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CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS 
NA 
IGREJA E NA SOCIEDADE 
Sal da Terra e Luz do Mundo 
(cf. Mt, 5,13-14)
INTRODUÇÃO 
2
1. MARCO HISTÓRICO-ECLESIAL DOS 
LEIGOS E LEIGAS 
 Vamos celebrar 50 anos de encerramento do Vaticano II. Esse novo 
pentecostes impulsiona os discípulos de Cristo na busca de seus 
lugares de servidores e servidoras do outro. As renovações 
compreenderam o leigo como Igreja. Nessa data áurea é necessário 
retirarmos dele a seiva que nos oriente como cristãos. 
 Também é oportuno celebrar os 25 anos da Christifideles Laici, que 
entende o significado positivo dos leigos como Povo de Deus: sujeitos 
ativos na Igreja e no mundo. Devemos acrescentar também o 
Documento 62 que completa 15 anos e oferece à Igreja discernimentos 
e orientações sobre o laicato na chave da teologia e da organização 
dos ministérios. A Evangelii Gaudium lança um chamado para que todo 
o Povo de Deus saia para evangelizar. 3
2. O MUNDO NA IGREJA E A IGREJA 
NO MUNDO 
 O mundo mostra hoje os frutos dessa época. Tudo está planetariamente 
conectado e somos todos cada vez mais iguais. O indivíduo é o centro 
de todas as relações e fechado em si mesmo. 
 A Igreja está inserida nessa realidade como sinal de salvação no mundo 
e servidora da humanidade. O leigo nem sempre acolhe seu significado 
teológico e prático. A dicotomia Igreja-mundo persiste. 
 O Vaticano II ofereceu orientações para superar essa dicotomia. O 
aggiornamento possibilitou uma nova compreensão da relação Igreja 
mundo. O Povo de Deus constitui a Igreja como sacramento do Reino. O 
leigo é sujeito eclesial que realiza o tríplice múnus de Cristo. Promover a 
interação dessas realidades constitui o desafio. 4
3. POVO DE DEUS EM MISSÃO: 
DIÁLOGO E SERVIÇO 
 A leitura da realidade, a partir da fé, é um legado do Concílio. A Igreja 
permanece sempre atual, não obstante as mudanças históricas. 
 A missão se faz no diálogo com as realidades em que a Igreja está inserida. 
É uma postura que exige conversão dos cristãos em cada tempo e realidade. 
Ser discípulo é estar em saída de si mesmo na busca do outro, realizando a 
missão encarnatória da Igreja. 
 Todos são chamados a vivenciar esse encontro e comunicá-lo por gestos e 
palavras. Jesus envia a todos pela força do Espírito. 
 Como Igreja, o laicato está em saída para a missão. O leigo em saída é a 
Igreja referenciada pelo Reino e direcionada para o mundo, onde deve se 
encarnar como fermento na massa, sal da terra e testemunha. como luz 5
4. O CRISTÃO LEIGO NUMA IGREJA 
“EM SAÍDA” 
 O sujeito eclesial se define pela consciência de ser, pela experiência de 
autonomia e corresponsabilidade na comunidade de fé e pela ação na 
Igreja e no mundo. A condição de sujeito eclesial se opõe ao 
individualismo e aos comunitarismos. 
 Os leigos vivem inseridos na construção da vida social. A busca do 
mundo novo é o horizonte onde a comunhão com Deus nos atrai. 
 A Igreja vive um clima de renovação. O Papa convoca os leigos para a 
consciência de sua pertença eclesial e de sua missão. A Igreja ainda 
não vive essa realidade pelo clericalismo e pela falta de consciência do 
próprio laicato. Muitos leigos persistem em ações internas à Igreja sem 
um empenhamento pela aplicação do Evangelho na transformação da 
sociedade. 
6
5. PERSPECTIVA DO DOCUMENTO: CRISTÃO 
LEIGO COMO SUJEITO ECLESIAL 
 O presente documento pretende animar leigos e leigas a 
se compreenderem e atuarem como sujeitos eclesiais nas 
diversas realidades em que se encontram inseridos. Dá 
especial ênfase a uma necessária superação do 
clericalismo, do individualismo e do comunitarismo. A 
noção e a perspectiva do sujeito eclesial perpassam as 
três partes do documento, que segue o método ver-julgar- 
agir. Sujeito eclesial é um dom que se faz tarefa 
para toda a Igreja, em sua missão evangelizadora. 
7
PARA REFLETIR 
1 – Por que estamos vivendo tempos novos na 
Igreja? 
2 – Qual a importância desses tempos novos para 
os leigos e leigas? 
3 – Quais as consequências desse assunto para 
nossa vida em comunidade? 
4 – Sugestões em relação ao texto (supressões, 
acréscimos, mudanças de redação). 8
PARTE I 
O MUNDO ATUAL: ESPERANÇAS E 
ANGÚSTIAS 
9
1. A INSERÇÃO E O DISCERNIMENTO DOS 
CRISTÃOS NO MUNDO 
 O mundo é o lugar da ação do cristão. A negação dessa realidade 
constitui alienação e fuga da condição de discípulos missionários. 
O ser humano é mundo. Nosso vínculo ao Deus encarnado, se faz 
com tudo o que somos no mundo e com o mundo. 
 Entender o mundo exige o olhar da fé e da razão. Devemos saber 
ler o que é favor ou contra o projeto de Deus. A Igreja deve 
perscrutar os sinais dos tempos para responder às interrogações . 
 O cristão é chamado a viver como sujeito no mundo de forma 
consciente, autônoma e ativa. A Igreja é carisma que vem do 
Espírito e se concretiza na organização de sujeitos e funções. 
10
1. A INSERÇÃO E O DISCERNIMENTO DOS 
CRISTÃOS NO MUNDO 
 A compreensão do mundo de hoje é um grande desafio. O saber ler 
os sinais dos tempos é uma tarefa educativa fundamental para a 
vida cristã. 
 A Palavra é anúncio de que o mundo deve ser construído segundo 
o desígnio de Deus. O cristão afirma o Deus da vida e nega toda 
idolatria. Devemos é detectar as causas escondidas dos valores e 
das regras que predominam na sociedade. 
 As transformações do mundo adquirem hoje dimensões e 
dinamismos surpreendentes que se mostram ao mesmo tempo a 
favor e contra o ser humano. A indiferença constitui o maior pecado 
de nossos dias. A felicidade se encarna na imanência do consumo-satisfação. 
11
2. O MUNDO GLOBALIZADO 
 Vivemos no mundo definitivamente globalizado. 
Trata-se de um sistema estruturado a partir de 
algumas bases fundamentais: 
 As tecnologias 
 A organização financeira 
 O sistema social 
 A cidade 
 A cultura urbana 
 A sociedade da informação 12
2. O MUNDO GLOBALIZADO 
 Esse mundo globalizado traz facilidades e 
possibilidades de melhoria nas condições de vida e 
nas relações humanas. 
 Mas esse mundo configura-se efetivamente como 
um sistema de vida ambíguo do ponto de vista da 
igualdade social e da liberdade humana, tanto na 
perspectiva das ciências humanas quanto da fé. O 
desafio cristão será sempre viver no mundo sem ser 
do mundo, discernir e ficar com o que é bom. 
13
3. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO 
GLOBALIZADO 
 O mundo globalizado era entendido corretamente como uma 
questão macroeconômica. Hoje, esse regime incluiu o 
desejo de satisfação nas práticas de consumo 
 Trata-se de um modo de produzir que opera a partir de uma 
lógica individualista, que funciona como: 
 Satisfação individual e indiferença ao outro 
 Supremacia do desejo em relação às necessidades 
 Predomínio da aparência em relação à realidade 
 Inclusão perversa 
 Falsa satisfação 
14
3. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO 
GLOBALIZADO 
 Este sistema tende a ser assimilado como normal e bom. Vejamos os 
problemas que expõem a contradição desse sistema: 
 A promessa liberal tem mostrado limites 
 O lucro sustenta as corporações, rege a produção e o comércio, seduz as 
nações e os indivíduos 
 As consequências ecológicas são cada vez mais graves 
 Há os que têm muito e os que não têm o mínimo para subsistir 
 A corrupção em todos os níveis sociais e nas elites políticas e econômicas 
 As concentrações urbanas com ocupações territoriais desiguais 
 As relações nas redes virtuais dispensam posturas sociais, éticas e 
cristãs 
 É preciso dizer não a tudo isso. 
15
4. CONSEQUÊNCIAS SOCIOCULTURAIS DO 
MUNDO GLOBALIZADO 
 Trata-se de uma sociedade individualizada. É possível se manter na 
intimidade e conectar-se pelas redes virtuais com o outro distante que, 
por sua vez, mantém-se em seu anonimato. 
 Esse modo de socialização enfraquece as relações. Esse isolamento 
acontece no espaço doméstico, nas relações familiares, no espaço 
público, nas relações anônimas dos pequenos e grandes aglomerados e 
nas concentrações de massa. 
 De outra parte, podem se verificar formas de reação social na afirmação 
de identidades grupais pela via da etnia, da religião, do gênero ou de 
outras causas que agregam adeptos de modo duradouro ou 
momentâneo. 16
4. CONSEQUÊNCIAS SOCIOCULTURAIS DO 
MUNDO GLOBALIZADO 
 O comportamento uniformizador, autoritário e, em muitos casos, 
sectário configura comunidades isoladas que podem ser mais 
adequadamente definidas como comunitarismo. Crescem formas 
dispersas de agregação que se manifestam para protestar. 
 A re-institucionalização constitui uma via de afirmação de padrões e 
valores como garantia de segurança. 
 Essas tendências podem conviver e, até mesmo se fazer presentes 
simultaneamente – e contraditoriamente – em indivíduos e grupos. 
 A pluralidade é outra característica do mundo atual e se torna uma 
realidade cada vez mais vivenciada em todas as esferas das relações 
humanas e presente nos valores, nas convicções e práticas. 
17
5. AS TENDÊNCIAS ECLESIAIS 
 As práticas eclesiais reproduzem esses processos sociais globais 
que foram descritos. O individualismo se mostra como atitude que 
pode perpassar as mais diversas formas de vida. Os 
individualismos relacionam a salvação sem a inclusão do outro. As 
aglomerações religiosas de massa e as vivências cristãs 
telemidiáticas reproduzem a tendência social ao anonimato e à 
massificação. Não faltam também as experiências de 
comunitarismo religioso de característica fundamentalista e 
sectária. 
 Esse mundanismo se esconde por detrás de aparências de 
religiosidade e de amor à Igreja mas busca a glória humana e o 
bem-estar pessoal. 18
5. AS TENDÊNCIAS ECLESIAIS 
 Essas formas de vida eclesial repetem hoje tendências antigas do 
cristianismo: o gnosticismo, uma fé fechada no subjetivismo, onde 
a pessoa fica enclausurada na imanência de sua própria razão ou 
sentimentos, e o neo-pelagianismo auto-referencial e prometeico de 
quem, no fundo, só confia nas suas próprias forças. 
 O clericalismo é a versão religiosa da afirmação do princípio da 
autoridade exercida pela instituição como o meio de organização 
de toda a vida social. Ele se estrutura de modo articulado com o 
individualismo – na passividade de cada indivíduo perante um 
poder sagrado – e o comunitarismo que afirma a obediência à 
norma como regra de comportamento. 
19
6. ALGUNS DISCERNIMENTOS 
NECESSÁRIOS 
 A Igreja tende a reproduzir ou a resistir a padrões e valores do mundo. A 
primeira tendência assimila as formas individualistas. A segunda resiste 
oferecendo a segurança de uma vida comunitária separada do mundo. A 
terceira afirma a hierarquia como fonte e centro da vida eclesial. 
 A reprodução do individualismo no âmbito religioso instaura a busca 
incessante de bem-estar. Por outro lado, os comunitarismos religiosos 
se estruturam como uma reação consciente ao mundo, oferecendo aos 
seus membros verdade e segurança. 
 O cristão está no mundo e busca os meios de discernir e viver de 
maneira fiel o projeto de Jesus Cristo. A postura é de discernimento, 
diálogo, liberdade e de adesão a Jesus. 
20
6. ALGUNS DISCERNIMENTOS 
NECESSÁRIOS 
 Viver na Igreja é aprender a seguir o Evangelho distinguindo: 
a) Pluralidade de relativismo 
b) Secularidade de secularismo 
c) Os benefícios da tecnologia da busca de bem-estar ilimitado 
d) O consumo dos bens necessários da busca ilimitada de satisfação 
assim como o uso prazeroso dos bens do hedonismo 
e) O uso do dinheiro da idolatria do dinheiro 
f) A autonomia e a liberdade individual, do isolamento individualista 
g) Os valores e as instituições tradicionais, do tradicionalismo 
h) A vivência comunitária do comunitarismo 
i) O uso das redes da comunicação virtual 
 Discernir é diz não e gerar ações afirmativas. 
21
6. ALGUNS DISCERNIMENTOS 
NECESSÁRIOS 
 A Igreja é chamada a ser: 
 Escola de vivência cristã 
 Organização comunitária 
 Comunidade inserida 
 Grupo de seguidores 
 Povo de Deus 
 Comunidade que se abre 
 A Igreja caminha para frente com lucidez e esperança, paciência 
e caridade, coragem e humildade. A Igreja da escuta, do diálogo 
e do encontro se insere no mundo como quem ensina e 
aprende, diz sim e não, sobretudo como quem serve. 
 A Igreja em saída é uma Igreja de portas abertas. 
22
ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO 
Capítulo I - O Mundo Atual: Esperanças e 
Angústias apresenta um ver da realidade em 
que vivemos. Estamos inseridos, do ponto de 
vista econômico, social, político, cultural e 
religioso, numa sociedade globalizada, marcada 
pelo individualismo e consumismo, com suas 
consequências individuais, sociais e religiosas. 
 Qual o lugar de atuação do cristão? (Verificar os 
nºs 14 a 19). 
23
ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO 
 Essa sociedade globalizada com todos esses 
elementos (cultura do consumo, e numa lógica 
individualista nº 20; 23; 24 e 28) gera diferentes 
formas de reações (nºs. 30 a 32; 35 a 37; 40). Após 
a leitura desses números comente como o 
individualismo, o consumismo, as diferentes formas 
de reações estão presentes na sua família, 
comunidade, paróquia, no seu grupo, nas várias 
formas organizativas dos leigos e leigas. 
 Diante dessa forma de estruturação da sociedade, 
qual devem ser a postura e a atuação do cristão e 
da cristã (Ler os nºs 39 a 46)? 24
PARA REFLETIR 
1 – Quais as principais ideias do texto? 
2 – Em que essas ideias nos questionam? 
3 – Quais as contribuições principais que essas 
ideias nos dão para a compreensão do laicato e 
sua vida eclesial e social? 
4 – Sugestões em relação ao texto (supressões, 
acréscimos, mudanças de redação) 
25
PARTE II 
O SUJEITO ECLESIAL: CIDADÃOS, 
DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS 
26
1. O CRISTÃO COMO SUJEITO 
 A noção de sujeito remete à noção de criatura, distinta do 
Criador, chamada a dialogar com Ele e eticamente responsável 
pelo destino de si e da história, como membro de um Povo e na 
perspectiva do futuro prometido por Deus. 
 Isso exige o equilíbrio entre o eu e o outro. Cada cristão é um 
portador de qualidades vivenciadas na vida comum e cresce na 
medida em que assume essa condição social. Esse é o Homem 
Novo que se opõe ao Homem Velho. 
 O leigo é o cristão maduro na fé, que se dispôs a seguir Jesus 
com todas as consequências dessa escolha superando o 
infantilismo eclesial. 
27
1. O CRISTÃO COMO SUJEITO 
 A condição eclesial implica na acolhida do dom na comunidade. 
A tarefa da construção de autênticos sujeitos eclesiais se 
impõe igualmente para todos os membros. 
 O sujeito cristão se realiza como pessoa na comunidade cristã. 
A pessoa é uma unidade de consciência e de relação, cujo 
modelo é a própria pessoa de Jesus Cristo. 
 O cristão é também chamado a se desenvolver como indivíduo 
capaz de afeto e amor na abertura às relações consigo mesmo, 
com os demais, com Deus e com a natureza, como ser imagem 
e semelhança com Deus que é Amor, comunhão. 
28
1. O CRISTÃO COMO SUJEITO 
 A cultura consumista orienta a uma 
individualidade fechada segundo a lógica do 
imediatismo e do hedonismo, abrindo caminho 
para a manipulação, coisificação e mesmo 
escravidão e uso abusivo dos recursos naturais 
e sua destruição. A abertura ao outro é 
condição necessária para a realização do ser 
humano. 
29
2. O SUJEITO ECLESIAL E A 
CIDADANIA 
 A cidadania plena é um dos rostos da caridade em nosso 
tempo. É urgente o esforço de trazer cada pessoa ao 
mundo dos direitos plenos. A promoção do bem comum e 
a construção de uma democracia participativa 
ultrapassam o círculo dos cristãos. 
 Os cristãos são também cidadãos e devem assumir 
ativamente esta cidadania em toda a sua amplitude. A 
cidadania para todos brota da missão da Igreja. Deus 
desce e entra em nosso mundo e em nossa história. 
Também os cristãos devem descer e entrar em tudo o que 
é humano. 
30
2. O SUJEITO ECLESIAL E A 
CIDADANIA 
 Eclesialidade e cidadania não podem ser vistas de 
maneira separada. A construção da cidadania e de 
eclesialidade nos leigos é um só e único 
movimento. 
 Deve haver uma coerência entre ser Igreja e ser 
cidadão e uma busca em traduzir, no âmbito da 
sociedade política e civil, o ser cristão. 
 O sujeito eclesial é cidadão ativo em sua vida 
pessoal e em seus trabalhos e lutas. 31
2.1. O CRISTÃO É UM CIDADÃO DO 
REINO DE DEUS 
 O cristão, permanecendo Igreja, constrói cidadania no 
mundo. Afinal, a Igreja existe unicamente para servir 
como Jesus Cristo serviu. 
 O Vaticano II reconheceu, em todas as realidades do 
mundo, o valor próprio por Deus nelas colocado. Tudo 
deve concorrer para o bem da pessoa humana. 
 A situação de nossa sociedade urge uma conversão 
radical: recolocar o ser humano como o fim destas 
mediações, e não o meio. No Reino de Deus temos a 
lógica: tudo a serviço da vida plena para todos. 
32
2.2. RUMO A UMA NOÇÃO INTEGRAL 
DE SUJEITO CRISTÃO 
 Isso exige dar passos no sentido de superar antagonismos que estão 
enraizados em muitas mentalidades. 
 O primeiro é o antagonismo entre a fé e a vida. 
 Jesus nos indica que tudo, menos o pecado, pode ser mediação do 
amor de Deus. Diante do Evangelho, podemos dizer que tudo pode 
manifestação da misericórdia de Deus. 
 Outro é o antagonismo Igreja-mundo. Reconhecer o fato da Encarnação 
faz-nos valorizar este mundo e esta história que nos compete viver, 
unidos a todo o gênero humano. A Igreja está comprometida com este 
mundo como sacramento e sinal do amor e da misericórdia de Deus. 
33
2.2. RUMO A UMA NOÇÃO INTEGRAL 
DE SUJEITO CRISTÃO 
 Há também antagonismos entre identidade eclesial e ecumenismo, 
missão e acolhida do outro. O diálogo é uma postura inerente à 
natureza e missão da Igreja no mundo. 
 A dicotomia entre Igreja e mundo e entre fé e vida está na raiz da 
atitude de valorização unilateral dos ritos em detrimento da 
responsabilidade social e da luta pela justiça. Apesar de se notar a 
participação de muitos nos ministérios laicais, este compromisso não 
se reflete na penetração dos valores cristãos no mundo social, político 
e econômico, limita-se muitas vezes às tarefas no seio da Igreja. 
 O cristão nunca pode ser visto isoladamente de seus enraizamentos 
básicos, enquanto pessoa humana. 
34
3. NATUREZA E MISSÃO DOS 
CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS 
 O Vaticano II definiu: leigos são os todos os cristãos que pelo batismo 
foram incorporados a Cristo, constituídos no povo de Deus e feitos 
partícipes do tríplice múnus, pelo que exercem sua parte na missão de 
todo o povo cristão na Igreja e no mundo. 
 É o Espírito que capacita todos para participarem na obra de Cristo: 
todos são chamados como sacerdotes, como profetas e como 
administradores. 
 O leigo é Igreja, não apenas pertence a ela. Não existe superioridade de 
dignidade de pertença à Igreja. Esta mentalidade esquece que a 
dignidade não advém dos serviços e ministérios, mas da iniciativa 
divina da incorporação a Cristo pelo batismo. 
35
3. NATUREZA E MISSÃO DOS 
CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS 
 A dignidade dos membros e a graça da filiação é comum a todos 
porque ao sair das águas do batismo, todo o cristão ouve de novo 
aquela voz que um dia se fez ouvir nas águas do Jordão: Tu és o 
meu Filho muito amado. 
 Não se pode mais falar de diferentes graus de perfeição. O Concílio 
afirma a vocação universal à santidade que advém de Cristo. Se 
nem todos são chamados aos mesmos caminhos, ministérios e 
trabalhos, todos são chamados à santidade. 
 Apesar do crescimento da consciência da identidade e da missão 
dos leigos e leigas na Igreja, que constituem a imensa maioria do 
povo de Deus, ainda há muito a percorrer. 
36
3.1. A NECESSÁRIA EXPERIÊNCIA DE DEUS: SABOREAR 
A AMIZADE E A MENSAGEM DE JESUS 
 Os leigos são instados a descobrir e alimentar uma espiritualidade 
apropriada à sua vocação. É preciso rejeitar a tentação de uma 
espiritualidade intimista e individualista. A espiritualidade cristã 
sempre terá por fundamento os mistérios da encarnação e da 
redenção. 
 Leigos devem infundir uma inspiração de fé e um sentido de amor 
cristão. Busquem renovar sua identidade no contato com a Palavra de 
Deus, na intimidade dos Sacramentos e na oração. 
 A oração e a contemplação são muito importantes. 
 O verdadeiro trabalhador da vinha nunca deixa de ser discípulo. 
Portanto, ele deve dedicar tempo à oração sincera, que leva a saborear 
a amizade e a mensagem de Jesus. 37
3.1. A NECESSÁRIA EXPERIÊNCIA DE DEUS: SABOREAR 
A AMIZADE E A MENSAGEM DE JESUS 
 O encontro com Jesus leva a uma espiritualidade integral que 
contempla a conversão pessoal, o discipulado, a experiência 
comunitária, a formação bíblico-telógica e o compromisso missionário. 
 O amor que se mostra na imagem comunitária da Trindade e desdobra-se 
na missão histórico-salvífica de Deus, da qual a Igreja participa 
como sacramento. A missão da Igreja é motivada pela reintegração da 
humanidade em uma vida plena de amor. 
 Em virtude do batismo, todos os cristãos são chamados a viver e a 
transmitir a comunhão com a Trindade. 
 Deus uno e trino é a fonte e o modelo da vivência comunitária. 
38
3.1. A NECESSÁRIA EXPERIÊNCIA DE DEUS: SABOREAR 
A AMIZADE E A MENSAGEM DE JESUS 
 Os fiéis eram um só coração e uma só alma e juntos viviam e 
testemunhavam a novidade do Evangelho. Este é o desafio para os 
leigos: avançar no seguimento de Cristo, aprendendo e praticando as 
bem aventuranças, o estilo de vida do Mestre, seu amor e obediência ao 
Pai, sua compaixão diante da dor, seu amor serviçal até o dom de sua 
vida na cruz. E a Igreja deve renovar-se a si mesma até que pela cruz 
chegue à luz que não conhece ocaso. 
 Cristo nos revela o amor do Pai e é a fonte da graça redentora de Deus. 
A fonte da Igreja está em Cristo, de cuja Paixão nasceu. 
 Muitos leigos estão impossibilitados para uma atuação concreta no 
mundo. Estes não devem se sentir do lado de fora da missão e tenham a 
consciência de que o sofrimento é uma realidade aberta para a 
evangelização. 
39
3.2. O SACERDÓCIO COMUM E A MISSÃO 
SOLIDÁRIA DOS CRISTÃOS 
 O sacerdócio comum foi retomado no Concílio: Este Povo messiânico tem 
por cabeça Cristo. É sua condição deste a dignidade e a liberdade dos filhos 
de Deus, em cujos corações o Espírito habita. A sua lei é o novo 
mandamento e tem por fim o Reino de Deus. Por isso é que este Povo é para 
todo o gênero humano germe de unidade, de esperança e de salvação. 
Estabelecido por Cristo como comunhão de vida, é também por Ele como 
instrumento de redenção e enviado a toda a parte. 
 A Igreja é o povo enviado ao mundo em missão para construir o Reino de 
Deus. O ministério ordenado deve ser serviço ao sacerdócio comum. Todos 
os cristãos participam do sacerdócio de Cristo, são chamados a entregar 
suas vidas a um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. 
40
3.2. O SACERDÓCIO COMUM E A MISSÃO 
SOLIDÁRIA DOS CRISTÃOS 
 Os batizados são consagrados para serem casa espiritual, sacerdócio 
santo para que ofereçam-se a si mesmos como hóstias vivas, santas, 
agradáveis a Deus, deem testemunho de Cristo e àqueles que lhe 
pedirem deem razão da esperança da vida eterna que neles habita. 
 O sacrifício único de Cristo é incompreensível sem a ressurreição. 
Cruz ressurreição revelam a lógica profunda da existência que não é 
sacrifício, mas amor. 
 A cruz de Jesus foi consequência do seu amor pelos outros, pelos 
desprezados. A vida do cristão é sacerdotal, encarnado na autodoação 
salvífica de Jesus. 
 O sacerdócio ministerial está a do desenvolvimento da graça batismal 
de todos os cristãos. 41
3.3. DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS 
 A Igreja latino-americana e caribenha reafirmou-se como 
sacramento de unidade do gênero humano. Pertencemos à Igreja 
Povo de Deus, peregrina e missionária. 
 Essa Igreja em estado de missão busca superar suas limitações e 
tensões pela unidade no serviço. 
 É toda a Igreja que assume sua vocação de ser discípula. 
 A missão desse povo é assumir um compromisso com a realidade, 
que nasce do amor apaixonado por Cristo, e assim inculturar o seu 
Evangelho na história. São destinatários da missão não apenas os 
povos não cristãos de terras distantes, mas também os campos 
socioculturais, entendidos como os novos areópagos. 
42
3.3. DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS 
 Em Aparecida, a missão tornou-se paradigma da Igreja. A 
comunhão trinitária é sinônimo de amor e envio salvífico. 
 Trata-se de concretizar a paróquia como comunidade de 
comunidades e lugar de formação contínua, de articular um 
estado permanente de missão. A dinâmica da missão produz as 
mudanças permanentes em todas as estruturas eclesiais. 
 Todos somos chamados para uma formação permanente em 
vista da humanização da realidade, discernindo os sinais de 
Deus e agindo por um outro mundo possível, descobrindo 
novos caminhos pastorais e novos ministérios 
43
4. A IGREJA COMUNHÃO DE 
DIVERSIDADES 
 A unidade da Igreja acontece no interior de uma 
diversidade de rostos, carismas, funções e ministérios. O 
dom do Espírito se efetiva na ação concreta de cada 
membro da comunidade que a edifica. A comunidade 
organiza-se no exercício concreto de cada membro e 
busca os meios de tornar mais operante os dons 
recebidos do Espírito. Os modelos mudam, mas 
permanece a regra mais fundamental: a primazia do amor, 
que possibilita integrar as diversidades e a postura de 
serviço de todos. 
44
4.1 A IGREJA, CORPO DE CRISTO NA 
HISTÓRIA 
 Os cristãos são chamados a ser Corpo de Cristo. 
 Cristo é a cabeça e tem em tudo a primazia. Nele a Igreja tem sua 
origem, dele se nutre. Cristo-cabeça é o centro de tudo. A Igreja é 
servidora de Cristo. Os indivíduos, mantendo sua subjetividade, 
possuem uma identidade comunitária, possibilitada e mantida pelo 
Espírito. 
 O Concílio valorizou a fundamentação sacramental da Igreja 
especialmente pelo Batismo e Eucaristia. 
 O Corpo de Cristo mostra a dinamicidade da presença de Cristo na 
Igreja ao longo da história e a realidade multiforme da Igreja, formada 
por uma diversidade de membros e funções. Isso é fundamental para 
entender a identidade e missão dos leigos. 45
4.2 A IGREJA, POVO DE DEUS 
PEREGRINO E EVANGELIZADOR 
 A imagem da Igreja como Povo de Deus sugere a importância de todos 
os seus membros. 
 O chamamento de Deus tem sempre em vista o serviço a todo um povo 
e, através deste povo, a todos os povos. O povo de Deus convocado 
por Cristo, é formado por judeus e gentios, um povo que, junto, cresce 
para a unidade no Espírito. 
 O povo de Deus tem a Cristo por cabeça. Embora não abranja toda a 
humanidade, tem por vocação ser, para ela, germe de unidade, 
esperança e salvação, luz do mundo e sal da terra. 
 As pessoas são salvas como pessoas inter-relacionadas e 
interdependentes. Deus as vocaciona e santifica como comunidade, 
como povo de Deus. 
46
4.2 A IGREJA, POVO DE DEUS 
PEREGRINO E EVANGELIZADOR 
 A vida comunitária leva a valorizar a diversidade deste povo em 
peregrinação ao Reino, no qual a diferença não será fonte de 
desqualificação e nenhuma unidade passará por cima das riquezas 
individuais. 
 Todos os batizados fazem parte do povo sacerdotal, profético e real, o 
que inclui os cristãos de outras igrejas. Devemos fazer da Igreja a casa 
e escola de comunhão. 
 A figura do povo evoca a comunidade reunida e conduzida por Deus. 
Como Povo de Deus, a Igreja está a caminho na história. 
 O sujeito da evangelização é o povo de Deus, a Igreja. Ser povo de Deus 
é ser fermento no meio da humanidade, anunciar e levar a salvação ao 
mundo, é lugar da misericórdia gratuita. 
47
4.3. CARISMAS E MINISTÉRIOS NA 
IGREJA 
 A unidade na qual o povo é reunido é construída numa diversidade 
suscitada pelo próprio Espírito. A unidade é fundada na diversidade 
trinitária que suscita também a diversidade de dons, carismas, serviços 
e ministérios. 
 A diversidade de dons e carismas é uma forma de santificar e guiar a 
Igreja, capacitando e estimulando os cristãos a assumirem trabalhos e 
ofícios que contribuem para a renovação e maior incremento da Igreja, e 
possibilita respostas criativas aos desafios de cada momento histórico. 
 Os carismas são dons e impulsos especiais que podem assumir as 
mais variadas formas, como expressão da liberdade absoluta do 
Espírito e como resposta às necessidades da Igreja. 
48
4.3. CARISMAS E MINISTÉRIOS NA 
IGREJA 
 Cada um deve descobrir as aptidões doadas por Deus e como pode 
exercitá-las. Alguns carismas são exercidos de forma pessoal ou no 
cotidiano das comunidades, outros possuem maior visibilidade. 
 O Concílio afirma os ministérios como dons distribuídos à Igreja 
 O documento 62 da CNBB traz um estudo sobre os ministérios. No Novo 
Testamento, os carismas vêm inter-relacionados aos ministérios. 
 O ministério é o carisma que assume a forma de serviço, é acolhido e 
reconhecido pela Igreja. O ministério assume a forma de serviço bem 
determinado, envolvendo um conjunto de funções que responda a 
exigências da comunidade e da missão e seja acolhido e reconhecido 
pela comunidade eclesial. 
49
4.3. CARISMAS E MINISTÉRIOS NA 
IGREJA 
 Há hoje na Igreja uma tendência a considerar como 
ministério toda e qualquer tarefa exercida na comunidade ou 
movimentos eclesiais. Duas consequências daninhas 
resultam desta postura: a noção de ministério é 
enfraquecida e banalizada e a índole secular própria dos 
leigos e leigas é obscurecida. 
 Nos ministérios ordenados, o carisma é reconhecido e 
instituído através do sacramento da Ordem, para servir a 
comunidade. 
 O ministério ordenado, supõe uma comunidade de 
verdadeiros sujeitos eclesiais, com participação consciente, 
ativa e adulta. 
50
4.3. CARISMAS E MINISTÉRIOS NA 
IGREJA 
 Ministérios reconhecidos são aqueles ligados a um serviço 
significativo para a comunidade, mas não permanente, podendo 
desaparecer quando variarem as circunstâncias. Ministérios confiados 
são conferidos por algum gesto litúrgico simples ou alguma forma 
canônica. Ministérios instituídos são mais oficializados. Conferem uma 
função ao seu portador através de um rito litúrgico chamado 
instituição. Instituídos universalmente, temos os de leitor e acólito. 
 Aparecida reconhece os ministérios confiados aos leigos e outros 
serviços pastorais, como ministros da Palavra, animadores de 
assembleia e de pequenas comunidades. 
 No entanto o número está longe de ser suficiente. 
51
4.4 A COMPLEMENTARIEDADE DOS 
SERVIÇOS E MINISTÉRIOS 
 Entre serviços e ministérios deve existir unidade na diversidade que é 
realizada pelo Espírito. Diversidade não é fechamento em 
particularismos, que provoca divisão. Unidade não é imposição de uma 
uniformidade. 
 Não é mais possível pensar uma Igreja em que se exclua a participação 
e corresponsabilidade dos leigos na missão. Planos pastorais devem 
ser pensados de modo inclusivo e criativo. 
 Tudo isto implica uma mudança de mentalidade relativa, em particular, 
ao papel dos leigos na Igreja, que devem ser. considerados como 
corresponsáveis do ser e do agir da Igreja. É importante que se 
consolide um laicato maduro e comprometido, capaz de oferecer a sua 
contribuição específica para a missão eclesial. 
52
5. A IGREJA NA SOCIEDADE 
 O significado da relação Igreja e mundo vem do Reino, que diz respeito 
ao plano de Deus para a criação e tem sua realização no próprio Deus. 
A Igreja é sinal visível do Reino. O mundo carrega sinais do Reino. A 
busca do Reino é missão de todos. 
 A Igreja é chamada a ser promotora do Reino. Dessa convicção ela se 
nutre e nessa direção se organiza. A Igreja centrada em si anuncia a si 
mesma, entende seus ministérios como poder e de fecha-se em relação 
ao mundo. 
 O mundo é caracterizado por um pluralismo onde todos são chamados 
a dar testemunho da fé e reconhecer a liberdade do outro para 
expressar suas convicções religiosas. O leigo exerce também um 
ministério do diálogo e da reconciliação. 
53
5.1 AS TENTAÇÕES DO CLERICALISMO 
E DO LAICISMO 
 O clericalismo dicotomiza a relação entre a Igreja e o mundo e deforma 
a atuação do leigo. Clericalismo é o exercício da função como poder de 
mando de uns sobre os outros, em nome de uma pretensa dignidade 
sagrada superior. 
 É preciso distinguir laicidade de laicismo. A laicidade diz respeito à 
legitima autonomia da ordem secular em relação às instituições 
religiosas, enquanto o laicismo é a negação da religião como dimensão 
humana. 
 O fundamento da corresponsabilidade dos leigos na missão está na 
inserção de todos na Igreja. Todos são chamados a contribuir. 
 A Igreja alerta para o risco da clericalização. Puebla identificava uma 
mentalidade clerical em clérigos e leigos. 
54
5.1 AS TENTAÇÕES DO CLERICALISMO 
E DO LAICISMO 
 A tentação do clericalismo continua muito atual. Na maioria 
dos casos, trata-se de uma cumplicidade viciosa: o 
sacerdote clericaliza e o leigo lhe pede por favor que o 
clericalize, porque, no fundo, lhe resulta mais cômodo. 
 O clericalismo infantiliza os leigos, impedindo-os de se 
desenvolverem e se realizarem como verdadeiros sujeitos 
eclesiais. 
 Alguns para a superação do clericalismo são grupos 
bíblicos, comunidades eclesiais de base e Conselhos 
pastorais. 
55
5.1 AS TENTAÇÕES DO CLERICALISMO 
E DO LAICISMO 
 No laicismo, os fiéis vão cortando os laços com a 
comunidade e fortalecendo suas tendências individualistas. 
Acabam por perder a fonte da Palavra, dos Sacramentos e 
da comunidade O laicismo traz em si um apelo de revisão 
dos entraves que podem fazer a Igreja perder a atratividade 
do Cristo. 
 A superação deste laicismo só pode vir da força de atração 
do trabalho evangelizador, de uma ação eclesial fortemente 
motivada pelo Espírito. Só a perseverança neste trabalho e a 
renovação de suas motivações serão capazes de superar o 
clericalismo e o laicismo presentes na Igreja. 
56
5.2 A IGREJA ENCARNADA NO MUNDO 
 A autonomia do mundo constitui o drama da humanidade 
inserida no mistério salvífico de Deus. A Igreja só pode agir 
no mundo como servidora e dialogante e não como poder 
sobre o mundo. 
 A ação do leigo no mundo pode ser vista de variadas 
maneiras. Primeiro, a ação rotineira feita nas funções 
diárias. Segundo, por meio da ação dos homens e mulheres 
que trabalham na construção do mundo nas mais diversas 
frentes. Terceiro, os leigos que se organizam em nome da fé 
para influenciarem na construção da sociedade. A graça 
possibilita e leva a bom termo as ações humanas. 
57
5.3. UMA IGREJA “EM SAÍDA” 
 A Igreja é chamada a ser sacramento do amor e da 
salvação de Deus, peregrina na história, como povo de 
Deus. 
 A Igreja deve estar voltada às alegrias e esperanças, 
tristezas e angústias da humanidade. 
 Portanto, a Igreja não é um clube de eleitos nem uma 
alfândega controladora da graça de Deus. Há, no núcleo 
da noção de Igreja, uma abertura radical que se estende a 
todos os povos da terra. 
58
5.3. UMA IGREJA “EM SAÍDA” 
 Somente assumindo uma atitude de abertura das portas é possível 
fazer o movimento de saída em direção a todos. Cristo é o centro e 
a Igreja está a seu serviço. O modelo que se impõe é ser uma Igreja 
em saída, em direção a todas as periferias. 
 A Igreja em saída é uma Igreja de discípulos missionários, onde a 
comunidade missionária entra na vida diária de quem necessita, 
encurta as distâncias, abaixa-se e assume a vida humana, tocando 
na carne sofredora de Cristo no povo. 
 Como sair da própria comodidade e empreender uma novidade 
evangélica e expansiva? É a pergunta que cada comunidade, cada 
clérigo, cada cristão leigo e leiga poderia se fazer. 59
5.4. UMA IGREJA POBRE, PARA OS 
POBRES E COM OS POBRES 
 A Igreja que queremos é pobre, para os pobres, com os pobres e os que 
se encontram nas periferias existenciais. 
 A Igreja em Medellín assume a opção pelos pobres, em Puebla proclama 
solenemente a profética opção preferencial e solidária pelos pobres, e 
reitera nas subsequentes Conferências. A Evangelii Gaudium a reafirma 
como categoria teológica. 
 Os pobres ocupam lugar preferencial no coração de Deus, que se fez 
pobre O caminho da redenção está assinalado pelos pobres, sendo que 
com eles se identificou: eu estava com fome, e me destes de comer, 
ensinando que a misericórdia para com eles é a chave do Céu. 
60
5.4. UMA IGREJA POBRE, PARA OS 
POBRES E COM OS POBRES 
 Aparecida descreve os rostos sofredores que doem em 
nós. Mas é preciso estar atentos às novas formas de 
pobreza e fragilidade. Pensamos também em outros 
seres frágeis e dependentes da criação, como o solo que 
desertifica, as espécies em extinção, sinais que afetam a 
vida na terra e das novas gerações. 
 Toda a Igreja deve renovar seu compromisso com os 
pobres e com a justiça. Um apelo do Papa Francisco aos 
leigos: ninguém pode sentir-se exonerado da 
preocupação pelos pobres e pela justiça social. 61
5.5. UMA IGREJA DO SERVIÇO, DA 
ESCUTA E DO DIÁLOGO 
 A Igreja deseja a construção da cultura do encontro que gera 
compromissos para o bem comum, com sabedoria e humildade. 
 Na cultura do encontro, todos contribuem e recebem. Trata-se 
de uma postura aberta e disponível, para a qual é necessária 
uma humildade social: estima das culturas e religiões e 
respeito aos direitos de cada um. 
 Trata-se de passar de atitudes fechadas à formação de uma 
nova cultura, que constrói cidadania no diálogo e que não tem 
medo de acolher o que o outro, o diferente, tem a oferecer. Este 
é espaço aberto para os leigos e leigas. 
62
5.6. A AÇÃO DOS CRISTÃOS LEIGOS: “SAL DA TERRA, 
LUZ DO MUNDO E FERMENTO NA MASSA” 
 Há uma ênfase na índole secular dos leigos: eles vivem no século, 
isto é, em todos e em cada um dos ofícios e trabalhos do mundo. 
Vivem nas condições da vida familiar e social, pelas quais sua 
existência é como que tecida. 
 Estar nas realidades temporais é também ser Igreja. Ela é uma 
realidade teológica e eclesial, pois é aí que Deus manifesta o seu 
plano e comunica a vocação de procurar o Reino de Deus 
 Leigos são chamados à santidade e com sua ação santificam o 
mundo. Procuram o Reino exercendo funções temporais e 
ordenando-as segundo Deus. 
 Os leigos são especialmente chamados para tornarem a Igreja 
presente e operosa naqueles lugares e circunstâncias. 63
5.6. A AÇÃO DOS CRISTÃOS LEIGOS: “SAL DA TERRA, 
LUZ DO MUNDO E FERMENTO NA MASSA” 
 As imagens evangélicas do sal, da luz e do fermento são 
aplicadas aos leigos. Falam da novidade e originalidade de uma 
inserção e de uma participação destinadas à difusão do 
Evangelho que salva. 
 O ser laical da Igreja se expressa ao impregnar e penetrar as 
realidades temporais com o espírito cristão e ao testemunhar 
Cristo em todas as circunstâncias, no interior da comunidade 
humana. Os leigos deverão levedar a totalidade e integridade 
das estruturas de convivência humana, inculturando a fé, sendo 
animadores e promotores do diálogo social como contribuição 
para a paz 64
5.6. A AÇÃO DOS CRISTÃOS LEIGOS: “SAL DA TERRA, 
LUZ DO MUNDO E FERMENTO NA MASSA” 
 A cada tempo histórico, surgem campos prioritários da ação 
dos leigos e leigas. Na América Latina e no Brasil vários 
documentos aprofundaram a presença dos leigos e leigas 
nesses campos conforme nossa realidade. 
 Portanto, é função própria do cristão leigo ser Igreja na 
sociedade civil e nos espaços públicos. 
 A Pastoral Familiar é espaço privilegiado para conscientizar 
sobre a vocação matrimonial e suas exigências. Há leigos que 
optam pela vida consagrada. 
 Com tudo isto, surge um desafio: a formação dos leigos e a 
evangelização das categorias profissionais e intelectuais. 
65
ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO 
Capítulo II – O Sujeito Eclesial: Cidadãos, 
Discípulos Missionários. 
 O Cristão leigo, sujeito na Igreja e no mundo, é 
o cristão maduro na fé (ver nºs 49; 51; 54 a 61; 
72). Como superar os antagonismos entre fé e 
vida, Igreja-Mundo, identidade eclesial e 
ecumenismo? Sendo a Igreja Povo de Deus, 
como se deve construir a comunhão entre os 
diversos sujeitos eclesiais? Como é ser sujeito 
na vocação laical? 
66
ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO 
 A dignidade dos cristãos leigos e leigas provém 
da própria iniciativa de Cristo que, pelo 
Batismo, nos incorpora a Si mesmo (nº 69 a 71). 
E devem se traduzir na corresponsabilidade dos 
leigos e leigas no ser e no agir da Igreja (nºs 
128 a 129). Comente com o seu grupo sobre as 
principais dificuldades de passar da 
mentalidade de ser colaborador na Igreja a ser 
de fato corresponsável na missão da Igreja. 
Como desenvolver melhor as estruturas de 
comunhão e participação em nossas 
comunidades e dioceses? 
67
ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO 
 O clericalismo (nºs 134 a 142) está presente em 
seu contexto eclesial? Como ele se traduz, na 
prática? 
 O texto indica a importância dos ministérios 
confiados aos leigos e leigas e do seu serviço 
cristão ao mundo (nºs 114 a 126). Na sua realidade 
local, quais os ministérios e serviços exercidos por 
cristãos leigos e leigas? 
 “A cada tempo histórico, surgem campos 
prioritários da ação dos leigos e leigas” (nº 164; ler 
nºs 158 a 167). Dados os desafios do nosso 
contexto, quais as realidades que mais solicitam o 
empenho dos cristãos leigos nos níveis pessoal, 
comunitário e social? 
68
PARA REFLETIR 
1 – Temos clareza da identidade do leigo e da 
leiga na Igreja e no mundo? 
2 – Qual a relação entre identidade e missão? 
3 – Quais as consequências desse assunto para 
nossa vida em comunidade? 
4 – Sugestões em relação ao texto (supressões, 
acréscimos, mudanças de redação). 
69
PARTE III 
A AÇÃO TRANFORMADORA NA IGREJA 
E NO MUNDO 
70
INTRODUÇÃO 
 Todo cristão é chamado a ser um autêntico sujeito eclesial e a ação 
é uma das notas que caracterizam a noção de sujeito. A Igreja deve 
planejar suas atividades e buscar as melhores formas de se 
organizar e atuar. A fé ilumina os cristãos para agir na Igreja e na 
sociedade. Várias ciências podem contribuir com essa tarefa 
oferecendo métodos e estratégias para uma ação planejada. 
 A ação da Igreja tem um movimento irradiador. Pela força do 
Espírito, é direcionada para fora de si mesma. A Igreja em saída, 
como bem define o Papa, é a Igreja da ação renovadora de si 
mesma, das pessoas e do mundo, em permanente estado de 
missão. 
71
INTRODUÇÃO 
 A ação pode ter diferentes significados ou modos de realização: 
 Um significado testemunhal como presença que anuncia Jesus 
Cristo 
 O aspecto da ética e da competência cidadã, quando exerce, da 
melhor forma possível, sua própria atividade profissional 
 Ação reconhecida e organizada na forma de serviços, pastorais, 
ministérios e outros grupos organizados pela própria Igreja 
 Outro modo é a inserção na vida social. Nesse campo de ação, 
temos as chamadas pastorais sociais. 
 Essas modalidades de ação se inter-relacionam e integram em seu 
conjunto a vida cristã. 
72
1. SIGNIFICADOS E CRITÉRIOS DA AÇÃO DO 
SUJEITO CRISTÃO NA IGREJA E NO MUNDO 
 O cristão é sempre vigilante e ativo. O discernimento das condições em 
que se encontra e a busca dos meios mais coerentes e eficazes de agir 
constituem tarefas permanentes que solicitam a atitude profunda de fé 
e o aprofundamento da razão. 
 O Reino de Deus é o horizonte que orienta a ação transformadora dos 
cristãos no mundo. Por essa razão, se torna possível falar sempre em 
transformação do mundo e da Igreja. 
 A ação dos sujeitos cristãos, por seu caráter concreto, será antes de 
tudo local. Nesse sentido, será necessário que cada comunidade, 
paróquia, diocese e a Igreja, no Brasil, como um todo, tenham bem 
claro quais as urgências e as estratégias para as quais devem ser 
encaminhadas a ação dos leigos. 
73
CRITÉRIOS GERAIS 
 O Papa Francisco sugere alguns critérios: 
 A ação evangelizadora inclui sempre a Igreja, a sociedade e 
cada sujeito individual como força renovadora e razão de ser da 
ação de todo Povo de Deus 
 A ação é sempre discernimento das realidades concretas 
 A ação é preferível à estabilidade e à estagnação 
 A ação tem um foco concreto: a opção pelos pobres 
 O diálogo com o mundo social, cultural, religioso e ecumênico 
deve promover a cultura do encontro e a inclusão do outro na 
vivência da fraternidade 
 A ação deve considerar a primazia do humano. 
74
CRITÉRIOS ESPECÍFICOS 
 O Papa enumera também quatro princípios específicos para a 
construção de um povo de paz, justiça e fraternidade: 
 1º. O tempo é superior ao espaço. Trata-se de privilegiar as ações que 
geram novos dinamismos e comprometem pessoas e grupos que os 
desenvolverão até frutificar em acontecimentos; 
 2º. A unidade prevalece sobre os conflitos. A unidade é um princípio 
superior que norteia a ação e gera caminhos de superação e de 
comunhão maior, capaz de agregar diferenças; 
 3º. A realidade é mais importante que as ideias. A realidade é o lugar da 
encarnação da Palavra de Deus no decorrer da história de ontem e de 
hoje; 
 4º. O todo é superior à parte. O global e o local estão, mais do que 
nunca, em tensão em nossos dias. 
75
2. A ORGANIZAÇÃO DO LAICATO 
 O povo de Deus busca os meios adequados para exercer sua missão. 
Organiza-se como sujeito social que pretende agir em conjunto e de 
modo eficaz. O leigo sempre encontrou os meios de sua ação. 
 Temos hoje as bases eclesiológicas e as condições eclesiais, sociais, 
políticas e culturais para que exerçam sua missão como um autêntico 
sujeito eclesial. Mas constatamos ainda grandes dificuldades para uma 
verdadeira corresponsabilidade dos cristãos leigos. 
 A necessidade de organização do laicato também pode brotar das 
exigências da sociedade e possibilita vida comum, apoio mútuo, 
afinidades de ideias e objetivos e bases de sustentação para a ação. 
76
2. A ORGANIZAÇÃO DO LAICATO 
 Toda organização parte do princípio da sociabilidade. Isso faz com que 
interajamos com tudo e com todos. É o que chamamos de construção 
do ser sujeito e de sua socialização. As organizações afins dão 
espaços para falar e se manifestar, favorecendo a autonomia e o ser 
sujeito. 
 A socialização é um dos aspectos característicos da nossa época. 
Consiste na multiplicação progressiva das relações dentro da 
convivência social e comporta a associação de várias formas de vida e 
de atividades e a criação de instituições jurídicas. É de todo 
indispensável que se constitua uma vasta rede de agremiações ou 
organismos adequados a fins que os indivíduos por si sós não possam 
conseguir de maneira eficaz. 
77
2. A ORGANIZAÇÃO DO LAICATO 
 A temática da organização do laicato foi tratada no Vaticano II a partir 
dos seus pressupostos eclesiológicos. É necessário que se robusteça 
a forma associada e organizada do apostolado dos leigos. Por isso, 
respeitada a devida relação com a autoridade eclesiástica, os leigos 
têm o direito de fundar associações e governá-las. 
 A fonte do apostolado dos leigos é a sua união com Cristo-Cabeça. Os 
leigos e leigas têm o direito e o dever do apostolado. O Concílio 
salientou duas formas de apostolado: o individual e o grupal. O 
primeiro é o princípio e condição de todo apostolado e é o testemunho 
de toda vida leiga. O apostolado em grupo corresponde à exigência 
dos fiéis de uma ação comum. 
78
2. A ORGANIZAÇÃO DO LAICATO 
 A liberdade de ação e de organização dos leigos é explicitada no AA 
como direito de fundarem grupos e dirigirem-nos, bem como 
inscreverem-se nos existentes. Tratava-se de um fato histórico-eclesial 
que vinha do século passado e que tomara a forma mais expressiva, 
sobretudo na grande frente conhecida como Ação Católica. No 
horizonte da cooperação encontramos a indicação: Nas dioceses, 
enquanto possível, existam conselhos que auxiliem a obra apostólica 
da Igreja. 
 Medellín sugere estudos para a criação de um Conselho conforme 
orientação da AA. Puebla afirmara a confiança e decidido estímulo às 
formas organizadas de apostolado dos leigos, porque a organização é 
sinal de comunhão e participação da Igreja. 
79
2. A ORGANIZAÇÃO DO LAICATO 
 A Christifideles Laici reconhece a liberdade de associação dos leigos: 
é necessário reconhecer esta liberdade na Igreja. Essa liberdade não 
deriva de concessão da autoridade, mas do batismo 
 A organização dos cristãos leigos e leigas constitui um direito 
decorrente do batismo e é uma forma de servir de modo responsável e 
mesmo eficiente ao Evangelho, nas esferas da Igreja e no mundo. Por 
outro lado, os diferentes carismas associativos, que por certo agregam 
os fiéis em missões e frentes especificas, não podem perder o vínculo 
com o carisma fundamental da vida eclesial. 
 O processo de autonomia de ação e organização do laicato se realiza 
no interior da comunidade eclesial. 
80
3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E 
ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL 
 A organização dos leigos buscou responder aos desafios. Durante a 
primeira metade do século XX, temos as irmandades, confrarias e 
associações numa dimensão mais espiritual e/ou de assistência. Para 
uma maior presença e atuação na sociedade, os bispos buscaram 
articular essas formas organizativas. 
 Em 1935, foi oficializada a Ação Católica Geral e, mais tarde, a Ação 
Católica Especializada. Descobriram que a sua ação decorria do 
batismo. Esta nova consciência gerou o compromisso com a 
transformação social. 
 Após o Concílio, veio a consciência de Povo de Deus e sujeitos 
eclesiais. Certamente é uma tarefa difícil abordar a riqueza e a 
diversidade dessa presença e atuação. Vale explicitar algumas delas: 
81
3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E 
ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL 
 As CEBs. Sua prática possibilitou a consciência de seus membros de 
ser Povo de Deus, de que sua pertença à Comunidade decorre do seu 
batismo. As CEBs têm a Palavra de Deus como centro, uma dimensão 
missionária e engajam-se nas lutas de transformação da sociedade na 
perspectiva do Reino de Deus. 
 As Pastorais Sociais. Significam a solicitude e o cuidado de toda a 
Igreja missionária diante de situações reais de marginalização, 
exclusão e injustiça. A sua perspectiva de atuação deve ser profético-transformadora 
indo além do assistencialismo. Nesse conjunto, 
podemos situar, também, várias entidades como a CBJP, o CIMI, a CPT; 
o IBRADES, o CEFEP e outros. 
 As Pastorais da Juventude respondem aos apelos dos jovens nos 
vários meios sociais. 
82
3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E 
ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL 
 Esta participação acontece na dinâmica interna da comunidade 
eclesial: Conselhos Paroquiais, Diocesanos e Econômicos, 
Assembleias e Sínodos, pastorais; iniciação à vida cristã e na 
catequese permanente. 
 Nos anos de 1970, foi criado o CNL , hoje CNLB. 
 No final da década de 60, houve a extinção da JUC e JEC. O 
Secretariado Nacional do Apostolado Leigo – SNALE apresentou a 
proposta que a temática da Assembleia de 1970 fosse Leigos, o que foi 
aceito. Participaram dessa Assembleia cerca de 31 leigos. Após a 
reflexão, os bispos aceitaram que o SNALE preparasse o 
funcionamento de um organismo de leigos. Foram realizados 
Encontros Nacionais, que elaboraram o projeto e foi criado o CNL 
83
3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E 
ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL 
 Nas Diretrizes 1975 – 1978 encontramos: Incentivar e apoiar a 
organização CNL. No quadriênio 1983 – 1986, um dos destaques foi 
Leigos. Na Assembleia de 1985, foi analisado o tema Leigos como 
contribuição à preparação do Sínodo sobre os leigos. 
 O tema Missão e ministérios dos leigos foi refletido na Assembleia de 
1998. O resultado foi publicado como estudos 77. Após estudos nas 
dioceses e nas diferentes expressões laicais, inclusive na IV 
Assembleia Nacional dos Organismos do Povo de Deus, foi aprovado 
na Assembleia de 1999, o Documento 62. Os bispos afirmaram: 
busquem valorizar suas diversas formas de organização, em especial 
os Conselhos de Leigos em todos os níveis. 
84
3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E 
ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL 
 Em 2004, a CNBB aprovou o novo estatuto do 
CNLB, que busca despertar nos leigos a 
consciência crítica e criativa, estimula sua 
participação na Igreja como sujeitos eclesiais 
plenamente vocacionados. Prioritariamente, 
entretanto, está o objetivo de criar e apoiar 
mecanismos de formação e capacitação que 
ajudem o laicato a descobrir sua identidade e 
missão de pessoas de fé na Igreja e no mundo. 85
3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E 
ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL 
 Também surgiram os Novos Movimentos. Todas essas formas 
estão presentes na caminhada da Igreja no Brasil. 
 A Igreja conta hoje com uma gama variada de associações que 
agregam leigos, outras que agregam leigos e clérigos e outras 
leigos e leigas consagrados. 
 Na esteira dos novos movimentos, muitos leigos , algumas 
vezes com cristãos ordenados e ou religiosos, fundaram outra 
forma organizativa denominada de Novas Comunidades. No 
Brasil, a primeira teve início em 1978. Na sua maioria nascidas 
da espiritualidade da RCC, mas com características próprias. 
86
3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E 
ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL 
 As novas comunidades têm emergido com força. São compostas de 
vários estados de vida e se dedicam às mais variadas causas e frentes 
de ação. 
 Para superar tensões que permanecem, o caminho é a inserção das 
várias expressões laicais nas Igrejas Particulares e o acolhimento, por 
parte das Igrejas, dessa diversidade de carismas. 
 Essas expressões possuem a sua formação em função dos seus 
carismas e objetivos, mas não podem prescindir da participação na 
comunidade eclesial. A autonomia só tem sentido na comunhão. 
 As formas de associação são para a edificação da Igreja e para 
contribuir com sua missão no mundo. 
87
3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E 
ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL 
 Os princípios para a organização do laicato são: 
 Autonomia com a plena pertença eclesial 
 Universalidade e inserção nas Igrejas Particulares 
 Carisma particular com busca da edificação da Igreja 
 Identidade confessional e inserção efetiva no mundo 
 Norma de vida e discernimento dos apelos da realidade 
 Espiritualidade específica e diálogo 
 Experiência individual da fé com o discernimento dos sinais 
dos tempos 
88
3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E 
ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL 
 Expressamos nossa alegria pela significativa presença e 
atuação dos leigos e leigas, das suas organizações, bem 
como no enfrentamento dos grandes desafios. 
Reconhecemos o direito e a autonomia das diferentes 
formas de organização e articulação do laicato. 
Agradecemos a Deus pelos milhares de cristãos leigos e 
leigas que atuam com amor e disponibilidade, 
especialmente nas coordenações e nos conselhos 
pastorais, comunitários, paroquiais e econômicos. 
 O diálogo entre todos os membros da Igreja é o caminho 
para o testemunho da fraternidade e da unidade. 
89
4. A FORMAÇÃO DO LAICATO 
 Sem uma formação permanente, contínua e consistente, o 
sujeito eclesial corre o risco de estagnar-se. A formação 
precisa considerar as dimensões humana, teológica, 
espiritual e pastoral e ser capaz de conjugar o teórico com o 
prático. 
 Dever-se-á distinguir diferentes níveis de formação no 
âmbito da comunidade eclesial, de forma a oferecer aos 
distintos sujeitos o que for conveniente e necessário à sua 
compreensão e vivência da fé. Também é fato que a 
formação requer atualização permanente segundo o que 
orientam as Diretrizes da Igreja, a pesquisa teológica e a 
pesquisa científica. 90
A FORMAÇÃO DE SUJEITOS 
ECLESIAIS 
 Ser sujeito significa a vivência dessa condição do ponto de vista 
eclesial, social e político. Faz isso na medida em que orienta sua 
vida a partir de Jesus e do Reino. A Igreja deve estar atenta a esses 
cristãos que assumem serviços de grande valia. 
 Onde houver um cristão disposto a testemunhar e servir o Reino, aí 
a Igreja se faz presente, mesmo sem sua organização visível. O 
cristão é sujeito na condição em que se encontra. 
 Na Igreja, cada qual é chamado a ser um sujeito eclesial ativo que 
coloca-se a serviço dos irmãos. A comunidade deve formar sujeitos 
que contribuam com a educação dos demais. 
91
A FORMAÇÃO DE SUJEITOS 
ECLESIAIS 
 A formação de sujeitos eclesiais deve ser um compromisso e uma 
paixão das comunidades. Isso possibilita a Igreja em saída e contribui 
para uma consciência eclesial crítica dos seus limites. 
 Aparecida, ressalta: 
 Os aspectos do processo formativo 
 O acompanhamento do discípulo 
 A espiritualidade. 
 No mesmo documento, os bispos destacaram que nas Dioceses o 
projeto de formação deverá ser orgânico e envolver todas as forças 
vivas para construir uma convergência das iniciativas, contando com 
uma equipe de formação convenientemente preparada. 
92
A FORMAÇÃO DE SUJEITOS 
ECLESIAIS 
 A formação do leigo necessita com urgência de um projeto nacional. 
Espera-se a construção dessas orientações gerais. 
 Aparecida vê nos jovens um enorme potencial para a Igreja, 
mostrando-os sensíveis à experiência religiosa, principalmente à 
pessoa de Jesus. Porém, exigem ações com metodologias próprias. 
 Quanto à mulher, é urgente que possam participar plenamente da vida 
eclesial, familiar, cultural, social e econômica. Para isso, é necessário 
propiciar-lhe formação. Hoje busca-se a construção do humano com a 
presença feminina. A mulher assume papéis na Igreja, principalmente 
nas instâncias de decisão. 
93
FUNDAMENTOS DA FORMAÇÃO 
 Os leigos são chamados a serem videiras que frutificam 
continuamente. A formação é uma obrigação eclesial 
necessária para que os leigos assumam plenamente a sua 
responsabilidade de sujeitos eclesiais com maturidade e 
competência. 
 A formação tem também um profundo sentido espiritual. Cada 
seguidor de Jesus está inserido em um processo de 
identificação contínua com seu mestre. Nessa caminhada, 
busca por todos os meios as razões dessa identificação e o 
discernimento dos caminhos para essa tarefa, pois ela faz do 
sujeito eclesial um peregrino na busca do Reino que é a 
comunhão plena com Deus. 
94
FUNDAMENTOS DA FORMAÇÃO 
 A formação é uma exigência da condição humana. Isto 
exige a busca permanente da compreensão e da vivência 
da nossa fé. Temos que aprofundar os meios mais 
adequados de compreensão e comunicação da 
mensagem do Evangelho, recorrendo à teologia e às 
diversas ciências. A formação adequada permite que a 
mensagem se torne compreensível e promova o desejo 
de seguir Jesus. 
 A comunidade eclesial é responsável pela formação. No 
entanto, aqueles que ocupam funções de direção são os 
primeiros responsáveis do processo formativo 
95
PRINCÍPIOS E DIREÇÕES 
 A formação perpassa todas as atividades eclesiais e exige de 
todos uma atualização permanente sobre os conteúdos da fé e 
do que desafia sua compreensão e vivência. A formação, 
entendida como educação permanente da fé, possui um 
aspecto espontâneo que acontece na prática da própria fé. A 
formação possui ainda um aspecto sistemático e formal como 
atividade planejada e executada pela e na comunidade eclesial. 
 A formação deve contribuir para que os leigos vivam o 
seguimento de Jesus Cristo e possam dar uma resposta do que 
significa ser cristão hoje. Devemos pensar a formação a partir 
dos sinais dos tempos. 
96
PRINCÍPIOS E DIREÇÕES 
 São princípios da formação: a relação Igreja-mundo-Reino, a 
dimensão comunitária, a opção pelos pobres, respeito às 
questões de gênero, a relação teoria e prática, a inculturação, a 
pedagogia libertadora e participativa, a progressividade e 
avaliação. A formação deve ser: 
 integral 
 fundamentada na Palavra de Deus 
 missionária e inculturada 
 articuladora 
 prática 
 específica 
 permanente e atualizada 
 planejada 
97
5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES 
PASTORAIS 
 Devemos retomar indicativos e propor encaminhamentos 
 Conscientizar os leigos quanto a sua identidade, vocação, 
espiritualidade e missão, para assumir seu compromisso batismal. 
 Convocar os leigos a participarem do planejamento, decisão e 
execução da vida eclesial e da ação pastoral. 
 Efetivar um processo de participação dos vários sujeitos eclesiais no 
âmbito nacional tornando regulares as Assembleias Nacionais dos 
Organismos do Povo de Deus - ANOPD, realizadas desde 1991. 
 Abrir espaços de participação onde a presença feminina enriqueça a 
comunidade eclesial nos seus processos decisórios. 
98
5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES 
PASTORAIS 
 Incentivar e acompanhar a presença e a ação dos leigos na participação 
social. 
 Aprofundar os ministérios leigos e estimular a criação de novos. 
 É indispensável um projeto Diocesano de formação que contemple: 
 objetivos, diretrizes, prioridades, atividades, lugares e meios, 
articulando-os com o plano de pastoral 
 formação básica para todos e específica para os campos de missão 
 aprimoramento bíblico-teológico dos leigos 
 a presença de leigos na coordenação e execução do projeto 
 o diálogo com as organizações dos leigos sobre o seu processo 
formativo. 
99
5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES 
PASTORAIS 
 No mundo da política, três elementos são fundamentais: formação, 
espiritualidade e acompanhamento. Para isto, as Dioceses busquem: 
 Estimular e apoiar a participação dos leigos e leigas na política 
 Construir mecanismos de participação popular 
 Incentivar e preparar os cristãos leigos para participarem de partidos 
políticos 
 Mostrar que há outras maneiras de tomar parte na política 
 Constituição de Cursos e/ou Escolas de Fé e Política 
 Animar as Escolas de Fé e Política e promover atividades com políticos 
 Acompanhar os cristãos que estão com mandatos políticos 
100
5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES 
PASTORAIS 
 A pessoa e o trabalho são elementos chaves no ensino social da 
Igreja. Diante dessa realidade, as Dioceses se esforcem para: 
 Criar grupos de partilha e de reflexão para os diferentes profissionais 
 Animar e manifestar nossa solidariedade aos trabalhadores na conquista 
e preservação de seus direitos 
 Incentivar os cristãos a participarem dos sindicatos e outras 
organizações 
 Acolher os trabalhadores em nossas comunidades eclesiais 
 Apoiar e participar de iniciativas de combate ao trabalho escravo 
 Apoiar as ações realizadas em relação às famílias 
 Criar e fortalecer as pastorais sociais 
101
5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES 
PASTORAIS 
 Fortalecer a consciência de pertença, de gratidão a Deus e de 
corresponsabilidade. 
 Reconhecer a contribuição da mulher na evangelização e ampliar 
sua presença e participação na Igreja e na sociedade. 
 Garantir o protagonismo juvenil na Igreja e na sociedade, atingindo 
um maior número possível de jovens. 
 Cuidar para que as pessoas idosas sejam atendidas. pastoralmente 
e tenham espaço e condições de participarem da vida da 
comunidade eclesial. 
 Incentivar os cristãos que vivenciem e construam caminhos de 
diálogo, de cooperação com o diferente e com as diversas culturas. 102
5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES 
PASTORAIS 
 Propostas de Encaminhamento: 
 Envolver a Igreja e outras entidades na reflexão do 
Texto de Estudos, enviando as emendas; 
 Celebrar o Dia do Leigo a solenidade de Cristo Rei. 
Estimular no mês de novembro uma; programação 
envolvendo comunidades, paróquias e todas as 
formas organizativas do laicato; 
 Celebrar o dia 1º de maio denunciando tudo o que 
contraria a dignidade da pessoa; 103
5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES 
PASTORAIS 
 Recuperar e divulgar o testemunho de leigos e 
leigas mártires e daqueles que viveram ou 
vivem seu compromisso batismal; 
 Criar e/ou fortalecer os Conselhos de Leigos 
 Fortalecer o diálogo e trabalho junto às 
diferentes formas de expressão do laicato; 
 Apoiar e acompanhar o VI Encontro Nacional do 
Laicato em junho de 2015; 
 Realizar o Ano do Laicato iniciando na festa de 
Cristo Rei de 2015 e o seu término na festa de 
Cristo Rei de 2016; 
104
ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO 
Capítulo III - A Ação Transformadora na Igreja e 
no Mundo. 
Como ocorre a ação transformadora, do 
sujeito eclesial, em sua realidade, na 
Igreja e como Igreja na sociedade (nºs 
168 a 171)? 
O que significa dizer que o leigo tem 
autonomia para agir na Igreja e, como 
Igreja, atuar no mundo (nºs 50; 53; 168; 
186 e 187)? 
105
ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO 
A organização dos cristãos, em 
particular dos leigos e leigas é uma 
exigência da missão (nºs 177 a 188) e 
no Brasil estão organizados de 
diferentes formas (nºs 189 a 212). Como 
estão organizados os leigos na sua 
realidade local, como atuam? 
106
ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO 
 A formação dos sujeitos eclesiais é essencial 
para exercer o discipulado e a missão no 
mundo (nº 218). Conversar sobre como está a 
formação em sua realidade e os desafios 
presentes. Ela contribui para a ação dos 
cristãos leigos e leigas na Igreja e na 
sociedade? 
 No final do texto estão apresentados vários 
indicativos – nºs 230 a 247: Como veem esses 
indicativos? Quais as observações e 
sugestões? 107
PARA REFLETIR 
1 – Qual a importância da compreensão da 
missão dos leigos e leigas? 
2 – Qual a importância da organização dos leigos 
e leigas? 
3 – Quais as consequências desse assunto para 
nossa vida em comunidade? 
4 – Sugestões em relação ao texto (supressões, 
acréscimos, mudanças de redação). 108

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Estudo 107 leigos - CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS NA IGREJA E NA SOCIEDADE

  • 1. CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS NA IGREJA E NA SOCIEDADE Sal da Terra e Luz do Mundo (cf. Mt, 5,13-14)
  • 3. 1. MARCO HISTÓRICO-ECLESIAL DOS LEIGOS E LEIGAS  Vamos celebrar 50 anos de encerramento do Vaticano II. Esse novo pentecostes impulsiona os discípulos de Cristo na busca de seus lugares de servidores e servidoras do outro. As renovações compreenderam o leigo como Igreja. Nessa data áurea é necessário retirarmos dele a seiva que nos oriente como cristãos.  Também é oportuno celebrar os 25 anos da Christifideles Laici, que entende o significado positivo dos leigos como Povo de Deus: sujeitos ativos na Igreja e no mundo. Devemos acrescentar também o Documento 62 que completa 15 anos e oferece à Igreja discernimentos e orientações sobre o laicato na chave da teologia e da organização dos ministérios. A Evangelii Gaudium lança um chamado para que todo o Povo de Deus saia para evangelizar. 3
  • 4. 2. O MUNDO NA IGREJA E A IGREJA NO MUNDO  O mundo mostra hoje os frutos dessa época. Tudo está planetariamente conectado e somos todos cada vez mais iguais. O indivíduo é o centro de todas as relações e fechado em si mesmo.  A Igreja está inserida nessa realidade como sinal de salvação no mundo e servidora da humanidade. O leigo nem sempre acolhe seu significado teológico e prático. A dicotomia Igreja-mundo persiste.  O Vaticano II ofereceu orientações para superar essa dicotomia. O aggiornamento possibilitou uma nova compreensão da relação Igreja mundo. O Povo de Deus constitui a Igreja como sacramento do Reino. O leigo é sujeito eclesial que realiza o tríplice múnus de Cristo. Promover a interação dessas realidades constitui o desafio. 4
  • 5. 3. POVO DE DEUS EM MISSÃO: DIÁLOGO E SERVIÇO  A leitura da realidade, a partir da fé, é um legado do Concílio. A Igreja permanece sempre atual, não obstante as mudanças históricas.  A missão se faz no diálogo com as realidades em que a Igreja está inserida. É uma postura que exige conversão dos cristãos em cada tempo e realidade. Ser discípulo é estar em saída de si mesmo na busca do outro, realizando a missão encarnatória da Igreja.  Todos são chamados a vivenciar esse encontro e comunicá-lo por gestos e palavras. Jesus envia a todos pela força do Espírito.  Como Igreja, o laicato está em saída para a missão. O leigo em saída é a Igreja referenciada pelo Reino e direcionada para o mundo, onde deve se encarnar como fermento na massa, sal da terra e testemunha. como luz 5
  • 6. 4. O CRISTÃO LEIGO NUMA IGREJA “EM SAÍDA”  O sujeito eclesial se define pela consciência de ser, pela experiência de autonomia e corresponsabilidade na comunidade de fé e pela ação na Igreja e no mundo. A condição de sujeito eclesial se opõe ao individualismo e aos comunitarismos.  Os leigos vivem inseridos na construção da vida social. A busca do mundo novo é o horizonte onde a comunhão com Deus nos atrai.  A Igreja vive um clima de renovação. O Papa convoca os leigos para a consciência de sua pertença eclesial e de sua missão. A Igreja ainda não vive essa realidade pelo clericalismo e pela falta de consciência do próprio laicato. Muitos leigos persistem em ações internas à Igreja sem um empenhamento pela aplicação do Evangelho na transformação da sociedade. 6
  • 7. 5. PERSPECTIVA DO DOCUMENTO: CRISTÃO LEIGO COMO SUJEITO ECLESIAL  O presente documento pretende animar leigos e leigas a se compreenderem e atuarem como sujeitos eclesiais nas diversas realidades em que se encontram inseridos. Dá especial ênfase a uma necessária superação do clericalismo, do individualismo e do comunitarismo. A noção e a perspectiva do sujeito eclesial perpassam as três partes do documento, que segue o método ver-julgar- agir. Sujeito eclesial é um dom que se faz tarefa para toda a Igreja, em sua missão evangelizadora. 7
  • 8. PARA REFLETIR 1 – Por que estamos vivendo tempos novos na Igreja? 2 – Qual a importância desses tempos novos para os leigos e leigas? 3 – Quais as consequências desse assunto para nossa vida em comunidade? 4 – Sugestões em relação ao texto (supressões, acréscimos, mudanças de redação). 8
  • 9. PARTE I O MUNDO ATUAL: ESPERANÇAS E ANGÚSTIAS 9
  • 10. 1. A INSERÇÃO E O DISCERNIMENTO DOS CRISTÃOS NO MUNDO  O mundo é o lugar da ação do cristão. A negação dessa realidade constitui alienação e fuga da condição de discípulos missionários. O ser humano é mundo. Nosso vínculo ao Deus encarnado, se faz com tudo o que somos no mundo e com o mundo.  Entender o mundo exige o olhar da fé e da razão. Devemos saber ler o que é favor ou contra o projeto de Deus. A Igreja deve perscrutar os sinais dos tempos para responder às interrogações .  O cristão é chamado a viver como sujeito no mundo de forma consciente, autônoma e ativa. A Igreja é carisma que vem do Espírito e se concretiza na organização de sujeitos e funções. 10
  • 11. 1. A INSERÇÃO E O DISCERNIMENTO DOS CRISTÃOS NO MUNDO  A compreensão do mundo de hoje é um grande desafio. O saber ler os sinais dos tempos é uma tarefa educativa fundamental para a vida cristã.  A Palavra é anúncio de que o mundo deve ser construído segundo o desígnio de Deus. O cristão afirma o Deus da vida e nega toda idolatria. Devemos é detectar as causas escondidas dos valores e das regras que predominam na sociedade.  As transformações do mundo adquirem hoje dimensões e dinamismos surpreendentes que se mostram ao mesmo tempo a favor e contra o ser humano. A indiferença constitui o maior pecado de nossos dias. A felicidade se encarna na imanência do consumo-satisfação. 11
  • 12. 2. O MUNDO GLOBALIZADO  Vivemos no mundo definitivamente globalizado. Trata-se de um sistema estruturado a partir de algumas bases fundamentais:  As tecnologias  A organização financeira  O sistema social  A cidade  A cultura urbana  A sociedade da informação 12
  • 13. 2. O MUNDO GLOBALIZADO  Esse mundo globalizado traz facilidades e possibilidades de melhoria nas condições de vida e nas relações humanas.  Mas esse mundo configura-se efetivamente como um sistema de vida ambíguo do ponto de vista da igualdade social e da liberdade humana, tanto na perspectiva das ciências humanas quanto da fé. O desafio cristão será sempre viver no mundo sem ser do mundo, discernir e ficar com o que é bom. 13
  • 14. 3. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO GLOBALIZADO  O mundo globalizado era entendido corretamente como uma questão macroeconômica. Hoje, esse regime incluiu o desejo de satisfação nas práticas de consumo  Trata-se de um modo de produzir que opera a partir de uma lógica individualista, que funciona como:  Satisfação individual e indiferença ao outro  Supremacia do desejo em relação às necessidades  Predomínio da aparência em relação à realidade  Inclusão perversa  Falsa satisfação 14
  • 15. 3. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO GLOBALIZADO  Este sistema tende a ser assimilado como normal e bom. Vejamos os problemas que expõem a contradição desse sistema:  A promessa liberal tem mostrado limites  O lucro sustenta as corporações, rege a produção e o comércio, seduz as nações e os indivíduos  As consequências ecológicas são cada vez mais graves  Há os que têm muito e os que não têm o mínimo para subsistir  A corrupção em todos os níveis sociais e nas elites políticas e econômicas  As concentrações urbanas com ocupações territoriais desiguais  As relações nas redes virtuais dispensam posturas sociais, éticas e cristãs  É preciso dizer não a tudo isso. 15
  • 16. 4. CONSEQUÊNCIAS SOCIOCULTURAIS DO MUNDO GLOBALIZADO  Trata-se de uma sociedade individualizada. É possível se manter na intimidade e conectar-se pelas redes virtuais com o outro distante que, por sua vez, mantém-se em seu anonimato.  Esse modo de socialização enfraquece as relações. Esse isolamento acontece no espaço doméstico, nas relações familiares, no espaço público, nas relações anônimas dos pequenos e grandes aglomerados e nas concentrações de massa.  De outra parte, podem se verificar formas de reação social na afirmação de identidades grupais pela via da etnia, da religião, do gênero ou de outras causas que agregam adeptos de modo duradouro ou momentâneo. 16
  • 17. 4. CONSEQUÊNCIAS SOCIOCULTURAIS DO MUNDO GLOBALIZADO  O comportamento uniformizador, autoritário e, em muitos casos, sectário configura comunidades isoladas que podem ser mais adequadamente definidas como comunitarismo. Crescem formas dispersas de agregação que se manifestam para protestar.  A re-institucionalização constitui uma via de afirmação de padrões e valores como garantia de segurança.  Essas tendências podem conviver e, até mesmo se fazer presentes simultaneamente – e contraditoriamente – em indivíduos e grupos.  A pluralidade é outra característica do mundo atual e se torna uma realidade cada vez mais vivenciada em todas as esferas das relações humanas e presente nos valores, nas convicções e práticas. 17
  • 18. 5. AS TENDÊNCIAS ECLESIAIS  As práticas eclesiais reproduzem esses processos sociais globais que foram descritos. O individualismo se mostra como atitude que pode perpassar as mais diversas formas de vida. Os individualismos relacionam a salvação sem a inclusão do outro. As aglomerações religiosas de massa e as vivências cristãs telemidiáticas reproduzem a tendência social ao anonimato e à massificação. Não faltam também as experiências de comunitarismo religioso de característica fundamentalista e sectária.  Esse mundanismo se esconde por detrás de aparências de religiosidade e de amor à Igreja mas busca a glória humana e o bem-estar pessoal. 18
  • 19. 5. AS TENDÊNCIAS ECLESIAIS  Essas formas de vida eclesial repetem hoje tendências antigas do cristianismo: o gnosticismo, uma fé fechada no subjetivismo, onde a pessoa fica enclausurada na imanência de sua própria razão ou sentimentos, e o neo-pelagianismo auto-referencial e prometeico de quem, no fundo, só confia nas suas próprias forças.  O clericalismo é a versão religiosa da afirmação do princípio da autoridade exercida pela instituição como o meio de organização de toda a vida social. Ele se estrutura de modo articulado com o individualismo – na passividade de cada indivíduo perante um poder sagrado – e o comunitarismo que afirma a obediência à norma como regra de comportamento. 19
  • 20. 6. ALGUNS DISCERNIMENTOS NECESSÁRIOS  A Igreja tende a reproduzir ou a resistir a padrões e valores do mundo. A primeira tendência assimila as formas individualistas. A segunda resiste oferecendo a segurança de uma vida comunitária separada do mundo. A terceira afirma a hierarquia como fonte e centro da vida eclesial.  A reprodução do individualismo no âmbito religioso instaura a busca incessante de bem-estar. Por outro lado, os comunitarismos religiosos se estruturam como uma reação consciente ao mundo, oferecendo aos seus membros verdade e segurança.  O cristão está no mundo e busca os meios de discernir e viver de maneira fiel o projeto de Jesus Cristo. A postura é de discernimento, diálogo, liberdade e de adesão a Jesus. 20
  • 21. 6. ALGUNS DISCERNIMENTOS NECESSÁRIOS  Viver na Igreja é aprender a seguir o Evangelho distinguindo: a) Pluralidade de relativismo b) Secularidade de secularismo c) Os benefícios da tecnologia da busca de bem-estar ilimitado d) O consumo dos bens necessários da busca ilimitada de satisfação assim como o uso prazeroso dos bens do hedonismo e) O uso do dinheiro da idolatria do dinheiro f) A autonomia e a liberdade individual, do isolamento individualista g) Os valores e as instituições tradicionais, do tradicionalismo h) A vivência comunitária do comunitarismo i) O uso das redes da comunicação virtual  Discernir é diz não e gerar ações afirmativas. 21
  • 22. 6. ALGUNS DISCERNIMENTOS NECESSÁRIOS  A Igreja é chamada a ser:  Escola de vivência cristã  Organização comunitária  Comunidade inserida  Grupo de seguidores  Povo de Deus  Comunidade que se abre  A Igreja caminha para frente com lucidez e esperança, paciência e caridade, coragem e humildade. A Igreja da escuta, do diálogo e do encontro se insere no mundo como quem ensina e aprende, diz sim e não, sobretudo como quem serve.  A Igreja em saída é uma Igreja de portas abertas. 22
  • 23. ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO Capítulo I - O Mundo Atual: Esperanças e Angústias apresenta um ver da realidade em que vivemos. Estamos inseridos, do ponto de vista econômico, social, político, cultural e religioso, numa sociedade globalizada, marcada pelo individualismo e consumismo, com suas consequências individuais, sociais e religiosas.  Qual o lugar de atuação do cristão? (Verificar os nºs 14 a 19). 23
  • 24. ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO  Essa sociedade globalizada com todos esses elementos (cultura do consumo, e numa lógica individualista nº 20; 23; 24 e 28) gera diferentes formas de reações (nºs. 30 a 32; 35 a 37; 40). Após a leitura desses números comente como o individualismo, o consumismo, as diferentes formas de reações estão presentes na sua família, comunidade, paróquia, no seu grupo, nas várias formas organizativas dos leigos e leigas.  Diante dessa forma de estruturação da sociedade, qual devem ser a postura e a atuação do cristão e da cristã (Ler os nºs 39 a 46)? 24
  • 25. PARA REFLETIR 1 – Quais as principais ideias do texto? 2 – Em que essas ideias nos questionam? 3 – Quais as contribuições principais que essas ideias nos dão para a compreensão do laicato e sua vida eclesial e social? 4 – Sugestões em relação ao texto (supressões, acréscimos, mudanças de redação) 25
  • 26. PARTE II O SUJEITO ECLESIAL: CIDADÃOS, DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS 26
  • 27. 1. O CRISTÃO COMO SUJEITO  A noção de sujeito remete à noção de criatura, distinta do Criador, chamada a dialogar com Ele e eticamente responsável pelo destino de si e da história, como membro de um Povo e na perspectiva do futuro prometido por Deus.  Isso exige o equilíbrio entre o eu e o outro. Cada cristão é um portador de qualidades vivenciadas na vida comum e cresce na medida em que assume essa condição social. Esse é o Homem Novo que se opõe ao Homem Velho.  O leigo é o cristão maduro na fé, que se dispôs a seguir Jesus com todas as consequências dessa escolha superando o infantilismo eclesial. 27
  • 28. 1. O CRISTÃO COMO SUJEITO  A condição eclesial implica na acolhida do dom na comunidade. A tarefa da construção de autênticos sujeitos eclesiais se impõe igualmente para todos os membros.  O sujeito cristão se realiza como pessoa na comunidade cristã. A pessoa é uma unidade de consciência e de relação, cujo modelo é a própria pessoa de Jesus Cristo.  O cristão é também chamado a se desenvolver como indivíduo capaz de afeto e amor na abertura às relações consigo mesmo, com os demais, com Deus e com a natureza, como ser imagem e semelhança com Deus que é Amor, comunhão. 28
  • 29. 1. O CRISTÃO COMO SUJEITO  A cultura consumista orienta a uma individualidade fechada segundo a lógica do imediatismo e do hedonismo, abrindo caminho para a manipulação, coisificação e mesmo escravidão e uso abusivo dos recursos naturais e sua destruição. A abertura ao outro é condição necessária para a realização do ser humano. 29
  • 30. 2. O SUJEITO ECLESIAL E A CIDADANIA  A cidadania plena é um dos rostos da caridade em nosso tempo. É urgente o esforço de trazer cada pessoa ao mundo dos direitos plenos. A promoção do bem comum e a construção de uma democracia participativa ultrapassam o círculo dos cristãos.  Os cristãos são também cidadãos e devem assumir ativamente esta cidadania em toda a sua amplitude. A cidadania para todos brota da missão da Igreja. Deus desce e entra em nosso mundo e em nossa história. Também os cristãos devem descer e entrar em tudo o que é humano. 30
  • 31. 2. O SUJEITO ECLESIAL E A CIDADANIA  Eclesialidade e cidadania não podem ser vistas de maneira separada. A construção da cidadania e de eclesialidade nos leigos é um só e único movimento.  Deve haver uma coerência entre ser Igreja e ser cidadão e uma busca em traduzir, no âmbito da sociedade política e civil, o ser cristão.  O sujeito eclesial é cidadão ativo em sua vida pessoal e em seus trabalhos e lutas. 31
  • 32. 2.1. O CRISTÃO É UM CIDADÃO DO REINO DE DEUS  O cristão, permanecendo Igreja, constrói cidadania no mundo. Afinal, a Igreja existe unicamente para servir como Jesus Cristo serviu.  O Vaticano II reconheceu, em todas as realidades do mundo, o valor próprio por Deus nelas colocado. Tudo deve concorrer para o bem da pessoa humana.  A situação de nossa sociedade urge uma conversão radical: recolocar o ser humano como o fim destas mediações, e não o meio. No Reino de Deus temos a lógica: tudo a serviço da vida plena para todos. 32
  • 33. 2.2. RUMO A UMA NOÇÃO INTEGRAL DE SUJEITO CRISTÃO  Isso exige dar passos no sentido de superar antagonismos que estão enraizados em muitas mentalidades.  O primeiro é o antagonismo entre a fé e a vida.  Jesus nos indica que tudo, menos o pecado, pode ser mediação do amor de Deus. Diante do Evangelho, podemos dizer que tudo pode manifestação da misericórdia de Deus.  Outro é o antagonismo Igreja-mundo. Reconhecer o fato da Encarnação faz-nos valorizar este mundo e esta história que nos compete viver, unidos a todo o gênero humano. A Igreja está comprometida com este mundo como sacramento e sinal do amor e da misericórdia de Deus. 33
  • 34. 2.2. RUMO A UMA NOÇÃO INTEGRAL DE SUJEITO CRISTÃO  Há também antagonismos entre identidade eclesial e ecumenismo, missão e acolhida do outro. O diálogo é uma postura inerente à natureza e missão da Igreja no mundo.  A dicotomia entre Igreja e mundo e entre fé e vida está na raiz da atitude de valorização unilateral dos ritos em detrimento da responsabilidade social e da luta pela justiça. Apesar de se notar a participação de muitos nos ministérios laicais, este compromisso não se reflete na penetração dos valores cristãos no mundo social, político e econômico, limita-se muitas vezes às tarefas no seio da Igreja.  O cristão nunca pode ser visto isoladamente de seus enraizamentos básicos, enquanto pessoa humana. 34
  • 35. 3. NATUREZA E MISSÃO DOS CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS  O Vaticano II definiu: leigos são os todos os cristãos que pelo batismo foram incorporados a Cristo, constituídos no povo de Deus e feitos partícipes do tríplice múnus, pelo que exercem sua parte na missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo.  É o Espírito que capacita todos para participarem na obra de Cristo: todos são chamados como sacerdotes, como profetas e como administradores.  O leigo é Igreja, não apenas pertence a ela. Não existe superioridade de dignidade de pertença à Igreja. Esta mentalidade esquece que a dignidade não advém dos serviços e ministérios, mas da iniciativa divina da incorporação a Cristo pelo batismo. 35
  • 36. 3. NATUREZA E MISSÃO DOS CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS  A dignidade dos membros e a graça da filiação é comum a todos porque ao sair das águas do batismo, todo o cristão ouve de novo aquela voz que um dia se fez ouvir nas águas do Jordão: Tu és o meu Filho muito amado.  Não se pode mais falar de diferentes graus de perfeição. O Concílio afirma a vocação universal à santidade que advém de Cristo. Se nem todos são chamados aos mesmos caminhos, ministérios e trabalhos, todos são chamados à santidade.  Apesar do crescimento da consciência da identidade e da missão dos leigos e leigas na Igreja, que constituem a imensa maioria do povo de Deus, ainda há muito a percorrer. 36
  • 37. 3.1. A NECESSÁRIA EXPERIÊNCIA DE DEUS: SABOREAR A AMIZADE E A MENSAGEM DE JESUS  Os leigos são instados a descobrir e alimentar uma espiritualidade apropriada à sua vocação. É preciso rejeitar a tentação de uma espiritualidade intimista e individualista. A espiritualidade cristã sempre terá por fundamento os mistérios da encarnação e da redenção.  Leigos devem infundir uma inspiração de fé e um sentido de amor cristão. Busquem renovar sua identidade no contato com a Palavra de Deus, na intimidade dos Sacramentos e na oração.  A oração e a contemplação são muito importantes.  O verdadeiro trabalhador da vinha nunca deixa de ser discípulo. Portanto, ele deve dedicar tempo à oração sincera, que leva a saborear a amizade e a mensagem de Jesus. 37
  • 38. 3.1. A NECESSÁRIA EXPERIÊNCIA DE DEUS: SABOREAR A AMIZADE E A MENSAGEM DE JESUS  O encontro com Jesus leva a uma espiritualidade integral que contempla a conversão pessoal, o discipulado, a experiência comunitária, a formação bíblico-telógica e o compromisso missionário.  O amor que se mostra na imagem comunitária da Trindade e desdobra-se na missão histórico-salvífica de Deus, da qual a Igreja participa como sacramento. A missão da Igreja é motivada pela reintegração da humanidade em uma vida plena de amor.  Em virtude do batismo, todos os cristãos são chamados a viver e a transmitir a comunhão com a Trindade.  Deus uno e trino é a fonte e o modelo da vivência comunitária. 38
  • 39. 3.1. A NECESSÁRIA EXPERIÊNCIA DE DEUS: SABOREAR A AMIZADE E A MENSAGEM DE JESUS  Os fiéis eram um só coração e uma só alma e juntos viviam e testemunhavam a novidade do Evangelho. Este é o desafio para os leigos: avançar no seguimento de Cristo, aprendendo e praticando as bem aventuranças, o estilo de vida do Mestre, seu amor e obediência ao Pai, sua compaixão diante da dor, seu amor serviçal até o dom de sua vida na cruz. E a Igreja deve renovar-se a si mesma até que pela cruz chegue à luz que não conhece ocaso.  Cristo nos revela o amor do Pai e é a fonte da graça redentora de Deus. A fonte da Igreja está em Cristo, de cuja Paixão nasceu.  Muitos leigos estão impossibilitados para uma atuação concreta no mundo. Estes não devem se sentir do lado de fora da missão e tenham a consciência de que o sofrimento é uma realidade aberta para a evangelização. 39
  • 40. 3.2. O SACERDÓCIO COMUM E A MISSÃO SOLIDÁRIA DOS CRISTÃOS  O sacerdócio comum foi retomado no Concílio: Este Povo messiânico tem por cabeça Cristo. É sua condição deste a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus, em cujos corações o Espírito habita. A sua lei é o novo mandamento e tem por fim o Reino de Deus. Por isso é que este Povo é para todo o gênero humano germe de unidade, de esperança e de salvação. Estabelecido por Cristo como comunhão de vida, é também por Ele como instrumento de redenção e enviado a toda a parte.  A Igreja é o povo enviado ao mundo em missão para construir o Reino de Deus. O ministério ordenado deve ser serviço ao sacerdócio comum. Todos os cristãos participam do sacerdócio de Cristo, são chamados a entregar suas vidas a um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. 40
  • 41. 3.2. O SACERDÓCIO COMUM E A MISSÃO SOLIDÁRIA DOS CRISTÃOS  Os batizados são consagrados para serem casa espiritual, sacerdócio santo para que ofereçam-se a si mesmos como hóstias vivas, santas, agradáveis a Deus, deem testemunho de Cristo e àqueles que lhe pedirem deem razão da esperança da vida eterna que neles habita.  O sacrifício único de Cristo é incompreensível sem a ressurreição. Cruz ressurreição revelam a lógica profunda da existência que não é sacrifício, mas amor.  A cruz de Jesus foi consequência do seu amor pelos outros, pelos desprezados. A vida do cristão é sacerdotal, encarnado na autodoação salvífica de Jesus.  O sacerdócio ministerial está a do desenvolvimento da graça batismal de todos os cristãos. 41
  • 42. 3.3. DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS  A Igreja latino-americana e caribenha reafirmou-se como sacramento de unidade do gênero humano. Pertencemos à Igreja Povo de Deus, peregrina e missionária.  Essa Igreja em estado de missão busca superar suas limitações e tensões pela unidade no serviço.  É toda a Igreja que assume sua vocação de ser discípula.  A missão desse povo é assumir um compromisso com a realidade, que nasce do amor apaixonado por Cristo, e assim inculturar o seu Evangelho na história. São destinatários da missão não apenas os povos não cristãos de terras distantes, mas também os campos socioculturais, entendidos como os novos areópagos. 42
  • 43. 3.3. DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS  Em Aparecida, a missão tornou-se paradigma da Igreja. A comunhão trinitária é sinônimo de amor e envio salvífico.  Trata-se de concretizar a paróquia como comunidade de comunidades e lugar de formação contínua, de articular um estado permanente de missão. A dinâmica da missão produz as mudanças permanentes em todas as estruturas eclesiais.  Todos somos chamados para uma formação permanente em vista da humanização da realidade, discernindo os sinais de Deus e agindo por um outro mundo possível, descobrindo novos caminhos pastorais e novos ministérios 43
  • 44. 4. A IGREJA COMUNHÃO DE DIVERSIDADES  A unidade da Igreja acontece no interior de uma diversidade de rostos, carismas, funções e ministérios. O dom do Espírito se efetiva na ação concreta de cada membro da comunidade que a edifica. A comunidade organiza-se no exercício concreto de cada membro e busca os meios de tornar mais operante os dons recebidos do Espírito. Os modelos mudam, mas permanece a regra mais fundamental: a primazia do amor, que possibilita integrar as diversidades e a postura de serviço de todos. 44
  • 45. 4.1 A IGREJA, CORPO DE CRISTO NA HISTÓRIA  Os cristãos são chamados a ser Corpo de Cristo.  Cristo é a cabeça e tem em tudo a primazia. Nele a Igreja tem sua origem, dele se nutre. Cristo-cabeça é o centro de tudo. A Igreja é servidora de Cristo. Os indivíduos, mantendo sua subjetividade, possuem uma identidade comunitária, possibilitada e mantida pelo Espírito.  O Concílio valorizou a fundamentação sacramental da Igreja especialmente pelo Batismo e Eucaristia.  O Corpo de Cristo mostra a dinamicidade da presença de Cristo na Igreja ao longo da história e a realidade multiforme da Igreja, formada por uma diversidade de membros e funções. Isso é fundamental para entender a identidade e missão dos leigos. 45
  • 46. 4.2 A IGREJA, POVO DE DEUS PEREGRINO E EVANGELIZADOR  A imagem da Igreja como Povo de Deus sugere a importância de todos os seus membros.  O chamamento de Deus tem sempre em vista o serviço a todo um povo e, através deste povo, a todos os povos. O povo de Deus convocado por Cristo, é formado por judeus e gentios, um povo que, junto, cresce para a unidade no Espírito.  O povo de Deus tem a Cristo por cabeça. Embora não abranja toda a humanidade, tem por vocação ser, para ela, germe de unidade, esperança e salvação, luz do mundo e sal da terra.  As pessoas são salvas como pessoas inter-relacionadas e interdependentes. Deus as vocaciona e santifica como comunidade, como povo de Deus. 46
  • 47. 4.2 A IGREJA, POVO DE DEUS PEREGRINO E EVANGELIZADOR  A vida comunitária leva a valorizar a diversidade deste povo em peregrinação ao Reino, no qual a diferença não será fonte de desqualificação e nenhuma unidade passará por cima das riquezas individuais.  Todos os batizados fazem parte do povo sacerdotal, profético e real, o que inclui os cristãos de outras igrejas. Devemos fazer da Igreja a casa e escola de comunhão.  A figura do povo evoca a comunidade reunida e conduzida por Deus. Como Povo de Deus, a Igreja está a caminho na história.  O sujeito da evangelização é o povo de Deus, a Igreja. Ser povo de Deus é ser fermento no meio da humanidade, anunciar e levar a salvação ao mundo, é lugar da misericórdia gratuita. 47
  • 48. 4.3. CARISMAS E MINISTÉRIOS NA IGREJA  A unidade na qual o povo é reunido é construída numa diversidade suscitada pelo próprio Espírito. A unidade é fundada na diversidade trinitária que suscita também a diversidade de dons, carismas, serviços e ministérios.  A diversidade de dons e carismas é uma forma de santificar e guiar a Igreja, capacitando e estimulando os cristãos a assumirem trabalhos e ofícios que contribuem para a renovação e maior incremento da Igreja, e possibilita respostas criativas aos desafios de cada momento histórico.  Os carismas são dons e impulsos especiais que podem assumir as mais variadas formas, como expressão da liberdade absoluta do Espírito e como resposta às necessidades da Igreja. 48
  • 49. 4.3. CARISMAS E MINISTÉRIOS NA IGREJA  Cada um deve descobrir as aptidões doadas por Deus e como pode exercitá-las. Alguns carismas são exercidos de forma pessoal ou no cotidiano das comunidades, outros possuem maior visibilidade.  O Concílio afirma os ministérios como dons distribuídos à Igreja  O documento 62 da CNBB traz um estudo sobre os ministérios. No Novo Testamento, os carismas vêm inter-relacionados aos ministérios.  O ministério é o carisma que assume a forma de serviço, é acolhido e reconhecido pela Igreja. O ministério assume a forma de serviço bem determinado, envolvendo um conjunto de funções que responda a exigências da comunidade e da missão e seja acolhido e reconhecido pela comunidade eclesial. 49
  • 50. 4.3. CARISMAS E MINISTÉRIOS NA IGREJA  Há hoje na Igreja uma tendência a considerar como ministério toda e qualquer tarefa exercida na comunidade ou movimentos eclesiais. Duas consequências daninhas resultam desta postura: a noção de ministério é enfraquecida e banalizada e a índole secular própria dos leigos e leigas é obscurecida.  Nos ministérios ordenados, o carisma é reconhecido e instituído através do sacramento da Ordem, para servir a comunidade.  O ministério ordenado, supõe uma comunidade de verdadeiros sujeitos eclesiais, com participação consciente, ativa e adulta. 50
  • 51. 4.3. CARISMAS E MINISTÉRIOS NA IGREJA  Ministérios reconhecidos são aqueles ligados a um serviço significativo para a comunidade, mas não permanente, podendo desaparecer quando variarem as circunstâncias. Ministérios confiados são conferidos por algum gesto litúrgico simples ou alguma forma canônica. Ministérios instituídos são mais oficializados. Conferem uma função ao seu portador através de um rito litúrgico chamado instituição. Instituídos universalmente, temos os de leitor e acólito.  Aparecida reconhece os ministérios confiados aos leigos e outros serviços pastorais, como ministros da Palavra, animadores de assembleia e de pequenas comunidades.  No entanto o número está longe de ser suficiente. 51
  • 52. 4.4 A COMPLEMENTARIEDADE DOS SERVIÇOS E MINISTÉRIOS  Entre serviços e ministérios deve existir unidade na diversidade que é realizada pelo Espírito. Diversidade não é fechamento em particularismos, que provoca divisão. Unidade não é imposição de uma uniformidade.  Não é mais possível pensar uma Igreja em que se exclua a participação e corresponsabilidade dos leigos na missão. Planos pastorais devem ser pensados de modo inclusivo e criativo.  Tudo isto implica uma mudança de mentalidade relativa, em particular, ao papel dos leigos na Igreja, que devem ser. considerados como corresponsáveis do ser e do agir da Igreja. É importante que se consolide um laicato maduro e comprometido, capaz de oferecer a sua contribuição específica para a missão eclesial. 52
  • 53. 5. A IGREJA NA SOCIEDADE  O significado da relação Igreja e mundo vem do Reino, que diz respeito ao plano de Deus para a criação e tem sua realização no próprio Deus. A Igreja é sinal visível do Reino. O mundo carrega sinais do Reino. A busca do Reino é missão de todos.  A Igreja é chamada a ser promotora do Reino. Dessa convicção ela se nutre e nessa direção se organiza. A Igreja centrada em si anuncia a si mesma, entende seus ministérios como poder e de fecha-se em relação ao mundo.  O mundo é caracterizado por um pluralismo onde todos são chamados a dar testemunho da fé e reconhecer a liberdade do outro para expressar suas convicções religiosas. O leigo exerce também um ministério do diálogo e da reconciliação. 53
  • 54. 5.1 AS TENTAÇÕES DO CLERICALISMO E DO LAICISMO  O clericalismo dicotomiza a relação entre a Igreja e o mundo e deforma a atuação do leigo. Clericalismo é o exercício da função como poder de mando de uns sobre os outros, em nome de uma pretensa dignidade sagrada superior.  É preciso distinguir laicidade de laicismo. A laicidade diz respeito à legitima autonomia da ordem secular em relação às instituições religiosas, enquanto o laicismo é a negação da religião como dimensão humana.  O fundamento da corresponsabilidade dos leigos na missão está na inserção de todos na Igreja. Todos são chamados a contribuir.  A Igreja alerta para o risco da clericalização. Puebla identificava uma mentalidade clerical em clérigos e leigos. 54
  • 55. 5.1 AS TENTAÇÕES DO CLERICALISMO E DO LAICISMO  A tentação do clericalismo continua muito atual. Na maioria dos casos, trata-se de uma cumplicidade viciosa: o sacerdote clericaliza e o leigo lhe pede por favor que o clericalize, porque, no fundo, lhe resulta mais cômodo.  O clericalismo infantiliza os leigos, impedindo-os de se desenvolverem e se realizarem como verdadeiros sujeitos eclesiais.  Alguns para a superação do clericalismo são grupos bíblicos, comunidades eclesiais de base e Conselhos pastorais. 55
  • 56. 5.1 AS TENTAÇÕES DO CLERICALISMO E DO LAICISMO  No laicismo, os fiéis vão cortando os laços com a comunidade e fortalecendo suas tendências individualistas. Acabam por perder a fonte da Palavra, dos Sacramentos e da comunidade O laicismo traz em si um apelo de revisão dos entraves que podem fazer a Igreja perder a atratividade do Cristo.  A superação deste laicismo só pode vir da força de atração do trabalho evangelizador, de uma ação eclesial fortemente motivada pelo Espírito. Só a perseverança neste trabalho e a renovação de suas motivações serão capazes de superar o clericalismo e o laicismo presentes na Igreja. 56
  • 57. 5.2 A IGREJA ENCARNADA NO MUNDO  A autonomia do mundo constitui o drama da humanidade inserida no mistério salvífico de Deus. A Igreja só pode agir no mundo como servidora e dialogante e não como poder sobre o mundo.  A ação do leigo no mundo pode ser vista de variadas maneiras. Primeiro, a ação rotineira feita nas funções diárias. Segundo, por meio da ação dos homens e mulheres que trabalham na construção do mundo nas mais diversas frentes. Terceiro, os leigos que se organizam em nome da fé para influenciarem na construção da sociedade. A graça possibilita e leva a bom termo as ações humanas. 57
  • 58. 5.3. UMA IGREJA “EM SAÍDA”  A Igreja é chamada a ser sacramento do amor e da salvação de Deus, peregrina na história, como povo de Deus.  A Igreja deve estar voltada às alegrias e esperanças, tristezas e angústias da humanidade.  Portanto, a Igreja não é um clube de eleitos nem uma alfândega controladora da graça de Deus. Há, no núcleo da noção de Igreja, uma abertura radical que se estende a todos os povos da terra. 58
  • 59. 5.3. UMA IGREJA “EM SAÍDA”  Somente assumindo uma atitude de abertura das portas é possível fazer o movimento de saída em direção a todos. Cristo é o centro e a Igreja está a seu serviço. O modelo que se impõe é ser uma Igreja em saída, em direção a todas as periferias.  A Igreja em saída é uma Igreja de discípulos missionários, onde a comunidade missionária entra na vida diária de quem necessita, encurta as distâncias, abaixa-se e assume a vida humana, tocando na carne sofredora de Cristo no povo.  Como sair da própria comodidade e empreender uma novidade evangélica e expansiva? É a pergunta que cada comunidade, cada clérigo, cada cristão leigo e leiga poderia se fazer. 59
  • 60. 5.4. UMA IGREJA POBRE, PARA OS POBRES E COM OS POBRES  A Igreja que queremos é pobre, para os pobres, com os pobres e os que se encontram nas periferias existenciais.  A Igreja em Medellín assume a opção pelos pobres, em Puebla proclama solenemente a profética opção preferencial e solidária pelos pobres, e reitera nas subsequentes Conferências. A Evangelii Gaudium a reafirma como categoria teológica.  Os pobres ocupam lugar preferencial no coração de Deus, que se fez pobre O caminho da redenção está assinalado pelos pobres, sendo que com eles se identificou: eu estava com fome, e me destes de comer, ensinando que a misericórdia para com eles é a chave do Céu. 60
  • 61. 5.4. UMA IGREJA POBRE, PARA OS POBRES E COM OS POBRES  Aparecida descreve os rostos sofredores que doem em nós. Mas é preciso estar atentos às novas formas de pobreza e fragilidade. Pensamos também em outros seres frágeis e dependentes da criação, como o solo que desertifica, as espécies em extinção, sinais que afetam a vida na terra e das novas gerações.  Toda a Igreja deve renovar seu compromisso com os pobres e com a justiça. Um apelo do Papa Francisco aos leigos: ninguém pode sentir-se exonerado da preocupação pelos pobres e pela justiça social. 61
  • 62. 5.5. UMA IGREJA DO SERVIÇO, DA ESCUTA E DO DIÁLOGO  A Igreja deseja a construção da cultura do encontro que gera compromissos para o bem comum, com sabedoria e humildade.  Na cultura do encontro, todos contribuem e recebem. Trata-se de uma postura aberta e disponível, para a qual é necessária uma humildade social: estima das culturas e religiões e respeito aos direitos de cada um.  Trata-se de passar de atitudes fechadas à formação de uma nova cultura, que constrói cidadania no diálogo e que não tem medo de acolher o que o outro, o diferente, tem a oferecer. Este é espaço aberto para os leigos e leigas. 62
  • 63. 5.6. A AÇÃO DOS CRISTÃOS LEIGOS: “SAL DA TERRA, LUZ DO MUNDO E FERMENTO NA MASSA”  Há uma ênfase na índole secular dos leigos: eles vivem no século, isto é, em todos e em cada um dos ofícios e trabalhos do mundo. Vivem nas condições da vida familiar e social, pelas quais sua existência é como que tecida.  Estar nas realidades temporais é também ser Igreja. Ela é uma realidade teológica e eclesial, pois é aí que Deus manifesta o seu plano e comunica a vocação de procurar o Reino de Deus  Leigos são chamados à santidade e com sua ação santificam o mundo. Procuram o Reino exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus.  Os leigos são especialmente chamados para tornarem a Igreja presente e operosa naqueles lugares e circunstâncias. 63
  • 64. 5.6. A AÇÃO DOS CRISTÃOS LEIGOS: “SAL DA TERRA, LUZ DO MUNDO E FERMENTO NA MASSA”  As imagens evangélicas do sal, da luz e do fermento são aplicadas aos leigos. Falam da novidade e originalidade de uma inserção e de uma participação destinadas à difusão do Evangelho que salva.  O ser laical da Igreja se expressa ao impregnar e penetrar as realidades temporais com o espírito cristão e ao testemunhar Cristo em todas as circunstâncias, no interior da comunidade humana. Os leigos deverão levedar a totalidade e integridade das estruturas de convivência humana, inculturando a fé, sendo animadores e promotores do diálogo social como contribuição para a paz 64
  • 65. 5.6. A AÇÃO DOS CRISTÃOS LEIGOS: “SAL DA TERRA, LUZ DO MUNDO E FERMENTO NA MASSA”  A cada tempo histórico, surgem campos prioritários da ação dos leigos e leigas. Na América Latina e no Brasil vários documentos aprofundaram a presença dos leigos e leigas nesses campos conforme nossa realidade.  Portanto, é função própria do cristão leigo ser Igreja na sociedade civil e nos espaços públicos.  A Pastoral Familiar é espaço privilegiado para conscientizar sobre a vocação matrimonial e suas exigências. Há leigos que optam pela vida consagrada.  Com tudo isto, surge um desafio: a formação dos leigos e a evangelização das categorias profissionais e intelectuais. 65
  • 66. ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO Capítulo II – O Sujeito Eclesial: Cidadãos, Discípulos Missionários.  O Cristão leigo, sujeito na Igreja e no mundo, é o cristão maduro na fé (ver nºs 49; 51; 54 a 61; 72). Como superar os antagonismos entre fé e vida, Igreja-Mundo, identidade eclesial e ecumenismo? Sendo a Igreja Povo de Deus, como se deve construir a comunhão entre os diversos sujeitos eclesiais? Como é ser sujeito na vocação laical? 66
  • 67. ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO  A dignidade dos cristãos leigos e leigas provém da própria iniciativa de Cristo que, pelo Batismo, nos incorpora a Si mesmo (nº 69 a 71). E devem se traduzir na corresponsabilidade dos leigos e leigas no ser e no agir da Igreja (nºs 128 a 129). Comente com o seu grupo sobre as principais dificuldades de passar da mentalidade de ser colaborador na Igreja a ser de fato corresponsável na missão da Igreja. Como desenvolver melhor as estruturas de comunhão e participação em nossas comunidades e dioceses? 67
  • 68. ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO  O clericalismo (nºs 134 a 142) está presente em seu contexto eclesial? Como ele se traduz, na prática?  O texto indica a importância dos ministérios confiados aos leigos e leigas e do seu serviço cristão ao mundo (nºs 114 a 126). Na sua realidade local, quais os ministérios e serviços exercidos por cristãos leigos e leigas?  “A cada tempo histórico, surgem campos prioritários da ação dos leigos e leigas” (nº 164; ler nºs 158 a 167). Dados os desafios do nosso contexto, quais as realidades que mais solicitam o empenho dos cristãos leigos nos níveis pessoal, comunitário e social? 68
  • 69. PARA REFLETIR 1 – Temos clareza da identidade do leigo e da leiga na Igreja e no mundo? 2 – Qual a relação entre identidade e missão? 3 – Quais as consequências desse assunto para nossa vida em comunidade? 4 – Sugestões em relação ao texto (supressões, acréscimos, mudanças de redação). 69
  • 70. PARTE III A AÇÃO TRANFORMADORA NA IGREJA E NO MUNDO 70
  • 71. INTRODUÇÃO  Todo cristão é chamado a ser um autêntico sujeito eclesial e a ação é uma das notas que caracterizam a noção de sujeito. A Igreja deve planejar suas atividades e buscar as melhores formas de se organizar e atuar. A fé ilumina os cristãos para agir na Igreja e na sociedade. Várias ciências podem contribuir com essa tarefa oferecendo métodos e estratégias para uma ação planejada.  A ação da Igreja tem um movimento irradiador. Pela força do Espírito, é direcionada para fora de si mesma. A Igreja em saída, como bem define o Papa, é a Igreja da ação renovadora de si mesma, das pessoas e do mundo, em permanente estado de missão. 71
  • 72. INTRODUÇÃO  A ação pode ter diferentes significados ou modos de realização:  Um significado testemunhal como presença que anuncia Jesus Cristo  O aspecto da ética e da competência cidadã, quando exerce, da melhor forma possível, sua própria atividade profissional  Ação reconhecida e organizada na forma de serviços, pastorais, ministérios e outros grupos organizados pela própria Igreja  Outro modo é a inserção na vida social. Nesse campo de ação, temos as chamadas pastorais sociais.  Essas modalidades de ação se inter-relacionam e integram em seu conjunto a vida cristã. 72
  • 73. 1. SIGNIFICADOS E CRITÉRIOS DA AÇÃO DO SUJEITO CRISTÃO NA IGREJA E NO MUNDO  O cristão é sempre vigilante e ativo. O discernimento das condições em que se encontra e a busca dos meios mais coerentes e eficazes de agir constituem tarefas permanentes que solicitam a atitude profunda de fé e o aprofundamento da razão.  O Reino de Deus é o horizonte que orienta a ação transformadora dos cristãos no mundo. Por essa razão, se torna possível falar sempre em transformação do mundo e da Igreja.  A ação dos sujeitos cristãos, por seu caráter concreto, será antes de tudo local. Nesse sentido, será necessário que cada comunidade, paróquia, diocese e a Igreja, no Brasil, como um todo, tenham bem claro quais as urgências e as estratégias para as quais devem ser encaminhadas a ação dos leigos. 73
  • 74. CRITÉRIOS GERAIS  O Papa Francisco sugere alguns critérios:  A ação evangelizadora inclui sempre a Igreja, a sociedade e cada sujeito individual como força renovadora e razão de ser da ação de todo Povo de Deus  A ação é sempre discernimento das realidades concretas  A ação é preferível à estabilidade e à estagnação  A ação tem um foco concreto: a opção pelos pobres  O diálogo com o mundo social, cultural, religioso e ecumênico deve promover a cultura do encontro e a inclusão do outro na vivência da fraternidade  A ação deve considerar a primazia do humano. 74
  • 75. CRITÉRIOS ESPECÍFICOS  O Papa enumera também quatro princípios específicos para a construção de um povo de paz, justiça e fraternidade:  1º. O tempo é superior ao espaço. Trata-se de privilegiar as ações que geram novos dinamismos e comprometem pessoas e grupos que os desenvolverão até frutificar em acontecimentos;  2º. A unidade prevalece sobre os conflitos. A unidade é um princípio superior que norteia a ação e gera caminhos de superação e de comunhão maior, capaz de agregar diferenças;  3º. A realidade é mais importante que as ideias. A realidade é o lugar da encarnação da Palavra de Deus no decorrer da história de ontem e de hoje;  4º. O todo é superior à parte. O global e o local estão, mais do que nunca, em tensão em nossos dias. 75
  • 76. 2. A ORGANIZAÇÃO DO LAICATO  O povo de Deus busca os meios adequados para exercer sua missão. Organiza-se como sujeito social que pretende agir em conjunto e de modo eficaz. O leigo sempre encontrou os meios de sua ação.  Temos hoje as bases eclesiológicas e as condições eclesiais, sociais, políticas e culturais para que exerçam sua missão como um autêntico sujeito eclesial. Mas constatamos ainda grandes dificuldades para uma verdadeira corresponsabilidade dos cristãos leigos.  A necessidade de organização do laicato também pode brotar das exigências da sociedade e possibilita vida comum, apoio mútuo, afinidades de ideias e objetivos e bases de sustentação para a ação. 76
  • 77. 2. A ORGANIZAÇÃO DO LAICATO  Toda organização parte do princípio da sociabilidade. Isso faz com que interajamos com tudo e com todos. É o que chamamos de construção do ser sujeito e de sua socialização. As organizações afins dão espaços para falar e se manifestar, favorecendo a autonomia e o ser sujeito.  A socialização é um dos aspectos característicos da nossa época. Consiste na multiplicação progressiva das relações dentro da convivência social e comporta a associação de várias formas de vida e de atividades e a criação de instituições jurídicas. É de todo indispensável que se constitua uma vasta rede de agremiações ou organismos adequados a fins que os indivíduos por si sós não possam conseguir de maneira eficaz. 77
  • 78. 2. A ORGANIZAÇÃO DO LAICATO  A temática da organização do laicato foi tratada no Vaticano II a partir dos seus pressupostos eclesiológicos. É necessário que se robusteça a forma associada e organizada do apostolado dos leigos. Por isso, respeitada a devida relação com a autoridade eclesiástica, os leigos têm o direito de fundar associações e governá-las.  A fonte do apostolado dos leigos é a sua união com Cristo-Cabeça. Os leigos e leigas têm o direito e o dever do apostolado. O Concílio salientou duas formas de apostolado: o individual e o grupal. O primeiro é o princípio e condição de todo apostolado e é o testemunho de toda vida leiga. O apostolado em grupo corresponde à exigência dos fiéis de uma ação comum. 78
  • 79. 2. A ORGANIZAÇÃO DO LAICATO  A liberdade de ação e de organização dos leigos é explicitada no AA como direito de fundarem grupos e dirigirem-nos, bem como inscreverem-se nos existentes. Tratava-se de um fato histórico-eclesial que vinha do século passado e que tomara a forma mais expressiva, sobretudo na grande frente conhecida como Ação Católica. No horizonte da cooperação encontramos a indicação: Nas dioceses, enquanto possível, existam conselhos que auxiliem a obra apostólica da Igreja.  Medellín sugere estudos para a criação de um Conselho conforme orientação da AA. Puebla afirmara a confiança e decidido estímulo às formas organizadas de apostolado dos leigos, porque a organização é sinal de comunhão e participação da Igreja. 79
  • 80. 2. A ORGANIZAÇÃO DO LAICATO  A Christifideles Laici reconhece a liberdade de associação dos leigos: é necessário reconhecer esta liberdade na Igreja. Essa liberdade não deriva de concessão da autoridade, mas do batismo  A organização dos cristãos leigos e leigas constitui um direito decorrente do batismo e é uma forma de servir de modo responsável e mesmo eficiente ao Evangelho, nas esferas da Igreja e no mundo. Por outro lado, os diferentes carismas associativos, que por certo agregam os fiéis em missões e frentes especificas, não podem perder o vínculo com o carisma fundamental da vida eclesial.  O processo de autonomia de ação e organização do laicato se realiza no interior da comunidade eclesial. 80
  • 81. 3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL  A organização dos leigos buscou responder aos desafios. Durante a primeira metade do século XX, temos as irmandades, confrarias e associações numa dimensão mais espiritual e/ou de assistência. Para uma maior presença e atuação na sociedade, os bispos buscaram articular essas formas organizativas.  Em 1935, foi oficializada a Ação Católica Geral e, mais tarde, a Ação Católica Especializada. Descobriram que a sua ação decorria do batismo. Esta nova consciência gerou o compromisso com a transformação social.  Após o Concílio, veio a consciência de Povo de Deus e sujeitos eclesiais. Certamente é uma tarefa difícil abordar a riqueza e a diversidade dessa presença e atuação. Vale explicitar algumas delas: 81
  • 82. 3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL  As CEBs. Sua prática possibilitou a consciência de seus membros de ser Povo de Deus, de que sua pertença à Comunidade decorre do seu batismo. As CEBs têm a Palavra de Deus como centro, uma dimensão missionária e engajam-se nas lutas de transformação da sociedade na perspectiva do Reino de Deus.  As Pastorais Sociais. Significam a solicitude e o cuidado de toda a Igreja missionária diante de situações reais de marginalização, exclusão e injustiça. A sua perspectiva de atuação deve ser profético-transformadora indo além do assistencialismo. Nesse conjunto, podemos situar, também, várias entidades como a CBJP, o CIMI, a CPT; o IBRADES, o CEFEP e outros.  As Pastorais da Juventude respondem aos apelos dos jovens nos vários meios sociais. 82
  • 83. 3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL  Esta participação acontece na dinâmica interna da comunidade eclesial: Conselhos Paroquiais, Diocesanos e Econômicos, Assembleias e Sínodos, pastorais; iniciação à vida cristã e na catequese permanente.  Nos anos de 1970, foi criado o CNL , hoje CNLB.  No final da década de 60, houve a extinção da JUC e JEC. O Secretariado Nacional do Apostolado Leigo – SNALE apresentou a proposta que a temática da Assembleia de 1970 fosse Leigos, o que foi aceito. Participaram dessa Assembleia cerca de 31 leigos. Após a reflexão, os bispos aceitaram que o SNALE preparasse o funcionamento de um organismo de leigos. Foram realizados Encontros Nacionais, que elaboraram o projeto e foi criado o CNL 83
  • 84. 3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL  Nas Diretrizes 1975 – 1978 encontramos: Incentivar e apoiar a organização CNL. No quadriênio 1983 – 1986, um dos destaques foi Leigos. Na Assembleia de 1985, foi analisado o tema Leigos como contribuição à preparação do Sínodo sobre os leigos.  O tema Missão e ministérios dos leigos foi refletido na Assembleia de 1998. O resultado foi publicado como estudos 77. Após estudos nas dioceses e nas diferentes expressões laicais, inclusive na IV Assembleia Nacional dos Organismos do Povo de Deus, foi aprovado na Assembleia de 1999, o Documento 62. Os bispos afirmaram: busquem valorizar suas diversas formas de organização, em especial os Conselhos de Leigos em todos os níveis. 84
  • 85. 3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL  Em 2004, a CNBB aprovou o novo estatuto do CNLB, que busca despertar nos leigos a consciência crítica e criativa, estimula sua participação na Igreja como sujeitos eclesiais plenamente vocacionados. Prioritariamente, entretanto, está o objetivo de criar e apoiar mecanismos de formação e capacitação que ajudem o laicato a descobrir sua identidade e missão de pessoas de fé na Igreja e no mundo. 85
  • 86. 3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL  Também surgiram os Novos Movimentos. Todas essas formas estão presentes na caminhada da Igreja no Brasil.  A Igreja conta hoje com uma gama variada de associações que agregam leigos, outras que agregam leigos e clérigos e outras leigos e leigas consagrados.  Na esteira dos novos movimentos, muitos leigos , algumas vezes com cristãos ordenados e ou religiosos, fundaram outra forma organizativa denominada de Novas Comunidades. No Brasil, a primeira teve início em 1978. Na sua maioria nascidas da espiritualidade da RCC, mas com características próprias. 86
  • 87. 3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL  As novas comunidades têm emergido com força. São compostas de vários estados de vida e se dedicam às mais variadas causas e frentes de ação.  Para superar tensões que permanecem, o caminho é a inserção das várias expressões laicais nas Igrejas Particulares e o acolhimento, por parte das Igrejas, dessa diversidade de carismas.  Essas expressões possuem a sua formação em função dos seus carismas e objetivos, mas não podem prescindir da participação na comunidade eclesial. A autonomia só tem sentido na comunhão.  As formas de associação são para a edificação da Igreja e para contribuir com sua missão no mundo. 87
  • 88. 3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL  Os princípios para a organização do laicato são:  Autonomia com a plena pertença eclesial  Universalidade e inserção nas Igrejas Particulares  Carisma particular com busca da edificação da Igreja  Identidade confessional e inserção efetiva no mundo  Norma de vida e discernimento dos apelos da realidade  Espiritualidade específica e diálogo  Experiência individual da fé com o discernimento dos sinais dos tempos 88
  • 89. 3. PRESENÇA, ORGANIZAÇÃO E ARTICULAÇÃO DOS LEIGOS NO BRASIL  Expressamos nossa alegria pela significativa presença e atuação dos leigos e leigas, das suas organizações, bem como no enfrentamento dos grandes desafios. Reconhecemos o direito e a autonomia das diferentes formas de organização e articulação do laicato. Agradecemos a Deus pelos milhares de cristãos leigos e leigas que atuam com amor e disponibilidade, especialmente nas coordenações e nos conselhos pastorais, comunitários, paroquiais e econômicos.  O diálogo entre todos os membros da Igreja é o caminho para o testemunho da fraternidade e da unidade. 89
  • 90. 4. A FORMAÇÃO DO LAICATO  Sem uma formação permanente, contínua e consistente, o sujeito eclesial corre o risco de estagnar-se. A formação precisa considerar as dimensões humana, teológica, espiritual e pastoral e ser capaz de conjugar o teórico com o prático.  Dever-se-á distinguir diferentes níveis de formação no âmbito da comunidade eclesial, de forma a oferecer aos distintos sujeitos o que for conveniente e necessário à sua compreensão e vivência da fé. Também é fato que a formação requer atualização permanente segundo o que orientam as Diretrizes da Igreja, a pesquisa teológica e a pesquisa científica. 90
  • 91. A FORMAÇÃO DE SUJEITOS ECLESIAIS  Ser sujeito significa a vivência dessa condição do ponto de vista eclesial, social e político. Faz isso na medida em que orienta sua vida a partir de Jesus e do Reino. A Igreja deve estar atenta a esses cristãos que assumem serviços de grande valia.  Onde houver um cristão disposto a testemunhar e servir o Reino, aí a Igreja se faz presente, mesmo sem sua organização visível. O cristão é sujeito na condição em que se encontra.  Na Igreja, cada qual é chamado a ser um sujeito eclesial ativo que coloca-se a serviço dos irmãos. A comunidade deve formar sujeitos que contribuam com a educação dos demais. 91
  • 92. A FORMAÇÃO DE SUJEITOS ECLESIAIS  A formação de sujeitos eclesiais deve ser um compromisso e uma paixão das comunidades. Isso possibilita a Igreja em saída e contribui para uma consciência eclesial crítica dos seus limites.  Aparecida, ressalta:  Os aspectos do processo formativo  O acompanhamento do discípulo  A espiritualidade.  No mesmo documento, os bispos destacaram que nas Dioceses o projeto de formação deverá ser orgânico e envolver todas as forças vivas para construir uma convergência das iniciativas, contando com uma equipe de formação convenientemente preparada. 92
  • 93. A FORMAÇÃO DE SUJEITOS ECLESIAIS  A formação do leigo necessita com urgência de um projeto nacional. Espera-se a construção dessas orientações gerais.  Aparecida vê nos jovens um enorme potencial para a Igreja, mostrando-os sensíveis à experiência religiosa, principalmente à pessoa de Jesus. Porém, exigem ações com metodologias próprias.  Quanto à mulher, é urgente que possam participar plenamente da vida eclesial, familiar, cultural, social e econômica. Para isso, é necessário propiciar-lhe formação. Hoje busca-se a construção do humano com a presença feminina. A mulher assume papéis na Igreja, principalmente nas instâncias de decisão. 93
  • 94. FUNDAMENTOS DA FORMAÇÃO  Os leigos são chamados a serem videiras que frutificam continuamente. A formação é uma obrigação eclesial necessária para que os leigos assumam plenamente a sua responsabilidade de sujeitos eclesiais com maturidade e competência.  A formação tem também um profundo sentido espiritual. Cada seguidor de Jesus está inserido em um processo de identificação contínua com seu mestre. Nessa caminhada, busca por todos os meios as razões dessa identificação e o discernimento dos caminhos para essa tarefa, pois ela faz do sujeito eclesial um peregrino na busca do Reino que é a comunhão plena com Deus. 94
  • 95. FUNDAMENTOS DA FORMAÇÃO  A formação é uma exigência da condição humana. Isto exige a busca permanente da compreensão e da vivência da nossa fé. Temos que aprofundar os meios mais adequados de compreensão e comunicação da mensagem do Evangelho, recorrendo à teologia e às diversas ciências. A formação adequada permite que a mensagem se torne compreensível e promova o desejo de seguir Jesus.  A comunidade eclesial é responsável pela formação. No entanto, aqueles que ocupam funções de direção são os primeiros responsáveis do processo formativo 95
  • 96. PRINCÍPIOS E DIREÇÕES  A formação perpassa todas as atividades eclesiais e exige de todos uma atualização permanente sobre os conteúdos da fé e do que desafia sua compreensão e vivência. A formação, entendida como educação permanente da fé, possui um aspecto espontâneo que acontece na prática da própria fé. A formação possui ainda um aspecto sistemático e formal como atividade planejada e executada pela e na comunidade eclesial.  A formação deve contribuir para que os leigos vivam o seguimento de Jesus Cristo e possam dar uma resposta do que significa ser cristão hoje. Devemos pensar a formação a partir dos sinais dos tempos. 96
  • 97. PRINCÍPIOS E DIREÇÕES  São princípios da formação: a relação Igreja-mundo-Reino, a dimensão comunitária, a opção pelos pobres, respeito às questões de gênero, a relação teoria e prática, a inculturação, a pedagogia libertadora e participativa, a progressividade e avaliação. A formação deve ser:  integral  fundamentada na Palavra de Deus  missionária e inculturada  articuladora  prática  específica  permanente e atualizada  planejada 97
  • 98. 5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES PASTORAIS  Devemos retomar indicativos e propor encaminhamentos  Conscientizar os leigos quanto a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão, para assumir seu compromisso batismal.  Convocar os leigos a participarem do planejamento, decisão e execução da vida eclesial e da ação pastoral.  Efetivar um processo de participação dos vários sujeitos eclesiais no âmbito nacional tornando regulares as Assembleias Nacionais dos Organismos do Povo de Deus - ANOPD, realizadas desde 1991.  Abrir espaços de participação onde a presença feminina enriqueça a comunidade eclesial nos seus processos decisórios. 98
  • 99. 5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES PASTORAIS  Incentivar e acompanhar a presença e a ação dos leigos na participação social.  Aprofundar os ministérios leigos e estimular a criação de novos.  É indispensável um projeto Diocesano de formação que contemple:  objetivos, diretrizes, prioridades, atividades, lugares e meios, articulando-os com o plano de pastoral  formação básica para todos e específica para os campos de missão  aprimoramento bíblico-teológico dos leigos  a presença de leigos na coordenação e execução do projeto  o diálogo com as organizações dos leigos sobre o seu processo formativo. 99
  • 100. 5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES PASTORAIS  No mundo da política, três elementos são fundamentais: formação, espiritualidade e acompanhamento. Para isto, as Dioceses busquem:  Estimular e apoiar a participação dos leigos e leigas na política  Construir mecanismos de participação popular  Incentivar e preparar os cristãos leigos para participarem de partidos políticos  Mostrar que há outras maneiras de tomar parte na política  Constituição de Cursos e/ou Escolas de Fé e Política  Animar as Escolas de Fé e Política e promover atividades com políticos  Acompanhar os cristãos que estão com mandatos políticos 100
  • 101. 5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES PASTORAIS  A pessoa e o trabalho são elementos chaves no ensino social da Igreja. Diante dessa realidade, as Dioceses se esforcem para:  Criar grupos de partilha e de reflexão para os diferentes profissionais  Animar e manifestar nossa solidariedade aos trabalhadores na conquista e preservação de seus direitos  Incentivar os cristãos a participarem dos sindicatos e outras organizações  Acolher os trabalhadores em nossas comunidades eclesiais  Apoiar e participar de iniciativas de combate ao trabalho escravo  Apoiar as ações realizadas em relação às famílias  Criar e fortalecer as pastorais sociais 101
  • 102. 5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES PASTORAIS  Fortalecer a consciência de pertença, de gratidão a Deus e de corresponsabilidade.  Reconhecer a contribuição da mulher na evangelização e ampliar sua presença e participação na Igreja e na sociedade.  Garantir o protagonismo juvenil na Igreja e na sociedade, atingindo um maior número possível de jovens.  Cuidar para que as pessoas idosas sejam atendidas. pastoralmente e tenham espaço e condições de participarem da vida da comunidade eclesial.  Incentivar os cristãos que vivenciem e construam caminhos de diálogo, de cooperação com o diferente e com as diversas culturas. 102
  • 103. 5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES PASTORAIS  Propostas de Encaminhamento:  Envolver a Igreja e outras entidades na reflexão do Texto de Estudos, enviando as emendas;  Celebrar o Dia do Leigo a solenidade de Cristo Rei. Estimular no mês de novembro uma; programação envolvendo comunidades, paróquias e todas as formas organizativas do laicato;  Celebrar o dia 1º de maio denunciando tudo o que contraria a dignidade da pessoa; 103
  • 104. 5. ALGUNS INDICATIVOS DE AÇÕES PASTORAIS  Recuperar e divulgar o testemunho de leigos e leigas mártires e daqueles que viveram ou vivem seu compromisso batismal;  Criar e/ou fortalecer os Conselhos de Leigos  Fortalecer o diálogo e trabalho junto às diferentes formas de expressão do laicato;  Apoiar e acompanhar o VI Encontro Nacional do Laicato em junho de 2015;  Realizar o Ano do Laicato iniciando na festa de Cristo Rei de 2015 e o seu término na festa de Cristo Rei de 2016; 104
  • 105. ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO Capítulo III - A Ação Transformadora na Igreja e no Mundo. Como ocorre a ação transformadora, do sujeito eclesial, em sua realidade, na Igreja e como Igreja na sociedade (nºs 168 a 171)? O que significa dizer que o leigo tem autonomia para agir na Igreja e, como Igreja, atuar no mundo (nºs 50; 53; 168; 186 e 187)? 105
  • 106. ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO A organização dos cristãos, em particular dos leigos e leigas é uma exigência da missão (nºs 177 a 188) e no Brasil estão organizados de diferentes formas (nºs 189 a 212). Como estão organizados os leigos na sua realidade local, como atuam? 106
  • 107. ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO  A formação dos sujeitos eclesiais é essencial para exercer o discipulado e a missão no mundo (nº 218). Conversar sobre como está a formação em sua realidade e os desafios presentes. Ela contribui para a ação dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade?  No final do texto estão apresentados vários indicativos – nºs 230 a 247: Como veem esses indicativos? Quais as observações e sugestões? 107
  • 108. PARA REFLETIR 1 – Qual a importância da compreensão da missão dos leigos e leigas? 2 – Qual a importância da organização dos leigos e leigas? 3 – Quais as consequências desse assunto para nossa vida em comunidade? 4 – Sugestões em relação ao texto (supressões, acréscimos, mudanças de redação). 108