Dinâmica das bacias hidrográficas
As disponibilidades hídricas
As disponibilidades hídricas
Rio Mondego. Lagoa Comprida, serra da Estrela.
 Em Portugal, da água doce gerada anualmente pela precipitação, quase
metade evolui para:
• recursos hídricos superficiais – rios, lagos, lagoas e albufeiras;
• recursos hídricos subterrâneos – nascentes e lençóis de água que
retêm a água da infiltração e que se encontram até 800 metros de
profundidade.
As disponibilidades hídricas
As águas superficiais
As águas superficiais
Encontram-se nos continentes em rios,
lagos e albufeiras
constituem importantes recursos hídricos
mais acessíveis e proporcionam maior
variedade de utilizações.
…são mais vulneráveis
aos efeitos negativos da
sua utilização e da
ocupação humana das
regiões em que se inserem.
• Rio
Um rio e os seus afluentes constituem uma rede hidrográfica.
Rio Principal
Jusante
MontanteAfluente
Subafluente
Rede hidrográfica – conjunto
formado por um rio principal e por
todos os cursos de água tributários
(afluentes e subafluentes) Montante
• Rio
Um rio e os seus afluentes constituem uma rede hidrográfica.
Margem esquerda
Jusante
Montante
Margem direita
A margem direita – fica á direita
de um observador que está de
costas voltadas para montante do
curso de água. Montante
• Rio
A área drenada por um rio e os seus tributários constitui uma bacia hidrográfica.
Bacia
hidrográfica
Bacia hidrográfica – área da
superfície terrestre drenada por
um rio principal, afluentes e
subafluentes. Uma linha de
cumeada separa esta bacia das
bacias hidrográficas circundantes
Linha de
cumeada
Bacia hidrográfica – área da superfície terrestre drenada por um rio
principal, afluentes e subafluentes.
Rede hidrográfica – conjunto formado por um rio principal e por todos os
cursos de água tributários (afluentes e subafluentes)
ImagemAreal
AsprincipaisbaciashidrográficasdePortugalContinental.
As principais bacias hidrográficas
 A bacia hidrográfica do
Mondego é a maior
bacia nacional.
Rio Mondego – (Coimbra)
 As bacias mais extensas
são internacionais,
constituindo as bacias
hidrográficas luso-
espanholas.
As bacias hidrográficas luso-espanholas.
 Dos rios portugueses, destacam-se:
• o Minho, o Lima, o Douro, o Tejo e o
Guadiana, rios internacionais que
nascem em Espanha;
• o Cávado, o Vouga, o Mondego e o
Sado, que nascem em território nacional.
RedehidrográficadePortugalContinental.
 Na sua maioria, os rios portugueses
escoam em direção ao Atlântico, no
sentido nordeste-sudoeste, seguindo a
inclinação geral do relevo.
Todavia, alguns têm sentido de
escoamento diferente, como o Guadiana,
de norte para sul, e o Sado, de sul para
norte.
A rede hidrográfica no território nacional
12
• O relevo não influencia apenas a orientação dos rios, é
também responsável, juntamente com o clima, pelas
diferenças na densidade da rede hidrográfica.
No norte o relevo é mais acidentado e o clima é mais pluvioso,
a rede hidrográfica é mais densa. Os rios escoam por vales
mais apertados e profundos.
No centro e sul, o relevo é mais aplanado e o clima mais seco,
pelo que a rede hidrográfica é menos densa. Os rios escoam
em vales mais abertos.
Resumo
O rio Douro, no seu curso superior, em Portugal. Vale do rio Sado, próximo de Alcácer do Sal.
rios escoam em vales mais largos
Norte
rede hidrográfica é mais densa
os rios apresentam maior declive
ao longo do seu percurso
e escoam em vales mais profundos.
relevo mais aplanado
percursos com menor declive
Sul
 Ao longo do seu percurso, os rios
atravessam áreas diferentes no que
respeita:
• à altitude;
• às formas de relevo;
• e ao grau de dureza das rochas.
Perfil longitudinal dos três maiores rios
portugueses.
Características que exercem influência:
• no seu perfil longitudinal;
• no seu perfil transversal.
 O perfil transversal dos rios é geralmente designado por vale e
apresenta-se diferente da nascente até à foz.
• No seu curso superior, o vale é mais estreito e profundo (A);
• No curso médio, alarga-se e torna-se menos profundo (B);
• No curso final é um vale aberto, geralmente em planície (C).
Perfil longitudinal de
um rio
linha que une todos os
pontos do fundo do leito
de rio, desde a nascente
até à foz. Também é
designada por talvegue.
Perfil transversal de um
rio
linha que une as duas
margens de um rio
passando pelo fundo do
rio.
Fases da erosão fluvial – as fases da erosão fluvial refletem-se na paisagem
longitudinal de um rio.
Desgaste
A velocidade das águas provocada
pela força da gravidade e pelo
declive do terreno é responsável
pela acção de desgaste no leito e
margens do rio.
Transporte
Os planaltos são forma de relevo
velho que já sofreram o desgaste e
que agora, pelo menor declive,
apenas provocam uma velocidade
das águas suficiente para o
transporte de aluviões.
Acumulação
O declive suave faz com que a velocidade das águas
seja reduzida e assim a acumulação dos aluviões dê
origem a planícies aluviais ou sedimentares.
Imagem Porto Editora
Elementos topográficos de uma bacia hidrográfica
O rio modela a paisagem criando formas de relevo
variadas ao longo do seu percurso. A erosão
provocada pelo rio designa-se por erosão fluvial.
Curso superior do rio – apresenta vales em garganta (V) com declives acentuados.
Nesta parte do percurso do rio as águas correm com grande velocidade no seu leito. O
desgaste é a acção erosiva predominante em que o vale vai ser aprofundado à custa
de materiais geológicos arrancados ao leito do rio.
ImagemSantillana
Elementos topográficos de uma bacia hidrográfica
O rio modela a paisagem criando formas de relevo
variadas ao longo do seu percurso. A erosão
provocada pelo rio designa-se por erosão fluvial.
Curso médio do rio – apresenta vales em V aberto. Nesta parte do percurso do rio as águas
correm com algum vigor. O transporte é a acção erosiva predominante em que o rio já não tem
tanta força para desgastar o leito e as margens, mas tem força suficiente para transportar os
materiais geológicos anteriormente arrancados. Aos materiais geológicos arrancados e
transportados pelo rio, dá-se o nome de aluviões.
ImagemSantillana
Curso inferior do rio – o rio corre em áreas mais ou menos planas, de fraco declive. O vale é
bastante largo e com reduzida altitude. A velocidade das águas é reduzida e a acção erosiva
predominante é a acumulação. A acumulação de aluviões dá origem a planícies aluviais e,
por vezes, quando as correntes marítimas e as marés são pouco vigorosas, a foz é em delta
devido à acumulação de aluviões.
Elementos topográficos de uma bacia hidrográfica
O rio modela a paisagem criando formas de relevo
variadas ao longo do seu percurso. A erosão
provocada pelo rio designa-se por erosão fluvial.
ImagemSantillana
Variação do caudal dos
rios
21
O caudal
dos rios é
condicio-
nado por:
•Variação anual da
precipitação;
•Características do relevo;
•Natureza dos terrenos;
•Cobertura vegetal;
•Acção do Homem.
Consequência das condições climatéricas, os rios apresentam um regime
irregular, com carácter torrencial, ou seja, têm caudais muito reduzidos ou
mesmo nulos durante a estiagem (Verão) e elevados na época de maior
precipitação (Dezembro a Março).
Em Portugal, o regime dos rios (variação do caudal ao longo do ano)
caracteriza-se por uma grande irregularidade sazonal e espacial:
No norte…
com caudais médios mais
abundantes
a ocorrência de cheias é
frequente no inverno
no verão, dá-se a redução do
caudal em dois a três meses de
estiagem
No sul…
No verão, a redução dos caudais
pode chegar a seis meses de
estiagem ou mesmo secar.
o regime dos rios é mais irregular
ocorrência de menos cheias mas
mais torrenciais
podendo ultrapassar 300 a 400
vezes o caudal médio.
 A ação humana pode influenciar o regime dos rios…
• …como acontece com a construção de barragens:
que contribui para regularizar os
caudais, retendo a água nas
albufeiras e evitando muitas cheias,
na época de maior precipitação e
permitindo manter um escoamento
mínimo na época estival.
BarragemdoAlqueva
Barragens – Vantagens
• Produção de energia hidroeléctrica;
• Abastecimento de água para uso
doméstico, agricultura, pecuária,
indústria, turismo e laser;
• Constituição de reservas hídricas para
fazer face ao caudal de estiagem ou de
secas;
• Regularização de caudais, prevenindo
cheias ou períodos de seca;
• Aproveitamento da albufeira da
barragens para lazer (actividades
náuticas e turismo).
Barragens – Desvantagens
• Submersão de terrenos com aptidão
agrícola;
• Retenção de sedimentos com impacto
negativo na fertilização de solos e na
alteração da linha de costa;
• Impacto na fauna e na flora;
• Povoações submersas com deslocação
de populações.
ImagensWikipédia.org
 Segue-se-lhe a bacia do Tejo,
onde se destaca Castelo de
Bode, com capacidade para
armazenar 1095 hm³ de água.
 A bacia do Guadiana é
aquela que regista maior
capacidade de armazenamento
desde a construção da
barragem do Alqueva, com
uma capacidade de 4150 hm³.
 No sul do país, onde o período seco estival é mais acentuado, as albufeiras
são essenciais para uma melhor gestão da água, nomeadamente no que se
refere às reservas para usos doméstico e agrícola.
 A ação humana nas bacias hidrográficas pode contribuir para
agravar o efeito das cheias:
• pela obstrução de linhas de água;
• com a ocupação de leitos de cheia;
• devido à impermeabilização dos solos, que impede a infiltração
da água e aumenta a escorrência superficial;
• a desflorestação, que deixa os solos desprotegidos, favorecendo
o arrastamento de lamas e outros materiais que vão contribuir para o
assoreamento dos rios.
 Uma parte da água da precipitação infiltra-se nos solos,
alimentando as reservas de água subterrânea.
• A precipitação é a principal fonte de abastecimento das
toalhas freáticas.
 A existência de aquíferos, bem como as suas características,
depende das formações geológicas.
As águas subterrâneas…
Os aquíferos
Água subterrânea: água que
circula ou se acumula no
subsolo, a maior ou menor
profundidade.
Toalhas freáticas: lençóis de
água subterrânea que
circulam ou se acumulam em
aquíferos.
Aquíferos: formações geológicas permeáveis cujo limite inferior
e, por vezes, também o superior, é constituído por rochas
impermeáveis.
As disponibilidades hídricas
 A maior ou menor permeabilidade das rochas condiciona a infiltração da
água e a sua acumulação subterrânea:
• as formações rochosas de xisto,
granito e basalto são pouco permeáveis
e dificultam a infiltração da água e a
formação de aquíferos importantes;
GerêsAquífero
• as rochas sedimentares, como os
arenitos e as areias, são bastante
permeáveis, permitindo a infiltração da
água e a formação de aquíferos;
• as rochas sedimentares de natureza calcária ou cársica têm
calcite na sua composição, substância que se dissolve na água,
provocando a abertura de fendas e fissuras por onde a água se infiltra.
Origina-se, assim, um sistema de escoamento subterrâneo
denominado toalha cársica – toalha freática em áreas de
formações geológicas de natureza calcária.
Curso de água
subterrâneo
As disponibilidades hídricas
 Em Portugal existem
quatro unidades
hidrogeológicas cujas
características geológicas
influenciam as
disponibilidades hídricas…
Distribuiçãodasprincipaisformaçõesgeológicase
unidadeshidrogeológicas,emPortugalContinental.
que são maiores onde as
formações rochosas são
mais permeáveis e
porosas.
 No Maciço Hespérico, dominam os xistos e granitos, o que explica as
menores disponibilidades hídricas.
 Nas orlas sedimentares ocidental e meridional, predominam as
rochas sedimentares detríticas e calcárias que permitem a existência de
aquíferos porosos e cársicos, o que se reflete numa elevada
disponibilidade hídrica.
 Nas bacias sedimentares do Tejo e Sado, constituídas
principalmente por formações sedimentares detríticas, formaram-se
aquíferos porosos que correspondem ao mais extenso sistema
aquífero da península Ibérica e à mais importante unidade
hidrogeológica do país.
Monsanto
RioSado
Grutacalcária
 Os aquíferos são importantes reservatórios subterrâneos de
água, apresentando vantagens relativamente aos reservatórios
superficiais:
• uma vez que não exigem especiais tratamentos da água;
• não há perdas por evaporação;
• a sua dimensão não se reduz por efeito da deposição de
sedimentos;
• além de não exigirem custos de conservação.
A utilização das águas subterrâneas
A gestão dos recursos hídricos
Principais problemas que
afetam a qualidade das águas
relacionam-se
com o crescimento
do consumo;
com a poluição das
águas;
sendo mais graves
áreas de maior
ocupação humana.
A gestão dos recursos hídricos
Efluentes
domésticos
São diversas as fontes de poluição das águas superficiais e subterrâneas:
• grande componente
orgânica;
• quantidade e variedade
elevadas de bactérias e vírus;
• uma das maiores fontes de
poluição…
 dos cursos de água
 por vezes, das águas
subterrâneas
Efluentes
industriais
• águas utilizadas no processo
produtivo, lavagens e arrefecimento
contaminadas com produtos químicos;
• podem alterar o meio recetor;
• têm elevadas cargas tóxicas e teores
em metais pesados, como mercúrio.
A gestão dos recursos hídricos
Efluentes de origem
pecuária
• composição e efeitos semelhantes
aos dos efluentes domésticos
• exploração pecuária pode produzir
uma quantidade de resíduos
equivalente à de povoações de
média dimensão.
• Em Portugal, ainda há…
 instalações com
deficiências no controlo
dos resíduos;
 casos de incumprimento
da legislação.
A gestão dos recursos hídricos
Químicos
agrícolas
• é difícil de detetar e
controlar.
• fertilizantes, inseticidas e
herbicidas;
 elevado teor de substâncias tóxicas.
• dissolvidos na água da
rega ou da chuva…
 infiltram-se no solo, contaminando
as toalhas freáticas;
 escorrem à superfície, contaminando
os cursos de água.
• forma de poluição que pode
afetar áreas muito extensas;
A gestão dos recursos hídricos
Existem ainda outros problemas que podem fazer diminuir as reservas hídricas:
Salinização
• problema associado à sobre-
exploração dos aquíferos;
• permite a intrusão de água
salgada nos aquíferos;
• ocorre nas regiões próximas
do litoral;
• em anos de menor
precipitação.
• por vezes, a salinização pode ser
irreversível.
A gestão dos recursos hídricos
Eutrofização
• resulta do crescimento
excessivo de algas e outras
espécies vegetais que
consomem o oxigénio das águas;
• provoca a extinção da fauna
aquática (doc.1).
Desflorestação
• afeta os recursos hídricos
superficiais e subterrâneos
• deixa o solo desprotegido
• a água da chuva escorre e
não se infiltra, comprometendo
a recarga dos aquíferos;
• maior volume de lamas
arrastadas pela água da chuva
• pode provocar o assoreamento
dos cursos de água.
A gestão dos recursos hídricos
• melhoramento das
práticas agrícolas…
Medidas que podem contribuir para a
preservação dos recursos hídricos:
• regulamentação,
fiscalização e criminalização
do lançamento de efluentes
poluidores nos cursos de água;
• dinamização de campanhas
de educação ambiental…
• aplicação do princípio
«poluidor-pagador»…
• criação de incentivos às
empresas para a reconversão da
tecnologia, e para implementação
de medidas inovadoras na área
da preservação ambiental;
A gestão dos recursos hídricos
Objetivos da Política Nacional da Água
• melhor conhecimento
das disponibilidades e
potencialidades hídricas;
• melhor
distribuição e
utilização da água;
• mais eficaz proteção,
conservação e requalificação
dos recursos hídricos;
• definição de um quadro
estável de relacionamento
com Espanha face aos rios
internacionais;
• gestão dos recursos hídricos
em articulação com os
restantes setores de
ordenamento do território...

Disponibilidades Hídricas

  • 1.
    Dinâmica das baciashidrográficas As disponibilidades hídricas
  • 2.
    As disponibilidades hídricas RioMondego. Lagoa Comprida, serra da Estrela.  Em Portugal, da água doce gerada anualmente pela precipitação, quase metade evolui para: • recursos hídricos superficiais – rios, lagos, lagoas e albufeiras; • recursos hídricos subterrâneos – nascentes e lençóis de água que retêm a água da infiltração e que se encontram até 800 metros de profundidade.
  • 3.
    As disponibilidades hídricas Aságuas superficiais As águas superficiais Encontram-se nos continentes em rios, lagos e albufeiras constituem importantes recursos hídricos mais acessíveis e proporcionam maior variedade de utilizações. …são mais vulneráveis aos efeitos negativos da sua utilização e da ocupação humana das regiões em que se inserem.
  • 4.
    • Rio Um rioe os seus afluentes constituem uma rede hidrográfica. Rio Principal Jusante MontanteAfluente Subafluente Rede hidrográfica – conjunto formado por um rio principal e por todos os cursos de água tributários (afluentes e subafluentes) Montante
  • 5.
    • Rio Um rioe os seus afluentes constituem uma rede hidrográfica. Margem esquerda Jusante Montante Margem direita A margem direita – fica á direita de um observador que está de costas voltadas para montante do curso de água. Montante
  • 6.
    • Rio A áreadrenada por um rio e os seus tributários constitui uma bacia hidrográfica. Bacia hidrográfica Bacia hidrográfica – área da superfície terrestre drenada por um rio principal, afluentes e subafluentes. Uma linha de cumeada separa esta bacia das bacias hidrográficas circundantes Linha de cumeada
  • 7.
    Bacia hidrográfica –área da superfície terrestre drenada por um rio principal, afluentes e subafluentes. Rede hidrográfica – conjunto formado por um rio principal e por todos os cursos de água tributários (afluentes e subafluentes)
  • 8.
  • 9.
    AsprincipaisbaciashidrográficasdePortugalContinental. As principais baciashidrográficas  A bacia hidrográfica do Mondego é a maior bacia nacional. Rio Mondego – (Coimbra)
  • 10.
     As baciasmais extensas são internacionais, constituindo as bacias hidrográficas luso- espanholas. As bacias hidrográficas luso-espanholas.
  • 11.
     Dos riosportugueses, destacam-se: • o Minho, o Lima, o Douro, o Tejo e o Guadiana, rios internacionais que nascem em Espanha; • o Cávado, o Vouga, o Mondego e o Sado, que nascem em território nacional. RedehidrográficadePortugalContinental.  Na sua maioria, os rios portugueses escoam em direção ao Atlântico, no sentido nordeste-sudoeste, seguindo a inclinação geral do relevo. Todavia, alguns têm sentido de escoamento diferente, como o Guadiana, de norte para sul, e o Sado, de sul para norte.
  • 12.
    A rede hidrográficano território nacional 12 • O relevo não influencia apenas a orientação dos rios, é também responsável, juntamente com o clima, pelas diferenças na densidade da rede hidrográfica. No norte o relevo é mais acidentado e o clima é mais pluvioso, a rede hidrográfica é mais densa. Os rios escoam por vales mais apertados e profundos. No centro e sul, o relevo é mais aplanado e o clima mais seco, pelo que a rede hidrográfica é menos densa. Os rios escoam em vales mais abertos.
  • 13.
    Resumo O rio Douro,no seu curso superior, em Portugal. Vale do rio Sado, próximo de Alcácer do Sal. rios escoam em vales mais largos Norte rede hidrográfica é mais densa os rios apresentam maior declive ao longo do seu percurso e escoam em vales mais profundos. relevo mais aplanado percursos com menor declive Sul
  • 14.
     Ao longodo seu percurso, os rios atravessam áreas diferentes no que respeita: • à altitude; • às formas de relevo; • e ao grau de dureza das rochas. Perfil longitudinal dos três maiores rios portugueses. Características que exercem influência: • no seu perfil longitudinal; • no seu perfil transversal.
  • 15.
     O perfiltransversal dos rios é geralmente designado por vale e apresenta-se diferente da nascente até à foz. • No seu curso superior, o vale é mais estreito e profundo (A); • No curso médio, alarga-se e torna-se menos profundo (B); • No curso final é um vale aberto, geralmente em planície (C).
  • 16.
    Perfil longitudinal de umrio linha que une todos os pontos do fundo do leito de rio, desde a nascente até à foz. Também é designada por talvegue. Perfil transversal de um rio linha que une as duas margens de um rio passando pelo fundo do rio.
  • 17.
    Fases da erosãofluvial – as fases da erosão fluvial refletem-se na paisagem longitudinal de um rio. Desgaste A velocidade das águas provocada pela força da gravidade e pelo declive do terreno é responsável pela acção de desgaste no leito e margens do rio. Transporte Os planaltos são forma de relevo velho que já sofreram o desgaste e que agora, pelo menor declive, apenas provocam uma velocidade das águas suficiente para o transporte de aluviões. Acumulação O declive suave faz com que a velocidade das águas seja reduzida e assim a acumulação dos aluviões dê origem a planícies aluviais ou sedimentares. Imagem Porto Editora
  • 18.
    Elementos topográficos deuma bacia hidrográfica O rio modela a paisagem criando formas de relevo variadas ao longo do seu percurso. A erosão provocada pelo rio designa-se por erosão fluvial. Curso superior do rio – apresenta vales em garganta (V) com declives acentuados. Nesta parte do percurso do rio as águas correm com grande velocidade no seu leito. O desgaste é a acção erosiva predominante em que o vale vai ser aprofundado à custa de materiais geológicos arrancados ao leito do rio. ImagemSantillana
  • 19.
    Elementos topográficos deuma bacia hidrográfica O rio modela a paisagem criando formas de relevo variadas ao longo do seu percurso. A erosão provocada pelo rio designa-se por erosão fluvial. Curso médio do rio – apresenta vales em V aberto. Nesta parte do percurso do rio as águas correm com algum vigor. O transporte é a acção erosiva predominante em que o rio já não tem tanta força para desgastar o leito e as margens, mas tem força suficiente para transportar os materiais geológicos anteriormente arrancados. Aos materiais geológicos arrancados e transportados pelo rio, dá-se o nome de aluviões. ImagemSantillana
  • 20.
    Curso inferior dorio – o rio corre em áreas mais ou menos planas, de fraco declive. O vale é bastante largo e com reduzida altitude. A velocidade das águas é reduzida e a acção erosiva predominante é a acumulação. A acumulação de aluviões dá origem a planícies aluviais e, por vezes, quando as correntes marítimas e as marés são pouco vigorosas, a foz é em delta devido à acumulação de aluviões. Elementos topográficos de uma bacia hidrográfica O rio modela a paisagem criando formas de relevo variadas ao longo do seu percurso. A erosão provocada pelo rio designa-se por erosão fluvial. ImagemSantillana
  • 21.
    Variação do caudaldos rios 21 O caudal dos rios é condicio- nado por: •Variação anual da precipitação; •Características do relevo; •Natureza dos terrenos; •Cobertura vegetal; •Acção do Homem. Consequência das condições climatéricas, os rios apresentam um regime irregular, com carácter torrencial, ou seja, têm caudais muito reduzidos ou mesmo nulos durante a estiagem (Verão) e elevados na época de maior precipitação (Dezembro a Março).
  • 22.
    Em Portugal, oregime dos rios (variação do caudal ao longo do ano) caracteriza-se por uma grande irregularidade sazonal e espacial: No norte… com caudais médios mais abundantes a ocorrência de cheias é frequente no inverno no verão, dá-se a redução do caudal em dois a três meses de estiagem No sul… No verão, a redução dos caudais pode chegar a seis meses de estiagem ou mesmo secar. o regime dos rios é mais irregular ocorrência de menos cheias mas mais torrenciais podendo ultrapassar 300 a 400 vezes o caudal médio.
  • 23.
     A açãohumana pode influenciar o regime dos rios… • …como acontece com a construção de barragens: que contribui para regularizar os caudais, retendo a água nas albufeiras e evitando muitas cheias, na época de maior precipitação e permitindo manter um escoamento mínimo na época estival. BarragemdoAlqueva
  • 24.
    Barragens – Vantagens •Produção de energia hidroeléctrica; • Abastecimento de água para uso doméstico, agricultura, pecuária, indústria, turismo e laser; • Constituição de reservas hídricas para fazer face ao caudal de estiagem ou de secas; • Regularização de caudais, prevenindo cheias ou períodos de seca; • Aproveitamento da albufeira da barragens para lazer (actividades náuticas e turismo). Barragens – Desvantagens • Submersão de terrenos com aptidão agrícola; • Retenção de sedimentos com impacto negativo na fertilização de solos e na alteração da linha de costa; • Impacto na fauna e na flora; • Povoações submersas com deslocação de populações. ImagensWikipédia.org
  • 25.
     Segue-se-lhe abacia do Tejo, onde se destaca Castelo de Bode, com capacidade para armazenar 1095 hm³ de água.  A bacia do Guadiana é aquela que regista maior capacidade de armazenamento desde a construção da barragem do Alqueva, com uma capacidade de 4150 hm³.  No sul do país, onde o período seco estival é mais acentuado, as albufeiras são essenciais para uma melhor gestão da água, nomeadamente no que se refere às reservas para usos doméstico e agrícola.
  • 26.
     A açãohumana nas bacias hidrográficas pode contribuir para agravar o efeito das cheias: • pela obstrução de linhas de água; • com a ocupação de leitos de cheia; • devido à impermeabilização dos solos, que impede a infiltração da água e aumenta a escorrência superficial; • a desflorestação, que deixa os solos desprotegidos, favorecendo o arrastamento de lamas e outros materiais que vão contribuir para o assoreamento dos rios.
  • 27.
     Uma parteda água da precipitação infiltra-se nos solos, alimentando as reservas de água subterrânea. • A precipitação é a principal fonte de abastecimento das toalhas freáticas.  A existência de aquíferos, bem como as suas características, depende das formações geológicas. As águas subterrâneas… Os aquíferos Água subterrânea: água que circula ou se acumula no subsolo, a maior ou menor profundidade. Toalhas freáticas: lençóis de água subterrânea que circulam ou se acumulam em aquíferos. Aquíferos: formações geológicas permeáveis cujo limite inferior e, por vezes, também o superior, é constituído por rochas impermeáveis.
  • 28.
    As disponibilidades hídricas A maior ou menor permeabilidade das rochas condiciona a infiltração da água e a sua acumulação subterrânea: • as formações rochosas de xisto, granito e basalto são pouco permeáveis e dificultam a infiltração da água e a formação de aquíferos importantes; GerêsAquífero • as rochas sedimentares, como os arenitos e as areias, são bastante permeáveis, permitindo a infiltração da água e a formação de aquíferos;
  • 29.
    • as rochassedimentares de natureza calcária ou cársica têm calcite na sua composição, substância que se dissolve na água, provocando a abertura de fendas e fissuras por onde a água se infiltra. Origina-se, assim, um sistema de escoamento subterrâneo denominado toalha cársica – toalha freática em áreas de formações geológicas de natureza calcária. Curso de água subterrâneo
  • 30.
    As disponibilidades hídricas Em Portugal existem quatro unidades hidrogeológicas cujas características geológicas influenciam as disponibilidades hídricas… Distribuiçãodasprincipaisformaçõesgeológicase unidadeshidrogeológicas,emPortugalContinental. que são maiores onde as formações rochosas são mais permeáveis e porosas.
  • 31.
     No MaciçoHespérico, dominam os xistos e granitos, o que explica as menores disponibilidades hídricas.  Nas orlas sedimentares ocidental e meridional, predominam as rochas sedimentares detríticas e calcárias que permitem a existência de aquíferos porosos e cársicos, o que se reflete numa elevada disponibilidade hídrica.  Nas bacias sedimentares do Tejo e Sado, constituídas principalmente por formações sedimentares detríticas, formaram-se aquíferos porosos que correspondem ao mais extenso sistema aquífero da península Ibérica e à mais importante unidade hidrogeológica do país. Monsanto RioSado Grutacalcária
  • 32.
     Os aquíferossão importantes reservatórios subterrâneos de água, apresentando vantagens relativamente aos reservatórios superficiais: • uma vez que não exigem especiais tratamentos da água; • não há perdas por evaporação; • a sua dimensão não se reduz por efeito da deposição de sedimentos; • além de não exigirem custos de conservação. A utilização das águas subterrâneas
  • 33.
    A gestão dosrecursos hídricos Principais problemas que afetam a qualidade das águas relacionam-se com o crescimento do consumo; com a poluição das águas; sendo mais graves áreas de maior ocupação humana.
  • 34.
    A gestão dosrecursos hídricos Efluentes domésticos São diversas as fontes de poluição das águas superficiais e subterrâneas: • grande componente orgânica; • quantidade e variedade elevadas de bactérias e vírus; • uma das maiores fontes de poluição…  dos cursos de água  por vezes, das águas subterrâneas Efluentes industriais • águas utilizadas no processo produtivo, lavagens e arrefecimento contaminadas com produtos químicos; • podem alterar o meio recetor; • têm elevadas cargas tóxicas e teores em metais pesados, como mercúrio.
  • 35.
    A gestão dosrecursos hídricos Efluentes de origem pecuária • composição e efeitos semelhantes aos dos efluentes domésticos • exploração pecuária pode produzir uma quantidade de resíduos equivalente à de povoações de média dimensão. • Em Portugal, ainda há…  instalações com deficiências no controlo dos resíduos;  casos de incumprimento da legislação.
  • 36.
    A gestão dosrecursos hídricos Químicos agrícolas • é difícil de detetar e controlar. • fertilizantes, inseticidas e herbicidas;  elevado teor de substâncias tóxicas. • dissolvidos na água da rega ou da chuva…  infiltram-se no solo, contaminando as toalhas freáticas;  escorrem à superfície, contaminando os cursos de água. • forma de poluição que pode afetar áreas muito extensas;
  • 37.
    A gestão dosrecursos hídricos Existem ainda outros problemas que podem fazer diminuir as reservas hídricas: Salinização • problema associado à sobre- exploração dos aquíferos; • permite a intrusão de água salgada nos aquíferos; • ocorre nas regiões próximas do litoral; • em anos de menor precipitação. • por vezes, a salinização pode ser irreversível.
  • 38.
    A gestão dosrecursos hídricos Eutrofização • resulta do crescimento excessivo de algas e outras espécies vegetais que consomem o oxigénio das águas; • provoca a extinção da fauna aquática (doc.1). Desflorestação • afeta os recursos hídricos superficiais e subterrâneos • deixa o solo desprotegido • a água da chuva escorre e não se infiltra, comprometendo a recarga dos aquíferos; • maior volume de lamas arrastadas pela água da chuva • pode provocar o assoreamento dos cursos de água.
  • 39.
    A gestão dosrecursos hídricos
  • 40.
    • melhoramento das práticasagrícolas… Medidas que podem contribuir para a preservação dos recursos hídricos: • regulamentação, fiscalização e criminalização do lançamento de efluentes poluidores nos cursos de água; • dinamização de campanhas de educação ambiental… • aplicação do princípio «poluidor-pagador»… • criação de incentivos às empresas para a reconversão da tecnologia, e para implementação de medidas inovadoras na área da preservação ambiental;
  • 41.
    A gestão dosrecursos hídricos Objetivos da Política Nacional da Água • melhor conhecimento das disponibilidades e potencialidades hídricas; • melhor distribuição e utilização da água; • mais eficaz proteção, conservação e requalificação dos recursos hídricos; • definição de um quadro estável de relacionamento com Espanha face aos rios internacionais; • gestão dos recursos hídricos em articulação com os restantes setores de ordenamento do território...