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UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE
Faculdade de Medicina
FISIOLOGIA CARDÍACA
Sebastião Margarida
Maputo, Dezembro de 2014
Sumário
 Embriologia cardiovascular
 Anatomia cardiovascular
 Histologia cardíaca
 Fisiologia
 Funções do sistema cardiovascular
 Ciclo cardíaco
 Sistema de condução
 Electrocardiograma normal
 Referencias bibliográficas
I- Embriologia
 O Sistema Cardiovascular inicia a sua formação durante a
terceira semana de desenvolvimento embrionário.
 Este é o primeiro sistema a formar-se devido às
necessidades fisiológicas do embrião, que por difusão já
não consegue mais realizar funções básicas como
oxigenação dos tecidos e excreção de produtos tóxicos…
 Deriva basicamente da mesoderme e de células da crista
neural.
Embriologia
 O primeiro indício do coração é o aparecimento de um
par de canais endoteliais - os cordões angioblásticos –
durante a terceira semana.
 Estes cordões canalizam-se formando os tubos
cardíacos do coração, que se fundem formando o
coração tubular, ao final da terceira semana.
 O coração começa a bater ao 22° dia.
 O fluxo de sangue começa durante a 4ªsemana e
pode ser visualizado pela ultra-sonografia Doppler.
Embriologia
O coração primitivo é
formado por:
* Tronco arterioso
* Bulbo cardíaco
* Átrio
* Ventrículo
* Seio venoso
Embriologia
A divisão do canal átrio-ventricular, átrio
e ventrículo começam por volta da
metade da 4ªs e está essencialmente
completa ao final da 4ªs de vida.
Embora sejam descritos
separadamente, esses processos de
desenvolvimento acontecem
simultaneamente.
Divisao do canal atrio-ventricular
Coxins endocárdicos
aparecem nas paredes
dorsal e ventral do
coração, na região do
canal atrioventricular.
Estas saliências crescem
em direção uma à outra
e se fundem, dividindo
os canais
atrioventriculares direito
e esquerdo.
Septação do coração
 Inicialmente há separação entre os átrios e os
ventrículos (separação átrio-ventricular) e
posteriormente há divisão atrial (direito e
esquerdo).
 Entre os átrios, permanece no embrião uma
pequena comunicação oval - forame oval
permitindo que o sangue rico em oxigênio
proveniente da veia cava chegue ao átrio
esquerdo
Septação dos ventrículos
A primeira indicação da
divisão do ventrículo é a
formação de uma crista
muscular mediana que é
o septo interventricular
resultado do crescimento
muscular do ventrículo de
ambos os lados.
Esse septo permanece
aberto até a sétima
semana.
Formação das veias
Veias Umbilicais: durante o período
embrionário levam sangue oxigenado da
placenta para o coração.
Veias Vitelínicas: posteriormente darão
origem as veias hepáticas
Veias Cardinais: principal sistema de
drenagem do embrião.
* Veia cardinal anterior: dará origem a
veia cava superior e veia braquiocefálica
esquerda.
* Veia cardinal posterior: dará origem as
raízes da veia ázigo e ilíacas
* Veia subcardinal: dará origem a veia
renal rsquerda, veias supra-renais e
gonadais e um segmento da veia cava
inferior.
Formação das válvulas cardíacas
Quando a septação do troco
arterioso esta quase completa,
as válvulas semilunares
começam a desenvolver-se de
três proliferações do tecido
subendocárdico em torno dos
orifícios da aorta e do tronco
pulmonar.
Estas proliferações são
escavadas para formar três
cúspides de paredes delgada.
II-Anatomia cardiovascular
 O coração é um órgão em forma de cone,
aproximadamente do tamanho de uma mão fechada
 Tem cerca de 12 cm de comprimento, 9 cm de
largura em sua parte mais ampla e 6 cm de
espessura.
 Pesa em média 250g nas mulheres adultas e 300g
nos homens adultos.
 Localiza-se no mediastino, entre os pulmões e
apoia-se sobre o diafragma
 O ápice é formado pela ponta do ventrículo
esquerdo.
 A base é formada pelas aurículas, principalmente o
átrio direito.
Limites
Anterior- esterno e
costelas
Posterior- traqueia,
esófago e artéria aorta
ascendente
Superior- grandes vasos
do coração
Inferior-diafragma
A direita- pulmão direito
A esquerda-pulmão
esquerdo
Configuração interna
ÁTRIO DIREITO
ATRIO ESQUERDO
VENTRÍCULO DIREITO
VENTRÍCULO ESQUERDO
Configuração interna
 Os dois átrios estão separados por uma
parede – septo interauricular.
 Os dois ventrículos estão separadas por uma
parede – septo interventricular.
 Externamente existe uma pequena depressão
que circunda o coração e que separa os
átrios dos ventrículos – é o sulco coronário.
 O sulco coronário tem artérias e veias
coronárias e gordura.
Válvulas cardíacas
O coração tem válvulas que impedem o
refluxo do sangue.
As válvulas são estruturas que fecham
aberturas e são compostas por tecido
conjuntivo.
As válvulas fecham e abrem como
resposta a mudanças de pressão.
Válvulas cardíacas
VALVULAS ATRIO-VENTRICULARES:
Válvula tricúspide (3 cúspides) – válvula
que divide o atrio direito do ventrículo direito.
Válvula bicúspide (3 cúspides) - válvula que
divide o atrio esquerdo do ventrículo
esquerdo
VALVULAS SEMILUNARES
Encontram-se no tronco pulmonar e na artéria
aorta.
Estas válvulas têm como função evitar que o
sangue que sai do coração pelo ventrículo direito,
reflua.
As válvulas são compostas por 3 porções em
forma de meia lua e estão fixadas às paredes das
artérias.
Válvulas cardíacas
Grandes vasos
O sangue venoso chega ao
coração (atrio direito) – através de
3 veias:
Veia cava superior – canaliza
para o coração o sangue da parte
superior do corpo, acima do
coração.
Veia cava inferior – canaliza para
o coração o sangue da parte
superior do corpo, abaixo do
coração.
Seio coronário – canaliza o
sangue da maioria dos vasos da
parede do coração.
Grandes vasos
 O sangue venoso que chega aos pulmões
liberta o dióxido de carbono (CO2) e absorve
oxigénio (O2).
 O sangue oxigenado regressa ao coração,
para o átrio esquerdo através de 4 veias
pulmonares.
 Quando o sangue enche o átrio esquerdo esta
canaliza-o para o ventrículo esquerdo.
 O ventrículo esquerdo bombeia o sangue para
a artéria aorta.
Grandes vasos
 Quando o sangue enche a aurícula direita
esta canaliza-o para o ventrículo direito, que
por sua vez o bombeia para o tronco
pulmonar.
 O tronco pulmonar sai do ventrículo direito e
divide-se em:
 Artérias pulmonares direita e esquerda – que
conduzem o sangue respectivamente para o
pulmão direito e esquerdo.
Grandes vasos
 Quando o sangue sai do
ventrículo esquerdo passa
pela aorta ascendente,
daqui vai para as artérias
coronárias, arco da aorta e
aorta descendente, onde
vai irrigar os órgãos
torácicos e abdominais.
 Através de ramificações
destes grandes vasos o
sangue chega a todos os
tecidos do organismo.
Vascularização
 O coração tem o seu
próprio fornecimento de
sangue através da
circulação coronária.
 Os principais vasos
coronários são:
 Artéria coronária
direita
 Artéria coronária
esquerda
 Seio coronário
Que se originam na
aorta ascendente.
Ramificam-se para fornece
O2 e nutrientes ao
coração.
Transporta o sangue venoso do coração para o átrio direito
Vascularização
Artéria Coronária Direita:
Marginal
Interventricular posterior
Artéria Coronária Esquerda:
Circumflexa
Interventricular anterior
Inervação
Sistema autonomo
Parassimpático- Nervo vago
Simpáticos- T1 ate T4
III-Histologia do coração
 Exteriormente o coração é revestido por uma camada
de tecido conjuntivo que o protege e ajuda a manter
no lugar – o pericárdio.
 O pericárdio apresenta dois folhetos:
 Externo – pericárdio fibroso
 Interno – pericárdio seroso – que apresenta duas camadas:
 A mais externa é a - camada parietal – que está em
contacto com o pericárdio fibroso
 A mais interna é a - camada visceral ou epicárdio – que
está em contacto com o miocárdio
Histologia do coração
Entre o camada parietal e
visceral do pericárdio
seroso existe um espaço –
a cavidade do pericárdio
– que contém um fluido
fluido pericárdico – que
evita o atrito entre as duas
camadas, para facilitar os
movimentos durante os
batimentos cardicos.
Histologia do coração
A parede do coração é formada por 3
camadas, do exterior para o interior:
Epicárdio(externa)
Miocárdio(média)
Endocárdio(interna)
Histologia do coração
Epicárdio:
 Epicárdio é constituído por mesotélio e tecido
conjuntivo.
 Constitui a camada visceral do pericárdio
seroso.
 É uma camada fina, transparente e externa da
parede do coração.
Histologia do coração
Miocárdio
 O miocárdio tem como principal função bombear o sangue.
 As fibras musculares cardíacas formam duas redes distintas:
 Uma rede atrial (sincício atrial)
 Uma rede ventricular (sincício ventricular)
 Cada fibra une-se a outras fibras através dos discos intercalares
 No interior dos discos intercalares encontramos junções gap que
permitem a condução dos potenciais de acção entre as fibras
musculares
 As junções gap funcionam como pontes para a transmissão da
excitação de uma fibra a outra.
Histologia do coração
O miocárdio contém
miofibrilas (actina e
miosina)
Histologia do coração
Miocárdio: (cont)
 O miocárdio constitui a maior parte do coração
e é composto por tecido muscular específico
responsável pela função específica do
coração.
 O tecido muscular do miocárdio apresenta
células musculares:
 Estriadas
 Involuntárias
 Organizadas em feixes
Histologia do coração
 A camada de miocárdio é mais fina nos átrios
porque estes funcionam como uma fraca
bomba de escorva (primer pump) enviando o
sangue para os ventrículos.
 Os ventrículos têm uma camada de miocárdio
mais espessa porque fornecem a forca
principal que propelem o sangue pela
circulação pulmonar e sistémica.
Histologia do coração
Endocárdio:
 O endocárdio reveste o interior do miocárdio,
as válvulas e a cordas tendinosas que se
ligam às válvulas.
 É constituído por epitélio escamoso simples –
endotélio.
 O endocárdio é contíguo com o endotélio que
reveste os grandes vasos sanguíneos
IV-Fisiologia
Funções do sistema cardiovascular
 Garantir circulação a todos órgãos e tecidos
 Fornecer trocas de gases, nutrientes e
hormônios
 Captar o volume sanguíneo proveniente dos
tecidos e remover os produtos do catabolismo
 Participação de mecanismos homeostáticos
(comunicação hormonal, temperatura
corporal).
Potencial de acção
Alterações da permeabilidade durante o potencial de acção no miocardíaco:
 Fase de despolarização
 Os canais de Na+ abrem
 Os canais de K+ fecham
 Os canais de Ca 2+ começam a abrir
 Fase de repolarização inicial:
 Os canais de Na+ fecham
 Alguns canais de K+ abrem
 Os canais de Ca 2+ estão abertos (produzem a fase de planalto porque
atrasam a repolarização
 Fase de repolarização final:
 Os canais de Ca 2+ fecham
 Muitos canais de K+ abrem
Ciclo cardíaco
 Eventos cardíacos que ocorrem no início de cada
batimento até o comeco do seguinte;
 Cada ciclo é desncadeado pela geração expontânea
de um potencial de acção pelo nodo sinusal
 A energia química para a contração cardíaca é
derivada principalmente do metabolismo oxidativo de
ácidos graxos.
 É constituído pela:
 Diástole (periodo de relaxamento)
 Sístole ( periodo de contração)
Ciclo cardíaco
Ciclo cardíaco
Relações do ciclo cardíaco com o ECG
 A onda P e causada pela dispolarização atrial, o que é
seguido pela contração atrial aumentando a sua
pressão imediatamente após a onda P.
 Cerca de 0.16s apos surge o complexo QRS
(despolarizacao ventricular) que da inicio a contracao
ventricular
 Por conseguinte o complexo QRS começa pouco
antes do inicio da contração ventricular
Ciclo cardíaco
Átrios como bomba de escorva
 75% do enchimento ventricular é feito com a abertura das válvulas átrio-
ventriculares, sem contracção auricular.
 A contracção atrial contribui com o enchimento dos restantes 25% de sangue que
falta nos ventrículos.
Variações da pressão atrial:
 Onda a: gerada pela contração atrial ( em geral a pressão atrial direita=4 a
6mmHg e Esquerda=7 a 8mmHg);
 Onda c: causada pelo pequeno refluxo do sangue ventriclulo-atrial durante o
inicio da contração ventricular;
 Onda v: surge próximo ao fim da sístole, resultado do lento fluxo aos átrios
provenientes das válvulas semilunares.
Ciclo cardíaco-Ventriculos como bombas
Enchimento dos ventriculos:
 Durante a sistole o sangue se acumula nos átrios ( porque as
válvulas AV encontram-se encerradas)
 Logo ao fim da sistole, há ↓ pressões sistólicas e as pressões
diastólicas ↑ promovendo a abertura das válvulas AV, permitindo
o fluxo rápido para os ventriculos (periodo de enchimento
rápido) durante o primeiro terço da diástole
 Durante o terço médio o sangue flui normalmente
 Durante o ultimo terço o sangue flui pela contra ção atrial (25%)
Ciclo cardíaco-Esvaziamento dos ventriculos na sistole
Periodo de contração isométrica:
 Imediatamente após o inicio da contração
ventricular, a sua pressão aumenta
subitamente resultando em fechamento das
válvulas AV.
 São necessários 0.02 a 0.03s para a
abertura das válvulas semilunares
 Nesta fase ocorre a contração ventricular,
porém, sem esvaziamento
Ciclo cardíaco-Esvaziamento dos ventriculos na sistole
Periodo de ejecção :
 Com a elevação da pressão ventricular esquerda acima de
80mmHg e da direita acima de 8mmHg, ocorre abertura das
válvulas semilunares;
 Imediatamente o sangue começa a sair dos ventriculos, sendo
70% durante o primeiro terço ( periodo de ejecção rápida) e 30%
( periodo de ejecção lento)
Periodo de relaxamento isométrico:
 Ao término da sistole, subitamente há relaxamento ventricular
permitindo queda das pressões intraventriculares;
 Mantendo-se por cerca de 0.03 a 0.06s em relaxamento antes do
inicio do novo ciclo.
Ciclo cardíaco-Esvaziamento dos ventriculos na sistole
Volume diastólico final: Na diástole, o
enchimento ventricular aumenta normalmente
em cada ventrículo 110 a 120ml.
Debito sistólico: A medida que os ventriculos
se esvaziam na sistole, o volume se reduz em
cerca de 70ml, e os 40 a 50ml remanescentes
a cada ventriculo formam o volume
diastólico final.
Sons cardíacos
 Os sons que se auscultam nos batimentos
cardíacos são provocados pela turbulência do
fluxo de sangue no fechamento das válvulas.
 Como se identificam os sons:
 1º som – (S1) – é um som de batida e longo -
fechamento das válvulas auriculo-ventriculares –
após o inicio da sístole ventricular.
 2º som – (S2 ) – fechamento das válvulas
semilunares – no final da sístole ventricular.
 Pausa entre os ciclos
Débito cardíaco
O débito cardíaco corresponde ao sangue ejectado pelo coracao a por
minuto e é resultado do produto da frequêcia cardíaca pelo volume
efectivo:
DC = FC x VE
Num indivíduo de 70kg, com FC de 70bpm e VE de 70ml teremos um
DC de aproximadamente 5l/min
A frequêcia cardíaca é determinada pela frequência de despolarização
espontânea ao nível do nódulo SA e pode ser modificada pelo sistema
nervoso central, sendo que o nervo vago actua sobre os receptores
muscarínicos reduzindo a frequência cardíaca, enquanto que as fibras
simpáticas estimulam os receptores beta-adrenérgico para aumentar a
frequência cardíaca.
O volume ejectivo é determinado por 3 factores: pré-carga, pós-carga e
contractilidade.
Regulação do Débito cardiaco
Mecanismo de Frank-Starling:
“Quanto mais o músculo for distendido durante o
enchimento, maior vai ser a força de contração
e, consequentimente maior será também a
quantidade de sangue bombeiada para aorta”
“Dentro dos limites fisiológicos, o coração irá
bombear todo o sangue que chegar a ele sem
permitir represamento excessivo de sangue nas
veias”
Débito cardíaco
Os factores que fazem diminuir o
volume sistólico e a frequência cardíaca
– diminuem o débito cardíaco.
Os factores que fazem aumentar o
volume sistólico e a frequência cardíaca
– aumentam o débito cardíaco.
Pré-carga
 A pré-carga consiste no volume
ventricular no final da diástole e é
dependente do retorno venoso.
 O retorno venoso é influenciado por
mudanças de posição, pressão
intratorácica e pelo tónus do sistema
venoso.
 O aumento da pré-carga implica
aumento no volume ejectivo.
 A relação entre o volume ventricular no
final da diástole e o volume ejectivo é
conhecido com Lei de Starling que
defende que a energia de contracção
do músculo ventricular é directamente
proporcional ao comprimento inicial da
fibra muscular.
Pós-carga
 Pós-carga é a resistência a
ejecção ventricular e é causada
pela resistência oferecida ao
fluxo na circulação sistémica –
resistência vascular sistémica.
 A resistência é determinada pelo
diâmetro das arteríolas e dos
esfíncteres pré-capilares.
Quanto mais reduzido for o seu
diâmetro, maior a resistência.
 A resistência vascular sistémica
é controlada pelo sistema
nervoso simpático, que por sua
vez controla o tónus muscular da
parede arteriolar.
Frequência cardíaca
 A frequência cardíaca é variável de acordo com vários
estímulos.
 Frequência cardíaca = 60-100 bpm.
 Factores que condicionam a frequência cardíaca:
 Controle do sistema nervoso autónomo
 Substâncias químicas
 Temperatura
 Emoções
 Sexo
 Idade
Algumas substâncias químicas
produzidas pelo organismo podem
provocar alterações da frequência
cardíaca:
Adrenalina (epinefrina)
Frequência cardíaca – Substâncias químicas
É produzida pelas supra-renais
por estimulação simpática
Aumenta a excitabilidade do
nódulo sino-auricular
Aumenta
a frequência cardíaca
Aumenta
a força das contracções
Frequência cardíaca
O ritmo cardíaco é ajustado de acordo
com as condições variáveis, de forma a
manter a homeostase do organismo.
O nódulo sino-auricular é enervado pelo
sistema nervoso autónomo:
Simpático
Parassimpático
Frequência cardíaca
 A estimulação dos nervos simpáticos – aumenta a
libertação de noradrenalina pelas terminações
nervosas – o ritmo dos impulsos do nódulo SA
aumentam e a frequência cardíaca aumenta.
 A estimulação dos nervos parassimpáticos (nervo
vago – X nervo craniano) – aumenta a libertação de
acetilcolina pelas terminações nervosas – o ritmo dos
impulsos do nódulo SA diminuem e do nódulo AV e a
frequência cardíaca diminui.
O cálcio e o potássio têm influência na
contractilidade das células cardíacas.
Frequência cardíaca – Substâncias químicas
Excesso de iões de potássio
no líquido extracelular
Provoca uma fraqueza geral do
músculo cardíaco.
Diminui a força de contracção pela
diminuição
do potencial de repouso da membrana.
Excesso de iões de cálcio
no líquido extracelular
O coração sofre uma contracção espasmódica.
Aumenta a força de contracção.
Diminui a frequência cardíaca.
Frequência cardíaca - Temperatura
Hipertermia
Aumento da temperatura
corporal pelo exercício físico
Estimulam o nódulo sino-auricular
que gera mais impulsos
Provocando um aumento
da frequência cardíaca
Hipotermia
Provoca:
-diminuição
da frequência cardíaca
-diminuição da força das contracções
Frequência cardíaca - Emoções
Emoções como:
- Medo
- Raiva
- Ansiedade
Aumentam a frequência cardíaca
(sindroma de adaptação geral)
Estados mentais como:
-Depressão
Diminuem a frequência cardíaca por
estimulação do centro cardio-inibitório
Frequência cardíaca-sexo e idade
Os batimentos cardíacos são mais
acelerados nas mulheres que nos
homens.
Os batimentos cardíacos são acelerados
nos recém-nascidos, são moderados na
juventude e são mais lentos nos idosos.
Sistema de condução
 O coração tem um sistema intrínseco de
condução – sistema condutor – que permite
ao coração manter os batimentos cardíacos
sem qualquer estímulo do sistema nervoso.
 O sistema condutor estimula a contracção das
fibras musculares cardíacas, pois tem a
capacidade de gerar e distribuir potenciais de
acção.
 É composto por tecido muscular
especializado.
Sistema de condução
 O músculo cardíaco é capaz de gerar de uma
forma espontânea e rítmica potenciais de
acção que provocam a contracção do
coração.
 O sistema de condução do coração é
composto pelo:
 Nódulo sino-atrial (ou sinusal)
 Nódulo átrio-ventricular
 Fascículo ou feixe átrio-ventricular
 Ramos direito e esquerdo
 Ramos subendocárdicos ou feixes de Purkinje
Sistema de condução
Nódulo sinusal
 O nódulo sino-atrial está localizado na parede do átrio direito,
abaixo da entrada da veia cava superior.
 O nódulo sino-atrial inicia os batimentos cardíacos e marca o
ritmo da frequência cardíaca de todo o coração– é designado
também por “marca passo”.
 O nódulo sino-atrial gera potenciais de acção muito rápidos,
distribui o estímulo por todo o coração, impedindo que outras
zonas possam gerar também potenciais de acção.
Sistema de condução
O potencial de acção que se gera no
nódulo sino-atrial estende-se pelos
átrios fazendo com que estas se
contraiam e provocando a
despolarização do nódulo átrio
-ventricular.
Sistema de condução
Sistema de condução
Nódulo átrio-ventricular
 O nódulo átrio-ventricular localiza-se no septo interatrial.
 O nódulo sino-atrial gera um potencial de acção que passa pelos
átrios até ao nódulo átrio-ventricular.
 Neste nódulo o potencial de acção desacelera permitindo:
 Os átrios transfirem o sangue para os ventrículos.
 Terminar a contracção dos átrios antes que os ventrículos iniciem a
sua contracção.
Sistema de condução
Fascículo átrio-ventricular (ou feixe de His)
 Do nódulo átrio-ventricular o potencial de acção passa
para o fascículo átrio-ventricular (ou feixe de His).
 O fascículo átrio-ventricular inicia-se na parte superior
do septo interventricular.
 O potencial de acção passa para os ramos direito e
esquerdo do fascículo átrio-ventricular na direcção do
ápice do coração.
Sistema de condução
Dos ramos do fascículo auriculo-
ventricular emergem os ramos
subendocárdicos ou fibras de Purkinje,
distribui o potencial de acção pelas
fibras musculares e provocam a
contracção dos ventrículos.
Nódulo sino-autrial
Localização:
parede do atrio
direito
Função:
- Inicia os batimentos
cardíacos.
- Marca o ritmo da
frequência cardíaca.
- Envia potenciais de
acção para os dois
atrios.
- Provoca a contracção
das aurículas.
Sistema de condução
Fascículo auriculo-ventricular ou feixe de His
Localização:
Parte superior do
septo
interventricular
Função:
-Recebe o potencial de acção
do nódulo atrio-ventricular.
- Envia o potencial de acção
para os ramos
subendocárdicos ou fibras de
Purkinje.
Sistema de condução
Ramos subendocárdicos ou fibras de Purkinje
Localização:
Miocárdio ventricular
Função:
- Recebe o potencial de
acção dos ramos direito e
esquerdo do fascículo atrio-
ventricular.
-Distribui o potencial de
acção para as fibras
musculares ventriculares.
- Provoca a contracção dos
ventrículos.
Sistema de condução
Electrocardiograma
 Um electrocardiograma (ECG) é um registo das
alterações eléctricas que acompanham os batimentos
cardíacos.
 Os potenciais de acção de cada segmento do
batimento cardíaco são passíveis de ser registados
num gráfico com ondas que sobem e descem, que
formam o traçado electrocardiográfico.
 O electrocardiograma regista-se numa folha de papel
milimétrico.
 As informações registadas no ECG
representam os impulsos eléctricos do
coração.
 Os impulsos eléctricos representam as várias
etapas da estimulação cardíaca.
 No estado de repouso as células cardíacas
encontram-se polarizadas e o interior das
células apresenta-se com uma carga negativa.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Célula cardíaca
em repouso.
Célula cardíaca
polarizada.+++++++++++++++++++++++++++++
++++++++++++++++++++++++++++++
Electrocardiograma
Quando são estimuladas electricamente
as células cardíacas despolarizam-se e
contraem-se.
++++ - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
++++ - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Célula cardíaca
em contracção.
Célula cardíaca
despolarizada.
- - - - ++++++++++++++++++++++++
- - - - ++++++++++++++++++++++++
Contracção
Despolarização
Despolarização
Electrocardiograma
 Uma onda de despolarização propaga-se pelo
coração provocando uma contracção do miocárdio.
 A despolarização provoca a contracção das células do
miocárdio quando a carga dentro das células se torna
positiva (+).
 As ondas de despolarização (interior das células + ) e
as ondas de repolarização (interior das células - ) são
registadas sob a forma de ondas no ECG.
Electrocardiograma
Electrocardiograma
 A onda de despolarização carrega o interior
das células do miocárdio positivamente.
 Na repolarização as células do miocárdio
voltam a ter no seu interior carga negativa.
 A repolarização é um fenómeno eléctrico e o
coração fica quieto durante esta actividade.
Electrocardiograma
Cada ciclo cardíaco forma 3 ondas que
se designam por:
Onda P
Onda ou complexo QRS
Onda T
Electrocardiograma-Onda P
 Indica a despolarização auricular.
 É a propagação do potencial de acção do
nódulo sino-auricular às duas aurículas.
 Logo após o inicio da onda P as aurículas
contraem-se – o sangue passa das aurículas
para os ventrículos.
Electrocardiograma- Onda P
 O estimulo eléctrico que se inicia no nódulo
sino-auricular propaga-se concentricamente
em todas as direcções.
 A despolarização auricular é uma onda de
cargas positivas no interior das células
cardíacas.
 A onda de despolarização que vai na direcção
das aurículas é captada pelos eléctrodos e
registada como onda P.
Electrocardiograma- Onda P
A onda P representa a actividade
eléctrica da contracção das duas
aurículas.
A onda P representa:
Despolarização
Contracção
 Nota: considera-se que a despolarização se faz ao mesmo
tempo que a contracção, mas na realidade a contracção ocorre
ligeiramente depois.
Dos dois atrios
Onda P
-Onda de
despolarização.
- Contracção das
aurículas.
Electrocardiograma- Onda P
Electrocardiograma- Complexo
QRS
Indica a despolarização ventricular.
É a propagação do potencial de acção
pelos ventrículos.
A onda QRS ou sistema QRS
representa a actividade eléctrica de
estimulação dos ventrículos.
Electrocardiograma- Complexo
QRS
 O impulso vindo do nódulo sino-auricular
chega ao nódulo auriculo-ventricular e faz
uma pausa de 1/10 de segundo.
 Esta pausa permite que o sangue passe das
aurículas para os ventrículos.
 Após esta pausa o nódulo auriculo-ventricular
envia um impulso eléctrico (envia uma onda
de despolarização) que se propaga pelo feixe
auriculo-ventricular ou feixe de His.
Electrocardiograma- Complexo
QRS
 Do feixe de His a onda de despolarização propaga-se pelos
ramos direito e esquerdo – fascículo subendocárdico ou feixes
de Purkinje.
 À medida que se propaga a despolarização do nódulo auriculo-
ventricular, inicia-se a contracção dos ventrículos.
 A onda ou complexo QRS registado no ECG é o impulso
eléctrico que se propaga do nódulo AV para as fibras de Purkinje
e para a células miocárdicas.
 A contracção ventricular dura mais tempo que o complexo QRS,
mas este é considerado o registo que representa a contracção
ventricular.
Complexo QRS
-Onda de
despolarização dos
ventrículos.
- Provoca a
contracção dos
ventrículos.
Onda R
- É a primeira
deflexão para cima.
Onda Q
- É uma onda que se
desloca para baixo no
traçado.
-Pode não estar
presente.
- Se está presente é
sempre a primeira
deflexão para baixo no
inicio do complexo
QRS.
Onda S
- É uma deflexão para
baixo que é sempre
precedida de uma
deflexão para cima.
Electrocardiograma- Complexo
QRS
 Uma deflexão para cima no traçado do ECG é sempre
uma onda R.
 As ondas Q e S são sempre dirigidas para baixo (são
ondas negativas).
 O que distingue as ondas Q e S é o facto de
aparecerem antes ou depois da onda R.
 Onda Q – surge antes da onda R.
 Onda S – surge depois da onda R.
Electrocardiograma- Onda T
 Indica a repolarização dos ventrículos.
 Na repolarização as células do miocárdio
recuperam a carga negativa no seu interior,
ficando desta forma preparadas para uma
nova estimulação.
 A repolarização dos ventrículos é uma
fenómeno eléctrico, não havendo por isso
qualquer resposta mecânica
Onda T
-Representa a
repolarização
ventricular.
- Não há resposta
mecânica.
Electrocardiograma
Onda P
Contracção
auricular
Complexo QRS
Contracção
ventricular
Onda T
Repolarização
ventricular
Onda P
Sístole auricular Complexo QRS
Sístole ventricular
Onda T
Fase de
repouso
entre os
batimentos
Referencias bibliográficas
 GUYTON & HALL, Tratado de fisiologia
Médica, 11ª edição, Rio de Janeiro, Elsevier,
2006. cap 9,10. pág 103-121
 SADLER, T.W, Embriologia Médica, 11ª
edição, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan,
cap 12, pág 143-173
 NETTER, Frank H, Atlas de anatomia
Humana, 3ª edição, Porto Alegre, Artmed,
2003, pág 207-222

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  • 1. UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE Faculdade de Medicina FISIOLOGIA CARDÍACA Sebastião Margarida Maputo, Dezembro de 2014
  • 2. Sumário  Embriologia cardiovascular  Anatomia cardiovascular  Histologia cardíaca  Fisiologia  Funções do sistema cardiovascular  Ciclo cardíaco  Sistema de condução  Electrocardiograma normal  Referencias bibliográficas
  • 3. I- Embriologia  O Sistema Cardiovascular inicia a sua formação durante a terceira semana de desenvolvimento embrionário.  Este é o primeiro sistema a formar-se devido às necessidades fisiológicas do embrião, que por difusão já não consegue mais realizar funções básicas como oxigenação dos tecidos e excreção de produtos tóxicos…  Deriva basicamente da mesoderme e de células da crista neural.
  • 4. Embriologia  O primeiro indício do coração é o aparecimento de um par de canais endoteliais - os cordões angioblásticos – durante a terceira semana.  Estes cordões canalizam-se formando os tubos cardíacos do coração, que se fundem formando o coração tubular, ao final da terceira semana.  O coração começa a bater ao 22° dia.  O fluxo de sangue começa durante a 4ªsemana e pode ser visualizado pela ultra-sonografia Doppler.
  • 5. Embriologia O coração primitivo é formado por: * Tronco arterioso * Bulbo cardíaco * Átrio * Ventrículo * Seio venoso
  • 6. Embriologia A divisão do canal átrio-ventricular, átrio e ventrículo começam por volta da metade da 4ªs e está essencialmente completa ao final da 4ªs de vida. Embora sejam descritos separadamente, esses processos de desenvolvimento acontecem simultaneamente.
  • 7. Divisao do canal atrio-ventricular Coxins endocárdicos aparecem nas paredes dorsal e ventral do coração, na região do canal atrioventricular. Estas saliências crescem em direção uma à outra e se fundem, dividindo os canais atrioventriculares direito e esquerdo.
  • 8. Septação do coração  Inicialmente há separação entre os átrios e os ventrículos (separação átrio-ventricular) e posteriormente há divisão atrial (direito e esquerdo).  Entre os átrios, permanece no embrião uma pequena comunicação oval - forame oval permitindo que o sangue rico em oxigênio proveniente da veia cava chegue ao átrio esquerdo
  • 9. Septação dos ventrículos A primeira indicação da divisão do ventrículo é a formação de uma crista muscular mediana que é o septo interventricular resultado do crescimento muscular do ventrículo de ambos os lados. Esse septo permanece aberto até a sétima semana.
  • 10. Formação das veias Veias Umbilicais: durante o período embrionário levam sangue oxigenado da placenta para o coração. Veias Vitelínicas: posteriormente darão origem as veias hepáticas Veias Cardinais: principal sistema de drenagem do embrião. * Veia cardinal anterior: dará origem a veia cava superior e veia braquiocefálica esquerda. * Veia cardinal posterior: dará origem as raízes da veia ázigo e ilíacas * Veia subcardinal: dará origem a veia renal rsquerda, veias supra-renais e gonadais e um segmento da veia cava inferior.
  • 11. Formação das válvulas cardíacas Quando a septação do troco arterioso esta quase completa, as válvulas semilunares começam a desenvolver-se de três proliferações do tecido subendocárdico em torno dos orifícios da aorta e do tronco pulmonar. Estas proliferações são escavadas para formar três cúspides de paredes delgada.
  • 12. II-Anatomia cardiovascular  O coração é um órgão em forma de cone, aproximadamente do tamanho de uma mão fechada  Tem cerca de 12 cm de comprimento, 9 cm de largura em sua parte mais ampla e 6 cm de espessura.  Pesa em média 250g nas mulheres adultas e 300g nos homens adultos.  Localiza-se no mediastino, entre os pulmões e apoia-se sobre o diafragma  O ápice é formado pela ponta do ventrículo esquerdo.  A base é formada pelas aurículas, principalmente o átrio direito.
  • 13. Limites Anterior- esterno e costelas Posterior- traqueia, esófago e artéria aorta ascendente Superior- grandes vasos do coração Inferior-diafragma A direita- pulmão direito A esquerda-pulmão esquerdo
  • 14. Configuração interna ÁTRIO DIREITO ATRIO ESQUERDO VENTRÍCULO DIREITO VENTRÍCULO ESQUERDO
  • 15. Configuração interna  Os dois átrios estão separados por uma parede – septo interauricular.  Os dois ventrículos estão separadas por uma parede – septo interventricular.  Externamente existe uma pequena depressão que circunda o coração e que separa os átrios dos ventrículos – é o sulco coronário.  O sulco coronário tem artérias e veias coronárias e gordura.
  • 16. Válvulas cardíacas O coração tem válvulas que impedem o refluxo do sangue. As válvulas são estruturas que fecham aberturas e são compostas por tecido conjuntivo. As válvulas fecham e abrem como resposta a mudanças de pressão.
  • 17. Válvulas cardíacas VALVULAS ATRIO-VENTRICULARES: Válvula tricúspide (3 cúspides) – válvula que divide o atrio direito do ventrículo direito. Válvula bicúspide (3 cúspides) - válvula que divide o atrio esquerdo do ventrículo esquerdo VALVULAS SEMILUNARES Encontram-se no tronco pulmonar e na artéria aorta. Estas válvulas têm como função evitar que o sangue que sai do coração pelo ventrículo direito, reflua. As válvulas são compostas por 3 porções em forma de meia lua e estão fixadas às paredes das artérias.
  • 19. Grandes vasos O sangue venoso chega ao coração (atrio direito) – através de 3 veias: Veia cava superior – canaliza para o coração o sangue da parte superior do corpo, acima do coração. Veia cava inferior – canaliza para o coração o sangue da parte superior do corpo, abaixo do coração. Seio coronário – canaliza o sangue da maioria dos vasos da parede do coração.
  • 20.
  • 21. Grandes vasos  O sangue venoso que chega aos pulmões liberta o dióxido de carbono (CO2) e absorve oxigénio (O2).  O sangue oxigenado regressa ao coração, para o átrio esquerdo através de 4 veias pulmonares.  Quando o sangue enche o átrio esquerdo esta canaliza-o para o ventrículo esquerdo.  O ventrículo esquerdo bombeia o sangue para a artéria aorta.
  • 22. Grandes vasos  Quando o sangue enche a aurícula direita esta canaliza-o para o ventrículo direito, que por sua vez o bombeia para o tronco pulmonar.  O tronco pulmonar sai do ventrículo direito e divide-se em:  Artérias pulmonares direita e esquerda – que conduzem o sangue respectivamente para o pulmão direito e esquerdo.
  • 23. Grandes vasos  Quando o sangue sai do ventrículo esquerdo passa pela aorta ascendente, daqui vai para as artérias coronárias, arco da aorta e aorta descendente, onde vai irrigar os órgãos torácicos e abdominais.  Através de ramificações destes grandes vasos o sangue chega a todos os tecidos do organismo.
  • 24. Vascularização  O coração tem o seu próprio fornecimento de sangue através da circulação coronária.  Os principais vasos coronários são:  Artéria coronária direita  Artéria coronária esquerda  Seio coronário Que se originam na aorta ascendente. Ramificam-se para fornece O2 e nutrientes ao coração. Transporta o sangue venoso do coração para o átrio direito
  • 25. Vascularização Artéria Coronária Direita: Marginal Interventricular posterior Artéria Coronária Esquerda: Circumflexa Interventricular anterior
  • 26.
  • 28. III-Histologia do coração  Exteriormente o coração é revestido por uma camada de tecido conjuntivo que o protege e ajuda a manter no lugar – o pericárdio.  O pericárdio apresenta dois folhetos:  Externo – pericárdio fibroso  Interno – pericárdio seroso – que apresenta duas camadas:  A mais externa é a - camada parietal – que está em contacto com o pericárdio fibroso  A mais interna é a - camada visceral ou epicárdio – que está em contacto com o miocárdio
  • 29. Histologia do coração Entre o camada parietal e visceral do pericárdio seroso existe um espaço – a cavidade do pericárdio – que contém um fluido fluido pericárdico – que evita o atrito entre as duas camadas, para facilitar os movimentos durante os batimentos cardicos.
  • 30. Histologia do coração A parede do coração é formada por 3 camadas, do exterior para o interior: Epicárdio(externa) Miocárdio(média) Endocárdio(interna)
  • 31. Histologia do coração Epicárdio:  Epicárdio é constituído por mesotélio e tecido conjuntivo.  Constitui a camada visceral do pericárdio seroso.  É uma camada fina, transparente e externa da parede do coração.
  • 32. Histologia do coração Miocárdio  O miocárdio tem como principal função bombear o sangue.  As fibras musculares cardíacas formam duas redes distintas:  Uma rede atrial (sincício atrial)  Uma rede ventricular (sincício ventricular)  Cada fibra une-se a outras fibras através dos discos intercalares  No interior dos discos intercalares encontramos junções gap que permitem a condução dos potenciais de acção entre as fibras musculares  As junções gap funcionam como pontes para a transmissão da excitação de uma fibra a outra.
  • 33. Histologia do coração O miocárdio contém miofibrilas (actina e miosina)
  • 34. Histologia do coração Miocárdio: (cont)  O miocárdio constitui a maior parte do coração e é composto por tecido muscular específico responsável pela função específica do coração.  O tecido muscular do miocárdio apresenta células musculares:  Estriadas  Involuntárias  Organizadas em feixes
  • 35. Histologia do coração  A camada de miocárdio é mais fina nos átrios porque estes funcionam como uma fraca bomba de escorva (primer pump) enviando o sangue para os ventrículos.  Os ventrículos têm uma camada de miocárdio mais espessa porque fornecem a forca principal que propelem o sangue pela circulação pulmonar e sistémica.
  • 36. Histologia do coração Endocárdio:  O endocárdio reveste o interior do miocárdio, as válvulas e a cordas tendinosas que se ligam às válvulas.  É constituído por epitélio escamoso simples – endotélio.  O endocárdio é contíguo com o endotélio que reveste os grandes vasos sanguíneos
  • 37. IV-Fisiologia Funções do sistema cardiovascular  Garantir circulação a todos órgãos e tecidos  Fornecer trocas de gases, nutrientes e hormônios  Captar o volume sanguíneo proveniente dos tecidos e remover os produtos do catabolismo  Participação de mecanismos homeostáticos (comunicação hormonal, temperatura corporal).
  • 38. Potencial de acção Alterações da permeabilidade durante o potencial de acção no miocardíaco:  Fase de despolarização  Os canais de Na+ abrem  Os canais de K+ fecham  Os canais de Ca 2+ começam a abrir  Fase de repolarização inicial:  Os canais de Na+ fecham  Alguns canais de K+ abrem  Os canais de Ca 2+ estão abertos (produzem a fase de planalto porque atrasam a repolarização  Fase de repolarização final:  Os canais de Ca 2+ fecham  Muitos canais de K+ abrem
  • 39. Ciclo cardíaco  Eventos cardíacos que ocorrem no início de cada batimento até o comeco do seguinte;  Cada ciclo é desncadeado pela geração expontânea de um potencial de acção pelo nodo sinusal  A energia química para a contração cardíaca é derivada principalmente do metabolismo oxidativo de ácidos graxos.  É constituído pela:  Diástole (periodo de relaxamento)  Sístole ( periodo de contração)
  • 41. Ciclo cardíaco Relações do ciclo cardíaco com o ECG  A onda P e causada pela dispolarização atrial, o que é seguido pela contração atrial aumentando a sua pressão imediatamente após a onda P.  Cerca de 0.16s apos surge o complexo QRS (despolarizacao ventricular) que da inicio a contracao ventricular  Por conseguinte o complexo QRS começa pouco antes do inicio da contração ventricular
  • 42. Ciclo cardíaco Átrios como bomba de escorva  75% do enchimento ventricular é feito com a abertura das válvulas átrio- ventriculares, sem contracção auricular.  A contracção atrial contribui com o enchimento dos restantes 25% de sangue que falta nos ventrículos. Variações da pressão atrial:  Onda a: gerada pela contração atrial ( em geral a pressão atrial direita=4 a 6mmHg e Esquerda=7 a 8mmHg);  Onda c: causada pelo pequeno refluxo do sangue ventriclulo-atrial durante o inicio da contração ventricular;  Onda v: surge próximo ao fim da sístole, resultado do lento fluxo aos átrios provenientes das válvulas semilunares.
  • 43. Ciclo cardíaco-Ventriculos como bombas Enchimento dos ventriculos:  Durante a sistole o sangue se acumula nos átrios ( porque as válvulas AV encontram-se encerradas)  Logo ao fim da sistole, há ↓ pressões sistólicas e as pressões diastólicas ↑ promovendo a abertura das válvulas AV, permitindo o fluxo rápido para os ventriculos (periodo de enchimento rápido) durante o primeiro terço da diástole  Durante o terço médio o sangue flui normalmente  Durante o ultimo terço o sangue flui pela contra ção atrial (25%)
  • 44. Ciclo cardíaco-Esvaziamento dos ventriculos na sistole Periodo de contração isométrica:  Imediatamente após o inicio da contração ventricular, a sua pressão aumenta subitamente resultando em fechamento das válvulas AV.  São necessários 0.02 a 0.03s para a abertura das válvulas semilunares  Nesta fase ocorre a contração ventricular, porém, sem esvaziamento
  • 45. Ciclo cardíaco-Esvaziamento dos ventriculos na sistole Periodo de ejecção :  Com a elevação da pressão ventricular esquerda acima de 80mmHg e da direita acima de 8mmHg, ocorre abertura das válvulas semilunares;  Imediatamente o sangue começa a sair dos ventriculos, sendo 70% durante o primeiro terço ( periodo de ejecção rápida) e 30% ( periodo de ejecção lento) Periodo de relaxamento isométrico:  Ao término da sistole, subitamente há relaxamento ventricular permitindo queda das pressões intraventriculares;  Mantendo-se por cerca de 0.03 a 0.06s em relaxamento antes do inicio do novo ciclo.
  • 46. Ciclo cardíaco-Esvaziamento dos ventriculos na sistole Volume diastólico final: Na diástole, o enchimento ventricular aumenta normalmente em cada ventrículo 110 a 120ml. Debito sistólico: A medida que os ventriculos se esvaziam na sistole, o volume se reduz em cerca de 70ml, e os 40 a 50ml remanescentes a cada ventriculo formam o volume diastólico final.
  • 47. Sons cardíacos  Os sons que se auscultam nos batimentos cardíacos são provocados pela turbulência do fluxo de sangue no fechamento das válvulas.  Como se identificam os sons:  1º som – (S1) – é um som de batida e longo - fechamento das válvulas auriculo-ventriculares – após o inicio da sístole ventricular.  2º som – (S2 ) – fechamento das válvulas semilunares – no final da sístole ventricular.  Pausa entre os ciclos
  • 48. Débito cardíaco O débito cardíaco corresponde ao sangue ejectado pelo coracao a por minuto e é resultado do produto da frequêcia cardíaca pelo volume efectivo: DC = FC x VE Num indivíduo de 70kg, com FC de 70bpm e VE de 70ml teremos um DC de aproximadamente 5l/min A frequêcia cardíaca é determinada pela frequência de despolarização espontânea ao nível do nódulo SA e pode ser modificada pelo sistema nervoso central, sendo que o nervo vago actua sobre os receptores muscarínicos reduzindo a frequência cardíaca, enquanto que as fibras simpáticas estimulam os receptores beta-adrenérgico para aumentar a frequência cardíaca. O volume ejectivo é determinado por 3 factores: pré-carga, pós-carga e contractilidade.
  • 49. Regulação do Débito cardiaco Mecanismo de Frank-Starling: “Quanto mais o músculo for distendido durante o enchimento, maior vai ser a força de contração e, consequentimente maior será também a quantidade de sangue bombeiada para aorta” “Dentro dos limites fisiológicos, o coração irá bombear todo o sangue que chegar a ele sem permitir represamento excessivo de sangue nas veias”
  • 50. Débito cardíaco Os factores que fazem diminuir o volume sistólico e a frequência cardíaca – diminuem o débito cardíaco. Os factores que fazem aumentar o volume sistólico e a frequência cardíaca – aumentam o débito cardíaco.
  • 51. Pré-carga  A pré-carga consiste no volume ventricular no final da diástole e é dependente do retorno venoso.  O retorno venoso é influenciado por mudanças de posição, pressão intratorácica e pelo tónus do sistema venoso.  O aumento da pré-carga implica aumento no volume ejectivo.  A relação entre o volume ventricular no final da diástole e o volume ejectivo é conhecido com Lei de Starling que defende que a energia de contracção do músculo ventricular é directamente proporcional ao comprimento inicial da fibra muscular.
  • 52. Pós-carga  Pós-carga é a resistência a ejecção ventricular e é causada pela resistência oferecida ao fluxo na circulação sistémica – resistência vascular sistémica.  A resistência é determinada pelo diâmetro das arteríolas e dos esfíncteres pré-capilares. Quanto mais reduzido for o seu diâmetro, maior a resistência.  A resistência vascular sistémica é controlada pelo sistema nervoso simpático, que por sua vez controla o tónus muscular da parede arteriolar.
  • 53. Frequência cardíaca  A frequência cardíaca é variável de acordo com vários estímulos.  Frequência cardíaca = 60-100 bpm.  Factores que condicionam a frequência cardíaca:  Controle do sistema nervoso autónomo  Substâncias químicas  Temperatura  Emoções  Sexo  Idade
  • 54. Algumas substâncias químicas produzidas pelo organismo podem provocar alterações da frequência cardíaca: Adrenalina (epinefrina) Frequência cardíaca – Substâncias químicas É produzida pelas supra-renais por estimulação simpática Aumenta a excitabilidade do nódulo sino-auricular Aumenta a frequência cardíaca Aumenta a força das contracções
  • 55. Frequência cardíaca O ritmo cardíaco é ajustado de acordo com as condições variáveis, de forma a manter a homeostase do organismo. O nódulo sino-auricular é enervado pelo sistema nervoso autónomo: Simpático Parassimpático
  • 56. Frequência cardíaca  A estimulação dos nervos simpáticos – aumenta a libertação de noradrenalina pelas terminações nervosas – o ritmo dos impulsos do nódulo SA aumentam e a frequência cardíaca aumenta.  A estimulação dos nervos parassimpáticos (nervo vago – X nervo craniano) – aumenta a libertação de acetilcolina pelas terminações nervosas – o ritmo dos impulsos do nódulo SA diminuem e do nódulo AV e a frequência cardíaca diminui.
  • 57. O cálcio e o potássio têm influência na contractilidade das células cardíacas. Frequência cardíaca – Substâncias químicas Excesso de iões de potássio no líquido extracelular Provoca uma fraqueza geral do músculo cardíaco. Diminui a força de contracção pela diminuição do potencial de repouso da membrana. Excesso de iões de cálcio no líquido extracelular O coração sofre uma contracção espasmódica. Aumenta a força de contracção. Diminui a frequência cardíaca.
  • 58. Frequência cardíaca - Temperatura Hipertermia Aumento da temperatura corporal pelo exercício físico Estimulam o nódulo sino-auricular que gera mais impulsos Provocando um aumento da frequência cardíaca Hipotermia Provoca: -diminuição da frequência cardíaca -diminuição da força das contracções
  • 59. Frequência cardíaca - Emoções Emoções como: - Medo - Raiva - Ansiedade Aumentam a frequência cardíaca (sindroma de adaptação geral) Estados mentais como: -Depressão Diminuem a frequência cardíaca por estimulação do centro cardio-inibitório
  • 60. Frequência cardíaca-sexo e idade Os batimentos cardíacos são mais acelerados nas mulheres que nos homens. Os batimentos cardíacos são acelerados nos recém-nascidos, são moderados na juventude e são mais lentos nos idosos.
  • 61. Sistema de condução  O coração tem um sistema intrínseco de condução – sistema condutor – que permite ao coração manter os batimentos cardíacos sem qualquer estímulo do sistema nervoso.  O sistema condutor estimula a contracção das fibras musculares cardíacas, pois tem a capacidade de gerar e distribuir potenciais de acção.  É composto por tecido muscular especializado.
  • 62. Sistema de condução  O músculo cardíaco é capaz de gerar de uma forma espontânea e rítmica potenciais de acção que provocam a contracção do coração.  O sistema de condução do coração é composto pelo:  Nódulo sino-atrial (ou sinusal)  Nódulo átrio-ventricular  Fascículo ou feixe átrio-ventricular  Ramos direito e esquerdo  Ramos subendocárdicos ou feixes de Purkinje
  • 63. Sistema de condução Nódulo sinusal  O nódulo sino-atrial está localizado na parede do átrio direito, abaixo da entrada da veia cava superior.  O nódulo sino-atrial inicia os batimentos cardíacos e marca o ritmo da frequência cardíaca de todo o coração– é designado também por “marca passo”.  O nódulo sino-atrial gera potenciais de acção muito rápidos, distribui o estímulo por todo o coração, impedindo que outras zonas possam gerar também potenciais de acção.
  • 64. Sistema de condução O potencial de acção que se gera no nódulo sino-atrial estende-se pelos átrios fazendo com que estas se contraiam e provocando a despolarização do nódulo átrio -ventricular.
  • 66. Sistema de condução Nódulo átrio-ventricular  O nódulo átrio-ventricular localiza-se no septo interatrial.  O nódulo sino-atrial gera um potencial de acção que passa pelos átrios até ao nódulo átrio-ventricular.  Neste nódulo o potencial de acção desacelera permitindo:  Os átrios transfirem o sangue para os ventrículos.  Terminar a contracção dos átrios antes que os ventrículos iniciem a sua contracção.
  • 67. Sistema de condução Fascículo átrio-ventricular (ou feixe de His)  Do nódulo átrio-ventricular o potencial de acção passa para o fascículo átrio-ventricular (ou feixe de His).  O fascículo átrio-ventricular inicia-se na parte superior do septo interventricular.  O potencial de acção passa para os ramos direito e esquerdo do fascículo átrio-ventricular na direcção do ápice do coração.
  • 68. Sistema de condução Dos ramos do fascículo auriculo- ventricular emergem os ramos subendocárdicos ou fibras de Purkinje, distribui o potencial de acção pelas fibras musculares e provocam a contracção dos ventrículos.
  • 69. Nódulo sino-autrial Localização: parede do atrio direito Função: - Inicia os batimentos cardíacos. - Marca o ritmo da frequência cardíaca. - Envia potenciais de acção para os dois atrios. - Provoca a contracção das aurículas. Sistema de condução
  • 70. Fascículo auriculo-ventricular ou feixe de His Localização: Parte superior do septo interventricular Função: -Recebe o potencial de acção do nódulo atrio-ventricular. - Envia o potencial de acção para os ramos subendocárdicos ou fibras de Purkinje. Sistema de condução
  • 71. Ramos subendocárdicos ou fibras de Purkinje Localização: Miocárdio ventricular Função: - Recebe o potencial de acção dos ramos direito e esquerdo do fascículo atrio- ventricular. -Distribui o potencial de acção para as fibras musculares ventriculares. - Provoca a contracção dos ventrículos. Sistema de condução
  • 72. Electrocardiograma  Um electrocardiograma (ECG) é um registo das alterações eléctricas que acompanham os batimentos cardíacos.  Os potenciais de acção de cada segmento do batimento cardíaco são passíveis de ser registados num gráfico com ondas que sobem e descem, que formam o traçado electrocardiográfico.  O electrocardiograma regista-se numa folha de papel milimétrico.
  • 73.  As informações registadas no ECG representam os impulsos eléctricos do coração.  Os impulsos eléctricos representam as várias etapas da estimulação cardíaca.  No estado de repouso as células cardíacas encontram-se polarizadas e o interior das células apresenta-se com uma carga negativa. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Célula cardíaca em repouso. Célula cardíaca polarizada.+++++++++++++++++++++++++++++ ++++++++++++++++++++++++++++++ Electrocardiograma
  • 74. Quando são estimuladas electricamente as células cardíacas despolarizam-se e contraem-se. ++++ - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - ++++ - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Célula cardíaca em contracção. Célula cardíaca despolarizada. - - - - ++++++++++++++++++++++++ - - - - ++++++++++++++++++++++++ Contracção Despolarização Despolarização Electrocardiograma
  • 75.  Uma onda de despolarização propaga-se pelo coração provocando uma contracção do miocárdio.  A despolarização provoca a contracção das células do miocárdio quando a carga dentro das células se torna positiva (+).  As ondas de despolarização (interior das células + ) e as ondas de repolarização (interior das células - ) são registadas sob a forma de ondas no ECG. Electrocardiograma
  • 76. Electrocardiograma  A onda de despolarização carrega o interior das células do miocárdio positivamente.  Na repolarização as células do miocárdio voltam a ter no seu interior carga negativa.  A repolarização é um fenómeno eléctrico e o coração fica quieto durante esta actividade.
  • 77. Electrocardiograma Cada ciclo cardíaco forma 3 ondas que se designam por: Onda P Onda ou complexo QRS Onda T
  • 78. Electrocardiograma-Onda P  Indica a despolarização auricular.  É a propagação do potencial de acção do nódulo sino-auricular às duas aurículas.  Logo após o inicio da onda P as aurículas contraem-se – o sangue passa das aurículas para os ventrículos.
  • 79. Electrocardiograma- Onda P  O estimulo eléctrico que se inicia no nódulo sino-auricular propaga-se concentricamente em todas as direcções.  A despolarização auricular é uma onda de cargas positivas no interior das células cardíacas.  A onda de despolarização que vai na direcção das aurículas é captada pelos eléctrodos e registada como onda P.
  • 80. Electrocardiograma- Onda P A onda P representa a actividade eléctrica da contracção das duas aurículas. A onda P representa: Despolarização Contracção  Nota: considera-se que a despolarização se faz ao mesmo tempo que a contracção, mas na realidade a contracção ocorre ligeiramente depois. Dos dois atrios
  • 81. Onda P -Onda de despolarização. - Contracção das aurículas. Electrocardiograma- Onda P
  • 82. Electrocardiograma- Complexo QRS Indica a despolarização ventricular. É a propagação do potencial de acção pelos ventrículos. A onda QRS ou sistema QRS representa a actividade eléctrica de estimulação dos ventrículos.
  • 83. Electrocardiograma- Complexo QRS  O impulso vindo do nódulo sino-auricular chega ao nódulo auriculo-ventricular e faz uma pausa de 1/10 de segundo.  Esta pausa permite que o sangue passe das aurículas para os ventrículos.  Após esta pausa o nódulo auriculo-ventricular envia um impulso eléctrico (envia uma onda de despolarização) que se propaga pelo feixe auriculo-ventricular ou feixe de His.
  • 84. Electrocardiograma- Complexo QRS  Do feixe de His a onda de despolarização propaga-se pelos ramos direito e esquerdo – fascículo subendocárdico ou feixes de Purkinje.  À medida que se propaga a despolarização do nódulo auriculo- ventricular, inicia-se a contracção dos ventrículos.  A onda ou complexo QRS registado no ECG é o impulso eléctrico que se propaga do nódulo AV para as fibras de Purkinje e para a células miocárdicas.  A contracção ventricular dura mais tempo que o complexo QRS, mas este é considerado o registo que representa a contracção ventricular.
  • 85. Complexo QRS -Onda de despolarização dos ventrículos. - Provoca a contracção dos ventrículos.
  • 86. Onda R - É a primeira deflexão para cima. Onda Q - É uma onda que se desloca para baixo no traçado. -Pode não estar presente. - Se está presente é sempre a primeira deflexão para baixo no inicio do complexo QRS. Onda S - É uma deflexão para baixo que é sempre precedida de uma deflexão para cima.
  • 87. Electrocardiograma- Complexo QRS  Uma deflexão para cima no traçado do ECG é sempre uma onda R.  As ondas Q e S são sempre dirigidas para baixo (são ondas negativas).  O que distingue as ondas Q e S é o facto de aparecerem antes ou depois da onda R.  Onda Q – surge antes da onda R.  Onda S – surge depois da onda R.
  • 88. Electrocardiograma- Onda T  Indica a repolarização dos ventrículos.  Na repolarização as células do miocárdio recuperam a carga negativa no seu interior, ficando desta forma preparadas para uma nova estimulação.  A repolarização dos ventrículos é uma fenómeno eléctrico, não havendo por isso qualquer resposta mecânica
  • 91. Onda P Contracção auricular Complexo QRS Contracção ventricular Onda T Repolarização ventricular Onda P Sístole auricular Complexo QRS Sístole ventricular Onda T Fase de repouso entre os batimentos
  • 92. Referencias bibliográficas  GUYTON & HALL, Tratado de fisiologia Médica, 11ª edição, Rio de Janeiro, Elsevier, 2006. cap 9,10. pág 103-121  SADLER, T.W, Embriologia Médica, 11ª edição, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, cap 12, pág 143-173  NETTER, Frank H, Atlas de anatomia Humana, 3ª edição, Porto Alegre, Artmed, 2003, pág 207-222