



Avi s o s

PARÁGRAFO

TERESIANO

§

§

Muitas vezes tenho pensado na grande
bondade de Deus e a minha alma tem-se
regalado de ver a Sua grande magnificência e
misericórdia. Seja bendito por tudo! Tenho
visto claramente Ele não deixar sem paga,
até mesmo nesta vida, nenhum desejo bom.
Por ruins e imperfeitas que fossem minhas
obras, este Senhor meu as ia melhorando e
aperfeiçoando e dando valor. Os males e
pecados logo os escondia. Até os olhos de
quem as viu permite Sua Majestade fiquem
como que cegos e lhos tira da memória;
doira as culpas; faz resplandecer uma virtude
que o mesmo Senhor põe em mim, fazendome quase força para que a tenha.
Oh! Senhor meu, como sois bom! Bendito
sejais para sempre! Louvem-Vos, Deus meu,
todas as coisas, pois assim nos amastes, a
podermos com verdade falar desta
comunicação que, ainda estando neste
desterro, tendes com as almas. Até mesmo
com as que são boas é grande liberalidade e
magnanimidade Vossa, Senhor meu; enfim,
dais como quem sois. Oh! liberalidade
infinita, quão magníficas são as Vossas obras!
Isto espanta a quem não tem o
entendimento ocupado com coisas da terra
de modo a não ter nenhum para entender
verdades. Mas, que façais mercês tão
soberanas a almas que tanto Vos ofendem,
por certo que a mim isto faz que se me
acaba o entendimento e, quando chego a
pensar nisto, não posso ir adiante. Para onde
há-de ir que não seja voltar atrás? Dar-Vos
graças por tão grandes mercês, não sabe
como. Em dizer disparates, acho alívio
algumas vezes.
SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582)
LIVRO DA VIDA 4:10.18:3

08 Celebramos hoje a Solenidade da Imaculada
Conceição, Padroeira de Portugal.
11 Santa Maravilhas de Jesus (1891 - 1974).
Dia de oração pelas Missões.

ChAMA
DO CARMO
DE VIANA DO CASTELO

SOLENIDADE DA IMACULA CONCEIÇÃO
NS 205
DEZEMBRO 08 2013

13 Santa Luzia (283 - 304).
14 São João da Cruz (1542 - 1591).
10:00 | Retiro espiritual do Advento.

chamadocarmo.blogspot.com
Telefone 258 822 264
viana@carmelitas.pt

SE ESTÁ EM MIM AQUELE
a quem minha alma ama,
como não o encontro nem o sinto?
É por estar ele escondido. Mas não te
escondas tu também; assim podes
encontrá-lo e senti-lo.
(SÃO JOÃO DA CRUZ)

Oração

LITURGIA DAS HORAS
• Semana II do Saltério.

A Palavra
DOMINGO III DO ADVENTO
• Isaías 35:1-6.10.
• Salmo 145:7-10.
• Tiago 5:7-10.
• Mateus 11:2-11.

( 15 DE DEZEMBRO )

Sabe qual é o seu nome?
Cheia de Graça. Maria de Nazaré, judia, mulher piedosa de Israel. Mulher jovem, quase menina e
quase mulher, nada solene. Mulher simples, mulher cheia de graça feminina e plena de vocação para a
maternidade. Menina cheia de graça que vivia a vida de todas as meninas e moças de sua terra:
cuidando das coisas da casa e do jardim, trabalhando na terra em volta do lar, centrada na piedade
das coisas de Deus, amiga dos salmos, membro sem cartão do grupo dos pobres de Javé, resto fiel de
Israel, que esperava ansiosamente a chegada do Messias. Mulher crente frequentadora da sinagoga que
jamais se dispensava de meditar nas palavras dos profetas e nas promessas de Deus. Inspirava-se em
Abraão, aquele que creu. Maria, menina-moça prometida em casamento a José, o justo.

Sabe qual é o seu nome?
O Anjo surpreendeu-a talvez mais imersa nos
seus cuidados que cuidando de fazer as orações
certas. Trabalhar é uma oração: abrir as janelas
da casa para o frescura da manhã é sinal do
abrir-se da alma para a novidade de Deus.
Claro que o Anjo podia entrar, pois até as janelas
da alma estavam delicadamente entreabertas,
jamais descuidadas, mas atentas e vigilantes.
Ainda assim a saudação do Anjo Gabriel
surpreendeu Maria. Quem era ela senão uma
humilde habitante de Nazaré, cidade sem valor
das montanhas da Galileia? Mulher sem mais
pretensões que a de ser fiel a Deus; uma virgem já
prometida em casamento a José, mas sem viver
conjugalmente com ele, conforme as tradições de
seu povo? Afinal, que méritos tinha para ser uma
agraciada, plena da graça divina?
A jovenzinha Maria estava longe de compreender
os segredos da vida e menos ainda o projecto de
Deus a seu respeito. (E porque haveria Deus de ter
projectos a seu respeito, ela que era tão pouca
coisa, coisa tão pouca como um grão de areia na
imensidão de uma praia?) A sua pequenez de
mulher simples do interior não lhe permitia
pensar grandes coisas a respeito de si mesma.
Sim, era pequenina e toda de Deus. E foi isso que
encandilou a Deus: havia alguém, uma menina
em Nazaré, só sim, só Dele, tão atenta a tudo que

se encontrava plenamente dedicada a Deus! Por
isso que Deus a escolheu para ser mãe do Filho, o
Messias. Por que vivia livre de toda forma de
orgulho e de toda a autosuficiência, Maria podia
abrir o seu coração para receber a graça de Deus
que haveria de torná-la templo do Espírito Santo.
No projecto de salvação da humanidade Deus
queria contar com alguma pessoa disposta a
tornar-se a Escrava do Senhor. Escrava no
sentido de Cheia de Graça, aquela que permitiu
que a vontade divina acontecesse plenamente em
sua vida, sem objecções — e foi para Maria que se
voltaram os olhos de Deus! (Mas, atenção: alguém
a quem é pedida permissão não é alguém
despojado de vontade e de liberdade; é apenas
alguém disponível para Deus!)
Tudo quanto o Anjo comunicou a Maria era
grande demais para o seu entendimento e
superava a sua capacidade de o pôr em prática.
Portanto, tal projecto só é possível mediante uma
perspectiva nova: Maria seria Mãe e Escrava,
Virgem e Obediente com a ajuda do Espírito
Santo. Essa foi a força que o Anjo lhe prometeu da
parte de Deus, a única que lhe permitiria levar a
bom termo a missão divina que lhe fora
comunicada: Ser Mãe de Deus!
Celebramos neste domingo a festa da Imaculada,
a festa de Maria que a si se chamou como a

Escrava do Senhor. Dizer de si mesma ser a
Escrava do Senhor é dizer que é Ele o Criador e
Senhor e ela a criatura; Ele grande, ela pequenina;
Ele a fonte, ela a gotinha de orvalho!
Eu gosto e creio que todos gostamos de imaginar
que sim, que Deus encontrou ao menos uma
pessoa inteiramente Dele, sem reservas. É certo
que Deus a preparou fiel desde o princípio dos
séculos e é certo também que chegada a plenitude
do tempo Ele lhe pediu consentimento: uma
pessoa assim é virgem, por que é toda de Deus. A
Virgem tem um nome belo: Cheia de Graça!
A trajectória que Deus imaginou foi esta: criar,
eleger uma criatura, pedir-lhe o consentimento.
Agradeço este respeito delicado de Deus. Tenho
para mim que se o tivesse feito de outra maneira
também estaria bem, desde que respeitasse a
liberdade da criatura.
Dizem que temos todos três nomes. Acredito.
O primeiro é o que os pais escolheram para nós.
Podem ter ido buscá-lo aos avoengos da família,
aos heróis da fé, do desporto ou da nação. Enfim, é
o que escolheram e não tem mais que se diga.
O segundo é aquele que nos chamam tendo em
conta o que fazemos: padre, médico, tanoeiro,
polícia, rei. Chamam e chamam certo quando
dizem: — Olha, ali vai o presidente da junta!
O terceiro é o que Deus nos põe e diz respeito à
relação que estabelecemos com Ele. Diz Deus no
Livro do Apocalipse: «Dar-lhe-ei uma pedrazinha
branca com um nome novo gravado nela; um
nome que só o conhece em o recebe» (2,14).
A nossa vida deveria orientar-se para descobrir o
nome que Deus nos chama já antes de nascermos.
À virgem os pais chamaram-lhe Maria, nome
pouco original ao tempo. Os seus vizinhos
souberam-na esposa de José e Mãe de Jesus. Deus
chamou-la de Cheia de Graça!
E você sabe qual é o seu nome? Alguma vez se
perguntou qual é o nome pelo qual Deus o(a)
conhece ainda antes de você ter nascido?

chama do Carmo_207

  • 1.
       Avi s os PARÁGRAFO TERESIANO § § Muitas vezes tenho pensado na grande bondade de Deus e a minha alma tem-se regalado de ver a Sua grande magnificência e misericórdia. Seja bendito por tudo! Tenho visto claramente Ele não deixar sem paga, até mesmo nesta vida, nenhum desejo bom. Por ruins e imperfeitas que fossem minhas obras, este Senhor meu as ia melhorando e aperfeiçoando e dando valor. Os males e pecados logo os escondia. Até os olhos de quem as viu permite Sua Majestade fiquem como que cegos e lhos tira da memória; doira as culpas; faz resplandecer uma virtude que o mesmo Senhor põe em mim, fazendome quase força para que a tenha. Oh! Senhor meu, como sois bom! Bendito sejais para sempre! Louvem-Vos, Deus meu, todas as coisas, pois assim nos amastes, a podermos com verdade falar desta comunicação que, ainda estando neste desterro, tendes com as almas. Até mesmo com as que são boas é grande liberalidade e magnanimidade Vossa, Senhor meu; enfim, dais como quem sois. Oh! liberalidade infinita, quão magníficas são as Vossas obras! Isto espanta a quem não tem o entendimento ocupado com coisas da terra de modo a não ter nenhum para entender verdades. Mas, que façais mercês tão soberanas a almas que tanto Vos ofendem, por certo que a mim isto faz que se me acaba o entendimento e, quando chego a pensar nisto, não posso ir adiante. Para onde há-de ir que não seja voltar atrás? Dar-Vos graças por tão grandes mercês, não sabe como. Em dizer disparates, acho alívio algumas vezes. SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582) LIVRO DA VIDA 4:10.18:3 08 Celebramos hoje a Solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal. 11 Santa Maravilhas de Jesus (1891 - 1974). Dia de oração pelas Missões. ChAMA DO CARMO DE VIANA DO CASTELO SOLENIDADE DA IMACULA CONCEIÇÃO NS 205 DEZEMBRO 08 2013 13 Santa Luzia (283 - 304). 14 São João da Cruz (1542 - 1591). 10:00 | Retiro espiritual do Advento. chamadocarmo.blogspot.com Telefone 258 822 264 viana@carmelitas.pt SE ESTÁ EM MIM AQUELE a quem minha alma ama, como não o encontro nem o sinto? É por estar ele escondido. Mas não te escondas tu também; assim podes encontrá-lo e senti-lo. (SÃO JOÃO DA CRUZ) Oração LITURGIA DAS HORAS • Semana II do Saltério. A Palavra DOMINGO III DO ADVENTO • Isaías 35:1-6.10. • Salmo 145:7-10. • Tiago 5:7-10. • Mateus 11:2-11. ( 15 DE DEZEMBRO ) Sabe qual é o seu nome?
  • 2.
    Cheia de Graça.Maria de Nazaré, judia, mulher piedosa de Israel. Mulher jovem, quase menina e quase mulher, nada solene. Mulher simples, mulher cheia de graça feminina e plena de vocação para a maternidade. Menina cheia de graça que vivia a vida de todas as meninas e moças de sua terra: cuidando das coisas da casa e do jardim, trabalhando na terra em volta do lar, centrada na piedade das coisas de Deus, amiga dos salmos, membro sem cartão do grupo dos pobres de Javé, resto fiel de Israel, que esperava ansiosamente a chegada do Messias. Mulher crente frequentadora da sinagoga que jamais se dispensava de meditar nas palavras dos profetas e nas promessas de Deus. Inspirava-se em Abraão, aquele que creu. Maria, menina-moça prometida em casamento a José, o justo. Sabe qual é o seu nome? O Anjo surpreendeu-a talvez mais imersa nos seus cuidados que cuidando de fazer as orações certas. Trabalhar é uma oração: abrir as janelas da casa para o frescura da manhã é sinal do abrir-se da alma para a novidade de Deus. Claro que o Anjo podia entrar, pois até as janelas da alma estavam delicadamente entreabertas, jamais descuidadas, mas atentas e vigilantes. Ainda assim a saudação do Anjo Gabriel surpreendeu Maria. Quem era ela senão uma humilde habitante de Nazaré, cidade sem valor das montanhas da Galileia? Mulher sem mais pretensões que a de ser fiel a Deus; uma virgem já prometida em casamento a José, mas sem viver conjugalmente com ele, conforme as tradições de seu povo? Afinal, que méritos tinha para ser uma agraciada, plena da graça divina? A jovenzinha Maria estava longe de compreender os segredos da vida e menos ainda o projecto de Deus a seu respeito. (E porque haveria Deus de ter projectos a seu respeito, ela que era tão pouca coisa, coisa tão pouca como um grão de areia na imensidão de uma praia?) A sua pequenez de mulher simples do interior não lhe permitia pensar grandes coisas a respeito de si mesma. Sim, era pequenina e toda de Deus. E foi isso que encandilou a Deus: havia alguém, uma menina em Nazaré, só sim, só Dele, tão atenta a tudo que se encontrava plenamente dedicada a Deus! Por isso que Deus a escolheu para ser mãe do Filho, o Messias. Por que vivia livre de toda forma de orgulho e de toda a autosuficiência, Maria podia abrir o seu coração para receber a graça de Deus que haveria de torná-la templo do Espírito Santo. No projecto de salvação da humanidade Deus queria contar com alguma pessoa disposta a tornar-se a Escrava do Senhor. Escrava no sentido de Cheia de Graça, aquela que permitiu que a vontade divina acontecesse plenamente em sua vida, sem objecções — e foi para Maria que se voltaram os olhos de Deus! (Mas, atenção: alguém a quem é pedida permissão não é alguém despojado de vontade e de liberdade; é apenas alguém disponível para Deus!) Tudo quanto o Anjo comunicou a Maria era grande demais para o seu entendimento e superava a sua capacidade de o pôr em prática. Portanto, tal projecto só é possível mediante uma perspectiva nova: Maria seria Mãe e Escrava, Virgem e Obediente com a ajuda do Espírito Santo. Essa foi a força que o Anjo lhe prometeu da parte de Deus, a única que lhe permitiria levar a bom termo a missão divina que lhe fora comunicada: Ser Mãe de Deus! Celebramos neste domingo a festa da Imaculada, a festa de Maria que a si se chamou como a Escrava do Senhor. Dizer de si mesma ser a Escrava do Senhor é dizer que é Ele o Criador e Senhor e ela a criatura; Ele grande, ela pequenina; Ele a fonte, ela a gotinha de orvalho! Eu gosto e creio que todos gostamos de imaginar que sim, que Deus encontrou ao menos uma pessoa inteiramente Dele, sem reservas. É certo que Deus a preparou fiel desde o princípio dos séculos e é certo também que chegada a plenitude do tempo Ele lhe pediu consentimento: uma pessoa assim é virgem, por que é toda de Deus. A Virgem tem um nome belo: Cheia de Graça! A trajectória que Deus imaginou foi esta: criar, eleger uma criatura, pedir-lhe o consentimento. Agradeço este respeito delicado de Deus. Tenho para mim que se o tivesse feito de outra maneira também estaria bem, desde que respeitasse a liberdade da criatura. Dizem que temos todos três nomes. Acredito. O primeiro é o que os pais escolheram para nós. Podem ter ido buscá-lo aos avoengos da família, aos heróis da fé, do desporto ou da nação. Enfim, é o que escolheram e não tem mais que se diga. O segundo é aquele que nos chamam tendo em conta o que fazemos: padre, médico, tanoeiro, polícia, rei. Chamam e chamam certo quando dizem: — Olha, ali vai o presidente da junta! O terceiro é o que Deus nos põe e diz respeito à relação que estabelecemos com Ele. Diz Deus no Livro do Apocalipse: «Dar-lhe-ei uma pedrazinha branca com um nome novo gravado nela; um nome que só o conhece em o recebe» (2,14). A nossa vida deveria orientar-se para descobrir o nome que Deus nos chama já antes de nascermos. À virgem os pais chamaram-lhe Maria, nome pouco original ao tempo. Os seus vizinhos souberam-na esposa de José e Mãe de Jesus. Deus chamou-la de Cheia de Graça! E você sabe qual é o seu nome? Alguma vez se perguntou qual é o nome pelo qual Deus o(a) conhece ainda antes de você ter nascido?