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LIVRO SEGUNDO: DO MUNDO ESPÍRITA OU MUNDO DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO VI: VIDA ESPÍRITA
6.1 – ESPÍRITOS ERRANTES
6.2 – MUNDOS TRANSITÓRIOS
6.3 – PERCEPÇÕES, SENSAÇÕES E SOFRIMENTOS DOS ESPÍRITOS
6.4 – ENSAIO TEÓRICO SOBRE A SENSAÇÃO NOS ESPÍRITOS
6.5 – ESCOLHA DAS PROVAS
6.6 – RELAÇÕES DE ALÉM-TÚMULO
6.7 – RELAÇÕES SIMPÁTICAS E ANTIPÁTICAS DOS ESPÍRITOS.
METADES ETERNAS
6.8 – LEMBRANÇAS DA EXISTÊNCIA CORPORAL
6.9 – COMEMORAÇÃO DOS MORTOS – FUNERAIS
SLIDES:
https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/261-espiritos-errantes
https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/262-mundos-transitorios
https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/263-percepcoes-sensacoes-e-
sofrimentos-dos-espiritos
https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/264-ensaio-teorico-sobre-a-
sensacao-nos-epiritos
https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/escolha-das-provas-238654197
https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/266-relacoes-de-alemtumulo
https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/267-relacoes-simpaticas-e-
antipaticas-dos-espiritos
https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/268-lembrancas-da-existencia-
corporal
https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/269-comemoracao-dos-mortos-
funerais
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6.1 – ESPÍRITOS ERRANTES
COMENTÁRIOS:
Qual o significado de errante?
− Allan Kardec cunhou a expressão Espíritos errantes.
− Em francês errant = errante, que vagueia.
− Na Língua Portuguesa, tem diferentes significados, por exemplo, o de
pessoa nômade ou a que não tem residência fixa.
− Para o Espiritismo,serve para designar o Espírito que ainda necessita
passar por muitas reencarnações até que atinja o estágio de ser
espiritual evoluído, característico do Espírito Puro.
Para onde vai o Espírito após a morte do corpo físico?
Após a morte do corpo físico,o Espírito retornaao mundo espiritual onde
passa a viver e a se preparar para nova reencarnação.
Inicia-se, então, uma nova fase da vida em outro plano vibratório.
O perispírito, agora liberto do corpo físico, revela com mais intensidade
suas propriedadesplásticas e sutis que, sob o comando do pensamento e da
vontade, implementam as necessárias transformações, úteis à adaptação no
plano espiritual.
Erraticidade:
Podemos defini-la como sendo o estado dos Espíritos errantes, isto é,
não encarnados,durante os intervalos de suas diversas existências corpóreas.
Erraticidade é o nome que adotamos para indicar o tempo que o Espírito,
terminada uma experiência encarnatória, aguarda para reencarnar-se de novo.
Significa período de tempo entre uma existência que terminou e outra
que se estará iniciando.
O Espírito, durante esse tempo, não está à toa. Ele está vivendo sua vida
normal de espírito. Está estudando, preparando-se, aprendendo, convivendo com
outros Espíritos enquanto a hora do novo mergulho na carne não chega.
Todos os Espíritos sujeitos a novas reencarnações aguardam-nas na
chamada erraticidade.
Erraticidade é, portanto, tempo de espera. Seria a “fila da reencarnação”. E
é uma senhora fila. Sobretudo hoje, quando os casais se recusam,
insistentemente, a dar acolhida aos filhos que querem nascer.
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A erraticidade mesmo sendo muito longa, nunca é perpétua. Após
determinado período, o Espírito voltará a uma existência apropriada a seu
aprendizado e aperfeiçoamento.
223 – A alma se reencarnaimediatamente apóster se separado do corpo?
Algumas vezes reencarna imediatamente; porém, com mais frequência,
depois de intervalos mais ou menos longos. Nos mundos superiores, a
reencarnação é, quase sempre, imediata; a matéria corporal sendo menos
grosseira,o Espírito encarnado gozaaí de quase todas as suas faculdades de
Espírito; seu estado normal é o dos vossos sonâmbulos lúcidos.
COMENTÁRIOS:
Não há uma regra geral para a reencarnação dos Espíritos.
Cada caso é um caso. Há aqueles que necessitam reencarnar imediatamente.
Há aqueles que precisam de um tempo maior e vai demorar para reencarnar.
Cada um conforme suas necessidades.
Tudo é feito na forma que melhor atender as necessidades do Espírito
reencarnante.
Há o período de perturbação após o desencarne (horas, dias, semanas,
meses). Depende do nível evolutivo e do equilíbrio do desencarnante.
Enquanto estamos no mundo espiritual – na erraticidade – nós aprendemos,
lá nós estudamos, trabalhamos, evoluímos também.
Após o período de uma reencarnação, é necessário um momento para
reestabelecermos, para refletirmos sobre os erros cometidos, sedimentar o
aprendizado obtido naquela reencarnação e programarmos a próxima
reencarnação que para isso deve haver o preparo através de estudos,
análises, cursos, observações, tarefas a desempenhar.
A vida não para enquanto estamos desencarnados. Ela continua muito mais
fluente.
Nos mundos superiores não há muita diferença em estar encarnado ou
desencarnado. A matéria é menos grosseira.
Se queremos uma reencarnação melhor no futuro, não desprezemos as
mudanças, os consertos morais, e para tanto procuremos Jesus; Seus
preceitos são eternos e vibram na eternidade da vida, sendo caminhos que
nos mostram a felicidade e como conquistá-la.
Coleção A Vida no Mundo Espiritual – Chico Xavier / André Luiz
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André Luiz não é o único repórter do mundo espiritual. Inúmeros outros
Espíritos, aqui no Brasil e no exterior, já nos deram seguros e universais
esclarecimentos sobre a vida espiritual; seus sistemas de administração,
educação, saúde, segurança, disciplina, remuneração e várias outras
informações.
- Espírito Ângelo Inácio (repórter do Além) – Médium Robson Pinheiro
- Espírito Lúcius – Médiuns Zíbia Gasparetto, André Luiz Ruiz
- Espírito Patrícia – Médium Vera Lúcia
224 – Que se torna a alma nos intervalos das encarnações?
Espírito errante que aspira a seu novo destino; ele espera.
224.a) Qual pode ser a duração desses intervalos?
De algumas horas a alguns milhares de séculos. De resto, não há,
propriamente falando, limite extremo assinalado para o estado errante, que
pode prolongar-se por muito tempo, mas que, entretanto, não é jamais
perpétuo. O Espírito encontra sempre, cedo ou tarde, oportunidade de
recomeçar uma existência que sirva à purificação das anteriores.
224.b)Essa duraçãoestá subordinadaà vontadedo Espírito ou pode lhe
ser imposta como expiação?
É uma consequênciado livre-arbítrio. Os Espíritos sabem perfeitamente o que
fazem, porém, para alguns é também uma punição imposta por Deus. Outros
pedem para que ela seja prolongada, a fim de continuarem estudos que não
podem ser feitos com proveito, senão no estado de Espírito.
COMENTÁRIOS:
Todos nós somos Espíritos e a nossa individualidade continua sendo aqui na
Terra, no Mundo Espiritual ou reencarnado em outro orbe. Somos o que
somos,o que construímos a nossa história. O tempo aqui ou lá na erraticidade
depende da nossa necessidade de aprendizado.
É necessário que tenhamos experiências na matéria porque a matéria nos
impões limitações. Temos que trabalhar para conseguir o alimento, o
vestuário, o abrigo, a manutenção da saúde e outras necessidades na
construção de um mundo melhor. Esse trabalho impõe ao Espírito o
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desenvolvimento da inteligência, a melhoria na convivência, aprimorando a
evolução.
No mundo espiritual também trabalhamos e estudamos, mas não temos as
limitações da matéria.
Reencarnação voluntária – Opção do próprio Espírito – depende da
consciência do Espírito que deve reencarnar. Ele mesmo apura as suas
necessidades, promovendo juntamente com os mentores uma programação
de vida avaliando as suas necessidades de aprendizado, de ajustes e de
desenvolvimento no processo evolutivo. Se prepara no mundo espiritual,
através de cursos,de trabalhos que enriqueçaessaprogramação.É destinada
à grande maioria dos Espíritos, basta que tenha um mínimo de consciência
para fazer as suas escolhas para promover a sua evolução.
Reencarnação compulsória – Imposta ao Espírito – Espíritos que ainda
estão em uma fase bem infantil, que estão empenhados no mal, com aquela
ideia fixa de prejudicar o próximo, de lutar contra o bem. A esses Espíritos
quase sempre é fornecida uma reencarnação compulsória porque não estão
em condições de fazer as próprias escolhas.De escolher reencarnar ou não.
Ou de escolher em opção irá reencarnar, que situações irá vivenciar. A
programação é feita pelos mentores espirituais que normalmente programam
uma vida mais simples, que proporcione o seu crescimento junto ao grupo
familiar em que vive.
Exemplos de Espíritos que reencarnaram logo após o seu desencarne.
- Júlio – Entre a Terra e o Céu
- Marita e Cláudio retornam como filhos do casal Marina e Gilberto.Marina era
irmã de Marita. Cláudio era pai de Marina, com Márcia e era pai de Marita,
com Araceles.Gilbertofoinamorado de Marita e Marina. Cláudio tentou abusar
sexualmente de Marita antes de saber que era seu pai.
Exemplos de Espíritos que já se encontram há séculos no mundo
espiritual cumprindo tarefas de aprendizado, de crescimento através do
auxílio.
- “Alguns podem gastar mil anos para a descida à carne, com missão divina
de instruir e dar exemplo de amor para a humanidade, como no caso de
Francisco de Assis” (Miramez)
- Asclépios - Obreiros da Vida Eterna – Capítulo 03
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225 – A erraticidade, por si mesma, é um sinal de inferioridade nos
Espíritos?
Não, pois há Espíritos errantes de todos os graus. Já dissemos que a
encarnação é um estado transitório; no seu estado normal o Espírito está
liberto da matéria.
COMENTÁRIOS:
O termo “Erraticidade” é o mesmo que “Mundo Espiritual”.
Erraticidade – é a condição do Espírito entre uma reencarnação e outra. Se
está no processo reencarnatório é porque ainda não é Espírito puro.
Não há evolução sem estarimerso no corpo físico.A vivência das experiências
no corpo físico faz com que o Espírito aprenda e evolui.
No mundo espiritual há os umbrais, mas também há as Colônias Espirituais.
Na Casa do Pai há muitas moradas.
Da mesmaforma que no mundo material há mundos mais evoluídos e menos
evoluídos, há colônias espirituais cuja felicidade não temos atualmente
condições de compreender.
Espíritos evoluídos – estão acima de nós (em conhecimento, moral e
sabedoria) mas abaixo dos Espíritos Puros.
O fato de estar no mundo espiritual não quer dizer que o Espírito esteja mais
ou menos evoluído.
A erraticidade está também entre nós, pois convivemos com o mundo
espiritual, em qualquer lugar que estivermos haverá Espíritos convivendo
conosco
A erraticidade não caracteriza o estado dos Espíritos inferiores. Nela se
encontram diversas colônias espirituais, postos avançados de socorro, para
receber e instruir todos os Espíritos recém-vindos da matéria; aqueles mais
endurecidos acomodar-se-ão em lugares compatíveis com os seus
sentimentos sem, entretanto, ficarem órfãos da bondade do Criador, pois
sempre receberão, por misericórdia, a visita dos benfeitores da verdade e do
bem comum.
Aqui encarnados estamos fora de casa, estagiando, praticando a
aprendizagem teórica.
Nosso verdadeiro mundo é o mundo espiritual.
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226 – Pode-se dizer que todos os Espíritos, que não estão encarnados,
são errantes?
Os que devem se reencarnar, sim, mas os Espíritos puros,que alcançaram a
perfeição, não são errantes: seu estado é definitivo.
Allan Kardec:
Com relação às qualidadesíntimas,os Espíritossão dediferentes ordens
ou graus, que percorrem sucessivamente, à medida que se depuram.
Quanto ao estado, podem ser: encarnados, quer dizer, unidos a um
corpo; errantes, isto é, livres do corpo material e esperando uma nova
encarnação para se melhorarem; Espíritos puros,perfeitos,e não tendo
mais necessidade de encarnação.
COMENTÁRIOS:
No tocante às qualidades íntimas, os Espíritos são de diferentes ordens ou
graus, pelos quais vão passando sucessivamente,à medidaque se purificam.
Quanto as qualidades íntimas, os espíritossão de diferentes ordens ougraus,
que vão se sucedendo àmedidaque evoluem.Com relação ao estado em que
se encontram, podem ser assim considerados:
• Espíritos Encarnados - Encontram-se ligados a um corpo físico;
• Espíritos Errantes - Encontram-se desligados do corpo material e
aguardando nova encarnação para se melhorarem.
• Espírito Puros - Não necessitam mais de reencarnações. (somente
quando em missão).
Esses termos são apenas didáticos para que possamos compreender.
Todos nós temos a mesma essência:
Somos Espíritos criados por Deus, simples e ignorantes. Começamos a
caminhada e temos comoobjetivo finalaconquistada felicidade.Todossomos
Espíritos, uns mais no início da caminhada, outros mais avançados. A
maturidade é obra do tempo, os valores internos vão sendo despertados
gradativamente.
Errante é o Espírito que nesse momento está desencarnado, mas que está
aguardando uma oportunidade para reencarnar.
Esse aguardar é em ação: trabalho, estudo, auxílio. Ninguém fica parado,
ocioso. A não ser que pelo livre-arbítrio não queira estar em ação. O livre-
arbítrio existe tanto aqui, quanto lá.
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Os Espíritos Puros não precisam mais reencarnar, porém continuam
progredindo. Toda a criação do Pai caminha rumo ao progresso infinito.
Ex: Jesus encarnou para nos beneficiar,nos auxiliar, nos ensinar por meio das
palavras e da prática, ou seja, cumprir a missão libertadora da humanidade.
227 – De que maneira os Espíritos errantes se instruem? Sem dúvida,
eles não o fazem do mesmo modo que nós?
Estudam o seu passado e procuram os meios para se elevarem. Veem,
observam o que se passa nos lugares que percorrem;ouvem as palavras dos
homens mais esclarecidose os avisos dos Espíritos mais elevados,e isso lhes
dá ideias que não tinham.
COMENTÁRIOS:
Os livros da coleção A vida no mundo espiritual deixam claro as tarefas no
mundo espiritual. São várias as histórias que André Luiz relata.
A Terraé uma cópiapálida do Mundo Espiritual. Lá é o mundo real. Látambém
há trabalho, há estudo, escolas, faculdades, estágios.
Eles se instruem na vida espiritual em cursos intensivos e no próprio trabalho
em colônias espirituais, bem como junto aos homens instruídos da Terra.
Assistem muitos congressos dos seres humanos, anotam coisas e se
interessam por todas as inovações que se fazem no planeta.
André Luiz relata a sua vida em Nosso Larnos mostrando de formaclara como
é a vida e como a vida no mundo espiritual nos proporcionaa continuidade de
crescimento, de aprendizado, de oportunidades de evolução. Não há dúvida
que em todos os lugares há a oportunidade de crescimento,de trabalho e de
estudo, de evolução.
Ex: André Luiz – como ele foi descrito em “Nosso Lar” e depois como ele
estava no último livro “E a vida continua”. O quanto ele aprendeu e está
aprendendo na erraticidade.
Há as oportunidades para aqueles que optam por trabalhar. Lá também há a
lei do livre arbítrio.
Mas há Espíritos errantes, sem a maturidade devida, que não se interessam
pelo progresso e, pela sintonia, se acham ligados a almas da mesma índole,
onde escapa o interesse de servir e de aprender.
Tem muitos que não avançam na erraticidade e nem como encarnados.
Quem se encontra na Terra, movendo-se em um corpo de carne, que
agradeça a Deus pela oportunidade valiosa, e faça tudo para compreender
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as leis que regem o campo fisiológico, conservando-o com saúde e bem-
estar. Quando mais tempo viver no campo da carne, mais possibilidades terá
o Espírito de aprendizado.
228 – Os Espíritos conservam algumas das paixões humanas?
Os Espíritoselevados,perdendo seuenvoltório físico,deixam as más paixões
e só guardam as do bem;quanto aos Espíritos inferiores, conservam-nas,pois,
de outra forma, seriam da primeira ordem.
COMENTÁRIOS:
Quando nós desencarnamos, continuamos a ser nós mesmos, com os
mesmos sentimentos, as mesmas preferências, os mesmos conhecimentos,
as mesmas emoções.
Vencer as más paixões é objetivo do Espírito, ser imortal, criado por Deus.
Estar reencarnado é uma etapa para a conquista desse objetivo. Tanto aqui,
quanto no mundo espiritual, o Espírito traz consigo todas as suas conquistas
de ordem emocional, moral e intelectual que já tenha conquistado nas suas
diversas reencarnações. Sempre terá esse patrimônio.
O Espírito não consegue se livrar de todas as suas paixões em uma única
encarnação. Fica claro que toda vez que retorna à pátria ainda leva consigo
as paixões (sentimentos negativos) que não conseguiu extinguir. Leva
também as virtudes adquiridas.
Enquanto não se tornar Espíritos puros terão paixões. E enquanto isso vão
levar e trazer até eliminar. À medidaque vai eliminando as paixões, as virtudes
vão se ampliando.
229 – Por que os Espíritos, deixando a Terra, não deixam nela todas as
suas más paixões, uma vez que eles veem os seus inconvenientes?
Tens nesse mundo pessoas que são excessivamente invejosas; acreditas
que, mal o deixem,perdem os seus defeitos? Depoisde sua partida da Terra,
sobretudo para aqueles que têm paixões bem acentuadas, resta uma espécie
de atmosfera que os envolve e conserva todas as suas coisas más, porque o
Espírito não está inteiramente desprendido; só por momentos vê a verdade,
como para lhe mostrar o bom caminho.
COMENTÁRIOS:
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As paixões são vícios do Espírito: maledicência, vaidade, orgulho, egoísmo,
ódio, inveja, ira, preguiça, ciúme, etc.
Deixar as más paixões é o grande objetivo de todos nós,condição para nossa
evolução. É o mesmo objetivo tanto para encarnados, quanto para
desencarnados.
Não é pelo fato de desencarnar que vamos vencer automaticamente as más
paixões, nos proporcionando a conquista da evolução.
O desencarne não muda a personalidade do Espírito.É apenas um momento
biológico da vida do Espírito.
A desencarnação nos transfere de plano, mas não altera a realidade evolutiva
do ser imortal – o Espírito.
Quando a alma parte do mundo físico,ela leva consigo as suas paixões, que
atravessam com ela o túmulo sem nenhuma dificuldade.
Se as paixões nos acompanham depois da chamada morte do corpo, a
inteligência nos diz que devemos suspendê-las antes que chegue a hora de
partir da Terra para o mundo espiritual.
A evolução do ser ocorre pelas duas asas: a asa da razão (desenvolvimento
intelectual) e a asa da emoção, dos sentimentos, da conquista do amor.
Precisamos amar para vencer.
Jesus nos ensinou amar. O amor é uma Lei Universal.
O amor se desenvolve através da nossa vivência diária, da nossaconvivência
com o próximo.
O verdadeiro espírita não é aquele ser humano perfeito, uma vez que esse
não existe em nosso planeta. O verdadeiro espírita é aquele que se esforça
no cotidiano para vencer as más paixões,para promovera sua transformação
moral.
Devemos começaro esforçode purificação hoje, agora, sem perda de tempo,
porque todo trabalho para melhorar moralmente é assistido pelos benfeitores
da espiritualidade maior que caridosamente beneficiam a todos através do
amor.
230 – O Espírito progride no estado errante?
Pode melhorar-se muito, sempre segundo a sua vontade e o seu desejo;mas
é na existência corporalque ele põe em prática as novas ideias que adquiriu.
COMENTÁRIOS:
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O progresso está em todos os lugares da criação divina.
Cada lugar é apropriado para um tipo de ensinamento que ele oferece.
Aqui na Terra nós aprendemos com as restrições que a matéria nos impõe,
nos impulsionando para o trabalho, que nos proporcionaa convivência com os
outros e, enfim, o progresso coletivo.
Na erraticidade passamos pormomentos de vidauns mais curtos, outros mais
longos aguardando uma nova reencarnação. Não ficamos parados do lado de
lá. Vamos buscar melhorar através de cursos, de trabalhos, de auxílio ao
próximo.
Se o Espírito não tem um certo preparo,encontrará grandes dificuldades,mas,
se já tem o princípio do amor aflorado no coração, esse cresce em todos os
seus caminhos.
A missão do Espírito é aprendera amar e a espalhar esse amor. Essa missão
é contínua, independentemente, se esteja encarnado ou não.
Fazemos isso pela lei do livre arbítrio. Podemos escolher amar. Podemos
escolher vivenciar os ensinamentos de Jesus.
O Evangelho de Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida.
O despertamento está em nossas mãos. Jesus nos espera estendendo as
mãos para nos guiar em direção a Deus.
Exemplo de Silvério:
Aproximando-nos dos pavilhões de desenho, onde numerosos cooperadores traçavam
planos para reencarnações incomuns, foi o meu novo companheiro procurado por uma
entidade simpática que lhe pediainformações. Manassés apresentou-me, otimista. Tratava-
se dum colega que, depoisde quinze anos de trabalho nas atividades de auxílio, regressaria
à esfera carnal para a liquidação de determinadas contas. O recém-chegado parecia
hesitante. Via-se-lhe o receio, a indecisão.
– Não se deixe dominar pelas impressões negativas – dirigia-se Manassés a ele,
infundindo-lhe bom ânimo.
– O problema do renascimento não é assim tão intrincado. Naturalmente, exige coragem,
boas disposições.
– Entretanto – exclamava o interlocutor, algo triste –, temo contrair novos débitos ao invés
de pagar os velhos compromissos. É tão penoso vencer na experiência carnal, em vista do
esquecimento que sobrevém à encarnação...
– Mas seria muito mais difícil triunfar guardando a lembrança – redarguiu Manassés,
incontinente.
Prosseguindo, sorridente, acrescentou:
– Se tivéssemos grandes virtudes e belas realizações, não precisaríamos recapitular as
lições já vividas na carne. E se apenas possuímos chagas e desvios para rememorar,
abençoemos o olvido que o Senhor nos concede em caráter temporário.
Esforçou-se o outro para esboçar um sorriso e objetou:
– Conheço-lhe o otimismo; quisera ser igualmente assim. Voltarei confiante no concurso
fraterno de vocês.
E modificando o tom de voz, indagou:
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– Pode informar se o meu modelo está pronto?
– Creio que poderá procurá-lo amanhã – tornou Manassés, bem disposto –; já fui observar
o gráfico inicial e dou-lhe parabéns por haver aceitado a sugestão amorosa dos amigos
bem orientados, sobre o defeito da perna. Certamente, lutará você com grandes
dificuldades nos princípios da nova luta, mas a resolução lhe fará grande bem.
– Sim – disse o outro, algo confortado –, preciso defender-me contra certas tentações de
minha natureza inferior e a perna doente me auxiliará, ministrando-me boas preocupações.
Ser-me-á um antídoto à vaidade, uma sentinela contra a devastação do amor-próprio
excessivo.
– Muito bem! – respondeu Manassés, francamente otimista. – E pode informar-me ainda a
média de tempo conferida à minha forma física futura?
– Setenta anos, no mínimo – redarguiu meu novo companheiro, contente.
O outro fixou uma expressão de reconhecimento, enquanto Manassés continuava:
– Pondere a graça recebida, Silvério, e, depois de tomar-lhe a posse no plano físico, não
volte aqui antes dos setenta. Trate de aproveitar a oportunidade.1
Exemplo de Anacleta:
Impressionado, seguia atenciosamente os trabalhos em curso. Dispúnhamo-nos a seguir
adiante, quando uma irmã, de porte muito respeitável, se aproximou saudando Manassés
afetuosamente. Ele respondeu com gentileza e apresentou-ma:
– É nossa irmã Anacleta.
Cumprimentei-a, sentindo-lhe a simpatia pessoal.
– Trata-se de uma das nossas trabalhadoras mais corajosas – acentuou o funcionário do
trabalho de informações.
A senhora sorriu, algo contrafeita por se ver focalizada na opinião franca do companheiro.
Todavia, Manassés, com o otimismo que lhe era característico, prosseguiu:
– Imagine que voltará à esfera do Globo, em breves dias, em tarefa de profunda abnegação
por quatro entidades que, há mais de quarenta anos, se debatem em regiões abismais das
zonas inferiores.
– Não vejo nisso abnegação alguma – atalhou à senhora, sorrindo –, cumprirei tão somente
um dever.
E fixando-me, desassombrada e serena, asseverou:
– As mães que não completaram a obra de amor que o Pai lhes confia junto dos filhos
amados, devem ser bastante fortes para recomeçarem os serviços imperfeitos. Esse o meu
caso. Não se deve mencionar sacrifício onde existe apenas obrigação.
Interessava-me a história daquela irmã despretensiosa e simpática e, por isso mesmo,
animei-me a perguntar-lhe:
– Regressará, então, dentro em breve? De qualquer maneira, sua resolução traduz
devotamento e bondade. Não posso esquecer que também minha mãe voltou ao círculo da
carne, tangida por sublime dedicação.
Notei que os olhos dela se encheram de lágrimas discretas, que não chegaram a cair,
emocionada talvez com a minha observação sincera. Estendeu-me a destra, gentilmente,
e, dando a ideia de que não desejava continuar em conversação relativa ao assunto, disse-
me, comovida:
– Muito grata pelo conforto de suas palavras. Mais tarde, ao se lembrar de mim, ajude-me
com o seu pensamento amigo.
Nesse ponto da ligeira palestra, Manassés indagou:
– Já recebeu todos os projetos?
1 - XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz. 36 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001, Cap. 12.
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– Sim – respondeu ela –, não somente os que se referem aos meus pobres filhos, mas
também a planta relativa à minha própria forma futura.
– Está satisfeita?
– Muitíssimo! – redarguiu a dama.
– Na lei do Pai, a justiça está cheia de misericórdia e continuo na condição de grande
devedora.
Em seguida, despediu-se, calma e afável.
Manassés compreendeu-me a curiosidade e explicou:
– Anacleta é um exemplo vivo de ternura e devotamento, mas voltará às lutas do corpo a
fim de operar determinadas retificações no coração materno. Por imprevidência dela, noutro
tempo, os quatro filhos, que o Senhor lhe confiara, caíram desastradamente. A pobrezinha
albergava certas noções de carinho que não se compadecem com a realidade. Seu esposo
era homem probo e trabalhador e, apesar de abastado, nunca se esqueceu dos deveres
que lhe prendiam as atividades de homem de bem ao campo da sociedade em geral.
Caracterizava-se por uma energia sempre construtiva, mas a esposa, embora
devotadíssima, contrariava-lhe a influência do lar, viciando o afeto de mãe com excessos
de meiguice desarrazoada. E, como consequência indireta, quatro almas não encontraram
recursos para a jornada de redenção. Três rapazes e uma jovem, cuja preparação
intelectual exigira os mais árduos sacrifícios, caíram muito cedo em desregramentos de
natureza física e moral, a pretexto de atenderem a obrigações sociais. E tão degradantes
foram esses desregramentos que perderam muito cedo o templo do corpo, entrando em
regiões baixas, em tristes condições. Anacleta, contudo, voltando ao campo espiritual,
compreendeu o problema e dispôs-se a trabalhar afanosamente para conseguir, não só a
reencarnação de si própria, senão também a dos filhos que deverão segui-la nas provas
purificadoras da Crosta.
– Quantos anos gastaram para obter semelhante concessão? – perguntei, impressionado.
– Mais de trinta.
– Imagino-lhe os sacrifícios futuros! – exclamei.
– Sim – esclareceu Manassés –, a experiência ser-lhe-á bem dura, porque dois dos rapazes
deverão regressar na condição de paralíticos, um na qualidade de débil mental e, para
auxiliá-la na viuvez precoce, terá tão somente a filha, que, por si mesma, será também
portadora de prementes necessidades de retificação.2
231 – Os Espíritos errantes são felizes ou infelizes?
Mais ou menos de acordo com os seus méritos. Sofrem as paixões cuja
essência conservaram, ou são felizes segundo eles sejam mais ou menos
desmaterializados. No estado errante, o Espírito entrevê o que lhe falta para
ser mais feliz e procura os meios para alcançar a felicidade; mas não lhe é
sempre permitido reencarnar-se como seria do seu agrado, e isso, então, lhe
é uma punição.
COMENTÁRIOS:
2 - XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz. 36 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001, Cap. 12.
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Não existe felicidade plena no meio deles, por não haver perfeição; somente
os Espíritos perfeitosgozam de plena tranquilidade de consciência. Uns ainda
dormem na ignorância, outros já estão despertando para o entendimento
espiritual.
Muitos chegam ao mundo espiritual, provindos da carne, cheios de mazelas e
paixões que os fazem sofrer pelos processos de lembranças indesejadas.
Para se esconderemdas regressõesda memória,pedem imediatamente para
voltar à carne, que lhes abafa as fortes lembranças dos fatos acontecidos,de
modo a surgir nos seus caminhos, como problemas, dores e decepções, e
uma gama de sofrimentos para limpar a consciência entulhada de processos
mentais criados por eles mesmos.
A reencarnação é uma bênção de Deus para as criaturas.
Os Espíritos errantes nuncasão totalmente felizes,pois,aindaerram. Pormais
conhecedores que sejam das leis naturais, se encontram envolvidos nos
dramas das paixões que destilaram na Terra, criando embaraço para os seus
próprios passos.
É preciso que nós encarnados aproveitemos a nossa estadia na matéria;
analisando a vida e se esforçando para melhorar em todas as direções; não
nos faltam apoio, instrução, nem mesmo exemplosdignos de serem imitados.
Não devemos esperar passar para o outro lado para os devidos consertos
morais.
Comecemos hoje mesmo a nossa reforma moral. Os costumes velhos devem
ser esquecidos, desde quando eles não correspondem à verdade que todos
conhecem por intuição divina, que vibram dentro de todos, por ser lei eterna.
232 – No estado errante,podemos Espíritos ir para todos os mundos?
Conforme. Quando o Espírito deixa o corpo, ele não está, por isso,
completamente liberto da matéria e pertence ainda ao mundo onde viveu ou a
um mundo do mesmo grau, a menos que, durante a sua vida, ele se tenha
elevado;e deve seresse seuobjetivo pois,caso contrário,não se aperfeiçoará
jamais. Ele pode,entretanto, ir a certos mundos superiores,mas, nesse caso,
aí é como um estranho; não faz, por assim dizer, mais do que os entrever, e é
isso que lhe dá o desejo de se melhorar,para serdigno da felicidade que neles
se desfruta e poder habitá-los mais tarde.
COMENTÁRIOS:
Há muitas moradas na Casa de meu Pai.
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Muitas dessas moradas físicas podemos deslumbrar olhando para o céu.
Outras não temos alcance de visualizar, seja em razão da distância, seja em
razão da matéria de constituição.
Cada uma dessas moradas tem a sua qualidade específica para atender as
necessidades dos diversos seres.
Nós estamos aqui porque necessitamos vivenciarnesse ambiente que a Terra
nos proporciona.
Cada mundo oferece condições diferentes para o aprendizado do ser em
evolução.
A estadaem outros mundos depende danecessidade decadaum.Não vamos
fazer lazer em outro mundo. Podemos ir até lá se tivermos necessidades de
aprender algo que aquele mundo esteja em condições de nos ensinar.
Às vezes nos é permitido, em companhia com os mentores, fazer uma
excursão em mundos superiores, que tem sua utilidade, como nos trazer
aquela esperança de algo bom que esteja nos aguardando no futuro.
233 – Os Espíritos já purificados vão aos mundos inferiores?
Eles vão frequentemente paraajudar o seuprogresso;semisso essesmundos
estariam entregues a si mesmos, sem guias para dirigi-los.
COMENTÁRIOS:
Os Espíritos puros, aqueles que já passaram por todas as experiências que
nós estamos passando e que ainda passaremos, são trabalhadores do Pai.
Eles vêm na qualidade de nossos orientadores.
Eles descem nos mais profundos umbrais para levar o socorro, a luz divina
aos seres que estão situados nas trevas. Ninguém, em qualquer lugar da
criação estará desamparado,porque Deus através dos trabalhadores mantém
o auxílio para os nossos corações.
O Espírito elevado pode voltar. Essa volta é em missão.
Ex: Jesus
Sócrates, Bezerra de Menezes, Chico Xavier, Emmanuel, Joana D’arc,
Francisco de Assis, Ghanci, Madre Tereza, Irmã Dulce,
16
6.2 – MUNDOS TRANSITÓRIOS
O que caracteriza um mundo de transição é o fato de não propiciar condições para que espíritos
possam se expressar materialmente em uma estrutura orgânica, tal como conhecemos ou
equivalente.
A possibilidade de haver a encarnação está intimamente atrelada às condições de habitabilidade
material de determinando local, isto é, a vida orgânica, ou equivalente, necessita de determinados
requisitos para sua manutenção. Na Terra, por exemplo, necessitamos de água, ar, luz solar,
alimento, dentre outros.
No processo de elaboração dos mundos que venham a abrigar vida material, há algumas etapas
bem definidas:
a) formação – A formação é decorrente de fatores materiais, obedecendo às leis da Física e da
Química, estáveis econstantes para o universo conhecido. Contudo, as condições de habitabilidade,
aquelas condizentes com a vida física, serão decorrentes do tipo de vida em si mesma que, por sua
vez, está relacionado com o tipo de espírito que se manifestará na matéria.
b) esterilidade – os mundos transitórios não são todos de uma única categoria, servindo de estação
para todo e qualquer espírito, mas estão em níveis intermediários em relação com os outros
mundos. Assim, os espíritos que “descansam" neste ou naquele mundo deverão ser de condição
específica, compatível com ele.
c) estruturação de matéria condizente com a vida física – a vida física está relacionada com o tipo
de espírito, desta forma, é preciso a presença de espíritos para moldar a matéria segundo seu
psiquismo, mesmo que inconscientemente, através de um processo natural.
d) surgimento da vida física em níveis mais simples – é decorrente de um processo de elaboração
das formas e que deve ser condizente com os espíritos que utilizarão estas mesmas formas.
“Dizíamos que uma camada de matéria gelatinosa envolveu o orbe terreno em seus mais íntimos
contornos. Essa matéria, amorfa e viscosa, era o celeiro sagrado das sementes da vida. O
protoplasma foi o embrião de todas as organizações do globo terrestre, e, se essa matéria, sem
forma definida, cobria a crosta solidificada do planeta, em breve a condensação da massa dava
origem ao surgimento do núcleo, iniciando-se as primeiras manifestações dos seres vivos”. (A
Caminho da Luz)
e) surgimento da vida em níveis mais complexos – Emmanuel diz que “milhares de anos foram
precisos aos operários de Jesus, nos serviços de elaboração das formas”. É todo um longo processo
de formação e adequação de mundos para que os espíritos nas diversas condições possam
encontrar campo propício para sua evolução.
234 – Como ficou dito, existem mundos que servem aos Espíritos
errantes como estações e locais de repouso?
Sim, há mundos particularmente destinados aos seres errantes e nos quais
podem habitartemporariamente;espéciesde acampamentos,de campos para
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se repousar de uma muito longa erraticidade, estado sempre um pouco
penoso. São posições intermediárias entre os outros mundos, graduados de
acordo com a natureza dos Espíritos que podem alcançá-los,e nele gozam de
um bem-estar maior ou menor.
234.a) Os Espíritos que habitam esses mundos podem deixá-los à
vontade?
Sim, os Espíritos que se acham nesses mundos podem deixá-los para irem
aonde devem ir. Imaginai-os como aves que,de passagem,pousam numa ilha
para refazerem suas forças, a fim de alcançarem o seu destino.
COMENTÁRIOS:
Não confundir com as colônias espirituais e nem com a fase de transição que
a Terra está passando.
Os mundos transitórios não estão inseridos na escala de mundos organizada
por Kardec.
Deus não se esqueceude nada que poderiaeducar seus filhos. Como Senhor
do Universo, criou todas as coisas objetivando a luz, e dispondo meios para a
educação de todos os seres.
Existem, no espaço, mundos transitórios capazes de fornecer aos Espíritos
errantes, meios para a escalada maior. Ali, eles aprendem os segredos do
amor e da caridade, pelas portas do sofrimento.
Nos mundos transitórios podemos encontrar Espíritos de várias escalas,
recebendo lições de acordo com as suas necessidades de ascensão,porém,
a bondade de Deus é tão grande que Ele não deixa faltar Seus anjos junto a
esses seres errantes, para instruí-los, ensinando-lhes a amar.
Há muitas moradas na Casa de meu Pai, disse Jesus.
Em todas essas moradas há trabalho, há luz, há oportunidades de
aprendizado, de crescimento para todos nós.
O Espírito sempre tem oportunidade de trabalhar fazendo algo para a
realização do bem, o que depende da sua vontade.
O ser humano pode estar em qualquer parte do Universo, desde que esse
local seja útil para aquele momento da sua existência.
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235 – Os Espíritos progridem durante sua estada nos mundos
transitórios?
Certamente; aqueles que se reúnem assim, o fazem com o objetivo de se
instruírem e de poderem, mais facilmente, obter a permissão de alcançarem
lugares melhores, e ascender à posição dos eleitos.
COMENTÁRIOS:
O progresso está na essência da criação, na essência da Lei Divina.
Progredimos sempre.
Todo o Universo está em movimento evolutivo. Desde o átomo até os grandes
astros.
Dessa forma, vamos aprendendo, porém, sempre através de um
planejamento, pois no mundo espiritual todas as ações são planejadas.
A estada de um Espírito em um mundo transitório é planejada, tem o motivo
para estar lá, tem o objetivo de trabalho, estudo, evolução.
Os Espíritos inferiores que ainda não conseguem buscar a sua evolução por
meio do livre arbítrio, estando ainda presos nos umbrais através dos vícios,
das más tendências, não têm condições de planejar para estar em um desses
mundos transitórios.
Mas os irmãos que vão galgando oportunidades vão planejando como fazer
em cada nova situação.
A estada de qualquer Espírito nesses mundos transitórios é calculada,
planejada, tem objetivo certo de aprendizado, de crescimento, de trabalho
para promover a sua evolução moral e espiritual.
236 – Os mundos transitórios, por sua natureza especial, são
perpetuamente destinados aos Espíritos errantes?
Não, sua posição é apenas temporária.
236.a) São eles, ao mesmo tempo, habitados por seres corporais?
Não, sua superfície é estéril.Aqueles que os habitam não têm necessidade de
nada.
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236.b) Essa esterilidade é permanente ou resulta da sua natureza
especial?
Não, são estéreis transitoriamente.
236.c) Esses mundos, então, devem ser desprovidos de belezas
naturais?
A natureza se traduz pelas belezas da imensidade, que não são menos
admiráveis das que chamais de belezas naturais.
236.d)Visto que o estado desses mundos é transitório,a Terra estaráum
dia no mesmo estado?
Já esteve.
236.e) Em que época?
Durante a sua formação.
Allan Kardec:
Nada é inútil na Natureza: cada coisa tem o seu objetivo, a sua
destinação; nada é vazio, tudo é habitado, a vida está em toda a parte.
Assim, durante a longa série de séculos que se escoaram antes da
aparição do homem sobre a Terra, durante esses lentos períodos de
transição atestados pelas camadas geológicas, antes mesmo da
formação dos primeiros seres orgânicos sobre esta massa informe,
neste árido caos onde os elementos estavam confundidos, não havia
ausência de vida.Os seres quenão tinham as nossas necessidades,nem
as nossas sensações físicas, aí procuravam refúgio. Deus quis que
mesmo neste estado imperfeito ele servisse para alguma coisa. Quem
então ousaria dizer que entre esses bilhões de mundos que circulam na
imensidade, um só, um dos menores, perdido na multidão, tivesse o
privilégio exclusivo de ser povoado?
Qual seria, então, a utilidade dos outros? Deus não os teria feito senão
para recrear os nossos olhos? Suposição absurda, incompatível com a
sabedoria queemana de todas as suas obras,e inadmissívelquando se
imagina tudo aquilo quenão podemosperceber.Ninguémcontestará que
nesta ideia de mundos ainda impróprios à vida material e, portanto,
povoado de seres viventesapropriados a este meio, há alguma coisa de
grande e de sublime,onde se encontra,talvez,a solução de mais de um
problema.
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COMENTÁRIOS:
No passado geológico, durante sua formação, a Terra era um planeta
desprovido de vida orgânica, tal como conhecemos hoje.
Nessa fase a Terra abrigava Espíritos desencarnados, outras formas de vida
que nós ainda não compreendemos.
A Terra é um planeta em evolução. A natureza de hoje não é a mesma de
alguns milhões de anos atrás. Estado que não era propício para abrigar o ser
humano, com animais grotescos tanto no tamanho quanto na constituição
física,as florestas com árvores bem maiores que as atuais. Com o passar do
tempo o planeta foi evoluindo e a natureza foi tornando mais sutil, sendo
preparada para receber o ser humano. A evolução é muito lenta aos nossos
olhos enquanto encarnados, por isso, não conseguimos perceber as
mudanças.
Morada são lugares onde há vida, onde seres habitam, não necessariamente,
seres encarnados, ou seres encarnados em corpos semelhantes a nós seres
humanos na Terra. Podem haverplanetas com ambientes biológico e climático
inóspitos,seres desencarnados ali abrigados ou mesmo encarnados em uma
matéria de outra consistência que não conhecemos e não concebemos.
A gente acompanha planetas descobertos pela tecnologia humana são
aparentemente estéreis às lentes dos telescópios,das câmeras.Com certeza,
se não há vidas como conhecemos, de corpos materializados, servem como
abrigos de Espíritos desencarnados ouentão de vida de seres encarnados em
matéria que foge da nossa percepção, por ser de constituição diferente.
Todos os planetas são povoados. Cada partícula do Universo é aproveitada.
Deus, na sua grandiosidade e sendo a Inteligência Suprema do universo, não
iria criar os mundos somente para Sua satisfação e dos Espíritos; todos eles
têm sua missão em variados esquemas que o progresso aciona.
Os mundos transitórios, que recebem Espíritos de todas as naturezas,
evoluem com as almas que nele habitam temporariamente. Nada estaciona;
há leis para governar tudo que existe na criação.
Os Espíritoserrantes habitam mundos nos quais, por vezes, permanecem em
Espírito, visto que essas casas do universo ainda não se encontram com
capacidade para lhes fornecer corpos materiais.
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6.3 – PERCEPÇÕES, SENSAÇÕES E SOFRIMENTOS DOS ESPÍRITOS
237 – Uma vez no mundo dos Espíritos, a alma conserva ainda as
percepções que tinha quando da sua vida física?
Sim, e outras que ela não possuíaporque seu corpo era como um véu que as
obscureciam. A inteligência é um atributo do Espírito, mas que se manifesta
mais livremente quando não há obstáculos.
COMENTÁRIOS:
Quando desencarnamos continuamos a ser os mesmo Espíritos que somos,
com os mesmos sentimentos, as mesmas emoções, a mesma memória,
mantemos a nossaidentidade.Tudo que nós aprendemos através dos nossos
estudos e da nossa convivência é patrimônio do Espírito que levamos para
onde estivermos. Trazemos esse patrimônio quando reencarnamos,
acrescentamos tudo o que aprendemos enquanto encarnados e voltamos de
regresso ao mundo Espiritual levando todo esse arcabouço de patrimônio.
Quando viemos para cá deixamos parte desse patrimônio através do
esquecimento. São informações que não são necessárias para as
experiências que vamos viver aqui. Quando retornamos ao mundo espiritual,
aos poucos vamos retomando a consciênciada nossamemória integral, tanto
da parte emotiva, quanto da parte intelectual. Somando tudo o que
aprendemos nessa reencarnação com aquilo que já conhecíamos de
reencarnações anteriores.
Essa retomada da memória não é de forma imediata. Ela é gradativa. Muitas
coisas permanecem no nosso esquecimento por ser necessário neste
momento da nossa experiência evolutiva.
Tudo aquilo que nós precisamos estará aflorando na nossa memória, pois faz
parte do nosso patrimônio.
238 – As percepções e os conhecimentos dosEspíritos são indefinidos;
em uma palavra, sabem eles todas as coisas?
Quanto mais se aproximam da perfeição, mais sabem; se são superiores,
sabem muito. Os Espíritos inferiores são mais ou menos ignorantes sobre
todas as coisas.
COMENTÁRIOS:
23
Nós reencarnamos para aprender a promover a nossa evolução moral e
intelectual, nossa evolução Espiritual e vamos crescendo gradativamente a
cada reencarnação.
Se o Espírito só por estar desencarnado soubesse tudo, não haveria razão
para a reencarnação. Não necessitariavir para aprender algo que ele já sabe.
O fato de desencarnarmos não nos atribuirá mais conhecimento.Podeserque
retomamos o conhecimento arquivado em nossa memória, mas é patrimônio
nosso, conquista nossa e não é tudo.
O conhecimento é fruto do trabalho, fruto do estudo. É esforço de cada um.
Ele só vai saber de acordo com aquilo que já aprendeu, de acordo com suas
experiências.
A Lei Divina é uma só tanto para os desencarnados, como para os que se
encontram encarnados. Não há seres privilegiados na criação. Aqueles que
são Espíritos superiores, estão nessa condição devido ao seu esforço, a sua
dedicação,o seutrabalho, o seu estudo.Não foram assim criados.É conquista
própria.
Os Espíritos Superiores conhecem muito; eles dominam grande parte dos
segredos danatureza divina e humana. Não conhecem tudo,porque somente
Deus é conhecedor das leis e dos segredos da criação que Ele mesmo
estabeleceu.
Os Espíritos inferiores têm o conhecimento que a sua elevação atingiu, muitos
deles não sabem mais que os homens, e outros sabem menos que estes.
239 – Os Espíritos conhecem o princípio das coisas?
Conhecem segundo a sua elevação e a sua pureza; os Espíritos inferiores,a
esse respeito, não sabem mais que os homens.
COMENTÁRIOS:
A eternidade é muito difícil para nós compreendermos.
O Espírito é imortal, mas ele teve um início, como consta na questão 115.
Todos nós fomos criados por Deus, em determinado momento, simples e
ignorantes. O que aconteceu antes desse momento, só poderemos saber
através de estudos, mas nunca pela vivência, pois não existíamos naquela
ocasião.
Então os Espíritos superiorespodem estudare conheceros fatos do início da
criação de todas as coisas,mas só Deus, o Criadoré que tem o conhecimento
pleno.
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É difícil para a gente compreender o que seria o início das coisas. Por mais
que a gente possa tentar levar o nosso pensamento no passado para
estabelecer o início, a razão nos mostra que antes já havia alguma coisa.
Se Deus é eterno, se Ele existe de todo o sempre, jamais poderia conceber
Deus um segundo sequersem estartrabalhando, sem estar criando, portanto,
o princípio das coisas vem assim como Deus praticamente na eternidade.
Para os Espíritos não há a possibilidade de ter esse conhecimento da
plenitude do princípio de tudo.
240 – Os Espíritos compreendem o tempo como nós?
Não, e é por isto que não nos compreendeis sempre,quando se trata de fixar
datas ou épocas.
Allan Kardec:
Os Espíritos vivem fora do tempo, tal como o compreendemos; o tempo
para eles se anula, por assim dizer, e os séculos, tão longos para nós,
não são aos seus olhos senão instantesque se esvaecem na eternidade,
da mesma forma que as desigualdades do solo se apagam e
desaparecem para aqueles que se elevam no espaço.
COMENTÁRIOS:
Toda observação depende do ponto de referência do observador.
Nós que estamos aqui reencarnados temos como referênciado tempo o Sole
os movimentos da Terra.
Temos como parâmetros a média de idade vivida pelos encarnados. Esse
parâmetro é relativo.
Para o desencarnado, esse parâmetro se perde, pois ele se encontra com a
eternidade. Olha para trás encontra-se com a eternidade. Olha para frente,
sabe que a vida lhe propiciará eternamente todas as oportunidades. Por isso
há a diferenciação de tempo para nós encarnados e para aqueles que estão
desencarnados.
Quem vive irradiando a felicidade deixa de perceber tempo e espaço.
Exemplo: quando estamos cercados de companheiros cuja presença nos dá
satisfação, as horas passam sem que percebamos.
Para os Espíritos, nos seus trabalhos benfeitores, cuja consciência se
encontra na tranquilidade de Deus, o tempo desaparece e o espaço deixa de
existir. No entanto, para a humanidade e Espíritos ainda ligados às paixões
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humanas, esse tempo é uma realidade e o espaço tem a sua presença,
impondo limitações.
241 – Os Espíritos têm,do presente,uma ideia mais precisa e mais justa
que nós?
Do mesmo modoque aquele que vê claramente as coisas tem uma ideia mais
justa do que o cego.Os Espíritos veem o que não vedes;eles julgam, pois,de
outro modo que vós, mas ainda uma vez, isto depende da sua elevação.
COMENTÁRIOS:
Os Espíritos fora da carne têm uma visão mais acentuada do que os
encarnados, por estarem mais livres as suas faculdades. Entretanto, é bom
que se compreendaque tudo é relativo; o despertamento da alma obedecea
uma lei que podemos denominar de merecimento,pelo tamanho espiritual de
cada um.
O presente é um espaço de tempo.É o agora. Este momento.Passados cinco
minutos, esse momento agora já é passado.
Para ser mais precisa e exata ideia do presente,temos que ter a consciência
da sua importância para a nossa evolução.
Esse momento, o presente, é muito importante na vida de todos nós, porque
é no presente que nós podemosatuar. É no presente que podemosfazer algo
em prol de nós mesmos ou do próximo. Ou até em prejuízo também.
Se formos verificar o passado nos traz experiências, conhecimentos,
sentimentos que formam a nossa personalidade,o ser de cada um, é a nossa
história construída. Somos o resultado daquilo que vivemos no passado.
Se formos pensar no futuro, é um espaço de tempo que nos apresenta
oportunidades de crescimento, de avanço na vida. Sabemos que temos uma
caminhada para atingir. É no presente que temos aação, vamos conquistando
gradativamente as nossas metas visadas para o futuro.
Se eu não agir no presente, não conseguirei nada.
O presente é o momento em que vamos construir a nossa evolução, a nossa
felicidade.
242 – Como é que os Espíritos têm conhecimento do passado? Esse
conhecimento lhes é limitado?
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O passado, quando nos ocupamos dele, é presente; precisamente como te
recordas de uma coisa que te impressionou durante o teu exílio. Entretanto,
como não temos mais o véu material que obscurece a tua inteligência,
lembramo-nos de coisas que se apagam para a tua memória,mas os Espíritos
não conhecem tudo, a começar pela sua própria criação.
COMENTÁRIOS:
A lembrança do passado depende da evolução do Espírito.
Recordaré conhecero que se foi para melhorar o presente e preparar para o
futuro.
O Espírito não tem pleno conhecimento das vidas passadas; ele somente
recorda, até onde as suas forças suportarem,o que lhe sirva de lições.Mesmo
ao Espírito livre da matéria ainda é vedado saber o que já foi. A gradação é
norma de equilíbrio em todos os planos de vida, para que tenhamos paz, e
essa paz possa nos fornecer forças no decorrer de novas lutas.
Ao desencarnar vamos nos recordando aos poucos, conforme as nossas
necessidades. Lembramos de situações difíceis que passamos para que
possamos cuidar delas, aprendendo a superá-las.
Quando a gente ocupa do passado, ele passa a ser presente, porque o
sentimento vem à tona para que possamos cuidar dele. Se há um sentimento
que nos faz mal, perturbando a nossaharmonia interna é porque há algo ainda
pendente que temos que construir para superar e vencer essa dificuldade.
Não adiantaria vir à tona lembranças de erros que ainda não temos condições
de cuidar deles.
Existem muitos estudiosos que fazem exercícios de regressão de memória que podem
levar o incauto ao abismo, onde a perturbação comanda os sentimentos. Desde quando
a natureza escondeu, por lei do equilíbrio, os feitos longínquos, é porque tudo tem a hora
exata de manifestar-se por meios naturais e gradativos, apresentando-se como agente
de recuperação das criaturas.
Existem, igualmente, pessoas que estudam hipnotismo, e magnetismo, idealizando por
esses meios fazer alguém recordar o passado distante, às vezes por brincadeira de mau
gosto, e outros querendo criar métodos de cura de pessoas cheias de fobias de outros
desequilíbrios provindos do fundo d'alma. Esses mexem com fogo, esforçando-se para
entenderem que são terapias benfeitoras. O passado, para quem não compreende suas
reações, não deve ser tocado; é como que ativação de labaredas que podem destruir o
próprio presente, e fazer com que a alma sofra recordações desagradáveis, capazes de
levá-la ao caos.
A melhor terapia para esses enfermos é, pois, o Evangelho de Jesus, que se reflete
com fulgor na Doutrina dos Espíritos procurando educar a vida que se leva no presente,
porque a fração do consciente em atividade está de certa forma ligado à consciência
profunda, tendo o poder, quando bem estruturado, de dissolver as mazelas de depósitos
negativos acamados no subconsciente, aliviando todo o ser e preparando-o para novas
vidas em paz.
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Mexer com o fundo do lago interno, há milênios acomodando impurezas, é turvar toda
a água da vida. É melhor que as impurezas se transformem, pelos poderes do amor e da
caridade, em energias sublimadas. Querer recordar o passado é viver nele, é esquecer-
se do presente que nos chama, por vezes à realidade.
243 – Os Espíritos conhecem o futuro?
Isto depende ainda de sua perfeição; frequentemente, eles apenas o
entreveem, mas nem sempre têm a permissão de o revelar.
Quando o veem, parece-lhes presente.O Espírito vê o futuro mais claramente,
à medida que se aproxima de Deus. Depois da morte, a alma vê e abrange,
de um golpe de vista,suas migrações passadas,mas não pode vero que Deus
lhe reserva; para isso, é necessário que esteja integrada nele, depois de
muitas existências.
243.a) Os Espíritos que alcançaram a perfeição absoluta têm o
conhecimento completo do futuro?
Completo não é a palavra, porque só Deus é soberano senhor e ninguém o
pode igualar.
COMENTÁRIOS:
Existem muitas profecias; os profetas são inúmeros, em todas as religiões e
filosofias espiritualistas,no entanto, todos já conhecem a existênciados falsos
profetas. Eles são em quantidade inumerável.
Os Espíritos altamente evoluídos conhecem mais o futuro, e quando falam aos
encarnados sabem dosá-lo, são cautelosos nas suas predições, às vezes
falam por parábolas.
A verdade fora de hora destrói tanto quanto a mentira.
O conhecimento do futuro não faz bem a todas as criaturas por lhes faltar o
preparo para tal saber.
Para se ter uma visão completado futuro seria necessário que já existisse um
futuro pré-determinado para cada um de nós e não é assim. Há uma
programação a nível individual e no nível coletivo, mas nestas programações
estão apenas os nossos instrumentos de aprendizado, ou seja, as
circunstâncias que a vida nos trará. Como cada um vai reagir diante dessas
circunstâncias depende do livre arbítrio.
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244 – Os Espíritos veem a Deus?
Só os Espíritos superioreso veem e o compreendem;os Espíritos inferiores o
sentem e o adivinham.
244.a)Quando um Espírito inferior diz queDeuslhe proíbe ou lhe permite
uma coisa, como sabe que a ordem vem de Deus?
Ele não vê a Deus,mas sente a sua soberania e, quando uma coisanão deve
ser feita ou uma palavra não deve ser dita, ele pressente como por uma
intuição, uma advertência invisível que o proíbe de fazê-lo. Vós mesmos não
tendes pressentimentos,que são como uma advertência secreta, de fazer, ou
não, alguma coisa? Ocorre o mesmo para nós, somente que num grau
superior, porque como compreendes, sendo a essência dos Espíritos mais
sutil que a tua, eles podem melhor receber as advertências divinas.
244.b)A ordem é transmitida diretamente por Deus ou por intermédio de
outros Espíritos?
Ela não vem diretamente de Deus; para comunicar-se com ele é preciso ser
digno. Deus lhes transmite suas ordens pelos Espíritos mais elevados em
perfeição e em instrução.
COMENTÁRIOS:
Deus se faz presente em todos os lugares e Ele está presente em tudo, na
natureza, na nossa vida, na nossa consciência.
Deus é Onipresente. Esse é um dos atributos da Divindade.
Somente os Espíritos perfeitos têm o alcance espiritual de ver a Deus. Essa
visão não se compara à proporcionada pelos olhos do corpo físico. É uma
visão diferente, e as limitações da linguagem humana nos impedem de
explicá-la com clareza.
Os Espíritospuros veem Deus e recebem dEle uma missão maior de conduzir
comunidades planetárias, os sistemas, as galáxias.
Outros Espíritos contribuem na condução de comunidades menores, como
Ismael que administra o Brasil. E assim cada um de nós, conforme a nossa
condição evolutiva recebemos nossa missão nas tarefas do Pai. Todos nós
temos uma missão.
Os Espíritos que ainda não atingiram a superioridade na escala da perfeição
não veem a Deus, mas têm a intuição da Sua existência e a Seu respeito são
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esclarecidos pelos Espíritosmais elevados.Deus Se expressana criação pela
visibilidade dos Seus feitos.
Muitos dos falsos profetas encarnados que dizem, e mesmo escrevem, que
viram a Deus,que conversam com Ele face aface,estão iludindo a simesmos.
Eles veem Espíritos, que tomam por Deus.
Vera Deus é uma coisa,e sentir a Sua soberaniaé outra. A voz da consciência
sempre fala do Criador.
A visão de Deus não é para todos, mas o caminho é comum.
Essa caminhada que nos leva ao Pai é percorrida através de Jesus. É na
vivência do amor que vamos até Jesus.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim.
(João 14:6)
Devemos percorrê-lo com segurança, de modo que a fé nos leve a essa
esperança, amando e servindo, perdoando e esquecendo faltas, trabalhando
por dever de servir mais.
245 – A visão dos Espíritos é circunscrita como nos seres corpóreos?
Não, ela reside neles.
COMENTÁRIOS:
Para nós encarnados, a visão se manifesta através dos nossos olhos. É por
eles que nós conseguimos ter a percepção visual do que está no nosso
entorno (relativo).
Para os Espíritos mais evoluídos isso ocorre de forma diferente.São capazes
de ver por todos os lados e até lugares distantes. Sua visão não está
circunscrita como a nossa.
Espíritos desencarnadosapegadosà matéria mantém todas as sensaçõesda
matéria, inclusive, a visão circunscrita aos próprios olhos.
A visão do Espírito reside em todo o seu ser, quando se trata de Espíritos
superiores. Em muitos dos que ainda alimentam paixões inferiores, a visão é
bem mais restrita que às criaturas encarnadas, quando não perdem esse dom
temporariamente.
246 – Os Espíritos têm necessidade da luz para ver?
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Veem por si mesmos, não têm necessidade da luz exterior; para eles não há
trevas, a não ser aquelas em que se encontram por expiação.
COMENTÁRIOS:
Depende da evolução do Espírito.
Espíritos que estão em um nível evolutivo mais elevado não necessitam dos
olhos para ver, daí não necessitarem da luz para ver.
Espíritos apegados à matéria tem as mesmas dificuldades que nós para
enxergar, às vezes até mais. Necessitamos do reflexo da luz nos objetos para
enxergarmos. Da mesma forma, os Espíritos que estão mais materializados,
daí a dificuldade para visualizar as coisas, pois uma grande parte deles se
encontra nos umbrais, onde há a escassez de luz. Eles lidam com muita
dificuldade no sentido da visão.
Espíritos superiores não dependem da luz, veem onde quer que esteja.
Conseguem enxergar por todos os pontos do seu corpo perispiritual. Essa
visão independe de luz. O Espírito vê além de uma parede, de um obstáculo
físico que esteja à frente. Eles têm uma percepção de tudo o que está no seu
entorno e além dos obstáculos que para nós impediria a visão.
247 – Os Espíritos têm necessidade de se transportarem para ver dois
lugares diferentes? Podem, por exemplo, ver simultaneamente os dois
hemisférios do globo?
Como o Espírito se transporta com a rapidez do pensamento, pode-se dizer
que vê tudo a uma só vez; seupensamento podeirradiare se dirigir, ao mesmo
tempo,sobre vários pontos diferentes.Estafaculdade dependede suapureza:
quanto menos puro ele for, mais sua visão é limitada; somente os Espíritos
superiores podem ter visão de conjunto.
Allan Kardec:
A faculdade de ver, nos Espíritos, é uma propriedade inerente à sua
natureza e que reside em todo o seu ser, como a luz reside em todas as
partes de um corpo luminoso.É uma espéciede lucidez universalque se
estende a tudo, envolve, a uma só vez, o espaço, o tempo e as coisas e
para a qualnão há trevas nem obstáculos materiais.Compreende-seque
deve ser assim; no homem a visão se realiza através do funcionamento
de um órgão impressionado pela luz, e sem luz ele fica na obscuridade.
No Espírito a faculdade de ver sendo um atributo próprio,abstração feita
de todo agente exterior, a visão é independente da luz (Veja-se:
Ubiquidade, nº 92).
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COMENTÁRIOS:
Os Espíritos superiores podem se transportar para qualquer lugar na
velocidade do pensamento.
Como o Espíritopodefazeresse deslocamento instantâneo,pode-sedizerque
ele consegue ver fatos ocorrendo nessesdois pontos ao mesmo tempo.Pode
estar aqui e acolá de forma instantânea. Pode se deslocar para diversos
pontos diferentes de forma instantânea e assim ter visão de fatos que estão
ocorrendo em todos esses lugares.
Isso não acontece com os Espíritos mais inferiores que tem muita dificuldade
para a sua locomoção e, principalmente, aqueles que se encontram nos
umbrais. Se deslocam de forma penosa, como nós.
Os Espíritos superiores não são privilegiados. São conquistas próprias que
todos nós também obteremos diante dos nossos esforços.
Para os Espíritos puros, desaparecem o tempo e espaço como, e certamente, deixam de existir distâncias
que, para nós outros, são obstáculos. O Espírito, de acordo com o seu crescimento espiritual, pode
comunicar-se em muitos lugares diferentes ao mesmo tempo, por vários médiuns. Não tendo outra
expressão,podemosdizerque se expande ao infinito,emplenaconsciência.Elestêmo poderde ver tanto
de perto,quanto emdistânciasimensuráveis,comose acreditaser.É, pois,uma dilataçãodosseuspoderes
de visão.
248 – O Espírito vê as coisas tão distintamente como nós?
Mais distintamente, porque sua visão penetra aquilo que não podeis penetrar;
nada a obscurece.
COMENTÁRIOS:
A nossa visão enquanto encarnados depende da luz. Os objetos que vemos
refletem a luz que incidem sobre eles e essa luz sensibiliza os nossos olhos
para que possamos enxergar.
A nossa visão é limitada a ambientes que tem luz para que os objetos podem
refleti-lae sensibilizara nossavisão,mas também limita-se aos objetos porque
não podemos ver além dos objetos.
Qualquer obstáculo de ordem material impede que a nossa visão vá além
desse obstáculo.
Os Espíritos superiores, evoluídos não veem através da sensibilidade da luz.
A visão para o Espírito é um atributo seu. Não vê através de um órgão como
nós. Ele vê através de todo o seu corpo perispiritual, independe de luz.
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Portanto, ele vê em qualquer ambiente que tenha ou não luz e também não se
limita a nenhum tipo de obstáculo físico.
Os Espíritos inferioresporestarem ligados àmatéria, têm suas limitações bem
parecidas com as nossas.
Cada um de acordo com o seu grau evolutivo.
Os Mensageiros – Cap. 14 e 49.
249 – O Espírito percebe os sons?
Sim, e percebe até mesmo o que os vossos sentidos obtusos não podem
perceber.
249.a) A faculdade de ouvir, como a de ver, está em todo o seu ser?
Todas as percepções são atributos do Espírito e fazem parte do seu ser.
Quando está revestido de um corpo material, elas não lhe chegam senão por
um canal de órgãos; mas no estado de liberdade,não estão mais localizadas.
COMENTÁRIOS:
Os Espíritos superiores,da mesmaforma que a visão, não percebem os sons
através de um órgão restrito como nós temos os ouvidos, mas percebem os
sons por todo o seu corpo perispiritual, assim como percebe a luz.
Essas percepções são atributos do ser espiritual. Não dependem de órgãos
específicos.
Eles têm a capacidade de selecionaro som que sejanecessário ouvir,isolando
aqueles que venham interferir naquilo que seja do seu interesse.
Os Espíritos apegados à matéria têm as mesmas dificuldades que nós
encarnados, as mesmas limitações. Estando mais materializados terão a
percepção dos sons pelos órgãos perispirituais.
250 – Sendo as percepções atributos do próprio Espírito,é possívelque
ele deixe de usá-las?
O Espírito só vê e ouve o que ele quiser. Isto de uma maneira geral e,
sobretudo, para os Espíritos elevados; os imperfeitos ouvem e veem
frequentemente, queiram ou não, aquilo que pode ser útil ao seu
adiantamento.
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COMENTÁRIOS:
Os Espíritos elevados tem os seus poderes dilatados no que se refere aos
seus dons.
Os Espíritossuperiores podem selecionaro que ele quer ouvir ou ver naquele
momento.Pode estarem ambientes com muito barulho,que ele tem condições
de focar somente naquilo que ele quer ou precisa ver e ouvir, isolando os
demais.
Podem ouvir sons que não ouvimos e ver além do que nós vimos. Pode ver
além da matéria e até o interior, a intimidade da matéria.
Os Mensageiros – Cap. 49
251 – Os Espíritos são sensíveis à música?
Quereis falar de vossa música? O que é ela diante da música celeste? Desta
harmonia que nada sobre a Terra pode vos dar uma ideia? Uma é para a outra
o que o canto do selvagem é para a suave melodia. Entretanto, os Espíritos
vulgares podem experimentar um certo prazer em ouvir a vossa música,
porque não são ainda capazes de compreenderoutra mais sublime.A música
tem para os Espíritos encantos infinitos, em razão de suas qualidades
sensitivas muito desenvolvidas.Refiro-me músicaceleste,que é tudo o que a
imaginação espiritual pode conceber de mais belo e de mais suave.
COMENTÁRIOS:
A músicano mundo espiritual possuiuma grande sublimidade que não dá para
comparar com as músicas que ouvimos aqui.
Na época de Kardec, a música que se ouvia era a música clássica, portanto,
a gente pode imaginar o que é a sublimidade da música no mundo espiritual.
Essa questão se refere aos altos níveis da espiritualidade maior.
A Leidivina buscao progresso em todas as coisas.Dessaformaestápresente
o belo.
Com relação aos sons,a música é a própriaharmonização da sonoridade para
os nossos ouvidos.
Espíritos mais inferioresestarão em sintonia com músicas no mesmo níveldas
nossas ou piores.
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As músicas potencializam as vibrações,influenciando as pessoas ougrupo de
pessoas.
Essas influencias podem ser tanto benéficas, quanto negativas.
Músicas agressivas ou com letras agressivas, que denigrem os valores terão
a mesma força influenciando para o lado negativo.
É importante selecionar e saber quais as músicas devemos ouvir.
Se estivermos em um ambiente em que a música que está tocando seja de
influência negativa, devemos entrarem prece para buscar outra sintonia e não
deixar influenciar pelo som expostos aos ouvidos. Temos que estar vigilantes
para termos a percepção da influência a fim de sintonizarmos com outro
padrão vibratório.
A música enquanto meio da harmonia divina nos traz grandes possibilidades
de luz, de aprendizado, de crescimento e de união.
- Os Mensageiros – Capítulos 31 e 32 (“Tocata e Fuga em Ré Menor”, de Bach)
252 – Os Espíritos são sensíveis às belezas da Natureza?
As belezas naturais dos diversos mundos são tão diferentes que se estálonge
de as conhecer.Sim, são sensíveis de acordo com a sua aptidão em apreciá-
las e compreendê-las. Para os Espíritos elevados, há belezas de conjunto
diante das quais desaparecem, por assim dizer, as belezas dos detalhes.
COMENTÁRIOS:
O belo é próprio da criação Divina.
Todos os mundos são dotadosde encantos peculiares àsua evolução, porque
diferentes são as humanidades neles estagiadas.
A natureza nos oferece a beleza tanto para a visão, para a audição, para o
sentimento, para as emoções quando a gente pode flagrar situações da
natureza que nos compele à elevação.
Muitas vezes buscamos o contato direto com a natureza para descontrair,
revigorar as nossas energias.
Além da beleza para a visão, a natureza vibra na energia do criador. Ela tem
a capacidade de renovar as nossas energias.
André Luiz nos esclarece em suas obras que os Espíritos buscam refazersuas
energias junto à natureza, normalmente em áreas verdes e próximos a água.
A beleza da natureza é muito maior do que a que nos concede a dádiva da
visão. Aprofunda em nossos sentimentos, nossas emoções, fornecendo
harmonia.
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Os Mensageiros – Capítulos 40 à 42.
253 – Os Espíritos experimentam as nossas necessidades e os nossos
sofrimentos físicos?
Eles os conhecem, visto que os suportaram, mas não sentem materialmente
como vós, porque são Espíritos.
COMENTÁRIOS:
Temos que levar em conta que a Espiritualidade considera aqui os Espíritos
superiores que já passaram pelas inferioridades, pelos sentimentos mais
materializados pelo apego à matéria.
Os Espíritos desencarnados vibram conforme os seus interesses presentes
em seus corações.
Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. (Mt 6:21)
Espíritos desencarnados que já superaram as ligações com a matéria, que já
vibram na energia do amor ensinado por Jesus não passam por sofrimentos e
necessidades de ordem física.
Muitos de nós ao desencarnarmos continuamos apegados à matéria: os bens
materiais, o corpo, os vícios...
Quando se valoriza mais a matéria do que as questões espirituais certamente
o tesouro estarána matéria, daí sofre as necessidades do corpo físico,mesmo
após o desencarne,como as dores,a fome,as sensaçõesde frio ou calor, os
vícios, etc.
Em tudo se encontra a mente colhendo os resultados dos feitos da alma.
Para vencer as necessidades da matéria, só vivenciando o amor que Jesus
nos ensinou.
254 – Os Espíritos experimentam a fadiga e a necessidadede repouso?
Não podem sentir a fadiga tal como a entendeis e, por conseguinte, não têm
necessidade de vosso repouso corporal,pois eles não têm órgãos cujas forças
devam ser reparadas. O Espírito repousa no sentido de que não tem uma
atividade constante. Sua ação não é material, mas intelectual, e, seu repouso,
moral. Há momentos em que seu pensamento deixa de ser tão ativo e não se
fixa sobre um objeto determinado; é um verdadeiro repouso, mas que não
pode ser comparado ao repouso do corpo. A espécie de fadiga que os
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Espíritos podem experimentarestáem razão da sua inferioridade:quanto mais
sejam elevados, menos necessitam de repouso.
COMENTÁRIOS:
A evolução de cada Espírito determina os interesses expressos em seu
coração.
A fadiga se dá quando estamos envolvidos no magnetismo inferior, filho dos
próprios habitantes do planeta.
Os Espíritos ligados à matéria necessitam de repouso pois ainda trazem
consigo as sensações das necessidades do corpo material.
- André Luiz, em suas obras, nos relata casos de Espíritos que ainda presos
aos umbrais apresentam grandes necessidades de repouso devido à fadiga.
- Reuniões mediúnicas
Os Mensageiros – Capítulos 21 à 23.
255 – Quando um Espírito diz que sofre,quala naturezados sofrimentos
que experimenta?
Angústias morais, que o torturam mais dolorosamente que os sofrimentos
físicos.
COMENTÁRIOS:
A harmonia interior de cada um de nós é conquistada com a vibração dos
sentimentos, dos pensamentos elevados na mesma faixa dos ensinamentos
de Jesus.
Por isso Jesus nos disse: Vigiai e orai.
Estejamos vigilantes com os sentimentos reservados em nossos corações e
com os pensamentos que exteriorizamos.
Sempre que nossos pensamentos ou sentimentos estiverem desacordo com
a harmonia, com o amor, busquemos o refúgio em oração. Basta entrar em
oração que nós estaremos vibrando na energia do amor divino.
Tudo que vibra em sentido contrário aos valores do amor divino causa
desarmonia com a vida, com a criação de Deus.
Quando vibramos em sintonia com os valores da criação, estaremos em
harmonia, em paz.
A escolha é de cada um, conforme o livre arbítrio.
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Em busca da própria evolução, vamos diminuir o próprio sofrimento na
conquista da felicidade que almejamos vibrar no amor de Deus.
Que possamos refrear todos os impulsos inferiores, fazendo e usando essa
energia para despertar qualidades superiores que se encontram dentro de
nós.
Quando o Espírito diz que está sofrendo, os sofrimentos não são físicos; são angústias
morais, bem piores do que os padecimentos terrenos. É nesse sentido que a Doutrina dos
Espíritos vem trabalhando junto aos encarnados, e por vezes com os fora da carne,
evitando as angústias morais para o futuro, que são piores.
A consciência registra, sem que a consciência ativa saiba, todos os atos da alma, como
que fotografando em todas as suas nuances, de modo que no momento certo, essas forças
negativas transbordam para a mente do Espírito, entregando-o às consequências que são
próprias do clima negativo das ações inferiores. É o que se chama de remorso, ou
regressão de memória.
256 – Por que,então,algunsEspíritos se queixam de sofrerfrio ou calor?
Lembrança do que padeceram durante a vida, tão penosa, algumas vezes,
como a realidade. Frequentemente, é uma comparação que fazem para
exprimirem melhor a sua situação. Quando se lembram do corpo,
experimentam uma espécie de impressão como quando se tira um capote e
se crê ainda vesti-lo algum tempo depois.
COMENTÁRIOS:
A realidade do Espírito encarnado ou desencarnado está na mente.
A dor é um comando mental que manifestamos quando estamos em risco.
Quando se desencarnajá não temos o corpo,mas o condicionamento mental
não desaparece instantaneamente. O Espírito mantém o condicionamento
mental. O que ele sente pode ter certa diferença na sensação com relação à
dor do corpo físico,mas há um desconforto que incomodada mesma formae
ele relata como sendo uma dor fruto do seu condicionamento.
Aquelas pessoas que vivenciaram os ensinamentos de Jesus, o amor ao
próximo, valorizando as coisas do bem, o trabalho, a fé não terá dificuldades
de desvincular das coisas materiais, do corpo físico.
Os Espíritos desencarnados que falam que estão sofrendo,têm frio e as vezes
calor, têm essas sensações em função do seu estado psicológico. Eles
relembram o passado, de quando estavam na carne, passando por
determinadas provas, e têm as mesmas sensações;a mente regride e busca
no passado as mesmas dores e padecimentos que lhes fizeram sofrer.
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6.4 – ENSAIO TEÓRICO SOBRE A SENSAÇÃO NOS ESPÍRITOS
257 – O corpo é o instrumento da dor e, se não é a sua causa primeira,
pelo menos é a causa imediata. A alma tem a percepção da dor, mas essa
percepção é um efeito.A lembrançaque delaconservapodesermuito penosa,
contudo, não pode ter ação física. Com efeito, nem o frio, nem o calor podem
desorganizar os tecidos da alma e esta não pode gelar-se nem queimar-se.
Não vemos, todos os dias, a lembrança ou a apreensão de um mal físico
produzir efeitos tão reais e ocasionar mesmo a morte? Todo o mundo sabe
que as pessoas amputadas sentem dor no membro que não existe mais.
Seguramente,não é nesse membro que está a sede ou o ponto de partida da
dor; apenas o cérebro conservoua impressão dador. Pode-se,pois, crer que
há alguma coisa de analogia com os sofrimentos doEspírito depois da morte.
Um estudo mais aprofundado do perispírito,que desempenhaum papelmuito
importante em todos os fenômenos espíritas, como as aparições vaporosas
ou tangíveis, o estado do Espírito no momento da morte, a ideia tão frequente
de que ainda está vivo, o quadro tão comovente dos suicidas,dos supliciados,
dos que se deixaram absorver nos prazeres materiais, e tantos outros fatos,
vieram fazer luz sobre essa questão e dar lugar às explicações que damos,
aqui, resumidas.
COMENTÁRIOS:
Nós somos Espíritos que enquanto encarnados estamos utilizando esse corpo
físico para manifestarmos aqui no planeta Terra.
A nossa realidade é a Espiritual.
Esta é apenas uma pequena passagem da vida imortal do Espírito.
Para manifestarmos aqui no planeta utilizamos de alguns instrumentos e um
deles é o períspirito, corpo de matéria quintessenciada. Corpo que o espírito
desencarnado usa para se manifestar entre nós.
Quando encarnados, utilizamos do corpo físico que nos fornece as limitações
para o nosso aprendizado e que são próprias da matéria. Então vem a dor, a
necessidade do alimento,do agasalho,nos impondo ao trabalho, às condições
que auxilia no nosso aprendizado e no nosso crescimento como Espírito.
Tanto o corpo Espiritual, quanto o corpo carnal (físico) são instrumentos que
a leidivina nos concedeparapromovero nosso crescimento morale espiritual.
O perispírito é o laço que une o Espírito à matéria do corpo,sendo tirado
do meio ambiente, do fluido universal; contém, ao mesmo tempo,eletricidade,
fluido magnético e, até certo ponto, a matéria inerte. Poder-se-iadizer que é a
quintessência da matéria, o princípio da vida orgânica, mas não da vida
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intelectual, porque esta está no Espírito. É, além disso, o agente das
sensações externas. No corpo, essas sensações estão localizadas pelos
órgãos que lhes servem de canais. Destruído o corpo, as sensações ficam
generalizadas.
COMENTÁRIOS:
Quando desencarnado o Espírito se manifesta através do períspirito, já não
tem os órgãos, já não sente dor nas moléstias que tinha quando encarnado,
mas sente certo desconforto devido ao condicionamento mental.
A dor é o alerta de que algo não está normal em nosso organismo.A dor é um
instrumento para a proteção do corpo material.
Quando o Espírito desencarna não sentirá mais dor, por exemplo,quando se
queima.
O Espírito com mente condicionada à dor, reclama de dor, de calor, de frio.
Eis porque o Espírito não diz que sofre mais da cabeça do que dos pés.
É preciso, de resto, não confundir as sensações do perispírito, que se tornou
independente, com as do corpo; não podemos tomar estas últimas como
análogas, mas apenas como termo de comparação. Liberto do corpo, o
Espírito pode sofrer, mas esse sofrimento não é corporal, embora não seja
exclusivamente moral como o remorso,uma vez que ele se queixa de frio e de
calor. Ele não sofre mais no inverno que no verão e o temos visto passar
através das chamas sem nada experimentar de penoso; a temperatura não
lhes causa, pois,nenhuma impressão.A dorque ele sente não é propriamente
uma dor física, mas um vago sentimento íntimo que o próprio Espírito nem
sempre entende, precisamente porque a dor não está localizada e não é
produzida por agentes externos: é mais uma lembrança que uma realidade,
porém,uma recordação também penosa.Há algumas vezes, entretanto, mais
que uma lembrança, como iremos ver.
COMENTÁRIOS:
A dor físicatem origem na mente que nos impulsiona ter uma defesano nosso
corpo quando está iminente um risco.
Quando o Espírito desencarnae a sua mente condicionadaa protegero corpo
produz a mesmaquestão da dor, ele sente aquele desconforto que pode não
ser igual a dor aqui no plano material, mas é igualmente penoso, por isso a
reclamação.
Não está localizado no corpo físico,tem certadiferençana formade sensação,
mas ainda assim é uma sensação penosa, difícil e que o Espírito só vai aos
poucos conseguindo se livrar.
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A experiência nos ensina que no momento da morte o perispírito se
liberta mais ou menos lentamente do corpo.Durante os primeiros instantes, o
Espírito não entende sua situação: não se crê morto porque se sente vivo; vê
seu corpo de um lado, sabe que é seu, mas não entende por que está
separado dele. Este estado perdura enquanto existe alguma ligação entre o
corpo e o perispírito.Um suicida nos disse:Não, não estou morto – e ajuntou
– entretanto,sinto os vermes que me roem.Ora, seguramente,os vermes não
roíam o perispírito, e muito menos o Espírito; roíam apenas o corpo.
Entretanto, como a separação do corpo e do perispírito não tinha se
completado,resultava uma espéciede repercussão moralque lhe transmitia a
sensação do que se passava no corpo. Repercussão pode não ser, talvez, a
palavra certa, pois faria supor um efeito muito material; era, antes, a visão do
que se passava no corpo, ligado ainda ao seu perispírito, que produzia nele
uma ilusão, a qual tomava por uma realidade. Assim,não era uma lembrança,
pois que,durante sua vida não havia sido roído pelos vermes;erao sentimento
de um fato atual. Vê-se, por aí, as deduções que se podem tirar dos fatos,
quando são observados atentamente.
COMENTÁRIOS:
Aqui Kardec trata de um caso específico, um suicida.
Pessoas que no decorrerda vida dá muito valor à matéria, como a fortuna, as
questões de poder, o corpo físico, numa condição de perturbação acaba se
suicidando, permanece ligada ao corpo, se recusando a abandonar o corpo.
O corpo sendo já corroído pelos microrganismos e aquele espírito ainda preso
ao corpo através do períspirito,começaa sentir as sensações que sentiria se
o corpo ainda tivesse vivo.
Isso acontece apenas quando estamos muito ligados às questões materiais.
Aquele que valoriza muito as questões materiais, irá ficar preso nos círculos
materiais. Mas aquele que tem uma vida mais espiritualizada, se esforçando
cotidianamente para aprender o amor ao próximo, como nos ensinou Jesus,
conseguindo certo desprendimento das questões materiais, ao desencarnar
não ficará preso ao corpo físico e não sentirá nada do que ocorre com o corpo
físico. Essa é a realidade da maioria de nós ao desencarnar.
Devemos valorizar o patrimônio espiritual, aquilo que vamos aprendendo nas
esferas moral e intelectual.
Durante a vida, o corpo recebe as impressões exteriores e as transmite
ao Espírito por intermédio do perispírito que constitui, provavelmente, o que
se chama de fluido nervoso.Morto o corpo,ele não sente mais nada, visto que
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não há mais nele Espírito,nem perispírito.O perispírito,desprendido do corpo,
experimenta sensação, mas como esta não lhe chega mais por um canal
limitado,é generalizada. Ora, como narealidade ele não é mais que um agente
de transmissão, pois é no Espírito que está a consciência, resulta disso que,
se pudesse existirum perispírito sem Espírito,ele não sentiria mais do que um
corpo morto. Da mesma forma, se o Espírito não tivesse o perispírito, seria
inacessível a toda a sensação penosa, como ocorre com os Espíritos
completamente purificados. Sabemos que, quanto mais eles se purificam,
mais a essência do perispírito se torna etérea, do que se segue que a
influência material diminui à medida que o Espírito progride, quer dizer, à
medida que o próprio perispírito se torna menos grosseiro.
COMENTÁRIOS:
A escolha é de cada um.
Conforme o nosso livre-arbítrio fazemos escolhas todos os dias, a todo
momento. Essas escolhas vão nos criando créditos ou débitos para nós
mesmos. E assim vamos construindo nossa história.
Se em nossas escolhas colocamos o amor ensinado por Jesus, vamos nos
tornando Espíritos melhores, menos materializados.
No entanto, se esquecemos o amor de Jesus, passamos a ser egoístas,
orgulhosos,ficamosparalisados nanossaevolução,mais apegados àmatéria,
sentindo a influência pesada da matéria.
Temos que fazer bem as nossas escolhas para conquistar a felicidade
almejada.
Mas, dir-se-á, as sensaçõesagradáveis são transmitidas ao Espírito pelo
perispírito, da mesma forma que as sensações desagradáveis; ora, se o
Espírito puro é inacessível a umas, deve ser igualmente a outras. Sim, sem
dúvida, para aquelas que provêm unicamente da influência da matéria que
conhecemos: o som dos nossos instrumentos, o perfume de nossas flores,
nenhuma impressão lhe causa. Entretanto, ele experimenta sensações
íntimas, de um encanto indefinível que nem podemos imaginar, pois a esse
respeito somos como cegos de nascença em relação à luz: sabemos que ela
existe, mas por que meio? Aí se detém a nossa ciência.
Sabemos que existe percepção, sensação, audição, visão; que essas
faculdades são atributos de todo o ser, e não, como no homem, de uma parte
do ser; mas, ainda uma vez, porque intermediário? É o que não sabemos.Os
próprios Espíritos não podem nos dar conta, visto que nossa linguagem não
está em condiçõesde exprimir as ideias que não temos,da mesmaforma que
a língua dos selvagens não tem termos para exprimir nossas artes, nossas
ciências e nossas doutrinas filosóficas.
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COMENTÁRIOS:
Assim como ainda não conseguimos explicar aos seres menos evoluídos as
questões daintelectualidade, nós não conseguimosainda apreendersomente
pela articulação da palavra as questões da vida espiritual mais elevada. Não
temos ainda condições de ter essa compreensão.
Os Espíritos superiores nos dão assistência. Se não sentem a dor física,
sentem a dor moral porque quando desviamos do caminho, apesar do esforço
da parte deles,eles acabam sentindo porque nos amam. Sentem também as
boas sensações morais.
Dizendo que os Espíritos são inacessíveis às impressões da nossa
matéria, queremos falar dos Espíritos muito elevados, cujo envoltório etéreo
não encontra analogia em nosso mundo. O mesmo não ocorre com os de
perispírito mais denso, que percebem os nossos sons e os nossos odores,
embora não o façam por uma parte da sua individualidade, como quando em
vida. Poder-se-ia dizer que as vibrações moleculares se fazem sentir em todo
o ser e chegam, assim, ao seu sensorium commune, que é o próprio Espírito,
embora de um modo diferente, e pode ser também com uma impressão
diferente,o que produz uma modificação na percepção.Eles ouvem o som da
nossa voz, entretanto, nos compreendem sem o auxílio da palavra, apenas
pela transmissão do pensamento.Isso vem em apoio ao que dissemos:essa
penetração é tanto mais fácil quanto mais o Espírito está desmaterializado.
Quanto à visão, ela independe da nossa luz. A faculdade de ver é um atributo
essencial da nossa alma; para ela não há obscuridade, e apresenta-se mais
extensa, mais penetrante para os que estão mais purificados. A alma, ou o
Espírito,tem pois, em si mesmo,a faculdade de todas as percepções;na vida
corpórea elas são limitadas pela grosseria de seus órgãos, contudo, na vida
extracorpóreao são cada vez menos à medida que se torna menos compacto
o envoltório semimaterial.
COMENTÁRIOS:
O Espírito mais evoluído pode em um ambiente com muito barulho consegue
selecionar somente aquilo que aprouve-lhe ouvir, porque não precisa ouvir
pela sensibilidade material, mas pelo pensamento que nós exteriorizamos.
Da mesmaforma para ver, não precisada claridade da luz. É capaz de ver na
total escuridão porque o efeito para ver não é o efeito da luz, mas outra forma
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de se obter a visão, não necessitando dos órgãos dos olhos como nós
encarnados.
As sensações ocorrem por todo o seu ser e não circunscritas em seus
respectivos órgãos como em nós.
Esse envoltório, tirado do meio ambiente, varia de acordo com a
natureza dos mundos.Passando de um mundo a outro, os Espíritos trocam de
envoltório como trocamos de roupaao passarmos do inverno para o verão, ou
do polo para o equador. Os Espíritos mais elevados,quando nos vêm visitar,
revestem-se do perispírito terrestre e, então, suas percepções operam como
nos Espíritos vulgares; mas todos, inferiores como superiores, não ouvem e
não sentem mais do que aquilo que querem ouvir ou sentir. Sem possuírem
órgãos sensitivos,podem tornar, à vontade, ativas ou nulas suas percepções;
só uma coisa são forçados a ouvir: os conselhos dos bons Espíritos. A visão
é sempre ativa, mas eles podem, reciprocamente, tornarem-se invisíveis uns
aos outros. Segundo a categoria que ocupem,podem ocultar-se dos que lhes
são inferiores, mas não o podem dos que lhes são superiores. Nos primeiros
momentos que se seguem à morte, a visão do Espírito é sempre perturbadae
confusa e se aclara à medida que se desprende e pode adquirir a mesma
clareza que durante a vida, independentemente da sua penetração através
dos corpos que nos são opacos.Quanto à sua extensão pelo espaço infinito,
no futuro e no passado, depende do grau de pureza e elevação do Espírito.
COMENTÁRIOS:
O períspirito, corpo em que o Espírito desencarnado se manifesta no mundo
espiritual, é um instrumento de aprendizado e a sua formação é adequada às
condições materiais do globo em nos manifestamos.
Se estamos aqui na Terra, o nosso períspirito é formado de uma matéria
quintessenciada condizente com a vida aqui na Terra e o mesmo ocorre com
o nosso corpo físico que é constituído de matéria relativa à Terra.
Mas se o Espírito vaipara outro planeta vivenciar porlá, ele terá que se revestir
de um corpo de matéria quintessenciada condizente ao planeta de destino.
No momento do desencarne,o serpassaporum processo de perturbaçãoque
pode ser mais ou menos duradoura, de acordo com o grau de evolução do
Espírito.
Todaesta teoria, dir-se-á, não é nada tranquilizadora. Pensávamos que,
uma vez desembaraçados do nosso envoltório grosseiro, instrumento das
nossas dores,não sofreríamos mais e nos informais que ainda sofreremos e,
seja de uma maneira ou de outra, é sempre sofrer. Ah! Sim, podemos ainda
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sofrer muito e por muito tempo, mas, podemos também não mais sofrer,
mesmo desde o instante em que deixamos a vida corpórea.
Os sofrimentos deste mundo, algumas vezes, independem de nós, mas
muitos são consequências da nossa vontade. Remontando à origem, ver-se-
á que, em sua maior parte, resultam de causas que poderíamos evitar.
Quantos males e enfermidades deve o homem aos seus excessos, à sua
ambição, às suas paixões? O homem que tivesse vivido sempre sobriamente,
sem abusar de nada, com simplicidade de gostos,modestoem seus desejos,
se pouparia de muitas tribulações. Ocorre o mesmo com o Espírito; os
sofrimentos que enfrenta são consequência da maneira que viveu sobre a
Terra. Sem dúvida, não terá mais a gota e o reumatismo, mas terá outros
sofrimentos que não são menores.Vimos que esses sofrimentos resultam dos
laços que ainda existem entre o Espírito e a matéria e que quanto mais se
liberta da influência da matéria, quanto mais se desmaterializa, sofre menos
as sensações penosas.Ora, depende dele libertar-se dessainfluência desde
a vida atual; tem o seu livre- arbítrio e, por conseguinte, a faculdade de
escolherentre fazer e não fazer. Dome ele as suas paixões animais, não sinta
ódio,nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo orgulho
e purifique a sua alma pelos bons sentimentos,que faça o bem e dê às coisas
deste mundo a importância que elas merecem, então, mesmo estando
encarnado, já estará depurado, liberto da matéria, e quando deixar seu corpo
não mais lhe suportará a influência. Nenhuma recordação dolorosa,nenhuma
impressão desagradável lhe restará dos sofrimentosfísicosque experimentou,
porque elas afetaram o corpo e não o Espírito. Sentir -se -á feliz de ter se
libertado delas e a calma de sua consciência o isentará de todo o sofrimento
moral. Interrogamos milhares de Espíritos, que pertenceram a todas as
categorias da sociedade terrena, a todas as posições sociais; estudamo-los
em todos os períodos da sua vida espírita, a partir do momento em que
deixaram o corpo; seguimo-los, passo a passo, nessa vida de além-túmulo,
para observar as mudanças que neles se operavam, em ideias, em suas
sensações e, sob esse aspecto, os homens mais vulgares não foram os que
nos forneceram materiais de estudo menos preciosos. Ora, constatamos
sempre que os sofrimentostinham relação com a conduta, da qual suportavam
as consequências, e que essa nova existência era a fonte de uma felicidade
inefável para os que seguiram o bom caminho. Segue-se daí que os que
sofrem, sofrem porque quiseram e só de si mesmos podem queixar-se, tanto
neste como no outro mundo.
COMENTÁRIOS:
Lei do livre-arbítrio e lei de causa e efeito – duas grandes leis.
Temos liberdade de fazer as nossas escolhas. O que fazer da minha vida,
como viver,como encararas questões materiais,as questõesespirituais,amar
ao próximo ou não, etc.
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Tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém.
Nos é lícito porque pela lei de livre-arbítrio nós podemos fazer as nossas
escolhas e elas nos são respeitadas.Contudo, nem tudo nos convém, devido
à lei de causa e efeito.
Nós haveremos de colheros frutos daquilo que plantamos. Se plantamos boas
sementes seremosfelizes porque vamos colheros bons frutos que plantamos,
mas se vivemos na violência, no ódio,no desamor,certamente enfrentaremos
dificuldades no futuro. Toda dor que hoje se manifesta, tem origem na nossa
própria conduta.
Se conseguirmos analisar a razão da dor que hoje sentimos é porque são
causas atuais das aflições. Mas às vezes não conseguimos localizar a razão
desta dor, daí a causa está lá numa vida anterior e hoje estamos pagando o
débito daquilo que fizemos de mal.
Vamos vivenciar e praticar o amor que Jesus nos ensinou.
O Espírito, quando reencarna, é ligado ao corpo por fios tenuíssimos em vários centros de
força, refletores de outros centros da alma, no domínio de todas as células do campo
somático. Quando o corpo físico começa a desagregar-se por desleixo da alma que não
cuidou da sua vestimenta, ou por processos ligados ao passado, ou por leis de mudanças
necessárias, não é ele que sofre as impressões dolorosas; é o Espírito, por sua alta
sensibilidade, que capta essas impressões, pelas linhas que o prendem à argamassa física.
Com o conhecimento que agora se tem, trazido à luz pelo ensaio teórico do Codificador e
com todas as experiências adquiridas ao longo do tempo, deve-se passar à vivência dos
ensinos de Jesus, conhecendo a verdade que oferecerá a coroa de luz, marcando assim a
sua dignidade como cidadão livre no campo da vida espiritual.
Lembremo-nos bem: onde estarão os nossos pensamentos?
Onde os nossos sentimentos estão ligados?
Eis ai nosso tesouro! Vejamos, atentemos se é o que o Cristo deseja de nós!
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6.5 – ESCOLHA DAS PROVAS
- Maturidade espiritual
- Progressivamente vamos assumindo responsabilidades sobre o nosso
próprio plano evolutivo. Quanto mais amadurecidos estivermos, melhores
escolhas faremos. Quanto mais conhecimento das leis que regem a vida e o
Universo faremos melhores escolhas.
- Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem. Eles (nós) não
amadureceram e nem tem conhecimento suficiente para fazer as escolhas
certas.
- Nós estamos aquinesse caminho de amadurecimento e de aprendizado para
fazermos boas escolhas hoje para termos uma vida melhor no futuro. Hoje
estamos vivenciando as consequências das escolhas realizadas no passado
e, também na atualidade.
258 – Quando noestado errantee antes de se reencarnar,o Espírito tem
a consciência e a previsão das coisasque lhe sucederãodurantea vida?
Ele próprio escolhe o gênero de provas que quer suportar e é nisso que
consiste o seu livre-arbítrio.
258.a) Não é Deus que lhe impõe, então, as tribulações da vida como
castigo?
Nada ocorre sem a permissão de Deus, pois é Ele quem estabelece todas as
leis que regem o Universo. Perguntai, então, por que fez tal lei ao invés de
outra. Dando ao Espírito a liberdade de escolha, deixa-lhe toda a
responsabilidade de seus atos e suas consequências, de maneira que nada
entrava o seu futuro; o caminho do bem, como o do mal, lhe está aberto. Se
sucumbe,resta-lhe a consolação de que nem tudo se acabou para ele; Deus,
na sua bondade, lhe dá a oportunidade de recomeçar o que foi mal feito. É
necessário, aliás, distinguir o que é obra da vontade de Deus do que é da
vontade do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós que criastes,
mas Deus; contudo, pela própria vontade, a ele vos expondes porque vedes
um meio de adiantar-vos e Deus o permitiu.
COMENTÁRIOS:
Quando desencarnamos não há um tribunal para sentenciaro que produzimos
aqui na Terra.
A Lei Divina está na consciênciade cada um de nós. É ela que vai nos julgar.
Nós somos os julgadores de nós mesmos.
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Na construção da nossa história há duas principais Leis que direcionam o
nosso caminho:
- A lei do livre-arbítrio que autoriza a fazermos as nossas escolhas. Antes de
reencarnar é realizada uma programação para a nova existência. André Luiz
nos esclarece que quando candidatamos à reencarnação, somos recebidos
em um departamento específico para preparar essa reencarnação. Lá vamos
avaliar as nossas necessidades de aprendizagem,quais os débitos aresgatar,
quais foram os equívocos do passado em nossas diversas reencarnações
anteriores. Se já temos a consciência para resgatar.
Dessa forma antes de iniciar uma nova reencarnação é necessário elaborar
um projeto com as coisas mais relevantes, mais genéricas,como,qual é o lar
que irá receber, quem será a mãe, o pai, os irmãos, qual será a profissão, a
condição social.
Dentro dessa escolha, conforme o livre-arbítrio há a preparação no mundo
Espiritual. Fazer cursos,estágios,se preparando paraos resgates dos débitos
e para aquisição de novas experiências de acordo com as limitações. Com
relação aos débitos,não são todos,mas aqueles que já se consegue aprender
através das dificuldades que se passará.
O aprendizado, seja qual for, consiste no amor, porque só no amor que se
consegue a evolução.
Deus só dá o frio conforme o cobertor.
Nós escolhemos as provas, nos preparamos para elas, então estamos aptos
a passar pelas diversas circunstâncias aqui enquanto encarnados.
- A lei de causa e efeito que fornece as consequências de tudo o que se faz.
TIPOS DE ENCARNAÇÃO
Há quatro tipos de reencarnação, que vão de acordo com o grau de adiantamento do
espírito. São eles:
- Reencarnação Compulsória:
Este tipo de reencarnação é destinada a espíritos que não tem capacidade de fazer as suas
próprias escolhas, devido ao seu adiantamento evolutivo atrasado ou por faltas graves que
impedem a liberdade de escolha. O espírito é acolhido sem prévia concordância e até sem
o seu conhecimento. E também, a reencarnação compulsória é imposta pela Lei de Deus
nos casos que exige longas expiações. Neste, tudo acontece naturalmente, de uma forma
automática; este processo acontece de tal maneira: os espíritos inferiores com ideias fixas,
entram em grande associação com o útero, que tem circunstâncias adequadas para a sua
nova reencarnação, em moldes totalmente dependentes da hereditariedade. Mas até
mesmo nesses casos os espíritos superiores responsáveis pelo destino do planeta Terra
supervisionam à distância essas entidades reencarnantes; ou seja, nenhuma existência
está abandonada, a ajuda carinhosa de Deus está sempre presente, os espíritos
supervisores dos renascimentos na Terra, tem conhecimento de todas as reencarnações
automáticas/compulsória, que é o maior número no nosso planeta.
- Reencarnação Acidental:
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Neste, a fecundação não estava prevista, decorrente de uma relação sexual casual. Então
quando ocorre a fecundação neste caso, o Espírito que esteja próximo ao casal é atraído
para o óvulo fecundado. Assim, os mecanismos automáticos se carregam de propiciar a
ligação na fecundação. Na reencarnação acidental se encaixam os reencarnantes
originários de estupro e de outros “acidentes” semelhantes.
- Reencarnação proposta ou semi-voluntaria:
Este tipo é levado em conta o livre-arbítrio que o espírito tem à sua disposição. Os débitos
e méritos são analisados sem imposição pelos mentores espirituais, em seguida
programam a melhor forma para liquidar ou diminuir as dívidas em pendência e as
possibilidades para o progresso moral e espiritual. Como não é imposta estas analises, o
espírito encarnante pode discutir certas questões e pedir alterações, que podem ser aceitas
ou não. É a circunstância de muitos de nós.
- Reencarnação livre ou missionária:
Esta é para os espíritos que são redimidos ou próximo da redenção no plano terreno. Estes
possuem ampla liberdade de escolha. A missão na Terra é de desempenhar tarefas
elevadas em qualquer setor do conhecimento humano, como nas ciências, na filosofia ou
na religião, para ajudar na evolução da humanidade. Como Sócrates, Buda, Krishna, e
Jesus de Nazaré.
Livro: Eustáquio – Quinze séculos de uma trajetória
Obras de André Luiz:
 Missionários da Luz
 Ação e reação
259 – Se o Espírito pode escolher o gênerode provas que devesuportar,
segue-se daí que todas as tribulações que experimentamos na vida
foram previstas e escolhidas por nós?
Todas, não é a palavra, pois não se pode dizer que escolhestes e previstes
tudo o que vos acontece no mundo, até as menores coisas; escolhestes o
gênero de provas, os detalhes são consequências da vossa posição e,
frequentemente, dos vossos próprios atos. Se o Espírito quis nascer entre
malfeitores,porexemplo,ele sabia a que arrastamentos se expunha, mas não
cada um dos atos que viria a praticar, e que são resultado de sua vontade ou
do seu livre-arbítrio. O Espírito sabe que escolhendo tal caminho terá de
suportar tal gênero de luta; sabe, também, a natureza das vicissitudes que
enfrentará, mas não sabe quais os acontecimentos que o aguardam. Os
detalhes dos acontecimentos nascem das circunstâncias e da força das
coisas.Somente são previstos os grandes acontecimentos que influem no seu
destino. Se tomas um caminho cheio de sulcos profundos, sabes que deves
tomar grandes precauções paranão caíres,e não sabes em qual deles cairás;
pode ser, também, que não caias se fores bastante prudente. Se, passando
50
por uma rua, uma telha te cair na cabeça,não creias que estava escrito,como
vulgarmente se diz.
COMENTÁRIOS:
Na realidade não há um destino, mas um projeto de vida. Todo planejamento
é flexível.
Assim como quando planejamos uma viagem. Se vai de carro, de ônibus ou
de avião. Se vai de carro, terá que fazer a revisão do carro, abastecer. Se vai
de ônibus ou de avião terá que fazer a programação, reservar e comprar a
passagem, verificar local de saída e de chegada, roteiro, horários, etc.
chegando lá onde irá ficar, em hotel, acampamento, casa de amigos ou
parentes. Nada impede que em meio a essa viagem, apesar de todo o
planejamento, mude o roteiro, a hospedagem, enfim, as situações.
A mesma coisaocorre quando fazemos um projeto para uma nova existência.
Nós planejamos as situações gerais, aquilo que a vida vai nos trazer conforme
o que nós necessitamos para o nosso aprendizado e para o resgate dos
equívocos do passado.
Então escolhemos a família que irá nos albergar, as condições materiais, a
saúde do nosso corpo,a profissão,as condições de trabalho, as dificuldades
que haveremos de passar.
Estando reencarnados, o nosso livre arbítrio continua atuante. A gente planeja
o que a vida pode nos trazer de dificuldades e de possibilidades.Agorao que
vamos fazer com essas possibilidades e com essas dificuldades, é escolha.
Podemos aproveitar ou não.
Mesmo estando encarnados, seguindo um planejamento, não perdemos o
direito de agir sobre esse planejamento que pode ser alterado e mudado o
roteiro.
Não sabemos exatamente o que foi planejado para que a gente não se
acomode ou não se apavore.
ESE – Duas causas: causas atuais ou causas anteriores.
Ex: Acidente – se estou dirigindo em alta velocidade, embriagado, ferindo as
leis de trânsito, a causa do acidente é atual. Se estou em um ônibus e ocorre
um acidente. As sequelas desse acidente pode ser causas anteriores.
Se nessa reencarnação não dermos conta, teremos novas oportunidades de
progredir.
Na natureza toda ação corresponde auma reação, nenhum ato é neutro. Para
tudo tem uma consequência.
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Tudo que acontece na vida da gente, a gente escolheu. Isso não quer dizer
que tudo se tenha escolhido conscientemente.
O amor cobre a multidão de pecados (I Pedro)
260 – Como o Espírito pode querer nascer no meio de pessoas de má
vida?
É necessário que ele seja colocado num meio onde possa suportar a prova
que pediu. Pois bem! É preciso que haja analogia nas situações. Para lutar
contra o instinto do roubo é preciso que se encontre entre pessoas dadas à
prática de roubar.
260.a)Se não houvessepessoas de má vida sobre a Terra,o Espírito não
poderia, pois, aí encontrar meio adequado a certas provas?
Precisar-se-ia lamentar isso? É o que ocorre nos mundos superiores onde o
mal não tem acesso, visto que são habitados por Espíritos bons. Fazei que,
em breve, o mesmo ocorra sobre a Terra.
COMENTÁRIOS:
Cada um de nós temos as experiências únicas e a vida vai nos conduzindo as
escolhas únicas também.
O Espírito que tem certos defeitosa corrigirnasce em família com as mesmas
faltas a serem corrigidas. Aí é que está sua maior prova, e a solução do
problema está dentro dele. Uma alma que tem instintos de se apossar do
alheio nasce em família que gosta de roubar; esse Espírito deve se esforçar,
dentro do ambiente favorável ao erro, para se libertar daquilo que precisapara
se tornar livre. Se renascer no lar já motivado pelo Evangelho, entre pessoas
que já se limparam das mazelas das paixões inferiores, qual o esforçoque ele
terá que fazer para o seu aperfeiçoamento? Sabendo disso, escolhe lar
compatívelcom as suas tendências.Isso é analogia de sentimentos.Atraímos
o que somos, esta é a lei.
As dificuldades pelas quais passamos, como a dor e o sofrimento são
instrumentos de aprendizado para impulsionar a evolução de cada um de nós.
A natureza da dor e do sofrimento é condizente com as necessidades de
aprendizado.
Ex: aqueles que por acaso usaram muito álcool ou drogas em uma
reencarnação anterior, hoje vai sofrer com problemas de saúde nos órgãos
que foram afetados em razão do vício.
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Aquele que é dado a determinado tipo de crime vai nascer em um ambiente
(família ou vizinhos) onde há pessoas voltadas a esse tipo de crime.
O gênero de provas que a vida nos traz deve serde acordo com anecessidade
de aprendizado de cada um.
Em muitos casos ocorre que às vezes o Espírito vem em meio ao vício ou à
criminalidade a fim de auxiliar os semelhantes nesseserros através das provas
de sua própria superação. Nem sempre o Espírito cai, pode superar e passar
pela prova.
Quando a dor vem é porque em Espírito já temos a consciênciadaquelas más
inclinações e nos dispusemos a superá-las.
A dor, o sofrimento não é castigo que Deus nos impõe. Ele é Pai Amoroso,é
bondade. É um instrumento de aprendizado que Deus nos concede. Ela só
vem quando nós já temos condições de aprender.
A escolha da prova, no mundo Espiritual, é nossa, mas nem sempre nós
aproveitamos.
Letra A:
Se não há mais nada a expiar ou provar, o Espírito nessacondição vai buscar
um mundo que seja compatível com seu estágio evolutivo.
Sabemos que o nosso planeta Terra está passando pelo estágio caminhando
para um mundo de regeneração. Neste planeta de regeneração muitas das
provas que hoje são propiciadas aos Espíritos renitentes no mal não haverão
de existir mais poraqui. Então esses Espíritos reencarnarão em outro planeta.
Não é castigo, mas sim, outra escola, condizente com as lições das quais
esses Espíritos precisam.
Aqui ou lá seremos sempre filhos de Deus, abençoados e atendidos nas
nossas necessidades.
Precisamos aprender a amar como nos ensinou Jesus. Precisamos nos
esforçar um pouco a cada dia para vencer as nossas inclinações, as nossas
más tendências.
261 – O Espírito,nas provas que deve suportar para chegar à perfeição,
deve experimentar todos os gêneros de tentações? Deve passar por
todas as circunstânciasque podem excitar seu orgulho,inveja,avareza,
sensualidade, etc.?
Certamente que não, pois sabeis que há Espíritos que, desde o começo,
tomam um caminho que os isenta de muitas provas; mas aquele que se deixa
arrastar para o mau caminho, corre todos os perigos desse caminho. Um
Espírito, por exemplo, pode pedir a riqueza e esta ser-lhe concedida; então,
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conforme seu caráter, ele poderá tornar-se avaro ou pródigo, egoísta ou
generoso,ouse entregará a todos os prazeres da sensualidade.Mas isso não
quer dizer que deva passar forçosamente por todas essas tendências.
COMENTÁRIOS:
Questão 120.
120. Todos os Espíritos passam pela fieira do mal para chegar ao bem?
Pela fieira do mal, não; pela fieira da ignorância.
Fieira – Experiência
Para eu ser bom, tenho que primeiro ser mau?
Ser ignorante, não é ser mal, mas não ter conhecimento.
Podemos até não passar pelo caminho do mal, mas temos que passar pelas
etapas para ir vencendo a ignorância.
Simplicidade = ausência de tendências para o Bem e o Mal.
Ignorante = desconhecedor das coisas e das leis naturais.
Simples e ignorantes, portanto incompletos, que devem adquirir por si
mesmos, por sua atividade, a ciência, a experiência que naquele início não
pode ter.
O importante não é passar ou deixar de passar pelo caminho do mal, o
importante é a conquista que efetivamos, pois todos nós haveremos de ser
feliz um dia, chegaremos à perfeição relativa.
Há duas grandes leis: a lei do livre-arbítrio e a lei de causas e efeito.
Pelalei do livre-arbítrio escolhemostodosos caminhos pelos quais haveremos
de passar. Ela nos é dada para que possamos praticara lei divina, o amor que
Jesus nos ensinou possa crescere florescerem nossos corações através dos
nossos atos, das nossas palavras, dos nossos relacionamentos.
Se as nossas escolhas forem mal direcionadas por nós mesmos, então
passaremos pela lei de causa e efeito. Encontraremos adiante o efeito da
escolha realizada no momento.
As provas são ensinamentos da lei divina, são lições que nos proporciona
atender agora os nossos equívocos do passado. As tentações são
instrumentos de provas e de aprendizado em nossas vidas.
A expiação só vem em nossas vidas, quando já temos condições de aprender.
A lição é de acordo com a capacidade do aprendiz, do discípulo.
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Se ainda não estou em condições de compreender determinada dor,
determinada dificuldade, a lei divina aguarda o momento correto em que a
lição me será atribuída. Daí estarei em condições de compreender, de
vivenciá-la com sucesso, com aprendizado, com amor.
Não adianta passar por uma prova sem que possamosaprender.Sempre que
passamos poruma dor ou sofrimento,normalmente, saímos fortalecidos,pois
ali aprendemos, adquirimos mais fé.
Porém aquele que passa pelas provações blasfemando,reclamando não terá
aprendido a lição e sairá dela apenas por misericórdia divina, porque lá na
frente elas terão que retornar à sua vida para que possa retomar o seu
aprendizado.
É assim que funciona a lei divina, justa, de acordo com as nossas
necessidades, com as nossas possibilidades de aprendizado.
Todo bem ou todo mal vem do que você faz com o que você tem.
O que você faz com o que você tem é que vai definir se o que você tem é bom
ou ruim para você.
Ex: Texto A janela do hospital.
262 – Como pode o Espírito, que em sua origem é simples, ignorante e
sem experiência,escolher uma existência com conhecimento de causa e
ser responsável por essa escolha?
Deus supre a sua inexperiênciatraçando-lhe o caminho que deve seguir,como
o fazes para uma criança desde o berço.À medida que o seu livre-arbítrio se
desenvolve, ele o deixa, pouco a pouco, livre para escolher; é, então, que
frequentemente se extravia tomando o mau caminho, se não escuta o
conselho dos bons Espíritos; é o que podemos chamar a queda do homem.
262.a) Quando o Espírito goza do seu livre-arbítrio, depende
exclusivamenteda sua vontadea escolha da existência corporal,ou essa
existência podelhe ser imposta pela vontade de Deus como expiação?
Deus sabe esperar: não apressa a expiação. Entretanto, Deus pode impor
uma existência a um Espírito, quando este, por sua inferioridade ou sua má
vontade, não está apto a compreender o que poderia ser-lhe mais salutar e
quando vê que essa existência pode servir à sua purificação e adiantamento,
ao mesmo tempo que encontra nela uma expiação.
COMENTÁRIOS:
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Ex: As rodinhas na bicicleta – primeiro tira as rodinhas – depois aumenta o
tamanho das rodas – toma os rumos que queira – pode haver quedas.
Ex: A criança na fase da alfabetização depende dacondução do professorem
todas as situações. Quando adulto, na fase universitária organiza seu próprio
estudo sob a orientação do professor.
Cada um de nós quando vai reencarnar trazemos uma missão,a qual faz parte
da programação de vida.
Quando chegamos para uma nova reencarnação, renascendo aqui ou em
outro planeta trazemos um programa de vida que foi por nós muito bem
elaborado no mundo espiritual.
Na colônia espiritual, passamos pelo departamento específico que trata das
reencarnações para recebermos as orientações dos mentores a buscar as
nossas necessidadesde aprendizado,os débitos que haveremos de resgatar,
como também, nossas possibilidades de trabalho, nossos companheiros e
parentes consanguíneos, nossa condição de saúde, nossa profissão, etc.
Traçamos os pontos gerais da nova existência conforme o livre-arbítrio sob a
orientação dos mentores espirituais.A escolhaé nossa.A vida irá nos oferecer
as possibilidades que programamos, mais aceita-las, acatá-las ir por aquele
caminho que programamos ou não cabe a cada um de nós.
Em duas situações deixamos de escolher a nossa programação. Não
exercemos o nosso livre-arbítrio ao fazer a escolha das provas pelas quais
devemos passar:
1º - No começo da nossa caminhada como Espíritos recém-criados, recém-
saídos das mãos do Criador. Vai nos faltar experiência, conhecimento,
discernimento para traçar um roteiro para nossa existência. Sob a orientação
divina, os nossos mentores espirituais vão encontrar o melhor caminho para
programar a nossa existência.
2º - Quando nos tornamos endurecidos no mal, vamos repetindo os mesmos
erros não tendo condições de fazer as próprias escolhas, pois ao fazê-las
iríamos ao encontro dos nossosprópriosinteresses,sem o objetivo decrescer.
Perdemos o poder do discernimento.
Nessas situações temos as reencarnações compulsórias em que o Espírito
reencarnante não tem a possibilidade de fazer a escolhadas situações gerais
de sua vida.
A regra é o livre-arbítrio. A escolha feita pelo próprio reencarnante, depois de
bem orientado pelos mentores espirituais. As exceções ocorrem apenas
nessas duas situações.
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Todainterferência da Lei Divina ocorre em nosso favor, sempre verificando as
nossas necessidades e colocando-nos no caminho do bem, no caminho do
amor.
A doutrina Espírita, a Casa Espírita,os Espíritos não existem para resolveros
nossos problemas. Tudo isso existe para nos auxiliar na compreensão da
necessidade de mudança, nas atitudes, nos pensamentos, nos
comportamentosaté que percebamos que tudo que acontece na nossavida é
o reflexo da forma em que nós vivemos,desde a mais remota antiguidade até
o que fizemos hoje. É um erro pensar que a Espiritualidade vai resolver os
meu problemas, de preferência os imediatos.
Relatos do livro: Eustáquio – 15 séculos de uma trajetória.
263 – O Espírito faz sua escolha imediatamente depois da morte?
Não, muitos acreditam na eternidade das penas e, como já se disse, é um
castigo.
COMENTÁRIOS:
Essa escolha que se indaga nesta questão se refere à programação da sua
nova reencarnação.
Logo após o desencarne,o Espírito passaporuma profundamudança em sua
vida, é um período de perturbação. Não estaria em condições para fazer
escolhas para o futuro.
Vai levar algum tempo para que cada Espírito que desencarna esteja em
condições de compreensão, de discernimento.
A partir daí vai permanecer na erraticidade por algum tempo, pois lá também
há aprendizado, há trabalho, realização no bem, há amor. Lá é o mundo real.
É a verdadeira moradia de todos nós.
Durante esse tempo vai sedimentar os aprendizados da sua reencarnação
anterior. Vai avaliar tudo o que fez para ter condições de se preparar melhor
para a próxima reencarnação.
O Espírito vai se preparando até o momento de sentir necessidade de se
candidatar a uma nova reencarnação.
Só aí vem a escolha e, consequentemente, a programação.
264 – O que dirige o Espírito na escolha das provas que quer suportar?
Ele escolhe as que podem serpara ele uma expiação, segundo a natureza de
suas faltas, e o faça avançar mais rapidamente. Alguns se impõem uma vida
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de misérias e privações para tentar suportá-la com coragem. Outros querem
se experimentar nas tentações da fortuna e do poder, bem mais perigosas
pelo abuso e mau uso que delas se pode fazer, e pelas más paixões que
desenvolvem. Outros, enfim, querem experimentar-se pelas lutas que devem
sustentar ao contato do vício.
COMENTÁRIOS:
O Espírito candidato à reencarnação recebe no departamento da
reencarnação assessoria de mentores especializados que através da análise
do seu passado busca as provas pelas quais deve passar.
Essas provas não são aleatórias, mas de acordo com a necessidade de
aprendizado, conforme os erros cometidos no passado.
Na erraticidade o Espírito adquire o conhecimento e certa melhora das suas
tendências, mas a prova é aqui enquanto encarnado, por isso vai estar ligado
justamente naquilo em que seus erros apontam.
Ex: dependente químico
Vai escolhertambém situações que a vida irá lhe proporcionar possibilidades
de crescimento, de aprendizado maior, como a profissão, por exemplo.
Em razão de todas essas avaliações é que são realizadas as escolhas.
265 – Se alguns Espíritos escolhem o contato com o vício como prova,
existem os que o escolhem por simpatia e por desejo de viver num meio
do seu gosto, ou para poderem se entregar materialmente aos seus
pendores materiais?
Há sem dúvida, mas apenas entre aqueles cujo senso moral está pouco
desenvolvido; a prova vem deles mesmos e a suportarão por mais tempo.
Cedo ou tarde, compreenderão que a satisfação das paixões brutais tem para
eles consequências deploráveis, que suportarão durante um tempo que lhes
parecerá eterno. Deus poderá deixá-los nesse estado até que compreendam
suas faltas e peçam, por si mesmos, os meios de resgatá-las em provas
vantajosas.
COMENTÁRIOS:
Somos seres caminhando em nossa jornada evolutiva, ora acertando, ora
errando.
Quando desencarnados temos uma visão maior das nossas necessidades,
nos fornecendo melhores condiçõesde fazeras escolhas no mundo espiritual.
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Quando escolhemos determinado sofrimento é porque lá estando temos a
visão da necessidade e das possibilidades de crescimento, além de sermos
orientados pelos mentores. Portanto, temos as possibilidadesde fazermos as
escolhas corretas,mas também podemoserrar,da mesmaformaque erramos
aqui.
As orientações que recebemossão de acordo com nossas necessidades,mas
há o livre-arbítrio a ser respeitado, tanto aqui, quanto lá.
Mesmo diante dos mentores espirituais fornecendo toda a orientação, se
desejarmos escolheroutro caminho que não seja o ideal, eles vão respeitara
nossa escolha, exceto se não tivermos condições. Ter condições para a
escolhanão significasempre a escolhacorreta, senão o livre-arbítrio não teria
necessidade de existir.
Às vezes erramos. E nessa escolha podemos cair. Às vezes podemos
escolher até em medidas maiores em que podemos suportar. Que podemos
dar conta ou não.
Há também Espíritos que escolhem nascer em um reduto viciado por gostarem do vício e sentirem
necessidade de estarenvolvidosnele.Nesses,osensomoral aindanão temdesenvolvimentobastante para
lhesmostrarque elesdevem se esforçar, no sentido de adquirir a decência nos caminhos que percorrem.
266 – Não parece natural que os Espíritos escolham as provas menos
penosas?
Para vós, sim; para o Espírito, não. Quando se liberta da matéria, a ilusão
desaparece e ele pensa de outra maneira.
COMENTÁRIOS:
É o momento que ainda no plano espiritual, antes da reencarnação, o Espírito
vai escolher traçando seu projeto de vida, quais serão as provas, as
dificuldades que a vida vai trazer quando estiver reencarnado.
Por que o Espírito não escolhe asa provas mais fáceis, com menos
dificuldades. É porque é uma questão do ângulo de visão. Quando analisamos
a situação quando estamos aqui encarnados, o ângulo de visão são os limites
da vida em que a nossa memória é capaz de trazer: Desde o berço até o
desencarne.
Para o Espírito que está desencarnado, a visão é outra. A memória irá trazer
um passado bem maior que a de quando está encarnado. Claro que não se
recorda de todo o passado do Espírito,mas quando está traçando um projeto
de vida a gente vai se recordar dos equívocos do passado que temos que
superar. O que temos que aprenderpara não repetir ou agravar aqueles erros
59
do passado. Então asa provas se transformarão em lições da lei divina para
nos ensinar aquilo que não aprendemos antes e nos fez cair em erros.
O Espírito terá como visão futura não apenas as décadas as quais estará aqui
reencarnado, mas toda a eternidade. Dessaforma, busca resgatar os débitos
oriundos dos seus erros, da sua ignorância. São lições da Lei Divina para o
nosso progresso.
Allan Kardec
O homem sobre a Terra é colocado sob a influência das ideias
carnais,não vê em suas provas senão o lado penoso;é por isso que lhe
parece natural escolher aquelas que, do seu ponto de vista, podem
coexistir com os prazeres materiais. Na vida espiritual, contudo, ele
compara esses prazeres fugitivos e grosseiros com a felicidade
inalterável que entrevê e, então, que lhe importam alguns sofrimentos
passageiros? O Espírito pode,pois,escolheras provas mais rudes e,por
conseguinte, a existência mais penosa na esperança de alcançar mais
depressa um estado melhor, como o doente escolhe, frequentemente, o
remédio mais desagradávelpara se curar mais rapidamente.O que quer
ver seu nome ligado ao descobrimento de um país desconhecido não
escolhe um caminho florido; sabe os perigos que corre, mas sabe
também a glória que o espera, se for bem-sucedido.
COMENTÁRIOS:
Não adianta o Espírito escolherpara ele uma vida só de sofrimentos se
ele não tiver condições necessárias para passar por aquele sofrimento com
paciência, com fé e com amor.
Jesus nos ensinou que o único caminho para a evolução do Ser é o
amor. A dor, o sofrimento são lições da Lei divina para nos ensinar a amar.
Por isso nem sempre os Espíritos que sofrem mais serão aqueles que vão
evoluir mais. Escolhem a possibilidade para que vivenciando bem aquela
dificuldade ele aprendamais e consigaevoluir mais.A evolução de fato,ocorre
pelo caminho do amor. Por isso nem sempre são necessárias tantas
angústias, tantas dores. Muitas vezes o Espírito não é capaz de suportar.
Porisso é necessáriaa orientação dos mentores,no plano espiritual,que
nos fornece a medida certa das nossas provas, na medida que conseguimos
suportar com proveito. Não adianta ir além das nossas capacidades.
A doutrina dá liberdade na escolha de nossas existências e das
provas que devemos suportar deixa de parecer extraordinária se se
considerar que os Espíritos desprendidos da matéria apreciam as coisas
42
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de maneira diferente danossa; entreveemo fim,bem mais sério paraeles
que os prazeres fugidios do mundo. Depois de cada existência, avaliam
o passo quederame compreendem o que lhesfalta ainda em purezapara
alcançarem aquele fim. Eis porque eles se submetem voluntariamente a
todas as vicissitudes da vida corporalpedindo,eles mesmos,as provas
que lhes permitam chegar mais prontamente. Não há, pois, motivo de
espanto no fato de o Espírito não dar preferência a uma existência mais
suave. Essa vida, isenta de amargura, não pode gozá-la em seu estado
de imperfeição;ele a entrevê e é paraalcançá-la queprocurase melhorar.
COMENTÁRIOS:
Quando estamos no mundo espiritual não apenas traçamos o projeto de
existência corporal, as dificuldades que a vida vai trazer, dores, sofrimentos,
mas principalmente, depois que programamos, ainda antes da reencarnação
nós nos preparamos para passar por tais dificuldades com proveito.
Não temos, aliás, todos os dias, sob nossos olhos, exemplos de
escolhassemelhantes?Que faz o homem que trabalhauma parte da sua
vida, sem trégua nem descanso,para reunir haveres que lhe garantamo
bem-estar, senão uma tarefa que se impôs tendo em vista um futuro
melhor?
O militar que sofre por uma missão perigosa, o viajante que não
enfrenta menores perigos,no interesse da Ciência ou da sua fortuna,não
se submete a provas voluntárias que devem lhes proporcionar honra e
proveito, se forem bem-sucedidos? A que o homem não se submete e
não se expõe pelo seu interesse ou pela sua glória? Todos os concursos
não são também provas voluntárias às quais os homens se submetem
para se elevarem na carreira que escolheram? Não se chega a uma
posição social de destaque nas ciências, nas artes, na indústria, senão
passando por uma série de posições inferiores que são outras tantas
provas.Avida humana é uma cópiada vida espiritualondeencontramos,
em ponto pequeno, todas as mesmas peripécias. Se, pois, nesta vida
escolhemos as provas mais rudes para alcançarmos um objetivo mais
elevado,por que o Espírito,que vê mais longe que o corpo e para o qual
a vida do corpo não é mais que um incidente fugidio,não escolheria uma
existência penosa e laboriosa, se ela deve conduzi-lo a uma felicidade
eterna? Aqueles que dizem que, se o homem tem a escolha da sua
existência,pediriampara ser príncipesou milionários,são como míopes
que só veem o que tocam, ou como crianças gulosas às quais quando
perguntamos a profissão que preferem, respondem: pasteleiros ou
confeiteiros.
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COMENTÁRIOS:
E lhes digo mais: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma
agulha do que um rico entrar no Reino dos céus”. (Mt 19:24)
Não é a riqueza material do mundo que vai tornar o homem capaz de
adquirir o reino do Céu, mas a riqueza do coração.
A riqueza é um meio que proporciona a vida material aqui na Terra. O
que seríamos de nós se não houvessem as riquezas transformadas em
empresas,indústrias,comércio fornecendo emprego.Alimentos,condições de
sobrevivência para as famílias. A riqueza é um instrumento. A dificuldade da
riqueza é como usar essa riqueza. Pois a riqueza é uma prova, assim como a
pobreza, a enfermidade.Não é algo que vai nos proporcionara felicidade.Se
fosse assim, os ricos, milionários seriam plenamente felizes e nós sabemos
que não é verdade.
Emmanuel nos diz que todos nós temos a nossa riqueza. Para alguns é
a riqueza material, para outros tem o tempo, a inteligência, a saúde.
Quantos de nós quando somos convidados para exercermos
determinada tarefa colocamos as nossas desculpas e nos esquivamos de
certos compromissos.Nos afastamos das tarefas que a vida nos trouxe como
possibilidades de crescimento.
Portanto, quando se fala em riqueza não devemos pensarsó na riqueza
material, mas na riqueza que cada um de nós temos.
Assim é o viajante que,no fundo do vale obscurecido pelo nevoeiro
não vê a extensão, nem os pontos extremos do seu caminho. Chegado
ao cume da montanha,divisa ele o caminho que percorreue o que resta
a percorrer,vê o seu fim e os obstáculos que tem ainda a transpor e pode,
então, planejar com mais segurança os meios de o atingir. O Espírito
encarnado estácomo o viajorna baseda montanha:desembaraçadodos
laços físicos, ele domina o cenário como aquele que está no cume da
montanha.Para o viajante,o objetivo é o repouso depois da fadiga,para
o Espírito,porém,é a felicidadesupremaapós as tribulaçõese as provas.
Todosos Espíritosdizem que,no estadoerrante,buscam,estudam,
observam para fazerem sua escolha.Não temos um exemplo desse fato
na vida corporal? Não buscamos, frequentemente, durante anos, a
carreira sobre a qualfixamos livremente nossaescolha,porque a cremos
a mais apropriadaparaos objetivosdo nossocaminho?Se fracassamos
numa, procuramos outra. Cada carreira que abraçamos é uma fase, um
período da vida.Não empregamos cada dia para planejar o que faremos
no dia seguinte?
Ora, que são as diferentes existências corporais para o Espírito
senão fases,períodos e dias de suavida espírita que é,como o sabemos,
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sua vida normal,uma vez que a vida corpórea não é mais que transitória
e passageira?
COMENTÁRIOS:
As provas são diferentes para cada um de nós.
Aqui enquanto encarnados passamos por provas e escolhemos profissões
diferentes. Cada um de nós tem habilidades e preferências diferentes em
todas as situações que a vida nos traz. Não é por acaso, é fruto do patrimônio
que cada um construiu no passado.
Nossa profissão vai estar de acordo com as provas escolhidas.
Todas as dificuldades, todas as oportunidades, tudo o que a vida traz para
cada um de nós, a família que nos abriga, nosso emprego,estão exatamente
na medida da evolução de aprendizado de cada um no momento em que
estamos na existência de Espírito eterno.
Ter Jesus como modelo, como guia é uma opção de cada um de nós no
exercício do livre-arbítrio.
267 – Poderá o Espírito fazer sua escolha durante a vida corporal?
Seu desejo pode ter influência, dependendo da intenção; como Espírito,
porém,muitas vezes vê as coisas de maneira diferente,e é nesse estado que
faz sua escolha. Mas, ainda uma vez, pode fazê-la na sua vida material,
porque o Espírito tem sempre momentos nos quais fica independente da
matéria que habita.
267.a) Muitas pessoas desejam grandezas e riquezas; não é, certamente,
como expiação, nem como prova?
Sem dúvida, é a matéria que deseja essas grandezas para gozá-las; como
Espírito, deseja-as para conhecer-lhes as vicissitudes.
COMENTÁRIOS:
As leis espirituais são elásticas,para atender a todos,no nível de cada escala
do progresso espiritual.
O Espírito pode escolheras suas provas mesmo antes de desencarnar, em se
pensando em futura reencarnação. Ele formula ideias que podem ser
aproveitadas, no que se refere às suas necessidades espirituais, mas, ele
pode, igualmente, mudar de ideia ao chegar ao mundo dos Espíritos.
63
As escolhas antecipadas geralmente sofrem retificações para melhor
aprimoramento da alma em questão.
Quando o Espírito deseja escolher as riquezas, os poderes, e isso lhe é
concedido, e ele as usa somente para sua satisfação interior e individual,
notar-se-á a sua inferioridade, e quando as usa para o benefício da
coletividade, esse pode se chamar de benfeitor da humanidade. Por isso é
importante que aqueles que muito possui usem a riqueza para o bem-estarde
todos, com empregos decentes, em aprimoramentos corretos, socorrendo os
doentes na invalidez, as crianças, e ajudando ao próprio governo na melhoria
da qualidade de vida da sociedade.
268 – Até alcançar o estado de pureza perfeita, o Espírito tem,
constantemente, provas a suportar?
Sim, mas elas não são como as entendeis, pois chamais de provas as
tribulações materiais. Ora, o Espírito, alcançando um certo grau, sem ser
perfeito, não tem mais provas a suportar, porém, tem sempre deveres que o
ajudam a se aperfeiçoar, e que não lhe são penosos, não fosse senão o de
ajudar os outros a se aperfeiçoarem.
COMENTÁRIOS:
Todos nós nos movimentamos para o crescimento.
O Espírito que evolui não vai ficar em uma nuvem tocando harpa para Deus.
A evolução proporciona ao Espírito melhores condições de trabalho em favor
de comunidades inteiras.O Espírito estásempreem trabalho porsua evolução
e pelo auxílio aos demais irmãos da criação.
As dificuldades não são de acordo com o que nós conhecemos aqui.
Nós estamos em um planeta de provas e expiação, porque essa é a nossa
necessidade momentânea de aprendizado. Passamos por provas muito
penosas.
Aqueles que já venceram essas dificuldades, já deram um passo na sua
jornada evolutiva não vão passar mais necessidadesde ordem material,como
a infinidade de dificuldades que vivenciamos e que vemos ao nosso redor,
principalmente, as limitações que a matéria nos coloca para aprimoramento
das nossas necessidades no estágio em que nos encontramos.
Espírito mais evoluídos que habitam outras moradas na Casa do Pai, as
circunstâncias são outras. Continua o aprendizado, o trabalho, mas as provas
são diferentes. A matéria é mais sutil, mais leve, menos enfermidades.
64
O trabalho depois que o Espírito vence a matéria mais grosseira vai se
resumindo na busca do aprendizado para o efetivo auxílio dos irmãos que lhe
vem na retaguarda. Porém o trabalho continua promovendo aevolução do Ser
pelo aprendizado que proporciona em cada momento da vida.
É trabalhando que vamos conquistar a evolução em todos os patamares da
existência.
269 – O Espírito pode enganar-se quanto à eficiência da prova que
escolheu?
Pode escolherumaque esteja acima de suas forças e, então, sucumbe;pode,
também,escolheruma que não lhe dê proveito algum, como ocorre se prefere
um gênero de vida ociosa e inútil. Nesse caso, uma vez de volta ao mundo
dos Espíritos, ele percebe que nada ganhou e pede outra existência para
reparar o tempo perdido.
COMENTÁRIOS:
Estamos sempre no exercício do nosso livre-arbítrio.Dessaforma,ao elaborar
o projeto para a nova reencarnação, analisamos a nossa situação no mundo
espiritual, com o auxílio dos nossos mentores.Ninguém faz escolhas de forma
arbitrária, aleatória.
Analisamos principalmente, dois aspectos:
- As nossas necessidades – os débitos a resgatar, as lições que haveremos
de aprender;
- As nossas possibilidades – quem irá nos receber no seio familiar, quem
poderá nos auxiliar durante a existência ou quem poderemos auxiliar.
Recebemos orientação dos mentores, mas a escolha é nossa.
Poderemos escolherprovas e dificuldades além das nossas capacidades,das
nossas forças e, quando chegar aqui a gente não as suportar.
Poderemos escolher provas pequenas diante das nossas possibilidades.
Poderíamos avançar mais. Mas conforme o livre-arbítrio e o medo acabamos
escolhendo provas que não vão nos oportunizar grandes passos evolutivos.
O ideal é escolher as provas o maior possível que a gente possa suportar e
menor possível diante das nossas necessidades. A medida certa.
O Espírito pode perfeitamente se enganar na escolha da prova que queira
experimentar na Terra. A sua percepção, não atingindo a realidade, leva-o a
pensar que está sendo inteligente escolhendo provas de ociosidade, tendo,
como no dizer popular, só "sombra e água fresca". Quando volta ao mundo
65
espiritual ele se arrepende,e desejaretornar com volume maior de obrigações
e com provas duras, para compensar o tempo perdido, na ilusão que lhe
enganava.
Ele pode,também, pedir provas além das suas forças e sucumbir no meio do
caminho. Os extremos são perigosos,mesmoquando objetivamos o bem.Até
o próprio engano é lição, porque as consequências favorecerão ao Espírito a
oportunidade de procurar os caminhos mais acertados.
270 – A que se devem as vocações de algumas pessoas e sua vontade
de seguir uma carreira de preferência a outra?
Parece-me que vós mesmos podeis responder a esta questão. Não é a
consequência de tudo o que dissemos sobre a escolha das provas e sobre o
progresso realizado numa existência anterior?
COMENTÁRIOS:
A escolha da carreira profissional faz parte das escolhas realizadas no
planejamento de reencarnação, conforme as possibilidades que a vida trará.
Dessa forma, a vocação de certas pessoas para tal ou qual profissão está
ligada à escolha que fez quando Espírito livre da matéria. Parece, para os
ignorantes, que a criatura escolheu, naquele momento, o que deveria seguir,
mas a escolha já se encontrava feita nos guardados da consciência.
Se temos maior habilidade em determinada área não podemos esquecer do
Evangelho de Jesus que nos alerta que mais será cobrado aquele que mais
foi dado. É conquista nossa. Ex: nível fundamental e nível universitário.
271 – No estado errante,o Espírito,estudandoas diversascondiçõesnas
quais poderá progredir, como pensa realizar seu progresso nascendo,
por exemplo, entre canibais?
Não são os Espíritos já avançados que nascem entre os canibais, mas
Espíritos da natureza dos próprios canibais ou que lhes são inferiores.
Allan Kardec:
Sabemos que os nossos antropófagos não estão no último grau da
escala evolutiva e que existem mundos onde o embrutecimento e a
ferocidade não têm analogia sobre a Terra.EssesEspíritos,portanto,são
inferiores aos mais inferiores do nosso mundo e encarnar entre os
53
66
nossos selvagens é para eles um progresso,da mesma forma que seria
um progresso para os nossos antropófagos exercer entre nós uma
profissão que não os obrigasse a derramar sangue3
. Se não veem mais
alto é porque a inferioridade moral não lhes permite a compreensão de
um progresso mais completo. O Espírito não pode avançar senão
gradualmente; não pode transpor,de um salto, a distância que separa a
barbárie da civilização,e é nesse fato que vemos uma das necessidades
da reencarnação para que corresponda verdadeiramente à justiça de
Deus. De outra forma, em que se tornariam esses milhões de seres que
morrem cada dia no último estado de degradação, se não tivessem os
meios de alcançar a superioridade? Por que Deus os deserdaria dos
favores concedidos aos outros homens?
COMENTÁRIOS:
Todo renascimento na carne procede da programação espiritual.
Todos que chegam na matéria, chegam exatamente na condição do seu
estágio evolutivo.
Só renasce entre os canibais ou entre povos primitivos Espíritos que se
encontram em condições semelhantes de aprendizado pois podem encontrar
ali ambiente propício ao seu crescimento moral e espiritual.
Entre os canibais não nascem Espíritos elevados, cuja superioridade
ultrapassa o entendimento daquele grupo.
É justo que no meio dos canibais nasça Espírito que tenha mais um pouco de
entendimento que eles, para guiá-los, como igualmente reencarnam almas
ainda mais inferiores, para aprenderem o que esses já granjearam na vida.
Disso temos provas na própria sociedade da qual fazemos parte, onde há
Espíritos de todos os naipes, uns elevados, outros medianos e outros de
condições inferiores.
A justiça divina age conforme as nossas necessidades.
Os irmãos oriundos de Capela, um planeta muito mais evoluído que que o
nosso. A Terra condição ainda de planeta primitivo, quando habitávamos as
cavernas, um grande grupo de Espíritos de lá exilados veio para reencarnar
no nosso planeta. Eram evoluídos na questão intelectual, mas não na questão
moral. Então vieram para cá com três objetivos:
- Saindo um grupo grande de Espíritos que tinham compromisso com o mal,
não tinham compromisso com a ética, com a moral, proporcionaram um
ambiente melhor para aqueles que lá ficaram sem essa influência negativa;
3 - No originalque usamos, lê-se: “... d’exercer parminous une profession quiles obligerait à verser le sang.” Ora, “uma
profissão que os obrigasse a derramar sangue” não corresponde ao ensinamento que Kardec pretendeu ministrar, posto que não
representaria um progresso. Deve ter havido uma mutilação do texto original que nos permitimos reparar para completar o
raciocínio. (N. do T.).
67
- Auxiliar a humanidade terrestre – Proporcionar um avanço rápido nas linhas
do aprendizado, coisas rudes, simples, como domesticar animais, cultivar a
terra, confeccionar ferramentas das tarefas diárias, etc;
- Melhoria da sua jornada evolutiva.
- Eustáquio (Tatuí-Piaba)
272 – Os Espíritos que procedem de um mundo inferior à Terra,ou de um
povo muito atrasado, como os canibais, por exemplo, poderiam nascer
entre os povos civilizados?
Sim,há os que se desencaminham querendo subirmuito mais alto; mas,nesse
caso,eles ficam desajustados,entre vós,porque têm costumes e instintos que
não se afinam com os vossos.
Allan Kardec:
Esses seres nos dão o triste espetáculo da ferocidade dentro da
civilização. O retorno para junto dos canibais não será para eles uma
queda, pois não farão mais que retomar o seu lugar, talvez com maior
proveito.
COMENTÁRIOS:
Há Espíritos com muita pressa de se adiantar na evolução pode programar
uma tarefa muito árdua julgando capazes de superá-la. Mas aqui às vezes não
suporta, tem as resistências e acaba caindo, retraindo, conflitando com as
atuais situações e ainda, às vezes, adquire mais débitos e não aprende nada
por estar em um meio impróprio às suas necessidades de aprendizado do
momento.
É respeitado o livre-arbítrio da escolha.
Também se aprende com o erro. Desde que seja humilde, busque a reflexão.
Retorna no ponto de partida e de lá segue-se em frente.
Nosso Pai é um pai de amor e nos concede todas as oportunidades para nos
aperfeiçoarmos.
Em qualquer comunidade, encontramos indivíduos de diversas origens. Na
Terra, também, há Espíritos que não são seus habitantes desde o início.
Eles vêm de muitos mundos, inferiores e superiores, uns aprendendo, outros
ensinando. Desse modo, fortalecem-se os laços da fraternidade, que darão
nascimento ao amor, por serem todos filhos de Deus.
68
273 – Um homem pertencente a uma raça civilizada, por expiação,
poderia encarnar numa raça selvagem?
Sim, mas isso depende do gênero da expiação; um senhor que foi duro para
os seus escravos poderávir a ser escravo,a seu turno, e sofreros maus tratos
que fez suportar. Aquele que um dia comandou pode, numa nova existência,
obedecer àqueles mesmos que se curvaram à sua vontade. É uma expiação
se ele abusou de seu podere Deus a pode impor-lhe. Um bom Espírito pode,
também, para ajudar-lhe o progresso,escolheruma existência influente entre
esses povos, e então é uma missão4
.
COMENTÁRIOS:
A vida e toda a criação divina segue apenas para frente.
O Espírito pode até ficar estacionado, mas não retrograda. Então quando
reencarna em uma sociedadeprimitiva (selvagem) não significa regressão da
condição espiritual, mas para aprenderdiante das suas necessidadesoupara
auxiliar no avanço daquela comunidade.
Podemos ver entre nós, quantos Espíritos superiores reencarnam entre nós
de forma anônima, vivendo na simplicidade cumprindo sua missão para
impulsionar o nosso progresso.
Um Espírito de mediana evolução pode renascer em uma tribo de selvagens,
mas, tomando o lugar de destaque naquele ambiente, no sentido de levar os
Espíritos ali reencarnados a melhores dias e a uma vivência mais agradável.
Ele regride na forma,mas não no Espírito;o que aprendeuele carregaconsigo
vibrando na alma.
Ex: Nestório – 50 anos depois
4 - Vide Nota Explicativa da Editora no final do livro
69
6.6 – RELAÇÕES DE ALÉM-TÚMULO
274 – As diferentes ordens de Espíritos estabelecem entre elas mesmas
uma hierarquia de poder? Há entre elas subordinação e autoridade?
Sim e muito grande; os Espíritos têm uns sobre os outros uma autoridade
relacionada com a sua superioridade, que exercem por uma ascendência
moral irresistível.
274.a) Os Espíritos inferiores podem se subtrair à autoridade dos que
lhes são superiores?
Eu disse: irresistível.
COMENTÁRIOS:
No mundo espiritual a autoridade se estabelece pela elevação moral dos
Espíritos.
Os Espíritos mais evoluídos exercem autoridade moral sobre aqueles menos
evoluídos.
É uma autoridade irresistível. Somente isso basta para compreendermos as
leis espirituais que comandam uma vida de exemplos enobrecidos.
Os Espíritos inferiores se submetem a essa autoridade sem condições de
escapar. Isso é necessário para que o bem se prevaleça contra o mal.
Toda a criação caminha para o progresso.
Mesmo encarnado entre nós, Jesus impunha a sua autoridade moral sobre
aqueles que com ele conviviam. Autoridades da época tremiam diante de
Jesus.
Ex: A mulher adúltera. (João 8:1-11)
O que impediu a reação daqueles homens diante da assertiva do Mestre foia
sua elevação moral que é irresistível. Eles não tinham como resistir a
autoridade moral de Jesus.
275 – O poder e a consideração que um homem desfrutou sobre a Terra
dão-lhe supremacia no mundo dos Espíritos?
Não, porque os pequenos serão elevados e os grandes rebaixados. Lê os
salmos.
70
275.a) Como devemos entender essa elevação e esse rebaixamento?
Não sabes que os Espíritos pertencem a diferentes ordens segundo seus
méritos? Pois bem! O maior da Terra pode estar na última categoria entre os
Espíritos,ao passo que o seu servidorestará na primeira. Compreendesisto?
Não disse Jesus:aquele que se humilhar será elevado,e quem se elevar será
humilhado?
COMENTÁRIOS:
O mundo espiritual é a nossarealidade e lá a autoridade do Espírito ocorrepor
sua elevação moral.
A condição social que temos aqui enquanto encarnados é a condição
necessária para o nosso aprendizado.
Dessa forma é natural um Espírito bem evoluído estar numa condição bem
simples, bem humilde.
Pode ser que Espíritos que estão na retaguarda, buscando o seu
melhoramento, renasça em um meio em condições materiais melhores ou em
condições que exerça autoridade, mas para o seu crescimento, para a sua
evolução.
A condição social, a condição de autoridade que exercemosaqui na Terra ou
a condição humilde não tem nenhuma relação com a evolução do Espírito ali
reencarnado naquele corpo.
Onde estiver o teu tesouro, ali está o seu coração.
Quando estamos aqui na Terra reencarnados é natural que a gente valorize a
matéria, as riquezas, o poder,cargos,fama. A sociedade emprestaautoridade
a essas pessoas que tem esses valores, como as pessoas ricas.
Quando nós desencarnamos nós só levamos aquilo que aprendemos e os
débitos que contraímos. Esse é o patrimônio espiritual que levamos. O
restante deixamos tudo aqui.
O patrimônio do Espírito é o que vai nos promovendo, reencarnação após
reencarnação para que possamos através dessas experiências obtera nossa
evolução.
Também pode ocorrerque senhores naTerra podem sersenhoresno Espaço,
visto que o comando é moral. Depois do túmulo permanecem dirigindo osseus
comandados por amor à causa do bem. Depende da elevação moral da
criatura.
Os grandes líderes têm mais facilidade de errar devido a sua posição, no
entanto, atendendo e ouvindo a voz do Senhor poderão se elevar muito
através das oportunidades de servir.
Ex: D.Pedro II e Joana D’arc.
71
276 – Aquele que foi grandena Terrae se encontra inferiorizado entreos
Espíritos, experimenta com isso humilhação?
Frequentemente muito grande, sobretudo se era orgulhoso e invejoso.
COMENTÁRIOS:
Todos nós somos iguais perante Deus. Fomos criados simples e ignorantes.
Cada um vai fazendo suas próprias escolhas no decorrerde suas caminhadas.
Por isso há diferenças na condição evolutiva de cada um.
Aqueles que são grandes na Terra: poderes,posses,propriedades,riquezas.
Estão nessa condição social como instrumento da Lei Divina que lhes é
concedido nesse momento da sua vida espiritual para que possa aprender,
crescer. São empréstimos para atender determinada aprendizagem.
Tudo o que nós temos,sejaa riqueza ou a pobreza,o poderousubalternidade,
são momentaneamente instrumentos de aprendizagem.
Aqueles que se sentem grandes diante dos bens que possui ou dos cargos
que ocupa na sociedade acabam se sentindo humilhados ao desencarnar,
pois quando veem que do lado de lá não pode levar nada disso.
Os Espíritos mais evoluídos não farão nada para humilhar ninguém, mas
justamente a inveja é que faz a pessoase sentir humilhado. O orgulho ferido.
Se sente menor que o outro, pois o que lhe proporcionavagrandeza era a sua
condição social enquanto encarnado (os bens materiais ou o poder).
Nós podemos gozar dos bens (adquiridos pelo nosso próprio trabalho ou por
herança), podemos usufruir dos recursos materiais à nossa disposição,
adquiridos com honestidade.Mas não podemosterneles a condição danossa
felicidade, da nossa segurança, ou seja, se apegar.
O Espírito, quandoencarnadono planofísico,que ainda ostentaegoísmo,vaidade emdemasia,e violência,
que esquece a transitoriedade doseumandato,que usa seuspoderestemporaisparaperseguire fomentar
distúrbios na sociedade, somente visando ao seu bem-estar pessoal, logo que passa para o mundo da
verdade, entra em depressão moral, e passa a sofrer as consequências dos seus atos.
Ser grande no mundoé muitoperigosoparaquemnão entende a oportunidade de servir,de reajustarseus
próprios desequilíbrios do Passado. Ser pequeno, e também orgulhoso, é bem pior, por não haver motivo
para o orgulho.
277 – O soldado que depois da batalha reencontra seu generalno mundo
dos Espíritos, reconhece-o ainda por seu superior?
O título não é nada, a superioridade real é tudo.
72
COMENTÁRIOS:
O patrimônio do Espírito se resume naquilo que ele pode aprender.E também
os débitos.
O soldado,se for um Espírito de valores morais, continuará tendo respeito por
aquele que foi o seu superior. Mas o vínculo que unirá o soldado e o general
serão os laços de afeto que se estabeleceuentre eles, não mais o da farda e
das armas.
O cargo nada vale no mundo Espiritual.
Os laços que unem os Espíritos são o do afeto, do amor. Se na relação não
há amor, após o desencarne cada um segue o seu caminho.
O orgulhode vestirumaroupadiferentee terestagiadoemescolasmelhoresnãonoslevaanada,quandoo
coração esquece a caridade e o amor. Todos somos iguais aos olhos do nosso Pai.
278 – Os Espíritos das diferentes ordens estão misturados?
Sim e não; quer dizer, eles se veem, mas se distinguem uns dos outros. Eles
se evitam ou se aproximam segundo a analogia ou a antipatia de seus
sentimentos,como acontece entre vós. É todo um mundo do qual o vosso é o
reflexo obscuro.Os Espíritosdamesmacategoriareúnem-se porumaespécie
de afinidade e formam grupos ou famílias de Espíritos unidos pela simpatia e
pelo objetivo que se propuseram:os bons pelo desejo de fazero bem,os maus
pelo desejo de fazer o mal, pela vergonha de suas faltas e pela necessidade
de se encontrarem entre os que se lhe assemelham.
Allan Kardec:
Tal uma grande cidade onde os homens de todas as categorias e de
todas as condições se veem e se encontram sem se confundirem; onde
as sociedades se formam pela analogia de gostos; onde o vício e a
virtude convivem sem se falarem.
COMENTÁRIOS:
Os Espíritos de diferentes ordens se misturam uns com os outros, quando é
necessário.Eles cumprem a vontade de Deus,porém, têm a sua vida interna,
que não se mistura. O inferior não pode subir aos planos elevados,entretanto,
os elevados podem descer aos planos inferiores para ajudar, enriquecendo
ainda mais suas experiências.
73
Nós sabemos que há as colônias espirituais, como a Colônia Espiritual Nosso
Lar, nas quais há uma reunião de Espíritos que vibram na mesma sintonia,
que mentem interesses semelhantes.
Os afins se atraem.
Isso ocorre nanossasociedade. Ex:Aqueles que gostam de futebolse reúnem
para assistir, para jogar. Aqueles que gostam de cinema, se reúnem no
cinema. E assim, várias outras atividades, de trabalho, de estudo,de religião.
Acabam se unindo em razão dos interesses semelhantes.
Os Espíritos inferiores são restritos ao nível da sua evolução moral.
Os Espíritos Superiores têm acesso a qualquer lugar, mesmo nos planos
inferiores para levar auxílio, para levar o exemplo, para acolher. Mas em seu
ambiente não encontra os Espíritos inferiores, pois já adquiriu dada a sua
evolução moral conquistadao direito de estar em um ambiente onde prevalece
a harmonia, o amor.
279 – Todos os Espíritos têm, reciprocamente, acesso uns entre os
outros?
Os bons vão por toda a parte, e é preciso que seja assim para que possam
exercer sua influência sobre os maus. Mas as regiões habitadas pelos bons
estão interditadas aos Espíritos imperfeitos, a fim de que estes não as
perturbem com suas más paixões.
COMENTÁRIOS:
Nem todos os Espíritos têm a liberdade de penetrarem nas sociedades
formadas pelos seus irmãos. Os bons podem visitar e demorar nessas
comunidades o tempo que lhes aprouver; essa liberdade é oportunidade de
aprendizado, bem como de ensinar aos que ali se encontram. Os Espíritos
Superiores, quando necessário, ficam invisíveis para visitar os planos
inferiores, porque ali se encontram em serviço com Jesus.
Os inferiores,porém,não podem adentrar nas estâncias de luz, pornão terem
condições espirituais para tal. Além disso, eles nem enxergam esses planos,
por lhes faltar desenvolvimento dos dons espirituais,que estão atrofiados pela
constância da prática do mal.
Nas colônias espirituais se reúnem Espíritos de padrões vibratórios
semelhantes, com interesses semelhantes.
A Colônia Espiritual Nosso Lar, por exemplo, não é uma colônia de Espíritos
puros, mas de Espíritos que já se esforçam para o bem, na busca de evoluir
vivenciando o que Jesus nos ensinou.
74
Os trabalhadores da Colônia Nosso Lar estão sempre em trabalho nas regiões
com mais sofrimento,onde estão aqueles Espíritos que ainda não conseguem
ter acesso lá. Eles vão até essas regiões para levar alívio, para auxiliar, para
resgatar aqueles que querem resgatar a sua elevação moral.
Esses Espíritos inferiores não têm acesso às Colônias tipo Nosso Lar. Eles
são cuidados lá onde se encontram, mas basta que eles modifiquem o seu
padrão vibratório, basta que queiram com sinceridade buscar um caminho
melhor conforme os ensinamentos de Jesus que imediatamente são
socorridos. Ex: André Luiz.
280 – Qual a naturezadas relações entre os bons e os maus Espíritos?
Os bons empenham-se no combate das más inclinações dos outros, a fim de
ajudá-los a subir; é uma missão.
COMENTÁRIOS:
Nas relações entre bons e maus Espíritos, os bons cuidam de ensinar aos
maus a prática das virtudes, e esse ensino se processa de várias maneiras,
desde a palavra à vivência. Os fatos que a vida pode contar são numerosos.
Jesus é o nosso exemplo. Trabalhou entre os pobres, pessoas de má fama,
entre aqueles que eram rejeitados pela sociedade. As pessoas até
recriminavam Jesus por estar entre prostitutas, cobradores de impostos.Mas
nos mostra que Ele para servir. Ele é o nosso modelo.
Aqueles que já conseguem seguir Jesus ocupam o tempo dando assistência
e aliviando os sofrimentos. Vem trazer o auxílio, a paz, a compreensão para
que possamos sofrer menos diante das situações.
Aqueles que ainda permanecem no mal não podem ver os bons que estão ao
seu redor.
281 – Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos levarao mal?
Por inveja de não terem merecido estar entre os bons. Seu desejo impedir,o
quanto possam, os Espíritos inexperientes de alcançarem o bem supremo;
querem que os outros experimentem aquilo que eles mesmos experimentam.
Não vedes o mesmo entre vós?
COMENTÁRIOS:
A gente fala muito em obsessão.
75
O obsessor normalmente é aquele Espírito (desencarnado) que por vários
motivos tenta influenciar nossas vidas.
Toda obsessão tem origem nas más inclinações: orgulho, vaidade, avareza,
inveja, egoísmo, ódio...
Os Espíritos maus (imperfeitos) sempre induzem os outros à maldade, por
desconhecerem o valor do bem.
Não deixar que o outro desfrute do bem que ele não conseguiupara simesmo.
Normalmente, esses Espíritos se aproximam dos encarnados por vingança ou
por afinidade. Busca de alguma forma controlar as ações do ser encarnado
para que esteja de acordo com os seus interesses.
A ausência do corpo físico não muda os nossos sentimentos. Quando
desencarnamos continuamos a ser nós mesmos.
Esses irmãos são seres que ainda não conseguiram vencer as más
inclinações.
Todos nós estamos a caminho da evolução. Por isso esses irmãozinhos que
nos obsidiam também serão despertados para a luz do perdão e do amor.
282 – Como os Espíritos se comunicam entre si?
Eles se veem e se compreendem,a palavra é material: é o reflexo do Espírito.
O fluido universal estabelece entre eles uma comunicação constante; é o
veículo da transmissão do pensamento, como para vós o ar é o veículo do
som; uma espécie de telégrafo universal, que liga todos os mundos e permite
aos Espíritos corresponderem-se de um mundo ao outro.
COMENTÁRIOS:
A palavra é material dependendo dos órgãos físicos do corpo para se
expressar no mundo, e os canais da fala ainda são limitados para maior
clareza do Espírito.
Os Espíritos não usam a palavra articulada. Eles conversam através do
pensamento que é a sua ferramenta também de comunicação.
Entre os Espíritos a comunicação é das mais perfeitas. Eles utilizam o fluido
universal como veículo,o pensamento,depoisavontade, e a transmissão está
feita.
Essacomunicação ocorre através de ondas magnéticas, as quais são matéria
que transmite o nosso pensamento, os nossos sentimentos, as nossas
emoções de forma muito rápida. A velocidade do pensamento é bem superior
à velocidade da luz. Independe das distâncias.
76
O Espírito evoluído comunicacom o outro somente pelaforçado pensamento.
Ex: telepatia (fenômeno raro entre os encarnados) - Wifi
O mesmo ocorre com a mediunidade. O médium sintonizado com os seus
mentores espirituais recebe deles as orientações através da força das ideias.
O médium interpreta conforme o seu conhecimento, a sua cultura.
283 – Podem os Espíritos, reciprocamente, dissimularem seus
pensamentos? Podem se ocultar uns dos outros?
Não, para eles tudo está a descoberto, sobretudo aos que são perfeitos.
Podem se distanciar, mas se veem sempre. Isto, entretanto, não uma regra
absoluta, pois certos Espíritos podem muito bem tornar-se invisíveis para
outros Espíritos, se julgam útil fazê-lo.
COMENTÁRIOS:
Os Espíritos da mesma faixa não podem ocultar seus pensamentos dos seus
iguais, nem de Espíritos Superiores.Entretanto,para os de faixas mais baixas,
eles podem perfeitamente ocultar seus pensamentos, bem como ficarem
invisíveis a eles, se desejarem.
No mundo espiritual somos verdadeiros, não há máscaras. Não tem como
esconderum sentimento negativo, um pensamento menos digno, um desejo.
A vivência se dá entre os Espíritos que estão no mesmo padrão vibratório de
acordo com a sua evolução.
O pensamento é o veículo de comunicação. É a ferramenta de trabalho do
Espírito.
Os Espíritos que estão conosco,sejam os nossos mentores Espirituais ou os
nossos obsessores, têm consciência plena dos nossos desejos, dos nossos
sentimentos, dos nossos pensamentos. Essa é a nossa fala com eles.
Por isso temos que cuidar dos nossos sentimentos,dos nossos pensamentos.
Temos que procurar nos educar dia após dia para avançar na jornada
evolutiva. Orai e vigiai.
Questões 456 à 459.
284 – Como os Espíritos que não têm mais corpo, podem constatar sua
individualidade e se distinguir dos outros seres espirituais que os
cercam?
Constatam sua individualidade pelo perispírito,que faz os seres distintos uns
dos outros, como o corpo entre os homens.
COMENTÁRIOS:
77
Os Espíritos comprovam sua individualidade pelo seu corpo espiritual, ou
perispírito.
O Espírito se distingue das outras vidas que pululam no espaço pelo
perispírito, mostrando a sua forma. Não é o corpo que dá a forma ao corpo
espiritual, e sim o perispírito que plasma na carne a forma humana.
O períspirito é que dá a fôrmaao corpo físico,ou seja, o corpo físico é a cópia
do períspirito.
Períspirito é um corpo de matéria quintensenciada que une o Espírito que é
imaterial com o corpo físico para que ele possa célula à célula ter domínio
sobre as ações do corpo físico.
Quando o serdesencarna,ele continua se manifestando através do períspirito.
O médium vidente ao ver o Espírito, ele está vendo o corpo perispiritual
daquele Espírito que se manifestou para ele.
A individualidade do Espírito, na realidade, está nas conquistas alcançadas,
não na aparência. Ela estános nossos sentimentos,nos nossos pensamentos,
nos conhecimentos intelectuais e na elevação moral que conquistamos.
285 – Os Espíritos se conhecem por terem coabitado a Terra? O filho
reconhece o pai, o amigo, seu amigo?
Sim, e assim de geração a geração.
285. a) Como os homens que se conheceram sobre a Terra se
reconhecem no mundo dos Espíritos?
Vemos nossa vida passada e a lemos como num livro; vendo o passado de
nossos amigos e de nossos inimigos, vemos sua passagem da vida para a
morte.
COMENTÁRIOS:
Para o Espírito a morte do corpo físico é apenas um momento biológico. Ele
desencarna e é como se apenas mudasse para o lado de lá. Não havendo
muita diferençacom relação a vida individual, porque se manifesta através do
períspirito, corpo idêntico ao deixado por aqui.
Vai deixar aqui suas relações e reiniciar relações que tinha deixado para trás
lá quando reencarnou, daí vem os sentimentos,a saudade. O desencarne não
altera a essência em nossos sentimentos.
78
As relações humanas são perenes. Não se interrompem com o desencarne.
Os que aqui permanecem sentem saudades. Mas os que se vão também
sentem saudades daqueles que aqui deixou e que ama.
Mas sabemos que o afastamento é temporário.Sempre nos reencontraremos,
do lado de lá ou do lado de cá. São momentos necessários ao nosso
crescimento.
Quanto mais puro o Espírito, mais recordações lúcidas ele tem, com a
serenidade que já possui. Ele reconhece todas as suas companhias e, nesta
operação, pode buscá-las onde quer que seja, ajudando-as, se necessário.
Não se deve amar somente a família na carne. Se o homem já entende as
vidas sucessivas, percebe quantas famílias já possuiu. Certamente que
inúmeras. Quantos pais? Quantos irmãos? E parentes e amigos? O número é
sem conta, para mostrar ao homem a irmandade universal.
286 – A alma, deixando seus despojos mortais, vê imediatamente seus
parentes e seus amigos que a precederam no mundo dos Espíritos?
Imediatamente não é sempre a palavra; pois como vos dissemos,ela precisa
de algum tempo para se reconhecer e sacudir o véu material.
COMENTÁRIOS:
Quase todos os Espíritos que passam para o lado de cá perdem os sentidos
no momento do desprendimento do fardo. Há Espíritos que imediatamente
ficam conscientesdo seu estado espiritual, abraçando aos que o cercam com
emoções que lhes restauram o equilíbrio.Muito poucos no mundo não perdem
a consciência no momento da chamada morte. Outros, não obstante, voltam
da carne sem perceber o transe em que se encontram. A variação nesse
sentido é de zero ao infinito.
A natureza não dá saltos.
O mundo espiritual é outra realidade da nossa vida. Vamos sair daqui dessa
realidade e vamos adentrar um outro mundo, emboraseja o nosso verdadeiro
lar, mas que em um primeiro momento será para nós uma situação
desconhecidae não podemos deixaro apego às pessoas e aos bens que aqui
deixamos.
A mente tem a tendência muito forte de se prendermuito aquilo que deixamos
e isso dificulta uma adaptação mais rápida no mundo espiritual.
Esse momento de readaptação é o período em que vamos deixar as coisas
para trás, desapegar daquilo que deixamos e começar a compreender esse
novo estágio da vida.
79
Quando estivermos equilibradospoderemosreencontraras pessoas queridas.
Depois de readaptados vamos nos inserindo nas atividades do mundo
espiritual, pois há muito trabalho e estudos a serem realizados.
Ex: Nosso Lar – André Luiz
287 – Como é acolhida a alma em seu regressoao mundo dos Espíritos?
A do justo como um irmão bem-amado esperado há longo tempo; a do
perverso como um ser que se enganou.
COMENTÁRIOS:
A chegada das almas ao mundo espiritual é sempre diferente, cada uma
levando o que tem para apresentar ao mundo da realidade.
Certamente que a chegada de um justo é toda envolvida pela alegria. Aqueles
que vêm ao seu encontro, após a quebra de seus laços com a carne, lhe
oferecem flores de luz, e o ambiente é de verdadeira paz, de harmonia que
alimenta, fazendo brilhar em todos os corações a esperança.
Já o Espírito inferior que deixou em seu rastro na Terra somente confusão,
que aproveitou os dons espirituais para distorção das leis, que esqueceu o
tempo, matando-o com a inércia, que usou os pensamentos somente para
destruir lares e complicar a sociedade, que alimentou por toda a sua vida as
paixões inferiores, é recebido pelos seus iguais, onde a tristeza e a
negatividade tornam o ambiente irrespirável e o magnetismo é toldado pela
ignorância que domina. A negligência fê-lo esquecer o amor e, não
acreditando na caridade, desencarna sem rumo. Ele não sabe para onde vai
e, por vezes, nem onde se encontra.
As variações das chegadas são inúmeras; tudo é de acordo com a evolução
de quem se desprende da matéria.
É a lei de causa e efeito.
Todas as nossas ações (o que fazemos de bem ou de mal) são considerados
do lado de lá. Vamos encontrar os nossos afetos e os nossos desafetos.
Se queremos chegarbem ao mundo da verdade, observemos o Evangelho do
Senhor. Procuremosdar as mãos e persuadir aos que nos acompanham pela
palavra e pelo exemplo, divulgando os Seus preceitos, que estaremos
ajudando no preparo para a chegada desses irmãos, no amanhã, ao mundo
espiritual, onde chegarão com os olhos abertos para a luz do entendimento.
80
288 – Que sentimentosexperimenta um Espírito impuro à chegada deum
outro mau Espírito?
Os perversos ficam satisfeitos de veros seres àsua imagem e privados,como
eles, da felicidade infinita, qual sobre a Terra, um velhaco entre seus iguais.
COMENTÁRIOS:
Semelhantes atrai semelhantes.
Ex: Aqui entre nós, as convicções artísticas, esportivas, políticas, religiosas,
etc.
Da mesma forma que aqui, também do lado de lá.
Os Espíritos comprometidos com o mal, com o ódio, se felicitam com a
chegada dos seus iguais.
É comum que um Espírito mau, quando chega ao mundo espiritual, desperte
alegria entre seus iguais, no conjunto que o espera. Há no meio deles certa
amizade, porém, a qualquer coisa que não os agrade levam um companheiro
à tortura, sem piedade.
Eles desconhecem o perdão e o amor, e é por isso que se encontram em
estado de inferioridade.
Mesmo assim receberão a assistência dos seareiros do Mestre, porque
ninguém fica desamparado na Casa do Pai.
Nosso Pai aguarda pacientemente que nós nos caminhemos para o
cumprimento da sua Lei, sempre nos amparando, ainda que nossas escolhas
sejam equivocadas, ainda que disseminemos o ódio, ainda que não
aprendemos amar e nem queiramos aprender a amar, Ele está ali para nos
sustentar, aguardando que um dia a gente reflita e busque construir uma nova
história, um novo caminho.
289 – Nossos parentes e nossos amigos vêm algumas vezes ao nosso
reencontro, quando deixamos a Terra?
Sim, vêm ao encontro da alma que estimam; felicitam-na como ao retorno de
uma viagem, se ela escapou aos perigos do caminho, e a ajudam a livrar-se
dos laços corporais. É um privilégio para os bons Espíritos quando aqueles
que estimam vêm ao seu encontro, ao passo que aquele que está manchado
fica no isolamento, ou a rodeá-lo tem apenas os que lhe são semelhantes: é
uma punição.
COMENTÁRIOS:
81
Todos nós somos ligados uns aos outros pelos elos do amor.
Aqueles que vão ao nosso encontro logo que desencarnamos são aqueles a
que nós cativamos os corações pelaconduta, pela convivência, pelo bem que
fizemos, pelo elo de amor que nos uniu para sempre.
Certamente são membros da nossa família espiritual que conviveu conosco
não só nessa reencarnação, mas em outras anteriores. Nossos amigos
íntimos que estão conosco na luta e nos trará muita felicidade ao reencontrar,
ao lembrar deles.
Mas também poderá vir aqueles que nós prejudicamos que também fazem
parte da nossa família espiritual. Aqueles que nós ferimos. São nossos
cobradores que vem buscar o seu ajuste de contas.
Como vimos na questão 286,após desencarnar passamos porum períodode
entorpecimento (perturbação). Então não é de imediato que teremos
consciência desses reencontros.
Por isso, é importante a gente estar pedindo perdão, estar perdoando para ir
resgatando nossos débitos de acordo com o que temos condições de fazer.
290 – Os parentes e os amigos reúnem-se sempre depois da morte?
Isso depende dasua elevação e do caminho que seguem para seu progresso.
Se um deles está mais avançado e caminha mais depressa que outro, não
poderão ficar juntos: poderão ver-se algumas vezes, mas não estarão
reunidos para sempre,senão quando puderem marcharlado a lado ou quando
tiverem alcançado a igualdade na perfeição. Assim, a privação de ver seus
parentes e seus amigos é, algumas vezes, uma punição.
COMENTÁRIOS:
Os Espíritos somente se reúnem por consonância de sentimentos. Para os
parentes desencarnados ficarem juntos, necessário se faz que estejam no
mesmo plano de atividades sentimentais; porém,os mais elevados,por amor,
descem de vez em quando para os planos mais inferiores em que se
encontram os seus entes mais caros,para visitá-los. O amoré, pois,uma força
poderosa que interliga os corações em todos os planos de vida.
O Espírito superior, quando a renúncia domina seu coração e se dispõe a
favoreceraos seus irmãos na retaguarda, desce a planos mais inferiores dos
que deve habitar, e ali permanece por tempo indeterminado, convivendo com
eles; entretanto, os inferiores não podem subir para fazer o mesmo, por não
terem aptidão para tal. Conforme a sua boavontade e exercíciona iluminação
interna, lhe é dada a oportunidade de visitar, por curto tempo, planos mais
elevados, como prêmio, não para lá ficar o tempo que lhe aprouver.
82
A ligação entre nós encarnados e desencarnados se dá pelo elo do amor.
Aqueles que se amam sempre se encontram, sempre se procuram. Mesmo
longe estão sempre ligados pelo sentimento do amor.
Ex: O Nosso Lar – André Luiz
Os Mensageiros
83
6.7 – RELAÇÕES SIMPÁTICAS E ANTIPÁTICAS DOS ESPÍRITOS
METADES ETERNAS
291 – Além da semelhança geral de afinidade, há entre os Espíritos
afeições particulares?
Sim, do mesmo modo que entre os homens; todavia, o laço que une os
Espíritos é mais forte na ausência do corpo, por não estarem mais expostos
às vicissitudes das paixões.
COMENTÁRIOS:
O grande sentimento que une almas é o sentimento do amor. Ele é o mesmo
aqui e lá.
Somos unidos por afinidades de sentimentos e de objetivos. Por exemplo, o
trabalho, a expressão da fé.
Os Espíritos (desencarnados) também se unem por afinidades.
Tanto lá quanto cá, há as afinidades de pensamentos, sentimentos e
comportamentos.
Há dois tipos de famílias: a família consanguínea e a família espiritual
(estreitando laços pelo sentimento do amor)
Através da prática da caridade aprendemos a amar.
Deus nos colocou dentro de uma mesma família para que essas relações
(simpáticas e antipáticas) se estabeleçam. Se hoje temos no nosso convívio
inimigos, amanhã serão nossos amigos. Ninguém fica para trás.
Tenho que buscar a renovação interna a fim de construir as relações
simpáticas. Para que Jesus faça morada em nosso íntimo.
292 – Existe ódio entre os Espíritos?
Não existe ódio senão entre os Espíritos impuros e são eles que insuflam,
entre vós, as inimizades e as dissensões.
COMENTÁRIOS:
A criação divina caminha pelos elos do amor. Tudo está em evolução.
Com relação a humanidade que já adquiriu a racionalidade buscamos a
evolução através do exercício do livre arbítrio que nos permite fazer as
escolhas diárias, mas também a responsabilidade de colher os frutos das
sementes boas ou más que plantamos nas nossas escolhas.
84
Alguns Espíritos(reencarnados ou não) escolhe o ódio para as suas relações.
Nós somos Espíritos. Estamos encarnados.
Levamos os nossos sentimentos,as nossas angústias, as nossas simpatias e
antipatias para o outro lado.
Tudo o que guardo no meu coração está comigo e levo tudo.
Somente entre os Espíritos impuroshá ódio,pordesconhecerem o amor,mas,
para tanto, existem mutirões de almas preparadas para que esse amor se
estenda pelo reino humano.
Para os Espíritos que estão em nívelmelhorde consciênciaao chegardo outro
lado vai perceber que não pode guardar rancor, então vai trabalhar para que
isso não exista mais.
293 – Duas pessoas que foram inimigas sobre a Terra, conservarão
ressentimento, uma contra a outra, no mundo dos Espíritos?
Não, elas compreenderão que seu ódio foi estúpido e o motivo pueril. Os
Espíritos imperfeitosconservam apenas umaespécie de animosidade,até que
estejam purificados. Se foi um interesse material que os dividiu, eles não
pensarão mais nisso,por pouco que sejam desmaterializados.Se não há mais
antipatia entre eles, o motivo da discussão não mais existindo, podem rever-
se com prazer.
Allan Kardec
Como dois escolares chegados à idade da razão, reconhecem a
puerilidade das desavenças que tiveram na infância e deixam de se
malquerer.
COMENTÁRIOS:
A resposta tem por base Espíritos que já conseguiram desprender do motivo
que alimentou o ódio entre eles enquanto encarnados aqui no planeta.
Os Espíritos inferiores conservam todos os ressentimentos gerados quando
na Terra. Ao retornarem ao mundo dos Espíritos,levam para lá todas as suas
inferioridades, desde quando não se purificaram.
Conforme o grau de ignorância do Espírito,o ódio que nasceu na Terra, entre
duas criaturas ou mais, aumenta como Espírito livre, e se não encontraram os
antagonistas, saem à procura deles para desforras e perseguições.
Quando eles, entretanto, compreendem o tempo que perderam em
ressentimentos desnecessários, abraçam-se, fazendo-se amigos do coração
85
e muitos deles se dispõem atrabalhar juntos, porque a solução dos problemas
está dentro deles próprios.
É preciso fazer os Espíritos infelizes conhecerem o Evangelho, porque
somente vivendo os ensinamentos de Jesus eles se libertarão dessas
animosidades que somente trazem sofrimento.
294 – A lembrança das más ações que dois homens cometeram um
contra o outro, é um obstáculo à sua simpatia?
Sim, ela os leva a se distanciarem.
COMENTÁRIOS:
Quando duas pessoas se ofendem mutuamente o normal que ocorre é um
afastamento da convivência. Cada uma em seu canto acaba alimentando a
mágoa daquela ocorrência, ficando marcado enquanto a pessoa não
consegue se liberar disso.
- Fora da caridade não há salvação.
- Caridade: bondade para com todos, indulgência para com as imperfeições
alheias, perdão das ofensas. (Q. 886)
Duas pessoas que se agridem,que se machucam, que se ferem é necessário
que haja entre elas o perdão.Sejam elas encarnadas ou no mundo espiritual,
porque o perdão tem o mesmo valor. A mágoa maltrata aquele que não sabe
perdoar.
Aquientre nós a mágoavai destilando o corpo físicode sentimentos negativos,
de ressentimentos e vai nos trazendo algumas enfermidades.
Perdoar não é esquecer, pois a mente espiritual registra todos os
acontecimentos,sentimentos,emoções,fatosque o Espírito vive.É impossível
esquecer.
O perdão é fruto da compreensão. Não somos perfeitos, a gente erra. Em
nossos erros acabamos ferindo aqueles que conosco convivem.Dessaforma,
devemos compreender a imperfeição do outro também.
Quando a gente compreende que a ofensa, o erro do outro é fruto da
ignorância, fruto da necessidade de buscar seu aperfeiçoamento e que essa
necessidade está em nós também fica mais fácil de compreender a ofensa e
daí compreendendoficamais fácil de perdoar,de não guardar aquela mágoa.
A gente não deve perdoarpelo outro, mas por nós mesmos porque é a mágoa
que maltrata.
86
O ato de perdoar é o ato que nós fazemos por nós mesmos para liberar da
mágoa que tanto maltrata os nossos corações.
E assim vamos aprendendo a conviver com o outro, aprendendo a nos amar
uns aos outros.
295 – Que sentimentos experimentam depois da morte aqueles a quem
fizemos mal aqui neste mundo?
Se são bons,perdoam de acordo com o vosso arrependimento.Se são maus,
podem conservarressentimento e, algumas vezes, vos perseguiraté em uma
outra existência. Deus pode permiti-lo como um castigo.
COMENTÁRIOS:
A morte não transforma a personalidade de ninguém. É só um momento
biológico.
Aquele que desencarna leva a sua forma de agir, de pensar, de valorizar as
coisas.
Aqueles que um dia fizemos mal, prejudicamos, às vezes até sem saber, às
vezes com intenção, desencarnam e se alimentam ao bem vão nos perdoare
vão continuar sua jornada evolutiva. Porém, aqueles que são apegados ao
mal, que ainda vivem nas más inclinações, o orgulho, o egoísmo, a vaidade,
vão ficar remoendo os seus ressentimentos do lado de lá, alimentando o
sentimento do ódio e ás vezes se dirigindo contra nós (obsessão).
Tanto o amor quanto o ódio aproximam as pessoas. Aqueles que se amam
querem estar juntos e aqueles que se odeiam se procuram para tentar a
vingança.
Tanto o amor quanto o ódio nos impulsionam à evolução, porque toda
experiência é um aprendizado. Mesmo aquele que sofre uma obsessão
aprende com as dificuldades que está passando.
Depois do túmulo, os sentimentos que animam os que ofendemos, se esses
ofendidos forem Espíritos inferiores, são de vingança, de ódio e de violência,
formando, quando podem, toda ordem de obsessão sobre os ofensores do
passado.
Se os ofendidos forem Espíritos elevados, que já conhecem o Evangelho e
começaram a praticá-lo, eles não gastam tempo em perseguição.A sua arma
de luz é o esquecimento das faltas, passando a orar pelos ofensores e
ajudando-os em todos os momentos possíveis.
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296 – As afeições de cada Espírito são suscetíveis de alteração?
Não, pois eles não podem se enganar; não têm mais a máscara sob a qual se
escondem as hipocrisias.Porisso,suas afeições são inalteráveis, quando são
puros. O amor que os une lhes é uma fonte de suprema felicidade.
COMENTÁRIOS:
A resposta se refere ao Espírito puro. Já conquistou uma condição cuja
emoção está em total equilíbrio.
Entre nós vamos desenvolvendo afeições.As pessoas do nosso convívio são
pessoas mais próximas que nós confiamos.Mas muitas vezes essas pessoas
nos decepcionam, seja por ação ou por palavras, nos maltrata, nos prejudica
ou nos dão um exemplo negativo de conduta perante à sociedade.
As pessoas,às vezes,se mostram paranós completamente diferente daforma
que imaginávamos que fossem.
O mesmo acontece conosco também, porque somos Espíritos inferiores. É
tanto que estamos neste planeta de provas e expiações. Então é natural a
gente também esconder as nossas mazelas, os nossos sentimentos menos
nobres, os nossos pensamentos equivocados àquelas pessoas do nosso
convívio.
E assim em relação a essas pessoas que temos um sentimento caro de
afeição queremos esconderdelas as nossas negatividades,os nossos erros e
os nossos equívocos. Daí à medida que essas pessoas vão descobrindo as
falhas das nossas condutas também vão decepcionando conosco.
A simpatia acontece, mas não tem o equilíbrio porque não conhecemos a
intimidade das pessoas com as quais desenvolvemos os sentimentos mais
nobres.
Estando decepcionado essas afeições vão mudando de acordo com a
situação de convivência.
Isso não ocorre no mundo espiritual onde vivem apenas Espíritos mais
evoluídos porque todos já alimentam em si sentimentos mais nobres. Não
como esconderum mal sentimento do outro. Os Espíritos se inter-relacionam
através da sintonia que se estabelece através do padrão vibratório (energia).
Jamais um irá decepcionar o outro.
Eles se afeiçoam a nós. Aprenderam a nos amar. Só que eles não se
decepcionam conosco porque eles conhecem as nossas limitações,os nossos
sentimentos menos nobres e nos amam como nós realmente somos.
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297 – A afeição que duas pessoas se dedicam neste mundo continuará
sempre no mundo dos Espíritos?
Sim, sem dúvida, se ela se alicerça sobre uma simpatia verdadeira; mas se as
causas físicas foram maiores que a simpatia, ela cessa com a causa. As
afeições entre os Espíritos são mais sólidase mais duráveis que sobre aTerra,
porque não estão mais subordinadas aos caprichos dos interesses materiais
e do amor-próprio.
COMENTÁRIOS:
Compreender as uniões que ocorrem na sociedade terrena.
- Uniões para auxílio mútuo (seria o ideal);
- Uniões por interesse material (os bens, as riquezas);
- Uniões pelo poder(se aproximam em razão do cargo que exerce,da posição
social, da influência na sociedade);
- Uniões pela atração física (beleza do corpo, instinto do sexo);
Essas uniões de ordem material sem que exista um sentimento mais nobre
que o justifique se encerram quando se encerram a razão que deu início a
elas.
Acabaram os bens materiais, o poder, a beleza física, etc. em razão do
desencarne os Espíritos se afastam, porque esse era o interesse nutria. Não
necessariamente o afastamento ocorra só com o desencarne, pode ocorrer
durante a trajetória enquanto encarnado, em razão da idade, do tempo, dos
revezes da vida.
A união perene que ocorre entre os Espíritos e que continua no mundo
Espiritual é aquela que se dá em nome do amor. Aquela em que as pessoas
se unem com a proposta de se auxiliarem, de caminharem juntas
independentemente de qualquer questão de ordem material.
Essas uniões se realizam e continuam aqui, são bases sólidas que duram
décadas e continuam firmes no mundo Espiritual. Elas se fortalecem pelos
sentimentos que não morrem, não termina, que é o sentimento do amor.
298 – As almas que deverão se unir estão predestinadas a essa união,
desde sua origem e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo,
sua metade à qual se reunirá fatalmente, um dia?
Não; não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre
todos os Espíritos,mas em graus diferentes segundo acategoriaque ocupam,
quer dizer, segundo a perfeição que adquiriram: quanto mais perfeitos, mais
90
unidos. Da discórdianascem todos os males humanos; da concórdiaresulta a
felicidade completa.
COMENTÁRIOS:
Não há uma criação de almas afins.
Deus não fez uma alma somente para outra, de modo que somente as duas
possam sentir o verdadeiro amor entre si. Isso não existe entre os Espíritos
puros.
Antes de chegar à pureza espiritual, é claro que temos necessidade de
estarmos unidos porsentimentosmais profundosadeterminadaalma, que nos
ajuda e nos sustenta na própria vida. A existência de almas gêmeas depende,
pois, do plano em que se situam. No seio da pureza angélica não existe; ali o
amor é perfeitamente universal.
Vamos criando afinidades com as pessoas com as quais nós convivemos.
Essas afinidades que se estabelece entre duas almas ocorre através da
convivência. São as preferências comuns, os modos de vida parecidos.
Os semelhantes podem nos compreender melhor. Nossas dificuldades, os
nossos equívocos, as nossas mazelas, nos dar o apoio, fazer o acolhimento
fraterno do qual necessitamos.
Podemos partilhar a vida com essas pessoas de forma mais aberta, mais
tranquila.
Essa aproximação vai construindo um sentimento de simpatia.
Na caminhada evolutiva, nós vamos escolhendo as pessoas que nós
convivemos (pai, mãe, irmãos, cônjuge, filhos). Existe uma grande família, a
família espiritual, bem maior que essa consanguínea.
As escolhas ocorremem função de convivências anteriores.De afinidades que
já estabeleceu. Acertos e erros em comum.
Aos poucos vamos aumentando nosso círculo de convivência, à medida que
vamos conhecendo as pessoas e passamos a conviver com elas, a se
preocupar com elas, a entender suas dificuldades, atender suas carências.
Nasce o afeto entre as pessoas e assim vamos aumentando a nossa família
espiritual. (Parentes consanguíneos, amigos, vizinhos, colegas de trabalho,
etc.)
O desafeto também une as pessoas. Aprendemos a respeitar as diferenças
dos outros. Vamos transformando desafetos em afetos, aprendendo a amar.
São lições da Lei Divina para aprendermos a amar.
91
92
299 – Em que sentido se deve entender o termo metade de que certos
Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos?
A expressão é inexata; se um Espírito fosse ametade de outro,separado dele,
seria incompleto.
COMENTÁRIOS:
A expressão “Metades eternas” é somente filosófica, ficando no abstrato
porque, na verdade, o Espírito é individual e indivisível, e o amor, como já
dissemos, deve ser universalizado, força essa que nos une a todos e todos
em Deus.
Na verdade, nunca podemos viver separados dos outros Espíritos; estamos
sempre juntos em toda parte, tanto na Terra como no mundo espiritual, e é
pelo conjunto que vivemos felizes.
Metades eternas, no sentido literal não existe, pois eternas seria desde a
criação. Cada ser é criado individualmente, simples e ignorantes (Q. 115).
A destinação de cada Ser ao ser criado é aprender a amar. Amar a todos
igualmente. Amar a toda a humanidade indistintamente.
Na caminhada evolutiva aprendemos isso devagar.
Vamos aprendendo a conviver com as pessoas e gradativamente expandindo
o círculo de afeições.
Metades eternas é uma figura que representa pessoas que se amam. É uma
figura que representa a união de dois seres simpáticos e que conquistam o
sentimento do amor.
Escolhem estar juntas pela lei do livre-arbítrio, mas não foram criados unidas.
Essa união existente entre dois seres é um passo evolutivo para cada um
deles.
“Almas gêmeas” também é uma figura retórica. Não são gêmeas porque
nasceram juntas em um determinado momento, mas porque se escolheram
uma a outra para caminharem juntas, para se auxiliarem mutuamente.
O consolador:
326 –A união das almas gêmeas pode constituir restrição ao amor universal?
O amor das almas gêmeas não pode efetuar semelhante restrição, porquanto, atingida a
culminância evolutiva, todas as expressões afetivas se irmanam na conquista do amor
divino. O amor das almas gêmeas, em suma, é aquele que o Espírito, um dia, sentirá pela
Humanidade inteira.
Os que amam e são evoluídos encontram, em todos os seus semelhantes,
irmãos que devem dar as mãos em todos os serviços da fraternidade.
93
Devemos compreenderque Jesus dirige o rebanho daTerra. Nós todos somos
Suas ovelhas, e cada uma, mesmo individualizada pela sua formação está
ligada às outras pelo amor de Deus.
300 – Dois Espíritos perfeitamentesimpáticos,uma vezreunidos,o serão
pela eternidade ou podem se separar unindo-se a outros Espíritos?
Todos os Espíritos são unidos entre si; falo dos que atingiram a perfeição.Nas
esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, não tem a mesma simpatia
por aqueles que deixou atrás.
COMENTÁRIOS:
O fato de dois Espíritos simpáticos estarem unidos, pelos sentimentos, não
significa que estarão unidos para sempre.
Ocorre entre nós que dois Espíritos que se amam, se julgam pertencerum ao
outro, daí entra o ciúme,as ações de posse, acreditam que tem que se dedicar
exclusivamente um ao outro. Isso não ocorre entre os Espíritos superiores,
pois eles compreendem as necessidades de cada um, em se tratando da
busca da evolução.
O amor que Jesus nos ensinou, o verdadeiro amor, não é um amor que
prende, mas um amor que liberta.
Espíritos que estão unidos mutuamente, às vezes deixa débitos para trás e
para resgatar esses débitos terá que estabelecer convivência com seus
credores. Não há exclusividade, pois cada um constrói a sua história, a sua
jornada evolutiva.
Se um avança na escala da evolução mais do que o outro, sua simpatia por
aquele diminui; encontrando outros Espíritos que lhe são simpáticos,no plano
em que passa a viver.
Não é que ele deixa de amar ao que ficou na escala abaixo; ele aumenta
sempre o seu amor, mas, a sintonia de trabalho e de pensamentos se eleva,
ganhando planos mais perfeitos, qual o seu.
As relações vão se modificando conforme as nossas necessidades de
aprendizado.
Se estão unidos pelo amor, estando juntos ou separados, estarão sempre
unidos pelo amor. O amor é perene e une as criaturas. Sempre estará um
apoiando o outro.
Podem estar juntos através das diversas relações, não necessariamente,
como companheiros (pai/mãe e filho, irmãos, amigos, etc.)
94
301 – Dois Espíritos simpáticos são o complemento um do outro ou essa
simpatia é o resultado de uma identidade perfeita?
A simpatia que atrai um Espírito para o outro é o resultado da perfeita
concordânciade suas inclinações,de seus instintos.Se um devesse completar
o outro, perderia sua individualidade.
COMENTÁRIOS:
Fomos criados simples e ignorantes, porém por inteiros. Ninguém precisa
completar um ao outro.
Nenhum Espírito é criado para estar determinado a caminhar junto com outro.
São escolhas feitas pelos Espíritos conforme o livre-arbítrio para caminhar
juntos.
Se as almas tivessem sido criadas duplas, as simples seriam imperfeitas.
Pode haver união de dois Espíritos por simpatia e escolha de caminharem
juntos.
Duas almas simpatizam uma com a outra devido os pendores,suas afinidades
de sentimentos, seus ideais idênticos.
Nunca dois Espíritos simpáticos o são por um completar o outro. Se assim
fosse, desapareceria a individualidade dos seres e a liberdade que tanto
almejamos deixaria de existir.
302 – A identidade necessária para a simpatia perfeita consiste na
semelhança de pensamentos e de sentimentos ou, também, na
uniformidade de conhecimentos adquiridos?
Na igualdade dos graus de elevação.
COMENTÁRIOS:
Assim como aqui no mundo Espiritual são as semelhanças entre o Espíritos
que os atraem.
A evolução ocorre pelos sentimentos e pela razão.
ESE – VI, 5. - Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.
O Consolador:
204 –A alma humana poder-se-á elevar para Deus, tão-somente com o progresso moral,
sem os valores intelectivos?
O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição
infinita.
95
303 – Os Espíritos que não são simpáticos hoje, poderão sê-lo mais
tarde?
Sim, todos o serão. Assim,o Espírito que está, hoje, numa esferainferior, em
se aperfeiçoandoalcançará a esferaonde reside o outro. Seu reencontro terá
lugar mais prontamente,se o Espírito mais elevado,suportando mal as provas
a que está submetido, permanece no mesmo estado.
303.a) Dois Espíritos simpáticos poderão deixar de sê-lo?
Certo, se um é preguiçoso.
Allan Kardec:
A teoria das metades eternas é uma figura querepresenta a uniãode dois
Espíritos simpáticos; é uma expressão usada mesmo na linguagem
vulgar e que se faz necessário não se prender à letra. Os Espíritos que a
usam não pertencem, certamente, a uma ordem mais elevada. A esfera
de suas ideias é, necessariamente, limitada e eles expressam seus
pensamentos pelos termos de que se serviram durante a vida corporal.
É preciso,portanto,rejeitar essa ideia de que dois Espíritos,criados um
para o outro, deverão um dia, fatalmente, reunirem-se na eternidade,
depois de estaremseparadosdurante um lapsode tempo mais oumenos
longo.
COMENTÁRIOS:
Muitas coisas podemaqui enquanto reencarnados unir temporariamente duas
pessoas, como a vaidade, os bens materiais, a fama, o poder, o sexo sem
amor. Essas uniões até aparentam que existe simpatia entre os Espíritos,mas
só aparecem enquanto há interesses em comum. Quando os interesses
desaparecem, essa união acaba e cada um segue o seu caminho.
Laços perenes, seguros são apenas os laços fundamentados no amor.
Dois Espíritos unidos pelo amor estarão unidos para sempre, mas isso não
quer dizer que sempre estarão juntos. Estarão unidos pelo coração e pelos
sentimentos.
96
97
6.8 – LEMBRANÇAS DA EXISTÊNCIA CORPORAL
304 – O Espírito se lembra da sua existência corporal?
Sim, quer dizer, tendo vivido muitas vezes como homem, recorda-se do que
foi, e te asseguro que, por vezes, se ri apiedado de si mesmo.
Allan Kardec
Como o homem que, atingindo a idade da razão,ri dos excessosde sua
adolescência ou das puerilidades de sua infância.
COMENTÁRIOS:
O Espírito ao desencarnar vai retomando a memória de forma gradativa e
assim, lembra de algumas de suas reencarnações, quando isso for motivo de
ensinamentos para ele.
A memória é patrimônio do Espírito. Todas as experiências vividas estão
marcadas na consciência. Porém nem sempre temos acesso a todas as
experiências, pois nossa história é muito grande.
As recordações se processam por necessidade, nunca por brincadeira, nem
por simples curiosidade.Tudo que acontece é por determinação de Deus. No
entanto, há inúmeros Espíritos que desconhecem até a si mesmos; esses se
encontram em plena ignorância.
O esquecimento é uma bênção que permite que os sentimentos mais puros
existentes entre dois seres possam prevalecer independente das questões
vividas no passado.
Nosso Lar – Capítulo 21.
305 – A lembrança da existência corporal se apresenta ao Espírito de
maneira completa e inopinada depois da morte?
Não, ele a revê pouco a pouco,como alguma coisa surgindo do nevoeiro, e à
medida que fixa nisso sua atenção.
COMENTÁRIOS:
As recordações vão gradativamente se processando, não apenas a
identificação,mas toda a experiência vivida. Aquilo que aprendemos tanto na
vivência quanto no conhecimento.
98
É da mesma forma que aqui entre nós, esquecem o que se passou conosco
há um ano atrás, e quando a gente recorda,as minúcias ficam esquecidas.As
vidas passadas são inúmeras, de sorte que seria uma confusão para a alma a
recordação de todas elas. Tudo na vida é gradativo para melhores
entendimentos e melhor assimilação das experiências.
A memória sempre estará presente em nós. As questões da nossa
personalidade, dos sentimentos, dos valores morais estão sempre prontas a
vir à tona.
A intensidade da retomada das lembranças vai depender da elevação do
Espírito. Quanto mais elevado terá maior domínio dessas memórias.
Até para ter acesso às lembranças tem que estar preparado. Só a elevação
espiritual para suportar revelações que nos desestruturariam se tivéssemos
agora.
Devemos considerar a preocupação em aprender a amar como nos ensinou
Jesus.
306 – O Espírito se lembra, pormenorizadamente, de todos os
acontecimentos de sua vida? Alcança o conjunto deles de um golpe de
vista retrospectivo?
Ele se lembradas coisas em razão das consequências que tiveram para o seu
estado de Espírito; mas compreendes que há circunstâncias de sua vida às
quais ele não liga nenhuma importância e que nem mesmo procura recordar.
306.a) Poderia lembrar-se delas se quisesse?
Pode se lembrar dos detalhes e dos incidentes mais minuciosos, seja dos
acontecimentos, seja mesmo dos seus pensamentos; mas quando isso não
tem utilidade, não procura lembrar-se.
306.b)O Espírito entrevê a finalidade da vida terrena,com relação à vida
futura?
Certamente ele a vê e a compreende bem melhor que enquanto encarnado;
compreende a necessidade de purificação para alcançar o infinito e sabe que,
a cada existência, deixa algumas impurezas.
COMENTÁRIOS:
99
A desencarnação não libera imediatamente a memória do Espírito. Há
questões que devem permanecer ocultas. Ao desencarnar deixa pessoas e
fatos que pode ter influências negativas caso a memória venha à tona.
A memória vem aos poucos conforme as necessidades, possibilidades e
conhecimentos.
Não há porque recordar de coisas que não tem utilidade. Não há o porquê
ocupar a memória com lembranças que não influenciará positivamente nas
decisões, na vida.
O desencarne é um momento de transição, então não é viável ocupar a mente
com inutilidades.
Dessaforma buscará recordaçõesque dê sustentação nas decisões e na sua
vida espiritual.
Não devemos ter pressaem sabero que fomos no passado remoto de muitas
existências. Há fardos que ainda não se encontram preparados para serem
abertos; são jugos complicados, que a própria natureza, como já dissemos,
abri-los-á, quando as lições puderem ser assimiladas.
A memorização da consciência é perfeita; tudo ela guarda no seu arquivo
interno. Quando se fala em consciência,a ideia de muitos a compara com um
livro. É completamente diferente.Se compararmos com um computador,ainda
assim é fraca a imagem.
Não devemos paralisar nossas atividades em recordações inúteis, para não
estacionarmos no tempo, desperdiçando-o, quando poderíamos semear em
terreno bom, para colhermos frutos enobrecidos.
As recordações não são da mesma forma para todos.
Muitos irmãos que não tem ainda consciênciada sua desencarnação ocorrida
há anos.
Ex: E a vida continua (Livro / filme)
307 – Como a vida passada se retrata na memória do Espírito? Por um
esforço da sua imaginação ou como num quadro que tenha diante dos
olhos?
De uma e outra maneira; todos os atos de que tenha interesse de se lembrar
são para ele como se fossem presentes. Os outros estão mais ou menos
vagos em sua mente ou totalmente esquecidos. Quanto mais se
desmaterializa, menos importância atribui às coisas materiais. Fazes,
frequentemente, a evocação de um Espírito errante que acabou de deixar a
Terra e que não se lembra mais os nomes das pessoas que amou, nem os
detalhes que te parecem importantes; é que pouco lhe interessam e caem no
100
esquecimento. O que ele se lembra muito bem são os fatos principais que o
ajudam a melhorar-se.
COMENTÁRIOS:
Cada Espírito ao desencarnar vai estabelecer sintonia com aquilo que mais
lhe interessa.
Assim como quando encarnados cultivamos determinados interesses,quando
desencarnamos também temos determinados interesses.
As lembranças relacionadas a esses interesses serão afloradas mais rápido.
São escolhas do Espírito, conforme o livre-arbítrio. As questões que não tem
tanta importância vão permanecer esquecidas.
A nossaconsciênciagrava tudo,todos os fatos que ocorrem conoscoem todas
as reencarnações,por processos que ainda não conseguimos compreender.
Quando o Espírito precisalembrar-se de alguma coisapara o seu benefício,o
instrumento para tal é a vontade que deve ser treinada com muito amor.
308 – O Espírito se lembra de todas as existências que precederam a
última que acaba de deixar?
Todo o seu passado se desenrola diante dele, como as etapas do caminho
que o viajante percorreu. Mas dissemos que ele não se lembra de maneira
absoluta de todos os atos, recordando-os em razão da influência que têm
sobre seu estado presente.Quanto às primeiras existências,as que podemos
considerara infância do Espírito,perdem-seno vago e desaparecemna noite
do esquecimento.
COMENTÁRIOS:
A recordação das vidas passadas para o Espírito recém-desencarnado vai se
realizando aos poucos conforme a necessidade do Espírito e de acordo com
o seu conhecimento.
O Espírito que acabade deixar o corpo físico não estarápreocupado comsuas
vidas anteriores, mas sim com tudo o que acaba de deixar.
Aqueles que ao desencarnar já valorizam as questões transcendentais, a
memória de fatos anteriores terá mais facilidade,aflorando de acordo com as
necessidades.
As primeiras memórias que chegam são de cunho emocional que
normalmente contribuíram na formação da personalidade do Espírito, a sua
101
forma de ser, de conviver com as pessoas.São memórias responsáveis pela
criação do estado atual.
Depois as demais memórias vão aflorando à medida das necessidades, mas
não de forma absoluta.
A reencarnação,tanto quanto a desencarnação,são assistidas porbenfeitores
espirituais, com capacidade assegurada no amor, para saberem do que
precisa o desencarnante, e quais as experiências que deve ter como lições
proveitosas para a sua paz.
309 – De que maneira o Espírito considera o corpo que acaba de deixar?
Como uma veste incômodaque o molestava e da qual se sente feliz por estar
livre.
309.a) Que sentimento lhe faz experimentar a visão do seu corpo em
decomposição?
Quase sempre de indiferença, como por uma coisa que não tem mais.
COMENTÁRIOS:
Respostas baseadas em Espíritos mais evoluídos.
Os Espíritos mais evoluídos terão um sentimento de gratidão a Deus por
aquele bem que lhe foi emprestado lhe servindo de instrumento de
aprendizado durante a encarnação. Eles seguem adiante, pois sabem que
aquele corpo também é uma matéria que se encontra em evolução no reino
divino.
Nunca ficapensando nele com saudade,porsaberque ele jánão lhe pertence,
devolvendo à natureza o que lhe foi emprestado pormisericórdiadivina e que,
terminando a sua tarefa, é veste imprestável.
Espíritos apegados à matéria deixam os corpos com muito pesar ao
desencarnar e às vezes se ligam a eles.
Há Espíritos que nem sequer percebe que deixou o corpo físico,uma vez que
seu corpo perispiritual é igual ao corpo físico recém deixado. Não tendo
conhecimento, em um primeiro momento, não percebe que deixou a veste
física.Portanto, não tem a consciênciaimediata de que já está no mundo dos
Espíritos.
- Reuniões mediúnicas
- E a vida continua (livro/filme)
102
Todos estão sob a tutela dos seareiros do Divino Mestre. Ninguém está
desamparado pelas Leis Divinas. No momento que quiser o resgate ou o
amparo ali estarão os seareiros oferecendo o auxílio conformea necessidade
de cada um.
- André Luiz (Clarêncio)
310 – Ao cabo de um certolapsode tempo,o Espírito reconheceos ossos
ou outros objetos que lhe tenham pertencido?
Algumas vezes; isso depende do ponto de vista mais ou menos elevado sob
o qual considera as coisas terrenas.
COMENTÁRIOS:
O ideal é o desprendimento.
O reconhecimento de objetos que pertenceu, mas não pertence mais. É
passado. Não tem mais valor. São apenas instrumentos que serviram para a
aprendizagem, para o aperfeiçoamento. O importante é a essência.
O Espírito,depois de desencarnado,que tenha certa elevação espiritual, pode
reconhecer os seus restos mortais, quando acha que é de utilidade fazê-lo,
como também seus pertences,quando no mundo físico.Mas, nem sempre ele
faz esse reconhecimento.
311 – O respeito que se tem às coisas materiais deixadas pelo Espírito
atrai a sua atenção sobre esses mesmos objetos e ele vê esse respeito
com prazer?
O Espírito é sempre feliz por ser lembrado; as coisas dele, que se
conservaram, trazem-no à memória, porém, é o pensamento que o atrai para
vós e não seus objetos.
COMENTÁRIOS:
Quem não gosta de ser lembrado com carinho e afeto?
Todos os objetos que pertencem a uma pessoa querida nos remetem uma
lembrança. A gente tende a fazer uma ligação com a pessoa.
103
Quando a pessoa desencarna, objetos que lhe pertenciam nos remetem à
lembrança daquela pessoa.
Não há uma ligação direta do objeto com a pessoa. O que liga as pessoas
(encarnadas e desencarnadas) são os sentimentos. É o afeto, o carinho que
nos une às pessoas.Os objetos podem nos remeter à lembrança, mas não é
o elo da união.
Há sempre prazer para o Espírito quando ele é lembrado na Terra; no entanto,
o prazer maior para seu coração é quando essa lembrança pode trazer
benefício para os outros.
312 – Os Espíritos conservam a lembrança dos sofrimentos que
experimentaram durante sua última existência corporal?
Frequentemente,eles a conservam e essalembrança lhes faz sentir melhor o
preço da felicidade que podem gozar como Espíritos.
COMENTÁRIOS:
O Espírito conservalembranças do estado corporalem que se encontrava, por
ficarem vivos na sua consciênciaos fatos derradeiros daencarnação na Terra.
No entanto, sendo alma elevada, que viveu os preceitos do Evangelho, logo
se livra das lembranças, para inteirar-se das belezas imortais da vida. Vai se
alegrar por não estar sofrendo mais. Se desliga.
O Espírito doente, porém, aquele cujo fardo se encontra pesado de faltas
inumeráveis e sob o jugo incômodo de ações perniciosas, se demora com
pensamentos fixos nos sofrimentos da carne. Mesmo não tendo o corpo de
carne, as atrozes lembranças o torturam, porque na mente se encontra o céu
ou o inferno, conforme as direções dos sentimentos.
Sofrimentos físicos e emocionais (as dores físicas, os remorsos, o ódio, a
culpa, todos os equívocos).
313 – O homem que foifeliz neste mundo,lamenta seusprazeres,quando
deixa a Terra?
Somente os Espíritos inferiores podem lamentar as alegrias que se
harmonizam com a sua imperfeição e que expiam pelos seus sofrimentos.
Para os Espíritos elevados, a felicidade eterna é mil vezes preferível aos
prazeres efêmeros da Terra.
104
Allan Kardec:
Tal o homem adulto que despreza aquilo que fez as delícias da sua
infância.
COMENTÁRIOS:
Jesus nos afirmou: Onde está o teu tesouro, aí estará o seu coração.
Entre nós encarnados, parte daqueles que se sentem felizes é em razão dos
bens materiais que pode adquirir, do conforto, dos prazeres imediatos do
mundo, sempre das questões ligadas à matéria, pois conquistaram os bens
terrenos e os benefícios que esses bens podem proporcionar.
Estes ao desencarnar ficarão privados dos objetos que proporcionava
felicidade.Certamente sentirão saudades, pois não aproveitaram a existência
na carne para promover a existência do Espírito, dos reais valores para a
conquista da felicidade (Q.115)
Outros reencarnados entre nós se julgam felizes pelos sentimentos que já
tiveram oportunidades para desenvolver, por conhecerem e viverem os
ensinamentos de Jesus, pela vivência do amar ao próximo como a si mesmo.
São pessoas que dedicam a sua vida ao bem do próximo, que atuam na
dificuldade do outro. Às vezes através da sua própria atividade profissional,
fazendo com carinho, atendendo bem aqueles que o procuram, exercitando o
amor cristão que tanto almejamos.
Esses ao desencarnar serão ampliados os seus afetos, colher o amor que
plantaram, vão se sentir felizes, mas não por saudades daquilo que
vivenciaram aqui.
A felicidade completa na Terra não existe. Quando alguma alma se encontra
feliz com as inferioridades do plano físico, é prova de que está apegado às
paixões humanas, que são transitórias e, além disso,elas nos trazem reações
que nos fazem sofrer,por serem inferiores.Essa alegria é, pois, mescladade
aborrecimentos.
A verdadeira felicidade,aquela agradável ao coração no reino da eternidade,
se encontra em primeiro lugar na consciênciaimperturbável,como nos planos
superiores do Espírito imortal. O desprendimento dos gozos terrenos ser-nos-
á difícil. Somente a maturidade pode nos oferecer esse estado d’alma.
Maturidade é sinônimo de tempo,de esforço próprio no clima do amor puro no
coração, de modo que a caridade nos abra caminhos para grandes
entendimentos espirituais.
105
314 – Aquele que começou grandes trabalhos com fim útil e que os vê
interrompidos pela morte, lamenta, no outro mundo, tê-los deixado
inacabados?
Não, porque vê que outros estão destinados a terminá-los. Ao contrário,
procura influenciar outros Espíritos humanos a continuá-los. Seu objetivo
sobre a Terra foi o bem da Humanidade; esse objetivo o mesmo no mundo
dos Espíritos.
COMENTÁRIOS:
Estamos tratando de um ser que da sua vida tomou como missão fazer um
grande trabalho com finalidade útil. Não de Espírito egoísta ou leviano.
Pessoas leviana não se preocupa com coisas úteis.
Quem se preocupa com coisas úteis com grandes trabalhos já é um Espírito
que alcançou certo avanço, certo progresso. Naturalmente sua preocupação
está voltada ao coletivo, à humanidade.
Aquele que deixou de acabar um trabalho de vulto com fim útil.
Obras que colaboram para a evolução do ser humano, para o crescimento da
sociedade,para a melhora de todos nós como Espíritos.(Obras de caridade,
a ciência, a tecnologia, etc.)
Essas tarefas nunca têm fim. A necessidade de aprendizagem e de
crescimento de todos está sempre latente e é progressiva.
Essas tarefas têm grande utilidade para quem recebe, mas principalmente,
para o tarefeiro, aquele que está praticando.
Os trabalhos interrompidos pelo processo da desencarnação, não são nem
podem ser sinônimos de paralisação. Já no mundo espiritual, o Espírito que
viu o seutrabalho interrompido pelamorte,trata de inspirar seus companheiros
que ficaram para a continuação do mesmo e, por vezes, a fazê-lo em ritmo
mais acelerado do que quando ele estava à frente do ideal, em favor da
coletividade.
Deus não é deus de limitações, e tanto na Terra quanto no mundo dos
Espíritos,existem legiõesde almas preparadas para todos os trabalhos que o
Senhor achar conveniente. Ninguém é insubstituível. Existe somente um
Espírito que não pode ser substituído: Deus.
315 – Aquele que deixou trabalhos de arte e de literatura,conserva,pelas
suas obras, o amor que tinha quando vivo?
Segundo sua elevação, ele os julga sob outro ponto de vista e,
frequentemente, condena aquilo que mais admirava.
106
COMENTÁRIOS:
Existem artistas nos vários níveis evolutivos.
Se é um Espírito mais elevado vai perceber que aquela obra artística deixou
de ser dele passando a ser compartilhada com a humanidade. Não vai ter
apego.
Se é um Espírito menos avançado talvez ele se sinta dono e o apego vai gerar
sofrimentos a ele.
A vida na Terra é uma pálida cópia da vida espiritual. As mais belas obras de
arte construídas e deixadas são pálidas cópias de obras mais divinas e
maravilhosas do plano Espiritual. Ou seja, pálidas cópias dos originais.
Ex: Os Mensageiros
Sebastian Bach
O Espírito elevado tem plena admiração pelas obras que deixou, desde
quando essas obras foram em benefício da humanidade.
Mesmo ciente de que é uma pálida cópia do original vai admirar a sua como
outras que seus companheiros de plano também fizeram. Não tem egoísmo
nem adoração somente por sua obra.
Mas pode ser tomado por alguns momentos de tristeza, se fez alguma coisa
prejudicialaos outros,mesmo que o tenha feito inconsciente daação maléfica.
O bem comum lhe causa alegria constante.
316 – O Espírito se interessa ainda pelos trabalhos que se executam
sobre a Terra pelo progresso das artes e das ciências?
Isso depende dasua elevação ou da missão que pode ter que desempenhar.
O que vos parece magnífico, frequentemente,é bem pouca coisa para certos
Espíritos; admiram-na como o sábio admira a obra de um escolar. Eles
examinam o que pode provar a elevação dos Espíritos encarnados e seus
progressos.
COMENTÁRIOS:
Se o que interesse é a ciência, continua interessado pela ciência. Se o que
interesse é a arte, continua interessado pela arte. Após desencarnado,
conforme sua elevação, vai ter acesso a maiores informações ou não.
Comparar aquilo que ele passa a perceber com o que está vivenciando na
Terra e cada um vai ter suas conclusões.
107
Ex: André Luiz (seu conhecimento na medicina)
O progresso das artes, das ciências, da tecnologiaé permissão de Deus para
que haja o progresso e o desenvolvimento da humanidade.
Há Espíritos no plano espiritual ajudando o desenvolvimento dessas
potencialidades humanas no campo das artes, das ciências, da filosofia, da
tecnologia, da intelectualidade, pois faz com que a humanidade
gradativamente vai evoluindo.
Conforme a necessidade,há Espíritos que se interessam e ajudam o homem
nas descobertas e no desenvolvimento.
Ex: Bezerra de Menezes (auxílio aos irmãos que estão na retaguarda)
Steve Jobs (revolução da informática e da comunicação)
Eles percebem o quão pequenas são ainda as nossas artes, nossa música,
nossa filosofia. Perto da grandiosidade que há no plano espiritual isso é algo
ainda pequeno que não merece a admiração que nós às vezes acreditamos.
- Há um leque infinito para aprendizagem.
317 – Os Espíritos, depois da morte, conservam o amor à pátria?
É sempre o mesmo princípio:para os Espíritoselevados,apátria é o Universo;
sobre a Terra, ela está onde possuem mais pessoas simpáticas.
COMENTÁRIOS:
Depende do desenvolvimento moral e intelectual do Espírito.
Os Espíritos que conservam o amor à pátria depois do túmulo, são aqueles
que não conseguem sentir o amor no coração de maneira universal. O
ignorante é que briga, mata, em defesa da sua Terra. Quanto sangue é
derramado neste sentido! Quantos sofrimentos ele não causa nas famílias!
O conceito de pátria para o Espírito puro é o universo, toda a criação de Deus.
O amor à pátria é o nosso dever para com ela.
Devemos ajudar o progresso onde estagiamos, não é expresso pelo matar
para defendê-la.
Ajudar a pátria é ser honesto,respeitaras leis, sem negar o nosso devercomo
filho da nação à qual pertencemos.
À medida que nos elevamos vamos desenvolvendo o nosso querer bem à
humanidade e não apenas à nossa família ou à nossa nação.
A humanidade não se restringe ao planeta Terra. A gente percebeque o nosso
amor é algo muito maior.
108
A nossa pátria é todo o Universo. O nosso lar é o Universo.
Allan Kardec:
A situação dos Espíritos e sua maneira de ver as coisas variam ao
infinito em razão do grau do seu desenvolvimento morale intelectual.Os
Espíritos de uma ordem elevada não fazem sobre a Terra, geralmente,
senão paradas de curta duração; tudo o que aí se faz é tão mesquinho
em comparação com as grandezas do infinito, as coisas às quais os
homens ligam a maior importância são tão pueris aos seus olhos, que
eles aí encontram poucos atrativos, a menos que sejam chamados com
o objetivo de concorrer para o progresso da Humanidade. Os Espíritos
de uma ordem mediana aíestacionam mais frequentemente,se bem que
considerem as coisasde um ponto de vista mais elevado do que quando
em vida. Os Espíritos vulgares aí são, de certo modo, sedentários e
constituem a massa da população ambiente do mundo invisível;
conservam,com poucadiferença,as mesmas ideias,os mesmos gostos
e as mesmas inclinações que tinham quando no corpo físico;
intrometem-se nas nossasreuniões,nas nossasocupações,nas nossas
recreações,nas quais tomam parte mais ou menos ativa,conformeseus
caracteres. Não podendo satisfazer suas paixões, gozam com os que a
elas se abandonam e os excitam.Entre eles existem alguns mais sérios
que veem e observam para se instruírem e se aperfeiçoarem.
COMENTÁRIOS:
Quanto mais elevados, menos tempo aqui eles ficam. Considerando que as
coisas da Terra são muito pueris comparada à grandeza do infinito. Suas
vindas só como missão, como auxílio. Se submetem à nossa realidade para
nos auxiliar.
Quanto aos Espíritos intermediários vem mais frequentemente à Terra, mas a
veem de outra forma, com ponto de vista mais elevado que quando
encarnados estavam, pois já conseguem ver além do mundo material.
Os Espíritos mais vulgares, imperfeitos povoam excessivamente a Terra
porque ainda há a satisfação das suas paixões, dos seus vícios.
318 – As ideias dos Espíritosse modificam noestado dedesencarnados?
Muito. Elas sofrem modificações muito grandes, à medida que o Espírito se
desmaterializa. Ele pode, algumas vezes, ficar muito tempo com as mesmas
ideias, mas, pouco a pouco, a influência da matéria diminui, e vê as coisas
mais claramente; é então que procura os meios de se tornar melhor.
109
COMENTÁRIOS:
Se ao desencarnar continuar com os mesmos pensamentos que tinha quando
encarnado a mudança será muito pequena.
Se os pensamentos estão mais alinhados à espiritualidade o desencarne será
algo transformador, pois a percepção da realidade será sob outra ótica, bem
melhor que quando encarnado.
Quanto mais perceber o mundo dos Espíritos, maior será a modificação de
suas ideias.
A partir do momento que se desperta para a vida espiritual, é impossível
manter o mesmo pensar,o mesmo agir daquele que pensa exclusivamente na
vida material.
Quando lá chegando percebe toda a amplitude da vida espiritual, que muitas
vezes dava importância a coisas tão pequenas,que não poderiam acrescentar
para evoluir.
As conquistas materiais, a satisfação do nosso orgulho,do nosso egoísmo.Lá
quando tudo se torna mais claro, o Espírito percebeos verdadeiros valores da
vida, naturalmente as ideias se ampliam, se modificam e evoluem.
Nós aqui mudamos nossa forma de pensar à medida que nos esclarecemos
dos fatos.
Pensamentos negativos atraem coisas negativas.
Pensamentos positivos atraem coisas positivas.
O nosso estado mental, aquilo que eu acredito sobrepõe àrealidade física.Se
aqui já temos um efeito prático dessaformade agir, no plano espiritual é muito
mais intenso.
319 – Uma vez que o Espírito já viveu a vida espírita antes da encarnação,
de onde se origina seu espanto ao reentrar no mundo dos Espíritos?
Isso não é mais que o efeito de um primeiro momento e da perturbação que
segue ao despertar;mais tarde ele se reconhece perfeitamente,à medidaque
lhe volta a lembrança do passado e se apaga a impressão da vida terrestre.
(163 e seguintes.)
COMENTÁRIOS:
Quando nós retornamos à pátria espiritual é natural que pelo efeito da
perturbação que todos nós sentimos tenhamos uma surpresa ao nos deparar
com o plano espiritual.
110
Ficamos certo tempo aqui, são vários anos, então é natural que estejamos
adaptados à vida material e precisaremos de um tempo para nos adaptar na
vida de Espírito (desencarnado) para que a impressão material se apague
para sentirmos novamente adaptados à vida espiritual.
É uma reação natural, comum a quase todos os Espíritos. Depois, com o
passar do tempo, ele vai se lembrando da sua verdadeira pátria, passando
igualmente a sentir-se em casa.
A reencarnação, tanto quanto a desencarnação, é mudança mais ou menos
violenta, e esse transe tem o poder de mudar as ideias dos Espíritos acerca
das coisas espirituais.
111
6.9 – COMEMORAÇÃO DOS MORTOS – FUNERAIS
320 – Os Espíritos ficam sensibilizados, ao lembrarem-se deles os que
amaram sobre a Terra?
Às vezes, mais do que podeis crer; se são felizes, essa lembrança aumenta-
lhes a felicidade; se são infelizes, são para eles um alívio.
COMENTÁRIOS:
A Espiritualidade nos mostra que lembrar dos nossos entes queridos que
partiram para o outro lado da vida faz bem a eles,de certa forma é um auxílio.
Se são Espíritos felizes,mais felizes eles ficam em saber que seus familiares
não o esqueceram, que continuam amando, que continuam felizes por terem
tido a oportunidade de viverum certo tempo em suacompanhia. Emboratenha
passado para o outro plano, o amor, o carinho, a lembrança continua.
Quando esse Espírito estáem sofrimento no plano espiritualele também sente
as vibrações energéticas positivas que lhe são direcionadas.Essa energia de
paz, de amor, de sentimento nobre auxilia a reduzir a intensidade das suas
dores.
É importante lembrarmos daqueles que partiram.
As ligações que nós temos não são interrompidas pela morte do corpo físico.
As pessoas que se foram continuam vivas, continuam sentindo, continuam
amando, continuam se importando. As relações que elas tinham continuam
valendo.
Lembrar é sempre positivo, mas uma lembrança construtiva, saudável,
lembranças de afeto,dos momentosfelizes,das coisasque foram construídas.
Lembranças resignadas.
E não aquela lembrança sofrida, de revolta, de não aceitação pelo
desencarne. Esses pensamentos desequilibrados não auxiliam o Espírito no
plano espiritual, na erraticidade. Ao contrário, fazem-no sofrer também.
Qual a pessoa encarnada que seja contrária ao afeto, cujo coração não se
alegra com o carinho que nada pede em troca? Quando encontramos alguém
que se diz lembrar de nós, sentindo-se feliz com essas recordações,
comovemo-nos pela amizade demonstrada. São manifestações do amor,
válidas em todas as faixas de vida.
Nesse sentido é sempre útilos encarnados orarem pelos que partiram. Se eles
estiverem livres das peias das paixões,aumenta com isso a sua felicidade;se
estão presos nos umbrais, serve-lhes de lenitivo. A prece é sempre forçapara
levantar os caídos,e dar mais energia aos trabalhadores de Jesus nas trilhas
da iluminação.
112
Não devemos pensar que os chamados mortos não precisam de ajuda, não
precisam mais de oração; eles são as mesmas pessoas,sem a indumentária
da carne.
- Nosso Lar
- Entre o Céu e a Terra
- Voltei (Irmão Jacob)
- Memórias de um suicida (Camilo Castelo Branco)
321 – O dia da comemoração dos mortos tem alguma coisa de mais
solene para os Espíritos? Eles se preparam para vir visitar os que irão
orar sobre seus despojos?
Os Espíritos atendem ao apelo do pensamento, nesse dia como nos outros
dias.
321.a)Esse dia é para eles um dia de encontrojunto às suas sepulturas?
Nesse dia estão aí em maior número, porque existem mais pessoas que os
chamam; mas cada um vem por causa dos seus amigos e não pela multidão
dos indiferentes.
321.b)Sob que forma aí compareceme como os veríamos,se pudessem
tornar-se visíveis?
Sob a que eram conhecidos como encarnados.
COMENTÁRIOS:
Os Espíritos atendem pelo dia de Finados, não pelo dia em si, mas porque
nesse dia em especial seus familiares pensam neles com mais frequência. É
como se fosse uma evocação pelo pensamento.
Eles são atraídos pelos pensamentos dos seus familiares e se aproximam
junto deles no cemitério. Mas não porque o cemitério é um lugar de encontro
dos Espíritos junto aos seus familiares, mas é porque lá está a sua família.
É o pensamento que une os Espíritos.Esse é o laço que une os Espíritos uns
aos outros.Não é o locale nem o dia. Apenas o diade finados os pensamentos
são mais direcionados aqueles que desencarnaram e é por isso que eles se
fazem presentes.
113
Qualquer prece em qualquer dia, em qualquer local tem o mesmo valor. O
pensamento de afeto, de amor para aquele que se foi é válido em qualquer
dia.
De acordo com alguns historiadores, o dia consagrado aos mortos originou-se dos antigos
povos da Gália (atual França), os quais, então conhecedores da indestrutibilidade do ser,
honravam os Espíritos e não os cadáveres, como, infelizmente, se faz na atualidade.
Esse dia, popularmente chamado de “finados”, é uma tradição mundial, cuja origem se
perde na noite dos tempos, e que revela a intuição do homem sobre a imortalidade da alma.
Finado é o particípio passado do verbo “finar”, que significa o indivíduo que morreu, findou,
faleceu.
Trata-se de uma cultura adotada por todos os povos e quase todas as religiões. Esteve
inicialmente muito ligada, na Antiguidade, aos cultos agrários ou da fertilidade. Acreditava-
se que os mortos, como as sementes, eram enterrados com vistas à ressurreição. Em vista
disso, o primitivo dia de finados era festejado com banquetes e orgias perto dos túmulos,
costume disseminado em várias civilizações do passado.
Após a morte do tirano Mausolo, rei de Cária, antiga região da Ásia Menor (377 a 353 a.C.),
sua esposa Artemísia determinou a construção de um enorme edifício, ricamente enfeitado,
para abrigar o corpo do soberano. Esta construção ou monumento funerário é considerado
uma das maravilhas do mundo antigo, dentre as quais despontam as Pirâmides do Egito,
que até hoje constituem morada dos restos mortais dos antigos faraós.
Daí surgiu a palavra mausoléu para identificar os sepulcros de grandes proporções.
Entretanto, somente no final do século X é que foi oficializado pela Igreja de Roma o “culto
aos mortos”, com o nome de “finados”, destinado precisamente aos Espíritos que estariam
no “purgatório”.
Para o Espiritismo, este é um dia como qualquer outro, uma vez que a ida ao cemitério é a
representação exterior de um fato íntimo. As pessoas que visitam um túmulo manifestam,
por esse costume, que pensam no Espírito ausente, embora muitas o façam apenas para
se desincumbir de mais uma “obrigação social” no calendário humano.
Para homenagear o ente querido que partiu antes de nós, não é preciso, necessariamente,
ir a cemitérios, via de regra repleto de túmulos caiados, tétricos e puídos, porque lá repousa
apenas o envoltório do Espírito (corpo físico).
O que sensibiliza o Espírito não é propriamente a visita à sepultura, mas a lembrança
fraterna e a prece sincera daquele que ficou na Terra, o que pode ser feito a qualquer
momento e em qualquer lugar. Por isso, o dia de finados não é mais importante, para os
desencarnados, do que outros dias. A diferença entre o dia de finados e os demais dias é
que, naquele, mais pessoas chamam os Espíritos pelos pensamentos.
https://www.mensagemespirita.com.br/md/ad/como-reagem-os-espiritos-no-dia-de-finados
114
322 – Os Espíritos esquecidos, cujos túmulos ninguém vai visitar,
também aí comparecem, apesar disso, e ficam pesarosos ao verem que
ninguém se lembra deles?
Que lhes importa a Terra? Não se prendem senão pelo coração. Se aí não há
amor, não há nada que retenha o Espírito: ele tem todo o Universo para si.
COMENTÁRIOS:
Quanto mais nos desprendemos da Terra, quanto mais evoluímos,deixamos
de ficar apegados às coisas do mundo material e até mesmo às pessoas,caso
não haja afeição sincera.
O que liga o Espírito a um determinado planeta, a um determinado local, são
as pessoas,as afeiçõessinceras e reais. As afeições são eternas. Onde quer
que estejamos sempre teremos aqueles corações que são ligados a nós, que
nós temos afinidades.
A questão dos túmulos, se ninguém vai visitar, ninguém sente falta e pesar
daquele Espírito, se não há uma afeição real ele não vai se preocupar muito
com isso.
Quando se esquecem aqueles que se foram, quando não se lembram mais
daqueles que partiram, isso é motivo de tristeza, de pesar para o Espírito que
está na erraticidade porque ele se sente esquecido, como se não mais
existisse.
Mas não é o fato de estarmos no cemitério que faz diferença. O elo é o
pensamento. Eu posso não estar lá, mas em pensamento, em sintonia, de
coração ligado àquele Espírito. Isso é suficiente.
Todos nós precisamos nos conscientizar de que não existe alguémesquecido da Bondade Superior;
todos nós recebemos o que merecemos, onde estivermos.
323 – A visita ao túmulo dá mais satisfação ao Espírito do que uma prece
feita em sua intenção?
A visita ao túmulo é um modo de manifestarque se pensano Espírito ausente:
é a imagem. Já vos disse: é a prece que santifica o ato de lembrar; pouco
importa o lugar, se ela é ditada pelo coração.
COMENTÁRIOS:
Kardec pergunta o mesmo assunto de várias formas para que o entendimento
seja completo, para que não haja dúvidas sobre aquele aspecto.
Não importa o lugar. Tudo é o pensamento.
115
Desde que a prece seja feita com o coração. Isso é o que importa.
A visita ao túmulo é uma representação exterior de um fato íntimo. É uma
mensagem para quem está encarnado.
O tipo de material utilizado para a construção do túmulo importa aos
encarnados. Para os desencarnados não há diferença. O que importa ao
Espírito são os sentimentos.
O que deixa o Espírito feliz não é o fato da pessoa ir ao túmulo, mas a
lembrança, os sentimentos de carinho, de afeto e não o local.
Asvisitasaostúmulossãomanifestaçõesexteriores,herdadasdoprimitivismoreligiosodasraçase culturas,
para a veneração a ancestrais e entes queridos que, à medida que a conscientização da imortalidade do
Espírito e a reencarnação se consolidam, pelo impositivo da razão, vão caindo em desuso. Velhos credos
continuarãoasofrermodificações,eaté mesmocaindonoesquecimento,pelaforçadalógicae doprogresso,
ainda que nos dias atuais muitos sintam necessidade de se postarem diante das edificações de mármore e
alvenaria,parase sentiremmaispróximosdaquelesquejápartiramparaa Pátria Verdadeira.Éo estágioem
que se posicionam.
324 – Os Espíritos de pessoas às quais se elevaram estátuas ou
monumentos, assistem às suas inaugurações e as veem com prazer?
Muito, e aí comparecem quando podem, porém, são menos sensíveis às
homenagens que lhes prestam que à lembrança.
COMENTÁRIOS:
Essas estátuas que são construídas em homenagem às pessoas que
estiveram presentes no plano material e de certa forma foi uma pessoa de
vulto entre a sociedade, os Espíritos dessas pessoas podem estar presentes
nessas homenagens, caso seja possível, dependendo da evolução e da
utilidade.
Se o Espírito ainda é apegado à matéria provavelmente estará presente
assistindo as homenagens, apreciando o monumento.
Se o Espírito é mais evoluído estará presente se tiver utilidade.
Mas o que importa, o que sensibiliza os Espíritos não é a homenagem em si,
mas a lembrança que deles os homens guardam, pois esta provém do
coração.
São as emoções das lembranças do convívio,das atitudes que aquela pessoa
deixou no mundo material.
São as lembranças que muitas vezes nos inspiram e nos fazem querer ser
melhor.
116
Erigir estátuas dos que partiram para o além, buscando perpetuar-lhes a memória para a
posteridade, tem sido uma preocupação entre os homens.
Embora tenha sido considerável o contributo para com a História, sabemos que, em muitos
casos, tem havido interesses de várias ordens, sendo que o orgulho e a vaidade têm sido
o móvel dessa prática.
A participação ou o prazer que possam sentir os homenageados está na condição evolutiva
de cada um. Tratando-se de um Espírito elevado, nem sempre comparece à homenagem
que lhe é prestada, salvo nos casos em que, comparecendo ou participando, possa ser útil,
inspirando ou intuindo os encarnados para tarefas ou práticas enobrecedoras, que possam
gerar benefícios a alguém em particular, ou a muitos, de forma generalizada.
325 – De onde provém o desejo de certas pessoas de serem enterradas
num lugar mais do que noutro? Reveem esse lugarcom maiorsatisfação
depois da morte? Essa importância dada a uma coisa materialé um sinal
da inferioridade do Espírito?
Afeição do Espírito por certos lugares: inferioridade moral. Que vale um
pedaço de terra mais que outro para um Espírito elevado? Não sabe ele que
a sua alma se reunirá aos que ama, mesmo quando os ossos estejam
separados?
325.a) A reunião dos despojos mortais de todos os membros de uma
mesma família deve ser considerada como uma coisa fútil?
Não, é um costume piedoso e um testemunho de simpatia pelos entes
amados; se essa reunião pouco importa aos Espíritos,ela é útil aos homens:
as lembranças são mais concentradas.
COMENTÁRIOS:
A afeição ou desejo de certas pessoas preferirem ser enterradas em
determinado local está relacionado à inferioridade moral. É uma ligação com
o corpo que ainda não compreende bem o estado pós-morte, como também,
o desejo, o sentimento com o lugar. Às vezes dá importância enquanto
encarnado, mas depois percebe que não faz diferença.
Para um Espírito evoluído não faz a menor diferençaonde quer que seu corpo
seja enterrado.
A importância não é o lugar e nem os despojos do corpo material, mas o
sentimento, as lembranças reais e verdadeiras para com aquele que
desencarna.
O costume de as famílias sepultarem os restos mortais de seus membros em
um mesmo lugaré útil do ponto de vista material, pois favorece as recordações
117
em benefício daqueles que partiram. Para o Espírito não tem nenhuma
importância, entretanto, uma vez que essacultura nenhum valor tem, do ponto
de vista moral, a não ser tornar mais concentradas as recordações dos
parentes.
São os hábitos antigos que refletem uma forma de representação dos nossos
sentimentos para com aqueles que já partiram. É a materialização dos nossos
sentimentos.
É por isso que precisamos estudar, buscar o conhecimento para que
gradativamente possamos compreender as leis de Deus.
Os Espíritos elevados são despojados de todo tipo de apego, que constitui limitação moral
da alma.
Muitos e muitos Espíritos encarnados, quando percebem a aproximação da
desencarnação, desejam que seus corpos sejam enterrados em tal ou qual lugar,
principalmente onde nasceram. Isso caracteriza a condição espiritual de quem se aproxima
do túmulo. O corpo é corpo e não retém o Espírito junto a si. Depois que esse deixa a veste
física, ele volta para o meio de onde veio, a mãe natureza, e vai servir em outras áreas
como manda o progresso.
Quanto a reunir todos os restos mortais de uma família em determinado lugar, é inspiração
do amor limitado dos que lhes foram entes queridos. Convém notar que esse gesto não
interfere na evolução do Espírito imortal. São laços que estão ligados aos velhos costumes,
que é preciso sejam desatados por novas filosofias.
326 – A alma, voltando à vida espiritual, fica sensibilizada com as
homenagens prestadas aos seus despojos mortais?
Quando o Espírito alcançou um certo grau de perfeição, não tem mais a
vaidade terrena e compreende a futilidade de todas essas coisas. Ficai
sabendo, há Espíritos que nos primeiros momentos da sua morte material
sentem um grande prazer com as homenagens que lhes prestam, ou um
desgosto com o abandono dos seus despojos, porque conservam, ainda,
alguns preconceitos desse mundo.
COMENTÁRIOS:
Depende do nível evolutivo do Espírito.
Depende do equilíbrio do Espírito. Há Espírito tão inconsciente que não
percebe o que está acontecendo. Não sabem que já partiram.
Quanto mais livre das vaidades terrenas, mais ele compreende que essas
homenagens não representam nada para si mesmo, pois só faz elevar a
vaidade e o orgulho de que são melhores ou merecedores que outros de tais
homenagens.
118
O Espírito que atingiu um determinado grau de perfeição, despojado que se
encontra das vaidades terrenas, compreende a inutilidade dos funerais
pomposos, que servem mais aos que ficam do que aos que partiram.
Espírito que ainda se encontram presos à materialidade, que ainda não se
despiram desses sentimentos imperfeitos ficam felizes com as lisonjas que a
eles tributam ou ficam entristecidos pelo pouco caso, pela pouca importância
que seus despojos corporais recebem.
O conhecimento do plano espiritual, o conhecimento das Leis de Deus e a
vivência do Evangelho faz muita diferença na postura e na forma com que o
Espírito vai reagir no plano espiritual.
Qual deve ser a nossa postura?
A mesma postura de respeito que devemos ter para com qualquer pessoa
encarnada. Uma prece sincera, um pensamento simples, mas bondoso,
endereçado aos entes que partiram, valem mais do que mil coroas de flores e
solenidades fúnebres.
Quase sempre ele se desliga deste tipo de chamamento, embora possa sentir-se feliz com
a sinceridade de algumas homenagens, ou quando estas possam redundar em benefício à
coletividade ou favorecer o progresso das criaturas, sejam elas ou não, amigos e familiares.
Por vezes, deixa de participar das homenagens em sua honra para atender chamados e ir
ao encontro dos corações sofredores.
As honrarias do mundo são tempo perdido para as almas de escol. Somente os Espíritos
inferiores com elas se comprazem e inspiram outros a acompanhá-los nessas práticas.
- Obreiros da Vida Eterna
327 – O Espírito assiste ao seu enterro?
Muito frequentemente, assiste, mas, algumas vezes, não compreende o que
se passa, se está ainda perturbado.
327.a)Ele se lisonjeia com a concorrênciade assistentes ao seu enterro?
Mais ou menos, de acordo com o sentimento que os anima.
COMENTÁRIOS:
Os Espíritos podem estar presentes durante o enterro, presenciando todo
aquele acontecimento,mas isso vai dependerdo graude evolução do Espírito.
No momento do desencarne,depois do desligamento do períspirito segue-se
um processo de perturbação espiritual.
119
A perturbação é natural. É normal que haja esse processo de perturbação.O
Espírito fica meio adormecido, sem ter noção exata do que está acontecendo
ao seu redor.
Esse estado de perturbação varia muito de Espírito para Espírito.Há Espíritos
que passam rapidamente por esse estado, vindo a seguir a lucidez, o
despertar no plano espiritual.
Quanto mais entendimento, quanto mais se pratica o Evangelho, menor é o
tempo de perturbação e mais cedo é o despertar no plano espiritual.
Aqueles que permanecem mais tempo no estado de perturbação não
conseguem acompanhar o que está ocorrendo ao seu redor. Por isso que
muitos não percebem o que está ocorrendo no seu funeral. Quando
despertam, tudo isso já passou: o velório, o enterro.
Há também os revoltados.
Nemsempre oEspírito recém-desencarnadoassiste aoenterrodoseucorpo.Issodepende,e muito,doseu
estado emotivo,das suas forças internas, pois não se pode generalizar o posicionamento das almas depois
do túmulo.
Os benfeitores espirituais acompanham a alma recém-desencarnada ao enterro, desde que esse fato lhe
sirva de desprendimento do próprio envoltório que lhe serviu de roupa física pelo tempo que estagiou na
Terra. Nada se faz sem uma utilidade, principalmente no mundo dos Espíritos.
Em muitos casos, o Espírito não percebe o que se passa no enterro do seu corpo, por estar inconsciente e,
de ordinário, não ser de utilidade para o seu bem-estar espiritual; no entanto, existem Espíritos que
acompanhamo sepultamentodosrestosmortais,naexpressãoaospróprioshomens,comcertaalegria,por
teraproveitadomuitobemsuavidanoplanetae tercumpridoseusdeveres,oque é raroacontecer.Omedo
da morte turva a consciência da alma
Letra A
Quanto as pessoas presentes e a formade condução do funeral vão depender
da condição do Espírito e daquilo que ele valoriza.
Se os comentários feitos durante o velório e no enterro forem inadequados,
nada construtivos, ou críticas à personalidade daquela pessoa que se foi, o
Espírito ao verificar tais comentários e procedimentos vai se entristecer, não
vai ficar feliz.
As imagens e evocações das palestras dos presentes incidem sobre a mente
do recém-desencarnado, o qual, na maioria das vezes, por ausência de
preparo espiritual e desconhecimento das Leis Naturais, embora morto
biologicamente,ainda não se desligou,mentalmente, dos despojos,o que lhe
traz muito sofrimento, inclusive sensações desagradáveis, perturbações e
pesadelos, dificultando ainda mais o seu desenlace.
Muitas vezes, o Espírito assiste ao seu próprio velório, não sendo raro as
decepções que experimenta, ao se defrontar com alguns visitantes falando
mal do “extinto”, contando piadas ou em conversas sobre negócios regadas a
bebida alcoólica, sem qualquer respeito pela memória do recém-
desencarnado.
120
O corpo fluídico que envolve o Espírito lhe passa todas as sensações.
Sendo assim, nosso desespero e observações quanto á vida do
desencarnado, poderá causar-lhe muito desconforto.
O corpo físico está inerte, mas o fluídico não.
Não estamos querendo dizerque não devemos chorara perdade quem muito
amamos e que “se foi”. A dor da separação é inevitável.
Por outro lado, até devemos dar vazão a tudo aquilo que estamos sentindo ou
corroendo pordentro,mas que seja a dorda saudade, não a do desesperoem
querer o ente querido de volta.
Se houver pessoas em preces, externando seus sentimentos de afeição e
amor, lembrando das coisas boas vivenciadas com aquela pessoa, tecendo
considerações positivas e construtivas, o Espírito vai se sentir bem.
As lágrimas deverão ser de saudades,cheias de amor. Esquecê-los? Jamais.
Necessitam do nosso carinho e orações para auxiliá-los a evoluir.
Tudo depende dos sentimentos de cada um e não a quantidade de pessoas
no enterro.
- Obreiros da vida eterna – Capítulo 14 – Um caso prático de evocação inconsciente
ocorrido num velório.
328 – O Espírito daquele queacaba de morrer,assiste à reunião dosseus
herdeiros?
Quase sempre. Deus o permite para sua própria instrução e o castigo dos
culpados;é então que ele julga o valor das manifestações que lhe fazem. Para
ele todos os sentimentos estão a descoberto e a decepção que experimenta
vendo a cobiça dos que partilham seus despojos o esclarece sobre seus
sentimentos; mas sua vez virá.
COMENTÁRIOS:
As pessoas no mundo material, em sua maioria, se preocupam com os bens
materiais, com as conquistas de valores financeiros mesmo tendo a
consciência de que ninguém leva esses bens para o plano espiritual. Daí o
fato de desencarnarnão modificaseus sentimentos.A formaque ele conduziu
esses bens e sua família,será a formacomo ele irá encarar esse momento de
partilha. É um momento é de aprendizagem para o Espírito.
Ficam decepcionados quando assiste às reuniões dos herdeiros,disputando,
em brigas acirradas, a divisão dos bens do espólio. A decepçãoem função da
conduta dos familiares.
121
É triste para um Espírito que desencarnae deumuito valor aos bens materiais,
ver por exemplo, a reunião dos seus herdeiros para a partilha dos bens. Ver
que muitos de seus familiares, discutem, brigam, causam inimizades,
distanciam-se uns dos outros em função desses bens.
Isso reflete, às vezes, a importância que o próprio desencarnante deu aos
bens materiais.
Se era um Espírito mais evoluído, embora tivesse recursos, mas fosse uma
pessoaque játrabalhava o seu lado moral e espiritualse entristece daconduta
dos seus herdeiros pelapartilha dos bens.Pois gostariaque naquele momento
houvesse mais importância pelos sentimentos.
Aqueles que eram muito apegados aos bens materiais, muitas vezes quando
veem também a forma equivocada de lidar com os recursos que ficaram pelo
restante da família lhes causa muito sofrimento,muita dor, muito apego, pois
às vezes não consegue se distanciar de onde estavam seus bens.
A riqueza dos sentimentos. Essa é a verdadeira riqueza que devemos
trabalhar constantemente para que ao retornar ao plano espiritual não
tenhamos que assistir a briga dos nossos herdeiros pelos bens materiais e
nem ficar apegados a tais bens.
Uma família que briga pela divisão dos bens materiais de herança, é, pois, infeliz, pelo
apego às coisas transitórias, o que dá origem ao ódio e, por vezes, à própria morte. Falta
quase sempre o respeito ao que partiu e que, em muitos casos, se encontra presente
esforçando-se e sofrendo para pacificar os que ficaram, inconscientes da existência do
amor e do perdão.
Os que se foram, assistindo a esses dramas, notam que a sua verdadeira família é
universal, quando ele tem algum entendimento espiritual. Quando é ignorante, briga com
os que ficaram intrometendo-se entre eles com as mesmas paixões e a mesma ganância
pelo ouro.
Devemos consolidar nosso verdadeiro tesouro, aquele que a ferrugem não estraga, nem a
traça corrompe.
329 – O respeito instintivo que o homem, em todos os tempos e entre
todos os povos, testemunha pelos mortos, é um efeito da intuição que
tem da existência futura?
É a consequência natural dessa intuição; sem ela, esse respeito não teria
sentido.
COMENTÁRIOS:
122
Tudo aquilo que vivemos, todas as nossas experiências, aprendizados e
conhecimentos não se perdem por aqui. Tudo fica arquivado em nosso
períspirito, em nossa memória.
Esse conhecimento sempre aflora, nem sempre de forma lúcida, estando ali
latente em nosso íntimo, desabrocha através da intuição.
No íntimo do nosso coração todos nós sabemos que a morte não existe, que
o Espírito é eterno e sobrevive à morte do corpo físico.
Todas as Leis de Deus estão guardadas em nossa consciência.
Todos nós fomos criados simples e ignorantes, com a centelha divina dentro
de nós.
Essa centelha faz com que todos nós tenhamos em nosso interior todas as
potencialidades de Espírito que vai aflorando conforme as nossas
experiências, nossos conhecimentos e nossas necessidades, mesmo que na
forma de intuição.
Os homens sempre consagraram respeito aos mortos, tanto que levantam monumentos em
sua honra e formulam muitas atividades baseadas em suas lembranças. Isso porque está
vibrando em sua consciência conhecimento de que ninguém morre e da lei de
reencarnação, por ter passado por muitas e muitas experiências nesse sentido.
Seria muito bom se todas as religiões e filosofias espiritualistas ensinassem aos seus
seguidores que a vida continua depois do túmulo com as mesmas paixões e virtudes.
O mais importante não é o comportamento nosso na hora da desencarnação
de um ente querido, ou no momento de nossa própria morte física, mas
sobretudo a conduta que devemos ter durante toda a nossa existência física,
pois que, sendo Espíritos imortais, nossa vida é uma constante preparação
para a morte, razão pela qual é preciso viver bem para morrer bem.
A melhorcoisaque existe é cadaum, sejaem um plano, sejano outro,procurar
trabalhar dentro de si nas mudanças necessárias,como ensinaJesus:perdoar
todas as ofensas e calúnias, não odiar a ninguém, fecundaras ideais de amor
cada vez mais no coração, procurando entender o verdadeiro amor e amar
todos e tudo.
123
REFERÊNCIAS:
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Espírito Cairbar Schutel.
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– SP: O clarim, 2019. Pelo Espírito Cairbar Schutel.
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Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 52ª Ed. Araras – SP: IDE, 2018.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de
Salvador Gentile. 365ª Ed. Araras – SP: IDE, 2009.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentile. 182ª
Ed. Araras – SP: IDE, 2009.
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Araras – SP: IDE, 2008.
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XAVIER, Chico. Os Mensageiros. 47ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito
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XAVIER,Chico. Missionários da Luz.43ª ed.Rio de Janeiro:FEB,2009.Pelo
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XAVIER, Chico. Obreiros da Vida Eterna. 35ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo
Espírito André Luiz.
XAVIER, Chico. No Mundo Maior. 28ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito
André Luiz.
XAVIER,Chico. Libertação.33ª ed. Brasília: FEB, 2017.Pelo Espírito André
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XAVIER, Chico. Entre a Terra e o Céu. 27ª ed. Brasília: FEB, 2018. Pelo
Espírito André Luiz.
XAVIER,Chico. Nos domínios da Mediunidade.36ª ed. Brasília: FEB,2018.
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124
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André Luiz.
XAVIER, Chico & VIEIRA, Waldo. Evolução em dois Mundos. 27ª ed.
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XAVIER, Chico & VIEIRA, Waldo. Mecanismos da Mediunidade. 28ª ed.
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XAVIER, Chico & VIEIRA, Waldo. Sexo e Destino. 34ª ed. Brasília: FEB,
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https://www.youtube.com/watch?v=4xRhAKctMo8&list=PLI-
OgasY7T5tz8FFyT2yr5aKTPbavF7by&index=111

Capitulo VI - Vida espirita

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    1 LIVRO SEGUNDO: DOMUNDO ESPÍRITA OU MUNDO DOS ESPÍRITOS CAPÍTULO VI: VIDA ESPÍRITA 6.1 – ESPÍRITOS ERRANTES 6.2 – MUNDOS TRANSITÓRIOS 6.3 – PERCEPÇÕES, SENSAÇÕES E SOFRIMENTOS DOS ESPÍRITOS 6.4 – ENSAIO TEÓRICO SOBRE A SENSAÇÃO NOS ESPÍRITOS 6.5 – ESCOLHA DAS PROVAS 6.6 – RELAÇÕES DE ALÉM-TÚMULO 6.7 – RELAÇÕES SIMPÁTICAS E ANTIPÁTICAS DOS ESPÍRITOS. METADES ETERNAS 6.8 – LEMBRANÇAS DA EXISTÊNCIA CORPORAL 6.9 – COMEMORAÇÃO DOS MORTOS – FUNERAIS SLIDES: https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/261-espiritos-errantes https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/262-mundos-transitorios https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/263-percepcoes-sensacoes-e- sofrimentos-dos-espiritos https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/264-ensaio-teorico-sobre-a- sensacao-nos-epiritos https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/escolha-das-provas-238654197 https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/266-relacoes-de-alemtumulo https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/267-relacoes-simpaticas-e- antipaticas-dos-espiritos https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/268-lembrancas-da-existencia- corporal https://pt2.slideshare.net/MartaMiranda6/269-comemoracao-dos-mortos- funerais
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    2 6.1 – ESPÍRITOSERRANTES COMENTÁRIOS: Qual o significado de errante? − Allan Kardec cunhou a expressão Espíritos errantes. − Em francês errant = errante, que vagueia. − Na Língua Portuguesa, tem diferentes significados, por exemplo, o de pessoa nômade ou a que não tem residência fixa. − Para o Espiritismo,serve para designar o Espírito que ainda necessita passar por muitas reencarnações até que atinja o estágio de ser espiritual evoluído, característico do Espírito Puro. Para onde vai o Espírito após a morte do corpo físico? Após a morte do corpo físico,o Espírito retornaao mundo espiritual onde passa a viver e a se preparar para nova reencarnação. Inicia-se, então, uma nova fase da vida em outro plano vibratório. O perispírito, agora liberto do corpo físico, revela com mais intensidade suas propriedadesplásticas e sutis que, sob o comando do pensamento e da vontade, implementam as necessárias transformações, úteis à adaptação no plano espiritual. Erraticidade: Podemos defini-la como sendo o estado dos Espíritos errantes, isto é, não encarnados,durante os intervalos de suas diversas existências corpóreas. Erraticidade é o nome que adotamos para indicar o tempo que o Espírito, terminada uma experiência encarnatória, aguarda para reencarnar-se de novo. Significa período de tempo entre uma existência que terminou e outra que se estará iniciando. O Espírito, durante esse tempo, não está à toa. Ele está vivendo sua vida normal de espírito. Está estudando, preparando-se, aprendendo, convivendo com outros Espíritos enquanto a hora do novo mergulho na carne não chega. Todos os Espíritos sujeitos a novas reencarnações aguardam-nas na chamada erraticidade. Erraticidade é, portanto, tempo de espera. Seria a “fila da reencarnação”. E é uma senhora fila. Sobretudo hoje, quando os casais se recusam, insistentemente, a dar acolhida aos filhos que querem nascer.
  • 3.
    3 A erraticidade mesmosendo muito longa, nunca é perpétua. Após determinado período, o Espírito voltará a uma existência apropriada a seu aprendizado e aperfeiçoamento. 223 – A alma se reencarnaimediatamente apóster se separado do corpo? Algumas vezes reencarna imediatamente; porém, com mais frequência, depois de intervalos mais ou menos longos. Nos mundos superiores, a reencarnação é, quase sempre, imediata; a matéria corporal sendo menos grosseira,o Espírito encarnado gozaaí de quase todas as suas faculdades de Espírito; seu estado normal é o dos vossos sonâmbulos lúcidos. COMENTÁRIOS: Não há uma regra geral para a reencarnação dos Espíritos. Cada caso é um caso. Há aqueles que necessitam reencarnar imediatamente. Há aqueles que precisam de um tempo maior e vai demorar para reencarnar. Cada um conforme suas necessidades. Tudo é feito na forma que melhor atender as necessidades do Espírito reencarnante. Há o período de perturbação após o desencarne (horas, dias, semanas, meses). Depende do nível evolutivo e do equilíbrio do desencarnante. Enquanto estamos no mundo espiritual – na erraticidade – nós aprendemos, lá nós estudamos, trabalhamos, evoluímos também. Após o período de uma reencarnação, é necessário um momento para reestabelecermos, para refletirmos sobre os erros cometidos, sedimentar o aprendizado obtido naquela reencarnação e programarmos a próxima reencarnação que para isso deve haver o preparo através de estudos, análises, cursos, observações, tarefas a desempenhar. A vida não para enquanto estamos desencarnados. Ela continua muito mais fluente. Nos mundos superiores não há muita diferença em estar encarnado ou desencarnado. A matéria é menos grosseira. Se queremos uma reencarnação melhor no futuro, não desprezemos as mudanças, os consertos morais, e para tanto procuremos Jesus; Seus preceitos são eternos e vibram na eternidade da vida, sendo caminhos que nos mostram a felicidade e como conquistá-la. Coleção A Vida no Mundo Espiritual – Chico Xavier / André Luiz
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    4 André Luiz nãoé o único repórter do mundo espiritual. Inúmeros outros Espíritos, aqui no Brasil e no exterior, já nos deram seguros e universais esclarecimentos sobre a vida espiritual; seus sistemas de administração, educação, saúde, segurança, disciplina, remuneração e várias outras informações. - Espírito Ângelo Inácio (repórter do Além) – Médium Robson Pinheiro - Espírito Lúcius – Médiuns Zíbia Gasparetto, André Luiz Ruiz - Espírito Patrícia – Médium Vera Lúcia 224 – Que se torna a alma nos intervalos das encarnações? Espírito errante que aspira a seu novo destino; ele espera. 224.a) Qual pode ser a duração desses intervalos? De algumas horas a alguns milhares de séculos. De resto, não há, propriamente falando, limite extremo assinalado para o estado errante, que pode prolongar-se por muito tempo, mas que, entretanto, não é jamais perpétuo. O Espírito encontra sempre, cedo ou tarde, oportunidade de recomeçar uma existência que sirva à purificação das anteriores. 224.b)Essa duraçãoestá subordinadaà vontadedo Espírito ou pode lhe ser imposta como expiação? É uma consequênciado livre-arbítrio. Os Espíritos sabem perfeitamente o que fazem, porém, para alguns é também uma punição imposta por Deus. Outros pedem para que ela seja prolongada, a fim de continuarem estudos que não podem ser feitos com proveito, senão no estado de Espírito. COMENTÁRIOS: Todos nós somos Espíritos e a nossa individualidade continua sendo aqui na Terra, no Mundo Espiritual ou reencarnado em outro orbe. Somos o que somos,o que construímos a nossa história. O tempo aqui ou lá na erraticidade depende da nossa necessidade de aprendizado. É necessário que tenhamos experiências na matéria porque a matéria nos impões limitações. Temos que trabalhar para conseguir o alimento, o vestuário, o abrigo, a manutenção da saúde e outras necessidades na construção de um mundo melhor. Esse trabalho impõe ao Espírito o
  • 5.
    5 desenvolvimento da inteligência,a melhoria na convivência, aprimorando a evolução. No mundo espiritual também trabalhamos e estudamos, mas não temos as limitações da matéria. Reencarnação voluntária – Opção do próprio Espírito – depende da consciência do Espírito que deve reencarnar. Ele mesmo apura as suas necessidades, promovendo juntamente com os mentores uma programação de vida avaliando as suas necessidades de aprendizado, de ajustes e de desenvolvimento no processo evolutivo. Se prepara no mundo espiritual, através de cursos,de trabalhos que enriqueçaessaprogramação.É destinada à grande maioria dos Espíritos, basta que tenha um mínimo de consciência para fazer as suas escolhas para promover a sua evolução. Reencarnação compulsória – Imposta ao Espírito – Espíritos que ainda estão em uma fase bem infantil, que estão empenhados no mal, com aquela ideia fixa de prejudicar o próximo, de lutar contra o bem. A esses Espíritos quase sempre é fornecida uma reencarnação compulsória porque não estão em condições de fazer as próprias escolhas.De escolher reencarnar ou não. Ou de escolher em opção irá reencarnar, que situações irá vivenciar. A programação é feita pelos mentores espirituais que normalmente programam uma vida mais simples, que proporcione o seu crescimento junto ao grupo familiar em que vive. Exemplos de Espíritos que reencarnaram logo após o seu desencarne. - Júlio – Entre a Terra e o Céu - Marita e Cláudio retornam como filhos do casal Marina e Gilberto.Marina era irmã de Marita. Cláudio era pai de Marina, com Márcia e era pai de Marita, com Araceles.Gilbertofoinamorado de Marita e Marina. Cláudio tentou abusar sexualmente de Marita antes de saber que era seu pai. Exemplos de Espíritos que já se encontram há séculos no mundo espiritual cumprindo tarefas de aprendizado, de crescimento através do auxílio. - “Alguns podem gastar mil anos para a descida à carne, com missão divina de instruir e dar exemplo de amor para a humanidade, como no caso de Francisco de Assis” (Miramez) - Asclépios - Obreiros da Vida Eterna – Capítulo 03
  • 6.
    6 225 – Aerraticidade, por si mesma, é um sinal de inferioridade nos Espíritos? Não, pois há Espíritos errantes de todos os graus. Já dissemos que a encarnação é um estado transitório; no seu estado normal o Espírito está liberto da matéria. COMENTÁRIOS: O termo “Erraticidade” é o mesmo que “Mundo Espiritual”. Erraticidade – é a condição do Espírito entre uma reencarnação e outra. Se está no processo reencarnatório é porque ainda não é Espírito puro. Não há evolução sem estarimerso no corpo físico.A vivência das experiências no corpo físico faz com que o Espírito aprenda e evolui. No mundo espiritual há os umbrais, mas também há as Colônias Espirituais. Na Casa do Pai há muitas moradas. Da mesmaforma que no mundo material há mundos mais evoluídos e menos evoluídos, há colônias espirituais cuja felicidade não temos atualmente condições de compreender. Espíritos evoluídos – estão acima de nós (em conhecimento, moral e sabedoria) mas abaixo dos Espíritos Puros. O fato de estar no mundo espiritual não quer dizer que o Espírito esteja mais ou menos evoluído. A erraticidade está também entre nós, pois convivemos com o mundo espiritual, em qualquer lugar que estivermos haverá Espíritos convivendo conosco A erraticidade não caracteriza o estado dos Espíritos inferiores. Nela se encontram diversas colônias espirituais, postos avançados de socorro, para receber e instruir todos os Espíritos recém-vindos da matéria; aqueles mais endurecidos acomodar-se-ão em lugares compatíveis com os seus sentimentos sem, entretanto, ficarem órfãos da bondade do Criador, pois sempre receberão, por misericórdia, a visita dos benfeitores da verdade e do bem comum. Aqui encarnados estamos fora de casa, estagiando, praticando a aprendizagem teórica. Nosso verdadeiro mundo é o mundo espiritual.
  • 7.
    7 226 – Pode-sedizer que todos os Espíritos, que não estão encarnados, são errantes? Os que devem se reencarnar, sim, mas os Espíritos puros,que alcançaram a perfeição, não são errantes: seu estado é definitivo. Allan Kardec: Com relação às qualidadesíntimas,os Espíritossão dediferentes ordens ou graus, que percorrem sucessivamente, à medida que se depuram. Quanto ao estado, podem ser: encarnados, quer dizer, unidos a um corpo; errantes, isto é, livres do corpo material e esperando uma nova encarnação para se melhorarem; Espíritos puros,perfeitos,e não tendo mais necessidade de encarnação. COMENTÁRIOS: No tocante às qualidades íntimas, os Espíritos são de diferentes ordens ou graus, pelos quais vão passando sucessivamente,à medidaque se purificam. Quanto as qualidades íntimas, os espíritossão de diferentes ordens ougraus, que vão se sucedendo àmedidaque evoluem.Com relação ao estado em que se encontram, podem ser assim considerados: • Espíritos Encarnados - Encontram-se ligados a um corpo físico; • Espíritos Errantes - Encontram-se desligados do corpo material e aguardando nova encarnação para se melhorarem. • Espírito Puros - Não necessitam mais de reencarnações. (somente quando em missão). Esses termos são apenas didáticos para que possamos compreender. Todos nós temos a mesma essência: Somos Espíritos criados por Deus, simples e ignorantes. Começamos a caminhada e temos comoobjetivo finalaconquistada felicidade.Todossomos Espíritos, uns mais no início da caminhada, outros mais avançados. A maturidade é obra do tempo, os valores internos vão sendo despertados gradativamente. Errante é o Espírito que nesse momento está desencarnado, mas que está aguardando uma oportunidade para reencarnar. Esse aguardar é em ação: trabalho, estudo, auxílio. Ninguém fica parado, ocioso. A não ser que pelo livre-arbítrio não queira estar em ação. O livre- arbítrio existe tanto aqui, quanto lá.
  • 8.
    8 Os Espíritos Purosnão precisam mais reencarnar, porém continuam progredindo. Toda a criação do Pai caminha rumo ao progresso infinito. Ex: Jesus encarnou para nos beneficiar,nos auxiliar, nos ensinar por meio das palavras e da prática, ou seja, cumprir a missão libertadora da humanidade. 227 – De que maneira os Espíritos errantes se instruem? Sem dúvida, eles não o fazem do mesmo modo que nós? Estudam o seu passado e procuram os meios para se elevarem. Veem, observam o que se passa nos lugares que percorrem;ouvem as palavras dos homens mais esclarecidose os avisos dos Espíritos mais elevados,e isso lhes dá ideias que não tinham. COMENTÁRIOS: Os livros da coleção A vida no mundo espiritual deixam claro as tarefas no mundo espiritual. São várias as histórias que André Luiz relata. A Terraé uma cópiapálida do Mundo Espiritual. Lá é o mundo real. Látambém há trabalho, há estudo, escolas, faculdades, estágios. Eles se instruem na vida espiritual em cursos intensivos e no próprio trabalho em colônias espirituais, bem como junto aos homens instruídos da Terra. Assistem muitos congressos dos seres humanos, anotam coisas e se interessam por todas as inovações que se fazem no planeta. André Luiz relata a sua vida em Nosso Larnos mostrando de formaclara como é a vida e como a vida no mundo espiritual nos proporcionaa continuidade de crescimento, de aprendizado, de oportunidades de evolução. Não há dúvida que em todos os lugares há a oportunidade de crescimento,de trabalho e de estudo, de evolução. Ex: André Luiz – como ele foi descrito em “Nosso Lar” e depois como ele estava no último livro “E a vida continua”. O quanto ele aprendeu e está aprendendo na erraticidade. Há as oportunidades para aqueles que optam por trabalhar. Lá também há a lei do livre arbítrio. Mas há Espíritos errantes, sem a maturidade devida, que não se interessam pelo progresso e, pela sintonia, se acham ligados a almas da mesma índole, onde escapa o interesse de servir e de aprender. Tem muitos que não avançam na erraticidade e nem como encarnados. Quem se encontra na Terra, movendo-se em um corpo de carne, que agradeça a Deus pela oportunidade valiosa, e faça tudo para compreender
  • 9.
    9 as leis queregem o campo fisiológico, conservando-o com saúde e bem- estar. Quando mais tempo viver no campo da carne, mais possibilidades terá o Espírito de aprendizado. 228 – Os Espíritos conservam algumas das paixões humanas? Os Espíritoselevados,perdendo seuenvoltório físico,deixam as más paixões e só guardam as do bem;quanto aos Espíritos inferiores, conservam-nas,pois, de outra forma, seriam da primeira ordem. COMENTÁRIOS: Quando nós desencarnamos, continuamos a ser nós mesmos, com os mesmos sentimentos, as mesmas preferências, os mesmos conhecimentos, as mesmas emoções. Vencer as más paixões é objetivo do Espírito, ser imortal, criado por Deus. Estar reencarnado é uma etapa para a conquista desse objetivo. Tanto aqui, quanto no mundo espiritual, o Espírito traz consigo todas as suas conquistas de ordem emocional, moral e intelectual que já tenha conquistado nas suas diversas reencarnações. Sempre terá esse patrimônio. O Espírito não consegue se livrar de todas as suas paixões em uma única encarnação. Fica claro que toda vez que retorna à pátria ainda leva consigo as paixões (sentimentos negativos) que não conseguiu extinguir. Leva também as virtudes adquiridas. Enquanto não se tornar Espíritos puros terão paixões. E enquanto isso vão levar e trazer até eliminar. À medidaque vai eliminando as paixões, as virtudes vão se ampliando. 229 – Por que os Espíritos, deixando a Terra, não deixam nela todas as suas más paixões, uma vez que eles veem os seus inconvenientes? Tens nesse mundo pessoas que são excessivamente invejosas; acreditas que, mal o deixem,perdem os seus defeitos? Depoisde sua partida da Terra, sobretudo para aqueles que têm paixões bem acentuadas, resta uma espécie de atmosfera que os envolve e conserva todas as suas coisas más, porque o Espírito não está inteiramente desprendido; só por momentos vê a verdade, como para lhe mostrar o bom caminho. COMENTÁRIOS:
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    10 As paixões sãovícios do Espírito: maledicência, vaidade, orgulho, egoísmo, ódio, inveja, ira, preguiça, ciúme, etc. Deixar as más paixões é o grande objetivo de todos nós,condição para nossa evolução. É o mesmo objetivo tanto para encarnados, quanto para desencarnados. Não é pelo fato de desencarnar que vamos vencer automaticamente as más paixões, nos proporcionando a conquista da evolução. O desencarne não muda a personalidade do Espírito.É apenas um momento biológico da vida do Espírito. A desencarnação nos transfere de plano, mas não altera a realidade evolutiva do ser imortal – o Espírito. Quando a alma parte do mundo físico,ela leva consigo as suas paixões, que atravessam com ela o túmulo sem nenhuma dificuldade. Se as paixões nos acompanham depois da chamada morte do corpo, a inteligência nos diz que devemos suspendê-las antes que chegue a hora de partir da Terra para o mundo espiritual. A evolução do ser ocorre pelas duas asas: a asa da razão (desenvolvimento intelectual) e a asa da emoção, dos sentimentos, da conquista do amor. Precisamos amar para vencer. Jesus nos ensinou amar. O amor é uma Lei Universal. O amor se desenvolve através da nossa vivência diária, da nossaconvivência com o próximo. O verdadeiro espírita não é aquele ser humano perfeito, uma vez que esse não existe em nosso planeta. O verdadeiro espírita é aquele que se esforça no cotidiano para vencer as más paixões,para promovera sua transformação moral. Devemos começaro esforçode purificação hoje, agora, sem perda de tempo, porque todo trabalho para melhorar moralmente é assistido pelos benfeitores da espiritualidade maior que caridosamente beneficiam a todos através do amor. 230 – O Espírito progride no estado errante? Pode melhorar-se muito, sempre segundo a sua vontade e o seu desejo;mas é na existência corporalque ele põe em prática as novas ideias que adquiriu. COMENTÁRIOS:
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    11 O progresso estáem todos os lugares da criação divina. Cada lugar é apropriado para um tipo de ensinamento que ele oferece. Aqui na Terra nós aprendemos com as restrições que a matéria nos impõe, nos impulsionando para o trabalho, que nos proporcionaa convivência com os outros e, enfim, o progresso coletivo. Na erraticidade passamos pormomentos de vidauns mais curtos, outros mais longos aguardando uma nova reencarnação. Não ficamos parados do lado de lá. Vamos buscar melhorar através de cursos, de trabalhos, de auxílio ao próximo. Se o Espírito não tem um certo preparo,encontrará grandes dificuldades,mas, se já tem o princípio do amor aflorado no coração, esse cresce em todos os seus caminhos. A missão do Espírito é aprendera amar e a espalhar esse amor. Essa missão é contínua, independentemente, se esteja encarnado ou não. Fazemos isso pela lei do livre arbítrio. Podemos escolher amar. Podemos escolher vivenciar os ensinamentos de Jesus. O Evangelho de Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. O despertamento está em nossas mãos. Jesus nos espera estendendo as mãos para nos guiar em direção a Deus. Exemplo de Silvério: Aproximando-nos dos pavilhões de desenho, onde numerosos cooperadores traçavam planos para reencarnações incomuns, foi o meu novo companheiro procurado por uma entidade simpática que lhe pediainformações. Manassés apresentou-me, otimista. Tratava- se dum colega que, depoisde quinze anos de trabalho nas atividades de auxílio, regressaria à esfera carnal para a liquidação de determinadas contas. O recém-chegado parecia hesitante. Via-se-lhe o receio, a indecisão. – Não se deixe dominar pelas impressões negativas – dirigia-se Manassés a ele, infundindo-lhe bom ânimo. – O problema do renascimento não é assim tão intrincado. Naturalmente, exige coragem, boas disposições. – Entretanto – exclamava o interlocutor, algo triste –, temo contrair novos débitos ao invés de pagar os velhos compromissos. É tão penoso vencer na experiência carnal, em vista do esquecimento que sobrevém à encarnação... – Mas seria muito mais difícil triunfar guardando a lembrança – redarguiu Manassés, incontinente. Prosseguindo, sorridente, acrescentou: – Se tivéssemos grandes virtudes e belas realizações, não precisaríamos recapitular as lições já vividas na carne. E se apenas possuímos chagas e desvios para rememorar, abençoemos o olvido que o Senhor nos concede em caráter temporário. Esforçou-se o outro para esboçar um sorriso e objetou: – Conheço-lhe o otimismo; quisera ser igualmente assim. Voltarei confiante no concurso fraterno de vocês. E modificando o tom de voz, indagou:
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    12 – Pode informarse o meu modelo está pronto? – Creio que poderá procurá-lo amanhã – tornou Manassés, bem disposto –; já fui observar o gráfico inicial e dou-lhe parabéns por haver aceitado a sugestão amorosa dos amigos bem orientados, sobre o defeito da perna. Certamente, lutará você com grandes dificuldades nos princípios da nova luta, mas a resolução lhe fará grande bem. – Sim – disse o outro, algo confortado –, preciso defender-me contra certas tentações de minha natureza inferior e a perna doente me auxiliará, ministrando-me boas preocupações. Ser-me-á um antídoto à vaidade, uma sentinela contra a devastação do amor-próprio excessivo. – Muito bem! – respondeu Manassés, francamente otimista. – E pode informar-me ainda a média de tempo conferida à minha forma física futura? – Setenta anos, no mínimo – redarguiu meu novo companheiro, contente. O outro fixou uma expressão de reconhecimento, enquanto Manassés continuava: – Pondere a graça recebida, Silvério, e, depois de tomar-lhe a posse no plano físico, não volte aqui antes dos setenta. Trate de aproveitar a oportunidade.1 Exemplo de Anacleta: Impressionado, seguia atenciosamente os trabalhos em curso. Dispúnhamo-nos a seguir adiante, quando uma irmã, de porte muito respeitável, se aproximou saudando Manassés afetuosamente. Ele respondeu com gentileza e apresentou-ma: – É nossa irmã Anacleta. Cumprimentei-a, sentindo-lhe a simpatia pessoal. – Trata-se de uma das nossas trabalhadoras mais corajosas – acentuou o funcionário do trabalho de informações. A senhora sorriu, algo contrafeita por se ver focalizada na opinião franca do companheiro. Todavia, Manassés, com o otimismo que lhe era característico, prosseguiu: – Imagine que voltará à esfera do Globo, em breves dias, em tarefa de profunda abnegação por quatro entidades que, há mais de quarenta anos, se debatem em regiões abismais das zonas inferiores. – Não vejo nisso abnegação alguma – atalhou à senhora, sorrindo –, cumprirei tão somente um dever. E fixando-me, desassombrada e serena, asseverou: – As mães que não completaram a obra de amor que o Pai lhes confia junto dos filhos amados, devem ser bastante fortes para recomeçarem os serviços imperfeitos. Esse o meu caso. Não se deve mencionar sacrifício onde existe apenas obrigação. Interessava-me a história daquela irmã despretensiosa e simpática e, por isso mesmo, animei-me a perguntar-lhe: – Regressará, então, dentro em breve? De qualquer maneira, sua resolução traduz devotamento e bondade. Não posso esquecer que também minha mãe voltou ao círculo da carne, tangida por sublime dedicação. Notei que os olhos dela se encheram de lágrimas discretas, que não chegaram a cair, emocionada talvez com a minha observação sincera. Estendeu-me a destra, gentilmente, e, dando a ideia de que não desejava continuar em conversação relativa ao assunto, disse- me, comovida: – Muito grata pelo conforto de suas palavras. Mais tarde, ao se lembrar de mim, ajude-me com o seu pensamento amigo. Nesse ponto da ligeira palestra, Manassés indagou: – Já recebeu todos os projetos? 1 - XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz. 36 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001, Cap. 12.
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    13 – Sim –respondeu ela –, não somente os que se referem aos meus pobres filhos, mas também a planta relativa à minha própria forma futura. – Está satisfeita? – Muitíssimo! – redarguiu a dama. – Na lei do Pai, a justiça está cheia de misericórdia e continuo na condição de grande devedora. Em seguida, despediu-se, calma e afável. Manassés compreendeu-me a curiosidade e explicou: – Anacleta é um exemplo vivo de ternura e devotamento, mas voltará às lutas do corpo a fim de operar determinadas retificações no coração materno. Por imprevidência dela, noutro tempo, os quatro filhos, que o Senhor lhe confiara, caíram desastradamente. A pobrezinha albergava certas noções de carinho que não se compadecem com a realidade. Seu esposo era homem probo e trabalhador e, apesar de abastado, nunca se esqueceu dos deveres que lhe prendiam as atividades de homem de bem ao campo da sociedade em geral. Caracterizava-se por uma energia sempre construtiva, mas a esposa, embora devotadíssima, contrariava-lhe a influência do lar, viciando o afeto de mãe com excessos de meiguice desarrazoada. E, como consequência indireta, quatro almas não encontraram recursos para a jornada de redenção. Três rapazes e uma jovem, cuja preparação intelectual exigira os mais árduos sacrifícios, caíram muito cedo em desregramentos de natureza física e moral, a pretexto de atenderem a obrigações sociais. E tão degradantes foram esses desregramentos que perderam muito cedo o templo do corpo, entrando em regiões baixas, em tristes condições. Anacleta, contudo, voltando ao campo espiritual, compreendeu o problema e dispôs-se a trabalhar afanosamente para conseguir, não só a reencarnação de si própria, senão também a dos filhos que deverão segui-la nas provas purificadoras da Crosta. – Quantos anos gastaram para obter semelhante concessão? – perguntei, impressionado. – Mais de trinta. – Imagino-lhe os sacrifícios futuros! – exclamei. – Sim – esclareceu Manassés –, a experiência ser-lhe-á bem dura, porque dois dos rapazes deverão regressar na condição de paralíticos, um na qualidade de débil mental e, para auxiliá-la na viuvez precoce, terá tão somente a filha, que, por si mesma, será também portadora de prementes necessidades de retificação.2 231 – Os Espíritos errantes são felizes ou infelizes? Mais ou menos de acordo com os seus méritos. Sofrem as paixões cuja essência conservaram, ou são felizes segundo eles sejam mais ou menos desmaterializados. No estado errante, o Espírito entrevê o que lhe falta para ser mais feliz e procura os meios para alcançar a felicidade; mas não lhe é sempre permitido reencarnar-se como seria do seu agrado, e isso, então, lhe é uma punição. COMENTÁRIOS: 2 - XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz. 36 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001, Cap. 12.
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    14 Não existe felicidadeplena no meio deles, por não haver perfeição; somente os Espíritos perfeitosgozam de plena tranquilidade de consciência. Uns ainda dormem na ignorância, outros já estão despertando para o entendimento espiritual. Muitos chegam ao mundo espiritual, provindos da carne, cheios de mazelas e paixões que os fazem sofrer pelos processos de lembranças indesejadas. Para se esconderemdas regressõesda memória,pedem imediatamente para voltar à carne, que lhes abafa as fortes lembranças dos fatos acontecidos,de modo a surgir nos seus caminhos, como problemas, dores e decepções, e uma gama de sofrimentos para limpar a consciência entulhada de processos mentais criados por eles mesmos. A reencarnação é uma bênção de Deus para as criaturas. Os Espíritos errantes nuncasão totalmente felizes,pois,aindaerram. Pormais conhecedores que sejam das leis naturais, se encontram envolvidos nos dramas das paixões que destilaram na Terra, criando embaraço para os seus próprios passos. É preciso que nós encarnados aproveitemos a nossa estadia na matéria; analisando a vida e se esforçando para melhorar em todas as direções; não nos faltam apoio, instrução, nem mesmo exemplosdignos de serem imitados. Não devemos esperar passar para o outro lado para os devidos consertos morais. Comecemos hoje mesmo a nossa reforma moral. Os costumes velhos devem ser esquecidos, desde quando eles não correspondem à verdade que todos conhecem por intuição divina, que vibram dentro de todos, por ser lei eterna. 232 – No estado errante,podemos Espíritos ir para todos os mundos? Conforme. Quando o Espírito deixa o corpo, ele não está, por isso, completamente liberto da matéria e pertence ainda ao mundo onde viveu ou a um mundo do mesmo grau, a menos que, durante a sua vida, ele se tenha elevado;e deve seresse seuobjetivo pois,caso contrário,não se aperfeiçoará jamais. Ele pode,entretanto, ir a certos mundos superiores,mas, nesse caso, aí é como um estranho; não faz, por assim dizer, mais do que os entrever, e é isso que lhe dá o desejo de se melhorar,para serdigno da felicidade que neles se desfruta e poder habitá-los mais tarde. COMENTÁRIOS: Há muitas moradas na Casa de meu Pai.
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    15 Muitas dessas moradasfísicas podemos deslumbrar olhando para o céu. Outras não temos alcance de visualizar, seja em razão da distância, seja em razão da matéria de constituição. Cada uma dessas moradas tem a sua qualidade específica para atender as necessidades dos diversos seres. Nós estamos aqui porque necessitamos vivenciarnesse ambiente que a Terra nos proporciona. Cada mundo oferece condições diferentes para o aprendizado do ser em evolução. A estadaem outros mundos depende danecessidade decadaum.Não vamos fazer lazer em outro mundo. Podemos ir até lá se tivermos necessidades de aprender algo que aquele mundo esteja em condições de nos ensinar. Às vezes nos é permitido, em companhia com os mentores, fazer uma excursão em mundos superiores, que tem sua utilidade, como nos trazer aquela esperança de algo bom que esteja nos aguardando no futuro. 233 – Os Espíritos já purificados vão aos mundos inferiores? Eles vão frequentemente paraajudar o seuprogresso;semisso essesmundos estariam entregues a si mesmos, sem guias para dirigi-los. COMENTÁRIOS: Os Espíritos puros, aqueles que já passaram por todas as experiências que nós estamos passando e que ainda passaremos, são trabalhadores do Pai. Eles vêm na qualidade de nossos orientadores. Eles descem nos mais profundos umbrais para levar o socorro, a luz divina aos seres que estão situados nas trevas. Ninguém, em qualquer lugar da criação estará desamparado,porque Deus através dos trabalhadores mantém o auxílio para os nossos corações. O Espírito elevado pode voltar. Essa volta é em missão. Ex: Jesus Sócrates, Bezerra de Menezes, Chico Xavier, Emmanuel, Joana D’arc, Francisco de Assis, Ghanci, Madre Tereza, Irmã Dulce,
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    16 6.2 – MUNDOSTRANSITÓRIOS O que caracteriza um mundo de transição é o fato de não propiciar condições para que espíritos possam se expressar materialmente em uma estrutura orgânica, tal como conhecemos ou equivalente. A possibilidade de haver a encarnação está intimamente atrelada às condições de habitabilidade material de determinando local, isto é, a vida orgânica, ou equivalente, necessita de determinados requisitos para sua manutenção. Na Terra, por exemplo, necessitamos de água, ar, luz solar, alimento, dentre outros. No processo de elaboração dos mundos que venham a abrigar vida material, há algumas etapas bem definidas: a) formação – A formação é decorrente de fatores materiais, obedecendo às leis da Física e da Química, estáveis econstantes para o universo conhecido. Contudo, as condições de habitabilidade, aquelas condizentes com a vida física, serão decorrentes do tipo de vida em si mesma que, por sua vez, está relacionado com o tipo de espírito que se manifestará na matéria. b) esterilidade – os mundos transitórios não são todos de uma única categoria, servindo de estação para todo e qualquer espírito, mas estão em níveis intermediários em relação com os outros mundos. Assim, os espíritos que “descansam" neste ou naquele mundo deverão ser de condição específica, compatível com ele. c) estruturação de matéria condizente com a vida física – a vida física está relacionada com o tipo de espírito, desta forma, é preciso a presença de espíritos para moldar a matéria segundo seu psiquismo, mesmo que inconscientemente, através de um processo natural. d) surgimento da vida física em níveis mais simples – é decorrente de um processo de elaboração das formas e que deve ser condizente com os espíritos que utilizarão estas mesmas formas. “Dizíamos que uma camada de matéria gelatinosa envolveu o orbe terreno em seus mais íntimos contornos. Essa matéria, amorfa e viscosa, era o celeiro sagrado das sementes da vida. O protoplasma foi o embrião de todas as organizações do globo terrestre, e, se essa matéria, sem forma definida, cobria a crosta solidificada do planeta, em breve a condensação da massa dava origem ao surgimento do núcleo, iniciando-se as primeiras manifestações dos seres vivos”. (A Caminho da Luz) e) surgimento da vida em níveis mais complexos – Emmanuel diz que “milhares de anos foram precisos aos operários de Jesus, nos serviços de elaboração das formas”. É todo um longo processo de formação e adequação de mundos para que os espíritos nas diversas condições possam encontrar campo propício para sua evolução. 234 – Como ficou dito, existem mundos que servem aos Espíritos errantes como estações e locais de repouso? Sim, há mundos particularmente destinados aos seres errantes e nos quais podem habitartemporariamente;espéciesde acampamentos,de campos para
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    17 se repousar deuma muito longa erraticidade, estado sempre um pouco penoso. São posições intermediárias entre os outros mundos, graduados de acordo com a natureza dos Espíritos que podem alcançá-los,e nele gozam de um bem-estar maior ou menor. 234.a) Os Espíritos que habitam esses mundos podem deixá-los à vontade? Sim, os Espíritos que se acham nesses mundos podem deixá-los para irem aonde devem ir. Imaginai-os como aves que,de passagem,pousam numa ilha para refazerem suas forças, a fim de alcançarem o seu destino. COMENTÁRIOS: Não confundir com as colônias espirituais e nem com a fase de transição que a Terra está passando. Os mundos transitórios não estão inseridos na escala de mundos organizada por Kardec. Deus não se esqueceude nada que poderiaeducar seus filhos. Como Senhor do Universo, criou todas as coisas objetivando a luz, e dispondo meios para a educação de todos os seres. Existem, no espaço, mundos transitórios capazes de fornecer aos Espíritos errantes, meios para a escalada maior. Ali, eles aprendem os segredos do amor e da caridade, pelas portas do sofrimento. Nos mundos transitórios podemos encontrar Espíritos de várias escalas, recebendo lições de acordo com as suas necessidades de ascensão,porém, a bondade de Deus é tão grande que Ele não deixa faltar Seus anjos junto a esses seres errantes, para instruí-los, ensinando-lhes a amar. Há muitas moradas na Casa de meu Pai, disse Jesus. Em todas essas moradas há trabalho, há luz, há oportunidades de aprendizado, de crescimento para todos nós. O Espírito sempre tem oportunidade de trabalhar fazendo algo para a realização do bem, o que depende da sua vontade. O ser humano pode estar em qualquer parte do Universo, desde que esse local seja útil para aquele momento da sua existência.
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    18 235 – OsEspíritos progridem durante sua estada nos mundos transitórios? Certamente; aqueles que se reúnem assim, o fazem com o objetivo de se instruírem e de poderem, mais facilmente, obter a permissão de alcançarem lugares melhores, e ascender à posição dos eleitos. COMENTÁRIOS: O progresso está na essência da criação, na essência da Lei Divina. Progredimos sempre. Todo o Universo está em movimento evolutivo. Desde o átomo até os grandes astros. Dessa forma, vamos aprendendo, porém, sempre através de um planejamento, pois no mundo espiritual todas as ações são planejadas. A estada de um Espírito em um mundo transitório é planejada, tem o motivo para estar lá, tem o objetivo de trabalho, estudo, evolução. Os Espíritos inferiores que ainda não conseguem buscar a sua evolução por meio do livre arbítrio, estando ainda presos nos umbrais através dos vícios, das más tendências, não têm condições de planejar para estar em um desses mundos transitórios. Mas os irmãos que vão galgando oportunidades vão planejando como fazer em cada nova situação. A estada de qualquer Espírito nesses mundos transitórios é calculada, planejada, tem objetivo certo de aprendizado, de crescimento, de trabalho para promover a sua evolução moral e espiritual. 236 – Os mundos transitórios, por sua natureza especial, são perpetuamente destinados aos Espíritos errantes? Não, sua posição é apenas temporária. 236.a) São eles, ao mesmo tempo, habitados por seres corporais? Não, sua superfície é estéril.Aqueles que os habitam não têm necessidade de nada.
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    19 236.b) Essa esterilidadeé permanente ou resulta da sua natureza especial? Não, são estéreis transitoriamente. 236.c) Esses mundos, então, devem ser desprovidos de belezas naturais? A natureza se traduz pelas belezas da imensidade, que não são menos admiráveis das que chamais de belezas naturais. 236.d)Visto que o estado desses mundos é transitório,a Terra estaráum dia no mesmo estado? Já esteve. 236.e) Em que época? Durante a sua formação. Allan Kardec: Nada é inútil na Natureza: cada coisa tem o seu objetivo, a sua destinação; nada é vazio, tudo é habitado, a vida está em toda a parte. Assim, durante a longa série de séculos que se escoaram antes da aparição do homem sobre a Terra, durante esses lentos períodos de transição atestados pelas camadas geológicas, antes mesmo da formação dos primeiros seres orgânicos sobre esta massa informe, neste árido caos onde os elementos estavam confundidos, não havia ausência de vida.Os seres quenão tinham as nossas necessidades,nem as nossas sensações físicas, aí procuravam refúgio. Deus quis que mesmo neste estado imperfeito ele servisse para alguma coisa. Quem então ousaria dizer que entre esses bilhões de mundos que circulam na imensidade, um só, um dos menores, perdido na multidão, tivesse o privilégio exclusivo de ser povoado? Qual seria, então, a utilidade dos outros? Deus não os teria feito senão para recrear os nossos olhos? Suposição absurda, incompatível com a sabedoria queemana de todas as suas obras,e inadmissívelquando se imagina tudo aquilo quenão podemosperceber.Ninguémcontestará que nesta ideia de mundos ainda impróprios à vida material e, portanto, povoado de seres viventesapropriados a este meio, há alguma coisa de grande e de sublime,onde se encontra,talvez,a solução de mais de um problema.
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    20 COMENTÁRIOS: No passado geológico,durante sua formação, a Terra era um planeta desprovido de vida orgânica, tal como conhecemos hoje. Nessa fase a Terra abrigava Espíritos desencarnados, outras formas de vida que nós ainda não compreendemos. A Terra é um planeta em evolução. A natureza de hoje não é a mesma de alguns milhões de anos atrás. Estado que não era propício para abrigar o ser humano, com animais grotescos tanto no tamanho quanto na constituição física,as florestas com árvores bem maiores que as atuais. Com o passar do tempo o planeta foi evoluindo e a natureza foi tornando mais sutil, sendo preparada para receber o ser humano. A evolução é muito lenta aos nossos olhos enquanto encarnados, por isso, não conseguimos perceber as mudanças. Morada são lugares onde há vida, onde seres habitam, não necessariamente, seres encarnados, ou seres encarnados em corpos semelhantes a nós seres humanos na Terra. Podem haverplanetas com ambientes biológico e climático inóspitos,seres desencarnados ali abrigados ou mesmo encarnados em uma matéria de outra consistência que não conhecemos e não concebemos. A gente acompanha planetas descobertos pela tecnologia humana são aparentemente estéreis às lentes dos telescópios,das câmeras.Com certeza, se não há vidas como conhecemos, de corpos materializados, servem como abrigos de Espíritos desencarnados ouentão de vida de seres encarnados em matéria que foge da nossa percepção, por ser de constituição diferente. Todos os planetas são povoados. Cada partícula do Universo é aproveitada. Deus, na sua grandiosidade e sendo a Inteligência Suprema do universo, não iria criar os mundos somente para Sua satisfação e dos Espíritos; todos eles têm sua missão em variados esquemas que o progresso aciona. Os mundos transitórios, que recebem Espíritos de todas as naturezas, evoluem com as almas que nele habitam temporariamente. Nada estaciona; há leis para governar tudo que existe na criação. Os Espíritoserrantes habitam mundos nos quais, por vezes, permanecem em Espírito, visto que essas casas do universo ainda não se encontram com capacidade para lhes fornecer corpos materiais.
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    22 6.3 – PERCEPÇÕES,SENSAÇÕES E SOFRIMENTOS DOS ESPÍRITOS 237 – Uma vez no mundo dos Espíritos, a alma conserva ainda as percepções que tinha quando da sua vida física? Sim, e outras que ela não possuíaporque seu corpo era como um véu que as obscureciam. A inteligência é um atributo do Espírito, mas que se manifesta mais livremente quando não há obstáculos. COMENTÁRIOS: Quando desencarnamos continuamos a ser os mesmo Espíritos que somos, com os mesmos sentimentos, as mesmas emoções, a mesma memória, mantemos a nossaidentidade.Tudo que nós aprendemos através dos nossos estudos e da nossa convivência é patrimônio do Espírito que levamos para onde estivermos. Trazemos esse patrimônio quando reencarnamos, acrescentamos tudo o que aprendemos enquanto encarnados e voltamos de regresso ao mundo Espiritual levando todo esse arcabouço de patrimônio. Quando viemos para cá deixamos parte desse patrimônio através do esquecimento. São informações que não são necessárias para as experiências que vamos viver aqui. Quando retornamos ao mundo espiritual, aos poucos vamos retomando a consciênciada nossamemória integral, tanto da parte emotiva, quanto da parte intelectual. Somando tudo o que aprendemos nessa reencarnação com aquilo que já conhecíamos de reencarnações anteriores. Essa retomada da memória não é de forma imediata. Ela é gradativa. Muitas coisas permanecem no nosso esquecimento por ser necessário neste momento da nossa experiência evolutiva. Tudo aquilo que nós precisamos estará aflorando na nossa memória, pois faz parte do nosso patrimônio. 238 – As percepções e os conhecimentos dosEspíritos são indefinidos; em uma palavra, sabem eles todas as coisas? Quanto mais se aproximam da perfeição, mais sabem; se são superiores, sabem muito. Os Espíritos inferiores são mais ou menos ignorantes sobre todas as coisas. COMENTÁRIOS:
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    23 Nós reencarnamos paraaprender a promover a nossa evolução moral e intelectual, nossa evolução Espiritual e vamos crescendo gradativamente a cada reencarnação. Se o Espírito só por estar desencarnado soubesse tudo, não haveria razão para a reencarnação. Não necessitariavir para aprender algo que ele já sabe. O fato de desencarnarmos não nos atribuirá mais conhecimento.Podeserque retomamos o conhecimento arquivado em nossa memória, mas é patrimônio nosso, conquista nossa e não é tudo. O conhecimento é fruto do trabalho, fruto do estudo. É esforço de cada um. Ele só vai saber de acordo com aquilo que já aprendeu, de acordo com suas experiências. A Lei Divina é uma só tanto para os desencarnados, como para os que se encontram encarnados. Não há seres privilegiados na criação. Aqueles que são Espíritos superiores, estão nessa condição devido ao seu esforço, a sua dedicação,o seutrabalho, o seu estudo.Não foram assim criados.É conquista própria. Os Espíritos Superiores conhecem muito; eles dominam grande parte dos segredos danatureza divina e humana. Não conhecem tudo,porque somente Deus é conhecedor das leis e dos segredos da criação que Ele mesmo estabeleceu. Os Espíritos inferiores têm o conhecimento que a sua elevação atingiu, muitos deles não sabem mais que os homens, e outros sabem menos que estes. 239 – Os Espíritos conhecem o princípio das coisas? Conhecem segundo a sua elevação e a sua pureza; os Espíritos inferiores,a esse respeito, não sabem mais que os homens. COMENTÁRIOS: A eternidade é muito difícil para nós compreendermos. O Espírito é imortal, mas ele teve um início, como consta na questão 115. Todos nós fomos criados por Deus, em determinado momento, simples e ignorantes. O que aconteceu antes desse momento, só poderemos saber através de estudos, mas nunca pela vivência, pois não existíamos naquela ocasião. Então os Espíritos superiorespodem estudare conheceros fatos do início da criação de todas as coisas,mas só Deus, o Criadoré que tem o conhecimento pleno.
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    24 É difícil paraa gente compreender o que seria o início das coisas. Por mais que a gente possa tentar levar o nosso pensamento no passado para estabelecer o início, a razão nos mostra que antes já havia alguma coisa. Se Deus é eterno, se Ele existe de todo o sempre, jamais poderia conceber Deus um segundo sequersem estartrabalhando, sem estar criando, portanto, o princípio das coisas vem assim como Deus praticamente na eternidade. Para os Espíritos não há a possibilidade de ter esse conhecimento da plenitude do princípio de tudo. 240 – Os Espíritos compreendem o tempo como nós? Não, e é por isto que não nos compreendeis sempre,quando se trata de fixar datas ou épocas. Allan Kardec: Os Espíritos vivem fora do tempo, tal como o compreendemos; o tempo para eles se anula, por assim dizer, e os séculos, tão longos para nós, não são aos seus olhos senão instantesque se esvaecem na eternidade, da mesma forma que as desigualdades do solo se apagam e desaparecem para aqueles que se elevam no espaço. COMENTÁRIOS: Toda observação depende do ponto de referência do observador. Nós que estamos aqui reencarnados temos como referênciado tempo o Sole os movimentos da Terra. Temos como parâmetros a média de idade vivida pelos encarnados. Esse parâmetro é relativo. Para o desencarnado, esse parâmetro se perde, pois ele se encontra com a eternidade. Olha para trás encontra-se com a eternidade. Olha para frente, sabe que a vida lhe propiciará eternamente todas as oportunidades. Por isso há a diferenciação de tempo para nós encarnados e para aqueles que estão desencarnados. Quem vive irradiando a felicidade deixa de perceber tempo e espaço. Exemplo: quando estamos cercados de companheiros cuja presença nos dá satisfação, as horas passam sem que percebamos. Para os Espíritos, nos seus trabalhos benfeitores, cuja consciência se encontra na tranquilidade de Deus, o tempo desaparece e o espaço deixa de existir. No entanto, para a humanidade e Espíritos ainda ligados às paixões
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    25 humanas, esse tempoé uma realidade e o espaço tem a sua presença, impondo limitações. 241 – Os Espíritos têm,do presente,uma ideia mais precisa e mais justa que nós? Do mesmo modoque aquele que vê claramente as coisas tem uma ideia mais justa do que o cego.Os Espíritos veem o que não vedes;eles julgam, pois,de outro modo que vós, mas ainda uma vez, isto depende da sua elevação. COMENTÁRIOS: Os Espíritos fora da carne têm uma visão mais acentuada do que os encarnados, por estarem mais livres as suas faculdades. Entretanto, é bom que se compreendaque tudo é relativo; o despertamento da alma obedecea uma lei que podemos denominar de merecimento,pelo tamanho espiritual de cada um. O presente é um espaço de tempo.É o agora. Este momento.Passados cinco minutos, esse momento agora já é passado. Para ser mais precisa e exata ideia do presente,temos que ter a consciência da sua importância para a nossa evolução. Esse momento, o presente, é muito importante na vida de todos nós, porque é no presente que nós podemosatuar. É no presente que podemosfazer algo em prol de nós mesmos ou do próximo. Ou até em prejuízo também. Se formos verificar o passado nos traz experiências, conhecimentos, sentimentos que formam a nossa personalidade,o ser de cada um, é a nossa história construída. Somos o resultado daquilo que vivemos no passado. Se formos pensar no futuro, é um espaço de tempo que nos apresenta oportunidades de crescimento, de avanço na vida. Sabemos que temos uma caminhada para atingir. É no presente que temos aação, vamos conquistando gradativamente as nossas metas visadas para o futuro. Se eu não agir no presente, não conseguirei nada. O presente é o momento em que vamos construir a nossa evolução, a nossa felicidade. 242 – Como é que os Espíritos têm conhecimento do passado? Esse conhecimento lhes é limitado?
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    26 O passado, quandonos ocupamos dele, é presente; precisamente como te recordas de uma coisa que te impressionou durante o teu exílio. Entretanto, como não temos mais o véu material que obscurece a tua inteligência, lembramo-nos de coisas que se apagam para a tua memória,mas os Espíritos não conhecem tudo, a começar pela sua própria criação. COMENTÁRIOS: A lembrança do passado depende da evolução do Espírito. Recordaré conhecero que se foi para melhorar o presente e preparar para o futuro. O Espírito não tem pleno conhecimento das vidas passadas; ele somente recorda, até onde as suas forças suportarem,o que lhe sirva de lições.Mesmo ao Espírito livre da matéria ainda é vedado saber o que já foi. A gradação é norma de equilíbrio em todos os planos de vida, para que tenhamos paz, e essa paz possa nos fornecer forças no decorrer de novas lutas. Ao desencarnar vamos nos recordando aos poucos, conforme as nossas necessidades. Lembramos de situações difíceis que passamos para que possamos cuidar delas, aprendendo a superá-las. Quando a gente ocupa do passado, ele passa a ser presente, porque o sentimento vem à tona para que possamos cuidar dele. Se há um sentimento que nos faz mal, perturbando a nossaharmonia interna é porque há algo ainda pendente que temos que construir para superar e vencer essa dificuldade. Não adiantaria vir à tona lembranças de erros que ainda não temos condições de cuidar deles. Existem muitos estudiosos que fazem exercícios de regressão de memória que podem levar o incauto ao abismo, onde a perturbação comanda os sentimentos. Desde quando a natureza escondeu, por lei do equilíbrio, os feitos longínquos, é porque tudo tem a hora exata de manifestar-se por meios naturais e gradativos, apresentando-se como agente de recuperação das criaturas. Existem, igualmente, pessoas que estudam hipnotismo, e magnetismo, idealizando por esses meios fazer alguém recordar o passado distante, às vezes por brincadeira de mau gosto, e outros querendo criar métodos de cura de pessoas cheias de fobias de outros desequilíbrios provindos do fundo d'alma. Esses mexem com fogo, esforçando-se para entenderem que são terapias benfeitoras. O passado, para quem não compreende suas reações, não deve ser tocado; é como que ativação de labaredas que podem destruir o próprio presente, e fazer com que a alma sofra recordações desagradáveis, capazes de levá-la ao caos. A melhor terapia para esses enfermos é, pois, o Evangelho de Jesus, que se reflete com fulgor na Doutrina dos Espíritos procurando educar a vida que se leva no presente, porque a fração do consciente em atividade está de certa forma ligado à consciência profunda, tendo o poder, quando bem estruturado, de dissolver as mazelas de depósitos negativos acamados no subconsciente, aliviando todo o ser e preparando-o para novas vidas em paz.
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    27 Mexer com ofundo do lago interno, há milênios acomodando impurezas, é turvar toda a água da vida. É melhor que as impurezas se transformem, pelos poderes do amor e da caridade, em energias sublimadas. Querer recordar o passado é viver nele, é esquecer- se do presente que nos chama, por vezes à realidade. 243 – Os Espíritos conhecem o futuro? Isto depende ainda de sua perfeição; frequentemente, eles apenas o entreveem, mas nem sempre têm a permissão de o revelar. Quando o veem, parece-lhes presente.O Espírito vê o futuro mais claramente, à medida que se aproxima de Deus. Depois da morte, a alma vê e abrange, de um golpe de vista,suas migrações passadas,mas não pode vero que Deus lhe reserva; para isso, é necessário que esteja integrada nele, depois de muitas existências. 243.a) Os Espíritos que alcançaram a perfeição absoluta têm o conhecimento completo do futuro? Completo não é a palavra, porque só Deus é soberano senhor e ninguém o pode igualar. COMENTÁRIOS: Existem muitas profecias; os profetas são inúmeros, em todas as religiões e filosofias espiritualistas,no entanto, todos já conhecem a existênciados falsos profetas. Eles são em quantidade inumerável. Os Espíritos altamente evoluídos conhecem mais o futuro, e quando falam aos encarnados sabem dosá-lo, são cautelosos nas suas predições, às vezes falam por parábolas. A verdade fora de hora destrói tanto quanto a mentira. O conhecimento do futuro não faz bem a todas as criaturas por lhes faltar o preparo para tal saber. Para se ter uma visão completado futuro seria necessário que já existisse um futuro pré-determinado para cada um de nós e não é assim. Há uma programação a nível individual e no nível coletivo, mas nestas programações estão apenas os nossos instrumentos de aprendizado, ou seja, as circunstâncias que a vida nos trará. Como cada um vai reagir diante dessas circunstâncias depende do livre arbítrio.
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    28 244 – OsEspíritos veem a Deus? Só os Espíritos superioreso veem e o compreendem;os Espíritos inferiores o sentem e o adivinham. 244.a)Quando um Espírito inferior diz queDeuslhe proíbe ou lhe permite uma coisa, como sabe que a ordem vem de Deus? Ele não vê a Deus,mas sente a sua soberania e, quando uma coisanão deve ser feita ou uma palavra não deve ser dita, ele pressente como por uma intuição, uma advertência invisível que o proíbe de fazê-lo. Vós mesmos não tendes pressentimentos,que são como uma advertência secreta, de fazer, ou não, alguma coisa? Ocorre o mesmo para nós, somente que num grau superior, porque como compreendes, sendo a essência dos Espíritos mais sutil que a tua, eles podem melhor receber as advertências divinas. 244.b)A ordem é transmitida diretamente por Deus ou por intermédio de outros Espíritos? Ela não vem diretamente de Deus; para comunicar-se com ele é preciso ser digno. Deus lhes transmite suas ordens pelos Espíritos mais elevados em perfeição e em instrução. COMENTÁRIOS: Deus se faz presente em todos os lugares e Ele está presente em tudo, na natureza, na nossa vida, na nossa consciência. Deus é Onipresente. Esse é um dos atributos da Divindade. Somente os Espíritos perfeitos têm o alcance espiritual de ver a Deus. Essa visão não se compara à proporcionada pelos olhos do corpo físico. É uma visão diferente, e as limitações da linguagem humana nos impedem de explicá-la com clareza. Os Espíritospuros veem Deus e recebem dEle uma missão maior de conduzir comunidades planetárias, os sistemas, as galáxias. Outros Espíritos contribuem na condução de comunidades menores, como Ismael que administra o Brasil. E assim cada um de nós, conforme a nossa condição evolutiva recebemos nossa missão nas tarefas do Pai. Todos nós temos uma missão. Os Espíritos que ainda não atingiram a superioridade na escala da perfeição não veem a Deus, mas têm a intuição da Sua existência e a Seu respeito são
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    29 esclarecidos pelos Espíritosmaiselevados.Deus Se expressana criação pela visibilidade dos Seus feitos. Muitos dos falsos profetas encarnados que dizem, e mesmo escrevem, que viram a Deus,que conversam com Ele face aface,estão iludindo a simesmos. Eles veem Espíritos, que tomam por Deus. Vera Deus é uma coisa,e sentir a Sua soberaniaé outra. A voz da consciência sempre fala do Criador. A visão de Deus não é para todos, mas o caminho é comum. Essa caminhada que nos leva ao Pai é percorrida através de Jesus. É na vivência do amor que vamos até Jesus. Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14:6) Devemos percorrê-lo com segurança, de modo que a fé nos leve a essa esperança, amando e servindo, perdoando e esquecendo faltas, trabalhando por dever de servir mais. 245 – A visão dos Espíritos é circunscrita como nos seres corpóreos? Não, ela reside neles. COMENTÁRIOS: Para nós encarnados, a visão se manifesta através dos nossos olhos. É por eles que nós conseguimos ter a percepção visual do que está no nosso entorno (relativo). Para os Espíritos mais evoluídos isso ocorre de forma diferente.São capazes de ver por todos os lados e até lugares distantes. Sua visão não está circunscrita como a nossa. Espíritos desencarnadosapegadosà matéria mantém todas as sensaçõesda matéria, inclusive, a visão circunscrita aos próprios olhos. A visão do Espírito reside em todo o seu ser, quando se trata de Espíritos superiores. Em muitos dos que ainda alimentam paixões inferiores, a visão é bem mais restrita que às criaturas encarnadas, quando não perdem esse dom temporariamente. 246 – Os Espíritos têm necessidade da luz para ver?
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    30 Veem por simesmos, não têm necessidade da luz exterior; para eles não há trevas, a não ser aquelas em que se encontram por expiação. COMENTÁRIOS: Depende da evolução do Espírito. Espíritos que estão em um nível evolutivo mais elevado não necessitam dos olhos para ver, daí não necessitarem da luz para ver. Espíritos apegados à matéria tem as mesmas dificuldades que nós para enxergar, às vezes até mais. Necessitamos do reflexo da luz nos objetos para enxergarmos. Da mesma forma, os Espíritos que estão mais materializados, daí a dificuldade para visualizar as coisas, pois uma grande parte deles se encontra nos umbrais, onde há a escassez de luz. Eles lidam com muita dificuldade no sentido da visão. Espíritos superiores não dependem da luz, veem onde quer que esteja. Conseguem enxergar por todos os pontos do seu corpo perispiritual. Essa visão independe de luz. O Espírito vê além de uma parede, de um obstáculo físico que esteja à frente. Eles têm uma percepção de tudo o que está no seu entorno e além dos obstáculos que para nós impediria a visão. 247 – Os Espíritos têm necessidade de se transportarem para ver dois lugares diferentes? Podem, por exemplo, ver simultaneamente os dois hemisférios do globo? Como o Espírito se transporta com a rapidez do pensamento, pode-se dizer que vê tudo a uma só vez; seupensamento podeirradiare se dirigir, ao mesmo tempo,sobre vários pontos diferentes.Estafaculdade dependede suapureza: quanto menos puro ele for, mais sua visão é limitada; somente os Espíritos superiores podem ter visão de conjunto. Allan Kardec: A faculdade de ver, nos Espíritos, é uma propriedade inerente à sua natureza e que reside em todo o seu ser, como a luz reside em todas as partes de um corpo luminoso.É uma espéciede lucidez universalque se estende a tudo, envolve, a uma só vez, o espaço, o tempo e as coisas e para a qualnão há trevas nem obstáculos materiais.Compreende-seque deve ser assim; no homem a visão se realiza através do funcionamento de um órgão impressionado pela luz, e sem luz ele fica na obscuridade. No Espírito a faculdade de ver sendo um atributo próprio,abstração feita de todo agente exterior, a visão é independente da luz (Veja-se: Ubiquidade, nº 92).
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    31 COMENTÁRIOS: Os Espíritos superiorespodem se transportar para qualquer lugar na velocidade do pensamento. Como o Espíritopodefazeresse deslocamento instantâneo,pode-sedizerque ele consegue ver fatos ocorrendo nessesdois pontos ao mesmo tempo.Pode estar aqui e acolá de forma instantânea. Pode se deslocar para diversos pontos diferentes de forma instantânea e assim ter visão de fatos que estão ocorrendo em todos esses lugares. Isso não acontece com os Espíritos mais inferiores que tem muita dificuldade para a sua locomoção e, principalmente, aqueles que se encontram nos umbrais. Se deslocam de forma penosa, como nós. Os Espíritos superiores não são privilegiados. São conquistas próprias que todos nós também obteremos diante dos nossos esforços. Para os Espíritos puros, desaparecem o tempo e espaço como, e certamente, deixam de existir distâncias que, para nós outros, são obstáculos. O Espírito, de acordo com o seu crescimento espiritual, pode comunicar-se em muitos lugares diferentes ao mesmo tempo, por vários médiuns. Não tendo outra expressão,podemosdizerque se expande ao infinito,emplenaconsciência.Elestêmo poderde ver tanto de perto,quanto emdistânciasimensuráveis,comose acreditaser.É, pois,uma dilataçãodosseuspoderes de visão. 248 – O Espírito vê as coisas tão distintamente como nós? Mais distintamente, porque sua visão penetra aquilo que não podeis penetrar; nada a obscurece. COMENTÁRIOS: A nossa visão enquanto encarnados depende da luz. Os objetos que vemos refletem a luz que incidem sobre eles e essa luz sensibiliza os nossos olhos para que possamos enxergar. A nossa visão é limitada a ambientes que tem luz para que os objetos podem refleti-lae sensibilizara nossavisão,mas também limita-se aos objetos porque não podemos ver além dos objetos. Qualquer obstáculo de ordem material impede que a nossa visão vá além desse obstáculo. Os Espíritos superiores, evoluídos não veem através da sensibilidade da luz. A visão para o Espírito é um atributo seu. Não vê através de um órgão como nós. Ele vê através de todo o seu corpo perispiritual, independe de luz.
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    32 Portanto, ele vêem qualquer ambiente que tenha ou não luz e também não se limita a nenhum tipo de obstáculo físico. Os Espíritos inferioresporestarem ligados àmatéria, têm suas limitações bem parecidas com as nossas. Cada um de acordo com o seu grau evolutivo. Os Mensageiros – Cap. 14 e 49. 249 – O Espírito percebe os sons? Sim, e percebe até mesmo o que os vossos sentidos obtusos não podem perceber. 249.a) A faculdade de ouvir, como a de ver, está em todo o seu ser? Todas as percepções são atributos do Espírito e fazem parte do seu ser. Quando está revestido de um corpo material, elas não lhe chegam senão por um canal de órgãos; mas no estado de liberdade,não estão mais localizadas. COMENTÁRIOS: Os Espíritos superiores,da mesmaforma que a visão, não percebem os sons através de um órgão restrito como nós temos os ouvidos, mas percebem os sons por todo o seu corpo perispiritual, assim como percebe a luz. Essas percepções são atributos do ser espiritual. Não dependem de órgãos específicos. Eles têm a capacidade de selecionaro som que sejanecessário ouvir,isolando aqueles que venham interferir naquilo que seja do seu interesse. Os Espíritos apegados à matéria têm as mesmas dificuldades que nós encarnados, as mesmas limitações. Estando mais materializados terão a percepção dos sons pelos órgãos perispirituais. 250 – Sendo as percepções atributos do próprio Espírito,é possívelque ele deixe de usá-las? O Espírito só vê e ouve o que ele quiser. Isto de uma maneira geral e, sobretudo, para os Espíritos elevados; os imperfeitos ouvem e veem frequentemente, queiram ou não, aquilo que pode ser útil ao seu adiantamento.
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    33 COMENTÁRIOS: Os Espíritos elevadostem os seus poderes dilatados no que se refere aos seus dons. Os Espíritossuperiores podem selecionaro que ele quer ouvir ou ver naquele momento.Pode estarem ambientes com muito barulho,que ele tem condições de focar somente naquilo que ele quer ou precisa ver e ouvir, isolando os demais. Podem ouvir sons que não ouvimos e ver além do que nós vimos. Pode ver além da matéria e até o interior, a intimidade da matéria. Os Mensageiros – Cap. 49 251 – Os Espíritos são sensíveis à música? Quereis falar de vossa música? O que é ela diante da música celeste? Desta harmonia que nada sobre a Terra pode vos dar uma ideia? Uma é para a outra o que o canto do selvagem é para a suave melodia. Entretanto, os Espíritos vulgares podem experimentar um certo prazer em ouvir a vossa música, porque não são ainda capazes de compreenderoutra mais sublime.A música tem para os Espíritos encantos infinitos, em razão de suas qualidades sensitivas muito desenvolvidas.Refiro-me músicaceleste,que é tudo o que a imaginação espiritual pode conceber de mais belo e de mais suave. COMENTÁRIOS: A músicano mundo espiritual possuiuma grande sublimidade que não dá para comparar com as músicas que ouvimos aqui. Na época de Kardec, a música que se ouvia era a música clássica, portanto, a gente pode imaginar o que é a sublimidade da música no mundo espiritual. Essa questão se refere aos altos níveis da espiritualidade maior. A Leidivina buscao progresso em todas as coisas.Dessaformaestápresente o belo. Com relação aos sons,a música é a própriaharmonização da sonoridade para os nossos ouvidos. Espíritos mais inferioresestarão em sintonia com músicas no mesmo níveldas nossas ou piores.
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    34 As músicas potencializamas vibrações,influenciando as pessoas ougrupo de pessoas. Essas influencias podem ser tanto benéficas, quanto negativas. Músicas agressivas ou com letras agressivas, que denigrem os valores terão a mesma força influenciando para o lado negativo. É importante selecionar e saber quais as músicas devemos ouvir. Se estivermos em um ambiente em que a música que está tocando seja de influência negativa, devemos entrarem prece para buscar outra sintonia e não deixar influenciar pelo som expostos aos ouvidos. Temos que estar vigilantes para termos a percepção da influência a fim de sintonizarmos com outro padrão vibratório. A música enquanto meio da harmonia divina nos traz grandes possibilidades de luz, de aprendizado, de crescimento e de união. - Os Mensageiros – Capítulos 31 e 32 (“Tocata e Fuga em Ré Menor”, de Bach) 252 – Os Espíritos são sensíveis às belezas da Natureza? As belezas naturais dos diversos mundos são tão diferentes que se estálonge de as conhecer.Sim, são sensíveis de acordo com a sua aptidão em apreciá- las e compreendê-las. Para os Espíritos elevados, há belezas de conjunto diante das quais desaparecem, por assim dizer, as belezas dos detalhes. COMENTÁRIOS: O belo é próprio da criação Divina. Todos os mundos são dotadosde encantos peculiares àsua evolução, porque diferentes são as humanidades neles estagiadas. A natureza nos oferece a beleza tanto para a visão, para a audição, para o sentimento, para as emoções quando a gente pode flagrar situações da natureza que nos compele à elevação. Muitas vezes buscamos o contato direto com a natureza para descontrair, revigorar as nossas energias. Além da beleza para a visão, a natureza vibra na energia do criador. Ela tem a capacidade de renovar as nossas energias. André Luiz nos esclarece em suas obras que os Espíritos buscam refazersuas energias junto à natureza, normalmente em áreas verdes e próximos a água. A beleza da natureza é muito maior do que a que nos concede a dádiva da visão. Aprofunda em nossos sentimentos, nossas emoções, fornecendo harmonia.
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    35 Os Mensageiros –Capítulos 40 à 42. 253 – Os Espíritos experimentam as nossas necessidades e os nossos sofrimentos físicos? Eles os conhecem, visto que os suportaram, mas não sentem materialmente como vós, porque são Espíritos. COMENTÁRIOS: Temos que levar em conta que a Espiritualidade considera aqui os Espíritos superiores que já passaram pelas inferioridades, pelos sentimentos mais materializados pelo apego à matéria. Os Espíritos desencarnados vibram conforme os seus interesses presentes em seus corações. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. (Mt 6:21) Espíritos desencarnados que já superaram as ligações com a matéria, que já vibram na energia do amor ensinado por Jesus não passam por sofrimentos e necessidades de ordem física. Muitos de nós ao desencarnarmos continuamos apegados à matéria: os bens materiais, o corpo, os vícios... Quando se valoriza mais a matéria do que as questões espirituais certamente o tesouro estarána matéria, daí sofre as necessidades do corpo físico,mesmo após o desencarne,como as dores,a fome,as sensaçõesde frio ou calor, os vícios, etc. Em tudo se encontra a mente colhendo os resultados dos feitos da alma. Para vencer as necessidades da matéria, só vivenciando o amor que Jesus nos ensinou. 254 – Os Espíritos experimentam a fadiga e a necessidadede repouso? Não podem sentir a fadiga tal como a entendeis e, por conseguinte, não têm necessidade de vosso repouso corporal,pois eles não têm órgãos cujas forças devam ser reparadas. O Espírito repousa no sentido de que não tem uma atividade constante. Sua ação não é material, mas intelectual, e, seu repouso, moral. Há momentos em que seu pensamento deixa de ser tão ativo e não se fixa sobre um objeto determinado; é um verdadeiro repouso, mas que não pode ser comparado ao repouso do corpo. A espécie de fadiga que os
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    36 Espíritos podem experimentarestáemrazão da sua inferioridade:quanto mais sejam elevados, menos necessitam de repouso. COMENTÁRIOS: A evolução de cada Espírito determina os interesses expressos em seu coração. A fadiga se dá quando estamos envolvidos no magnetismo inferior, filho dos próprios habitantes do planeta. Os Espíritos ligados à matéria necessitam de repouso pois ainda trazem consigo as sensações das necessidades do corpo material. - André Luiz, em suas obras, nos relata casos de Espíritos que ainda presos aos umbrais apresentam grandes necessidades de repouso devido à fadiga. - Reuniões mediúnicas Os Mensageiros – Capítulos 21 à 23. 255 – Quando um Espírito diz que sofre,quala naturezados sofrimentos que experimenta? Angústias morais, que o torturam mais dolorosamente que os sofrimentos físicos. COMENTÁRIOS: A harmonia interior de cada um de nós é conquistada com a vibração dos sentimentos, dos pensamentos elevados na mesma faixa dos ensinamentos de Jesus. Por isso Jesus nos disse: Vigiai e orai. Estejamos vigilantes com os sentimentos reservados em nossos corações e com os pensamentos que exteriorizamos. Sempre que nossos pensamentos ou sentimentos estiverem desacordo com a harmonia, com o amor, busquemos o refúgio em oração. Basta entrar em oração que nós estaremos vibrando na energia do amor divino. Tudo que vibra em sentido contrário aos valores do amor divino causa desarmonia com a vida, com a criação de Deus. Quando vibramos em sintonia com os valores da criação, estaremos em harmonia, em paz. A escolha é de cada um, conforme o livre arbítrio.
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    37 Em busca daprópria evolução, vamos diminuir o próprio sofrimento na conquista da felicidade que almejamos vibrar no amor de Deus. Que possamos refrear todos os impulsos inferiores, fazendo e usando essa energia para despertar qualidades superiores que se encontram dentro de nós. Quando o Espírito diz que está sofrendo, os sofrimentos não são físicos; são angústias morais, bem piores do que os padecimentos terrenos. É nesse sentido que a Doutrina dos Espíritos vem trabalhando junto aos encarnados, e por vezes com os fora da carne, evitando as angústias morais para o futuro, que são piores. A consciência registra, sem que a consciência ativa saiba, todos os atos da alma, como que fotografando em todas as suas nuances, de modo que no momento certo, essas forças negativas transbordam para a mente do Espírito, entregando-o às consequências que são próprias do clima negativo das ações inferiores. É o que se chama de remorso, ou regressão de memória. 256 – Por que,então,algunsEspíritos se queixam de sofrerfrio ou calor? Lembrança do que padeceram durante a vida, tão penosa, algumas vezes, como a realidade. Frequentemente, é uma comparação que fazem para exprimirem melhor a sua situação. Quando se lembram do corpo, experimentam uma espécie de impressão como quando se tira um capote e se crê ainda vesti-lo algum tempo depois. COMENTÁRIOS: A realidade do Espírito encarnado ou desencarnado está na mente. A dor é um comando mental que manifestamos quando estamos em risco. Quando se desencarnajá não temos o corpo,mas o condicionamento mental não desaparece instantaneamente. O Espírito mantém o condicionamento mental. O que ele sente pode ter certa diferença na sensação com relação à dor do corpo físico,mas há um desconforto que incomodada mesma formae ele relata como sendo uma dor fruto do seu condicionamento. Aquelas pessoas que vivenciaram os ensinamentos de Jesus, o amor ao próximo, valorizando as coisas do bem, o trabalho, a fé não terá dificuldades de desvincular das coisas materiais, do corpo físico. Os Espíritos desencarnados que falam que estão sofrendo,têm frio e as vezes calor, têm essas sensações em função do seu estado psicológico. Eles relembram o passado, de quando estavam na carne, passando por determinadas provas, e têm as mesmas sensações;a mente regride e busca no passado as mesmas dores e padecimentos que lhes fizeram sofrer.
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    39 6.4 – ENSAIOTEÓRICO SOBRE A SENSAÇÃO NOS ESPÍRITOS 257 – O corpo é o instrumento da dor e, se não é a sua causa primeira, pelo menos é a causa imediata. A alma tem a percepção da dor, mas essa percepção é um efeito.A lembrançaque delaconservapodesermuito penosa, contudo, não pode ter ação física. Com efeito, nem o frio, nem o calor podem desorganizar os tecidos da alma e esta não pode gelar-se nem queimar-se. Não vemos, todos os dias, a lembrança ou a apreensão de um mal físico produzir efeitos tão reais e ocasionar mesmo a morte? Todo o mundo sabe que as pessoas amputadas sentem dor no membro que não existe mais. Seguramente,não é nesse membro que está a sede ou o ponto de partida da dor; apenas o cérebro conservoua impressão dador. Pode-se,pois, crer que há alguma coisa de analogia com os sofrimentos doEspírito depois da morte. Um estudo mais aprofundado do perispírito,que desempenhaum papelmuito importante em todos os fenômenos espíritas, como as aparições vaporosas ou tangíveis, o estado do Espírito no momento da morte, a ideia tão frequente de que ainda está vivo, o quadro tão comovente dos suicidas,dos supliciados, dos que se deixaram absorver nos prazeres materiais, e tantos outros fatos, vieram fazer luz sobre essa questão e dar lugar às explicações que damos, aqui, resumidas. COMENTÁRIOS: Nós somos Espíritos que enquanto encarnados estamos utilizando esse corpo físico para manifestarmos aqui no planeta Terra. A nossa realidade é a Espiritual. Esta é apenas uma pequena passagem da vida imortal do Espírito. Para manifestarmos aqui no planeta utilizamos de alguns instrumentos e um deles é o períspirito, corpo de matéria quintessenciada. Corpo que o espírito desencarnado usa para se manifestar entre nós. Quando encarnados, utilizamos do corpo físico que nos fornece as limitações para o nosso aprendizado e que são próprias da matéria. Então vem a dor, a necessidade do alimento,do agasalho,nos impondo ao trabalho, às condições que auxilia no nosso aprendizado e no nosso crescimento como Espírito. Tanto o corpo Espiritual, quanto o corpo carnal (físico) são instrumentos que a leidivina nos concedeparapromovero nosso crescimento morale espiritual. O perispírito é o laço que une o Espírito à matéria do corpo,sendo tirado do meio ambiente, do fluido universal; contém, ao mesmo tempo,eletricidade, fluido magnético e, até certo ponto, a matéria inerte. Poder-se-iadizer que é a quintessência da matéria, o princípio da vida orgânica, mas não da vida 03 04 05
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    40 intelectual, porque estaestá no Espírito. É, além disso, o agente das sensações externas. No corpo, essas sensações estão localizadas pelos órgãos que lhes servem de canais. Destruído o corpo, as sensações ficam generalizadas. COMENTÁRIOS: Quando desencarnado o Espírito se manifesta através do períspirito, já não tem os órgãos, já não sente dor nas moléstias que tinha quando encarnado, mas sente certo desconforto devido ao condicionamento mental. A dor é o alerta de que algo não está normal em nosso organismo.A dor é um instrumento para a proteção do corpo material. Quando o Espírito desencarna não sentirá mais dor, por exemplo,quando se queima. O Espírito com mente condicionada à dor, reclama de dor, de calor, de frio. Eis porque o Espírito não diz que sofre mais da cabeça do que dos pés. É preciso, de resto, não confundir as sensações do perispírito, que se tornou independente, com as do corpo; não podemos tomar estas últimas como análogas, mas apenas como termo de comparação. Liberto do corpo, o Espírito pode sofrer, mas esse sofrimento não é corporal, embora não seja exclusivamente moral como o remorso,uma vez que ele se queixa de frio e de calor. Ele não sofre mais no inverno que no verão e o temos visto passar através das chamas sem nada experimentar de penoso; a temperatura não lhes causa, pois,nenhuma impressão.A dorque ele sente não é propriamente uma dor física, mas um vago sentimento íntimo que o próprio Espírito nem sempre entende, precisamente porque a dor não está localizada e não é produzida por agentes externos: é mais uma lembrança que uma realidade, porém,uma recordação também penosa.Há algumas vezes, entretanto, mais que uma lembrança, como iremos ver. COMENTÁRIOS: A dor físicatem origem na mente que nos impulsiona ter uma defesano nosso corpo quando está iminente um risco. Quando o Espírito desencarnae a sua mente condicionadaa protegero corpo produz a mesmaquestão da dor, ele sente aquele desconforto que pode não ser igual a dor aqui no plano material, mas é igualmente penoso, por isso a reclamação. Não está localizado no corpo físico,tem certadiferençana formade sensação, mas ainda assim é uma sensação penosa, difícil e que o Espírito só vai aos poucos conseguindo se livrar. 05 06
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    41 A experiência nosensina que no momento da morte o perispírito se liberta mais ou menos lentamente do corpo.Durante os primeiros instantes, o Espírito não entende sua situação: não se crê morto porque se sente vivo; vê seu corpo de um lado, sabe que é seu, mas não entende por que está separado dele. Este estado perdura enquanto existe alguma ligação entre o corpo e o perispírito.Um suicida nos disse:Não, não estou morto – e ajuntou – entretanto,sinto os vermes que me roem.Ora, seguramente,os vermes não roíam o perispírito, e muito menos o Espírito; roíam apenas o corpo. Entretanto, como a separação do corpo e do perispírito não tinha se completado,resultava uma espéciede repercussão moralque lhe transmitia a sensação do que se passava no corpo. Repercussão pode não ser, talvez, a palavra certa, pois faria supor um efeito muito material; era, antes, a visão do que se passava no corpo, ligado ainda ao seu perispírito, que produzia nele uma ilusão, a qual tomava por uma realidade. Assim,não era uma lembrança, pois que,durante sua vida não havia sido roído pelos vermes;erao sentimento de um fato atual. Vê-se, por aí, as deduções que se podem tirar dos fatos, quando são observados atentamente. COMENTÁRIOS: Aqui Kardec trata de um caso específico, um suicida. Pessoas que no decorrerda vida dá muito valor à matéria, como a fortuna, as questões de poder, o corpo físico, numa condição de perturbação acaba se suicidando, permanece ligada ao corpo, se recusando a abandonar o corpo. O corpo sendo já corroído pelos microrganismos e aquele espírito ainda preso ao corpo através do períspirito,começaa sentir as sensações que sentiria se o corpo ainda tivesse vivo. Isso acontece apenas quando estamos muito ligados às questões materiais. Aquele que valoriza muito as questões materiais, irá ficar preso nos círculos materiais. Mas aquele que tem uma vida mais espiritualizada, se esforçando cotidianamente para aprender o amor ao próximo, como nos ensinou Jesus, conseguindo certo desprendimento das questões materiais, ao desencarnar não ficará preso ao corpo físico e não sentirá nada do que ocorre com o corpo físico. Essa é a realidade da maioria de nós ao desencarnar. Devemos valorizar o patrimônio espiritual, aquilo que vamos aprendendo nas esferas moral e intelectual. Durante a vida, o corpo recebe as impressões exteriores e as transmite ao Espírito por intermédio do perispírito que constitui, provavelmente, o que se chama de fluido nervoso.Morto o corpo,ele não sente mais nada, visto que 07 08 08
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    42 não há maisnele Espírito,nem perispírito.O perispírito,desprendido do corpo, experimenta sensação, mas como esta não lhe chega mais por um canal limitado,é generalizada. Ora, como narealidade ele não é mais que um agente de transmissão, pois é no Espírito que está a consciência, resulta disso que, se pudesse existirum perispírito sem Espírito,ele não sentiria mais do que um corpo morto. Da mesma forma, se o Espírito não tivesse o perispírito, seria inacessível a toda a sensação penosa, como ocorre com os Espíritos completamente purificados. Sabemos que, quanto mais eles se purificam, mais a essência do perispírito se torna etérea, do que se segue que a influência material diminui à medida que o Espírito progride, quer dizer, à medida que o próprio perispírito se torna menos grosseiro. COMENTÁRIOS: A escolha é de cada um. Conforme o nosso livre-arbítrio fazemos escolhas todos os dias, a todo momento. Essas escolhas vão nos criando créditos ou débitos para nós mesmos. E assim vamos construindo nossa história. Se em nossas escolhas colocamos o amor ensinado por Jesus, vamos nos tornando Espíritos melhores, menos materializados. No entanto, se esquecemos o amor de Jesus, passamos a ser egoístas, orgulhosos,ficamosparalisados nanossaevolução,mais apegados àmatéria, sentindo a influência pesada da matéria. Temos que fazer bem as nossas escolhas para conquistar a felicidade almejada. Mas, dir-se-á, as sensaçõesagradáveis são transmitidas ao Espírito pelo perispírito, da mesma forma que as sensações desagradáveis; ora, se o Espírito puro é inacessível a umas, deve ser igualmente a outras. Sim, sem dúvida, para aquelas que provêm unicamente da influência da matéria que conhecemos: o som dos nossos instrumentos, o perfume de nossas flores, nenhuma impressão lhe causa. Entretanto, ele experimenta sensações íntimas, de um encanto indefinível que nem podemos imaginar, pois a esse respeito somos como cegos de nascença em relação à luz: sabemos que ela existe, mas por que meio? Aí se detém a nossa ciência. Sabemos que existe percepção, sensação, audição, visão; que essas faculdades são atributos de todo o ser, e não, como no homem, de uma parte do ser; mas, ainda uma vez, porque intermediário? É o que não sabemos.Os próprios Espíritos não podem nos dar conta, visto que nossa linguagem não está em condiçõesde exprimir as ideias que não temos,da mesmaforma que a língua dos selvagens não tem termos para exprimir nossas artes, nossas ciências e nossas doutrinas filosóficas. 09 10 11
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    43 COMENTÁRIOS: Assim como aindanão conseguimos explicar aos seres menos evoluídos as questões daintelectualidade, nós não conseguimosainda apreendersomente pela articulação da palavra as questões da vida espiritual mais elevada. Não temos ainda condições de ter essa compreensão. Os Espíritos superiores nos dão assistência. Se não sentem a dor física, sentem a dor moral porque quando desviamos do caminho, apesar do esforço da parte deles,eles acabam sentindo porque nos amam. Sentem também as boas sensações morais. Dizendo que os Espíritos são inacessíveis às impressões da nossa matéria, queremos falar dos Espíritos muito elevados, cujo envoltório etéreo não encontra analogia em nosso mundo. O mesmo não ocorre com os de perispírito mais denso, que percebem os nossos sons e os nossos odores, embora não o façam por uma parte da sua individualidade, como quando em vida. Poder-se-ia dizer que as vibrações moleculares se fazem sentir em todo o ser e chegam, assim, ao seu sensorium commune, que é o próprio Espírito, embora de um modo diferente, e pode ser também com uma impressão diferente,o que produz uma modificação na percepção.Eles ouvem o som da nossa voz, entretanto, nos compreendem sem o auxílio da palavra, apenas pela transmissão do pensamento.Isso vem em apoio ao que dissemos:essa penetração é tanto mais fácil quanto mais o Espírito está desmaterializado. Quanto à visão, ela independe da nossa luz. A faculdade de ver é um atributo essencial da nossa alma; para ela não há obscuridade, e apresenta-se mais extensa, mais penetrante para os que estão mais purificados. A alma, ou o Espírito,tem pois, em si mesmo,a faculdade de todas as percepções;na vida corpórea elas são limitadas pela grosseria de seus órgãos, contudo, na vida extracorpóreao são cada vez menos à medida que se torna menos compacto o envoltório semimaterial. COMENTÁRIOS: O Espírito mais evoluído pode em um ambiente com muito barulho consegue selecionar somente aquilo que aprouve-lhe ouvir, porque não precisa ouvir pela sensibilidade material, mas pelo pensamento que nós exteriorizamos. Da mesmaforma para ver, não precisada claridade da luz. É capaz de ver na total escuridão porque o efeito para ver não é o efeito da luz, mas outra forma 12 13
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    44 de se obtera visão, não necessitando dos órgãos dos olhos como nós encarnados. As sensações ocorrem por todo o seu ser e não circunscritas em seus respectivos órgãos como em nós. Esse envoltório, tirado do meio ambiente, varia de acordo com a natureza dos mundos.Passando de um mundo a outro, os Espíritos trocam de envoltório como trocamos de roupaao passarmos do inverno para o verão, ou do polo para o equador. Os Espíritos mais elevados,quando nos vêm visitar, revestem-se do perispírito terrestre e, então, suas percepções operam como nos Espíritos vulgares; mas todos, inferiores como superiores, não ouvem e não sentem mais do que aquilo que querem ouvir ou sentir. Sem possuírem órgãos sensitivos,podem tornar, à vontade, ativas ou nulas suas percepções; só uma coisa são forçados a ouvir: os conselhos dos bons Espíritos. A visão é sempre ativa, mas eles podem, reciprocamente, tornarem-se invisíveis uns aos outros. Segundo a categoria que ocupem,podem ocultar-se dos que lhes são inferiores, mas não o podem dos que lhes são superiores. Nos primeiros momentos que se seguem à morte, a visão do Espírito é sempre perturbadae confusa e se aclara à medida que se desprende e pode adquirir a mesma clareza que durante a vida, independentemente da sua penetração através dos corpos que nos são opacos.Quanto à sua extensão pelo espaço infinito, no futuro e no passado, depende do grau de pureza e elevação do Espírito. COMENTÁRIOS: O períspirito, corpo em que o Espírito desencarnado se manifesta no mundo espiritual, é um instrumento de aprendizado e a sua formação é adequada às condições materiais do globo em nos manifestamos. Se estamos aqui na Terra, o nosso períspirito é formado de uma matéria quintessenciada condizente com a vida aqui na Terra e o mesmo ocorre com o nosso corpo físico que é constituído de matéria relativa à Terra. Mas se o Espírito vaipara outro planeta vivenciar porlá, ele terá que se revestir de um corpo de matéria quintessenciada condizente ao planeta de destino. No momento do desencarne,o serpassaporum processo de perturbaçãoque pode ser mais ou menos duradoura, de acordo com o grau de evolução do Espírito. Todaesta teoria, dir-se-á, não é nada tranquilizadora. Pensávamos que, uma vez desembaraçados do nosso envoltório grosseiro, instrumento das nossas dores,não sofreríamos mais e nos informais que ainda sofreremos e, seja de uma maneira ou de outra, é sempre sofrer. Ah! Sim, podemos ainda 14 15 16
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    45 sofrer muito epor muito tempo, mas, podemos também não mais sofrer, mesmo desde o instante em que deixamos a vida corpórea. Os sofrimentos deste mundo, algumas vezes, independem de nós, mas muitos são consequências da nossa vontade. Remontando à origem, ver-se- á que, em sua maior parte, resultam de causas que poderíamos evitar. Quantos males e enfermidades deve o homem aos seus excessos, à sua ambição, às suas paixões? O homem que tivesse vivido sempre sobriamente, sem abusar de nada, com simplicidade de gostos,modestoem seus desejos, se pouparia de muitas tribulações. Ocorre o mesmo com o Espírito; os sofrimentos que enfrenta são consequência da maneira que viveu sobre a Terra. Sem dúvida, não terá mais a gota e o reumatismo, mas terá outros sofrimentos que não são menores.Vimos que esses sofrimentos resultam dos laços que ainda existem entre o Espírito e a matéria e que quanto mais se liberta da influência da matéria, quanto mais se desmaterializa, sofre menos as sensações penosas.Ora, depende dele libertar-se dessainfluência desde a vida atual; tem o seu livre- arbítrio e, por conseguinte, a faculdade de escolherentre fazer e não fazer. Dome ele as suas paixões animais, não sinta ódio,nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo orgulho e purifique a sua alma pelos bons sentimentos,que faça o bem e dê às coisas deste mundo a importância que elas merecem, então, mesmo estando encarnado, já estará depurado, liberto da matéria, e quando deixar seu corpo não mais lhe suportará a influência. Nenhuma recordação dolorosa,nenhuma impressão desagradável lhe restará dos sofrimentosfísicosque experimentou, porque elas afetaram o corpo e não o Espírito. Sentir -se -á feliz de ter se libertado delas e a calma de sua consciência o isentará de todo o sofrimento moral. Interrogamos milhares de Espíritos, que pertenceram a todas as categorias da sociedade terrena, a todas as posições sociais; estudamo-los em todos os períodos da sua vida espírita, a partir do momento em que deixaram o corpo; seguimo-los, passo a passo, nessa vida de além-túmulo, para observar as mudanças que neles se operavam, em ideias, em suas sensações e, sob esse aspecto, os homens mais vulgares não foram os que nos forneceram materiais de estudo menos preciosos. Ora, constatamos sempre que os sofrimentostinham relação com a conduta, da qual suportavam as consequências, e que essa nova existência era a fonte de uma felicidade inefável para os que seguiram o bom caminho. Segue-se daí que os que sofrem, sofrem porque quiseram e só de si mesmos podem queixar-se, tanto neste como no outro mundo. COMENTÁRIOS: Lei do livre-arbítrio e lei de causa e efeito – duas grandes leis. Temos liberdade de fazer as nossas escolhas. O que fazer da minha vida, como viver,como encararas questões materiais,as questõesespirituais,amar ao próximo ou não, etc. 17 18 18 20 19
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    46 Tudo nos élícito, mas nem tudo nos convém. Nos é lícito porque pela lei de livre-arbítrio nós podemos fazer as nossas escolhas e elas nos são respeitadas.Contudo, nem tudo nos convém, devido à lei de causa e efeito. Nós haveremos de colheros frutos daquilo que plantamos. Se plantamos boas sementes seremosfelizes porque vamos colheros bons frutos que plantamos, mas se vivemos na violência, no ódio,no desamor,certamente enfrentaremos dificuldades no futuro. Toda dor que hoje se manifesta, tem origem na nossa própria conduta. Se conseguirmos analisar a razão da dor que hoje sentimos é porque são causas atuais das aflições. Mas às vezes não conseguimos localizar a razão desta dor, daí a causa está lá numa vida anterior e hoje estamos pagando o débito daquilo que fizemos de mal. Vamos vivenciar e praticar o amor que Jesus nos ensinou. O Espírito, quando reencarna, é ligado ao corpo por fios tenuíssimos em vários centros de força, refletores de outros centros da alma, no domínio de todas as células do campo somático. Quando o corpo físico começa a desagregar-se por desleixo da alma que não cuidou da sua vestimenta, ou por processos ligados ao passado, ou por leis de mudanças necessárias, não é ele que sofre as impressões dolorosas; é o Espírito, por sua alta sensibilidade, que capta essas impressões, pelas linhas que o prendem à argamassa física. Com o conhecimento que agora se tem, trazido à luz pelo ensaio teórico do Codificador e com todas as experiências adquiridas ao longo do tempo, deve-se passar à vivência dos ensinos de Jesus, conhecendo a verdade que oferecerá a coroa de luz, marcando assim a sua dignidade como cidadão livre no campo da vida espiritual. Lembremo-nos bem: onde estarão os nossos pensamentos? Onde os nossos sentimentos estão ligados? Eis ai nosso tesouro! Vejamos, atentemos se é o que o Cristo deseja de nós!
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    47 6.5 – ESCOLHADAS PROVAS - Maturidade espiritual - Progressivamente vamos assumindo responsabilidades sobre o nosso próprio plano evolutivo. Quanto mais amadurecidos estivermos, melhores escolhas faremos. Quanto mais conhecimento das leis que regem a vida e o Universo faremos melhores escolhas. - Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem. Eles (nós) não amadureceram e nem tem conhecimento suficiente para fazer as escolhas certas. - Nós estamos aquinesse caminho de amadurecimento e de aprendizado para fazermos boas escolhas hoje para termos uma vida melhor no futuro. Hoje estamos vivenciando as consequências das escolhas realizadas no passado e, também na atualidade. 258 – Quando noestado errantee antes de se reencarnar,o Espírito tem a consciência e a previsão das coisasque lhe sucederãodurantea vida? Ele próprio escolhe o gênero de provas que quer suportar e é nisso que consiste o seu livre-arbítrio. 258.a) Não é Deus que lhe impõe, então, as tribulações da vida como castigo? Nada ocorre sem a permissão de Deus, pois é Ele quem estabelece todas as leis que regem o Universo. Perguntai, então, por que fez tal lei ao invés de outra. Dando ao Espírito a liberdade de escolha, deixa-lhe toda a responsabilidade de seus atos e suas consequências, de maneira que nada entrava o seu futuro; o caminho do bem, como o do mal, lhe está aberto. Se sucumbe,resta-lhe a consolação de que nem tudo se acabou para ele; Deus, na sua bondade, lhe dá a oportunidade de recomeçar o que foi mal feito. É necessário, aliás, distinguir o que é obra da vontade de Deus do que é da vontade do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós que criastes, mas Deus; contudo, pela própria vontade, a ele vos expondes porque vedes um meio de adiantar-vos e Deus o permitiu. COMENTÁRIOS: Quando desencarnamos não há um tribunal para sentenciaro que produzimos aqui na Terra. A Lei Divina está na consciênciade cada um de nós. É ela que vai nos julgar. Nós somos os julgadores de nós mesmos.
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    48 Na construção danossa história há duas principais Leis que direcionam o nosso caminho: - A lei do livre-arbítrio que autoriza a fazermos as nossas escolhas. Antes de reencarnar é realizada uma programação para a nova existência. André Luiz nos esclarece que quando candidatamos à reencarnação, somos recebidos em um departamento específico para preparar essa reencarnação. Lá vamos avaliar as nossas necessidades de aprendizagem,quais os débitos aresgatar, quais foram os equívocos do passado em nossas diversas reencarnações anteriores. Se já temos a consciência para resgatar. Dessa forma antes de iniciar uma nova reencarnação é necessário elaborar um projeto com as coisas mais relevantes, mais genéricas,como,qual é o lar que irá receber, quem será a mãe, o pai, os irmãos, qual será a profissão, a condição social. Dentro dessa escolha, conforme o livre-arbítrio há a preparação no mundo Espiritual. Fazer cursos,estágios,se preparando paraos resgates dos débitos e para aquisição de novas experiências de acordo com as limitações. Com relação aos débitos,não são todos,mas aqueles que já se consegue aprender através das dificuldades que se passará. O aprendizado, seja qual for, consiste no amor, porque só no amor que se consegue a evolução. Deus só dá o frio conforme o cobertor. Nós escolhemos as provas, nos preparamos para elas, então estamos aptos a passar pelas diversas circunstâncias aqui enquanto encarnados. - A lei de causa e efeito que fornece as consequências de tudo o que se faz. TIPOS DE ENCARNAÇÃO Há quatro tipos de reencarnação, que vão de acordo com o grau de adiantamento do espírito. São eles: - Reencarnação Compulsória: Este tipo de reencarnação é destinada a espíritos que não tem capacidade de fazer as suas próprias escolhas, devido ao seu adiantamento evolutivo atrasado ou por faltas graves que impedem a liberdade de escolha. O espírito é acolhido sem prévia concordância e até sem o seu conhecimento. E também, a reencarnação compulsória é imposta pela Lei de Deus nos casos que exige longas expiações. Neste, tudo acontece naturalmente, de uma forma automática; este processo acontece de tal maneira: os espíritos inferiores com ideias fixas, entram em grande associação com o útero, que tem circunstâncias adequadas para a sua nova reencarnação, em moldes totalmente dependentes da hereditariedade. Mas até mesmo nesses casos os espíritos superiores responsáveis pelo destino do planeta Terra supervisionam à distância essas entidades reencarnantes; ou seja, nenhuma existência está abandonada, a ajuda carinhosa de Deus está sempre presente, os espíritos supervisores dos renascimentos na Terra, tem conhecimento de todas as reencarnações automáticas/compulsória, que é o maior número no nosso planeta. - Reencarnação Acidental:
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    49 Neste, a fecundaçãonão estava prevista, decorrente de uma relação sexual casual. Então quando ocorre a fecundação neste caso, o Espírito que esteja próximo ao casal é atraído para o óvulo fecundado. Assim, os mecanismos automáticos se carregam de propiciar a ligação na fecundação. Na reencarnação acidental se encaixam os reencarnantes originários de estupro e de outros “acidentes” semelhantes. - Reencarnação proposta ou semi-voluntaria: Este tipo é levado em conta o livre-arbítrio que o espírito tem à sua disposição. Os débitos e méritos são analisados sem imposição pelos mentores espirituais, em seguida programam a melhor forma para liquidar ou diminuir as dívidas em pendência e as possibilidades para o progresso moral e espiritual. Como não é imposta estas analises, o espírito encarnante pode discutir certas questões e pedir alterações, que podem ser aceitas ou não. É a circunstância de muitos de nós. - Reencarnação livre ou missionária: Esta é para os espíritos que são redimidos ou próximo da redenção no plano terreno. Estes possuem ampla liberdade de escolha. A missão na Terra é de desempenhar tarefas elevadas em qualquer setor do conhecimento humano, como nas ciências, na filosofia ou na religião, para ajudar na evolução da humanidade. Como Sócrates, Buda, Krishna, e Jesus de Nazaré. Livro: Eustáquio – Quinze séculos de uma trajetória Obras de André Luiz:  Missionários da Luz  Ação e reação 259 – Se o Espírito pode escolher o gênerode provas que devesuportar, segue-se daí que todas as tribulações que experimentamos na vida foram previstas e escolhidas por nós? Todas, não é a palavra, pois não se pode dizer que escolhestes e previstes tudo o que vos acontece no mundo, até as menores coisas; escolhestes o gênero de provas, os detalhes são consequências da vossa posição e, frequentemente, dos vossos próprios atos. Se o Espírito quis nascer entre malfeitores,porexemplo,ele sabia a que arrastamentos se expunha, mas não cada um dos atos que viria a praticar, e que são resultado de sua vontade ou do seu livre-arbítrio. O Espírito sabe que escolhendo tal caminho terá de suportar tal gênero de luta; sabe, também, a natureza das vicissitudes que enfrentará, mas não sabe quais os acontecimentos que o aguardam. Os detalhes dos acontecimentos nascem das circunstâncias e da força das coisas.Somente são previstos os grandes acontecimentos que influem no seu destino. Se tomas um caminho cheio de sulcos profundos, sabes que deves tomar grandes precauções paranão caíres,e não sabes em qual deles cairás; pode ser, também, que não caias se fores bastante prudente. Se, passando
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    50 por uma rua,uma telha te cair na cabeça,não creias que estava escrito,como vulgarmente se diz. COMENTÁRIOS: Na realidade não há um destino, mas um projeto de vida. Todo planejamento é flexível. Assim como quando planejamos uma viagem. Se vai de carro, de ônibus ou de avião. Se vai de carro, terá que fazer a revisão do carro, abastecer. Se vai de ônibus ou de avião terá que fazer a programação, reservar e comprar a passagem, verificar local de saída e de chegada, roteiro, horários, etc. chegando lá onde irá ficar, em hotel, acampamento, casa de amigos ou parentes. Nada impede que em meio a essa viagem, apesar de todo o planejamento, mude o roteiro, a hospedagem, enfim, as situações. A mesma coisaocorre quando fazemos um projeto para uma nova existência. Nós planejamos as situações gerais, aquilo que a vida vai nos trazer conforme o que nós necessitamos para o nosso aprendizado e para o resgate dos equívocos do passado. Então escolhemos a família que irá nos albergar, as condições materiais, a saúde do nosso corpo,a profissão,as condições de trabalho, as dificuldades que haveremos de passar. Estando reencarnados, o nosso livre arbítrio continua atuante. A gente planeja o que a vida pode nos trazer de dificuldades e de possibilidades.Agorao que vamos fazer com essas possibilidades e com essas dificuldades, é escolha. Podemos aproveitar ou não. Mesmo estando encarnados, seguindo um planejamento, não perdemos o direito de agir sobre esse planejamento que pode ser alterado e mudado o roteiro. Não sabemos exatamente o que foi planejado para que a gente não se acomode ou não se apavore. ESE – Duas causas: causas atuais ou causas anteriores. Ex: Acidente – se estou dirigindo em alta velocidade, embriagado, ferindo as leis de trânsito, a causa do acidente é atual. Se estou em um ônibus e ocorre um acidente. As sequelas desse acidente pode ser causas anteriores. Se nessa reencarnação não dermos conta, teremos novas oportunidades de progredir. Na natureza toda ação corresponde auma reação, nenhum ato é neutro. Para tudo tem uma consequência.
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    51 Tudo que acontecena vida da gente, a gente escolheu. Isso não quer dizer que tudo se tenha escolhido conscientemente. O amor cobre a multidão de pecados (I Pedro) 260 – Como o Espírito pode querer nascer no meio de pessoas de má vida? É necessário que ele seja colocado num meio onde possa suportar a prova que pediu. Pois bem! É preciso que haja analogia nas situações. Para lutar contra o instinto do roubo é preciso que se encontre entre pessoas dadas à prática de roubar. 260.a)Se não houvessepessoas de má vida sobre a Terra,o Espírito não poderia, pois, aí encontrar meio adequado a certas provas? Precisar-se-ia lamentar isso? É o que ocorre nos mundos superiores onde o mal não tem acesso, visto que são habitados por Espíritos bons. Fazei que, em breve, o mesmo ocorra sobre a Terra. COMENTÁRIOS: Cada um de nós temos as experiências únicas e a vida vai nos conduzindo as escolhas únicas também. O Espírito que tem certos defeitosa corrigirnasce em família com as mesmas faltas a serem corrigidas. Aí é que está sua maior prova, e a solução do problema está dentro dele. Uma alma que tem instintos de se apossar do alheio nasce em família que gosta de roubar; esse Espírito deve se esforçar, dentro do ambiente favorável ao erro, para se libertar daquilo que precisapara se tornar livre. Se renascer no lar já motivado pelo Evangelho, entre pessoas que já se limparam das mazelas das paixões inferiores, qual o esforçoque ele terá que fazer para o seu aperfeiçoamento? Sabendo disso, escolhe lar compatívelcom as suas tendências.Isso é analogia de sentimentos.Atraímos o que somos, esta é a lei. As dificuldades pelas quais passamos, como a dor e o sofrimento são instrumentos de aprendizado para impulsionar a evolução de cada um de nós. A natureza da dor e do sofrimento é condizente com as necessidades de aprendizado. Ex: aqueles que por acaso usaram muito álcool ou drogas em uma reencarnação anterior, hoje vai sofrer com problemas de saúde nos órgãos que foram afetados em razão do vício.
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    52 Aquele que édado a determinado tipo de crime vai nascer em um ambiente (família ou vizinhos) onde há pessoas voltadas a esse tipo de crime. O gênero de provas que a vida nos traz deve serde acordo com anecessidade de aprendizado de cada um. Em muitos casos ocorre que às vezes o Espírito vem em meio ao vício ou à criminalidade a fim de auxiliar os semelhantes nesseserros através das provas de sua própria superação. Nem sempre o Espírito cai, pode superar e passar pela prova. Quando a dor vem é porque em Espírito já temos a consciênciadaquelas más inclinações e nos dispusemos a superá-las. A dor, o sofrimento não é castigo que Deus nos impõe. Ele é Pai Amoroso,é bondade. É um instrumento de aprendizado que Deus nos concede. Ela só vem quando nós já temos condições de aprender. A escolha da prova, no mundo Espiritual, é nossa, mas nem sempre nós aproveitamos. Letra A: Se não há mais nada a expiar ou provar, o Espírito nessacondição vai buscar um mundo que seja compatível com seu estágio evolutivo. Sabemos que o nosso planeta Terra está passando pelo estágio caminhando para um mundo de regeneração. Neste planeta de regeneração muitas das provas que hoje são propiciadas aos Espíritos renitentes no mal não haverão de existir mais poraqui. Então esses Espíritos reencarnarão em outro planeta. Não é castigo, mas sim, outra escola, condizente com as lições das quais esses Espíritos precisam. Aqui ou lá seremos sempre filhos de Deus, abençoados e atendidos nas nossas necessidades. Precisamos aprender a amar como nos ensinou Jesus. Precisamos nos esforçar um pouco a cada dia para vencer as nossas inclinações, as nossas más tendências. 261 – O Espírito,nas provas que deve suportar para chegar à perfeição, deve experimentar todos os gêneros de tentações? Deve passar por todas as circunstânciasque podem excitar seu orgulho,inveja,avareza, sensualidade, etc.? Certamente que não, pois sabeis que há Espíritos que, desde o começo, tomam um caminho que os isenta de muitas provas; mas aquele que se deixa arrastar para o mau caminho, corre todos os perigos desse caminho. Um Espírito, por exemplo, pode pedir a riqueza e esta ser-lhe concedida; então,
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    53 conforme seu caráter,ele poderá tornar-se avaro ou pródigo, egoísta ou generoso,ouse entregará a todos os prazeres da sensualidade.Mas isso não quer dizer que deva passar forçosamente por todas essas tendências. COMENTÁRIOS: Questão 120. 120. Todos os Espíritos passam pela fieira do mal para chegar ao bem? Pela fieira do mal, não; pela fieira da ignorância. Fieira – Experiência Para eu ser bom, tenho que primeiro ser mau? Ser ignorante, não é ser mal, mas não ter conhecimento. Podemos até não passar pelo caminho do mal, mas temos que passar pelas etapas para ir vencendo a ignorância. Simplicidade = ausência de tendências para o Bem e o Mal. Ignorante = desconhecedor das coisas e das leis naturais. Simples e ignorantes, portanto incompletos, que devem adquirir por si mesmos, por sua atividade, a ciência, a experiência que naquele início não pode ter. O importante não é passar ou deixar de passar pelo caminho do mal, o importante é a conquista que efetivamos, pois todos nós haveremos de ser feliz um dia, chegaremos à perfeição relativa. Há duas grandes leis: a lei do livre-arbítrio e a lei de causas e efeito. Pelalei do livre-arbítrio escolhemostodosos caminhos pelos quais haveremos de passar. Ela nos é dada para que possamos praticara lei divina, o amor que Jesus nos ensinou possa crescere florescerem nossos corações através dos nossos atos, das nossas palavras, dos nossos relacionamentos. Se as nossas escolhas forem mal direcionadas por nós mesmos, então passaremos pela lei de causa e efeito. Encontraremos adiante o efeito da escolha realizada no momento. As provas são ensinamentos da lei divina, são lições que nos proporciona atender agora os nossos equívocos do passado. As tentações são instrumentos de provas e de aprendizado em nossas vidas. A expiação só vem em nossas vidas, quando já temos condições de aprender. A lição é de acordo com a capacidade do aprendiz, do discípulo.
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    54 Se ainda nãoestou em condições de compreender determinada dor, determinada dificuldade, a lei divina aguarda o momento correto em que a lição me será atribuída. Daí estarei em condições de compreender, de vivenciá-la com sucesso, com aprendizado, com amor. Não adianta passar por uma prova sem que possamosaprender.Sempre que passamos poruma dor ou sofrimento,normalmente, saímos fortalecidos,pois ali aprendemos, adquirimos mais fé. Porém aquele que passa pelas provações blasfemando,reclamando não terá aprendido a lição e sairá dela apenas por misericórdia divina, porque lá na frente elas terão que retornar à sua vida para que possa retomar o seu aprendizado. É assim que funciona a lei divina, justa, de acordo com as nossas necessidades, com as nossas possibilidades de aprendizado. Todo bem ou todo mal vem do que você faz com o que você tem. O que você faz com o que você tem é que vai definir se o que você tem é bom ou ruim para você. Ex: Texto A janela do hospital. 262 – Como pode o Espírito, que em sua origem é simples, ignorante e sem experiência,escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha? Deus supre a sua inexperiênciatraçando-lhe o caminho que deve seguir,como o fazes para uma criança desde o berço.À medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, ele o deixa, pouco a pouco, livre para escolher; é, então, que frequentemente se extravia tomando o mau caminho, se não escuta o conselho dos bons Espíritos; é o que podemos chamar a queda do homem. 262.a) Quando o Espírito goza do seu livre-arbítrio, depende exclusivamenteda sua vontadea escolha da existência corporal,ou essa existência podelhe ser imposta pela vontade de Deus como expiação? Deus sabe esperar: não apressa a expiação. Entretanto, Deus pode impor uma existência a um Espírito, quando este, por sua inferioridade ou sua má vontade, não está apto a compreender o que poderia ser-lhe mais salutar e quando vê que essa existência pode servir à sua purificação e adiantamento, ao mesmo tempo que encontra nela uma expiação. COMENTÁRIOS:
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    55 Ex: As rodinhasna bicicleta – primeiro tira as rodinhas – depois aumenta o tamanho das rodas – toma os rumos que queira – pode haver quedas. Ex: A criança na fase da alfabetização depende dacondução do professorem todas as situações. Quando adulto, na fase universitária organiza seu próprio estudo sob a orientação do professor. Cada um de nós quando vai reencarnar trazemos uma missão,a qual faz parte da programação de vida. Quando chegamos para uma nova reencarnação, renascendo aqui ou em outro planeta trazemos um programa de vida que foi por nós muito bem elaborado no mundo espiritual. Na colônia espiritual, passamos pelo departamento específico que trata das reencarnações para recebermos as orientações dos mentores a buscar as nossas necessidadesde aprendizado,os débitos que haveremos de resgatar, como também, nossas possibilidades de trabalho, nossos companheiros e parentes consanguíneos, nossa condição de saúde, nossa profissão, etc. Traçamos os pontos gerais da nova existência conforme o livre-arbítrio sob a orientação dos mentores espirituais.A escolhaé nossa.A vida irá nos oferecer as possibilidades que programamos, mais aceita-las, acatá-las ir por aquele caminho que programamos ou não cabe a cada um de nós. Em duas situações deixamos de escolher a nossa programação. Não exercemos o nosso livre-arbítrio ao fazer a escolha das provas pelas quais devemos passar: 1º - No começo da nossa caminhada como Espíritos recém-criados, recém- saídos das mãos do Criador. Vai nos faltar experiência, conhecimento, discernimento para traçar um roteiro para nossa existência. Sob a orientação divina, os nossos mentores espirituais vão encontrar o melhor caminho para programar a nossa existência. 2º - Quando nos tornamos endurecidos no mal, vamos repetindo os mesmos erros não tendo condições de fazer as próprias escolhas, pois ao fazê-las iríamos ao encontro dos nossosprópriosinteresses,sem o objetivo decrescer. Perdemos o poder do discernimento. Nessas situações temos as reencarnações compulsórias em que o Espírito reencarnante não tem a possibilidade de fazer a escolhadas situações gerais de sua vida. A regra é o livre-arbítrio. A escolha feita pelo próprio reencarnante, depois de bem orientado pelos mentores espirituais. As exceções ocorrem apenas nessas duas situações.
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    56 Todainterferência da LeiDivina ocorre em nosso favor, sempre verificando as nossas necessidades e colocando-nos no caminho do bem, no caminho do amor. A doutrina Espírita, a Casa Espírita,os Espíritos não existem para resolveros nossos problemas. Tudo isso existe para nos auxiliar na compreensão da necessidade de mudança, nas atitudes, nos pensamentos, nos comportamentosaté que percebamos que tudo que acontece na nossavida é o reflexo da forma em que nós vivemos,desde a mais remota antiguidade até o que fizemos hoje. É um erro pensar que a Espiritualidade vai resolver os meu problemas, de preferência os imediatos. Relatos do livro: Eustáquio – 15 séculos de uma trajetória. 263 – O Espírito faz sua escolha imediatamente depois da morte? Não, muitos acreditam na eternidade das penas e, como já se disse, é um castigo. COMENTÁRIOS: Essa escolha que se indaga nesta questão se refere à programação da sua nova reencarnação. Logo após o desencarne,o Espírito passaporuma profundamudança em sua vida, é um período de perturbação. Não estaria em condições para fazer escolhas para o futuro. Vai levar algum tempo para que cada Espírito que desencarna esteja em condições de compreensão, de discernimento. A partir daí vai permanecer na erraticidade por algum tempo, pois lá também há aprendizado, há trabalho, realização no bem, há amor. Lá é o mundo real. É a verdadeira moradia de todos nós. Durante esse tempo vai sedimentar os aprendizados da sua reencarnação anterior. Vai avaliar tudo o que fez para ter condições de se preparar melhor para a próxima reencarnação. O Espírito vai se preparando até o momento de sentir necessidade de se candidatar a uma nova reencarnação. Só aí vem a escolha e, consequentemente, a programação. 264 – O que dirige o Espírito na escolha das provas que quer suportar? Ele escolhe as que podem serpara ele uma expiação, segundo a natureza de suas faltas, e o faça avançar mais rapidamente. Alguns se impõem uma vida
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    57 de misérias eprivações para tentar suportá-la com coragem. Outros querem se experimentar nas tentações da fortuna e do poder, bem mais perigosas pelo abuso e mau uso que delas se pode fazer, e pelas más paixões que desenvolvem. Outros, enfim, querem experimentar-se pelas lutas que devem sustentar ao contato do vício. COMENTÁRIOS: O Espírito candidato à reencarnação recebe no departamento da reencarnação assessoria de mentores especializados que através da análise do seu passado busca as provas pelas quais deve passar. Essas provas não são aleatórias, mas de acordo com a necessidade de aprendizado, conforme os erros cometidos no passado. Na erraticidade o Espírito adquire o conhecimento e certa melhora das suas tendências, mas a prova é aqui enquanto encarnado, por isso vai estar ligado justamente naquilo em que seus erros apontam. Ex: dependente químico Vai escolhertambém situações que a vida irá lhe proporcionar possibilidades de crescimento, de aprendizado maior, como a profissão, por exemplo. Em razão de todas essas avaliações é que são realizadas as escolhas. 265 – Se alguns Espíritos escolhem o contato com o vício como prova, existem os que o escolhem por simpatia e por desejo de viver num meio do seu gosto, ou para poderem se entregar materialmente aos seus pendores materiais? Há sem dúvida, mas apenas entre aqueles cujo senso moral está pouco desenvolvido; a prova vem deles mesmos e a suportarão por mais tempo. Cedo ou tarde, compreenderão que a satisfação das paixões brutais tem para eles consequências deploráveis, que suportarão durante um tempo que lhes parecerá eterno. Deus poderá deixá-los nesse estado até que compreendam suas faltas e peçam, por si mesmos, os meios de resgatá-las em provas vantajosas. COMENTÁRIOS: Somos seres caminhando em nossa jornada evolutiva, ora acertando, ora errando. Quando desencarnados temos uma visão maior das nossas necessidades, nos fornecendo melhores condiçõesde fazeras escolhas no mundo espiritual.
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    58 Quando escolhemos determinadosofrimento é porque lá estando temos a visão da necessidade e das possibilidades de crescimento, além de sermos orientados pelos mentores. Portanto, temos as possibilidadesde fazermos as escolhas corretas,mas também podemoserrar,da mesmaformaque erramos aqui. As orientações que recebemossão de acordo com nossas necessidades,mas há o livre-arbítrio a ser respeitado, tanto aqui, quanto lá. Mesmo diante dos mentores espirituais fornecendo toda a orientação, se desejarmos escolheroutro caminho que não seja o ideal, eles vão respeitara nossa escolha, exceto se não tivermos condições. Ter condições para a escolhanão significasempre a escolhacorreta, senão o livre-arbítrio não teria necessidade de existir. Às vezes erramos. E nessa escolha podemos cair. Às vezes podemos escolher até em medidas maiores em que podemos suportar. Que podemos dar conta ou não. Há também Espíritos que escolhem nascer em um reduto viciado por gostarem do vício e sentirem necessidade de estarenvolvidosnele.Nesses,osensomoral aindanão temdesenvolvimentobastante para lhesmostrarque elesdevem se esforçar, no sentido de adquirir a decência nos caminhos que percorrem. 266 – Não parece natural que os Espíritos escolham as provas menos penosas? Para vós, sim; para o Espírito, não. Quando se liberta da matéria, a ilusão desaparece e ele pensa de outra maneira. COMENTÁRIOS: É o momento que ainda no plano espiritual, antes da reencarnação, o Espírito vai escolher traçando seu projeto de vida, quais serão as provas, as dificuldades que a vida vai trazer quando estiver reencarnado. Por que o Espírito não escolhe asa provas mais fáceis, com menos dificuldades. É porque é uma questão do ângulo de visão. Quando analisamos a situação quando estamos aqui encarnados, o ângulo de visão são os limites da vida em que a nossa memória é capaz de trazer: Desde o berço até o desencarne. Para o Espírito que está desencarnado, a visão é outra. A memória irá trazer um passado bem maior que a de quando está encarnado. Claro que não se recorda de todo o passado do Espírito,mas quando está traçando um projeto de vida a gente vai se recordar dos equívocos do passado que temos que superar. O que temos que aprenderpara não repetir ou agravar aqueles erros
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    59 do passado. Entãoasa provas se transformarão em lições da lei divina para nos ensinar aquilo que não aprendemos antes e nos fez cair em erros. O Espírito terá como visão futura não apenas as décadas as quais estará aqui reencarnado, mas toda a eternidade. Dessaforma, busca resgatar os débitos oriundos dos seus erros, da sua ignorância. São lições da Lei Divina para o nosso progresso. Allan Kardec O homem sobre a Terra é colocado sob a influência das ideias carnais,não vê em suas provas senão o lado penoso;é por isso que lhe parece natural escolher aquelas que, do seu ponto de vista, podem coexistir com os prazeres materiais. Na vida espiritual, contudo, ele compara esses prazeres fugitivos e grosseiros com a felicidade inalterável que entrevê e, então, que lhe importam alguns sofrimentos passageiros? O Espírito pode,pois,escolheras provas mais rudes e,por conseguinte, a existência mais penosa na esperança de alcançar mais depressa um estado melhor, como o doente escolhe, frequentemente, o remédio mais desagradávelpara se curar mais rapidamente.O que quer ver seu nome ligado ao descobrimento de um país desconhecido não escolhe um caminho florido; sabe os perigos que corre, mas sabe também a glória que o espera, se for bem-sucedido. COMENTÁRIOS: Não adianta o Espírito escolherpara ele uma vida só de sofrimentos se ele não tiver condições necessárias para passar por aquele sofrimento com paciência, com fé e com amor. Jesus nos ensinou que o único caminho para a evolução do Ser é o amor. A dor, o sofrimento são lições da Lei divina para nos ensinar a amar. Por isso nem sempre os Espíritos que sofrem mais serão aqueles que vão evoluir mais. Escolhem a possibilidade para que vivenciando bem aquela dificuldade ele aprendamais e consigaevoluir mais.A evolução de fato,ocorre pelo caminho do amor. Por isso nem sempre são necessárias tantas angústias, tantas dores. Muitas vezes o Espírito não é capaz de suportar. Porisso é necessáriaa orientação dos mentores,no plano espiritual,que nos fornece a medida certa das nossas provas, na medida que conseguimos suportar com proveito. Não adianta ir além das nossas capacidades. A doutrina dá liberdade na escolha de nossas existências e das provas que devemos suportar deixa de parecer extraordinária se se considerar que os Espíritos desprendidos da matéria apreciam as coisas 42 43 42
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    60 de maneira diferentedanossa; entreveemo fim,bem mais sério paraeles que os prazeres fugidios do mundo. Depois de cada existência, avaliam o passo quederame compreendem o que lhesfalta ainda em purezapara alcançarem aquele fim. Eis porque eles se submetem voluntariamente a todas as vicissitudes da vida corporalpedindo,eles mesmos,as provas que lhes permitam chegar mais prontamente. Não há, pois, motivo de espanto no fato de o Espírito não dar preferência a uma existência mais suave. Essa vida, isenta de amargura, não pode gozá-la em seu estado de imperfeição;ele a entrevê e é paraalcançá-la queprocurase melhorar. COMENTÁRIOS: Quando estamos no mundo espiritual não apenas traçamos o projeto de existência corporal, as dificuldades que a vida vai trazer, dores, sofrimentos, mas principalmente, depois que programamos, ainda antes da reencarnação nós nos preparamos para passar por tais dificuldades com proveito. Não temos, aliás, todos os dias, sob nossos olhos, exemplos de escolhassemelhantes?Que faz o homem que trabalhauma parte da sua vida, sem trégua nem descanso,para reunir haveres que lhe garantamo bem-estar, senão uma tarefa que se impôs tendo em vista um futuro melhor? O militar que sofre por uma missão perigosa, o viajante que não enfrenta menores perigos,no interesse da Ciência ou da sua fortuna,não se submete a provas voluntárias que devem lhes proporcionar honra e proveito, se forem bem-sucedidos? A que o homem não se submete e não se expõe pelo seu interesse ou pela sua glória? Todos os concursos não são também provas voluntárias às quais os homens se submetem para se elevarem na carreira que escolheram? Não se chega a uma posição social de destaque nas ciências, nas artes, na indústria, senão passando por uma série de posições inferiores que são outras tantas provas.Avida humana é uma cópiada vida espiritualondeencontramos, em ponto pequeno, todas as mesmas peripécias. Se, pois, nesta vida escolhemos as provas mais rudes para alcançarmos um objetivo mais elevado,por que o Espírito,que vê mais longe que o corpo e para o qual a vida do corpo não é mais que um incidente fugidio,não escolheria uma existência penosa e laboriosa, se ela deve conduzi-lo a uma felicidade eterna? Aqueles que dizem que, se o homem tem a escolha da sua existência,pediriampara ser príncipesou milionários,são como míopes que só veem o que tocam, ou como crianças gulosas às quais quando perguntamos a profissão que preferem, respondem: pasteleiros ou confeiteiros. 44 45
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    61 COMENTÁRIOS: E lhes digomais: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus”. (Mt 19:24) Não é a riqueza material do mundo que vai tornar o homem capaz de adquirir o reino do Céu, mas a riqueza do coração. A riqueza é um meio que proporciona a vida material aqui na Terra. O que seríamos de nós se não houvessem as riquezas transformadas em empresas,indústrias,comércio fornecendo emprego.Alimentos,condições de sobrevivência para as famílias. A riqueza é um instrumento. A dificuldade da riqueza é como usar essa riqueza. Pois a riqueza é uma prova, assim como a pobreza, a enfermidade.Não é algo que vai nos proporcionara felicidade.Se fosse assim, os ricos, milionários seriam plenamente felizes e nós sabemos que não é verdade. Emmanuel nos diz que todos nós temos a nossa riqueza. Para alguns é a riqueza material, para outros tem o tempo, a inteligência, a saúde. Quantos de nós quando somos convidados para exercermos determinada tarefa colocamos as nossas desculpas e nos esquivamos de certos compromissos.Nos afastamos das tarefas que a vida nos trouxe como possibilidades de crescimento. Portanto, quando se fala em riqueza não devemos pensarsó na riqueza material, mas na riqueza que cada um de nós temos. Assim é o viajante que,no fundo do vale obscurecido pelo nevoeiro não vê a extensão, nem os pontos extremos do seu caminho. Chegado ao cume da montanha,divisa ele o caminho que percorreue o que resta a percorrer,vê o seu fim e os obstáculos que tem ainda a transpor e pode, então, planejar com mais segurança os meios de o atingir. O Espírito encarnado estácomo o viajorna baseda montanha:desembaraçadodos laços físicos, ele domina o cenário como aquele que está no cume da montanha.Para o viajante,o objetivo é o repouso depois da fadiga,para o Espírito,porém,é a felicidadesupremaapós as tribulaçõese as provas. Todosos Espíritosdizem que,no estadoerrante,buscam,estudam, observam para fazerem sua escolha.Não temos um exemplo desse fato na vida corporal? Não buscamos, frequentemente, durante anos, a carreira sobre a qualfixamos livremente nossaescolha,porque a cremos a mais apropriadaparaos objetivosdo nossocaminho?Se fracassamos numa, procuramos outra. Cada carreira que abraçamos é uma fase, um período da vida.Não empregamos cada dia para planejar o que faremos no dia seguinte? Ora, que são as diferentes existências corporais para o Espírito senão fases,períodos e dias de suavida espírita que é,como o sabemos, 46 47
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    62 sua vida normal,umavez que a vida corpórea não é mais que transitória e passageira? COMENTÁRIOS: As provas são diferentes para cada um de nós. Aqui enquanto encarnados passamos por provas e escolhemos profissões diferentes. Cada um de nós tem habilidades e preferências diferentes em todas as situações que a vida nos traz. Não é por acaso, é fruto do patrimônio que cada um construiu no passado. Nossa profissão vai estar de acordo com as provas escolhidas. Todas as dificuldades, todas as oportunidades, tudo o que a vida traz para cada um de nós, a família que nos abriga, nosso emprego,estão exatamente na medida da evolução de aprendizado de cada um no momento em que estamos na existência de Espírito eterno. Ter Jesus como modelo, como guia é uma opção de cada um de nós no exercício do livre-arbítrio. 267 – Poderá o Espírito fazer sua escolha durante a vida corporal? Seu desejo pode ter influência, dependendo da intenção; como Espírito, porém,muitas vezes vê as coisas de maneira diferente,e é nesse estado que faz sua escolha. Mas, ainda uma vez, pode fazê-la na sua vida material, porque o Espírito tem sempre momentos nos quais fica independente da matéria que habita. 267.a) Muitas pessoas desejam grandezas e riquezas; não é, certamente, como expiação, nem como prova? Sem dúvida, é a matéria que deseja essas grandezas para gozá-las; como Espírito, deseja-as para conhecer-lhes as vicissitudes. COMENTÁRIOS: As leis espirituais são elásticas,para atender a todos,no nível de cada escala do progresso espiritual. O Espírito pode escolheras suas provas mesmo antes de desencarnar, em se pensando em futura reencarnação. Ele formula ideias que podem ser aproveitadas, no que se refere às suas necessidades espirituais, mas, ele pode, igualmente, mudar de ideia ao chegar ao mundo dos Espíritos.
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    63 As escolhas antecipadasgeralmente sofrem retificações para melhor aprimoramento da alma em questão. Quando o Espírito deseja escolher as riquezas, os poderes, e isso lhe é concedido, e ele as usa somente para sua satisfação interior e individual, notar-se-á a sua inferioridade, e quando as usa para o benefício da coletividade, esse pode se chamar de benfeitor da humanidade. Por isso é importante que aqueles que muito possui usem a riqueza para o bem-estarde todos, com empregos decentes, em aprimoramentos corretos, socorrendo os doentes na invalidez, as crianças, e ajudando ao próprio governo na melhoria da qualidade de vida da sociedade. 268 – Até alcançar o estado de pureza perfeita, o Espírito tem, constantemente, provas a suportar? Sim, mas elas não são como as entendeis, pois chamais de provas as tribulações materiais. Ora, o Espírito, alcançando um certo grau, sem ser perfeito, não tem mais provas a suportar, porém, tem sempre deveres que o ajudam a se aperfeiçoar, e que não lhe são penosos, não fosse senão o de ajudar os outros a se aperfeiçoarem. COMENTÁRIOS: Todos nós nos movimentamos para o crescimento. O Espírito que evolui não vai ficar em uma nuvem tocando harpa para Deus. A evolução proporciona ao Espírito melhores condições de trabalho em favor de comunidades inteiras.O Espírito estásempreem trabalho porsua evolução e pelo auxílio aos demais irmãos da criação. As dificuldades não são de acordo com o que nós conhecemos aqui. Nós estamos em um planeta de provas e expiação, porque essa é a nossa necessidade momentânea de aprendizado. Passamos por provas muito penosas. Aqueles que já venceram essas dificuldades, já deram um passo na sua jornada evolutiva não vão passar mais necessidadesde ordem material,como a infinidade de dificuldades que vivenciamos e que vemos ao nosso redor, principalmente, as limitações que a matéria nos coloca para aprimoramento das nossas necessidades no estágio em que nos encontramos. Espírito mais evoluídos que habitam outras moradas na Casa do Pai, as circunstâncias são outras. Continua o aprendizado, o trabalho, mas as provas são diferentes. A matéria é mais sutil, mais leve, menos enfermidades.
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    64 O trabalho depoisque o Espírito vence a matéria mais grosseira vai se resumindo na busca do aprendizado para o efetivo auxílio dos irmãos que lhe vem na retaguarda. Porém o trabalho continua promovendo aevolução do Ser pelo aprendizado que proporciona em cada momento da vida. É trabalhando que vamos conquistar a evolução em todos os patamares da existência. 269 – O Espírito pode enganar-se quanto à eficiência da prova que escolheu? Pode escolherumaque esteja acima de suas forças e, então, sucumbe;pode, também,escolheruma que não lhe dê proveito algum, como ocorre se prefere um gênero de vida ociosa e inútil. Nesse caso, uma vez de volta ao mundo dos Espíritos, ele percebe que nada ganhou e pede outra existência para reparar o tempo perdido. COMENTÁRIOS: Estamos sempre no exercício do nosso livre-arbítrio.Dessaforma,ao elaborar o projeto para a nova reencarnação, analisamos a nossa situação no mundo espiritual, com o auxílio dos nossos mentores.Ninguém faz escolhas de forma arbitrária, aleatória. Analisamos principalmente, dois aspectos: - As nossas necessidades – os débitos a resgatar, as lições que haveremos de aprender; - As nossas possibilidades – quem irá nos receber no seio familiar, quem poderá nos auxiliar durante a existência ou quem poderemos auxiliar. Recebemos orientação dos mentores, mas a escolha é nossa. Poderemos escolherprovas e dificuldades além das nossas capacidades,das nossas forças e, quando chegar aqui a gente não as suportar. Poderemos escolher provas pequenas diante das nossas possibilidades. Poderíamos avançar mais. Mas conforme o livre-arbítrio e o medo acabamos escolhendo provas que não vão nos oportunizar grandes passos evolutivos. O ideal é escolher as provas o maior possível que a gente possa suportar e menor possível diante das nossas necessidades. A medida certa. O Espírito pode perfeitamente se enganar na escolha da prova que queira experimentar na Terra. A sua percepção, não atingindo a realidade, leva-o a pensar que está sendo inteligente escolhendo provas de ociosidade, tendo, como no dizer popular, só "sombra e água fresca". Quando volta ao mundo
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    65 espiritual ele searrepende,e desejaretornar com volume maior de obrigações e com provas duras, para compensar o tempo perdido, na ilusão que lhe enganava. Ele pode,também, pedir provas além das suas forças e sucumbir no meio do caminho. Os extremos são perigosos,mesmoquando objetivamos o bem.Até o próprio engano é lição, porque as consequências favorecerão ao Espírito a oportunidade de procurar os caminhos mais acertados. 270 – A que se devem as vocações de algumas pessoas e sua vontade de seguir uma carreira de preferência a outra? Parece-me que vós mesmos podeis responder a esta questão. Não é a consequência de tudo o que dissemos sobre a escolha das provas e sobre o progresso realizado numa existência anterior? COMENTÁRIOS: A escolha da carreira profissional faz parte das escolhas realizadas no planejamento de reencarnação, conforme as possibilidades que a vida trará. Dessa forma, a vocação de certas pessoas para tal ou qual profissão está ligada à escolha que fez quando Espírito livre da matéria. Parece, para os ignorantes, que a criatura escolheu, naquele momento, o que deveria seguir, mas a escolha já se encontrava feita nos guardados da consciência. Se temos maior habilidade em determinada área não podemos esquecer do Evangelho de Jesus que nos alerta que mais será cobrado aquele que mais foi dado. É conquista nossa. Ex: nível fundamental e nível universitário. 271 – No estado errante,o Espírito,estudandoas diversascondiçõesnas quais poderá progredir, como pensa realizar seu progresso nascendo, por exemplo, entre canibais? Não são os Espíritos já avançados que nascem entre os canibais, mas Espíritos da natureza dos próprios canibais ou que lhes são inferiores. Allan Kardec: Sabemos que os nossos antropófagos não estão no último grau da escala evolutiva e que existem mundos onde o embrutecimento e a ferocidade não têm analogia sobre a Terra.EssesEspíritos,portanto,são inferiores aos mais inferiores do nosso mundo e encarnar entre os 53
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    66 nossos selvagens épara eles um progresso,da mesma forma que seria um progresso para os nossos antropófagos exercer entre nós uma profissão que não os obrigasse a derramar sangue3 . Se não veem mais alto é porque a inferioridade moral não lhes permite a compreensão de um progresso mais completo. O Espírito não pode avançar senão gradualmente; não pode transpor,de um salto, a distância que separa a barbárie da civilização,e é nesse fato que vemos uma das necessidades da reencarnação para que corresponda verdadeiramente à justiça de Deus. De outra forma, em que se tornariam esses milhões de seres que morrem cada dia no último estado de degradação, se não tivessem os meios de alcançar a superioridade? Por que Deus os deserdaria dos favores concedidos aos outros homens? COMENTÁRIOS: Todo renascimento na carne procede da programação espiritual. Todos que chegam na matéria, chegam exatamente na condição do seu estágio evolutivo. Só renasce entre os canibais ou entre povos primitivos Espíritos que se encontram em condições semelhantes de aprendizado pois podem encontrar ali ambiente propício ao seu crescimento moral e espiritual. Entre os canibais não nascem Espíritos elevados, cuja superioridade ultrapassa o entendimento daquele grupo. É justo que no meio dos canibais nasça Espírito que tenha mais um pouco de entendimento que eles, para guiá-los, como igualmente reencarnam almas ainda mais inferiores, para aprenderem o que esses já granjearam na vida. Disso temos provas na própria sociedade da qual fazemos parte, onde há Espíritos de todos os naipes, uns elevados, outros medianos e outros de condições inferiores. A justiça divina age conforme as nossas necessidades. Os irmãos oriundos de Capela, um planeta muito mais evoluído que que o nosso. A Terra condição ainda de planeta primitivo, quando habitávamos as cavernas, um grande grupo de Espíritos de lá exilados veio para reencarnar no nosso planeta. Eram evoluídos na questão intelectual, mas não na questão moral. Então vieram para cá com três objetivos: - Saindo um grupo grande de Espíritos que tinham compromisso com o mal, não tinham compromisso com a ética, com a moral, proporcionaram um ambiente melhor para aqueles que lá ficaram sem essa influência negativa; 3 - No originalque usamos, lê-se: “... d’exercer parminous une profession quiles obligerait à verser le sang.” Ora, “uma profissão que os obrigasse a derramar sangue” não corresponde ao ensinamento que Kardec pretendeu ministrar, posto que não representaria um progresso. Deve ter havido uma mutilação do texto original que nos permitimos reparar para completar o raciocínio. (N. do T.).
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    67 - Auxiliar ahumanidade terrestre – Proporcionar um avanço rápido nas linhas do aprendizado, coisas rudes, simples, como domesticar animais, cultivar a terra, confeccionar ferramentas das tarefas diárias, etc; - Melhoria da sua jornada evolutiva. - Eustáquio (Tatuí-Piaba) 272 – Os Espíritos que procedem de um mundo inferior à Terra,ou de um povo muito atrasado, como os canibais, por exemplo, poderiam nascer entre os povos civilizados? Sim,há os que se desencaminham querendo subirmuito mais alto; mas,nesse caso,eles ficam desajustados,entre vós,porque têm costumes e instintos que não se afinam com os vossos. Allan Kardec: Esses seres nos dão o triste espetáculo da ferocidade dentro da civilização. O retorno para junto dos canibais não será para eles uma queda, pois não farão mais que retomar o seu lugar, talvez com maior proveito. COMENTÁRIOS: Há Espíritos com muita pressa de se adiantar na evolução pode programar uma tarefa muito árdua julgando capazes de superá-la. Mas aqui às vezes não suporta, tem as resistências e acaba caindo, retraindo, conflitando com as atuais situações e ainda, às vezes, adquire mais débitos e não aprende nada por estar em um meio impróprio às suas necessidades de aprendizado do momento. É respeitado o livre-arbítrio da escolha. Também se aprende com o erro. Desde que seja humilde, busque a reflexão. Retorna no ponto de partida e de lá segue-se em frente. Nosso Pai é um pai de amor e nos concede todas as oportunidades para nos aperfeiçoarmos. Em qualquer comunidade, encontramos indivíduos de diversas origens. Na Terra, também, há Espíritos que não são seus habitantes desde o início. Eles vêm de muitos mundos, inferiores e superiores, uns aprendendo, outros ensinando. Desse modo, fortalecem-se os laços da fraternidade, que darão nascimento ao amor, por serem todos filhos de Deus.
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    68 273 – Umhomem pertencente a uma raça civilizada, por expiação, poderia encarnar numa raça selvagem? Sim, mas isso depende do gênero da expiação; um senhor que foi duro para os seus escravos poderávir a ser escravo,a seu turno, e sofreros maus tratos que fez suportar. Aquele que um dia comandou pode, numa nova existência, obedecer àqueles mesmos que se curvaram à sua vontade. É uma expiação se ele abusou de seu podere Deus a pode impor-lhe. Um bom Espírito pode, também, para ajudar-lhe o progresso,escolheruma existência influente entre esses povos, e então é uma missão4 . COMENTÁRIOS: A vida e toda a criação divina segue apenas para frente. O Espírito pode até ficar estacionado, mas não retrograda. Então quando reencarna em uma sociedadeprimitiva (selvagem) não significa regressão da condição espiritual, mas para aprenderdiante das suas necessidadesoupara auxiliar no avanço daquela comunidade. Podemos ver entre nós, quantos Espíritos superiores reencarnam entre nós de forma anônima, vivendo na simplicidade cumprindo sua missão para impulsionar o nosso progresso. Um Espírito de mediana evolução pode renascer em uma tribo de selvagens, mas, tomando o lugar de destaque naquele ambiente, no sentido de levar os Espíritos ali reencarnados a melhores dias e a uma vivência mais agradável. Ele regride na forma,mas não no Espírito;o que aprendeuele carregaconsigo vibrando na alma. Ex: Nestório – 50 anos depois 4 - Vide Nota Explicativa da Editora no final do livro
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    69 6.6 – RELAÇÕESDE ALÉM-TÚMULO 274 – As diferentes ordens de Espíritos estabelecem entre elas mesmas uma hierarquia de poder? Há entre elas subordinação e autoridade? Sim e muito grande; os Espíritos têm uns sobre os outros uma autoridade relacionada com a sua superioridade, que exercem por uma ascendência moral irresistível. 274.a) Os Espíritos inferiores podem se subtrair à autoridade dos que lhes são superiores? Eu disse: irresistível. COMENTÁRIOS: No mundo espiritual a autoridade se estabelece pela elevação moral dos Espíritos. Os Espíritos mais evoluídos exercem autoridade moral sobre aqueles menos evoluídos. É uma autoridade irresistível. Somente isso basta para compreendermos as leis espirituais que comandam uma vida de exemplos enobrecidos. Os Espíritos inferiores se submetem a essa autoridade sem condições de escapar. Isso é necessário para que o bem se prevaleça contra o mal. Toda a criação caminha para o progresso. Mesmo encarnado entre nós, Jesus impunha a sua autoridade moral sobre aqueles que com ele conviviam. Autoridades da época tremiam diante de Jesus. Ex: A mulher adúltera. (João 8:1-11) O que impediu a reação daqueles homens diante da assertiva do Mestre foia sua elevação moral que é irresistível. Eles não tinham como resistir a autoridade moral de Jesus. 275 – O poder e a consideração que um homem desfrutou sobre a Terra dão-lhe supremacia no mundo dos Espíritos? Não, porque os pequenos serão elevados e os grandes rebaixados. Lê os salmos.
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    70 275.a) Como devemosentender essa elevação e esse rebaixamento? Não sabes que os Espíritos pertencem a diferentes ordens segundo seus méritos? Pois bem! O maior da Terra pode estar na última categoria entre os Espíritos,ao passo que o seu servidorestará na primeira. Compreendesisto? Não disse Jesus:aquele que se humilhar será elevado,e quem se elevar será humilhado? COMENTÁRIOS: O mundo espiritual é a nossarealidade e lá a autoridade do Espírito ocorrepor sua elevação moral. A condição social que temos aqui enquanto encarnados é a condição necessária para o nosso aprendizado. Dessa forma é natural um Espírito bem evoluído estar numa condição bem simples, bem humilde. Pode ser que Espíritos que estão na retaguarda, buscando o seu melhoramento, renasça em um meio em condições materiais melhores ou em condições que exerça autoridade, mas para o seu crescimento, para a sua evolução. A condição social, a condição de autoridade que exercemosaqui na Terra ou a condição humilde não tem nenhuma relação com a evolução do Espírito ali reencarnado naquele corpo. Onde estiver o teu tesouro, ali está o seu coração. Quando estamos aqui na Terra reencarnados é natural que a gente valorize a matéria, as riquezas, o poder,cargos,fama. A sociedade emprestaautoridade a essas pessoas que tem esses valores, como as pessoas ricas. Quando nós desencarnamos nós só levamos aquilo que aprendemos e os débitos que contraímos. Esse é o patrimônio espiritual que levamos. O restante deixamos tudo aqui. O patrimônio do Espírito é o que vai nos promovendo, reencarnação após reencarnação para que possamos através dessas experiências obtera nossa evolução. Também pode ocorrerque senhores naTerra podem sersenhoresno Espaço, visto que o comando é moral. Depois do túmulo permanecem dirigindo osseus comandados por amor à causa do bem. Depende da elevação moral da criatura. Os grandes líderes têm mais facilidade de errar devido a sua posição, no entanto, atendendo e ouvindo a voz do Senhor poderão se elevar muito através das oportunidades de servir. Ex: D.Pedro II e Joana D’arc.
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    71 276 – Aqueleque foi grandena Terrae se encontra inferiorizado entreos Espíritos, experimenta com isso humilhação? Frequentemente muito grande, sobretudo se era orgulhoso e invejoso. COMENTÁRIOS: Todos nós somos iguais perante Deus. Fomos criados simples e ignorantes. Cada um vai fazendo suas próprias escolhas no decorrerde suas caminhadas. Por isso há diferenças na condição evolutiva de cada um. Aqueles que são grandes na Terra: poderes,posses,propriedades,riquezas. Estão nessa condição social como instrumento da Lei Divina que lhes é concedido nesse momento da sua vida espiritual para que possa aprender, crescer. São empréstimos para atender determinada aprendizagem. Tudo o que nós temos,sejaa riqueza ou a pobreza,o poderousubalternidade, são momentaneamente instrumentos de aprendizagem. Aqueles que se sentem grandes diante dos bens que possui ou dos cargos que ocupa na sociedade acabam se sentindo humilhados ao desencarnar, pois quando veem que do lado de lá não pode levar nada disso. Os Espíritos mais evoluídos não farão nada para humilhar ninguém, mas justamente a inveja é que faz a pessoase sentir humilhado. O orgulho ferido. Se sente menor que o outro, pois o que lhe proporcionavagrandeza era a sua condição social enquanto encarnado (os bens materiais ou o poder). Nós podemos gozar dos bens (adquiridos pelo nosso próprio trabalho ou por herança), podemos usufruir dos recursos materiais à nossa disposição, adquiridos com honestidade.Mas não podemosterneles a condição danossa felicidade, da nossa segurança, ou seja, se apegar. O Espírito, quandoencarnadono planofísico,que ainda ostentaegoísmo,vaidade emdemasia,e violência, que esquece a transitoriedade doseumandato,que usa seuspoderestemporaisparaperseguire fomentar distúrbios na sociedade, somente visando ao seu bem-estar pessoal, logo que passa para o mundo da verdade, entra em depressão moral, e passa a sofrer as consequências dos seus atos. Ser grande no mundoé muitoperigosoparaquemnão entende a oportunidade de servir,de reajustarseus próprios desequilíbrios do Passado. Ser pequeno, e também orgulhoso, é bem pior, por não haver motivo para o orgulho. 277 – O soldado que depois da batalha reencontra seu generalno mundo dos Espíritos, reconhece-o ainda por seu superior? O título não é nada, a superioridade real é tudo.
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    72 COMENTÁRIOS: O patrimônio doEspírito se resume naquilo que ele pode aprender.E também os débitos. O soldado,se for um Espírito de valores morais, continuará tendo respeito por aquele que foi o seu superior. Mas o vínculo que unirá o soldado e o general serão os laços de afeto que se estabeleceuentre eles, não mais o da farda e das armas. O cargo nada vale no mundo Espiritual. Os laços que unem os Espíritos são o do afeto, do amor. Se na relação não há amor, após o desencarne cada um segue o seu caminho. O orgulhode vestirumaroupadiferentee terestagiadoemescolasmelhoresnãonoslevaanada,quandoo coração esquece a caridade e o amor. Todos somos iguais aos olhos do nosso Pai. 278 – Os Espíritos das diferentes ordens estão misturados? Sim e não; quer dizer, eles se veem, mas se distinguem uns dos outros. Eles se evitam ou se aproximam segundo a analogia ou a antipatia de seus sentimentos,como acontece entre vós. É todo um mundo do qual o vosso é o reflexo obscuro.Os Espíritosdamesmacategoriareúnem-se porumaespécie de afinidade e formam grupos ou famílias de Espíritos unidos pela simpatia e pelo objetivo que se propuseram:os bons pelo desejo de fazero bem,os maus pelo desejo de fazer o mal, pela vergonha de suas faltas e pela necessidade de se encontrarem entre os que se lhe assemelham. Allan Kardec: Tal uma grande cidade onde os homens de todas as categorias e de todas as condições se veem e se encontram sem se confundirem; onde as sociedades se formam pela analogia de gostos; onde o vício e a virtude convivem sem se falarem. COMENTÁRIOS: Os Espíritos de diferentes ordens se misturam uns com os outros, quando é necessário.Eles cumprem a vontade de Deus,porém, têm a sua vida interna, que não se mistura. O inferior não pode subir aos planos elevados,entretanto, os elevados podem descer aos planos inferiores para ajudar, enriquecendo ainda mais suas experiências.
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    73 Nós sabemos quehá as colônias espirituais, como a Colônia Espiritual Nosso Lar, nas quais há uma reunião de Espíritos que vibram na mesma sintonia, que mentem interesses semelhantes. Os afins se atraem. Isso ocorre nanossasociedade. Ex:Aqueles que gostam de futebolse reúnem para assistir, para jogar. Aqueles que gostam de cinema, se reúnem no cinema. E assim, várias outras atividades, de trabalho, de estudo,de religião. Acabam se unindo em razão dos interesses semelhantes. Os Espíritos inferiores são restritos ao nível da sua evolução moral. Os Espíritos Superiores têm acesso a qualquer lugar, mesmo nos planos inferiores para levar auxílio, para levar o exemplo, para acolher. Mas em seu ambiente não encontra os Espíritos inferiores, pois já adquiriu dada a sua evolução moral conquistadao direito de estar em um ambiente onde prevalece a harmonia, o amor. 279 – Todos os Espíritos têm, reciprocamente, acesso uns entre os outros? Os bons vão por toda a parte, e é preciso que seja assim para que possam exercer sua influência sobre os maus. Mas as regiões habitadas pelos bons estão interditadas aos Espíritos imperfeitos, a fim de que estes não as perturbem com suas más paixões. COMENTÁRIOS: Nem todos os Espíritos têm a liberdade de penetrarem nas sociedades formadas pelos seus irmãos. Os bons podem visitar e demorar nessas comunidades o tempo que lhes aprouver; essa liberdade é oportunidade de aprendizado, bem como de ensinar aos que ali se encontram. Os Espíritos Superiores, quando necessário, ficam invisíveis para visitar os planos inferiores, porque ali se encontram em serviço com Jesus. Os inferiores,porém,não podem adentrar nas estâncias de luz, pornão terem condições espirituais para tal. Além disso, eles nem enxergam esses planos, por lhes faltar desenvolvimento dos dons espirituais,que estão atrofiados pela constância da prática do mal. Nas colônias espirituais se reúnem Espíritos de padrões vibratórios semelhantes, com interesses semelhantes. A Colônia Espiritual Nosso Lar, por exemplo, não é uma colônia de Espíritos puros, mas de Espíritos que já se esforçam para o bem, na busca de evoluir vivenciando o que Jesus nos ensinou.
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    74 Os trabalhadores daColônia Nosso Lar estão sempre em trabalho nas regiões com mais sofrimento,onde estão aqueles Espíritos que ainda não conseguem ter acesso lá. Eles vão até essas regiões para levar alívio, para auxiliar, para resgatar aqueles que querem resgatar a sua elevação moral. Esses Espíritos inferiores não têm acesso às Colônias tipo Nosso Lar. Eles são cuidados lá onde se encontram, mas basta que eles modifiquem o seu padrão vibratório, basta que queiram com sinceridade buscar um caminho melhor conforme os ensinamentos de Jesus que imediatamente são socorridos. Ex: André Luiz. 280 – Qual a naturezadas relações entre os bons e os maus Espíritos? Os bons empenham-se no combate das más inclinações dos outros, a fim de ajudá-los a subir; é uma missão. COMENTÁRIOS: Nas relações entre bons e maus Espíritos, os bons cuidam de ensinar aos maus a prática das virtudes, e esse ensino se processa de várias maneiras, desde a palavra à vivência. Os fatos que a vida pode contar são numerosos. Jesus é o nosso exemplo. Trabalhou entre os pobres, pessoas de má fama, entre aqueles que eram rejeitados pela sociedade. As pessoas até recriminavam Jesus por estar entre prostitutas, cobradores de impostos.Mas nos mostra que Ele para servir. Ele é o nosso modelo. Aqueles que já conseguem seguir Jesus ocupam o tempo dando assistência e aliviando os sofrimentos. Vem trazer o auxílio, a paz, a compreensão para que possamos sofrer menos diante das situações. Aqueles que ainda permanecem no mal não podem ver os bons que estão ao seu redor. 281 – Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos levarao mal? Por inveja de não terem merecido estar entre os bons. Seu desejo impedir,o quanto possam, os Espíritos inexperientes de alcançarem o bem supremo; querem que os outros experimentem aquilo que eles mesmos experimentam. Não vedes o mesmo entre vós? COMENTÁRIOS: A gente fala muito em obsessão.
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    75 O obsessor normalmenteé aquele Espírito (desencarnado) que por vários motivos tenta influenciar nossas vidas. Toda obsessão tem origem nas más inclinações: orgulho, vaidade, avareza, inveja, egoísmo, ódio... Os Espíritos maus (imperfeitos) sempre induzem os outros à maldade, por desconhecerem o valor do bem. Não deixar que o outro desfrute do bem que ele não conseguiupara simesmo. Normalmente, esses Espíritos se aproximam dos encarnados por vingança ou por afinidade. Busca de alguma forma controlar as ações do ser encarnado para que esteja de acordo com os seus interesses. A ausência do corpo físico não muda os nossos sentimentos. Quando desencarnamos continuamos a ser nós mesmos. Esses irmãos são seres que ainda não conseguiram vencer as más inclinações. Todos nós estamos a caminho da evolução. Por isso esses irmãozinhos que nos obsidiam também serão despertados para a luz do perdão e do amor. 282 – Como os Espíritos se comunicam entre si? Eles se veem e se compreendem,a palavra é material: é o reflexo do Espírito. O fluido universal estabelece entre eles uma comunicação constante; é o veículo da transmissão do pensamento, como para vós o ar é o veículo do som; uma espécie de telégrafo universal, que liga todos os mundos e permite aos Espíritos corresponderem-se de um mundo ao outro. COMENTÁRIOS: A palavra é material dependendo dos órgãos físicos do corpo para se expressar no mundo, e os canais da fala ainda são limitados para maior clareza do Espírito. Os Espíritos não usam a palavra articulada. Eles conversam através do pensamento que é a sua ferramenta também de comunicação. Entre os Espíritos a comunicação é das mais perfeitas. Eles utilizam o fluido universal como veículo,o pensamento,depoisavontade, e a transmissão está feita. Essacomunicação ocorre através de ondas magnéticas, as quais são matéria que transmite o nosso pensamento, os nossos sentimentos, as nossas emoções de forma muito rápida. A velocidade do pensamento é bem superior à velocidade da luz. Independe das distâncias.
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    76 O Espírito evoluídocomunicacom o outro somente pelaforçado pensamento. Ex: telepatia (fenômeno raro entre os encarnados) - Wifi O mesmo ocorre com a mediunidade. O médium sintonizado com os seus mentores espirituais recebe deles as orientações através da força das ideias. O médium interpreta conforme o seu conhecimento, a sua cultura. 283 – Podem os Espíritos, reciprocamente, dissimularem seus pensamentos? Podem se ocultar uns dos outros? Não, para eles tudo está a descoberto, sobretudo aos que são perfeitos. Podem se distanciar, mas se veem sempre. Isto, entretanto, não uma regra absoluta, pois certos Espíritos podem muito bem tornar-se invisíveis para outros Espíritos, se julgam útil fazê-lo. COMENTÁRIOS: Os Espíritos da mesma faixa não podem ocultar seus pensamentos dos seus iguais, nem de Espíritos Superiores.Entretanto,para os de faixas mais baixas, eles podem perfeitamente ocultar seus pensamentos, bem como ficarem invisíveis a eles, se desejarem. No mundo espiritual somos verdadeiros, não há máscaras. Não tem como esconderum sentimento negativo, um pensamento menos digno, um desejo. A vivência se dá entre os Espíritos que estão no mesmo padrão vibratório de acordo com a sua evolução. O pensamento é o veículo de comunicação. É a ferramenta de trabalho do Espírito. Os Espíritos que estão conosco,sejam os nossos mentores Espirituais ou os nossos obsessores, têm consciência plena dos nossos desejos, dos nossos sentimentos, dos nossos pensamentos. Essa é a nossa fala com eles. Por isso temos que cuidar dos nossos sentimentos,dos nossos pensamentos. Temos que procurar nos educar dia após dia para avançar na jornada evolutiva. Orai e vigiai. Questões 456 à 459. 284 – Como os Espíritos que não têm mais corpo, podem constatar sua individualidade e se distinguir dos outros seres espirituais que os cercam? Constatam sua individualidade pelo perispírito,que faz os seres distintos uns dos outros, como o corpo entre os homens. COMENTÁRIOS:
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    77 Os Espíritos comprovamsua individualidade pelo seu corpo espiritual, ou perispírito. O Espírito se distingue das outras vidas que pululam no espaço pelo perispírito, mostrando a sua forma. Não é o corpo que dá a forma ao corpo espiritual, e sim o perispírito que plasma na carne a forma humana. O períspirito é que dá a fôrmaao corpo físico,ou seja, o corpo físico é a cópia do períspirito. Períspirito é um corpo de matéria quintensenciada que une o Espírito que é imaterial com o corpo físico para que ele possa célula à célula ter domínio sobre as ações do corpo físico. Quando o serdesencarna,ele continua se manifestando através do períspirito. O médium vidente ao ver o Espírito, ele está vendo o corpo perispiritual daquele Espírito que se manifestou para ele. A individualidade do Espírito, na realidade, está nas conquistas alcançadas, não na aparência. Ela estános nossos sentimentos,nos nossos pensamentos, nos conhecimentos intelectuais e na elevação moral que conquistamos. 285 – Os Espíritos se conhecem por terem coabitado a Terra? O filho reconhece o pai, o amigo, seu amigo? Sim, e assim de geração a geração. 285. a) Como os homens que se conheceram sobre a Terra se reconhecem no mundo dos Espíritos? Vemos nossa vida passada e a lemos como num livro; vendo o passado de nossos amigos e de nossos inimigos, vemos sua passagem da vida para a morte. COMENTÁRIOS: Para o Espírito a morte do corpo físico é apenas um momento biológico. Ele desencarna e é como se apenas mudasse para o lado de lá. Não havendo muita diferençacom relação a vida individual, porque se manifesta através do períspirito, corpo idêntico ao deixado por aqui. Vai deixar aqui suas relações e reiniciar relações que tinha deixado para trás lá quando reencarnou, daí vem os sentimentos,a saudade. O desencarne não altera a essência em nossos sentimentos.
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    78 As relações humanassão perenes. Não se interrompem com o desencarne. Os que aqui permanecem sentem saudades. Mas os que se vão também sentem saudades daqueles que aqui deixou e que ama. Mas sabemos que o afastamento é temporário.Sempre nos reencontraremos, do lado de lá ou do lado de cá. São momentos necessários ao nosso crescimento. Quanto mais puro o Espírito, mais recordações lúcidas ele tem, com a serenidade que já possui. Ele reconhece todas as suas companhias e, nesta operação, pode buscá-las onde quer que seja, ajudando-as, se necessário. Não se deve amar somente a família na carne. Se o homem já entende as vidas sucessivas, percebe quantas famílias já possuiu. Certamente que inúmeras. Quantos pais? Quantos irmãos? E parentes e amigos? O número é sem conta, para mostrar ao homem a irmandade universal. 286 – A alma, deixando seus despojos mortais, vê imediatamente seus parentes e seus amigos que a precederam no mundo dos Espíritos? Imediatamente não é sempre a palavra; pois como vos dissemos,ela precisa de algum tempo para se reconhecer e sacudir o véu material. COMENTÁRIOS: Quase todos os Espíritos que passam para o lado de cá perdem os sentidos no momento do desprendimento do fardo. Há Espíritos que imediatamente ficam conscientesdo seu estado espiritual, abraçando aos que o cercam com emoções que lhes restauram o equilíbrio.Muito poucos no mundo não perdem a consciência no momento da chamada morte. Outros, não obstante, voltam da carne sem perceber o transe em que se encontram. A variação nesse sentido é de zero ao infinito. A natureza não dá saltos. O mundo espiritual é outra realidade da nossa vida. Vamos sair daqui dessa realidade e vamos adentrar um outro mundo, emboraseja o nosso verdadeiro lar, mas que em um primeiro momento será para nós uma situação desconhecidae não podemos deixaro apego às pessoas e aos bens que aqui deixamos. A mente tem a tendência muito forte de se prendermuito aquilo que deixamos e isso dificulta uma adaptação mais rápida no mundo espiritual. Esse momento de readaptação é o período em que vamos deixar as coisas para trás, desapegar daquilo que deixamos e começar a compreender esse novo estágio da vida.
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    79 Quando estivermos equilibradospoderemosreencontraraspessoas queridas. Depois de readaptados vamos nos inserindo nas atividades do mundo espiritual, pois há muito trabalho e estudos a serem realizados. Ex: Nosso Lar – André Luiz 287 – Como é acolhida a alma em seu regressoao mundo dos Espíritos? A do justo como um irmão bem-amado esperado há longo tempo; a do perverso como um ser que se enganou. COMENTÁRIOS: A chegada das almas ao mundo espiritual é sempre diferente, cada uma levando o que tem para apresentar ao mundo da realidade. Certamente que a chegada de um justo é toda envolvida pela alegria. Aqueles que vêm ao seu encontro, após a quebra de seus laços com a carne, lhe oferecem flores de luz, e o ambiente é de verdadeira paz, de harmonia que alimenta, fazendo brilhar em todos os corações a esperança. Já o Espírito inferior que deixou em seu rastro na Terra somente confusão, que aproveitou os dons espirituais para distorção das leis, que esqueceu o tempo, matando-o com a inércia, que usou os pensamentos somente para destruir lares e complicar a sociedade, que alimentou por toda a sua vida as paixões inferiores, é recebido pelos seus iguais, onde a tristeza e a negatividade tornam o ambiente irrespirável e o magnetismo é toldado pela ignorância que domina. A negligência fê-lo esquecer o amor e, não acreditando na caridade, desencarna sem rumo. Ele não sabe para onde vai e, por vezes, nem onde se encontra. As variações das chegadas são inúmeras; tudo é de acordo com a evolução de quem se desprende da matéria. É a lei de causa e efeito. Todas as nossas ações (o que fazemos de bem ou de mal) são considerados do lado de lá. Vamos encontrar os nossos afetos e os nossos desafetos. Se queremos chegarbem ao mundo da verdade, observemos o Evangelho do Senhor. Procuremosdar as mãos e persuadir aos que nos acompanham pela palavra e pelo exemplo, divulgando os Seus preceitos, que estaremos ajudando no preparo para a chegada desses irmãos, no amanhã, ao mundo espiritual, onde chegarão com os olhos abertos para a luz do entendimento.
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    80 288 – Quesentimentosexperimenta um Espírito impuro à chegada deum outro mau Espírito? Os perversos ficam satisfeitos de veros seres àsua imagem e privados,como eles, da felicidade infinita, qual sobre a Terra, um velhaco entre seus iguais. COMENTÁRIOS: Semelhantes atrai semelhantes. Ex: Aqui entre nós, as convicções artísticas, esportivas, políticas, religiosas, etc. Da mesma forma que aqui, também do lado de lá. Os Espíritos comprometidos com o mal, com o ódio, se felicitam com a chegada dos seus iguais. É comum que um Espírito mau, quando chega ao mundo espiritual, desperte alegria entre seus iguais, no conjunto que o espera. Há no meio deles certa amizade, porém, a qualquer coisa que não os agrade levam um companheiro à tortura, sem piedade. Eles desconhecem o perdão e o amor, e é por isso que se encontram em estado de inferioridade. Mesmo assim receberão a assistência dos seareiros do Mestre, porque ninguém fica desamparado na Casa do Pai. Nosso Pai aguarda pacientemente que nós nos caminhemos para o cumprimento da sua Lei, sempre nos amparando, ainda que nossas escolhas sejam equivocadas, ainda que disseminemos o ódio, ainda que não aprendemos amar e nem queiramos aprender a amar, Ele está ali para nos sustentar, aguardando que um dia a gente reflita e busque construir uma nova história, um novo caminho. 289 – Nossos parentes e nossos amigos vêm algumas vezes ao nosso reencontro, quando deixamos a Terra? Sim, vêm ao encontro da alma que estimam; felicitam-na como ao retorno de uma viagem, se ela escapou aos perigos do caminho, e a ajudam a livrar-se dos laços corporais. É um privilégio para os bons Espíritos quando aqueles que estimam vêm ao seu encontro, ao passo que aquele que está manchado fica no isolamento, ou a rodeá-lo tem apenas os que lhe são semelhantes: é uma punição. COMENTÁRIOS:
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    81 Todos nós somosligados uns aos outros pelos elos do amor. Aqueles que vão ao nosso encontro logo que desencarnamos são aqueles a que nós cativamos os corações pelaconduta, pela convivência, pelo bem que fizemos, pelo elo de amor que nos uniu para sempre. Certamente são membros da nossa família espiritual que conviveu conosco não só nessa reencarnação, mas em outras anteriores. Nossos amigos íntimos que estão conosco na luta e nos trará muita felicidade ao reencontrar, ao lembrar deles. Mas também poderá vir aqueles que nós prejudicamos que também fazem parte da nossa família espiritual. Aqueles que nós ferimos. São nossos cobradores que vem buscar o seu ajuste de contas. Como vimos na questão 286,após desencarnar passamos porum períodode entorpecimento (perturbação). Então não é de imediato que teremos consciência desses reencontros. Por isso, é importante a gente estar pedindo perdão, estar perdoando para ir resgatando nossos débitos de acordo com o que temos condições de fazer. 290 – Os parentes e os amigos reúnem-se sempre depois da morte? Isso depende dasua elevação e do caminho que seguem para seu progresso. Se um deles está mais avançado e caminha mais depressa que outro, não poderão ficar juntos: poderão ver-se algumas vezes, mas não estarão reunidos para sempre,senão quando puderem marcharlado a lado ou quando tiverem alcançado a igualdade na perfeição. Assim, a privação de ver seus parentes e seus amigos é, algumas vezes, uma punição. COMENTÁRIOS: Os Espíritos somente se reúnem por consonância de sentimentos. Para os parentes desencarnados ficarem juntos, necessário se faz que estejam no mesmo plano de atividades sentimentais; porém,os mais elevados,por amor, descem de vez em quando para os planos mais inferiores em que se encontram os seus entes mais caros,para visitá-los. O amoré, pois,uma força poderosa que interliga os corações em todos os planos de vida. O Espírito superior, quando a renúncia domina seu coração e se dispõe a favoreceraos seus irmãos na retaguarda, desce a planos mais inferiores dos que deve habitar, e ali permanece por tempo indeterminado, convivendo com eles; entretanto, os inferiores não podem subir para fazer o mesmo, por não terem aptidão para tal. Conforme a sua boavontade e exercíciona iluminação interna, lhe é dada a oportunidade de visitar, por curto tempo, planos mais elevados, como prêmio, não para lá ficar o tempo que lhe aprouver.
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    82 A ligação entrenós encarnados e desencarnados se dá pelo elo do amor. Aqueles que se amam sempre se encontram, sempre se procuram. Mesmo longe estão sempre ligados pelo sentimento do amor. Ex: O Nosso Lar – André Luiz Os Mensageiros
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    83 6.7 – RELAÇÕESSIMPÁTICAS E ANTIPÁTICAS DOS ESPÍRITOS METADES ETERNAS 291 – Além da semelhança geral de afinidade, há entre os Espíritos afeições particulares? Sim, do mesmo modo que entre os homens; todavia, o laço que une os Espíritos é mais forte na ausência do corpo, por não estarem mais expostos às vicissitudes das paixões. COMENTÁRIOS: O grande sentimento que une almas é o sentimento do amor. Ele é o mesmo aqui e lá. Somos unidos por afinidades de sentimentos e de objetivos. Por exemplo, o trabalho, a expressão da fé. Os Espíritos (desencarnados) também se unem por afinidades. Tanto lá quanto cá, há as afinidades de pensamentos, sentimentos e comportamentos. Há dois tipos de famílias: a família consanguínea e a família espiritual (estreitando laços pelo sentimento do amor) Através da prática da caridade aprendemos a amar. Deus nos colocou dentro de uma mesma família para que essas relações (simpáticas e antipáticas) se estabeleçam. Se hoje temos no nosso convívio inimigos, amanhã serão nossos amigos. Ninguém fica para trás. Tenho que buscar a renovação interna a fim de construir as relações simpáticas. Para que Jesus faça morada em nosso íntimo. 292 – Existe ódio entre os Espíritos? Não existe ódio senão entre os Espíritos impuros e são eles que insuflam, entre vós, as inimizades e as dissensões. COMENTÁRIOS: A criação divina caminha pelos elos do amor. Tudo está em evolução. Com relação a humanidade que já adquiriu a racionalidade buscamos a evolução através do exercício do livre arbítrio que nos permite fazer as escolhas diárias, mas também a responsabilidade de colher os frutos das sementes boas ou más que plantamos nas nossas escolhas.
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    84 Alguns Espíritos(reencarnados ounão) escolhe o ódio para as suas relações. Nós somos Espíritos. Estamos encarnados. Levamos os nossos sentimentos,as nossas angústias, as nossas simpatias e antipatias para o outro lado. Tudo o que guardo no meu coração está comigo e levo tudo. Somente entre os Espíritos impuroshá ódio,pordesconhecerem o amor,mas, para tanto, existem mutirões de almas preparadas para que esse amor se estenda pelo reino humano. Para os Espíritos que estão em nívelmelhorde consciênciaao chegardo outro lado vai perceber que não pode guardar rancor, então vai trabalhar para que isso não exista mais. 293 – Duas pessoas que foram inimigas sobre a Terra, conservarão ressentimento, uma contra a outra, no mundo dos Espíritos? Não, elas compreenderão que seu ódio foi estúpido e o motivo pueril. Os Espíritos imperfeitosconservam apenas umaespécie de animosidade,até que estejam purificados. Se foi um interesse material que os dividiu, eles não pensarão mais nisso,por pouco que sejam desmaterializados.Se não há mais antipatia entre eles, o motivo da discussão não mais existindo, podem rever- se com prazer. Allan Kardec Como dois escolares chegados à idade da razão, reconhecem a puerilidade das desavenças que tiveram na infância e deixam de se malquerer. COMENTÁRIOS: A resposta tem por base Espíritos que já conseguiram desprender do motivo que alimentou o ódio entre eles enquanto encarnados aqui no planeta. Os Espíritos inferiores conservam todos os ressentimentos gerados quando na Terra. Ao retornarem ao mundo dos Espíritos,levam para lá todas as suas inferioridades, desde quando não se purificaram. Conforme o grau de ignorância do Espírito,o ódio que nasceu na Terra, entre duas criaturas ou mais, aumenta como Espírito livre, e se não encontraram os antagonistas, saem à procura deles para desforras e perseguições. Quando eles, entretanto, compreendem o tempo que perderam em ressentimentos desnecessários, abraçam-se, fazendo-se amigos do coração
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    85 e muitos delesse dispõem atrabalhar juntos, porque a solução dos problemas está dentro deles próprios. É preciso fazer os Espíritos infelizes conhecerem o Evangelho, porque somente vivendo os ensinamentos de Jesus eles se libertarão dessas animosidades que somente trazem sofrimento. 294 – A lembrança das más ações que dois homens cometeram um contra o outro, é um obstáculo à sua simpatia? Sim, ela os leva a se distanciarem. COMENTÁRIOS: Quando duas pessoas se ofendem mutuamente o normal que ocorre é um afastamento da convivência. Cada uma em seu canto acaba alimentando a mágoa daquela ocorrência, ficando marcado enquanto a pessoa não consegue se liberar disso. - Fora da caridade não há salvação. - Caridade: bondade para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas. (Q. 886) Duas pessoas que se agridem,que se machucam, que se ferem é necessário que haja entre elas o perdão.Sejam elas encarnadas ou no mundo espiritual, porque o perdão tem o mesmo valor. A mágoa maltrata aquele que não sabe perdoar. Aquientre nós a mágoavai destilando o corpo físicode sentimentos negativos, de ressentimentos e vai nos trazendo algumas enfermidades. Perdoar não é esquecer, pois a mente espiritual registra todos os acontecimentos,sentimentos,emoções,fatosque o Espírito vive.É impossível esquecer. O perdão é fruto da compreensão. Não somos perfeitos, a gente erra. Em nossos erros acabamos ferindo aqueles que conosco convivem.Dessaforma, devemos compreender a imperfeição do outro também. Quando a gente compreende que a ofensa, o erro do outro é fruto da ignorância, fruto da necessidade de buscar seu aperfeiçoamento e que essa necessidade está em nós também fica mais fácil de compreender a ofensa e daí compreendendoficamais fácil de perdoar,de não guardar aquela mágoa. A gente não deve perdoarpelo outro, mas por nós mesmos porque é a mágoa que maltrata.
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    86 O ato deperdoar é o ato que nós fazemos por nós mesmos para liberar da mágoa que tanto maltrata os nossos corações. E assim vamos aprendendo a conviver com o outro, aprendendo a nos amar uns aos outros. 295 – Que sentimentos experimentam depois da morte aqueles a quem fizemos mal aqui neste mundo? Se são bons,perdoam de acordo com o vosso arrependimento.Se são maus, podem conservarressentimento e, algumas vezes, vos perseguiraté em uma outra existência. Deus pode permiti-lo como um castigo. COMENTÁRIOS: A morte não transforma a personalidade de ninguém. É só um momento biológico. Aquele que desencarna leva a sua forma de agir, de pensar, de valorizar as coisas. Aqueles que um dia fizemos mal, prejudicamos, às vezes até sem saber, às vezes com intenção, desencarnam e se alimentam ao bem vão nos perdoare vão continuar sua jornada evolutiva. Porém, aqueles que são apegados ao mal, que ainda vivem nas más inclinações, o orgulho, o egoísmo, a vaidade, vão ficar remoendo os seus ressentimentos do lado de lá, alimentando o sentimento do ódio e ás vezes se dirigindo contra nós (obsessão). Tanto o amor quanto o ódio aproximam as pessoas. Aqueles que se amam querem estar juntos e aqueles que se odeiam se procuram para tentar a vingança. Tanto o amor quanto o ódio nos impulsionam à evolução, porque toda experiência é um aprendizado. Mesmo aquele que sofre uma obsessão aprende com as dificuldades que está passando. Depois do túmulo, os sentimentos que animam os que ofendemos, se esses ofendidos forem Espíritos inferiores, são de vingança, de ódio e de violência, formando, quando podem, toda ordem de obsessão sobre os ofensores do passado. Se os ofendidos forem Espíritos elevados, que já conhecem o Evangelho e começaram a praticá-lo, eles não gastam tempo em perseguição.A sua arma de luz é o esquecimento das faltas, passando a orar pelos ofensores e ajudando-os em todos os momentos possíveis.
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    87 296 – Asafeições de cada Espírito são suscetíveis de alteração? Não, pois eles não podem se enganar; não têm mais a máscara sob a qual se escondem as hipocrisias.Porisso,suas afeições são inalteráveis, quando são puros. O amor que os une lhes é uma fonte de suprema felicidade. COMENTÁRIOS: A resposta se refere ao Espírito puro. Já conquistou uma condição cuja emoção está em total equilíbrio. Entre nós vamos desenvolvendo afeições.As pessoas do nosso convívio são pessoas mais próximas que nós confiamos.Mas muitas vezes essas pessoas nos decepcionam, seja por ação ou por palavras, nos maltrata, nos prejudica ou nos dão um exemplo negativo de conduta perante à sociedade. As pessoas,às vezes,se mostram paranós completamente diferente daforma que imaginávamos que fossem. O mesmo acontece conosco também, porque somos Espíritos inferiores. É tanto que estamos neste planeta de provas e expiações. Então é natural a gente também esconder as nossas mazelas, os nossos sentimentos menos nobres, os nossos pensamentos equivocados àquelas pessoas do nosso convívio. E assim em relação a essas pessoas que temos um sentimento caro de afeição queremos esconderdelas as nossas negatividades,os nossos erros e os nossos equívocos. Daí à medida que essas pessoas vão descobrindo as falhas das nossas condutas também vão decepcionando conosco. A simpatia acontece, mas não tem o equilíbrio porque não conhecemos a intimidade das pessoas com as quais desenvolvemos os sentimentos mais nobres. Estando decepcionado essas afeições vão mudando de acordo com a situação de convivência. Isso não ocorre no mundo espiritual onde vivem apenas Espíritos mais evoluídos porque todos já alimentam em si sentimentos mais nobres. Não como esconderum mal sentimento do outro. Os Espíritos se inter-relacionam através da sintonia que se estabelece através do padrão vibratório (energia). Jamais um irá decepcionar o outro. Eles se afeiçoam a nós. Aprenderam a nos amar. Só que eles não se decepcionam conosco porque eles conhecem as nossas limitações,os nossos sentimentos menos nobres e nos amam como nós realmente somos.
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    89 297 – Aafeição que duas pessoas se dedicam neste mundo continuará sempre no mundo dos Espíritos? Sim, sem dúvida, se ela se alicerça sobre uma simpatia verdadeira; mas se as causas físicas foram maiores que a simpatia, ela cessa com a causa. As afeições entre os Espíritos são mais sólidase mais duráveis que sobre aTerra, porque não estão mais subordinadas aos caprichos dos interesses materiais e do amor-próprio. COMENTÁRIOS: Compreender as uniões que ocorrem na sociedade terrena. - Uniões para auxílio mútuo (seria o ideal); - Uniões por interesse material (os bens, as riquezas); - Uniões pelo poder(se aproximam em razão do cargo que exerce,da posição social, da influência na sociedade); - Uniões pela atração física (beleza do corpo, instinto do sexo); Essas uniões de ordem material sem que exista um sentimento mais nobre que o justifique se encerram quando se encerram a razão que deu início a elas. Acabaram os bens materiais, o poder, a beleza física, etc. em razão do desencarne os Espíritos se afastam, porque esse era o interesse nutria. Não necessariamente o afastamento ocorra só com o desencarne, pode ocorrer durante a trajetória enquanto encarnado, em razão da idade, do tempo, dos revezes da vida. A união perene que ocorre entre os Espíritos e que continua no mundo Espiritual é aquela que se dá em nome do amor. Aquela em que as pessoas se unem com a proposta de se auxiliarem, de caminharem juntas independentemente de qualquer questão de ordem material. Essas uniões se realizam e continuam aqui, são bases sólidas que duram décadas e continuam firmes no mundo Espiritual. Elas se fortalecem pelos sentimentos que não morrem, não termina, que é o sentimento do amor. 298 – As almas que deverão se unir estão predestinadas a essa união, desde sua origem e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo, sua metade à qual se reunirá fatalmente, um dia? Não; não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre todos os Espíritos,mas em graus diferentes segundo acategoriaque ocupam, quer dizer, segundo a perfeição que adquiriram: quanto mais perfeitos, mais
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    90 unidos. Da discórdianascemtodos os males humanos; da concórdiaresulta a felicidade completa. COMENTÁRIOS: Não há uma criação de almas afins. Deus não fez uma alma somente para outra, de modo que somente as duas possam sentir o verdadeiro amor entre si. Isso não existe entre os Espíritos puros. Antes de chegar à pureza espiritual, é claro que temos necessidade de estarmos unidos porsentimentosmais profundosadeterminadaalma, que nos ajuda e nos sustenta na própria vida. A existência de almas gêmeas depende, pois, do plano em que se situam. No seio da pureza angélica não existe; ali o amor é perfeitamente universal. Vamos criando afinidades com as pessoas com as quais nós convivemos. Essas afinidades que se estabelece entre duas almas ocorre através da convivência. São as preferências comuns, os modos de vida parecidos. Os semelhantes podem nos compreender melhor. Nossas dificuldades, os nossos equívocos, as nossas mazelas, nos dar o apoio, fazer o acolhimento fraterno do qual necessitamos. Podemos partilhar a vida com essas pessoas de forma mais aberta, mais tranquila. Essa aproximação vai construindo um sentimento de simpatia. Na caminhada evolutiva, nós vamos escolhendo as pessoas que nós convivemos (pai, mãe, irmãos, cônjuge, filhos). Existe uma grande família, a família espiritual, bem maior que essa consanguínea. As escolhas ocorremem função de convivências anteriores.De afinidades que já estabeleceu. Acertos e erros em comum. Aos poucos vamos aumentando nosso círculo de convivência, à medida que vamos conhecendo as pessoas e passamos a conviver com elas, a se preocupar com elas, a entender suas dificuldades, atender suas carências. Nasce o afeto entre as pessoas e assim vamos aumentando a nossa família espiritual. (Parentes consanguíneos, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, etc.) O desafeto também une as pessoas. Aprendemos a respeitar as diferenças dos outros. Vamos transformando desafetos em afetos, aprendendo a amar. São lições da Lei Divina para aprendermos a amar.
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    92 299 – Emque sentido se deve entender o termo metade de que certos Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos? A expressão é inexata; se um Espírito fosse ametade de outro,separado dele, seria incompleto. COMENTÁRIOS: A expressão “Metades eternas” é somente filosófica, ficando no abstrato porque, na verdade, o Espírito é individual e indivisível, e o amor, como já dissemos, deve ser universalizado, força essa que nos une a todos e todos em Deus. Na verdade, nunca podemos viver separados dos outros Espíritos; estamos sempre juntos em toda parte, tanto na Terra como no mundo espiritual, e é pelo conjunto que vivemos felizes. Metades eternas, no sentido literal não existe, pois eternas seria desde a criação. Cada ser é criado individualmente, simples e ignorantes (Q. 115). A destinação de cada Ser ao ser criado é aprender a amar. Amar a todos igualmente. Amar a toda a humanidade indistintamente. Na caminhada evolutiva aprendemos isso devagar. Vamos aprendendo a conviver com as pessoas e gradativamente expandindo o círculo de afeições. Metades eternas é uma figura que representa pessoas que se amam. É uma figura que representa a união de dois seres simpáticos e que conquistam o sentimento do amor. Escolhem estar juntas pela lei do livre-arbítrio, mas não foram criados unidas. Essa união existente entre dois seres é um passo evolutivo para cada um deles. “Almas gêmeas” também é uma figura retórica. Não são gêmeas porque nasceram juntas em um determinado momento, mas porque se escolheram uma a outra para caminharem juntas, para se auxiliarem mutuamente. O consolador: 326 –A união das almas gêmeas pode constituir restrição ao amor universal? O amor das almas gêmeas não pode efetuar semelhante restrição, porquanto, atingida a culminância evolutiva, todas as expressões afetivas se irmanam na conquista do amor divino. O amor das almas gêmeas, em suma, é aquele que o Espírito, um dia, sentirá pela Humanidade inteira. Os que amam e são evoluídos encontram, em todos os seus semelhantes, irmãos que devem dar as mãos em todos os serviços da fraternidade.
  • 93.
    93 Devemos compreenderque Jesusdirige o rebanho daTerra. Nós todos somos Suas ovelhas, e cada uma, mesmo individualizada pela sua formação está ligada às outras pelo amor de Deus. 300 – Dois Espíritos perfeitamentesimpáticos,uma vezreunidos,o serão pela eternidade ou podem se separar unindo-se a outros Espíritos? Todos os Espíritos são unidos entre si; falo dos que atingiram a perfeição.Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, não tem a mesma simpatia por aqueles que deixou atrás. COMENTÁRIOS: O fato de dois Espíritos simpáticos estarem unidos, pelos sentimentos, não significa que estarão unidos para sempre. Ocorre entre nós que dois Espíritos que se amam, se julgam pertencerum ao outro, daí entra o ciúme,as ações de posse, acreditam que tem que se dedicar exclusivamente um ao outro. Isso não ocorre entre os Espíritos superiores, pois eles compreendem as necessidades de cada um, em se tratando da busca da evolução. O amor que Jesus nos ensinou, o verdadeiro amor, não é um amor que prende, mas um amor que liberta. Espíritos que estão unidos mutuamente, às vezes deixa débitos para trás e para resgatar esses débitos terá que estabelecer convivência com seus credores. Não há exclusividade, pois cada um constrói a sua história, a sua jornada evolutiva. Se um avança na escala da evolução mais do que o outro, sua simpatia por aquele diminui; encontrando outros Espíritos que lhe são simpáticos,no plano em que passa a viver. Não é que ele deixa de amar ao que ficou na escala abaixo; ele aumenta sempre o seu amor, mas, a sintonia de trabalho e de pensamentos se eleva, ganhando planos mais perfeitos, qual o seu. As relações vão se modificando conforme as nossas necessidades de aprendizado. Se estão unidos pelo amor, estando juntos ou separados, estarão sempre unidos pelo amor. O amor é perene e une as criaturas. Sempre estará um apoiando o outro. Podem estar juntos através das diversas relações, não necessariamente, como companheiros (pai/mãe e filho, irmãos, amigos, etc.)
  • 94.
    94 301 – DoisEspíritos simpáticos são o complemento um do outro ou essa simpatia é o resultado de uma identidade perfeita? A simpatia que atrai um Espírito para o outro é o resultado da perfeita concordânciade suas inclinações,de seus instintos.Se um devesse completar o outro, perderia sua individualidade. COMENTÁRIOS: Fomos criados simples e ignorantes, porém por inteiros. Ninguém precisa completar um ao outro. Nenhum Espírito é criado para estar determinado a caminhar junto com outro. São escolhas feitas pelos Espíritos conforme o livre-arbítrio para caminhar juntos. Se as almas tivessem sido criadas duplas, as simples seriam imperfeitas. Pode haver união de dois Espíritos por simpatia e escolha de caminharem juntos. Duas almas simpatizam uma com a outra devido os pendores,suas afinidades de sentimentos, seus ideais idênticos. Nunca dois Espíritos simpáticos o são por um completar o outro. Se assim fosse, desapareceria a individualidade dos seres e a liberdade que tanto almejamos deixaria de existir. 302 – A identidade necessária para a simpatia perfeita consiste na semelhança de pensamentos e de sentimentos ou, também, na uniformidade de conhecimentos adquiridos? Na igualdade dos graus de elevação. COMENTÁRIOS: Assim como aqui no mundo Espiritual são as semelhanças entre o Espíritos que os atraem. A evolução ocorre pelos sentimentos e pela razão. ESE – VI, 5. - Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. O Consolador: 204 –A alma humana poder-se-á elevar para Deus, tão-somente com o progresso moral, sem os valores intelectivos? O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita.
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    95 303 – OsEspíritos que não são simpáticos hoje, poderão sê-lo mais tarde? Sim, todos o serão. Assim,o Espírito que está, hoje, numa esferainferior, em se aperfeiçoandoalcançará a esferaonde reside o outro. Seu reencontro terá lugar mais prontamente,se o Espírito mais elevado,suportando mal as provas a que está submetido, permanece no mesmo estado. 303.a) Dois Espíritos simpáticos poderão deixar de sê-lo? Certo, se um é preguiçoso. Allan Kardec: A teoria das metades eternas é uma figura querepresenta a uniãode dois Espíritos simpáticos; é uma expressão usada mesmo na linguagem vulgar e que se faz necessário não se prender à letra. Os Espíritos que a usam não pertencem, certamente, a uma ordem mais elevada. A esfera de suas ideias é, necessariamente, limitada e eles expressam seus pensamentos pelos termos de que se serviram durante a vida corporal. É preciso,portanto,rejeitar essa ideia de que dois Espíritos,criados um para o outro, deverão um dia, fatalmente, reunirem-se na eternidade, depois de estaremseparadosdurante um lapsode tempo mais oumenos longo. COMENTÁRIOS: Muitas coisas podemaqui enquanto reencarnados unir temporariamente duas pessoas, como a vaidade, os bens materiais, a fama, o poder, o sexo sem amor. Essas uniões até aparentam que existe simpatia entre os Espíritos,mas só aparecem enquanto há interesses em comum. Quando os interesses desaparecem, essa união acaba e cada um segue o seu caminho. Laços perenes, seguros são apenas os laços fundamentados no amor. Dois Espíritos unidos pelo amor estarão unidos para sempre, mas isso não quer dizer que sempre estarão juntos. Estarão unidos pelo coração e pelos sentimentos.
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    97 6.8 – LEMBRANÇASDA EXISTÊNCIA CORPORAL 304 – O Espírito se lembra da sua existência corporal? Sim, quer dizer, tendo vivido muitas vezes como homem, recorda-se do que foi, e te asseguro que, por vezes, se ri apiedado de si mesmo. Allan Kardec Como o homem que, atingindo a idade da razão,ri dos excessosde sua adolescência ou das puerilidades de sua infância. COMENTÁRIOS: O Espírito ao desencarnar vai retomando a memória de forma gradativa e assim, lembra de algumas de suas reencarnações, quando isso for motivo de ensinamentos para ele. A memória é patrimônio do Espírito. Todas as experiências vividas estão marcadas na consciência. Porém nem sempre temos acesso a todas as experiências, pois nossa história é muito grande. As recordações se processam por necessidade, nunca por brincadeira, nem por simples curiosidade.Tudo que acontece é por determinação de Deus. No entanto, há inúmeros Espíritos que desconhecem até a si mesmos; esses se encontram em plena ignorância. O esquecimento é uma bênção que permite que os sentimentos mais puros existentes entre dois seres possam prevalecer independente das questões vividas no passado. Nosso Lar – Capítulo 21. 305 – A lembrança da existência corporal se apresenta ao Espírito de maneira completa e inopinada depois da morte? Não, ele a revê pouco a pouco,como alguma coisa surgindo do nevoeiro, e à medida que fixa nisso sua atenção. COMENTÁRIOS: As recordações vão gradativamente se processando, não apenas a identificação,mas toda a experiência vivida. Aquilo que aprendemos tanto na vivência quanto no conhecimento.
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    98 É da mesmaforma que aqui entre nós, esquecem o que se passou conosco há um ano atrás, e quando a gente recorda,as minúcias ficam esquecidas.As vidas passadas são inúmeras, de sorte que seria uma confusão para a alma a recordação de todas elas. Tudo na vida é gradativo para melhores entendimentos e melhor assimilação das experiências. A memória sempre estará presente em nós. As questões da nossa personalidade, dos sentimentos, dos valores morais estão sempre prontas a vir à tona. A intensidade da retomada das lembranças vai depender da elevação do Espírito. Quanto mais elevado terá maior domínio dessas memórias. Até para ter acesso às lembranças tem que estar preparado. Só a elevação espiritual para suportar revelações que nos desestruturariam se tivéssemos agora. Devemos considerar a preocupação em aprender a amar como nos ensinou Jesus. 306 – O Espírito se lembra, pormenorizadamente, de todos os acontecimentos de sua vida? Alcança o conjunto deles de um golpe de vista retrospectivo? Ele se lembradas coisas em razão das consequências que tiveram para o seu estado de Espírito; mas compreendes que há circunstâncias de sua vida às quais ele não liga nenhuma importância e que nem mesmo procura recordar. 306.a) Poderia lembrar-se delas se quisesse? Pode se lembrar dos detalhes e dos incidentes mais minuciosos, seja dos acontecimentos, seja mesmo dos seus pensamentos; mas quando isso não tem utilidade, não procura lembrar-se. 306.b)O Espírito entrevê a finalidade da vida terrena,com relação à vida futura? Certamente ele a vê e a compreende bem melhor que enquanto encarnado; compreende a necessidade de purificação para alcançar o infinito e sabe que, a cada existência, deixa algumas impurezas. COMENTÁRIOS:
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    99 A desencarnação nãolibera imediatamente a memória do Espírito. Há questões que devem permanecer ocultas. Ao desencarnar deixa pessoas e fatos que pode ter influências negativas caso a memória venha à tona. A memória vem aos poucos conforme as necessidades, possibilidades e conhecimentos. Não há porque recordar de coisas que não tem utilidade. Não há o porquê ocupar a memória com lembranças que não influenciará positivamente nas decisões, na vida. O desencarne é um momento de transição, então não é viável ocupar a mente com inutilidades. Dessaforma buscará recordaçõesque dê sustentação nas decisões e na sua vida espiritual. Não devemos ter pressaem sabero que fomos no passado remoto de muitas existências. Há fardos que ainda não se encontram preparados para serem abertos; são jugos complicados, que a própria natureza, como já dissemos, abri-los-á, quando as lições puderem ser assimiladas. A memorização da consciência é perfeita; tudo ela guarda no seu arquivo interno. Quando se fala em consciência,a ideia de muitos a compara com um livro. É completamente diferente.Se compararmos com um computador,ainda assim é fraca a imagem. Não devemos paralisar nossas atividades em recordações inúteis, para não estacionarmos no tempo, desperdiçando-o, quando poderíamos semear em terreno bom, para colhermos frutos enobrecidos. As recordações não são da mesma forma para todos. Muitos irmãos que não tem ainda consciênciada sua desencarnação ocorrida há anos. Ex: E a vida continua (Livro / filme) 307 – Como a vida passada se retrata na memória do Espírito? Por um esforço da sua imaginação ou como num quadro que tenha diante dos olhos? De uma e outra maneira; todos os atos de que tenha interesse de se lembrar são para ele como se fossem presentes. Os outros estão mais ou menos vagos em sua mente ou totalmente esquecidos. Quanto mais se desmaterializa, menos importância atribui às coisas materiais. Fazes, frequentemente, a evocação de um Espírito errante que acabou de deixar a Terra e que não se lembra mais os nomes das pessoas que amou, nem os detalhes que te parecem importantes; é que pouco lhe interessam e caem no
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    100 esquecimento. O queele se lembra muito bem são os fatos principais que o ajudam a melhorar-se. COMENTÁRIOS: Cada Espírito ao desencarnar vai estabelecer sintonia com aquilo que mais lhe interessa. Assim como quando encarnados cultivamos determinados interesses,quando desencarnamos também temos determinados interesses. As lembranças relacionadas a esses interesses serão afloradas mais rápido. São escolhas do Espírito, conforme o livre-arbítrio. As questões que não tem tanta importância vão permanecer esquecidas. A nossaconsciênciagrava tudo,todos os fatos que ocorrem conoscoem todas as reencarnações,por processos que ainda não conseguimos compreender. Quando o Espírito precisalembrar-se de alguma coisapara o seu benefício,o instrumento para tal é a vontade que deve ser treinada com muito amor. 308 – O Espírito se lembra de todas as existências que precederam a última que acaba de deixar? Todo o seu passado se desenrola diante dele, como as etapas do caminho que o viajante percorreu. Mas dissemos que ele não se lembra de maneira absoluta de todos os atos, recordando-os em razão da influência que têm sobre seu estado presente.Quanto às primeiras existências,as que podemos considerara infância do Espírito,perdem-seno vago e desaparecemna noite do esquecimento. COMENTÁRIOS: A recordação das vidas passadas para o Espírito recém-desencarnado vai se realizando aos poucos conforme a necessidade do Espírito e de acordo com o seu conhecimento. O Espírito que acabade deixar o corpo físico não estarápreocupado comsuas vidas anteriores, mas sim com tudo o que acaba de deixar. Aqueles que ao desencarnar já valorizam as questões transcendentais, a memória de fatos anteriores terá mais facilidade,aflorando de acordo com as necessidades. As primeiras memórias que chegam são de cunho emocional que normalmente contribuíram na formação da personalidade do Espírito, a sua
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    101 forma de ser,de conviver com as pessoas.São memórias responsáveis pela criação do estado atual. Depois as demais memórias vão aflorando à medida das necessidades, mas não de forma absoluta. A reencarnação,tanto quanto a desencarnação,são assistidas porbenfeitores espirituais, com capacidade assegurada no amor, para saberem do que precisa o desencarnante, e quais as experiências que deve ter como lições proveitosas para a sua paz. 309 – De que maneira o Espírito considera o corpo que acaba de deixar? Como uma veste incômodaque o molestava e da qual se sente feliz por estar livre. 309.a) Que sentimento lhe faz experimentar a visão do seu corpo em decomposição? Quase sempre de indiferença, como por uma coisa que não tem mais. COMENTÁRIOS: Respostas baseadas em Espíritos mais evoluídos. Os Espíritos mais evoluídos terão um sentimento de gratidão a Deus por aquele bem que lhe foi emprestado lhe servindo de instrumento de aprendizado durante a encarnação. Eles seguem adiante, pois sabem que aquele corpo também é uma matéria que se encontra em evolução no reino divino. Nunca ficapensando nele com saudade,porsaberque ele jánão lhe pertence, devolvendo à natureza o que lhe foi emprestado pormisericórdiadivina e que, terminando a sua tarefa, é veste imprestável. Espíritos apegados à matéria deixam os corpos com muito pesar ao desencarnar e às vezes se ligam a eles. Há Espíritos que nem sequer percebe que deixou o corpo físico,uma vez que seu corpo perispiritual é igual ao corpo físico recém deixado. Não tendo conhecimento, em um primeiro momento, não percebe que deixou a veste física.Portanto, não tem a consciênciaimediata de que já está no mundo dos Espíritos. - Reuniões mediúnicas - E a vida continua (livro/filme)
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    102 Todos estão soba tutela dos seareiros do Divino Mestre. Ninguém está desamparado pelas Leis Divinas. No momento que quiser o resgate ou o amparo ali estarão os seareiros oferecendo o auxílio conformea necessidade de cada um. - André Luiz (Clarêncio) 310 – Ao cabo de um certolapsode tempo,o Espírito reconheceos ossos ou outros objetos que lhe tenham pertencido? Algumas vezes; isso depende do ponto de vista mais ou menos elevado sob o qual considera as coisas terrenas. COMENTÁRIOS: O ideal é o desprendimento. O reconhecimento de objetos que pertenceu, mas não pertence mais. É passado. Não tem mais valor. São apenas instrumentos que serviram para a aprendizagem, para o aperfeiçoamento. O importante é a essência. O Espírito,depois de desencarnado,que tenha certa elevação espiritual, pode reconhecer os seus restos mortais, quando acha que é de utilidade fazê-lo, como também seus pertences,quando no mundo físico.Mas, nem sempre ele faz esse reconhecimento. 311 – O respeito que se tem às coisas materiais deixadas pelo Espírito atrai a sua atenção sobre esses mesmos objetos e ele vê esse respeito com prazer? O Espírito é sempre feliz por ser lembrado; as coisas dele, que se conservaram, trazem-no à memória, porém, é o pensamento que o atrai para vós e não seus objetos. COMENTÁRIOS: Quem não gosta de ser lembrado com carinho e afeto? Todos os objetos que pertencem a uma pessoa querida nos remetem uma lembrança. A gente tende a fazer uma ligação com a pessoa.
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    103 Quando a pessoadesencarna, objetos que lhe pertenciam nos remetem à lembrança daquela pessoa. Não há uma ligação direta do objeto com a pessoa. O que liga as pessoas (encarnadas e desencarnadas) são os sentimentos. É o afeto, o carinho que nos une às pessoas.Os objetos podem nos remeter à lembrança, mas não é o elo da união. Há sempre prazer para o Espírito quando ele é lembrado na Terra; no entanto, o prazer maior para seu coração é quando essa lembrança pode trazer benefício para os outros. 312 – Os Espíritos conservam a lembrança dos sofrimentos que experimentaram durante sua última existência corporal? Frequentemente,eles a conservam e essalembrança lhes faz sentir melhor o preço da felicidade que podem gozar como Espíritos. COMENTÁRIOS: O Espírito conservalembranças do estado corporalem que se encontrava, por ficarem vivos na sua consciênciaos fatos derradeiros daencarnação na Terra. No entanto, sendo alma elevada, que viveu os preceitos do Evangelho, logo se livra das lembranças, para inteirar-se das belezas imortais da vida. Vai se alegrar por não estar sofrendo mais. Se desliga. O Espírito doente, porém, aquele cujo fardo se encontra pesado de faltas inumeráveis e sob o jugo incômodo de ações perniciosas, se demora com pensamentos fixos nos sofrimentos da carne. Mesmo não tendo o corpo de carne, as atrozes lembranças o torturam, porque na mente se encontra o céu ou o inferno, conforme as direções dos sentimentos. Sofrimentos físicos e emocionais (as dores físicas, os remorsos, o ódio, a culpa, todos os equívocos). 313 – O homem que foifeliz neste mundo,lamenta seusprazeres,quando deixa a Terra? Somente os Espíritos inferiores podem lamentar as alegrias que se harmonizam com a sua imperfeição e que expiam pelos seus sofrimentos. Para os Espíritos elevados, a felicidade eterna é mil vezes preferível aos prazeres efêmeros da Terra.
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    104 Allan Kardec: Tal ohomem adulto que despreza aquilo que fez as delícias da sua infância. COMENTÁRIOS: Jesus nos afirmou: Onde está o teu tesouro, aí estará o seu coração. Entre nós encarnados, parte daqueles que se sentem felizes é em razão dos bens materiais que pode adquirir, do conforto, dos prazeres imediatos do mundo, sempre das questões ligadas à matéria, pois conquistaram os bens terrenos e os benefícios que esses bens podem proporcionar. Estes ao desencarnar ficarão privados dos objetos que proporcionava felicidade.Certamente sentirão saudades, pois não aproveitaram a existência na carne para promover a existência do Espírito, dos reais valores para a conquista da felicidade (Q.115) Outros reencarnados entre nós se julgam felizes pelos sentimentos que já tiveram oportunidades para desenvolver, por conhecerem e viverem os ensinamentos de Jesus, pela vivência do amar ao próximo como a si mesmo. São pessoas que dedicam a sua vida ao bem do próximo, que atuam na dificuldade do outro. Às vezes através da sua própria atividade profissional, fazendo com carinho, atendendo bem aqueles que o procuram, exercitando o amor cristão que tanto almejamos. Esses ao desencarnar serão ampliados os seus afetos, colher o amor que plantaram, vão se sentir felizes, mas não por saudades daquilo que vivenciaram aqui. A felicidade completa na Terra não existe. Quando alguma alma se encontra feliz com as inferioridades do plano físico, é prova de que está apegado às paixões humanas, que são transitórias e, além disso,elas nos trazem reações que nos fazem sofrer,por serem inferiores.Essa alegria é, pois, mescladade aborrecimentos. A verdadeira felicidade,aquela agradável ao coração no reino da eternidade, se encontra em primeiro lugar na consciênciaimperturbável,como nos planos superiores do Espírito imortal. O desprendimento dos gozos terrenos ser-nos- á difícil. Somente a maturidade pode nos oferecer esse estado d’alma. Maturidade é sinônimo de tempo,de esforço próprio no clima do amor puro no coração, de modo que a caridade nos abra caminhos para grandes entendimentos espirituais.
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    105 314 – Aqueleque começou grandes trabalhos com fim útil e que os vê interrompidos pela morte, lamenta, no outro mundo, tê-los deixado inacabados? Não, porque vê que outros estão destinados a terminá-los. Ao contrário, procura influenciar outros Espíritos humanos a continuá-los. Seu objetivo sobre a Terra foi o bem da Humanidade; esse objetivo o mesmo no mundo dos Espíritos. COMENTÁRIOS: Estamos tratando de um ser que da sua vida tomou como missão fazer um grande trabalho com finalidade útil. Não de Espírito egoísta ou leviano. Pessoas leviana não se preocupa com coisas úteis. Quem se preocupa com coisas úteis com grandes trabalhos já é um Espírito que alcançou certo avanço, certo progresso. Naturalmente sua preocupação está voltada ao coletivo, à humanidade. Aquele que deixou de acabar um trabalho de vulto com fim útil. Obras que colaboram para a evolução do ser humano, para o crescimento da sociedade,para a melhora de todos nós como Espíritos.(Obras de caridade, a ciência, a tecnologia, etc.) Essas tarefas nunca têm fim. A necessidade de aprendizagem e de crescimento de todos está sempre latente e é progressiva. Essas tarefas têm grande utilidade para quem recebe, mas principalmente, para o tarefeiro, aquele que está praticando. Os trabalhos interrompidos pelo processo da desencarnação, não são nem podem ser sinônimos de paralisação. Já no mundo espiritual, o Espírito que viu o seutrabalho interrompido pelamorte,trata de inspirar seus companheiros que ficaram para a continuação do mesmo e, por vezes, a fazê-lo em ritmo mais acelerado do que quando ele estava à frente do ideal, em favor da coletividade. Deus não é deus de limitações, e tanto na Terra quanto no mundo dos Espíritos,existem legiõesde almas preparadas para todos os trabalhos que o Senhor achar conveniente. Ninguém é insubstituível. Existe somente um Espírito que não pode ser substituído: Deus. 315 – Aquele que deixou trabalhos de arte e de literatura,conserva,pelas suas obras, o amor que tinha quando vivo? Segundo sua elevação, ele os julga sob outro ponto de vista e, frequentemente, condena aquilo que mais admirava.
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    106 COMENTÁRIOS: Existem artistas nosvários níveis evolutivos. Se é um Espírito mais elevado vai perceber que aquela obra artística deixou de ser dele passando a ser compartilhada com a humanidade. Não vai ter apego. Se é um Espírito menos avançado talvez ele se sinta dono e o apego vai gerar sofrimentos a ele. A vida na Terra é uma pálida cópia da vida espiritual. As mais belas obras de arte construídas e deixadas são pálidas cópias de obras mais divinas e maravilhosas do plano Espiritual. Ou seja, pálidas cópias dos originais. Ex: Os Mensageiros Sebastian Bach O Espírito elevado tem plena admiração pelas obras que deixou, desde quando essas obras foram em benefício da humanidade. Mesmo ciente de que é uma pálida cópia do original vai admirar a sua como outras que seus companheiros de plano também fizeram. Não tem egoísmo nem adoração somente por sua obra. Mas pode ser tomado por alguns momentos de tristeza, se fez alguma coisa prejudicialaos outros,mesmo que o tenha feito inconsciente daação maléfica. O bem comum lhe causa alegria constante. 316 – O Espírito se interessa ainda pelos trabalhos que se executam sobre a Terra pelo progresso das artes e das ciências? Isso depende dasua elevação ou da missão que pode ter que desempenhar. O que vos parece magnífico, frequentemente,é bem pouca coisa para certos Espíritos; admiram-na como o sábio admira a obra de um escolar. Eles examinam o que pode provar a elevação dos Espíritos encarnados e seus progressos. COMENTÁRIOS: Se o que interesse é a ciência, continua interessado pela ciência. Se o que interesse é a arte, continua interessado pela arte. Após desencarnado, conforme sua elevação, vai ter acesso a maiores informações ou não. Comparar aquilo que ele passa a perceber com o que está vivenciando na Terra e cada um vai ter suas conclusões.
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    107 Ex: André Luiz(seu conhecimento na medicina) O progresso das artes, das ciências, da tecnologiaé permissão de Deus para que haja o progresso e o desenvolvimento da humanidade. Há Espíritos no plano espiritual ajudando o desenvolvimento dessas potencialidades humanas no campo das artes, das ciências, da filosofia, da tecnologia, da intelectualidade, pois faz com que a humanidade gradativamente vai evoluindo. Conforme a necessidade,há Espíritos que se interessam e ajudam o homem nas descobertas e no desenvolvimento. Ex: Bezerra de Menezes (auxílio aos irmãos que estão na retaguarda) Steve Jobs (revolução da informática e da comunicação) Eles percebem o quão pequenas são ainda as nossas artes, nossa música, nossa filosofia. Perto da grandiosidade que há no plano espiritual isso é algo ainda pequeno que não merece a admiração que nós às vezes acreditamos. - Há um leque infinito para aprendizagem. 317 – Os Espíritos, depois da morte, conservam o amor à pátria? É sempre o mesmo princípio:para os Espíritoselevados,apátria é o Universo; sobre a Terra, ela está onde possuem mais pessoas simpáticas. COMENTÁRIOS: Depende do desenvolvimento moral e intelectual do Espírito. Os Espíritos que conservam o amor à pátria depois do túmulo, são aqueles que não conseguem sentir o amor no coração de maneira universal. O ignorante é que briga, mata, em defesa da sua Terra. Quanto sangue é derramado neste sentido! Quantos sofrimentos ele não causa nas famílias! O conceito de pátria para o Espírito puro é o universo, toda a criação de Deus. O amor à pátria é o nosso dever para com ela. Devemos ajudar o progresso onde estagiamos, não é expresso pelo matar para defendê-la. Ajudar a pátria é ser honesto,respeitaras leis, sem negar o nosso devercomo filho da nação à qual pertencemos. À medida que nos elevamos vamos desenvolvendo o nosso querer bem à humanidade e não apenas à nossa família ou à nossa nação. A humanidade não se restringe ao planeta Terra. A gente percebeque o nosso amor é algo muito maior.
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    108 A nossa pátriaé todo o Universo. O nosso lar é o Universo. Allan Kardec: A situação dos Espíritos e sua maneira de ver as coisas variam ao infinito em razão do grau do seu desenvolvimento morale intelectual.Os Espíritos de uma ordem elevada não fazem sobre a Terra, geralmente, senão paradas de curta duração; tudo o que aí se faz é tão mesquinho em comparação com as grandezas do infinito, as coisas às quais os homens ligam a maior importância são tão pueris aos seus olhos, que eles aí encontram poucos atrativos, a menos que sejam chamados com o objetivo de concorrer para o progresso da Humanidade. Os Espíritos de uma ordem mediana aíestacionam mais frequentemente,se bem que considerem as coisasde um ponto de vista mais elevado do que quando em vida. Os Espíritos vulgares aí são, de certo modo, sedentários e constituem a massa da população ambiente do mundo invisível; conservam,com poucadiferença,as mesmas ideias,os mesmos gostos e as mesmas inclinações que tinham quando no corpo físico; intrometem-se nas nossasreuniões,nas nossasocupações,nas nossas recreações,nas quais tomam parte mais ou menos ativa,conformeseus caracteres. Não podendo satisfazer suas paixões, gozam com os que a elas se abandonam e os excitam.Entre eles existem alguns mais sérios que veem e observam para se instruírem e se aperfeiçoarem. COMENTÁRIOS: Quanto mais elevados, menos tempo aqui eles ficam. Considerando que as coisas da Terra são muito pueris comparada à grandeza do infinito. Suas vindas só como missão, como auxílio. Se submetem à nossa realidade para nos auxiliar. Quanto aos Espíritos intermediários vem mais frequentemente à Terra, mas a veem de outra forma, com ponto de vista mais elevado que quando encarnados estavam, pois já conseguem ver além do mundo material. Os Espíritos mais vulgares, imperfeitos povoam excessivamente a Terra porque ainda há a satisfação das suas paixões, dos seus vícios. 318 – As ideias dos Espíritosse modificam noestado dedesencarnados? Muito. Elas sofrem modificações muito grandes, à medida que o Espírito se desmaterializa. Ele pode, algumas vezes, ficar muito tempo com as mesmas ideias, mas, pouco a pouco, a influência da matéria diminui, e vê as coisas mais claramente; é então que procura os meios de se tornar melhor.
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    109 COMENTÁRIOS: Se ao desencarnarcontinuar com os mesmos pensamentos que tinha quando encarnado a mudança será muito pequena. Se os pensamentos estão mais alinhados à espiritualidade o desencarne será algo transformador, pois a percepção da realidade será sob outra ótica, bem melhor que quando encarnado. Quanto mais perceber o mundo dos Espíritos, maior será a modificação de suas ideias. A partir do momento que se desperta para a vida espiritual, é impossível manter o mesmo pensar,o mesmo agir daquele que pensa exclusivamente na vida material. Quando lá chegando percebe toda a amplitude da vida espiritual, que muitas vezes dava importância a coisas tão pequenas,que não poderiam acrescentar para evoluir. As conquistas materiais, a satisfação do nosso orgulho,do nosso egoísmo.Lá quando tudo se torna mais claro, o Espírito percebeos verdadeiros valores da vida, naturalmente as ideias se ampliam, se modificam e evoluem. Nós aqui mudamos nossa forma de pensar à medida que nos esclarecemos dos fatos. Pensamentos negativos atraem coisas negativas. Pensamentos positivos atraem coisas positivas. O nosso estado mental, aquilo que eu acredito sobrepõe àrealidade física.Se aqui já temos um efeito prático dessaformade agir, no plano espiritual é muito mais intenso. 319 – Uma vez que o Espírito já viveu a vida espírita antes da encarnação, de onde se origina seu espanto ao reentrar no mundo dos Espíritos? Isso não é mais que o efeito de um primeiro momento e da perturbação que segue ao despertar;mais tarde ele se reconhece perfeitamente,à medidaque lhe volta a lembrança do passado e se apaga a impressão da vida terrestre. (163 e seguintes.) COMENTÁRIOS: Quando nós retornamos à pátria espiritual é natural que pelo efeito da perturbação que todos nós sentimos tenhamos uma surpresa ao nos deparar com o plano espiritual.
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    110 Ficamos certo tempoaqui, são vários anos, então é natural que estejamos adaptados à vida material e precisaremos de um tempo para nos adaptar na vida de Espírito (desencarnado) para que a impressão material se apague para sentirmos novamente adaptados à vida espiritual. É uma reação natural, comum a quase todos os Espíritos. Depois, com o passar do tempo, ele vai se lembrando da sua verdadeira pátria, passando igualmente a sentir-se em casa. A reencarnação, tanto quanto a desencarnação, é mudança mais ou menos violenta, e esse transe tem o poder de mudar as ideias dos Espíritos acerca das coisas espirituais.
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    111 6.9 – COMEMORAÇÃODOS MORTOS – FUNERAIS 320 – Os Espíritos ficam sensibilizados, ao lembrarem-se deles os que amaram sobre a Terra? Às vezes, mais do que podeis crer; se são felizes, essa lembrança aumenta- lhes a felicidade; se são infelizes, são para eles um alívio. COMENTÁRIOS: A Espiritualidade nos mostra que lembrar dos nossos entes queridos que partiram para o outro lado da vida faz bem a eles,de certa forma é um auxílio. Se são Espíritos felizes,mais felizes eles ficam em saber que seus familiares não o esqueceram, que continuam amando, que continuam felizes por terem tido a oportunidade de viverum certo tempo em suacompanhia. Emboratenha passado para o outro plano, o amor, o carinho, a lembrança continua. Quando esse Espírito estáem sofrimento no plano espiritualele também sente as vibrações energéticas positivas que lhe são direcionadas.Essa energia de paz, de amor, de sentimento nobre auxilia a reduzir a intensidade das suas dores. É importante lembrarmos daqueles que partiram. As ligações que nós temos não são interrompidas pela morte do corpo físico. As pessoas que se foram continuam vivas, continuam sentindo, continuam amando, continuam se importando. As relações que elas tinham continuam valendo. Lembrar é sempre positivo, mas uma lembrança construtiva, saudável, lembranças de afeto,dos momentosfelizes,das coisasque foram construídas. Lembranças resignadas. E não aquela lembrança sofrida, de revolta, de não aceitação pelo desencarne. Esses pensamentos desequilibrados não auxiliam o Espírito no plano espiritual, na erraticidade. Ao contrário, fazem-no sofrer também. Qual a pessoa encarnada que seja contrária ao afeto, cujo coração não se alegra com o carinho que nada pede em troca? Quando encontramos alguém que se diz lembrar de nós, sentindo-se feliz com essas recordações, comovemo-nos pela amizade demonstrada. São manifestações do amor, válidas em todas as faixas de vida. Nesse sentido é sempre útilos encarnados orarem pelos que partiram. Se eles estiverem livres das peias das paixões,aumenta com isso a sua felicidade;se estão presos nos umbrais, serve-lhes de lenitivo. A prece é sempre forçapara levantar os caídos,e dar mais energia aos trabalhadores de Jesus nas trilhas da iluminação.
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    112 Não devemos pensarque os chamados mortos não precisam de ajuda, não precisam mais de oração; eles são as mesmas pessoas,sem a indumentária da carne. - Nosso Lar - Entre o Céu e a Terra - Voltei (Irmão Jacob) - Memórias de um suicida (Camilo Castelo Branco) 321 – O dia da comemoração dos mortos tem alguma coisa de mais solene para os Espíritos? Eles se preparam para vir visitar os que irão orar sobre seus despojos? Os Espíritos atendem ao apelo do pensamento, nesse dia como nos outros dias. 321.a)Esse dia é para eles um dia de encontrojunto às suas sepulturas? Nesse dia estão aí em maior número, porque existem mais pessoas que os chamam; mas cada um vem por causa dos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes. 321.b)Sob que forma aí compareceme como os veríamos,se pudessem tornar-se visíveis? Sob a que eram conhecidos como encarnados. COMENTÁRIOS: Os Espíritos atendem pelo dia de Finados, não pelo dia em si, mas porque nesse dia em especial seus familiares pensam neles com mais frequência. É como se fosse uma evocação pelo pensamento. Eles são atraídos pelos pensamentos dos seus familiares e se aproximam junto deles no cemitério. Mas não porque o cemitério é um lugar de encontro dos Espíritos junto aos seus familiares, mas é porque lá está a sua família. É o pensamento que une os Espíritos.Esse é o laço que une os Espíritos uns aos outros.Não é o locale nem o dia. Apenas o diade finados os pensamentos são mais direcionados aqueles que desencarnaram e é por isso que eles se fazem presentes.
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    113 Qualquer prece emqualquer dia, em qualquer local tem o mesmo valor. O pensamento de afeto, de amor para aquele que se foi é válido em qualquer dia. De acordo com alguns historiadores, o dia consagrado aos mortos originou-se dos antigos povos da Gália (atual França), os quais, então conhecedores da indestrutibilidade do ser, honravam os Espíritos e não os cadáveres, como, infelizmente, se faz na atualidade. Esse dia, popularmente chamado de “finados”, é uma tradição mundial, cuja origem se perde na noite dos tempos, e que revela a intuição do homem sobre a imortalidade da alma. Finado é o particípio passado do verbo “finar”, que significa o indivíduo que morreu, findou, faleceu. Trata-se de uma cultura adotada por todos os povos e quase todas as religiões. Esteve inicialmente muito ligada, na Antiguidade, aos cultos agrários ou da fertilidade. Acreditava- se que os mortos, como as sementes, eram enterrados com vistas à ressurreição. Em vista disso, o primitivo dia de finados era festejado com banquetes e orgias perto dos túmulos, costume disseminado em várias civilizações do passado. Após a morte do tirano Mausolo, rei de Cária, antiga região da Ásia Menor (377 a 353 a.C.), sua esposa Artemísia determinou a construção de um enorme edifício, ricamente enfeitado, para abrigar o corpo do soberano. Esta construção ou monumento funerário é considerado uma das maravilhas do mundo antigo, dentre as quais despontam as Pirâmides do Egito, que até hoje constituem morada dos restos mortais dos antigos faraós. Daí surgiu a palavra mausoléu para identificar os sepulcros de grandes proporções. Entretanto, somente no final do século X é que foi oficializado pela Igreja de Roma o “culto aos mortos”, com o nome de “finados”, destinado precisamente aos Espíritos que estariam no “purgatório”. Para o Espiritismo, este é um dia como qualquer outro, uma vez que a ida ao cemitério é a representação exterior de um fato íntimo. As pessoas que visitam um túmulo manifestam, por esse costume, que pensam no Espírito ausente, embora muitas o façam apenas para se desincumbir de mais uma “obrigação social” no calendário humano. Para homenagear o ente querido que partiu antes de nós, não é preciso, necessariamente, ir a cemitérios, via de regra repleto de túmulos caiados, tétricos e puídos, porque lá repousa apenas o envoltório do Espírito (corpo físico). O que sensibiliza o Espírito não é propriamente a visita à sepultura, mas a lembrança fraterna e a prece sincera daquele que ficou na Terra, o que pode ser feito a qualquer momento e em qualquer lugar. Por isso, o dia de finados não é mais importante, para os desencarnados, do que outros dias. A diferença entre o dia de finados e os demais dias é que, naquele, mais pessoas chamam os Espíritos pelos pensamentos. https://www.mensagemespirita.com.br/md/ad/como-reagem-os-espiritos-no-dia-de-finados
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    114 322 – OsEspíritos esquecidos, cujos túmulos ninguém vai visitar, também aí comparecem, apesar disso, e ficam pesarosos ao verem que ninguém se lembra deles? Que lhes importa a Terra? Não se prendem senão pelo coração. Se aí não há amor, não há nada que retenha o Espírito: ele tem todo o Universo para si. COMENTÁRIOS: Quanto mais nos desprendemos da Terra, quanto mais evoluímos,deixamos de ficar apegados às coisas do mundo material e até mesmo às pessoas,caso não haja afeição sincera. O que liga o Espírito a um determinado planeta, a um determinado local, são as pessoas,as afeiçõessinceras e reais. As afeições são eternas. Onde quer que estejamos sempre teremos aqueles corações que são ligados a nós, que nós temos afinidades. A questão dos túmulos, se ninguém vai visitar, ninguém sente falta e pesar daquele Espírito, se não há uma afeição real ele não vai se preocupar muito com isso. Quando se esquecem aqueles que se foram, quando não se lembram mais daqueles que partiram, isso é motivo de tristeza, de pesar para o Espírito que está na erraticidade porque ele se sente esquecido, como se não mais existisse. Mas não é o fato de estarmos no cemitério que faz diferença. O elo é o pensamento. Eu posso não estar lá, mas em pensamento, em sintonia, de coração ligado àquele Espírito. Isso é suficiente. Todos nós precisamos nos conscientizar de que não existe alguémesquecido da Bondade Superior; todos nós recebemos o que merecemos, onde estivermos. 323 – A visita ao túmulo dá mais satisfação ao Espírito do que uma prece feita em sua intenção? A visita ao túmulo é um modo de manifestarque se pensano Espírito ausente: é a imagem. Já vos disse: é a prece que santifica o ato de lembrar; pouco importa o lugar, se ela é ditada pelo coração. COMENTÁRIOS: Kardec pergunta o mesmo assunto de várias formas para que o entendimento seja completo, para que não haja dúvidas sobre aquele aspecto. Não importa o lugar. Tudo é o pensamento.
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    115 Desde que aprece seja feita com o coração. Isso é o que importa. A visita ao túmulo é uma representação exterior de um fato íntimo. É uma mensagem para quem está encarnado. O tipo de material utilizado para a construção do túmulo importa aos encarnados. Para os desencarnados não há diferença. O que importa ao Espírito são os sentimentos. O que deixa o Espírito feliz não é o fato da pessoa ir ao túmulo, mas a lembrança, os sentimentos de carinho, de afeto e não o local. Asvisitasaostúmulossãomanifestaçõesexteriores,herdadasdoprimitivismoreligiosodasraçase culturas, para a veneração a ancestrais e entes queridos que, à medida que a conscientização da imortalidade do Espírito e a reencarnação se consolidam, pelo impositivo da razão, vão caindo em desuso. Velhos credos continuarãoasofrermodificações,eaté mesmocaindonoesquecimento,pelaforçadalógicae doprogresso, ainda que nos dias atuais muitos sintam necessidade de se postarem diante das edificações de mármore e alvenaria,parase sentiremmaispróximosdaquelesquejápartiramparaa Pátria Verdadeira.Éo estágioem que se posicionam. 324 – Os Espíritos de pessoas às quais se elevaram estátuas ou monumentos, assistem às suas inaugurações e as veem com prazer? Muito, e aí comparecem quando podem, porém, são menos sensíveis às homenagens que lhes prestam que à lembrança. COMENTÁRIOS: Essas estátuas que são construídas em homenagem às pessoas que estiveram presentes no plano material e de certa forma foi uma pessoa de vulto entre a sociedade, os Espíritos dessas pessoas podem estar presentes nessas homenagens, caso seja possível, dependendo da evolução e da utilidade. Se o Espírito ainda é apegado à matéria provavelmente estará presente assistindo as homenagens, apreciando o monumento. Se o Espírito é mais evoluído estará presente se tiver utilidade. Mas o que importa, o que sensibiliza os Espíritos não é a homenagem em si, mas a lembrança que deles os homens guardam, pois esta provém do coração. São as emoções das lembranças do convívio,das atitudes que aquela pessoa deixou no mundo material. São as lembranças que muitas vezes nos inspiram e nos fazem querer ser melhor.
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    116 Erigir estátuas dosque partiram para o além, buscando perpetuar-lhes a memória para a posteridade, tem sido uma preocupação entre os homens. Embora tenha sido considerável o contributo para com a História, sabemos que, em muitos casos, tem havido interesses de várias ordens, sendo que o orgulho e a vaidade têm sido o móvel dessa prática. A participação ou o prazer que possam sentir os homenageados está na condição evolutiva de cada um. Tratando-se de um Espírito elevado, nem sempre comparece à homenagem que lhe é prestada, salvo nos casos em que, comparecendo ou participando, possa ser útil, inspirando ou intuindo os encarnados para tarefas ou práticas enobrecedoras, que possam gerar benefícios a alguém em particular, ou a muitos, de forma generalizada. 325 – De onde provém o desejo de certas pessoas de serem enterradas num lugar mais do que noutro? Reveem esse lugarcom maiorsatisfação depois da morte? Essa importância dada a uma coisa materialé um sinal da inferioridade do Espírito? Afeição do Espírito por certos lugares: inferioridade moral. Que vale um pedaço de terra mais que outro para um Espírito elevado? Não sabe ele que a sua alma se reunirá aos que ama, mesmo quando os ossos estejam separados? 325.a) A reunião dos despojos mortais de todos os membros de uma mesma família deve ser considerada como uma coisa fútil? Não, é um costume piedoso e um testemunho de simpatia pelos entes amados; se essa reunião pouco importa aos Espíritos,ela é útil aos homens: as lembranças são mais concentradas. COMENTÁRIOS: A afeição ou desejo de certas pessoas preferirem ser enterradas em determinado local está relacionado à inferioridade moral. É uma ligação com o corpo que ainda não compreende bem o estado pós-morte, como também, o desejo, o sentimento com o lugar. Às vezes dá importância enquanto encarnado, mas depois percebe que não faz diferença. Para um Espírito evoluído não faz a menor diferençaonde quer que seu corpo seja enterrado. A importância não é o lugar e nem os despojos do corpo material, mas o sentimento, as lembranças reais e verdadeiras para com aquele que desencarna. O costume de as famílias sepultarem os restos mortais de seus membros em um mesmo lugaré útil do ponto de vista material, pois favorece as recordações
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    117 em benefício daquelesque partiram. Para o Espírito não tem nenhuma importância, entretanto, uma vez que essacultura nenhum valor tem, do ponto de vista moral, a não ser tornar mais concentradas as recordações dos parentes. São os hábitos antigos que refletem uma forma de representação dos nossos sentimentos para com aqueles que já partiram. É a materialização dos nossos sentimentos. É por isso que precisamos estudar, buscar o conhecimento para que gradativamente possamos compreender as leis de Deus. Os Espíritos elevados são despojados de todo tipo de apego, que constitui limitação moral da alma. Muitos e muitos Espíritos encarnados, quando percebem a aproximação da desencarnação, desejam que seus corpos sejam enterrados em tal ou qual lugar, principalmente onde nasceram. Isso caracteriza a condição espiritual de quem se aproxima do túmulo. O corpo é corpo e não retém o Espírito junto a si. Depois que esse deixa a veste física, ele volta para o meio de onde veio, a mãe natureza, e vai servir em outras áreas como manda o progresso. Quanto a reunir todos os restos mortais de uma família em determinado lugar, é inspiração do amor limitado dos que lhes foram entes queridos. Convém notar que esse gesto não interfere na evolução do Espírito imortal. São laços que estão ligados aos velhos costumes, que é preciso sejam desatados por novas filosofias. 326 – A alma, voltando à vida espiritual, fica sensibilizada com as homenagens prestadas aos seus despojos mortais? Quando o Espírito alcançou um certo grau de perfeição, não tem mais a vaidade terrena e compreende a futilidade de todas essas coisas. Ficai sabendo, há Espíritos que nos primeiros momentos da sua morte material sentem um grande prazer com as homenagens que lhes prestam, ou um desgosto com o abandono dos seus despojos, porque conservam, ainda, alguns preconceitos desse mundo. COMENTÁRIOS: Depende do nível evolutivo do Espírito. Depende do equilíbrio do Espírito. Há Espírito tão inconsciente que não percebe o que está acontecendo. Não sabem que já partiram. Quanto mais livre das vaidades terrenas, mais ele compreende que essas homenagens não representam nada para si mesmo, pois só faz elevar a vaidade e o orgulho de que são melhores ou merecedores que outros de tais homenagens.
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    118 O Espírito queatingiu um determinado grau de perfeição, despojado que se encontra das vaidades terrenas, compreende a inutilidade dos funerais pomposos, que servem mais aos que ficam do que aos que partiram. Espírito que ainda se encontram presos à materialidade, que ainda não se despiram desses sentimentos imperfeitos ficam felizes com as lisonjas que a eles tributam ou ficam entristecidos pelo pouco caso, pela pouca importância que seus despojos corporais recebem. O conhecimento do plano espiritual, o conhecimento das Leis de Deus e a vivência do Evangelho faz muita diferença na postura e na forma com que o Espírito vai reagir no plano espiritual. Qual deve ser a nossa postura? A mesma postura de respeito que devemos ter para com qualquer pessoa encarnada. Uma prece sincera, um pensamento simples, mas bondoso, endereçado aos entes que partiram, valem mais do que mil coroas de flores e solenidades fúnebres. Quase sempre ele se desliga deste tipo de chamamento, embora possa sentir-se feliz com a sinceridade de algumas homenagens, ou quando estas possam redundar em benefício à coletividade ou favorecer o progresso das criaturas, sejam elas ou não, amigos e familiares. Por vezes, deixa de participar das homenagens em sua honra para atender chamados e ir ao encontro dos corações sofredores. As honrarias do mundo são tempo perdido para as almas de escol. Somente os Espíritos inferiores com elas se comprazem e inspiram outros a acompanhá-los nessas práticas. - Obreiros da Vida Eterna 327 – O Espírito assiste ao seu enterro? Muito frequentemente, assiste, mas, algumas vezes, não compreende o que se passa, se está ainda perturbado. 327.a)Ele se lisonjeia com a concorrênciade assistentes ao seu enterro? Mais ou menos, de acordo com o sentimento que os anima. COMENTÁRIOS: Os Espíritos podem estar presentes durante o enterro, presenciando todo aquele acontecimento,mas isso vai dependerdo graude evolução do Espírito. No momento do desencarne,depois do desligamento do períspirito segue-se um processo de perturbação espiritual.
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    119 A perturbação énatural. É normal que haja esse processo de perturbação.O Espírito fica meio adormecido, sem ter noção exata do que está acontecendo ao seu redor. Esse estado de perturbação varia muito de Espírito para Espírito.Há Espíritos que passam rapidamente por esse estado, vindo a seguir a lucidez, o despertar no plano espiritual. Quanto mais entendimento, quanto mais se pratica o Evangelho, menor é o tempo de perturbação e mais cedo é o despertar no plano espiritual. Aqueles que permanecem mais tempo no estado de perturbação não conseguem acompanhar o que está ocorrendo ao seu redor. Por isso que muitos não percebem o que está ocorrendo no seu funeral. Quando despertam, tudo isso já passou: o velório, o enterro. Há também os revoltados. Nemsempre oEspírito recém-desencarnadoassiste aoenterrodoseucorpo.Issodepende,e muito,doseu estado emotivo,das suas forças internas, pois não se pode generalizar o posicionamento das almas depois do túmulo. Os benfeitores espirituais acompanham a alma recém-desencarnada ao enterro, desde que esse fato lhe sirva de desprendimento do próprio envoltório que lhe serviu de roupa física pelo tempo que estagiou na Terra. Nada se faz sem uma utilidade, principalmente no mundo dos Espíritos. Em muitos casos, o Espírito não percebe o que se passa no enterro do seu corpo, por estar inconsciente e, de ordinário, não ser de utilidade para o seu bem-estar espiritual; no entanto, existem Espíritos que acompanhamo sepultamentodosrestosmortais,naexpressãoaospróprioshomens,comcertaalegria,por teraproveitadomuitobemsuavidanoplanetae tercumpridoseusdeveres,oque é raroacontecer.Omedo da morte turva a consciência da alma Letra A Quanto as pessoas presentes e a formade condução do funeral vão depender da condição do Espírito e daquilo que ele valoriza. Se os comentários feitos durante o velório e no enterro forem inadequados, nada construtivos, ou críticas à personalidade daquela pessoa que se foi, o Espírito ao verificar tais comentários e procedimentos vai se entristecer, não vai ficar feliz. As imagens e evocações das palestras dos presentes incidem sobre a mente do recém-desencarnado, o qual, na maioria das vezes, por ausência de preparo espiritual e desconhecimento das Leis Naturais, embora morto biologicamente,ainda não se desligou,mentalmente, dos despojos,o que lhe traz muito sofrimento, inclusive sensações desagradáveis, perturbações e pesadelos, dificultando ainda mais o seu desenlace. Muitas vezes, o Espírito assiste ao seu próprio velório, não sendo raro as decepções que experimenta, ao se defrontar com alguns visitantes falando mal do “extinto”, contando piadas ou em conversas sobre negócios regadas a bebida alcoólica, sem qualquer respeito pela memória do recém- desencarnado.
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    120 O corpo fluídicoque envolve o Espírito lhe passa todas as sensações. Sendo assim, nosso desespero e observações quanto á vida do desencarnado, poderá causar-lhe muito desconforto. O corpo físico está inerte, mas o fluídico não. Não estamos querendo dizerque não devemos chorara perdade quem muito amamos e que “se foi”. A dor da separação é inevitável. Por outro lado, até devemos dar vazão a tudo aquilo que estamos sentindo ou corroendo pordentro,mas que seja a dorda saudade, não a do desesperoem querer o ente querido de volta. Se houver pessoas em preces, externando seus sentimentos de afeição e amor, lembrando das coisas boas vivenciadas com aquela pessoa, tecendo considerações positivas e construtivas, o Espírito vai se sentir bem. As lágrimas deverão ser de saudades,cheias de amor. Esquecê-los? Jamais. Necessitam do nosso carinho e orações para auxiliá-los a evoluir. Tudo depende dos sentimentos de cada um e não a quantidade de pessoas no enterro. - Obreiros da vida eterna – Capítulo 14 – Um caso prático de evocação inconsciente ocorrido num velório. 328 – O Espírito daquele queacaba de morrer,assiste à reunião dosseus herdeiros? Quase sempre. Deus o permite para sua própria instrução e o castigo dos culpados;é então que ele julga o valor das manifestações que lhe fazem. Para ele todos os sentimentos estão a descoberto e a decepção que experimenta vendo a cobiça dos que partilham seus despojos o esclarece sobre seus sentimentos; mas sua vez virá. COMENTÁRIOS: As pessoas no mundo material, em sua maioria, se preocupam com os bens materiais, com as conquistas de valores financeiros mesmo tendo a consciência de que ninguém leva esses bens para o plano espiritual. Daí o fato de desencarnarnão modificaseus sentimentos.A formaque ele conduziu esses bens e sua família,será a formacomo ele irá encarar esse momento de partilha. É um momento é de aprendizagem para o Espírito. Ficam decepcionados quando assiste às reuniões dos herdeiros,disputando, em brigas acirradas, a divisão dos bens do espólio. A decepçãoem função da conduta dos familiares.
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    121 É triste paraum Espírito que desencarnae deumuito valor aos bens materiais, ver por exemplo, a reunião dos seus herdeiros para a partilha dos bens. Ver que muitos de seus familiares, discutem, brigam, causam inimizades, distanciam-se uns dos outros em função desses bens. Isso reflete, às vezes, a importância que o próprio desencarnante deu aos bens materiais. Se era um Espírito mais evoluído, embora tivesse recursos, mas fosse uma pessoaque játrabalhava o seu lado moral e espiritualse entristece daconduta dos seus herdeiros pelapartilha dos bens.Pois gostariaque naquele momento houvesse mais importância pelos sentimentos. Aqueles que eram muito apegados aos bens materiais, muitas vezes quando veem também a forma equivocada de lidar com os recursos que ficaram pelo restante da família lhes causa muito sofrimento,muita dor, muito apego, pois às vezes não consegue se distanciar de onde estavam seus bens. A riqueza dos sentimentos. Essa é a verdadeira riqueza que devemos trabalhar constantemente para que ao retornar ao plano espiritual não tenhamos que assistir a briga dos nossos herdeiros pelos bens materiais e nem ficar apegados a tais bens. Uma família que briga pela divisão dos bens materiais de herança, é, pois, infeliz, pelo apego às coisas transitórias, o que dá origem ao ódio e, por vezes, à própria morte. Falta quase sempre o respeito ao que partiu e que, em muitos casos, se encontra presente esforçando-se e sofrendo para pacificar os que ficaram, inconscientes da existência do amor e do perdão. Os que se foram, assistindo a esses dramas, notam que a sua verdadeira família é universal, quando ele tem algum entendimento espiritual. Quando é ignorante, briga com os que ficaram intrometendo-se entre eles com as mesmas paixões e a mesma ganância pelo ouro. Devemos consolidar nosso verdadeiro tesouro, aquele que a ferrugem não estraga, nem a traça corrompe. 329 – O respeito instintivo que o homem, em todos os tempos e entre todos os povos, testemunha pelos mortos, é um efeito da intuição que tem da existência futura? É a consequência natural dessa intuição; sem ela, esse respeito não teria sentido. COMENTÁRIOS:
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    122 Tudo aquilo quevivemos, todas as nossas experiências, aprendizados e conhecimentos não se perdem por aqui. Tudo fica arquivado em nosso períspirito, em nossa memória. Esse conhecimento sempre aflora, nem sempre de forma lúcida, estando ali latente em nosso íntimo, desabrocha através da intuição. No íntimo do nosso coração todos nós sabemos que a morte não existe, que o Espírito é eterno e sobrevive à morte do corpo físico. Todas as Leis de Deus estão guardadas em nossa consciência. Todos nós fomos criados simples e ignorantes, com a centelha divina dentro de nós. Essa centelha faz com que todos nós tenhamos em nosso interior todas as potencialidades de Espírito que vai aflorando conforme as nossas experiências, nossos conhecimentos e nossas necessidades, mesmo que na forma de intuição. Os homens sempre consagraram respeito aos mortos, tanto que levantam monumentos em sua honra e formulam muitas atividades baseadas em suas lembranças. Isso porque está vibrando em sua consciência conhecimento de que ninguém morre e da lei de reencarnação, por ter passado por muitas e muitas experiências nesse sentido. Seria muito bom se todas as religiões e filosofias espiritualistas ensinassem aos seus seguidores que a vida continua depois do túmulo com as mesmas paixões e virtudes. O mais importante não é o comportamento nosso na hora da desencarnação de um ente querido, ou no momento de nossa própria morte física, mas sobretudo a conduta que devemos ter durante toda a nossa existência física, pois que, sendo Espíritos imortais, nossa vida é uma constante preparação para a morte, razão pela qual é preciso viver bem para morrer bem. A melhorcoisaque existe é cadaum, sejaem um plano, sejano outro,procurar trabalhar dentro de si nas mudanças necessárias,como ensinaJesus:perdoar todas as ofensas e calúnias, não odiar a ninguém, fecundaras ideais de amor cada vez mais no coração, procurando entender o verdadeiro amor e amar todos e tudo.
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    123 REFERÊNCIAS: GLASER, Abel. AlvoradaNova. 5ª ed. Matão – SP: O clarim, 2012. Pelo Espírito Cairbar Schutel. GLASER,Abel. Eustáquio– Quinze séculosde uma trajetória.6ª ed.Matão – SP: O clarim, 2019. Pelo Espírito Cairbar Schutel. KARDEC, Allan. A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 52ª Ed. Araras – SP: IDE, 2018. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 365ª Ed. Araras – SP: IDE, 2009. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentile. 182ª Ed. Araras – SP: IDE, 2009. KARDEC,Allan.O Livro dos Médiuns.Tradução de SalvadorGentile.85ª Ed. Araras – SP: IDE, 2008. XAVIER,Chico. A Caminho da Luz. 21ª ed. Rio de Janeiro: FEB,1995.Pelo Espírito Emmanuel. XAVIER, Chico. Nosso Lar. 61ª ed. Brasília: FEB, 2010. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. Os Mensageiros. 47ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER,Chico. Missionários da Luz.43ª ed.Rio de Janeiro:FEB,2009.Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. Obreiros da Vida Eterna. 35ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. No Mundo Maior. 28ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER,Chico. Libertação.33ª ed. Brasília: FEB, 2017.Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. Entre a Terra e o Céu. 27ª ed. Brasília: FEB, 2018. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER,Chico. Nos domínios da Mediunidade.36ª ed. Brasília: FEB,2018. Pelo Espírito André Luiz.
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    124 XAVIER, Chico. Açãoe Reação. 30ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico & VIEIRA, Waldo. Evolução em dois Mundos. 27ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico & VIEIRA, Waldo. Mecanismos da Mediunidade. 28ª ed. Brasília: FEB, 2018. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico & VIEIRA, Waldo. Sexo e Destino. 34ª ed. Brasília: FEB, 2018. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER,Chico. E a vida continua....1ª ed. Esp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Pelo Espírito André Luiz. ZIMMERMANN, Zalmino. Perispírito. Campinas: CEAK, 2000. https://www.bibliaonline.com.br/ http://www.olivrodosespiritoscomentado.com/questoes.html https://www.youtube.com/user/livrodosespiritos/videos https://www.youtube.com/watch?v=4xRhAKctMo8&list=PLI- OgasY7T5tz8FFyT2yr5aKTPbavF7by&index=111