ENSINO DA
DANÇA E
FOLCLORE
PROFa. Julieth Lobato
AULA 05 - Dança de salão
Objetivos de aprendizagem
• Descrever os fundamentos da dança de salão;
• Relacionar diferentes teorias e conceitos da dança de salão
na escola;
• Reconhecer os princípios didático-pedagógicos e a
funcionalidade da dança de salão na escola;
História
• Ao recorrermos à história do surgimento das danças de
salão, chegaremos ao século XIV, mais precisamente às
cortes reais europeias, em uma época em que dançar
remetia a uma atividade pouco expressiva, dados os
movimentos rígidos e de extrema preocupação com a
estética, sobretudo naquilo que dizia respeito à postura dos
envolvidos, sempre rija.
Dança de salão
A dança de salão, que corresponde:
 Ao conjunto de danças dos mais variados estilos musicais e técnicas coreográficas executadas
entre casais como forma de lazer; integração, socialização ou competição.
 As danças de salão são assim chamadas devido à necessidade de salões e espaços amplos para a
sua prática.
• Ainda assim, era uma prática de lazer comum entre a
nobreza, que consolidava relações de amizade e até mesmo
romances ou casamentos políticos por meio da dança de
salão. Mais tarde, quando já estava formado o contingente
burguês, essa modalidade restringiu-se à alta burguesia, ao
passo que aos pobres reservaram-se as danças folclóricas.
• Em seguida, a dança de salão se difundiu nas Américas e,
portanto, também no Brasil com o aumento do número de
colonizadores, que disseminaram a prática em diversas
regiões do País. Como consequência, inúmeras danças de
salão surgiram em toda a América Latina, que ficou
conhecida em todo o mundo pelos ritmos e técnicas da
cultura local.
• Nos primórdios na nobreza europeia, na França, destacam-se as danças
de salão denominadas polca, minueto e quadrilha; na Áustria, a valsa,
que se consagrou como a mais popular no século XIX, integrando até
hoje cerimônias formais.
• Na América do Sul, por sua vez, evidenciam-se e maxixe no Brasil e o
tango na Argentina, ambas modalidades que estimularam maior
expressividade e inserção de novos modos de dançar. Nesse contexto, o
tango se destacou apesar de a Igreja Católica tentar bloquear a sua
ascensão por considerá-lo um atentado à moral e aos bons costumes.
• Dessa forma, foi uma dança de salão que se popularizou intensamente
até a Primeira Guerra Mundial, quando foi banido por proibição
expressa.
• Em 1924, o samba ganhou notoriedade na Europa, assim
como os estrangeiros foxtrote, one step, valsa inglesa, blues
e o já mencionado tango. Outra dança latina que obteve
grande aceitação na Europa e nos Estados Unidos foi o
ritmo caribenho chamado rumba. Embora contasse com
boa aprovação na Europa, a exceção deu-se na Alemanha,
onde os nazistas proibiram-na e julgaram-na como “música
desfigurada”.
• Tendo em vista o aparecimento dessas diversas danças de
salão, iniciou-se um movimento para torná-las esportivas,
de modo que competições foram inauguradas em todo o
mundo.
• Após os anos 1950, a valsa vienense ressurgiu e passou a
integrar as já firmadas competições de dança da época,
bem como os ritmos latino-americanos tango, rumba, chá-
chá-chá e samba, além do deslumbrante paso doble
espanhol (PAULA, 2008).
Dança de Salão no Brasil
• No Brasil, a dança de salão que mais se destacou foi,
sem dúvidas, o samba. A sua origem assemelha-se
às das polcas, valsas e tangos praticados na Europa,
posto que foi uma forma de assimilar culturas de
outros países para, então, desenvolver a nossa
própria expressão artístico-cultural.
• Assim, surge o famoso samba de gafieira por volta
dos anos 1940 e 1950 acompanhado por
instrumentos como cavaquinho, violões, clarinetas e
pandeiro, que se faziam presentes em cabarés da
cidade do Rio de Janeiro (RJ). Nesse cenário, outras
modalidades que se destacaram foram as danças
nordestinas: forró, xaxado, baião e xote, estilos
bastante difundidos nos últimos anos, em especial o
forró, que é popular em todo o País.
Samba de Gafieira
• A dança de salão é uma das bases culturais brasileiras. Afinal, a nossa
diversidade configura uma riqueza cultural expressa também em
ritmos e modos diversos de dançar, que se convertem em atrativos para
conhecer e vivenciar o Brasil. Para além das questões de riqueza e
diversidade cultural, a dança de salão suscita outros aspectos
relevantes: a questão de gênero e as relações de poder. Ambos os
apontamentos são um convite à reflexão acerca das relações de um
indivíduo sobre outro, das forças ativas e passivas, dos estímulos e das
respostas de corpos em movimento, envolvendo também os papéis
sociais que ditam que a figura masculina determina os movimentos e a
feminina responde aos seus comandos na execução da dança.
Diferentes teorias e conceitos na escola
• Em primeiro lugar, é pertinente mencionarmos que a dança
é um dos conteúdos a ser discutido nas escolas e, também,
um direito de crianças e adolescentes. Sobre isso,
destaquemos o Estatuto da Criança e do Adolescente, no
qual encontramos artigos que preveem o direito e o acesso
a cultura, lazer, educação, esportes, informação e
espetáculos culturais.
• Logo, a dança é contemplada por esse documento, uma vez
que se apresenta como linguagem artístico-cultural que
pode até mesmo ser classificada como esporte. Portanto,
não se trata apenas de uma atividade fundamental para o
desenvolvimento de crianças e adolescentes, visto que
também é seu direito enquanto cidadãos brasileiros.
• Tendo em vista a velocidade de acesso à informação gerada
pelos meios tecnológicos que concentram praticamente
toda a atenção dos estudantes, estudar dança no ambiente
escolar torna-se um grande desafio. Apesar de o conteúdo
estar presente nas nossas diretrizes educacionais, a dança é
um dos conteúdos que mais exige criatividade e
discernimento do professor de educação física. Como
Marques (1999) ensina, é importante contextualizar “[...]
levando o corpo e as emoções para as situações de
aprendizagem, con-siderando tanto aspectos científicos,
quanto pedagógicos, quanto artísticos” (VOLP, 2010, p. 216).
• Assim como todo o conteúdo que a dança abrange, o subconjunto da dança
de salão tem um papel fundamental na formação dos estudantes:
Em linhas gerais, trata-se de um estilo que exige movimentos entre duplas de
bailarinos com o intuito de combinar mudanças de direção, giros e postura,
permitindo conduzir ou ser conduzido, juntamente com a percepção aguçada
do acompanhamento rítmico para captar as oportunidades de criação e
improvisação de passos. Nesse sentido, a dança de salão incentiva o convívio
social, a criatividade e o respeito advindo das relações interpessoais e do ato
de movimentar-se em harmonia com o corpo do outro. Outro ponto se refere
à resolução de problemas surgidos na ocasião da própria prática, pois
diferentes velocidades ou capacidades de adaptação ao ritmo da música são
dificuldades frequentes no âmbito das danças de salão.
• Para o ensino da dança de salão, é relevante percebermos as
características e as dificuldades que a turma apresenta com vistas a
efetivar a aceitação e o desenvolvimento do planejamento pedagógico.
• Dessa maneira, sugere-se iniciar as aulas com ritmos mais lentos para
que, em um primeiro momento, os estudantes possam sentir o que é a
dança de salão sem tantas variabilidades ou uma velocidade rítmica
acentuada.
• Entretanto, não é proibido adotar ritmos mais rápidos e alegres, como
a salsa ou o chá-chá-chá, por exemplo, que podem ser trabalhados
com movimentos básicos e de forma individual para somente depois
acrescentar-se a possibilidade de dançar a dois. Por serem envolvente
e animado para a maior parte do público, costumam ser bem aceitos
tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio.
• Um obstáculo típico ao trabalharmos a dança de salão com
crianças e jovens diz respeito à timidez relativa a dançar
com uma pessoa de outro sexo, de forma que questões de
respeito e a possibilidade de permitir-se dançar com outro
corpo em geral são desafios para os profissionais que
atuam com esses grupos. Justamente por isso, a dança de
salão é essencial no desenvolvimento de cidadãos mais
colaborativos e tolerantes às diversidades motoras e
socioculturais. Sobre tais relações entre linguagem e
socialização com outros corpos.
• Portanto, a dança de salão é um meio para que os
estudantes desfrutem de experiências motoras e
interpessoais diferentes das que os demais conteúdos das
aulas de educação física possibilitam. As estratégias de
ensino devem compor formas de condução e encontro com
outros corpos e ritmos. Para isso, é fundamental que os
estudantes vivenciem e pratiquem a dança, estabelecendo e
construindo estratégias individuais e coletivas para a
resolução de conflitos e para a adaptação a cada parceiro,
condução, ritmo, velocidade e fluidez de movimentos
corporais.
Princípios didático-pedagógicos e funcionalidade
• A dança de salão propicia inúmeros benefícios sociais,
cognitivos e motores, além de estabelecer relações
interpessoais. A necessidade de agir de acordo com a
imanência de cada movimento corporal permite o
desenvolvimento da criatividade em função da improvisação e
estimula a solução de problemas. Da mesma forma, instiga o
corpo a responder a comandos ou a ações a cada instante da
dança e provoca a adaptação de ação e reação, bem como
outros agentes que influenciam o seu desdobramento, como
ambiente, espaço, música, ritmo e velocidade.
• Esse tipo de dança também permite o desvelamento de limitações ou
capacidades físicas e habilidades motoras, tais como coordenação ampla,
agilidade, equilíbrio, destreza, força, postura, capacidade cardiorrespiratória,
entre outras. Com a dança de salão como linguagem, as ações didático-
pedagógicas (ZANIBONI, 2007):
favorecem o processo de (re)construção da imagem de si a partir da
convivência entre “eu” e “tu” e, assim, estreitam os vínculos do “jogo do
imaginário”;
 permitem o funcionamento da linguagem em uma situação em que se
valoriza pulsões de vida, o que, consequentemente, pode permitir que a
criança crie (para si e para o outro) um ambiente saudável de existência.
• Assim, a dança de salão é uma linguagem artística de criação
coletiva, intrínseca e de relações entre corpos motivados a fatores
externos (música, ritmo, ambiente, etc.). Ademais, a dança de salão
pode (ZANIBONI, 2007):
permitir a criação de um espaço saudável de convivência em grupo;
a partir da convivência, minimizar a angústia e o medo da solidão;
 favorecer que as crianças façam uma (re)construção saudável da
sua imagem e da imagem do outro com quem dançam;
 a partir da construção, incentivar o respeito pelo corpo (simbólico)
do outro;
 servir como motivação de uso de pulsões de vida para superar
preconceitos e valores sociais de si e do outro.
• O ensino de dança de salão deve levar em consideração a
realidade local, as possibilidades e os interesses dos
estudantes para que o conteúdo favoreça o desenvolvimento
de questões técnicas e, sobretudo, de respeito, solidariedade
e tolerância às limitações de cada indivíduo.
• Nesse contexto, a dança de salão se converte em uma forma
de manifestação dos movimentos corporais. No que tange ao
viés educacional, pode servir como mecanismo de estímulo à
crítica social, a valores, padrões e modismos vigentes ou,
ainda, como processo performativo, trabalhando-se o
movimento do corpo e as suas múltiplas sensações.
Referências
• FREIRE, I. M. Dança-educação: o corpo e o movimento no espaço do conhecimento.
Cadernos Cedes, ano XXI, no. 53, abr. 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/
ccedes/v21n53/a03v2153.pdf.
• FRIEDRICH, J. C. A dança de salão nas aulas de educação física. Disponível em:
http://www. diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1912-8.pdf.
• MARQUES, I. A. Ensino de dança hoje: textos e contextos. São Paulo: Cortez, 1999.
• PAULA, D. A. M. Dança de salão: história e evolução. 2008. 25 p. Trabalho de conclusão de
curso (Licenciatura em Educação Física) — Instituto de Biociências de Rio Claro,
Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2008. Disponível em: https://repositorio.unesp.
br/bitstream/handle/11449/120432/paula_dam_tcc_rcla.pdf?sequence=1&isAllowed=y.
• VOLP, C. M. A dança de salão como um dos conteúdos de dança na escola. Motriz, Rio
Claro, v. 16, n. 1, p. 215—220, jan./mar. 2010. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/
bitstream/handle/11449/20757/WOS000276948000025.pdf?sequence=3&isAllowed=y.
aula 05 - Copia.pptxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

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  • 1.
  • 2.
    AULA 05 -Dança de salão Objetivos de aprendizagem • Descrever os fundamentos da dança de salão; • Relacionar diferentes teorias e conceitos da dança de salão na escola; • Reconhecer os princípios didático-pedagógicos e a funcionalidade da dança de salão na escola;
  • 3.
    História • Ao recorrermosà história do surgimento das danças de salão, chegaremos ao século XIV, mais precisamente às cortes reais europeias, em uma época em que dançar remetia a uma atividade pouco expressiva, dados os movimentos rígidos e de extrema preocupação com a estética, sobretudo naquilo que dizia respeito à postura dos envolvidos, sempre rija.
  • 4.
    Dança de salão Adança de salão, que corresponde:  Ao conjunto de danças dos mais variados estilos musicais e técnicas coreográficas executadas entre casais como forma de lazer; integração, socialização ou competição.  As danças de salão são assim chamadas devido à necessidade de salões e espaços amplos para a sua prática.
  • 5.
    • Ainda assim,era uma prática de lazer comum entre a nobreza, que consolidava relações de amizade e até mesmo romances ou casamentos políticos por meio da dança de salão. Mais tarde, quando já estava formado o contingente burguês, essa modalidade restringiu-se à alta burguesia, ao passo que aos pobres reservaram-se as danças folclóricas.
  • 6.
    • Em seguida,a dança de salão se difundiu nas Américas e, portanto, também no Brasil com o aumento do número de colonizadores, que disseminaram a prática em diversas regiões do País. Como consequência, inúmeras danças de salão surgiram em toda a América Latina, que ficou conhecida em todo o mundo pelos ritmos e técnicas da cultura local.
  • 8.
    • Nos primórdiosna nobreza europeia, na França, destacam-se as danças de salão denominadas polca, minueto e quadrilha; na Áustria, a valsa, que se consagrou como a mais popular no século XIX, integrando até hoje cerimônias formais. • Na América do Sul, por sua vez, evidenciam-se e maxixe no Brasil e o tango na Argentina, ambas modalidades que estimularam maior expressividade e inserção de novos modos de dançar. Nesse contexto, o tango se destacou apesar de a Igreja Católica tentar bloquear a sua ascensão por considerá-lo um atentado à moral e aos bons costumes. • Dessa forma, foi uma dança de salão que se popularizou intensamente até a Primeira Guerra Mundial, quando foi banido por proibição expressa.
  • 9.
    • Em 1924,o samba ganhou notoriedade na Europa, assim como os estrangeiros foxtrote, one step, valsa inglesa, blues e o já mencionado tango. Outra dança latina que obteve grande aceitação na Europa e nos Estados Unidos foi o ritmo caribenho chamado rumba. Embora contasse com boa aprovação na Europa, a exceção deu-se na Alemanha, onde os nazistas proibiram-na e julgaram-na como “música desfigurada”.
  • 10.
    • Tendo emvista o aparecimento dessas diversas danças de salão, iniciou-se um movimento para torná-las esportivas, de modo que competições foram inauguradas em todo o mundo. • Após os anos 1950, a valsa vienense ressurgiu e passou a integrar as já firmadas competições de dança da época, bem como os ritmos latino-americanos tango, rumba, chá- chá-chá e samba, além do deslumbrante paso doble espanhol (PAULA, 2008).
  • 12.
    Dança de Salãono Brasil • No Brasil, a dança de salão que mais se destacou foi, sem dúvidas, o samba. A sua origem assemelha-se às das polcas, valsas e tangos praticados na Europa, posto que foi uma forma de assimilar culturas de outros países para, então, desenvolver a nossa própria expressão artístico-cultural. • Assim, surge o famoso samba de gafieira por volta dos anos 1940 e 1950 acompanhado por instrumentos como cavaquinho, violões, clarinetas e pandeiro, que se faziam presentes em cabarés da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Nesse cenário, outras modalidades que se destacaram foram as danças nordestinas: forró, xaxado, baião e xote, estilos bastante difundidos nos últimos anos, em especial o forró, que é popular em todo o País.
  • 13.
  • 15.
    • A dançade salão é uma das bases culturais brasileiras. Afinal, a nossa diversidade configura uma riqueza cultural expressa também em ritmos e modos diversos de dançar, que se convertem em atrativos para conhecer e vivenciar o Brasil. Para além das questões de riqueza e diversidade cultural, a dança de salão suscita outros aspectos relevantes: a questão de gênero e as relações de poder. Ambos os apontamentos são um convite à reflexão acerca das relações de um indivíduo sobre outro, das forças ativas e passivas, dos estímulos e das respostas de corpos em movimento, envolvendo também os papéis sociais que ditam que a figura masculina determina os movimentos e a feminina responde aos seus comandos na execução da dança.
  • 16.
    Diferentes teorias econceitos na escola • Em primeiro lugar, é pertinente mencionarmos que a dança é um dos conteúdos a ser discutido nas escolas e, também, um direito de crianças e adolescentes. Sobre isso, destaquemos o Estatuto da Criança e do Adolescente, no qual encontramos artigos que preveem o direito e o acesso a cultura, lazer, educação, esportes, informação e espetáculos culturais.
  • 17.
    • Logo, adança é contemplada por esse documento, uma vez que se apresenta como linguagem artístico-cultural que pode até mesmo ser classificada como esporte. Portanto, não se trata apenas de uma atividade fundamental para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, visto que também é seu direito enquanto cidadãos brasileiros.
  • 18.
    • Tendo emvista a velocidade de acesso à informação gerada pelos meios tecnológicos que concentram praticamente toda a atenção dos estudantes, estudar dança no ambiente escolar torna-se um grande desafio. Apesar de o conteúdo estar presente nas nossas diretrizes educacionais, a dança é um dos conteúdos que mais exige criatividade e discernimento do professor de educação física. Como Marques (1999) ensina, é importante contextualizar “[...] levando o corpo e as emoções para as situações de aprendizagem, con-siderando tanto aspectos científicos, quanto pedagógicos, quanto artísticos” (VOLP, 2010, p. 216).
  • 19.
    • Assim comotodo o conteúdo que a dança abrange, o subconjunto da dança de salão tem um papel fundamental na formação dos estudantes: Em linhas gerais, trata-se de um estilo que exige movimentos entre duplas de bailarinos com o intuito de combinar mudanças de direção, giros e postura, permitindo conduzir ou ser conduzido, juntamente com a percepção aguçada do acompanhamento rítmico para captar as oportunidades de criação e improvisação de passos. Nesse sentido, a dança de salão incentiva o convívio social, a criatividade e o respeito advindo das relações interpessoais e do ato de movimentar-se em harmonia com o corpo do outro. Outro ponto se refere à resolução de problemas surgidos na ocasião da própria prática, pois diferentes velocidades ou capacidades de adaptação ao ritmo da música são dificuldades frequentes no âmbito das danças de salão.
  • 20.
    • Para oensino da dança de salão, é relevante percebermos as características e as dificuldades que a turma apresenta com vistas a efetivar a aceitação e o desenvolvimento do planejamento pedagógico. • Dessa maneira, sugere-se iniciar as aulas com ritmos mais lentos para que, em um primeiro momento, os estudantes possam sentir o que é a dança de salão sem tantas variabilidades ou uma velocidade rítmica acentuada. • Entretanto, não é proibido adotar ritmos mais rápidos e alegres, como a salsa ou o chá-chá-chá, por exemplo, que podem ser trabalhados com movimentos básicos e de forma individual para somente depois acrescentar-se a possibilidade de dançar a dois. Por serem envolvente e animado para a maior parte do público, costumam ser bem aceitos tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio.
  • 21.
    • Um obstáculotípico ao trabalharmos a dança de salão com crianças e jovens diz respeito à timidez relativa a dançar com uma pessoa de outro sexo, de forma que questões de respeito e a possibilidade de permitir-se dançar com outro corpo em geral são desafios para os profissionais que atuam com esses grupos. Justamente por isso, a dança de salão é essencial no desenvolvimento de cidadãos mais colaborativos e tolerantes às diversidades motoras e socioculturais. Sobre tais relações entre linguagem e socialização com outros corpos.
  • 22.
    • Portanto, adança de salão é um meio para que os estudantes desfrutem de experiências motoras e interpessoais diferentes das que os demais conteúdos das aulas de educação física possibilitam. As estratégias de ensino devem compor formas de condução e encontro com outros corpos e ritmos. Para isso, é fundamental que os estudantes vivenciem e pratiquem a dança, estabelecendo e construindo estratégias individuais e coletivas para a resolução de conflitos e para a adaptação a cada parceiro, condução, ritmo, velocidade e fluidez de movimentos corporais.
  • 23.
    Princípios didático-pedagógicos efuncionalidade • A dança de salão propicia inúmeros benefícios sociais, cognitivos e motores, além de estabelecer relações interpessoais. A necessidade de agir de acordo com a imanência de cada movimento corporal permite o desenvolvimento da criatividade em função da improvisação e estimula a solução de problemas. Da mesma forma, instiga o corpo a responder a comandos ou a ações a cada instante da dança e provoca a adaptação de ação e reação, bem como outros agentes que influenciam o seu desdobramento, como ambiente, espaço, música, ritmo e velocidade.
  • 24.
    • Esse tipode dança também permite o desvelamento de limitações ou capacidades físicas e habilidades motoras, tais como coordenação ampla, agilidade, equilíbrio, destreza, força, postura, capacidade cardiorrespiratória, entre outras. Com a dança de salão como linguagem, as ações didático- pedagógicas (ZANIBONI, 2007): favorecem o processo de (re)construção da imagem de si a partir da convivência entre “eu” e “tu” e, assim, estreitam os vínculos do “jogo do imaginário”;  permitem o funcionamento da linguagem em uma situação em que se valoriza pulsões de vida, o que, consequentemente, pode permitir que a criança crie (para si e para o outro) um ambiente saudável de existência.
  • 25.
    • Assim, adança de salão é uma linguagem artística de criação coletiva, intrínseca e de relações entre corpos motivados a fatores externos (música, ritmo, ambiente, etc.). Ademais, a dança de salão pode (ZANIBONI, 2007): permitir a criação de um espaço saudável de convivência em grupo; a partir da convivência, minimizar a angústia e o medo da solidão;  favorecer que as crianças façam uma (re)construção saudável da sua imagem e da imagem do outro com quem dançam;  a partir da construção, incentivar o respeito pelo corpo (simbólico) do outro;  servir como motivação de uso de pulsões de vida para superar preconceitos e valores sociais de si e do outro.
  • 26.
    • O ensinode dança de salão deve levar em consideração a realidade local, as possibilidades e os interesses dos estudantes para que o conteúdo favoreça o desenvolvimento de questões técnicas e, sobretudo, de respeito, solidariedade e tolerância às limitações de cada indivíduo. • Nesse contexto, a dança de salão se converte em uma forma de manifestação dos movimentos corporais. No que tange ao viés educacional, pode servir como mecanismo de estímulo à crítica social, a valores, padrões e modismos vigentes ou, ainda, como processo performativo, trabalhando-se o movimento do corpo e as suas múltiplas sensações.
  • 27.
    Referências • FREIRE, I.M. Dança-educação: o corpo e o movimento no espaço do conhecimento. Cadernos Cedes, ano XXI, no. 53, abr. 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ ccedes/v21n53/a03v2153.pdf. • FRIEDRICH, J. C. A dança de salão nas aulas de educação física. Disponível em: http://www. diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1912-8.pdf. • MARQUES, I. A. Ensino de dança hoje: textos e contextos. São Paulo: Cortez, 1999. • PAULA, D. A. M. Dança de salão: história e evolução. 2008. 25 p. Trabalho de conclusão de curso (Licenciatura em Educação Física) — Instituto de Biociências de Rio Claro, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2008. Disponível em: https://repositorio.unesp. br/bitstream/handle/11449/120432/paula_dam_tcc_rcla.pdf?sequence=1&isAllowed=y. • VOLP, C. M. A dança de salão como um dos conteúdos de dança na escola. Motriz, Rio Claro, v. 16, n. 1, p. 215—220, jan./mar. 2010. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/ bitstream/handle/11449/20757/WOS000276948000025.pdf?sequence=3&isAllowed=y.