GT 6 :: AUDIOVISUAL, MÍDIA, EDUCAÇÃO
Competência Crítica em Informação
&
Inteligência Artificial
Andréa Doyle
andrea@hibrida.art.br
Twitter :: @hibridaart
“Vivemos em um mundo no qual a qualidade da informação que
recebemos tem um papel decisivo na determinação de nossas
escolhas e ações, incluindo nossa capacidade de usufruir das
liberdades fundamentais e da capacidade de autodeterminação e
desenvolvimento. Movida pelos avanços tecnológicos nas
telecomunicações, manifesta-se também a proliferação das
mídias e de outros provedores de informação, por meio de
grandes quantidades de informação e conhecimento que são
acessadas e compartilhadas pelos cidadãos. Com esse
fenômeno, e partindo dele, existe o desafio de avaliarmos a
relevância e a confiabilidade da informação sem quaisquer
obstáculos ao pleno usufruto dos cidadãos em relação aos seus
direitos à liberdade de expressão e ao direito à informação.”
“AMI-Currículo para formação de Professores”(Wilson et al., 2013, p. 11)
Andréa Doyle
CCI & IA
• A ciência não é neutra, é socialmente construída por
pessoas com interesses, etc.
• Modernidade fingiu objetividade
• Pós-modernidade relativizou tudo
• Mostrar os vieses identificados das
pessoas/instituições com que estamos dialogando
• Tentativa de criação de elementos contextuais para
que leitores se posicionem
• Tentativa de balancear a conversa com posições
diferentes, e dar voz a grupos inviabilizados
Método Enviesado
Andréa Doyle
CCI & IA
• Mestra e doutoranda em Ciência da Informação no PPGCI
do IBICT/UFRJ.
• Mestrado: investigou a relação entre informação, educação
e cultura nas escolas ocupadas no Rio de Janeiro.
• Graduação e casamento na França. Teve uma filha e
separou. Foi produtora cultural durante 15 anos.
• Progressista, feminista, ex-fumante.
• Vive diariamente as consequências de ter ensinado pra
minha filha que ‘porque não’ não é resposta.
• Pesquisa a relação entre crítica, informação e educação na
sociedade algorítmica a partir de uma lente feminista.
Andréa DOYLE
Andréa Doyle
CCI & IA
• Nicho de estudos iniciados em 2015 no Brasil que
está se desenvolvendo.
• Corrente de bibliotecários estadunidenses de crítica
ao mecanicismo do treinamento de Competência em
Informação.
• Usam princípios do Paulo Freire de educação para
autonomia e emancipação + Luta conta
desigualdades e neo-liberalismo nas universidades lá.
• EUA: IL desde 1974; CIL desde 2000
• Aqui: poucos cursos, alguma pesquisa e muita teoria
CCI :: PPGCI / EUA
Andréa Doyle
CCI & IA
• Compreender que a informação é socialmente
construída; não é objetiva nem subjetiva, mas
intersubjetiva e circunstancial;
• Não pode ser descolada de seus contextos: sócio,
político, econômico, cultural, histórico, territorial, etc.;
• Feita por pessoas para pessoas: desejos, interesses,
pontos de vista, objetivos, limitações, etc.;
• Hoje: mediada digitalmente (dispositivos, algoritmos)
a serviço de outras, poucas pessoas (acionistas)
Competência crítica em informação
Andréa Doyle
CCI &IA
• Competência crítica em informação é o
desenvolvimento de uma atitude
questionadora diante da informação
entendida como uma construção social
feita por pessoas em contextos dados, com
suas limitações, objetivos e interesses e,
portanto, obrigatoriamente parcial e
localizada e nunca neutra.
Competência crítica em informação
Andréa Doyle
CCI & IA
• Competência crítica em informação é um estado de
alerta em que nos perguntamos constantemente:
Quem produziu essa informação? Com que
intenção? Quando e com que condições? Com que
dificuldades/facilidades? Quem ganha/perde com
ela? Por onde ela passou e como chegou até mim?
Que grupos ela representa e quais ela silencia? Que
outras informações parecidas/diferentes não
chegaram até mim no lugar dessa e porquê? Ela
desmonta/reforça injustiças? Há consenso sobre
ela? Sendo uma crítica, é construtiva?
Competência crítica em informação
Andréa Doyle
CCI & IA
Competência crítica em informação
Andréa Doyle
CCI & IA
• Unesco juntar a competência em informação com a
midiática em um amplo guarda-chuva = Information and
Media Literacy (MIL). Alfabetização Informacional e
Midiática (AMI) = InfoCom
• Aqui Information Literacy tem 13 traduções (letramento,
alfabetização, infoeducação, etc.)
• Transliteracias, multiliteracias e 21st century skills:
conceitos usados em Portugal e outros países da Europa
para pensar convergências
• Outros termos: digital literacy, news literacy, science
literacy, computer literacy, technology literacy
MIL :: Transliteracias :: 21st Century
Andréa Doyle
CCI & IA
• Organização Internacional para a promoção da
Ciência, Educação e Meio Ambiente
• Nascida no pós-guerra pra despolarizar, melhorar o
mundo com fomentos ao desenvolvimento em paz;
• Financiada pelas grandes potências;
• Tem função de fazer diagnósticos e propor
orientações que são depois avaliadas pelos países-
membro;
• Tem muita influência em geral nas políticas públicas
brasileiras, mas, no caso da competência em
informação no Brasil é praticamente inexistente.
UNESCO
Andréa Doyle
CCI & IA
• ALA: Associação de Bibliotecas US
• ACRL: Associação de Bibliotecas Universitárias
• Têm o papel da Unesco nos EUA: fazer digaisticos e
propor modelos, com muito mais peso pq os modelos
são adotados
• CILIP: associação Inglesa :: acompanha
• Europa: núcleo de pesquisas da Universidade do
Minho (Portugal) com outras universidades europeias.
Correndo em paralelo: transliterarias, 21st century skills
• União Européia: HLEG e proteção de dados pessoais
ALA/ACRL :: CILIP :: Transliteracias ::
Andréa Doyle
CCI & IA
• Ada Lovelace :: Turing
• Dreyfus: MIT não acredita em IA
• Merleau Ponty (corpo/sensação); Wittgenstein
(contexto); Heidegger (interesse)
• Ficção científica IA vai dominar o mundo
• Caribé: inteligência coletiva -> milhares de algoritmos
controlando quase todos os aspectos da nossa vida
• Denúncias de racismo (reconhecimento facial; cabelos),
acirramento da desigualdade (sistema de redução de
penas, atribuição de crédito financeiro; seguros)
Inteligência Artificial
Andréa Doyle
CCI & IA
• Dialética das emoções
• É nossa salvação: criatividade, empatia; amor = emprego
• É nosso fim: pós-verdade, polarização, retrocessos = matrix
• Síntese: Simetria latouriana? A combinação pessoas+
algoritmos tem diversas faces. Ex: relação da pessoa com
seu algoritmo musical; estrategista de campanha que
compra de milhares de perfis fakes; os laranjas de robô; a
responsabilidade dos programadores seus vieses pessoais e
os vieses das massas de dados de treinamento; os dos
donos de mega corporações sujeitas a variações na bolsa de
valores decididas por bots investidores; etc.
Inteligência Artificial
Andréa Doyle
CCI & IA
• ACRL. Framework for Information Literacy for Higher Education. Online: ACRL, 2015.
• BRISOLA, DOYLE. Critical information literacy as a path to resist “fake news”:
understanding disinformation as the root problem. Po prelo. 2019.
• CARIBÉ, João. Inteligência artificial pode não ser o que imagina. Blog Medium,
2019.
• CILIP. Definition of Information Literacy 2018. Online: CILIP, 2018.
• DREYFUS, Hubert. What computers still can’t do: a critique of artificial reason.
Cambridge, London: The MIT Press, 1992.
• MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. Trad. Carlos Alberto
R. de Moura. São Paulo:Martins Fontes, 1996.
• PEREIRA, Sara; FILOL, Joana; MOURA, Pedro. Levar os media para a escola:
agenda de atividades de transliteracia. Braga: CECS, 2018.
• WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas. Coleção Os Pensadores. São
Paulo: Nova Cultural, 1996.
• UNESCO. Media and Information Literacy, online.
8. References
Andréa Doyle
CCI & IA

Competência crítica em informação e Inteligência Artificial

  • 1.
    GT 6 ::AUDIOVISUAL, MÍDIA, EDUCAÇÃO
  • 2.
    Competência Crítica emInformação & Inteligência Artificial Andréa Doyle andrea@hibrida.art.br Twitter :: @hibridaart
  • 3.
    “Vivemos em ummundo no qual a qualidade da informação que recebemos tem um papel decisivo na determinação de nossas escolhas e ações, incluindo nossa capacidade de usufruir das liberdades fundamentais e da capacidade de autodeterminação e desenvolvimento. Movida pelos avanços tecnológicos nas telecomunicações, manifesta-se também a proliferação das mídias e de outros provedores de informação, por meio de grandes quantidades de informação e conhecimento que são acessadas e compartilhadas pelos cidadãos. Com esse fenômeno, e partindo dele, existe o desafio de avaliarmos a relevância e a confiabilidade da informação sem quaisquer obstáculos ao pleno usufruto dos cidadãos em relação aos seus direitos à liberdade de expressão e ao direito à informação.” “AMI-Currículo para formação de Professores”(Wilson et al., 2013, p. 11) Andréa Doyle CCI & IA
  • 4.
    • A ciêncianão é neutra, é socialmente construída por pessoas com interesses, etc. • Modernidade fingiu objetividade • Pós-modernidade relativizou tudo • Mostrar os vieses identificados das pessoas/instituições com que estamos dialogando • Tentativa de criação de elementos contextuais para que leitores se posicionem • Tentativa de balancear a conversa com posições diferentes, e dar voz a grupos inviabilizados Método Enviesado Andréa Doyle CCI & IA
  • 5.
    • Mestra edoutoranda em Ciência da Informação no PPGCI do IBICT/UFRJ. • Mestrado: investigou a relação entre informação, educação e cultura nas escolas ocupadas no Rio de Janeiro. • Graduação e casamento na França. Teve uma filha e separou. Foi produtora cultural durante 15 anos. • Progressista, feminista, ex-fumante. • Vive diariamente as consequências de ter ensinado pra minha filha que ‘porque não’ não é resposta. • Pesquisa a relação entre crítica, informação e educação na sociedade algorítmica a partir de uma lente feminista. Andréa DOYLE Andréa Doyle CCI & IA
  • 6.
    • Nicho deestudos iniciados em 2015 no Brasil que está se desenvolvendo. • Corrente de bibliotecários estadunidenses de crítica ao mecanicismo do treinamento de Competência em Informação. • Usam princípios do Paulo Freire de educação para autonomia e emancipação + Luta conta desigualdades e neo-liberalismo nas universidades lá. • EUA: IL desde 1974; CIL desde 2000 • Aqui: poucos cursos, alguma pesquisa e muita teoria CCI :: PPGCI / EUA Andréa Doyle CCI & IA
  • 7.
    • Compreender quea informação é socialmente construída; não é objetiva nem subjetiva, mas intersubjetiva e circunstancial; • Não pode ser descolada de seus contextos: sócio, político, econômico, cultural, histórico, territorial, etc.; • Feita por pessoas para pessoas: desejos, interesses, pontos de vista, objetivos, limitações, etc.; • Hoje: mediada digitalmente (dispositivos, algoritmos) a serviço de outras, poucas pessoas (acionistas) Competência crítica em informação Andréa Doyle CCI &IA
  • 8.
    • Competência críticaem informação é o desenvolvimento de uma atitude questionadora diante da informação entendida como uma construção social feita por pessoas em contextos dados, com suas limitações, objetivos e interesses e, portanto, obrigatoriamente parcial e localizada e nunca neutra. Competência crítica em informação Andréa Doyle CCI & IA
  • 9.
    • Competência críticaem informação é um estado de alerta em que nos perguntamos constantemente: Quem produziu essa informação? Com que intenção? Quando e com que condições? Com que dificuldades/facilidades? Quem ganha/perde com ela? Por onde ela passou e como chegou até mim? Que grupos ela representa e quais ela silencia? Que outras informações parecidas/diferentes não chegaram até mim no lugar dessa e porquê? Ela desmonta/reforça injustiças? Há consenso sobre ela? Sendo uma crítica, é construtiva? Competência crítica em informação Andréa Doyle CCI & IA
  • 10.
    Competência crítica eminformação Andréa Doyle CCI & IA
  • 11.
    • Unesco juntara competência em informação com a midiática em um amplo guarda-chuva = Information and Media Literacy (MIL). Alfabetização Informacional e Midiática (AMI) = InfoCom • Aqui Information Literacy tem 13 traduções (letramento, alfabetização, infoeducação, etc.) • Transliteracias, multiliteracias e 21st century skills: conceitos usados em Portugal e outros países da Europa para pensar convergências • Outros termos: digital literacy, news literacy, science literacy, computer literacy, technology literacy MIL :: Transliteracias :: 21st Century Andréa Doyle CCI & IA
  • 12.
    • Organização Internacionalpara a promoção da Ciência, Educação e Meio Ambiente • Nascida no pós-guerra pra despolarizar, melhorar o mundo com fomentos ao desenvolvimento em paz; • Financiada pelas grandes potências; • Tem função de fazer diagnósticos e propor orientações que são depois avaliadas pelos países- membro; • Tem muita influência em geral nas políticas públicas brasileiras, mas, no caso da competência em informação no Brasil é praticamente inexistente. UNESCO Andréa Doyle CCI & IA
  • 13.
    • ALA: Associaçãode Bibliotecas US • ACRL: Associação de Bibliotecas Universitárias • Têm o papel da Unesco nos EUA: fazer digaisticos e propor modelos, com muito mais peso pq os modelos são adotados • CILIP: associação Inglesa :: acompanha • Europa: núcleo de pesquisas da Universidade do Minho (Portugal) com outras universidades europeias. Correndo em paralelo: transliterarias, 21st century skills • União Européia: HLEG e proteção de dados pessoais ALA/ACRL :: CILIP :: Transliteracias :: Andréa Doyle CCI & IA
  • 14.
    • Ada Lovelace:: Turing • Dreyfus: MIT não acredita em IA • Merleau Ponty (corpo/sensação); Wittgenstein (contexto); Heidegger (interesse) • Ficção científica IA vai dominar o mundo • Caribé: inteligência coletiva -> milhares de algoritmos controlando quase todos os aspectos da nossa vida • Denúncias de racismo (reconhecimento facial; cabelos), acirramento da desigualdade (sistema de redução de penas, atribuição de crédito financeiro; seguros) Inteligência Artificial Andréa Doyle CCI & IA
  • 15.
    • Dialética dasemoções • É nossa salvação: criatividade, empatia; amor = emprego • É nosso fim: pós-verdade, polarização, retrocessos = matrix • Síntese: Simetria latouriana? A combinação pessoas+ algoritmos tem diversas faces. Ex: relação da pessoa com seu algoritmo musical; estrategista de campanha que compra de milhares de perfis fakes; os laranjas de robô; a responsabilidade dos programadores seus vieses pessoais e os vieses das massas de dados de treinamento; os dos donos de mega corporações sujeitas a variações na bolsa de valores decididas por bots investidores; etc. Inteligência Artificial Andréa Doyle CCI & IA
  • 16.
    • ACRL. Frameworkfor Information Literacy for Higher Education. Online: ACRL, 2015. • BRISOLA, DOYLE. Critical information literacy as a path to resist “fake news”: understanding disinformation as the root problem. Po prelo. 2019. • CARIBÉ, João. Inteligência artificial pode não ser o que imagina. Blog Medium, 2019. • CILIP. Definition of Information Literacy 2018. Online: CILIP, 2018. • DREYFUS, Hubert. What computers still can’t do: a critique of artificial reason. Cambridge, London: The MIT Press, 1992. • MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. Trad. Carlos Alberto R. de Moura. São Paulo:Martins Fontes, 1996. • PEREIRA, Sara; FILOL, Joana; MOURA, Pedro. Levar os media para a escola: agenda de atividades de transliteracia. Braga: CECS, 2018. • WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1996. • UNESCO. Media and Information Literacy, online. 8. References Andréa Doyle CCI & IA