OS INSTITUTOS SECULARES: A ESCUTA DE DEUS NOS SULCOS DA HISTÓRIA: A SECULARIDADE FALA A
                                               CONSAGRAÇÃO


                                                  SECRETARIA DE ESTADO


                                                                                     Vaticano, 18 julho, 2012.
No 201.643
Caríssima Senhora,
EWA KUSZ
Presidente do Conselho Executivo
Conferencia Mundial dos Institutos Seculares
Piazza San Calisto, 16 –ROMA
É-me grato fazer chegar aos membros dos Institutos Seculares a presente Mensagem do Santo Padre, na
ocasião do Congresso que se celebra em Assis e que está sendo organizado pela Conferência Mundial dos
Institutos Seculares com a finalidade de tratar sobre o tema “A escuta de Deus nos sulcos da história: a
secularidade fala a consagração”.
Esta importante temática coloca o acento sobre a vossa identidade como consagrados que, vivendo no mundo
na liberdade interior e na plenitude do amor que derivam dos conselhos evangélicos os reconhece como
homens e mulheres capazes de um profundo olhar e do bom testemunho no interior da história. Nosso tempo
ascende à vida e a fé, interrogando profundamente, embora ao mesmo tempo manifeste o mistério da
nupcialidade de Deus. Na realidade o Verbo que se fez carne celebra as núpcias de Deus com a humanidade de
cada época. É o mistério de séculos em séculos escondido na mente do Criador do universo (Cfr. Ef. 3,9) e
manifestado na Encarnação, projetado para sua realização futura, pois entrelaçado hoje como força redentora
e unificadora.
Inserido no interior da humanidade a caminho e inspirados pelo Espírito podemos reconhecer os sinais
discretos e às vezes escondidos que revelam a presença de Deus. Somente a graça e a força da graça, que os
Dons do Espírito podem iluminar os caminhos constantemente modificados nos acontecimentos humanos na
orientação para a plenitude da vida em abundância. Um dinamismo que representa além da aparência o
verdadeiro sentido da história os desígnios de Deus. A vocação de vocês é de está no mundo assumindo todos
os cargos, os anseios, com um olhar humano que coincida sempre com o divino donde brota um compromisso
original, peculiar fundamentado sobre a consciência de que Deus escreve sua história de salvação no trama
dos acontecimentos de nossa história.
Neste sentido, a identidade de vocês afirma também um aspecto importante sua missão na Igreja: ajudá-la a
realizar seu ser no mundo, a luz das palavras do Concilio Vaticano II:
“Nenhuma ambição terrena empurra a Igreja; ela somente busca isto: continuar, abaixo da luz do Espírito
consolador a mesma obra de Cristo, que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, salvar, não
condenar, servir, não ser servido (Const. Gaudium et Spes, 3). A teologia da história é parte essencial da nova
evangelização, porque os homens de nosso tempo têm necessidade de reencontrar um olhar global sobre o
mundo e sobre o tempo, um olhar verdadeiramente livre e pacifico (Cfr. Bento XVI, Homilia na Santa Missa
para a nova evangelização, 16 de outubro, 2011). O mesmo Concilio nos recorda que a relação entre a Igreja
e o mundo há de ser vivido como sinal da reciprocidade, evidente que não é só da Igreja a doação ao mundo,
contribuindo para fazer mais humana a família e os homens com suas histórias, também o mundo deve se
doar a Igreja, de maneira tal que ela possa compreendê-la melhor e viver melhor sua missão, (Cfr. Gaudium et
 Spes, 40-45).
 Os trabalhos que vocês se dispõem a desenvolver se conserve logo no especifico da consagração secular, na
 busca de como a secularidade fala a consagração, de como em suas vidas os traços característicos de Jesus,
 pobre, casto e obediente adquire uma típica e permanente “visibilidade” no meio do mundo (Cfr. Exorta. Ap.
 Vita Consecrata, 01). Sua santidade deseja assinalar três âmbitos sobre os quais haverão de concentrar a
 atenção.
   1.      Em primeiro lugar, a doação de suas vidas como resposta a um encontro pessoal e vital com o
 amor de Deus. Vocês descobriram que Deus é o todo para si mesmo, decidiram dar todo a Deus, fazendo-o de
 maneira particular: permanecendo leigos entre os leigos, presbíteros entre presbíteros. Isto exige particular
 vigilância porque seus estilos de vida manifestam a riqueza, a beleza e a radicalidade dos conselhos
 evangélicos.

 2.         Em segundo lugar, a vida espiritual. Ponto firme e irrenunciável, referência segura para nutrir aquele
 desejo de fazer-se unidade em Cristo que é força da existência total de todo cristão, mas ainda, de quem
 respondeu a um chamado radical o dom do sim. Medida da profundidade da vida espiritual de vocês não são
 as muitas atividades que exigem seus esforços, mas sim a capacidade da busca de Deus no coração, mesmo
 em cada acontecimento e de reconduzir para Cristo. É o “reunir” em Cristo todas as coisas como fala São Paulo
 (Cfr. Ef. 1,10). Somente em Cristo, Senhor da história, toda a história e todas as histórias encontram sentido e
 unidade.

 Em oração como na escuta da Palavra de Deus se alimenta este anseio. Na celebração Eucarística vocês
 encontram a razão de fazer-se pão de Amor partido para os homens. Na contemplação, no olhar de fé
 iluminado pela graça, se enraíza o compromisso de compartilhar com cada homem e com cada mulher as
 inquietações profundas que os habitam para construir esperança e confiança.

3. Em terceiro lugar, a formação, que não negligencia nenhuma idade estabelecida, porque o que se trata de
 viver a própria vida em plenitude educa-se na sapiência sempre consciente da criatura humana e da grandeza
 do Criador. Busquem conteúdos e modalidades de uma formação que lhes faça, leigos e presbíteros capazes
 de desejar-se interrogar pelas complexidades que atravessa o mundo de hoje, de permanecerem abertas as
 inquietações provenientes das relações com os irmãos que encontram em seus caminhos, de comprometer-se
 em discernimento da história e da luz da Palavra de Vida. Sejam disponíveis a construir com todos os que
 buscam a verdade projetos de bem comum, sem soluções preconcebidas e sem medo às perguntas que são
 sem respostas, e sempre prestes a colocar em risco a própria vida, com a certeza que o grão de trigo quando
 cai na terra, dá muito fruto (Cfr. Jo. 12,24). Sejam criativos, porque o Espírito constrói novidades; alimente
 olhares capazes de futuro e raízes sólidas em Cristo Senhor para poder comunicar também ao nosso tempo
 a experiência de amor que está na base da vida de todo homem. Estreitem caritativamente as feridas do
 mundo e da Igreja. Acima de tudo, viva uma vida coerente e plena, acolhedora e capaz de perdoar, por está
 fundada em Cristo Jesus, Palavra definitiva do Amor de Deus pelo homem.

 Entretanto o sumo Pontífice lhe faz chegar estas reflexões assegurando para o Congresso e Assembléia uma
 especial recordação na oração, invocando a intercessão da Bem Aventurada Virgem Maria que viveu no
 mundo a perfeita consagração a Deus em Cristo. De todo coração ele envia a vocês e a todos os participantes
 as Bênçãos Apostólicas.
 Também me uno pessoalmente com meus melhores desejos e aproveito esta circunstância para chegar a
 vocês com sentimentos de grande estima.
TarcisioCard. Bertone,SDB
Secretário de Estado de Sua Santidade.

Os institutos seculares bento xvi

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    OS INSTITUTOS SECULARES:A ESCUTA DE DEUS NOS SULCOS DA HISTÓRIA: A SECULARIDADE FALA A CONSAGRAÇÃO SECRETARIA DE ESTADO Vaticano, 18 julho, 2012. No 201.643 Caríssima Senhora, EWA KUSZ Presidente do Conselho Executivo Conferencia Mundial dos Institutos Seculares Piazza San Calisto, 16 –ROMA É-me grato fazer chegar aos membros dos Institutos Seculares a presente Mensagem do Santo Padre, na ocasião do Congresso que se celebra em Assis e que está sendo organizado pela Conferência Mundial dos Institutos Seculares com a finalidade de tratar sobre o tema “A escuta de Deus nos sulcos da história: a secularidade fala a consagração”. Esta importante temática coloca o acento sobre a vossa identidade como consagrados que, vivendo no mundo na liberdade interior e na plenitude do amor que derivam dos conselhos evangélicos os reconhece como homens e mulheres capazes de um profundo olhar e do bom testemunho no interior da história. Nosso tempo ascende à vida e a fé, interrogando profundamente, embora ao mesmo tempo manifeste o mistério da nupcialidade de Deus. Na realidade o Verbo que se fez carne celebra as núpcias de Deus com a humanidade de cada época. É o mistério de séculos em séculos escondido na mente do Criador do universo (Cfr. Ef. 3,9) e manifestado na Encarnação, projetado para sua realização futura, pois entrelaçado hoje como força redentora e unificadora. Inserido no interior da humanidade a caminho e inspirados pelo Espírito podemos reconhecer os sinais discretos e às vezes escondidos que revelam a presença de Deus. Somente a graça e a força da graça, que os Dons do Espírito podem iluminar os caminhos constantemente modificados nos acontecimentos humanos na orientação para a plenitude da vida em abundância. Um dinamismo que representa além da aparência o verdadeiro sentido da história os desígnios de Deus. A vocação de vocês é de está no mundo assumindo todos os cargos, os anseios, com um olhar humano que coincida sempre com o divino donde brota um compromisso original, peculiar fundamentado sobre a consciência de que Deus escreve sua história de salvação no trama dos acontecimentos de nossa história. Neste sentido, a identidade de vocês afirma também um aspecto importante sua missão na Igreja: ajudá-la a realizar seu ser no mundo, a luz das palavras do Concilio Vaticano II: “Nenhuma ambição terrena empurra a Igreja; ela somente busca isto: continuar, abaixo da luz do Espírito consolador a mesma obra de Cristo, que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, salvar, não condenar, servir, não ser servido (Const. Gaudium et Spes, 3). A teologia da história é parte essencial da nova evangelização, porque os homens de nosso tempo têm necessidade de reencontrar um olhar global sobre o mundo e sobre o tempo, um olhar verdadeiramente livre e pacifico (Cfr. Bento XVI, Homilia na Santa Missa para a nova evangelização, 16 de outubro, 2011). O mesmo Concilio nos recorda que a relação entre a Igreja e o mundo há de ser vivido como sinal da reciprocidade, evidente que não é só da Igreja a doação ao mundo, contribuindo para fazer mais humana a família e os homens com suas histórias, também o mundo deve se
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    doar a Igreja,de maneira tal que ela possa compreendê-la melhor e viver melhor sua missão, (Cfr. Gaudium et Spes, 40-45). Os trabalhos que vocês se dispõem a desenvolver se conserve logo no especifico da consagração secular, na busca de como a secularidade fala a consagração, de como em suas vidas os traços característicos de Jesus, pobre, casto e obediente adquire uma típica e permanente “visibilidade” no meio do mundo (Cfr. Exorta. Ap. Vita Consecrata, 01). Sua santidade deseja assinalar três âmbitos sobre os quais haverão de concentrar a atenção. 1. Em primeiro lugar, a doação de suas vidas como resposta a um encontro pessoal e vital com o amor de Deus. Vocês descobriram que Deus é o todo para si mesmo, decidiram dar todo a Deus, fazendo-o de maneira particular: permanecendo leigos entre os leigos, presbíteros entre presbíteros. Isto exige particular vigilância porque seus estilos de vida manifestam a riqueza, a beleza e a radicalidade dos conselhos evangélicos. 2. Em segundo lugar, a vida espiritual. Ponto firme e irrenunciável, referência segura para nutrir aquele desejo de fazer-se unidade em Cristo que é força da existência total de todo cristão, mas ainda, de quem respondeu a um chamado radical o dom do sim. Medida da profundidade da vida espiritual de vocês não são as muitas atividades que exigem seus esforços, mas sim a capacidade da busca de Deus no coração, mesmo em cada acontecimento e de reconduzir para Cristo. É o “reunir” em Cristo todas as coisas como fala São Paulo (Cfr. Ef. 1,10). Somente em Cristo, Senhor da história, toda a história e todas as histórias encontram sentido e unidade. Em oração como na escuta da Palavra de Deus se alimenta este anseio. Na celebração Eucarística vocês encontram a razão de fazer-se pão de Amor partido para os homens. Na contemplação, no olhar de fé iluminado pela graça, se enraíza o compromisso de compartilhar com cada homem e com cada mulher as inquietações profundas que os habitam para construir esperança e confiança. 3. Em terceiro lugar, a formação, que não negligencia nenhuma idade estabelecida, porque o que se trata de viver a própria vida em plenitude educa-se na sapiência sempre consciente da criatura humana e da grandeza do Criador. Busquem conteúdos e modalidades de uma formação que lhes faça, leigos e presbíteros capazes de desejar-se interrogar pelas complexidades que atravessa o mundo de hoje, de permanecerem abertas as inquietações provenientes das relações com os irmãos que encontram em seus caminhos, de comprometer-se em discernimento da história e da luz da Palavra de Vida. Sejam disponíveis a construir com todos os que buscam a verdade projetos de bem comum, sem soluções preconcebidas e sem medo às perguntas que são sem respostas, e sempre prestes a colocar em risco a própria vida, com a certeza que o grão de trigo quando cai na terra, dá muito fruto (Cfr. Jo. 12,24). Sejam criativos, porque o Espírito constrói novidades; alimente olhares capazes de futuro e raízes sólidas em Cristo Senhor para poder comunicar também ao nosso tempo a experiência de amor que está na base da vida de todo homem. Estreitem caritativamente as feridas do mundo e da Igreja. Acima de tudo, viva uma vida coerente e plena, acolhedora e capaz de perdoar, por está fundada em Cristo Jesus, Palavra definitiva do Amor de Deus pelo homem. Entretanto o sumo Pontífice lhe faz chegar estas reflexões assegurando para o Congresso e Assembléia uma especial recordação na oração, invocando a intercessão da Bem Aventurada Virgem Maria que viveu no mundo a perfeita consagração a Deus em Cristo. De todo coração ele envia a vocês e a todos os participantes as Bênçãos Apostólicas. Também me uno pessoalmente com meus melhores desejos e aproveito esta circunstância para chegar a vocês com sentimentos de grande estima.
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