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Nº 64 - Outubro / Dezembro de 2017
b o l e t i m d a F R A T E R N I T A S M O V I M E N T O
Correspondênciadosleitores 2
Encontro de Formação
Bênção 3
“AIgrejado papaFrancisco” 4
Linhasda temática 4
ComunicadodaFraternitasMovimento 5
Eclesial: «Esteéotempo...» 6
Aurgência docompromissocristão no mundo 7
II Encontro Ecuménico
Ecumenimocontraapobreza 8-9
Testemunho 10
O meu nome é José! 11
Natal Tempodegestação 12
NascimentoeRenascimento 16
40AnosdoMOCEOP 13
InMemoriam... FernandoR.Neves 14
AntónioJ.Branco 15
(continuanapág.2)
T
êmsidosemanasmuitointensas,certamente
cheias de afazeres e com preocupações
crescentesno"comércioadmirável" doNa-
tal, querendo compreender, cada vez mais, o
"admirável comércio", expressão tão cara a S.
Agostinho. O Verbo de Deus vem acampar entre
nós! Mais uma vez. Esta vez. E provavelmente
passará muito por aquelas situações em que não
teremos tempo, porque precisamos de ir comprar
presentes…Ou receber presentes, cheios de
pressa…
E
mrelaçãoàatividadedaFraternitas,destaco
o Encontro de Gaia (20-22 de outubro) e o
que ele proporcionou (com a colaboração
incansável da Equipa Norte da Fraternitas) de
sinergias evangélicas num interface de mobilidade
quenosevidenciaanossacondiçãodeperegrinose,
nas palavras do papa Francisco, duma Igreja "em
saída", em missão.
D
estaco, de igual modo, o encontro
ecuménico do passado dia 25 em Lisboa,
organizado pela também incansável
Equipa Centro da Fraternitas. Muitos parabéns!
Somos um povo em caminho para aquela cidade
ondeCristoserátudoemtodos!Utopia?Realidade?
E
continuamos a pensar, a viver e a sonhar
umaIgrejaquesejacadavezmaisinclusiva,
verdadeiramenteecuménica, ondeo centro
do podersejao núcleo doAmor,aentregaconcreta
davidaondecadapessoaestávivendoeconstruindo
comunidade, fraternidade e solidariedade: na
família, no trabalho, na escola, no lazer, etc.
S
abemos que esta construção implica hoje,
comoaliássempreimplicou,umsentidomais
autêntico de pertença, isto é, uma verdade
maior na procura conjunta da identidade como
realidade dinâmica e sempre em construção.
Q
ue "sinais dos tempos"podemosdiscernir
para ver a presença de Deus no meio da
sua criação? E que consequências
retiramos dos referidos sinais para a nossa ação
concreta? Sentimo-nos "perdidos?" Sentimos que
todosseperderamdenós?Quealiançasnovasvamos
fazendo para que o único corpo de Cristo seja cada
vez mais visível? Qual é, ou quais são as nossas
seguranças?
"De Ambulatorium"
MeuCaroAmigoAlberto,
Muitoobrigadopeloenviodoboletimquemuito
bem coordenas e certamente paginas.
Está muito rico noconteúdo,atraentenografismo
e variado na seleção das fontes e dos textos.
Porque há muitos anossinto na pele um trabalho
paralelo, admiro a tua dedicação a essa causa,
para muitoseventualmente quixotesca ou sem
valia no contextodetanta informação hoje
disponívelnaprópriaNet.
Mas, uma coisa é ter uma vasta ceara para ceifar,
outra é encontrar o pão na mesa, já servido e
prontoparaserpartido e nos alimentar.Proposto,
não imposto; que sepode comer ou deixar—
mas, nunca, menosprezar!
O que tu e os teus colaboradores fazem neste
boletim é,de algummodo,umaEUCARISTIA —
um PÃO PARTIDO e entregue para dar vida
permanentementerenovada.
E aqui te/vos deixo, com um aceno e um sorriso,
que neste caso, parafraseando a palavra
"incarnada" do vosso diretor,nadatêm se
sobranceiro nem amarelo.
Parabénsa todos!
OBRImorGADO
FreiLopesMorgado
[lopes.morgado@gmail.com] (30 de julho de 2017)
Dr Osório de Castro
Muito obrigado pormefazerchegaroESPIRAL
Nº 63. Um bom domingo e umas maravilhosas
férias.
+A.Taipa
[domantoniotaipa@diocese-porto.pt] (30 de julho de
2017)
Muitograto.
Cordialmente,
+ D. José Cordeiro
[djosecordeiro@gmail.com] (30 de julho de 2017)
CaroAmigo
Acabo de receber também este número em papel.
Obrigado e boas férias.
+AntónioMontes
[montes@ofm.org.pt] (4 deAgosto 2017)
BonsAmigos,
Agradeço muito agentileza doESPIRAL,de que
gosto muito e com depoimentos e reflexões de
muito interesse.
Com amizade,Semprevosso e convosco
+M.Martins
[manuel.martins382@gmail.com] (16 deAgosto 2017)
N.R.: Sempre o emérito bispo de Setúbal, se
mostrou fraterno, presente e solidário connosco,
como o demonstra este afectuoso texto que nos
enviou menos de um mês antes de falecer.

“De Ambulatorium”
F
icam estasperguntas. Podemos fazer muitas
mais, tantas quantas quisermos, para nos
ajudarem a ir indagando o sentido, ou os
sentidosdanossavida.
Feliz Natal 2017!
Santarém, 28 de novembro de 2017
Luís Carlos Lourenço Salgueiro
Nuncametinhacruzadocom
Frei Bento nem participado em
nenhum evento que ele tivesse
orientado.Porisso o encontro de
Gaia foi um desafio. Despertou-
-me a curiosidade e abriu-me a
uma nova perspetiva de fé.
O encontro foi ótimo. Frei
Bento centrou toda a mensagem
na pessoa de Jesus: Ele é o pre-
sente do Pai.Temos de O desco-
brir na riqueza da sua mensagem
e no seu mistério. Ele é a cabeça
da Igreja, que ao longo dos tem-
pos nem sempre clarificou e
dignificouestapintura.Maséesta,
a Igreja de Jesus, que nós
professamos na fé e à qual
voluntariamente aderimos pela
forçadoEspírito.Tambéméaesta
Igreja que o papa Francisco não
se cansa de apontar e apela
constantemente a descobrir e a
reorientar a sua fidelidade e
compromisso com o Senhor que
veio e está presente.
Mensagem clara e respon-
sabilizante! Os cristãos tem
obrigação de clarificar este com-
promisso. Parece que há forças
controversas que procuram des-
virtuaramensagemdopapaou,o
que é pior, manter-se na indife-
rença ou simplesmente ignorar
essa mensagem. Há responsá-
veis, dentro da Igreja, que
repetem algumas palavras do
papa,masnãorefletemoseucon-
texto, de modo que essa palavra
perde força.
Vila Nova de Gaia, 21 e 22 de Outubro de 2017
Foto do grupo (quase a totalidade dos participantes).
Atentos à mensagem (vista parcial da assembleia).
Houve também oportunidade
para o lazer.
Gosteidesteencontro.Houve
comunicação, partilha, luz, com
diversos modos e expressões. A
celebração eucarística aproxi-
mou-se um pouco da comemo-
ração feita por Jesus. Foi magní-
fico todo o encontro! Obrigado,
FreiBento!
Joaquim Soares
(Associado Nº 72)

Orientado pelo Frei Bento
Domingues,a21e22deoutubro,
no Seminário Redentorista de
Cristo-Rei, em Vila Nova de
Gaia,ajudou os presentes arefle-
tirem em diversas passagens do
Evangelhoretomado,nestenosso
tempo,pelopapaFrancisco.
Sim, como JESUS, Francis-
co não se acomoda. Com as suas
atitudes mostra-nosquea alegria
do mundo é poder servir e, como
as palavras convencem, mas os
exemplos arrastam,o verdadeiro
cristão deve questionar-se: que
posso eu fazer? Como posso ser-
vir,ajudar?
Para responder a estas e ou-
tras interrogações que se nos de-
vemcolocar é preciso parar, aus-
cultar a necessidade dos outros.
Étambémimportanteaboainfor-
maçãoe autêntica formação.
AsvivênciashumanasdeJE-
SUS, há mais de 2 mil anos, nar-
radasnoNovoTestamentodevem
serreinventadasemtodosostem-
pos.Éoqueo PapaFrancisco faz
retomandooVaticanoIIparahoje.
Esta sua atitude,certamente,
ajuda a acordar teólogos e a
desinstalar muitos cristãos cató-
licos com importantes responsa-
bilidades na hierarquiadaIgreja.
À semelhança da sociedade
"A Igreja do Papa Francisco"
— Andamento, linhas, armadilhas…
Vila Nova de Gaia, 21 e 22 de Outubro de 2017
civil, imaginemos o que aconte-
ceria se nas paróquias e outros
serviços eclesiais houvesse um
livro de reclamações!
Se para evangelizar é neces-
sáriaumaresponsabilidadeevan-
gélica,oESPÍRITOSANTOnem
sempre é sufocado, seguindo as-
sim os conselhos de Paulo que
também alerta para sermos ale-
gres,orarsemcessar,darmosgra-
ças… (1Ts 5,16-23).
Eduarda Cunha
(Associada nº 19)
LINHAS DA TEMÁTICA
1ª Reflexão: IGREJADE SAÍDAOU DEINSTALADOS?
 Como passar as periferias para o centro da sociedade e da
Igreja emPortugal?
2ªReflexão:DEUMAIGREJACLERICALAO"NÓSSOMOSTO-
DOSIGREJA"
 Porque será que aosbaptizados,no NovoTestamento (NT),
não chamamossacerdotes eque formam opovo sacerdotal,
e chamamos sacerdotes aos padres que, no NT, não são de-
signados comosacerdotes?
 Porque será que raramente se celebra o dia e ano do baptis-
mo e são celebradas, com pompa e circunstância, as bodas
de prata e de ouro da Ordenação dos Padres?
 O que será que tudo isto revela?
3ª Reflexão: ESTEPAPAÉ UMADECEPÇÃO — PARAQUEM E
PORQUÊ?
 Como cristãos portugueses, desejamos que asreformas em
queseenvolveunosenvolvamanósouaguardamosquemorra
antes de as levar a um ponto irreversível?
 Bastará dizerquehápadres e bispos quefazemoposição ao
Papa Francisco? Não teremos, nós, nada a fazer para subli-
nhar, incarnar e continuar esta obra que não deve ser só do
Papa Francisco, mas de toda a Igreja?

Subordinado a este título, o Movimento "Fraternitas" (constituído por padres casados
e suas respetivas famílias) realizou, em 21 e 22 de Outubro, um encontro de formação. Foi
na casa dos Redentoristas, em Gaia.
Os trabalhos foram pontuados por intervenções de um teólogo. O seu contributo
facultou uma visão sistematizada da eclesiologia que tem norteado as linhas programáticas
do magistério do papa Francisco. Seguiram-se debates. Os participantes consideraram
que deveriam fazer repercutir muito mais, nas suas atitudes pessoais, o modo de ser Igreja,
proposto em tais linhas programáticas. Reconhece-se ser premente a sua maior
mobilização, no sentido de se entusiasmarem com aquilo que entusiasma o Papa Fran-
cisco. Alguns deram conta do que se passa nos meios em que vivem. Reconhece-se que
há comunidades cristãs, em Portugal, com iniciativas muito auspiciosas de abertura aos
desafios do Papa. Assumem compromissos inovadores, em ordem à edificação de uma
"Igreja em saída".
Nesta reflexão, os presentes analisaram como está a ser vivido, entre nós, o
dinamismo eclesial do nosso Papa. Consideraram que não há, entre nós, grupos
organizados que, de forma ostensiva, o contestem abertamente. Concluíram ainda que
está a verificar-se, de maneira cada vez menos dissimulada, uma passiva resistência às
suas orientações doutrinárias e pastorais. Não se vê em muitos sectores da Igreja,
designadamente entre o clero, o entusiasmo que se esperaria. Não se assumem práticas
pastorais consonantes com o esforço renovador do Papa. Os seus documentos
programáticos: a «Laudato Si'», «A Alegria do Evangelho», e «A Alegria do Amor»,
destinados a levar à prática novas atitudes de testemunho cristão, tem uma divulgação
pouco visível e duradoura, caindo rapidamente no esquecimento.
Pese embora haver claras excepções, que se devem assinalar, muitas publicações
da Igreja estão a dar um lugar quase irrelevante às luminosas catequeses papais, contidas
nas muitas e diversificadas intervenções, nomeadamente nas homilias proferidas em Santa
Marta. Uma tal atitude contrasta com o caloroso acolhimento e entusiasmo que este Papa
está a suscitar entre aqueles que se afastaram da Igreja, ou de quem a Igreja se afastou.
A esse propósito, os participantes mostraram a sua preocupação frente ao silêncio,
diante dos ataques públicos de que está a ser alvo o Papa. Parece uma cruzada que tem
vindo a avolumar-se nos últimos tempos, de forma progressiva e, aparentemente,
orquestrada. Torna-se estranho que os órgãos hierárquicos da Igreja portuguesa se
mantenham em silêncio. Não manifestaram uma palavra pública de solidariedade com o
Papa. Parecem neutros face às acusações de heresia de que está a ser alvo.
O Movimento Fraternitas desejaria muito que essa palavra fosse dada. Gostaríamos
de ver a Conferência Episcopal, numa posição clara e definida. Nesta altura em que se
avolumam ataques tão ruidosos a Francisco, este silêncio é comprometedor. Está a lançar
uma grande perplexidade entre muitos sectores do Povo de Deus. Todos esperamos dos
nossos pastores sinais mais insofismáveis de comunhão com o Papa.
A IGREJA DO PAPA FRANCISCO
— Andamento, linhas e armadilhas
Comunicado da FRATERNITAS Movimento

Foi no passado dia 18 de no-
vembro,no4ºEncontroNacional
da CNAL, com o tema «Este é o
tempo…», realizado em Viseu,
que pude escutar, exemplos de
pessoas que procuram levar a
ESPERANÇA a muitos necessi-
tados, à semelhança do que faz e
incentivao Papa Francisco.
Começámosporescutaruma
responsáveldoEncontroque,an-
tesdeapresentarosoradores,afir-
mou: "Este é o tempo de levar o
Evangelhoaomundo".
Os primeiros convidados,
Marisa March (cosmologista,
Universidade da Pensilvânia,
Filadelfia)ePaoloGalardi(padre
e artista, Centro Aletti, Roma),
falaram sobre "A Esperança que
trazemos em nós",reafirmando a
sua grandeza: «felizes os que es-
peram n’O Senhor, Nosso Deus,
O Criador do Céu e da Terra».
Os convidados seguintes,
François Hugenin (historiador e
ensaísta,ÉditionsTalladier,Paris),
FrankieGicandi(diretora,Kimlea
TechnicalCenter,Nairobi)e Car-
los Palma Lema (coordenador
mundial,LivingPeace Internaci-
onal,Porto),abordaram"Otraba-
lho pela justiça e pela paz" ver-
sando, o primeiro, sobre a políti-
ca pela justiça e pela paz — "A
apostacristãnapolítica,umaou-
travisãodomundoedapolítica";
a segundaapresentou asuaexpe-
riência sobre a responsabilidade
civil pela justiça — "O combate
contra a pobreza em África" e o
terceiro convidado concluiu o
temafalandodaresponsabilidade
pela paz: "A educação para a
fraternidadeeparaapaz".
A tarde foi preenchida com
ateliers temáticos decorridos em
diversos locais da cidade.
Sendo todos eles atrativos,
optei pelos ateliers nº 4 e nº 10
que decorreram noAuditório da
UniversidadeCatólica.O1º,"Re-
fletir e cuidar da família", foi di-
namizado pelo professor de teo-
logia JoãoDuque,ÂngelaSilvae
Joaquim Matos, casal, das Equi-
pas de Nossa Senhora e por Fáti-
maRibeiroeMiguelMarques,do
CursoAlfa.
Tocou-se na importância da
família como último reduto da
confiança. Mas,sendo esta a raiz
da esperança, constata-se que a
instituição família já não merece
todaaconfiançaporque,sendoum
conjunto de relações que não po-
«Este é o tempo…»
dem ser substituídas, pois nela
aprendemos a ser filhos, pais…,
com facilidade se recorre ao di-
vórcio.
No2ºatelier,"Protegerepro-
moverasfamíliasna periferiada
pobreza", estiveram: Rita Lobo
Xavier,Ana Sofia Marques,Ana
Vidal e Francisco Caldeira. Nele
sefaloudoprojeto recente"Ami-
gos para a vida" da Associação
Candeia, Lisboa e do dever,
sensibilização,missão…aternos
casosde"institucionalização",re-
tiradaexagerada eforçada decri-
anças às famílias, através de re-
lações,apadrinhamentocivilcom-
plementar,permitindo assim que
os laços familiares se mante-
nham…
Este dia permitiu-me con-
cluir, mais uma vez, que o
EspírtitoSantonãodorme,mas
sopraquandoeondequer,assim
estejamosatentos!
Eduarda Cunha
(Associada nº 19)
Imagem da Assembleia do 4º Encontro Nacional da CNAL.

Realizou-se nopresenteano,
em Ávila, uma Assembleia do
Movimento Mundial de Traba-
lhadoresCristãos.Desseencontro
saiuumaradiografia da realidade
social nas diferentes partes do
mundo, alertando para factos
inquietantes,comooaumentodas
desigualdades, a falta de oportu-
nidades para os jovens,o desem-
prego incontrolável, o trabalho
precário ou informal, sem qual-
quer proteção social. Dele saiu
também a eleição da portuguesa
Fátima Almeida, militante da
LOC,para copresidente mundial
daqueleorganismocatólico.
Anotíciadesteeventopassou
quase despercebida na nossa
comunicaçãosocial,factoquenão
aconteceriaquando aAçãoCató-
licaerapara toda a Igrejaumain-
contornável referência do com-
promisso cristão no mundo. No
seguimentodoVaticanoII,odina-
mismo da presença dos leigos na
sociedadealargou-separaforados
organismosdaAçãoCatólica,em
grandeparteporforçadasorienta-
çõespastoraisemanadasdoCon-
cílio,sublinhandoqueo compro-
misso cristão nasrealidadestem-
porais era um elemento cons-
titutivo da evangelização. Como
se sabe, este fogo conciliar foi
afrouxando,daíresultandoaperda
de visibilidade e de dinamismo
das organizações laicais, desi-
gnadamentedaquelasquetinham
AURGÊNCIADOCOMPROMISSOCRISTÃONOMUNDO
sido muito fecundas na evange-
lizaçãodo mundodotrabalho.
Porforçadaactualrevolução
tecnológica, está a processa-se
uma profunda mudança na
organização do trabalho, daí
decorrendo seriíssimas implica-
ções sociais. Quando o emprego
se torna progressivamente mais
escasso, quando aqueles que o
conseguem são obrigados a
trabalhar em excesso e em más
condições,quandoaoaumentoda
riqueza produzida corresponde a
sua cadavezmaisdesigualdistri-
buição,é acoesão da sociedade e
a própria democracia que estão
ameaçadas.Compreende-se, por
isso, esta preocupação do nosso
Papa,manifestadaem«AAlegria
do Evangelho»: "Enquanto não
foremradicalmentesolucionados
os problemas dos pobres, renun-
ciandoàautonomiaabsolutados
mercadosedaespeculaçãofinan-
ceira e atacando as causas
estruturais da desigualdade so-
cial, não se resolverão os
problemas do mundo e, em
definitivo, problema algum. A
desigualdade é a raiz dos males
sociais"(nº202).
Em sintonia com o Papa
Francisco,AntonioAlgora, bispo
responsávelda Pastoral Operária
da Conferência Episcopal Espa-
nhola,nasuaintervençãoaosdele-
gados daquele encontro mundial
de trabalhadores, insistiu que
«temos de dizer não à economia
quepõeavidanumadesigualdade
cada vez maior».
Como lembrou aquele
prelado,a vertente social «é uma
dimensão imprescindível do
cristão».Naverdade,afé,emvez
de afastar os crentes da trajetória
do mundo, constitui um acrés-
cimo de motivação para com-
bater um modelo de falso desen-
volvimento,fundadonaidolatria
dodinheiro.
A dimensão social da
evangelização reclama uma
presença maisativados leigos na
sociedade civil, aí ajudando a
promover uma conceção do tra-
balhoquesejafontederealização
humana e promova a comunhão
de pessoas. O mesmo se diga
quantoànecessidadedereagir«à
cultura do descarte e do
desperdício» e de efectuar «uma
partilha que se torne estilo de
vida», como pediu o Papa na sua
mensagemparaoDiaMundialdos
Pobres.
Tal convite deveria suscitar
umamuitomaisempenhadaação
dos cristãos nas organizações
políticas e sociais, para não se
repetirhojeodivórcioqueaIgreja
manteve demasiado tempo, em
relação aosgravesproblemashu-
manos que se seguiram à revo-
lução industrial, até Leão XXIII
ter publicado a encíclica Rerum
Novarum,mobilizandooscrentes
contra a«misériaimerecida» dos
trabalhadores.
Manuel António
(Associado nº 42)

Temos de dizer não à
economia que põe a vida
numa desigualdade cada
vez maior.
Há necessidade de reagir
«à cultura do descarte e do
desperdício» e de efectuar
«uma partilha que se torne
estilo de vida».
página oficial na Internet: http://fraternitasmovimento.blogspot.com NIF: 504 602 136 IBAN: PT50 0033 0000 4521 8426 660 05 fraternitasmovim
Ospobresincomodammuita
gente,ecomovemmuitosoutros.
Há quem se torne indiferente
diante da dor e dos clamores dos
pobres;muitos pensam que basta
fazerfilantropia;outros,bastantes,
comprometem-se com a causa
dospobreseporelesdoamavida
ou parte significativa do seu
tempo.
A realidade dos pobres foi o
mote do II Encontro Ecuménico
organizadopeloNúcleodeLisboa
da Fraternitas Movimento — o
primeiro aconteceu em janeiro
passado. Coordenado pelos as-
sociados Jorge Silva, MariaGui-
lherminaSantoseSerafimSousa,
em parceria com a pastora
presbiteriana Míriam Lopes, de-
correunodia25denovembro,no
Externato Marista de Lisboa.Ali
secongregaramcristãoscatólicos
e de Igrejas protestantes.
O Encontro teve cinco
sessões. A primeira teve como
temagenérico«Solidariedadepara
com os pobres no Antigo e Novo
Testamentos». O professor José
Ecumenismo contra a pobreza
Augusto Martins Ramos, católi-
co, conduziu a assembleia pela
história da Antiguidade e pela
históriaBíblicaparamostrarcomo
o tema da justiça e da solidarie-
dade para com os pobres já é um
assunto com mais de quatro mil
anos. O primeiro registo é an-
terioraostextosbíblicos,eéoCó-
digodeHamurábi,escritopelorei
Hamurábi, da Mesopotâmia, de-
zoito séculos antes de Cristo. Na
Bíblia, os primeiros códigos em
favor dos pobres estão no Livro
do Deuteronómio, escrito seis
séculos antesde Cristo.
EmtodooAntigoTestamento
—comotambémnoNovo,como
ajudou a ver a pastora Míriam
Lopes—éexplícitoqueapobreza
nãoéobradeDeus,nemalgonatu-
ral,masfrutodaaçãohumana:da
exploração,do engano,da opres-
são,daperseguiçãoedasguerras,
das injustiças cometidas aos
menosfavorecidos.
E disse-se que Deus sempre
pedequeseoptepelospobrespara
lhes fazer justiça, e não é dar
esmolas.NaBíblia,ospobresnão
pedemesmolas,pedemtsedaqah,
que significa "justiça", que, de
acordo com a Torá, é a paz e
prosperidade.
Na segunda sessão falou-se
de «Libertação da pobreza nos
tempos atuais», dando como
exemplo o Microcrédito. O con-
ceito nasceu há três décadas no
Bangladesh pela mão do Profes-
sor Muhammad Yunus. Desti-
nava-se a permitir às pessoas de
baixos rendimentos o acesso a
crédito para montarem um em-
preendimentoviável,pormeiode
um banco de que eles própriosse
tornavamcredoresesócios.Atra-
vés de pequenos empréstimos, o
Microcréditomudouparamelhor
as vidas de muitos milhões de
famílias pobres na Ásia, África,
América Latina e Europa, tam-
bém em Portugal. A entidade
associada ao microcrédito em
PortugaléaAssociaçãoNacional
de Direito ao Crédito
(www.microcredito.com.pt), e
quem orientou esta sessão foi o
seu antigo presidente Jorge
Wemans.
A terceira sessão foi a mais
emotiva.Comotema«Libertação
dapobrezanostemposatuais,uma
experiência em Lisboa»,Alfredo
Abreu,coordenador do Serve the
City – Lisboa, explicou que o
objetivo da sua ação "não é dar
comida às pessoas, é dar-lhes a
oportunidade de se sentirem
Vista parcial dos assistentes.
mento@gmail.com página oficial na Internet: http://fraternitasmovimento.blogspot.com NIF: 504 602 136 IBAN: PT50 0033 0000 4521 8426 660 05
II
Lisboa,00 25/11/2017
pessoas".Porisso,ostrintaminu-
tosdasuaexposiçãoconstaramde
muitos nomes,de exemplos con-
cretos, de histórias reais de pes-
soas sem-abrigo com um nome,
uma história,umalição de vida a
dar.
TalcomonoEvangelhodeS.
Lucas, ficou claro que os pobres
nãosãoespiritualizados,mastêm
conotaçõesconcretas: são caren-
tes economicamente, marginali-
zados e excluídos socialmente.
Os pobres são presos, famintos,
desolados,dependentesquímicos,
odiados,difamados,perseguidos,
marginalizados, dentes, coxos,
surdos e, até, mortos (ver Lc 7,
22).
A quarta sessão quis deixar
pistas para «Um compromisso
pelo fim da pobreza». Coube a
Henrique Pinto, fundador e ex-
presidente da CAIS (Centro de
ApoioeInclusãodeSem-Abrigo)
ecriadordeumanovaassociação
que pretende criminalizar a
pobreza, a IMPOSSIBLE – Pas-
sionate Happenings deixar
inquietososparticipantes.Aideia
passa por responsabilizar os
políticos pelas decisões que
tornam os pobres mais pobres e
as instituições e as pessoas que
não os ajudam como deviam.
Porque, se a sociedade gosta de
citaroEvangelho"Pobressempre
ostereisconvosco"(Mt26,11;Mc
14,7;Jo12,8),nãopodeesquecer
que Jesus cita o Livro do Deute-
ronómio,emqueafrasecompleta
é: "Quando lhe deres algo, não
dêscommávontade,poisemres-
posta a esse gesto, o Senhor, teu
Deus,teabençoaráemtodooteu
trabalho, em todo empreendi-
mentodatuamão.Nuncadeixará
de haver pobres na terra; é por
essemotivoqueteordeno:abrea
mão emfavordoteuirmão,tanto
para o pobre como para o neces-
sitadodetuaterra!"
E foi de mão estendida para
o irmão, formando uma corrente
de fraternidade, que o encontro
encerrou com um desafio a cada
um dos presentes a anotar um
compromisso concreto em favor
doirmãomaispobreenecessitado
e com a oração ecuménica por
excelência, o Pai-Nosso.
Fernando Félix
(Associado Nº 105)

Mesa da 1ª Sessão: Míriam Lopes, José A. Ramos, Jorge
Ribeiro e Serafim Sousa (da esquerda para a direita).
Henrique Pinto - Alfredo Abreu - Jorge Ribeiro
OpapaFranciscoinstituiuo1º
Dia Mundial dos Pobres no
penúltimoDomingodenovembro.
AFRATERNITAS(quetemumaalusão
no novíssimo livro Portugal
Católico) quis associar-se a esta
importante iniciativa do papa
Francisco que assim toma mais
uma medidarealpara concretizar
a afirmação que foi salientada
particularmente a partir do
ConcílioVaticano II, que anossa
é a Igreja dos pobres. O II En-
controEcuménicodaFRATERNITAS
em Lisboa foi dedicado ao tema
dospobres:solidariedade comos
pobres noAntigo eno NovoTes-
tamento,elibertação dapobreza,
foram os temas expostos com
sabedoriaeacimadetudocomas
vivências de quem falou e de
quem interagiu, das várias
confissões cristãs presentes.
Do que se falou e vivenciou
desejava salientar apenas a
seguinte reflexão: se desde
Hamurábi no séc. XIX AC se
defendem os pobres, passando
pelo rigor doATe pela explosão
do sacramento do amor vivido e
pregadoporJesusCristoeecoado
na Igreja desde há vinte séculos,
porquêtantasguerrasainda,tantos
ódios, tanta indiferença ainda,
tantaexclusãoinclusivedentrodas
portas de igrejas? É uma missão
impossível,como se ouviu numa
das intervenções ou é antes algo,
como o papa Francisco tantas
vezesrepeteefoidramaticamente
testemunhado por vários
depoimentos, uma questão de
encararooutrocomoalguémcom
um nome, a quem se olha olhos
nosolhos,comquemsecomunica
de igual para igual, que nos pede
uma mão que o ou a ajude a ca-
minhar, a sobreviver, a ser um
poucomenosinfelizoumaisfeliz
ainda neste mundo? O convite é
Testemunho
Mesa da 2ª Sessão: Jorge Wemans, Francisco S. Monteiro
e Serafim Sousa (da esquerda para a direita).
do Senhor, a escolha é nossa.
Lembremos apenas o Evangelho
deS.MateusdoDomingopassado
(34ºdoTempo Comum): "Vinde,
benditosde meu Pai...".
Francisco Monteiro
(Associado Nº 1)

II
(conclusãodapágina12)
ordem do imprevisível e da sur-
presa, incitando-nos a estar à es-
cuta dos sinais do Espírito, ainda
quesejamindecisasasnossascer-
tezas.
Diante dos profetas da des-
graça que preferem anunciar ca-
tástrofesemvezde acolher os si-
naisembrionáriosdeumfuturodi-
ferente,cabe aos cristãosanunci-
ar que o fim deste nosso modelo
de vidanãoserá o fim do mundo.
Caso contrário, em vez de serem
sentinelas em vigília, sucumbem
aopesodeumainsóniadeprimen-
te. Os profetas do Antigo Testa-
mento evocavam as "dores de
parto" do futuro como sendo as
primícias da era messiânica. Era
o pressentimento de que o sonho
de Deus visava recriar em cada
homemasuaverdadeiradignida-
de e a sua respiração filial. Este
será também o nosso ministério
profético. Se não está ao nosso
alcanceainvenção de ummundo
novo, está na nossa mão ajudar à
gestaçãodofuturocomaverdade
que nos legaram.
Acelebração doNatalpoderá
ser uma ocasião propícia
paraavivarmosna contemplação
doEmanuelumalinhadehorizon-
te,quepermitediscernirasrazões
maisprofundasdo nosso esperar.
Manuel António
(Associado nº 42)

II
Tive muito gosto e proveito
emparticiparnoIIEncontroEcu-
ménicoorganizadopelaFRATER-
NITAS em Lisboa no dia 25 de
Novembro, como já acontecera
com o I realizado em 14 de Ja-
neiro do ano em curso.
Osmeusagradecimentospor
me teremconvidado.
Todos os temas foram do
maior interesse e relevância para
os tempos que correm. Destaco
que"agrande família de todos os
povos",nestemundotãoestranho
e até hostil à fé, para se tornar
verdadeiramente "família de
Deus" precisa de escancarar as
portas ao sopro do Espírito para
queacomunhãocomEleresplan-
deça nas relações a todos os ní-
veis,dandoespaçoàpassagemde
todososSeusdons,fomentandoa
comunhãoecuménicaeodiálogo
intercultural e inter-religioso. O
grande desafio é que o Nome do
único Deus deve tornar-se cada
vez mais aquilo que é: um nome
de paz, um imperativo de paz. O
anúnciojubilosododomdareve-
laçãodoDeus-Amorimplicatam-
bémqueentremos no diálogo in-
timamentedispostosaouvir,pois
queoEspíritodeDeussuscita,na
experiência universal, sinais da
sua presença que ajudam a com-
preender mais profundamente a
mensagem evangélica.
Nestecontexto,somostodos
chamadosaassumirumcompro-
misso de amor activo e concreto
porcadaserhumano,contemplan-
do Cristo, sobretudo no rosto da-
queles com quem Ele mesmo se
quisidentificar(cf.Mt25,35-36).
E a esta luz sobressai o actual
cenário da pobreza ampliado in-
definidamente desde as antigas
pobrezas às novas. Importa dar
continuidadeàtradiçãodacarida-
de,masimportatambémintrodu-
zir mais capacidade inventiva. É
hora de uma nova imaginação -
"maiorfantasiadacaridade"-que
se manifeste na eficácia, mas so-
bretudo na capacidade de pensar
e ser solidário com quem sofre -
queo gesto deajudasejasentido,
não como esmola humilhante,
mas como partilha fraterna. Que
os pobres se sintam em cada co-
munidade(cristã...)comoem"sua
casa". É, portanto, necessário es-
pecialempenho em causas(mes-
moqueeventualmenteimpopula-
res), tais como: respeito da vida
decadaserhumano,exigênciada
ética (por exemplo nas
biotecnologias), interpretação e
defesa de valores radicados na
própria natureza do ser humano
(cf."NovoMillenioIneunte"de6
de Janeiro de 2001, do papa S.
JoãoPaulo II).
S. Josemaría diz em "Sulco"
nº 827: "Os pobres - dizia aquele
amigo nosso - são o meu melhor
livroespiritualeo motivo princi-
pal das minhas orações. Doem-
meeleseCristodói-mecomeles.
E,porquemedoem,compreendo
que O amo e que os amo".
Opapa Francisco nahomilia
daMissade19deNovembro,pri-
meiro Dia Mundial dos Pobres,
inspirando-se naparáboladosta-
lentos,frisou que "Aomissão é o
grande pecado em relação aos
pobres".Etorna-severdadeira"in-
diferença" quando nos viramos
"paraooutroladonomomentoem
que o irmão está em necessida-
de"ouignoramos"omalsemnada
fazer", esquecendo-nos de que
"nos pobres se manifesta a pre-
sença de Jesus", O qual "de rico
se fez pobre".
"Amar o pobre significa lu-
tarcontratodasaspobrezas espi-
rituais e materiais", afirmou o
papaque,após aMissa epor oca-
sião da recitação doAngelus,fez
os seguintes votos: para que "os
pobresestejamnocentrodasnos-
sas comunidades, sempre"; por-
queelesestãonocoraçãodoEvan-
gelho, neles encontramos Jesus
que nos fala e nos interpela atra-
vésdosseussofrimentoseneces-
sidades.Apelou a favor das "po-
pulaçõesquevivemumapobreza
dolorosaporcausadaguerraedos
conflitos". Pediu à comunidade
internacional"quesefaçamtodos
os esforços possíveis para favo-
recer a paz, em particular no
MédioOriente"edirigiuumpen-
samentoespecialao"queridopovo
Libanês" invocando aestabilida-
de do país, a fim de que possa
continuaraser uma"mensagem"
de respeito e convivência para
toda a região e o mundo inteiro".
Rezou igualmente por todos os
homens da tripulação do subma-
rino militar argentino do qual se
perderamosvestígios.
Não é fiel a Deus quem se
preocupa apenas em conservar,
em manter os tesouros do passa-
do, mas como diz a parábola,
aqueleque juntanovostalentosé
que é verdadeiramente fiel (Mt
25,21-33), porque tem a mesma
mentalidade de Deus e não fica
imóvel: arrisca por amor, joga a
vida pelos outros,não aceita dei-
xar tudo como está. Descuida só
uma coisa: o próprio interesse.
Estaéaúnicaomissãojusta. [...]
José Sousa Mendes
(conclui no próximo )
O meu nome é José!
ONatalcontinuaaserumare-
ferência que marca o ritmo
anual dos nossos hábitos sociais.
É à volta desta data que se
revivem tradições há muito in-
crustadasnanossaculturaeénes-
ta quadra que se celebra festiva-
menteavidaequeseavivamsen-
timentos adormecidos de solida-
riedade. Mas é também cada vez
mais perceptível que há muitos
quejá seafastaramdasvivências
religiosasherdadasdoCristianis-
mo. Paraamaioriada população,
a épocanatalícia fica confinada a
um paganismo centrado em ex-
cessos consumistas, em que já se
apagaram as referências da fé
cristã.
A secularização atual assu-
miu características e dimensões
muitomaisimplicativasdoquena
épocaemqueseiniciouoproces-
so da afirmação progressiva da
sociedade laica. Essa seculariza-
ção remonta aos fins do século
XVIII,coincidindocomosmovi-
mentos de revolução democráti-
ca e com a afirmação dos direi-
tos do homem. Em virtude desta
transformação cultural, areligião
passouaserumaopçãodoindiví-
duo num universo pluralista em
que a Igreja deixou de ser a refe-
rência única do enquadramento
social. Foi aí quea sociedade co-
meçou a libertar-seda tutela reli-
giosae clerical,oque,emtermos
gerais, significou um desejável
progressocivilizacional.Hojeas-
sistimosa uma secularizaçãoque
já não é apenas da vida pública
mas também da própria vida pri-
vada.Talvez alguns de nós já te-
rãonassuasprópriasfamíliaspes-
soas que se arredaram da fé cris-
tã, pelo menos das formas como
elaéatualmente vividaecelebra-
da. Os pais sofrem por ver que,
ao nível da prática religiosa, os
seusfilhosjánãosãooexactopro-
longamento daquilo que deseja-
vam ou que sonharam para eles.
Para este tempo de fratura
não se pedem atitudes de
revivalismo de tradiçõesassocia-
das a uma fé sociológica. Pede-
se, antes, a atitude natalícia de
discernimentodaquiloquenasce,
sem quenóso tenhamosprevisto
ouprogramado.
Viver a Esperança nunca foi
uma atitude confortável, pois o
nascimento de novas expressões
de vida cristã não se faz sem so-
frimento e sem tensões. Numa
Eucaristia na catedral de Milão,
o papa deixou-nos estas lumino-
sas indicações: "Não devemos
temer os desafios, e é bom que
existam. São sinais de uma fé
viva,deumacomunidadevivaque
procura o seu Senhor e tem os
olhos e o coração abertos. Deve-
mos sobretudo temerumafé sem
desafios, uma fé que se tem por
completa, como se tudo tivesse
sido dado e realizado. Os desafi-
os ajudam-nos a fazer com que a
nossafé nãosetorneideológica".
Num encontro com padres e reli-
giososdaquelaarquidioceseitali-
ana, o Papa Francisco frisou no-
vamentequeosdesafiosnos"sal-
vam de um pensamento fechado
e definido", além de abrirem "a
uma compreensão mais ampla"
da revelação de Cristo.
Porque o alicerce da nossa
confiançanãoestáassenteemnós
masnumDeusreveladonapobre-
za do presépio, podemosacolher
comEsperança esta verdade teo-
lógica, queos nossosolhosainda
não enxergam: "Deus fez-se ho-
mem para que todo o homem se
fizesse maisdeDeus"(Stº Ireneu
—século II).Toda a nossa vida é
transformadaporestaproximida-
de total de Deus connosco. Ele é
oDeusconnosco,nãoporsermos
osmelhoresmasporqueestácom
todos. O que nos salva é esta re-
velaçãodequesomoseternamen-
te amados por um Deus que faz
de cada um de nós a sua morada.
OAdvento ajudou-nos a en-
tender que os cristãos têm a vo-
caçãodeseremsentinelasvigilan-
tesaquemcabeanunciaraomun-
do a luminosa aurora, anunciada
ao "povoqueandavanastrevas".
Ser assim vigilante é avivar uma
atitudeinteriordevigíliaabertaao
insondável, que arde dentro de
nós.Ésóquandovamosatéaofim
da noite que podemos perscrutar
nas nossas vidas e na vida do
mundo a aurora de uma discreta
gestaçãodoReinodeDeus.Apro-
cura dos sinais de Deus em todas
as coisasdestemundodecorre da
sóbriaembriagueisdoEspíritode
que falavam os Padres da Igreja
primitiva.
A crise de uma certa forma
de viver o Cristianismo não é o
fim da fé cristã. Esta pertence à
(concluinapágina10)
OS 40 ANOS DO
MENSAGEM da Fraternitas
A FraternitasMovimentogostosamenteseassociaà celebração
dos40anosdoMOCEOP.
Embora originariamente nascidos com motivações e fitos não
coincidentes,eseguindocaminhospróprios,irmanam-nosobjectivos
muitopróximos:aconcretizaçãodaIgrejadeJesusCristomaiscomo
umacomunidadedecomunidades,ondecadabaptizado/pessoase
sintaactor,pedravivaqueconstróiummundodeesperançaparaa
Humanidade.
Nãoé,semdúvida,fácilestaopção,sobretudoporqueelacontraria
umstatusquodeprivilégios,depoder,dedominação.Estaraoserviço
daspessoas,dascomunidades,despidosdepreconceitos,dequalquer
ordem,éoquenosmove,imbuídosdadinâmicadoEspíritodeJesus,
quenosimpulsionaedesvendaoprojectodeDeus.
Neste espírito, convosco estamos, associando-nos a todos os
movimentossemelhantes,para quemoministériopresbiteralé a
posturadeserviçoeaexteriorizaçãodecadabaptizado,nassuas
dimensõesprofética,diaconaleactiva.
ADirecçãodaFraternitas
Foi com muita alegria que,
em representação da FRATER-
NITAS,participámosemGuadar-
rama (próximo de Madrid), no
passado 4 e 5 de novembro, na
celebração dos40 anosdo Movi-
mento Pró-Celibato Opcional
(MOCEOP),deEspanha.
O aspeto reivindicativo
(celibato opcional) foi o motivo
congregador inicial deste mo-
vimento. No entanto, a evolução
posterioreareflexãocomunitária
que foram fazendo ao longo do
tempo ajudou-os a abrirem-se a
novas perspetivas.Afirmam que
querem ser igreja e viver nela de
uma outra forma, formando e/ou
integrandocomunidadesdecren-
tesemconstruçãoeaoserviçodas
grandes causas doserhumano.
Nãopretendemconstruiralgo
paralelo, nem em confronto com
a igreja, mas antes, promovendo
a comunhão, ser parte dela. Pro-
curamcooperarem rede com ou-
trosgruposdecrentes,comquem
partilham e celebram a fé.
Esteeventoficoufortemente
marcadopelosmomentosdefesta
e celebração do caminho percor-
ridoao longo destes40anos.
Pela nossa parte, para além
dumamensagemdesolidariedade
e comunhão, partilhámos com
eles uma pequena lembrança:
uma casa sem paredes, aberta e
cheia de luz, como símbolo da
Igrejaquetodossomoschamados
a construir e a ser.
O sentimento que nos ficou
foi o de sentirmos que desta
proximidade todos nós temos
muito a receber e a partilhar.
Fraternalmente,
José Rodrigues e Assunção
(Associados Nº 71)

Caros Fraternitas,
No passado dia 16 de Outu-
bro,ovossoestimadoamigoFer-
nandoNevesrenasceuparaavida
eterna, juntando-se atodosos fa-
miliares e amigos que nela já ha-
bitam.
Embalado pelo tocar de fes-
tivossinoseladeadoporumamul-
tidão que calorosa e incessante-
mente o aplaudia, assim entrou o
meu Paino Paraíso, caminhando
de braços abertos em direcção a
Deus.
Foi mais ou menos assim a
recepção queDeusnosso Senhor
lhepreparou!
EomeuPaiestavafeliz.Está
muitofeliz!
Nóséquepodemosnãoestar
tão felizes porque pensamos que
as pessoas que nos são queridas
morrem. Mas elas não morrem.
Renascem!
Acredito que a lógica é se-
melhanteàdonascimentodedois
gémeos.Vivem no útero da Mãe
ao longo de 9 meses, até ao mo-
mento em que o primeiro nasce
para a vida terrestre.Agora ima-
ginem o que pensará o segundo.
O desgosto de ver o irmão desa-
parecer da sua vida será enorme!
Mal ele sabe que lhe acontecerá
omesmoesóentãoperceberáque
vaihabitarumnovomundo,no
qual reencontrará o seu irmão.
Peço-vosagoraqueprojec-
tem esta analogia para quem
passa da vida terrestre para a
celestial.
Cabe-nos não perder a Fé
no Reino de Deus!
É tempo de celebrar e re-
cordara vida do meu Pai.Foi um
Homem de inabalável Fé, um
mensageiro da palavra de Deuse
umconstrutordo seuAmor.
Tenhamosacoragemdecon-
tinuar a sua obra!
In Memoriam...

FERNANDO RIBEIRO DAS NEVES
1945 - 2017
16 de Outubro
Despeço-me, agradecendo-
-vos por toda a amizade que de-
ram ao meu Pai.
Eletinha-vosnocoração!
Cordialmente,
João Neves
Minha alma gémea…
Meuirmão,
Meusentir,
Meucoração!
Meu falar,
Meucantar,
Meu rezar,
Meu amar!...
Haverá como nós mais algum?
Todos os que como nós,são
dois em um!
Duas crianças nasceram,
Do coração, do sentir!
É uma história que encanta
Quantosa quiseremouvir!...
Onosso lequetemporal
Éo maislindodomundo!
Que ele se abra até final
Comesteamorprofundo.
Para ti, fica este poema e a
gratidãoportudooque
me deste
ao longo destesanos!...
O tempo não mata oAMOR
Nem a alegria do nosso
cantar!...
25deDezembro de2015
Isabel Neves
(Associada Nº 12 - esposa do
Fernando Neves
N. R.: O Fernando Neves foi Tesoureiro da Fraternitas e, muito principalmente, animador litúrgico dos
nossos Encontros. Só deixou de comparecer quando o seu estado de saúdo o impossibilitou totalmente.
Muitos associados marcaram a sua presença na celebração de “corpo presente” e funeral deste nosso
Associado. A Direcção esteve também representada pela maioria dos seus elementos.
AntóniodeJesusBranconas-
ceu em Parafita, Montalegre, em
2/11/1930.Frequentouoseminá-
rio de Vila Real de 1943 a 1955.
Foiordenadoneste últimoanoao
serviço daDiocese e logo consti-
tuído pároco de Cabril, concelho
deMontalegre,umafreguesiadis-
persa nas fraldas do Gerês e qua-
se deserta. A exemplo dos seus
últimos antecessores, não se dei-
xou enraizar por lá.
Nosprincípiosde60,comau-
torização do prelado, oferece-se
à Diocese de Quelimane, Mo-
çambique,porumperíododedois
anos,comocolaboradormissioná-
rio. No regresso, o prelado colo-
ca-oemSantaValha,concelhode
Valpaços, uma freguesia de cariz
urbanoeconcentrada,quelhedei-
xava muito tempo livre que ele
soube aproveitar para se licenci-
ar em Românicas na FEUP, após
oquepassouadedicar-seempart/
timeà docência.Assim,nosanos
de 1972 e 1973,lecionou francês
e português no Liceu de Cha-
ves e, nos anos seguintes, até
completarotempodareforma,
no Ciclo Preparatório da mes-
ma cidade onde se efetivou.
Em 1980 casou com Ma-
ria de Lurdes Dias Branco e
desde então o casal residiu
sempre em Chaves, onde ele
faleceu dia 10 de Novembro cor-
rente.
Aderiu à Fraternitas um ou
dois anosdepois dasuafundação
e desde então marcou habitual-
mente presença nos encontros
anuaisemFátima,sódeixandode
comparecerpordoençadeleoude
Maria de Lurdes ou de ambos si-
multaneamente. Nos primeiros
quatro anosemqueo coração co-
meçou apregarpartidasao Bran-
co e ele foi desaconselhado de
conduzir para alémdascercanias
da residência, o casal esteve ain-
da presente nos encontros, por
amabilidadedoscolegas quedis-
punhamde lugaresnos carros.
In Memoriam...
ANTÓNIO DE JESUS BRANCO
1930 - 2017
10 de Novembro
Viria a ser operado ao cora-
ção e posteriormentea serem-lhe
aplicadosdoisbypasscoronários,
mantendo-o vivo entre nós estes
últimosanoscommuitosofrimen-
to, a aguardar a chamada do Se-
nhor.
Alípio Afonso
(Associado Nº 9)
N. R.: Foi massiva a presença
dos membros da Fraternitas de
Chaves e Vidago, na celebração
de “corpo presente” e funeral
deste nosso Associado, evidên-
cia da união de grupo. ADirecção
esteve também representada por
um dos seus elementos.
À esposa lhe renovamos os
nossos sentimentos de união e
solidariedade, transmitidos na
ocasião.

Referimos:
JoãoSimão(oprimeiroPresidente),que,
tendotidonecessidadedeinternamento
hospitalar, já se encontra em casa, mas
bastantelimitadofisicamente;
LuísCunha(quefoiTesoureiro),aquem
foi implantado um pacemaker, em
internamento hospitalar imprevisto, já
regressoua casae, felizmente, emfran-
b r e v e s . . .
 DOENÇAS:
Aidadeavançae,poressemotivo,bas-
tantestêmsidoosque,nosúltimostem-
pos,seviramabraçoscomproblemas
desaúde, unsmaisgravesque outros,
algunscomnecessidadedeoperações.
ca recuperação;
BoaventuraSilveira,tendodado uma
aparatosaqueda,comconsequências,
apesardetudo,menosgravesdoqueo
previsível,teve, contudoque sesujei-
tar a uma operação ao braço esquer-
do,dequeagorarecuperaemfamília.
Perseveranteseunidosnaoraçãopor
todos.
Rua Dr. Sá Carneiro, 182 - 1º Dtº
3700-254 S. JOÃO DA MADEIRA
e-mail: espiral.fraternitas@gmail.com
boletim de
f r a t e r n i t a s m o v i m e n t o
Responsável: Alberto Osório deCastro
Nº 64 - Outubro/Dezembro de 2017
ADirecçãodoFraternitasauguraaosmembrosdo
Movimentoeatodososleitoresdo aPaz,a
AlegriaeaSimplicidadequedimanamdoNataldeJesus,
irrupçãodoinesperadonasfrestasdanossasegurança.
Bomanode2018.
NATAL!
Nascimento e Renascimento...
Q
uando o Papa Júlio I (séc. IV) fixou o dia
25 de Dezembro para se festejar o Natal,
cuja festa já se celebrava desde os
princípios do Cristianismo,certamente que estava
longe de imaginar o que iria acontecer por alturas
do Natal do ano em que vivemos.
Se todos os anos o Natal tem significado o
nascimento de Jesus projectado incisivamente no
renascimento contínuo de cada cristão para uma
v i v ê n c i a
autêntica do
Evangelho,
este ano o
Natal toma
proporções
muito mais
vastas, quase
apocalípticas mesmo, com o renascimento de
nações inteiras para uma liberdade de expressão
públicadosentimentocristãoepolítico.Foipreciso
derrubarmuralhasdecimentoeferro,eelascaíram
estrondosamenteecomsinaisprognósticos.Tantos
e tantos povos, que tinhamdeescondera sua fé ea
suavivênciacristã,renasceramparaumavidanova,
cheia de esperança no futuro, embora também
provada de sofrimentos e privações. Mas esses
sofrimentosacordaramemtodoomundoumaonda
de solidariedade,levandoos povos livres a abraçar
e a ajudar os libertados a reencontrarem o seu
caminho.Assim se transformou o gelo da estação
invernosa e da guerra fria, em calor humano e
cristão,em Primaveraflorida de novos projectos.
A escolha do Papa Júlio I da época fria para a
celebração do Natal, sem ele o sonhar veio realçar
maisodegelohumanonesterenascimentodeCristo
nospovoslibertados.
Foiduraacruz do Invernodatirania,mas,quandoé
grande osofrimento,maior seráaalegria davitória.
E a união, em abraços, dos braços de irmãos
selvaticamente separados, é bem a concretização
doanúnciodosanjosdoPresépio:"...pazaoshomens
deboavontade"!
Essaboavontadesurgiu,eporissosecaminhaagora
para o entendimento do que é ser irmão, para a
substituição dasarmas de guerra pelo pão da vida e
da paz, para o trocar das lágrimas pela esperança
de quem tem agora horizontes abertos à sua frente.
N
ão será o ressurgir de novas pátrias para a
liberdade o melhor sinal do renascimento
de Cristo nos povos, em novo e contínuo
Natal? Seria bom que todos entendêssemos estes
sinais dos tempos, e soubéssemos esperar, até, por
conversões ao cristianismo, nunca até hoje
acreditadas, apesar de já profetizadas, há muitos
anos,aospastorinhosdeFátima!...
Cristo tem de continuar a
renascer na vida dos
indivíduosedassocieda-
des, porque foi para isso
que nasceu em Belém.
Será que o Natal tem
esta dimensão para
todos os cristãos de
hoje? Ou ficará ainda
reduzido às bacalhoa-
das fumegantes e às
rabanadas tradicionais, à
falácia do "ter" e à algaraviada aleatória dos
sofisticados guizos do consu-
mismo?!...
Manuel Paiva
(Associado Nº 28)


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  • 1. Nº 64 - Outubro / Dezembro de 2017 b o l e t i m d a F R A T E R N I T A S M O V I M E N T O Correspondênciadosleitores 2 Encontro de Formação Bênção 3 “AIgrejado papaFrancisco” 4 Linhasda temática 4 ComunicadodaFraternitasMovimento 5 Eclesial: «Esteéotempo...» 6 Aurgência docompromissocristão no mundo 7 II Encontro Ecuménico Ecumenimocontraapobreza 8-9 Testemunho 10 O meu nome é José! 11 Natal Tempodegestação 12 NascimentoeRenascimento 16 40AnosdoMOCEOP 13 InMemoriam... FernandoR.Neves 14 AntónioJ.Branco 15 (continuanapág.2) T êmsidosemanasmuitointensas,certamente cheias de afazeres e com preocupações crescentesno"comércioadmirável" doNa- tal, querendo compreender, cada vez mais, o "admirável comércio", expressão tão cara a S. Agostinho. O Verbo de Deus vem acampar entre nós! Mais uma vez. Esta vez. E provavelmente passará muito por aquelas situações em que não teremos tempo, porque precisamos de ir comprar presentes…Ou receber presentes, cheios de pressa… E mrelaçãoàatividadedaFraternitas,destaco o Encontro de Gaia (20-22 de outubro) e o que ele proporcionou (com a colaboração incansável da Equipa Norte da Fraternitas) de sinergias evangélicas num interface de mobilidade quenosevidenciaanossacondiçãodeperegrinose, nas palavras do papa Francisco, duma Igreja "em saída", em missão. D estaco, de igual modo, o encontro ecuménico do passado dia 25 em Lisboa, organizado pela também incansável Equipa Centro da Fraternitas. Muitos parabéns! Somos um povo em caminho para aquela cidade ondeCristoserátudoemtodos!Utopia?Realidade? E continuamos a pensar, a viver e a sonhar umaIgrejaquesejacadavezmaisinclusiva, verdadeiramenteecuménica, ondeo centro do podersejao núcleo doAmor,aentregaconcreta davidaondecadapessoaestávivendoeconstruindo comunidade, fraternidade e solidariedade: na família, no trabalho, na escola, no lazer, etc. S abemos que esta construção implica hoje, comoaliássempreimplicou,umsentidomais autêntico de pertença, isto é, uma verdade maior na procura conjunta da identidade como realidade dinâmica e sempre em construção. Q ue "sinais dos tempos"podemosdiscernir para ver a presença de Deus no meio da sua criação? E que consequências retiramos dos referidos sinais para a nossa ação concreta? Sentimo-nos "perdidos?" Sentimos que todosseperderamdenós?Quealiançasnovasvamos fazendo para que o único corpo de Cristo seja cada vez mais visível? Qual é, ou quais são as nossas seguranças? "De Ambulatorium"
  • 2. MeuCaroAmigoAlberto, Muitoobrigadopeloenviodoboletimquemuito bem coordenas e certamente paginas. Está muito rico noconteúdo,atraentenografismo e variado na seleção das fontes e dos textos. Porque há muitos anossinto na pele um trabalho paralelo, admiro a tua dedicação a essa causa, para muitoseventualmente quixotesca ou sem valia no contextodetanta informação hoje disponívelnaprópriaNet. Mas, uma coisa é ter uma vasta ceara para ceifar, outra é encontrar o pão na mesa, já servido e prontoparaserpartido e nos alimentar.Proposto, não imposto; que sepode comer ou deixar— mas, nunca, menosprezar! O que tu e os teus colaboradores fazem neste boletim é,de algummodo,umaEUCARISTIA — um PÃO PARTIDO e entregue para dar vida permanentementerenovada. E aqui te/vos deixo, com um aceno e um sorriso, que neste caso, parafraseando a palavra "incarnada" do vosso diretor,nadatêm se sobranceiro nem amarelo. Parabénsa todos! OBRImorGADO FreiLopesMorgado [lopes.morgado@gmail.com] (30 de julho de 2017) Dr Osório de Castro Muito obrigado pormefazerchegaroESPIRAL Nº 63. Um bom domingo e umas maravilhosas férias. +A.Taipa [domantoniotaipa@diocese-porto.pt] (30 de julho de 2017) Muitograto. Cordialmente, + D. José Cordeiro [djosecordeiro@gmail.com] (30 de julho de 2017) CaroAmigo Acabo de receber também este número em papel. Obrigado e boas férias. +AntónioMontes [montes@ofm.org.pt] (4 deAgosto 2017) BonsAmigos, Agradeço muito agentileza doESPIRAL,de que gosto muito e com depoimentos e reflexões de muito interesse. Com amizade,Semprevosso e convosco +M.Martins [manuel.martins382@gmail.com] (16 deAgosto 2017) N.R.: Sempre o emérito bispo de Setúbal, se mostrou fraterno, presente e solidário connosco, como o demonstra este afectuoso texto que nos enviou menos de um mês antes de falecer.  “De Ambulatorium” F icam estasperguntas. Podemos fazer muitas mais, tantas quantas quisermos, para nos ajudarem a ir indagando o sentido, ou os sentidosdanossavida. Feliz Natal 2017! Santarém, 28 de novembro de 2017 Luís Carlos Lourenço Salgueiro
  • 3. Nuncametinhacruzadocom Frei Bento nem participado em nenhum evento que ele tivesse orientado.Porisso o encontro de Gaia foi um desafio. Despertou- -me a curiosidade e abriu-me a uma nova perspetiva de fé. O encontro foi ótimo. Frei Bento centrou toda a mensagem na pessoa de Jesus: Ele é o pre- sente do Pai.Temos de O desco- brir na riqueza da sua mensagem e no seu mistério. Ele é a cabeça da Igreja, que ao longo dos tem- pos nem sempre clarificou e dignificouestapintura.Maséesta, a Igreja de Jesus, que nós professamos na fé e à qual voluntariamente aderimos pela forçadoEspírito.Tambéméaesta Igreja que o papa Francisco não se cansa de apontar e apela constantemente a descobrir e a reorientar a sua fidelidade e compromisso com o Senhor que veio e está presente. Mensagem clara e respon- sabilizante! Os cristãos tem obrigação de clarificar este com- promisso. Parece que há forças controversas que procuram des- virtuaramensagemdopapaou,o que é pior, manter-se na indife- rença ou simplesmente ignorar essa mensagem. Há responsá- veis, dentro da Igreja, que repetem algumas palavras do papa,masnãorefletemoseucon- texto, de modo que essa palavra perde força. Vila Nova de Gaia, 21 e 22 de Outubro de 2017 Foto do grupo (quase a totalidade dos participantes). Atentos à mensagem (vista parcial da assembleia). Houve também oportunidade para o lazer. Gosteidesteencontro.Houve comunicação, partilha, luz, com diversos modos e expressões. A celebração eucarística aproxi- mou-se um pouco da comemo- ração feita por Jesus. Foi magní- fico todo o encontro! Obrigado, FreiBento! Joaquim Soares (Associado Nº 72) 
  • 4. Orientado pelo Frei Bento Domingues,a21e22deoutubro, no Seminário Redentorista de Cristo-Rei, em Vila Nova de Gaia,ajudou os presentes arefle- tirem em diversas passagens do Evangelhoretomado,nestenosso tempo,pelopapaFrancisco. Sim, como JESUS, Francis- co não se acomoda. Com as suas atitudes mostra-nosquea alegria do mundo é poder servir e, como as palavras convencem, mas os exemplos arrastam,o verdadeiro cristão deve questionar-se: que posso eu fazer? Como posso ser- vir,ajudar? Para responder a estas e ou- tras interrogações que se nos de- vemcolocar é preciso parar, aus- cultar a necessidade dos outros. Étambémimportanteaboainfor- maçãoe autêntica formação. AsvivênciashumanasdeJE- SUS, há mais de 2 mil anos, nar- radasnoNovoTestamentodevem serreinventadasemtodosostem- pos.Éoqueo PapaFrancisco faz retomandooVaticanoIIparahoje. Esta sua atitude,certamente, ajuda a acordar teólogos e a desinstalar muitos cristãos cató- licos com importantes responsa- bilidades na hierarquiadaIgreja. À semelhança da sociedade "A Igreja do Papa Francisco" — Andamento, linhas, armadilhas… Vila Nova de Gaia, 21 e 22 de Outubro de 2017 civil, imaginemos o que aconte- ceria se nas paróquias e outros serviços eclesiais houvesse um livro de reclamações! Se para evangelizar é neces- sáriaumaresponsabilidadeevan- gélica,oESPÍRITOSANTOnem sempre é sufocado, seguindo as- sim os conselhos de Paulo que também alerta para sermos ale- gres,orarsemcessar,darmosgra- ças… (1Ts 5,16-23). Eduarda Cunha (Associada nº 19) LINHAS DA TEMÁTICA 1ª Reflexão: IGREJADE SAÍDAOU DEINSTALADOS?  Como passar as periferias para o centro da sociedade e da Igreja emPortugal? 2ªReflexão:DEUMAIGREJACLERICALAO"NÓSSOMOSTO- DOSIGREJA"  Porque será que aosbaptizados,no NovoTestamento (NT), não chamamossacerdotes eque formam opovo sacerdotal, e chamamos sacerdotes aos padres que, no NT, não são de- signados comosacerdotes?  Porque será que raramente se celebra o dia e ano do baptis- mo e são celebradas, com pompa e circunstância, as bodas de prata e de ouro da Ordenação dos Padres?  O que será que tudo isto revela? 3ª Reflexão: ESTEPAPAÉ UMADECEPÇÃO — PARAQUEM E PORQUÊ?  Como cristãos portugueses, desejamos que asreformas em queseenvolveunosenvolvamanósouaguardamosquemorra antes de as levar a um ponto irreversível?  Bastará dizerquehápadres e bispos quefazemoposição ao Papa Francisco? Não teremos, nós, nada a fazer para subli- nhar, incarnar e continuar esta obra que não deve ser só do Papa Francisco, mas de toda a Igreja? 
  • 5. Subordinado a este título, o Movimento "Fraternitas" (constituído por padres casados e suas respetivas famílias) realizou, em 21 e 22 de Outubro, um encontro de formação. Foi na casa dos Redentoristas, em Gaia. Os trabalhos foram pontuados por intervenções de um teólogo. O seu contributo facultou uma visão sistematizada da eclesiologia que tem norteado as linhas programáticas do magistério do papa Francisco. Seguiram-se debates. Os participantes consideraram que deveriam fazer repercutir muito mais, nas suas atitudes pessoais, o modo de ser Igreja, proposto em tais linhas programáticas. Reconhece-se ser premente a sua maior mobilização, no sentido de se entusiasmarem com aquilo que entusiasma o Papa Fran- cisco. Alguns deram conta do que se passa nos meios em que vivem. Reconhece-se que há comunidades cristãs, em Portugal, com iniciativas muito auspiciosas de abertura aos desafios do Papa. Assumem compromissos inovadores, em ordem à edificação de uma "Igreja em saída". Nesta reflexão, os presentes analisaram como está a ser vivido, entre nós, o dinamismo eclesial do nosso Papa. Consideraram que não há, entre nós, grupos organizados que, de forma ostensiva, o contestem abertamente. Concluíram ainda que está a verificar-se, de maneira cada vez menos dissimulada, uma passiva resistência às suas orientações doutrinárias e pastorais. Não se vê em muitos sectores da Igreja, designadamente entre o clero, o entusiasmo que se esperaria. Não se assumem práticas pastorais consonantes com o esforço renovador do Papa. Os seus documentos programáticos: a «Laudato Si'», «A Alegria do Evangelho», e «A Alegria do Amor», destinados a levar à prática novas atitudes de testemunho cristão, tem uma divulgação pouco visível e duradoura, caindo rapidamente no esquecimento. Pese embora haver claras excepções, que se devem assinalar, muitas publicações da Igreja estão a dar um lugar quase irrelevante às luminosas catequeses papais, contidas nas muitas e diversificadas intervenções, nomeadamente nas homilias proferidas em Santa Marta. Uma tal atitude contrasta com o caloroso acolhimento e entusiasmo que este Papa está a suscitar entre aqueles que se afastaram da Igreja, ou de quem a Igreja se afastou. A esse propósito, os participantes mostraram a sua preocupação frente ao silêncio, diante dos ataques públicos de que está a ser alvo o Papa. Parece uma cruzada que tem vindo a avolumar-se nos últimos tempos, de forma progressiva e, aparentemente, orquestrada. Torna-se estranho que os órgãos hierárquicos da Igreja portuguesa se mantenham em silêncio. Não manifestaram uma palavra pública de solidariedade com o Papa. Parecem neutros face às acusações de heresia de que está a ser alvo. O Movimento Fraternitas desejaria muito que essa palavra fosse dada. Gostaríamos de ver a Conferência Episcopal, numa posição clara e definida. Nesta altura em que se avolumam ataques tão ruidosos a Francisco, este silêncio é comprometedor. Está a lançar uma grande perplexidade entre muitos sectores do Povo de Deus. Todos esperamos dos nossos pastores sinais mais insofismáveis de comunhão com o Papa. A IGREJA DO PAPA FRANCISCO — Andamento, linhas e armadilhas Comunicado da FRATERNITAS Movimento 
  • 6. Foi no passado dia 18 de no- vembro,no4ºEncontroNacional da CNAL, com o tema «Este é o tempo…», realizado em Viseu, que pude escutar, exemplos de pessoas que procuram levar a ESPERANÇA a muitos necessi- tados, à semelhança do que faz e incentivao Papa Francisco. Começámosporescutaruma responsáveldoEncontroque,an- tesdeapresentarosoradores,afir- mou: "Este é o tempo de levar o Evangelhoaomundo". Os primeiros convidados, Marisa March (cosmologista, Universidade da Pensilvânia, Filadelfia)ePaoloGalardi(padre e artista, Centro Aletti, Roma), falaram sobre "A Esperança que trazemos em nós",reafirmando a sua grandeza: «felizes os que es- peram n’O Senhor, Nosso Deus, O Criador do Céu e da Terra». Os convidados seguintes, François Hugenin (historiador e ensaísta,ÉditionsTalladier,Paris), FrankieGicandi(diretora,Kimlea TechnicalCenter,Nairobi)e Car- los Palma Lema (coordenador mundial,LivingPeace Internaci- onal,Porto),abordaram"Otraba- lho pela justiça e pela paz" ver- sando, o primeiro, sobre a políti- ca pela justiça e pela paz — "A apostacristãnapolítica,umaou- travisãodomundoedapolítica"; a segundaapresentou asuaexpe- riência sobre a responsabilidade civil pela justiça — "O combate contra a pobreza em África" e o terceiro convidado concluiu o temafalandodaresponsabilidade pela paz: "A educação para a fraternidadeeparaapaz". A tarde foi preenchida com ateliers temáticos decorridos em diversos locais da cidade. Sendo todos eles atrativos, optei pelos ateliers nº 4 e nº 10 que decorreram noAuditório da UniversidadeCatólica.O1º,"Re- fletir e cuidar da família", foi di- namizado pelo professor de teo- logia JoãoDuque,ÂngelaSilvae Joaquim Matos, casal, das Equi- pas de Nossa Senhora e por Fáti- maRibeiroeMiguelMarques,do CursoAlfa. Tocou-se na importância da família como último reduto da confiança. Mas,sendo esta a raiz da esperança, constata-se que a instituição família já não merece todaaconfiançaporque,sendoum conjunto de relações que não po- «Este é o tempo…» dem ser substituídas, pois nela aprendemos a ser filhos, pais…, com facilidade se recorre ao di- vórcio. No2ºatelier,"Protegerepro- moverasfamíliasna periferiada pobreza", estiveram: Rita Lobo Xavier,Ana Sofia Marques,Ana Vidal e Francisco Caldeira. Nele sefaloudoprojeto recente"Ami- gos para a vida" da Associação Candeia, Lisboa e do dever, sensibilização,missão…aternos casosde"institucionalização",re- tiradaexagerada eforçada decri- anças às famílias, através de re- lações,apadrinhamentocivilcom- plementar,permitindo assim que os laços familiares se mante- nham… Este dia permitiu-me con- cluir, mais uma vez, que o EspírtitoSantonãodorme,mas sopraquandoeondequer,assim estejamosatentos! Eduarda Cunha (Associada nº 19) Imagem da Assembleia do 4º Encontro Nacional da CNAL. 
  • 7. Realizou-se nopresenteano, em Ávila, uma Assembleia do Movimento Mundial de Traba- lhadoresCristãos.Desseencontro saiuumaradiografia da realidade social nas diferentes partes do mundo, alertando para factos inquietantes,comooaumentodas desigualdades, a falta de oportu- nidades para os jovens,o desem- prego incontrolável, o trabalho precário ou informal, sem qual- quer proteção social. Dele saiu também a eleição da portuguesa Fátima Almeida, militante da LOC,para copresidente mundial daqueleorganismocatólico. Anotíciadesteeventopassou quase despercebida na nossa comunicaçãosocial,factoquenão aconteceriaquando aAçãoCató- licaerapara toda a Igrejaumain- contornável referência do com- promisso cristão no mundo. No seguimentodoVaticanoII,odina- mismo da presença dos leigos na sociedadealargou-separaforados organismosdaAçãoCatólica,em grandeparteporforçadasorienta- çõespastoraisemanadasdoCon- cílio,sublinhandoqueo compro- misso cristão nasrealidadestem- porais era um elemento cons- titutivo da evangelização. Como se sabe, este fogo conciliar foi afrouxando,daíresultandoaperda de visibilidade e de dinamismo das organizações laicais, desi- gnadamentedaquelasquetinham AURGÊNCIADOCOMPROMISSOCRISTÃONOMUNDO sido muito fecundas na evange- lizaçãodo mundodotrabalho. Porforçadaactualrevolução tecnológica, está a processa-se uma profunda mudança na organização do trabalho, daí decorrendo seriíssimas implica- ções sociais. Quando o emprego se torna progressivamente mais escasso, quando aqueles que o conseguem são obrigados a trabalhar em excesso e em más condições,quandoaoaumentoda riqueza produzida corresponde a sua cadavezmaisdesigualdistri- buição,é acoesão da sociedade e a própria democracia que estão ameaçadas.Compreende-se, por isso, esta preocupação do nosso Papa,manifestadaem«AAlegria do Evangelho»: "Enquanto não foremradicalmentesolucionados os problemas dos pobres, renun- ciandoàautonomiaabsolutados mercadosedaespeculaçãofinan- ceira e atacando as causas estruturais da desigualdade so- cial, não se resolverão os problemas do mundo e, em definitivo, problema algum. A desigualdade é a raiz dos males sociais"(nº202). Em sintonia com o Papa Francisco,AntonioAlgora, bispo responsávelda Pastoral Operária da Conferência Episcopal Espa- nhola,nasuaintervençãoaosdele- gados daquele encontro mundial de trabalhadores, insistiu que «temos de dizer não à economia quepõeavidanumadesigualdade cada vez maior». Como lembrou aquele prelado,a vertente social «é uma dimensão imprescindível do cristão».Naverdade,afé,emvez de afastar os crentes da trajetória do mundo, constitui um acrés- cimo de motivação para com- bater um modelo de falso desen- volvimento,fundadonaidolatria dodinheiro. A dimensão social da evangelização reclama uma presença maisativados leigos na sociedade civil, aí ajudando a promover uma conceção do tra- balhoquesejafontederealização humana e promova a comunhão de pessoas. O mesmo se diga quantoànecessidadedereagir«à cultura do descarte e do desperdício» e de efectuar «uma partilha que se torne estilo de vida», como pediu o Papa na sua mensagemparaoDiaMundialdos Pobres. Tal convite deveria suscitar umamuitomaisempenhadaação dos cristãos nas organizações políticas e sociais, para não se repetirhojeodivórcioqueaIgreja manteve demasiado tempo, em relação aosgravesproblemashu- manos que se seguiram à revo- lução industrial, até Leão XXIII ter publicado a encíclica Rerum Novarum,mobilizandooscrentes contra a«misériaimerecida» dos trabalhadores. Manuel António (Associado nº 42)  Temos de dizer não à economia que põe a vida numa desigualdade cada vez maior. Há necessidade de reagir «à cultura do descarte e do desperdício» e de efectuar «uma partilha que se torne estilo de vida».
  • 8. página oficial na Internet: http://fraternitasmovimento.blogspot.com NIF: 504 602 136 IBAN: PT50 0033 0000 4521 8426 660 05 fraternitasmovim Ospobresincomodammuita gente,ecomovemmuitosoutros. Há quem se torne indiferente diante da dor e dos clamores dos pobres;muitos pensam que basta fazerfilantropia;outros,bastantes, comprometem-se com a causa dospobreseporelesdoamavida ou parte significativa do seu tempo. A realidade dos pobres foi o mote do II Encontro Ecuménico organizadopeloNúcleodeLisboa da Fraternitas Movimento — o primeiro aconteceu em janeiro passado. Coordenado pelos as- sociados Jorge Silva, MariaGui- lherminaSantoseSerafimSousa, em parceria com a pastora presbiteriana Míriam Lopes, de- correunodia25denovembro,no Externato Marista de Lisboa.Ali secongregaramcristãoscatólicos e de Igrejas protestantes. O Encontro teve cinco sessões. A primeira teve como temagenérico«Solidariedadepara com os pobres no Antigo e Novo Testamentos». O professor José Ecumenismo contra a pobreza Augusto Martins Ramos, católi- co, conduziu a assembleia pela história da Antiguidade e pela históriaBíblicaparamostrarcomo o tema da justiça e da solidarie- dade para com os pobres já é um assunto com mais de quatro mil anos. O primeiro registo é an- terioraostextosbíblicos,eéoCó- digodeHamurábi,escritopelorei Hamurábi, da Mesopotâmia, de- zoito séculos antes de Cristo. Na Bíblia, os primeiros códigos em favor dos pobres estão no Livro do Deuteronómio, escrito seis séculos antesde Cristo. EmtodooAntigoTestamento —comotambémnoNovo,como ajudou a ver a pastora Míriam Lopes—éexplícitoqueapobreza nãoéobradeDeus,nemalgonatu- ral,masfrutodaaçãohumana:da exploração,do engano,da opres- são,daperseguiçãoedasguerras, das injustiças cometidas aos menosfavorecidos. E disse-se que Deus sempre pedequeseoptepelospobrespara lhes fazer justiça, e não é dar esmolas.NaBíblia,ospobresnão pedemesmolas,pedemtsedaqah, que significa "justiça", que, de acordo com a Torá, é a paz e prosperidade. Na segunda sessão falou-se de «Libertação da pobreza nos tempos atuais», dando como exemplo o Microcrédito. O con- ceito nasceu há três décadas no Bangladesh pela mão do Profes- sor Muhammad Yunus. Desti- nava-se a permitir às pessoas de baixos rendimentos o acesso a crédito para montarem um em- preendimentoviável,pormeiode um banco de que eles própriosse tornavamcredoresesócios.Atra- vés de pequenos empréstimos, o Microcréditomudouparamelhor as vidas de muitos milhões de famílias pobres na Ásia, África, América Latina e Europa, tam- bém em Portugal. A entidade associada ao microcrédito em PortugaléaAssociaçãoNacional de Direito ao Crédito (www.microcredito.com.pt), e quem orientou esta sessão foi o seu antigo presidente Jorge Wemans. A terceira sessão foi a mais emotiva.Comotema«Libertação dapobrezanostemposatuais,uma experiência em Lisboa»,Alfredo Abreu,coordenador do Serve the City – Lisboa, explicou que o objetivo da sua ação "não é dar comida às pessoas, é dar-lhes a oportunidade de se sentirem Vista parcial dos assistentes.
  • 9. mento@gmail.com página oficial na Internet: http://fraternitasmovimento.blogspot.com NIF: 504 602 136 IBAN: PT50 0033 0000 4521 8426 660 05 II Lisboa,00 25/11/2017 pessoas".Porisso,ostrintaminu- tosdasuaexposiçãoconstaramde muitos nomes,de exemplos con- cretos, de histórias reais de pes- soas sem-abrigo com um nome, uma história,umalição de vida a dar. TalcomonoEvangelhodeS. Lucas, ficou claro que os pobres nãosãoespiritualizados,mastêm conotaçõesconcretas: são caren- tes economicamente, marginali- zados e excluídos socialmente. Os pobres são presos, famintos, desolados,dependentesquímicos, odiados,difamados,perseguidos, marginalizados, dentes, coxos, surdos e, até, mortos (ver Lc 7, 22). A quarta sessão quis deixar pistas para «Um compromisso pelo fim da pobreza». Coube a Henrique Pinto, fundador e ex- presidente da CAIS (Centro de ApoioeInclusãodeSem-Abrigo) ecriadordeumanovaassociação que pretende criminalizar a pobreza, a IMPOSSIBLE – Pas- sionate Happenings deixar inquietososparticipantes.Aideia passa por responsabilizar os políticos pelas decisões que tornam os pobres mais pobres e as instituições e as pessoas que não os ajudam como deviam. Porque, se a sociedade gosta de citaroEvangelho"Pobressempre ostereisconvosco"(Mt26,11;Mc 14,7;Jo12,8),nãopodeesquecer que Jesus cita o Livro do Deute- ronómio,emqueafrasecompleta é: "Quando lhe deres algo, não dêscommávontade,poisemres- posta a esse gesto, o Senhor, teu Deus,teabençoaráemtodooteu trabalho, em todo empreendi- mentodatuamão.Nuncadeixará de haver pobres na terra; é por essemotivoqueteordeno:abrea mão emfavordoteuirmão,tanto para o pobre como para o neces- sitadodetuaterra!" E foi de mão estendida para o irmão, formando uma corrente de fraternidade, que o encontro encerrou com um desafio a cada um dos presentes a anotar um compromisso concreto em favor doirmãomaispobreenecessitado e com a oração ecuménica por excelência, o Pai-Nosso. Fernando Félix (Associado Nº 105)  Mesa da 1ª Sessão: Míriam Lopes, José A. Ramos, Jorge Ribeiro e Serafim Sousa (da esquerda para a direita). Henrique Pinto - Alfredo Abreu - Jorge Ribeiro
  • 10. OpapaFranciscoinstituiuo1º Dia Mundial dos Pobres no penúltimoDomingodenovembro. AFRATERNITAS(quetemumaalusão no novíssimo livro Portugal Católico) quis associar-se a esta importante iniciativa do papa Francisco que assim toma mais uma medidarealpara concretizar a afirmação que foi salientada particularmente a partir do ConcílioVaticano II, que anossa é a Igreja dos pobres. O II En- controEcuménicodaFRATERNITAS em Lisboa foi dedicado ao tema dospobres:solidariedade comos pobres noAntigo eno NovoTes- tamento,elibertação dapobreza, foram os temas expostos com sabedoriaeacimadetudocomas vivências de quem falou e de quem interagiu, das várias confissões cristãs presentes. Do que se falou e vivenciou desejava salientar apenas a seguinte reflexão: se desde Hamurábi no séc. XIX AC se defendem os pobres, passando pelo rigor doATe pela explosão do sacramento do amor vivido e pregadoporJesusCristoeecoado na Igreja desde há vinte séculos, porquêtantasguerrasainda,tantos ódios, tanta indiferença ainda, tantaexclusãoinclusivedentrodas portas de igrejas? É uma missão impossível,como se ouviu numa das intervenções ou é antes algo, como o papa Francisco tantas vezesrepeteefoidramaticamente testemunhado por vários depoimentos, uma questão de encararooutrocomoalguémcom um nome, a quem se olha olhos nosolhos,comquemsecomunica de igual para igual, que nos pede uma mão que o ou a ajude a ca- minhar, a sobreviver, a ser um poucomenosinfelizoumaisfeliz ainda neste mundo? O convite é Testemunho Mesa da 2ª Sessão: Jorge Wemans, Francisco S. Monteiro e Serafim Sousa (da esquerda para a direita). do Senhor, a escolha é nossa. Lembremos apenas o Evangelho deS.MateusdoDomingopassado (34ºdoTempo Comum): "Vinde, benditosde meu Pai...". Francisco Monteiro (Associado Nº 1)  II (conclusãodapágina12) ordem do imprevisível e da sur- presa, incitando-nos a estar à es- cuta dos sinais do Espírito, ainda quesejamindecisasasnossascer- tezas. Diante dos profetas da des- graça que preferem anunciar ca- tástrofesemvezde acolher os si- naisembrionáriosdeumfuturodi- ferente,cabe aos cristãosanunci- ar que o fim deste nosso modelo de vidanãoserá o fim do mundo. Caso contrário, em vez de serem sentinelas em vigília, sucumbem aopesodeumainsóniadeprimen- te. Os profetas do Antigo Testa- mento evocavam as "dores de parto" do futuro como sendo as primícias da era messiânica. Era o pressentimento de que o sonho de Deus visava recriar em cada homemasuaverdadeiradignida- de e a sua respiração filial. Este será também o nosso ministério profético. Se não está ao nosso alcanceainvenção de ummundo novo, está na nossa mão ajudar à gestaçãodofuturocomaverdade que nos legaram. Acelebração doNatalpoderá ser uma ocasião propícia paraavivarmosna contemplação doEmanuelumalinhadehorizon- te,quepermitediscernirasrazões maisprofundasdo nosso esperar. Manuel António (Associado nº 42) 
  • 11. II Tive muito gosto e proveito emparticiparnoIIEncontroEcu- ménicoorganizadopelaFRATER- NITAS em Lisboa no dia 25 de Novembro, como já acontecera com o I realizado em 14 de Ja- neiro do ano em curso. Osmeusagradecimentospor me teremconvidado. Todos os temas foram do maior interesse e relevância para os tempos que correm. Destaco que"agrande família de todos os povos",nestemundotãoestranho e até hostil à fé, para se tornar verdadeiramente "família de Deus" precisa de escancarar as portas ao sopro do Espírito para queacomunhãocomEleresplan- deça nas relações a todos os ní- veis,dandoespaçoàpassagemde todososSeusdons,fomentandoa comunhãoecuménicaeodiálogo intercultural e inter-religioso. O grande desafio é que o Nome do único Deus deve tornar-se cada vez mais aquilo que é: um nome de paz, um imperativo de paz. O anúnciojubilosododomdareve- laçãodoDeus-Amorimplicatam- bémqueentremos no diálogo in- timamentedispostosaouvir,pois queoEspíritodeDeussuscita,na experiência universal, sinais da sua presença que ajudam a com- preender mais profundamente a mensagem evangélica. Nestecontexto,somostodos chamadosaassumirumcompro- misso de amor activo e concreto porcadaserhumano,contemplan- do Cristo, sobretudo no rosto da- queles com quem Ele mesmo se quisidentificar(cf.Mt25,35-36). E a esta luz sobressai o actual cenário da pobreza ampliado in- definidamente desde as antigas pobrezas às novas. Importa dar continuidadeàtradiçãodacarida- de,masimportatambémintrodu- zir mais capacidade inventiva. É hora de uma nova imaginação - "maiorfantasiadacaridade"-que se manifeste na eficácia, mas so- bretudo na capacidade de pensar e ser solidário com quem sofre - queo gesto deajudasejasentido, não como esmola humilhante, mas como partilha fraterna. Que os pobres se sintam em cada co- munidade(cristã...)comoem"sua casa". É, portanto, necessário es- pecialempenho em causas(mes- moqueeventualmenteimpopula- res), tais como: respeito da vida decadaserhumano,exigênciada ética (por exemplo nas biotecnologias), interpretação e defesa de valores radicados na própria natureza do ser humano (cf."NovoMillenioIneunte"de6 de Janeiro de 2001, do papa S. JoãoPaulo II). S. Josemaría diz em "Sulco" nº 827: "Os pobres - dizia aquele amigo nosso - são o meu melhor livroespiritualeo motivo princi- pal das minhas orações. Doem- meeleseCristodói-mecomeles. E,porquemedoem,compreendo que O amo e que os amo". Opapa Francisco nahomilia daMissade19deNovembro,pri- meiro Dia Mundial dos Pobres, inspirando-se naparáboladosta- lentos,frisou que "Aomissão é o grande pecado em relação aos pobres".Etorna-severdadeira"in- diferença" quando nos viramos "paraooutroladonomomentoem que o irmão está em necessida- de"ouignoramos"omalsemnada fazer", esquecendo-nos de que "nos pobres se manifesta a pre- sença de Jesus", O qual "de rico se fez pobre". "Amar o pobre significa lu- tarcontratodasaspobrezas espi- rituais e materiais", afirmou o papaque,após aMissa epor oca- sião da recitação doAngelus,fez os seguintes votos: para que "os pobresestejamnocentrodasnos- sas comunidades, sempre"; por- queelesestãonocoraçãodoEvan- gelho, neles encontramos Jesus que nos fala e nos interpela atra- vésdosseussofrimentoseneces- sidades.Apelou a favor das "po- pulaçõesquevivemumapobreza dolorosaporcausadaguerraedos conflitos". Pediu à comunidade internacional"quesefaçamtodos os esforços possíveis para favo- recer a paz, em particular no MédioOriente"edirigiuumpen- samentoespecialao"queridopovo Libanês" invocando aestabilida- de do país, a fim de que possa continuaraser uma"mensagem" de respeito e convivência para toda a região e o mundo inteiro". Rezou igualmente por todos os homens da tripulação do subma- rino militar argentino do qual se perderamosvestígios. Não é fiel a Deus quem se preocupa apenas em conservar, em manter os tesouros do passa- do, mas como diz a parábola, aqueleque juntanovostalentosé que é verdadeiramente fiel (Mt 25,21-33), porque tem a mesma mentalidade de Deus e não fica imóvel: arrisca por amor, joga a vida pelos outros,não aceita dei- xar tudo como está. Descuida só uma coisa: o próprio interesse. Estaéaúnicaomissãojusta. [...] José Sousa Mendes (conclui no próximo ) O meu nome é José!
  • 12. ONatalcontinuaaserumare- ferência que marca o ritmo anual dos nossos hábitos sociais. É à volta desta data que se revivem tradições há muito in- crustadasnanossaculturaeénes- ta quadra que se celebra festiva- menteavidaequeseavivamsen- timentos adormecidos de solida- riedade. Mas é também cada vez mais perceptível que há muitos quejá seafastaramdasvivências religiosasherdadasdoCristianis- mo. Paraamaioriada população, a épocanatalícia fica confinada a um paganismo centrado em ex- cessos consumistas, em que já se apagaram as referências da fé cristã. A secularização atual assu- miu características e dimensões muitomaisimplicativasdoquena épocaemqueseiniciouoproces- so da afirmação progressiva da sociedade laica. Essa seculariza- ção remonta aos fins do século XVIII,coincidindocomosmovi- mentos de revolução democráti- ca e com a afirmação dos direi- tos do homem. Em virtude desta transformação cultural, areligião passouaserumaopçãodoindiví- duo num universo pluralista em que a Igreja deixou de ser a refe- rência única do enquadramento social. Foi aí quea sociedade co- meçou a libertar-seda tutela reli- giosae clerical,oque,emtermos gerais, significou um desejável progressocivilizacional.Hojeas- sistimosa uma secularizaçãoque já não é apenas da vida pública mas também da própria vida pri- vada.Talvez alguns de nós já te- rãonassuasprópriasfamíliaspes- soas que se arredaram da fé cris- tã, pelo menos das formas como elaéatualmente vividaecelebra- da. Os pais sofrem por ver que, ao nível da prática religiosa, os seusfilhosjánãosãooexactopro- longamento daquilo que deseja- vam ou que sonharam para eles. Para este tempo de fratura não se pedem atitudes de revivalismo de tradiçõesassocia- das a uma fé sociológica. Pede- se, antes, a atitude natalícia de discernimentodaquiloquenasce, sem quenóso tenhamosprevisto ouprogramado. Viver a Esperança nunca foi uma atitude confortável, pois o nascimento de novas expressões de vida cristã não se faz sem so- frimento e sem tensões. Numa Eucaristia na catedral de Milão, o papa deixou-nos estas lumino- sas indicações: "Não devemos temer os desafios, e é bom que existam. São sinais de uma fé viva,deumacomunidadevivaque procura o seu Senhor e tem os olhos e o coração abertos. Deve- mos sobretudo temerumafé sem desafios, uma fé que se tem por completa, como se tudo tivesse sido dado e realizado. Os desafi- os ajudam-nos a fazer com que a nossafé nãosetorneideológica". Num encontro com padres e reli- giososdaquelaarquidioceseitali- ana, o Papa Francisco frisou no- vamentequeosdesafiosnos"sal- vam de um pensamento fechado e definido", além de abrirem "a uma compreensão mais ampla" da revelação de Cristo. Porque o alicerce da nossa confiançanãoestáassenteemnós masnumDeusreveladonapobre- za do presépio, podemosacolher comEsperança esta verdade teo- lógica, queos nossosolhosainda não enxergam: "Deus fez-se ho- mem para que todo o homem se fizesse maisdeDeus"(Stº Ireneu —século II).Toda a nossa vida é transformadaporestaproximida- de total de Deus connosco. Ele é oDeusconnosco,nãoporsermos osmelhoresmasporqueestácom todos. O que nos salva é esta re- velaçãodequesomoseternamen- te amados por um Deus que faz de cada um de nós a sua morada. OAdvento ajudou-nos a en- tender que os cristãos têm a vo- caçãodeseremsentinelasvigilan- tesaquemcabeanunciaraomun- do a luminosa aurora, anunciada ao "povoqueandavanastrevas". Ser assim vigilante é avivar uma atitudeinteriordevigíliaabertaao insondável, que arde dentro de nós.Ésóquandovamosatéaofim da noite que podemos perscrutar nas nossas vidas e na vida do mundo a aurora de uma discreta gestaçãodoReinodeDeus.Apro- cura dos sinais de Deus em todas as coisasdestemundodecorre da sóbriaembriagueisdoEspíritode que falavam os Padres da Igreja primitiva. A crise de uma certa forma de viver o Cristianismo não é o fim da fé cristã. Esta pertence à (concluinapágina10)
  • 13. OS 40 ANOS DO MENSAGEM da Fraternitas A FraternitasMovimentogostosamenteseassociaà celebração dos40anosdoMOCEOP. Embora originariamente nascidos com motivações e fitos não coincidentes,eseguindocaminhospróprios,irmanam-nosobjectivos muitopróximos:aconcretizaçãodaIgrejadeJesusCristomaiscomo umacomunidadedecomunidades,ondecadabaptizado/pessoase sintaactor,pedravivaqueconstróiummundodeesperançaparaa Humanidade. Nãoé,semdúvida,fácilestaopção,sobretudoporqueelacontraria umstatusquodeprivilégios,depoder,dedominação.Estaraoserviço daspessoas,dascomunidades,despidosdepreconceitos,dequalquer ordem,éoquenosmove,imbuídosdadinâmicadoEspíritodeJesus, quenosimpulsionaedesvendaoprojectodeDeus. Neste espírito, convosco estamos, associando-nos a todos os movimentossemelhantes,para quemoministériopresbiteralé a posturadeserviçoeaexteriorizaçãodecadabaptizado,nassuas dimensõesprofética,diaconaleactiva. ADirecçãodaFraternitas Foi com muita alegria que, em representação da FRATER- NITAS,participámosemGuadar- rama (próximo de Madrid), no passado 4 e 5 de novembro, na celebração dos40 anosdo Movi- mento Pró-Celibato Opcional (MOCEOP),deEspanha. O aspeto reivindicativo (celibato opcional) foi o motivo congregador inicial deste mo- vimento. No entanto, a evolução posterioreareflexãocomunitária que foram fazendo ao longo do tempo ajudou-os a abrirem-se a novas perspetivas.Afirmam que querem ser igreja e viver nela de uma outra forma, formando e/ou integrandocomunidadesdecren- tesemconstruçãoeaoserviçodas grandes causas doserhumano. Nãopretendemconstruiralgo paralelo, nem em confronto com a igreja, mas antes, promovendo a comunhão, ser parte dela. Pro- curamcooperarem rede com ou- trosgruposdecrentes,comquem partilham e celebram a fé. Esteeventoficoufortemente marcadopelosmomentosdefesta e celebração do caminho percor- ridoao longo destes40anos. Pela nossa parte, para além dumamensagemdesolidariedade e comunhão, partilhámos com eles uma pequena lembrança: uma casa sem paredes, aberta e cheia de luz, como símbolo da Igrejaquetodossomoschamados a construir e a ser. O sentimento que nos ficou foi o de sentirmos que desta proximidade todos nós temos muito a receber e a partilhar. Fraternalmente, José Rodrigues e Assunção (Associados Nº 71) 
  • 14. Caros Fraternitas, No passado dia 16 de Outu- bro,ovossoestimadoamigoFer- nandoNevesrenasceuparaavida eterna, juntando-se atodosos fa- miliares e amigos que nela já ha- bitam. Embalado pelo tocar de fes- tivossinoseladeadoporumamul- tidão que calorosa e incessante- mente o aplaudia, assim entrou o meu Paino Paraíso, caminhando de braços abertos em direcção a Deus. Foi mais ou menos assim a recepção queDeusnosso Senhor lhepreparou! EomeuPaiestavafeliz.Está muitofeliz! Nóséquepodemosnãoestar tão felizes porque pensamos que as pessoas que nos são queridas morrem. Mas elas não morrem. Renascem! Acredito que a lógica é se- melhanteàdonascimentodedois gémeos.Vivem no útero da Mãe ao longo de 9 meses, até ao mo- mento em que o primeiro nasce para a vida terrestre.Agora ima- ginem o que pensará o segundo. O desgosto de ver o irmão desa- parecer da sua vida será enorme! Mal ele sabe que lhe acontecerá omesmoesóentãoperceberáque vaihabitarumnovomundo,no qual reencontrará o seu irmão. Peço-vosagoraqueprojec- tem esta analogia para quem passa da vida terrestre para a celestial. Cabe-nos não perder a Fé no Reino de Deus! É tempo de celebrar e re- cordara vida do meu Pai.Foi um Homem de inabalável Fé, um mensageiro da palavra de Deuse umconstrutordo seuAmor. Tenhamosacoragemdecon- tinuar a sua obra! In Memoriam...  FERNANDO RIBEIRO DAS NEVES 1945 - 2017 16 de Outubro Despeço-me, agradecendo- -vos por toda a amizade que de- ram ao meu Pai. Eletinha-vosnocoração! Cordialmente, João Neves Minha alma gémea… Meuirmão, Meusentir, Meucoração! Meu falar, Meucantar, Meu rezar, Meu amar!... Haverá como nós mais algum? Todos os que como nós,são dois em um! Duas crianças nasceram, Do coração, do sentir! É uma história que encanta Quantosa quiseremouvir!... Onosso lequetemporal Éo maislindodomundo! Que ele se abra até final Comesteamorprofundo. Para ti, fica este poema e a gratidãoportudooque me deste ao longo destesanos!... O tempo não mata oAMOR Nem a alegria do nosso cantar!... 25deDezembro de2015 Isabel Neves (Associada Nº 12 - esposa do Fernando Neves N. R.: O Fernando Neves foi Tesoureiro da Fraternitas e, muito principalmente, animador litúrgico dos nossos Encontros. Só deixou de comparecer quando o seu estado de saúdo o impossibilitou totalmente. Muitos associados marcaram a sua presença na celebração de “corpo presente” e funeral deste nosso Associado. A Direcção esteve também representada pela maioria dos seus elementos.
  • 15. AntóniodeJesusBranconas- ceu em Parafita, Montalegre, em 2/11/1930.Frequentouoseminá- rio de Vila Real de 1943 a 1955. Foiordenadoneste últimoanoao serviço daDiocese e logo consti- tuído pároco de Cabril, concelho deMontalegre,umafreguesiadis- persa nas fraldas do Gerês e qua- se deserta. A exemplo dos seus últimos antecessores, não se dei- xou enraizar por lá. Nosprincípiosde60,comau- torização do prelado, oferece-se à Diocese de Quelimane, Mo- çambique,porumperíododedois anos,comocolaboradormissioná- rio. No regresso, o prelado colo- ca-oemSantaValha,concelhode Valpaços, uma freguesia de cariz urbanoeconcentrada,quelhedei- xava muito tempo livre que ele soube aproveitar para se licenci- ar em Românicas na FEUP, após oquepassouadedicar-seempart/ timeà docência.Assim,nosanos de 1972 e 1973,lecionou francês e português no Liceu de Cha- ves e, nos anos seguintes, até completarotempodareforma, no Ciclo Preparatório da mes- ma cidade onde se efetivou. Em 1980 casou com Ma- ria de Lurdes Dias Branco e desde então o casal residiu sempre em Chaves, onde ele faleceu dia 10 de Novembro cor- rente. Aderiu à Fraternitas um ou dois anosdepois dasuafundação e desde então marcou habitual- mente presença nos encontros anuaisemFátima,sódeixandode comparecerpordoençadeleoude Maria de Lurdes ou de ambos si- multaneamente. Nos primeiros quatro anosemqueo coração co- meçou apregarpartidasao Bran- co e ele foi desaconselhado de conduzir para alémdascercanias da residência, o casal esteve ain- da presente nos encontros, por amabilidadedoscolegas quedis- punhamde lugaresnos carros. In Memoriam... ANTÓNIO DE JESUS BRANCO 1930 - 2017 10 de Novembro Viria a ser operado ao cora- ção e posteriormentea serem-lhe aplicadosdoisbypasscoronários, mantendo-o vivo entre nós estes últimosanoscommuitosofrimen- to, a aguardar a chamada do Se- nhor. Alípio Afonso (Associado Nº 9) N. R.: Foi massiva a presença dos membros da Fraternitas de Chaves e Vidago, na celebração de “corpo presente” e funeral deste nosso Associado, evidên- cia da união de grupo. ADirecção esteve também representada por um dos seus elementos. À esposa lhe renovamos os nossos sentimentos de união e solidariedade, transmitidos na ocasião.  Referimos: JoãoSimão(oprimeiroPresidente),que, tendotidonecessidadedeinternamento hospitalar, já se encontra em casa, mas bastantelimitadofisicamente; LuísCunha(quefoiTesoureiro),aquem foi implantado um pacemaker, em internamento hospitalar imprevisto, já regressoua casae, felizmente, emfran- b r e v e s . . .  DOENÇAS: Aidadeavançae,poressemotivo,bas- tantestêmsidoosque,nosúltimostem- pos,seviramabraçoscomproblemas desaúde, unsmaisgravesque outros, algunscomnecessidadedeoperações. ca recuperação; BoaventuraSilveira,tendodado uma aparatosaqueda,comconsequências, apesardetudo,menosgravesdoqueo previsível,teve, contudoque sesujei- tar a uma operação ao braço esquer- do,dequeagorarecuperaemfamília. Perseveranteseunidosnaoraçãopor todos.
  • 16. Rua Dr. Sá Carneiro, 182 - 1º Dtº 3700-254 S. JOÃO DA MADEIRA e-mail: espiral.fraternitas@gmail.com boletim de f r a t e r n i t a s m o v i m e n t o Responsável: Alberto Osório deCastro Nº 64 - Outubro/Dezembro de 2017 ADirecçãodoFraternitasauguraaosmembrosdo Movimentoeatodososleitoresdo aPaz,a AlegriaeaSimplicidadequedimanamdoNataldeJesus, irrupçãodoinesperadonasfrestasdanossasegurança. Bomanode2018. NATAL! Nascimento e Renascimento... Q uando o Papa Júlio I (séc. IV) fixou o dia 25 de Dezembro para se festejar o Natal, cuja festa já se celebrava desde os princípios do Cristianismo,certamente que estava longe de imaginar o que iria acontecer por alturas do Natal do ano em que vivemos. Se todos os anos o Natal tem significado o nascimento de Jesus projectado incisivamente no renascimento contínuo de cada cristão para uma v i v ê n c i a autêntica do Evangelho, este ano o Natal toma proporções muito mais vastas, quase apocalípticas mesmo, com o renascimento de nações inteiras para uma liberdade de expressão públicadosentimentocristãoepolítico.Foipreciso derrubarmuralhasdecimentoeferro,eelascaíram estrondosamenteecomsinaisprognósticos.Tantos e tantos povos, que tinhamdeescondera sua fé ea suavivênciacristã,renasceramparaumavidanova, cheia de esperança no futuro, embora também provada de sofrimentos e privações. Mas esses sofrimentosacordaramemtodoomundoumaonda de solidariedade,levandoos povos livres a abraçar e a ajudar os libertados a reencontrarem o seu caminho.Assim se transformou o gelo da estação invernosa e da guerra fria, em calor humano e cristão,em Primaveraflorida de novos projectos. A escolha do Papa Júlio I da época fria para a celebração do Natal, sem ele o sonhar veio realçar maisodegelohumanonesterenascimentodeCristo nospovoslibertados. Foiduraacruz do Invernodatirania,mas,quandoé grande osofrimento,maior seráaalegria davitória. E a união, em abraços, dos braços de irmãos selvaticamente separados, é bem a concretização doanúnciodosanjosdoPresépio:"...pazaoshomens deboavontade"! Essaboavontadesurgiu,eporissosecaminhaagora para o entendimento do que é ser irmão, para a substituição dasarmas de guerra pelo pão da vida e da paz, para o trocar das lágrimas pela esperança de quem tem agora horizontes abertos à sua frente. N ão será o ressurgir de novas pátrias para a liberdade o melhor sinal do renascimento de Cristo nos povos, em novo e contínuo Natal? Seria bom que todos entendêssemos estes sinais dos tempos, e soubéssemos esperar, até, por conversões ao cristianismo, nunca até hoje acreditadas, apesar de já profetizadas, há muitos anos,aospastorinhosdeFátima!... Cristo tem de continuar a renascer na vida dos indivíduosedassocieda- des, porque foi para isso que nasceu em Belém. Será que o Natal tem esta dimensão para todos os cristãos de hoje? Ou ficará ainda reduzido às bacalhoa- das fumegantes e às rabanadas tradicionais, à falácia do "ter" e à algaraviada aleatória dos sofisticados guizos do consu- mismo?!... Manuel Paiva (Associado Nº 28) 