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ANO xiII - N
ANO xiII - N
ANO xiII - N
ANO xiII - N
ANO xiII - N.º 48 - JULHO/SETEMBR
.º 48 - JULHO/SETEMBR
.º 48 - JULHO/SETEMBR
.º 48 - JULHO/SETEMBR
.º 48 - JULHO/SETEMBRO de 2012
O de 2012
O de 2012
O de 2012
O de 2012
boletim d
boletim d
boletim d
boletim d
boletim da associação fra
a associação fra
a associação fra
a associação fra
a associação frater
ter
ter
ter
ternit
nit
nit
nit
nitas mo
as mo
as mo
as mo
as moviment
viment
viment
viment
vimento
o
o
o
o
T
enho ouvido repetida a vários sócios a palavra
«péssimismo», e sempre associada ao futuro da
Fraternitas. Parece que se perdeu com o passar dos
anos e com o declinar do tempo aquele entusiasmo dos pri-
meiros tempos, dos anos em que o Padre Filipe Figueiredo
andava entre nós, movia corações e congregava pessoas à
volta do sonho de reunir os padres dispensados num movi-
mento, com as suas mulheres e filhos.
Todavia, também sabemos que a idade avançada é uma
idade madura, caracterizada por determinantes específicos tais
como interioridade, responsabilidade, sabedoria, e, particu-
larmente, quando diminuem as forças, abre-se a possibilida-
de de confiar mais nos outros, além de, claro, em Deus.
Ou seja, à desesperança do pessimismo, haveremos de
contrapor o optimismo da esperança, apoiada na confiança.
Muitos sócios da Fraternitas já viveram a primeira metade
da vida, outros estão a atravessar a fronteira e são poucos os
mais novos.
Os da meia-idade lutam por sobreviver no mundo em
tempos de crise. Há muita agitação, por causa, sobretudo, das
questões do emprego, das incertezas na economia, da preo-
cupação com o futuro dos filhos e, também, com os sinais
de fraqueza da saúde que começam a manifestar-se.
Os de idade mais avançada chegaram ao tempo em que o
“eu” é obrigado a olhar, não tanto para fora, mas para essa
outra realidade, imensa e profunda, de sua vida interior. É a
idade em que se sente não ter forças para nada, sente-se o
cansaço, fazem-se balanços da vida. E é do eu, contemplativo,
que nasce a vontade e disponibilidade para rezar, para dar
conselho, para encorajar.
Em todas as idades há perguntas ainda a precisar de res-
postas, há sentimentos de insegurança pelos caminhos ainda
não experimentados, há a incertezas e confuões, tantas vezes
por causa de expetativas frustradas.
A virtude de viver em sociedade, em pequenas comuni-
dades - como a família, o grupo, a associação, o movimento
- é que a partilha das experiências impede de perder tempos
preciosos e montes de energia, quando, cada um, procura
por si só, as respostas, as vitórias.
Esper
Esper
Esper
Esper
Esperança, antído
ança, antído
ança, antído
ança, antído
ança, antídot
t
t
t
to contr
o contr
o contr
o contr
o contra as cr
a as cr
a as cr
a as cr
a as crises
ises
ises
ises
ises
A
nossa irmã desolação. - falta de fé, esperança e
amor, básicamente, também faz parte da nossa
vida. A crise dos encontros com as realidades som-
brias da vida é a coroa da mesma moeda que é a nossa reali-
dade pessoal.
Isto é, a vida tem sonhos, utopias, experiências belas e,
também, medos, monstros e amarguras. E brotam pergun-
tas, que podem ser santas ou insidiosas: “Será que valeu a
pena ter entregue a Deus e aos outros o melhor da minha
vida?... Não foi uma loucura e utopia o que até agora tentei
viver?... Que ganhei?... Onde estão os frutos de tanto trabalho
e esforço? Os outros perceberam, recolheram e vão dar uso
e continuidade ao que eu fiz?...”
Um meu tio costuma dizer. «Aos 70 anos
faço o mesmo que fazia aos 18. Na altura,
fazia o que podia; agora... também faço o
que posso..»
T
odas estas palavras querem ser um convite a parti
cipar no nosso 33.º Encontro Nacional da
Fraternitas, que se realiza de 5 a 7 de outubro, des-
ta vez no Norte, em Devesas, Vila Nova de Gaia (ver página
9 deste jornal). Iremos falar da Esperança, percorrendo a Bí-
blia, para continuarmos a percorrer os caminhos da nossa
vida e os trajetos do mundo onde nos movemos.
Nas crises de desalento e desesperança, a vida parece per-
dida. As forças, que antes se tinham e que lutavam em nosso
favor, vão-se debilitando e acabando. Mas o que não acaba é
a experiência do que realmente somos, temos e queremos.
No meio deste tipo de crise, corre-se o perigo de nos
distanciarmos de tudo e de todos, de nos isolarmos no nos-
so pequeno mundo, de termos a impressão de que algo mui-
to importante se perdeu.
Perguntemo-nos: «Onde está e o que vale a intimidade
com Deus, que nos conduziu até aqui?... Onde estão aqueles
gestos generosos cheios de “santa loucura”?
Um meu tio costuma dizer. «Aos 70 anos faço o mesmo
que fazia aos 18. Na altura, fazia o que podia; agora... tam-
bém faço o que posso..»
Fernando Félix
Fernando Félix
Fernando Félix
Fernando Félix
Fernando Félix
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2
Livros de associados da Fraternitas
editados em 2012 e em 2003-2005
“ALADI - 25 ANOS A DIMI-
NUIR A DIFERENÇA”,
Boaventura Santos Silveira (2012), im-
pressão da gráfica Imprensa Portuguesa
– Porto, 320 páginas].
Obrigado a
Boaventura Silveira,
que já nos preparou
o que se apresenta.
Do autor: «Na
freguesia de Lavra
(concelho de
Matosinhos), em
abril de 1987, fora
criada uma institui-
ção para deficientes mentais, com a se-
guinte denominação: Associação
Lavrense de Apoio ao Diminuído Inte-
lectual (ALADI).
No início deste ano de 2012, a pedido
insistente da atual direção, escrevi a histó-
ria da ALADI, para comemorar os seus
25 anos de vida. Foi atribuído a esta obra
o título “ALADI - 25 anos a diminuir a
diferença”. É um livro em e. Esta casa
acolhe 60 utentes (em regime de interna-
to), a que acrescem mais 50 no Centro de
Atividades Ocupacionais (CAO). No pró-
ximo mês de setembro um novo módulo
será solenemente inaugurado, em que no
Lar respetivo serão admitidos mais 24 ele-
mentos, enquanto que no CAO poderão
ser aceites mais 20 utentes.
Dividi a citada obra em três fases, a
saber: - 1ª Fase (1980/1987), em que se
fala da génese embrionária da ALADI,
focando-se figuras que muito fizeram
por esta Instituição, sensibilizando e di-
namizando toda a comunidade lavrense
e parte da população matosinhense;
- 2ª Fase (1987/1994), período do
arranque decisivo e ganhador, com ações
múltiplas e marcantes, a começar pela
elaboração, aprovação e publicação em
Diário da República dos respetivos es-
tatutos;
- 3ª Fase (1994/até...2012), período
que começou pela inauguração do Lar
Residencial e com a assinatura de pro-
tocolos para o funcionamento deste e
do CAO pela Segurança Social.
CONVITE/DESAFIO A UM
COMPROMISSO (páginas 9 e 10): As
obras, na maioria dos casos, ilustram os
pensamentos, as emoções e, sobretudo,
os sonhos, os quais, ao passarem pelo
coração, normalmente motivam as pes-
soas e as levam a concretizá-los no seu
dia a dia. Foi precisamente o que se pas-
sou com o nascimento da “Associação
Lavrense de Apoio ao Diminuído Inte-
lectual” (ALADI), que, em abril de 2012,
completa 25 anos de existência ao ser-
viço dos mais frágeis da comunidade
lavrense, assim como das freguesias e
concelhos limítrofes.
Há tempos, a atual Direção da
ALADI, na pessoa do seu presidente,
dr. Joaquim José Fernandes Branco, me
comunicou que era intenção dos respon-
sáveis desta nobre Instituição espoletar
uma comemoração condigna, por oca-
sião das BODAS DE PRATA desta
Obra, verdadeiramente humanitária e
com um inquestionável pendor e cariz
de solidariedade social, a qual ocupa um
lugar cimeiro no íntimo de todos aque-
les que a conhecem mais de perto.
E, a seguir, em jeito de pedido, lan-
çou-me um convite…desafiador: “Gos-
Vamos anunciando as obras lite-
Vamos anunciando as obras lite-
Vamos anunciando as obras lite-
Vamos anunciando as obras lite-
Vamos anunciando as obras lite-
rárias com base nos dados dispo-
rárias com base nos dados dispo-
rárias com base nos dados dispo-
rárias com base nos dados dispo-
rárias com base nos dados dispo-
níveis no secretariado. O critério
níveis no secretariado. O critério
níveis no secretariado. O critério
níveis no secretariado. O critério
níveis no secretariado. O critério
tem sido, então, os que vão sendo
tem sido, então, os que vão sendo
tem sido, então, os que vão sendo
tem sido, então, os que vão sendo
tem sido, então, os que vão sendo
publicados recentemente e o
publicados recentemente e o
publicados recentemente e o
publicados recentemente e o
publicados recentemente e o
biénio ou o triénio, consoante a
biénio ou o triénio, consoante a
biénio ou o triénio, consoante a
biénio ou o triénio, consoante a
biénio ou o triénio, consoante a
abundância da produção literária,
abundância da produção literária,
abundância da produção literária,
abundância da produção literária,
abundância da produção literária,
“recuando” no tempo. No último
“recuando” no tempo. No último
“recuando” no tempo. No último
“recuando” no tempo. No último
“recuando” no tempo. No último
número, devido à homenagem a
número, devido à homenagem a
número, devido à homenagem a
número, devido à homenagem a
número, devido à homenagem a
Henrique Maria dos Santos,
Henrique Maria dos Santos,
Henrique Maria dos Santos,
Henrique Maria dos Santos,
Henrique Maria dos Santos,
dedicámo-nos “apenas” à sua
dedicámo-nos “apenas” à sua
dedicámo-nos “apenas” à sua
dedicámo-nos “apenas” à sua
dedicámo-nos “apenas” à sua
obra – “ Aventura Feliz”.
obra – “ Aventura Feliz”.
obra – “ Aventura Feliz”.
obra – “ Aventura Feliz”.
obra – “ Aventura Feliz”.
taríamos que tal evento ficasse perpetu-
ado através de um livro, com a história
desta Instituição, com uma certa profun-
didade e rigor, em que sejam relatadas
todas as ocorrências havidas desde a sua
conceção até ao presente.”
Após madura reflexão, aceitei “embar-
car” em tão ambiciosa aposta, devido ao
objetivo em vista: falar sobre algo que, de
uma maneira incontornável, foca e coloca
Lavra como possuidora de uma Associa-
ção deveras singular – a ALADI –, plas-
mada num genuíno humanismo cristão,
condimentado por uma saudável partilha
de alto quilate e de bairrismo sadio.
Escrevera Fernando Pessoa, insigne
poeta português do séc. XX, que, a res-
peito de qualquer obra digna e
enaltecedora do ser humano, existe o
contributo sistemático e decisivo de duas
coordenadas – a vontade de Deus e o
acarinhar dum sonho pela pessoa –,
condensado no seguinte verso inserido
na sua famosa “Mensagem” (II Parte,
no poema intitulado “O Infante”, cons-
tituído por três quadras), considerada a
joia dos seus escritos poéticos:
“Deus quer, o homem sonha e a obra
nasce” (1º verso da 1ª quadra). Acabaria
o dr. Joaquim José Fernandes Branco por
solicitar os meus préstimos para esta
ação. Aceitei, embora reconhecendo em
mim próprio uma certa ousadia/atrevi-
mento. Porém, estava em causa uma es-
pecífica entidade, reconhecida e
referenciada pela sua forte e exclusiva de-
dicação aos mais necessitados de tecido
social, cuja existência depende da conju-
gação de uma real e contínua interação
entre os que podem e os que precisam.
Imbuído dum sincero espírito de ser-
viço, aceitei o repto, presumindo, de ante-
mão, que não me faltaria uma prestimosa
colaboração das muitas pessoas a quem
irei recorrer, para a obtenção de dados
indispensáveis,quepretendoregistar,para
os transmitir aos vindouros.»
Ur
Ur
Ur
Ur
Urtélia Sil
télia Sil
télia Sil
télia Sil
télia Silv
v
v
v
va
a
a
a
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l
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l
l 3
PREFÁCIO escrito por D. Manuel
Clemente, Bispo do Porto: «Nos 25 anos
da ALADI (Associação Lavrense de
Apoio ao Diminuído Intelectual) pedem-
me breves palavras de introdução a este
trabalho do Dr. Boaventura Santos
Silveira, tão evocativo e meritório como
outros da sua escrita. Particularmente
meritório, aliás, por descrever um quar-
to de século da ALADI, Obra que par-
ticularmente avulta, em Lavra e não só.
Não poderia deixar de as dar, como aqui
vão, em simplicidade convicta.
Mérito também para a atual Direção,
encabeçada pelo Dr. Joaquim José
Fernandes Branco, que não quis esque-
cer os que sonharam e guiaram a
ALADI, desde o saudoso P.e Dr. Ma-
nuel Domingos da Silva Lopes e o Prof.
Júlio da Silva Oliveira. Destes e outros
nomes, tão justamente lembrados, dá o
autor vasta referência ao longo das pá-
ginas que se seguem. Junte-se a minha
devotada homenagem também.
A palavra que especialmente aqui
deixo é sobre o cariz “profético” que a
ALADI sobremaneira tem. E explico-
o: “Profecia” é palavra de Deus, dita no
mundo para bem dos homens. Há quem
a oiça e a transmita fielmente, sendo as-
sim profeta, como o foi Jesus Cristo,
por máxima razão. Há, muito felizmen-
te, quem participe do Espírito de Jesus
Cristo e se torne assim em profecia e
evangelho, tempo após tempo e espaço
após espaço. Assim a ALADI, em La-
vra e onde chegue.
Como no Antigo Testamento, tam-
bém agora no Novo em que estamos e
no que à profecia respeita. No tempo
dos vários Isaías, as atenções estavam
mais viradas para os palácios dos reis e
as suas obras, grandes ou pequenas,
combinações e tratados, glórias e reve-
zes das políticas… Menos para o que os
profetas divinamente diziam, sobre a
retidão face a Deus e aos outros, o bem-
orar e o bem-fazer.
Nas duas décadas e meia que a
ALADI já viveu, também grandes fac-
tos e enormes promessas encheram no-
ticiários e distraíram vidas, muitas vidas.
Promessas em catadupa, de paraísos à
mão e geralmente a crédito; figuras me-
diáticas de diversos setores, por diver-
sas razões, melhores ou piores… Tudo
se previu e parecia possível, com uma
condição prévia: a de se ser apto e ca-
paz para produzir e consumir, com
cânones apertados de esteticismo à
Hollywood. O produzir redundava
mesmo em “produzir-se” a si mesmo,
segundo tais cânones e expectativas al-
tas. Sacrifícios, a manterem-se, eram nes-
ta linha e apenas nela. Chamavam-lhe,
por vezes, “qualidade de vida”, como
se a vida em si mesma – toda e qualquer
vida humana – não tivesse qualidade
bastante e só por si.
Em 2012 sabemos que não é assim,
que não pode ser assim, nem deveria ser,
mesmo que fosse materialmente viável.
Com os autênticos profetas, concentra-
mos o olhar e o coração no que real-
mente vale e verdadeiramente acontece,
em cada ser humano, um por um, novo
ou velho, saudável ou enfermo, mais ou
menos capacitado. E percebemos que
nada vale tanto como isso mesmo, nada
compensa tanto como a entreajuda, o
carinho oferecido, o serviço humilde da
pequenez de todos, a persistência no ser-
viço, que comprova o amor.
Em 2012 sabemos, não tendo des-
culpa nem álibi para não o saber, entre
os escombros de tanta ilusão. Há 2000
anos, o futuro do mundo não se jogava
em Roma, nem sequer em Atenas, ou
em qualquer outro pólo da atração ge-
ral. Jogava-se e ganhava-se nos discre-
tos gestos em que Jesus resumia o Céu e
a Terra na caridade autêntica do serviço
a todos, honrando a humanidade onde
ela mais doía: nos pobres de todas as
pobrezas, nos pequenos mais esqueci-
dos, marginalizados e sós.
O que louvo, agradeço e sublinho,
nos 25 anos da ALADI, é isto mesmo:
a profecia do futuro, proferida e escrita
na vida de todos os seus sucessivos res-
ponsáveis, colaboradores e benfeitores,
como na vida de quantos serviu e serve.
Obrigado, ALADI, por nos mostra-
res também “os novos céus e a nova
terra!”»
“AUTOTRANSCENDÊNCIA –
terceiro passo existencial”, Manuel Joa-
quim Cristo Martins (julho, 2012), Pau-
linas Editora, 263 páginas.
Na CONTRACAPA, o autor: “Este
é o terceiro livro da nossa trilogia. Em
Autoconhecimento, o primeiro passo
existencial, propusemo-nos descobrir o
nosso Ser. Em Autoconsciência, o se-
gundo passo existencial, propusemo-nos
centrarmo-nos no Ser. Em Autotrans-
cendência, o terceiro passo existencial,
propomos construirmo-nos no Ser. O
Ser dos humanos é a sua «estrutura espi-
ritual», é a «rocha» do Evangelho, sobre
a qual toda a construção resiste à chuva
e aos ventos. Na perplexidade desta se-
gunda década do século XXI, em que
todas as estruturas da sociedade pare-
cem desmoronar-se, esta trilogia traz a
mensagem de que a Humanidade não
está num beco sem saída. Ao fundo do
túnel já vislumbramos os pardos
verdejantes do reinado do Homem In-
tegral que nos oferece a vivência plena,
em progresso e em paz, porque ilumi-
nada pelo projeto «HOMEM» do nos-
so Deus.”
Ainda na CONTRACAPA, Vasco
Ventura: “Cristo Martins faz do huma-
nismo o seu sacerdócio, quer através dos
seus livros quer no contacto direto com
as pessoas, numa partilha total do que o
estudo lhe revela, a reflexão aprofunda
e a experiência consagra. Na sua peda-
gogia peculiar, surpreende-nos com a
síntese dos seus diagramas, com a pro-
fundidade das
suas explicações e
com a simplicida-
de da sua lingua-
gem. O seu cam-
po de ação tem
sido largo e diver-
sificado: empre-
sas, escolas, insti-
tuições, associa-
ções…”
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O Secretariado agradece os dados relativos a quaisquer livros publica-
O Secretariado agradece os dados relativos a quaisquer livros publica-
O Secretariado agradece os dados relativos a quaisquer livros publica-
O Secretariado agradece os dados relativos a quaisquer livros publica-
O Secretariado agradece os dados relativos a quaisquer livros publica-
dos pelos associados. Igualmente agradecemos, de novo, a M.J. Cristo
dos pelos associados. Igualmente agradecemos, de novo, a M.J. Cristo
dos pelos associados. Igualmente agradecemos, de novo, a M.J. Cristo
dos pelos associados. Igualmente agradecemos, de novo, a M.J. Cristo
dos pelos associados. Igualmente agradecemos, de novo, a M.J. Cristo
Martins (associado até dezembro de 2011, continuando a sê-lo de e no
Martins (associado até dezembro de 2011, continuando a sê-lo de e no
Martins (associado até dezembro de 2011, continuando a sê-lo de e no
Martins (associado até dezembro de 2011, continuando a sê-lo de e no
Martins (associado até dezembro de 2011, continuando a sê-lo de e no
coração), que tão gentilmente nos ofereceu o seu terceiro livro. Leve-
coração), que tão gentilmente nos ofereceu o seu terceiro livro. Leve-
coração), que tão gentilmente nos ofereceu o seu terceiro livro. Leve-
coração), que tão gentilmente nos ofereceu o seu terceiro livro. Leve-
coração), que tão gentilmente nos ofereceu o seu terceiro livro. Leve-
mos este bendito fruto do rendimento dos talentos que Deus vos conce-
mos este bendito fruto do rendimento dos talentos que Deus vos conce-
mos este bendito fruto do rendimento dos talentos que Deus vos conce-
mos este bendito fruto do rendimento dos talentos que Deus vos conce-
mos este bendito fruto do rendimento dos talentos que Deus vos conce-
deu (e outras obras) para os Encontros Nacionais!... Parabéns aos au-
deu (e outras obras) para os Encontros Nacionais!... Parabéns aos au-
deu (e outras obras) para os Encontros Nacionais!... Parabéns aos au-
deu (e outras obras) para os Encontros Nacionais!... Parabéns aos au-
deu (e outras obras) para os Encontros Nacionais!... Parabéns aos au-
tores e seus colaboradores.
tores e seus colaboradores.
tores e seus colaboradores.
tores e seus colaboradores.
tores e seus colaboradores.
A nossa profunda gratidão.
A nossa profunda gratidão.
A nossa profunda gratidão.
A nossa profunda gratidão.
A nossa profunda gratidão.
Os exemplares foram cedidos pelos autores ao Secretariado, podendo
Os exemplares foram cedidos pelos autores ao Secretariado, podendo
Os exemplares foram cedidos pelos autores ao Secretariado, podendo
Os exemplares foram cedidos pelos autores ao Secretariado, podendo
Os exemplares foram cedidos pelos autores ao Secretariado, podendo
ser solicitados pelos sócios.
ser solicitados pelos sócios.
ser solicitados pelos sócios.
ser solicitados pelos sócios.
ser solicitados pelos sócios.
“ A MARGEM DA TRANSCENDÊNCIA – UM
ESTUDO DA POESIA DE RUY BELO”, Manuel
António Silva Ribeiro (2004), com o patrocínio da Fun-
dação Calouste Gulbenkian e da Fundação para a Ciên-
cia e do Ensino Superior.
No Espiral nº 15, abril/junho de 2004, na página 6,
consta a notícia da sua publicação e alguns dados adici-
onais, transcrevendo-se: «Leiam-se a Voz Portucalense
de 19.5.2004 e a Brotéria de Julho.2004.»
“O CÉU: ONDE DEUS NOS
ESPERA PARA SEMPRE”, Fran-
cisco Sousa Monteiro (2004), Editori-
al A.O.- Braga, 216 páginas.
www.jesuitas.pt/AO.
Também no Espiral nº 15, abril-ju-
nho de 2004, página 6, consta a notícia
da sua publicação e alguns dados adici-
onais. Acrescenta-se a partir do livro:
DEDI-
CATÓRIA
do autor - “
A todos os
que me pre-
cederam na
fé, na glória
e estão uni-
dos ao infi-
nito Amor
de Deus.
A todos
os que co-
migo crêem
em Jesus Cristo e O amam.
A todos os que até ao fim dos tem-
pos gozarão a glória na unidade do in-
finito Amor de Deus Trino.
Ao P. Filipe de Figueiredo, instru-
mento de Deus no meu caminho para
Ele e que agora, no céu, há-de ler este
livro, no Coração de Deus, para sem-
pre. (…) “
Na CONTRACAPA, um trecho do
Prefácio, pelo P. Peter Stillwell – “Tra-
ta-se de uma meditação tranquila que
por vezes se transforma em oração de
acção de graças ou de louvor. O ritmo
é o do próprio espírito, soprando onde
quer. As várias partes da obra não obe-
decem, portanto, à sequência de uma
argumentação lógica nem a uma siste-
matização escolar. Mais parecem um rio,
espraiando os braços em delta, antes de
mergulhar no mar. Com efeito, o lugar
para onde a reflexão caminha, nunca está
em dúvida. O autor enuncia-o claramen-
te nas primeiras páginas da introdução.
É «o nosso êxtase de amor por Deus
… ‘face a face’… finalmente, sem véus,
sem hesitações nem negações, para todo
o sempre…»”
“MARCOS- O EVANGELISTA
DO ANO B / algumas notas
intodutórias”, Artur da Cunha Olivei-
ra (2003), edição do autor, União Grá-
fica Angrense, Açores, 75 páginas].
Na INTRODUÇÃO, o autor: «(…)
E aquilo que é preciso dizer antes de
mais é que a leitura litúrgica, uma vez
que fragmentada, jamais nos poderá dar
um retrato perfeito do autor nem a
exacta ideia do que é a sua obra. O que
está pois em causa, neste momento, é
aproveitar a ocasião para dar a conhe-
cer um pouco quem é Marcos e algu-
mas características e temas do segundo
dos quatro evangelistas da nossa Bíblia
(…)”.
Em CONCLUSÃO, o autor: “(…)
O estilo de Marcos é um estilo vivo, re-
alista, quase testemunhal, em que os as-
pectos humanos de Jesus merecem-lhe
um interesse e atenção que não se en-
contram nos outros evangelistas, sobre-
tudo nos sinópticos Mateus e Lucas.
Sinal de quê? Se se não trata apenas
de modismos literários, Marcos e Pe-
dro interessaram-se, na sua obra de evan-
gelização aos Romanos, em acentuar a
humanidade de Jesus. Romanos aliás
habituados à deificação de imperadores
e de heróis. No caso, tratava-se, como
já vimos, de que não era um homem
que se fizera Deus, mas um Deus que
assumira verdadeiramente a natureza
humana. É mesmo este um dos aspec-
tos que mais falta faz na evangelização e
na espiritualidade da Igreja Católica: a
centralidade da pessoa de Jesus de Na-
zaré, em que se fez homem o Verbo de
Deus. «E o Verbo fez-Se homem e veio
habitar connosco» (Jo 1, 14a).
Enfim, a Humanidade foi assumida,
pessoalmente, pela Divindade, passan-
do então a realizar-se, como se se tra-
tasse de um sacramento – sinal eficaz,
aquilo que nos revela Gn 1, 27: «Deus
criou o ser humano à sua imagem».”
espiral
l
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l 5
J
ESUS (em hebraico Yešu`a) é
nome teofórico de pessoa. Quer
dizer: na sua composição entra
um elemento proveniente do nome de
Deus (neste caso, Yahweh, que foi como
o Senhor do Universo Se nomeou a Moi-
sés naquela célebre teofania do Monte
Horeb (Ex 3, 14) e um elemento do
substantivo “ajuda” ou “salvação” que,
em hebraico, é išu`ah. Foi, com efeito,
este o significado de Jesus supostamen-
te manifestado em sonhos a José: Ela
(Maria) dará à luz um filho ao qual da-
rás o nome de Jesus, porque Ele salvará
o povo dos seus pecados” (Mt 1, 21).
Jesus quer, pois dizer: “O Senhor
(Yahweh) salva”, ou, “o Senhor ajuda”.
É, portanto, nome de pessoa.
Foram quase uma dúzia as pessoas
que na Bíblia se chamaram Jesus, desde
um levita (2 Cor 31, 15), no reinado de
Ezequias (716-687 a. C.), e um repatria-
do da Babilónia (Esd 2, 5), no tempo
de Ciro (531-529 a. C.), rei persa, até
um descendente de David (Lc 3, 29) e
um colaborador do apóstolo Paulo (Cl
4, 11). Nome exclusivamente de pes-
soa, o que não acontece com Cristo que,
no Antigo Testamento, nunca aparece
como tal. E, no Novo Testamento, va-
mos já ver como e por que se usa Cris-
to como, supostamente, o nome pes-
soal do Senhor Jesus.
C
RISTO deriva do adjecti
vo grego Christós/ê/ón
que, por sua vez, vem do
verbo chriô cujo significado é “ungir”.
Cristo, em grego, é pois, aquele que foi
ungido, que recebeu a unção própria dos
reis e dos sacerdotes. Na Bíblia usa-se
cristo para traduzir o hebraico mašiah
ou o aramaico mešiha, donde nos veio
o termo “messias”. Com este termo de
“messias” se designa no Antigo Testa-
mento todo o homem que foi consa-
grado a Deus por meio de uma unção
(reis e sumos sacerdotes) ou também,
que foi especialmente escolhido por
Deus para levar a cabo um desígnio di-
vino. É o caso do rei persa, Ciro, en-
quanto escolhido por Yahweh para li-
bertar os Judeus do cativeiro da
babilónia: Eis o que diz o Senhor a Ciro,
seu ungido (messias/cristo), a quem to-
mou pelas mãos… (Is 45, 1), como o
dos patriarcas. Nunca, porém, se usa na
Bíblia do Antigo Testamento o termo
“messias” (em grego, “cristo”), como
nome de pessoa. Por outro lado, a ex-
pressão “ungido de Yahweh”, que se
aplicava ao soberano reinante, só no úl-
timo século pré-cristão é que principiou
a ser usada com referência ao prometi-
do redentor de Israel, que se concebia
como rei. Daí passou à linguagem dos
rabinos e aos escritos do Novo Testa-
mento: o aguardado redentor de Israel
é designado por o Messias, ou o Cristo,
em grego. Veja-se esta significativa pas-
sagem do IV Evangelho: dois dos dis-
cípulos de João Baptista, ouvindo o seu
mestre tratar Jesus por Cordeiro de
Deus… seguiam Jesus. Jesus voltou-se
e, notando que eles o seguiam, pergun-
tou-lhes: “Que pretendeis?” Eles disse-
ram-lhe: “Rabi – que quer dizer Mestre
– onde moras?”. Ele respondeu-lhes:
“Vinde e vereis”. Foram, pois, e viram
onde morava e ficaram com Ele nesse
dia. Era ao cair da tarde. André, o ir-
mão de Simão Pedro, era um dos dois
que ouviram João e seguiram Jesus. En-
controu primeiro o seu irmão Simão, e
disse-lhe: “Encontrámos o Messias!” –
que quer dizer Cristo (Jo 1, 36-41). O
mesmo (Messias/Cristo) se lê no episó-
dio da Samaritana (Jo 4, 25).
A verdade é que se estava, então, na
expectativa do Messias, o libertador, o rei
descendente de David que restituiria a an-
tiga soberania ao Povo de Israel, o qual,
de há mais de meio milénio, andava sujei-
to ao domínio de povos estrangeiros
(Assíria, Babilónia, Síria, Roma). Havia
mesmo quem se preparava para a revolta
contra Roma. Inclusivamente, no número
dos Doze Apóstolos poderá ter havido
um desses: Simão, o Zelota (Mt 10, 4; Lc
6, 15) ou Cananeu (Mc 3, 18).
Estranhamente ou não, já depois
da morte do Senhor Jesus e da reve-
lação de que Ele continuava existin-
do, a morte não O vencera (Ressur-
reição), naquela criação literária lucana
do desaparecimento definitivo do
Senhor Jesus (Ascensão) os discípu-
los ainda perguntavam: “Senhor é
agora que vais restaurar o Reino de
Israel?” (Act 1, 6). E foram os cris-
tãos helenistas, nomeadamente quan-
do a primitiva Comunidade dos dis-
e/ou
Jesus Cr
Cr
Cr
Cr
Cris
is
is
is
ist
t
t
t
to
o
o
o
o
Ar
Ar
Ar
Ar
Artur Oliveira
tur Oliveira
tur Oliveira
tur Oliveira
tur Oliveira
Designação
Jesus Cristo Senhor Jesus Senhor Jesus Nosso Senhor Jesus de
Jesus Cristo Cristo Jesus Cristo Nazaré
Autor
Marcos 71 6 1 4 - - 3
Mateus 159 12 - 1 - - 4
Lucas
Evangelho 92 12 1 - - - 3
Actos 30 8 12 16 4 2 6
João 242 17 - 3 - - 3
Paulo 20 226 9 222 2 5 -
Designações bíblicas do Senhor Jesus
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6
VII Encontro Mundial
das Famílias
Reflexão de Mons. Bruno Forte
Reflexão de Mons. Bruno Forte
Reflexão de Mons. Bruno Forte
Reflexão de Mons. Bruno Forte
Reflexão de Mons. Bruno Forte
que participou do encontro das
que participou do encontro das
que participou do encontro das
que participou do encontro das
que participou do encontro das
famílias, em Milão, com uma nu-
famílias, em Milão, com uma nu-
famílias, em Milão, com uma nu-
famílias, em Milão, com uma nu-
famílias, em Milão, com uma nu-
merosa delegação.
merosa delegação.
merosa delegação.
merosa delegação.
merosa delegação.
B
ento XVI concluiu, em Mi
lão, o VII Encontro Mundial
das Famílias com o tema “A
família, o trabalho, a festa, que decorreu
de 30 maio a 3 junho de 2012.
Trata-se de um evento com uma
mensagem forte e atual. Para entendê-
lo, parto de algumas frases da carta que
o Santo Padre enviou para a
convocatória: “Nos nossos dias, a or-
ganização do trabalho, pensada e atuada
em função da concorrência de merca-
do e do máximo lucro, e a concepção
da festa como ocasião de evasão e de
consumo, contribuem para desagregar
a família e a comunidade e para difun-
dir um estilo de vida individualista. Por
isso, é necessário promover uma refle-
xão e um compromisso que visem con-
ciliar as exigências e os tempos de tra-
balho com aqueles da família e recupe-
rar o sentido verdadeiro da festa, espe-
cialmente do domingo, dia do Senhor e
dia do homem, dia da família, da co-
munidade e da solidariedade.”
Estas palavras subentendem uma alta
visão do valor e do papel da família: os
esposos unidos no sacramento do ma-
trimónio são imagem da Trindade divi-
na, do Deus que é amor e, por isso
mesmo, relação e unidade do Pai, que
eternamente ama, do Filho, que é eter-
namente amado, e do Espírito, vínculo
do amor eterno. Nesta unidade
profundíssima cada um é si mesmo, en-
quanto acolhe totalmente o outro. À luz
deste modelo, a vocação matrimonial é
vista como unidade plena e fiel dos dois,
comunhão responsável e fecunda de
pessoas livres, abertas à graça e ao dom
da vida aos outros.
Seio do futuro, a família é escola de
vida e de fé, na qual crianças, adolescen-
tes e jovens podem aprender a amar a
Deus e ao próximo, e os idosos, raízes
preciosas, podem à sua vez sentir-se
amados. A família é, assim, sujeito ativo
no caminho da comunidade cristã e da
sociedade civil, não somente destinatá-
ria de iniciativas, mas protagonista do
bem comum em cada um dos seus com-
ponentes.
Para que isso aconteça, o pacto con-
jugal, que é a base da família, deve ser
vivido de acordo com algumas regras
fundamentais: o respeito da pessoa do
outro; o esforço para entender melhor
as suas razões; o saber tomar a iniciativa
de pedir e oferecer perdão; a transpa-
rência recíproca; o respeito pelos filhos
como pessoas livres e a capacidade de
oferecer a eles razões de vida e de espe-
rança; o deixar-se questionar pelas suas
esperanças, sabendo escutá-los e dialo-
gando com eles; a oração, com a qual
pedir a Deus a cada dia um amor mai-
or, buscando ser um para o outro, e jun-
tos, para os filhos, dom e testemunho
Dele.
Um estilo de vida semelhante não é
cípulos do Senhor Jesus se separou do Ju-
daísmo, e porque menos ligados à tradi-
ção judaica, que passaram a usar Cristo
como segundo nome próprio de Jesus.
Foi em Antioquia que, pela primeira vez,
os discípulos começaram a ser tratados
pelo nome de “cristãos” (Act 11, 26). Tal-
vez pudessem ter vindo a ser denomina-
dos “jesuânicos”. Mas não. Os eventuais
“jesuânicos” passam a ser “cristãos”, e o
eventual “Jesuanismo” deu-nos o Cristia-
nismo, para o que contribuiu não pouco
o apostolado paulino (Veja-se, por exem-
plo: Rm 6, 4.8-9; 8, 17; 1 Cor 1.12-
13.17.22-24). Pelo Quadro seguinte po-
demos ficar sabendo como o Senhor Je-
sus foi nomeado nos Evangelhos, nos
Actos e em Paulo. Nos primeiros, predo-
minaonomeJesus:594vezes,contraape-
nas 20 em Paulo. Cristo: só 55 vezes nos
Evangelhos e Actos e 226 em Paulo.
Concluindo: Jesus e Cristo são a
mesma pessoa. Mas quem? Homens de
Israel, escutai estas palavras: Jesus de
Nazaré, Homem acreditado por Deus
junto de vós, com milagres, prodígios e
sinais que Deus realizou no meio de vós
por seu intermédio… Deus ressuscitou-
o, libertando-o dos grilhões da morte
pois não era possível que ficasse sob o
domínio da morte (Act.2,22-24), pro-
clamou Pedro no dia do Pentecostes.
Era esta a fé e a cristologia da primitiva
Comunidade Cristã. Assim, podemos
afeiçoar-nos pelo nome Jesus como pelo
termo Cristo. Só que os resultados não
serão os mesmos. Enquanto que, afei-
çoando-nos pelo nome Jesus, constituí-
mos uma como que relação pessoal e
uma vivência mais íntima com Ele, as-
sim como um mais eficaz compromis-
so com a Sua Mensagem; preferindo a
denominação Cristo já não é bem a re-
lação com a pessoa mas com a entida-
de, e é mais fácil deixarmo-nos levar
pelo formalismo e contentarmo-nos
com a aceitação de dogmas, de cânones,
de rituais e de tradições. Há muito por
aí quem encha a boca com “Cristo, Cris-
to, Cristo”, mas não seja capaz de, por
si, dar de graça – digamos – um copo
de água a quem tem sede, como
indubitavelmente faria o Senhor Jesus.
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l 7
nem fácil, nem óbvio, e muitas vezes as
condições concretas da existência ten-
dem a enfraquecê-lo: pensemos na pos-
sível fragilidade psicológica e afetiva nas
relações entre os dois e em família; no
empobrecimento na qualidade dos re-
lacionamentos que pode conviver com
triângulos amorosos aparentemente es-
táveis e normais; no normal stress origi-
nado pelos hábitos e pelos ritmos im-
postos pela organização social, pelos
tempos de trabalho, pelas exigências de
mobilidade; pela cultura de massa vei-
culada pelos meios de comunicação que
influenciam e corroem as relações fami-
liares, invadindo a vida da família com
mensagens que banalizam a relação con-
jugal. Sem uma contínua, recíproca aco-
lhida dos dois, abrindo-se um ao outro,
não poderá haver fidelidade duradoura
nem alegria plena: “A flor do primeiro
amor murcha, se não supera a prova da
fidelidade” (Soren Kierkegaard). Torna-
se então mais do que nunca vital conju-
gar o compromisso cotidiano em famí-
lia com as condições que o sustentem
no âmbito do trabalho e na experiência
da festa.
Cada trabalho – manual, profissio-
nal e doméstico – tem plena dignidade:
por isso é justo e correto respeitar cada
uma dessas formas, também nas esco-
lhas de vida que os esposos são chama-
dos a fazer pelo bem da família e espe-
cialmente dos filhos. Contribui para o
bem da família tanto quem trabalha em
casa, quanto quem trabalha fora! Claro,
o trabalho apresenta muitas vezes aspec-
tos de cansaço, que – segundo a fé cristã
– o Filho de Deus quis fazer próprio
para redimí-los e sustentá-los de dentro,
como lembra uma página belíssima do
Concílio Vaticano II: ele “trabalhou com
mãos de homem, pensou com mente
de homem, agiu com vontade de ho-
mem, amou com coração de homem”
(Gaudium et Spes, 22).
Inspirando-se no Evangelho, é pos-
sível, então, formar-se como homens e
mulheres capazes de fazer do próprio
trabalho um caminho de crescimento
para si e para os outros, apesar de to-
dos os desafios contrários. Isso requer
viver o trabalho, por um lado cheio de
responsabilidade pela construção da casa
comum (trabalhar bem, com consciên-
cia e dedicação, qualquer que seja a tare-
fa que se tenha); por outro lado, em es-
pírito de solidariedade para os mais fra-
cos, tutelar e promover a dignidade de
cada um. Nesta luz, compreende-se ple-
namente como a falta de trabalho seja
uma ferida grave na pessoa, na família e
no bem comum, e porque a segurança
e a qualidade das relações humanas no
trabalho sejam exigência moral que deve
ser respeitada e promovida pelo indiví-
duo, começando pelas instituições e pe-
las empresas.
A propósito da festa, por fim, deve-
se evidenciar o quanto ela ajude ao cres-
cimento da comunhão familiar: nascen-
do do reconhecimento dos dons rece-
bidos, que abraçam os bens da vida
terrena, as maravilhas do amor recípro-
co, a festa educa o coração à gratidão e
à gratuidade. Onde não há festa, não há
gratidão, e onde não há gratidão, o dom
se perde! É necessário aprender, então,
a respeitar e celebrar a festa, principal-
mente como tempo de perdão recebi-
do e doado, pela vida renovada pela
maravilha agradecida, até se tornar ca-
pazes de viver os dias feriais com o co-
ração de festa.
Isso é possível, se começa-se da aten-
ção às festas que marcam o “léxico fa-
miliar" (aniversários, onomásticos...), até
celebrar fielmente como família o en-
contro com Deus no domingo, dia do
Senhor, encontro de graça capaz de pro-
duzir frutos profundos e surpreenden-
tes. Quem vive a festa, é estimulado a
exercitar a gratuidade, experimentando
como seja verdadeiro que existe mais
alegria em dar do que receber! A festa
nos ensina como amar seja viver o dom
de si tanto nas escolhas de fundo da exis-
tência, quanto nos gestos humildes da
vida quotidiana, aprendendo a dizer pa-
lavras de amor e a ter gestos correspon-
dentes, que jorrem de um coração gra-
to e alegre.
A negação da festa, especialmente do
domingo, é por isso um atentado ao
bem precioso da harmonia e da fideli-
dade conjugal e familiar: e é significati-
vo que esta mensagem ressoe por Mi-
lão, capital vital e laboral da economia e
da produção do País. Apostar na famí-
lia fundada sobre o matrimónio e aber-
ta ao dom dos filhos e esforçar-se para
promover as condições de trabalho e
de respeito para a festa, que ajudem na
sua serenidade e crescimento, é contri-
buir para o bem de todos, livrando-se
de lógicas muitas vezes redutivas e con-
fusas com relação ao seu valor de célula
decisiva da sociedade e do seu amanhã.
É a mensagem que de Milão parte hoje
para a Itália e para o mundo inteiro!
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página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: direccao@fraternitas.pt * blogue: http://fraternitasmovimento.blogspo
J
á está próxima a celebração do
Sínodo dos Bispos que irá refle
tir sobre o tema da evangeliza-
ção de modo a poder dar indicações à
Igreja universal, indicações que depois
deverão ser concretizadas, traduzidas e
realizadas de modo diferenciados e es-
pecífico nas diversas áreas culturais do
mundo. No entanto, continua sendo ver-
dade que esse tema, quando é anuncia-
do como "nova evangelização", diz res-
peito sobretudo ao Ocidente europeu e
norte-americano, as terras de mais ou
menos antiga cristianização, terras em que
se viveu uma sólida pertença às Igrejas
cristãs, mas que hoje – depois do fenó-
meno da secularização e do desencanto
religioso – estão contaminadas pelo in-
diferentismo.
Nas últimas décadas, caíram as ide-
ologias portadoras de uma esperança
messiânica intra-humana, fracassou a
transmissão da fé cristã pela geração que
está desaparecendo às novas gerações
que se assomam ao horizonte, tornou-
se muito fraco o anúncio do evangelho
como boa notícia aqui e hoje.
Eis, portanto, a urgência de repensar
as palavras de Jesus, que enviava os seus
discípulos em missão no mundo inteiro
(cf. Mc 16, 15), até as extremidades da
terra (cf. Atos 1, 8), entre todos os po-
vos e até o fim dos tempos (cf. Mt 28,
19-20). Isso na convicção de que o nos-
so tempo, a contemporaneidade – o
único tempo que conhecemos ao viver
imersos neles – é sempre um "momen-
to favorável" para o anúncio da boa no-
tícia de Jesus Cristo, o único Filho de
Deus e o autêntico homem.
No tempo oportuno ou não opor-
tuno (eúkairos – Ákairos, cf. 2 Tm 4, 2),
se há em nós uma humanização que
ocorre na sinergia entre a graça do Se-
nhor – isto é, o Espírito Santo – e o
nosso espírito, então nós devemos
testemunhá-lo, anunciá-lo a quem nos
pede conta do nosso modo de viver,
dessa esperança que nos habita (cf. 1Pd
3, 15), dessa prática do amor que Jesus
nos pede para viver quotidianamente.
Então, é inútil procurar estratégias ou
táticas de nova evangelização, é pernici-
oso ter medo da nossa fraqueza devida
a uma diminuição numérica, mas não de
significado, é mundano esperar em um
retorno da cristandade tranquilizante dos
tempos passados.
Mas então o que devemos procurar,
como devemos nos mover nesse êxo-
do de uma terra que deixamos para trás
para nos dirigir rumo a uma margem
que não conhecemos, mas que sabemos
que é um horizonte habitado pela po-
tência de Jesus ressuscitado e vivo, à es-
pera do nosso desembarque para iniciar
um outro êxodo, para passar de êxodo
em êxodo até o reino?
Acredito que, acima de tudo, deve-
mos mudar a nossa atitude para com a
humanidade em que estamos imersos e
da qual fazemos parte: uma humanida-
de já não cristã, mas que devemos ou-
vir nas suas manifestações mais impres-
sionantes e nos seus gemidos. Como
Igreja, devemos nos exercer a uma lei-
tura sábia da História, sem ceder à ten-
tação de assumir posições defensivas,
de encastelar-nos em cidadelas que for-
çosamente contam com o número e
com os recintos: é fácil ceder a essa falta
de fé no Senhor da História, o Senhor
amante dos seres humanos, o Senhor,
que "quer que todos os seres humanos
sejam salvos" (1Tm 2, 4), e se tornar
profetas da desgraça, como advertia
João XXIII há 50 anos atrás, no início
do Concílio.
Devemos ouvir para aprender, na
consciência da autonomia da História e
na liberdade da humanidade que, no
entanto, continua sendo querida por
Deus, composta por pessoas cada uma
“criada à imagem de Deus” (cf. Gn 1,
26): esse selo impresso por Deus em
cada ser humano, justo ou pecador, nun-
ca poderá falhar. Trata-se também de
não alimentar ingenuidade, de não ser
desprovido de humanidade, mas capaz
de discernir a presença do mal reconhe-
cendo, porém, o caminho de humani-
zação e de autocorreção do qual o ser
humano é capaz, como nos recorda
Christoph Theobald.
É nesse espaço em que a Igreja en-
contra o mundo na escuta e no diálogo
recíproco que os cristãos munidos de
uma fé madura, exercitada, pensada, di-
zem e vivem o evangelho, acima de tudo
como escola de humanidade, caminho
de humanização: cristãos que sabem
despertar confiança naqueles que encon-
tram, naqueles dos quais se fazem pró-
ximos; cristãos que sabem discernir nos
outros a fé humana que os habita e aos
quais podem doar palavras, atitudes e
ações que narram Jesus de Nazaré.
A crise de fé hoje, antes de ser crise
A nova evangelização
A nova evangelização
A nova evangelização
A nova evangelização
A nova evangelização
e os novos profetas da desgraça
e os novos profetas da desgraça
e os novos profetas da desgraça
e os novos profetas da desgraça
e os novos profetas da desgraça
A reflexão é de Enzo Bianchi,
A reflexão é de Enzo Bianchi,
A reflexão é de Enzo Bianchi,
A reflexão é de Enzo Bianchi,
A reflexão é de Enzo Bianchi,
monge e teólogo italiano, prior e
monge e teólogo italiano, prior e
monge e teólogo italiano, prior e
monge e teólogo italiano, prior e
monge e teólogo italiano, prior e
fundador da Comunidade de Bose,
fundador da Comunidade de Bose,
fundador da Comunidade de Bose,
fundador da Comunidade de Bose,
fundador da Comunidade de Bose,
num artigo publicado na revista
num artigo publicado na revista
num artigo publicado na revista
num artigo publicado na revista
num artigo publicado na revista
Jesus, de agosto de 2012.
Jesus, de agosto de 2012.
Jesus, de agosto de 2012.
Jesus, de agosto de 2012.
Jesus, de agosto de 2012.
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ot.com * e-mail: secretariado@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: tesouraria@fraternitas.pt
de fé em Deus, é uma crise de confian-
ça humana, é a falta de confiança nos
outros, na vida, no futuro e, acima de
tudo, é fraqueza em acreditar no amor
(cf. 1Jo 4, 16). Apenas em um terreno
tão humanizado e predisposto, Deus
pode então realizar o que só Ele é ca-
paz de operar: doar a fé, isto é, iniciar
uma relação com quem ouve a sua pa-
lavra, que quem encontra Jesus Cristo,
porque “a fé nasce da escuta” (Rm 10,
17).
Então, a Igreja encontrará em seu li-
miar aqueles que desejam e pedem para
ser introduzidos em Jesus Cristo, que
pedem para se tornar o seu corpo atra-
vés do Batismo e da Eucaristia... Assim
ocorre a geração em Cristo e na Igreja,
assim a evangelização se torna evento
de encontro, de relação viva entre Deus
e o ser humano: no tecido de relações
humanas quotidianas entre cristão teste-
munha evangelizador e o ser humano
de hoje. A evangelização, de fato, sem-
pre depende do testemunho pessoal de
quem evangeliza: o evangelho, a boa
notícia só acontece no encontro, na re-
lação com uma pessoa.
Os homens e as mulheres de hoje
continuam a perguntar: Como viver?
Nós não lhes respondemos procuran-
do novos métodos mais refinados, não
respondemos com a expectativa de um
percurso fácil: tentamos apenas viver a
fé e, portanto, despertar confiança, sem
ter medo, porque o Senhor está con-
nosco, e quanto mais nos sentimos fra-
cos, mais opera em nós a sua força (2
Cor 12).
PROGRAMA
Dia 5 (sexta-feira)
20h00 – Jantar, antecedido de
acolhimento.
21h15 – Apresentação do
orientador e lançamento do tema.
Dia 6 (sábado)
8h30 – Pequeno – Almoço.
9h00 – Laudes.
9h45 – Plenário/Grupos.
11h00 – Intervalo.
11h30 - Plenário/Grupos.
13h00 – Almoço.
15h00 – Plenário/ Grupos.
16h45 – Intervalo.
17h30 - Plenário/Grupos.
19h00 – Vésperas. Eucaristia.
20h00 – Jantar.
21h15 – Serão: partilha de vida.
Tertúlia.
Dia 7 (domingo)
8h30 – Pequeno-almoço.
9h00 – Laudes.
9h45 – Plenário.
12h00 – Eucaristia, com ensaio
prévio.
13h00 – Almoço
1. Ninguém é indiferente às neces-
sidades dos outros.
2. Só é possível continuar a acorrer
a casos de verdadeira necessidade se
partilharmos também. Por isso, não es-
perem que lhes batam expressamente
à porta. Decidam-se: partilhem com os
outros através da Fraternitas.
3. Vão à caixa do multibanco mais
próxima e façam uma transferência
interbancária para a conta n.º 0033 0000
4521 8426 660 05. O montante depen-
de apenas da vossa consciência. A Di-
recção da Fraternitas fará com que che-
gue a quem precisa! Mandem o
comprovativo e dêem conhecimento da
finalidade.
4. Também podem depositar na
mesma conta bancária o valor da quota
anual de sócio: 30 euros - casal; 20 euros
- pessoa singular; ou contribuir para o
boletim «Espiral».
5. Contactem o tesoureiro
Fernando Neves
Av. Nova, n.º 22
3770-355 PALHAÇA.
Telefones 234 752 139; 968 946 913
E-Mail: tesouraria@fraternitas.pt.
NOTA DE TESOURARIA: QUOTAS E SOLIDARIEDADE
ALOJAMENTO
Diária por pessoa:
- 37 • (quarto individual);
- 30• (quarto duplo ou triplo).
Dormida e pequeno-almoço:
- 26• (quarto individual);
- 21• (duplo ou triplo).
- Refeição:
– Almoço ou jantar: 10 •.
COMO CHEGAR
O Seminário situa-se na rua Vis-
conde das Devesas, n.º 684, em Vila
Nova de Gaia.
É possivel obter a rota na
Internet, na página maps.google.pt.
Ali, clica-se em «Obter direcções»,
escreve-se o endereço de origem e o
do destino, e o programa traça o
melhor percurso.
INSCRIÇÕES
Secretariado: Urtélia Silva
Rua Prof. Carlos Alberto Pinto de
Abreu, 33, 2ºEsq.
3040-245 Coimbra
Telefones 239 001 605; 914754706
(até às 21h15m)
secretariado@fraternitas.pt
Convocatória
33.º ENCONTRO NACIONAL
Local: Seminário Redentorista Cristo-Rei,
em Devesas (Vila Nova de Gaia)
Tema: “A ESPERANÇA como fio condutor na narrativa Bíblica”
Orientador: Pe. Rui Santiago, c.s.s.r.
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10
Kirche In: Sabe-se que existem
atualmente tensões entre a Igreja or-
todoxa e a Igreja católica romana.
Em seu entender, qual é a causa des-
sas tensões?
Lorgus: Sei que há de facto tensões e
também leio o que sobre elas se escreve
nos meios de comunicação. Mas na mi-
nha atividade, quer pastoral quer como
conferencista, não me sinto minima-
mente afetado por elas.
KI: Na Rússia houve sempre uma
ligação muito forte entre a Igreja e
o Estado. Pode-se dizer que a Igre-
ja ortodoxa é a Igreja do Estado?
L: De forma alguma. O Estado está
mais orientado para uma colaboração
com a Europa e com as outras Igrejas,
ao passo que, dentro da Igreja ortodo-
xa, há um ambiente que rejeita essas ten-
dências. Tanto a Igreja ortodoxa como
o povo mantêm uma atitude de
ceticismo face à Europa. Subsistem ain-
da no povo tendências nacionalistas
contrárias a uma abertura ao exterior.
Há naturalmente um motivo psicológi-
co para isso, que assenta no facto de a
Rússia ser de tal modo grande que o
resto do mundo quase desaparece da
consciência das pessoas.
KI: Numa conferência em Viena,
mencionou a existência duma crise
antropológica na sociedade russa.
Em que consiste essa crise?
L: O maior problema é o regresso
do homem aos seus próprios valores, à
sua consciência de ser humano, pois a
herança do passado é diametralmente
oposta ao retomar desta consciência.
Não são os valores económicos que
devem estar no primeiro plano, mas sim
valores como amor, vida, saúde, fé, sa-
ber.
KI: Estes valores foram atropela-
dos durante os setenta anos de regi-
me soviético? Houve células onde
eles tivessem podido sobreviver?
L: O regime conduziu à destruição
total destes valores todos. Mas, realmen-
te, também existiram essas células, for-
madas por personalidades e famílias in-
dividuais.
KI: Como foi que chegou à sua
fé e à sua vocação?
L: Os meus pais não eram crentes,
mas alguns dos meus antepassados vi-
nham de famílias sacerdotais. Porém,
durante muito tempo não soube nada
disso. Os meus pais ocultaram esses fac-
tos, já que era muito perigoso contar isso
às crianças. Foi só durante os meus
tempos de Universidade que me tor-
nei crente.
KI: Como foi que lá chegou?
L: Foi um impulso interior, mas,
naturalmente, essa aproximação não
aconteceu de repente, cresceu lenta-
mente. Provavelmente foi o amor à
minha esposa, aos meus filhos.
KI: Era possível, na clandesti-
nidade, ter acesso a literatura reli-
giosa?
L: A minha geração cresceu com
textos copiados. Quando descobría-
mos obras literárias, copiávamos os
livros e emprestávamo-los uns aos
outros. Foi assim que, põe exemplo, li
um romance de Soljenitzyn numa noi-
te, porque tinha de restituir as folhas
no dia seguinte.
KI: Para viver no regime soviéti-
co como homem crente era necessá-
ria uma grande dose de coragem.
Qual era o perigo que se corria sen-
do crente?
L: Os meus amigos e eu dissemos
abertamente que tínhamos sido
Igreja Ortodoxa na Rússia
“O maior problema é o regresso do
homem aos seus próprios valores”
Versando a situação da Igreja na Rússia, Isabella Campbell-Wessig e Rudolf Schermann entrevistaram o
Versando a situação da Igreja na Rússia, Isabella Campbell-Wessig e Rudolf Schermann entrevistaram o
Versando a situação da Igreja na Rússia, Isabella Campbell-Wessig e Rudolf Schermann entrevistaram o
Versando a situação da Igreja na Rússia, Isabella Campbell-Wessig e Rudolf Schermann entrevistaram o
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eologia e Psicologia. F
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eologia e Psicologia. F
eologia e Psicologia. Fundou uma F
undou uma F
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undou uma Faculdade de Psico-
aculdade de Psico-
aculdade de Psico-
aculdade de Psico-
aculdade de Psico-
logia na Univ
logia na Univ
logia na Univ
logia na Univ
logia na Univer
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ersidade Or
sidade Or
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ussa de S. João o Teólogo, em Mosco
eólogo, em Mosco
eólogo, em Mosco
eólogo, em Mosco
eólogo, em Moscov
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o. Par
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o. Para além de Psicologia, ensina
a além de Psicologia, ensina
a além de Psicologia, ensina
a além de Psicologia, ensina
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Antropologia Cris
Antropologia Cris
Antropologia Cris
Antropologia Cris
Antropologia Cristã e Linguís
tã e Linguís
tã e Linguís
tã e Linguís
tã e Linguística Or
tica Or
tica Or
tica Or
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ambém assegur
ambém assegur
ambém assegur
ambém assegura a assis
a a assis
a a assis
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tência pas
tência pas
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oral a um Lar par
al a um Lar par
al a um Lar par
al a um Lar par
al a um Lar para pessoas
a pessoas
a pessoas
a pessoas
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diminuídas mentais. Montou ali uma capela onde é celebrada missa uma vez por semana. Andrej Lorgus é
diminuídas mentais. Montou ali uma capela onde é celebrada missa uma vez por semana. Andrej Lorgus é
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casado e tem dois filhos adultos.
casado e tem dois filhos adultos.
casado e tem dois filhos adultos.
casado e tem dois filhos adultos.
casado e tem dois filhos adultos.
Publicado em Kir
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che In
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che In, 12/2002, p
, 12/2002, p
, 12/2002, p
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, 12/2002, p. 26,27.
. 26,27.
. 26,27.
. 26,27.
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Tradução de João Simão
Tradução de João Simão
Tradução de João Simão
Tradução de João Simão
Tradução de João Simão
espiral
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batizados. A consequência foi a nossa
expulsão da Juventude Comunista. Além
disso, foi-nos instaurado um processo,
que, aliás, não chegou a ser concluído.
KI: Há hoje na Rússia sinais de
crescimento religioso na sociedade?
L: A renovação religiosa é um pro-
cesso muito trabalhoso e difícil. No en-
tanto, não se podem ignorar os sinais de
crescimento. Qualquer visitante pode ver
que, na Rússia, por toda a parte igrejas e
conventos estão a ser recuperados e isto
apesar de o povo viver com extremas
dificuldades. As pessoas partilham da
seguinte opinião: mesmo que passemos
mal, queremos que, ao menos na Igreja,
as coisas estejam bem.
KI: Qual é a relação dos jovens
com a Igreja?
L: Eu não posso julgar a atitude dos
jovens em geral face à Igreja, mas estão
muito bem representada na Igreja.
KI: A Igreja russa tem muitos con-
fessores e mártires. Qual é a atitude
da Igreja a respeito deles e das ten-
sões que surgiram entre os confes-
sores e aquelas pessoas que pensa-
ram que seria melhor entrar em com-
promissos com o regime?
L: Tais tensões não são particular-
mente percetíveis, elas existem mais no
subconsciente. Foram cononizados mi-
lhares destes mártires e praticamente to-
das as Igrejas têm os seus próprios már-
tires, muito venerados sobretudo local-
mente. Há uma comissão específica que
ainda hoje acrescenta vários nomes à lis-
ta dos mártires.
KI: O que é que se passa com o
ensino religioso na Rússia?
L: Nas escolas estatais ainda não há
ensino religioso, mas esperamos chegar
lá. Há, no entanto, iniciativas de direções
de algumas escolas a disponibilizarem o
ensino da religião como disciplina de
opção livre. Aliás há uma matéria para
todos os alunos onde são ensinados os
fundamentos da cultura russa. Mas esta
disciplina não é nem de religião nem de
ética. A Igreja tem vindo a reclamar
constantemente um ensino religioso pro-
priamente dito, mas esbarra com a opo-
sição dos funcionários educativos e tam-
bém duma grande parte dos intelectuais
russos. Quando o Patriarca uma vez se
manifestou publicamente sobre o tema
do ensino da religião, levantou-se na im-
prensa uma verdadeira campanha de
oposição, na qual cientistas e intelectuais
assumiram um tom muito ofensivo para
com a religião.
KI: Pode-se dizer que também na
Rússia há uma intelectualidade for-
te entre os fiéis da Igreja ortodoxa?
L: Há uma forte intelectualidade or-
todoxa. Na era soviética os intelectuais
eram seguramente mais cristãos do que
o restante povo.
KI: Como é o envolvimento soci-
al da Igreja russa?
L: Há princípios orientadores de um
envolvimento desta natureza, mas ainda
faltam forças em toda a parte para levar
as coisas por diante. Atualmente a ação
social da Igreja ortodoxa cinge-se so-
bretudo às prisões e aos lares de crian-
ças e de idosos.
KI: E como é com a falta de pa-
dres na Rússia?
L: Verifica-se hoje em dia uma gran-
de afluência aos estabelecimentos de
ensino eclesiástico, mas a escassez de pa-
dres é, apesar disso, muito grande. Tal
situação pode explicar-se tendo em aten-
ção que a pastoral ainda está em fase de
estruturação. Temos hoje cerca de 20.000
paróquias, mas precisaríamos de 200 mil.
KI: A Igreja ortodoxa russa foi
sempre fortemente clerical. Existe
alguma coisa como um despertar dos
leigos?
L: Uma exigência do género da
“Nós Somos Igreja” ninguém a faria na
Rússia. Mas os leigos são bastante ativos
e conscientes. Ao envolverem-se nas
questões eclesiais e religiosas, o seu prin-
cipal desejo não é alcançar protagonis-
mo, mas antes sublinhar que pertencem
à Igreja.
KI: E como é a tensão entre po-
bres e ricos?
L: Nos últimos dez anos a Igreja tem
vindo a fazer boas experiências no tra-
balho com os pobres. Mas é muito difí-
cil chamar os ricos à razão, quando o
dinheiro lhes subiu à cabeça. No entan-
to, também há pessoas ricas que desco-
briram o caminho da Igreja e se mos-
tram dispostos a reaprender a humilda-
de. Eu concordaria com a frase do bis-
po latino-americano Dom Helder Câ-
mara: “Queremos libertar os pobres da
pobreza e os ricos do egoísmo.”
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«Amigos, só vi a notícia na TVI.
Conheço o Sr. D. Januário e sei que não é homem com
interesses políticos. É um homem da Igreja, um homem bom,
honesto, com sensibilidade humana aos problemas dos ho-
mens. Vive com preocupações com este estado de coisas. Vê
mais do que eu. E sente-se angustiado com o rumo que as
coisas tomam. E os responsáveis calam-se, fecham os olhos,
não tem respostas... Mas nem ao menos se inquietam e não
inquietam as consciências deste país, se é que os políticos a
têm.
Vós estais muito mais dentro destes problemas que eu.
Não se calem, não calem o movimento. Deixem que o Espí-
rito fale, apoiem o Espírito que fala através dos profetas,
que são incómodos...E é de lamentar se os bispos já se vie-
ram demarcar de D. Januário. Lamento. Os bispos usam o
solidéu, mas aquilo é só ornamento, adereço, de resto vivem
amedrontados(…).
Por favor, ponham o movimento a andar, esclareçam os
sócios, animem-nos, estimulem-nos. Eu apoio-vos se é para
animar o Sr. D. Januário.»
Um abraço.,
J.S.
«Estou com a proposta do Joaquim Soares e dou a mi-
nha adesão ao D. Januário Torgal, congratulando-me por ter
levantado a sua voz exprimindo a angústia que sofre o nosso
Povo com as políticas que estão a ser implementadas e de-
nunciar os aproveitamentos pessoais que ocorrem neste "pân-
tano" de desolação, penúria e miséria.»
Parabéns D. Januário, estamos consigo»
E.J.
SOLID
SOLID
SOLID
SOLID
SOLIDARIED
ARIED
ARIED
ARIED
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ADE
ADE
ADE
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COM D
COM D
COM D
COM D
COM D. JANUÁRIO T
. JANUÁRIO T
. JANUÁRIO T
. JANUÁRIO T
. JANUÁRIO TORGAL FERREIRA
ORGAL FERREIRA
ORGAL FERREIRA
ORGAL FERREIRA
ORGAL FERREIRA
«Estou inteiramente de acordo com as palavras do nosso
irmão J. S. sobre o significado da incómoda intervenção do
Sr. D. Januário. A este eu desejo manifestar a minha solidari-
edade pela coragem, oportunidade e simplicidade com que
nos faz chegar a linguagem de Jesus de Nazaré.
Esquecemos facilmente (bispos incluídos) que Jesus não
hesitou chamar "sepulcros caiados de branco" aos hipócritas
e poderosos do seu tempo.
Nunca os verdadeiros profetas foram peritos em medir
palavras»
A.C.
«Estou plenamente de acordo com o A.C.. Só se ame-
drontam aqueles que não têm consciência das preocupações
da Igreja pelos mais castigados da sociedade. E talvez tam-
bém aqueles a quem não falta o pão, mesmo arrancado das
mãos de quem o fabricou com muito suor e amor.»
M. P.
«Respondo a esta missiva. Ouvi com muita atenção a de-
núncia profética do senhor D. Januário no famigerado pro-
grama da TVI. Estou com ele, porque ele foi a voz do Espí-
rito, a voz de alguém que profeticamente exerce a sua mis-
são de homem da Igreja que vive os problemas e as angús-
tias de tantos irmãos pobres, desprezados e humilhados por
uma desgovernação vergonhosa, marcada pela insensibilida-
de e pela astúcia de alguns políticos que se "governam", mas
não governam. O aparecimento do senhor Ministro da De-
fesa a meter-se no assunto e a tentar virar a opinião pública
contra o Bispo Profeta que, à semelhança de Amós, denun-
cia os erros dos governantes, fez-me recuar a meados do
século passado e reviver o que, então, foi feito ao saudoso
Bispo do Porto senhor D. António Ferreira Gomes a quem
o poder político, então vigente em Portugal, desterrou para
Roma por ter tido a coragem de dizer ao governante Salazar
que era preciso mudar de políticas. E, então como hoje, a
Conferência Episcopal reverentemente calou, consentiu, não
levantou a voz e os senhores Bispos continuaram a ter mor-
domias e honrarias. Será que agora se está a preparar algo de
semelhante? O senhor D. Januário tem razão nas denúncias
que faz. Não ofendeu ninguém, a não ser aqueles a quem a
consciência acusa de maldade, porque a verdade incomoda.
Ao senhor D. Januário é devido todo o apoio nesta sua mis-
são de denúncia das injustiças, venham elas de onde vierem.»
J.M.
A Associação FRA
A Associação FRA
A Associação FRA
A Associação FRA
A Associação FRATERNIT
TERNIT
TERNIT
TERNIT
TERNITAS MO
AS MO
AS MO
AS MO
AS MOVIMENTO,
VIMENTO,
VIMENTO,
VIMENTO,
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atr
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a
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avés de associados seus, manif
vés de associados seus, manif
vés de associados seus, manif
vés de associados seus, manif
vés de associados seus, manifes
es
es
es
esta solidariedade par
ta solidariedade par
ta solidariedade par
ta solidariedade par
ta solidariedade para com D. Januário T
a com D. Januário T
a com D. Januário T
a com D. Januário T
a com D. Januário T. F
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a propósito da sua intervenção numa entrevista a uma rádio portuguesa,
a propósito da sua intervenção numa entrevista a uma rádio portuguesa,
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  • 1. espiral ANO xiII - N ANO xiII - N ANO xiII - N ANO xiII - N ANO xiII - N.º 48 - JULHO/SETEMBR .º 48 - JULHO/SETEMBR .º 48 - JULHO/SETEMBR .º 48 - JULHO/SETEMBR .º 48 - JULHO/SETEMBRO de 2012 O de 2012 O de 2012 O de 2012 O de 2012 boletim d boletim d boletim d boletim d boletim da associação fra a associação fra a associação fra a associação fra a associação frater ter ter ter ternit nit nit nit nitas mo as mo as mo as mo as moviment viment viment viment vimento o o o o T enho ouvido repetida a vários sócios a palavra «péssimismo», e sempre associada ao futuro da Fraternitas. Parece que se perdeu com o passar dos anos e com o declinar do tempo aquele entusiasmo dos pri- meiros tempos, dos anos em que o Padre Filipe Figueiredo andava entre nós, movia corações e congregava pessoas à volta do sonho de reunir os padres dispensados num movi- mento, com as suas mulheres e filhos. Todavia, também sabemos que a idade avançada é uma idade madura, caracterizada por determinantes específicos tais como interioridade, responsabilidade, sabedoria, e, particu- larmente, quando diminuem as forças, abre-se a possibilida- de de confiar mais nos outros, além de, claro, em Deus. Ou seja, à desesperança do pessimismo, haveremos de contrapor o optimismo da esperança, apoiada na confiança. Muitos sócios da Fraternitas já viveram a primeira metade da vida, outros estão a atravessar a fronteira e são poucos os mais novos. Os da meia-idade lutam por sobreviver no mundo em tempos de crise. Há muita agitação, por causa, sobretudo, das questões do emprego, das incertezas na economia, da preo- cupação com o futuro dos filhos e, também, com os sinais de fraqueza da saúde que começam a manifestar-se. Os de idade mais avançada chegaram ao tempo em que o “eu” é obrigado a olhar, não tanto para fora, mas para essa outra realidade, imensa e profunda, de sua vida interior. É a idade em que se sente não ter forças para nada, sente-se o cansaço, fazem-se balanços da vida. E é do eu, contemplativo, que nasce a vontade e disponibilidade para rezar, para dar conselho, para encorajar. Em todas as idades há perguntas ainda a precisar de res- postas, há sentimentos de insegurança pelos caminhos ainda não experimentados, há a incertezas e confuões, tantas vezes por causa de expetativas frustradas. A virtude de viver em sociedade, em pequenas comuni- dades - como a família, o grupo, a associação, o movimento - é que a partilha das experiências impede de perder tempos preciosos e montes de energia, quando, cada um, procura por si só, as respostas, as vitórias. Esper Esper Esper Esper Esperança, antído ança, antído ança, antído ança, antído ança, antídot t t t to contr o contr o contr o contr o contra as cr a as cr a as cr a as cr a as crises ises ises ises ises A nossa irmã desolação. - falta de fé, esperança e amor, básicamente, também faz parte da nossa vida. A crise dos encontros com as realidades som- brias da vida é a coroa da mesma moeda que é a nossa reali- dade pessoal. Isto é, a vida tem sonhos, utopias, experiências belas e, também, medos, monstros e amarguras. E brotam pergun- tas, que podem ser santas ou insidiosas: “Será que valeu a pena ter entregue a Deus e aos outros o melhor da minha vida?... Não foi uma loucura e utopia o que até agora tentei viver?... Que ganhei?... Onde estão os frutos de tanto trabalho e esforço? Os outros perceberam, recolheram e vão dar uso e continuidade ao que eu fiz?...” Um meu tio costuma dizer. «Aos 70 anos faço o mesmo que fazia aos 18. Na altura, fazia o que podia; agora... também faço o que posso..» T odas estas palavras querem ser um convite a parti cipar no nosso 33.º Encontro Nacional da Fraternitas, que se realiza de 5 a 7 de outubro, des- ta vez no Norte, em Devesas, Vila Nova de Gaia (ver página 9 deste jornal). Iremos falar da Esperança, percorrendo a Bí- blia, para continuarmos a percorrer os caminhos da nossa vida e os trajetos do mundo onde nos movemos. Nas crises de desalento e desesperança, a vida parece per- dida. As forças, que antes se tinham e que lutavam em nosso favor, vão-se debilitando e acabando. Mas o que não acaba é a experiência do que realmente somos, temos e queremos. No meio deste tipo de crise, corre-se o perigo de nos distanciarmos de tudo e de todos, de nos isolarmos no nos- so pequeno mundo, de termos a impressão de que algo mui- to importante se perdeu. Perguntemo-nos: «Onde está e o que vale a intimidade com Deus, que nos conduziu até aqui?... Onde estão aqueles gestos generosos cheios de “santa loucura”? Um meu tio costuma dizer. «Aos 70 anos faço o mesmo que fazia aos 18. Na altura, fazia o que podia; agora... tam- bém faço o que posso..» Fernando Félix Fernando Félix Fernando Félix Fernando Félix Fernando Félix
  • 2. espiral 2 Livros de associados da Fraternitas editados em 2012 e em 2003-2005 “ALADI - 25 ANOS A DIMI- NUIR A DIFERENÇA”, Boaventura Santos Silveira (2012), im- pressão da gráfica Imprensa Portuguesa – Porto, 320 páginas]. Obrigado a Boaventura Silveira, que já nos preparou o que se apresenta. Do autor: «Na freguesia de Lavra (concelho de Matosinhos), em abril de 1987, fora criada uma institui- ção para deficientes mentais, com a se- guinte denominação: Associação Lavrense de Apoio ao Diminuído Inte- lectual (ALADI). No início deste ano de 2012, a pedido insistente da atual direção, escrevi a histó- ria da ALADI, para comemorar os seus 25 anos de vida. Foi atribuído a esta obra o título “ALADI - 25 anos a diminuir a diferença”. É um livro em e. Esta casa acolhe 60 utentes (em regime de interna- to), a que acrescem mais 50 no Centro de Atividades Ocupacionais (CAO). No pró- ximo mês de setembro um novo módulo será solenemente inaugurado, em que no Lar respetivo serão admitidos mais 24 ele- mentos, enquanto que no CAO poderão ser aceites mais 20 utentes. Dividi a citada obra em três fases, a saber: - 1ª Fase (1980/1987), em que se fala da génese embrionária da ALADI, focando-se figuras que muito fizeram por esta Instituição, sensibilizando e di- namizando toda a comunidade lavrense e parte da população matosinhense; - 2ª Fase (1987/1994), período do arranque decisivo e ganhador, com ações múltiplas e marcantes, a começar pela elaboração, aprovação e publicação em Diário da República dos respetivos es- tatutos; - 3ª Fase (1994/até...2012), período que começou pela inauguração do Lar Residencial e com a assinatura de pro- tocolos para o funcionamento deste e do CAO pela Segurança Social. CONVITE/DESAFIO A UM COMPROMISSO (páginas 9 e 10): As obras, na maioria dos casos, ilustram os pensamentos, as emoções e, sobretudo, os sonhos, os quais, ao passarem pelo coração, normalmente motivam as pes- soas e as levam a concretizá-los no seu dia a dia. Foi precisamente o que se pas- sou com o nascimento da “Associação Lavrense de Apoio ao Diminuído Inte- lectual” (ALADI), que, em abril de 2012, completa 25 anos de existência ao ser- viço dos mais frágeis da comunidade lavrense, assim como das freguesias e concelhos limítrofes. Há tempos, a atual Direção da ALADI, na pessoa do seu presidente, dr. Joaquim José Fernandes Branco, me comunicou que era intenção dos respon- sáveis desta nobre Instituição espoletar uma comemoração condigna, por oca- sião das BODAS DE PRATA desta Obra, verdadeiramente humanitária e com um inquestionável pendor e cariz de solidariedade social, a qual ocupa um lugar cimeiro no íntimo de todos aque- les que a conhecem mais de perto. E, a seguir, em jeito de pedido, lan- çou-me um convite…desafiador: “Gos- Vamos anunciando as obras lite- Vamos anunciando as obras lite- Vamos anunciando as obras lite- Vamos anunciando as obras lite- Vamos anunciando as obras lite- rárias com base nos dados dispo- rárias com base nos dados dispo- rárias com base nos dados dispo- rárias com base nos dados dispo- rárias com base nos dados dispo- níveis no secretariado. O critério níveis no secretariado. O critério níveis no secretariado. O critério níveis no secretariado. O critério níveis no secretariado. O critério tem sido, então, os que vão sendo tem sido, então, os que vão sendo tem sido, então, os que vão sendo tem sido, então, os que vão sendo tem sido, então, os que vão sendo publicados recentemente e o publicados recentemente e o publicados recentemente e o publicados recentemente e o publicados recentemente e o biénio ou o triénio, consoante a biénio ou o triénio, consoante a biénio ou o triénio, consoante a biénio ou o triénio, consoante a biénio ou o triénio, consoante a abundância da produção literária, abundância da produção literária, abundância da produção literária, abundância da produção literária, abundância da produção literária, “recuando” no tempo. No último “recuando” no tempo. No último “recuando” no tempo. No último “recuando” no tempo. No último “recuando” no tempo. No último número, devido à homenagem a número, devido à homenagem a número, devido à homenagem a número, devido à homenagem a número, devido à homenagem a Henrique Maria dos Santos, Henrique Maria dos Santos, Henrique Maria dos Santos, Henrique Maria dos Santos, Henrique Maria dos Santos, dedicámo-nos “apenas” à sua dedicámo-nos “apenas” à sua dedicámo-nos “apenas” à sua dedicámo-nos “apenas” à sua dedicámo-nos “apenas” à sua obra – “ Aventura Feliz”. obra – “ Aventura Feliz”. obra – “ Aventura Feliz”. obra – “ Aventura Feliz”. obra – “ Aventura Feliz”. taríamos que tal evento ficasse perpetu- ado através de um livro, com a história desta Instituição, com uma certa profun- didade e rigor, em que sejam relatadas todas as ocorrências havidas desde a sua conceção até ao presente.” Após madura reflexão, aceitei “embar- car” em tão ambiciosa aposta, devido ao objetivo em vista: falar sobre algo que, de uma maneira incontornável, foca e coloca Lavra como possuidora de uma Associa- ção deveras singular – a ALADI –, plas- mada num genuíno humanismo cristão, condimentado por uma saudável partilha de alto quilate e de bairrismo sadio. Escrevera Fernando Pessoa, insigne poeta português do séc. XX, que, a res- peito de qualquer obra digna e enaltecedora do ser humano, existe o contributo sistemático e decisivo de duas coordenadas – a vontade de Deus e o acarinhar dum sonho pela pessoa –, condensado no seguinte verso inserido na sua famosa “Mensagem” (II Parte, no poema intitulado “O Infante”, cons- tituído por três quadras), considerada a joia dos seus escritos poéticos: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce” (1º verso da 1ª quadra). Acabaria o dr. Joaquim José Fernandes Branco por solicitar os meus préstimos para esta ação. Aceitei, embora reconhecendo em mim próprio uma certa ousadia/atrevi- mento. Porém, estava em causa uma es- pecífica entidade, reconhecida e referenciada pela sua forte e exclusiva de- dicação aos mais necessitados de tecido social, cuja existência depende da conju- gação de uma real e contínua interação entre os que podem e os que precisam. Imbuído dum sincero espírito de ser- viço, aceitei o repto, presumindo, de ante- mão, que não me faltaria uma prestimosa colaboração das muitas pessoas a quem irei recorrer, para a obtenção de dados indispensáveis,quepretendoregistar,para os transmitir aos vindouros.» Ur Ur Ur Ur Urtélia Sil télia Sil télia Sil télia Sil télia Silv v v v va a a a a
  • 3. espiral l l l l 3 PREFÁCIO escrito por D. Manuel Clemente, Bispo do Porto: «Nos 25 anos da ALADI (Associação Lavrense de Apoio ao Diminuído Intelectual) pedem- me breves palavras de introdução a este trabalho do Dr. Boaventura Santos Silveira, tão evocativo e meritório como outros da sua escrita. Particularmente meritório, aliás, por descrever um quar- to de século da ALADI, Obra que par- ticularmente avulta, em Lavra e não só. Não poderia deixar de as dar, como aqui vão, em simplicidade convicta. Mérito também para a atual Direção, encabeçada pelo Dr. Joaquim José Fernandes Branco, que não quis esque- cer os que sonharam e guiaram a ALADI, desde o saudoso P.e Dr. Ma- nuel Domingos da Silva Lopes e o Prof. Júlio da Silva Oliveira. Destes e outros nomes, tão justamente lembrados, dá o autor vasta referência ao longo das pá- ginas que se seguem. Junte-se a minha devotada homenagem também. A palavra que especialmente aqui deixo é sobre o cariz “profético” que a ALADI sobremaneira tem. E explico- o: “Profecia” é palavra de Deus, dita no mundo para bem dos homens. Há quem a oiça e a transmita fielmente, sendo as- sim profeta, como o foi Jesus Cristo, por máxima razão. Há, muito felizmen- te, quem participe do Espírito de Jesus Cristo e se torne assim em profecia e evangelho, tempo após tempo e espaço após espaço. Assim a ALADI, em La- vra e onde chegue. Como no Antigo Testamento, tam- bém agora no Novo em que estamos e no que à profecia respeita. No tempo dos vários Isaías, as atenções estavam mais viradas para os palácios dos reis e as suas obras, grandes ou pequenas, combinações e tratados, glórias e reve- zes das políticas… Menos para o que os profetas divinamente diziam, sobre a retidão face a Deus e aos outros, o bem- orar e o bem-fazer. Nas duas décadas e meia que a ALADI já viveu, também grandes fac- tos e enormes promessas encheram no- ticiários e distraíram vidas, muitas vidas. Promessas em catadupa, de paraísos à mão e geralmente a crédito; figuras me- diáticas de diversos setores, por diver- sas razões, melhores ou piores… Tudo se previu e parecia possível, com uma condição prévia: a de se ser apto e ca- paz para produzir e consumir, com cânones apertados de esteticismo à Hollywood. O produzir redundava mesmo em “produzir-se” a si mesmo, segundo tais cânones e expectativas al- tas. Sacrifícios, a manterem-se, eram nes- ta linha e apenas nela. Chamavam-lhe, por vezes, “qualidade de vida”, como se a vida em si mesma – toda e qualquer vida humana – não tivesse qualidade bastante e só por si. Em 2012 sabemos que não é assim, que não pode ser assim, nem deveria ser, mesmo que fosse materialmente viável. Com os autênticos profetas, concentra- mos o olhar e o coração no que real- mente vale e verdadeiramente acontece, em cada ser humano, um por um, novo ou velho, saudável ou enfermo, mais ou menos capacitado. E percebemos que nada vale tanto como isso mesmo, nada compensa tanto como a entreajuda, o carinho oferecido, o serviço humilde da pequenez de todos, a persistência no ser- viço, que comprova o amor. Em 2012 sabemos, não tendo des- culpa nem álibi para não o saber, entre os escombros de tanta ilusão. Há 2000 anos, o futuro do mundo não se jogava em Roma, nem sequer em Atenas, ou em qualquer outro pólo da atração ge- ral. Jogava-se e ganhava-se nos discre- tos gestos em que Jesus resumia o Céu e a Terra na caridade autêntica do serviço a todos, honrando a humanidade onde ela mais doía: nos pobres de todas as pobrezas, nos pequenos mais esqueci- dos, marginalizados e sós. O que louvo, agradeço e sublinho, nos 25 anos da ALADI, é isto mesmo: a profecia do futuro, proferida e escrita na vida de todos os seus sucessivos res- ponsáveis, colaboradores e benfeitores, como na vida de quantos serviu e serve. Obrigado, ALADI, por nos mostra- res também “os novos céus e a nova terra!”» “AUTOTRANSCENDÊNCIA – terceiro passo existencial”, Manuel Joa- quim Cristo Martins (julho, 2012), Pau- linas Editora, 263 páginas. Na CONTRACAPA, o autor: “Este é o terceiro livro da nossa trilogia. Em Autoconhecimento, o primeiro passo existencial, propusemo-nos descobrir o nosso Ser. Em Autoconsciência, o se- gundo passo existencial, propusemo-nos centrarmo-nos no Ser. Em Autotrans- cendência, o terceiro passo existencial, propomos construirmo-nos no Ser. O Ser dos humanos é a sua «estrutura espi- ritual», é a «rocha» do Evangelho, sobre a qual toda a construção resiste à chuva e aos ventos. Na perplexidade desta se- gunda década do século XXI, em que todas as estruturas da sociedade pare- cem desmoronar-se, esta trilogia traz a mensagem de que a Humanidade não está num beco sem saída. Ao fundo do túnel já vislumbramos os pardos verdejantes do reinado do Homem In- tegral que nos oferece a vivência plena, em progresso e em paz, porque ilumi- nada pelo projeto «HOMEM» do nos- so Deus.” Ainda na CONTRACAPA, Vasco Ventura: “Cristo Martins faz do huma- nismo o seu sacerdócio, quer através dos seus livros quer no contacto direto com as pessoas, numa partilha total do que o estudo lhe revela, a reflexão aprofunda e a experiência consagra. Na sua peda- gogia peculiar, surpreende-nos com a síntese dos seus diagramas, com a pro- fundidade das suas explicações e com a simplicida- de da sua lingua- gem. O seu cam- po de ação tem sido largo e diver- sificado: empre- sas, escolas, insti- tuições, associa- ções…”
  • 4. espiral 4 O Secretariado agradece os dados relativos a quaisquer livros publica- O Secretariado agradece os dados relativos a quaisquer livros publica- O Secretariado agradece os dados relativos a quaisquer livros publica- O Secretariado agradece os dados relativos a quaisquer livros publica- O Secretariado agradece os dados relativos a quaisquer livros publica- dos pelos associados. Igualmente agradecemos, de novo, a M.J. Cristo dos pelos associados. Igualmente agradecemos, de novo, a M.J. Cristo dos pelos associados. Igualmente agradecemos, de novo, a M.J. Cristo dos pelos associados. Igualmente agradecemos, de novo, a M.J. Cristo dos pelos associados. Igualmente agradecemos, de novo, a M.J. Cristo Martins (associado até dezembro de 2011, continuando a sê-lo de e no Martins (associado até dezembro de 2011, continuando a sê-lo de e no Martins (associado até dezembro de 2011, continuando a sê-lo de e no Martins (associado até dezembro de 2011, continuando a sê-lo de e no Martins (associado até dezembro de 2011, continuando a sê-lo de e no coração), que tão gentilmente nos ofereceu o seu terceiro livro. Leve- coração), que tão gentilmente nos ofereceu o seu terceiro livro. Leve- coração), que tão gentilmente nos ofereceu o seu terceiro livro. Leve- coração), que tão gentilmente nos ofereceu o seu terceiro livro. Leve- coração), que tão gentilmente nos ofereceu o seu terceiro livro. Leve- mos este bendito fruto do rendimento dos talentos que Deus vos conce- mos este bendito fruto do rendimento dos talentos que Deus vos conce- mos este bendito fruto do rendimento dos talentos que Deus vos conce- mos este bendito fruto do rendimento dos talentos que Deus vos conce- mos este bendito fruto do rendimento dos talentos que Deus vos conce- deu (e outras obras) para os Encontros Nacionais!... Parabéns aos au- deu (e outras obras) para os Encontros Nacionais!... Parabéns aos au- deu (e outras obras) para os Encontros Nacionais!... Parabéns aos au- deu (e outras obras) para os Encontros Nacionais!... Parabéns aos au- deu (e outras obras) para os Encontros Nacionais!... Parabéns aos au- tores e seus colaboradores. tores e seus colaboradores. tores e seus colaboradores. tores e seus colaboradores. tores e seus colaboradores. A nossa profunda gratidão. A nossa profunda gratidão. A nossa profunda gratidão. A nossa profunda gratidão. A nossa profunda gratidão. Os exemplares foram cedidos pelos autores ao Secretariado, podendo Os exemplares foram cedidos pelos autores ao Secretariado, podendo Os exemplares foram cedidos pelos autores ao Secretariado, podendo Os exemplares foram cedidos pelos autores ao Secretariado, podendo Os exemplares foram cedidos pelos autores ao Secretariado, podendo ser solicitados pelos sócios. ser solicitados pelos sócios. ser solicitados pelos sócios. ser solicitados pelos sócios. ser solicitados pelos sócios. “ A MARGEM DA TRANSCENDÊNCIA – UM ESTUDO DA POESIA DE RUY BELO”, Manuel António Silva Ribeiro (2004), com o patrocínio da Fun- dação Calouste Gulbenkian e da Fundação para a Ciên- cia e do Ensino Superior. No Espiral nº 15, abril/junho de 2004, na página 6, consta a notícia da sua publicação e alguns dados adici- onais, transcrevendo-se: «Leiam-se a Voz Portucalense de 19.5.2004 e a Brotéria de Julho.2004.» “O CÉU: ONDE DEUS NOS ESPERA PARA SEMPRE”, Fran- cisco Sousa Monteiro (2004), Editori- al A.O.- Braga, 216 páginas. www.jesuitas.pt/AO. Também no Espiral nº 15, abril-ju- nho de 2004, página 6, consta a notícia da sua publicação e alguns dados adici- onais. Acrescenta-se a partir do livro: DEDI- CATÓRIA do autor - “ A todos os que me pre- cederam na fé, na glória e estão uni- dos ao infi- nito Amor de Deus. A todos os que co- migo crêem em Jesus Cristo e O amam. A todos os que até ao fim dos tem- pos gozarão a glória na unidade do in- finito Amor de Deus Trino. Ao P. Filipe de Figueiredo, instru- mento de Deus no meu caminho para Ele e que agora, no céu, há-de ler este livro, no Coração de Deus, para sem- pre. (…) “ Na CONTRACAPA, um trecho do Prefácio, pelo P. Peter Stillwell – “Tra- ta-se de uma meditação tranquila que por vezes se transforma em oração de acção de graças ou de louvor. O ritmo é o do próprio espírito, soprando onde quer. As várias partes da obra não obe- decem, portanto, à sequência de uma argumentação lógica nem a uma siste- matização escolar. Mais parecem um rio, espraiando os braços em delta, antes de mergulhar no mar. Com efeito, o lugar para onde a reflexão caminha, nunca está em dúvida. O autor enuncia-o claramen- te nas primeiras páginas da introdução. É «o nosso êxtase de amor por Deus … ‘face a face’… finalmente, sem véus, sem hesitações nem negações, para todo o sempre…»” “MARCOS- O EVANGELISTA DO ANO B / algumas notas intodutórias”, Artur da Cunha Olivei- ra (2003), edição do autor, União Grá- fica Angrense, Açores, 75 páginas]. Na INTRODUÇÃO, o autor: «(…) E aquilo que é preciso dizer antes de mais é que a leitura litúrgica, uma vez que fragmentada, jamais nos poderá dar um retrato perfeito do autor nem a exacta ideia do que é a sua obra. O que está pois em causa, neste momento, é aproveitar a ocasião para dar a conhe- cer um pouco quem é Marcos e algu- mas características e temas do segundo dos quatro evangelistas da nossa Bíblia (…)”. Em CONCLUSÃO, o autor: “(…) O estilo de Marcos é um estilo vivo, re- alista, quase testemunhal, em que os as- pectos humanos de Jesus merecem-lhe um interesse e atenção que não se en- contram nos outros evangelistas, sobre- tudo nos sinópticos Mateus e Lucas. Sinal de quê? Se se não trata apenas de modismos literários, Marcos e Pe- dro interessaram-se, na sua obra de evan- gelização aos Romanos, em acentuar a humanidade de Jesus. Romanos aliás habituados à deificação de imperadores e de heróis. No caso, tratava-se, como já vimos, de que não era um homem que se fizera Deus, mas um Deus que assumira verdadeiramente a natureza humana. É mesmo este um dos aspec- tos que mais falta faz na evangelização e na espiritualidade da Igreja Católica: a centralidade da pessoa de Jesus de Na- zaré, em que se fez homem o Verbo de Deus. «E o Verbo fez-Se homem e veio habitar connosco» (Jo 1, 14a). Enfim, a Humanidade foi assumida, pessoalmente, pela Divindade, passan- do então a realizar-se, como se se tra- tasse de um sacramento – sinal eficaz, aquilo que nos revela Gn 1, 27: «Deus criou o ser humano à sua imagem».”
  • 5. espiral l l l l 5 J ESUS (em hebraico Yešu`a) é nome teofórico de pessoa. Quer dizer: na sua composição entra um elemento proveniente do nome de Deus (neste caso, Yahweh, que foi como o Senhor do Universo Se nomeou a Moi- sés naquela célebre teofania do Monte Horeb (Ex 3, 14) e um elemento do substantivo “ajuda” ou “salvação” que, em hebraico, é išu`ah. Foi, com efeito, este o significado de Jesus supostamen- te manifestado em sonhos a José: Ela (Maria) dará à luz um filho ao qual da- rás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados” (Mt 1, 21). Jesus quer, pois dizer: “O Senhor (Yahweh) salva”, ou, “o Senhor ajuda”. É, portanto, nome de pessoa. Foram quase uma dúzia as pessoas que na Bíblia se chamaram Jesus, desde um levita (2 Cor 31, 15), no reinado de Ezequias (716-687 a. C.), e um repatria- do da Babilónia (Esd 2, 5), no tempo de Ciro (531-529 a. C.), rei persa, até um descendente de David (Lc 3, 29) e um colaborador do apóstolo Paulo (Cl 4, 11). Nome exclusivamente de pes- soa, o que não acontece com Cristo que, no Antigo Testamento, nunca aparece como tal. E, no Novo Testamento, va- mos já ver como e por que se usa Cris- to como, supostamente, o nome pes- soal do Senhor Jesus. C RISTO deriva do adjecti vo grego Christós/ê/ón que, por sua vez, vem do verbo chriô cujo significado é “ungir”. Cristo, em grego, é pois, aquele que foi ungido, que recebeu a unção própria dos reis e dos sacerdotes. Na Bíblia usa-se cristo para traduzir o hebraico mašiah ou o aramaico mešiha, donde nos veio o termo “messias”. Com este termo de “messias” se designa no Antigo Testa- mento todo o homem que foi consa- grado a Deus por meio de uma unção (reis e sumos sacerdotes) ou também, que foi especialmente escolhido por Deus para levar a cabo um desígnio di- vino. É o caso do rei persa, Ciro, en- quanto escolhido por Yahweh para li- bertar os Judeus do cativeiro da babilónia: Eis o que diz o Senhor a Ciro, seu ungido (messias/cristo), a quem to- mou pelas mãos… (Is 45, 1), como o dos patriarcas. Nunca, porém, se usa na Bíblia do Antigo Testamento o termo “messias” (em grego, “cristo”), como nome de pessoa. Por outro lado, a ex- pressão “ungido de Yahweh”, que se aplicava ao soberano reinante, só no úl- timo século pré-cristão é que principiou a ser usada com referência ao prometi- do redentor de Israel, que se concebia como rei. Daí passou à linguagem dos rabinos e aos escritos do Novo Testa- mento: o aguardado redentor de Israel é designado por o Messias, ou o Cristo, em grego. Veja-se esta significativa pas- sagem do IV Evangelho: dois dos dis- cípulos de João Baptista, ouvindo o seu mestre tratar Jesus por Cordeiro de Deus… seguiam Jesus. Jesus voltou-se e, notando que eles o seguiam, pergun- tou-lhes: “Que pretendeis?” Eles disse- ram-lhe: “Rabi – que quer dizer Mestre – onde moras?”. Ele respondeu-lhes: “Vinde e vereis”. Foram, pois, e viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era ao cair da tarde. André, o ir- mão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João e seguiram Jesus. En- controu primeiro o seu irmão Simão, e disse-lhe: “Encontrámos o Messias!” – que quer dizer Cristo (Jo 1, 36-41). O mesmo (Messias/Cristo) se lê no episó- dio da Samaritana (Jo 4, 25). A verdade é que se estava, então, na expectativa do Messias, o libertador, o rei descendente de David que restituiria a an- tiga soberania ao Povo de Israel, o qual, de há mais de meio milénio, andava sujei- to ao domínio de povos estrangeiros (Assíria, Babilónia, Síria, Roma). Havia mesmo quem se preparava para a revolta contra Roma. Inclusivamente, no número dos Doze Apóstolos poderá ter havido um desses: Simão, o Zelota (Mt 10, 4; Lc 6, 15) ou Cananeu (Mc 3, 18). Estranhamente ou não, já depois da morte do Senhor Jesus e da reve- lação de que Ele continuava existin- do, a morte não O vencera (Ressur- reição), naquela criação literária lucana do desaparecimento definitivo do Senhor Jesus (Ascensão) os discípu- los ainda perguntavam: “Senhor é agora que vais restaurar o Reino de Israel?” (Act 1, 6). E foram os cris- tãos helenistas, nomeadamente quan- do a primitiva Comunidade dos dis- e/ou Jesus Cr Cr Cr Cr Cris is is is ist t t t to o o o o Ar Ar Ar Ar Artur Oliveira tur Oliveira tur Oliveira tur Oliveira tur Oliveira Designação Jesus Cristo Senhor Jesus Senhor Jesus Nosso Senhor Jesus de Jesus Cristo Cristo Jesus Cristo Nazaré Autor Marcos 71 6 1 4 - - 3 Mateus 159 12 - 1 - - 4 Lucas Evangelho 92 12 1 - - - 3 Actos 30 8 12 16 4 2 6 João 242 17 - 3 - - 3 Paulo 20 226 9 222 2 5 - Designações bíblicas do Senhor Jesus
  • 6. espiral 6 VII Encontro Mundial das Famílias Reflexão de Mons. Bruno Forte Reflexão de Mons. Bruno Forte Reflexão de Mons. Bruno Forte Reflexão de Mons. Bruno Forte Reflexão de Mons. Bruno Forte que participou do encontro das que participou do encontro das que participou do encontro das que participou do encontro das que participou do encontro das famílias, em Milão, com uma nu- famílias, em Milão, com uma nu- famílias, em Milão, com uma nu- famílias, em Milão, com uma nu- famílias, em Milão, com uma nu- merosa delegação. merosa delegação. merosa delegação. merosa delegação. merosa delegação. B ento XVI concluiu, em Mi lão, o VII Encontro Mundial das Famílias com o tema “A família, o trabalho, a festa, que decorreu de 30 maio a 3 junho de 2012. Trata-se de um evento com uma mensagem forte e atual. Para entendê- lo, parto de algumas frases da carta que o Santo Padre enviou para a convocatória: “Nos nossos dias, a or- ganização do trabalho, pensada e atuada em função da concorrência de merca- do e do máximo lucro, e a concepção da festa como ocasião de evasão e de consumo, contribuem para desagregar a família e a comunidade e para difun- dir um estilo de vida individualista. Por isso, é necessário promover uma refle- xão e um compromisso que visem con- ciliar as exigências e os tempos de tra- balho com aqueles da família e recupe- rar o sentido verdadeiro da festa, espe- cialmente do domingo, dia do Senhor e dia do homem, dia da família, da co- munidade e da solidariedade.” Estas palavras subentendem uma alta visão do valor e do papel da família: os esposos unidos no sacramento do ma- trimónio são imagem da Trindade divi- na, do Deus que é amor e, por isso mesmo, relação e unidade do Pai, que eternamente ama, do Filho, que é eter- namente amado, e do Espírito, vínculo do amor eterno. Nesta unidade profundíssima cada um é si mesmo, en- quanto acolhe totalmente o outro. À luz deste modelo, a vocação matrimonial é vista como unidade plena e fiel dos dois, comunhão responsável e fecunda de pessoas livres, abertas à graça e ao dom da vida aos outros. Seio do futuro, a família é escola de vida e de fé, na qual crianças, adolescen- tes e jovens podem aprender a amar a Deus e ao próximo, e os idosos, raízes preciosas, podem à sua vez sentir-se amados. A família é, assim, sujeito ativo no caminho da comunidade cristã e da sociedade civil, não somente destinatá- ria de iniciativas, mas protagonista do bem comum em cada um dos seus com- ponentes. Para que isso aconteça, o pacto con- jugal, que é a base da família, deve ser vivido de acordo com algumas regras fundamentais: o respeito da pessoa do outro; o esforço para entender melhor as suas razões; o saber tomar a iniciativa de pedir e oferecer perdão; a transpa- rência recíproca; o respeito pelos filhos como pessoas livres e a capacidade de oferecer a eles razões de vida e de espe- rança; o deixar-se questionar pelas suas esperanças, sabendo escutá-los e dialo- gando com eles; a oração, com a qual pedir a Deus a cada dia um amor mai- or, buscando ser um para o outro, e jun- tos, para os filhos, dom e testemunho Dele. Um estilo de vida semelhante não é cípulos do Senhor Jesus se separou do Ju- daísmo, e porque menos ligados à tradi- ção judaica, que passaram a usar Cristo como segundo nome próprio de Jesus. Foi em Antioquia que, pela primeira vez, os discípulos começaram a ser tratados pelo nome de “cristãos” (Act 11, 26). Tal- vez pudessem ter vindo a ser denomina- dos “jesuânicos”. Mas não. Os eventuais “jesuânicos” passam a ser “cristãos”, e o eventual “Jesuanismo” deu-nos o Cristia- nismo, para o que contribuiu não pouco o apostolado paulino (Veja-se, por exem- plo: Rm 6, 4.8-9; 8, 17; 1 Cor 1.12- 13.17.22-24). Pelo Quadro seguinte po- demos ficar sabendo como o Senhor Je- sus foi nomeado nos Evangelhos, nos Actos e em Paulo. Nos primeiros, predo- minaonomeJesus:594vezes,contraape- nas 20 em Paulo. Cristo: só 55 vezes nos Evangelhos e Actos e 226 em Paulo. Concluindo: Jesus e Cristo são a mesma pessoa. Mas quem? Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou no meio de vós por seu intermédio… Deus ressuscitou- o, libertando-o dos grilhões da morte pois não era possível que ficasse sob o domínio da morte (Act.2,22-24), pro- clamou Pedro no dia do Pentecostes. Era esta a fé e a cristologia da primitiva Comunidade Cristã. Assim, podemos afeiçoar-nos pelo nome Jesus como pelo termo Cristo. Só que os resultados não serão os mesmos. Enquanto que, afei- çoando-nos pelo nome Jesus, constituí- mos uma como que relação pessoal e uma vivência mais íntima com Ele, as- sim como um mais eficaz compromis- so com a Sua Mensagem; preferindo a denominação Cristo já não é bem a re- lação com a pessoa mas com a entida- de, e é mais fácil deixarmo-nos levar pelo formalismo e contentarmo-nos com a aceitação de dogmas, de cânones, de rituais e de tradições. Há muito por aí quem encha a boca com “Cristo, Cris- to, Cristo”, mas não seja capaz de, por si, dar de graça – digamos – um copo de água a quem tem sede, como indubitavelmente faria o Senhor Jesus.
  • 7. espiral l l l l 7 nem fácil, nem óbvio, e muitas vezes as condições concretas da existência ten- dem a enfraquecê-lo: pensemos na pos- sível fragilidade psicológica e afetiva nas relações entre os dois e em família; no empobrecimento na qualidade dos re- lacionamentos que pode conviver com triângulos amorosos aparentemente es- táveis e normais; no normal stress origi- nado pelos hábitos e pelos ritmos im- postos pela organização social, pelos tempos de trabalho, pelas exigências de mobilidade; pela cultura de massa vei- culada pelos meios de comunicação que influenciam e corroem as relações fami- liares, invadindo a vida da família com mensagens que banalizam a relação con- jugal. Sem uma contínua, recíproca aco- lhida dos dois, abrindo-se um ao outro, não poderá haver fidelidade duradoura nem alegria plena: “A flor do primeiro amor murcha, se não supera a prova da fidelidade” (Soren Kierkegaard). Torna- se então mais do que nunca vital conju- gar o compromisso cotidiano em famí- lia com as condições que o sustentem no âmbito do trabalho e na experiência da festa. Cada trabalho – manual, profissio- nal e doméstico – tem plena dignidade: por isso é justo e correto respeitar cada uma dessas formas, também nas esco- lhas de vida que os esposos são chama- dos a fazer pelo bem da família e espe- cialmente dos filhos. Contribui para o bem da família tanto quem trabalha em casa, quanto quem trabalha fora! Claro, o trabalho apresenta muitas vezes aspec- tos de cansaço, que – segundo a fé cristã – o Filho de Deus quis fazer próprio para redimí-los e sustentá-los de dentro, como lembra uma página belíssima do Concílio Vaticano II: ele “trabalhou com mãos de homem, pensou com mente de homem, agiu com vontade de ho- mem, amou com coração de homem” (Gaudium et Spes, 22). Inspirando-se no Evangelho, é pos- sível, então, formar-se como homens e mulheres capazes de fazer do próprio trabalho um caminho de crescimento para si e para os outros, apesar de to- dos os desafios contrários. Isso requer viver o trabalho, por um lado cheio de responsabilidade pela construção da casa comum (trabalhar bem, com consciên- cia e dedicação, qualquer que seja a tare- fa que se tenha); por outro lado, em es- pírito de solidariedade para os mais fra- cos, tutelar e promover a dignidade de cada um. Nesta luz, compreende-se ple- namente como a falta de trabalho seja uma ferida grave na pessoa, na família e no bem comum, e porque a segurança e a qualidade das relações humanas no trabalho sejam exigência moral que deve ser respeitada e promovida pelo indiví- duo, começando pelas instituições e pe- las empresas. A propósito da festa, por fim, deve- se evidenciar o quanto ela ajude ao cres- cimento da comunhão familiar: nascen- do do reconhecimento dos dons rece- bidos, que abraçam os bens da vida terrena, as maravilhas do amor recípro- co, a festa educa o coração à gratidão e à gratuidade. Onde não há festa, não há gratidão, e onde não há gratidão, o dom se perde! É necessário aprender, então, a respeitar e celebrar a festa, principal- mente como tempo de perdão recebi- do e doado, pela vida renovada pela maravilha agradecida, até se tornar ca- pazes de viver os dias feriais com o co- ração de festa. Isso é possível, se começa-se da aten- ção às festas que marcam o “léxico fa- miliar" (aniversários, onomásticos...), até celebrar fielmente como família o en- contro com Deus no domingo, dia do Senhor, encontro de graça capaz de pro- duzir frutos profundos e surpreenden- tes. Quem vive a festa, é estimulado a exercitar a gratuidade, experimentando como seja verdadeiro que existe mais alegria em dar do que receber! A festa nos ensina como amar seja viver o dom de si tanto nas escolhas de fundo da exis- tência, quanto nos gestos humildes da vida quotidiana, aprendendo a dizer pa- lavras de amor e a ter gestos correspon- dentes, que jorrem de um coração gra- to e alegre. A negação da festa, especialmente do domingo, é por isso um atentado ao bem precioso da harmonia e da fideli- dade conjugal e familiar: e é significati- vo que esta mensagem ressoe por Mi- lão, capital vital e laboral da economia e da produção do País. Apostar na famí- lia fundada sobre o matrimónio e aber- ta ao dom dos filhos e esforçar-se para promover as condições de trabalho e de respeito para a festa, que ajudem na sua serenidade e crescimento, é contri- buir para o bem de todos, livrando-se de lógicas muitas vezes redutivas e con- fusas com relação ao seu valor de célula decisiva da sociedade e do seu amanhã. É a mensagem que de Milão parte hoje para a Itália e para o mundo inteiro!
  • 8. espiral 8 página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: direccao@fraternitas.pt * blogue: http://fraternitasmovimento.blogspo J á está próxima a celebração do Sínodo dos Bispos que irá refle tir sobre o tema da evangeliza- ção de modo a poder dar indicações à Igreja universal, indicações que depois deverão ser concretizadas, traduzidas e realizadas de modo diferenciados e es- pecífico nas diversas áreas culturais do mundo. No entanto, continua sendo ver- dade que esse tema, quando é anuncia- do como "nova evangelização", diz res- peito sobretudo ao Ocidente europeu e norte-americano, as terras de mais ou menos antiga cristianização, terras em que se viveu uma sólida pertença às Igrejas cristãs, mas que hoje – depois do fenó- meno da secularização e do desencanto religioso – estão contaminadas pelo in- diferentismo. Nas últimas décadas, caíram as ide- ologias portadoras de uma esperança messiânica intra-humana, fracassou a transmissão da fé cristã pela geração que está desaparecendo às novas gerações que se assomam ao horizonte, tornou- se muito fraco o anúncio do evangelho como boa notícia aqui e hoje. Eis, portanto, a urgência de repensar as palavras de Jesus, que enviava os seus discípulos em missão no mundo inteiro (cf. Mc 16, 15), até as extremidades da terra (cf. Atos 1, 8), entre todos os po- vos e até o fim dos tempos (cf. Mt 28, 19-20). Isso na convicção de que o nos- so tempo, a contemporaneidade – o único tempo que conhecemos ao viver imersos neles – é sempre um "momen- to favorável" para o anúncio da boa no- tícia de Jesus Cristo, o único Filho de Deus e o autêntico homem. No tempo oportuno ou não opor- tuno (eúkairos – Ákairos, cf. 2 Tm 4, 2), se há em nós uma humanização que ocorre na sinergia entre a graça do Se- nhor – isto é, o Espírito Santo – e o nosso espírito, então nós devemos testemunhá-lo, anunciá-lo a quem nos pede conta do nosso modo de viver, dessa esperança que nos habita (cf. 1Pd 3, 15), dessa prática do amor que Jesus nos pede para viver quotidianamente. Então, é inútil procurar estratégias ou táticas de nova evangelização, é pernici- oso ter medo da nossa fraqueza devida a uma diminuição numérica, mas não de significado, é mundano esperar em um retorno da cristandade tranquilizante dos tempos passados. Mas então o que devemos procurar, como devemos nos mover nesse êxo- do de uma terra que deixamos para trás para nos dirigir rumo a uma margem que não conhecemos, mas que sabemos que é um horizonte habitado pela po- tência de Jesus ressuscitado e vivo, à es- pera do nosso desembarque para iniciar um outro êxodo, para passar de êxodo em êxodo até o reino? Acredito que, acima de tudo, deve- mos mudar a nossa atitude para com a humanidade em que estamos imersos e da qual fazemos parte: uma humanida- de já não cristã, mas que devemos ou- vir nas suas manifestações mais impres- sionantes e nos seus gemidos. Como Igreja, devemos nos exercer a uma lei- tura sábia da História, sem ceder à ten- tação de assumir posições defensivas, de encastelar-nos em cidadelas que for- çosamente contam com o número e com os recintos: é fácil ceder a essa falta de fé no Senhor da História, o Senhor amante dos seres humanos, o Senhor, que "quer que todos os seres humanos sejam salvos" (1Tm 2, 4), e se tornar profetas da desgraça, como advertia João XXIII há 50 anos atrás, no início do Concílio. Devemos ouvir para aprender, na consciência da autonomia da História e na liberdade da humanidade que, no entanto, continua sendo querida por Deus, composta por pessoas cada uma “criada à imagem de Deus” (cf. Gn 1, 26): esse selo impresso por Deus em cada ser humano, justo ou pecador, nun- ca poderá falhar. Trata-se também de não alimentar ingenuidade, de não ser desprovido de humanidade, mas capaz de discernir a presença do mal reconhe- cendo, porém, o caminho de humani- zação e de autocorreção do qual o ser humano é capaz, como nos recorda Christoph Theobald. É nesse espaço em que a Igreja en- contra o mundo na escuta e no diálogo recíproco que os cristãos munidos de uma fé madura, exercitada, pensada, di- zem e vivem o evangelho, acima de tudo como escola de humanidade, caminho de humanização: cristãos que sabem despertar confiança naqueles que encon- tram, naqueles dos quais se fazem pró- ximos; cristãos que sabem discernir nos outros a fé humana que os habita e aos quais podem doar palavras, atitudes e ações que narram Jesus de Nazaré. A crise de fé hoje, antes de ser crise A nova evangelização A nova evangelização A nova evangelização A nova evangelização A nova evangelização e os novos profetas da desgraça e os novos profetas da desgraça e os novos profetas da desgraça e os novos profetas da desgraça e os novos profetas da desgraça A reflexão é de Enzo Bianchi, A reflexão é de Enzo Bianchi, A reflexão é de Enzo Bianchi, A reflexão é de Enzo Bianchi, A reflexão é de Enzo Bianchi, monge e teólogo italiano, prior e monge e teólogo italiano, prior e monge e teólogo italiano, prior e monge e teólogo italiano, prior e monge e teólogo italiano, prior e fundador da Comunidade de Bose, fundador da Comunidade de Bose, fundador da Comunidade de Bose, fundador da Comunidade de Bose, fundador da Comunidade de Bose, num artigo publicado na revista num artigo publicado na revista num artigo publicado na revista num artigo publicado na revista num artigo publicado na revista Jesus, de agosto de 2012. Jesus, de agosto de 2012. Jesus, de agosto de 2012. Jesus, de agosto de 2012. Jesus, de agosto de 2012.
  • 9. espiral l l l l 9 ot.com * e-mail: secretariado@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: tesouraria@fraternitas.pt de fé em Deus, é uma crise de confian- ça humana, é a falta de confiança nos outros, na vida, no futuro e, acima de tudo, é fraqueza em acreditar no amor (cf. 1Jo 4, 16). Apenas em um terreno tão humanizado e predisposto, Deus pode então realizar o que só Ele é ca- paz de operar: doar a fé, isto é, iniciar uma relação com quem ouve a sua pa- lavra, que quem encontra Jesus Cristo, porque “a fé nasce da escuta” (Rm 10, 17). Então, a Igreja encontrará em seu li- miar aqueles que desejam e pedem para ser introduzidos em Jesus Cristo, que pedem para se tornar o seu corpo atra- vés do Batismo e da Eucaristia... Assim ocorre a geração em Cristo e na Igreja, assim a evangelização se torna evento de encontro, de relação viva entre Deus e o ser humano: no tecido de relações humanas quotidianas entre cristão teste- munha evangelizador e o ser humano de hoje. A evangelização, de fato, sem- pre depende do testemunho pessoal de quem evangeliza: o evangelho, a boa notícia só acontece no encontro, na re- lação com uma pessoa. Os homens e as mulheres de hoje continuam a perguntar: Como viver? Nós não lhes respondemos procuran- do novos métodos mais refinados, não respondemos com a expectativa de um percurso fácil: tentamos apenas viver a fé e, portanto, despertar confiança, sem ter medo, porque o Senhor está con- nosco, e quanto mais nos sentimos fra- cos, mais opera em nós a sua força (2 Cor 12). PROGRAMA Dia 5 (sexta-feira) 20h00 – Jantar, antecedido de acolhimento. 21h15 – Apresentação do orientador e lançamento do tema. Dia 6 (sábado) 8h30 – Pequeno – Almoço. 9h00 – Laudes. 9h45 – Plenário/Grupos. 11h00 – Intervalo. 11h30 - Plenário/Grupos. 13h00 – Almoço. 15h00 – Plenário/ Grupos. 16h45 – Intervalo. 17h30 - Plenário/Grupos. 19h00 – Vésperas. Eucaristia. 20h00 – Jantar. 21h15 – Serão: partilha de vida. Tertúlia. Dia 7 (domingo) 8h30 – Pequeno-almoço. 9h00 – Laudes. 9h45 – Plenário. 12h00 – Eucaristia, com ensaio prévio. 13h00 – Almoço 1. Ninguém é indiferente às neces- sidades dos outros. 2. Só é possível continuar a acorrer a casos de verdadeira necessidade se partilharmos também. Por isso, não es- perem que lhes batam expressamente à porta. Decidam-se: partilhem com os outros através da Fraternitas. 3. Vão à caixa do multibanco mais próxima e façam uma transferência interbancária para a conta n.º 0033 0000 4521 8426 660 05. O montante depen- de apenas da vossa consciência. A Di- recção da Fraternitas fará com que che- gue a quem precisa! Mandem o comprovativo e dêem conhecimento da finalidade. 4. Também podem depositar na mesma conta bancária o valor da quota anual de sócio: 30 euros - casal; 20 euros - pessoa singular; ou contribuir para o boletim «Espiral». 5. Contactem o tesoureiro Fernando Neves Av. Nova, n.º 22 3770-355 PALHAÇA. Telefones 234 752 139; 968 946 913 E-Mail: tesouraria@fraternitas.pt. NOTA DE TESOURARIA: QUOTAS E SOLIDARIEDADE ALOJAMENTO Diária por pessoa: - 37 • (quarto individual); - 30• (quarto duplo ou triplo). Dormida e pequeno-almoço: - 26• (quarto individual); - 21• (duplo ou triplo). - Refeição: – Almoço ou jantar: 10 •. COMO CHEGAR O Seminário situa-se na rua Vis- conde das Devesas, n.º 684, em Vila Nova de Gaia. É possivel obter a rota na Internet, na página maps.google.pt. Ali, clica-se em «Obter direcções», escreve-se o endereço de origem e o do destino, e o programa traça o melhor percurso. INSCRIÇÕES Secretariado: Urtélia Silva Rua Prof. Carlos Alberto Pinto de Abreu, 33, 2ºEsq. 3040-245 Coimbra Telefones 239 001 605; 914754706 (até às 21h15m) secretariado@fraternitas.pt Convocatória 33.º ENCONTRO NACIONAL Local: Seminário Redentorista Cristo-Rei, em Devesas (Vila Nova de Gaia) Tema: “A ESPERANÇA como fio condutor na narrativa Bíblica” Orientador: Pe. Rui Santiago, c.s.s.r.
  • 10. espiral 10 Kirche In: Sabe-se que existem atualmente tensões entre a Igreja or- todoxa e a Igreja católica romana. Em seu entender, qual é a causa des- sas tensões? Lorgus: Sei que há de facto tensões e também leio o que sobre elas se escreve nos meios de comunicação. Mas na mi- nha atividade, quer pastoral quer como conferencista, não me sinto minima- mente afetado por elas. KI: Na Rússia houve sempre uma ligação muito forte entre a Igreja e o Estado. Pode-se dizer que a Igre- ja ortodoxa é a Igreja do Estado? L: De forma alguma. O Estado está mais orientado para uma colaboração com a Europa e com as outras Igrejas, ao passo que, dentro da Igreja ortodo- xa, há um ambiente que rejeita essas ten- dências. Tanto a Igreja ortodoxa como o povo mantêm uma atitude de ceticismo face à Europa. Subsistem ain- da no povo tendências nacionalistas contrárias a uma abertura ao exterior. Há naturalmente um motivo psicológi- co para isso, que assenta no facto de a Rússia ser de tal modo grande que o resto do mundo quase desaparece da consciência das pessoas. KI: Numa conferência em Viena, mencionou a existência duma crise antropológica na sociedade russa. Em que consiste essa crise? L: O maior problema é o regresso do homem aos seus próprios valores, à sua consciência de ser humano, pois a herança do passado é diametralmente oposta ao retomar desta consciência. Não são os valores económicos que devem estar no primeiro plano, mas sim valores como amor, vida, saúde, fé, sa- ber. KI: Estes valores foram atropela- dos durante os setenta anos de regi- me soviético? Houve células onde eles tivessem podido sobreviver? L: O regime conduziu à destruição total destes valores todos. Mas, realmen- te, também existiram essas células, for- madas por personalidades e famílias in- dividuais. KI: Como foi que chegou à sua fé e à sua vocação? L: Os meus pais não eram crentes, mas alguns dos meus antepassados vi- nham de famílias sacerdotais. Porém, durante muito tempo não soube nada disso. Os meus pais ocultaram esses fac- tos, já que era muito perigoso contar isso às crianças. Foi só durante os meus tempos de Universidade que me tor- nei crente. KI: Como foi que lá chegou? L: Foi um impulso interior, mas, naturalmente, essa aproximação não aconteceu de repente, cresceu lenta- mente. Provavelmente foi o amor à minha esposa, aos meus filhos. KI: Era possível, na clandesti- nidade, ter acesso a literatura reli- giosa? L: A minha geração cresceu com textos copiados. Quando descobría- mos obras literárias, copiávamos os livros e emprestávamo-los uns aos outros. Foi assim que, põe exemplo, li um romance de Soljenitzyn numa noi- te, porque tinha de restituir as folhas no dia seguinte. KI: Para viver no regime soviéti- co como homem crente era necessá- ria uma grande dose de coragem. Qual era o perigo que se corria sen- do crente? L: Os meus amigos e eu dissemos abertamente que tínhamos sido Igreja Ortodoxa na Rússia “O maior problema é o regresso do homem aos seus próprios valores” Versando a situação da Igreja na Rússia, Isabella Campbell-Wessig e Rudolf Schermann entrevistaram o Versando a situação da Igreja na Rússia, Isabella Campbell-Wessig e Rudolf Schermann entrevistaram o Versando a situação da Igreja na Rússia, Isabella Campbell-Wessig e Rudolf Schermann entrevistaram o Versando a situação da Igreja na Rússia, Isabella Campbell-Wessig e Rudolf Schermann entrevistaram o Versando a situação da Igreja na Rússia, Isabella Campbell-Wessig e Rudolf Schermann entrevistaram o padre or padre or padre or padre or padre ort t t t todo odo odo odo odox x x x xo russo ANDREJ L o russo ANDREJ L o russo ANDREJ L o russo ANDREJ L o russo ANDREJ LOR OR OR OR ORGUS, que es GUS, que es GUS, que es GUS, que es GUS, que estudou T tudou T tudou T tudou T tudou Teologia e Psicologia. F eologia e Psicologia. F eologia e Psicologia. F eologia e Psicologia. F eologia e Psicologia. Fundou uma F undou uma F undou uma F undou uma F undou uma Faculdade de Psico- aculdade de Psico- aculdade de Psico- aculdade de Psico- aculdade de Psico- logia na Univ logia na Univ logia na Univ logia na Univ logia na Univer er er er ersidade Or sidade Or sidade Or sidade Or sidade Ort t t t todo odo odo odo odox x x x xa R a R a R a R a Russa de S. João o T ussa de S. João o T ussa de S. João o T ussa de S. João o T ussa de S. João o Teólogo, em Mosco eólogo, em Mosco eólogo, em Mosco eólogo, em Mosco eólogo, em Moscov v v v vo. Par o. Par o. Par o. Par o. Para além de Psicologia, ensina a além de Psicologia, ensina a além de Psicologia, ensina a além de Psicologia, ensina a além de Psicologia, ensina Antropologia Cris Antropologia Cris Antropologia Cris Antropologia Cris Antropologia Cristã e Linguís tã e Linguís tã e Linguís tã e Linguís tã e Linguística Or tica Or tica Or tica Or tica Ort t t t todo odo odo odo odox x x x xa. T a. T a. T a. T a. Também assegur ambém assegur ambém assegur ambém assegur ambém assegura a assis a a assis a a assis a a assis a a assistência pas tência pas tência pas tência pas tência past t t t tor or or or oral a um Lar par al a um Lar par al a um Lar par al a um Lar par al a um Lar para pessoas a pessoas a pessoas a pessoas a pessoas diminuídas mentais. Montou ali uma capela onde é celebrada missa uma vez por semana. Andrej Lorgus é diminuídas mentais. Montou ali uma capela onde é celebrada missa uma vez por semana. Andrej Lorgus é diminuídas mentais. Montou ali uma capela onde é celebrada missa uma vez por semana. Andrej Lorgus é diminuídas mentais. Montou ali uma capela onde é celebrada missa uma vez por semana. Andrej Lorgus é diminuídas mentais. Montou ali uma capela onde é celebrada missa uma vez por semana. Andrej Lorgus é casado e tem dois filhos adultos. casado e tem dois filhos adultos. casado e tem dois filhos adultos. casado e tem dois filhos adultos. casado e tem dois filhos adultos. Publicado em Kir Publicado em Kir Publicado em Kir Publicado em Kir Publicado em Kirche In che In che In che In che In, 12/2002, p , 12/2002, p , 12/2002, p , 12/2002, p , 12/2002, p. 26,27. . 26,27. . 26,27. . 26,27. . 26,27. Tradução de João Simão Tradução de João Simão Tradução de João Simão Tradução de João Simão Tradução de João Simão
  • 11. espiral l l l l 11 batizados. A consequência foi a nossa expulsão da Juventude Comunista. Além disso, foi-nos instaurado um processo, que, aliás, não chegou a ser concluído. KI: Há hoje na Rússia sinais de crescimento religioso na sociedade? L: A renovação religiosa é um pro- cesso muito trabalhoso e difícil. No en- tanto, não se podem ignorar os sinais de crescimento. Qualquer visitante pode ver que, na Rússia, por toda a parte igrejas e conventos estão a ser recuperados e isto apesar de o povo viver com extremas dificuldades. As pessoas partilham da seguinte opinião: mesmo que passemos mal, queremos que, ao menos na Igreja, as coisas estejam bem. KI: Qual é a relação dos jovens com a Igreja? L: Eu não posso julgar a atitude dos jovens em geral face à Igreja, mas estão muito bem representada na Igreja. KI: A Igreja russa tem muitos con- fessores e mártires. Qual é a atitude da Igreja a respeito deles e das ten- sões que surgiram entre os confes- sores e aquelas pessoas que pensa- ram que seria melhor entrar em com- promissos com o regime? L: Tais tensões não são particular- mente percetíveis, elas existem mais no subconsciente. Foram cononizados mi- lhares destes mártires e praticamente to- das as Igrejas têm os seus próprios már- tires, muito venerados sobretudo local- mente. Há uma comissão específica que ainda hoje acrescenta vários nomes à lis- ta dos mártires. KI: O que é que se passa com o ensino religioso na Rússia? L: Nas escolas estatais ainda não há ensino religioso, mas esperamos chegar lá. Há, no entanto, iniciativas de direções de algumas escolas a disponibilizarem o ensino da religião como disciplina de opção livre. Aliás há uma matéria para todos os alunos onde são ensinados os fundamentos da cultura russa. Mas esta disciplina não é nem de religião nem de ética. A Igreja tem vindo a reclamar constantemente um ensino religioso pro- priamente dito, mas esbarra com a opo- sição dos funcionários educativos e tam- bém duma grande parte dos intelectuais russos. Quando o Patriarca uma vez se manifestou publicamente sobre o tema do ensino da religião, levantou-se na im- prensa uma verdadeira campanha de oposição, na qual cientistas e intelectuais assumiram um tom muito ofensivo para com a religião. KI: Pode-se dizer que também na Rússia há uma intelectualidade for- te entre os fiéis da Igreja ortodoxa? L: Há uma forte intelectualidade or- todoxa. Na era soviética os intelectuais eram seguramente mais cristãos do que o restante povo. KI: Como é o envolvimento soci- al da Igreja russa? L: Há princípios orientadores de um envolvimento desta natureza, mas ainda faltam forças em toda a parte para levar as coisas por diante. Atualmente a ação social da Igreja ortodoxa cinge-se so- bretudo às prisões e aos lares de crian- ças e de idosos. KI: E como é com a falta de pa- dres na Rússia? L: Verifica-se hoje em dia uma gran- de afluência aos estabelecimentos de ensino eclesiástico, mas a escassez de pa- dres é, apesar disso, muito grande. Tal situação pode explicar-se tendo em aten- ção que a pastoral ainda está em fase de estruturação. Temos hoje cerca de 20.000 paróquias, mas precisaríamos de 200 mil. KI: A Igreja ortodoxa russa foi sempre fortemente clerical. Existe alguma coisa como um despertar dos leigos? L: Uma exigência do género da “Nós Somos Igreja” ninguém a faria na Rússia. Mas os leigos são bastante ativos e conscientes. Ao envolverem-se nas questões eclesiais e religiosas, o seu prin- cipal desejo não é alcançar protagonis- mo, mas antes sublinhar que pertencem à Igreja. KI: E como é a tensão entre po- bres e ricos? L: Nos últimos dez anos a Igreja tem vindo a fazer boas experiências no tra- balho com os pobres. Mas é muito difí- cil chamar os ricos à razão, quando o dinheiro lhes subiu à cabeça. No entan- to, também há pessoas ricas que desco- briram o caminho da Igreja e se mos- tram dispostos a reaprender a humilda- de. Eu concordaria com a frase do bis- po latino-americano Dom Helder Câ- mara: “Queremos libertar os pobres da pobreza e os ricos do egoísmo.”
  • 12. espiral 12 espir al Boletim de Fraternitas Movimento | Trimestral | Boletim de Fraternitas Movimento | Trimestral | Boletim de Fraternitas Movimento | Trimestral | Boletim de Fraternitas Movimento | Trimestral | Boletim de Fraternitas Movimento | Trimestral | Redacção: Fernando Félix | P Redacção: Fernando Félix | P Redacção: Fernando Félix | P Redacção: Fernando Félix | P Redacção: Fernando Félix | P.Ta Malmequeres, 4 - 3.º Esq | 2745-816 QUEL .Ta Malmequeres, 4 - 3.º Esq | 2745-816 QUEL .Ta Malmequeres, 4 - 3.º Esq | 2745-816 QUEL .Ta Malmequeres, 4 - 3.º Esq | 2745-816 QUEL .Ta Malmequeres, 4 - 3.º Esq | 2745-816 QUELU U U U U Z | E-mail: fernfelix@gmail.com Z | E-mail: fernfelix@gmail.com Z | E-mail: fernfelix@gmail.com Z | E-mail: fernfelix@gmail.com Z | E-mail: fernfelix@gmail.com «Amigos, só vi a notícia na TVI. Conheço o Sr. D. Januário e sei que não é homem com interesses políticos. É um homem da Igreja, um homem bom, honesto, com sensibilidade humana aos problemas dos ho- mens. Vive com preocupações com este estado de coisas. Vê mais do que eu. E sente-se angustiado com o rumo que as coisas tomam. E os responsáveis calam-se, fecham os olhos, não tem respostas... Mas nem ao menos se inquietam e não inquietam as consciências deste país, se é que os políticos a têm. Vós estais muito mais dentro destes problemas que eu. Não se calem, não calem o movimento. Deixem que o Espí- rito fale, apoiem o Espírito que fala através dos profetas, que são incómodos...E é de lamentar se os bispos já se vie- ram demarcar de D. Januário. Lamento. Os bispos usam o solidéu, mas aquilo é só ornamento, adereço, de resto vivem amedrontados(…). Por favor, ponham o movimento a andar, esclareçam os sócios, animem-nos, estimulem-nos. Eu apoio-vos se é para animar o Sr. D. Januário.» Um abraço., J.S. «Estou com a proposta do Joaquim Soares e dou a mi- nha adesão ao D. Januário Torgal, congratulando-me por ter levantado a sua voz exprimindo a angústia que sofre o nosso Povo com as políticas que estão a ser implementadas e de- nunciar os aproveitamentos pessoais que ocorrem neste "pân- tano" de desolação, penúria e miséria.» Parabéns D. Januário, estamos consigo» E.J. SOLID SOLID SOLID SOLID SOLIDARIED ARIED ARIED ARIED ARIEDADE ADE ADE ADE ADE COM D COM D COM D COM D COM D. JANUÁRIO T . JANUÁRIO T . JANUÁRIO T . JANUÁRIO T . JANUÁRIO TORGAL FERREIRA ORGAL FERREIRA ORGAL FERREIRA ORGAL FERREIRA ORGAL FERREIRA «Estou inteiramente de acordo com as palavras do nosso irmão J. S. sobre o significado da incómoda intervenção do Sr. D. Januário. A este eu desejo manifestar a minha solidari- edade pela coragem, oportunidade e simplicidade com que nos faz chegar a linguagem de Jesus de Nazaré. Esquecemos facilmente (bispos incluídos) que Jesus não hesitou chamar "sepulcros caiados de branco" aos hipócritas e poderosos do seu tempo. Nunca os verdadeiros profetas foram peritos em medir palavras» A.C. «Estou plenamente de acordo com o A.C.. Só se ame- drontam aqueles que não têm consciência das preocupações da Igreja pelos mais castigados da sociedade. E talvez tam- bém aqueles a quem não falta o pão, mesmo arrancado das mãos de quem o fabricou com muito suor e amor.» M. P. «Respondo a esta missiva. Ouvi com muita atenção a de- núncia profética do senhor D. Januário no famigerado pro- grama da TVI. Estou com ele, porque ele foi a voz do Espí- rito, a voz de alguém que profeticamente exerce a sua mis- são de homem da Igreja que vive os problemas e as angús- tias de tantos irmãos pobres, desprezados e humilhados por uma desgovernação vergonhosa, marcada pela insensibilida- de e pela astúcia de alguns políticos que se "governam", mas não governam. O aparecimento do senhor Ministro da De- fesa a meter-se no assunto e a tentar virar a opinião pública contra o Bispo Profeta que, à semelhança de Amós, denun- cia os erros dos governantes, fez-me recuar a meados do século passado e reviver o que, então, foi feito ao saudoso Bispo do Porto senhor D. António Ferreira Gomes a quem o poder político, então vigente em Portugal, desterrou para Roma por ter tido a coragem de dizer ao governante Salazar que era preciso mudar de políticas. E, então como hoje, a Conferência Episcopal reverentemente calou, consentiu, não levantou a voz e os senhores Bispos continuaram a ter mor- domias e honrarias. Será que agora se está a preparar algo de semelhante? O senhor D. Januário tem razão nas denúncias que faz. Não ofendeu ninguém, a não ser aqueles a quem a consciência acusa de maldade, porque a verdade incomoda. Ao senhor D. Januário é devido todo o apoio nesta sua mis- são de denúncia das injustiças, venham elas de onde vierem.» J.M. A Associação FRA A Associação FRA A Associação FRA A Associação FRA A Associação FRATERNIT TERNIT TERNIT TERNIT TERNITAS MO AS MO AS MO AS MO AS MOVIMENTO, VIMENTO, VIMENTO, VIMENTO, VIMENTO, atr atr atr atr atra a a a avés de associados seus, manif vés de associados seus, manif vés de associados seus, manif vés de associados seus, manif vés de associados seus, manifes es es es esta solidariedade par ta solidariedade par ta solidariedade par ta solidariedade par ta solidariedade para com D. Januário T a com D. Januário T a com D. Januário T a com D. Januário T a com D. Januário T. F . F . F . F . Ferreir erreir erreir erreir erreira, a, a, a, a, a propósito da sua intervenção numa entrevista a uma rádio portuguesa, a propósito da sua intervenção numa entrevista a uma rádio portuguesa, a propósito da sua intervenção numa entrevista a uma rádio portuguesa, a propósito da sua intervenção numa entrevista a uma rádio portuguesa, a propósito da sua intervenção numa entrevista a uma rádio portuguesa, em julho de 2012. em julho de 2012. em julho de 2012. em julho de 2012. em julho de 2012.