Imagens de Vida e de Morte Trabalho elaborado por Filipa Galo
Edvard Munch foi um importante artista plástico norueguês. É considerado, por muitos estudiosos, como um dos artistas que iniciaram o expressionismo na Alemanha. Começou a pintar em 1880, primeiramente retratos e depois uma série de quadros naturalistas que testemunham a sua rejeição do impressionismo da época apesar de ter seguido a corrente naturalista e impressionista posteriormente nas suas obras onde podemos constatar reminiscências de Manet. É característico dessa fase o quadro " Criança doente "  ao qual denomina de seu primeiro “quadro d'alma”. Em Paris anos mais tarde foi influenciado pelos pró – impressionistas  (Van Gogh e Gaugin)  e começou cuidadosamente a calcular as suas composições no intuito de criar tensão e emoção nos seus trabalhos. Também  experimentou o pontilhismo de Seurat.  As figuras de Munch encontram-se a maior parte das vezes num espaço pictórico simplificado e as poses ilustram as suas condições psicológicas e estados da mente como podemos ver no quadro “ Cinzas ” onde a mulher adquire uma presença estática e aterradora. 12 Dezembro 1863 – 23 Janeiro 1944
“ Não mais  serão interiores pintados, pessoas a ler, mulheres a …, haverá pessoas vivas a respirar e a sentir, a sofrer  e a amar” Escreveu Munch no seu diário estando numa fase de maior simbolismo do que realismo  (“ O Grito ”). No Dezembro de 1893 expôs uma nova selecção de quadros em Berlim, uma serie à qual chamou Amor que mais tarde se tornaram o âmago do Friso da Vida – Um poema de vida, amor e morte exposto em 1902. As temáticas por ele abordadas nesta serie e ao longo da sua obra são: O Amor A Ansiedade A Morte A Mulher Auto - Retratos Paisagens O Vigor da Vida Retratos e Auto Retratos
Estúdio em 1925 Estúdio em 1938 Munch  a pintar na praia de Warnemunde Edvard Munch
Em 1906 Munch foi convidado a participar na exposição dos Fauves conhecidos pelas suas cores ousadas. Depois de ter estudado as esculturas de Rodin voltou as suas atenções de novo para a figura humana, abandonando  os paisagismos. Devido  à sua ansiedade e alcoolismo, dois anos depois, teve que recorrer a uns tratamentos concebidos pelo Dr. Jacobson contudo apôs 8 meses hospitalizado as suas obras surgiam cheias de cor e menos pessimistas e o público começou a comprar os seus quadros o que lhe providenciou rendimento para compra de terra e sustento da família. Munch na clínica do Dr. Jacobson
E na exposição Sonderbund  (1912) numa sala só para ele foram apresentados 32 dos seus quadros , facto que o colocou em pé de igualdade com Van Gogh, Cézanne, Gaugin e Picasso, granjeando-lhe a atenção internacional para a sua arte. Edvard Munch passou praticamente as duas últimas décadas da sua vida em profunda solidão. Saindo ocasionalmente para pintar a vida de agricultor, os murais  da fábrica de chocolates Freia e numerosos nus em casa.  Em 1940 os alemães invadiram Norway e os Nazis tomaram posse do governo. O que fez o Munch de 76 anos temer pela sua colecção inteira no segundo andar da sua casa, ele vivia no medo de um dia os Nazis o confiscarem. Morreu no seu país natal um mês apôs completar 80 anos. E para seu infortúnio a marcha fúnebre nazi que tocaram no seu funeral deixou aos Noruegueses a impressão que ele era um simpatizante dos Nazis… Auto – Retrato (Em Desespero) 1919
Análise  de uma Obra:
A  Ansiedade Emoção gerada pela antecipação de um perigo vago, de difícil previsão e controlo. Este estado de espírito faz-se acompanhar  por modificações fisionómicas bem latentes neste quadro ,tais como: Expressão estupefacta Olhar arregalado, absorto e inquietante que olha para o “nada” Lábios comprimidos ou mesmo inexistentes Forma facial cadavérica As perturbações ansiosas podem incluir as fobias, as crises de angústia ou existenciais  ou ataques de pânico, manifestações obsessivas e compulsivas e a ansiedade pós – traumática. Muitas obras ilustram o seu gosto pelas teorias de Dostoievsky.
Temos uma multidão com os olhos arregalados , estáticos e a mudez total da falta de comunicação.  Os rostos não se voltam  para ninguém, em total isolamento mútuo. As faces estão distorcidas e absolutamente irreconhecíveis, dando-nos um quadro de um impessoalidade brutal. Essa impessoalidade numa multidão expressa a ansiedade da falta de sentido e de individualidade .
Representando a ansiedade e o desespero, aqui o isolamento é total, não existindo ninguém consciente da presença de outros. Os traços são longos, contínuos, e em vários  momentos curvos, dando a impressão de um fluxo contínuo, quase como uma evaporação. A face feminina à direita é indefinida, informe; há um mínimo para identificar as personagens.  O fundo devido às semelhanças com “O Grito” pode ser identificado como uma paisagem de Oslofjord vista pelo monte Ekeberg em Oslo. As linhas diagonais e ondulantes do quadro conferem-lhe um movimento perturbador e dramático. A perspectiva, os indivíduos a ficarem cada vez mais longe… acentua a noção de solidão e o ambiente ansiogénico.
Em “Ansiedade” a distorção das imagens  começa a atingir proporções assustadoras; o  céu vermelho - sangue  misturado a tons esverdeados , tudo aponta para uma sensação opressiva de aprisionamento existencial associada ao isolamento. As personagens inertes encontram-se pálidas, alias, o uso do  bege  nas suas faces transmite melancolia e passividade.  A harmonia de cores quentes no céu é activa e significa movimento e espontaneidade; a mistura do  amarelo com o vermelho  traz agitação no corpo e na mente . O vermelho por si só pode num aspecto negativo pode ser impaciente, ansioso e autoritário. E o  preto  que predomina na imagem está associado à ideia de morte, luto ou terror, no entanto também se liga ao mistério e à fantasia.
Os barcos apresentam múltiplos significados daí a sua interpretação ser conflituosa. O Barco alia em si dois dos elementos mais importantes, a terra e a água, um contrário ao outro, já que a terra representa a solidez e a realidade e a água os sonhos e os ideais. Quando se prepara uma viagem de barco, significa bom augúrio no que respeita aos nossos sonhos e também indica que vamos sofrer uma mudança favorável. No caso de os barcos navegarem em águas sujas ou revoltas é mau augúrio, já que significa preocupações e incita-nos a ter o maior cuidado possivel.
Óleo sobre madeira, 1896
“ Pintei os traços e as cores que afectaram o meu olhar interior. Pintei de memória sem nada acrescentar, sem os pormenores que já não via à minha frente. É esta a razão da simplicidade das minhas telas, do seu óbvio vazio. Pintei as impressões da minha infância, as cores esbatidas de um dia esquecido.”  “ Na minha arte eu tento explicar a vida e o seu significado a mim mesmo.”
Obrigado pela vossa atenção
Munch – Ulrich Bischoff (TASCHEN) Wikipédia, a enciclopédia livre http://www.edvard-munch.com http://www.pitoresco.com/universal/munch/munch.htm http://oseculoprodigioso.blogspot.com/2007/02/munch-edvard-simbolismo-expressionismo.html http://www.artchive.com/artchive/M/munch.html http://www.suapesquisa.com/biografias/munch.htm http://www.artic.edu/aic/collections/exhibitions/Munch/index “ O Mundo da arte” – Oceano Dicionário de Psicologia – Roland Doron e Françoise Parot – Climepsi editores Dicionário dos Sonhos - ASA
Réplicas mais gráficas do quadro, Munch
O Grito, Munch
Cinzas, Munch
 
 
 

Edvard Munch

  • 1.
    Imagens de Vidae de Morte Trabalho elaborado por Filipa Galo
  • 2.
    Edvard Munch foium importante artista plástico norueguês. É considerado, por muitos estudiosos, como um dos artistas que iniciaram o expressionismo na Alemanha. Começou a pintar em 1880, primeiramente retratos e depois uma série de quadros naturalistas que testemunham a sua rejeição do impressionismo da época apesar de ter seguido a corrente naturalista e impressionista posteriormente nas suas obras onde podemos constatar reminiscências de Manet. É característico dessa fase o quadro " Criança doente " ao qual denomina de seu primeiro “quadro d'alma”. Em Paris anos mais tarde foi influenciado pelos pró – impressionistas (Van Gogh e Gaugin) e começou cuidadosamente a calcular as suas composições no intuito de criar tensão e emoção nos seus trabalhos. Também experimentou o pontilhismo de Seurat. As figuras de Munch encontram-se a maior parte das vezes num espaço pictórico simplificado e as poses ilustram as suas condições psicológicas e estados da mente como podemos ver no quadro “ Cinzas ” onde a mulher adquire uma presença estática e aterradora. 12 Dezembro 1863 – 23 Janeiro 1944
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    “ Não mais serão interiores pintados, pessoas a ler, mulheres a …, haverá pessoas vivas a respirar e a sentir, a sofrer e a amar” Escreveu Munch no seu diário estando numa fase de maior simbolismo do que realismo (“ O Grito ”). No Dezembro de 1893 expôs uma nova selecção de quadros em Berlim, uma serie à qual chamou Amor que mais tarde se tornaram o âmago do Friso da Vida – Um poema de vida, amor e morte exposto em 1902. As temáticas por ele abordadas nesta serie e ao longo da sua obra são: O Amor A Ansiedade A Morte A Mulher Auto - Retratos Paisagens O Vigor da Vida Retratos e Auto Retratos
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    Estúdio em 1925Estúdio em 1938 Munch a pintar na praia de Warnemunde Edvard Munch
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    Em 1906 Munchfoi convidado a participar na exposição dos Fauves conhecidos pelas suas cores ousadas. Depois de ter estudado as esculturas de Rodin voltou as suas atenções de novo para a figura humana, abandonando os paisagismos. Devido à sua ansiedade e alcoolismo, dois anos depois, teve que recorrer a uns tratamentos concebidos pelo Dr. Jacobson contudo apôs 8 meses hospitalizado as suas obras surgiam cheias de cor e menos pessimistas e o público começou a comprar os seus quadros o que lhe providenciou rendimento para compra de terra e sustento da família. Munch na clínica do Dr. Jacobson
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    E na exposiçãoSonderbund (1912) numa sala só para ele foram apresentados 32 dos seus quadros , facto que o colocou em pé de igualdade com Van Gogh, Cézanne, Gaugin e Picasso, granjeando-lhe a atenção internacional para a sua arte. Edvard Munch passou praticamente as duas últimas décadas da sua vida em profunda solidão. Saindo ocasionalmente para pintar a vida de agricultor, os murais da fábrica de chocolates Freia e numerosos nus em casa. Em 1940 os alemães invadiram Norway e os Nazis tomaram posse do governo. O que fez o Munch de 76 anos temer pela sua colecção inteira no segundo andar da sua casa, ele vivia no medo de um dia os Nazis o confiscarem. Morreu no seu país natal um mês apôs completar 80 anos. E para seu infortúnio a marcha fúnebre nazi que tocaram no seu funeral deixou aos Noruegueses a impressão que ele era um simpatizante dos Nazis… Auto – Retrato (Em Desespero) 1919
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    Análise deuma Obra:
  • 8.
    A AnsiedadeEmoção gerada pela antecipação de um perigo vago, de difícil previsão e controlo. Este estado de espírito faz-se acompanhar por modificações fisionómicas bem latentes neste quadro ,tais como: Expressão estupefacta Olhar arregalado, absorto e inquietante que olha para o “nada” Lábios comprimidos ou mesmo inexistentes Forma facial cadavérica As perturbações ansiosas podem incluir as fobias, as crises de angústia ou existenciais ou ataques de pânico, manifestações obsessivas e compulsivas e a ansiedade pós – traumática. Muitas obras ilustram o seu gosto pelas teorias de Dostoievsky.
  • 9.
    Temos uma multidãocom os olhos arregalados , estáticos e a mudez total da falta de comunicação. Os rostos não se voltam para ninguém, em total isolamento mútuo. As faces estão distorcidas e absolutamente irreconhecíveis, dando-nos um quadro de um impessoalidade brutal. Essa impessoalidade numa multidão expressa a ansiedade da falta de sentido e de individualidade .
  • 10.
    Representando a ansiedadee o desespero, aqui o isolamento é total, não existindo ninguém consciente da presença de outros. Os traços são longos, contínuos, e em vários momentos curvos, dando a impressão de um fluxo contínuo, quase como uma evaporação. A face feminina à direita é indefinida, informe; há um mínimo para identificar as personagens. O fundo devido às semelhanças com “O Grito” pode ser identificado como uma paisagem de Oslofjord vista pelo monte Ekeberg em Oslo. As linhas diagonais e ondulantes do quadro conferem-lhe um movimento perturbador e dramático. A perspectiva, os indivíduos a ficarem cada vez mais longe… acentua a noção de solidão e o ambiente ansiogénico.
  • 11.
    Em “Ansiedade” adistorção das imagens começa a atingir proporções assustadoras; o céu vermelho - sangue misturado a tons esverdeados , tudo aponta para uma sensação opressiva de aprisionamento existencial associada ao isolamento. As personagens inertes encontram-se pálidas, alias, o uso do bege nas suas faces transmite melancolia e passividade. A harmonia de cores quentes no céu é activa e significa movimento e espontaneidade; a mistura do amarelo com o vermelho traz agitação no corpo e na mente . O vermelho por si só pode num aspecto negativo pode ser impaciente, ansioso e autoritário. E o preto que predomina na imagem está associado à ideia de morte, luto ou terror, no entanto também se liga ao mistério e à fantasia.
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    Os barcos apresentammúltiplos significados daí a sua interpretação ser conflituosa. O Barco alia em si dois dos elementos mais importantes, a terra e a água, um contrário ao outro, já que a terra representa a solidez e a realidade e a água os sonhos e os ideais. Quando se prepara uma viagem de barco, significa bom augúrio no que respeita aos nossos sonhos e também indica que vamos sofrer uma mudança favorável. No caso de os barcos navegarem em águas sujas ou revoltas é mau augúrio, já que significa preocupações e incita-nos a ter o maior cuidado possivel.
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    “ Pintei ostraços e as cores que afectaram o meu olhar interior. Pintei de memória sem nada acrescentar, sem os pormenores que já não via à minha frente. É esta a razão da simplicidade das minhas telas, do seu óbvio vazio. Pintei as impressões da minha infância, as cores esbatidas de um dia esquecido.” “ Na minha arte eu tento explicar a vida e o seu significado a mim mesmo.”
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    Munch – UlrichBischoff (TASCHEN) Wikipédia, a enciclopédia livre http://www.edvard-munch.com http://www.pitoresco.com/universal/munch/munch.htm http://oseculoprodigioso.blogspot.com/2007/02/munch-edvard-simbolismo-expressionismo.html http://www.artchive.com/artchive/M/munch.html http://www.suapesquisa.com/biografias/munch.htm http://www.artic.edu/aic/collections/exhibitions/Munch/index “ O Mundo da arte” – Oceano Dicionário de Psicologia – Roland Doron e Françoise Parot – Climepsi editores Dicionário dos Sonhos - ASA
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    Réplicas mais gráficasdo quadro, Munch
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