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Breve diagnósticoda Situação da SaúdedaMulher no Brasil
Considerando a heterogeneidade que caracteriza o País, seja emrelação às
condições socioeconômicas e culturais, seja em relação aoacesso às ações e
serviços de saúde, compreende-se que o perfil epidemiológicoda população
feminina apresente diferenças importantes deuma região a outra do País. Essas
diferenças não serão abordadas emprofundidade neste documento, porém salienta-
se que, no processo deimplantação e implementação da Política Nacional para
Atenção Integralà Saúde da Mulher, elas devem ser consideradas,
possibilitandouma atuação mais próxima da realidade local e portanto com
melhoresresultados.
As estatísticas sobre mortalidade são bastante utilizadas para a análisedas
condições de saúde das populações. É importante consideraro fato de que
determinados problemas afetam de maneira distinta homense mulheres. Isso se
apresenta de maneira marcante no caso daviolência. Enquanto a mortalidade por
violência afeta os homens emgrandes proporções, a morbidade, especialmente
provocada pela violênciadoméstica e sexual, atinge prioritariamente a população
feminina.
Também no caso dos problemas de saúde associados ao exercícioda sexualidade,
as mulheres estão particularmente afetadas e, pela particularidadebiológica, têm
como complicação a transmissão verticalde doenças como a sífilis e o vírus HIV, a
mortalidade materna e os problemas de morbidade ainda pouco estudados.
No Brasil, as principais causas de morte da população feminina são as doenças
cardiovasculares, destacando-se o infarto agudo do miocárdioe o acidente vascular
cerebral; as neoplasias, principalmente ocâncer de mama, de pulmão e o de colo do
útero; as doenças do aparelhorespiratório, marcadamente as pneumonias (que
podem estar encobrindo casos de aids não diagnosticados); doenças
endócrinas,nutricionais e metabólicas, com destaque para o diabetes; e as
causasexternas (BRASIL, 2000).
Segundo Laurenti (2002), em pesquisa realizada nas capitais brasileirase no Distrito
Federal, analisando óbitos em mulheres de 10 a49 anos (ou seja, mulheres em
idade fértil), as dez primeiras causasde morte encontradas foram as seguintes, em
ordem decrescente: acidente vascular cerebral, aids, homicídios, câncer de mama,
acidente de transporte, neoplasia de órgãos digestivos, doença hipertensiva,
doençaisquêmica do coração, diabetes e câncer de colo do útero.
A mortalidade associada ao ciclo gravídico-puerperal e ao abortonão aparece entre
as dez primeiras causas de óbito nessa faixa etária.
No entanto, a gravidade do problema é evidenciada quando se chamaatenção para
o fato de que a gravidez é um evento relacionado à vivênciada sexualidade, portanto
não é doença, e que, em 92% dos casos, asmortes maternas são evitáveis.
Mortalidade Materna
A mortalidade materna é um bom indicador para avaliar as condiçõesde saúde de
uma população. A partir de análises das condiçõesem que e como morrem as
mulheres, pode-se avaliar o grau de desenvolvimentode uma determinada
sociedade. Razões de Mortalidade Materna (RMM) elevadas são indicativas de
precárias condições socioeconômicas,baixo grau de informação e escolaridade,
dinâmicasfamiliares em que a violência está presente e, sobretudo, dificuldadesde
acesso a serviços de saúde de boa qualidade.
Estudo realizado pela OMS estimou que, em 1990, aproximadamente585.000
mulheres em todo o mundo morreram vítimas de complicaçõesligadas ao ciclo
gravídico-puerperal. Apenas 5% delas viviamem países desenvolvidos (COELHO,
2003).
Nas capitais brasileiras, para o ano de 2001, a RMM corrigida2
foide 74,5 óbitos
maternos por 100 mil nascidos vivos. As principais causasda mortalidade materna
são a hipertensão arterial, as hemorragias,a infecção puerperal e o aborto, todas
evitáveis (BRASIL, 2003).
No Brasil, a RMM, no período de 1980 a 1986, apresentou umatendência de queda,
provavelmente relacionada à expansão da redepública de saúde e ao aumento da
cobertura das ações obstétricas ede planejamento familiar. De 1987 a 1996, a RMM
manteve-se estável.
Em 1996, houve a inclusão na Declaração de Óbito (DO) de uma varianteque
permite identificar as mulheres grávidas por ocasião do óbitoe até um ano após o
parto (morte materna tardia). Nesse período, oMS investiu na implantação de
Comitês Estaduais de Morte Materna.
Em 1997 e 1998, aumentou a razão de mortalidade materna, principalmente,devido
a causas obstétricas indiretas, óbitos de difícil registro,sugerindo uma melhoria
desse registro (BRASIL, 2003).
A queda da mortalidade materna de 1999 a 2001 pode estar associadaa uma
melhoria na qualidade da atenção obstétrica e ao planejamentofamiliar. Nesse
período, a mortalidade materna foi consideradauma prioridade do governo federal e
vários processos estaduais e municipaisforam deflagrados para reduzi-la. A partir do
ano de 1998,diminuíram os óbitos em internações obstétricas no SUS, passandode
34,8 óbitos por 100.000 internações em 1997, para 28,6 óbitos por100.000
internações em 2001. Nesse período, também caiu o númerode mulheres que
morreram no parto em relação ao número de partosrealizados, passando de 32,48
para 24 óbitos em 100.000 partos em2001 (BRASIL, 2003).
Considerando que 70% das mulheres são usuárias do SUS e quecerca de 65% dos
óbitos maternos ocorrem no momento do parto, éprovável que, apesar do
subregistro e da subinformação, a queda narazão de mortalidade materna calculada
com base nos dados do Sistema de Informação em Mortalidade (SIM) e do Sistema
de InformaçãoSobre Nascidos Vivos (SINASC), observada a partir de 1999, seja
real.
Ainda assim, os números atestam que a situação atual está aquém doaceitável,
pois, em países desenvolvidos, a RMM filhos por mulher oscilade 6 a 20 óbitos por
100 mil nascidos vivos (BRASIL, 2003).
2
Por diversas razões, o Sistema de Informação em Mortalidade (SIM) não capta todos os
óbitosmaternos. Por isso, aplica-se um fator de correção buscando-se maior aproximação da
realidade.Na pesquisa realizada por Laurenti (2001), esse fator foi estimado em 1,4. Segundo o
pesquisador,esse fator de correção foi menor do que se esperava, o que indica uma melhoria da
informação
oficial.28 29

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Breve diagnóstico da situação da saúde da mulher no brasil

  • 1. Breve diagnósticoda Situação da SaúdedaMulher no Brasil Considerando a heterogeneidade que caracteriza o País, seja emrelação às condições socioeconômicas e culturais, seja em relação aoacesso às ações e serviços de saúde, compreende-se que o perfil epidemiológicoda população feminina apresente diferenças importantes deuma região a outra do País. Essas diferenças não serão abordadas emprofundidade neste documento, porém salienta- se que, no processo deimplantação e implementação da Política Nacional para Atenção Integralà Saúde da Mulher, elas devem ser consideradas, possibilitandouma atuação mais próxima da realidade local e portanto com melhoresresultados. As estatísticas sobre mortalidade são bastante utilizadas para a análisedas condições de saúde das populações. É importante consideraro fato de que determinados problemas afetam de maneira distinta homense mulheres. Isso se apresenta de maneira marcante no caso daviolência. Enquanto a mortalidade por violência afeta os homens emgrandes proporções, a morbidade, especialmente provocada pela violênciadoméstica e sexual, atinge prioritariamente a população feminina. Também no caso dos problemas de saúde associados ao exercícioda sexualidade, as mulheres estão particularmente afetadas e, pela particularidadebiológica, têm como complicação a transmissão verticalde doenças como a sífilis e o vírus HIV, a mortalidade materna e os problemas de morbidade ainda pouco estudados. No Brasil, as principais causas de morte da população feminina são as doenças cardiovasculares, destacando-se o infarto agudo do miocárdioe o acidente vascular cerebral; as neoplasias, principalmente ocâncer de mama, de pulmão e o de colo do útero; as doenças do aparelhorespiratório, marcadamente as pneumonias (que podem estar encobrindo casos de aids não diagnosticados); doenças endócrinas,nutricionais e metabólicas, com destaque para o diabetes; e as causasexternas (BRASIL, 2000). Segundo Laurenti (2002), em pesquisa realizada nas capitais brasileirase no Distrito Federal, analisando óbitos em mulheres de 10 a49 anos (ou seja, mulheres em idade fértil), as dez primeiras causasde morte encontradas foram as seguintes, em ordem decrescente: acidente vascular cerebral, aids, homicídios, câncer de mama,
  • 2. acidente de transporte, neoplasia de órgãos digestivos, doença hipertensiva, doençaisquêmica do coração, diabetes e câncer de colo do útero. A mortalidade associada ao ciclo gravídico-puerperal e ao abortonão aparece entre as dez primeiras causas de óbito nessa faixa etária. No entanto, a gravidade do problema é evidenciada quando se chamaatenção para o fato de que a gravidez é um evento relacionado à vivênciada sexualidade, portanto não é doença, e que, em 92% dos casos, asmortes maternas são evitáveis. Mortalidade Materna A mortalidade materna é um bom indicador para avaliar as condiçõesde saúde de uma população. A partir de análises das condiçõesem que e como morrem as mulheres, pode-se avaliar o grau de desenvolvimentode uma determinada sociedade. Razões de Mortalidade Materna (RMM) elevadas são indicativas de precárias condições socioeconômicas,baixo grau de informação e escolaridade, dinâmicasfamiliares em que a violência está presente e, sobretudo, dificuldadesde acesso a serviços de saúde de boa qualidade. Estudo realizado pela OMS estimou que, em 1990, aproximadamente585.000 mulheres em todo o mundo morreram vítimas de complicaçõesligadas ao ciclo gravídico-puerperal. Apenas 5% delas viviamem países desenvolvidos (COELHO, 2003). Nas capitais brasileiras, para o ano de 2001, a RMM corrigida2 foide 74,5 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. As principais causasda mortalidade materna são a hipertensão arterial, as hemorragias,a infecção puerperal e o aborto, todas evitáveis (BRASIL, 2003). No Brasil, a RMM, no período de 1980 a 1986, apresentou umatendência de queda, provavelmente relacionada à expansão da redepública de saúde e ao aumento da cobertura das ações obstétricas ede planejamento familiar. De 1987 a 1996, a RMM manteve-se estável. Em 1996, houve a inclusão na Declaração de Óbito (DO) de uma varianteque permite identificar as mulheres grávidas por ocasião do óbitoe até um ano após o parto (morte materna tardia). Nesse período, oMS investiu na implantação de Comitês Estaduais de Morte Materna.
  • 3. Em 1997 e 1998, aumentou a razão de mortalidade materna, principalmente,devido a causas obstétricas indiretas, óbitos de difícil registro,sugerindo uma melhoria desse registro (BRASIL, 2003). A queda da mortalidade materna de 1999 a 2001 pode estar associadaa uma melhoria na qualidade da atenção obstétrica e ao planejamentofamiliar. Nesse período, a mortalidade materna foi consideradauma prioridade do governo federal e vários processos estaduais e municipaisforam deflagrados para reduzi-la. A partir do ano de 1998,diminuíram os óbitos em internações obstétricas no SUS, passandode 34,8 óbitos por 100.000 internações em 1997, para 28,6 óbitos por100.000 internações em 2001. Nesse período, também caiu o númerode mulheres que morreram no parto em relação ao número de partosrealizados, passando de 32,48 para 24 óbitos em 100.000 partos em2001 (BRASIL, 2003). Considerando que 70% das mulheres são usuárias do SUS e quecerca de 65% dos óbitos maternos ocorrem no momento do parto, éprovável que, apesar do subregistro e da subinformação, a queda narazão de mortalidade materna calculada com base nos dados do Sistema de Informação em Mortalidade (SIM) e do Sistema de InformaçãoSobre Nascidos Vivos (SINASC), observada a partir de 1999, seja real. Ainda assim, os números atestam que a situação atual está aquém doaceitável, pois, em países desenvolvidos, a RMM filhos por mulher oscilade 6 a 20 óbitos por 100 mil nascidos vivos (BRASIL, 2003). 2 Por diversas razões, o Sistema de Informação em Mortalidade (SIM) não capta todos os óbitosmaternos. Por isso, aplica-se um fator de correção buscando-se maior aproximação da realidade.Na pesquisa realizada por Laurenti (2001), esse fator foi estimado em 1,4. Segundo o pesquisador,esse fator de correção foi menor do que se esperava, o que indica uma melhoria da informação oficial.28 29