivos, fundições), na fabricação do vidro e de sabões, na construção civil e, em algumas atividades como protéticos, jateadores de areia, trabalhos com rebolos ou esmeril de pedra, escavação de túneis, cavadores de poços e artistas plásticos. É uma das mais antigas doenças provocadas pelo trabalho, sendo que atualmente, no Brasil, é a principal doença pulmonar de origem ocupacional. (22) Asbestose Doença pulmonar causada por depósitos de asbesto ou amianto, que é um silicato que ocorre na natureza sob a forma de fibras que podem ser fiadas e tecidas. A sua grande resistência à abrasão e ao calor, a alta resistência à tração e a grande flexibilidade das fibras, dão aos asbestos propriedades ainda não conseguidas por fibras artificiais. Assim, mais de mil usos industriais para o amianto têm sido descritos: misturado ao cimento, dá origem às placas e telhas de cimento-amianto, muito utilizadas para coberturas de edificações, e a tubulações de vários diâmetros e de baixo preço; é utilizado nas lonas de freio de automóveis, na fabricação de equipamentos individuais de proteção (luvas, aventais, capuzes, etc.) resistentes ao calor e ao fogo, na isolação térmica de caldeiras, tubulações de vapor e na isolação elétrica Tabela 2.3 - Pneumoconioses, poeiras causadoras e processos anatomopatológicos subjacentes Fonte: Mendes, René - 2007
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    37     etérmica de equipamentos elétricos. Sob forma de pó, atinge os pulmões de indivíduos que estão expostos, tais como: mecânicos, operários de indústria de cimento-amianto etc. (22) Pneumoconiose dos trabalhadores de carvão (PTC) Na pneumoconiose dos trabalhadores de carvão a deposição de poeiras desencadeia um processo inflamatório orquestrado inicialmente pelos macrófagos alveolares, de menor intensidade do que a gerada pelas partículas de sílica, mas suficiente para promover lesão do epitélio alveolar. Em decorrência, ocorre a passagem de partículas para o interstício e tem início a formação de acúmulos de carvão e de macrófagos com partículas fagocitadas, ao redor dos bronquíolos respiratórios, com presença de fibras de reticulina e deposição de pequena quantidade de colágeno. Estas lesões, conhecidas como mácula de carvão, medem cerca de 1 a 6mm. São intralobulares, pouco ou não visíveis à radiografia e geralmente acompanhadas de enfisema focal adjacente às áreas das máculas . Com a progressão da doença, decorrente da continuada inalação ou mesmo após o afastamento da exposição, pode ocorrer a formação de nódulos maiores, de cerca de 7 a 20mm, com presença de macrófagos com pigmento no seu interior, presença de reticulina e aumento da quantidade de colágeno. Com a exposição crônica, os nódulos podem coalescer dando origem à forma de fibrose maciça progressiva (FMP). A FMP costuma ser bilateral, predomina nos lobos superiores, lobo médio e segmentos superiores dos lobos inferiores. Geralmente são assimétricas, apresentando às vezes características de lesão maligna, podendo cavitar, com o paciente expectorando material enegrecido, conhecido como melanoptise. As lesões distinguem-se da FMP pela sílica por apresentar, na análise histopatológica, maior relação reticulina/colágeno, grande quantidade de poeira de carvão, feixes densos de reticulina e colágeno e ausência de nódulos silicóticos. A FMP cursa mais frequentemente com dispneia, distúrbio ventilatório misto, hipertensão pulmonar e cor pulmonale. (4) O câncer de pulmão representa o principal câncer diagnosticado no mundo. Vários fatores, como raça, idade, sexo, localização geográfica e condição socioeconômica, influenciam as taxas nos diversos grupos. Os principais agentes etiológicos são o tabagismo, exposições ocupacionais, infecções virais e a presença de outras doenças pulmonares, especialmente as que causam fibrose pulmonar.
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    38     Natabela 2.4 traz a lista das principais substâncias consideradas carcinogênicas para o trato respiratório, pela Agência Internacional para a Pesquisa sobre o Câncer – IARC, da Organização Mundial da Saúde (IARC, 2000). A lista completa pode ser analisada no link: http://monographs.iarc.fr/ENG/Classification/ Exposição Órgão Afetado Uso do Produto Carcinogênicos Reconhecidos: Grupo 1 Agente individuais Arsênico Pulmão Vidros, metais, pesticidas Asbesto Pulmão, pleura Mineração de asbesto, cimento- amianto, materiais de fricção e vedação, têxteis Berílio e seus compostos Pulmão Indústria aeroespacial e de metais, rebolos especiais Éter bis-clorometílico Pulmão Produtos intermediários/subprodutos Cádmio e compostos Pulmão Tintas e pigmentos Cromo hexavalente e compostos Cavidade nasal, pulmão Galvanoplastias, tintas e pigmentos Gás mostarda Faringe, pulmão Gases bélicos Talco contendo fibras asbestiformes Pulmão Papel, tintas, massa plástica Cloreto de vinila Pulmão Plásticos, monômeros Sílica cristalina Pulmão Mineração, cerâmica, pedreiras, fundições Poeira de madeira Cavidade nasal Indústria da madeira Níquel e compostos Cavidade nasal, pulmão Metalurgia, ligas, catalisador Radônio Pulmão Mineração de urânio, nióbio e fluoretos Misturas Alcatrão Pulmão Combustíveis Piche Pulmão Material de construção/eletrodos Fulinges Pulmão Pigmentos Carcinogênicos Prováveis: Grupo 2A Formaldeído Nasofaringe Plásticos, têxteis, laboratório Carcinogênicos Prováveis: Grupo 2B Acrilonitrila Pulmão Plásticos, borracha, têxteis, monômeros
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    39     Aldeídoacético Pulmão Operações de soldagem em superfícies pintadas Fumos de solda Pulmão Solda de aço Fibras cerâmicas Pulmão Plásticos, têxteis, indústria aerospacial 2.1.2 DOENÇAS DA PELE Agentes químicos provocadores de dermatoses ocupacionais, os principais são: 1. Irritantes → cimento, solventes, óleos de corte, detergentes, ácidos e álcalis. 2. Alérgenos → aditivos da borracha, níquel, cromo e cobalto como contaminantes do cimento, resinas, tópicos usados no tratamento de dermatoses. (3) Figura  2.1.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Figura  2.2.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Figura  2.3.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Figura  2.4.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Nas  figuras  2.1,  2.2,  2.3  e  2.4  observamos  respectivamente:  dermatite  de  contato;   micropapuloeritematosas;  dermatite  alérgica  cronificada  e  dermatite  de  contato  irritativa   forte.  Todas  por  algum  tipo  de  contato  por  cimento.   Tabela 2.4 - Exposições Ocupacionais Associadas ao Câncer Respiratório Fonte: Segundo Critérios da IARC (2000)
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    40     Figura 2.5.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Figura  2.6.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Nas  figuras  2.5  e  2.6  dermatite  alérgica  de  contato  por  bota  de  borracha.   Figura  2.9.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Figura  2.10.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Figura  2.7.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Figura  2.8.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Na  figura  2.7  Radiodermite  crônica.   Operador  de  gamagrafia  industrial  tocou   acidentalmente  na  cápsula  de  irídio  192.   Na  figura  2.8  Dermatite  irritativa  de  contato   folicular.  Elaioconiose  em  trabalhador  de   indústria  metalúrgica.   Na  figura  2.9  Miliária  rubra.  Polidor  em   galvanoplastia.  Polidor  de  peças   metálicas  com  rodas  de  tiras  de  couro.   Na  figura  2.10  Dermatite  irritativa  de   contato  acneiforme  causada  pela   exposição  a  fumos  metálicos  de  estanho.  
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    41     2.1.3DOENÇAS DO OLHO Ceratite Inflamação da córnea, aquelas provocadas pela exposição a agentes físicos e químicos no ambiente de trabalho podem ser agrupadas em tóxicas e alérgicas. O arsênico e o berílio podem ser responsáveis por quadros de natureza alérgica. A seiva ou suco de algumas plantas podem ser tóxicos. Entre os agentes listados como capazes de produzir ceratoconjuntivite estão: 1. Arsênico e seus compostos arsenicais; 2. Ácido sulfídrico (sulfeto de hidrogênio) em exposições muito altas. (8) Inflamação coriorretiniana Inflamação da retina e do trato uveal, pode ser classificado como agudo ou crônico. Tem sido descrita em trabalhadores expostos ao manganês. (8) Figura  2.11.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Figura  2.12.  Fonte:  Mendes,  René  -­‐  2007   Na  figura  2.12  Dermatite  alérgica  de   contato  em  marceneiro  que  fazia   polimento  de  madeira  pau-­‐ferro.   Na  figura  2.11  Perfuração  do  septo  nasal  em   trabalhador  no  processo  de  cromação.  
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    42     Neuriteóptica Inflamação, degeneração ou desmielinização do nervo óptico. Entre as substâncias químicas tóxicas potencialmente causadores de neurite óptica estão: • Brometo de metila; • Cloreto de metileno (diclorometano) e outros solventes clorados neurotóxicos; • Metanol; • Sulfeto de carbono; • Tetracloreto de carbono. (8) Queimaduras químicas do olho São causas importantes de acidentes oculares no trabalho, podem ser produzidas por ácidos e bases fortes, ocorrendo frequentemente, quando essas substâncias espirram ou derramam no olho. (8) O epitélio corneano intacto é resistente a alterações do pH, variando entre 4 e 10. Exposto a pH fora desse intervalo, o epitélio é rapidamente destruído, permitindo que a substância atinja níveis profundos dos tecidos subjacentes. (8) Os ácidos fortes tendem a precipitar as proteínas, como foto x. As proteínas precipitadas formam uma barreira tampão, limitando a penetração do ácido no olho. Já as bases fortes saponificam os ácidos graxos, que rompem as membranas celulares e não formam, portanto, nenhuma barreira, permitindo a penetração contínua para todo o segmento anterior do olho, levando à sua destruição. Portanto, as queimaduras químicas por álcalis são mais devastadoras do que as causadas por ácidos. (8) Figura  2.13.     Fonte:  Mendes,  René  –  2007   Na  figura  2.13  Queimadura   química  por  ácido  sulfúrico   resultando  em  córnea  edemaciada   e  leucomatosa,  conjuntiva   avascular  justa-­‐líndrica  na  posição   entre  12  e  2hs  e  vasos  de  grossos   calibres  e  hiperemia  no  restante   da  conjuntiva.  
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    43     2.1.4DOENÇAS DO OUVIDO Há um certo número de medicamentos e produtos químicos que, por si só, podem lesar as estruturas da orelha interna, sejam cocleares ou vestibulares, seja temporária ou permanente. Entre os medicamentos, destacam-se os antibióticos aminoglicosídeos, os salicilatos, alguns diuréticos, alguns oncoterápicos e o quinino. Hoje em dia existe evidência de propriedades ototóxicas de vários produtos químicos industriais, como certos fumos metálicos (chumbo, mercúrio, manganês, cobalto, arsênio), alguns gases asfixiantes (monóxido de carbono, nitrato de butila, tetracloreto de carbono e muitos solventes orgânicos, tolueno, xileno, estireno, n-hexano, tetracloroetileno e dissulfeto de carbono). (8) Vários produtos químicos são reconhecidamente neurotóxicos e podem afetar a audição ou equilíbrio agindo primeiramente no tronco encefálico ou nas vias auditivas/vestibulares centrais. (apud, Thomas-1985) A indicação de que alguns produtos químicos industriais podem alterar a função auditiva através de um processo ototóxico ou neurotóxico, ou da combinação destes dois processos, deve ser considerada, especialmente quando se selecionam testes diagnósticos. (8) 2.1.4 DOENÇAS DO SANGUE As alterações do sangue provocadas por substâncias tóxicas agressoras ao sistema sanguíneo são conhecidas desde o século XIX, quando foi descrito o primeiro caso de anemia aplástica pelo benzeno, em 1897, mas os conhecimentos tiveram impulso após a I Guerra Mundial, quando se verificou a ação de gases tóxicos sobre o sangue (Simpósio “Leucopenia”, 1987; Rugo & Damon, 1990). (8) O sistema sanguíneo, pela ação das substâncias tóxicas de origem ocupacional, pode apresentar alterações desde leves até graves e mesmo letais. Alguns tóxicos tem ação prevalente sobre a medula óssea e menor sobre o sangue periférico, enquanto outros apresentam ação inversa e outros, ainda, agem sobre o sangue e medula óssea concomitantemente. (8) As hemopatias profissionais podem ser consideradas segundo a sua patogenia relacionada com o agente tóxico ou ocupação. Ver tabela 2.5.
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    44     HemopatiasProfissionais Segundo Mecanismos e Tipos de Alterações e Possíveis Agentes Etiológicos de Origem Ocupacional Alterações Tipos de Alterações Mecanismos Possíveis Agentes Etiológicos ou Ocupações* Alterações do glóbulo vermelho Por diminuição Hemólise numérica Arsina, chumbo, trinitrotolueno, substâncias oxidantes, oxigênio, mercúrio, cobre, nitro e amino- derivados do benzeno Hipoprodução Chumbo, arsênio, benzeno, óxido nitroso Por alteração no metabolismo do heme Porfiria Hexaclorobenzeno; 2,4-D; 2,4,5-T; 2,3,7,8- tetraclorodibenzo-p-dioxina; o-benzil-p-clorofenol; 2- benzil-4-6-diclorofenol; cloreto de vinila; chumbo; alumínio Por alteração no transporte Meta- hemoglobinemia do oxigênio Anilina, nitroanilina, toluenodiamina, fenilenodiaminatoluidina, p-cloroanilina, naftaleno, pradiclorobenzeno, gases nitrosos, nitratos nitritos, nitrobenzeno, trinitrotolueno, quinona, paraquat Sulfo- hemoglobinemia Agentes oxidantes iguais aos da meta-hemoglocinemia Carboxi- hemoglobinemia Monóxido de carbono Alteração do glóbulo branco Por diminuição dos granulócitos (neutropenia) Fase inicial da toxicidade ao sistema hematopoético Benzeno, radiação ionizante, inseticidas organoclorados Alteração da plaqueta Por diminuição numérica Imune, hipoplasia megacariocítyica, insuficiência hepática com hiperesplenismo Tolueno diisocianato, terebintina, 2,2- diclorovinildimetilfosfato, benzeno, radiações ionizantes, inseticidas organoclorados, piretrina, cloreto de vinila Alterações dos órgãos hematopoéticos Por diminuição numérica das células da medula óssea (aplasia) Lesão de células primitivas ou jovens da medula óssea Benzeno, trinitrotolueno, hexaclorociclhexano, DDT, pentaclorofenol, arsênio, éter monometílico de etilenoglicol, éter monobutílico de etilenoglicol, tetracloreto de carbono Alteração qualitativa das células da medula óssea (displasias, pré- leucemia, leucemias mielóides agudas e crônicas, mielofibrose) Lesão da estrutura molecular de células da medula óssea Benzeno, radiações ionizantes, butadieno, campos eletromagnéticos, gases de exaustão de motores, fluidos de motores, óxido de etileno, inseticidas e herbicidas, solventes orgânicos, produtos de petróleo (inclusive gasolina) e estireno. Motoristas, eletricistas, engenheiros eletrônicos, agricultores, jardineiros, mecânicos, soldadores, trabalhadores das indústrias metalúrgicas, têxtil, do papel e do petróleo e trabalhadores de distribuidoras de petróleo.
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    45     Proliferação linfóide (leucemias linfóidesagudas e crônicas, linfomas, mieloma múltiplo) Lesão da estrutura molecular de células da medula óssea Benzeno, radiações ionizantes, herbicidas derivados do ácido fenoxiacético, asbestos, hidrocarbonetos clorados, poeiras de madeira, produtos químicos utilizados na indústria do couro e da borracha, óxido de etileno, clorofenóis, fertilizantes, inseticidas, tinturas de cabelo, solventes orgânicos, praguicidas, 2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina, estireno, cloreto de vinila, poeiras de madeira, gases de exaustão de motores. Indústria da madeira, agricultores, trabalhadores de refinarias de petróleo e da indústria química, manipuladores de grãos, metalúrgicos, fornecedores de praguicidas, trabalhadores expostos a fungicidas e fumigantes, pintores e motoristas de caminhão *Para alguns agentes e ocupações, a evidência é ainda limitada. 2.1.5 DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO Estado confusional agudo Também chamado de delirium, caracteriza-se por um distúrbio mental orgânico, com alteração da consciência, desatenção e pensamento incoerente. Classicamente, tem um início súbito, de horas a dias, um curso breve e flutuante, observando-se melhora rápida, quando o fator causal é identificado e removido. Entre as principais causas do estado confusional agudo estão doenças do SNC, doenças sistêmicas, abstinência de drogas e intoxicação por substâncias neurotóxicas, que podem estar presentes no ambiente de trabalho. Faz parte deste rol de substâncias os metais (chumbo, mercúrio, arsênio, manganês e tálio), os solventes (tolueno, dissulfeto de carbono, estireno, xileno, tricloroetileno brometo de metila, cloreto de metila, metanol e tetracloreto de carbono), os pesticidas (organofosforados, carvamatos, organoclorados e paraquat) e os gases (monóxido de carbono e óxido de etileno). (8) Encefalopatia tóxica crônica Também denominada “síndrome psico-orgânica”, “síndrome neurastênica” ou “síndrome do pintor”, caracteriza-se por um quadro neuropsiquiátrico com alterações de personalidade, perda de memória, fadiga, depressão, e perda de interesse pelas atividades diárias. Considerando-se que a maioria dos quadros de demência seja irreversível, tornam-se Tabela 2.5 - Hemopatias Profissionais Segundo Mecanismos e Tipos de Alterações e Possíveis Agentes Etiológicos de Origem Ocupacional Fonte: Mendes, René 2007
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    46     imprescindíveisa identificação e o tratamento daqueles possivelmente reversíveis (Sandoval- Orellana & Sallato, 1995). (8) Desde a década de 1970, inúmeros estudos têm demonstrado os efeitos neurocomportamentais da exposição a solventes orgânicos. Contudo, com métodos de avaliação e análise epidemiológica mais sofisticados, verificou-se que a correlação entre a exposição no local de trabalho e os distúrbios neurocomportamentais não é tão óbvia (apud Axelson, 2000). Como os solventes utilizados são geralmente misturas, é difícil identificar a substância química específica e estabelecer a relação dose-resposta. Também é difícil estabelecer a intensidade e a duração da exposição, dada à variabilidade das condições de trabalho. (8) Epilepsia A epilepsia designa uma ampla variedade de distúrbios neurológicos caracterizados por crise epiléticas recorrentes. Entre as causas de epilepsia no adulto estão: tumores, trauma cranioencefálico, acidente vascular cerebral, porém, a maioria dos distúrbios epiléticos permanece sem etiologia definida. (8) Na avaliação do trabalhador que desenvolve epilepsia deve ser considerado, o que é pouco frequente, que fatores presentes no trabalho sejam a causa da epilepsia. Como existem muitas etiologias associadas ao início de epilepsia, a história neurológica e exames de imagem devem ser solicitados para afastar anormalidades intracranianas. Mesmo assim, pode ser difícil distinguir convulsões relacionadas à exposição ocupacional de outras causas não relacionadas ao trabalho.(8) Quadros agudos de intoxicação por substâncias químicas de origem ocupacional podem produzir convulsões. Algumas dessas substâncias são (metais como alumínio, chumbo, mercúrio, solventes, benzeno, metanol, etc., e os gases como monóxido de carbono, sulfeto de hidrogênio, cloreto de metila, etc.). Nestes casos, algumas dessas substâncias podem ser detectadas no sangue ou na urina. A exposição ao agente tóxico, com manifestações agudas, produz, frequentemente, sinais e sintomas sistêmicos, facilitando o nexo causal. (8)
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    47     Cefaleia Acefaleia primária abrange a maioria dos quadros observados em trabalhadores. Nos casos em que cefaleia está relacionada à exposição a certas substâncias neurotóxicas, como no caso da exposição a nitratos, a descrição cuidadosa das condições de aparecimento do sintoma pode auxiliar o estabelecimento do nexo. Devem ser exploradas as informações relativas ao momento de início da cefaleia, se após chegar ao local de trabalho, ou ao seu término, a ausência de cefaleia quando não está trabalhando e presença de níveis elevados de substâncias químicas no local de trabalho, ou ainda a presença da cefaleia nos períodos de suspensão do trabalho, como nas folgas ou nas férias. (8) Parkinsonismo secundários É uma síndrome clínica caracterizada pela combinação de tremor em repouso, rigidez, bradicinesia e instabilidade postural, que se apresentam em vários graus de gravidade. (8) No Brasil, é clássica a descrição de parkinsonismo secundário à exposição ao manganês em trabalhadores de uma fundição de ferro-manganês feita por Antonio de Almeida, Jorge da Rocha Gomes e Pedro Augusto Zaia (Almeida e cols., 1970), seguida pelos estudos realizados em Minas Gerais, por Chrysóstomo Rocha de Oliveira, Elizabeth Costa Dias e Eduardo Henrique Lauar (Oliveira e cols., 1974). (8) As principais substâncias neurotóxicas presentes em situações de trabalho capazes de causar a Doença de Parkinson secundária são classificadas de acordo com o grau de associação já estabelecida, possível ou potencial, e estão mostradas na tabela 2.5. (8) O parkinsonismo secundário decorrente da exposição a substâncias neurotóxicas pode assemelhar-se, clinicamente, à forma clássica da doença de Parkinson idiopática, além das doenças neuro e heredodegenerativas chamadas de parkinsonismo plus, e além das outras causas de parkinsonismo secundário, dificultando o diagnóstico diferencial. (8)
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    48     PrincipaisSubstâncias Neurotóxicas Presentes em Situações de Trabalho Capazes de Causar a Doença de Parkinson Secundária Associação Definida Associação Possível Associação Potencial Dissulfeto de carbono Monóxido de carbono Cianeto Manganês Tetracloreto de carbono Metanol MPTP Ataxia cerebelar Síndrome clínica caracterizada pela incapacidade de coordenar os movimentos voluntários, devido à lesão cerebelar. Pode manifestar-se quando o paciente está de pé, quando se põe a andar, ou, ainda, quando quer executar um movimento. As ataxias podem se classificadas em agudas e crônicas e em hereditárias e adquiridas. As ataxias de evolução crônica e progressiva tem usualmente natureza hereditária. A ataxia aguda é geralmente de etiologia infecciosa, pós infecciosa ou tóxica. (8) A intoxicação crônica por mercúrio pode causar uma ataxia cerebelar, coreia e incefalopatia grave caracterizada por déficit cognitivo e alterações psicológicas. Também pode estar associada a polineuropatia periférica do tipo axonal (sensitiva e motora). O tremor é postural, cinético, de alta frequência, baixa amplitude, piora com as atividades e se assemelha ao do hipertireoidismo. Há também perda de sensibilidade vibratória e posicional nos membros inferiores. A exposição prolongada ao agente tóxico pode levar à ataxia permanente, decorrente da neuropatia periférica e/ou encefalopatia com comprometimento cerebelar, dependendo da idade do paciente, grau de exposição e a forma atômica do mercúrio. (8) Transtornos do nervo olfatório caracterizam-se por queixas de alterações quantitativas, manifestadas por redução, ausência ou, ainda, perversão do olfato, também denominada de parosmia, que decorre de alterações corticais. A anosmia, ou perda da acuidade olfatória, é um achado relativamente comum que resulta da desmielinização das fibras do nervo olfatório. (8) Na literatura, são escassas as informações sobre a epidemiologia e os fatores de risco ocupacional referentes aos transtornos olfatórios na população geral. Entretanto, certos grupos de trabalhadores expostos a substâncias irritantes podem apresentar problemas Tabela 2.5 - Principais Substâncias Neurotóxicas Presentes em Situações de Trabalho Capazes de Causar a Doença de Parkinson Secundária Fonte: adaptado de Rosenberg, 1995
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    49     olfatóriosem uma proporção 15 vezes maior do que os não expostos. Entre as substâncias químicas reconhecidas como potencialmente capazes de produzir efeitos tóxicos estão o cádmio; sulfeto de hidrogênio, poeira de cimento; ácido sulfúrico; formaldeído; acrilatos; solventes como tricloroetileno, benzeno, etilacetato, dissulfeto de carbono, tolueno; chumbo; cromo; níquel. (8) Transtornos do nervo trigêmeo Síndrome clinica caracterizada pela perda da sensibilidade cutânea da face, geralmente bilateral, acompanhada de parestesia, com formigamento e queimação, além de prurido leve. A anestesia facial pode ocasionar ferimentos em volta das narinas, decorrente de traumatismos repetidos. O déficit motor do nervo trigêmeo não tem sido observado. Quando ocorre pode ser verificado pela fraqueza dos músculos mastigatórios. (8) Sobre a epidemiologia e os fatores de risco ocupacional, observa-se que a intoxicação ou a exposição crônica aos derivados halogenados dos hidrocarbonetos alifáticos, particularmente o tricloroetileno, é importante causa da neuropatia do trigêmeo. O tricloroetileno e outros derivados halogenados dos hidrocarbonetos alifáticos são utilizados como matéria-prima ou produtos finais em indústrias químicas; como solventes, na limpeza de peças e componentes; na indústria eletro eletrônica; como solventes em vernizes, tintas, adesivos, na indústria da construção; ou como desengraxantes em limpeza a seco de roupas e similares. (8) Polineuropatia Geralmente se apresenta de forma simétrica, afetando inicialmente os pés e posteriormente as mãos. Estas neuropatias podem comprometer fibras nervosas sensitivas, motoras ou autonômicas, isoladas ou em associação. (8) As manifestações mais comuns são fraqueza muscular, hiporreflexia, cãibras, mialgia, distúrbios sensitivos, como parestesias, disestesias, anestesias; distúrbios motores, com alteração da marcha; distúrbios tróficos, manifestados por queda de pelos e atrofia de pele, e distúrbios neurovegetativos, como, por exemplo, bexiga neurogênica, diarreia e impotência sexual. (8)
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    50     Sobrea epidemiologia e os fatores de risco ocupacional relacionados à ocorrência de polineuropatias, as substâncias neurotóxicas mais frequentemente associadas à produção desses quadros são os metais chumbo, mercúrio, arsênio, estanho, tálio, cromo, manganês, ouro, zinco e antimônio; os solventes n-Hexano, metil-butil-cetona, tetracloreto de carbono, matanol, benzeno, dissulfeto de carbono e tricloroetileno; os pesticidas organofostorados, carbamatos, organoclorados; os gases monóxido de carbono, óxido de etileno. (8) 2.1.6 DOENÇAS DO SISTEMA REPRODUTIVO Reprodução é um processo complexo e vulnerável. A reprodução normal exige uma grande interação entre os processos anatômico e fisiológico. Os mecanismos hormonais envolvidos na reprodução exigem interações precisas entre o hipotálamo, a pituitária, e o ovário ou testículo. (8) Exposições ocupacionais não são a causa da maioria dos distúrbios reprodutivos, mas a exposição ocupacional pode causar sérios problemas reprodutivos, que são inteiramente evitáveis. A exposição a determinado agente no local de trabalho pode manifestar seus efeitos reprodutivos tanto em homens como em mulheres. Exposições tóxicas podem reduzir a fertilidade prejudicando os espermatozoides ou os óvulos. Podem ocorrer abortos se um embrião é afetado ou se complexas interações hormonais são bloqueadas. A exposição tóxica durante a gravidez pode causar malformação ou morte do feto. Atribuem-se a algumas exposições, problemas neuropsiquiátricos ou cânceres descobertos mais tarde na infância. Outras exposições podem levar a problemas de saúde que não são detectados antes da idade adulta. (8) Efeitos adversos causados pela exposição a toxicantes reprodutivos podem se manifestar em várias etapas do complexo processo da função reprodutiva, iniciando com a gametogênese e continuando na interação de gametas (fertilização), desenvolvimento e crescimento embrionário e fetal, nascimento e maturação sexual da prole. (8) Efeitos da exposição tóxica na gametogênese A produção de óvulos e espermatozoides e o processo de ovulação dependem todos da estimulação hormonal. Uma maneira pela qual agentes ocupacionais e ambientais
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    51     podemser prejudiciais à reprodução é através do bloqueio das vias hormonais no nível do hipotálamo, pituitária ou gônadas. A exposição ambiental a praguicidas que agem como estrogênios ou antiestrogênios demonstrou exercer efeitos tóxicos na reprodução em animais, através desse mecanismo.8 Exposições a substâncias perigosas podem também exercer um efeito direto nos gametas e suas células precursoras. A exposição ao dibromocloropropano (DBCP) causa lesão das células germinativas em homens. Exposição a éteres de glicóis entre pintores de estaleiros foi associada à redução da contagem de espermatozoides. Efeitos gametotóxicos entre mulheres são difíceis de medir porque a obtenção de uma amostra folicular envolve um procedimento invasivo, uma biopsia ovariana. (8) Como a gametogênese começa durante a vida fetal, exposições ocupacionais e ambientais durante a gravidez poderiam teoricamente causar efeitos transgeracionais. Danos às células germinativas primárias de um feto podem ser manifestados mais tarde, quando esse feto torna-se um adulto e sua reprodução se mostra alterada. Um efeito tóxico pode ser manifestado pela redução da fertilidade quando o filho da mulher trabalhadora tenta ter filhos. O mecanismo desse efeito traduz-se em danos às células germinativas que se desenvolvem no feto da trabalhadora. (8) Teoricamente, o filho ou neto de um trabalhador pode ser afetado por alteração subletal do material genético na célula germinativa primordial. Uma preocupação é que as alterações no DNA dos gametas podem causar câncer nos filhos de pais expostos. (8) Em mulheres adultas, leva-se cerca de duas semanas para que oócitos primários se desenvolvam em óvulos maduros. Em homens, leva-se cerca de dois meses para que células germinativas primárias se desenvolvam em espermatozoides. Exposições tóxicas durante esses períodos de diferenciação das células germinativas podem resultar em morte dos gametas em maturação. Esse quadro seria manifestado clinicamente como uma incapacidade temporária de conceber uma criança. Se as células germinativas imaturas (células tronco) forem afetadas, o período de infertilidade será maior. (8) Se a gravidez é alcançada, apesar de um curto período de exposição tóxica durante a maturação dos gametas, não se estabelecem claramente as relações de causa com os defeitos congênitos. Suspeita-se que os gametas e embriões que não tenham iniciado o organogênese sejam relativamente resistentes à ação teratogênica, caso sobrevivam à exposição tóxica. (8)
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    52     Reduçãoda fertilidade Os estudos epidemiológicos dirigidos à saúde reprodutiva do homem estão, via de regra, centrados em parâmetros do esperma, tais como morfologia, motilidade, viabilidade e concentração. Estes parâmetros, combinados com parâmetros de exposição ocupacional, foram a base dos estudos epidemiológicos que enfocam a relação entre a ocupação e o potencial de dano reprodutivo do homem. (8) Embora a infertilidade seja o efeito sobre a reprodução frequentemente investigado, também outros efeitos adversos, mediados pelo pai, tem sido estudados, tais como a perda fetal, os defeitos congênitos e o câncer na infância. (8) O mais notável exemplo é o dibromocloropropano (DBCP), um fumigante de solo que foi utilizado por mais de 20 anos em aplicações agrícolas. Um pequeno grupo de homens empregados na produção de DBCP relatou problemas de esterilidade, sendo constatadas a azospermia ou oligospermia. Levantamentos adicionais, realizados junto a outros trabalhadores expostos ao DBCP, revelaram haver contagens diminuídas de espermatozóides, sendo estas geralmente relacionadas à exposição ao DBCP (Whorton, Krauss & Marshall, 1977; Milby & Whorton, 1980). A exposição ocupacional na produção de um pesticida semelhante, o dibrometo de etileno, também tem sido associada à diminuição da fertilidade e decréscimo nas contagens de espermatozóides (Dobbins, 1987). Assim como foram verificados decréscimos nas contagens de espermatozóides em trabalhadores de fundições, e pintores expostos a 2-etoxietanol, também conhecido como cellosolve (Welch e cols., 1988; Ratchleffe e cols., 1989). (8) Alterações menstruais Existem diversos exemplos de estudos que sugerem alterações menstruais associadas à exposição ocupacional a vários solventes. Assim, tem sido demonstrado que a exposição ocupacional ao benzeno, tolueno e xileno está associada a anormalidades menstruais, principalmente ao aumento do sangramento e dos intervalos do ciclo (Michon, 1965ª; Michon, 1965b; Syrovadko, Skromin & Pronkova, 1973). Mulheres que trabalharam com percloroetileno em tinturarias de lavagem a seco tiveram uma prevalência aumentada de problemas, como alteração da duração do ciclo, menorragia e dismenorréia, quando
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    53     comparadasa mulheres que trabalham em lavanderias que utilizam água e sabão (Zielhuis, Gijsen & Van Der Gulden, 1989). (8) Outros grupos ocupacionais estudados incluem trabalhadores da indústria do petróleo, onde foi encontrada uma elevada prevalência (50%) de alterações menstruais em mulheres com idade acima de 40 anos, em comparação com controles emparelhados por idade, cuja prevalência foi de apenas 19%. A alteração mais frequente e que apresentou diferença significativa foi a menorragia: 21% contra 8,3% (Panova, 1976). (8) Abortamentos espontâneos Estudos epidemiológicos tem sugerido um risco aumentado para abortamentos espontâneos em grupos específicos de mulheres trabalhadoras da indústria química e de semicondutores (microeletrônica). Um estudo caso-controle em enfermeiras finlandesas mostrou uma associação significativa entre perdas fetais e o trabalho com quimioterápicos durante o primeiro trimestre de gestação (Selevan e cols., 1985). (8) Já há muitos séculos sabe-se que o chumbo tem provocado abortamentos espontâneos em gestantes exposta a altos níveis, tendo chegado, por este motivo, a ser utilizado intencionalmente para este fim (Miller &Bellinger, 1993). (8) Tem sido investigada a relação entre exposições ocupacionais paternas ao DBCP e a gases anestésicos com a incidência de abortamentos espontâneos. As evidências mostram claramente uma relação positiva entre a exposição masculina ao DBCP e a maior incidência de abortamentos espontâneos em suas esposas (Bostofte, Serup & Rebbe, 1984). Possivelmente este fato seja devido a mutações relacionadas à exposição. No entanto, estudos sobre a exposição a anestésicos tem apresentado resultados conflitantes. Apesar de haver um aumento de 25% de malformações congênitas em filhos de anestesistas do sexo masculino, a incidência de abortamentos espontâneos aparentemente não é afetada (Cohen e cols., 1975; Knill-Jones, Newman & Spence, 1975). (8)
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    54     Malformaçõescongênitas Nos estudos sobre a relação entre exposições ocupacionais e a presença de anomalias congênitas predominam aqueles que utilizam a metodologia de estudos epidemiológicos do tipo casos x controles. Embora este desenho seja o mais eficiente para o estudo de eventos relativamente raros, como as malformações congênitas, ele limita os resultados a serem levados em consideração àqueles que foram identificados como “casos” no início do estudo. (8) Evidências para o estabelecimento de nexos entre exposições ocupacionais e malformações tem sido obtidas de estudos sobre a exposição dos pais a solventes. Dois estudos de caso-controle em filhos de pintores e outros trabalhadores expostos a solventes mostraram odds ratios elevados para defeitos do sistema nervoso central (Holmberg & Nurminen, 1980; Olsen, 1983). Outro estudo de caso-controle encontrou uma relação estatisticamente significativa entre a exposição a solventes, principalmente ao tolueno, e anomalias com predominância de defeitos renais, urinários e gastrintestinais em 301 crianças (McDonald e cols., 1987). A exposição ocupacional a solventes também tem sido relatada com mais elevada frequência em mães cujos filhos nasceram com fenda palatina (Holmberg & Nurminen, 1980) e defeitos do septo ventricular (Tikkanen & Heinonen, 1988), quando comparados aos seus respectivos grupos-controle. (8) Os trabalhadores agrícolas representam outro grupo ocupacional para o qual um mais elevado risco de malformações tem sido relatado. A exposição aos praguicidas é que causa mais preocupação nessa população. As malformações mais consistentemente notadas são defeitos do sistema nervoso central, incluindo anencefalia (Polednak & Janerick, 1983), defeitos do tubo neural (White e cols., 1980), fendas faciais (Brogan, Brogan & Dadd, 1980; Gordon & Shy, 1981; White e cols., 1988) e atrofia de membros (Schwartz, Newsum & Heifetz, 1986; Schwartz & Logerfo, 1988). (8)
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    55     UNIDADE3 – DOENÇAS RELACIONADAS AOS RISCOS FÍSICOS Riscos físicos são os resultantes da troca de energia entre o organismo e o ambiente de trabalho, em quantidade que pode causar o desconforto, acidentes ou doenças do trabalho. (1) Observa-se no quadro abaixo os possíveis danos provocados à saúde, decorrente da exposição aos agentes dos riscos físicos. AGENTES POSSÍVEIS DANOS À SAÚDE Ruído Cansaço, irritação, dores de cabeça, diminuição da audição, aumento da pressão arterial, taquicardia, etc. Calor Insolação, prostração térmica, câimbras, catarata. Radiação ionizante Alterações celulares, câncer, problemas nos olhos etc. Condições hiperbáricas Dores nas articulações, ruptura do tímpano, embolia gasosa, etc. Radiação não ionizante Queimaduras, lesões nos olhos, etc. Frio Necrose de pele, vaso constrição, amputação do membro lesado, etc. Umidade Doenças do aparelho circulatório e do respiratório, doenças de pele, etc. Nesta unidade serão apresentados os mais importantes efeitos colaterais da exposição aos agentes dos riscos físicos, tipos de prevenção e controle para preservação da saúde do empregado. 3.1 RUÍDO Como som, compreende-se qualquer perturbação vibratória em um meio elástico, que produz uma sensação auditiva. (5) Os termos som e ruído são frequentemente utilizados indiferenciadamente mas, geralmente, som é utilizado para as sensações prazerosas como música ou fala, enquanto que Tabela 3.1 Exemplos de riscos existentes e os efeitos para a saúde Fonte: Araújo, Wellington - 2010
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    56     ruídoé usado para descrever um som indesejável como buzina, explosão, barulho de trânsito e máquinas. (5) As máquinas e equipamentos utilizados pelas empresas emitem ruídos que podem atingir níveis excessivos, podendo, a curto, médio e longo prazos provocar sérios prejuízos à saúde dos empregados. Conforme o tempo de exposição, do nível sonoro e da sensibilidade individual, as alterações danosas podem manifestar-se imediata ou gradualmente. Quanto maior o nível de ruído, menor deverá ser o tempo de exposição ocupacional. (12) Considerando que a audição humana é sensível para cada frequência de som, entre 20 a 20.000Hz, é importante considerar esse fator que compõe o ruído, e não apenas sua intensidade em uma medição pura e simples. (8) Através da figura que mostra as curvas isofônicas, segundo Robinson e Dadson, observa-se que a mesma curva que passa por 40 dB a 1.000 Hz, passa 90 dB a 20 Hz e um pouco menos de 40 dB a 5.000 Hz. Conclui-se que um ruído de menor intensidade, mas de frequência muito alta, provoca sensação mais intensa em uma frequência baixa. (8) Pelo fato de o ouvido não responder linearmente ao espectro de frequências, o medido de nível de som possui circuitos de filtros de ponderação representados pelas letras A, B e C com o objetivo de reproduzir o comportamento do ouvido humano a níveis de intensidade, respectivamente, de 40, 70 e 100 dB a 1.000 Hz. Na prática, eles atenuam (o Figura 3.1 Curvas de isoaudibilidade, segundo Robinson e Dadson (1961) Fonte: Mendes, Rene - 2007
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    57     filtroA mais que o filtro Be, este, mais que o filtro C), as baixas frequências (inferiores a 1.000 Hz) e as frequências superiores a 8.000-10.000 Hz. (5) As duas ponderações mais relevantes na avaliação de ruído dão a “A” e a “C”. Outras são mencionadas na literatura como a “B” e a “D”. A primeira está em desuso, enquanto a segunda é mais aplicada para avaliação de ruído em aeroportos. As ponderações A e C são elaboradas de acordo com a resposta aproximada da orelha humana e estímulos sonoros, particularmente tons puros. A ponderação A é a mais empregada no campo de avaliação de ruído ocupacional e ambiental, pois é a que mais se aproxima da resposta da orelha humana e se correlaciona com o risco de dano à audição. A curva C é praticamente linear ao longo do campo de frequências de interesse. A seguir é apresentado o gráfico de ponderação referente às duas curvas A e C. (8) 3.1.1 ANATOMIA DA ORELHA Orelha é o nome dado às estruturas que compõe os sistemas auditivo e vestibular periféricos. Localiza-se na região temporal do crânio, estando a maioria de suas porções incrustadas no osso temporal. Divide-se em orelha externa, média e interna (ou labirinto). (21) Figura 3.2 Curvas de ponderação normalizada A e C Fonte: http://dc358.4shared.com/doc/4tk8hSp9/preview.html
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    58     Aorelha externa é constituída pelo pavilhão e meato acústico externo. As vibrações sonoras do ar penetram no meato acústico externo e fazem vibrar a membrana do tímpano. (8) A orelha média é uma cavidade aerada no osso temporal também chamada de caixa do tímpano ou cavidade timpânica situada entre a orelha externa e a interna e revestida por uma mucosa. A membrana timpânica limita a orelha externa da média. Possui 3 ossículos (martelo, bigorna e estribo) suspensos na caixa por ligamentos e 2 músculos (estapediano e tensor do tímpano). Por ela atravessa o nervo corda do tímpano, ramo do nervo facial. Comunica-se com o antro da mastóide pelo ádito do antro, com a rinofaringe pela tuba auditiva e com a orelha interna pelas janelas oval e redonda. (21) A parte anterior da orelha interna é constituída pela cóclea ou caracol, que responde pela audição e a posterior, pelo vestíbulo e canais semicirculares, que respondem pelo equilíbrio. A cóclea apresenta em seu interior espiralado três canais membranosos paralelos: a escala vestibular e a escala timpânica, que contêm perilinfa e se comunicam no ápice coclear através do helicotrema; e a escala média ou ducto coclear, que contém endolinfa. A perilinfa tem uma composição química semelhante à dos líquidos extracelulares, ricos em sódio, enquanto que a endolinfa assemelha-se aos líquidos intracelulares, ricos em potássio. No interior do ducto coclear, desde a base até o ápice, está situado o órgão de Corti, que contém as células ciliadas sensoriais, incumbidas de transformar as vibrações sonoras em Figura 3.3 Corte frontal do órgão periférico (orelhas externa, média e interna) Fonte: http://centrootorrinodf.com.br/anatomia/ouvido.php
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    59     estímuloselétricos, que são transmitidos pelas fibras do nervo estatoacústico para o sistema nervoso central. No extremo lateral do ducto coclear situa-se a estria vascular. (8) 3.1.2 FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO Por via aérea: a orelha externa capta os sons ambientes e os dirige para a membrana timpânica que vibrando junto com a cadeia ossicular transmite e amplifica os sons para a janela oval. A vibração do estribo faz vibrar a perilinfa desencadeando uma onda de vibração na membrana basilar da base para o ápice. Para frequências altas a onda é maior na base da cóclea (cada região ao longo da cóclea corresponde a uma frequência). O órgão de Corti que se encontra apoiado na membrana basilar acompanha seus movimentos e como as suas células ciliadas estão em contato com a membrana tectória os cílios são deslocados. Isso provoca a despolarização das células ciliadas aparecendo o impulso nervoso que é transmitido para o sistema nervoso central. A orelha possui portanto um segmento que transmite e amplifica o som para a o órgão de Corti (aparelho de transmissão ou condução) e um segmento que transforma a vibração em impulso nervoso e o transmite para SNC (aparelho de recepção ou neuro-sensorial). (8) Por via óssea: a vibração do crânio, por exemplo tocando-o com um diapasão, faz vibrar a perilinfa desencadeando o impulso nervoso. Por inércia a cadeia ossicular também vibra existindo um componente condutivo na audição por via óssea mas para facilitar o raciocínio clínico considera-se que a audição por via óssea estimula diretamente o aparelho de recepção. (21) 3.1.3 DOENÇAS RELACIONADAS AO RUÍDO O ruído age diretamente sobre o sistema nervoso, causando fadiga nervosa e alterações mentais (perda de memória, irritabilidade, dificuldade para coordenar ideias, hipertensão, modificação do ritmo cardíaco, modificação do calibre dos vasos sanguíneos, modificação do ritmo respiratório, perturbações gastrintestinais, diminuição da visão noturna e dificuldade na percepção de cores). Além dessas consequências, o ruído atinge também o aparelho auditivo, causando a perda temporária ou definitiva da audição. (12)
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    60     Entende-secomo perda auditiva induzida por ruído – PAIR uma alteração dos limiares auditivos, do tipo neurossensorial, decorrente da exposição sistemática a ruído, que tem como características a irreversibilidade e a progressão com o tempo de exposição. (Resolução SS-317, de 24-5-1994) Normalmente o processo de perda auditiva se inicia na frequência de 4.000 Hz, e aparece na audiometria como uma gota (chamada de gota acústica). Observar que se é exposto a ruído ambiental, a perda se dá biliteralmente de forma equilibrada. (14) O dano auditivo produzido pela exposição a níveis elevados de pressão sonora pode ser classificado em três tipos: o trauma acústico, a perda auditiva temporária e a perda auditiva permanente. (8) Trauma acústico Provocado por uma grande intensidade de ruído repentino, e pode provocar lesões graves na orelha média e/ou interna. Há possibilidade de tratamento com medicações, nos casos de rompimento da membrana timpânica pode ser corrigida com tratamento cirúrgico. Perda auditiva temporária Ocorre logo após a exposição a ruído intenso, por um curto período de tempo, e tende a regredir espontaneamente após minutos, horas ou, às vezes, até dias de repouso auditivo. A figura x mostra audiogramas realizados antes e depois da exposição de um indivíduo com audição normal a um rido de 103 dB(A) durante duas horas contínuas. As audiometrias realizadas 30s, 15min, 5h e 24h após o término da exposição estão registradas no esquema e mostram a melhoria progressiva da perda auditiva instalada após aquela exposição, ao longo das 24 horas subsequentes. (8)
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    61     Perdaauditiva permanente Consequência da exposição repetida ao ruído excessivo, se dá de forma lenta e progressiva. A perda auditiva relaciona-se a um grau de destruição menor ou maior de setores do órgão de Corti. Por conseguinte, ela é sempre do tipo sensorioneural. Como a maior concentração das lesões situa-se na espira basal da cóclea, ela compromete primeiro e predominantemente as frequências altas e, somente em fases mais avançadas, o entalhe audiométrico se alarga, em direção às frequências médias e baixas. Por isso, os traçados audiométricos da PAIR têm sempre um formato característico, de entalhe nas frequências altas, similar bilateralmente, embora sejam comuns as assimetrias nos agudos. Outra importante característica da doença é que, cessada a exposição ao ruído, a perda auditiva deixa de progredir. (8) Além do desconforto e do perigo de surdez profissional, o ruído prejudica a comunicação, dificultando a emissão e compreensão de ordens, o que influi no rendimento do trabalhador como no número de acidentes. Figura 3.4 Níveis de audição de um indivíduo normal exposto a um ruído de 103 dB(A) (perda auditiva temporária) Fonte: Mendes, Rene - 2007
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    62     3.1.4MEDIDAS DE CONTROLE DO RUÍDO Com o intuito de evitar ou diminuir os danos provocados pelo ruído no local de trabalho, costumam-se adotar as seguintes medidas: As medidas de proteção coletiva incluem: enclausuramento da máquina produtora de ruído; isolamento de ruído. Quanto à medida de proteção individual, esta consiste no fornecimento de equipamento de proteção individual (EPI) (no caso, protetor auricular). O EPI deve ser fornecido na impossibilidade de eliminar o ruído ou como medida complementar. As medidas médicas, por sua vez, incluem: exames audiométricos periódicos, afastamento do local de trabalho e revezamento. Há também as medidas educacionais. São elas: orientação para o uso correto do EPI; campanha de conscientização. E, por fim, as medidas administrativas: tornar obrigatório o uso do EPI; controlar o uso. (12) 3.2 CALOR Podemos definir “calor” como sendo um risco físico que se apresenta de forma frequente nas mais diversas atividades profissionais, onde existe liberação de grandes quantidades de energia térmica, podendo estar presente tanto em atividades internas quanto em atividades ao ar livre, sujeitando o homem a dar ou receber esta energia. (14) Os mecanismos de troca térmica que importam para a Higiene do Trabalho são: Condução, Convecção, Evaporação e Irradiação. Estes mecanismos físicos são responsáveis pela sensação de conforto ambiental num ambiente qualquer, já que são o principal meio de perda ou ganho de energia térmica pelo organismo humano. (14) Para que o homem mantenha sua temperatura constante, existem vários mecanismos automáticos que lhe possibilitam regular a perda de calor, mantendo a temperatura do corpo em torno de 36 graus centígrados. Tais mecanismos automáticos fazem com que o organismo perca mais ou menos calor para o ambiente, dependendo da sobrecarga que recebe, de calor ou frio, respectivamente. (16)
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    63     Destemodo, um indivíduo nu pode ficar exposto a temperatura de 13°C a 70°C, em ambientes secos, e manter a temperatura central constante. Entretanto, esta mesma pessoa não tolera um aumento de 4°C na sua temperatura interna (central) sem que ocorra comprometimento da capacidade física e mental e até mesmo risco de vida. (8) Quando a soma do calor recebido e do calor produzido pelo metabolismo é maior que o calor cedido pelo o organismo ao meio ambiente, o organismo lança mão de mecanismos de defesa (vasodilatação periférica e ativação de glândulas sudoríparas) para evitar a hipertermia. (8) A vasodilatação periférica permite uma maior troca de calor entre o organismo e o meio ambiente e a ativação das glândulas sudoríparas permite uma maior perda de calor através da evaporação do suor. (8) Entretanto, a quantidade de calor que o organismo pode perder pela evaporação do suor pode ser limitada por fatores fisiológicos e ambientais. (8) As limitações fisiológicas são resultantes de problemas no funcionamento das glândulas sudoríparas e as ambientais são, principalmente, a umidade relativa do ar e a velocidade do ar. (8) A sensação de desconforto causada pelo calor está diretamente ligada a estes fatores ambientais (velocidade e umidade relativa do ar). (8) 3.2.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO AO CALOR A temperatura constitui um dos fatores mais importantes no ambiente de trabalho. A alteração de sua normalidade ocasiona desde certas perturbações de conforto, até determinados processos graves. (16) Choque térmico Também denominado hipertemia ou intermanção, ocorre por uma falha do centro termorregulador que leva a uma redução da sudorese e, consequentemente, da perda de calor por evaporação, resultando numa elevação acelerada e descontrolada da temperatura interna
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    64     docorpo. É uma emergência médica e os sinais clínicos são pele seca, quente, avermelhada, manchada ou cianótica. A temperatura central do corpo pode atingir 40,5°C ou mais. Podem aparecer confusão mental, perda da consciência, convulsões e até ser fatal ou deixar sequelas neurológicas se o trabalhador não é retirado do ambiente e o tratamento não for imediato. O reconhecimento e o tratamento precoce do choque térmico são as únicas medidas que podem prevenir a lesão cerebral permanente e a morte. (8) Exaustão por calor A exaustão pelo calor é causada pela perda excessiva de líquidos pelo suor associada a uma perda excessiva de sal. O trabalhador com exaustão pelo calor ainda apresenta dudorese e experimenta uma sensação de fadiga e fraqueza extremas, além de tonturas, náuseas e cefaleia. Casos mais sintomáticos podem apresentar vômitos e evoluir para o coma. A pele é úmida, pálida ou ruborizada e a temperatura corporal é normal ou levemente elevada. O tratamento é feito pela retirada do ambiente quente e pela administração de líquidos e eletrólitos. Não há efeitos permanentes (sequelas). A exaustão pelo calor pode preceder o choque térmico. (8) Desidratação pelo calor Ocorre quando a ingestão de líquidos é insuficiente para compensar as perdas pela sudorese excessiva. É um dos mecanismos presentes na fisiopatologia da exaustão pelo calor. (8) Câimbras e espasmos pelo calor São contrações ou espasmos musculares dolorosos, motivados pela diluição de eletrólitos no sangue, decorrentes da perda de sal pela sudorese excessiva e da ingestão de grandes quantidades de água. Os músculos utilizados para a execução do trabalho são os mais susceptíveis. As câimbras e os espasmos podem ocorrer durante ou horas após o trabalho e podem ser tratadas com reposição eletrolítica através de soro por via oral. (8)
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    65     Síncopepelo calor Também denominada colapso pelo calor, ocorre quando um trabalhador não acostumado com ambientes quentes permanece de pé e parado nestes ambientes. A dilatação dos vasos da pele (principalmente de membros inferiores) diminui o retorno venoso e débito cardíaco com consequente baixo fluxo cerebral e síncope. Geralmente a síncope é precedida de palidez cutânea, visão borrada, náuseas e tonturas. A colocação do paciente em decúbito leva a recuperação do estado de consciência. (8) Edema pelo calor Ocorre por mecanismo semelhante ao da síncope pelo calor, ou seja, acúmulo de sangue nos vasos dilatados da pele dos membros inferiores, resultando em edema, principalmente quando a pessoa permanece de pé parada em ambientes quentes. Fadiga transitória pelo calor Este termo refere-se a um estado transitório de desconforto e de tensão causado pela exposição prolongada ao calor. Trabalhadores não aclimatizados são particularmente sensíveis e podem apresentar, em graus variados, diminuição de performace no trabalho, da coordenação motora e do estado de alerta e vigilância. (8) Insolação É um estado patológico causado pela exposição ao calor tendo o sol como a fonte de calor. (8) Reações dermatológicas As reações dermatológicas ao calor mais comuns são chamadas de miliária e podem ser de três tipos: cristalina, rubra e profunda. A miliária ocorre mais frequentemente em ambientes quentes e úmidos e com trabalhadores expostos ao calor que usam roupas
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    66     impermeáveisao suor. Nestes casos o suor não é facilmente removido da pele pela evaporação e ocorre obstrução dos ductos das glândulas sudoríparas, causando retenção do suor. (8) Queimaduras As queimaduras resultam de acidentes que são facilitados pela sudorese, que torna a pega de objetos mais difícil, que pode tornar o chão escorregadio e que pode causar irritação ocular e interferência na visão, associada a uma diminuição da performance no trabalho e do estado de alerta causada pelo desconforto térmico. O aumento da temperatura corporal e o desconforto físico provocam irritabilidade e outros estados emocionais que podem levar o trabalhador a negligenciar procedimentos de segurança ou a distrair a atenção na realização de tarefas perigosas. (8) Sobrecarga do sistema circulatório: Ocorre por competição pelo fluxo sanguíneo entre a pele, para resfriamento, e os músculos ativos, para suprimento de energia. (8) Infertilidade masculina e feminina Há possibilidade de ocorrência quando a temperatura interna do corpo ultrapassa 38°C. (8) Má-formação fetal Há possibilidade de ocorrência quando a temperatura interna do corpo da mulher ultrapassa 39°C por períodos estendidos, no primeiro trimestre da gravidez. (8) Catarata É uma opacificação do cristalino, parcial ou completa, em um ou ambos os olhos, que interfere na visão, podendo causar cegueira. A exposição prolongada à radiação infravermelho (calor radiante) é reconhecida como uma das causas de catarata. (8)
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    67     3.2.2MEDIDAS DE CONTROLE DO CALOR As medidas relativas ao ambiente, podemos considerar: • Diminuição do calor metabólico com a automatização de processos de trabalho em ambiente quentes, minimizando o esforço físico do trabalhador e, consequentemente, a produção de calor metabólico. • Diminuição do calor radiante pode ser conseguida pela interposição de barreiras refletoras entre a fonte de calor e o trabalhador. A barreira de calor mais utilizada é a de alumínio polido. • Redução da temperatura do ar pode ser conseguida através da insuflação de ar fresco. • Redução da umidade relativa do ar pode ser conseguida pela instalação de desumidificadores ou ventilação local exaustora onde há fontes localizadas de vapor d’água. • Aumento da movimentação do ar, através da ventilação local favorece a evaporação do suor, desde que o ar esteja em temperatura inferior à temperatura corporal. (8) As medidas relativas ao homem são: • Aclimatização constitui uma adaptação fisiológica, onde três fenômenos básicos ocorrem no indivíduo: aumento da capacidade de sudorese, diminuição da concentração de sódio no suor e diminuição da frequência cardíaca diante de uma mesma carga de calor ambiental e de trabalho. Essa aclimatização é conseguida em seis dias e será completa após duas/três semanas. Recomenda-se que se inicie o trabalho com 50% da carga de trabalho no primeiro dia, aumentando 10% por dia, até atingir 100% no sexto dia. Esta medida é considerada de fundamental importância na prevenção dos efeitos do calor sobre o organismo. • Limitação do tempo de exposição ao calor pode ser conseguida pela otimização de ciclos na realização das tarefas, pelo revezamento de pessoas ou tarefas. • Reposição Hidroeletrolítica se dá pela reposição de água que deve ser individualizada, conforme intensidade da perda. Recomenda-se que o trabalhador seja encorajado a beber 150ml de água a cada 15-20min. • Utilização de roupas de proteção deve ser de tecido leve, que absorva pouco calor radiante e que permita a evaporação do suor.
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    68     •Utilização de óculos com filtro infravermelho para evitar o desenvolvimento de catarata em trabalhadores expostos a calor radiante intenso. (8) 3.3 FRIO Por não ser muito comum no nosso país, o estudo da exposição ao frio não é muito divulgado, nem claramente coberto pela legislação. A NR 15 anexo 9, se limita a dizer que trabalhos em locais frios sem a proteção adequada são consideradas insalubres mediante laudo de inspeção no local de trabalho. Entretanto devemos considerar que muitos trabalhadores exercem suas atividades em câmaras frias, na indústria alimentícia, na agricultura, ou ainda em ambientes externos em localidades frias. (14) 1.3.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO AO FRIO Na exposição do indivíduo ao frio intenso, deve-se considerar o esfriamento do interior do corpo, através da superfície da pele e pela respiração, e o congelamento de extremidades. A tabela 3.2 a seguir mostra os efeitos clínicos da vítima de hipotermia, de forma progressiva. (14) A permanência num ambiente frio, por exemplo, determina a atividade de distintos mecanismos de termorregulação do organismo. Assim, para evitar as perdas calóricas, o organismo produz uma vasoconstrição na periferia do corpo. (16) Alguns tipos de alterações podem ocorrer, apesar de existirem mecanismos automáticos de regulação de temperatura do corpo. Muitas vezes, a ação do frio se faz notar em locais ou modos onde tais mecanismos se tornam ineficazes. É o caso das queimaduras pelo frio ocasionadas pelo contato da pele com o agente causador do frio. Algumas alterações, por outro lado, são desencadeadas pelo frio em indivíduos previamente ‘marcados’. São os indivíduos mais sensíveis que outros ao frio e que podem desenvolver urticárias ou alterações alérgicas de pele. Varas outras doenças podem ser desencadeadas ou agravadas pelo frio. 16 As doenças causadas pelo frio são classicamente divididas em dois grupos: aquelas onde não há congelamento (hipotermia, eritema pérnio) e aquelas causadas por congelamento (geladura ou frostbite). (8)
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    69     Hipotermia Édefinida pela queda da temperatura central do corpo a níveis inferiores a 35°C. Pessoas hipotérmicas podem apresentar uma gama de sinais e sintomas, conforme tabela 3.2. (8) TEMPERATURA INTERNA (ºC) SINAIS CLÍNICOS 37,6 Temperatura retal normal 37 Temperatura oral normal 36 Aumento da taxa metabólica para compensar a perda de calor 35 Tremor máximo 34 Vítima consciente e respondendo com pressão sanguínea normal 33 Severa hipotermia abaixo desta temperatura 32 Consciência nublada, dificuldade de obter a pressão, pupilas dilatadas mas reagindo à luz, cessação dos tremores31 30 Progressiva perda da consciência, aumento da rigidez muscular, pulso e pressão difíceis de obter, decréscimo da taxa respiratória29 28 Possível fibrilação ventricular com irritação miocardial 27 Cessam os movimentos voluntários, pupilas não reativas à luz, reflexos de tendões e superficiais ausentes 26 Vítima raramente consciente 25 Fibrilação ventricular pode ocorrer espontaneamente 24 Edema pulmonar 22 Risco máximo de fibrilação ventricular 21 20 Parada cardíaca 18 Vítima de hipotermia acidental mais baixa 17 Eletroencefalograma isoelétrico 9 Paciente de hipotermia induzida artificialmente mais baixa Eritema Pérnio O eritema pérnio ou perniose é uma condição inflamatória da pele dos membros induzida pelo frio e caracterizada por eritema, prurido e ulceração. São reconhecidas uma forma aguda e uma forma crônica da doença. Nos casos agudos percebe-se uma descoloração vermelho-azulada e edema da pele nos membros inferiores associados à sensação de queimação e calor, além de prurido. As lesões geralmente persistem por sete a dez dias e após regridem, deixando algumas vezes uma pigmentação residual na pele. A lesão histopatológica consiste de angeíte com proliferação da íntima, espessamento da parede arterial e infiltração perivascular por linfócitos e leucócitos polimorfonucleares. Nos casos graves as lesões podem Tabela 3.2 – Efeitos clínicos da vítima de hipotermia Fonte: American Family Phvsician – AAFP
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    70     tornar-sehemorrágicas ou podem surgir bolhas. Infecções podem sobrevir. Com a exposição repetida ao frio, os trabalhadores susceptíveis podem desenvolver lesões crônicas que são caracterizadas por eritema e úlcera. Pode haver também, nestes casos, formação de bolhas e hemorragia. (8) Geladura (Frostbite) Geladura ou frostbite ou queimadura pelo frio é a lesão que atinge as extremidades, decorrentes de exposição prolongada a temperaturas extremamente baixas, com consequente congelamento dos tecidos e lesão vascular. São lesões que ocorrem devido à intensa vasoconstrição e à deposição de micro cristais nos tecidos. No Brasil não se espera que seja uma doença comum. Inicialmente ocorre uma sensação de picada seguida de dormência. A pele torna-se exangue e mostra-se branca e fria. Posteriormente há vermelhidão, edema e temperatura aumentada. Bolhas com conteúdo seroso amarelo ou hemorrágico podem se formar 24-48h após o descongelamento. Pode haver hemorragia sob os leitos ungueais. O curso subsequente pode ser semelhante àquele da oclusão arterial aguda, inclusive com isquemia, necrose e gangrena. Pode haver amputação espontânea em semanas ou meses. As geladuras podem ser classificadas em de primeiro grau: lesões com hiperemia e edema; de segundo grau: lesões com hiperemia, edema e vesículas ou bolhas; de terceiro grau: lesões com necrose da epiderme, derme ou subcutâneo e de quarto grau: lesões necróticas profundas, perda de extremidades. (8) Urticária pelo frio É caracterizada pelo aparecimento de urticas, que são pápulas edematosas, de duração efêmera e extremamente pruriginosas, em expostos ao frio. As pápulas podem confluir formando extensas placas. A lesão é uma reação alérgica que ocorre em consequência da liberação de histamina dos mastócitos localizados em torno dos vasos da derme, em resposta ao frio. (8) Irritação de vias aéreas: A inalação de ar frio pode causar desconforto respiratório, especialmente se a respiração for nasal. Grandes volumes respirados de ar muito frio podem ocasionar micro inflamação da mucosa de vias aéreas superiores. (8)
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    71     3.3.2MEDIDAS DE CONTROLE DO FRIO A ACGIH (American Conference of Governamental Industrial Hygienists) faz as seguintes recomendações para o trabalho com exposição ao frio: • Trabalhadores que realizam seus trabalhos expostos a temperaturas inferiores a 4°C devem estar sempre paramentados com roupas isolantes secas; • A temperaturas de 2°C ou menos é imperativo que se permita aos trabalhadores que entram na água ou tenham suas roupas molhadas trocar as mesmas de imediato e que se faça o tratamento da hipotermia; • Para trabalhos de precisão, com as mãos descobertas por mais de 10-20min em um ambiente com temperatura abaixo de 16°C, devem ser adotadas medidas especiais para manter as mãos dos trabalhadores aquecidas (jatos de ar quente, aquecedores ou placas de contato aquecidas); • Os trabalhadores devem usar luvas sempre que a temperatura do ar cair abaixo de 16°C para trabalho sedentário, 4°C para trabalho leve e 7°C negativos para trabalho moderado, se não for necessária destreza manual; • A temperaturas inferiores a 1°C negativo as partes metálicas das ferramentas e as barras de controle devem ser cobertas com material isolante térmico; • O trabalhador deve ser avisado para evitar qualquer contato com a pele em superfícies com temperaturas inferiores a 7°C negativos; • Se a temperatura do ar for menor que 17,5°C negativos as mãos devem estar protegidas por luvas especiais; • Não deve se permitida a exposição contínua da pele descoberta quando a temperatura e a velocidade do ar resultem em uma temperatura equivalente de 32°C negativos; • O manuseio de líquidos voláteis a temperaturas inferiores a 4°C deve merecer cuidados especiais para evitar molhar as roupas ou luvas em função do resfriamento adicional por evaporação; • Se não for possível proteger suficientemente as áreas expostas do corpo, de forma a prevenir a sensação de frio excessivo, devem ser fornecidos artigos de proteção que auxiliem no aquecimento.
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    72     3.4PRESSÕES ANORMAIS Há uma série de atividades cuja realização faz com que os trabalhadores fiquem sujeitos a pressões ambientais acima ou abaixo das pressões normais, isto é, da pressão atmosférica a que normalmente se expõem. (12) • Baixas pressões: situam-se abaixo da pressão atmosférica normal e ocorrem com trabalhadores que realizam tarefas em grandes altitudes. No Brasil, são raros os trabalhadores expostos a esse risco. (12) • Altas pressões: situam-se acima da pressão atmosférica normal, sendo comuns em trabalhos realizados em tubulações de ar comprimido, máquinas de perfuração, caixões pneumáticos e trabalhos executados por mergulhadores, como por exemplo: caixões pneumáticos, compartimentos estanques instalados nos fundos dos mares, rios e em represas onde é injetado ar comprimido que expulsa a água do interior do caixão, possibilitando o trabalho. São usados na construção de pontes e barragens. (12) 3.4.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO ÀS PRESSÕES ANORMAIS Barotrauma É definido como uma síndrome ocasionada pela dificuldade de equilibrar a pressão no interior de uma cavidade pneumática do organismo com a pressão do meio ambiente em variação. Além dos espaços aéreos naturais, eventualmente podem ser criados outros por equipamentos, como, por exemplo, um capacete ou uma máscara de mergulho. A gênese do barotrauma está relacionada com a lei da física que regula o comportamento entre as pressões e os volumes (Lei de Boyle). É um efeito direto da pressão sobre o organismo do trabalhador. (8) O barotrauma pode assumir as seguintes formas clínicas: • Do ouvido externo: dor local, abaulamento da membrana timpânica para fora, edema e congestão do conduto auditivo externo e hemorragia. Eventualmente o rompimento da membrana timpânica; • Do ouvido médio: dor, zumbido, hipoacusia e vertigem. Se a membrana timpânica se romper, a dor cessa e, no mergulho, a penetração de água fria no ouvido médio, a
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    73     irritaçãodas estruturas do labirinto leva à desorientação espacial, vertigem, náuseas e vômitos, que cessam logo que a temperatura da água atinja a temperatura corporal; • Do ouvido interno: dificuldade de equilibrar as pressões e diminuição súbita e progressiva da audição, zumbido e vertigem. Estas lesões podem se tornar permanentes; • Sinusal: edema e congestão da mucosa sinusal, evoluindo para extravasamento de sangue; • Pulmonar: congestão pulmonar, edema e hemorragia; • Facial: máscaras e óculos de mergulho podem atuar como ventosas diante as variações de pressão, podendo sugar os tecidos da face, acarretando uma sensação de repuxamento, edema, equimose facial, manchas hemorrágicas nas escleróticas ou hemorragia no globo ocular e da conjuntiva e sangramento pelo nariz; • Dental: presença de pequenas bolhas gasosas no interior da polpa dentária ou em tecidos moles adjacentes; • Gastrointestinal: produção de gases no intestino aumentando o conteúdo aéreo no estômago, que durante a descompressão pode causar desconforto e distensão abdominais e cólicas; • Cutâneo: manchas equimóticas causadas por espaços entre a roupa de mergulho e o corpo, como pequenas ventosas; • Corporal: o esvaziamento brusco de equipamento de mergulho pesado, pode ocasionar pressão em toda superfície corporal do trabalhador. (8) Embolia Traumática A embolia traumática é uma das ocorrências mais sérias da atividade hiperbárica. Pode acontecer em qualquer modalidade de trabalho sob pressão, quando durante a descompressão havendo retenção da mistura respiratória, em expansão nos pulmões, a pressão intrapulmonar fica aumentada em relação ao meio ambiente, provocando diversos fenômenos que podem variar desde o choque pleural, que é a hiperdistensão sem rotura de estruturas pulmonares enfisema intersticial com pneumomediastino ou enfisema subcutâneo, pneumotórax, até a embolia gasosa propriamente dita, que pode atingir toda a circulação com grandes quantidades de mistura respiratória, afetando, com frequência, a circulação cerebral e as artérias coronárias. (8)
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    74     Doençadescompresssiva Esta doença é frequentemente confundida com a embolia traumática. Quando o trabalhador respira uma mistura respiratória pressurizada, o oxigênio vai sendo utilizado normalmente no metabolismo e a fração do gás inerte é absorvida no organismo, de acordo com a Le de Henry. Portanto, o gás inerte vai se acumulando nos tecidos em função da pressão, do tempo de exposição e de outros fatores como a temperatura e a solubilidade do gás nos tecidos. No caso do nitrogênio, a solubilidade é cinco vezes maior nas gorduras do que na água. Quando a pressão ambiente diminui, a soma das tensões do gás inerte nos diversos tecidos pode levar o gás que estava dissolvido ao estado físico de gás livre e dar início à doença descompressiva. A liberação de gás inerte livre causa distúrbios orgânicos bloqueando artérias, veias e vasos linfáticos, podendo romper ou comprimir tecidos. Quando o gás atua num espaço limitado, como um músculo contido por fáscia, pode provocar uma síndrome compartimental. A formação de bolhas pode se dar também intracelularmente, causando a rotura da membrana celular, com liberação de substâncias tóxicas ou vasoativas. As reações na interface gás/sangue podem ativar mecanismos de coagulação. (8) 3.4.2 MEDIDAS DE CONTROLE DAS PRESSÕES ANORMAIS Pelo fato de se tratar de uma atividade de alto risco, exige legislação específica (NR15) a ser obedecida. 3.5 VIBRAÇÕES Nas indústrias é comum a utilização de máquinas e equipamentos que produzem vibrações, as quais podem ser nocivas ao trabalhador. Estas podem ser: • Localizadas (em certas partes do corpo): são causadas por ferramentas manuais, elétricas e pneumáticas. • Generalizadas (ou do corpo inteiro): as lesões ocorrem com os operadores de grandes máquinas, como os motoristas de caminhão, ônibus e tratores. (12)
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    75     Asvibrações como o ruído, podem ser estudadas tanto no domínio do tempo como no da frequência, expressando-se a amplitude em termos de deslocamento (metros), velocidade (m/s) ou aceleração (m/s²). (8) 3.5.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO À VIBRAÇÃO A vibração de corpo inteiro ocorre em diversas situações do cotidiano, expondo o trabalhador a danos físicos permanentes ou distúrbios no sistema nervoso. A exposição diária à vibração de corpo inteiro poderá resultar em danos na região espinhal, podendo também afetar o sistema circulatório e/ou urológico, além do sistema nervoso central. Sintomas de distúrbios frequentemente aparecem durante ou logo após a exposição sob a forma de fadiga, insônia, dor de cabeça e tremor. No entanto, esses sintomas geralmente desaparecem após um período de descanso. (6) Os efeitos observados em grupos expostos a condições graves de vibração foram: problemas na região dorsal e lombar, gastrointestinais, sistema reprodutivo, desordens no sistema visual, problemas nos discos intervertebrais e degeneração na coluna vertebral. 6 Alguns sinais e sintomas, provocados pela exposição à vibração de corpo inteiro como, náuseas, palidez, suores, calor, salivação, dores de cabeça, tonturas, respiração irregular, sonolência, vômitos, recebem a denominação de Mal dos Transportes, uma vez que está associada a veículos em geral, tais como navios, caminhões, trens, plataformas, entre outros. (6) De acordo com a norma ISO 5349, os principais efeitos devidos à exposição à vibração no sistema mão-braço podem se de ordem vascular, neurológica, ósteo-articular e muscular. Entre esses efeitos, destacam-se as perturbações ósteo-articulares, características de vibrações de frequência menores que 30 Hz e que atingem o punho, cotovelo e o ombro, e as perturbações vasculares, que são identificadas como Doença de Raynaud, características de vibrações de frequência entre 40 e 125 Hz e que provocam sintomas como: formigamento, entorpecimento, palidez, picada, queimadura, cianose e grangrena. (6) Em estudo empreendido em laboratório, Zhu, Sakakibara e Yamada (1997) observaram que a exposição combinada entre vibração segmentar e ruído pode apresentar um efeito sinérgico sobre a audição. Os voluntários expostos a vibração e ao ruído de 90dB(A)
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    76     apresentaramelevações significantes nas mudanças temporárias de limiar (TTS – Temporary Threshold Shift) nas frequências de 4 e 6kHz, comparando-se com o grupo somente exposto ao ruído de igual intensidade. Provavelmente, segundo aos autores, apenas a exposição à vibração não é capaz de produzir tais alterações. (8) 3.6.2 MEDIDAS DE CONTROLE DA VIBRAÇÃO A transmissão da vibração pode ser atenuada por técnicas de isolamento e de amortecimento. A manutenção preventiva constitui-se como método importante no controle da vibração de ferramentas portáteis motorizadas. Conhecer a magnitude da vibração produzida pela ferramenta é o princípio fundamental que tanto o usuário como o fabricante devem obedecer. • A vibração deve ser medida; • Ferramentas manuais vibratórias devem ser selecionadas de modo adequado para a atividade; • A ferramenta ou o processo com o nível mais baixo de magnitude de vibração deve ser o selecionado para a execução da atividade, se possível; • Equipamentos devem ser mantidos de acordo com as boas práticas de trabalho e com as orientações dadas pelo fabricante; • A gerência deve ser advertida sobre ferramentas ou processo ou práticas de trabalho que gerem exposições de risco à vibração localizada; • O corpo técnico deve ser capacitado para a medição e a avaliação de vibração localizada e para a manutenção apropriada do equipamento responsável pela produção da vibração. (8) 3.6 RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES As radiações são formas de energia que se transmitem por ondas eletromagnéticas. A absorção das radiações por parte do organismo é responsável pelo aparecimento de diversas lesões. Elas podem ser classificadas em dois grupos: radiações ionizantes e as radiações não ionizantes, esta última trata-se de radiações infravermelha, a
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    77     provenientede operação em fornos, ou de solda oxiacetilênica, a radiação ultravioleta, como aquela que é gerada por operações em solda elétrica, ou, ainda, raios laser, micro-ondas etc. (12) Seus efeitos incluem: • Catarata: por sua exposição superficial, o cristalino do olho fica especialmente sujeito à ação das ondas eletromagnéticas. • Esterilidade masculina: os testículos estão também especialmente sujeitos às radiações eletromagnéticas devido à localização superficial em relação ao corpo e a grande sensibilidade ao calor por parte das células germinativas. • Estresse do calor apresenta os mesmos sintomas da insolação, caracteriza-se por astenia e sudorese na fase inicial e na fase final, aumento de temperatura, sede, taquicardia e outros sinais de desidratação como câimbras musculares e excitação, seguidas de sonolência e sinais de depressão do sistema nervoso central. • Convulsões: a exposição a doses extremamente altas, podem, mesmo em períodos curtos, produzir fenômenos de aquecimento da massa encefálica com manifestações de convulsão de tipo “grande mal”, seguida de morte. • Queimaduras ocorrem em nível do tecido subcutâneo e derme. Os sintomas como calor, rubor, edema, aparecem após um período de latência de 4 a 12 horas. O edema é duro, levando a um engrossamento da pele. A repetição de exposições leva a uma precipitação de mielina com o escurecimento da pele. 3.6.1 MEDIDAS DE CONTROLE DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE • Planejamento de equipamentos: respeitando os limites de tolerância; • Enclausuramento da fonte: aplicação de anteparos metálicos adequados; • Afastamento da fonte: distanciamento entre a fonte da radiação e o operador. • Proteção individual: óculos, vestimenta adequada, capacete metálico.
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    78     3.7RADIAÇÕES IONIZANTES As radiações ionizantes existem no Planeta Terra desde a sua origem, sendo portanto um fenômeno natural. No início, as taxas de exposição a estas radiações eram certamente incompatíveis com a vida. Com o passar do tempo, os átomos radioativos, instáveis, foram evoluindo para configurações cada vez mais estáveis, através da liberação do excesso de energia armazenada nos seus núcleos. Pelas suas propriedades esta energia é capaz de interagir com a matéria, arrancando elétrons de seus átomos (ionização) e modificando as moléculas. Considerando a evolução dos seres vivos, a modificação de moléculas levou a um aumento de sua diversidade, e provavelmente ao surgimento de novas estruturas que, devidamente associadas, ganharam características de ser vivo. As radiações ionizantes continuaram a trabalhar este material ao longo das eras, produzindo modificações que contribuíram para o surgimento da diversidade de seres vivos que povoaram e povoam a Terra. No final do século XIX, com a utilização das radiações ionizantes em benefício do homem, logo seus efeitos na saúde humana tornaram-se evidentes. Ao longo da história, estes efeitos foram identificados e descritos, principalmente, a partir de situações nas quais o homem encontrava-se exposto de forma aguda (acidentes e uso médico). Efeitos que porventura pudessem decorrer de exposições às radiações em condições naturais foram pouco estudados e pouco entendidos. Recentemente um esforço no sentido de melhor se entender o papel destas radiações junto à vida tem sido desenvolvido e a expectativa é que possam ser emitidos novos conceitos a respeito dos efeitos biológicos das radiações ionizantes. (11) 3.7.1 EFEITO DAS RADIAÇÕES IONIZANTES NO HOMEM O efeito das radiações ionizantes em um indivíduo depende basicamente da dose absorvida (alta/baixa), da taxa de exposição (crônica/aguda) e da forma da exposição (corpo inteiro/localizada). Qualquer dose absorvida, inclusive das doses provenientes de radiação natural, pode induzir câncer ou matar células. A questão é de probabilidade de dano, probabilidade de
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    79     mutaçõesprecursoras de câncer e número de células mortas. Quanto maiores as taxas de dose e as doses absorvidas, maiores as probabilidades de dano, de mutações precursoras de câncer e de morte celular. Danos podem ser reparados; mutações podem tanto representar falhas nos mecanismos de reparo como mecanismos de eliminação de células inviabilizadas pelo dano. A morte celular, resultante de quebras na molécula de DNA, da mesma forma que a eliminação de células mutantes, pode ser encarada como um mecanismo de eliminação de produtos inviabilizados pela presença de danos. A questão passa a envolver o número de células destruídas, o momento em que a morte celular ocorre, (considerado o estágio de desenvolvimento do ser célula-ovo, embrião, feto, criança, adolescente, adulto, velhice), e o sexo do indivíduo irradiado. Nas tabelas 3.3 e 3.4 estão relacionados sintomas induzidos por exposições agudas localizadas e exposições de corpo inteiro. Em todos os casos de desenvolvimento de sintomatologia clínica o processo reflete a morte de um número significativo de células com comprometimento de órgão e/ou tecidos. A unidade de dose absorvida é o Gray (Gy). A dose média de radiação natural absorvida pela população mundial é de 2,6 Gy x 10-3 x ano 1 , isto é, 2,6 mGy por ano. (11) Tabela 3.3 – Efeitos de radioexposição aguda em adulto Fonte: APOSTILA EDUCATIVA CNEN Radiações Ionizantes e a Vida
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    80     3.7.2MEDIDAS DE CONTROLE DA RADIAÇÃO IONIZANTE • Medida coletiva: isolamento da fonte de radiação, por exemplo, pisos e paredes revestidas de chumbo em salas para realização de exames radiográficos. • Medida individual: fornecimento de EPI adequado, por exemplo, protetores plúmbiferos como óculos, avental, protetor de tireoide e protetor de gônada. • Medida administrativa: dosímetro de bolso para monitoramento de dose absorvidas dos trabalhadores expostos. Tabela 3.4 – Exposições agudas localizadas Fonte: apostila educativa do CNEN Radiações Ionizantes e a Vida
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    81     UNIDADE4 – DOENÇAS RELACIONADAS AOS RISCOS ERGONÔMICOS Ciência par uns, tecnologia para outros, a Ergonomia é um campo de aplicação interdisciplinar das ciências, reconhecida oficialmente há pouco mais de meio século. Apesar disso, podemos dizer que há quatro milhões de anos, nossos ancestrais hominídeos, instintivamente, praticavam a Ergonomia quando escolhiam um seixo que melhor se adaptava às suas mãos para um determinado propósito ou quando lascavam o sílex, dando-lhe formato apropriado para o uso pretendido. A Ergonomia também esteve presente, embora anônima, na criação das primeiras armas, ferramentas, utensílios domésticos e na própria organização das tarefas diárias. Em busca do conforto, o homem procurou adaptar os materiais da natureza aos objetivos almejados, alterando sua forma com vistas à maior eficiência, praticidade e adequação às suas características individuais. Esse fato foi e continua a ser de grande importância na produção artesanal de roupas, cabos de armas de competição, sapatos, etc. (2) A princípio, as atenções ergonômicas voltavam-se sobretudo às dimensões de objetos, ferramentas e componentes dos postos de trabalho, visando a facilitar as atividades dos operários. Posteriormente, ampliou-se o campo de ação da Ergonomia, que passou a preocupar-se também com os agentes agressivos do ambiente de trabalho, especialmente os físicos e químicos. Finalmente, a partir dos anos 80, passaram a ser enfocados os aspectos cognitivos, ou seja, os sistemas de informação e sua transmissão adequada às capacidades humanas. A psicopatologia e a análise coletiva do trabalho vem sendo estudadas mais recentemente, sobretudo pela escola francofônica, enriquecendo a psicologia industrial e a administração. (2) A importância da Ergonomia faz-se sentir com o desenvolvimento tecnológico, pois este pode produzir efeitos nem sempre previsíveis. O homem pode ser submetido inadvertidamente a estressores por longos períodos de tempo, levando à perda da eficiência e mesmo a incapacidades; por outro lado, deficiências da capacidade do operador para cumprimento de requisitos de uma tarefa podem reduzir a produtividade, a qualidade do trabalho e mesmo acarretar acidentes de maior ou menor gravidade. Um exemplo disso, entre nós, ocorreu com a difusão dos microcomputadores e a verdadeira “epidemia” de problemas musculoesqueléticos e tendinosos relacionada ao trabalho de digitação, que resultou numa maior atenção pra os problemas decorrentes da não observância de princípios ergonômicos e culminou com o estabelecimento da Norma Regulamentadora 17 – Ergonomia (Portaria N°.3751 de 23 de novembro de 1990). Embora, por suas limitações, essa NR deva ser
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    82     consideradaapenas como uma referência, seu mérito reside em ter chamado a atenção para as necessidades de humanização do trabalho, conforto e proteção da saúde dos nossos trabalhadores. (2) Podemos descrever risco ergonômico como aqueles resultantes da falta de adaptação do trabalho ao homem, gerando sobrecarga nas estruturas musculoesqueléticas como esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso, exigência de postura inadequadas, repetitividade, controle rígido de produtividade, imposição de ritmos excessivos, trabalho em turno e noturno, jornada de trabalho prolongada, e que geralmente dão origem à fadiga, à lombalgia, a doenças osteomusculares (como LER-DORT), etc. (20) 4.1 ALGUMAS SÍNDROMES NEURÓTICAS Síndrome da fadiga crônica Fadiga patológica, fadiga industrial, seja qual for a denominação, diferentes autores descrevem um quadro que é interpretado como resultante da fadiga acumulada ao longo de períodos de duração variável – meses ou mesmo anos. Diz respeito a situações de trabalho e de vida em que as pessoas não tem oportunidade de obter a necessária superação da fadiga através do sono e repouso adequados. (8) A característica mais marcante é a presença de uma fadiga constante. Por assim dizer, o indivíduo “acorda cansado”. Essa fadiga é mental e física, simultaneamente. Portanto, assume o caráter de uma fadiga geral. (8) A má qualidade do sono é justamente outra manifestação importante: a pessoa não consegue aprofundar o sono, desperta frequentemente durante a noite e muitas vezes tem insônia. Para alguns, a dificuldade mais importante é para adormecer, quando o trabalho intelectual foi muito intensivo e “a cabeça continua trabalhando, não consegue desligar”, como referem muitos. Os próprios sonhos passam a ter o trabalho como conteúdo, às vezes de modo repetitivo e perturbador. (8) A síndrome apresenta, além do cansaço e dos distúrbios de sono, outras manifestações. A irritabilidade e o desânimo são as alterações psicológicas principais no quadro. O indivíduo passa a irritar-se mesmo por pequenas coisas que anteriormente não o
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    83     perturbavam.Isto conduz a conflitos interpessoais no ambiente de trabalho e fora dele, atingindo negativamente o relacionamento familiar. (8) O desânimo que se associa ao cansaço faz com que desapareça o interesse pela vida social e a disposição para atividades de lazer anteriormente praticadas. Deste modo, o trabalhador tende a se retrair e a se isolar socialmente. (8) Outros sintomas que tem sido descritos nesta síndrome, com variações de presenças e de intensidade, são: dores de cabeça, dores no corpo (geralmente nos músculos mais utilizados no trabalho), perda de apetite e mal-estar geral. Graus variáveis de ansiedade podem ser notados. (8) Inicialmente mencionada em correlação ao trabalho industrial e por isso então denominada “fadiga industrial”, a síndrome foi considerada, por alguns autores, como decorrente da monotonia do trabalho repetitivo. (8) Atualmente, as pesquisas científicas vem dando grande atenção a uma outra síndrome que tem recebido a mesma denominação de “síndrome da fadiga crônica”, e que se desenvolve depois de infecções viróticas. Na CID-10, a mesma consta como G93.3 – síndrome de fadiga pós-virose. A análise do histórico de trabalho é de grande importância para o diagnóstico diferencial os antecedentes de virose (mononucleose tem sido uma das mais relacionadas com a síndrome) também precisam ser pesquisados. O grau de astenia e as dores musculares parecem ser mais intensas, em geral, na síndrome pós-virose. (8) Acredita-se que a sensação de fadiga seja devida à ação da interleucina 1, substância secretada por monócitos e macrófagos durante processos infecciosos e pelos astrócitos, em decorrência de esforços prolongados, trabalho físico ou intelectual intenso. A interleucina seria o “hormônio da fadiga”, tendo como antagonistas as “endofinas”. (2) Didaticamente, distinguem-se dois tipos básicos de fadiga: a fadiga física e a fadiga psíquica, mas diversas outras classificações podem ser encontradas na literatura. (2) A fadiga física ou somatória seria caracterizada pelas seguintes alterações fisiológicas: (2) 1. Alterações circulatórias e do equilíbrio hidro salino, como se observa nos trabalhos em ambientes de alta temperatura. 2. Redução do aporte de oxigênio, observado no trabalho em grandes altitudes.
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    84     3.Aumento dos metabólitos ácidos no sangue, verificado no trabalho muscular pesado e exaustivo. 4. Redução das reservas de combustível muscular e queda da glicemia, também observada no trabalho pesado. 5. Alterações neurofisiológicas e hormonais decorrentes de trabalho mental atento e de trabalho muscular leve com repetição contínua de movimentos, envolvendo o uso contínuo dos mesmos trajetos nervosos. (2) Com base na causa e no modo de manifestação, diversas formas de fadiga podem ser consideradas: (2) a) Fadiga muscular; b) Fadiga visual, resultante de sobrecarga ocular; c) Fadiga geral, consequente à sobrecarga de todo o organismo; d) Fadiga mental, induzida por trabalho mental ou intelectual; e) Fadiga nervosa, causada pela solicitação excessiva de uma parte do sistema psicomotor, como no trabalho aprendido e repetitivo; f) Fadiga por monotonia, da ocupação ou do ambiente; g) Fadiga crônica, um acúmulo de efeitos a longo prazo; h) Fadiga circadiana ou nictemeral, por quebra do biorritimo. (2) Prevenção da fadiga, diversas são as medidas preconizadas para prevenção da fadiga dos trabalhadores: (2) a) Manutenção de um ambiente de trabalho agradável; b) Jornadas e pausas adequadas no trabalho; c) Treinamento e adaptação gradual ao trabalho; d) Ergonomia do posto de trabalho; e) Racionalização do trabalho e mecanização; f) Enriquecimento do trabalho; g) Seleção profissional adequada; h) Balanceamento nutricional adequado; i) Conscientização das chefias; j) Melhoria das relações humanas no trabalho; k) Música ambiente (orquestrada, em volume audível, ao final dos períodos de trabalho);
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    85     l)Participação dos trabalhadores na organização do trabalho, etc. (2) Além disso, não esquecer que numerosos fatores extraprofissionais, ligados à Qualidade de vida dos trabalhadores, contribuem consideravelmente para a fadiga, tais como problemas socioeconômicos, de alimentação, de habitação, familiares, de transporte, abuso de drogas, assistência social, saúde pública, etc. Embora tais problemas sejam de alçada governamental, as empresas muito podem contribuir para atenuá-los através da instituição de planos de benefícios de diversos tipos. (2) Síndrome do esgotamento profissional – burn-out É tema central do livro de Herbert J. Freudenberger, BURN OUT, publicado em 1980. O autor coloca uma representação de um incêndio devastador, um “incêndio interno” que reduz a cinzas a energia, as expectativas e a autoimagem de alguém antes profundamente entusiasta e dedicado ao trabalho. Essa representação corresponde à síndrome que Freudenberger denominou burn-out ou “esgotamento profissional”, e às vezes ao que popularmente tem sido designado como estafa. Este último termo, entretanto, tem sido utilizado muito frequentemente como um eufemismo – isto é, como uma designação destinada a amenizar e encobrir diferentes diagnósticos psiquiátricos, sob a aparente justificativa de evitar que tais diagnósticos causem choque em paciente ou em familiares dos mesmos. Por isto, adotar tal termo para tradução em português de burn-out parece pouco indicado. Outro motivo para preferir esgotamento profissional é também porque a palavra estafa, originada do italiano staffare (cansar), embora corresponda a cansaço e esgotamento nervoso, possui também outros significados – trabalho enfadonho, por exemplo – o que pode levar a confusões de entendimento. (8) Baseando-se em seus numerosos estudos de caso, Freudenberger identifica que especialmente dois tipos de pessoas estão expostos ao burn-out: pessoas particularmente dinâmicas e propensas a assumir papéis de liderança ou de grande responsabilidade, e idealistas que colocam grande empenho em alcançar metas frequentemente impossíveis de serem atingidas, exigindo muito de si mesmos. O esgotamento profissional tem sido descrito principalmente em profissionais que trabalham na prestação de cuidados a pessoas doentes, grupos sociais carente e crianças.
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    86     Assim,vários estudos a respeito do tema foram realizados com enfermeiras, médicos, assistentes sociais e professores. Freudenberger também relata uma situação de burn-out coletivo em executivos. Mas a maior parte dos estudos diz respeito a pessoas que, ao longo de anos de profissão, persistiram em tentar a solução de problemas humanos (dor, sofrimento em geral, miséria, injustiça), atuando com grande empenho, de forma geralmente intensiva e auto exigente, sacrificando a vida pessoal, férias, etc. Estas pessoas teriam geralmente altas expectativas de sucesso em seus objetivos e, também, de obter reconhecimento. O desencadeante mais frequente seria uma situação de sobrecarga ou de frustração no trabalho. Freudenbeger aponta para a existência de uma fase prévia a este desencadeamento, na qual o entusiasmo é substituído pó uma vivência de tédio, surgindo irritabilidade e mau humor. Em geral, existe uma tendência a negar essas primeiras manifestações de desgaste por parte da pessoa afetada. Depois, eclode o quadro clínico: Perda do autocontrole emocional; Aumento da irritação; Manifestações de agressividade; Perturbações do sono; Manifestações depressivas marcadas pela decepção e pela perda de disposição e interesse pelo trabalho. A evolução do esgotamento profissional pode ser favorecida pelo acesso à psicoterapia e ao apoio social; à compreensão por parte dos colegas e chefias; à possibilidade de se integrar em comissões de saúde ou grupos voltados para humanizar a situação de trabalho; à variação de atividade e ao apoio familiar. Se o esgotamento profissional não for reconhecido, e interpretações equivocadas aumentarem o sentimento de fracasso, a evolução pode ser para agravamento do quadro depressivo, havendo risco, em casos mais graves, de tentativa de suicídio. É importante que os gerentes sejam preparados para atuar de modo adequado, saibam que há hipersensibilidade nesta situação clínica, de modo que qualquer crítica ou ironia pode precipitar conflitos e/ou piorar o quadro clínico.
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    87     4.2DOENÇAS DA COLUNA VERTEBRAL RELACIONADAS AO TRABALHO A coluna vertebral constitui o eixo longitudinal do corpo, tendo que conciliar dois imperativos mecânicos aparentemente contraditórios: a rigidez e a flexibilidade, atingidos graças a sua arquitetura. (2) Essa estrutura é formada por 24 vértebras livres, empilhadas sobre o sacro. Este, por sua vez, é constituído por 5 vértebras soldadas entre si e aos ossos do quadril e ligado inferiormente a outras 3 ou 4 pequenas vértebras que compõem o cóccix. (2) A vértebra é a unidade básica da coluna. Uma vértebra “tipo” é formada de várias partes, conforme figura. Figura 4.1 – Coluna vertebral Fonte: http://luzquantica.com.br/2013/08/
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    88     Odisco intervertebral é uma estrutura formada por várias camadas concêntricas de tecido fibroso – o anel fibroso – envolvendo um núcleo gelatinoso central – o núcleo pulposo. Os discos funcionam como coxins que amortecem os choques e facilitam a mobilidade da coluna. (2) Tanto os discos como as demais articulações da coluna são sensíveis a pressões e movimentos exagerados do corpo, estando sujeitos ao desgaste pelo envelhecimento e a diversas condições patológicas. (2) Dores na coluna dorsal não são comuns, posto que tal região seja menos sujeita a sobrecargas mecânicas, suportando menor peso e tendo menor mobilidade que a coluna lombar. Em geral, dores tóraco-dorsais decorrem mais comumente de vícios posturais, de tensão muscular (sobretudo devida ao estresse), nevralgias e de outras condições patológicas que não as da coluna vertebral. (2) A doença mais comum é a lombalgia, que pode ser classificada em sete tipos: A. De origem muscular e ligamentar: 1. Lombalgia/dorsalgia por fadiga da musculatura paravertebral; e 2. Lombalgia por distensão músculo-ligamentar. B. De origem no sistema de mobilidade e estabilidade da coluna: 3. Lombalgia por torção da coluna lombar (ou por ritmo lombopélvico inadequado); e Figura 4.2 – Vértebra tipo Fonte: Bauk, Douglas A. – 2008
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    89     4.Lombalgia por instabilidade articular. C. De origem no disco intervertebral: 5. Protrusão intradiscal do núcleo pulposo; e 6. Hérnia de disco intervertebral. D. Predominantemente psíquica: 7. Lombalgia como uma forma de conversão psicossomática. (8) Lombalgia por fadiga da musculatura paravertebral, aparece no trabalho: 1. Quando o plano de trabalho está baixo (mesa baixa, bancada baixa, comandos de máquinas baixos, ponto de realização de tarefa baixo); quando a pessoa é muito alta, mesmo os planos de trabalho adequados para pessoas medianas, serão percebidos como muito baixos; (8) 2. Quando o indivíduo trabalha sentado encurvado excessivamente para a frente. Esse encurvamento excessivo pode ser devido: • A uma impossibilidade de aproximar o tronco à mesa de trabalho por obstrução à entrada das pernas (mesas de trabalho que, no espaço das pernas, possuem gavetas ou não possuem o espaço para elas); • A ausência de apoio para o dorso, o que impossibilita o relaxamento periódico da musculatura; e • A uma impossibilidade de apoiar o corpo com os cotovelos ou mãos, normalmente, quando o tronco fica inclinado excessivamente sobre a mesa de trabalho, a fadiga fica compensada pelo apoio intermitente sobre os cotovelos ou as mãos. No entanto, quando os instrumentos exigem a ação das duas mãos, o apoio do corpo por estas partes fica impossível. (8) 3. Quando o indivíduo tem que aliar a posição citada em 1 ao carregamento ou sustentação de um peso, como no caso de um operador que vai posicionar uma carga pesada na máquina, e esta não lhe permite aproximar totalmente o corpo; (8) 4. Quando o indivíduo tem que trabalhar de pé ou sentado e a mesa de trabalho é excessivamente alta, nesta situação, a coluna fica retificada, originando esforço estático da musculatura do dorso para ser mantida nesta situação; (8) 5. Quando o indivíduo tem que trabalhar sentado num assento muito baixo, sem apoio para o dorso, nesse caso, o indivíduo fica com as coxofemurais muito fletidas e seu
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    90     corpoé impulsionado para trás, para compensar, a musculatura do dorso tem que desenvolver esforço estático prolongado, vindo a fadiga, e com ela, a dor; e (8) 6. Quando o indivíduo tem que trabalhar com a mão atingindo o chão, sem poder agachar-se. (8) Embora em si seja um quadro pouco grave, a situação de fadiga, se repetitiva, pode ocasionar uma tensão muscular crônica, acompanhada de hipoxia e miosite, com a consequente reação fibrosa intramuscular, aderências e uma situação de dor crônica, aos menores movimentos, e refratária à volta à posição de repouso. Além disso, a tensão muscular crônica age comprimindo os discos intervertebrais, prejudicando sua nutrição e contribuindo para a sua degeneração. (8) Lombalgia por torção da coluna ou por ritmo lombopélvico incorreto, é uma das mais frequentes no trabalho, e geralmente acontece quando: 1. O trabalhador escorrega enquanto caminha, e na tentativa de se manter em pé, torce o corpo; 2. Um objeto cai no chão, a pessoa se esforça por segurá-lo e, na tentativa, tem um brusco movimento de rotação lateral; 3. O trabalhador vai pegar uma carga e o local está inacessível; isto obriga o indivíduo a pegar a carga posicionando-se ao lado da mesma, o que faz a coluna lombar a torcer e girar; 4. O trabalhador vai pegar uma carga mais pesada ou de conformação assimétrica, aproximando as mãos do chão, com os joelhos eretos; devido ao excesso de peso ou à conformação assimétrica, o movimento que deveria ser absolutamente simétrico torna- se assimétrico, podendo ocorrer a lombalgia; e 5. O trabalhador, portador de escoliose, diferença de comprimento dos membros inferiores, rigidez dos músculos isquiotibiais ou da musculatura paravertebral, rigidez das coxofemorais ou alterações das sacroilíacas, realiza levantamento ou movimentação de cargas com o dorso encurvado; nesse caso, por mais que o indivíduo se esforce por fazer a flexão do tronco em ritmo lombopélvico adequado (simétrico, fácil e harmônico), não o conseguirá, pois as afecções citadas o impedem. (8)
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    91     Emboranão seja grave, esta forma de lombalgia costuma ser bastante recorrente. Manifesta-se como um dor forte e intensa na região lombar, geralmente unilateral, que se prolonga por dois a quatro dias e espasmo muscular de intensidade relativa. (8) Lombalgia por distensão músculo-ligamentar Ocorre principalmente quando a musculatura paravertebral tem que desenvolver o esforço de elevação de uma carga com o tronco fletido e o valor da carga é excessivamente pesado, acima dos limites dos músculos, ligamentos e fáscias antes citados. (8) Geralmente ocorre ao se levantar pesos excessivos, mas frequentemente em pessoas cuja compleição física não as habilitaria a desenvolver esforços mais pesados; uma causa frequente deste tipo de lombalgia é quando duas pessoas estão carregando uma carga e uma delas deixa seu lado cair e a outra tem que fazer um grande esforço no sentido de mantê- la. Também ocorre quando a pessoa vai fazer o esforço sem enrijecer os músculos do dorso. Ocorre também entre indivíduos que realizam manuseio de cargas com flexão e/ou rotação do tronco com frequência, mesmo que as cargas manuseadas não sejam muito pesadas. E, ainda, é uma forma frequente de lombalgias entre trabalhadores habituados a atividades de manuseio de cargas após a idade de 40 anos. (8) Clinicamente, é uma dorsolombalgia forte, que piora à tentativa de flexão do tronco, sem sinais neurológicos. Esta forma de lombalgia pode ser considerada de média gravidade, por ser recorrente, podendo ocasionar também hipertonia crônica dos músculos, com compressão dos discos intervertebrais e a consequente degeneração dos discos. (8) Lombalgia por instabilidade articular na coluna vertebral Provoca dor decorrente da instabilidade na junção lombossacra, e pode ocorrer nas seguintes situações de trabalho: 1. Em trabalhadores que tenham algum defeito no fechamento do arco vertebral ou nas articulações intervertebrais e que permaneçam parados, de pé, durante grande período de tempo em posição de lordose forçada na coluna lombar, e
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    92     2.Em trabalhadores que tenham alguma das deficiências citadas e que carreguem cargas e suportem pesos, mesmo sem curvar o tronco. (8) A lombalgia, nesse caso, pode ser forte ou não, dependendo da intensidade do deslocamento anterior de L5 sobre S1 e dependendo também do tempo de evolução do distúrbio. (8) Lombalgia por protrusão intradiscal do núcleo pulposo Surge com o envelhecimento prematuro do disco, ocorrem alterações nas fibras do mesmo (alterações estas conhecidas como discoartrose), caracterizadas essencialmente por: (a) as fibras que antes eram elásticas, vão se tornando colágenas e friáveis; e (b) a capacidade de amortecimento de cargas vai se reduzindo gradativamente. (8) Mas, à medida que vai ocorrendo a colagenização das fibras do disco, os aumentos de pressão, principalmente por esforços assimétricos, tendem a empurrar o núcleo pulposo para o lado oposto. (8) Geralmente, no ambiente de trabalho, o esforço que causa a protrusão intradiscal do núcleo pulposo é pegar ou manusear uma carga pesada aproximando o tronco do chão, sem dobrar os joelhos. Nesse caso, o núcleo pulposo é arremessado para trás, abrindo caminho entre as fibras agora friáveis, e pode chegar até as porções mais periféricas do disco (quase herniando-se no forame intervertebral ou no canal vertebral). (8) As atividades que precipitam este tipo de lombalgia são: • Pegar ou manusear uma carga mais pesada, com o tronco em flexão; • Pegar ou manusear uma carga com o tronco em flexão lateral ou rotação; e • Pegar ou manusear uma carga longe do corpo. (8) Clinicamente, a dor é fortíssima, acompanhado de espasmo muscular muito acentuado (que teria a função de ser um mecanismo de proteção e evitar novamente o esforço excêntrico, no sentido de não haver uma hérnia de disco). A lombalgia aumenta quando o indivíduo tosse ou espirra, fenômenos que ampliam a pressão no disco. (8)
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    93     Hérniade disco intervertebral Ocorre por trauma cumulativo, o núcleo pulposo fora de seu lugar dentro do disco irá sair e poderá comprimir a raiz nervosa daquela região dando uma dor fortíssima, que se irradia ao longo do trajeto do nervo. Na maioria das vezes o disco que se hérnia é o situado entre L5-S1. (8) A hérnia de disco é rara quando o indivíduo pega uma carga do chão fletindo o tronco simetricamente, ela pode ocorrer quando o trabalhador vai pegar uma carga e flete o tronco assimetricamente. Nessa situação, o núcleo pulposo pode se herniar nas laterais. Outro movimento que precipita a hérnia de disco é fazer um esforço de levanta uma carga longe do corpo, pois nesta situação, para poder conseguir realizar a tarefa, os músculos da coluna tem que fazer um esforço muitíssimo alto, com possibilidade de comprimir os discos da coluna e promover a sua herniação; é claro, se o esforço for feito de forma assimétrica e, além disso, longe do corpo, a chance da hérnia de disco fica muito aumentada. (8) Na tabela 4.1 observamos o quadro clínico de acordo com a área da coluna atingida pela hérnia de disco. Local de Ruptura Quadro Clínico Compressão da raiz espinhal de L4 (indicativa de hérnia de disco L3- L4 ou condição patológica localizada ao nível do forame de L4) * Deficiência sensitiva: parte póstero-lateral da coxa, anterior do joelho e medial da perna * Debilidade motora: quadríceps (variável), adutores do quadril (variável) * Alterações nos reflexos: tendão patelar, tendão do tibial anterior (variável) Compressão da raiz espinhal de L5 (indicativa de hérnia de disco L4- L5 ou condição patológica localizada ao nível do forame de L5) * Deficiência sensitiva: parte ântero-lateral da perna, dorso do pé e do hálux * Debilidade motora: extensor longo do hálux, glúteo médio, extensores longo e curto dos dedos do pé * Alterações nos reflexos: comumente nenhuma, tibial posterior (de difícil promoção) Compressão da raiz espinhal de S1 (indicativa de hérnia de disco L5- S1 ou condição patológica localicada ao nível do forame de S1) * Deficiência sensitiva: maléolo lateral, parte lateral do pé, calcanhar e membrana do quarto e quinto dedos do pé * Debilidade motora: dibulares longo e curto, complexo gastrocnêmio- sóleo, grande glúteo * Alterações nos reflexos: tendão de Aquiles (complexo gastrocnêmio- sóleo) Extrusão maciça de discos lombares na linha mediana (em geral entre L4 e L5) * Dor - linha média do dorso, face posterior de ambas as coxas e pernas * Hipoestesia - no dorso de ambas as coxas, pernas, planta dos pés e períneo * Fraqueza - paralisia dos pés de dos esfíncteres * Reflexo aquileu ausente
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    94     Lombalgiapor conversão psicossomática, apresenta como principal característica: • Queixa de dor desproporcional à lesão encontrada; • Recorrência frequente; • Não há uma definição clara do movimento que provoca a dor; • Há desajustamentos psíquicos importantes do indivíduo a algum aspecto de sua realidade de vida. Pode haver insatisfação com o trabalho; • Esse desajustamento manifesta-se, frequentemente, sob a forma de melancolia, incapacidade de enfrentar ou superar os obstáculos e tônus vital diminuído. • À medida que o paciente dirige sua atenção para outros fatores, a dor tende a diminuir de intensidade; • As situações de ansiedade geram tensão muscular e dor; • As situações de depressão geram alterações posturais e dor; • O paciente pressente que suas costas vão doer à medida que percebe um problema psíquico iminente; • Há um condicionamento do estado doloroso, o indivíduo aprende que, à medida que tem o problema, é alvo de atenção e carinho; • Dorme mal, o que agrava a dor. (8) Visão geral sobre o risco para a coluna Se dá qualitativamente, pois pode ser identificado ao se observar a tarefa, os pesos levantados, a intensidade dos esforços realizados, o ambiente de trabalho, a capacidade das pessoas e o grau de instrução e treinamento. Um check-list eficaz na identificação do risco é o que se segue (a partir de MacDonald & Haslock, 2000) As tarefas manuais envolvem: • Manusear cargas longe do tronco? Tabela 4.1 – Clínica da Hérnia de Disco, segundo os níveis de acometimento Fonte: adaptado de Crenshaw, 1997
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    95     •Torcer ou inclinar o tronco anteriormente? • Alcançar e pegar objetos acima da cabeça? • Mover um a carga por um longo trajeto na vertical? • Carregar cargas por longas distâncias? • Empurrar ou puxar carrinhos, pateleiras em grande exigência? • Movimentos imprevisíveis de cargas? • Levantamento e manuseio repetitivo de cargas? • Um ritmo de trabalho muito rápido imposto pelo processo coexistindo com esforços pesados? • Tempo insuficiente de recuperação? • Levantar e manusear pacientes? As cargas são: • Pesadas, volumosas ou de difícil manejo? • De pega difícil? • Instáveis, imprevisíveis? • Intrinsecamente perigosas, por exemplo, quinas vivas, quentes? • O trabalho em escritório é caracterizado por: • Cadeiras sem regulagem da altura ou inclinadas para trás? • Suporte inadequado na coluna vertebral? • Pés sem apoio? • Rodízios muito duros ou excessivamente deslizantes? • Cadeiras instáveis? • Posto de trabalho (mesa, mesa do computador, teclado) sem regulagem quando isso seria necessário? • Monito de vídeo muito alto ou muito baixo? • Falta de espaço para as pernas? Existem no ambiente de trabalho: • Postura constrita, estática? • Piso de má qualidade, excessivamente liso ou irregular? • Variações nos níveis do piso?
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    96     •Calor, frio ou umidade? • Fortes corrente de ar? • Iluminação deficiente? Quanto à capacidade individual. O trabalho: • Exige uma capacidade física especial? • Coloca em maior risco aqueles com um problema de saúde (por exemplo, distúrbio na coluna)? • Coloca em maior risco as gestantes? • Exige informação especial ou treinamento especial sobre como executá-lo? • Requer roupas especiais? Instrução e treinamento. As condições atuais de trabalho poderiam ser melhoradas com: • Uso de utensílios mecânicos? • Princípios de métodos adequados? • Boas técnicas de manuseio de cargas? A prevenção das lombalgias passa por cinco grupos de medidas, cuja importância é colocada a seguir, na sua ordem decrescente: 1. Medidas de melhoria dos postos de trabalho visando à ergonomia; 2. Reabilitação precoce; 3. Programas de condicionamento físico; 4. Seleção de pessoas; e 5. Técnicas de manuseio de cargas. 4.3 LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS (LER) / DISTÚRBIOS OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO (DORT) Lesões por esforços repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) não são uma doença. Esse título engloba um grupo heterogêneo de quadros clínicos que acometem tendões, sinóvias, músculos, nervos, fáscias, ligamentos, isolada ou associadamente, com ou sem degeneração tissular, atingindo
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    97     principalmenteos membros superiores, mas também, a região escapular, a coluna vertebral e os membros inferiores, em decorrência de fatores ligados ao trabalho. (2) Diversas foram as designações dadas a esse grupo de doenças em outros países, entre nós, os termos mais empregados foram: Lesões por Esforços Repetitivos (LER), Lesões por Traumas Cumulativos (LTC) e Doença Cervicobraquial Ocupacional (DCO). (2) A pluralidade de nomes é explicada pelas várias entidades que compõem esse conjunto de doenças e as diversas teorias aventadas sobre sua fisiopatologia. No Brasil, o termo LER teve seu uso consagrado, apesar dos quadros nem sempre implicarem em lesões. A introdução da denominação DORT, mais apropriada, não conseguiu abolir o uso da LER e ambas foram adotadas oficialmente pelo Ministério da Saúde e da Previdência Social, sendo grafadas: LER/Dort. (2) Ramazzini, em 1713, descreveu com muita propriedade uma doença “típica” dos escreventes: ... “Três são as causas das afecções dos escreventes: primeira, contínua vida sedentária; segunda, contínuo e sempre o mesmo movimento da mão; e terceira, atenção mental para não mancharem os livros e não prejudicarem seus empregadores nas somas, restos ou outras operações aritméticas... A necessária posição da mão para fazer correr a pena sobre o papel ocasiona não leve dano que se comunica a todo o braço, devido à constante tensão tônica dos músculos e tendões e, com o andar do tempo, diminui o vigor da mão. Conheci um home, notário de profissão,... o qual dedicou toda sua vida a escrever, lucrando bastante com isso. Primeiro, começou a sentir grande lassidão em todo o braço e não pode melhorar com remédio algum e, finalmente, contraiu uma completa paralisia do braço direito. A fim de reparar o dano, tentou escrever com a mão esquerda, porém, ao cabo de um tempo, esta também apresentou a mesma doença”... Relatos isolados foram publicados desde meados do século XIX sobre a cãibra do escrivão (1830), a cãibra do telegrafista (1875) e a entrose das lavadeiras (Doença de DeQuervain) (1891). Já no início do século XX, Hammer (1934) estudou tendinites entre empacotadores. (2)
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    98     Apesardisso, esses quadros só começaram a adquirir relevância a partir de meados do século XX, com a crescente utilização do computador no trabalho. No Japão, Maeda descreveu problemas musculoesqueléticos entre perfuradores de cartões (1958), caixas registradoras e datilógrafos (1971) e montadores (1982). (2) Entre nós, a primeira descrição de casos de tenossinovites ocupacionais entre lavadeiras, limpadoras e engomadeiras, foi apresentada no XII Congresso Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho, em 1973. Entretanto, o problema acomete profissionais de várias áreas, como açougueiros, datilógrafos, motoristas, professores, empacotadores, britadores, músicos, dentistas, etc. (2) A incidência de LER/DORT em membros superiores aumentou dramaticamente ao longo das últimas décadas em todo o mundo. Estudos realizados nos EUA apontam que cerca de 65% de todas as patologias registradas como ocupacionais são de LER/DORT, observando-se que, nas empresas com mais de 11 empregados do setor privado daquele país, a incidência estimada dessas patologias é de 10 por 10.000 homens. A relação horas trabalhadas/ano pode determinar incidência mais alta em alguns setores, como, por exemplo, em atividades que exigem do trabalhador uso de força e de repetição comum em linhas de produção de frigoríficos, em bancos, em videoterminais, em caixas de supermercado, em seções de empacotamento, entre outras. (9) No Brasil, o aumento na incidência de LER/DORT pode ser observado nas estatísticas do INSS de concessão de benefícios por doenças profissionais. Segundo os dados disponíveis, respondem por mais de 80% dos diagnósticos que resultaram em concessão de auxílio-acidente e aposentadoria por invalidez pela Previdência Social em 1998. (9) Diante do aumento da frequência de LER/DORT, estudiosos têm tentado explicar sua gênese por meio de várias teorias. Serão apresentadas, a seguir, características de algumas delas. Apesar das dificuldades decorrentes da falta de um conhecimento sedimentado sobre o tema, parece estar se formando o consenso de que LER/DORT resultam do entrelaçamento de três conjuntos de fatores envolvidos na dor musculoesquelética: • fatores biomecânicos presentes na atividade; • fatores psicossociais relacionados à organização do trabalho;
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    99     •fatores ligados à psicodinâmica do trabalho ou aos desequilíbrios psíquicos gerados em certas situações especiais de trabalho na gênese do processo de adoecimento. (9) De acordo com Bauk, Douglas – 2008, podemos sintetizar os fatores de risco da seguinte forma: Fatores individuais: são representados pelas características físicas e psicológicas, estilo de vida, hábitos etc. As mulheres teriam uma maior predisposição às LER/Dort em virtude de maior fragilidade orgânica, de ações hormonais e das próprias condições de trabalho em relação aos homens, entretanto, alguns autores contestam isso alegando falhas em estudos estatísticos. Tamanho do pulso, fraturas pregressas, deformidades, práticas esportivas, carências vitamínicas (B-6) e tabagismo são outros aspectos a considerar. Fatores Biomecânicos: tarefas envolvendo força e repetitividade de movimentos, posturas viciosas, uso prolongado de ferramentas manuais de má empunhadura, golpeamento repetitivo de ferramentas com a base das mãos, constrição do punho por luvas apertadas ou munhequeiras etc., são de grande importância na gênese das LER/Dort. Equipamento e mobiliário não ergonômico, bem como precárias condições de visibilidade, contribuem para a ocorrência de posturas viciosas, trabalho estático e suas consequências. Fatores organizacionais: pressão excessiva no trabalho, baixo grau de autonomia, monotonia, jornadas prolongadas, pausas inadequadas, falha de treinamento, gerenciamento inadequado, política empresarial etc., estão entre as causas mais comuns de insatisfação no trabalho, potencializando manifestações psicossomáticas e agravamento dos quadros de LER/Dort. Fatores psicossociais: tempo de serviço, insatisfação no trabalho, medo de perder o emprego, ausência de atividades alternativas, aspectos econômicos, falta de suporte social etc., também influem no problema das LER/Dort de foram marcante. Fatores ambientais: o frio, pela vasoconstrição, prejudica o aporte de nutrientes e a remoção de metabólitos dos tecidos musculares, enquanto que as vibrações afetam as estruturas corporais provocando traumas mecânicos. Ambos contribuem para a instalação e o agravamento de problemas musculoesqueléticos, vasculares e neurológicos. Na tabela 4.2 estão relacionadas diversas doenças passíveis de enquadramento entre as LER/Dort.
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    100     PatologiaAtividade TENDINITES E TENOSSINOVITES Tenossinovites dos extensores Comuns entre digitadores, resultando provavelmente mais do trabalho estático desses músculos para manter a posição contra a gravidade. Doença de DeQuervain Originalmente descrita em lavadeiras, ocorre em atividades que exigem fixação do polegar com aplicação de força de torção ou desvio ulnar do carpo. Dedo em gatilho Uso repetido de ferramentas manuais de empunhadura grande, com bordas vivas ou que exijam flexão da falange distal antes da proximal. Tendinite do supra- espinhoso ou síndrome do impacto Atividades que implicam em movimentos com cotovelos elevados e braços elevados ou abduzidos acima de 45° por longos períodos. Tendinite bicipital Ocorre em atividades onde o braço é mantido em elevação por longos períodos. EPICONDILITES Epicondilite lateral ou "cotovelo de tenista" Esforços repetitivos combinados com rotação contínua do cotovelo, como no uso de chave de fenda, chave inglesa, corte de carne, etc. Epicondilite medial, epitrocleite ou "cotovelo de golfista" Tarefas repetitivas com esforço excessivo, implicando em flexão brusca do punho, como descascar fios elétricos. BURSITES Provocada pelo apoio do cotovelo sobre uma superfície rígida por tempo prolongado. NEUROPATIAS COMPRESSIVAS Síndrome do túnel do carpo Movimentos repetitivos com extensão, flexão ou desvio ulnar e radial do punho; vibrações, compressão mecânica da base da mão associada a força e movimentos de pinça. Síndrome do túnel e do canal cubital Posturas viciosas e repetitivas em pronação, supinação, flexão e estensão, ou o apoio do cotovelo em flexão sobre uma superfície rígida, como carimbadores ou motoristas que dirigem com o cotovelo apoiado na janela do veículo. Síndrome do canal de Guyon Traumas repetitivos sobre a borda ulnar do punho, em carimbadores e escrivães. Síndrome do supinador Movimentos repetitivos de pronossupinação, como apertar parafusos. Síndrome do interósseo anterior Acomete indivíduos que carregam objetos pesados. Síndrome cérvico-braquial Traumatismos e manutenção de posturas viciosas que provoquem estiramento ou compressão dos troncos nervosos do plexo cervical. DISTÚRBIOS NEUROVASCULARES Síndrome do desfiladeiro torácico Atividades por longos períodos com os braços elevados ou que comprimem o ombro contra objetos, por exemplo, telefone preso entre o ombro e a orelha. Fenômeno de Raynaud Exposição a baixas temperaturas, uso prolongado de ferramentas vibratórias, etc. Síndrome do martelo hipotenar Bater objetos repetidamente com a região hipotenar lesiona as artérias acima dos ossos carpais. Tabela 4.2 – Doenças enquadradas como LER/Dort relacionadas com possíveis atividades como causa Fonte: adaptado de Bauk, 2008
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    101     Aprevenção das LER/DORT baseia-se na capacitação técnica e definição política para: • avaliação dos fatores de risco para a saúde dos trabalhadores, a partir da inspeção aos locais de trabalho e entrevistas com trabalhadores, reconhecendo situações que podem demandar avaliação ergonômica; • identificação dos problemas ou danos potenciais para a saúde, decorrentes da exposição aos fatores de risco; • proposição das medidas a serem adotadas para eliminação ou controle da exposição aos fatores de risco e proteção dos trabalhadores; • utilização dos recursos de vigilância em saúde e de fiscalização do trabalho, para verificar a obediência, pelo empregador, de suas obrigações em relação à identificação, avaliação e documentação dos fatores de risco existentes no processo de trabalho e à adoção de medidas corretivas de controle ambiental e de saúde do trabalhador. A intervenção sobre os ambientes e condições de trabalho deve basear-se em análise criteriosa e global da organização do trabalho, que inclui a análise ergonômica do trabalho (real), da atividade, do conteúdo das tarefas, dos modos operatórios, dos postos de trabalho; do ritmo e da intensidade do trabalho; dos fatores mecânicos e condições físicas dos postos de trabalho; das normas de produção; dos sistemas de turnos, dos sistemas de premiação, dos incentivos, dos fatores psicossociais, individuais e das relações de trabalho entre colegas e chefias. Interessa conhecer, também, as medidas de proteção coletiva e individual implementadas pelas empresas e as estratégias de defesa, individuais e coletivas, adotadas pelos trabalhadores. Devem ser buscadas estratégias para garantir a participação dos trabalhadores e a sensibilização dos níveis gerenciais para a implementação das medidas a serem adotadas, que envolvem modificações na organização do trabalho.
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    102     REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS 1. Araújo, Wellington T.: Manual de segurança do trabalho – São Paulo: DCL, 2010 2. Bauk, Douglas A.: Temas de ergonomia para médicos do trabalho. 2ªEd. – Niterói, RJ: Nitpress, 2008 3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas.: Dermatoses ocupacionais / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. 4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas.: Pneumoconioses / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. 5. Costa, Danilo F.: Programa de Saúde dos Trabalhadores (A experiência da Zona Norte: Uma Alternativa em Saúde Pública) / Danilo Fernandes Costa, José Carlos do Carmo, Maria Maeno Settimi, Ubiratan de Paula Santos. – São Paulo: Editora Hicitec, 1989 6. I Workshop de vibrações e acústica – Agosto/2011 7. LEI Nº 8.213, de 24 de julho de 1991 8. Mendes, René: Patologia do Trabalho.Vol.1, Vol.2. 2ª edição – São Paulo: Atheneu, 2007 9. Ministério da Saúde do Brasil. Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil.: Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde / Ministério da Saúde do Brasil, Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil; organizado por Elizabeth Costa Dias; colaboradores Idelberto Muniz Almeida et al. – Brasília: Ministério da Saúde do Brasil, 2001. 10. Monteiro, Antonio L.: Acidentes do trabalho e doenças ocupacionais: (conceito, processos de conhecimento e de execução e suas questões polêmicas) / Antonio Lopes Monteiro, Roberto Fleury de Souza Bertagni. – 4ª ed. atual – São Paulo: Saraiva, 2007 11. Nouailhetas, Yannick.: (Apostila Educativa) Radiações Ionizantes e a Vida / Yannick Nouailhetas, Carlos Eduardo Bonacossa de Almeida, Sonia Pestana. Rio de Janeiro: CNEN Comissão Nacional de Energia Nuclear.
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    103     12.Oliveira, Claudio A. D.: Segurança e Medicina do Trabalho (Guia de Prevenção de Riscos) – São Paulo: Yendis Editora Ltda., 2011 13. Opitz, Oswaldo.: Acidentes do Trabalho e Doenças Profissionais / Oswaldo Optiz, Silvia C. B. Optiz. – 3ª ed. atual – São Paulo: Saraiva, 1988 14. Paumgartten, Luiz C.R.: Risco Físico. – Edição 2011 15. Paumgartten, Luiz C.R.: Risco Químico. – Edição 2010 16. Pedrotti, Irineu A.: Doenças Profissionais ou do Trabalho. Vol. 1 – São Paulo: Livraria e Editora Universitária de Direito, 1988 17. PORTARIA Nº 1.339, DE 18 DE NOVEMBRO DE 1999 18. Possas, Cristina A.: Saúde e Trabalho (A crise da Previdência Social). 2ª ed. – São Paulo: Editora Hucitec, 1989 19. Ramazzini, Bernardino: As doenças dos Trabalhadores. 2ª edição – Tradução pelo Dr. Raimundo Estrela – São Paulo: Fundacentro, 1985 20. Ribeiro, Maria C. S. R.: Enfermagem e Trabalho: fundamentos para a atenção à saúde dos trabalhadores. 2ª ed. – São Paulo: Martinari, 2012 21. Souza, Décio G.: Anatomia e Fisiologia do Ouvido – São Paulo, 2007. Disponível em: http://www.dgsotorrinolaringologia.med.br/apost_ouvido.htm 22. Unifesp. Laboratório de Mediadores Inflamatórios - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP): Pulmão / Itamar Souza de Oliveira Junior, Rafael de Lima, Janaína Passos de Oliveira, Sâmia Santos Cavassani, Ricardo Santos Simões, Lidiane Lopes Reis, Carla Cristina Maganhin, Adriana Aparecida Ferraz Carbonel, Juliana Halley Hatty , Luiz Fernando Portugal Fuchs, Márcio Alexandre Custódio, Joilson Moura dos Santos, Wagner Rogério Souza de Oliveira, Pâmela Vieira de Andrade. Disponível em: http://www.unifesp.br/dmorfo/histologia/ensino/pulmao/patologias.htm
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    104     LISTADE FIGURAS Figura 2.1. Dermatite de contato / Fonte: Mendes, René - 2007 Figura 2.10. Dermatite irritativa de contato acneiforme / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 2.11. Perfuração do septo nasal / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 2.12. Dermatite alérgica de contato / Fonte: Mendes, René - 2007 Figura 2.13. Queimadura química por ácido sulfúrico / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 2.2. Micropapuloeritematosas / Fonte: Mendes, René - 2007 Figura 2.3. dermatite alérgica cronificada / Fonte: Mendes, René - 2007 Figura 2.4. dermatite de contato irritativa forte / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 2.5. dermatite alérgica de contato por bota de borracha / Fonte: Mendes, René - 2007 Figura 2.6. dermatite alérgica de contato por bota de borracha / Fonte: Mendes, René - 2007 Figura 2.7. Radiodermite crônica / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 2.8. Dermatite irritativa de contato folicular / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 2.9. Miliária rubra / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 3.1 Curvas de isoaudibilidade, segundo Robinson e Dadson (1961) / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 3.2 Curvas de ponderação normalizada A e C / Fonte: http://dc358.4shared.com/doc/4tk8hSp9/preview.html Figura 3.3 Corte frontal do órgão periférico (orelhas externa, média e interna) / Fonte: http://centrootorrinodf.com.br/anatomia/ouvido.php Figura 3.4 Níveis de audição de um indivíduo normal exposto a um ruído de 103 dB(A) (perda auditiva temporária) / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 4.1 – Coluna vertebral / Fonte: http://luzquantica.com.br/2013/08/ Figura 4.2 – Vértebra tipo / Fonte: Bauk, Douglas A. – 2008
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    105     LISTADE TABELAS Tabela 1.1 – Classificação das doenças segundo sua relação com o Trabalho / Fonte: Adaptado de Schilling, 1984 Tabela 1.2 - Exemplos de Doenças Infecciosas Selecionadas por Ocupação / Fonte: Mendes, René – 2007 Tabela 1.3 - Doenças infecciosas e parasitárias relacionadas com o trabalho (grupo I da CID- 10) / Fonte: Portaria nº 1.339, de 18 de novembro de 1999 Tabela 1.4 – Precauções Universais / Fonte: Normas de Biossegurança ou Prescrições Universais Tabela 2.1 - Classificação Clínica das Doenças Pulmonares / Fonte: Mendes, René – 2007 Tabela 2.2 - Pneumotinte por Hipersensibilidade / Fonte: Mendes, René – 2007 Tabela 2.3 - Pneumoconioses, poeiras causadoras e processos anatomopatológicos subjacentes / Fonte: Mendes, René – 2007 Tabela 2.4 - Exposições Ocupacionais Associadas ao Câncer Respiratório / Fonte: Segundo Critérios da IARC (2000) Tabela 2.5 - Hemopatias Profissionais Segundo Mecanismos e Tipos de Alterações e Possíveis Agentes Etiológicos de Origem Ocupacional / Fonte: Mendes, René – 2007 Tabela 2.5 - Principais Substâncias Neurotóxicas Presentes em Situações de Trabalho Capazes de Causar a Doença de Parkinson Secundária / Fonte: adaptado de Rosenberg, 1995 Tabela 3.1 Exemplos de riscos existentes e os efeitos para a saúde / Fonte: Araújo, Wellington - 2010 Tabela 3.2 – Efeitos clínicos da vítima de hipotermia / Fonte: American Family Phvsician – AAFP Tabela 3.3 – Efeitos de radioexposição aguda em adulto / Fonte: APOSTILA EDUCATIVA CNEN Tabela 3.4 – Exposições agudas localizadas / Fonte: apostila educativa do CNEN Tabela 4.1 – Clínica da Hérnia de Disco, segundo os níveis de acometimento / Fonte: adaptado de Crenshaw, 1997