Cartilha do Peso




Global Powerlifting Committee - Brasil
e-mail: gpcbrasil@gmail.com
www.globalpowerliftingcommittee-brasil.com
www.supino-brasil.com
www.powerlifting-brasil.com



Esta cartilha

O objetivo desta cartilha é apresentar algumas idéias básicas sobre o
LEVANTAMENTO DE PESO BÁSICO, ou POWERLIFTING, e seus
levantamentos: o AGACHAMENTO, o SUPINO e o LEVANTAMENTO
TERRA.




Para uma apresentação dos levantamentos, sugerimos que você entre no nosso
site (www.globalpowerliftingcommittee-brasil.com ). O que vamos fazer aqui
é apresentar idéias e princípios que norteiam a representação brasileira do
GPC e que queremos partilhar com você, atleta.
Dividimos essa cartilha nos seguintes itens:

   1.   O esporte: o que é o levantamento de peso e por que você está aqui
   2.   Reconhecimento: vamos falar de premiação?
   3.   Regras – por que elas são importantes
   4.   Organização do esporte
   5.   Organização do evento
   6.   Democracia


   1. O esporte: o que é o levantamento de peso e por que você está aqui

Nós assumimos que você está aqui porque, como nós, ama esse esporte. Não
vive sem uma barra e uns 300kg de anilha por perto, não se sente gente sem
um peso monstro esmagando suas articulações e não se sente em casa sem
aquele cheiro de ferro e pó de magnésio espalhado.




Isso é um basista, ou supineiro, ou levantador de peso ou powerlifter: uma
criatura que se realiza levantando pesos.
O levantamento de peso básico, powerlifting ou levantamento de potência e
suas modalidades (agachamento, supino e terra) é um esporte. Como todo
esporte, é uma atividade disciplinada, onde se treina em busca de permanente
melhoria e onde esta melhoria pode ser medida.
Assim, um corredor sabe que melhorou se seu tempo para percorrer 100m
diminui. Um levantador de peso sabe que melhorou quando consegue levantar
mais quilos num levantamento.

O esporte, como a arte e a ciência, são atividades onde essas melhorias são
medidas e comparadas e onde toda a sociedade reconhece esse valor, ou
mérito. “Mérito” quer dizer que você MERECE ser reconhecido, fez algo que
todos viram que realmente é verdade e tem valor.

Você está aqui num campeonato de levantamento de peso porque é um atleta
que vai competir, porque simplesmente gosta de levantamento de peso e quer
assistir, porque veio ajudar ou porque seu amigo, namorado(a), esposo(a),
pai(mãe) ou filho(a) vai competir.

O campeonato é onde o mérito é conferido por todo mundo. Não adianta você
fazer 300kg de supino na sua academia, sozinho com seus amigos. É preciso
fazer num evento público, oficial, onde sua conquista seja registrada e
publicamente reconhecida.
É por isso que você está aqui: para mostrar para todos nós o bom trabalho
que você realizou nos treinos nos últimos meses ou anos. A sua vitória é
nossa vitória, pois todos evoluímos com as conquistas uns dos outros.

   2. Reconhecimento: vamos falar de premiação?

Muita gente nos procura reclamando de medalhas e troféus simples e rústicos.
Mas afinal, o que é a medalha e o troféu?
Troféus e medalhas são símbolos do reconhecimento de mérito. Traduzindo:
são uma forma de representar uma OUTRA coisa que você fez e foi muito
legal, no caso, levantar mais peso do que todos os outros da sua categoria. A
medalha ou o troféu, em si, não são a sua vitória ou superação.

A vitória aconteceu lá, no dia do campeonato, à vista de todos que assistiram.
Se o campeonato for sério, organizado por uma entidade legalmente
reconhecida, com CNPJ registrado, com documentação em ordem, súmulas
publicadas em sites e bem divulgadas, a sua vitória se torna
PUBLICAMENTE RECONHECIDA e DOCUMENTADA.




A superação é só sua: mora dentro de você. Só você, e mais ninguém, pode
saber o que representa aquele peso para você. Você pode ter sido o quarto
colocado, mas se sua marca foi um peso que você jamais tinha feito, ou nem
acreditava que podia levantar, ela vale muito mais do que o primeiro lugar de
alguém que costuma levantar muito mais peso.
Isso nos mostra que a marca executada vale bastante também, muitas vezes
mais do que a colocação no campeonato. Por isso é bom guardar um registro
delas. Toda vez que você participar de um campeonato, quando chegar em
casa registre os seguintes dados:
- nome do campeonato
- entidade organizadora
- data e local
- seu peso corporal
- sua marca
- sua colocação
- se foi ou não quebra de recorde e qual

Assim, com o tempo, você cria seu próprio currículo esportivo, que é o mais
importante documento para a busca de patrocínios. Você não vai levar uma
caixa cheia de estatuetas e rodelas metálicas (troféus e medalhas) para
comprovar seu valor como atleta para um patrocinador, vai? Vai levar um
documento registrando suas marcas e colocações, que é o que caracteriza você
como atleta. E deve anexar a isso todos os documentos que puder, como
certificados de participação fornecidos pelos organizadores.

   3. Regras – por que elas são importantes

O esporte é um jogo. Jogo não quer dizer “brincadeira”, nem coisa pouco
séria: quer dizer que é uma atividade onde os participantes agem segundo
regras. Às vezes um jogo é antigo ou anterior à nossa entrada e as regras já
estão lá quando resolvemos participar – cabe a nós decidir se as regras são
aceitáveis ou não. Quando um jogo conta com muitos participantes, é quase
impossível que todos concordem com todas as regras. Mas é essencial que
todos as respeitem. Por que isso é tão importante? Porque se admitimos que
todos os jogadores têm direitos iguais, então o desrespeito às regras de um
jogador acaba com o jogo todo, pois suspende a condição básica da igualdade,
imparcialidade e justiça. E se todos desrespeitarem as regras, igualmente?
Então não há mais jogo.

Vamos dar um exemplo do nosso caso concreto: a obrigatoriedade do uso de
macaquinho nos campeonatos. Se 50 atletas se inscrevem, 40 usam
macaquinhos sobre a camiseta ou camisa de supino e 10 não usam, os 40 que
usaram o macaquinho estarão em desvantagem. Se for um campeonato de
supino, a arbitragem tem visão privilegiada sobre o cumprimento da regra
quanto ao contato dos glúteos com o banco durante todo o levantamento
somente naqueles que usaram macaquinho. Os 10 que não usaram podem até
ter “levantado a bunda do banco”, mesmo que “só um pouquinho”, e os
árbitros não têm condições de ver.

Isso é justo? Não é. E portanto destrói o jogo.
E se todos resolverem usar bermudas?
Então a regra básica que determina que um supino é válido somente se o atleta
mantém contato dos glúteos com o banco durante todo o levantamento é
anulada, e portanto o campeonato não é mais de supino, e sim de alguma outra
coisa parecida.

Existem inúmeras federações internacionais (ver item “organização do
esporte”), cada uma com um livro de regras com pequenas ou grandes
diferenças. Uma federação determina que são legais apenas as camisas de
supino de um pano só e seu uso é livre (pode ou não ser usada). Todos os
competidores que respeitarem essa regra (“se usarem camisas de supino, que
sejam de um pano só”) são iguais perante a arbitragem. Outra federação divide
os atletas em categorias de equipamento: todas as camisas são aceitas, mas
aqueles que competem sem camisas de força só concorrem entre si; aqueles
que usam camisas de um pano, só concorrem entre si; e aqueles que usam
camisas de múltiplas camadas também só concorrem entre si, em categorias
independentes.

Outro exemplo interessante é a “parada visível no peito”. Experimente, com a
ajuda de amigos, executar um movimento de supino em quatro condições
diferentes:
1ª: descendo a barra rapidamente, batendo no peito e subindo (o famoso
“pancadão”, ou “supino quicado”);
2ª: descendo rapidamente a barra, encostando e subindo imediatamente;
3ª: descendo a barra de forma bem controlada, estabilizando a barra no peito e
subindo;
4ª: descendo a barra de forma bem controlada, estabilizando a barra, contando
dois segundos e subindo.

Foi igual? Qual foi mais difícil? É claro que a primeira condição é a mais
fácil, e a última é mais difícil. Existem complicadas explicações técnicas e
científicas para isso, mas o fato incontestável é que não é justo que supinos
executados de maneiras tão diferentes sejam comparados. Por isso existem
regras para a forma de executar o supino. Diferentes federações adotam regras
diferentes (nenhuma federação permite a primeira forma, poucas admitem a
segunda e a maioria fica entre a terceira e quarta forma).


Voltando ao caso da bermuda, ela é ilegal em TODAS as federações
internacionais, de modo que o uso deste traje faz com que o campeonato seja
invalidado e suas marcas não possam ser homologadas (veja item seguinte
sobre a organização do esporte).

Cada federação resolve do seu jeito o problema da justiça e igualdade entre
“jogadores” no “jogo do esporte”. O importante é que você conheça as regras
e se sinta seguro de que elas serão cumpridas sempre.




   4. Organização do esporte

No que o esporte é diferente de um jogo qualquer organizado por uma turma
de amigos? No fato de que ele é ORGANIZADO por ENTIDADES DO
DESPORTO. Bolinha de gude é um esporte? Não. Amarelinha é um esporte?
Não. Ambos são jogos. A maior parte dos esportes nasceu como um jogo
recreativo ou uma arte de guerra. Com o tempo, com o fim das guerras ou
outras mudanças, ganharam regras codificadas (alguém escreveu as regras
num documento que passou a valer para um grupo todo), formaram-se
associações, ligas, federações e confederações e estes jogos se tornaram
ESPORTES.

O nosso esporte do levantamento de peso básico tem uma longa e bela
história, mas só foi organizado recentemente. Sua primeira federação
internacional foi a IPF (International Powerlifting Federation), fundada em
1973. Nos anos 1980s e 1990s, surgiram várias outras federações
internacionais. Hoje, existem cerca de 10 federações internacionais
reconhecidas.

Nem todos os países têm as 10 federações internacionais representadas. No
Brasil, existem quatro Confederações nacionais: a Confederação Brasileira de
Levantamentos Básicos, filiada à IPF; a Confederação Brasileira de
Powerlifting, filiada à WABDL (World Association of Benchers and
Deadlifters); a Confederação Brasileira de Esportes de Força, que já foi filiada
à WNPF (World Natural Powerlifting Federation) e a Confederação Brasileira
dos Atletas de Força (CONBRAFA), que não é filiada a federações
internacionais.

Nós representamos o GPC (Global Powerlifting Commitee) e a SSA
(Syndicated Strength Alliance), Organizações Internacionais do Desporto
legalmente reconhecidas.

Quanto mais bem vinculado a entidades internacionais for um evento, maior
será o reconhecimento dos feitos dos atletas. Neste evento, o atleta passa a
fazer parte da grande comunidade mundial do powerlifting.
Mas quanto mais bem vinculada a entidades internacionais for o evento, maior
será a necessidade do respeito às regras. Caso contrário, a representação
nacional corre o risco de perder seu vínculo com a matriz internacional. Com
isso, perdem todos: a organização nacional e o atleta.
Vemos assim que Confederações nacionais, Federações Internacionais e
regras esportivas são partes de um grande sistema que faz com que o esporte
exista para o atleta.

   5. Organização do evento

Para que todos os atletas e organizadores sejam respeitados, é importante que
a organização do evento seja cumprida. Horários, calibragem da balança e
pesos, e categorias de idade e peso. Se você atrasa, não é justo que todos
sejam prejudicados, ficando horas a mais numa cidade distante da sua num
domingo, porque você resolveu dormir até mais tarde. Também não é correto
com o oficial de pesagem que você tente barganhar um peso maior ou menor
do que o registrado na balança: campeonato de levantamento de peso não é
feira e peso corporal não se negocia – se mede. Também não é justo que você
demore três minutos se arrumando para entrar no tablado depois de ser
chamado se todos estão respeitando o tempo de 60 ou 120 segundos
(conforme a regra do evento).
Para que um evento tenha um mínimo de credibilidade, do ponto de vista
esportivo, é importante que:
   1. seja organizado por uma entidade legalmente estabelecida;
   2. seus resultados sejam publicamente disponibilizados (em publicações
      impressas ou na Internet, que hoje é o usual);
   3. que os horários sejam respeitados;
   4. que as regras sejam respeitadas;
   5. que as balanças sejam calibradas;
   6. que as anilhas, barras e presilhas sejam calibradas;
   7. que os bancos tenham as medidas regulamentares
   8. que haja segurança durante a execução dos levantamentos, com
      anilheiros corretamente posicionados e preparados para a função;
   9. que os árbitros conheçam bem as regras e sejam imparciais;
   10.que a mesa mantenha o andamento do evento com agilidade;
   11.que os atletas respeitem as ordens dos árbitros e da mesa

   6. Democracia e respeito

Toda entidade do desporto, seja em nível estadual, nacional ou internacional é
regida conforme um estatuto e tem uma estrutura de comando. Ninguém tem o
poder de mudar regras, dar vantagens a este ou aquele e se outorgar direitos
especiais. As decisões, nestas entidades, são tomadas por diretorias
constituídas, assembléias de membros e outras estruturas democráticas.
Num esporte de verdade, ninguém tem o direito de tomar decisões arbitrárias.
Num esporte de verdade, você, atleta, é respeitado e tratado com dignidade.
Num esporte de verdade, suas críticas e sugestões são ouvidas e registradas.
Num esporte de verdade, você, atleta, tem direitos estipulados por um estatuto
e regimento, e deve conhecê-los.
Num esporte de verdade, não existem caciques, e sim dirigentes, cujo papel é
servir o esporte e seu desenvolvimento, e não buscar prestígio ou lucro
pessoal.


Conheça seu esporte – faça valer seus direitos!
Viva o levantamento de peso, viva o guerreiro do tablado e viva o esporte
brasileiro!




Contatos do GPC Brasil

e-mail da representação: gpcbrasil@gmail.com
http://www.globalpowerliftingcommittee-brasil.com
http://www.powerlifting-brasil.com
http://www.supino-brasil.com


Presidência

Marília Coutinho
E-mail: merton.mzm@gmail.com
Telefone: (11) 9979 7475

Secretaria

Stevie Willian Ramos
E-mail: cdbrasilia@hotmail.com

Cartilha do Peso - ANF

  • 1.
    Cartilha do Peso GlobalPowerlifting Committee - Brasil e-mail: gpcbrasil@gmail.com www.globalpowerliftingcommittee-brasil.com www.supino-brasil.com www.powerlifting-brasil.com Esta cartilha O objetivo desta cartilha é apresentar algumas idéias básicas sobre o LEVANTAMENTO DE PESO BÁSICO, ou POWERLIFTING, e seus levantamentos: o AGACHAMENTO, o SUPINO e o LEVANTAMENTO TERRA. Para uma apresentação dos levantamentos, sugerimos que você entre no nosso site (www.globalpowerliftingcommittee-brasil.com ). O que vamos fazer aqui é apresentar idéias e princípios que norteiam a representação brasileira do GPC e que queremos partilhar com você, atleta.
  • 2.
    Dividimos essa cartilhanos seguintes itens: 1. O esporte: o que é o levantamento de peso e por que você está aqui 2. Reconhecimento: vamos falar de premiação? 3. Regras – por que elas são importantes 4. Organização do esporte 5. Organização do evento 6. Democracia 1. O esporte: o que é o levantamento de peso e por que você está aqui Nós assumimos que você está aqui porque, como nós, ama esse esporte. Não vive sem uma barra e uns 300kg de anilha por perto, não se sente gente sem um peso monstro esmagando suas articulações e não se sente em casa sem aquele cheiro de ferro e pó de magnésio espalhado. Isso é um basista, ou supineiro, ou levantador de peso ou powerlifter: uma criatura que se realiza levantando pesos.
  • 3.
    O levantamento depeso básico, powerlifting ou levantamento de potência e suas modalidades (agachamento, supino e terra) é um esporte. Como todo esporte, é uma atividade disciplinada, onde se treina em busca de permanente melhoria e onde esta melhoria pode ser medida. Assim, um corredor sabe que melhorou se seu tempo para percorrer 100m diminui. Um levantador de peso sabe que melhorou quando consegue levantar mais quilos num levantamento. O esporte, como a arte e a ciência, são atividades onde essas melhorias são medidas e comparadas e onde toda a sociedade reconhece esse valor, ou mérito. “Mérito” quer dizer que você MERECE ser reconhecido, fez algo que todos viram que realmente é verdade e tem valor. Você está aqui num campeonato de levantamento de peso porque é um atleta que vai competir, porque simplesmente gosta de levantamento de peso e quer assistir, porque veio ajudar ou porque seu amigo, namorado(a), esposo(a), pai(mãe) ou filho(a) vai competir. O campeonato é onde o mérito é conferido por todo mundo. Não adianta você fazer 300kg de supino na sua academia, sozinho com seus amigos. É preciso fazer num evento público, oficial, onde sua conquista seja registrada e publicamente reconhecida. É por isso que você está aqui: para mostrar para todos nós o bom trabalho que você realizou nos treinos nos últimos meses ou anos. A sua vitória é nossa vitória, pois todos evoluímos com as conquistas uns dos outros. 2. Reconhecimento: vamos falar de premiação? Muita gente nos procura reclamando de medalhas e troféus simples e rústicos. Mas afinal, o que é a medalha e o troféu?
  • 4.
    Troféus e medalhassão símbolos do reconhecimento de mérito. Traduzindo: são uma forma de representar uma OUTRA coisa que você fez e foi muito legal, no caso, levantar mais peso do que todos os outros da sua categoria. A medalha ou o troféu, em si, não são a sua vitória ou superação. A vitória aconteceu lá, no dia do campeonato, à vista de todos que assistiram. Se o campeonato for sério, organizado por uma entidade legalmente reconhecida, com CNPJ registrado, com documentação em ordem, súmulas publicadas em sites e bem divulgadas, a sua vitória se torna PUBLICAMENTE RECONHECIDA e DOCUMENTADA. A superação é só sua: mora dentro de você. Só você, e mais ninguém, pode saber o que representa aquele peso para você. Você pode ter sido o quarto colocado, mas se sua marca foi um peso que você jamais tinha feito, ou nem acreditava que podia levantar, ela vale muito mais do que o primeiro lugar de alguém que costuma levantar muito mais peso.
  • 5.
    Isso nos mostraque a marca executada vale bastante também, muitas vezes mais do que a colocação no campeonato. Por isso é bom guardar um registro delas. Toda vez que você participar de um campeonato, quando chegar em casa registre os seguintes dados: - nome do campeonato - entidade organizadora - data e local - seu peso corporal - sua marca - sua colocação - se foi ou não quebra de recorde e qual Assim, com o tempo, você cria seu próprio currículo esportivo, que é o mais importante documento para a busca de patrocínios. Você não vai levar uma caixa cheia de estatuetas e rodelas metálicas (troféus e medalhas) para comprovar seu valor como atleta para um patrocinador, vai? Vai levar um documento registrando suas marcas e colocações, que é o que caracteriza você como atleta. E deve anexar a isso todos os documentos que puder, como certificados de participação fornecidos pelos organizadores. 3. Regras – por que elas são importantes O esporte é um jogo. Jogo não quer dizer “brincadeira”, nem coisa pouco séria: quer dizer que é uma atividade onde os participantes agem segundo regras. Às vezes um jogo é antigo ou anterior à nossa entrada e as regras já estão lá quando resolvemos participar – cabe a nós decidir se as regras são aceitáveis ou não. Quando um jogo conta com muitos participantes, é quase impossível que todos concordem com todas as regras. Mas é essencial que todos as respeitem. Por que isso é tão importante? Porque se admitimos que todos os jogadores têm direitos iguais, então o desrespeito às regras de um jogador acaba com o jogo todo, pois suspende a condição básica da igualdade, imparcialidade e justiça. E se todos desrespeitarem as regras, igualmente? Então não há mais jogo. Vamos dar um exemplo do nosso caso concreto: a obrigatoriedade do uso de macaquinho nos campeonatos. Se 50 atletas se inscrevem, 40 usam macaquinhos sobre a camiseta ou camisa de supino e 10 não usam, os 40 que usaram o macaquinho estarão em desvantagem. Se for um campeonato de supino, a arbitragem tem visão privilegiada sobre o cumprimento da regra
  • 6.
    quanto ao contatodos glúteos com o banco durante todo o levantamento somente naqueles que usaram macaquinho. Os 10 que não usaram podem até ter “levantado a bunda do banco”, mesmo que “só um pouquinho”, e os árbitros não têm condições de ver. Isso é justo? Não é. E portanto destrói o jogo. E se todos resolverem usar bermudas? Então a regra básica que determina que um supino é válido somente se o atleta mantém contato dos glúteos com o banco durante todo o levantamento é anulada, e portanto o campeonato não é mais de supino, e sim de alguma outra coisa parecida. Existem inúmeras federações internacionais (ver item “organização do esporte”), cada uma com um livro de regras com pequenas ou grandes diferenças. Uma federação determina que são legais apenas as camisas de supino de um pano só e seu uso é livre (pode ou não ser usada). Todos os competidores que respeitarem essa regra (“se usarem camisas de supino, que sejam de um pano só”) são iguais perante a arbitragem. Outra federação divide os atletas em categorias de equipamento: todas as camisas são aceitas, mas aqueles que competem sem camisas de força só concorrem entre si; aqueles que usam camisas de um pano, só concorrem entre si; e aqueles que usam camisas de múltiplas camadas também só concorrem entre si, em categorias independentes. Outro exemplo interessante é a “parada visível no peito”. Experimente, com a ajuda de amigos, executar um movimento de supino em quatro condições diferentes: 1ª: descendo a barra rapidamente, batendo no peito e subindo (o famoso “pancadão”, ou “supino quicado”); 2ª: descendo rapidamente a barra, encostando e subindo imediatamente; 3ª: descendo a barra de forma bem controlada, estabilizando a barra no peito e subindo; 4ª: descendo a barra de forma bem controlada, estabilizando a barra, contando dois segundos e subindo. Foi igual? Qual foi mais difícil? É claro que a primeira condição é a mais fácil, e a última é mais difícil. Existem complicadas explicações técnicas e científicas para isso, mas o fato incontestável é que não é justo que supinos executados de maneiras tão diferentes sejam comparados. Por isso existem regras para a forma de executar o supino. Diferentes federações adotam regras
  • 7.
    diferentes (nenhuma federaçãopermite a primeira forma, poucas admitem a segunda e a maioria fica entre a terceira e quarta forma). Voltando ao caso da bermuda, ela é ilegal em TODAS as federações internacionais, de modo que o uso deste traje faz com que o campeonato seja invalidado e suas marcas não possam ser homologadas (veja item seguinte sobre a organização do esporte). Cada federação resolve do seu jeito o problema da justiça e igualdade entre “jogadores” no “jogo do esporte”. O importante é que você conheça as regras e se sinta seguro de que elas serão cumpridas sempre. 4. Organização do esporte No que o esporte é diferente de um jogo qualquer organizado por uma turma de amigos? No fato de que ele é ORGANIZADO por ENTIDADES DO DESPORTO. Bolinha de gude é um esporte? Não. Amarelinha é um esporte? Não. Ambos são jogos. A maior parte dos esportes nasceu como um jogo recreativo ou uma arte de guerra. Com o tempo, com o fim das guerras ou outras mudanças, ganharam regras codificadas (alguém escreveu as regras num documento que passou a valer para um grupo todo), formaram-se associações, ligas, federações e confederações e estes jogos se tornaram ESPORTES. O nosso esporte do levantamento de peso básico tem uma longa e bela história, mas só foi organizado recentemente. Sua primeira federação internacional foi a IPF (International Powerlifting Federation), fundada em 1973. Nos anos 1980s e 1990s, surgiram várias outras federações
  • 8.
    internacionais. Hoje, existemcerca de 10 federações internacionais reconhecidas. Nem todos os países têm as 10 federações internacionais representadas. No Brasil, existem quatro Confederações nacionais: a Confederação Brasileira de Levantamentos Básicos, filiada à IPF; a Confederação Brasileira de Powerlifting, filiada à WABDL (World Association of Benchers and Deadlifters); a Confederação Brasileira de Esportes de Força, que já foi filiada à WNPF (World Natural Powerlifting Federation) e a Confederação Brasileira dos Atletas de Força (CONBRAFA), que não é filiada a federações internacionais. Nós representamos o GPC (Global Powerlifting Commitee) e a SSA (Syndicated Strength Alliance), Organizações Internacionais do Desporto legalmente reconhecidas. Quanto mais bem vinculado a entidades internacionais for um evento, maior será o reconhecimento dos feitos dos atletas. Neste evento, o atleta passa a fazer parte da grande comunidade mundial do powerlifting. Mas quanto mais bem vinculada a entidades internacionais for o evento, maior será a necessidade do respeito às regras. Caso contrário, a representação nacional corre o risco de perder seu vínculo com a matriz internacional. Com isso, perdem todos: a organização nacional e o atleta. Vemos assim que Confederações nacionais, Federações Internacionais e regras esportivas são partes de um grande sistema que faz com que o esporte exista para o atleta. 5. Organização do evento Para que todos os atletas e organizadores sejam respeitados, é importante que a organização do evento seja cumprida. Horários, calibragem da balança e pesos, e categorias de idade e peso. Se você atrasa, não é justo que todos sejam prejudicados, ficando horas a mais numa cidade distante da sua num domingo, porque você resolveu dormir até mais tarde. Também não é correto com o oficial de pesagem que você tente barganhar um peso maior ou menor do que o registrado na balança: campeonato de levantamento de peso não é feira e peso corporal não se negocia – se mede. Também não é justo que você demore três minutos se arrumando para entrar no tablado depois de ser chamado se todos estão respeitando o tempo de 60 ou 120 segundos (conforme a regra do evento).
  • 9.
    Para que umevento tenha um mínimo de credibilidade, do ponto de vista esportivo, é importante que: 1. seja organizado por uma entidade legalmente estabelecida; 2. seus resultados sejam publicamente disponibilizados (em publicações impressas ou na Internet, que hoje é o usual); 3. que os horários sejam respeitados; 4. que as regras sejam respeitadas; 5. que as balanças sejam calibradas; 6. que as anilhas, barras e presilhas sejam calibradas; 7. que os bancos tenham as medidas regulamentares 8. que haja segurança durante a execução dos levantamentos, com anilheiros corretamente posicionados e preparados para a função; 9. que os árbitros conheçam bem as regras e sejam imparciais; 10.que a mesa mantenha o andamento do evento com agilidade; 11.que os atletas respeitem as ordens dos árbitros e da mesa 6. Democracia e respeito Toda entidade do desporto, seja em nível estadual, nacional ou internacional é regida conforme um estatuto e tem uma estrutura de comando. Ninguém tem o poder de mudar regras, dar vantagens a este ou aquele e se outorgar direitos especiais. As decisões, nestas entidades, são tomadas por diretorias constituídas, assembléias de membros e outras estruturas democráticas. Num esporte de verdade, ninguém tem o direito de tomar decisões arbitrárias. Num esporte de verdade, você, atleta, é respeitado e tratado com dignidade. Num esporte de verdade, suas críticas e sugestões são ouvidas e registradas. Num esporte de verdade, você, atleta, tem direitos estipulados por um estatuto e regimento, e deve conhecê-los. Num esporte de verdade, não existem caciques, e sim dirigentes, cujo papel é servir o esporte e seu desenvolvimento, e não buscar prestígio ou lucro pessoal. Conheça seu esporte – faça valer seus direitos!
  • 10.
    Viva o levantamentode peso, viva o guerreiro do tablado e viva o esporte brasileiro! Contatos do GPC Brasil e-mail da representação: gpcbrasil@gmail.com http://www.globalpowerliftingcommittee-brasil.com http://www.powerlifting-brasil.com http://www.supino-brasil.com Presidência Marília Coutinho E-mail: merton.mzm@gmail.com Telefone: (11) 9979 7475 Secretaria Stevie Willian Ramos E-mail: cdbrasilia@hotmail.com