Caminhar
é PrecisoCaminhar
É Preciso
Impressões de um
andarilho recifense.
FRANCISCO CUNHA
07.07.2013
3.000 km
DENTRO DO RECIFE
UM RESULTADO DAS CAMINHADAS
ONE DAY
UM PRESENTE MUITO PREOCUPANTE
“Parece que o Recife, cidade tão
cheia de personalidade e história
toma um caminho apressado para
transformar-se num
reduto de ‘não lugares’,
numa paisagem desses ‘não
lugares’.”
Kleber Mendonça Filho,
cineasta recifense
“Conheço poucas cidades
que se autodestroem
tão rapidamente quanto o
Recife.”
Circe Monteiro
arquiteta, mestre em Planejamento Urbano
e doutora em Sociologia - docente da UFPE
CONCLUSÃO DAS CAMINHADAS
Não existe cidade sem
caminhantes e não
existem caminhantes
sem calçadas.
UM ABSURDO
“Tem jovem que mora
no Recife e conhece
Orlando antes de
conhecer o centro da
cidade.”
João Recena
ANDAR A PÉ É MODAL E CALÇADA É VIA
Por que caminhar é
imprescindível?
PORQUE
É O QUE NOS FAZ
HUMANOS
PÉ - UMA MARAVILHA DA NATUREZA
HOMOS SENTADUS
PORQUE É O QUE NOS FAZ CIDADÃOS
PORQUE É O EXERCÍCIO MAIS NATURAL QUE EXISTE
PORQUE AJUDA A PENSAR E FACILITA O RACIOCÍNIO
PORQUE É A MELHOR FORMA DE
CONTATO COM A NATUREZA
ANDAR A PÉ
“Vai oiando coisa a grané
Coisa que pra mode ver
O cristão tem que andar a pé.”
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira,
Estrada de Canindé (1950)
Estrada de Canindé
Para visualizar esse vídeo acesse aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=giCcxsvM4-k
PORQUE É UM MODO EFICAZ DE ESPANTAR A TRISTEZA
PORQUE É UMA FORMA DE EVITAR MORRER DE RAIVA
“Não é preciso gastar um
grande montante de dinheiro
para fazer boas caminhadas.
Pense em passeios por onde
você vive, em seu bairro, em
todos os lugares que puder.
Eu já andei muito sem gastar
nada além de uns trocados
para os sanduíches.”
Hamish Fulton
walking artist britânico
Hoje, nos deslocamos em
“túneis refrigerados”
Para visualizar esse vídeo acesse aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=IYv6uWIIm1Y
A pé, temos contato
com a cidade (do lado esquerdo)
Para visualizar esse vídeo acesse aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=v4DEoy2hyPQ
A pé, temos contato
com a cidade (do lado direito)
Para visualizar esse vídeo acesse aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=cCjlIwa3P2I
Para visualizar esse vídeo acesse aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=0Ug1mADSRaU
Se aqueles que tiveram o privilégio e o
esforço de uma condição sócio-
econômica, educacional e cultural que
permite ser, além de moradores, cidadãos
conscientes e reivindicadores da ordem,
abandonam as ruas à sua própria sorte,
como ter uma cidade cidadã?
Impossível.
HIPÓTESE
WALKABILITY
É a medida do quanto amigável é
uma área para caminhar.
Sendo boa, ela pode trazer vários benefícios para a
saúde para o ambiente e para a economia.
Os fatores que influenciam
a walkability ("andabilidade" ou "caminhabilidade",
em português) incluem a presença ou ausência de
caminhos, calçadas ou outros itens que interferem
no direito de ir e vir, condições de tráfego, uso do
solo, acessibilidade a edificações, segurança, entre
outros.
As calçadas do Recife em 2012
ESTADOS INADEQUADOS
1 Calçada inexistente.
2 Rebaixamento do meio-fio além do permitido pela legislação.
3 Ausência do piso (calçada de areia).
4 Piso estragado (buracos, rachaduras, etc.).
5 Piso inadequado (escorregadio, em material inapropriado).
6 Existência de obstáculos (rampas, inclinações excessivas, etc.).
USOS INADEQUADOS
1 Estacionamento de veículos.
2 Circulação de motos e bicicletas.
3 Ocupação por bares e barracas (bancas de revista).
4 Ocupação pela construção civil.
5 Invasão pelo setor privado (movelarias, oficinas, etc.).
6 Equipamentos públicos urbanos
(arborização, telefone público, etc.).
COLOCAR FOTOS DA ZONA SUL.
SEM PALAVRAS
O poder desorganizador
da má calçada
• A janela quebrada atrai pedras.
Base teórica da Tolerância Zero
em Nova York.
• O descaso pelo espaço público estimula a
violência e desencoraja a atuação cidadã.
Precisamos voltar
às ruas caminhando se
ainda quisermos salvar
a nossa cidade
“Ver apenas, não! Sentir a cidade.
Evocar seu passado, partilhar seu
presente, sonhar com seu futuro.”
Mário Sette, 1948
“Aparentemente despretensiosos,
despropositados e aleatórios,
os contatos nas ruas constituem
a pequena mudança a partir da qual
pode florescer a vida pública
exuberante da cidade.”
Jane Jacobs
Morte e Vida das Grandes Cidades
• A violência não permite.
• O clima não permite.
• As calçadas não permitem.
OBJEÇÕES
CORREDORES DE PENITENCIÁRIA
“O tráfego e a violência não
são desculpas para
transformar nossas ruas em
corredores de penitenciária,
com guaritas, holofotes,
arames farpados e agentes
armados.”
José Eduardo de Assis Lefèvre
Arquiteto, professor de Urbanismo da USP
Exemplos
de calçadas civilizadas
Praça na Avenida Paulista, projeto de Benedito Abbud, criador do conceito de calçada viva.
Sobram leis e
faltam calçadas
A legislação atual
objetiva garantir o uso
prioritário das calçadas
para a circulação das
pessoas.
No Nível Federal
• Código de Trânsito Brasileiro | Lei nº 9.503/1997
No Nível Municipal
• Lei orgânica do Recife
• Plano Diretor da Cidade do Recife
| Lei nº 17.511/2008
• Lei de Uso e Ocupação do Solo do Recife
| Lei nº 16.176/1996
• Lei dos sete bairros | Lei nº 16.719/2001
• Lei de Edificações e Instalações
O problema das calçadas está,
na verdade, relacionado à
falta de vontade política
dos governantes, à ausência de
dispositivos eficazes de
controle, bem como à falta de
consciência de muitos cidadãos.
Diretrizes para
uma calçada
cidadã no Recife
1. As necessidades dos pedestres.
2. A outras necessidades sociais, especialmente dos
ciclistas e de transporte público de passageiros.
3. As de transporte de mercadorias, normalmente
compatibilizadas com as anteriores por meio de
restrições de horários e de itinerários.
4. Finalmente, as necessidades de circulação de
automóveis particulares.
Prioridades da política de transporte
segundo a Carta do Pedestre
Prioridades de uma
mobilidade cidadã
“Devemos pensar em cidades
para os mais vulneráveis.
Para as crianças, os idosos, os que se
movimentam em cadeiras de rodas,
para os mais pobres. Se a cidade for
boa para eles, será também para os
demais.”
Henrique Peñalosa,
ex-prefeito de Bogotá.
O Rio
Capibaribe
reintegrado
UM RIO VIVO E INTEGRADO À CIDADE
Foto: Projeto do arquiteto Luiz Vieira para o Açude de Apipucos
Parque Linear
do Capibaribe
Foto: Projeto do arquiteto Luiz Vieira para o Açude de Apipucos
Comece fazendo
o que é necessário,
depois o que é possível,
de repente, você estará
fazendo o
Impossível.
São Francisco de Assis
1. Fazer o Necessário é tirar
imediatamente o carros das calçadas.
2. Fazer o Possível é, no médio prazo,
implantar uma política de calçadas que
torne irreversível o caminho da
qualidade (cartilha, fiscalização,
intervenções pontuais etc.).
3. Fazer o que parece Impossível é, até o
final da gestão, ter calçadas decentes e
implantado o respeito ao cidadão-
pedestre no Recife (70% da população).
ATINGINDO O QUE PARECE IMPOSSÍVEL
“A viagem de descoberta
consiste não em achar
novas paisagens, mas em
ver com novos olhos.”
Marcel Proust

Caminhar é preciso 07.07.13 Toyolex

  • 1.
    Caminhar é PrecisoCaminhar É Preciso Impressõesde um andarilho recifense. FRANCISCO CUNHA 07.07.2013
  • 2.
  • 3.
    UM RESULTADO DASCAMINHADAS
  • 4.
  • 6.
    UM PRESENTE MUITOPREOCUPANTE “Parece que o Recife, cidade tão cheia de personalidade e história toma um caminho apressado para transformar-se num reduto de ‘não lugares’, numa paisagem desses ‘não lugares’.” Kleber Mendonça Filho, cineasta recifense
  • 15.
    “Conheço poucas cidades quese autodestroem tão rapidamente quanto o Recife.” Circe Monteiro arquiteta, mestre em Planejamento Urbano e doutora em Sociologia - docente da UFPE
  • 16.
    CONCLUSÃO DAS CAMINHADAS Nãoexiste cidade sem caminhantes e não existem caminhantes sem calçadas.
  • 17.
    UM ABSURDO “Tem jovemque mora no Recife e conhece Orlando antes de conhecer o centro da cidade.” João Recena
  • 18.
    ANDAR A PÉÉ MODAL E CALÇADA É VIA
  • 19.
    Por que caminharé imprescindível?
  • 20.
    PORQUE É O QUENOS FAZ HUMANOS
  • 21.
    PÉ - UMAMARAVILHA DA NATUREZA
  • 22.
  • 23.
    PORQUE É OQUE NOS FAZ CIDADÃOS
  • 25.
    PORQUE É OEXERCÍCIO MAIS NATURAL QUE EXISTE
  • 28.
    PORQUE AJUDA APENSAR E FACILITA O RACIOCÍNIO
  • 29.
    PORQUE É AMELHOR FORMA DE CONTATO COM A NATUREZA
  • 31.
    ANDAR A PÉ “Vaioiando coisa a grané Coisa que pra mode ver O cristão tem que andar a pé.” Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Estrada de Canindé (1950)
  • 32.
    Estrada de Canindé Paravisualizar esse vídeo acesse aqui: http://www.youtube.com/watch?v=giCcxsvM4-k
  • 33.
    PORQUE É UMMODO EFICAZ DE ESPANTAR A TRISTEZA
  • 34.
    PORQUE É UMAFORMA DE EVITAR MORRER DE RAIVA
  • 36.
    “Não é precisogastar um grande montante de dinheiro para fazer boas caminhadas. Pense em passeios por onde você vive, em seu bairro, em todos os lugares que puder. Eu já andei muito sem gastar nada além de uns trocados para os sanduíches.” Hamish Fulton walking artist britânico
  • 37.
    Hoje, nos deslocamosem “túneis refrigerados” Para visualizar esse vídeo acesse aqui: http://www.youtube.com/watch?v=IYv6uWIIm1Y
  • 38.
    A pé, temoscontato com a cidade (do lado esquerdo) Para visualizar esse vídeo acesse aqui: http://www.youtube.com/watch?v=v4DEoy2hyPQ
  • 39.
    A pé, temoscontato com a cidade (do lado direito) Para visualizar esse vídeo acesse aqui: http://www.youtube.com/watch?v=cCjlIwa3P2I
  • 40.
    Para visualizar essevídeo acesse aqui: http://www.youtube.com/watch?v=0Ug1mADSRaU
  • 41.
    Se aqueles quetiveram o privilégio e o esforço de uma condição sócio- econômica, educacional e cultural que permite ser, além de moradores, cidadãos conscientes e reivindicadores da ordem, abandonam as ruas à sua própria sorte, como ter uma cidade cidadã? Impossível. HIPÓTESE
  • 42.
    WALKABILITY É a medidado quanto amigável é uma área para caminhar. Sendo boa, ela pode trazer vários benefícios para a saúde para o ambiente e para a economia. Os fatores que influenciam a walkability ("andabilidade" ou "caminhabilidade", em português) incluem a presença ou ausência de caminhos, calçadas ou outros itens que interferem no direito de ir e vir, condições de tráfego, uso do solo, acessibilidade a edificações, segurança, entre outros.
  • 43.
    As calçadas doRecife em 2012
  • 44.
    ESTADOS INADEQUADOS 1 Calçadainexistente. 2 Rebaixamento do meio-fio além do permitido pela legislação. 3 Ausência do piso (calçada de areia). 4 Piso estragado (buracos, rachaduras, etc.). 5 Piso inadequado (escorregadio, em material inapropriado). 6 Existência de obstáculos (rampas, inclinações excessivas, etc.).
  • 45.
    USOS INADEQUADOS 1 Estacionamentode veículos. 2 Circulação de motos e bicicletas. 3 Ocupação por bares e barracas (bancas de revista). 4 Ocupação pela construção civil. 5 Invasão pelo setor privado (movelarias, oficinas, etc.). 6 Equipamentos públicos urbanos (arborização, telefone público, etc.).
  • 46.
  • 59.
  • 60.
    O poder desorganizador damá calçada • A janela quebrada atrai pedras. Base teórica da Tolerância Zero em Nova York. • O descaso pelo espaço público estimula a violência e desencoraja a atuação cidadã.
  • 61.
    Precisamos voltar às ruascaminhando se ainda quisermos salvar a nossa cidade
  • 62.
    “Ver apenas, não!Sentir a cidade. Evocar seu passado, partilhar seu presente, sonhar com seu futuro.” Mário Sette, 1948
  • 63.
    “Aparentemente despretensiosos, despropositados ealeatórios, os contatos nas ruas constituem a pequena mudança a partir da qual pode florescer a vida pública exuberante da cidade.” Jane Jacobs Morte e Vida das Grandes Cidades
  • 64.
    • A violêncianão permite. • O clima não permite. • As calçadas não permitem. OBJEÇÕES
  • 65.
    CORREDORES DE PENITENCIÁRIA “Otráfego e a violência não são desculpas para transformar nossas ruas em corredores de penitenciária, com guaritas, holofotes, arames farpados e agentes armados.” José Eduardo de Assis Lefèvre Arquiteto, professor de Urbanismo da USP
  • 67.
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    Praça na AvenidaPaulista, projeto de Benedito Abbud, criador do conceito de calçada viva.
  • 74.
  • 75.
    A legislação atual objetivagarantir o uso prioritário das calçadas para a circulação das pessoas.
  • 76.
    No Nível Federal •Código de Trânsito Brasileiro | Lei nº 9.503/1997 No Nível Municipal • Lei orgânica do Recife • Plano Diretor da Cidade do Recife | Lei nº 17.511/2008 • Lei de Uso e Ocupação do Solo do Recife | Lei nº 16.176/1996 • Lei dos sete bairros | Lei nº 16.719/2001 • Lei de Edificações e Instalações
  • 77.
    O problema dascalçadas está, na verdade, relacionado à falta de vontade política dos governantes, à ausência de dispositivos eficazes de controle, bem como à falta de consciência de muitos cidadãos.
  • 78.
  • 79.
    1. As necessidadesdos pedestres. 2. A outras necessidades sociais, especialmente dos ciclistas e de transporte público de passageiros. 3. As de transporte de mercadorias, normalmente compatibilizadas com as anteriores por meio de restrições de horários e de itinerários. 4. Finalmente, as necessidades de circulação de automóveis particulares. Prioridades da política de transporte segundo a Carta do Pedestre
  • 80.
  • 81.
    “Devemos pensar emcidades para os mais vulneráveis. Para as crianças, os idosos, os que se movimentam em cadeiras de rodas, para os mais pobres. Se a cidade for boa para eles, será também para os demais.” Henrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá.
  • 84.
  • 85.
    UM RIO VIVOE INTEGRADO À CIDADE
  • 96.
    Foto: Projeto doarquiteto Luiz Vieira para o Açude de Apipucos Parque Linear do Capibaribe
  • 97.
    Foto: Projeto doarquiteto Luiz Vieira para o Açude de Apipucos
  • 98.
    Comece fazendo o queé necessário, depois o que é possível, de repente, você estará fazendo o Impossível. São Francisco de Assis
  • 99.
    1. Fazer oNecessário é tirar imediatamente o carros das calçadas. 2. Fazer o Possível é, no médio prazo, implantar uma política de calçadas que torne irreversível o caminho da qualidade (cartilha, fiscalização, intervenções pontuais etc.). 3. Fazer o que parece Impossível é, até o final da gestão, ter calçadas decentes e implantado o respeito ao cidadão- pedestre no Recife (70% da população). ATINGINDO O QUE PARECE IMPOSSÍVEL
  • 100.
    “A viagem dedescoberta consiste não em achar novas paisagens, mas em ver com novos olhos.” Marcel Proust