2a
Edição / Abril / 2015
Impressão em São Paulo - SP
Marcella Ferreira e Silva
Zulmira Rosa de Sousa Silva Duque
O AMBIENTE E AS DOENÇAS LABORAIS
Professor Responsável
Marcella Ferreira e Silva
Zulmira Rosa de Sousa Silva Duque
2ª Edição: Abril de 2015
Impressão em São Paulo/SP
Copyright © EaD KnowHow 2015
Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida por
qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.
O AMBIENTE E AS DOENÇAS LABORAIS
S586a Silva, Marcella Ferreira.
O ambiente e as doenças laborais. / Marcella Ferreira
Silva, Zulmira Rosa de Souza Silva Duque. - 2. ed. - São
Paulo : Know How, 2015.
000 p. : 21 cm.
Inclui bibliografia
ISBN : 978-85-8065-314-4
1.	 Doenças laborais. 2. Riscos. 3. Ambiente. I. Título.
CDD – 616. 9803
Catalogação elaborada por Glaucy dos Santos Silva - CRB8/6353
SUMÁRIO
unidade1 |RISCOs BIOLÓGICOs
1.1 – RELAÇÃO ENTRE AS DOENÇAS INFECCIOSAS E TRABALHO
1.2 – PRINCIPAIS DOENÇAS
1.3 – PREVENÇÃO
unidade 2|RISCOS QUÍMICOS
2.1 DOENÇAS RELACIONADAS À EXPOSIÇÃO AO RISCO QUÍMICO
2.1.1 DOENÇA RESPIRATÓRIA
2.1.2 DOENÇAS DA PELE
2.1.3 DOENÇAS DO OLHO
2.1.4 DOENÇAS DO OUVIDO
2.1.5 DOENÇAS DO SANGUE
2.1.6 DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO
2.1.7 DOENÇAS DO SISTEMA REPRODUTIVO
unidade 3 |RISCOS FÍSICOS
3.1 RUÍDO
3.1.1 ANATOMIA DA ORELHA
3.1.2 FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO
3.1.3 DOENÇAS RELACIONADAS AO RUÍDO
3.1.4 MEDIDAS DE CONTROLE DO RUÍDO
3.2 CALOR
3.2.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO AO CALOR
3.2.2 MEDIDAS DE CONTROLE DO CALOR
3.3 FRIO
1.3.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO AO FRIO
17
57
99
3.3.2 MEDIDAS DE CONTROLE DO FRIO
3.4 PRESSÕES ANORMAIS
3.4.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO ÀS PRESSÕES
ANORMAIS
3.4.2 MEDIDAS DE CONTROLE DAS PRESSÕES ANORMAIS
3.5 VIBRAÇÕES
3.5.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO À VIBRAÇÃO
3.5.2 MEDIDAS DE CONTROLE DA VIBRAÇÃO
3.6 RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES
3.6.1 MEDIDAS DE CONTROLE DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE
3.7 RADIAÇÕES IONIZANTES
3.7.1 EFEITO DAS RADIAÇÕES IONIZANTES NO HOMEM
3.7.2 MEDIDAS DE CONTROLE DA RADIAÇÃO IONIZANTE
unidade 4 |rISCOS ERGONôMICOS E DE ACIDENTES
4.1 ALGUMAS SÍNDROMES NEURÓTICAS
4.2 DOENÇAS DA COLUNA VERTEBRAL RELACIONADAS AO
TRABALHO
4.3 LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS (LER) / DISTÚRBIOS
OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO (DORT)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
143
179
7
INTRODUÇÃO
Há muito tempo se sabe que o trabalho,
quando executado sob determinadas condições, pode
causar doenças, encurtar a vida ou matar, sem rodeios,
os trabalhadores. (8)
O desgaste do corpo durante o processo pro-
dutivo gera patologias específicas para cada tipo de ati-
vidade ocupacional, além das diferentes modalidades de
acidentes do trabalho, cujas características encontram-
se também diretamente relacionadas com o tipo de tra-
balho executado. (18)
Em relação às condições de trabalho, os riscos
ambientais estão divididos em cinco categorias:
• Riscos Biológicos: são diretamente relaciona-
dos com micro-organismos, podendo provocar doenças;
• Riscos Químicos: são substâncias ou produ-
tos que podem contaminar o ambiente de trabalho e,
consequentemente, o organismo humano;
• Riscos Físicos: São resultantes da troca de
energia entre o organismo e o ambiente de trabalho, em
quantidade que pode causar o desconforto, acidentes
ou doenças do trabalho;
• Riscos Ergonômicos: são as condições de tra-
balho que não são adaptadas às características físicas e
psicofisiológicas das pessoas;
• Riscos Mecânicos ou de Acidentes: são agen-
8
tes relacionados com os processos de trabalho e as
condições físicas do ambiente. (1)
É importante observar que a nocividade do
trabalho pode não ser dele próprio, ou das ativida-
des que o conformam, mas determinada ou agravada
por duas considerações sobre o “tempo de trabalho”,
sendo elas pela “duração” ou pela “configuração”,
entendido como “tempo de trabalho” nas mais distin-
tas acepções, que vão desde o tempo na vida em que
se começa a trabalhar; o tempo na vida em que se para
de trabalhar; o tempo ou duração do trabalho numa
jornada de trabalho (jornada, do francês jour = dia),
nas semanas, nos meses, nos anos e, enfim, na vida.
“Duração”, no sentido de tempo acumulado, e “con-
figuração”, no sentido de sua distribuição, ou forma
como a duração está organizada ou distribuída no pró-
prio referencial de periodização do tempo: vida, época
da vida, ano, estação do ano, mês, semana, dia, hora,
minuto... (8)
O grau de sucesso ou insucesso dos mecanis-
mos de “agressão” irá depender não apenas da natu-
reza e intensidade da “agressão”, e do grau de “vulne-
rabilidade” aos patógenos do trabalho, mas também
da eficiência ou eficácia dos mecanismos de “defesa”
do trabalhador. (8)
Sobre a ideia de saúde a Organização Mundial
da Saúde conceitua da seguinte forma:
9
condição em que um indivíduo ou grupo de indivídu-
os é capaz de realizar suas aspirações, satisfazer suas
necessidades e mudar ou enfrentar o ambiente. A saú-
de é um recurso para a vida diária, e não um objetivo
de vida; é um conceito positivo, enfatizando recursos
sociais e pessoais, tanto quanto as aspirações físicas.
(OMS, 1984 apud Rey, 1999. Grifo introduzido). (8)
Dito em outras palavras:
saúde é o estado caracterizado pela integridade ana-
tômica, fisiológica e psicológica; pela capacidade de
desempenhar pessoalmente funções familiares, pro-
fissionais ou sociais; pela habilidade para tratar com
tensões físicas, biológicas, psicológicas ou sociais.
(Rey, 1999. Grifo introduzido). (8)
Podemos concluir que, o trabalhador ao ser
exposto a um agente agressor, seu organismo irá reagir
com um tipo de mecanismo de defesa, seu resultado
pode ser uma adaptação ou uma lesão. Por exemplo, o
trabalhador exposto a uma natureza predominantemente
biológica, seu mecanismo de defesa poderá dar resposta
imunológica competente e adequada, caso não seja ade-
quada irá surgir doenças decorrentes desta exposição.
Antesdeiniciarmosnossosestudossobreasdoen-
ças ocupacionais, precisamos ter claro algumas definições:
10
• Acidente de trabalho
• Doença do trabalho
• Doença profissional
A Lei 8.213/91 conceitua o acidente de tra-
balho, primeiro no sentido restrito, depois no sentido
amplo ou por extensão. (10)
Do acidente-tipo, ou também chamado de
macrotrauma, cuida a lei no art. 19 e basicamente
define como acidente do trabalho aquele que ocorre
pelo exercício do trabalho provocando lesão corporal
ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda
ou redução da capacidade permanente ou temporária
para o trabalho. Ou seja, trata-se de um evento único,
subitâneo, imprevisto, bem configurado no espaço e no
tempo e consequências geralmente imediatas. (10)
O acidente de trabalho representa uma inter-
rupção súbita no processo de trabalho, traumática para
o acidentado, diferente das doenças profissionais ou do
trabalho que tem caráter progressivo e em boa parte
dos casos irreversíveis, implicando um processo lento
de degeneração orgânica do qual muitas vezes o pró-
prio trabalhador não se dá conta. Pela ausência inicial
de sintomatologia clínica, as patologias profissionais
permitem – ao contrário dos acidentes – que o indiví-
duo prossiga trabalhando até que se torne inútil para a
produção e seja substituído por outro. (18)
Deste modo o objetivo deste trabalho é tratar
11
apenas das doenças laborais, das quais podemos ana-
lisar sob algumas características do ponto de vista de
Ramazzini, Schilling e da própria Lei 8.213/91.
Bernardino Ramazzini (1633 – 1714) parece
ter sido o primeiro a tentar classificar o que ele deno-
minou de “doenças do trabalhador”, descrevia as
doenças como, por exemplo: “doença dos mineiros”;
“doença dos que trabalham em pé”; “doença dos pinto-
res”, “doença dos que trabalham com enxofre”, etc. (8)
Da classificação empírica construída por Ber-
nardino Ramazzini, há mais de 300 anos, é possível
pinçar os critérios para uma primeira sistematização
da patologia do trabalho:
• Num primeiro grupo estão aquelas doen-
ças diretamente causadas pela “nocividade da matéria
manipulada”, de natureza relativamente específica, e
que vieram dar origem às “doenças profissionais” (8)
• Num segundo grupo estão aquelas doenças
produzidas pelas condições de trabalho: “posições for-
çadas e inadequadas”, “operários que passam o dia de
pé, sentados, inclinados, encurvados etc.”. São as que
mais tarde foram denominadas “doenças causadas pelas
condições especiais em que o trabalho é realizado”. (8)
O professor Richard Schilling, da Inglaterra,
desenvolveu uma classificação própria, que agrupa
as “doenças relacionadas com o trabalho” em três
12
categorias, resumidas na tabela 1.1. (8)
A Lei 8.213/91 subdivide as doenças ocupacio-
nais em doenças profissionais e doenças do trabalho,
estando previstas no art. 20, I e II.
13
As primeiras, também conhecidas como “ergo-
patias”, “tecnopatias” ou “doenças profissionais típi-
cas”, são as produzidas ou desencadeadas pelo exercício
profissional peculiar a determinada atividade (corres-
ponde à classificação Schilling I). Nessa situação, o tra-
balho é considerado causa direta do agravo, ou seja, se
o agente for eliminado, o agravo poderá ser completa-
mente prevenido. Dada a sua tipicidade, prescindem de
comprovação do nexo de causalidade com o trabalho.
Há uma presunção legal nesse sentido. Decorrem de
microtraumas que cotidianamente agridem e vulneram
as defesas orgânicas, e que, por efeito cumulativo, ter-
minam por vencê-las, deflagrando o processo mórbido.
Por exemplo, os trabalhadores da mineração, sabe-se de
há muito que estão sujeitos à exposição do pó de sílica,
e, portanto, com chances de contrair a silicose, sendo
considerada uma doença profissional. (10) (20)
Por sua vez as doenças do trabalho, também
chamadas de “mesopatias”, ou “moléstias profissionais
atípicas”, são aquelas desencadeadas em função de con-
dições especiais em que o trabalho é realizado (classifi-
cação Schilling II e III), ou seja, o trabalho é um dos
fatores de risco para a ocorrência do agravo. Contudo,
por serem atípicas, exigem a comprovação do nexo de
causalidade com o trabalho, via de regra através de visto-
ria no ambiente laboral. A retirada do fator de risco redu-
zirá a incidência do agravo e/ou modificará a evolução da
doença. Por exemplo, a ocorrência de problemas osteo-
14
musculares nos profissionais de enfermagem. (10) (20)
Enquanto as doenças profissionais resultam de
risco específico direto (característica do ramo de ativi-
dade), as do trabalho tem como causa o risco específico
indireto. Assim, por exemplo, uma bronquite asmática
normalmente provém de um risco genérico e pode aco-
meter qualquer pessoa. Mas se o trabalhador exercer sua
atividade sob condições especiais, o risco genérico trans-
forma-se em risco específico indireto. (10)
A Lei 8.213/91 ainda contempla uma terceira
categoria de doença, disposto no parágrafo 2° do art.
20: “Em caso excepcional, constatando-se que a doença
não incluída na relação prevista nos incisos I e II deste
artigo resultou das condições especiais em que o traba-
lho é executado e com ele se relaciona diretamente, a
Previdência Social deve considerá- la acidente do tra-
balho”. Estamos diante de uma variante da doença do
trabalho, pois há uma relação direta com as condições
especiais em que é executado o trabalho, por exemplo,
as doenças ligadas à voz presentes nos trabalhadores
das empresas de telemarketing. (10)
15
17
UNIDADE 1 | RISCOS BIOLÓGICOS
Consideram-se riscos biológicos os vírus, bac-
térias, parasitas, protozoários, fungos e bacilos. (12)
Os riscos biológicos ocorrem por meio de
micro-organismos que, quando entram em contato com
o ser humano, podem causar diversas doenças. Muitas
atividades profissionais favorecem o contato com tais
riscos. É o caso das indústrias de alimentação, hospitais,
limpeza pública (coleta de lixo), laboratórios etc. (12)
Dentre as inúmeras doenças profissionais pro-
vocadas por micro-organismos, destacam-se: tubercu-
lose, brucelose, malária e febre amarela. (12)
Para que essas doenças possam ser conside-
radas doenças profissionais, deve haver exposição do
empregado a tais micro-organismos. Alguns agentes
infecciosos que podem ter relação com o trabalho são:
• Dos vírus: adenovírus; caxumba; citomega-
lovírus; ebola; hepatite B; hepatite C; Herpes simplex;
HIV; influenza; parainfluenza; parvovirus B19; poliovi-
rus; rotavirus; rubéola; sarampo; varicela-zoster; vírus
respiratório sincicial.
• Das bactérias: bordetella; campulobacter;
corynebacyerium diphteriae; mycobacterium tuberculosis;
neisseria meningitidis; salmonella; shigella; yersínia pestis.
18
• Outros: chlamydia psittaci; coxiella burnetti;
cryptosporidium; mycoplasma pneumonie; sarcoptes
scabiei. (12) (8)
O conhecimento dos riscos biológicos nos
ambientes de trabalho é crucial para a prevenção das
doenças ocupacionais. A displicência e complacência
podem resultar em graves e ameaçadoras consequências.
Os micro-organismos encontrados nos ambientes de tra-
balho variam de vírus extremamente pequenos e bacté-
rias unicelulares, até fungos e parasitas multicelulares. (8)
É preciso adotar medidas preventivas para que
as condições de higiene e segurança nos diversos seto-
res de trabalho sejam adequadas. (12)
As medidas de controle mais usualmente ado-
tadas são: saneamento básico, controle médico perma-
nente, uso de EPI, higiene rigorosa, higiene pessoal, uso
de roupas adequadas, vacinação, treinamento, etc. (12)
Para que uma substância seja nociva ao
homem, é preciso que ela entre em contato com o
organismo. Há diferentes vias de penetração para os
riscos biológicos: (12)
Ingestão: a água, os alimentos em geral, mãos e
objetos quando levados à boca constituem as principais
maneiras pelas quais a maioria dos agentes infectantes
por via oral é transportada e introduzida no organismo,
por exemplo, ovos de helmintos (Ascaris lumbricoides,
19
Enterobius vermicularis, Trichuris trichiura), cistos de pro-
tozoários (Entamoeba histolytica, Giardia lambia), bacté-
rias entéricas (Salmonella sp., Shigella sp., Escherichia coli
enteropatogênica) e enterovírus (vírus da poliomielite,
rotavírus, e outros). (8)
Inalação através das vias respiratórias superio-
res: gotículas expelidas pela boca e pelo nariz contendo
vírus diversos (gripe, sarampo, etc.); população viável de
Mycobacterium tuberculosis no escarro em dessecação,
associada a micropartículas de poeira; esporos de fun-
gos das espécies Histoplasma capsulatum e Paracocci-
dioides braziliensis, responsáveis, respectivamente, pela
histoplasmose e pela paracoccidioidomicose; frações de
muco nasal contendo Mycobacterium leprae, agente da
hanseníase, e diversos outros exemplos, compõem uma
vasta lista de biopatógenos que podem estar presentes
em suspensão no ar inalado. (8)
Penetração através das mucosas: de forma
geral, as mucosas expostas aos fatores ambientais –
vagina, uretra, olhos, boca – dispõem de condições
biofísico-químicas favoráveis à instalação de germes
e consequente desenvolvimento de infecções especí-
ficas. O material chegado à mucosa sadia pode origi-
nar-se do contato direto com outra mucosa doente ou
ser trasnportado por algum veículo ou vetor. A Neisse-
ria gonorrhhoeae, responsável pela blenorragia e pela
20
oftalmia neonatorum, e as clamídeas, responsáveis por
alguns tipos de uretrites e pelo tracoma, são exemplos
de micro-organismos que penetram pelas mucosas, aí
permanecendo e desenvolvendo estado patológico. O
Trypanosoma cruzi, agente da doença de Chagas, pode
penetrar pela mucosa ocular e daí invadir a corrente san-
guínea e outros tecidos. O Schistosoma mansoni é outro
agente que penetra no hospedeiro pelas mucosas. (8)
Penetração através de solução de continuidade:
Feridas cirúrgicas, ferimentos acidentais, tecidos necro-
sados, queimaduras, escarificações, e, de forma geral,
toda descontinuidade da pele pode servir de porta de
entrada para agentes infecciosos. Esses podem ter sido
depositados sobre a pele antes de ocorrido o seu rom-
pimento naquele ponto e introduzidos durante o pro-
cesso ou podem vir a ser aí depositados por vetores
ou veículos após a ocorrência da lesão. São conhecidos
casos de tétano produzidos por contaminação do coto
umbilical pela deposição intencional de excremento
animal, usado como curativo. No entanto, a penetra-
ção do Clostridium tetani não se dá, na maioria dos
casos, de forma tão inusitada, sendo a penetração mais
simples. Os esporos são veiculados por poeira e terra
contaminadas com fezes humanas ou de animais. Em
alguns casos, o ferimento que deu acesso ao esporo é
tão insignificante que passa despercebido. O Trypano-
soma cruzi pode ser levado à circulação com o rompi-
21
mento da pele por ação da unha no ato de coçar locais
onde o barbeiro defecou ao sugar sangue. (8)
Deposição sobre a pele seguida de propagação
localizada: os agentes etiológicos das dermatofitoses
(fungos dos gêneros Microsporum e Trichophyton)
tem acesso ao couro cabeludo, às unhas e à pele, por
contato direto com indivíduos infectados, ou indireta-
mente por contato com objetos, pisos úmidos, instru-
mentos de barbearia e manicure. (8)
Introdução no organismo com auxílio de
objetos e instrumentos: neste caso, o acesso pode se
dar pelos orifícios naturais ou através de perfurações
cirúrgicas ou acidentais. A transmissão por transfusão
de sangue poderia também ser enquadrada neste item,
considerando que a penetração do bioagente se dá por
intrusão no corpo, com auxílio de objeto mecânico.
Uma grande parte das infecções hospitalares relaciona-
se a este mecanismo. (8)
Introdução em tecido muscular ou na corrente
sanguínea, por picadas de inseto ou por mordedura de
animais: através de sua probóscida introduzida na pele,
fêmeas dos mosquitos anofelinos injetam cargas de
plasmódios sob a forma de esporozoítas, que darão ori-
gem à malária. Mosquitos do gênero Culex são respon-
sáveis pela introdução, no organismo do hospedeiro, de
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larvas infectantes de Wuchereria bancrofti, agente cau-
sal da filariose. Neste caso também a penetração se faz
por inoculação através da probóscida do mosquito. Os
agentes causais do calazar (leishmaniose visceral) e da
úlcera de Bauru (leishmaniose tegumentar) são intro-
duzidos no organismo suscetível através da picada da
fêmea do mosquito flebótomo. O vírus rábico é intro-
duzido no organismo de seres humanos por mordedura
lacerante de cães e gatos infectados, e em bovinos, por
mordedura de morcego. (8)
Penetração ativa direta do bioagente patogê-
nico: a transmissão da sarna ocorre quando indivíduos
infectados com Sarcoptes scabiei entram em contato
com susceptíveis. As fêmeas recém-fecundadas do
agente infeccioso abandonam o seu hospedeiro atual e
penetram ativamente o novo hospedeiro. Cercárias de
Schistosoma mansoni saídas do seu hospedeiro inter-
mediário, molusco do gênero Biomphalaria e vivendo
em coleções de água doce, penetram ativamente pela
pele de pessoas suscetíveis que estejam imersas na água
durante o trabalho ou recreação. Larvas infectantes
de Strongyloides stercoralis, agente da estrongiloidí-
ase, Ancylostoma caninum e Ancylostoma braziliensis,
agentes da dermtite serpiginosa (larva migrans), podem
penetrar ativamente na pele de pessoas que caminham
com os pés descalços, a partir do solo contaminado. (8)
23
1.1 – RELAÇÃO ENTRE AS DOENÇAS INFECCIOSAS E TRABALHO
As doenças infecciosas e parasitárias relaciona-
das ao trabalho apresentam algumas características que
as distinguem dos demais grupos: os agentes etiológi-
cos não são de natureza ocupacional, e sim as condições
ou circunstâncias em que o trabalho é executado é que
são favorecedoras do contato, contágio ou transmissão.
São causadas por agentes que estão disseminados no
meio ambiente, dependentes de condições ambientais
e de saneamento e da prevalência dos agravos na popu-
lação geral; vulneráveis às políticas gerais de vigilância
e da qualidade dos serviços de saúde. A delimitação
ambiente de trabalho/ambiente externo é frequente-
mente pouco precisa. (8)
As consequências para a saúde da exposição
a fatores de risco biológico presentes em situações de
trabalho, além dos quadros de infecção aguda e crô-
nica, incluem as reações alérgicas e tóxicas. Um amplo
espectro de planas e animais produz substâncias alergê-
nicas, irritativas e tóxicas com as quais os trabalhado-
res entram em contato, diretamente, através de picadas
ou mordeduras ou através de poeiras contendo pelos,
pólen, esporos de fungos. (8)
A maioria das infecções resulta de exposição
não ocupacional. Entretanto, alguns ambientes ou
doenças específicas sugerem que sua origem foi prove-
niente da exposição ocupacional. Os trabalhadores da
24
área de saúde, nos seus vários âmbitos, quer estejam em
centros de saúde, hospitais, laboratórios, necrotérios,
e os profissionais de saúde que realizam investigações
de campo – vigilância da saúde, controle de vetores, e
aqueles que lidam com animais, mantêm contato direto
com pacientes ou vetores transmissores de moléstias
infecciosas. Em se tratando de organismos cuja trans-
missão se faz através de aerossóis, o risco de contrair
a doença é várias vezes maior para o trabalhador da
área de saúde do que para a população geral. O risco
também é grande no tocante à manipulação de material
perfurocortante e no ato de procedimentos invasivos.
Neste cenário, torna-se importante redobrar a atenção
quanto às precauções universais, imunizações, manipu-
lação de material contaminado e perfurocortante, e ao
hábito de lavar as mãos antes e após cada exame. (8)
Os trabalhadores que mantêm contato ou mani-
pulam animais também possuem risco aumentado para
contrair certas infecções, principalmente os trabalhado-
res na agricultura, as pessoas que trabalham em habitat
silvestre (silvicultura), em atividades de pesca, produção
e manipulação de produtos animais – abatedouros, cur-
tumes, frigoríficos, indústria alimentícia, de carnes, pes-
cados, zoológicos e clínicas veterinárias, além dos que
lidam com pesquisas científicas em espécies animais. (8)
É importante destacar que além das infecções
propriamente ditas, algumas proteínas lideradas através
da urina, pela e outros tecidos animais, podem ser car-
25
readas como aerossóis, causando erupções, sintomas
alérgicos ou até mesmo asma ocupacional. (8)
Os trabalhadores que lidam com dejetos de
esgoto ou lixo, principalmente onde não há condições
de sanitarismo e proteção adequadas, estão também
expostos a vários riscos biológicos. (8)
A suspeita clínica de possível doença ocupacio-
nal deve ser valorizada sempre que um paciente perten-
cer a um grupo onde o risco de exposição a patógenos
biológicos é aumentado. A avaliação mais específica
dependerá muito da apresentação clínica e dos diagnós-
ticos diferenciais. Quando se cogitar em origem ocupa-
cional, a história detalhada deve ser tomada no sentido
de elucidar precisamente como a exposição ocorreu. A
avaliação do local de trabalho através da visita/inspeção
ao espaço físico é mandatória para se compreender o
ambiente, as funções e as atividades cotidianas, deter-
minando com mais clareza os riscos aos quais os traba-
lhadores estão expostos. Dependendo das circunstân-
cias e dos recursos disponíveis, uma equipe composta
por médico e enfermeiro do trabalho, engenheiro e
higienista industrial, e até um especialista em biossegu-
rança, deverá determinar a necessidade de desencadear
uma série de ações a nível individual e coletivo. Deve-se
lembrar sempre da notificação compulsória de determi-
nadas doenças para a vigilância sanitária local. (8)
Mesmo para doenças comuns na sociedade,
não há um parâmetro limítrofe bem estabelecido de
26
quando se deve iniciar uma investigação para explicar
o surgimento simultâneo de alguns problemas médicos
dentre uma comunidade de trabalhadores. A natureza
da doença, sua prevalência na população de trabalhado-
res sob risco, e o padrão de desenvolvimento de surto
são critérios importantes para avaliar tais situações. (8)
Em síntese, a relação com o trabalho pode ser
estabelecida através de:
•Coletacriteriosadehistóriaocupacionalcompleta;
• Comparação com dados e estudos epidemio-
lógicos e de literatura científica;
• Solicitação de perfil profissiográfico do traba-
lhador à empresa;
• Solicitação de dados e avaliações ambientais
à empresa;
• Inspeção na própria empresa/local de trabalho.
Na tabela 1.2 alguns exemplos de ocupações e
suas doenças infecciosas relacionadas.
Açougueiro
Explorador de cavernas
Construção civil em grandes áreas
Antraz, Tularemia, Erisipelóide
Bartonella henselae, celulite por pasteurella,
raiva, histoplasmose
Paracoccidioidomicose, Histoplasmose,
Leishmaniose, Malária
27
Tularemia, Salmonelose, Triquinose
Pracoccidioidomicose
Brucelose, Febre Q, Tinea barbae
Hepatite A, Rubéola, Citomegalovirus
e outras doenças da infância
Hepatites B e C, AIDS
Larva migrans cutânea, Ascaridíase,
Ancilostomíase
Ycobacterium marinum
Paracoccidioidomicose, Histoplasmose
Raiva, Antraz, Brucelose,Tétano, Leptospirose,
Tularemia, Paracoccidioidomicose, Histoplas-
mose, Ascaridíase, Esporotricose, Ancilosto-
míase, Esquistossomose
Erisipelóde (Erysipelothrix insidiosa), Esquis-
tossomose, Mycobacterium marinum
Esporotricose, larva migrans cutânea
Tularemia
Tifo
Brucelose, Leptospirose, Febre Q, Salmonelose,
Estafilococcias
Hepatites B e C, AIDS, Tuberculose, etc.
Antraz, Brucelose, Psitacose, Dermatofitoses,
Erisipelóide, Raiva, Tularemia, Salmonelose
Psitacose
Leptospirose, Ascaridíase, Ancilostomíase
Dermatofitoses
Processamento de alimentos
Engenho de algodão
Trabalho com gado leiteiro
Trabalho em creches
Dentistas
Cavador de fossas
Mergulhador
Operador de escavadora
Trabalho em lavoura
Pescador/Comerciante de peixes
Jardineiro/Florista
Trabalho com pele de animais
Trabalho em armazéns de grãos
Trabalho em abatedouro
Médico/Enfermeiro
Veterinário/Comércio de animais
Criador de pássaros
Trabalho em limpeza urbana
Lavadeira
28
1.2 – PRINCIPAIS DOENÇAS
Através da Portaria 1.339 de 18 de novembro
de 1.999, é instituído a Lista de Doenças Relacionadas
ao Trabalho, onde também há uma lista de Doenças
Infecciosas e Parasitárias Relacionadas ao Trabalho,
como segue abaixo.
29
30
31
Tuberculose
É a doença mais comum da humanidade, e
representa a principal doença infecciosa responsável
pela mortalidade de jovens e adultos. Ainda é impor-
tante problema de saúde pública mundial. Em rela-
tório da Organização Mundial de Saúde estima-se
que um terço da população mundial está infectada
pelo Mycobacterium tuberculosis, com oito milhões
de novos casos de três milhões de mortes devidas à
doença, por ano. (8)
No Brasil havia 35 a 45 milhões de pessoas
infectadas no início da década de 1990, sendo espe-
rados 100.000 novos casos e certa de 6.000 mortes
por ano (incidência de aproximadamente 54/100.000
habitantes). (8)
O micro-organismo responsável pela tubercu-
lose humana é o Mycobacterium tuberculosis, desco-
berto por Robert Koch, em 1882. Por ser um aeróbio
estrito, infecta os pulmões e aí se localiza preferencial-
mente. A presença de oxigênio facilita sua multiplica-
ção, e a ligação do órgão com o meio externo favo-
rece sua transmissão. Como não há resposta imediata
do hospedeiro, ele cresce no interior do organismo,
durante certo tempo, sem nenhum obstáculo. A trans-
missão é aerógena através da eliminação de partículas
com bacilos em suspensão por perdigotos favorecidos
pela tosse, fala ou espirro. (8)
32
O conceito que dominou a medicina até o iní-
cio do século XX foi o de ausência de risco de infecção
para profissionais de saúde e para outras pessoas em con-
tato com pacientes tuberculosos. A partir da década de
1920, vários estudos demonstraram maior incidência de
tuberculose entre enfermeiras, médicos e estudantes de
medicina. Aos poucos, foram surgindo relatos de tuber-
culose em outros membros da equipe de saúde, como
técnicos de laboratório e de anatomia patológica, mos-
trando que o risco de infecção é diretamente proporcio-
nal ao contato do profissional com o paciente. (8)
Em determinados trabalhadores, a tubercu-
lose pode ser considerada “doença relacionada com o
trabalho”, do Grupo II da Classificação de Schilling,
posto que as condições de trabalho podem favorecer
a exposição a Mycobacterium tuberculosis ou a Myco-
bacterium bovis, como no caso de trabalhadores em
laboratórios de biologia, e em atividades que propiciam
contato direto com produtos contaminados ou com
doentes bacilíferos.(9)
Em trabalhadores expostos a poeiras de sílica ou
portadores de silicose, a tuberculose e a sílico-tubercu-
lose deverão ser consideradas como “doenças relaciona-
das com o trabalho”, do Grupo III da Classificação de
Schilling, uma vez que a exposição à sílica pode favorecer
a reativação da infecção tuberculosa latente, pois os cristais
de sílica no interior dos macrófagos alveolares deprimem
sua função fagocitária e aumentam sua destruição. (9)
33
A tuberculose representa também risco ocupacio-
nal para trabalhadores em laboratórios e salas de necropsia.
Os riscos para pessoal de laboratório incluem a manipu-
lação de recipientes contaminados, escarros mal fixados,
geração de aerossol. Durante a realização de exames. Para
os trabalhadores em sala de necropsia, o exame em cadá-
veres de pacientes com tuberculose não diagnosticada em
vida constitui o principal risco. O risco estimado destes
profissionais adquirirem tuberculose é de 100 a 200 vezes
maior do que o da população geral na Inglaterra (Collins
& Grange, 1999). (8)
O risco de dentistas contraírem tuberculose de
SUS pacientes é relativo ao ambiente de trabalho, e mais
diretamente relacionado ao perfil sócio econômico dos
seus pacientes. Este risco pode ser reduzido através de
vigilância, educação e atenção ao perfil do paciente aten-
dido (Anders e cols., 1998). (8)
Carbúnculo
É uma zoonose causada pelo Bacillus anthracis,
microrganismo gram-positivo, manifestando-se, no ser
humano, em três formas clínicas: cutânea, pulmonar e
gastrintestinal. A meningite e a septicemia podem ser
complicações de todas essas formas. (9)
A doença tem distribuição mundial e ocorre em
casos isolados no decorrer do ano, ocasionalmente na
forma de epidemias. Decorre da exposição humana ao
34
bacilo, em atividades industriais, artesanais, na agricul-
tura ou em laboratórios, estando, portanto, associada ao
trabalho, como, por exemplo, pelo contato direto das
pessoas com pelos de carneiro, lã, couro, pele e ossos,
em especial de animais originários da África e Ásia. Nas
atividades agrícolas, ocorre no contato do homem com
gato, porco, cavalo doente ou com partes, derivados e
produtos de animais contaminados. (9)
Os principais grupos de risco são os tratadores
de animais, pecuaristas, trabalhadores em matadouros,
curtumes, moagem de ossos, tosa de ovinos, manipula-
dores de lã crua, veterinários e seus auxiliares. Por sua
raridade e quase especificidade em determinados traba-
lhadores, pode ser considerada doença profissional ou
doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classifi-
cação de Schilling. (9)
Leptospirose
É uma zoonose ubiquitária causada por uma
espiroqueta patogênica do grupo Leptospiracea. A
apresentação clínica é variável, com formas assintomá-
ticas ou leves até quadros graves, que se manifestam
com icterícia, hemorragias, anemia, insuficiência renal,
comprometimento hepático e meningite. A recupera-
ção é, geralmente, total em 3 a 6 semanas. A gravidade
da infecção depende da dose infectante, da variedade
sorológica da Leptospira e das condições do paciente. O
35
período de incubação é variável, de 3 a 13 dias, podendo
chegar a 24 dias. (9)
As leptospiroses constituem verdadeiras zoo-
noses. Os roedores são os principais reservatórios da
doença, principalmente os domésticos. Atuam como
portadores os bovinos, ovinos e caprinos. A transmis-
são é realizada pelo contato com água ou solo conta-
minados pela urina dos animais portadores, mais rara-
mente pelo contato direto com sangue, tecido, órgão e
urina destes animais. Não há transmissão inter-humana,
exceto a intrauterina para o feto. (9)
A leptospirose relacionada ao trabalho tem sido
descrita em trabalhadores que exercem atividades em
contato direto com águas contaminadas ou em locais
com dejetos de animais portadores de germes, como
nos trabalhos efetuados dentro de minas, túneis, gale-
rias e esgoto; em cursos d’água e drenagem; contato
com roedores e com animais domésticos; preparação
de alimentos de origem animal, de peixes, de laticínios e
em outras atividades assemelhadas. (9)
Em determinados trabalhadores, a leptospirose
pode ser considerada como doença relacionada ao tra-
balho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto
que as circunstâncias ocupacionais da exposição à Lep-
tospira podem ser consideradas como contribuintes, no
conjunto de fatores associados com a etiologia desta
doença infecciosa. (9)
36
Tétano
É uma doença aguda produzida pela potente
neurotoxina (tetanospasmina) do Clostridium tetani.
A toxina tetânica impede a inibição do arco reflexo
da medula espinhal, promovendo reflexos excitatórios
tônicos típicos, em múltiplas regiões do organismo. (9)
O C. tetani é um bacilo anaeróbio, encontrado na
natureza em ampla distribuição geográfica sob a forma
de esporos, no solo, principalmente quando tratado
com adubo animal, em espinhos de arbustos e peque-
nos galhos de árvores, em águas putrefatas, em pregos
enferrujados sujos, em instrumentos de trabalho ou latas
contaminadas com poeira da rua ou terra, em fezes de
animais ou humanas, em fios de sutura e agulhas de inje-
ção não convenientemente esterilizados. (9)
É disseminado pelas fezes de equinos e outros
animais e infecta o homem quando seus esporos pene-
tram através de lesões contaminadas, em geral de tipo
perfurante, mas também de dilacerações, queimaduras,
coto umbilical não tratado convenientemente, etc. A
presença de tecido necrosado, pus ou corpos estranhos
facilita a reprodução local do bacilo, que não é invasivo
e age à distância por sua toxina. (9)
A exposição ocupacional em trabalhadores é
relativamente comum e dá-se, principalmente, em aci-
dentes de trabalho (agricultura, construção civil, mine-
ração, saneamento e coleta de lixo) ou em acidentes
37
de trajeto. A doença em trabalhadores decorrente de
acidente de trabalho poderá ser considerada como
doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classi-
ficação de Schilling. (9)
A psitacose ou ornitose é uma doença infecciosa
agudaproduzidaporclamídias(C.psittacieC.pneumoniae).
A enfermidade, em geral, é leve ou moderada, podendo ser
grave em idosos sem tratamento adequado. (9)
A psitacose é quase sempre transmitida aos
seres humanos por via respiratória. Em raras ocasiões
a doença pode ser contraída através da bicada de um
pássaro. O contato prolongado não é essencial para a
transmissão da doença. Alguns minutos passados no
ambiente previamente ocupado por uma ave infectada
tem resultado em infecção humana. (8)
O período de incubação varia de uma a quatro
semanas, e a transmissibilidade dura semanas ou meses. (8)
As fontes mais frequentes de infecção da C.
psittaci são periquitos, papagaios, pombos, patos, perus,
canários, entre outros, que transmitem a infecção por
meio de suas fezes dessecadas e disseminadas com a
poeira, sendo aspiradas pelos pacientes. Apesar de rara,
é possível a transmissão via respiratória, de pessoa a
pessoa, na fase aguda da doença. É uma zoonose que
acomete trabalhadores de criadouros de aves, clínicas
veterinárias, zoológicos e de laboratórios biológicos.
A C. pneumoniae infecta somente seres humanos,
sendo transmitida de pessoa a pessoa. Por sua raridade
38
e relativa especificidade, a psitacose/ornitose poderá
ser considerada como doença profissional ou doença
relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classificação de
Schilling, nos trabalhadores de granjas e criadores de
aves (patos, gansos, periquitos, pombos, etc.), emprega-
dos de casas de comércio desses animais, veterinários,
guardas florestais e outros em que se confirme as cir-
cunstâncias de exposição ocupacional. (9)
Dengue
É uma doença aguda febril, endemo-epidêmica,
causada por um dos Flavivírus do dengue (família Toga-
viridae), com quatro tipos sorológicos (1, 2, 3 e 4). Os
seres humanos são reservatórios e a transmissão ocorre
pela picada dos mosquitos Aedes aegypti, A. albopictus
e o A. scutellaris. Após repasto de sangue infectado, o
mosquito estará apto a transmitir o vírus após 8 a 12
dias de incubação extrínseca. A transmissão mecânica
também é possível, quando o repasto é interrompido
e o mosquito, imediatamente, alimenta-se num hospe-
deiro suscetível próximo. Não há transmissão por con-
tato direto de um doente ou de suas secreções para uma
pessoa sadia, nem por fontes de água ou alimento. (9)
O período de incubação da doença é de 3 a 15
dias, em média de 5 a 6 dias. O período de transmissibi-
lidade ocorre durante o período de viremia, que começa
um dia antes da febre até o sexto dia da doença. Quando
39
o agente etiológico for conhecido, o nome completo
da doença será dengue por vírus tipo 1 ou dengue por
vírus tipo 2, etc. (9)
O dengue pode ser considerado como doença
relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação
de Schilling, uma vez que as circunstâncias ocupacio-
nais da exposição aos mosquitos vetores (Aedes) e/ou
aos agentes infecciosos (Flavivírus) podem ser consi-
deradas como fatores de risco, no conjunto de fatores
associados com a etiologia desta doença infecciosa. (9)
O dengue relacionado ao trabalho tem sido
descrito em trabalhadores que exercem atividades em
zonas endêmicas, em trabalhos de saúde pública e em
laboratórios de pesquisa, entre outras atividades em que
a exposição ocupacional pode ser identificada. (9)
Febre amarela
É umadoençafebrilagudacausadapeloFlavivírus
da febre amarela (família Togaviridae), com quadro clínico
variável, desde formas inaparentes até as graves e fatais. A
transmissão se faz pela picada dos mosquitos infectados
A. aegypti na febre amarela urbana (FAU) e Haemagogus
na febre amarela silvestre (FAS). O período de incubação
é de 3 a 6 dias, após a picada do mosquito infectado, e o
período de transmissibilidade é de 24 a 48 horas, antes do
aparecimento dos sintomas de 3 a 5 dias após. (9)
A febre amarela persiste na América do Sul
40
apenas como enzootia de macacos, tendo por trans-
missores mosquitos dos gêneros Haemagogus e Aedes.
Os casos humanos, pouco numerosos, incidem entre
as pessoas que trabalham ou mantêm contato com as
florestas. A febre amarela urbana teve o homem como
único reservatório e o A. aegypti como transmissor, na
América do Sul. Outros trabalhadores eventualmente
expostos, por acidente, incluem os que exercem ativida-
des de saúde pública e que trabalham em laboratórios
de pesquisa, agricultores, trabalhadores florestais, em
extração de madeira, em áreas e regiões afetadas. (9)
Por sua raridade e por sua relativa especifici-
dade, a febre amarela em determinados trabalhadores
poderá ser considerada como doença profissional ou
doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classifi-
cação de Schilling. (9)
Hepatite
É termo genérico para inflamação do fígado
que, convencionalmente, designa alterações degene-
rativas ou necróticas dos hepatócitos. Pode ser aguda
ou crônica e ter como causa uma variedade de agentes
infecciosos ou de outra natureza. O processo inflamató-
rio do fígado é caracterizado pela necrose hepatocelular
difusa ou irregular, afetando todos os ácinos. Suas cau-
sas principais são as viroses devidas ao vírus da hepatite
A (HAV), ao vírus da hepatite B (HBV), ao vírus da
41
hepatite C (HCV), ao vírus da hepatite D (HDV) e ao
vírus da hepatite E (HEV). (9)
Na hepatite viral A, a fonte de infecção é o
próprio homem (raramente os macacos) e a transmis-
são é direta, por mãos sujas (circuito fecal-oral) ou por
água (hepatite dos trabalhadores por águas usadas) ou
por alimentos contaminados. Vários surtos têm sido
descritos em creches, escolas, enfermarias e unidades
de pediatria e neonatologia, com taxas de transmissão
que giram em torno de 20% em trabalhadores sus-
cetíveis. Nos EUA, a prevalência em trabalhadores
da saúde varia de 35 a 54% (comparado com 38% da
população geral). (9)
A maioria dos dados estatísticos que se refe-
rem à hepatite A em trabalhadores da saúde aponta
os enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem
como principal grupo acometido ou em risco. Dentre
os médicos e dentistas, aqueles que lidam com crian-
ças estão mais expostos. (8)
Os trabalhadores do setor de lavanderia hospi-
talar, especialmente os manipuladores de tecidos antes
de serem lavados, apresentam taxa elevada de anticor-
pos IgC para o VHA (Borg & Portelli 1999). (8)
Os trabalhadores responsáveis pela coleta de
lixo estão entre os grupos ocupacionais de risco, na
dependência direta de suas condições de trabalho. (8)
Na hepatite viral B o vírus é encontrado em
todas as secreções e excreções do corpo, mas, apa-
42
rentemente, apenas o sangue, o esperma e a saliva
são capazes de transmiti-lo. A infecção é adquirida,
em geral, por ocasião de transfusões, de injeções per-
cutâneas com derivados de sangue ou uso de agulhas e
seringas contaminadas ou, ainda, por relações sexuais,
homossexuais masculinas ou heterossexuais. Nos traba-
lhadores da saúde, a soroprevalência de HBV é de 2 a 4
vezes maior e a incidência anual é de 5 a 10 vezes maior
do que na população em geral. (9)
Na hepatite viral C a soroprevalência em tra-
balhadores da saúde parece ser similar à da popula-
ção geral. A soroconversão dos trabalhadores que se
acidentam com material contaminado ocorre em 1,2
a 10% dos trabalhadores acidentados. Estima-se que
2% dos casos devem-se à exposição ocupacional. (9)
A hepatite viral D é endêmica na Amazônia
Ocidental, onde, em associação com o vírus da hepa-
tite B, é o agente etiológico da chamada febre negra
de Lábrea, de evolução fulminante. (9)
Portanto, em determinados trabalhadores,
as hepatites virais podem ser consideradas como
doenças relacionadas ao trabalho, do Grupo II da
Classificação de Schilling, posto que as circunstân-
cias ocupacionais da exposição aos vírus podem ser
consideradas como fatores de risco, no conjunto
de fatores de risco associados com a etiologia desta
doença infecciosa. (9)
43
HIV
Vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um
distúrbio da imunidade mediada por célula, causado por
um vírus da subfamília Lentivirinae (família Retroviri-
dae), caracterizada por infecções oportunistas, doenças
malignas (como o sarcoma de Kaposi e o linfoma não
-Hodgkin), disfunções neurológicas e uma variedade
de outras síndromes. A síndrome da imunodeficiência
adquirida (AIDS ou SIDA) é a mais grave manifestação
de um espectro de condições HIV-relacionadas. O risco
de que pessoas infectadas, não tratadas, desenvolvam
a AIDS é de 1 a 2% por ano nos primeiros anos após
a infecção e cerca de 5% nos anos seguintes. O risco
acumulado de desenvolvimento da síndrome em infec-
tados não tratados é de cerca de 50%. (9)
Os profissionais de saúde constituem um grupo
com características especiais de exposição ao HIV,
devido às suas possibilidades de infectar-se durante as
atividades do trabalho cotidiano. O número de situa-
ções de contato com sangue, secreções e fluidos orgâ-
nicos no trabalho, na área da saúde, é muito grande. (8)
Desde o início da epidemia, a possibilidade
de contaminação dos profissionais de saúde motivou
investigações dirigidas à quantificação deste risco, e des-
pertou os órgãos oficiais para a necessidade de medidas
voltadas a sua redução. (8)
O primeiro caso confirmado de contaminação
44
ocupacional pelo vírus HIV ocorreu em 1984, na Ingla-
terra. Uma enfermeira sofreu acidente pefurocortante
por agulha contendo sangue de uma paciente que se
encontrava internada com pneumonia e era portadora
do vírus HIV. Duas semanas após o acidente, a enfer-
meira apresentou os sintomas de infecção aguda pelo
HIV (febre, cefaleia, mialgia etc.). No segundo mês
o seu soro revelava positividade para o vírus. Houve
confirmação da transmissão ocupacional do HIV da
paciente para a enfermeira. (8)
A taxa de soroconversão pós-exposição ocupa-
cional por ferimento percutâneo tem variado entre 0,1
e 0,4%, sendo maior em função do tamanho do inó-
culo, da duração do contato e da extensão do ferimento.
A literatura científica internacional registra cerca de 55
casos, confirmados até 1999, decorrentes de exposição
ocupacional em trabalhadores de saúde, em decorrência
de acidentes perfurocortantes com agulhas ou material
cirúrgico contaminado, manipulação, acondicionamento
ou emprego de sangue ou de seus derivados e contato
com materiais provenientes de pacientes infectados. (9)
Assim, em determinados trabalhadores, a doença
pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) pode ser
considerada como doença relacionada ao trabalho, do
Grupo I da Classificação de Schilling, posto que as circuns-
tâncias ocupacionais da exposição ao vírus são acidentais
ou ocorrem em condições específicas de trabalho, se bem
documentadas e excluídos outros fatores de risco. (9)
45
Dermatofitose
É o termo geral para infecções micóticas que afe-
tam a superfície epidérmica, devido a fungos dermatófi-
tos. Atacam tecidos queratinizados (unhas, pelos e estrato
córneo da epiderme). As principais dermatofitoses são:
Tinea capitis (Tinha tonsurante); Tinea favosa (Favo);
Tinea barbae (Sicose); Tinea corporis; Tinea manuum;
Tinea cruris; Tinea imbricata (Tinha escamosa); Tinea
pedis e Tinea unguium, causadas por espécies dos gêne-
ros Epidermophyton, Microsporum e Trichophyton. (9)
Em determinados trabalhadores, a dermatofi-
tose e outras micoses superficiais podem ser considera-
das como doenças relacionadas ao trabalho, do Grupo
II da Classificação de Schilling, posto que as circuns-
tâncias ocupacionais da exposição aos fungos dermató-
fitos podem ser consideradas como fatores de risco, no
conjunto de fatores de risco associados com a etiologia
desta doença infecciosa. (9)
A dermatofitose relacionada ao trabalho tem sido
descrita em trabalhadores que exercem atividades em con-
dições de temperatura elevada e umidade (cozinhas, giná-
sios, piscinas, etc.) e em outras situações específicas. (9)
Candidíase
Infecção provocada por fungo da classe Saccha-
romycetes leveduriformes do gênero Candida, sobre-
46
tudo pela Candida albicans. A transmissão é feita pelo
contato com secreções originadas da boca, pele, vagina e
dejetos de portadores ou doentes. A transmissão vertical
se dá da mãe para o recém-nascido, durante o parto. Pode
ocorrer disseminação endógena. O período de transmis-
sibilidade dura enquanto houver lesões. (9)
A candidíase relacionada ao trabalho poderá ser
verificada em trabalhadores que exercem atividades que
requerem longas imersões das mãos em água e irritação
mecânica das mãos, tais como trabalhadores de lim-
peza, lavadeiras, cozinheiras, entre outros, com exposi-
ção ocupacional claramente caracterizada por meio de
história laborativa e de inspeção em ambiente de traba-
lho. Nesses casos, a candidíase poderá ser considerada
como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da
Classificação de Schilling. (9)
Paracoccidioidomicose
Infecção fúngica sistêmica, micose causada
pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis. A infec-
ção dá-se por inalação de conídios em poeiras, em
ambientes quentes e úmidos, com formação de foco
primário pulmonar (assintomático) e posterior dis-
seminação. Em pacientes com grande resistência
imunológica, as formas são localizadas, com reação
granulomatosa e poucos parasitos. Nos demais, os
47
parasitos são abundantes, os processos são predomi-
nantemente exsudativos e as formas disseminadas predo-
minam, com variados graus clínicos. (9)
O trabalho com o solo e vegetais em área rural,
a exemplo dos lavradores e operadores de máquinas
agrícolas, é fator predisponente importante da paracoc-
cidioidomicose. Inquérito epidemiológico realizado em
417 trabalhadores da mina Morro Velho em Nova Lima
– MG detectou 13,4% de positividade em teste cutâneo
para paracoccidioidomicose. (8)
Portanto,emdeterminadostrabalhadores,apara-
coccidiodomicose pode ser considerada como doença
relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação
de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da
exposição ao fungo podem ser consideradas como fato-
res de risco, no conjunto de fatores de risco associados
com a etiologia desta grave doença infecciosa. (9)
Malária
Doença infecciosa febril aguda, causada por
parasitas do gênero Plasmodium (vivax, malariae, fal-
ciparum, ovale), caracterizada por febre alta acom-
panhada de calafrios, sudorese e cefaleia, que ocorre
em padrões cíclicos, a depender da espécie do para-
sito infectante. (9)
A transmissão da doença é realizada por
intermédio dos esporozoítas, formas infectantes do
48
parasita, inoculados no homem pela saliva da fêmea
anofelina infectante. (9)
Esses mosquitos, ao se alimentarem em indiví-
duos infectados, ingerem as formas sexuadas do para-
sita – gametócitos – que se reproduzem no interior do
hospedeiro invertebrado, durante 8 a 35 dias, eliminando
esporozoítas, durante a picada. A transmissão também
ocorre por meio de transfusões sanguíneas, compartilha-
mento de seringas, contaminação de soluções de conti-
nuidade da pele e, mais raramente, por via congênita. (9)
A transmissibilidade da infecção ocorre do
homem para o mosquito enquanto houver gametócitos
em seu sangue. O homem, quando não tratado, poderá
ser fonte de infecção durante mais de 3 anos da malária
por P. malariae, de 1 a 3 anos da malária por P. vivax e
menos de 1 ano da malária por P. falciparum. (9)
O período de incubação é, em média, de 7 a 14
dias para o P. falciparum, de 8 a 14 dias para o P. vivax e
de 7 a 30 dias para o P. malariae. (9)
A malária tem sido descrita em garimpeiros, agri-
cultores, lenhadores, motoristas de caminhão, em trabalha-
doresqueexercematividadesemmineração,construçãode
barragens ou rodovias, extração de petróleo, e em outras
atividades que obrigam a presença em zonas endêmica. (8)
A malária pode ser considerada como doença
relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação
de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da
exposição aos anofelinos transmissores podem ser consi-
49
deradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de
risco associados com a etiologia da doença. (9)
A malária relacionada ao trabalho tem sido des-
crita em trabalhadores que exercem atividades em mine-
ração, construção de barragens ou rodovias, em extração
de petróleo e outras atividades que obrigam à presença
dos trabalhadores em zonas endêmicas. (9)
Leishmaniose
Leishmaniose ou leshmaníase por Leishmania
braziliensis é zoonose do continente americano que
apresenta, nos seres humanos, duas formas clínicas: a
leishmaniose cutânea, relativamente benigna, e a leishma-
niose cutaneomucosa, mais grave. É uma doença para-
sitária da pele e mucosas, de caráter pleomórfico, trans-
mitida pela picada de insetos flebotomíneos do gênero
Lutzomia. Período de incubação: pode variar de 2 sema-
nas a 12 meses, com média de um mês. (9)
A leishmaniose comporta-se geralmente como
doença profissional, ocorrendo em áreas onde se pro-
cessam desmatamentos para a colonização de novas
terras, construção de estradas e instalação de fren-
tes de trabalho para garimpo, mineração, extração de
madeira e carvão vegetal. Também estão expostos os
profissionais que trabalham sob as matas nas planta-
ções de cacau, extração de látex da seringueira. Outras
atividades de risco são o treinamento militar nas selvas,
50
as expedições científicas e incursões de caçadores em
áreas florestais. (8)
Em determinados trabalhadores, a leishma-
niose cutânea ou a cutaneomucosa pode ser conside-
rada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo
II da Classificação de Schilling, posto que as circunstân-
cias ocupacionais da exposição ao mosquito transmis-
sor podem ser consideradas como fatores de risco, no
conjunto de fatores de risco associados com a etiologia
desta doença infecciosa. (9)
A prevenção de doenças infecciosas e parasitá-
rias relacionadas com o trabalho inclui medidas de edu-
cação e informação sobre os efeitos e riscos à saúde,
sobre os modos de transmissão e controle, pelo reco-
nhecimento prévio das atividades e locais de trabalho
onde existam agentes biológicos. (8)
São medidas preventivas muito eficazes para
ambientes onde há exposição prolongada ou poten-
cialmente grave. O controle do ambiente visa conter os
riscos biológicos em sua fonte, reduzir a concentração
de aerossóis e limitar seu movimento pela atmosfera
do trabalho. Sistemas de ventilação, ar condicionado e
aquecimento devem ser adequadamente projetados e
periodicamente vistoriados para prevenir a contamina-
ção por fungos ou bactérias. Para ambientes fechados,
1.3 - PREVENÇÃO
51
tais como hospitais e laboratórios de pesquisa, a venti-
lação deve ser projetada de modo a proporcionar fluxo
unidirecional e dirigido. O ar proveniente de áreas com
alto risco de contaminação por agentes infecciosos tais
como enfermarias de pacientes isolados, pode ser des-
contaminado através de filtração. (8)
O uso de equipamentos de proteção individual
está indicado toda vez que os riscos não forem total-
mente eliminados através das medidas anteriores. Deve-
se sempre calçar luvas quando em contato com secreções
biológicas de qualquer tipo. O uso de aventais ou capo-
tes, gorros, óculos especiais de proteção, devem sempre
fazer parte dos cuidados dos que lidam com materiais,
animais ou indivíduos potencialmente infectados. Deve-
se salientar que máscaras cirúrgicas ordinárias somente
protegem o paciente, o animal ou o produto, da exposi-
ção de organismos exalados pelo trabalhador. Para que o
trabalhador seja protegido de patógenos provenientes do
ambiente é necessário que ele utilize máscaras especiais
ou até respiradores específicos. (8)
A manipulação, descontaminação ou arma-
zenamento apropriados dos dejetos biológicos são
importantes medidas de controle de infecção em qual-
quer ambiente de trabalho. Em hospitais e laboratórios,
os dejetos potencialmente infectados devem ser inicial-
mente segregados dos outros dejetos e adequadamente
identificados em embalagens próprias para resíduos bio-
lógicos. Todas as lâminas e agulhas devem ser colocadas
52
em contêineres seguros e à prova de furos. Agulhas nunca
devem ser encapadas ou cortadas antes de serem despre-
zadas. A descontaminação pode ser alcançada através da
esterilização, desinfecção ou antissepsia. (8)
Para exposição a atentes patógenos de trans-
missão sanguínea estão prescritas numa série de normas
conhecidas como “Normas de Biossegurança ou Pres-
crições Universais”, detalhadas na tabela 1.4. (8)
Evitar contato direto com fluidos orgânicos: sangue, fluido cérebro-espinhal,
sêmen, secreções vaginais, leite materno. Os demais como saliva, lágrima, suor,
urina e líquido amniótico não são considerados meios de transmissão.
* Colocar luva quando da presença de qualquer desses fluidos. A utilização de
luvas é obrigatória quando da execução de punções venosas, em razão do extra-
vasamento de sangue ser muito grande.
* Se houver contato da boca com esses fluidos, lavar e fazer bochechos com
água oxigenada a 3%.
* Se houver contato com a pele, remover os fluidos cuidadosamente, lavar com
água e sabão degermante; não usar escovinhas devido à escarifação da pele, a
fim de evitar porta de entrada. A pele deve estar íntegra, sem abrasão ou cortes.
* Usar máscaras durante os procedimentos em que exista a possibilidade de san-
gue e outros fluidos corpóreos atingirem as mucosas da boca e nariz."27"
* Usar óculos durante os procedimentos em que houver a possibilidade de que
sangue e fluidos corpóreos atinjam os olhos, principalmente em procedimentos
cirúrgicos, endoscópicos e em hemodiálise.
* Usar aventais protetores durante procedimentos em que exista a possibilidade de
contaminaçãodasroupasdostrabalhadoresdesaúdecomsangueoufluidoscorpóreos.
1.
53
2.
3.
4.
5.
6.
Quando tiver alguma lesão de pele, tampá-la bem com curativo impermeável.
Evitar picada de agulhas e lesões que provoquem solução de continuidade.
* Não recapar as agulhas, pois esse é procedimento de risco.
* Recolher as agulhas em local apropriado com solução de Hipoclorito de Sódio a
0,5%, e só depois colocá-las no lixo.
* Caso haja picada de agulhas, pressionar imediatamente para expelir o sangue,
lavar com água e sabão degermante e fazer curativo oclusivo.
* Sempre usar luvas para procedimentos invasivos: injeção endovenosa, intramus-
cular, colher sangue, passar sonda vesical, nasogástrica e traqueostomia.
Lavar sempre as mãos com água e sabão e secá-las após atendimentos de cada
paciente, inclusive ao se administrar cuidados no leito.
Cuidados com o lixo e seu destino.
* O lixo hospitalar deve ser coletado em saco plástico, amarrado e acondicionado
em um novo saco mais resistente, amarrado e encaminhado para incineração.
* A pessoa que coleta o lixo deve estar paramentada com luvas, avental e botas.
Cuidados na limpeza com a unidade, utensílios e roupas de cama.
* Fluido corpóreo no chão, bancada, mesa: jogar Hipoclorito de Sódio a 1% no local,
por 30 minutos.
* Manipular as roupas sem agitação. Recolhê-las e rotular“contaminado”.
* Para lavar as roupas com fluidos contaminantes: detergente mais água a 71°C
por 25 minutos; com temperatura inferior: deixar e molho em Hipoclorito de Sódio
a 0,5% por 30 minutos.
54
A vacinação nos ambientes de trabalho é rea-
lizada de acordo com indicações específicas. Existem
algumas indicações gerais:
• Os trabalhadores podem ser vacinados
visando à proteção a organismos infecciosos tais como
agentes do tétano e hepatite B;
• Os profissionais de saúde podem ser vacina-
dos, por exemplo, contra Influenza para evitar que con-
taminem inadvertidamente algum paciente;
• Algumas vacinas como a da febre amarela
são recomendadas para trabalhadores em viagens a
áreas endêmicas.
55
57
UNIDADE 2 | RISCO QUÍMICOS
Os riscos químicos presentes nos locais de
trabalho encontram-se na forma sólida, líquida e
gasosa e classificam-se em: poeiras, fumos, névoas,
gases, vapores, neblinas, substâncias compostas
e produtos químicos em geral. Poeiras, fumaças,
névoas, gases e vapores estão dispersos no ar; trata-
se dos aerodispersóides. (12)
Poeira: as poeiras são partículas sólidas gera-
das mecanicamente por ruptura de partículas meno-
res. São classificadas em:
• Poeiras minerais: sílica, asbesto e carvão
mineral, por exemplo. As consequências são: silicose
(quartzo), asbestose (amianto), penumoconiose dos
minérios de carvão (mineral).
• Poeiras vegetais: algodão e bagaço de cana-
de-açúcar, por exemplo. As consequências são: bissi-
nose (algodão), bagaçose (cana-de-açúcar) etc.
• Poeiras alcalinas: calcário, por exemplo. As
consequências incluem: doenças pulmonares obstru-
tivas crônicas, enfisema pulmonar.
• Poeiras incômodas: incluem consequências
como interação com outros agentes nocivos presentes
no ambiente de trabalho, potencializando sua nocividade.
58
Fumos: Trata-se de partículas sólidas produzidas
a partir da condensação de vapores metálicos. Por exem-
plo: fumos de óxido de zinco nas operações de sonda-
gem de ferro. As consequências são: doença pulmonar
obstrutiva, intoxicação específica de acordo com o metal.
Névoas: as névoas são partículas líquidas que
resultam da condensação de vapores ou da dispersão
mecânica de líquidos. São exemplos: névoa resultante
do processo de pintura a revólver, monóxido de car-
bono liberado pelos escapamentos dos carros.
Gases: diz respeito ao estado natural das
substâncias em condições normais de temperatura e
pressão. Exemplos: GLP, hidrogênio, ácido nítrico,
butano, ozona etc.
Vapores: os vapores consistem em dispersões
de moléculas no ar que podem se condensar para for-
mar líquidos ou sólidos em condições normais de tem-
peratura e pressão. Por exemplo: gasolina, naftalina etc.
Névoas, gases e vapores podem ser classifica-
dos em:
• Irritantes: causam irritação das vias aéreas
superiores. Exemplo: ácido clorídrico, ácido sulfúrico,
soda caustica, cloro, etc.
• Asfixiantes: produzem dor de cabeça, náuseas,
sonolência, convulsões, coma e morte. Por exemplo:
hidrogênio, nitrogênio, hélio, metano, acetileno, dióxido
de carbono, monóxido de carbono etc.
59
• Anestésicos: em sua maioria, incluem sol-
ventes orgânicos, promovendo ação depressiva sobre o
sistema nervoso, danos a diversos órgãos, ao sistema for-
mador de sangue (benzeno) etc. São exemplos: butano,
propano, aldeídos, cetonas, cloreto de carbono, tricloroe-
tileno, benzeno, tolueno, álcoois, percloritileno, xileno, etc.
As vias de penetração dos agentes químicos
são: via cutânea (pele); via digestiva (boca) e via res-
piratória (nariz). A penetração dos agentes químicos no
organismo depende de seu modo de utilização.
Para avaliar o potencial tóxico das substâncias quí-
micas, alguns fatores devem ser levados em consideração:
• Concentração: quanto maior for a concentração,
mais rapidamente seus efeitos nocivos irão se manifestar
no organismo.
• Índice respiratório: a quantidade de ar inalado
pelo trabalhador durante a jornada de trabalho.
• Sensibilidade individual: o nível de resistência
varia de indivíduo para indivíduo.
• Toxicidade: o potencial de ação tóxica da subs-
tância no organismo.
• Tempo de exposição: o tempo de exposição do
organismo à substância contaminante.
60
2.1 – DOENÇAS RELACIONADAS À EXPOSIÇÃO AO RISCO QUÍMICOS
2.1.1 - DOENÇA RESPIRATÓRIA
Há diversas formas de classificação das doenças
ocupacionais pulmonares, baseadas na reação tecidual,
nos tipos de agentes envolvidos ou no quadro clínico
predominante. A tabela 2.1 mostra uma classificação
destas doenças. (8)
Trato respiratório alto
• Irritação/inflamação de cavidades nasais e seios da
face, faringe e laringe, por inalação de gases ou particu-
lados irritantes e/ou tóxicos.
• Rinite alérgica
Trato respiratório baixo
• Asma ocupacional (incluindo bissinose e síndrome de
disfunção reativa das vias aéreas)
Doenças do parênquima pulmonar
• Pneumonites por hipersensibilidade
• Pneumonites tóxicas
Doenças pleurais
• Derrame pleural
1.
2.
3.
4.
61
62
Doenças do trato respiratório alto
Podem ser classificadas conforme sua localiza-
ção e etiologia em:
1. Ulcerações e perfurações de septo nasal
por ação direta devidas a metais pesados como cromo
hexavalente e níquel, antimônio, arsênico e cobre
(Newman, 1996) (8).
2. Rinites irritativas e/ou alérgicas secundárias
à inalação crônica de substâncias de alto e baixo peso
molecular com potencial alergênico, como material
proteico animal, enzimas, isocianatos, anidridos ácidos
e outros. Nesse tipo de situação pode ocorrer lesão
de conjuntiva ocular e de outras mucosas de via aérea
como orofaringe, e traqueia e eventuais sinusites secun-
dárias ao processo obstrutivo alto. (8)
3. Rinolitíase formação de concreções na cavi-
dade nasal secundárias à presença de substâncias higros-
cópicas como o cimento (calcário calcinado, desidra-
tado), podendo produzir desde apenas incômodo local
até sangramentos (Parker, 1994) (8).
4. Carcinoma da cavidade nasal e laringe secun-
dários à exposição a metais pesados como o cromo
hexavalente e níquel e poeiras diversas contendo hidro-
carbonetos aromáticos absorvidos nas mesmas, ou
poeiras de madeiras (Doll, Morgan & Speizer, 1970;
Spiegel & Sataloff, 1996; Vieren & Imbus, 1989). (8)
63
Asma ocupacional
A definição mais citada é “a obstrução reversí-
vel ao fluxo aéreo e/ou hiperresponsividade brônquica
devido a causas e condições atribuíveis a um determi-
nado ambiente de trabalho e não a estímulos externos”
(Bernstein e cols., 1999). Esta definição é problemática,
pois, com frequência, nota-se o desencadeamento de
crises por estímulos inespecíficos tais como exercício
físicos, infecções e outros (Burge & Moscato, 1999). (8)
Trabalhadores com asma preexistente podem
ter o quadro agravado por estímulos inespecíficos no
ambiente de trabalho, assim como desenvolver sensibili-
zação a agentes específicos. Esta primeira condição pode
não ser considerada como AO, e sim como asma agravada
pelas condições de trabalho (Chan-Yeung & Malo, 1995),
mas, do ponto de vista prático deve ser investigada, orien-
tada e encaminhada da mesma forma que a AO. (8)
Os mesmos mecanismos que levam um agente
ocupacional a causar asma são semelhantes aos meca-
nismos da asma brônquica (Gandevia, 1970) e, pode ser
assim sumarizados por ordem de importância: (8).
1. Broncocosntrição imunológica: é o tipo de
reação mais comum em AO. A maior parte das respostas
orgânicas é media por IgE específica, porém há casos em
que também anticorpos da classe IgG estão envolvidos. (8)
2. Broncoconstrição inflamatória: exposições a
64
gases ou particulados irritantes, em altas concentrações,
podem levar à inflamação das vias aéreas, atingindo
ocasionalmente, a zona de trocas gasosas. (8)
3. Broncoconstrição reflexa: causada pela ação
direta de particulados, gases e mesmo ar frio sobre os
receptores da parede brônquica, levando a uma quebra
do equilíbrio adrenérgico. (8)
4. Broncoconstrição farmacológica: alguns
agentes ocupacionais têm o potencial de atuar como
agonistas farmacológicos, apresentando uma ação
semelhante a drogas, com relações dose-efeito. (8)
Pneumonite por hipersensibilidade (PH)
Manifestação clínica característica de um grupo
de doenças pulmonares, resultantes da sensibilização
por exposições recorrentes a inalações de partículas
antigênicas derivadas de material orgânico e de algumas
poucas substâncias químicas sintéticas. Na tabela 2.2
apresenta-se uma listagem de algumas denominações
específicas da PH conforme o antígeno ou o ambiente
de trabalho causador da mesma, o tipo de aerossol vei-
culador do antígeno e o antígeno específico. (8)
65
Pneumonite tóxica ou edema pulmonar
Resultantes a exposição de altas concentrações
de gases irritantes, como amônia, cloro e dióxido de
nitrogênio, a poeiras e fumos metálicos de berílio, cád-
mio, mercúrio, níquel, vanádio e zinco, a produtos quí-
micos de pH extremo ou fortemente reagentes, como
o metilisocianato. Sua patogenia envolve diretamente
Pulmão dos criadores
de aves
Bagaçose
Pulmão dos trabalhado-
res de malte, cogume-
los, cortiça e boldo.
Sequoiose
Trabalhadores em
serrarias, carpintarias e
marcenarias
Pulmão dos manipulado-
res de animais e peixe
Exposição a isocianatos
Excremento e penas
de aves
Cana mofada
Cascas e córtex
mofados
Poeira mofada
Madeiras e poeira de
madeira mofadas
Epitélio animal, pro-
teínas de peixe
MDI/TDI
Proteínas de aves
Thermoactinomyces
viridis T. sacharii
Thermoactinomyces
vulgaris. Aspergillus
clavatus. Penicillium
frequentans. Cryp-
tostoma corticale
Pullulania sp
Alternania sp
Proteína animal e
de peixes
Fungos saprófitos
Hapteno inorgânico
66
a citotoxicidade das células mucosas, com liberação de
proteínas séricas e mediadores da reação inflamatória. (8)
Derrame pleural benigno
Acometimentodediagnósticoretrospectivo,pois
é necessário que o paciente seja acompanhado durante
algum tempo para afastar outras possibilidades diagnós-
ticas, como a tuberculose e o câncer de pulmão. Outros
acometimentos pleurais como espessamento pleural em
placas e espessamento pleural difuso, são mais prevalen-
tes, associadas a exposição ao asbesto. (8)
Bronquite crônica (BC)
Limitação crônica ao fluxo aéreo (LCFA) são
duas entidades distinta, podendo ou não estar relaciona-
das. A principal causa de ambas é, sem dúvida, o taba-
gismo, que agride tanto grandes vias aéreas, preferencial-
mente acometidas na BC, como nas pequenas vias aéreas,
preferencialmente acometidas na LCFA. (8)
Há um consenso de que a exposição a poeiras
na mineração de carvão leva a um aumento na prevalên-
cia de BC, assim como as poeiras orgânicas, exemplo a
poeira de algodão, também leva a um aumento de preva-
lência de BC e LCFA. Assim, podemos dizer que o taba-
gismo, as exposições ocupacionais e a poluição ambiental
têm em ordem decrescente de grandeza, direta influência
67
em relação às doenças de vias aéreas. (8)
Enfisema
Estado de irritação respiratória crônica, de
lenta evolução, quase sempre causada pelo fumo, mas
também por outros agentes (poeira, poluentes, vapores
químicos). No enfisema, os alvéolos transformam-se
em grandes sacos cheios de ar que dificultam o contato
do ar com o sangue, uma vez que foram destruídos os
septos alveolares por onde passavam os vasos. (22)

Pneumoconioses
São divididas em não-fribogênicas (ou “benig-
nas”) e fibrogênicas de acordo com o potencial da
poeira em produzir fibrose reacional. Apesar de
existirem tipos bastante polares de pneumoconioses
fibrogênicas e não fibrogênicas, como a silicose e a
asbestose, de um lado, e a baritose, de outro, existe
a possibilidade fisiopatogênica de poeiras tidas como
não fibrogênicas produzirem algum grau de fibrose
dependendo da dose, das condições de exposição e da
origem geológica do material. (4)
O Quadro 1, abaixo, apresenta uma lista de
pneumoconioses com denominações mais específicas,
seus agentes etiológicos e sua apresentação anatomo-
patológica. Ressalte-se que a lista não é exaustiva, não
68
excluindo outras possibilidades etiológicas mais raras,
ou ainda não contempladas pela literatura científica. (4)
Silicose
Asbestose
Pneumoconiose
do trabalhador
do carvão (PTC)
Silicatose
Talcose
Pneumoconiose
por poeira mista
Siderose
Estanose
Baritose
Antimoniose
Pneumoconiose
porrochafosfática
Pnemoconiose
por abrasivos
Sílica livre
Todas as fibras de
asbesto ou amianto
Poeiras contendo
carvão mineral ou
vegetal
Silicatos variados
Talco mineral (silicato)
Poeiras variadas
contendo menos que
7,5% de sília livre
Óxidos de ferro
Óxidos de estanho
Sulfatodebário(barita)
Óxidos de antimônio
ou Sb metálico
Poeira de rocha
fosfática
Carbeto de silício
(SiC) / Óxido de
alumínio (Al2O3)
Fibrose nodular
Fibrose difusa
Decomposição macular sem
fibrose ou com diferenciados
graus de fibrose
Fibrose difusa ou mista
Fibrose nodular e/ou difusa
Fibrose nodular estrelada e/ou
fibrose difusa
Deposiçãomaculardeóxido
deferroassociadoounãocom
fibrosenodulare/oudifusa
Deposiçãomacularsemfibrose
Deposiçãomacularsemfibrose
Deposiçãomacularsemfibrose
Deposiçãomacularsemfibrose
Fibrose nodular e/ou difusa
69
Silicose
Doença respiratória causada pela inalação
de poeira de sílica que produz inflamação, seguida de
cicatrização do tecido pulmonar. A silicose decorre
da exposição à sílica livre (quartzo), especialmente na
mineração subterrânea de ouro, nas indústrias extrati-
vas de minerais, no beneficiamento de minerais (corte
de pedras, britagem, moagem, lapidação), nas indústrias
de transformação (cerâmicas, marmorarias, abrasivos,
fundições), na fabricação do vidro e de sabões, na cons-
trução civil e, em algumas atividades como protéticos,
Berilliose
Pneumopatia por
metais duros
Pneumonites
por hipersensibi-
lidade (alve-
olite alérgica
extrínseca)
Berílio
Poeiras de metais
duros (ligas deW,Ti,
Ta contendo Co)
Poeiras orgânicas
contendo fungos,
proteínas de penas,
pelos e fezes de
animais
Granulomatose tipo sarcóide.
Fibrose durante evolução
crônica
Pneumonia intersticial de
células gigantes. Fibrose
durante evolução
Pneumonia intersticial por
hipersensibilidade (infiltração
linfocitária, eosinofilica e
neutrofilica na fase aguda e
neutrofilica na fase aguda e
fibrose difusa na fase crônica)
70
jateadores de areia, trabalhos com rebolos ou esmeril de
pedra, escavação de túneis, cavadores de poços e artis-
tas plásticos. É uma das mais antigas doenças provoca-
das pelo trabalho, sendo que atualmente, no Brasil, é a
principal doença pulmonar de origem ocupacional. (22)
Asbestose
Doença pulmonar causada por depósitos de
asbesto ou amianto, que é um silicato que ocorre na
natureza sob a forma de fibras que podem ser fia-
das e tecidas. A sua grande resistência à abrasão e
ao calor, a alta resistência à tração e a grande fle-
xibilidade das fibras, dão aos asbestos propriedades
ainda não conseguidas por fibras artificiais. Assim,
mais de mil usos industriais para o amianto têm sido
descritos: misturado ao cimento, dá origem às placas
e telhas de cimento-amianto, muito utilizadas para
coberturas de edificações, e a tubulações de vários
diâmetros e de baixo preço; é utilizado nas lonas de
freio de automóveis, na fabricação de equipamentos
individuais de proteção (luvas, aventais, capuzes, etc.)
resistentes ao calor e ao fogo, na isolação térmica de
caldeiras, tubulações de vapor e na isolação elétrica
e térmica de equipamentos elétricos. Sob forma de
pó, atinge os pulmões de indivíduos que estão expos-
tos, tais como: mecânicos, operários de indústria de
cimento-amianto etc. (22)
71
Pneumoconiose dos trabalhadores de carvão (PTC)
Na pneumoconiose dos trabalhadores de
carvão a deposição de poeiras desencadeia um pro-
cesso inflamatório orquestrado inicialmente pelos
macrófagos alveolares, de menor intensidade do que
a gerada pelas partículas de sílica, mas suficiente para
promover lesão do epitélio alveolar. Em decorrência,
ocorre a passagem de partículas para o interstício e
tem início a formação de acúmulos de carvão e de
macrófagos com partículas fagocitadas, ao redor dos
bronquíolos respiratórios, com presença de fibras
de reticulina e deposição de pequena quantidade
de colágeno. Estas lesões, conhecidas como mácula
de carvão, medem cerca de 1 a 6mm. São intralo-
bulares, pouco ou não visíveis à radiografia e geral-
mente acompanhadas de enfisema focal adjacente
às áreas das máculas. Com a progressão da doença,
decorrente da continuada inalação ou mesmo após
o afastamento da exposição, pode ocorrer a forma-
ção de nódulos maiores, de cerca de 7 a 20mm, com
presença de macrófagos com pigmento no seu inte-
rior, presença de reticulina e aumento da quantidade
de colágeno. Com a exposição crônica, os nódulos
podem coalescer dando origem à forma de fibrose
maciça progressiva (FMP). A FMP costuma ser bila-
teral, predomina nos lobos superiores, lobo médio
72
e segmentos superiores dos lobos inferiores. Geral-
mente são assimétricas, apresentando às vezes carac-
terísticas de lesão maligna, podendo cavitar, com o
paciente expectorando material enegrecido, conhe-
cido como melanoptise. As lesões distinguem-se da
FMP pela sílica por apresentar, na análise histopa-
tológica, maior relação reticulina/colágeno, grande
quantidade de poeira de carvão, feixes densos de reti-
culina e colágeno e ausência de nódulos silicóticos.
A FMP cursa mais frequentemente com dispneia,
distúrbio ventilatório misto, hipertensão pulmonar
e cor pulmonale. (4)
O câncer de pulmão representa o princi-
pal câncer diagnosticado no mundo. Vários fato-
res, como raça, idade, sexo, localização geográfica e
condição socioeconômica, influenciam as taxas nos
diversos grupos. Os principais agentes etiológicos
são o tabagismo, exposições ocupacionais, infecções
virais e a presença de outras doenças pulmonares,
especialmente as que causam fibrose pulmonar.
Na tabela 2.4 traz a lista das principais subs-
tâncias consideradas carcinogênicas para o trato
respiratório, pela Agência Internacional para a Pes-
quisa sobre o Câncer – IARC, da Organização Mun-
dial da Saúde (IARC, 2000). A lista completa pode
ser analisada no link: http://monographs.iarc.fr/
ENG/Classification/
73
74
75
2.1.12 - DOENÇAS DA PELE
Agentes químicos provocadores de dermatoses
ocupacionais, os principais são:
1. Irritantes - cimento, solventes, óleos de corte,
detergentes, ácidos e álcalis.
2. Alérgenos - aditivos da borracha, níquel,
cromo e cobalto como contaminantes do cimento, resi-
nas, tópicos usados no tratamento de dermatoses. (3)
Nas figuras 2.1, 2.2, 2.3 e 2.4 observamos respectivamente: dermatite de contato;
micropapuloeritematosas; dermatite alérgica cronificada e dermatite de contato irri-
tativa forte. Todas por algum tipo de contato por cimento.
76
Nas figuras 2.5 e 2.6 dermatite alérgica de contato por bota de borracha.
77
2.1.3 DOENÇAS DO OLHO
Ceratite
Inflamação da córnea, aquelas provocadas pela
exposição a agentes físicos e químicos no ambiente de
trabalho podem ser agrupadas em tóxicas e alérgicas.
O arsênico e o berílio podem ser responsáveis por qua-
dros de natureza alérgica. A seiva ou suco de algumas
plantas podem ser tóxicos. Entre os agentes listados
como capazes de produzir ceratoconjuntivite estão:
1.	 Arsênico e seus compostos arsenicais;
2.	 Ácido sulfídrico (sulfeto de hidrogênio)
em exposições muito altas. (8)
78
Inflamação coriorretiniana
Inflamação da retina e do trato uveal, pode ser
classificado como agudo ou crônico. Tem sido descrita
em trabalhadores expostos ao manganês. (8)
Neurite óptica
Inflamação, degeneração ou desmielinização
do nervo óptico. Entre as substâncias químicas tóxicas
potencialmente causadores de neurite óptica estão:
•	 Brometo de metila;
•	 Cloreto de metileno (diclorometano) e
outros solventes clorados neurotóxicos;
•	 Metanol;
•	 Sulfeto de carbono;
•	 Tetracloreto de carbono. (8)
	
Queimaduras químicas do olho
São causas importantes de acidentes oculares
no trabalho, podem ser produzidas por ácidos e bases
fortes, ocorrendo frequentemente, quando essas subs-
tâncias espirram ou derramam no olho. (8)
O epitélio corneano intacto é resistente a
alterações do pH, variando entre 4 e 10. Exposto
a pH fora desse intervalo, o epitélio é rapidamente
destruído, permitindo que a substância atinja níveis
79
profundos dos tecidos subjacentes. (8)
Os ácidos fortes tendem a precipitar as prote-
ínas, como foto x. As proteínas precipitadas formam
uma barreira tampão, limitando a penetração do ácido
no olho. Já as bases fortes saponificam os ácidos gra-
xos, que rompem as membranas celulares e não for-
mam, portanto, nenhuma barreira, permitindo a pene-
tração contínua para todo o segmento anterior do olho,
levando à sua destruição. Portanto, as queimaduras quí-
micas por álcalis são mais devastadoras do que as cau-
sadas por ácidos. (8)
2.1.4 DOENÇAS DO OUVIDO
Há um certo número de medicamentos e
produtos químicos que, por si só, podem lesar as
estruturas da orelha interna, sejam cocleares ou ves-
tibulares, seja temporária ou permanente. Entre os
medicamentos, destacam-se os antibióticos amino-
glicosídeos, os salicilatos, alguns diuréticos, alguns
oncoterápicos e o quinino. Hoje em dia existe evi-
80
dência de propriedades ototóxicas de vários produ-
tos químicos industriais, como certos fumos metáli-
cos (chumbo, mercúrio, manganês, cobalto, arsênio),
alguns gases asfixiantes (monóxido de carbono,
nitrato de butila, tetracloreto de carbono e muitos
solventes orgânicos, tolueno, xileno, estireno, n-he-
xano, tetracloroetileno e dissulfeto de carbono). (8)
Vários produtos químicos são reconhecida-
mente neurotóxicos e podem afetar a audição ou
equilíbrio agindo primeiramente no tronco ence-
fálico ou nas vias auditivas/vestibulares centrais.
(apud, Thomas-1985) A indicação de que alguns
produtos químicos industriais podem alterar a fun-
ção auditiva através de um processo ototóxico ou
neurotóxico, ou da combinação destes dois proces-
sos, deve ser considerada, especialmente quando se
selecionam testes diagnósticos. (8)
2.1.5 DOENÇAS DO SANGUE
	
As alterações do sangue provocadas por
substâncias tóxicas agressoras ao sistema sanguí-
neo são conhecidas desde o século XIX, quando foi
descrito o primeiro caso de anemia aplástica pelo
benzeno, em 1897, mas os conhecimentos tiveram
impulso após a I Guerra Mundial, quando se verifi-
cou a ação de gases tóxicos sobre o sangue (Simpó-
sio “Leucopenia”, 1987; Rugo & Damon, 1990). (8)
81
O sistema sanguíneo, pela ação das substâncias
tóxicas de origem ocupacional, pode apresentar alte-
rações desde leves até graves e mesmo letais. Alguns
tóxicos tem ação prevalente sobre a medula óssea e
menor sobre o sangue periférico, enquanto outros
apresentam ação inversa e outros, ainda, agem sobre o
sangue e medula óssea concomitantemente. (8)
As hemopatias profissionais podem ser con-
sideradas segundo a sua patogenia relacionada com
o agente tóxico ou ocupação. Ver tabela 2.5.
82
2.1.5 DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO
Estado confusional agudo
Também chamado de delirium, caracteriza-se por
um distúrbio mental orgânico, com alteração da consciên-
cia, desatenção e pensamento incoerente. Classicamente,
tem um início súbito, de horas a dias, um curso breve e
flutuante, observando-se melhora rápida, quando o fator
causal é identificado e removido. Entre as principais cau-
sas do estado confusional agudo estão doenças do SNC,
83
doenças sistêmicas, abstinência de drogas e intoxicação
por substâncias neurotóxicas, que podem estar presentes
no ambiente de trabalho. Faz parte deste rol de substâncias
os metais (chumbo, mercúrio, arsênio, manganês e tálio),
os solventes (tolueno, dissulfeto de carbono, estireno,
xileno, tricloroetileno brometo de metila, cloreto de metila,
metanol e tetracloreto de carbono), os pesticidas (organo-
fosforados, carvamatos, organoclorados e paraquat) e os
gases (monóxido de carbono e óxido de etileno). (8)
Encefalopatia tóxica crônica
Também denominada “síndrome psico-orgâ-
nica”, “síndrome neurastênica” ou “síndrome do pin-
tor”, caracteriza-se por um quadro neuropsiquiátrico
com alterações de personalidade, perda de memória,
fadiga, depressão, e perda de interesse pelas atividades-
diárias. Considerando-se que a maioria dos quadros de
demência seja irreversível, tornam-se imprescindíveis
a identificação e o tratamento daqueles possivelmente
reversíveis (Sandoval- Orellana & Sallato, 1995). (8)
Desde a década de 1970, inúmeros estudos têm
demonstrado os efeitos neurocomportamentais da exposi-
ção a solventes orgânicos. Contudo, com métodos de ava-
liação e análise epidemiológica mais sofisticados, verificou-
se que a correlação entre a exposição no local de trabalho e
os distúrbios neurocomportamentais não é tão óbvia (apud
Axelson, 2000). Como os solventes utilizados são geral-
84
mente misturas, é difícil identificar a substância química
específica e estabelecer a relação dose-resposta. Também
é difícil estabelecer a intensidade e a duração da exposição,
dada à variabilidade das condições de trabalho. (8)
Epilepsia
A epilepsia designa uma ampla variedade de
distúrbios neurológicos caracterizados por crise epilé-
ticas recorrentes. Entre as causas de epilepsia no adulto
estão: tumores, trauma cranioencefálico, acidente vas-
cular cerebral, porém, a maioria dos distúrbios epiléti-
cos permanece sem etiologia definida. (8)
Na avaliação do trabalhador que desenvolve
epilepsia deve ser considerado, o que é pouco fre-
quente, que fatores presentes no trabalho sejam a causa
da epilepsia. Como existem muitas etiologias associadas
ao início de epilepsia, a história neurológica e exames de
imagem devem ser solicitados para afastar anormalida-
des intracranianas. Mesmo assim, pode ser difícil distin-
guir convulsões relacionadas à exposição ocupacional
de outras causas não relacionadas ao trabalho.(8)
Quadros agudos de intoxicação por substâncias
químicas de origem ocupacional podem produzir con-
vulsões. Algumas dessas substâncias são (metais como
alumínio, chumbo, mercúrio, solventes, benzeno, meta-
nol, etc., e os gases como monóxido de carbono, sulfeto
de hidrogênio, cloreto de metila, etc.). Nestes casos,
85
algumas dessas substâncias podem ser detectadas no
sangue ou na urina. A exposição ao agente tóxico, com
manifestações agudas, produz, frequentemente, sinais e
sintomas sistêmicos, facilitando o nexo causal. (8)
Cefaleia
A cefaleia primária abrange a maioria dos qua-
dros observados em trabalhadores. Nos casos em que
cefaleia está relacionada à exposição a certas substân-
cias neurotóxicas, como no caso da exposição a nitra-
tos, a descrição cuidadosa das condições de apareci-
mento do sintoma pode auxiliar o estabelecimento do
nexo. Devem ser exploradas as informações relativas ao
momento de início da cefaleia, se após chegar ao local
de trabalho, ou ao seu término, a ausência de cefaleia
quando não está trabalhando e presença de níveis ele-
vados de substâncias químicas no local de trabalho, ou
ainda a presença da cefaleia nos períodos de suspensão
do trabalho, como nas folgas ou nas férias. (8)
Parkinsonismo secundários
É uma síndrome clínica caracterizada pela com-
binação de tremor em repouso, rigidez, bradicinesia e
instabilidade postural, que se apresentam em vários
graus de gravidade. (8)
No Brasil, é clássica a descrição de parkinso-
86
nismo secundário à exposição ao manganês em traba-
lhadores de uma fundição de ferro-manganês feita por
Antonio de Almeida, Jorge da Rocha Gomes e Pedro
Augusto Zaia (Almeida e cols., 1970), seguida pelos
estudos realizados em Minas Gerais, por Chrysóstomo
Rocha de Oliveira, Elizabeth Costa Dias e Eduardo
Henrique Lauar (Oliveira e cols., 1974). (8)
As principais substâncias neurotóxicas pre-
sentes em situações de trabalho capazes de causar a
Doença de Parkinson secundária são classificadas de
acordo com o grau de associação já estabelecida, pos-
sível ou potencial, e estão mostradas na tabela 2.5. (8)
O parkinsonismo secundário decorrente da
exposição a substâncias neurotóxicas pode asseme-
lhar-se, clinicamente, à forma clássica da doença de
Parkinson idiopática, além das doenças neuro e heredo-
degenerativas chamadas de parkinsonismo plus, e além
das outras causas de parkinsonismo secundário, dificul-
tando o diagnóstico diferencial. (8)
87
Ataxia cerebelar
Síndrome clínica caracterizada pela incapacidade
de coordenar os movimentos voluntários, devido à lesão
cerebelar. Pode manifestar-se quando o paciente está de
pé, quando se põe a andar, ou, ainda, quando quer exe-
cutar um movimento. As ataxias podem se classificadas
em agudas e crônicas e em hereditárias e adquiridas. As
ataxias de evolução crônica e progressiva tem usualmente
natureza hereditária. A ataxia aguda é geralmente de etio-
logia infecciosa, pós infecciosa ou tóxica. (8)
A intoxicação crônica por mercúrio pode causar
uma ataxia cerebelar, coreia e incefalopatia grave carac-
terizada por déficit cognitivo e alterações psicológicas.
Também pode estar associada a polineuropatia periférica
do tipo axonal (sensitiva e motora). O tremor é postu-
ral, cinético, de alta frequência, baixa amplitude, piora
com as atividades e se assemelha ao do hipertireoidismo.
Há também perda de sensibilidade vibratória e posicio-
nal nos membros inferiores. A exposição prolongada ao
agente tóxico pode levar à ataxia permanente, decorrente
da neuropatia periférica e/ou encefalopatia com compro-
metimento cerebelar, dependendo da idade do paciente,
grau de exposição e a forma atômica do mercúrio. (8)
Transtornos do nervo olfatório caracterizam-
se por queixas de alterações quantitativas, manifestadas
por redução, ausência ou, ainda, perversão do olfato,
também denominada de parosmia, que decorre de alte-
88
rações corticais. A anosmia, ou perda da acuidade olfa-
tória, é um achado relativamente comum que resulta da
desmielinização das fibras do nervo olfatório. (8)
Na literatura, são escassas as informações sobre
a epidemiologia e os fatores de risco ocupacional refe-
rentes aos transtornos olfatórios na população geral.
Entretanto, certos grupos de trabalhadores expostos a
substâncias irritantes podem apresentar problemas olfa-
tórios em uma proporção 15 vezes maior do que os não
expostos. Entre as substâncias químicas reconhecidas
como potencialmente capazes de produzir efeitos tóxi-
cos estão o cádmio; sulfeto de hidrogênio, poeira de
cimento; ácido sulfúrico; formaldeído; acrilatos; solven-
tes como tricloroetileno, benzeno, etilacetato, dissulfeto
de carbono, tolueno; chumbo; cromo; níquel. (8)
Transtornos do nervo trigêmeo
Síndrome clinica caracterizada pela perda da
sensibilidade cutânea da face, geralmente bilateral, acom-
panhada de parestesia, com formigamento e queimação,
além de prurido leve. A anestesia facial pode ocasionar
ferimentos em volta das narinas, decorrente de trauma-
tismos repetidos. O déficit motor do nervo trigêmeo não
tem sido observado. Quando ocorre pode ser verificado
pela fraqueza dos músculos mastigatórios. (8)
Sobre a epidemiologia e os fatores de risco
ocupacional, observa-se que a intoxicação ou a expo-
89
sição crônica aos derivados halogenados dos hidrocar-
bonetos alifáticos, particularmente o tricloroetileno, é
importante causa da neuropatia do trigêmeo. O triclo-
roetileno e outros derivados halogenados dos hidrocar-
bonetos alifáticos são utilizados como matéria-prima ou
produtos finais em indústrias químicas; como solventes,
na limpeza de peças e componentes; na indústria eletro
eletrônica; como solventes em vernizes, tintas, adesivos,
na indústria da construção; ou como desengraxantes
em limpeza a seco de roupas e similares. (8)
Polineuropatia
Geralmente se apresenta de forma simétrica,
afetando inicialmente os pés e posteriormente as
mãos. Estas neuropatias podem comprometer fibras
nervosas sensitivas, motoras ou autonômicas, isoladas
ou em associação. (8)
As manifestações mais comuns são fraqueza
muscular, hiporreflexia, cãibras, mialgia, distúrbios
sensitivos, como parestesias, disestesias, anestesias; dis-
túrbios motores, com alteração da marcha; distúrbios
tróficos, manifestados por queda de pelos e atrofia de
pele, e distúrbios neurovegetativos, como, por exemplo,
bexiga neurogênica, diarreia e impotência sexual. (8)
Sobre a epidemiologia e os fatores de risco
ocupacional relacionados à ocorrência de polineu-
ropatias, as substâncias neurotóxicas mais frequen-
90
temente associadas à produção desses quadros são
os metais chumbo, mercúrio, arsênio, estanho, tálio,
cromo, manganês, ouro, zinco e antimônio; os sol-
ventes n-Hexano, metil-butil-cetona, tetracloreto de
carbono, matanol, benzeno, dissulfeto de carbono e
tricloroetileno; os pesticidas organofostorados, car-
bamatos, organoclorados; os gases monóxido de car-
bono, óxido de etileno. (8)
2.1.6 DOENÇAS DO SISTEMA REPRODUTIVO
Reprodução é um processo complexo e vulne-
rável. A reprodução normal exige uma grande interação
entre os processos anatômico e fisiológico. Os meca-
nismos hormonais envolvidos na reprodução exigem
interações precisas entre o hipotálamo, a pituitária, e o
ovário ou testículo. (8)
Exposições ocupacionais não são a causa da
maioria dos distúrbios reprodutivos, mas a exposição
ocupacional pode causar sérios problemas reprodu-
tivos, que são inteiramente evitáveis. A exposição a
determinado agente no local de trabalho pode mani-
festar seus efeitos reprodutivos tanto em homens como
em mulheres. Exposições tóxicas podem reduzir a fer-
tilidade prejudicando os espermatozoides ou os óvulos.
Podem ocorrer abortos se um embrião é afetado ou
se complexas interações hormonais são bloqueadas. A
exposição tóxica durante a gravidez pode causar mal-
91
formação ou morte do feto. Atribuem-se a algumas
exposições, problemas neuropsiquiátricos ou cânceres
descobertos mais tarde na infância. Outras exposições
podem levar a problemas de saúde que não são detecta-
dos antes da idade adulta. (8)
Efeitos adversos causados pela exposição a toxi-
cantes reprodutivos podem se manifestar em várias etapas
do complexo processo da função reprodutiva, iniciando
com a gametogênese e continuando na interação de game-
tas (fertilização), desenvolvimento e crescimento embrio-
nário e fetal, nascimento e maturação sexual da prole. (8)
Efeitos da exposição tóxica na gametogênese
A produção de óvulos e espermatozoides e o
processo de ovulação dependem todos da estimulação
hormonal. Uma maneira pela qual agentes ocupacio-
nais e ambientais podem ser prejudiciais à reprodução
é através do bloqueio das vias hormonais no nível do
hipotálamo, pituitária ou gônadas. A exposição ambien-
tal a praguicidas que agem como estrogênios ou anties-
trogênios demonstrou exercer efeitos tóxicos na repro-
dução em animais, através desse mecanismo. (8)
Exposições a substâncias perigosas podem
também exercer um efeito direto nos gametas e suas
células precursoras. A exposição ao dibromocloropro-
pano (DBCP) causa lesão das células germinativas em
homens. Exposição a éteres de glicóis entre pintores
92
de estaleiros foi associada à redução da contagem de
espermatozoides. Efeitos gametotóxicos entre mulhe-
res são difíceis de medir porque a obtenção de uma
amostra folicular envolve um procedimento invasivo,
uma biopsia ovariana. (8)
Como a gametogênese começa durante a vida
fetal, exposições ocupacionais e ambientais durante a
gravidez poderiam teoricamente causar efeitos transge-
racionais. Danos às células germinativas primárias de
um feto podem ser manifestados mais tarde, quando
esse feto torna-se um adulto e sua reprodução se mos-
tra alterada. Um efeito tóxico pode ser manifestado pela
redução da fertilidade quando o filho da mulher traba-
lhadora tenta ter filhos. O mecanismo desse efeito tra-
duz-se em danos às células germinativas que se desen-
volvem no feto da trabalhadora. (8)
Teoricamente, o filho ou neto de um trabalha-
dor pode ser afetado por alteração subletal do material
genético na célula germinativa primordial. Uma preocu-
pação é que as alterações no DNA dos gametas podem
causar câncer nos filhos de pais expostos. (8)
Em mulheres adultas, leva-se cerca de duas
semanas para que oócitos primários se desenvolvam
em óvulos maduros. Em homens, leva-se cerca de dois
meses para que células germinativas primárias se desen-
volvam em espermatozoides. Exposições tóxicas durante
esses períodos de diferenciação das células germinativas
podem resultar em morte dos gametas em maturação.
93
Esse quadro seria manifestado clinicamente como uma
incapacidade temporária de conceber uma criança. Se as
células germinativas imaturas (células tronco) forem afe-
tadas, o período de infertilidade será maior. (8)
Se a gravidez é alcançada, apesar de um curto
período de exposição tóxica durante a maturação dos
gametas, não se estabelecem claramente as relações de
causa com os defeitos congênitos. Suspeita-se que os
gametas e embriões que não tenham iniciado o organo-
gênese sejam relativamente resistentes à ação teratogê-
nica, caso sobrevivam à exposição tóxica. (8)
Redução da fertilidade
Os estudos epidemiológicos dirigidos à saúde
reprodutiva do homem estão, via de regra, centrados
em parâmetros do esperma, tais como morfologia,
motilidade, viabilidade e concentração. Estes parâme-
tros, combinados com parâmetros de exposição ocupa-
cional, foram a base dos estudos epidemiológicos que
enfocam a relação entre a ocupação e o potencial de
dano reprodutivo do homem. (8)
Embora a infertilidade seja o efeito sobre
a reprodução frequentemente investigado, também
outros efeitos adversos, mediados pelo pai, tem sido
estudados, tais como a perda fetal, os defeitos congêni-
tos e o câncer na infância. (8)
O mais notável exemplo é o dibromocloro-
94
propano (DBCP), um fumigante de solo que foi utili-
zado por mais de 20 anos em aplicações agrícolas. Um
pequeno grupo de homens empregados na produção
de DBCP relatou problemas de esterilidade, sendo
constatadas a azospermia ou oligospermia. Levanta-
mentos adicionais, realizados junto a outros trabalha-
dores expostos ao DBCP, revelaram haver contagens
diminuídas de espermatozóides, sendo estas geralmente
relacionadas à exposição ao DBCP (Whorton, Krauss &
Marshall, 1977; Milby & Whorton, 1980). A exposição
ocupacional na produção de um pesticida semelhante,
o dibrometo de etileno, também tem sido associada à
diminuição da fertilidade e decréscimo nas contagens de
espermatozóides (Dobbins, 1987). Assim como foram
verificados decréscimos nas contagens de espermato-
zóides em trabalhadores de fundições, e pintores expos-
tos a 2-etoxietanol, também conhecido como cellosolve
(Welch e cols., 1988; Ratchleffe e cols., 1989). (8)
Alterações menstruais
Existem diversos exemplos de estudos que
sugerem alterações menstruais associadas à exposi-
ção ocupacional a vários solventes. Assim, tem sido
demonstrado que a exposição ocupacional ao benzeno,
tolueno e xileno está associada a anormalidades mens-
truais, principalmente ao aumento do sangramento e
dos intervalos do ciclo (Michon, 1965a; Michon, 1965b;
95
Syrovadko, Skromin & Pronkova, 1973). Mulheres que
trabalharam com percloroetileno em tinturarias de
lavagem a seco tiveram uma prevalência aumentada de
problemas, como alteração da duração do ciclo, menor-
ragia e dismenorréia, quando comparadas a mulheres
que trabalham em lavanderias que utilizam água e sabão
(Zielhuis, Gijsen & Van Der Gulden, 1989). (8)
Outros grupos ocupacionais estudados
incluem trabalhadores da indústria do petróleo, onde
foi encontrada uma elevada prevalência (50%) de alte-
rações menstruais em mulheres com idade acima de 40
anos, em comparação com controles emparelhados por
idade, cuja prevalência foi de apenas 19%. A alteração
mais frequente e que apresentou diferença significativa
foi a menorragia: 21% contra 8,3% (Panova, 1976). (8)
Abortamentos espontâneos
Estudos epidemiológicos tem sugerido um
risco aumentado para abortamentos espontâneos em
grupos específicos de mulheres trabalhadoras da indús-
tria química e de semicondutores (microeletrônica). Um
estudo caso-controle em enfermeiras finlandesas mos-
trou uma associação significativa entre perdas fetais e o
trabalho com quimioterápicos durante o primeiro tri-
mestre de gestação (Selevan e cols., 1985). (8)
Já há muitos séculos sabe-se que o chumbo
tem provocado abortamentos espontâneos em ges-
96
tantes exposta a altos níveis, tendo chegado, por este
motivo, a ser utilizado intencionalmente para este fim
(Miller &Bellinger, 1993). (8)
Tem sido investigada a relação entre exposi-
ções ocupacionais paternas ao DBCP e a gases anesté-
sicos com a incidência de abortamentos espontâneos.
As evidências mostram claramente uma relação positiva
entre a exposição masculina ao DBCP e a maior incidên-
cia de abortamentos espontâneos em suas esposas (Bos-
tofte, Serup & Rebbe, 1984). Possivelmente este fato seja
devido a mutações relacionadas à exposição. No entanto,
estudos sobre a exposição a anestésicos tem apresentado
resultados conflitantes. Apesar de haver um aumento de
25% de malformações congênitas em filhos de aneste-
sistas do sexo masculino, a incidência de abortamentos
espontâneos aparentemente não é afetada (Cohen e cols.,
1975; Knill-Jones, Newman & Spence, 1975). (8)
Malformações congênitas
Nos estudos sobre a relação entre exposições ocu-
pacionais e a presença de anomalias congênitas predomi-
nam aqueles que utilizam a metodologia de estudos epide-
miológicos do tipo casos x controles. Embora este desenho
seja o mais eficiente para o estudo de eventos relativamente
raros, como as malformações congênitas, ele limita os
resultados a serem levados em consideração àqueles que
foram identificados como “casos” no início do estudo. (8)
97
Evidências para o estabelecimento de nexos
entre exposições ocupacionais e malformações tem sido
obtidas de estudos sobre a exposição dos pais a solven-
tes. Dois estudos de caso-controle em filhos de pintores
e outros trabalhadores expostos a solventes mostraram
odds ratios elevados para defeitos do sistema nervoso cen-
tral (Holmberg & Nurminen, 1980; Olsen, 1983). Outro
estudo de caso-controle encontrou uma relação estatisti-
camente significativa entre a exposição a solventes, princi-
palmente ao tolueno, e anomalias com predominância de
defeitos renais, urinários e gastrintestinais em 301 crianças
(McDonald e cols., 1987). A exposição ocupacional a sol-
ventes também tem sido relatada com mais elevada frequ-
ência em mães cujos filhos nasceram com fenda palatina
(Holmberg & Nurminen, 1980) e defeitos do septo ven-
tricular (Tikkanen & Heinonen, 1988), quando compara-
dos aos seus respectivos grupos-controle. (8)
Os trabalhadores agrícolas representam outro
grupo ocupacional para o qual um mais elevado risco de
malformações tem sido relatado. A exposição aos pra-
guicidas é que causa mais preocupação nessa população.
As malformações mais consistentemente notadas são
defeitos do sistema nervoso central, incluindo anencefa-
lia (Polednak & Janerick, 1983), defeitos do tubo neural
(White e cols., 1980), fendas faciais (Brogan, Brogan &
Dadd, 1980; Gordon & Shy, 1981; White e cols., 1988)
e atrofia de membros (Schwartz, Newsum & Heifetz,
1986; Schwartz & Logerfo, 1988). (8)
99
UNIDADE 3 | RISCO FÍSICOS
Riscos físicos são os resultantes da troca de
energia entre o organismo e o ambiente de trabalho, em
quantidade que pode causar o desconforto, acidentes
ou doenças do trabalho. (1)
Observa-se no quadro abaixo os possíveis
danos provocados à saúde, decorrente da exposição aos
agentes dos riscos físicos.
100
Nesta unidade serão apresentados os mais
importantes efeitos colaterais da exposição aos agentes
dos riscos físicos, tipos de prevenção e controle para
preservação da saúde do empregado.
3.1 RUÍDO
Como som, compreende-se qualquer perturba-
ção vibratória em um meio elástico, que produz uma
sensação auditiva. (5)
Os termos som e ruído são frequentemente
utilizados indiferenciadamente mas, geralmente, som
é utilizado para as sensações prazerosas como música
ou fala, enquanto que ruído é usado para descrever um
som indesejável como buzina, explosão, barulho de
trânsito e máquinas. (5)
As máquinas e equipamentos utilizados pelas
empresas emitem ruídos que podem atingir níveis exces-
sivos, podendo, a curto, médio e longo prazos provocar
sérios prejuízos à saúde dos empregados. Conforme o
tempo de exposição, do nível sonoro e da sensibilidade
individual, as alterações danosas podem manifestar-se
imediata ou gradualmente. Quanto maior o nível de ruído,
menor deverá ser o tempo de exposição ocupacional. (12)
Considerando que a audição humana é sensível
para cada frequência de som, entre 20 a 20.000Hz, é impor-
tante considerar esse fator que compõe o ruído, e não ape-
nas sua intensidade em uma medição pura e simples. (8)
101
Através da figura que mostra as curvas isofô-
nicas, segundo Robinson e Dadson, observa-se que a
mesma curva que passa por 40 dB a 1.000 Hz, passa 90
dB a 20 Hz e um pouco menos de 40 dB a 5.000 Hz.
Conclui-se que um ruído de menor intensidade, mas de
frequência muito alta, provoca sensação mais intensa
em uma frequência baixa. (8)
Pelo fato de o ouvido não responder linearmente
ao espectro de frequências, o medido de nível de som pos-
sui circuitos de filtros de ponderação representados pelas
letras A, B e C com o objetivo de reproduzir o comporta-
102
mento do ouvido humano a níveis de intensidade, respec-
tivamente, de 40, 70 e 100 dB a 1.000 Hz. Na prática, eles
atenuam (o filtro A mais que o filtro Be, este, mais que o
filtro C), as baixas frequências (inferiores a 1.000 Hz) e as
frequências superiores a 8.000-10.000 Hz. (5)
As duas ponderações mais relevantes na avalia-
ção de ruído dão a “A” e a “C”. Outras são mencionadas
na literatura como a “B” e a “D”. A primeira está em
desuso, enquanto a segunda é mais aplicada para avalia-
ção de ruído em aeroportos. As ponderações A e C são
elaboradas de acordo com a resposta aproximada da ore-
lha humana e estímulos sonoros, particularmente tons
puros. A ponderação A é a mais empregada no campo
de avaliação de ruído ocupacional e ambiental, pois é a
que mais se aproxima da resposta da orelha humana e se
correlaciona com o risco de dano à audição. A curva C
é praticamente linear ao longo do campo de frequências
de interesse. A seguir é apresentado o gráfico de ponde-
ração referente às duas curvas A e C. (8)
Figura 3.2 Curvas de ponderação normalizada A e C
Fonte: http://dc358.4shared.com/doc/4tk8hSp9/preview.html
103
3.1.1 ANATOMIA DA ORELHA
Orelha é o nome dado às estruturas que compõe
os sistemas auditivo e vestibular periféricos. Localiza-se
na região temporal do crânio, estando a maioria de suas
porções incrustadas no osso temporal. Divide-se em ore-
lha externa, média e interna (ou labirinto). (21)
A orelha externa é constituída pelo pavilhão e
meato acústico externo. As vibrações sonoras do ar
penetram no meato acústico externo e fazem vibrar a
membrana do tímpano. (8)
A orelha média é uma cavidade aerada no osso
Figura 3.3 Corte frontal do órgão periférico (orelhas externa, média e
interna) Fonte: http://centrootorrinodf.com.br/anatomia/ouvido.php
104
temporal também chamada de caixa do tímpano ou cavi-
dade timpânica situada entre a orelha externa e a interna
e revestida por uma mucosa. A membrana timpânica
limita a orelha externa da média. Possui 3 ossículos (mar-
telo, bigorna e estribo) suspensos na caixa por ligamen-
tos e 2 músculos (estapediano e tensor do tímpano). Por
ela atravessa o nervo corda do tímpano, ramo do nervo
facial. Comunica-se com o antro da mastóide pelo ádito
do antro, com a rinofaringe pela tuba auditiva e com a
orelha interna pelas janelas oval e redonda. (21)
A parte anterior da orelha interna é constituída
pela cóclea ou caracol, que responde pela audição e a pos-
terior, pelo vestíbulo e canais semicirculares, que respon-
dem pelo equilíbrio. A cóclea apresenta em seu interior
espiralado três canais membranosos paralelos: a escala
vestibular e a escala timpânica, que contêm perilinfa e se
comunicam no ápice coclear através do helicotrema; e a
escala média ou ducto coclear, que contém endolinfa. A
perilinfa tem uma composição química semelhante à dos
líquidos extracelulares, ricos em sódio, enquanto que a
endolinfa assemelha-se aos líquidos intracelulares, ricos
em potássio. No interior do ducto coclear, desde a base
até o ápice, está situado o órgão de Corti, que contém
as células ciliadas sensoriais, incumbidas de transformar
as vibrações sonoras em estímulos elétricos, que são
transmitidos pelas fibras do nervo estatoacústico para
o sistema nervoso central. No extremo lateral do ducto
coclear situa-se a estria vascular. (8)
105
3.1.2 FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO
Por via aérea: a orelha externa capta os sons
ambientes e os dirige para a membrana timpânica que
vibrando junto com a cadeia ossicular transmite e ampli-
fica os sons para a janela oval. A vibração do estribo faz
vibrar a perilinfa desencadeando uma onda de vibração
na membrana basilar da base para o ápice. Para frequên-
cias altas a onda é maior na base da cóclea (cada região ao
longo da cóclea corresponde a uma frequência). O órgão
de Corti que se encontra apoiado na membrana basi-
lar acompanha seus movimentos e como as suas célu-
las ciliadas estão em contato com a membrana tectória
os cílios são deslocados. Isso provoca a despolarização
das células ciliadas aparecendo o impulso nervoso que
é transmitido para o sistema nervoso central. A orelha
possui portanto um segmento que transmite e amplifica
o som para a o órgão de Corti (aparelho de transmissão
ou condução) e um segmento que transforma a vibração
em impulso nervoso e o transmite para SNC (aparelho
de recepção ou neuro-sensorial). (8)
Por via óssea: a vibração do crânio, por exemplo
tocando-o com um diapasão, faz vibrar a perilinfa desen-
cadeando o impulso nervoso. Por inércia a cadeia ossicu-
lar também vibra existindo um componente condutivo
na audição por via óssea mas para facilitar o raciocínio
clínico considera-se que a audição por via óssea estimula
diretamente o aparelho de recepção. (21)
106
3.1.3 DOENÇAS RELACIONADAS AO RUÍDO
O ruído age diretamente sobre o sistema ner-
voso, causando fadiga nervosa e alterações mentais
(perda de memória, irritabilidade, dificuldade para
coordenar ideias, hipertensão, modificação do ritmo
cardíaco, modificação do calibre dos vasos sanguíneos,
modificação do ritmo respiratório, perturbações gas-
trintestinais, diminuição da visão noturna e dificuldade
na percepção de cores). Além dessas consequências, o
ruído atinge também o aparelho auditivo, causando a
perda temporária ou definitiva da audição. (12)
Entende-se como perda auditiva induzida por
ruído – PAIR uma alteração dos limiares auditivos, do
tipo neurossensorial, decorrente da exposição sistemá-
tica a ruído, que tem como características a irreversibili-
dade e a progressão com o tempo de exposição. (Reso-
lução SS-317, de 24-5-1994)
Normalmente o processo de perda auditiva se
inicia na frequência de 4.000 Hz, e aparece na audiome-
tria como uma gota (chamada de gota acústica). Obser-
var que se é exposto a ruído ambiental, a perda se dá
biliteralmente de forma equilibrada. (14)
O dano auditivo produzido pela exposição a
níveis elevados de pressão sonora pode ser classificado
em três tipos: o trauma acústico, a perda auditiva tem-
porária e a perda auditiva permanente. (8)
107
Trauma acústico
Provocado por uma grande intensidade de ruído
repentino, e pode provocar lesões graves na orelha média
e/ou interna. Há possibilidade de tratamento com medi-
cações, nos casos de rompimento da membrana timpâ-
nica pode ser corrigida com tratamento cirúrgico.
Perda auditiva temporária
Ocorre logo após a exposição a ruído intenso, por
um curto período de tempo, e tende a regredir espontanea-
mente após minutos, horas ou, às vezes, até dias de repouso
auditivo. A figura x mostra audiogramas realizados antes e
depois da exposição de um indivíduo com audição normal
a um rido de 103 dB(A) durante duas horas contínuas. As
audiometrias realizadas 30s, 15min, 5h e 24h após o tér-
mino da exposição estão registradas no esquema e mos-
tramamelhoriaprogressivadaperdaauditivainstaladaapós
aquela exposição, ao longo das 24 horas subsequentes. (8)
Figura 3.4 Níveis de audição de um indivíduo normal exposto a um ruído de 103
dB(A) (perda auditiva temporária) Fonte: Mendes, Rene - 2007
108
Perda auditiva permanente
Consequência da exposição repetida ao ruído
excessivo, se dá de forma lenta e progressiva.
A perda auditiva relaciona-se a um grau de des-
truição menor ou maior de setores do órgão de Corti. Por
conseguinte, ela é sempre do tipo sensorioneural. Como a
maior concentração das lesões situa-se na espira basal da
cóclea, ela compromete primeiro e predominantemente
as frequências altas e, somente em fases mais avançadas,
o entalhe audiométrico se alarga, em direção às frequên-
cias médias e baixas. Por isso, os traçados audiométricos
da PAIR têm sempre um formato característico, de entalhe
nas frequências altas, similar bilateralmente, embora sejam
comuns as assimetrias nos agudos. Outra importante carac-
terística da doença é que, cessada a exposição ao ruído, a
perda auditiva deixa de progredir. (8)
Além do desconforto e do perigo de surdez pro-
fissional, o ruído prejudica a comunicação, dificultando a
emissão e compreensão de ordens, o que influi no rendi-
mento do trabalhador como no número de acidentes.
3.1.4 MEDIDAS DE CONTROLE DO RUÍDO
Com o intuito de evitar ou diminuir os danos
provocados pelo ruído no local de trabalho, costumam-
se adotar as seguintes medidas:
109
As medidas de proteção coletiva incluem:
enclausuramento da máquina produtora de ruído; iso-
lamento de ruído.
Quanto à medida de proteção individual, esta
consiste no fornecimento de equipamento de proteção
individual (EPI) (no caso, protetor auricular). O EPI
deve ser fornecido na impossibilidade de eliminar o
ruído ou como medida complementar.
As medidas médicas, por sua vez, incluem: exa-
mes audiométricos periódicos, afastamento do local de
trabalho e revezamento.
Há também as medidas educacionais. São elas:
orientação para o uso correto do EPI; campanha de
conscientização.
E, por fim, as medidas administrativas: tornar
obrigatório o uso do EPI; controlar o uso. (12)
3.2 CALOR
Podemos definir “calor” como sendo um risco
físico que se apresenta de forma frequente nas mais
diversas atividades profissionais, onde existe liberação
de grandes quantidades de energia térmica, podendo
estar presente tanto em atividades internas quanto em
110
atividades ao ar livre, sujeitando o homem a dar ou
receber esta energia. (14)
Os mecanismos de troca térmica que importam
para a Higiene do Trabalho são: Condução, Convecção,
Evaporação e Irradiação. Estes mecanismos físicos são
responsáveis pela sensação de conforto ambiental num
ambiente qualquer, já que são o principal meio de perda
ou ganho de energia térmica pelo organismo humano. (14)
Para que o homem mantenha sua temperatura
constante, existem vários mecanismos automáticos
que lhe possibilitam regular a perda de calor, man-
tendo a temperatura do corpo em torno de 36 graus
centígrados. Tais mecanismos automáticos fazem com
que o organismo perca mais ou menos calor para o
ambiente, dependendo da sobrecarga que recebe, de
calor ou frio, respectivamente. (16)
Deste modo, um indivíduo nu pode ficar
exposto a temperatura de 13°C a 70°C, em ambien-
tes secos, e manter a temperatura central constante.
Entretanto, esta mesma pessoa não tolera um aumento
de 4°C na sua temperatura interna (central) sem que
ocorra comprometimento da capacidade física e men-
tal e até mesmo risco de vida. (8)
Quando a soma do calor recebido e do calor pro-
duzido pelo metabolismo é maior que o calor cedido pelo
o organismo ao meio ambiente, o organismo lança mão de
mecanismos de defesa (vasodilatação periférica e ativação
de glândulas sudoríparas) para evitar a hipertermia. (8)
111
A vasodilatação periférica permite uma maior
troca de calor entre o organismo e o meio ambiente e a
ativação das glândulas sudoríparas permite uma maior
perda de calor através da evaporação do suor. (8)
Entretanto, a quantidade de calor que o orga-
nismo pode perder pela evaporação do suor pode ser
limitada por fatores fisiológicos e ambientais. (8)
As limitações fisiológicas são resultantes de
problemas no funcionamento das glândulas sudorípa-
ras e as ambientais são, principalmente, a umidade rela-
tiva do ar e a velocidade do ar. (8)
A sensação de desconforto causada pelo calor
está diretamente ligada a estes fatores ambientais (velo-
cidade e umidade relativa do ar). (8)
3.2.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO AO CALOR
A temperatura constitui um dos fatores mais
importantes no ambiente de trabalho. A alteração de
sua normalidade ocasiona desde certas perturbações de
conforto, até determinados processos graves. (16)
Choque térmico
Também denominado hipertemia ou interman-
ção, ocorre por uma falha do centro termorregulador
que leva a uma redução da sudorese e, consequente-
mente, da perda de calor por evaporação, resultando
112
numa elevação acelerada e descontrolada da tempera-
tura interna do corpo. É uma emergência médica e os
sinais clínicos são pele seca, quente, avermelhada, man-
chada ou cianótica. A temperatura central do corpo
pode atingir 40,5°C ou mais. Podem aparecer confusão
mental, perda da consciência, convulsões e até ser fatal
ou deixar sequelas neurológicas se o trabalhador não é
retirado do ambiente e o tratamento não for imediato.
O reconhecimento e o tratamento precoce do choque
térmico são as únicas medidas que podem prevenir a
lesão cerebral permanente e a morte. (8)
Exaustão por calor
A exaustão pelo calor é causada pela perda
excessiva de líquidos pelo suor associada a uma perda
excessiva de sal. O trabalhador com exaustão pelo
calor ainda apresenta dudorese e experimenta uma
sensação de fadiga e fraqueza extremas, além de ton-
turas, náuseas e cefaleia. Casos mais sintomáticos
podem apresentar vômitos e evoluir para o coma. A
pele é úmida, pálida ou ruborizada e a temperatura
corporal é normal ou levemente elevada. O trata-
mento é feito pela retirada do ambiente quente e pela
administração de líquidos e eletrólitos. Não há efei-
tos permanentes (sequelas). A exaustão pelo calor
pode preceder o choque térmico. (8)
113
Desidratação pelo calor
Ocorre quando a ingestão de líquidos é insufi-
ciente para compensar as perdas pela sudorese exces-
siva. É um dos mecanismos presentes na fisiopatologia
da exaustão pelo calor. (8)
Câimbras e espasmos pelo calor
São contrações ou espasmos musculares dolo-
rosos, motivados pela diluição de eletrólitos no sangue,
decorrentes da perda de sal pela sudorese excessiva e da
ingestão de grandes quantidades de água. Os músculos
utilizados para a execução do trabalho são os mais suscep-
tíveis. As câimbras e os espasmos podem ocorrer durante
ou horas após o trabalho e podem ser tratadas com repo-
sição eletrolítica através de soro por via oral. (8)
Síncope pelo calor
Também denominada colapso pelo calor, ocorre
quando um trabalhador não acostumado com ambientes
quentes permanece de pé e parado nestes ambientes. A
dilatação dos vasos da pele (principalmente de membros
inferiores) diminui o retorno venoso e débito cardíaco
com consequente baixo fluxo cerebral e síncope. Geral-
mente a síncope é precedida de palidez cutânea, visão
borrada, náuseas e tonturas. A colocação do paciente em
114
decúbito leva a recuperação do estado de consciência. (8)
Edema pelo calor
Ocorre por mecanismo semelhante ao da sín-
cope pelo calor, ou seja, acúmulo de sangue nos vasos
dilatados da pele dos membros inferiores, resultando
em edema, principalmente quando a pessoa permanece
de pé parada em ambientes quentes.
Fadiga transitória pelo calor
Este termo refere-se a um estado transitório
de desconforto e de tensão causado pela exposição
prolongada ao calor. Trabalhadores não aclimatizados
são particularmente sensíveis e podem apresentar, em
graus variados, diminuição de performace no trabalho,
da coordenação motora e do estado de alerta e vigilân-
cia. (8)
Insolação
É um estado patológico causado pela exposição
ao calor tendo o sol como a fonte de calor. (8)
Reações dermatológicas
As reações dermatológicas ao calor mais comuns
115
são chamadas de miliária e podem ser de três tipos:
cristalina, rubra e profunda. A miliária ocorre mais
frequentemente em ambientes quentes e úmidos e
com trabalhadores expostos ao calor que usam rou-
pas impermeáveis ao suor. Nestes casos o suor não é
facilmente removido da pele pela evaporação e ocorre
obstrução dos ductos das glândulas sudoríparas, cau-
sando retenção do suor. (8)
Queimaduras
As queimaduras resultam de acidentes que são
facilitados pela sudorese, que torna a pega de objetos
mais difícil, que pode tornar o chão escorregadio e que
pode causar irritação ocular e interferência na visão,
associada a uma diminuição da performance no tra-
balho e do estado de alerta causada pelo desconforto
térmico. O aumento da temperatura corporal e o des-
conforto físico provocam irritabilidade e outros estados
emocionais que podem levar o trabalhador a negligen-
ciar procedimentos de segurança ou a distrair a atenção
na realização de tarefas perigosas. (8)
Sobrecarga do sistema circulatório: Ocorre
por competição pelo fluxo sanguíneo entre a pele,
para resfriamento, e os músculos ativos, para supri-
mento de energia. (8)
116
Infertilidade masculina e feminina
Há possibilidade de ocorrência quando a tem-
peratura interna do corpo ultrapassa 38°C. (8)
Má-formação fetal
Há possibilidade de ocorrência quando a tempe-
ratura interna do corpo da mulher ultrapassa 39°C por
períodos estendidos, no primeiro trimestre da gravidez. (8)
Catarata
É uma opacificação do cristalino, parcial ou com-
pleta, em um ou ambos os olhos, que interfere na visão,
podendo causar cegueira. A exposição prolongada à radia-
ção infravermelho (calor radiante) é reconhecida como
uma das causas de catarata. (8)
3.2.2 MEDIDAS DE CONTROLE DO CALOR
As medidas relativas ao ambiente, podemos
considerar:
• Diminuição do calor metabólico com a auto-
matização de processos de trabalho em ambiente quen-
tes, minimizando o esforço físico do trabalhador e, con-
sequentemente, a produção de calor metabólico.
117
• Diminuição do calor radiante pode ser con-
seguida pela interposição de barreiras refletoras entre a
fonte de calor e o trabalhador. A barreira de calor mais
utilizada é a de alumínio polido.
• Redução da temperatura do ar pode ser con-
seguida através da insuflação de ar fresco.
• Redução da umidade relativa do ar pode ser
conseguida pela instalação de desumidificadores ou
ventilação local exaustora onde há fontes localizadas
de vapor d’água.
• Aumento da movimentação do ar, através
da ventilação local favorece a evaporação do suor,
desde que o ar esteja em temperatura inferior à tem-
peratura corporal. (8)
As medidas relativas ao homem são:
• Aclimatização constitui uma adaptação
fisiológica, onde três fenômenos básicos ocorrem
no indivíduo: aumento da capacidade de sudorese,
diminuição da concentração de sódio no suor e dimi-
nuição da frequência cardíaca diante de uma mesma
carga de calor ambiental e de trabalho. Essa aclimati-
zação é conseguida em seis dias e será completa após
duas/três semanas. Recomenda-se que se inicie o tra-
118
balho com 50% da carga de trabalho no primeiro dia,
aumentando 10% por dia, até atingir 100% no sexto dia.
Esta medida é considerada de fundamental importância
na prevenção dos efeitos do calor sobre o organismo.
• Limitação do tempo de exposição ao calor
pode ser conseguida pela otimização de ciclos na realiza-
ção das tarefas, pelo revezamento de pessoas ou tarefas.
• Reposição Hidroeletrolítica se dá pela repo-
sição de água que deve ser individualizada, conforme
intensidade da perda. Recomenda-se que o trabalhador
seja encorajado a beber 150ml de água a cada 15-20min.
• Utilização de roupas de proteção deve ser de
tecido leve, que absorva pouco calor radiante e que per-
mita a evaporação do suor.
• Utilização de óculos com filtro infravermelho
para evitar o desenvolvimento de catarata em trabalha-
dores expostos a calor radiante intenso. (8)
3.3 FRIO
Por não ser muito comum no nosso país, o
estudo da exposição ao frio não é muito divulgado, nem
claramente coberto pela legislação. A NR 15 anexo 9, se
limita a dizer que trabalhos em locais frios sem a pro-
119
teção adequada são consideradas insalubres mediante
laudo de inspeção no local de trabalho. Entretanto
devemos considerar que muitos trabalhadores exercem
suas atividades em câmaras frias, na indústria alimentí-
cia, na agricultura, ou ainda em ambientes externos em
localidades frias. (14)
3.1.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO AO FRIO
Na exposição do indivíduo ao frio intenso,
deve-se considerar o esfriamento do interior do corpo,
através da superfície da pele e pela respiração, e o con-
gelamento de extremidades. A tabela 3.2 a seguir mos-
tra os efeitos clínicos da vítima de hipotermia, de forma
progressiva. (14)
A permanência num ambiente frio, por exem-
plo, determina a atividade de distintos mecanismos de
termorregulação do organismo. Assim, para evitar as
perdas calóricas, o organismo produz uma vasoconstri-
ção na periferia do corpo. (16)
Alguns tipos de alterações podem ocorrer, ape-
sar de existirem mecanismos automáticos de regulação
de temperatura do corpo. Muitas vezes, a ação do frio
se faz notar em locais ou modos onde tais mecanismos
se tornam ineficazes. É o caso das queimaduras pelo
frio ocasionadas pelo contato da pele com o agente
causador do frio. Algumas alterações, por outro lado,
são desencadeadas pelo frio em indivíduos previamente
120
‘marcados’. São os indivíduos mais sensíveis que outros
ao frio e que podem desenvolver urticárias ou altera-
ções alérgicas de pele. Varas outras doenças podem ser
desencadeadas ou agravadas pelo frio. (16)
As doenças causadas pelo frio são classica-
mente divididas em dois grupos: aquelas onde não há
congelamento (hipotermia, eritema pérnio) e aquelas
causadas por congelamento (geladura ou frostbite). (8)
Hipotermia
É definida pela queda da temperatura central
do corpo a níveis inferiores a 35°C. Pessoas hipotérmi-
cas podem apresentar uma gama de sinais e sintomas,
conforme tabela 3.2. (8)
37,6
37
36
35
34
33
Temperatura retal normal
Temperatura oral normal
Aumento da taxa metabólica para compensar
a perda de calor
Tremor máximo
Vítima consciente e respondendo com pressão
sanguínea normal
Severa hipotermia abaixo desta temperatura
121
32/31
30/29
28
27
26
25
24
22
21
20
18
17
9
Consciência nublada, dificuldade de obter a
pressão, pupilas dilatadas mas reagindo à luz,
cessação dos tremores
Progressiva perda da consciência, aumento da
rigidez muscular, pulso e pressão difíceis de
obter, decréscimo da taxa respiratória
Possível fibrilação ventricular com irritação
miocardial
Cessam os movimentos voluntários, pupilas
não reativas à luz, reflexos de tendões e
superficiais ausentes
Vítima raramente consciente
Fibrilação ventricular pode ocorrer
espontaneamente
Edema pulmonar
Risco máximo de fibrilação ventricular
Parada cardíaca
Vítima de hipotermia acidental mais baixa
Eletroencefalograma isoelétrico
Paciente de hipotermia induzida artificial-
mente mais baixa
Eritema Pérnio
O eritema pérnio ou perniose é uma condição
inflamatória da pele dos membros induzida pelo frio
122
e caracterizada por eritema, prurido e ulceração. São
reconhecidas uma forma aguda e uma forma crônica
da doença. Nos casos agudos percebe-se uma descolo-
ração vermelho-azulada e edema da pele nos membros
inferiores associados à sensação de queimação e calor,
além de prurido. As lesões geralmente persistem por
sete a dez dias e após regridem, deixando algumas vezes
uma pigmentação residual na pele. A lesão histopato-
lógica consiste de angeíte com proliferação da íntima,
espessamento da parede arterial e infiltração perivascu-
lar por linfócitos e leucócitos polimorfonucleares. Nos
casos graves as lesões podem tornar-se hemorrágicas ou
podem surgir bolhas. Infecções podem sobrevir. Com a
exposição repetida ao frio, os trabalhadores susceptíveis
podem desenvolver lesões crônicas que são caracteriza-
das por eritema e úlcera. Pode haver também, nestes
casos, formação de bolhas e hemorragia. (8)
Geladura (Frostbite)
Geladura ou frostbite ou queimadura pelo frio é
a lesão que atinge as extremidades, decorrentes de expo-
sição prolongada a temperaturas extremamente baixas,
com consequente congelamento dos tecidos e lesão
vascular. São lesões que ocorrem devido à intensa vaso-
constrição e à deposição de micro cristais nos tecidos.
No Brasil não se espera que seja uma doença comum.
Inicialmente ocorre uma sensação de picada seguida de
123
dormência. A pele torna-se exangue e mostra-se branca
e fria. Posteriormente há vermelhidão, edema e tempe-
ratura aumentada. Bolhas com conteúdo seroso ama-
relo ou hemorrágico podem se formar 24-48h após o
descongelamento. Pode haver hemorragia sob os leitos
ungueais. O curso subsequente pode ser semelhante
àquele da oclusão arterial aguda, inclusive com isque-
mia, necrose e gangrena. Pode haver amputação espon-
tânea em semanas ou meses. As geladuras podem ser
classificadas em de primeiro grau: lesões com hipere-
mia e edema; de segundo grau: lesões com hiperemia,
edema e vesículas ou bolhas; de terceiro grau: lesões
com necrose da epiderme, derme ou subcutâneo e
de quarto grau: lesões necróticas profundas, perda de
extremidades. (8)
Urticária pelo frio
É caracterizada pelo aparecimento de urti-
cas, que são pápulas edematosas, de duração efêmera
e extremamente pruriginosas, em expostos ao frio. As
pápulas podem confluir formando extensas placas. A
lesão é uma reação alérgica que ocorre em consequên-
cia da liberação de histamina dos mastócitos localizados
em torno dos vasos da derme, em resposta ao frio. (8)
Irritação de vias aéreas: A inalação de ar frio
pode causar desconforto respiratório, especialmente
se a respiração for nasal. Grandes volumes respirados
124
de ar muito frio podem ocasionar micro inflamação da
mucosa de vias aéreas superiores. (8)
3.3.2 MEDIDAS DE CONTROLE DO FRIO
A ACGIH (American Conference of Governa-
mental Industrial Hygienists) faz as seguintes recomen-
dações para o trabalho com exposição ao frio:
• Trabalhadores que realizam seus trabalhos
expostos a temperaturas inferiores a 4°C devem estar
sempre paramentados com roupas isolantes secas;
• A temperaturas de 2°C ou menos é imperativo
que se permita aos trabalhadores que entram na água
ou tenham suas roupas molhadas trocar as mesmas de
imediato e que se faça o tratamento da hipotermia;
• Para trabalhos de precisão, com as mãos des-
cobertas por mais de 10-20min em um ambiente com
temperatura abaixo de 16°C, devem ser adotadas medi-
das especiais para manter as mãos dos trabalhadores
aquecidas (jatos de ar quente, aquecedores ou placas de
contato aquecidas);
• Os trabalhadores devem usar luvas sempre que
a temperatura do ar cair abaixo de 16°C para trabalho
sedentário, 4°C para trabalho leve e 7°C negativos para
trabalho moderado, se não for necessária destreza manual;
125
• A temperaturas inferiores a 1°C negativo as
partes metálicas das ferramentas e as barras de controle
devem ser cobertas com material isolante térmico;
• O trabalhador deve ser avisado para evitar
qualquer contato com a pele em superfícies com tem-
peraturas inferiores a 7°C negativos;
• Se a temperatura do ar for menor que
17,5°C negativos as mãos devem estar protegidas por
luvas especiais;
• Não deve se permitida a exposição contínua
da pele descoberta quando a temperatura e a veloci-
dade do ar resultem em uma temperatura equivalente
de 32°C negativos;
• O manuseio de líquidos voláteis a tempera-
turas inferiores a 4°C deve merecer cuidados especiais
para evitar molhar as roupas ou luvas em função do
resfriamento adicional por evaporação;
• Se não for possível proteger suficientemente
as áreas expostas do corpo, de forma a prevenir a sen-
sação de frio excessivo, devem ser fornecidos artigos de
proteção que auxiliem no aquecimento.
126
3.4 PRESSÕES ANORMAIS
Há uma série de atividades cuja realização faz com
que os trabalhadores fiquem sujeitos a pressões ambientais
acima ou abaixo das pressões normais, isto é, da pressão
atmosférica a que normalmente se expõem. (12)
• Baixas pressões: situam-se abaixo da pressão
atmosférica normal e ocorrem com trabalhadores que
realizam tarefas em grandes altitudes. No Brasil, são
raros os trabalhadores expostos a esse risco. (12)
• Altas pressões: situam-se acima da pressão
atmosférica normal, sendo comuns em trabalhos rea-
lizados em tubulações de ar comprimido, máquinas de
perfuração, caixões pneumáticos e trabalhos executa-
dos por mergulhadores, como por exemplo: caixões
pneumáticos, compartimentos estanques instalados
nos fundos dos mares, rios e em represas onde é inje-
tado ar comprimido que expulsa a água do interior do
caixão, possibilitando o trabalho. São usados na cons-
trução de pontes e barragens. (12)
3.4.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO
ÀS PRESSÕES ANORMAIS
Barotrauma
É definido como uma síndrome ocasionada
127
pela dificuldade de equilibrar a pressão no interior de
uma cavidade pneumática do organismo com a pres-
são do meio ambiente em variação. Além dos espa-
ços aéreos naturais, eventualmente podem ser criados
outros por equipamentos, como, por exemplo, um
capacete ou uma máscara de mergulho. A gênese do
barotrauma está relacionada com a lei da física que
regula o comportamento entre as pressões e os volumes
(Lei de Boyle). É um efeito direto da pressão sobre o
organismo do trabalhador. (8)
O barotrauma pode assumir as seguintes
formas clínicas:
• Do ouvido externo: dor local, abaulamento da
membrana timpânica para fora, edema e congestão do
conduto auditivo externo e hemorragia. Eventualmente
o rompimento da membrana timpânica;
• Do ouvido médio: dor, zumbido, hipoacusia e
vertigem. Se a membrana timpânica se romper, a dor cessa
e, no mergulho, a penetração de água fria no ouvido médio,
a irritação das estruturas do labirinto leva à desorientação
espacial, vertigem, náuseas e vômitos, que cessam logo
que a temperatura da água atinja a temperatura corporal;
• Do ouvido interno: dificuldade de equili-
brar as pressões e diminuição súbita e progressiva da
audição, zumbido e vertigem. Estas lesões podem se
tornar permanentes;
• Sinusal: edema e congestão da mucosa sinusal,
128
evoluindo para extravasamento de sangue;
• Pulmonar: congestão pulmonar, edema
e hemorragia;
• Facial: máscaras e óculos de mergulho podem
atuar como ventosas diante as variações de pressão,
podendo sugar os tecidos da face, acarretando uma sen-
sação de repuxamento, edema, equimose facial, man-
chas hemorrágicas nas escleróticas ou hemorragia no
globo ocular e da conjuntiva e sangramento pelo nariz;
• Dental: presença de pequenas bolhas gasosas no
interior da polpa dentária ou em tecidos moles adjacentes;
• Gastrointestinal: produção de gases no intes-
tino aumentando o conteúdo aéreo no estômago, que
durante a descompressão pode causar desconforto e
distensão abdominais e cólicas;
• Cutâneo: manchas equimóticas causadas por
espaços entre a roupa de mergulho e o corpo, como
pequenas ventosas;
• Corporal: o esvaziamento brusco de equipa-
mento de mergulho pesado, pode ocasionar pressão em
toda superfície corporal do trabalhador. (8)
Embolia Traumática
A embolia traumática é uma das ocorrências
mais sérias da atividade hiperbárica. Pode acontecer em
qualquer modalidade de trabalho sob pressão, quando
durante a descompressão havendo retenção da mis-
129
tura respiratória, em expansão nos pulmões, a pres-
são intrapulmonar fica aumentada em relação ao meio
ambiente, provocando diversos fenômenos que podem
variar desde o choque pleural, que é a hiperdistensão
sem rotura de estruturas pulmonares enfisema inters-
ticial com pneumomediastino ou enfisema subcutâneo,
pneumotórax, até a embolia gasosa propriamente dita,
que pode atingir toda a circulação com grandes quanti-
dades de mistura respiratória, afetando, com frequência,
a circulação cerebral e as artérias coronárias. (8)
Doença descompresssiva
Esta doença é frequentemente confundida com
a embolia traumática. Quando o trabalhador respira uma
mistura respiratória pressurizada, o oxigênio vai sendo
utilizado normalmente no metabolismo e a fração do
gás inerte é absorvida no organismo, de acordo com a
Le de Henry. Portanto, o gás inerte vai se acumulando
nos tecidos em função da pressão, do tempo de expo-
sição e de outros fatores como a temperatura e a solu-
bilidade do gás nos tecidos. No caso do nitrogênio, a
solubilidade é cinco vezes maior nas gorduras do que na
água. Quando a pressão ambiente diminui, a soma das
tensões do gás inerte nos diversos tecidos pode levar o
gás que estava dissolvido ao estado físico de gás livre e
dar início à doença descompressiva. A liberação de gás
inerte livre causa distúrbios orgânicos bloqueando arté-
130
rias, veias e vasos linfáticos, podendo romper ou com-
primir tecidos. Quando o gás atua num espaço limitado,
como um músculo contido por fáscia, pode provocar
uma síndrome compartimental. A formação de bolhas
pode se dar também intracelularmente, causando a
rotura da membrana celular, com liberação de substân-
cias tóxicas ou vasoativas. As reações na interface gás/
sangue podem ativar mecanismos de coagulação. (8)
3.4.2 MEDIDAS DE CONTROLE DAS PRESSÕES ANORMAIS
Pelo fato de se tratar de uma atividade de alto
risco, exige legislação específica (NR15) a ser obedecida.
3.5 VIBRAÇÕES
Nas indústrias é comum a utilização de máqui-
nas e equipamentos que produzem vibrações, as quais
podem ser nocivas ao trabalhador. Estas podem ser:
• Localizadas (em certas partes do corpo): são
causadas por ferramentas manuais, elétricas e pneumáticas.
• Generalizadas (ou do corpo inteiro): as lesões
ocorrem com os operadores de grandes máquinas,
como os motoristas de caminhão, ônibus e tratores. (12)
As vibrações como o ruído, podem ser estuda-
das tanto no domínio do tempo como no da frequência,
131
expressando-se a amplitude em termos de deslocamento
(metros), velocidade (m/s) ou aceleração (m/s2). (8)
3.5.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO À VIBRAÇÃO
A vibração de corpo inteiro ocorre em diversas
situações do cotidiano, expondo o trabalhador a danos
físicos permanentes ou distúrbios no sistema nervoso.
A exposição diária à vibração de corpo inteiro poderá
resultar em danos na região espinhal, podendo também
afetar o sistema circulatório e/ou urológico, além do
sistema nervoso central. Sintomas de distúrbios fre-
quentemente aparecem durante ou logo após a expo-
sição sob a forma de fadiga, insônia, dor de cabeça e
tremor. No entanto, esses sintomas geralmente desapa-
recem após um período de descanso. (6)
Os efeitos observados em grupos expostos a
condições graves de vibração foram: problemas na região
dorsal e lombar, gastrointestinais, sistema reprodutivo,
desordens no sistema visual, problemas nos discos inter-
vertebrais e degeneração na coluna vertebral. (6)
Alguns sinais e sintomas, provocados pela
exposição à vibração de corpo inteiro como, náuseas,
palidez, suores, calor, salivação, dores de cabeça, tontu-
ras, respiração irregular, sonolência, vômitos, recebem a
denominação de Mal dos Transportes, uma vez que está
associada a veículos em geral, tais como navios, cami-
nhões, trens, plataformas, entre outros. (6)
132
De acordo com a norma ISO 5349, os princi-
pais efeitos devidos à exposição à vibração no sistema
mão-braço podem se de ordem vascular, neurológica,
ósteo-articular e muscular. Entre esses efeitos, desta-
cam-se as perturbações ósteo-articulares, características
de vibrações de frequência menores que 30 Hz e que
atingem o punho, cotovelo e o ombro, e as perturba-
ções vasculares, que são identificadas como Doença
de Raynaud, características de vibrações de frequência
entre 40 e 125 Hz e que provocam sintomas como: for-
migamento, entorpecimento, palidez, picada, queima-
dura, cianose e grangrena. (6)
Em estudo empreendido em laboratório, Zhu,
Sakakibara e Yamada (1997) observaram que a exposi-
ção combinada entre vibração segmentar e ruído pode
apresentar um efeito sinérgico sobre a audição. Os
voluntários expostos a vibração e ao ruído de 90dB(A)
apresentaram elevações significantes nas mudanças tem-
porárias de limiar (TTS – Temporary Threshold Shift)
nas frequências de 4 e 6kHz, comparando-se com o
grupo somente exposto ao ruído de igual intensidade.
Provavelmente, segundo aos autores, apenas a exposição
à vibração não é capaz de produzir tais alterações. (8)
3.5.2 MEDIDAS DE CONTROLE DA VIBRAÇÃO
A transmissão da vibração pode ser atenu-
ada por técnicas de isolamento e de amortecimento.
133
A manutenção preventiva constitui-se como método
importante no controle da vibração de ferramentas
portáteis motorizadas.
Conhecer a magnitude da vibração produzida
pela ferramenta é o princípio fundamental que tanto o
usuário como o fabricante devem obedecer.
• A vibração deve ser medida;
• Ferramentas manuais vibratórias devem ser
selecionadas de modo adequado para a atividade;
• A ferramenta ou o processo com o nível mais
baixo de magnitude de vibração deve ser o selecionado
para a execução da atividade, se possível
• Equipamentos devem ser mantidos de acordo
com as boas práticas de trabalho e com as orientações
dadas pelo fabricante;
• A gerência deve ser advertida sobre ferramen-
tas ou processo ou práticas de trabalho que gerem expo-
sições de risco à vibração localizada;
• O corpo técnico deve ser capacitado para a
medição e a avaliação de vibração localizada e para a
manutenção apropriada do equipamento responsável
pela produção da vibração. (8)
3.6 RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES
As radiações são formas de energia que se trans-
mitem por ondas eletromagnéticas. A absorção das radia-
ções por parte do organismo é responsável pelo apare-
134
cimento de diversas lesões. Elas podem ser classificadas
em dois grupos: radiações ionizantes e as radiações não
ionizantes, esta última trata-se de radiações infraverme-
lha, a proveniente de operação em fornos, ou de solda
oxiacetilênica, a radiação ultravioleta, como aquela que
é gerada por operações em solda elétrica, ou, ainda,
raios laser, micro-ondas etc. (12)
Seus efeitos incluem:
• Catarata: por sua exposição superficial, o
cristalino do olho fica especialmente sujeito à ação das
ondas eletromagnéticas.
• Esterilidade masculina: os testículos estão
também especialmente sujeitos às radiações eletromag-
néticas devido à localização superficial em relação ao
corpo e a grande sensibilidade ao calor por parte das
células germinativas.
• Estresse do calor apresenta os mesmos sinto-
mas da insolação, caracteriza-se por astenia e sudorese
na fase inicial e na fase final, aumento de temperatura,
sede, taquicardia e outros sinais de desidratação como
câimbras musculares e excitação, seguidas de sonolên-
cia e sinais de depressão do sistema nervoso central.
• Convulsões: a exposição a doses extrema-
mente altas, podem, mesmo em períodos curtos, pro-
duzir fenômenos de aquecimento da massa encefálica
com manifestações de convulsão de tipo “grande mal”,
seguida de morte.
135
• Queimaduras ocorrem em nível do tecido sub-
cutâneo e derme. Os sintomas como calor, rubor, edema,
aparecem após um período de latência de 4 a 12 horas. O
edema é duro, levando a um engrossamento da pele. A
repetição de exposições leva a uma precipitação de mie-
lina com o escurecimento da pele.
3.6.1 MEDIDAS DE CONTROLE DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE
• Planejamento de equipamentos: respeitando os
limites de tolerância;
• Enclausuramento da fonte: aplicação de ante-
paros metálicos adequados;
• Afastamento da fonte: distanciamento entre a
fonte da radiação e o operador.
• Proteção individual: óculos, vestimenta ade-
quada, capacete metálico.
3.7 RADIAÇÕES IONIZANTES
As radiações ionizantes existem no Planeta
Terra desde a sua origem, sendo portanto um fenô-
meno natural. No início, as taxas de exposição a estas
radiações eram certamente incompatíveis com a vida.
Com o passar do tempo, os átomos radioativos, ins-
táveis, foram evoluindo para configurações cada vez
mais estáveis, através da liberação do excesso de ener-
gia armazenada nos seus núcleos. Pelas suas proprie-
136
dades esta energia é capaz de interagir com a maté-
ria, arrancando elétrons de seus átomos (ionização) e
modificando as moléculas.
Considerando a evolução dos seres vivos, a
modificação de moléculas levou a um aumento de
sua diversidade, e provavelmente ao surgimento de
novas estruturas que, devidamente associadas, ganha-
ram características de ser vivo. As radiações ionizan-
tes continuaram a trabalhar este material ao longo das
eras, produzindo modificações que contribuíram para
o surgimento da diversidade de seres vivos que povo-
aram e povoam a Terra.
No final do século XIX, com a utilização das
radiações ionizantes em benefício do homem, logo
seus efeitos na saúde humana tornaram-se evidentes.
Ao longo da história, estes efeitos foram identifica-
dos e descritos, principalmente, a partir de situações
nas quais o homem encontrava-se exposto de forma
aguda (acidentes e uso médico).
Efeitos que porventura pudessem decorrer
de exposições às radiações em condições naturais
foram pouco estudados e pouco entendidos. Recen-
temente um esforço no sentido de melhor se enten-
der o papel destas radiações junto à vida tem sido
desenvolvido e a expectativa é que possam ser emi-
tidos novos conceitos a respeito dos efeitos biológi-
cos das radiações ionizantes. (11)
137
3.7.1 EFEITO DAS RADIAÇÕES IONIZANTES NO HOMEM
O efeito das radiações ionizantes em um
indivíduo depende basicamente da dose absorvida
(alta/baixa), da taxa de exposição (crônica/aguda)
e da forma da exposição (corpo inteiro/localizada).
Qualquer dose absorvida, inclusive das doses
provenientes de radiação natural, pode induzir cân-
cer ou matar células. A questão é de probabilidade
de dano, probabilidade de mutações precursoras de
câncer e número de células mortas. Quanto maiores
as taxas de dose e as doses absorvidas, maiores as
probabilidades de dano, de mutações precursoras de
câncer e de morte celular. Danos podem ser repara-
dos; mutações podem tanto representar falhas nos
mecanismos de reparo como mecanismos de elimi-
nação de células inviabilizadas pelo dano. A morte
celular, resultante de quebras na molécula de DNA,
da mesma forma que a eliminação de células mutan-
tes, pode ser encarada como um mecanismo de eli-
minação de produtos inviabilizados pela presença
de danos. A questão passa a envolver o número
de células destruídas, o momento em que a morte
celular ocorre, (considerado o estágio de desenvol-
vimento do ser célula-ovo, embrião, feto, criança,
adolescente, adulto, velhice), e o sexo do indivíduo
irradiado. Nas tabelas 3.3 e 3.4 estão relacionados
sintomas induzidos por exposições agudas locali-
138
zadas e exposições de corpo inteiro. Em todos os
casos de desenvolvimento de sintomatologia clínica
o processo reflete a morte de um número significa-
tivo de células com comprometimento de órgão e/
ou tecidos. A unidade de dose absorvida é o Gray
(Gy). A dose média de radiação natural absorvida
pela população mundial é de 2,6 Gy x 10-3 x ano 1 ,
isto é, 2,6 mGy por ano. (11)
139
3.7.2 MEDIDAS DE CONTROLE DA RADIAÇÃO IONIZANTE
• Medida coletiva: isolamento da fonte de radia-
ção, por exemplo, pisos e paredes revestidas de chumbo
em salas para realização de exames radiográficos.
• Medida individual: fornecimento de EPI ade-
140
quado, por exemplo, protetores plúmbiferos como ócu-
los, avental, protetor de tireoide e protetor de gônada.
• Medida administrativa: dosímetro de bolso
para monitoramento de dose absorvidas dos traba-
lhadores expostos.
141
143
UNIDADE 4 | RISCOSERGONÔMICOSEDEACIDENTES
Ciência par uns, tecnologia para outros, a
Ergonomia é um campo de aplicação interdisciplinar
das ciências, reconhecida oficialmente há pouco mais
de meio século. Apesar disso, podemos dizer que há
quatro milhões de anos, nossos ancestrais hominídeos,
instintivamente, praticavam a Ergonomia quando esco-
lhiam um seixo que melhor se adaptava às suas mãos
para um determinado propósito ou quando lascavam o
sílex, dando-lhe formato apropriado para o uso preten-
dido. A Ergonomia também esteve presente, embora
anônima, na criação das primeiras armas, ferramentas,
utensílios domésticos e na própria organização das tare-
fas diárias. Em busca do conforto, o homem procurou
adaptar os materiais da natureza aos objetivos almeja-
dos, alterando sua forma com vistas à maior eficiência,
praticidade e adequação às suas características individu-
ais. Esse fato foi e continua a ser de grande importân-
cia na produção artesanal de roupas, cabos de armas de
competição, sapatos, etc. (2)
A princípio, as atenções ergonômicas voltavam-
se sobretudo às dimensões de objetos, ferramentas e
componentes dos postos de trabalho, visando a facilitar
as atividades dos operários. Posteriormente, ampliou-se
o campo de ação da Ergonomia, que passou a preocu-
par-se também com os agentes agressivos do ambiente
144
de trabalho, especialmente os físicos e químicos. Final-
mente, a partir dos anos 80, passaram a ser enfocados
os aspectos cognitivos, ou seja, os sistemas de informa-
ção e sua transmissão adequada às capacidades huma-
nas. A psicopatologia e a análise coletiva do trabalho
vem sendo estudadas mais recentemente, sobretudo
pela escola francofônica, enriquecendo a psicologia
industrial e a administração. (2)
A importância da Ergonomia faz-se sentir com
o desenvolvimento tecnológico, pois este pode pro-
duzir efeitos nem sempre previsíveis. O homem pode
ser submetido inadvertidamente a estressores por lon-
gos períodos de tempo, levando à perda da eficiência
e mesmo a incapacidades; por outro lado, deficiências
da capacidade do operador para cumprimento de requi-
sitos de uma tarefa podem reduzir a produtividade, a
qualidade do trabalho e mesmo acarretar acidentes de
maior ou menor gravidade. Um exemplo disso, entre
nós, ocorreu com a difusão dos microcomputadores e
a verdadeira “epidemia” de problemas musculoesque-
léticos e tendinosos relacionada ao trabalho de digita-
ção, que resultou numa maior atenção pra os problemas
decorrentes da não observância de princípios ergonô-
micos e culminou com o estabelecimento da Norma
Regulamentadora 17 – Ergonomia (Portaria N°.3751
de 23 de novembro de 1990). Embora, por suas limita-
ções, essa NR deva ser considerada apenas como uma
referência, seu mérito reside em ter chamado a atenção
145
para as necessidades de humanização do trabalho, con-
forto e proteção da saúde dos nossos trabalhadores. (2)
Podemos descrever risco ergonômico como
aqueles resultantes da falta de adaptação do trabalho ao
homem, gerando sobrecarga nas estruturas musculoes-
queléticas como esforço físico intenso, levantamento e
transporte manual de peso, exigência de postura inade-
quadas, repetitividade, controle rígido de produtividade,
imposição de ritmos excessivos, trabalho em turno e
noturno, jornada de trabalho prolongada, e que geral-
mente dão origem à fadiga, à lombalgia, a doenças oste-
omusculares (como LER-DORT), etc. (20)
4.1 ALGUMAS SÍNDROMES NEURÓTICAS
Síndrome da fadiga crônica
Fadiga patológica, fadiga industrial, seja qual
for a denominação, diferentes autores descrevem um
quadro que é interpretado como resultante da fadiga
acumulada ao longo de períodos de duração variável
– meses ou mesmo anos. Diz respeito a situações de
trabalho e de vida em que as pessoas não tem oportuni-
dade de obter a necessária superação da fadiga através
do sono e repouso adequados. (8)
A característica mais marcante é a presença de
umafadigaconstante.Porassimdizer,oindivíduo“acorda
cansado”. Essa fadiga é mental e física, simultaneamente.
146
Portanto, assume o caráter de uma fadiga geral. (8)
A má qualidade do sono é justamente outra
manifestação importante: a pessoa não consegue apro-
fundar o sono, desperta frequentemente durante a noite
e muitas vezes tem insônia. Para alguns, a dificuldade
mais importante é para adormecer, quando o trabalho
intelectual foi muito intensivo e “a cabeça continua tra-
balhando, não consegue desligar”, como referem mui-
tos. Os próprios sonhos passam a ter o trabalho como
conteúdo, às vezes de modo repetitivo e perturbador. (8)
A síndrome apresenta, além do cansaço e dos
distúrbios de sono, outras manifestações. A irritabili-
dade e o desânimo são as alterações psicológicas prin-
cipais no quadro. O indivíduo passa a irritar-se mesmo
por pequenas coisas que anteriormente não o perturba-
vam. Isto conduz a conflitos interpessoais no ambiente
de trabalho e fora dele, atingindo negativamente o rela-
cionamento familiar. (8)
O desânimo que se associa ao cansaço faz com
que desapareça o interesse pela vida social e a disposi-
ção para atividades de lazer anteriormente praticadas.
Deste modo, o trabalhador tende a se retrair e a se
isolar socialmente. (8)
Outros sintomas que tem sido descritos nesta
síndrome, com variações de presenças e de inten-
sidade, são: dores de cabeça, dores no corpo (geral-
mente nos músculos mais utilizados no trabalho),
perda de apetite e mal-estar geral. Graus variáveis de
147
ansiedade podem ser notados. (8)
Inicialmente mencionada em correlação ao
trabalho industrial e por isso então denominada
“fadiga industrial”, a síndrome foi considerada, por
alguns autores, como decorrente da monotonia do
trabalho repetitivo. (8)
Atualmente, as pesquisas científicas vem dando
grande atenção a uma outra síndrome que tem recebido
a mesma denominação de “síndrome da fadiga crô-
nica”, e que se desenvolve depois de infecções viróticas.
Na CID-10, a mesma consta como G93.3 – síndrome
de fadiga pós-virose. A análise do histórico de trabalho
é de grande importância para o diagnóstico diferen-
cial os antecedentes de virose (mononucleose tem sido
uma das mais relacionadas com a síndrome) também
precisam ser pesquisados. O grau de astenia e as dores
musculares parecem ser mais intensas, em geral, na sín-
drome pós-virose. (8)
Acredita-se que a sensação de fadiga seja
devida à ação da interleucina 1, substância secretada
por monócitos e macrófagos durante processos infec-
ciosos e pelos astrócitos, em decorrência de esforços
prolongados, trabalho físico ou intelectual intenso. A
interleucina seria o “hormônio da fadiga”, tendo como
antagonistas as “endofinas”. (2)
Didaticamente, distinguem-se dois tipos bási-
cos de fadiga: a fadiga física e a fadiga psíquica,
mas diversas outras classificações podem ser encon-
148
tradas na literatura. (2)
A fadiga física ou somatória seria caracterizada
pelas seguintes alterações fisiológicas: (2)
1. Alterações circulatórias e do equilíbrio hidro
salino, como se observa nos trabalhos em ambientes
de alta temperatura.
2. Redução do aporte de oxigênio, observado
no trabalho em grandes altitudes.
3. Aumento dos metabólitos ácidos no sangue,
verificado no trabalho muscular pesado e exaustivo.
4. Redução das reservas de combustível mus-
cular e queda da glicemia, também observada no tra-
balho pesado.
5. Alterações neurofisiológicas e hormonais
decorrentes de trabalho mental atento e de trabalho mus-
cular leve com repetição contínua de movimentos, envol-
vendo o uso contínuo dos mesmos trajetos nervosos. (2)
Com base na causa e no modo de manifestação,
diversas formas de fadiga podem ser consideradas: (2)
a) Fadiga muscular;
b) Fadiga visual, resultante de sobrecarga ocular;
c) Fadiga geral, consequente à sobrecarga de
todo o organismo;
d) Fadiga mental, induzida por trabalho mental
ou intelectual;
149
e) Fadiga nervosa, causada pela solicitação
excessiva de uma parte do sistema psicomotor, como
no trabalho aprendido e repetitivo;
f) Fadiga por monotonia, da ocupação
ou do ambiente;
g) Fadiga crônica, um acúmulo de efeitos
a longo prazo;
h) Fadiga circadiana ou nictemeral, por quebra
do biorritimo. (2)
Prevenção da fadiga, diversas são as medidas pre-
conizadas para prevenção da fadiga dos trabalhadores: (2)
a) Manutenção de um ambiente de trabalho
agradável;
b) Jornadas e pausas adequadas no trabalho;
c) Treinamento e adaptação gradual ao trabalho;
d) Ergonomia do posto de trabalho;
e) Racionalização do trabalho e mecanização;
f) Enriquecimento do trabalho;
g) Seleção profissional adequada;
h) Balanceamento nutricional adequado;
i) Conscientização das chefias;
j) Melhoria das relações humanas no trabalho;
k) Música ambiente (orquestrada, em volume
audível, ao final dos períodos de trabalho);
l) Participação dos trabalhadores na organiza-
ção do trabalho, etc. (2)
150
Além disso, não esquecer que numerosos fato-
res extraprofissionais, ligados à Qualidade de vida dos
trabalhadores, contribuem consideravelmente para a
fadiga, tais como problemas socioeconômicos, de ali-
mentação, de habitação, familiares, de transporte, abuso
de drogas, assistência social, saúde pública, etc. Embora
tais problemas sejam de alçada governamental, as empre-
sas muito podem contribuir para atenuá-los através da
instituição de planos de benefícios de diversos tipos. (2)
Síndrome do esgotamento profissional – burn-out
É tema central do livro de Herbert J. Freu-
denberger, BURN OUT, publicado em 1980. O autor
coloca uma representação de um incêndio devastador,
um “incêndio interno” que reduz a cinzas a energia, as
expectativas e a autoimagem de alguém antes profun-
damente entusiasta e dedicado ao trabalho. Essa repre-
sentação corresponde à síndrome que Freudenberger
denominou burn-out ou “esgotamento profissional”, e
às vezes ao que popularmente tem sido designado como
estafa. Este último termo, entretanto, tem sido utilizado
muito frequentemente como um eufemismo – isto é,
como uma designação destinada a amenizar e encobrir
diferentes diagnósticos psiquiátricos, sob a aparente jus-
tificativa de evitar que tais diagnósticos causem choque
em paciente ou em familiares dos mesmos. Por isto,
adotar tal termo para tradução em português de bur-
151
n-out parece pouco indicado. Outro motivo para pre-
ferir esgotamento profissional é também porque a pala-
vra estafa, originada do italiano staffare (cansar), embora
corresponda a cansaço e esgotamento nervoso, possui
também outros significados – trabalho enfadonho, por
exemplo – o que pode levar a confusões de entendi-
mento. (8)
Baseando-se em seus numerosos estudos de
caso, Freudenberger identifica que especialmente dois
tipos de pessoas estão expostos ao burn-out: pessoas
particularmente dinâmicas e propensas a assumir papéis
de liderança ou de grande responsabilidade, e idealistas
que colocam grande empenho em alcançar metas fre-
quentemente impossíveis de serem atingidas, exigindo
muito de si mesmos.
O esgotamento profissional tem sido descrito
principalmente em profissionais que trabalham na pres-
tação de cuidados a pessoas doentes, grupos sociais
carente e crianças.
Assim, vários estudos a respeito do tema foram
realizados com enfermeiras, médicos, assistentes sociais
e professores. Freudenberger também relata uma situ-
ação de burn-out coletivo em executivos. Mas a maior
parte dos estudos diz respeito a pessoas que, ao longo
de anos de profissão, persistiram em tentar a solução
de problemas humanos (dor, sofrimento em geral, misé-
ria, injustiça), atuando com grande empenho, de forma
geralmente intensiva e auto exigente, sacrificando a vida
152
pessoal, férias, etc. Estas pessoas teriam geralmente altas
expectativas de sucesso em seus objetivos e, também, de
obter reconhecimento.
O desencadeante mais frequente seria uma situ-
ação de sobrecarga ou de frustração no trabalho. Freu-
denbeger aponta para a existência de uma fase prévia a
este desencadeamento, na qual o entusiasmo é substi-
tuído pó uma vivência de tédio, surgindo irritabilidade
e mau humor. Em geral, existe uma tendência a negar
essas primeiras manifestações de desgaste por parte da
pessoa afetada. Depois, eclode o quadro clínico:
• Perda do autocontrole emocional;
• Aumento da irritação;
• Manifestações de agressividade;
• Perturbações do sono;
Manifestações depressivas marcadas pela decep-
ção e pela perda de disposição e interesse pelo trabalho.
A evolução do esgotamento profissional pode
ser favorecida pelo acesso à psicoterapia e ao apoio
social; à compreensão por parte dos colegas e chefias;
à possibilidade de se integrar em comissões de saúde
ou grupos voltados para humanizar a situação de tra-
balho; à variação de atividade e ao apoio familiar. Se o
esgotamento profissional não for reconhecido, e inter-
pretações equivocadas aumentarem o sentimento de fra-
casso, a evolução pode ser para agravamento do quadro
153
depressivo, havendo risco, em casos mais graves, de ten-
tativa de suicídio. É importante que os gerentes sejam
preparados para atuar de modo adequado, saibam que
há hipersensibilidade nesta situação clínica, de modo
que qualquer crítica ou ironia pode precipitar conflitos
e/ou piorar o quadro clínico.
4.2 DOENÇAS DA COLUNA VERTEBRAL
RELACIONADAS AO TRABALHO
A coluna vertebral constitui o eixo longitudinal
do corpo, tendo que conciliar dois imperativos mecâni-
cos aparentemente contraditórios: a rigidez e a flexibili-
dade, atingidos graças a sua arquitetura. (2)
Figura 4.1 – Coluna vertebral
Fonte: http://luzquantica.com.br/2013/08/
154
Essa estrutura é formada por 24 vértebras
livres, empilhadas sobre o sacro. Este, por sua vez, é
constituído por 5 vértebras soldadas entre si e aos ossos
do quadril e ligado inferiormente a outras 3 ou 4 peque-
nas vértebras que compõem o cóccix. (2)
A vértebra é a unidade básica da coluna. Uma vér-
tebra “tipo” é formada de várias partes, conforme figura.
Figura 4.2 – Vértebra tipo
Fonte: Bauk, Douglas A. – 2008
155
O disco intervertebral é uma estrutura for-
mada por várias camadas concêntricas de tecido
fibroso – o anel fibroso – envolvendo um núcleo
gelatinoso central – o núcleo pulposo. Os discos fun-
cionam como coxins que amortecem os choques e
facilitam a mobilidade da coluna. (2)
Tanto os discos como as demais articulações da
coluna são sensíveis a pressões e movimentos exagera-
dos do corpo, estando sujeitos ao desgaste pelo enve-
lhecimento e a diversas condições patológicas. (2)
Dores na coluna dorsal não são comuns, posto
que tal região seja menos sujeita a sobrecargas mecânicas,
suportando menor peso e tendo menor mobilidade que a
coluna lombar. Em geral, dores tóraco-dorsais decorrem
mais comumente de vícios posturais, de tensão muscu-
lar (sobretudo devida ao estresse), nevralgias e de outras
condições patológicas que não as da coluna vertebral. (2)
A doença mais comum é a lombalgia, que pode
ser classificada em sete tipos:
A. De origem muscular e ligamentar:
1. Lombalgia/dorsalgia por fadiga da muscu-
latura paravertebral;
2. Lombalgia por distensão músculo-ligamentar.
B. De origem no sistema de mobilidade e
estabilidade da coluna:
3. Lombalgia por torção da coluna lombar (ou
156
por ritmo lombopélvico inadequado);
4. Lombalgia por instabilidade articular.
C. De origem no disco intervertebral:
5. Protrusão intradiscal do núcleo pulposo;
6. Hérnia de disco intervertebral.
D. Predominantemente psíquica:
7. Lombalgia como uma forma de conversão
psicossomática. (8)
Lombalgia por fadiga da musculatura paraver-
tebral, aparece no trabalho:
1. Quando o plano de trabalho está baixo (mesa
baixa,bancadabaixa,comandosdemáquinasbaixos,ponto
de realização de tarefa baixo); quando a pessoa é muito
alta, mesmo os planos de trabalho adequados para pessoas
medianas, serão percebidos como muito baixos; (8)
2. Quando o indivíduo trabalha sentado encur-
vado excessivamente para a frente. Esse encurvamento
excessivo pode ser devido:
• A uma impossibilidade de aproximar o
tronco à mesa de trabalho por obstrução à entrada das
pernas (mesas de trabalho que, no espaço das pernas,
possuem gavetas ou não possuem o espaço para elas);
157
• A ausência de apoio para o dorso, o que
impossibilita o relaxamento periódico da musculatura;
• A uma impossibilidade de apoiar o corpo com
os cotovelos ou mãos, normalmente, quando o tronco
fica inclinado excessivamente sobre a mesa de trabalho,
a fadiga fica compensada pelo apoio intermitente sobre
os cotovelos ou as mãos. No entanto, quando os instru-
mentos exigem a ação das duas mãos, o apoio do corpo
por estas partes fica impossível. (8)
3. Quando o indivíduo tem que aliar a posição
citada em 1 ao carregamento ou sustentação de um
peso, como no caso de um operador que vai posicio-
nar uma carga pesada na máquina, e esta não lhe per-
mite aproximar totalmente o corpo; (8)
4. Quando o indivíduo tem que trabalhar de
pé ou sentado e a mesa de trabalho é excessivamente
alta, nesta situação, a coluna fica retificada, originando
esforço estático da musculatura do dorso para ser
mantida nesta situação; (8)
5. Quando o indivíduo tem que trabalhar sentado
num assento muito baixo, sem apoio para o dorso, nesse
caso, o indivíduo fica com as coxofemurais muito fletidas
e seu corpo é impulsionado para trás, para compensar, a
musculatura do dorso tem quedesenvolver esforço está-
tico prolongado, vindo a fadiga, e com ela, a dor; e (8)
158
6. Quando o indivíduo tem que trabalhar com a
mão atingindo o chão, sem poder agachar-se. (8)
Embora em si seja um quadro pouco grave, a
situação de fadiga, se repetitiva, pode ocasionar uma
tensão muscular crônica, acompanhada de hipoxia e
miosite, com a consequente reação fibrosa intramus-
cular, aderências e uma situação de dor crônica, aos
menores movimentos, e refratária à volta à posição de
repouso. Além disso, a tensão muscular crônica age
comprimindo os discos intervertebrais, prejudicando
sua nutrição e contribuindo para a sua degeneração. (8)
Lombalgia por torção da coluna ou por ritmo
lombopélvico incorreto, é uma das mais frequentes no
trabalho, e geralmente acontece quando:
1. O trabalhador escorrega enquanto caminha,
e na tentativa de se manter em pé, torce o corpo;
2. Um objeto cai no chão, a pessoa se esforça
por segurá-lo e, na tentativa, tem um brusco movimento
de rotação lateral;
3. O trabalhador vai pegar uma carga e o local
está inacessível; isto obriga o indivíduo a pegar a carga
posicionando-se ao lado da mesma, o que faz a coluna
lombar a torcer e girar;
159
4. O trabalhador vai pegar uma carga mais
pesada ou de conformação assimétrica, aproximando
as mãos do chão, com os joelhos eretos; devido ao
excesso de peso ou à conformação assimétrica, o
movimento que deveria ser absolutamente simétrico
torna- se assimétrico, podendo ocorrer a lombalgia;
5. O trabalhador, portador de escoliose, dife-
rença de comprimento dos membros inferiores, rigidez
dos músculos isquiotibiais ou da musculatura paraverte-
bral, rigidez das coxofemorais ou alterações das sacroilí-
acas, realiza levantamento ou movimentação de cargas
com o dorso encurvado; nesse caso, por mais que o indi-
víduo se esforce por fazer a flexão do tronco em ritmo
lombopélvico adequado (simétrico, fácil e harmônico),
não o conseguirá, pois as afecções citadas o impedem. (8)
Embora não seja grave, esta forma de lom-
balgia costuma ser bastante recorrente. Manifesta-se
como um dor forte e intensa na região lombar, geral-
mente unilateral, que se prolonga por dois a quatro
dias e espasmo muscular de intensidade relativa. (8)
Lombalgia por distensão músculo-ligamentar
Ocorre principalmente quando a musculatura
paravertebral tem que desenvolver o esforço de elevação
de uma carga com o tronco fletido e o valor da carga
160
é excessivamente pesado, acima dos limites dos mús-
culos, ligamentos e fáscias antes citados. (8)
Geralmente ocorre ao se levantar pesos
excessivos, mas frequentemente em pessoas cuja
compleição física não as habilitaria a desenvolver
esforços mais pesados; uma causa frequente deste
tipo de lombalgia é quando duas pessoas estão car-
regando uma carga e uma delas deixa seu lado cair e
a outra tem que fazer um grande esforço no sentido
de mantê- la. Também ocorre quando a pessoa vai
fazer o esforço sem enrijecer os músculos do dorso.
Ocorre também entre indivíduos que realizam manu-
seio de cargas com flexão e/ou rotação do tronco
com frequência, mesmo que as cargas manuseadas não
sejam muito pesadas. E, ainda, é uma forma frequente
de lombalgias entre trabalhadores habituados a ativida-
des de manuseio de cargas após a idade de 40 anos. (8)
Clinicamente, é uma dorsolombalgia forte,
que piora à tentativa de flexão do tronco, sem sinais
neurológicos. Esta forma de lombalgia pode ser
considerada de média gravidade, por ser recorrente,
podendo ocasionar também hipertonia crônica dos
músculos, com compressão dos discos interverte-
brais e a consequente degeneração dos discos. (8)
Lombalgia por instabilidade articular na coluna vertebral
Provoca dor decorrente da instabilidade na
161
junção lombossacra, e pode ocorrer nas seguintes
situações de trabalho:
1. Em trabalhadores que tenham algum defeito
no fechamento do arco vertebral ou nas articulações
intervertebrais e que permaneçam parados, de pé,
durante grande período de tempo em posição de lordose
forçada na coluna lombar,
2. Em trabalhadores que tenham alguma das
deficiências citadas e que carreguem cargas e suportem
pesos, mesmo sem curvar o tronco. (8)
A lombalgia, nesse caso, pode ser forte ou não,
dependendo da intensidade do deslocamento anterior
de L5 sobre S1 e dependendo também do tempo de
evolução do distúrbio. (8)
Lombalgia por protrusão intradiscal do núcleo pulposo
Surge com o envelhecimento prematuro do
disco, ocorrem alterações nas fibras do mesmo (alte-
rações estas conhecidas como discoartrose), carac-
terizadas essencialmente por: (a) as fibras que antes
eram elásticas, vão se tornando colágenas e friáveis;
e (b) a capacidade de amortecimento de cargas vai se
reduzindo gradativamente. (8)
Mas, à medida que vai ocorrendo a colageni-
162
zação das fibras do disco, os aumentos de pressão,
principalmente por esforços assimétricos, tendem a
empurrar o núcleo pulposo para o lado oposto. (8)
Geralmente, no ambiente de trabalho, o
esforço que causa a protrusão intradiscal do núcleo
pulposo é pegar ou manusear uma carga pesada
aproximando o tronco do chão, sem dobrar os joe-
lhos. Nesse caso, o núcleo pulposo é arremessado
para trás, abrindo caminho entre as fibras agora fri-
áveis, e pode chegar até as porções mais periféricas
do disco (quase herniando-se no forame interverte-
bral ou no canal vertebral). (8)
As atividades que precipitam este tipo de
lombalgia são:
• Pegar ou manusear uma carga mais pesada,
com o tronco em flexão;
• Pegar ou manusear uma carga com o tronco
em flexão lateral ou rotação;
• Pegar ou manusear uma carga longe do corpo.
Clinicamente, a dor é fortíssima, acompa-
nhado de espasmo muscular muito acentuado (que
teria a função de ser um mecanismo de proteção e
evitar novamente o esforço excêntrico, no sentido de
não haver uma hérnia de disco). A lombalgia aumenta
quando o indivíduo tosse ou espirra, fenômenos que
ampliam a pressão no disco. (8)
163
Hérnia de disco intervertebral
Ocorre por trauma cumulativo, o núcleo
pulposo fora de seu lugar dentro do disco irá sair
e poderá comprimir a raiz nervosa daquela região
dando uma dor fortíssima, que se irradia ao longo
do trajeto do nervo. Na maioria das vezes o disco
que se hérnia é o situado entre L5-S1. (8)
A hérnia de disco é rara quando o indivíduo
pega uma carga do chão fletindo o tronco simetri-
camente, ela pode ocorrer quando o trabalhador vai
pegar uma carga e flete o tronco assimetricamente.
Nessa situação, o núcleo pulposo pode se herniar
nas laterais. Outro movimento que precipita a hérnia
de disco é fazer um esforço de levanta uma carga
longe do corpo, pois nesta situação, para poder con-
seguir realizar a tarefa, os músculos da coluna tem
que fazer um esforço muitíssimo alto, com possibi-
lidade de comprimir os discos da coluna e promover
a sua herniação; é claro, se o esforço for feito de
forma assimétrica e, além disso, longe do corpo, a
chance da hérnia de disco fica muito aumentada. (8)
A seguir, na tabela 4.1 observamos o quadro
clínico de acordo com a área da coluna atingida pela
hérnia de disco.
164
165
Lombalgia por conversão psicossomática, apresenta
como principal característica:
• Queixa de dor desproporcional à lesão
encontrada;
• Recorrência frequente;
• Não há uma definição clara do movimento que
provoca a dor;
• Há desajustamentos psíquicos importantes
do indivíduo a algum aspecto de sua realidade de vida.
Pode haver insatisfação com o trabalho;
• Esse desajustamento manifesta-se, fre-
quentemente, sob a forma de melancolia, incapaci-
dade de enfrentar ou superar os obstáculos e tônus
vital diminuído.
• À medida que o paciente dirige sua atenção
para outros fatores, a dor tende a diminuir de intensidade;
• As situações de ansiedade geram tensão
muscular e dor;
• As situações de depressão geram alterações
posturais e dor;
• O paciente pressente que suas costas vão doer
à medida que percebe um problema psíquico iminente;
• Há um condicionamento do estado doloroso,
o indivíduo aprende que, à medida que tem o problema,
é alvo de atenção e carinho;
• Dorme mal, o que agrava a dor. (8)
166
Visão geral sobre o risco para a coluna
Se dá qualitativamente, pois pode ser identi-
ficado ao se observar a tarefa, os pesos levantados,
a intensidade dos esforços realizados, o ambiente de
trabalho, a capacidade das pessoas e o grau de ins-
trução e treinamento.
Um check-list eficaz na identificação do
risco é o que se segue (a partir de MacDonald &
Haslock, 2000)
As tarefas manuais envolvem:
• Manusear cargas longe do tronco? "94"
• Torcer ou inclinar o tronco anteriormente?
• Alcançar e pegar objetos acima da cabeça?
• Mover um a carga por um longo trajeto
na vertical?
• Carregar cargas por longas distâncias?
• Empurrar ou puxar carrinhos, pateleiras em
grande exigência?
• Movimentos imprevisíveis de cargas?
• Levantamento e manuseio repetitivo de cargas?
• Um ritmo de trabalho muito rápido imposto
pelo processo coexistindo com esforços pesados?
• Tempo insuficiente de recuperação?
• Levantar e manusear pacientes?
167
As cargas são:
• Pesadas, volumosas ou de difícil manejo?
• De pega difícil?
• Instáveis, imprevisíveis?
• Intrinsecamente perigosas, por exemplo, qui-
nas vivas, quentes?
• O trabalho em escritório é caracterizado por:
• Cadeiras sem regulagem da altura ou inclina-
das para trás?
• Suporte inadequado na coluna vertebral?
• Pés sem apoio?
• Rodízios muito duros ou excessivamente
deslizantes?
• Cadeiras instáveis?
• Posto de trabalho (mesa, mesa do computador,
teclado) sem regulagem quando isso seria necessário?
• Monito de vídeo muito alto ou muito baixo?
• Falta de espaço para as pernas?
Existem no ambiente de trabalho:
• Postura constrita, estática?
• Piso de má qualidade, excessivamente liso ou
irregular?
• Variações nos níveis do piso? "95"
• Calor, frio ou umidade?
• Fortes corrente de ar?
• Iluminação deficiente?
168
Quanto à capacidade individual. O trabalho:
• Exige uma capacidade física especial?
• Coloca em maior risco aqueles com um pro-
blema de saúde (por exemplo, distúrbio na coluna)?
• Coloca em maior risco as gestantes?
• Exige informação especial ou treinamento
especial sobre como executá-lo?
• Requer roupas especiais?
Instrução e treinamento. As condições atuais de traba-
lho poderiam ser melhoradas com:
• Uso de utensílios mecânicos?
• Princípios de métodos adequados?
• Boas técnicas de manuseio de cargas?
A prevenção das lombalgias passa por cinco grupos de
medidas, cuja importância é colocada a seguir, na sua
ordem decrescente:

1. Medidas de melhoria dos postos de trabalho
visando à ergonomia; Reabilitação precoce;
2. Programas de condicionamento físico;
3. Seleção de pessoas;
4. Técnicas de manuseio de cargas.
169
4.3 LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS (LER) / DISTÚRBIOS
OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO (DORT)
Lesões por esforços repetitivos (LER) ou Dis-
túrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho
(DORT) não são uma doença. Esse título engloba um
grupo heterogêneo de quadros clínicos que acometem
tendões, sinóvias, músculos, nervos, fáscias, ligamentos,
isolada ou associadamente, com ou sem degeneração
tissular, atingindo principalmente os membros superio-
res, mas também, a região escapular, a coluna vertebral
e os membros inferiores, em decorrência de fatores
ligados ao trabalho. (2)
Diversas foram as designações dadas a esse
grupo de doenças em outros países, entre nós, os termos
mais empregados foram: Lesões por Esforços Repetiti-
vos (LER), Lesões por Traumas Cumulativos (LTC) e
Doença Cervicobraquial Ocupacional (DCO). (2)
A pluralidade de nomes é explicada pelas várias
entidades que compõem esse conjunto de doenças e
as diversas teorias aventadas sobre sua fisiopatologia.
No Brasil, o termo LER teve seu uso consagrado, ape-
sar dos quadros nem sempre implicarem em lesões. A
introdução da denominação DORT, mais apropriada,
não conseguiu abolir o uso da LER e ambas foram ado-
tadas oficialmente pelo Ministério da Saúde e da Previ-
dência Social, sendo grafadas: LER/Dort. (2)
Ramazzini, em 1713, descreveu com muita pro-
170
priedade uma doença “típica” dos escreventes:
... Três são as causas das afecções dos escreventes:
primeira, contínua vida sedentária; segunda, contí-
nuo e sempre o mesmo movimento da mão; e ter-
ceira, atenção mental para não mancharem os livros
e não prejudicarem seus empregadores nas somas,
restos ou outras operações aritméticas... A necessá-
ria posição da mão para fazer correr a pena sobre
o papel ocasiona não leve dano que se comunica a
todo o braço, devido à constante tensão tônica dos
músculos e tendões e, com o andar do tempo, dimi-
nui o vigor da mão.
Conheci um home, notário de profissão,... o qual
dedicou toda sua vida a escrever, lucrando bastante
com isso. Primeiro, começou a sentir grande las-
sidão em todo o braço e não pode melhorar com
remédio algum e, finalmente, contraiu uma com-
pleta paralisia do braço direito. A fim de reparar o
dano, tentou escrever com a mão esquerda, porém,
ao cabo de um tempo, esta também apresentou a
mesma doença...
Relatos isolados foram publicados desde meados
do século XIX sobre a cãibra do escrivão (1830), a cãibra
do telegrafista (1875) e a entrose das lavadeiras (Doença
de DeQuervain) (1891). Já no início do século XX, Ham-
mer (1934) estudou tendinites entre empacotadores. (2)
171
Apesar disso, esses quadros só começaram a
adquirir relevância a partir de meados do século XX, com
a crescente utilização do computador no trabalho. No
Japão, Maeda descreveu problemas musculoesqueléticos
entre perfuradores de cartões (1958), caixas registradoras
e datilógrafos (1971) e montadores (1982). (2)
Entre nós, a primeira descrição de casos de tenos-
sinovites ocupacionais entre lavadeiras, limpadoras e engo-
madeiras, foi apresentada no XII Congresso Nacional de
Prevenção de Acidentes do Trabalho, em 1973. Entre-
tanto, o problema acomete profissionais de várias áreas,
como açougueiros, datilógrafos, motoristas, professores,
empacotadores, britadores, músicos, dentistas, etc. (2)
A incidência de LER/DORT em membros
superiores aumentou dramaticamente ao longo das últi-
mas décadas em todo o mundo. Estudos realizados nos
EUA apontam que cerca de 65% de todas as patologias
registradas como ocupacionais são de LER/DORT,
observando-se que, nas empresas com mais de 11
empregados do setor privado daquele país, a incidência
estimada dessas patologias é de 10 por 10.000 homens.
A relação horas trabalhadas/ano pode determinar inci-
dência mais alta em alguns setores, como, por exemplo,
em atividades que exigem do trabalhador uso de força e
de repetição comum em linhas de produção de frigorífi-
cos, em bancos, em videoterminais, em caixas de super-
mercado, em seções de empacotamento, entre outras. (9)
No Brasil, o aumento na incidência de LER/
172
DORT pode ser observado nas estatísticas do INSS
de concessão de benefícios por doenças profissionais.
Segundo os dados disponíveis, respondem por mais de
80% dos diagnósticos que resultaram em concessão de
auxílio-acidente e aposentadoria por invalidez pela Previ-
dência Social em 1998. (9)
Diante do aumento da frequência de LER/
DORT, estudiosos têm tentado explicar sua gênese
por meio de várias teorias. Serão apresentadas, a
seguir, características de algumas delas. Apesar das
dificuldades decorrentes da falta de um conhecimento
sedimentado sobre o tema, parece estar se formando
o consenso de que LER/DORT resultam do entrela-
çamento de três conjuntos de fatores envolvidos na
dor musculoesquelética:
• fatores biomecânicos presentes na atividade;
• fatores psicossociais relacionados à organiza-
ção do trabalho;
• fatores ligados à psicodinâmica do trabalho
ou aos desequilíbrios psíquicos gerados em certas
situações especiais de trabalho na gênese do pro-
cesso de adoecimento. (9)
De acordo com Bauk, Douglas – 2008, pode-
mos sintetizar os fatores de risco da seguinte forma:
Fatores individuais: são representados pelas caracterís-
173
ticas físicas e psicológicas, estilo de vida, hábitos etc.
As mulheres teriam uma maior predisposição às LER/
Dort em virtude de maior fragilidade orgânica, de ações
hormonais e das próprias condições de trabalho em
relação aos homens, entretanto, alguns autores contes-
tam isso alegando falhas em estudos estatísticos. Tama-
nho do pulso, fraturas pregressas, deformidades, práti-
cas esportivas, carências vitamínicas (B-6) e tabagismo
são outros aspectos a considerar.
Fatores Biomecânicos: tarefas envolvendo força e repe-
titividade de movimentos, posturas viciosas, uso pro-
longado de ferramentas manuais de má empunhadura,
golpeamento repetitivo de ferramentas com a base
das mãos, constrição do punho por luvas apertadas
ou munhequeiras etc., são de grande importância na
gênese das LER/Dort. Equipamento e mobiliário não
ergonômico, bem como precárias condições de visibi-
lidade, contribuem para a ocorrência de posturas vicio-
sas, trabalho estático e suas consequências.
Fatores organizacionais: pressão excessiva no trabalho,
baixo grau de autonomia, monotonia, jornadas prolon-
gadas, pausas inadequadas, falha de treinamento, geren-
ciamento inadequado, política empresarial etc., estão
entre as causas mais comuns de insatisfação no traba-
lho, potencializando manifestações psicossomáticas e
agravamento dos quadros de LER/Dort.
174
Fatores psicossociais: tempo de serviço, insatisfação
no trabalho, medo de perder o emprego, ausência de
atividades alternativas, aspectos econômicos, falta de
suporte social etc., também influem no problema das
LER/Dort de foram marcante.
Fatores ambientais: o frio, pela vasoconstrição, prejudica
o aporte de nutrientes e a remoção de metabólitos dos
tecidos musculares, enquanto que as vibrações afetam
as estruturas corporais provocando traumas mecânicos.
Ambos contribuem para a instalação e o agravamento de
problemas musculoesqueléticos, vasculares e neurológicos.
Na tabela 4.2 estão relacionadas diversas doen-
ças passíveis de enquadramento entre as LER/Dort.
175
176
A prevenção das LER/DORT baseia-se na capacitação
técnica e definição política para:
• avaliação dos fatores de risco para a saúde dos
trabalhadores, a partir da inspeção aos locais de trabalho
e entrevistas com trabalhadores, reconhecendo situações
que podem demandar avaliação ergonômica;
177
• identificação dos problemas ou danos potenciais
para a saúde, decorrentes da exposição aos fatores de risco;
• proposição das medidas a serem adotadas para
eliminação ou controle da exposição aos fatores de risco e
proteção dos trabalhadores;
• utilização dos recursos de vigilância em saúde
e de fiscalização do trabalho, para verificar a obediência,
pelo empregador, de suas obrigações em relação à identifi-
cação, avaliação e documentação dos fatores de risco exis-
tentes no processo de trabalho e à adoção de medidas cor-
retivas de controle ambiental e de saúde do trabalhador.
A intervenção sobre os ambientes e condições de
trabalho deve basear-se em análise criteriosa e global da
organização do trabalho, que inclui a análise ergonômica
do trabalho (real), da atividade, do conteúdo das tarefas,
dos modos operatórios, dos postos de trabalho; do ritmo
e da intensidade do trabalho; dos fatores mecânicos e
condições físicas dos postos de trabalho; das normas de
produção; dos sistemas de turnos, dos sistemas de premia-
ção, dos incentivos, dos fatores psicossociais, individuais e
das relações de trabalho entre colegas e chefias. Interessa
conhecer, também, as medidas de proteção coletiva e indi-
vidual implementadas pelas empresas e as estratégias de
defesa, individuais e coletivas, adotadas pelos trabalhadores.
Devem ser buscadas estratégias para garantir a participação
dos trabalhadores e a sensibilização dos níveis gerenciais
para a implementação das medidas a serem adotadas, que
envolvem modificações na organização do trabalho.
179
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René - 2007
Figura 2.10. Dermatite irritativa de contato acneiforme
/ Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 2.11. Perfuração do septo nasal / Fonte: Men-
des, René – 2007
Figura 2.12. Dermatite alérgica de contato / Fonte:
Mendes, René - 2007
Figura 2.13. Queimadura química por ácido sulfúrico /
Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 2.2. Micropapuloeritematosas / Fonte: Mendes,
René - 2007
Figura 2.3. dermatite alérgica cronificada / Fonte: Men-
des, René - 2007
Figura 2.4. dermatite de contato irritativa forte / Fonte:
Mendes, René – 2007
Figura 2.5. dermatite alérgica de contato por bota de
borracha / Fonte: Mendes, René - 2007
Figura 2.6. dermatite alérgica de contato por bota de
borracha / Fonte: Mendes, René - 2007
Figura 2.7. Radiodermite crônica / Fonte: Mendes,
René – 2007
Figura 2.8. Dermatite irritativa de contato folicular /
Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 2.9. Miliária rubra / Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 3.1 Curvas de isoaudibilidade, segundo Robin-
183
son e Dadson (1961) / Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 3.2 Curvas de ponderação normalizada A e C
/ Fonte: http://dc358.4shared.com/doc/4tk8hSp9/
preview.html
Figura 3.3 Corte frontal do órgão periférico (orelhas
externa, média e interna) / Fonte: http://centrootorri-
nodf.com.br/anatomia/ouvido.php
Figura 3.4 Níveis de audição de um indivíduo normal
exposto a um ruído de 103 dB(A) (perda auditiva tem-
porária) / Fonte: Mendes, René – 2007
Figura 4.1 – Coluna vertebral / Fonte: http://luzquan-
tica.com.br/2013/08/ Figura 4.2 – Vértebra tipo /
Fonte: Bauk, Douglas A. – 2008 “104”
LISTADETABELAS
Tabela 1.1 – Classificação das doenças segundo sua rela-
ção com o Trabalho / Fonte: Adaptado de Schilling, 1984
Tabela 1.2 - Exemplos de Doenças Infecciosas Selecio-
nadas por Ocupação / Fonte: Mendes, René – 2007
Tabela 1.3 - Doenças infecciosas e parasitárias relacio-
nadas com o trabalho (grupo I da CID- 10) / Fonte:
Portaria no 1.339, de 18 de novembro de 1999
Tabela 1.4 – Precauções Universais / Fonte: Normas de
Biossegurança ou Prescrições Universais
Tabela 2.1 - Classificação Clínica das Doenças Pulmonares
/ Fonte: Mendes, René – 2007 Tabela 2.2 - Pneumotinte
por Hipersensibilidade / Fonte: Mendes, René – 2007
184
Tabela 2.3 - Pneumoconioses, poeiras causadoras e pro-
cessos anatomopatológicos subjacentes / Fonte: Men-
des, René – 2007
Tabela 2.4 - Exposições Ocupacionais Associadas ao
Câncer Respiratório / Fonte: Segundo Critérios da
IARC (2000)
Tabela 2.5 - Hemopatias Profissionais Segundo Mecanis-
mos e Tipos de Alterações e Possíveis Agentes Etiológicos
de Origem Ocupacional / Fonte: Mendes, René – 2007
Tabela 2.5 - Principais Substâncias Neurotóxicas Pre-
sentes em Situações de Trabalho Capazes de Causar a
Doença de Parkinson Secundária / Fonte: adaptado de
Rosenberg, 1995
Tabela 3.1 Exemplos de riscos existentes e os efeitos
para a saúde / Fonte: Araújo, Wellington - 2010
Tabela 3.2 – Efeitos clínicos da vítima de hipotermia /
Fonte: American Family Phvsician – AAFP
Tabela 3.3 – Efeitos de radioexposição aguda em adulto
/ Fonte: APOSTILA EDUCATIVA CNEN
Tabela 3.4 – Exposições agudas localizadas / Fonte:
apostila educativa do CNEN
Tabela 4.1 – Clínica da Hérnia de Disco, segundo os níveis
de acometimento / Fonte: adaptado de Crenshaw, 1997
O ambiente e as doencas laborais

O ambiente e as doencas laborais

  • 1.
    2a Edição / Abril/ 2015 Impressão em São Paulo - SP Marcella Ferreira e Silva Zulmira Rosa de Sousa Silva Duque O AMBIENTE E AS DOENÇAS LABORAIS
  • 2.
    Professor Responsável Marcella Ferreirae Silva Zulmira Rosa de Sousa Silva Duque 2ª Edição: Abril de 2015 Impressão em São Paulo/SP Copyright © EaD KnowHow 2015 Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição. O AMBIENTE E AS DOENÇAS LABORAIS S586a Silva, Marcella Ferreira. O ambiente e as doenças laborais. / Marcella Ferreira Silva, Zulmira Rosa de Souza Silva Duque. - 2. ed. - São Paulo : Know How, 2015. 000 p. : 21 cm. Inclui bibliografia ISBN : 978-85-8065-314-4 1. Doenças laborais. 2. Riscos. 3. Ambiente. I. Título. CDD – 616. 9803 Catalogação elaborada por Glaucy dos Santos Silva - CRB8/6353
  • 3.
    SUMÁRIO unidade1 |RISCOs BIOLÓGICOs 1.1– RELAÇÃO ENTRE AS DOENÇAS INFECCIOSAS E TRABALHO 1.2 – PRINCIPAIS DOENÇAS 1.3 – PREVENÇÃO unidade 2|RISCOS QUÍMICOS 2.1 DOENÇAS RELACIONADAS À EXPOSIÇÃO AO RISCO QUÍMICO 2.1.1 DOENÇA RESPIRATÓRIA 2.1.2 DOENÇAS DA PELE 2.1.3 DOENÇAS DO OLHO 2.1.4 DOENÇAS DO OUVIDO 2.1.5 DOENÇAS DO SANGUE 2.1.6 DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO 2.1.7 DOENÇAS DO SISTEMA REPRODUTIVO unidade 3 |RISCOS FÍSICOS 3.1 RUÍDO 3.1.1 ANATOMIA DA ORELHA 3.1.2 FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO 3.1.3 DOENÇAS RELACIONADAS AO RUÍDO 3.1.4 MEDIDAS DE CONTROLE DO RUÍDO 3.2 CALOR 3.2.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO AO CALOR 3.2.2 MEDIDAS DE CONTROLE DO CALOR 3.3 FRIO 1.3.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO AO FRIO 17 57 99
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    3.3.2 MEDIDAS DECONTROLE DO FRIO 3.4 PRESSÕES ANORMAIS 3.4.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO ÀS PRESSÕES ANORMAIS 3.4.2 MEDIDAS DE CONTROLE DAS PRESSÕES ANORMAIS 3.5 VIBRAÇÕES 3.5.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO À VIBRAÇÃO 3.5.2 MEDIDAS DE CONTROLE DA VIBRAÇÃO 3.6 RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES 3.6.1 MEDIDAS DE CONTROLE DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE 3.7 RADIAÇÕES IONIZANTES 3.7.1 EFEITO DAS RADIAÇÕES IONIZANTES NO HOMEM 3.7.2 MEDIDAS DE CONTROLE DA RADIAÇÃO IONIZANTE unidade 4 |rISCOS ERGONôMICOS E DE ACIDENTES 4.1 ALGUMAS SÍNDROMES NEURÓTICAS 4.2 DOENÇAS DA COLUNA VERTEBRAL RELACIONADAS AO TRABALHO 4.3 LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS (LER) / DISTÚRBIOS OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO (DORT) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 143 179
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    7 INTRODUÇÃO Há muito tempose sabe que o trabalho, quando executado sob determinadas condições, pode causar doenças, encurtar a vida ou matar, sem rodeios, os trabalhadores. (8) O desgaste do corpo durante o processo pro- dutivo gera patologias específicas para cada tipo de ati- vidade ocupacional, além das diferentes modalidades de acidentes do trabalho, cujas características encontram- se também diretamente relacionadas com o tipo de tra- balho executado. (18) Em relação às condições de trabalho, os riscos ambientais estão divididos em cinco categorias: • Riscos Biológicos: são diretamente relaciona- dos com micro-organismos, podendo provocar doenças; • Riscos Químicos: são substâncias ou produ- tos que podem contaminar o ambiente de trabalho e, consequentemente, o organismo humano; • Riscos Físicos: São resultantes da troca de energia entre o organismo e o ambiente de trabalho, em quantidade que pode causar o desconforto, acidentes ou doenças do trabalho; • Riscos Ergonômicos: são as condições de tra- balho que não são adaptadas às características físicas e psicofisiológicas das pessoas; • Riscos Mecânicos ou de Acidentes: são agen-
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    8 tes relacionados comos processos de trabalho e as condições físicas do ambiente. (1) É importante observar que a nocividade do trabalho pode não ser dele próprio, ou das ativida- des que o conformam, mas determinada ou agravada por duas considerações sobre o “tempo de trabalho”, sendo elas pela “duração” ou pela “configuração”, entendido como “tempo de trabalho” nas mais distin- tas acepções, que vão desde o tempo na vida em que se começa a trabalhar; o tempo na vida em que se para de trabalhar; o tempo ou duração do trabalho numa jornada de trabalho (jornada, do francês jour = dia), nas semanas, nos meses, nos anos e, enfim, na vida. “Duração”, no sentido de tempo acumulado, e “con- figuração”, no sentido de sua distribuição, ou forma como a duração está organizada ou distribuída no pró- prio referencial de periodização do tempo: vida, época da vida, ano, estação do ano, mês, semana, dia, hora, minuto... (8) O grau de sucesso ou insucesso dos mecanis- mos de “agressão” irá depender não apenas da natu- reza e intensidade da “agressão”, e do grau de “vulne- rabilidade” aos patógenos do trabalho, mas também da eficiência ou eficácia dos mecanismos de “defesa” do trabalhador. (8) Sobre a ideia de saúde a Organização Mundial da Saúde conceitua da seguinte forma:
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    9 condição em queum indivíduo ou grupo de indivídu- os é capaz de realizar suas aspirações, satisfazer suas necessidades e mudar ou enfrentar o ambiente. A saú- de é um recurso para a vida diária, e não um objetivo de vida; é um conceito positivo, enfatizando recursos sociais e pessoais, tanto quanto as aspirações físicas. (OMS, 1984 apud Rey, 1999. Grifo introduzido). (8) Dito em outras palavras: saúde é o estado caracterizado pela integridade ana- tômica, fisiológica e psicológica; pela capacidade de desempenhar pessoalmente funções familiares, pro- fissionais ou sociais; pela habilidade para tratar com tensões físicas, biológicas, psicológicas ou sociais. (Rey, 1999. Grifo introduzido). (8) Podemos concluir que, o trabalhador ao ser exposto a um agente agressor, seu organismo irá reagir com um tipo de mecanismo de defesa, seu resultado pode ser uma adaptação ou uma lesão. Por exemplo, o trabalhador exposto a uma natureza predominantemente biológica, seu mecanismo de defesa poderá dar resposta imunológica competente e adequada, caso não seja ade- quada irá surgir doenças decorrentes desta exposição. Antesdeiniciarmosnossosestudossobreasdoen- ças ocupacionais, precisamos ter claro algumas definições:
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    10 • Acidente detrabalho • Doença do trabalho • Doença profissional A Lei 8.213/91 conceitua o acidente de tra- balho, primeiro no sentido restrito, depois no sentido amplo ou por extensão. (10) Do acidente-tipo, ou também chamado de macrotrauma, cuida a lei no art. 19 e basicamente define como acidente do trabalho aquele que ocorre pelo exercício do trabalho provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução da capacidade permanente ou temporária para o trabalho. Ou seja, trata-se de um evento único, subitâneo, imprevisto, bem configurado no espaço e no tempo e consequências geralmente imediatas. (10) O acidente de trabalho representa uma inter- rupção súbita no processo de trabalho, traumática para o acidentado, diferente das doenças profissionais ou do trabalho que tem caráter progressivo e em boa parte dos casos irreversíveis, implicando um processo lento de degeneração orgânica do qual muitas vezes o pró- prio trabalhador não se dá conta. Pela ausência inicial de sintomatologia clínica, as patologias profissionais permitem – ao contrário dos acidentes – que o indiví- duo prossiga trabalhando até que se torne inútil para a produção e seja substituído por outro. (18) Deste modo o objetivo deste trabalho é tratar
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    11 apenas das doençaslaborais, das quais podemos ana- lisar sob algumas características do ponto de vista de Ramazzini, Schilling e da própria Lei 8.213/91. Bernardino Ramazzini (1633 – 1714) parece ter sido o primeiro a tentar classificar o que ele deno- minou de “doenças do trabalhador”, descrevia as doenças como, por exemplo: “doença dos mineiros”; “doença dos que trabalham em pé”; “doença dos pinto- res”, “doença dos que trabalham com enxofre”, etc. (8) Da classificação empírica construída por Ber- nardino Ramazzini, há mais de 300 anos, é possível pinçar os critérios para uma primeira sistematização da patologia do trabalho: • Num primeiro grupo estão aquelas doen- ças diretamente causadas pela “nocividade da matéria manipulada”, de natureza relativamente específica, e que vieram dar origem às “doenças profissionais” (8) • Num segundo grupo estão aquelas doenças produzidas pelas condições de trabalho: “posições for- çadas e inadequadas”, “operários que passam o dia de pé, sentados, inclinados, encurvados etc.”. São as que mais tarde foram denominadas “doenças causadas pelas condições especiais em que o trabalho é realizado”. (8) O professor Richard Schilling, da Inglaterra, desenvolveu uma classificação própria, que agrupa as “doenças relacionadas com o trabalho” em três
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    12 categorias, resumidas natabela 1.1. (8) A Lei 8.213/91 subdivide as doenças ocupacio- nais em doenças profissionais e doenças do trabalho, estando previstas no art. 20, I e II.
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    13 As primeiras, tambémconhecidas como “ergo- patias”, “tecnopatias” ou “doenças profissionais típi- cas”, são as produzidas ou desencadeadas pelo exercício profissional peculiar a determinada atividade (corres- ponde à classificação Schilling I). Nessa situação, o tra- balho é considerado causa direta do agravo, ou seja, se o agente for eliminado, o agravo poderá ser completa- mente prevenido. Dada a sua tipicidade, prescindem de comprovação do nexo de causalidade com o trabalho. Há uma presunção legal nesse sentido. Decorrem de microtraumas que cotidianamente agridem e vulneram as defesas orgânicas, e que, por efeito cumulativo, ter- minam por vencê-las, deflagrando o processo mórbido. Por exemplo, os trabalhadores da mineração, sabe-se de há muito que estão sujeitos à exposição do pó de sílica, e, portanto, com chances de contrair a silicose, sendo considerada uma doença profissional. (10) (20) Por sua vez as doenças do trabalho, também chamadas de “mesopatias”, ou “moléstias profissionais atípicas”, são aquelas desencadeadas em função de con- dições especiais em que o trabalho é realizado (classifi- cação Schilling II e III), ou seja, o trabalho é um dos fatores de risco para a ocorrência do agravo. Contudo, por serem atípicas, exigem a comprovação do nexo de causalidade com o trabalho, via de regra através de visto- ria no ambiente laboral. A retirada do fator de risco redu- zirá a incidência do agravo e/ou modificará a evolução da doença. Por exemplo, a ocorrência de problemas osteo-
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    14 musculares nos profissionaisde enfermagem. (10) (20) Enquanto as doenças profissionais resultam de risco específico direto (característica do ramo de ativi- dade), as do trabalho tem como causa o risco específico indireto. Assim, por exemplo, uma bronquite asmática normalmente provém de um risco genérico e pode aco- meter qualquer pessoa. Mas se o trabalhador exercer sua atividade sob condições especiais, o risco genérico trans- forma-se em risco específico indireto. (10) A Lei 8.213/91 ainda contempla uma terceira categoria de doença, disposto no parágrafo 2° do art. 20: “Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída na relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o traba- lho é executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência Social deve considerá- la acidente do tra- balho”. Estamos diante de uma variante da doença do trabalho, pois há uma relação direta com as condições especiais em que é executado o trabalho, por exemplo, as doenças ligadas à voz presentes nos trabalhadores das empresas de telemarketing. (10)
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    17 UNIDADE 1 |RISCOS BIOLÓGICOS Consideram-se riscos biológicos os vírus, bac- térias, parasitas, protozoários, fungos e bacilos. (12) Os riscos biológicos ocorrem por meio de micro-organismos que, quando entram em contato com o ser humano, podem causar diversas doenças. Muitas atividades profissionais favorecem o contato com tais riscos. É o caso das indústrias de alimentação, hospitais, limpeza pública (coleta de lixo), laboratórios etc. (12) Dentre as inúmeras doenças profissionais pro- vocadas por micro-organismos, destacam-se: tubercu- lose, brucelose, malária e febre amarela. (12) Para que essas doenças possam ser conside- radas doenças profissionais, deve haver exposição do empregado a tais micro-organismos. Alguns agentes infecciosos que podem ter relação com o trabalho são: • Dos vírus: adenovírus; caxumba; citomega- lovírus; ebola; hepatite B; hepatite C; Herpes simplex; HIV; influenza; parainfluenza; parvovirus B19; poliovi- rus; rotavirus; rubéola; sarampo; varicela-zoster; vírus respiratório sincicial. • Das bactérias: bordetella; campulobacter; corynebacyerium diphteriae; mycobacterium tuberculosis; neisseria meningitidis; salmonella; shigella; yersínia pestis.
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    18 • Outros: chlamydiapsittaci; coxiella burnetti; cryptosporidium; mycoplasma pneumonie; sarcoptes scabiei. (12) (8) O conhecimento dos riscos biológicos nos ambientes de trabalho é crucial para a prevenção das doenças ocupacionais. A displicência e complacência podem resultar em graves e ameaçadoras consequências. Os micro-organismos encontrados nos ambientes de tra- balho variam de vírus extremamente pequenos e bacté- rias unicelulares, até fungos e parasitas multicelulares. (8) É preciso adotar medidas preventivas para que as condições de higiene e segurança nos diversos seto- res de trabalho sejam adequadas. (12) As medidas de controle mais usualmente ado- tadas são: saneamento básico, controle médico perma- nente, uso de EPI, higiene rigorosa, higiene pessoal, uso de roupas adequadas, vacinação, treinamento, etc. (12) Para que uma substância seja nociva ao homem, é preciso que ela entre em contato com o organismo. Há diferentes vias de penetração para os riscos biológicos: (12) Ingestão: a água, os alimentos em geral, mãos e objetos quando levados à boca constituem as principais maneiras pelas quais a maioria dos agentes infectantes por via oral é transportada e introduzida no organismo, por exemplo, ovos de helmintos (Ascaris lumbricoides,
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    19 Enterobius vermicularis, Trichuristrichiura), cistos de pro- tozoários (Entamoeba histolytica, Giardia lambia), bacté- rias entéricas (Salmonella sp., Shigella sp., Escherichia coli enteropatogênica) e enterovírus (vírus da poliomielite, rotavírus, e outros). (8) Inalação através das vias respiratórias superio- res: gotículas expelidas pela boca e pelo nariz contendo vírus diversos (gripe, sarampo, etc.); população viável de Mycobacterium tuberculosis no escarro em dessecação, associada a micropartículas de poeira; esporos de fun- gos das espécies Histoplasma capsulatum e Paracocci- dioides braziliensis, responsáveis, respectivamente, pela histoplasmose e pela paracoccidioidomicose; frações de muco nasal contendo Mycobacterium leprae, agente da hanseníase, e diversos outros exemplos, compõem uma vasta lista de biopatógenos que podem estar presentes em suspensão no ar inalado. (8) Penetração através das mucosas: de forma geral, as mucosas expostas aos fatores ambientais – vagina, uretra, olhos, boca – dispõem de condições biofísico-químicas favoráveis à instalação de germes e consequente desenvolvimento de infecções especí- ficas. O material chegado à mucosa sadia pode origi- nar-se do contato direto com outra mucosa doente ou ser trasnportado por algum veículo ou vetor. A Neisse- ria gonorrhhoeae, responsável pela blenorragia e pela
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    20 oftalmia neonatorum, eas clamídeas, responsáveis por alguns tipos de uretrites e pelo tracoma, são exemplos de micro-organismos que penetram pelas mucosas, aí permanecendo e desenvolvendo estado patológico. O Trypanosoma cruzi, agente da doença de Chagas, pode penetrar pela mucosa ocular e daí invadir a corrente san- guínea e outros tecidos. O Schistosoma mansoni é outro agente que penetra no hospedeiro pelas mucosas. (8) Penetração através de solução de continuidade: Feridas cirúrgicas, ferimentos acidentais, tecidos necro- sados, queimaduras, escarificações, e, de forma geral, toda descontinuidade da pele pode servir de porta de entrada para agentes infecciosos. Esses podem ter sido depositados sobre a pele antes de ocorrido o seu rom- pimento naquele ponto e introduzidos durante o pro- cesso ou podem vir a ser aí depositados por vetores ou veículos após a ocorrência da lesão. São conhecidos casos de tétano produzidos por contaminação do coto umbilical pela deposição intencional de excremento animal, usado como curativo. No entanto, a penetra- ção do Clostridium tetani não se dá, na maioria dos casos, de forma tão inusitada, sendo a penetração mais simples. Os esporos são veiculados por poeira e terra contaminadas com fezes humanas ou de animais. Em alguns casos, o ferimento que deu acesso ao esporo é tão insignificante que passa despercebido. O Trypano- soma cruzi pode ser levado à circulação com o rompi-
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    21 mento da pelepor ação da unha no ato de coçar locais onde o barbeiro defecou ao sugar sangue. (8) Deposição sobre a pele seguida de propagação localizada: os agentes etiológicos das dermatofitoses (fungos dos gêneros Microsporum e Trichophyton) tem acesso ao couro cabeludo, às unhas e à pele, por contato direto com indivíduos infectados, ou indireta- mente por contato com objetos, pisos úmidos, instru- mentos de barbearia e manicure. (8) Introdução no organismo com auxílio de objetos e instrumentos: neste caso, o acesso pode se dar pelos orifícios naturais ou através de perfurações cirúrgicas ou acidentais. A transmissão por transfusão de sangue poderia também ser enquadrada neste item, considerando que a penetração do bioagente se dá por intrusão no corpo, com auxílio de objeto mecânico. Uma grande parte das infecções hospitalares relaciona- se a este mecanismo. (8) Introdução em tecido muscular ou na corrente sanguínea, por picadas de inseto ou por mordedura de animais: através de sua probóscida introduzida na pele, fêmeas dos mosquitos anofelinos injetam cargas de plasmódios sob a forma de esporozoítas, que darão ori- gem à malária. Mosquitos do gênero Culex são respon- sáveis pela introdução, no organismo do hospedeiro, de
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    22 larvas infectantes deWuchereria bancrofti, agente cau- sal da filariose. Neste caso também a penetração se faz por inoculação através da probóscida do mosquito. Os agentes causais do calazar (leishmaniose visceral) e da úlcera de Bauru (leishmaniose tegumentar) são intro- duzidos no organismo suscetível através da picada da fêmea do mosquito flebótomo. O vírus rábico é intro- duzido no organismo de seres humanos por mordedura lacerante de cães e gatos infectados, e em bovinos, por mordedura de morcego. (8) Penetração ativa direta do bioagente patogê- nico: a transmissão da sarna ocorre quando indivíduos infectados com Sarcoptes scabiei entram em contato com susceptíveis. As fêmeas recém-fecundadas do agente infeccioso abandonam o seu hospedeiro atual e penetram ativamente o novo hospedeiro. Cercárias de Schistosoma mansoni saídas do seu hospedeiro inter- mediário, molusco do gênero Biomphalaria e vivendo em coleções de água doce, penetram ativamente pela pele de pessoas suscetíveis que estejam imersas na água durante o trabalho ou recreação. Larvas infectantes de Strongyloides stercoralis, agente da estrongiloidí- ase, Ancylostoma caninum e Ancylostoma braziliensis, agentes da dermtite serpiginosa (larva migrans), podem penetrar ativamente na pele de pessoas que caminham com os pés descalços, a partir do solo contaminado. (8)
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    23 1.1 – RELAÇÃOENTRE AS DOENÇAS INFECCIOSAS E TRABALHO As doenças infecciosas e parasitárias relaciona- das ao trabalho apresentam algumas características que as distinguem dos demais grupos: os agentes etiológi- cos não são de natureza ocupacional, e sim as condições ou circunstâncias em que o trabalho é executado é que são favorecedoras do contato, contágio ou transmissão. São causadas por agentes que estão disseminados no meio ambiente, dependentes de condições ambientais e de saneamento e da prevalência dos agravos na popu- lação geral; vulneráveis às políticas gerais de vigilância e da qualidade dos serviços de saúde. A delimitação ambiente de trabalho/ambiente externo é frequente- mente pouco precisa. (8) As consequências para a saúde da exposição a fatores de risco biológico presentes em situações de trabalho, além dos quadros de infecção aguda e crô- nica, incluem as reações alérgicas e tóxicas. Um amplo espectro de planas e animais produz substâncias alergê- nicas, irritativas e tóxicas com as quais os trabalhado- res entram em contato, diretamente, através de picadas ou mordeduras ou através de poeiras contendo pelos, pólen, esporos de fungos. (8) A maioria das infecções resulta de exposição não ocupacional. Entretanto, alguns ambientes ou doenças específicas sugerem que sua origem foi prove- niente da exposição ocupacional. Os trabalhadores da
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    24 área de saúde,nos seus vários âmbitos, quer estejam em centros de saúde, hospitais, laboratórios, necrotérios, e os profissionais de saúde que realizam investigações de campo – vigilância da saúde, controle de vetores, e aqueles que lidam com animais, mantêm contato direto com pacientes ou vetores transmissores de moléstias infecciosas. Em se tratando de organismos cuja trans- missão se faz através de aerossóis, o risco de contrair a doença é várias vezes maior para o trabalhador da área de saúde do que para a população geral. O risco também é grande no tocante à manipulação de material perfurocortante e no ato de procedimentos invasivos. Neste cenário, torna-se importante redobrar a atenção quanto às precauções universais, imunizações, manipu- lação de material contaminado e perfurocortante, e ao hábito de lavar as mãos antes e após cada exame. (8) Os trabalhadores que mantêm contato ou mani- pulam animais também possuem risco aumentado para contrair certas infecções, principalmente os trabalhado- res na agricultura, as pessoas que trabalham em habitat silvestre (silvicultura), em atividades de pesca, produção e manipulação de produtos animais – abatedouros, cur- tumes, frigoríficos, indústria alimentícia, de carnes, pes- cados, zoológicos e clínicas veterinárias, além dos que lidam com pesquisas científicas em espécies animais. (8) É importante destacar que além das infecções propriamente ditas, algumas proteínas lideradas através da urina, pela e outros tecidos animais, podem ser car-
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    25 readas como aerossóis,causando erupções, sintomas alérgicos ou até mesmo asma ocupacional. (8) Os trabalhadores que lidam com dejetos de esgoto ou lixo, principalmente onde não há condições de sanitarismo e proteção adequadas, estão também expostos a vários riscos biológicos. (8) A suspeita clínica de possível doença ocupacio- nal deve ser valorizada sempre que um paciente perten- cer a um grupo onde o risco de exposição a patógenos biológicos é aumentado. A avaliação mais específica dependerá muito da apresentação clínica e dos diagnós- ticos diferenciais. Quando se cogitar em origem ocupa- cional, a história detalhada deve ser tomada no sentido de elucidar precisamente como a exposição ocorreu. A avaliação do local de trabalho através da visita/inspeção ao espaço físico é mandatória para se compreender o ambiente, as funções e as atividades cotidianas, deter- minando com mais clareza os riscos aos quais os traba- lhadores estão expostos. Dependendo das circunstân- cias e dos recursos disponíveis, uma equipe composta por médico e enfermeiro do trabalho, engenheiro e higienista industrial, e até um especialista em biossegu- rança, deverá determinar a necessidade de desencadear uma série de ações a nível individual e coletivo. Deve-se lembrar sempre da notificação compulsória de determi- nadas doenças para a vigilância sanitária local. (8) Mesmo para doenças comuns na sociedade, não há um parâmetro limítrofe bem estabelecido de
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    26 quando se deveiniciar uma investigação para explicar o surgimento simultâneo de alguns problemas médicos dentre uma comunidade de trabalhadores. A natureza da doença, sua prevalência na população de trabalhado- res sob risco, e o padrão de desenvolvimento de surto são critérios importantes para avaliar tais situações. (8) Em síntese, a relação com o trabalho pode ser estabelecida através de: •Coletacriteriosadehistóriaocupacionalcompleta; • Comparação com dados e estudos epidemio- lógicos e de literatura científica; • Solicitação de perfil profissiográfico do traba- lhador à empresa; • Solicitação de dados e avaliações ambientais à empresa; • Inspeção na própria empresa/local de trabalho. Na tabela 1.2 alguns exemplos de ocupações e suas doenças infecciosas relacionadas. Açougueiro Explorador de cavernas Construção civil em grandes áreas Antraz, Tularemia, Erisipelóide Bartonella henselae, celulite por pasteurella, raiva, histoplasmose Paracoccidioidomicose, Histoplasmose, Leishmaniose, Malária
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    27 Tularemia, Salmonelose, Triquinose Pracoccidioidomicose Brucelose,Febre Q, Tinea barbae Hepatite A, Rubéola, Citomegalovirus e outras doenças da infância Hepatites B e C, AIDS Larva migrans cutânea, Ascaridíase, Ancilostomíase Ycobacterium marinum Paracoccidioidomicose, Histoplasmose Raiva, Antraz, Brucelose,Tétano, Leptospirose, Tularemia, Paracoccidioidomicose, Histoplas- mose, Ascaridíase, Esporotricose, Ancilosto- míase, Esquistossomose Erisipelóde (Erysipelothrix insidiosa), Esquis- tossomose, Mycobacterium marinum Esporotricose, larva migrans cutânea Tularemia Tifo Brucelose, Leptospirose, Febre Q, Salmonelose, Estafilococcias Hepatites B e C, AIDS, Tuberculose, etc. Antraz, Brucelose, Psitacose, Dermatofitoses, Erisipelóide, Raiva, Tularemia, Salmonelose Psitacose Leptospirose, Ascaridíase, Ancilostomíase Dermatofitoses Processamento de alimentos Engenho de algodão Trabalho com gado leiteiro Trabalho em creches Dentistas Cavador de fossas Mergulhador Operador de escavadora Trabalho em lavoura Pescador/Comerciante de peixes Jardineiro/Florista Trabalho com pele de animais Trabalho em armazéns de grãos Trabalho em abatedouro Médico/Enfermeiro Veterinário/Comércio de animais Criador de pássaros Trabalho em limpeza urbana Lavadeira
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    28 1.2 – PRINCIPAISDOENÇAS Através da Portaria 1.339 de 18 de novembro de 1.999, é instituído a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho, onde também há uma lista de Doenças Infecciosas e Parasitárias Relacionadas ao Trabalho, como segue abaixo.
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    31 Tuberculose É a doençamais comum da humanidade, e representa a principal doença infecciosa responsável pela mortalidade de jovens e adultos. Ainda é impor- tante problema de saúde pública mundial. Em rela- tório da Organização Mundial de Saúde estima-se que um terço da população mundial está infectada pelo Mycobacterium tuberculosis, com oito milhões de novos casos de três milhões de mortes devidas à doença, por ano. (8) No Brasil havia 35 a 45 milhões de pessoas infectadas no início da década de 1990, sendo espe- rados 100.000 novos casos e certa de 6.000 mortes por ano (incidência de aproximadamente 54/100.000 habitantes). (8) O micro-organismo responsável pela tubercu- lose humana é o Mycobacterium tuberculosis, desco- berto por Robert Koch, em 1882. Por ser um aeróbio estrito, infecta os pulmões e aí se localiza preferencial- mente. A presença de oxigênio facilita sua multiplica- ção, e a ligação do órgão com o meio externo favo- rece sua transmissão. Como não há resposta imediata do hospedeiro, ele cresce no interior do organismo, durante certo tempo, sem nenhum obstáculo. A trans- missão é aerógena através da eliminação de partículas com bacilos em suspensão por perdigotos favorecidos pela tosse, fala ou espirro. (8)
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    32 O conceito quedominou a medicina até o iní- cio do século XX foi o de ausência de risco de infecção para profissionais de saúde e para outras pessoas em con- tato com pacientes tuberculosos. A partir da década de 1920, vários estudos demonstraram maior incidência de tuberculose entre enfermeiras, médicos e estudantes de medicina. Aos poucos, foram surgindo relatos de tuber- culose em outros membros da equipe de saúde, como técnicos de laboratório e de anatomia patológica, mos- trando que o risco de infecção é diretamente proporcio- nal ao contato do profissional com o paciente. (8) Em determinados trabalhadores, a tubercu- lose pode ser considerada “doença relacionada com o trabalho”, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as condições de trabalho podem favorecer a exposição a Mycobacterium tuberculosis ou a Myco- bacterium bovis, como no caso de trabalhadores em laboratórios de biologia, e em atividades que propiciam contato direto com produtos contaminados ou com doentes bacilíferos.(9) Em trabalhadores expostos a poeiras de sílica ou portadores de silicose, a tuberculose e a sílico-tubercu- lose deverão ser consideradas como “doenças relaciona- das com o trabalho”, do Grupo III da Classificação de Schilling, uma vez que a exposição à sílica pode favorecer a reativação da infecção tuberculosa latente, pois os cristais de sílica no interior dos macrófagos alveolares deprimem sua função fagocitária e aumentam sua destruição. (9)
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    33 A tuberculose representatambém risco ocupacio- nal para trabalhadores em laboratórios e salas de necropsia. Os riscos para pessoal de laboratório incluem a manipu- lação de recipientes contaminados, escarros mal fixados, geração de aerossol. Durante a realização de exames. Para os trabalhadores em sala de necropsia, o exame em cadá- veres de pacientes com tuberculose não diagnosticada em vida constitui o principal risco. O risco estimado destes profissionais adquirirem tuberculose é de 100 a 200 vezes maior do que o da população geral na Inglaterra (Collins & Grange, 1999). (8) O risco de dentistas contraírem tuberculose de SUS pacientes é relativo ao ambiente de trabalho, e mais diretamente relacionado ao perfil sócio econômico dos seus pacientes. Este risco pode ser reduzido através de vigilância, educação e atenção ao perfil do paciente aten- dido (Anders e cols., 1998). (8) Carbúnculo É uma zoonose causada pelo Bacillus anthracis, microrganismo gram-positivo, manifestando-se, no ser humano, em três formas clínicas: cutânea, pulmonar e gastrintestinal. A meningite e a septicemia podem ser complicações de todas essas formas. (9) A doença tem distribuição mundial e ocorre em casos isolados no decorrer do ano, ocasionalmente na forma de epidemias. Decorre da exposição humana ao
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    34 bacilo, em atividadesindustriais, artesanais, na agricul- tura ou em laboratórios, estando, portanto, associada ao trabalho, como, por exemplo, pelo contato direto das pessoas com pelos de carneiro, lã, couro, pele e ossos, em especial de animais originários da África e Ásia. Nas atividades agrícolas, ocorre no contato do homem com gato, porco, cavalo doente ou com partes, derivados e produtos de animais contaminados. (9) Os principais grupos de risco são os tratadores de animais, pecuaristas, trabalhadores em matadouros, curtumes, moagem de ossos, tosa de ovinos, manipula- dores de lã crua, veterinários e seus auxiliares. Por sua raridade e quase especificidade em determinados traba- lhadores, pode ser considerada doença profissional ou doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classifi- cação de Schilling. (9) Leptospirose É uma zoonose ubiquitária causada por uma espiroqueta patogênica do grupo Leptospiracea. A apresentação clínica é variável, com formas assintomá- ticas ou leves até quadros graves, que se manifestam com icterícia, hemorragias, anemia, insuficiência renal, comprometimento hepático e meningite. A recupera- ção é, geralmente, total em 3 a 6 semanas. A gravidade da infecção depende da dose infectante, da variedade sorológica da Leptospira e das condições do paciente. O
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    35 período de incubaçãoé variável, de 3 a 13 dias, podendo chegar a 24 dias. (9) As leptospiroses constituem verdadeiras zoo- noses. Os roedores são os principais reservatórios da doença, principalmente os domésticos. Atuam como portadores os bovinos, ovinos e caprinos. A transmis- são é realizada pelo contato com água ou solo conta- minados pela urina dos animais portadores, mais rara- mente pelo contato direto com sangue, tecido, órgão e urina destes animais. Não há transmissão inter-humana, exceto a intrauterina para o feto. (9) A leptospirose relacionada ao trabalho tem sido descrita em trabalhadores que exercem atividades em contato direto com águas contaminadas ou em locais com dejetos de animais portadores de germes, como nos trabalhos efetuados dentro de minas, túneis, gale- rias e esgoto; em cursos d’água e drenagem; contato com roedores e com animais domésticos; preparação de alimentos de origem animal, de peixes, de laticínios e em outras atividades assemelhadas. (9) Em determinados trabalhadores, a leptospirose pode ser considerada como doença relacionada ao tra- balho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição à Lep- tospira podem ser consideradas como contribuintes, no conjunto de fatores associados com a etiologia desta doença infecciosa. (9)
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    36 Tétano É uma doençaaguda produzida pela potente neurotoxina (tetanospasmina) do Clostridium tetani. A toxina tetânica impede a inibição do arco reflexo da medula espinhal, promovendo reflexos excitatórios tônicos típicos, em múltiplas regiões do organismo. (9) O C. tetani é um bacilo anaeróbio, encontrado na natureza em ampla distribuição geográfica sob a forma de esporos, no solo, principalmente quando tratado com adubo animal, em espinhos de arbustos e peque- nos galhos de árvores, em águas putrefatas, em pregos enferrujados sujos, em instrumentos de trabalho ou latas contaminadas com poeira da rua ou terra, em fezes de animais ou humanas, em fios de sutura e agulhas de inje- ção não convenientemente esterilizados. (9) É disseminado pelas fezes de equinos e outros animais e infecta o homem quando seus esporos pene- tram através de lesões contaminadas, em geral de tipo perfurante, mas também de dilacerações, queimaduras, coto umbilical não tratado convenientemente, etc. A presença de tecido necrosado, pus ou corpos estranhos facilita a reprodução local do bacilo, que não é invasivo e age à distância por sua toxina. (9) A exposição ocupacional em trabalhadores é relativamente comum e dá-se, principalmente, em aci- dentes de trabalho (agricultura, construção civil, mine- ração, saneamento e coleta de lixo) ou em acidentes
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    37 de trajeto. Adoença em trabalhadores decorrente de acidente de trabalho poderá ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classi- ficação de Schilling. (9) A psitacose ou ornitose é uma doença infecciosa agudaproduzidaporclamídias(C.psittacieC.pneumoniae). A enfermidade, em geral, é leve ou moderada, podendo ser grave em idosos sem tratamento adequado. (9) A psitacose é quase sempre transmitida aos seres humanos por via respiratória. Em raras ocasiões a doença pode ser contraída através da bicada de um pássaro. O contato prolongado não é essencial para a transmissão da doença. Alguns minutos passados no ambiente previamente ocupado por uma ave infectada tem resultado em infecção humana. (8) O período de incubação varia de uma a quatro semanas, e a transmissibilidade dura semanas ou meses. (8) As fontes mais frequentes de infecção da C. psittaci são periquitos, papagaios, pombos, patos, perus, canários, entre outros, que transmitem a infecção por meio de suas fezes dessecadas e disseminadas com a poeira, sendo aspiradas pelos pacientes. Apesar de rara, é possível a transmissão via respiratória, de pessoa a pessoa, na fase aguda da doença. É uma zoonose que acomete trabalhadores de criadouros de aves, clínicas veterinárias, zoológicos e de laboratórios biológicos. A C. pneumoniae infecta somente seres humanos, sendo transmitida de pessoa a pessoa. Por sua raridade
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    38 e relativa especificidade,a psitacose/ornitose poderá ser considerada como doença profissional ou doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling, nos trabalhadores de granjas e criadores de aves (patos, gansos, periquitos, pombos, etc.), emprega- dos de casas de comércio desses animais, veterinários, guardas florestais e outros em que se confirme as cir- cunstâncias de exposição ocupacional. (9) Dengue É uma doença aguda febril, endemo-epidêmica, causada por um dos Flavivírus do dengue (família Toga- viridae), com quatro tipos sorológicos (1, 2, 3 e 4). Os seres humanos são reservatórios e a transmissão ocorre pela picada dos mosquitos Aedes aegypti, A. albopictus e o A. scutellaris. Após repasto de sangue infectado, o mosquito estará apto a transmitir o vírus após 8 a 12 dias de incubação extrínseca. A transmissão mecânica também é possível, quando o repasto é interrompido e o mosquito, imediatamente, alimenta-se num hospe- deiro suscetível próximo. Não há transmissão por con- tato direto de um doente ou de suas secreções para uma pessoa sadia, nem por fontes de água ou alimento. (9) O período de incubação da doença é de 3 a 15 dias, em média de 5 a 6 dias. O período de transmissibi- lidade ocorre durante o período de viremia, que começa um dia antes da febre até o sexto dia da doença. Quando
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    39 o agente etiológicofor conhecido, o nome completo da doença será dengue por vírus tipo 1 ou dengue por vírus tipo 2, etc. (9) O dengue pode ser considerado como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, uma vez que as circunstâncias ocupacio- nais da exposição aos mosquitos vetores (Aedes) e/ou aos agentes infecciosos (Flavivírus) podem ser consi- deradas como fatores de risco, no conjunto de fatores associados com a etiologia desta doença infecciosa. (9) O dengue relacionado ao trabalho tem sido descrito em trabalhadores que exercem atividades em zonas endêmicas, em trabalhos de saúde pública e em laboratórios de pesquisa, entre outras atividades em que a exposição ocupacional pode ser identificada. (9) Febre amarela É umadoençafebrilagudacausadapeloFlavivírus da febre amarela (família Togaviridae), com quadro clínico variável, desde formas inaparentes até as graves e fatais. A transmissão se faz pela picada dos mosquitos infectados A. aegypti na febre amarela urbana (FAU) e Haemagogus na febre amarela silvestre (FAS). O período de incubação é de 3 a 6 dias, após a picada do mosquito infectado, e o período de transmissibilidade é de 24 a 48 horas, antes do aparecimento dos sintomas de 3 a 5 dias após. (9) A febre amarela persiste na América do Sul
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    40 apenas como enzootiade macacos, tendo por trans- missores mosquitos dos gêneros Haemagogus e Aedes. Os casos humanos, pouco numerosos, incidem entre as pessoas que trabalham ou mantêm contato com as florestas. A febre amarela urbana teve o homem como único reservatório e o A. aegypti como transmissor, na América do Sul. Outros trabalhadores eventualmente expostos, por acidente, incluem os que exercem ativida- des de saúde pública e que trabalham em laboratórios de pesquisa, agricultores, trabalhadores florestais, em extração de madeira, em áreas e regiões afetadas. (9) Por sua raridade e por sua relativa especifici- dade, a febre amarela em determinados trabalhadores poderá ser considerada como doença profissional ou doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classifi- cação de Schilling. (9) Hepatite É termo genérico para inflamação do fígado que, convencionalmente, designa alterações degene- rativas ou necróticas dos hepatócitos. Pode ser aguda ou crônica e ter como causa uma variedade de agentes infecciosos ou de outra natureza. O processo inflamató- rio do fígado é caracterizado pela necrose hepatocelular difusa ou irregular, afetando todos os ácinos. Suas cau- sas principais são as viroses devidas ao vírus da hepatite A (HAV), ao vírus da hepatite B (HBV), ao vírus da
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    41 hepatite C (HCV),ao vírus da hepatite D (HDV) e ao vírus da hepatite E (HEV). (9) Na hepatite viral A, a fonte de infecção é o próprio homem (raramente os macacos) e a transmis- são é direta, por mãos sujas (circuito fecal-oral) ou por água (hepatite dos trabalhadores por águas usadas) ou por alimentos contaminados. Vários surtos têm sido descritos em creches, escolas, enfermarias e unidades de pediatria e neonatologia, com taxas de transmissão que giram em torno de 20% em trabalhadores sus- cetíveis. Nos EUA, a prevalência em trabalhadores da saúde varia de 35 a 54% (comparado com 38% da população geral). (9) A maioria dos dados estatísticos que se refe- rem à hepatite A em trabalhadores da saúde aponta os enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem como principal grupo acometido ou em risco. Dentre os médicos e dentistas, aqueles que lidam com crian- ças estão mais expostos. (8) Os trabalhadores do setor de lavanderia hospi- talar, especialmente os manipuladores de tecidos antes de serem lavados, apresentam taxa elevada de anticor- pos IgC para o VHA (Borg & Portelli 1999). (8) Os trabalhadores responsáveis pela coleta de lixo estão entre os grupos ocupacionais de risco, na dependência direta de suas condições de trabalho. (8) Na hepatite viral B o vírus é encontrado em todas as secreções e excreções do corpo, mas, apa-
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    42 rentemente, apenas osangue, o esperma e a saliva são capazes de transmiti-lo. A infecção é adquirida, em geral, por ocasião de transfusões, de injeções per- cutâneas com derivados de sangue ou uso de agulhas e seringas contaminadas ou, ainda, por relações sexuais, homossexuais masculinas ou heterossexuais. Nos traba- lhadores da saúde, a soroprevalência de HBV é de 2 a 4 vezes maior e a incidência anual é de 5 a 10 vezes maior do que na população em geral. (9) Na hepatite viral C a soroprevalência em tra- balhadores da saúde parece ser similar à da popula- ção geral. A soroconversão dos trabalhadores que se acidentam com material contaminado ocorre em 1,2 a 10% dos trabalhadores acidentados. Estima-se que 2% dos casos devem-se à exposição ocupacional. (9) A hepatite viral D é endêmica na Amazônia Ocidental, onde, em associação com o vírus da hepa- tite B, é o agente etiológico da chamada febre negra de Lábrea, de evolução fulminante. (9) Portanto, em determinados trabalhadores, as hepatites virais podem ser consideradas como doenças relacionadas ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstân- cias ocupacionais da exposição aos vírus podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia desta doença infecciosa. (9)
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    43 HIV Vírus da imunodeficiênciahumana (HIV) é um distúrbio da imunidade mediada por célula, causado por um vírus da subfamília Lentivirinae (família Retroviri- dae), caracterizada por infecções oportunistas, doenças malignas (como o sarcoma de Kaposi e o linfoma não -Hodgkin), disfunções neurológicas e uma variedade de outras síndromes. A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS ou SIDA) é a mais grave manifestação de um espectro de condições HIV-relacionadas. O risco de que pessoas infectadas, não tratadas, desenvolvam a AIDS é de 1 a 2% por ano nos primeiros anos após a infecção e cerca de 5% nos anos seguintes. O risco acumulado de desenvolvimento da síndrome em infec- tados não tratados é de cerca de 50%. (9) Os profissionais de saúde constituem um grupo com características especiais de exposição ao HIV, devido às suas possibilidades de infectar-se durante as atividades do trabalho cotidiano. O número de situa- ções de contato com sangue, secreções e fluidos orgâ- nicos no trabalho, na área da saúde, é muito grande. (8) Desde o início da epidemia, a possibilidade de contaminação dos profissionais de saúde motivou investigações dirigidas à quantificação deste risco, e des- pertou os órgãos oficiais para a necessidade de medidas voltadas a sua redução. (8) O primeiro caso confirmado de contaminação
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    44 ocupacional pelo vírusHIV ocorreu em 1984, na Ingla- terra. Uma enfermeira sofreu acidente pefurocortante por agulha contendo sangue de uma paciente que se encontrava internada com pneumonia e era portadora do vírus HIV. Duas semanas após o acidente, a enfer- meira apresentou os sintomas de infecção aguda pelo HIV (febre, cefaleia, mialgia etc.). No segundo mês o seu soro revelava positividade para o vírus. Houve confirmação da transmissão ocupacional do HIV da paciente para a enfermeira. (8) A taxa de soroconversão pós-exposição ocupa- cional por ferimento percutâneo tem variado entre 0,1 e 0,4%, sendo maior em função do tamanho do inó- culo, da duração do contato e da extensão do ferimento. A literatura científica internacional registra cerca de 55 casos, confirmados até 1999, decorrentes de exposição ocupacional em trabalhadores de saúde, em decorrência de acidentes perfurocortantes com agulhas ou material cirúrgico contaminado, manipulação, acondicionamento ou emprego de sangue ou de seus derivados e contato com materiais provenientes de pacientes infectados. (9) Assim, em determinados trabalhadores, a doença pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) pode ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling, posto que as circuns- tâncias ocupacionais da exposição ao vírus são acidentais ou ocorrem em condições específicas de trabalho, se bem documentadas e excluídos outros fatores de risco. (9)
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    45 Dermatofitose É o termogeral para infecções micóticas que afe- tam a superfície epidérmica, devido a fungos dermatófi- tos. Atacam tecidos queratinizados (unhas, pelos e estrato córneo da epiderme). As principais dermatofitoses são: Tinea capitis (Tinha tonsurante); Tinea favosa (Favo); Tinea barbae (Sicose); Tinea corporis; Tinea manuum; Tinea cruris; Tinea imbricata (Tinha escamosa); Tinea pedis e Tinea unguium, causadas por espécies dos gêne- ros Epidermophyton, Microsporum e Trichophyton. (9) Em determinados trabalhadores, a dermatofi- tose e outras micoses superficiais podem ser considera- das como doenças relacionadas ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circuns- tâncias ocupacionais da exposição aos fungos dermató- fitos podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia desta doença infecciosa. (9) A dermatofitose relacionada ao trabalho tem sido descrita em trabalhadores que exercem atividades em con- dições de temperatura elevada e umidade (cozinhas, giná- sios, piscinas, etc.) e em outras situações específicas. (9) Candidíase Infecção provocada por fungo da classe Saccha- romycetes leveduriformes do gênero Candida, sobre-
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    46 tudo pela Candidaalbicans. A transmissão é feita pelo contato com secreções originadas da boca, pele, vagina e dejetos de portadores ou doentes. A transmissão vertical se dá da mãe para o recém-nascido, durante o parto. Pode ocorrer disseminação endógena. O período de transmis- sibilidade dura enquanto houver lesões. (9) A candidíase relacionada ao trabalho poderá ser verificada em trabalhadores que exercem atividades que requerem longas imersões das mãos em água e irritação mecânica das mãos, tais como trabalhadores de lim- peza, lavadeiras, cozinheiras, entre outros, com exposi- ção ocupacional claramente caracterizada por meio de história laborativa e de inspeção em ambiente de traba- lho. Nesses casos, a candidíase poderá ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling. (9) Paracoccidioidomicose Infecção fúngica sistêmica, micose causada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis. A infec- ção dá-se por inalação de conídios em poeiras, em ambientes quentes e úmidos, com formação de foco primário pulmonar (assintomático) e posterior dis- seminação. Em pacientes com grande resistência imunológica, as formas são localizadas, com reação granulomatosa e poucos parasitos. Nos demais, os
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    47 parasitos são abundantes,os processos são predomi- nantemente exsudativos e as formas disseminadas predo- minam, com variados graus clínicos. (9) O trabalho com o solo e vegetais em área rural, a exemplo dos lavradores e operadores de máquinas agrícolas, é fator predisponente importante da paracoc- cidioidomicose. Inquérito epidemiológico realizado em 417 trabalhadores da mina Morro Velho em Nova Lima – MG detectou 13,4% de positividade em teste cutâneo para paracoccidioidomicose. (8) Portanto,emdeterminadostrabalhadores,apara- coccidiodomicose pode ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição ao fungo podem ser consideradas como fato- res de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia desta grave doença infecciosa. (9) Malária Doença infecciosa febril aguda, causada por parasitas do gênero Plasmodium (vivax, malariae, fal- ciparum, ovale), caracterizada por febre alta acom- panhada de calafrios, sudorese e cefaleia, que ocorre em padrões cíclicos, a depender da espécie do para- sito infectante. (9) A transmissão da doença é realizada por intermédio dos esporozoítas, formas infectantes do
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    48 parasita, inoculados nohomem pela saliva da fêmea anofelina infectante. (9) Esses mosquitos, ao se alimentarem em indiví- duos infectados, ingerem as formas sexuadas do para- sita – gametócitos – que se reproduzem no interior do hospedeiro invertebrado, durante 8 a 35 dias, eliminando esporozoítas, durante a picada. A transmissão também ocorre por meio de transfusões sanguíneas, compartilha- mento de seringas, contaminação de soluções de conti- nuidade da pele e, mais raramente, por via congênita. (9) A transmissibilidade da infecção ocorre do homem para o mosquito enquanto houver gametócitos em seu sangue. O homem, quando não tratado, poderá ser fonte de infecção durante mais de 3 anos da malária por P. malariae, de 1 a 3 anos da malária por P. vivax e menos de 1 ano da malária por P. falciparum. (9) O período de incubação é, em média, de 7 a 14 dias para o P. falciparum, de 8 a 14 dias para o P. vivax e de 7 a 30 dias para o P. malariae. (9) A malária tem sido descrita em garimpeiros, agri- cultores, lenhadores, motoristas de caminhão, em trabalha- doresqueexercematividadesemmineração,construçãode barragens ou rodovias, extração de petróleo, e em outras atividades que obrigam a presença em zonas endêmica. (8) A malária pode ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição aos anofelinos transmissores podem ser consi-
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    49 deradas como fatoresde risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia da doença. (9) A malária relacionada ao trabalho tem sido des- crita em trabalhadores que exercem atividades em mine- ração, construção de barragens ou rodovias, em extração de petróleo e outras atividades que obrigam à presença dos trabalhadores em zonas endêmicas. (9) Leishmaniose Leishmaniose ou leshmaníase por Leishmania braziliensis é zoonose do continente americano que apresenta, nos seres humanos, duas formas clínicas: a leishmaniose cutânea, relativamente benigna, e a leishma- niose cutaneomucosa, mais grave. É uma doença para- sitária da pele e mucosas, de caráter pleomórfico, trans- mitida pela picada de insetos flebotomíneos do gênero Lutzomia. Período de incubação: pode variar de 2 sema- nas a 12 meses, com média de um mês. (9) A leishmaniose comporta-se geralmente como doença profissional, ocorrendo em áreas onde se pro- cessam desmatamentos para a colonização de novas terras, construção de estradas e instalação de fren- tes de trabalho para garimpo, mineração, extração de madeira e carvão vegetal. Também estão expostos os profissionais que trabalham sob as matas nas planta- ções de cacau, extração de látex da seringueira. Outras atividades de risco são o treinamento militar nas selvas,
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    50 as expedições científicase incursões de caçadores em áreas florestais. (8) Em determinados trabalhadores, a leishma- niose cutânea ou a cutaneomucosa pode ser conside- rada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstân- cias ocupacionais da exposição ao mosquito transmis- sor podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia desta doença infecciosa. (9) A prevenção de doenças infecciosas e parasitá- rias relacionadas com o trabalho inclui medidas de edu- cação e informação sobre os efeitos e riscos à saúde, sobre os modos de transmissão e controle, pelo reco- nhecimento prévio das atividades e locais de trabalho onde existam agentes biológicos. (8) São medidas preventivas muito eficazes para ambientes onde há exposição prolongada ou poten- cialmente grave. O controle do ambiente visa conter os riscos biológicos em sua fonte, reduzir a concentração de aerossóis e limitar seu movimento pela atmosfera do trabalho. Sistemas de ventilação, ar condicionado e aquecimento devem ser adequadamente projetados e periodicamente vistoriados para prevenir a contamina- ção por fungos ou bactérias. Para ambientes fechados, 1.3 - PREVENÇÃO
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    51 tais como hospitaise laboratórios de pesquisa, a venti- lação deve ser projetada de modo a proporcionar fluxo unidirecional e dirigido. O ar proveniente de áreas com alto risco de contaminação por agentes infecciosos tais como enfermarias de pacientes isolados, pode ser des- contaminado através de filtração. (8) O uso de equipamentos de proteção individual está indicado toda vez que os riscos não forem total- mente eliminados através das medidas anteriores. Deve- se sempre calçar luvas quando em contato com secreções biológicas de qualquer tipo. O uso de aventais ou capo- tes, gorros, óculos especiais de proteção, devem sempre fazer parte dos cuidados dos que lidam com materiais, animais ou indivíduos potencialmente infectados. Deve- se salientar que máscaras cirúrgicas ordinárias somente protegem o paciente, o animal ou o produto, da exposi- ção de organismos exalados pelo trabalhador. Para que o trabalhador seja protegido de patógenos provenientes do ambiente é necessário que ele utilize máscaras especiais ou até respiradores específicos. (8) A manipulação, descontaminação ou arma- zenamento apropriados dos dejetos biológicos são importantes medidas de controle de infecção em qual- quer ambiente de trabalho. Em hospitais e laboratórios, os dejetos potencialmente infectados devem ser inicial- mente segregados dos outros dejetos e adequadamente identificados em embalagens próprias para resíduos bio- lógicos. Todas as lâminas e agulhas devem ser colocadas
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    52 em contêineres segurose à prova de furos. Agulhas nunca devem ser encapadas ou cortadas antes de serem despre- zadas. A descontaminação pode ser alcançada através da esterilização, desinfecção ou antissepsia. (8) Para exposição a atentes patógenos de trans- missão sanguínea estão prescritas numa série de normas conhecidas como “Normas de Biossegurança ou Pres- crições Universais”, detalhadas na tabela 1.4. (8) Evitar contato direto com fluidos orgânicos: sangue, fluido cérebro-espinhal, sêmen, secreções vaginais, leite materno. Os demais como saliva, lágrima, suor, urina e líquido amniótico não são considerados meios de transmissão. * Colocar luva quando da presença de qualquer desses fluidos. A utilização de luvas é obrigatória quando da execução de punções venosas, em razão do extra- vasamento de sangue ser muito grande. * Se houver contato da boca com esses fluidos, lavar e fazer bochechos com água oxigenada a 3%. * Se houver contato com a pele, remover os fluidos cuidadosamente, lavar com água e sabão degermante; não usar escovinhas devido à escarifação da pele, a fim de evitar porta de entrada. A pele deve estar íntegra, sem abrasão ou cortes. * Usar máscaras durante os procedimentos em que exista a possibilidade de san- gue e outros fluidos corpóreos atingirem as mucosas da boca e nariz."27" * Usar óculos durante os procedimentos em que houver a possibilidade de que sangue e fluidos corpóreos atinjam os olhos, principalmente em procedimentos cirúrgicos, endoscópicos e em hemodiálise. * Usar aventais protetores durante procedimentos em que exista a possibilidade de contaminaçãodasroupasdostrabalhadoresdesaúdecomsangueoufluidoscorpóreos. 1.
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    53 2. 3. 4. 5. 6. Quando tiver algumalesão de pele, tampá-la bem com curativo impermeável. Evitar picada de agulhas e lesões que provoquem solução de continuidade. * Não recapar as agulhas, pois esse é procedimento de risco. * Recolher as agulhas em local apropriado com solução de Hipoclorito de Sódio a 0,5%, e só depois colocá-las no lixo. * Caso haja picada de agulhas, pressionar imediatamente para expelir o sangue, lavar com água e sabão degermante e fazer curativo oclusivo. * Sempre usar luvas para procedimentos invasivos: injeção endovenosa, intramus- cular, colher sangue, passar sonda vesical, nasogástrica e traqueostomia. Lavar sempre as mãos com água e sabão e secá-las após atendimentos de cada paciente, inclusive ao se administrar cuidados no leito. Cuidados com o lixo e seu destino. * O lixo hospitalar deve ser coletado em saco plástico, amarrado e acondicionado em um novo saco mais resistente, amarrado e encaminhado para incineração. * A pessoa que coleta o lixo deve estar paramentada com luvas, avental e botas. Cuidados na limpeza com a unidade, utensílios e roupas de cama. * Fluido corpóreo no chão, bancada, mesa: jogar Hipoclorito de Sódio a 1% no local, por 30 minutos. * Manipular as roupas sem agitação. Recolhê-las e rotular“contaminado”. * Para lavar as roupas com fluidos contaminantes: detergente mais água a 71°C por 25 minutos; com temperatura inferior: deixar e molho em Hipoclorito de Sódio a 0,5% por 30 minutos.
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    54 A vacinação nosambientes de trabalho é rea- lizada de acordo com indicações específicas. Existem algumas indicações gerais: • Os trabalhadores podem ser vacinados visando à proteção a organismos infecciosos tais como agentes do tétano e hepatite B; • Os profissionais de saúde podem ser vacina- dos, por exemplo, contra Influenza para evitar que con- taminem inadvertidamente algum paciente; • Algumas vacinas como a da febre amarela são recomendadas para trabalhadores em viagens a áreas endêmicas.
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    57 UNIDADE 2 |RISCO QUÍMICOS Os riscos químicos presentes nos locais de trabalho encontram-se na forma sólida, líquida e gasosa e classificam-se em: poeiras, fumos, névoas, gases, vapores, neblinas, substâncias compostas e produtos químicos em geral. Poeiras, fumaças, névoas, gases e vapores estão dispersos no ar; trata- se dos aerodispersóides. (12) Poeira: as poeiras são partículas sólidas gera- das mecanicamente por ruptura de partículas meno- res. São classificadas em: • Poeiras minerais: sílica, asbesto e carvão mineral, por exemplo. As consequências são: silicose (quartzo), asbestose (amianto), penumoconiose dos minérios de carvão (mineral). • Poeiras vegetais: algodão e bagaço de cana- de-açúcar, por exemplo. As consequências são: bissi- nose (algodão), bagaçose (cana-de-açúcar) etc. • Poeiras alcalinas: calcário, por exemplo. As consequências incluem: doenças pulmonares obstru- tivas crônicas, enfisema pulmonar. • Poeiras incômodas: incluem consequências como interação com outros agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho, potencializando sua nocividade.
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    58 Fumos: Trata-se departículas sólidas produzidas a partir da condensação de vapores metálicos. Por exem- plo: fumos de óxido de zinco nas operações de sonda- gem de ferro. As consequências são: doença pulmonar obstrutiva, intoxicação específica de acordo com o metal. Névoas: as névoas são partículas líquidas que resultam da condensação de vapores ou da dispersão mecânica de líquidos. São exemplos: névoa resultante do processo de pintura a revólver, monóxido de car- bono liberado pelos escapamentos dos carros. Gases: diz respeito ao estado natural das substâncias em condições normais de temperatura e pressão. Exemplos: GLP, hidrogênio, ácido nítrico, butano, ozona etc. Vapores: os vapores consistem em dispersões de moléculas no ar que podem se condensar para for- mar líquidos ou sólidos em condições normais de tem- peratura e pressão. Por exemplo: gasolina, naftalina etc. Névoas, gases e vapores podem ser classifica- dos em: • Irritantes: causam irritação das vias aéreas superiores. Exemplo: ácido clorídrico, ácido sulfúrico, soda caustica, cloro, etc. • Asfixiantes: produzem dor de cabeça, náuseas, sonolência, convulsões, coma e morte. Por exemplo: hidrogênio, nitrogênio, hélio, metano, acetileno, dióxido de carbono, monóxido de carbono etc.
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    59 • Anestésicos: emsua maioria, incluem sol- ventes orgânicos, promovendo ação depressiva sobre o sistema nervoso, danos a diversos órgãos, ao sistema for- mador de sangue (benzeno) etc. São exemplos: butano, propano, aldeídos, cetonas, cloreto de carbono, tricloroe- tileno, benzeno, tolueno, álcoois, percloritileno, xileno, etc. As vias de penetração dos agentes químicos são: via cutânea (pele); via digestiva (boca) e via res- piratória (nariz). A penetração dos agentes químicos no organismo depende de seu modo de utilização. Para avaliar o potencial tóxico das substâncias quí- micas, alguns fatores devem ser levados em consideração: • Concentração: quanto maior for a concentração, mais rapidamente seus efeitos nocivos irão se manifestar no organismo. • Índice respiratório: a quantidade de ar inalado pelo trabalhador durante a jornada de trabalho. • Sensibilidade individual: o nível de resistência varia de indivíduo para indivíduo. • Toxicidade: o potencial de ação tóxica da subs- tância no organismo. • Tempo de exposição: o tempo de exposição do organismo à substância contaminante.
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    60 2.1 – DOENÇASRELACIONADAS À EXPOSIÇÃO AO RISCO QUÍMICOS 2.1.1 - DOENÇA RESPIRATÓRIA Há diversas formas de classificação das doenças ocupacionais pulmonares, baseadas na reação tecidual, nos tipos de agentes envolvidos ou no quadro clínico predominante. A tabela 2.1 mostra uma classificação destas doenças. (8) Trato respiratório alto • Irritação/inflamação de cavidades nasais e seios da face, faringe e laringe, por inalação de gases ou particu- lados irritantes e/ou tóxicos. • Rinite alérgica Trato respiratório baixo • Asma ocupacional (incluindo bissinose e síndrome de disfunção reativa das vias aéreas) Doenças do parênquima pulmonar • Pneumonites por hipersensibilidade • Pneumonites tóxicas Doenças pleurais • Derrame pleural 1. 2. 3. 4.
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    62 Doenças do tratorespiratório alto Podem ser classificadas conforme sua localiza- ção e etiologia em: 1. Ulcerações e perfurações de septo nasal por ação direta devidas a metais pesados como cromo hexavalente e níquel, antimônio, arsênico e cobre (Newman, 1996) (8). 2. Rinites irritativas e/ou alérgicas secundárias à inalação crônica de substâncias de alto e baixo peso molecular com potencial alergênico, como material proteico animal, enzimas, isocianatos, anidridos ácidos e outros. Nesse tipo de situação pode ocorrer lesão de conjuntiva ocular e de outras mucosas de via aérea como orofaringe, e traqueia e eventuais sinusites secun- dárias ao processo obstrutivo alto. (8) 3. Rinolitíase formação de concreções na cavi- dade nasal secundárias à presença de substâncias higros- cópicas como o cimento (calcário calcinado, desidra- tado), podendo produzir desde apenas incômodo local até sangramentos (Parker, 1994) (8). 4. Carcinoma da cavidade nasal e laringe secun- dários à exposição a metais pesados como o cromo hexavalente e níquel e poeiras diversas contendo hidro- carbonetos aromáticos absorvidos nas mesmas, ou poeiras de madeiras (Doll, Morgan & Speizer, 1970; Spiegel & Sataloff, 1996; Vieren & Imbus, 1989). (8)
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    63 Asma ocupacional A definiçãomais citada é “a obstrução reversí- vel ao fluxo aéreo e/ou hiperresponsividade brônquica devido a causas e condições atribuíveis a um determi- nado ambiente de trabalho e não a estímulos externos” (Bernstein e cols., 1999). Esta definição é problemática, pois, com frequência, nota-se o desencadeamento de crises por estímulos inespecíficos tais como exercício físicos, infecções e outros (Burge & Moscato, 1999). (8) Trabalhadores com asma preexistente podem ter o quadro agravado por estímulos inespecíficos no ambiente de trabalho, assim como desenvolver sensibili- zação a agentes específicos. Esta primeira condição pode não ser considerada como AO, e sim como asma agravada pelas condições de trabalho (Chan-Yeung & Malo, 1995), mas, do ponto de vista prático deve ser investigada, orien- tada e encaminhada da mesma forma que a AO. (8) Os mesmos mecanismos que levam um agente ocupacional a causar asma são semelhantes aos meca- nismos da asma brônquica (Gandevia, 1970) e, pode ser assim sumarizados por ordem de importância: (8). 1. Broncocosntrição imunológica: é o tipo de reação mais comum em AO. A maior parte das respostas orgânicas é media por IgE específica, porém há casos em que também anticorpos da classe IgG estão envolvidos. (8) 2. Broncoconstrição inflamatória: exposições a
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    64 gases ou particuladosirritantes, em altas concentrações, podem levar à inflamação das vias aéreas, atingindo ocasionalmente, a zona de trocas gasosas. (8) 3. Broncoconstrição reflexa: causada pela ação direta de particulados, gases e mesmo ar frio sobre os receptores da parede brônquica, levando a uma quebra do equilíbrio adrenérgico. (8) 4. Broncoconstrição farmacológica: alguns agentes ocupacionais têm o potencial de atuar como agonistas farmacológicos, apresentando uma ação semelhante a drogas, com relações dose-efeito. (8) Pneumonite por hipersensibilidade (PH) Manifestação clínica característica de um grupo de doenças pulmonares, resultantes da sensibilização por exposições recorrentes a inalações de partículas antigênicas derivadas de material orgânico e de algumas poucas substâncias químicas sintéticas. Na tabela 2.2 apresenta-se uma listagem de algumas denominações específicas da PH conforme o antígeno ou o ambiente de trabalho causador da mesma, o tipo de aerossol vei- culador do antígeno e o antígeno específico. (8)
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    65 Pneumonite tóxica ouedema pulmonar Resultantes a exposição de altas concentrações de gases irritantes, como amônia, cloro e dióxido de nitrogênio, a poeiras e fumos metálicos de berílio, cád- mio, mercúrio, níquel, vanádio e zinco, a produtos quí- micos de pH extremo ou fortemente reagentes, como o metilisocianato. Sua patogenia envolve diretamente Pulmão dos criadores de aves Bagaçose Pulmão dos trabalhado- res de malte, cogume- los, cortiça e boldo. Sequoiose Trabalhadores em serrarias, carpintarias e marcenarias Pulmão dos manipulado- res de animais e peixe Exposição a isocianatos Excremento e penas de aves Cana mofada Cascas e córtex mofados Poeira mofada Madeiras e poeira de madeira mofadas Epitélio animal, pro- teínas de peixe MDI/TDI Proteínas de aves Thermoactinomyces viridis T. sacharii Thermoactinomyces vulgaris. Aspergillus clavatus. Penicillium frequentans. Cryp- tostoma corticale Pullulania sp Alternania sp Proteína animal e de peixes Fungos saprófitos Hapteno inorgânico
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    66 a citotoxicidade dascélulas mucosas, com liberação de proteínas séricas e mediadores da reação inflamatória. (8) Derrame pleural benigno Acometimentodediagnósticoretrospectivo,pois é necessário que o paciente seja acompanhado durante algum tempo para afastar outras possibilidades diagnós- ticas, como a tuberculose e o câncer de pulmão. Outros acometimentos pleurais como espessamento pleural em placas e espessamento pleural difuso, são mais prevalen- tes, associadas a exposição ao asbesto. (8) Bronquite crônica (BC) Limitação crônica ao fluxo aéreo (LCFA) são duas entidades distinta, podendo ou não estar relaciona- das. A principal causa de ambas é, sem dúvida, o taba- gismo, que agride tanto grandes vias aéreas, preferencial- mente acometidas na BC, como nas pequenas vias aéreas, preferencialmente acometidas na LCFA. (8) Há um consenso de que a exposição a poeiras na mineração de carvão leva a um aumento na prevalên- cia de BC, assim como as poeiras orgânicas, exemplo a poeira de algodão, também leva a um aumento de preva- lência de BC e LCFA. Assim, podemos dizer que o taba- gismo, as exposições ocupacionais e a poluição ambiental têm em ordem decrescente de grandeza, direta influência
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    67 em relação àsdoenças de vias aéreas. (8) Enfisema Estado de irritação respiratória crônica, de lenta evolução, quase sempre causada pelo fumo, mas também por outros agentes (poeira, poluentes, vapores químicos). No enfisema, os alvéolos transformam-se em grandes sacos cheios de ar que dificultam o contato do ar com o sangue, uma vez que foram destruídos os septos alveolares por onde passavam os vasos. (22)  Pneumoconioses São divididas em não-fribogênicas (ou “benig- nas”) e fibrogênicas de acordo com o potencial da poeira em produzir fibrose reacional. Apesar de existirem tipos bastante polares de pneumoconioses fibrogênicas e não fibrogênicas, como a silicose e a asbestose, de um lado, e a baritose, de outro, existe a possibilidade fisiopatogênica de poeiras tidas como não fibrogênicas produzirem algum grau de fibrose dependendo da dose, das condições de exposição e da origem geológica do material. (4) O Quadro 1, abaixo, apresenta uma lista de pneumoconioses com denominações mais específicas, seus agentes etiológicos e sua apresentação anatomo- patológica. Ressalte-se que a lista não é exaustiva, não
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    68 excluindo outras possibilidadesetiológicas mais raras, ou ainda não contempladas pela literatura científica. (4) Silicose Asbestose Pneumoconiose do trabalhador do carvão (PTC) Silicatose Talcose Pneumoconiose por poeira mista Siderose Estanose Baritose Antimoniose Pneumoconiose porrochafosfática Pnemoconiose por abrasivos Sílica livre Todas as fibras de asbesto ou amianto Poeiras contendo carvão mineral ou vegetal Silicatos variados Talco mineral (silicato) Poeiras variadas contendo menos que 7,5% de sília livre Óxidos de ferro Óxidos de estanho Sulfatodebário(barita) Óxidos de antimônio ou Sb metálico Poeira de rocha fosfática Carbeto de silício (SiC) / Óxido de alumínio (Al2O3) Fibrose nodular Fibrose difusa Decomposição macular sem fibrose ou com diferenciados graus de fibrose Fibrose difusa ou mista Fibrose nodular e/ou difusa Fibrose nodular estrelada e/ou fibrose difusa Deposiçãomaculardeóxido deferroassociadoounãocom fibrosenodulare/oudifusa Deposiçãomacularsemfibrose Deposiçãomacularsemfibrose Deposiçãomacularsemfibrose Deposiçãomacularsemfibrose Fibrose nodular e/ou difusa
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    69 Silicose Doença respiratória causadapela inalação de poeira de sílica que produz inflamação, seguida de cicatrização do tecido pulmonar. A silicose decorre da exposição à sílica livre (quartzo), especialmente na mineração subterrânea de ouro, nas indústrias extrati- vas de minerais, no beneficiamento de minerais (corte de pedras, britagem, moagem, lapidação), nas indústrias de transformação (cerâmicas, marmorarias, abrasivos, fundições), na fabricação do vidro e de sabões, na cons- trução civil e, em algumas atividades como protéticos, Berilliose Pneumopatia por metais duros Pneumonites por hipersensibi- lidade (alve- olite alérgica extrínseca) Berílio Poeiras de metais duros (ligas deW,Ti, Ta contendo Co) Poeiras orgânicas contendo fungos, proteínas de penas, pelos e fezes de animais Granulomatose tipo sarcóide. Fibrose durante evolução crônica Pneumonia intersticial de células gigantes. Fibrose durante evolução Pneumonia intersticial por hipersensibilidade (infiltração linfocitária, eosinofilica e neutrofilica na fase aguda e neutrofilica na fase aguda e fibrose difusa na fase crônica)
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    70 jateadores de areia,trabalhos com rebolos ou esmeril de pedra, escavação de túneis, cavadores de poços e artis- tas plásticos. É uma das mais antigas doenças provoca- das pelo trabalho, sendo que atualmente, no Brasil, é a principal doença pulmonar de origem ocupacional. (22) Asbestose Doença pulmonar causada por depósitos de asbesto ou amianto, que é um silicato que ocorre na natureza sob a forma de fibras que podem ser fia- das e tecidas. A sua grande resistência à abrasão e ao calor, a alta resistência à tração e a grande fle- xibilidade das fibras, dão aos asbestos propriedades ainda não conseguidas por fibras artificiais. Assim, mais de mil usos industriais para o amianto têm sido descritos: misturado ao cimento, dá origem às placas e telhas de cimento-amianto, muito utilizadas para coberturas de edificações, e a tubulações de vários diâmetros e de baixo preço; é utilizado nas lonas de freio de automóveis, na fabricação de equipamentos individuais de proteção (luvas, aventais, capuzes, etc.) resistentes ao calor e ao fogo, na isolação térmica de caldeiras, tubulações de vapor e na isolação elétrica e térmica de equipamentos elétricos. Sob forma de pó, atinge os pulmões de indivíduos que estão expos- tos, tais como: mecânicos, operários de indústria de cimento-amianto etc. (22)
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    71 Pneumoconiose dos trabalhadoresde carvão (PTC) Na pneumoconiose dos trabalhadores de carvão a deposição de poeiras desencadeia um pro- cesso inflamatório orquestrado inicialmente pelos macrófagos alveolares, de menor intensidade do que a gerada pelas partículas de sílica, mas suficiente para promover lesão do epitélio alveolar. Em decorrência, ocorre a passagem de partículas para o interstício e tem início a formação de acúmulos de carvão e de macrófagos com partículas fagocitadas, ao redor dos bronquíolos respiratórios, com presença de fibras de reticulina e deposição de pequena quantidade de colágeno. Estas lesões, conhecidas como mácula de carvão, medem cerca de 1 a 6mm. São intralo- bulares, pouco ou não visíveis à radiografia e geral- mente acompanhadas de enfisema focal adjacente às áreas das máculas. Com a progressão da doença, decorrente da continuada inalação ou mesmo após o afastamento da exposição, pode ocorrer a forma- ção de nódulos maiores, de cerca de 7 a 20mm, com presença de macrófagos com pigmento no seu inte- rior, presença de reticulina e aumento da quantidade de colágeno. Com a exposição crônica, os nódulos podem coalescer dando origem à forma de fibrose maciça progressiva (FMP). A FMP costuma ser bila- teral, predomina nos lobos superiores, lobo médio
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    72 e segmentos superioresdos lobos inferiores. Geral- mente são assimétricas, apresentando às vezes carac- terísticas de lesão maligna, podendo cavitar, com o paciente expectorando material enegrecido, conhe- cido como melanoptise. As lesões distinguem-se da FMP pela sílica por apresentar, na análise histopa- tológica, maior relação reticulina/colágeno, grande quantidade de poeira de carvão, feixes densos de reti- culina e colágeno e ausência de nódulos silicóticos. A FMP cursa mais frequentemente com dispneia, distúrbio ventilatório misto, hipertensão pulmonar e cor pulmonale. (4) O câncer de pulmão representa o princi- pal câncer diagnosticado no mundo. Vários fato- res, como raça, idade, sexo, localização geográfica e condição socioeconômica, influenciam as taxas nos diversos grupos. Os principais agentes etiológicos são o tabagismo, exposições ocupacionais, infecções virais e a presença de outras doenças pulmonares, especialmente as que causam fibrose pulmonar. Na tabela 2.4 traz a lista das principais subs- tâncias consideradas carcinogênicas para o trato respiratório, pela Agência Internacional para a Pes- quisa sobre o Câncer – IARC, da Organização Mun- dial da Saúde (IARC, 2000). A lista completa pode ser analisada no link: http://monographs.iarc.fr/ ENG/Classification/
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    75 2.1.12 - DOENÇASDA PELE Agentes químicos provocadores de dermatoses ocupacionais, os principais são: 1. Irritantes - cimento, solventes, óleos de corte, detergentes, ácidos e álcalis. 2. Alérgenos - aditivos da borracha, níquel, cromo e cobalto como contaminantes do cimento, resi- nas, tópicos usados no tratamento de dermatoses. (3) Nas figuras 2.1, 2.2, 2.3 e 2.4 observamos respectivamente: dermatite de contato; micropapuloeritematosas; dermatite alérgica cronificada e dermatite de contato irri- tativa forte. Todas por algum tipo de contato por cimento.
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    76 Nas figuras 2.5e 2.6 dermatite alérgica de contato por bota de borracha.
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    77 2.1.3 DOENÇAS DOOLHO Ceratite Inflamação da córnea, aquelas provocadas pela exposição a agentes físicos e químicos no ambiente de trabalho podem ser agrupadas em tóxicas e alérgicas. O arsênico e o berílio podem ser responsáveis por qua- dros de natureza alérgica. A seiva ou suco de algumas plantas podem ser tóxicos. Entre os agentes listados como capazes de produzir ceratoconjuntivite estão: 1. Arsênico e seus compostos arsenicais; 2. Ácido sulfídrico (sulfeto de hidrogênio) em exposições muito altas. (8)
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    78 Inflamação coriorretiniana Inflamação daretina e do trato uveal, pode ser classificado como agudo ou crônico. Tem sido descrita em trabalhadores expostos ao manganês. (8) Neurite óptica Inflamação, degeneração ou desmielinização do nervo óptico. Entre as substâncias químicas tóxicas potencialmente causadores de neurite óptica estão: • Brometo de metila; • Cloreto de metileno (diclorometano) e outros solventes clorados neurotóxicos; • Metanol; • Sulfeto de carbono; • Tetracloreto de carbono. (8) Queimaduras químicas do olho São causas importantes de acidentes oculares no trabalho, podem ser produzidas por ácidos e bases fortes, ocorrendo frequentemente, quando essas subs- tâncias espirram ou derramam no olho. (8) O epitélio corneano intacto é resistente a alterações do pH, variando entre 4 e 10. Exposto a pH fora desse intervalo, o epitélio é rapidamente destruído, permitindo que a substância atinja níveis
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    79 profundos dos tecidossubjacentes. (8) Os ácidos fortes tendem a precipitar as prote- ínas, como foto x. As proteínas precipitadas formam uma barreira tampão, limitando a penetração do ácido no olho. Já as bases fortes saponificam os ácidos gra- xos, que rompem as membranas celulares e não for- mam, portanto, nenhuma barreira, permitindo a pene- tração contínua para todo o segmento anterior do olho, levando à sua destruição. Portanto, as queimaduras quí- micas por álcalis são mais devastadoras do que as cau- sadas por ácidos. (8) 2.1.4 DOENÇAS DO OUVIDO Há um certo número de medicamentos e produtos químicos que, por si só, podem lesar as estruturas da orelha interna, sejam cocleares ou ves- tibulares, seja temporária ou permanente. Entre os medicamentos, destacam-se os antibióticos amino- glicosídeos, os salicilatos, alguns diuréticos, alguns oncoterápicos e o quinino. Hoje em dia existe evi-
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    80 dência de propriedadesototóxicas de vários produ- tos químicos industriais, como certos fumos metáli- cos (chumbo, mercúrio, manganês, cobalto, arsênio), alguns gases asfixiantes (monóxido de carbono, nitrato de butila, tetracloreto de carbono e muitos solventes orgânicos, tolueno, xileno, estireno, n-he- xano, tetracloroetileno e dissulfeto de carbono). (8) Vários produtos químicos são reconhecida- mente neurotóxicos e podem afetar a audição ou equilíbrio agindo primeiramente no tronco ence- fálico ou nas vias auditivas/vestibulares centrais. (apud, Thomas-1985) A indicação de que alguns produtos químicos industriais podem alterar a fun- ção auditiva através de um processo ototóxico ou neurotóxico, ou da combinação destes dois proces- sos, deve ser considerada, especialmente quando se selecionam testes diagnósticos. (8) 2.1.5 DOENÇAS DO SANGUE As alterações do sangue provocadas por substâncias tóxicas agressoras ao sistema sanguí- neo são conhecidas desde o século XIX, quando foi descrito o primeiro caso de anemia aplástica pelo benzeno, em 1897, mas os conhecimentos tiveram impulso após a I Guerra Mundial, quando se verifi- cou a ação de gases tóxicos sobre o sangue (Simpó- sio “Leucopenia”, 1987; Rugo & Damon, 1990). (8)
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    81 O sistema sanguíneo,pela ação das substâncias tóxicas de origem ocupacional, pode apresentar alte- rações desde leves até graves e mesmo letais. Alguns tóxicos tem ação prevalente sobre a medula óssea e menor sobre o sangue periférico, enquanto outros apresentam ação inversa e outros, ainda, agem sobre o sangue e medula óssea concomitantemente. (8) As hemopatias profissionais podem ser con- sideradas segundo a sua patogenia relacionada com o agente tóxico ou ocupação. Ver tabela 2.5.
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    82 2.1.5 DOENÇAS DOSISTEMA NERVOSO Estado confusional agudo Também chamado de delirium, caracteriza-se por um distúrbio mental orgânico, com alteração da consciên- cia, desatenção e pensamento incoerente. Classicamente, tem um início súbito, de horas a dias, um curso breve e flutuante, observando-se melhora rápida, quando o fator causal é identificado e removido. Entre as principais cau- sas do estado confusional agudo estão doenças do SNC,
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    83 doenças sistêmicas, abstinênciade drogas e intoxicação por substâncias neurotóxicas, que podem estar presentes no ambiente de trabalho. Faz parte deste rol de substâncias os metais (chumbo, mercúrio, arsênio, manganês e tálio), os solventes (tolueno, dissulfeto de carbono, estireno, xileno, tricloroetileno brometo de metila, cloreto de metila, metanol e tetracloreto de carbono), os pesticidas (organo- fosforados, carvamatos, organoclorados e paraquat) e os gases (monóxido de carbono e óxido de etileno). (8) Encefalopatia tóxica crônica Também denominada “síndrome psico-orgâ- nica”, “síndrome neurastênica” ou “síndrome do pin- tor”, caracteriza-se por um quadro neuropsiquiátrico com alterações de personalidade, perda de memória, fadiga, depressão, e perda de interesse pelas atividades- diárias. Considerando-se que a maioria dos quadros de demência seja irreversível, tornam-se imprescindíveis a identificação e o tratamento daqueles possivelmente reversíveis (Sandoval- Orellana & Sallato, 1995). (8) Desde a década de 1970, inúmeros estudos têm demonstrado os efeitos neurocomportamentais da exposi- ção a solventes orgânicos. Contudo, com métodos de ava- liação e análise epidemiológica mais sofisticados, verificou- se que a correlação entre a exposição no local de trabalho e os distúrbios neurocomportamentais não é tão óbvia (apud Axelson, 2000). Como os solventes utilizados são geral-
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    84 mente misturas, édifícil identificar a substância química específica e estabelecer a relação dose-resposta. Também é difícil estabelecer a intensidade e a duração da exposição, dada à variabilidade das condições de trabalho. (8) Epilepsia A epilepsia designa uma ampla variedade de distúrbios neurológicos caracterizados por crise epilé- ticas recorrentes. Entre as causas de epilepsia no adulto estão: tumores, trauma cranioencefálico, acidente vas- cular cerebral, porém, a maioria dos distúrbios epiléti- cos permanece sem etiologia definida. (8) Na avaliação do trabalhador que desenvolve epilepsia deve ser considerado, o que é pouco fre- quente, que fatores presentes no trabalho sejam a causa da epilepsia. Como existem muitas etiologias associadas ao início de epilepsia, a história neurológica e exames de imagem devem ser solicitados para afastar anormalida- des intracranianas. Mesmo assim, pode ser difícil distin- guir convulsões relacionadas à exposição ocupacional de outras causas não relacionadas ao trabalho.(8) Quadros agudos de intoxicação por substâncias químicas de origem ocupacional podem produzir con- vulsões. Algumas dessas substâncias são (metais como alumínio, chumbo, mercúrio, solventes, benzeno, meta- nol, etc., e os gases como monóxido de carbono, sulfeto de hidrogênio, cloreto de metila, etc.). Nestes casos,
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    85 algumas dessas substânciaspodem ser detectadas no sangue ou na urina. A exposição ao agente tóxico, com manifestações agudas, produz, frequentemente, sinais e sintomas sistêmicos, facilitando o nexo causal. (8) Cefaleia A cefaleia primária abrange a maioria dos qua- dros observados em trabalhadores. Nos casos em que cefaleia está relacionada à exposição a certas substân- cias neurotóxicas, como no caso da exposição a nitra- tos, a descrição cuidadosa das condições de apareci- mento do sintoma pode auxiliar o estabelecimento do nexo. Devem ser exploradas as informações relativas ao momento de início da cefaleia, se após chegar ao local de trabalho, ou ao seu término, a ausência de cefaleia quando não está trabalhando e presença de níveis ele- vados de substâncias químicas no local de trabalho, ou ainda a presença da cefaleia nos períodos de suspensão do trabalho, como nas folgas ou nas férias. (8) Parkinsonismo secundários É uma síndrome clínica caracterizada pela com- binação de tremor em repouso, rigidez, bradicinesia e instabilidade postural, que se apresentam em vários graus de gravidade. (8) No Brasil, é clássica a descrição de parkinso-
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    86 nismo secundário àexposição ao manganês em traba- lhadores de uma fundição de ferro-manganês feita por Antonio de Almeida, Jorge da Rocha Gomes e Pedro Augusto Zaia (Almeida e cols., 1970), seguida pelos estudos realizados em Minas Gerais, por Chrysóstomo Rocha de Oliveira, Elizabeth Costa Dias e Eduardo Henrique Lauar (Oliveira e cols., 1974). (8) As principais substâncias neurotóxicas pre- sentes em situações de trabalho capazes de causar a Doença de Parkinson secundária são classificadas de acordo com o grau de associação já estabelecida, pos- sível ou potencial, e estão mostradas na tabela 2.5. (8) O parkinsonismo secundário decorrente da exposição a substâncias neurotóxicas pode asseme- lhar-se, clinicamente, à forma clássica da doença de Parkinson idiopática, além das doenças neuro e heredo- degenerativas chamadas de parkinsonismo plus, e além das outras causas de parkinsonismo secundário, dificul- tando o diagnóstico diferencial. (8)
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    87 Ataxia cerebelar Síndrome clínicacaracterizada pela incapacidade de coordenar os movimentos voluntários, devido à lesão cerebelar. Pode manifestar-se quando o paciente está de pé, quando se põe a andar, ou, ainda, quando quer exe- cutar um movimento. As ataxias podem se classificadas em agudas e crônicas e em hereditárias e adquiridas. As ataxias de evolução crônica e progressiva tem usualmente natureza hereditária. A ataxia aguda é geralmente de etio- logia infecciosa, pós infecciosa ou tóxica. (8) A intoxicação crônica por mercúrio pode causar uma ataxia cerebelar, coreia e incefalopatia grave carac- terizada por déficit cognitivo e alterações psicológicas. Também pode estar associada a polineuropatia periférica do tipo axonal (sensitiva e motora). O tremor é postu- ral, cinético, de alta frequência, baixa amplitude, piora com as atividades e se assemelha ao do hipertireoidismo. Há também perda de sensibilidade vibratória e posicio- nal nos membros inferiores. A exposição prolongada ao agente tóxico pode levar à ataxia permanente, decorrente da neuropatia periférica e/ou encefalopatia com compro- metimento cerebelar, dependendo da idade do paciente, grau de exposição e a forma atômica do mercúrio. (8) Transtornos do nervo olfatório caracterizam- se por queixas de alterações quantitativas, manifestadas por redução, ausência ou, ainda, perversão do olfato, também denominada de parosmia, que decorre de alte-
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    88 rações corticais. Aanosmia, ou perda da acuidade olfa- tória, é um achado relativamente comum que resulta da desmielinização das fibras do nervo olfatório. (8) Na literatura, são escassas as informações sobre a epidemiologia e os fatores de risco ocupacional refe- rentes aos transtornos olfatórios na população geral. Entretanto, certos grupos de trabalhadores expostos a substâncias irritantes podem apresentar problemas olfa- tórios em uma proporção 15 vezes maior do que os não expostos. Entre as substâncias químicas reconhecidas como potencialmente capazes de produzir efeitos tóxi- cos estão o cádmio; sulfeto de hidrogênio, poeira de cimento; ácido sulfúrico; formaldeído; acrilatos; solven- tes como tricloroetileno, benzeno, etilacetato, dissulfeto de carbono, tolueno; chumbo; cromo; níquel. (8) Transtornos do nervo trigêmeo Síndrome clinica caracterizada pela perda da sensibilidade cutânea da face, geralmente bilateral, acom- panhada de parestesia, com formigamento e queimação, além de prurido leve. A anestesia facial pode ocasionar ferimentos em volta das narinas, decorrente de trauma- tismos repetidos. O déficit motor do nervo trigêmeo não tem sido observado. Quando ocorre pode ser verificado pela fraqueza dos músculos mastigatórios. (8) Sobre a epidemiologia e os fatores de risco ocupacional, observa-se que a intoxicação ou a expo-
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    89 sição crônica aosderivados halogenados dos hidrocar- bonetos alifáticos, particularmente o tricloroetileno, é importante causa da neuropatia do trigêmeo. O triclo- roetileno e outros derivados halogenados dos hidrocar- bonetos alifáticos são utilizados como matéria-prima ou produtos finais em indústrias químicas; como solventes, na limpeza de peças e componentes; na indústria eletro eletrônica; como solventes em vernizes, tintas, adesivos, na indústria da construção; ou como desengraxantes em limpeza a seco de roupas e similares. (8) Polineuropatia Geralmente se apresenta de forma simétrica, afetando inicialmente os pés e posteriormente as mãos. Estas neuropatias podem comprometer fibras nervosas sensitivas, motoras ou autonômicas, isoladas ou em associação. (8) As manifestações mais comuns são fraqueza muscular, hiporreflexia, cãibras, mialgia, distúrbios sensitivos, como parestesias, disestesias, anestesias; dis- túrbios motores, com alteração da marcha; distúrbios tróficos, manifestados por queda de pelos e atrofia de pele, e distúrbios neurovegetativos, como, por exemplo, bexiga neurogênica, diarreia e impotência sexual. (8) Sobre a epidemiologia e os fatores de risco ocupacional relacionados à ocorrência de polineu- ropatias, as substâncias neurotóxicas mais frequen-
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    90 temente associadas àprodução desses quadros são os metais chumbo, mercúrio, arsênio, estanho, tálio, cromo, manganês, ouro, zinco e antimônio; os sol- ventes n-Hexano, metil-butil-cetona, tetracloreto de carbono, matanol, benzeno, dissulfeto de carbono e tricloroetileno; os pesticidas organofostorados, car- bamatos, organoclorados; os gases monóxido de car- bono, óxido de etileno. (8) 2.1.6 DOENÇAS DO SISTEMA REPRODUTIVO Reprodução é um processo complexo e vulne- rável. A reprodução normal exige uma grande interação entre os processos anatômico e fisiológico. Os meca- nismos hormonais envolvidos na reprodução exigem interações precisas entre o hipotálamo, a pituitária, e o ovário ou testículo. (8) Exposições ocupacionais não são a causa da maioria dos distúrbios reprodutivos, mas a exposição ocupacional pode causar sérios problemas reprodu- tivos, que são inteiramente evitáveis. A exposição a determinado agente no local de trabalho pode mani- festar seus efeitos reprodutivos tanto em homens como em mulheres. Exposições tóxicas podem reduzir a fer- tilidade prejudicando os espermatozoides ou os óvulos. Podem ocorrer abortos se um embrião é afetado ou se complexas interações hormonais são bloqueadas. A exposição tóxica durante a gravidez pode causar mal-
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    91 formação ou mortedo feto. Atribuem-se a algumas exposições, problemas neuropsiquiátricos ou cânceres descobertos mais tarde na infância. Outras exposições podem levar a problemas de saúde que não são detecta- dos antes da idade adulta. (8) Efeitos adversos causados pela exposição a toxi- cantes reprodutivos podem se manifestar em várias etapas do complexo processo da função reprodutiva, iniciando com a gametogênese e continuando na interação de game- tas (fertilização), desenvolvimento e crescimento embrio- nário e fetal, nascimento e maturação sexual da prole. (8) Efeitos da exposição tóxica na gametogênese A produção de óvulos e espermatozoides e o processo de ovulação dependem todos da estimulação hormonal. Uma maneira pela qual agentes ocupacio- nais e ambientais podem ser prejudiciais à reprodução é através do bloqueio das vias hormonais no nível do hipotálamo, pituitária ou gônadas. A exposição ambien- tal a praguicidas que agem como estrogênios ou anties- trogênios demonstrou exercer efeitos tóxicos na repro- dução em animais, através desse mecanismo. (8) Exposições a substâncias perigosas podem também exercer um efeito direto nos gametas e suas células precursoras. A exposição ao dibromocloropro- pano (DBCP) causa lesão das células germinativas em homens. Exposição a éteres de glicóis entre pintores
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    92 de estaleiros foiassociada à redução da contagem de espermatozoides. Efeitos gametotóxicos entre mulhe- res são difíceis de medir porque a obtenção de uma amostra folicular envolve um procedimento invasivo, uma biopsia ovariana. (8) Como a gametogênese começa durante a vida fetal, exposições ocupacionais e ambientais durante a gravidez poderiam teoricamente causar efeitos transge- racionais. Danos às células germinativas primárias de um feto podem ser manifestados mais tarde, quando esse feto torna-se um adulto e sua reprodução se mos- tra alterada. Um efeito tóxico pode ser manifestado pela redução da fertilidade quando o filho da mulher traba- lhadora tenta ter filhos. O mecanismo desse efeito tra- duz-se em danos às células germinativas que se desen- volvem no feto da trabalhadora. (8) Teoricamente, o filho ou neto de um trabalha- dor pode ser afetado por alteração subletal do material genético na célula germinativa primordial. Uma preocu- pação é que as alterações no DNA dos gametas podem causar câncer nos filhos de pais expostos. (8) Em mulheres adultas, leva-se cerca de duas semanas para que oócitos primários se desenvolvam em óvulos maduros. Em homens, leva-se cerca de dois meses para que células germinativas primárias se desen- volvam em espermatozoides. Exposições tóxicas durante esses períodos de diferenciação das células germinativas podem resultar em morte dos gametas em maturação.
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    93 Esse quadro seriamanifestado clinicamente como uma incapacidade temporária de conceber uma criança. Se as células germinativas imaturas (células tronco) forem afe- tadas, o período de infertilidade será maior. (8) Se a gravidez é alcançada, apesar de um curto período de exposição tóxica durante a maturação dos gametas, não se estabelecem claramente as relações de causa com os defeitos congênitos. Suspeita-se que os gametas e embriões que não tenham iniciado o organo- gênese sejam relativamente resistentes à ação teratogê- nica, caso sobrevivam à exposição tóxica. (8) Redução da fertilidade Os estudos epidemiológicos dirigidos à saúde reprodutiva do homem estão, via de regra, centrados em parâmetros do esperma, tais como morfologia, motilidade, viabilidade e concentração. Estes parâme- tros, combinados com parâmetros de exposição ocupa- cional, foram a base dos estudos epidemiológicos que enfocam a relação entre a ocupação e o potencial de dano reprodutivo do homem. (8) Embora a infertilidade seja o efeito sobre a reprodução frequentemente investigado, também outros efeitos adversos, mediados pelo pai, tem sido estudados, tais como a perda fetal, os defeitos congêni- tos e o câncer na infância. (8) O mais notável exemplo é o dibromocloro-
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    94 propano (DBCP), umfumigante de solo que foi utili- zado por mais de 20 anos em aplicações agrícolas. Um pequeno grupo de homens empregados na produção de DBCP relatou problemas de esterilidade, sendo constatadas a azospermia ou oligospermia. Levanta- mentos adicionais, realizados junto a outros trabalha- dores expostos ao DBCP, revelaram haver contagens diminuídas de espermatozóides, sendo estas geralmente relacionadas à exposição ao DBCP (Whorton, Krauss & Marshall, 1977; Milby & Whorton, 1980). A exposição ocupacional na produção de um pesticida semelhante, o dibrometo de etileno, também tem sido associada à diminuição da fertilidade e decréscimo nas contagens de espermatozóides (Dobbins, 1987). Assim como foram verificados decréscimos nas contagens de espermato- zóides em trabalhadores de fundições, e pintores expos- tos a 2-etoxietanol, também conhecido como cellosolve (Welch e cols., 1988; Ratchleffe e cols., 1989). (8) Alterações menstruais Existem diversos exemplos de estudos que sugerem alterações menstruais associadas à exposi- ção ocupacional a vários solventes. Assim, tem sido demonstrado que a exposição ocupacional ao benzeno, tolueno e xileno está associada a anormalidades mens- truais, principalmente ao aumento do sangramento e dos intervalos do ciclo (Michon, 1965a; Michon, 1965b;
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    95 Syrovadko, Skromin &Pronkova, 1973). Mulheres que trabalharam com percloroetileno em tinturarias de lavagem a seco tiveram uma prevalência aumentada de problemas, como alteração da duração do ciclo, menor- ragia e dismenorréia, quando comparadas a mulheres que trabalham em lavanderias que utilizam água e sabão (Zielhuis, Gijsen & Van Der Gulden, 1989). (8) Outros grupos ocupacionais estudados incluem trabalhadores da indústria do petróleo, onde foi encontrada uma elevada prevalência (50%) de alte- rações menstruais em mulheres com idade acima de 40 anos, em comparação com controles emparelhados por idade, cuja prevalência foi de apenas 19%. A alteração mais frequente e que apresentou diferença significativa foi a menorragia: 21% contra 8,3% (Panova, 1976). (8) Abortamentos espontâneos Estudos epidemiológicos tem sugerido um risco aumentado para abortamentos espontâneos em grupos específicos de mulheres trabalhadoras da indús- tria química e de semicondutores (microeletrônica). Um estudo caso-controle em enfermeiras finlandesas mos- trou uma associação significativa entre perdas fetais e o trabalho com quimioterápicos durante o primeiro tri- mestre de gestação (Selevan e cols., 1985). (8) Já há muitos séculos sabe-se que o chumbo tem provocado abortamentos espontâneos em ges-
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    96 tantes exposta aaltos níveis, tendo chegado, por este motivo, a ser utilizado intencionalmente para este fim (Miller &Bellinger, 1993). (8) Tem sido investigada a relação entre exposi- ções ocupacionais paternas ao DBCP e a gases anesté- sicos com a incidência de abortamentos espontâneos. As evidências mostram claramente uma relação positiva entre a exposição masculina ao DBCP e a maior incidên- cia de abortamentos espontâneos em suas esposas (Bos- tofte, Serup & Rebbe, 1984). Possivelmente este fato seja devido a mutações relacionadas à exposição. No entanto, estudos sobre a exposição a anestésicos tem apresentado resultados conflitantes. Apesar de haver um aumento de 25% de malformações congênitas em filhos de aneste- sistas do sexo masculino, a incidência de abortamentos espontâneos aparentemente não é afetada (Cohen e cols., 1975; Knill-Jones, Newman & Spence, 1975). (8) Malformações congênitas Nos estudos sobre a relação entre exposições ocu- pacionais e a presença de anomalias congênitas predomi- nam aqueles que utilizam a metodologia de estudos epide- miológicos do tipo casos x controles. Embora este desenho seja o mais eficiente para o estudo de eventos relativamente raros, como as malformações congênitas, ele limita os resultados a serem levados em consideração àqueles que foram identificados como “casos” no início do estudo. (8)
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    97 Evidências para oestabelecimento de nexos entre exposições ocupacionais e malformações tem sido obtidas de estudos sobre a exposição dos pais a solven- tes. Dois estudos de caso-controle em filhos de pintores e outros trabalhadores expostos a solventes mostraram odds ratios elevados para defeitos do sistema nervoso cen- tral (Holmberg & Nurminen, 1980; Olsen, 1983). Outro estudo de caso-controle encontrou uma relação estatisti- camente significativa entre a exposição a solventes, princi- palmente ao tolueno, e anomalias com predominância de defeitos renais, urinários e gastrintestinais em 301 crianças (McDonald e cols., 1987). A exposição ocupacional a sol- ventes também tem sido relatada com mais elevada frequ- ência em mães cujos filhos nasceram com fenda palatina (Holmberg & Nurminen, 1980) e defeitos do septo ven- tricular (Tikkanen & Heinonen, 1988), quando compara- dos aos seus respectivos grupos-controle. (8) Os trabalhadores agrícolas representam outro grupo ocupacional para o qual um mais elevado risco de malformações tem sido relatado. A exposição aos pra- guicidas é que causa mais preocupação nessa população. As malformações mais consistentemente notadas são defeitos do sistema nervoso central, incluindo anencefa- lia (Polednak & Janerick, 1983), defeitos do tubo neural (White e cols., 1980), fendas faciais (Brogan, Brogan & Dadd, 1980; Gordon & Shy, 1981; White e cols., 1988) e atrofia de membros (Schwartz, Newsum & Heifetz, 1986; Schwartz & Logerfo, 1988). (8)
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    99 UNIDADE 3 |RISCO FÍSICOS Riscos físicos são os resultantes da troca de energia entre o organismo e o ambiente de trabalho, em quantidade que pode causar o desconforto, acidentes ou doenças do trabalho. (1) Observa-se no quadro abaixo os possíveis danos provocados à saúde, decorrente da exposição aos agentes dos riscos físicos.
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    100 Nesta unidade serãoapresentados os mais importantes efeitos colaterais da exposição aos agentes dos riscos físicos, tipos de prevenção e controle para preservação da saúde do empregado. 3.1 RUÍDO Como som, compreende-se qualquer perturba- ção vibratória em um meio elástico, que produz uma sensação auditiva. (5) Os termos som e ruído são frequentemente utilizados indiferenciadamente mas, geralmente, som é utilizado para as sensações prazerosas como música ou fala, enquanto que ruído é usado para descrever um som indesejável como buzina, explosão, barulho de trânsito e máquinas. (5) As máquinas e equipamentos utilizados pelas empresas emitem ruídos que podem atingir níveis exces- sivos, podendo, a curto, médio e longo prazos provocar sérios prejuízos à saúde dos empregados. Conforme o tempo de exposição, do nível sonoro e da sensibilidade individual, as alterações danosas podem manifestar-se imediata ou gradualmente. Quanto maior o nível de ruído, menor deverá ser o tempo de exposição ocupacional. (12) Considerando que a audição humana é sensível para cada frequência de som, entre 20 a 20.000Hz, é impor- tante considerar esse fator que compõe o ruído, e não ape- nas sua intensidade em uma medição pura e simples. (8)
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    101 Através da figuraque mostra as curvas isofô- nicas, segundo Robinson e Dadson, observa-se que a mesma curva que passa por 40 dB a 1.000 Hz, passa 90 dB a 20 Hz e um pouco menos de 40 dB a 5.000 Hz. Conclui-se que um ruído de menor intensidade, mas de frequência muito alta, provoca sensação mais intensa em uma frequência baixa. (8) Pelo fato de o ouvido não responder linearmente ao espectro de frequências, o medido de nível de som pos- sui circuitos de filtros de ponderação representados pelas letras A, B e C com o objetivo de reproduzir o comporta-
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    102 mento do ouvidohumano a níveis de intensidade, respec- tivamente, de 40, 70 e 100 dB a 1.000 Hz. Na prática, eles atenuam (o filtro A mais que o filtro Be, este, mais que o filtro C), as baixas frequências (inferiores a 1.000 Hz) e as frequências superiores a 8.000-10.000 Hz. (5) As duas ponderações mais relevantes na avalia- ção de ruído dão a “A” e a “C”. Outras são mencionadas na literatura como a “B” e a “D”. A primeira está em desuso, enquanto a segunda é mais aplicada para avalia- ção de ruído em aeroportos. As ponderações A e C são elaboradas de acordo com a resposta aproximada da ore- lha humana e estímulos sonoros, particularmente tons puros. A ponderação A é a mais empregada no campo de avaliação de ruído ocupacional e ambiental, pois é a que mais se aproxima da resposta da orelha humana e se correlaciona com o risco de dano à audição. A curva C é praticamente linear ao longo do campo de frequências de interesse. A seguir é apresentado o gráfico de ponde- ração referente às duas curvas A e C. (8) Figura 3.2 Curvas de ponderação normalizada A e C Fonte: http://dc358.4shared.com/doc/4tk8hSp9/preview.html
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    103 3.1.1 ANATOMIA DAORELHA Orelha é o nome dado às estruturas que compõe os sistemas auditivo e vestibular periféricos. Localiza-se na região temporal do crânio, estando a maioria de suas porções incrustadas no osso temporal. Divide-se em ore- lha externa, média e interna (ou labirinto). (21) A orelha externa é constituída pelo pavilhão e meato acústico externo. As vibrações sonoras do ar penetram no meato acústico externo e fazem vibrar a membrana do tímpano. (8) A orelha média é uma cavidade aerada no osso Figura 3.3 Corte frontal do órgão periférico (orelhas externa, média e interna) Fonte: http://centrootorrinodf.com.br/anatomia/ouvido.php
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    104 temporal também chamadade caixa do tímpano ou cavi- dade timpânica situada entre a orelha externa e a interna e revestida por uma mucosa. A membrana timpânica limita a orelha externa da média. Possui 3 ossículos (mar- telo, bigorna e estribo) suspensos na caixa por ligamen- tos e 2 músculos (estapediano e tensor do tímpano). Por ela atravessa o nervo corda do tímpano, ramo do nervo facial. Comunica-se com o antro da mastóide pelo ádito do antro, com a rinofaringe pela tuba auditiva e com a orelha interna pelas janelas oval e redonda. (21) A parte anterior da orelha interna é constituída pela cóclea ou caracol, que responde pela audição e a pos- terior, pelo vestíbulo e canais semicirculares, que respon- dem pelo equilíbrio. A cóclea apresenta em seu interior espiralado três canais membranosos paralelos: a escala vestibular e a escala timpânica, que contêm perilinfa e se comunicam no ápice coclear através do helicotrema; e a escala média ou ducto coclear, que contém endolinfa. A perilinfa tem uma composição química semelhante à dos líquidos extracelulares, ricos em sódio, enquanto que a endolinfa assemelha-se aos líquidos intracelulares, ricos em potássio. No interior do ducto coclear, desde a base até o ápice, está situado o órgão de Corti, que contém as células ciliadas sensoriais, incumbidas de transformar as vibrações sonoras em estímulos elétricos, que são transmitidos pelas fibras do nervo estatoacústico para o sistema nervoso central. No extremo lateral do ducto coclear situa-se a estria vascular. (8)
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    105 3.1.2 FISIOLOGIA DAAUDIÇÃO Por via aérea: a orelha externa capta os sons ambientes e os dirige para a membrana timpânica que vibrando junto com a cadeia ossicular transmite e ampli- fica os sons para a janela oval. A vibração do estribo faz vibrar a perilinfa desencadeando uma onda de vibração na membrana basilar da base para o ápice. Para frequên- cias altas a onda é maior na base da cóclea (cada região ao longo da cóclea corresponde a uma frequência). O órgão de Corti que se encontra apoiado na membrana basi- lar acompanha seus movimentos e como as suas célu- las ciliadas estão em contato com a membrana tectória os cílios são deslocados. Isso provoca a despolarização das células ciliadas aparecendo o impulso nervoso que é transmitido para o sistema nervoso central. A orelha possui portanto um segmento que transmite e amplifica o som para a o órgão de Corti (aparelho de transmissão ou condução) e um segmento que transforma a vibração em impulso nervoso e o transmite para SNC (aparelho de recepção ou neuro-sensorial). (8) Por via óssea: a vibração do crânio, por exemplo tocando-o com um diapasão, faz vibrar a perilinfa desen- cadeando o impulso nervoso. Por inércia a cadeia ossicu- lar também vibra existindo um componente condutivo na audição por via óssea mas para facilitar o raciocínio clínico considera-se que a audição por via óssea estimula diretamente o aparelho de recepção. (21)
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    106 3.1.3 DOENÇAS RELACIONADASAO RUÍDO O ruído age diretamente sobre o sistema ner- voso, causando fadiga nervosa e alterações mentais (perda de memória, irritabilidade, dificuldade para coordenar ideias, hipertensão, modificação do ritmo cardíaco, modificação do calibre dos vasos sanguíneos, modificação do ritmo respiratório, perturbações gas- trintestinais, diminuição da visão noturna e dificuldade na percepção de cores). Além dessas consequências, o ruído atinge também o aparelho auditivo, causando a perda temporária ou definitiva da audição. (12) Entende-se como perda auditiva induzida por ruído – PAIR uma alteração dos limiares auditivos, do tipo neurossensorial, decorrente da exposição sistemá- tica a ruído, que tem como características a irreversibili- dade e a progressão com o tempo de exposição. (Reso- lução SS-317, de 24-5-1994) Normalmente o processo de perda auditiva se inicia na frequência de 4.000 Hz, e aparece na audiome- tria como uma gota (chamada de gota acústica). Obser- var que se é exposto a ruído ambiental, a perda se dá biliteralmente de forma equilibrada. (14) O dano auditivo produzido pela exposição a níveis elevados de pressão sonora pode ser classificado em três tipos: o trauma acústico, a perda auditiva tem- porária e a perda auditiva permanente. (8)
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    107 Trauma acústico Provocado poruma grande intensidade de ruído repentino, e pode provocar lesões graves na orelha média e/ou interna. Há possibilidade de tratamento com medi- cações, nos casos de rompimento da membrana timpâ- nica pode ser corrigida com tratamento cirúrgico. Perda auditiva temporária Ocorre logo após a exposição a ruído intenso, por um curto período de tempo, e tende a regredir espontanea- mente após minutos, horas ou, às vezes, até dias de repouso auditivo. A figura x mostra audiogramas realizados antes e depois da exposição de um indivíduo com audição normal a um rido de 103 dB(A) durante duas horas contínuas. As audiometrias realizadas 30s, 15min, 5h e 24h após o tér- mino da exposição estão registradas no esquema e mos- tramamelhoriaprogressivadaperdaauditivainstaladaapós aquela exposição, ao longo das 24 horas subsequentes. (8) Figura 3.4 Níveis de audição de um indivíduo normal exposto a um ruído de 103 dB(A) (perda auditiva temporária) Fonte: Mendes, Rene - 2007
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    108 Perda auditiva permanente Consequênciada exposição repetida ao ruído excessivo, se dá de forma lenta e progressiva. A perda auditiva relaciona-se a um grau de des- truição menor ou maior de setores do órgão de Corti. Por conseguinte, ela é sempre do tipo sensorioneural. Como a maior concentração das lesões situa-se na espira basal da cóclea, ela compromete primeiro e predominantemente as frequências altas e, somente em fases mais avançadas, o entalhe audiométrico se alarga, em direção às frequên- cias médias e baixas. Por isso, os traçados audiométricos da PAIR têm sempre um formato característico, de entalhe nas frequências altas, similar bilateralmente, embora sejam comuns as assimetrias nos agudos. Outra importante carac- terística da doença é que, cessada a exposição ao ruído, a perda auditiva deixa de progredir. (8) Além do desconforto e do perigo de surdez pro- fissional, o ruído prejudica a comunicação, dificultando a emissão e compreensão de ordens, o que influi no rendi- mento do trabalhador como no número de acidentes. 3.1.4 MEDIDAS DE CONTROLE DO RUÍDO Com o intuito de evitar ou diminuir os danos provocados pelo ruído no local de trabalho, costumam- se adotar as seguintes medidas:
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    109 As medidas deproteção coletiva incluem: enclausuramento da máquina produtora de ruído; iso- lamento de ruído. Quanto à medida de proteção individual, esta consiste no fornecimento de equipamento de proteção individual (EPI) (no caso, protetor auricular). O EPI deve ser fornecido na impossibilidade de eliminar o ruído ou como medida complementar. As medidas médicas, por sua vez, incluem: exa- mes audiométricos periódicos, afastamento do local de trabalho e revezamento. Há também as medidas educacionais. São elas: orientação para o uso correto do EPI; campanha de conscientização. E, por fim, as medidas administrativas: tornar obrigatório o uso do EPI; controlar o uso. (12) 3.2 CALOR Podemos definir “calor” como sendo um risco físico que se apresenta de forma frequente nas mais diversas atividades profissionais, onde existe liberação de grandes quantidades de energia térmica, podendo estar presente tanto em atividades internas quanto em
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    110 atividades ao arlivre, sujeitando o homem a dar ou receber esta energia. (14) Os mecanismos de troca térmica que importam para a Higiene do Trabalho são: Condução, Convecção, Evaporação e Irradiação. Estes mecanismos físicos são responsáveis pela sensação de conforto ambiental num ambiente qualquer, já que são o principal meio de perda ou ganho de energia térmica pelo organismo humano. (14) Para que o homem mantenha sua temperatura constante, existem vários mecanismos automáticos que lhe possibilitam regular a perda de calor, man- tendo a temperatura do corpo em torno de 36 graus centígrados. Tais mecanismos automáticos fazem com que o organismo perca mais ou menos calor para o ambiente, dependendo da sobrecarga que recebe, de calor ou frio, respectivamente. (16) Deste modo, um indivíduo nu pode ficar exposto a temperatura de 13°C a 70°C, em ambien- tes secos, e manter a temperatura central constante. Entretanto, esta mesma pessoa não tolera um aumento de 4°C na sua temperatura interna (central) sem que ocorra comprometimento da capacidade física e men- tal e até mesmo risco de vida. (8) Quando a soma do calor recebido e do calor pro- duzido pelo metabolismo é maior que o calor cedido pelo o organismo ao meio ambiente, o organismo lança mão de mecanismos de defesa (vasodilatação periférica e ativação de glândulas sudoríparas) para evitar a hipertermia. (8)
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    111 A vasodilatação periféricapermite uma maior troca de calor entre o organismo e o meio ambiente e a ativação das glândulas sudoríparas permite uma maior perda de calor através da evaporação do suor. (8) Entretanto, a quantidade de calor que o orga- nismo pode perder pela evaporação do suor pode ser limitada por fatores fisiológicos e ambientais. (8) As limitações fisiológicas são resultantes de problemas no funcionamento das glândulas sudorípa- ras e as ambientais são, principalmente, a umidade rela- tiva do ar e a velocidade do ar. (8) A sensação de desconforto causada pelo calor está diretamente ligada a estes fatores ambientais (velo- cidade e umidade relativa do ar). (8) 3.2.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO AO CALOR A temperatura constitui um dos fatores mais importantes no ambiente de trabalho. A alteração de sua normalidade ocasiona desde certas perturbações de conforto, até determinados processos graves. (16) Choque térmico Também denominado hipertemia ou interman- ção, ocorre por uma falha do centro termorregulador que leva a uma redução da sudorese e, consequente- mente, da perda de calor por evaporação, resultando
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    112 numa elevação aceleradae descontrolada da tempera- tura interna do corpo. É uma emergência médica e os sinais clínicos são pele seca, quente, avermelhada, man- chada ou cianótica. A temperatura central do corpo pode atingir 40,5°C ou mais. Podem aparecer confusão mental, perda da consciência, convulsões e até ser fatal ou deixar sequelas neurológicas se o trabalhador não é retirado do ambiente e o tratamento não for imediato. O reconhecimento e o tratamento precoce do choque térmico são as únicas medidas que podem prevenir a lesão cerebral permanente e a morte. (8) Exaustão por calor A exaustão pelo calor é causada pela perda excessiva de líquidos pelo suor associada a uma perda excessiva de sal. O trabalhador com exaustão pelo calor ainda apresenta dudorese e experimenta uma sensação de fadiga e fraqueza extremas, além de ton- turas, náuseas e cefaleia. Casos mais sintomáticos podem apresentar vômitos e evoluir para o coma. A pele é úmida, pálida ou ruborizada e a temperatura corporal é normal ou levemente elevada. O trata- mento é feito pela retirada do ambiente quente e pela administração de líquidos e eletrólitos. Não há efei- tos permanentes (sequelas). A exaustão pelo calor pode preceder o choque térmico. (8)
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    113 Desidratação pelo calor Ocorrequando a ingestão de líquidos é insufi- ciente para compensar as perdas pela sudorese exces- siva. É um dos mecanismos presentes na fisiopatologia da exaustão pelo calor. (8) Câimbras e espasmos pelo calor São contrações ou espasmos musculares dolo- rosos, motivados pela diluição de eletrólitos no sangue, decorrentes da perda de sal pela sudorese excessiva e da ingestão de grandes quantidades de água. Os músculos utilizados para a execução do trabalho são os mais suscep- tíveis. As câimbras e os espasmos podem ocorrer durante ou horas após o trabalho e podem ser tratadas com repo- sição eletrolítica através de soro por via oral. (8) Síncope pelo calor Também denominada colapso pelo calor, ocorre quando um trabalhador não acostumado com ambientes quentes permanece de pé e parado nestes ambientes. A dilatação dos vasos da pele (principalmente de membros inferiores) diminui o retorno venoso e débito cardíaco com consequente baixo fluxo cerebral e síncope. Geral- mente a síncope é precedida de palidez cutânea, visão borrada, náuseas e tonturas. A colocação do paciente em
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    114 decúbito leva arecuperação do estado de consciência. (8) Edema pelo calor Ocorre por mecanismo semelhante ao da sín- cope pelo calor, ou seja, acúmulo de sangue nos vasos dilatados da pele dos membros inferiores, resultando em edema, principalmente quando a pessoa permanece de pé parada em ambientes quentes. Fadiga transitória pelo calor Este termo refere-se a um estado transitório de desconforto e de tensão causado pela exposição prolongada ao calor. Trabalhadores não aclimatizados são particularmente sensíveis e podem apresentar, em graus variados, diminuição de performace no trabalho, da coordenação motora e do estado de alerta e vigilân- cia. (8) Insolação É um estado patológico causado pela exposição ao calor tendo o sol como a fonte de calor. (8) Reações dermatológicas As reações dermatológicas ao calor mais comuns
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    115 são chamadas demiliária e podem ser de três tipos: cristalina, rubra e profunda. A miliária ocorre mais frequentemente em ambientes quentes e úmidos e com trabalhadores expostos ao calor que usam rou- pas impermeáveis ao suor. Nestes casos o suor não é facilmente removido da pele pela evaporação e ocorre obstrução dos ductos das glândulas sudoríparas, cau- sando retenção do suor. (8) Queimaduras As queimaduras resultam de acidentes que são facilitados pela sudorese, que torna a pega de objetos mais difícil, que pode tornar o chão escorregadio e que pode causar irritação ocular e interferência na visão, associada a uma diminuição da performance no tra- balho e do estado de alerta causada pelo desconforto térmico. O aumento da temperatura corporal e o des- conforto físico provocam irritabilidade e outros estados emocionais que podem levar o trabalhador a negligen- ciar procedimentos de segurança ou a distrair a atenção na realização de tarefas perigosas. (8) Sobrecarga do sistema circulatório: Ocorre por competição pelo fluxo sanguíneo entre a pele, para resfriamento, e os músculos ativos, para supri- mento de energia. (8)
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    116 Infertilidade masculina efeminina Há possibilidade de ocorrência quando a tem- peratura interna do corpo ultrapassa 38°C. (8) Má-formação fetal Há possibilidade de ocorrência quando a tempe- ratura interna do corpo da mulher ultrapassa 39°C por períodos estendidos, no primeiro trimestre da gravidez. (8) Catarata É uma opacificação do cristalino, parcial ou com- pleta, em um ou ambos os olhos, que interfere na visão, podendo causar cegueira. A exposição prolongada à radia- ção infravermelho (calor radiante) é reconhecida como uma das causas de catarata. (8) 3.2.2 MEDIDAS DE CONTROLE DO CALOR As medidas relativas ao ambiente, podemos considerar: • Diminuição do calor metabólico com a auto- matização de processos de trabalho em ambiente quen- tes, minimizando o esforço físico do trabalhador e, con- sequentemente, a produção de calor metabólico.
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    117 • Diminuição docalor radiante pode ser con- seguida pela interposição de barreiras refletoras entre a fonte de calor e o trabalhador. A barreira de calor mais utilizada é a de alumínio polido. • Redução da temperatura do ar pode ser con- seguida através da insuflação de ar fresco. • Redução da umidade relativa do ar pode ser conseguida pela instalação de desumidificadores ou ventilação local exaustora onde há fontes localizadas de vapor d’água. • Aumento da movimentação do ar, através da ventilação local favorece a evaporação do suor, desde que o ar esteja em temperatura inferior à tem- peratura corporal. (8) As medidas relativas ao homem são: • Aclimatização constitui uma adaptação fisiológica, onde três fenômenos básicos ocorrem no indivíduo: aumento da capacidade de sudorese, diminuição da concentração de sódio no suor e dimi- nuição da frequência cardíaca diante de uma mesma carga de calor ambiental e de trabalho. Essa aclimati- zação é conseguida em seis dias e será completa após duas/três semanas. Recomenda-se que se inicie o tra-
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    118 balho com 50%da carga de trabalho no primeiro dia, aumentando 10% por dia, até atingir 100% no sexto dia. Esta medida é considerada de fundamental importância na prevenção dos efeitos do calor sobre o organismo. • Limitação do tempo de exposição ao calor pode ser conseguida pela otimização de ciclos na realiza- ção das tarefas, pelo revezamento de pessoas ou tarefas. • Reposição Hidroeletrolítica se dá pela repo- sição de água que deve ser individualizada, conforme intensidade da perda. Recomenda-se que o trabalhador seja encorajado a beber 150ml de água a cada 15-20min. • Utilização de roupas de proteção deve ser de tecido leve, que absorva pouco calor radiante e que per- mita a evaporação do suor. • Utilização de óculos com filtro infravermelho para evitar o desenvolvimento de catarata em trabalha- dores expostos a calor radiante intenso. (8) 3.3 FRIO Por não ser muito comum no nosso país, o estudo da exposição ao frio não é muito divulgado, nem claramente coberto pela legislação. A NR 15 anexo 9, se limita a dizer que trabalhos em locais frios sem a pro-
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    119 teção adequada sãoconsideradas insalubres mediante laudo de inspeção no local de trabalho. Entretanto devemos considerar que muitos trabalhadores exercem suas atividades em câmaras frias, na indústria alimentí- cia, na agricultura, ou ainda em ambientes externos em localidades frias. (14) 3.1.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO AO FRIO Na exposição do indivíduo ao frio intenso, deve-se considerar o esfriamento do interior do corpo, através da superfície da pele e pela respiração, e o con- gelamento de extremidades. A tabela 3.2 a seguir mos- tra os efeitos clínicos da vítima de hipotermia, de forma progressiva. (14) A permanência num ambiente frio, por exem- plo, determina a atividade de distintos mecanismos de termorregulação do organismo. Assim, para evitar as perdas calóricas, o organismo produz uma vasoconstri- ção na periferia do corpo. (16) Alguns tipos de alterações podem ocorrer, ape- sar de existirem mecanismos automáticos de regulação de temperatura do corpo. Muitas vezes, a ação do frio se faz notar em locais ou modos onde tais mecanismos se tornam ineficazes. É o caso das queimaduras pelo frio ocasionadas pelo contato da pele com o agente causador do frio. Algumas alterações, por outro lado, são desencadeadas pelo frio em indivíduos previamente
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    120 ‘marcados’. São osindivíduos mais sensíveis que outros ao frio e que podem desenvolver urticárias ou altera- ções alérgicas de pele. Varas outras doenças podem ser desencadeadas ou agravadas pelo frio. (16) As doenças causadas pelo frio são classica- mente divididas em dois grupos: aquelas onde não há congelamento (hipotermia, eritema pérnio) e aquelas causadas por congelamento (geladura ou frostbite). (8) Hipotermia É definida pela queda da temperatura central do corpo a níveis inferiores a 35°C. Pessoas hipotérmi- cas podem apresentar uma gama de sinais e sintomas, conforme tabela 3.2. (8) 37,6 37 36 35 34 33 Temperatura retal normal Temperatura oral normal Aumento da taxa metabólica para compensar a perda de calor Tremor máximo Vítima consciente e respondendo com pressão sanguínea normal Severa hipotermia abaixo desta temperatura
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    121 32/31 30/29 28 27 26 25 24 22 21 20 18 17 9 Consciência nublada, dificuldadede obter a pressão, pupilas dilatadas mas reagindo à luz, cessação dos tremores Progressiva perda da consciência, aumento da rigidez muscular, pulso e pressão difíceis de obter, decréscimo da taxa respiratória Possível fibrilação ventricular com irritação miocardial Cessam os movimentos voluntários, pupilas não reativas à luz, reflexos de tendões e superficiais ausentes Vítima raramente consciente Fibrilação ventricular pode ocorrer espontaneamente Edema pulmonar Risco máximo de fibrilação ventricular Parada cardíaca Vítima de hipotermia acidental mais baixa Eletroencefalograma isoelétrico Paciente de hipotermia induzida artificial- mente mais baixa Eritema Pérnio O eritema pérnio ou perniose é uma condição inflamatória da pele dos membros induzida pelo frio
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    122 e caracterizada poreritema, prurido e ulceração. São reconhecidas uma forma aguda e uma forma crônica da doença. Nos casos agudos percebe-se uma descolo- ração vermelho-azulada e edema da pele nos membros inferiores associados à sensação de queimação e calor, além de prurido. As lesões geralmente persistem por sete a dez dias e após regridem, deixando algumas vezes uma pigmentação residual na pele. A lesão histopato- lógica consiste de angeíte com proliferação da íntima, espessamento da parede arterial e infiltração perivascu- lar por linfócitos e leucócitos polimorfonucleares. Nos casos graves as lesões podem tornar-se hemorrágicas ou podem surgir bolhas. Infecções podem sobrevir. Com a exposição repetida ao frio, os trabalhadores susceptíveis podem desenvolver lesões crônicas que são caracteriza- das por eritema e úlcera. Pode haver também, nestes casos, formação de bolhas e hemorragia. (8) Geladura (Frostbite) Geladura ou frostbite ou queimadura pelo frio é a lesão que atinge as extremidades, decorrentes de expo- sição prolongada a temperaturas extremamente baixas, com consequente congelamento dos tecidos e lesão vascular. São lesões que ocorrem devido à intensa vaso- constrição e à deposição de micro cristais nos tecidos. No Brasil não se espera que seja uma doença comum. Inicialmente ocorre uma sensação de picada seguida de
  • 123.
    123 dormência. A peletorna-se exangue e mostra-se branca e fria. Posteriormente há vermelhidão, edema e tempe- ratura aumentada. Bolhas com conteúdo seroso ama- relo ou hemorrágico podem se formar 24-48h após o descongelamento. Pode haver hemorragia sob os leitos ungueais. O curso subsequente pode ser semelhante àquele da oclusão arterial aguda, inclusive com isque- mia, necrose e gangrena. Pode haver amputação espon- tânea em semanas ou meses. As geladuras podem ser classificadas em de primeiro grau: lesões com hipere- mia e edema; de segundo grau: lesões com hiperemia, edema e vesículas ou bolhas; de terceiro grau: lesões com necrose da epiderme, derme ou subcutâneo e de quarto grau: lesões necróticas profundas, perda de extremidades. (8) Urticária pelo frio É caracterizada pelo aparecimento de urti- cas, que são pápulas edematosas, de duração efêmera e extremamente pruriginosas, em expostos ao frio. As pápulas podem confluir formando extensas placas. A lesão é uma reação alérgica que ocorre em consequên- cia da liberação de histamina dos mastócitos localizados em torno dos vasos da derme, em resposta ao frio. (8) Irritação de vias aéreas: A inalação de ar frio pode causar desconforto respiratório, especialmente se a respiração for nasal. Grandes volumes respirados
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    124 de ar muitofrio podem ocasionar micro inflamação da mucosa de vias aéreas superiores. (8) 3.3.2 MEDIDAS DE CONTROLE DO FRIO A ACGIH (American Conference of Governa- mental Industrial Hygienists) faz as seguintes recomen- dações para o trabalho com exposição ao frio: • Trabalhadores que realizam seus trabalhos expostos a temperaturas inferiores a 4°C devem estar sempre paramentados com roupas isolantes secas; • A temperaturas de 2°C ou menos é imperativo que se permita aos trabalhadores que entram na água ou tenham suas roupas molhadas trocar as mesmas de imediato e que se faça o tratamento da hipotermia; • Para trabalhos de precisão, com as mãos des- cobertas por mais de 10-20min em um ambiente com temperatura abaixo de 16°C, devem ser adotadas medi- das especiais para manter as mãos dos trabalhadores aquecidas (jatos de ar quente, aquecedores ou placas de contato aquecidas); • Os trabalhadores devem usar luvas sempre que a temperatura do ar cair abaixo de 16°C para trabalho sedentário, 4°C para trabalho leve e 7°C negativos para trabalho moderado, se não for necessária destreza manual;
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    125 • A temperaturasinferiores a 1°C negativo as partes metálicas das ferramentas e as barras de controle devem ser cobertas com material isolante térmico; • O trabalhador deve ser avisado para evitar qualquer contato com a pele em superfícies com tem- peraturas inferiores a 7°C negativos; • Se a temperatura do ar for menor que 17,5°C negativos as mãos devem estar protegidas por luvas especiais; • Não deve se permitida a exposição contínua da pele descoberta quando a temperatura e a veloci- dade do ar resultem em uma temperatura equivalente de 32°C negativos; • O manuseio de líquidos voláteis a tempera- turas inferiores a 4°C deve merecer cuidados especiais para evitar molhar as roupas ou luvas em função do resfriamento adicional por evaporação; • Se não for possível proteger suficientemente as áreas expostas do corpo, de forma a prevenir a sen- sação de frio excessivo, devem ser fornecidos artigos de proteção que auxiliem no aquecimento.
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    126 3.4 PRESSÕES ANORMAIS Háuma série de atividades cuja realização faz com que os trabalhadores fiquem sujeitos a pressões ambientais acima ou abaixo das pressões normais, isto é, da pressão atmosférica a que normalmente se expõem. (12) • Baixas pressões: situam-se abaixo da pressão atmosférica normal e ocorrem com trabalhadores que realizam tarefas em grandes altitudes. No Brasil, são raros os trabalhadores expostos a esse risco. (12) • Altas pressões: situam-se acima da pressão atmosférica normal, sendo comuns em trabalhos rea- lizados em tubulações de ar comprimido, máquinas de perfuração, caixões pneumáticos e trabalhos executa- dos por mergulhadores, como por exemplo: caixões pneumáticos, compartimentos estanques instalados nos fundos dos mares, rios e em represas onde é inje- tado ar comprimido que expulsa a água do interior do caixão, possibilitando o trabalho. São usados na cons- trução de pontes e barragens. (12) 3.4.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO ÀS PRESSÕES ANORMAIS Barotrauma É definido como uma síndrome ocasionada
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    127 pela dificuldade deequilibrar a pressão no interior de uma cavidade pneumática do organismo com a pres- são do meio ambiente em variação. Além dos espa- ços aéreos naturais, eventualmente podem ser criados outros por equipamentos, como, por exemplo, um capacete ou uma máscara de mergulho. A gênese do barotrauma está relacionada com a lei da física que regula o comportamento entre as pressões e os volumes (Lei de Boyle). É um efeito direto da pressão sobre o organismo do trabalhador. (8) O barotrauma pode assumir as seguintes formas clínicas: • Do ouvido externo: dor local, abaulamento da membrana timpânica para fora, edema e congestão do conduto auditivo externo e hemorragia. Eventualmente o rompimento da membrana timpânica; • Do ouvido médio: dor, zumbido, hipoacusia e vertigem. Se a membrana timpânica se romper, a dor cessa e, no mergulho, a penetração de água fria no ouvido médio, a irritação das estruturas do labirinto leva à desorientação espacial, vertigem, náuseas e vômitos, que cessam logo que a temperatura da água atinja a temperatura corporal; • Do ouvido interno: dificuldade de equili- brar as pressões e diminuição súbita e progressiva da audição, zumbido e vertigem. Estas lesões podem se tornar permanentes; • Sinusal: edema e congestão da mucosa sinusal,
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    128 evoluindo para extravasamentode sangue; • Pulmonar: congestão pulmonar, edema e hemorragia; • Facial: máscaras e óculos de mergulho podem atuar como ventosas diante as variações de pressão, podendo sugar os tecidos da face, acarretando uma sen- sação de repuxamento, edema, equimose facial, man- chas hemorrágicas nas escleróticas ou hemorragia no globo ocular e da conjuntiva e sangramento pelo nariz; • Dental: presença de pequenas bolhas gasosas no interior da polpa dentária ou em tecidos moles adjacentes; • Gastrointestinal: produção de gases no intes- tino aumentando o conteúdo aéreo no estômago, que durante a descompressão pode causar desconforto e distensão abdominais e cólicas; • Cutâneo: manchas equimóticas causadas por espaços entre a roupa de mergulho e o corpo, como pequenas ventosas; • Corporal: o esvaziamento brusco de equipa- mento de mergulho pesado, pode ocasionar pressão em toda superfície corporal do trabalhador. (8) Embolia Traumática A embolia traumática é uma das ocorrências mais sérias da atividade hiperbárica. Pode acontecer em qualquer modalidade de trabalho sob pressão, quando durante a descompressão havendo retenção da mis-
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    129 tura respiratória, emexpansão nos pulmões, a pres- são intrapulmonar fica aumentada em relação ao meio ambiente, provocando diversos fenômenos que podem variar desde o choque pleural, que é a hiperdistensão sem rotura de estruturas pulmonares enfisema inters- ticial com pneumomediastino ou enfisema subcutâneo, pneumotórax, até a embolia gasosa propriamente dita, que pode atingir toda a circulação com grandes quanti- dades de mistura respiratória, afetando, com frequência, a circulação cerebral e as artérias coronárias. (8) Doença descompresssiva Esta doença é frequentemente confundida com a embolia traumática. Quando o trabalhador respira uma mistura respiratória pressurizada, o oxigênio vai sendo utilizado normalmente no metabolismo e a fração do gás inerte é absorvida no organismo, de acordo com a Le de Henry. Portanto, o gás inerte vai se acumulando nos tecidos em função da pressão, do tempo de expo- sição e de outros fatores como a temperatura e a solu- bilidade do gás nos tecidos. No caso do nitrogênio, a solubilidade é cinco vezes maior nas gorduras do que na água. Quando a pressão ambiente diminui, a soma das tensões do gás inerte nos diversos tecidos pode levar o gás que estava dissolvido ao estado físico de gás livre e dar início à doença descompressiva. A liberação de gás inerte livre causa distúrbios orgânicos bloqueando arté-
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    130 rias, veias evasos linfáticos, podendo romper ou com- primir tecidos. Quando o gás atua num espaço limitado, como um músculo contido por fáscia, pode provocar uma síndrome compartimental. A formação de bolhas pode se dar também intracelularmente, causando a rotura da membrana celular, com liberação de substân- cias tóxicas ou vasoativas. As reações na interface gás/ sangue podem ativar mecanismos de coagulação. (8) 3.4.2 MEDIDAS DE CONTROLE DAS PRESSÕES ANORMAIS Pelo fato de se tratar de uma atividade de alto risco, exige legislação específica (NR15) a ser obedecida. 3.5 VIBRAÇÕES Nas indústrias é comum a utilização de máqui- nas e equipamentos que produzem vibrações, as quais podem ser nocivas ao trabalhador. Estas podem ser: • Localizadas (em certas partes do corpo): são causadas por ferramentas manuais, elétricas e pneumáticas. • Generalizadas (ou do corpo inteiro): as lesões ocorrem com os operadores de grandes máquinas, como os motoristas de caminhão, ônibus e tratores. (12) As vibrações como o ruído, podem ser estuda- das tanto no domínio do tempo como no da frequência,
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    131 expressando-se a amplitudeem termos de deslocamento (metros), velocidade (m/s) ou aceleração (m/s2). (8) 3.5.1 DOENÇAS DECORRENTES DE EXPOSIÇÃO À VIBRAÇÃO A vibração de corpo inteiro ocorre em diversas situações do cotidiano, expondo o trabalhador a danos físicos permanentes ou distúrbios no sistema nervoso. A exposição diária à vibração de corpo inteiro poderá resultar em danos na região espinhal, podendo também afetar o sistema circulatório e/ou urológico, além do sistema nervoso central. Sintomas de distúrbios fre- quentemente aparecem durante ou logo após a expo- sição sob a forma de fadiga, insônia, dor de cabeça e tremor. No entanto, esses sintomas geralmente desapa- recem após um período de descanso. (6) Os efeitos observados em grupos expostos a condições graves de vibração foram: problemas na região dorsal e lombar, gastrointestinais, sistema reprodutivo, desordens no sistema visual, problemas nos discos inter- vertebrais e degeneração na coluna vertebral. (6) Alguns sinais e sintomas, provocados pela exposição à vibração de corpo inteiro como, náuseas, palidez, suores, calor, salivação, dores de cabeça, tontu- ras, respiração irregular, sonolência, vômitos, recebem a denominação de Mal dos Transportes, uma vez que está associada a veículos em geral, tais como navios, cami- nhões, trens, plataformas, entre outros. (6)
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    132 De acordo coma norma ISO 5349, os princi- pais efeitos devidos à exposição à vibração no sistema mão-braço podem se de ordem vascular, neurológica, ósteo-articular e muscular. Entre esses efeitos, desta- cam-se as perturbações ósteo-articulares, características de vibrações de frequência menores que 30 Hz e que atingem o punho, cotovelo e o ombro, e as perturba- ções vasculares, que são identificadas como Doença de Raynaud, características de vibrações de frequência entre 40 e 125 Hz e que provocam sintomas como: for- migamento, entorpecimento, palidez, picada, queima- dura, cianose e grangrena. (6) Em estudo empreendido em laboratório, Zhu, Sakakibara e Yamada (1997) observaram que a exposi- ção combinada entre vibração segmentar e ruído pode apresentar um efeito sinérgico sobre a audição. Os voluntários expostos a vibração e ao ruído de 90dB(A) apresentaram elevações significantes nas mudanças tem- porárias de limiar (TTS – Temporary Threshold Shift) nas frequências de 4 e 6kHz, comparando-se com o grupo somente exposto ao ruído de igual intensidade. Provavelmente, segundo aos autores, apenas a exposição à vibração não é capaz de produzir tais alterações. (8) 3.5.2 MEDIDAS DE CONTROLE DA VIBRAÇÃO A transmissão da vibração pode ser atenu- ada por técnicas de isolamento e de amortecimento.
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    133 A manutenção preventivaconstitui-se como método importante no controle da vibração de ferramentas portáteis motorizadas. Conhecer a magnitude da vibração produzida pela ferramenta é o princípio fundamental que tanto o usuário como o fabricante devem obedecer. • A vibração deve ser medida; • Ferramentas manuais vibratórias devem ser selecionadas de modo adequado para a atividade; • A ferramenta ou o processo com o nível mais baixo de magnitude de vibração deve ser o selecionado para a execução da atividade, se possível • Equipamentos devem ser mantidos de acordo com as boas práticas de trabalho e com as orientações dadas pelo fabricante; • A gerência deve ser advertida sobre ferramen- tas ou processo ou práticas de trabalho que gerem expo- sições de risco à vibração localizada; • O corpo técnico deve ser capacitado para a medição e a avaliação de vibração localizada e para a manutenção apropriada do equipamento responsável pela produção da vibração. (8) 3.6 RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES As radiações são formas de energia que se trans- mitem por ondas eletromagnéticas. A absorção das radia- ções por parte do organismo é responsável pelo apare-
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    134 cimento de diversaslesões. Elas podem ser classificadas em dois grupos: radiações ionizantes e as radiações não ionizantes, esta última trata-se de radiações infraverme- lha, a proveniente de operação em fornos, ou de solda oxiacetilênica, a radiação ultravioleta, como aquela que é gerada por operações em solda elétrica, ou, ainda, raios laser, micro-ondas etc. (12) Seus efeitos incluem: • Catarata: por sua exposição superficial, o cristalino do olho fica especialmente sujeito à ação das ondas eletromagnéticas. • Esterilidade masculina: os testículos estão também especialmente sujeitos às radiações eletromag- néticas devido à localização superficial em relação ao corpo e a grande sensibilidade ao calor por parte das células germinativas. • Estresse do calor apresenta os mesmos sinto- mas da insolação, caracteriza-se por astenia e sudorese na fase inicial e na fase final, aumento de temperatura, sede, taquicardia e outros sinais de desidratação como câimbras musculares e excitação, seguidas de sonolên- cia e sinais de depressão do sistema nervoso central. • Convulsões: a exposição a doses extrema- mente altas, podem, mesmo em períodos curtos, pro- duzir fenômenos de aquecimento da massa encefálica com manifestações de convulsão de tipo “grande mal”, seguida de morte.
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    135 • Queimaduras ocorremem nível do tecido sub- cutâneo e derme. Os sintomas como calor, rubor, edema, aparecem após um período de latência de 4 a 12 horas. O edema é duro, levando a um engrossamento da pele. A repetição de exposições leva a uma precipitação de mie- lina com o escurecimento da pele. 3.6.1 MEDIDAS DE CONTROLE DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE • Planejamento de equipamentos: respeitando os limites de tolerância; • Enclausuramento da fonte: aplicação de ante- paros metálicos adequados; • Afastamento da fonte: distanciamento entre a fonte da radiação e o operador. • Proteção individual: óculos, vestimenta ade- quada, capacete metálico. 3.7 RADIAÇÕES IONIZANTES As radiações ionizantes existem no Planeta Terra desde a sua origem, sendo portanto um fenô- meno natural. No início, as taxas de exposição a estas radiações eram certamente incompatíveis com a vida. Com o passar do tempo, os átomos radioativos, ins- táveis, foram evoluindo para configurações cada vez mais estáveis, através da liberação do excesso de ener- gia armazenada nos seus núcleos. Pelas suas proprie-
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    136 dades esta energiaé capaz de interagir com a maté- ria, arrancando elétrons de seus átomos (ionização) e modificando as moléculas. Considerando a evolução dos seres vivos, a modificação de moléculas levou a um aumento de sua diversidade, e provavelmente ao surgimento de novas estruturas que, devidamente associadas, ganha- ram características de ser vivo. As radiações ionizan- tes continuaram a trabalhar este material ao longo das eras, produzindo modificações que contribuíram para o surgimento da diversidade de seres vivos que povo- aram e povoam a Terra. No final do século XIX, com a utilização das radiações ionizantes em benefício do homem, logo seus efeitos na saúde humana tornaram-se evidentes. Ao longo da história, estes efeitos foram identifica- dos e descritos, principalmente, a partir de situações nas quais o homem encontrava-se exposto de forma aguda (acidentes e uso médico). Efeitos que porventura pudessem decorrer de exposições às radiações em condições naturais foram pouco estudados e pouco entendidos. Recen- temente um esforço no sentido de melhor se enten- der o papel destas radiações junto à vida tem sido desenvolvido e a expectativa é que possam ser emi- tidos novos conceitos a respeito dos efeitos biológi- cos das radiações ionizantes. (11)
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    137 3.7.1 EFEITO DASRADIAÇÕES IONIZANTES NO HOMEM O efeito das radiações ionizantes em um indivíduo depende basicamente da dose absorvida (alta/baixa), da taxa de exposição (crônica/aguda) e da forma da exposição (corpo inteiro/localizada). Qualquer dose absorvida, inclusive das doses provenientes de radiação natural, pode induzir cân- cer ou matar células. A questão é de probabilidade de dano, probabilidade de mutações precursoras de câncer e número de células mortas. Quanto maiores as taxas de dose e as doses absorvidas, maiores as probabilidades de dano, de mutações precursoras de câncer e de morte celular. Danos podem ser repara- dos; mutações podem tanto representar falhas nos mecanismos de reparo como mecanismos de elimi- nação de células inviabilizadas pelo dano. A morte celular, resultante de quebras na molécula de DNA, da mesma forma que a eliminação de células mutan- tes, pode ser encarada como um mecanismo de eli- minação de produtos inviabilizados pela presença de danos. A questão passa a envolver o número de células destruídas, o momento em que a morte celular ocorre, (considerado o estágio de desenvol- vimento do ser célula-ovo, embrião, feto, criança, adolescente, adulto, velhice), e o sexo do indivíduo irradiado. Nas tabelas 3.3 e 3.4 estão relacionados sintomas induzidos por exposições agudas locali-
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    138 zadas e exposiçõesde corpo inteiro. Em todos os casos de desenvolvimento de sintomatologia clínica o processo reflete a morte de um número significa- tivo de células com comprometimento de órgão e/ ou tecidos. A unidade de dose absorvida é o Gray (Gy). A dose média de radiação natural absorvida pela população mundial é de 2,6 Gy x 10-3 x ano 1 , isto é, 2,6 mGy por ano. (11)
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    139 3.7.2 MEDIDAS DECONTROLE DA RADIAÇÃO IONIZANTE • Medida coletiva: isolamento da fonte de radia- ção, por exemplo, pisos e paredes revestidas de chumbo em salas para realização de exames radiográficos. • Medida individual: fornecimento de EPI ade-
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    140 quado, por exemplo,protetores plúmbiferos como ócu- los, avental, protetor de tireoide e protetor de gônada. • Medida administrativa: dosímetro de bolso para monitoramento de dose absorvidas dos traba- lhadores expostos.
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    143 UNIDADE 4 |RISCOSERGONÔMICOSEDEACIDENTES Ciência par uns, tecnologia para outros, a Ergonomia é um campo de aplicação interdisciplinar das ciências, reconhecida oficialmente há pouco mais de meio século. Apesar disso, podemos dizer que há quatro milhões de anos, nossos ancestrais hominídeos, instintivamente, praticavam a Ergonomia quando esco- lhiam um seixo que melhor se adaptava às suas mãos para um determinado propósito ou quando lascavam o sílex, dando-lhe formato apropriado para o uso preten- dido. A Ergonomia também esteve presente, embora anônima, na criação das primeiras armas, ferramentas, utensílios domésticos e na própria organização das tare- fas diárias. Em busca do conforto, o homem procurou adaptar os materiais da natureza aos objetivos almeja- dos, alterando sua forma com vistas à maior eficiência, praticidade e adequação às suas características individu- ais. Esse fato foi e continua a ser de grande importân- cia na produção artesanal de roupas, cabos de armas de competição, sapatos, etc. (2) A princípio, as atenções ergonômicas voltavam- se sobretudo às dimensões de objetos, ferramentas e componentes dos postos de trabalho, visando a facilitar as atividades dos operários. Posteriormente, ampliou-se o campo de ação da Ergonomia, que passou a preocu- par-se também com os agentes agressivos do ambiente
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    144 de trabalho, especialmenteos físicos e químicos. Final- mente, a partir dos anos 80, passaram a ser enfocados os aspectos cognitivos, ou seja, os sistemas de informa- ção e sua transmissão adequada às capacidades huma- nas. A psicopatologia e a análise coletiva do trabalho vem sendo estudadas mais recentemente, sobretudo pela escola francofônica, enriquecendo a psicologia industrial e a administração. (2) A importância da Ergonomia faz-se sentir com o desenvolvimento tecnológico, pois este pode pro- duzir efeitos nem sempre previsíveis. O homem pode ser submetido inadvertidamente a estressores por lon- gos períodos de tempo, levando à perda da eficiência e mesmo a incapacidades; por outro lado, deficiências da capacidade do operador para cumprimento de requi- sitos de uma tarefa podem reduzir a produtividade, a qualidade do trabalho e mesmo acarretar acidentes de maior ou menor gravidade. Um exemplo disso, entre nós, ocorreu com a difusão dos microcomputadores e a verdadeira “epidemia” de problemas musculoesque- léticos e tendinosos relacionada ao trabalho de digita- ção, que resultou numa maior atenção pra os problemas decorrentes da não observância de princípios ergonô- micos e culminou com o estabelecimento da Norma Regulamentadora 17 – Ergonomia (Portaria N°.3751 de 23 de novembro de 1990). Embora, por suas limita- ções, essa NR deva ser considerada apenas como uma referência, seu mérito reside em ter chamado a atenção
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    145 para as necessidadesde humanização do trabalho, con- forto e proteção da saúde dos nossos trabalhadores. (2) Podemos descrever risco ergonômico como aqueles resultantes da falta de adaptação do trabalho ao homem, gerando sobrecarga nas estruturas musculoes- queléticas como esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso, exigência de postura inade- quadas, repetitividade, controle rígido de produtividade, imposição de ritmos excessivos, trabalho em turno e noturno, jornada de trabalho prolongada, e que geral- mente dão origem à fadiga, à lombalgia, a doenças oste- omusculares (como LER-DORT), etc. (20) 4.1 ALGUMAS SÍNDROMES NEURÓTICAS Síndrome da fadiga crônica Fadiga patológica, fadiga industrial, seja qual for a denominação, diferentes autores descrevem um quadro que é interpretado como resultante da fadiga acumulada ao longo de períodos de duração variável – meses ou mesmo anos. Diz respeito a situações de trabalho e de vida em que as pessoas não tem oportuni- dade de obter a necessária superação da fadiga através do sono e repouso adequados. (8) A característica mais marcante é a presença de umafadigaconstante.Porassimdizer,oindivíduo“acorda cansado”. Essa fadiga é mental e física, simultaneamente.
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    146 Portanto, assume ocaráter de uma fadiga geral. (8) A má qualidade do sono é justamente outra manifestação importante: a pessoa não consegue apro- fundar o sono, desperta frequentemente durante a noite e muitas vezes tem insônia. Para alguns, a dificuldade mais importante é para adormecer, quando o trabalho intelectual foi muito intensivo e “a cabeça continua tra- balhando, não consegue desligar”, como referem mui- tos. Os próprios sonhos passam a ter o trabalho como conteúdo, às vezes de modo repetitivo e perturbador. (8) A síndrome apresenta, além do cansaço e dos distúrbios de sono, outras manifestações. A irritabili- dade e o desânimo são as alterações psicológicas prin- cipais no quadro. O indivíduo passa a irritar-se mesmo por pequenas coisas que anteriormente não o perturba- vam. Isto conduz a conflitos interpessoais no ambiente de trabalho e fora dele, atingindo negativamente o rela- cionamento familiar. (8) O desânimo que se associa ao cansaço faz com que desapareça o interesse pela vida social e a disposi- ção para atividades de lazer anteriormente praticadas. Deste modo, o trabalhador tende a se retrair e a se isolar socialmente. (8) Outros sintomas que tem sido descritos nesta síndrome, com variações de presenças e de inten- sidade, são: dores de cabeça, dores no corpo (geral- mente nos músculos mais utilizados no trabalho), perda de apetite e mal-estar geral. Graus variáveis de
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    147 ansiedade podem sernotados. (8) Inicialmente mencionada em correlação ao trabalho industrial e por isso então denominada “fadiga industrial”, a síndrome foi considerada, por alguns autores, como decorrente da monotonia do trabalho repetitivo. (8) Atualmente, as pesquisas científicas vem dando grande atenção a uma outra síndrome que tem recebido a mesma denominação de “síndrome da fadiga crô- nica”, e que se desenvolve depois de infecções viróticas. Na CID-10, a mesma consta como G93.3 – síndrome de fadiga pós-virose. A análise do histórico de trabalho é de grande importância para o diagnóstico diferen- cial os antecedentes de virose (mononucleose tem sido uma das mais relacionadas com a síndrome) também precisam ser pesquisados. O grau de astenia e as dores musculares parecem ser mais intensas, em geral, na sín- drome pós-virose. (8) Acredita-se que a sensação de fadiga seja devida à ação da interleucina 1, substância secretada por monócitos e macrófagos durante processos infec- ciosos e pelos astrócitos, em decorrência de esforços prolongados, trabalho físico ou intelectual intenso. A interleucina seria o “hormônio da fadiga”, tendo como antagonistas as “endofinas”. (2) Didaticamente, distinguem-se dois tipos bási- cos de fadiga: a fadiga física e a fadiga psíquica, mas diversas outras classificações podem ser encon-
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    148 tradas na literatura.(2) A fadiga física ou somatória seria caracterizada pelas seguintes alterações fisiológicas: (2) 1. Alterações circulatórias e do equilíbrio hidro salino, como se observa nos trabalhos em ambientes de alta temperatura. 2. Redução do aporte de oxigênio, observado no trabalho em grandes altitudes. 3. Aumento dos metabólitos ácidos no sangue, verificado no trabalho muscular pesado e exaustivo. 4. Redução das reservas de combustível mus- cular e queda da glicemia, também observada no tra- balho pesado. 5. Alterações neurofisiológicas e hormonais decorrentes de trabalho mental atento e de trabalho mus- cular leve com repetição contínua de movimentos, envol- vendo o uso contínuo dos mesmos trajetos nervosos. (2) Com base na causa e no modo de manifestação, diversas formas de fadiga podem ser consideradas: (2) a) Fadiga muscular; b) Fadiga visual, resultante de sobrecarga ocular; c) Fadiga geral, consequente à sobrecarga de todo o organismo; d) Fadiga mental, induzida por trabalho mental ou intelectual;
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    149 e) Fadiga nervosa,causada pela solicitação excessiva de uma parte do sistema psicomotor, como no trabalho aprendido e repetitivo; f) Fadiga por monotonia, da ocupação ou do ambiente; g) Fadiga crônica, um acúmulo de efeitos a longo prazo; h) Fadiga circadiana ou nictemeral, por quebra do biorritimo. (2) Prevenção da fadiga, diversas são as medidas pre- conizadas para prevenção da fadiga dos trabalhadores: (2) a) Manutenção de um ambiente de trabalho agradável; b) Jornadas e pausas adequadas no trabalho; c) Treinamento e adaptação gradual ao trabalho; d) Ergonomia do posto de trabalho; e) Racionalização do trabalho e mecanização; f) Enriquecimento do trabalho; g) Seleção profissional adequada; h) Balanceamento nutricional adequado; i) Conscientização das chefias; j) Melhoria das relações humanas no trabalho; k) Música ambiente (orquestrada, em volume audível, ao final dos períodos de trabalho); l) Participação dos trabalhadores na organiza- ção do trabalho, etc. (2)
  • 150.
    150 Além disso, nãoesquecer que numerosos fato- res extraprofissionais, ligados à Qualidade de vida dos trabalhadores, contribuem consideravelmente para a fadiga, tais como problemas socioeconômicos, de ali- mentação, de habitação, familiares, de transporte, abuso de drogas, assistência social, saúde pública, etc. Embora tais problemas sejam de alçada governamental, as empre- sas muito podem contribuir para atenuá-los através da instituição de planos de benefícios de diversos tipos. (2) Síndrome do esgotamento profissional – burn-out É tema central do livro de Herbert J. Freu- denberger, BURN OUT, publicado em 1980. O autor coloca uma representação de um incêndio devastador, um “incêndio interno” que reduz a cinzas a energia, as expectativas e a autoimagem de alguém antes profun- damente entusiasta e dedicado ao trabalho. Essa repre- sentação corresponde à síndrome que Freudenberger denominou burn-out ou “esgotamento profissional”, e às vezes ao que popularmente tem sido designado como estafa. Este último termo, entretanto, tem sido utilizado muito frequentemente como um eufemismo – isto é, como uma designação destinada a amenizar e encobrir diferentes diagnósticos psiquiátricos, sob a aparente jus- tificativa de evitar que tais diagnósticos causem choque em paciente ou em familiares dos mesmos. Por isto, adotar tal termo para tradução em português de bur-
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    151 n-out parece poucoindicado. Outro motivo para pre- ferir esgotamento profissional é também porque a pala- vra estafa, originada do italiano staffare (cansar), embora corresponda a cansaço e esgotamento nervoso, possui também outros significados – trabalho enfadonho, por exemplo – o que pode levar a confusões de entendi- mento. (8) Baseando-se em seus numerosos estudos de caso, Freudenberger identifica que especialmente dois tipos de pessoas estão expostos ao burn-out: pessoas particularmente dinâmicas e propensas a assumir papéis de liderança ou de grande responsabilidade, e idealistas que colocam grande empenho em alcançar metas fre- quentemente impossíveis de serem atingidas, exigindo muito de si mesmos. O esgotamento profissional tem sido descrito principalmente em profissionais que trabalham na pres- tação de cuidados a pessoas doentes, grupos sociais carente e crianças. Assim, vários estudos a respeito do tema foram realizados com enfermeiras, médicos, assistentes sociais e professores. Freudenberger também relata uma situ- ação de burn-out coletivo em executivos. Mas a maior parte dos estudos diz respeito a pessoas que, ao longo de anos de profissão, persistiram em tentar a solução de problemas humanos (dor, sofrimento em geral, misé- ria, injustiça), atuando com grande empenho, de forma geralmente intensiva e auto exigente, sacrificando a vida
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    152 pessoal, férias, etc.Estas pessoas teriam geralmente altas expectativas de sucesso em seus objetivos e, também, de obter reconhecimento. O desencadeante mais frequente seria uma situ- ação de sobrecarga ou de frustração no trabalho. Freu- denbeger aponta para a existência de uma fase prévia a este desencadeamento, na qual o entusiasmo é substi- tuído pó uma vivência de tédio, surgindo irritabilidade e mau humor. Em geral, existe uma tendência a negar essas primeiras manifestações de desgaste por parte da pessoa afetada. Depois, eclode o quadro clínico: • Perda do autocontrole emocional; • Aumento da irritação; • Manifestações de agressividade; • Perturbações do sono; Manifestações depressivas marcadas pela decep- ção e pela perda de disposição e interesse pelo trabalho. A evolução do esgotamento profissional pode ser favorecida pelo acesso à psicoterapia e ao apoio social; à compreensão por parte dos colegas e chefias; à possibilidade de se integrar em comissões de saúde ou grupos voltados para humanizar a situação de tra- balho; à variação de atividade e ao apoio familiar. Se o esgotamento profissional não for reconhecido, e inter- pretações equivocadas aumentarem o sentimento de fra- casso, a evolução pode ser para agravamento do quadro
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    153 depressivo, havendo risco,em casos mais graves, de ten- tativa de suicídio. É importante que os gerentes sejam preparados para atuar de modo adequado, saibam que há hipersensibilidade nesta situação clínica, de modo que qualquer crítica ou ironia pode precipitar conflitos e/ou piorar o quadro clínico. 4.2 DOENÇAS DA COLUNA VERTEBRAL RELACIONADAS AO TRABALHO A coluna vertebral constitui o eixo longitudinal do corpo, tendo que conciliar dois imperativos mecâni- cos aparentemente contraditórios: a rigidez e a flexibili- dade, atingidos graças a sua arquitetura. (2) Figura 4.1 – Coluna vertebral Fonte: http://luzquantica.com.br/2013/08/
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    154 Essa estrutura éformada por 24 vértebras livres, empilhadas sobre o sacro. Este, por sua vez, é constituído por 5 vértebras soldadas entre si e aos ossos do quadril e ligado inferiormente a outras 3 ou 4 peque- nas vértebras que compõem o cóccix. (2) A vértebra é a unidade básica da coluna. Uma vér- tebra “tipo” é formada de várias partes, conforme figura. Figura 4.2 – Vértebra tipo Fonte: Bauk, Douglas A. – 2008
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    155 O disco intervertebralé uma estrutura for- mada por várias camadas concêntricas de tecido fibroso – o anel fibroso – envolvendo um núcleo gelatinoso central – o núcleo pulposo. Os discos fun- cionam como coxins que amortecem os choques e facilitam a mobilidade da coluna. (2) Tanto os discos como as demais articulações da coluna são sensíveis a pressões e movimentos exagera- dos do corpo, estando sujeitos ao desgaste pelo enve- lhecimento e a diversas condições patológicas. (2) Dores na coluna dorsal não são comuns, posto que tal região seja menos sujeita a sobrecargas mecânicas, suportando menor peso e tendo menor mobilidade que a coluna lombar. Em geral, dores tóraco-dorsais decorrem mais comumente de vícios posturais, de tensão muscu- lar (sobretudo devida ao estresse), nevralgias e de outras condições patológicas que não as da coluna vertebral. (2) A doença mais comum é a lombalgia, que pode ser classificada em sete tipos: A. De origem muscular e ligamentar: 1. Lombalgia/dorsalgia por fadiga da muscu- latura paravertebral; 2. Lombalgia por distensão músculo-ligamentar. B. De origem no sistema de mobilidade e estabilidade da coluna: 3. Lombalgia por torção da coluna lombar (ou
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    156 por ritmo lombopélvicoinadequado); 4. Lombalgia por instabilidade articular. C. De origem no disco intervertebral: 5. Protrusão intradiscal do núcleo pulposo; 6. Hérnia de disco intervertebral. D. Predominantemente psíquica: 7. Lombalgia como uma forma de conversão psicossomática. (8) Lombalgia por fadiga da musculatura paraver- tebral, aparece no trabalho: 1. Quando o plano de trabalho está baixo (mesa baixa,bancadabaixa,comandosdemáquinasbaixos,ponto de realização de tarefa baixo); quando a pessoa é muito alta, mesmo os planos de trabalho adequados para pessoas medianas, serão percebidos como muito baixos; (8) 2. Quando o indivíduo trabalha sentado encur- vado excessivamente para a frente. Esse encurvamento excessivo pode ser devido: • A uma impossibilidade de aproximar o tronco à mesa de trabalho por obstrução à entrada das pernas (mesas de trabalho que, no espaço das pernas, possuem gavetas ou não possuem o espaço para elas);
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    157 • A ausênciade apoio para o dorso, o que impossibilita o relaxamento periódico da musculatura; • A uma impossibilidade de apoiar o corpo com os cotovelos ou mãos, normalmente, quando o tronco fica inclinado excessivamente sobre a mesa de trabalho, a fadiga fica compensada pelo apoio intermitente sobre os cotovelos ou as mãos. No entanto, quando os instru- mentos exigem a ação das duas mãos, o apoio do corpo por estas partes fica impossível. (8) 3. Quando o indivíduo tem que aliar a posição citada em 1 ao carregamento ou sustentação de um peso, como no caso de um operador que vai posicio- nar uma carga pesada na máquina, e esta não lhe per- mite aproximar totalmente o corpo; (8) 4. Quando o indivíduo tem que trabalhar de pé ou sentado e a mesa de trabalho é excessivamente alta, nesta situação, a coluna fica retificada, originando esforço estático da musculatura do dorso para ser mantida nesta situação; (8) 5. Quando o indivíduo tem que trabalhar sentado num assento muito baixo, sem apoio para o dorso, nesse caso, o indivíduo fica com as coxofemurais muito fletidas e seu corpo é impulsionado para trás, para compensar, a musculatura do dorso tem quedesenvolver esforço está- tico prolongado, vindo a fadiga, e com ela, a dor; e (8)
  • 158.
    158 6. Quando oindivíduo tem que trabalhar com a mão atingindo o chão, sem poder agachar-se. (8) Embora em si seja um quadro pouco grave, a situação de fadiga, se repetitiva, pode ocasionar uma tensão muscular crônica, acompanhada de hipoxia e miosite, com a consequente reação fibrosa intramus- cular, aderências e uma situação de dor crônica, aos menores movimentos, e refratária à volta à posição de repouso. Além disso, a tensão muscular crônica age comprimindo os discos intervertebrais, prejudicando sua nutrição e contribuindo para a sua degeneração. (8) Lombalgia por torção da coluna ou por ritmo lombopélvico incorreto, é uma das mais frequentes no trabalho, e geralmente acontece quando: 1. O trabalhador escorrega enquanto caminha, e na tentativa de se manter em pé, torce o corpo; 2. Um objeto cai no chão, a pessoa se esforça por segurá-lo e, na tentativa, tem um brusco movimento de rotação lateral; 3. O trabalhador vai pegar uma carga e o local está inacessível; isto obriga o indivíduo a pegar a carga posicionando-se ao lado da mesma, o que faz a coluna lombar a torcer e girar;
  • 159.
    159 4. O trabalhadorvai pegar uma carga mais pesada ou de conformação assimétrica, aproximando as mãos do chão, com os joelhos eretos; devido ao excesso de peso ou à conformação assimétrica, o movimento que deveria ser absolutamente simétrico torna- se assimétrico, podendo ocorrer a lombalgia; 5. O trabalhador, portador de escoliose, dife- rença de comprimento dos membros inferiores, rigidez dos músculos isquiotibiais ou da musculatura paraverte- bral, rigidez das coxofemorais ou alterações das sacroilí- acas, realiza levantamento ou movimentação de cargas com o dorso encurvado; nesse caso, por mais que o indi- víduo se esforce por fazer a flexão do tronco em ritmo lombopélvico adequado (simétrico, fácil e harmônico), não o conseguirá, pois as afecções citadas o impedem. (8) Embora não seja grave, esta forma de lom- balgia costuma ser bastante recorrente. Manifesta-se como um dor forte e intensa na região lombar, geral- mente unilateral, que se prolonga por dois a quatro dias e espasmo muscular de intensidade relativa. (8) Lombalgia por distensão músculo-ligamentar Ocorre principalmente quando a musculatura paravertebral tem que desenvolver o esforço de elevação de uma carga com o tronco fletido e o valor da carga
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    160 é excessivamente pesado,acima dos limites dos mús- culos, ligamentos e fáscias antes citados. (8) Geralmente ocorre ao se levantar pesos excessivos, mas frequentemente em pessoas cuja compleição física não as habilitaria a desenvolver esforços mais pesados; uma causa frequente deste tipo de lombalgia é quando duas pessoas estão car- regando uma carga e uma delas deixa seu lado cair e a outra tem que fazer um grande esforço no sentido de mantê- la. Também ocorre quando a pessoa vai fazer o esforço sem enrijecer os músculos do dorso. Ocorre também entre indivíduos que realizam manu- seio de cargas com flexão e/ou rotação do tronco com frequência, mesmo que as cargas manuseadas não sejam muito pesadas. E, ainda, é uma forma frequente de lombalgias entre trabalhadores habituados a ativida- des de manuseio de cargas após a idade de 40 anos. (8) Clinicamente, é uma dorsolombalgia forte, que piora à tentativa de flexão do tronco, sem sinais neurológicos. Esta forma de lombalgia pode ser considerada de média gravidade, por ser recorrente, podendo ocasionar também hipertonia crônica dos músculos, com compressão dos discos interverte- brais e a consequente degeneração dos discos. (8) Lombalgia por instabilidade articular na coluna vertebral Provoca dor decorrente da instabilidade na
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    161 junção lombossacra, epode ocorrer nas seguintes situações de trabalho: 1. Em trabalhadores que tenham algum defeito no fechamento do arco vertebral ou nas articulações intervertebrais e que permaneçam parados, de pé, durante grande período de tempo em posição de lordose forçada na coluna lombar, 2. Em trabalhadores que tenham alguma das deficiências citadas e que carreguem cargas e suportem pesos, mesmo sem curvar o tronco. (8) A lombalgia, nesse caso, pode ser forte ou não, dependendo da intensidade do deslocamento anterior de L5 sobre S1 e dependendo também do tempo de evolução do distúrbio. (8) Lombalgia por protrusão intradiscal do núcleo pulposo Surge com o envelhecimento prematuro do disco, ocorrem alterações nas fibras do mesmo (alte- rações estas conhecidas como discoartrose), carac- terizadas essencialmente por: (a) as fibras que antes eram elásticas, vão se tornando colágenas e friáveis; e (b) a capacidade de amortecimento de cargas vai se reduzindo gradativamente. (8) Mas, à medida que vai ocorrendo a colageni-
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    162 zação das fibrasdo disco, os aumentos de pressão, principalmente por esforços assimétricos, tendem a empurrar o núcleo pulposo para o lado oposto. (8) Geralmente, no ambiente de trabalho, o esforço que causa a protrusão intradiscal do núcleo pulposo é pegar ou manusear uma carga pesada aproximando o tronco do chão, sem dobrar os joe- lhos. Nesse caso, o núcleo pulposo é arremessado para trás, abrindo caminho entre as fibras agora fri- áveis, e pode chegar até as porções mais periféricas do disco (quase herniando-se no forame interverte- bral ou no canal vertebral). (8) As atividades que precipitam este tipo de lombalgia são: • Pegar ou manusear uma carga mais pesada, com o tronco em flexão; • Pegar ou manusear uma carga com o tronco em flexão lateral ou rotação; • Pegar ou manusear uma carga longe do corpo. Clinicamente, a dor é fortíssima, acompa- nhado de espasmo muscular muito acentuado (que teria a função de ser um mecanismo de proteção e evitar novamente o esforço excêntrico, no sentido de não haver uma hérnia de disco). A lombalgia aumenta quando o indivíduo tosse ou espirra, fenômenos que ampliam a pressão no disco. (8)
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    163 Hérnia de discointervertebral Ocorre por trauma cumulativo, o núcleo pulposo fora de seu lugar dentro do disco irá sair e poderá comprimir a raiz nervosa daquela região dando uma dor fortíssima, que se irradia ao longo do trajeto do nervo. Na maioria das vezes o disco que se hérnia é o situado entre L5-S1. (8) A hérnia de disco é rara quando o indivíduo pega uma carga do chão fletindo o tronco simetri- camente, ela pode ocorrer quando o trabalhador vai pegar uma carga e flete o tronco assimetricamente. Nessa situação, o núcleo pulposo pode se herniar nas laterais. Outro movimento que precipita a hérnia de disco é fazer um esforço de levanta uma carga longe do corpo, pois nesta situação, para poder con- seguir realizar a tarefa, os músculos da coluna tem que fazer um esforço muitíssimo alto, com possibi- lidade de comprimir os discos da coluna e promover a sua herniação; é claro, se o esforço for feito de forma assimétrica e, além disso, longe do corpo, a chance da hérnia de disco fica muito aumentada. (8) A seguir, na tabela 4.1 observamos o quadro clínico de acordo com a área da coluna atingida pela hérnia de disco.
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    165 Lombalgia por conversãopsicossomática, apresenta como principal característica: • Queixa de dor desproporcional à lesão encontrada; • Recorrência frequente; • Não há uma definição clara do movimento que provoca a dor; • Há desajustamentos psíquicos importantes do indivíduo a algum aspecto de sua realidade de vida. Pode haver insatisfação com o trabalho; • Esse desajustamento manifesta-se, fre- quentemente, sob a forma de melancolia, incapaci- dade de enfrentar ou superar os obstáculos e tônus vital diminuído. • À medida que o paciente dirige sua atenção para outros fatores, a dor tende a diminuir de intensidade; • As situações de ansiedade geram tensão muscular e dor; • As situações de depressão geram alterações posturais e dor; • O paciente pressente que suas costas vão doer à medida que percebe um problema psíquico iminente; • Há um condicionamento do estado doloroso, o indivíduo aprende que, à medida que tem o problema, é alvo de atenção e carinho; • Dorme mal, o que agrava a dor. (8)
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    166 Visão geral sobreo risco para a coluna Se dá qualitativamente, pois pode ser identi- ficado ao se observar a tarefa, os pesos levantados, a intensidade dos esforços realizados, o ambiente de trabalho, a capacidade das pessoas e o grau de ins- trução e treinamento. Um check-list eficaz na identificação do risco é o que se segue (a partir de MacDonald & Haslock, 2000) As tarefas manuais envolvem: • Manusear cargas longe do tronco? "94" • Torcer ou inclinar o tronco anteriormente? • Alcançar e pegar objetos acima da cabeça? • Mover um a carga por um longo trajeto na vertical? • Carregar cargas por longas distâncias? • Empurrar ou puxar carrinhos, pateleiras em grande exigência? • Movimentos imprevisíveis de cargas? • Levantamento e manuseio repetitivo de cargas? • Um ritmo de trabalho muito rápido imposto pelo processo coexistindo com esforços pesados? • Tempo insuficiente de recuperação? • Levantar e manusear pacientes?
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    167 As cargas são: •Pesadas, volumosas ou de difícil manejo? • De pega difícil? • Instáveis, imprevisíveis? • Intrinsecamente perigosas, por exemplo, qui- nas vivas, quentes? • O trabalho em escritório é caracterizado por: • Cadeiras sem regulagem da altura ou inclina- das para trás? • Suporte inadequado na coluna vertebral? • Pés sem apoio? • Rodízios muito duros ou excessivamente deslizantes? • Cadeiras instáveis? • Posto de trabalho (mesa, mesa do computador, teclado) sem regulagem quando isso seria necessário? • Monito de vídeo muito alto ou muito baixo? • Falta de espaço para as pernas? Existem no ambiente de trabalho: • Postura constrita, estática? • Piso de má qualidade, excessivamente liso ou irregular? • Variações nos níveis do piso? "95" • Calor, frio ou umidade? • Fortes corrente de ar? • Iluminação deficiente?
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    168 Quanto à capacidadeindividual. O trabalho: • Exige uma capacidade física especial? • Coloca em maior risco aqueles com um pro- blema de saúde (por exemplo, distúrbio na coluna)? • Coloca em maior risco as gestantes? • Exige informação especial ou treinamento especial sobre como executá-lo? • Requer roupas especiais? Instrução e treinamento. As condições atuais de traba- lho poderiam ser melhoradas com: • Uso de utensílios mecânicos? • Princípios de métodos adequados? • Boas técnicas de manuseio de cargas? A prevenção das lombalgias passa por cinco grupos de medidas, cuja importância é colocada a seguir, na sua ordem decrescente:  1. Medidas de melhoria dos postos de trabalho visando à ergonomia; Reabilitação precoce; 2. Programas de condicionamento físico; 3. Seleção de pessoas; 4. Técnicas de manuseio de cargas.
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    169 4.3 LESÕES PORESFORÇOS REPETITIVOS (LER) / DISTÚRBIOS OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO (DORT) Lesões por esforços repetitivos (LER) ou Dis- túrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) não são uma doença. Esse título engloba um grupo heterogêneo de quadros clínicos que acometem tendões, sinóvias, músculos, nervos, fáscias, ligamentos, isolada ou associadamente, com ou sem degeneração tissular, atingindo principalmente os membros superio- res, mas também, a região escapular, a coluna vertebral e os membros inferiores, em decorrência de fatores ligados ao trabalho. (2) Diversas foram as designações dadas a esse grupo de doenças em outros países, entre nós, os termos mais empregados foram: Lesões por Esforços Repetiti- vos (LER), Lesões por Traumas Cumulativos (LTC) e Doença Cervicobraquial Ocupacional (DCO). (2) A pluralidade de nomes é explicada pelas várias entidades que compõem esse conjunto de doenças e as diversas teorias aventadas sobre sua fisiopatologia. No Brasil, o termo LER teve seu uso consagrado, ape- sar dos quadros nem sempre implicarem em lesões. A introdução da denominação DORT, mais apropriada, não conseguiu abolir o uso da LER e ambas foram ado- tadas oficialmente pelo Ministério da Saúde e da Previ- dência Social, sendo grafadas: LER/Dort. (2) Ramazzini, em 1713, descreveu com muita pro-
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    170 priedade uma doença“típica” dos escreventes: ... Três são as causas das afecções dos escreventes: primeira, contínua vida sedentária; segunda, contí- nuo e sempre o mesmo movimento da mão; e ter- ceira, atenção mental para não mancharem os livros e não prejudicarem seus empregadores nas somas, restos ou outras operações aritméticas... A necessá- ria posição da mão para fazer correr a pena sobre o papel ocasiona não leve dano que se comunica a todo o braço, devido à constante tensão tônica dos músculos e tendões e, com o andar do tempo, dimi- nui o vigor da mão. Conheci um home, notário de profissão,... o qual dedicou toda sua vida a escrever, lucrando bastante com isso. Primeiro, começou a sentir grande las- sidão em todo o braço e não pode melhorar com remédio algum e, finalmente, contraiu uma com- pleta paralisia do braço direito. A fim de reparar o dano, tentou escrever com a mão esquerda, porém, ao cabo de um tempo, esta também apresentou a mesma doença... Relatos isolados foram publicados desde meados do século XIX sobre a cãibra do escrivão (1830), a cãibra do telegrafista (1875) e a entrose das lavadeiras (Doença de DeQuervain) (1891). Já no início do século XX, Ham- mer (1934) estudou tendinites entre empacotadores. (2)
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    171 Apesar disso, essesquadros só começaram a adquirir relevância a partir de meados do século XX, com a crescente utilização do computador no trabalho. No Japão, Maeda descreveu problemas musculoesqueléticos entre perfuradores de cartões (1958), caixas registradoras e datilógrafos (1971) e montadores (1982). (2) Entre nós, a primeira descrição de casos de tenos- sinovites ocupacionais entre lavadeiras, limpadoras e engo- madeiras, foi apresentada no XII Congresso Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho, em 1973. Entre- tanto, o problema acomete profissionais de várias áreas, como açougueiros, datilógrafos, motoristas, professores, empacotadores, britadores, músicos, dentistas, etc. (2) A incidência de LER/DORT em membros superiores aumentou dramaticamente ao longo das últi- mas décadas em todo o mundo. Estudos realizados nos EUA apontam que cerca de 65% de todas as patologias registradas como ocupacionais são de LER/DORT, observando-se que, nas empresas com mais de 11 empregados do setor privado daquele país, a incidência estimada dessas patologias é de 10 por 10.000 homens. A relação horas trabalhadas/ano pode determinar inci- dência mais alta em alguns setores, como, por exemplo, em atividades que exigem do trabalhador uso de força e de repetição comum em linhas de produção de frigorífi- cos, em bancos, em videoterminais, em caixas de super- mercado, em seções de empacotamento, entre outras. (9) No Brasil, o aumento na incidência de LER/
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    172 DORT pode serobservado nas estatísticas do INSS de concessão de benefícios por doenças profissionais. Segundo os dados disponíveis, respondem por mais de 80% dos diagnósticos que resultaram em concessão de auxílio-acidente e aposentadoria por invalidez pela Previ- dência Social em 1998. (9) Diante do aumento da frequência de LER/ DORT, estudiosos têm tentado explicar sua gênese por meio de várias teorias. Serão apresentadas, a seguir, características de algumas delas. Apesar das dificuldades decorrentes da falta de um conhecimento sedimentado sobre o tema, parece estar se formando o consenso de que LER/DORT resultam do entrela- çamento de três conjuntos de fatores envolvidos na dor musculoesquelética: • fatores biomecânicos presentes na atividade; • fatores psicossociais relacionados à organiza- ção do trabalho; • fatores ligados à psicodinâmica do trabalho ou aos desequilíbrios psíquicos gerados em certas situações especiais de trabalho na gênese do pro- cesso de adoecimento. (9) De acordo com Bauk, Douglas – 2008, pode- mos sintetizar os fatores de risco da seguinte forma: Fatores individuais: são representados pelas caracterís-
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    173 ticas físicas epsicológicas, estilo de vida, hábitos etc. As mulheres teriam uma maior predisposição às LER/ Dort em virtude de maior fragilidade orgânica, de ações hormonais e das próprias condições de trabalho em relação aos homens, entretanto, alguns autores contes- tam isso alegando falhas em estudos estatísticos. Tama- nho do pulso, fraturas pregressas, deformidades, práti- cas esportivas, carências vitamínicas (B-6) e tabagismo são outros aspectos a considerar. Fatores Biomecânicos: tarefas envolvendo força e repe- titividade de movimentos, posturas viciosas, uso pro- longado de ferramentas manuais de má empunhadura, golpeamento repetitivo de ferramentas com a base das mãos, constrição do punho por luvas apertadas ou munhequeiras etc., são de grande importância na gênese das LER/Dort. Equipamento e mobiliário não ergonômico, bem como precárias condições de visibi- lidade, contribuem para a ocorrência de posturas vicio- sas, trabalho estático e suas consequências. Fatores organizacionais: pressão excessiva no trabalho, baixo grau de autonomia, monotonia, jornadas prolon- gadas, pausas inadequadas, falha de treinamento, geren- ciamento inadequado, política empresarial etc., estão entre as causas mais comuns de insatisfação no traba- lho, potencializando manifestações psicossomáticas e agravamento dos quadros de LER/Dort.
  • 174.
    174 Fatores psicossociais: tempode serviço, insatisfação no trabalho, medo de perder o emprego, ausência de atividades alternativas, aspectos econômicos, falta de suporte social etc., também influem no problema das LER/Dort de foram marcante. Fatores ambientais: o frio, pela vasoconstrição, prejudica o aporte de nutrientes e a remoção de metabólitos dos tecidos musculares, enquanto que as vibrações afetam as estruturas corporais provocando traumas mecânicos. Ambos contribuem para a instalação e o agravamento de problemas musculoesqueléticos, vasculares e neurológicos. Na tabela 4.2 estão relacionadas diversas doen- ças passíveis de enquadramento entre as LER/Dort.
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    176 A prevenção dasLER/DORT baseia-se na capacitação técnica e definição política para: • avaliação dos fatores de risco para a saúde dos trabalhadores, a partir da inspeção aos locais de trabalho e entrevistas com trabalhadores, reconhecendo situações que podem demandar avaliação ergonômica;
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    177 • identificação dosproblemas ou danos potenciais para a saúde, decorrentes da exposição aos fatores de risco; • proposição das medidas a serem adotadas para eliminação ou controle da exposição aos fatores de risco e proteção dos trabalhadores; • utilização dos recursos de vigilância em saúde e de fiscalização do trabalho, para verificar a obediência, pelo empregador, de suas obrigações em relação à identifi- cação, avaliação e documentação dos fatores de risco exis- tentes no processo de trabalho e à adoção de medidas cor- retivas de controle ambiental e de saúde do trabalhador. A intervenção sobre os ambientes e condições de trabalho deve basear-se em análise criteriosa e global da organização do trabalho, que inclui a análise ergonômica do trabalho (real), da atividade, do conteúdo das tarefas, dos modos operatórios, dos postos de trabalho; do ritmo e da intensidade do trabalho; dos fatores mecânicos e condições físicas dos postos de trabalho; das normas de produção; dos sistemas de turnos, dos sistemas de premia- ção, dos incentivos, dos fatores psicossociais, individuais e das relações de trabalho entre colegas e chefias. Interessa conhecer, também, as medidas de proteção coletiva e indi- vidual implementadas pelas empresas e as estratégias de defesa, individuais e coletivas, adotadas pelos trabalhadores. Devem ser buscadas estratégias para garantir a participação dos trabalhadores e a sensibilização dos níveis gerenciais para a implementação das medidas a serem adotadas, que envolvem modificações na organização do trabalho.
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    179 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ARAÚJO,Wellington T.: Manual de segurança do trabalho – São Paulo: DCL, 2010 2. BAUK, Douglas A.: Temas de ergonomia para médicos do trabalho. 2aEd. – Niterói, RJ: Nitpress, 2008 3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Aten- ção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas.: Dermatoses ocupacionais / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Progra- máticas Estratégicas. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. 4. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estra- tégicas.: Pneumoconioses / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estra- tégicas. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. 5. COSTA, Danilo F.: Programa de Saúde dos Trabalha- dores (A experiência da Zona Norte: Uma Alternativa em Saúde Pública) / Danilo Fernandes Costa, José Carlos do Carmo, Maria Maeno Settimi, Ubiratan de Paula Santos. – São Paulo: Editora Hicitec, 1989 6.IWORKSHOPdevibraçõeseacústica–Agosto/2011 7. LEI No 8.213, de 24 de julho de 1991 8. MENDES, René: Patologia do Trabalho.Vol.1, Vol.2. 2a edição – São Paulo: Atheneu, 2007 9. Ministério da Saúde do Brasil. Organização Pan-Ameri-
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    180 cana da Saúdeno Brasil.: Doenças relacionadas ao traba- lho: manual de procedimentos para os serviços de saúde / Ministério da Saúde do Brasil, Organização Pan-Ameri- cana da Saúde no Brasil; organizado por Elizabeth Costa Dias; colaboradores Idelberto Muniz Almeida et al. – Bra- sília: Ministério da Saúde do Brasil, 2001. 10. MONTEIRO, Antonio L.: Acidentes do trabalho e doenças ocupacionais: (conceito, processos de conhecimento e de execução e suas questões polêmicas) / Antonio Lopes Mon- teiro, Roberto Fleury de Souza Bertagni. – 4a ed. atual – São Paulo: Saraiva, 2007 11. NOUAILHETAS, Yannick.: (Apostila Educativa) Radiações Ionizantes e a Vida / Yannick Nouailhetas, Carlos Eduardo Bonacossa de Almeida, Sonia Pestana. Rio de Janeiro: CNEN Comissão Nacional de Energia Nuclear."102" 12. OLIVEIRA, Claudio A. D.: Segurança e Medicina do Trabalho (Guia de Prevenção de Riscos) – São Paulo: Yendis Editora Ltda., 2011 13. OPITZ, Oswaldo.: Acidentes do Trabalho e Doenças Profissionais / Oswaldo Optiz, Silvia C. B. Optiz. – 3a ed. atual – São Paulo: Saraiva, 1988 14. PAUMGARTTEN, Luiz C.R.: Risco Físico. – Edição 2011 15. PAUMGARTTEN, Luiz C.R.: Risco Químico. – Edi- ção 2010 16.PEDROTTI, Irineu A.: Doenças Profissionais ou do Tra- balho. Vol. 1 – São Paulo: Livraria e Editora Universitá-
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    181 ria de Direito,1988 17. PORTARIA No 1.339, DE 18 DE NOVEMBRO DE 1999 18. POSSAS, Cristina A.: Saúde e Trabalho (A crise da Pre- vidência Social). 2a ed. – São Paulo: Editora Hucitec, 1989 19. RAMAZZINI, Bernardino: As doenças dos Trabalha- dores. 2a edição – Tradução pelo Dr. Raimundo Estrela – São Paulo: Fundacentro, 1985 20. RIBEIRO, Maria C. S. R.: Enfermagem e Trabalho: fun- damentos para a atenção à saúde dos trabalhadores. 2a ed. – São Paulo: Martinari, 2012 21. SOUZA, Décio G.: Anatomia e Fisiologia do Ouvido – São Paulo, 2007. Disponível em: http://www.dgsotor- rinolaringologia.med.br/apost_ouvido.htm 22. UNIFESP. Laboratório de Mediadores Inflamató- rios - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP): Pulmão / Itamar Souza de Oliveira Junior, Rafael de Lima, Janaína Passos de Oliveira, Sâmia Santos Cavas- sani, Ricardo Santos Simões, Lidiane Lopes Reis, Carla Cristina Maganhin, Adriana Aparecida Ferraz Carbonel, Juliana Halley Hatty , Luiz Fernando Portugal Fuchs, Márcio Alexandre Custódio, Joilson Moura dos San- tos, Wagner Rogério Souza de Oliveira, Pâmela Vieira de Andrade. Disponível em: http://www.unifesp.br/ dmorfo/histologia/ensino/pulmao/patologias.htm
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    182 LISTADEFIGURAS Figura 2.1. Dermatitede contato / Fonte: Mendes, René - 2007 Figura 2.10. Dermatite irritativa de contato acneiforme / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 2.11. Perfuração do septo nasal / Fonte: Men- des, René – 2007 Figura 2.12. Dermatite alérgica de contato / Fonte: Mendes, René - 2007 Figura 2.13. Queimadura química por ácido sulfúrico / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 2.2. Micropapuloeritematosas / Fonte: Mendes, René - 2007 Figura 2.3. dermatite alérgica cronificada / Fonte: Men- des, René - 2007 Figura 2.4. dermatite de contato irritativa forte / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 2.5. dermatite alérgica de contato por bota de borracha / Fonte: Mendes, René - 2007 Figura 2.6. dermatite alérgica de contato por bota de borracha / Fonte: Mendes, René - 2007 Figura 2.7. Radiodermite crônica / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 2.8. Dermatite irritativa de contato folicular / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 2.9. Miliária rubra / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 3.1 Curvas de isoaudibilidade, segundo Robin-
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    183 son e Dadson(1961) / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 3.2 Curvas de ponderação normalizada A e C / Fonte: http://dc358.4shared.com/doc/4tk8hSp9/ preview.html Figura 3.3 Corte frontal do órgão periférico (orelhas externa, média e interna) / Fonte: http://centrootorri- nodf.com.br/anatomia/ouvido.php Figura 3.4 Níveis de audição de um indivíduo normal exposto a um ruído de 103 dB(A) (perda auditiva tem- porária) / Fonte: Mendes, René – 2007 Figura 4.1 – Coluna vertebral / Fonte: http://luzquan- tica.com.br/2013/08/ Figura 4.2 – Vértebra tipo / Fonte: Bauk, Douglas A. – 2008 “104” LISTADETABELAS Tabela 1.1 – Classificação das doenças segundo sua rela- ção com o Trabalho / Fonte: Adaptado de Schilling, 1984 Tabela 1.2 - Exemplos de Doenças Infecciosas Selecio- nadas por Ocupação / Fonte: Mendes, René – 2007 Tabela 1.3 - Doenças infecciosas e parasitárias relacio- nadas com o trabalho (grupo I da CID- 10) / Fonte: Portaria no 1.339, de 18 de novembro de 1999 Tabela 1.4 – Precauções Universais / Fonte: Normas de Biossegurança ou Prescrições Universais Tabela 2.1 - Classificação Clínica das Doenças Pulmonares / Fonte: Mendes, René – 2007 Tabela 2.2 - Pneumotinte por Hipersensibilidade / Fonte: Mendes, René – 2007
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    184 Tabela 2.3 -Pneumoconioses, poeiras causadoras e pro- cessos anatomopatológicos subjacentes / Fonte: Men- des, René – 2007 Tabela 2.4 - Exposições Ocupacionais Associadas ao Câncer Respiratório / Fonte: Segundo Critérios da IARC (2000) Tabela 2.5 - Hemopatias Profissionais Segundo Mecanis- mos e Tipos de Alterações e Possíveis Agentes Etiológicos de Origem Ocupacional / Fonte: Mendes, René – 2007 Tabela 2.5 - Principais Substâncias Neurotóxicas Pre- sentes em Situações de Trabalho Capazes de Causar a Doença de Parkinson Secundária / Fonte: adaptado de Rosenberg, 1995 Tabela 3.1 Exemplos de riscos existentes e os efeitos para a saúde / Fonte: Araújo, Wellington - 2010 Tabela 3.2 – Efeitos clínicos da vítima de hipotermia / Fonte: American Family Phvsician – AAFP Tabela 3.3 – Efeitos de radioexposição aguda em adulto / Fonte: APOSTILA EDUCATIVA CNEN Tabela 3.4 – Exposições agudas localizadas / Fonte: apostila educativa do CNEN Tabela 4.1 – Clínica da Hérnia de Disco, segundo os níveis de acometimento / Fonte: adaptado de Crenshaw, 1997