En español
Critérios para o tratamento empírico da infecção em pacientes graves
hospitalizados na unidade de terapia intensiva
■ Introdução
Dr. Pedro Cahn
■ Resistência bacteriana na unidade de terapia intensiva
Prof. José María Casellas
■ Manejo empírico das infecções na unidade de terapia intensiva: a perspectiva
do intensivista
Dr. Edgar Jiménez
■ Controvérsias sobre o tratamento empírico das infecções em unidades
de terapia intensiva
Prof. Juan José Picazo
■ Infecções graves na unidade de terapia intensiva pediátrica
Dr. Javier María Casellas
■ Resistência a antibacterianos na América Latina
Prof. José María Casellas
■ Conclusões e recomendações
Grupos de especialistas
VOLUME 1 • NÚMERO 1 • JULHO DE 2006
Mensagens
dos editores
Dr. Edgar Jiménez
Dr. Mitchell Levy
Em português
4 Mensagens dos editores
Dr. Edgar Jiménez
Dr. Mitchell Levy
Critérios para o tratamento empírico da infecção em pacientes graves
hospitalizados na unidade de terapia intensiva
5 Introdução
Dr. Pedro Cahn
6 Resistência bacteriana na unidade de terapia intensiva
Prof. José María Casellas
9 Manejo empírico das infecções na unidade de terapia intensiva:
a perspectiva do intensivista
Dr. Edgar Jiménez
13 Controvérsias sobre o tratamento empírico das infecções em unidades
de terapia intensiva
Prof. Juan José Picazo
16 Infecções graves na unidade de terapia intensiva pediátrica
Dr. Javier María Casellas
20 Resistência a antibacterianos na América Latina
Prof. José María Casellas
22 Conclusões e recomendações
Grupos de especialistas
Em português
EDITOR
SCCM Secretary
Mitchell Levy, MD, FCCM
Director, Medical ICU
Rhode Island Hospital
Professor of Medicine
Brown University School of Medicine
Guest Editor
SCCM President-elect
Frederick P. Ognibene, MD, FCCM
Director, Office of Clinical Research
Training and Medical Education, CC
Director, Clinical Research Training
Program, OIR
Attending, Critical Care Medicine
Department, CC
National Institutes of Health
Associate Editor for Podcasting
Richard Savel, MD
Associate Director,
Surgical Intensive Care Unit
Maimonides Medical Center
Assistant Professor of Medicine
Mt. Sinai School of Medicine
Editorial Advisory Board
SCCM President
Charles G. Durbin Jr., MD, FCCM
Professor of Anesthesiology and Surgery
Medical Director, Respiratory Care
University of Virginia Health System
SCCM Immediate Past President
Peter B. Angood, MD, FCCM
Vice President and Chief Patient Safety
Officer, Joint Commission on Accreditation of
Healthcare Organizations
SCCM President-elect
Frederick P. Ognibene, MD, FCCM
Director, Office of Clinical Research Training and
Medical Education, CC
Director, Clinical Research Training
Program, OIR
Attending, Critical Care Medicine
Department, CC
National Institutes of Health
SCCM Treasurer
Phillip S. Barie, MD, MBA, FCCM
Professor of Surgery and Public Health
Chief, Division of Trauma and Critical Care
Weill Medical College of Cornell University
Critical Connections Staff
Melissa Nielsen
Managing Editor
Dave Zwierz
Graphic Designer
Deborah L. McBride
Director of Publications
David Julian Martin, CAE
Chief Executive Officer and
Executive Vice President
Contributing Authors
Pat Langford
Eric Chandler
Editor
Mitchell Levy, MD, FCCM
Secretario, SCCM
Director, Medical ICU Rhode Island Hospital.
Profesor de Medicina, Brown University School of Medicine.
Editor da edição em espanhol e português
Edgar Jimenez, MD, FCCM
Tesoureiro, World Federation of Societies of Intensive and Critical Care Medicine
Diretor, Unidade Médica de Terapia Intensiva e Professor Associado de Medicina,
Universidade da Florida. Orlando Regional Medical Center.
Comitê Editor Convidado
ARGENTINA
Pedro Cahn
Javier María Casellas
José María Casellas
Bernardo Maskin
Néstor Raimondi
Juan J. Videla
BRASIL
José Maria da Costa Orlando
Thais Guimarães
CHILE
Ricardo Espinoza
Patricia González
COLÔMBIA
Francisco Molina
Carlos Humberto Saavedra Trujillo
COSTA RICA
Jaime Fernández Alpizar
ESPANHA
Juan J. Picazo
MÉXICO
Federico Javier Ortiz Ibarra
Luis Antonio Sánchez López
PANAMÁ
Néstor Sosa
PERU
Luis Cuellar Ponce de León
URUGUAI
Maria Cristina Rizzi
VENEZUELA
Alfredo López Strauss
Antonio Martinelli
Critical connections
Em português
Volume 1, Número 1, Julho 2006
© 2006 ACINDES
Associação Civil de Pesquisa e
Desenvolvimento en Saúde
Pesquisa e Ensino Médico Continuado para
os Profissionais da Saúde e da Comunidade
DIRETOR:
Jacobo A. Tieffenberg, MD-MPH-MS
PRODUÇÃO EDITORIAL:
Editorial Médica A.W.W.E. S.A.
(Alliance for World Wide Editing)
Padre Vanini 380 (B1602EEF) Buenos Aires, Argentina
Tel: (5411) 4761-3339 / Fax: (5411) 4761-0763
e-mail: info@emawwe.com
http://www.emawwe.com
EDIÇÃO: Equipe ACINDES
DESENHO E COMPOSIÇÃO: I & M S.A.
i-m@vianetworks.com.ar
Impresso em São Paulo, Brasil, em setembro de 2006.
Esta reunião foi realizada mediante um aporte educacional irrestrito do laboratório AstraZeneca.
Esta publicação é oferecida como um serviço educacional do laboratório AstraZeneca para os médicos. Os pontos de
vista aqui expressados refletem a experiência e as opiniões dos autores.
Antes de prescrever qualquer medicamento eventualmente citado nesta publicação, deve-se consultar a informação
para prescrever emitida pelo fabricante.
ARGENTINA
Pedro Cahn
CHEFE, SERVIÇO DE INFECTOLOGIA, HOSPITAL FERNÁNDEZ,
BUENOS AIRES. PRESIDENTE, INTERNATIONAL AIDS SOCIETY
Bernardo Maskin
DIRETOR, DEPARTAMENTO DE CUIDADOS INTENSIVOS, HOSPITAL POSADAS,
BUENOS AIRES
Javier María Casellas
INFECTOLOGISTA. PEDIATRA, DIVISÃO DE INFECTOLOGIA PEDIÁTRICA,
HOSPITAL MATERNO INFANTIL DE SAN ISIDRO, BUENOS AIRES
José María Casellas
MICROBIOLOGISTA. PROFESSOR, UNIVERSIDADE NACIONAL DE
ROSARIO, SANTA FÉ
Néstor Raimondi
UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA, HOSPITAL FERNÁNDEZ, BUENOS AIRES.
PRÓ-SECRETÁRIO, SOCIEDADE ARGENTINA DE TERAPIA INTENSIVA (SATI)
Juan J. Videla
SECRETÁRIO, COMITÊ DE INFECÇÕES CRÍTICAS, SOCIEDADE
ARGENTINA DE TERAPIA INTENSIVA (SATI)
BRASIL
José Maria da Costa Orlando
MÉDICO INTENSIVISTA. PRESIDENTE, ASSOCIAÇÃO DE MEDICINA
INTENSIVA BRASILEIRA, SÃO PAULO
Thais Guimarães
MÉDICA INFECTOLOGISTA, HOSPITAL DO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL
DE SÃO PAULO E HOSPITAL SANTA CRUZ. REPRESENTANTE,
SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA, SÃO PAULO
CHILE
Patricia González
MICROBIOLOGISTA. COMITÊ DE INFECÇÕES HOSPITALARES,
CLÍNICA ALEMANA, SANTIAGO DE CHILE
Ricardo Espinoza
INFECTOLOGISTA, CLÍNICA LAS CONDES, SANTIAGO DE CHILE
COLÔMBIA
Francisco Molina
ESPECIALISTA EM MEDICINA CRÍTICA E CUIDADOS INTENSIVOS E EM MEDICINA
INTERNA. UNIVERSIDADE PONTIFÍCIA BOLIVARIANA DE MEDELLÍN. COORDENADOR,
UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA, CLÍNICA UNIVERSITÁRIA BOLIVARIANA.
INTENSIVISTA, HOSPITAL GERAL DE MEDELLÍN, MEDELLÍN
Carlos Humberto Saavedra Trujillo
INTERNISTA INFECTOLOGISTA. CHEFE, SERVIÇO DE INFECTOLOGIA,
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CLÍNICA SAN RAFAEL, ORDEN
HOSPITALARIA DE SAN JUAN DE DIOS, BOGOTÁ
COSTA RICA
Jaime Fernández Alpizar
INFECTOLOGISTA. CHEFE, SERVIÇO DE INFECTOLOGIA, HOSPITAL
CALDERÓN GUARDIA, SAN JOSÉ
E.U.A.
Edgar Jiménez
DIRETOR, UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA, ORLANDO REGIONAL
MEDICAL CENTER. PROFESSOR ASSOCIADO DE MEDICINA CRÍTICA
E MEDICINA INTERNA, UNIVERSIDADE DA FLÓRIDA. SOCIETY OF
CRITICAL CARE MEDICINE (SCCM), ORLANDO
ESPANHA
Juan J. Picazo
PRESIDENTE, FUNDAÇÃO PARA O ESTUDO DA INFECÇÃO,
FACULDADE DE MEDICINA, UNIVERSIDADE COMPLUTENSE DE
MADRI. CATEDRÁTICO DE MICROBIOLOGÍA CLÍNICA,
UNIVERSIDADE COMPLUTENSE DE MADRI, MADRI
MÉXICO
Federico Javier Ortíz Ibarra
CHEFE DE INFECTOLOGIA, INSTITUTO NACIONAL DE
PERINATOLOGIA, MÉXICO DF
Luis Antonio Sánchez López
MEDICO INTERNISTA INFECTOLOGISTA. PRESIDENTE, ASOCIACIÓN DE
INFECTOLOGÍA DEL NORTE DE MÉXICO. PROFESSOR DE
INFECTOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE MONTERREY.
COORDENADOR, CLÍNICA DE ATENCIÓN INTEGRAL DE LA
SECRETARÍA DE SALUD DE NUEVO LEÓN
PANAMÁ
Néstor Sosa
CHEFE DE INFECTOLOGIA, CAIXA DE SEGURO SOCIAL, PANAMÁ
PERU
Luis Cuellar Ponce de León
MÉDICO INFECTOLOGISTA. CHEFE, DEPARTAMENTO DE
ESPECIALIDADES MÉDICAS, INSTITUTO ESPECIALIZADO DE
ENFERMIDADES NEOPLÁSICAS. PROFESSOR DE MEDICINA,
UNIVERSIDADE NACIONAL “FEDERICO VILLARREAL”, LIMA
URUGUAI
Maria Cristina Rizzi
INTENSIVISTA E INFECTOLOGISTA. CHEFE, UNIDADE DE CUIDADOS
INTENSIVOS, HOSPITAL MILITAR. INFECTOLOGISTA, HOSPITAL DEL
CÍRCULO CATÓLICO DE OBREROS DE MONTEVIDEO,
MONTEVIDÉU
VENEZUELA
Alfredo Lopez Strauss
MÉDICO INTERNISTA E INFECTOLOGISTA. CHEFE, UNIDADE DE
INFECTOLOGIA, HOSPITAL DOMINGO LUCIANI DE CARACAS.
COORDENADOR, COMITÊ DE INFECÇÕES INTRA-HOSPITALARES,
HOSPITAL DOMINGO LUCIANI. COORDENADOR E ASSESSOR,
PROGRAMA DE INFECÇÕES EM UTI PARA A SOCIEDADE
VENEZUELANA DE MEDICINA CRÍTICA, CARACAS
Antonio Martinelli
CIRURGIÃO INTENSIVISTA. CENTRO MÉDICO CARACAS, CARACAS
Participantes
AMMCTI
Asociación Mexicana de Medicina
Crítica y Terapia Intensiva
Sociedad Argentina
de Terapia Intensiva
C
omecei como editor de Critical
Connections em janeiro e já co-
nheço a importância que tem esta
publicação como ferramenta para unir os
membros da comunidade que atende
pacientes graves em todo o mundo. O
lançamento da edição latino-americana da
Critical Connections é uma iniciativa da
Associação Civil de Pesquisa e Desenvolvimento na Saúde
(ACINDES) e prova do contínuo crescimento internacional da
Society of Critical Care Medicine (SCCM). A Sociedade espe-
ra fortalecer sua relação com os médicos de atendimento de
pacientes graves nessa região e, ao mesmo tempo, proporcio-
nar um recurso valioso.
A editora – Editorial Médica A.W.W.E. – também publica
a edição em espanhol dos manuais Fundamental Critical Care
Support (FCCS) e Fundamentals of Disaster Management
(FDM) e a edição em português do FCCS.
O Dr. Edgar Jiménez é um dos muitos profissionais dedica-
dos que tornam possível esta publicação. Este médico tem
uma grande visão para aumentar a consciência sobre a atendi-
mento de pacientes graves em toda a região e, assim, oferecer-
lhes as últimas novidades clínicas e proporcionar a melhor
atenção possível. Os redatores dos Estados Unidos e da
América Latina trabalharão juntos para lograr esses objetivos
enquanto nos esforçamos em conservar a missão global da
Sociedade.
A Sociedade já tem fortes laços com a comunidade de aten-
dimento de pacientes graves na América Latina. A região é o
mercado de maior crescimento para os cursos de FCCS da
SCCM, com Brasil e Argentina liderando essa tendência. A
Sociedade também participou do World Congress on Critical
Care em Buenos Aires, Argentina, em agosto de 2005. Foi o
maior congresso mundial até esta data, o que reflete a
importância crescente da comunidade de atenção a doentes
graves na América Latina. A comunidade latino-americana
está claramente ávida por conhecimentos sobre o tratamento
de seus pacientes gravemente enfermos e lesionados, e
Critical Connections atuará como outro recurso excelente.
Esta publicação tem servido como a voz da Sociedade, ao
proporcionar aos profissionais da saúde artigos clínicos infor-
mativos e atualizações sobre as atividades da Sociedade.
Estamos orgulhosos de oferecer uma edição especialmente
adaptada às necessidades dessa comunidade.
Dr. Mitchell Levy
Secretário da Society
of Critical Care Medicine
Professor de Medicina e Diretor,
Unidade Médica de Terapia Intensiva
Faculdade de Medicina, Universidade Brown,
Hospital de Rhode Island
B
em-vindos. É uma verdadeira
honra e motivo de grande orgulho
dirigir-me a todos vocês e, ao
mesmo tempo, oferecer-lhes este valioso
recurso, que iniciamos hoje com a primeira
edição em espanhol e português da Critical
Connections.
Em janeiro passado, a Society of
Critical Care Medicine (SCCM) me propôs que assumisse a
posição de co-editor desta revista, com o desejo de publicar
artigos pertinentes para a grande comunidade de colegas de
fala hispana e portuguesa.
Tenho o prazer de trabalhar junto com o Dr. Mitchell Levy,
editor da versão em inglês desta revista, que, com sua ampla e
renomada trajetória na área de terapia intensiva e com nossa
Sociedade, nos ajudará a fazer desta publicação uma valiosa
fonte de informação. Obviamente, para poder levar a cabo
uma tarefa dessa magnitude, dependemos do valoroso apoio
nos Estados Unidos de Debbie McBride, diretora de publi-
cações da SCCM e de seu grupo, através da coordenadora
Melissa Nielsen. No âmbito latino-americano, a publicação
em espanhol e em português é coordenada pelo Dr. Jacobo A.
Tieffenberg, presidente da Associação Civil de Pesquisa e
Desenvolvimento na Saúde (ACINDES), e Carolina
Berduque, coordenadora da Editora Médica Alliance for
World Wide Editing (AWWE), com sedes em Buenos Aires,
São Paulo, México e Madri.
A pluralidade de nossa comunidade torna necessário que,
através de meios como este, possamos manter o intercambio
de dados, conceitos e idéias. Nesta edição, apresentamos os
resultados de uma reunião de consenso com recomendações
para o uso empírico de antibióticos em infecções graves nas
unidades de terapia intensiva, celebrada em Buenos Aires em
junho de 2005. Espero que lhes seja de grande utilidade.
Nossa edição vai se nutrir de uma grande variedade de arti-
gos do contexto norte-americano e europeu que serão traduzi-
dos ao espanhol e ao português, assim como de artigos pró-
prios da área hispano-americana que sejam propostos por
todos vocês. Além disso, serão publicadas notícias e infor-
mação sobre atividades específicas de nossa área. Contamos
com todos vocês para fazer desta revista uma verdadeira ferra-
menta na área de terapia intensiva.
Agradeço a confiança depositada em nós pela SCCM, ao
dar-nos a responsabilidade de seguir adiante com este projeto.
Assim, cumpriremos com a missão de oferecer os últimos
avanços clínicos, enquanto brindamos o melhor cuidado pos-
sível a nossos pacientes graves.
Muito obrigado por seu apoio e seguiremos em contato...
Dr. Edgar Jiménez
Tesoureiro, World Federation of Societies
of Intensive Critical Care Medicine
Diretor, Unidade de Terapia Intensiva,
Orlando Regional Medical Center.
Professor Associado de Medicina Crítica
e Medicina Interna, Universidade da Flórida.
Society of Critical Care Medicine (SCCM),
Orlando, Flórida, EUA.
Critical Connections em português4 Julho 2006
Mensagem dos editores
Dr. Edgar Jiménez Dr. Mitchell Levy
Critical Connections em português Julho 2006 5
Introdução
Dr. Pedro Cahn
Chefe, Serviço de Infectologia, Hospital Fernández, Buenos Aires, Argentina.
Presidente, International Aids Society.
A
s diretrizes de tratamento são recomendações basea-
das na evidência científica disponível e elaboradas
por meio do consenso de especialistas sobre um
tema determinado. A elaboração de diretrizes tem por obje-
tivo me-lhorar a qualidade dos cuidados médicos em pacien-
tes com determinadas doenças, proporcionar informação
sobre tratamentos com uma relação custo-benefício adequa-
da e servir como material de formação para profissionais
com menos experiência clínica. Quando utilizadas de manei-
ra adequada, as diretrizes são úteis para aperfeiçoar o trata-
mento dos pacientes. É importante, porém, ressaltar que
esses documentos não substituem o julgamento clínico, e as
recomendações são generalizadas, baseadas em estudos
populacionais randômicos, além da opinião de especialistas.
É o médico que deve avaliar as circunstâncias particulares
do paciente para poder aplicar as diretrizes elaboradas pelos
especialistas. O objetivo desta reunião foi desenhar, a partir
do consenso, um guia clínico baseado nas evidências médi-
cas e na experiência dos países participantes da América
Latina, para fornecer à comunidade uma ferramenta útil para
o manejo das infecções graves em pacientes internados em
unidades de terapia intensiva.
Nestes casos, em particular, existe uma série de questões-
chave na hora de elaborar normas de tratamento. As perguntas
mais freqüentes sobre o manejo do paciente grave procuram
saber se há necessidade de se contar com documentação
microbiológica, se é conveniente variar o esquema terapêuti-
co iniciado e se devem ser reservados certos antibióticos
quando o indivíduo necessita de internação prolongada.
Outras questões que geram discussão se relacionam à duração
do tratamento em infecções graves, o manejo da infecção
associada a cateteres e o valor das culturas negativas.
Durante o encontro, um dos pontos especialmente aborda-
dos foi a relevância da resistência antimicrobiana na evolução
de pacientes graves. Expôs-se a experiência com infecções
nas unidades de terapia intensiva (UTI) e se comparou a sen-
sibilidade a diferentes antibióticos.
Entre os temas destacados, estavam o manejo empírico das
infecções em UTI na perspectiva do intensivista, as controvér-
sias na implementação do tratamento inicial de cobertura e a
adequação posterior da terapia. A pneumonia intra-hospitalar
demandou um capítulo especial, por sua alta prevalência entre
as infecções em UTI. Do mesmo modo, foram trazidos dados
importantes sobre o manejo na pediatria. Assim, o painel de
especialistas revisou a informação disponível sobre as realida-
des locais nas UTIs, os microorganismos prevalentes e o per-
fil de resistência na região.
Por último, foram analisadas as diferentes opções de tra-
tamento empírico e discutidas as medidas preventivas neces-
sárias para se diminuir o aparecimento de resistências.
Chegou-se a uma série de recomendações que buscam cola-
borar com o manejo das infecções dos pacientes graves
internados em UTI.
As sessões foram marcadas pelo alto nível das intervenções
e pela absoluta independência de critério dos participantes do
painel, e por isso este documento certamente será uma fonte
de referência importante para o manejo das infecções graves
dos pacientes internados nas UTIs da região.
Critical Connections em português6 Julho 2006
Resistência bacteriana na unidade de terapia intensiva
Dr. José María Casellas
Microbiólogo. Professor, Universidade Nacional de Rosário, Santa Fé, Argentina.
D
entro do grupo de antibacterianos carbapenêmicos,
existem diferenças significativas. Esta família de
antimicrobianos está representada na Argentina por
ertapenem, imipenem e meropenem. Segundo estudos compa-
rativos, o meropenem demonstrou, em diferentes patologias
infecciosas, atividade superior frente à piperacilina/tazobac-
tam e à cefepima.
No caso do ertapenem, não se recomenda sua utilização na
unidade de terapia intensiva (UTI), por causa da resistência da
Pseudomonas aeruginosa e da Acinetobacter baumannii, e
sim nas infecções adquiridas na comunidade. Estas bactérias
apresentam taxas de resistência ao imipenem e ao meropenem
entre 20% e 40% na América Latina. Além disso, com o erta-
penem estão surgindo cepas resistentes a algumas enterobac-
térias (Klebsiella pneumoniae e Enterobacter cloacae), o que
é raro para o imipenem e o meropenem (Tabela 1).
Um tema de grande relevância é a dosagem dos antimicro-
bianos. Os parâmetros farmacocinéticos e farmacodinâmicos
dos carbapenêmicos – antibacterianos betalactâmicos –
dependem do tempo em que se mantêm acima da concen-
tração inibitória mínima (CIM). Para estes agentes, não é
importante o pico sérico.
Para o meropenem, o ponto de corte foi estabelecido em
4 mg/l. Supõe-se que a meta farmacodinâmica (tempo >CIM)
deveria ser de 50% para microorganismos Gram-positivos e
de 80% para Gram-negativos. Nas cepas isoladas na América
Latina, isto é atingido pelo meropenem para Staphylococcus
spp sensíveis à meticilina, Streptococcus pneumoniae,
Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis, família
Enterobacteriaceae e anaeróbios; 70% para Pseudomonas
aeruginosa, 60% Acinetobacter baumannii e 60% para
Enterococcus spp. Com base nestas considerações, doses de
1 g IV (intravenoso) a cada 8 horas são úteis sempre que a
CIM for menor que 4 mg/l. Para CIM de 8 ou 16 mg/l, reco-
menda-se o uso de infusões intermitentes de 2 g a cada 8
horas, com duração de três horas (dose total: 6g/dia). Também
é possível fazer uso de infusões contínuas, com dose de ata-
que de 500 mg, após a qual se introduz gotejamento para
6 g/24 h. Esta forma apresentaria a vantagem de diminuir os
custos de enfermagem.
Com respeito à etiologia das infecções em UTIs, compa-
rou-se a sensibilidade ao meropenem, piperacilina/tazobac-
tam e cefepima – determinada por microdiluição segundo o
Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI, antes
denominado National Committee for Clinical Laboratory
Standards [NCCLS]) – com base em estudos efetuados nos
laboratórios do Centro de Investigaciones Biológicas y
Clínicas (CIBIC) de Rosário e do Centro de Estudios en
Antimicrobianos de San Isidro, Buenos Aires, ambos na
Argentina, sobre amostras clínicas obtidas de UTIs de diver-
sos centros assistenciais daquele país.
Em casos de sepse intra-abdominal – em amostras colhidas por
meio de punção-aspiração – as infecções mistas mostraram taxa
de prevalência de 87%, com 13% de hemoculturas positivas con-
comitantes. Nas infecções de pele e tecidos moles, a proporção de
infecções mistas foi de 66%. As amostras foram coletadas por
punção através de pele sadia e anaeróbios foram cultivados em
todos os casos. As hemoculturas positivas foram 5%.
Diversamente, na pneumonia associada à ventilação mecânica,
isolou-se predominantemente apenas uma bactéria, com incidên-
cia de 95% (não se consideraram as infecções por Chlamydophila
pneumoniae). As amostras foram obtidas pelas técnicas habituais
– lavado broncoalveolar (LBA), mini-LBA, aspirado traqueal – e
26% dos pacientes apresentaram hemoculturas positivas.
Na pneumonia associada à ventilação mecânica, ao compa-
rar a sensibilidade (taxa de êxito baseado na sensibilidade do
isolamento, não na cura do paciente) ao meropenem, pipera-
cilina/tazobactam e cefepima, os microorganismos conflitivos
são os bacilos Gram-negativos não fermentadores (BGNNF),
como P. aeruginosa e A. baumannii. Neste caso, a sensibilida-
de ao meropenem é de 80%; a sensibilidade a piperacina/tazo-
bactam e cefepima é muito baixa. A atividade do meropenem
é excelente para os patógenos envolvidos na pneumonia, com
exceção dos isolados de Staphylococcus aureus resistentes à
meticilina (MRSA) (Tabela 2).
Na sepse intra-abdominal, a atividade do meropenem é
superior; piperacina/tazobactam é o antimicrobiano seguinte
em eficácia, pois também cobre anaeróbios. A cefepima é
pouco ativa contra anaeróbios, portanto não se recomenda sua
utilização como monoterapia (Tabela 3).
Tabela 1. Carbapenêmicos comercializados na Argentina
Ertapenem NÃO SIM (FDA) Aparecendo SIM SIM
NÃO (ANMAT)
Meropenem SIM SIM Muito raro P. aeruginosa ~20% E. faecium
Acinetobacter ~30%
FDA: Food and Drug Administration (E.U.A.)
ANMAT: Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (Argentina)
Antibacterianos Indicado em UTI Indicado ou aprovado
em pediatria
Resistência em
Enterobactérias P. aeruginosa Enterococos
Acinetobacter
Critical Connections em português Julho 2006 7
Em infecções de pele e tecidos moles, deve-se destacar a
alta prevalência de microorganismos anaeróbios (especial-
mente Gram-positivos). Nestas infecções, também são neces-
sários antibacterianos que cubram anaeróbios (Tabela 4).
Ao projetar os resultados com base na possível efetivida-
de clínica em cada paciente frente aos achados nas diferen-
tes patologias, observa-se que o meropenem apresenta uma
eficácia projetada superior a 90% para sepse intra-abdomi-
Tabela 3. Sepse intra-abdominal (pacientes n = 60; cepas isoladas n = 199).
n % n % n % n % n %
Enterobacteriaceae (1) 68 40 57 95 68 100 59 87 62 91
Enterococcus spp (2) 48 27 48 80 47 98 47 98 0 –
Anaerobios Gram-positivos (3) 36 20 30 50 36 100 36 100 0 –
Anaerobios Gram-negativos (4) 32 17 28 47 32 100 32 100 0 –
BGNNF (5) 11 6 11 18 7 64 4 4 3 3
S. aureus (6) 4 1 4 7 2 50 2 50 2 50
Total 199 192 96 180 90 67 35
(1) Enterobactérias: 48 E. coli; 8 P. mirabilis; 8 Klebsiella spp; 4 outros; 9 ESBL (CTX-M2; SHV5).
(2) 47 E. faecalis; 1 E. faecium.
(3) Anaeróbios Gram-positivos: 10 Clostridium spp; 10 Streptococcus anginosus-constellatus, só cresceram em anaerobiose; 10 Peptostreptococcus spp
(4) Anaeróbios Gram-negativos: 10 Bacteroides fragilis; 8 B. não fragilis; 6 Porphyromonas spp, Prevotella spp; 2 Eubacterium spp
(5) 8 P. aeruginosa (uma cepa VIM-2); 8 Acinetobacter spp; 1 S. maltophilia.
(6) 2 MRSA e 2 MSSA.
Grupos de espécies (2) Cepas Pacientes Meropenem Piperacilina/tazobactam Cefepima
Sensibilidade a
Tabela 4. Infecções de pele e tecidos moles (pacientes n = 62; cepas isoladas n = 123).
n % n % n % n % n %
S. aureus (2) 48 39 48 80 38 95 38 95 38 95
Anaerobios Gram-positivos 20 16 16 26 20 100 20 100 0 –
S. pyogenes 18 15 18 29 18 100 18 100 18 100
Enterobacteriaceae (3) 18 13 16 26 18 100 13 72 13 72
Anaeróbios Gram-negativos 8 7 8 13 8 100 8 100 0 –
BGNNF 8 7 8 13 5 63 3 38 3 38
Enterococcus spp (4) 3 2 2 3 3 100 3 100 0 –
Total 123 – – – 110 89 103 84 72 59
(1) Não foram incluídos Staphylococcus coagulase negativos nem Streptococcus viridans (prováveis contaminantes da pele).
(2) 38 MSSA e 10 MRSA.
(3) 6 E. coli; 6 P. mirabilis; 4 Klebsiella spp; 2 outros. Produtores de ESBL: 5 (28%).
(4) E. faecalis.
Grupos de espécies (1) Cepas Pacientes Meropenem Piperacilina/tazobactam Cefepima
Sensibilidade a
Tabela 2. Pneumonia associada à ventilação mecânica (pacientes n = 40; cepas isoladas n = 43). (1)
n % n % n % n % n %
S. pneumoniae 19 44 19 48 19 100 19 100 19 100
BGNNF (3) 10 23 10 40 8 80 4 40 3 30
Enterobacteriaceae (4) 4 9 4 10 4 100 2 50 1 25
S. aureus (5) 4 9 4 10 2 50 2 50 2 50
Haemophilus spp (6) 3 7 3 8 3 100 3 100 3 100
M. catarrhalis 2 5 2 5 2 100 2 100 2 100
E. faecalis 1 2 1 3 1 100 1 100 0 0
Total 43 39 33 30
(1) Inclui primeira pneumonia e pneumonias tardias. Não foram incluídas pneumonias aspirativas.
(2) Não foram tabulados 2 casos com PCR positiva para Chlamydiophila pneumoniae.
(3) BGNNF: 3 P. aeruginosa e 1 complexo Acinetobacter baumannii/A. calcoaceticus
(4) K. pneumoniae: 2 betalactamases de espectro estendido (ESBL) e 1 Enterobacter cloacae (ampC desreprimida)
(5) Staphylococcus: 2 MRSA e 2 S. aureus sensíveis à meticilina (MSSA)
(6) Haemophilus spp: 2 H. influenzae e 1 H. parainfluenzae (todas as betalactamases negativas).
Grupos de espécies (2) Cepas Pacientes Meropenem Piperacilina/tazobactam Cefepima
Sensibilidade a
Critical Connections em português8 Julho 2006
nal e pneumonia associada à ventilação mecânica. Em
infecções de pele e tecidos moles, a taxa de efetividade é de
76%, devido à presença de MRSA. Piperacilina/tazobactam
e cefepima apresentam taxas de efetividade inferiores a
75% em todos os casos. A baixa atividade da cefepima na
sepse intra-abdominal é devida à não-cobertura de anaeró-
bios; se combinada a metronidazol, a efetividade sobe a
60% (Tabela 5).
Conclusões
Os carbapenêmicos, em especial o meropenem, apresentam efe-
tividade muito elevada quando empregados como monoterapia
em casos de pneumonia associada à ventilação mecânica, sepse
intra-abdominal e infecções de pele e tecidos moles. O merope-
nem demonstrou superioridade frente a piperacilina/tazobactam
e cefepima. Porém, deve-se levar em conta a baixa sensibilidade
do MRSA, caso haja suspeitas de sua presença.
Tabela 5. Efetividade clínica projetada dos achados in vitro por paciente.
Sepse intra-abdominal (SIA) 54/60 90 43/60 72 8/60 13*
Pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) 36/39 92 30/39 77 27/39 69
Infecções de pele e tecidos moles (IPTM) 47/62 76 44/62 71 32/62 52
* Em associação com metronidazol 36/60: 60%
Meropenem Piperacilina/tazobactam Cefepima
n % n % n %
Significância:
Meropenem vs. Piperacilina/tazobactam
SIA: P = 0,23*
PAVM: P = 0,129
IPTM: P = 0,669
Meropenem vs. Cefepime
SIA: P = 0,000*
PAVM: P = 0,023*
IPTM: P = 0,009*
Piperacilina/tazobactam vs. Cefepime
SIA: P = 0,000*
PAVM: P = 0,589
IPTM: P = 0,047*
* Existem diferenças significativas entre as proporções comparadas
Critical Connections em português Julho 2006 9
Manejo empírico das infecções na unidade de terapia
intensiva: a perspectiva do intensivista
Dr. Edgar Jiménez
Tesoureiro, World Federation of Societies of Intensive Critical Care Medicine
Diretor, Unidade de Terapia Intensiva, Orlando Regional Medical Center.
Professor Associado de Medicina Crítica e Medicina Interna, Universidade da Flórida.
Society of Critical Care Medicine (SCCM), Orlando, Flórida, EUA.
Resumo
O tratamento empírico adequado das infecções na unidade de
terapia intensiva (UTI) requer a avaliação correta dos fatores
de risco distintos do paciente e das realidades locais, que con-
dicionam o tratamento. As diretrizes acordadas em consenso
são fundamentais para se desenvolver tratamentos apoiados
por evidências.
Entre as infecções na UTI, a pneumonia intra-hospitalar e
suas variantes, a pneumonia associada à ventilação mecânica
e a pneumonia associada a cuidados médicos, ocupam lugares
de destaque, por suas freqüências.
Para o tratamento empírico inicial do paciente grave, deve-
se considerar: o início da infecção (inicial ou tardia), os fato-
res de risco do paciente, os microorganismos locais prevalen-
tes e as possíveis resistências. O tratamento inicial deve ser
uma cobertura ampla contra os possíveis patógenos envolvi-
dos. Entretanto, é necessário assumir o compromisso de redu-
zir o espectro, de acordo com os resultados microbiológicos e
com a avaliação clínica. Desta forma, passa-se então a um tra-
tamento específico, para se evitar principalmente a superutili-
zação de antibióticos, o que gera o aparecimento de resistên-
cias. Na escolha dos antimicrobianos, deve-se optar por aque-
les que geram menor seleção de cepas resistentes.
Introdução
Em 2005, a Sociedade Americana do Tórax (ATS) e a
Sociedade de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos
(IDSA) publicaram um documento sobre o tratamento de
adultos com pneumonias intra-hospitalares (PIH) associadas a
ventilação mecânica ou a tratamento médico.1
Este documen-
to é importante pela alta freqüência de pneumonia entra as
infecções em unidades de terapia intensiva (UTI).
O guia recomenda tratar o pacientes com antibióticos ade-
quados – precocemente e em doses adequadas – , evitar a
superutilização de antimicrobianos, por meio da redução de
espectro – segundo dados microbiológicos e clínicos – e ajus-
tar o tratamento a um mínimo efetivo. Também se destacam
como objetivos a classificação dos pacientes segundo o risco
de infecções por patógenos multirresistentes e a definição de
um novo grupo com pneumonia associada a tratamentos
médicos (PATM) , que inclui a PIH. A PIH é a que ocorre den-
tro de 48 horas pós-internação, e que não estava em incubação
no início da internação.
Epidemiologia das PIH
A PIH é a segunda infecção hospitalar mais freqüente nos
Estados Unidos: 5 a 10 casos a cada 1.000 internações; seu
aparecimento aumenta o tempo de internação em 7 a 9 dias
por paciente. Além das enfermidades associadas, aumenta sig-
nificativamente os gastos com saúde em mais de 40.000 dóla-
res por paciente. As PIH representam 25% das infecções em
UTI e 50% do uso de antibióticos. Apresenta altos índices de
mortalidade: 33-59%.
A pneumonia associada a ventilação mecânica (PAVM)
ocorre em 9 a 27% dos pacientes intubados. O risco por dia é
de 3% nos primeiros cinco dias, 2% entre 5 e 10 dias, e de 1%
após o décimo dia. Cinqüenta por cento aparecem nos primei-
ros quatro dias. São divididas em precoces e tardias. As
PAVM precoces ocorrem nos primeiros quatro dias, têm me-
lhor prognóstico e, muito provavelmente, são causadas por
microorganismos sensíveis aos antibióticos. As tardias ocor-
rem após cinco dias de intubação, são causadas por microor-
ganismos multirresistentes e têm alta mortalidade.
Existem fatores de risco que predispõem a infecções com
patógenos multirresistentes. Isto é importante ao decidir o tra-
tamento empírico, mais do que a classificação entre precoces
e tardias.
ADRO
Fatores de risco para patógenos multi-resistentes na PIH,
PAVM e PATM:
Tratamento com antibióticos nos três meses anteriores.
Internação maior que 5 dias.
Alta incidência de resistência a antibióticos na comunida-
de ou na unidade específica do hospital.
Doença ou tratamento imunossupressor.
As PIH, PAVM ou as PATM podem ser causadas por mui-
tas bactérias diferentes. Os patógenos mais freqüentes são os
A PATM pode aparecer quando há exposição a patógenos não habi-
tuais, por alguma das seguintes circunstâncias:
• Paciente internado em um hospital de agudos por mais de dois
dias, nos três meses anteriores à infecção.
• Paciente que mora em asilos ou centro de tratamento para doentes
crônicos.
• Pacientes em hemodiálise.
• Paciente que recebeu antibióticos intravenosos (IV), quimioterapia
ou cuidado de ferimentos nos 30 dias anteriores.
Fatores de risco para patógenos multirresistentes em PIH, PAVM e
PATM:
• Tratamento com antibióticos durante os três meses anteriores.
• Hospitalização maior que 5 dias.
• Alta incidência de resistência a antibióticos na comunidade ou na
unidade específica do hospital.
• Enfermedade ou tratamento inmunossupressor.
• Fatores de risco para PATM.
Critical Connections em português10 Julho 2006
aeróbios Gram-negativos (Klebsiella pneumoniae,
Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli, Acinetobacter sp,
Serratia marcescens) e Gram-positivos (Staphylococcus
aureus, especialmente resistentes a meticilina – MRSA – ,
Streptococcus pneumoniae). A etiologia pode também ser
polimicrobiana.
Segundo dados do Orlando Regional Medical Center
(ORMC), a incidência de microorganismos em infecções em
UTI, em abril de 2005, foi de 19% para MRSA, 18% para
Staphylococcus aureus sensíveis a meticilina (MSSA), 14%
para Pseudomonas, e 11% de resultados negativos.
Devem-se conhecer, em cada comunidade, os microorga-
nismos prevalentes e suas resistências, para se ajustar as dire-
trizes de tratamento às circunstâncias regionais. Devem-se
também estabelecer estratégias preventivas de acordo com as
realidades locais e particulares a cada paciente. Em geral,
aconselha-se evitar o quanto possível as intubações, elevar a
cabeceira da cama a 30o
a 45o
, alimentação enteral pós-pilóri-
ca e controle rigoroso da glicemia.
Diagnóstico
Deve-se suspeitar do diagnóstico de pneumonia diante da
associação de febre, catarro purulento, leucocitose e piora da
oxigenação, juntamente com infiltrado radiológico novo ou
progressivo. A ausência de um patógeno multirresistente no
trato respiratório inferior nos pacientes intubados – sem troca
de antibiótico nas últimas 72 horas – indica que a etiologia
não é de um microorganismo resistente. Isto se deve ao fato
de que a depuração dos patógenos é muito lenta. Nesses
casos, preconiza-se a redução de espectro do tratamento anti-
bacteriano. Um aspirado traqueal negativo (sem bactérias ou
células inflamatórias) em pacientes sem mudanças de antibió-
ticos recentes, tem um valor preditivo negativo de 94% para
PAVM; é aconselhável investigar outras causas para a febre.2
Vários estudos demonstraram que o atraso no uso de anti-
bióticos adequados na PIH se associa a uma maior mortalida-
de.3-5
A estratégia clínica é iniciar um tratamento precoce com
antibióticos de amplo espectro, limitar a terapia a 2-3 dias e
controlar os resultados com as culturas. Entretanto, estas con-
dutas apresentam a limitação de serem extremamente sensí-
veis, com maior utilização de antibióticos, e emprego destes
em processos não infecciosos resultantes de achados clínicos
(atelectasias, insuficiência cardíaca, tromboembolismo pul-
monar, etc.)6
.
A estratégia bacteriológica compreende culturas quantitati-
vas das secreções respiratórias baixas para se definir a pre-
sença de pneumonia e sua etiologia. Os benefícios são a
menor utilização de antibióticos e uso de agentes de espectro
limitado. Os problemas são os pacientes tratados previamente
com antibióticos, pelas culturas falso-negativas, e conseqüen-
tes falhas nos tratamentos adequados. Outro inconveniente é o
tempo de obtenção dos resultados microbiológicos, não é bom
atrasar a terapia.
A estratégia terapêutica ideal deve ter por objetivo a utili-
zação empírica, precoce, de antibióticos de amplo espectro
– avaliando todas as circunstâncias do paciente e da região –
com o compromisso de reduzir o espectro, de acordo com os
dados clínicos e microbiológicos. Desta forma, espera-se dimi-
nuir o aparecimento de resistências bacterianas (Figura 1).1
Antibioticoterapia das PIH
No tratamento das PIH, deve ser considerado o início precoce
ou tardio da PIH, e os fatores de risco para patógenos multir-
resistentes.1
Segundo as recomendações da ATS/IDSA, nas PIH ou
PAVM precoces com baixo risco de multirresistência, os pató-
genos potenciais são S.pneumoniae, H.influenzae, MSSA e
bacilos sensíveis Gram-negativos. Nestes casos, é aconselhada
a terapia empírica com ceftriaxona ou levofloxacina, moxiflo-
xacina ou ciprofloxacina ou ampicilina/sulbactam ou ertape-
nem.
Nas PIH, PAVM e PATM tardias, com alto risco de multir-
resistência, os patógenos que devem cobrir a terapia empírica
são, além dos anteriores, P.aeruginosa, K.pneumoniae (beta-
lactamases de espectro expandido [ESBL]+), Acinetobacter
sp. É necessário administrar antibióticos ou combinações ati-
vas contra esses microorganismos (Figura 2).1
No ORMC, os pacientes com PIH precoces e de baixo
risco recebem um tratamento antibacteriano mais completo
pela freqüência de resistência registrada na região. Pelos pro-
blemas com ESBL, S.pneumoniae e prevalência de aproxima-
damente 60% de MRSA na comunidade, o esquema empírico
compreende cefalosporinas antipseudomonas (cefepima, cef-
tazidima) ou carbapenêmicos antipseudomonas (meropenem,
imipenem) ou betalactâmico/inibidor (piperacilina/tazobac-
tam), mais fluoroquinolona ou aminoglicosídeo + linezolida
ou vancomicina, por causa da resistência à meticilina.
No ORMC, o padrão de sensibilidade para S. pneumoniae
indica boa atividade de levofloxacina; para P. aeruginosa, há
uma resposta muito boa à amicacina e tobramicina, mas pro-
blemas graves com ciprofloxacina (resistência ao redor de
40%).
Para pacientes com antibioticoterapia recente, é recomen-
dada terapia empírica com antimicrobianos de classes dife-
rentes. O tratamento recente aumenta a probabilidade deFigura 1. Algoritmo de tratamento de PIH, PAVM e PATM.
Critical Connections em português Julho 2006 11
cobertura inadequada, podendo predispor à resistência ao
mesmo tipo de antibiótico.
A ATS/IDSA recomenda as seguintes doses de antibióticos
para PIH de início tardio ou com fatores de risco para patóge-
nos multirresistentes (Figura 3).1
Os antibióticos em aerossol são utilizados contra patóge-
nos multirresistentes que não respondem à terapia sistêmica;
aumentam a penetração do antimicrobiano nas vias respirató-
rias inferiores. Há uma maior erradicação microbiológica,
mas não uma melhora no prognóstico. O efeito colateral é o
broncoespasmo.
A terapia combinada é freqüente no tratamento da PIH com
suspeita de microorganismos Gram-negativos, buscando a
sinergia contra P.aeruginosa. Entretanto, a sinergia só é relata-
da in vitro e em pacientes com neutropenia ou bacteremia. É
difícil demonstrar a importância clínica do sinergismo. Na ver-
dade, a terapia combinada inicial para se tratar de uma possí-
vel infecção por Pseudomonas não é pela sinergia, e sim para
ampliar a cobertura. Alguns dados sugerem mudar para mono-
terapia se houver melhora e comprovação microbiológica.
Em um estudo multicêntrico, randômico e controlado, os
pacientes com PAVM que receberam tratamento adequado por
oito dias tiveram uma evolução semelhante aos tratados
durante 14 dias.7
As terapias prolongadas favorecem a coloni-
zação por patógenos multirresistentes. Em situações espe-
ciais, como septicemias ou infecções por Pseudomonas ou
Acinetobacter, o tratamento de 14 dias previne recorrências.
Em outros casos, convém limitar a oito dias o tratamento,
sempre levando em consideração a evolução clínica.
Conhecendo os resultados microbiológicos, a redução de
espectro ajuda a prevenir resistências, reduz o uso de antibió-
ticos inadequados, diminui possíveis reações alérgicas e reduz
custos médicos.
Regimes especiais
Pseudomonas: não há dados de que a terapia combinada me-
lhore a evolução, mas com a monoterapia há taxas de 30 a
40% de desenvolvimento de resistência. A terapia combinada
diminuiu efetivamente a mortalidade de pacientes com bacte-
remia.
Acinetobacter: tem resistência natural a muitos antibióti-
cos, sendo eficazes carbapenêmicos, sulbactam e polimixinas.
A susceptibilidade a aminoglicosídeos varia e sua penetração
é controversa.
Patógenos com ESBL: as cefalosporinas de terceira geração
são inúteis e se discutem as de quarta geração. A eficácia da
piperacilina/tazobactam também é incerta. Os carbapenêmicos
têm os melhores resultados. Não há dados sobre combinações.
MRSA: O fracasso supera 40% com a vancomicina. Estu-
dos farmacocinéticos sugerem que isto se deve a dosagem ina-
dequada. A linezolida, por sua vez, que tem grande penetração
no epitélio pulmonar, demonstrou equivalência com a vanco-
micina na PIH. Além disso, é o tratamento de escolha para
pacientes com função renal alterada ou tratados simultanea-
mente com drogas nefrotóxicas.
Resposta terapêutica
Habitualmente, há melhora clínica logo após 48-72 horas de
tratamento. Recomenda-se manter o regime empírico por esse
período, a menos que haja deterioração. Em seguida à identi-
ficação microbiológica, faz-se a redução de espectro máxima
no tratamento.
A radiografia tem valor limitado para definir a melhora. Os
parâmetros de evolução clínica são recontagem de leucócitos,
curva febril e oxigenação. É importante detectar condições
não infecciosas (atelectasias, insuficiência cardíaca, trombo-
embolismo pulmonar, contusão pulmonar, pneumonite quími-
ca) e outros processos infecciosos.
Existem várias causas possíveis de má evolução: diagnós-
tico errôneo (não se trata de pneumonia), terapia inadequada
para um microorganismo (patógeno resistente à terapia: bac-
téria multirresistente, micobactéria, vírus, fungo) e outros
Figura 2. Antibióticos empíricos em PIH, PAVM e PATM tardias e de alto risco para
multirresistência.
Patógenos potenciais Antibiótico recomendado
S. pneumoniae Cefalosporina antipseudomonas
(cefepima, ceftazidima)
H. Influenzae ou
Carbapenem antipseudomonas
MSSA (meropenem ou imipenem)
Bacilos Gram-negativos sensíveis ou
Betalactâmico/Inibidor
E. coli (piperacilina/tazobactam)
K. pneumoniae mais
Proteus sp. Serratia marcescens
Serratia marcescens Fluoroquinolona antipseudomonas
Pseudomonas aeruginosa (Ciprofloxacina ou Levofloxacina)
Aminoglicosídeo (amicacina,
K. pneumoniae (ESBL+) gentamicina, tobramicina)
Acinetobacter sp. mais
MRSA Linezolida ou vancomicina
Figura 3. Doses iniciais de antibióticos empíricos na PIH, PAVM e PATM tardias e
com alto risco para multirresistência.
Antibiótico Dose
Cefalosporina antipseudomonas
Cefepima 1-2 g a cada 8-12 h
Ceftazidima 2 g a cada 8 h
Carbapenem
Meropenem 500-1.000 mg a cada 6-8 h
Imipenem 500 mg a cada 6 h ou 1 g a cada 8 h
Betalactâmico/Inibidor
Piperacilina/tazobactam 4,5 g a cada 6 h
Aminoglicosídeo
Gentamicina 7 mg/kg/dia (<1 mcg/ml)
Tobramicina 7 mg/kg/dia (<1 mcg/ml)
Amicacina 20 mg/kg/dia (4-5 mcg/ml)
Fluoroquinolona antipseudomonas
Levofloxacina 750 mg/dia
Ciprofloxacina 400 mg a cada 8 h
Vancomicina 15 mg/kg a cada 12 h (15-20 mcg/ml)
Linezolida 600 mg a cada 12 h
Critical Connections em português12 Julho 2006
fatores do hóspede (empiema, abscesso pulmonar, infecção
oculta, febre medicamentosa).
Conclusões
Entre as infecções de UTI, a pneumonia se destaca por sua
incidência e por sua alta taxa de mortalidade. O tratamento
empírico inicial deve ser precoce e adequado; isto é funda-
mental para o prognóstico e a evolução. Para a escolha inicial
do antibiótico, é necessário considerar circunstâncias próprias
do paciente, como o momento de início da infecção, antece-
dentes, estado clínico e fatores de risco para resistências.
Além do mais, é vital conhecer a prevalência local de micro-
organismos e possíveis resistências. A avaliação de tudo isso
determina que o tratamento empírico é o adequado.
Logo após a documentação microbiológica, deve-se reali-
zar a redução de espectro: adequação específica do tratamen-
to aos patógenos envolvidos, de acordo com sua sensibilida-
de. Este manejo otimiza o uso de antimicrobianos, com eco-
nomia de recursos econômicos e diminuição da seleção de
microorganismos multirresistentes.
De modo geral, a duração da terapia específica deve ser de
oito dias; não há relatos de benefícios clínicos com regimes mais
prolongados, embora seja necessário considerar as situações e
patógenos especiais. Limitar a terapia é um manejo que também
tende a evitar o aparecimento de resistências futuras.
Perspectivas
O aparecimento das glicilciclinas (antibióticos derivados das
tetraciclinas), como a tigeciclina, proporcionará novas opções
de tratamento das infecções. Tigeciclina, recentemente apro-
vada pelo Food and Drug Admnistration (FDA), parece ter
uma atividade sobre uma ampla gama de patógenos como
MRSA, S. pneumoniae multirresistente e enterococos resis-
tentes a vancomicina.8,9
Será interessante para o tratamento de
infecções complicadas de pele e tecidos moles, e na PIH.
O surgimento de uma nova determinação por imunotrans-
ferência, de um marcador confiável de infecções, a forma solú-
vel do receptor disparador expresso em células mielóides-1
(Soluble form of the Triggering Receptor Expressed on Myeloid
cells-1 - STREM-1), poderá ter um importante valor clínico,
particularmente na sepse e pneumonia. O STREM-1 é um
receptor solúvel expresso sobre as células mielóides, membro da
superfamília de imunoglobulinas. Sua expressão sobre as célu-
las fagocíticas é regulada pela presença de bactérias e fungos.10
A determinação deste receptor oferece um valor preditivo muito
alto. É obtido por lavado broncoalveolar, e quando é positivo há
grande probabilidade de que o paciente esteja com PIH. Esta
técnica poderia ser especialmente útil nos pacientes em que é
difícil se estabelecer pela clínica se há infecção, e poderia ajudar
no uso mais discriminado e restrito dos antibióticos.
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Critical Connections em português Julho 2006 13
Controvérsias sobre o tratamento empírico das infecções
em unidades de terapia intensiva
Prof. Juan J. Picazo
Presidente, Fundação para o Estudo da Infecção (FEI), Faculdade de Medicina, Universidade Complutense de Madri.
Catedrático de Microbiologia Clínica, Universidade Complutense de Madri, Madri, Espanha.
Resumo
As infecções em unidades de terapia intensiva (UTIs) são um
problema importante da prática médica. A estada em UTIs,
particularmente pelo uso de antibióticos, é acompanhada de
uma probabilidade crescente de infecção hospitalar, com con-
seqüente aumento da mortalidade.
O tratamento antimicrobiano adequado requer a avaliação
do paciente e de seus antecedentes (riscos e possibilidade de
resistências). É relevante avaliar o quadro clínico, obter amos-
tras adequadas, conhecer os patógenos potencialmente envolvi-
dos e considerar as resistências locais. Inicialmente, deve-se
introduzir um tratamento empírico de cobertura e com os resul-
tados microbiológicos, iniciar o ajuste, adequando o tratamen-
to para evitar seleção de cepas resistentes e diminuir o custo.
Impacto das resistências
O aumento das resistências cria diversas inconveniências,
incluindo a utilização de antimicrobianos mais tóxicos, que em
muitos casos têm menor eficácia e aumentam os custos.
Nem todos os antibióticos se portam da mesma maneira ao
produzir resistências. As cefalosporinas de segunda e terceira
gerações e o aztreonam induzem a produção de betalactama-
ses de espectro ampliado (ESBL), mais do que outros antibió-
ticos (Figura 1).1
Uma metanálise sobre o impacto do Staphylococcus
aureus resistente à meticilina (MRSA) concluiu que a bacte-
remia por MRSA está associada a taxas de mortalidade signi-
ficantemente maiores que a produzida pelo Staphylococcus
aureus sensível à meticilina (MSSA).2
Em um trabalho de
Gonzalez et al., a mortalidade de pacientes com pneumonia
por MSSA foi superior quando tratados com vancomicina do
que quando se indicou cloxacilina (47% vs. 0; P <0,01). O uso
das alternativas terapêuticas em caso de resistências incre-
menta a mortalidade.3
A repercussão da resistência a antibióticos em microorga-
nismos ESBL+ é importante. Paterson et al. observaram
100% de fracasso terapêutico quando o paciente recebeu cefa-
losporinas com concentração inibitória mínima (CIM) inter-
mediária (> 8mcg/ml) e 54% quando recebeu cefalosporinas
com CIM sensível (≤ 8mcg/ml). É clinicamente importante
detectar a produção de ESBL+ por Klebsiella pneumoniae ou
Escherichia coli, mesmo CIM de cefalosporina estiver na
faixa de sensibilidade, e lembrar que os microorganismos
ESBL+ são resistentes ao aztreonam e a todas as cefalospori-
nas (exceto às cefamicinas).4
Na bacteremia por K. pneumo-
niae ESBL+, quando o antibiótico indicado não for ativo, a
taxa de mortalidade atinge 63,6%. Os carbapenêmicos foram
associados a menor mortalidade em 14 dias de tratamento
quando comparados a outros antibióticos ativos in vitro.
Ademais, a administração de um carbapenêmico durante os
cinco dias posteriores ao início de bacteremia por bactérias
ESBL+ relacionou-se independentemente com menor morta-
lidade.5
O mecanismo mais relevante de resistência das enterobac-
térias às cefalosporinas são as ESBL. Porém, a K. pneumo-
niae produz duas porinas de membrana; quando estas estão
ausentes (cepas P-), aumenta a resistência às cefalosporinas e
a outros antibióticos betalactâmicos; os mecanismos somam-
se.6
E. coli, Enterococcus aerogenes e outros microorganis-
mos exibem o mesmo fenômeno.
A Pseudomonas aeruginosa também tem altos índices de
resistência antimicrobiana. Na América Latina, seu perfil de
sensibilidade é preocupante. Dados do programa SENTRY
indicam 66% de sensibilidade à ceftazidima e 80% ao mero-
penem (o antibiótico de melhor atividade no SENTRY).7
A resistência causa pior evolução das infecções, com maior
período de internação e cuidados, e aumento de custos.
Cosgrove et al. observaram que a resistência da Enterobacter
sp. a cefalosporinas de terceira geração foi um fator prognós-
tico de mortalidade, com aumento dos riscos relativos (RR)
de mortalidade (RR: 5,02; P = 0,01), tempo de hospitalização
(RR:1,47; P < 0,001) e custos (RR:1,51; P < 0,001).8
Figura 1. Resistências (ESBL) em bacteremia por K. pneumoniae. Relação com o
uso de antimicrobianos (14 dias anteriores).
PRODUÇÃO DE ESBL:
Bacteremia nosocomial: 30,8%
Infecções em UTI: 43,5%
Risco relativo
Penicilinas 0,82
Cefalosporina 1ª geração 0,92
Cefuroxima 2,55
Ceftriaxona 3,31
Ceftazidima 2,26
Cefalosporina 4ª geração 1,63
Aztreonam 3,27
Carbapanêmicos 1,15
Critical Connections em português14 Julho 2006
Em infecções por MRSA, também aumentam a taxa de
mortalidade e os custos em comparação com MSSA. Segundo
um estudo, a carga econômica média para o hospital em
infecção cirúrgica foi de US$ 29.455 em pacientes controle,
US$ 52.791 em infectados por MSSA e US$ 92.363,00 em
infecções por MRSA.9
Tratamento Adequado
Escolha do antimicrobiano
A escolha do antimicrobiano é um ponto-chave que condicio-
na em grande parte a evolução do paciente. A mortalidade
aumenta significativamente com antibioticoterapia inicial ina-
dequada. Ibrahim et al. observaram que a taxa de mortalidade
hospitalar de pacientes septicêmicos que receberam antibioti-
coterapia inicial inadequada foi estatisticamente maior que a
verificada em pacientes com terapia adequada (61,9% vs
28,4%, respectivamente). A análise multivariada demonstrou
que a antibioticoterapia inadequada foi o fator de risco mais
importante para mortalidade hospitalar (razão de probabilida-
de [odds ratio, OR] ajustada: 6,86; IC 95%; P < 0,001).10
Em
pacientes internados em UTI, este também é o fator determi-
nante independente mais importante para mortalidade.
Ademais, há mais probabilidade de tratamento inadequado
quando o paciente tiver recebido antibióticos previamente.11
Vários estudos demonstram que o tempo de internação e
de UTI aumentam quando a terapia empírica é inadequada,
com aumento proporcional de custos. O tempo de hospitali-
zação médio também foi mais prolongado em pacientes trata-
dos com terapia empírica inadequada (55,9 dias), em compa-
ração com pacientes que receberam antibioticoterapia inicial
adequada (40,8 dias).12
Precocidade do tratamento
O tratamento antibiótico deve ser oportuno e muito precoce,
já que a mortalidade por pneumonia adquirida na comunida-
de é maior se o tratamento é retardado. A administração de
antibióticos nas primeiras quatro horas de entrada no hospital
está relacionada a menor mortalidade e tempo de internação.13
Na pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM), a
mortalidade com tratamento precoce é de 10,8% e de 39,4%
quando retardado.14
Se a antibioticoterapia inicial não é adequada por cobertu-
ra insuficiente, a mortalidade aumenta notavelmente, ainda
que se corrija o tratamento. A modificação da terapia inicial
segundo a sensibilidade antimicrobiana gera pior prognóstico
do que quando é apropriada desde o início (Figura 2).15
Com introdução muito precoce de antibioticoterapia adequa-
da (antes do lavado broncoalveolar), a mortalidade se reduz, em
comparação com casos de terapia inadequada ou ausente.
Quando se troca o antibiótico inadequado com base nos resulta-
dos do lavado broncoalveolar, a mortalidade é comparável à de
pacientes que continuam com tratamento inadequado.16
Duração do tratamento
Não há diferença na evolução do quadro infeccioso em
relação à duração do tratamento (oito ou 14 dias). Porém, há
diferença no surgimento de resistências. Quando a antibioti-
coterapia é mais prolongada, aumentam as recorrências por
patógenos multirresistentes. Em pacientes com infecções
recorrentes, estes patógenos são menos freqüentes quando a
terapia anterior durou oito dias (42,1%) do que com 15 dias
de tratamento (62%).17
Entre os pacientes que recebem terapia
empírica inicial adequada (exceto em infecções por bacilos
Gram-negativos não fermentadores), a eficácia clínica na
PAVM é semelhante em regimes de oito e 15 dias. Outra van-
tagem da terapia curta é o menor consumo de antibióticos.
A terapia de oito dias parece suficiente e conveniente para
a maioria das infecções, mas alguns patógenos requerem
maior duração, como P. aeruginosa. Em um trabalho que ava-
lia a eliminação de microorganismos endotraqueais ao longo
do tempo, Haemophilus influenzae e S. pneumoniae são erra-
dicados rapidamente, enquanto S. aureus, enterobactérias e P.
aeruginosa, embora sensíveis aos antibióticos administrados,
persistem por mais tempo.18
Após 15 dias de tratamento com
antibióticos ativos, percebe-se, no aspirado traqueal, dimi-
nuição na proporção de enterobactérias, mas não há alterações
na P. aeruginosa. A resposta clínica na PAVM ocorre nos seis
primeiros dias; apesar disto, a colonização endotraqueal com
bactérias Gram-negativas persiste, mesmo sendo estas suscep-
tíveis. A colonização acontece na segunda semana e precede
episódios de recorrência. Portanto, a infecção por P. aerugino-
sa requer tratamento mais prolongado.
Monoterapia vs. terapia combinada
Segundo uma recente metanálise,19
a mortalidade por todas as
causas e as falhas clínicas não mostram diferença entre mono-
terapia e combinação (com leve vantagem para a monotera-
pia). Os fracassos bacteriológicos e o risco relativo de
resistências favorecem a monoterapia; porém, na infecção
fúngica, a terapia combinada apresenta vantagens. Os efeitos
adversos, especialmente a nefrotoxicidade, aumentam signifi-
cantemente com a terapia combinada. A combinação amino-
0
10
20
30
40
RR: 3,18%
RR: 2,46%
RR: 1,00%
Figura 2. Bacteremia e fungemia: mortalidade associada à terapia antimicrobiana.
A correção do tratamento após a avaliação de sensibilidade leva a pior prognósti-
co quando comparada a tratamento inicial apropriado. Mortalidade relacionada:
17,5%.
Tratamento
empírico inicial
%demortalidade
Pós cultura Pós antibiograma
Critical Connections em português Julho 2006 15
glicosídeo/beta-lactâmico para tratamento de sepse é desa-
conselhada. Na septicemia por P. aeruginosa, há maior mor-
talidade com monoterapia como tratamento empírico.20
Uso prévio de antimicrobianos
A exposição prévia a antimicrobianos condiciona o tratamen-
to posterior porque induz, por exemplo, infecção por E. coli e
K. pneumoniae ESBL+, e aumenta o uso de antibióticos, o
tempo de internação e os custos.21
É um fator a ser considera-
do ao indicar terapia empírica.
Na PAVM, a proporção de infecções por bactérias multirre-
sistentes aumenta significantemente caso tenha havido expo-
sição prévia a antibióticos. Este fenômeno tem maior relevân-
cia que o tempo de ventilação mecânica.22
Em pacientes com antibioticoterapia prévia, aparecem
grandes proporções de microorganismos que são menos fre-
qüentes em indivíduos sem exposição a antimicrobianos, tais
como P. aeruginosa, Acinetobacter baumannii e MRSA. Se,
além disto, a ventilação mecânica durar mais de sete dias,
aumenta a proporção destes patógenos e somam-se outros,
como Stenotrophomonas maltophilia.
A variável independente mais importante relacionada com
bactérias multirresistentes associada à ventilação mecânica é
a exposição prévia a antimicrobianos, em comparação ao
tempo prolongado de ventilação e ao uso de antibióticos de
amplo espectro.22
Conclusões
O tratamento empírico adequado deve considerar fatores
determinantes da evolução da infecção, como a exposição
prévia a antimicrobianos. Este dado é essencial, já que
aumenta a possibilidade de que a infecção seja produzida por
patógenos multirresistentes.
Ao implementar o tratamento empírico, conhecer os
microorganismos prevalentes e as resistências locais colabora
com a escolha da terapia antimicrobiana adequada, que deve
ser muito precoce e de ampla cobertura. Estas medidas redu-
zem a mortalidade dos pacientes com infecções e geram bene-
fícios adicionais nos custos.
A coleta de amostras é outra das circunstâncias que não se
pode desconsiderar: é fundamental para comprovar a infecção,
e, posteriormente, interromper o tratamento. Desta maneira, a
terapia é focalizada de acordo com a sensibilidade, para otimi-
zar o uso de antibióticos e diminuir os custos (Figura 3).
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Figura 3. Manejo adequado do tratamento antimicrobiano.
1. Avaliar o paciente e seus antecedentes
–Risco (resposta imune)
–Resistências
Estada prévia em hospital, residência
Uso prévio de antimicrobianos
2. Avaliar o quadro clínico atual
3. Coleta de amostras
4. Conhecer os possíveis patógenos envolvidos
5. Avaliar as resistências locais
6. Iniciar tratamento empírico de cobertura. Avaliar toxicidade.
–Protocolos gerais/locais
–Monoterapia vs. combinações
7. Corrigir o tratamento conforme os resultados
–Evitar a seleção de resistências
–Diminuir os custos
Critical Connections em português16 Julho 2006
Infecções graves na unidade de terapia intensiva pediátrica
Dr. Javier María Casellas
Infectologista. Pediatra, Divisão de Infectologia Pediátrica, Hospital Materno Infantil de San Isidro, Buenos Aires, Argentina.
Introdução
Muitas das considerações no momento de selecionar o trata-
mento empírico mais apropriado para infecções graves em
adultos e crianças são muito semelhantes, a saber: presença e
tipo do foco de infecção, gravidade, estado imunológico do
paciente, idade, aquisição na comunidade ou hospitalar.1-4
O diagnóstico e o manejo das infecções em pacientes inter-
nados na unidade de terapia intensiva (UTI) é um desafio, já
que até um terço dos pacientes que são internados apresentam
febre sem foco em algum momento da internação. Isto geral-
mente leva a um prolongamento da internação, solicitação de
múltiplos exames laboratoriais e, em certas ocasiões, uso ina-
dequado de antibióticos.5
Por outro lado, aproximadamente 20-30% dos pacientes
com sepse não apresentam foco clínico evidente. Esta
situação é agravada pelo fato de que a possibilidade de docu-
mentar as infecções na unidade de terapia intensiva pediátri-
ca (UTIP) nem sempre é uma tarefa fácil, já que apenas cerca
de 30% têm hemocultura positiva quando o foco não é endo-
vascular (bacteremia associada a cateteres venosos centrais).
O início tardio do tratamento antibiótico está relacionado a
um aumento da mortalidade associada a estas infecções,
motivo pelo qual seu tratamento precoce e adequado é funda-
mental.6-10
Fatores de risco, morbidade, mortalidade
As infecções hospitalares são um pouco mais freqüentes em
crianças que em adultos, caso sejam incluídas as infecções
virais.9
Nas UTIPs, as taxas de infecção variam entre 3-25%
(média 11%), fundamentalmente devido à heterogeneidade
das diferentes terapias.8-12
Entre os fatores de risco descritos
nas UTIPs, a freqüência de infecção é maior em menores de
24 meses, enfermidade preexistente grave, exposição prolon-
gada a procedimentos invasivos, antibioticoterapia prévia,
estada anterior em UTIs e imunossupressão.6,13-15
Focos de infecção e sua abordagem diagnóstica
Nas UTIPs, os focos mais importantes de infecção por
ordem de freqüência são: bacteremia, infecção do trato uri-
nário (ITU) e pneumonia. As bacteremias representam até
65% dos focos de infecção hospitalar, a pneumonia 5,6-
29% e a ITU 4-25%. Cada um dos focos de infecção se rela-
ciona geralmente com dispositivos invasivos. Os patógenos
mais freqüentes variam segundo o tipo de UTI (geral, car-
diovascular, neurocirúrgica, queimados, etc.), mas são des-
critos: Staphylococcus spp, Klebsiella spp, Pseudomonas
spp, E. coli, Enterobacter spp, Acinetobacter spp e Candida
sp.10,16-18
Tratamento empírico inicial
O tratamento das infecções graves nas UTIPs deve estar diri-
gido àqueles pacientes nos quais a gravidade clínica faz com
que a bacteremia seja altamente provável. Porém, devido ao
fato de que nem sempre os microorganismos responsáveis
por estas infecções são isolados nas hemoculturas, ressalta-se
a importância de culturas quantitativas de urina, ferimentos,
trato respiratório baixo e cateteres venosos centrais antes de
iniciar o tratamento empírico inicial (doravante referido
como TEI).5
O TEI deve ter ≥ 90% de atividade frente a patógenos
potenciais e baixa probabilidade de selecionar resistência e
durar no máximo 72 horas (reavaliar conforme a evolução clí-
nica e resultados de culturas) (Tabela 1). Posteriormente, ade-
quar o espectro de acordo com a espécie, sensibilidade, foco
e medicamentos disponíveis (custo, toxicidade, indução de
resistência). Na seleção do TEI em UTIPs, deve-se levar em
conta os seguintes fatores: idade, local e gravidade da
infecção, estado imunológico do paciente, local de aquisição
(padrão de susceptibilidade: previsibilidade da etiologia),
segurança, toxicidade, eficácia e coleta prévia e adequada de
culturas representativas. Lembrar que é necessário procurar
não transformar sistematicamente o TEI em tratamento defi-
nitivo.1,19-21
Experiência em nossa UTIP
Em nossa UTIP no Hospital de Niños de San Isidro, observa-
mos, em um corte recente, uma incidência de pneumonia
associada à ventilação mecânica (PAVM) de 9% (21/211 ven-
tilados em 12 meses de observação).
Na população avaliada, os agentes etiológicos repartiram-
se de maneira eqüitativa entre infecções virais, bacterianas e
mistas (viral + bacteriana). Em 50% dos casos o diagnóstico
foi feito após o início do tratamento clínico, recorreu-se ao
mini-LBA ou escovado broncoalveolar em 30% dos casos e,
quando não factível a realização de estudos quantitativos
(geralmente por instabilidade do paciente), utilizou-se o aspi-
rado traqueal (20%).
Os microorganismos prevalentes na PAVM de nossa
unidade são os bacilos Gram-negativos (60%). Entre eles,
os mais freqüentes são Pseudomonas aeruginosa, Entero-
bacter cloacae, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter bau-
mannii (pneumonias tardias) e Haemophylus influenzae
(pneumonias precoces), os mais encontrados nos mini-
BALs. Entre os cocos Gram-positivos, descrevem-se com
maior freqüência: Streptococcus pneumoniae, Streptococcus
sp. (pneumonia precoce) e Staphylococcus aureus (pneumo-
nia tardia).
Critical Connections em português Julho 2006 17
Em relação ao perfil de sensibilidade, P. aeruginosa apre-
senta 100% de susceptibilidade à ceftazidima, amicacina,
piperacilina/tazobactam. Quanto aos carbapenêmicos, detec-
tamos apenas 2 cepas resistentes desde 2001, ambas em
pacientes com fatores de risco para multirresistência antibió-
tica, devido ao que também apresentaram resistência à cipro-
floxacina.
As cepas de Enterobacter spp demonstram 100% de sensi-
bilidade a fluoroquinolonas, carbapenêmicos e amicacina.
Embora não tenham sido registrados casos de cepas desrepri-
midas, evitamos – por normas escritas – o uso prolongado ou
injustificado de cefalosporinas de terceira geração (ceftazidi-
ma, ceftriaxona), a fim de evitar que surjam cepas resistentes
de Enterobacter spp e/ou selecionar K. pneumoniae produto-
ras de betalactamases de espectro ampliado (ESBL) (apenas 2
casos desde 2001, ambos com fatores de risco).
A Acinetobacter baumannii é relativamente infreqüente em
nossa UTI, e mostra excelente sensibilidade a carbapenêmi-
cos, motivo pelo qual o tratamento dirigido a este microorga-
nismo é feito com este grupo de antibióticos.
Pelo que foi exposto, o TEI para a PAVM tardia (Tabela 1)
em nossa unidade pode iniciar-se com piperazina/tazobactam
associado à vancomicina; para a PAVM precoce, recomenda-
mos cefotaxima ± macrolídeo (menores de 6 e maiores de 60
meses). Recentemente (novembro/2004), tivemos um caso
fatal de pneumonia necrotizante por Staphylococcus aureus
resistente à meticilina adquirido na comunidade. Por esta
razão, a combinação com vancomicina está sendo considera-
da para pacientes com suspeita desta forma tão grave de
infecção.
Na UTIP, a adequada relação enfermeira/paciente é deter-
minante para evitar este tipo de infecções. Como medidas pre-
ventivas, deve-se evitar a sobrecarga do pessoal, realizar rigo-
rosamente a lavagem de mãos e implementar diretrizes de con-
duta obtidas por consenso entre formadores de opinião.1,19-21
Utilização de carbapenêmicos na UTIP
Como o tratamento das infecções graves na UTIP requer cer-
teza de que a cobertura antibiótica seja desde o início ampla e
adequada, recentemente foi proposta a política de “desescala-
da” (redução de espectro).7
Entre os grandes desafios no manejo destas infecções,
estão as produzidas por bacilos Gram-negativos com multir-
resistência antibiótica (produtores de ESBL, betalactamases
cromossômicas induzíveis tipo AmpC, etc.). Os carbapenêmi-
cos representam uma classe de antibióticos muito úteis para
tratar empiricamente este tipo de infecções, devido a seu
amplo espectro (aeróbicos e anaeróbicos) e estabilidade fren-
te à maioria das betalactamases.23
Os custos do tratamento destas infecções não apenas estão
relacionados ao valor do medicamento em si, mas também
com o tempo de internação de que o paciente necessitou até
sua melhora e/ou cura, a compatibilidade com outros fárma-
cos, sua toxicidade, necessidade de doses múltiplas diárias em
pacientes com muitas outras medicações intravenosas, volu-
me e tempo requeridos para sua infusão. Levando em conta
Tabela 1. Patógenos mais freqüentes e tratamento antibiótico de escolha para diferentes localizações de infecção
Foco Tipo Agentes etiológicos Não necessitam de cobertura Tratamento preferido
Prováveis
Abdominal
Gênito-urinário
Cateter venoso central
(CVC); outros sistemas
invasivos; ferida
cirúrgica
Pneumonia intra-hospitalar
em paciente ventilado
Sem foco aparente
Biliar
Íleo terminal, cólon,
fígado.
Bexiga
Rim
CVC
Drenagem LCR
Prótese
Feridas cirúrgicas
Precoce
Tardia
E. coli
Klebsiella spp
Enterococcus spp
Coliformes
B. fragilis
Coliformes
Enterococo (1)
P. aeruginosa
S. epidermidis
S. aureus
Klebsiella spp
Enterobacter spp
Outros BGN IH
H. influenzae
S. pneumoniae
MSSA
BGN não multirresistentes
Idem +
P. aeruginosa
BGN multirresistente
Acinetobacter
MRSA
S. aureus
B. fragilis
S. aureus
S. aureus
B. fragilis
Coliformes comuns
B. fragilis
Pseudomonas
MRSA adquiridos na
comunidade?
Piperacilina/tazobactam;
BLA/sulbactam; piperacilina + amicacina
Metronidazol + amicacina ou
piperacilina/tazobactam ou
BLA/sulbactam + amicacina ou meropenem
Amicacina ou
piperacilina/tazobactam
Vancomicina + amicacina ou meropenem (2) (Drenagem
de LCR vancomicina + ceftazidima)
Cefotaxima c/ ou s/ vancomicina
+ macrolídeo ou azalídeo
Vancomicina + meropenem (2)
ou piperacilina/tazobactam
ambos + amicacina
Vancomicina + amicacina
vancomicina + piperacilina/tazobactam ou meropenem
1. Caso sejam encontrados no exame direto cocos Gram-positivos em cadeia em uma cultura de urina, associar empiricamente ampicilina.
2. Em pediatria, recomenda-se o uso de meropenem (aprovado para meningites, menor toxicidade em pacientes com insuficiência renal ou convulsões, cada 8 h, mais ativo frente a BGN, estável
por 48 h sob refrigeração).
Abreviaturas:
BLA: Betalactâmicos; BGN: Bacilos Gram-negativos; CGP: Cocos Gram-positivos; CVC: Cateter venoso central; LCR: Líquido cefalorraquidiano; MRSA: S. aureus resistentes à meticilina; MSSA: S.
aureus sensíveis à meticilina
Segundo epidemiologia local e dirigida a CGP e BGN.
Critical Connections em português18 Julho 2006
estas variáveis, o uso de monoterapia para TEI é atraente
sempre que se faz a redução de espectro, uma vez obtidos os
resultados microbiológicos e frente a uma boa evolução clíni-
ca.7,23,24
A utilização de carbapenêmicos para o manejo de infecções
graves em pediatria deve seguir certas pautas preestabelecidas,
regular-se por normas estritas (uso restringido) dado seu amplo
espectro; já que, ante a aparição de resistência a este grupo de
antibióticos, as alternativas são muito poucas e nem sempre liv-
res de toxicidade (por exemplo, colistina).
Com base em estudos recentes, o meropenem surge como
o carbapenêmico com melhor perfil pediátrico, devido a sua
baixa toxicidade, aprovação para uso em menores de 3 meses
e em meningites, atividade frente a algumas cepas de P. aeru-
ginosa resistentes ao imipenem, melhor tolerabilidade a altas
doses (sistema nervoso central, renal), menor necessidade de
aporte de líquidos (importante no manejo de prematuros),
doses com intervalos de 8 horas (requerendo menor manipu-
lação dos cateteres venosos), curtos períodos de infusão (1-15
minutos), entre outros benefícios (Tabela 2).1,23-24
Na população pediátrica, sempre se deve aventar a possibi-
lidade de meningite, mas em muitas ocasiões os pacientes não
podem ser submetidos a uma punção lombar. Por isto, ideal-
mente, o carbapenêmico utilizado em pediatria é o merope-
nem, já que foi aprovado para meningites. Ademais, é ativo
frente a Pseudomonas, que às vezes mostram-se resistentes ao
imipenem. Tem maior tolerância, mesmo em pacientes com
insuficiência renal, e apresenta a possibilidade de ser adminis-
trado em infusões contínuas. Este benefício é de especial
importância nos prematuros, já que permite utilizar volumes
mais reduzidos.
Conclusão
É conveniente ressaltar que se devem implementar medidas
para controlar a resistência a antibióticos na UTI. Em linhas
gerais, são úteis as diretrizes e normas consensuais, a restrição
ao uso de antibióticos, o antibiograma dirigido, a implemen-
tação da redução de espectro a partir de 48-72 horas, adesão à
higiene das mãos, diminuição da invasividade, redução do
tempo de internação e apelar à educação continuada.
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surveillance methods in a Brazilian pediatric public hospital. Am J Infect Control
2002; 30:1-7.
Figura. Motivos mais freqüentes de uso de antibióticos carbapenêmicos em UTIPs
Superinfecções com suspeita de bacilos Gram-negativos durante o TEI de
amplo espectro.
Infecções por bacilos Gram-negativos ESBL +.
Cepas hospitalares multirresistentes.
Superinfecção em pacientes imunocomprometidos ou falta de resposta a
antibióticos de amplo espectro em infecções hospitalares.
Infecções polimicrobianas (aeróbicos/anaeróbicos) hospitalares.
TEI de sepse grave hospitalar (em associação com vancomicina).
TEI de PAVM de início tardio.
Doses 15-25 mg/kg c/6 h 3 meses-12 anos: 20 mg/kg
Experiência limitada em <30 Kg c/8 h
(FDA 2001) Meningite: 40 mg/kg c/8 h
Não aprovado para meningites Dose máxima: 6 g
Dose máxima: 2 g
Espectro Cocos Gram-positivos exceto Idem + maior atividade in
S. aureus resistente à vitro frente a cocos
meticilina. Enterococcus spp Gram-positivos (CGP) e
Bacilos Gram-negativos Bacilos Gram-negativos (BGN)
incluindo Pseudomonas spp Anaeróbios
Anaeróbios
Diarréia 5,1% 4,1
Erupção 2,2% 2,2%
Convulsões Com meningite 33% Com meningite (similar à
Sem meningite até 2-3% cefotaxima 12%)
Sem meningite 0,08%
Uso em Não recomendado aumenta Ajustando dose não aumenta
pacientes com neurotoxicidade neurotoxicidade
insuficiência
renal
Tabela 2. Quadro comparativo de doses, cobertura e indicações entre imipenem
e meropenem.
Imipenem Meropenem
Critical Connections em português Julho 2006 19
17. Mercuri E, Rutherford M, Cowan F, Pennock J, Counsell S, Papadimitriou M,
Azzopardi D, Bydder G, Dubowitz L. Early prognostic indicators of outcome in infants
with neonatal cerebral infarction: a clinical, electroencephalogram, and magnetic
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Critical Connections em português20 Julho 2006
K p vs CAZ 91 65 79 94 36 62 93 75 – 91 59 86 51 40 46
CTX 92 54 65 94 55 62 90 – 100 93 50 93 41 – 42
FEP 99 67 68 94 6 62 – 88 – 93 – 96 41 – 72
PTZ 93 71 70 94 10 87 – 70 – 91 95 83 74 – 62
CAR 100 99 100 100 58 100 100 99 100 91 98 99 100 100 91
GEN 93 55 68 94 – 66 95 70 81 95 43 – 68 58 –
AMc 96 81 78 97 – – 80 92 92 97 78 95 83 90 51
CIP 90 81 78 88 8 72 90 95 88 93 94 87 50 78 76
P a vs CAZ 88 61 73 85 67 48 75 79 65 76 70 49 56 59 79
FEP 89 62 73 85 3 55 – 79 – 73 69 53 55 – 72
PTZ 92 72 75 95 79 68 – 84 – 92 89 65 80 61 67
CAR 89 68 74 95 50 60 75 80 86 77 84 61 73 80 61
GEN 91 58 61 – – 48 – – 55 65 49 – – 59 –
AMc 98 71 76 95 – – 92 78 78 93 71 72 53 76 74
CIP 75 57 56 75 35 54 85 68 58 59 71 63 49 60 65
Ac vs AMS – – 37 88 75 - 41 65 – 86 – – – 20 49
CAR 84 81 54 88 35 90 92 45 94 92 – 11 94 28 25
CIP 55 22 6 25 3 31 5 38 – 71 – 7 60 20 21
AMK 81 32 29 25 – – 39 50 – 87 – 9 59 20 19
SENTRY
EE.UU.
1
AL
2
Argentina
SIR
3
CIBIC
4
Brasil Chile Colombia Costa Rica SE dos EUA México Panamá
HSPE
5
MYSTIC
6
7 8 9 10 11 12
Perú
13
Uruguai
14
Venezuela
15
1.ProgramaSENTRY.DadoscorrespondentesaosEUA2.ProgramaSENTRY.DadoscorrespondentesàAL.3.ProgramaSIRdaSociedadeArgentinadeBacteriologiaClínica(SADEBAC).Corteoutubro-novembro20044.DadosproporcionadosporJoséMaríaCasellas,LaboratórioCIBIC,Rosário,Argentina.
5. Dados apresentados por Thais Guimarães, Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, Brasil. 6. Dados proporcionados por Caio Mendes, do Programa MYSTIC do Brasil e por Flávia Rossi (Enterococos resistentes a vancomicina [ERV]). 7. Dados proporcionados por Patricia González, Clínica
Alemana,eRicardoEspinoza,ClínicaLasCondes,Santiago,Chile. 8.DadosproporcionadosporFranciscoMolina,UniversidadePontifíciaBolivarianadeMedellíneCarlosH.Saavedra,Universidade NacionaldeColômbia,Bogotá,Colômbia.9.DadosproporcionadosporJaimeFernandezAlpizar,HospitalCalderon
Guardiã, San José, Costa Rica. 10. Sudeste dos EUA. Dados proporcionados por Edgar Jiménez. 11. Dados proporcionados por Federico Javier Ortiz, Instituto Nacional de Perinatología, México DF e Luis A. Sánchez, Universidade de Monterrey, México. 12. Dados proporcionados por Nestor Sosa, Panamá. 13.
DadosproporcionadosporLuisCuellareporWilliamVicente,InstitutodeEnfermedadesNeoplásicas,Lima,Perú.14.DadosproporcionadospelogrupoINBARCIdeintensivistaseporMariaCristinaRizzi,Montevideo,Uruguay.15.DadosproporcionadosporAlfredoLópezStrauss,HospitalDomingoLuciani,Caracas,
Venezuela. Kp: Klebsiella pneumoniae.Pa: Pseudomonas aeruginosa. Ab: Acinetobacter baumannii AMC: amicacina AMS: ampicilina-sulbactamCAR: meropenem ou imipenem CAZ: ceftazidimaCTX: cefotaxima ou ceftriaxonaCIP: ciprofloxacinaGEN: gentamicinaFEP: cefepimaPTZ: piperacilina/tazobactam
AL: América Latina CIBIC: Centro de Investigaciones Biológicas y Clínicas, Rosario, Argentina. HSPE: Hospital do Servidor Estadual de São Paulo, São Paulo, Brasil. MYSTIC: Meropenem Yearly Susceptibility Test Information Collection SIR: Sistema informático de Resistencia.
Resistência a antibacterianos na América Latina
Prof. José María Casellas
Microbiólogo. Professor, Universidade Nacional de Rosário, Santa Fé, Argentina.
A
América Latina (AL) é um conglomerado de países
com diferentes localizações, mas com problemas
sociais semelhantes, que repercutem na área médica.
Dentro do tema que nos ocupa, existe um incremento de
infecções hospitalares e de resistência a antibacterianos.
Não restam dúvidas de que os projetos pendentes na AL
são:
1) Melhorar as medidas de barreira para frear as infecções.
2) Impedir a venda de antibacterianos sem prescrição
médica, o que determinou a presença de resistência a antibac-
terianos em pacientes que são internados e que não tiveram
contato prévio com hospital.
Em relação ao primeiro dos problemas, geralmente não
necessitamos de melhor enfermaria e sim de mais enfermarias,
incluindo enfermeiros epidemiológicos em todos os hospitais.
Na AL existem:
• Problemas de resistência a antibacterianos que são compar-
tilhados mundialmente, como a resistência a betalactâmi-
cos, resistência a meticilina em estafilococos e a pan-
resistência em Pseudomonas aeruginosa.
• Problemas acentuados em nosso continente, como: betalacta-
mases de espectro ampliado (ESBL) e, também, a alta incidên-
cia de isolamentos do complexo Acinetobacter baumannii-cal-
coaceticus ou P.aeruginosa sensível somente a polimixinas.
Tabela 1: Dados comparativos de taxas de sensibilidade (2003-2004) em cepas provenientes de infecções intra-hospitalares
E.U.A.
Colômbia Peru
Critical Connections em português Julho 2006 21
% SARM 47 50 50 22 88 – 50 60 50 57 48 32 64 40 40
% EVR 22 6 0 – 6 1 3 59 0 6 –
SENTRY
EE.UU.
1
AL
2
Argentina
SIR
3
CIBIC
4
Brasil Chile
HSPE
5
MYSTIC
6
7
Colombia
8
Costa Rica
9
SE dos EUA
10
México
11
Panamá
12
Perú
13
Uruguai
14
Venezuela
15
Carecemos, entretanto, de problemas que são importantes
nos Estados Unidos, mas que não têm grande transcendência
no restante da América, como a resistência dos enterococos à
vancomicina.
A tabela 1 mostra as taxas de sensibilidade a diferentes
antibacterianos, utilizados geralmente nas unidades de terapia
intensiva (UTI), das três espécies de bacilos Gram-negativos
que causam maiores problemas na AL. Estes dados estão
baseados em resultados do programa SENTRY nos EUA
comparados à AL. Foram incluídos resultados do programa
colaborativo “Sistema Informático de Resistência” (SIR), rea-
lizado pela Sociedade Argentina de Bacteriologia Clínica, que
inclui 26 hospitais de diferentes províncias argentinas, e tam-
bém dados do programa “Meropenem Yearly Susceptibility
Test Information Collection” (MYSTIC), realizado no Brasil.
Na tabela 2 estão os valores de resistência à meticilina do
Staphylococcus aureus e à vancomicina do Enteroccocus spp.
De acordo com os resultados, destacamos as seguintes con-
clusões:
– É relevante a diferença de sensibilidade entre EUA e AL
nos isolamentos de K.pneumoniae. Enquanto nos EUA esta
bactéria se mostra mais de 90% sensível a todos os antibac-
terianos habitualmente utilizados, a resistência a antibacte-
rianos na AL desta espécie é elevada. Ressaltamos particu-
larmente a taxa de resistência à cefotaxima – indicativa de
alta freqüência de isolamentos de produtores de ESBL – o
que implica que estas enzimas sejam fundamentalmente
cefotaximases. Isto se corresponde ao achado prevalente de
ESBL da família CTX-M nos países da AL.
– A resistência da P.aeruginosa é também superior na AL, em
relação à observada nos EUA. Chama atenção a reduzida
sensibilidade à ciprofloxacina nas cepas isoladas desta espé-
cie, o que pode ser indicativo de superutilização desta fluo-
roquinolona, e que se relaciona com o aumento das ESBL,
já que foi demonstrada uma correlação significativa entre o
uso de ciprofloxacina e a ocorrência de ESBL nas UTI.
– Em relação ao complexo A. baumannii-calcoaceticus, apa-
rentemente nem todos os países utilizam aminopenicilinas
com sulbactam. Apesar dele, a atividade desta combinação
não parece ser muito convincente na AL. Não foram incluí-
dos os dados da cefoperazona-sulbactam – utilizado em
vários países da AL – devido à inexistência de pontos de
corte propostos pelo Clinical and Laboratory Standards
Institute (CLSI, antes chamado de National Committee for
Clinical Laboratory Standards [NCCLS]) para esta combi-
nação, e por isso se ignora como determinar a sensibilida-
de. A resistência do Acinetobacter spp é muito variável nos
diferentes países. Na AL, a faixa de sensibilidade aos car-
bapenêmicos varia de 11% a 94%. Deve-se ter em conta
que mesmo dentro de um mesmo país podem ser observa-
das diferenças muito importantes na incidência de isola-
mentos destas espécies. É característica a existência de clo-
nes resistentes endêmicos em determinados hospitais.
– A resistência à meticilina em estafilococos apresenta valo-
res característicos encontrados em outras regiões do
mundo, enquanto que, como já mencionamos, é notável a
reduzida proporção de enterococos resistentes à vancomi-
cina na AL, em comparação aos EUA.
Tabela 2. Taxas de resistência à oxacilina em Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) e à vancomicina em Enterococcus spp (ERV).
SARM: S. aureus resistente à meticilina. EVR: Enterococcus resistente à vancomicina
E.U.A.
Colômbia Peru
Critical Connections em português22 Julho 2006
Introdução
Este guia foi elaborado por um comitê de especialistas em
microbiologia, doenças infecciosas e terapia intensiva, da
Espanha, dos Estados Unidos e de diferentes países da
América Latina. Em uma reunião realizada em junho de 2005,
em Buenos Aires, cada participante revisou a epidemiologia e
os padrões de sensibilidade antimicrobiana locais das
infecções ocorridas em unidades de terapia intensiva (UTI).
O objetivo central foi delinear pautas para o tratamento
antimicrobiano empírico (TAE) mais adequado e sua poste-
rior redução de espectro, nas infecções mais freqüentes em
UTI. Entre essas infecções, a pneumonia intra-hospitalar
(PIH) (especialmente associada a ventilação) foi o eixo do
consenso.
Este documento foi confeccionado a partir de recomen-
dações recentes e de trabalhos destacados publicados até o
início de 2005 em revistas reconhecidas.
Há poucos estudos controlados sobre o manejo das infecções
adquiridas em UTI em crianças, visto que a maioria dos dados
disponíveis provêm de estudos realizados em adultos.
As recomendações deste documento não substituem o jul-
gamento clínico, e sim servem para orientar o tratamento de
pacientes graves.1-21
Sistema utilizado para a classificação de
evidência clínica
Nível I (alto): Estudos controlados randomizados
Nível II (moderado): Estudos controlados sem randomi-
zação
Nível III (baixo): Estudos de casos e opinião de especialistas
Considerações gerais
• As infecções mais freqüentes na UTI são: infecção urinária
ou bacteriúria associada a cateter vesical (IU-AC ou BAC),
pneumonia associada a ventilação mecânica (PAVM) e bac-
teremia associada a cateter venoso central (BA-CVC), com
morbimortalidade muito alta. A ordem de freqüência relati-
va varia segundo o tipo de UTI: neonatal, pediátrica, adul-
ta, queimados, cardiovascular, pós-cirúrgica. As IU-AC são
mais freqüentes em adultos, e as BA-CVC na neonatologia
e pediatria.
• O diagnóstico microbiológico é fundamental, mas a coleta
de amostras não deve adiar o TAE.
• As amostras para definir a etiologia da IU-AC, PAVM ou BA-
CVC devem ser obtidas adequadamente, para diferenciar
infecção de colonização (se possível métodos quantitativos).
• As culturas positivas afetam as modificações do TAE, na
chamada redução de espectro (redução de intensidade ou
amplitude); as culturas negativas (amostras representativas
e técnicas adequadas) e a evolução clínica afetam a decisão
de continuar o TAE.
• O fundamento para selecionar o TAE para infecções mais
freqüentes na UTI são aplicáveis a outros focos neste
mesmo grupo de pacientes. Foge deste guia a análise de
todos os focos possíveis de infecção na UTI e suas particu-
laridades diagnósticas e terapêuticas.
• O TAE deve ser adequado, precoce (antes de 4 horas), de
amplo espectro, com doses e intervalos adequados, e incluir
antimicrobianos de grupos diferentes dos recebidos recente-
mente pelo paciente.
• A terapia combinada busca cobrir a maioria dos possíveis
agentes etiológicos. Deve-se suspender os antibióticos
(ATB) cuja toxicidade exceda o benefício, uma vez alcança-
dos os resultados microbiológicos, e segundo a evolução
clínica do paciente (aminoglicosídeos < 5 dias).
• Deve-se evitar prolongar desnecessariamente o tratamento
com ATB.
Princípios gerais do tratamento das infecções em UTI
(IU-AC ou BAC, PAVM, BA-CVC)
1. Evitar que os episódios de infecção fiquem sem tratamen-
to ou sejam tratados inadequadamente; o tratamento tardio
ou inadequado se associa a uma maior morbimortalidade.
2. Reconhecer a diversidade bacteriológica entre diferentes
hospitais (e entre cidades, países e ainda continentes), salas
e períodos; utilizar esta informação para definir o TAE
mais adequado à realidade particular.
3. Evitar o uso indiscriminado de ATB; cumprir a redução de
espectro do TAE segundo a evolução clínica e microbiologia,
e encurtar a duração do tratamento ao mínimo efetivo com-
provado.
4. Aplicar medidas necessárias para modificar fatores de risco
(tratamento inadequado da doença de base, internação pro-
longada, antibioticoterapia prolongada, técnicas invasivas).
Pneumonia intra-hospitalar (PIH), pneumonia associada
a tratamento médico (PATM) e pneumonia associada a
ventilação mecânica (PAVM)1
• PIH: Pneumonia que aparece 48 horas após a internação e
que não estava em incubação neste momento.
• PAVM: Pneumonia que aparece 48 a 72 horas após a intu-
bação.
Critérios para o tratamento empírico de infecção em
pacientes internados em unidade de terapia intensiva
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Grupo de especialistas
Critical Connections em português Julho 2006 23
• PATM:
–Qualquer paciente internado em hospital de agudos por
mais de dois dias, nos 90 dias anteriores.
–Pacientes que residem em alojamento ou centro de trata-
mento de doentes crônicos.
–Pacientes em hemodiálise.
–Pacientes com ATB intravenosos, quimioterapia ou trata-
mento de feridas nos 30 dias anteriores.
Suspeitar de PATM quando existir três das seguintes con-
dições: febre, radiografia de tórax com infiltrado recente, leu-
cocitose, broncorréia purulenta, aumento da necessidade de
oxigênio.
Métodos diagnósticos e pontos de corte
• Lavado broncoalveolar-broncoscópico (LBA-B) ou escova-
do broncoalveolar (EBA) com broncoscopia telescópica ou
LBA não broncoscópica (LBA-NB). É significativa a cultu-
ra com recontagem >103
UFC/ml (EBA) ou >104
UFC/ml
(LBA-B e LBA-NB); monomicrobiano e com <1% de célu-
las epiteliais, com células bronquiais e bactérias intra-poli-
morfonucleares (PMN) >2%.
• Se não houver LBA ou EBA, pode-se valorizar a cultura de
aspirado traqueal (difícil diferenciar agente colonizador de
patógeno), quando se cumpre o seguinte: amostra represen-
tativa com menos de 10 células epiteliais no exame com
coloração de Gram, fibras de elastina em preparado com
hidróxido de potássio, crescimento monomicrobiano ou
predomínio de um microorganismo, bactérias intra-PMN e
recontagem ≥ 106
UFC/ml. Enviar amostras para cultura de
patógenos comuns (virais na pediatria; de acordo com a epi-
demiologia em adultos). O valor preditivo negativo (VPN)
de aspirados traqueais negativos (ausência de bactérias ou
células inflamatórias) para PAVM em pacientes sem troca
recente de ATB é de aproximadamente 94%.
• Em pacientes com antibioticoterapia prévia, sugere-se redu-
zir um logaritmo no corte de UFC/ml.
Recomendações para antibioticoterapia empírica
na PIH1
Aspectos epidemiológicos em destaque
• Muitos pacientes com PIH, PAVM e PATM têm um risco
maior de colonização e infecção por microorganismos mul-
tirresistentes (MMR) (Nível II).
• É difícil estimar com precisão a incidência de PATM e
PAVM, por causa da superposição diagnóstica com a tra-
queobronquite, especialmente em pacientes sob assistência
respiratória (Nível III).
• A incidência de PAVM é de 6 a 20 vezes maior em pacien-
tes com assistência respiratória (Nível II).
• A PIH e a PAVM têm maior mortalidade que outras
infecções hospitalares (Nível II).
• Os pacientes com PIH ou PAVM de início tardio têm risco
aumentado de infecção por MMR e maior taxa de mortali-
dade que os pacientes com doença precoce (Nível II).
• A maioria das PIH, PATM e PAVM é causada por bacilos
Gram-negativos aeróbios e cocos Gram-positivos (especial-
mente Staphylococcus aureus resistente a meticilina
[MRSA]); os anaeróbios são pouco freqüentes (Nível II).
• A incidência de Legionella pneumophila varia nos diferen-
tes centros (Nível II).
• As PIH, PATM e PAVM virais e micóticas são pouco fre-
qüentes como causa (na pediatria até 20% podem ser virais)
(Nível I).
• A prevalência de MMR varia entre os centros, ressaltando a
vigilância da resistência local (Nível II).
• Os patógenos multirresistentes são mais freqüentes em pacien-
tes com doenças crônicas de base, doenças graves, fatores de
risco para PATM e PIH ou PAVM de início tardio (Nível II).
• Os agentes responsáveis pela PAVM variam de acordo com
a UTI, mas os mais freqüentes são:
–Aeróbios Gram-negativos: Klebsiella spp, E.coli,
Pseudomonas spp, Acinetobacter spp, Stenotropho-monas
maltophilia, Burkholderia cepacia, Serratia spp, Ente- robac-
ter spp.
–Aeróbios Gram-positivos: Streptococcus pneumoniae,
MRSA, S.aureus sensíveis a meticilina (MSSA).
–Polimicrobiana
Aspectos em destaque e recomendações para fatores de risco
modificáveis: patógenos multirresistentes
• Profilaxia geral mediante medidas de controle de infecção
efetivas (Nível I); vigilância das infecções nas UTIs para
identificar e quantificar patógenos endêmicos e multi-
resistências novas, para definir pautas epidemiológicas e
terapêuticas (Nível II).
• Evitar o quanto possível a intubação e reintubação, utilizar
ventilação não invasiva (Nível I).
• Elevar a cabeceira 30o
a 45o
(Nível I).
• Alimentação enteral com sondas pós-pilóricas (Nível I).
• Descontaminação digestiva seletiva aguda de cepas multir-
resistentes (não como rotina) (Nível I).
• Profilaxia de úlceras de estresse; sucralfato (Nível I).
• Controle rigoroso de glicemia (Nível I).
Aspectos em destaque e recomendações para o diagnóstico
• Infiltrado radiológico novo ou progressivo, mais correspon-
dente clínico. O infiltrado e dois critérios clínicos (febre,
leucocitose, escarro purulento) têm sensibilidade de 69% e
especificidade de 75% em relação à histologia (culturas
positivas) (Nível II).
• O diagnóstico de pneumonia em pacientes com síndrome de
desconforto respiratório agudo (SDRA) requer um critério
clínico. Existe alta suspeita em pacientes sob assistência
respiratória por SDRA com deterioração hemodinâmica
abrupta ou nos gases sanguíneos (Nível II).
• A colonização traqueal precede a PAVM; o uso do aspirado
traqueal geralmente não diferencia claramente entre coloni-
zação e infecção sem os critérios descritos na seção de
métodos diagnósticos e pontos de corte (Nível II).
• A ausência de patógenos multirresistentes no trato respira-
tório inferior de pacientes intubados, sem mudança de ATB
nas 72 horas anteriores, indica fortemente que o agente etio-
lógico não é multirresistente (a depuração dos microorga-
nismos multirresistentes geralmente é lenta) (Nível II).
Critical Connections em português24 Julho 2006
• Nos pacientes com suposta PAVM, deve-se realizar hemo-
culturas; as culturas positivas indicam pneumonia ou um
foco extrapulmonar (Nível II).
• Todo paciente com derrame pleural requer toracocentese:
empiema ou derrame parapneumônico (Nível III).
Estratégia clínica
O início precoce do TAE (dentro de 4 horas) em pacientes
com PAVM ou PATM presumidas, demonstrou reduzir a
morbimortalidade a elas associada. A antibioticoterapia
deve ser reavaliada em 48 a 72 horas após a resposta clínica
e os dados de cultura semiquantitativos do trato respiratório
inferior (o exame com coloração de Gram e a cultura de
aspirado traqueal têm alto valor prognóstico negativo). Esta
estratégia não requer estudos microbiológicos sofisticados.
Assim, todos os pacientes com suposta pneumonia são trata-
dos, com possível inclusão de pacientes com diagnóstico
não infeccioso (SDRA, tromboembolismo pulmonar, hemor-
ragia pulmonar, etc.).
Acreditamos que é necessário basear as decisões terapêuti-
cas em métodos diagnósticos quantitativos, para evitar o su-
pertratamento de pacientes não infectados.
Aspectos em destaque e recomendações para a estratégia
clínica
• O exame direto (Gram) e a cultura do aspirado traqueal ser-
vem para guiar o TAE, junto com os critérios clínicos de
diagnóstico (Nível II).
• Diante da possibilidade de se realizar culturas quantitativas
de LBA ou EBA, o aspirado traqueal negativo (ausência de
bactérias ou reação inflamatória) em um paciente sem
mudança recente de ATB (últimas 72 horas) possui alto
VPN (94%) para PAVM; devem ser investigados outros
focos responsáveis por febre (Nível II).
• Um infiltrado radiográfico novo e progressivo, e dois ou
mais dados clínicos (febre > 38o
C, leucocitose ou leucope-
nia, secreções purulentas) é o critério clínico mais acertado
para o TAE. Entre o 2o
e 3o
dia, o TAE deverá ser reavalia-
do e modificado, de acordo com as culturas semiquantitati-
vas e a resposta clínica.
• A seleção de pacientes para suspender o ATB, de acordo
com critérios de baixo risco, requer ainda validação quando
há presença de PAVM grave (Nível I).
Estratégia bacteriológica
A base desta estratégia são as culturas quantitativas do apare-
lho respiratório baixo (ARB) (LBA, EBA, broncoscópico ou
não), que permitem conhecer a epidemiologia local das PIH,
orientar a antibioticoterapia e formular o TAE mais adequado
para cada centro e período.
Idealmente, estas amostras devem ser colhidas antes do
TAE; deve-se lembrar que o atraso no TAE é negativo para a
evolução clínica da PAVM.
A utilização da estratégia bacteriológica, mais um TAE
amplo com posterior redução de espectro reduz significativa-
mente a mortalidade no dia 14.22
Aspectos em destaque e recomendações para a estratégia
bacteriológica
• Quando se suspeita de PAVM, deve-se obter amostras de
ARB para cultura quantitativa e descartar infecção extrapul-
monar, antes do TAE (Nível II).
• Se houver alta probabilidade de pneumonia e/ou evidência
de sepse, é necessário iniciar rapidamente o TAE ainda sem
a presença comprovada de bactérias no ARB (Nível II).
• A estratégia bacteriológica reduziu a mortalidade no dia 14,
em comparação à estratégia clínica (Nível I).
• O retardo do TAE adequado aumenta a mortalidade na
PAVM: não se deve postergar o tratamento em pacientes
instáveis para a realização de estudos (Nível II).
Antibioticoterapia para a pneumonia intra-hospitalar
Enfoque geral
Os ATB devem ser selecionados de acordo com os fatores de
risco para patógenos multirresistentes (Tabela 1). A figura 1
mostra os algoritmos para a seleção adequada do TAE para a
PIH, de acordo com os patógenos freqüentes (tabelas 2 e 3)23-26
.
O TAE com ATB de amplo espectro deve incluir o compro-
misso de reduzir o espectro, de acordo com dados clínicos e
microbiológicos, para diminuir o aparecimento de cepas
Figura 1. Algoritmo para o início de TAE na PIH, PATM, PAVM.
MRA: microorganismo com resistência antibiótica.
• Tratamento com ATB nos 90 dias anteriores
• Internação atual de mais de 5 dias
• Alta freqüência de resistência a ATB na comunidade ou na unidade específica do
hospital
• Presença de fatores de risco para PATM:
– Hospitalização de 2 ou mais dias nos últimos 90 dias
– Residência em comunidade fechada (ex., geriátrico)
– Antecedentes de infusão de ATB ou cuidado de feridas
– Diálise crônica durante os últimos 30 dias
– Familiar com antecedente de infecção por patógeno MRA
• Doença ou tratamento imunossupressor
MRA: microorganismo com resistência antibiótica; PIH: pneumonia intra-hospitalar; ATB:
antibiótico; PATM: pneumonia associada a tratamentos médicos.
Tabela 1. Fatores de risco para patógenos com MRA causadores de PIH
Tabela 3. TAE para o manejo de PIH, PATM, PAVM. tardia ou risco de infecção por patógenos MRA
(inclui todo tipo de gravidade)
TAE: tratamento antimicrobiano empírico; PIH: pneumonia intra-hospitalar; PATM: pneumonia associada a tratamentos médicos;
PAVM: pneumonia associada a ventilação mecânica; MRA: microorganismo com resistência antibiótica; ESBL: betalactamases de
espectro expandido; MRSA: Staphylococcus aureus resistente a meticilina.
Critical Connections em português Julho 2006 25
multirresistentes. A dose dos ATB está resumida
na tabela 4.
Tratamento antimicrobiano empírico inicial
Para definir o TAE, deve-se saber se o paciente
tem risco de patógenos multirresistentes (tabela
1); a classificação em PIH precoce ou tardia é
insuficiente para identificar todos estes pacientes.
A PATM se define como cultura de ARB positi-
va, obtida nas 48 horas de internação, em um
paciente com fatores de risco para multirresistência.
A resistência crescente pode ser devida a TAE
inadequados. A mortalidade por PATM é signifi-
cativamente menor com TAE inicial adequado e
precoce. Mudar de ATB de acordo com a micro-
biologia não diminui a mortalidade. Desta forma,
a seleção do TAE adequado é muito importante
para pacientes internados com infecções graves.
Os patógenos associados ao TAE inadequado
são P. aeruginosa, Acinetobacter spp, K. pneu-
moniae, Enterobacter spp, e MRSA. O TAE para
possível infecção por microorganismos multirre-
sistentes deve combinar ATB de diversos grupos
(diferentes dos recebidos recentemente pelo
paciente), ou com espectro suficiente para evitar
TAE inadequado.
O TAE inicial deverá se ajustar à epidemiolo-
gia local, as mudanças nos padrões de resistência
e aos patógenos historicamente predominantes.
A combinação com maior cobertura contra
microorganismos multirresistentes na UTI é:
carbapenêmico, amicacina e vancomicina.
O TAE deve se adequar aos resultados bacte-
riológicos; suspende-se a vancomicina e amica-
cina se microorganismos que justifiquem seu uso
prolongado não forem isolados (MRSA e bacilos
Gram-negativos que requerem sinergia). Com
evolução clínica favorável, pode-se mudar o car-
bapenêmico por ATB alternativos com atividade
adequada ou espectro semelhante (por ex., pipe-
racilina/tazobactam).
Cada UTI deve estabelecer e adequar o TAE
de acordo com dados epidemiológicos próprios.
Se durante a antibioticoterapia por outra
infecção ocorrer uma PATM, o TAE requer ATBs
de um grupo diferente.
Aspectos em destaque e recomendações para a
estratégia de TAE inicial
• Selecionar o TAE de acordo com fatores de risco
para patógenos multirresistentes (Nível II).
• Selecionar os ATB específicos, de acordo com
a microbiologia local, custo-efetividade, dis-
ponibilidade do fármaco e restrições do vade-
mecum local (Nível II).
• Os pacientes com PATM e risco de multirre-
sistência devem receber ATB que contemplem
Tabela 2. TAE para PATM, PIH, ou PAVM precoce sem fatores de risco para MRA.
Tabela 4. Doses e intervalos sugeridos dos ATB recomendados para PIH, PATM, e PAVM.
ATB: antibióticos; PIH: pneumonia intra-hospitalar; PATM: pneumonia associada a tratamentos médicos; PAVM: pneumonia associada
a ventilação mecânica.
* Doses baseadas em funcões renal e hepática normais.
(1) Imipenem não está autorizado em crianças com peso <30 kg, insuficiência renal, ou com meningite. Meropenem está aprovado a
partir dos 3 meses de vida, embora exista experiência documentada em recém-nascidos prematuros. Doses: infecções graves-
meningites: 40 mg/kg/dose a cada 8 horas.27
(2) Os níveis de concentração em vale devem ser menores que 1 µg/ml e menor que 4–5 µg/ml para amicacina.
(3) Fluoroquinolonas não aprovadas para este uso na pediatria; a indicação tem que estar justificada em situação de necessidade.23-26
(4) Alguns recomendam vales altos (15–20 µg/ml) para alcançar concentrações adequadas nos pulmões.
(5) Ainda não aprovada na pediatria. Doses obtidas de estudos clínicos em pacientes de 3 meses a 16 anos.28-30
PATÓGENO POTENCIAL ANTIBIÓTICO RECOMENDADO
Streptococcus pneumoniae Cefotaxima
Haemophilus influenzae ou
SASM Aminopenicilina/sulbactam
Bacilos Gram-negativos entéricos sensíveis a ATB ou
Escherichia coli Ertapenem (1)
Proteus spp
Serratia marcescens novo macrolídeo ou azolídeo intravenosos
Bactérias responsáveis por pneumonía atípica
Levofloxacina, moxifloxacina (1)
TAE: tratamento antimicrobiano empírico; PATM: pneumonia associada a tratamentos médicos; PIH: pneumonia intra-hospitalar; PAVM:
pneumonia associada a ventilação mecânica; MSSA: Staphylococcus aureus sensível a meticilina
1. Avaliar o beneficio de sua utilização vs. risco de resistência e custos. Fluoroquinolonas não estão aprovadas para este uso na pedia-
tria, por isso sua indicação tem que ser justificada.24-27
PATÓGENO POTENCIAL TAE DE COMBINAÇÃO
Patógenos descritos na tabela 1 e Carbapenêmico Fluoroquinolonas
patógenos MRA antipseudomonas antipseudomônicas
Bacilos Gram-negativos: (meropenem) Ciprofloxacina ou
Pseudomonas aeruginosa levofloxacina
Klebsiella pneumoniae (ESBL) ou
Acinetobacter spp aminoglicosídeo
ou (amicacina)
piperacilina/tazobactam
Staphilococcus aereus mais
antipseudomonas vancomicina
resistente à meticilina
Antibiótico Dose adultos* Dose pediátrica*
Carbapenêmicos
Meropenem 500 mg a 1 g a cada 6-8 h 20-40 mg/kg a cada 8 h
Imipenem 500 mg a cada 6-8 h 15-25 mg/kg a cada 6 h (1)
Betalactâmico/inibidor de betalactamases
Piperacilina/tazobactam 4,5 g a cada 6 h 75 mg/kg a cada 8 h
Aminoglicosídeos
Gentamicina 5-7 mg/kg/dia (2)
Amicacina 15-20 mg/kg/dia (2)
Fluoroquinolonas antipseudomonas
Levofloxacina 750 mg a cada 24 h 10 mg/kg a cada 12 h (3)
Ciprofloxacina 400 mg a cada 8 h 20-30 mg/kg a cada 12 h (3)
Vancomicina 15 mg/kg a cada 12 h (4) 20 mg/kg a cada 8 h
Oxazolidinona
Linezolida 600 mg a cada 12 h 10 mg/kg a cada 8-12 h (5)
+
Critical Connections em português26 Julho 2006
esta situação, independente do tempo entre a internação e o
início da pneumonia (Nível II).
• O tratamento inadequado aumenta o risco de permanência
prolongada no hospital e mortalidade. Geralmente, esta
situação se associa a patógenos multirresistentes (Nível II).
• A antibioticoterapia recente favorece a probabilidade de
patógenos resistentes. Para evitar erros, a seleção do ATB
deve levar em conta os antecedentes de tratamentos prévios
(Nível III).
• O TAE deve ser precoce (Nível II).
• O TAE é mais adequado quando se ajusta a recomendações
das tabelas 2-4, e se adapta aos padrões locais de resistên-
cia (Nível II).
Seleção adequada do ATB e dose
Para instituir TAEs adequados é necessário o ATB correto,
mas também a melhor via de administração, dose e intervalos,
assegurando a penetração adequada no foco infeccioso.
Utilizar o tratamento combinado quando a situação
clínica/epidemiológica indicar (P. aeruginosa, provável pató-
geno multirresistente). As doses e intervalos recomendados
para a PAVM são mostrados na tabela 4.31-38
A farmacodinâmica e a farmacocinética devem ser levadas
em conta na seleção do ATB para a PAVM.
A efetividade dos betalactâmicos depende do tempo em
que seus níveis séricos estão acima da concentração inibitória
mínima (CIM); isto requer intervalos curtos entre as doses,
inclusive infusão contínua. Esta última parece de maior utili-
dade para P. aeruginosa (meropenem em infusão contínua por
3 horas).37,39
As doses altas uma vez ao dia são úteis para ATB
dependentes da concentração, tornando assim prolongadas
(fluoroquinolonas, aminoglicosídeos).40
O TAE inicial para PAVM deve ser intravenoso. Em certos
pacientes (com boa resposta clínica, tolerância à via oral, esta-
bilidade hemodinâmica e com ATB com boa biodisponibili-
dade oral), é possível mudar de via (fluoroquinolonas ou
linezolida).41,42
Modalidades terapêuticas
Antibióticos em aerossol
A erradicação microbiológica é significativamente maior com
ATB em aerossol, mas os resultados clínicos são semelhantes. São
úteis para microorganismos multirresistentes sem resposta à tera-
pia sistêmica (Acinetobacter spp Multirresistente e colistina).43-45
Combinação vs. monoterapia
P. aeruginosa é o único microorganismo causador de PAVM
em que a terapia combinada reduz a mortalidade, principal-
mente na bacteremia ou neutropenia.46,47
Alguns apóiam a terapia combinada para evitar a seleção
de resistência. Isto não foi comprovado; surgiram resistências
mesmo com tratamento combinado. Além disso, esta terapia
pode aumentar a toxicidade renal.31,48
A combinação se justifica fundamentalmente por ampliar o
espectro e diminuir a possibilidade de se deixar sem cobertura
microorganismos resistentes a algum componente do
esquema, sendo susceptíveis a ATBs de grupos diferentes
(glicopeptídeo + carbapenêmico + aminoglicosídeo). Para
diminuir a toxicidade, não utilizar aminoglicosídeos por mais
de 5 dias em pacientes com melhoria clínica ou sem justifica-
tiva microbiológica.49,50
Utilizar monoterapia se a epidemiologia local e os antece-
dentes do paciente permitirem, o que reduz custos e
toxicidade.31-51
Ciprofloxacina, levofloxacina, imipenem,
meropenem, cefepima e piperacilina/tazobactam têm boa
segurança e eficácia.31,33-38
Duração do tratamento
Haempophilus influenzae e S. pneumoniae são mais difíceis
de erradicar do ARB que as enterobactérias, S. aureus e P.
aeruginosa, e a duração do tratamento deve assegurar a cura
da PAVM.43
Se com o TAE adequado houver melhora clínica
nos primeiros 5 dias, pode-se tratar por 8 dias (exceto
Pseudomonas), com sucesso comparável aos tratamentos pro-
longados (14 a 21 dias), sem aumentar a toxicidade, resistên-
cia ou custos.50-53
Resposta terapêutica - redução de espectro do TAE
A falha terapêutica se define por parâmetros clínicos (a
oxigenação parece ser a mais adequada), já que não se
estudou prospectivamente a utilidade da microbiologia para
definir a resposta terapêutica.
Vários motivos explicam a falta de melhoria: foco de
infecção distinto da pneumonia, fatores do ATB ou
microbiológicos não considerados, ou processo não infeccioso
com comprometimento radiológico e da oxigenação (SDRA).
Algumas infecções podem ter uma evolução mais lenta ou
desfavorável: PAVM por bacilos Gram-negativos, infecção
polimicrobiana, microorganismo multirresistente ou resistên-
cia adquirida durante o tratamento.
A etiologia da pneumonia pode ser não habitual (vírus
respiratórios, MRSA, gripe aviária, hantavírus) ou não
tratável com antimicrobianos comuns (M. tuberculosis,
fungos), ou favorecido por condições desconhecidas (AIDS e
pneumonia por Pneumocystis jirovecii – antes P. carinii).
A presença de outros focos infecciosos simultâneos ou pos-
teriores ao TAE para PAVM podem simular falha terapêutica
e merecem atenção especial (sinusite, BA-CVC, IU-AC,
enterocolite pseudomembranosa).
No paciente que não melhora, pode ser necessário reade-
quar a antibioticoterapia enquanto se esperam os resultados de
cultura e outros procedimentos diagnósticos. A reavaliação
deve ser integral e completa, para não se perder nenhum diag-
nóstico diferencial. Devem-se repetir as hemoculturas,
uroculturas e culturas de ARB e de cateteres venosos centrais,
ainda durante a antibioticoterapia. Podem ser necessários
outros estudos por imagem (TC de tórax, ecografia pleural).
Raramente se justificam procedimentos invasivos (biópsia
pulmonar) em pacientes imunocomprometidos com PAVM,
PIH ou PATM, sendo aconselhável antes tentar uma
broncoscopia.
O TAE deve ser reavaliado e modificado, se possível, de
acordo com as culturas e resposta clínica. Esta modificação
pode ser para adequar o tratamento à descoberta de patógenos
Critical Connections em português Julho 2006 27
dos quais não se suspeitava e multirresistentes, ou diante da
falta de melhora clínica.
Se não se recuperar microorganismos habitualmente
multirresistentes (P. aeruginosa ou Acinetobacter spp),
reduzir o espectro do TAE para ATB ativos contra o microor-
ganismo, com espectro menor.
PSEUDOMONAS AERUGINOSA
Os dados acerca do benefício do tratamento combinado para
infecções não bacterêmicas é controverso, mas sugere-se forte-
mente o tratamento combinado nas infecções comprovadas por
este microorganismo. Com monoterapia, aparece resistência em
30 a 50% dos pacientes, sendo a mortalidade maior em pacient-
es com bacteremia e/ou imunodeprimidos. São necessários
estudos prospectivos para mostrar este benefício na PAVM.
ACINETOBACTER SP.
Por causa da multirresistência freqüente na maioria das UTIs,
é complicado tratar das infecções causadas por este microor-
ganismo. Quando existe sensibilidade confirmada bacterio-
logicamente, os ATB recomendados são carbapenêmicos, sul-
bactam/betalactâmicos, fluoroquinolonas e polimixinas (co-
listina). A emergência de clones resistentes a carbapenêmicos
exige a utilização de doses adequadas desses ATB. Surgiram
novas modalidades (infusão contínua de meropenem) que
podem ser úteis em cepas com sensibilidade limítrofe e
evitam ATB com maior toxicidade (colistina). Na infusão
contínua de meropenem38
, administram-se 250 mg ou 500 mg
de dose de ataque, seguidos de 1.500 mg ou 3.000 mg,
respectivamente, em infusão contínua durante 24 horas. Os
níveis projetados permitem tratar microorganismos com 4
mg/l (dose de ataque alta) e 2 mg/l (dose de ataque baixa).
Para bactérias com CIM alta para carbapenêmicos, esta
modalidade pode ser recomendada, embora sejam necessários
estudos prospectivos.
Há estudos com eficácia e tolerabilidade aceitáveis da co-
listina por via intravenosa; também há experiência com a
forma aerossol.54
BACILOS GRAM-NEGATIVOS ESBL+
As cefalosporinas de terceira geração são contra-indicadas
quando se detectam estes microorganismos. São ATB úteis:
carbapenêmicos (ertapenem, imipenem, meropenem), ami-
cacina.47
Não administrar fluoroquinolonas na América Latina
para tratar de infecções por estes germes ESBL+, já que a
resistência é maior que na Europa e EUA.56
MRSA
Existem falhas com vancomicina na PAVM por MRSA. A fre-
qüência alcança valores maiores que 40%, utilizando doses
padrão de vancomicina (1 g/12 h). A combinação aminogli-
cosídeos/rifampicina é microbiologicamente racional, faltam
estudos prospectivos que mostrem benefícios na PIH.
Alguns sustentam que para alcançar concentrações ade-
quadas em tecido pulmonar são necessários níveis séricos de
vancomicina maiores que 15 microg/dl. Não há dados
prospectivos para se avaliar isto.
A linezolida foi equivalente à vancomicina na PIH; tem
alta penetração tecidual, pode ser preferível em pacientes com
função renal flutuante ou que recebem fármacos nefrotóxicos
(aminoglicosídeos).57-59
Aspectos em destaque e recomendações para antibioti-
coterapia adequada
• O TAE se modificará de acordo com parâmetros clíni-
cos correlacionados à melhora e dados microbiológicos
(Nível II).
• A melhora clínica aparece habitualmente em 48-72 horas;
não modificar o TAE até esse momento, exceto frente a uma
rápida deterioração clínica (Nível III).
• Reduzir o espectro do TAE em pacientes que respondem;
ajustá-lo segundo a microbiologia (Nível II).
• Reavaliar os não-respondedores para identificar situações
que simulem pneumonia, microorganismos resistentes ou
não suspeitados, focos infecciosos extrapulmonares ou
complicações da pneumonia (Nível III).
• O TAE para PAVM requer ATB em doses e intervalos ade-
quados, para assegurar máxima eficácia (Nível I). Deve ser
inicialmente intravenoso; mudar para via oral em determi-
nados pacientes (Nível II).
• Os ATB em aerossol não têm utilidade na PAVM. Podem ser
considerados terapia adjuvante na PAVM por patógenos
multirresistentes, sem resposta à terapia sistêmica ou com
opções terapêuticas escassas (Nível III). Se não houver
risco de multirresistência, pode-se utilizar a monoterapia
para determinados pacientes com PATM ou PAVM (Nível
I). Se houver risco de multirresistência, iniciar sempre com
combinação, até se confirmar (com as culturas) se é possí-
vel utilizar apenas um ATB (Nível II).
• Para pacientes com risco de multirresistência, recomenda-
se TAE combinado (Nível II). Como único benefício,
aumenta a possibilidade de TAE inicial adequado (Nível I).
Neste caso, os aminoglicosídeos poderiam ser suspensos
após 5-7 dias, em pacientes respondedores (Nível III).
• Com TAEs inicialmente adequados, procurar diminuir o tra-
tamento para 7-8 dias, se o patógeno não for P. aeruginosa,
e houver melhora clínica (Nível I).
• A restrição de ATB, junto com antibiograma dirigido, aju-
dam a prevenir ataques por microorganismos multirresis-
tentes (Nível II).60
Infecções urinárias ou bacteriúrias associadas a cate-
teres vesicais na UTI18,61-64
A IU-AC é a infecção intra-hospitalar mais freqüente na UTI
de adultos e a segunda na UTI pediátrica (UTIP).6
A incidên-
cia diária de bacteriúria é de 3 a 10% em pacientes com sonda;
25% desenvolvem sintomas de IU e 3% bacteremia. A pre-
venção destas infecções reduziria significativamente os gastos
hospitalares mundialmente gerados.3
Esses pacientes têm um
risco 7 vezes maior de pielonefrite que aqueles sem sonda,
com um risco maior de mortalidade (1%). NA UTIP mais de
90% dos casos se associam a sonda vesical.
O fator de risco mais importante nas infecções relacionadas
a sonda vesical é a permanência prolongada. A administração
Critical Connections em português28 Julho 2006
concomitante de ATB de amplo espectro é outro fator impor-
tante. Esses ATB diminuem a freqüência de IU nos primeiros 5
dias de sondagem, mas logo aumentam o risco de infecção por
bacilos Gram-negativos multirresistentes. Desta forma, é con-
tra-indicada a profilaxia com ATB em pacientes com sonda.
Muitas vezes o paciente febril com sonda vesical apresen-
ta bacteriúria sem que esta represente IU verdadeira. Todo
paciente sondado deve ser avaliado exaustivamente, para se
identificar o foco infeccioso ou a causa do processo febril.
O risco de IU-AC depende da duração da cateterização, da
inviolabilidade do sistema de drenagem, do cuidado do siste-
ma e da susceptibilidade do hóspede.
Os agentes patogênicos são vários e incluem: Enterococcus
spp, E. coli, Klebsiella spp, Proteus mirabilis, Pseudomonas
spp, Enterobacter spp, Serratia spp e Candida spp Serratia
marcescens e Burkholderia cepacia devem levantar suspeitas
de uma fonte não endógena de infecção e têm grande
importância epidemiológica.
Os cateteres devem ser utilizados somente quando necessá-
rios, e pelo menor tempo possível.
A troca de cateteres a intervalos fixos não diminui a
incidência de IU-AC; deve ser feita somente em pacientes
com alta suspeita de infecção ou infecção documentada
microbiologicamente e naqueles com obstrução do sistema
que ainda requerem drenagem vesical.
Métodos diagnósticos e pontos de corte
A diferença de outras categorias de IU (cistite aguda, pielone-
frite aguda e IU complicada) é que o ponto de corte para defi-
nir IU-AC é mais baixo. Em pacientes sintomáticos – febre
sem foco, sepse, alteração do estado mental, cistite, prostati-
te, epididimite, pielonefrite – com cultura positiva, está defi-
nido por:
• Recontagem ≥102
UFC/ml monomicrobiano, com sedimen-
to patológico (≥10 leucócitos por campo de alto aumento) e
amostra obtida mediante sonda nova-estéril, por punção de
sonda, ou por meio de acesso específico com técnica assép-
tica e ≤24h de colocação.
• Recontagem ≥102
UFC/ml persistentemente positivo, com
mais de um microorganismo e com sedimento patológico.
• Em pacientes com antibioticoterapia, avaliar e priorizar
individualmente a recontagem de UFC/ml obtida em uro-
cultura; não existe ponto de corte definido.
Uma das considerações mais importantes nestes pacientes
é decidir se tratar bacteriúria assintomática ou somente episó-
dios sintomáticos de IU-AC.
Uma vez escolhido o ATB, determina-se a sua duração.
Quando se suspeita de IU-AC, sempre obter amostras adequa-
das para urocultura antes do TAE.
Bacteriúria assintomática
Não se deve tratar quando há manipulação cirúrgica prévia ou
antecedentes de uropatia. Recomenda-se administrar este tra-
tamento pelo mínimo período efetivo. A primeira medida é
retirar o cateter e colher uma amostra de urocultura com uma
nova sonda (se o paciente ainda tiver critérios para necessitar
de uma sonda vesical).
Discute-se a importância da candidúria assintomática.
Deve-se erradicar a Candida spp em pacientes portadores de
cateteres por tempo prolongado, com uropatia ou assintomáti-
cos. Administrar fluconazol ou anfotericina B em doses bai-
xas durante 7-14 dias (com uropatias, instrumentação urológi-
ca prévia, prematuros, transplante renal e outros tipos de imu-
nodeficiência).
Bacteriúria sintomática
O tratamento das IU-AC sintomáticas é baseado na retirada do
cateter e na escolha do ATB apropriado. O TAE deve se orien-
tar segundo a microscopia (Gram) e cobrir tanto enterococos
como BGN intra-hospitalares, de acordo com a epidemiologia
local. A duração mínima do tratamento com ATB deve ser de
5 a 7 dias, com um máximo de 14 dias em pacientes selecio-
nados.
O TAE se baseia na apresentação clínica da IU, na duração
do cateterismo, na doença de base e uso recente de ATB.
Em pacientes sem co-morbidades, com cateterização breve
e pouco tratamento com outros fármacos tóxicos, pode-se ini-
ciar TAE com monoterapia com aminoglicosídeo (amicacina),
com ou sem ampicilina (de acordo com exame de urina).
Na IU-AC grave, com co-morbidades, o TAE deve incluir
mais de um ATB; os recomendados são piperacilina/tazobac-
tam, ou um carbapenêmico. O TAE deverá ser ajustado de
acordo com a tipificação e sensibilidade ao ATB. O uso de
vancomicina dependerá da descoberta de MRSA, em uma rara
vez em que se indica como TAE para IU.64
Bacteremia associada a cateter venoso central
(CVC)14-17
Provável
Isolamento no sangue de um microorganismo habitual de pele
em uma ou mais hemoculturas, e manifestações de sepse
(febre, calafrios, hipotensão), e sem fonte aparente de
infecção, exceto ao CVC.
Definitivo
Bacteremia primária causada por qualquer microorganismo
com evidência clínica e microbiológica quantitativa que indi-
ca o CVC como fonte de infecção, de acordo com os seguin-
tes critérios:
1. Pus no local de inserção, com isolamento do mesmo micro-
organismo neste local e na hemocultura.
2. Sepsis refratária a ATB, que desaparece ao se retirar o
CVC.
3. Cultura semiquantitativa (técnica de Maki) positiva, da
ponta e/ou segmento subdérmico do CVC, com hemocul-
tura prévia positiva para o mesmo microorganismo.
4. Hemocultura quantitativa diferencial (não “retrocultura
simples” em frasco de hemocultura), com recontagem de
colônias ≥ 10 UFC a favor do extraído por meio do CVC
para o mesmo microorganismo. Este método é útil em
CVC com mais de 10 dias de permanência – de uso exclu-
sivo e de material pouco trombogênico – em paciente febril
sem outros sinais de sepse e bom estado geral, que não
queiram “sacrificar” o CVC.
Critical Connections em português Julho 2006 29
5. Hemoculturas automatizadas positivas antes de 2 horas, co-
lhido por meio de CVC, em relação à hemocultura periférica.
A patogenia das infecções relacionadas ao CVC (IRCVC)
é variável e depende fundamentalmente de três fontes: pele,
conexões do CVC e, raramente, da colonização hematogênica
a partir de outros focos. Os microorganismos associados a
BA-CVC, em cateteres de curta permanência (menos de 10
dias) provêm da pele do paciente, enquanto nos cateteres de
longa permanência (mais de 10 dias) provêm das conexões e
colonizam a porção intraluminal (Figura 2).
Em todo paciente com bacteremia, investigar IRCVC,
especialmente CVC prolongado e/ou uso múltiplo.
Notavelmente, existem sinais locais de infecção em menos
de 50% das IRCVC, e até 80% dos CVC com supuração local
não estão infectados (reação local ao material do CVC). Por
isto, é praticamente impossível prever IRCVC, mesmo com
clínica local compatível.
Duas situações básicas podem se apresentar:
1. Dados de infecção local (eritema, supuração, celulite no
trajeto ou peri-CVC) e temperatura ≥ 38o
C: forte suspeita
de BA-CVC. Retirar e cultivar o CVC, com hemoculturas
periféricas.
2. Sem evidência local de infecção, sem febre (sem fonte
óbvia de febre) e CVC de ≥ 96 h, assumir como provável
origem o CVC. Mudar por um novo (preferencialmente em
outro sítio), com coleta prévia de hemocultura periférica.
Se a cultura semiquantitativa da ponta e segmento subdér-
mico forem negativos (≤ 15 UFC /segmento), o CVC
recém-colocado por guia pode permanecer. Se a ponta reti-
rada for positiva (>15 UFC /segmento), o novo CVC inse-
rido por guia deve ser retirado.
3. A “retrocultura não quantitativa” tem pouco valor diagnós-
tico de IRCVC, por sua alta sensibilidade associada a baixa
especificidade; basta que apenas um microorganismo colo-
nize o CVC para que esta seja positiva (não se distingue
colonização de infecção). Se uma cultura periférica e uma
retrocultura forem positivas com o mesmo microorganis-
mo, confirma-se a BA-CVC; com a retrocultura positiva e
hemocultura periférica negativa, ou vice-versa, não se con-
firma. No CVC com menos de 10 dias de permanência, a
colonização bacteriana ocorre na superfície externa, o que
explica a pouca utilidade da retrocultura nesses casos, e a
necessidade da técnica de Maki.
TAE para BA-CVC
A antibioticoterapia para BA-CVC é habitualmente empírica.
A seleção do TAE depende da gravidade do estado do pacien-
te, dos fatores de risco para infecção e da epidemiologia local
(Figuras 3-5). O TAE deve incluir vancomicina – em UTI com
alta incidência de MRSA e Staphylococcus coagulase negati-
vos – junto com um ATB que cubra BGN e P. aeruginosa,
como a piperacilina/tazobactam, um carbapenêmico ou a cef-
tazidima (restringir seu uso para evitar a seleção de cepas pro-
dutoras de ESBL).
Os cocos Gram-positivos são os microorganismos mais fre-
qüentemente associados a BA-CVC, mas os BGN têm
aumentado. A retirada do CVC e o tratamento empírico ade-
quado são fundamentais para o manejo das infecções
causadas por estes microorganismos (Quadro 1).
Particularmente na candidemia associada a CVC, o trata-
mento antifúngico se torna mandatório, juntamente com a
retirada precoce do cateter. Fluconazol (400 mg/dia durante
14 dias após a última hemocultura negativa) é tão efetivo e
Figura 2. Patogenia.
Bainha de
fibrina, trombo
Pele
Critical Connections em português30 Julho 2006
menos tóxico que a anfotericina B (0,5 mg/kg/dia) em pacien-
tes não neutropênicos, sempre que o microorganismo for sen-
sível (Candida albicans, não C. glabrata e nem C.krusei).
Nesses casos, recomenda-se remover o CVC e tratar com ATB
durante 10-14 dias.
A antibioticoterapia inicial deve ser intravenosa. Quando o
paciente estiver estabilizado e se conhecer a sensibilidade a
ATB, pode-se completar o tratamento por via oral, com cipro-
floxacina, linezolida ou cotrimoxazol.
A duração específica dependerá se é uma BA-CVC compli-
cada (trombose, endocardite, osteomielite ou focos metastáti-
cos) ou não (Quadros 2 e 3).
Com resposta rápida ao TAE, sem imunossupressão, nem
valvulopatia cardíaca ou prótese intravascular, tratar 10-14
dias para patógenos distintos de estafilococos coagulase-nega-
tivos. Considerar uma duração maior (4-6 semanas) se houver
bacteremia ou fungemia persistentes após retirar o CVC; com
endocardite, trombose séptica ou osteomielite: 6-8 semanas. A
maioria das infecções por Staphylococcus coagulase-negativos
podem ser resolvidas apenas com a retirada do CVC (sem anti-
bioticoterapia), os especialistas concordam em tratá-las por
períodos curtos, de 5 a 7 dias. Nestes casos, recomenda-se
remover o CVC e tratar com ATB por 5-7 dias, e avaliar valvu-
lopatia e necessidade de ecocardiografia.
Figura 3. Tratamento de paciente com CVC, permanência curta e episódio febril
grave. HMC: hemocultura; NTF: neutropenia febril.
Figura 4. Tratamento de paciente com CVC de curta permanência e episódio febril
agudo.
Figura 5. CVC removível e BA-CVC.
Quadro 1. BA-CVC não complicada por Staphylococcus aureus
• Remover CVC
• Tratar com ATB por 14 dias
• MSSA (cefalosporina 1a
geração) e se for MRSA (vancomicina)
• Ecocardiograma antes de finalizar ATB
• Endocardite: prolongar ATB para 4-6 semanas
Quadro 2. BA-CVC complicada por trombose séptica
• Sempre se deve remover o CVC
• Drenagem e excisão de veia infectada e tributárias comprometidas
• Avaliar anticoagulação
• Grandes veias: ATB por 4-6 semanas, excisão geralmente
desnecessária
• Não são recomendados trombolíticos
Quadro 3. BA-CVC complicada por endocardite/bacteremia persistente
• Remover o CVC
• Falta de melhora ou HMC (+) após 3 dias de terapia efetiva apesar
da retirada do CVC: ATB ≥4 semanas
• Avaliar cirurgia
• Deve-se sempre cobrir Staphylococcus spp
• Endocardite direita: ATB por 2 semanas
• Endocardite fúngica: anfotericina B (avaliar cirurgia)
Critical Connections em português Julho 2006 31
Quando a infecção é por germes e não existe suspeita de
complicações, o CVC pode ser mantido. Considerar isto em
pacientes com dificuldade para encontrar acessos venosos e
ecocardiografia sem vegetações.
Quando somente a ponta do CVC tem resultado de cultura
positivo, com hemoculturas negativas, não há dados bibliográ-
ficos para apoiar a antibioticoterapia. Alguns especialistas
recomendam avaliar e tratar com ATB durante 5 a 7 dias
somente pacientes febris com valvulopatia ou neutropênicos,
cujas culturas semiquantitativas da ponta do CVC mostrem
desenvolvimento significativo de S. aureus ou C. albicans, ou
quantitativo maior que 102
UFC. Isto se baseia no fato de que
S. aureus e Candida spp têm maior probabilidade de causar
BA-CVC complicadas que enterococos ou BGN. Nestes
casos, recomenda-se remover o CVC, tratar com antifúngicos
por 14 dias após a hemocultura negativa (fluconazol) ou até
completar 10-15 mg/kg/total (anfotericina B) e avaliar focos a
distância (fundo de olho, ecografia renal e cardíaca).
Em pacientes com S. aureus, a rifampicina se mostrou útil
para tratar de infecções graves associadas a CVC; sugere-se
utilizar uma dose diária para atingir uma área sob a curva
maior do que a alcançada com duas doses/dia.
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Criterios tratamentos infecções uti

  • 1.
    En español Critérios parao tratamento empírico da infecção em pacientes graves hospitalizados na unidade de terapia intensiva ■ Introdução Dr. Pedro Cahn ■ Resistência bacteriana na unidade de terapia intensiva Prof. José María Casellas ■ Manejo empírico das infecções na unidade de terapia intensiva: a perspectiva do intensivista Dr. Edgar Jiménez ■ Controvérsias sobre o tratamento empírico das infecções em unidades de terapia intensiva Prof. Juan José Picazo ■ Infecções graves na unidade de terapia intensiva pediátrica Dr. Javier María Casellas ■ Resistência a antibacterianos na América Latina Prof. José María Casellas ■ Conclusões e recomendações Grupos de especialistas VOLUME 1 • NÚMERO 1 • JULHO DE 2006 Mensagens dos editores Dr. Edgar Jiménez Dr. Mitchell Levy Em português
  • 3.
    4 Mensagens doseditores Dr. Edgar Jiménez Dr. Mitchell Levy Critérios para o tratamento empírico da infecção em pacientes graves hospitalizados na unidade de terapia intensiva 5 Introdução Dr. Pedro Cahn 6 Resistência bacteriana na unidade de terapia intensiva Prof. José María Casellas 9 Manejo empírico das infecções na unidade de terapia intensiva: a perspectiva do intensivista Dr. Edgar Jiménez 13 Controvérsias sobre o tratamento empírico das infecções em unidades de terapia intensiva Prof. Juan José Picazo 16 Infecções graves na unidade de terapia intensiva pediátrica Dr. Javier María Casellas 20 Resistência a antibacterianos na América Latina Prof. José María Casellas 22 Conclusões e recomendações Grupos de especialistas Em português
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    EDITOR SCCM Secretary Mitchell Levy,MD, FCCM Director, Medical ICU Rhode Island Hospital Professor of Medicine Brown University School of Medicine Guest Editor SCCM President-elect Frederick P. Ognibene, MD, FCCM Director, Office of Clinical Research Training and Medical Education, CC Director, Clinical Research Training Program, OIR Attending, Critical Care Medicine Department, CC National Institutes of Health Associate Editor for Podcasting Richard Savel, MD Associate Director, Surgical Intensive Care Unit Maimonides Medical Center Assistant Professor of Medicine Mt. Sinai School of Medicine Editorial Advisory Board SCCM President Charles G. Durbin Jr., MD, FCCM Professor of Anesthesiology and Surgery Medical Director, Respiratory Care University of Virginia Health System SCCM Immediate Past President Peter B. Angood, MD, FCCM Vice President and Chief Patient Safety Officer, Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organizations SCCM President-elect Frederick P. Ognibene, MD, FCCM Director, Office of Clinical Research Training and Medical Education, CC Director, Clinical Research Training Program, OIR Attending, Critical Care Medicine Department, CC National Institutes of Health SCCM Treasurer Phillip S. Barie, MD, MBA, FCCM Professor of Surgery and Public Health Chief, Division of Trauma and Critical Care Weill Medical College of Cornell University Critical Connections Staff Melissa Nielsen Managing Editor Dave Zwierz Graphic Designer Deborah L. McBride Director of Publications David Julian Martin, CAE Chief Executive Officer and Executive Vice President Contributing Authors Pat Langford Eric Chandler Editor Mitchell Levy, MD, FCCM Secretario, SCCM Director, Medical ICU Rhode Island Hospital. Profesor de Medicina, Brown University School of Medicine. Editor da edição em espanhol e português Edgar Jimenez, MD, FCCM Tesoureiro, World Federation of Societies of Intensive and Critical Care Medicine Diretor, Unidade Médica de Terapia Intensiva e Professor Associado de Medicina, Universidade da Florida. Orlando Regional Medical Center. Comitê Editor Convidado ARGENTINA Pedro Cahn Javier María Casellas José María Casellas Bernardo Maskin Néstor Raimondi Juan J. Videla BRASIL José Maria da Costa Orlando Thais Guimarães CHILE Ricardo Espinoza Patricia González COLÔMBIA Francisco Molina Carlos Humberto Saavedra Trujillo COSTA RICA Jaime Fernández Alpizar ESPANHA Juan J. Picazo MÉXICO Federico Javier Ortiz Ibarra Luis Antonio Sánchez López PANAMÁ Néstor Sosa PERU Luis Cuellar Ponce de León URUGUAI Maria Cristina Rizzi VENEZUELA Alfredo López Strauss Antonio Martinelli Critical connections Em português Volume 1, Número 1, Julho 2006 © 2006 ACINDES Associação Civil de Pesquisa e Desenvolvimento en Saúde Pesquisa e Ensino Médico Continuado para os Profissionais da Saúde e da Comunidade DIRETOR: Jacobo A. Tieffenberg, MD-MPH-MS PRODUÇÃO EDITORIAL: Editorial Médica A.W.W.E. S.A. (Alliance for World Wide Editing) Padre Vanini 380 (B1602EEF) Buenos Aires, Argentina Tel: (5411) 4761-3339 / Fax: (5411) 4761-0763 e-mail: info@emawwe.com http://www.emawwe.com EDIÇÃO: Equipe ACINDES DESENHO E COMPOSIÇÃO: I & M S.A. i-m@vianetworks.com.ar Impresso em São Paulo, Brasil, em setembro de 2006. Esta reunião foi realizada mediante um aporte educacional irrestrito do laboratório AstraZeneca. Esta publicação é oferecida como um serviço educacional do laboratório AstraZeneca para os médicos. Os pontos de vista aqui expressados refletem a experiência e as opiniões dos autores. Antes de prescrever qualquer medicamento eventualmente citado nesta publicação, deve-se consultar a informação para prescrever emitida pelo fabricante.
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    ARGENTINA Pedro Cahn CHEFE, SERVIÇODE INFECTOLOGIA, HOSPITAL FERNÁNDEZ, BUENOS AIRES. PRESIDENTE, INTERNATIONAL AIDS SOCIETY Bernardo Maskin DIRETOR, DEPARTAMENTO DE CUIDADOS INTENSIVOS, HOSPITAL POSADAS, BUENOS AIRES Javier María Casellas INFECTOLOGISTA. PEDIATRA, DIVISÃO DE INFECTOLOGIA PEDIÁTRICA, HOSPITAL MATERNO INFANTIL DE SAN ISIDRO, BUENOS AIRES José María Casellas MICROBIOLOGISTA. PROFESSOR, UNIVERSIDADE NACIONAL DE ROSARIO, SANTA FÉ Néstor Raimondi UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA, HOSPITAL FERNÁNDEZ, BUENOS AIRES. PRÓ-SECRETÁRIO, SOCIEDADE ARGENTINA DE TERAPIA INTENSIVA (SATI) Juan J. Videla SECRETÁRIO, COMITÊ DE INFECÇÕES CRÍTICAS, SOCIEDADE ARGENTINA DE TERAPIA INTENSIVA (SATI) BRASIL José Maria da Costa Orlando MÉDICO INTENSIVISTA. PRESIDENTE, ASSOCIAÇÃO DE MEDICINA INTENSIVA BRASILEIRA, SÃO PAULO Thais Guimarães MÉDICA INFECTOLOGISTA, HOSPITAL DO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL DE SÃO PAULO E HOSPITAL SANTA CRUZ. REPRESENTANTE, SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA, SÃO PAULO CHILE Patricia González MICROBIOLOGISTA. COMITÊ DE INFECÇÕES HOSPITALARES, CLÍNICA ALEMANA, SANTIAGO DE CHILE Ricardo Espinoza INFECTOLOGISTA, CLÍNICA LAS CONDES, SANTIAGO DE CHILE COLÔMBIA Francisco Molina ESPECIALISTA EM MEDICINA CRÍTICA E CUIDADOS INTENSIVOS E EM MEDICINA INTERNA. UNIVERSIDADE PONTIFÍCIA BOLIVARIANA DE MEDELLÍN. COORDENADOR, UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA, CLÍNICA UNIVERSITÁRIA BOLIVARIANA. INTENSIVISTA, HOSPITAL GERAL DE MEDELLÍN, MEDELLÍN Carlos Humberto Saavedra Trujillo INTERNISTA INFECTOLOGISTA. CHEFE, SERVIÇO DE INFECTOLOGIA, HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CLÍNICA SAN RAFAEL, ORDEN HOSPITALARIA DE SAN JUAN DE DIOS, BOGOTÁ COSTA RICA Jaime Fernández Alpizar INFECTOLOGISTA. CHEFE, SERVIÇO DE INFECTOLOGIA, HOSPITAL CALDERÓN GUARDIA, SAN JOSÉ E.U.A. Edgar Jiménez DIRETOR, UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA, ORLANDO REGIONAL MEDICAL CENTER. PROFESSOR ASSOCIADO DE MEDICINA CRÍTICA E MEDICINA INTERNA, UNIVERSIDADE DA FLÓRIDA. SOCIETY OF CRITICAL CARE MEDICINE (SCCM), ORLANDO ESPANHA Juan J. Picazo PRESIDENTE, FUNDAÇÃO PARA O ESTUDO DA INFECÇÃO, FACULDADE DE MEDICINA, UNIVERSIDADE COMPLUTENSE DE MADRI. CATEDRÁTICO DE MICROBIOLOGÍA CLÍNICA, UNIVERSIDADE COMPLUTENSE DE MADRI, MADRI MÉXICO Federico Javier Ortíz Ibarra CHEFE DE INFECTOLOGIA, INSTITUTO NACIONAL DE PERINATOLOGIA, MÉXICO DF Luis Antonio Sánchez López MEDICO INTERNISTA INFECTOLOGISTA. PRESIDENTE, ASOCIACIÓN DE INFECTOLOGÍA DEL NORTE DE MÉXICO. PROFESSOR DE INFECTOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE MONTERREY. COORDENADOR, CLÍNICA DE ATENCIÓN INTEGRAL DE LA SECRETARÍA DE SALUD DE NUEVO LEÓN PANAMÁ Néstor Sosa CHEFE DE INFECTOLOGIA, CAIXA DE SEGURO SOCIAL, PANAMÁ PERU Luis Cuellar Ponce de León MÉDICO INFECTOLOGISTA. CHEFE, DEPARTAMENTO DE ESPECIALIDADES MÉDICAS, INSTITUTO ESPECIALIZADO DE ENFERMIDADES NEOPLÁSICAS. PROFESSOR DE MEDICINA, UNIVERSIDADE NACIONAL “FEDERICO VILLARREAL”, LIMA URUGUAI Maria Cristina Rizzi INTENSIVISTA E INFECTOLOGISTA. CHEFE, UNIDADE DE CUIDADOS INTENSIVOS, HOSPITAL MILITAR. INFECTOLOGISTA, HOSPITAL DEL CÍRCULO CATÓLICO DE OBREROS DE MONTEVIDEO, MONTEVIDÉU VENEZUELA Alfredo Lopez Strauss MÉDICO INTERNISTA E INFECTOLOGISTA. CHEFE, UNIDADE DE INFECTOLOGIA, HOSPITAL DOMINGO LUCIANI DE CARACAS. COORDENADOR, COMITÊ DE INFECÇÕES INTRA-HOSPITALARES, HOSPITAL DOMINGO LUCIANI. COORDENADOR E ASSESSOR, PROGRAMA DE INFECÇÕES EM UTI PARA A SOCIEDADE VENEZUELANA DE MEDICINA CRÍTICA, CARACAS Antonio Martinelli CIRURGIÃO INTENSIVISTA. CENTRO MÉDICO CARACAS, CARACAS Participantes AMMCTI Asociación Mexicana de Medicina Crítica y Terapia Intensiva Sociedad Argentina de Terapia Intensiva
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    C omecei como editorde Critical Connections em janeiro e já co- nheço a importância que tem esta publicação como ferramenta para unir os membros da comunidade que atende pacientes graves em todo o mundo. O lançamento da edição latino-americana da Critical Connections é uma iniciativa da Associação Civil de Pesquisa e Desenvolvimento na Saúde (ACINDES) e prova do contínuo crescimento internacional da Society of Critical Care Medicine (SCCM). A Sociedade espe- ra fortalecer sua relação com os médicos de atendimento de pacientes graves nessa região e, ao mesmo tempo, proporcio- nar um recurso valioso. A editora – Editorial Médica A.W.W.E. – também publica a edição em espanhol dos manuais Fundamental Critical Care Support (FCCS) e Fundamentals of Disaster Management (FDM) e a edição em português do FCCS. O Dr. Edgar Jiménez é um dos muitos profissionais dedica- dos que tornam possível esta publicação. Este médico tem uma grande visão para aumentar a consciência sobre a atendi- mento de pacientes graves em toda a região e, assim, oferecer- lhes as últimas novidades clínicas e proporcionar a melhor atenção possível. Os redatores dos Estados Unidos e da América Latina trabalharão juntos para lograr esses objetivos enquanto nos esforçamos em conservar a missão global da Sociedade. A Sociedade já tem fortes laços com a comunidade de aten- dimento de pacientes graves na América Latina. A região é o mercado de maior crescimento para os cursos de FCCS da SCCM, com Brasil e Argentina liderando essa tendência. A Sociedade também participou do World Congress on Critical Care em Buenos Aires, Argentina, em agosto de 2005. Foi o maior congresso mundial até esta data, o que reflete a importância crescente da comunidade de atenção a doentes graves na América Latina. A comunidade latino-americana está claramente ávida por conhecimentos sobre o tratamento de seus pacientes gravemente enfermos e lesionados, e Critical Connections atuará como outro recurso excelente. Esta publicação tem servido como a voz da Sociedade, ao proporcionar aos profissionais da saúde artigos clínicos infor- mativos e atualizações sobre as atividades da Sociedade. Estamos orgulhosos de oferecer uma edição especialmente adaptada às necessidades dessa comunidade. Dr. Mitchell Levy Secretário da Society of Critical Care Medicine Professor de Medicina e Diretor, Unidade Médica de Terapia Intensiva Faculdade de Medicina, Universidade Brown, Hospital de Rhode Island B em-vindos. É uma verdadeira honra e motivo de grande orgulho dirigir-me a todos vocês e, ao mesmo tempo, oferecer-lhes este valioso recurso, que iniciamos hoje com a primeira edição em espanhol e português da Critical Connections. Em janeiro passado, a Society of Critical Care Medicine (SCCM) me propôs que assumisse a posição de co-editor desta revista, com o desejo de publicar artigos pertinentes para a grande comunidade de colegas de fala hispana e portuguesa. Tenho o prazer de trabalhar junto com o Dr. Mitchell Levy, editor da versão em inglês desta revista, que, com sua ampla e renomada trajetória na área de terapia intensiva e com nossa Sociedade, nos ajudará a fazer desta publicação uma valiosa fonte de informação. Obviamente, para poder levar a cabo uma tarefa dessa magnitude, dependemos do valoroso apoio nos Estados Unidos de Debbie McBride, diretora de publi- cações da SCCM e de seu grupo, através da coordenadora Melissa Nielsen. No âmbito latino-americano, a publicação em espanhol e em português é coordenada pelo Dr. Jacobo A. Tieffenberg, presidente da Associação Civil de Pesquisa e Desenvolvimento na Saúde (ACINDES), e Carolina Berduque, coordenadora da Editora Médica Alliance for World Wide Editing (AWWE), com sedes em Buenos Aires, São Paulo, México e Madri. A pluralidade de nossa comunidade torna necessário que, através de meios como este, possamos manter o intercambio de dados, conceitos e idéias. Nesta edição, apresentamos os resultados de uma reunião de consenso com recomendações para o uso empírico de antibióticos em infecções graves nas unidades de terapia intensiva, celebrada em Buenos Aires em junho de 2005. Espero que lhes seja de grande utilidade. Nossa edição vai se nutrir de uma grande variedade de arti- gos do contexto norte-americano e europeu que serão traduzi- dos ao espanhol e ao português, assim como de artigos pró- prios da área hispano-americana que sejam propostos por todos vocês. Além disso, serão publicadas notícias e infor- mação sobre atividades específicas de nossa área. Contamos com todos vocês para fazer desta revista uma verdadeira ferra- menta na área de terapia intensiva. Agradeço a confiança depositada em nós pela SCCM, ao dar-nos a responsabilidade de seguir adiante com este projeto. Assim, cumpriremos com a missão de oferecer os últimos avanços clínicos, enquanto brindamos o melhor cuidado pos- sível a nossos pacientes graves. Muito obrigado por seu apoio e seguiremos em contato... Dr. Edgar Jiménez Tesoureiro, World Federation of Societies of Intensive Critical Care Medicine Diretor, Unidade de Terapia Intensiva, Orlando Regional Medical Center. Professor Associado de Medicina Crítica e Medicina Interna, Universidade da Flórida. Society of Critical Care Medicine (SCCM), Orlando, Flórida, EUA. Critical Connections em português4 Julho 2006 Mensagem dos editores Dr. Edgar Jiménez Dr. Mitchell Levy
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 5 Introdução Dr. Pedro Cahn Chefe, Serviço de Infectologia, Hospital Fernández, Buenos Aires, Argentina. Presidente, International Aids Society. A s diretrizes de tratamento são recomendações basea- das na evidência científica disponível e elaboradas por meio do consenso de especialistas sobre um tema determinado. A elaboração de diretrizes tem por obje- tivo me-lhorar a qualidade dos cuidados médicos em pacien- tes com determinadas doenças, proporcionar informação sobre tratamentos com uma relação custo-benefício adequa- da e servir como material de formação para profissionais com menos experiência clínica. Quando utilizadas de manei- ra adequada, as diretrizes são úteis para aperfeiçoar o trata- mento dos pacientes. É importante, porém, ressaltar que esses documentos não substituem o julgamento clínico, e as recomendações são generalizadas, baseadas em estudos populacionais randômicos, além da opinião de especialistas. É o médico que deve avaliar as circunstâncias particulares do paciente para poder aplicar as diretrizes elaboradas pelos especialistas. O objetivo desta reunião foi desenhar, a partir do consenso, um guia clínico baseado nas evidências médi- cas e na experiência dos países participantes da América Latina, para fornecer à comunidade uma ferramenta útil para o manejo das infecções graves em pacientes internados em unidades de terapia intensiva. Nestes casos, em particular, existe uma série de questões- chave na hora de elaborar normas de tratamento. As perguntas mais freqüentes sobre o manejo do paciente grave procuram saber se há necessidade de se contar com documentação microbiológica, se é conveniente variar o esquema terapêuti- co iniciado e se devem ser reservados certos antibióticos quando o indivíduo necessita de internação prolongada. Outras questões que geram discussão se relacionam à duração do tratamento em infecções graves, o manejo da infecção associada a cateteres e o valor das culturas negativas. Durante o encontro, um dos pontos especialmente aborda- dos foi a relevância da resistência antimicrobiana na evolução de pacientes graves. Expôs-se a experiência com infecções nas unidades de terapia intensiva (UTI) e se comparou a sen- sibilidade a diferentes antibióticos. Entre os temas destacados, estavam o manejo empírico das infecções em UTI na perspectiva do intensivista, as controvér- sias na implementação do tratamento inicial de cobertura e a adequação posterior da terapia. A pneumonia intra-hospitalar demandou um capítulo especial, por sua alta prevalência entre as infecções em UTI. Do mesmo modo, foram trazidos dados importantes sobre o manejo na pediatria. Assim, o painel de especialistas revisou a informação disponível sobre as realida- des locais nas UTIs, os microorganismos prevalentes e o per- fil de resistência na região. Por último, foram analisadas as diferentes opções de tra- tamento empírico e discutidas as medidas preventivas neces- sárias para se diminuir o aparecimento de resistências. Chegou-se a uma série de recomendações que buscam cola- borar com o manejo das infecções dos pacientes graves internados em UTI. As sessões foram marcadas pelo alto nível das intervenções e pela absoluta independência de critério dos participantes do painel, e por isso este documento certamente será uma fonte de referência importante para o manejo das infecções graves dos pacientes internados nas UTIs da região.
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    Critical Connections emportuguês6 Julho 2006 Resistência bacteriana na unidade de terapia intensiva Dr. José María Casellas Microbiólogo. Professor, Universidade Nacional de Rosário, Santa Fé, Argentina. D entro do grupo de antibacterianos carbapenêmicos, existem diferenças significativas. Esta família de antimicrobianos está representada na Argentina por ertapenem, imipenem e meropenem. Segundo estudos compa- rativos, o meropenem demonstrou, em diferentes patologias infecciosas, atividade superior frente à piperacilina/tazobac- tam e à cefepima. No caso do ertapenem, não se recomenda sua utilização na unidade de terapia intensiva (UTI), por causa da resistência da Pseudomonas aeruginosa e da Acinetobacter baumannii, e sim nas infecções adquiridas na comunidade. Estas bactérias apresentam taxas de resistência ao imipenem e ao meropenem entre 20% e 40% na América Latina. Além disso, com o erta- penem estão surgindo cepas resistentes a algumas enterobac- térias (Klebsiella pneumoniae e Enterobacter cloacae), o que é raro para o imipenem e o meropenem (Tabela 1). Um tema de grande relevância é a dosagem dos antimicro- bianos. Os parâmetros farmacocinéticos e farmacodinâmicos dos carbapenêmicos – antibacterianos betalactâmicos – dependem do tempo em que se mantêm acima da concen- tração inibitória mínima (CIM). Para estes agentes, não é importante o pico sérico. Para o meropenem, o ponto de corte foi estabelecido em 4 mg/l. Supõe-se que a meta farmacodinâmica (tempo >CIM) deveria ser de 50% para microorganismos Gram-positivos e de 80% para Gram-negativos. Nas cepas isoladas na América Latina, isto é atingido pelo meropenem para Staphylococcus spp sensíveis à meticilina, Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis, família Enterobacteriaceae e anaeróbios; 70% para Pseudomonas aeruginosa, 60% Acinetobacter baumannii e 60% para Enterococcus spp. Com base nestas considerações, doses de 1 g IV (intravenoso) a cada 8 horas são úteis sempre que a CIM for menor que 4 mg/l. Para CIM de 8 ou 16 mg/l, reco- menda-se o uso de infusões intermitentes de 2 g a cada 8 horas, com duração de três horas (dose total: 6g/dia). Também é possível fazer uso de infusões contínuas, com dose de ata- que de 500 mg, após a qual se introduz gotejamento para 6 g/24 h. Esta forma apresentaria a vantagem de diminuir os custos de enfermagem. Com respeito à etiologia das infecções em UTIs, compa- rou-se a sensibilidade ao meropenem, piperacilina/tazobac- tam e cefepima – determinada por microdiluição segundo o Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI, antes denominado National Committee for Clinical Laboratory Standards [NCCLS]) – com base em estudos efetuados nos laboratórios do Centro de Investigaciones Biológicas y Clínicas (CIBIC) de Rosário e do Centro de Estudios en Antimicrobianos de San Isidro, Buenos Aires, ambos na Argentina, sobre amostras clínicas obtidas de UTIs de diver- sos centros assistenciais daquele país. Em casos de sepse intra-abdominal – em amostras colhidas por meio de punção-aspiração – as infecções mistas mostraram taxa de prevalência de 87%, com 13% de hemoculturas positivas con- comitantes. Nas infecções de pele e tecidos moles, a proporção de infecções mistas foi de 66%. As amostras foram coletadas por punção através de pele sadia e anaeróbios foram cultivados em todos os casos. As hemoculturas positivas foram 5%. Diversamente, na pneumonia associada à ventilação mecânica, isolou-se predominantemente apenas uma bactéria, com incidên- cia de 95% (não se consideraram as infecções por Chlamydophila pneumoniae). As amostras foram obtidas pelas técnicas habituais – lavado broncoalveolar (LBA), mini-LBA, aspirado traqueal – e 26% dos pacientes apresentaram hemoculturas positivas. Na pneumonia associada à ventilação mecânica, ao compa- rar a sensibilidade (taxa de êxito baseado na sensibilidade do isolamento, não na cura do paciente) ao meropenem, pipera- cilina/tazobactam e cefepima, os microorganismos conflitivos são os bacilos Gram-negativos não fermentadores (BGNNF), como P. aeruginosa e A. baumannii. Neste caso, a sensibilida- de ao meropenem é de 80%; a sensibilidade a piperacina/tazo- bactam e cefepima é muito baixa. A atividade do meropenem é excelente para os patógenos envolvidos na pneumonia, com exceção dos isolados de Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA) (Tabela 2). Na sepse intra-abdominal, a atividade do meropenem é superior; piperacina/tazobactam é o antimicrobiano seguinte em eficácia, pois também cobre anaeróbios. A cefepima é pouco ativa contra anaeróbios, portanto não se recomenda sua utilização como monoterapia (Tabela 3). Tabela 1. Carbapenêmicos comercializados na Argentina Ertapenem NÃO SIM (FDA) Aparecendo SIM SIM NÃO (ANMAT) Meropenem SIM SIM Muito raro P. aeruginosa ~20% E. faecium Acinetobacter ~30% FDA: Food and Drug Administration (E.U.A.) ANMAT: Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (Argentina) Antibacterianos Indicado em UTI Indicado ou aprovado em pediatria Resistência em Enterobactérias P. aeruginosa Enterococos Acinetobacter
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 7 Em infecções de pele e tecidos moles, deve-se destacar a alta prevalência de microorganismos anaeróbios (especial- mente Gram-positivos). Nestas infecções, também são neces- sários antibacterianos que cubram anaeróbios (Tabela 4). Ao projetar os resultados com base na possível efetivida- de clínica em cada paciente frente aos achados nas diferen- tes patologias, observa-se que o meropenem apresenta uma eficácia projetada superior a 90% para sepse intra-abdomi- Tabela 3. Sepse intra-abdominal (pacientes n = 60; cepas isoladas n = 199). n % n % n % n % n % Enterobacteriaceae (1) 68 40 57 95 68 100 59 87 62 91 Enterococcus spp (2) 48 27 48 80 47 98 47 98 0 – Anaerobios Gram-positivos (3) 36 20 30 50 36 100 36 100 0 – Anaerobios Gram-negativos (4) 32 17 28 47 32 100 32 100 0 – BGNNF (5) 11 6 11 18 7 64 4 4 3 3 S. aureus (6) 4 1 4 7 2 50 2 50 2 50 Total 199 192 96 180 90 67 35 (1) Enterobactérias: 48 E. coli; 8 P. mirabilis; 8 Klebsiella spp; 4 outros; 9 ESBL (CTX-M2; SHV5). (2) 47 E. faecalis; 1 E. faecium. (3) Anaeróbios Gram-positivos: 10 Clostridium spp; 10 Streptococcus anginosus-constellatus, só cresceram em anaerobiose; 10 Peptostreptococcus spp (4) Anaeróbios Gram-negativos: 10 Bacteroides fragilis; 8 B. não fragilis; 6 Porphyromonas spp, Prevotella spp; 2 Eubacterium spp (5) 8 P. aeruginosa (uma cepa VIM-2); 8 Acinetobacter spp; 1 S. maltophilia. (6) 2 MRSA e 2 MSSA. Grupos de espécies (2) Cepas Pacientes Meropenem Piperacilina/tazobactam Cefepima Sensibilidade a Tabela 4. Infecções de pele e tecidos moles (pacientes n = 62; cepas isoladas n = 123). n % n % n % n % n % S. aureus (2) 48 39 48 80 38 95 38 95 38 95 Anaerobios Gram-positivos 20 16 16 26 20 100 20 100 0 – S. pyogenes 18 15 18 29 18 100 18 100 18 100 Enterobacteriaceae (3) 18 13 16 26 18 100 13 72 13 72 Anaeróbios Gram-negativos 8 7 8 13 8 100 8 100 0 – BGNNF 8 7 8 13 5 63 3 38 3 38 Enterococcus spp (4) 3 2 2 3 3 100 3 100 0 – Total 123 – – – 110 89 103 84 72 59 (1) Não foram incluídos Staphylococcus coagulase negativos nem Streptococcus viridans (prováveis contaminantes da pele). (2) 38 MSSA e 10 MRSA. (3) 6 E. coli; 6 P. mirabilis; 4 Klebsiella spp; 2 outros. Produtores de ESBL: 5 (28%). (4) E. faecalis. Grupos de espécies (1) Cepas Pacientes Meropenem Piperacilina/tazobactam Cefepima Sensibilidade a Tabela 2. Pneumonia associada à ventilação mecânica (pacientes n = 40; cepas isoladas n = 43). (1) n % n % n % n % n % S. pneumoniae 19 44 19 48 19 100 19 100 19 100 BGNNF (3) 10 23 10 40 8 80 4 40 3 30 Enterobacteriaceae (4) 4 9 4 10 4 100 2 50 1 25 S. aureus (5) 4 9 4 10 2 50 2 50 2 50 Haemophilus spp (6) 3 7 3 8 3 100 3 100 3 100 M. catarrhalis 2 5 2 5 2 100 2 100 2 100 E. faecalis 1 2 1 3 1 100 1 100 0 0 Total 43 39 33 30 (1) Inclui primeira pneumonia e pneumonias tardias. Não foram incluídas pneumonias aspirativas. (2) Não foram tabulados 2 casos com PCR positiva para Chlamydiophila pneumoniae. (3) BGNNF: 3 P. aeruginosa e 1 complexo Acinetobacter baumannii/A. calcoaceticus (4) K. pneumoniae: 2 betalactamases de espectro estendido (ESBL) e 1 Enterobacter cloacae (ampC desreprimida) (5) Staphylococcus: 2 MRSA e 2 S. aureus sensíveis à meticilina (MSSA) (6) Haemophilus spp: 2 H. influenzae e 1 H. parainfluenzae (todas as betalactamases negativas). Grupos de espécies (2) Cepas Pacientes Meropenem Piperacilina/tazobactam Cefepima Sensibilidade a
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    Critical Connections emportuguês8 Julho 2006 nal e pneumonia associada à ventilação mecânica. Em infecções de pele e tecidos moles, a taxa de efetividade é de 76%, devido à presença de MRSA. Piperacilina/tazobactam e cefepima apresentam taxas de efetividade inferiores a 75% em todos os casos. A baixa atividade da cefepima na sepse intra-abdominal é devida à não-cobertura de anaeró- bios; se combinada a metronidazol, a efetividade sobe a 60% (Tabela 5). Conclusões Os carbapenêmicos, em especial o meropenem, apresentam efe- tividade muito elevada quando empregados como monoterapia em casos de pneumonia associada à ventilação mecânica, sepse intra-abdominal e infecções de pele e tecidos moles. O merope- nem demonstrou superioridade frente a piperacilina/tazobactam e cefepima. Porém, deve-se levar em conta a baixa sensibilidade do MRSA, caso haja suspeitas de sua presença. Tabela 5. Efetividade clínica projetada dos achados in vitro por paciente. Sepse intra-abdominal (SIA) 54/60 90 43/60 72 8/60 13* Pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) 36/39 92 30/39 77 27/39 69 Infecções de pele e tecidos moles (IPTM) 47/62 76 44/62 71 32/62 52 * Em associação com metronidazol 36/60: 60% Meropenem Piperacilina/tazobactam Cefepima n % n % n % Significância: Meropenem vs. Piperacilina/tazobactam SIA: P = 0,23* PAVM: P = 0,129 IPTM: P = 0,669 Meropenem vs. Cefepime SIA: P = 0,000* PAVM: P = 0,023* IPTM: P = 0,009* Piperacilina/tazobactam vs. Cefepime SIA: P = 0,000* PAVM: P = 0,589 IPTM: P = 0,047* * Existem diferenças significativas entre as proporções comparadas
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 9 Manejo empírico das infecções na unidade de terapia intensiva: a perspectiva do intensivista Dr. Edgar Jiménez Tesoureiro, World Federation of Societies of Intensive Critical Care Medicine Diretor, Unidade de Terapia Intensiva, Orlando Regional Medical Center. Professor Associado de Medicina Crítica e Medicina Interna, Universidade da Flórida. Society of Critical Care Medicine (SCCM), Orlando, Flórida, EUA. Resumo O tratamento empírico adequado das infecções na unidade de terapia intensiva (UTI) requer a avaliação correta dos fatores de risco distintos do paciente e das realidades locais, que con- dicionam o tratamento. As diretrizes acordadas em consenso são fundamentais para se desenvolver tratamentos apoiados por evidências. Entre as infecções na UTI, a pneumonia intra-hospitalar e suas variantes, a pneumonia associada à ventilação mecânica e a pneumonia associada a cuidados médicos, ocupam lugares de destaque, por suas freqüências. Para o tratamento empírico inicial do paciente grave, deve- se considerar: o início da infecção (inicial ou tardia), os fato- res de risco do paciente, os microorganismos locais prevalen- tes e as possíveis resistências. O tratamento inicial deve ser uma cobertura ampla contra os possíveis patógenos envolvi- dos. Entretanto, é necessário assumir o compromisso de redu- zir o espectro, de acordo com os resultados microbiológicos e com a avaliação clínica. Desta forma, passa-se então a um tra- tamento específico, para se evitar principalmente a superutili- zação de antibióticos, o que gera o aparecimento de resistên- cias. Na escolha dos antimicrobianos, deve-se optar por aque- les que geram menor seleção de cepas resistentes. Introdução Em 2005, a Sociedade Americana do Tórax (ATS) e a Sociedade de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (IDSA) publicaram um documento sobre o tratamento de adultos com pneumonias intra-hospitalares (PIH) associadas a ventilação mecânica ou a tratamento médico.1 Este documen- to é importante pela alta freqüência de pneumonia entra as infecções em unidades de terapia intensiva (UTI). O guia recomenda tratar o pacientes com antibióticos ade- quados – precocemente e em doses adequadas – , evitar a superutilização de antimicrobianos, por meio da redução de espectro – segundo dados microbiológicos e clínicos – e ajus- tar o tratamento a um mínimo efetivo. Também se destacam como objetivos a classificação dos pacientes segundo o risco de infecções por patógenos multirresistentes e a definição de um novo grupo com pneumonia associada a tratamentos médicos (PATM) , que inclui a PIH. A PIH é a que ocorre den- tro de 48 horas pós-internação, e que não estava em incubação no início da internação. Epidemiologia das PIH A PIH é a segunda infecção hospitalar mais freqüente nos Estados Unidos: 5 a 10 casos a cada 1.000 internações; seu aparecimento aumenta o tempo de internação em 7 a 9 dias por paciente. Além das enfermidades associadas, aumenta sig- nificativamente os gastos com saúde em mais de 40.000 dóla- res por paciente. As PIH representam 25% das infecções em UTI e 50% do uso de antibióticos. Apresenta altos índices de mortalidade: 33-59%. A pneumonia associada a ventilação mecânica (PAVM) ocorre em 9 a 27% dos pacientes intubados. O risco por dia é de 3% nos primeiros cinco dias, 2% entre 5 e 10 dias, e de 1% após o décimo dia. Cinqüenta por cento aparecem nos primei- ros quatro dias. São divididas em precoces e tardias. As PAVM precoces ocorrem nos primeiros quatro dias, têm me- lhor prognóstico e, muito provavelmente, são causadas por microorganismos sensíveis aos antibióticos. As tardias ocor- rem após cinco dias de intubação, são causadas por microor- ganismos multirresistentes e têm alta mortalidade. Existem fatores de risco que predispõem a infecções com patógenos multirresistentes. Isto é importante ao decidir o tra- tamento empírico, mais do que a classificação entre precoces e tardias. ADRO Fatores de risco para patógenos multi-resistentes na PIH, PAVM e PATM: Tratamento com antibióticos nos três meses anteriores. Internação maior que 5 dias. Alta incidência de resistência a antibióticos na comunida- de ou na unidade específica do hospital. Doença ou tratamento imunossupressor. As PIH, PAVM ou as PATM podem ser causadas por mui- tas bactérias diferentes. Os patógenos mais freqüentes são os A PATM pode aparecer quando há exposição a patógenos não habi- tuais, por alguma das seguintes circunstâncias: • Paciente internado em um hospital de agudos por mais de dois dias, nos três meses anteriores à infecção. • Paciente que mora em asilos ou centro de tratamento para doentes crônicos. • Pacientes em hemodiálise. • Paciente que recebeu antibióticos intravenosos (IV), quimioterapia ou cuidado de ferimentos nos 30 dias anteriores. Fatores de risco para patógenos multirresistentes em PIH, PAVM e PATM: • Tratamento com antibióticos durante os três meses anteriores. • Hospitalização maior que 5 dias. • Alta incidência de resistência a antibióticos na comunidade ou na unidade específica do hospital. • Enfermedade ou tratamento inmunossupressor. • Fatores de risco para PATM.
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    Critical Connections emportuguês10 Julho 2006 aeróbios Gram-negativos (Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli, Acinetobacter sp, Serratia marcescens) e Gram-positivos (Staphylococcus aureus, especialmente resistentes a meticilina – MRSA – , Streptococcus pneumoniae). A etiologia pode também ser polimicrobiana. Segundo dados do Orlando Regional Medical Center (ORMC), a incidência de microorganismos em infecções em UTI, em abril de 2005, foi de 19% para MRSA, 18% para Staphylococcus aureus sensíveis a meticilina (MSSA), 14% para Pseudomonas, e 11% de resultados negativos. Devem-se conhecer, em cada comunidade, os microorga- nismos prevalentes e suas resistências, para se ajustar as dire- trizes de tratamento às circunstâncias regionais. Devem-se também estabelecer estratégias preventivas de acordo com as realidades locais e particulares a cada paciente. Em geral, aconselha-se evitar o quanto possível as intubações, elevar a cabeceira da cama a 30o a 45o , alimentação enteral pós-pilóri- ca e controle rigoroso da glicemia. Diagnóstico Deve-se suspeitar do diagnóstico de pneumonia diante da associação de febre, catarro purulento, leucocitose e piora da oxigenação, juntamente com infiltrado radiológico novo ou progressivo. A ausência de um patógeno multirresistente no trato respiratório inferior nos pacientes intubados – sem troca de antibiótico nas últimas 72 horas – indica que a etiologia não é de um microorganismo resistente. Isto se deve ao fato de que a depuração dos patógenos é muito lenta. Nesses casos, preconiza-se a redução de espectro do tratamento anti- bacteriano. Um aspirado traqueal negativo (sem bactérias ou células inflamatórias) em pacientes sem mudanças de antibió- ticos recentes, tem um valor preditivo negativo de 94% para PAVM; é aconselhável investigar outras causas para a febre.2 Vários estudos demonstraram que o atraso no uso de anti- bióticos adequados na PIH se associa a uma maior mortalida- de.3-5 A estratégia clínica é iniciar um tratamento precoce com antibióticos de amplo espectro, limitar a terapia a 2-3 dias e controlar os resultados com as culturas. Entretanto, estas con- dutas apresentam a limitação de serem extremamente sensí- veis, com maior utilização de antibióticos, e emprego destes em processos não infecciosos resultantes de achados clínicos (atelectasias, insuficiência cardíaca, tromboembolismo pul- monar, etc.)6 . A estratégia bacteriológica compreende culturas quantitati- vas das secreções respiratórias baixas para se definir a pre- sença de pneumonia e sua etiologia. Os benefícios são a menor utilização de antibióticos e uso de agentes de espectro limitado. Os problemas são os pacientes tratados previamente com antibióticos, pelas culturas falso-negativas, e conseqüen- tes falhas nos tratamentos adequados. Outro inconveniente é o tempo de obtenção dos resultados microbiológicos, não é bom atrasar a terapia. A estratégia terapêutica ideal deve ter por objetivo a utili- zação empírica, precoce, de antibióticos de amplo espectro – avaliando todas as circunstâncias do paciente e da região – com o compromisso de reduzir o espectro, de acordo com os dados clínicos e microbiológicos. Desta forma, espera-se dimi- nuir o aparecimento de resistências bacterianas (Figura 1).1 Antibioticoterapia das PIH No tratamento das PIH, deve ser considerado o início precoce ou tardio da PIH, e os fatores de risco para patógenos multir- resistentes.1 Segundo as recomendações da ATS/IDSA, nas PIH ou PAVM precoces com baixo risco de multirresistência, os pató- genos potenciais são S.pneumoniae, H.influenzae, MSSA e bacilos sensíveis Gram-negativos. Nestes casos, é aconselhada a terapia empírica com ceftriaxona ou levofloxacina, moxiflo- xacina ou ciprofloxacina ou ampicilina/sulbactam ou ertape- nem. Nas PIH, PAVM e PATM tardias, com alto risco de multir- resistência, os patógenos que devem cobrir a terapia empírica são, além dos anteriores, P.aeruginosa, K.pneumoniae (beta- lactamases de espectro expandido [ESBL]+), Acinetobacter sp. É necessário administrar antibióticos ou combinações ati- vas contra esses microorganismos (Figura 2).1 No ORMC, os pacientes com PIH precoces e de baixo risco recebem um tratamento antibacteriano mais completo pela freqüência de resistência registrada na região. Pelos pro- blemas com ESBL, S.pneumoniae e prevalência de aproxima- damente 60% de MRSA na comunidade, o esquema empírico compreende cefalosporinas antipseudomonas (cefepima, cef- tazidima) ou carbapenêmicos antipseudomonas (meropenem, imipenem) ou betalactâmico/inibidor (piperacilina/tazobac- tam), mais fluoroquinolona ou aminoglicosídeo + linezolida ou vancomicina, por causa da resistência à meticilina. No ORMC, o padrão de sensibilidade para S. pneumoniae indica boa atividade de levofloxacina; para P. aeruginosa, há uma resposta muito boa à amicacina e tobramicina, mas pro- blemas graves com ciprofloxacina (resistência ao redor de 40%). Para pacientes com antibioticoterapia recente, é recomen- dada terapia empírica com antimicrobianos de classes dife- rentes. O tratamento recente aumenta a probabilidade deFigura 1. Algoritmo de tratamento de PIH, PAVM e PATM.
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 11 cobertura inadequada, podendo predispor à resistência ao mesmo tipo de antibiótico. A ATS/IDSA recomenda as seguintes doses de antibióticos para PIH de início tardio ou com fatores de risco para patóge- nos multirresistentes (Figura 3).1 Os antibióticos em aerossol são utilizados contra patóge- nos multirresistentes que não respondem à terapia sistêmica; aumentam a penetração do antimicrobiano nas vias respirató- rias inferiores. Há uma maior erradicação microbiológica, mas não uma melhora no prognóstico. O efeito colateral é o broncoespasmo. A terapia combinada é freqüente no tratamento da PIH com suspeita de microorganismos Gram-negativos, buscando a sinergia contra P.aeruginosa. Entretanto, a sinergia só é relata- da in vitro e em pacientes com neutropenia ou bacteremia. É difícil demonstrar a importância clínica do sinergismo. Na ver- dade, a terapia combinada inicial para se tratar de uma possí- vel infecção por Pseudomonas não é pela sinergia, e sim para ampliar a cobertura. Alguns dados sugerem mudar para mono- terapia se houver melhora e comprovação microbiológica. Em um estudo multicêntrico, randômico e controlado, os pacientes com PAVM que receberam tratamento adequado por oito dias tiveram uma evolução semelhante aos tratados durante 14 dias.7 As terapias prolongadas favorecem a coloni- zação por patógenos multirresistentes. Em situações espe- ciais, como septicemias ou infecções por Pseudomonas ou Acinetobacter, o tratamento de 14 dias previne recorrências. Em outros casos, convém limitar a oito dias o tratamento, sempre levando em consideração a evolução clínica. Conhecendo os resultados microbiológicos, a redução de espectro ajuda a prevenir resistências, reduz o uso de antibió- ticos inadequados, diminui possíveis reações alérgicas e reduz custos médicos. Regimes especiais Pseudomonas: não há dados de que a terapia combinada me- lhore a evolução, mas com a monoterapia há taxas de 30 a 40% de desenvolvimento de resistência. A terapia combinada diminuiu efetivamente a mortalidade de pacientes com bacte- remia. Acinetobacter: tem resistência natural a muitos antibióti- cos, sendo eficazes carbapenêmicos, sulbactam e polimixinas. A susceptibilidade a aminoglicosídeos varia e sua penetração é controversa. Patógenos com ESBL: as cefalosporinas de terceira geração são inúteis e se discutem as de quarta geração. A eficácia da piperacilina/tazobactam também é incerta. Os carbapenêmicos têm os melhores resultados. Não há dados sobre combinações. MRSA: O fracasso supera 40% com a vancomicina. Estu- dos farmacocinéticos sugerem que isto se deve a dosagem ina- dequada. A linezolida, por sua vez, que tem grande penetração no epitélio pulmonar, demonstrou equivalência com a vanco- micina na PIH. Além disso, é o tratamento de escolha para pacientes com função renal alterada ou tratados simultanea- mente com drogas nefrotóxicas. Resposta terapêutica Habitualmente, há melhora clínica logo após 48-72 horas de tratamento. Recomenda-se manter o regime empírico por esse período, a menos que haja deterioração. Em seguida à identi- ficação microbiológica, faz-se a redução de espectro máxima no tratamento. A radiografia tem valor limitado para definir a melhora. Os parâmetros de evolução clínica são recontagem de leucócitos, curva febril e oxigenação. É importante detectar condições não infecciosas (atelectasias, insuficiência cardíaca, trombo- embolismo pulmonar, contusão pulmonar, pneumonite quími- ca) e outros processos infecciosos. Existem várias causas possíveis de má evolução: diagnós- tico errôneo (não se trata de pneumonia), terapia inadequada para um microorganismo (patógeno resistente à terapia: bac- téria multirresistente, micobactéria, vírus, fungo) e outros Figura 2. Antibióticos empíricos em PIH, PAVM e PATM tardias e de alto risco para multirresistência. Patógenos potenciais Antibiótico recomendado S. pneumoniae Cefalosporina antipseudomonas (cefepima, ceftazidima) H. Influenzae ou Carbapenem antipseudomonas MSSA (meropenem ou imipenem) Bacilos Gram-negativos sensíveis ou Betalactâmico/Inibidor E. coli (piperacilina/tazobactam) K. pneumoniae mais Proteus sp. Serratia marcescens Serratia marcescens Fluoroquinolona antipseudomonas Pseudomonas aeruginosa (Ciprofloxacina ou Levofloxacina) Aminoglicosídeo (amicacina, K. pneumoniae (ESBL+) gentamicina, tobramicina) Acinetobacter sp. mais MRSA Linezolida ou vancomicina Figura 3. Doses iniciais de antibióticos empíricos na PIH, PAVM e PATM tardias e com alto risco para multirresistência. Antibiótico Dose Cefalosporina antipseudomonas Cefepima 1-2 g a cada 8-12 h Ceftazidima 2 g a cada 8 h Carbapenem Meropenem 500-1.000 mg a cada 6-8 h Imipenem 500 mg a cada 6 h ou 1 g a cada 8 h Betalactâmico/Inibidor Piperacilina/tazobactam 4,5 g a cada 6 h Aminoglicosídeo Gentamicina 7 mg/kg/dia (<1 mcg/ml) Tobramicina 7 mg/kg/dia (<1 mcg/ml) Amicacina 20 mg/kg/dia (4-5 mcg/ml) Fluoroquinolona antipseudomonas Levofloxacina 750 mg/dia Ciprofloxacina 400 mg a cada 8 h Vancomicina 15 mg/kg a cada 12 h (15-20 mcg/ml) Linezolida 600 mg a cada 12 h
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    Critical Connections emportuguês12 Julho 2006 fatores do hóspede (empiema, abscesso pulmonar, infecção oculta, febre medicamentosa). Conclusões Entre as infecções de UTI, a pneumonia se destaca por sua incidência e por sua alta taxa de mortalidade. O tratamento empírico inicial deve ser precoce e adequado; isto é funda- mental para o prognóstico e a evolução. Para a escolha inicial do antibiótico, é necessário considerar circunstâncias próprias do paciente, como o momento de início da infecção, antece- dentes, estado clínico e fatores de risco para resistências. Além do mais, é vital conhecer a prevalência local de micro- organismos e possíveis resistências. A avaliação de tudo isso determina que o tratamento empírico é o adequado. Logo após a documentação microbiológica, deve-se reali- zar a redução de espectro: adequação específica do tratamen- to aos patógenos envolvidos, de acordo com sua sensibilida- de. Este manejo otimiza o uso de antimicrobianos, com eco- nomia de recursos econômicos e diminuição da seleção de microorganismos multirresistentes. De modo geral, a duração da terapia específica deve ser de oito dias; não há relatos de benefícios clínicos com regimes mais prolongados, embora seja necessário considerar as situações e patógenos especiais. Limitar a terapia é um manejo que também tende a evitar o aparecimento de resistências futuras. Perspectivas O aparecimento das glicilciclinas (antibióticos derivados das tetraciclinas), como a tigeciclina, proporcionará novas opções de tratamento das infecções. Tigeciclina, recentemente apro- vada pelo Food and Drug Admnistration (FDA), parece ter uma atividade sobre uma ampla gama de patógenos como MRSA, S. pneumoniae multirresistente e enterococos resis- tentes a vancomicina.8,9 Será interessante para o tratamento de infecções complicadas de pele e tecidos moles, e na PIH. O surgimento de uma nova determinação por imunotrans- ferência, de um marcador confiável de infecções, a forma solú- vel do receptor disparador expresso em células mielóides-1 (Soluble form of the Triggering Receptor Expressed on Myeloid cells-1 - STREM-1), poderá ter um importante valor clínico, particularmente na sepse e pneumonia. O STREM-1 é um receptor solúvel expresso sobre as células mielóides, membro da superfamília de imunoglobulinas. Sua expressão sobre as célu- las fagocíticas é regulada pela presença de bactérias e fungos.10 A determinação deste receptor oferece um valor preditivo muito alto. É obtido por lavado broncoalveolar, e quando é positivo há grande probabilidade de que o paciente esteja com PIH. Esta técnica poderia ser especialmente útil nos pacientes em que é difícil se estabelecer pela clínica se há infecção, e poderia ajudar no uso mais discriminado e restrito dos antibióticos. Referências bibliográficas 1. Joint ATS/IDSA Guidelines for the Management of Adults with Hospital-acquired, Ventilator—associated, and Healthcare-associated Pneumonia. Am J Respir Crit Care Med 2005; 171:388-416. 2. Blot F et al. Value of Gram stain examination of lower respiratory tract secretions for early diagnosis of nosocomial pneumonia. Am J Respir Crit Care Med 2002; 162:1731-1737. 3. Luna CM et al. Impact of BAL data on the therapy and outcome of ventilator- associated pneumonia. Chest 1997; 140:306-310. 4. Iregui M et al. Clinical importance of delays in the initiation of appropriate antibiotic treatment for ventilator-associated pneumonia. Chest 2002; 122:262-268. 5. Alvarez-Lerma F, ICU-acquired Pneumonia Study Group. Modification of empiric antibiotic treatment in patients with pneumonia acquired in the intensive care unit. Intensive Care Med 1996; 22:387-394. 6. Fagon JY et al. Invasive and non-invasive strategies for management of suspected ventilator-associated pneumonia: a randomized trial. Ann Intern Med 2000; 132: 621-630. 7. Chastre J et al. Comparison of 8 vs 15 days of antibiotic therapy for ventilator- associated pneumonia in adults: a randomized trial. JAMA 2003; 290:2588-2598. 8. Zhanel GG et al. The glycylcyclines: a comparative review with the tetracyclines. Drugs 2004; 64:63-88. 9. Garrison MW et al. Tigecycline: an investigational glycylcycline antimicrobial with activity against resistant Gram-positive organisms. Clin Ther 2005; 27:12-22. 10. Gibot S, Cravoisy A. Soluble Form of the Triggering Receptor Expressed on Myeloid Cells-1 as a Marker of Microbial Infection. Clin Med Res 2004; 2:181-187.
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 13 Controvérsias sobre o tratamento empírico das infecções em unidades de terapia intensiva Prof. Juan J. Picazo Presidente, Fundação para o Estudo da Infecção (FEI), Faculdade de Medicina, Universidade Complutense de Madri. Catedrático de Microbiologia Clínica, Universidade Complutense de Madri, Madri, Espanha. Resumo As infecções em unidades de terapia intensiva (UTIs) são um problema importante da prática médica. A estada em UTIs, particularmente pelo uso de antibióticos, é acompanhada de uma probabilidade crescente de infecção hospitalar, com con- seqüente aumento da mortalidade. O tratamento antimicrobiano adequado requer a avaliação do paciente e de seus antecedentes (riscos e possibilidade de resistências). É relevante avaliar o quadro clínico, obter amos- tras adequadas, conhecer os patógenos potencialmente envolvi- dos e considerar as resistências locais. Inicialmente, deve-se introduzir um tratamento empírico de cobertura e com os resul- tados microbiológicos, iniciar o ajuste, adequando o tratamen- to para evitar seleção de cepas resistentes e diminuir o custo. Impacto das resistências O aumento das resistências cria diversas inconveniências, incluindo a utilização de antimicrobianos mais tóxicos, que em muitos casos têm menor eficácia e aumentam os custos. Nem todos os antibióticos se portam da mesma maneira ao produzir resistências. As cefalosporinas de segunda e terceira gerações e o aztreonam induzem a produção de betalactama- ses de espectro ampliado (ESBL), mais do que outros antibió- ticos (Figura 1).1 Uma metanálise sobre o impacto do Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) concluiu que a bacte- remia por MRSA está associada a taxas de mortalidade signi- ficantemente maiores que a produzida pelo Staphylococcus aureus sensível à meticilina (MSSA).2 Em um trabalho de Gonzalez et al., a mortalidade de pacientes com pneumonia por MSSA foi superior quando tratados com vancomicina do que quando se indicou cloxacilina (47% vs. 0; P <0,01). O uso das alternativas terapêuticas em caso de resistências incre- menta a mortalidade.3 A repercussão da resistência a antibióticos em microorga- nismos ESBL+ é importante. Paterson et al. observaram 100% de fracasso terapêutico quando o paciente recebeu cefa- losporinas com concentração inibitória mínima (CIM) inter- mediária (> 8mcg/ml) e 54% quando recebeu cefalosporinas com CIM sensível (≤ 8mcg/ml). É clinicamente importante detectar a produção de ESBL+ por Klebsiella pneumoniae ou Escherichia coli, mesmo CIM de cefalosporina estiver na faixa de sensibilidade, e lembrar que os microorganismos ESBL+ são resistentes ao aztreonam e a todas as cefalospori- nas (exceto às cefamicinas).4 Na bacteremia por K. pneumo- niae ESBL+, quando o antibiótico indicado não for ativo, a taxa de mortalidade atinge 63,6%. Os carbapenêmicos foram associados a menor mortalidade em 14 dias de tratamento quando comparados a outros antibióticos ativos in vitro. Ademais, a administração de um carbapenêmico durante os cinco dias posteriores ao início de bacteremia por bactérias ESBL+ relacionou-se independentemente com menor morta- lidade.5 O mecanismo mais relevante de resistência das enterobac- térias às cefalosporinas são as ESBL. Porém, a K. pneumo- niae produz duas porinas de membrana; quando estas estão ausentes (cepas P-), aumenta a resistência às cefalosporinas e a outros antibióticos betalactâmicos; os mecanismos somam- se.6 E. coli, Enterococcus aerogenes e outros microorganis- mos exibem o mesmo fenômeno. A Pseudomonas aeruginosa também tem altos índices de resistência antimicrobiana. Na América Latina, seu perfil de sensibilidade é preocupante. Dados do programa SENTRY indicam 66% de sensibilidade à ceftazidima e 80% ao mero- penem (o antibiótico de melhor atividade no SENTRY).7 A resistência causa pior evolução das infecções, com maior período de internação e cuidados, e aumento de custos. Cosgrove et al. observaram que a resistência da Enterobacter sp. a cefalosporinas de terceira geração foi um fator prognós- tico de mortalidade, com aumento dos riscos relativos (RR) de mortalidade (RR: 5,02; P = 0,01), tempo de hospitalização (RR:1,47; P < 0,001) e custos (RR:1,51; P < 0,001).8 Figura 1. Resistências (ESBL) em bacteremia por K. pneumoniae. Relação com o uso de antimicrobianos (14 dias anteriores). PRODUÇÃO DE ESBL: Bacteremia nosocomial: 30,8% Infecções em UTI: 43,5% Risco relativo Penicilinas 0,82 Cefalosporina 1ª geração 0,92 Cefuroxima 2,55 Ceftriaxona 3,31 Ceftazidima 2,26 Cefalosporina 4ª geração 1,63 Aztreonam 3,27 Carbapanêmicos 1,15
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    Critical Connections emportuguês14 Julho 2006 Em infecções por MRSA, também aumentam a taxa de mortalidade e os custos em comparação com MSSA. Segundo um estudo, a carga econômica média para o hospital em infecção cirúrgica foi de US$ 29.455 em pacientes controle, US$ 52.791 em infectados por MSSA e US$ 92.363,00 em infecções por MRSA.9 Tratamento Adequado Escolha do antimicrobiano A escolha do antimicrobiano é um ponto-chave que condicio- na em grande parte a evolução do paciente. A mortalidade aumenta significativamente com antibioticoterapia inicial ina- dequada. Ibrahim et al. observaram que a taxa de mortalidade hospitalar de pacientes septicêmicos que receberam antibioti- coterapia inicial inadequada foi estatisticamente maior que a verificada em pacientes com terapia adequada (61,9% vs 28,4%, respectivamente). A análise multivariada demonstrou que a antibioticoterapia inadequada foi o fator de risco mais importante para mortalidade hospitalar (razão de probabilida- de [odds ratio, OR] ajustada: 6,86; IC 95%; P < 0,001).10 Em pacientes internados em UTI, este também é o fator determi- nante independente mais importante para mortalidade. Ademais, há mais probabilidade de tratamento inadequado quando o paciente tiver recebido antibióticos previamente.11 Vários estudos demonstram que o tempo de internação e de UTI aumentam quando a terapia empírica é inadequada, com aumento proporcional de custos. O tempo de hospitali- zação médio também foi mais prolongado em pacientes trata- dos com terapia empírica inadequada (55,9 dias), em compa- ração com pacientes que receberam antibioticoterapia inicial adequada (40,8 dias).12 Precocidade do tratamento O tratamento antibiótico deve ser oportuno e muito precoce, já que a mortalidade por pneumonia adquirida na comunida- de é maior se o tratamento é retardado. A administração de antibióticos nas primeiras quatro horas de entrada no hospital está relacionada a menor mortalidade e tempo de internação.13 Na pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM), a mortalidade com tratamento precoce é de 10,8% e de 39,4% quando retardado.14 Se a antibioticoterapia inicial não é adequada por cobertu- ra insuficiente, a mortalidade aumenta notavelmente, ainda que se corrija o tratamento. A modificação da terapia inicial segundo a sensibilidade antimicrobiana gera pior prognóstico do que quando é apropriada desde o início (Figura 2).15 Com introdução muito precoce de antibioticoterapia adequa- da (antes do lavado broncoalveolar), a mortalidade se reduz, em comparação com casos de terapia inadequada ou ausente. Quando se troca o antibiótico inadequado com base nos resulta- dos do lavado broncoalveolar, a mortalidade é comparável à de pacientes que continuam com tratamento inadequado.16 Duração do tratamento Não há diferença na evolução do quadro infeccioso em relação à duração do tratamento (oito ou 14 dias). Porém, há diferença no surgimento de resistências. Quando a antibioti- coterapia é mais prolongada, aumentam as recorrências por patógenos multirresistentes. Em pacientes com infecções recorrentes, estes patógenos são menos freqüentes quando a terapia anterior durou oito dias (42,1%) do que com 15 dias de tratamento (62%).17 Entre os pacientes que recebem terapia empírica inicial adequada (exceto em infecções por bacilos Gram-negativos não fermentadores), a eficácia clínica na PAVM é semelhante em regimes de oito e 15 dias. Outra van- tagem da terapia curta é o menor consumo de antibióticos. A terapia de oito dias parece suficiente e conveniente para a maioria das infecções, mas alguns patógenos requerem maior duração, como P. aeruginosa. Em um trabalho que ava- lia a eliminação de microorganismos endotraqueais ao longo do tempo, Haemophilus influenzae e S. pneumoniae são erra- dicados rapidamente, enquanto S. aureus, enterobactérias e P. aeruginosa, embora sensíveis aos antibióticos administrados, persistem por mais tempo.18 Após 15 dias de tratamento com antibióticos ativos, percebe-se, no aspirado traqueal, dimi- nuição na proporção de enterobactérias, mas não há alterações na P. aeruginosa. A resposta clínica na PAVM ocorre nos seis primeiros dias; apesar disto, a colonização endotraqueal com bactérias Gram-negativas persiste, mesmo sendo estas suscep- tíveis. A colonização acontece na segunda semana e precede episódios de recorrência. Portanto, a infecção por P. aerugino- sa requer tratamento mais prolongado. Monoterapia vs. terapia combinada Segundo uma recente metanálise,19 a mortalidade por todas as causas e as falhas clínicas não mostram diferença entre mono- terapia e combinação (com leve vantagem para a monotera- pia). Os fracassos bacteriológicos e o risco relativo de resistências favorecem a monoterapia; porém, na infecção fúngica, a terapia combinada apresenta vantagens. Os efeitos adversos, especialmente a nefrotoxicidade, aumentam signifi- cantemente com a terapia combinada. A combinação amino- 0 10 20 30 40 RR: 3,18% RR: 2,46% RR: 1,00% Figura 2. Bacteremia e fungemia: mortalidade associada à terapia antimicrobiana. A correção do tratamento após a avaliação de sensibilidade leva a pior prognósti- co quando comparada a tratamento inicial apropriado. Mortalidade relacionada: 17,5%. Tratamento empírico inicial %demortalidade Pós cultura Pós antibiograma
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 15 glicosídeo/beta-lactâmico para tratamento de sepse é desa- conselhada. Na septicemia por P. aeruginosa, há maior mor- talidade com monoterapia como tratamento empírico.20 Uso prévio de antimicrobianos A exposição prévia a antimicrobianos condiciona o tratamen- to posterior porque induz, por exemplo, infecção por E. coli e K. pneumoniae ESBL+, e aumenta o uso de antibióticos, o tempo de internação e os custos.21 É um fator a ser considera- do ao indicar terapia empírica. Na PAVM, a proporção de infecções por bactérias multirre- sistentes aumenta significantemente caso tenha havido expo- sição prévia a antibióticos. Este fenômeno tem maior relevân- cia que o tempo de ventilação mecânica.22 Em pacientes com antibioticoterapia prévia, aparecem grandes proporções de microorganismos que são menos fre- qüentes em indivíduos sem exposição a antimicrobianos, tais como P. aeruginosa, Acinetobacter baumannii e MRSA. Se, além disto, a ventilação mecânica durar mais de sete dias, aumenta a proporção destes patógenos e somam-se outros, como Stenotrophomonas maltophilia. A variável independente mais importante relacionada com bactérias multirresistentes associada à ventilação mecânica é a exposição prévia a antimicrobianos, em comparação ao tempo prolongado de ventilação e ao uso de antibióticos de amplo espectro.22 Conclusões O tratamento empírico adequado deve considerar fatores determinantes da evolução da infecção, como a exposição prévia a antimicrobianos. Este dado é essencial, já que aumenta a possibilidade de que a infecção seja produzida por patógenos multirresistentes. Ao implementar o tratamento empírico, conhecer os microorganismos prevalentes e as resistências locais colabora com a escolha da terapia antimicrobiana adequada, que deve ser muito precoce e de ampla cobertura. Estas medidas redu- zem a mortalidade dos pacientes com infecções e geram bene- fícios adicionais nos custos. A coleta de amostras é outra das circunstâncias que não se pode desconsiderar: é fundamental para comprovar a infecção, e, posteriormente, interromper o tratamento. Desta maneira, a terapia é focalizada de acordo com a sensibilidade, para otimi- zar o uso de antibióticos e diminuir os custos (Figura 3). Referências bibliográficas 1. Paterson DL et al. International prospective study of Klebsiella pneumoniae bacteremia: implications of extended-spectrum β-lactamase production in nosocomial infections. Ann Intern Med 2004; 140:26-32. 2. Cosgrove SE, et al. Comparison of mortality associated with methicillin-resistant and methicillin-susceptible Staphylococcus aureus bacteremia: a meta-analysis. Clin Infect Dis 2003; 36:53-59. 3. González C et al. Bacteremic pneumonia due to Staphylococcus aureus: A comparison of disease caused by methicillin-resistant and methicillin-susceptible organisms. Clin Infect Dis 1999; 29:1171-1177. 4. Paterson DL et al. 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Avaliar o quadro clínico atual 3. Coleta de amostras 4. Conhecer os possíveis patógenos envolvidos 5. Avaliar as resistências locais 6. Iniciar tratamento empírico de cobertura. Avaliar toxicidade. –Protocolos gerais/locais –Monoterapia vs. combinações 7. Corrigir o tratamento conforme os resultados –Evitar a seleção de resistências –Diminuir os custos
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    Critical Connections emportuguês16 Julho 2006 Infecções graves na unidade de terapia intensiva pediátrica Dr. Javier María Casellas Infectologista. Pediatra, Divisão de Infectologia Pediátrica, Hospital Materno Infantil de San Isidro, Buenos Aires, Argentina. Introdução Muitas das considerações no momento de selecionar o trata- mento empírico mais apropriado para infecções graves em adultos e crianças são muito semelhantes, a saber: presença e tipo do foco de infecção, gravidade, estado imunológico do paciente, idade, aquisição na comunidade ou hospitalar.1-4 O diagnóstico e o manejo das infecções em pacientes inter- nados na unidade de terapia intensiva (UTI) é um desafio, já que até um terço dos pacientes que são internados apresentam febre sem foco em algum momento da internação. Isto geral- mente leva a um prolongamento da internação, solicitação de múltiplos exames laboratoriais e, em certas ocasiões, uso ina- dequado de antibióticos.5 Por outro lado, aproximadamente 20-30% dos pacientes com sepse não apresentam foco clínico evidente. Esta situação é agravada pelo fato de que a possibilidade de docu- mentar as infecções na unidade de terapia intensiva pediátri- ca (UTIP) nem sempre é uma tarefa fácil, já que apenas cerca de 30% têm hemocultura positiva quando o foco não é endo- vascular (bacteremia associada a cateteres venosos centrais). O início tardio do tratamento antibiótico está relacionado a um aumento da mortalidade associada a estas infecções, motivo pelo qual seu tratamento precoce e adequado é funda- mental.6-10 Fatores de risco, morbidade, mortalidade As infecções hospitalares são um pouco mais freqüentes em crianças que em adultos, caso sejam incluídas as infecções virais.9 Nas UTIPs, as taxas de infecção variam entre 3-25% (média 11%), fundamentalmente devido à heterogeneidade das diferentes terapias.8-12 Entre os fatores de risco descritos nas UTIPs, a freqüência de infecção é maior em menores de 24 meses, enfermidade preexistente grave, exposição prolon- gada a procedimentos invasivos, antibioticoterapia prévia, estada anterior em UTIs e imunossupressão.6,13-15 Focos de infecção e sua abordagem diagnóstica Nas UTIPs, os focos mais importantes de infecção por ordem de freqüência são: bacteremia, infecção do trato uri- nário (ITU) e pneumonia. As bacteremias representam até 65% dos focos de infecção hospitalar, a pneumonia 5,6- 29% e a ITU 4-25%. Cada um dos focos de infecção se rela- ciona geralmente com dispositivos invasivos. Os patógenos mais freqüentes variam segundo o tipo de UTI (geral, car- diovascular, neurocirúrgica, queimados, etc.), mas são des- critos: Staphylococcus spp, Klebsiella spp, Pseudomonas spp, E. coli, Enterobacter spp, Acinetobacter spp e Candida sp.10,16-18 Tratamento empírico inicial O tratamento das infecções graves nas UTIPs deve estar diri- gido àqueles pacientes nos quais a gravidade clínica faz com que a bacteremia seja altamente provável. Porém, devido ao fato de que nem sempre os microorganismos responsáveis por estas infecções são isolados nas hemoculturas, ressalta-se a importância de culturas quantitativas de urina, ferimentos, trato respiratório baixo e cateteres venosos centrais antes de iniciar o tratamento empírico inicial (doravante referido como TEI).5 O TEI deve ter ≥ 90% de atividade frente a patógenos potenciais e baixa probabilidade de selecionar resistência e durar no máximo 72 horas (reavaliar conforme a evolução clí- nica e resultados de culturas) (Tabela 1). Posteriormente, ade- quar o espectro de acordo com a espécie, sensibilidade, foco e medicamentos disponíveis (custo, toxicidade, indução de resistência). Na seleção do TEI em UTIPs, deve-se levar em conta os seguintes fatores: idade, local e gravidade da infecção, estado imunológico do paciente, local de aquisição (padrão de susceptibilidade: previsibilidade da etiologia), segurança, toxicidade, eficácia e coleta prévia e adequada de culturas representativas. Lembrar que é necessário procurar não transformar sistematicamente o TEI em tratamento defi- nitivo.1,19-21 Experiência em nossa UTIP Em nossa UTIP no Hospital de Niños de San Isidro, observa- mos, em um corte recente, uma incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) de 9% (21/211 ven- tilados em 12 meses de observação). Na população avaliada, os agentes etiológicos repartiram- se de maneira eqüitativa entre infecções virais, bacterianas e mistas (viral + bacteriana). Em 50% dos casos o diagnóstico foi feito após o início do tratamento clínico, recorreu-se ao mini-LBA ou escovado broncoalveolar em 30% dos casos e, quando não factível a realização de estudos quantitativos (geralmente por instabilidade do paciente), utilizou-se o aspi- rado traqueal (20%). Os microorganismos prevalentes na PAVM de nossa unidade são os bacilos Gram-negativos (60%). Entre eles, os mais freqüentes são Pseudomonas aeruginosa, Entero- bacter cloacae, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter bau- mannii (pneumonias tardias) e Haemophylus influenzae (pneumonias precoces), os mais encontrados nos mini- BALs. Entre os cocos Gram-positivos, descrevem-se com maior freqüência: Streptococcus pneumoniae, Streptococcus sp. (pneumonia precoce) e Staphylococcus aureus (pneumo- nia tardia).
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 17 Em relação ao perfil de sensibilidade, P. aeruginosa apre- senta 100% de susceptibilidade à ceftazidima, amicacina, piperacilina/tazobactam. Quanto aos carbapenêmicos, detec- tamos apenas 2 cepas resistentes desde 2001, ambas em pacientes com fatores de risco para multirresistência antibió- tica, devido ao que também apresentaram resistência à cipro- floxacina. As cepas de Enterobacter spp demonstram 100% de sensi- bilidade a fluoroquinolonas, carbapenêmicos e amicacina. Embora não tenham sido registrados casos de cepas desrepri- midas, evitamos – por normas escritas – o uso prolongado ou injustificado de cefalosporinas de terceira geração (ceftazidi- ma, ceftriaxona), a fim de evitar que surjam cepas resistentes de Enterobacter spp e/ou selecionar K. pneumoniae produto- ras de betalactamases de espectro ampliado (ESBL) (apenas 2 casos desde 2001, ambos com fatores de risco). A Acinetobacter baumannii é relativamente infreqüente em nossa UTI, e mostra excelente sensibilidade a carbapenêmi- cos, motivo pelo qual o tratamento dirigido a este microorga- nismo é feito com este grupo de antibióticos. Pelo que foi exposto, o TEI para a PAVM tardia (Tabela 1) em nossa unidade pode iniciar-se com piperazina/tazobactam associado à vancomicina; para a PAVM precoce, recomenda- mos cefotaxima ± macrolídeo (menores de 6 e maiores de 60 meses). Recentemente (novembro/2004), tivemos um caso fatal de pneumonia necrotizante por Staphylococcus aureus resistente à meticilina adquirido na comunidade. Por esta razão, a combinação com vancomicina está sendo considera- da para pacientes com suspeita desta forma tão grave de infecção. Na UTIP, a adequada relação enfermeira/paciente é deter- minante para evitar este tipo de infecções. Como medidas pre- ventivas, deve-se evitar a sobrecarga do pessoal, realizar rigo- rosamente a lavagem de mãos e implementar diretrizes de con- duta obtidas por consenso entre formadores de opinião.1,19-21 Utilização de carbapenêmicos na UTIP Como o tratamento das infecções graves na UTIP requer cer- teza de que a cobertura antibiótica seja desde o início ampla e adequada, recentemente foi proposta a política de “desescala- da” (redução de espectro).7 Entre os grandes desafios no manejo destas infecções, estão as produzidas por bacilos Gram-negativos com multir- resistência antibiótica (produtores de ESBL, betalactamases cromossômicas induzíveis tipo AmpC, etc.). Os carbapenêmi- cos representam uma classe de antibióticos muito úteis para tratar empiricamente este tipo de infecções, devido a seu amplo espectro (aeróbicos e anaeróbicos) e estabilidade fren- te à maioria das betalactamases.23 Os custos do tratamento destas infecções não apenas estão relacionados ao valor do medicamento em si, mas também com o tempo de internação de que o paciente necessitou até sua melhora e/ou cura, a compatibilidade com outros fárma- cos, sua toxicidade, necessidade de doses múltiplas diárias em pacientes com muitas outras medicações intravenosas, volu- me e tempo requeridos para sua infusão. Levando em conta Tabela 1. Patógenos mais freqüentes e tratamento antibiótico de escolha para diferentes localizações de infecção Foco Tipo Agentes etiológicos Não necessitam de cobertura Tratamento preferido Prováveis Abdominal Gênito-urinário Cateter venoso central (CVC); outros sistemas invasivos; ferida cirúrgica Pneumonia intra-hospitalar em paciente ventilado Sem foco aparente Biliar Íleo terminal, cólon, fígado. Bexiga Rim CVC Drenagem LCR Prótese Feridas cirúrgicas Precoce Tardia E. coli Klebsiella spp Enterococcus spp Coliformes B. fragilis Coliformes Enterococo (1) P. aeruginosa S. epidermidis S. aureus Klebsiella spp Enterobacter spp Outros BGN IH H. influenzae S. pneumoniae MSSA BGN não multirresistentes Idem + P. aeruginosa BGN multirresistente Acinetobacter MRSA S. aureus B. fragilis S. aureus S. aureus B. fragilis Coliformes comuns B. fragilis Pseudomonas MRSA adquiridos na comunidade? Piperacilina/tazobactam; BLA/sulbactam; piperacilina + amicacina Metronidazol + amicacina ou piperacilina/tazobactam ou BLA/sulbactam + amicacina ou meropenem Amicacina ou piperacilina/tazobactam Vancomicina + amicacina ou meropenem (2) (Drenagem de LCR vancomicina + ceftazidima) Cefotaxima c/ ou s/ vancomicina + macrolídeo ou azalídeo Vancomicina + meropenem (2) ou piperacilina/tazobactam ambos + amicacina Vancomicina + amicacina vancomicina + piperacilina/tazobactam ou meropenem 1. Caso sejam encontrados no exame direto cocos Gram-positivos em cadeia em uma cultura de urina, associar empiricamente ampicilina. 2. Em pediatria, recomenda-se o uso de meropenem (aprovado para meningites, menor toxicidade em pacientes com insuficiência renal ou convulsões, cada 8 h, mais ativo frente a BGN, estável por 48 h sob refrigeração). Abreviaturas: BLA: Betalactâmicos; BGN: Bacilos Gram-negativos; CGP: Cocos Gram-positivos; CVC: Cateter venoso central; LCR: Líquido cefalorraquidiano; MRSA: S. aureus resistentes à meticilina; MSSA: S. aureus sensíveis à meticilina Segundo epidemiologia local e dirigida a CGP e BGN.
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    Critical Connections emportuguês18 Julho 2006 estas variáveis, o uso de monoterapia para TEI é atraente sempre que se faz a redução de espectro, uma vez obtidos os resultados microbiológicos e frente a uma boa evolução clíni- ca.7,23,24 A utilização de carbapenêmicos para o manejo de infecções graves em pediatria deve seguir certas pautas preestabelecidas, regular-se por normas estritas (uso restringido) dado seu amplo espectro; já que, ante a aparição de resistência a este grupo de antibióticos, as alternativas são muito poucas e nem sempre liv- res de toxicidade (por exemplo, colistina). Com base em estudos recentes, o meropenem surge como o carbapenêmico com melhor perfil pediátrico, devido a sua baixa toxicidade, aprovação para uso em menores de 3 meses e em meningites, atividade frente a algumas cepas de P. aeru- ginosa resistentes ao imipenem, melhor tolerabilidade a altas doses (sistema nervoso central, renal), menor necessidade de aporte de líquidos (importante no manejo de prematuros), doses com intervalos de 8 horas (requerendo menor manipu- lação dos cateteres venosos), curtos períodos de infusão (1-15 minutos), entre outros benefícios (Tabela 2).1,23-24 Na população pediátrica, sempre se deve aventar a possibi- lidade de meningite, mas em muitas ocasiões os pacientes não podem ser submetidos a uma punção lombar. Por isto, ideal- mente, o carbapenêmico utilizado em pediatria é o merope- nem, já que foi aprovado para meningites. Ademais, é ativo frente a Pseudomonas, que às vezes mostram-se resistentes ao imipenem. Tem maior tolerância, mesmo em pacientes com insuficiência renal, e apresenta a possibilidade de ser adminis- trado em infusões contínuas. Este benefício é de especial importância nos prematuros, já que permite utilizar volumes mais reduzidos. Conclusão É conveniente ressaltar que se devem implementar medidas para controlar a resistência a antibióticos na UTI. Em linhas gerais, são úteis as diretrizes e normas consensuais, a restrição ao uso de antibióticos, o antibiograma dirigido, a implemen- tação da redução de espectro a partir de 48-72 horas, adesão à higiene das mãos, diminuição da invasividade, redução do tempo de internação e apelar à educação continuada. Referências bibliográficas 1. Bradley JS. Selecting therapy for serious infections in children: maximizing safety and efficacy. Diagn Microbiol Infect Dis 1998; 31:405-410. 2. Bell LM, Baker MD, Beatty D, Taylor L. Infections in severely traumatized children. J Pediatr Surg 1992; 27:1394-1398. 3. 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Infecções por bacilos Gram-negativos ESBL +. Cepas hospitalares multirresistentes. Superinfecção em pacientes imunocomprometidos ou falta de resposta a antibióticos de amplo espectro em infecções hospitalares. Infecções polimicrobianas (aeróbicos/anaeróbicos) hospitalares. TEI de sepse grave hospitalar (em associação com vancomicina). TEI de PAVM de início tardio. Doses 15-25 mg/kg c/6 h 3 meses-12 anos: 20 mg/kg Experiência limitada em <30 Kg c/8 h (FDA 2001) Meningite: 40 mg/kg c/8 h Não aprovado para meningites Dose máxima: 6 g Dose máxima: 2 g Espectro Cocos Gram-positivos exceto Idem + maior atividade in S. aureus resistente à vitro frente a cocos meticilina. Enterococcus spp Gram-positivos (CGP) e Bacilos Gram-negativos Bacilos Gram-negativos (BGN) incluindo Pseudomonas spp Anaeróbios Anaeróbios Diarréia 5,1% 4,1 Erupção 2,2% 2,2% Convulsões Com meningite 33% Com meningite (similar à Sem meningite até 2-3% cefotaxima 12%) Sem meningite 0,08% Uso em Não recomendado aumenta Ajustando dose não aumenta pacientes com neurotoxicidade neurotoxicidade insuficiência renal Tabela 2. Quadro comparativo de doses, cobertura e indicações entre imipenem e meropenem. Imipenem Meropenem
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 19 17. Mercuri E, Rutherford M, Cowan F, Pennock J, Counsell S, Papadimitriou M, Azzopardi D, Bydder G, Dubowitz L. Early prognostic indicators of outcome in infants with neonatal cerebral infarction: a clinical, electroencephalogram, and magnetic resonance imaging study. Pediatrics 1999; 103:39-46. 18. National Nosocomial Infections Surveillance (NNIS) System report, data summary from October 1986-April 1998, issued June 1998. Am J Infect Control 1998; 26:522-533. 19. Ibrahim EH, Sherman G, Ward S, Fraser VJ, Kollef MH. The influence of inadequate antimicrobial treatment of bloodstream infections on patient outcomes in the ICU setting. Chest 2000; 118:146-155. 20. Calil R, Marba ST, von Nowakonski A, Tresoldi AT. Reduction in colonization and nosocomial infection by multiresistant bacteria in a neonatal unit after institution of educational measures and restriction in the use of cephalosporins. Am J Infect Control 2001; 29:133-138. 21. Kollef MH, Fraser VJ. Antibiotic resistance in the intensive care unit. Ann Intern Med 2001; 134:298-314. Revisão. 22. (Resumo enviado ao ICAAC, New Orleans, Setembro de 2005) 23. Ayalew K, Nambiar S, Yasinskaya Y, Jantausch BA. Carbapenems in pediatrics. Ther Drug Monit 2003; 25:593-599. Revisão 24. Perez-Gorricho B, Zapardiel Ferrero J; Grupo de Estudio de Meropenem en Pediatria. Meropenem as empirical therapy in moderate to severe infections in hospitalized children aged 3 to 12 months and 1 to 14 years. Rev Esp Quimioter 2004; 17:341-349. 25. Bradley JS. Meropenem: a new, extremely broad spectrum beta-lactam antibiotic for serious infections in pediatrics. Pediatr Infect Dis J 1997; 16:263-268. Revisão. 26. Bradley JS, Garau J, Lode H, Rolston KV, Wilson SE, Quinn JP. Carbapenems in clinical practice: a guide to their use in serious infection. Int J Antimicrob Agents 1999; 11:93-100. Revisão. 27. Hurst M, Lamb HM. Meropenem: a review of its use in patients in intensive care. Drugs 2000; 59:653-680. Revisão 28. Klugman KP, Dagan R. Randomized comparison of meropenem with cefotaxime for treatment of bacterial meningitis. Meropenem Meningitis Study Group. Antimicrob Agents Chemother. 1995; 39:1140-1146. 29. Wong VK, Wright HT Jr, Ross LA, Mason WH, Inderlied CB, Kim KS. Imipenem/cilastatin treatment of bacterial meningitis in children. Pediatr Infect Dis J 1991; 10:122-125. 30. Schuler D. Safety and efficacy of meropenem in hospitalised children: randomised comparison with cefotaxime, alone and combined with metronidazole or amikacin. Meropenem Paediatric Study Group. J Antimicrob Chemother 1995; 36(Suppl A): 99-108. 31. Arrieta A. Use of meropenem in the treatment of serious infections in children: review of the current literature. Clin Infect Dis 1997; 24(Suppl 2):S207-S212. Revisão. 32. Norrby SR, Newell PA, Faulkner KL, Lesky W. Safety profile of meropenem: international clinical experience based on the first 3125 patients treated with meropenem. J Antimicrob Chemother 1995; 36(Suppl A):207-223. 33. Karadeniz C, Oguz A, Canter B, Serdaroglu A. Incidence of seizures in pediatric cancer patients treated with imipenem/cilastatin. Pediatr Hematol Oncol 2000; 17:585-590. 34. Norrby SR, Gildon KM. Safety profile of meropenem: a review of nearly 5,000 patients treated with meropenem. Scand J Infect Dis 1999; 31:3-10. Revisão.
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    Critical Connections emportuguês20 Julho 2006 K p vs CAZ 91 65 79 94 36 62 93 75 – 91 59 86 51 40 46 CTX 92 54 65 94 55 62 90 – 100 93 50 93 41 – 42 FEP 99 67 68 94 6 62 – 88 – 93 – 96 41 – 72 PTZ 93 71 70 94 10 87 – 70 – 91 95 83 74 – 62 CAR 100 99 100 100 58 100 100 99 100 91 98 99 100 100 91 GEN 93 55 68 94 – 66 95 70 81 95 43 – 68 58 – AMc 96 81 78 97 – – 80 92 92 97 78 95 83 90 51 CIP 90 81 78 88 8 72 90 95 88 93 94 87 50 78 76 P a vs CAZ 88 61 73 85 67 48 75 79 65 76 70 49 56 59 79 FEP 89 62 73 85 3 55 – 79 – 73 69 53 55 – 72 PTZ 92 72 75 95 79 68 – 84 – 92 89 65 80 61 67 CAR 89 68 74 95 50 60 75 80 86 77 84 61 73 80 61 GEN 91 58 61 – – 48 – – 55 65 49 – – 59 – AMc 98 71 76 95 – – 92 78 78 93 71 72 53 76 74 CIP 75 57 56 75 35 54 85 68 58 59 71 63 49 60 65 Ac vs AMS – – 37 88 75 - 41 65 – 86 – – – 20 49 CAR 84 81 54 88 35 90 92 45 94 92 – 11 94 28 25 CIP 55 22 6 25 3 31 5 38 – 71 – 7 60 20 21 AMK 81 32 29 25 – – 39 50 – 87 – 9 59 20 19 SENTRY EE.UU. 1 AL 2 Argentina SIR 3 CIBIC 4 Brasil Chile Colombia Costa Rica SE dos EUA México Panamá HSPE 5 MYSTIC 6 7 8 9 10 11 12 Perú 13 Uruguai 14 Venezuela 15 1.ProgramaSENTRY.DadoscorrespondentesaosEUA2.ProgramaSENTRY.DadoscorrespondentesàAL.3.ProgramaSIRdaSociedadeArgentinadeBacteriologiaClínica(SADEBAC).Corteoutubro-novembro20044.DadosproporcionadosporJoséMaríaCasellas,LaboratórioCIBIC,Rosário,Argentina. 5. Dados apresentados por Thais Guimarães, Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, Brasil. 6. Dados proporcionados por Caio Mendes, do Programa MYSTIC do Brasil e por Flávia Rossi (Enterococos resistentes a vancomicina [ERV]). 7. Dados proporcionados por Patricia González, Clínica Alemana,eRicardoEspinoza,ClínicaLasCondes,Santiago,Chile. 8.DadosproporcionadosporFranciscoMolina,UniversidadePontifíciaBolivarianadeMedellíneCarlosH.Saavedra,Universidade NacionaldeColômbia,Bogotá,Colômbia.9.DadosproporcionadosporJaimeFernandezAlpizar,HospitalCalderon Guardiã, San José, Costa Rica. 10. Sudeste dos EUA. Dados proporcionados por Edgar Jiménez. 11. Dados proporcionados por Federico Javier Ortiz, Instituto Nacional de Perinatología, México DF e Luis A. Sánchez, Universidade de Monterrey, México. 12. Dados proporcionados por Nestor Sosa, Panamá. 13. DadosproporcionadosporLuisCuellareporWilliamVicente,InstitutodeEnfermedadesNeoplásicas,Lima,Perú.14.DadosproporcionadospelogrupoINBARCIdeintensivistaseporMariaCristinaRizzi,Montevideo,Uruguay.15.DadosproporcionadosporAlfredoLópezStrauss,HospitalDomingoLuciani,Caracas, Venezuela. Kp: Klebsiella pneumoniae.Pa: Pseudomonas aeruginosa. Ab: Acinetobacter baumannii AMC: amicacina AMS: ampicilina-sulbactamCAR: meropenem ou imipenem CAZ: ceftazidimaCTX: cefotaxima ou ceftriaxonaCIP: ciprofloxacinaGEN: gentamicinaFEP: cefepimaPTZ: piperacilina/tazobactam AL: América Latina CIBIC: Centro de Investigaciones Biológicas y Clínicas, Rosario, Argentina. HSPE: Hospital do Servidor Estadual de São Paulo, São Paulo, Brasil. MYSTIC: Meropenem Yearly Susceptibility Test Information Collection SIR: Sistema informático de Resistencia. Resistência a antibacterianos na América Latina Prof. José María Casellas Microbiólogo. Professor, Universidade Nacional de Rosário, Santa Fé, Argentina. A América Latina (AL) é um conglomerado de países com diferentes localizações, mas com problemas sociais semelhantes, que repercutem na área médica. Dentro do tema que nos ocupa, existe um incremento de infecções hospitalares e de resistência a antibacterianos. Não restam dúvidas de que os projetos pendentes na AL são: 1) Melhorar as medidas de barreira para frear as infecções. 2) Impedir a venda de antibacterianos sem prescrição médica, o que determinou a presença de resistência a antibac- terianos em pacientes que são internados e que não tiveram contato prévio com hospital. Em relação ao primeiro dos problemas, geralmente não necessitamos de melhor enfermaria e sim de mais enfermarias, incluindo enfermeiros epidemiológicos em todos os hospitais. Na AL existem: • Problemas de resistência a antibacterianos que são compar- tilhados mundialmente, como a resistência a betalactâmi- cos, resistência a meticilina em estafilococos e a pan- resistência em Pseudomonas aeruginosa. • Problemas acentuados em nosso continente, como: betalacta- mases de espectro ampliado (ESBL) e, também, a alta incidên- cia de isolamentos do complexo Acinetobacter baumannii-cal- coaceticus ou P.aeruginosa sensível somente a polimixinas. Tabela 1: Dados comparativos de taxas de sensibilidade (2003-2004) em cepas provenientes de infecções intra-hospitalares E.U.A. Colômbia Peru
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 21 % SARM 47 50 50 22 88 – 50 60 50 57 48 32 64 40 40 % EVR 22 6 0 – 6 1 3 59 0 6 – SENTRY EE.UU. 1 AL 2 Argentina SIR 3 CIBIC 4 Brasil Chile HSPE 5 MYSTIC 6 7 Colombia 8 Costa Rica 9 SE dos EUA 10 México 11 Panamá 12 Perú 13 Uruguai 14 Venezuela 15 Carecemos, entretanto, de problemas que são importantes nos Estados Unidos, mas que não têm grande transcendência no restante da América, como a resistência dos enterococos à vancomicina. A tabela 1 mostra as taxas de sensibilidade a diferentes antibacterianos, utilizados geralmente nas unidades de terapia intensiva (UTI), das três espécies de bacilos Gram-negativos que causam maiores problemas na AL. Estes dados estão baseados em resultados do programa SENTRY nos EUA comparados à AL. Foram incluídos resultados do programa colaborativo “Sistema Informático de Resistência” (SIR), rea- lizado pela Sociedade Argentina de Bacteriologia Clínica, que inclui 26 hospitais de diferentes províncias argentinas, e tam- bém dados do programa “Meropenem Yearly Susceptibility Test Information Collection” (MYSTIC), realizado no Brasil. Na tabela 2 estão os valores de resistência à meticilina do Staphylococcus aureus e à vancomicina do Enteroccocus spp. De acordo com os resultados, destacamos as seguintes con- clusões: – É relevante a diferença de sensibilidade entre EUA e AL nos isolamentos de K.pneumoniae. Enquanto nos EUA esta bactéria se mostra mais de 90% sensível a todos os antibac- terianos habitualmente utilizados, a resistência a antibacte- rianos na AL desta espécie é elevada. Ressaltamos particu- larmente a taxa de resistência à cefotaxima – indicativa de alta freqüência de isolamentos de produtores de ESBL – o que implica que estas enzimas sejam fundamentalmente cefotaximases. Isto se corresponde ao achado prevalente de ESBL da família CTX-M nos países da AL. – A resistência da P.aeruginosa é também superior na AL, em relação à observada nos EUA. Chama atenção a reduzida sensibilidade à ciprofloxacina nas cepas isoladas desta espé- cie, o que pode ser indicativo de superutilização desta fluo- roquinolona, e que se relaciona com o aumento das ESBL, já que foi demonstrada uma correlação significativa entre o uso de ciprofloxacina e a ocorrência de ESBL nas UTI. – Em relação ao complexo A. baumannii-calcoaceticus, apa- rentemente nem todos os países utilizam aminopenicilinas com sulbactam. Apesar dele, a atividade desta combinação não parece ser muito convincente na AL. Não foram incluí- dos os dados da cefoperazona-sulbactam – utilizado em vários países da AL – devido à inexistência de pontos de corte propostos pelo Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI, antes chamado de National Committee for Clinical Laboratory Standards [NCCLS]) para esta combi- nação, e por isso se ignora como determinar a sensibilida- de. A resistência do Acinetobacter spp é muito variável nos diferentes países. Na AL, a faixa de sensibilidade aos car- bapenêmicos varia de 11% a 94%. Deve-se ter em conta que mesmo dentro de um mesmo país podem ser observa- das diferenças muito importantes na incidência de isola- mentos destas espécies. É característica a existência de clo- nes resistentes endêmicos em determinados hospitais. – A resistência à meticilina em estafilococos apresenta valo- res característicos encontrados em outras regiões do mundo, enquanto que, como já mencionamos, é notável a reduzida proporção de enterococos resistentes à vancomi- cina na AL, em comparação aos EUA. Tabela 2. Taxas de resistência à oxacilina em Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) e à vancomicina em Enterococcus spp (ERV). SARM: S. aureus resistente à meticilina. EVR: Enterococcus resistente à vancomicina E.U.A. Colômbia Peru
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    Critical Connections emportuguês22 Julho 2006 Introdução Este guia foi elaborado por um comitê de especialistas em microbiologia, doenças infecciosas e terapia intensiva, da Espanha, dos Estados Unidos e de diferentes países da América Latina. Em uma reunião realizada em junho de 2005, em Buenos Aires, cada participante revisou a epidemiologia e os padrões de sensibilidade antimicrobiana locais das infecções ocorridas em unidades de terapia intensiva (UTI). O objetivo central foi delinear pautas para o tratamento antimicrobiano empírico (TAE) mais adequado e sua poste- rior redução de espectro, nas infecções mais freqüentes em UTI. Entre essas infecções, a pneumonia intra-hospitalar (PIH) (especialmente associada a ventilação) foi o eixo do consenso. Este documento foi confeccionado a partir de recomen- dações recentes e de trabalhos destacados publicados até o início de 2005 em revistas reconhecidas. Há poucos estudos controlados sobre o manejo das infecções adquiridas em UTI em crianças, visto que a maioria dos dados disponíveis provêm de estudos realizados em adultos. As recomendações deste documento não substituem o jul- gamento clínico, e sim servem para orientar o tratamento de pacientes graves.1-21 Sistema utilizado para a classificação de evidência clínica Nível I (alto): Estudos controlados randomizados Nível II (moderado): Estudos controlados sem randomi- zação Nível III (baixo): Estudos de casos e opinião de especialistas Considerações gerais • As infecções mais freqüentes na UTI são: infecção urinária ou bacteriúria associada a cateter vesical (IU-AC ou BAC), pneumonia associada a ventilação mecânica (PAVM) e bac- teremia associada a cateter venoso central (BA-CVC), com morbimortalidade muito alta. A ordem de freqüência relati- va varia segundo o tipo de UTI: neonatal, pediátrica, adul- ta, queimados, cardiovascular, pós-cirúrgica. As IU-AC são mais freqüentes em adultos, e as BA-CVC na neonatologia e pediatria. • O diagnóstico microbiológico é fundamental, mas a coleta de amostras não deve adiar o TAE. • As amostras para definir a etiologia da IU-AC, PAVM ou BA- CVC devem ser obtidas adequadamente, para diferenciar infecção de colonização (se possível métodos quantitativos). • As culturas positivas afetam as modificações do TAE, na chamada redução de espectro (redução de intensidade ou amplitude); as culturas negativas (amostras representativas e técnicas adequadas) e a evolução clínica afetam a decisão de continuar o TAE. • O fundamento para selecionar o TAE para infecções mais freqüentes na UTI são aplicáveis a outros focos neste mesmo grupo de pacientes. Foge deste guia a análise de todos os focos possíveis de infecção na UTI e suas particu- laridades diagnósticas e terapêuticas. • O TAE deve ser adequado, precoce (antes de 4 horas), de amplo espectro, com doses e intervalos adequados, e incluir antimicrobianos de grupos diferentes dos recebidos recente- mente pelo paciente. • A terapia combinada busca cobrir a maioria dos possíveis agentes etiológicos. Deve-se suspender os antibióticos (ATB) cuja toxicidade exceda o benefício, uma vez alcança- dos os resultados microbiológicos, e segundo a evolução clínica do paciente (aminoglicosídeos < 5 dias). • Deve-se evitar prolongar desnecessariamente o tratamento com ATB. Princípios gerais do tratamento das infecções em UTI (IU-AC ou BAC, PAVM, BA-CVC) 1. Evitar que os episódios de infecção fiquem sem tratamen- to ou sejam tratados inadequadamente; o tratamento tardio ou inadequado se associa a uma maior morbimortalidade. 2. Reconhecer a diversidade bacteriológica entre diferentes hospitais (e entre cidades, países e ainda continentes), salas e períodos; utilizar esta informação para definir o TAE mais adequado à realidade particular. 3. Evitar o uso indiscriminado de ATB; cumprir a redução de espectro do TAE segundo a evolução clínica e microbiologia, e encurtar a duração do tratamento ao mínimo efetivo com- provado. 4. Aplicar medidas necessárias para modificar fatores de risco (tratamento inadequado da doença de base, internação pro- longada, antibioticoterapia prolongada, técnicas invasivas). Pneumonia intra-hospitalar (PIH), pneumonia associada a tratamento médico (PATM) e pneumonia associada a ventilação mecânica (PAVM)1 • PIH: Pneumonia que aparece 48 horas após a internação e que não estava em incubação neste momento. • PAVM: Pneumonia que aparece 48 a 72 horas após a intu- bação. Critérios para o tratamento empírico de infecção em pacientes internados em unidade de terapia intensiva CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Grupo de especialistas
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 23 • PATM: –Qualquer paciente internado em hospital de agudos por mais de dois dias, nos 90 dias anteriores. –Pacientes que residem em alojamento ou centro de trata- mento de doentes crônicos. –Pacientes em hemodiálise. –Pacientes com ATB intravenosos, quimioterapia ou trata- mento de feridas nos 30 dias anteriores. Suspeitar de PATM quando existir três das seguintes con- dições: febre, radiografia de tórax com infiltrado recente, leu- cocitose, broncorréia purulenta, aumento da necessidade de oxigênio. Métodos diagnósticos e pontos de corte • Lavado broncoalveolar-broncoscópico (LBA-B) ou escova- do broncoalveolar (EBA) com broncoscopia telescópica ou LBA não broncoscópica (LBA-NB). É significativa a cultu- ra com recontagem >103 UFC/ml (EBA) ou >104 UFC/ml (LBA-B e LBA-NB); monomicrobiano e com <1% de célu- las epiteliais, com células bronquiais e bactérias intra-poli- morfonucleares (PMN) >2%. • Se não houver LBA ou EBA, pode-se valorizar a cultura de aspirado traqueal (difícil diferenciar agente colonizador de patógeno), quando se cumpre o seguinte: amostra represen- tativa com menos de 10 células epiteliais no exame com coloração de Gram, fibras de elastina em preparado com hidróxido de potássio, crescimento monomicrobiano ou predomínio de um microorganismo, bactérias intra-PMN e recontagem ≥ 106 UFC/ml. Enviar amostras para cultura de patógenos comuns (virais na pediatria; de acordo com a epi- demiologia em adultos). O valor preditivo negativo (VPN) de aspirados traqueais negativos (ausência de bactérias ou células inflamatórias) para PAVM em pacientes sem troca recente de ATB é de aproximadamente 94%. • Em pacientes com antibioticoterapia prévia, sugere-se redu- zir um logaritmo no corte de UFC/ml. Recomendações para antibioticoterapia empírica na PIH1 Aspectos epidemiológicos em destaque • Muitos pacientes com PIH, PAVM e PATM têm um risco maior de colonização e infecção por microorganismos mul- tirresistentes (MMR) (Nível II). • É difícil estimar com precisão a incidência de PATM e PAVM, por causa da superposição diagnóstica com a tra- queobronquite, especialmente em pacientes sob assistência respiratória (Nível III). • A incidência de PAVM é de 6 a 20 vezes maior em pacien- tes com assistência respiratória (Nível II). • A PIH e a PAVM têm maior mortalidade que outras infecções hospitalares (Nível II). • Os pacientes com PIH ou PAVM de início tardio têm risco aumentado de infecção por MMR e maior taxa de mortali- dade que os pacientes com doença precoce (Nível II). • A maioria das PIH, PATM e PAVM é causada por bacilos Gram-negativos aeróbios e cocos Gram-positivos (especial- mente Staphylococcus aureus resistente a meticilina [MRSA]); os anaeróbios são pouco freqüentes (Nível II). • A incidência de Legionella pneumophila varia nos diferen- tes centros (Nível II). • As PIH, PATM e PAVM virais e micóticas são pouco fre- qüentes como causa (na pediatria até 20% podem ser virais) (Nível I). • A prevalência de MMR varia entre os centros, ressaltando a vigilância da resistência local (Nível II). • Os patógenos multirresistentes são mais freqüentes em pacien- tes com doenças crônicas de base, doenças graves, fatores de risco para PATM e PIH ou PAVM de início tardio (Nível II). • Os agentes responsáveis pela PAVM variam de acordo com a UTI, mas os mais freqüentes são: –Aeróbios Gram-negativos: Klebsiella spp, E.coli, Pseudomonas spp, Acinetobacter spp, Stenotropho-monas maltophilia, Burkholderia cepacia, Serratia spp, Ente- robac- ter spp. –Aeróbios Gram-positivos: Streptococcus pneumoniae, MRSA, S.aureus sensíveis a meticilina (MSSA). –Polimicrobiana Aspectos em destaque e recomendações para fatores de risco modificáveis: patógenos multirresistentes • Profilaxia geral mediante medidas de controle de infecção efetivas (Nível I); vigilância das infecções nas UTIs para identificar e quantificar patógenos endêmicos e multi- resistências novas, para definir pautas epidemiológicas e terapêuticas (Nível II). • Evitar o quanto possível a intubação e reintubação, utilizar ventilação não invasiva (Nível I). • Elevar a cabeceira 30o a 45o (Nível I). • Alimentação enteral com sondas pós-pilóricas (Nível I). • Descontaminação digestiva seletiva aguda de cepas multir- resistentes (não como rotina) (Nível I). • Profilaxia de úlceras de estresse; sucralfato (Nível I). • Controle rigoroso de glicemia (Nível I). Aspectos em destaque e recomendações para o diagnóstico • Infiltrado radiológico novo ou progressivo, mais correspon- dente clínico. O infiltrado e dois critérios clínicos (febre, leucocitose, escarro purulento) têm sensibilidade de 69% e especificidade de 75% em relação à histologia (culturas positivas) (Nível II). • O diagnóstico de pneumonia em pacientes com síndrome de desconforto respiratório agudo (SDRA) requer um critério clínico. Existe alta suspeita em pacientes sob assistência respiratória por SDRA com deterioração hemodinâmica abrupta ou nos gases sanguíneos (Nível II). • A colonização traqueal precede a PAVM; o uso do aspirado traqueal geralmente não diferencia claramente entre coloni- zação e infecção sem os critérios descritos na seção de métodos diagnósticos e pontos de corte (Nível II). • A ausência de patógenos multirresistentes no trato respira- tório inferior de pacientes intubados, sem mudança de ATB nas 72 horas anteriores, indica fortemente que o agente etio- lógico não é multirresistente (a depuração dos microorga- nismos multirresistentes geralmente é lenta) (Nível II).
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    Critical Connections emportuguês24 Julho 2006 • Nos pacientes com suposta PAVM, deve-se realizar hemo- culturas; as culturas positivas indicam pneumonia ou um foco extrapulmonar (Nível II). • Todo paciente com derrame pleural requer toracocentese: empiema ou derrame parapneumônico (Nível III). Estratégia clínica O início precoce do TAE (dentro de 4 horas) em pacientes com PAVM ou PATM presumidas, demonstrou reduzir a morbimortalidade a elas associada. A antibioticoterapia deve ser reavaliada em 48 a 72 horas após a resposta clínica e os dados de cultura semiquantitativos do trato respiratório inferior (o exame com coloração de Gram e a cultura de aspirado traqueal têm alto valor prognóstico negativo). Esta estratégia não requer estudos microbiológicos sofisticados. Assim, todos os pacientes com suposta pneumonia são trata- dos, com possível inclusão de pacientes com diagnóstico não infeccioso (SDRA, tromboembolismo pulmonar, hemor- ragia pulmonar, etc.). Acreditamos que é necessário basear as decisões terapêuti- cas em métodos diagnósticos quantitativos, para evitar o su- pertratamento de pacientes não infectados. Aspectos em destaque e recomendações para a estratégia clínica • O exame direto (Gram) e a cultura do aspirado traqueal ser- vem para guiar o TAE, junto com os critérios clínicos de diagnóstico (Nível II). • Diante da possibilidade de se realizar culturas quantitativas de LBA ou EBA, o aspirado traqueal negativo (ausência de bactérias ou reação inflamatória) em um paciente sem mudança recente de ATB (últimas 72 horas) possui alto VPN (94%) para PAVM; devem ser investigados outros focos responsáveis por febre (Nível II). • Um infiltrado radiográfico novo e progressivo, e dois ou mais dados clínicos (febre > 38o C, leucocitose ou leucope- nia, secreções purulentas) é o critério clínico mais acertado para o TAE. Entre o 2o e 3o dia, o TAE deverá ser reavalia- do e modificado, de acordo com as culturas semiquantitati- vas e a resposta clínica. • A seleção de pacientes para suspender o ATB, de acordo com critérios de baixo risco, requer ainda validação quando há presença de PAVM grave (Nível I). Estratégia bacteriológica A base desta estratégia são as culturas quantitativas do apare- lho respiratório baixo (ARB) (LBA, EBA, broncoscópico ou não), que permitem conhecer a epidemiologia local das PIH, orientar a antibioticoterapia e formular o TAE mais adequado para cada centro e período. Idealmente, estas amostras devem ser colhidas antes do TAE; deve-se lembrar que o atraso no TAE é negativo para a evolução clínica da PAVM. A utilização da estratégia bacteriológica, mais um TAE amplo com posterior redução de espectro reduz significativa- mente a mortalidade no dia 14.22 Aspectos em destaque e recomendações para a estratégia bacteriológica • Quando se suspeita de PAVM, deve-se obter amostras de ARB para cultura quantitativa e descartar infecção extrapul- monar, antes do TAE (Nível II). • Se houver alta probabilidade de pneumonia e/ou evidência de sepse, é necessário iniciar rapidamente o TAE ainda sem a presença comprovada de bactérias no ARB (Nível II). • A estratégia bacteriológica reduziu a mortalidade no dia 14, em comparação à estratégia clínica (Nível I). • O retardo do TAE adequado aumenta a mortalidade na PAVM: não se deve postergar o tratamento em pacientes instáveis para a realização de estudos (Nível II). Antibioticoterapia para a pneumonia intra-hospitalar Enfoque geral Os ATB devem ser selecionados de acordo com os fatores de risco para patógenos multirresistentes (Tabela 1). A figura 1 mostra os algoritmos para a seleção adequada do TAE para a PIH, de acordo com os patógenos freqüentes (tabelas 2 e 3)23-26 . O TAE com ATB de amplo espectro deve incluir o compro- misso de reduzir o espectro, de acordo com dados clínicos e microbiológicos, para diminuir o aparecimento de cepas Figura 1. Algoritmo para o início de TAE na PIH, PATM, PAVM. MRA: microorganismo com resistência antibiótica. • Tratamento com ATB nos 90 dias anteriores • Internação atual de mais de 5 dias • Alta freqüência de resistência a ATB na comunidade ou na unidade específica do hospital • Presença de fatores de risco para PATM: – Hospitalização de 2 ou mais dias nos últimos 90 dias – Residência em comunidade fechada (ex., geriátrico) – Antecedentes de infusão de ATB ou cuidado de feridas – Diálise crônica durante os últimos 30 dias – Familiar com antecedente de infecção por patógeno MRA • Doença ou tratamento imunossupressor MRA: microorganismo com resistência antibiótica; PIH: pneumonia intra-hospitalar; ATB: antibiótico; PATM: pneumonia associada a tratamentos médicos. Tabela 1. Fatores de risco para patógenos com MRA causadores de PIH
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    Tabela 3. TAEpara o manejo de PIH, PATM, PAVM. tardia ou risco de infecção por patógenos MRA (inclui todo tipo de gravidade) TAE: tratamento antimicrobiano empírico; PIH: pneumonia intra-hospitalar; PATM: pneumonia associada a tratamentos médicos; PAVM: pneumonia associada a ventilação mecânica; MRA: microorganismo com resistência antibiótica; ESBL: betalactamases de espectro expandido; MRSA: Staphylococcus aureus resistente a meticilina. Critical Connections em português Julho 2006 25 multirresistentes. A dose dos ATB está resumida na tabela 4. Tratamento antimicrobiano empírico inicial Para definir o TAE, deve-se saber se o paciente tem risco de patógenos multirresistentes (tabela 1); a classificação em PIH precoce ou tardia é insuficiente para identificar todos estes pacientes. A PATM se define como cultura de ARB positi- va, obtida nas 48 horas de internação, em um paciente com fatores de risco para multirresistência. A resistência crescente pode ser devida a TAE inadequados. A mortalidade por PATM é signifi- cativamente menor com TAE inicial adequado e precoce. Mudar de ATB de acordo com a micro- biologia não diminui a mortalidade. Desta forma, a seleção do TAE adequado é muito importante para pacientes internados com infecções graves. Os patógenos associados ao TAE inadequado são P. aeruginosa, Acinetobacter spp, K. pneu- moniae, Enterobacter spp, e MRSA. O TAE para possível infecção por microorganismos multirre- sistentes deve combinar ATB de diversos grupos (diferentes dos recebidos recentemente pelo paciente), ou com espectro suficiente para evitar TAE inadequado. O TAE inicial deverá se ajustar à epidemiolo- gia local, as mudanças nos padrões de resistência e aos patógenos historicamente predominantes. A combinação com maior cobertura contra microorganismos multirresistentes na UTI é: carbapenêmico, amicacina e vancomicina. O TAE deve se adequar aos resultados bacte- riológicos; suspende-se a vancomicina e amica- cina se microorganismos que justifiquem seu uso prolongado não forem isolados (MRSA e bacilos Gram-negativos que requerem sinergia). Com evolução clínica favorável, pode-se mudar o car- bapenêmico por ATB alternativos com atividade adequada ou espectro semelhante (por ex., pipe- racilina/tazobactam). Cada UTI deve estabelecer e adequar o TAE de acordo com dados epidemiológicos próprios. Se durante a antibioticoterapia por outra infecção ocorrer uma PATM, o TAE requer ATBs de um grupo diferente. Aspectos em destaque e recomendações para a estratégia de TAE inicial • Selecionar o TAE de acordo com fatores de risco para patógenos multirresistentes (Nível II). • Selecionar os ATB específicos, de acordo com a microbiologia local, custo-efetividade, dis- ponibilidade do fármaco e restrições do vade- mecum local (Nível II). • Os pacientes com PATM e risco de multirre- sistência devem receber ATB que contemplem Tabela 2. TAE para PATM, PIH, ou PAVM precoce sem fatores de risco para MRA. Tabela 4. Doses e intervalos sugeridos dos ATB recomendados para PIH, PATM, e PAVM. ATB: antibióticos; PIH: pneumonia intra-hospitalar; PATM: pneumonia associada a tratamentos médicos; PAVM: pneumonia associada a ventilação mecânica. * Doses baseadas em funcões renal e hepática normais. (1) Imipenem não está autorizado em crianças com peso <30 kg, insuficiência renal, ou com meningite. Meropenem está aprovado a partir dos 3 meses de vida, embora exista experiência documentada em recém-nascidos prematuros. Doses: infecções graves- meningites: 40 mg/kg/dose a cada 8 horas.27 (2) Os níveis de concentração em vale devem ser menores que 1 µg/ml e menor que 4–5 µg/ml para amicacina. (3) Fluoroquinolonas não aprovadas para este uso na pediatria; a indicação tem que estar justificada em situação de necessidade.23-26 (4) Alguns recomendam vales altos (15–20 µg/ml) para alcançar concentrações adequadas nos pulmões. (5) Ainda não aprovada na pediatria. Doses obtidas de estudos clínicos em pacientes de 3 meses a 16 anos.28-30 PATÓGENO POTENCIAL ANTIBIÓTICO RECOMENDADO Streptococcus pneumoniae Cefotaxima Haemophilus influenzae ou SASM Aminopenicilina/sulbactam Bacilos Gram-negativos entéricos sensíveis a ATB ou Escherichia coli Ertapenem (1) Proteus spp Serratia marcescens novo macrolídeo ou azolídeo intravenosos Bactérias responsáveis por pneumonía atípica Levofloxacina, moxifloxacina (1) TAE: tratamento antimicrobiano empírico; PATM: pneumonia associada a tratamentos médicos; PIH: pneumonia intra-hospitalar; PAVM: pneumonia associada a ventilação mecânica; MSSA: Staphylococcus aureus sensível a meticilina 1. Avaliar o beneficio de sua utilização vs. risco de resistência e custos. Fluoroquinolonas não estão aprovadas para este uso na pedia- tria, por isso sua indicação tem que ser justificada.24-27 PATÓGENO POTENCIAL TAE DE COMBINAÇÃO Patógenos descritos na tabela 1 e Carbapenêmico Fluoroquinolonas patógenos MRA antipseudomonas antipseudomônicas Bacilos Gram-negativos: (meropenem) Ciprofloxacina ou Pseudomonas aeruginosa levofloxacina Klebsiella pneumoniae (ESBL) ou Acinetobacter spp aminoglicosídeo ou (amicacina) piperacilina/tazobactam Staphilococcus aereus mais antipseudomonas vancomicina resistente à meticilina Antibiótico Dose adultos* Dose pediátrica* Carbapenêmicos Meropenem 500 mg a 1 g a cada 6-8 h 20-40 mg/kg a cada 8 h Imipenem 500 mg a cada 6-8 h 15-25 mg/kg a cada 6 h (1) Betalactâmico/inibidor de betalactamases Piperacilina/tazobactam 4,5 g a cada 6 h 75 mg/kg a cada 8 h Aminoglicosídeos Gentamicina 5-7 mg/kg/dia (2) Amicacina 15-20 mg/kg/dia (2) Fluoroquinolonas antipseudomonas Levofloxacina 750 mg a cada 24 h 10 mg/kg a cada 12 h (3) Ciprofloxacina 400 mg a cada 8 h 20-30 mg/kg a cada 12 h (3) Vancomicina 15 mg/kg a cada 12 h (4) 20 mg/kg a cada 8 h Oxazolidinona Linezolida 600 mg a cada 12 h 10 mg/kg a cada 8-12 h (5) +
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    Critical Connections emportuguês26 Julho 2006 esta situação, independente do tempo entre a internação e o início da pneumonia (Nível II). • O tratamento inadequado aumenta o risco de permanência prolongada no hospital e mortalidade. Geralmente, esta situação se associa a patógenos multirresistentes (Nível II). • A antibioticoterapia recente favorece a probabilidade de patógenos resistentes. Para evitar erros, a seleção do ATB deve levar em conta os antecedentes de tratamentos prévios (Nível III). • O TAE deve ser precoce (Nível II). • O TAE é mais adequado quando se ajusta a recomendações das tabelas 2-4, e se adapta aos padrões locais de resistên- cia (Nível II). Seleção adequada do ATB e dose Para instituir TAEs adequados é necessário o ATB correto, mas também a melhor via de administração, dose e intervalos, assegurando a penetração adequada no foco infeccioso. Utilizar o tratamento combinado quando a situação clínica/epidemiológica indicar (P. aeruginosa, provável pató- geno multirresistente). As doses e intervalos recomendados para a PAVM são mostrados na tabela 4.31-38 A farmacodinâmica e a farmacocinética devem ser levadas em conta na seleção do ATB para a PAVM. A efetividade dos betalactâmicos depende do tempo em que seus níveis séricos estão acima da concentração inibitória mínima (CIM); isto requer intervalos curtos entre as doses, inclusive infusão contínua. Esta última parece de maior utili- dade para P. aeruginosa (meropenem em infusão contínua por 3 horas).37,39 As doses altas uma vez ao dia são úteis para ATB dependentes da concentração, tornando assim prolongadas (fluoroquinolonas, aminoglicosídeos).40 O TAE inicial para PAVM deve ser intravenoso. Em certos pacientes (com boa resposta clínica, tolerância à via oral, esta- bilidade hemodinâmica e com ATB com boa biodisponibili- dade oral), é possível mudar de via (fluoroquinolonas ou linezolida).41,42 Modalidades terapêuticas Antibióticos em aerossol A erradicação microbiológica é significativamente maior com ATB em aerossol, mas os resultados clínicos são semelhantes. São úteis para microorganismos multirresistentes sem resposta à tera- pia sistêmica (Acinetobacter spp Multirresistente e colistina).43-45 Combinação vs. monoterapia P. aeruginosa é o único microorganismo causador de PAVM em que a terapia combinada reduz a mortalidade, principal- mente na bacteremia ou neutropenia.46,47 Alguns apóiam a terapia combinada para evitar a seleção de resistência. Isto não foi comprovado; surgiram resistências mesmo com tratamento combinado. Além disso, esta terapia pode aumentar a toxicidade renal.31,48 A combinação se justifica fundamentalmente por ampliar o espectro e diminuir a possibilidade de se deixar sem cobertura microorganismos resistentes a algum componente do esquema, sendo susceptíveis a ATBs de grupos diferentes (glicopeptídeo + carbapenêmico + aminoglicosídeo). Para diminuir a toxicidade, não utilizar aminoglicosídeos por mais de 5 dias em pacientes com melhoria clínica ou sem justifica- tiva microbiológica.49,50 Utilizar monoterapia se a epidemiologia local e os antece- dentes do paciente permitirem, o que reduz custos e toxicidade.31-51 Ciprofloxacina, levofloxacina, imipenem, meropenem, cefepima e piperacilina/tazobactam têm boa segurança e eficácia.31,33-38 Duração do tratamento Haempophilus influenzae e S. pneumoniae são mais difíceis de erradicar do ARB que as enterobactérias, S. aureus e P. aeruginosa, e a duração do tratamento deve assegurar a cura da PAVM.43 Se com o TAE adequado houver melhora clínica nos primeiros 5 dias, pode-se tratar por 8 dias (exceto Pseudomonas), com sucesso comparável aos tratamentos pro- longados (14 a 21 dias), sem aumentar a toxicidade, resistên- cia ou custos.50-53 Resposta terapêutica - redução de espectro do TAE A falha terapêutica se define por parâmetros clínicos (a oxigenação parece ser a mais adequada), já que não se estudou prospectivamente a utilidade da microbiologia para definir a resposta terapêutica. Vários motivos explicam a falta de melhoria: foco de infecção distinto da pneumonia, fatores do ATB ou microbiológicos não considerados, ou processo não infeccioso com comprometimento radiológico e da oxigenação (SDRA). Algumas infecções podem ter uma evolução mais lenta ou desfavorável: PAVM por bacilos Gram-negativos, infecção polimicrobiana, microorganismo multirresistente ou resistên- cia adquirida durante o tratamento. A etiologia da pneumonia pode ser não habitual (vírus respiratórios, MRSA, gripe aviária, hantavírus) ou não tratável com antimicrobianos comuns (M. tuberculosis, fungos), ou favorecido por condições desconhecidas (AIDS e pneumonia por Pneumocystis jirovecii – antes P. carinii). A presença de outros focos infecciosos simultâneos ou pos- teriores ao TAE para PAVM podem simular falha terapêutica e merecem atenção especial (sinusite, BA-CVC, IU-AC, enterocolite pseudomembranosa). No paciente que não melhora, pode ser necessário reade- quar a antibioticoterapia enquanto se esperam os resultados de cultura e outros procedimentos diagnósticos. A reavaliação deve ser integral e completa, para não se perder nenhum diag- nóstico diferencial. Devem-se repetir as hemoculturas, uroculturas e culturas de ARB e de cateteres venosos centrais, ainda durante a antibioticoterapia. Podem ser necessários outros estudos por imagem (TC de tórax, ecografia pleural). Raramente se justificam procedimentos invasivos (biópsia pulmonar) em pacientes imunocomprometidos com PAVM, PIH ou PATM, sendo aconselhável antes tentar uma broncoscopia. O TAE deve ser reavaliado e modificado, se possível, de acordo com as culturas e resposta clínica. Esta modificação pode ser para adequar o tratamento à descoberta de patógenos
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 27 dos quais não se suspeitava e multirresistentes, ou diante da falta de melhora clínica. Se não se recuperar microorganismos habitualmente multirresistentes (P. aeruginosa ou Acinetobacter spp), reduzir o espectro do TAE para ATB ativos contra o microor- ganismo, com espectro menor. PSEUDOMONAS AERUGINOSA Os dados acerca do benefício do tratamento combinado para infecções não bacterêmicas é controverso, mas sugere-se forte- mente o tratamento combinado nas infecções comprovadas por este microorganismo. Com monoterapia, aparece resistência em 30 a 50% dos pacientes, sendo a mortalidade maior em pacient- es com bacteremia e/ou imunodeprimidos. São necessários estudos prospectivos para mostrar este benefício na PAVM. ACINETOBACTER SP. Por causa da multirresistência freqüente na maioria das UTIs, é complicado tratar das infecções causadas por este microor- ganismo. Quando existe sensibilidade confirmada bacterio- logicamente, os ATB recomendados são carbapenêmicos, sul- bactam/betalactâmicos, fluoroquinolonas e polimixinas (co- listina). A emergência de clones resistentes a carbapenêmicos exige a utilização de doses adequadas desses ATB. Surgiram novas modalidades (infusão contínua de meropenem) que podem ser úteis em cepas com sensibilidade limítrofe e evitam ATB com maior toxicidade (colistina). Na infusão contínua de meropenem38 , administram-se 250 mg ou 500 mg de dose de ataque, seguidos de 1.500 mg ou 3.000 mg, respectivamente, em infusão contínua durante 24 horas. Os níveis projetados permitem tratar microorganismos com 4 mg/l (dose de ataque alta) e 2 mg/l (dose de ataque baixa). Para bactérias com CIM alta para carbapenêmicos, esta modalidade pode ser recomendada, embora sejam necessários estudos prospectivos. Há estudos com eficácia e tolerabilidade aceitáveis da co- listina por via intravenosa; também há experiência com a forma aerossol.54 BACILOS GRAM-NEGATIVOS ESBL+ As cefalosporinas de terceira geração são contra-indicadas quando se detectam estes microorganismos. São ATB úteis: carbapenêmicos (ertapenem, imipenem, meropenem), ami- cacina.47 Não administrar fluoroquinolonas na América Latina para tratar de infecções por estes germes ESBL+, já que a resistência é maior que na Europa e EUA.56 MRSA Existem falhas com vancomicina na PAVM por MRSA. A fre- qüência alcança valores maiores que 40%, utilizando doses padrão de vancomicina (1 g/12 h). A combinação aminogli- cosídeos/rifampicina é microbiologicamente racional, faltam estudos prospectivos que mostrem benefícios na PIH. Alguns sustentam que para alcançar concentrações ade- quadas em tecido pulmonar são necessários níveis séricos de vancomicina maiores que 15 microg/dl. Não há dados prospectivos para se avaliar isto. A linezolida foi equivalente à vancomicina na PIH; tem alta penetração tecidual, pode ser preferível em pacientes com função renal flutuante ou que recebem fármacos nefrotóxicos (aminoglicosídeos).57-59 Aspectos em destaque e recomendações para antibioti- coterapia adequada • O TAE se modificará de acordo com parâmetros clíni- cos correlacionados à melhora e dados microbiológicos (Nível II). • A melhora clínica aparece habitualmente em 48-72 horas; não modificar o TAE até esse momento, exceto frente a uma rápida deterioração clínica (Nível III). • Reduzir o espectro do TAE em pacientes que respondem; ajustá-lo segundo a microbiologia (Nível II). • Reavaliar os não-respondedores para identificar situações que simulem pneumonia, microorganismos resistentes ou não suspeitados, focos infecciosos extrapulmonares ou complicações da pneumonia (Nível III). • O TAE para PAVM requer ATB em doses e intervalos ade- quados, para assegurar máxima eficácia (Nível I). Deve ser inicialmente intravenoso; mudar para via oral em determi- nados pacientes (Nível II). • Os ATB em aerossol não têm utilidade na PAVM. Podem ser considerados terapia adjuvante na PAVM por patógenos multirresistentes, sem resposta à terapia sistêmica ou com opções terapêuticas escassas (Nível III). Se não houver risco de multirresistência, pode-se utilizar a monoterapia para determinados pacientes com PATM ou PAVM (Nível I). Se houver risco de multirresistência, iniciar sempre com combinação, até se confirmar (com as culturas) se é possí- vel utilizar apenas um ATB (Nível II). • Para pacientes com risco de multirresistência, recomenda- se TAE combinado (Nível II). Como único benefício, aumenta a possibilidade de TAE inicial adequado (Nível I). Neste caso, os aminoglicosídeos poderiam ser suspensos após 5-7 dias, em pacientes respondedores (Nível III). • Com TAEs inicialmente adequados, procurar diminuir o tra- tamento para 7-8 dias, se o patógeno não for P. aeruginosa, e houver melhora clínica (Nível I). • A restrição de ATB, junto com antibiograma dirigido, aju- dam a prevenir ataques por microorganismos multirresis- tentes (Nível II).60 Infecções urinárias ou bacteriúrias associadas a cate- teres vesicais na UTI18,61-64 A IU-AC é a infecção intra-hospitalar mais freqüente na UTI de adultos e a segunda na UTI pediátrica (UTIP).6 A incidên- cia diária de bacteriúria é de 3 a 10% em pacientes com sonda; 25% desenvolvem sintomas de IU e 3% bacteremia. A pre- venção destas infecções reduziria significativamente os gastos hospitalares mundialmente gerados.3 Esses pacientes têm um risco 7 vezes maior de pielonefrite que aqueles sem sonda, com um risco maior de mortalidade (1%). NA UTIP mais de 90% dos casos se associam a sonda vesical. O fator de risco mais importante nas infecções relacionadas a sonda vesical é a permanência prolongada. A administração
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    Critical Connections emportuguês28 Julho 2006 concomitante de ATB de amplo espectro é outro fator impor- tante. Esses ATB diminuem a freqüência de IU nos primeiros 5 dias de sondagem, mas logo aumentam o risco de infecção por bacilos Gram-negativos multirresistentes. Desta forma, é con- tra-indicada a profilaxia com ATB em pacientes com sonda. Muitas vezes o paciente febril com sonda vesical apresen- ta bacteriúria sem que esta represente IU verdadeira. Todo paciente sondado deve ser avaliado exaustivamente, para se identificar o foco infeccioso ou a causa do processo febril. O risco de IU-AC depende da duração da cateterização, da inviolabilidade do sistema de drenagem, do cuidado do siste- ma e da susceptibilidade do hóspede. Os agentes patogênicos são vários e incluem: Enterococcus spp, E. coli, Klebsiella spp, Proteus mirabilis, Pseudomonas spp, Enterobacter spp, Serratia spp e Candida spp Serratia marcescens e Burkholderia cepacia devem levantar suspeitas de uma fonte não endógena de infecção e têm grande importância epidemiológica. Os cateteres devem ser utilizados somente quando necessá- rios, e pelo menor tempo possível. A troca de cateteres a intervalos fixos não diminui a incidência de IU-AC; deve ser feita somente em pacientes com alta suspeita de infecção ou infecção documentada microbiologicamente e naqueles com obstrução do sistema que ainda requerem drenagem vesical. Métodos diagnósticos e pontos de corte A diferença de outras categorias de IU (cistite aguda, pielone- frite aguda e IU complicada) é que o ponto de corte para defi- nir IU-AC é mais baixo. Em pacientes sintomáticos – febre sem foco, sepse, alteração do estado mental, cistite, prostati- te, epididimite, pielonefrite – com cultura positiva, está defi- nido por: • Recontagem ≥102 UFC/ml monomicrobiano, com sedimen- to patológico (≥10 leucócitos por campo de alto aumento) e amostra obtida mediante sonda nova-estéril, por punção de sonda, ou por meio de acesso específico com técnica assép- tica e ≤24h de colocação. • Recontagem ≥102 UFC/ml persistentemente positivo, com mais de um microorganismo e com sedimento patológico. • Em pacientes com antibioticoterapia, avaliar e priorizar individualmente a recontagem de UFC/ml obtida em uro- cultura; não existe ponto de corte definido. Uma das considerações mais importantes nestes pacientes é decidir se tratar bacteriúria assintomática ou somente episó- dios sintomáticos de IU-AC. Uma vez escolhido o ATB, determina-se a sua duração. Quando se suspeita de IU-AC, sempre obter amostras adequa- das para urocultura antes do TAE. Bacteriúria assintomática Não se deve tratar quando há manipulação cirúrgica prévia ou antecedentes de uropatia. Recomenda-se administrar este tra- tamento pelo mínimo período efetivo. A primeira medida é retirar o cateter e colher uma amostra de urocultura com uma nova sonda (se o paciente ainda tiver critérios para necessitar de uma sonda vesical). Discute-se a importância da candidúria assintomática. Deve-se erradicar a Candida spp em pacientes portadores de cateteres por tempo prolongado, com uropatia ou assintomáti- cos. Administrar fluconazol ou anfotericina B em doses bai- xas durante 7-14 dias (com uropatias, instrumentação urológi- ca prévia, prematuros, transplante renal e outros tipos de imu- nodeficiência). Bacteriúria sintomática O tratamento das IU-AC sintomáticas é baseado na retirada do cateter e na escolha do ATB apropriado. O TAE deve se orien- tar segundo a microscopia (Gram) e cobrir tanto enterococos como BGN intra-hospitalares, de acordo com a epidemiologia local. A duração mínima do tratamento com ATB deve ser de 5 a 7 dias, com um máximo de 14 dias em pacientes selecio- nados. O TAE se baseia na apresentação clínica da IU, na duração do cateterismo, na doença de base e uso recente de ATB. Em pacientes sem co-morbidades, com cateterização breve e pouco tratamento com outros fármacos tóxicos, pode-se ini- ciar TAE com monoterapia com aminoglicosídeo (amicacina), com ou sem ampicilina (de acordo com exame de urina). Na IU-AC grave, com co-morbidades, o TAE deve incluir mais de um ATB; os recomendados são piperacilina/tazobac- tam, ou um carbapenêmico. O TAE deverá ser ajustado de acordo com a tipificação e sensibilidade ao ATB. O uso de vancomicina dependerá da descoberta de MRSA, em uma rara vez em que se indica como TAE para IU.64 Bacteremia associada a cateter venoso central (CVC)14-17 Provável Isolamento no sangue de um microorganismo habitual de pele em uma ou mais hemoculturas, e manifestações de sepse (febre, calafrios, hipotensão), e sem fonte aparente de infecção, exceto ao CVC. Definitivo Bacteremia primária causada por qualquer microorganismo com evidência clínica e microbiológica quantitativa que indi- ca o CVC como fonte de infecção, de acordo com os seguin- tes critérios: 1. Pus no local de inserção, com isolamento do mesmo micro- organismo neste local e na hemocultura. 2. Sepsis refratária a ATB, que desaparece ao se retirar o CVC. 3. Cultura semiquantitativa (técnica de Maki) positiva, da ponta e/ou segmento subdérmico do CVC, com hemocul- tura prévia positiva para o mesmo microorganismo. 4. Hemocultura quantitativa diferencial (não “retrocultura simples” em frasco de hemocultura), com recontagem de colônias ≥ 10 UFC a favor do extraído por meio do CVC para o mesmo microorganismo. Este método é útil em CVC com mais de 10 dias de permanência – de uso exclu- sivo e de material pouco trombogênico – em paciente febril sem outros sinais de sepse e bom estado geral, que não queiram “sacrificar” o CVC.
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 29 5. Hemoculturas automatizadas positivas antes de 2 horas, co- lhido por meio de CVC, em relação à hemocultura periférica. A patogenia das infecções relacionadas ao CVC (IRCVC) é variável e depende fundamentalmente de três fontes: pele, conexões do CVC e, raramente, da colonização hematogênica a partir de outros focos. Os microorganismos associados a BA-CVC, em cateteres de curta permanência (menos de 10 dias) provêm da pele do paciente, enquanto nos cateteres de longa permanência (mais de 10 dias) provêm das conexões e colonizam a porção intraluminal (Figura 2). Em todo paciente com bacteremia, investigar IRCVC, especialmente CVC prolongado e/ou uso múltiplo. Notavelmente, existem sinais locais de infecção em menos de 50% das IRCVC, e até 80% dos CVC com supuração local não estão infectados (reação local ao material do CVC). Por isto, é praticamente impossível prever IRCVC, mesmo com clínica local compatível. Duas situações básicas podem se apresentar: 1. Dados de infecção local (eritema, supuração, celulite no trajeto ou peri-CVC) e temperatura ≥ 38o C: forte suspeita de BA-CVC. Retirar e cultivar o CVC, com hemoculturas periféricas. 2. Sem evidência local de infecção, sem febre (sem fonte óbvia de febre) e CVC de ≥ 96 h, assumir como provável origem o CVC. Mudar por um novo (preferencialmente em outro sítio), com coleta prévia de hemocultura periférica. Se a cultura semiquantitativa da ponta e segmento subdér- mico forem negativos (≤ 15 UFC /segmento), o CVC recém-colocado por guia pode permanecer. Se a ponta reti- rada for positiva (>15 UFC /segmento), o novo CVC inse- rido por guia deve ser retirado. 3. A “retrocultura não quantitativa” tem pouco valor diagnós- tico de IRCVC, por sua alta sensibilidade associada a baixa especificidade; basta que apenas um microorganismo colo- nize o CVC para que esta seja positiva (não se distingue colonização de infecção). Se uma cultura periférica e uma retrocultura forem positivas com o mesmo microorganis- mo, confirma-se a BA-CVC; com a retrocultura positiva e hemocultura periférica negativa, ou vice-versa, não se con- firma. No CVC com menos de 10 dias de permanência, a colonização bacteriana ocorre na superfície externa, o que explica a pouca utilidade da retrocultura nesses casos, e a necessidade da técnica de Maki. TAE para BA-CVC A antibioticoterapia para BA-CVC é habitualmente empírica. A seleção do TAE depende da gravidade do estado do pacien- te, dos fatores de risco para infecção e da epidemiologia local (Figuras 3-5). O TAE deve incluir vancomicina – em UTI com alta incidência de MRSA e Staphylococcus coagulase negati- vos – junto com um ATB que cubra BGN e P. aeruginosa, como a piperacilina/tazobactam, um carbapenêmico ou a cef- tazidima (restringir seu uso para evitar a seleção de cepas pro- dutoras de ESBL). Os cocos Gram-positivos são os microorganismos mais fre- qüentemente associados a BA-CVC, mas os BGN têm aumentado. A retirada do CVC e o tratamento empírico ade- quado são fundamentais para o manejo das infecções causadas por estes microorganismos (Quadro 1). Particularmente na candidemia associada a CVC, o trata- mento antifúngico se torna mandatório, juntamente com a retirada precoce do cateter. Fluconazol (400 mg/dia durante 14 dias após a última hemocultura negativa) é tão efetivo e Figura 2. Patogenia. Bainha de fibrina, trombo Pele
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    Critical Connections emportuguês30 Julho 2006 menos tóxico que a anfotericina B (0,5 mg/kg/dia) em pacien- tes não neutropênicos, sempre que o microorganismo for sen- sível (Candida albicans, não C. glabrata e nem C.krusei). Nesses casos, recomenda-se remover o CVC e tratar com ATB durante 10-14 dias. A antibioticoterapia inicial deve ser intravenosa. Quando o paciente estiver estabilizado e se conhecer a sensibilidade a ATB, pode-se completar o tratamento por via oral, com cipro- floxacina, linezolida ou cotrimoxazol. A duração específica dependerá se é uma BA-CVC compli- cada (trombose, endocardite, osteomielite ou focos metastáti- cos) ou não (Quadros 2 e 3). Com resposta rápida ao TAE, sem imunossupressão, nem valvulopatia cardíaca ou prótese intravascular, tratar 10-14 dias para patógenos distintos de estafilococos coagulase-nega- tivos. Considerar uma duração maior (4-6 semanas) se houver bacteremia ou fungemia persistentes após retirar o CVC; com endocardite, trombose séptica ou osteomielite: 6-8 semanas. A maioria das infecções por Staphylococcus coagulase-negativos podem ser resolvidas apenas com a retirada do CVC (sem anti- bioticoterapia), os especialistas concordam em tratá-las por períodos curtos, de 5 a 7 dias. Nestes casos, recomenda-se remover o CVC e tratar com ATB por 5-7 dias, e avaliar valvu- lopatia e necessidade de ecocardiografia. Figura 3. Tratamento de paciente com CVC, permanência curta e episódio febril grave. HMC: hemocultura; NTF: neutropenia febril. Figura 4. Tratamento de paciente com CVC de curta permanência e episódio febril agudo. Figura 5. CVC removível e BA-CVC. Quadro 1. BA-CVC não complicada por Staphylococcus aureus • Remover CVC • Tratar com ATB por 14 dias • MSSA (cefalosporina 1a geração) e se for MRSA (vancomicina) • Ecocardiograma antes de finalizar ATB • Endocardite: prolongar ATB para 4-6 semanas Quadro 2. BA-CVC complicada por trombose séptica • Sempre se deve remover o CVC • Drenagem e excisão de veia infectada e tributárias comprometidas • Avaliar anticoagulação • Grandes veias: ATB por 4-6 semanas, excisão geralmente desnecessária • Não são recomendados trombolíticos Quadro 3. BA-CVC complicada por endocardite/bacteremia persistente • Remover o CVC • Falta de melhora ou HMC (+) após 3 dias de terapia efetiva apesar da retirada do CVC: ATB ≥4 semanas • Avaliar cirurgia • Deve-se sempre cobrir Staphylococcus spp • Endocardite direita: ATB por 2 semanas • Endocardite fúngica: anfotericina B (avaliar cirurgia)
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    Critical Connections emportuguês Julho 2006 31 Quando a infecção é por germes e não existe suspeita de complicações, o CVC pode ser mantido. Considerar isto em pacientes com dificuldade para encontrar acessos venosos e ecocardiografia sem vegetações. Quando somente a ponta do CVC tem resultado de cultura positivo, com hemoculturas negativas, não há dados bibliográ- ficos para apoiar a antibioticoterapia. Alguns especialistas recomendam avaliar e tratar com ATB durante 5 a 7 dias somente pacientes febris com valvulopatia ou neutropênicos, cujas culturas semiquantitativas da ponta do CVC mostrem desenvolvimento significativo de S. aureus ou C. albicans, ou quantitativo maior que 102 UFC. Isto se baseia no fato de que S. aureus e Candida spp têm maior probabilidade de causar BA-CVC complicadas que enterococos ou BGN. Nestes casos, recomenda-se remover o CVC, tratar com antifúngicos por 14 dias após a hemocultura negativa (fluconazol) ou até completar 10-15 mg/kg/total (anfotericina B) e avaliar focos a distância (fundo de olho, ecografia renal e cardíaca). Em pacientes com S. aureus, a rifampicina se mostrou útil para tratar de infecções graves associadas a CVC; sugere-se utilizar uma dose diária para atingir uma área sob a curva maior do que a alcançada com duas doses/dia. Referências bibliográficas 1. American Thoracic Society; Infectious Diseases Society of America. Guidelines for the management of adults with hospital-acquired, ventilator-associated, and healthcare-associated pneumonia. Am J Respir Crit Care Med 2005; 171:388-416. 2. Dellinger RP, Carlet JM, Masur H, Gerlach H, Calandra T, Cohen J, Gea-Banacloche J, Keh D, Marshall JC, Parker MM, Ramsay G, Zimmerman JL, Vincent JL, Levy MM; Surviving Sepsis Campaign Management Guidelines Committee. 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