UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
     FACULDADE DE ZOOTECNIA E ENGENHARIA DE ALIMENTOS




Método de avaliação visual EPMURAS na seleção e no
        acasalamento dirigido de zebuínos




Relatório das atividades desenvolvidas durante o Estágio Supervisionado
                 do Curso de Graduação em Zootecnia




                   JULIANA FERRAGUTE LEITE




                        Pirassununga/SP – Brasil

                             Junho - 2009
UNI V E RS I DA DE DE S Ã O P A UL O
                         Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos




           ESTÁGIO SUPERVISIONADO CURRICULAR DE GRADUAÇÃO

                           CURSO DE ZOOTECNIA




NOME: Juliana Ferragute Leite
TÍTULO: Método de avaliação visual EPMURAS na seleção e no acasalamento
dirigido de zebuínos.
ÁREA: Melhoramento Animal
LOCAL: Brasilcomz – Zootecnia Tropical - Jaboticabal/SP
PERÍODO: 26/01/2009 à 20/06/2009
CARGA HORÁRIA: 580 horas
ORIENTADOR: Prof. Dr. Joanir Pereira Eler
SUPERVISOR: Zoot. Dr. William Koury Filho




                           Pirassununga/SP – Brasil

                                Junho - 2009
AGRADECIMENTOS


       Começo lembrando de uma pessoa muito especial, um exemplo de mulher
batalhadora, uma pessoa que sofreu muito, mas que nunca perdeu o sorriso, uma pessoa
que tocava meu rosto para ver o quanto eu tinha crescido, uma pessoa que sempre me
apoiou e acreditou que eu venceria, Vó Cida. Tenho certeza que você me olha, me guia,
me ilumina e hoje vê que eu venci. Saudades!


       Não poderia ter realizado esse sonho se não fosse por meus pais, Anselmo e
Rosana, que me criaram para ser uma vencedora e ainda hoje ajudam a trilhar meus
caminhos. Obrigado por confiarem em mim, por sempre me apoiarem em minhas
decisões e por todo o investimento durante esses anos. Como vocês me ensinaram,
continuarei correndo atrás de meus objetivos e aproveitando o máximo de minha vida.
Amo vocês!


       Sem palavras para explicar o quanto a República 51 significa para mim. Junto
com a Laura, Forminha, Lara e Cinthião construí, desde o primeiro ano de faculdade,
uma república unida e amizades que levarei para a vida toda. À República 51 e
agregados, Xaverinho, Rolinha e Bambu, agradeço pelo apoio em momentos difíceis,
pela paciência em momentos de raiva, pelos abraços e conselhos, mas sem duvida
nenhuma agradeço mais, pelas festas e rodeios, pelas risadas, pelas cervejinhas a
qualquer hora, pelos finais de semana intensos, pelo tempo gasto jogando conversa fora,
simplesmente por fazerem meus dias de faculdade mais felizes. Sentirei muita saudade
de tudo isso!


       Às amizades mais antigas, Natália, Marcelo (Bob), Ana Carolina, Laila e
Fernanda, que mesmo distante, sempre tivemos tempo para uma ligação, um e-mail,
uma bagunça no final de semana. Vocês fazem parte da minha vida desde a escola,
passaram por muitos momentos difíceis e felizes e agora encerram mais uma fase ao
meu lado. Amo vocês!


       A uma pessoa que merece um agradecimento especial. Cinthião, com certeza
deixo a faculdade uma pessoa melhor do que entrei, e muito disso é resultado do seu
carinho, da sua atenção, das nossas discussões e reconciliações, da sua amizade, que
me fez crescer muito durante esses quatro anos. Talvez eu esteja distante daqui para
frente, porém perto o suficiente sempre que você precisar de um almoço, conselho ou
puxão de orelha. Te amo!
A uma pessoa que entrou a pouco tempo na minha vida, porém se tornou muito
importante. Léo, obrigado por entender esse meu jeito, por participar da minha vida e por
todo carinho. Te amo!


       Aos meninos da XXVII e agregados, que fizeram nossas aulas mais engraçadas e
menos tediosas, que organizaram os melhores churrascos e cervejadas, que animaram
muitas festas com suas musicas, às vezes desafinadas, porém inesquecíveis: Bisnaga,
Tortu, Gaylão, Esterco, Cafuzo, Neto, Zidane, Fedô, Come-cru, Macuco e Rasgada.


       À República Choppana da UNESP-Jaboticabal, que me acolheu durante o
período de estágio obrigatório. Em especial agradeço a Guampa, Vagaba e Milka, pelo
carinho, confiança e risadas. Infelizmente esse período passou muito rápido, mas com
certeza deixou grandes momentos.


       À minha veterana Fernanda Miller, por ser exemplo de uma excelente aluna e
profissional competente, pelas dicas em provas e trabalhos, por muitas horas de estágio
juntas e, principalmente, pela amizade e carinho.


       Agradeço a todos os membros que passaram pelo grupo PET- Zootecnia durante
os meus três anos dentro do grupo e ao tutor Prof. Dr. Valdo R. Herling, pois esse
programa contribuiu, tanto para meu perfil profissional quanto para minha vida pessoal,
através das maravilhosas pessoas que conheci e dos grandes desafios que enfrentei.


       Ao Grupo de Melhoramento Animal (GMA) da FZEA, em especial ao meu
orientador Prof. Dr. Joanir P. Eler, ao Prof. Dr. José Bento S. Ferraz, aos doutorandos
Victor (Preto) e Fernanda (Spingarda) e a Elisângela, pelos conhecimentos, ajudas,
conselhos e atenção.


       Agradeço ao Dr. William Koury Filho, pela oportunidade de estágio, por acreditar
em mim, pelos ensinamentos e conselhos. Acima de tudo, agradeço ao William, Naomi,
Orlanda, Tiago e Mateus pelo grande carinho que me receberam e pela enorme
experiência de vida.


       A todos aqueles que torceram e me apoiaram para que eu conquistasse os meus
objetivos, muito obrigada!
SUMÁRIO
1     INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 1
    1.1     O Zebu no Brasil ................................................................................................. 3
    1.2     Avaliação Visual ................................................................................................. 5
2     DESCRIÇÃO DA EMPRESA..................................................................................... 8
    2.1     A Empresa Brasilcomz – Zootecnia Tropical....................................................... 8
    2.2     Serviços prestados pela empresa ....................................................................... 9
      3.2.1       Boi com Bula – Um novo conceito em comercialização de genética ...........11
3     ATIVIDADES DESENVOLVIDAS .............................................................................12
    3.1     Avaliação Visual EPMU .....................................................................................12
      3.1.1       Metodologia do EPMU ................................................................................13
      3.1.2       Metodologia do RAS ...................................................................................16
    3.2     Julgamento de Zebuínos ...................................................................................17
      3.2.1       Metodologia de julgamento .........................................................................18
      3.2.2       Conformação ..............................................................................................20
      3.2.3       Aprumos .....................................................................................................23
          3.2.3.1       Membros anteriores e posteriores vistos de perfil ................................23
          3.2.3.2       Membros anteriores vistos de frente e posteriores vistos de trás .........25
      3.2.4       Características reprodutivas .......................................................................26
      3.2.5       Caracterização Racial.................................................................................27
      3.2.6       Pigmentação...............................................................................................28
    3.4     Desenvolvimento de web site ............................................................................33
4     CRÍTICAS E SUGESTÕES ......................................................................................36
5     CONCLUSÕES ........................................................................................................37
6     REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................38
ANEXO A – Descrição da Viagem Prática realizada com a Brasilcomz. ..........................40
ANEXO B – Texto sobre avaliação morfológica, escrito após exercício prático na
Fazenda Guanabara, publicado no site da empresa Brasilcomz. .....................................44
ANEXO C - Principais diferenças nos padrões das raças zebuínas, segundo ABCZ. ......52
LISTA DE FIGURAS


Figura 1:Gráfico da evolução prevista do rebanho bovino brasileiro. ................................ 1
Figura 2: Gráfico representativo dos rebanhos mundiais de gado bovino. ........................ 2
Figura 3: Gráfico representativo das exportações mundiais de carne bovina. ................... 2
Figura 4: Gráfico demonstrativo da curva de crescimento dos biotipos precoce e tardio. . 5
Figura 5: Logo marca da empresa e seus significados. .................................................... 9
Figura 6: Representação esquemática das diferentes proporções que devem ser
avaliadas pelas características E, P e M. .........................................................................14
Figura 7: Referência de escala de escores para a característica umbigo na raça Nelore.15
Figura 8: Julgamento da raça Tabapuã na ExpoLondrina, 2009. .....................................18
Figura 9: Denominação das partes do corpo de bovinos. ................................................20
Figura 10: Diferenças morfológicas influentes na fertilidade. ...........................................21
Figura 11: Conformação ideal para bovinos de corte. ......................................................22
Figura 12: Nivelamento e afastamento adequado entre as ancas. ...................................22
Figura 13: Posicionamento de membros anteriores, da esquerda para direita: acampado,
sobre si e aprumos corretos.............................................................................................23
Figura 14: Posicionamento de membros posteriores, da esquerda para direita: pés retos,
angulação exagerada, aprumos corretos. ........................................................................24
Figura 15: : Posicionamento de membros anteriores, da esquerda para direita: fechado de
frente, cambaio (fecha os joelhos e abre as mãos) e aprumos corretos...........................25
Figura 16: Posicionamento de membros posteriores, da esquerda para direita: fecha os
jarretes e abre os pés e aprumos corretos. ......................................................................26
Figura 17: Caracterização racial das raças zebuínas: Brahman (1), Cangaian (2), Gir (3),
Indubrasil (4), Nelore (5), Sindi (6), Guzerá (7), Tabapuã (8). ..........................................27
Figura 18: Exemplo de planilha utilizada para acasalamento dirigido. .............................32
Figura 19: Layout das avaliações genéticas de um animal que estarão disponíveis no web
site Boi com Bula. ............................................................................................................34
Figura 20: Layout do EPMURAS descritivo que será disponibilizado no web site Boi com
Bula .................................................................................................................................35
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Estimativas de herdabilidade (h2), correlações genéticas (rg), fenotípicas (rf) e
residuais (re) das características área de olho de lombo (AOL), espessura de gordura
subcutânea (EG), espessura de gordura subcutânea na garupa (EGP8), estrutura (E),
precocidade (P) e musculosidade (M), da raça Nelore...................................................... 7
Tabela 2: Características e ponderações contempladas no índice MGT da ANCP. .........30
Tabela 3: Legenda das DEPs utilizada pelo programa de melhoramento da ANCP. .......34
Tabela 4: Escores e notas equivalentes para as características de avaliação visual. ......35
Tabela 5: Classificação dos Índices Morfológicos. ...........................................................35
1


   1   INTRODUÇÃO


       Segundo o Instituto FNP o rebanho bovino brasileiro, no ano de 2008, era de
                           FNP,              no
169,8 milhões de cabeças A perspectiva para os próximos 10 anos é de que o número
                 cabeças.
de cabeças bovinas cresça lentamente, sendo que o ciclo pecuário determinará períodos
de expansão e contração do rebanho, mas a tendência final será de crescimento em
                           rebanho,
2017, atingindo aproximadamente 190 milhões de cabeças de acordo com dados obtidos
no ANUALPEC 2008 (Figura 1).




                Figura 1: Gráfico da evolução prevista do rebanho bovino brasileiro.

                                     Fonte: ANUALPEC 2008.



       É estimado para o mesmo período um aumento na produção de carne bovina
brasileira de 1,6 milhões de toneladas de equivalente carcaça, ou seja, a p
                                                                          produção
passará de 7,6 milhões de toneladas, produzidas atualmente, para cerca de 9,1 milhões
em 2017. Esse aumento se dará tanto pelo crescimento do rebanho quanto,
                         dará,            rescimento    rebanho,
principalmente, pelo aumento de produtividade do gado brasileiro (ANUALPEC, 2008)
                                                                            2008).
       Em termos mundiais o Brasil corresponde ao segundo maior rebanho bovino,
                 mundiais,
ficando atrás apenas da Índia, que possui 281 milhões de cabeças (Figura 2) No entanto,
                                                                         2).
é o primeiro país em exportação de carne bovina, com aproximadamente 2 milhões de
toneladas de equivalente carca
                         carcaça, acima de países como Austrália, Índia e Estados
                                                         strália,
Unidos de acordo com dados do ANUALPEC 2008 (Figura 3). Em relação ao consumo
                                                      .
per capita de carne bovina, o Brasil está em quarto lugar com cons
                    bovina,                                   consumo de 28
kg/pessoa/ano, ficando atrás dos Estados Unidos, A
          ano,                                   Austrália e Canadá, de acordo com o
                                                               nadá,
Instituto FNP. As importações brasileiras são mínimas, representando 29 mil toneladas,
ou seja, diferentemente dos Estados Unidos (maior consumidor per capita e importador
de carne bovina), o Brasil é capaz de produzir ca
                                               carne bovina com o menor custo de
2


produção mundial e em quantidade suficiente para abastecer seu mercado interno e
ainda ser o maior exportador mundial.




               Figura 2: Gráfico representativo dos rebanhos mundiais de gado bovino.
                       :

                                     Fonte: ANUALPEC 2008.




             Figura 3: Gráfico representativo das exportações mundiais de carne bovina.
                     :

                                     Fonte: ANUALPEC 2008.



       Mesmo com estimativas e estatísticas tão promissoras, os índices de
produtividade do rebanho brasileiro aind são baixos. Os zebuínos constituem cerca de
                                    ainda
80% do plantel bovino brasileiro, representados principalmente pela raça Nelore (ABCZ,
2008). Esse gado se caracteriza pela rusticidade, adaptabilidade a regiões tropicais,
     .
sistemas de produção a pasto e alta fertilidade, porém faz-se necessário incorporar a
                                                           se
esse sistema de baixo custo (pastagens e gado Zebu), técnicas de melhoramento
genético, manejo e sanidade com objetivo de aumentar a eficiência do rebanho Essas
            nejo                                                     rebanho.
práticas podem elevar o Brasil à condição de maior produtor de carne bovina do mundo e
3


aumentar a proporção de carne de qualidade destinado a mercados mais exigentes,
agregando mais valor à tonelada exportada.
         Os programas de melhoramento genético têm por objetivo, traduzir os valores
genéticos em expressiva melhoria dos resultados produtivos/econômicos. As últimas
décadas mostraram exemplos de que a genética quantitativa pode ser aplicada
diretamente em procedimentos de seleção em grandes rebanhos comerciais, trazendo
benefícios econômicos (PMGRN, 1996 e FRIES, 1999, citado por KOURY FILHO, 2001).
         Muitas idéias se confrontaram a partir do momento em que se via a necessidade
de julgar um gado produtivo e não apenas de beleza racial. Durante anos a pecuária
nacional foi prejudicada pela seleção exclusiva de animais através da caracterização
racial ou baseada no moderno novilho de corte da década de 80 (“new type”), ou seja,
animais longilíneos e tardios. Na década de 90, este biotipo foi sendo desmistificado
como referência em pistas de julgamento e passou-se a dar preferência por animais com
características econômicas de carcaça mais evidentes e proporção equilibrada entre
profundidade de costelas e altura de membros (ABCZ, 1996, citado por KOURY FILHO,
2005).
         A partir das primeiras metodologias de avaliações visuais, o biotipo do rebanho
brasileiro começou a mudar em busca de indivíduos mais pesados, com a conformação
mais desejada, enfatizando características como precocidade sexual e de acabamento, e
adequada distribuição das massas musculares, sempre pensando na qualidade do
produto final e na relação custo/benefício da atividade (KOURY FILHO, 2005).


         1.1 O Zebu no Brasil


         As raças zebuínas, originalmente introduzidas no Brasil são: Gir, Guzerá, Nelore e
Sindi, sendo formadas aqui as raças Indubrasil e Tabapuã. Foram ainda importados
alguns exemplares da raça Cangaiam, porém, até hoje, seu efetivo populacional é
bastante reduzido.
         A entrada dos primeiros zebuínos ocorreu no século XIX, com a importação de um
casal de zebu, em 1875, oriundo do Jardim Zoológico de Londres, pelo Barão do Paraná.
Provavelmente o primeiro rebanho zebu estabelecido no Brasil foi o da Fazenda Santa
Cruz, de propriedade do Imperador D. Pedro I, no Rio de Janeiro, constituído de animais
procedentes da região do Nilo, na África, em 1826 (SANTOS, 1998 e PINEDA, 2001).
         A história do gado zebu no Brasil se divide em quatro fases segundo Santos
(1998). O período das primeiras importações se caracterizou pela multiplicação através
de cruzamentos desordenados com raças nativas, ou mesmo entre as raças importadas.
Nesta primeira fase, que abrange o período de 1890 a 1920, não se eliminava nenhum
4


indivíduo, pois o objetivo era multiplicar o gado. A partir de 1919 iniciou-se o Herd Book
das raças zebuínas. Nesta fase houve predominância da raça Guzerá e a região de
Barretos se projetou como centro comercial com a instalação de um frigorífico de grande
porte para a época.
       Na segunda fase, de 1925 até 1945, deu-se a formação do neozebuíno Indubrasil
através de intercruzamentos zebuínos. Esses cruzamentos se multiplicaram de tal
maneira que, em 1930, quase não existiam Guzerás. O excesso de cruzamento começou
a descaracterizar o gado Indubrasil como rústico e incentivar importações de gado puro,
que levou a valorização da raça Gir. Em 1938 teve início o Registro Genealógico em
Uberaba, para orientar a expansão das raças zebuínas. O zebu tornou-se tão
interessante que os norte americanos adquiriram centenas deles para consolidar a
formação do gado Brahman. Com a segunda Guerra Mundial, as exportações brasileiras
aumentaram consideravelmente, porém em 1945 o Brasil enfrentou uma grande crise
pecuária. Na tentativa de melhorar a produtividade do gado, iniciaram-se as Provas de
Ganho de Peso no estado de São Paulo, com destaque para a raça Nelore. O ponto de
venda mudou-se de Barretos para Araçatuba, ponto de compra do gado matogrossense e
goiano.
       Na terceira fase, de 1945 a 1965, ocorreu uma mudança na mentalidade dos
criadores, que renunciaram aos cruzamentos indiscriminados e iniciaram uma seleção de
alta pureza racial em conjunto com os primeiros testes zootécnicos. Com a última
importação de genética indiana em 1962 e o surgimento das braquiárias, consolidaram a
posição do Nelore e de seus mestiços como a raça bovina de maior população e
importância do país (PINEDA, 2001).
       De 1965 a 2000 está a quarta fase, caracterizada pela introdução das leis do
melhoramento genético na seleção pecuária, tanto para corte quanto para leite.
Incentivaram-se provas de ganho de peso, iniciou o controle de desenvolvimento
ponderal em 1968, surgiram os primeiros testes de progênie, e em 1974 foi lançado o
Projeto de Melhoramento Genético da Zebuinocultura (PROZEBU), dentro do Programa
Nacional de Melhoramento Zootécnico (PRONAMEZO). Ocorreu a massificação da
inseminação artificial e popularização e aumento do uso da transferência de embriões. A
partir da década de 80, duas iniciativas se destacaram: o lançamento do primeiro sumário
nacional de touros em convênio EMBRAPA-ABCZ e a primeira avaliação genética na
raça Nelore feita pela USP em Ribeirão Preto, São Paulo (PINEDA, 2001). O processo de
modernização avançou e em 1994 o PROZEBU deu espaço ao Programa de
Melhoramento Genético do Zebu (PMGZ), já na época com mais de quatro milhões de
pesagens. Na década de 1990, os frigoríficos começam a se consolidar em Goiás e Mato
Grosso, mudando o centro de comercialização.
5



       1.2 Avaliação Visual


       Segundo citação de Koury Filho (2001), Buchanan et al. (1982) definem seleção
como um diferencial de propagação entre indivíduos com fenótipos diferentes, como força
primária para mudanças na freqüência gênica em uma determinada população. Como
mecanismo de escolha dos animais que permanecerão no rebanho, é necessário a
definição de critérios de seleção de acordo com as tendências de mercado e o objetivo
do criador.
       Desde a década de 60 em que a seleção de animais baseada no peso
padronizado em diferentes idades ou em ganho de peso começou a ser utilizada nas
provas zootécnicas, o rebanho brasileiro apresentou melhora expressiva e benefícios
econômicos aos criadores, porém a seleção exclusivamente para peso, ao longo do
tempo, conduz a animais de maiores pesos a idade adulta, conseqüentemente mais
exigentes quanto aos requerimentos nutricionais. Em sistemas de produção a pasto,
predominante no Brasil, animais com peso adulto elevado aumentam o período de
permanência na propriedade até atingirem o acabamento de gordura ideal exigido pelos
frigoríficos, o que representa maior custo ao produtor (Figura 4).




         Figura 4: Gráfico demonstrativo da curva de crescimento dos biotipos precoce e tardio.

                                 Fonte: Brasilcomz – Zootecnia Tropical, 2009.



       Jorge Jr et al. (2001), afirmam que sendo a tendência atual a busca por animais
precoces que atendam as exigências do mercado em termos de quantidade, qualidade
de carne e de equilíbrio com o sistema de produção, são necessárias mudanças nos
critérios de seleção. Os atuais programas de melhoramento propõem a seleção de
animais utilizando tanto características ponderais, quanto características relacionadas a
6


precocidades sexual, de crescimento e de terminação, aliadas aos índices reprodutivos e
à qualidade da carcaça.
       Conforme citado por Koury Filho (2005), Fries (1996) afirma que a utilização de
escores visuais no Brasil coincide com a implantação do PROMEBO (Programa de
Melhoramento de Bovinos), em 1974. Essas avaliações foram baseadas em duas
metodologias: Escores de Conformação (EC) do U.S.D.A. (Departamento de Agricultura
dos Estados Unidos), e o Sistema de Avaliação Ankony (LONG, 1973). O Sistema de
Avaliação Ankony foi utilizado primeiramente nos EUA e se baseia numa escala absoluta
de 1 a 10 para cinco características: ausência de gordura excessiva (G); musculosidade
(M); tamanho do esqueleto (T); aprumos e estrutura óssea (A) e caracterização racial e
sexual (C).
       Com a necessidade de um rebanho mais precoce em terminação e, não somente
com peso elevado, posteriormente surgiram no Brasil outros sistemas como DERAS e
PHRAS adotados pela ABCZ em 1980, que descrevia o que se esperava de um zebuíno
de corte em características ligadas a caracterização racial e características funcionais e
econômicas. Além dessas existem outras metodologias como MERCOS (musculosidade,
estrutura física, aspectos raciais e sexuais, conformação e ônfalo) utilizado no Programa
de Melhoramento Genético da Raça Nelore (PMGRN) e o sistema mais utilizado
atualmente, CPMU – Conformação, Precocidade, Musculosidade e Umbigo.
       Desde 2004, a ABCZ adota a metodologia denominada EPMURAS, proposta por
Koury Filho (2001) e Koury Filho & Albuquerque (2002), com base em estudos de outras
metodologias e experiências de campo. O sistema EPMURAS abrange as características
estrutura corporal, precocidade, musculosidade, umbigo, caracterização racial, aprumos e
características sexuais. Os escores atribuídos às características E, P e M permitem
“desenhar” o biotipo do animal e saber como seu peso vivo se distribui; a característica
umbigo é importante por estar relacionada com a adaptação do animal ao sistema de
criação a pasto; e os escores para R, A e S determinam o sucesso reprodutivo e a
caracterização racial do rebanho.
       Em publicações científicas pode ser encontrado herdabilidades e correlações que
afirmam a utilidade das avaliações visuais na seleção de bovinos. Koury Filho (2005) e
Yokoo et al. (2009), trabalhando com a metodologia EPM, encontraram herdabilidades
para os escores visuais de animais da raça Nelore, de 0,24 para E, 0,63 para P e 0,48
para M, sendo considerado moderado para E e altos para P e M. Esses valores podem
ser explicados pela grande variabilidade de tipos morfológicos existentes na raça Nelore.
       Conforme citado por outros autores que analisaram escores visuais pelo sistema
CPM (conformação, precocidade e musculosidade), foram relatadas estimativas de
herdabilidade inferiores as do sistema EPM. Melis et al. (2003) e Forni et al. (2007),
7


estimaram coeficientes de herdabilidade de 0,22 e 0,12 para C; 0,21 e 0,15 para P; e
0,22 e 0,12 para M. Faria et al. (2008), ao avaliar características de escores visuais pelo
sistema MERCOS, também relataram coeficientes de herdabilidade inferiores aos do
sistema EPM, com variação de 0,09 a 0,33, na raça Nelore.
              Koury Filho (2005) encontrou estimativas de correlação genética entre E, P e M
positivas, sendo 0,49 entre E e P, 0,63 entre E e M e a mais expressiva entre P e M 0,90,
indicativo de que essas características P e M são controladas pelos mesmos genes de
ação aditiva.
              Yokoo et al. (2009) estimou a correlação genética entre escores visuais (EPM) e
características de carcaça (AOL, EG, EGP8) medidos por ultrassom, em indivíduos na
raça Nelore. De maneira geral, todas as correlações foram moderadas e positivas, com
exceção de Estrutura Corporal e as características de espessura de gordura (EG e
EGP8), as quais foram baixas e negativas, como mostra a Tabela 1. Isso pode ser
exemplificado por animais com escores altos para estrutura e baixo para precocidade, ou
seja, são tardios e levam mais tempo para depositar gordura de acabamento.

                                                2
Tabela 1: Estimativas de herdabilidade (h ), correlações genéticas (rg), fenotípicas (rf) e residuais (re) das
características área de olho de lombo (AOL), espessura de gordura subcutânea (EG), espessura de gordura
subcutânea na garupa (EGP8), estrutura (E), precocidade (P) e musculosidade (M), da raça Nelore.

                                    2                                                                       2
Característica             AOL (cm )                        EG (mm)                EGP8 (mm)            h
                     rg       re         rf           rg        re     rf      rg      re       rf
      E             0,54     0,15       0,31        -0,02     0,23    0,11   -0,05    0,19     0,09    0,42
      P             0,58     0,02       0,30        0,40      0,02    0,25   0,42     0,03     0,24    0,65
      M             0,61     0,16       0,35        0,38      0,10    0,24   0,41     0,09     0,24    0,49
          2
      h                      0,37                          0,55                      0,43
                                               Fonte: Yokoo et al., 2009.


              Outra conclusão de importância econômica apresentada por Yokoo et al. (2009), é
que as correlações genéticas entre os escores visuais e AOL foram positivas e de
magnitude moderada, principalmente para M com correlação de 0,61. Isso indica que a
utilização de qualquer escore visual (E, P ou M) como critério de seleção, principalmente
para musculosidade, poderá resultar em animais com maior área de olho de lombo. As
estimativas de correlações genéticas entre EG e EGP8 e os escores visuais P e M foram
de 0,40 e 0,42; e 0,38 e 0,41 respectivamente, e demonstram que a seleção através de
avaliação visual para P, pode resultar em animais que depositam gordura mais cedo.
              Escores visuais, apesar de terem natureza subjetiva, quando aplicados de
maneira criteriosa e por avaliadores qualificados, podem servir para alterar o valor
genético dos animais em caracteres relacionados com a carcaça, como grau de
desenvolvimento muscular e grau de acabamento (CARDOSO et al., 2001).
8


   2   DESCRIÇÃO DA EMPRESA


       2.1 A Empresa Brasilcomz – Zootecnia Tropical


       A Brasilcomz foi fundada no ano de 2004, na cidade de Jaboticabal, estado de
São Paulo, pelos zootecnistas Dr. William Koury Filho e Ma. Naomi Cristina Meister. A
empresa surgiu após vislumbrar a necessidade de consolidar um trabalho bem sucedido
do Dr. William no desenvolvimento de metodologias de coleta de dados de escores
visuais para programas de melhoramento, além das atuações nas áreas de julgamento
em exposições, assessoria a produtores em acasalamentos e seleção, treinamentos e
capacitação técnica para profissionais das Ciências Agrárias, criadores e colaboradores.
       Em 2001, o Dr. William propôs em sua dissertação de mestrado um sistema de
avaliação visual de bovinos que colocasse os programas de melhoramento em uma
mesma direção, a eficiência produtiva. A nova metodologia proposta resultaria em DEPs
reconhecidas por todos os programas, sendo melhor utilizada pelo pecuarista. Com base
na metodologia usada pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) foi
apresentado na dissertação um novo procedimento que foi chamado de PHRAMS,
composta pelas características precocidade, harmonia, características raciais, aprumos,
musculosidade e características sexuais.
       Após maiores estudos e experiências de campo com outros sistemas de avaliação
visual (PROBOV, MERCOS, PHRAS, Sistema Ankony e CPMU), o Dr. William Koury
Filho e a Profa. Dra. Lúcia Galvão de Albuquerque propuseram, através de trabalho
publicado em 2002, a metodologia do EPMU – Estrutura Corporal, Precocidade,
Musculosidade e Umbigo. No início de 2004, essa nova metodologia foi adotada
oficialmente pela ABCZ, sendo que para as provas de ganho de peso foram
acrescentadas as características Raça, Aprumos e Sexualidade, resultando na avaliação
fenotípica EPMURAS.
       A proposta da Brasilcomz é colaborar no desenvolvimento da zootecnia tropical no
Brasil, ou seja, buscar a máxima eficiência do gado zebu, por seleção ou base para
cruzamentos, através da produção animal adequada ao cenário brasileiro, atendendo as
dinâmicas exigências dos mercados mundiais. Através da assistência técnica aos
pecuaristas na área de melhoramento animal, a empresa visa selecionar um gado cada
vez mais produtivo e adaptado contribuindo para a melhora da produção de carne
brasileira baseada em sistemas de produção a pasto.
       O nome da empresa tem por objetivo associar a pecuária brasileira à zootecnia
tropical, com suas particularidades, dentre elas o destaque para adaptação do zebu.
Assim o “z” pode ser interpretado como zootecnia e zebu, além de uma visão mais
9


globalizada de colaboração no desenvolvimento de tecnologia para as faixas tropical e
subtropical. Seguindo o mesmo raciocínio, a marca da empresa foi elaborada com a
intenção de combinar algo que representasse o Brasil, o seu ambiente tropical e o gado
zebu, por isso optou-se pelo contorno identificando a bandeira nacional e o cupim dos
zebuínos, utilizando tonalidades da cor verde para representar a interação do pasto com
natureza (Figura 5). A Brasilcomz dispõe de um web site (www.brasilcomz.com) como
meio de divulgação de seus serviços e produtos, cursos, exposições agropecuárias,
trabalhos científicos, entre outras informações.




                       Figura 5: Logo marca da empresa e seus significados.
                          Fonte: Brasilcomz – Zootecnia Tropical, 2009.



       A Brasilcomz é uma empresa familiar tendo seu escritório sediado na própria
residência dos sócios proprietários. Os projetos e assessorias são coordenados pelo Dr.
William Koury Filho e a gestão administrativa é de responsabilidade da Ma. Naomi
Meister.


       2.2 Serviços prestados pela empresa


       Atualmente, a atividade econômica mais expressiva da empresa são os
julgamentos em exposições agropecuárias. O Dr. William Koury Filho pertence ao quadro
de jurados da ABCZ, ABCSG e ABCCAN, e participou de importantes exposições nos
estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Pará, Mato
Grosso do Sul e Tocantins, além de exposições internacionais no Panamá, Bolívia e
México.
10


       Em parceria com a Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), a
Brasilcomz desenvolveu o SAM - Sistema de Avaliação Morfológica. As características
estrutura corporal, precocidade e musculosidade (EPM) são avaliadas em fazendas
participantes do Programa de Melhoramento Nelore Brasil da ANCP, gerando DEPs
morfológicas, ferramentas que ajudarão os pecuaristas na identificação de animais
funcionais e adequados a cada sistema de produção. Faz parte dessa parceria também,
a organização de treinamentos para a capacitação e credenciamento de consultores e
agentes internos para a coleta de dados, assim como o acompanhamento dos
consultores e agentes credenciados através da consistência e análise dos dados.
       A empresa oferece consultoria genética em seleção de animais e acasalamento
dirigido, para criadores de zebu, com objetivo de selecionar e produzir reprodutores e
matrizes mais eficientes. A seleção consiste em apartar animais dentro de um rebanho,
utilizando-se critérios de avaliação genética e morfológica de acordo com os objetivos e
possibilidades de cada criador, em busca de reprodutores para teste de progênie e
matrizes de reposição. Esses animais além de servirem ao plantel de origem, podem ser
destinados para comercialização na própria fazenda ou leilões. Quando um indivíduo se
destaca, pode ingressar em centrais de inseminação, transferência de embriões e
fecundação in vitro. O acasalamento dirigido concilia o máximo de informação genética e
morfológica de cada animal, para definir os acasalamentos mais adequados a fim de
otimizar o potencial genético e funcional dos produtos que serão gerados para atingir os
objetivos do cliente.
       Além dos treinamentos do SAM junto a ANCP, a Brasilcomz em parceria com
universidades públicas e privadas e empresas do agronegócio, organizam cursos e
palestras em diversas áreas como: julgamento de bovinos, avaliação visual (EPMURAS),
interpretação de sumários, seleção de animais, cadeia produtiva da carne bovina em
geral, entre outros. A empresa está envolvida também com produção científica e revisão
de trabalhos, uma maneira de estar sempre atualizada, em dinâmico processo de
desenvolvimento de tecnologias e dessa maneira contribuir para acadêmicos e
pecuaristas, conciliando base teórica e práticas exeqüíveis que podem contribuir para o
incremento do setor produtivo.
       Poucas empresas no setor agropecuário oferecem publicidade técnica aos
criadores. Com suporte de empresas especializadas em informática e publicidade
(Núcleo TI, DGRAUS e Boldi Propaganda) a Brasilcomz desenvolve web sites,
propagandas e informativos, com assessoria técnica através de um profissional da área
de Ciências Agrárias, na elaboração de textos, fotos, vídeos e layout.
       De acordo com a Brasilcomz, o perfil dos clientes da empresa são rebanhos
fornecedores de genética como: Nelore Jandaia, Nelore Grendene e Fazenda Serra
11


Negra; Programas de melhoramento como: Conexão Delta G Norte, Associação Nacional
de Criadores e Pesquisadores (ANCP), Progenel e PMGZ (Programa de Melhoramento
Genético de Zebuínos); além de associações de raças como: Associação Brasileira dos
Criadores de Zebu (ABCZ), Asociación Boliviana de Criadores de Cebú (ASOCEBU),
Asociación Colombiana de Criadores de Cebú (ASOCEBU) e Associação dos Criadores
de Nelore do Brasil (ACNB).


           3.2.1   Boi com Bula – Um novo conceito em comercialização de genética


       Trata-se de um produto em desenvolvimento que brevemente será lançado no
mercado pela Brasilcomz. Pensando na comercialização de animais, que normalmente é
realizada em leilões presenciais, leilões virtuais e mídia televisiva, o Boi com Bula propõe
um modelo inovador de comercialização de genética melhoradora via internet. De acordo
com a Brasilcomz, o objetivo é consolidar parcerias com fornecedores de animais
selecionados por avaliação reprodutiva, genética e morfológica, que disponibilizarão seus
animais na “prateleira virtual de produtos” no site www.boicombula.com.br, para
comercialização. Os clientes compradores terão confiança, através de uma etiqueta de
qualidade, de que o produto que estão adquirindo irá gerar resultados produtivos e
econômicos, conferindo maior garantia de satisfação nos resultados.
       A venda de animais em leilões necessita de muito preparo, a chamada
“maquiagem”, para que estes se apresentem aos compradores aparentemente saudáveis
e em ótima condição corporal. Devemos admitir que fornecedores e clientes de genética
são prejudicados por essa comercialização baseada apenas na aparência. O maior
prejuízo acontece nos casos em que os animais que estavam recebendo dietas baseadas
em silagens e concentrados, encontram apenas pastagens e mineral nas propriedades
dos compradores, apresentando dificuldade de adaptação. A proposta do Boi com Bula é
diminuir gastos desnecessários, conscientizando o comprador em enxergar qualidade em
animais menos “maquiados” e mais adaptados, através de informações técnicas, para
que o bom produto ganhe valorização no mercado.
       Para maior confiança do comprador, os produtos com a etiqueta Boi com Bula,
necessariamente      deverão     possuir    atestado     de     fertilidade   por    exame
andrológico/ginecológico, estar em dia com o calendário sanitário vigente, serem
positivos em um programa de avaliação genética e/ou prova zootécnica e não possuírem
defeitos morfológicos desclassificantes. Informações fenotípicas serão coletadas na
propriedade do fornecedor de genética pelos consultores credenciados que irão: realizar
ou aprovar os exames andrológicos/ginecológicos, descrever o sistema de produção que
12


os animais a venda foram criados, coletar dados de idade, peso, perímetro escrotal e
EPMURAS descritivo do animal, também chamado de “retrato falado”.
        A prateleira virtual terá um formato de fácil visualização da qualidade dos animais,
sendo disponibilizados fotos, vídeos, genealogia, avaliação genética, criador, frete, entre
outras informações de maneira interativa e de fácil acesso. Mesmo com as informações
disponíveis no site, existe o diferencial de atendimento ao cliente através de consultas
gratuitas, por telefone ou agendadas no escritório da Brasilcomz, para que o consultor
possa ouvir as necessidades do cliente e explicar, mais detalhadamente, sobre as
informações, indicando os produtos que melhor atenderão suas necessidades
particulares, de acordo com objetivos estabelecidos.


   3    ATIVIDADES DESENVOLVIDAS


       O estágio foi desenvolvido no período de 26 de janeiro a 07 de maio de 2009 com a
realização das seguintes atividades: internamente no escritório da Brasilcomz em
Jaboticabal - São Paulo foi realizado, o estudo da metodologia de avaliação visual
EPMURAS e das técnicas de Julgamento de Zebuínos, confecção de planilhas para
acasalamento dirigido, desenvolvimento do site Boi com Bula e gráficos de avaliação
genética e demais serviços de escritório. Externamente foi possível fazer avaliação visual
em uma fazenda cliente da Brasilcomz e participar, em pista, de um julgamento na
Exposição Agropecuária de Londrina.
       No período de 01 a 20 de junho de 2009, foi realizado uma Viagem Técnica por
diversos estados brasileiros, onde foram feitas avaliações visuais, credenciamento de
criadores, palestras, curso de julgamento, entre outras. Essas atividades estão relatadas
em anexo (Anexo A), devido à viagem ter sido realizada após a entrega desse relatório.
       Dessa maneira foi cumprida a carga horária de 580 horas, sob a supervisão do
Doutor William Koury Filho (Zootecnista – Coordenador de Projetos).


    3.1    Avaliação Visual EPMU


       Baseado em outros sistemas de avaliação visual (PROBOV, MERCOS, PHRAS,
Sistema Ankony e CPMU), o Dr. William Koury Filho e a Profa. Dra. Lúcia Galvão de
Albuquerque propuseram, através de trabalho publicado em 2002, a metodologia do
EPMU – Estrutura Corporal, Precocidade, Musculosidade e Umbigo. Esse sistema está
sendo utilizado oficialmente pela ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu) no
Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ – ABCZ/Embrapa) e pela
13


ANCP (Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores) no Programa de
Melhoramento Nelore Brasil (antigo programa da USP).
     Por ser um dos mais importantes serviços prestados pela Brasilcomz, no início do
estágio, ainda no escritório, a técnica de avaliação de escores visuais foi estudada
minuciosamente através de diversos trabalhos científicos, principalmente da dissertação
e da tese do Dr. William. Além do EPMU foi exigido conhecimentos sobre parâmetros
genéticos, DEPs (Diferença Esperada de Progênie) e interpretação de sumários.
     Após conhecimento teórico, a prática de avaliação visual foi realizada na Fazenda
Guanabara, localizada em Andradina - São Paulo, propriedade da Agropecuária
Grendene participante do Programa de Melhoramento Nelore Brasil da ANCP. Essa
propriedade    é   especializada   na   produção   de   reprodutores   e   matrizes   para
comercialização em leilões e para julgamentos em exposições agropecuárias. O sistema
de criação do rebanho é a pasto com suplementação mineral e os animais destinados
para pista são confinados em cocheira.
     Durante o estágio o item mais estudado foi o programa de melhoramento Nelore
Brasil. Segundo a ANCP, as fazendas participantes devem seguir um dos dois
cronogramas de pesagens, em que machos e fêmeas são pesados a partir do
nascimento até os 18 meses, em janeiro, abril, julho e outubro (1o cronograma) ou
fevereiro, maio, agosto e novembro (2o cronograma). Nessas mesmas datas deve ser
mensurado o perímetro escrotal dos 9 aos 18 meses de idade. As avaliações visuais são
feitas a desmama (180 a 240 dias de idade) e ao sobreano (480 a 600 dias de idade).
Esses dados são enviados para ANCP pela internet e as DEPs são disponibilizadas aos
criadores através do web site da associação.


    3.1.1     Metodologia do EPMU


     O objetivo das avaliações visuais é explicar de maneira mais clara a composição do
peso através de um “retrato falado” do animal, visando identificar biotipos mais eficientes
e produtivos para cada sistema de produção. O EPMU refere-se à Estrutura corporal (E),
Precocidade (P), Musculosidade (M) e Umbigo (U) e são avaliadas da seguinte maneira,
baseado na metodologia de Koury Filho (2005) e Koury Filho & Albuquerque (2002):
     - Estrutura corporal (E): corresponde ao tamanho, ou área do animal visto de lado,
do dorso/lombo ao chão considerando as pernas. Trata-se basicamente do comprimento
corporal e altura do animal (Figura 6). Os escores variam de 1 a 6, sendo escore 1
pequeno e 6 grande.
     - Precocidade (P): corresponde à relação entre comprimento de costelas e altura de
membros. O objetivo é identificar animais com maior profundidade de costelas, que
14


tendem a depositar gordura de acabamento mais cedo. Esse acabamento é possível de
ser observado na virilha baixa e arredondamento das massas musculares, baseado em
menos ossos salientes (ílio, ísquio, costelas e escápula), além de pontos específicos
como a inserção da cauda, maçã do peito, paleta e a coluna vertebral. Os escores variam
de 1 a 6, sendo escores menores atribuídos a indivíduos mais tardios e maiores para os
mais precoces.
     A cobertura de gordura na carcaça de um animal é importante para os sistemas de
resfriamento dos frigoríficos brasileiros. É exigido uma camada mínima de espessura de
gordura de acabamento de 3 a 6 milímetros, para que não haja escurecimento da carne e
encurtamento das fibras musculares pelo resfriamento rápido (cold shortening), o que
prejudica suas características físicas e organolépticas. Além disso, animais mais
precoces permanecem menos tempo nos pastos e/ou confinamentos, encurtando o ciclo
de produção, aumentando a eficiência da atividade e, conseqüentemente, os lucros do
produtor.
     -   Musculosidade (M):         corresponde a evidências                 de massas musculares
principalmente observadas no posterior e na linha dorso-lombar, regiões onde estão
situados os cortes nobres. Animais mais musculosos são mais pesados e apresentam
maior rendimento de carcaça. Os escores variam de 1 a 6, sendo escore 1 para os
menos musculosos do lote e 6 para os mais musculosos.




     Figura 6: Representação esquemática das diferentes proporções que devem ser avaliadas pelas
                                       características E, P e M.
                             Fonte: Brasilcomz - Zootecnia Tropical, 2009.
15


      - Umbigo (U): corresponde ao tamanho e posicionamento da prega umbilical,
considerando bainha e prepúcio nos machos. Importante característica para as condições
de produção brasileira – basicamente a pasto. Animais com umbigos muito pendulosos
estão mais susceptíveis a patologias, podendo comprometer a reprodução. Os escores
variam de 1 a 6, sendo escore 1 colado; 2, 3 e 4 funcionais; 5 e 6 pendulosos (Figura 7).




          Figura 7: Referência de escala de escores para a característica umbigo na raça Nelore.
                              Fonte: Brasilcomz - Zootecnia Tropical, 2009.



      As avaliações visuais para E, P e M utilizam referência relativa, sempre
comparando animais do mesmo lote de manejo, ou seja, indivíduos agrupados pela
fazenda, criados nas mesmas condições ambientais, principalmente, nutricionais e
sanitárias. Porém para a característica Umbigo a avaliação é absoluta, ou seja, sem
comparação com outro indivíduo e sim com a referência de variabilidade dentro da raça.
      Para uma correta avaliação visual algumas etapas são sugeridas:
      - ser feita pelo mesmo avaliador que deve ter em mente o biotipo referência e as
definições de cada característica em questão, sabendo com precisão que região do
animal deve ser observada;
      - formar lotes com indivíduos separados por sexo, com no máximo 45 dias de
diferença de idade e avaliar primeiramente os lotes com os animais mais novos;
      - observar o lote antes do momento da avaliação para identificar a média do grupo
para as características E, P e M (escores relativos);
      - procurar avaliar os animais sob o mesmo campo de visão, a pé ou montado a
cavalo;
      - não considerar o pedigree do animal, nem dados dos seus genitores;
16


     - ser realizada de forma rápida e precisa, preferencialmente após as pesagens de
controle de desenvolvimento ponderal, no sentido de facilitar o manejo da propriedade.
     Além das etapas descritas acima outros recursos podem ser utilizados para garantir
uma avaliação adequada: desvio de peso de cada animal segundo a média do lote de
manejo, e avaliação dos animais agrupados em dois ou três para facilitar a avaliação
relativa. O uso do desvio de peso auxilia na distribuição mais adequada dos escores no
lote. Um desvio positivo indica que esse animal deve receber escores mais altos, pelo
menos em alguma característica, assim como um desvio negativo indica que o animal
deve receber escores mais baixos, também para pelo menos uma característica.
       As avaliações visuais realizadas na Fazenda Guanabara geraram um texto
intitulado “Avaliação Morfológica – Identificação de Diferentes Biotipos” que aborda
explicações práticas da metodologia e fotos ilustrativas, que foi publicado no web site da
Brasilcomz e está em anexo neste relatório (Anexo A).


    3.1.2   Metodologia do RAS


     As características Raça, Aprumos e Sexualidade, que fazem parte do EPMURAS,
têm funções importantes, não são meramente estéticas, e estão relacionadas à
adaptabilidade do gado zebu no ambiente tropical brasileiro. Alguns exemplos são:
bordos dos olhos negros e com pele enrugada, protegendo dos raios solares, assim
como espelho nasal pigmentado garantindo boa pigmentação do corpo do animal;
aprumos corretos garantem longevidade do animal no rebanho e sustentação na monta,
tanto do macho quanto da fêmea; e um touro com a tábua do pescoço e o cupim escuros,
mostram a ação da testosterona, o que pode garantir um bom reprodutor.
     Essas três características são avaliadas de maneira absoluta, assim como o
Umbigo, porém seus escores variam de 1 a 4 para facilitar a classificação em fraco,
regular, bom e muito bom respectivamente. Conforme escrito pelo Dr. William, as
definições para R A S são:
     - Caracterização Racial (R): todos os itens previstos nos padrões raciais
determinado pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).
     - Aprumos (A): avaliados através das proporções, direções, angulações e
articulações dos membros anteriores e posteriores.
     - Características Sexuais (S): busca-se masculinidade nos machos e feminilidade
nas fêmeas, sendo que estas características deverão ser tanto mais acentuadas quanto
maior a idade dos animais avaliados. Avaliam-se os genitais externos, que devem ser
funcionais, de desenvolvimento condizente com a idade cronológica.
17


  3.2 Julgamento de Zebuínos


         De acordo com a ABCZ, o Departamento de Julgamento das Raças Zebuínas
(DJRZ), sucessor dos anteriores Colégio de Juízes fundado em 19/08/1974, é
coordenado pela própria Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ),
responsável por todos os julgamentos das raças zebuínas do país. Funciona junto ao
Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas (SRGRZ) e está subordinado ao
Superintendente do Departamento Técnico.
         Ao longo de sete décadas de seleção, as raças zebuínas passaram por diferentes
morfologias até chegarem ao conceito atual. No período entre 1938 a 1960, os
julgamentos tiveram como objetivo identificar raçadores e matrizes com alta
superioridade em tipo racial. Até meados de década de 70 procuravam-se indivíduos com
alto potencial de ganho em peso, período em que foi estabelecido o “new type” ou
“moderno novilho de corte”. Entre 1970 e 1980, a imagem do “new type” estava
consolidada e durante esse período buscou-se identificar animais com alto potencial de
ganho em peso, de estatura elevada e peso final muito alto (tipo longilíneo) (JOSAHKIAN,
2007).
         Na década de 90 inicia-se o conceito de que só o ganho de peso não era
suficiente, mas sim, indivíduos que combinassem características reprodutivas, de
crescimento, de acabamento e maturidade sexual. Atualmente, prioriza-se biotipos mais
harmoniosos nas características econômicas de interesse, visando aumentar a eficiência
dos zebuínos. A busca por biotipos mais precoces redireciona os julgamentos para, além
de características raciais, morfologias mais produtivas.
         Durante o estágio os métodos e critérios de julgamento foram estudados com
auxílio da apostila técnica “Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos”
utilizada pela ABCZ, onde são abordados exterior de zebuínos, métodos e critérios de
julgamento, avaliação do tipo e padrões das raças. O exercício prático de julgamento foi
realizado na Exposição Agropecuária de Londrina, Paraná, onde o Dr. William Koury
Filho julgou a raça Tabapuã (Figura 8).
18




                   Figura 8: Julgamento da raça Tabapuã na ExpoLondrina, 2009.



     3.2.1   Metodologia de julgamento


       A prática do julgamento compreende métodos e critérios adequados de avaliação
dos animais. Esses critérios variam em função da definição inicial do propósito
econômico dos mesmos. Dois grandes grupos de interesse que se destacam são
indivíduos destinados para leite ou para corte.
       Basicamente, podemos considerar como métodos de julgamento a avaliação
individual e a avaliação comparativa dos indivíduos. A avaliação individual, mesmo
tratando-se de um único individuo, torna-se comparativa por usar como referência o
biotipo médio da raça e as características raciais inerentes ao grupo genético ao qual o
animal pertence. Na avaliação comparativa, cada animal é comparado com um padrão
mental de referência, assim como na individual, e posteriormente, todos eles entre si,
estabelecendo-se um ranqueamento dentro do grupo (JOSAHKIAN, 2007).
       Em exposições, os animais são agrupados e julgados por idade e, posteriormente,
classificados em categorias/campeonatos. As divisões das categorias mais comuns são:
Bezerra (8 a 11 meses), Bezerro (de 8 a 11 meses), Novilha menor (13 a 16 meses),
Novilha maior (16 a 24 meses), Junior menor (13 a 15 meses), Junior maior (16 a 24
meses), Fêmea jovem (27 a 30 meses), Touro jovem (27 a 30 meses), Progênie de pai e
Progênie de mãe.
       Cada categoria deve ser julgada como se fosse um lote único e desse lote serão
apartados os melhores animais. Para ranquear os animais, deve-se visualizar o primeiro
lugar e os demais irão se alinhar naturalmente numa escala decrescente dos critérios
19


adotados. Na apresentação de cada categoria os animais desfilam em círculo, no sentido
anti-horário e depois permanecem parados lado a lado. O mais usual é que os animais
desfilem por ordem de idade, para facilitar a observação e ponderação de diferenças
positivas ou negativas com relação a idade, tipo e desenvolvimento (JOSAHKIAN, 2007).
       Cada indivíduo é observado de frente para avaliar caracterização racial na
cabeça, amplitude de peito e arqueamento de costelas, que está correlacionada com
capacidade respiratória e desenvolvimento muscular, e aprumos dos membros
anteriores. Observando o animal por trás avaliamos o desenvolvimento de massas
musculares, por ser a região das carnes mais nobres, acabamento de gordura
(identificação de animais precoces), integridade do aparelho reprodutivo, aprumos dos
membros posteriores, importante para sustentação e reprodução. Ao olhar lateralmente,
pode-se observar aprumos dos dois membros, identificar animais precoces e tardios,
segundo a relação entre profundidade de costelas e altura de membros, a convexidade
das massas musculares e os pontos de acúmulo de gordura.
       Durante a avaliação de cada animal são observados aprumos, caracterização
racial, conformação e características reprodutivas, porém a ordem de importância e de
níveis de descarte dessas características dependem do jurado e do propósito econômico
de cada julgamento. Segundo Josahkian (2007), no contexto do melhoramento genético é
preciso considerar o valor econômico de cada característica, a herdabilidade, a
importância relativa dentro da raça e as correlações genéticas e fenotípicas existentes
entre elas. Independente da ordenação das características, o objetivo do julgamento é
permitir um bom desempenho produtivo e funcional do animal.
       Para julgar um animal e classificá-lo de acordo com a definição de raça ou com a
finalidade zootécnica, é necessário conhecimento das particularidades de cada raça,
segundo os padrões estabelecidos, e um conceito amplo do exterior desse animal (Figura
9). Todas as informações a seguir foram embasadas no texto “Exterior de Zebuínos” de
Machado (2007), publicado na Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e
Julgamento de Zebuínos da ABCZ.
       O estudo do exterior de zebuínos compreende a divisão e nomenclatura das
partes do corpo, sua função e o que cada uma delas representa em quantidade e
qualidade de carne dentro da carcaça, a forma típica de cada região e eventuais
deformações, distinguindo-se as viciosas ou acidentais das de ordem genética ou
hereditárias (MACHADO, 2007).
20




                        Figura 9: Denominação das partes do corpo de bovinos.
   Fonte: Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos – ABCZ, 2007.



     3.2.2   Conformação


       Ao avaliar a conformação do animal observado-se o desenvolvimento de massas
musculares, o acabamento de gordura, estrutura óssea, tórax e arqueamento de
costelas. Busca-se uma carcaça com musculatura compacta e bem distribuída por todo o
corpo, sendo ressaltados os músculos da região dorso-lombar e dos posteriores, de
maior importância econômica. Quando se examina os músculos, dar ênfase ao
comprimento, integridade e localização. A carcaça não deve ser pouco musculada ou
com músculos mal formados, sem integridade e mal localizados, quando se está
avaliando um animal produtor de carne. A gordura deve ser na medida certa para a idade
e carência e excessos devem ser condenados, pois a cobertura de gordura subcutânea é
extremamente importante para a conservação da carcaça (KOURY FILHO, 2001).
       O animal deve apresentar constituição robusta e estrutura óssea forte, que
suporte bem o peso, porém não grosseira. Ossos grossos não são sinônimos de ossos
fortes. A conformação leonina é desclassificatória por ter correlação com subfertilidade
nas fêmeas. Como mostra a Figura 10, a vaca da esquerda apresenta características
morfológicas de subfertilidade como dianteiro bastante pesado, acúmulo de tecido
21


adiposo em excesso e cabeça pesada. À direita um animal com fenótipo funcional, boa
proporção dianteiro- traseiro com feminilidade evidente.




                         Figura 10: Diferenças morfológicas influentes na fertilidade.
                Fonte: Prof. Jan C. Bonsma, África do Sul, 1983 citado por Koury Filho, 2001.



       O peito deve ser amplo e com bom desenvolvimento muscular, denotando grande
capacidade respiratória, pois tem correlação positiva com a amplitude torácica. O tórax
por sua vez, deve ser amplo, largo e profundo. As costelas devem ser compridas,
proporcionais ao comprimento dos membros e largas, bem arqueadas, afastadas e com
espaços intercostais bem revestidos de músculos e sem depressão atrás das espáduas.
       Uma característica exclusiva dos zebuínos é a presença do cupim ou giba,
localizada sobre a cernelha. É mais desenvolvido nos machos, acompanhando o restante
da musculatura corporal, deve apresentar forma de rim ou castanha de caju e apoiar-se
sobre o dorso, nas fêmeas é mais delicado e arredondado, proporcionando maior
feminilidade.
       A região dorso-lombar, importante por representar uma área de carnes de
primeira, deve ser larga, reta e musculosa, mais evidenciada nos animais com aptidão
para corte, sendo permissível leve inclinação tendendo para a horizontal e deve estar
harmoniosamente ligada a garupa. Como mostra a Figura 11, à esquerda o alinhamento
correto de cernelha, dorso, lombo e garupa e à direta, largura da região dorso-lombo
ideal, principalmente para bovinos de corte. Defeitos graves como lordose (selado ou
côncavo), cifose (elevado ou convexo) e escoliose (desvios laterais por ligamentos fracos
da coluna vertebral) são desclassificatórios. Também não deve ser mensa (fortemente
inclinada) nem tão pouco encoletada (estreitamento das primeiras costelas).
22




                      Figura 11: Conformação ideal para bovinos de corte.
                 Fonte: Herd-book da raça Limousin citado por Koury Filho, 2001.



       A garupa é uma região muito importante por ser constituída de cortes nobres, por
isso, nos animais com aptidão para corte é desejável que essa massa muscular seja bem
espessa. Juntamente com o lombo, o dorso e a cernelha devem apresentar ligeira
inclinação tendendo para horizontal. Nas fêmeas, essa região deve ser cuidadosamente
analisada, pois determina o grau de facilidade do parto devido ao afastamento adequado
das ancas, mostrado na Figura 12, e da inclinação da garupa, região responsável
também pelo suporte do úbere. A garupa oblíqua é a mais adequada. As ancas devem
ser niveladas e são mais salientes nas fêmeas que nos machos. O sacro não deve ser
saliente, pois em geral corresponde a garupa inclinada, o que constitui grave defeito,
devendo estar no mesmo nível das ancas. A inserção da cauda deve ser harmoniosa,
não grosseira.




                 Figura 12: Nivelamento e afastamento adequado entre as ancas.
                 Fonte: Herd-book da raça Limousin citado por Koury Filho, 2001.
23


    3.2.3    Aprumos


       Define-se como aprumos a direção normal dos membros em toda a sua extensão,
ou em particular das suas diferentes regiões de forma a sustentar solidamente o corpo
animal e permitir o seu deslocamento fácil. Defeitos graves de aprumos comprometem
além da longevidade dos animais, o ato de monta para os machos e a capacidade de
suportar a cobertura pela fêmea. A avaliação deve ser feita examinando a direção dos
membros ou situação das suas diversas regiões, em relação à linha de aprumo partindo
de pontos diversos do corpo.


       3.2.3.1 Membros anteriores e posteriores vistos de perfil


       Os membros anteriores são considerados normais quando uma linha vertical
baixada da ponta da espádua atinge o solo a uma distância de 5 a 10 centímetros adiante
da unha. Para os membros posteriores, a vertical deve ser baixada da ponta da nádega
(tuberosidade isquiática) passando pela ponta do jarrete, alcançando o solo a distância
de 5 a 8 centímetros atrás das unhas.
                Defeitos Totais
       - Acampado de diante ou estacado: quando as unhas alcançam ou ultrapassam a
linha de aprumo (Figura 13).
       - Sobre si de diante ou debruçado: quando o eixo do membro se inclina para trás,
obtendo uma distância muito maior que 10 centímetros da ponta da unha à vertical da
ponta da espádua.




Figura 13: Posicionamento de membros anteriores, da esquerda para direita: acampado, sobre si e aprumos
                                               corretos.
                    Fonte: Herd-book da raça Limousin citado por Koury Filho, 2001.
24


       - Sobre si de trás ou acurvilhado: o membro se afasta da linha de aprumo e o seu
eixo se projeta para trás, distanciando mais de 8 centímetros da linha de aprumo, assim o
membro fica sob o corpo do animal (Figura 14).
       - Acampado de trás: o membro se aproxima, toca ou ultrapassa a linha de aprumo
que é a vertical da ponta da nádega. Como conseqüência a garupa apresenta-se
inclinada, o ângulo do jarrete muito fechado e o boleto baixo.




    Figura 14: Posicionamento de membros posteriores, da esquerda para direita: pés retos, angulação
                                     exagerada, aprumos corretos.
                    Fonte: Herd-book da raça Limousin citado por Koury Filho, 2001.



                Defeitos Parciais
       Para o exame dos desvios de joelho (membro anterior), usa-se a linha de aprumo
que parte do centro do cotovelo e atinge o solo atrás das unhas, dividindo o antebraço, o
joelho e a canela em duas partes aproximadamente iguais.
       - Ajoelhado: quando o joelho se projeta frente à linha de aprumo.
       - Transcurvo: quando o desvio é para trás da linha de aprumo.
       As quartelas devem ter um ângulo de 45 graus com a horizontal, caso contrário
torna-se um defeito grave.
       - Baixo de quartela: quando a quartela é muito comprida e o seu eixo com a
horizontal forma um ângulo menor que 45 graus. Esta angulação não permite o desgaste
normal da parte anterior das unhas, tornando-as muito longas, chamado de “achinelado”.
       - Fincado de quartela: quando a quartela é muito curta com angulação superior a
50 graus. Este defeito faz com que ocorra o desgaste excessivo da parte anterior das
unhas, chamado “pé de burro”.
       Para os membros posteriores o ângulo interno ideal dos jarretes é de 160 graus e
as quartelas devem formar um ângulo de 45 graus com a horizontal, assim como nos
membros anteriores.
25


        - Jarretes fechados: ângulo menor que 160 graus e normalmente o animal é sobre
si de trás.
        - Jarretes abertos: ângulo maior que 160 graus e normalmente o animal é
acampado de trás.
        - Baixo de quartela: forma com o horizontal ângulo menor que 45 graus.
        - Fincado de quartela: forma com o horizontal ângulo maior que 50 graus.


        3.2.3.2 Membros anteriores vistos de frente e posteriores vistos de trás


        A linha de aprumo para os membros anteriores visto de frente é uma vertical
baixada da ponta da espádua que divide a antebraço e a canela em duas partes
praticamente iguais. Os joelhos se encontram até dois terços para dentro desta linha, o
que é característica dos bovinos, especialmente dos zebuínos. Para os membros
posteriores são considerados normais, quando a vertical baixada da ponta da nádega
divide o jarrete, a canela, a quartela e o pé em duas partes praticamente iguais.
                 Defeitos totais
        - Aberto de frente e Aberto de trás: quando os membros estão desviados para
fora, afastados da linha de aprumo (Figura 15).
        - Fechado de frente e Fechado de trás: quando os membros estão convergentes
de cima para baixo para dentro da linha de aprumo.




  Figura 15: Posicionamento de membros anteriores, da esquerda para direita: fechado de frente, cambaio
                          (fecha os joelhos e abre as mãos) e aprumos corretos.
                     Fonte: Herd-book da raça Limousin citado por Koury Filho, 2001.
26


                 Desvios parciais:
        - Joelhos arqueados, Pés arqueados e Jarretes arqueados: estão projetados
muito para fora da linha de aprumo.
        - Joelhos cambaios, Pés cambaios e Jarretes ganchudos: estão projetados muito
para dentro da linha de aprumo (Figura 16).




Figura 16: Posicionamento de membros posteriores, da esquerda para direita: fecha os jarretes e abre os pés
                                           e aprumos corretos.
                     Fonte: Herd-book da raça Limousin citado por Koury Filho, 2001.



     3.2.4    Características reprodutivas


        O dimorfismo sexual deve ser bem evidente, ou seja, macho deve ter o aspecto
masculino e a fêmea aspecto feminino, de forma que o sexo do animal fique explícito sem
que seja necessário olhar o aparelho reprodutivo.
        A bolsa escrotal deve ser constituída de pele fina, flexível e bem pigmentada,
contendo dois testículos de bom tamanho e simétricos, não devendo possuir anomalias
como o criptorquidismo, monorquidismo, hipoplasia ou hiperplasia. A bainha deve ser de
tamanho médio e bem direcionada, proporcional ao desenvolvimento do animal e o
prepúcio recolhido, sendo desclassificatório prepúcio relaxado.
        A vulva deve apresentar conformação e desenvolvimento normais, em posição
oblíqua, facilitando a cobrição e a drenagem das secreções e fezes. O úbere deve ser
funcional, coberto por pele fina e sedosa, com tetas médias, bem distribuídas e
simétricas, não devendo ser penduloso ou subdesenvolvido, as tetas não devem ser
longas, grossas ou atrofiadas.
27


    3.2.5    Caracterização Racial


       As características raciais são observadas, basicamente na cabeça do animal,
onde estão as principais diferenças nos padrões de cada grupo racial, que determina a
conformação, posição, tamanho e particularidades de cada região.
       Durante o estágio, a prática de julgamento foi realizada com a raça Tabapuã, por
isso será tomada como base para descrever a caracterização racial nesse relatório. É
importante lembrar que a expressão racial varia muito, mesmo dentre as raças zebuínas,
portanto segue em anexo (Anexo B) as principais diferenças na morfologia da cabeça de
cada raça (Figura 17).




  Figura 17: Caracterização racial das raças zebuínas: Brahman (1), Cangaian (2), Gir (3), Indubrasil (4),
                              Nelore (5), Sindi (6), Guzerá (7), Tabapuã (8).
  Fonte: Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos da ABCZ, 2007.



       A cabeça deve ser de largura e comprimento médios, em forma de ogiva. Nos
machos deve ser mais curta e larga enquanto que nas fêmeas, mais comprida e estreita.
Assim como em outras raças, cabeças pesadas ou assimétricas são desclassificatórias.
28


O Tabapuã se caracteriza por ser uma raça mocha e a existência de batoque, calo ou
botão são desclassificatórios.
       O perfil do Tabapuã deve ser sub-convexo ou retilíneo, formando nos machos,
suave convexidade entre os olhos e a marrafa. A fronte, moderadamente larga nos
machos e estreita nas fêmeas, sendo permissível a presença de nimbure. O chanfro,
reto, curto e largo nos machos e mais longo e estreito nas fêmeas. Desvios, depressão e
acarneiramento de chanfro são penalizados.
       O focinho deve ser preto e largo, com narinas dilatadas e bem afastadas. É
permissível marmorização parcial e lambida, porém a predominância de coloração clara e
lábio leporino são desclassificatórios. A boca, de abertura média e com lábios firmes,
condenando prognatismo e inhatismo.
       Os olhos pretos, elípticos, vivos, com órbitas ligeiramente salientes, nos machos
bem protegidos por rugas da pele, e cílios pretos. São permissíveis cílios mesclados e
cegueira unilateral adquirida, porém não devem ser exoftálmicos, gateados, cílios
totalmente brancos e cegueira bilateral.
       As orelhas do Tabapuã devem ser simétricas e médias, relativamente largas.
Vistas de frente mostram-se voltadas para a face. Apresenta ligeira reentrância na
extremidade da borda inferior, sendo permissível a falta dela. Não é permitido orelhas
excessivamente longas ou curtas, assimétricas, encartuchadas ou em forma de lança. O
tamanho, formato e posição das orelhas são elementos que variam muito, por isso são
importantes na caracterização das raças e estão definidas no padrão-racial específico.


     3.2.6   Pigmentação


       A pigmentação é importante para os zebuínos, devido à adaptação aos climas
tropical e subtropical. Independente da coloração da pelagem, a pele deve ser preta ou
escura, solta, fina e flexível, macia e oleosa, não devendo possuir regiões com
despigmentação excessiva, principalmente nas partes não sombreadas. Áreas de
despigmentação fáceis de serem observadas são cílios, espelho nasal, barbela,
vulva/saco escrotal, úbere e vassoura da calda.
       Na raça Tabapuã a pelagem deve ser de cor branca ou cinza e suas nuances.
Algumas manchas são permitidas, porém não muito carregadas e nem muito definidas na
cor. Os pelos devem ser finos, curtos e sedosos, e a pele preta ou escura.
29


  3.3 Acasalamento dirigido


       O acasalamento dirigido concilia o máximo de informação genética e morfológica
de cada animal, para definir os acasalamentos mais adequados a fim de otimizar o
potencial genético e funcional dos produtos que serão gerados para atingir os objetivos
do cliente.
       Para o desenvolvimento dessa atividade durante o estágio na Brasilcomz, foi
necessário aprimorar conhecimentos de avaliação genética (DEP, DEP para efeito direto,
DEP para efeito materno, base genética, acurácia), características e índices dos
diferentes programas de melhoramento (Nelore Brasil, Aliança), interpretação de
sumários, e a genealogia e a régua de DEPs dos touros disponíveis em centrais de
inseminação.
       Durante o estágio, a prática de acasalamento dirigido foi desenvolvida com o uso
dos dados de rebanho da Fazenda Kuluene, localizada no Estado do Mato Grosso,
propriedade da Agropecuária Nelore Jandaia, participante do Programa de Melhoramento
Nelore Brasil da ANCP. Essa propriedade direciona o processo de melhoramento
genético de seu plantel com foco principal na precocidade e na conformação de carcaça,
obtidas em sistema de criação a pasto, com preservação das características raciais. Tem
o objetivo de produzir reprodutores e matrizes com excelente avaliação genética para
comercialização em leilões.
       As fazendas participantes do Programa de Melhoramento Nelore Brasil têm
acesso as informações de seu rebanho online no web site da ANCP. Através desse site
foram baixadas, em formato Excel, as avaliações genéticas de todas as matrizes
disponíveis para a próxima estação de monta. A planilha proveniente da ANCP utilizada
para direcionar os acasalamentos, contém as seguintes informações sobre cada animal:
RGN (Registro Genealógico de Nascimento), data de nascimento, safra, sexo, nome do
animal, nome do pai, nome da mãe, nome do avô materno, índice da ANCP (MGT) e
DEPs para todas as características avaliadas.
       O Mérito Genético Total (MGT) corresponde ao índice que fornece ao criador a
oportunidade de escolher animais geneticamente superiores, porém harmonicamente
balanceados para reprodução, habilidade maternal, fertilidade, precocidade sexual e
crescimento pós-desmame. Esse índice foi desenvolvido pela ANCP e considera as
seguintes características e suas ponderações como mostra a Tabela 2.
30


           Tabela 2: Características e ponderações contempladas no índice MGT da ANCP.

               Características                          Ponderações
               Habilidade Maternal (MP120)                  20%
               Peso aos 365 dias (DP365)                    20%
               Peso aos 450 dias (DP450)                    20%
               Perímetro Escrotal aos 365 dias (DPE365)     10%
               Perímetro Escrotal aos 450 dias (DPE450)     10%
               Idade ao Primeiro Parto (DIPP)               15%
               Período de Gestação (DPG)                     5%
                               Fonte: Sumário 2009 da ANCP, 2009.



       À planilha disponibilizada pela ANCP são adicionadas outras informações que
auxiliam nos acasalamentos, corresponde à descrição dos escores morfológicos de
EPMURAS descritivo (baseado em referência absoluta, ou seja, a população da raça em
questão) e comentários. Essas informações são coletadas em visita a fazenda antes da
estação de monta. Os comentários são observações de defeitos externos como,
pigmentação, chifre, cupim, entre outros, que podem ser minimizados nas progênies com
o acasalamento correto.
       Os escores morfológicos de Estrutura Corporal, Precocidade, Musculosidade e
Umbigo, foram explicados anteriormente neste relatório, no entanto para a planilha de
acasalamento é necessário a inclusão de outras três características, Caracterização
Racial, Aprumos e Sexualidade. No caso do Nelore Jandaia, é importante preservar as
características raciais do rebanho, ao mesmo tempo em que seleciona-se animais
precoces e produtivos. Defeitos de aprumos devem ser eliminados, pois podem
comprometer a longevidade (permanência dos animais no rebanho), dificultando a busca
por alimento nos sistemas de produção a pasto, que pode prejudicar a condição corporal
dos animais, resultando indiretamente em descarte por falha na reprodução. Vale
ressaltar que touros com aprumos traseiros deficientes podem sentir dor ao efetuar o
salto, e as fêmeas ao suportar o peso do macho, diminuindo, mais uma vez, a eficiência
reprodutiva. Características sexuais do exterior do animal (masculinidade, feminilidade,
genitais) parecem estar diretamente ligadas à eficiência reprodutiva, e esta é a
característica de maior impacto financeiro na atividade.
       A Brasilcomz opta por trabalhar as avaliações genéticas representadas em
percentil e classificadas em TOP%, artifício criado pela ANCP para auxiliar o criador a
situar o material genético de cada animal dentro de uma população. Por exemplo, um
animal TOP 1% significa que entre 1000 animais ele está entre os 10 melhores em
avaliação genética. Adota-se também, um sistema de coloração das DEPs na planilha,
para facilitar a visualização do TOP de cada característica no momento de definir os
31


acasalamentos: azul (até 0,9%), verde (1 a 9%), branco (10 a 25%), amarelo (30 – 50%)
e vermelho (60 – 100%) (Figura 18).
       Após a montagem da planilha com todos os dados descritos anteriormente, é
necessário conhecer o estoque de sêmen da fazenda, quantidade e reprodutor. Os
acasalamentos são direcionados utilizando, da melhor maneira, sêmen disponível na
propriedade e introduzindo sêmen de novos reprodutores, que aumente o progresso
genético do rebanho. Os novos reprodutores são escolhidos de acordo com as
características a serem corrigidas em cada rebanho e do objetivo do criador. Na planilha,
com auxilio das cores e dos comentários, identificam-se as maiores necessidades de
cada individuo e escolhe-se um reprodutor que possa minimizar defeitos e complementar
o material genético da futura progênie.
32



 Série RGN      Nasc         Safra   Sexo    Nome                   Pai                               Mãe                   Avô Mat
 AIA    A6291   19/11/2006   2006    Femea   A6291 DA JANDAIA       OITAVO DA JANDAIA                 UKLA DA JANDAIA       F1292
 AIA    A6294   19/11/2006   2006    Femea   A6294 DA JANDAIA       RAMBO DA MUNDO NOVO               PELICA DA JANDAIA     ORG, MATA VELHA
 AIA    A6299   19/11/2006   2006    Femea   A6299 DA JANDAIA       MEANDRO JANDAIA                   MOEDA DA JANDAIA      RAMAPUI JANDAIA
 AIA    A6309   20/11/2006   2006    Femea   A6309 DA JANDAIA       RAMBO DA MUNDO NOVO               PISTOLA DA JANDAIA    SUECO DA JANDAIA
 AIA    A6313   20/11/2006   2006    Femea   A6313 DA JANDAIA       CINICO DA JANDAIA                 PERTENCA DA JANDAIA   QUEPE DA SALETTE
 AIA    A6314   20/11/2006   2006    Femea   A6314 DA JANDAIA       POPI / 35 / 35                    CHATA DA JANDAIA      GALANTE POTY VR
 AIA    A6320   20/11/2006   2006    Femea   A6320 DA JANDAIA       RAMBO DA MUNDO NOVO               PEUBA DA JANDAIA      GALANTE POTY VR
 AIA    A6339   21/11/2006   2006    Femea   A6339 DA JANDAIA       TOROXO DA JANDAIA                 CORVETA DA JANDAIA    DEDAL R,K
 AIA    A6342   21/11/2006   2006    Femea   A6342 DA JANDAIA       RAMBO DA MUNDO NOVO               CORAMINA DA JANDAIA   GALANTE POTY VR
 AIA    A6348   22/11/2006   2006    Femea   A6348 DA JANDAIA       BACKUP                            PIORRA DA JANDAIA     ACARA DA JANDAIA
 AIA    A6349   22/11/2006   2006    Femea   6349 DA JANDAIA        BACKUP                            REVVI DA JANDAIA      LANDARIO

MGT    MP120 DP365 DP450 DPE365 DPE450 DAOL DIPP DPG DED DPD DMD DES DPS DMS E P M U R A S Comentário
 15     25     10    15    50     60    70   60    70  2   2   2   2  50  30 5 4 5 2 4 4 4
 10      4     15    10    30     40    60    5   100 20   3  25  20   2   3 5 6 6 2 3 4 4
 40     20     40    25    80     70    70   100   50 30  60  20  20  30  10 6 4 5 2 3 4 4 afundamento dir 1
 10      1     25    15    10     15    60   15   100 25  20  50  30  15  60 6 5 4 2 3 3 4 pigmentação 2
 40      4     90    80     4     15    70   20    20 40  60  30  30  40  50 4 5 4 2 3 3 4
 25     50     25    20    80     70    40   50    40 10   4  20  40  10  40 5 5 4 2 4 3 4
 10     0,5    20    15    25     40    30   15   100 10   4   4  0,5 30  10 6 4 5 2 3 4 4 temperamento 2
 25     10     50    40    50     40    60   25    70  4   3   5  10  15  15 6 5 5 4 3 3 4
 30     10     50    40    60     70    40   20   100 90  25  60  80  90  80 4 5 4 2 4 4 4 pigmentação 3, garupa 1
 10     50     10    3     25     25    15   60    50 15  15  10  25  15  20 6 4 4 1 2 3 4
 15     40     20    10    15     15    15   60    40 10   2   4  30  0,5  1 5 5 5 3 2 3 4 chifre 3

                                              Figura 18: Exemplo de planilha utilizada para acasalamento dirigido.
                                                         Fonte: Brasilcomz – Zootecnia Tropical, 2009.
33


  3.4 Desenvolvimento de web site


       Com o desenvolvimento do produto Boi com Bula pela Brasilcomz foi necessário
alguns trabalhos no layout e de material para inclusão no web site. Juntamente com o
nucleoTI, empresa de desenvolvimento de web site, localizada em Uberaba, Minas
Gerais, foi desenvolvido um projeto onde se descrimina todos os itens que serão inclusos
no site. Esse projeto foi revisado diversas vezes e está em constante mudança, em busca
de um site interativo, de fácil navegação e compra pelo criador, disponibilizando grande
quantidade de informações sobre cada produto (genealogia, fotos, vídeos, proprietário,
EPMURAS descritivo, entre outras) e com garantia de qualidade e segurança da
Brasilcomz.
       Durante o estágio foi necessário aprimorar o uso do Excel para estruturação de
gráficos demonstrativos da avaliação genética de cada animal, que estará disponível no
site do Boi com Bula. Para facilitar a estruturação dos gráficos dos novos animais a
serem inclusos, o gráfico base deve conter fórmulas (SE e PROCV), de maneira que as
alterações nos valores do TOP alterem automaticamente os outros componentes.
       Considera-se difícil a compreensão das DEPs em valores absolutos, por isso os
gráficos de avaliação genética mostrarão em TOP ou DECA, (divisão de percentil, ou
seja, DECA 1 variando de 0,1 a 10% até DECA 10 de 90,1 a 100%), dependendo de
cada programa de melhoramento (ABCZ, Aliança e ANCP), assim como a denominação
adotada para as características em cada programa (Tabela 3).
       O tipo de gráfico escolhido (barras horizontais), demonstrado na Figura 19, tem o
objetivo de facilitar a identificação dos animais positivos e negativos para cada DEP. O
centro do gráfico representa o TOP 50%, sendo que quanto mais para direita estiver a
barra, mais próximo de 0,1% estará o animal para determinada característica,
representada pela cor azul. Da mesma maneira, quanto mais para a esquerda estiver a
barra, mais próximo de TOP 100% estará o animal, representada pela cor vermelha, ou
seja, mais negativo para determinada característica.
34


                                              Sumário ANCP
                     DEP      AC     TOP%
                                              MP120
          MP120      -0,44    20       90
                                              MP210
          MP210      0,31     20       60
                                               DP120
          DP120      7,42     60       0,5
                                               DP210
          DP210      12,02    59       0,1
                                               DP365
          DP365      18,76    63       0,5
                                               DP450
          DP450      20,26    62       0,5
                                              DPE365
          DPE365     0,31     40       10
                                              DPE450
          DPE450     0,41     47       10
                                               DAOL
           DAOL      0,27     29       15
                                                DEG
           DEG       -0,01    34       30     DEGP8
          DEGP8      -0,15    40       90       DIPP
           DIPP      -0,99    21       2        DPG
           DPG       4,28     59      100       DPA
           DPA       32,26    21      100      DPAC
           DPAC      6,84     21       2       DSTAY
          DSTAY      63,3     18       0,1      D3P
           D3P       53,45    16       3        DPN
           DPN       1,97     48      100       DED
           DED                         20       DPD
           DPD                         1        DMD
           DMD                         1         DES
           DES                         20        DPS
           DPS                         1        DMS
           DMS                         1        MGT
           MGT       12,73    44       2

Figura 19: Layout das avaliações genéticas de um animal que estarão disponíveis no web site Boi com Bula.




            Tabela 3: Legenda das DEPs utilizada pelo programa de melhoramento da ANCP.

                                             Reprodução
                  D3P   DEP Direta para Probabilidade de Parto Precoce
                  DIPP  DEP Direta para Idade ao Primeiro Parto
                  DPE365DEP Direta para Perímetro Escrotal aos 365 dias de Idade
                  DPE450DEP Direta para Perímetro Escrotal aos 450 dias de Idade
                  DPG   DEP Direta para Período Gestação
                  DPAC  DEP para Produtividade Acumulada
                  DSTAY DEP para Stayability
                                             Crescimento
                  DPN   DEP Direta para Peso ao Nascer
                  MP120 DEP Materna para Peso aos 120 dias de Idade
                  DP120 DEP Direta para Peso aos 120 dias de Idade
                  DP365 DEP Direta para Peso aos 365 dias de Idade
                  DP450 DEP Direta para Peso aos 450 dias de Idade
                  DPA   DEP Direta para Peso Adulto da Vaca
                                    Medidas por Ultrassonografia
                  DAOL DEP Direta para Área de Olho de Lombo
                  DACAB DEP Direta para Acabamento de Carcaça
                                     Temperamento/Reatividade
                  DREAT DEP Direta para Reatividade Animal
                                             Morfológicas
                  DED   DEP Direta para Estrutura Corporal ao Desmame
                  DPD   DEP Direta para Precocidade ao Desmame
                  DMD   DEP Direta para Musculatura ao Desmame
                  DES   DEP Direta para Estrutura Corporal ao Sobreano
                  DPS   DEP Direta para Precocidade ao Sobreano
                  DMS   DEP Direta para Musculosidade ao Sobreano
                                   Fonte: Sumário 2009 da ANCP, 2009.
35


       Devido ao fato da Brasilcomz ser uma das empresas pioneiras no uso de
avaliações morfológicas e acreditar que essas características possam auxiliar na busca
por um animal mais eficiente/produtivo e caracterizado, estará disponível no web site
gráficos de EPMURAS descritivo (Figura 20) mostrando os escores reais, a nota
equivalente segundo metodologia criada pelo Dr. William Koury Filho, e um índice
morfológico, que corresponde a soma das notas equivalentes para as sete
características. Por exemplo, um animal com escores de EPMURAS 5, 4, 4, 3, 3, 4 e 4,
segundo a Tabela 4, somaria 32 pontos e se classificaria como excelente (Tabela 5).


                   ÍNDICE MORFOLÓGICO
                                                              E
   CARAC.     E. REAL       NOTA    ESCALA      %
      E           5           5       1-6     83,33           P
      P           6           6       1-6     100,00         M
     M            5           5       1-6     83,33
                                                              U
      U           3           4       1-6     66,67
      R           3           3       1-4     75,00           R
      A           4           4       1-4     100,00          A
      S           4           4       1-4     100,00          S
   ÍNDICE MORFOLÓGICO        31        MUITO BOM
      Figura 20: Layout do EPMURAS descritivo que será disponibilizado no web site Boi com Bula



           Tabela 4: Escores e notas equivalentes para as características de avaliação visual.

              Característica Escores Reais        Notas Equivalentes
                    E            1a6       mesmo escore dado pelo avaliador
                    P            1a6       mesmo escore dado pelo avaliador
                   M             1a6       mesmo escore dado pelo avaliador
                                                    escore 2, 3 e 4 --> 4 pontos;
                     U              1a6              escore 1 e 6 --> 1 ponto;
                                                       escore 5 --> 2 pontos
                     R               1a4        mesmo escore dado pelo avaliador
                     A               1a4        mesmo escore dado pelo avaliador
                     S               1a4        mesmo escore dado pelo avaliador



                           Tabela 5: Classificação dos Índices Morfológicos.

                                 Índice Morfológico Classificação
                                        0 a 19         FRACO
                                       20 a 24        REGULAR
                                       25 a 28          BOM
                                       29 a 31      MUITO BOM
                                       32 a 34       EXCELENTE
36


4    CRÍTICAS E SUGESTÕES


       Durante o estágio foi possível aplicar conceitos de melhoramento genético e de
ezoognósia aprendidos em sala de aula, na seleção de animais e em julgamentos
agropecuários. Sem dúvida essa base teórica é essencial para o bom desempenho
prático das atividades e foi muito bem ensinada pelos professores da FZEA, porém
acredito que essas disciplinas deveriam ter também um enfoque prático, de maneira que
o aluno ficasse esclarecido de como é possível aplicar e como vem sendo aplicado esses
conceitos no mercado de trabalho. A sugestão seria trazer profissionais das áreas para
ministrar palestras, mostrando a aplicação e a utilidade dos conceitos que nos são
transmitidos durante as disciplinas.
       O estágio na Brasilcomz foi essencial para formar uma profissional com
experiência de campo em melhoramento animal, conhecimento de gado, envolvida no
real mercado do agronegócio e com muitos contatos de profissionais competentes. A
Brasilcomz é uma empresa pequena que carrega o nome do conceituado Dr. William
Koury Filho e muitos clientes importantes no meio, e com certeza tem muito a ensinar a
estudantes da área de ciências agrárias interessados em melhoramento animal e gado
de corte. A única sugestão seria a melhor organização do plano de atividades, para poder
distribuir da melhor maneira as atividades internas e externas que o estagiário realizará
para a empresa.
37


5    CONCLUSÕES


       O uso de avaliações visuais consiste em um sistema simples e sem custo, com
alta correlação com precocidade de deposição de gordura e desenvolvimento de massas
musculares, que pode ser utilizada para selecionar animais com biotipos mais adequados
a cada sistema de produção, selecionando um gado mais eficiente que aumentará a
lucratividade do criador. Essa metodologia tem auxiliado também nos julgamentos em
exposições agropecuárias. Durante um longo período, os julgamentos tiveram por
objetivo selecionar apenas animais com a melhor caracterização racial, deixando de lado
características   produtivas/econômicas.   Atualmente   busca-se   identificar   também
indivíduos que passem para suas progênies além de beleza racial e aprumos corretos,
precocidade e uma carcaça com bom desenvolvimento muscular e revestimento de
gordura.
       O Brasil tem participação expressiva no mercado mundial em produção e
exportação de carne bovina, tendo o segundo maior rebanho bovino composto por cerca
de 80% de zebuínos. Devido a necessidade de aumentar a produtividade brasileira nesse
setor, os programas de melhoramento genético têm contribuído para aumentar a
qualidade da carne exportada, o rendimento das carcaças no frigorífico, reduzir o tempo
para terminação dos animais, gerando assim benefícios econômicos para toda cadeia
produtiva da carne.
38


6   REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ANUALPEC 2008: Anuário da pecuária brasileira. São Paulo: Instituto FNP, Prol Editora
Gráfica, 2008.


ABCZ.      História   e     Colégio     de    Jurados,    2008.     Disponível     em
<http://www.abcz.org.br/conteudo/jurados>. Acesso em 04 de maio de 2009.


ANCP. Cronogramas. Disponível em <http://www.ancp.org.br/cronogramas.php?id=1>.
Acesso em 03 de maio de 2009.


BEZERRA, L.A.F.; LOBO, R.B. Análise genética de escores de avaliação visual de
bovinos com modelos bayesianos de limiar e linear. Pesquisa Agropecuária Brasileira,
v.43, p.835-841, 2008.


BRASILCOMZ – Zootecnia Tropical. Disponível em: <www.brasilcomz.com>. Acesso em
29 de abril de 2009.


FARIA, C.U. de; MAGNABOSCO, C.U.; ALBUQUERQUE, L.G. de; REYES, A. de los;
CARDOSO, F. F.; CARDELLINO, R. A.; CAMPOS, L. T. Componentes de (Co)Variância
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39


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Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.44, n.2, p.197-202, fev. 2009.
40


ANEXO A – Descrição da Viagem Prática realizada com a Brasilcomz.


       No período de 01 a 20 de junho de 2009, foi realizado uma viagem prática com o
Dr. William Koury Filho, com a finalidade de atender diversos clientes e parceiros da
Brasilcomz em vários Estados brasileiros. Nessa viagem foram feitas avaliações visuais,
credenciamento de criadores, palestras, curso de julgamento, entre outras atividades que
foram de extrema importância para aplicação de todo conhecimento adquirido durante os
primeiros meses de estágio na empresa. Essas atividades foram descritas em anexo, por
terem sido realizadas após a primeira entrega desse relatório.
       A seguir serão descritas as atividades realizadas durante a viagem.


   1   Associação Brasileira dos Criadores de Zebu - ABCZ


       No primeiro dia de viagem passamos pela cidade de Uberaba – Minas Gerais e
visitamos a ABCZ, que está localizada desde 1941, no Parque Fernando Costa. Trata-se
de uma entidade nacional que coordena e centraliza todas as atividades relacionadas ao
zebu nas áreas técnica, política e econômica. Com a atual presidência nas mãos de José
Olavo Borges Mendes, essa associação conta com cerca de 18 mil criadores, no Brasil e
no exterior.
       Hoje a ABCZ é considerada a maior associação classista do setor pecuário
mundial e é responsável por grandes ações como a ExpoZebu, ExpoGenética, Registros
Genealógicos, Colégio de Jurados das Raças Zebuínas, Programa de Melhoramento
Genético de Zebuínos (PMGZ), Provas Zootécnicas (Desenvolvimento Ponderal, Ganho
de Peso e Controle Leiteiro), Sumário de Touros, entre outras ações que auxiliam o
desenvolvimento do zebu no Brasil.


   2   Nelore Jandaia



       O Nelore Jandaia está localizado, há 14 anos, na fazenda Kuluene no município
de Gaúcha do Norte - Mato Grosso. Há 44 anos, a seleção Nelore Jandaia direciona o
processo de melhoramento genético de seu plantel com foco principal na precocidade e
na conformação de carcaça obtidas em sistema de criação a pasto, com preservação das
características raciais.
       Durante o período de oito dias na fazenda Kuluene, realizamos diversas
atividades como:
41


          - Avaliações visuais (EPMU) de aproximadamente 1.000 animais, das categorias
desmama, sobreano, machos e fêmeas;
          - EPMURAS descritivo de touros, entre 30 a 33 meses, que serão comercializados
em leilão, com a finalidade de identificar possíveis problemas de aprumos ou de
caracterização racial e auxiliar na separação das baterias do leilão usando determinadas
características;
          - Seleção de touros através de avaliações genéticas, descartando do leilão
animais com MGT negativo;
          - Acompanhamento do manejo diário da fazenda, localizada no Estado com o
maior número de zebuínos do Brasil, como o manejo de pastagens, ações no período
sem chuvas, manejo racional dos animais, ações para organização de leilões, entre
outras.
          Além das atividades citadas acima, foi muito interessante conhecer pessoas
competentes e com muita experiência em agropecuária como o Sr. William Koury,
proprietário do Nelore Jandaia e o Prof. Dr. Raysildo B. Lôbo, presidente da ANCP.




Figura 1: Fazenda Kuluene (foto esquerda); Augusto (Alta Genetics), Juliana, Prof. Raysildo (ANCP), William
                 Koury Filho (brasilcomz), William Koury (Nelore Jandaia), foto da direita.



   3      Credenciamento de Criadores em Avaliações Visuais


          A empresa Rebanho – Assistência Veterinária, localizada na cidade de Campo
Grande – Mato Grosso do Sul, responsável pelo antigo Progenel, teve a iniciativa de
reunir um grupo de criadores de zebuínos interessados em participar de um programa de
melhoramento, para conhecer o SAM - Sistema de Avaliação Morfológica, uma parceria
da ANCP e da Brasilcomz.
          Durante dois dias foi feito um credenciamento dos proprietários e/ou funcionários
das fazendas, para conhecerem os conceitos e realizarem avaliações visuais através da
metodologia do EPMU. Esse credenciamento é composto de aulas teóricas e práticas e
42


prova teórica e prática. A pessoa só estará credenciada se obtiver 70% de
aproveitamento em ambas as provas. A consistência dos dados desses novos
avaliadores deve ser conferida pelo programa de melhoramento que cada fazenda está
inserida.
       Como estagiária da Brasilcomz tive a oportunidade de tirar dúvidas dos
participantes aplicando meus conhecimentos e participar desse credenciamento, estando
habilitada para fazer avaliações visuais.


   4   Julgamento em Leilão – Três Lagoas – MS


       No leilão organizado pela empresa Central Leilões, o Dr. William Koury Filho,
jurado efetivo da ABCZ, julgou lotes de bezerros da raça Nelore, machos e fêmeas, de
acordo com a homogeneidade do lote, caracterização racial, biotipo, condição corporal,
entre outras características. Foram premiados os cinco melhores lotes de machos e de
fêmeas, com o objetivo de identificar os melhores lotes para os compradores e aquecer
os lances do leilão.


   5   Palestra sobre Avaliações Visuais – Três Lagoas – MS


        Durante a exposição agropecuária de Três Lagoas (Expotrês), o Dr. William
ministrou uma palestra sobre EPMURAS, para criadores associados ao Sindicato Rural
da cidade. A palestra terminou com uma apresentação prática das principais
características e diferenças observadas em reprodutores e matrizes.




                 Figura 2: Palestra e atividade prática sobre EPMURAS na Expotrês.
43


   6   Curso de Julgamento das Raças Zebuínas


       Durante a 15a Feira Internacional da Cadeia Produtiva de Carne (Feicorte) em São
Paulo, a empresa Progênie Genética e Consultoria em parceria com a ABCZ e com a
Agrocentro, organizaram a terceira edição do curso oficial de julgamento de zebuínos. O
curso teve duração de três dias, com objetivo de formar não apenas juízes, mas também
conhecedores das raças zebuínas e seus biotipos. A programação engloba conhecimento
da história dos zebuínos no Brasil, a estrutura da ABCZ, avaliações visuais, aula teórica e
prática sobre aprumos e padrão racial de todas as raças zebuínas.
       Como estagiária da Brasilcomz tive a oportunidade de sanar dúvidas dos
participantes com relação à empresa e seus serviços, e participar do curso como aluna,
estando habilitada a dar assistência em pistas de julgamento.




                  Figura 3: III Curso de Julgamento das Raças Zebuínas, Feicorte.
44


ANEXO B – Texto sobre avaliação morfológica, escrito após exercício prático na
Fazenda Guanabara, publicado no site da empresa Brasilcomz.


                  Avaliação Morfológica – Identificação de Diferentes Biotipos
                          “Um exercício prático da metodologia EPMU”
                           Juliana Ferragute Leite1 & William Koury Filho2
              1                              2
                  Estagiária da Brasilcomz       Coordenador de Projetos da Brasilcomz


        Atualmente a busca por animais mais pesados como critério de seleção tem
aberto espaço para o uso de ferramentas que auxiliem na identificação de indivíduos com
a composição do peso mais adequada. A proporção dos diferentes tecidos, ossos,
músculo e gordura, além de vísceras e couro, podem variar, bastante, em indivíduos de
pesos próximos. Ao longo do tempo, a seleção apenas para peso inevitavelmente conduz
a animais de maior peso adulto, porém não necessariamente identifica biotipos mais
adaptados a nossos sistemas de produção.
        Os escores visuais para Estrutura corporal, Precocidade e Musculatura, (EPM)
têm sido coletados em programas de melhoramento como ferramenta para visualizar o
biotipo do animal (fenótipo), e a capacidade do mesmo transmitir um biótipo a seus
descendentes (DEPs). Esse biotipo pode variar desde ultraprecoce a extremamente
tardio. As DEPs morfológicas de E, P e M são consideradas ferramentas simples e
econômicas, eficientes para o criador direcionar a seleção de seu rebanho para tamanho
e proporções, e poderão ser utilizadas de acordo com objetivos particulares.


        Procedimentos para avaliação morfológica
        As avaliações visuais para os programas de melhoramento são realizadas na
desmama, em torno de 205 dias, e ao sobreano, em torno de 550 dias. As avaliações
visuais utilizam referência relativa, sempre comparando animais do mesmo lote de
manejo, ou seja, indivíduos agrupados pela fazenda, criados nas mesmas condições
ambientais, principalmente, nutricionais e sanitárias.
        Antes de iniciar as avaliações deve-se olhar o perfil geral dos animais do lote de
manejo que será avaliado (diferenças de biotipo para as características morfológicas de
EPM). Isso permitirá que os escores sejam melhor distribuídos em cabeceira, meio e
fundo, consequentemente gerando dados com maior variabilidade, portanto mais
adequados para os programas de melhoramento genético. É importante que os animais
de um mesmo lote não tenham grandes diferenças de idade, sendo o ideal até 30 dias de
diferença entre o mais novo e o mais velho, porém são aceitáveis diferenças de até 60
dias.
45


       As características morfológicas contempladas nos programas de melhoramento
são:
       - Estrutura Corporal (E): corresponde ao tamanho, ou área, do animal visto de
lado, do dorso/lombo ao chão considerando as pernas. Basicamente comprimento
corporal e altura do animal. Os escores variam de 1 a 6, sendo escore 1 pequeno e 6
grande.
       - Precocidade (P): corresponde a relação entre comprimento de costelas e altura
de membros. O objetivo é identificar animais com maior profundidade de costelas, que
tendem a depositar gordura de acabamento mais cedo. Os escores variam de 1 a 6,
sendo escores menores atribuídos a indivíduos mais tardios e maiores para os mais
precoces.
       - Musculosidade (M): corresponde a evidencias de massas musculares. Animais
mais musculosos são mais pesados e apresentam maior rendimento de carcaça. Os
escores variam de 1 a 6, sendo escore 1 para os menos musculosos do lote e 6 para os
mais musculosos.
       - Umbigo (U): corresponde ao tamanho e posicionamento da prega umbilical,
considerando bainha e prepúcio nos machos. Ao contrário das características anteriores
a avaliação é absoluta, ou seja, sem comparação com outro indivíduo e sim com a
referência de variabilidade dentro da raça. Importante característica para as condições de
produção brasileira – basicamente à pasto. Animais com umbigos muito pendulosos
podem se ferir nas pastagens, comprometendo a reprodução. Os escores variam de 1 a
6, sendo escore 1 colado; 2, 3 e 4 funcionais; 5 e 6 pendulosos.


       Aplicação dos escores visuais no rebanho
       O lote de manejo que deverá ser usado na avaliação, não é constituído
necessariamente pelos mesmos animais trazidos para o curral de avaliação. Por
exemplo, se na fazenda um lote de manejo é constituído por machos e fêmeas a serem
desmamados, e estes apresentam 90 dias de diferença entre o mais novo e o mais velho,
o adequado é separá-los em 4 lotes: fêmeas mais novas, fêmeas mais velhas, machos
mais novos e machos mais velhos, assim cada lote terá, no máximo, 45 dias de diferença
de idade.
       Deve-se lembrar, mais uma vez, que antes de iniciar as avaliações, deve-se
observar o lote e identificar os piores e os melhores para cada uma das características de
E, P e M, dessa forma podendo melhor atribuir os escores relativos e, com isso, garantir
variabilidade, pois por pior ou melhor que seja um lote, pode ser separado em cabeceira,
meio e fundo.
46


         Outro recurso que podemos utilizar para melhor adequar os escores é o desvio de
peso de cada animal segundo a média do lote de manejo. Um desvio positivo nos indica
que esse animal deve receber escores mais altos, pelo menos em alguma característica,
assim como um desvio negativo nos indica que o animal deve receber escores mais
baixos, também para pelo menos uma característica.
         Os animais devem se apresentar ao avaliador agrupados em dois ou três, para
facilitar a avaliação relativa. O avaliador deve olhar os animais da mesma perspectiva, ou
seja, no chão, sobre o cavalo, etc. Avaliar primeiramente os lotes mais novos e depois os
lotes com os animais mais velhos.




             Figura 1: Setas indicativas de Estrutura e Precocidade em machos ao sobreano

         Relacionando três animais de um mesmo lote, devemos comparar a estrutura
segundo altura e comprimento corporal, como mostra a seta vermelha na Figura 1. A
precocidade, ilustrada pelas setas amarelas, deve ser avaliada pela relação entre
profundidade de costelas e altura de membros.
         Observando as setas, podemos perceber que o animal 3 é o mais alto, porém tem
a menor profundidade de costelas, 5 para Estrutura e 1 para Precocidade, ou seja, um
biotipo extremamente tardio, que levará mais tempo e necessitará de maior peso para
acumular o mínimo necessário de gordura de acabamento – ciclo de produção mais
longo.
47


       Já o animal 2 é um indivíduo de altura média, escore 4 para Estrutura, e o mais
representativo na profundidade de costelas, escore 6 para Precocidade. Esse biotipo
caracteriza um individuo precoce, que acumulará gordura de acabamento mais cedo, ou
seja, estará pronto para o frigorífico em menos tempo, economizando no consumo de
alimento – ciclo de produção mais curto.
       Na figura 2 comparamos dois biotipos bem diferentes. Um animal precoce, e um
animal tardio, considerado menos eficiente para sistemas de produção a pasto.




                Figura 2: Comparação de biotipos diferentes de machos ao sobreano

       Podemos observar que embora os dois tenham escore 5 para Estrutura, o animal
1 se destaca na relação profundidade de costelas e altura de membros, recebendo
escore 5, enquanto que o animal 2 recebe escore 1 para a mesma característica,
Precocidade.
       Para avaliar a característica Musculosidade o indicado é olhar o animal de lado e
por trás, dando ênfase ao posterior e à linha dorso-lombar, regiões onde estão situados
os cortes nobres. Quanto mais volumosas as massas musculares, maiores escores,
resultando também em melhores rendimentos de carcaça.
48


       Na Figura 2 a Musculosidade é melhor representada no animal 1 que recebe
escore máximo 6, enquanto que o 2 recebe escore 1. Observando o desvio de peso em
relação ao lote, observa-se que embora tenham o mesmo escore de tamanho (estrutura
                         se                           escore
corporal) o indivíduo 1 é 14,3 kg positivo e o 2 é 71,7 kg negativo. Isso se deve ao fato de
que o animal 1 contem muita massa muscular, pesando mais na balança.
       Na Figura 3 os dois animais apresentam biotipos interessantes, com escores altos
para EPM e desvios positivos em relação ao lote, representando animais produtivos e
equilibrados.




                       Figura 3: Biotipos equilibrados de animais ao sobreano




       Destaque para o Umbigo (U), característica que considera o tamanho e
posicionamento, o escore para U independe da comparação com outro indivíduo
(avaliação absoluta). Na Figura 3 os animais apresentam escores para Umbigo 2 e 3,
classificados como funcionais, ou seja, adequados para criação à pasto, pois minimiza
possibilidade de ocorrência de injúrias e patologias.
       Ao avaliar fêmeas deve se considerar que são mais leves, quando comparadas
                         deve-se
aos machos contemporâneos, justificado pelo menor desenvolvimento e quantidade de
49


massas musculares, porém, estas apresentam maior acúmulo de gordura (Precocidade).
Na Figura 4 o animal 1 é inferior em tamanho (escore 2 para E), superior em
profundidade de costelas (escore 6 para P) e mediano em musculosidade (escore 4 para
M). Embora seja uma fêmea acima da média para P e M, seu desvio de peso em relação
ao lote é 22,5 kg negativo, explicado pelo escore 2 de Estrutura corporal.




         Figura 4: Setas representando estrutura (E) e precocidade (P) em fêmeas ao sobreano

       A fêmea 3 é mais tardia do que a 2 avaliado pela menor proporção entre
profundidade de costelas e altura de membros. A 2 é um animal mais equilibrado, mesmo
não apresentando escores máximos. É interessante observar que os animais 2 e 3
também apresentam desvio negativos, porém mais próximos da média, explicados pelos
escores de P e M, que possuem variação entre 3 e 4.
       Ainda na Figura 4 temos amostra dos três escores de Umbigos considerados
funcionais.
       Para observação e comparação foram agrupados na Figura 5, quatro machos com
biotipos diferentes e frequentemente encontrados. Conforme explicações acima
descritas, considera-se os dois animais de cima da figura, equilibrados e adequados, já
os animais de baixo são considerados tardios pela grande diferença entre os escores de
estrutura (altos) e de precocidade e musculosidade (baixos).
50




                      Figura 5: Biotipos diferentes de machos ao sobreano

       Na Figura 6, ao recolocar os animais avaliados no grupo, seus escores devem
desenhar o biotipo do animal em relação ao lote de manejo em que está inserido.




                       Figura 6: Lote de manejo de machos ao sobreano
51



       Considerações Finais
       A metodologia de EPMU é simples, e tem o objetivo de tornar qualquer pessoa,
que trabalhe com bovinos, apta para coletar dados de avaliação visual. Para isso é
importante entender os conceitos de avaliação relativa, ter claramente a definição de
cada uma das características e conhecer as etapas a serem seguidas para realização de
uma avaliação conceitualmente correta. Além disso, é imprescindível que passe por
treinamento, credenciamento e pratique com avaliadores mais experientes para “calibrar”
os olhos.
       A avaliação de EPMU tem acrescentado pontos positivos aos trabalhos de
seleção, identificando animais mais adaptados/adequados aos sistemas de produção em
que estão sendo criados, conseqüentemente mais férteis, e que apresentam não
somente pesos elevados, mas também biotipos produtores de carne, que no frigorífico
apresentarão maiores rendimentos, e melhor qualidade de carcaça retornando em maior
lucratividade ao criador.
52




ANEXO C - Principais diferenças nos padrões das raças zebuínas, segundo ABCZ.


                                      Tabela 1: Principais diferenças no padrão racial da raça Brahman.

    Característica                   IDEAIS                           PERMISSÍVEIS                          QUE DESCLASSIFICAM
                                                               BRAHMAN
                   Branca ou cinza, vermelho uniforme.           Uma ou outra mancha não muito
                   Terço anterior e posterior                    definida ou gargantilha, nas             Preta. Pintada de preto.
  1 Cor da pelagem geralmente mais escuros, nos                  pelagens: branca, cinza e                Sarapintado
                   machos. Nas fêmeas, a cor é mais              vermelha. Cinza avermelhada e
                   clara.                                        suas nuances.
  2 Perfil da
  cabeça             Reto ou sub-convexo                                                                  Convexo ou côncavo
  3 Fronte           Larga, com ligeira convexidade ou                                                    Convexa. Nimbure muito
                     plana                                       Nimbure pouco acentuado                  acentuado.
                     Reto. De comprimento médio. Largo Depressão (afundamento) uni e                      Com desvio ou torcido.
  4 Chanfro          e proporcional nos machos. Mais   bilateral                                          Acarneirado.
                     estreito e delicado nas fêmeas.
                     Médias, relativamente largas e com                                                   Excessivamente longas.
  5 Orelhas          pontas arredondadas. Com ligeira    Pesadas e compridas.                             Apêndices suplementares
                     reentrância na extremidade da borda                                                  (dupla orelha).
                     inferior.
                                                                 Pequenas manchas brancas na
  6 Chifres          De cor escura. Simétricos.                  ponta, ou rajados. Descornados           Brancos.
                                                                 ou mocho natural.
                       Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
53



                                   Tabela 2: Principais diferenças no padrão racial da raça Cangaian.

  Característica                   IDEAIS                           PERMISSÍVEIS                          QUE DESCLASSIFICAM
                                                            CANGAIAN
                 De cinza clara a cinza escuro, com            Manchas brancas, nas fêmeas;             Branca, nos machos. Outra
1 Cor da pelagem extremidades quase negras, nos
                                                               mesmo na cara                            cor que não seja a cinza
                 machos. Mais claro, nas fêmeas.
2 Perfil da
cabeça           Ligeiramente convexo                          Retilíneo                                Concavilíneo
                   Larga, comdepressão entre os olhos
3 Fronte           e a marrafa, principalmente nos    Nimbure pouco acentuado                           Nimbure.
                   touros.
4 Chanfro          Reto.                                       Longo ou largo.                          Desvio, depressão ou
                                                                                                        acarneirado.
5 Orelhas          Pequenas, terminadas em pontas.             Médias.                                  Grandes e pendulares.

                   Simétricos. Fortes e grossos nos
                   machos. Nascem bem próximos
                                                        Com regiões claras.
                   encurvando-se para fora, para trás e                                                 Curtos. Dirigidos para os
6 Chifres                                               Extremidades um pouco
                   para frente, formando um meio                                                        lados ou para trás.
                                                        afastadas. Ligeira assimetria.
                   circulo e aproximando as
                   extremidades. Mais fino e mais
                   longo, nas fêmeas.
                     Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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                                         Tabela 3: Principais diferenças no padrão racial da raça Gir e Gir Mocha.

  Característica                           IDEAIS                                             PERMISSÍVEIS                  QUE DESCLASSIFICAM
                                                              GIR E GIR MOCHA
                   Vermelha em todas as suas tonalidades: vermelha
                   gargantilha, vermelha chitada e chitada de vermelho.
                   Amarela em tonalidades típicas da raça: amarela
                   gargantilha, amarela chitada e chitada de amarelo.
                   Chita clara e rosilha clara ou moura de vermelho
                                                                                                                        Preta. Amarelo-cobre ou
1 Cor da pelagem (predominancia da cor branca, com orelhas e cabeça
                                                                                                                        barrosa. Totalmente branca.
                   total ou parcialmente avermelhada). Moura clara
                   (predominancia da cor branca com orelhas e cabeça
                   total ou parcialmente preta). Moura escura
                   (predominancia da cor escura, com cabeça e orelhas
                   pretas).
2 Perfil da cabeça Ultra-convexo
                   Larga, lisa e proeminente, com a marrafa jogada para
3 Fronte                                                                                                                Nimbure.
                   trás.
                                                                                                                        Desvio, depressão ou
4 Chanfro          Reto. Largo e proporcional nos machos. Mais estreito Levemente acarneirado.                          acarneirado. Excessivamente
                   e delicado nas fêmeas.                                                                               comprido e estreito.
                   Médias. Típicas, pendente, começando em forma de
                   tubo, com sua porção superior enrolada sobre si
                                                                                                                        Muito curtas ou longas.
                   mesma, abrindo-se em seguida gradualmente para
5 Orelhas                                                                                                               Movimentação viva. Ausência
                   fora, curvando-se para dentro e, de novo, estreitando-
                                                                                                                        de gavião.
                   se na ponta, com a extremidade curvada e voltada
                   para a face (gavião).
                   De cor escura, médios e simétricos. De seção elíptica,
                   achatados, grossos na base, saindo para baixo e para                                                 Móveis, grossos e redondos.
                   trás. Preferidos os que se dirigem um pouco para       Na mocha, presença de calo ou                 Predominancia da cor branca.
6 Chifres          cima, encurvando-se para dentro, com as pontas         batoque.                                      Na mocha, presença de chifres
                   convergentes. Na mocha, ausência completa de                                                         ou de qualquer sinal de cirurgia.
                   chifres.
                              Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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                                             Tabela 4: Principais diferenças no padrão racial da raça Guzerá.

  Característica                          IDEAIS                                          PERMISSÍVEIS                    QUE DESCLASSIFICAM
                                                                     GUZERÁ

                 De cinza clara a cinza escuro. Terços anteriores e  Branca. Tonalidade avermelhada.                   Totalmente preta. Vermelha.
1 Cor da pelagem posteriores, geralmente mais escuros, atingindo, as Pequenas pintas ou manchas                        Amarela. Amarela-cobre ou
                 vezes, o negro. Nas fêmeas, a cor é mais clara.     isoladas de cor branca, cinza,                    barrosa.
                                                                     avermelhada ou amarela.
2 Perfil da                                                          Com ligeira convexidade ao nível
                 Sub-concavo a retilíneo                                                                               Convexo
cabeça                                                               da arcada orbitária
                   Moderadamente larga, com ligeira concavidade
3 Fronte           (semelhante a um prato) entre os olhos e a marrafa. Ligeiramente plana. Nimbure.
                   Menos larga, nas fêmeas.
                   Reto. Largo e proporcional nos machos. Mais                 Depressão (afundamento) uni e           Desvio, acarneirado.
4 Chanfro                                                                                                              Excessivamente comprido e
                   estreito e delicado nas fêmeas.                             bilateral
                                                                                                                       estreito.
                   Pendentes, médias, relativamente largas e de
                   pontas arredondadas. Vistas de frente, mostram-se           Apêndices suplementares (dupla
                                                                                                                       Excessivamente curtas ou
5 Orelhas          medianamente voltadas para a face. Borda inferior           orelha). Falta de reentrância na
                                                                                                                       longas.
                   com ligeira reentrancia. Face interna de cor                borda inferior.
                   alaranjada; com ou sem manchas pretas.
                   Desenvolvidos. Simétricos. De seção circular ou
                   elíptica na base, dirigindo-se horizontalmente para         Anéis claros. Depressão circular        Curtos. Claros. Não em forma
6 Chifres          fora ao sair do crânio, curvando-se para cima, em           na base, coberta de couro               de lira ou torquês. Dirigidos
                   forma de lira ou torquês, com as pontas voltadas            cabeludo. Descornados.                  para frente.
                   para dentro e para trás.
                          Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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                                            Tabela 5: Principais diferenças no padrão racial da raça Indubrasil.

  Característica                          IDEAIS                           PERMISSÍVEIS              QUE DESCLASSIFICAM
                                                          INDUBRASIL
                                                                 Amarela uniforme. Cinza
                                                                 avermelhada e suas nuances.
                                                                                                   Preta. Pintada de preto.
                 Branca, cinza e vermelha uniforme, podendo as   Uma ou outra mancha não muito
1 Cor da pelagem                                                                                   Manchas, no vermelho e no
                 extremidades ser escuras.                       definida ou carregada na cor, nas
                                                                                                   amarelo. Sarapintado
                                                                 pelagens: branca, cinza e
                                                                 amarela.
2 Perfil da
cabeça           De sub-convexo a convexo                                                          Retilíneo ou ultraconvexo
                                                                                                                       Sulco ou depressão
3 Fronte           De largura média, lisa e ligeiramente saliente               Nimbure pouco acentuado                pronunciados. Nimbure muito
                                                                                                                       acentuado.
                   Reto. Largo e proporcional nos machos. Mais                                                         Desvio, acarneirado.
4 Chanfro                                                                                                              Excessivamente comprido e
                   estreito e delicado nas fêmeas.
                                                                                                                       estreito.
                   Pendentes. Longas a médias com a face interna no             Extremidades com pequena               Curtas ou excessivamente
5 Orelhas          pavilhão tendendo para frente e com as                                                              longas. Sem curvatura, nas
                                                                                curvatura.
                   extremidades curvando-se para dentro.                                                               extremidades.

                   Médios. De cor escura e simétricos, saindo para              Pontas não convergentes. Rajas         Móveis. Com predominância
                   fora, para trás e para cima, dirigindo-se em seguida         brancas. Pequeno desvio; desde         de cor clara. Excessivamente
6 Chifres                                                                       que não prejudique a
                   para dentro, com as pontas rombudas e                                                               assimétricos. Sinal de
                   convergentes; ou a ausência completa de chifres.             conformação do crânio. Presença        cirurgia.
                                                                                de calo ou batoque.
                          Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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                                                Tabela 6: Principais diferenças no padrão racial da raça Nelore.

  Característica                       IDEAIS                                            PERMISSÍVEIS                          QUE DESCLASSIFICAM
                                                                          NELORE
                                                                      Uma ou outra mancha não muito definida e
                                                                      nem muito carregada na cor, diferente das
                                                                      pelagens ideais. Nas fêmeas, tonalidade
                                                                      avermelhada na região dorso-lombar e marrafa.
1 Cor da pelagem Branca, cinza e manchada de cinza                                                                  Pombo. Amarelo-cobre ou barrosa.
                                                                      Vermelha, amarela, preta e nuances destas:
                                                                      vermelha malhada ou pintada de vermelho;
                                                                      amarela malhada ou pintada de amarelo; preta
                                                                      ou pintado de preto.
2 Perfil da cabeça Sub-convexo                                        Retilíneo, nas fêmeas.                        Côncavo. Retilíneo nos machos.
                   Seca e descarnada, apresentando na linha
                                                                                                                        Larga junto à base dos chifres.
3 Fronte           média do crânio, no sentido longitudinal, uma      Nimbure pouco acentuado
                                                                                                                        Nimbure muito acentuado.
                   depressão alongada (goteira).
                                                                                                                        Desvio, acarneirado.
                   Reto. Largo e proporcional nos machos. Mais
4 Chanfro                                                             Depressão (afundamento) uni e bilateral           Excessivamente comprido e
                   estreito e delicado nas fêmeas.
                                                                                                                        estreito.
                   Curtas, com simetria entre as bordas                                                                 Excessivamente pesados. Face
                   superiores e inferiores, terminando em ponta       Médias. Bordas inferiores e superiores            interna do pavilhão voltada para a
5 Orelhas
                   de lança. Com a face interna do pavilhão           assimétricas.                                     cara. Pontas arredondadas ou
                   voltada para frente. Movimentação ativa.                                                             voltadas para trás.
                   De cor escura. Firmes. Curtos, de forma
                   cônica, mais grossos na base, achatados e de
                   seção oval, de superfície rugosa e estrias         Móveis. Rajados de branco. Assimétricos. Com
                   longitudinais. Nascem para cima,                   pontas ligeiramente curvadas para frente,
                                                                                                                        Redondos. Lisos e pontiagudos. Em
                   acompanhando o perfil, bem implantados na          desde que sejam curtos, de seção oval,
                                                                                                                        forma de lira. Excessivamente
6 Chifres          linha da marrafa, assemelhando-se a dois           cônicos e achatados. Nas fêmeas, podem se
                                                                                                                        longos, nos machos; ou com sinal
                   paus fincados simetricamente no crânio. Com        apresentar em forma de lira estreita e
                                                                                                                        de cirurgia.
                   o crescimento, podem dirigir-se para fora, para    alongada, não convergente nas pontas; ou
                   trás e para cima, ou curvando-se, as vezes,        presença de calo ou batoque.
                   para trás e para baixo; ou ausência completa
                   de chifres.
                        Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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                                               Tabela 7: Principais diferenças no padrão racial da raça Sindi.

  Característica                      IDEAIS                                              PERMISSÍVEIS                           QUE DESCLASSIFICAM
                                                                             SINDI

                 Vermelha e suas tonalidades. Os machos
                 são mais escuros, principalmente nas                  Tonalidade mais clara ao redor dos olhos.           Branca. Excessivamente
1 Cor da pelagem espáduas, cupim e coxas, chegando quase               Manchas brancas em extensão reduzida no             malhada, amarela clara,
                 ao preto. Tonalidade mais clara ao redor do           ventre para as fêmeas.                              acinzentada ou barrosa.
                 focinho e das quartelas e nas áreas
                 sombreadas.
2 Perfil da
cabeça           Sub-convexo                                                                                               Retilíneo ou côncavo.
3 Fronte         De largura média, com goteira nos machos.                                                                 Nimbure acentuado.
                   Reto. Curto e largo nos machos e mais                                                                   Desvio, depressão, acarneirado.
4 Chanfro                                                              Levemente acarneirado.                              Excessivamente comprido e
                   estreito e mais longo nas fêmeas.
                                                                                                                           estreito.

                   Médias, largas, um pouco pendentes, bem                                                                 Excessivamente curtas, longas,
5 Orelhas          delineadas com leve reentrância na borda                                                                largas ou estreitas. Começando
                   inferior.                                                                                               em forma de tubo e com pontas
                                                                                                                           arredondadas.

                   Nos machos, curtos, curvos ou retos, firmes         Um pouco grossos, rajados de branco ou de
                   e de grossura média; podendo ser                                                                        Longos. Redondos. Lisos e
                                                                       amarelo. Com pontas ligeiramente curvadas
                   direcionados para os lados, para trás e para                                                            pontiagudos. Móveis. Brancos.
6 Chifres                                                              para frente, desde que sejam curtos.
                   cima. De tamanho médio e mais finos nas                                                                 Em forma de lira ou retorcidos.
                                                                       Assimetria ou não convergentes nas pontas.
                   fêmeas e curvados para dentro. Ausência                                                                 Sinal de cirurgia.
                                                                       Presença de calo ou batoque.
                   completa de chifres.
                          Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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                                             Tabela 8: Principais diferenças no padrão racial da raça Tabapuã.

  Característica                      IDEAIS                                            PERMISSÍVEIS                             QUE DESCLASSIFICAM
                                                                          TABAPUÃ

                                                                       Uma ou outra mancha, não muito carregada            Vermelha, amarela e preta;
1 Cor da pelagem Branca ou cinza e suas nuances.                       e nem muito definida na cor, diferente das          malhada ou pintada de vermelho,
                                                                       pelagens ideais.                                    amarelo e preto. Amarelo-cobre
                                                                                                                           ou barroso.
2 Perfil da        Sub-convexo ou retilíneo, formando, nos
                   machos, ligeira convexidade entre os olhos                                                              Convexo ou côncavo
cabeça
                   e a marrafa.
3 Fronte           Moderadamente larga nos machos e estreita Nimbure.
                   nas fêmeas.
                   Reto. Largo e proporcional nos machos.                                                                  Desvio, depressão, acarneirado.
4 Chanfro                                                                                                                  Excessivamente comprido e
                   Mais estreito e delicado nas fêmeas.
                                                                                                                           estreito.
                   Médias e relativamente largas. Vistas de                                                                Excessivamente longas ou curtas.
                   frente mostram-se voltadas para a face.             Pesadas. Falta de reentrância na borda
5 Orelhas                                                                                                                  Encartuchadas ou em forma de
                   Simétricas. Com ligeira reentrância na              inferior.
                                                                                                                           lança. Assimétricas.
                   extremidade da borda inferior.
                                                                                                                           Existência de batoque, calo ou
6 Chifres          Inexistentes                                                                                            botão. Linha da marrafa
                                                                                                                           horizontal.
                          Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
UNI V E RS I DA DE DE S Ã O P A UL O
                          Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos




    Método de avaliação visual EPMURAS na seleção e no acasalamento
                           dirigido de zebuínos




Relatório das atividades desenvolvidas durante o Estágio Supervisionado do Curso
                          de Graduação em Zootecnia




                                                                  Data da Defesa:

                                                              26 de junho de 2009.



                                                             Banca Examinadora:

                                                        Prof. Dr Joanir Pereira Eler

                                                Prof. Dr José Bento Sterman Ferraz

                                                  Doutorando Victor Breno Pedrosa




                                             _______________________________
                                                          Juliana Ferragute Leite
                                                                       Acadêmica




                                             _______________________________
                                                      Prof. Dr. Joanir Pereira Eler
                                                                        Orientador

EPMURAS - Seleção e Acasalamento Dirigido

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    UNIVERSIDADE DE SÃOPAULO FACULDADE DE ZOOTECNIA E ENGENHARIA DE ALIMENTOS Método de avaliação visual EPMURAS na seleção e no acasalamento dirigido de zebuínos Relatório das atividades desenvolvidas durante o Estágio Supervisionado do Curso de Graduação em Zootecnia JULIANA FERRAGUTE LEITE Pirassununga/SP – Brasil Junho - 2009
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    UNI V ERS I DA DE DE S Ã O P A UL O Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos ESTÁGIO SUPERVISIONADO CURRICULAR DE GRADUAÇÃO CURSO DE ZOOTECNIA NOME: Juliana Ferragute Leite TÍTULO: Método de avaliação visual EPMURAS na seleção e no acasalamento dirigido de zebuínos. ÁREA: Melhoramento Animal LOCAL: Brasilcomz – Zootecnia Tropical - Jaboticabal/SP PERÍODO: 26/01/2009 à 20/06/2009 CARGA HORÁRIA: 580 horas ORIENTADOR: Prof. Dr. Joanir Pereira Eler SUPERVISOR: Zoot. Dr. William Koury Filho Pirassununga/SP – Brasil Junho - 2009
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    AGRADECIMENTOS Começo lembrando de uma pessoa muito especial, um exemplo de mulher batalhadora, uma pessoa que sofreu muito, mas que nunca perdeu o sorriso, uma pessoa que tocava meu rosto para ver o quanto eu tinha crescido, uma pessoa que sempre me apoiou e acreditou que eu venceria, Vó Cida. Tenho certeza que você me olha, me guia, me ilumina e hoje vê que eu venci. Saudades! Não poderia ter realizado esse sonho se não fosse por meus pais, Anselmo e Rosana, que me criaram para ser uma vencedora e ainda hoje ajudam a trilhar meus caminhos. Obrigado por confiarem em mim, por sempre me apoiarem em minhas decisões e por todo o investimento durante esses anos. Como vocês me ensinaram, continuarei correndo atrás de meus objetivos e aproveitando o máximo de minha vida. Amo vocês! Sem palavras para explicar o quanto a República 51 significa para mim. Junto com a Laura, Forminha, Lara e Cinthião construí, desde o primeiro ano de faculdade, uma república unida e amizades que levarei para a vida toda. À República 51 e agregados, Xaverinho, Rolinha e Bambu, agradeço pelo apoio em momentos difíceis, pela paciência em momentos de raiva, pelos abraços e conselhos, mas sem duvida nenhuma agradeço mais, pelas festas e rodeios, pelas risadas, pelas cervejinhas a qualquer hora, pelos finais de semana intensos, pelo tempo gasto jogando conversa fora, simplesmente por fazerem meus dias de faculdade mais felizes. Sentirei muita saudade de tudo isso! Às amizades mais antigas, Natália, Marcelo (Bob), Ana Carolina, Laila e Fernanda, que mesmo distante, sempre tivemos tempo para uma ligação, um e-mail, uma bagunça no final de semana. Vocês fazem parte da minha vida desde a escola, passaram por muitos momentos difíceis e felizes e agora encerram mais uma fase ao meu lado. Amo vocês! A uma pessoa que merece um agradecimento especial. Cinthião, com certeza deixo a faculdade uma pessoa melhor do que entrei, e muito disso é resultado do seu carinho, da sua atenção, das nossas discussões e reconciliações, da sua amizade, que me fez crescer muito durante esses quatro anos. Talvez eu esteja distante daqui para frente, porém perto o suficiente sempre que você precisar de um almoço, conselho ou puxão de orelha. Te amo!
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    A uma pessoaque entrou a pouco tempo na minha vida, porém se tornou muito importante. Léo, obrigado por entender esse meu jeito, por participar da minha vida e por todo carinho. Te amo! Aos meninos da XXVII e agregados, que fizeram nossas aulas mais engraçadas e menos tediosas, que organizaram os melhores churrascos e cervejadas, que animaram muitas festas com suas musicas, às vezes desafinadas, porém inesquecíveis: Bisnaga, Tortu, Gaylão, Esterco, Cafuzo, Neto, Zidane, Fedô, Come-cru, Macuco e Rasgada. À República Choppana da UNESP-Jaboticabal, que me acolheu durante o período de estágio obrigatório. Em especial agradeço a Guampa, Vagaba e Milka, pelo carinho, confiança e risadas. Infelizmente esse período passou muito rápido, mas com certeza deixou grandes momentos. À minha veterana Fernanda Miller, por ser exemplo de uma excelente aluna e profissional competente, pelas dicas em provas e trabalhos, por muitas horas de estágio juntas e, principalmente, pela amizade e carinho. Agradeço a todos os membros que passaram pelo grupo PET- Zootecnia durante os meus três anos dentro do grupo e ao tutor Prof. Dr. Valdo R. Herling, pois esse programa contribuiu, tanto para meu perfil profissional quanto para minha vida pessoal, através das maravilhosas pessoas que conheci e dos grandes desafios que enfrentei. Ao Grupo de Melhoramento Animal (GMA) da FZEA, em especial ao meu orientador Prof. Dr. Joanir P. Eler, ao Prof. Dr. José Bento S. Ferraz, aos doutorandos Victor (Preto) e Fernanda (Spingarda) e a Elisângela, pelos conhecimentos, ajudas, conselhos e atenção. Agradeço ao Dr. William Koury Filho, pela oportunidade de estágio, por acreditar em mim, pelos ensinamentos e conselhos. Acima de tudo, agradeço ao William, Naomi, Orlanda, Tiago e Mateus pelo grande carinho que me receberam e pela enorme experiência de vida. A todos aqueles que torceram e me apoiaram para que eu conquistasse os meus objetivos, muito obrigada!
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    SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 1 1.1 O Zebu no Brasil ................................................................................................. 3 1.2 Avaliação Visual ................................................................................................. 5 2 DESCRIÇÃO DA EMPRESA..................................................................................... 8 2.1 A Empresa Brasilcomz – Zootecnia Tropical....................................................... 8 2.2 Serviços prestados pela empresa ....................................................................... 9 3.2.1 Boi com Bula – Um novo conceito em comercialização de genética ...........11 3 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS .............................................................................12 3.1 Avaliação Visual EPMU .....................................................................................12 3.1.1 Metodologia do EPMU ................................................................................13 3.1.2 Metodologia do RAS ...................................................................................16 3.2 Julgamento de Zebuínos ...................................................................................17 3.2.1 Metodologia de julgamento .........................................................................18 3.2.2 Conformação ..............................................................................................20 3.2.3 Aprumos .....................................................................................................23 3.2.3.1 Membros anteriores e posteriores vistos de perfil ................................23 3.2.3.2 Membros anteriores vistos de frente e posteriores vistos de trás .........25 3.2.4 Características reprodutivas .......................................................................26 3.2.5 Caracterização Racial.................................................................................27 3.2.6 Pigmentação...............................................................................................28 3.4 Desenvolvimento de web site ............................................................................33 4 CRÍTICAS E SUGESTÕES ......................................................................................36 5 CONCLUSÕES ........................................................................................................37 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................38 ANEXO A – Descrição da Viagem Prática realizada com a Brasilcomz. ..........................40 ANEXO B – Texto sobre avaliação morfológica, escrito após exercício prático na Fazenda Guanabara, publicado no site da empresa Brasilcomz. .....................................44 ANEXO C - Principais diferenças nos padrões das raças zebuínas, segundo ABCZ. ......52
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    LISTA DE FIGURAS Figura1:Gráfico da evolução prevista do rebanho bovino brasileiro. ................................ 1 Figura 2: Gráfico representativo dos rebanhos mundiais de gado bovino. ........................ 2 Figura 3: Gráfico representativo das exportações mundiais de carne bovina. ................... 2 Figura 4: Gráfico demonstrativo da curva de crescimento dos biotipos precoce e tardio. . 5 Figura 5: Logo marca da empresa e seus significados. .................................................... 9 Figura 6: Representação esquemática das diferentes proporções que devem ser avaliadas pelas características E, P e M. .........................................................................14 Figura 7: Referência de escala de escores para a característica umbigo na raça Nelore.15 Figura 8: Julgamento da raça Tabapuã na ExpoLondrina, 2009. .....................................18 Figura 9: Denominação das partes do corpo de bovinos. ................................................20 Figura 10: Diferenças morfológicas influentes na fertilidade. ...........................................21 Figura 11: Conformação ideal para bovinos de corte. ......................................................22 Figura 12: Nivelamento e afastamento adequado entre as ancas. ...................................22 Figura 13: Posicionamento de membros anteriores, da esquerda para direita: acampado, sobre si e aprumos corretos.............................................................................................23 Figura 14: Posicionamento de membros posteriores, da esquerda para direita: pés retos, angulação exagerada, aprumos corretos. ........................................................................24 Figura 15: : Posicionamento de membros anteriores, da esquerda para direita: fechado de frente, cambaio (fecha os joelhos e abre as mãos) e aprumos corretos...........................25 Figura 16: Posicionamento de membros posteriores, da esquerda para direita: fecha os jarretes e abre os pés e aprumos corretos. ......................................................................26 Figura 17: Caracterização racial das raças zebuínas: Brahman (1), Cangaian (2), Gir (3), Indubrasil (4), Nelore (5), Sindi (6), Guzerá (7), Tabapuã (8). ..........................................27 Figura 18: Exemplo de planilha utilizada para acasalamento dirigido. .............................32 Figura 19: Layout das avaliações genéticas de um animal que estarão disponíveis no web site Boi com Bula. ............................................................................................................34 Figura 20: Layout do EPMURAS descritivo que será disponibilizado no web site Boi com Bula .................................................................................................................................35
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    LISTA DE TABELAS Tabela1: Estimativas de herdabilidade (h2), correlações genéticas (rg), fenotípicas (rf) e residuais (re) das características área de olho de lombo (AOL), espessura de gordura subcutânea (EG), espessura de gordura subcutânea na garupa (EGP8), estrutura (E), precocidade (P) e musculosidade (M), da raça Nelore...................................................... 7 Tabela 2: Características e ponderações contempladas no índice MGT da ANCP. .........30 Tabela 3: Legenda das DEPs utilizada pelo programa de melhoramento da ANCP. .......34 Tabela 4: Escores e notas equivalentes para as características de avaliação visual. ......35 Tabela 5: Classificação dos Índices Morfológicos. ...........................................................35
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    1 1 INTRODUÇÃO Segundo o Instituto FNP o rebanho bovino brasileiro, no ano de 2008, era de FNP, no 169,8 milhões de cabeças A perspectiva para os próximos 10 anos é de que o número cabeças. de cabeças bovinas cresça lentamente, sendo que o ciclo pecuário determinará períodos de expansão e contração do rebanho, mas a tendência final será de crescimento em rebanho, 2017, atingindo aproximadamente 190 milhões de cabeças de acordo com dados obtidos no ANUALPEC 2008 (Figura 1). Figura 1: Gráfico da evolução prevista do rebanho bovino brasileiro. Fonte: ANUALPEC 2008. É estimado para o mesmo período um aumento na produção de carne bovina brasileira de 1,6 milhões de toneladas de equivalente carcaça, ou seja, a p produção passará de 7,6 milhões de toneladas, produzidas atualmente, para cerca de 9,1 milhões em 2017. Esse aumento se dará tanto pelo crescimento do rebanho quanto, dará, rescimento rebanho, principalmente, pelo aumento de produtividade do gado brasileiro (ANUALPEC, 2008) 2008). Em termos mundiais o Brasil corresponde ao segundo maior rebanho bovino, mundiais, ficando atrás apenas da Índia, que possui 281 milhões de cabeças (Figura 2) No entanto, 2). é o primeiro país em exportação de carne bovina, com aproximadamente 2 milhões de toneladas de equivalente carca carcaça, acima de países como Austrália, Índia e Estados strália, Unidos de acordo com dados do ANUALPEC 2008 (Figura 3). Em relação ao consumo . per capita de carne bovina, o Brasil está em quarto lugar com cons bovina, consumo de 28 kg/pessoa/ano, ficando atrás dos Estados Unidos, A ano, Austrália e Canadá, de acordo com o nadá, Instituto FNP. As importações brasileiras são mínimas, representando 29 mil toneladas, ou seja, diferentemente dos Estados Unidos (maior consumidor per capita e importador de carne bovina), o Brasil é capaz de produzir ca carne bovina com o menor custo de
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    2 produção mundial eem quantidade suficiente para abastecer seu mercado interno e ainda ser o maior exportador mundial. Figura 2: Gráfico representativo dos rebanhos mundiais de gado bovino. : Fonte: ANUALPEC 2008. Figura 3: Gráfico representativo das exportações mundiais de carne bovina. : Fonte: ANUALPEC 2008. Mesmo com estimativas e estatísticas tão promissoras, os índices de produtividade do rebanho brasileiro aind são baixos. Os zebuínos constituem cerca de ainda 80% do plantel bovino brasileiro, representados principalmente pela raça Nelore (ABCZ, 2008). Esse gado se caracteriza pela rusticidade, adaptabilidade a regiões tropicais, . sistemas de produção a pasto e alta fertilidade, porém faz-se necessário incorporar a se esse sistema de baixo custo (pastagens e gado Zebu), técnicas de melhoramento genético, manejo e sanidade com objetivo de aumentar a eficiência do rebanho Essas nejo rebanho. práticas podem elevar o Brasil à condição de maior produtor de carne bovina do mundo e
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    3 aumentar a proporçãode carne de qualidade destinado a mercados mais exigentes, agregando mais valor à tonelada exportada. Os programas de melhoramento genético têm por objetivo, traduzir os valores genéticos em expressiva melhoria dos resultados produtivos/econômicos. As últimas décadas mostraram exemplos de que a genética quantitativa pode ser aplicada diretamente em procedimentos de seleção em grandes rebanhos comerciais, trazendo benefícios econômicos (PMGRN, 1996 e FRIES, 1999, citado por KOURY FILHO, 2001). Muitas idéias se confrontaram a partir do momento em que se via a necessidade de julgar um gado produtivo e não apenas de beleza racial. Durante anos a pecuária nacional foi prejudicada pela seleção exclusiva de animais através da caracterização racial ou baseada no moderno novilho de corte da década de 80 (“new type”), ou seja, animais longilíneos e tardios. Na década de 90, este biotipo foi sendo desmistificado como referência em pistas de julgamento e passou-se a dar preferência por animais com características econômicas de carcaça mais evidentes e proporção equilibrada entre profundidade de costelas e altura de membros (ABCZ, 1996, citado por KOURY FILHO, 2005). A partir das primeiras metodologias de avaliações visuais, o biotipo do rebanho brasileiro começou a mudar em busca de indivíduos mais pesados, com a conformação mais desejada, enfatizando características como precocidade sexual e de acabamento, e adequada distribuição das massas musculares, sempre pensando na qualidade do produto final e na relação custo/benefício da atividade (KOURY FILHO, 2005). 1.1 O Zebu no Brasil As raças zebuínas, originalmente introduzidas no Brasil são: Gir, Guzerá, Nelore e Sindi, sendo formadas aqui as raças Indubrasil e Tabapuã. Foram ainda importados alguns exemplares da raça Cangaiam, porém, até hoje, seu efetivo populacional é bastante reduzido. A entrada dos primeiros zebuínos ocorreu no século XIX, com a importação de um casal de zebu, em 1875, oriundo do Jardim Zoológico de Londres, pelo Barão do Paraná. Provavelmente o primeiro rebanho zebu estabelecido no Brasil foi o da Fazenda Santa Cruz, de propriedade do Imperador D. Pedro I, no Rio de Janeiro, constituído de animais procedentes da região do Nilo, na África, em 1826 (SANTOS, 1998 e PINEDA, 2001). A história do gado zebu no Brasil se divide em quatro fases segundo Santos (1998). O período das primeiras importações se caracterizou pela multiplicação através de cruzamentos desordenados com raças nativas, ou mesmo entre as raças importadas. Nesta primeira fase, que abrange o período de 1890 a 1920, não se eliminava nenhum
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    4 indivíduo, pois oobjetivo era multiplicar o gado. A partir de 1919 iniciou-se o Herd Book das raças zebuínas. Nesta fase houve predominância da raça Guzerá e a região de Barretos se projetou como centro comercial com a instalação de um frigorífico de grande porte para a época. Na segunda fase, de 1925 até 1945, deu-se a formação do neozebuíno Indubrasil através de intercruzamentos zebuínos. Esses cruzamentos se multiplicaram de tal maneira que, em 1930, quase não existiam Guzerás. O excesso de cruzamento começou a descaracterizar o gado Indubrasil como rústico e incentivar importações de gado puro, que levou a valorização da raça Gir. Em 1938 teve início o Registro Genealógico em Uberaba, para orientar a expansão das raças zebuínas. O zebu tornou-se tão interessante que os norte americanos adquiriram centenas deles para consolidar a formação do gado Brahman. Com a segunda Guerra Mundial, as exportações brasileiras aumentaram consideravelmente, porém em 1945 o Brasil enfrentou uma grande crise pecuária. Na tentativa de melhorar a produtividade do gado, iniciaram-se as Provas de Ganho de Peso no estado de São Paulo, com destaque para a raça Nelore. O ponto de venda mudou-se de Barretos para Araçatuba, ponto de compra do gado matogrossense e goiano. Na terceira fase, de 1945 a 1965, ocorreu uma mudança na mentalidade dos criadores, que renunciaram aos cruzamentos indiscriminados e iniciaram uma seleção de alta pureza racial em conjunto com os primeiros testes zootécnicos. Com a última importação de genética indiana em 1962 e o surgimento das braquiárias, consolidaram a posição do Nelore e de seus mestiços como a raça bovina de maior população e importância do país (PINEDA, 2001). De 1965 a 2000 está a quarta fase, caracterizada pela introdução das leis do melhoramento genético na seleção pecuária, tanto para corte quanto para leite. Incentivaram-se provas de ganho de peso, iniciou o controle de desenvolvimento ponderal em 1968, surgiram os primeiros testes de progênie, e em 1974 foi lançado o Projeto de Melhoramento Genético da Zebuinocultura (PROZEBU), dentro do Programa Nacional de Melhoramento Zootécnico (PRONAMEZO). Ocorreu a massificação da inseminação artificial e popularização e aumento do uso da transferência de embriões. A partir da década de 80, duas iniciativas se destacaram: o lançamento do primeiro sumário nacional de touros em convênio EMBRAPA-ABCZ e a primeira avaliação genética na raça Nelore feita pela USP em Ribeirão Preto, São Paulo (PINEDA, 2001). O processo de modernização avançou e em 1994 o PROZEBU deu espaço ao Programa de Melhoramento Genético do Zebu (PMGZ), já na época com mais de quatro milhões de pesagens. Na década de 1990, os frigoríficos começam a se consolidar em Goiás e Mato Grosso, mudando o centro de comercialização.
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    5 1.2 Avaliação Visual Segundo citação de Koury Filho (2001), Buchanan et al. (1982) definem seleção como um diferencial de propagação entre indivíduos com fenótipos diferentes, como força primária para mudanças na freqüência gênica em uma determinada população. Como mecanismo de escolha dos animais que permanecerão no rebanho, é necessário a definição de critérios de seleção de acordo com as tendências de mercado e o objetivo do criador. Desde a década de 60 em que a seleção de animais baseada no peso padronizado em diferentes idades ou em ganho de peso começou a ser utilizada nas provas zootécnicas, o rebanho brasileiro apresentou melhora expressiva e benefícios econômicos aos criadores, porém a seleção exclusivamente para peso, ao longo do tempo, conduz a animais de maiores pesos a idade adulta, conseqüentemente mais exigentes quanto aos requerimentos nutricionais. Em sistemas de produção a pasto, predominante no Brasil, animais com peso adulto elevado aumentam o período de permanência na propriedade até atingirem o acabamento de gordura ideal exigido pelos frigoríficos, o que representa maior custo ao produtor (Figura 4). Figura 4: Gráfico demonstrativo da curva de crescimento dos biotipos precoce e tardio. Fonte: Brasilcomz – Zootecnia Tropical, 2009. Jorge Jr et al. (2001), afirmam que sendo a tendência atual a busca por animais precoces que atendam as exigências do mercado em termos de quantidade, qualidade de carne e de equilíbrio com o sistema de produção, são necessárias mudanças nos critérios de seleção. Os atuais programas de melhoramento propõem a seleção de animais utilizando tanto características ponderais, quanto características relacionadas a
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    6 precocidades sexual, decrescimento e de terminação, aliadas aos índices reprodutivos e à qualidade da carcaça. Conforme citado por Koury Filho (2005), Fries (1996) afirma que a utilização de escores visuais no Brasil coincide com a implantação do PROMEBO (Programa de Melhoramento de Bovinos), em 1974. Essas avaliações foram baseadas em duas metodologias: Escores de Conformação (EC) do U.S.D.A. (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), e o Sistema de Avaliação Ankony (LONG, 1973). O Sistema de Avaliação Ankony foi utilizado primeiramente nos EUA e se baseia numa escala absoluta de 1 a 10 para cinco características: ausência de gordura excessiva (G); musculosidade (M); tamanho do esqueleto (T); aprumos e estrutura óssea (A) e caracterização racial e sexual (C). Com a necessidade de um rebanho mais precoce em terminação e, não somente com peso elevado, posteriormente surgiram no Brasil outros sistemas como DERAS e PHRAS adotados pela ABCZ em 1980, que descrevia o que se esperava de um zebuíno de corte em características ligadas a caracterização racial e características funcionais e econômicas. Além dessas existem outras metodologias como MERCOS (musculosidade, estrutura física, aspectos raciais e sexuais, conformação e ônfalo) utilizado no Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore (PMGRN) e o sistema mais utilizado atualmente, CPMU – Conformação, Precocidade, Musculosidade e Umbigo. Desde 2004, a ABCZ adota a metodologia denominada EPMURAS, proposta por Koury Filho (2001) e Koury Filho & Albuquerque (2002), com base em estudos de outras metodologias e experiências de campo. O sistema EPMURAS abrange as características estrutura corporal, precocidade, musculosidade, umbigo, caracterização racial, aprumos e características sexuais. Os escores atribuídos às características E, P e M permitem “desenhar” o biotipo do animal e saber como seu peso vivo se distribui; a característica umbigo é importante por estar relacionada com a adaptação do animal ao sistema de criação a pasto; e os escores para R, A e S determinam o sucesso reprodutivo e a caracterização racial do rebanho. Em publicações científicas pode ser encontrado herdabilidades e correlações que afirmam a utilidade das avaliações visuais na seleção de bovinos. Koury Filho (2005) e Yokoo et al. (2009), trabalhando com a metodologia EPM, encontraram herdabilidades para os escores visuais de animais da raça Nelore, de 0,24 para E, 0,63 para P e 0,48 para M, sendo considerado moderado para E e altos para P e M. Esses valores podem ser explicados pela grande variabilidade de tipos morfológicos existentes na raça Nelore. Conforme citado por outros autores que analisaram escores visuais pelo sistema CPM (conformação, precocidade e musculosidade), foram relatadas estimativas de herdabilidade inferiores as do sistema EPM. Melis et al. (2003) e Forni et al. (2007),
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    7 estimaram coeficientes deherdabilidade de 0,22 e 0,12 para C; 0,21 e 0,15 para P; e 0,22 e 0,12 para M. Faria et al. (2008), ao avaliar características de escores visuais pelo sistema MERCOS, também relataram coeficientes de herdabilidade inferiores aos do sistema EPM, com variação de 0,09 a 0,33, na raça Nelore. Koury Filho (2005) encontrou estimativas de correlação genética entre E, P e M positivas, sendo 0,49 entre E e P, 0,63 entre E e M e a mais expressiva entre P e M 0,90, indicativo de que essas características P e M são controladas pelos mesmos genes de ação aditiva. Yokoo et al. (2009) estimou a correlação genética entre escores visuais (EPM) e características de carcaça (AOL, EG, EGP8) medidos por ultrassom, em indivíduos na raça Nelore. De maneira geral, todas as correlações foram moderadas e positivas, com exceção de Estrutura Corporal e as características de espessura de gordura (EG e EGP8), as quais foram baixas e negativas, como mostra a Tabela 1. Isso pode ser exemplificado por animais com escores altos para estrutura e baixo para precocidade, ou seja, são tardios e levam mais tempo para depositar gordura de acabamento. 2 Tabela 1: Estimativas de herdabilidade (h ), correlações genéticas (rg), fenotípicas (rf) e residuais (re) das características área de olho de lombo (AOL), espessura de gordura subcutânea (EG), espessura de gordura subcutânea na garupa (EGP8), estrutura (E), precocidade (P) e musculosidade (M), da raça Nelore. 2 2 Característica AOL (cm ) EG (mm) EGP8 (mm) h rg re rf rg re rf rg re rf E 0,54 0,15 0,31 -0,02 0,23 0,11 -0,05 0,19 0,09 0,42 P 0,58 0,02 0,30 0,40 0,02 0,25 0,42 0,03 0,24 0,65 M 0,61 0,16 0,35 0,38 0,10 0,24 0,41 0,09 0,24 0,49 2 h 0,37 0,55 0,43 Fonte: Yokoo et al., 2009. Outra conclusão de importância econômica apresentada por Yokoo et al. (2009), é que as correlações genéticas entre os escores visuais e AOL foram positivas e de magnitude moderada, principalmente para M com correlação de 0,61. Isso indica que a utilização de qualquer escore visual (E, P ou M) como critério de seleção, principalmente para musculosidade, poderá resultar em animais com maior área de olho de lombo. As estimativas de correlações genéticas entre EG e EGP8 e os escores visuais P e M foram de 0,40 e 0,42; e 0,38 e 0,41 respectivamente, e demonstram que a seleção através de avaliação visual para P, pode resultar em animais que depositam gordura mais cedo. Escores visuais, apesar de terem natureza subjetiva, quando aplicados de maneira criteriosa e por avaliadores qualificados, podem servir para alterar o valor genético dos animais em caracteres relacionados com a carcaça, como grau de desenvolvimento muscular e grau de acabamento (CARDOSO et al., 2001).
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    8 2 DESCRIÇÃO DA EMPRESA 2.1 A Empresa Brasilcomz – Zootecnia Tropical A Brasilcomz foi fundada no ano de 2004, na cidade de Jaboticabal, estado de São Paulo, pelos zootecnistas Dr. William Koury Filho e Ma. Naomi Cristina Meister. A empresa surgiu após vislumbrar a necessidade de consolidar um trabalho bem sucedido do Dr. William no desenvolvimento de metodologias de coleta de dados de escores visuais para programas de melhoramento, além das atuações nas áreas de julgamento em exposições, assessoria a produtores em acasalamentos e seleção, treinamentos e capacitação técnica para profissionais das Ciências Agrárias, criadores e colaboradores. Em 2001, o Dr. William propôs em sua dissertação de mestrado um sistema de avaliação visual de bovinos que colocasse os programas de melhoramento em uma mesma direção, a eficiência produtiva. A nova metodologia proposta resultaria em DEPs reconhecidas por todos os programas, sendo melhor utilizada pelo pecuarista. Com base na metodologia usada pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) foi apresentado na dissertação um novo procedimento que foi chamado de PHRAMS, composta pelas características precocidade, harmonia, características raciais, aprumos, musculosidade e características sexuais. Após maiores estudos e experiências de campo com outros sistemas de avaliação visual (PROBOV, MERCOS, PHRAS, Sistema Ankony e CPMU), o Dr. William Koury Filho e a Profa. Dra. Lúcia Galvão de Albuquerque propuseram, através de trabalho publicado em 2002, a metodologia do EPMU – Estrutura Corporal, Precocidade, Musculosidade e Umbigo. No início de 2004, essa nova metodologia foi adotada oficialmente pela ABCZ, sendo que para as provas de ganho de peso foram acrescentadas as características Raça, Aprumos e Sexualidade, resultando na avaliação fenotípica EPMURAS. A proposta da Brasilcomz é colaborar no desenvolvimento da zootecnia tropical no Brasil, ou seja, buscar a máxima eficiência do gado zebu, por seleção ou base para cruzamentos, através da produção animal adequada ao cenário brasileiro, atendendo as dinâmicas exigências dos mercados mundiais. Através da assistência técnica aos pecuaristas na área de melhoramento animal, a empresa visa selecionar um gado cada vez mais produtivo e adaptado contribuindo para a melhora da produção de carne brasileira baseada em sistemas de produção a pasto. O nome da empresa tem por objetivo associar a pecuária brasileira à zootecnia tropical, com suas particularidades, dentre elas o destaque para adaptação do zebu. Assim o “z” pode ser interpretado como zootecnia e zebu, além de uma visão mais
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    9 globalizada de colaboraçãono desenvolvimento de tecnologia para as faixas tropical e subtropical. Seguindo o mesmo raciocínio, a marca da empresa foi elaborada com a intenção de combinar algo que representasse o Brasil, o seu ambiente tropical e o gado zebu, por isso optou-se pelo contorno identificando a bandeira nacional e o cupim dos zebuínos, utilizando tonalidades da cor verde para representar a interação do pasto com natureza (Figura 5). A Brasilcomz dispõe de um web site (www.brasilcomz.com) como meio de divulgação de seus serviços e produtos, cursos, exposições agropecuárias, trabalhos científicos, entre outras informações. Figura 5: Logo marca da empresa e seus significados. Fonte: Brasilcomz – Zootecnia Tropical, 2009. A Brasilcomz é uma empresa familiar tendo seu escritório sediado na própria residência dos sócios proprietários. Os projetos e assessorias são coordenados pelo Dr. William Koury Filho e a gestão administrativa é de responsabilidade da Ma. Naomi Meister. 2.2 Serviços prestados pela empresa Atualmente, a atividade econômica mais expressiva da empresa são os julgamentos em exposições agropecuárias. O Dr. William Koury Filho pertence ao quadro de jurados da ABCZ, ABCSG e ABCCAN, e participou de importantes exposições nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Pará, Mato Grosso do Sul e Tocantins, além de exposições internacionais no Panamá, Bolívia e México.
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    10 Em parceria com a Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), a Brasilcomz desenvolveu o SAM - Sistema de Avaliação Morfológica. As características estrutura corporal, precocidade e musculosidade (EPM) são avaliadas em fazendas participantes do Programa de Melhoramento Nelore Brasil da ANCP, gerando DEPs morfológicas, ferramentas que ajudarão os pecuaristas na identificação de animais funcionais e adequados a cada sistema de produção. Faz parte dessa parceria também, a organização de treinamentos para a capacitação e credenciamento de consultores e agentes internos para a coleta de dados, assim como o acompanhamento dos consultores e agentes credenciados através da consistência e análise dos dados. A empresa oferece consultoria genética em seleção de animais e acasalamento dirigido, para criadores de zebu, com objetivo de selecionar e produzir reprodutores e matrizes mais eficientes. A seleção consiste em apartar animais dentro de um rebanho, utilizando-se critérios de avaliação genética e morfológica de acordo com os objetivos e possibilidades de cada criador, em busca de reprodutores para teste de progênie e matrizes de reposição. Esses animais além de servirem ao plantel de origem, podem ser destinados para comercialização na própria fazenda ou leilões. Quando um indivíduo se destaca, pode ingressar em centrais de inseminação, transferência de embriões e fecundação in vitro. O acasalamento dirigido concilia o máximo de informação genética e morfológica de cada animal, para definir os acasalamentos mais adequados a fim de otimizar o potencial genético e funcional dos produtos que serão gerados para atingir os objetivos do cliente. Além dos treinamentos do SAM junto a ANCP, a Brasilcomz em parceria com universidades públicas e privadas e empresas do agronegócio, organizam cursos e palestras em diversas áreas como: julgamento de bovinos, avaliação visual (EPMURAS), interpretação de sumários, seleção de animais, cadeia produtiva da carne bovina em geral, entre outros. A empresa está envolvida também com produção científica e revisão de trabalhos, uma maneira de estar sempre atualizada, em dinâmico processo de desenvolvimento de tecnologias e dessa maneira contribuir para acadêmicos e pecuaristas, conciliando base teórica e práticas exeqüíveis que podem contribuir para o incremento do setor produtivo. Poucas empresas no setor agropecuário oferecem publicidade técnica aos criadores. Com suporte de empresas especializadas em informática e publicidade (Núcleo TI, DGRAUS e Boldi Propaganda) a Brasilcomz desenvolve web sites, propagandas e informativos, com assessoria técnica através de um profissional da área de Ciências Agrárias, na elaboração de textos, fotos, vídeos e layout. De acordo com a Brasilcomz, o perfil dos clientes da empresa são rebanhos fornecedores de genética como: Nelore Jandaia, Nelore Grendene e Fazenda Serra
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    11 Negra; Programas demelhoramento como: Conexão Delta G Norte, Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), Progenel e PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos); além de associações de raças como: Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Asociación Boliviana de Criadores de Cebú (ASOCEBU), Asociación Colombiana de Criadores de Cebú (ASOCEBU) e Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB). 3.2.1 Boi com Bula – Um novo conceito em comercialização de genética Trata-se de um produto em desenvolvimento que brevemente será lançado no mercado pela Brasilcomz. Pensando na comercialização de animais, que normalmente é realizada em leilões presenciais, leilões virtuais e mídia televisiva, o Boi com Bula propõe um modelo inovador de comercialização de genética melhoradora via internet. De acordo com a Brasilcomz, o objetivo é consolidar parcerias com fornecedores de animais selecionados por avaliação reprodutiva, genética e morfológica, que disponibilizarão seus animais na “prateleira virtual de produtos” no site www.boicombula.com.br, para comercialização. Os clientes compradores terão confiança, através de uma etiqueta de qualidade, de que o produto que estão adquirindo irá gerar resultados produtivos e econômicos, conferindo maior garantia de satisfação nos resultados. A venda de animais em leilões necessita de muito preparo, a chamada “maquiagem”, para que estes se apresentem aos compradores aparentemente saudáveis e em ótima condição corporal. Devemos admitir que fornecedores e clientes de genética são prejudicados por essa comercialização baseada apenas na aparência. O maior prejuízo acontece nos casos em que os animais que estavam recebendo dietas baseadas em silagens e concentrados, encontram apenas pastagens e mineral nas propriedades dos compradores, apresentando dificuldade de adaptação. A proposta do Boi com Bula é diminuir gastos desnecessários, conscientizando o comprador em enxergar qualidade em animais menos “maquiados” e mais adaptados, através de informações técnicas, para que o bom produto ganhe valorização no mercado. Para maior confiança do comprador, os produtos com a etiqueta Boi com Bula, necessariamente deverão possuir atestado de fertilidade por exame andrológico/ginecológico, estar em dia com o calendário sanitário vigente, serem positivos em um programa de avaliação genética e/ou prova zootécnica e não possuírem defeitos morfológicos desclassificantes. Informações fenotípicas serão coletadas na propriedade do fornecedor de genética pelos consultores credenciados que irão: realizar ou aprovar os exames andrológicos/ginecológicos, descrever o sistema de produção que
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    12 os animais avenda foram criados, coletar dados de idade, peso, perímetro escrotal e EPMURAS descritivo do animal, também chamado de “retrato falado”. A prateleira virtual terá um formato de fácil visualização da qualidade dos animais, sendo disponibilizados fotos, vídeos, genealogia, avaliação genética, criador, frete, entre outras informações de maneira interativa e de fácil acesso. Mesmo com as informações disponíveis no site, existe o diferencial de atendimento ao cliente através de consultas gratuitas, por telefone ou agendadas no escritório da Brasilcomz, para que o consultor possa ouvir as necessidades do cliente e explicar, mais detalhadamente, sobre as informações, indicando os produtos que melhor atenderão suas necessidades particulares, de acordo com objetivos estabelecidos. 3 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS O estágio foi desenvolvido no período de 26 de janeiro a 07 de maio de 2009 com a realização das seguintes atividades: internamente no escritório da Brasilcomz em Jaboticabal - São Paulo foi realizado, o estudo da metodologia de avaliação visual EPMURAS e das técnicas de Julgamento de Zebuínos, confecção de planilhas para acasalamento dirigido, desenvolvimento do site Boi com Bula e gráficos de avaliação genética e demais serviços de escritório. Externamente foi possível fazer avaliação visual em uma fazenda cliente da Brasilcomz e participar, em pista, de um julgamento na Exposição Agropecuária de Londrina. No período de 01 a 20 de junho de 2009, foi realizado uma Viagem Técnica por diversos estados brasileiros, onde foram feitas avaliações visuais, credenciamento de criadores, palestras, curso de julgamento, entre outras. Essas atividades estão relatadas em anexo (Anexo A), devido à viagem ter sido realizada após a entrega desse relatório. Dessa maneira foi cumprida a carga horária de 580 horas, sob a supervisão do Doutor William Koury Filho (Zootecnista – Coordenador de Projetos). 3.1 Avaliação Visual EPMU Baseado em outros sistemas de avaliação visual (PROBOV, MERCOS, PHRAS, Sistema Ankony e CPMU), o Dr. William Koury Filho e a Profa. Dra. Lúcia Galvão de Albuquerque propuseram, através de trabalho publicado em 2002, a metodologia do EPMU – Estrutura Corporal, Precocidade, Musculosidade e Umbigo. Esse sistema está sendo utilizado oficialmente pela ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu) no Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ – ABCZ/Embrapa) e pela
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    13 ANCP (Associação Nacionalde Criadores e Pesquisadores) no Programa de Melhoramento Nelore Brasil (antigo programa da USP). Por ser um dos mais importantes serviços prestados pela Brasilcomz, no início do estágio, ainda no escritório, a técnica de avaliação de escores visuais foi estudada minuciosamente através de diversos trabalhos científicos, principalmente da dissertação e da tese do Dr. William. Além do EPMU foi exigido conhecimentos sobre parâmetros genéticos, DEPs (Diferença Esperada de Progênie) e interpretação de sumários. Após conhecimento teórico, a prática de avaliação visual foi realizada na Fazenda Guanabara, localizada em Andradina - São Paulo, propriedade da Agropecuária Grendene participante do Programa de Melhoramento Nelore Brasil da ANCP. Essa propriedade é especializada na produção de reprodutores e matrizes para comercialização em leilões e para julgamentos em exposições agropecuárias. O sistema de criação do rebanho é a pasto com suplementação mineral e os animais destinados para pista são confinados em cocheira. Durante o estágio o item mais estudado foi o programa de melhoramento Nelore Brasil. Segundo a ANCP, as fazendas participantes devem seguir um dos dois cronogramas de pesagens, em que machos e fêmeas são pesados a partir do nascimento até os 18 meses, em janeiro, abril, julho e outubro (1o cronograma) ou fevereiro, maio, agosto e novembro (2o cronograma). Nessas mesmas datas deve ser mensurado o perímetro escrotal dos 9 aos 18 meses de idade. As avaliações visuais são feitas a desmama (180 a 240 dias de idade) e ao sobreano (480 a 600 dias de idade). Esses dados são enviados para ANCP pela internet e as DEPs são disponibilizadas aos criadores através do web site da associação. 3.1.1 Metodologia do EPMU O objetivo das avaliações visuais é explicar de maneira mais clara a composição do peso através de um “retrato falado” do animal, visando identificar biotipos mais eficientes e produtivos para cada sistema de produção. O EPMU refere-se à Estrutura corporal (E), Precocidade (P), Musculosidade (M) e Umbigo (U) e são avaliadas da seguinte maneira, baseado na metodologia de Koury Filho (2005) e Koury Filho & Albuquerque (2002): - Estrutura corporal (E): corresponde ao tamanho, ou área do animal visto de lado, do dorso/lombo ao chão considerando as pernas. Trata-se basicamente do comprimento corporal e altura do animal (Figura 6). Os escores variam de 1 a 6, sendo escore 1 pequeno e 6 grande. - Precocidade (P): corresponde à relação entre comprimento de costelas e altura de membros. O objetivo é identificar animais com maior profundidade de costelas, que
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    14 tendem a depositargordura de acabamento mais cedo. Esse acabamento é possível de ser observado na virilha baixa e arredondamento das massas musculares, baseado em menos ossos salientes (ílio, ísquio, costelas e escápula), além de pontos específicos como a inserção da cauda, maçã do peito, paleta e a coluna vertebral. Os escores variam de 1 a 6, sendo escores menores atribuídos a indivíduos mais tardios e maiores para os mais precoces. A cobertura de gordura na carcaça de um animal é importante para os sistemas de resfriamento dos frigoríficos brasileiros. É exigido uma camada mínima de espessura de gordura de acabamento de 3 a 6 milímetros, para que não haja escurecimento da carne e encurtamento das fibras musculares pelo resfriamento rápido (cold shortening), o que prejudica suas características físicas e organolépticas. Além disso, animais mais precoces permanecem menos tempo nos pastos e/ou confinamentos, encurtando o ciclo de produção, aumentando a eficiência da atividade e, conseqüentemente, os lucros do produtor. - Musculosidade (M): corresponde a evidências de massas musculares principalmente observadas no posterior e na linha dorso-lombar, regiões onde estão situados os cortes nobres. Animais mais musculosos são mais pesados e apresentam maior rendimento de carcaça. Os escores variam de 1 a 6, sendo escore 1 para os menos musculosos do lote e 6 para os mais musculosos. Figura 6: Representação esquemática das diferentes proporções que devem ser avaliadas pelas características E, P e M. Fonte: Brasilcomz - Zootecnia Tropical, 2009.
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    15 - Umbigo (U): corresponde ao tamanho e posicionamento da prega umbilical, considerando bainha e prepúcio nos machos. Importante característica para as condições de produção brasileira – basicamente a pasto. Animais com umbigos muito pendulosos estão mais susceptíveis a patologias, podendo comprometer a reprodução. Os escores variam de 1 a 6, sendo escore 1 colado; 2, 3 e 4 funcionais; 5 e 6 pendulosos (Figura 7). Figura 7: Referência de escala de escores para a característica umbigo na raça Nelore. Fonte: Brasilcomz - Zootecnia Tropical, 2009. As avaliações visuais para E, P e M utilizam referência relativa, sempre comparando animais do mesmo lote de manejo, ou seja, indivíduos agrupados pela fazenda, criados nas mesmas condições ambientais, principalmente, nutricionais e sanitárias. Porém para a característica Umbigo a avaliação é absoluta, ou seja, sem comparação com outro indivíduo e sim com a referência de variabilidade dentro da raça. Para uma correta avaliação visual algumas etapas são sugeridas: - ser feita pelo mesmo avaliador que deve ter em mente o biotipo referência e as definições de cada característica em questão, sabendo com precisão que região do animal deve ser observada; - formar lotes com indivíduos separados por sexo, com no máximo 45 dias de diferença de idade e avaliar primeiramente os lotes com os animais mais novos; - observar o lote antes do momento da avaliação para identificar a média do grupo para as características E, P e M (escores relativos); - procurar avaliar os animais sob o mesmo campo de visão, a pé ou montado a cavalo; - não considerar o pedigree do animal, nem dados dos seus genitores;
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    16 - ser realizada de forma rápida e precisa, preferencialmente após as pesagens de controle de desenvolvimento ponderal, no sentido de facilitar o manejo da propriedade. Além das etapas descritas acima outros recursos podem ser utilizados para garantir uma avaliação adequada: desvio de peso de cada animal segundo a média do lote de manejo, e avaliação dos animais agrupados em dois ou três para facilitar a avaliação relativa. O uso do desvio de peso auxilia na distribuição mais adequada dos escores no lote. Um desvio positivo indica que esse animal deve receber escores mais altos, pelo menos em alguma característica, assim como um desvio negativo indica que o animal deve receber escores mais baixos, também para pelo menos uma característica. As avaliações visuais realizadas na Fazenda Guanabara geraram um texto intitulado “Avaliação Morfológica – Identificação de Diferentes Biotipos” que aborda explicações práticas da metodologia e fotos ilustrativas, que foi publicado no web site da Brasilcomz e está em anexo neste relatório (Anexo A). 3.1.2 Metodologia do RAS As características Raça, Aprumos e Sexualidade, que fazem parte do EPMURAS, têm funções importantes, não são meramente estéticas, e estão relacionadas à adaptabilidade do gado zebu no ambiente tropical brasileiro. Alguns exemplos são: bordos dos olhos negros e com pele enrugada, protegendo dos raios solares, assim como espelho nasal pigmentado garantindo boa pigmentação do corpo do animal; aprumos corretos garantem longevidade do animal no rebanho e sustentação na monta, tanto do macho quanto da fêmea; e um touro com a tábua do pescoço e o cupim escuros, mostram a ação da testosterona, o que pode garantir um bom reprodutor. Essas três características são avaliadas de maneira absoluta, assim como o Umbigo, porém seus escores variam de 1 a 4 para facilitar a classificação em fraco, regular, bom e muito bom respectivamente. Conforme escrito pelo Dr. William, as definições para R A S são: - Caracterização Racial (R): todos os itens previstos nos padrões raciais determinado pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). - Aprumos (A): avaliados através das proporções, direções, angulações e articulações dos membros anteriores e posteriores. - Características Sexuais (S): busca-se masculinidade nos machos e feminilidade nas fêmeas, sendo que estas características deverão ser tanto mais acentuadas quanto maior a idade dos animais avaliados. Avaliam-se os genitais externos, que devem ser funcionais, de desenvolvimento condizente com a idade cronológica.
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    17 3.2Julgamento de Zebuínos De acordo com a ABCZ, o Departamento de Julgamento das Raças Zebuínas (DJRZ), sucessor dos anteriores Colégio de Juízes fundado em 19/08/1974, é coordenado pela própria Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), responsável por todos os julgamentos das raças zebuínas do país. Funciona junto ao Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas (SRGRZ) e está subordinado ao Superintendente do Departamento Técnico. Ao longo de sete décadas de seleção, as raças zebuínas passaram por diferentes morfologias até chegarem ao conceito atual. No período entre 1938 a 1960, os julgamentos tiveram como objetivo identificar raçadores e matrizes com alta superioridade em tipo racial. Até meados de década de 70 procuravam-se indivíduos com alto potencial de ganho em peso, período em que foi estabelecido o “new type” ou “moderno novilho de corte”. Entre 1970 e 1980, a imagem do “new type” estava consolidada e durante esse período buscou-se identificar animais com alto potencial de ganho em peso, de estatura elevada e peso final muito alto (tipo longilíneo) (JOSAHKIAN, 2007). Na década de 90 inicia-se o conceito de que só o ganho de peso não era suficiente, mas sim, indivíduos que combinassem características reprodutivas, de crescimento, de acabamento e maturidade sexual. Atualmente, prioriza-se biotipos mais harmoniosos nas características econômicas de interesse, visando aumentar a eficiência dos zebuínos. A busca por biotipos mais precoces redireciona os julgamentos para, além de características raciais, morfologias mais produtivas. Durante o estágio os métodos e critérios de julgamento foram estudados com auxílio da apostila técnica “Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos” utilizada pela ABCZ, onde são abordados exterior de zebuínos, métodos e critérios de julgamento, avaliação do tipo e padrões das raças. O exercício prático de julgamento foi realizado na Exposição Agropecuária de Londrina, Paraná, onde o Dr. William Koury Filho julgou a raça Tabapuã (Figura 8).
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    18 Figura 8: Julgamento da raça Tabapuã na ExpoLondrina, 2009. 3.2.1 Metodologia de julgamento A prática do julgamento compreende métodos e critérios adequados de avaliação dos animais. Esses critérios variam em função da definição inicial do propósito econômico dos mesmos. Dois grandes grupos de interesse que se destacam são indivíduos destinados para leite ou para corte. Basicamente, podemos considerar como métodos de julgamento a avaliação individual e a avaliação comparativa dos indivíduos. A avaliação individual, mesmo tratando-se de um único individuo, torna-se comparativa por usar como referência o biotipo médio da raça e as características raciais inerentes ao grupo genético ao qual o animal pertence. Na avaliação comparativa, cada animal é comparado com um padrão mental de referência, assim como na individual, e posteriormente, todos eles entre si, estabelecendo-se um ranqueamento dentro do grupo (JOSAHKIAN, 2007). Em exposições, os animais são agrupados e julgados por idade e, posteriormente, classificados em categorias/campeonatos. As divisões das categorias mais comuns são: Bezerra (8 a 11 meses), Bezerro (de 8 a 11 meses), Novilha menor (13 a 16 meses), Novilha maior (16 a 24 meses), Junior menor (13 a 15 meses), Junior maior (16 a 24 meses), Fêmea jovem (27 a 30 meses), Touro jovem (27 a 30 meses), Progênie de pai e Progênie de mãe. Cada categoria deve ser julgada como se fosse um lote único e desse lote serão apartados os melhores animais. Para ranquear os animais, deve-se visualizar o primeiro lugar e os demais irão se alinhar naturalmente numa escala decrescente dos critérios
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    19 adotados. Na apresentaçãode cada categoria os animais desfilam em círculo, no sentido anti-horário e depois permanecem parados lado a lado. O mais usual é que os animais desfilem por ordem de idade, para facilitar a observação e ponderação de diferenças positivas ou negativas com relação a idade, tipo e desenvolvimento (JOSAHKIAN, 2007). Cada indivíduo é observado de frente para avaliar caracterização racial na cabeça, amplitude de peito e arqueamento de costelas, que está correlacionada com capacidade respiratória e desenvolvimento muscular, e aprumos dos membros anteriores. Observando o animal por trás avaliamos o desenvolvimento de massas musculares, por ser a região das carnes mais nobres, acabamento de gordura (identificação de animais precoces), integridade do aparelho reprodutivo, aprumos dos membros posteriores, importante para sustentação e reprodução. Ao olhar lateralmente, pode-se observar aprumos dos dois membros, identificar animais precoces e tardios, segundo a relação entre profundidade de costelas e altura de membros, a convexidade das massas musculares e os pontos de acúmulo de gordura. Durante a avaliação de cada animal são observados aprumos, caracterização racial, conformação e características reprodutivas, porém a ordem de importância e de níveis de descarte dessas características dependem do jurado e do propósito econômico de cada julgamento. Segundo Josahkian (2007), no contexto do melhoramento genético é preciso considerar o valor econômico de cada característica, a herdabilidade, a importância relativa dentro da raça e as correlações genéticas e fenotípicas existentes entre elas. Independente da ordenação das características, o objetivo do julgamento é permitir um bom desempenho produtivo e funcional do animal. Para julgar um animal e classificá-lo de acordo com a definição de raça ou com a finalidade zootécnica, é necessário conhecimento das particularidades de cada raça, segundo os padrões estabelecidos, e um conceito amplo do exterior desse animal (Figura 9). Todas as informações a seguir foram embasadas no texto “Exterior de Zebuínos” de Machado (2007), publicado na Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos da ABCZ. O estudo do exterior de zebuínos compreende a divisão e nomenclatura das partes do corpo, sua função e o que cada uma delas representa em quantidade e qualidade de carne dentro da carcaça, a forma típica de cada região e eventuais deformações, distinguindo-se as viciosas ou acidentais das de ordem genética ou hereditárias (MACHADO, 2007).
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    20 Figura 9: Denominação das partes do corpo de bovinos. Fonte: Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos – ABCZ, 2007. 3.2.2 Conformação Ao avaliar a conformação do animal observado-se o desenvolvimento de massas musculares, o acabamento de gordura, estrutura óssea, tórax e arqueamento de costelas. Busca-se uma carcaça com musculatura compacta e bem distribuída por todo o corpo, sendo ressaltados os músculos da região dorso-lombar e dos posteriores, de maior importância econômica. Quando se examina os músculos, dar ênfase ao comprimento, integridade e localização. A carcaça não deve ser pouco musculada ou com músculos mal formados, sem integridade e mal localizados, quando se está avaliando um animal produtor de carne. A gordura deve ser na medida certa para a idade e carência e excessos devem ser condenados, pois a cobertura de gordura subcutânea é extremamente importante para a conservação da carcaça (KOURY FILHO, 2001). O animal deve apresentar constituição robusta e estrutura óssea forte, que suporte bem o peso, porém não grosseira. Ossos grossos não são sinônimos de ossos fortes. A conformação leonina é desclassificatória por ter correlação com subfertilidade nas fêmeas. Como mostra a Figura 10, a vaca da esquerda apresenta características morfológicas de subfertilidade como dianteiro bastante pesado, acúmulo de tecido
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    21 adiposo em excessoe cabeça pesada. À direita um animal com fenótipo funcional, boa proporção dianteiro- traseiro com feminilidade evidente. Figura 10: Diferenças morfológicas influentes na fertilidade. Fonte: Prof. Jan C. Bonsma, África do Sul, 1983 citado por Koury Filho, 2001. O peito deve ser amplo e com bom desenvolvimento muscular, denotando grande capacidade respiratória, pois tem correlação positiva com a amplitude torácica. O tórax por sua vez, deve ser amplo, largo e profundo. As costelas devem ser compridas, proporcionais ao comprimento dos membros e largas, bem arqueadas, afastadas e com espaços intercostais bem revestidos de músculos e sem depressão atrás das espáduas. Uma característica exclusiva dos zebuínos é a presença do cupim ou giba, localizada sobre a cernelha. É mais desenvolvido nos machos, acompanhando o restante da musculatura corporal, deve apresentar forma de rim ou castanha de caju e apoiar-se sobre o dorso, nas fêmeas é mais delicado e arredondado, proporcionando maior feminilidade. A região dorso-lombar, importante por representar uma área de carnes de primeira, deve ser larga, reta e musculosa, mais evidenciada nos animais com aptidão para corte, sendo permissível leve inclinação tendendo para a horizontal e deve estar harmoniosamente ligada a garupa. Como mostra a Figura 11, à esquerda o alinhamento correto de cernelha, dorso, lombo e garupa e à direta, largura da região dorso-lombo ideal, principalmente para bovinos de corte. Defeitos graves como lordose (selado ou côncavo), cifose (elevado ou convexo) e escoliose (desvios laterais por ligamentos fracos da coluna vertebral) são desclassificatórios. Também não deve ser mensa (fortemente inclinada) nem tão pouco encoletada (estreitamento das primeiras costelas).
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    22 Figura 11: Conformação ideal para bovinos de corte. Fonte: Herd-book da raça Limousin citado por Koury Filho, 2001. A garupa é uma região muito importante por ser constituída de cortes nobres, por isso, nos animais com aptidão para corte é desejável que essa massa muscular seja bem espessa. Juntamente com o lombo, o dorso e a cernelha devem apresentar ligeira inclinação tendendo para horizontal. Nas fêmeas, essa região deve ser cuidadosamente analisada, pois determina o grau de facilidade do parto devido ao afastamento adequado das ancas, mostrado na Figura 12, e da inclinação da garupa, região responsável também pelo suporte do úbere. A garupa oblíqua é a mais adequada. As ancas devem ser niveladas e são mais salientes nas fêmeas que nos machos. O sacro não deve ser saliente, pois em geral corresponde a garupa inclinada, o que constitui grave defeito, devendo estar no mesmo nível das ancas. A inserção da cauda deve ser harmoniosa, não grosseira. Figura 12: Nivelamento e afastamento adequado entre as ancas. Fonte: Herd-book da raça Limousin citado por Koury Filho, 2001.
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    23 3.2.3 Aprumos Define-se como aprumos a direção normal dos membros em toda a sua extensão, ou em particular das suas diferentes regiões de forma a sustentar solidamente o corpo animal e permitir o seu deslocamento fácil. Defeitos graves de aprumos comprometem além da longevidade dos animais, o ato de monta para os machos e a capacidade de suportar a cobertura pela fêmea. A avaliação deve ser feita examinando a direção dos membros ou situação das suas diversas regiões, em relação à linha de aprumo partindo de pontos diversos do corpo. 3.2.3.1 Membros anteriores e posteriores vistos de perfil Os membros anteriores são considerados normais quando uma linha vertical baixada da ponta da espádua atinge o solo a uma distância de 5 a 10 centímetros adiante da unha. Para os membros posteriores, a vertical deve ser baixada da ponta da nádega (tuberosidade isquiática) passando pela ponta do jarrete, alcançando o solo a distância de 5 a 8 centímetros atrás das unhas. Defeitos Totais - Acampado de diante ou estacado: quando as unhas alcançam ou ultrapassam a linha de aprumo (Figura 13). - Sobre si de diante ou debruçado: quando o eixo do membro se inclina para trás, obtendo uma distância muito maior que 10 centímetros da ponta da unha à vertical da ponta da espádua. Figura 13: Posicionamento de membros anteriores, da esquerda para direita: acampado, sobre si e aprumos corretos. Fonte: Herd-book da raça Limousin citado por Koury Filho, 2001.
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    24 - Sobre si de trás ou acurvilhado: o membro se afasta da linha de aprumo e o seu eixo se projeta para trás, distanciando mais de 8 centímetros da linha de aprumo, assim o membro fica sob o corpo do animal (Figura 14). - Acampado de trás: o membro se aproxima, toca ou ultrapassa a linha de aprumo que é a vertical da ponta da nádega. Como conseqüência a garupa apresenta-se inclinada, o ângulo do jarrete muito fechado e o boleto baixo. Figura 14: Posicionamento de membros posteriores, da esquerda para direita: pés retos, angulação exagerada, aprumos corretos. Fonte: Herd-book da raça Limousin citado por Koury Filho, 2001. Defeitos Parciais Para o exame dos desvios de joelho (membro anterior), usa-se a linha de aprumo que parte do centro do cotovelo e atinge o solo atrás das unhas, dividindo o antebraço, o joelho e a canela em duas partes aproximadamente iguais. - Ajoelhado: quando o joelho se projeta frente à linha de aprumo. - Transcurvo: quando o desvio é para trás da linha de aprumo. As quartelas devem ter um ângulo de 45 graus com a horizontal, caso contrário torna-se um defeito grave. - Baixo de quartela: quando a quartela é muito comprida e o seu eixo com a horizontal forma um ângulo menor que 45 graus. Esta angulação não permite o desgaste normal da parte anterior das unhas, tornando-as muito longas, chamado de “achinelado”. - Fincado de quartela: quando a quartela é muito curta com angulação superior a 50 graus. Este defeito faz com que ocorra o desgaste excessivo da parte anterior das unhas, chamado “pé de burro”. Para os membros posteriores o ângulo interno ideal dos jarretes é de 160 graus e as quartelas devem formar um ângulo de 45 graus com a horizontal, assim como nos membros anteriores.
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    25 - Jarretes fechados: ângulo menor que 160 graus e normalmente o animal é sobre si de trás. - Jarretes abertos: ângulo maior que 160 graus e normalmente o animal é acampado de trás. - Baixo de quartela: forma com o horizontal ângulo menor que 45 graus. - Fincado de quartela: forma com o horizontal ângulo maior que 50 graus. 3.2.3.2 Membros anteriores vistos de frente e posteriores vistos de trás A linha de aprumo para os membros anteriores visto de frente é uma vertical baixada da ponta da espádua que divide a antebraço e a canela em duas partes praticamente iguais. Os joelhos se encontram até dois terços para dentro desta linha, o que é característica dos bovinos, especialmente dos zebuínos. Para os membros posteriores são considerados normais, quando a vertical baixada da ponta da nádega divide o jarrete, a canela, a quartela e o pé em duas partes praticamente iguais. Defeitos totais - Aberto de frente e Aberto de trás: quando os membros estão desviados para fora, afastados da linha de aprumo (Figura 15). - Fechado de frente e Fechado de trás: quando os membros estão convergentes de cima para baixo para dentro da linha de aprumo. Figura 15: Posicionamento de membros anteriores, da esquerda para direita: fechado de frente, cambaio (fecha os joelhos e abre as mãos) e aprumos corretos. Fonte: Herd-book da raça Limousin citado por Koury Filho, 2001.
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    26 Desvios parciais: - Joelhos arqueados, Pés arqueados e Jarretes arqueados: estão projetados muito para fora da linha de aprumo. - Joelhos cambaios, Pés cambaios e Jarretes ganchudos: estão projetados muito para dentro da linha de aprumo (Figura 16). Figura 16: Posicionamento de membros posteriores, da esquerda para direita: fecha os jarretes e abre os pés e aprumos corretos. Fonte: Herd-book da raça Limousin citado por Koury Filho, 2001. 3.2.4 Características reprodutivas O dimorfismo sexual deve ser bem evidente, ou seja, macho deve ter o aspecto masculino e a fêmea aspecto feminino, de forma que o sexo do animal fique explícito sem que seja necessário olhar o aparelho reprodutivo. A bolsa escrotal deve ser constituída de pele fina, flexível e bem pigmentada, contendo dois testículos de bom tamanho e simétricos, não devendo possuir anomalias como o criptorquidismo, monorquidismo, hipoplasia ou hiperplasia. A bainha deve ser de tamanho médio e bem direcionada, proporcional ao desenvolvimento do animal e o prepúcio recolhido, sendo desclassificatório prepúcio relaxado. A vulva deve apresentar conformação e desenvolvimento normais, em posição oblíqua, facilitando a cobrição e a drenagem das secreções e fezes. O úbere deve ser funcional, coberto por pele fina e sedosa, com tetas médias, bem distribuídas e simétricas, não devendo ser penduloso ou subdesenvolvido, as tetas não devem ser longas, grossas ou atrofiadas.
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    27 3.2.5 Caracterização Racial As características raciais são observadas, basicamente na cabeça do animal, onde estão as principais diferenças nos padrões de cada grupo racial, que determina a conformação, posição, tamanho e particularidades de cada região. Durante o estágio, a prática de julgamento foi realizada com a raça Tabapuã, por isso será tomada como base para descrever a caracterização racial nesse relatório. É importante lembrar que a expressão racial varia muito, mesmo dentre as raças zebuínas, portanto segue em anexo (Anexo B) as principais diferenças na morfologia da cabeça de cada raça (Figura 17). Figura 17: Caracterização racial das raças zebuínas: Brahman (1), Cangaian (2), Gir (3), Indubrasil (4), Nelore (5), Sindi (6), Guzerá (7), Tabapuã (8). Fonte: Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos da ABCZ, 2007. A cabeça deve ser de largura e comprimento médios, em forma de ogiva. Nos machos deve ser mais curta e larga enquanto que nas fêmeas, mais comprida e estreita. Assim como em outras raças, cabeças pesadas ou assimétricas são desclassificatórias.
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    28 O Tabapuã secaracteriza por ser uma raça mocha e a existência de batoque, calo ou botão são desclassificatórios. O perfil do Tabapuã deve ser sub-convexo ou retilíneo, formando nos machos, suave convexidade entre os olhos e a marrafa. A fronte, moderadamente larga nos machos e estreita nas fêmeas, sendo permissível a presença de nimbure. O chanfro, reto, curto e largo nos machos e mais longo e estreito nas fêmeas. Desvios, depressão e acarneiramento de chanfro são penalizados. O focinho deve ser preto e largo, com narinas dilatadas e bem afastadas. É permissível marmorização parcial e lambida, porém a predominância de coloração clara e lábio leporino são desclassificatórios. A boca, de abertura média e com lábios firmes, condenando prognatismo e inhatismo. Os olhos pretos, elípticos, vivos, com órbitas ligeiramente salientes, nos machos bem protegidos por rugas da pele, e cílios pretos. São permissíveis cílios mesclados e cegueira unilateral adquirida, porém não devem ser exoftálmicos, gateados, cílios totalmente brancos e cegueira bilateral. As orelhas do Tabapuã devem ser simétricas e médias, relativamente largas. Vistas de frente mostram-se voltadas para a face. Apresenta ligeira reentrância na extremidade da borda inferior, sendo permissível a falta dela. Não é permitido orelhas excessivamente longas ou curtas, assimétricas, encartuchadas ou em forma de lança. O tamanho, formato e posição das orelhas são elementos que variam muito, por isso são importantes na caracterização das raças e estão definidas no padrão-racial específico. 3.2.6 Pigmentação A pigmentação é importante para os zebuínos, devido à adaptação aos climas tropical e subtropical. Independente da coloração da pelagem, a pele deve ser preta ou escura, solta, fina e flexível, macia e oleosa, não devendo possuir regiões com despigmentação excessiva, principalmente nas partes não sombreadas. Áreas de despigmentação fáceis de serem observadas são cílios, espelho nasal, barbela, vulva/saco escrotal, úbere e vassoura da calda. Na raça Tabapuã a pelagem deve ser de cor branca ou cinza e suas nuances. Algumas manchas são permitidas, porém não muito carregadas e nem muito definidas na cor. Os pelos devem ser finos, curtos e sedosos, e a pele preta ou escura.
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    29 3.3Acasalamento dirigido O acasalamento dirigido concilia o máximo de informação genética e morfológica de cada animal, para definir os acasalamentos mais adequados a fim de otimizar o potencial genético e funcional dos produtos que serão gerados para atingir os objetivos do cliente. Para o desenvolvimento dessa atividade durante o estágio na Brasilcomz, foi necessário aprimorar conhecimentos de avaliação genética (DEP, DEP para efeito direto, DEP para efeito materno, base genética, acurácia), características e índices dos diferentes programas de melhoramento (Nelore Brasil, Aliança), interpretação de sumários, e a genealogia e a régua de DEPs dos touros disponíveis em centrais de inseminação. Durante o estágio, a prática de acasalamento dirigido foi desenvolvida com o uso dos dados de rebanho da Fazenda Kuluene, localizada no Estado do Mato Grosso, propriedade da Agropecuária Nelore Jandaia, participante do Programa de Melhoramento Nelore Brasil da ANCP. Essa propriedade direciona o processo de melhoramento genético de seu plantel com foco principal na precocidade e na conformação de carcaça, obtidas em sistema de criação a pasto, com preservação das características raciais. Tem o objetivo de produzir reprodutores e matrizes com excelente avaliação genética para comercialização em leilões. As fazendas participantes do Programa de Melhoramento Nelore Brasil têm acesso as informações de seu rebanho online no web site da ANCP. Através desse site foram baixadas, em formato Excel, as avaliações genéticas de todas as matrizes disponíveis para a próxima estação de monta. A planilha proveniente da ANCP utilizada para direcionar os acasalamentos, contém as seguintes informações sobre cada animal: RGN (Registro Genealógico de Nascimento), data de nascimento, safra, sexo, nome do animal, nome do pai, nome da mãe, nome do avô materno, índice da ANCP (MGT) e DEPs para todas as características avaliadas. O Mérito Genético Total (MGT) corresponde ao índice que fornece ao criador a oportunidade de escolher animais geneticamente superiores, porém harmonicamente balanceados para reprodução, habilidade maternal, fertilidade, precocidade sexual e crescimento pós-desmame. Esse índice foi desenvolvido pela ANCP e considera as seguintes características e suas ponderações como mostra a Tabela 2.
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    30 Tabela 2: Características e ponderações contempladas no índice MGT da ANCP. Características Ponderações Habilidade Maternal (MP120) 20% Peso aos 365 dias (DP365) 20% Peso aos 450 dias (DP450) 20% Perímetro Escrotal aos 365 dias (DPE365) 10% Perímetro Escrotal aos 450 dias (DPE450) 10% Idade ao Primeiro Parto (DIPP) 15% Período de Gestação (DPG) 5% Fonte: Sumário 2009 da ANCP, 2009. À planilha disponibilizada pela ANCP são adicionadas outras informações que auxiliam nos acasalamentos, corresponde à descrição dos escores morfológicos de EPMURAS descritivo (baseado em referência absoluta, ou seja, a população da raça em questão) e comentários. Essas informações são coletadas em visita a fazenda antes da estação de monta. Os comentários são observações de defeitos externos como, pigmentação, chifre, cupim, entre outros, que podem ser minimizados nas progênies com o acasalamento correto. Os escores morfológicos de Estrutura Corporal, Precocidade, Musculosidade e Umbigo, foram explicados anteriormente neste relatório, no entanto para a planilha de acasalamento é necessário a inclusão de outras três características, Caracterização Racial, Aprumos e Sexualidade. No caso do Nelore Jandaia, é importante preservar as características raciais do rebanho, ao mesmo tempo em que seleciona-se animais precoces e produtivos. Defeitos de aprumos devem ser eliminados, pois podem comprometer a longevidade (permanência dos animais no rebanho), dificultando a busca por alimento nos sistemas de produção a pasto, que pode prejudicar a condição corporal dos animais, resultando indiretamente em descarte por falha na reprodução. Vale ressaltar que touros com aprumos traseiros deficientes podem sentir dor ao efetuar o salto, e as fêmeas ao suportar o peso do macho, diminuindo, mais uma vez, a eficiência reprodutiva. Características sexuais do exterior do animal (masculinidade, feminilidade, genitais) parecem estar diretamente ligadas à eficiência reprodutiva, e esta é a característica de maior impacto financeiro na atividade. A Brasilcomz opta por trabalhar as avaliações genéticas representadas em percentil e classificadas em TOP%, artifício criado pela ANCP para auxiliar o criador a situar o material genético de cada animal dentro de uma população. Por exemplo, um animal TOP 1% significa que entre 1000 animais ele está entre os 10 melhores em avaliação genética. Adota-se também, um sistema de coloração das DEPs na planilha, para facilitar a visualização do TOP de cada característica no momento de definir os
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    31 acasalamentos: azul (até0,9%), verde (1 a 9%), branco (10 a 25%), amarelo (30 – 50%) e vermelho (60 – 100%) (Figura 18). Após a montagem da planilha com todos os dados descritos anteriormente, é necessário conhecer o estoque de sêmen da fazenda, quantidade e reprodutor. Os acasalamentos são direcionados utilizando, da melhor maneira, sêmen disponível na propriedade e introduzindo sêmen de novos reprodutores, que aumente o progresso genético do rebanho. Os novos reprodutores são escolhidos de acordo com as características a serem corrigidas em cada rebanho e do objetivo do criador. Na planilha, com auxilio das cores e dos comentários, identificam-se as maiores necessidades de cada individuo e escolhe-se um reprodutor que possa minimizar defeitos e complementar o material genético da futura progênie.
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    32 Série RGN Nasc Safra Sexo Nome Pai Mãe Avô Mat AIA A6291 19/11/2006 2006 Femea A6291 DA JANDAIA OITAVO DA JANDAIA UKLA DA JANDAIA F1292 AIA A6294 19/11/2006 2006 Femea A6294 DA JANDAIA RAMBO DA MUNDO NOVO PELICA DA JANDAIA ORG, MATA VELHA AIA A6299 19/11/2006 2006 Femea A6299 DA JANDAIA MEANDRO JANDAIA MOEDA DA JANDAIA RAMAPUI JANDAIA AIA A6309 20/11/2006 2006 Femea A6309 DA JANDAIA RAMBO DA MUNDO NOVO PISTOLA DA JANDAIA SUECO DA JANDAIA AIA A6313 20/11/2006 2006 Femea A6313 DA JANDAIA CINICO DA JANDAIA PERTENCA DA JANDAIA QUEPE DA SALETTE AIA A6314 20/11/2006 2006 Femea A6314 DA JANDAIA POPI / 35 / 35 CHATA DA JANDAIA GALANTE POTY VR AIA A6320 20/11/2006 2006 Femea A6320 DA JANDAIA RAMBO DA MUNDO NOVO PEUBA DA JANDAIA GALANTE POTY VR AIA A6339 21/11/2006 2006 Femea A6339 DA JANDAIA TOROXO DA JANDAIA CORVETA DA JANDAIA DEDAL R,K AIA A6342 21/11/2006 2006 Femea A6342 DA JANDAIA RAMBO DA MUNDO NOVO CORAMINA DA JANDAIA GALANTE POTY VR AIA A6348 22/11/2006 2006 Femea A6348 DA JANDAIA BACKUP PIORRA DA JANDAIA ACARA DA JANDAIA AIA A6349 22/11/2006 2006 Femea 6349 DA JANDAIA BACKUP REVVI DA JANDAIA LANDARIO MGT MP120 DP365 DP450 DPE365 DPE450 DAOL DIPP DPG DED DPD DMD DES DPS DMS E P M U R A S Comentário 15 25 10 15 50 60 70 60 70 2 2 2 2 50 30 5 4 5 2 4 4 4 10 4 15 10 30 40 60 5 100 20 3 25 20 2 3 5 6 6 2 3 4 4 40 20 40 25 80 70 70 100 50 30 60 20 20 30 10 6 4 5 2 3 4 4 afundamento dir 1 10 1 25 15 10 15 60 15 100 25 20 50 30 15 60 6 5 4 2 3 3 4 pigmentação 2 40 4 90 80 4 15 70 20 20 40 60 30 30 40 50 4 5 4 2 3 3 4 25 50 25 20 80 70 40 50 40 10 4 20 40 10 40 5 5 4 2 4 3 4 10 0,5 20 15 25 40 30 15 100 10 4 4 0,5 30 10 6 4 5 2 3 4 4 temperamento 2 25 10 50 40 50 40 60 25 70 4 3 5 10 15 15 6 5 5 4 3 3 4 30 10 50 40 60 70 40 20 100 90 25 60 80 90 80 4 5 4 2 4 4 4 pigmentação 3, garupa 1 10 50 10 3 25 25 15 60 50 15 15 10 25 15 20 6 4 4 1 2 3 4 15 40 20 10 15 15 15 60 40 10 2 4 30 0,5 1 5 5 5 3 2 3 4 chifre 3 Figura 18: Exemplo de planilha utilizada para acasalamento dirigido. Fonte: Brasilcomz – Zootecnia Tropical, 2009.
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    33 3.4Desenvolvimento de web site Com o desenvolvimento do produto Boi com Bula pela Brasilcomz foi necessário alguns trabalhos no layout e de material para inclusão no web site. Juntamente com o nucleoTI, empresa de desenvolvimento de web site, localizada em Uberaba, Minas Gerais, foi desenvolvido um projeto onde se descrimina todos os itens que serão inclusos no site. Esse projeto foi revisado diversas vezes e está em constante mudança, em busca de um site interativo, de fácil navegação e compra pelo criador, disponibilizando grande quantidade de informações sobre cada produto (genealogia, fotos, vídeos, proprietário, EPMURAS descritivo, entre outras) e com garantia de qualidade e segurança da Brasilcomz. Durante o estágio foi necessário aprimorar o uso do Excel para estruturação de gráficos demonstrativos da avaliação genética de cada animal, que estará disponível no site do Boi com Bula. Para facilitar a estruturação dos gráficos dos novos animais a serem inclusos, o gráfico base deve conter fórmulas (SE e PROCV), de maneira que as alterações nos valores do TOP alterem automaticamente os outros componentes. Considera-se difícil a compreensão das DEPs em valores absolutos, por isso os gráficos de avaliação genética mostrarão em TOP ou DECA, (divisão de percentil, ou seja, DECA 1 variando de 0,1 a 10% até DECA 10 de 90,1 a 100%), dependendo de cada programa de melhoramento (ABCZ, Aliança e ANCP), assim como a denominação adotada para as características em cada programa (Tabela 3). O tipo de gráfico escolhido (barras horizontais), demonstrado na Figura 19, tem o objetivo de facilitar a identificação dos animais positivos e negativos para cada DEP. O centro do gráfico representa o TOP 50%, sendo que quanto mais para direita estiver a barra, mais próximo de 0,1% estará o animal para determinada característica, representada pela cor azul. Da mesma maneira, quanto mais para a esquerda estiver a barra, mais próximo de TOP 100% estará o animal, representada pela cor vermelha, ou seja, mais negativo para determinada característica.
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    34 Sumário ANCP DEP AC TOP% MP120 MP120 -0,44 20 90 MP210 MP210 0,31 20 60 DP120 DP120 7,42 60 0,5 DP210 DP210 12,02 59 0,1 DP365 DP365 18,76 63 0,5 DP450 DP450 20,26 62 0,5 DPE365 DPE365 0,31 40 10 DPE450 DPE450 0,41 47 10 DAOL DAOL 0,27 29 15 DEG DEG -0,01 34 30 DEGP8 DEGP8 -0,15 40 90 DIPP DIPP -0,99 21 2 DPG DPG 4,28 59 100 DPA DPA 32,26 21 100 DPAC DPAC 6,84 21 2 DSTAY DSTAY 63,3 18 0,1 D3P D3P 53,45 16 3 DPN DPN 1,97 48 100 DED DED 20 DPD DPD 1 DMD DMD 1 DES DES 20 DPS DPS 1 DMS DMS 1 MGT MGT 12,73 44 2 Figura 19: Layout das avaliações genéticas de um animal que estarão disponíveis no web site Boi com Bula. Tabela 3: Legenda das DEPs utilizada pelo programa de melhoramento da ANCP. Reprodução D3P DEP Direta para Probabilidade de Parto Precoce DIPP DEP Direta para Idade ao Primeiro Parto DPE365DEP Direta para Perímetro Escrotal aos 365 dias de Idade DPE450DEP Direta para Perímetro Escrotal aos 450 dias de Idade DPG DEP Direta para Período Gestação DPAC DEP para Produtividade Acumulada DSTAY DEP para Stayability Crescimento DPN DEP Direta para Peso ao Nascer MP120 DEP Materna para Peso aos 120 dias de Idade DP120 DEP Direta para Peso aos 120 dias de Idade DP365 DEP Direta para Peso aos 365 dias de Idade DP450 DEP Direta para Peso aos 450 dias de Idade DPA DEP Direta para Peso Adulto da Vaca Medidas por Ultrassonografia DAOL DEP Direta para Área de Olho de Lombo DACAB DEP Direta para Acabamento de Carcaça Temperamento/Reatividade DREAT DEP Direta para Reatividade Animal Morfológicas DED DEP Direta para Estrutura Corporal ao Desmame DPD DEP Direta para Precocidade ao Desmame DMD DEP Direta para Musculatura ao Desmame DES DEP Direta para Estrutura Corporal ao Sobreano DPS DEP Direta para Precocidade ao Sobreano DMS DEP Direta para Musculosidade ao Sobreano Fonte: Sumário 2009 da ANCP, 2009.
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    35 Devido ao fato da Brasilcomz ser uma das empresas pioneiras no uso de avaliações morfológicas e acreditar que essas características possam auxiliar na busca por um animal mais eficiente/produtivo e caracterizado, estará disponível no web site gráficos de EPMURAS descritivo (Figura 20) mostrando os escores reais, a nota equivalente segundo metodologia criada pelo Dr. William Koury Filho, e um índice morfológico, que corresponde a soma das notas equivalentes para as sete características. Por exemplo, um animal com escores de EPMURAS 5, 4, 4, 3, 3, 4 e 4, segundo a Tabela 4, somaria 32 pontos e se classificaria como excelente (Tabela 5). ÍNDICE MORFOLÓGICO E CARAC. E. REAL NOTA ESCALA % E 5 5 1-6 83,33 P P 6 6 1-6 100,00 M M 5 5 1-6 83,33 U U 3 4 1-6 66,67 R 3 3 1-4 75,00 R A 4 4 1-4 100,00 A S 4 4 1-4 100,00 S ÍNDICE MORFOLÓGICO 31 MUITO BOM Figura 20: Layout do EPMURAS descritivo que será disponibilizado no web site Boi com Bula Tabela 4: Escores e notas equivalentes para as características de avaliação visual. Característica Escores Reais Notas Equivalentes E 1a6 mesmo escore dado pelo avaliador P 1a6 mesmo escore dado pelo avaliador M 1a6 mesmo escore dado pelo avaliador escore 2, 3 e 4 --> 4 pontos; U 1a6 escore 1 e 6 --> 1 ponto; escore 5 --> 2 pontos R 1a4 mesmo escore dado pelo avaliador A 1a4 mesmo escore dado pelo avaliador S 1a4 mesmo escore dado pelo avaliador Tabela 5: Classificação dos Índices Morfológicos. Índice Morfológico Classificação 0 a 19 FRACO 20 a 24 REGULAR 25 a 28 BOM 29 a 31 MUITO BOM 32 a 34 EXCELENTE
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    36 4 CRÍTICAS E SUGESTÕES Durante o estágio foi possível aplicar conceitos de melhoramento genético e de ezoognósia aprendidos em sala de aula, na seleção de animais e em julgamentos agropecuários. Sem dúvida essa base teórica é essencial para o bom desempenho prático das atividades e foi muito bem ensinada pelos professores da FZEA, porém acredito que essas disciplinas deveriam ter também um enfoque prático, de maneira que o aluno ficasse esclarecido de como é possível aplicar e como vem sendo aplicado esses conceitos no mercado de trabalho. A sugestão seria trazer profissionais das áreas para ministrar palestras, mostrando a aplicação e a utilidade dos conceitos que nos são transmitidos durante as disciplinas. O estágio na Brasilcomz foi essencial para formar uma profissional com experiência de campo em melhoramento animal, conhecimento de gado, envolvida no real mercado do agronegócio e com muitos contatos de profissionais competentes. A Brasilcomz é uma empresa pequena que carrega o nome do conceituado Dr. William Koury Filho e muitos clientes importantes no meio, e com certeza tem muito a ensinar a estudantes da área de ciências agrárias interessados em melhoramento animal e gado de corte. A única sugestão seria a melhor organização do plano de atividades, para poder distribuir da melhor maneira as atividades internas e externas que o estagiário realizará para a empresa.
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    37 5 CONCLUSÕES O uso de avaliações visuais consiste em um sistema simples e sem custo, com alta correlação com precocidade de deposição de gordura e desenvolvimento de massas musculares, que pode ser utilizada para selecionar animais com biotipos mais adequados a cada sistema de produção, selecionando um gado mais eficiente que aumentará a lucratividade do criador. Essa metodologia tem auxiliado também nos julgamentos em exposições agropecuárias. Durante um longo período, os julgamentos tiveram por objetivo selecionar apenas animais com a melhor caracterização racial, deixando de lado características produtivas/econômicas. Atualmente busca-se identificar também indivíduos que passem para suas progênies além de beleza racial e aprumos corretos, precocidade e uma carcaça com bom desenvolvimento muscular e revestimento de gordura. O Brasil tem participação expressiva no mercado mundial em produção e exportação de carne bovina, tendo o segundo maior rebanho bovino composto por cerca de 80% de zebuínos. Devido a necessidade de aumentar a produtividade brasileira nesse setor, os programas de melhoramento genético têm contribuído para aumentar a qualidade da carne exportada, o rendimento das carcaças no frigorífico, reduzir o tempo para terminação dos animais, gerando assim benefícios econômicos para toda cadeia produtiva da carne.
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    38 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANUALPEC 2008: Anuário da pecuária brasileira. São Paulo: Instituto FNP, Prol Editora Gráfica, 2008. ABCZ. História e Colégio de Jurados, 2008. Disponível em <http://www.abcz.org.br/conteudo/jurados>. Acesso em 04 de maio de 2009. ANCP. Cronogramas. Disponível em <http://www.ancp.org.br/cronogramas.php?id=1>. Acesso em 03 de maio de 2009. BEZERRA, L.A.F.; LOBO, R.B. Análise genética de escores de avaliação visual de bovinos com modelos bayesianos de limiar e linear. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.43, p.835-841, 2008. BRASILCOMZ – Zootecnia Tropical. Disponível em: <www.brasilcomz.com>. Acesso em 29 de abril de 2009. FARIA, C.U. de; MAGNABOSCO, C.U.; ALBUQUERQUE, L.G. de; REYES, A. de los; CARDOSO, F. F.; CARDELLINO, R. A.; CAMPOS, L. T. Componentes de (Co)Variância e Parâmetros Genéticos para Caracteres Produtivos à Desmama de Bezerros Angus Criados no Estado do Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 30, n.1, p. 41-48, 2001. FORNI, S.; FEDERICI, J. de F.; ALBUQUERQUE, L.G. de. Tendências genéticas para escores visuais de conformação, precocidade e musculatura à desmama de bovinos Nelore. Revista Brasileira de Zootecnia, v.36, p.572-577, 2007. JORGE JÚNIOR, J.; PITA, F. V. C.; FRIES, L. A.; ALBUQUERQUE, L. G. Influência de alguns fatores de ambiente sobre os escores de conformação, precocidade e musculatura à desmama em um rebanho da raça Nelore. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 30, n. 6, p.1697-1703, 2001. JOSAHKIAN, L. A. Métodos e critérios de julgamento. In: Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos. Uberaba, MG: ABCZ, 2007. KOURY FILHO, W.; ALBUQUERQUE, L. G. Proposta de metodologia para a coleta de dados de escores visuais para programas de melhoramento. In: CONGRESSO BRASILEIRO DAS RAÇAS ZEBUÍNAS, 5., Uberaba, 2002. Anais... Uberaba, 2002, p. 264-266. KOURY FILHO, W. Análise genética de escores de avaliações visuais e suas respectivas relações com desempenho ponderal na raça Nelore. Pirassununga, 2001. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, USP.
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    39 KOURY FILHO, W.Escores visuais e suas relações com características de crescimento em bovinos de corte. 2005. Tese (Doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal. LOBO, R.B..; BEZERRA, L.A.F; VOZZI, P.A.; MAGNABOSCO, C de U.; ALBUQUERQUE, L.G.; SAINZ, R.D.; BERGMANN, J.A.G.; OLIVEIRA, H.N. Avaliação genética de Touros e matrizes da raça nelore: Sumário 2009. Ribeirão Preto, ANCP, 2009. MACHADO, C. H. C. Exterior de Zebuínos. In: Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos. Uberaba, MG: ABCZ, 2007. MELIS, M.H. van; ELER, J.P.; SILVA, J.A. de V.; FERRAZ, J.B.S. Estimação de parâmetros genéticos em bovinos de corte utilizando os métodos de máxima verossimilhança restrita e Â. Revista Brasileira de Zootecnia, v.32, p.1624-1632, 2003. PINEDA, N. R. Influência do zebu na produção de carne no Brasil. In: III SIMPÓSIO NACIONAL DE MELHORAMENTO ANIMAL, 2000, Belo Horizonte. Disponível em: <http://www.sbmaonline.org.br/anais/iii/palestras/iiip17.pdf>. Acesso em: 20 de abril de 2009. SANTOS, R. O Zebu. Edição comemorativa dos 60 anos do Registro Genealógico da ABCZ. Uberaba, MG: Editora Agropecuária Tropical, 1998. YOKOO, M. J. I.; WERNEK, J. N.; PEREIRA, M. C.; ALBUQUERQUE, L. G.; KOURY FILHO, W.; SAINZ, R. D.; LOBO, R. B.; ARAÚJO, F. R. C. Correlações genéticas entre escores visuais e características de carcaça medidas por ultrassom em bovinos de corte. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.44, n.2, p.197-202, fev. 2009.
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    40 ANEXO A –Descrição da Viagem Prática realizada com a Brasilcomz. No período de 01 a 20 de junho de 2009, foi realizado uma viagem prática com o Dr. William Koury Filho, com a finalidade de atender diversos clientes e parceiros da Brasilcomz em vários Estados brasileiros. Nessa viagem foram feitas avaliações visuais, credenciamento de criadores, palestras, curso de julgamento, entre outras atividades que foram de extrema importância para aplicação de todo conhecimento adquirido durante os primeiros meses de estágio na empresa. Essas atividades foram descritas em anexo, por terem sido realizadas após a primeira entrega desse relatório. A seguir serão descritas as atividades realizadas durante a viagem. 1 Associação Brasileira dos Criadores de Zebu - ABCZ No primeiro dia de viagem passamos pela cidade de Uberaba – Minas Gerais e visitamos a ABCZ, que está localizada desde 1941, no Parque Fernando Costa. Trata-se de uma entidade nacional que coordena e centraliza todas as atividades relacionadas ao zebu nas áreas técnica, política e econômica. Com a atual presidência nas mãos de José Olavo Borges Mendes, essa associação conta com cerca de 18 mil criadores, no Brasil e no exterior. Hoje a ABCZ é considerada a maior associação classista do setor pecuário mundial e é responsável por grandes ações como a ExpoZebu, ExpoGenética, Registros Genealógicos, Colégio de Jurados das Raças Zebuínas, Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), Provas Zootécnicas (Desenvolvimento Ponderal, Ganho de Peso e Controle Leiteiro), Sumário de Touros, entre outras ações que auxiliam o desenvolvimento do zebu no Brasil. 2 Nelore Jandaia O Nelore Jandaia está localizado, há 14 anos, na fazenda Kuluene no município de Gaúcha do Norte - Mato Grosso. Há 44 anos, a seleção Nelore Jandaia direciona o processo de melhoramento genético de seu plantel com foco principal na precocidade e na conformação de carcaça obtidas em sistema de criação a pasto, com preservação das características raciais. Durante o período de oito dias na fazenda Kuluene, realizamos diversas atividades como:
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    41 - Avaliações visuais (EPMU) de aproximadamente 1.000 animais, das categorias desmama, sobreano, machos e fêmeas; - EPMURAS descritivo de touros, entre 30 a 33 meses, que serão comercializados em leilão, com a finalidade de identificar possíveis problemas de aprumos ou de caracterização racial e auxiliar na separação das baterias do leilão usando determinadas características; - Seleção de touros através de avaliações genéticas, descartando do leilão animais com MGT negativo; - Acompanhamento do manejo diário da fazenda, localizada no Estado com o maior número de zebuínos do Brasil, como o manejo de pastagens, ações no período sem chuvas, manejo racional dos animais, ações para organização de leilões, entre outras. Além das atividades citadas acima, foi muito interessante conhecer pessoas competentes e com muita experiência em agropecuária como o Sr. William Koury, proprietário do Nelore Jandaia e o Prof. Dr. Raysildo B. Lôbo, presidente da ANCP. Figura 1: Fazenda Kuluene (foto esquerda); Augusto (Alta Genetics), Juliana, Prof. Raysildo (ANCP), William Koury Filho (brasilcomz), William Koury (Nelore Jandaia), foto da direita. 3 Credenciamento de Criadores em Avaliações Visuais A empresa Rebanho – Assistência Veterinária, localizada na cidade de Campo Grande – Mato Grosso do Sul, responsável pelo antigo Progenel, teve a iniciativa de reunir um grupo de criadores de zebuínos interessados em participar de um programa de melhoramento, para conhecer o SAM - Sistema de Avaliação Morfológica, uma parceria da ANCP e da Brasilcomz. Durante dois dias foi feito um credenciamento dos proprietários e/ou funcionários das fazendas, para conhecerem os conceitos e realizarem avaliações visuais através da metodologia do EPMU. Esse credenciamento é composto de aulas teóricas e práticas e
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    42 prova teórica eprática. A pessoa só estará credenciada se obtiver 70% de aproveitamento em ambas as provas. A consistência dos dados desses novos avaliadores deve ser conferida pelo programa de melhoramento que cada fazenda está inserida. Como estagiária da Brasilcomz tive a oportunidade de tirar dúvidas dos participantes aplicando meus conhecimentos e participar desse credenciamento, estando habilitada para fazer avaliações visuais. 4 Julgamento em Leilão – Três Lagoas – MS No leilão organizado pela empresa Central Leilões, o Dr. William Koury Filho, jurado efetivo da ABCZ, julgou lotes de bezerros da raça Nelore, machos e fêmeas, de acordo com a homogeneidade do lote, caracterização racial, biotipo, condição corporal, entre outras características. Foram premiados os cinco melhores lotes de machos e de fêmeas, com o objetivo de identificar os melhores lotes para os compradores e aquecer os lances do leilão. 5 Palestra sobre Avaliações Visuais – Três Lagoas – MS Durante a exposição agropecuária de Três Lagoas (Expotrês), o Dr. William ministrou uma palestra sobre EPMURAS, para criadores associados ao Sindicato Rural da cidade. A palestra terminou com uma apresentação prática das principais características e diferenças observadas em reprodutores e matrizes. Figura 2: Palestra e atividade prática sobre EPMURAS na Expotrês.
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    43 6 Curso de Julgamento das Raças Zebuínas Durante a 15a Feira Internacional da Cadeia Produtiva de Carne (Feicorte) em São Paulo, a empresa Progênie Genética e Consultoria em parceria com a ABCZ e com a Agrocentro, organizaram a terceira edição do curso oficial de julgamento de zebuínos. O curso teve duração de três dias, com objetivo de formar não apenas juízes, mas também conhecedores das raças zebuínas e seus biotipos. A programação engloba conhecimento da história dos zebuínos no Brasil, a estrutura da ABCZ, avaliações visuais, aula teórica e prática sobre aprumos e padrão racial de todas as raças zebuínas. Como estagiária da Brasilcomz tive a oportunidade de sanar dúvidas dos participantes com relação à empresa e seus serviços, e participar do curso como aluna, estando habilitada a dar assistência em pistas de julgamento. Figura 3: III Curso de Julgamento das Raças Zebuínas, Feicorte.
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    44 ANEXO B –Texto sobre avaliação morfológica, escrito após exercício prático na Fazenda Guanabara, publicado no site da empresa Brasilcomz. Avaliação Morfológica – Identificação de Diferentes Biotipos “Um exercício prático da metodologia EPMU” Juliana Ferragute Leite1 & William Koury Filho2 1 2 Estagiária da Brasilcomz Coordenador de Projetos da Brasilcomz Atualmente a busca por animais mais pesados como critério de seleção tem aberto espaço para o uso de ferramentas que auxiliem na identificação de indivíduos com a composição do peso mais adequada. A proporção dos diferentes tecidos, ossos, músculo e gordura, além de vísceras e couro, podem variar, bastante, em indivíduos de pesos próximos. Ao longo do tempo, a seleção apenas para peso inevitavelmente conduz a animais de maior peso adulto, porém não necessariamente identifica biotipos mais adaptados a nossos sistemas de produção. Os escores visuais para Estrutura corporal, Precocidade e Musculatura, (EPM) têm sido coletados em programas de melhoramento como ferramenta para visualizar o biotipo do animal (fenótipo), e a capacidade do mesmo transmitir um biótipo a seus descendentes (DEPs). Esse biotipo pode variar desde ultraprecoce a extremamente tardio. As DEPs morfológicas de E, P e M são consideradas ferramentas simples e econômicas, eficientes para o criador direcionar a seleção de seu rebanho para tamanho e proporções, e poderão ser utilizadas de acordo com objetivos particulares. Procedimentos para avaliação morfológica As avaliações visuais para os programas de melhoramento são realizadas na desmama, em torno de 205 dias, e ao sobreano, em torno de 550 dias. As avaliações visuais utilizam referência relativa, sempre comparando animais do mesmo lote de manejo, ou seja, indivíduos agrupados pela fazenda, criados nas mesmas condições ambientais, principalmente, nutricionais e sanitárias. Antes de iniciar as avaliações deve-se olhar o perfil geral dos animais do lote de manejo que será avaliado (diferenças de biotipo para as características morfológicas de EPM). Isso permitirá que os escores sejam melhor distribuídos em cabeceira, meio e fundo, consequentemente gerando dados com maior variabilidade, portanto mais adequados para os programas de melhoramento genético. É importante que os animais de um mesmo lote não tenham grandes diferenças de idade, sendo o ideal até 30 dias de diferença entre o mais novo e o mais velho, porém são aceitáveis diferenças de até 60 dias.
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    45 As características morfológicas contempladas nos programas de melhoramento são: - Estrutura Corporal (E): corresponde ao tamanho, ou área, do animal visto de lado, do dorso/lombo ao chão considerando as pernas. Basicamente comprimento corporal e altura do animal. Os escores variam de 1 a 6, sendo escore 1 pequeno e 6 grande. - Precocidade (P): corresponde a relação entre comprimento de costelas e altura de membros. O objetivo é identificar animais com maior profundidade de costelas, que tendem a depositar gordura de acabamento mais cedo. Os escores variam de 1 a 6, sendo escores menores atribuídos a indivíduos mais tardios e maiores para os mais precoces. - Musculosidade (M): corresponde a evidencias de massas musculares. Animais mais musculosos são mais pesados e apresentam maior rendimento de carcaça. Os escores variam de 1 a 6, sendo escore 1 para os menos musculosos do lote e 6 para os mais musculosos. - Umbigo (U): corresponde ao tamanho e posicionamento da prega umbilical, considerando bainha e prepúcio nos machos. Ao contrário das características anteriores a avaliação é absoluta, ou seja, sem comparação com outro indivíduo e sim com a referência de variabilidade dentro da raça. Importante característica para as condições de produção brasileira – basicamente à pasto. Animais com umbigos muito pendulosos podem se ferir nas pastagens, comprometendo a reprodução. Os escores variam de 1 a 6, sendo escore 1 colado; 2, 3 e 4 funcionais; 5 e 6 pendulosos. Aplicação dos escores visuais no rebanho O lote de manejo que deverá ser usado na avaliação, não é constituído necessariamente pelos mesmos animais trazidos para o curral de avaliação. Por exemplo, se na fazenda um lote de manejo é constituído por machos e fêmeas a serem desmamados, e estes apresentam 90 dias de diferença entre o mais novo e o mais velho, o adequado é separá-los em 4 lotes: fêmeas mais novas, fêmeas mais velhas, machos mais novos e machos mais velhos, assim cada lote terá, no máximo, 45 dias de diferença de idade. Deve-se lembrar, mais uma vez, que antes de iniciar as avaliações, deve-se observar o lote e identificar os piores e os melhores para cada uma das características de E, P e M, dessa forma podendo melhor atribuir os escores relativos e, com isso, garantir variabilidade, pois por pior ou melhor que seja um lote, pode ser separado em cabeceira, meio e fundo.
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    46 Outro recurso que podemos utilizar para melhor adequar os escores é o desvio de peso de cada animal segundo a média do lote de manejo. Um desvio positivo nos indica que esse animal deve receber escores mais altos, pelo menos em alguma característica, assim como um desvio negativo nos indica que o animal deve receber escores mais baixos, também para pelo menos uma característica. Os animais devem se apresentar ao avaliador agrupados em dois ou três, para facilitar a avaliação relativa. O avaliador deve olhar os animais da mesma perspectiva, ou seja, no chão, sobre o cavalo, etc. Avaliar primeiramente os lotes mais novos e depois os lotes com os animais mais velhos. Figura 1: Setas indicativas de Estrutura e Precocidade em machos ao sobreano Relacionando três animais de um mesmo lote, devemos comparar a estrutura segundo altura e comprimento corporal, como mostra a seta vermelha na Figura 1. A precocidade, ilustrada pelas setas amarelas, deve ser avaliada pela relação entre profundidade de costelas e altura de membros. Observando as setas, podemos perceber que o animal 3 é o mais alto, porém tem a menor profundidade de costelas, 5 para Estrutura e 1 para Precocidade, ou seja, um biotipo extremamente tardio, que levará mais tempo e necessitará de maior peso para acumular o mínimo necessário de gordura de acabamento – ciclo de produção mais longo.
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    47 Já o animal 2 é um indivíduo de altura média, escore 4 para Estrutura, e o mais representativo na profundidade de costelas, escore 6 para Precocidade. Esse biotipo caracteriza um individuo precoce, que acumulará gordura de acabamento mais cedo, ou seja, estará pronto para o frigorífico em menos tempo, economizando no consumo de alimento – ciclo de produção mais curto. Na figura 2 comparamos dois biotipos bem diferentes. Um animal precoce, e um animal tardio, considerado menos eficiente para sistemas de produção a pasto. Figura 2: Comparação de biotipos diferentes de machos ao sobreano Podemos observar que embora os dois tenham escore 5 para Estrutura, o animal 1 se destaca na relação profundidade de costelas e altura de membros, recebendo escore 5, enquanto que o animal 2 recebe escore 1 para a mesma característica, Precocidade. Para avaliar a característica Musculosidade o indicado é olhar o animal de lado e por trás, dando ênfase ao posterior e à linha dorso-lombar, regiões onde estão situados os cortes nobres. Quanto mais volumosas as massas musculares, maiores escores, resultando também em melhores rendimentos de carcaça.
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    48 Na Figura 2 a Musculosidade é melhor representada no animal 1 que recebe escore máximo 6, enquanto que o 2 recebe escore 1. Observando o desvio de peso em relação ao lote, observa-se que embora tenham o mesmo escore de tamanho (estrutura se escore corporal) o indivíduo 1 é 14,3 kg positivo e o 2 é 71,7 kg negativo. Isso se deve ao fato de que o animal 1 contem muita massa muscular, pesando mais na balança. Na Figura 3 os dois animais apresentam biotipos interessantes, com escores altos para EPM e desvios positivos em relação ao lote, representando animais produtivos e equilibrados. Figura 3: Biotipos equilibrados de animais ao sobreano Destaque para o Umbigo (U), característica que considera o tamanho e posicionamento, o escore para U independe da comparação com outro indivíduo (avaliação absoluta). Na Figura 3 os animais apresentam escores para Umbigo 2 e 3, classificados como funcionais, ou seja, adequados para criação à pasto, pois minimiza possibilidade de ocorrência de injúrias e patologias. Ao avaliar fêmeas deve se considerar que são mais leves, quando comparadas deve-se aos machos contemporâneos, justificado pelo menor desenvolvimento e quantidade de
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    49 massas musculares, porém,estas apresentam maior acúmulo de gordura (Precocidade). Na Figura 4 o animal 1 é inferior em tamanho (escore 2 para E), superior em profundidade de costelas (escore 6 para P) e mediano em musculosidade (escore 4 para M). Embora seja uma fêmea acima da média para P e M, seu desvio de peso em relação ao lote é 22,5 kg negativo, explicado pelo escore 2 de Estrutura corporal. Figura 4: Setas representando estrutura (E) e precocidade (P) em fêmeas ao sobreano A fêmea 3 é mais tardia do que a 2 avaliado pela menor proporção entre profundidade de costelas e altura de membros. A 2 é um animal mais equilibrado, mesmo não apresentando escores máximos. É interessante observar que os animais 2 e 3 também apresentam desvio negativos, porém mais próximos da média, explicados pelos escores de P e M, que possuem variação entre 3 e 4. Ainda na Figura 4 temos amostra dos três escores de Umbigos considerados funcionais. Para observação e comparação foram agrupados na Figura 5, quatro machos com biotipos diferentes e frequentemente encontrados. Conforme explicações acima descritas, considera-se os dois animais de cima da figura, equilibrados e adequados, já os animais de baixo são considerados tardios pela grande diferença entre os escores de estrutura (altos) e de precocidade e musculosidade (baixos).
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    50 Figura 5: Biotipos diferentes de machos ao sobreano Na Figura 6, ao recolocar os animais avaliados no grupo, seus escores devem desenhar o biotipo do animal em relação ao lote de manejo em que está inserido. Figura 6: Lote de manejo de machos ao sobreano
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    51 Considerações Finais A metodologia de EPMU é simples, e tem o objetivo de tornar qualquer pessoa, que trabalhe com bovinos, apta para coletar dados de avaliação visual. Para isso é importante entender os conceitos de avaliação relativa, ter claramente a definição de cada uma das características e conhecer as etapas a serem seguidas para realização de uma avaliação conceitualmente correta. Além disso, é imprescindível que passe por treinamento, credenciamento e pratique com avaliadores mais experientes para “calibrar” os olhos. A avaliação de EPMU tem acrescentado pontos positivos aos trabalhos de seleção, identificando animais mais adaptados/adequados aos sistemas de produção em que estão sendo criados, conseqüentemente mais férteis, e que apresentam não somente pesos elevados, mas também biotipos produtores de carne, que no frigorífico apresentarão maiores rendimentos, e melhor qualidade de carcaça retornando em maior lucratividade ao criador.
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    52 ANEXO C -Principais diferenças nos padrões das raças zebuínas, segundo ABCZ. Tabela 1: Principais diferenças no padrão racial da raça Brahman. Característica IDEAIS PERMISSÍVEIS QUE DESCLASSIFICAM BRAHMAN Branca ou cinza, vermelho uniforme. Uma ou outra mancha não muito Terço anterior e posterior definida ou gargantilha, nas Preta. Pintada de preto. 1 Cor da pelagem geralmente mais escuros, nos pelagens: branca, cinza e Sarapintado machos. Nas fêmeas, a cor é mais vermelha. Cinza avermelhada e clara. suas nuances. 2 Perfil da cabeça Reto ou sub-convexo Convexo ou côncavo 3 Fronte Larga, com ligeira convexidade ou Convexa. Nimbure muito plana Nimbure pouco acentuado acentuado. Reto. De comprimento médio. Largo Depressão (afundamento) uni e Com desvio ou torcido. 4 Chanfro e proporcional nos machos. Mais bilateral Acarneirado. estreito e delicado nas fêmeas. Médias, relativamente largas e com Excessivamente longas. 5 Orelhas pontas arredondadas. Com ligeira Pesadas e compridas. Apêndices suplementares reentrância na extremidade da borda (dupla orelha). inferior. Pequenas manchas brancas na 6 Chifres De cor escura. Simétricos. ponta, ou rajados. Descornados Brancos. ou mocho natural. Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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    53 Tabela 2: Principais diferenças no padrão racial da raça Cangaian. Característica IDEAIS PERMISSÍVEIS QUE DESCLASSIFICAM CANGAIAN De cinza clara a cinza escuro, com Manchas brancas, nas fêmeas; Branca, nos machos. Outra 1 Cor da pelagem extremidades quase negras, nos mesmo na cara cor que não seja a cinza machos. Mais claro, nas fêmeas. 2 Perfil da cabeça Ligeiramente convexo Retilíneo Concavilíneo Larga, comdepressão entre os olhos 3 Fronte e a marrafa, principalmente nos Nimbure pouco acentuado Nimbure. touros. 4 Chanfro Reto. Longo ou largo. Desvio, depressão ou acarneirado. 5 Orelhas Pequenas, terminadas em pontas. Médias. Grandes e pendulares. Simétricos. Fortes e grossos nos machos. Nascem bem próximos Com regiões claras. encurvando-se para fora, para trás e Curtos. Dirigidos para os 6 Chifres Extremidades um pouco para frente, formando um meio lados ou para trás. afastadas. Ligeira assimetria. circulo e aproximando as extremidades. Mais fino e mais longo, nas fêmeas. Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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    54 Tabela 3: Principais diferenças no padrão racial da raça Gir e Gir Mocha. Característica IDEAIS PERMISSÍVEIS QUE DESCLASSIFICAM GIR E GIR MOCHA Vermelha em todas as suas tonalidades: vermelha gargantilha, vermelha chitada e chitada de vermelho. Amarela em tonalidades típicas da raça: amarela gargantilha, amarela chitada e chitada de amarelo. Chita clara e rosilha clara ou moura de vermelho Preta. Amarelo-cobre ou 1 Cor da pelagem (predominancia da cor branca, com orelhas e cabeça barrosa. Totalmente branca. total ou parcialmente avermelhada). Moura clara (predominancia da cor branca com orelhas e cabeça total ou parcialmente preta). Moura escura (predominancia da cor escura, com cabeça e orelhas pretas). 2 Perfil da cabeça Ultra-convexo Larga, lisa e proeminente, com a marrafa jogada para 3 Fronte Nimbure. trás. Desvio, depressão ou 4 Chanfro Reto. Largo e proporcional nos machos. Mais estreito Levemente acarneirado. acarneirado. Excessivamente e delicado nas fêmeas. comprido e estreito. Médias. Típicas, pendente, começando em forma de tubo, com sua porção superior enrolada sobre si Muito curtas ou longas. mesma, abrindo-se em seguida gradualmente para 5 Orelhas Movimentação viva. Ausência fora, curvando-se para dentro e, de novo, estreitando- de gavião. se na ponta, com a extremidade curvada e voltada para a face (gavião). De cor escura, médios e simétricos. De seção elíptica, achatados, grossos na base, saindo para baixo e para Móveis, grossos e redondos. trás. Preferidos os que se dirigem um pouco para Na mocha, presença de calo ou Predominancia da cor branca. 6 Chifres cima, encurvando-se para dentro, com as pontas batoque. Na mocha, presença de chifres convergentes. Na mocha, ausência completa de ou de qualquer sinal de cirurgia. chifres. Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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    55 Tabela 4: Principais diferenças no padrão racial da raça Guzerá. Característica IDEAIS PERMISSÍVEIS QUE DESCLASSIFICAM GUZERÁ De cinza clara a cinza escuro. Terços anteriores e Branca. Tonalidade avermelhada. Totalmente preta. Vermelha. 1 Cor da pelagem posteriores, geralmente mais escuros, atingindo, as Pequenas pintas ou manchas Amarela. Amarela-cobre ou vezes, o negro. Nas fêmeas, a cor é mais clara. isoladas de cor branca, cinza, barrosa. avermelhada ou amarela. 2 Perfil da Com ligeira convexidade ao nível Sub-concavo a retilíneo Convexo cabeça da arcada orbitária Moderadamente larga, com ligeira concavidade 3 Fronte (semelhante a um prato) entre os olhos e a marrafa. Ligeiramente plana. Nimbure. Menos larga, nas fêmeas. Reto. Largo e proporcional nos machos. Mais Depressão (afundamento) uni e Desvio, acarneirado. 4 Chanfro Excessivamente comprido e estreito e delicado nas fêmeas. bilateral estreito. Pendentes, médias, relativamente largas e de pontas arredondadas. Vistas de frente, mostram-se Apêndices suplementares (dupla Excessivamente curtas ou 5 Orelhas medianamente voltadas para a face. Borda inferior orelha). Falta de reentrância na longas. com ligeira reentrancia. Face interna de cor borda inferior. alaranjada; com ou sem manchas pretas. Desenvolvidos. Simétricos. De seção circular ou elíptica na base, dirigindo-se horizontalmente para Anéis claros. Depressão circular Curtos. Claros. Não em forma 6 Chifres fora ao sair do crânio, curvando-se para cima, em na base, coberta de couro de lira ou torquês. Dirigidos forma de lira ou torquês, com as pontas voltadas cabeludo. Descornados. para frente. para dentro e para trás. Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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    56 Tabela 5: Principais diferenças no padrão racial da raça Indubrasil. Característica IDEAIS PERMISSÍVEIS QUE DESCLASSIFICAM INDUBRASIL Amarela uniforme. Cinza avermelhada e suas nuances. Preta. Pintada de preto. Branca, cinza e vermelha uniforme, podendo as Uma ou outra mancha não muito 1 Cor da pelagem Manchas, no vermelho e no extremidades ser escuras. definida ou carregada na cor, nas amarelo. Sarapintado pelagens: branca, cinza e amarela. 2 Perfil da cabeça De sub-convexo a convexo Retilíneo ou ultraconvexo Sulco ou depressão 3 Fronte De largura média, lisa e ligeiramente saliente Nimbure pouco acentuado pronunciados. Nimbure muito acentuado. Reto. Largo e proporcional nos machos. Mais Desvio, acarneirado. 4 Chanfro Excessivamente comprido e estreito e delicado nas fêmeas. estreito. Pendentes. Longas a médias com a face interna no Extremidades com pequena Curtas ou excessivamente 5 Orelhas pavilhão tendendo para frente e com as longas. Sem curvatura, nas curvatura. extremidades curvando-se para dentro. extremidades. Médios. De cor escura e simétricos, saindo para Pontas não convergentes. Rajas Móveis. Com predominância fora, para trás e para cima, dirigindo-se em seguida brancas. Pequeno desvio; desde de cor clara. Excessivamente 6 Chifres que não prejudique a para dentro, com as pontas rombudas e assimétricos. Sinal de convergentes; ou a ausência completa de chifres. conformação do crânio. Presença cirurgia. de calo ou batoque. Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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    57 Tabela 6: Principais diferenças no padrão racial da raça Nelore. Característica IDEAIS PERMISSÍVEIS QUE DESCLASSIFICAM NELORE Uma ou outra mancha não muito definida e nem muito carregada na cor, diferente das pelagens ideais. Nas fêmeas, tonalidade avermelhada na região dorso-lombar e marrafa. 1 Cor da pelagem Branca, cinza e manchada de cinza Pombo. Amarelo-cobre ou barrosa. Vermelha, amarela, preta e nuances destas: vermelha malhada ou pintada de vermelho; amarela malhada ou pintada de amarelo; preta ou pintado de preto. 2 Perfil da cabeça Sub-convexo Retilíneo, nas fêmeas. Côncavo. Retilíneo nos machos. Seca e descarnada, apresentando na linha Larga junto à base dos chifres. 3 Fronte média do crânio, no sentido longitudinal, uma Nimbure pouco acentuado Nimbure muito acentuado. depressão alongada (goteira). Desvio, acarneirado. Reto. Largo e proporcional nos machos. Mais 4 Chanfro Depressão (afundamento) uni e bilateral Excessivamente comprido e estreito e delicado nas fêmeas. estreito. Curtas, com simetria entre as bordas Excessivamente pesados. Face superiores e inferiores, terminando em ponta Médias. Bordas inferiores e superiores interna do pavilhão voltada para a 5 Orelhas de lança. Com a face interna do pavilhão assimétricas. cara. Pontas arredondadas ou voltada para frente. Movimentação ativa. voltadas para trás. De cor escura. Firmes. Curtos, de forma cônica, mais grossos na base, achatados e de seção oval, de superfície rugosa e estrias Móveis. Rajados de branco. Assimétricos. Com longitudinais. Nascem para cima, pontas ligeiramente curvadas para frente, Redondos. Lisos e pontiagudos. Em acompanhando o perfil, bem implantados na desde que sejam curtos, de seção oval, forma de lira. Excessivamente 6 Chifres linha da marrafa, assemelhando-se a dois cônicos e achatados. Nas fêmeas, podem se longos, nos machos; ou com sinal paus fincados simetricamente no crânio. Com apresentar em forma de lira estreita e de cirurgia. o crescimento, podem dirigir-se para fora, para alongada, não convergente nas pontas; ou trás e para cima, ou curvando-se, as vezes, presença de calo ou batoque. para trás e para baixo; ou ausência completa de chifres. Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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    58 Tabela 7: Principais diferenças no padrão racial da raça Sindi. Característica IDEAIS PERMISSÍVEIS QUE DESCLASSIFICAM SINDI Vermelha e suas tonalidades. Os machos são mais escuros, principalmente nas Tonalidade mais clara ao redor dos olhos. Branca. Excessivamente 1 Cor da pelagem espáduas, cupim e coxas, chegando quase Manchas brancas em extensão reduzida no malhada, amarela clara, ao preto. Tonalidade mais clara ao redor do ventre para as fêmeas. acinzentada ou barrosa. focinho e das quartelas e nas áreas sombreadas. 2 Perfil da cabeça Sub-convexo Retilíneo ou côncavo. 3 Fronte De largura média, com goteira nos machos. Nimbure acentuado. Reto. Curto e largo nos machos e mais Desvio, depressão, acarneirado. 4 Chanfro Levemente acarneirado. Excessivamente comprido e estreito e mais longo nas fêmeas. estreito. Médias, largas, um pouco pendentes, bem Excessivamente curtas, longas, 5 Orelhas delineadas com leve reentrância na borda largas ou estreitas. Começando inferior. em forma de tubo e com pontas arredondadas. Nos machos, curtos, curvos ou retos, firmes Um pouco grossos, rajados de branco ou de e de grossura média; podendo ser Longos. Redondos. Lisos e amarelo. Com pontas ligeiramente curvadas direcionados para os lados, para trás e para pontiagudos. Móveis. Brancos. 6 Chifres para frente, desde que sejam curtos. cima. De tamanho médio e mais finos nas Em forma de lira ou retorcidos. Assimetria ou não convergentes nas pontas. fêmeas e curvados para dentro. Ausência Sinal de cirurgia. Presença de calo ou batoque. completa de chifres. Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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    59 Tabela 8: Principais diferenças no padrão racial da raça Tabapuã. Característica IDEAIS PERMISSÍVEIS QUE DESCLASSIFICAM TABAPUÃ Uma ou outra mancha, não muito carregada Vermelha, amarela e preta; 1 Cor da pelagem Branca ou cinza e suas nuances. e nem muito definida na cor, diferente das malhada ou pintada de vermelho, pelagens ideais. amarelo e preto. Amarelo-cobre ou barroso. 2 Perfil da Sub-convexo ou retilíneo, formando, nos machos, ligeira convexidade entre os olhos Convexo ou côncavo cabeça e a marrafa. 3 Fronte Moderadamente larga nos machos e estreita Nimbure. nas fêmeas. Reto. Largo e proporcional nos machos. Desvio, depressão, acarneirado. 4 Chanfro Excessivamente comprido e Mais estreito e delicado nas fêmeas. estreito. Médias e relativamente largas. Vistas de Excessivamente longas ou curtas. frente mostram-se voltadas para a face. Pesadas. Falta de reentrância na borda 5 Orelhas Encartuchadas ou em forma de Simétricas. Com ligeira reentrância na inferior. lança. Assimétricas. extremidade da borda inferior. Existência de batoque, calo ou 6 Chifres Inexistentes botão. Linha da marrafa horizontal. Fonte: Adaptado da Apostila Técnica do Curso de Noções em Morfologia e Julgamento de Zebuínos, 2007.
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    UNI V ERS I DA DE DE S Ã O P A UL O Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos Método de avaliação visual EPMURAS na seleção e no acasalamento dirigido de zebuínos Relatório das atividades desenvolvidas durante o Estágio Supervisionado do Curso de Graduação em Zootecnia Data da Defesa: 26 de junho de 2009. Banca Examinadora: Prof. Dr Joanir Pereira Eler Prof. Dr José Bento Sterman Ferraz Doutorando Victor Breno Pedrosa _______________________________ Juliana Ferragute Leite Acadêmica _______________________________ Prof. Dr. Joanir Pereira Eler Orientador