PROGRAMA DE ATUALIZAÇÃO
PARA MECÂNICOS DE
EQUIPAMENTOS DE PROCESSO




  Manutenção e
Reparo de Bombas
PETROBRAS ABASTECIMENTO

                   A LAN K ARD EC P I NTO
        GERENTE EXECUTIVO DE ABASTECIMENTO – R EFI NO


           R ONALDO U RURAHY H EYDER BORBA
GERENTE GERAL DE EQUI PAM ENTOS E SE RVIÇ OS DO ABASTECIM ENTO


                M ANOEL M ARQUES S IMÕES
          GERENTE DE TECNOLOGIA DE EQU IPAM ENTOS


                R OGÉRIO   DA   S ILVA C AMPOS
CONSULTOR SÊNIOR – TECNOLOGIA DE EQUIPAM ENTOS DINÂMICOS


                I VANILDO DE ALMEIDA SILVA
      GERENTE DE RE CURSOS HU MANOS DO ABASTECIMENTO
Rio de Janeiro 2006
Manutenção e Reparo de Bombas
           © 2006 Getúlio V. Drummond


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                      PETROBRAS
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 A publicação desta série é uma edição da PETROBRAS

                    PETROBRAS
             Diretoria de Abastecimento




  PROGRAMA DE ATUALIZAÇÃO
      PARA MECÂNICOS DE
  EQUIPAMENTOS DE PROCESSOS

          Alinhamento de Máquinas


                 Compressores


             Mancais e Rolamentos


      Manutenção e Reparo de Bombas


                   Purgadores


              Redutores Industriais


              Selagem de Bombas


                Turbinas a Vapor


              Válvulas Industriais
Pense e Anote
                     Sumário



Lista de figuras    7

Lista de tabelas    13

Apresentação        15

Introdução     17

Unidades e suas conversões, propriedades
dos líquidos e tabelas     19
Comprimento – l       19
Massa – m       21
Tempo – t      21
Temperatura – T      22
Área – A      23
Volume – V       24
Velocidade linear – v    25
Velocidade angular – w     27
Vazão volumétrica – Q     28
Aceleração – a     29
Força – F     31
Trabalho ou energia – T    33
Torque – Tq      34
Potência – Pot    35
Massa específica –       36
Peso específico –      38
Densidade      40
Pressão     40
Viscosidade – ou         51
Pressão de vapor      54
Rendimento –         56
Equação da continuidade     57
Teorema de Bernouille     58
Tabela de tubos     61
Letras gregas     62
Prefixos    62
                                   PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                   Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                   5
Bombas       67

          Recebimento da bomba                  71
Pense e
          Preservação        73
Anote
          Instalação e teste de partida              75

          Classificação de bombas               83

          Bomba dinâmica ou turbobomba             85
          Princípio de funcionamento da bomba centrífuga      91
          Aplicações típicas     95
          Partes componentes e suas funções      96
          Impelidores     100
          Carcaças      104
          Altura manométrica total (AMT), carga ou head       107
          Cavitação, NPSH disponível e NPSH requerido       117
          Recirculação interna     135
          Entrada de gases       142
          Curva do sistema e ponto de trabalho da bomba       144
          Curvas características de bombas centrífugas    152
          Curvas características para bombas de fluxos misto e axial   161
          Influência do diâmetro do impelidor no desempenho
          da bomba centrífuga       162
          Influência da rotação N da bomba no desempenho
          da bomba centrífuga       165
          Forças radiais e axiais no impelidor   170
          Bombas operando em paralelo         177
          Bombas operando em série         184
          Correção para líquidos viscosos      187
          Lubrificação     191
          Acoplamento        206
          Seleção de bombas        210
          Análise de problemas de bombas centrífugas      213
          Dados práticos      235

          Bombas de deslocamento positivo ou volumétricas              257
          Bombas alternativas  259
          Bombas rotativas    263

          Bombas centrífugas especiais                 273
          Bomba auto-escorvante  274
          Bomba submersa     274
          Bomba tipo “vortex” 274

          Referências bibliográficas             275

                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
            6   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
             Lista de figuras



FIGURA 1   – Escala de temperaturas Celsius e Fahrenheit      22
FIGURA 2   – Áreas de figuras geométricas       23
FIGURA 3    – Volume dos sólidos      24
FIGURA 4   – Velocidade de deslocamento de um líquido        26
FIGURA 5   – Velocidade angular   27
FIGURA 6 – Vazão numa tubulação      28
FIGURA 7 – Aceleração centrífuga    30
FIGURA 8 – Força centrífuga     32
FIGURA 9 – Trabalho realizado     33
FIGURA 10 – Torque       34
FIGURA 11 – Massa específica do cubo   37
FIGURA 12 – Peso específico     38
FIGURA 13 – Penetração do prego     41
FIGURA 14 – Macaco hidráulico     41
FIGURA 15 – Pressão atmosférica    43
FIGURA 16   – Pressão absoluta e pressão relativa (manométrica)      44
FIGURA 17   – Pressão exercida por uma coluna de líquido       45
FIGURA 18   – Vasos com formatos e áreas de base diferentes e com pressão
              igual na base    46
FIGURA 19   – Coluna de Hg      47
FIGURA 20    – Tubo em U      48
FIGURA 21   – Coluna máxima de água com vácuo          50
FIGURA 22   – Diferenças de viscosidades     52
FIGURA 23   – Pressão de vapor      54
FIGURA 24   – Curva da pressão de vapor         55
FIGURA 25   – Pressão de vapor em função da temperatura        55
FIGURA 26   – Escoamento de um líquido numa tubulação          57
FIGURA 27   – Teorema de Bernouille        59
                                                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                 Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                 7
FIGURA 28   – Energia cedida pela bomba         60
          FIGURA 29   – Grauteamento de uma base de bomba           75
Pense e   FIGURA 30   – Chumbador e luva          76
Anote     FIGURA 31   – Nivelamento transversal da base na área
                        do motor e longitudinal da bomba       77
          FIGURA 32   – Chanfro de 45º na base de concreto e no graute       78
          FIGURA 33   – Turbobomba com os três tipos de fluxo       86
          FIGURA 34   – Bomba regenerativa e seu impelidor        86
          FIGURA 35   – Tipos de bombas centrífugas segundo a norma API 610           87
          FIGURA 36   – Disco girando com gotas de líquido        91
          FIGURA 37   – Esquema de funcionamento de uma
                        bomba centrífuga          91
          FIGURA 38   – Variação de pressão e velocidade       92
          FIGURA 39   – Variação da pressão e da velocidade no interior da bomba       93
          FIGURA 40   – Difusor       94
          FIGURA 41   – Corte de uma bomba centrífuga tipo em balanço – KSB           96
          FIGURA 42   – Partes do impelidor        100
          FIGURA 43   – Classificação do impelidor quanto ao projeto
                        – Velocidade específica        101
          FIGURA 44   – Classificação dos impelidores quanto à inclinação das pás      103
          FIGURA 45   – Classificação dos impelidores quanto ao tipo de construção     103
          FIGURA 46   – Classificação dos impelidores quanto à sucção      104
          FIGURA 47   – Tipos de carcaças         105
          FIGURA 48 –   Bomba com carcaça partida axialmente (BB1) e verticalmente
                         (tipo barril – BB5)      106
          FIGURA 49 – Bombas com carcaças partidas verticalmente (BB2) –

                        Com indutor de NPSH e de multissegmentos (BB4)           106
          FIGURA 50   – Curva característica de AMT x vazão       108
          FIGURA 51   – Levantamento da AMT             109
          FIGURA 52   – AMT igual a H, desprezando perdas         113
          FIGURA 53   – AMT de 80m fornecida pela bomba para a vazão de 90m3/h             114
          FIGURA 54   – Perda de AMT devido ao desgaste interno da bomba             115
          FIGURA 55   – Curva de pressão de vapor d´água 118
          FIGURA 56 – Curva de NPSH requerido pela bomba    119
          FIGURA 57 – Cálculo do NPSH disponível    121
          FIGURA 58   – Curva de NPSH disponibilizado pelo sistema        122
                  PETROBRAS       ABASTECIMENTO
            8   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
FIGURA 58A   – Bomba operando sem e com vaporização            123
FIGURA 59   – Cavitação – NPSH disponível e NPSH requerido para uma
              dada vazão       125
FIGURA 60   – Curva de AMT x vazão de uma bomba cavitando             128
FIGURA 61   – Determinação do NPSH requerido           129
FIGURA 62   – Vazão máxima em função do NPSH            130
FIGURA 63   – Implosão das bolhas de vapor com arrancamento do material           131
FIGURA 64   – Impelidores com desgaste devido à cavitação        133
FIGURA 65   – Teste de recirculação interna realizado numa bancada de teste       135
FIGURA 66   – Recirculação interna na sucção      137
FIGURA 67   – Variação da pressão de sucção e da descarga com recirculação        138
FIGURA 68   – Vazão mínima do API 610 em função da vibração           139
FIGURA 69   – Região de danos no impelidor        140
FIGURA 69A   – Determinação da vazão mínima de recirculação          141
FIGURA 70   – Entrada de ar e formação de vórtices por baixa submergência         143
FIGURA 71   – Curva do sistema        144
FIGURA 72   – Ponto de trabalho       145
FIGURA 73   – Recirculação da descarga para a sucção       146
FIGURA 74   – Variação do ponto de trabalho por válvula de controle         147
FIGURA 75   – Variação da curva da bomba com o diâmetro do impelidor
              ou com a rotação        148
FIGURA 76   – Modificação do ponto de trabalho por meio de orifício restrição
              no flange de descarga       149
FIGURA 77   – Variação de vazão ligando e desligando bombas          150
FIGURA 78   – Controle de capacidade por cavitação       151
FIGURA 79   – Curva típica de AMT x vazão de uma bomba centrífuga             153
FIGURA 80   – Curva de rendimento de uma bomba centrífuga          154
FIGURA 81   – Curva de potência de uma bomba centrífuga          155
FIGURA 82   – Curva característica de NPSH requerido x vazão       158
FIGURA 83   – Cálculo de NPSH disponível        159
FIGURA 84   – Curvas características por tipo de bomba        161
FIGURA 85   – Variação do NPSH requerido em função do diâmetro
              do impelidor        163
FIGURA 86   – Novo ponto de trabalho com mudança de diâmetro             165
FIGURA 87   – Pontos homólogos obtidos com a mudança de rotação            167
FIGURA 88   – Curva de AMT x vazão          167
                                                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                  Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                   9
FIGURA 89    – Curvas AMT x vazão para diversas rotações       169
                FIGURA 90    – Esforço radial com voluta simples    170
                FIGURA 91   – Esforço radial com dupla voluta      171
                FIGURA 92    – Força axial no impelidor sem anel de desgaste    171
Pense e Anote   FIGURA 93   – Esforço axial em um impelidor de simples sucção
                              em balanço       172
                FIGURA 94    – Impelidor com pás traseiras      173
                FIGURA 95    – Impelidores em oposição cancelando o esforço axial   174
                FIGURA 96    – Equilíbrio axial com tambor de balanceamento      174
                FIGURA 97    – Balanceamento axial por meio de disco    175
                FIGURA 98    – Disco e tambor de balanceamento      176
                FIGURA 99    – Esquema de bombas em paralelo        178
                FIGURA 100   – Curva de operação em paralelo       178
                FIGURA 101   – Variação da vazão com diferentes curvas do sistema     179
                FIGURA 102   – Duas bombas com curvas diferentes operando em paralelo    180
                FIGURA 103   – Curva de AMT ascendente/descendente e curvas planas      182
                FIGURA 104   – Curva da bomba com orifício de restrição        183
                FIGURA 105   – Esquema de bombas em série         184
                FIGURA 106 – Bombas iguais operando em série          184
                FIGURA 107 – Bombas com curvas diferentes em série        185
                FIGURA 108 – Aumento de vazão com operação em série         186
                FIGURA 109 – Influência da viscosidade nas curvas das bombas     187
                FIGURA 110 – Carta de correção de viscosidade       191
                FIGURA 111 – Filme lubrificante separando duas superfícies    192
                FIGURA 112 – Posição do eixo no mancal de deslizamento       193
                FIGURA 113A – Lubrificação por nível normal e com anel pescador     196
                FIGURA 113B – Lubrificação com anel salpicador        196
                FIGURA 114 – Sistema de geração e de distribuição de névoa     198
                FIGURA 115 – Névoa pura para bombas API antigas e novas        198
                FIGURA 116 – Tipos de reclassificadores      199
                FIGURA 117 – Utilização do reclassificador direcional   200
                FIGURA 118 – Névoa de purga         200
                FIGURA 119 – Bombas canned e de acoplamento magnético          201
                FIGURA 120 – Vida relativa dos rolamentos versus teor de água no óleo  204
                FIGURA 121 – Vida do óleo em função da temperatura de trabalho       204
                FIGURA 122 – Tipos de acoplamentos         206
                        PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                 10    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
FIGURA 123   – Carta de seleção de tamanhos     211
FIGURA 124   – Curvas da bomba 40-315        212
FIGURA 125   – Diagrama para determinação de problemas de vazão ou de baixa
               pressão de descarga em bombas centrífugas         215
FIGURA 126   – Pressão de vapor e NPSH    218
FIGURA 127 – Medida da tensão dos flanges   224
FIGURA 128 – Válvula de fluxo mínimo     228
FIGURA 129   – Folga mínima externa do impelidor com a voluta
               e com o difusor       228
FIGURA 130   – Rolamento de contato angular       230
FIGURA 131   – Concentricidades, excentricidades e perpendicularidades do
              acionador vertical     238
FIGURA 132   – Concentricidade e perpendicularidade da caixa de selagem        239
FIGURA 133   – Excentricidade e folgas máximas usadas na RPBC
               para bombas OH          240
FIGURA 134   – Região do encosto dos rolamentos no eixo          241
FIGURA 135   – Balanceamento em 1 ou 2 planos         242
FIGURA 136   – Parafuso quebra-junta       244
FIGURA 137   – Corte do diâmetro do impelidor       247
FIGURA 138 – Aumento de AMT por meio da redução da

               espessura da pá       248
FIGURA 139   – Ganho de AMT e de NPSH      249
FIGURA 140 – Ganho de vazão e de rendimento    249
FIGURA 141 – Anel pescador de óleo   250
FIGURA 142 – Métodos de aquecimento do rolamento  252
FIGURA 143   – Tipos de montagem de rolamentos de contato angulares aos pares e
               com as designações usadas       252
FIGURA 144   – Folga do mancal de deslizamento       253
FIGURA 145 –   Posição da redução excêntrica e das curvas na
               tubulação de sucção      254
FIGURA 146   – Posição errada de válvula na sucção para impelidor
               de dupla sucção       255
FIGURA 147   – Posição da válvula de alívio externamente à bomba e antes de
               qualquer bloqueio       258
FIGURA 148   – Bomba alternativa de pistão, de simples efeito, acionada por sistema
               de biela/manivela       259
                                                 PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                 Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                 11
FIGURA 149   – Bomba alternativa simplex, de duplo efeito, acionada
                        a vapor      260
Pense e   FIGURA 150   – Válvulas corrediças de distribuição de vapor    260
Anote     FIGURA 151   – Bombas de diafragma acionadas por pistão e por outro
                        diafragma       262
          FIGURA 152   – Vazão ao longo do tempo da bomba alternativa           263
          FIGURA 153   – Vazão x    P para bombas rotativas      264
          FIGURA 154   – Bomba de engrenagens externas e internas      264
          FIGURA 155   – Bomba de 3 fusos e de simples sucção       266
          FIGURA 156   – Bomba de 2 fusos e de dupla sucção        266
          FIGURA 157   – Bombas de palhetas        267
          FIGURA 158   – Bomba de cavidades progressivas       268
          FIGURA 159   – Bombas com 1, 2, 3 e 5 lóbulos       268
          FIGURA 160   – Bomba peristáltica      269
          FIGURA 161   – Esquema da variação de vazão da bomba
                        alternativa de pistões axiais     269
          FIGURA 162   – Bomba de pistão axial com ajuste da vazão       270
          FIGURA 163   – Bombas de palheta externa, de pás flexíveis e
                         de came com pistão        271
          FIGURA 164   – Bomba auto-escorvante, submersa e tipo “vortex”        273




                  PETROBRAS    ABASTECIMENTO
           12    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
            Lista de tabelas



TABELA 1   – Conversão de unidades de comprimento usuais em mecânica          20
TABELA 2   – Conversão de unidades de massa mais usuais na
            área de mecânica      21
TABELA 3   – Conversão de unidades de tempo      21
TABELA 4   – Conversão de áreas     23
TABELA 5   – Conversão de unidades de volume mais usadas em mecânica          25
TABELA 6   – Conversão de velocidades    26
TABELA 7   – Conversão de unidades de vazão      29
TABELA 8 – Conversão de unidades de força       33
TABELA 9 – Conversão de trabalho ou energia       34
TABELA 10 – Conversão de unidades de torque        35
TABELA 11 – Conversão de unidades de potência       36
TABELA 12 – Relação entre massas específicas     38
TABELA 13 – Pesos específicos     39
TABELA 14 – Relação entre pesos específicos     39
TABELA 15 – Conversão da unidade de pressão        48
TABELA 16 – Conversão de viscosidades dinâmicas       52
TABELA 17 – Conversão de viscosidades cinemáticas       53
TABELA 18 – Dados sobre tubos      61
TABELA 19 – Letras gregas      62
TABELA 20 – Prefixos      62
TABELA 21 – Torque a ser aplicado nos chumbadores       78
TABELA 22 – Conversão de velocidade específica       102
TABELA 23 – Volumes específicos da água e do vapor       132
TABELA 24 – Pontos da curva de AMt x vazão        168
TABELA 25 – Pontos de trabalho para diferentes rotações    168
TABELA 26 – Dados do acoplamento         208
                                              PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                              Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                              13
TABELA 27   – Rendimento e fator de potência dos motores elétricos   221
          TABELA 28   – Freqüência de vibração para diferentes tipos de

Pense e                 acoplamentos       223
Anote     TABELA 29   – Tolerâncias recomendadas       235
          TABELA 30   – Ajustes ISO utilizados em bombas – Valores em     m236
          TABELA 31 – Excentricidades LTI de bombas BB recomendadas pelo API 237
          TABELA 32 – Folgas mínimas de trabalho     245




                  PETROBRAS     ABASTECIMENTO
           14   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
             Apresentação



O       funcionamento adequado e com qualidade dos processos indus-
triais depende fortemente dos equipamentos utilizados para: a movimen-
tação dos fluidos; a geração de energia; o aumento ou a redução de velo-
cidades; a limpeza de correntes líquidas ou gasosas; e outras funções de
processo. É preciso, portanto, manter os equipamentos no nível e nas con-
dições de funcionamento que garantam a continuidade dos processos. Esse
é o dia-a-dia do profissional mecânico responsável por equipamentos de
processo: mantê-los nas condições que atendam as necessidades de segu-
rança e confiabilidade das unidades operacionais.
   Este curso tem por base os requisitos do PNQC (Programa Nacional de
Qualificação e Certificação de Profissionais de Mecânica) e destina-se aos
mecânicos das 14 Unidades de Negócio da Petrobras localizadas em nove
estados do Brasil: AM, BA, CE, SE, PR, SP, MG, RJ e RS. Ele visa facilitar o
compartilhamento dos conhecimentos adquiridos por esses profissionais
ao longo de sua experiência nas diversas Unidades de Negócio da Petro-
bras. A variação da complexidade do trabalho realizado, devido às carac-
terísticas regionais e/ou nível tecnológico de cada Unidade, indica a ne-
cessidade desse compartilhamento de forma que a heterogeneidade do
grupo de profissionais na empresa seja reduzida. Com isso, teremos gan-
hos na identificação das condições operacionais dos equipamentos, no di-
agnóstico de causas e soluções de problemas, nas montagens e alinhamen-
tos e no teste dos equipamentos.
   Assim, o curso de Atualização para Mecânicos de Equipamentos de Pro-
cessos fornece o conhecimento teórico básico para a compreensão dos pro-
blemas práticos enfrentados no dia-a-dia de uma unidade industrial, visan-
do desenvolver nos participantes uma visão crítica e o auto-aprendizado.




                                           PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                           Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                           15
Introdução
                                                                                  Pense e Anote



É      impossível imaginar uma refinaria de petróleo operando sem bom-
bas, pois não há como transportar fluidos de e para as unidades de pro-
cesso e entre seus equipamentos principais. Algumas instalações, favore-
cidas por geografia peculiar, permitem o uso da energia da gravidade para
realizar o escoamento. Mas, certamente, refluxos em colunas de destila-
ção e outras aplicações são impraticáveis sem as bombas.
   Sem elas, a composição de bateladas torna-se uma operação comple-
xa. No preparo de gasolinas, por exemplo, não há como homogeneizar com-
pletamente a mistura das diversas naftas componentes durante o seu re-
cebimento em tanques de armazenamento. A razão disso é que as cargas
de energia hidráulica potencial (estática) não variam e, dessa forma, tor-
nam obrigatória a circulação (dinâmica) de massa.
   Para transportar produtos para terminais a quilômetros de distância
das refinarias, usam-se oleodutos. Além das distâncias, há por vezes que
vencer montanhas para entregar derivados nas bases de provimento das
distribuidoras. A energia usada para realizar essa tarefa vem das bombas
de transferência, máquinas enormes que fornecem altas vazões e pressões.
   Para dosar o inibidor de corrosão no sistema de topo (linhas, conden-
sadores, válvulas de controle e segurança) de uma coluna de destilação
atmosférica, bombas dosadoras são fundamentais. Elas provêm a energia
para elevar o fluido até o ponto de aplicação. Pela própria natureza da tarefa,
o controle de vazão é fundamental e, praticamente, quem o faz já é a pró-
pria bomba, máquina de pequeníssimo porte com baixíssima vazão e (a
pressão da descarga pode ser alta) pressão.
   Enfim, para todos esses e outros serviços, usam-se intensa e extensiva-
mente as bombas. Para que elas estejam disponíveis, existem os mecâni-
cos de manutenção.
   A atividade de mecânica faz parte de uma atividade mais ampla e roti-
neira das unidades industriais: a manutenção. Até há bem pouco tempo,
o conceito predominante era de que a missão da manutenção consistia
em restabelecer as condições normais dos equipamentos/sistemas, corri-
gindo seus defeitos ou falhas. Hoje, a missão da manutenção é apresen-
tada dentro de uma idéia mais ampla:

                                             PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                             Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                             17
Pense e Anote


                                Garantir a disponibilidade da função dos
                                equipamentos e instalações de modo a
                                atender ao processo de produção com
                                confiabilidade, segurança, preservação do
                                meio ambiente e custo adequados.



                   Deseja-se que a manutenção contribua para maior disponibilidade
                confiável ao menor custo.
                   A função do mecânico de manutenção é prestar um serviço – prover
                disponibilidade confiável de máquinas rotativas – para que os técnicos da
                operação realizem a produção com qualidade e segurança.
                   Você, mecânico, quando executa seu trabalho, deve se preocupar com
                a produção e a segurança das pessoas que usarão as máquinas. Assim,
                estará contribuindo para que acidentes e perdas sejam evitados.
                   Pense nisso! Você, como parte de uma equipe, é imprescindível para a
                rentabilidade e a segurança no seu local de trabalho, mesmo depois de
                ter ido embora!
                   Você não está mais lá, mas o seu serviço está...




                       PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 18   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
      Unidades e suas
  conversões, propriedades
    dos líquidos e tabelas


O     s líquidos, assim como os gases e os sólidos, possuem diversas pro-
priedades que os caracterizam. Faremos a seguir uma rápida recordação de
algumas de suas propriedades e de grandezas físicas necessárias para que
se possa compreender mais facilmente o funcionamento das bombas.
   Devido à existência de muitos equipamentos de origem americana e
inglesa no sistema Petrobras, nos itens a seguir, quando tratarmos de con-
versão de unidades, incluiremos também as principais unidades usadas
naqueles países.



Comprimento                  l
O metro com seus múltiplos e submúltiplos é a principal unidade utiliza-
da na medição de comprimento.
   Em mecânica, usamos muito o milímetro (mm), que é a milésima par-
te do metro, o centésimo de milímetro (0,01mm) e o mícron ( m), que
é a milionésima parte do milímetro.




               O plural de mícron é mícrones
               e mícrons, portanto, dizemos:
               1 mícron, 2 mícrons, 3 mícrons, etc.




               No sistema inglês, as principais unidades
               usadas são: pés (ft); polegada (in); e (mils)
               milésimos de polegadas.



                                            PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                            19
A conversão entre as unidades mais usadas pode ser realizada confor-
          me a Tabela 1:

Pense e                                                   TABELA 1


            CONVERSÃO DE UNIDADES DE COMPRIMENTO USUAIS EM MECÂNICA
Anote
                              m             mm       0.01mm           m            ft               in        mils
            1m        =           1         1.000     100.000   1.000.000          3,28              39,37    39.370

            1mm       =      0,001             1         100          1.000   0,00328              0,03937      39,37

            0,01mm =       0,00001           0,01          1            10    3,28 x 10 -6       0,0003937    0,3937

            1 m       =      1 x 10-6       0,001         0,1             1   3,28 x 10 -7       0,0000394    0,03937

            1ft       =    0,3048          304,80      30.480    304.800                1                12   12.000

            1in       =    0,0254            25,4       2.540        25.400     0,0833                    1     1.000

                                      -5                                                    -5
            1mil      =   2,54 x 10        0,0254        2,54          25,4   8,33x 10               0,001           1




             Ainda no sistema inglês, temos a jarda (yd) e a milha (mi), as quais
          são pouco usadas em mecânica, que correspondem a:

                                                    1yd = 3ft = 0,9144m



                                           1mi = 1760yd = 1,609km = 1.609m


           PROBLEMA 1

          Quantos metros equivalem a 2 pés?
          Entrando na Tabela 1 na linha correspondente a 1ft e indo até a coluna de
          metros (m), achamos 0,3048. Portanto:

                                                      1ft = 0,3048m
          Logo

                                              2ft = 2 x 0,3048 = 0,6096m


           PROBLEMA 2

          A folga de catálogo de um mancal de deslizamento é de 5mils. De quanto
          seria esta folga em centésimos de milímetro?


                                Da Tabela 1

                                           1mil = 2,54 centésimos de mm


                                  5mils = 2,54 x 5 = 12,7 centésimos de mm



                    PETROBRAS         ABASTECIMENTO
           20      Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Para converter mils para centésimos de milímetro, basta multiplicar
por 2,54.



Massa m
O quilograma (kg), seu submúltiplo, o grama (g) (atenção, a palavra é do
gênero masculino), e o múltiplo, a tonelada, são as unidades de massa
mais usadas em mecânica.
   Em unidades inglesas temos: a libra massa (lbm); a onça avdp (oz); a
tonelada curta (short ton) e a longa (long ton).
                                                       TABELA 2


                          CONVERSÃO DE UNIDADES
                 DE MASSA MAIS USUAIS NA ÁREA DE MECÂNICA
                                                Ton                                           Ton curta Ton longa
                    kg               g                            lbm        Oz (avdp)
                                               métrica                                          (EUA) (Inglaterra)
  1kg        =           1        1.000            0,001             2,2          35,274       0,001102        0,000984

                                                            -6
  1g         =     0,001                 1         1 x 10        0,0022          0,03527                –          –

  1 ton métr =     1.000          1 x 10 6              1        2.204,6          35.274             1,102       0,9842

  1lbm       =    0,4536            454        0,000454                 1            16          0,0005        4,46 x 10 -4

  1 oz (avpd) =   0,0283          28,35                 –        0,0625               1                 –          –

  1 ton curta =   907,18             –             0,907           2000           32.000                1      0,892857

  1ton longa =      1016             –             1,016           2240           35.840              1,12              1




Tempo               t
As principais unidades de tempo usadas em mecânica são: segundo (s),
minuto (min), hora (h), dia (d) e ano.
   A conversão entre essas unidades é dada por:
                                                       TABELA 3


                         CONVERSÃO DE UNIDADES DE TEMPO

                        Ano                     Dia                  Hora                  Minuto            Segundo

  1 ano      =                1                       365               8760               525.600           31.536.000


  1 dia      =      2,74 x 10 -3                       1                    24               1440               86.400


  1 hora     =     1,142 x 10 -4                0,04167                      1                 60                 3.600


  1 minuto   =     1,903 x 10 -6             6,944 x 10-4           0,01667                     1                      60


  1 segundo =      3,171 x 10 -8             1,157 x 10-5         2,778 x 10-4             0,01667                      1




                                                                        PETROBRAS          ABASTECIMENTO
                                                                        Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                                                        21
Temperatura T
          As unidades de temperatura mais usadas são:
             Graus Celsius (oC) no sistema métrico.
Pense e      Graus Fahrenheit (oF) no sistema inglês.
Anote        Temos também as escalas absolutas: graus Kelvin (K) e graus Rankine (R).

                                          K = 273 + oC              R = oF + 460


             Podemos fazer a conversão entre as escalas Celsius e a Fahrenheit basean-
          do-nos nas temperaturas de fusão do gelo, na temperatura de ebulição da
          água na pressão correspondente ao nível do mar (Patm = 1,033kgf/cm2).
                                                         FIGURA 1


                              ESCALA DE TEMPERATURAS CELSIUS E FAHRENHEIT



                          100 oC         212 o F    Temperatura de
                                                    ebulição da água

                                                                             o        5 o
                     100 o C         180 o F                                     C=     ( F – 32)
                                                                                      9
                                                    Temperatura de
                              0oC         32 o F    fusão do gelo




           PROBLEMA 3

          Qual seria a temperatura em graus Celsius equivalente a 302oF?
          Aplicando a fórmula de conversão, temos:


                C = 5 (oF – 32) = 5 (302 – 32) = 5 (270) = 150
                o
                                                                                        302oF = 150oC
                    9             9              9



             A temperatura de 302oF = 150oC.

           PROBLEMA 4

          Qual a temperatura em oF equivalente a 40oC?


                     o         5 o                        5                      40 x 9
                         C=      ( F – 32)         40 =     (F – 32)                    = (F – 32)
                               9                          9                        5



                                         F = 72 + 32 = 104           40oC = 104oF


                     PETROBRAS       ABASTECIMENTO
           22       Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Área A
É a medida da superfície ocupada por uma figura. É sempre um produto
de duas dimensões: base x altura (b x h) ou de raio x raio (r 2 ), ou ainda de
diâmetro x diâmetro (D 2 ).
                                                        FIGURA 2


                                    ÁREAS DE FIGURAS GEOMÉTRICAS


                      Quadrado                       Retângulo                       Paralelogramo


                                    a                                  h                                     h

                                                           b                                b
                         a

                      A = a2                         A=bxh                              A=bxh



                      Trapézio                         Triângulo                            Círculo


                                                                           h                    D


                        b1                                b


                       b1 + b 2                               bx h                                    D2
                 A=                xh              A=                              A=       r2 =
                          2                                    2                                      4




 PROBLEMA 5

Qual a área de um triângulo com 20mm de base e 15mm de altura?
                                                                           A equivalência e a conversão
                bxh   20 x 15   300                                        entre as unidades de área
  A=                =         =     = 150mm2
                 2       2       2                                         podem ser obtidas conforme
                                                                           se vê na Tabela 4.
                                                        TABELA 4


                                             CONVERSÃO DE ÁREAS

                               m2              cm2                   mm2              ft2                   in2
  1m2             =                     1      10.000              1.000.000          10,764                1550
            2
  1cm             =               0,0001           1                    100         0,001076                0,155
            2
  1mm             =                1x 10-6       0,01                          1   0,0000108              0,00155

  1ft2            =               0,0929       929,03                 92903                     1            144
        2
  1in             =       0,00064516           6,4516                645,16          0,00694                      1



                                                                      PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                                       Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                                                      23
PROBLEMA 6

                Qual a área em m2 equivalente a 10ft2?
                Da Tabela 4, temos que

                               1ft2 = 0,0929m2                     10ft2 = 10 x 0,0929 = 0,929m2
Pense e Anote
                Volume V
                É a medida do espaço ocupado por um corpo. É sempre um produto de
                três dimensões.
                                                                   FIGURA 3


                                                     VOLUME DOS SÓLIDOS


                               Cubo                            Paralelepípedo                       Cilindro




                                           a                                      h
                                                                                                                h
                                                                     B        b                 B        r
                                      a                             a
                           a



                             A = a3                       V=Bxh=axbxh                  V=Bxh=                x r2 x h



                                          Cone                                             Esfera




                                           h
                                                                                                r
                                      B          r




                               Bxh                   x r2 x h                               4       r3
                        V=                 =                                          V=
                                3                      3                                        3




                 PROBLEMA 7

                Qual o volume de um cone com uma base de 3cm de raio e altura de 5cm?


                                                     .r 2 .h       3,14 . 32 . 5
                                           V=                  =                 = 47,1cm3
                                                      3                 3


                       PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                 24   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
 PROBLEMA 8

Qual o volume de uma esfera de 5cm de raio?


                              4         4
                     V=         . .r3 =   x 3,14 x 53 = 130,8cm3
                              3         3



  A equivalência e a conversão entre unidades de volume podem ser ob-
tidas conforme a Tabela 5.
                                              TABELA 5


  CONVERSÃO DE UNIDADES DE VOLUME MAIS USADAS EM MECÂNICA
                                    Litro                                    Galão         Galão
                     m3            = dm3       ft 3             in3          (EUA)        imperial    Barril

 1m3           =          1         1.000     35,315          61.023,7      264,172           220        6,289

 1litro        =      0,001            1      0,0353           61,024             0,264       0,22    0,00629
           3
 1dm           =      0,001            1      0,0353           61,024             0,264       0,22    0,00629
       3
 1ft           =     0,0283        28,317             1          1728              7,48      6,229      0,1781
       3                      -5                        -4
 1in           = 1,639 x 10        0,0164   5,79 x 10                 1     0,00433       0,003605   0,0001031

 1gal (EUA) =       0,00379         3,785     0,1337              231                1      0,8327    0,02381

 * 1gal imp =      0,004546         4,546     0,1605            277,4             1,201         1     0,02859

 1barril       =      0,159          159       5,614             9702               42       34,97             1

Galão imperial é mais usado nos países do Reino Unido                     (UK).


 PROBLEMA 9

Qual o volume em litros de um tanque de óleo com 1.000 galões de capa-
cidade?
Se o equipamento for de origem americana, verificando na tabela, temos
que:
  1 galão USA = 3,785 litros.
  Capacidade do tanque em litros = 1.000 x 3,785 = 3.785 litros.


  Se o equipamento for de origem inglesa, da Tabela 5, tiramos:
  1 galão imperial = 4,546 litros.
  Capacidade do tanque em litros = 1.000 x 4,546 = 4.546 litros.



Velocidade linear                                     v
Velocidade é a distância percorrida na unidade de tempo.


                                                        D
                                             V=
                                                          t


                                                                PETROBRAS           ABASTECIMENTO
                                                                Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                                           25
Quando dizemos que a velocidade média de deslocamento de um lí-
          quido em uma tubulação é de 2m/s, estamos informando que, na média,
          a cada segundo as partículas do líquido se deslocam 2 metros. Falamos
Pense e   em velocidade média porque, devido ao atrito, ela é menor junto às pare-
Anote     des do tubo do que no centro.
                                                    FIGURA 4


                           VELOCIDADE DE DESLOCAMENTO DE UM LÍQUIDO




                        As unidades usuais para expressar velocidade são:
                           m/s                    mm/s                km/h
                           in/s                   ft/s                milha/h



                                                    TABELA 6


                                        CONVERSÃO DE VELOCIDADES

                              m/s         mm/s           km/h            in/s        ft/s       milha/h
            1m/s                    1      1.000           3,6            39,37        3,28        2,237
                                                                 -6
            1mm/s             0,001           1             10          0,03937     0,00328     0,002237

            1km/h           0,2778         277,8            1            10,936      0,9113       0,6214

            1in/s           0,0254          25,4     0,09144                    1   0,08333      0,05681

            1ft/s           0,3048         304,8         1,097              12              1     0,6818

            1mi/h           0,4470        447,04         1,609             17,6       1,467           1




             É muito comum medirmos uma vibração baseada na velocidade. A uni-
          dade mais usual é mm/s. Alguns aparelhos de origem americana utilizam
          pol/s (in/sec). A conversão é dada por:

                                              1 in/sec = 25,4mm/s


                     PETROBRAS      ABASTECIMENTO
           26       Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Velocidade angular w
Velocidade angular é o ângulo percorrido na unidade de tempo.
                                 FIGURA 5


                         VELOCIDADE ANGULAR



                                                 N

                                        A




   Os ângulos podem ser medidos em graus ou radianos. Cada volta na
circunferência significa que um corpo percorreu um ângulo A de 360o ou
de 2 rd. Se um objeto percorrer duas voltas por minuto, terá a velocida-
de de 2 x 2 rd/min = 4 rd/min. Se estiver girando numa rotação N (rpm),
terá uma velocidade angular de N x 2 rd/min.

                             w=2      N rd/min




               Radiano é o ângulo central
               correspondente a um arco igual ao raio.




   Para passar de rd/min para rd/s, basta dividir por 60. Temos então:


                               N         N
Velocidade angular    W=2         =        rd/s         com N em rpm.
                               60       30


 PROBLEMA 10

Qual a velocidade angular de uma peça girando a 1.200rpm?


                      .N      1200
               W=        =         = 3,14 x 40 = 125,6rd/s
                     30        30


                                            PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                            27
Vazão volumétrica Q
          Vazão volumétrica é o volume de líquido que passa numa determinada
          seção do tubo na unidade de tempo.
Pense e
Anote                                            Q=
                                                         Vol
                                                          t


                                                  FIGURA 6


                                         VAZÃO NUMA TUBULAÇÃO


                                  V = velocidade média




                                                                             D



                          Vazão = velocidade média x área




             A vazão numa tubulação é igual à velocidade média V multiplicada pela
          área A.


                                                          V        D2
                                            Q=VxA=
                                                               4



             Uma bomba com vazão de 100m3/h significa que, no seu flange de
          descarga (e no de sucção), passam em cada hora 100m3 do líquido.
             Sabendo a vazão Q e o diâmetro interno D, podemos determinar a ve-
          locidade média de deslocamento do líquido na tubulação.

           PROBLEMA 11

          Qual seria a velocidade do líquido em uma linha de 10"sch 40 (Dint = 0,254m),
          sabendo que por ela passa uma vazão de 314m3/h?
          Substituindo na fórmula e usando unidades coerentes, teremos:


                                V. .D2               m3   V x 3,14 x 0,2542 m2
                         Q=                   314       =
                                   4                 h              4



                   314 x 4            m                                      6.200        m
           V=                 = 6.200            Como 1h = 3.600s       V=         = 1,72
                            2                                                             s
                3,14 x 0,254          h                                      3.600


                    PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           28    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Conforme calculado, o líquido estaria deslocando-se a 6.200m/h ou a
1,72m/s.




                As unidades de vazão mais usadas em bombas
                centrífugas são: m3/h e gpm (galão por minuto).
                Para bombas dosadoras, é usual l/min ou l/h. Já no
                caso de unidades de processamento, prevalece
                m3/dia ou barris/dia (bbl/d).



                                                      TABELA 7


                              CONVERSÃO DE UNIDADES DE VAZÃO
                                                                                    gpm       gpm
                     m3/h     m3/d          l/h           l/min         l/s                              bbl/dia
                                                                                   (EUA)     (Ingl.)

 1m3/h          =        1      24          1000         16,667        0,2778        4,403     3,666     150,96

 1m3/d          =    0,0417       1         41,67        0,6944       0,01157       0,1834    0,1528       6,29

 1 l/h          =     0,001   0,024               1     0,01667      0,000278     0,004403   0,00366      0,151

 1 l/min        =      0,06    1,44           60                 1    0,01667        0,264        0,22    9,057

 1 l/s          =       3,6    86,4         3.600            60               1      15,85        13,2    543,4

 1gpm (EUA) =         0,227    5,45         227,1         3,785       0,06309           1      0,833     34,286

 1gpm (Ingl.) =       0,273   6,546        272,76         4,546       0,07577          1,2          1    41,175

 1bbl/dia       =   0,00663   0,159         6,624        0,1104       0,00184       0,0292    0,0243          1

bbl = barril.



 PROBLEMA 12

Qual a vazão de equivalente em m3/h de uma bomba com 200gpm EUA?
Da Tabela 7, temos que 1gpm (EUA) = 0,227m3/h

                0,227m3/h     ➜       200gpm = 0,227 x 200 = 45,4m3/h




Aceleração a
É a variação da velocidade no intervalo de tempo.


                                            v2 – v1
                                      a=
                                            t2 – t1


                                                        PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                                                        Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                             29
PROBLEMA 13

                Qual a aceleração em m/s2 de um carro que leva 10 segundos para ir de 0 a
                90km/h?



Pense e Anote                    a=
                                      v2 – v1
                                      t2 – t1
                                              =
                                                90km/h – 0km/h
                                                   10s – 0s
                                                               =
                                                                 90km/h
                                                                   10s
                                                                        =9
                                                                           km/h
                                                                            s

                                     9.000m/h   9.000m/s   2,5m/s       m
                                 =            =          =        = 2,5 2
                                         s       3.600s       s         s



                   A aceleração ou variação de velocidade do carro foi de 9km/h para cada
                segundo, o que é equivalente a 2,5m/s para cada segundo ou, ainda, a
                2,5m/s2.




                      Uma aceleração bastante utilizada é a aceleração da
                      gravidade “g”, decorrente da atração da Terra sobre os
                      corpos. No nível do mar, esta aceleração é de 9,81m/s2. Nos locais
                      mais altos, o valor de “g” é menor. Esta aceleração é responsável
                      pelo peso dos corpos, conforme será visto no item sobre força, a seguir.




                   Ao girar, um corpo fica submetido a um outro tipo de aceleração. É a
                denominada “aceleração centrífuga”, expressa pela fórmula:
                                                        FIGURA 7


                                              ACELERAÇÃO CENTRÍFUGA



                                                             ac
                                                N

                                                                 r




                  a c = W 2. r        onde:                          W = Velocidade angular
                                                      N     rd
                                                W=
                                                     30      s       N = Rotações por minuto (rpm)
                                                                     r = Raio de giro

                         PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                 30     Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   A aceleração centrífuga varia com o quadrado da rpm e diretamente
com o raio de giro.

 PROBLEMA 14

Qual a aceleração centrífuga de um corpo girando a 300rpm num raio de
0,10m?
A velocidade angular seria:


                               N          . 300
                        w=       =              = 31,4rd/s
                              30          30



A aceleração centrífuga seria:

                 ac = w2 x r = 31,42 (rd/s)2 x 0,10m = 98,6m/s2




Força F
Força é o produto da massa pela aceleração:

                                   F=mxa


   Quando levantamos um peso ou empurramos um carrinho, estamos
exercendo uma força. Quando subimos em uma balança para pesar, esta-
mos medindo uma força, ou seja, o peso é uma força. Uma bomba centrí-
fuga, que através de seu impelidor impulsiona o líquido, está exercendo
sobre ele uma força. Neste caso, devido ao fato de a força ser aplicada por
meio de um movimento de rotação, ela recebe o nome de força centrífuga.
   O peso, como qualquer força, é o produto de uma massa pela acelera-
ção, a qual, neste caso, é a aceleração da gravidade.


   Peso = m x g
   m = massa
   g = aceleração da gravidade

   Usando m ➜ kg e g ➜ m/s2, o valor da força (peso) será expresso em N
(Newton).
   Se utilizarmos um sistema de unidades no qual esta equação seja divi-
dida por uma constante igual a 9,81, teremos:


                                            mxg
                                 Peso =
                                            9,81


                                                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                 Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                 31
Como, ao nível do mar, a aceleração da gravidade é de g = 9,81m/s2,
          este valor simplificaria o denominador, ficando o peso e a massa expres-

Pense e   sos pelo mesmo número.
                                                          Este sistema é bastante utilizado de-
Anote      P=
                 mxg
                         =
                              m x 9,81
                                              =m       vido à facilidade da conversão entre
                 9,81          9,81                    massa e peso. Dizemos, por exemplo,
                                                       que a massa de uma peça é de 10kg e
          dizemos também que seu peso é de 10kg, o que é uma simplificação, vis-
          to que massa e peso são distintos. Como vimos, peso é uma força. Por-
          tanto, é o produto da massa pela aceleração. Estes valores seriam iguais
          somente ao nível do mar. Num local mais alto, a massa permaneceria com
          o mesmo valor, mas o peso seria menor porque a aceleração da gravidade
          local seria menor. Para distinguir quando estamos falando de massa ou
          de peso, o correto seria dizer que a massa é de 10 quilogramas massa
          (10kgm) e o peso é de 10 quilogramas força (kgf) ou 10kg.
             A força centrífuga também é o produto de uma massa por uma acele-
          ração, só que, neste caso, a aceleração é a centrífuga.
             Fc = m x aC = m x w2 x r
             m = massa
             w = velocidade angular
             r = raio de giro
             aC = aceleração centrífuga

                                                                                        2

             Como            w=
                                 N
                                30
                                   rd/s            ➜      Fc = m . ac = m .
                                                                              ( )N
                                                                                30
                                                                                            .r




             A força centrífuga varia com o quadrado da rotação (N) e diretamente com
          a massa e o raio de giro. Portanto, ao dobrar a rotação, a força centrífuga fica
          multiplicada por 4. Se dobrar o raio, a força fica multiplicada por 2.
                                                     FIGURA 8


                                              FORÇA CENTRÍFUGA


                                                                F
                                                                    c




                                      F
                                          c




                    Parado                     Baixa rotação             Alta rotação




                  PETROBRAS    ABASTECIMENTO
           32    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   No caso da peça mostrada na Figura 8, devido ao fato de a massa ser
articulada, ao aumentarmos a rotação, aumentamos também o raio de
giro. Ambos os efeitos contribuem para o aumento da força centrífuga.
   A conversão de unidades de força pode ser tirada da Tabela 8:
                                             TABELA 8


                        CONVERSÃO DE UNIDADES DE FORÇA

                      kgf            Ton força          N               dina               lbf
  1kgf      =               1            0,001          9,806           980.665               2,2

  1ton f    =         1.000                  1          9806         980.665.000           2.204

  1N        =         0,102          0,000102               1           100.000            0,225

  1 dina =          1,02x10-6         1,02x10 -9      0,00001                  1        2,25x 10 -6

  1lbf      =         0,454           0,00454            4,45           4,45x 105                1




 PROBLEMA 15

A que força centrífuga estaria submetida uma massa de 0,200kg, se girasse
a 300rpm e com um raio de 0,10m?
No problema 14, de aceleração, visto anteriormente, calculamos que para

                N = 300rpm       e        r = 0,10m       ➜     ac = 98,6m/s2


   Se usarmos a massa em kg e a aceleração em m/s2, a força será expres-
sa em N.

                            Fc = m x ac = 0,200 x 98,6 = 19,72N


   Da Tabela 8:

           1 N = 0,102kgf       ➜       Fc = 19,72N = 19,72 x 0,102 = 2,01kgf




Trabalho ou energia T
Trabalho é realizado quando                                         FIGURA 9

uma força atua sobre uma mas-
                                                        TRABALHO REALIZADO
sa para fazê-la percorrer deter-
minada distância. A quantidade
de trabalho é definida como
                                                                F
sendo o produto dessa força                                 1                       2

por essa distância percorrida.                                        d
                                                                    T=Fxd
Para realizar esse trabalho, foi
gasta uma energia. Energia e tra-
balho são equivalentes.

                                                         PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                         Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                                     33
Se usarmos uma força F para deslocar o bloco da posição 1 para a 2,
          percorrendo a distância d, o trabalho realizado será definido como:

Pense e                                               T=Fxd
Anote
                         F → kgf            e          d→m                  ➜      T → kgf .m


                         F→N                e          d→m                  ➜     T → N .m = J (Joule)


             A conversão das unidades de trabalho pode ser retirada da Tabela 9:
                                                            TABELA 9


                                  CONVERSÃO DE TRABALHO OU ENERGIA

                              kgf.m             J = N.m       KW.h               BTU               cal         lbf.ft
                                                                       -6
            1kgf.m       =              1            9,8    2,72 x10            0,00929             2,34         7,23

            1J = 1N.m =           0,102               1     2,77 x10 -7         9,48 x10-4        0,239         0,738

            1kW.h        =   3,67 x 105         3,6 x 106           1              3.412        8,6 x 10 5   2,655x10 6

            1BTU         =         108          1055,06     2,93 x10 -4                1            252           778

            1cal         =        0,427           4,187     1,16 x10 -6         0,00397                  1       3,09

            1lbf.ft      =        0,138            1,36     3,77 x10 -7         0,001285          0,324                 1

                          Unit
          British Thermal Unit e cal (caloria) são unidades de calor equivalentes à energia.



             A conta que pagamos de energia elétrica em nossas casas é baseada no
          consumo de kWh, o que é equivalente ao consumo de uma potência (kW)
          por um determinado tempo (h), ou seja, é energia mesmo.



          Torque Tq
          Torque é o produto de uma força pela distância a um eixo de rotação.
                             FIGURA 10                                                          Como podemos no-
                                                                                             tar, o torque e o traba-
                             TORQUE
                                                                                             lho são o produto de
                                                                                             uma força por uma dis-
                                                                                             tância. Embora te-
                             T=Fxd
                                                             Força                           nham significados dis-
                                                             aplicada                        tintos, podem ser ex-
                                                                                             pressos pelas mesmas
                                                                                             unidades.
                                    d                                                           Para apertar uma
                             Raio de giro                                                    porca com uma chave,
                                                                                             temos de exercer um
                                                                                             torque na porca.

                      PETROBRAS    ABASTECIMENTO
           34      Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                  F → kgf              e                 d→m              ➜         Tq → kgf.m


                   F→N                 e                 d→m              ➜          Tq → N.m


                  F → lbf              e                 d → ft           ➜         Tq → lbf.ft


   A conversão entre as unidades de torque é fornecida na Tabela 10 a seguir:
                                                    TABELA 10


                      CONVERSÃO DE UNIDADES DE TORQUE

                    1kgf.m                 1N. m                   1lbf. ft           1lbf. in        1 dina . cm
  1kgf.m =                1                  9,8                     7,233               86,8           9,8 x 10 7

  1N.m     =          0,102                    1                     0,738               8,85             1 x 10 7

  1lbf.ft =           0,138                1,356                         1                 12          1 ,36 x 10 7

  1lbf.in =          0,0115                0,113                   0,0833                   1          1,13 x 106
                               -8                   -7                       -8                  -7
  1dina.cm         1,02 x 10               1 x 10              7,38 x 10             8,85 x 10                  1




 PROBLEMA 16

Que a força em kgf devemos aplicar a uma chave com 0,50m de compri-
mento para dar um torque recomendado de 100 lbf.ft?
Vamos calcular primeiro qual o torque em kgf.m. Da tabela acima, temos:

         1 lbf .ft = 0,138kgf .m           ➜             100 lbf . ft = 100 x 0,138 = 13,8kgf . m


 Como Tq = F x d      ➜             13,8kgf . m = F x 0,50m
                                                                                                  13,8
                                                                                        F=             = 27,6kgf
                                                                                                  0,50


   Portanto, com uma chave de 0,50m, teríamos de fazer uma força de
27,6kgf para obter o torque de 100 lbf/ft.



Potência Pot
Potência é o trabalho realizado na unidade de tempo.


                                                               T
                                                   Pot =
                                                               t



               T → J = N.m             e             t→s            ➜                →
                                                                                  Pot→ W (Watt)


   Em bombas, é comum expressar a potência em hp ou kW (que é um
múltiplo do W) ou, ainda, em CV.

                                                                      PETROBRAS        ABASTECIMENTO
                                                                      Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                                                    35
A conversão entre as unidades de potência é dada por:
                                                       TABELA 11


                                    CONVERSÃO DE UNIDADES DE POTÊNCIA

                                         W = J/s            KW            hp         cv
Pense e Anote            1W =                1              0,001       0,00134    0,00136

                         1kW =            1.000                  1        1,341       1,36

                         1hp =            745,7            0,7457              1     1,014

                         1cv =            735,5            0,7355         0,986           1




                 PROBLEMA 17

                Qual a potência equivalente em hp de um motor cuja plaqueta indica
                100kW?
                Da Tabela 11 de conversão de potência, temos:

                          1kW = 1,341hp       ➜        100kW = 100 x 1,341hp = 134,1hp


                  A potência consumida por uma bomba é dada por:


                                                               . Q. H
                                                   Pot =
                                                              274 .



                  Pot = Potência em hp
                      = Peso específico em gf/cm3 (igual à densidade)
                  P = Potência em hp
                  Q = Vazão em m3/h
                  H = Altura manométrica total em metros
                      = Rendimento (Ex. 70% → usar 0,70)



                Massa específica
                É a relação entre a massa de uma substância e seu volume, ou seja, é a
                massa de cada unidade de volume.


                                                           massa
                                                       =
                                                           volume



                  Na temperatura ambiente, o mercúrio, usado em manômetros e ter-
                mômetros, possui uma massa específica de 13,6g/cm3, ou seja, cada cen-
                tímetro cúbico de mercúrio tem uma massa de 13,6g.

                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 36    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
 PROBLEMA 18

Qual seria a massa específica de um cubo de 2cm de aresta, sabendo que
sua massa é de 40 gramas?
                                 FIGURA 11


                     MASSA ESPECÍFICA DO CUBO




                                                   2




                                               2

                                 2




                         Volume = a3 = 23 = 8cm3


                                massa = 40g



                                     massa     40g
             massa específica    =          =      = 5gcm3
                                     volume   8cm3



  Quando aquecemos um material, seu volume aumenta com a tempe-
ratura, mas sua massa permanece constante. Logo, se aquecermos um
produto, estaremos aumentando o denominador no cálculo da massa es-
pecífica (volume), mantendo o numerador (massa) constante, o que leva-
ria à redução da massa específica. Quanto maior a temperatura de um
material, menor a sua massa específica.
  Por esse motivo, é necessário citar a temperatura a que estamos nos
referindo quando informamos a massa específica de um produto.
  A massa de 1cm3 de água na temperatura de 20oC é de 0,998g; logo,
sua massa específica é 0,998g/cm3. É usual adotar o valor de 1g/cm3 na
temperatura ambiente.
  No caso de bombas, é mais usual o emprego do peso específico, cuja
definição veremos em seguida, do que da massa específica.
  A transformação entre unidades de massa específica pode ser obti-
da por:

                                             PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                             Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                             37
TABELA 12


                                     RELAÇÃO ENTRE MASSAS ESPECÍFICAS
Pense e                                  g / cm3           kg / m3    lb /ft3         lb / in3”
Anote             1g / cm3 =                 1              1.000      62,43            0,0361
                             3
                  1kg / m        =        0,001                 1     0,0624          3,61 x 10 -5

                  1lb /ft3       =        0,016             16,02          1         0,0005787

                  1lb / in3 =             27,68            27680       1728                    1




          Peso específico
          É a relação entre o peso de uma substância e seu volume.


                                                             peso
                                                       =
                                                            volume



             Para determinar o peso específico de qualquer material, basta pesá-lo,
          medir seu volume e fazer a divisão.

           PROBLEMA 19

          Calcular o peso específico da água, sabendo que um reservatório comple-
          tamente cheio, em forma de cubo, com cada lado medindo internamente 5cm,
          apresentou um peso líquido de 125 gramas força (já descontando o peso
          do recipiente).
                                                      FIGURA 12


                                                   PESO ESPECÍFICO




                                                       Volume = 5 x 5 x 5 = 125cm3
                                                       Peso = 125gf
                5cm                                                              peso    125gf
                                                       Peso específico =               =       = 1gf/cm3
                                                                                volume   125cm
                                             5cm
                             5cm




             Na temperatura ambiente, o peso específico da água pode ser conside-
          rado como de 1gf/cm3.

                 PETROBRAS           ABASTECIMENTO
           38   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   O peso específico varia com a temperatura, uma vez que o volume
é modificado. Por exemplo, 1cm3 de água a 80oC pesa 0,971gf. A 200oC,
o peso do cm3 de água cai para 0,865gf.
   Podemos afirmar então que o peso específico da água a 80oC é de
0,971gf/cm3 e a 200oC é de 0,865gf/cm3.
   O peso específico é usado tanto para sólidos como para líquidos. Na
temperatura de 20oC, temos os seguintes pesos específicos:
                                                TABELA 13


                                         PESOS ESPECÍFICOS
                               Peso específico                                      Peso específico
         Produto                  (gf/cm3)                       Produto               (gf/cm3)
  Água                                   1                 GLP                              0,5

  Aço-carbono                        7,8                   Gasolina                     0,68 a 0,78

  Aço inox AISI 316                     8,02               Querosene                    0,78 a 0,82

  Alumínio                           2,8                   Diesel                       0,82 a 088

  Chumbo                            11,2                   Gasóleo                      0,85 a 0,89

  Cobre                                 8,94               Óleo lubrificante            0,86 a 0,94

  Mercúrio                          13,6                   Petróleo                     0,70 a 0,94




   Analisando a Tabela 13, acima, vemos que o aço-carbono pesa 7,8 ve-
zes mais do que o mesmo volume de água.
   Como peso específico é uma relação entre peso e volume, podem ser
usadas outras unidades diferentes de gf/cm3 para sua definição, como kgf/
m3 ou lbf/in3.
   A conversão entre as unidades mais usadas para pesos específicos pode
ser obtida por:
                                                TABELA 14


                             RELAÇÃO ENTRE PESOS ESPECÍFICOS

                                gf/cm3            kgf/m3              lbf/ft3        lbf/in3
          1gf/cm3 =                 1              1.000               62,43          0,0361
                     3
          1kgf/m         =       0,001                1               0,0624        3,61 x 10 -5

          1lbf/ft3       =       0,016             16,02                   1        5,787x 10 -4

          1lbf/in3 =             27,68            27680                1728                  1




 PROBLEMA 20

Qual o peso específico em gf/cm3 equivalente a 2.500kgf/m3?
Da Tabela 14 de conversão, temos que:

 1kgf/m3 = 0,001gf/cm3           ➜           2.500kgf/m3 = 2.500 x 0,001gf/cm3 = 2,5gf/cm3


                                                                 PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                                                                 Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                                      39
Densidade
          Densidade de um líquido ou de um sólido é a relação entre a massa espe-
          cífica deste material e a da água. Para gases, o padrão de comparação
Pense e   adotado é o ar.
Anote
                                      massa específica do produto
                                 d=
                                       massa específica da água



             A norma ISO recomenda que a massa específica da água seja tomada a
          20 C. Nessa temperatura, 1cm3 de água tem uma massa ligeiramente me-
            o


          nor do que 1 grama (0,998g). Outras fontes adotam outras temperaturas.
             No cálculo da densidade, ao usarmos o numerador e o denominador
          com as mesmas unidades, por exemplo, g/cm3, elas se cancelam, ficando
          a densidade como adimensional, ou seja, expressa por um número sem
          dimensão.




                      Para calcular a densidade de um líquido ou
                      sólido, vamos dividir a massa específica desse material
                      pela da água, que é de aproximadamente 1g/cm3. Daí,
                      podemos dizer que a densidade é numericamente igual à
                      massa específica quando expressa em g/cm3.
                      Na temperatura ambiente, a densidade também é
                      numericamente igual ao peso específico em gf/cm3.
                      A densidade da água na temperatura ambiente, como
                      não poderia deixar de ser, é igual a 1, já que estamos
                      dividindo a massa específica da água por ela mesmo.
                      Na temperatura ambiente, a densidade da gasolina fica
                      em torno de 0,74 e a do GLP, em torno de 0,5.




          Pressão
          Pressão, por definição, é a força dividida pela área em que esta atua.


                                                     F
                                                P=
                                                     A



             Estão representados na Figura 13 um prego (com ponta) e um saca-pino
          (sem ponta), ambos com o mesmo diâmetro de corpo. Ao bater com o mar-
          telo, o prego penetra na madeira. Se batermos com a mesma força no saca-
          pino, possivelmente ele só fará uma mossa na madeira. Por que isso ocorre?

                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           40   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                          FIGURA 13


                             PENETRAÇÃO DO PREGO


                                     1                2




   Vamos supor que o martelo, ao bater no prego, exerça uma força de
10kgf e que a área da ponta do prego seja de 0,01cm2 e a do saca-pino, de
0,2cm2. As pressões exercidas na madeira serão:


                                     F    10
                    Prego → P =        =      = 1.000kgf/cm2
                                     A   0,01



                                            F       10
                    Saca-pino → P =             =           = 50kgf/cm2
                                            A       0,2



   Vemos que a pressão exercida pelo prego na madeira foi 20 vezes maior
do que a do saca-pino. Por esse motivo, o prego penetrou, enquanto o
saca-pino só deformou a madeira.
   Uma aplicação bastante usada de pressão é o macaco hidráulico.
                                          FIGURA 14


                                  MACACO HIDRÁULICO



             F
                                                            Peso = 2.000kg




                  diâmetro do              diâmetro do
                 cilindro = 2cm          cilindro = 25cm         Óleo

                                                                             Manômetro




                                                          PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                          Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                          41
PROBLEMA 21

                Qual seria a pressão de óleo necessária para levantar um carro de 2.000kgf
                de peso no macaco hidráulico da Figura 14? Qual seria a força necessária a
                ser exercida no pistão menor para gerar esta pressão no óleo? Desprezar a
                diferença de pressão devido à coluna de óleo dentro do reservatório.
Pense e Anote   Dados:

                   Peso = 2.000kgf            Dia. cil. menor = 2cm               Dia. cil. maior = 25cm




                                                          D2       3,14 x 22
                                     Área cil. 1 =             =               = 3,14cm2
                                                         4            4



                                                          D2   3,14 x 252
                                    Área cil. 2 =            =            = 490,6cm2
                                                         4         4



                   Pressão necessária para levantar o carro:


                                              F           2.000kgf
                                        P=           =             = 4,08kgf/cm2
                                              A           490,6cm2



                   Para termos uma pressão de 4,08kgf/cm2 no óleo, será necessário apli-
                car no pistão menor a força de:


                                F                                   kgf
                           P=            F = P x A = 4,08                 x 3,14cm 2 = 12,81kgf
                                A                                  cm2



                   Com o auxílio da pressão, com uma força de apenas 12,81kgf, con-
                seguiremos levantar um carro com 2.000kgf. O pistão menor terá de
                deslocar-se de 156,2cm para cada centímetro do pistão maior. Pode-
                mos calcular esta relação sabendo que o volume deslocado pelos dois
                cilindros tem de ser igual.


                                               V = A1 x h1 = A2 x h2
                                                               ➜




                                             h1   A1   490,6
                                                =    =       = 156,2
                                             h2   A2    3,14


                         PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                 42   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
A pressão atmosférica
Vejamos agora o significado da pressão atmosférica. O ar que envolve nosso
planeta tem um peso. A coluna de ar correspondente a 1cm2 da superfície
da Terra medida ao nível do mar pesa 1,033kgf. Logo, a pressão exercida
por esta coluna será de 1,033kgf/cm2. Este valor é denominado pressão
atmosférica. Quando subimos numa montanha, a coluna de ar fica redu-
zida, o que reduz a pressão atmosférica local. Por exemplo, a 3.000m de
altura, a coluna de ar pesa 0,710kgf, então, a pressão atmosférica nessa
altitude será de 0,71kg/cm2.
                                   FIGURA 15


                             PRESSÃO ATMOSFÉRICA


                                             Pressão x Altitude
      Peso =             Coluna   Pressão – kgf/cm 2
      1,033kgf           de ar




                 1cm 2

                 Terra


                                                 Altitude – metros




   A cidade de São Paulo está situada a uma altitude de 700m, possuin-
do, por isso, uma pressão atmosférica em torno de 0,95kgf/cm2.




    Essa pressão, decorrente da coluna de ar, permite que, ao medir
    uma pressão, tenhamos dois modos de expressá-la:
    ➜ PRESSÃO ABSOLUTA
      Medida a partir da pressão zero absoluto.
    ➜ PRESSÃO RELATIVA OU MANOMÉTRICA
      Medida a partir da pressão atmosférica local.
    O valor da pressão absoluta será igual ao valor da pressão atmosférica
    local, somado ao valor da pressão relativa ou manométrica.

    Pressão absoluta = Pressão manométrica + Pressão atmosférica local



                                               PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                               Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                               43
Os manômetros são normalmente calibrados para indicarem pressão
                 relativa, ou seja, a medição é realizada a partir da pressão atmosférica local.
                 Daí os valores medidos serem chamados de pressão manométrica ou re-
Pense e          lativa. Quando a pressão está acima da pressão atmosférica, ela é consi-
Anote            derada positiva e, quando abaixo, é negativa. A pressão negativa é chama-
                 da também de vácuo.
                     Para obter a pressão zero absoluto teríamos de retirar toda a coluna
                 de ar existente sobre o corpo.
                                                            FIGURA 16


                            PRESSÃO ABSOLUTA E PRESSÃO RELATIVA (MANOMÉTRICA)


                                                                                     Pressão manométrica
                                  Pressão                                            ou relativa

                                                                                                P1


                                                                            P man = 1,5kg/cm2
                                 1atm
                                                                                                     +
                         Pressão
                         atm. local =
                         1kgf/cm2                 P abs = 2,5kg/cm2     P man = – 0,4kg/cm2          –
                                                                                                P2
                                        P atm 1,033kg/cm2
                                        (nível
                                        do mar)
                                                                         P abs = 0,6 kg/cm2
                                                                                                     +
                             0 abs
                                                                                     Pressão absoluta

                                                    P abs = P atm + P man




                     Na Figura16, representamos uma pressão acima da atmosférica, P1, e
                 uma outra pressão abaixo da atmosférica, P2. Vamos supor que P1 e P2
                 estejam sendo medidas num local onde a pressão atmosférica seja de
                 1,0kgf/cm2. Se a pressão P1 fosse de 2,5kgf/cm2 absoluta, a medida em
                 valor manométrico seria de 1,5kgf/cm2. Este valor é resultante da com-
                 posição com a pressão atmosférica local.

          P1abs = P1man + Patm     ➜      2,5 = P1man + 1,0      ➜      P1man = 2,5 – 1,0 = 1,5kg/cm2


                     Se a pressão P2, abaixo da atmosfera, fosse de 0,6kgf/cm2 absoluta, seria
                 equivalente a dizer que é de - 0,4kgf/cm2 manométrica. Podemos dizer
                 também que esta pressão P2 é um vácuo de 0,4kgf/cm2. As pressões ne-
                 gativas são usualmente expressas em mm de Hg (milímetro de mercúrio).

          P2abs = P2man + Patm     ➜      0,6 = P2man + 1,0      ➜    P 2man = 0,6 – 1,0 = – 0,4kg/cm2


                          PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                   44    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Para não confundir a pressão manométrica com a absoluta, é comum
adicionar uma letra após a unidade. Usa-se M ou m para pressão mano-
métrica, e A ou a para pressão absoluta. Exemplo:


                       Pressão absoluta 3,2kgf/cm2 A
                                        4,26kgf/cm2 a

                       Pressão relativa    8,0kgf/cm2 M
                                           12,9kgf/cm2 m




   Em unidades inglesas, a pressão é usualmente medida em psi, que sig-
nifica pound per square inch, ou seja, libra por polegada quadrada. Para
diferenciar, são usados psig e psia. O g vem da palavra gauge, que signi-
fica manômetro, e a é de absolute. Portanto, psig quer dizer pressão ma-
nométrica, e psia é a pressão absoluta. Para transformar a pressão de psig
para psia, no nível do mar, basta somar a pressão atmosférica, que é igual
a 14,7psi:

                      Pressão psia = Pressão psig + 14,7


   Vejamos qual seria a pressão exercida na base por uma coluna de líquido.
É fácil notar que o peso do líquido será o responsável pela força exercida.
                                   FIGURA 17


             PRESSÃO EXERCIDA POR UMA COLUNA DE LÍQUIDO



                             A




                                               Volume = A x H
                  H




   O volume do líquido contido na coluna é:

                       Vol = área da base x altura = A x H


                                                PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                                Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                45
O peso do líquido da coluna é de:

                            Peso = Vol x peso específico = Vol x              =A.H.
Pense e
Anote            Como a pressão é a relação entre força (neste caso, entre peso) e área,
              temos:


                                                    Força       Peso       A .H .
                                        Pressão =           =          =
                                                    Área        Área          A



                 Simplificando o termo A da área que temos no numerador e no deno-
              minador, ficamos com:

                                                    Pressão =    xH


                 Esta fórmula expressa em unidades usuais se apresenta da seguinte
              forma:
                                       onde:
                    Hx                 P = pressão em kg/cm2
               P=
                     10                H = coluna em metros
                                          = peso específico em gf/cm3
                 Notar que, na dedução da fórmula da pressão da coluna de líquido, a
              área foi cancelada. Portanto, a “forma” da área não interfere na pressão,
              tanto faz ser um círculo, um quadrado ou qualquer outro formato. Não
              importa também se a área é pequena ou grande, a pressão será função
              apenas da altura da coluna e do peso específico do líquido. Na Figura 18,
              a seguir, colocamos diversos formatos de vasos, com diferentes áreas de
              base. Se o líquido (mesmo peso específico                ) e a altura H forem iguais, as
              pressões nas bases serão iguais.
                                               FIGURA 18


                           VASOS COM FORMATOS E ÁREAS
                 DE BASE DIFERENTES E COM PRESSÃO IGUAL NA BASE


                                                                                          P=   H



          H                        H                   H                            H




                       PETROBRAS       ABASTECIMENTO
               46   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
 PROBLEMA 22

Qual seria a pressão se tivéssemos uma coluna de 10 metros de água na
temperatura ambiente?
Peso específico da água na T ambiente:


                                   (água) = 1gf/cm3


   Altura H da coluna de líquido = 10m. Usando a fórmula preparada para
as unidades usuais, temos:


                                .H   1 x 10
                      P=           =        = 1kgf/cm2M
                               10      10



   Para cada 10 metros de altura de coluna de água fria equivale uma pres-
são de 1kgf/cm2. Se calcularmos a pressão para uma coluna de 25 metros
de água, acharemos 2,5kgf/cm2.

 PROBLEMA 23

Qual seria a pressão no fundo de um vaso com uma coluna de 20m de ga-
solina com densidade de 0,74?
Lembrando que densidade é igual ao peso específico em gf/cm3, temos que:

                               = 0,74gf/cm3      e    H = 20m
                    gasolina




                         xH   0,74 x 20
                 P=         =           = 1,48kgf/cm2M
                        10       10



 PROBLEMA 24

Qual seria a coluna de mercúrio ( = 13,6kgf/cm3) necessária para obter a
pressão de 1,033kgf/cm2 A (pressão atmosférica ao nível do mar)?
                                     FIGURA 19


                                  COLUNA DE HG




                                       H


                                     Hg




                                                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                 Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                 47
xH
                                                                           P=
                                                                                    10



                                                         10 P         10 x 1,033
Pense e Anote                                      H=            =
                                                                         13,6
                                                                                 = 0,760m = 760mm Hg




                                A coluna de um líquido é um método para expressar uma pressão. É
                             comum usar metros, milímetros ou polegadas de colunas de água ou de
                             mercúrio para definir essas pressões. Existem manômetros de tubos trans-
                             parentes que utilizam esse princípio. Esses tubos foram os primeiros
                             manômetros inventados.
                                                                     TABELA 15


                                            CONVERSÃO DA UNIDADE DE PRESSÃO

                               Kgf/cm2       bar           psi           mmHg         m H20          atm         kPa             MPa
                     2
           1kgf/cm       =            1      0,9807        14,22          735,6            10        0,9678      98,07           0,09807

           1bar          =          1,02           1        14,5          750,1           10,2       0,9869          100              0,1

           1psi          =     0,07031      0,06895              1        51,72       0,7031       0,06805       6,895           6,89x10 -3

           1mmHg         =     0,00136      1,33x10 -3   0,01934              1       0,0136        1,32x10 -3   0,133          0,000133

           1m H2O        =           0,1    0,09807        1,422          73,56             1      0,09678       9,807           9,81x10 -3

           1Pa           =      1,02x10-5      1x10-5    1,45x10 -4     7,50x10-3     1,02x10-4      9,87x0 -6   0,001              1x10-6

           1kPa          =      0,0102         0,01        0,145          7,501          0,102      9,87x10 -3         1           0,001

           1Mpa          =          10,2         10          145          7501            102         9,869      1000                  1

           1atm          =         1,033      1,013         14,7           760           10,33             1     101,3            0,1013




                              PROBLEMA 25

                             Um tubo em U, contendo água, indica a pressão de descarga de um ventila-
                             dor, conforme mostra a Figura 20. Qual o valor da pressão reinante?
                             A pressão no duto é dife-                                             FIGURA 20

                             rença de alturas entre os
                                                                                                  TUBO EM U
                             dois lados do tubo em U. A
                             Figura 20 mostra 70 – 20 =
                             = 50cm de água.                                                                           cm H2O
                                                                                                                           80
                                Se quisermos saber o
                                                                                                                           60
                             valor dessa pressão em
                                                                                                                 H
                             outras unidades, basta                                                                        40

                             usar a Tabela 15 de conver-                                                                   20

                             são, mostrada anterior-                              H = 70 – 20 = 50cm                        0
                             mente. Para passar para
                             kgf/cm2, temos:

                                       PETROBRAS       ABASTECIMENTO
                              48     Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Da Tabela 15 temos que:

 1m H2O = 0,1kgf/cm2   50cm H2O = 0,50m H2O = 50 x 0,1kgf /cm2 = 0,5kgf/cm2




          A ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas –,
          seguindo recomendação da ISO, organização
          internacional de padronização, definiu como unidade
          de pressão no Brasil o Pascal (Pa), admitindo, numa
          fase de transição, o uso do bar. Portanto, é bom
          começar a ter uma noção da pressão em Pa, já que
          com o passar do tempo deverá ser cada vez mais
          utilizada. Como o Pascal é uma unidade muito pequena,
          os valores usuais de pressão seriam altos. Por isso, são
          mais utilizados seus múltiplos MPa (mega Pascal =
          1.000.000Pa) e kPa (quilo Pascal = 1.000Pa).




   A conversão de Pascal para bar é fácil se memorizarmos que: para pas-
sar de kPa para bar, basta dividir o valor por 100. Para passar de MPa para
bar, basta multiplicar por 10.

 PROBLEMA 26

Qual a pressão em kgf/cm2 correspondente a 100psig?
Da Tabela 15 temos que:

    1psi = 0,07031kgf/cm2    ➜      100psi = 100 x 0,07031 = 7,031kgf/cm2


   Como a pressão foi dada em psig, a pressão é manométrica:

                            100psig = 7,031kgf/cm2 M


   A pressão atmosférica ao nível do mar pode ser dada por:


            1atm = 1,033kgf/cm2 = 10,33m = 760mm Hg = 1,013bar =
                = 0,1013MPa = 101,3kPa = 14,7 psi = 29,92in Hg



   Como podemos ver, a pressão atmosférica ao nível do mar equivale a
uma coluna de 10,33m de água.

                                             PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                             Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                             49
PROBLEMA 27

          Qual seria a coluna de água que teríamos num tubo mergulhado em um re-
          servatório de água ao nível do mar se retirássemos todo o ar do tubo fa-
Pense e   zendo um vácuo perfeito?
Anote                                           FIGURA 21


                             COLUNA MÁXIMA DE ÁGUA COM VÁCUO



                                         COM AR NO TUBO

                                                 3
                                     Pman = 0        Pressão
                                                     atmosférica
                                                     1,033kg/cm 2 A



                                                 1   2




                                          SEM AR NO TUBO
                               Pman =
                               –1,033kg/cm 2              Vácuo
                                                 3

                                                     Pressão
                                                     atmosférica
                                                     1,033kg/cm 2A
                                   H máx. = ?

                                                 1   2




             Inicialmente, vamos colocar o tubo dentro do reservatório com a vál-
          vula situada na parte superior aberta para a atmosfera. A água entrará no
          tubo, ficando no mesmo nível do reservatório. Como os pontos 1 e 2 es-
          tão no mesmo nível, suas pressões P1 e P2 serão sempre iguais e, no caso,
          igual à pressão atmosférica local de 1,033kgf/cm2 absoluta ou 0kgf/cm2
          manométrica. Vamos conectar a válvula da parte superior do tubo a uma
          bomba de vácuo e começar a retirar o ar do interior dele. A pressão no
          tubo P3 começará a cair, e a pressão atmosférica forçará a água para o in-
          terior do tubo, fazendo seu nível subir. Esta coluna de água compensará a
          pressão negativa da parte superior do tubo P3, mantendo sempre a pres-
          são no ponto 1 igual à pressão atmosférica local P2.

                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           50   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Se, por hipótese, conseguíssemos fazer um vácuo absoluto, ou seja, re-
tirar todo o ar do interior do tubo, a pressão absoluta seria igual a zero, ou,
o que é a mesma coisa, a pressão manométrica seria = –1,033kgf/cm2.
Neste caso, a coluna seria:


                        xH               1xP
                P=             1,033 =               H = 10,33m
                       10                 10



   Esta seria a coluna máxima que poderia ser conseguida para água.
   Se, no lugar de água, tivéssemos gasolina (g gasolina = 0,75gf/cm3), a co-
luna máxima seria:


                  xH               0,75 x H          10,33
           P=            1,033 =                H=         = 13,77m
                 10                   10              0,75




  Como podemos notar, para cada líquido, em função do seu peso
  específico, teremos uma coluna máxima. No caso de querer retirar água
  de um poço com uma bomba colocada na superfície, ficaremos limitados
  à profundidade teórica de 10,33m. Na prática, este valor é bem inferior
  pelas seguintes razões:
     Uma bomba centrífuga jamais conseguirá fazer um vácuo perfeito.
     As bombas possuem necessidade de uma energia mínima na sucção
     (NPSH disponível – que será visto posteriormente).
     Há perdas de carga por atritos, choques e mudanças de direção do
     líquido na tubulação de sucção.




   Por isso, o máximo que se consegue aspirar com uma bomba centrífu-
ga fica em torno de 7 ou 8 metros quando trabalhando com água.
   Notar também que os 10,33m ocorreriam ao nível do mar, onde a
pressão atmosférica é maior. Num local de maior altitude, como a pres-
são atmosférica é menor, a coluna seria menor. Esta coluna é também
influenciada pelo peso específico do líquido ( ). Quanto menor o , mai-
or a coluna H de líquido (ver fórmula usada anteriormente).



Viscosidade                        ou
A viscosidade pode ser definida como a resistência do fluido ao escoamento.

                                               PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                               Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                               51
Suponhamos dois vasilhames, um com óleo de massa específica igual
          à da água, porém mais viscoso, e outro com água. Ao tentar girar uma pá
          para movimentar os líquidos, notaríamos uma resistência maior no óleo
Pense e   do que na água. Isso é devido à maior viscosidade do óleo, comparada
Anote     com a da água.
                                                    FIGURA 22


                                  DIFERENÇAS DE VISCOSIDADES




                                     Óleo                            Água




             Existem dois modos de expressar a viscosidade: dinâmica ( ) e cine-
          mática ( ).
             A viscosidade dinâmica ( ) é a propriedade do líquido que expressa
          sua resistência ao deslocamento de suas camadas.
             Quanto maior a viscosidade dinâmica, maior a resistência ao desloca-
          mento.
             A principal unidade para medir viscosidade dinâmica é o poise (pronun-
          cia-se “poase”). Normalmente, é usado um submúltiplo 100 vezes menor,
          o centipoise (cP).


                                              1cP = 0,01poise


             A viscosidade de um líquido varia inversamente com a temperatura.
          Quanto maior a temperatura, menor a viscosidade.
                                                    TABELA 16


                             CONVERSÃO DE VISCOSIDADES DINÂMICAS

                                          Poise             cP              Pa.s    lbm / ft.s

                1Poise           =             1            100               0,1     0,0672

                1cP (centipoise) =           0,01                1          0,001   0,000672

                1Pa.s            =            10           1.000               1        0,672

                1 lbm/ft.s       =          14,88          1488             1,488           1



                   PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           52    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   A viscosidade cinemática ( ) é a relação entre a viscosidade dinâmica
( ) e a massa específica ( ).



                                            =


   As unidades mais usadas são: stoke (St); centistoke (cSt); e SSU:



                       1St = 1cm2/s             1cSt = 0,01St = 1mm2/s


   Na lubrificação das bombas da Petrobras é comum utilizar o óleo Mar-
brax TR-68, que possui uma viscosidade de 63,9cST a 40o e de 8,64cST a
100oC.
   A conversão pode ser feita por:
                                        TABELA 17


                  CONVERSÃO DE VISCOSIDADES CINEMÁTICAS
   SSU – segundos          SSF – segundos               cSt
   saybolt universal        saybolt furol           centistokes          Graus Engler

            31                    –                        1                 1,00
            35                    –                     2,56                 1,16
            40                    –                     4,30                 1,31
            50                    –                     7,40                 1,58
            60                    –                     10,3                 1,88
            70                  12,95                   13,1                 2,17
            80                  13,70                   15,7                 2,45
            90                  14,44                   18,2                 2,73
           100                  15,24                   20,6                 3,02
           150                  19,30                   32,1                 4,48
           200                   23,5                   43,2                 5,92
           250                   28,0                   54,0                 7,35
           300                   32,5                   65,0                 8,79
           400                   41,9                  87,60                11,70
           500                   51,6                   110                 14,60
           600                   61,4                   132                 17,50
           700                   71,1                   154                 20,45
           800                   81,0                   176                 23,35
           900                   91,0                   198                 26,30
          1.000                 100,7                   220                 29,20
          2.000                  200                    440                 58,40
          3.000                  300                    660                 87,60
          4.000                  400                    880                 117,0
          5.000                  500                   1.100                  146
         10.000                 1.000                  2.200                  292



                                                     PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                                     Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                        53
A viscosidade cinemática é bem mais utilizada no estudo de bombas
                do que a dinâmica.
                   Podemos converter a viscosidade dinâmica em centistokes para visco-
                sidade cinemática em centipoise, usando a fórmula:

Pense e Anote                                          (cP)                (cP)
                                         (cSt) =                 =
                                                             3
                                                      (g/cm )        densidade



                 PROBLEMA 28

                Qual seria a viscosidade em centistokes de um óleo cuja densidade é de 0,9
                e a viscosidade dinâmica de 900cP?


                                                      (cP)           900
                                       (cSt) =                   =         = 1.000
                                                 densidade           0,9




                Pressão de vapor
                Para cada temperatura de um líquido, existirá uma pressão na qual tere-
                mos um equilíbrio entre as fases vapor e líquida. Então, dizemos que o
                líquido se encontra saturado. À pressão exercida nas paredes do recipi-
                ente pela fase vapor denominamos pressão do vapor deste líquido para
                esta temperatura.
                   Suponhamos um vaso com um líquido volátil, como GLP ou gasolina.
                                                      FIGURA 23


                                              PRESSÃO DE VAPOR


                                                 Manômetro




                                                 Fase vapor
                                                                              Termômetro

                                                 Fase líquida




                                                   Pv = Pman + Patm




                   A pressão de vapor é a pressão medida na fase gasosa e é expressa em
                valores de pressão absoluta. A pressão de vapor aumenta com o aumento
                de temperatura.

                       PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 54   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                         FIGURA 24


                         CURVA DA PRESSÃO DE VAPOR


                 Pressão
                 absoluta                 Líquido                  Curva da
                                                                   pressão
                               PV1                                 de vapor


                                                     Vapor




                                                T1

                                           Temperatura (oC)




   Para uma dada temperatura T1, se a pressão do fluido for superior à
pressão de vapor PV1, o fluido estará na fase líquida. Se a pressão for infe-
rior, estará na fase vapor.
   Para uma pressão de vapor PV1, se a temperatura for inferior a T1, o flui-
do estará na fase líquida. Se a temperatura for maior, estará na fase vapor.
   A pressão de vapor é sempre expressa em valores absolutos como, por
exemplo, 4,6kg/cm2A.
                                                 FIGURA 25


                    PRESSÃO DE VAPOR EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA


      Pressão absoluta (bar)




                                              Temperatura (o C)

              1. Acetona             8. Etileno              15. Downtherm A       22.   Naftaleno
              2. Álcool etílico      9. Etileno glicol       16. Ácido Acético     23.   Propano
              3. Ácido fórmico       10. Gasolina            17. Glicerina         24.   Propileno
              4. Amônia              11. Benzeno             18. Isobutano         25.   Tolueno
              5. Anilina             12. Clorobenzeno        19. Hexano            26.   Água
              6. Etano               13. Dietil-éter         20. Querosene
              7.                     14. Difenil             21. Álcool metílico

                                                       PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                                                       Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                              55
PROBLEMA 29

          Qual a pressão de vapor do propano na temperatura de 60oC?
          Na Figura 25, o propano corresponde à linha 23. Entrando no eixo de tem-
Pense e   peratura com 60oC e seguindo até a linha 23, temos 20barA.
Anote        Ao nível do mar, se colocarmos uma panela aberta com água no fo-
          gão e começarmos a aquecê-la, a pressão de vapor subirá com a tempe-
          ratura da água até atingir a pressão reinante no ambiente que, nesse caso,
          é a pressão atmosférica (1,033kgf/cm2A). Nesse momento, a água come-
          çará a vaporizar (ferver). Nessa pressão, a temperatura da água será de
          100oC. A temperatura não ultrapassará esse valor por mais que aumen-
          temos a chama do fogão. Isso porque a pressão que está reinando sobre
          a panela, no caso, a pressão atmosférica, não se modificará. Caso quei-
          ramos cozinhar mais rapidamente o alimento, teremos de aumentar a
          temperatura da água, e isso só será possível se aumentarmos a pressão
          no interior da panela, ou seja, fazendo com que a pressão de vapor au-
          mente. Este é o princípio da panela de pressão, a qual possui uma válvu-
          la de segurança, que só permite o escape dos vapores da água após atin-
          gir uma certa pressão.
             Para cozinhar com água a 150ºC, a pressão da panela teria de ser de
          aproximadamente 5barA (ver valor aproximado na Figura 25 – curva 26 –
          o valor correto é de 4,76barA), ou seja, cerca de 4barM. Para cozinhar com
          200oC, seria necessário 15,55barA. Essas pressões correspondem às pres-
          sões de vapor da água para as temperaturas citadas.
             Alguns líquidos, como o propano, possuem a pressão de vapor na tem-
          peratura ambiente superior à pressão atmosférica. Por isso, se colocarmos
          propano num vaso aberto, ele irá vaporizar-se.
             Quando estamos bombeando, precisamos que o líquido esteja sem-
          pre numa pressão acima da pressão de vapor para evitar que haja vapori-
          zação no interior da bomba, fenômeno que é conhecido como cavitação e
          que veremos com mais detalhes na parte em que falaremos de bombas.



          Rendimento
          Rendimento de uma máquina é a relação entre as energias recebidas e
          cedidas por essa máquina. No caso de uma bomba, a energia é recebida
          através do eixo de acionamento. A energia é cedida ao líquido pelo impe-
          lidor, sob a forma de pressão e de velocidade.



                                                Energia cedida
                                         =
                                             Energia recebida




                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           56   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
 PROBLEMA 30

Qual seria o rendimento de uma bomba cujo motor entrega 40hp no eixo e a
bomba cede ao líquido 20hp?


                       Energia recebida   40
                   =                    =    = 0,50 ou 50%
                        Energia cedida    20



   Nesse caso, a bomba estaria transformando em calor, por atrito e por
outras ineficiências, metade da energia recebida.



Equação da continuidade
Considerando um fluido como incompressível, pelo esquema da Figura
26, podemos afirmar que, desde que não tenhamos nenhuma saída ou
entrada de líquido entre as seções 1 e 2, a vazão Q1 na seção 1 é igual à
vazão Q2 na seção 2.
                                        FIGURA 26


            ESCOAMENTO DE UM LÍQUIDO NUMA TUBULAÇÃO



             1                                                              2


                       Q1                                                       Q2




                              Q1 = Q 2 = V 1 x A 1 = V 2 x A 2




   Como a vazão é o produto da velocidade pela área, teremos:

          Vazão na seção 1 = v1 x A1              Vazão na seção 2 = v2 x A2


   Como as vazões são iguais nas duas seções, teremos:

                                    v 1 x A 1 = v2 x A2

                                                                        2
                 v1 = v 2 x
                               A2
                               A1
                                        a       v1 = v 2 x
                                                             ( ) D2
                                                                 D1


                                                     PETROBRAS        ABASTECIMENTO
                                                     Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                      57
onde:
             v1 = Velocidade média de escoamento na seção 1.
             v2 = Velocidade média de escoamento na seção 2.
Pense e      D1 = Diâmetro interno da tubulação na seção 1.
Anote        D2 = Diâmetro interno da tubulação na seção 2.

             Dobrando a área de uma seção da tubulação,
                                                                             A área varia com o
          a velocidade média cairá para a metade. Se do-                     quadrado do diâmetro

          brarmos o diâmetro, a área aumenta quatro ve-                                 D2
                                                                              área =
                                                                                        4
          zes e a velocidade média cairá para 1/4.

           PROBLEMA 31

          Temos uma velocidade média de escoamento de 3m/s numa tubulação de
          4"sch 40. Qual será a velocidade de escoamento num outro trecho da linha
          com tubo de 6"sch 40?
          Da tabela de tubos (ver Tabela 18) tiramos:

                                                        →
                          Área interna do tubo 4"shd 40’→ A2 = 82,1cm2


                                                 →
                                        6"sch 40’→ A1= 186,4cm2


                                              A2         82,1
                                 v 1 = v2 x        =3x           = 1,32m/s
                                              A1         186,4




          Teorema de Bernouille
          Um fluido escoando numa tubulação possui três formas de energia:
             Energia potencial ou de altura.
             Energia de pressão.
             Energia de velocidade ou cinética.


             A energia potencial é a que temos quando o líquido se encontra a uma
          determinada altura, como nos casos de barragens de usinas hidrelétricas.
          A água, ao escoar da cota em que se encontra até as turbinas hidráulicas,
          localizadas num nível mais baixo, tem capacidade de acionar uma turbi-
          na acoplada a um gerador de eletricidade. Essa capacidade é chamada de
          energia potencial. Para uma mesma massa, quanto maior a altura, maior
          a energia contida.
             A energia sob a forma de pressão é a que, por exemplo, permite a
          realização de um trabalho como o deslocamento de um pistão numa
          prensa hidráulica. Outro exemplo é o de um macaco hidráulico que
          levanta um peso.

                 PETROBRAS     ABASTECIMENTO
           58   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   A energia de velocidade, também chamada de energia cinética, é a
decorrente da velocidade de escoamento. Um exemplo de uso da energia
cinética são os geradores eólicos (movidos pelo vento).
                                                FIGURA 27


                                 TEOREMA DE BERNOUILLE


                                                                          Seção 2


                                                                     V2




                                                                                       Z2
                       Seção 1

                                 V1
                Z1
                                              Linha de referência




  As energias no ponto 1 e no ponto 2 da tubulação mostrada no esque-
ma acima, expressas em dimensões de coluna de líquido, seriam:


                            P1        V12                       P2        V22
                     E1 =        +           + Z1       E2 =         +          + Z2
                                      2g                                   2g



   Pelo princípio de conservação de energia, no qual afirmamos que ener-
gia não se perde nem se cria, apenas se transforma, a energia no ponto 1
é igual à energia no ponto 2. Temos então que:


  P1       V 12             P2        V 22
       +          + Z1 =         +           + Z2 = constante        Teorema de Bernouille
           2g                         2g



   Onde os termos representam:


                                 P
                                        = Energia de pressão


                                 V2
                                    = Energia de velocidade
                                 2g

                                 Z = Energia potencial


                                                            PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                            59
A equação anterior é válida apenas teoricamente, já que, na prática,
                temos algumas perdas de energia entre os pontos 1 e 2 decorrentes de
                atritos, choques etc., ficando a equação como:

                                               E1 = E2 + perdas de carga
Pense e Anote
                                    P1        V12              P2       V 22
                                         +           + Z1 =         +             + Z2 + perdas
                                              2g                        2g



                   Essas perdas recebem o nome de perda de carga entre o ponto 1 e o
                ponto 2.
                   Pela equação anterior, também podemos calcular a energia fornecida
                por uma bomba para uma determinada vazão. No caso da bomba, não
                temos perda, mas ganho de energia. Medindo a energia no flange de des-
                carga (E2) e no flange de sucção (E1) da bomba, a diferença entre essas
                energias é a fornecida pela bomba para aquela vazão.
                                                              FIGURA 28


                                          ENERGIA CEDIDA PELA BOMBA


                                                                             P2


                                         P1


                                                                               V2
                                                                                                   Z2
                             Z1
                                         V1



                                                    Linha de referência



                                         E2 – E1 = Energia cedida pela bomba




                                                                          P2 – P1          V22 – V12
                      Energia cedida pela bomba = E2 – E1 =                            +               + Z2 – Z1
                                                                                              2g



                  Quando tratarmos das curvas características das bombas centrífugas,
                voltaremos a este assunto.

                        PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                 60    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Tabela de tubos
                                     TABELA 18


                             DADOS SOBRE TUBOS
 Diâm.   Diâm.                            Espessura   Diâm.           Área        Peso
Nominal ext. (mm)         Padrões           (mm)    int. (mm)       int. cm2      kgf/m
  ½”        21      Std      40     40S      2,77          15,8          1,96      0,42
                     XS      80     80S      3,73          13,8          1,51      1,62
                      –     160      –       4,75          11,8          1,10      1,94
                    XXS       –      –       7,47           6,4          0,32      2,55
  ¾”        27      Std      40     40S      2,87          20,9          3,44      1,68
                     XS      80     80S      3,91          18,8          2,79      2,19
                      –     160      –       5,54          15,6          1,91      2,88
                    XXS       –      –       7,82          11,0          0,95      3,63
   1"       33      Std      40     40S      2,87          26,6          5,57      2,50
                     XS      80     80S      3,91          24,3          4,64      3,23
                      –     160      –       6,35          20,7          3,37      4,23
                    XXS       –      –       9,09          15,2          1,82      5,44
   2"       60      Std      40     40S      3,91          52,5          21,7      5,44
                     XS      80     80S      5,54          49,2          19,0      7,47
                      –     160      –       8,71          42,9          14,4     11,08
                    XXS       –      –      11,07          38,2          11,4     13,44
   3"       89      Std      40     40S      5,48          77,9          47,7     11,28
                     XS      80     80S      7,62          73,6          42,6     15,25
                      –     160      –       11,1          66,7          34,9     21,31
                    XXS       –      –       15,2          58,4          26,8     27,65
   4"      114      Std      40     40S      6,02         102,3          82,1     16,06
                     XS      80     80S      8,56          97,2          74,2     22,29
                      –     160      –       13,5          87,3          59,9     33,49
                    XXS       –      –       17,1          80,1          50,3     40,98
   6"      168      Std      40     40S      7,11          154          186,4     28,23
                     XS      80     80S     10,97         146,3         168,2     42,51
                      –     160      –       18,2         131,8         136,4     67,41
                    XXS       –      –       21,9         124,4         121,5     79,10
   8"      219      Std      40     40S      8,18         202,2         321,1     42,48
                     XS      80     80S      12,7         193,7         294,6     64,56
                    XXS       –      –       22,2         174,6         239,4     107,8
                      –     160      –       23,0         173,1         235,5     111,1
  10"      273      Std      40     40S      9,27         254,5         509,1     60,23
                     XS      60     80S      12,7         247,6         481,9     81,45
                      –      80      –       15,1         242,9         463,2     95,72
                      –     160      –       28,6         215,9         365,8     172,1
  12"      324      Std       –     40S      9,52         304,8         729,6     73,74
                      –      40      –       10,3         303,2         722,0     79,65
                     XS       –     80S      12,7         298,4         655,5     97,34
                      –      80      –       17,4         288,9         699,4     131,7
  14"      356      Std      30      –       9,52         336,5         889,7      81,2
                      –      40      –       11,1         333,4         872,9     94,29
                     XS       –      –       12,7         330,2         856,2     107,3
                      –      80      –       19,0         317,5         791,7     157,9
  16"      406      Std      30      –       9,52         387,3       1.178,1     93,12
                     XS      40      –       12,7         351,0       1.140,1     123,2
                      –      80      –       21,4         363,6        1038,1     203,0
  18"      457      Std       –      –       9,52         438,1       1.507,8     105,0
                     XS       –      –       12,7         431,8       1.464,3     139,0
                      –      40      –       14,3         428,6       1.443,3     155,9
                      –      80      –       23,8         409,6      1.3017,5     254,1
  20"      508      Std      20      –       9,52         488,9       1.877,5     116,9
                     XS      30      –       12,7         482,6       1.829,1     154,9
                      –      40      –       15,1         477,9       1.793,6     182,9
                      –      80      –       26,2         455,6       1.630,4     310,8
  24"      610      Std      20      –       9,52         590,5        2742,1     140,8
                     XS       –      –       12,7         584,2        2677,6     186,7
                      –      40      –       17,4         574,7        2593,7     254,7
                      –      80      –       30,9         547,7        2355,0     440,9



                                                    PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                    Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                      61
Letras gregas
          Relação das letras gregas maiúsculas e minúsculas.

Pense e                                                       TABELA 19


                                                     LETRAS GREGAS
Anote
                      Alfa              Beta          Gama                     Delta          Épsilon           Zeta



                       Eta             Teta         Iota                       Kapa           Lambda              Mi



                      Ni               Csi            Ômicron                  Pi             Rô                Sigma



                      Tau               Ípsilon            Fi                  Qui            Psi               Ômega




          Prefixos
                                                              TABELA 20


                                                           PREFIXOS

           Múltiplo Prefixo Símbolo                 Nome           Múltiplo Prefixo Símbolo                 Nome
            10 18            exa             E    quintilhão        10 -18             atto     a       quintilionésimo
                 15                                                      -15
            10               peta            P    quadrilhão        10               femto         f    quadrilionésimo
                 12                                                      -12
            10               tera            T      trilhão         10                 pico     p        trilionésimo

            10 9             giga            G      bilhão          10 -9            nano       n        bilionésimo

            10 6             mega            M     milhão           10 -6            micro               milionésimo
                 3                                                       -3
            10               quilo           k       mil            10                 mili    m           milésimo
                 2                                                       -2
            10               hecto           H       cem            10               centi      c         centésimo

            10               deca            da      dez            10 -1              deci     d          décimo




            Exemplos:


                                     m = 10-6m = micrometro = milionésimo do metro

                                    cm = centímetro = 10-2m = centésimo do metro

                                     ml = mililitro = 10-3 litro = milésimo de litro

                                      kg = quilograma = 103 gramas = mil gramas

                                     MW = megawatt = 106 Watt = milhões de Watt

                                      Gb = gigabite = 109 bites = bilhão de bites


                      PETROBRAS         ABASTECIMENTO
           62        Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Resumo
  ÁREA DE FIGURAS GEOMÉTRICAS

Quadrado             A = a2                              Lado ao quadrado
Retângulo            A=b.h                               Base x Altura
Paralelogramo        A=b.h                               Base x Altura
Trapézio                  h . (b1 + b2)                  Base média x Altura
                     A=
                                2
Triângulo                 (b . h)                        Base x Altura sobre 2
                     A=
                             2
                                              2
Círculo              A=       . r2 =     .D              Pi x Raio ao quadrado
                                          4


  VOLUME DOS SÓLIDOS

Cubo                 V = a3                              Lado ao cubo
Paralelepípedo       V=a.b.h                             Largura x Profundidade x Altura
                                          2
Cilindro             V=B.h=              .r .h           Área da base x Altura
Cone                 V=B.h =             . r2 . h        Área da base x Altura sobre 3
                         3                      3
                                     3
Esfera               V=4.         .r                     Quatro terços de Pi x Raio ao cubo
                                   3


     VELOCIDADE LINEAR


         D                                          Distância percorrida sobre tempo
v=
         t


  VELOCIDADE ANGULAR


             N     N
w=2             =    rd/s                           Pi x rpm sobre 30
             60   30


   VAZÃO

                  v. .r 2
Q = Vol = v x A =                                   Volume sobre tempo
     t              30


  ACELERAÇÃO

       v2 – v 1
a=                                                  Variação da velocidade no tempo
         t2 – t1


   FORÇA

F=mxa                  Peso = m x g                 Massa x Aceleração


                                                      PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                                      Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                           63
Resumo
Pense e
               TRABALHO
Anote     T=Fxd                                           Força x Distância


               TORQUE

          T=Fxd                                           Força x Raio de giro



           POTÊNCIA


          Pot = T                                         Trabalho sobre tempo
                t


               MASSA ESPECÍFICA

                   Massa
               =                                          Massa sobre o volume
                   Volume


                PESO ESPECÍFICO

                   Massa
               =                                          Peso sobre o volume
                   Volume


               DENSIDADE

                   Massa específica do produto            Relação entre massa específica
          d=
                    Massa específica da água              do líquido e da água



               PRESSÃO

                   F              xH                      Força sobre área ou peso
          P=                P=
                   A             10                       específico x Altura sobre 10

           p/ P em kgf/cm2           em gf/cm3 → H = m


               VISCOSIDADE DINÂMICA            E CINEMÁTICA


               (cSt) =      (Cp)                          Viscosidade cinemática é a
                         Densidade                        viscosidade dinâmica dividida
                                                          pela densidade


               RENDIMENTO

                    Energia cedida                        É a relação entre as energias
               =
                   Energia recebida                       cedida e a recebida



                    PETROBRAS    ABASTECIMENTO
          64       Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Resumo

 EQUAÇÃO DA CO NTINUIDADE
 EQUAÇÃO DA CONTINUID
               NTINUIDADE


                A2                 Velocidade da seção 1 igual à velocidade
V1 = V2 x                 ou       da seção 2 x Relação entre as áreas 2 e 1
                A1
                                   ou multiplicada pelas relações entre os
                               2   quadrados dos diâmetros 2 e 1
V1 = V2 x
            ( )      D2
                     D1


      TEOREMA DE BERNOUILLE


 P1        V12                     Pressão sobre peso específico +
       +         + Z1 =            Velocidade ao quadrado sobre 2 x
           2g                      Aceleração da gravidade + Altura do
                                   manômetro na seção 1 igual à da
 P2        V22                     seção 2 + Perdas
       +         + Z2 + perdas
           2g




                                           PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                           Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                               65
Pense e Anote
                      Bombas



B     ombas são máquinas destinadas à transferência de líquidos de um
ponto para outro. Para realizar essa movimentação, as bombas cedem ener-
gia ao líquido sob a forma de pressão e de velocidade, sendo a forma de
pressão a predominante.
   É importante conhecer o funcionamento de um equipamento para que
possamos realizar manutenção adequada. Esse conhecimento facilita a
identificação de falhas e o modo de saná-las. O presente trabalho visa dar
este conhecimento.




         Os fabricantes disponibilizam uma
         grande variedade de bombas, que podem ser
         grupadas em duas famílias principais, cada uma
         delas com características que serão objeto de
         apreciação ao longo desse trabalho:
         ➜ Bombas dinâmicas ou turbobombas.
         ➜ Bombas de deslocamento positivo ou
         volumétricas.

         Para funcionar, a bomba necessita receber
         energia de um acionador. Os principais
         acionadores usados nas bombas são:
         ➜ Motores elétricos.
         ➜ Turbinas a vapor.
         ➜ Motores de combustão interna.



   Na indústria em geral, o acionamento das bombas é realizado, princi-
palmente, por motores elétricos. Essa preferência é devido ao fato de os
custos de aquisição e de operação serem inferiores aos das turbinas e dos

                                          PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                          Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                          67
motores de combustão interna. Os motores elétricos possuem rendimento
          na casa dos 90% contra cerca de 30% dos dois outros acionadores citados.
             Durante muito tempo, as turbinas possuíram uma vantagem sobre os
Pense e   motores elétricos, a saber, a possibilidade de variar a rotação. Hoje em
Anote     dia, com o barateamento dos variadores de freqüência, é cada vez mais
          comum utilizar motores elétricos com rotação variável no acionamento
          de bombas.
             Os motores de combustão interna são pouco utilizados em refinari-
          as, ficando seu uso restrito a casos excepcionais de segurança, como
          bombas reservas de água contra incêndios ou de produtos que, ao es-
          coarem através de oleodutos, são passíveis de endurecimento caso cesse
          o bombeamento. Se não dispusermos de vapor nas instalações, isso é
          outro motivo que poderá levar à utilização de tal alternativa de acio-
          namento. Esses motores, quando empregados, são geralmente movi-
          dos a óleo diesel.
             Além deles, existem algumas bombas alternativas que são acionadas
          por meio de cilindros a vapor. Em unidades novas, essa aplicação está fi-
          cando cada vez mais rara.
             Os motores pneumáticos, devido a sua baixa confiabilidade e ao seu
          alto custo operacional, não são utilizados em bombas de processo. São
          aplicados, principalmente, como acionadores de bombas portáteis de
          abastecimento de óleo lubrificante a partir de tambores. Sua vantagem é
          a de não causar riscos de explosão e de serem facilmente acionáveis devi-
          do à grande disponibilidade de pontos de alimentação de ar comprimido
          existentes nas unidades.
             Nos locais em que a falha da bomba possa ocasionar problema de se-
          gurança ou prejuízos elevados, é usual a adoção de bomba reserva de
          modo a não interromper o funcionamento da unidade.
             Visando aumentar a segurança operacional, é comum adotar duas fon-
          tes distintas de alimentação para os acionadores, reduzindo assim a pos-
          sibilidade de parada do sistema para o qual a bomba trabalha.
             Quando ambas, a bomba principal e a reserva, são acionadas por mo-
          tor elétrico, é comum a utilização de alimentadores elétricos (feeders) di-
          ferentes para cada uma delas. É comum também ter a bomba principal
          acionada por motor elétrico e a reserva por turbina a vapor, ou o contrá-
          rio. A vantagem em ter o motor como reserva é a sua elevada aceleração,
          que faz com que a bomba entre em operação rapidamente, caso tenha-
          mos uma falha do equipamento principal. Já a desvantagem é que, ao usar
          a turbina a vapor como principal, aumentamos o custo operacional devi-
          do ao fato de seu rendimento ser menor. O sistema de partida automáti-
          co do motor elétrico é mais simples do que o da turbina. De modo geral,
          o fornecimento do vapor é mais confiável do que a energia elétrica. A es-
          colha do tipo de acionador principal deverá levar em conta esses fatores.

                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           68   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
  Com o intuito de aumentar a flexibilidade operacional, o que permite
variar significativamente a vazão, algumas instalações adotam diversas
bombas operando em paralelo; nesses casos, fica uma delas como reser-
va. Caso venha a falhar mais de uma bomba simultaneamente, o sistema
ainda continuará sendo atendido, só que com uma vazão menor.




                                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                        Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                        69
Pense e Anote
               Recebimento
                da bomba


A      o chegar ao almoxarifado, vinda do fabricante, uma bomba nova
deve ser submetida a uma inspeção de recebimento.
   Embora a maioria das bombas adquiridas pela Petrobras seja ins-
pecionada durante sua fase de fabricação e de testes, podem ocorrer
danos entre a saída da fábrica e a chegada ao almoxarifado da refina-
ria usuária.
   Normalmente, as bombas são embaladas pelo fabricante em caixotes
de madeira fechados por placas de compensado, ou em caixotes com ri-
pas de madeira pregadas, do tipo engradado.
   No ato do recebimento, o primeiro passo é ler a pasta que contém a
documentação de compra (pasta do PCM) para saber que itens deveriam
ser fornecidos juntamente com a bomba.
   A inspeção de recebimento deve constar no mínimo de:
1. Verificação do estado do caixote de madeira. Caso ele tenha sido mal
   manuseado, como, por exemplo, ter caído durante o transporte, pro-
   vavelmente a parte de madeira deverá estar danificada. Havendo da-
   nos, a inspeção deverá ser mais detalhada.
2. Caso a bomba tenha vindo num caixote fechado, abri-lo para verificar
   sua plaqueta de identificação e a do acionador para assegurar-se de que
   a bomba é mesmo a encomendada.
3. Análise dos estados da base metálica; da bomba; do acionador; do aco-
   plamento e da sua proteção; das linhas de refrigeração e de selagem;
   do sistema de lubrificação e dos parafusos de nivelamento.
4. Verificação dos sobressalentes encomendados: se foram fornecidos com
   as especificações e as quantidades corretas.
5. Conferência da documentação, tal como manuais e desenhos: se vie-
   ram junto com a bomba (em alguns casos eles são fornecidos com an-
   tecedência e, em outros, somente após a entrega). Verificar se a docu-
   mentação está de acordo com a quantidade solicitada. O manual da
   bomba deve conter no mínimo:
   • Folhas de dados da bomba e do acionador (se este último fizer parte
    do fornecimento).

                                          PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                          Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                          71
• Dados dos testes efetuados na fábrica (desempenho, vibração,
                NPSH etc.).
             • Instruções de manutenção e de operação da bomba.
Pense e      • Desenho de corte da bomba com todos os itens identificados.
Anote        • Lista das peças relacionadas no desenho de corte da bomba com as
                referências comerciais, os materiais de fabricação e as quantidades
                empregadas na bomba.
             • Desenho do conjunto da bomba, mostrando a base, a bomba, seu
                acionador, acoplamento e as respectivas cotas.
             • Desenho da selagem. No caso do uso de selo mecânico, devem cons-
                tar: plano de selagem; corte do selo; lista de peças com identifica-
                ção das referências comerciais; material de fabricação e quantida-
                de empregada. Caso a selagem seja feita por meio de gaxetas, de-
                verá ter a especificação do tipo, do tamanho e do número de anéis
                utilizados, além de um corte da caixa de selagem, mostrando o po-
                sicionamento das gaxetas em relação ao anel de distribuição (anel
                de lanterna).
             • Desenhos de corte do acionador, com lista de peças, referências co-
                merciais e materiais e quantidades utilizadas.


          6. Descrição da preservação realizada pelo fabricante da bomba.
          7. Verificação de todas as suas entradas (flanges, furos que comunicam
             com o interior da carcaça, caixa de mancais e de selagem): se estão pro-
             tegidas para evitar a entrada de umidade e de objetos estranhos.


             Estando tudo correto, pode ser dado o aceite da bomba no pedido de
          verificação de material.




            Resumo

              Na inspeção de recebimento de uma bomba, deve-se verificar:

                 Se ocorreram danos durante o transporte.
                 Se a documentação da bomba e de seus componentes foi
                 fornecida.
                 Se os bocais e os furos roscados estão protegidos.




                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           72    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
               Preservação



A      té a partida efetiva, ou seja, durante o período em que permane-
cer estocada e mesmo após ser montada na base, um plano de preserva-
ção deve ser obedecido. É usual o fabricante fazer alguns pontos de pre-
servação na fábrica, o que costuma ser eficaz para um período de 6 me-
ses, findos os quais eles devem ser renovados.
   Um dos principais cuidados que devemos ter é o de impedir a queda
de algum objeto no interior da bomba. Para tal, os flanges devem ser pro-
tegidos com uma tampa plástica ou uma chapa metálica com junta. Esse
material só deve ser retirado na fase de colocação das tubulações. As aber-
turas roscadas devem todas ser protegidas com um plugue (bujão) rosca-
do de plástico ou metálico.
   Bombas que vão ser lubrificadas por sistema de névoa podem ser pre-
servadas por esse sistema. Nesse caso, deve ser feita uma linha adicional
para a carcaça da bomba. Logicamente, para tal preservação, o sistema de
geração de névoa terá de ser instalado com antecedência.
   Caso não exista o sistema de névoa, passado o período de preservação
recomendado pelo fabricante, a bomba deve ser cheia com um líquido de
proteção adequado, devendo ser girada algumas voltas e drenada. Esse
líquido costuma ser um óleo com alto teor de antioxidante.
   Recomenda-se colocar na caixa de mancais o mesmo óleo de preserva-
ção. Na falta deste, usar um óleo tipo turbina, por exemplo, Marbrax 68,
com nível até a parte inferior do eixo. Em seguida, girar manualmente al-
gumas voltas. O copo nivelador deve ser retirado e guardado num local
seguro até pouco antes da partida da bomba. Na sua furação, colocar um
plugue roscado.
   Evitar que o peso da parte rotativa recaia sempre sobre o mesmo ponto
do rolamento, ocasionando a corrosão localizada e o desgaste (brinnelling).
Para evitar que isso ocorra, girar periodicamente o eixo da bomba e do aci-
onador (de 15 em 15 dias é um bom prazo) no sentido indicado pela pla-
queta de rotação, de 1 volta + 1/4 de volta. Para essa operação de giro, se
não for possível fazê-lo com a mão, usar uma chave de cinta no acoplamen-
to ou no eixo. Não utilizar chave de grifo para não danificar nem o eixo,

                                           PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                           Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                           73
nem o acoplamento. Fazer uma marca com tinta ou marcatudo no acopla-
          mento para acompanhar a posição de parada do eixo.
             As superfícies usinadas da base metálica que ficarem expostas, como a
Pense e   região de apoio do acionador e da bomba, devem ser preservadas com
Anote     graxa ou parafina para evitar sua oxidação.
             O óleo colocado na caixa de mancais deve ser trocado a cada 6 meses
          se o ambiente for medianamente agressivo como, por exemplo, regiões
          próximas ao mar ou de elevada umidade.



            Resumo

             A preservação deve ser renovada a cada 6 meses.
             Girar o eixo da bomba a cada 15 dias de 1+1/4 de volta no
             sentido da rotação.




                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           74   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
           Instalação e
         teste de partida


E     nganos cometidos nesta etapa ocasionam problemas futuros difí-
ceis de serem reparados. Podemos dividir esta fase em três outras, enu-
meradas a seguir:
1. Nivelamento/grauteamento.
2. Conexão com os flanges.
3. Alinhamento.

  O grauteamento é a operação de colocar uma massa adequada entre a
base de concreto e a base metálica da bomba, fazendo uma união efetiva
entre elas, com o objetivo de aumentar a rigidez da base e a massa do
conjunto. Assim, as forças que atuam na bomba terão seus efeitos atenu-
ados, sejam estas forças de tensão da tubulação nos flanges da bomba,
sejam de desbalanceamento. Uma bomba bem grauteada vibrará muito
menos do que uma outra submetida aos mesmos esforços com graute
inadequado.
                                       FIGURA 29


                          GRAUTEAMENTO DE UMA BASE DE BOMBA


                    Bases de apoio
                    do motor que              Base de apoio da
                    podem ser usadas          bomba que pode
                    para nivelamento          ser usada para
                                              nivelamento

    25mm
    mínimo




                        Parafuso de           Parafuso de
                        nivelamento           nivelamento   Chumbador
        Chumbador                                                        Forma de
                        com placa             com placa
                                                                         madeira para
                                                                         conter o graute
                           Graute            Base de concreto




                                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                        Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                        75
Antigamente, o graute era realizado com uma massa de cimento rala.
          Hoje em dia, são empregados cimentos próprios, que curam bem mais
          rápido. Os especialistas consideram como o melhor material para graute
Pense e   um epóxi específico para esse fim. Como seu custo é bem superior ao do
Anote     cimento, esse fator acaba sendo um inibidor para uso generalizado. O API
          610 (bombas centrífugas) e o API 686 (montagem de máquinas) recomen-
          dam o uso de epóxi no grauteamento das bombas.
             Na montagem da bomba, os seguintes passos devem ser seguidos,
          supondo que a base de concreto esteja pronta e curada. A cura completa
          do concreto só ocorre 28 dias após sua fundição.
          1. Verificar se o posicionamento dos chumbadores na base de concreto
             está compatível com os furos existentes da base metálica da bomba.
             Hoje em dia, é raro o uso de chumbador tipo L. Isso pode ser feito pelo
             desenho da base da bomba, ou se a bomba já estiver na planta, obser-
             var diretamente a base metálica.
          2. Verificar se os chumbadores foram montados dentro de uma luva com
             diâmetro interno de 2 a 3 vezes o diâmetro do chumbador e no míni-
             mo 150mm de comprimento. O espaço entre essa luva e o chumba-
             dor deve ter sido preenchido com um material não endurecível como,
             por exemplo, espuma de poliuretano, usada em isolamento de tubu-
             lação ou RTV (borracha de silicone), evitando, assim, a entrada de con-
             creto ou do graute. Isso permitirá o alongamento do chumbador ao
             ser apertado e também admitirá pequenos deslocamentos para casar
             com a furação da base metálica.
                                                    FIGURA 30


                                       CHUMBADOR E LUVA


                                                D

                                    Vedante         Luva com dia. interno > 2D
                          Graute
                          25mm
                                                           Prender com material
                          mínimo
                                                           que não endureça,
                                                           impedindo a entrada de
                              150mm                        concreto ou de graute
                              (mínimo)


                                                           Ponto de solda




          3. Picotar a base de concreto, retirando a camada lisa de cimento que
            fica na parte superior dela. Deve ser retirada uma espessura de cerca
            de 25mm da base. Não é recomendado o uso de marteletes pneumá-
            ticos nessa tarefa. Utilizar uma pequena marreta e uma ponteira. Esse

                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           76   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   desbaste tem por objetivo remover o cimento liso que sobrenadou na
   base de concreto de modo a deixá-lo áspero e irregular, o que irá faci-
   litar a aderência e aumentar a área de contato com o graute.
4. Limpar bem a base de concreto de detritos e poeiras. Soprar, com ar
   isento de óleo, já que o ar comprimido de compressores de campo cos-
   tuma ter óleo. Evitar a presença de óleo e graxa, pois estas substâncias
   impedem a aderência do graute.
5. Colocar a base da bomba sobre a de concreto de modo que a parte infe-
   rior da base metálica fique no mínimo 25mm acima da base de concre-
   to. As bases das bombas adquiridas pela Petrobras são fornecidas com
   parafusos “macaquinhos” para efeito de nivelamento. Colocar sobre o
   concreto, na direção dos parafusos de nivelamento, um pedaço de cha-
   pa com cerca de 12,7mm (1/2") de espessura. Verificar no projeto se a
   altura da base está correta e se a elevação dos flanges encontra-se de
   acordo com o desenho de tubulação. Ajustar, se necessário.
6. Nivelar a base através dos macaquinhos no sentido transversal e lon-
   gitudinal na região do motor, e depois na região da bomba, usando
   um nível de bolha apoiado em superfícies usinadas da base.
                                        FIGURA 31


                      NIVELAMENTO TRANSVERSAL DA BASE
                  NA ÁREA DO MOTOR E LONGITUDINAL DA BOMBA




       Furos para
       colocação de graute




   A norma API 686 recomenda o limite de 0,2mm por metro, tanto para
o nivelamento transversal quanto para o longitudinal. É recomendável rea-
lizar uma aferição do nível que será utilizado. Para tal, fazer uma leitura com
o nível e depois girá-lo 180º, repetindo a leitura. As duas têm de ser iguais.
Após nivelar a base, colocar os calços de latão ou aço inoxidável sobre os
apoios, apertar as porcas dos chumbadores e tornar a verificar o nível. O
torque de aperto deve seguir o recomendado pelo fabricante. Na falta da
recomendação, usar os valores da Tabela do API, transcrita a seguir:

                                             PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                             Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                             77
TABELA 21


                              TORQUE A SER APLICADO NOS CHUMBADORES
Pense e         Ch Fios/pol      Torque         Ch Fios/pol        Torque           Ch          Torque
Anote        pol        –      N.m    kgf.m   pol       –        N.m    Kgf.m       –      N.m      Kgf.m

             1/2       13      40,7   4,15    1¼        8        678     69,1       –       –            –

             5/8       11      81,4    8,3    1½        8        1085    111      M12        31     3,16

             3/4       10      136    13,8    1¾        8        2034    207      M16       110     11,2

             7/8        9      217    22,1     2        8        2983    304      M24       363          37

             1          8      332    33,9    2¼        8        4312    440      M30      1157      118

            1 1/8       8      481    49,1    2¾        8        8026    818      M52      3815      389




          7. Preparar as formas em torno da base para o grauteamento. Vedar as
             formas, principalmente junto ao concreto, para evitar vazamentos.
          8. Passar um antiaderente nas partes em que não se deseja que o graute
             tenha aderência. São elas: as formas de madeira, os parafusos maca-
             quinhos e as porcas de fixação da proteção do acoplamento. Não é re-
             comendado o uso de óleo ou graxa nesta atividade, e sim três cama-
             das de uma pasta à base de parafina.
          9. Para evitar quebras, a base de concreto e a camada de graute não de-
             vem ter cantos vivos. Fazer um acabamento com um chanfro de 45º,
             conforme mostra a Figura 32.
                                                    FIGURA 32


                       CHANFRO DE 45º NA BASE DE CONCRETO E NO GRAUTE


                                                                        Base metálica
                                  Graute
                                                                                Chanfros




                                                    Concreto




          10. Verter o graute. As bases costumam ter furos nas chapas para este fim
                 (ver Figura 31). O ideal é que exista um suspiro (vent) do lado oposto
                 do furo de colocação do graute para permitir a saída do ar. Se a bomba
                 e o acionador prejudicarem o acesso para a colocação do graute, eles
                 devem ser retirados da base. Durante a fase de grauteamento, todas
                 as tubulações devem estar desconectadas. Existem cimentos apropri-
                 ados para graute. Não é aconselhável o uso de vibrador. Utilizar para

                     PETROBRAS    ABASTECIMENTO
           78       Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
     esse fim um pedaço de madeira para ir socando o graute. Não deve
     ser exercida muita força para evitar a deformação da chapa superior
     da base metálica. Devem ser preenchidos todos os vazios da base.
11. Após a cura do graute, verificar, com auxílio de um pequeno marte-
    lo, batendo na chapa superior da base, se ficou alguma região va-
    zia. Havendo, faça dois furos nas extremidades opostas do vazio, um
    para introduzir massa epóxi, comum, e outro para saída do ar. O
    reparo deve ser realizado com epóxi mesmo que tenha sido grautea-
    do com cimento.
12. Após a operação anterior, retirar as formas e os parafusos de nivela-
    mento.
13. Se fizer parte do projeto, montar as tubulações auxiliares de refrige-
    ração, de selagem e de lubrificação.
14. Somente após a cura do graute, devem ser conectadas as linhas de
    sucção e de descarga. Os flanges das tubulações devem estar concên-
    tricos e paralelos com os da bomba. Todos os parafusos devem ser co-
    locados com a mão nos furos, sem necessidade de forçar os flanges.
15. Verificar a tensão introduzida pelas linhas. Para tal, coloque dois re-
    lógios comparadores com os ponteiros apoiados no cubo do acopla-
    mento, um na direção horizontal e o outro na vertical. Zere os relógi-
    os. Aperte os parafusos do flange de sucção com a junta de vedação
    no local. Os dois relógios devem indicar menos de 0,05mm. Torne a
    zerar os relógios e aperte agora o flange de descarga. Os relógios tam-
    bém devem indicar menos de 0,05mm. Se, no aperto de alguma das
    tubulações, for excedido esse valor de deslocamento, afrouxar os flan-
    ges dessa linha nas imediações da bomba (das válvulas de bloqueio,
    dos filtros, das válvulas de retenção etc.) e começar apertando-os a
    partir do flange mais próximo da bomba.
    Os desalinhamentos angulares podem ser corrigidos com o aqueci-
    mento localizado em alguma curva. Um outro recurso que pode ser
    usado é aquecer ao rubro uma seção completa da tubulação com os
    flanges da bomba apertados. O aquecimento reduz a resistência da
    tubulação, fazendo com que o material deforme, o que diminui a ten-
    são introduzida pela linha. Lembrar que alguns tipos de aço usados
    em tubulações, se aquecidos, podem necessitar de tratamento tér-
    mico posterior. Portanto, consulte antes o responsável pela monta-
    gem da tubulação. Se, depois de tudo, não for possível enquadrar os
    valores, cortar a tubulação e refazer a solda da linha.
16. Verificar se o sentido de giro do acionador está coerente com a bom-
    ba antes de acoplá-la. No caso de motor elétrico, se não estiver cor-
    reto, peça para inverter as fases de alimentação elétrica.
17. Alinhar a bomba com o acionador. O alinhamento que vem do fabri-
    cante é apenas um pré-alinhamento.

                                           PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                           Manutenção e Reparo de Bombas
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Caso a bomba fique inativa por período prolongado, é recomendável girar
                o eixo de 1 volta completa + 1/4 a cada 15 dias de modo que promova a
                lubrificação completa dos rolamentos e altere a esfera sob carga, bem como
                o local de apoio na pista do rolamento, evitando desgaste localizado.
                    Antes da primeira partida e logo depois dela, verificar:
Pense e Anote   a     Se a bomba, o acionador e o acoplamento estão adequadamente lu-
                      brificados.
                b     Se a proteção do acoplamento encontra-se no lugar.
                c     Se o sentido de giro do acionador está correto. Caso tenha dúvida,
                      desacople a bomba e teste. Algumas bombas podem ser giradas ao
                      contrário. Nesse caso, ela pode ser ligada e desligada rapidamente só
                      para sair da inércia e verificar o sentido de giro. Bombas verticais, na
                      maioria dos casos, não podem girar ao contrário, sob pena de solta-
                      rem partes fixadas por roscas, principalmente eixos e impelidores;
                d     Se as válvulas das linhas de refrigeração e de selagem (flushing e quen-
                      ching) estão abertas.
                e     Se a bomba está escorvada. Para tal, abra a válvula de sucção e o sus-
                      piro (vent) da carcaça. Quando pararem de sair borbulhas de ar, a bomba
                      estará cheia de líquido. Fechar o suspiro.
                f     Se a válvula de descarga está fechada e descolada da sede. Válvulas de
                      descarga de diâmetros grandes e com pressão de descarga alta geram
                      uma força na gaveta que dificulta sua abertura. Nessa situação, é in-
                      teressante partir a bomba com a gaveta da válvula ligeiramente des-
                      colada da sede (cerca de 1/4 de volta do volante).
                g     Partir a bomba.
                h     Logo após a partida, abrir a válvula de descarga.




                      Durante a fase de aceleração da bomba, a corrente do motor elétrico
                      atinge 5 a 6 vezes o valor da corrente nominal. Se a partida for
                      demorada, ocorrerá o aquecimento excessivo do motor, o que reduz a
                      vida útil de seu isolamento. A corrente alta também pode atuar o
                      sistema de proteção elétrico, desarmando o motor. Por esse motivo,
                      as bombas devem partir na condição de menor potência exigida.
                      Como nas bombas centrífugas a potência cresce com a vazão, elas
                      devem partir com a descarga fechada. Já nas bombas de fluxo axial,
                      a menor potência ocorre com alta vazão. Portanto, devem partir
                      com a descarga totalmente aberta. As bombas de fluxo misto, para
                      efeito de partida, devem seguir as centrífugas. No capítulo sobre
                      as Curvas Características das Bombas, serão analisadas as suas
                      curvas de potência.



                         PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 80     Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
    Após a partida da bomba, devem ser verificados e acompanhados:
a    Vibração da bomba e do acionador. É interessante fazer espectros das
     vibrações dos mancais da bomba e do acionador para servir como
     referência futura.
b    Barulhos anormais.
c    Temperatura dos mancais (pode levar até 3 horas para estabilizar). A
     norma API 610 limita em 82ºC a temperatura dos mancais ou 40ºC
     de acréscimo em relação à temperatura ambiente.
d    Vazamentos pela selagem.
e    Se os manômetros da sucção e da descarga estão estáveis. Manôme-
     tros oscilando muito demonstram problemas de cavitação ou recircu-
     lação, o que pode ser verificado e confirmado pelo ruído característico.
f    Havendo possibilidade, medir a corrente do motor elétrico, observan-
     do se o valor está dentro do esperado.




    Resumo

    Após a cura da base de concreto, picotá-la, rebaixando-a cerca
    de 25mm.
    Limpar bem o concreto e colocar a base metálica da bomba.
    Nivelar a base lateral e longitudinalmente no limite de 0,2mm
    para cada metro de dimensão, mantendo-a cerca de 25mm
    acima do concreto.
    Proteger os chumbadores e grautear a base.
    Alinhar, verificar sentido de giro do acionador e acoplar.
    Testar a bomba, verificando vibração, ruídos anormais e
    vazamentos e, se necessário, desempenho.




                                            PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                            81
Pense e Anote
             Classificação
              de bombas


E      xiste uma variedade muito grande de bombas disponíveis no mer-
cado. Podemos classificá-las, baseados no modo do seu funcionamento,
em dois tipos principais:


           Classificação de bombas

                                                     Radial
                            Centrífuga
   Bombas dinâmicas
                            Fluxo axial              Tipo Francis
   ou turbobombas
                            Fluxo misto

                        PERIFÉRICA OU REGENERATIVA

                                                     Pistão
                            Alternativa              Êmbolo
                                                     Diafragma
   Bombas
   volumétricas ou
   de deslocamento                                   Engrenagens
   positivo                                          Parafusos
                                                     Lóbulos
                            Rotativa                 Palhetas
                                                     Peristática
                                                     Cavidades progressivas




   A bomba dinâmica ou turbobomba se caracteriza por fornecer energia
ao líquido pela rotação de um impelidor. A orientação do líquido ao sair
do impelidor determina, juntamente com a forma como a energia é cedi-
da, o tipo da turbobomba.
   A bomba volumétrica ou de deslocamento positivo se caracteriza por
executar seu trabalho por meio do aprisionamento de um certo volume
do líquido na região de sucção e posterior deslocamento desse volume
para a descarga. Seus nomes provêem da forma como a energia é transfe-
rida ao líquido: pistão, diafragma, engrenagens, palhetas etc.
   Nos próximos capítulos, analisaremos mais detalhadamente cada tipo.

                                          PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                                           Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                              83
Pense e Anote
      Bomba dinâmica
       ou turbobomba


A        turbobomba que trabalha cedendo energia ao líquido por meio
de um impelidor pode ser classificada em quatro tipos diferentes, de acordo
com a forma de cessão de energia ao fluido.


BOMBA CENTRÍFUGA
Pode ser do tipo radial ou tipo Francis. A bomba centrífuga radial ou cen-
trífuga pura é a que possui as pás do impelidor com a curvatura em um
só plano. Nesse tipo de bomba, o fluxo sai do impelidor perpendicular-
mente ao eixo. O impelidor cede energia ao líquido por meio da força
centrífuga. A bomba centrífuga tipo Francis possui as pás do impelidor com
curvatura em dois planos. Nesse tipo, a energia é cedida ao líquido pela for-
ça centrífuga e de arrasto. O líquido sai do impelidor perpendicular ao eixo.


BOMBA DE FLUXO AXIAL
É a bomba na qual a energia é cedida ao líquido sob a forma de arrasto. O
fluxo do líquido caminha paralelamente ao eixo. Seu impelidor lembra uma
hélice de barco ou de ventilador.


BOMBA DE FLUXO MISTO
Esta bomba é intermediária entre a centrífuga e a axial. O fluxo sai do
impelidor inclinado em relação ao eixo. A energia transmitida pelo impe-
lidor é sob a forma centrífuga e de arrasto.


BOMBA PERIFÉRICA OU REGENERATIVA
Esta bomba também é chamada de turbina regenerativa. Nela, as pás ficam
situadas na periferia do impelidor. A carcaça forma uma câmara em forma de
anel (corte A-A da Figura 34). Em uma volta, o líquido entra e sai diversas
vezes nesta câmara e entre as pás do impelidor. Em cada entrada, ele ganha
um novo impulso e, por isso, estas bombas costumam ter uma pressão alta
de descarga para o diâmetro do impelidor. O líquido segue uma trajetória
helicoidal. Na região de descarga, a câmara se estreita para impedir o retorno
do líquido para a região de sucção (corte B-B da Figura 34).

                                            PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                            85
FIGURA 33


                          TURBOBOMBA COM OS TRÊS TIPOS DE FLUXO
Pense e
Anote



                      Fluxo radial              Fluxo misto               Fluxo axial




                                                 FIGURA 34


                            BOMBA REGENERATIVA E SEU IMPELIDOR



                                                P4            P4 > P3 > P2 > P1


                 P1                                  P3

                                     A

                            A
                                         P2
                                                                 Corte A–A




                                 B



                                     B


                                                                    Corte B–B




                PETROBRAS       ABASTECIMENTO
          86   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                            FIGURA 35


TIPOS DE BOMBAS CENTRÍFUGAS SEGUNDO A NORMA API 610

Tipo básico                                                    Classifi-
                                Tipo        Características                    Figura
(impelidor)                                                     cação

Em balanço    Acoplamento    Horizontal         Apoiada          OH1
( Overhung)     flexível                        por pés

                                               1 Estágio




                                                Apoiada na       OH2
                                             linha de centro

                                               1 Estágio




                              Vertical         1 Estágio         OH3
                            in-line com
                              caixa de
                              mancais
                             separada




              Acoplamento     Vertical         1 Estágio         OH4
                 rígido       in-line

                             Impelidor
                              montado
                             no eixo do
                             acionador




                 Eixo da      Vertical         1 Estágio         OH5
               bomba sem      in-line
              acoplamento




                                Alta           Montagem          OH6
                             velocidade        vertical ou
                                               horizontal
                            Multiplicador
                              integral         1 Estágio

                            Acoplamento
                                entre
                            multiplicador
                             e acionador

                                                                                        Continua




                                                             PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                             Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                               87
FIGURA 35
          Continuação

                  TIPOS DE BOMBAS CENTRÍFUGAS SEGUNDO A NORMA API 610
Pense e
Anote            Tipo básico
                 (impelidor)
                                                   Tipo       Características
                                                                                Classifi-
                                                                                 cação
                                                                                            Figura


                    Entre           1e2           Partida                         BB1
                   mancais        Estágios      axialmente
                  (between
                  bearings )




                                                  Partida                         BB2
                                                radialmente




                                Multiestágios     Partida                         BB3
                                                axialmente




                                                  Partida         Carcaça         BB4
                                                radialmente       simples
                                                                com multi-
                                                                segmentos




                                                                   Carcaça        BB5
                                                                    dupla
                                                                (tipo barril)




                Verticalmente     Carcaça       Descarga          Difusor         VS1
                 suspensas        simples       através da
                                                  coluna




                                                                                                     Continua




                     PETROBRAS       ABASTECIMENTO
          88       Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                             FIGURA 35
Continuação

        TIPOS DE BOMBAS CENTRÍFUGAS SEGUNDO A NORMA API 610

       Tipo básico                                             Classifi-
                                  Tipo       Características                   Figura
       (impelidor)                                              cação

      Verticalmente    Carga    Descarga         Voluta          VS2
       suspensas      simples   através da
                                  coluna




                                               Fluxo axial       VS3




                                Descarga        Eixo com         VS4
                                separada        mancais




                                              Impelidor em       VS5
                                                balanço




                      Carcaça    Difusor                         VS6
                       dupla
                      (poço)




                                 Voluta                          VS7




                                                             PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                             Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                             89
A norma API 610, na qual é especificada e adquirida a maioria das bom-
                bas centrífugas de uma refinaria, sugere uma classificação e uma numera-
                ção em função do tipo da bomba, fazendo uma divisão principal entre três
                modelos, baseados na posição do impelidor em relação aos mancais:
                   Em balanço (overhung)                               – Denominadas OH
Pense e Anote      Entre mancais (between bearings)                    – Denominadas BB
                   Verticalmente suspensas (vertically suspended)      – Denominadas VS


                   Estes modelos são subdivididos em vários tipos. Cada tipo recebe uma
                designação iniciada pelas letras acima, seguida de um número.
                   De modo a facilitar essa identificação, a Figura 35 mostra um quadro
                com um croqui para cada tipo.
                   A bomba centrífuga é o tipo mais usado, principalmente devido a sua
                versatilidade. Ela faz parte de um conjunto mais geral denominado turbo-
                bombas, que, além da centrífuga, inclui a bomba axial e a de fluxo misto.
                Normalmente, são englobadas com o nome genérico de bombas centrí-
                fugas, embora a bomba axial nada tenha de centrífuga.
                   Uma das vantagens da bomba centrífuga é poder trabalhar com gran-
                des variações de vazão sem alterar a rotação, o que as bombas de deslo-
                camento positivo geralmente não permitem.
                   Para garantir o funcionamento adequado de uma bomba, proporcio-
                nando uma campanha longa, ela deve ser bem especificada, bem selecio-
                nada, bem fabricada, bem montada, bem operada e bem mantida. Alguns
                enganos cometidos em qualquer dessas etapas podem ser contornados;
                outros, dificilmente o serão, e teremos uma bomba com campanhas sem-
                pre inferiores às esperadas.




                  Resumo

                    As bombas dinâmicas ou turbobombas podem ser
                    classificadas em função da orientação do fluxo de saída:
                    radial, axial, mista e regenerativa.
                    A norma API divide as bombas em três tipos de acordo com a posição
                    do impelidor em relação aos mancais:

                       OH (overhung) – em balanço
                       BB (between bearing) – entre mancais
                       VS (vertically suspende) – verticalmente suspensas

                    A essas letras são acrescentados números para identificar os modelos.
                    A bomba centrífuga permite fácil controle de vazão.


                       PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 90   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Princípio de funcionamento
da bomba centrífuga
Se colocássemos gotículas de líquido sobre um disco, ao girá-lo com uma
rotação N, as gotículas seriam expelidas para a periferia pelo efeito da força
centrífuga.
                                    FIGURA 36


                 DISCO GIRANDO COM GOTAS DE LÍQUIDO


                           Fc                          Fc

                      Fc                                     Fc


                           Fc                           Fc
                                            N




   A bomba centrífuga utiliza este mesmo princípio para funcionar. Faz
uso da força centrífuga, advindo daí o seu nome. Na bomba, esta energia
é cedida pelo impelidor, o qual orienta o fluxo do líquido pelos seus ca-
nais formados pelas pás e discos.
   Para uma bomba centrífuga funcionar adequadamente, há necessidade
de que sua carcaça esteja cheia de líquido. Temos de substituir o ar pre-
existente em seu interior por líquido. Esta operação de encher a bomba é
chamada de escorva da bomba.
   Use a Figura 37 para acompanhar as explicações sobre o funcionamen-
to da bomba centrífuga.
                                           FIGURA 37


              ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DE UMA BOMBA CENTRÍFUGA


                                7                       7

                                                                                       1.   Tubulação de sucção
         1             2                                          5                    2.   Flange de sucção
                           6
                                       5                                               3.   Olhal do impelidor
                                       4                                               4.   Entrada das pás
                                       3                                      6        5.   Saída do impelidor
                                                  8                           3
                                                                              4        6.   Voluta (dupla)
                                                                                       7.   Cone de saída da carcaça
                                       6
                                                                                       8.   Lingüeta

                                6
                                                                  6




                                                PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                  91
O impelidor, ao girar, transmite uma determinada força centrífuga que
                      acelera o líquido presente no seu interior (regiões 3, 4 e 5), fazendo com
                      que este líquido caminhe para a área de saída do impelidor, sendo des-
Pense e               carregado na voluta (6). O líquido passa pela voluta e é orientado pela
Anote                 lingüeta (8) para o cone de saída da carcaça (7). Ao ser deslocado no in-
                      terior do impelidor, ele cria uma região de menor pressão, que é preen-
                      chida pelo líquido que está imediatamente antes, na região 2. Esta será
                      preenchida pelo líquido que está em 1, e assim sucessivamente. O impe-
                      lidor, ao girar, estabelece um fluxo contínuo de líquido da linha de sucção
                      para a descarga.
                          Se não tivéssemos escorvado a bomba, em vez de líquido, teríamos no seu
                      interior ar ou gases e, nessa situação, o vazio criado pelo impelidor, ao girar,
                      não seria suficiente para que o líquido presente na tubulação de sucção fluisse
                      para o impelidor, inviabilizando assim o bombeamento do fluido.
                          Na Figura 38, é mostrada a variação da pressão e da velocidade no in-
                      terior da bomba centrífuga para uma determinada vazão.
                                                                   FIGURA 38


                                             VARIAÇÃO DE PRESSÃO E VELOCIDADE

                                                                                        7


                                                               1                2
                                                                                    6
                                                                                            5
          1.   Tubulação de sucção
          2.   Flange de sucção                                                             4
          3.   Olhal do impelidor                                                           3
          4.   Entrada das pás
          5.   Saída do impelidor
          6.   Voluta (no caso dupla)                                                       5
                                                                                6
          7. Cone de saída da carcaça


                                                                                        6




                                        Velocidade




                                          Pressão




                                                                       Região




                                PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                        92     Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Devido ao atrito e aos choques nas paredes da tubulação e aos aciden-
tes, tais como curvas, válvulas, reduções, filtros etc., a pressão vai caindo
conforme o fluido se desloca pela linha de sucção da bomba (1). Na jun-
ção do flange da tubulação com a sucção da bomba (2), podemos ter uma
pequena perda localizada devido à não-coincidência perfeita entre os diâ-
metros internos dos flanges da tubulação e o da bomba, que normalmen-
te é fundido. A pressão continua caindo lentamente até o olhal do impe-
lidor (3). Logo após o olhal, região 4, temos uma redução da área de esco-
amento devido ao cubo do impelidor, o que provoca um aumento de
velocidade de escoamento e, conseqüentemente, uma queda de pressão,
conforme vimos quando falamos no Teorema de Bernouille (Parte 1). Nessa
região, o fluxo fica mais turbulento pela influência da vazão que retorna
pelo anel de desgaste dianteiro e pelos furos de balanceamento do impe-
lidor. Pelos motivos expostos, a região 4, logo após o olhal e antes de
chegar às pás do impelidor (o líquido ainda não recebeu energia dele), é
que apresenta a pressão mais baixa no interior da bomba.
                                  FIGURA 39


   VARIAÇÃO DA PRESSÃO E DA VELOCIDADE NO INTERIOR DA BOMBA

                                               7


                       1               2
                                           6
                                                               5
                                                                        1.   Tubulação de sucção
                                                               4        2.   Flange de sucção
                                                               3        3.   Olhal do impelidor
                                                                        4.   Entrada das pás
                                                                        5.   Saída do impelidor
                                                               5        6.   Voluta (no caso dupla)
                                       6
                                                                        7. Cone de saída da carcaça


                                               6




      Velocidade




        Pressão




                              Região




                                                   PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                   Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                      93
A partir da região 4, o líquido começa a receber energia cedida pelas pás
          do impelidor, que acelera o líquido, aumentando sua velocidade (energia
          cinética). Esta energia vai sendo transformada parcialmente em energia de
Pense e   pressão devido ao aumento da área entre as duas pás consecutivas (canal
Anote     de escoamento) à medida que o líquido vai avançando no impelidor. Ao
          sair do impelidor, o fluxo passa pela voluta. A área da voluta é crescente
          (ver Figura 37), mas o impelidor, ao girar, descarrega mais líquido de modo
          que o aumento de vazão é compensado pelo aumento da área, permane-
          cendo estável a velocidade de escoamento e a pressão (válido para a vazão
          de projeto da bomba). Por último, na saída da carcaça, região cônica 7, te-
          mos a transformação final da energia de velocidade em energia de pressão.
             Como geralmente o flange de descarga da bomba centrífuga é menor
          do que o flange de sucção, a velocidade na descarga é ligeiramente maior
          do que na sucção. Logo, nem toda a energia cedida ao líquido pela bom-
          ba é transformada em energia de pressão, permanecendo uma parcela
          como energia de velocidade. Como as velocidades de sucção e de descar-
          ga são relativamente baixas, a energia cedida sob a forma de velocidade é
          relativamente pequena em bombas centrífugas. De modo geral, a grande
          parcela de energia cedida é sob a forma de pressão. Somente nas bombas
          de baixo diferencial de pressão como, por exemplo, nas bombas axiais, a
          parcela de energia de velocidade pode ser significativa.
             Nas bombas centrífugas que utilizam difusor em vez de voluta, a trans-
          formação de velocidade em pressão ocorre no impelidor e no difusor. As
          áreas dos canais do difusor são crescentes. Logo, a velocidade de escoa-
          mento será reduzida e a energia será transformada em pressão. O difusor
          é mais empregado nas bombas de múltiplos estágios, sejam elas horizon-
          tais, sejam verticais. Nas bombas horizontais, o difusor costuma ser uma
          peça independente. Nas bombas verticais, geralmente ele faz parte da
          carcaça (ver Figura 35 – bomba verticalmente suspensa tipo VS1).
                                                FIGURA 40


                                                DIFUSOR




                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           94   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote

  Resumo

    O impelidor cede energia ao líquido sob a forma de velocidade.
    No próprio impelidor, parte dessa energia vai sendo
    transformada em energia de pressão. No cone de saída da
    carcaça, temos uma transformação final de energia de
    velocidade para pressão. Os difusores também transformam
    energia de velocidade em pressão.




Aplicações típicas
Bomba centrífuga é um tipo de bomba bastante versátil, daí seu grande
emprego na indústria. Suporta desde serviços leves, como o bombeamen-
to de água residencial, feito com bombas pequenas com 1/8hp, até bom-
bas com consumo de potências bastante altas, que podem chegar a mi-
lhares de hp. Este tipo de bomba é usado praticamente em todas as in-
dústrias, caso das unidades de uma refinaria, na exploração de petróleo,
no transporte de líquidos (oleodutos), nas indústrias químicas, no abaste-
cimento de água das cidades, em irrigação de lavouras, em termoelétri-
cas, na indústria de papel e celulose, nas aciarias e nas demais indústrias.
   Uma das grandes vantagens da bomba centrífuga é sua capacidade de variar
a vazão. As bombas pequenas podem operar de 10% a 120% da vazão de
projeto. Nas bombas maiores, essa faixa de vazão costuma ser mais reduzi-
da, como veremos mais adiante. Em boa parte dos processos que necessi-
tam um controle de vazão, é utilizada uma válvula de controle na linha de
descarga da bomba centrífuga. Conforme sua abertura seja aumentada ou re-
duzida, a perda de carga será alterada, modificando, como conseqüência, a
vazão da bomba. Podemos usar também a rotação para variar a vazão.
   Existem bombas centrífugas projetadas para poucos m3/h de vazão, en-
quanto outras são para milhares de m3/h. As bombas de baixa vazão costu-
mam ter um rendimento inferior ao das bombas de vazão mais elevada.
   As pressões fornecidas por esse tipo de bomba podem ir de alguns kgf/cm2
até centenas de kgf/cm2. Quando as pressões são muitos altas, as bombas
centrífugas são projetadas com vários estágios (impelidores) em série.
   As bombas de processo utilizadas na indústria de petróleo seguem a
norma API 610 (American Petroleum Institute). Atualmente, essa norma
está em fase de junção com a ISO (International Organization for Standar-
dization) para formarem uma norma comum.
   Tanto na exploração, quanto na produção de petróleo, como no refino
e no transporte de produtos (oleodutos), a bomba centrífuga possui larga

                                           PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                           Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                           95
aplicação, abrangendo praticamente todas as áreas, sendo mais fácil citar
                             as condições em que não são empregadas. Senão vejamos:


                             A VAZÃO É MUITO PEQUENA
                             Quando a vazão é inferior a 5m3/h, embora existam bombas menores.
Pense e Anote
                             QUANDO A VISCOSIDADE DO FLUIDO É ELEVADA
                             A bomba centrífuga tem grande perda de rendimento nesta condição.


                             NO BOMBEAMENTO DE ÓLEO LUBRIFICANTE
                             DE GRANDES MÁQUINAS
                             Embora algumas máquinas utilizem bombas centrífugas, nesse tipo de ser-
                             viço, é mais freqüente o uso de bombas de parafusos ou de engrenagens.
                             Nas demais aplicações, é usual a adoção de bombas centrífugas.



                             Partes componentes e suas funções
                             Vejamos as principais partes de uma bomba centrífuga e as funções que
                             exercem, os danos que eventualmente apresentam e as recuperações
                             empregadas para restabelecer a condição normal de funcionamento.
                                                    FIGURA 41


                        CORTE DE UMA BOMBA CENTRÍFUGA TIPO EM BALANÇO – KSB



                                 Bucha de fundo/                                                                     Na lubrificação por névoa
   Carcaça com voluta            Caixa de selagem                                                                    não são necessários copo
                                                             Dissipador de                                           nivelador nem anel
                                                             calor/defletor                                          salpicador e, geralmente,
                                                                                                                     o ventilador é dispensável
                                         Parafuso extrator              Entrada para
                                                                        lubrificação por névoa     Mancais
   Impelidor                                 Sobreposta                                            de ancora
                                                                        Mancal
                                                                        radial



   Câmara de selagem                                                                                               Selagem da
                                                                                                                   caixa de mancais

   Anti-rotacional


   Anel de desgaste                                   Selo

   Caixa de selagem
                                                                                                                     Ventilador para
   Junta da carcaça/                                                                                                 refrigeração
   caixa de selagem                                 Eixo
                                                                              Caixa de
                                                                              mancais       Aletas para
                                                    Anel salpicador                         resfriamento

                                                    Copo do                              Mancal triplo para alta
   Dreno                      Luva do eixo          nivelador de óleo                    pressão de sucção




                                       PETROBRAS       ABASTECIMENTO
                               96    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
  ROTOR OU CONJUNTO ROTATIVO

Pela definição da norma API, rotor é o conjunto de todas as peças giran-
tes, exceto os selos e rolamentos. O rotor é composto por eixo, impelidor,
porcas de fixação, luvas do eixo e defletores. É prática comum chamar o
impelidor de rotor, inclusive alguns fabricantes de bombas utilizam inde-
vidamente esse nome.

  IMPELIDOR

Sua função é a de fornecer energia ao líquido sob a forma de pressão e de
velocidade. O impelidor raramente é recuperado, a não ser que seja de
grande tamanho, sendo quase sempre substituído por um novo quando
está desgastado.

   CARCAÇA

Sua função principal é a de conter o líquido. No caso de carcaça em volu-
ta, esta serve também para transformar energia de velocidade em pres-
são na região do cone de saída. Não é usual necessitar reparos, a não ser
nas bombas utilizadas com líquidos abrasivos ou corrosivos e nas que tra-
balham sob cavitação ou recirculação interna. Como, geralmente, não exis-
tem em estoque carcaças reservas, quando se danificam, costumam ser
recuperadas por soldagem com posterior usinagem ou esmerilhamento.
Em alguns casos, podem ser recuperadas por meio de deposição de resi-
nas especiais, como as do tipo epóxi.

  CAIXA DE SELAGEM

Também chamada de tampa da carcaça e de caixa de gaxetas. Juntamente
com a carcaça, envolve o impelidor contendo o líquido. É através desta peça
que o eixo sai para o exterior da bomba. Possui uma câmara que serve para
instalar a selagem da bomba. Sua recuperação é semelhante à da carcaça.

  EIXO

Sua função é a de transmitir o torque do acionador ao impelidor, o qual
lhe é fixado. Quando apresenta algum tipo de desgaste, é geralmente subs-
tituído.

 PORCA DO IMPELIDOR

Tem a função de fixar o impelidor no eixo.

   LUVA DO EIXO

Serve para proteger o eixo. Em vez de trocá-lo, que é uma peça cara, troca-
se a luva, que é mais barata. Nos selos tipo cartucho, a luva permite que
o selo seja todo montado externamente, antes de ser colocado na caixa
de selagem.

                                           PETROBRAS   ABASTECIMENTO
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                                                                           97
MANCAIS

          Sua função é a de sustentar o eixo gerando pouco atrito. A maioria das
          bombas utiliza mancais de rolamentos. Quando as condições operacio-
Pense e   nais (rotação e esforços) acarretam uma vida curta dos rolamentos, os
Anote     projetistas das bombas os substituem por mancais de deslizamento (me-
          tal patente). Nas bombas verticais, é comum a utilização de mancais gui-
          as para o eixo, que são usualmente fabricados de bronze ou outro material
          macio, como o carvão ou Teflon impregnado.

            CAIXA DE MANCAIS

          Sua função é a de sustentar os mancais e criar uma região propícia para
          sua lubrificação. Raramente se danificam. Caso a pista externa do rolamento
          venha a girar na caixa, ela pode ser recuperada por meio de embuchamen-
          to. Cuidados devem ser tomados para garantir as concentricidades entre
          as regiões dos rolamentos e da guia, que é a responsável pela centraliza-
          ção da caixa de selagem. As caixas de mancais das bombas antigas eram
          de ferro fundido. Como esse material é frágil, podendo quebrar no caso
          do trancamento de um rolamento, o que levaria a um vazamento pela
          selagem, a norma API passou a recomendar que as caixas de mancais se-
          jam fabricadas em aço-carbono quando o líquido bombeado for inflamá-
          vel ou perigoso.

            SELAGEM DA BOMBA

          Sua função é a de evitar que o líquido vaze para o exterior pela região onde
          o eixo sai da carcaça. As bombas antigas usavam tanto gaxetas como se-
          los mecânicos. Atualmente, devido às restrições de poluição ambiental,
          as gaxetas são utilizadas somente para produtos que não ocasionam pro-
          blemas ao meio ambiente, caso venham a vazar. As gaxetas estão sendo
          utilizadas praticamente para água. Mesmo assim, o selo mecânico vem
          ganhando terreno nestas aplicações. Recentemente, surgiram no merca-
          do gaxetas injetáveis, que estão sendo empregadas com sucesso.

            SOBREPOSTA

          No caso de selagem por gaxetas, recebe também o nome de preme-gaxetas.
          Nesse caso, é usual utilizarem uma bucha de bronze na região que pode vir
          a ter contato com o eixo. Na selagem por selo mecânico, serve de apoio para
          uma das sedes. Nesse caso, como são normalmente fabricadas de material
          nobre, quase sempre AISI 316, raramente necessitam de recuperação.

             SELAGEM DA CAIXA DE MANCAIS

          Sua função é a de evitar ou reduzir a entrada de sólidos (poeiras, catalisado-
          res etc.), líquidos (água e o próprio produto bombeado) e vapores no interior
          da caixa de mancais, além de impedir que o óleo lubrificante ou a graxa va-

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           98   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
zem para o exterior. As bombas mais antigas usavam retentores com lábios
de borracha ou labirintos. O retentor realizava sua função quando novo, mas,
após alguns meses de funcionamento, os lábios endureciam, podiam surgir
trincas ou acabavam por riscar o eixo, perdendo sua capacidade de vedação.
Por isso, a norma API 610 passou a recomendar o uso de selos mais sofisti-
cados que permanecem aptos a realizar sua função por tempo mais prolon-
gado. Existe uma grande variedade desses selos, alguns vedam por meio de
anel “O” e labirintos, enquanto outros são semelhantes a um selo mecânico,
com uma face fixa e outra giratória provendo a vedação principal. Esses selos
usam molas ou magnetismo para manter as sedes em contato.

   DEFLETOR

É um disco, geralmente fixado ao eixo, colocado na frente da selagem da
caixa de mancais com a finalidade de evitar que jatos de líquidos ou va-
pores atinjam diretamente a região de selagem, dificultando a entrada de
corpos estranhos nas caixas de mancais.

  ANEL PESCADOR

Sua função é carregar o óleo do reservatório para o eixo, fluindo daí para
o mancal. O anel pescador é acionado pela rotação do eixo.

  ANEL SALPICADOR

É um anel fixado no eixo e que gira com ele, tendo por função salpicar o
óleo lubrificante, lançando-o nas canaletas que levam aos rolamentos.

  ANÉIS DE DESGASTE

Possuem diversas funções. A primeira é de ser uma peça de sacrifício, per-
mitindo usar folgas menores entre o impelidor e a carcaça. Com folgas pe-
quenas, o fluxo que passa da descarga para a sucção pode ser reduzido,
aumentando a eficiência da bomba. Se não houvesse anéis de desgaste e
ocorresse um “roçamento” das peças, teríamos de substituir ou recuperar o
impelidor e/ou a carcaça, que são peças mais caras. Com o uso dos anéis,
fica mais barato e rápido trocá-las. O seu diâmetro também serve para equi-
librar os esforços axiais. Outra função dos anéis de desgaste é a de trabalhar
como mancal, aumentando a rigidez do rotor. Quando suas folgas aumen-
tam, esta função fica prejudicada e temos o aumento de vibração da bom-
ba. Esta situação é crítica nas bombas com dois estágios em balanço.

  BUCHA DE FUNDO DA CAIXA DE SELAGEM

Esta bucha é que separa a câmara de selagem do interior da bomba. No
caso de bombas que utilizam selo mecânico, sua folga é importante por-
que vai ajudar a controlar a pressão e a vazão do líquido de refrigeração
do selo, evitando que ele venha a vaporizar.

                                            PETROBRAS   ABASTECIMENTO
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BUCHA DA SOBREPOSTA

          Sua função é a de restringir o vazamento entre a luva e a sobreposta.

Pense e      ACOPLAMENTO

Anote     Sua função é a de transmitir o torque do acionador para a bomba, absor-
          vendo pequenos desalinhamentos entre os eixos, sem ocasionar aumen-
          tos consideráveis da vibração.

            VENTILADOR

          É empregado como um meio de refrigerar a caixa de mancais. A maioria
          das bombas utiliza em seu lugar uma câmara de resfriamento com água
          nesta função. As bombas dotadas de lubrificação por névoa, na maioria
          dos casos, dispensam o uso de refrigeração nos mancais.

            ANTI-ROTACIONAL

          Sua função é de orientar o líquido para o impelidor, evitando que ele en-
          tre girando.



          Impelidores
          Abaixo são mostradas as partes de um impelidor.
                                                      FIGURA 42


                                              PARTES DO IMPELIDOR


                                   Parede dianteira        Parede traseira
                         Região do anel de                        Região do anel de desgaste traseiro
                         desgaste dianteiro
                                                                  Furo de balanceamento
                                   Olhal


                                   Cubo

                                   Pá                             Furo de balanceamento




             Os impelidores utilizados nas bombas centrífugas podem ser classifi-
          cados quanto:



          Ao projeto ou geometria do impelidor
          Existe um índice que correlaciona a rotação, a vazão e a Altura Manomé-
          trica Total (AMT) de um impelidor e que determina a sua geometria. Este
          índice é denominado de velocidade específica (Ns).

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Pense e Anote
                                                FIGURA 43


         CLASSIFICAÇÃO DO IMPELIDOR QUANTO AO PROJETO –
                      VELOCIDADE ESPECÍFICA


                                Velocidade específica – Ns
                               (unidades métricas – rpm, m3/s, m)




                               (unidades inglesas – rpm, gpm, ft)



                   D2

              D1                                                                          Eixo de
               Pás radiais              Tipo Francis         Fluxo misto       Axial      rotação


              D2                   D2                         D2                   D2
                   >4                   = 1,5 a 2                  < 1,5                  =1
              D1                   D1                         D1                   D1


                                     Sistema         Inglês        Métrico 1           Métrico 2
                   N Q
       Ns =                         N – Rotação        rpm           rpm                 rpm
                        0,75
               AMT                  Q – Vazão          gpm           m3/s                m3/h
                                        AMT            ft             m                   m




   Sabendo-se a velocidade específica, identificamos o formato do impelidor.
   No cálculo da velocidade específica, existem algumas considerações:
   A AMT e a vazão são as correspondentes ao impelidor de maior diâme-
   tro que a bomba comporta e no ponto de máxima eficiência (BEP).
   A altura manométrica considerada é por estágio. No caso de bombas
   de vários estágios, se todos os impelidores forem do mesmo diâme-
   tro, basta dividir a AMT da bomba pelo número de estágios.
   Para bombas de dupla sucção, a vazão deve ser dividida por dois.


   Teoricamente, pela fórmula, a velocidade específica é um número adi-
mensional (sem unidades). Por conveniência, são empregadas unidades
usuais que não se cancelam matematicamente (por análise dimensional),
daí ser necessário saber as que foram utilizadas no seu cálculo de modo a
permitir sua interpretação. Como a literatura disponível sobre bombas é
predominantemente americana, ainda é comum a velocidade específica
ser expressa no sistema inglês de unidades.

                                                              PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                              Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                                    101
Para converter a velocidade específica, Ns:
                                                             TABELA 22


                                       CONVERSÃO DE VELOCIDADE ESPECÍFICA
                       De: ↓              Para →           rpm, gpm, ft          rpm, m3/s, m     rpm, m3/h, m
Pense e Anote      rpm, gpm, ft               ➜                    1                0,019             1,16
                   rpm, m 3/s, m              ➜                   51,65                  1             60
                           3
                   rpm, m /h, m               ➜                   0,86             0,0167              1



                   Por exemplo, para saber o equivalente de um Ns =100, calculado com
                rpm, m3/s e m, basta multiplicar por 60 para passar para Ns expresso em
                rpm, m3/h e m.

                 PROBLEMA 1

                Determinar o tipo de impelidor de uma bomba de um estágio que gira a 1.750rpm
                com impelidor de dupla sucção cujo diâmetro máximo é de 500mm e fornece
                uma vazão 900m3/h e AMT = 150m no BEP – Ponto de Máxima Eficiência.
                Dados:

                    N = 1.750rpm                  Q = 900m3/h (dupla sucção)                    AMT = 150m


                   A unidade de vazão utilizada na Figura 43 é em m3/s. Portanto, tere-
                mos de fazer a conversão.
                   Como o impelidor é de dupla sucção, teremos de dividir a vazão por 2
                para o cálculo da velocidade específica e por 3.600 para transformá-la de
                m3/h para m3/s:


                                       Q   900   m3   450m3     1h           m3
                                Q’ =     =     =    =       =        = 0,125
                                       2    2    h      h     3.600s         5


                   Cálculo da velocidade específica:


                                   N Q            1.750 0,125                1.750 x 0,354
                         Ns =                 =                          =                   = Ns = 14,4
                                       0,75                0,75
                                AMT                  150                         42,86



                   Pela Figura 43, com NS = 14,4 em unidades métricas, vemos que o
                impelidor é do tipo radial. Como é de dupla sucção, seria equivalente a 2
                impelidores, um contra o outro.



                À inclinação das pás
                   Retas                              Para frente                               Para trás

                         PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                 102   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                  FIGURA 44


  CLASSIFICAÇÃO DOS IMPELIDORES QUANTO À INCLINAÇÃO DAS PÁS




            Pás retas          Pás para frente               Pás para trás




   Embora seja viável a operação com o impelidor de pás para frente, as
bombas centrífugas não o utilizam por gerarem curvas instáveis. A maio-
ria dos impelidores de bombas centrífugas é projetada com pás para trás.
As bombas de alta rotação costumam utilizar impelidores de pás retas.
Nos ventiladores, as pás para frente são usadas com alguma freqüência.



Ao tipo de construção do impelidor
   Fechado
   Semifechado ou semi-aberto
   Parcialmente fechado
   Aberto


   Os impelidores abertos e semi-abertos são empregados quando o líquido
bombeado pode conter sólidos, que teriam dificuldade em passar pelos ca-
nais de um impelidor fechado. Na indústria de petróleo, não é muito comum
esta situação, excetuando-se o caso de parafinas ou de bombas de esgota-
mentos. Por isso, os impelidores são predominantemente do tipo fechado.
                                            FIGURA 45


            CLASSIFICAÇÃO DOS IMPELIDORES QUANTO AO TIPO DE CONSTRUÇÃO




                         Aberto com                   Semi-aberto ou              Fechado
        Abertos         parede parcial                 semi-fechado




                                                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                 Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                 103
Quanto ao tipo de sucção
             • Simples
             • Dupla sucção
Pense e                                          FIGURA 46

Anote                 CLASSIFICAÇÃO DOS IMPELIDORES QUANTO À SUCÇÃO




                          Simples sucção                     Dupla sucção




            Resumo

             A velocidade específica, Ns, caracteriza o formato do impelidor.
             Os valores mais baixos de Ns correspondem ao impelidores
             radiais, e os mais altos, aos axiais, ficando os de fluxo misto
             com os valores intermediários.
             Os impelidores podem ser classificados pelo sentido das pás,
             pela construção e quanto ao tipo de sucção.




          Carcaças
          As carcaças das bombas centrífugas podem ser classificadas sob diversas
          formas.
            Quanto aos tipos:
            Voluta
            Dupla voluta
            Difusor
            Concêntrica ou circular
            Mista (raramente utilizada)

                    PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           104   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                    FIGURA 47


                               TIPOS DE CARCAÇAS




                  Simples voluta                      Dupla voluta




                     Difusor                           Concêntrica




   A carcaça em voluta, que pode ser simples ou dupla, é a mais usada
em bombas industriais. Devido à dificuldade de fundição, nas bombas
menores, de até 4" na descarga, as carcaças são normalmente de simples
voluta. Somente as bombas de 6" e maiores são projetadas com dupla vo-
luta. Comparando com a de simples voluta, a carcaça de dupla voluta re-
duz significativamente o esforço radial.
   A carcaça com difusor é mais empregada em bombas de multi-estágios.
É também bastante usada em bombas verticais. Este tipo de carcaça pro-
porciona uma baixa carga radial.
   A carcaça concêntrica ou circular é utilizada apenas em bombas peque-
nas. Alguns fabricantes, nas bombas menores, usam a carcaça circular e
deslocam o impelidor, obtendo assim um esforço radial menor do que
com voluta simples quando trabalha fora do ponto de projeto.
   A carcaça mista é composta de pás difusoras e voluta em série. Rara-
mente é utilizada.
   As carcaças também podem ser classificadas quanto ao tipo da partição:
   Partida horizontalmente ou axialmente.
   Partida verticalmente ou radialmente.

                                                PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                105
FIGURA 48


                    BOMBA COM CARCAÇA PARTIDA AXIALMENTE (BB1)
Pense e                 E VERTICALMENTE (TIPO BARRIL – BB5)

Anote

                                                                 BB5




                                 BB1




                                                FIGURA 49


                BOMBAS COM CARCAÇAS PARTIDAS VERTICALMENTE (BB2)
                 – COM INDUTOR DE NPSH E DE MULTISSEGMENTOS (BB4)


                                                   BB2



                       Partida verticalmente




                                                             Introdutor de NPSH
                                  BB4
                                                            Carcaça

                                                                       Impelidor




                                                                  Difusor




                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
          106   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   As carcaças podem ser simples (exemplos: OH1; BB1; VS2) ou duplas
(exemplos: BB5, VS5, VS6) (ver Figura 35).




  Resumo
    As carcaças podem ser do tipo de simples voluta, dupla voluta, difusor,
    concêntrica e mista.
    Podem ser partidas axialmente ou radialmente.




Altura manométrica total (AMT),
carga ou head
A Altura Manométrica Total (AMT) é também conhecida pelos nomes de carga
da bomba, head (em inglês), ou ainda MCL (Metros de Coluna de Líquido).
   A definição clássica de AMT é a energia cedida pela bomba por unidade
de massa do líquido bombeado. Mas usualmente é usada como energia
cedida por unidade de peso. Por esta definição, a AMT é representada por
uma unidade de comprimento, em geral metros no nosso sistema de uni-
dades, ou pés (ft) no sistema inglês.


                      Energia       Força x distância       kg/f x m
              AMT =             =                       =              =m
                       Peso               Peso                kg/f



   Por simplificação, passaremos a usar apenas “energia” por unidade de
peso do “líquido bombeado” para a AMT.
   Podemos entender a AMT como a energia fornecida pela bomba expressa
sob a forma de altura de coluna de líquido, daí receber também o nome
de metros de coluna de líquido. Para cada vazão, a bomba centrífuga for-
nece uma AMT.
   Na seleção de bombas centrífugas é mais comum usar AMT do que a
pressão, isto porque a AMT é fixa, independe do líquido bombeado, enquanto
a pressão irá variar de acordo com o líquido. Nas bombas de deslocamento
positivo não se usa AMT e sim a pressão, que é dada pelo sistema.
   Como a AMT é a energia cedida por uma bomba para uma determina-
da vazão, podemos calculá-la pela diferença de energias existentes entre a
descarga e a sucção da bomba.


            Altura                   Altura                    Altura
            manométrica         =    manométrica        –      manométrica
            total                    da descarga               da sucção


                                                 PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                                                 Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                 107
Se medirmos a AMT fornecida por uma bomba centrífuga para algumas
                vazões diferentes (5 é um bom número) e plotarmos estes pontos em um
                gráfico e os unirmos com uma linha, obteremos o gráfico de AMT x vazão
                desta bomba. O aspecto seria semelhante ao mostrado na Figura 50, que
                pertence a uma bomba centrífuga radial. Se alterarmos o diâmetro do im-
Pense e Anote   pelidor ou a rotação, a curva se modificará. Por isso, é usual registrar no
                gráfico esses valores.
                                                        FIGURA 50


                                  CURVA CARACTERÍSTICA DE AMT X VAZÃO


                                                       AMT x vazão
                       AMT ou H – metros




                                                       Vazão – m 3/h
                                  Modelo 3 x 2 x 8        Dia = 200mm       3.550rpm



                    Se a mesma bomba puder usar diversos modelos de impelidores, eles também
                    deverão ser identificados no gráfico.




                            Alguns fabricantes identificam o tamanho da bomba
                            pelas dimensões do flange de sucção, flange de descarga
                            e o tamanho máximo do impelidor. Esses valores
                            podem ser expressos em polegadas ou em milímetros,
                            como, por exemplo: 3x2x8, ou o equivalente 75x50x200.
                            Normalmente, esse conjunto de números vem precedido
                            do modelo da bomba: XYZ 3x2x8.



                   Uma bomba em boas condições de conservação trabalhará com o ponto
                de operação sempre sobre essa curva, descontando, logicamente, pequenos
                desvios devido à imprecisão nas medições e às decorrentes da variação nas
                partes fundidas (impelidor e a carcaça) que ocorrem de uma peça para outra.

                         PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 108   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   A energia por unidade de peso de um líquido escoando (ou altura ma-
nométrica) em um determinado ponto da tubulação é composta pela soma
da energia de três parcelas: da energia de pressão, da energia cinética (ou
de velocidade) e da energia potencial (de altura) em relação a um plano ho-
rizontal. A expressão dessas energias, em metros, é dada por:
ENERGIA DE VELOCIDADE – EV                                                        V2
                                                                           EV =
V– Velocidade de escoamento (m/s)                                                 2g
g – Aceleração da gravidade 9,81m/s2 (no nível do mar)

ENERGIA DE PRESSÃO – EP                                                           10P
                                                                           Ep =
P – Pressão em kgf/cm2
  – Peso específico do líquido em gf/cm3 (igual à densidade)


ENERGIA POTENCIAL – EPOT
Altura do líquido em relação a um plano horizontal de refe-
                                                                            Epot = h
rência (hd e hs), em metros.


ENERGIA TOTAL = EV + EP + EPOT


                                  FIGURA 51


                           LEVANTAMENTO DA AMT


                                             FI     Medidor
                                                    de vazão
                                 Pd



                            Ps          Vd

                 hd
                      hs
                                                               L.C.

                            Vs




   A AMT é sempre calculada nos flanges da bomba e é usual adotar como
plano horizontal de referência o que passa pela linha de centro do impelidor
para bombas horizontais e, para bombas verticais, o usual é a linha que passa
pelos centros dos flanges. Por esse motivo, as pressões devem ser corrigidas
para a linha de centro através da adição das cotas hs e hd. Caso os manôme-
tros estejam abaixo da L.C., os valores devem ser subtraídos. Na realidade, o
plano de referência poderia ser qualquer um, pois não alteraria o resultado
porque estaríamos alterando igualmente a altura de sucção e de descarga.

                                                  PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                                  Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                  109
Usando as unidades apropriadas, podemos expressar as alturas mano-
          métricas como:
          Altura manométrica de sucção
Pense e
Anote      EQUAÇÃO 1




                                                  10 x PS       VS2
                                    AMS (m) =               +            +h
                                                                2g            s




          Altura manométrica de descarga

           EQUAÇÃO 2




                                                  10 x PD       VD2
                                    AMD (m) =               +            + hd
                                                                    2g



             A energia cedida pela bomba (AMT) para a vazão em questão será igual
          à diferença entre as energias na descarga e na sucção.



                 EQUAÇÃO 3



                                            10 x (Pd – Ps)          Vd2 – VS2
                      AMT = AMD – AMS =                         +                 + (hd – hs)
                                                                         2g



             AMT – Altura manométrica total em metros
             AMD – Altura manométrica (energia) na descarga
             AMS – Altura manométrica (energia) na sucção
             Ps – Pressão de sucção no flange da bomba em kgf/cm2
             Pd – Pressão de descarga no flange da bomba em kgf/cm2
             Vs – Velocidade média de escoamento na linha de sucção em m/s
             Vd – Velocidade média de escoamento na linha de descarga em m/s
                     – Peso específico do líquido bombeado em gf/cm3 (numericamente
                       igual à densidade)
             g       – Aceleração da gravidade local em m/s2. Ao nível do mar g = 9,8m/s2
             hs      – Altura do manômetro de sucção em relação a um plano de
                       referência em metros
             hd      – Altura do manômetro de descarga em relação a um plano de
                       referência em metros



                   PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           110    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
  1. As velocidades devem ser calculadas na mesma seção da tubulação em
     que foi medida a pressão (ver Obs. 3).
  2. Os valores de hs ou hd, altura dos manômetros, devem ter seus sinais
     invertidos nas fórmulas se estiverem abaixo da linha de centro da
     bomba.
  3. Embora falemos em energia nos flanges da bomba para definir a AMT,
     as pressões e as velocidades são usualmente medidas um pouco antes
     do flange de sucção e um pouco depois do flange de descarga da
     bomba. As perdas de carga entre esses pontos de medição e os flanges
     da bomba são consideradas desprezíveis. Lembramos que manômetros
     muito próximos a acidentes de tubulação, tais como curvas, válvulas,
     ou a própria bomba, tendem a fornecer leituras falsas devido ao
     turbilhonamento provocado no líquido. O ideal é que os manômetros
     estejam afastados pelo menos 5 diâmetros dos acidentes da tubulação.
  4. Os termos hd e hs são correspondentes à correção da pressão para a
     linha de centro da bomba.



   As velocidades usuais de escoamento na sucção e na descarga das bom-
bas costumam ser inferiores a 3m/s. Estas velocidades podem ser facil-
mente obtidas, dividindo-se a vazão pela área interna da respectiva tubu-
lação. Os valores dessas áreas estão listados na Tabela 18.



     EQUAÇÃO 4




         Q              2,78 x Q   3,54 x Q               2,78 x Q   3,54 x Q
    V=           Vs =            =                Vd =             =
         A                 As         Ds                     Ad         Dd


   Vs   – Velocidade média de escoamento na sucção em m/s
   Vd   – Velocidade média de escoamento na descarga em m/s
   Q    – Vazão em m3/h
   As   – Área interna da tubulação de sucção em cm2
   Ad   – Área interna da tubulação de descarga em cm2
   Ds   – Diâmetro interno da linha de sucção em cm
   Dd – Diâmetro interno da linha de descarga em cm
   2,78 e 3,54 – Fatores para compatibilizar as unidades empregadas


   Quando queremos obter um valor de AMT com precisão, usamos a
fórmula da equação 3. Nos casos em que a diferença entre a pressão de
descarga e a de sucção ultrapassa os 3kg/cm2, as parcelas de energia de

                                              PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                              Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                              111
velocidade e as referentes à diferença das cotas hs e hd, geralmente da or-
          dem de 0,30 ou 0,40m, ficam pequenas em relação à parcela da energia de
          pressão. Portanto, numa primeira aproximação, elas podem ser desconsi-
Pense e   deradas para efeito de avaliação rápida de campo, ficando a AMT como:
Anote
                 EQUAÇÃO 5
                 EQUAÇÃO




                                                 10 X (Pd – Ps)
                                        AMT =




              Pd e Ps – kgf/cm2             – gf/cm3 (ou densidade)    AMT – m



             Para levantar a AMT, de acordo com a equação simplificada 5, só é
          necessário saber o peso específico       (ou a densidade) do líquido que está
          sendo bombeado e dispormos de dois manômetros confiáveis, um na suc-
          ção (Ps) e outro na descarga da bomba (Pd).
             A curva da Figura 50 mostra que, para cada vazão, temos uma AMT cor-
          respondente e, à medida que a vazão vai aumentando, a AMT vai sendo re-
          duzida. Essa curva é típica de uma bomba centrífuga radial ou tipo Francis.
             De posse dessa curva, calculando a AMT, podemos estimar a vazão, ou
          o inverso: sabendo a vazão, podemos obter a AMT.
             Se, no sistema em que a bomba estiver instalada, tivermos um instru-
          mento que indique a vazão, calculando a AMT, podemos avaliar se a bom-
          ba está em bom estado, ou seja, com o desempenho em conformidade
          com a curva original. Caso não esteja, se as medições efetuadas forem con-
          fiáveis, é provável que a bomba esteja desgastada.
             Perda de carga são as perdas de energia (pressão) que ocorrem devi-
          do aos atritos, mudanças de direção e choques que acontecem quando
          um líquido escoa numa tubulação. Essas perdas crescem quando aumen-
          tamos a velocidade de escoamento, ou seja, quando aumentamos a va-
          zão para um mesmo diâmetro de linha. Se, num trecho de linha hori-
          zontal, para uma determinada vazão, temos em seu início uma pressão
          de 8kgf/cm2 e no final uma pressão de 7kgf/cm2, dizemos que a perda
          de carga no trecho foi de 1kgf/cm2, ou, o que é equivalente, de 10m de
          coluna de água. A perda de carga irá variar com a vazão. Quanto maior a
          vazão, maior a perda.
             A AMT pode ser considerada como uma coluna de líquido que a bom-
          ba fornece para a vazão em questão. Daí a AMT ser também chamada de
          MCL (Metros de Coluna de Líquido). A bomba, cuja curva está representa-
          da na Figura 50, na vazão de 70m3/h, forneceria uma coluna de 86 metros

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           112   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
do líquido bombeado. Essa coluna de líquido é somada à coluna já exis-
tente na sucção, que pode ser positiva, nula ou negativa (bombas traba-
lhando com a sucção sob vácuo).
                                  FIGURA 52


                  AMT IGUAL A H, DESPREZANDO PERDAS




           H                                               Reservatório 2


                                              Bomba



                             Reservatório 1




                                      H
                                                      Reservatório 2




           Reservatório 1
                                          Bomba




   Na Figura 52, se desprezarmos as perdas de carga na tubulação, a dife-
rença de altura H entre os níveis dos dois reservatórios seria equivalente
à AMT fornecida pela bomba. À medida que elevássemos o reservatório 2
(aumentando o H ou a AMT), a vazão da bomba seria reduzida. Existe uma
altura, a partir da qual a bomba não mais conseguirá bombear, passando
sua vazão a ser nula.
   Na Figura 50, o ponto de vazão nula mostrado corresponde a uma AMT
de 90m. Esse valor é conhecido como AMT de vazão nula, ou, em inglês,
como shutoff da bomba. Quando fechamos completamente a válvula de
descarga de uma bomba centrífuga, estamos nessa condição.
   Notar que não definimos qual era o líquido quando falamos da curva
AMT x vazão. Essa curva é válida para qualquer fluido (líquido ou gás), seja
ele água, GLP, gasolina ou ar. A bomba representada pela curva da Figura

                                              PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                              Manutenção e Reparo de Bombas
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50, trabalhando com qualquer dos fluidos citados, para uma vazão de
                                    90m3/h, forneceria 80 metros de AMT ou de MCL. Essa curva caracteriza
                                    a bomba, daí seu nome de curva característica. A exceção de seguir esta
                                    curva fica por conta dos líquidos com viscosidade alta que, por terem
                                    um atrito muito elevado, necessitam de fatores de correções, os quais
Pense e Anote                       modificam a curva.
                                       A altura da coluna de líquido que a bomba fornece é igual para os flui-
                                    dos citados, mas esta coluna representa uma pressão diferente para cada
                                    um deles em função da modificação do peso específico (ou densidade).
                                                                    FIGURA 53


                            AMT DE 80M FORNECIDA PELA BOMBA PARA A VAZÃO DE 90M3/H




                 xH
         P=
                10
         P – kgf/cm2               H = 80m
         g – gf/cm3
         H–m
                                                 PI                       PI                     PI                          PI




                Fluido                       Água fria                   GLP                    Gasolina                      Ar
              AMT ou H – m                      80                        80                          80                      80

         Peso espec.    – gf/cm/3                1                        0,5                     0,75                      0,0013

          Pressão P – kgf/cm   2
                                              1 x 80                    0,5 x 80                0,75 x 80                0,0013 x 80
                                        P=             = 8,0       P=              = 4,0   P=               = 6,0   P=                 = 0,01
                       xH                      10                         10                       10                        10
               P=
                     10




                                       A bomba da curva da Figura 50, com 90m3/h de vazão, teria AMT = 80m,
                                    que seria igual para os quatro fluidos: água, GLP, gasolina e ar. Desprezan-
                                    do a variação de velocidade entre a sucção e a descarga, ou seja, conside-
                                    rando toda a energia cedida sendo transformada em pressão, teríamos os
                                    valores mostrados na Figura 53.
                                       Como cada fluido possui um peso específico diferente, a coluna de líqui-
                                    do de 80m fornecida pela bomba corresponderá a um acréscimo de pres-
                                    são diferente para cada um deles. No caso de estar bombeando água na vazão
                                    acima, o acréscimo de pressão seria de 8kgf/cm2. Bombeando GLP, daria
                                    4,0kgf/cm2, e com gasolina daria 6,0kgf/cm2 de acréscimo. Se estivéssemos
                                    bombeando ar, daria apenas 0,01kgf/cm2, valor esse que seria tão baixo que
                                    nem seria notado no manômetro normal de uma bomba.

                                              PETROBRAS        ABASTECIMENTO
                                     114     Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Quanto maior o desgaste da bomba, mais a curva de AMT x vazão fica
afastada da curva prevista. Assim, se o sistema tiver um medidor de va-
zão e com o uso de manômetros aferidos, um na sucção e outro na des-
carga, podemos fazer uma avaliação do seu estado. Não há necessidade
de levantar toda a curva, basta um ponto. Quando não temos instrumen-
to para indicar a vazão, ou ele não é confiável, é usual medir a pressão na
condição de vazão nula (shutoff), ou seja, com a válvula de descarga fe-
chada. Nesse tipo de teste, temos de tomar cuidado para evitar que o lí-
quido no interior da bomba venha a aquecer e acabe vaporizando. Por-
tanto, esse teste deve ser bem rápido. No caso de produtos com condi-
ções próximas da vaporização, não é aconselhável esse tipo de teste.
                                        FIGURA 54


       PERDA DE AMT DEVIDO AO DESGASTE INTERNO DA BOMBA


                                        AMT x vazão
     AMT ou H – metros



                                                         Em boas
                                                         condições

                         Com desgaste




                                        Vazão – m 3 /h
                  Modelo 3 x 2 x 8           Dia = 200mm 3.550rpm




 PROBLEMA 2

Uma bomba centrífuga, cuja curva característica de AMT está representada
na Figura 50, bombeando gasolina ( = 0,75gf/cm3) com a vazão de 70m3/h,
apresenta na sucção a pressão de 1,4kg/cm2 e na descarga, 7,8kgf/cm2.
Avaliar se a bomba está em bom estado.


Calculando a AMT pela equação 5, temos:

 EQUAÇÃO 5




                         10 . (Pd – Ps)       10 . 7,8 – 1,4
              AMT =                       =                  = 85,3m
                                                   0,75


                                                    PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                    Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                    115
Pela Figura 50, entrando com a vazão de 70m3/h, encontramos 86m
          para AMT, valor bem próximo dos 85,3m verificados.
             Logo, a bomba pode ser considerada em bom estado.
Pense e
Anote      PROBLEMA 3

          Estimar a vazão de uma bomba cuja curva característica de AMT está repre-
          sentada na Figura 50. Considerar que ela se encontra em bom estado e bom-
          beando um líquido com as pressões de 2,5kgf/cm2 na sucção e de 8,9kgf/cm2
          na descarga. A densidade do líquido é de 0,8 e sua viscosidade é baixa.
          Sabemos que a densidade é igual ao peso específico quando expresso em
          gf/cm3 (   = 0,8 gf/cm3).


          Cálculo da AMT fornecida pela bomba:

           EQUAÇÃO 5




                                    10 X (Pd – Ps)       10 X (8,9 – 2,5)
                          AMT =                      =                    = 80m
                                                               0,8



             Entrando na curva da Figura 50 com a AMT = 80m, obtemos a vazão
          Q = 90m3/h.
             A bomba em bom estado, nas condições dadas no problema, teria uma
          vazão de 90m3/h. Se estivesse desgastada, a vazão ficaria dependente das
          folgas dos anéis de desgaste, do estado do impelidor e da carcaça. Com o
          desgaste equivalente ao mostrado na Figura 54, para esta mesma AMT de
          80m, a vazão seria reduzida de 90m3/h para 78m3/h.




                 Resumo

                  Altura manométrica total (AMT) ou head ou carga ou
                  metros de coluna de líquido (MCL) é a energia cedida
                  pela bomba por unidade de peso. É expressa em
                  metros ou pés.
                  Para cada vazão, a bomba cede uma AMT,
                  independente do líquido que esteja sendo bombeado.
                  Com a mudança de líquido, a pressão de descarga é
                  que irá variar.



                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           116   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Podemos calcular a AMT, de forma simplificada, pela fórmula:


                                   10 X (Pd – Ps)
                           AMT =




   AMT em metros
   Pd e Ps – Pressão de descarga e de sucção em kgf/cm2
     – Peso específico em gf/cm3 ou densidade


   Uma bomba em boas condições terá seu ponto de trabalho sobre sua
curva de AMT x vazão. Portanto, a AMT é um excelente método para ava-
liar se uma bomba está desgastada.



Cavitação, NPSH disponível
e NPSH requerido
Quando a vaporização do líquido no interior da bomba atinge uma certa
intensidade, ocorre um forte ruído, como se ela estivesse bombeando
pedras. A vibração da bomba fica elevada e os ponteiros dos manômetros
de sucção e de descarga oscilam. A pressão de descarga e a vazão ficam
prejudicadas. Os impelidores podem sofrer danos. Nos casos mais seve-
ros, a bomba pode perder a escorva e deixar de bombear.
   Esse tipo de problema quase sempre é diagnosticado como cavitação
clássica da bomba, o que nem sempre é verdade. Como veremos, esses
mesmos sintomas também podem ser decorrentes da recirculação inter-
na ou da entrada de gases no líquido, cujos sintomas são bastante seme-
lhantes. Entretanto, as soluções desses problemas são bem distintas.
   Quando a pressão de um líquido numa dada temperatura atinge a sua
pressão de vapor, tem início a vaporização. Na Figura 55, temos um grá-
fico representando a pressão de vapor da água em função da temperatu-
ra. Os pontos situados acima da linha de equilíbrio, parte branca, estão
na fase líquida e os abaixo, parte cinza, estão na fase vapor. Sobre a linha,
temos as duas fases, líquido e vapor, convivendo em equilíbrio. Um líqui-
do pode atingir a pressão de vapor mantendo-se a temperatura constante
e reduzindo-se a pressão (1– 2). Podemos também manter a pressão cons-
tante e aumentar apenas a temperatura (1– 4), ou alterar a pressão e a
temperatura simultaneamente (1– 3 ou 1– 5). A vaporização também
pode ocorrer com a redução da temperatura, como mostrado em (1– 6).
   Numa bomba centrífuga até a entrada das pás do impelidor, o líquido ainda
não recebeu energia, logo, ainda não aqueceu. Se vaporizar nessa região, será
numa temperatura próxima da de sucção da bomba; portanto, deve ser pelo
processo 1– 2 da Figura 55, em que só a queda de pressão contribui.

                                            PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                            117
FIGURA 55


                                 CURVA DE PRESSÃO DE VAPOR D’ÁGUA
Pense e
Anote            Pressão de
                                        Pressão de vapor d’água
                 vapor – kgf/cm 2 A




                                          Líquido



                                          Linha de
                                          equilíbrio               Vapor


                                                             FI


                                              Temperatura ( o C)




             A pressão de vapor de um líquido é sempre expressa em valores de pres-
          são absoluta: por exemplo, kgf/cm2A, barA, psia etc. Para sabermos se um
          líquido está na eminência de vaporizar, temos de comparar a pressão de
          vapor com a pressão absoluta do líquido e não com sua pressão manomé-
          trica. A pressão absoluta é obtida somando-se a pressão indicada pelo ma-
          nômetro (pressão relativa ou manométrica) à pressão atmosférica local.

                                        Pabs = Pman + Patm local


             Na Figura 38, vimos que existe uma perda de carga (queda de pressão)
          entre o flange da bomba e a entrada das pás do impelidor. Imediatamen-
          te antes das pás, temos a região de menor pressão. Então, caso ocorra
          vaporização por problema de pressão no interior da bomba, este é um
          dos locais mais prováveis.
             Para cada vazão, a bomba irá requerer uma energia mínima por unida-
          de de peso do líquido bombeado no flange de sucção (pressão e velocida-
          de) para evitar que a pressão interna do líquido caia abaixo da pressão de
          vapor, provocando a vaporização no seu interior. Essa energia no flange
          de sucção recebe o nome de NPSH requerido pela bomba. Os fabricantes,
          por meio de cálculos e de testes de bancada, fornecem a curva do NPSH
          requerido versus vazão, cujo formato é mostrado na Figura 56.
             O NPSH requerido é sempre determinado para água fria, expresso em
          metros de coluna d’água, e crescente com a vazão. Cabe notar que sua curva
          não se estende até a vazão nula, parando antes. Abaixo dessa vazão, passa

                   PETROBRAS     ABASTECIMENTO
           118   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
a predominar um outro fenômeno, chamado de recirculação interna, que
será visto mais adiante. Portanto, não podemos extrapolar o valor do NPSH
para vazões inferiores à fornecida pela curva do fabricante (Q1). Na reali-
dade, nessa região, os valores de NPSH requeridos aumentam significati-
vamente. Esses valores não são plotados pelos fabricantes por serem in-
fluenciados pelo sistema.
                                              FIGURA 56


                             CURVA DE NPSH REQUERIDO PELA BOMBA



      NPSH disp                                     NPSH disp



                   Curva do fabricante                                    Curva real




                  Q1                      Vazão                 Q1                     Vazão




   O sistema no qual a bomba se encontra instalada irá disponibilizar para
cada vazão uma energia no flange de sucção da bomba. Essa energia sob a
forma de energia absoluta (com pressão absoluta e velocidade), disponi-
bilizada no flange de sucção da bomba, acima da pressão de vapor, é de-
nominada NPSH disponível. É sempre expresso em metros ou em pés de
coluna de líquido bombeado.




       NPSH vem de Net Positive Suction Head, que
       significa o valor da altura manométrica de sucção positiva
       líquida. O termo “net = líquida” corresponde à diferença entre a
       energia disponível e a da pressão de vapor. O termo “positiva”
       indica que essa diferença tem de ser positiva, senão o líquido
       vaporizará. O termo “líquida” é o mesmo que usamos para
       cargas quando falamos em peso bruto e peso líquido.
       O NPSH é equivalente a uma AMT head ou carga.



   O NPSH disponível é função apenas do sistema no qual a bomba se
encontra instalada.

                                             PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                             Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                             119
Por definição, o NPSH é calculado no flange de sucção da bomba com
                referência a um plano horizontal. No caso das bombas horizontais, o pla-
                no é o que passa pela linha de centro do impelidor. Nas bombas in-line e
                nas verticais, o plano é na linha de centro do flange de sucção.
                   O NPSH disponível pode ser calculado pela fórmula:
Pense e Anote
                       EQUAÇÃO 6




                                             10 x (Ps + Patm – Pvap)          V S2
                               NPSH disp =                                +          + hs
                                                                              2g


                   com

                       EQUAÇÃO 4




                                                    2,78 x Q   3,54 x Q
                                             Vs =            =
                                                       A          Ds



                   Ps   – Pressão manométrica no flange de sucção da bomba em kgf/cm2
                   Patm – Pressão atmosférica local em kgf/cm2
                   Pvap – Pressão de vapor do líquido em kgf/cm2A
                           – Peso específico do líquido em gf/cm3 (numericamente igual
                             à densidade)
                   Vs      – Velocidade de escoamento do líquido em m/s
                   Q       – Vazão da bomba em m3/h
                   A       – Área da seção interna da tubulação em cm2
                   hs      – Correção da altura do manômetro em m
                   Ds      – Diâmetro interno da linha de sucção em cm




                              Devido à dificuldade de medir a pressão no flange
                              de sucção, em geral, ela é medida um pouco
                              antes. A velocidade de escoamento deve ser
                              calculada no mesmo ponto de medida de pressão.
                              Considera-se que a perda de carga entre este ponto
                              e o flange é desprezível.



                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 120   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                 FIGURA 57


                    CÁLCULO DO NPSH DISPONÍVEL



                      Ps




          hs                                                Linha
                                                            de centro

                     Vs




   A equação 6 de cálculo do NPSH disponível é composta por três parce-
las de energia:
Energia de pressão na sucção acima da pressão de vapor


                           10 x (Ps + Patm – Pvap)




Energia de velocidade na sucção


                                     VS2
                                     2g



hs – É simplesmente uma correção da pressão de sucção, como se ela esti-
    vesse sendo medida na linha de centro que passa pelo impelidor (para
    bomba horizontal).


   Para uma mesma instalação, pela equação do NPSH disponível, equa-
ção 6, vemos que, ao variar a vazão, apenas dois itens serão alterados, a
pressão de sucção e a velocidade de sucção. Os demais permanecem cons-
tantes. Quando aumentamos a vazão, aumentamos a velocidade de esco-
amento Vs na linha de sucção. O aumento da velocidade eleva a perda de
carga entre o vaso de sucção e a bomba, reduzindo a pressão de sucção
Ps. A perda de energia com a redução de Ps é maior do que o ganho com
Vs. Portanto, o NPSH disponível cai com o aumento da vazão. Se colocar-
mos num gráfico os valores do NPSH disponível versus a vazão da bomba,
teremos uma curva semelhante à mostrada na Figura 58.

                                             PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                             Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                             121
FIGURA 58


                       CURVA DE NPSH DISPONIBILIZADO PELO SISTEMA
Pense e
Anote                   NPSH disp



                                                            Perdas




                                                       Q1                   Vazão




                                                       Ps
                                                  hs




                                            Ps + Patm – Pvap             V S2
                              NPSH disp =                            +          + hs
                                                                         2g


             Para uma bomba funcionar sem vaporizar o produto internamente, de-
          vemos ter sempre o NPSH disponível maior do que o NPSH requerido, para
          a vazão desejada. Quando ocorre a vaporização, temos como conseqüên-
          cia a cavitação.
             Podemos saber a vazão máxima para trabalhar sem cavitar se plotar-
          mos as curvas do NPSH requerido x vazão (Figura 56) e a de NPSH dispo-
          nível x vazão (Figura 58) num mesmo gráfico (ver Figura 62).
             Para melhor compreender o que vem a ser o NPSH, vamos examinar
          como se comporta a pressão no interior de uma bomba centrífuga. Para
          tal utilizaremos a Figura 38.
             Vamos tornar a representar estas pressões no interior da bomba usan-
          do pressões absolutas (pressão manométrica + pressão atmosférica local)
          para que possamos comparar com a pressão de vapor, também mostrada
          no gráfico, que sempre é expressa desta forma. Todas as pressões desta
          figura estarão sob a forma de coluna de líquido.
             Se a pressão interna da bomba for sempre superior à pressão de vapor do
          líquido bombeado na temperatura de bombeamento, não teremos vapori-
          zação (Figura 58A – lado esquerdo). Ao contrário, se, em algum ponto do
          interior da bomba, tivermos uma pressão inferior à pressão de vapor, tere-
          mos a vaporização, que resultará na cavitação (Figura 58A – lado direito).

                  PETROBRAS    ABASTECIMENTO
           122   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                        FIGURA 58A


  BOMBA OPERANDO SEM E COM VAPORIZAÇÃO


                               7

                                                     1.   Tubulação de sucção
             1      2
                                                     2.   Flange de sucção
                           3
                                                     3.   Olhal do impelidor
                                              5
                                                     4.   Entrada das pás
                                              4      5.   Saída do impelidor
                                                     6.   Voluta
                                                     7.   Cone de saída

                                              6




                 Bomba sem cavitação

Pressão
absoluta                                          Pdesc
em coluna                                         abs
de líquido




      Pabs

      Pvap




                         Regiões




                 Bomba com cavitação

Pressão
absoluta                           Pressão        Pdesc
em coluna                          absoluta       abs
de líquido




      Pabs
      Pvap
                          a    b




                         Regiões




                                      PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                      Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                       123
Como já havíamos chamado a atenção, a região de menor pressão é a
          imediatamente antes das pás do impelidor, região 4. No ponto “a” (Figura
          58A – lado direito) a pressão interna passa a ser menor do que a pressão
Pense e   de vapor, o que levará à vaporização do líquido. Logo após as pás, o líqui-
Anote     do recebe energia do impelidor e a pressão interna aumenta, voltando a
          superar a pressão de vapor, ponto “b”. A partir deste ponto, o vapor retor-
          nará à fase líquida.
             No bombeamento com vaporização, quase sempre a vaporização é par-
          cial, ou seja, só uma parte do líquido é vaporizada. Vários pontos da re-
          gião 4 não terão a pressão inferior à pressão de vapor. Se a vaporização
          fosse total, a bomba ficaria completamente cheia de vapor, perderia a
          escorva e deixaria de bombear totalmente.
             Vejamos agora, de acordo com a Figura 59, montada a partir das Figu-
          ras 38 e 58A, como representaríamos na figura o NPSH disponível e o NPSH
          requerido.
             Nesta figura, reproduzimos as energias de pressão absoluta (pressão
          manométrica + atmosfética local) e de velocidade, já explicadas na Figura
          38, e a energia total (energia de pressão + energia de velocidade) no flange
          de sucção (região 2), para uma determinada vazão. As energias estão repre-
          sentadas por colunas de líquido.
             NPSH requerido, para uma determinada vazão, por definição, é a ener-
          gia mínima total (pressão + velocidade) por unidade de peso que temos
          de ter no flange de sucção da bomba para que não ocorra vaporização no
          seu interior. Dispondo desta energia mínima, nenhum ponto no interior
          da bomba estará com pressão abaixo da pressão de vapor. Como o ponto
          de menor pressão é o 4 (antes das pás), o NPSH requerido será a diferença
          entre a energia total na sucção (pressão + velocidade) e o valor da pressão
          nesse ponto. Podemos dizer também que o NPSH requerido para uma va-
          zão é a soma da perda de carga entre o flange de sucção e o ponto 4 ( P da
          Figura 59) com a energia de velocidade no flange de sucção (v2/2g).
             Para uma mesma vazão, se aumentarmos ou reduzirmos a pressão de
          sucção da bomba, a curva da pressão total subirá ou descerá paralelamente
          à indicada na figura, não alterando o valor do NPSH requerido, uma vez
          que a perda de carga       P e a velocidade só dependem da vazão. O NPSH
          requerido é uma característica apenas da bomba.
             NPSH disponível por definição, para uma determinada vazão, é a ener-
          gia total (de pressão + de velocidade) por unidade de peso que o sistema
          disponibiliza no flange de sucção da bomba acima da pressão de vapor
          (ver Figura 59). É uma característica do sistema no qual a bomba trabalha
          e da pressão de vapor do produto na temperatura de trabalho.
             Na Figura 59, estão representados dois casos. Do lado esquerdo, o NPSH
          disponível é maior do que o NPSH requerido. Nesse caso, nenhum ponto
          do interior da bomba fica com a pressão abaixo da de vapor; logo, não te-

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           124   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
 mos vaporização. Do lado direito, o NPSH disponível é menor do que o
 requerido, permitindo então que a pressão na região 4 fique abaixo da pres-
 são de vapor, o que levará à vaporização de parte do produto bombeado.
                                          FIGURA 59


CAVITAÇÃO, NPSH DISPONÍVEL E NPSH REQUERIDO PARA UMA DADA VAZÃO


                               7
                                                                                10 x Pabs
                                                      Energia de pressão =

         1          2     3                                                       V2
                                                      Energia de velocidade =
                                                5                                2g

                                                4     Energia em m
                                                      Pabs – pman + Patm em kgf/cm2
                                                         – Peso específico em gf/cm 3 ou densidade
                                                      V – Velocidade média em m/s
                                                6     g – Aceleração da gravidade = 9,8 m/s2
                                                          no nível do mar


                           P = perda de carga entre pt2 e pt4

                                    Bomba sem cavitação
                                    NPSH disp > NPSH req
          Pressão absoluta
          e velocidade em           Energia total         Pressão       Pdesc
          coluna de líquido         = Epres + Evel        absoluta      abs

                                         NPSH
                                         disp
                               v2
                               2g           NPSH
                                            req           Velocidade
                        Pabs
                                                P
                        Pvap
                                     2
                                    v
                                    2g
                        Vsuc                                            Vdesc


                                                Regiões

                                    Bomba com cavitação
                                    NPSH disp < NPSH req
          Pressão absoluta
          e velocidade em           Energia total
          coluna de líquido         = Epres + Evel

                                         NPSH
                                         disp                           Pdesc
                               v2                     Pressão           abs
                                            NPSH      absoluta
                               2g           req
                                                           Velocidade
                        Pabs
                        Pvap                    P
                                    v2
                                    2g
                        Vsuc                                            Vdesc


                                                Regiões

                    O líquido só irá vaporizar se a linha de pressão
                    absoluta cair abaixo da pressão de vapor



                                                          PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                          Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                            125
A condição para que ocorra a vaporização é que o NPSH disponível seja
                menor do que o NPSH requerido. É o que dá origem à cavitação clássica.
                   Uma pergunta que alguns se fazem: Por que a velocidade de escoamento
                do líquido entra no cálculo do NPSH disponível se um líquido para vapo-
                rizar só depende de sua pressão estática?
Pense e Anote      A resposta a esta pergunta está na Figura 59. O termo de velocidade no
                flange de sucção, v2/2g, na realidade, não influi; ele é matematicamente
                cancelado, uma vez que entra no NPSH requerido e no disponível. Para
                evitar a vaporização, o que nos interessa é a diferença entre os NPSHs.

                 PROBLEMA 4

                Uma bomba trabalhando ao nível do mar com a vazão de 60m3/h bombeia
                água a 70ºC ( água = 0,98gf/cm3). A pressão indicada no manômetro de
                sucção é negativa de 0,5kgf/cm2. O manômetro está 30cm acima da linha
                de centro do impelidor. A tubulação em que está situado o manômetro é
                de 4"sch 40. O fabricante informa que, para a vazão de 60m3/h, o NPSH
                requerido é 2,5m. Analisar se teremos vaporização do líquido no interior
                da bomba.


                           Dados:

                           Ps = – 0,5kgf/cm2           NPSH requerido = 2,5m
                           h = 30cm = 0,30m            Patm = 1,033kgf/cm2 (nível do mar)
                              água = 0,98gf/cm3        NPSH disponível = ?
                           Q = 60m3/h
                           T = 70ºC
                           Tub = 4"sch 40



                   Para sabermos se haverá vaporização, devemos comparar o NPSH dis-
                ponível com o NPSH requerido.
                   Para determinação da pressão de vapor do líquido é desejável dispor
                de uma tabela. Podemos obter um valor aproximado pela Figura 25, na
                qual temos para água (linha 26) com 70ºC (Pvap = 0,3bar).
                   (a pressão de vapor correta para água a 70ºC é 0,312barA).
                   Na Tabela 15, temos também que: 1bar = 1,02kgf/cm2


                                                  1,02kgf/cm2
                                 Pv = 0,3barA x                  = 0,306kgf/cm2 A
                                                       bar



                Da Tabela 18, com as dimensões de tubos, temos para 4"sch 40 (área = 82cm2).

                        PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                 126   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Cálculo da velocidade de escoamento

 EQUAÇÃO 4




                             2,78 x Q       2,78 x 60
                      Vs =              =               = 2,03m/s
                                A              82



Cálculo do NPSH disponível

 EQUAÇÃO 6




                              10 x (Ps + Patm – Pvap)         Vs2
               NPSHdisp =                                 +       +h=
                                                              2g


                   10 x (– 0,5 + 1,033 – 0,306)    2,032
               =                                +          + 0,30
                               0,98               2 x 9,81




               10 x 0,227    4,12
  NPSHdisp =              +       + 0,30 = 2,27 + 0,21 + 0,30 = 2,78 ~ 2,8 m
                    1       19,62



   O NPSH disponível = 2,8m está maior do que o NPSH requerido = 2,5m,
indicando teoricamente que não haverá vaporização. Mas, como a mar-
gem de NPSH (NPSHdisp – NPSHreq) está muito pequena, apenas 0,30m,
é possível que tenhamos problemas. Para bombeamento de água, seria
interessante dispor de uma margem maior.
   A Figura 60 mostra as curvas de AMT x vazão de uma bomba operando
normalmente no encontro de sua curva com a curva do sistema (ponto 1), que
corresponde à vazão Q1 e AMT1. Se começasse a cavitar, dependendo da inten-
sidade, passaria a trabalhar no ponto 2, por exemplo, com a vazão Q2 e AMT2.
A bomba perdeu em vazão e em AMT devido às bolhas de vapor formadas no
impelidor. A queda de AMT é abrupta, quando a cavitação é significativa.
   As normas utilizam essa queda de AMT para determinar o NPSH reque-
rido, o qual pode ser determinado por meio do NPSH disponível.
   O API 610, que na parte hidráulica segue o Hydraulic Institute, define
o valor do NPSH requerido para uma determinada vazão como o que leva
a uma redução de 3% na AMT, bombeando água fria. Esse levantamento
pode ser realizado em uma bancada de teste.
   Colocamos entre parênteses os dados correspondentes à Figura 61 para
facilitar o entendimento das explicações.

                                                    PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                    Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                    127
FIGURA 60


                       CURVA DE AMT X VAZÃO DE UMA BOMBA CAVITANDO
Pense e
Anote
                 AMT
                                                             Curva Rend x Vazão
                                                             cavitando na vazão Q2

                                                                    Curva Rend x Vazão
                                                                    sem cavitação



                                                                           Curva do sistema
                                       Queda de                     1
                                       AMT p/
                                       vazão Q2
                                                         2                 Curva AMT x Vazão
                                                                           sem cavitação

                                                                        Curva Rend x Vazão
                                                                        cavitando na vazão Q2



                                                                                       Vazão
                                                         Q2        Q1




            Inicialmente, a bancada de teste é ajustada para a vazão na qual que-
          remos calcular o NPSH (suponhamos 200m3/h) e com uma pressão de suc-
          ção que resulte num NPSH disponível alto (pt 1 = 9m), bem superior ao
          NPSH requerido esperado (em torno de 6m), ou seja, a bomba estará ope-
          rando sem cavitar.
            Determina-se a AMT fornecida pela bomba para esta vazão (50m).
            Inicia-se então a redução do NPSH disponível (8m, 7m, 6m, 5,5m
          etc.). A cada redução, a vazão vai sendo ajustada para permanecer cons-
          tante (200m3/h) e torna-se a medir a AMT (em torno de 50m). Os valo-
          res de AMT versus NPSH disponível podem ir sendo plotados em um
          gráfico. Com a redução gradativa do NPSH disponível, teremos um va-
          lor (NPSH disp=5,5m) em que a cavitação da bomba faz com que ela
          tenha uma perda acentuada da AMT (46m). Calculamos então a média
          das AMTs dos pontos medidos antes de a bomba iniciar a queda da AMT
          (no caso, os valores com NPSH disp > 6m – AMTmédia = 50m). Traça-
          mos no gráfico uma linha com a queda de 3% desse valor médio da
          AMT [(3/100) x 50 =1,5m].
            Determinamos o NPSH disponível (5,6m) como o correspondente ao
          ponto de encontro dessa linha com a curva traçada. O valor do NPSH dis-
          ponível assim obtido é o NPSH requerido pela bomba testada na vazão de
          200m3/h. Repetindo o teste para outras vazões, podemos traçar a curva
          de NPSH requerido versus vazão da bomba.

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           128   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                           FIGURA 61


                    DETERMINAÇÃO DO NPSH REQUERIDO



                   Determinação do NPSH requerido p/ 200 m3/h

         AMT (m)

                    Média AMT
                                    Pt 4        Pt 3       Pt 2           Pt 1
                0,3 X 50 = 1,5




                          Pt 8
                                     NPSH req



                                      NPSH disponível (m)




 EQUAÇÃO 6




                                 10 x (Ps + Patm – Pvap)           V S2
              NPSH disp =                                    +             + hs
                                                                   2g



    Examinando a equação 6, podemos alterar, numa bancada de teste, o
valor do NPSH disponível por meio de mudanças em Ps, Pvap ou . A
velocidade de sucção Vs está amarrada, uma vez que estamos testando o
NPSH para uma vazão fixa. A pressão atmosférica e o valor da aceleração
da gravidade são características do local onde se encontra a bancada. O hs
é simplesmente a correção da cota do manômetro; portanto, sua altura
não modificará o NPSH a ser calculado. Usualmente, a redução do NPSH
disponível é realizada pela redução da pressão na sucção. As bancadas de
teste utilizam três métodos:
a    Restringindo a válvula de sucção.
b    Reduzindo o nível do reservatório de sucção.
c    Aumentando o vácuo no vaso de sucção (válido, somente, quando o
     teste é realizado em circuito fechado).


    Um outro modo de baixar o NPSH disponível seria aumentar a tempe-
ratura do líquido na sucção, o que elevaria a pressão de vapor Pvap e,
conseqüentemente, reduziria o NPSH disponível. Variando a temperatura,
modificaríamos, além da Pvap, o peso específico                    do líquido. Esse méto-
do não é muito usado, prevalecendo o da redução de pressão na sucção.

                                                       PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                       Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                       129
É interessante chamar a atenção para o fato de que, na determinação
          do NPSH requerido, a bomba já está perdendo em desempenho, ou seja,
          3% de AMT. Logo, a bomba já está cavitando. Na realidade, o líquido co-
Pense e   meça a vaporizar bem antes, com um NPSH disponível acima do requeri-
Anote     do, mas não notamos perda de desempenho. É o que chamamos de cavi-
          tação incipiente, a qual já pode estar causando danos ao impelidor. Isso
          acontece bastante no bombeamento de água fria.
             A conclusão é que, com o NPSHdisp = NPSHreq, a bomba já estará ca-
          vitando, embora com pequena intensidade. Por esse motivo, é sempre de-
          sejável manter uma margem de NPSH, que alguns definem como diferen-
          ça (NPSHdisp – NPSHreq) e outros, como a relação (NPSHdisp/NPSHreq).
             Quanto maior o crescimento do volume do líquido ao vaporizar, maior
          deverá ser essa margem. A água fria é um dos piores produtos no que concer-
          ne a esse aspecto, como veremos adiante. Como na vaporização os produtos
          de petróleo crescem bem menos de volume do que a água, alguns estudos
          sugerem reduções para seus valores de NPSH requeridos. A norma API não
          aceita essas reduções, permanecendo os mesmos valores válidos para água.
             Colocando as curvas de NPSH disponível e do requerido num mesmo
          gráfico, Figura 62, vemos que o NPSH disponível no flange da bomba cai
          com o aumento de vazão, enquanto o NPSH requerido aumenta com a
          vazão. Logo, quanto maior a vazão, menor a margem de NPSH. O ponto
          de cruzamento das duas curvas fornece a vazão máxima teórica com que
          a bomba pode trabalhar sem cavitar.
                                                 FIGURA 62


                              VAZÃO MÁXIMA EM FUNÇÃO DO NPSH


                   NPSH (m)
                                                             NPSH requerido
                                                             Característica da bomba



                                   Margem                    NPSH disponível
                                   de NPSH                   Característica do sistema




                                                                      Vazão
                                             Q       Qmax




             Ocorrendo a vaporização do líquido no interior da bomba, teremos a
          formação de bolhas de vapor. Elas se chocarão e crescerão de tamanho. Se a
          quantidade vaporizada de líquido for muito pequena, é provável que não
          notemos nenhum ruído, nem perda de desempenho da bomba. Por outro

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           130   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
lado, se a quantidade vaporizada for muito elevada, as bolhas formadas
ocuparão o espaço que deveria ser do líquido, prejudicando sua passagem
pelo impelidor, reduzindo o desempenho da bomba e fazendo com que a
vazão e a pressão de descarga sejam prejudicadas ou até inviabilizadas.
   As bolhas de vapor formadas são impulsionadas pelo impelidor e tam-
bém arrastadas pelo líquido, atingindo regiões com maior pressão (ver
Figura 59). Ao atingir essas regiões, as bolhas entrarão em colapso, re-
tornando à fase líquida. A pressão interna da bolha de vapor é a própria
pressão de vapor. Quando a pressão externa for superior, ela retornará à
fase líquida.
   O ruído e a vibração que ouvimos não são decorrentes da vaporiza-
ção do líquido, mas sim do retorno do vapor à fase líquida. Esse retorno
é denominado de implosão das bolhas (implosão é o oposto de explo-
são). Essa mudança súbita de fase gera ondas de choques que se trans-
formam em vibração.
                                                FIGURA 63


      IMPLOSÃO DAS BOLHAS DE VAPOR COM ARRANCAMENTO DO MATERIAL


                                   Implosão das bolhas

                                         Pext



                              Pv                                  Pv



                         Bolha inicial                      Início do colapso

                                                                                Microjato



                    Pv                           Pv



                     Formação do microjato                             Arrancamento de material




   Quando as bolhas de vapor retornam à fase líquida, o volume ocupa-
do pelo líquido é muito inferior ao do vapor. Instantaneamente, fica um
vazio que será preenchido pelo líquido, criando um jato de líquido, con-
forme mostrado na Figura 63. Se estas bolhas estiverem no meio da cor-
rente líquida, não acarretarão danos, mas se estiverem próximas das pa-
redes metálicas da bomba, em face da não-existência de líquido junto às
paredes para preencher a bolha, o jato será formado no sentido da pare-
de, atingindo a superfície metálica com alta velocidade e pressão.

                                                      PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                      Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                        131
Com a bomba operando na condição de cavitação, são formadas mi-
                lhares e milhares de pequenas bolhas continuamente, que acabam implo-
                dindo. É como se tivéssemos um martelamento contínuo na superfície
                metálica, ocasionando fadiga do material com o posterior arrancamento
                de partículas do metal.
Pense e Anote


                        Fadiga é o fenômeno da redução da resistência de um material
                        devido a esforços repetitivos, como no caso de um arame que
                        acaba partindo quando ficamos dobrando-o para um lado
                        e para o outro seguidamente na mesma seção.




                   A região de implosão das bolhas costuma ser logo após o início das
                pás. Nessa região, o líquido já está recebendo energia do impelidor e,
                portanto, aumentando a pressão. Quando essa pressão ultrapassa a pres-
                são de vapor, temos o colapso das bolhas. Na região da implosão, é que
                ocorre o arrancamento do material.
                   Quando um líquido vaporiza, temos um aumento considerável de vo-
                lume, e quando ele condensa, temos o inverso, uma redução considerá-
                vel do volume. A seguir, mostramos uma tabela com o volume específico
                da água saturada e do vapor em equilíbrio para diversas temperaturas.




                          Volume específico é volume por unidade de massa.
                          Na Tabela 23, mostramos quantos cm3 são necessários para
                          formar a massa de uma grama do líquido ou do vapor.




                                                       TABELA 23


                                VOLUMES ESPECÍFICOS DA ÁGUA E DO VAPOR

                  Temperatura (oC)     Água (a)cm3/g       Vapor (b) cm3/g   Aumento de volume b/a
                         40               1,0078              19.550,3              19.398
                         70               1,0225               5.045,4               4.934
                        100               1,0434              1.672,52               1.603
                        200               1,1568                   127,1               110


                        PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                 132   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Pela Tabela 23, vemos que cada grama de água vaporizada na tempera-
tura de 200ºC terá seu volume aumentado em 110 vezes. Já na temperatu-
ra de 40ºC, o aumento será bem maior, chegando a 19.398 vezes. Por isso,
quanto mais frio o líquido, maior a severidade do problema de cavitação.
Os produtos de petróleo apresentam um aumento de volume bem inferior
ao da água ao vaporizarem. Por isso, a cavitação é menos intensa compara-
tivamente, o que não quer dizer que não resultem em danos consideráveis.
   A vaporização é uma transformação que necessita de calor para sua
realização. No caso da vaporização no interior da bomba, esse calor é re-
tirado do próprio líquido, fazendo com que ocorra um resfriamento nas
proximidades do ponto em que houve a vaporização. A perda de tempera-
tura reduz a pressão de vapor Pv, o que aumenta o NPSH disponível (ver
Figura 55 e equação 6).
   Se não houvesse esse resfriamento, a intensidade da cavitação seria
maior. O resfriamento causado pela passagem de um líquido para vapor
fica evidente quando abrimos para a atmosfera um vent de uma linha
contendo GLP. Nesse caso, a temperatura cai tanto que condensa a umi-
dade do ar atmosférico, formando gelo.
   A cavitação gera vibração, forte ruído, oscilação dos manômetros de
sucção e de descarga, perda de desempenho (vazão e pressão), além do
desgaste da bomba, principalmente do impelidor, pelo arrancamento de
partículas metálicas.
   Agora que entendemos o que ocorre no interior da bomba, podemos
dizer que cavitação é o fenômeno de formação de bolhas de vapor por
insuficiência de energia na sucção da bomba (NPSHdisp< NPSHreq), cres-
cimento dessas bolhas e seu retorno à fase líquida (implosão), trazendo
todos os inconvenientes já citados. Chamamos essa cavitação de clássica
para não confundir com outras cavitações que podem ocorrer na bomba,
como a decorrente da recirculação interna, que será vista a seguir.
                                FIGURA 64


           IMPELIDORES COM DESGASTE DEVIDO À CAVITAÇÃO




                                            PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                            133
O nome de cavitação vem de cavidade, que significa vazio. No caso das
          bombas, a cavitação se deve ao vazio formado na implosão das bolhas de vapor.

Pense e
Anote       Resumo

              Temos dois NPSHs (Net Positive Suction Head) que são expressos em metros ou em
              pés. Um é o NPSH requerido: a energia mínima que a bomba necessita ter em seu
              flange de sucção para cada vazão. O outro é o NPSH disponível: a energia que o
              sistema disponibiliza no flange de sucção da bomba para cada vazão.
              Para que não haja cavitação, temos que ter NPSHdisp > NPSHreq.
              Cavitação é o fenômeno que ocorre quando temos a vaporização do líquido bombeado,
              o crescimento das bolhas e a sua implosão.
              O ruído e a vibração não são provenientes da vaporização, mas da implosão das bolhas.
              A cavitação causa um ruído acentuado, desgaste no impelidor, vibração, oscilação das
              pressões, perda de vazão e de pressão.
              O desgaste no impelidor é na parte visível da sucção, logo no início das pás.
              Esses mesmos fenômenos acontecem quando temos recirculação interna e entrada de
              gases na bomba.
              A principal solução para a cavitação é aumentar a pressão de sucção, ou seja, aumentar
              o NPSH disponível.
              O NPSH disponível pode ser calculado por:

                 EQUAÇÃO 6



                                                10 x (Ps + Patm – Pvap)          VS2
                                NPSHdisp =                                   +         + hs
                                                                                 2g



                 EQUAÇÃO 4



                                                2,78 x Q       3,54 x Q
                                         Vs =              =
                                                    A            D2



              NPSHdisp em m
              Ps – Pressão de sucção kgf/cm2
                – Peso específico em gf/cm3 ou densidade
              Patm – Pressão atmosférica em kgf/cm2
              Pvap – Pressão de vapor do líquido na temperatura de bombeamento em kgf/cm2A
              Vs – Velocidade de escoamento na sucção em m/s
              hs – Altura do manômetro em relação à linha de centro da bomba em m
              Q – Vazão em m3/h
              A – Área interna da tubulação em cm2
              D – Diâmetro interno da tubulação de sucção


                  PETROBRAS     ABASTECIMENTO
           134   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Recirculação interna
No item anterior, vimos que a cavitação, devido à formação e à implosão
das bolhas, faz com que a bomba trabalhe com um ruído semelhante ao
de bombear pedras, forte vibração, oscilação dos ponteiros dos manôme-
tros e perda de vazão e de pressão. Na realidade existem três fenômenos
que podem levar a esses sintomas: a cavitação clássica, a recirculação in-
terna e a entrada de gases na sucção da bomba. Vamos entender como
cada um deles ocorre.
   Já vimos o que é a cavitação clássica. Vamos entender agora o que vem
a ser recirculação interna.
   Há algumas décadas, um fabricante de bombas preparou uma experiên-
cia nos Estados Unidos. Colocou uma bomba centrífuga numa bancada de
teste e convidou diversos interessados e especialistas em bombas, inclu-
sive concorrentes, para assistirem ao experimento.
   Para facilitar a observação, as tubulações de sucção e de descarga foram
feitas de um material transparente chamado “plexiglass”. Na linha de suc-
ção, afastado alguns metros do flange, foi colocado um pequeno tubo que
permitia injetar o corante azul de metileno (ver esquema na Figura 65).
   A bomba foi colocada em operação com a válvula de descarga total-
mente aberta. Era então injetado um pouco de corante, e podiam ser vis-
tos os veios coloridos de azul passar pela tubulação de sucção, entrar na
bomba e sair pela descarga, conforme era esperado.
   A vazão foi sendo reduzida em etapas, por meio do fechamento gradativo
da válvula de descarga da bomba. Em cada uma destas etapas, era realizada
uma pequena injeção de corante. Quando foi atingida uma determinada va-
zão, as pessoas que estavam assistindo ficaram perplexas. As linhas azuis do
corante iam até o interior da bomba e voltavam vários metros na sucção,
tornavam a entrar na bomba e a voltar diversas vezes. Os presentes ao expe-
rimento estavam, naquele momento, tendo a oportunidade de ver o que
passou a ser conhecido como recirculação interna na sucção da bomba.
                                         FIGURA 65


       TESTE DE RECIRCULAÇÃO INTERNA REALIZADO NUMA BANCADA DE TESTE


         Tubo para ejeção     Tubo
         de corante           transparente




                                             PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                             Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                             135
Esse fenômeno é bem conhecido hoje em dia, mas ainda não é perfei-
          tamente equacionado e só começou a aparecer com muita freqüência a
          partir da década de 1970. Os projetistas das unidades, para economizar
Pense e   em tubulações e fundações, começaram a projetar os vasos e as torres em
Anote     cotas mais baixas. Com isso, passaram a especificar bombas com NPSH
          disponíveis menores. Para atender a essa solicitação, os fabricantes pas-
          saram a projetar bombas com NPSH requerido menor.
             Um dos modos de fazer essa redução é aumentando a área do olhal do
          impelidor, reduzindo a velocidade e, conseqüentemente, a perda de car-
          ga na sua entrada ( P da Figura 59).
             Os novos projetos das bombas passaram a utilizar impelidores com as
          velocidades específicas de sucção mais altas, o que eleva à vazão em que
          tem início a recirculação.
             As bombas passaram a ter uma faixa operacional muito mais estrei-
          ta, chegando a vazão mínima a ser, em alguns casos, de apenas 75% a
          80% do BEP.




                            Velocidade específica de sucção é um número
                            adimensional que caracteriza o projeto da
                            entrada do impelidor. É semelhante à
                            velocidade específica da bomba que
                            caracteriza o impelidor como um todo.
                            Por conveniência, são usadas unidades que
                            não se cancelam, sendo, portanto, necessário
                            especificar quais estão sendo utilizadas.




                                                     N Q
                                            NSS =
                                                    NPSHreq



             NSS – Velocidade específica de sucção

          Em unidades americanas

                        N → rpm           Q → gpm          NPSHreq → ft



          Em unidades métricas

                       N → rpm          Q → m3/h ou m3/s        NPSHreq → m


                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           136   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Valem as mesmas observações usadas na velocidade específica da bom-
ba, ou seja, os valores de Q e NPSHreq são os do BEP – Ponto de Máxi-
ma Eficiência com o impelidor de diâmetro máximo. Bombas de dupla
sucção devem ter sua vazão dividida por dois.
   Existe um trabalho que mostra que as bombas projetadas com veloci-
dades específicas menores do que 11 mil (unidades americanas) falham
bem menos do que as projetadas acima desse número.
   Toda bomba centrífuga é projetada para trabalhar com uma vazão e AMT
determinadas. É o BEP da bomba. Quando a bomba trabalha nessa vazão,
seu rendimento é máximo. Nessa condição, o líquido entra alinhado com
as pás do impelidor, tangenciando-as e causando o mínimo de turbulência.
   À medida que vamos reduzindo a vazão, o ângulo de incidência come-
ça a ficar desfavorável (ver Figura 66). Se continuarmos reduzindo a vazão,
atingiremos um ponto em que haverá descolamento do líquido da pare-
de da pá do impelidor, criando um vazio, uma região de baixa pressão que,
como vimos, proporciona a vaporização do líquido e também favorece a
formação de vórtices (redemoinhos).
   As bolhas formadas pela vaporização deslocar-se-ão para regiões de
maior pressão e retornarão à fase líquida (implosão), causando danos si-
milares aos da cavitação clássica.
                                        FIGURA 66


                    RECIRCULAÇÃO INTERNA NA SUCÇÃO


                                     Pá do impelidor




       Ângulo de                                       Underfilled
       incidência no BEP                               Overfilled
                                        Vórtices
       Ângulo de
       incidência com                                            Rotação
       baixa vazão                D1
                                                        D2




                           Fluxo de recirculação
                           na sucção




                                                    PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                    Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                    137
Os vórtices formados se propagarão para a sucção, ocasionando um
                fluxo contrário ao normal no interior da bomba. A recirculação, inicialmen-
                te, fica restrita à sucção da bomba, daí receber o nome de recirculação da
                sucção (ver Figura 66, lado direito).
                   Se a vazão continuar a cair, o fenômeno aumentará de intensidade, fa-
Pense e Anote   zendo com que os vórtices atinjam a descarga da bomba, e, nesse caso,
                passaremos a ter a recirculação interna na descarga, também.
                                                       FIGURA 67


                  VARIAÇÃO DA PRESSÃO DE SUCÇÃO E DA DESCARGA COM RECIRCULAÇÃO


                                  Pressão

                                                                Pressão de
                                                                descarga




                                                             Pressão de sucção


                                                                                 Vazão




                           Recirculação na sucção e início
                           de recirculação na descarga




                   A bomba centrífuga tem uma vazão abaixo da qual esse fenômeno de
                recirculação interna ocorrerá. Nas bombas de baixa energia (baixa potên-
                cia e baixa AMT), a recirculação interna não causa grande preocupação, mas
                nas bombas de alta energia os danos podem ser severos.
                   Existem diversas vazões mínimas numa bomba centrífuga. Nas folhas
                de dados mais antigas, com mais de 20 anos, geralmente, a vazão míni-
                ma citada era a vazão mínima térmica. Trabalhando com a vazão baixa, o
                rendimento da bomba é reduzido, ou seja, maior percentual da energia
                cedida pelo acionador irá virar calor, o que aumenta a temperatura do
                líquido, podendo fazer com que vaporize.

                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 138   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Nas bombas que trabalham próximo da linha de equilíbrio de fases,
um pequeno acréscimo de temperatura pode levar à vaporização (ver Fi-
gura 55). As bombas de água de alimentação de caldeira estão nesse caso.
Por isso, costumam possuir uma válvula de fluxo mínimo (Figura 128),
ou ter uma linha dotada de orifício de restrição que interliga a descarga
com o desaerador, garantindo assim uma vazão mínima para a bomba.
Essa vazão mínima que evita a vaporização pelo aquecimento do líquido
no interior da bomba recebe o nome de vazão mínima térmica.
   Recentemente, com o aumento da preocupação com a recirculação
interna, as folhas de dados das bombas passaram a exigir do fabricante o
fornecimento da vazão mínima de recirculação interna ou vazão mínima
de operação estável, que costuma ser superior à vazão mínima térmica.
   A norma API 610 define a vazão mínima estável em função da vibra-
ção. É a menor vazão que a bomba pode operar sem ultrapassar o limite
de vibração estipulado pela norma, que para bombas horizontais é de
3,9mm/s RMS (Figura 68).
   Isto não quer dizer que toda bomba que trabalhe com vibração aci-
ma desse nível esteja com problemas de recirculação interna, uma vez
que desalinhamento e desbalanceamento, entre outros, também podem
contribuir para a vibração da bomba. Nesse caso, a norma API está se
referindo às vibrações de origem hidráulica, como é o caso da recircula-
ção interna. Teoricamente, a menor vibração de origem hidráulica ocor-
re com a bomba trabalhando próxima da sua vazão de projeto (BEP –
Ponto de Máxima Eficiência). Quanto mais afastada a vazão do BEP,
seja para cima ou para baixo, mais desfavorável o ângulo de entrada do
líquido no impelidor, provocando choques que tendem a aumentar a
vibração (Figura 68).
                                FIGURA 68


         VAZÃO MÍNIMA DO API 610 EM FUNÇÃO DA VIBRAÇÃO


                                                          1. Região permitida de operação limitada pela
                                1                            vibração
                                     2                    2. Região preferida de operação 70% a 120% do BEP
         AMT                                              3. Vibração máxima permitida nos limites de fluxo
                                                             3,9mm/s RMS
                                         BEP
                                                          4. Limite de vibração para bomba horizontal
                                                             Pot <400 hp    3,0mm/s RMS



      Vibração                                        3
                                                         3,9mm/s RMS
                                                         3,0mm/s RMS
                                                     4
                           70% BEP   BEP 120% BEP                  Vazão




                                               PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                               Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                  139
Examinando um impelidor com sinais de perda de material, podere-
          mos identificar se o problema foi ocasionado por cavitação clássica ou por
          recirculação interna.
Pense e      Quando temos cavitação, examinado o olhal do impelidor, o desgaste
Anote     tem início na parte visível das pás (região convexa).
             Quando temos recirculação interna na sucção, o desgaste tem início
          na parte não visível da pá, região côncava (próximo da região onde ocorre
          a vaporização do líquido; ver Figura 69), sendo necessário um pequeno
          espelho para ser vista. Quando a recirculação interna é na descarga, o
          desgaste aparece na junção da saída das pás com as laterais do impelidor.
          Nesse caso, ele é visível. Essa região fica cheia de poros devido à perda de
          material. Quando os danos são na parte central de saída da pá, o desgaste
          costuma ser decorrente da proximidade das pás do impelidor com a lin-
          güeta da voluta ou com o difusor.
                                                  FIGURA 69


                                  REGIÃO DE DANOS NO IMPELIDOR


                                  Região de danos por
                                  cavitação clássica


                                                                       Região de danos por
                                                                       proximidade com a
                                                                       lingüeta da voluta




                                          Região de danos por recirculação
                                          interna na descarga




                                                              Região de danos por
                 Região de danos                              recirculação na sucção
                 por recirculação
                 interna na descarga




                                            Região de danos por
                                            cavitação clássica




             Alguns autores afirmam que o ruído provocado pela cavitação é mais
          estável e repetitivo, enquanto o provocado pela recirculação interna é ale-
          atório e mais alto.

                   PETROBRAS    ABASTECIMENTO
           140    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Dependendo da severidade da cavitação ou da recirculação interna, os
danos não ficam limitados apenas ao impelidor e podem atingir a carcaça
ou o difusor.
   A região da carcaça próxima à lingüeta é de alta velocidade; logo, de
baixa pressão, podendo, portanto, vir a cavitar.
                                          FIGURA 69A


         DETERMINAÇÃO DA VAZÃO MÍNIMA DE RECIRCULAÇÃO



                           N Q
                Ns =
                                  0,75
                        AMT
                N – rpm
                Q – m3/s
                AMT – m



                              Faixa de trabalho                       Faixa de trabalho
                              hidraulicamente instável                estável


                                                                       Aumentando NSS



                                                                 Bombas de
                  Faixa de                                       refrigeração primária
                  transição
                                                                 Impelidores com
                                                                 olhais grandes e
                                                                 alta velocidade
                                                                 específica de sucção

                                                    Geração nuclear: bombas de
                                                    condensado booster , água de
                                                    alimentação e aquecimento-drenagem




                  Vazão mínima como um percentual da vazão do BEP




   Na Figura 69A, temos um gráfico que permite uma previsão aproxima-
da da faixa de operação de vazão de uma bomba em função da velocidade
específica Ns e da velocidade específica da sucção NSS.
   Para impelidores tipo Francis com Ns = 75, a vazão mínima seria de
35% da vazão do BEP com uma faixa de transição entre 35% e 45%, na
qual podem ocorrer instabilidades. Acima de 45%, seria uma região es-
tável (impelidores com olhais pequenos). Para olhais grandes, o percen-
tual de estabilidade seria aumentado, podendo chegar a 65% da vazão
do BEP. Com um impelidor axial, Ns = 200, a instabilidade pode come-
çar em mais de 80% da vazão do BEP – Ponto de Máxima Eficiência.

                                                         PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                         Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                          141
Resumo
Pense e
Anote         Recirculação interna é um fenômeno que ocorre quando a
              bomba está trabalhando com baixa vazão. Temos dois tipos:
              a recirculação interna na sucção e na descarga. A recirculação
              na descarga ocorre numa vazão mais baixa do que a da sucção.
              Os sintomas são semelhantes ao da cavitação: ruído, vibração,
              oscilação das pressões, desgaste do impelidor.
              O desgaste no impelidor ocorre na área da sucção no lado
              invisível da pá e necessita de um pequeno espelho para ser
              visto quando está na fase inicial. Na área da descarga,
              o desgaste é na lateral das pás, na junção com os discos,
              na parte visível delas.
              O percentual em relação à vazão do BEP – Ponto de Máxima
              Eficiência, com o qual a bomba inicia a recirculação, está
              bastante ligado à velocidade específica (Ns) e à velocidade
              específica de sucção (NSS) da bomba. Quanto maiores esses
              valores, mais estreita a faixa de operação da bomba.
              Uma das principais causas da recirculação interna é o
              descolamento do fluxo do líquido, que ocorre quando o ângulo
              de sua entrada na pá do impelidor fica desfavorável.
              A solução para a recirculação interna é o aumento de vazão.




          Entrada de gases
          A entrada de ar ou gases misturados com o líquido no interior da bomba, a
          partir de um certo percentual, gera os mesmos fenômenos ocasionados pela
          cavitação e pela recirculação interna, ou seja, ruído, perda de desempenho,
          vibração, oscilação dos manômetros. A diferença é que as bolhas não são for-
          madas por vaporização no interior da bomba, mas já entram com o líquido.
             Um dos problemas da entrada de gás junto com o líquido é causado
          pela separação que ocorre pela centrifugação. O ar tende a ficar junto ao
          olhal do impelidor, prejudicando o fluxo.
             Existem controvérsias sobre os danos causados pela entrada de ar.
          Quanto à perda de desempenho, todos concordam. Quanto aos danos no
          impelidor, alguns autores afirmam que a entrada de gases não causa da-
          nos significativos às bombas, simplesmente reduz o desempenho pelo

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           142   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
espaço ocupado pelos gases. Outros autores afirmam que os danos são
semelhantes aos causados pela cavitação.
   Os gases podem já vir dissolvidos no líquido ou penetrar na tubulação
de sucção pelas juntas dos flanges quando a pressão de sucção é negativa.
Outros pontos de entrada de ar são na selagem por gaxetas e na tomada
da linha de sucção. Esta última, se não tiver a submergência adequada,
pode ocasionar a formação de vórtices (redemoinhos) (Figura 70).
                                FIGURA 70


  ENTRADA DE AR E FORMAÇÃO DE VÓRTICES POR BAIXA SUBMERGÊNCIA


                                Ar + líquido




             Linha de sucção
                                         Vórtice    Nível do líquido


                 Submergência




   Os casos mostrados na Figura 70 são decorrentes de erro de projeto.
Na parte de cima da figura, deveria existir uma chicana no reservatório
para evitar que o fluxo de líquido fosse lançado diretamente para a sucção
da bomba. Uma outra solução seria utilizar uma curva e mergulhar o tubo
de chegada no reservatório. Para o caso de baixo, uma solução seria au-
mentar a submergência do tubo de sucção ou colocar grades horizontais
flutuantes na superfície, em torno do tubo, para evitar a formação dos
vórtices (redemoinhos).
   Até o teor de 0,5% em volume de gases no líquido, não é usual obser-
var qualquer efeito sobre o funcionamento da bomba. Quando valores de
5% ou 6% são atingidos, o funcionamento fica seriamente prejudicado,
podendo até fazer a bomba perder a escorva.
   Em percentuais bem pequenos, os gases ou o ar podem até ser benéfi-
cos quando a bomba trabalhar cavitando. O ar forma um colchão de amor-
tecimento, atenuando os efeitos da implosão das bolhas e reduzindo o
ruído e a vibração.

                                               PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                               Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                               143
Curva do sistema e ponto de trabalho
                da bomba
                Já sabemos que a bomba trabalhará sobre um ponto de sua curva de AMT
                x vazão. Mas em qual deles?
                                                       FIGURA 71
Pense e Anote                                  CURVA DO SISTEMA




                   Para saber isso, é necessário conhecer o sistema no qual a bomba irá
                trabalhar de modo que possamos calcular a curva desse sistema. A curva
                do sistema representa as energias que necessitam ser vencidas para ir do
                vaso de sucção ao de descarga para cada vazão.
                   Essas energias são: a diferença de pressão entre os dois vasos ( P), a
                diferença de níveis (H) e a perda de carga (h1, h2 etc.) nas linhas de suc-
                ção e de descarga em função da vazão. Se as pressões dos vasos e seus
                níveis forem constantes, somente a perda de carga irá variar. Todas es-
                sas perdas são expressas em metros de coluna. Quanto maior a vazão,
                maior a perda de carga do sistema e, portanto, a curva do sistema será
                ascendente com a vazão.

                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 144   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   A curva do sistema nos informa para cada vazão o quanto de AMT (head
ou carga) o sistema exigirá. Na vazão nula, só seria necessário vencer a
cota H e o     P, já que a perda de carga seria nula. A Figura 71 mostra a
curva de um sistema com as perdas de carga de 7, 20 e 40 metros corres-
pondentes às vazões de 60, 80 e 100m3/h, respectivamente.
   Foi visto que a bomba terá de trabalhar sobre sua curva de AMT x va-
zão. O sistema também exige que a bomba trabalhe sobre sua curva. Se
colocarmos essas duas curvas num mesmo gráfico, o ponto de encontro
delas é o único que satisfará à bomba e ao sistema simultaneamente.
Portanto, esse será o ponto de trabalho.
                                    FIGURA 72


                            PONTO DE TRABALHO


             AMT (m)



                       Curva da bomba                            Ponto de
                                                                 trabalho




                        Curva do sistema




                                        m 3 /h




   Pelas curvas da Figura 72, a bomba trabalharia com 99m3/h e com a
AMT de 76m.
   A bomba centrífuga sempre trabalhará no ponto de interseção da cur-
va da bomba com a curva do sistema.
   Todavia, a maioria dos processos industriais necessita variar a vazão.
Os seguintes modos de controle são empregados com essa finalidade em
bombas centrífugas:
   Recirculando a descarga para a sucção.
   Alterando a curva do sistema.
   Alterando a curva da bomba:
   • Pela mudança do diâmetro do impelidor.
   • Pela mudança da rotação.
   • Pela colocação de um orifício no flange de descarga da bomba.
   • Pelo ajuste das pás do impelidor.
   • Pelo controle de pré-rotação.
   Ligando e desligando bombas que operem em paralelo ou em série.
   Controlando por cavitação.

                                                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                 Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                 145
Vejamos como os modos mais usuais funcionam.



Pense e   Recirculando a descarga para a sucção
Anote     Consiste em retornar parte da vazão bombeada para a sucção através de
          uma válvula.
             É um método pouco usado em bombas centrífugas por desperdiçar a
          energia gasta bombeando o líquido que estaria sendo recirculado. É mais
          utilizado em situações em que queremos garantir uma vazão mínima da
          bomba, seja para evitar o aquecimento com vaporização do líquido bom-
          beado, seja devido a problemas de recirculação interna ou, ainda, para
          evitar esforço axial elevado.
             As bombas de deslocamento positivo utilizam bastante esse método.
                                                 FIGURA 73


                         RECIRCULAÇÃO DA DESCARGA PARA A SUCÇÃO




             Se não houver um resfriamento do líquido recirculado, devemos colo-
          car a linha de retorno o mais afastada possível da sucção da bomba, evi-
          tando assim que o líquido já aquecido entre na bomba e receba mais ca-
          lor, o que poderá levar à sua vaporização.
             No caso de bombas axiais, esse método de controle é interessante,
          porque nesse tipo de bomba a potência cai com o aumento da vazão.



          Alterando a curva do sistema
          Esse é o método mais usado em unidades de processo.
             Consiste em utilizar uma válvula na linha de descarga, como, por exem-
          plo, uma válvula de controle que, ao ser mais aberta ou fechada, aumenta
          ou diminui a perda de carga na linha, alterando assim a curva do sistema.
          Isso modificará o ponto de trabalho, como pode ser visto na Figura 74.
             Não devemos nunca restringir o fluxo na linha de sucção das bombas
          devido ao problema de cavitação.

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           146   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Modificando a abertura da válvula, podemos obter qualquer vazão na
faixa de trabalho da bomba.
                                     FIGURA 74


     VARIAÇÃO DO PONTO DE TRABALHO POR VÁLVULA DE CONTROLE


                   Ponto de trabalho x abertura de válvula
         AMT (m)

                Curva da bomba             50%         70%            100%
                                                                      aberta




                                      Vazão m 3 /h




                                 A




               Válvula 100% aberta – Q = 99m3/h AMT = 76m
               Válvula 70% aberta – Q = 72m3/h AMT = 85m
               Válvula 50% aberta – Q = 52m3/h AMT = 88m




Alterando a curva da bomba
Temos cinco modos de alterar a curva de uma bomba centrífuga: alteran-
do o diâmetro do impelidor; variando a rotação; colocando um orifício
no flange de descarga da bomba; ajustando o ângulo das pás do impeli-
dor; controlando a pré-rotação.
   A alteração do diâmetro exige a abertura da bomba para sua execução,
portanto, não é um método que possa ser usado a toda hora.
   Além disso, esse tipo de controle possui uma limitação, ou seja, o diâ-
metro mínimo do impelidor recomendado pelo fabricante, que costuma
ser em torno de 20% a 25% do diâmetro máximo. Quando uma válvula
de controle trabalha permanentemente com abertura inferior a 70% (mais

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de 30% de fechamento), é uma ótima oportunidade para economizar
          energia por meio da redução do diâmetro do impelidor. Não é interes-
          sante que o corte leve a válvula de controle a trabalhar totalmente
Pense e   aberta, porque, nesse caso, ficaria inviável um aumento de vazão numa
Anote     determinada necessidade do processo. O ideal é negociar com a equi-
          pe de operação um valor seguro para cada caso específico antes de cal-
          cular o corte do impelidor.
             Para utilizar o controle por rotação, o acionador tem de possibilitar esse
          recurso. As turbinas a vapor, os motores de combustão interna e os moto-
          res elétricos com variadores de freqüência são os principais acionadores
          que podem variar a rotação. Existem variadores hidráulicos a serem colo-
          cados entre o motor elétrico e a bomba, que também cumprem essa fun-
          ção. Esse modo de operar resulta em economia de energia quando com-
          parado com a atuação da válvula na linha de descarga, uma vez que esta
          reduz a vazão pelo aumento da perda de carga, ou seja, gastando parte da
          energia cedida pela bomba.
                                                  FIGURA 75


                      VARIAÇÃO DA CURVA DA BOMBA COM O DIÂMETRO
                            DO IMPELIDOR OU COM A ROTAÇÃO


                 AMT (m)


                                                                   Curva do sistema

                                                                          N1 ou D1

                                                                          N2 ou D2

                                                                          N3 ou D3




                                                       m 3 /h


                                          N – Rotação
                                          D – Diâmetro impelidor


                                                 N1 > N2 > N3
                                                 D1 > D2 > D3




             Na Figura 75, temos a curva do sistema e três curvas da bomba corres-
          pondentes a rotações ou diâmetros diferentes. O ponto de operação será
          no encontro da curva do sistema com a curva da bomba. Os pontos de
          operação seriam:

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           148   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                    N1 ou D1 – Q = 95m3/h e AMT = 79m
                    N2 ou D2 – Q = 84m3/h e AMT = 63m
                    N3 ou D3 – Q = 72m3/h e AMT = 50m




   Com a bomba em outras rotações ou com outros diâmetros, novos
pontos de operação poderiam ser obtidos. Posteriormente, o assunto será
abordado com maior profundidade.
   O uso da placa de orifício junto ao seu flange de descarga (Figura 76),
permite fazer com que uma curva plana passe a ter uma inclinação, faci-
litando o controle por meio de válvula. A placa de orifício é usada em bom-
bas de baixa potência. Como a perda de carga no orifício aumenta com a
vazão, à medida que a vazão aumenta, a curva da bomba vai ficando mais
afastada da curva original. O orifício também pode ser usado para ajustar
a AMT (pressão) de uma bomba que a tenha em excesso e esteja traba-
lhando próximo do final da curva. Se cortarmos o impelidor nesse caso, a
vazão poderá não ser atendida.
                                   FIGURA 76


          MODIFICAÇÃO DO PONTO DE TRABALHO POR MEIO DE
            ORIFÍCIO RESTRIÇÃO NO FLANGE DE DESCARGA




          AMT

                                    Sem orifício
       AMT2
                    Com orifício
       AMT1
                                                                Perda de
                                                                carga devido
                                                                ao orifício

                       Curva do sistema



                                            Q1       Q2                 Q




   O método de ajuste das pás do impelidor é aplicado em bombas de
fluxo misto ou axial de grandes dimensões, e o ganho de energia compen-
sa o custo desse sistema. Nesse caso, as pás do impelidor são pivotadas
no cubo do impelidor de modo que podem ser ajustadas, modificando a
curva da bomba.

                                               PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                               Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                               149
O controle por pré-rotação é realizado por pás guias móveis que ficam
                situadas na frente do impelidor. As pás do impelidor se mantêm fixas. É
                um sistema semelhante aos usados em compressores, sendo utilizado ape-
                nas em bombas de fluxo misto ou axial de elevadas vazões.
                  Esses sistemas de controle, ajuste de pás do impelidor e controle de
Pense e Anote   pré-rotação, não são normalmente empregados em bombas de refinarias.



                Ligando e desligando bombas que
                operem em paralelo ou em série
                Esse método é usado quando a variação de vazão é muito elevada, como
                ocorre em unidades de processo que variam bastante a carga, como no
                abastecimento de água de uma cidade (durante a noite o consumo cai
                bastante), ou em alguns sistemas de água de refrigeração. Nesse caso,
                em vez de usar bombas de grande capacidade, são utilizadas bombas
                menores que vão sendo colocadas ou retiradas de operação de acordo
                com a demanda.
                                                        FIGURA 77


                           VARIAÇÃO DE VAZÃO LIGANDO E DESLIGANDO BOMBAS



                       AMT (m)




                                                                             Sistema




                                         1 Bomba         2 Bombas 3 Bombas    4 Bombas




                  No exemplo da Figura 77, poderíamos ter as seguintes vazões:



                                        140m3/h – 1 bomba funcionando
                                        265m3/h – 2 bombas funcionando
                                        370m3/h – 3 bombas funcionando
                                        460m3/h – 4 bombas funcionando



                         PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 150    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Controlando por cavitação
Esse método é empregado em pequenas bombas de condensado. Ele usa
o fato de a cavitação reduzir a vazão da bomba para controlar o nível da
bota do condensador.
                                     FIGURA 78


                 CONTROLE DE CAPACIDADE POR CAVITAÇÃO



           AMT
                      Pontos de operação          Pontos de operação
                      com cavitação               sem cavitação




                  Curva do sistema


                      NPSHdisp

                   NPSHreq
                                                     NPSH completa
                                                     cavitação




                     Condensador

                                                    Válvula
                                                    aberta
                                 Bota
                                           h




   Como a pressão no condensador é normalmente uma pressão muito
baixa (alto vácuo), o NPSH é crítico nesse tipo de aplicação. O NPSH dispo-
nível é praticamente o valor da cota “h” do nível da bota em relação à
bomba (Figura 78).
   Para entender como funciona o sistema, vamos partir de uma situação
em equilíbrio, ou seja, a quantidade de condensado que chega à bota é
igual à que a bomba retira, o que garante o nível constante. Nessa situa-
ção, a bomba estaria operando, por exemplo, no ponto A com cerca de
92% da vazão máxima e com uma ligeira cavitação.
   Suponhamos que o consumo de vapor da turbina caia, chegando menos
condensado na bota. Como inicialmente a bomba continua com a mesma
vazão, o nível h começará a cair e o NPSH disponível vai ser reduzido, fa-
zendo com que aumente a cavitação e, como conseqüência, caia a vazão da
bomba até o nível voltar a equilibrar-se no ponto B, 75% da vazão.

                                                 PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                                 Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                 151
Caso ocorra o contrário, ou seja, um aumento do consumo de vapor
          na turbina, teremos mais condensado chegando à bota e elevando seu
          nível. Com isso, aumenta o NPSH disponível, aumentando a vazão da
Pense e   bomba até que seja atingida uma outra vazão de equilíbrio correspondente
Anote     ao ponto C.
             Para usar esse sistema, o material da bomba tem que ser apropriado
          para suportar a cavitação, e a energia cedida em cada estágio da bomba
          deve ser baixa, ou seja, inferior a 50m, para não potencializar os danos. A
          grande vantagem desse sistema é a sua simplicidade, não exigindo todo
          o aparato de uma malha de controle de instrumentação.



          Conjugação de dois dos métodos
          anteriores
          Por exemplo: cortando o impelidor e usando uma válvula de controle na
          descarga.
             Embora tenhamos visto os métodos usualmente praticados para modifi-
          car o ponto de trabalho, devemos ter em mente que toda bomba centrífuga
          possui limitações de vazão, tanto de vazão máxima, quanto de vazão mínima.




            Resumo

              A curva do sistema indica o quanto de energia o sistema exigirá
              para cada vazão.
              Essa energia é composta pela diferença de níveis entre o vaso
              de sucção e o de descarga, a diferença de pressão entre esses
              dois vasos e a perda de carga para a vazão em questão.
              A bomba sempre irá trabalhar no ponto de encontro de sua
              curva de AMT x vazão com a curva de AMT x vazão do sistema.
              O método mais usado na indústria para controle de vazão é a
              utilização de uma válvula de controle na linha de descarga.
              O mais econômico, do ponto de vista de consumo de energia,
              é por meio da variação de rotação.




          Curvas características de
          bombas centrífugas
          As curvas características de uma bomba recebem esse nome por serem as
          curvas que caracterizam seu desempenho.

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           152   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   As curvas características são:
   Altura manométrica total (AMT) x vazão
   Potência x vazão
   Rendimento ( ) x vazão
   NPSH requerido x vazão


   A curva de potência muda com o produto bombeado em função do peso
específico. As outras curvas características independem do fluido, desde
que a viscosidade do mesmo seja baixa.
   As curvas características são fornecidas pelos fabricantes das bombas.
   Quando a bomba é importante para o funcionamento da unidade, para
ter certeza do seu desempenho, é comum pagar ao fabricante para le-
vantar as curvas de cada bomba na bancada de teste. A exceção fica por
conta da curva de NPSH requerido, que só é solicitada quando a diferen-
ça é pequena em relação ao NPSH disponível (normalmente quando in-
ferior a 1metro).



Curva de AMT x vazão
A altura manométrica total é também conhecida pelos nomes de carga da
bomba, head (em inglês), ou MCL (metros de coluna de líquido).
   A AMT representa a energia cedida pela bomba por unidade de peso do
líquido bombeado.
                                    FIGURA 79


      CURVA TÍPICA DE AMT X VAZÃO DE UMA BOMBA CENTRÍFUGA


                                  AMT x vazão
      AMT ou H – metros




                                         Vazão m 3 /h

                      Modelo 3 x 2 x 8       dia 200mm     3.550rpm




                                                    PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                    Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                    153
Curva de rendimento x vazão
          Rendimento ou eficiência de uma bomba é a relação entre a potência que
          ela fornece ao líquido e a potência recebida do acionador.
Pense e
Anote                   Rendimento       =
                                                 Potência fornecida ao líqudo
                                             Potência recebida do acionador



             Por exemplo, a bomba está recebendo no seu eixo uma potência de
          100hp. Se ela estiver cedendo ao líquido 60hp, seu rendimento será de
          0,6 ou 60%.
             Nesse caso, os 40% restantes do rendimento, correspondentes a 40hp,
          estão sendo consumidos pelos atritos (dos mancais e do líquido), choques
          e mudanças de direção do líquido no interior da bomba. Toda essa perda
          de energia é transformada em calor. Parte desse calor aquece o líquido
          bombeado e outra parte é transmitida para a atmosfera.
             O rendimento da bomba é calculado com base na potência recebida
          pelo seu eixo, não importando a potência de placa do acionador.
             Na Figura 80, temos uma curva característica do rendimento de uma
          bomba centrífuga que mostra sua variação com a vazão.
                                                  FIGURA 80


                    CURVA DE RENDIMENTO DE UMA BOMBA CENTRÍFUGA



                                          Rendimento x vazão

                 Rendimento %

                                                                  BEP




                                                    Vazão m 3/h




             O rendimento cresce com a vazão até um determinado ponto, passa por
          um valor máximo e começa a cair. Na curva mostrada, na figura acima,
          esse valor máximo de rendimento da bomba ocorre na vazão de 80m3/h.

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           154   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Tal ponto é o ponto de máxima eficiência, usualmente chamado de BEP
– Ponto de Máxima Eficiência (best efficiency point) da bomba. A va-
zão do BEP é a vazão para a qual a bomba foi projetada. O rendimento
é máximo porque o líquido entra no impelidor com o ângulo mais fa-
vorável em relação às pás, praticamente sem choques (ver Figura 66).
Por esse motivo, as bombas apresentam valores menores de vibrações
quando trabalham próximas desse ponto (ver Figura 68).
   A curva de rendimento é válida para qualquer líquido, desde que a vis-
cosidade não seja alta. Sendo alta, deverá ser corrigida por meio de um
fator apropriado (ver Figura 110).



Curva de potência x vazão
Na Figura 81, temos uma curva característica de potência x vazão de uma
bomba centrífuga.
                                     FIGURA 81


            CURVA DE POTÊNCIA DE UMA BOMBA CENTRÍFUGA



                                Potência x vazão

      Potência em hp




                                      Vazão m 3/h

              Curva para água   1gf/cm 3             Modelo 3x2x8 3.550rpm




   Nos catálogos gerais dos fabricantes, a curva fornecida é para água fria e
necessita ser corrigida se o líquido tiver peso específico diferente. Nos catá-
logos próprios da bomba, a curva mostrada geralmente já está corrigida.
   Pela Figura 81, para a vazão de 90m3/h, temos que a potência consu-
mida pela bomba é de 38hp.

                                                    PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                    Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                    155
A potência consumida por uma bomba pode ser obtida pela fórmula:



                       EQUAÇÃO 7
                       EQUAÇÃO



Pense e Anote
                                                             .H.Q
                                                   Pot =
                                                           274



                   Pot – Potência em hp
                         – Peso específico em gf/cm3 ou densidade
                   H     – AMT em metros
                   Q     – Vazão em m3/h
                         – Rendimento




                   Como vemos, a potência é diretamente proporcional ao peso específi-
                co . Se ele cair pela metade, a potência cairá também pela metade. Como
                essa curva é feita para água (g = 1gf/cm3), para saber a potência consumi-
                da por outro líquido, basta multiplicar o valor achado para a curva para
                água pelo valor do peso específico ou densidade do novo líquido.
                   Se o líquido for viscoso, H, Q e         sofrerão correções e, conseqüente-
                mente, a potência mudará (Figura 110).

                 PROBLEMA 5

                Calcular a potência consumida por uma bomba que possui as curvas carac-
                terísticas de AMT e de rendimento, segundo as Figuras 79 e 80, bombean-
                do água fria ( =1,0gf/cm3) na vazão de 90m3/h.


                Da Figura 79, temos para 90m3/h:

                                                  AMT = H = 80m


                Da Figura 80, temos para 90m3/h:

                                                       = 70% = 0,70


                De acordo com a equação 7, para água temos:


                                              .H.Q   1 x 80 x 90
                                     Pot =         =             = 37,54hp
                                             274     274 x 0,70


                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 156   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Caso tenhamos a curva de potência, mostrada na Figura 81, a potência
poderia ser lida diretamente a partir da vazão.
   Se nossa bomba estivesse trabalhando com GLP ( = 0,5gf/cm3) nessa
mesma vazão, a única variável da fórmula que mudaria em relação à água
seria o peso específico (já vimos que a AMT ou H não dependem do flui-
do). Portanto, a potência seria:



        Para GLP


                            .H.Q       0,5 x 80 x 90
                   Pot =           =                   = 18,77hp
                           274          274 x 0,70




   Como era esperado, devido ao peso específico (ou densidade) do GLP
ser a metade do peso específico da água, a potência para GLP foi exata-
mente a metade da potência para água.
   Modificando o líquido bombeado e mantendo a mesma vazão, altera-
mos a potência e a pressão de descarga da bomba. Temos de tomar cuida-
do quando a bomba de um produto vai bombear outro, como no caso de
lavagem de uma unidade, onde é comum o bombeio de água pelas bom-
bas. Se a bomba tiver sido selecionada para um líquido leve e for traba-
lhar com água, que possui        = 1gf/cm3, a potência consumida para a
mesma vazão aumentará. O acréscimo de pressão fornecido pela bomba
também aumentará. Portanto, temos de avaliar se os equipamentos exis-
tentes na descarga suportam essa nova pressão e se o motor da bomba
está dimensionado para essa nova condição.
   No gráfico da Figura 81, note que a potência é crescente com a vazão,
o que é próprio da bomba centrífuga radial. Mais adiante, veremos que
isso não ocorre com as bombas axiais.
   A corrente de partida de um motor elétrico pode atingir até seis ve-
zes a corrente nominal. Por esse motivo, devemos partir a bomba cen-
trífuga, exigindo a menor potência possível do motor, ou seja, com a
menor vazão, que corresponde à descarga fechada. Assim, teremos uma
aceleração mais rápida, evitando que o motor fique submetido muito
tempo a uma corrente alta, o que, além de encurtar a vida do enrola-
mento elétrico, pode levar à atuação do sistema de proteção, desar-
mando o motor. Existem alguns casos especiais de bombas com parti-
da automática, que no projeto já são especificados motores dimensio-
nados para partir a bomba centrífuga com a descarga aberta. Nessa si-
tuação, não há necessidade de preocupação com a partida no que se
refere ao aspecto de corrente.

                                              PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                              Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                              157
Curva de NPSH requerido
          O NPSH requerido pela bomba é fornecido pelo fabricante. A curva mos-
          tra a energia mínima requerida no flange de sucção da bomba para as di-
Pense e   versas vazões, energia esta expressa sob a forma de metros ou de pés de
Anote     coluna de líquido. Essa energia no flange de sucção deve ser tal que garan-
          ta que não ocorrerá a vaporização do líquido bombeado no ponto de menor
          pressão no interior da bomba (ver Figura 58A). O fabricante informa o NPSH
          requerido para a bomba trabalhando com água fria. Não há problema na
          comparação deste NPSH com o disponível, que é calculado para o líquido
          bombeado, uma vez que a pressão de vapor é subtraída (ver equação 6).
                                                 FIGURA 82


                     CURVA CARACTERÍSTICA DE NPSH REQUERIDO X VAZÃO



                                             NPSH x vazão

                 NPSH req (m)




                                                 Vazão m 3/h




             O NPSH disponível deve ser sempre maior do que o NPSH requerido.
          Caso contrário, teremos vaporização de produto no interior da bomba
          (cavitação).
             O NPSH requerido é sempre crescente com a vazão.

            PROBLEMA 6

          Uma bomba cuja curva de NPSH requerido é representada pela Figura
          82, instalada ao nível do mar, está bombeando álcool etílico na vazão
          de 80m 3/h e na temperatura de 55ºC ( = 0,76gf/cm3). A pressão de suc-
          ção é de – 0,50kg/cm 2M (pressão negativa) medida com um manova-
          cuômetro colocado a 20cm acima da linha de centro. A linha de sucção,
          onde foi medida a pressão, é de 4”sch 40. Avaliar essa bomba quanto
          à cavitação.

                   PETROBRAS    ABASTECIMENTO
           158   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                             FIGURA 83


                             CÁLCULO DE NPSH DISPONÍVEL



                                                       Medidor
                                                       de vazão

                                                  FI
                                                                              Dados
                                   Pd
                                                                              Fluido: álcool etílico
                                             Vd                               Q = 80m3 /h
                                                                              T = 55oC
                                                                              Ps = –0,5kgf/cm 2M
                              Ps
                                                                              hs = 0,20m
       hs
                                                                              Patm = 1,033kgf/cm2
                                                                   L.C.
                                                                                 = 076gf/cm3
                       Vs

            4”sch 40




  Inicialmente, vamos calcular a velocidade no local do manômetro e obter
a pressão de vapor do líquido na temperatura de bombeamento. Com es-
ses dados e a pressão de sucção, podemos calcular o NPSH disponível.
  Da tabela de tubos (Tabela 18), temos:


                                        Área interna do tubo
                                            D= 4"sch 40
                                           Ai = 82,1cm2



  Velocidade no local do manômetro:

 EQUAÇÃO 4




                                   2,78 x Q   2,78 x 80
                            Vs =            =           = 2,7m/s
                                      As        82,1



  Pressão de vapor:


                                             Figura 25
                               Álcool etílico a 55ºC (curva 2)
                                          Pvap = 0,35barA


                                                            PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                              159
Da Tabela 15, temos que 1 bar = 1,02kgf/cm2.

                                           1 bar = 1,02kgf/cm2
Pense e
Anote
                                     1,02kgf/cm 2
                Pvap = 0,35barA x                 = 0,357kgf/cm2 A ~ 0,36kgf/cm2 A
                                         bar



          Usando a equação 6, podemos calcular o NPSH disponível:


                                        10 x (Ps + Patm – Pvapor)       Vs2
                        NPSHdisp =                                  +         + hs =
                                                                        2g

                           10 x (– 0,5 + 1,033 – 0,36)    2,72
                       =                               +         + 0,20 =
                                       0,76              2 x 9,8

                       = 2,31 + 0,37 + 0,20 = 2,88      2,9m




            Para a vazão de 80m3/h, a Figura 82 fornece um NPSH requerido de
          3m. Como o NPSH disponível é de 2,9m, temos o NPSHdisp<NPSHreq;
          logo, teoricamente a bomba irá cavitar. Seria conveniente que houvesse
          alguma folga no NPSH para evitar a cavitação. Se uma bomba nessa situ-
          ação estiver operando com ruído, vibração ou apresentando desgaste no
          impelidor, adotar um ou mais dos procedimentos listados no item Análi-
          se de Problemas em Bombas Centrífugas.




            Resumo

             As curvas características de uma bomba centrífuga são: AMT;
             potência; rendimento e NPSH versus a vazão.

             AMT, head, carga ou coluna de líquido é a energia cedida pela
             bomba por unidade de peso para cada vazão.

             O rendimento de uma bomba é dado por:

                                           pot fornecida ao líquido
                                    =
                                         pot recebida do acionador




                 PETROBRAS   ABASTECIMENTO
          160   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote

        EQUAÇÃO 7
        EQUAÇÃO
        EQU


    A potência consumida por uma bomba pode ser obtida pela fórmula:


                                                   .H.Q
                                       Pot =
                                                  274


    Pot – Potência em hp
           – Peso específico em gf/cm3 ou densidade
    H      – AMT em metros
    Q      – Vazão em m3/h
           – Rendimento

    O ponto de máximo rendimento corresponde ao de projeto da
    bomba e é denominado de BEP – Ponto de Máxima Eficiência
    (best efficient point ).

    Numa bomba centrífuga, a AMT decresce com a vazão, enquanto a
    potência e o NPSH requerido crescem. O rendimento inicialmente cresce
    com a vazão até o BEP, decrescendo depois.




Curvas características para bombas
de fluxos misto e axial
Para efeito de comparação, estão representadas na Figura 84 as curvas
características das bombas: centrífuga radial, de fluxo misto e de fluxo axial.
                                                                FIGURA 84


                                    CURVAS CARACTERÍSTICAS POR TIPO DE BOMBA


                                       Fluxo radial
               Fluxo radial            tipo Francis                Fluxo misto           Fluxo axial
               Ns = 13                 Ns = 33                     Ns = 100              Ns = 200            Fluxo axial


     AMT                      AMT                         AMT                      AMT                 AMT

                        AMT
                        Pot                                                  Pot
                                                  AMT
                                                  Pot                                            AMT
                                                                             AMT                                      AMT
                                                                                                Pot                   Pot
                         Q                        Q                           Q                  Q                     Q
                 BEP                        BEP                        BEP                   BEP                BEP




   Examinando as curvas características para os diversos tipos de impeli-
dor, podemos concluir:

                                                        PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                                                        Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                         161
Curvas de AMT x vazão
                Conforme aumenta a velocidade específica Ns, a curva de AMT fica mais
                inclinada. A curva de AMT correspondente ao impelidor de fluxo axial,
                mostrada à direita, na figura 84, apresenta o que chamamos de instabili-
                dade, ou seja, possui uma região onde, para uma mesma AMT, podemos
Pense e Anote   ter duas ou mais vazões distintas. Não é aconselhável operar nessa região.
                Por isso, quando uma bomba apresenta essa anomalia, temos de garantir
                que irá operar com uma vazão acima da correspondente dessa instabili-
                dade. Temos, nesse caso, um novo tipo de vazão mínima, que é devido à
                instabilidade da curva de AMT.



                Curvas de potência x vazão
                A potência das bombas centrífugas puras ou de fluxo radial cresce com o
                aumento de vazão. Nas de fluxo axial, a potência cai com o aumento de
                vazão. Por esse motivo, as bombas de fluxo radial devem partir com a
                válvula de descarga fechada, e as de fluxo axial, com a descarga aberta,
                condição de potência mínima.
                   Nas bombas de fluxo misto, a parte final da curva de potência tende a
                ficar plana e, em algumas, pode até chegar a cair. Como a menor potência
                corresponde à vazão nula, as bombas de fluxo misto devem partir prefe-
                rencialmente com a válvula de descarga fechada. Nesse aspecto, elas são
                menos críticas que as radiais e as axiais, porque a diferença entre as po-
                tências com a vazão máxima e com vazão nula é menor.



                Influência do diâmetro do impelidor
                no desempenho da bomba centrífuga
                Numa bomba centrífuga, quanto maior a força centrífuga fornecida ao líquido,
                maior a vazão, a AMT e a potência consumida. O oposto também é verdadeiro.
                Se reduzirmos a força centrífuga, estas três variáveis também serão reduzidas.
                   Temos dois modos de alterar a força centrífuga numa bomba: varian-
                do o diâmetro do impelidor ou variando a rotação. Podemos também usar
                os dois métodos simultaneamente. Para alterar o diâmetro do impelidor,
                temos de abrir a bomba; portanto, é um método que não pode ser aplica-
                do continuamente como a modificação da rotação.
                   Vejamos como as variáveis se comportam com a modificação do diâ-
                metro do impelidor e da rotação em uma bomba centrífuga.
                   A vazão varia diretamente com o diâmetro do impelidor.


                                                       Q2       D2
                                                            =
                                                       Q1       D1


                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 162   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
  A AMT varia com o quadrado do diâmetro do impelidor.

                                                       2
                                 AMT2
                                 AMT1
                                          =
                                              ( )
                                               D2
                                               D1



  A potência varia com o cubo do diâmetro do impelidor.

                                                      3
                                 Pot2
                                 Pot1
                                          =
                                              ( )
                                               D2
                                               D1



  O NPSH requerido varia com o diâmetro do impelidor. Para uma mes-
  ma vazão, quanto maior o diâmetro, menor o NPSH. Não existe uma
  relação matemática definida. Só podemos levar em conta esta va-
  riação quando o fabricante fornece essas curvas, como mostra a Fi-
  gura 85.
                                        FIGURA 85


                   VARIAÇÃO DO NPSH REQUERIDO EM FUNÇÃO
                         DO DIÂMETRO DO IMPELIDOR




                                                    200mm dia       259mm dia




  Resumindo, a variação com o diâmetro do impelidor pode ser obtida
aproximadamente por:

 EQUAÇÃO 8
 EQUAÇÃO 8
    AÇÃO


                                                2                               3
     Q2
     Q1
          =
              D2
              D1
                          AMT2
                          AMT1
                                  =
                                      ( ) D2
                                          D1
                                                            Pot2
                                                            Pot1
                                                                   =
                                                                       ( )
                                                                         D2
                                                                         D1


                                                    PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                    Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                    163
PROBLEMA 7

          Uma bomba centrífuga trabalha com um impelidor de 200mm de diâmetro,
          com a vazão de 100m3/h e AMT de 76m, consumindo uma potência de 46hp.
Pense e   Quais seriam as novas condições de trabalho se reduzíssemos o diâmetro
Anote     do impelidor para 180mm?



                                Dados                        Para

                                D1 – 200mm                   D2 – 180mm
                                Q1 – 100m 3/h                Q2 – T2
                                AMT 1 – 80m                  AMT2 – ?
                                Pot1 – 46hp                  Pot2 – ?




            Aplicando a equação 8, temos:
            Vazão


                   Q2 D2                 Q2        180                   100 x 180
                     =
                   Q1 D1       ➜         100
                                               =
                                                   200
                                                         ➜      Q2 =
                                                                            200
                                                                                   = 90m3/h




             AMT

                                                   2                                    2
                            AMT2
                            AMT1
                                     =
                                         ()
                                          D2
                                          D1
                                                         ➜
                                                               AMT2
                                                                80
                                                                         =
                                                                             ( )
                                                                              180
                                                                              200




                                          AMT2 = 80 x 0,92 = 64,8m



            Potência

                                                   3                                3
                              Pot2
                              Pot1
                                     =
                                         ()
                                          D2
                                          D1
                                                         ➜
                                                              Pot2
                                                               46
                                                                     =
                                                                         ( ) 180
                                                                             200




                                         Pot2 = 46 x 0,93 = 33,5hp



            Na realidade, o novo ponto de trabalho da bomba não seria exatamen-
          te no ponto calculado. Seria na intercessão da nova curva de AMT para o
          impelidor de 180mm com a curva do sistema, ponto 2 da Figura 86.

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           164   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                     FIGURA 86


       NOVO PONTO DE TRABALHO COM MUDANÇA DE DIÂMETRO


        AMT



                                                                     Sistema


                                                                 Diâmetro 200mm

                                                                Diâmetro 180mm




                                                                          Vazão




  Resumo

   A variação com o diâmetro D do impelidor é dada por:

     EQUAÇÃO 8



                                                                2
                    Q2
                    Q1
                         =
                             D2
                             D1
                                             AMT2
                                             AMT1
                                                     =
                                                         ()
                                                          D2
                                                          D1



                                                     3
                                  Pot2
                                  Pot1
                                         =
                                             ()
                                              D2
                                              D1




Influência da rotação N da bomba no
desempenho da bomba centrífuga
Vejamos agora o comportamento da bomba centrífuga com a modifica-
ção da rotação N:

                                                    PETROBRAS       ABASTECIMENTO
                                                    Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                    165
A vazão varia diretamente com a rotação.


                                                     Q2           N2
Pense e                                              Q1
                                                          =
                                                                  N1
Anote
             A AMT varia com o quadrado da rotação.

                                                                            2
                                             AMT2
                                             AMT1
                                                          =
                                                              ()  N2
                                                                  N1



             A potência varia com o cubo da rotação.

                                                                            3
                                             Pot2
                                             Pot1
                                                      =
                                                          ()      N2
                                                                  N1



             O NPSH requerido varia com o quadrado da rotação.

                                                                                2
                                            NPSHreq2
                                            NPSHreq1
                                                              =
                                                                  ()   N2
                                                                       N1

           EQUAÇÃO 9
           EQUAÇÃO


                                                                                         2
                                   Q2
                                   Q1
                                        =
                                            N2
                                            N1
                                                              AMT2
                                                              AMT1
                                                                        =
                                                                                ()  N2
                                                                                    N1


                                                 3                                            2
                            Pot2
                            Pot1
                                   =
                                       ( )
                                        N2
                                        N1
                                                               NPSHreq2
                                                               NPSHreq1
                                                                                    =
                                                                                        ()
                                                                                         N2
                                                                                         N1



             Conhecendo a curva atual, para saber a curva para uma nova rotação,
          basta escolher alguns pontos da curva conhecida e aplicar as equações
          acima, seja a curva de AMT, de potência, ou de NPSH requerido.
             A aplicação da variação de rotação como meio de controle em bom-
          bas acionadas por motor elétrico está crescendo bastante com o barate-
          amento dos dispositivos que permitem o controle da velocidade nesses
          acionadores.
             Os pontos obtidos com a variação da rotação são denominados pon-
          tos homólogos. Na Figura 87, mostramos a mudança desses pontos de
          A1, B1 e C1 para A2, B2 e C2 ao passarem da rotação rpm1 para uma rotação

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           166   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
mais alta, rpm2. Os rendimentos dos pontos homólogos são iguais, ou
seja, o rendimento de A1 é igual ao de A2, o de B1 é igual ao de B2, e assim
sucessivamente.
                                         FIGURA 87


      PONTOS HOMÓLOGOS OBTIDOS COM A MUDANÇA DE ROTAÇÃO



                                                                                   Pontos homólogos
       AMT
       Pot                                                                             A1 – A2
                                        xQ             xQ                              B1 – B2
                             A2     1              2

                                                                                       C1 – C2

                     A1                           B2
                                                                    Pot2 x Q
                                                                                   Índice 1 – rpm1
                                                                 Pot1 x Q          Índice 2 – rpm2
                                        B1
                                                                 C2
                                                                                   rpm2 > rpm1
                                                                  AMT 2 x Q
                                                       C1
                                                              AMT1 x Q



                                                                   Q (m 3/h)




 PROBLEMA 8

Sabendo que a curva de AMT de uma bomba centrífuga gira a 3.550rpm e
está representada na Figura 88, traçar a curva de AMT para a rotação de
3.000rpm.
                                         FIGURA 88


                             CURVA DE AMT X VAZÃO


         AMT ou H – metros




                                             Vazão m 3/h
                          Modelo 3 x 2 x 8       dia 200mm           3.550rpm




                                                            PETROBRAS       ABASTECIMENTO
                                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                             167
Temos:

                                                 N1= 3.550rpm                      N2 = 3.000rpm


                   Vamos obter da curva da Figura 88 as AMTs para 4 pontos de vazões
Pense e Anote   diferentes:
                                                                         TABELA 24


                                            PONTOS DA CURVA DE AMT X VAZÃO

                                              Ponto                  Vazão – m3/h            AMT – m
                                                  1                          0                  90

                                                  2                         60                  86

                                                  3                         80                  83

                                                  4                         110                 72




                   Aplicando a equação 9 nos pontos da Tabela 24, teremos:


                   Ponto 4 para 3.000rpm:


                                  Q2        N2             Q2        3.000                110 x 3.000
                                       =                         =                 Q2 =               = 93,0
                                  Q1        N1            100        3.550                  3.550


                   e

                                              2                                      2
                       AMT2
                       AMT1
                              =
                                  ( )  N2
                                       N1
                                                           AMT2
                                                            72
                                                                     =
                                                                         ( )
                                                                           3.000
                                                                           3.550
                                                                                           AMT2 = 72 x 0,8452 = 51,4




                   Repetindo estes cálculos para os pontos 1, 2 e 3, teremos:
                                                                         TABELA 25


                              PONTOS DE TRABALHO PARA DIFERENTES ROTAÇÕES
                                            N1 = 3.550rpm                                       N2 = 3.000rpm
                           Ponto                      Q1                   AMT 1              Q2           AMT 2

                              1                       0                     90                0,0          64,3

                              2                       60                    87               50,7          62,1

                              3                       80                    83               67,6          59,3

                              4                   110                       74               93,0          52,4




                   Plotando os pontos em um gráfico, obtemos a curva para a rotação em
                questão.

                         PETROBRAS          ABASTECIMENTO
                 168    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                       FIGURA 89


               CURVAS AMT X VAZÃO PARA DIVERSAS ROTAÇÕES


       AMT (m)

               Pt 1      N 1 = 3.550rpm        Pt 2                          Sistema
                                                            Pt 3

                                                                             Pt 4
               Pt1’      N2 = 3.000rpm
                                          Pt2’ Pt3’


                                                                   Pt 4’




                                           m 3/h




  Os novos pontos de operação serão sempre no encontro das novas cur-
vas de AMT da bomba com a curva de AMT do sistema. Se a curva do siste-
ma fosse igual à mostrada na Figura 89, os pontos de operação seriam:


           Pt A       N1 = 3.550rpm       Q1 = 98m3/h              AMT1 = 77m

           Pt B       N2 = 3.000rpm       Q2 = 80m3/h              AMT2 = 55m



  O controle da vazão pela variação da rotação é o melhor método do
ponto de vista da economia de energia.
  Do mesmo modo que calculamos a curva para 3.000rpm, podemos
calcular para diversas rotações e plotá-las num mesmo gráfico.




  Resumo

   A variação com a rotação N é dada por:

     EQUAÇÃO 8


                                                2                                   3                                        2
      Q2
      Q1
           =
               N2
               N1
                            AMT2
                            AMT1
                                   =
                                       ( )N2
                                          N1
                                                             Pot2
                                                             Pot1
                                                                       =
                                                                           ( )
                                                                            N2
                                                                            N1
                                                                                              NPSHreq2
                                                                                              NPSHreq1
                                                                                                         =
                                                                                                             ()    N2
                                                                                                                   N1




                                                      PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                      Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                        169
Forças radiais e axiais no impelidor
                    Sempre que uma pressão atua numa área, o resultado é uma força.
                        Como as áreas do impelidor de uma bomba ficam submetidas a dife-
Pense e             rentes pressões, serão criados esforços, tanto no sentido radial quanto axial.
Anote               Os mancais é que são os responsáveis por absorver estes esforços.



                    Esforços radiais
                    As bombas que possuem voluta simples, quando trabalham na sua vazão
                    de projeto (BEP), possuem ao longo de toda a voluta aproximadamente a
                    mesma pressão (ver Figura 90). Com isso, as forças radiais que atuam na
                    largura do impelidor se cancelam e a resultante radial é praticamente nula.
                    À medida que reduzimos ou aumentamos a vazão, a pressão ao longo do
                    impelidor já não será constante e, quanto mais nos afastamos do ponto
                    de projeto, maior a resultante da força radial. Quanto maior essa força,
                    mais o eixo irá fletir, facilitando a ocorrência de roçamentos internos e de
                    vibrações.
                                              FIGURA 90


                             ESFORÇO RADIAL COM VOLUTA SIMPLES




                                                             Força radial




                                                                                               Vazão
                                                                            Vazão de projeto
          Vazão de projeto              Vazão diferente
                                         da de projeto




                        Quando é utilizada a dupla voluta, temos uma resultante para cada
                    voluta. Como elas são aproximadamente iguais, as resultantes também
                    serão parecidas. Devido à oposição das volutas (ver Figura 91), a tendên-
                    cia é cancelar essas resultantes, mesmo que a bomba venha a operar fora
                    do ponto de projeto. Por isso, a força resultante final é pequena em qual-
                    quer faixa de vazão. Na Figura 91, é mostrado um gráfico comparativo dos
                    esforços radiais em função do tipo da carcaça.

                              PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                     170     Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                        FIGURA 91


                  ESFORÇO RADIAL COM DUPLA VOLUTA


                         Fr
                                   Carga radial
                                                             BEP
                                                                      Concêntrica
                                                                         Simples
                                                                         voluta

                                                                           Dupla
                                                                           voluta


             Fr                                             Vazão




   As bombas de menor porte, até 4 polegadas de flange de descarga, são
quase sempre de simples voluta. Somente a partir de 6 polegadas na des-
carga, é que os fabricantes passam a oferecer bombas projetadas com dupla
voluta. Embora existam bombas de simples voluta com bons projetos de
mancais, havendo opção entre os dois tipos, as bombas de dupla voluta
devem ser tecnicamente preferidas devido ao seu menor esforço radial.
   O uso de difusor em vez da voluta também anula os esforços radiais,
uma vez que a pressão em volta do impelidor passa a ser sempre igual.



Esforços axiais
A Figura 92, correspondente a um impelidor em balanço, mostra as áreas
e as pressões que nelas atuam, resultando em forças axiais.
                                        FIGURA 92


          FORÇA AXIAL NO IMPELIDOR SEM ANEL DE DESGASTE


                  Fa
                                                                      P1 = P2 = P 3 = P 4
          Pvol         Pvol
                              Cancela
                                                                      Somente no BEP



      Psuc




                              Cancela

          Pvol         Pvol




                                                    PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                    Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                    171
Na parte externa ao olhal do impelidor, reina a pressão da voluta tanto na
                               parte traseira quanto na dianteira. As forças geradas nessa área tendem a
                               cancelar-se devido ao fato de a pressão ser a mesma de ambos os lados. Na
Pense e                        área do olhal, de um lado temos a pressão de sucção e, do outro, a pressão
Anote                          da voluta. Em bombas com impelidor em balanço, a área traseira é menor
                               devido ao eixo. As diferenças de área, com as pressões atuando sobre elas,
                               geram uma resultante axial que terá de ser suportada pelo mancal de escora.
                                   O contato do líquido contra os discos do impelidor girando tende a
                               expulsá-lo para a periferia, o que leva à redução da pressão à medida que
                               se aproxima do eixo.
                                   A pressão ao longo da voluta só é homogênea na vazão de projeto da
                               bomba. Fora dessa vazão, a pressão é diferente em cada ponto.
                                   Para reduzir o esforço axial podem ser usados:


                               ANEL DE DESGASTE TRASEIRO COM FURO DE BALANCEAMENTO
                               NO IMPELIDOR
                                                                FIGURA 93


                          ESFORÇO AXIAL EM UM IMPELIDOR DE SIMPLES SUCÇÃO EM BALANÇO

                  d1 2
          A1 =                  F1 = Ps x A1                                Fa
                  4                                            Pvol                         Pvol
                                                                                       F4
                                                                                                   A4
                  (D2 – d12)                              A2          F2
          A2 =                  F2 = Pvol x A2                                         F3     A3
                      4                                                                       Ps
                                                               A1
                 (d32 – d22)                                   Ps     F1
          A3 =                  F3 = Ps x A3           D d1                                        d2 d3 D
                     4
                  (D2 – d32)
          A4 =                  F4 = Pvol x A4                                        F3      A3
                      4                                                                       Ps
                                                          A2          F2              F4           A4
                 Fa = F1 + F2 – F3 – F4                        Pvol                         Pvol




                                   A Figura 93 mostra as áreas de um impelidor de simples sucção e as
                               pressões que atuam sobre elas. Na parte frontal do impelidor, temos a área
                               interna ao anel de desgaste (A1), na qual atua a pressão de sucção (Ps), e a
                               área externa ao anel de desgaste (A2), em que atua a pressão da voluta (Pvol).
                                   Na parte posterior do impelidor, a área compreendida entre o eixo e o anel
                               de desgaste traseiro (A3) fica submetida a uma pressão próxima da de sucção
                               (Ps) e, na área externa ao anel de desgaste (A4), atua a pressão da voluta (Pvol).
                                   As pressões que atuam nessas áreas gerarão quatro forças, duas num
                               sentido (F1 e F2) e duas no sentido inverso (F3 e F4). A resultante delas
                               será a força axial que o mancal de escora terá de suportar.

                                           PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                172       Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   O cálculo da força axial é complexo por não sabermos exatamente qual
a pressão reinante em cada ponto dos discos do impelidor (pressão da
voluta), conforme comentado anteriormente. Mesmo a pressão na parte
interna do anel de desgaste traseiro não é igual à de sucção, é ligeiramen-
te superior.
   Dependendo da vazão, a AMT se modifica e, conseqüentemente, a pres-
são da voluta é alterada, podendo modificar o sentido dos esforços axiais.
Daí a necessidade de usar mancais de escora em ambas as direções.
   Bombas que trabalham com alta pressão de sucção costumam ter es-
forços axiais elevados. Os fabricantes costumam limitar a pressão máxi-
ma de sucção.
   Alguns projetos de bombas permitem o uso de três rolamentos, fican-
do dois em série, no sentido da resultante da carga axial, conforme pode
ser visto na parte inferior da Figura 41. Bombas de alta pressão na sucção
são candidatas a esse arranjo.
   O anel de desgaste na parte traseira do impelidor, conforme mostrado
na Figura 93, é uma das formas de reduzir o esforço axial. Variando seu
diâmetro, podemos alterar a resultante da força axial.


PÁS TRASEIRAS NO IMPELIDOR
As pás traseiras ou pás de bombeamento bombeiam o líquido da parte
de trás do impelidor, reduzindo a pressão nesta região e, conseqüente-
mente, o esforço axial.
   O API 610 não permite que a redução de pressão pela ação das pás tra-
   seiras seja considerada no dimensionamento dos mancais.
                                 FIGURA 94


                      IMPELIDOR COM PÁS TRASEIRAS




                                         Pás traseiras
                                         do impelidor

                                                  Pvol


      Pvol


               Psuc




                                                    Redução de pressão
                                                    devido às pás traseiras




                                             PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                             Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                              173
IMPELIDORES MONTADOS EM OPOSIÇÃO
                Quando temos bombas multiestágios, cada impelidor gera um empuxo
                axial no mesmo sentido. Se os impelidores forem instalados em série, os
                esforços serão somados, resultando uma força considerável, a qual pode-
                rá sobrecarregar o mancal. Para atenuar essa força axial, uma das soluções
Pense e Anote   é inverter o sentido de metade dos impelidores.
                                                           FIGURA 95


                       IMPELIDORES EM OPOSIÇÃO CANCELANDO O ESFORÇO AXIAL


                                F           F          F          F       F           F




                   Essa solução implica interligar o fluxo que sai do meio da bomba com
                a outra extremidade, tornando mais complexa a fundição da carcaça.


                TAMBOR DE BALANCEAMENTO
                                                           FIGURA 96


                          EQUILÍBRIO AXIAL COM TAMBOR DE BALANCEAMENTO


                                                                                      Câmara de
                                                                                      balanceamento
                                                                                      (pressão primária
                                                                Para sucção           da sucção)




                                                                                               Bucha do
                                                                                               tambor

                               F        F            F            F    F1




                                                                              Tambor de
                                                Pressão da descarga           balanceamento




                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 174   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Com esse método, os impelidores são mantidos em série, sendo colo-
cado um tambor de balanceamento após o último impelidor com uma
bucha externa com folga bem justa. Temos sempre um vazamento da des-
carga para a câmara de balanceamento por essa folga. Como a câmara de
balanceamento é ligada por uma linha à sucção da bomba, a pressão rei-
nante nela fica próxima da de sucção. Assim, o tambor de balanceamento
terá, de um lado, a pressão de descarga e, do outro, a pressão de sucção,
gerando uma força axial, Ft, que é oposta às geradas pelos impelidores,
reduzindo, dessa forma, o esforço a axial.


DISCO DE BALANCEAMENTO
Essa solução é semelhante à do tambor, só que, neste caso, é utilizado
um disco com esse propósito.
   O líquido, sob a pressão de descarga, após o último impelidor, passa
através de uma pequena folga axial, indo para uma câmara de balancea-
mento. Dessa câmara, sai uma linha para a sucção da bomba com um
orifício de restrição. Por meio desse arranjo, a câmara de balanceamento
mantém com uma pressão intermediária entre a pressão de sucção e a de
descarga. O disco de balanceamento fica submetido, de um lado, à pres-
são de descarga e, do outro, à pressão da câmara de balanceamento. Essa
diferença de pressões nos lados do disco gera uma força axial que se opõe
à soma das forças geradas pelos impelidores, reduzindo significativamen-
te o esforço axial.
                                          FIGURA 97


               BALANCEAMENTO AXIAL POR MEIO DE DISCO



                              Orifício de restrição


                 Recirculação                                     Câmara de
                 para sucção                                      balanceamento
                                                                  (pressão
                                                                  intermediária)


                                                 Folga
                                                 axial


        Pressão de
        descarga



                      F imp                                F disco




                              Disco de balanceamento




                                                      PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                                                      Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                      175
Vejamos como trabalha o disco. Devido à diferença de pressão e de
          áreas, o disco sempre irá gerar uma força no sentido da sucção para a
          descarga. Suponhamos que o sistema esteja funcionando em equilíbrio.
Pense e   Num dado momento, ocorreu um aumento do esforço axial dos impeli-
Anote     dores, deslocando o conjunto rotativo no sentido de reduzir a folga axial
          do disco. A passagem do líquido para a câmara de balanceamento será
          reduzida, caindo a pressão intermediária dessa câmara. Isso elevará a for-
          ça de compensação do disco, restaurando a posição do conjunto rotativo.
          Ocorrendo o deslocamento do conjunto no sentido de aumentar a folga
          axial, a pressão da câmara aumentará, reduzindo a força de compensação
          do disco e retornando o conjunto ao equilíbrio.
             Para cada força gerada pelos impelidores, teremos uma folga axial no
          disco de escora, que a compensará. É fácil notar que, para esta solução fun-
          cionar, os mancais devem permitir a movimentação axial do eixo, o que
          não ocorre quando são utilizados mancais de rolamentos. Portanto, essa
          solução só é aplicada em bombas com mancais de deslizamento na escora.


          DISCO E TAMBOR DE BALANCEAMENTO CONJUGADOS
          Essa solução só é aplicada em bombas com vários impelidores em série e
          também exige, a exemplo do disco de balanceamento, a utilização de
          mancais de deslizamento.
                                                 FIGURA 98


                              DISCO E TAMBOR DE BALANCEAMENTO


                                           Orifício de restrição


                                   Para sucção

                                         Bucha

                                                                           Câmara de
                                                                           balanceamento

                                                                           Disco e tambor de
                                                                           balanceamento


                        F imp          F imp
                                                                   F disco / tambor


                                           Câmara
                                           intermediária




             Temos, após o último impelidor, um tambor de balanceamento, se-
          guido de um disco de balanceamento. Essa solução é uma soma das duas
          anteriores.

                  PETROBRAS     ABASTECIMENTO
           176   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Quando o impelidor da bomba é de dupla sucção e está instalado entre
os mancais, bombas BB, o empuxo axial tenderá a compensar-se, ficando a
resultante praticamente nula. Se esse impelidor for instalado em balanço,
teremos o empuxo axial devido à não-compensação da área do eixo.




  Resumo

   Quanto mais nos afastamos da vazão de projeto, maior o esforço
   radial numa bomba de simples voluta.
   Na de dupla voluta, os esforços são menores e não variam tanto
   com o afastamento da vazão de projeto.
   Nas bombas com difusor, o esforço radial é sempre compensado.
   Axialmente, os esforços podem ser reduzidos por:

       Anel de desgaste traseiro com furos de balanceamento.
       Pás traseiras.
       Impelidores montados em oposição.
       Tambor de balanceamento.
       Disco de balanceamento.
       Misto (tambor e disco de balanceamento).




Bombas operando em paralelo
A operação de duas ou mais bombas em paralelo objetiva, normalmente,
o aumento de vazão.
   É comum ouvir afirmações de que a vazão de duas bombas operando
em paralelo é o dobro da que teríamos com apenas uma bomba em ope-
ração. Como veremos a seguir, isso não ocorre.
   Na Figura 99, temos um esquema de duas bombas operando em para-
lelo (bombas A e B). É usual nesse tipo de operação a existência de uma
válvula de retenção na descarga de cada bomba, evitando que ela venha a
girar ao contrário. Sempre que existir a possibilidade de ocorrer um fluxo
reverso pela bomba, há necessidade do uso de uma válvula de retenção.
   As pressões nos pontos X e Y são iguais para as duas bombas. Podemos
afirmar que as AMTs das duas bombas serão sempre iguais, desde que as
perdas de carga nos ramais das bombas sejam também iguais. Para qual-
quer AMT, cada bomba irá contribuir com a sua vazão correspondente.

                                          PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                          Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                          177
FIGURA 99


                                               ESQUEMA DE BOMBAS EM PARALELO
Pense e
Anote




                         Para obter a curva das bombas operando em paralelo, basta somar as
                    vazões delas para cada AMT. Vejamos na Figura 100 a obtenção da curva
                    para esse tipo de operação. Escolhemos três AMTs e marcamos as vazões
                    “a”, “b” e “c”. Dobramos esses valores e passamos uma linha pelos no-
                    vos pontos para obter a curva correspondente às duas bombas operando
                    em paralelo. Se fossem três bombas em paralelo, marcaríamos três vezes
                    o valor de “a”, de “b” e de “c”. Para quatro bombas, marcaríamos qua-
                    tro vezes e assim sucessivamente para qualquer número de bombas.
                                                     FIGURA 100


                                  CURVA DE OPERAÇÃO EM PARALELO



          AMT – m




                a            a         a                                   Curva do sistema


                     b                     b                   b


                         c                      c                           c
                                       1 Bomba          2 Bombas                      3 Bombas


                                                                                              Vazão m 3/h




                              PETROBRAS        ABASTECIMENTO
                    178      Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   O ponto de trabalho, como sempre, será na intercessão da curva da
bomba com a do sistema. Na Figura 100, a curva do sistema interceptará a
curva para uma bomba na vazão de 28m3/h. Portanto, quando tivermos
apenas uma bomba operando, a vazão será esta. Se duas bombas estive-
rem operando, o ponto de operação será de 52m3/h, cada bomba contribu-
indo com 26m3/h. Com três bombas em paralelo, a vazão seria de 66m3/h,
ou seja, cada uma contribuindo com 22m3/h.
   A vazão com duas bombas em operação só seria o dobro se a curva
do sistema fosse uma reta paralela ao eixo da vazão, o que na prática
não ocorre devido à perda de carga crescente que as tubulações apre-
sentam com o aumento de vazão. Quanto mais vertical a curva do sis-
tema, ou seja, com maior perda de carga na linha, menor o aumento
de vazão ao acrescentar bombas em paralelo, conforme pode ser visto
na Figura 101.
                                     FIGURA 101


               VARIAÇÃO DA VAZÃO COM DIFERENTES CURVAS DO SISTEMA


     AMT – m

                                             Curva do sistema 2


                                                          Curva do sistema 1




                         1 Bomba            2 Bombas                 3 Bombas


                                                                               Vazão m3 /h




   Com a curva do sistema 2, a vazão com uma bomba seria de 25m3/h,
com duas, seria de 37m3/h, e com três bombas, seria de 43m3/h. A opera-
ção da terceira bomba só acrescentaria 6m3/h de vazão ao conjunto.
   Se as curvas das bombas forem diferentes, como no caso de bombas
de modelos distintos, ou se uma delas estiver desgastada, o que resulta-
ria em um baixo desempenho, a bomba em melhor estado vai absorver
uma vazão maior, conforme pode ser visto na Figura 102.
   Para obtenção dessa curva, marcamos em ambas curvas as AMTs para
150, 120, 90 e 60m e determinamos as respectivas vazões a1, a2, a3 e a4
para a bomba A e as vazões b1, b2, b3 e b4 (b1=0). Acima de 150m de AMT,
apenas a bomba A terá vazão. A bomba B, mesmo no seu shutoff, não tem

                                         PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                         Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                         179
como vencer a pressão de descarga da bomba A nessa região da curva. Abai-
                xo de 150m de AMT, as duas bombas começam a trabalhar juntas. A Figura
                102C mostra a soma das vazões das bombas A e B em paralelo.
                                                        FIGURA 102



Pense e Anote      DUAS BOMBAS COM CURVAS DIFERENTES OPERANDO EM PARALELO



                        A
                                                               Bomba A




                        B
                                                               Bomba B




                        C
                                                               Bomba A + B




                        D
                                                               Bomba A + B + sistema

                                                              A+B      Pt3
                                                       PtC
                                                             Pt1


                                                                   A
                                             PtD       Pt2     B




                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 180   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Supondo que a curva do sistema seja a mostrada na Figura 102D, a
bomba A, operando isoladamente, trabalharia no ponto Pt1 com a vazão
de 36m3/h. A bomba B, também operando isoladamente, no ponto Pt2
com 33m3/h. As duas, operando em paralelo, no ponto Pt3 com 54m3/h.
Nessa condição, a bomba A estaria contribuindo com 30m3/h (ponto C)e
a bomba B com 24m3/h (ponto D). A pressão de descarga (AMT) da opera-
ção em paralelo é superior à pressão de cada bomba individualmente. Pela
Figura 102, se a vazão das duas bombas operando em paralelo caísse para
menos de 23m3/h, apenas a bomba A teria vazão.




                       Nesse caso, a bomba B ficaria
                          operando em shutoff!!!



     Para saber a contribuição da vazão de cada bomba
     quando estiverem operando em paralelo, basta conhecer
     a AMT dessa condição de operação. No caso da Figura
     102 é de ~105m.
     Com esse valor de AMT, basta verificar na curva de cada
     bomba qual a vazão correspondente.



   Devemos evitar o uso em paralelo de bombas que possuam os seguin-
tes tipos de curvas:


BOMBAS COM CURVAS DIFERENTES
BOMBAS     CURV
Pela Figura 102D podemos ver que a divisão de vazão é desigual e, de-
pendendo da vazão total, uma das bombas pode ficar trabalhando com
vazão nula ou com uma vazão muito baixa.


BOMBAS COM CURVAS ASCENDENTES E DESCENDENTES
(CURVAS INSTÁVEIS)
Acompanhar pelas Figuras 103A e 99. Essas curvas passam por um valor
máximo de AMT. Suponhamos que a bomba A esteja operando perto da
AMT máxima (inferior a 30 m3/h). A sua pressão de descarga estará atu-
ando externamente na válvula de retenção da bomba B (ver). Se parti-
mos a bomba B, ao atingir sua rotação final, ela estará inicialmente com
a pressão de shutoff, que é inferior à pressão da bomba A. Portanto, a

                                          PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                          Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                          181
válvula de retenção da bomba B não abrirá, funcionando o sistema ape-
          nas com a bomba A.

Pense e   CURVAS PLANAS
Anote     Acompanhar pela Figura 103B. Se uma das bombas estiver desgastada
          (bomba B mostrada), vai operar com vazão baixa ou até não bombear
          nada, trabalhando no shutoff. No caso mostrado, abaixo de 40m3/h de
          vazão, somente a bomba A irá contribuir no bombeamento. A bomba
          B ficaria trabalhando no shutoff.
             A curva ideal de bombas para trabalho em paralelo é a que tem um
          caimento razoável e seja ascendente.
                                                 FIGURA 103


                 CURVA DE AMT ASCENDENTE/DESCENDENTE E CURVAS PLANAS


                                    CURVA ASCENDENTE/DESCENDENTE

                       A      AMT – m




                                                                   Vazão m 3/h


                                             CURVAS PLANAS

                       B      AMT – m

                                                      A

                                                      B




                                                                   Vazão m 3/h




             Caso seja necessário operar bombas de curvas planas em paralelo, um
          dos recursos que pode ser usado é o de utilizar um impelidor um pouco
          maior do que o necessário e colocar um orifício de restrição na descarga
          da bomba. O orifício irá gerar uma perda de carga crescente com a vazão.
          Com isso, a curva da bomba ficará inclinada (ver Figura 104). Do ponto de
          vista de gasto de energia esta solução não é boa. Por isto só é aplicada em
          bombas de pequena potência.

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           182   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                          FIGURA 104


        CURVA DA BOMBA COM ORIFÍCIO DE RESTRIÇÃO


              AMT (m)

                             Curva sem orifício
                             hs1
                                         hs2
                          Curva
                          com orifício            hs3




                                                        Vazão m 3/h


                          Placa
                          de orifício




Resumo

Para obtenção da curva de duas ou mais bombas em paralelo,
basta somar as vazões correspondentes às mesmas alturas
manométricas.
Duas bombas que operem em paralelo não fornecem o dobro da
vazão do que teria apenas uma bomba operando. Isso ocorre
devido à inclinação da curva do sistema.
Deve-se evitar operar em paralelo bombas com:

  Curvas muito diferentes de AMT x vazão.
  Curvas instáveis (ascendente/descendente).
  Curvas planas.



                                         PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                         Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                         183
Bombas operando em série
          Geralmente, quando usamos bombas em série, estamos querendo aumen-
          tar a pressão fornecida ao sistema. Mas, em algumas situações, esse tipo
Pense e   de operação é usado para aumentar a vazão.
Anote                                            FIGURA 105


                                 ESQUEMA DE BOMBAS EM SÉRIE




             Pelo esquema da Figura 105, vemos que a vazão que passa pela bomba
          A é a mesma que passa pela bomba B. A primeira bomba, A, fornece uma
          AMT para uma determinada vazão. A segunda bomba, B, acrescentará nes-
          sa mesma vazão sua AMT. Para elaborar a curva das bombas operando em
          série, basta somar as AMTs de cada bomba para a vazão em questão.
          É raro ter mais de duas bombas operando em série, mas, se ocorrer, basta
          somar suas AMTs.
                                                 FIGURA 106


                              BOMBAS IGUAIS OPERANDO EM SÉRIE



                                 AMT (m)




                                           a
                                                              2 Bombas
                                                         b



                                               1 Bomba
                                                                  c
                                           a             b

                                                                  c




                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           184   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                               FIGURA 107


             BOMBAS COM CURVAS DIFERENTES EM SÉRIE


              AMT (m)         Bomba A




                        a1      a2


                                            a3
                                                        m 3 /h




              AMT (m)          Bomba B




                         b1          b2

                                                 b3
                                                                 m 3/h



              AMT (m)   Bomba A + B em série




                        b1

                                b2


                        a1

                                a2          b3

                                            a3
                                                        m 3 /h




   A curva das bombas iguais operando em série, Figura 106, foi obtida
dobrando os valores de AMT “a”, “b” e “c” correspondentes às vazões
de 10, 25 e 40m3/h. A curva das bombas diferentes, Figura 107, foi obtida
somando a AMT da bomba A (a1) com a AMT da bomba B (b1) para a vazão
de 10m3/h. Usando o mesmo processo para outras vazões, no caso foram
zero, 25 e 40m3/h, obtivemos outros pontos. Basta unir esses pontos e
teremos a curva correspondente da operação em série.

                                            PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                            185
A operação em série é bastante usada quando o NPSH disponível é muito
                     baixo. Nesse caso, escolhe-se a primeira bomba com baixa rotação, o que
                     resulta em um NPSH requerido menor. Como a primeira bomba eleva a
                     pressão do líquido, o NPSH disponível para a segunda fica bastante con-
                     fortável. Essa segunda bomba é a que costuma ser a grande responsável
Pense e Anote        pela parcela de AMT do sistema (pressão). Quando usado este sistema, a
                     segunda bomba recebe o nome de booster.
                         As curvas planas são interessantes para operação em série, diferente-
                     mente do que ocorre para as bombas que operam em paralelo. Os ganhos
                     obtidos em relação a uma bomba dependerão da inclinação da curva da
                     bomba e também da inclinação da curva do sistema.
                         Na Figura 108, são mostrados dois exemplos. Na esquerda, as curvas
                     das bombas são bem inclinadas e a curva do sistema é relativamente pla-
                     na. Na direita, temos o inverso, curvas das bombas são planas e do siste-
                     ma, inclinadas. No primeiro caso, o ganho de vazão foi de 10m3/h e, no
                     segundo, de 17m3/h.
                                                  FIGURA 108


                         AUMENTO DE VAZÃO COM OPERAÇÃO EM SÉRIE


           AMT (m)                                        AMT (m)




                            2 Bombas




                     1 Bomba



                     Sistema


                                               Vazão                               Vazão
                                                m³/h                                m³/h




                         Para operação de bombas em série, devem ser tomados os seguintes
                     cuidados:
                         Verificar se o flange de sucção e o selo da segunda bomba suportam a
                         pressão de descarga da primeira bomba.
                         As vazões das bombas devem ser compatíveis, ou seja, não podemos
                         colocar uma bomba capaz de bombear muito mais do que a outra. A
                         vazão ficará limitada pela bomba de menor capacidade e, nesse caso,
                         a de maior vazão poderá ter problema de recirculação interna.

                                PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                      186      Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
  Resumo

   Para obtenção da curva de duas bombas operando em série,
   basta somarmos as AMTs correspondentes a cada vazão
   das bombas.
   É comum a colocação de bombas em série quando temos baixo
   NPSH disponível. A primeira bomba normalmente é escolhida
   com baixa rotação, o que reduz o NPSH requerido. Como a
   segunda bomba terá na sucção a pressão de descarga da
   primeira, não deverá ter problema de NPSH.




Correção para líquidos viscosos
As curvas características das bombas centrífugas são elaboradas para água,
que possui uma viscosidade muito baixa. Quando utilizamos um líquido
com viscosidade maior, os atritos do líquido no interior da bomba aumen-
tam, restringindo o desempenho, sendo necessário corrigir as curvas ela-
boradas para água.
                                       FIGURA 109


        INFLUÊNCIA DA VISCOSIDADE NAS CURVAS DAS BOMBAS


            H(m)
                                                                                      1cSt
                          Bomba de centrífuga
                                                                                      120cSt

                                                                                      1.200cSt




                   Bomba de deslocamento positivo




                                                                    Q (m³/h)




                                                    PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                    Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                    187
Pela Figura 109, vemos que, ao aumentar a viscosidade, as bombas
          centrífugas vão sendo mais afetadas no seu desempenho. Já as bombas
          de deslocamento positivo são pouco influenciadas, chegando até a me-
Pense e   lhorar um pouco o desempenho com o aumento da viscosidade.
Anote        O Hydraulic Institute (HI) fez testes com um grande número de bom-
          bas diferentes e elaborou uma carta (Figura 110) para determinar os fato-
          res de correção para vazão, AMT e rendimento das bombas que trabalham
          com líquidos viscosos. Essa carta é seguida por todos para corrigir o efeito
          da viscosidade no desempenho das bombas centrífugas radiais. Ela não é
          válida para bombas de fluxo misto e axial.
             Embora a carta tenha sido elaborada para corrigir a curva da bomba
          como um todo, podemos usá-la para um ponto de trabalho apenas.
             Para determinar os fatores de correção, entrar com a vazão em m3/h
          pelo eixo inferior do gráfico. Se o impelidor for de dupla sucção, dividir a
          vazão por 2. Subir verticalmente até o valor da AMT por estágio (havendo
          mais de um estágio, dividir a AMT total pelo número deles). Deslocar ho-
          rizontalmente até encontrar o valor da viscosidade. Subir verticalmente e
          ler os valores de correção: Ch, CQ e CH.
             São quatro curvas para CH.




                     Qoo corresponde à vazão do ponto de
                     rendimento máximo (BEP – Ponto de Máxima
                     Eficiência) da bomba. Logo, as curvas para
                     obtenção do CH significam:

                     ➜ 0,6Qoo seria para 60% da vazão do BEP – Ponto de
                       Máxima Eficiência.

                     ➜ 0,8Qoo seria para 80% da vazão do BEP – Ponto de
                       Máxima Eficiência.

                     ➜ 1,0Qoo seria para 100% da vazão do BEP – Ponto de
                       Máxima Eficiência.

                     ➜ 1,2Qoo seria para 120% da vazão do BEP – Ponto de
                       Máxima Eficiência.




             Quando não dispomos da curva original para saber a vazão no BEP, ado-
          tamos a curva média, que é a de 1,0Qoo.

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           188   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Para obter os valores corrigidos, aplicamos as fórmulas:




    Qvisc = Qag x CQ            AMTvisc = AMTag x CH             visc = ag x C



                                        Qvisc x AMTvisc x
                            Potvisc =
                                           274 x   visc



   Q   – Vazão (m3/h)
   AMT – Altura manométrica total (m)
          – Rendimento
   Pot    – Potência (hp)
   visc   – Viscoso
   ag     – Água
   CQ     – Fator de correção para vazão
   C      – Fator de correção para rendimento
   CH     – Fator de correção para AMT. São quatro fatores: 0,60; 0,80;
           1,00; e 1,2 do BEP.
          – Peso específico em gf/cm3 (o valor numérico é igual ao da
           densidade)



 PROBLEMA 9

Calcular a vazão, a AMT, o rendimento e a potência de uma bomba que bom-
beará um óleo com densidade 0,86 e com viscosidade de 72cSt, sabendo
que, para água, esta bomba forneceria 130m3/h, AMT = 58m e um rendimento
de 0,66 (66%). A vazão de maior rendimento da bomba é de 170m3/h.


   Dados
   Água       Qag – 130 m3/h             AMTag – 58m                ag – 0,66
   Óleo       Qoo – 170 m3/h             dens óleo – 0,86        visc – 72cSt


   A vazão de 130m3/h corresponde a


                        Q ag   130
                             =     = 0,76 ou 76% do BEP
                        Q oo   170



   Adotaremos 0,8Qoo.

                                                   PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                   Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                   189
Entrando com esses dados na carta de viscosidade (Figura 110 – linha
          pontilhada), obteremos:

Pense e              C   = 0,80            CQ = 0,99            CH = 0,96 (p/ 0,8Qoo)
Anote
            Cálculo do rendimento viscoso:

                                  visc =     ag x C       = 0,66 x 0,80 = 0,53


            Cálculo da vazão viscosa:


                             Qvisc = Qag x CQ = 130 x 0,99 = 128,7m3/h


            Cálculo da AMT viscosa:


                             AMTvisc = AMTag x CH = 58 x 0,96 = 55,7m


            Cálculo da potência viscosa:


                            Qvisc x AMTvisc x             128,7 x 55,7 x 0,86
                Potvisc =                             =                          = 42,45hp
                               274 x       visc                274 x 0,53




            Resumo
             Quando a bomba trabalha com líquidos viscosos, a AMT, a
             eficiência e a vazão sofrem uma redução. O Hydraulic Institute
             publicou uma tabela na qual, em função da vazão, da AMT e da
             viscosidade, podemos obter os fatores de correção para as
             variáveis citadas.
             As curvas dos fatores de redução da AMT são mostradas para
             4 vazões distintas, correspondentes a 60; 80; 100; e 120% da
             vazão de projeto (BEP – Ponto de Máxima Eficiência) da bomba.
             Os novos valores para os produtos viscosos são obtidos
             multiplicando-se os valores para desempenho da bomba para
             água pelos fatores de correção obtidos.

              Qvisc = Qag x CQ         AMTvisc = AMTag x CH                 visc = ag x C


                                                  Qvisc x AMTvisc x
                                    Potvisc =
                                                      274 x visc



                 PETROBRAS    ABASTECIMENTO
          190   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                                                      FIGURA 110


                            CARTA DE CORREÇÃO DE VISCOSIDADE




                                                                                                                                  Ch
                                                                                                                                       0,6Qoo
                                                                                                                                       0,8Qoo
                                                                                                                                       1,0Qoo
                                                                                                                                       1,2Qoo



                                                                                                                            Cq




                                                                                                                             Cn
                                                                             mm²/s = cSt
                                                          11


                                                               19




                                                                             45



                                                                                             91
                                                               22




                                                                                                        16
                                                                                                   12
                                                                                    61
                                                                15
                           16,




                                             60,




                                                                                                             22
               6,2




                                                                        30
                                                          4


                                                                  0




                                                                               6



                                                                                               5
                                                                  8




                                                                                                        70
                                                                                                   17
                                                                                        0
                                                                    2
                            21,
                     11,




                                                                                                              80
                            5




                                                 5




                                                                                                                       31
                                                                         4
                5




                                                                         350
                                     33,

                                           45,


                                                     76
                                 2
                      8




                                                                                                                       90
                                                                                             760
                                      4

                                            2




    AMT (m)




         200
         150
         100
          80
          60
          40
                                                                                                                                                      420




          30
          25
          20
          15
          10
                                                                                                                                                      300




           8
                                                               1 ,5




                                                                                                        8




                                                                                                                        30




           6
                                                                                            4 ,5

                                                                                                   6
                                                                        2




                                                                                                                        25
                                                                             2 ,5
                                                                                    3




                                                                                                         10




                                                                                                                                       120
                                                                                                                                       80
                                                                                                                  15

                                                                                                                         20




                                                                                                                                  50




                                                                                                                                                220
                                                                                                                                  60


                                                                                                                                        100
                                                                                                                         40




                                                                                                                                                160




           4

                                                                                                              Engler°




Lubrificação
A lubrificação adequada é fundamental para proporcionar campanhas lon-
gas para as bombas.
O objetivo da lubrificação de uma bomba, como a de qualquer outro equi-
pamento, é o de reduzir o atrito e o desgaste. Para tal, é necessário man-
ter um filme de lubrificante separando as superfícies metálicas que pos-
sam entrar em contato.

                                                                                                   PETROBRAS                 ABASTECIMENTO
                                                                                                   Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                                                                                            191
FIGURA 111


                           FILME LUBRIFICANTE SEPARANDO DUAS SUPERFÍCIES



Pense e Anote                              F


                                       F



                                                   Contato metálico




                                           F


                                       F



                                                   Filme lubrificante




                   Ampliando uma superfície metálica usinada, ou mesmo retificada,
                veremos que ela é formada por picos e vales. São as rugosidades.
                   Havendo um deslizamento entre duas dessas superfícies, os picos se
                chocarão e quebrarão, formando novos picos que, com a continuação do
                movimento, também serão quebrados, e assim sucessivamente. Esse ar-
                rancar de pequenas partículas levará ao desgaste do material.
                   Colocando entre essas superfícies uma película lubrificante, um óleo
                que mantenha os picos afastados, eles não mais se tocarão e não haverá
                mais desgastes.
                   Além de reduzir ou eliminar o desgaste, se houver a formação desse
                filme lubrificante, teremos uma redução do atrito, uma vez que necessi-
                taremos de menor força para cisalhar o lubrificante do que para quebrar
                os picos do material metálico.
                   A finalidade da lubrificação é a de manter um filme de uma espessura
                adequada através de um produto com características lubrificantes, evitando
                o contato metálico entre as duas superfícies. Sempre que a espessura des-
                se filme for inferior à altura dos picos, teremos contato de metal contra
                metal e, conseqüentemente, desgaste.
                   A propriedade mais importante do lubrificante para garantir esse filme
                de óleo é a viscosidade.
                   São dois os tipos de mancais utilizados em bombas: mancal de rola-
                mento e mancal de deslizamento. Algumas bombas usam os dois tipos
                simultaneamente. Vejamos como funcionam.

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                 192   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                  FIGURA 112


            POSIÇÃO DO EIXO NO MANCAL DE DESLIZAMENTO



              Óleo                    Óleo                       Óleo



              Eixo                    Eixo                       Eixo




          Eixo parado            Eixo partindo                Eixo girando


                         Óleo                          Óleo




                         Eixo                          Eixo




                         F                               F
                                Pressão de óleo
                             Distribuição da pressão




  MANCAL DE DESLIZAMENTO

Quando o eixo está parado, apóia-se na parte inferior do mancal, ocasio-
nando um contato metálico. Ao iniciar a rotação, a tendência do eixo é
subir no mancal. Mas, ao começar a girar, o eixo bombeia o óleo lubrifi-
cante que se encontra entre ele e o mancal, criando uma pressão de óleo.
Essa pressão irá gerar uma força, que elevará o eixo ligeiramente do man-
cal. Devido ao formato da curva de pressão criada, a tendência do eixo é
deslocar-se para o lado oposto de seu movimento inicial. Se o filme de
óleo formado for mais espesso que as irregularidades da superfície do eixo,
só teremos desgaste na partida da máquina. Se o filme de óleo romper-
se, teremos contato metal com metal. Para evitar danos no eixo, a maio-
ria desses mancais utiliza uma cobertura de metal bastante macio, cha-
mada metal patente. Devido ao formato que o óleo assume no interior
do mancal, é usual falar em cunha de óleo.

   MANCAIS DE ROLAMENTO

A esfera de um rolamento possui uma área de apoio muito reduzida,
praticamente um ponto. Qualquer força atuando numa área reduzida gera
uma pressão muito elevada. Com esses esforços, ocorre uma deformação
tanto na esfera quanto na pista, mas dentro do limite elástico, ou seja,

                                                 PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                                 Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                 193
uma vez cessada a força, a deformação deixa de existir. Essa deformação
          aumenta a área de contato, reduzindo a pressão. O óleo lubrificante é
          bombeado pelas esferas, formando um filme de óleo, que separa as esfe-
Pense e   ras das pistas do rolamento.
Anote        O óleo possui uma propriedade bastante interessante, que é a de au-
          mentar a viscosidade com o aumento da pressão. Nos rolamentos, o lubri-
          ficante fica submetido a pressões tão altas que se torna praticamente sóli-
          do, o que evita o rompimento do filme de óleo formado. Pelos motivos
          explicados, esse tipo é denominado de lubrificação elasto-hidrodinâmica.
          Em um rolamento submetido a uma carga, como o peso próprio do con-
          junto rotativo, somente as esferas inferiores absorverão os esforços. As es-
          feras na parte superior do rolamento estarão sem carga. Como as esferas
          giram, ora estarão com carga, ora sem carga, o que pode levar à falha por
          fadiga, que é um dos principais modos de falha dos rolamentos.
             As bombas centrífugas horizontais utilizam, com freqüência, mancais
          de rolamentos. Caso as condições de rotação, juntamente com a carga,
          levem a uma vida curta dos rolamentos, empregam-se mancais de desli-
          zamento. O API 610 fixa a vida mínima em 3 anos.
             Nas bombas verticais, são utilizados principalmente mancais guias
          (buchas) para manter o eixo centrado na coluna. Para sustentação do con-
          junto rotativo, algumas bombas utilizam mancal próprio, enquanto ou-
          tras são sustentadas pelo mancal do acionador.
             Os fabricantes de rolamentos afirmam que apenas 9% dos rolamentos
          atingem sua vida normal, ou seja, 91% falham antes do prazo esperado.
          Portanto, os mancais (com sua lubrificação) e a selagem são os itens que
          merecem mais atenção nas bombas. Sendo bem tratados e acompanha-
          dos, podem proporcionar muitos ganhos.




                         Total atenção com mancais e selagem
                         prolonga o tempo de campanha do
                         equipamento!!!



             A falha catastrófica dos mancais é muito grave nas bombas, já que
          ocasiona a falha do selo mecânico, com o conseqüente vazamento do lí-
          quido bombeado. Leva também a roçamentos que podem gerar faíscas, o
          que, dependendo do produto bombeado, pode gerar um incêndio. Nor-
          malmente, uma bomba, quando chega a fundir os mancais, terá uma ma-
          nutenção de alto custo e de tempo prolongado.

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           194   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Os principais produtos utilizados na lubrificação das bombas são:
   Graxa.
   Óleo lubrificante.
   • Por nível.
   • Forçada (ou pressurizada).
   • Por névoa de óleo.
   • Próprio produto bombeado, fazendo as vezes do lubrificante.

Lubrificação por graxa
Não é muito usada em mancais de bombas centrífugas nas refinarias, fi-
cando restrita a algumas bombas pequenas, bombas de deslocamento po-
sitivo e em alguns tipos de acoplamentos (de engrenagem e de grade). Nos
motores elétricos, predomina a utilização da graxa na lubrificação dos ro-
lamentos. Nas indústrias, em que o ambiente tem pós em suspensão, é
usual o emprego da graxa.
   Com graxa, as rotações máximas admissíveis nos rolamentos são me-
nores do que com óleo. Por exemplo, o rolamento de contato angular
7316B pode trabalhar até 3.200rpm com graxa, ou até 4.300rpm com óleo.
As caixas de mancais lubrificadas por graxa devem ser preenchidas, no
máximo, até 2/3 do seu volume. Os fabricantes das bombas, na sua mai-
oria, recomendam usar graxa à base de sabão de lítio e de consistência 2.


Óleo lubrificante
É o principal produto utilizado na lubrificação de bombas centrífugas ho-
rizontais. Existem três tipos principais de lubrificação com óleo.


Lubrificação por nível
É usada com óleo lubrificante. O nível de óleo na caixa de mancais é man-
tido por meio de um copo nivelador. O nível ficará sempre na linha mais
alta do chanfro do copo nivelador (Figura 113A).
   Para mancais de rolamento, o nível deve ficar situado no centro da es-
fera inferior, nível este que é medido com a bomba parada. Para garantir
a lubrificação, é usual dotar o eixo de anel salpicador de óleo (ver Figura
113B). O anel salpicador fica parcialmente mergulhado no nível de óleo
e, ao girar, lança o óleo contra a parede da caixa de mancais. Este óleo
escorre e cai numa canaleta coletora, que o direciona para os rolamentos.
No lado do rolamento radial, o furo E leva o óleo para a parte traseira do
rolamento, passa pelo interior do mesmo, retornando ao depósito da caixa
de mancais. Do lado do mancal de escora, o óleo passa pelo furo F e vai
para a parte traseira dos rolamentos, passando parte dele por dentro dos
rolamentos. Para evitar que o nível fique alto nesta região, existe um furo
G, que se comunica com o reservatório, garantindo que o nível máximo
não será ultrapassado atrás do rolamento.

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FIGURA 113A


                  LUBRIFICAÇÃO POR NÍVEL NORMAL E COM ANEL PESCADOR

Pense e
Anote              Copo
                 nivelador
                                     Oleadeira                          Oleadeira          Copo
                                                                                         nivelador




                 Nível                                                                     Nível
                 de óleo                      Dreno    Submergência          Dreno         de óleo




                                                      FIGURA 113B


                                  LUBRIFICAÇÃO COM ANEL SALPICADOR


                                                                              Canaleta coletora
                                                                              de óleo

                                                       B                       E

                  F                                                 F
                                          G




                                                                    G
                             Secção B-B                B

                                                           Vista superior da caixa de mancais




             Algumas caixas de mancal de rolamentos usam anel pescador. Esse anel
          trabalha apoiado no eixo da bomba e é arrastado pelo seu giro. Como fica
          parcialmente mergulhado no óleo, ao girar, arrasta o óleo pela sua superfície
          interna, depositando-o no eixo e seguindo daí para o mancal, que pode ser
          de rolamento ou de deslizamento. O óleo empregado na lubrificação de bom-
          bas é geralmente um tipo turbina com viscosidade ISO 68.


          Lubrificação forçada ou pressurizada
          Esse tipo de lubrificação é utilizado somente para mancais de deslizamen-
          to. Esse sistema é empregado quando a geração de calor no mancal é alta,
          seja devido à carga, seja à rotação. O sistema de lubrificação forçado ne-
          cessita, no mínimo, de: uma bomba para circular o óleo, um filtro de óleo

                      PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           196    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
(geralmente duplo), um resfriador e uma válvula de segurança. Alguns sis-
temas adotam apenas uma bomba de óleo lubrificante, acionada pelo eixo
da bomba principal. Nesse caso, necessitam de um anel pescador nos man-
cais para garantir a lubrificação durante a partida e a parada da bomba.
Os sistemas mais sofisticados podem ter uma lubrificação segundo o API
614, em que temos duas bombas de lubrificação, dois resfriadores de óleo,
dois filtros, duas válvulas de alívio, sistema de controle de pressão do óleo
lubrificante, alarmes e cortes por pressão de óleo e por temperatura dos
mancais, entre outros dispositivos.


Lubrificação por névoa
Esse tipo de lubrificação trabalha com uma mistura de ar e óleo na propor-
ção de 200 mil partes de ar para 1 parte de óleo (5ppm). Essa mistura é
preparada em um gerador, no qual é empregado um sistema de vórtice para
pulverizar o óleo e misturá-lo com o ar. Do gerador, saem as linhas de dis-
tribuição da névoa, geralmente de 2 polegadas de diâmetro. Elas possuem
um pequeno caimento de modo que qualquer óleo condensado que venha
a aparecer retornará ao tanque do sistema gerador. A pressão de distribui-
ção é bem baixa, geralmente de 50mbar, o que equivale a 0,05kgf/cm2 ou
20pol H2O. A névoa gerada possui partículas de óleo inferiores a 3 mícrons,
sendo adequada para ser transportada, mas não é boa para lubrificação.
   Próximo de cada equipamento, sai pelo topo da linha de distribuição
uma linha de 3/4” de diâmetro, que desce até cerca de 1 metro de altura
da bomba, onde é instalado um distribuidor. Este possui uma válvula de
drenagem de óleo condensado e seis conexões roscadas, em que são ins-
talados os reclassificadores. Para cada ponto a ser lubrificado, correspon-
de um reclassificador.
   O reclassificador possui duas funções básicas: a primeira é dosar a quan-
tidade de névoa que será fornecida, e a segunda é a de coalescer (reclassificar
ou aumentar o tamanho) as partículas de óleo para diâmetros superiores a 3
mícrons de modo que fiquem adequadas para lubrificação. A partir do reclas-
sificador, sai uma linha de inox de 1/4” que vai até o ponto a ser lubrificado.
   Nesse tipo de lubrificação, a caixa de mancal trabalha sem nível de óleo.
O óleo condensado e a névoa residual saem pelo dreno da caixa de man-
cal da bomba, onde existe um coletor transparente, que permite avaliar
visualmente o estado do óleo. Na parte inferior desse coletor transparen-
te, temos uma válvula que possibilita drenar o óleo.
   Na parte superior, temos uma tubulação de inox de 3/8” que vai até
uma caixa com cerca de 4 litros, denominado coletor ecológico. Na tam-
pa desta caixa temos uma linha de vent, pela qual sai a névoa não con-
densada para a atmosfera ou para um sistema de recuperação de névoa
residual. O óleo condensado fica na caixa ecológica, da qual posteriormente
retirado. As principais vantagens desse sistema são:
   Aumento da vida dos rolamentos.
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Redução da temperatura da caixa de mancais (em média 15%).
                                  Os rolamentos trabalham com um óleo sempre limpo.
                                  Por ficar levemente pressurizada, não entram umidade nem pós na caixa
                                  de mancais.
                                  Como o coeficiente de atrito é menor, a potência consumida pela bomba cai.
Pense e Anote                     Na maioria dos casos, a água de resfriamento pode ser eliminada da
                                  caixa de mancais.
                                  Eliminação do uso de copo nivelador, do cachimbo, anéis salpicadores
                                  e pescadores (este último só no caso de rolamentos).


                                                           FIGURA 114


                             SISTEMA DE GERAÇÃO E DE DISTRIBUIÇÃO DE NÉVOA


                    Sistema de LubriMist ® Típico
         Motor                                                              Tubo 3/4”       Reclassificador
         elétrico                 Perna de            Bomba
                                  dreno                           Tubulação
                                                                  principal 2”



         Distribuidor                                                   Reclassificador       Válvula
                                                                                              de dreno
                                                                            Distribuidor
            Console gerador
            de névoa modelo IVT                       Coletor
                                                      ecológico            Baixada

                        Sistema de Distribuição                                                   Distribuidor




                                                                  FIGURA 115


                                       NÉVOA PURA PARA BOMBAS API ANTIGAS E NOVAS


                                             Reclassificador
                        Distribuidor          Tubing 1/4”




                           Coletor
                           transparente
                                                                         Vent
                               Tubing 3/8”
                                           Ladrão                   Coletor
                                 Dreno de cléo                      ecológico

                                           Névoa para bombas antigas                Névoa para bombas API novas




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Pense e Anote
   Nas bombas tipo API anteriores à 8a edição, a névoa entra pelo centro
da caixa de mancais e sai pelo centro. Nas novas, quando especificado que
serão lubrificadas por névoa, o fabricante já fornece entradas independentes
para cada mancal, obrigando toda névoa injetada a passar pelos rolamen-
tos (Figura 115).
   O reclassificador mais usado é o tipo névoa (ver Figura 116). Somente
este modelo é montado no distribuidor. Os outros são montados próxi-
mo ao ponto a ser lubrificado. O reclassificador do tipo névoa possui a
numeração 501, 502, 503, 504 e 505. Quanto maior o número, maior a
vazão de névoa. O tipo spray forma uma névoa mais densa e é usado
quando temos rolamentos de rolos. O tipo condensado forma gotículas
maiores de óleo e é utilizado para engrenagens.
   O reclassificador direcional é empregado principalmente em bombas
BB, sendo roscado na caixa de mancal e com seu furo apontado para o
centro da esfera do rolamento (ver Figura 117). Ele possui uma marca ex-
terna para orientar a posição do furo durante a montagem.


                                   FIGURA 116


                      TIPOS DE RECLASSIFICADORES



                           Spray                Névoa




                        Condensado          Direcional




                                                 Furo




                                                PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                199
FIGURA 117


                         UTILIZAÇÃO DO RECLASSIFICADOR DIRECIONAL
Pense e
Anote                                                          Reclassificador
                                                               direcional
                        Reclassificador
                        direcional




                                           Coletor
                                           ecológico




             O sistema de névoa até agora descrito é denominado névoa pura. Exis-
          te também o de névoa de purga.
                                                 FIGURA 118


                                           NÉVOA DE PURGA



                                                 Reclassificador


                            Distribuidor

                              Válvula
                              de dreno




                                              Controle
                                              de nível
                                                                         Óleo


                                                              Visor de
                                           Para caixa         acrílico
                                           coletora




             Os mancais de deslizamento necessitam de óleo para a formação da
          cunha que irá garantir a sustentação do eixo. Por isso, nesse tipo de man-
          cal, é adotado o sistema de névoa de purga, sendo mantido o nível de
          lubrificante original. Essa névoa serve para pressurizar a caixa de mancal
          (evitar a entrada de umidade e pós) e para completar o nível de óleo.

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           200   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Lubrificação pelo próprio fluido
Muito usada em bombas verticais, nas quais o próprio fluido bombeado
lubrifica os mancais guias. Nas bombas com acoplamento magnético e nas
bombas canned, ambas sem selagem, também é usual o líquido bombe-
ado ser utilizado na lubrificação dos mancais. Nessas bombas, o mancal
costuma ser de carbeto de tungstênio ou carbeto de silício.




           A bomba canned, que significa “enlatada” em inglês,
           possui o impelidor montado no eixo do motor elétrico.
           As bobinas do motor ficam separadas do rotor por um
           cilindro de chapa, daí seu nome.




                                     FIGURA 119


          BOMBAS CANNED E DE ACOPLAMENTO MAGNÉTICO


                                  Bomba Canned
                  Estator do motor
                  Mancal Radial                        Vendação
                                                       dos cabos


                                                           Luva
                                                           de eixo
                  Impelidor

                                               Mancal
                                               de escora


                    Bomba de acoplamento magnético


                                        Ímãs




                       Mancais

                                           Caixa de mancais
                                           convencional




                                                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                  Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                  201
As principais falhas dos mancais das bombas são devido:
             À MONTAGEM INADEQUADA
             Pancadas, sujeiras etc.
Pense e
Anote        À ENTRADA DE FLUIDOS ESTRANHOS NA CAIXA DE MANCAL
             Água, produto bombeado, vapores e gases.


             À ENTRADA DE SÓLIDOS NA CAIXA DE MANCAL
             Catalisadores, pós etc.


             AO NÍVEL DE ÓLEO OU À QUANTIDADE DE GRAXA INADEQUADOS
             NAS CAIXAS DE MANCAIS


             AOS ESFORÇOS ELEVADOS
             Vibração, desalinhamento entre bomba e acionador, desbalanceamen-
             to, esforços da tubulação etc.


             ÀS TOLERÂNCIAS INCORRETAS
             Diâmetro do eixo, diâmetro da caixa, raios de concordância etc.


             AO DESALINHAMENTO ENTRE OS DOIS ALOJAMENTOS DOS
             ROLAMENTOS


             À QUALIDADE DOS ROLAMENTOS
             Falsificação, produtos de 2a linha, estocagem inadequada etc.


             À QUALIDADE E LIMPEZA DO LUBRIFICANTE
             Viscosidade não adequada, abastecimento com funil ou regador sujo etc.


             AO AQUECIMENTO EXCESSIVO DO LUBRIFICANTE
             Oxidação e redução da vida do óleo.


             À OPERAÇÃO DA BOMBA FORA DO PONTO DE PROJETO
             Cavitação, recirculação, aumento de esforços radiais e axiais.


             A umidade no óleo lubrificante é um dos vilões que o levam a falhar
          prematuramente por deficiência de lubrificação. Estudos dos fabricantes
          de rolamentos indicam que a vida de um rolamento cai para menos da
          metade quando o óleo lubrificante possui 300ppm de água. O fabricante
          do óleo já o fornece com 100ppm de água. Nesses níveis, a água está dis-
          solvida no óleo e não é percebida. Para identificá-la, é necessária a realiza-
          ção de testes específicos de laboratório. Nem por centrifugação ela conse-
          gue ser separada porque está dissolvida. Somente com aplicação de vá-

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           202   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
cuo ou com processos de transferência de massa é conseguida a separa-
ção. Após 350ppm, nas temperaturas usuais da caixa de mancal, é que a
água consegue ser detectada visualmente no óleo, porque fica emulsio-
nada. A principal fonte de água no óleo é a umidade do ar.




    300ppm de teor de água significa que temos 300 partes de água em
    cada 1.000.000 de partes da mistura água/óleo. Isto corresponde a


                           300             3          0,03
             300 ppm =               =            =          = 0,03%
                         1.000.000       10.000       100



    o que significa algumas gotas numa caixa de mancais.




   Na Figura 120, temos um gráfico com a vida relativa do rolamento em
função da umidade existente no óleo. Com 100ppm de água, a vida do
rolamento é considerada normal, recebendo o valor de 100%. Se a umida-
de do óleo baixasse em quatro vezes, ficando em 25ppm, o rolamento
teria uma vida relativa de 230%, o que significa que o rolamento aumen-
taria sua vida em 2,3 vezes. Se a falha ocorresse a cada ano, passaria a ser
a cada 2,3 anos.
   Por outro lado, se a umidade aumentar três vezes, indo para 300ppm,
a vida será reduzida para 45% da normal. O rolamento que teria vida útil
de 1 ano passaria para 0,45 ano, ou pouco mais de 5 meses. Provavel-
mente, a maioria dos óleos das caixas de mancais das bombas deve estar
com mais de 300ppm de água, o que reduz significativamente sua vida.
   A Figura 120 mostra que, ao passar de 100 para 200ppm, a redução é
de quase 50% na vida útil. Depois dos 1.000ppm, a queda passa a ser bem
lenta. Nos percentuais mais baixos de água, um pequeno aumento na con-
centração de água causa redução considerável.
   A temperatura de trabalho do óleo é um fator importante para sua vida
e, como conseqüência, a do mancal. Quanto maior a temperatura, maior
a oxidação, degradando rapidamente o óleo. Os óleos usados em lubrifi-
cação possuem aditivos antioxidantes que são consumidos mais rapida-
mente à medida que o trabalho é executado em temperaturas altas. Na
Figura 121, a SKF mostra que um óleo trabalhando na temperatura de 30ºC
dura 30 anos. O mesmo óleo a 100ºC dura apenas 3 meses.

                                               PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                               Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                               203
FIGURA 120


                  VIDA RELATIVA DOS ROLAMENTOS VERSUS TEOR DE ÁGUA NO ÓLEO


                                          Vida relativa dos rolamentos
Pense e Anote                        baseada em 100% para 100ppm de água
                       % da vida relativa




                                               ppm da água no óleo




                                                      FIGURA 121


                      VIDA DO ÓLEO EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA DE TRABALHO




                                                  Vida do óleo
                      Vida em anos




                                                 Temperatura (°C)




                       PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                204   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
  Resumo

   Os mancais das bombas são lubrificados por: graxa, óleo
   lubrificante ou pelo próprio produto bombeado.

   A principal graxa utilizada nos rolamentos é à base de sabão de
   lítio e de consistência 2. As caixas de mancais para graxa devem
   ser preenchidas apenas com 2/3 do seu volume.

   Os óleos lubrificantes usados nas bombas são normalmente do
   tipo turbina com viscosidade ISO 68 como, por exemplo, o
   Marbrax 68.

   A lubrificação por óleo pode ser por:

   LUBRIFICAÇÃO POR NÍVEL
   Pode ser com ajuda de anel salpicador (fixo ao eixo), ou anel
   pescador (arrastado pelo giro do eixo).

   LUBRIFICAÇÃO FORÇADA
   A vazão e a pressão de óleo são fornecidas por uma bomba de
   lubrificação.

   LUBRIFICAÇÃO POR NÉVOA
   A lubrificação é realizada por uma mistura de ar com óleo na
   proporção de 5ppm de óleo.

   O nível de óleo normalmente é no meio da esfera inferior
   do rolamento.

   A temperatura do óleo lubrificante e o teor de água no óleo são
   dois fatores que, quando altos, reduzem sensivelmente a vida dos
   lubrificantes e, conseqüentemente, dos mancais.




Acoplamento
A função básica do acoplamento é a de transmitir o torque do acionador
para a bomba.
  Os acoplamentos flexíveis possuem como funções complementares:
absorver desalinhamentos e amortecer vibrações que poderiam ser
transmitidas de uma máquina para outra. Os acoplamentos rígidos não
possuem essas funções.

                                           PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                           Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                           205
FIGURA 122


                                          TIPOS DE ACOPLAMENTOS



Pense e Anote         A GRADES                B LÂMINAS
                                                      FLEXÍVEIS
                                                                            C GARRAS




                      D PINOS COM             E CORRENTES                   F LÂMINAS COM
                        ELASTÔMEROS                                           ESPAÇADOR




                      G GRADES COM EIXO H ENGRENAGENS                        I TIPO PNEU
                         FLUTUANTE




                      J RÍGIDO                          K LÂMINAS COM ESPAÇADOR
                                                          Furo máximo         Diâmetro máximo
                                                                                DBSE
                                                                               distância
                                                                              entre pontas
                                                                                de eixo




                                                                    DE LÂMINAS FLEXÍVEIS




                       PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                206   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Existe uma grande diversidade de acoplamentos. Os principais tipos
empregados são:
   Rígido.
   De lâminas ou discos flexíveis.
   De engrenagens.
   De garras com elastômero.
   Tipo pneu.
   De pinos amortecedores.
   De correntes.


   O acoplamento rígido é simplesmente uma conexão. É bastante usado
em bombas verticais quando seu eixo é sustentado pelo mancal do
acionador. Bombas horizontais não utilizam esse tipo de acoplamento.
   Para facilitar a desmontagem das bombas, é comum o uso de um
espaçador no acoplamento. No caso de bombas em balanço, como as OH1
e OH2, é o espaçador que permite que elas sejam retiradas da base sem
necessidade de movimentar o acionador e a sua carcaça. Em bombas com
impelidor entre os mancais, tipo BB, é o espaçador que permite a troca
do rolamento e do selo do lado acoplado sem grandes desmontagens.
   Quando a distância é muito grande entre as pontas de eixo, o emprego
do espaçador pode levar a um peso excessivo no acoplamento. Nesses
casos, podemos adotar o acoplamento com eixo flutuante. Consiste no uso
de dois acoplamentos, um em cada extremidade, interligados por um eixo.
Geralmente, os dois acoplamentos utilizados são híbridos, metade flexível
e metade rígido.
   Atualmente, a preferência é pelos acoplamentos que não exigem
lubrificação. Os lubrificados possuem as seguintes desvantagens:
   Necessidade de parar a bomba para sua lubrificação, o que ocorre a cada
   6 meses.
   Necessidade de abrir o acoplamento para retirar a graxa antiga. Se
   lubrificarmos sem abrir o acoplamento, a graxa tomará caminhos
   preferenciais, realizando apenas uma renovação parcial.
   Custo da mão-de-obra e da graxa empregada na lubrificação.


   Na seleção de um acoplamento, devemos sempre utilizar o catálogo
do fabricante. Os acoplamentos são dimensionados principalmente pelo
torque. Temos sempre de verificar se a rotação máxima recomendada pelo
fabricante atende à de trabalho do equipamento e se o furo máximo
permitido comporta tanto o eixo da bomba quanto o do acionador. Este
último costuma ter o diâmetro maior.
   Nos catálogos, são fornecidos coeficientes de segurança ou de serviço,
FS, que são valores a serem multiplicados pela potência para a seleção.
No caso de bombas centrífugas, os fabricantes quase sempre especificam

                                          PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                          Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                          207
FS = 1,0 . Entretanto, é aconselhável usar segurança adicional,
          principalmente nos acoplamentos de lâminas flexíveis, adotando, por
          exemplo, FS = 1,1.
Pense e      Para efeito de dimensionamento, sempre utilizamos a potência de placa
Anote     do acionador, embora saibamos que a bomba normalmente exige menos
          potência. Essa sobra fica como um fator de segurança adicional.

           PROBLEMA 10

          Selecionar um acoplamento para uma bomba que gira a 3.550rpm e cujo
          motor possui a potência de 60hp. O diâmetro na região do acoplamento do
          eixo da bomba é de 60mm e do motor é de 70mm. A distância entre as pon-
          tas dos eixos é de 127mm (5"). Usar a tabela fornecida a seguir para aco-
          plamento tipo M.



                                 Dados:

                                 Potência – 60hp

                                 Rotação – 3.550rpm
                                 Diâmetro eixo bomba – 60mm

                                 Diâmetro eixo motor – 70mm




                                                 TABELA 26


                                     DADOS DO ACOPLAMENTO

                                   rpm           Máx. hp/     Furo     Peso kg
                    Tamanho
                                  máximo         1.000rpm    máximo     s/furo

                       4M           6.000           1,3        33         2,7

                       5M           6.000           2,2        38         3,6

                       6M           6.000           3,0        46         4,5

                       7M           6.000           5,9        56         6,8

                       8M           5.000          11,8        67        14,0

                       9M           4.500          17,7        71        16,0

                      10M           3.750          23,7        83        23,0

                      11M           3.600          34,0        91        27,0




             Adotando o fator de segurança de 1,1, temos:


                   Potência para seleção = Pot. acionador x FS = 60 x 1,1 = 66hp


                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           208   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Cálculo do torque:


            Pot      Pot        66      66
 Torque =       =          =          =     = 18,6 hp/1.000rpm
            Rot   rpm/1.000 3.550/1000 3,55




A divisão da rpm por 1.000 é devido ao fato de a tabela de seleção estar
baseada em hp/1000rpm. Esta unidade é bastante comum nos catálogos
de seleção dos acoplamentos.
Entrando na tabela com o valor imediatamente acima de 18,6, achamos
23,7hp/1.000rpm, o que corresponde ao acoplamento 10M. Sua rotação
máxima admitida é de 3.750rpm (a da bomba é 3.550rpm) e o furo máximo
admissível é de 83mm (bomba 60mm e motor 70mm). Portanto, o
acoplamento escolhido atende e deverá ser de 10M com espaçador de
127mm.
Se o furo máximo fosse inferior ao desejado, teríamos de selecionar um
tamanho acima que comportasse o diâmetro do eixo.
Se a rotação máxima permitida do acoplamento selecionado for inferior à
desejada, poderemos consultar o fabricante do acoplamento sobre o novo
limite de rotação, caso ele seja balanceado dinamicamente. Se ainda assim
não atender, escolher um outro modelo de acoplamento que comporte a
rotação desejada.
Em alguns desenhos de equipamentos vindos do exterior, aparecem as letras
DBSE com relação ao acoplamento. Essas letras são de Distance Between
Shafts End, que significa “o afastamento entre as pontas dos eixos do
acionador e do acionado”.




Resumo

 Há uma preferência por acoplamentos sem lubrificação em face da
 necessidade de parar as bombas para abrir o acoplamento a fim de realizar
 uma lubrificação adequada.
 Quando dimensionar um acoplamento para bombas, usar sempre um fator
 de serviço, FS, igual ou superior a 1,1.
 Os acoplamentos são dimensionados pela capacidade de transmitir torque
 (potência/rotação). Uma vez selecionado, há necessidade de verificar se ele
 comporta os diâmetros dos eixos da bomba e do acionador. Temos também
 de verificar se a rotação máxima especificada pelo fabricante do acoplamento
 atende à rotação da bomba.


                                            PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                            209
Seleção de bombas
          As bombas são escolhidas, principalmente, em função das suas caracte-
          rísticas. Exemplificando, se o NPSH disponível pelo sistema for muito
Pense e   baixo, podemos especificar uma bomba de dupla sucção ou uma com
Anote     indutor de NPSH, que possuem NPSH requerido mais baixo. Se, ainda
          assim, essas bombas não atenderem, podemos optar por uma bomba
          vertical com o comprimento adequado, de modo que teremos uma co-
          luna de líquido sobre o impelidor, aumentando o NPSH disponível. Al-
          gumas partes da especificação provêm de normas, como no caso do API
          610 que, entre outras coisas, recomenda carcaça partida radialmente para
          os seguintes casos:
             Temperatura do produto maior ou igual a 200ºC.
             Líquidos inflamáveis ou perigosos com densidade menor do que 0,7
             na temperatura de bombeamento.
             Líquidos inflamáveis ou perigosos com pressão de descarga acima de
             100bar.


             É usual, antes de fazer a especificação final, consultar alguns fabricantes
          para garantir a existência e a disponibilidade de bombas que atendam ao
          desejado.
             Uma vez escolhido o fabricante e o tipo da bomba a ser usada, entramos
          com a vazão e a AMT na carta de seleção para identificar o tamanho da
          bomba e a rotação de trabalho que irá atender ao especificado. Escolhido
          o tamanho da bomba, entramos na sua família de curvas e definimos o
          diâmetro do impelidor, o NPSH requerido e o rendimento, o que permite
          o cálculo da potência consumida. O NPSH requerido na vazão especificada
          terá de ser menor do que o NPSH disponível. Sempre que possível, a bomba
          deve ser escolhida para trabalhar perto do seu BEP – Ponto de Máxima
          Eficiência, evitando assim que venha a ter problemas de recirculação
          interna e esforços radiais maiores.
             Vamos a um exemplo de seleção de uma bomba.

           PROBLEMA 11

          Determinar o modelo da bomba, o diâmetro do impelidor, o NPSH requeri-
          do e a potência para uma bomba que irá trabalhar nas seguintes condições:



             Vazão – 50m3/h                      Produto bombeado – querosene
             Pressão de sucção – 0,6kg/cm2M      Densidade – 0,80
             Pressão de descarga – 16,6kg/cm2M   Temperatura – 30ºC
             AMT – 200m                          Viscosidade – 1,55cSt
             NPSHdisp – 10m                      Pressão de vapor a 80ºC – 0,8kg/cm2A



                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           210   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Com a vazão de 50m3/h e com a AMT = 200m, entramos na Figura
123 para bombas com 3.550rpm e determinamos a bomba 40-315.
                                      FIGURA 123


                   CARTA DE SELEÇÃO DE TAMANHOS


     H (m)

                                                                                     n = 3500
                                        40 - 315
                                                      50 - 315

                                                      50         65
                           32 - 250     40 - 250                  250    80 - 250
                                                      250


                                          40                        80 - 200
                                                     50 - 200
                           32 - 200       200
                                                                                    100
                                                                   65 - 200
                                                                                    200

                           32 - 160       40 - 160      50
                                                                    65
                                                        160
                                                                   160              100
                                                                         80 - 160   160
                          32 - 125
                                        40 - 125     50 - 125
                                                                   65
                                                                  125




                                                                                          Q (m³/h)




   Como a viscosidade do querosene é baixa, não necessitamos de fatores
de correção.
   Entramos nas curvas da bomba 40-315, Figura 124, com a vazão e com
a AMT, e marcamos o ponto de trabalho.
   Com esse ponto, obtemos o diâmetro do impelidor, o rendimento, o
NPSH requerido e a potência para água.
   Diâmetro do impelidor = 322mm.
   Rendimento = 49%
   NPSHreq = 7m
   Potência = 76cv para água cuja densidade = 1


   A potência varia diretamente com a densidade (ou peso específico). Para
querosene com densidade de 0,8, a potência será de:

                          Pot = 76 x 0,8 = 60,8cv


   Da Tabela 11, temos:

                                1cv = 0,986hp


                                                        PETROBRAS              ABASTECIMENTO
                                                        Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                                     211
A potência consumida em hp será:


                                                                 hp
                                         Pot = 60,8cv x 0,986       = 59,9hp
                                                                 cv


Pense e Anote
                   Poderíamos também ter estimado a potência de uma forma mais
                precisa pela fórmula:

                 EQUAÇÃO 7




                                          Q x AMT x         50 x 200 x 0,8
                                 Pot =                  =                  = 59,6hp
                                             274             274 x 0,49



                                                       FIGURA 124


                                           CURVAS DA BOMBA 40-315




                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 212   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   A pequena diferença de potência encontrada pelos dois métodos é
devido à imprecisão do gráfico.
   Como o NPSH disponível é de 10m e o requerido é de 7m e, portanto,
o NPSHdisp > NPSHreq, a bomba selecionada atende.
   Se o NPSH não atender, podemos tentar uma bomba de tamanho
imediatamente acima ou uma outra com menor rotação, o que logicamente
levaria a uma bomba maior.




  Resumo

   Depois de escolhidos o tipo e o fabricante da bomba, entramos
   na carta de seleção com a vazão e a AMT desejadas e
   determinamos o tamanho da bomba e a rotação em que
   será necessário operar.
   Com o tamanho escolhido, entramos na família de curvas de
   AMT x vazão dessa bomba para escolher o tamanho do impelidor
   que irá atender ao especificado. Podemos retirar também o
   rendimento e o NPSH requerido a partir da vazão desejada.
   Verificamos então se o NPSH requerido é inferior ao NPSH
   disponível do sistema.
   A potência para água pode ser obtida diretamente do gráfico,
   devendo ser corrigida para a densidade (ou peso específico) do
   líquido que será bombeado. Podemos também calcular a potência
   pela sua fórmula (equação 7).




Análise de problemas de bombas
centrífugas
Toda bomba que deixa de atender ao processo ou apresenta algum sinto-
ma que resulta em risco operacional, como vazamento ou vibração alta,
necessita de análise para determinar as ações a serem tomadas.
  Antes de abrir uma bomba que não esteja cumprindo seu papel ade-
quadamente, devemos ter certeza de que o problema é da bomba. Muitas
vezes o problema está nas condições do processo ou no sistema e, nesse
caso, a abertura da bomba não é a solução para o caso.
  Algumas situações permitem um diagnóstico imediato da falha, como
o vazamento pelo selo ou o travamento do conjunto rotativo, problemas

                                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                        Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                        213
estes que são visíveis. Na abertura da bomba, as peças devem ser exami-
          nadas para identificar o motivo da falha. Outros tipos de situações neces-
          sitam de uma investigação para determinar sua causa.
Pense e      Não devemos apenas substituir as peças danificadas, mas tentar en-
Anote     tender que motivo levou à falha e tomar as providências para evitar sua
          repetição.
             A seguir, analisaremos os problemas mais freqüentes que ocorrem na
          operação de bombas centrífugas e que necessitam de investigação. Vamos
          dividi-los em cinco categorias principais:
             Bombas que não estão atendendo em vazão ou pressão de descarga.
             Bombas que apresentam vibração ou ruído.
             Bombas que estão exigindo potência acima da esperada.
             Bombas que apresentam aquecimento excessivo nos mancais.
             Bombas com vazamentos.


             Muitas vezes, o problema pode ser enquadrado em mais de uma das
          situações acima.



          Bombas que não estão atendendo
          em vazão ou pressão na descarga
          Uma bomba, estando em boas condições, deve trabalhar sobre suas cur-
          vas de AMT e de potência versus vazão. Entende-se como em boas con-
          dições:
          1. NPSH disponível acima do requerido (sem cavitação).
          2. Vazão acima da mínima de fluxo estável (sem recirculação interna).
          3. Rotação correta.
          4. Impelidor no diâmetro correto e sem problemas de desgaste ou obs-
             trução interna.
          5. Carcaça ou difusores sem desgaste.
          6. Folgas de anéis de desgaste e das buchas dentro de valores recomen-
             dados.
          7. Líquido dentro das condições de projeto (densidade e viscosidade).

             Pequenos desvios em relação aos pontos das curvas são aceitáveis, seja
          pela imprecisão do método de medição no campo, seja pela diferença de
          desempenho de um impelidor para outro que, por serem peças fundidas,
          sempre apresentam pequenas variações na forma.
             No diagrama de bloco a seguir, Figura 125, procuramos fazer essa aná-
          lise partindo das verificações mais fáceis de serem executadas para as mais
          trabalhosas. Partimos do pressuposto de que a bomba operava satisfato-
          riamente antes, ou seja, não é um problema de projeto ou da seleção da
          bomba para a aplicação na qual está sendo utilizada.

                    PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           214   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                           FIGURA 125


 DIAGRAMA PARA DETERMINAÇÃO DE PROBLEMAS DE VAZÃO
OU BAIXA PRESSÃO DE DESCARGA EM BOMBAS CENTRÍFUGAS



    Problema de baixa vazão ou pressão na descarga

       INÍCIO




                     N                      N        Verificar abrindo
   Bomba opera             Bomba está                vent da carcaça
    cavitando?             escorvada?                 (cuidado se a
                                                    bomba tiver vácuo
                                                        na sucção)

            S                     S




                     N                      N
 Vazão > projeto?        Rotação correta?            Corrigir rotação




            S                     S




                          Viscosidade e     N
                                                    Solicitar correção
  Corrigir a vazão          densidade                para operação
                            normais?



            S                     S




                     N                      N
    Pressão de            Ponto AMT x Q
  sucção normal?         igual da curva?            Desgaste interno




                                  S




                          Ponto POT x q     N
 Desgaste interno                                   Desgaste interno
                         igual da curva?




                                  S




  Verificar motivo
  do aumento da
  perda de carga            Bomba em
    na sucção              bom estado




                                        PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                        Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                         215
A BOMBA ESTÁ CAVITANDO?
            BOMBA      CAVIT
                         VITANDO?
          Começamos com esta pergunta por ser a mais fácil de responder. A cavita-
          ção é facilmente identificável pelo ruído característico, parecido com o de
Pense e   “batida de pedras” na carcaça, pela alta vibração e pela oscilação das pres-
Anote     sões de sucção e da descarga.
             Cavitação ocorre, normalmente, quando a bomba está trabalhando com
          vazões altas, tornando o NPSH disponível inferior ao NPSH requerido.
             Como a bomba está apresentando baixo desempenho, ou seja, não está
          conseguindo aumentar sua vazão, a recirculação interna, que ocorre quan-
          do trabalhamos com vazões baixas, não é uma causa provável. Nos casos
          de bombas com pressão de sucção negativa, convém verificar a possibilida-
          de de estar entrando ar pelas juntas dos flanges ou pela selagem.
             Se a resposta à pergunta sobre cavitação for positiva, uma das prová-
          veis causas é o aumento da perda de carga na linha de sucção (redução do
          NPSH disponível), que pode ter sua origem em:
          ✔Alguma obstrução parcial na linha de sucção, como válvula parcialmen-
             te fechada, filtro sujo etc.
          ✔Bomba operando com vazão mais alta do que a de projeto. Vazão maior
             significa maior NPSH requerido e menor NPSH disponível, portanto,
             mais propício à cavitação.
          ✔Aumento da viscosidade do líquido (caso de líquidos viscosos), que
             pode ocorrer pela redução da temperatura de bombeamento. O aumen-
             to da viscosidade aumenta as perdas de carga, reduzindo a pressão de
             sucção e o NPSH disponível.


             Se for decorrente do desgaste da bomba (aumento do NPSH requeri-
          do), sua origem é:
          ✔Bomba com folgas internas altas; por exemplo, se os anéis de desgaste
             ou a luva espaçadora entre o primeiro e o segundo estágios estiverem
             com folga excessiva, uma boa parte da vazão irá retornar internamen-
             te da descarga para a sucção. Para efeito de cavitação, é como se esti-
             vesse bombeando adicionalmente esse acréscimo de vazão.
          ✔Desgaste no impelidor, alterando suas características na região de suc-
             ção. Desgastes na região da voluta não afetam o NPSH requerido.




                          Cavitação só ocorre no primeiro estágio de
                          bombas multi-estágios. No segundo estágio,
                          o NPSH disponível já é alto.



                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           216   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Os meios de tirar uma bomba da condição de cavitação, por ordem de
facilidade, são:
1. Verificar a possibilidade de aumentar o nível do líquido no vaso de suc-
   ção. Alguns sistemas possuem controle de nível nesse vaso, bastando,
   nesse caso, alterar o valor de controle (set point).
2. Reduzir a perda de carga na linha de sucção, por exemplo, verificando
   se o filtro da sucção está sujo ou se alguma válvula está parcialmente
   fechada.
3. Limitar a vazão máxima da bomba em um valor em que não tenha-
   mos ruído ou vibração.
4. Resfriar o líquido (reduz a pressão de vapor), desde que as condições
   demandadas pelo processo (antes e depois da bomba) o permitam.
5. Verificar com o fabricante da bomba se existe outro modelo de impe-
   lidor que atende a necessidade do processo e com NPSH requerido mais
   baixo para essa carcaça.
6. Verificar se o modelo da bomba permite a instalação de um indutor de
   NPSH.
7. Avaliar se o aumento do diâmetro da linha de sucção, ou a simplificação
   do encaminhamento da linha, ou a eliminação de acessórios instalados
   nela, com a conseqüente redução da perda de carga, trará o ganho ne-
   cessário para evitar a cavitação.
8. Elevar o vaso de sucção ou rebaixar a bomba.
9. Alterar o material do impelidor para aço inoxidável, o qual resiste mais
   à cavitação. Dentre os materiais usuais, o que apresenta menor des-
   gaste é o ASTM A-743 CA6NM, que possui 12% de Cr. Essa solução ten-
   ta atenuar o efeito da cavitação. É usada para conviver com o proble-
   ma, aumentando apenas o tempo de falha do impelidor.




     Quando a bomba succiona de um vaso fechado, em que temos
     equilíbrio entre as fases líquidas e de vapor (ver Figura 126), o
     NPSH disponível para uma determinada vazão irá depender
     apenas do nível da coluna do líquido e da perda de carga entre
     o vaso e a bomba. A pressão de vapor acaba se cancelando,
     uma vez que a ela é somada para aumentar a pressão na
     sucção Ps, mas depois ela é subtraída para obter o NPSH
     disponível. Portanto, alterar a temperatura do líquido para
     mudar a pressão de vapor no caso de vasos fechados não
     resolverá o problema. O melhor meio de aumentar o NPSH
     disponível é aumentar a altura da coluna de líquido (nível do
     vaso), ou reduzir as perdas de carga na linha de sucção.


                                            PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                            217
FIGURA 126


                                            PRESSÃO DE VAPOR E NPSH



Pense e Anote
                                                  Pvap



                               Altura
                               da coluna
                               do líquido
                                                                      Ps
                                                                 h




                                     Ps = P vapor + P col líq – perdas de carga

                                                   Ps + Patm – Pvap            V2
                                     NPSHdisp =                            +      +h
                                                                               2g


                   Caso a bomba não esteja cavitando, passamos ao seguinte questiona-
                mento:


                A BOMBA ESTÁ ESCORVADA?
                A verificação pode ser feita com a bomba em funcionamento. Podemos
                abrir um pouco o vent da carcaça. Se vapores saírem, é sinal de que não
                temos apenas líquido no interior da bomba, o que reduzirá seu desempe-
                nho. As razões para isso podem ser:
                ✔A bomba pode não ter sido completamente cheia de líquido (escorva-
                   da) antes da partida.
                ✔Entrada de ar pelas juntas da linha de sucção ou pelas gaxetas (somen-
                   te no caso de bomba com pressão negativa na sucção).
                ✔A submersão da linha de sucção pode ser pequena, permitindo a for-
                   mação de vórtice e, conseqüentemente, entrada de ar ou de gases.
                ✔O líquido contém quantidade excessiva de gases dissolvidos.

                   Se tudo estiver correto, vamos ao passo seguinte.


                A ROTAÇÃO ESTÁ CORRETA?
                Sabemos que a vazão varia diretamente com a rotação e a AMT com o seu
                quadrado. Portanto, se a rotação estiver mais baixa, a bomba pode não
                atender ao processo. A solução, nesse caso, é ajustar a rotação. Caso não
                consigamos devido ao fato de a potência do acionador já ser a máxima,
                temos de diagnosticar se o problema é da bomba, que está exigindo mai-
                or potência ou do acionador, que apresenta alguma deficiência.

                         PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 218   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   A rotação pode ser medida por meio de tacômetros com fita de refle-
xão ou por meio de aparelhos de vibração que possuam filtros de freqüên-
cias. Podem também ser usados freqüencímetros de lâminas (tacômetros
de Frahm), muito empregadas nas turbinas mais antigas.
   Baixa rotação só ocorre em turbinas a vapor, motores de combustão
interna, ou com motores elétricos que possam ter sua rotação modifica-
da. Motores elétricos comuns trabalham sempre na rotação especificada,
ou próximo a ela, devido a um pequeno aumento da carga. Se não tive-
rem potência suficiente para trabalhar na rotação especificada, irão atuar
o sistema de proteção por alta corrente elétrica ou queimarão.


O PRODUTO ESTÁ COM SUAS ESPECIFICAÇÕES CORRETAS?
O aumento de viscosidade atua de dois modos negativos no desempenho
da bomba: aumenta a perda de carga nas linhas de sucção e de descarga,
exigindo da bomba para a mesma vazão AMT maior; e afeta negativamen-
te o desempenho da bomba, reduzindo a AMT, a vazão e o rendimento.
Portanto, não devemos desprezar sua importância no diagnóstico de pro-
blemas nas bombas que trabalham com líquidos viscosos.
   A alteração da temperatura de bombeamento é uma das principais res-
ponsáveis pela alteração da viscosidade. Quanto menor a temperatura,
maior a viscosidade. Quanto maior a viscosidade, menor a vazão e a pres-
são de descarga numa bomba centrífuga.
   A modificação da temperatura influencia também o peso específico (ou
a densidade) do produto. Na prática, para um mesmo produto, essas va-
riações de densidade costumam ser pequenas, a não ser em casos de gran-
des variações de temperaturas. Ocorrendo modificação do peso específi-
co ( ), temos alteração das pressões e da potência.
   A AMT (head) fornecida pela bomba centrífuga para uma determinada
vazão é sempre a mesma. Se o peso específico       for reduzido, a pressão
também será reduzida na mesma proporção.
   A potência também irá variar diretamente com o peso específico.


A BOMBA ESTÁ OPERANDO EM UM PONTO DA SUA
CURVA DE AMT X VAZÃO?
De posse da AMT e da vazão da bomba, podemos verificar se está traba-
lhando sobre sua curva original.
   Se a bomba estiver com folgas internas excessivas nos anéis de desgas-
te, nas buchas entre estágios ou, ainda, com o impelidor e/ou a carcaça
desgastada, ela terá seu desempenho alterado. Dependendo dessa altera-
ção, ela poderá não atender às necessidades do processo. A viscosidade
também altera a curva da bomba.
   Necessitamos, portanto, saber a vazão e a AMT da bomba e dispor de
sua curva para essa verificação. Grande parte das bombas usadas em refi-

                                          PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                          Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                          219
narias tem medidor de vazão. Caso ele não exista, analisar se é possível
          calcular a vazão pela variação do nível de um vaso ou tanque na sucção
          ou na descarga. Existe a possibilidade de obter a vazão por meio de medi-
Pense e   dores externos adaptados à linha.
Anote        A AMT pode ser calculada simplificadamente com um manômetro na
          sucção e outro na descarga.




                                                  10 x (Pd – Ps)
                                          AMT =



              AMT – Altura manométrica total em m
              Pd – Pressão de descarga em kg/cm2
              Ps – Pressão próxima ao flange de sucção em kg/cm2
                    – Peso específico do líquido na temperatura de bombeamento em
                        gf/cm3, valor que é numericamente igual à densidade




             Nem sempre a bomba dispõe de um manômetro na sucção. Nesse
          caso, podemos adaptar um dreno ou vent próximo da bomba. É desejá-
          vel ter uma válvula de bloqueio antes do manômetro, que pode servir
          para amortecer pulsações da pressão. Em último caso, normalmente no
          flange de sucção da bomba, costuma ter um orifício de 1/4”, que pode
          servir para adaptar o manômetro. Nessa região, costumam ocorrer pul-
          sações, o que dificulta a medição. Manômetros próximos de curvas ou
          de qualquer acidente, como válvulas, oscilam muito e falseiam as pres-
          sões lidas.
             Se os manômetros estiverem muito afastados da linha de centro da
          bomba, corrigir os valores da pressão.
             Quando não dispomos de indicação de vazão, é usual levantar a
          AMT com vazão nula (shutoff). Cuidados devem ser tomados com a
          duração do teste devido à possibilidade de vaporização do líquido
          bombeado.
             Comparamos o ponto de AMT levantado com o da curva da bomba para
          a mesma vazão. Se o desvio for pequeno, a bomba está boa. O problema
          então deve ser do sistema ou do líquido bombeado. Anteriormente, pelo
          roteiro, já verificamos o NPSH, a escorva, a rotação e as condições do pro-
          duto (a densidade e a viscosidade), estando todos dentro dos valores con-
          siderados normais.
             Caso o ponto levantado esteja fora da curva da bomba, o problema é
          da bomba. Na maioria das vezes, ela necessita ser aberta para verificar
          internamente qual é o problema.

                  PETROBRAS     ABASTECIMENTO
           220   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
VERIFICAR SE A POTÊNCIA ESTÁ SOBRE A CURVA
Essa verificação é feita para complementar o diagnóstico.
   Quando a bomba é acionada por motor elétrico, podemos avaliar gros-
seiramente a sua potência, medindo a sua corrente e comparando-a com
a da plaqueta, usando uma proporcionalidade. Se a corrente estiver aci-
ma de 80% da nominal do motor, o erro será pequeno. Caso queiramos
saber a potência do motor elétrico com mais precisão, teremos de obter,
além da corrente, a voltagem real, o fator de potência e o rendimento do
motor. Os setores de elétrica possuem aparelhos que permitem esses le-
vantamentos. O rendimento do motor tem de ser tirado de uma tabela
ou de uma curva do fabricante.
   A potência fornecida por um motor elétrico é dada por:




                                       3 x V x I x x FP           Para sistemas trifásicos
                              Pot =
                                            745,7


    Pot      – Potência em hp
    V        – Voltagem em V
    I        – Corrente em A
    FP       – Fator de potência
             – Rendimento do motor. Ex.: 90% – usar 0,90
    745,7 – Fator de conversão de Watt para hp



   Segue uma tabela de motores da WEG com exemplos de alguns valores
de rendimento e FP para motores de 2 pólos e 60Hz (~3.550rpm), com
220V, trifásicos com grau de proteção IP55. Esses valores variam confor-
me o fabricante e o tipo de motor. Embora a tabela seja para 220V, os
valores são válidos para 440V também.
                                            TABELA 27


      RENDIMENTO E FATOR DE POTÊNCIA DOS MOTORES ELÉTRICOS

 Potência (cv)               Rendimento %                    Fator de potência (cos )
                 50% carga    75% carga 100% carga 50% carga          75% carga 100% carga

       25          89,5         90,5          90,5         0,78          0,85        0,88

       50          89           91,1          92,2         0,86          0,88        0,90

       75          89           91,3          92,5         0,85          0,88        0,90

     100           90           92,1          93,1         0,85          0,90        0,91

     150           89           91,4          92,7         0,82          0,86        0,88



                                                        PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                                        Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                        221
Caso o acionador seja uma turbina a vapor, a avaliação da potência é
          mais difícil, a não ser que tenhamos a curva de potência x consumo de va-
          por e a medição da vazão do vapor consumido. No caso de turbina acionan-
Pense e   do bombas, dificilmente dispomos desse dado. O que podemos verificar é
Anote     se a potência máxima já foi atingida, tentando aumentar a rotação.
             Os acionadores costumam ter uma folga de potência em relação à ne-
          cessária para a bomba. Para motores elétricos, o API 610 recomenda:


                                     Pot < 30hp        –   125%
                                     25 < Pot < 75hp   –   115%
                                     Pot > 75hp        –   110%



             Se a bomba estiver consumindo mais potência para a vazão indicada,
          é porque o rendimento dela caiu, ou seja, está com algum problema in-
          terno. Essa afirmação só deve ser feita depois de eliminarmos as hipóte-
          ses anteriores.



          Bombas que apresentam vibração
          e/ou ruído
          A vibração numa bomba centrífuga, geralmente, é ocasionada por um dos
          seguintes fatores:
             Desalinhamento entre a bomba e o acionador.
             Desbalanceamento dinâmico do conjunto rotativo ou do acoplamento.
             Problemas de tensão provocada pelas linhas de sucção e descarga.
             Tubulação próxima à bomba não apoiada corretamente nos suportes.
             “Pé manco” (apoio desigual) do motor ou da bomba.
             Pés do motor ou da bomba não apertados adequadamente.
             Chumbadores da base soltos.
             Base não grauteada adequadamente.
             Roçamento interno.
             Cavitação.
             Vazão abaixo da de fluxo mínimo estável (recirculação interna).
             Distância da periferia do impelidor para a lingüeta da voluta ou para
             difusor não adequada.
             Mancal de deslizamento com folga alta.
             Mancal de rolamento com desgaste.
             Folgas internas altas.
             Impelidor com um canal obstruído (desbalanceamento hidráulico).


             Para verificar qual dessas causas ocasiona a vibração, podemos reali-
          zar uma análise de vibração, determinando as freqüências envolvidas.

                  PETROBRAS    ABASTECIMENTO
           222   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Desalinhamento entre a bomba e o acionador
É uma das principais causas da vibração, juntamente com o desbalancea-
mento. Para diagnosticar se o problema é de desalinhamento, levantar as
freqüências da vibração. O desalinhamento pode causar vibração nas fre-
qüências de 1N, 2N, 3N, 4N e 6N. As mais usuais são 1 e 2N, onde N é a
freqüência de rotação. Quando a freqüência predominante é de 2N, a cau-
sa mais provável é desalinhamento.
   Testes efetuados em laboratório mostraram não ser verdadeira a afir-
mação de que desalinhamentos angulares se manifestam mais como vi-
bração axial e de que desalinhamentos paralelos se manifestam mais
como vibração radial.
   Esses testes também mostraram que desalinhamento vertical afeta a
vibração horizontal e vice-versa. Esse estudo mostrou as seguintes freqüên-
cias como as mais prováveis para diagnosticar desalinhamentos em fun-
ção do tipo de acoplamento:
                                        TABELA 28


 FREQÜÊNCIA DE VIBRAÇÃO PARA DIFERENTES TIPOS DE ACOPLAMENTOS

           Tipo do                Resposta da vibração       Melhor freqüência indicativa
         acoplamento               ao desalinhamento             do desalinhamento
  Grade (Falk)                             Boa                           4N

  Garras com elastômero                    Boa                           3N
  (Lovejoy)

  Pneu (Ômega da Rexnord)             Boa na vertical                    2N
                                    Pobre na horizontal                  2N

  Engrenagem de borracha                  Pobre                          6N
  (Woods)


  Lâminas (Thomas)                     Muito pobre                       6N


  N – rotação da máquina.
  Não foi realizado teste com acoplamento de engrenagens metálico.




   A classificação de boa resposta à vibração significa que a amplitude de
vibração aumentava com o aumento do desalinhamento angular, ou com
o paralelo. O de melhor resposta foi o de grade, e o de pior resposta foi o
de lâminas.



Desbalanceamento dinâmico
É uma das principais causas de vibração em equipamentos mecânicos.
No desbalanceamento, a freqüência radial é de 1N porque a força centrí-
fuga, responsável pela vibração, ocorre na freqüência de rotação. Quan-
do essa vibração é muito alta, provoca também vibração axial, podendo

                                                     PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                     Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                     223
ser confundida com desalinhamento. O desbalanceamento dinâmico é
                causado por uma distribuição desigual de massa, oriunda de desgastes
                ou de roçamentos. Algumas vezes, um balanceamento realizado no cam-
                po no acoplamento pode reduzir a vibração, prolongando por algum
                tempo a vida da bomba, mas, na maioria das vezes, é necessário abrir a
Pense e Anote   bomba para correção.



                Tensão nos flanges da bomba provocada pelas
                linhas de sucção ou de descarga
                Esse tipo de esforço nos flanges da bomba, quando elevados, provo-
                cam uma torção na carcaça, causando o desalinhamento entre os seus
                mancais. Quando exagerada, essa tensão pode até causar roçamento
                interno.
                   O projeto da bomba em si, dos pedestais e das bases são os responsá-
                veis pela limitação das deformações. A norma API 610 e os fabricantes das
                bombas fixam os valores dos esforços máximos que a tubulação pode trans-
                mitir para a bomba.
                   A verificação da tensão pode ser feita com auxílio de dois relógios com-
                paradores colocados no flange do acoplamento, um na vertical e outro na
                horizontal. Ver Figura 127.
                   Zerar os relógios com os flanges soltos.
                   Apertar o flange de sucção e anotar as leituras dos relógios.
                   Tornar a zerar os relógios e repetir a operação de aperto no flange de
                descarga.
                   O ideal é que no aperto de cada flange as leituras não ultrapassem
                0,05mm.
                                                       FIGURA 127


                                      MEDIDA DA TENSÃO DOS FLANGES




                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 224   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Geralmente o problema maior costuma ser na tubulação de sucção
por esta possuir um diâmetro maior do que o de descarga. A tensão
ocasionada pelas tubulações em bombas que trabalham com produtos
quentes é mais crítica do que a de serviço frio devido à dilatação das
linhas ao se aquecerem.



Tubulação com suporte não apoiado
Quando a tubulação não está bem apoiada nos suportes próximos à
bomba, poderá ocasionar tensão nos flanges da bomba e gerar vibra-
ção. Mesmo que o suporte esteja afastado da bomba, a linha pode vi-
brar e transmitir para a bomba. Nesses casos, a freqüência de vibra-
ção costuma ser bem baixa. A solução é inspecionar as linhas, verifi-
cando se elas estão encostando nos suportes. Nos suportes com mo-
las, teremos de ver se eles estão com a mesma tensão que foi especi-
ficada no projeto.



Pé manco (apoio desigual)
Pé manco ocorre quando os pés de uma máquina não estão no mesmo
plano e/ou as placas da base é que não estão no mesmo plano. Quando
isso ocorre, ao apertar os parafusos de fixação, torcemos o pedestal da
máquina, desalinhando-a. É mais freqüente aparecer em motores elétri-
cos. Durante o alinhamento das máquinas, é usual sua verificação. Colo-
ca-se um relógio comparador sobre o pedestal e compara-se a indicação
do relógio com ele solto e apertado. A variação de leitura deve ser infe-
rior a 0,05mm.



Pés do motor ou da bomba não apertados
adequadamente
Não é muito comum, a não ser nos casos de vibração muito elevada que
podem levar ao afrouxamento dos parafusos de fixação das máquinas. Pode
ser verificado facilmente com auxílio de uma chave nos parafusos.



Chumbadores soltos
Os chumbadores soltos costumam ocorrer em bombas que ficam muito
tempo submetidas a vibrações altas. Nesse caso, o chumbador pode se
soltar da base. Se ocorrer, deve ser removido e reinstalado com auxílio
de massa epóxi, que é apropriada para melhorar sua fixação. A vibração
deve ser diagnosticada e corrigida para evitar a repetição do problema
com o chumbador.

                                          PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                          Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                          225
Base inadequadamente grauteada
          A importância do grauteamento bem feito é fundamental para o resul-
          tado de baixas vibrações na bomba. Ele é o responsável por garantir a
Pense e   união da base metálica da bomba à base de concreto e pelo aumento
Anote     da rigidez da base metálica. Como o bloco de concreto pesa cerca de 5
          vezes mais que a bomba, é fácil perceber a redução de vibração para
          uma mesma força perturbadora que essa união pode provocar.
             Batendo-se com um pequeno martelo na base metálica, pode-se iden-
          tificar se existem pontos vazios. A chapa no local do vazio deve receber
          dois furos nas suas extremidades, um deles para colocar a massa epóxi e
          o outro para sair o ar, mesmo que o graute original seja de cimento.
             Quando o graute está muito danificado, a base metálica deve ser re-
          movida e refeito o grauteamento. Existem cimentos próprios para graute,
          mas o epóxi é considerado superior, embora mais caro. A norma API 610
          sugere a adoção de epóxi para grauteamento, no lugar de cimento, para
          melhorar a aderência entre a base metálica e a fundação.



          Roçamento interno
          O roçamento interno ocorre geralmente nas partes de menor folga, como
          anéis de desgaste e buchas. Pode ser ocasionado por má qualidade da
          centralização das peças (guias), tensões exageradas nos flanges, vibrações
          excessivas, uso de folgas inadequadas, ou por objetos estranhos no inte-
          rior da bomba. As freqüências da vibração costumam ser diversas devido
          ao efeito da excitação das velocidades críticas. Nem sempre o ruído cau-
          sado pelo roçamento é audível. Os roçamentos severos provocam desba-
          lanceamento, o que somado com o aumento das folgas, que reduzem o
          efeito de sustentação, fazem com que a vibração cresça bastante. Como o
          roçamento causa aquecimento localizado, uma termografia da bomba pode
          indicar o local do roçamento se o mesmo for severo e próximo da carcaça.



          Cavitação clássica
          Ocorre quando temos o NPSH disponível inferior ao requerido. O ru-
          ído é característico (como se estivesse bombeando pedras). Costuma
          gerar vibrações altas juntamente com o ruído e oscilações nas pres-
          sões. A vibração aparece numa ampla faixa de freqüências. É usual
          excitar as freqüências naturais e diversas outras freqüências. Alguns
          autores afirmam que o espectro mostra uma ampla faixa próxima de
          2.000Hz. Muitas vezes a cavitação clássica é confundida com recircu-
          lação interna, também uma forma de cavitação. Os manômetros, tanto
          de sucção quanto de descarga, ficam oscilando. Ver o item seguinte
          sobre fluxo mínimo.

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           226   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Fluxo abaixo do mínimo estável
(recirculação interna)
Ocorre quando estamos trabalhando com vazões baixas.
   O fenômeno é muito parecido com a cavitação e com a entrada de gases.
Um dos modos de distinguir qual dos problemas está ocorrendo é alterar
a vazão em pelo menos 10%.


AUMENTO DA VAZÃO DA BOMBA
   Se o problema for de fluxo mínimo, a vibração e o ruído diminuirão.
   Se o problema for de cavitação clássica, a vibração e o ruído aumen-
   tarão.
   Se não alterar a vibração e o ruído, o problema pode ser de entrada de
   gases.



REDUÇÃO DA VAZÃO DA BOMBA
   Se o problema for de fluxo mínimo, a vibração e o ruído aumentarão.
   Se o problema for de cavitação clássica, a vibração e o ruído dimi-
   nuirão.
   Se não alterar a vibração e o ruído, o problema pode ser de entrada de
   gases.


   Ao tentar provocar a alteração de vazão para o teste, devemos ter cer-
teza de que a vazão variou. Muitas vezes, ao atuar na válvula de descarga,
fechando-a parcialmente para esse fim, a válvula de controle abre mais,
mantendo a mesma vazão anterior.
   A recirculação interna gera vibrações na freqüência de passagem das
pás e em baixas freqüências, em torno de 5Hz (300CPM). As freqüências
naturais da bomba também são excitadas.
   De uma maneira geral, podemos dizer que a cavitação clássica é
um fenômeno que aparece com altas vazões e a recirculação interna,
com baixas vazões da bomba (embora existam bombas que com 75%
da vazão do BEP já estejam recirculando).
   A solução para o problema de recirculação interna é aumentar a va-
zão. Existem válvulas denominadas “válvulas de fluxo mínimo” que ga-
rantem que a bomba sempre trabalhará acima dessa vazão crítica. Quan-
do o sistema está com a vazão normal, o ramal de fluxo mínimo fica
fechado (Figura 128). Se a vazão começar a cair, a ponto de causar pro-
blema de recirculação interna, a válvula abre uma passagem e começa
a complementar a vazão do sistema (Figura 128B). Se o sistema não
tiver vazão nenhuma, a válvula de fluxo mínimo irá abrir o suficiente
para garantir a operação da bomba acima da vazão mínima, como pode
ser verificado na Figura 128A.

                                          PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                          Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                          227
FIGURA 128


                                         VÁLVULA DE FLUXO MÍNIMO
Pense e
Anote




                  Fluxo principal             Fluxo principal             Recirculação
                     fechado                  e recirculação                fechada

                        A                           B                         C




          Distância mínima do impelidor
          As pás do impelidor, quando passam muito próximas da lingüeta da volu-
          ta, geram um pulso que se transforma em vibração. O mesmo ocorre
          quando a distância das pás para o difusor também é pequena. Nas bom-
          bas ditas de alta energia (potência por estágio maior do que 300hp ou AMT
          maior do que 200m), esta vibração pode ser bastante acentuada.
             Quando surgir vibração com a freqüência igual ao número de pás do
          impelidor x rotação, é conveniente verificar se a folga radial é superior à
          mínima recomendada, dada pela fórmula a seguir:
                                                 FIGURA 129


                                  FOLGA MÍNIMA EXTERNA
                        DO IMPELIDOR COM A VOLUTA E COM O DIFUSOR




                                                                R3
                                R3
                                    R2                               R2




                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           228   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
       R2 – Raio da pá do impelidor (não é o raio das laterais do impelidor).
       R3 – Raio da voluta na região da lingüeta, ou raio interno do difusor.



                                            (R3 – R2) x 100
                       Folga mínima % =
                                                   R2



   Para bomba com voluta – folga mín. > 6 %
   Para bomba com difusor – folga mín. > 3%

 PROBLEMA 12

Uma bomba com impelidor de 300mm trabalha com um raio de 160mm na
lingüeta. Calcular se podemos ter problemas de freqüência de passagem das
pás do impelidor.


                              Dados:
                              R3 = 160mm
                              R2 = 300/2 = 150mm




                       (R3 – R2) x 100 (160 – 150) x 100 1.000
  Folga mínima % =                    =                 =      = 6,25%
                             R2               160         160



   Como estamos com mais de 6% de folga, não devemos ter problemas.
   O raio R3 nas bombas bipartidas e nas com difusor é fácil de ser medi-
do. Nas bombas OH é um pouco complicado porque temos de determinar
a linha de centro do eixo da bomba na voluta. Num torno, fica fácil, basta
centrar pela guia da carcaça, que possui a mesma linha de centro do eixo.
   Exemplificando, uma bomba com impelidor de cinco pás, girando a
3.550rpm, terá freqüência de vibração de:


        Freqüência de vibração = número de pás x rotação =
    = 5 x 3.550 = 17.750CPM = 17.750/60 = 296CPS ou Hz ou 5N.



   Para aumentar a distância e solucionar o problema, usinar internamente
o difusor ou esmerilhar um pouco a lingüeta da voluta. A redução do diâ-
metro do impelidor seria uma outra solução, desde que não comprome-
tesse o desempenho da bomba.

                                                 PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                                 Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                 229
A freqüência correspondente à passagem das pás ocorre também quan-
                     do temos recirculação interna na descarga e cavitação clássica.



                     Folga alta do mancal de deslizamento
Pense e Anote        Todo mancal de deslizamento possui uma folga mínima e uma máxima de
                     projeto. Quanto menor essa folga, menor a vibração da bomba. A folga míni-
                     ma é para garantir uma vazão mínima de óleo necessária para retirar o calor
                     gerado. Quando ultrapassamos a folga máxima, o mancal deixa de cumprir
                     sua função adequadamente, permitindo que a bomba vibre. Na falta da folga
                     do fabricante, usar os valores recomendados no item Dados Práticos.



                     Mancais de rolamentos com danos
                     Quando estão danificados, os rolamentos apresentam vibração cuja freqüên-
                     cia varia de acordo com a parte danificada: pista interna, pista externa, gaiola
                     ou esferas. Os programas que acompanham os coletores de dados costumam
                     disponibilizar estas freqüências.
                                                              FIGURA 130


                                              ROLAMENTO DE CONTATO ANGULAR


                n – Número de esferas ou rolos           Ângulo de contato
                fR – Rotação por segundo                                     Diâmetro
                  – Ângulo de contato da esfera                              da esfera (BD)
                BD – Diâmetro da esfera
                PD – Diâmetro do círculo das esferas




                                                                             Pitch
                                                                             Diâmetro (PD)




                         As partes danificadas também podem ser identificadas pelas fórmulas:


                     Defeito na pista externa


                                                              n         BD
                                                   f (Hz) =     fR (1 –    cos )
                                                              2         PD


                               PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                      230    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Defeito na pista interna


                                      n         BD
                           f (Hz) =     fR (1 +    cos )
                                      2         PD



Defeito na esfera



                                       [(                    )]
                                                               2
                                n               BD
                    f (Hz) =          fR   1–         cos )
                                2               PD



   Se o rolamento não for de contato angular, o ângulo                   é zero.


   Quando os danos dos rolamentos já estão acentuados, a vibração ocorre
também na freqüência de rotação.



Folgas internas altas
Quando os anéis de desgaste ou as buchas ficam com folgas altas, essas
partes deixam de funcionar como mancais auxiliares, aumentando em
muito a vibração. As bombas com dois estágios em balanço são bastante
suscetíveis a esse tipo de vibração, mesmo quando o aumento das folgas
é pequeno.



Impelidor com canal obstruído
Se o impelidor tiver um dos canais obstruídos, seja por uma falha de fundi-
ção, seja pela entrada de algum corpo estranho que fique preso na sua en-
trada, ao girar, esse canal ficará parcial ou totalmente vazio de líquido, de-
pendendo do grau de obstrução. Isso resultará em uma distribuição de massa
irregular no impelidor (desbalanceamento dinâmico), causando vibrações
elevadas na freqüência de 1N. Em impelidores pequenos, a visualização dessa
obstrução pode ser difícil. Caso tenha dúvidas, passe um arame por dentro
de cada canal, ou examine-os com o auxílio de uma lanterna. Neste caso, a
verificação do balanceamento na balanceadora não resolverá o problema,
uma vez que só irá aparecer quando estiver com líquido.



Bombas que estão exigindo potência
acima da esperada
As causas mais freqüentes de bombas com potência acima da esperada
estão listadas a seguir:

                                                 PETROBRAS         ABASTECIMENTO
                                                     Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                     231
Vazão mais elevada do que a de projeto
          A curva de potência de uma bomba centrífuga radial cresce com a vazão.
          Portanto, se a vazão estiver acima da especificada, a bomba exigirá po-
Pense e   tência maior.
Anote        Na bomba de fluxo axial a potência cai com a vazão, e na de fluxo mis-
          to a potência tende a se estabilizar nas vazões mais altas; portanto, não
          deverá ocorre exigência de potências excessivas.



          Anéis de desgaste ou buchas folgadas
          Com as folgas maiores, teremos uma quantidade maior de líquido pas-
          sando da descarga para a sucção, ou de um estágio para outro nas bom-
          bas multi-estágios. Essa vazão adicional consome uma potência adicional.



          Roçamento severo
          O atrito provocado pelo roçamento consome uma potência adicional.
          Quando ocorre roçamento, as vibrações ficam instáveis.



          Aumento da viscosidade
          Com o aumento da viscosidade, o rendimento da bomba cai, aumentando a
          potência consumida para fornecimento de uma mesma vazão.



          Aumento do peso específico (densidade)
          A potência varia linearmente com a densidade (ou peso específico    ).


                                                 QxHx
                                        Pot =
                                                 274 x




          Desgaste interno
          O desgaste do impelidor ou da carcaça reduz o rendimento da bomba, ele-
          vando a potência consumida.



          Aumento da rotação
          Só pode ocorrer no caso de acionadores de velocidade variável.
             A potência varia com o cubo da rotação. Portanto, uma variação de 5%
          na rotação aumenta em quase 16% a potência (1,053= 1,16). Nesse caso,
          a vazão também deveria ter sido alterada com a rotação.

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           232   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Bombas que apresentam aquecimento
no mancal
As principais causas de aquecimento dos mancais são:
✔Rolamentos danificados.
✔Contaminantes no óleo, principalmente água.
✔Desalinhamento entre os mancais da bomba, ou entre o eixo da bom-
   ba e do acionador.
✔Forças hidráulicas radiais, ou axiais elevadas.
✔Nível alto de óleo nos rolamentos.
✔Quantidade de óleo insuficiente chegando aos mancais.
✔Óleo com viscosidade inadequada.
✔Graxa em excesso na caixa de mancais.
✔Carga demasiadamente baixa no rolamento.
✔Bomba operando com alta vibração.
✔Tolerâncias do eixo ou da caixa fora do recomendado.
✔Linha de sucção não adequada no caso de bombas de dupla sucção,
   que irão gerar esforços axiais elevados (ver Figura 154).


   As razões anteriores são óbvias. O aumento dos esforços, ou do coefi-
ciente de atrito, irá aumentar a geração de calor, elevando, conseqüente-
mente, a temperatura dos mancais.
   Se a quantidade de óleo que chega aos mancais for inadequada, o óleo
e os mancais aquecerão porque será retirado menos calor do que o gera-
do. Se o nível de óleo estiver alto, as esferas do rolamento passam a bom-
bear uma quantidade maior de óleo, aquecendo-o mais. Portanto, o óleo
deve ser na quantidade adequada em função do sistema de lubrificação
que está sendo usado. Quando a lubrificação é por névoa, o tamanho das
partículas de óleo garante a lubrificação, mas mesmo assim elas devem
estar dosadas na quantidade adequada.
   Os rolamentos radiais de esferas com folga interna maior do que a
normal reduzem a temperatura de trabalho da caixa de mancal. Por outro
lado, devido à sua folga maior, aumentam ligeiramente a vibração.
   Quanto maior a temperatura, mais rápida a oxidação do óleo. A oxida-
ção dá origem a lamas, gomas e vernizes. Quanto mais oxidado, mais escu-
ro o óleo. Quanto mais frio o óleo, maior a sua vida. Ver Figuras 120 e 121.
   A norma API 610 limita a temperatura do óleo lubrificante nos man-
cais, com anel pescador ou com anel salpicador, em 82ºC ou 40ºC acima
da temperatura ambiente. Se a temperatura ambiente for de 30ºC, a tem-
peratura máxima do óleo será de 70ºC.
   Quando o rolamento trabalha sem carga ou com carga baixa, as esfe-
ras tendem a deslizar em vez de rolar. Isso provoca o rompimento do fil-
me de óleo, levando a esfera a ter contato com a pista, o que aquece e
encurta a vida do rolamento.

                                           PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                           Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                           233
Bombas que apresentam pressão elevada na sucção são sempre candi-
          datas a elevados esforços axiais e, conseqüentemente, altas temperaturas
          nos mancais. Alterando o diâmetro dos anéis de desgaste, podemos redu-
Pense e   zir o esforço axial e reduzir a temperatura, desde que seja o empuxo axial
Anote     o responsável pelo aquecimento.
             As bombas de carcaça que operam com simples voluta e fora da vazão
          de projeto (BEP) também podem ter problemas de temperatura nos man-
          cais devido ao aumento dos esforços radiais.
             As bombas que utilizam impelidor com dupla sucção, caso tenham
          uma curva na tubulação de sucção próxima à bomba, devem ter essa cur-
          va perpendicular ao eixo. Se a curva ficar paralela ao eixo, a força centrífu-
          ga fará com que o líquido preferencialmente vá mais para o lado externo,
          o que provoca diferença de vazões em cada lado do impelidor, afetando o
          balanceamento axial (Figura 145). Algumas vezes, esse esforço axial é tão
          grande que dá para observar visualmente a movimentação de alguns mi-
          límetros do eixo da bomba, juntamente com seu mancal.



          Bombas com vazamentos
          O vazamento, se visível, é facilmente identificado.




                   O local mais comum de ocorrer vazamento do produto
                   é pela selagem. Podemos também ter vazamento pela junta
                   da carcaça, embora menos comum.
                   Na selagem por gaxetas, é normal um pequeno vazamento.
                   Esse vazamento serve para lubrificar e refrigerar as gaxetas.
                   Nos selos mecânicos, o local mais comum de vazamento
                   é pelas sedes. Quando o vazamento é entre a luva e o eixo,
                   se a luva prolongar-se além da sobreposta, como ocorre nos
                   selos tipo cartucho, fica fácil sua determinação.
                   Uma vez iniciado o vazamento do selo mecânico, raramente
                   este volta a ficar estanque. A exceção fica por conta de
                   alguns produtos leves que, durante a partida, vazam um
                   pouco e, posteriormente, as sedes se acomodam, ou o
                   processo passa a trabalhar em condições mais favoráveis e
                   o vazamento cessa.
                   Temos também alguns selos que começam a vazar e
                   estabilizam o vazamento, trabalhando muito tempo sem
                   evolução. Quando o vazamento vai aumentando
                   progressivamente, temos de abrir o selo para reparo.



                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           234   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Dados práticos
Apresentamos a seguir algumas recomendações relativas à manutenção
das bombas.



Folgas e excentricidades permitidas
Na montagem de uma bomba horizontal em balanço (OH1 e OH2), sem-
pre que possível, monte a caixa de selagem na caixa de mancais com o
eixo na posição vertical. Vale o mesmo para a montagem da carcaça. Mon-
tando na posição horizontal, as folgas das guias ficarão sempre do mes-
mo lado, facilitando um possível roçamento.




          A RPBC (Refinaria Presidente Bernardes – Cubatão)
          recomenda os seguintes ajustes de montagem:

                                         TABELA 29


                       TOLERÂNCIAS RECOMENDADAS

                               Local                          Ajuste
              Acoplamento/eixo                                H7 / j6

              Impelidor/eixo                                  H7 /g6

              Luva do eixo (selo)/eixo                        H7 / g6

              Luva espaçadora/eixo                            H7 / g6
              Rolamento/eixo                                   – / k6

              Alojamento rolamento/rolamento                   H6 / –

              Guia da carcaça/caixa de selagem                H7 / f7

              Guia caixa selagem/caixa de mancais             H7 / f7

              Anéis de desgaste do impelidor/carcaça           H6 / –




                 As tolerâncias dos diâmetros internos são
                 dadas por letras maiúsculas, e as do diâmetro
                 externo por letras minúsculas.



                                                     PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                     Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                     235
TABELA 30


                        AJUSTES ISO UTILIZADOS EM BOMBAS – VALORES EM                        m

                 Diâmetro (mm)              H6       H7      f7       g6    h6    j6    k6       m6
                  >10 a 18       Máx.       +11     +18     –16       –6     0    +8    +12      +18
Pense e Anote                    Mín.        0       0      –34       –17   –11   –3    +1       +7

                  >18 a 30       Máx.       +30     +21     –20       –7     0    +9    +15      +21

                                 Mín.        0       0      –41       –20   –13   –4    +2       +8

                  >30 a 50       Máx.       +16     +25     –25       –9     0    +11   +18      +25

                                 Mín.        0       0      –50       –25   –16   –5    +2       +9

                  >50 a 80       Máx.       +19     +30     –30       –10    0    +12   +21      +30

                                 Mín.        0       0      –60       –29   –19   –7    +2       +11

                  >80 a 120      Máx.       +22     +35     –36       –12    0    +13   +25      +35

                                 Mín.        0       0      –71       –34   –22   –9    +3       +13

                  >120 a 180     Máx.       +25     +40     –43       –14    0    +14   +28      +40

                                 Mín.        0       0      –83       –39   –25   –11   +3       +15

                  >180 a 250     Máx.       +29     +46     –50       –15    0    +16   +33      +46

                                 Mín.        0       0      –96       –44   –29   –13   +4       +17

                  >250 a 315     Máx.       +32     +52     –56       –17    0    +16   +36      +52

                                 Mín.        0       0      –108      –49   –32   –16   +4       +20

                  >315 a 400     Máx.       +36     +57     –62       –18    0    +18   +40      +57

                                 Mín.        0       0      –119      –54   –36   –18   +4       +21

                  >400 a 500     Máx.       +40     +63     –68       –20    0    +20   +45      +63

                                 Mín.        0       0      –131      –60   –40   –20   +5       +23



                 PROBLEMA 13

                Que diâmetro devemos usar em um eixo com um rolamento de 49,999mm
                de diâmetro interno?


                   Pela Tabela 29 – ajuste recomendado entre eixo/rolamento – k6.
                   Da Tabela 30, para k6:

                                                  Diâmetros > 30 a 50mm

                   temos
                                                  Máx. + 18 e Mín. + 2


                   O diâmetro do eixo deverá ficar entre:

                    49,999 + 0,018 e 49,999 + 0,002         ➜      Máx. = 50,017 e Mín. = 50,00mm



                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 236   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
 PROBLEMA 14

Que valor devemos adotar para diâmetro interno da luva se o eixo possui
75mm diâmetro?


    Pela Tabela 29 – ajuste recomendado entre “luva do eixo/eixo” é de H7/g6
    Da Tabela 30, para H7:


                                 Diâmetros > 50 a 80mm


                   Máx. + 30 e Mín. 0             ➜    75,000 a 75,030mm




   A norma API 610 recomenda as seguintes excentricidades (runout) para
bombas centrífugas:
1. Para bombas apoiadas entre mancais BB:
                                          TABELA 31


    EXCENTRICIDADES LTI DE BOMBAS BB RECOMENDADAS PELO API

  Fator de flexibilidade F = L 4/D 2 em mm2            >1 ,9 x 109                 1 ,9 x 10 9

  Excentricidade do eixo permitida LTI        m             40                       25

  Componente no eixo com                          Folga      Interferência   Folga     Interferência

  Excentricidade das peças LTI     m                  90          60          75            50

  L em mm – é a distância entre os mancais das bombas BB.
  D em mm – é o diâmetro do eixo na região do impelidor da bomba BB.
  A excentricidade das peças é para o cubo do impelidor, para o tambor de balanceamento e
  para as luvas.




   Os fabricantes de selos mecânicos recomendam que a leitura total in-
dicada (LTI) do relógio sobre a luva do selo seja inferior a 0,05mm.




                   O API permite para bombas BB com
                   eixos rígidos

                   (F < 1,9 x 109) as excentricidades de 0,05mm
                   para peças montadas no eixo com interferência
                   e 0,075mm para peças montadas com folga



                                                           PETROBRAS     ABASTECIMENTO
                                                           Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                                 237
PROBLEMA 15

          Qual deve ser a excentricidade máxima recomendada pelo API para um
          conjunto rotativo de uma bomba tipo BB cujas peças são montadas com
Pense e   interferência? O eixo é de 60mm de diâmetro e tem a distância entre man-
Anote     cais de 1.500mm.



                   Fator de
                                   L4   1.500 4   5,0625 12
                   flexibilidade =    =         =           = 1,406 x 109 < 1,9 x 109
                                   D2    60 2      3.600



                Coluna da direita da Tabela 31.


                Para montagem com interferência, a excentricidade máxima é de


                                 Eixo < 0,025mm               Peças < 0,05mm



          2. Para o eixo das bombas verticais, da VS-1 até a VS-7, o API recomenda
                que a excentricidade máxima seja de 40 m por metro de comprimen-
                to do eixo até o máximo de 80 m de LTI.
                A face do acoplamento das bombas verticalmente suspensas deve ficar
          perpendicular ao eixo com 0,1 m /mm de diâmetro da face, ou com 13 m,
          valendo o que for maior.
                Para acionadores verticais a norma API recomenda:
                                                     FIGURA 131


                               CONCENTRICIDADES, EXCENTRICIDADES E
                            PERPENDICULARIDADES DO ACIONADOR VERTICAL

                                             LTI – Leitura total indicada



                        1    2



                                                3
                                         4                                     5



           1. Planicidade da face de apoio do acionador e perpendicularidade
                em relação ao eixo                                                 máx. 0,025mm LTI
           2.   Concentricidade entre eixo e a guia do suporte do acionador        máx. 0,100mm LTI
           3.   Excentricidade máxima com o rotor girando livremente               máx. 0,025mm LTI
           4.   Passeio axial máximo                                               máx. 0,125mm LTI
           5.   Perpendicularismo do eixo com cubo do acoplamento                  0,1 m/mm ou 13 m
                (vale o maior dos dois)


                     PETROBRAS    ABASTECIMENTO
           238     Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
3. Para todas as bombas na caixa de selagem
                                  FIGURA 132


             CONCENTRICIDADE E PERPENDICULARIDADE
                     DA CAIXA DE SELAGEM



                                              1




                       Concentricidade diâmetro externo
                                LTI < 0,125mm




                                          2




                       Concentricidade diâmetro interno
                                LTI < 0,125mm




                                              3




                          Perpendicularidade da face
                                LTI < 0,125mm



              Se a sobreposta for guiada externamente, medir em 1.
              Se for guiada internamente, medir em 2.




                                                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                  Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                  239
A RPBC utiliza as folgas e excentricidades da Figura 133 para bombas OH.
                                                     FIGURA 133


Pense e                  EXCENTRICIDADE E FOLGAS MÁXIMAS USADAS
                                NA RPBC PARA BOMBAS OH
Anote
                         1
                                    2
                                                                           4




                                        3

                                        1 = 0,07mm        3 = 0,05mm
                                        2 = 0,07mm        4 = 0,05mm




                              Passeio
                                                     8
                              radial
                                                                       6
                                                                                 Passeio
                                                                               7 axial




                          5
                                        5 = 0,03mm        7 = 0,01 a 0,10mm
                                        6 = 0,03mm        8 = 0,07mm




             As concentricidades e os empenos dos eixos devem ser limitados aos
          valores anteriormente mencionados. O melhor modo de verificá-los é
          colocar o rotor apoiado pela região dos mancais em blocos em V ou sobre
          roletes, como os usados em máquinas de balanceamento. O torno não é
          um bom lugar devido ao problema de centralização.
             Os ressaltos do eixo, no qual os rolamentos se apóiam, devem ser per-
          pendiculares ao eixo e com um raio de concordância menor do que o do
          rolamento para garantir que ocorra o encosto no ressalto. A altura desse
          ressalto deve se situar entre um mínimo para dar uma boa área de apoio
          ao rolamento e um máximo, que permita a aplicação de dispositivos ex-
          tratores dos rolamentos. Os catálogos dos rolamentos publicam os raios
          e as alturas dos ressaltos recomendados para os eixos.

                  PETROBRAS      ABASTECIMENTO
           240   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                           FIGURA 134


                 REGIÃO DO ENCOSTO DOS ROLAMENTOS NO EIXO



                                         Pista externa
                                         do rolamento
      Eixo


                                ra < r                                                rg < r
      h      r                                  h        r
                           ra                                              rg

             mín.       r                                mín.       r                 t
                       mín.
                                                                        mín.
                                                                         b



                    Eixo usinado                                 Eixo retificado




Teste hidrostático
Quando a carcaça ou a caixa de selagem necessitarem de teste hidrostáti-
co para confirmar sua resistência, ele deve ser realizado com 1,5 vez a
pressão de projeto. A pressão de trabalho não é considerada para esses
casos. Verificar se a classe de pressão do flange de sucção pode ser subme-
tida a essa pressão de teste. A pressão de projeto da carcaça pode ser ob-
tida na folha de dados da bomba.



Balanceamento
O API 610 – 9a edição recomenda balancear os componentes (impelidor,
tambor de balanceamento, indutor de NPSH e partes rotativas maiores)
com grau 2.5 da ISO 1940-1 ou com desbalanceamento residual de 7gmm,
o que for maior.
   Os valores do desbalanceamento residual podem ser calculados por:


                                                         10.000 x G x M
                        desbalanceamento (g) =
                                                             NxR



   G – Grau de balanceamento
   M – Massa da peça em kg
   N – Rotação em rpm
   R – Raio de correção da massa em mm

                                                             PETROBRAS         ABASTECIMENTO
                                                             Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                               241
PROBLEMA 16

                Que desbalanceamento residual pode ser admitido para um impelidor com
                massa de 10kg que trabalha com 1.800rpm e cujo diâmetro é de 200mm?


                                                M – 10kg
Pense e Anote                                   G – 2,5 pelo API
                                                N – 1.800rpm
                                                D – 200mm
                                                R – D = 200 = 100mm
                                                     2    2



                                             10.000 x G x M   10.000 x 2,5 x 10
                desbalanceamento (g) =                      =                   = 1,388            1,4 g
                                                 NxR            1.800 x 100



                   O desbalanceamento admissível seria de 1,4 grama na periferia do
                impelidor.
                   A norma API 610 recomenda balancear em dois planos as peças cuja
                relação entre o diâmetro e a largura seja menor do que 6. As peças com a
                relação maior ou igual a 6 podem ser balanceadas em um plano apenas.
                                                         FIGURA 135


                                    BALANCEAMENTO EM 1 OU 2 PLANOS


                             B                   B                    B
                      D                 D                      D                         B

                                                                               D


                        Impelidor           Impelidor               Colar              Tambor
                       de simples            de dupla                de                  de
                         sucção               sucção               escora          balanceamento




                                            D
                                                     6 Balancear em 1 plano
                                            B



                                            D
                                                     6 Balancear em 2 planos
                                            B




                       PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                242   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
            No balanceamento dos conjuntos
            rotativos, usar:

            GRAU G-2.5
            Bombas abaixo de 3.800rpm ou acima de 3.800rpm
            e com peças montadas com folga.

            GRAU G-1.0
            Bombas acima de 3.800rpm e com peças montadas
            com interferência.




                 O grau G-1.0 não é repetitivo se o
                 conjunto rotativo for desmontado
                 após o balanceamento para
                 montagem.




   No balanceamento do conjunto rotativo, evitar corrigir no acoplamen-
to. Isso porque, se necessitar ser substituído no campo, a bomba ficará
desbalanceada. Como o cubo do acoplamento é uma peça simétrica, nor-
malmente o desbalanceamento no seu plano é devido à não-compensa-
ção dos rasgos de chavetas do eixo e do cubo do acoplamento. Portanto,
tente ajustar a chaveta para que cubra o rasgo do eixo e do acoplamento
adequadamente, utilizando uma chaveta coroada (concordando com o
eixo) na região externa ao cubo.



Guias
A caixa de selagem é montada guiada na carcaça. Com o passar do tempo,
ocorre um envelhecimento dos materiais fundidos, ocasionando um rela-
xamento de tensões, o que gera deformações nas guias. É comum ver so-
licitações para recuperação dos diâmetros dessas guias, onde normalmente
são colocados 3 ou 4 pingos de solda, que são usinados para “recuperar”
a folga recomendada. Na maioria das vezes, essa correção é desnecessá-
ria, sendo resultado de medições não consistentes devido às deformações.

                                         PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                         Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                         243
FIGURA 136


                                      PARAFUSO QUEBRA-JUNTA
Pense e
Anote                                     Carcaça     Caixa de
                                                      selagem




                                                                 Parafuso
                                                                 quebra-junta
                                            NÃO ADEQUADO




                            CORRETO                               CORRETO




                            Ao apertar o parafuso quebra-juntas para
                            soltar as guias, danificamos a superfície em
                            que ocorre o encosto do parafuso. Esses
                            danos impedem o assentamento de tais
                            superfícies posteriormente. Para evitar esse
                            problema, é recomendável fazer um
                            pequeno rebaixo em uma das superfícies,
                            conforme mostrado na Figura 136.




          Anéis de desgaste
          Usar preferencialmente nos anéis de desgaste as folgas recomendadas
          pelos fabricantes. Na falta delas, a norma API 610 – 9a edição, recomenda
          como folga mínima entre partes girantes os seguintes valores:

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           244   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                           TABELA 32


                              FOLGAS MÍNIMAS DE TRABALHO
 Diâmetro da parte rotativa      Folga mínima    Diâmetro da parte rotativa    Folga mínima
   no local da folga (mm)       diametral (mm)    no local da folga (mm)      diametral (mm)

           < 50                     0,25               300 até 324,99             0,60

       50 até 64,99                 0,28               325 até 349,99             0,63

       65 até 79,99                 0,30               350 até 374,99             0,65

       80 até 89,99                 0,33               375 até 399,99             0,68

       90 até 99,99                 0,35               400 até 424,99             0,70

     100 até 114,99                 0,38               425 até 449,99             0,73

     115 até 124,89                 0,40               450 até 474,99             0,75

     125 até 149,99                 0,43               475 até 499,99             0,78

     150 até 174,99                 0,45               500 até 524,99             0,80

     175 até 199,99                 0,48               525 até 549,99             0,83

     200 até 224,99                 0,50               550 até 574,99             0,85

     225 até 249,89                 0,53               575 até 599,99             0,88

     250 até 274,89                 0,55               600 até 624,99             0,90

     275 até 299,99                 0,58               625 até 649,99             0,95




1. Para diâmetros superiores a 650mm, adotar a folga:

                          Folga (mm) = 0,95 + (D – 650) x 0,001


   D – Diâmetro do anel em mm.

2. Para ferro fundido, bronze, aço inoxidável martensítico endurecido (série
  400, como o AISI 410 e AISI 420) e materiais similares com pouca ten-
  dência de agarramento (galling), usar as folgas da tabela. Acrescentar
  0,12mm às folgas diametrais da tabela para materiais com alta ten-
  dência de agarramento e para todos os materiais trabalhando em tem-
  peratura acima de 260ºC. Os aços inoxidáveis austeníticos (série 300,
  como o AISI 304 e AISI 316) são materiais que apresentam alta tendên-
  cia de agarramento.
3. Essas folgas mostradas não são válidas para tambores de balanceamento
  ou componentes que trabalhem como mancais internos lubrificados
  pelo produto, caso das buchas das bombas verticais.


   Para materiais não metálicos (por exemplo, PEEK), com baixa ou ne-
nhuma tendência de agarramento, os fornecedores poderão propor folgas
inferiores às citadas na Tabela 32. Nesse tipo de aplicação, normalmente,
um dos anéis é não metálico e o outro de AISI 410/420 endurecido, ou de

                                                        PETROBRAS       ABASTECIMENTO
                                                        Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                          245
AISI 316 revestido de material duro. De modo geral, a folga com esse
          material costuma ser de 50% da folga mínima recomendada pelo API.
             Galling é a tendência que alguns materiais apresentam de agarramen-
Pense e   to (trancamento, travamento) ao serem movimentados com contato en-
Anote     tre suas superfícies. Os materiais diferentes e os de alta dureza possuem
          menor tendência de agarramento.
             Por causa dessa tendência, quando os anéis de desgaste da bomba são
          de AISI 304 ou de AISI 316, é usual escolher um deles e fazer um revesti-
          mento de algum material endurecido como carbeto de tungstênio, Stelli-
          te, ou Colmonoy com uma profundidade de 0,8mm na superfície que even-
          tualmente possa ter contato. O ideal é revestir a superfície do anel estaci-
          onário por ser o mais difícil de substituir, deixando o anel rotativo (o do
          impelidor) com o material básico. Se isso não for possível, aumentar as
          folgas para evitar o contato desses materiais.
             A diferença de dureza entre as superfícies de contato deve ser no míni-
          mo de 50BHN, a menos que ambas as superfícies, a estacionária e a rota-
          tiva, tenham dureza superior a 400BHN.
             A fixação do anel de desgaste pode ser por interferência com pinos de
          travamento, parafusos axiais ou radiais, ou pontos de solda.
             Embora a norma API 610 considere essas folgas mínimas para separar
          as superfícies rotativas das estacionárias, as folgas entre o tambor de ba-
          lanceamento e de sua bucha costumam ter valores inferiores aos da tabe-
          la. Nesse caso, seguir a recomendação do fabricante.
             A folga máxima admissível para os anéis de desgaste é normalmente
          de 1,5 a 2 vezes a folga citada pelo API. Em alguns tipos de bomba, como
          no caso das de dois estágios em balanço (OH), o dobro da folga pode
          levar a vibrações altas. Temos também que folgas grandes aumentam a
          fuga de líquido da descarga para a sucção, o que leva a um gasto maior
          de energia.

           PROBLEMA 17

          Calcular a folga mínima do anel de desgaste de uma bomba que trabalha
          nas seguintes condições:



                        Diâmetro do anel na área de contato – 300mm
                        Material – AISI 316 sem revestimento
                        Temperatura – 300ºC



             Da Tabela 32, temos:

                                      Folga diametral = 0,60mm


                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           246   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Como o material AISI 316 sem revestimento tem tendência ao agarra-
mento, acrescentar 0,12mm. Como a temperatura de bombeamento é
maior que 260ºC, acrescentar 0,12mm.

                  Folga final = 0,60 + 0,12 + 0,12 = 0,84mm




Impelidor
Para reduzir estoques, é usual adquirir os impelidores no seu diâmetro
máximo. Nesse caso, pode ser necessário adequar seu diâmetro na hora da
substituição. Na Figura 137, são mostradas algumas recomendações bási-
cas sobre o corte do impelidor. Nas bombas com difusor, o corte do impe-
lidor deve ser realizado somente nas pás, deixando intactas suas laterais
(Figura 137 C). Assim, o líquido que sai do impelidor fica guiado até a entra-
da da voluta. Nas bombas com carcaça em voluta, não há ganho com esse
tipo de corte; portanto, ele deve ser total tanto nos discos como nas pás (Fi-
gura 137 A e B). Alguns fabricantes utilizam o corte oblíquo do impelidor em
bombas com difusor ou de dupla sucção. Nesse caso, para efeito de cálculos,
usar o diâmetro médio do corte do diâmetro D (ver Figura 137 D e E). Quan-
do o fabricante envia o rotor com esse tipo de corte, ele deve ser mantido
porque leva a uma maior estabilidade da curva da bomba. Com a utilização
de uma ponta montada, podemos desbastar o impelidor e ganhar em al-
gumas características interessantes no funcionamento da bomba.
                                                 FIGURA 137


                             CORTE DO DIÂMETRO DO IMPELIDOR




                       D2     D1                                                               D2   D1
                                                               D2    D1




          Redução diâmetro                  Redução diâmetro                      Redução
            pás e discos                      pás e discos                      diâmetro pás

                A                                    B                                   C


                                   D2       D1                             D2
                                                                                    D1
                                        D                                       D                   D1 + D2
                                                                                               D=
                                                                                                         2

                  Redução oblíqua das pás           Redução oblíqua das pás

                              D                                E



                                                     PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                                                     Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                             247
Quanto mais lisas as superfícies internas do impelidor, maior o seu
                rendimento, o que pode ser obtido por meio do esmerilhamento das irre-
                gularidades da fundição nos impelidores de maior porte. Nos de tamanho
                reduzido, esse acabamento fica mais difícil pela falta de acesso.

Pense e Anote
                Melhoria de desempenho da bomba
                Por meio do esmerilhamento do impelidor, tornando-o mais liso, afinan-
                do suas paredes ou modificando o perfil da lingüeta da voluta, é possível
                obter ganhos de rendimento, de vazão e da AMT.
                                                                               FIGURA 138


                       AUMENTO DE AMT POR MEIO DA REDUÇÃO DA ESPESSURA DA PÁ


                                                                                                                Espessura
                                                            Espessura normal                                    original

                                                          Esmerilhar



                                                                                                          Largura
                                                                       Largura nova                       original de saída


                                                                                                                   Estreitamento
                                                                                                                   máximo
                                                                                                                   Deixar no
                                                                                                                   mínimo 2mm




                                                    Aumento da área de saída do impelidor pelo estreitamento




                                                                                                         Com estreitamento
                         AMT ou head e rendimento




                                                     Sem estreitamento




                                                                                      Ponto de maior
                                                                                      eficiência (BEP)




                                                                               Vazão




                           PETROBRAS                        ABASTECIMENTO
                 248    Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   Para aumentar a AMT (pressão de descarga) em até 5%, podemos alar-
gar a passagem de saída do impelidor por meio da redução da espessura
das pás. Manter uma espessura mínima para evitar que a pá venha a que-
brar. Junto com o aumento de AMT, a vazão e o rendimento da bomba
aumentarão e o BEP será deslocado um pouco para a direita, conforme
pode ser visto na Figura 138.
                                        FIGURA 139


                            GANHO DE AMT E DE NPSH


                 Melhorar AMT                              Melhorar NPSH




                                                                        Arredondar
                                                                        e aumentar
                                                                        a área de
                                                                        entrada do
                                                                        impelidor
                                                                        Aguçar e
                                                                        dar bom
                                                                        acabamento
                                                                        à entrada
                                                                        das palhetas


      Remover as imperfeições de fundição
      Uniformizar a área entre as pás




                                              FIGURA 140


                            GANHO DE VAZÃO E DE RENDIMENTO



           MELHORAR A VAZÃO                        MELHORAR A VAZÃO E O RENDIMENTO




     Esmerilhar a lingüeta da carcaça       Esmerilhar a lingüeta            Esmerilhar
                                               da carcaça de              internamente as
                                              ambos os lados            paredes do impelidor




                                                     PETROBRAS      ABASTECIMENTO
                                                     Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                       249
Anel pescador
          É importante que seja fabricado com material que não solte limalhas, uma
          vez que pode roçar lateralmente.
Pense e      Se estiver ovalizado, pode não girar com o eixo e prejudicar a lubrificação.
Anote        Se o nível de óleo estiver muito alto, pode impedir a rotação do anel e,
          se estiver baixo, pode não arrastar a quantidade de óleo necessária para a
          lubrificação adequada do mancal. Devemos seguir a recomendação do
          fabricante.
             É comum as caixas de mancais com anel pescador possuírem sobre ele
          uma oleadeira ou um bujão roscado que, uma vez aberto, permite verifi-
          car se o anel está girando com o eixo.
             Devemos ter cuidado com equipamentos que ficam na reserva giran-
          do em baixa rotação, como no caso de turbinas a vapor e de bombas aci-
          onadas por elas, uma vez que, abaixo de 400/500rpm, geralmente, os anéis
          não giram, o que levaria à falha do mancal. Nesse caso, é interessante
          determinar a rotação mínima que garanta o giro do anel pescador, colo-
          car cerca de 100rpm adicionais, fixando esta rotação como a mínima de
          operação.
                                                 FIGURA 141


                                     ANEL PESCADOR DE ÓLEO




          Mancais de rolamentos
          Durante a montagem, se necessário, use um martelo macio (de bronze
          ou de uretano) para bater no eixo. Como a área de apoio de uma esfera é
          mínima, qualquer força exercida gerará uma pressão elevada (Pressão =
          Força/Área) e, como não temos lubrificação, marcará a pista do rolamen-
          to, abreviando sua vida consideravelmente.

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           250   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
          O consultor Heinz Bloch costuma avaliar a qualidade da
          manutenção de uma unidade examinando as mossas nos
          acoplamentos e nas pontas de eixo. Quanto maior a
          quantidade de mossas, pior a qualidade.




   A norma API 610 recomenda:
1. Os rolamentos de contato angular devem ter um ângulo de contato de
   40º, ser montados aos pares, costas com costas (back to back) e pos-
   suir espaçadores de bronze usinado. Espaçadores não metálicos não
   devem ser usados. Os de aço prensado podem ser utilizados, desde que
   o usuário aceite.
2. Os rolamentos de esferas de uma carreira devem ser de pistas profun-
   das, com folga interna maior do que a normal (grupo 3 – antigo C3). Os
   rolamentos de uma e de duas carreiras de esferas devem ser do tipo
   Conrad (sem rebaixo na pista para entrada das esferas).


   O rebaixo na pista permite montar uma quantidade maior de esferas e
de diâmetros maiores, o que aumenta a capacidade de carga do rolamen-
to. Em compensação, essa região do rebaixo é, geralmente, o local inicial
do processo de falha. Como os rolamentos radiais das bombas não costu-
mam ser limitantes, do ponto de vista de cargas, é preferível utilizar rola-
mentos sem rebaixo.
   O rolamento deve ser aquecido para sua montagem no eixo. Os méto-
dos mais recomendados de aquecimento são por meio de uma chapa tér-
mica ou do aquecimento por indução. O aquecimento por meio de banho
de óleo possui alguns inconvenientes, como a oxidação do óleo usado no
aquecimento e os pós que caem dentro do aquecedor, podendo vir a pre-
judicar a vida do rolamento.
   O rolamento é projetado para ter um ajuste entre as esferas e as pis-
tas. Ao ser montado no eixo, geralmente com interferência, a folga é redu-
zida a um valor ideal para o seu funcionamento.
   Se a tolerância do diâmetro do eixo estiver no valor máximo e a da pista
interna do rolamento estiver no valor mínimo, a interferência aumentará, re-
duzindo a folga interna, o que aumentará a temperatura de funcionamento.
   Quando os furos da caixa de mancais estão desalinhados, a folga inter-
na do rolamento pode não ser suficiente para absorver o desalinhamen-
to, o que levará as esferas a entrarem em contato com as pistas, desgas-
tar o espaçador e gerar aquecimento.

                                           PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                           Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                           251
FIGURA 142


                                   MÉTODOS DE AQUECIMENTO DO ROLAMENTO
Pense e
Anote


                                         Chapa térmica         Aquecedor por indução




                                            FIGURA 143


                TIPOS DE MONTAGEM DE ROLAMENTOS DE CONTATO
              ANGULARES AOS PARES E COM AS DESIGNAÇÕES USADAS




          Costa a costa                   Faca a face                      Em série
          Back to back                    Face to face                     Tandem
          Disposição O                    Disposição X                     Disposição DT
          Disposição DB                   Disposição DF




                     Quando resfriamos a caixa de mancal com câmaras de água sobre os
                 rolamentos, podemos deformar a pista externa deles, reduzindo sua fol-
                 ga. Os especialistas recomendam resfriar o óleo e não a caixa. Devido aos
                 motivos relacionados, a norma API 610 recomenda usar folga do Grupo
                 3, que é um pouco maior do que a normal para os rolamentos radiais (os
                 de contato angular devem ter sua folga normal).
                     As bombas horizontais do tipo API utilizam rolamentos de contato
                 angular, projetados para serem montados aos pares, na disposição cos-
                 ta com costa. Esses rolamentos possuem as faces das pistas lapidadas

                           PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                  252     Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
de modo que, ao encostar um rolamento no outro, somente as pistas
externas se tocam, ficando uma folga pequena entre as pistas internas.
Esta folga só é eliminada com o aperto da porca do rolamento. Nessa
condição, a folga das esferas nas pistas assume o valor ideal para supor-
tar a carga axial e radial.



Mancais de deslizamento
As folgas dos mancais de deslizamento são fornecidas nos catálogos dos
fabricantes, ou como folgas radiais ou como diametrais. As folgas diame-
trais são o dobro das radiais. O melhor método de medição de folga nes-
se tipo de mancal é o com uso de Plastigage. Trata-se de um filamento
plástico que, ao ser deformado, adquire uma largura proporcional à folga.
Depois de deformado, basta comparar sua espessura com uma escala na
própria embalagem para saber a folga.
   Nunca devemos passar lixa em mancais de deslizamento. A areia pene-
tra no metal patente e funciona como uma ferramenta de usinagem para
o eixo. Se necessitar remover alguma parte riscada ou danificada, utilize
uma rasquete.
                                          FIGURA 144


                      FOLGA DO MANCAL DE DESLIZAMENTO



                                 Folga                                 Folga
                                 radial                                diametral




   Quando a folga do fabricante não estiver disponível, utilizar os seguin-
tes valores:


                                                        mm                     In

  Folga diametral normal dos mancais =         0,07 + 0,001x D(mm) 0,003 + 0,001 x D (in)


  Folga máxima admissível = 1,5 folga normal




                                                       PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                                       Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                       253
EXEMPLO


                                       Eixo com 80mm de diâmetro:
                                       Folga diametral normal = 0,07 + 0,001 x 80 = 0,15mm

Pense e Anote                          Folga máxima = 1,5 x 0,15 = 0,22mm




                       Tubulação de sucção
                       A tubulação de sucção deve ser projetada para evitar pontos altos que
                       possam acumular gases no seu interior, o que prejudica o fluxo do líqui-
                       do. A bolha acumulada também pode soltar-se repentinamente, causan-
                       do problemas no bombeamento. Por esse motivo, a tubulação de sucção
                       deve sempre ser ascendente ou descendente.
                          Pelo mesmo motivo citado, as reduções devem ser excêntricas. A posi-
                       ção do lado plano vai depender da orientação da tubulação de sucção. Caso
                       a mesma venha reta, ou da parte de baixo da bomba, o lado plano deve
                       ficar para cima. Caso a tubulação venha de cima, o lado plano deve ficar
                       na parte inferior.
                                               FIGURA 145


          POSIÇÃO DA REDUÇÃO EXCÊNTRICA E DAS CURVAS NA TUBULAÇÃO DE SUCÇÃO



                  A                                       B                         C


                      Plana no topo




                                Plana na parte inferior




                          Nas bombas com impelidor de dupla sucção, caso tenhamos uma cur-
                       va próxima à bomba, ela deve ser perpendicular ao eixo, conforme pode
                       ser verificado nas Figuras 145A e 145B. Se for paralela, teremos fluxo pre-
                       ferencial para um dos lados do impelidor devido à força centrífuga na curva
                       (ver Figura 145C), gerando um elevado empuxo axial, o que leva à falha
                       prematura do mancal.

                                PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                        254   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                                 FIGURA 146


                POSIÇÃO ERRADA DE VÁLVULA NA SUCÇÃO
                  PARA IMPELIDOR DE DUPLA SUCÇÃO




            L   7D           D
                                                   Zona de vórtices




   Em bombas com impelidores de dupla sucção, a válvula na linha de
entrada deve ficar afastada mais do que 7D do flange da bomba. A Figura
146 mostra uma posição da válvula que poderá induzir fluxo preferencial
para um dos lados do impelidor, gerando empuxo axial alto. Caso não
exista espaço, girar a válvula de 90º de modo que sua haste fique perpen-
dicular ao eixo. Assim, as perturbações do fluxo serão igualmente dividi-
das para os dois lados do impelidor.




                                              PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                              Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                              255
Pense e Anote
       Bombas de
  deslocamento positivo
     ou volumétricas

A      s bombas de deslocamento positivo trabalham aprisionando um
volume de líquido numa câmara na sucção, deslocam esse volume até a
descarga e, nessa região, reduzem o volume da câmara, empurrando o lí-
quido para fora da bomba.
   Os nomes dessas bombas, de deslocamento positivo ou volumétrica,
são decorrentes desse seu modo de trabalhar.
   Nas bombas de deslocamento positivo, a energia é cedida ao líquido
pelo deslocamento de um êmbolo, pistão, diafragma ou pela rotação de
uma peça.
   Nas bombas centrífugas, tanto a vazão quanto a pressão de descarga
são dadas pelo sistema juntamente com a bomba (ela trabalha no pon-
to de encontro da sua curva de AMT x vazão com a curva do sistema). Já
na bomba de deslocamento positivo, para uma mesma rotação, o vo-
lume de líquido empurrado para a descarga é sempre o mesmo, ou seja,
a vazão é constante, não depende do sistema. Quanto maior a resis-
tência ao escoamento na linha de descarga, maior a pressão. Podemos
afirmar então que, na operação da bomba de deslocamento positivo, a
bomba é a responsável pela vazão e o sistema é o responsável pela pres-
são de descarga.
   Na realidade, ocorre uma ligeira queda de vazão com o aumento de
pressão, devido à fuga do líquido pelas folgas. Se a bomba estiver em
bom estado, com as folgas adequadas, esta fuga pode ser considerada
desprezível.
   Ocorrendo uma restrição grande na descarga, a pressão pode chegar a
valores muito altos, já que a bomba volumétrica continuará a fornecer sua
vazão. Por esse motivo, essas bombas devem possuir uma válvula de alí-
vio na descarga, evitando que a pressão ultrapasse a de projeto da bom-
ba. Essa válvula de alívio pode fazer parte do projeto da bomba, sendo
interna, ou pode ser colocada na linha de descarga, externamente à bom-
ba. Neste caso, por razões de segurança, deve ser instalada antes de qual-
quer outra válvula na descarga. Ela pode aliviar para a sucção da bomba
ou para um vaso (o que é melhor).

                                          PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                          Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                          257
TABELA 147


                        POSIÇÃO DA VÁLVULA DE ALÍVIO EXTERNAMENTE
Pense e                   A BOMBA E ANTES DE QUALQUER BLOQUEIO

Anote
                                                              Válvula de
                                                              segurança




                                            Bomba
                                            volumétrica




             Quando tratamos de bombas centrífugas, usamos por conveniência o
          termo AMT ou head em vez de pressão, porque esse tipo de bomba forne-
          ce uma mesma AMT para qualquer fluido. Como na bomba de desloca-
          mento positivo isso não ocorre, e é o sistema que comanda a pressão,
          não se usa AMT e sim a própria pressão, ou o diferencial de pressão (dife-
          rença entre a pressão de descarga e a de sucção).
             As bombas volumétricas, ao contrário das bombas centrífugas, são
          sempre auto-escorvantes, ou seja, conseguem bombear o ar do seu inte-
          rior e criar um vazio que será preenchido pelo líquido. Existem também
          bombas centrífugas com um projeto especial de uma câmara de líquido
          junto da carcaça, que as tornam auto-escorvantes. Mesmo sendo auto-
          escorvantes, as bombas de deslocamento positivo devem ser cheias de
          líquido antes de partir, evitando assim o desgaste que ocorre quando fun-
          cionam secas.
             Com líquidos de viscosidade alta, as bombas centrífugas perdem muito
          em rendimento e, conseqüentemente, aumentam a potência para o bom-
          beamento. Por isso, para líquidos acima de 1.000SSU (200cSt), raramente
          são usadas bombas centrífugas. As bombas de deslocamento positivo, por
          não serem afetadas pela viscosidade, são mais indicadas para esses casos.
             A maioria das bombas de deslocamento positivo pode trabalhar como
          motores hidráulicos. Para tal, basta que sejam alimentadas com líquido
          pressurizado pela descarga, deixando-o sair pela sucção da bomba. As
          bombas centrífugas também se adaptam a esse tipo de trabalho, sendo
          chamadas, neste caso, de turbinas de recuperação hidráulica.
             As bombas de deslocamento positivo podem sofrer problemas de vapo-
          rização na sucção. Devemos sempre ter o NPSH disponível maior do que o
          requerido. Nas bombas alternativas, como a vazão varia ao longo do curso

                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           258   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
do pistão, temos de levar em conta no cálculo do NPSH disponível a parce-
la de energia correspondente à aceleração do líquido, subtraindo-a.
   Como muitas bombas de deslocamento positivo trabalham com pres-
sões negativas na sucção, devemos ter cuidado com a entrada de ar pelas
juntas da tubulação de sucção, o que leva a uma perda de desempenho.



Bombas alternativas
As bombas alternativas fornecem a energia ao líquido por meio do deslo-
camento linear de um pistão, de um êmbolo ou de um diafragma.
   Essas bombas são ditas de simples efeito quando bombeiam apenas num
dos sentidos do curso, e de duplo efeito quando bombeiam nos dois sentidos.



Bombas de pistão ou de êmbolo
Uma bomba é dita de pistão quando possui uma peça (o pistão) que é
fixada na haste; a bomba de êmbolo é formada por uma única peça (a pró-
pria haste), responsável por deslocar o líquido.
   Elas podem ser acionadas diretamente por um acionador de movimento
linear, como um cilindro a vapor ou um diafragma com ar comprimido,
ou podem utilizar um acionador rotativo, como um motor elétrico. Nesse
caso, necessitam de um sistema biela/manivela para transformar o movi-
mento rotativo em alternativo.
   Existem disponíveis bombas de um cilindro ou com vários cilindros em
paralelo. As que possuem um único cilindro são denominadas simplex, as
de dois cilindros são as duplex, as de três são as triplex e as de cinco são
as quintuplex.
                                  FIGURA 148


          BOMBA ALTERNATIVA DE PISTÃO, DE SIMPLES EFEITO,
             ACIONADA POR SISTEMA DE BIELA/MANIVELA


                 9   6       10      5    4        3       2
                                                                            1. Carter
                                                                            2. Eixo de manivela
                                                                            3. Biela
                                                                            4. Cruzela
                                                                            5. Haste
                                                                            6. Camisa
                                                                            7. Cilindro
                                                                            8. Pistão
                                                                            9. Válvula
                                                                           10. Anel de vedação
                         8    7

                                                               1




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FIGURA 149


           BOMBA ALTERNATIVA SIMPLEX, DE DUPLO EFEITO, ACIONADA A VAPOR
Pense e
Anote               Lado do vapor                                Lado do produto

                                     Válvula
                                     corrediça




                                                  FIGURA 150


                     VÁLVULAS CORREDIÇAS DE DISTRIBUIÇÃO DE VAPOR


                                                 Exaustão
                                                                       Válvula
                  Câmara de                                            distribuidora
                  entrada de vapor                                     de vapor




                  Entrada                                                 Exaustão
                  de vapor                                                de vapor



                  Pistão
                                                                    Sentido do
                                                                    movimento de êmbolo

                                                 Exaustão
                  Válvula
                  distribuidora
                  de vapor



                  Exaustão                                                 Entrada
                  de vapor                                                 de vapor



                                                                      Sentido do
                                                                      movimento de êmbolo

                                                        Pistão




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          260   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
   A bomba alternativa acionada a vapor possui dois cilindros em linha.
Um é o cilindro de vapor, que é o acionador. O outro é o cilindro do pro-
duto que será bombeado. Esses cilindros possuem seus pistões interliga-
dos por hastes, movendo-os solidários.
   O cilindro de vapor possui uma válvula corrediça de distribuição de
vapor, comandada por um sistema de alavancas interligadas à haste da
bomba. Vamos acompanhar o funcionamento pelas Figuras 149 e 150.
   Inicialmente, a válvula corrediça alimenta de vapor o lado esquerdo do
cilindro e abre o lado direito para a exaustão, fazendo com que o pistão e a
haste se desloquem para a direita. Quando o pistão de vapor chega ao final
do curso, a válvula corrediça está na posição da figura da direita, fazendo a
inversão das aberturas, e passa a admitir vapor do lado direito do cilindro
e a fazer a exaustão no lado esquerdo. Com isso, o pistão irá mover-se para
a esquerda. Ao chegar ao final desse curso, torna a inverter o movimento.
   Assim, o vapor gera um movimento contínuo alternativo. O pistão da
bomba, que está interligado ao de vapor, aspira o produto de um dos lados
e empurra o produto pela válvula de descarga do outro. Ao chegar ao final do
curso, ele inverte. O cilindro mostrado é de duplo efeito e trabalha nos dois
sentidos. Tanto as válvulas de sucção quanto as válvulas de descarga traba-
lham com molas. A sua abertura é realizada pelo diferencial de pressão.
   Para controlar a vazão na bomba acionada a vapor, temos de controlar
a quantidade de vapor admitida na bomba. Quanto maior a vazão de va-
por, maior a velocidade de deslocamento do pistão, ou seja, maior o nú-
mero de ciclos executados por minuto.
   Devemos sempre garantir que esteja chegando líquido na admissão da bom-
ba alternativa acionada a vapor. Se ocorrer falta de produto na sucção ou a sua
vaporização, a bomba tenderá a disparar, já que a quantidade de vapor forne-
cida será a mesma de quando a bomba estava com carga. A bomba, em vez de
líquido, estará bombeando ar ou gases, os quais demandam bem menos po-
tência. Essa situação, geralmente, leva a bomba a disparar, com vibrações que
acabam por afrouxar partes roscadas, podendo vir a quebrar a bomba.



Bombas de diafragma
As bombas de diafragma disponíveis podem ter diversas configurações.
   Vejamos o funcionamento da bomba de diafragma, lado esquerdo da
Figura 151.
   Temos dois ciclos: admissão e descarga. Inicialmente, o ar comprimi-
do é admitido na parte inferior do pistão, fazendo com que ele suba, le-
vando junto o diafragma. O vácuo então formado na câmara abre a válvu-
la de sucção e fecha a de descarga do produto. À medida que o diafragma
vai subindo, o líquido vai enchendo a câmara da bomba. Ao atingir o pon-
to superior, termina o ciclo de admissão e começa o de descarga.

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Assim que o líquido parar de ser admitido, a esfera da válvula cai e
                bloqueia a sucção. O ar comprimido que era direcionado para o cilindro é
                desviado para a parte superior do diafragma. O diafragma começa a des-
                cer, arrastando com ele o pistão. O líquido começa a ser pressurizado e a
                deslocar-se, abrindo a válvula de descarga e permitindo o escoamento do
Pense e Anote   produto. Quando o diafragma chegar ao seu ponto inferior, termina o ci-
                clo de descarga e tem início um novo ciclo de admissão. A bomba de dia-
                fragma descrita é acionada por um cilindro de ar, mas existem outros
                modelos acionados por outros sistemas, como o de biela/manivela.
                                                       FIGURA 151


                             BOMBAS DE DIAFRAGMA ACIONADAS POR PISTÃO
                                      E POR OUTRO DIAFRAGMA


                                               Bomba de diafragma
                                          A                           B

                             Pistão
                                                       Válvula de
                                                       descarga

                       Câmara




                         Válvula de
                         sucção
                                                Duplo diafragma




                   A bomba de duplo diafragma possui duas câmaras com diafragmas in-
                terligados por uma haste. Uma das câmaras é a acionadora, movida a ar
                comprimido, e a outra é a do produto que será bombeado. O funciona-
                mento da bomba é semelhante ao descrito anteriormente.
                   Algumas bombas alternativas possuem dispositivos que permitem al-
                terar a vazão. Quando a bomba é acionada pelo sistema de biela/manive-
                la, podemos modificar a vazão, variando a rotação ou o curso do pistão.
                Para variar o curso, modificamos o raio da manivela. As bombas dosado-
                ras costumam ser do tipo alternativa e utilizam êmbolo ou diafragma.

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                 262   Manutenção e Reparo de Bombas
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Algumas bombas, que trabalham com fluidos agressivos, usam dois dia-
fragmas em série com óleo entre eles, evitando assim que ocorra conta-
minação caso o diafragma venha a romper.
   A vazão fornecida pelas bombas de deslocamento positivo é pulsante.
Ela é máxima, quando o cilindro está no meio do curso, e mínima (zero),
quando está no início ou final do curso. Variando a vazão, a pressão tam-
bém sofrerá variação. Para uma mesma rotação, quanto maior o número
de cilindros, menor a pulsação de pressão e de vazão. Quando a pulsação
puder trazer algum problema, é usual colocar um amortecedor de pulsa-
ção na linha de descarga da bomba alternativa. Esses amortecedores po-
dem ser de diafragma, de bexiga ou de pistão.
                                       FIGURA 152


                 VAZÃO AO LONGO DO TEMPO DA BOMBA ALTERNATIVA


       Vazão


                                                                   Vazão da bomba
                                                                   alternativa simplex
                                                             Tempo de simples efeito

       Vazão


                                                                   Vazão da bomba
                                                                   alternativa simplex
                                                             Tempo de duplo efeito




Bombas rotativas
As bombas rotativas fornecem energia ao líquido por meio de um elemen-
to rotativo. A rotação visa apenas deslocar o líquido e não acelerá-lo. Como
toda bomba de deslocamento positivo, as rotativas também aprisionam o
líquido em uma câmara na região de sucção e, por meio de rotação, em-
purram o líquido para a descarga.
   Esse tipo de bomba não necessita de válvulas para o seu funcionamen-
to. Nas alternativas puras, é indispensável o uso de válvulas na entrada e
na descarga da bomba.
   As bombas rotativas possuem folgas entre o elemento girante e o esta-
cionário, de modo que sempre temos um pequeno vazamento interno. Se
não tivéssemos as fugas, a vazão seria sempre a mesma, independente da
pressão (caso teórico). No caso real, quanto maior o diferencial de pres-
são da bomba ( P), maior esse vazamento e, conseqüentemente, um pouco
menor a vazão fornecida ao sistema.

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FIGURA 153


                               VAZÃO X P PARA BOMBAS ROTATIVAS
Pense e
Anote              P                                       P
                                                                         Vazamento
                                                                         interno




                                           Vazão                                 Vazão
                           Teórico                                 Teórico




             Quanto maior a viscosidade do líquido bombeado, menor as fugas, o
          que aumenta ligeiramente a vazão da bomba.
             Os principais tipos de bombas rotativas usadas são: de engrenagens
          (externas e internas); de fusos (1, 2 ou 3 fusos); de palhetas e de lóbulos.



          Bomba de engrenagens
          As bombas de engrenagem podem ser de dois tipos: engrenagens inter-
          nas e externas. As de engrenagens internas podem ser com crescente ou
          sem crescente.
                                                   FIGURA 154


                       BOMBA DE ENGRENAGENS EXTERNAS E INTERNAS


                                 3     3

                                           4




                                2 1     1 2
                                          Engrenagens externas




                 Engrenagens internas com crescente      Engrenagens internas sem crescente




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BOMBA DE ENGRENAGENS EXTERNAS
Acompanhar o funcionamento pela Figura 154.
   Ao girar, as engrenagens aprisionam o líquido que está na entrada da
bomba, região 1, entre dois dentes consecutivos e a carcaça, levando-o
para a região 2. Esse volume de líquido bloqueado vai sendo levado pelo
giro das engrenagens até chegar à região 3, onde é liberado, seja qual for
a pressão reinante na descarga. A engrenagem continuará girando e che-
gará à região 4, onde os dentes se engrenam, impedindo o retorno do lí-
quido para a sucção. As duas engrenagens, cada uma girando num senti-
do, bombeiam simultaneamente.


BOMBAS DE ENGRENAGENS INTERNAS COM CRESCENTE
Ambas as engrenagens aprisionam os volumes entre seus dentes e o cres-
cente. Antes do crescente, fica a região de sucção. Depois dele, a região de
descarga. Ao chegar à parte superior, os dentes se engrenam, fazendo a
vedação e impedindo o retorno do líquido bombeado.


BOMBAS DE ENGRENAGENS INTERNAS SEM CRESCENTE
O bombeamento é similar ao de engrenagens externas.
Devido ao elevado número de dentes e à rotação, a vazão e a pressão forne-
cidas pelas bombas de engrenagens não são consideradas pulsantes.
   Para ter um bom desempenho, as engrenagens têm de estar bem ajus-
tadas entre si, como também devem estar na carcaça ou no crescente. Os
dentes e as partes responsáveis pelo aprisionamento dos volumes não
devem ter marcas nem arranhões, do contrário, haverá perdas no volume
bombeado.



Bomba de fusos ou de parafusos
Essas bombas podem ter os fusos arrastados por um fuso motriz ou dis-
porem de engrenagens de sincronismo. Podem succionar de um lado ape-
nas ou dos dois lados. Neste caso, descarregam pelo centro da carcaça.
   A bomba de parafusos, mostrada na Figura 155, possui um fuso mo-
triz e dois conduzidos. Como existe um diferencial de pressão nas faces
dos fusos, há necessidade de um sistema de balanceamento axial. Por isso,
possui nos mancais do lado da sucção uma linha ligada à descarga. Na
bomba da Figura 156, a entrada do líquido é realizada pelas duas extre-
midades, e a descarga ocorre pelo centro da bomba, o que equilibra o es-
forço axial nos fusos. Essa bomba possui engrenagens de sincronismo para
acionar o fuso conduzido.
   O bombeamento é realizado por meio do volume de líquido aprisi-
onado entre os fusos e a carcaça. No caso de três fusos, temos também
um volume entre os fusos laterais e o central. À medida que o fuso

                                           PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                           Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                           265
vai girando, o líquido vai sendo deslocado axialmente, da sucção para
            a descarga. Os fusos se engrenam vedando e impedindo o retorno do
            líquido.
Pense e         A vazão é contínua, logo, não temos pulsação de pressão.
Anote           Algumas dessas bombas possuem uma válvula de alívio (segurança)
            interna.
                                            FIGURA 155


                        BOMBA DE 3 FUSOS E DE SIMPLES SUCÇÃO



          Entrada                                        Saída



                                                                                Eixo motriz




                                                                                Mancal
                                                                                externo


                                                                   Selagem
                            Fusos temperados
                                                           Pistão de balanço
                    Tampa do balanço
                                                     Camisa dos rotores
            Câmara de empuxo
            ligada à descarga




                                            FIGURA 156


                          BOMBA DE 2 FUSOS E DE DUPLA SUCÇÃO



                        Fuso
                        conduzido        Saída                Selagem
          Mancal                                                               Engrenagens
                                                                               de sincronismo




                                                                 Fuso
                                                                 motor




                                         Entrada




                       PETROBRAS    ABASTECIMENTO
             266     Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Bombas de palhetas
A bomba de palhetas, Figura 157, possui um rotor que gira excentricamen-
te com a carcaça. Nesse rotor, ficam alojadas diversas palhetas que, pela
força centrífuga ou por meio de molas, são expelidas, mantendo contato
com a carcaça. Na região de sucção, a carcaça possui um rebaixo para per-
mitir a entrada do líquido. Como o rotor é montado excêntrico com a
carcaça, na sucção, as pás consecutivas formam uma câmara com a carca-
ça, onde cabe um determinado volume.
   O rotor, ao girar, bloqueia o líquido nessas câmaras, deslocando-o até
chegar à região da descarga. Devido à excentricidade do rotor, o volume
da câmara fica praticamente nulo nessa região, obrigando o líquido a sair
pela descarga da bomba.
   Com rotação alta, esse tipo de bomba não apresenta pulsação de va-
zão nem de pressão.
                               FIGURA 157


                          BOMBAS DE PALHETAS




Bomba de cavidade progressiva
Essa bomba é constituída por um rotor e um estator, o qual normalmen-
te é construído de um material elástico, como Buna N e Viton. O líquido
fica preso nas cavidades entre o rotor e o estator e vai sendo deslocado
pelo giro do rotor, da sucção para a descarga. A pressão que esta bomba
fornece não é muito alta, aproximadamente de 6kg/cm2. Quando se dese-
jam pressões maiores, são utilizadas bombas em série.

                                            PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                            267
FIGURA 158


                                    BOMBA DE CAVIDADES PROGRESSIVAS



Pense e Anote                       Rotor
                                                                         Selagem




                                            Estator
                                                                    Caixa de mancais




                Bomba de lóbulos
                As bombas de lóbulos possuem dois rotores que giram em sentido con-
                trário dentro da carcaça. Pelo seu formato, ao girarem, aprisionam na
                sucção um volume de líquido entre seus lóbulos e a carcaça, volume esse
                que é deslocado e liberado na descarga. Os rotores estão sempre em con-
                tato na parte central, fazendo a vedação. Existem bombas de um, dois,
                três e cinco lóbulos.
                                                       FIGURA 159


                                      BOMBAS COM 1, 2, 3 E 5 LÓBULOS




                        PETROBRAS   ABASTECIMENTO
                 268   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
Bomba peristáltica
Essa bomba é formada por um tubo flexível, montado sob a forma de U. Um
ou mais roletes giratórios ou excêntricos passam espremendo o tubo, deslo-
cando o líquido da sucção para a descarga. É uma bomba bastante simples e
que não precisa de selagem. A única parte que entra em contato com o líqui-
do é o tubo flexível. Seu principal desgaste ocorre no tubo flexível.
                                         FIGURA 160


                             BOMBA PERISTÁLTICA




                   Tubo em U
                   flexível



                   Excêntrico
                   giratório




Bombas de pistão rotativo
As bombas de pistões axiais variam a vazão pela alteração da inclinação de um
disco que aciona os pistões. Quanto mais inclinado o disco, maior o curso dos
pistões, portanto, maior a vazão. O disco é montado sobre o eixo por meio de
uma junta esférica, não mostrado na figura, que permite sua oscilação.
                                                      FIGURA 161


       ESQUEMA DA VARIAÇÃO DE VAZÃO DA BOMBA ALTERNATIVA DE PISTÕES AXIAIS


                                Curso do pistão                                 Curso zero




               Ângulo máximo significa         Redução do ângulo              Ângulo zero significa
               curso máximo do pistão          significa curso reduzido       curso zero (pistão não se
               e máxima vazão                  e vazão reduzida               move) e vazão nula


                                                      PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                                      Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                                      269
FIGURA 162


                         BOMBA DE PISTÃO AXIAL COM AJUSTE DA VAZÃO
Pense e
Anote                                    Pistão de               Porta de
                                         ajuste do curso         enchimento




                                                                              Dispositivo
                 Prato da                                                     de retorno
                 válvula                                                      com mola




                 Saída


                 Bucha

                 Mola




                               Entrada      Bloco do Pistão       Placa
                                            cilindro              oscilante




             As principais partes da bomba de vazão variável de pistão axial são:

           BLOCO DO CILINDRO

          Peça que gira junto com o eixo e possui diversos furos em que se alojarão
          os pistões axiais. É conectado ao eixo através de estrias.

           PISTÕES

          Cada furo do bloco do cilindro comporta um pistão. Um lado do pistão é
          esférico e se conecta com a placa oscilante.

           PLACA OSCILANTE

          Ela pode oscilar em torno do eixo sobre uma junta esférica. Os pistões são
          articulados com essa placa.

            DISPOSITIVO DE RETORNO COM MOLA

          Serve para empurrar a placa oscilante contra o pistão de ajuste.

            EIXO

          É acoplado ao bloco de cilindros por meio de estrias. O eixo é assentado por
          intermédio de um rolamento na carcaça e de uma bucha no prato da válvula.

                   PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           270   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
  PRATO DA VÁLVULA
  PRAT DA VÁLVUL
              VULA
              VUL

Peça estática, na qual se localizam as conexões de entrada e saída do pro-
duto. Junta esférica, sapata da placa, mancal tipo bucha, mola e a caixa
também fazem parte da bomba.



Princípio de funcionamento
O eixo, a placa oscilante e o bloco do cilindro, juntamente com os pis-
tões, giram solidários. A placa oscilante permanece com uma determina-
da inclinação ajustada e é livre girar no seu plano.
   À medida que o bloco de cilindros gira com o eixo, os pistões fazem
um movimento alternativo nos seus furos.
   As portas de entrada e de saída do líquido são arranjadas de tal modo
que os pistões passam na entrada quando estão sendo recolhidos e pas-
sam na saída quando estão sendo empurrados.
   O volume deslocado depende do diâmetro, do número de pistões e do
seu curso. O curso depende do ângulo de ajuste da placa oscilante.
   A variação do curso do pistão é possível pela mudança do ângulo da placa
oscilante. Isso é feito por meio de um dispositivo de posicionamento angu-
lar da placa. O ângulo pode ser modificado manualmente por meio de um
parafuso de ajuste ou de uma linha-piloto (linha pressurizada). Batentes são
providos para as posições de curso máximo e mínimo.



Outros tipos de bombas rotativas de
deslocamento positivo
A variedade de bombas de deslocamento positivo rotativas é muito gran-
de. Na Figura 163, mostramos alguns outros modelos que são utilizados.
                                         FIGURA 163


       BOMBAS DE PALHETA EXTERNA, DE PÁS FLEXÍVEIS E DE CAME COM PISTÃO




       Bomba de palheta externa    Bomba de pás flexíveis          Bomba com came e pistão




                                            PETROBRAS       ABASTECIMENTO
                                            Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                             271
A bomba de palheta externa possui uma peça rotativa elítica, que é a

          responsável pelo bombeamento, juntamente com uma palheta que faz a
Pense e   vedação. O líquido fica aprisionado entre a parte elítica e a câmara circu-

Anote     lar e, com o giro, vai sendo deslocado da sucção para a descarga. A palhe-
          ta impede o retorno do líquido para a sucção, obrigando-o a sair pela
          descarga.
             A bomba de pás flexíveis usa a deformação das pás para realizar o bom-
          beamento.
             A bomba de came e pistão funciona pelo movimento de um cilindro
          que gira excentricamente e em contato com um cilindro maior. O cilindro
          menor é guiado por uma haste cilíndrica (pistão) que trabalha numa bu-
          cha esférica.




                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           272   Manutenção e Reparo de Bombas
Pense e Anote
                  Bombas
                 centrífugas
                  especiais

A      lém das bombas centrífugas já citadas, existem algumas com ca-
racterísticas específicas. Entre estas temos:
                                 FIGURA 164


        BOMBA AUTO-ESCORVANTE, SUBMERSA E TIPO “VORTEX”



                                Auto-escovante




              Submersa




                                                          Vortex




                                              PETROBRAS    ABASTECIMENTO
                                              Manutenção e Reparo de Bombas
                                                                              273
Bomba auto-escorvante
          Essa bomba possui na frente de seu impelidor uma câmara com uma vál-
          vula de retenção. Quando a bomba é desligada, o líquido fica retido nessa
Pense e   câmara. Na próxima partida, não será necessário escorvá-la.
Anote
          Bomba submersa
          É uma bomba centrífuga tipo canned. A maioria das vezes esse tipo de
          bomba é montado com mangueiras flexíveis. É muito usada para esgota-
          mentos de poços e de valas.



          Bomba tipo “vortex”
          Esse tipo de bomba possui um impelidor aberto, que fica recuado em
          relação à descarga da bomba. Ao girar, o impelidor faz um turbilhonamento
          do líquido dentro da carcaça. Esse turbilhonamento provoca o arraste do
          líquido que está adjacente. É muito usada quando temos materiais em
          suspensão que poderiam obstruir o impelidor. Seu rendimento é baixo.




                  PETROBRAS   ABASTECIMENTO
           274   Manutenção e Reparo de Bombas
Referências bibliográficas
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SENAI / RJ
PRODUZIDO    PELA   DIRETORIA   DE   EDUCAÇÃO


Coordenador de formação, capacitação e
certificação de abastecimento
M AURÍCIO L IMA
Diretora de educação                        ANDRÉA MARINHO F RANCO
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                                            R OSILENE F ERREIRA MENEZES
Revisão técnico-metodológica                E RNESTO F ERREIRA M ARTINS
                                            S ÉRGIO MOLINA M ICAELO
Revisão gramatical                          L OURDES S ETTE
Revisão editorial                           R ITA G ODOY
Projeto gráfico, programação                I N -F ÓLIO – P RODUÇÃO EDITORIAL ,
visual e diagramação                        GRÁFICA E P ROGRAMAÇÃO VISUAL
Apostila petrobras-bombas

Apostila petrobras-bombas

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    PROGRAMA DE ATUALIZAÇÃO PARAMECÂNICOS DE EQUIPAMENTOS DE PROCESSO Manutenção e Reparo de Bombas
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    PETROBRAS ABASTECIMENTO A LAN K ARD EC P I NTO GERENTE EXECUTIVO DE ABASTECIMENTO – R EFI NO R ONALDO U RURAHY H EYDER BORBA GERENTE GERAL DE EQUI PAM ENTOS E SE RVIÇ OS DO ABASTECIM ENTO M ANOEL M ARQUES S IMÕES GERENTE DE TECNOLOGIA DE EQU IPAM ENTOS R OGÉRIO DA S ILVA C AMPOS CONSULTOR SÊNIOR – TECNOLOGIA DE EQUIPAM ENTOS DINÂMICOS I VANILDO DE ALMEIDA SILVA GERENTE DE RE CURSOS HU MANOS DO ABASTECIMENTO
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    Manutenção e Reparode Bombas © 2006 Getúlio V. Drummond Todos os direitos reservados PETROBRAS Petróleo Brasileiro S. A. Avenida Chile, 65 – 20º andar 20035-900 – Rio de Janeiro – RJ Tel.: (21) 3224-6013 http://www.petrobras.com.br A publicação desta série é uma edição da PETROBRAS PETROBRAS Diretoria de Abastecimento PROGRAMA DE ATUALIZAÇÃO PARA MECÂNICOS DE EQUIPAMENTOS DE PROCESSOS Alinhamento de Máquinas Compressores Mancais e Rolamentos Manutenção e Reparo de Bombas Purgadores Redutores Industriais Selagem de Bombas Turbinas a Vapor Válvulas Industriais
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    Pense e Anote Sumário Lista de figuras 7 Lista de tabelas 13 Apresentação 15 Introdução 17 Unidades e suas conversões, propriedades dos líquidos e tabelas 19 Comprimento – l 19 Massa – m 21 Tempo – t 21 Temperatura – T 22 Área – A 23 Volume – V 24 Velocidade linear – v 25 Velocidade angular – w 27 Vazão volumétrica – Q 28 Aceleração – a 29 Força – F 31 Trabalho ou energia – T 33 Torque – Tq 34 Potência – Pot 35 Massa específica – 36 Peso específico – 38 Densidade 40 Pressão 40 Viscosidade – ou 51 Pressão de vapor 54 Rendimento – 56 Equação da continuidade 57 Teorema de Bernouille 58 Tabela de tubos 61 Letras gregas 62 Prefixos 62 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 5
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    Bombas 67 Recebimento da bomba 71 Pense e Preservação 73 Anote Instalação e teste de partida 75 Classificação de bombas 83 Bomba dinâmica ou turbobomba 85 Princípio de funcionamento da bomba centrífuga 91 Aplicações típicas 95 Partes componentes e suas funções 96 Impelidores 100 Carcaças 104 Altura manométrica total (AMT), carga ou head 107 Cavitação, NPSH disponível e NPSH requerido 117 Recirculação interna 135 Entrada de gases 142 Curva do sistema e ponto de trabalho da bomba 144 Curvas características de bombas centrífugas 152 Curvas características para bombas de fluxos misto e axial 161 Influência do diâmetro do impelidor no desempenho da bomba centrífuga 162 Influência da rotação N da bomba no desempenho da bomba centrífuga 165 Forças radiais e axiais no impelidor 170 Bombas operando em paralelo 177 Bombas operando em série 184 Correção para líquidos viscosos 187 Lubrificação 191 Acoplamento 206 Seleção de bombas 210 Análise de problemas de bombas centrífugas 213 Dados práticos 235 Bombas de deslocamento positivo ou volumétricas 257 Bombas alternativas 259 Bombas rotativas 263 Bombas centrífugas especiais 273 Bomba auto-escorvante 274 Bomba submersa 274 Bomba tipo “vortex” 274 Referências bibliográficas 275 PETROBRAS ABASTECIMENTO 6 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Lista de figuras FIGURA 1 – Escala de temperaturas Celsius e Fahrenheit 22 FIGURA 2 – Áreas de figuras geométricas 23 FIGURA 3 – Volume dos sólidos 24 FIGURA 4 – Velocidade de deslocamento de um líquido 26 FIGURA 5 – Velocidade angular 27 FIGURA 6 – Vazão numa tubulação 28 FIGURA 7 – Aceleração centrífuga 30 FIGURA 8 – Força centrífuga 32 FIGURA 9 – Trabalho realizado 33 FIGURA 10 – Torque 34 FIGURA 11 – Massa específica do cubo 37 FIGURA 12 – Peso específico 38 FIGURA 13 – Penetração do prego 41 FIGURA 14 – Macaco hidráulico 41 FIGURA 15 – Pressão atmosférica 43 FIGURA 16 – Pressão absoluta e pressão relativa (manométrica) 44 FIGURA 17 – Pressão exercida por uma coluna de líquido 45 FIGURA 18 – Vasos com formatos e áreas de base diferentes e com pressão igual na base 46 FIGURA 19 – Coluna de Hg 47 FIGURA 20 – Tubo em U 48 FIGURA 21 – Coluna máxima de água com vácuo 50 FIGURA 22 – Diferenças de viscosidades 52 FIGURA 23 – Pressão de vapor 54 FIGURA 24 – Curva da pressão de vapor 55 FIGURA 25 – Pressão de vapor em função da temperatura 55 FIGURA 26 – Escoamento de um líquido numa tubulação 57 FIGURA 27 – Teorema de Bernouille 59 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 7
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    FIGURA 28 – Energia cedida pela bomba 60 FIGURA 29 – Grauteamento de uma base de bomba 75 Pense e FIGURA 30 – Chumbador e luva 76 Anote FIGURA 31 – Nivelamento transversal da base na área do motor e longitudinal da bomba 77 FIGURA 32 – Chanfro de 45º na base de concreto e no graute 78 FIGURA 33 – Turbobomba com os três tipos de fluxo 86 FIGURA 34 – Bomba regenerativa e seu impelidor 86 FIGURA 35 – Tipos de bombas centrífugas segundo a norma API 610 87 FIGURA 36 – Disco girando com gotas de líquido 91 FIGURA 37 – Esquema de funcionamento de uma bomba centrífuga 91 FIGURA 38 – Variação de pressão e velocidade 92 FIGURA 39 – Variação da pressão e da velocidade no interior da bomba 93 FIGURA 40 – Difusor 94 FIGURA 41 – Corte de uma bomba centrífuga tipo em balanço – KSB 96 FIGURA 42 – Partes do impelidor 100 FIGURA 43 – Classificação do impelidor quanto ao projeto – Velocidade específica 101 FIGURA 44 – Classificação dos impelidores quanto à inclinação das pás 103 FIGURA 45 – Classificação dos impelidores quanto ao tipo de construção 103 FIGURA 46 – Classificação dos impelidores quanto à sucção 104 FIGURA 47 – Tipos de carcaças 105 FIGURA 48 – Bomba com carcaça partida axialmente (BB1) e verticalmente (tipo barril – BB5) 106 FIGURA 49 – Bombas com carcaças partidas verticalmente (BB2) – Com indutor de NPSH e de multissegmentos (BB4) 106 FIGURA 50 – Curva característica de AMT x vazão 108 FIGURA 51 – Levantamento da AMT 109 FIGURA 52 – AMT igual a H, desprezando perdas 113 FIGURA 53 – AMT de 80m fornecida pela bomba para a vazão de 90m3/h 114 FIGURA 54 – Perda de AMT devido ao desgaste interno da bomba 115 FIGURA 55 – Curva de pressão de vapor d´água 118 FIGURA 56 – Curva de NPSH requerido pela bomba 119 FIGURA 57 – Cálculo do NPSH disponível 121 FIGURA 58 – Curva de NPSH disponibilizado pelo sistema 122 PETROBRAS ABASTECIMENTO 8 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA58A – Bomba operando sem e com vaporização 123 FIGURA 59 – Cavitação – NPSH disponível e NPSH requerido para uma dada vazão 125 FIGURA 60 – Curva de AMT x vazão de uma bomba cavitando 128 FIGURA 61 – Determinação do NPSH requerido 129 FIGURA 62 – Vazão máxima em função do NPSH 130 FIGURA 63 – Implosão das bolhas de vapor com arrancamento do material 131 FIGURA 64 – Impelidores com desgaste devido à cavitação 133 FIGURA 65 – Teste de recirculação interna realizado numa bancada de teste 135 FIGURA 66 – Recirculação interna na sucção 137 FIGURA 67 – Variação da pressão de sucção e da descarga com recirculação 138 FIGURA 68 – Vazão mínima do API 610 em função da vibração 139 FIGURA 69 – Região de danos no impelidor 140 FIGURA 69A – Determinação da vazão mínima de recirculação 141 FIGURA 70 – Entrada de ar e formação de vórtices por baixa submergência 143 FIGURA 71 – Curva do sistema 144 FIGURA 72 – Ponto de trabalho 145 FIGURA 73 – Recirculação da descarga para a sucção 146 FIGURA 74 – Variação do ponto de trabalho por válvula de controle 147 FIGURA 75 – Variação da curva da bomba com o diâmetro do impelidor ou com a rotação 148 FIGURA 76 – Modificação do ponto de trabalho por meio de orifício restrição no flange de descarga 149 FIGURA 77 – Variação de vazão ligando e desligando bombas 150 FIGURA 78 – Controle de capacidade por cavitação 151 FIGURA 79 – Curva típica de AMT x vazão de uma bomba centrífuga 153 FIGURA 80 – Curva de rendimento de uma bomba centrífuga 154 FIGURA 81 – Curva de potência de uma bomba centrífuga 155 FIGURA 82 – Curva característica de NPSH requerido x vazão 158 FIGURA 83 – Cálculo de NPSH disponível 159 FIGURA 84 – Curvas características por tipo de bomba 161 FIGURA 85 – Variação do NPSH requerido em função do diâmetro do impelidor 163 FIGURA 86 – Novo ponto de trabalho com mudança de diâmetro 165 FIGURA 87 – Pontos homólogos obtidos com a mudança de rotação 167 FIGURA 88 – Curva de AMT x vazão 167 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 9
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    FIGURA 89 – Curvas AMT x vazão para diversas rotações 169 FIGURA 90 – Esforço radial com voluta simples 170 FIGURA 91 – Esforço radial com dupla voluta 171 FIGURA 92 – Força axial no impelidor sem anel de desgaste 171 Pense e Anote FIGURA 93 – Esforço axial em um impelidor de simples sucção em balanço 172 FIGURA 94 – Impelidor com pás traseiras 173 FIGURA 95 – Impelidores em oposição cancelando o esforço axial 174 FIGURA 96 – Equilíbrio axial com tambor de balanceamento 174 FIGURA 97 – Balanceamento axial por meio de disco 175 FIGURA 98 – Disco e tambor de balanceamento 176 FIGURA 99 – Esquema de bombas em paralelo 178 FIGURA 100 – Curva de operação em paralelo 178 FIGURA 101 – Variação da vazão com diferentes curvas do sistema 179 FIGURA 102 – Duas bombas com curvas diferentes operando em paralelo 180 FIGURA 103 – Curva de AMT ascendente/descendente e curvas planas 182 FIGURA 104 – Curva da bomba com orifício de restrição 183 FIGURA 105 – Esquema de bombas em série 184 FIGURA 106 – Bombas iguais operando em série 184 FIGURA 107 – Bombas com curvas diferentes em série 185 FIGURA 108 – Aumento de vazão com operação em série 186 FIGURA 109 – Influência da viscosidade nas curvas das bombas 187 FIGURA 110 – Carta de correção de viscosidade 191 FIGURA 111 – Filme lubrificante separando duas superfícies 192 FIGURA 112 – Posição do eixo no mancal de deslizamento 193 FIGURA 113A – Lubrificação por nível normal e com anel pescador 196 FIGURA 113B – Lubrificação com anel salpicador 196 FIGURA 114 – Sistema de geração e de distribuição de névoa 198 FIGURA 115 – Névoa pura para bombas API antigas e novas 198 FIGURA 116 – Tipos de reclassificadores 199 FIGURA 117 – Utilização do reclassificador direcional 200 FIGURA 118 – Névoa de purga 200 FIGURA 119 – Bombas canned e de acoplamento magnético 201 FIGURA 120 – Vida relativa dos rolamentos versus teor de água no óleo 204 FIGURA 121 – Vida do óleo em função da temperatura de trabalho 204 FIGURA 122 – Tipos de acoplamentos 206 PETROBRAS ABASTECIMENTO 10 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA123 – Carta de seleção de tamanhos 211 FIGURA 124 – Curvas da bomba 40-315 212 FIGURA 125 – Diagrama para determinação de problemas de vazão ou de baixa pressão de descarga em bombas centrífugas 215 FIGURA 126 – Pressão de vapor e NPSH 218 FIGURA 127 – Medida da tensão dos flanges 224 FIGURA 128 – Válvula de fluxo mínimo 228 FIGURA 129 – Folga mínima externa do impelidor com a voluta e com o difusor 228 FIGURA 130 – Rolamento de contato angular 230 FIGURA 131 – Concentricidades, excentricidades e perpendicularidades do acionador vertical 238 FIGURA 132 – Concentricidade e perpendicularidade da caixa de selagem 239 FIGURA 133 – Excentricidade e folgas máximas usadas na RPBC para bombas OH 240 FIGURA 134 – Região do encosto dos rolamentos no eixo 241 FIGURA 135 – Balanceamento em 1 ou 2 planos 242 FIGURA 136 – Parafuso quebra-junta 244 FIGURA 137 – Corte do diâmetro do impelidor 247 FIGURA 138 – Aumento de AMT por meio da redução da espessura da pá 248 FIGURA 139 – Ganho de AMT e de NPSH 249 FIGURA 140 – Ganho de vazão e de rendimento 249 FIGURA 141 – Anel pescador de óleo 250 FIGURA 142 – Métodos de aquecimento do rolamento 252 FIGURA 143 – Tipos de montagem de rolamentos de contato angulares aos pares e com as designações usadas 252 FIGURA 144 – Folga do mancal de deslizamento 253 FIGURA 145 – Posição da redução excêntrica e das curvas na tubulação de sucção 254 FIGURA 146 – Posição errada de válvula na sucção para impelidor de dupla sucção 255 FIGURA 147 – Posição da válvula de alívio externamente à bomba e antes de qualquer bloqueio 258 FIGURA 148 – Bomba alternativa de pistão, de simples efeito, acionada por sistema de biela/manivela 259 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 11
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    FIGURA 149 – Bomba alternativa simplex, de duplo efeito, acionada a vapor 260 Pense e FIGURA 150 – Válvulas corrediças de distribuição de vapor 260 Anote FIGURA 151 – Bombas de diafragma acionadas por pistão e por outro diafragma 262 FIGURA 152 – Vazão ao longo do tempo da bomba alternativa 263 FIGURA 153 – Vazão x P para bombas rotativas 264 FIGURA 154 – Bomba de engrenagens externas e internas 264 FIGURA 155 – Bomba de 3 fusos e de simples sucção 266 FIGURA 156 – Bomba de 2 fusos e de dupla sucção 266 FIGURA 157 – Bombas de palhetas 267 FIGURA 158 – Bomba de cavidades progressivas 268 FIGURA 159 – Bombas com 1, 2, 3 e 5 lóbulos 268 FIGURA 160 – Bomba peristáltica 269 FIGURA 161 – Esquema da variação de vazão da bomba alternativa de pistões axiais 269 FIGURA 162 – Bomba de pistão axial com ajuste da vazão 270 FIGURA 163 – Bombas de palheta externa, de pás flexíveis e de came com pistão 271 FIGURA 164 – Bomba auto-escorvante, submersa e tipo “vortex” 273 PETROBRAS ABASTECIMENTO 12 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Lista de tabelas TABELA 1 – Conversão de unidades de comprimento usuais em mecânica 20 TABELA 2 – Conversão de unidades de massa mais usuais na área de mecânica 21 TABELA 3 – Conversão de unidades de tempo 21 TABELA 4 – Conversão de áreas 23 TABELA 5 – Conversão de unidades de volume mais usadas em mecânica 25 TABELA 6 – Conversão de velocidades 26 TABELA 7 – Conversão de unidades de vazão 29 TABELA 8 – Conversão de unidades de força 33 TABELA 9 – Conversão de trabalho ou energia 34 TABELA 10 – Conversão de unidades de torque 35 TABELA 11 – Conversão de unidades de potência 36 TABELA 12 – Relação entre massas específicas 38 TABELA 13 – Pesos específicos 39 TABELA 14 – Relação entre pesos específicos 39 TABELA 15 – Conversão da unidade de pressão 48 TABELA 16 – Conversão de viscosidades dinâmicas 52 TABELA 17 – Conversão de viscosidades cinemáticas 53 TABELA 18 – Dados sobre tubos 61 TABELA 19 – Letras gregas 62 TABELA 20 – Prefixos 62 TABELA 21 – Torque a ser aplicado nos chumbadores 78 TABELA 22 – Conversão de velocidade específica 102 TABELA 23 – Volumes específicos da água e do vapor 132 TABELA 24 – Pontos da curva de AMt x vazão 168 TABELA 25 – Pontos de trabalho para diferentes rotações 168 TABELA 26 – Dados do acoplamento 208 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 13
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    TABELA 27 – Rendimento e fator de potência dos motores elétricos 221 TABELA 28 – Freqüência de vibração para diferentes tipos de Pense e acoplamentos 223 Anote TABELA 29 – Tolerâncias recomendadas 235 TABELA 30 – Ajustes ISO utilizados em bombas – Valores em m236 TABELA 31 – Excentricidades LTI de bombas BB recomendadas pelo API 237 TABELA 32 – Folgas mínimas de trabalho 245 PETROBRAS ABASTECIMENTO 14 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Apresentação O funcionamento adequado e com qualidade dos processos indus- triais depende fortemente dos equipamentos utilizados para: a movimen- tação dos fluidos; a geração de energia; o aumento ou a redução de velo- cidades; a limpeza de correntes líquidas ou gasosas; e outras funções de processo. É preciso, portanto, manter os equipamentos no nível e nas con- dições de funcionamento que garantam a continuidade dos processos. Esse é o dia-a-dia do profissional mecânico responsável por equipamentos de processo: mantê-los nas condições que atendam as necessidades de segu- rança e confiabilidade das unidades operacionais. Este curso tem por base os requisitos do PNQC (Programa Nacional de Qualificação e Certificação de Profissionais de Mecânica) e destina-se aos mecânicos das 14 Unidades de Negócio da Petrobras localizadas em nove estados do Brasil: AM, BA, CE, SE, PR, SP, MG, RJ e RS. Ele visa facilitar o compartilhamento dos conhecimentos adquiridos por esses profissionais ao longo de sua experiência nas diversas Unidades de Negócio da Petro- bras. A variação da complexidade do trabalho realizado, devido às carac- terísticas regionais e/ou nível tecnológico de cada Unidade, indica a ne- cessidade desse compartilhamento de forma que a heterogeneidade do grupo de profissionais na empresa seja reduzida. Com isso, teremos gan- hos na identificação das condições operacionais dos equipamentos, no di- agnóstico de causas e soluções de problemas, nas montagens e alinhamen- tos e no teste dos equipamentos. Assim, o curso de Atualização para Mecânicos de Equipamentos de Pro- cessos fornece o conhecimento teórico básico para a compreensão dos pro- blemas práticos enfrentados no dia-a-dia de uma unidade industrial, visan- do desenvolver nos participantes uma visão crítica e o auto-aprendizado. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 15
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    Introdução Pense e Anote É impossível imaginar uma refinaria de petróleo operando sem bom- bas, pois não há como transportar fluidos de e para as unidades de pro- cesso e entre seus equipamentos principais. Algumas instalações, favore- cidas por geografia peculiar, permitem o uso da energia da gravidade para realizar o escoamento. Mas, certamente, refluxos em colunas de destila- ção e outras aplicações são impraticáveis sem as bombas. Sem elas, a composição de bateladas torna-se uma operação comple- xa. No preparo de gasolinas, por exemplo, não há como homogeneizar com- pletamente a mistura das diversas naftas componentes durante o seu re- cebimento em tanques de armazenamento. A razão disso é que as cargas de energia hidráulica potencial (estática) não variam e, dessa forma, tor- nam obrigatória a circulação (dinâmica) de massa. Para transportar produtos para terminais a quilômetros de distância das refinarias, usam-se oleodutos. Além das distâncias, há por vezes que vencer montanhas para entregar derivados nas bases de provimento das distribuidoras. A energia usada para realizar essa tarefa vem das bombas de transferência, máquinas enormes que fornecem altas vazões e pressões. Para dosar o inibidor de corrosão no sistema de topo (linhas, conden- sadores, válvulas de controle e segurança) de uma coluna de destilação atmosférica, bombas dosadoras são fundamentais. Elas provêm a energia para elevar o fluido até o ponto de aplicação. Pela própria natureza da tarefa, o controle de vazão é fundamental e, praticamente, quem o faz já é a pró- pria bomba, máquina de pequeníssimo porte com baixíssima vazão e (a pressão da descarga pode ser alta) pressão. Enfim, para todos esses e outros serviços, usam-se intensa e extensiva- mente as bombas. Para que elas estejam disponíveis, existem os mecâni- cos de manutenção. A atividade de mecânica faz parte de uma atividade mais ampla e roti- neira das unidades industriais: a manutenção. Até há bem pouco tempo, o conceito predominante era de que a missão da manutenção consistia em restabelecer as condições normais dos equipamentos/sistemas, corri- gindo seus defeitos ou falhas. Hoje, a missão da manutenção é apresen- tada dentro de uma idéia mais ampla: PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 17
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    Pense e Anote Garantir a disponibilidade da função dos equipamentos e instalações de modo a atender ao processo de produção com confiabilidade, segurança, preservação do meio ambiente e custo adequados. Deseja-se que a manutenção contribua para maior disponibilidade confiável ao menor custo. A função do mecânico de manutenção é prestar um serviço – prover disponibilidade confiável de máquinas rotativas – para que os técnicos da operação realizem a produção com qualidade e segurança. Você, mecânico, quando executa seu trabalho, deve se preocupar com a produção e a segurança das pessoas que usarão as máquinas. Assim, estará contribuindo para que acidentes e perdas sejam evitados. Pense nisso! Você, como parte de uma equipe, é imprescindível para a rentabilidade e a segurança no seu local de trabalho, mesmo depois de ter ido embora! Você não está mais lá, mas o seu serviço está... PETROBRAS ABASTECIMENTO 18 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Unidades e suas conversões, propriedades dos líquidos e tabelas O s líquidos, assim como os gases e os sólidos, possuem diversas pro- priedades que os caracterizam. Faremos a seguir uma rápida recordação de algumas de suas propriedades e de grandezas físicas necessárias para que se possa compreender mais facilmente o funcionamento das bombas. Devido à existência de muitos equipamentos de origem americana e inglesa no sistema Petrobras, nos itens a seguir, quando tratarmos de con- versão de unidades, incluiremos também as principais unidades usadas naqueles países. Comprimento l O metro com seus múltiplos e submúltiplos é a principal unidade utiliza- da na medição de comprimento. Em mecânica, usamos muito o milímetro (mm), que é a milésima par- te do metro, o centésimo de milímetro (0,01mm) e o mícron ( m), que é a milionésima parte do milímetro. O plural de mícron é mícrones e mícrons, portanto, dizemos: 1 mícron, 2 mícrons, 3 mícrons, etc. No sistema inglês, as principais unidades usadas são: pés (ft); polegada (in); e (mils) milésimos de polegadas. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 19
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    A conversão entreas unidades mais usadas pode ser realizada confor- me a Tabela 1: Pense e TABELA 1 CONVERSÃO DE UNIDADES DE COMPRIMENTO USUAIS EM MECÂNICA Anote m mm 0.01mm m ft in mils 1m = 1 1.000 100.000 1.000.000 3,28 39,37 39.370 1mm = 0,001 1 100 1.000 0,00328 0,03937 39,37 0,01mm = 0,00001 0,01 1 10 3,28 x 10 -6 0,0003937 0,3937 1 m = 1 x 10-6 0,001 0,1 1 3,28 x 10 -7 0,0000394 0,03937 1ft = 0,3048 304,80 30.480 304.800 1 12 12.000 1in = 0,0254 25,4 2.540 25.400 0,0833 1 1.000 -5 -5 1mil = 2,54 x 10 0,0254 2,54 25,4 8,33x 10 0,001 1 Ainda no sistema inglês, temos a jarda (yd) e a milha (mi), as quais são pouco usadas em mecânica, que correspondem a: 1yd = 3ft = 0,9144m 1mi = 1760yd = 1,609km = 1.609m PROBLEMA 1 Quantos metros equivalem a 2 pés? Entrando na Tabela 1 na linha correspondente a 1ft e indo até a coluna de metros (m), achamos 0,3048. Portanto: 1ft = 0,3048m Logo 2ft = 2 x 0,3048 = 0,6096m PROBLEMA 2 A folga de catálogo de um mancal de deslizamento é de 5mils. De quanto seria esta folga em centésimos de milímetro? Da Tabela 1 1mil = 2,54 centésimos de mm 5mils = 2,54 x 5 = 12,7 centésimos de mm PETROBRAS ABASTECIMENTO 20 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Para converter mils para centésimos de milímetro, basta multiplicar por 2,54. Massa m O quilograma (kg), seu submúltiplo, o grama (g) (atenção, a palavra é do gênero masculino), e o múltiplo, a tonelada, são as unidades de massa mais usadas em mecânica. Em unidades inglesas temos: a libra massa (lbm); a onça avdp (oz); a tonelada curta (short ton) e a longa (long ton). TABELA 2 CONVERSÃO DE UNIDADES DE MASSA MAIS USUAIS NA ÁREA DE MECÂNICA Ton Ton curta Ton longa kg g lbm Oz (avdp) métrica (EUA) (Inglaterra) 1kg = 1 1.000 0,001 2,2 35,274 0,001102 0,000984 -6 1g = 0,001 1 1 x 10 0,0022 0,03527 – – 1 ton métr = 1.000 1 x 10 6 1 2.204,6 35.274 1,102 0,9842 1lbm = 0,4536 454 0,000454 1 16 0,0005 4,46 x 10 -4 1 oz (avpd) = 0,0283 28,35 – 0,0625 1 – – 1 ton curta = 907,18 – 0,907 2000 32.000 1 0,892857 1ton longa = 1016 – 1,016 2240 35.840 1,12 1 Tempo t As principais unidades de tempo usadas em mecânica são: segundo (s), minuto (min), hora (h), dia (d) e ano. A conversão entre essas unidades é dada por: TABELA 3 CONVERSÃO DE UNIDADES DE TEMPO Ano Dia Hora Minuto Segundo 1 ano = 1 365 8760 525.600 31.536.000 1 dia = 2,74 x 10 -3 1 24 1440 86.400 1 hora = 1,142 x 10 -4 0,04167 1 60 3.600 1 minuto = 1,903 x 10 -6 6,944 x 10-4 0,01667 1 60 1 segundo = 3,171 x 10 -8 1,157 x 10-5 2,778 x 10-4 0,01667 1 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 21
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    Temperatura T As unidades de temperatura mais usadas são: Graus Celsius (oC) no sistema métrico. Pense e Graus Fahrenheit (oF) no sistema inglês. Anote Temos também as escalas absolutas: graus Kelvin (K) e graus Rankine (R). K = 273 + oC R = oF + 460 Podemos fazer a conversão entre as escalas Celsius e a Fahrenheit basean- do-nos nas temperaturas de fusão do gelo, na temperatura de ebulição da água na pressão correspondente ao nível do mar (Patm = 1,033kgf/cm2). FIGURA 1 ESCALA DE TEMPERATURAS CELSIUS E FAHRENHEIT 100 oC 212 o F Temperatura de ebulição da água o 5 o 100 o C 180 o F C= ( F – 32) 9 Temperatura de 0oC 32 o F fusão do gelo PROBLEMA 3 Qual seria a temperatura em graus Celsius equivalente a 302oF? Aplicando a fórmula de conversão, temos: C = 5 (oF – 32) = 5 (302 – 32) = 5 (270) = 150 o 302oF = 150oC 9 9 9 A temperatura de 302oF = 150oC. PROBLEMA 4 Qual a temperatura em oF equivalente a 40oC? o 5 o 5 40 x 9 C= ( F – 32) 40 = (F – 32) = (F – 32) 9 9 5 F = 72 + 32 = 104 40oC = 104oF PETROBRAS ABASTECIMENTO 22 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote ÁreaA É a medida da superfície ocupada por uma figura. É sempre um produto de duas dimensões: base x altura (b x h) ou de raio x raio (r 2 ), ou ainda de diâmetro x diâmetro (D 2 ). FIGURA 2 ÁREAS DE FIGURAS GEOMÉTRICAS Quadrado Retângulo Paralelogramo a h h b b a A = a2 A=bxh A=bxh Trapézio Triângulo Círculo h D b1 b b1 + b 2 bx h D2 A= xh A= A= r2 = 2 2 4 PROBLEMA 5 Qual a área de um triângulo com 20mm de base e 15mm de altura? A equivalência e a conversão bxh 20 x 15 300 entre as unidades de área A= = = = 150mm2 2 2 2 podem ser obtidas conforme se vê na Tabela 4. TABELA 4 CONVERSÃO DE ÁREAS m2 cm2 mm2 ft2 in2 1m2 = 1 10.000 1.000.000 10,764 1550 2 1cm = 0,0001 1 100 0,001076 0,155 2 1mm = 1x 10-6 0,01 1 0,0000108 0,00155 1ft2 = 0,0929 929,03 92903 1 144 2 1in = 0,00064516 6,4516 645,16 0,00694 1 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 23
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    PROBLEMA 6 Qual a área em m2 equivalente a 10ft2? Da Tabela 4, temos que 1ft2 = 0,0929m2 10ft2 = 10 x 0,0929 = 0,929m2 Pense e Anote Volume V É a medida do espaço ocupado por um corpo. É sempre um produto de três dimensões. FIGURA 3 VOLUME DOS SÓLIDOS Cubo Paralelepípedo Cilindro a h h B b B r a a a A = a3 V=Bxh=axbxh V=Bxh= x r2 x h Cone Esfera h r B r Bxh x r2 x h 4 r3 V= = V= 3 3 3 PROBLEMA 7 Qual o volume de um cone com uma base de 3cm de raio e altura de 5cm? .r 2 .h 3,14 . 32 . 5 V= = = 47,1cm3 3 3 PETROBRAS ABASTECIMENTO 24 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote PROBLEMA 8 Qual o volume de uma esfera de 5cm de raio? 4 4 V= . .r3 = x 3,14 x 53 = 130,8cm3 3 3 A equivalência e a conversão entre unidades de volume podem ser ob- tidas conforme a Tabela 5. TABELA 5 CONVERSÃO DE UNIDADES DE VOLUME MAIS USADAS EM MECÂNICA Litro Galão Galão m3 = dm3 ft 3 in3 (EUA) imperial Barril 1m3 = 1 1.000 35,315 61.023,7 264,172 220 6,289 1litro = 0,001 1 0,0353 61,024 0,264 0,22 0,00629 3 1dm = 0,001 1 0,0353 61,024 0,264 0,22 0,00629 3 1ft = 0,0283 28,317 1 1728 7,48 6,229 0,1781 3 -5 -4 1in = 1,639 x 10 0,0164 5,79 x 10 1 0,00433 0,003605 0,0001031 1gal (EUA) = 0,00379 3,785 0,1337 231 1 0,8327 0,02381 * 1gal imp = 0,004546 4,546 0,1605 277,4 1,201 1 0,02859 1barril = 0,159 159 5,614 9702 42 34,97 1 Galão imperial é mais usado nos países do Reino Unido (UK). PROBLEMA 9 Qual o volume em litros de um tanque de óleo com 1.000 galões de capa- cidade? Se o equipamento for de origem americana, verificando na tabela, temos que: 1 galão USA = 3,785 litros. Capacidade do tanque em litros = 1.000 x 3,785 = 3.785 litros. Se o equipamento for de origem inglesa, da Tabela 5, tiramos: 1 galão imperial = 4,546 litros. Capacidade do tanque em litros = 1.000 x 4,546 = 4.546 litros. Velocidade linear v Velocidade é a distância percorrida na unidade de tempo. D V= t PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 25
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    Quando dizemos quea velocidade média de deslocamento de um lí- quido em uma tubulação é de 2m/s, estamos informando que, na média, a cada segundo as partículas do líquido se deslocam 2 metros. Falamos Pense e em velocidade média porque, devido ao atrito, ela é menor junto às pare- Anote des do tubo do que no centro. FIGURA 4 VELOCIDADE DE DESLOCAMENTO DE UM LÍQUIDO As unidades usuais para expressar velocidade são: m/s mm/s km/h in/s ft/s milha/h TABELA 6 CONVERSÃO DE VELOCIDADES m/s mm/s km/h in/s ft/s milha/h 1m/s 1 1.000 3,6 39,37 3,28 2,237 -6 1mm/s 0,001 1 10 0,03937 0,00328 0,002237 1km/h 0,2778 277,8 1 10,936 0,9113 0,6214 1in/s 0,0254 25,4 0,09144 1 0,08333 0,05681 1ft/s 0,3048 304,8 1,097 12 1 0,6818 1mi/h 0,4470 447,04 1,609 17,6 1,467 1 É muito comum medirmos uma vibração baseada na velocidade. A uni- dade mais usual é mm/s. Alguns aparelhos de origem americana utilizam pol/s (in/sec). A conversão é dada por: 1 in/sec = 25,4mm/s PETROBRAS ABASTECIMENTO 26 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Velocidadeangular w Velocidade angular é o ângulo percorrido na unidade de tempo. FIGURA 5 VELOCIDADE ANGULAR N A Os ângulos podem ser medidos em graus ou radianos. Cada volta na circunferência significa que um corpo percorreu um ângulo A de 360o ou de 2 rd. Se um objeto percorrer duas voltas por minuto, terá a velocida- de de 2 x 2 rd/min = 4 rd/min. Se estiver girando numa rotação N (rpm), terá uma velocidade angular de N x 2 rd/min. w=2 N rd/min Radiano é o ângulo central correspondente a um arco igual ao raio. Para passar de rd/min para rd/s, basta dividir por 60. Temos então: N N Velocidade angular W=2 = rd/s com N em rpm. 60 30 PROBLEMA 10 Qual a velocidade angular de uma peça girando a 1.200rpm? .N 1200 W= = = 3,14 x 40 = 125,6rd/s 30 30 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 27
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    Vazão volumétrica Q Vazão volumétrica é o volume de líquido que passa numa determinada seção do tubo na unidade de tempo. Pense e Anote Q= Vol t FIGURA 6 VAZÃO NUMA TUBULAÇÃO V = velocidade média D Vazão = velocidade média x área A vazão numa tubulação é igual à velocidade média V multiplicada pela área A. V D2 Q=VxA= 4 Uma bomba com vazão de 100m3/h significa que, no seu flange de descarga (e no de sucção), passam em cada hora 100m3 do líquido. Sabendo a vazão Q e o diâmetro interno D, podemos determinar a ve- locidade média de deslocamento do líquido na tubulação. PROBLEMA 11 Qual seria a velocidade do líquido em uma linha de 10"sch 40 (Dint = 0,254m), sabendo que por ela passa uma vazão de 314m3/h? Substituindo na fórmula e usando unidades coerentes, teremos: V. .D2 m3 V x 3,14 x 0,2542 m2 Q= 314 = 4 h 4 314 x 4 m 6.200 m V= = 6.200 Como 1h = 3.600s V= = 1,72 2 s 3,14 x 0,254 h 3.600 PETROBRAS ABASTECIMENTO 28 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Conforme calculado, o líquido estaria deslocando-se a 6.200m/h ou a 1,72m/s. As unidades de vazão mais usadas em bombas centrífugas são: m3/h e gpm (galão por minuto). Para bombas dosadoras, é usual l/min ou l/h. Já no caso de unidades de processamento, prevalece m3/dia ou barris/dia (bbl/d). TABELA 7 CONVERSÃO DE UNIDADES DE VAZÃO gpm gpm m3/h m3/d l/h l/min l/s bbl/dia (EUA) (Ingl.) 1m3/h = 1 24 1000 16,667 0,2778 4,403 3,666 150,96 1m3/d = 0,0417 1 41,67 0,6944 0,01157 0,1834 0,1528 6,29 1 l/h = 0,001 0,024 1 0,01667 0,000278 0,004403 0,00366 0,151 1 l/min = 0,06 1,44 60 1 0,01667 0,264 0,22 9,057 1 l/s = 3,6 86,4 3.600 60 1 15,85 13,2 543,4 1gpm (EUA) = 0,227 5,45 227,1 3,785 0,06309 1 0,833 34,286 1gpm (Ingl.) = 0,273 6,546 272,76 4,546 0,07577 1,2 1 41,175 1bbl/dia = 0,00663 0,159 6,624 0,1104 0,00184 0,0292 0,0243 1 bbl = barril. PROBLEMA 12 Qual a vazão de equivalente em m3/h de uma bomba com 200gpm EUA? Da Tabela 7, temos que 1gpm (EUA) = 0,227m3/h 0,227m3/h ➜ 200gpm = 0,227 x 200 = 45,4m3/h Aceleração a É a variação da velocidade no intervalo de tempo. v2 – v1 a= t2 – t1 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 29
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    PROBLEMA 13 Qual a aceleração em m/s2 de um carro que leva 10 segundos para ir de 0 a 90km/h? Pense e Anote a= v2 – v1 t2 – t1 = 90km/h – 0km/h 10s – 0s = 90km/h 10s =9 km/h s 9.000m/h 9.000m/s 2,5m/s m = = = = 2,5 2 s 3.600s s s A aceleração ou variação de velocidade do carro foi de 9km/h para cada segundo, o que é equivalente a 2,5m/s para cada segundo ou, ainda, a 2,5m/s2. Uma aceleração bastante utilizada é a aceleração da gravidade “g”, decorrente da atração da Terra sobre os corpos. No nível do mar, esta aceleração é de 9,81m/s2. Nos locais mais altos, o valor de “g” é menor. Esta aceleração é responsável pelo peso dos corpos, conforme será visto no item sobre força, a seguir. Ao girar, um corpo fica submetido a um outro tipo de aceleração. É a denominada “aceleração centrífuga”, expressa pela fórmula: FIGURA 7 ACELERAÇÃO CENTRÍFUGA ac N r a c = W 2. r onde: W = Velocidade angular N rd W= 30 s N = Rotações por minuto (rpm) r = Raio de giro PETROBRAS ABASTECIMENTO 30 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote A aceleração centrífuga varia com o quadrado da rpm e diretamente com o raio de giro. PROBLEMA 14 Qual a aceleração centrífuga de um corpo girando a 300rpm num raio de 0,10m? A velocidade angular seria: N . 300 w= = = 31,4rd/s 30 30 A aceleração centrífuga seria: ac = w2 x r = 31,42 (rd/s)2 x 0,10m = 98,6m/s2 Força F Força é o produto da massa pela aceleração: F=mxa Quando levantamos um peso ou empurramos um carrinho, estamos exercendo uma força. Quando subimos em uma balança para pesar, esta- mos medindo uma força, ou seja, o peso é uma força. Uma bomba centrí- fuga, que através de seu impelidor impulsiona o líquido, está exercendo sobre ele uma força. Neste caso, devido ao fato de a força ser aplicada por meio de um movimento de rotação, ela recebe o nome de força centrífuga. O peso, como qualquer força, é o produto de uma massa pela acelera- ção, a qual, neste caso, é a aceleração da gravidade. Peso = m x g m = massa g = aceleração da gravidade Usando m ➜ kg e g ➜ m/s2, o valor da força (peso) será expresso em N (Newton). Se utilizarmos um sistema de unidades no qual esta equação seja divi- dida por uma constante igual a 9,81, teremos: mxg Peso = 9,81 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 31
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    Como, ao níveldo mar, a aceleração da gravidade é de g = 9,81m/s2, este valor simplificaria o denominador, ficando o peso e a massa expres- Pense e sos pelo mesmo número. Este sistema é bastante utilizado de- Anote P= mxg = m x 9,81 =m vido à facilidade da conversão entre 9,81 9,81 massa e peso. Dizemos, por exemplo, que a massa de uma peça é de 10kg e dizemos também que seu peso é de 10kg, o que é uma simplificação, vis- to que massa e peso são distintos. Como vimos, peso é uma força. Por- tanto, é o produto da massa pela aceleração. Estes valores seriam iguais somente ao nível do mar. Num local mais alto, a massa permaneceria com o mesmo valor, mas o peso seria menor porque a aceleração da gravidade local seria menor. Para distinguir quando estamos falando de massa ou de peso, o correto seria dizer que a massa é de 10 quilogramas massa (10kgm) e o peso é de 10 quilogramas força (kgf) ou 10kg. A força centrífuga também é o produto de uma massa por uma acele- ração, só que, neste caso, a aceleração é a centrífuga. Fc = m x aC = m x w2 x r m = massa w = velocidade angular r = raio de giro aC = aceleração centrífuga 2 Como w= N 30 rd/s ➜ Fc = m . ac = m . ( )N 30 .r A força centrífuga varia com o quadrado da rotação (N) e diretamente com a massa e o raio de giro. Portanto, ao dobrar a rotação, a força centrífuga fica multiplicada por 4. Se dobrar o raio, a força fica multiplicada por 2. FIGURA 8 FORÇA CENTRÍFUGA F c F c Parado Baixa rotação Alta rotação PETROBRAS ABASTECIMENTO 32 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote No caso da peça mostrada na Figura 8, devido ao fato de a massa ser articulada, ao aumentarmos a rotação, aumentamos também o raio de giro. Ambos os efeitos contribuem para o aumento da força centrífuga. A conversão de unidades de força pode ser tirada da Tabela 8: TABELA 8 CONVERSÃO DE UNIDADES DE FORÇA kgf Ton força N dina lbf 1kgf = 1 0,001 9,806 980.665 2,2 1ton f = 1.000 1 9806 980.665.000 2.204 1N = 0,102 0,000102 1 100.000 0,225 1 dina = 1,02x10-6 1,02x10 -9 0,00001 1 2,25x 10 -6 1lbf = 0,454 0,00454 4,45 4,45x 105 1 PROBLEMA 15 A que força centrífuga estaria submetida uma massa de 0,200kg, se girasse a 300rpm e com um raio de 0,10m? No problema 14, de aceleração, visto anteriormente, calculamos que para N = 300rpm e r = 0,10m ➜ ac = 98,6m/s2 Se usarmos a massa em kg e a aceleração em m/s2, a força será expres- sa em N. Fc = m x ac = 0,200 x 98,6 = 19,72N Da Tabela 8: 1 N = 0,102kgf ➜ Fc = 19,72N = 19,72 x 0,102 = 2,01kgf Trabalho ou energia T Trabalho é realizado quando FIGURA 9 uma força atua sobre uma mas- TRABALHO REALIZADO sa para fazê-la percorrer deter- minada distância. A quantidade de trabalho é definida como F sendo o produto dessa força 1 2 por essa distância percorrida. d T=Fxd Para realizar esse trabalho, foi gasta uma energia. Energia e tra- balho são equivalentes. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 33
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    Se usarmos umaforça F para deslocar o bloco da posição 1 para a 2, percorrendo a distância d, o trabalho realizado será definido como: Pense e T=Fxd Anote F → kgf e d→m ➜ T → kgf .m F→N e d→m ➜ T → N .m = J (Joule) A conversão das unidades de trabalho pode ser retirada da Tabela 9: TABELA 9 CONVERSÃO DE TRABALHO OU ENERGIA kgf.m J = N.m KW.h BTU cal lbf.ft -6 1kgf.m = 1 9,8 2,72 x10 0,00929 2,34 7,23 1J = 1N.m = 0,102 1 2,77 x10 -7 9,48 x10-4 0,239 0,738 1kW.h = 3,67 x 105 3,6 x 106 1 3.412 8,6 x 10 5 2,655x10 6 1BTU = 108 1055,06 2,93 x10 -4 1 252 778 1cal = 0,427 4,187 1,16 x10 -6 0,00397 1 3,09 1lbf.ft = 0,138 1,36 3,77 x10 -7 0,001285 0,324 1 Unit British Thermal Unit e cal (caloria) são unidades de calor equivalentes à energia. A conta que pagamos de energia elétrica em nossas casas é baseada no consumo de kWh, o que é equivalente ao consumo de uma potência (kW) por um determinado tempo (h), ou seja, é energia mesmo. Torque Tq Torque é o produto de uma força pela distância a um eixo de rotação. FIGURA 10 Como podemos no- tar, o torque e o traba- TORQUE lho são o produto de uma força por uma dis- tância. Embora te- T=Fxd Força nham significados dis- aplicada tintos, podem ser ex- pressos pelas mesmas unidades. d Para apertar uma Raio de giro porca com uma chave, temos de exercer um torque na porca. PETROBRAS ABASTECIMENTO 34 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote F → kgf e d→m ➜ Tq → kgf.m F→N e d→m ➜ Tq → N.m F → lbf e d → ft ➜ Tq → lbf.ft A conversão entre as unidades de torque é fornecida na Tabela 10 a seguir: TABELA 10 CONVERSÃO DE UNIDADES DE TORQUE 1kgf.m 1N. m 1lbf. ft 1lbf. in 1 dina . cm 1kgf.m = 1 9,8 7,233 86,8 9,8 x 10 7 1N.m = 0,102 1 0,738 8,85 1 x 10 7 1lbf.ft = 0,138 1,356 1 12 1 ,36 x 10 7 1lbf.in = 0,0115 0,113 0,0833 1 1,13 x 106 -8 -7 -8 -7 1dina.cm 1,02 x 10 1 x 10 7,38 x 10 8,85 x 10 1 PROBLEMA 16 Que a força em kgf devemos aplicar a uma chave com 0,50m de compri- mento para dar um torque recomendado de 100 lbf.ft? Vamos calcular primeiro qual o torque em kgf.m. Da tabela acima, temos: 1 lbf .ft = 0,138kgf .m ➜ 100 lbf . ft = 100 x 0,138 = 13,8kgf . m Como Tq = F x d ➜ 13,8kgf . m = F x 0,50m 13,8 F= = 27,6kgf 0,50 Portanto, com uma chave de 0,50m, teríamos de fazer uma força de 27,6kgf para obter o torque de 100 lbf/ft. Potência Pot Potência é o trabalho realizado na unidade de tempo. T Pot = t T → J = N.m e t→s ➜ → Pot→ W (Watt) Em bombas, é comum expressar a potência em hp ou kW (que é um múltiplo do W) ou, ainda, em CV. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 35
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    A conversão entreas unidades de potência é dada por: TABELA 11 CONVERSÃO DE UNIDADES DE POTÊNCIA W = J/s KW hp cv Pense e Anote 1W = 1 0,001 0,00134 0,00136 1kW = 1.000 1 1,341 1,36 1hp = 745,7 0,7457 1 1,014 1cv = 735,5 0,7355 0,986 1 PROBLEMA 17 Qual a potência equivalente em hp de um motor cuja plaqueta indica 100kW? Da Tabela 11 de conversão de potência, temos: 1kW = 1,341hp ➜ 100kW = 100 x 1,341hp = 134,1hp A potência consumida por uma bomba é dada por: . Q. H Pot = 274 . Pot = Potência em hp = Peso específico em gf/cm3 (igual à densidade) P = Potência em hp Q = Vazão em m3/h H = Altura manométrica total em metros = Rendimento (Ex. 70% → usar 0,70) Massa específica É a relação entre a massa de uma substância e seu volume, ou seja, é a massa de cada unidade de volume. massa = volume Na temperatura ambiente, o mercúrio, usado em manômetros e ter- mômetros, possui uma massa específica de 13,6g/cm3, ou seja, cada cen- tímetro cúbico de mercúrio tem uma massa de 13,6g. PETROBRAS ABASTECIMENTO 36 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote PROBLEMA 18 Qual seria a massa específica de um cubo de 2cm de aresta, sabendo que sua massa é de 40 gramas? FIGURA 11 MASSA ESPECÍFICA DO CUBO 2 2 2 Volume = a3 = 23 = 8cm3 massa = 40g massa 40g massa específica = = = 5gcm3 volume 8cm3 Quando aquecemos um material, seu volume aumenta com a tempe- ratura, mas sua massa permanece constante. Logo, se aquecermos um produto, estaremos aumentando o denominador no cálculo da massa es- pecífica (volume), mantendo o numerador (massa) constante, o que leva- ria à redução da massa específica. Quanto maior a temperatura de um material, menor a sua massa específica. Por esse motivo, é necessário citar a temperatura a que estamos nos referindo quando informamos a massa específica de um produto. A massa de 1cm3 de água na temperatura de 20oC é de 0,998g; logo, sua massa específica é 0,998g/cm3. É usual adotar o valor de 1g/cm3 na temperatura ambiente. No caso de bombas, é mais usual o emprego do peso específico, cuja definição veremos em seguida, do que da massa específica. A transformação entre unidades de massa específica pode ser obti- da por: PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 37
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    TABELA 12 RELAÇÃO ENTRE MASSAS ESPECÍFICAS Pense e g / cm3 kg / m3 lb /ft3 lb / in3” Anote 1g / cm3 = 1 1.000 62,43 0,0361 3 1kg / m = 0,001 1 0,0624 3,61 x 10 -5 1lb /ft3 = 0,016 16,02 1 0,0005787 1lb / in3 = 27,68 27680 1728 1 Peso específico É a relação entre o peso de uma substância e seu volume. peso = volume Para determinar o peso específico de qualquer material, basta pesá-lo, medir seu volume e fazer a divisão. PROBLEMA 19 Calcular o peso específico da água, sabendo que um reservatório comple- tamente cheio, em forma de cubo, com cada lado medindo internamente 5cm, apresentou um peso líquido de 125 gramas força (já descontando o peso do recipiente). FIGURA 12 PESO ESPECÍFICO Volume = 5 x 5 x 5 = 125cm3 Peso = 125gf 5cm peso 125gf Peso específico = = = 1gf/cm3 volume 125cm 5cm 5cm Na temperatura ambiente, o peso específico da água pode ser conside- rado como de 1gf/cm3. PETROBRAS ABASTECIMENTO 38 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote O peso específico varia com a temperatura, uma vez que o volume é modificado. Por exemplo, 1cm3 de água a 80oC pesa 0,971gf. A 200oC, o peso do cm3 de água cai para 0,865gf. Podemos afirmar então que o peso específico da água a 80oC é de 0,971gf/cm3 e a 200oC é de 0,865gf/cm3. O peso específico é usado tanto para sólidos como para líquidos. Na temperatura de 20oC, temos os seguintes pesos específicos: TABELA 13 PESOS ESPECÍFICOS Peso específico Peso específico Produto (gf/cm3) Produto (gf/cm3) Água 1 GLP 0,5 Aço-carbono 7,8 Gasolina 0,68 a 0,78 Aço inox AISI 316 8,02 Querosene 0,78 a 0,82 Alumínio 2,8 Diesel 0,82 a 088 Chumbo 11,2 Gasóleo 0,85 a 0,89 Cobre 8,94 Óleo lubrificante 0,86 a 0,94 Mercúrio 13,6 Petróleo 0,70 a 0,94 Analisando a Tabela 13, acima, vemos que o aço-carbono pesa 7,8 ve- zes mais do que o mesmo volume de água. Como peso específico é uma relação entre peso e volume, podem ser usadas outras unidades diferentes de gf/cm3 para sua definição, como kgf/ m3 ou lbf/in3. A conversão entre as unidades mais usadas para pesos específicos pode ser obtida por: TABELA 14 RELAÇÃO ENTRE PESOS ESPECÍFICOS gf/cm3 kgf/m3 lbf/ft3 lbf/in3 1gf/cm3 = 1 1.000 62,43 0,0361 3 1kgf/m = 0,001 1 0,0624 3,61 x 10 -5 1lbf/ft3 = 0,016 16,02 1 5,787x 10 -4 1lbf/in3 = 27,68 27680 1728 1 PROBLEMA 20 Qual o peso específico em gf/cm3 equivalente a 2.500kgf/m3? Da Tabela 14 de conversão, temos que: 1kgf/m3 = 0,001gf/cm3 ➜ 2.500kgf/m3 = 2.500 x 0,001gf/cm3 = 2,5gf/cm3 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 39
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    Densidade Densidade de um líquido ou de um sólido é a relação entre a massa espe- cífica deste material e a da água. Para gases, o padrão de comparação Pense e adotado é o ar. Anote massa específica do produto d= massa específica da água A norma ISO recomenda que a massa específica da água seja tomada a 20 C. Nessa temperatura, 1cm3 de água tem uma massa ligeiramente me- o nor do que 1 grama (0,998g). Outras fontes adotam outras temperaturas. No cálculo da densidade, ao usarmos o numerador e o denominador com as mesmas unidades, por exemplo, g/cm3, elas se cancelam, ficando a densidade como adimensional, ou seja, expressa por um número sem dimensão. Para calcular a densidade de um líquido ou sólido, vamos dividir a massa específica desse material pela da água, que é de aproximadamente 1g/cm3. Daí, podemos dizer que a densidade é numericamente igual à massa específica quando expressa em g/cm3. Na temperatura ambiente, a densidade também é numericamente igual ao peso específico em gf/cm3. A densidade da água na temperatura ambiente, como não poderia deixar de ser, é igual a 1, já que estamos dividindo a massa específica da água por ela mesmo. Na temperatura ambiente, a densidade da gasolina fica em torno de 0,74 e a do GLP, em torno de 0,5. Pressão Pressão, por definição, é a força dividida pela área em que esta atua. F P= A Estão representados na Figura 13 um prego (com ponta) e um saca-pino (sem ponta), ambos com o mesmo diâmetro de corpo. Ao bater com o mar- telo, o prego penetra na madeira. Se batermos com a mesma força no saca- pino, possivelmente ele só fará uma mossa na madeira. Por que isso ocorre? PETROBRAS ABASTECIMENTO 40 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 13 PENETRAÇÃO DO PREGO 1 2 Vamos supor que o martelo, ao bater no prego, exerça uma força de 10kgf e que a área da ponta do prego seja de 0,01cm2 e a do saca-pino, de 0,2cm2. As pressões exercidas na madeira serão: F 10 Prego → P = = = 1.000kgf/cm2 A 0,01 F 10 Saca-pino → P = = = 50kgf/cm2 A 0,2 Vemos que a pressão exercida pelo prego na madeira foi 20 vezes maior do que a do saca-pino. Por esse motivo, o prego penetrou, enquanto o saca-pino só deformou a madeira. Uma aplicação bastante usada de pressão é o macaco hidráulico. FIGURA 14 MACACO HIDRÁULICO F Peso = 2.000kg diâmetro do diâmetro do cilindro = 2cm cilindro = 25cm Óleo Manômetro PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 41
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    PROBLEMA 21 Qual seria a pressão de óleo necessária para levantar um carro de 2.000kgf de peso no macaco hidráulico da Figura 14? Qual seria a força necessária a ser exercida no pistão menor para gerar esta pressão no óleo? Desprezar a diferença de pressão devido à coluna de óleo dentro do reservatório. Pense e Anote Dados: Peso = 2.000kgf Dia. cil. menor = 2cm Dia. cil. maior = 25cm D2 3,14 x 22 Área cil. 1 = = = 3,14cm2 4 4 D2 3,14 x 252 Área cil. 2 = = = 490,6cm2 4 4 Pressão necessária para levantar o carro: F 2.000kgf P= = = 4,08kgf/cm2 A 490,6cm2 Para termos uma pressão de 4,08kgf/cm2 no óleo, será necessário apli- car no pistão menor a força de: F kgf P= F = P x A = 4,08 x 3,14cm 2 = 12,81kgf A cm2 Com o auxílio da pressão, com uma força de apenas 12,81kgf, con- seguiremos levantar um carro com 2.000kgf. O pistão menor terá de deslocar-se de 156,2cm para cada centímetro do pistão maior. Pode- mos calcular esta relação sabendo que o volume deslocado pelos dois cilindros tem de ser igual. V = A1 x h1 = A2 x h2 ➜ h1 A1 490,6 = = = 156,2 h2 A2 3,14 PETROBRAS ABASTECIMENTO 42 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Apressão atmosférica Vejamos agora o significado da pressão atmosférica. O ar que envolve nosso planeta tem um peso. A coluna de ar correspondente a 1cm2 da superfície da Terra medida ao nível do mar pesa 1,033kgf. Logo, a pressão exercida por esta coluna será de 1,033kgf/cm2. Este valor é denominado pressão atmosférica. Quando subimos numa montanha, a coluna de ar fica redu- zida, o que reduz a pressão atmosférica local. Por exemplo, a 3.000m de altura, a coluna de ar pesa 0,710kgf, então, a pressão atmosférica nessa altitude será de 0,71kg/cm2. FIGURA 15 PRESSÃO ATMOSFÉRICA Pressão x Altitude Peso = Coluna Pressão – kgf/cm 2 1,033kgf de ar 1cm 2 Terra Altitude – metros A cidade de São Paulo está situada a uma altitude de 700m, possuin- do, por isso, uma pressão atmosférica em torno de 0,95kgf/cm2. Essa pressão, decorrente da coluna de ar, permite que, ao medir uma pressão, tenhamos dois modos de expressá-la: ➜ PRESSÃO ABSOLUTA Medida a partir da pressão zero absoluto. ➜ PRESSÃO RELATIVA OU MANOMÉTRICA Medida a partir da pressão atmosférica local. O valor da pressão absoluta será igual ao valor da pressão atmosférica local, somado ao valor da pressão relativa ou manométrica. Pressão absoluta = Pressão manométrica + Pressão atmosférica local PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 43
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    Os manômetros sãonormalmente calibrados para indicarem pressão relativa, ou seja, a medição é realizada a partir da pressão atmosférica local. Daí os valores medidos serem chamados de pressão manométrica ou re- Pense e lativa. Quando a pressão está acima da pressão atmosférica, ela é consi- Anote derada positiva e, quando abaixo, é negativa. A pressão negativa é chama- da também de vácuo. Para obter a pressão zero absoluto teríamos de retirar toda a coluna de ar existente sobre o corpo. FIGURA 16 PRESSÃO ABSOLUTA E PRESSÃO RELATIVA (MANOMÉTRICA) Pressão manométrica Pressão ou relativa P1 P man = 1,5kg/cm2 1atm + Pressão atm. local = 1kgf/cm2 P abs = 2,5kg/cm2 P man = – 0,4kg/cm2 – P2 P atm 1,033kg/cm2 (nível do mar) P abs = 0,6 kg/cm2 + 0 abs Pressão absoluta P abs = P atm + P man Na Figura16, representamos uma pressão acima da atmosférica, P1, e uma outra pressão abaixo da atmosférica, P2. Vamos supor que P1 e P2 estejam sendo medidas num local onde a pressão atmosférica seja de 1,0kgf/cm2. Se a pressão P1 fosse de 2,5kgf/cm2 absoluta, a medida em valor manométrico seria de 1,5kgf/cm2. Este valor é resultante da com- posição com a pressão atmosférica local. P1abs = P1man + Patm ➜ 2,5 = P1man + 1,0 ➜ P1man = 2,5 – 1,0 = 1,5kg/cm2 Se a pressão P2, abaixo da atmosfera, fosse de 0,6kgf/cm2 absoluta, seria equivalente a dizer que é de - 0,4kgf/cm2 manométrica. Podemos dizer também que esta pressão P2 é um vácuo de 0,4kgf/cm2. As pressões ne- gativas são usualmente expressas em mm de Hg (milímetro de mercúrio). P2abs = P2man + Patm ➜ 0,6 = P2man + 1,0 ➜ P 2man = 0,6 – 1,0 = – 0,4kg/cm2 PETROBRAS ABASTECIMENTO 44 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Para não confundir a pressão manométrica com a absoluta, é comum adicionar uma letra após a unidade. Usa-se M ou m para pressão mano- métrica, e A ou a para pressão absoluta. Exemplo: Pressão absoluta 3,2kgf/cm2 A 4,26kgf/cm2 a Pressão relativa 8,0kgf/cm2 M 12,9kgf/cm2 m Em unidades inglesas, a pressão é usualmente medida em psi, que sig- nifica pound per square inch, ou seja, libra por polegada quadrada. Para diferenciar, são usados psig e psia. O g vem da palavra gauge, que signi- fica manômetro, e a é de absolute. Portanto, psig quer dizer pressão ma- nométrica, e psia é a pressão absoluta. Para transformar a pressão de psig para psia, no nível do mar, basta somar a pressão atmosférica, que é igual a 14,7psi: Pressão psia = Pressão psig + 14,7 Vejamos qual seria a pressão exercida na base por uma coluna de líquido. É fácil notar que o peso do líquido será o responsável pela força exercida. FIGURA 17 PRESSÃO EXERCIDA POR UMA COLUNA DE LÍQUIDO A Volume = A x H H O volume do líquido contido na coluna é: Vol = área da base x altura = A x H PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 45
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    O peso dolíquido da coluna é de: Peso = Vol x peso específico = Vol x =A.H. Pense e Anote Como a pressão é a relação entre força (neste caso, entre peso) e área, temos: Força Peso A .H . Pressão = = = Área Área A Simplificando o termo A da área que temos no numerador e no deno- minador, ficamos com: Pressão = xH Esta fórmula expressa em unidades usuais se apresenta da seguinte forma: onde: Hx P = pressão em kg/cm2 P= 10 H = coluna em metros = peso específico em gf/cm3 Notar que, na dedução da fórmula da pressão da coluna de líquido, a área foi cancelada. Portanto, a “forma” da área não interfere na pressão, tanto faz ser um círculo, um quadrado ou qualquer outro formato. Não importa também se a área é pequena ou grande, a pressão será função apenas da altura da coluna e do peso específico do líquido. Na Figura 18, a seguir, colocamos diversos formatos de vasos, com diferentes áreas de base. Se o líquido (mesmo peso específico ) e a altura H forem iguais, as pressões nas bases serão iguais. FIGURA 18 VASOS COM FORMATOS E ÁREAS DE BASE DIFERENTES E COM PRESSÃO IGUAL NA BASE P= H H H H H PETROBRAS ABASTECIMENTO 46 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote PROBLEMA 22 Qual seria a pressão se tivéssemos uma coluna de 10 metros de água na temperatura ambiente? Peso específico da água na T ambiente: (água) = 1gf/cm3 Altura H da coluna de líquido = 10m. Usando a fórmula preparada para as unidades usuais, temos: .H 1 x 10 P= = = 1kgf/cm2M 10 10 Para cada 10 metros de altura de coluna de água fria equivale uma pres- são de 1kgf/cm2. Se calcularmos a pressão para uma coluna de 25 metros de água, acharemos 2,5kgf/cm2. PROBLEMA 23 Qual seria a pressão no fundo de um vaso com uma coluna de 20m de ga- solina com densidade de 0,74? Lembrando que densidade é igual ao peso específico em gf/cm3, temos que: = 0,74gf/cm3 e H = 20m gasolina xH 0,74 x 20 P= = = 1,48kgf/cm2M 10 10 PROBLEMA 24 Qual seria a coluna de mercúrio ( = 13,6kgf/cm3) necessária para obter a pressão de 1,033kgf/cm2 A (pressão atmosférica ao nível do mar)? FIGURA 19 COLUNA DE HG H Hg PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 47
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    xH P= 10 10 P 10 x 1,033 Pense e Anote H= = 13,6 = 0,760m = 760mm Hg A coluna de um líquido é um método para expressar uma pressão. É comum usar metros, milímetros ou polegadas de colunas de água ou de mercúrio para definir essas pressões. Existem manômetros de tubos trans- parentes que utilizam esse princípio. Esses tubos foram os primeiros manômetros inventados. TABELA 15 CONVERSÃO DA UNIDADE DE PRESSÃO Kgf/cm2 bar psi mmHg m H20 atm kPa MPa 2 1kgf/cm = 1 0,9807 14,22 735,6 10 0,9678 98,07 0,09807 1bar = 1,02 1 14,5 750,1 10,2 0,9869 100 0,1 1psi = 0,07031 0,06895 1 51,72 0,7031 0,06805 6,895 6,89x10 -3 1mmHg = 0,00136 1,33x10 -3 0,01934 1 0,0136 1,32x10 -3 0,133 0,000133 1m H2O = 0,1 0,09807 1,422 73,56 1 0,09678 9,807 9,81x10 -3 1Pa = 1,02x10-5 1x10-5 1,45x10 -4 7,50x10-3 1,02x10-4 9,87x0 -6 0,001 1x10-6 1kPa = 0,0102 0,01 0,145 7,501 0,102 9,87x10 -3 1 0,001 1Mpa = 10,2 10 145 7501 102 9,869 1000 1 1atm = 1,033 1,013 14,7 760 10,33 1 101,3 0,1013 PROBLEMA 25 Um tubo em U, contendo água, indica a pressão de descarga de um ventila- dor, conforme mostra a Figura 20. Qual o valor da pressão reinante? A pressão no duto é dife- FIGURA 20 rença de alturas entre os TUBO EM U dois lados do tubo em U. A Figura 20 mostra 70 – 20 = = 50cm de água. cm H2O 80 Se quisermos saber o 60 valor dessa pressão em H outras unidades, basta 40 usar a Tabela 15 de conver- 20 são, mostrada anterior- H = 70 – 20 = 50cm 0 mente. Para passar para kgf/cm2, temos: PETROBRAS ABASTECIMENTO 48 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Da Tabela 15 temos que: 1m H2O = 0,1kgf/cm2 50cm H2O = 0,50m H2O = 50 x 0,1kgf /cm2 = 0,5kgf/cm2 A ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas –, seguindo recomendação da ISO, organização internacional de padronização, definiu como unidade de pressão no Brasil o Pascal (Pa), admitindo, numa fase de transição, o uso do bar. Portanto, é bom começar a ter uma noção da pressão em Pa, já que com o passar do tempo deverá ser cada vez mais utilizada. Como o Pascal é uma unidade muito pequena, os valores usuais de pressão seriam altos. Por isso, são mais utilizados seus múltiplos MPa (mega Pascal = 1.000.000Pa) e kPa (quilo Pascal = 1.000Pa). A conversão de Pascal para bar é fácil se memorizarmos que: para pas- sar de kPa para bar, basta dividir o valor por 100. Para passar de MPa para bar, basta multiplicar por 10. PROBLEMA 26 Qual a pressão em kgf/cm2 correspondente a 100psig? Da Tabela 15 temos que: 1psi = 0,07031kgf/cm2 ➜ 100psi = 100 x 0,07031 = 7,031kgf/cm2 Como a pressão foi dada em psig, a pressão é manométrica: 100psig = 7,031kgf/cm2 M A pressão atmosférica ao nível do mar pode ser dada por: 1atm = 1,033kgf/cm2 = 10,33m = 760mm Hg = 1,013bar = = 0,1013MPa = 101,3kPa = 14,7 psi = 29,92in Hg Como podemos ver, a pressão atmosférica ao nível do mar equivale a uma coluna de 10,33m de água. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 49
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    PROBLEMA 27 Qual seria a coluna de água que teríamos num tubo mergulhado em um re- servatório de água ao nível do mar se retirássemos todo o ar do tubo fa- Pense e zendo um vácuo perfeito? Anote FIGURA 21 COLUNA MÁXIMA DE ÁGUA COM VÁCUO COM AR NO TUBO 3 Pman = 0 Pressão atmosférica 1,033kg/cm 2 A 1 2 SEM AR NO TUBO Pman = –1,033kg/cm 2 Vácuo 3 Pressão atmosférica 1,033kg/cm 2A H máx. = ? 1 2 Inicialmente, vamos colocar o tubo dentro do reservatório com a vál- vula situada na parte superior aberta para a atmosfera. A água entrará no tubo, ficando no mesmo nível do reservatório. Como os pontos 1 e 2 es- tão no mesmo nível, suas pressões P1 e P2 serão sempre iguais e, no caso, igual à pressão atmosférica local de 1,033kgf/cm2 absoluta ou 0kgf/cm2 manométrica. Vamos conectar a válvula da parte superior do tubo a uma bomba de vácuo e começar a retirar o ar do interior dele. A pressão no tubo P3 começará a cair, e a pressão atmosférica forçará a água para o in- terior do tubo, fazendo seu nível subir. Esta coluna de água compensará a pressão negativa da parte superior do tubo P3, mantendo sempre a pres- são no ponto 1 igual à pressão atmosférica local P2. PETROBRAS ABASTECIMENTO 50 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Se, por hipótese, conseguíssemos fazer um vácuo absoluto, ou seja, re- tirar todo o ar do interior do tubo, a pressão absoluta seria igual a zero, ou, o que é a mesma coisa, a pressão manométrica seria = –1,033kgf/cm2. Neste caso, a coluna seria: xH 1xP P= 1,033 = H = 10,33m 10 10 Esta seria a coluna máxima que poderia ser conseguida para água. Se, no lugar de água, tivéssemos gasolina (g gasolina = 0,75gf/cm3), a co- luna máxima seria: xH 0,75 x H 10,33 P= 1,033 = H= = 13,77m 10 10 0,75 Como podemos notar, para cada líquido, em função do seu peso específico, teremos uma coluna máxima. No caso de querer retirar água de um poço com uma bomba colocada na superfície, ficaremos limitados à profundidade teórica de 10,33m. Na prática, este valor é bem inferior pelas seguintes razões: Uma bomba centrífuga jamais conseguirá fazer um vácuo perfeito. As bombas possuem necessidade de uma energia mínima na sucção (NPSH disponível – que será visto posteriormente). Há perdas de carga por atritos, choques e mudanças de direção do líquido na tubulação de sucção. Por isso, o máximo que se consegue aspirar com uma bomba centrífu- ga fica em torno de 7 ou 8 metros quando trabalhando com água. Notar também que os 10,33m ocorreriam ao nível do mar, onde a pressão atmosférica é maior. Num local de maior altitude, como a pres- são atmosférica é menor, a coluna seria menor. Esta coluna é também influenciada pelo peso específico do líquido ( ). Quanto menor o , mai- or a coluna H de líquido (ver fórmula usada anteriormente). Viscosidade ou A viscosidade pode ser definida como a resistência do fluido ao escoamento. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 51
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    Suponhamos dois vasilhames,um com óleo de massa específica igual à da água, porém mais viscoso, e outro com água. Ao tentar girar uma pá para movimentar os líquidos, notaríamos uma resistência maior no óleo Pense e do que na água. Isso é devido à maior viscosidade do óleo, comparada Anote com a da água. FIGURA 22 DIFERENÇAS DE VISCOSIDADES Óleo Água Existem dois modos de expressar a viscosidade: dinâmica ( ) e cine- mática ( ). A viscosidade dinâmica ( ) é a propriedade do líquido que expressa sua resistência ao deslocamento de suas camadas. Quanto maior a viscosidade dinâmica, maior a resistência ao desloca- mento. A principal unidade para medir viscosidade dinâmica é o poise (pronun- cia-se “poase”). Normalmente, é usado um submúltiplo 100 vezes menor, o centipoise (cP). 1cP = 0,01poise A viscosidade de um líquido varia inversamente com a temperatura. Quanto maior a temperatura, menor a viscosidade. TABELA 16 CONVERSÃO DE VISCOSIDADES DINÂMICAS Poise cP Pa.s lbm / ft.s 1Poise = 1 100 0,1 0,0672 1cP (centipoise) = 0,01 1 0,001 0,000672 1Pa.s = 10 1.000 1 0,672 1 lbm/ft.s = 14,88 1488 1,488 1 PETROBRAS ABASTECIMENTO 52 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote A viscosidade cinemática ( ) é a relação entre a viscosidade dinâmica ( ) e a massa específica ( ). = As unidades mais usadas são: stoke (St); centistoke (cSt); e SSU: 1St = 1cm2/s 1cSt = 0,01St = 1mm2/s Na lubrificação das bombas da Petrobras é comum utilizar o óleo Mar- brax TR-68, que possui uma viscosidade de 63,9cST a 40o e de 8,64cST a 100oC. A conversão pode ser feita por: TABELA 17 CONVERSÃO DE VISCOSIDADES CINEMÁTICAS SSU – segundos SSF – segundos cSt saybolt universal saybolt furol centistokes Graus Engler 31 – 1 1,00 35 – 2,56 1,16 40 – 4,30 1,31 50 – 7,40 1,58 60 – 10,3 1,88 70 12,95 13,1 2,17 80 13,70 15,7 2,45 90 14,44 18,2 2,73 100 15,24 20,6 3,02 150 19,30 32,1 4,48 200 23,5 43,2 5,92 250 28,0 54,0 7,35 300 32,5 65,0 8,79 400 41,9 87,60 11,70 500 51,6 110 14,60 600 61,4 132 17,50 700 71,1 154 20,45 800 81,0 176 23,35 900 91,0 198 26,30 1.000 100,7 220 29,20 2.000 200 440 58,40 3.000 300 660 87,60 4.000 400 880 117,0 5.000 500 1.100 146 10.000 1.000 2.200 292 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 53
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    A viscosidade cinemáticaé bem mais utilizada no estudo de bombas do que a dinâmica. Podemos converter a viscosidade dinâmica em centistokes para visco- sidade cinemática em centipoise, usando a fórmula: Pense e Anote (cP) (cP) (cSt) = = 3 (g/cm ) densidade PROBLEMA 28 Qual seria a viscosidade em centistokes de um óleo cuja densidade é de 0,9 e a viscosidade dinâmica de 900cP? (cP) 900 (cSt) = = = 1.000 densidade 0,9 Pressão de vapor Para cada temperatura de um líquido, existirá uma pressão na qual tere- mos um equilíbrio entre as fases vapor e líquida. Então, dizemos que o líquido se encontra saturado. À pressão exercida nas paredes do recipi- ente pela fase vapor denominamos pressão do vapor deste líquido para esta temperatura. Suponhamos um vaso com um líquido volátil, como GLP ou gasolina. FIGURA 23 PRESSÃO DE VAPOR Manômetro Fase vapor Termômetro Fase líquida Pv = Pman + Patm A pressão de vapor é a pressão medida na fase gasosa e é expressa em valores de pressão absoluta. A pressão de vapor aumenta com o aumento de temperatura. PETROBRAS ABASTECIMENTO 54 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 24 CURVA DA PRESSÃO DE VAPOR Pressão absoluta Líquido Curva da pressão PV1 de vapor Vapor T1 Temperatura (oC) Para uma dada temperatura T1, se a pressão do fluido for superior à pressão de vapor PV1, o fluido estará na fase líquida. Se a pressão for infe- rior, estará na fase vapor. Para uma pressão de vapor PV1, se a temperatura for inferior a T1, o flui- do estará na fase líquida. Se a temperatura for maior, estará na fase vapor. A pressão de vapor é sempre expressa em valores absolutos como, por exemplo, 4,6kg/cm2A. FIGURA 25 PRESSÃO DE VAPOR EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA Pressão absoluta (bar) Temperatura (o C) 1. Acetona 8. Etileno 15. Downtherm A 22. Naftaleno 2. Álcool etílico 9. Etileno glicol 16. Ácido Acético 23. Propano 3. Ácido fórmico 10. Gasolina 17. Glicerina 24. Propileno 4. Amônia 11. Benzeno 18. Isobutano 25. Tolueno 5. Anilina 12. Clorobenzeno 19. Hexano 26. Água 6. Etano 13. Dietil-éter 20. Querosene 7. 14. Difenil 21. Álcool metílico PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 55
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    PROBLEMA 29 Qual a pressão de vapor do propano na temperatura de 60oC? Na Figura 25, o propano corresponde à linha 23. Entrando no eixo de tem- Pense e peratura com 60oC e seguindo até a linha 23, temos 20barA. Anote Ao nível do mar, se colocarmos uma panela aberta com água no fo- gão e começarmos a aquecê-la, a pressão de vapor subirá com a tempe- ratura da água até atingir a pressão reinante no ambiente que, nesse caso, é a pressão atmosférica (1,033kgf/cm2A). Nesse momento, a água come- çará a vaporizar (ferver). Nessa pressão, a temperatura da água será de 100oC. A temperatura não ultrapassará esse valor por mais que aumen- temos a chama do fogão. Isso porque a pressão que está reinando sobre a panela, no caso, a pressão atmosférica, não se modificará. Caso quei- ramos cozinhar mais rapidamente o alimento, teremos de aumentar a temperatura da água, e isso só será possível se aumentarmos a pressão no interior da panela, ou seja, fazendo com que a pressão de vapor au- mente. Este é o princípio da panela de pressão, a qual possui uma válvu- la de segurança, que só permite o escape dos vapores da água após atin- gir uma certa pressão. Para cozinhar com água a 150ºC, a pressão da panela teria de ser de aproximadamente 5barA (ver valor aproximado na Figura 25 – curva 26 – o valor correto é de 4,76barA), ou seja, cerca de 4barM. Para cozinhar com 200oC, seria necessário 15,55barA. Essas pressões correspondem às pres- sões de vapor da água para as temperaturas citadas. Alguns líquidos, como o propano, possuem a pressão de vapor na tem- peratura ambiente superior à pressão atmosférica. Por isso, se colocarmos propano num vaso aberto, ele irá vaporizar-se. Quando estamos bombeando, precisamos que o líquido esteja sem- pre numa pressão acima da pressão de vapor para evitar que haja vapori- zação no interior da bomba, fenômeno que é conhecido como cavitação e que veremos com mais detalhes na parte em que falaremos de bombas. Rendimento Rendimento de uma máquina é a relação entre as energias recebidas e cedidas por essa máquina. No caso de uma bomba, a energia é recebida através do eixo de acionamento. A energia é cedida ao líquido pelo impe- lidor, sob a forma de pressão e de velocidade. Energia cedida = Energia recebida PETROBRAS ABASTECIMENTO 56 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote PROBLEMA 30 Qual seria o rendimento de uma bomba cujo motor entrega 40hp no eixo e a bomba cede ao líquido 20hp? Energia recebida 40 = = = 0,50 ou 50% Energia cedida 20 Nesse caso, a bomba estaria transformando em calor, por atrito e por outras ineficiências, metade da energia recebida. Equação da continuidade Considerando um fluido como incompressível, pelo esquema da Figura 26, podemos afirmar que, desde que não tenhamos nenhuma saída ou entrada de líquido entre as seções 1 e 2, a vazão Q1 na seção 1 é igual à vazão Q2 na seção 2. FIGURA 26 ESCOAMENTO DE UM LÍQUIDO NUMA TUBULAÇÃO 1 2 Q1 Q2 Q1 = Q 2 = V 1 x A 1 = V 2 x A 2 Como a vazão é o produto da velocidade pela área, teremos: Vazão na seção 1 = v1 x A1 Vazão na seção 2 = v2 x A2 Como as vazões são iguais nas duas seções, teremos: v 1 x A 1 = v2 x A2 2 v1 = v 2 x A2 A1 a v1 = v 2 x ( ) D2 D1 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 57
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    onde: v1 = Velocidade média de escoamento na seção 1. v2 = Velocidade média de escoamento na seção 2. Pense e D1 = Diâmetro interno da tubulação na seção 1. Anote D2 = Diâmetro interno da tubulação na seção 2. Dobrando a área de uma seção da tubulação, A área varia com o a velocidade média cairá para a metade. Se do- quadrado do diâmetro brarmos o diâmetro, a área aumenta quatro ve- D2 área = 4 zes e a velocidade média cairá para 1/4. PROBLEMA 31 Temos uma velocidade média de escoamento de 3m/s numa tubulação de 4"sch 40. Qual será a velocidade de escoamento num outro trecho da linha com tubo de 6"sch 40? Da tabela de tubos (ver Tabela 18) tiramos: → Área interna do tubo 4"shd 40’→ A2 = 82,1cm2 → 6"sch 40’→ A1= 186,4cm2 A2 82,1 v 1 = v2 x =3x = 1,32m/s A1 186,4 Teorema de Bernouille Um fluido escoando numa tubulação possui três formas de energia: Energia potencial ou de altura. Energia de pressão. Energia de velocidade ou cinética. A energia potencial é a que temos quando o líquido se encontra a uma determinada altura, como nos casos de barragens de usinas hidrelétricas. A água, ao escoar da cota em que se encontra até as turbinas hidráulicas, localizadas num nível mais baixo, tem capacidade de acionar uma turbi- na acoplada a um gerador de eletricidade. Essa capacidade é chamada de energia potencial. Para uma mesma massa, quanto maior a altura, maior a energia contida. A energia sob a forma de pressão é a que, por exemplo, permite a realização de um trabalho como o deslocamento de um pistão numa prensa hidráulica. Outro exemplo é o de um macaco hidráulico que levanta um peso. PETROBRAS ABASTECIMENTO 58 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote A energia de velocidade, também chamada de energia cinética, é a decorrente da velocidade de escoamento. Um exemplo de uso da energia cinética são os geradores eólicos (movidos pelo vento). FIGURA 27 TEOREMA DE BERNOUILLE Seção 2 V2 Z2 Seção 1 V1 Z1 Linha de referência As energias no ponto 1 e no ponto 2 da tubulação mostrada no esque- ma acima, expressas em dimensões de coluna de líquido, seriam: P1 V12 P2 V22 E1 = + + Z1 E2 = + + Z2 2g 2g Pelo princípio de conservação de energia, no qual afirmamos que ener- gia não se perde nem se cria, apenas se transforma, a energia no ponto 1 é igual à energia no ponto 2. Temos então que: P1 V 12 P2 V 22 + + Z1 = + + Z2 = constante Teorema de Bernouille 2g 2g Onde os termos representam: P = Energia de pressão V2 = Energia de velocidade 2g Z = Energia potencial PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 59
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    A equação anterioré válida apenas teoricamente, já que, na prática, temos algumas perdas de energia entre os pontos 1 e 2 decorrentes de atritos, choques etc., ficando a equação como: E1 = E2 + perdas de carga Pense e Anote P1 V12 P2 V 22 + + Z1 = + + Z2 + perdas 2g 2g Essas perdas recebem o nome de perda de carga entre o ponto 1 e o ponto 2. Pela equação anterior, também podemos calcular a energia fornecida por uma bomba para uma determinada vazão. No caso da bomba, não temos perda, mas ganho de energia. Medindo a energia no flange de des- carga (E2) e no flange de sucção (E1) da bomba, a diferença entre essas energias é a fornecida pela bomba para aquela vazão. FIGURA 28 ENERGIA CEDIDA PELA BOMBA P2 P1 V2 Z2 Z1 V1 Linha de referência E2 – E1 = Energia cedida pela bomba P2 – P1 V22 – V12 Energia cedida pela bomba = E2 – E1 = + + Z2 – Z1 2g Quando tratarmos das curvas características das bombas centrífugas, voltaremos a este assunto. PETROBRAS ABASTECIMENTO 60 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Tabelade tubos TABELA 18 DADOS SOBRE TUBOS Diâm. Diâm. Espessura Diâm. Área Peso Nominal ext. (mm) Padrões (mm) int. (mm) int. cm2 kgf/m ½” 21 Std 40 40S 2,77 15,8 1,96 0,42 XS 80 80S 3,73 13,8 1,51 1,62 – 160 – 4,75 11,8 1,10 1,94 XXS – – 7,47 6,4 0,32 2,55 ¾” 27 Std 40 40S 2,87 20,9 3,44 1,68 XS 80 80S 3,91 18,8 2,79 2,19 – 160 – 5,54 15,6 1,91 2,88 XXS – – 7,82 11,0 0,95 3,63 1" 33 Std 40 40S 2,87 26,6 5,57 2,50 XS 80 80S 3,91 24,3 4,64 3,23 – 160 – 6,35 20,7 3,37 4,23 XXS – – 9,09 15,2 1,82 5,44 2" 60 Std 40 40S 3,91 52,5 21,7 5,44 XS 80 80S 5,54 49,2 19,0 7,47 – 160 – 8,71 42,9 14,4 11,08 XXS – – 11,07 38,2 11,4 13,44 3" 89 Std 40 40S 5,48 77,9 47,7 11,28 XS 80 80S 7,62 73,6 42,6 15,25 – 160 – 11,1 66,7 34,9 21,31 XXS – – 15,2 58,4 26,8 27,65 4" 114 Std 40 40S 6,02 102,3 82,1 16,06 XS 80 80S 8,56 97,2 74,2 22,29 – 160 – 13,5 87,3 59,9 33,49 XXS – – 17,1 80,1 50,3 40,98 6" 168 Std 40 40S 7,11 154 186,4 28,23 XS 80 80S 10,97 146,3 168,2 42,51 – 160 – 18,2 131,8 136,4 67,41 XXS – – 21,9 124,4 121,5 79,10 8" 219 Std 40 40S 8,18 202,2 321,1 42,48 XS 80 80S 12,7 193,7 294,6 64,56 XXS – – 22,2 174,6 239,4 107,8 – 160 – 23,0 173,1 235,5 111,1 10" 273 Std 40 40S 9,27 254,5 509,1 60,23 XS 60 80S 12,7 247,6 481,9 81,45 – 80 – 15,1 242,9 463,2 95,72 – 160 – 28,6 215,9 365,8 172,1 12" 324 Std – 40S 9,52 304,8 729,6 73,74 – 40 – 10,3 303,2 722,0 79,65 XS – 80S 12,7 298,4 655,5 97,34 – 80 – 17,4 288,9 699,4 131,7 14" 356 Std 30 – 9,52 336,5 889,7 81,2 – 40 – 11,1 333,4 872,9 94,29 XS – – 12,7 330,2 856,2 107,3 – 80 – 19,0 317,5 791,7 157,9 16" 406 Std 30 – 9,52 387,3 1.178,1 93,12 XS 40 – 12,7 351,0 1.140,1 123,2 – 80 – 21,4 363,6 1038,1 203,0 18" 457 Std – – 9,52 438,1 1.507,8 105,0 XS – – 12,7 431,8 1.464,3 139,0 – 40 – 14,3 428,6 1.443,3 155,9 – 80 – 23,8 409,6 1.3017,5 254,1 20" 508 Std 20 – 9,52 488,9 1.877,5 116,9 XS 30 – 12,7 482,6 1.829,1 154,9 – 40 – 15,1 477,9 1.793,6 182,9 – 80 – 26,2 455,6 1.630,4 310,8 24" 610 Std 20 – 9,52 590,5 2742,1 140,8 XS – – 12,7 584,2 2677,6 186,7 – 40 – 17,4 574,7 2593,7 254,7 – 80 – 30,9 547,7 2355,0 440,9 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 61
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    Letras gregas Relação das letras gregas maiúsculas e minúsculas. Pense e TABELA 19 LETRAS GREGAS Anote Alfa Beta Gama Delta Épsilon Zeta Eta Teta Iota Kapa Lambda Mi Ni Csi Ômicron Pi Rô Sigma Tau Ípsilon Fi Qui Psi Ômega Prefixos TABELA 20 PREFIXOS Múltiplo Prefixo Símbolo Nome Múltiplo Prefixo Símbolo Nome 10 18 exa E quintilhão 10 -18 atto a quintilionésimo 15 -15 10 peta P quadrilhão 10 femto f quadrilionésimo 12 -12 10 tera T trilhão 10 pico p trilionésimo 10 9 giga G bilhão 10 -9 nano n bilionésimo 10 6 mega M milhão 10 -6 micro milionésimo 3 -3 10 quilo k mil 10 mili m milésimo 2 -2 10 hecto H cem 10 centi c centésimo 10 deca da dez 10 -1 deci d décimo Exemplos: m = 10-6m = micrometro = milionésimo do metro cm = centímetro = 10-2m = centésimo do metro ml = mililitro = 10-3 litro = milésimo de litro kg = quilograma = 103 gramas = mil gramas MW = megawatt = 106 Watt = milhões de Watt Gb = gigabite = 109 bites = bilhão de bites PETROBRAS ABASTECIMENTO 62 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Resumo ÁREA DE FIGURAS GEOMÉTRICAS Quadrado A = a2 Lado ao quadrado Retângulo A=b.h Base x Altura Paralelogramo A=b.h Base x Altura Trapézio h . (b1 + b2) Base média x Altura A= 2 Triângulo (b . h) Base x Altura sobre 2 A= 2 2 Círculo A= . r2 = .D Pi x Raio ao quadrado 4 VOLUME DOS SÓLIDOS Cubo V = a3 Lado ao cubo Paralelepípedo V=a.b.h Largura x Profundidade x Altura 2 Cilindro V=B.h= .r .h Área da base x Altura Cone V=B.h = . r2 . h Área da base x Altura sobre 3 3 3 3 Esfera V=4. .r Quatro terços de Pi x Raio ao cubo 3 VELOCIDADE LINEAR D Distância percorrida sobre tempo v= t VELOCIDADE ANGULAR N N w=2 = rd/s Pi x rpm sobre 30 60 30 VAZÃO v. .r 2 Q = Vol = v x A = Volume sobre tempo t 30 ACELERAÇÃO v2 – v 1 a= Variação da velocidade no tempo t2 – t1 FORÇA F=mxa Peso = m x g Massa x Aceleração PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 63
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    Resumo Pense e TRABALHO Anote T=Fxd Força x Distância TORQUE T=Fxd Força x Raio de giro POTÊNCIA Pot = T Trabalho sobre tempo t MASSA ESPECÍFICA Massa = Massa sobre o volume Volume PESO ESPECÍFICO Massa = Peso sobre o volume Volume DENSIDADE Massa específica do produto Relação entre massa específica d= Massa específica da água do líquido e da água PRESSÃO F xH Força sobre área ou peso P= P= A 10 específico x Altura sobre 10 p/ P em kgf/cm2 em gf/cm3 → H = m VISCOSIDADE DINÂMICA E CINEMÁTICA (cSt) = (Cp) Viscosidade cinemática é a Densidade viscosidade dinâmica dividida pela densidade RENDIMENTO Energia cedida É a relação entre as energias = Energia recebida cedida e a recebida PETROBRAS ABASTECIMENTO 64 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Resumo EQUAÇÃO DA CO NTINUIDADE EQUAÇÃO DA CONTINUID NTINUIDADE A2 Velocidade da seção 1 igual à velocidade V1 = V2 x ou da seção 2 x Relação entre as áreas 2 e 1 A1 ou multiplicada pelas relações entre os 2 quadrados dos diâmetros 2 e 1 V1 = V2 x ( ) D2 D1 TEOREMA DE BERNOUILLE P1 V12 Pressão sobre peso específico + + + Z1 = Velocidade ao quadrado sobre 2 x 2g Aceleração da gravidade + Altura do manômetro na seção 1 igual à da P2 V22 seção 2 + Perdas + + Z2 + perdas 2g PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 65
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    Pense e Anote Bombas B ombas são máquinas destinadas à transferência de líquidos de um ponto para outro. Para realizar essa movimentação, as bombas cedem ener- gia ao líquido sob a forma de pressão e de velocidade, sendo a forma de pressão a predominante. É importante conhecer o funcionamento de um equipamento para que possamos realizar manutenção adequada. Esse conhecimento facilita a identificação de falhas e o modo de saná-las. O presente trabalho visa dar este conhecimento. Os fabricantes disponibilizam uma grande variedade de bombas, que podem ser grupadas em duas famílias principais, cada uma delas com características que serão objeto de apreciação ao longo desse trabalho: ➜ Bombas dinâmicas ou turbobombas. ➜ Bombas de deslocamento positivo ou volumétricas. Para funcionar, a bomba necessita receber energia de um acionador. Os principais acionadores usados nas bombas são: ➜ Motores elétricos. ➜ Turbinas a vapor. ➜ Motores de combustão interna. Na indústria em geral, o acionamento das bombas é realizado, princi- palmente, por motores elétricos. Essa preferência é devido ao fato de os custos de aquisição e de operação serem inferiores aos das turbinas e dos PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 67
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    motores de combustãointerna. Os motores elétricos possuem rendimento na casa dos 90% contra cerca de 30% dos dois outros acionadores citados. Durante muito tempo, as turbinas possuíram uma vantagem sobre os Pense e motores elétricos, a saber, a possibilidade de variar a rotação. Hoje em Anote dia, com o barateamento dos variadores de freqüência, é cada vez mais comum utilizar motores elétricos com rotação variável no acionamento de bombas. Os motores de combustão interna são pouco utilizados em refinari- as, ficando seu uso restrito a casos excepcionais de segurança, como bombas reservas de água contra incêndios ou de produtos que, ao es- coarem através de oleodutos, são passíveis de endurecimento caso cesse o bombeamento. Se não dispusermos de vapor nas instalações, isso é outro motivo que poderá levar à utilização de tal alternativa de acio- namento. Esses motores, quando empregados, são geralmente movi- dos a óleo diesel. Além deles, existem algumas bombas alternativas que são acionadas por meio de cilindros a vapor. Em unidades novas, essa aplicação está fi- cando cada vez mais rara. Os motores pneumáticos, devido a sua baixa confiabilidade e ao seu alto custo operacional, não são utilizados em bombas de processo. São aplicados, principalmente, como acionadores de bombas portáteis de abastecimento de óleo lubrificante a partir de tambores. Sua vantagem é a de não causar riscos de explosão e de serem facilmente acionáveis devi- do à grande disponibilidade de pontos de alimentação de ar comprimido existentes nas unidades. Nos locais em que a falha da bomba possa ocasionar problema de se- gurança ou prejuízos elevados, é usual a adoção de bomba reserva de modo a não interromper o funcionamento da unidade. Visando aumentar a segurança operacional, é comum adotar duas fon- tes distintas de alimentação para os acionadores, reduzindo assim a pos- sibilidade de parada do sistema para o qual a bomba trabalha. Quando ambas, a bomba principal e a reserva, são acionadas por mo- tor elétrico, é comum a utilização de alimentadores elétricos (feeders) di- ferentes para cada uma delas. É comum também ter a bomba principal acionada por motor elétrico e a reserva por turbina a vapor, ou o contrá- rio. A vantagem em ter o motor como reserva é a sua elevada aceleração, que faz com que a bomba entre em operação rapidamente, caso tenha- mos uma falha do equipamento principal. Já a desvantagem é que, ao usar a turbina a vapor como principal, aumentamos o custo operacional devi- do ao fato de seu rendimento ser menor. O sistema de partida automáti- co do motor elétrico é mais simples do que o da turbina. De modo geral, o fornecimento do vapor é mais confiável do que a energia elétrica. A es- colha do tipo de acionador principal deverá levar em conta esses fatores. PETROBRAS ABASTECIMENTO 68 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Com o intuito de aumentar a flexibilidade operacional, o que permite variar significativamente a vazão, algumas instalações adotam diversas bombas operando em paralelo; nesses casos, fica uma delas como reser- va. Caso venha a falhar mais de uma bomba simultaneamente, o sistema ainda continuará sendo atendido, só que com uma vazão menor. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 69
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    Pense e Anote Recebimento da bomba A o chegar ao almoxarifado, vinda do fabricante, uma bomba nova deve ser submetida a uma inspeção de recebimento. Embora a maioria das bombas adquiridas pela Petrobras seja ins- pecionada durante sua fase de fabricação e de testes, podem ocorrer danos entre a saída da fábrica e a chegada ao almoxarifado da refina- ria usuária. Normalmente, as bombas são embaladas pelo fabricante em caixotes de madeira fechados por placas de compensado, ou em caixotes com ri- pas de madeira pregadas, do tipo engradado. No ato do recebimento, o primeiro passo é ler a pasta que contém a documentação de compra (pasta do PCM) para saber que itens deveriam ser fornecidos juntamente com a bomba. A inspeção de recebimento deve constar no mínimo de: 1. Verificação do estado do caixote de madeira. Caso ele tenha sido mal manuseado, como, por exemplo, ter caído durante o transporte, pro- vavelmente a parte de madeira deverá estar danificada. Havendo da- nos, a inspeção deverá ser mais detalhada. 2. Caso a bomba tenha vindo num caixote fechado, abri-lo para verificar sua plaqueta de identificação e a do acionador para assegurar-se de que a bomba é mesmo a encomendada. 3. Análise dos estados da base metálica; da bomba; do acionador; do aco- plamento e da sua proteção; das linhas de refrigeração e de selagem; do sistema de lubrificação e dos parafusos de nivelamento. 4. Verificação dos sobressalentes encomendados: se foram fornecidos com as especificações e as quantidades corretas. 5. Conferência da documentação, tal como manuais e desenhos: se vie- ram junto com a bomba (em alguns casos eles são fornecidos com an- tecedência e, em outros, somente após a entrega). Verificar se a docu- mentação está de acordo com a quantidade solicitada. O manual da bomba deve conter no mínimo: • Folhas de dados da bomba e do acionador (se este último fizer parte do fornecimento). PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 71
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    • Dados dostestes efetuados na fábrica (desempenho, vibração, NPSH etc.). • Instruções de manutenção e de operação da bomba. Pense e • Desenho de corte da bomba com todos os itens identificados. Anote • Lista das peças relacionadas no desenho de corte da bomba com as referências comerciais, os materiais de fabricação e as quantidades empregadas na bomba. • Desenho do conjunto da bomba, mostrando a base, a bomba, seu acionador, acoplamento e as respectivas cotas. • Desenho da selagem. No caso do uso de selo mecânico, devem cons- tar: plano de selagem; corte do selo; lista de peças com identifica- ção das referências comerciais; material de fabricação e quantida- de empregada. Caso a selagem seja feita por meio de gaxetas, de- verá ter a especificação do tipo, do tamanho e do número de anéis utilizados, além de um corte da caixa de selagem, mostrando o po- sicionamento das gaxetas em relação ao anel de distribuição (anel de lanterna). • Desenhos de corte do acionador, com lista de peças, referências co- merciais e materiais e quantidades utilizadas. 6. Descrição da preservação realizada pelo fabricante da bomba. 7. Verificação de todas as suas entradas (flanges, furos que comunicam com o interior da carcaça, caixa de mancais e de selagem): se estão pro- tegidas para evitar a entrada de umidade e de objetos estranhos. Estando tudo correto, pode ser dado o aceite da bomba no pedido de verificação de material. Resumo Na inspeção de recebimento de uma bomba, deve-se verificar: Se ocorreram danos durante o transporte. Se a documentação da bomba e de seus componentes foi fornecida. Se os bocais e os furos roscados estão protegidos. PETROBRAS ABASTECIMENTO 72 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Preservação A té a partida efetiva, ou seja, durante o período em que permane- cer estocada e mesmo após ser montada na base, um plano de preserva- ção deve ser obedecido. É usual o fabricante fazer alguns pontos de pre- servação na fábrica, o que costuma ser eficaz para um período de 6 me- ses, findos os quais eles devem ser renovados. Um dos principais cuidados que devemos ter é o de impedir a queda de algum objeto no interior da bomba. Para tal, os flanges devem ser pro- tegidos com uma tampa plástica ou uma chapa metálica com junta. Esse material só deve ser retirado na fase de colocação das tubulações. As aber- turas roscadas devem todas ser protegidas com um plugue (bujão) rosca- do de plástico ou metálico. Bombas que vão ser lubrificadas por sistema de névoa podem ser pre- servadas por esse sistema. Nesse caso, deve ser feita uma linha adicional para a carcaça da bomba. Logicamente, para tal preservação, o sistema de geração de névoa terá de ser instalado com antecedência. Caso não exista o sistema de névoa, passado o período de preservação recomendado pelo fabricante, a bomba deve ser cheia com um líquido de proteção adequado, devendo ser girada algumas voltas e drenada. Esse líquido costuma ser um óleo com alto teor de antioxidante. Recomenda-se colocar na caixa de mancais o mesmo óleo de preserva- ção. Na falta deste, usar um óleo tipo turbina, por exemplo, Marbrax 68, com nível até a parte inferior do eixo. Em seguida, girar manualmente al- gumas voltas. O copo nivelador deve ser retirado e guardado num local seguro até pouco antes da partida da bomba. Na sua furação, colocar um plugue roscado. Evitar que o peso da parte rotativa recaia sempre sobre o mesmo ponto do rolamento, ocasionando a corrosão localizada e o desgaste (brinnelling). Para evitar que isso ocorra, girar periodicamente o eixo da bomba e do aci- onador (de 15 em 15 dias é um bom prazo) no sentido indicado pela pla- queta de rotação, de 1 volta + 1/4 de volta. Para essa operação de giro, se não for possível fazê-lo com a mão, usar uma chave de cinta no acoplamen- to ou no eixo. Não utilizar chave de grifo para não danificar nem o eixo, PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 73
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    nem o acoplamento.Fazer uma marca com tinta ou marcatudo no acopla- mento para acompanhar a posição de parada do eixo. As superfícies usinadas da base metálica que ficarem expostas, como a Pense e região de apoio do acionador e da bomba, devem ser preservadas com Anote graxa ou parafina para evitar sua oxidação. O óleo colocado na caixa de mancais deve ser trocado a cada 6 meses se o ambiente for medianamente agressivo como, por exemplo, regiões próximas ao mar ou de elevada umidade. Resumo A preservação deve ser renovada a cada 6 meses. Girar o eixo da bomba a cada 15 dias de 1+1/4 de volta no sentido da rotação. PETROBRAS ABASTECIMENTO 74 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Instalação e teste de partida E nganos cometidos nesta etapa ocasionam problemas futuros difí- ceis de serem reparados. Podemos dividir esta fase em três outras, enu- meradas a seguir: 1. Nivelamento/grauteamento. 2. Conexão com os flanges. 3. Alinhamento. O grauteamento é a operação de colocar uma massa adequada entre a base de concreto e a base metálica da bomba, fazendo uma união efetiva entre elas, com o objetivo de aumentar a rigidez da base e a massa do conjunto. Assim, as forças que atuam na bomba terão seus efeitos atenu- ados, sejam estas forças de tensão da tubulação nos flanges da bomba, sejam de desbalanceamento. Uma bomba bem grauteada vibrará muito menos do que uma outra submetida aos mesmos esforços com graute inadequado. FIGURA 29 GRAUTEAMENTO DE UMA BASE DE BOMBA Bases de apoio do motor que Base de apoio da podem ser usadas bomba que pode para nivelamento ser usada para nivelamento 25mm mínimo Parafuso de Parafuso de nivelamento nivelamento Chumbador Chumbador Forma de com placa com placa madeira para conter o graute Graute Base de concreto PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 75
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    Antigamente, o grauteera realizado com uma massa de cimento rala. Hoje em dia, são empregados cimentos próprios, que curam bem mais rápido. Os especialistas consideram como o melhor material para graute Pense e um epóxi específico para esse fim. Como seu custo é bem superior ao do Anote cimento, esse fator acaba sendo um inibidor para uso generalizado. O API 610 (bombas centrífugas) e o API 686 (montagem de máquinas) recomen- dam o uso de epóxi no grauteamento das bombas. Na montagem da bomba, os seguintes passos devem ser seguidos, supondo que a base de concreto esteja pronta e curada. A cura completa do concreto só ocorre 28 dias após sua fundição. 1. Verificar se o posicionamento dos chumbadores na base de concreto está compatível com os furos existentes da base metálica da bomba. Hoje em dia, é raro o uso de chumbador tipo L. Isso pode ser feito pelo desenho da base da bomba, ou se a bomba já estiver na planta, obser- var diretamente a base metálica. 2. Verificar se os chumbadores foram montados dentro de uma luva com diâmetro interno de 2 a 3 vezes o diâmetro do chumbador e no míni- mo 150mm de comprimento. O espaço entre essa luva e o chumba- dor deve ter sido preenchido com um material não endurecível como, por exemplo, espuma de poliuretano, usada em isolamento de tubu- lação ou RTV (borracha de silicone), evitando, assim, a entrada de con- creto ou do graute. Isso permitirá o alongamento do chumbador ao ser apertado e também admitirá pequenos deslocamentos para casar com a furação da base metálica. FIGURA 30 CHUMBADOR E LUVA D Vedante Luva com dia. interno > 2D Graute 25mm Prender com material mínimo que não endureça, impedindo a entrada de 150mm concreto ou de graute (mínimo) Ponto de solda 3. Picotar a base de concreto, retirando a camada lisa de cimento que fica na parte superior dela. Deve ser retirada uma espessura de cerca de 25mm da base. Não é recomendado o uso de marteletes pneumá- ticos nessa tarefa. Utilizar uma pequena marreta e uma ponteira. Esse PETROBRAS ABASTECIMENTO 76 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote desbaste tem por objetivo remover o cimento liso que sobrenadou na base de concreto de modo a deixá-lo áspero e irregular, o que irá faci- litar a aderência e aumentar a área de contato com o graute. 4. Limpar bem a base de concreto de detritos e poeiras. Soprar, com ar isento de óleo, já que o ar comprimido de compressores de campo cos- tuma ter óleo. Evitar a presença de óleo e graxa, pois estas substâncias impedem a aderência do graute. 5. Colocar a base da bomba sobre a de concreto de modo que a parte infe- rior da base metálica fique no mínimo 25mm acima da base de concre- to. As bases das bombas adquiridas pela Petrobras são fornecidas com parafusos “macaquinhos” para efeito de nivelamento. Colocar sobre o concreto, na direção dos parafusos de nivelamento, um pedaço de cha- pa com cerca de 12,7mm (1/2") de espessura. Verificar no projeto se a altura da base está correta e se a elevação dos flanges encontra-se de acordo com o desenho de tubulação. Ajustar, se necessário. 6. Nivelar a base através dos macaquinhos no sentido transversal e lon- gitudinal na região do motor, e depois na região da bomba, usando um nível de bolha apoiado em superfícies usinadas da base. FIGURA 31 NIVELAMENTO TRANSVERSAL DA BASE NA ÁREA DO MOTOR E LONGITUDINAL DA BOMBA Furos para colocação de graute A norma API 686 recomenda o limite de 0,2mm por metro, tanto para o nivelamento transversal quanto para o longitudinal. É recomendável rea- lizar uma aferição do nível que será utilizado. Para tal, fazer uma leitura com o nível e depois girá-lo 180º, repetindo a leitura. As duas têm de ser iguais. Após nivelar a base, colocar os calços de latão ou aço inoxidável sobre os apoios, apertar as porcas dos chumbadores e tornar a verificar o nível. O torque de aperto deve seguir o recomendado pelo fabricante. Na falta da recomendação, usar os valores da Tabela do API, transcrita a seguir: PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 77
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    TABELA 21 TORQUE A SER APLICADO NOS CHUMBADORES Pense e Ch Fios/pol Torque Ch Fios/pol Torque Ch Torque Anote pol – N.m kgf.m pol – N.m Kgf.m – N.m Kgf.m 1/2 13 40,7 4,15 1¼ 8 678 69,1 – – – 5/8 11 81,4 8,3 1½ 8 1085 111 M12 31 3,16 3/4 10 136 13,8 1¾ 8 2034 207 M16 110 11,2 7/8 9 217 22,1 2 8 2983 304 M24 363 37 1 8 332 33,9 2¼ 8 4312 440 M30 1157 118 1 1/8 8 481 49,1 2¾ 8 8026 818 M52 3815 389 7. Preparar as formas em torno da base para o grauteamento. Vedar as formas, principalmente junto ao concreto, para evitar vazamentos. 8. Passar um antiaderente nas partes em que não se deseja que o graute tenha aderência. São elas: as formas de madeira, os parafusos maca- quinhos e as porcas de fixação da proteção do acoplamento. Não é re- comendado o uso de óleo ou graxa nesta atividade, e sim três cama- das de uma pasta à base de parafina. 9. Para evitar quebras, a base de concreto e a camada de graute não de- vem ter cantos vivos. Fazer um acabamento com um chanfro de 45º, conforme mostra a Figura 32. FIGURA 32 CHANFRO DE 45º NA BASE DE CONCRETO E NO GRAUTE Base metálica Graute Chanfros Concreto 10. Verter o graute. As bases costumam ter furos nas chapas para este fim (ver Figura 31). O ideal é que exista um suspiro (vent) do lado oposto do furo de colocação do graute para permitir a saída do ar. Se a bomba e o acionador prejudicarem o acesso para a colocação do graute, eles devem ser retirados da base. Durante a fase de grauteamento, todas as tubulações devem estar desconectadas. Existem cimentos apropri- ados para graute. Não é aconselhável o uso de vibrador. Utilizar para PETROBRAS ABASTECIMENTO 78 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote esse fim um pedaço de madeira para ir socando o graute. Não deve ser exercida muita força para evitar a deformação da chapa superior da base metálica. Devem ser preenchidos todos os vazios da base. 11. Após a cura do graute, verificar, com auxílio de um pequeno marte- lo, batendo na chapa superior da base, se ficou alguma região va- zia. Havendo, faça dois furos nas extremidades opostas do vazio, um para introduzir massa epóxi, comum, e outro para saída do ar. O reparo deve ser realizado com epóxi mesmo que tenha sido grautea- do com cimento. 12. Após a operação anterior, retirar as formas e os parafusos de nivela- mento. 13. Se fizer parte do projeto, montar as tubulações auxiliares de refrige- ração, de selagem e de lubrificação. 14. Somente após a cura do graute, devem ser conectadas as linhas de sucção e de descarga. Os flanges das tubulações devem estar concên- tricos e paralelos com os da bomba. Todos os parafusos devem ser co- locados com a mão nos furos, sem necessidade de forçar os flanges. 15. Verificar a tensão introduzida pelas linhas. Para tal, coloque dois re- lógios comparadores com os ponteiros apoiados no cubo do acopla- mento, um na direção horizontal e o outro na vertical. Zere os relógi- os. Aperte os parafusos do flange de sucção com a junta de vedação no local. Os dois relógios devem indicar menos de 0,05mm. Torne a zerar os relógios e aperte agora o flange de descarga. Os relógios tam- bém devem indicar menos de 0,05mm. Se, no aperto de alguma das tubulações, for excedido esse valor de deslocamento, afrouxar os flan- ges dessa linha nas imediações da bomba (das válvulas de bloqueio, dos filtros, das válvulas de retenção etc.) e começar apertando-os a partir do flange mais próximo da bomba. Os desalinhamentos angulares podem ser corrigidos com o aqueci- mento localizado em alguma curva. Um outro recurso que pode ser usado é aquecer ao rubro uma seção completa da tubulação com os flanges da bomba apertados. O aquecimento reduz a resistência da tubulação, fazendo com que o material deforme, o que diminui a ten- são introduzida pela linha. Lembrar que alguns tipos de aço usados em tubulações, se aquecidos, podem necessitar de tratamento tér- mico posterior. Portanto, consulte antes o responsável pela monta- gem da tubulação. Se, depois de tudo, não for possível enquadrar os valores, cortar a tubulação e refazer a solda da linha. 16. Verificar se o sentido de giro do acionador está coerente com a bom- ba antes de acoplá-la. No caso de motor elétrico, se não estiver cor- reto, peça para inverter as fases de alimentação elétrica. 17. Alinhar a bomba com o acionador. O alinhamento que vem do fabri- cante é apenas um pré-alinhamento. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 79
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    Caso a bombafique inativa por período prolongado, é recomendável girar o eixo de 1 volta completa + 1/4 a cada 15 dias de modo que promova a lubrificação completa dos rolamentos e altere a esfera sob carga, bem como o local de apoio na pista do rolamento, evitando desgaste localizado. Antes da primeira partida e logo depois dela, verificar: Pense e Anote a Se a bomba, o acionador e o acoplamento estão adequadamente lu- brificados. b Se a proteção do acoplamento encontra-se no lugar. c Se o sentido de giro do acionador está correto. Caso tenha dúvida, desacople a bomba e teste. Algumas bombas podem ser giradas ao contrário. Nesse caso, ela pode ser ligada e desligada rapidamente só para sair da inércia e verificar o sentido de giro. Bombas verticais, na maioria dos casos, não podem girar ao contrário, sob pena de solta- rem partes fixadas por roscas, principalmente eixos e impelidores; d Se as válvulas das linhas de refrigeração e de selagem (flushing e quen- ching) estão abertas. e Se a bomba está escorvada. Para tal, abra a válvula de sucção e o sus- piro (vent) da carcaça. Quando pararem de sair borbulhas de ar, a bomba estará cheia de líquido. Fechar o suspiro. f Se a válvula de descarga está fechada e descolada da sede. Válvulas de descarga de diâmetros grandes e com pressão de descarga alta geram uma força na gaveta que dificulta sua abertura. Nessa situação, é in- teressante partir a bomba com a gaveta da válvula ligeiramente des- colada da sede (cerca de 1/4 de volta do volante). g Partir a bomba. h Logo após a partida, abrir a válvula de descarga. Durante a fase de aceleração da bomba, a corrente do motor elétrico atinge 5 a 6 vezes o valor da corrente nominal. Se a partida for demorada, ocorrerá o aquecimento excessivo do motor, o que reduz a vida útil de seu isolamento. A corrente alta também pode atuar o sistema de proteção elétrico, desarmando o motor. Por esse motivo, as bombas devem partir na condição de menor potência exigida. Como nas bombas centrífugas a potência cresce com a vazão, elas devem partir com a descarga fechada. Já nas bombas de fluxo axial, a menor potência ocorre com alta vazão. Portanto, devem partir com a descarga totalmente aberta. As bombas de fluxo misto, para efeito de partida, devem seguir as centrífugas. No capítulo sobre as Curvas Características das Bombas, serão analisadas as suas curvas de potência. PETROBRAS ABASTECIMENTO 80 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Após a partida da bomba, devem ser verificados e acompanhados: a Vibração da bomba e do acionador. É interessante fazer espectros das vibrações dos mancais da bomba e do acionador para servir como referência futura. b Barulhos anormais. c Temperatura dos mancais (pode levar até 3 horas para estabilizar). A norma API 610 limita em 82ºC a temperatura dos mancais ou 40ºC de acréscimo em relação à temperatura ambiente. d Vazamentos pela selagem. e Se os manômetros da sucção e da descarga estão estáveis. Manôme- tros oscilando muito demonstram problemas de cavitação ou recircu- lação, o que pode ser verificado e confirmado pelo ruído característico. f Havendo possibilidade, medir a corrente do motor elétrico, observan- do se o valor está dentro do esperado. Resumo Após a cura da base de concreto, picotá-la, rebaixando-a cerca de 25mm. Limpar bem o concreto e colocar a base metálica da bomba. Nivelar a base lateral e longitudinalmente no limite de 0,2mm para cada metro de dimensão, mantendo-a cerca de 25mm acima do concreto. Proteger os chumbadores e grautear a base. Alinhar, verificar sentido de giro do acionador e acoplar. Testar a bomba, verificando vibração, ruídos anormais e vazamentos e, se necessário, desempenho. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 81
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    Pense e Anote Classificação de bombas E xiste uma variedade muito grande de bombas disponíveis no mer- cado. Podemos classificá-las, baseados no modo do seu funcionamento, em dois tipos principais: Classificação de bombas Radial Centrífuga Bombas dinâmicas Fluxo axial Tipo Francis ou turbobombas Fluxo misto PERIFÉRICA OU REGENERATIVA Pistão Alternativa Êmbolo Diafragma Bombas volumétricas ou de deslocamento Engrenagens positivo Parafusos Lóbulos Rotativa Palhetas Peristática Cavidades progressivas A bomba dinâmica ou turbobomba se caracteriza por fornecer energia ao líquido pela rotação de um impelidor. A orientação do líquido ao sair do impelidor determina, juntamente com a forma como a energia é cedi- da, o tipo da turbobomba. A bomba volumétrica ou de deslocamento positivo se caracteriza por executar seu trabalho por meio do aprisionamento de um certo volume do líquido na região de sucção e posterior deslocamento desse volume para a descarga. Seus nomes provêem da forma como a energia é transfe- rida ao líquido: pistão, diafragma, engrenagens, palhetas etc. Nos próximos capítulos, analisaremos mais detalhadamente cada tipo. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 83
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    Pense e Anote Bomba dinâmica ou turbobomba A turbobomba que trabalha cedendo energia ao líquido por meio de um impelidor pode ser classificada em quatro tipos diferentes, de acordo com a forma de cessão de energia ao fluido. BOMBA CENTRÍFUGA Pode ser do tipo radial ou tipo Francis. A bomba centrífuga radial ou cen- trífuga pura é a que possui as pás do impelidor com a curvatura em um só plano. Nesse tipo de bomba, o fluxo sai do impelidor perpendicular- mente ao eixo. O impelidor cede energia ao líquido por meio da força centrífuga. A bomba centrífuga tipo Francis possui as pás do impelidor com curvatura em dois planos. Nesse tipo, a energia é cedida ao líquido pela for- ça centrífuga e de arrasto. O líquido sai do impelidor perpendicular ao eixo. BOMBA DE FLUXO AXIAL É a bomba na qual a energia é cedida ao líquido sob a forma de arrasto. O fluxo do líquido caminha paralelamente ao eixo. Seu impelidor lembra uma hélice de barco ou de ventilador. BOMBA DE FLUXO MISTO Esta bomba é intermediária entre a centrífuga e a axial. O fluxo sai do impelidor inclinado em relação ao eixo. A energia transmitida pelo impe- lidor é sob a forma centrífuga e de arrasto. BOMBA PERIFÉRICA OU REGENERATIVA Esta bomba também é chamada de turbina regenerativa. Nela, as pás ficam situadas na periferia do impelidor. A carcaça forma uma câmara em forma de anel (corte A-A da Figura 34). Em uma volta, o líquido entra e sai diversas vezes nesta câmara e entre as pás do impelidor. Em cada entrada, ele ganha um novo impulso e, por isso, estas bombas costumam ter uma pressão alta de descarga para o diâmetro do impelidor. O líquido segue uma trajetória helicoidal. Na região de descarga, a câmara se estreita para impedir o retorno do líquido para a região de sucção (corte B-B da Figura 34). PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 85
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    FIGURA 33 TURBOBOMBA COM OS TRÊS TIPOS DE FLUXO Pense e Anote Fluxo radial Fluxo misto Fluxo axial FIGURA 34 BOMBA REGENERATIVA E SEU IMPELIDOR P4 P4 > P3 > P2 > P1 P1 P3 A A P2 Corte A–A B B Corte B–B PETROBRAS ABASTECIMENTO 86 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 35 TIPOS DE BOMBAS CENTRÍFUGAS SEGUNDO A NORMA API 610 Tipo básico Classifi- Tipo Características Figura (impelidor) cação Em balanço Acoplamento Horizontal Apoiada OH1 ( Overhung) flexível por pés 1 Estágio Apoiada na OH2 linha de centro 1 Estágio Vertical 1 Estágio OH3 in-line com caixa de mancais separada Acoplamento Vertical 1 Estágio OH4 rígido in-line Impelidor montado no eixo do acionador Eixo da Vertical 1 Estágio OH5 bomba sem in-line acoplamento Alta Montagem OH6 velocidade vertical ou horizontal Multiplicador integral 1 Estágio Acoplamento entre multiplicador e acionador Continua PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 87
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    FIGURA 35 Continuação TIPOS DE BOMBAS CENTRÍFUGAS SEGUNDO A NORMA API 610 Pense e Anote Tipo básico (impelidor) Tipo Características Classifi- cação Figura Entre 1e2 Partida BB1 mancais Estágios axialmente (between bearings ) Partida BB2 radialmente Multiestágios Partida BB3 axialmente Partida Carcaça BB4 radialmente simples com multi- segmentos Carcaça BB5 dupla (tipo barril) Verticalmente Carcaça Descarga Difusor VS1 suspensas simples através da coluna Continua PETROBRAS ABASTECIMENTO 88 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 35 Continuação TIPOS DE BOMBAS CENTRÍFUGAS SEGUNDO A NORMA API 610 Tipo básico Classifi- Tipo Características Figura (impelidor) cação Verticalmente Carga Descarga Voluta VS2 suspensas simples através da coluna Fluxo axial VS3 Descarga Eixo com VS4 separada mancais Impelidor em VS5 balanço Carcaça Difusor VS6 dupla (poço) Voluta VS7 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 89
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    A norma API610, na qual é especificada e adquirida a maioria das bom- bas centrífugas de uma refinaria, sugere uma classificação e uma numera- ção em função do tipo da bomba, fazendo uma divisão principal entre três modelos, baseados na posição do impelidor em relação aos mancais: Em balanço (overhung) – Denominadas OH Pense e Anote Entre mancais (between bearings) – Denominadas BB Verticalmente suspensas (vertically suspended) – Denominadas VS Estes modelos são subdivididos em vários tipos. Cada tipo recebe uma designação iniciada pelas letras acima, seguida de um número. De modo a facilitar essa identificação, a Figura 35 mostra um quadro com um croqui para cada tipo. A bomba centrífuga é o tipo mais usado, principalmente devido a sua versatilidade. Ela faz parte de um conjunto mais geral denominado turbo- bombas, que, além da centrífuga, inclui a bomba axial e a de fluxo misto. Normalmente, são englobadas com o nome genérico de bombas centrí- fugas, embora a bomba axial nada tenha de centrífuga. Uma das vantagens da bomba centrífuga é poder trabalhar com gran- des variações de vazão sem alterar a rotação, o que as bombas de deslo- camento positivo geralmente não permitem. Para garantir o funcionamento adequado de uma bomba, proporcio- nando uma campanha longa, ela deve ser bem especificada, bem selecio- nada, bem fabricada, bem montada, bem operada e bem mantida. Alguns enganos cometidos em qualquer dessas etapas podem ser contornados; outros, dificilmente o serão, e teremos uma bomba com campanhas sem- pre inferiores às esperadas. Resumo As bombas dinâmicas ou turbobombas podem ser classificadas em função da orientação do fluxo de saída: radial, axial, mista e regenerativa. A norma API divide as bombas em três tipos de acordo com a posição do impelidor em relação aos mancais: OH (overhung) – em balanço BB (between bearing) – entre mancais VS (vertically suspende) – verticalmente suspensas A essas letras são acrescentados números para identificar os modelos. A bomba centrífuga permite fácil controle de vazão. PETROBRAS ABASTECIMENTO 90 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Princípiode funcionamento da bomba centrífuga Se colocássemos gotículas de líquido sobre um disco, ao girá-lo com uma rotação N, as gotículas seriam expelidas para a periferia pelo efeito da força centrífuga. FIGURA 36 DISCO GIRANDO COM GOTAS DE LÍQUIDO Fc Fc Fc Fc Fc Fc N A bomba centrífuga utiliza este mesmo princípio para funcionar. Faz uso da força centrífuga, advindo daí o seu nome. Na bomba, esta energia é cedida pelo impelidor, o qual orienta o fluxo do líquido pelos seus ca- nais formados pelas pás e discos. Para uma bomba centrífuga funcionar adequadamente, há necessidade de que sua carcaça esteja cheia de líquido. Temos de substituir o ar pre- existente em seu interior por líquido. Esta operação de encher a bomba é chamada de escorva da bomba. Use a Figura 37 para acompanhar as explicações sobre o funcionamen- to da bomba centrífuga. FIGURA 37 ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DE UMA BOMBA CENTRÍFUGA 7 7 1. Tubulação de sucção 1 2 5 2. Flange de sucção 6 5 3. Olhal do impelidor 4 4. Entrada das pás 3 6 5. Saída do impelidor 8 3 4 6. Voluta (dupla) 7. Cone de saída da carcaça 6 8. Lingüeta 6 6 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 91
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    O impelidor, aogirar, transmite uma determinada força centrífuga que acelera o líquido presente no seu interior (regiões 3, 4 e 5), fazendo com que este líquido caminhe para a área de saída do impelidor, sendo des- Pense e carregado na voluta (6). O líquido passa pela voluta e é orientado pela Anote lingüeta (8) para o cone de saída da carcaça (7). Ao ser deslocado no in- terior do impelidor, ele cria uma região de menor pressão, que é preen- chida pelo líquido que está imediatamente antes, na região 2. Esta será preenchida pelo líquido que está em 1, e assim sucessivamente. O impe- lidor, ao girar, estabelece um fluxo contínuo de líquido da linha de sucção para a descarga. Se não tivéssemos escorvado a bomba, em vez de líquido, teríamos no seu interior ar ou gases e, nessa situação, o vazio criado pelo impelidor, ao girar, não seria suficiente para que o líquido presente na tubulação de sucção fluisse para o impelidor, inviabilizando assim o bombeamento do fluido. Na Figura 38, é mostrada a variação da pressão e da velocidade no in- terior da bomba centrífuga para uma determinada vazão. FIGURA 38 VARIAÇÃO DE PRESSÃO E VELOCIDADE 7 1 2 6 5 1. Tubulação de sucção 2. Flange de sucção 4 3. Olhal do impelidor 3 4. Entrada das pás 5. Saída do impelidor 6. Voluta (no caso dupla) 5 6 7. Cone de saída da carcaça 6 Velocidade Pressão Região PETROBRAS ABASTECIMENTO 92 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Devido ao atrito e aos choques nas paredes da tubulação e aos aciden- tes, tais como curvas, válvulas, reduções, filtros etc., a pressão vai caindo conforme o fluido se desloca pela linha de sucção da bomba (1). Na jun- ção do flange da tubulação com a sucção da bomba (2), podemos ter uma pequena perda localizada devido à não-coincidência perfeita entre os diâ- metros internos dos flanges da tubulação e o da bomba, que normalmen- te é fundido. A pressão continua caindo lentamente até o olhal do impe- lidor (3). Logo após o olhal, região 4, temos uma redução da área de esco- amento devido ao cubo do impelidor, o que provoca um aumento de velocidade de escoamento e, conseqüentemente, uma queda de pressão, conforme vimos quando falamos no Teorema de Bernouille (Parte 1). Nessa região, o fluxo fica mais turbulento pela influência da vazão que retorna pelo anel de desgaste dianteiro e pelos furos de balanceamento do impe- lidor. Pelos motivos expostos, a região 4, logo após o olhal e antes de chegar às pás do impelidor (o líquido ainda não recebeu energia dele), é que apresenta a pressão mais baixa no interior da bomba. FIGURA 39 VARIAÇÃO DA PRESSÃO E DA VELOCIDADE NO INTERIOR DA BOMBA 7 1 2 6 5 1. Tubulação de sucção 4 2. Flange de sucção 3 3. Olhal do impelidor 4. Entrada das pás 5. Saída do impelidor 5 6. Voluta (no caso dupla) 6 7. Cone de saída da carcaça 6 Velocidade Pressão Região PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 93
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    A partir daregião 4, o líquido começa a receber energia cedida pelas pás do impelidor, que acelera o líquido, aumentando sua velocidade (energia cinética). Esta energia vai sendo transformada parcialmente em energia de Pense e pressão devido ao aumento da área entre as duas pás consecutivas (canal Anote de escoamento) à medida que o líquido vai avançando no impelidor. Ao sair do impelidor, o fluxo passa pela voluta. A área da voluta é crescente (ver Figura 37), mas o impelidor, ao girar, descarrega mais líquido de modo que o aumento de vazão é compensado pelo aumento da área, permane- cendo estável a velocidade de escoamento e a pressão (válido para a vazão de projeto da bomba). Por último, na saída da carcaça, região cônica 7, te- mos a transformação final da energia de velocidade em energia de pressão. Como geralmente o flange de descarga da bomba centrífuga é menor do que o flange de sucção, a velocidade na descarga é ligeiramente maior do que na sucção. Logo, nem toda a energia cedida ao líquido pela bom- ba é transformada em energia de pressão, permanecendo uma parcela como energia de velocidade. Como as velocidades de sucção e de descar- ga são relativamente baixas, a energia cedida sob a forma de velocidade é relativamente pequena em bombas centrífugas. De modo geral, a grande parcela de energia cedida é sob a forma de pressão. Somente nas bombas de baixo diferencial de pressão como, por exemplo, nas bombas axiais, a parcela de energia de velocidade pode ser significativa. Nas bombas centrífugas que utilizam difusor em vez de voluta, a trans- formação de velocidade em pressão ocorre no impelidor e no difusor. As áreas dos canais do difusor são crescentes. Logo, a velocidade de escoa- mento será reduzida e a energia será transformada em pressão. O difusor é mais empregado nas bombas de múltiplos estágios, sejam elas horizon- tais, sejam verticais. Nas bombas horizontais, o difusor costuma ser uma peça independente. Nas bombas verticais, geralmente ele faz parte da carcaça (ver Figura 35 – bomba verticalmente suspensa tipo VS1). FIGURA 40 DIFUSOR PETROBRAS ABASTECIMENTO 94 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Resumo O impelidor cede energia ao líquido sob a forma de velocidade. No próprio impelidor, parte dessa energia vai sendo transformada em energia de pressão. No cone de saída da carcaça, temos uma transformação final de energia de velocidade para pressão. Os difusores também transformam energia de velocidade em pressão. Aplicações típicas Bomba centrífuga é um tipo de bomba bastante versátil, daí seu grande emprego na indústria. Suporta desde serviços leves, como o bombeamen- to de água residencial, feito com bombas pequenas com 1/8hp, até bom- bas com consumo de potências bastante altas, que podem chegar a mi- lhares de hp. Este tipo de bomba é usado praticamente em todas as in- dústrias, caso das unidades de uma refinaria, na exploração de petróleo, no transporte de líquidos (oleodutos), nas indústrias químicas, no abaste- cimento de água das cidades, em irrigação de lavouras, em termoelétri- cas, na indústria de papel e celulose, nas aciarias e nas demais indústrias. Uma das grandes vantagens da bomba centrífuga é sua capacidade de variar a vazão. As bombas pequenas podem operar de 10% a 120% da vazão de projeto. Nas bombas maiores, essa faixa de vazão costuma ser mais reduzi- da, como veremos mais adiante. Em boa parte dos processos que necessi- tam um controle de vazão, é utilizada uma válvula de controle na linha de descarga da bomba centrífuga. Conforme sua abertura seja aumentada ou re- duzida, a perda de carga será alterada, modificando, como conseqüência, a vazão da bomba. Podemos usar também a rotação para variar a vazão. Existem bombas centrífugas projetadas para poucos m3/h de vazão, en- quanto outras são para milhares de m3/h. As bombas de baixa vazão costu- mam ter um rendimento inferior ao das bombas de vazão mais elevada. As pressões fornecidas por esse tipo de bomba podem ir de alguns kgf/cm2 até centenas de kgf/cm2. Quando as pressões são muitos altas, as bombas centrífugas são projetadas com vários estágios (impelidores) em série. As bombas de processo utilizadas na indústria de petróleo seguem a norma API 610 (American Petroleum Institute). Atualmente, essa norma está em fase de junção com a ISO (International Organization for Standar- dization) para formarem uma norma comum. Tanto na exploração, quanto na produção de petróleo, como no refino e no transporte de produtos (oleodutos), a bomba centrífuga possui larga PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 95
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    aplicação, abrangendo praticamentetodas as áreas, sendo mais fácil citar as condições em que não são empregadas. Senão vejamos: A VAZÃO É MUITO PEQUENA Quando a vazão é inferior a 5m3/h, embora existam bombas menores. Pense e Anote QUANDO A VISCOSIDADE DO FLUIDO É ELEVADA A bomba centrífuga tem grande perda de rendimento nesta condição. NO BOMBEAMENTO DE ÓLEO LUBRIFICANTE DE GRANDES MÁQUINAS Embora algumas máquinas utilizem bombas centrífugas, nesse tipo de ser- viço, é mais freqüente o uso de bombas de parafusos ou de engrenagens. Nas demais aplicações, é usual a adoção de bombas centrífugas. Partes componentes e suas funções Vejamos as principais partes de uma bomba centrífuga e as funções que exercem, os danos que eventualmente apresentam e as recuperações empregadas para restabelecer a condição normal de funcionamento. FIGURA 41 CORTE DE UMA BOMBA CENTRÍFUGA TIPO EM BALANÇO – KSB Bucha de fundo/ Na lubrificação por névoa Carcaça com voluta Caixa de selagem não são necessários copo Dissipador de nivelador nem anel calor/defletor salpicador e, geralmente, o ventilador é dispensável Parafuso extrator Entrada para lubrificação por névoa Mancais Impelidor Sobreposta de ancora Mancal radial Câmara de selagem Selagem da caixa de mancais Anti-rotacional Anel de desgaste Selo Caixa de selagem Ventilador para Junta da carcaça/ refrigeração caixa de selagem Eixo Caixa de mancais Aletas para Anel salpicador resfriamento Copo do Mancal triplo para alta Dreno Luva do eixo nivelador de óleo pressão de sucção PETROBRAS ABASTECIMENTO 96 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote ROTOR OU CONJUNTO ROTATIVO Pela definição da norma API, rotor é o conjunto de todas as peças giran- tes, exceto os selos e rolamentos. O rotor é composto por eixo, impelidor, porcas de fixação, luvas do eixo e defletores. É prática comum chamar o impelidor de rotor, inclusive alguns fabricantes de bombas utilizam inde- vidamente esse nome. IMPELIDOR Sua função é a de fornecer energia ao líquido sob a forma de pressão e de velocidade. O impelidor raramente é recuperado, a não ser que seja de grande tamanho, sendo quase sempre substituído por um novo quando está desgastado. CARCAÇA Sua função principal é a de conter o líquido. No caso de carcaça em volu- ta, esta serve também para transformar energia de velocidade em pres- são na região do cone de saída. Não é usual necessitar reparos, a não ser nas bombas utilizadas com líquidos abrasivos ou corrosivos e nas que tra- balham sob cavitação ou recirculação interna. Como, geralmente, não exis- tem em estoque carcaças reservas, quando se danificam, costumam ser recuperadas por soldagem com posterior usinagem ou esmerilhamento. Em alguns casos, podem ser recuperadas por meio de deposição de resi- nas especiais, como as do tipo epóxi. CAIXA DE SELAGEM Também chamada de tampa da carcaça e de caixa de gaxetas. Juntamente com a carcaça, envolve o impelidor contendo o líquido. É através desta peça que o eixo sai para o exterior da bomba. Possui uma câmara que serve para instalar a selagem da bomba. Sua recuperação é semelhante à da carcaça. EIXO Sua função é a de transmitir o torque do acionador ao impelidor, o qual lhe é fixado. Quando apresenta algum tipo de desgaste, é geralmente subs- tituído. PORCA DO IMPELIDOR Tem a função de fixar o impelidor no eixo. LUVA DO EIXO Serve para proteger o eixo. Em vez de trocá-lo, que é uma peça cara, troca- se a luva, que é mais barata. Nos selos tipo cartucho, a luva permite que o selo seja todo montado externamente, antes de ser colocado na caixa de selagem. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 97
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    MANCAIS Sua função é a de sustentar o eixo gerando pouco atrito. A maioria das bombas utiliza mancais de rolamentos. Quando as condições operacio- Pense e nais (rotação e esforços) acarretam uma vida curta dos rolamentos, os Anote projetistas das bombas os substituem por mancais de deslizamento (me- tal patente). Nas bombas verticais, é comum a utilização de mancais gui- as para o eixo, que são usualmente fabricados de bronze ou outro material macio, como o carvão ou Teflon impregnado. CAIXA DE MANCAIS Sua função é a de sustentar os mancais e criar uma região propícia para sua lubrificação. Raramente se danificam. Caso a pista externa do rolamento venha a girar na caixa, ela pode ser recuperada por meio de embuchamen- to. Cuidados devem ser tomados para garantir as concentricidades entre as regiões dos rolamentos e da guia, que é a responsável pela centraliza- ção da caixa de selagem. As caixas de mancais das bombas antigas eram de ferro fundido. Como esse material é frágil, podendo quebrar no caso do trancamento de um rolamento, o que levaria a um vazamento pela selagem, a norma API passou a recomendar que as caixas de mancais se- jam fabricadas em aço-carbono quando o líquido bombeado for inflamá- vel ou perigoso. SELAGEM DA BOMBA Sua função é a de evitar que o líquido vaze para o exterior pela região onde o eixo sai da carcaça. As bombas antigas usavam tanto gaxetas como se- los mecânicos. Atualmente, devido às restrições de poluição ambiental, as gaxetas são utilizadas somente para produtos que não ocasionam pro- blemas ao meio ambiente, caso venham a vazar. As gaxetas estão sendo utilizadas praticamente para água. Mesmo assim, o selo mecânico vem ganhando terreno nestas aplicações. Recentemente, surgiram no merca- do gaxetas injetáveis, que estão sendo empregadas com sucesso. SOBREPOSTA No caso de selagem por gaxetas, recebe também o nome de preme-gaxetas. Nesse caso, é usual utilizarem uma bucha de bronze na região que pode vir a ter contato com o eixo. Na selagem por selo mecânico, serve de apoio para uma das sedes. Nesse caso, como são normalmente fabricadas de material nobre, quase sempre AISI 316, raramente necessitam de recuperação. SELAGEM DA CAIXA DE MANCAIS Sua função é a de evitar ou reduzir a entrada de sólidos (poeiras, catalisado- res etc.), líquidos (água e o próprio produto bombeado) e vapores no interior da caixa de mancais, além de impedir que o óleo lubrificante ou a graxa va- PETROBRAS ABASTECIMENTO 98 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote zempara o exterior. As bombas mais antigas usavam retentores com lábios de borracha ou labirintos. O retentor realizava sua função quando novo, mas, após alguns meses de funcionamento, os lábios endureciam, podiam surgir trincas ou acabavam por riscar o eixo, perdendo sua capacidade de vedação. Por isso, a norma API 610 passou a recomendar o uso de selos mais sofisti- cados que permanecem aptos a realizar sua função por tempo mais prolon- gado. Existe uma grande variedade desses selos, alguns vedam por meio de anel “O” e labirintos, enquanto outros são semelhantes a um selo mecânico, com uma face fixa e outra giratória provendo a vedação principal. Esses selos usam molas ou magnetismo para manter as sedes em contato. DEFLETOR É um disco, geralmente fixado ao eixo, colocado na frente da selagem da caixa de mancais com a finalidade de evitar que jatos de líquidos ou va- pores atinjam diretamente a região de selagem, dificultando a entrada de corpos estranhos nas caixas de mancais. ANEL PESCADOR Sua função é carregar o óleo do reservatório para o eixo, fluindo daí para o mancal. O anel pescador é acionado pela rotação do eixo. ANEL SALPICADOR É um anel fixado no eixo e que gira com ele, tendo por função salpicar o óleo lubrificante, lançando-o nas canaletas que levam aos rolamentos. ANÉIS DE DESGASTE Possuem diversas funções. A primeira é de ser uma peça de sacrifício, per- mitindo usar folgas menores entre o impelidor e a carcaça. Com folgas pe- quenas, o fluxo que passa da descarga para a sucção pode ser reduzido, aumentando a eficiência da bomba. Se não houvesse anéis de desgaste e ocorresse um “roçamento” das peças, teríamos de substituir ou recuperar o impelidor e/ou a carcaça, que são peças mais caras. Com o uso dos anéis, fica mais barato e rápido trocá-las. O seu diâmetro também serve para equi- librar os esforços axiais. Outra função dos anéis de desgaste é a de trabalhar como mancal, aumentando a rigidez do rotor. Quando suas folgas aumen- tam, esta função fica prejudicada e temos o aumento de vibração da bom- ba. Esta situação é crítica nas bombas com dois estágios em balanço. BUCHA DE FUNDO DA CAIXA DE SELAGEM Esta bucha é que separa a câmara de selagem do interior da bomba. No caso de bombas que utilizam selo mecânico, sua folga é importante por- que vai ajudar a controlar a pressão e a vazão do líquido de refrigeração do selo, evitando que ele venha a vaporizar. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 99
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    BUCHA DA SOBREPOSTA Sua função é a de restringir o vazamento entre a luva e a sobreposta. Pense e ACOPLAMENTO Anote Sua função é a de transmitir o torque do acionador para a bomba, absor- vendo pequenos desalinhamentos entre os eixos, sem ocasionar aumen- tos consideráveis da vibração. VENTILADOR É empregado como um meio de refrigerar a caixa de mancais. A maioria das bombas utiliza em seu lugar uma câmara de resfriamento com água nesta função. As bombas dotadas de lubrificação por névoa, na maioria dos casos, dispensam o uso de refrigeração nos mancais. ANTI-ROTACIONAL Sua função é de orientar o líquido para o impelidor, evitando que ele en- tre girando. Impelidores Abaixo são mostradas as partes de um impelidor. FIGURA 42 PARTES DO IMPELIDOR Parede dianteira Parede traseira Região do anel de Região do anel de desgaste traseiro desgaste dianteiro Furo de balanceamento Olhal Cubo Pá Furo de balanceamento Os impelidores utilizados nas bombas centrífugas podem ser classifi- cados quanto: Ao projeto ou geometria do impelidor Existe um índice que correlaciona a rotação, a vazão e a Altura Manomé- trica Total (AMT) de um impelidor e que determina a sua geometria. Este índice é denominado de velocidade específica (Ns). PETROBRAS ABASTECIMENTO 100 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 43 CLASSIFICAÇÃO DO IMPELIDOR QUANTO AO PROJETO – VELOCIDADE ESPECÍFICA Velocidade específica – Ns (unidades métricas – rpm, m3/s, m) (unidades inglesas – rpm, gpm, ft) D2 D1 Eixo de Pás radiais Tipo Francis Fluxo misto Axial rotação D2 D2 D2 D2 >4 = 1,5 a 2 < 1,5 =1 D1 D1 D1 D1 Sistema Inglês Métrico 1 Métrico 2 N Q Ns = N – Rotação rpm rpm rpm 0,75 AMT Q – Vazão gpm m3/s m3/h AMT ft m m Sabendo-se a velocidade específica, identificamos o formato do impelidor. No cálculo da velocidade específica, existem algumas considerações: A AMT e a vazão são as correspondentes ao impelidor de maior diâme- tro que a bomba comporta e no ponto de máxima eficiência (BEP). A altura manométrica considerada é por estágio. No caso de bombas de vários estágios, se todos os impelidores forem do mesmo diâme- tro, basta dividir a AMT da bomba pelo número de estágios. Para bombas de dupla sucção, a vazão deve ser dividida por dois. Teoricamente, pela fórmula, a velocidade específica é um número adi- mensional (sem unidades). Por conveniência, são empregadas unidades usuais que não se cancelam matematicamente (por análise dimensional), daí ser necessário saber as que foram utilizadas no seu cálculo de modo a permitir sua interpretação. Como a literatura disponível sobre bombas é predominantemente americana, ainda é comum a velocidade específica ser expressa no sistema inglês de unidades. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 101
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    Para converter avelocidade específica, Ns: TABELA 22 CONVERSÃO DE VELOCIDADE ESPECÍFICA De: ↓ Para → rpm, gpm, ft rpm, m3/s, m rpm, m3/h, m Pense e Anote rpm, gpm, ft ➜ 1 0,019 1,16 rpm, m 3/s, m ➜ 51,65 1 60 3 rpm, m /h, m ➜ 0,86 0,0167 1 Por exemplo, para saber o equivalente de um Ns =100, calculado com rpm, m3/s e m, basta multiplicar por 60 para passar para Ns expresso em rpm, m3/h e m. PROBLEMA 1 Determinar o tipo de impelidor de uma bomba de um estágio que gira a 1.750rpm com impelidor de dupla sucção cujo diâmetro máximo é de 500mm e fornece uma vazão 900m3/h e AMT = 150m no BEP – Ponto de Máxima Eficiência. Dados: N = 1.750rpm Q = 900m3/h (dupla sucção) AMT = 150m A unidade de vazão utilizada na Figura 43 é em m3/s. Portanto, tere- mos de fazer a conversão. Como o impelidor é de dupla sucção, teremos de dividir a vazão por 2 para o cálculo da velocidade específica e por 3.600 para transformá-la de m3/h para m3/s: Q 900 m3 450m3 1h m3 Q’ = = = = = = 0,125 2 2 h h 3.600s 5 Cálculo da velocidade específica: N Q 1.750 0,125 1.750 x 0,354 Ns = = = = Ns = 14,4 0,75 0,75 AMT 150 42,86 Pela Figura 43, com NS = 14,4 em unidades métricas, vemos que o impelidor é do tipo radial. Como é de dupla sucção, seria equivalente a 2 impelidores, um contra o outro. À inclinação das pás Retas Para frente Para trás PETROBRAS ABASTECIMENTO 102 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 44 CLASSIFICAÇÃO DOS IMPELIDORES QUANTO À INCLINAÇÃO DAS PÁS Pás retas Pás para frente Pás para trás Embora seja viável a operação com o impelidor de pás para frente, as bombas centrífugas não o utilizam por gerarem curvas instáveis. A maio- ria dos impelidores de bombas centrífugas é projetada com pás para trás. As bombas de alta rotação costumam utilizar impelidores de pás retas. Nos ventiladores, as pás para frente são usadas com alguma freqüência. Ao tipo de construção do impelidor Fechado Semifechado ou semi-aberto Parcialmente fechado Aberto Os impelidores abertos e semi-abertos são empregados quando o líquido bombeado pode conter sólidos, que teriam dificuldade em passar pelos ca- nais de um impelidor fechado. Na indústria de petróleo, não é muito comum esta situação, excetuando-se o caso de parafinas ou de bombas de esgota- mentos. Por isso, os impelidores são predominantemente do tipo fechado. FIGURA 45 CLASSIFICAÇÃO DOS IMPELIDORES QUANTO AO TIPO DE CONSTRUÇÃO Aberto com Semi-aberto ou Fechado Abertos parede parcial semi-fechado PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 103
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    Quanto ao tipode sucção • Simples • Dupla sucção Pense e FIGURA 46 Anote CLASSIFICAÇÃO DOS IMPELIDORES QUANTO À SUCÇÃO Simples sucção Dupla sucção Resumo A velocidade específica, Ns, caracteriza o formato do impelidor. Os valores mais baixos de Ns correspondem ao impelidores radiais, e os mais altos, aos axiais, ficando os de fluxo misto com os valores intermediários. Os impelidores podem ser classificados pelo sentido das pás, pela construção e quanto ao tipo de sucção. Carcaças As carcaças das bombas centrífugas podem ser classificadas sob diversas formas. Quanto aos tipos: Voluta Dupla voluta Difusor Concêntrica ou circular Mista (raramente utilizada) PETROBRAS ABASTECIMENTO 104 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 47 TIPOS DE CARCAÇAS Simples voluta Dupla voluta Difusor Concêntrica A carcaça em voluta, que pode ser simples ou dupla, é a mais usada em bombas industriais. Devido à dificuldade de fundição, nas bombas menores, de até 4" na descarga, as carcaças são normalmente de simples voluta. Somente as bombas de 6" e maiores são projetadas com dupla vo- luta. Comparando com a de simples voluta, a carcaça de dupla voluta re- duz significativamente o esforço radial. A carcaça com difusor é mais empregada em bombas de multi-estágios. É também bastante usada em bombas verticais. Este tipo de carcaça pro- porciona uma baixa carga radial. A carcaça concêntrica ou circular é utilizada apenas em bombas peque- nas. Alguns fabricantes, nas bombas menores, usam a carcaça circular e deslocam o impelidor, obtendo assim um esforço radial menor do que com voluta simples quando trabalha fora do ponto de projeto. A carcaça mista é composta de pás difusoras e voluta em série. Rara- mente é utilizada. As carcaças também podem ser classificadas quanto ao tipo da partição: Partida horizontalmente ou axialmente. Partida verticalmente ou radialmente. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 105
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    FIGURA 48 BOMBA COM CARCAÇA PARTIDA AXIALMENTE (BB1) Pense e E VERTICALMENTE (TIPO BARRIL – BB5) Anote BB5 BB1 FIGURA 49 BOMBAS COM CARCAÇAS PARTIDAS VERTICALMENTE (BB2) – COM INDUTOR DE NPSH E DE MULTISSEGMENTOS (BB4) BB2 Partida verticalmente Introdutor de NPSH BB4 Carcaça Impelidor Difusor PETROBRAS ABASTECIMENTO 106 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote As carcaças podem ser simples (exemplos: OH1; BB1; VS2) ou duplas (exemplos: BB5, VS5, VS6) (ver Figura 35). Resumo As carcaças podem ser do tipo de simples voluta, dupla voluta, difusor, concêntrica e mista. Podem ser partidas axialmente ou radialmente. Altura manométrica total (AMT), carga ou head A Altura Manométrica Total (AMT) é também conhecida pelos nomes de carga da bomba, head (em inglês), ou ainda MCL (Metros de Coluna de Líquido). A definição clássica de AMT é a energia cedida pela bomba por unidade de massa do líquido bombeado. Mas usualmente é usada como energia cedida por unidade de peso. Por esta definição, a AMT é representada por uma unidade de comprimento, em geral metros no nosso sistema de uni- dades, ou pés (ft) no sistema inglês. Energia Força x distância kg/f x m AMT = = = =m Peso Peso kg/f Por simplificação, passaremos a usar apenas “energia” por unidade de peso do “líquido bombeado” para a AMT. Podemos entender a AMT como a energia fornecida pela bomba expressa sob a forma de altura de coluna de líquido, daí receber também o nome de metros de coluna de líquido. Para cada vazão, a bomba centrífuga for- nece uma AMT. Na seleção de bombas centrífugas é mais comum usar AMT do que a pressão, isto porque a AMT é fixa, independe do líquido bombeado, enquanto a pressão irá variar de acordo com o líquido. Nas bombas de deslocamento positivo não se usa AMT e sim a pressão, que é dada pelo sistema. Como a AMT é a energia cedida por uma bomba para uma determina- da vazão, podemos calculá-la pela diferença de energias existentes entre a descarga e a sucção da bomba. Altura Altura Altura manométrica = manométrica – manométrica total da descarga da sucção PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 107
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    Se medirmos aAMT fornecida por uma bomba centrífuga para algumas vazões diferentes (5 é um bom número) e plotarmos estes pontos em um gráfico e os unirmos com uma linha, obteremos o gráfico de AMT x vazão desta bomba. O aspecto seria semelhante ao mostrado na Figura 50, que pertence a uma bomba centrífuga radial. Se alterarmos o diâmetro do im- Pense e Anote pelidor ou a rotação, a curva se modificará. Por isso, é usual registrar no gráfico esses valores. FIGURA 50 CURVA CARACTERÍSTICA DE AMT X VAZÃO AMT x vazão AMT ou H – metros Vazão – m 3/h Modelo 3 x 2 x 8 Dia = 200mm 3.550rpm Se a mesma bomba puder usar diversos modelos de impelidores, eles também deverão ser identificados no gráfico. Alguns fabricantes identificam o tamanho da bomba pelas dimensões do flange de sucção, flange de descarga e o tamanho máximo do impelidor. Esses valores podem ser expressos em polegadas ou em milímetros, como, por exemplo: 3x2x8, ou o equivalente 75x50x200. Normalmente, esse conjunto de números vem precedido do modelo da bomba: XYZ 3x2x8. Uma bomba em boas condições de conservação trabalhará com o ponto de operação sempre sobre essa curva, descontando, logicamente, pequenos desvios devido à imprecisão nas medições e às decorrentes da variação nas partes fundidas (impelidor e a carcaça) que ocorrem de uma peça para outra. PETROBRAS ABASTECIMENTO 108 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 106.
    Pense e Anote A energia por unidade de peso de um líquido escoando (ou altura ma- nométrica) em um determinado ponto da tubulação é composta pela soma da energia de três parcelas: da energia de pressão, da energia cinética (ou de velocidade) e da energia potencial (de altura) em relação a um plano ho- rizontal. A expressão dessas energias, em metros, é dada por: ENERGIA DE VELOCIDADE – EV V2 EV = V– Velocidade de escoamento (m/s) 2g g – Aceleração da gravidade 9,81m/s2 (no nível do mar) ENERGIA DE PRESSÃO – EP 10P Ep = P – Pressão em kgf/cm2 – Peso específico do líquido em gf/cm3 (igual à densidade) ENERGIA POTENCIAL – EPOT Altura do líquido em relação a um plano horizontal de refe- Epot = h rência (hd e hs), em metros. ENERGIA TOTAL = EV + EP + EPOT FIGURA 51 LEVANTAMENTO DA AMT FI Medidor de vazão Pd Ps Vd hd hs L.C. Vs A AMT é sempre calculada nos flanges da bomba e é usual adotar como plano horizontal de referência o que passa pela linha de centro do impelidor para bombas horizontais e, para bombas verticais, o usual é a linha que passa pelos centros dos flanges. Por esse motivo, as pressões devem ser corrigidas para a linha de centro através da adição das cotas hs e hd. Caso os manôme- tros estejam abaixo da L.C., os valores devem ser subtraídos. Na realidade, o plano de referência poderia ser qualquer um, pois não alteraria o resultado porque estaríamos alterando igualmente a altura de sucção e de descarga. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 109
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    Usando as unidadesapropriadas, podemos expressar as alturas mano- métricas como: Altura manométrica de sucção Pense e Anote EQUAÇÃO 1 10 x PS VS2 AMS (m) = + +h 2g s Altura manométrica de descarga EQUAÇÃO 2 10 x PD VD2 AMD (m) = + + hd 2g A energia cedida pela bomba (AMT) para a vazão em questão será igual à diferença entre as energias na descarga e na sucção. EQUAÇÃO 3 10 x (Pd – Ps) Vd2 – VS2 AMT = AMD – AMS = + + (hd – hs) 2g AMT – Altura manométrica total em metros AMD – Altura manométrica (energia) na descarga AMS – Altura manométrica (energia) na sucção Ps – Pressão de sucção no flange da bomba em kgf/cm2 Pd – Pressão de descarga no flange da bomba em kgf/cm2 Vs – Velocidade média de escoamento na linha de sucção em m/s Vd – Velocidade média de escoamento na linha de descarga em m/s – Peso específico do líquido bombeado em gf/cm3 (numericamente igual à densidade) g – Aceleração da gravidade local em m/s2. Ao nível do mar g = 9,8m/s2 hs – Altura do manômetro de sucção em relação a um plano de referência em metros hd – Altura do manômetro de descarga em relação a um plano de referência em metros PETROBRAS ABASTECIMENTO 110 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote 1. As velocidades devem ser calculadas na mesma seção da tubulação em que foi medida a pressão (ver Obs. 3). 2. Os valores de hs ou hd, altura dos manômetros, devem ter seus sinais invertidos nas fórmulas se estiverem abaixo da linha de centro da bomba. 3. Embora falemos em energia nos flanges da bomba para definir a AMT, as pressões e as velocidades são usualmente medidas um pouco antes do flange de sucção e um pouco depois do flange de descarga da bomba. As perdas de carga entre esses pontos de medição e os flanges da bomba são consideradas desprezíveis. Lembramos que manômetros muito próximos a acidentes de tubulação, tais como curvas, válvulas, ou a própria bomba, tendem a fornecer leituras falsas devido ao turbilhonamento provocado no líquido. O ideal é que os manômetros estejam afastados pelo menos 5 diâmetros dos acidentes da tubulação. 4. Os termos hd e hs são correspondentes à correção da pressão para a linha de centro da bomba. As velocidades usuais de escoamento na sucção e na descarga das bom- bas costumam ser inferiores a 3m/s. Estas velocidades podem ser facil- mente obtidas, dividindo-se a vazão pela área interna da respectiva tubu- lação. Os valores dessas áreas estão listados na Tabela 18. EQUAÇÃO 4 Q 2,78 x Q 3,54 x Q 2,78 x Q 3,54 x Q V= Vs = = Vd = = A As Ds Ad Dd Vs – Velocidade média de escoamento na sucção em m/s Vd – Velocidade média de escoamento na descarga em m/s Q – Vazão em m3/h As – Área interna da tubulação de sucção em cm2 Ad – Área interna da tubulação de descarga em cm2 Ds – Diâmetro interno da linha de sucção em cm Dd – Diâmetro interno da linha de descarga em cm 2,78 e 3,54 – Fatores para compatibilizar as unidades empregadas Quando queremos obter um valor de AMT com precisão, usamos a fórmula da equação 3. Nos casos em que a diferença entre a pressão de descarga e a de sucção ultrapassa os 3kg/cm2, as parcelas de energia de PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 111
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    velocidade e asreferentes à diferença das cotas hs e hd, geralmente da or- dem de 0,30 ou 0,40m, ficam pequenas em relação à parcela da energia de pressão. Portanto, numa primeira aproximação, elas podem ser desconsi- Pense e deradas para efeito de avaliação rápida de campo, ficando a AMT como: Anote EQUAÇÃO 5 EQUAÇÃO 10 X (Pd – Ps) AMT = Pd e Ps – kgf/cm2 – gf/cm3 (ou densidade) AMT – m Para levantar a AMT, de acordo com a equação simplificada 5, só é necessário saber o peso específico (ou a densidade) do líquido que está sendo bombeado e dispormos de dois manômetros confiáveis, um na suc- ção (Ps) e outro na descarga da bomba (Pd). A curva da Figura 50 mostra que, para cada vazão, temos uma AMT cor- respondente e, à medida que a vazão vai aumentando, a AMT vai sendo re- duzida. Essa curva é típica de uma bomba centrífuga radial ou tipo Francis. De posse dessa curva, calculando a AMT, podemos estimar a vazão, ou o inverso: sabendo a vazão, podemos obter a AMT. Se, no sistema em que a bomba estiver instalada, tivermos um instru- mento que indique a vazão, calculando a AMT, podemos avaliar se a bom- ba está em bom estado, ou seja, com o desempenho em conformidade com a curva original. Caso não esteja, se as medições efetuadas forem con- fiáveis, é provável que a bomba esteja desgastada. Perda de carga são as perdas de energia (pressão) que ocorrem devi- do aos atritos, mudanças de direção e choques que acontecem quando um líquido escoa numa tubulação. Essas perdas crescem quando aumen- tamos a velocidade de escoamento, ou seja, quando aumentamos a va- zão para um mesmo diâmetro de linha. Se, num trecho de linha hori- zontal, para uma determinada vazão, temos em seu início uma pressão de 8kgf/cm2 e no final uma pressão de 7kgf/cm2, dizemos que a perda de carga no trecho foi de 1kgf/cm2, ou, o que é equivalente, de 10m de coluna de água. A perda de carga irá variar com a vazão. Quanto maior a vazão, maior a perda. A AMT pode ser considerada como uma coluna de líquido que a bom- ba fornece para a vazão em questão. Daí a AMT ser também chamada de MCL (Metros de Coluna de Líquido). A bomba, cuja curva está representa- da na Figura 50, na vazão de 70m3/h, forneceria uma coluna de 86 metros PETROBRAS ABASTECIMENTO 112 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote dolíquido bombeado. Essa coluna de líquido é somada à coluna já exis- tente na sucção, que pode ser positiva, nula ou negativa (bombas traba- lhando com a sucção sob vácuo). FIGURA 52 AMT IGUAL A H, DESPREZANDO PERDAS H Reservatório 2 Bomba Reservatório 1 H Reservatório 2 Reservatório 1 Bomba Na Figura 52, se desprezarmos as perdas de carga na tubulação, a dife- rença de altura H entre os níveis dos dois reservatórios seria equivalente à AMT fornecida pela bomba. À medida que elevássemos o reservatório 2 (aumentando o H ou a AMT), a vazão da bomba seria reduzida. Existe uma altura, a partir da qual a bomba não mais conseguirá bombear, passando sua vazão a ser nula. Na Figura 50, o ponto de vazão nula mostrado corresponde a uma AMT de 90m. Esse valor é conhecido como AMT de vazão nula, ou, em inglês, como shutoff da bomba. Quando fechamos completamente a válvula de descarga de uma bomba centrífuga, estamos nessa condição. Notar que não definimos qual era o líquido quando falamos da curva AMT x vazão. Essa curva é válida para qualquer fluido (líquido ou gás), seja ele água, GLP, gasolina ou ar. A bomba representada pela curva da Figura PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 113
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    50, trabalhando comqualquer dos fluidos citados, para uma vazão de 90m3/h, forneceria 80 metros de AMT ou de MCL. Essa curva caracteriza a bomba, daí seu nome de curva característica. A exceção de seguir esta curva fica por conta dos líquidos com viscosidade alta que, por terem um atrito muito elevado, necessitam de fatores de correções, os quais Pense e Anote modificam a curva. A altura da coluna de líquido que a bomba fornece é igual para os flui- dos citados, mas esta coluna representa uma pressão diferente para cada um deles em função da modificação do peso específico (ou densidade). FIGURA 53 AMT DE 80M FORNECIDA PELA BOMBA PARA A VAZÃO DE 90M3/H xH P= 10 P – kgf/cm2 H = 80m g – gf/cm3 H–m PI PI PI PI Fluido Água fria GLP Gasolina Ar AMT ou H – m 80 80 80 80 Peso espec. – gf/cm/3 1 0,5 0,75 0,0013 Pressão P – kgf/cm 2 1 x 80 0,5 x 80 0,75 x 80 0,0013 x 80 P= = 8,0 P= = 4,0 P= = 6,0 P= = 0,01 xH 10 10 10 10 P= 10 A bomba da curva da Figura 50, com 90m3/h de vazão, teria AMT = 80m, que seria igual para os quatro fluidos: água, GLP, gasolina e ar. Desprezan- do a variação de velocidade entre a sucção e a descarga, ou seja, conside- rando toda a energia cedida sendo transformada em pressão, teríamos os valores mostrados na Figura 53. Como cada fluido possui um peso específico diferente, a coluna de líqui- do de 80m fornecida pela bomba corresponderá a um acréscimo de pres- são diferente para cada um deles. No caso de estar bombeando água na vazão acima, o acréscimo de pressão seria de 8kgf/cm2. Bombeando GLP, daria 4,0kgf/cm2, e com gasolina daria 6,0kgf/cm2 de acréscimo. Se estivéssemos bombeando ar, daria apenas 0,01kgf/cm2, valor esse que seria tão baixo que nem seria notado no manômetro normal de uma bomba. PETROBRAS ABASTECIMENTO 114 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Quanto maior o desgaste da bomba, mais a curva de AMT x vazão fica afastada da curva prevista. Assim, se o sistema tiver um medidor de va- zão e com o uso de manômetros aferidos, um na sucção e outro na des- carga, podemos fazer uma avaliação do seu estado. Não há necessidade de levantar toda a curva, basta um ponto. Quando não temos instrumen- to para indicar a vazão, ou ele não é confiável, é usual medir a pressão na condição de vazão nula (shutoff), ou seja, com a válvula de descarga fe- chada. Nesse tipo de teste, temos de tomar cuidado para evitar que o lí- quido no interior da bomba venha a aquecer e acabe vaporizando. Por- tanto, esse teste deve ser bem rápido. No caso de produtos com condi- ções próximas da vaporização, não é aconselhável esse tipo de teste. FIGURA 54 PERDA DE AMT DEVIDO AO DESGASTE INTERNO DA BOMBA AMT x vazão AMT ou H – metros Em boas condições Com desgaste Vazão – m 3 /h Modelo 3 x 2 x 8 Dia = 200mm 3.550rpm PROBLEMA 2 Uma bomba centrífuga, cuja curva característica de AMT está representada na Figura 50, bombeando gasolina ( = 0,75gf/cm3) com a vazão de 70m3/h, apresenta na sucção a pressão de 1,4kg/cm2 e na descarga, 7,8kgf/cm2. Avaliar se a bomba está em bom estado. Calculando a AMT pela equação 5, temos: EQUAÇÃO 5 10 . (Pd – Ps) 10 . 7,8 – 1,4 AMT = = = 85,3m 0,75 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 115
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    Pela Figura 50,entrando com a vazão de 70m3/h, encontramos 86m para AMT, valor bem próximo dos 85,3m verificados. Logo, a bomba pode ser considerada em bom estado. Pense e Anote PROBLEMA 3 Estimar a vazão de uma bomba cuja curva característica de AMT está repre- sentada na Figura 50. Considerar que ela se encontra em bom estado e bom- beando um líquido com as pressões de 2,5kgf/cm2 na sucção e de 8,9kgf/cm2 na descarga. A densidade do líquido é de 0,8 e sua viscosidade é baixa. Sabemos que a densidade é igual ao peso específico quando expresso em gf/cm3 ( = 0,8 gf/cm3). Cálculo da AMT fornecida pela bomba: EQUAÇÃO 5 10 X (Pd – Ps) 10 X (8,9 – 2,5) AMT = = = 80m 0,8 Entrando na curva da Figura 50 com a AMT = 80m, obtemos a vazão Q = 90m3/h. A bomba em bom estado, nas condições dadas no problema, teria uma vazão de 90m3/h. Se estivesse desgastada, a vazão ficaria dependente das folgas dos anéis de desgaste, do estado do impelidor e da carcaça. Com o desgaste equivalente ao mostrado na Figura 54, para esta mesma AMT de 80m, a vazão seria reduzida de 90m3/h para 78m3/h. Resumo Altura manométrica total (AMT) ou head ou carga ou metros de coluna de líquido (MCL) é a energia cedida pela bomba por unidade de peso. É expressa em metros ou pés. Para cada vazão, a bomba cede uma AMT, independente do líquido que esteja sendo bombeado. Com a mudança de líquido, a pressão de descarga é que irá variar. PETROBRAS ABASTECIMENTO 116 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Podemos calcular a AMT, de forma simplificada, pela fórmula: 10 X (Pd – Ps) AMT = AMT em metros Pd e Ps – Pressão de descarga e de sucção em kgf/cm2 – Peso específico em gf/cm3 ou densidade Uma bomba em boas condições terá seu ponto de trabalho sobre sua curva de AMT x vazão. Portanto, a AMT é um excelente método para ava- liar se uma bomba está desgastada. Cavitação, NPSH disponível e NPSH requerido Quando a vaporização do líquido no interior da bomba atinge uma certa intensidade, ocorre um forte ruído, como se ela estivesse bombeando pedras. A vibração da bomba fica elevada e os ponteiros dos manômetros de sucção e de descarga oscilam. A pressão de descarga e a vazão ficam prejudicadas. Os impelidores podem sofrer danos. Nos casos mais seve- ros, a bomba pode perder a escorva e deixar de bombear. Esse tipo de problema quase sempre é diagnosticado como cavitação clássica da bomba, o que nem sempre é verdade. Como veremos, esses mesmos sintomas também podem ser decorrentes da recirculação inter- na ou da entrada de gases no líquido, cujos sintomas são bastante seme- lhantes. Entretanto, as soluções desses problemas são bem distintas. Quando a pressão de um líquido numa dada temperatura atinge a sua pressão de vapor, tem início a vaporização. Na Figura 55, temos um grá- fico representando a pressão de vapor da água em função da temperatu- ra. Os pontos situados acima da linha de equilíbrio, parte branca, estão na fase líquida e os abaixo, parte cinza, estão na fase vapor. Sobre a linha, temos as duas fases, líquido e vapor, convivendo em equilíbrio. Um líqui- do pode atingir a pressão de vapor mantendo-se a temperatura constante e reduzindo-se a pressão (1– 2). Podemos também manter a pressão cons- tante e aumentar apenas a temperatura (1– 4), ou alterar a pressão e a temperatura simultaneamente (1– 3 ou 1– 5). A vaporização também pode ocorrer com a redução da temperatura, como mostrado em (1– 6). Numa bomba centrífuga até a entrada das pás do impelidor, o líquido ainda não recebeu energia, logo, ainda não aqueceu. Se vaporizar nessa região, será numa temperatura próxima da de sucção da bomba; portanto, deve ser pelo processo 1– 2 da Figura 55, em que só a queda de pressão contribui. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 117
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    FIGURA 55 CURVA DE PRESSÃO DE VAPOR D’ÁGUA Pense e Anote Pressão de Pressão de vapor d’água vapor – kgf/cm 2 A Líquido Linha de equilíbrio Vapor FI Temperatura ( o C) A pressão de vapor de um líquido é sempre expressa em valores de pres- são absoluta: por exemplo, kgf/cm2A, barA, psia etc. Para sabermos se um líquido está na eminência de vaporizar, temos de comparar a pressão de vapor com a pressão absoluta do líquido e não com sua pressão manomé- trica. A pressão absoluta é obtida somando-se a pressão indicada pelo ma- nômetro (pressão relativa ou manométrica) à pressão atmosférica local. Pabs = Pman + Patm local Na Figura 38, vimos que existe uma perda de carga (queda de pressão) entre o flange da bomba e a entrada das pás do impelidor. Imediatamen- te antes das pás, temos a região de menor pressão. Então, caso ocorra vaporização por problema de pressão no interior da bomba, este é um dos locais mais prováveis. Para cada vazão, a bomba irá requerer uma energia mínima por unida- de de peso do líquido bombeado no flange de sucção (pressão e velocida- de) para evitar que a pressão interna do líquido caia abaixo da pressão de vapor, provocando a vaporização no seu interior. Essa energia no flange de sucção recebe o nome de NPSH requerido pela bomba. Os fabricantes, por meio de cálculos e de testes de bancada, fornecem a curva do NPSH requerido versus vazão, cujo formato é mostrado na Figura 56. O NPSH requerido é sempre determinado para água fria, expresso em metros de coluna d’água, e crescente com a vazão. Cabe notar que sua curva não se estende até a vazão nula, parando antes. Abaixo dessa vazão, passa PETROBRAS ABASTECIMENTO 118 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote apredominar um outro fenômeno, chamado de recirculação interna, que será visto mais adiante. Portanto, não podemos extrapolar o valor do NPSH para vazões inferiores à fornecida pela curva do fabricante (Q1). Na reali- dade, nessa região, os valores de NPSH requeridos aumentam significati- vamente. Esses valores não são plotados pelos fabricantes por serem in- fluenciados pelo sistema. FIGURA 56 CURVA DE NPSH REQUERIDO PELA BOMBA NPSH disp NPSH disp Curva do fabricante Curva real Q1 Vazão Q1 Vazão O sistema no qual a bomba se encontra instalada irá disponibilizar para cada vazão uma energia no flange de sucção da bomba. Essa energia sob a forma de energia absoluta (com pressão absoluta e velocidade), disponi- bilizada no flange de sucção da bomba, acima da pressão de vapor, é de- nominada NPSH disponível. É sempre expresso em metros ou em pés de coluna de líquido bombeado. NPSH vem de Net Positive Suction Head, que significa o valor da altura manométrica de sucção positiva líquida. O termo “net = líquida” corresponde à diferença entre a energia disponível e a da pressão de vapor. O termo “positiva” indica que essa diferença tem de ser positiva, senão o líquido vaporizará. O termo “líquida” é o mesmo que usamos para cargas quando falamos em peso bruto e peso líquido. O NPSH é equivalente a uma AMT head ou carga. O NPSH disponível é função apenas do sistema no qual a bomba se encontra instalada. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 119
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    Por definição, oNPSH é calculado no flange de sucção da bomba com referência a um plano horizontal. No caso das bombas horizontais, o pla- no é o que passa pela linha de centro do impelidor. Nas bombas in-line e nas verticais, o plano é na linha de centro do flange de sucção. O NPSH disponível pode ser calculado pela fórmula: Pense e Anote EQUAÇÃO 6 10 x (Ps + Patm – Pvap) V S2 NPSH disp = + + hs 2g com EQUAÇÃO 4 2,78 x Q 3,54 x Q Vs = = A Ds Ps – Pressão manométrica no flange de sucção da bomba em kgf/cm2 Patm – Pressão atmosférica local em kgf/cm2 Pvap – Pressão de vapor do líquido em kgf/cm2A – Peso específico do líquido em gf/cm3 (numericamente igual à densidade) Vs – Velocidade de escoamento do líquido em m/s Q – Vazão da bomba em m3/h A – Área da seção interna da tubulação em cm2 hs – Correção da altura do manômetro em m Ds – Diâmetro interno da linha de sucção em cm Devido à dificuldade de medir a pressão no flange de sucção, em geral, ela é medida um pouco antes. A velocidade de escoamento deve ser calculada no mesmo ponto de medida de pressão. Considera-se que a perda de carga entre este ponto e o flange é desprezível. PETROBRAS ABASTECIMENTO 120 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 57 CÁLCULO DO NPSH DISPONÍVEL Ps hs Linha de centro Vs A equação 6 de cálculo do NPSH disponível é composta por três parce- las de energia: Energia de pressão na sucção acima da pressão de vapor 10 x (Ps + Patm – Pvap) Energia de velocidade na sucção VS2 2g hs – É simplesmente uma correção da pressão de sucção, como se ela esti- vesse sendo medida na linha de centro que passa pelo impelidor (para bomba horizontal). Para uma mesma instalação, pela equação do NPSH disponível, equa- ção 6, vemos que, ao variar a vazão, apenas dois itens serão alterados, a pressão de sucção e a velocidade de sucção. Os demais permanecem cons- tantes. Quando aumentamos a vazão, aumentamos a velocidade de esco- amento Vs na linha de sucção. O aumento da velocidade eleva a perda de carga entre o vaso de sucção e a bomba, reduzindo a pressão de sucção Ps. A perda de energia com a redução de Ps é maior do que o ganho com Vs. Portanto, o NPSH disponível cai com o aumento da vazão. Se colocar- mos num gráfico os valores do NPSH disponível versus a vazão da bomba, teremos uma curva semelhante à mostrada na Figura 58. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 121
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    FIGURA 58 CURVA DE NPSH DISPONIBILIZADO PELO SISTEMA Pense e Anote NPSH disp Perdas Q1 Vazão Ps hs Ps + Patm – Pvap V S2 NPSH disp = + + hs 2g Para uma bomba funcionar sem vaporizar o produto internamente, de- vemos ter sempre o NPSH disponível maior do que o NPSH requerido, para a vazão desejada. Quando ocorre a vaporização, temos como conseqüên- cia a cavitação. Podemos saber a vazão máxima para trabalhar sem cavitar se plotar- mos as curvas do NPSH requerido x vazão (Figura 56) e a de NPSH dispo- nível x vazão (Figura 58) num mesmo gráfico (ver Figura 62). Para melhor compreender o que vem a ser o NPSH, vamos examinar como se comporta a pressão no interior de uma bomba centrífuga. Para tal utilizaremos a Figura 38. Vamos tornar a representar estas pressões no interior da bomba usan- do pressões absolutas (pressão manométrica + pressão atmosférica local) para que possamos comparar com a pressão de vapor, também mostrada no gráfico, que sempre é expressa desta forma. Todas as pressões desta figura estarão sob a forma de coluna de líquido. Se a pressão interna da bomba for sempre superior à pressão de vapor do líquido bombeado na temperatura de bombeamento, não teremos vapori- zação (Figura 58A – lado esquerdo). Ao contrário, se, em algum ponto do interior da bomba, tivermos uma pressão inferior à pressão de vapor, tere- mos a vaporização, que resultará na cavitação (Figura 58A – lado direito). PETROBRAS ABASTECIMENTO 122 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 58A BOMBA OPERANDO SEM E COM VAPORIZAÇÃO 7 1. Tubulação de sucção 1 2 2. Flange de sucção 3 3. Olhal do impelidor 5 4. Entrada das pás 4 5. Saída do impelidor 6. Voluta 7. Cone de saída 6 Bomba sem cavitação Pressão absoluta Pdesc em coluna abs de líquido Pabs Pvap Regiões Bomba com cavitação Pressão absoluta Pressão Pdesc em coluna absoluta abs de líquido Pabs Pvap a b Regiões PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 123
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    Como já havíamoschamado a atenção, a região de menor pressão é a imediatamente antes das pás do impelidor, região 4. No ponto “a” (Figura 58A – lado direito) a pressão interna passa a ser menor do que a pressão Pense e de vapor, o que levará à vaporização do líquido. Logo após as pás, o líqui- Anote do recebe energia do impelidor e a pressão interna aumenta, voltando a superar a pressão de vapor, ponto “b”. A partir deste ponto, o vapor retor- nará à fase líquida. No bombeamento com vaporização, quase sempre a vaporização é par- cial, ou seja, só uma parte do líquido é vaporizada. Vários pontos da re- gião 4 não terão a pressão inferior à pressão de vapor. Se a vaporização fosse total, a bomba ficaria completamente cheia de vapor, perderia a escorva e deixaria de bombear totalmente. Vejamos agora, de acordo com a Figura 59, montada a partir das Figu- ras 38 e 58A, como representaríamos na figura o NPSH disponível e o NPSH requerido. Nesta figura, reproduzimos as energias de pressão absoluta (pressão manométrica + atmosfética local) e de velocidade, já explicadas na Figura 38, e a energia total (energia de pressão + energia de velocidade) no flange de sucção (região 2), para uma determinada vazão. As energias estão repre- sentadas por colunas de líquido. NPSH requerido, para uma determinada vazão, por definição, é a ener- gia mínima total (pressão + velocidade) por unidade de peso que temos de ter no flange de sucção da bomba para que não ocorra vaporização no seu interior. Dispondo desta energia mínima, nenhum ponto no interior da bomba estará com pressão abaixo da pressão de vapor. Como o ponto de menor pressão é o 4 (antes das pás), o NPSH requerido será a diferença entre a energia total na sucção (pressão + velocidade) e o valor da pressão nesse ponto. Podemos dizer também que o NPSH requerido para uma va- zão é a soma da perda de carga entre o flange de sucção e o ponto 4 ( P da Figura 59) com a energia de velocidade no flange de sucção (v2/2g). Para uma mesma vazão, se aumentarmos ou reduzirmos a pressão de sucção da bomba, a curva da pressão total subirá ou descerá paralelamente à indicada na figura, não alterando o valor do NPSH requerido, uma vez que a perda de carga P e a velocidade só dependem da vazão. O NPSH requerido é uma característica apenas da bomba. NPSH disponível por definição, para uma determinada vazão, é a ener- gia total (de pressão + de velocidade) por unidade de peso que o sistema disponibiliza no flange de sucção da bomba acima da pressão de vapor (ver Figura 59). É uma característica do sistema no qual a bomba trabalha e da pressão de vapor do produto na temperatura de trabalho. Na Figura 59, estão representados dois casos. Do lado esquerdo, o NPSH disponível é maior do que o NPSH requerido. Nesse caso, nenhum ponto do interior da bomba fica com a pressão abaixo da de vapor; logo, não te- PETROBRAS ABASTECIMENTO 124 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote mos vaporização. Do lado direito, o NPSH disponível é menor do que o requerido, permitindo então que a pressão na região 4 fique abaixo da pres- são de vapor, o que levará à vaporização de parte do produto bombeado. FIGURA 59 CAVITAÇÃO, NPSH DISPONÍVEL E NPSH REQUERIDO PARA UMA DADA VAZÃO 7 10 x Pabs Energia de pressão = 1 2 3 V2 Energia de velocidade = 5 2g 4 Energia em m Pabs – pman + Patm em kgf/cm2 – Peso específico em gf/cm 3 ou densidade V – Velocidade média em m/s 6 g – Aceleração da gravidade = 9,8 m/s2 no nível do mar P = perda de carga entre pt2 e pt4 Bomba sem cavitação NPSH disp > NPSH req Pressão absoluta e velocidade em Energia total Pressão Pdesc coluna de líquido = Epres + Evel absoluta abs NPSH disp v2 2g NPSH req Velocidade Pabs P Pvap 2 v 2g Vsuc Vdesc Regiões Bomba com cavitação NPSH disp < NPSH req Pressão absoluta e velocidade em Energia total coluna de líquido = Epres + Evel NPSH disp Pdesc v2 Pressão abs NPSH absoluta 2g req Velocidade Pabs Pvap P v2 2g Vsuc Vdesc Regiões O líquido só irá vaporizar se a linha de pressão absoluta cair abaixo da pressão de vapor PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 125
  • 123.
    A condição paraque ocorra a vaporização é que o NPSH disponível seja menor do que o NPSH requerido. É o que dá origem à cavitação clássica. Uma pergunta que alguns se fazem: Por que a velocidade de escoamento do líquido entra no cálculo do NPSH disponível se um líquido para vapo- rizar só depende de sua pressão estática? Pense e Anote A resposta a esta pergunta está na Figura 59. O termo de velocidade no flange de sucção, v2/2g, na realidade, não influi; ele é matematicamente cancelado, uma vez que entra no NPSH requerido e no disponível. Para evitar a vaporização, o que nos interessa é a diferença entre os NPSHs. PROBLEMA 4 Uma bomba trabalhando ao nível do mar com a vazão de 60m3/h bombeia água a 70ºC ( água = 0,98gf/cm3). A pressão indicada no manômetro de sucção é negativa de 0,5kgf/cm2. O manômetro está 30cm acima da linha de centro do impelidor. A tubulação em que está situado o manômetro é de 4"sch 40. O fabricante informa que, para a vazão de 60m3/h, o NPSH requerido é 2,5m. Analisar se teremos vaporização do líquido no interior da bomba. Dados: Ps = – 0,5kgf/cm2 NPSH requerido = 2,5m h = 30cm = 0,30m Patm = 1,033kgf/cm2 (nível do mar) água = 0,98gf/cm3 NPSH disponível = ? Q = 60m3/h T = 70ºC Tub = 4"sch 40 Para sabermos se haverá vaporização, devemos comparar o NPSH dis- ponível com o NPSH requerido. Para determinação da pressão de vapor do líquido é desejável dispor de uma tabela. Podemos obter um valor aproximado pela Figura 25, na qual temos para água (linha 26) com 70ºC (Pvap = 0,3bar). (a pressão de vapor correta para água a 70ºC é 0,312barA). Na Tabela 15, temos também que: 1bar = 1,02kgf/cm2 1,02kgf/cm2 Pv = 0,3barA x = 0,306kgf/cm2 A bar Da Tabela 18, com as dimensões de tubos, temos para 4"sch 40 (área = 82cm2). PETROBRAS ABASTECIMENTO 126 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 124.
    Pense e Anote Cálculoda velocidade de escoamento EQUAÇÃO 4 2,78 x Q 2,78 x 60 Vs = = = 2,03m/s A 82 Cálculo do NPSH disponível EQUAÇÃO 6 10 x (Ps + Patm – Pvap) Vs2 NPSHdisp = + +h= 2g 10 x (– 0,5 + 1,033 – 0,306) 2,032 = + + 0,30 0,98 2 x 9,81 10 x 0,227 4,12 NPSHdisp = + + 0,30 = 2,27 + 0,21 + 0,30 = 2,78 ~ 2,8 m 1 19,62 O NPSH disponível = 2,8m está maior do que o NPSH requerido = 2,5m, indicando teoricamente que não haverá vaporização. Mas, como a mar- gem de NPSH (NPSHdisp – NPSHreq) está muito pequena, apenas 0,30m, é possível que tenhamos problemas. Para bombeamento de água, seria interessante dispor de uma margem maior. A Figura 60 mostra as curvas de AMT x vazão de uma bomba operando normalmente no encontro de sua curva com a curva do sistema (ponto 1), que corresponde à vazão Q1 e AMT1. Se começasse a cavitar, dependendo da inten- sidade, passaria a trabalhar no ponto 2, por exemplo, com a vazão Q2 e AMT2. A bomba perdeu em vazão e em AMT devido às bolhas de vapor formadas no impelidor. A queda de AMT é abrupta, quando a cavitação é significativa. As normas utilizam essa queda de AMT para determinar o NPSH reque- rido, o qual pode ser determinado por meio do NPSH disponível. O API 610, que na parte hidráulica segue o Hydraulic Institute, define o valor do NPSH requerido para uma determinada vazão como o que leva a uma redução de 3% na AMT, bombeando água fria. Esse levantamento pode ser realizado em uma bancada de teste. Colocamos entre parênteses os dados correspondentes à Figura 61 para facilitar o entendimento das explicações. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 127
  • 125.
    FIGURA 60 CURVA DE AMT X VAZÃO DE UMA BOMBA CAVITANDO Pense e Anote AMT Curva Rend x Vazão cavitando na vazão Q2 Curva Rend x Vazão sem cavitação Curva do sistema Queda de 1 AMT p/ vazão Q2 2 Curva AMT x Vazão sem cavitação Curva Rend x Vazão cavitando na vazão Q2 Vazão Q2 Q1 Inicialmente, a bancada de teste é ajustada para a vazão na qual que- remos calcular o NPSH (suponhamos 200m3/h) e com uma pressão de suc- ção que resulte num NPSH disponível alto (pt 1 = 9m), bem superior ao NPSH requerido esperado (em torno de 6m), ou seja, a bomba estará ope- rando sem cavitar. Determina-se a AMT fornecida pela bomba para esta vazão (50m). Inicia-se então a redução do NPSH disponível (8m, 7m, 6m, 5,5m etc.). A cada redução, a vazão vai sendo ajustada para permanecer cons- tante (200m3/h) e torna-se a medir a AMT (em torno de 50m). Os valo- res de AMT versus NPSH disponível podem ir sendo plotados em um gráfico. Com a redução gradativa do NPSH disponível, teremos um va- lor (NPSH disp=5,5m) em que a cavitação da bomba faz com que ela tenha uma perda acentuada da AMT (46m). Calculamos então a média das AMTs dos pontos medidos antes de a bomba iniciar a queda da AMT (no caso, os valores com NPSH disp > 6m – AMTmédia = 50m). Traça- mos no gráfico uma linha com a queda de 3% desse valor médio da AMT [(3/100) x 50 =1,5m]. Determinamos o NPSH disponível (5,6m) como o correspondente ao ponto de encontro dessa linha com a curva traçada. O valor do NPSH dis- ponível assim obtido é o NPSH requerido pela bomba testada na vazão de 200m3/h. Repetindo o teste para outras vazões, podemos traçar a curva de NPSH requerido versus vazão da bomba. PETROBRAS ABASTECIMENTO 128 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 126.
    Pense e Anote FIGURA 61 DETERMINAÇÃO DO NPSH REQUERIDO Determinação do NPSH requerido p/ 200 m3/h AMT (m) Média AMT Pt 4 Pt 3 Pt 2 Pt 1 0,3 X 50 = 1,5 Pt 8 NPSH req NPSH disponível (m) EQUAÇÃO 6 10 x (Ps + Patm – Pvap) V S2 NPSH disp = + + hs 2g Examinando a equação 6, podemos alterar, numa bancada de teste, o valor do NPSH disponível por meio de mudanças em Ps, Pvap ou . A velocidade de sucção Vs está amarrada, uma vez que estamos testando o NPSH para uma vazão fixa. A pressão atmosférica e o valor da aceleração da gravidade são características do local onde se encontra a bancada. O hs é simplesmente a correção da cota do manômetro; portanto, sua altura não modificará o NPSH a ser calculado. Usualmente, a redução do NPSH disponível é realizada pela redução da pressão na sucção. As bancadas de teste utilizam três métodos: a Restringindo a válvula de sucção. b Reduzindo o nível do reservatório de sucção. c Aumentando o vácuo no vaso de sucção (válido, somente, quando o teste é realizado em circuito fechado). Um outro modo de baixar o NPSH disponível seria aumentar a tempe- ratura do líquido na sucção, o que elevaria a pressão de vapor Pvap e, conseqüentemente, reduziria o NPSH disponível. Variando a temperatura, modificaríamos, além da Pvap, o peso específico do líquido. Esse méto- do não é muito usado, prevalecendo o da redução de pressão na sucção. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 129
  • 127.
    É interessante chamara atenção para o fato de que, na determinação do NPSH requerido, a bomba já está perdendo em desempenho, ou seja, 3% de AMT. Logo, a bomba já está cavitando. Na realidade, o líquido co- Pense e meça a vaporizar bem antes, com um NPSH disponível acima do requeri- Anote do, mas não notamos perda de desempenho. É o que chamamos de cavi- tação incipiente, a qual já pode estar causando danos ao impelidor. Isso acontece bastante no bombeamento de água fria. A conclusão é que, com o NPSHdisp = NPSHreq, a bomba já estará ca- vitando, embora com pequena intensidade. Por esse motivo, é sempre de- sejável manter uma margem de NPSH, que alguns definem como diferen- ça (NPSHdisp – NPSHreq) e outros, como a relação (NPSHdisp/NPSHreq). Quanto maior o crescimento do volume do líquido ao vaporizar, maior deverá ser essa margem. A água fria é um dos piores produtos no que concer- ne a esse aspecto, como veremos adiante. Como na vaporização os produtos de petróleo crescem bem menos de volume do que a água, alguns estudos sugerem reduções para seus valores de NPSH requeridos. A norma API não aceita essas reduções, permanecendo os mesmos valores válidos para água. Colocando as curvas de NPSH disponível e do requerido num mesmo gráfico, Figura 62, vemos que o NPSH disponível no flange da bomba cai com o aumento de vazão, enquanto o NPSH requerido aumenta com a vazão. Logo, quanto maior a vazão, menor a margem de NPSH. O ponto de cruzamento das duas curvas fornece a vazão máxima teórica com que a bomba pode trabalhar sem cavitar. FIGURA 62 VAZÃO MÁXIMA EM FUNÇÃO DO NPSH NPSH (m) NPSH requerido Característica da bomba Margem NPSH disponível de NPSH Característica do sistema Vazão Q Qmax Ocorrendo a vaporização do líquido no interior da bomba, teremos a formação de bolhas de vapor. Elas se chocarão e crescerão de tamanho. Se a quantidade vaporizada de líquido for muito pequena, é provável que não notemos nenhum ruído, nem perda de desempenho da bomba. Por outro PETROBRAS ABASTECIMENTO 130 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 128.
    Pense e Anote lado,se a quantidade vaporizada for muito elevada, as bolhas formadas ocuparão o espaço que deveria ser do líquido, prejudicando sua passagem pelo impelidor, reduzindo o desempenho da bomba e fazendo com que a vazão e a pressão de descarga sejam prejudicadas ou até inviabilizadas. As bolhas de vapor formadas são impulsionadas pelo impelidor e tam- bém arrastadas pelo líquido, atingindo regiões com maior pressão (ver Figura 59). Ao atingir essas regiões, as bolhas entrarão em colapso, re- tornando à fase líquida. A pressão interna da bolha de vapor é a própria pressão de vapor. Quando a pressão externa for superior, ela retornará à fase líquida. O ruído e a vibração que ouvimos não são decorrentes da vaporiza- ção do líquido, mas sim do retorno do vapor à fase líquida. Esse retorno é denominado de implosão das bolhas (implosão é o oposto de explo- são). Essa mudança súbita de fase gera ondas de choques que se trans- formam em vibração. FIGURA 63 IMPLOSÃO DAS BOLHAS DE VAPOR COM ARRANCAMENTO DO MATERIAL Implosão das bolhas Pext Pv Pv Bolha inicial Início do colapso Microjato Pv Pv Formação do microjato Arrancamento de material Quando as bolhas de vapor retornam à fase líquida, o volume ocupa- do pelo líquido é muito inferior ao do vapor. Instantaneamente, fica um vazio que será preenchido pelo líquido, criando um jato de líquido, con- forme mostrado na Figura 63. Se estas bolhas estiverem no meio da cor- rente líquida, não acarretarão danos, mas se estiverem próximas das pa- redes metálicas da bomba, em face da não-existência de líquido junto às paredes para preencher a bolha, o jato será formado no sentido da pare- de, atingindo a superfície metálica com alta velocidade e pressão. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 131
  • 129.
    Com a bombaoperando na condição de cavitação, são formadas mi- lhares e milhares de pequenas bolhas continuamente, que acabam implo- dindo. É como se tivéssemos um martelamento contínuo na superfície metálica, ocasionando fadiga do material com o posterior arrancamento de partículas do metal. Pense e Anote Fadiga é o fenômeno da redução da resistência de um material devido a esforços repetitivos, como no caso de um arame que acaba partindo quando ficamos dobrando-o para um lado e para o outro seguidamente na mesma seção. A região de implosão das bolhas costuma ser logo após o início das pás. Nessa região, o líquido já está recebendo energia do impelidor e, portanto, aumentando a pressão. Quando essa pressão ultrapassa a pres- são de vapor, temos o colapso das bolhas. Na região da implosão, é que ocorre o arrancamento do material. Quando um líquido vaporiza, temos um aumento considerável de vo- lume, e quando ele condensa, temos o inverso, uma redução considerá- vel do volume. A seguir, mostramos uma tabela com o volume específico da água saturada e do vapor em equilíbrio para diversas temperaturas. Volume específico é volume por unidade de massa. Na Tabela 23, mostramos quantos cm3 são necessários para formar a massa de uma grama do líquido ou do vapor. TABELA 23 VOLUMES ESPECÍFICOS DA ÁGUA E DO VAPOR Temperatura (oC) Água (a)cm3/g Vapor (b) cm3/g Aumento de volume b/a 40 1,0078 19.550,3 19.398 70 1,0225 5.045,4 4.934 100 1,0434 1.672,52 1.603 200 1,1568 127,1 110 PETROBRAS ABASTECIMENTO 132 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Pela Tabela 23, vemos que cada grama de água vaporizada na tempera- tura de 200ºC terá seu volume aumentado em 110 vezes. Já na temperatu- ra de 40ºC, o aumento será bem maior, chegando a 19.398 vezes. Por isso, quanto mais frio o líquido, maior a severidade do problema de cavitação. Os produtos de petróleo apresentam um aumento de volume bem inferior ao da água ao vaporizarem. Por isso, a cavitação é menos intensa compara- tivamente, o que não quer dizer que não resultem em danos consideráveis. A vaporização é uma transformação que necessita de calor para sua realização. No caso da vaporização no interior da bomba, esse calor é re- tirado do próprio líquido, fazendo com que ocorra um resfriamento nas proximidades do ponto em que houve a vaporização. A perda de tempera- tura reduz a pressão de vapor Pv, o que aumenta o NPSH disponível (ver Figura 55 e equação 6). Se não houvesse esse resfriamento, a intensidade da cavitação seria maior. O resfriamento causado pela passagem de um líquido para vapor fica evidente quando abrimos para a atmosfera um vent de uma linha contendo GLP. Nesse caso, a temperatura cai tanto que condensa a umi- dade do ar atmosférico, formando gelo. A cavitação gera vibração, forte ruído, oscilação dos manômetros de sucção e de descarga, perda de desempenho (vazão e pressão), além do desgaste da bomba, principalmente do impelidor, pelo arrancamento de partículas metálicas. Agora que entendemos o que ocorre no interior da bomba, podemos dizer que cavitação é o fenômeno de formação de bolhas de vapor por insuficiência de energia na sucção da bomba (NPSHdisp< NPSHreq), cres- cimento dessas bolhas e seu retorno à fase líquida (implosão), trazendo todos os inconvenientes já citados. Chamamos essa cavitação de clássica para não confundir com outras cavitações que podem ocorrer na bomba, como a decorrente da recirculação interna, que será vista a seguir. FIGURA 64 IMPELIDORES COM DESGASTE DEVIDO À CAVITAÇÃO PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 133
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    O nome decavitação vem de cavidade, que significa vazio. No caso das bombas, a cavitação se deve ao vazio formado na implosão das bolhas de vapor. Pense e Anote Resumo Temos dois NPSHs (Net Positive Suction Head) que são expressos em metros ou em pés. Um é o NPSH requerido: a energia mínima que a bomba necessita ter em seu flange de sucção para cada vazão. O outro é o NPSH disponível: a energia que o sistema disponibiliza no flange de sucção da bomba para cada vazão. Para que não haja cavitação, temos que ter NPSHdisp > NPSHreq. Cavitação é o fenômeno que ocorre quando temos a vaporização do líquido bombeado, o crescimento das bolhas e a sua implosão. O ruído e a vibração não são provenientes da vaporização, mas da implosão das bolhas. A cavitação causa um ruído acentuado, desgaste no impelidor, vibração, oscilação das pressões, perda de vazão e de pressão. O desgaste no impelidor é na parte visível da sucção, logo no início das pás. Esses mesmos fenômenos acontecem quando temos recirculação interna e entrada de gases na bomba. A principal solução para a cavitação é aumentar a pressão de sucção, ou seja, aumentar o NPSH disponível. O NPSH disponível pode ser calculado por: EQUAÇÃO 6 10 x (Ps + Patm – Pvap) VS2 NPSHdisp = + + hs 2g EQUAÇÃO 4 2,78 x Q 3,54 x Q Vs = = A D2 NPSHdisp em m Ps – Pressão de sucção kgf/cm2 – Peso específico em gf/cm3 ou densidade Patm – Pressão atmosférica em kgf/cm2 Pvap – Pressão de vapor do líquido na temperatura de bombeamento em kgf/cm2A Vs – Velocidade de escoamento na sucção em m/s hs – Altura do manômetro em relação à linha de centro da bomba em m Q – Vazão em m3/h A – Área interna da tubulação em cm2 D – Diâmetro interno da tubulação de sucção PETROBRAS ABASTECIMENTO 134 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Recirculaçãointerna No item anterior, vimos que a cavitação, devido à formação e à implosão das bolhas, faz com que a bomba trabalhe com um ruído semelhante ao de bombear pedras, forte vibração, oscilação dos ponteiros dos manôme- tros e perda de vazão e de pressão. Na realidade existem três fenômenos que podem levar a esses sintomas: a cavitação clássica, a recirculação in- terna e a entrada de gases na sucção da bomba. Vamos entender como cada um deles ocorre. Já vimos o que é a cavitação clássica. Vamos entender agora o que vem a ser recirculação interna. Há algumas décadas, um fabricante de bombas preparou uma experiên- cia nos Estados Unidos. Colocou uma bomba centrífuga numa bancada de teste e convidou diversos interessados e especialistas em bombas, inclu- sive concorrentes, para assistirem ao experimento. Para facilitar a observação, as tubulações de sucção e de descarga foram feitas de um material transparente chamado “plexiglass”. Na linha de suc- ção, afastado alguns metros do flange, foi colocado um pequeno tubo que permitia injetar o corante azul de metileno (ver esquema na Figura 65). A bomba foi colocada em operação com a válvula de descarga total- mente aberta. Era então injetado um pouco de corante, e podiam ser vis- tos os veios coloridos de azul passar pela tubulação de sucção, entrar na bomba e sair pela descarga, conforme era esperado. A vazão foi sendo reduzida em etapas, por meio do fechamento gradativo da válvula de descarga da bomba. Em cada uma destas etapas, era realizada uma pequena injeção de corante. Quando foi atingida uma determinada va- zão, as pessoas que estavam assistindo ficaram perplexas. As linhas azuis do corante iam até o interior da bomba e voltavam vários metros na sucção, tornavam a entrar na bomba e a voltar diversas vezes. Os presentes ao expe- rimento estavam, naquele momento, tendo a oportunidade de ver o que passou a ser conhecido como recirculação interna na sucção da bomba. FIGURA 65 TESTE DE RECIRCULAÇÃO INTERNA REALIZADO NUMA BANCADA DE TESTE Tubo para ejeção Tubo de corante transparente PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 135
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    Esse fenômeno ébem conhecido hoje em dia, mas ainda não é perfei- tamente equacionado e só começou a aparecer com muita freqüência a partir da década de 1970. Os projetistas das unidades, para economizar Pense e em tubulações e fundações, começaram a projetar os vasos e as torres em Anote cotas mais baixas. Com isso, passaram a especificar bombas com NPSH disponíveis menores. Para atender a essa solicitação, os fabricantes pas- saram a projetar bombas com NPSH requerido menor. Um dos modos de fazer essa redução é aumentando a área do olhal do impelidor, reduzindo a velocidade e, conseqüentemente, a perda de car- ga na sua entrada ( P da Figura 59). Os novos projetos das bombas passaram a utilizar impelidores com as velocidades específicas de sucção mais altas, o que eleva à vazão em que tem início a recirculação. As bombas passaram a ter uma faixa operacional muito mais estrei- ta, chegando a vazão mínima a ser, em alguns casos, de apenas 75% a 80% do BEP. Velocidade específica de sucção é um número adimensional que caracteriza o projeto da entrada do impelidor. É semelhante à velocidade específica da bomba que caracteriza o impelidor como um todo. Por conveniência, são usadas unidades que não se cancelam, sendo, portanto, necessário especificar quais estão sendo utilizadas. N Q NSS = NPSHreq NSS – Velocidade específica de sucção Em unidades americanas N → rpm Q → gpm NPSHreq → ft Em unidades métricas N → rpm Q → m3/h ou m3/s NPSHreq → m PETROBRAS ABASTECIMENTO 136 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Valem as mesmas observações usadas na velocidade específica da bom- ba, ou seja, os valores de Q e NPSHreq são os do BEP – Ponto de Máxi- ma Eficiência com o impelidor de diâmetro máximo. Bombas de dupla sucção devem ter sua vazão dividida por dois. Existe um trabalho que mostra que as bombas projetadas com veloci- dades específicas menores do que 11 mil (unidades americanas) falham bem menos do que as projetadas acima desse número. Toda bomba centrífuga é projetada para trabalhar com uma vazão e AMT determinadas. É o BEP da bomba. Quando a bomba trabalha nessa vazão, seu rendimento é máximo. Nessa condição, o líquido entra alinhado com as pás do impelidor, tangenciando-as e causando o mínimo de turbulência. À medida que vamos reduzindo a vazão, o ângulo de incidência come- ça a ficar desfavorável (ver Figura 66). Se continuarmos reduzindo a vazão, atingiremos um ponto em que haverá descolamento do líquido da pare- de da pá do impelidor, criando um vazio, uma região de baixa pressão que, como vimos, proporciona a vaporização do líquido e também favorece a formação de vórtices (redemoinhos). As bolhas formadas pela vaporização deslocar-se-ão para regiões de maior pressão e retornarão à fase líquida (implosão), causando danos si- milares aos da cavitação clássica. FIGURA 66 RECIRCULAÇÃO INTERNA NA SUCÇÃO Pá do impelidor Ângulo de Underfilled incidência no BEP Overfilled Vórtices Ângulo de incidência com Rotação baixa vazão D1 D2 Fluxo de recirculação na sucção PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 137
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    Os vórtices formadosse propagarão para a sucção, ocasionando um fluxo contrário ao normal no interior da bomba. A recirculação, inicialmen- te, fica restrita à sucção da bomba, daí receber o nome de recirculação da sucção (ver Figura 66, lado direito). Se a vazão continuar a cair, o fenômeno aumentará de intensidade, fa- Pense e Anote zendo com que os vórtices atinjam a descarga da bomba, e, nesse caso, passaremos a ter a recirculação interna na descarga, também. FIGURA 67 VARIAÇÃO DA PRESSÃO DE SUCÇÃO E DA DESCARGA COM RECIRCULAÇÃO Pressão Pressão de descarga Pressão de sucção Vazão Recirculação na sucção e início de recirculação na descarga A bomba centrífuga tem uma vazão abaixo da qual esse fenômeno de recirculação interna ocorrerá. Nas bombas de baixa energia (baixa potên- cia e baixa AMT), a recirculação interna não causa grande preocupação, mas nas bombas de alta energia os danos podem ser severos. Existem diversas vazões mínimas numa bomba centrífuga. Nas folhas de dados mais antigas, com mais de 20 anos, geralmente, a vazão míni- ma citada era a vazão mínima térmica. Trabalhando com a vazão baixa, o rendimento da bomba é reduzido, ou seja, maior percentual da energia cedida pelo acionador irá virar calor, o que aumenta a temperatura do líquido, podendo fazer com que vaporize. PETROBRAS ABASTECIMENTO 138 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 136.
    Pense e Anote Nas bombas que trabalham próximo da linha de equilíbrio de fases, um pequeno acréscimo de temperatura pode levar à vaporização (ver Fi- gura 55). As bombas de água de alimentação de caldeira estão nesse caso. Por isso, costumam possuir uma válvula de fluxo mínimo (Figura 128), ou ter uma linha dotada de orifício de restrição que interliga a descarga com o desaerador, garantindo assim uma vazão mínima para a bomba. Essa vazão mínima que evita a vaporização pelo aquecimento do líquido no interior da bomba recebe o nome de vazão mínima térmica. Recentemente, com o aumento da preocupação com a recirculação interna, as folhas de dados das bombas passaram a exigir do fabricante o fornecimento da vazão mínima de recirculação interna ou vazão mínima de operação estável, que costuma ser superior à vazão mínima térmica. A norma API 610 define a vazão mínima estável em função da vibra- ção. É a menor vazão que a bomba pode operar sem ultrapassar o limite de vibração estipulado pela norma, que para bombas horizontais é de 3,9mm/s RMS (Figura 68). Isto não quer dizer que toda bomba que trabalhe com vibração aci- ma desse nível esteja com problemas de recirculação interna, uma vez que desalinhamento e desbalanceamento, entre outros, também podem contribuir para a vibração da bomba. Nesse caso, a norma API está se referindo às vibrações de origem hidráulica, como é o caso da recircula- ção interna. Teoricamente, a menor vibração de origem hidráulica ocor- re com a bomba trabalhando próxima da sua vazão de projeto (BEP – Ponto de Máxima Eficiência). Quanto mais afastada a vazão do BEP, seja para cima ou para baixo, mais desfavorável o ângulo de entrada do líquido no impelidor, provocando choques que tendem a aumentar a vibração (Figura 68). FIGURA 68 VAZÃO MÍNIMA DO API 610 EM FUNÇÃO DA VIBRAÇÃO 1. Região permitida de operação limitada pela 1 vibração 2 2. Região preferida de operação 70% a 120% do BEP AMT 3. Vibração máxima permitida nos limites de fluxo 3,9mm/s RMS BEP 4. Limite de vibração para bomba horizontal Pot <400 hp 3,0mm/s RMS Vibração 3 3,9mm/s RMS 3,0mm/s RMS 4 70% BEP BEP 120% BEP Vazão PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 139
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    Examinando um impelidorcom sinais de perda de material, podere- mos identificar se o problema foi ocasionado por cavitação clássica ou por recirculação interna. Pense e Quando temos cavitação, examinado o olhal do impelidor, o desgaste Anote tem início na parte visível das pás (região convexa). Quando temos recirculação interna na sucção, o desgaste tem início na parte não visível da pá, região côncava (próximo da região onde ocorre a vaporização do líquido; ver Figura 69), sendo necessário um pequeno espelho para ser vista. Quando a recirculação interna é na descarga, o desgaste aparece na junção da saída das pás com as laterais do impelidor. Nesse caso, ele é visível. Essa região fica cheia de poros devido à perda de material. Quando os danos são na parte central de saída da pá, o desgaste costuma ser decorrente da proximidade das pás do impelidor com a lin- güeta da voluta ou com o difusor. FIGURA 69 REGIÃO DE DANOS NO IMPELIDOR Região de danos por cavitação clássica Região de danos por proximidade com a lingüeta da voluta Região de danos por recirculação interna na descarga Região de danos por Região de danos recirculação na sucção por recirculação interna na descarga Região de danos por cavitação clássica Alguns autores afirmam que o ruído provocado pela cavitação é mais estável e repetitivo, enquanto o provocado pela recirculação interna é ale- atório e mais alto. PETROBRAS ABASTECIMENTO 140 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Dependendo da severidade da cavitação ou da recirculação interna, os danos não ficam limitados apenas ao impelidor e podem atingir a carcaça ou o difusor. A região da carcaça próxima à lingüeta é de alta velocidade; logo, de baixa pressão, podendo, portanto, vir a cavitar. FIGURA 69A DETERMINAÇÃO DA VAZÃO MÍNIMA DE RECIRCULAÇÃO N Q Ns = 0,75 AMT N – rpm Q – m3/s AMT – m Faixa de trabalho Faixa de trabalho hidraulicamente instável estável Aumentando NSS Bombas de Faixa de refrigeração primária transição Impelidores com olhais grandes e alta velocidade específica de sucção Geração nuclear: bombas de condensado booster , água de alimentação e aquecimento-drenagem Vazão mínima como um percentual da vazão do BEP Na Figura 69A, temos um gráfico que permite uma previsão aproxima- da da faixa de operação de vazão de uma bomba em função da velocidade específica Ns e da velocidade específica da sucção NSS. Para impelidores tipo Francis com Ns = 75, a vazão mínima seria de 35% da vazão do BEP com uma faixa de transição entre 35% e 45%, na qual podem ocorrer instabilidades. Acima de 45%, seria uma região es- tável (impelidores com olhais pequenos). Para olhais grandes, o percen- tual de estabilidade seria aumentado, podendo chegar a 65% da vazão do BEP. Com um impelidor axial, Ns = 200, a instabilidade pode come- çar em mais de 80% da vazão do BEP – Ponto de Máxima Eficiência. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 141
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    Resumo Pense e Anote Recirculação interna é um fenômeno que ocorre quando a bomba está trabalhando com baixa vazão. Temos dois tipos: a recirculação interna na sucção e na descarga. A recirculação na descarga ocorre numa vazão mais baixa do que a da sucção. Os sintomas são semelhantes ao da cavitação: ruído, vibração, oscilação das pressões, desgaste do impelidor. O desgaste no impelidor ocorre na área da sucção no lado invisível da pá e necessita de um pequeno espelho para ser visto quando está na fase inicial. Na área da descarga, o desgaste é na lateral das pás, na junção com os discos, na parte visível delas. O percentual em relação à vazão do BEP – Ponto de Máxima Eficiência, com o qual a bomba inicia a recirculação, está bastante ligado à velocidade específica (Ns) e à velocidade específica de sucção (NSS) da bomba. Quanto maiores esses valores, mais estreita a faixa de operação da bomba. Uma das principais causas da recirculação interna é o descolamento do fluxo do líquido, que ocorre quando o ângulo de sua entrada na pá do impelidor fica desfavorável. A solução para a recirculação interna é o aumento de vazão. Entrada de gases A entrada de ar ou gases misturados com o líquido no interior da bomba, a partir de um certo percentual, gera os mesmos fenômenos ocasionados pela cavitação e pela recirculação interna, ou seja, ruído, perda de desempenho, vibração, oscilação dos manômetros. A diferença é que as bolhas não são for- madas por vaporização no interior da bomba, mas já entram com o líquido. Um dos problemas da entrada de gás junto com o líquido é causado pela separação que ocorre pela centrifugação. O ar tende a ficar junto ao olhal do impelidor, prejudicando o fluxo. Existem controvérsias sobre os danos causados pela entrada de ar. Quanto à perda de desempenho, todos concordam. Quanto aos danos no impelidor, alguns autores afirmam que a entrada de gases não causa da- nos significativos às bombas, simplesmente reduz o desempenho pelo PETROBRAS ABASTECIMENTO 142 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote espaçoocupado pelos gases. Outros autores afirmam que os danos são semelhantes aos causados pela cavitação. Os gases podem já vir dissolvidos no líquido ou penetrar na tubulação de sucção pelas juntas dos flanges quando a pressão de sucção é negativa. Outros pontos de entrada de ar são na selagem por gaxetas e na tomada da linha de sucção. Esta última, se não tiver a submergência adequada, pode ocasionar a formação de vórtices (redemoinhos) (Figura 70). FIGURA 70 ENTRADA DE AR E FORMAÇÃO DE VÓRTICES POR BAIXA SUBMERGÊNCIA Ar + líquido Linha de sucção Vórtice Nível do líquido Submergência Os casos mostrados na Figura 70 são decorrentes de erro de projeto. Na parte de cima da figura, deveria existir uma chicana no reservatório para evitar que o fluxo de líquido fosse lançado diretamente para a sucção da bomba. Uma outra solução seria utilizar uma curva e mergulhar o tubo de chegada no reservatório. Para o caso de baixo, uma solução seria au- mentar a submergência do tubo de sucção ou colocar grades horizontais flutuantes na superfície, em torno do tubo, para evitar a formação dos vórtices (redemoinhos). Até o teor de 0,5% em volume de gases no líquido, não é usual obser- var qualquer efeito sobre o funcionamento da bomba. Quando valores de 5% ou 6% são atingidos, o funcionamento fica seriamente prejudicado, podendo até fazer a bomba perder a escorva. Em percentuais bem pequenos, os gases ou o ar podem até ser benéfi- cos quando a bomba trabalhar cavitando. O ar forma um colchão de amor- tecimento, atenuando os efeitos da implosão das bolhas e reduzindo o ruído e a vibração. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 143
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    Curva do sistemae ponto de trabalho da bomba Já sabemos que a bomba trabalhará sobre um ponto de sua curva de AMT x vazão. Mas em qual deles? FIGURA 71 Pense e Anote CURVA DO SISTEMA Para saber isso, é necessário conhecer o sistema no qual a bomba irá trabalhar de modo que possamos calcular a curva desse sistema. A curva do sistema representa as energias que necessitam ser vencidas para ir do vaso de sucção ao de descarga para cada vazão. Essas energias são: a diferença de pressão entre os dois vasos ( P), a diferença de níveis (H) e a perda de carga (h1, h2 etc.) nas linhas de suc- ção e de descarga em função da vazão. Se as pressões dos vasos e seus níveis forem constantes, somente a perda de carga irá variar. Todas es- sas perdas são expressas em metros de coluna. Quanto maior a vazão, maior a perda de carga do sistema e, portanto, a curva do sistema será ascendente com a vazão. PETROBRAS ABASTECIMENTO 144 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote A curva do sistema nos informa para cada vazão o quanto de AMT (head ou carga) o sistema exigirá. Na vazão nula, só seria necessário vencer a cota H e o P, já que a perda de carga seria nula. A Figura 71 mostra a curva de um sistema com as perdas de carga de 7, 20 e 40 metros corres- pondentes às vazões de 60, 80 e 100m3/h, respectivamente. Foi visto que a bomba terá de trabalhar sobre sua curva de AMT x va- zão. O sistema também exige que a bomba trabalhe sobre sua curva. Se colocarmos essas duas curvas num mesmo gráfico, o ponto de encontro delas é o único que satisfará à bomba e ao sistema simultaneamente. Portanto, esse será o ponto de trabalho. FIGURA 72 PONTO DE TRABALHO AMT (m) Curva da bomba Ponto de trabalho Curva do sistema m 3 /h Pelas curvas da Figura 72, a bomba trabalharia com 99m3/h e com a AMT de 76m. A bomba centrífuga sempre trabalhará no ponto de interseção da cur- va da bomba com a curva do sistema. Todavia, a maioria dos processos industriais necessita variar a vazão. Os seguintes modos de controle são empregados com essa finalidade em bombas centrífugas: Recirculando a descarga para a sucção. Alterando a curva do sistema. Alterando a curva da bomba: • Pela mudança do diâmetro do impelidor. • Pela mudança da rotação. • Pela colocação de um orifício no flange de descarga da bomba. • Pelo ajuste das pás do impelidor. • Pelo controle de pré-rotação. Ligando e desligando bombas que operem em paralelo ou em série. Controlando por cavitação. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 145
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    Vejamos como osmodos mais usuais funcionam. Pense e Recirculando a descarga para a sucção Anote Consiste em retornar parte da vazão bombeada para a sucção através de uma válvula. É um método pouco usado em bombas centrífugas por desperdiçar a energia gasta bombeando o líquido que estaria sendo recirculado. É mais utilizado em situações em que queremos garantir uma vazão mínima da bomba, seja para evitar o aquecimento com vaporização do líquido bom- beado, seja devido a problemas de recirculação interna ou, ainda, para evitar esforço axial elevado. As bombas de deslocamento positivo utilizam bastante esse método. FIGURA 73 RECIRCULAÇÃO DA DESCARGA PARA A SUCÇÃO Se não houver um resfriamento do líquido recirculado, devemos colo- car a linha de retorno o mais afastada possível da sucção da bomba, evi- tando assim que o líquido já aquecido entre na bomba e receba mais ca- lor, o que poderá levar à sua vaporização. No caso de bombas axiais, esse método de controle é interessante, porque nesse tipo de bomba a potência cai com o aumento da vazão. Alterando a curva do sistema Esse é o método mais usado em unidades de processo. Consiste em utilizar uma válvula na linha de descarga, como, por exem- plo, uma válvula de controle que, ao ser mais aberta ou fechada, aumenta ou diminui a perda de carga na linha, alterando assim a curva do sistema. Isso modificará o ponto de trabalho, como pode ser visto na Figura 74. Não devemos nunca restringir o fluxo na linha de sucção das bombas devido ao problema de cavitação. PETROBRAS ABASTECIMENTO 146 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Modificando a abertura da válvula, podemos obter qualquer vazão na faixa de trabalho da bomba. FIGURA 74 VARIAÇÃO DO PONTO DE TRABALHO POR VÁLVULA DE CONTROLE Ponto de trabalho x abertura de válvula AMT (m) Curva da bomba 50% 70% 100% aberta Vazão m 3 /h A Válvula 100% aberta – Q = 99m3/h AMT = 76m Válvula 70% aberta – Q = 72m3/h AMT = 85m Válvula 50% aberta – Q = 52m3/h AMT = 88m Alterando a curva da bomba Temos cinco modos de alterar a curva de uma bomba centrífuga: alteran- do o diâmetro do impelidor; variando a rotação; colocando um orifício no flange de descarga da bomba; ajustando o ângulo das pás do impeli- dor; controlando a pré-rotação. A alteração do diâmetro exige a abertura da bomba para sua execução, portanto, não é um método que possa ser usado a toda hora. Além disso, esse tipo de controle possui uma limitação, ou seja, o diâ- metro mínimo do impelidor recomendado pelo fabricante, que costuma ser em torno de 20% a 25% do diâmetro máximo. Quando uma válvula de controle trabalha permanentemente com abertura inferior a 70% (mais PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 147
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    de 30% defechamento), é uma ótima oportunidade para economizar energia por meio da redução do diâmetro do impelidor. Não é interes- sante que o corte leve a válvula de controle a trabalhar totalmente Pense e aberta, porque, nesse caso, ficaria inviável um aumento de vazão numa Anote determinada necessidade do processo. O ideal é negociar com a equi- pe de operação um valor seguro para cada caso específico antes de cal- cular o corte do impelidor. Para utilizar o controle por rotação, o acionador tem de possibilitar esse recurso. As turbinas a vapor, os motores de combustão interna e os moto- res elétricos com variadores de freqüência são os principais acionadores que podem variar a rotação. Existem variadores hidráulicos a serem colo- cados entre o motor elétrico e a bomba, que também cumprem essa fun- ção. Esse modo de operar resulta em economia de energia quando com- parado com a atuação da válvula na linha de descarga, uma vez que esta reduz a vazão pelo aumento da perda de carga, ou seja, gastando parte da energia cedida pela bomba. FIGURA 75 VARIAÇÃO DA CURVA DA BOMBA COM O DIÂMETRO DO IMPELIDOR OU COM A ROTAÇÃO AMT (m) Curva do sistema N1 ou D1 N2 ou D2 N3 ou D3 m 3 /h N – Rotação D – Diâmetro impelidor N1 > N2 > N3 D1 > D2 > D3 Na Figura 75, temos a curva do sistema e três curvas da bomba corres- pondentes a rotações ou diâmetros diferentes. O ponto de operação será no encontro da curva do sistema com a curva da bomba. Os pontos de operação seriam: PETROBRAS ABASTECIMENTO 148 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote N1 ou D1 – Q = 95m3/h e AMT = 79m N2 ou D2 – Q = 84m3/h e AMT = 63m N3 ou D3 – Q = 72m3/h e AMT = 50m Com a bomba em outras rotações ou com outros diâmetros, novos pontos de operação poderiam ser obtidos. Posteriormente, o assunto será abordado com maior profundidade. O uso da placa de orifício junto ao seu flange de descarga (Figura 76), permite fazer com que uma curva plana passe a ter uma inclinação, faci- litando o controle por meio de válvula. A placa de orifício é usada em bom- bas de baixa potência. Como a perda de carga no orifício aumenta com a vazão, à medida que a vazão aumenta, a curva da bomba vai ficando mais afastada da curva original. O orifício também pode ser usado para ajustar a AMT (pressão) de uma bomba que a tenha em excesso e esteja traba- lhando próximo do final da curva. Se cortarmos o impelidor nesse caso, a vazão poderá não ser atendida. FIGURA 76 MODIFICAÇÃO DO PONTO DE TRABALHO POR MEIO DE ORIFÍCIO RESTRIÇÃO NO FLANGE DE DESCARGA AMT Sem orifício AMT2 Com orifício AMT1 Perda de carga devido ao orifício Curva do sistema Q1 Q2 Q O método de ajuste das pás do impelidor é aplicado em bombas de fluxo misto ou axial de grandes dimensões, e o ganho de energia compen- sa o custo desse sistema. Nesse caso, as pás do impelidor são pivotadas no cubo do impelidor de modo que podem ser ajustadas, modificando a curva da bomba. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 149
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    O controle porpré-rotação é realizado por pás guias móveis que ficam situadas na frente do impelidor. As pás do impelidor se mantêm fixas. É um sistema semelhante aos usados em compressores, sendo utilizado ape- nas em bombas de fluxo misto ou axial de elevadas vazões. Esses sistemas de controle, ajuste de pás do impelidor e controle de Pense e Anote pré-rotação, não são normalmente empregados em bombas de refinarias. Ligando e desligando bombas que operem em paralelo ou em série Esse método é usado quando a variação de vazão é muito elevada, como ocorre em unidades de processo que variam bastante a carga, como no abastecimento de água de uma cidade (durante a noite o consumo cai bastante), ou em alguns sistemas de água de refrigeração. Nesse caso, em vez de usar bombas de grande capacidade, são utilizadas bombas menores que vão sendo colocadas ou retiradas de operação de acordo com a demanda. FIGURA 77 VARIAÇÃO DE VAZÃO LIGANDO E DESLIGANDO BOMBAS AMT (m) Sistema 1 Bomba 2 Bombas 3 Bombas 4 Bombas No exemplo da Figura 77, poderíamos ter as seguintes vazões: 140m3/h – 1 bomba funcionando 265m3/h – 2 bombas funcionando 370m3/h – 3 bombas funcionando 460m3/h – 4 bombas funcionando PETROBRAS ABASTECIMENTO 150 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Controlandopor cavitação Esse método é empregado em pequenas bombas de condensado. Ele usa o fato de a cavitação reduzir a vazão da bomba para controlar o nível da bota do condensador. FIGURA 78 CONTROLE DE CAPACIDADE POR CAVITAÇÃO AMT Pontos de operação Pontos de operação com cavitação sem cavitação Curva do sistema NPSHdisp NPSHreq NPSH completa cavitação Condensador Válvula aberta Bota h Como a pressão no condensador é normalmente uma pressão muito baixa (alto vácuo), o NPSH é crítico nesse tipo de aplicação. O NPSH dispo- nível é praticamente o valor da cota “h” do nível da bota em relação à bomba (Figura 78). Para entender como funciona o sistema, vamos partir de uma situação em equilíbrio, ou seja, a quantidade de condensado que chega à bota é igual à que a bomba retira, o que garante o nível constante. Nessa situa- ção, a bomba estaria operando, por exemplo, no ponto A com cerca de 92% da vazão máxima e com uma ligeira cavitação. Suponhamos que o consumo de vapor da turbina caia, chegando menos condensado na bota. Como inicialmente a bomba continua com a mesma vazão, o nível h começará a cair e o NPSH disponível vai ser reduzido, fa- zendo com que aumente a cavitação e, como conseqüência, caia a vazão da bomba até o nível voltar a equilibrar-se no ponto B, 75% da vazão. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 151
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    Caso ocorra ocontrário, ou seja, um aumento do consumo de vapor na turbina, teremos mais condensado chegando à bota e elevando seu nível. Com isso, aumenta o NPSH disponível, aumentando a vazão da Pense e bomba até que seja atingida uma outra vazão de equilíbrio correspondente Anote ao ponto C. Para usar esse sistema, o material da bomba tem que ser apropriado para suportar a cavitação, e a energia cedida em cada estágio da bomba deve ser baixa, ou seja, inferior a 50m, para não potencializar os danos. A grande vantagem desse sistema é a sua simplicidade, não exigindo todo o aparato de uma malha de controle de instrumentação. Conjugação de dois dos métodos anteriores Por exemplo: cortando o impelidor e usando uma válvula de controle na descarga. Embora tenhamos visto os métodos usualmente praticados para modifi- car o ponto de trabalho, devemos ter em mente que toda bomba centrífuga possui limitações de vazão, tanto de vazão máxima, quanto de vazão mínima. Resumo A curva do sistema indica o quanto de energia o sistema exigirá para cada vazão. Essa energia é composta pela diferença de níveis entre o vaso de sucção e o de descarga, a diferença de pressão entre esses dois vasos e a perda de carga para a vazão em questão. A bomba sempre irá trabalhar no ponto de encontro de sua curva de AMT x vazão com a curva de AMT x vazão do sistema. O método mais usado na indústria para controle de vazão é a utilização de uma válvula de controle na linha de descarga. O mais econômico, do ponto de vista de consumo de energia, é por meio da variação de rotação. Curvas características de bombas centrífugas As curvas características de uma bomba recebem esse nome por serem as curvas que caracterizam seu desempenho. PETROBRAS ABASTECIMENTO 152 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote As curvas características são: Altura manométrica total (AMT) x vazão Potência x vazão Rendimento ( ) x vazão NPSH requerido x vazão A curva de potência muda com o produto bombeado em função do peso específico. As outras curvas características independem do fluido, desde que a viscosidade do mesmo seja baixa. As curvas características são fornecidas pelos fabricantes das bombas. Quando a bomba é importante para o funcionamento da unidade, para ter certeza do seu desempenho, é comum pagar ao fabricante para le- vantar as curvas de cada bomba na bancada de teste. A exceção fica por conta da curva de NPSH requerido, que só é solicitada quando a diferen- ça é pequena em relação ao NPSH disponível (normalmente quando in- ferior a 1metro). Curva de AMT x vazão A altura manométrica total é também conhecida pelos nomes de carga da bomba, head (em inglês), ou MCL (metros de coluna de líquido). A AMT representa a energia cedida pela bomba por unidade de peso do líquido bombeado. FIGURA 79 CURVA TÍPICA DE AMT X VAZÃO DE UMA BOMBA CENTRÍFUGA AMT x vazão AMT ou H – metros Vazão m 3 /h Modelo 3 x 2 x 8 dia 200mm 3.550rpm PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 153
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    Curva de rendimentox vazão Rendimento ou eficiência de uma bomba é a relação entre a potência que ela fornece ao líquido e a potência recebida do acionador. Pense e Anote Rendimento = Potência fornecida ao líqudo Potência recebida do acionador Por exemplo, a bomba está recebendo no seu eixo uma potência de 100hp. Se ela estiver cedendo ao líquido 60hp, seu rendimento será de 0,6 ou 60%. Nesse caso, os 40% restantes do rendimento, correspondentes a 40hp, estão sendo consumidos pelos atritos (dos mancais e do líquido), choques e mudanças de direção do líquido no interior da bomba. Toda essa perda de energia é transformada em calor. Parte desse calor aquece o líquido bombeado e outra parte é transmitida para a atmosfera. O rendimento da bomba é calculado com base na potência recebida pelo seu eixo, não importando a potência de placa do acionador. Na Figura 80, temos uma curva característica do rendimento de uma bomba centrífuga que mostra sua variação com a vazão. FIGURA 80 CURVA DE RENDIMENTO DE UMA BOMBA CENTRÍFUGA Rendimento x vazão Rendimento % BEP Vazão m 3/h O rendimento cresce com a vazão até um determinado ponto, passa por um valor máximo e começa a cair. Na curva mostrada, na figura acima, esse valor máximo de rendimento da bomba ocorre na vazão de 80m3/h. PETROBRAS ABASTECIMENTO 154 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Talponto é o ponto de máxima eficiência, usualmente chamado de BEP – Ponto de Máxima Eficiência (best efficiency point) da bomba. A va- zão do BEP é a vazão para a qual a bomba foi projetada. O rendimento é máximo porque o líquido entra no impelidor com o ângulo mais fa- vorável em relação às pás, praticamente sem choques (ver Figura 66). Por esse motivo, as bombas apresentam valores menores de vibrações quando trabalham próximas desse ponto (ver Figura 68). A curva de rendimento é válida para qualquer líquido, desde que a vis- cosidade não seja alta. Sendo alta, deverá ser corrigida por meio de um fator apropriado (ver Figura 110). Curva de potência x vazão Na Figura 81, temos uma curva característica de potência x vazão de uma bomba centrífuga. FIGURA 81 CURVA DE POTÊNCIA DE UMA BOMBA CENTRÍFUGA Potência x vazão Potência em hp Vazão m 3/h Curva para água 1gf/cm 3 Modelo 3x2x8 3.550rpm Nos catálogos gerais dos fabricantes, a curva fornecida é para água fria e necessita ser corrigida se o líquido tiver peso específico diferente. Nos catá- logos próprios da bomba, a curva mostrada geralmente já está corrigida. Pela Figura 81, para a vazão de 90m3/h, temos que a potência consu- mida pela bomba é de 38hp. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 155
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    A potência consumidapor uma bomba pode ser obtida pela fórmula: EQUAÇÃO 7 EQUAÇÃO Pense e Anote .H.Q Pot = 274 Pot – Potência em hp – Peso específico em gf/cm3 ou densidade H – AMT em metros Q – Vazão em m3/h – Rendimento Como vemos, a potência é diretamente proporcional ao peso específi- co . Se ele cair pela metade, a potência cairá também pela metade. Como essa curva é feita para água (g = 1gf/cm3), para saber a potência consumi- da por outro líquido, basta multiplicar o valor achado para a curva para água pelo valor do peso específico ou densidade do novo líquido. Se o líquido for viscoso, H, Q e sofrerão correções e, conseqüente- mente, a potência mudará (Figura 110). PROBLEMA 5 Calcular a potência consumida por uma bomba que possui as curvas carac- terísticas de AMT e de rendimento, segundo as Figuras 79 e 80, bombean- do água fria ( =1,0gf/cm3) na vazão de 90m3/h. Da Figura 79, temos para 90m3/h: AMT = H = 80m Da Figura 80, temos para 90m3/h: = 70% = 0,70 De acordo com a equação 7, para água temos: .H.Q 1 x 80 x 90 Pot = = = 37,54hp 274 274 x 0,70 PETROBRAS ABASTECIMENTO 156 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Caso tenhamos a curva de potência, mostrada na Figura 81, a potência poderia ser lida diretamente a partir da vazão. Se nossa bomba estivesse trabalhando com GLP ( = 0,5gf/cm3) nessa mesma vazão, a única variável da fórmula que mudaria em relação à água seria o peso específico (já vimos que a AMT ou H não dependem do flui- do). Portanto, a potência seria: Para GLP .H.Q 0,5 x 80 x 90 Pot = = = 18,77hp 274 274 x 0,70 Como era esperado, devido ao peso específico (ou densidade) do GLP ser a metade do peso específico da água, a potência para GLP foi exata- mente a metade da potência para água. Modificando o líquido bombeado e mantendo a mesma vazão, altera- mos a potência e a pressão de descarga da bomba. Temos de tomar cuida- do quando a bomba de um produto vai bombear outro, como no caso de lavagem de uma unidade, onde é comum o bombeio de água pelas bom- bas. Se a bomba tiver sido selecionada para um líquido leve e for traba- lhar com água, que possui = 1gf/cm3, a potência consumida para a mesma vazão aumentará. O acréscimo de pressão fornecido pela bomba também aumentará. Portanto, temos de avaliar se os equipamentos exis- tentes na descarga suportam essa nova pressão e se o motor da bomba está dimensionado para essa nova condição. No gráfico da Figura 81, note que a potência é crescente com a vazão, o que é próprio da bomba centrífuga radial. Mais adiante, veremos que isso não ocorre com as bombas axiais. A corrente de partida de um motor elétrico pode atingir até seis ve- zes a corrente nominal. Por esse motivo, devemos partir a bomba cen- trífuga, exigindo a menor potência possível do motor, ou seja, com a menor vazão, que corresponde à descarga fechada. Assim, teremos uma aceleração mais rápida, evitando que o motor fique submetido muito tempo a uma corrente alta, o que, além de encurtar a vida do enrola- mento elétrico, pode levar à atuação do sistema de proteção, desar- mando o motor. Existem alguns casos especiais de bombas com parti- da automática, que no projeto já são especificados motores dimensio- nados para partir a bomba centrífuga com a descarga aberta. Nessa si- tuação, não há necessidade de preocupação com a partida no que se refere ao aspecto de corrente. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 157
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    Curva de NPSHrequerido O NPSH requerido pela bomba é fornecido pelo fabricante. A curva mos- tra a energia mínima requerida no flange de sucção da bomba para as di- Pense e versas vazões, energia esta expressa sob a forma de metros ou de pés de Anote coluna de líquido. Essa energia no flange de sucção deve ser tal que garan- ta que não ocorrerá a vaporização do líquido bombeado no ponto de menor pressão no interior da bomba (ver Figura 58A). O fabricante informa o NPSH requerido para a bomba trabalhando com água fria. Não há problema na comparação deste NPSH com o disponível, que é calculado para o líquido bombeado, uma vez que a pressão de vapor é subtraída (ver equação 6). FIGURA 82 CURVA CARACTERÍSTICA DE NPSH REQUERIDO X VAZÃO NPSH x vazão NPSH req (m) Vazão m 3/h O NPSH disponível deve ser sempre maior do que o NPSH requerido. Caso contrário, teremos vaporização de produto no interior da bomba (cavitação). O NPSH requerido é sempre crescente com a vazão. PROBLEMA 6 Uma bomba cuja curva de NPSH requerido é representada pela Figura 82, instalada ao nível do mar, está bombeando álcool etílico na vazão de 80m 3/h e na temperatura de 55ºC ( = 0,76gf/cm3). A pressão de suc- ção é de – 0,50kg/cm 2M (pressão negativa) medida com um manova- cuômetro colocado a 20cm acima da linha de centro. A linha de sucção, onde foi medida a pressão, é de 4”sch 40. Avaliar essa bomba quanto à cavitação. PETROBRAS ABASTECIMENTO 158 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 83 CÁLCULO DE NPSH DISPONÍVEL Medidor de vazão FI Dados Pd Fluido: álcool etílico Vd Q = 80m3 /h T = 55oC Ps = –0,5kgf/cm 2M Ps hs = 0,20m hs Patm = 1,033kgf/cm2 L.C. = 076gf/cm3 Vs 4”sch 40 Inicialmente, vamos calcular a velocidade no local do manômetro e obter a pressão de vapor do líquido na temperatura de bombeamento. Com es- ses dados e a pressão de sucção, podemos calcular o NPSH disponível. Da tabela de tubos (Tabela 18), temos: Área interna do tubo D= 4"sch 40 Ai = 82,1cm2 Velocidade no local do manômetro: EQUAÇÃO 4 2,78 x Q 2,78 x 80 Vs = = = 2,7m/s As 82,1 Pressão de vapor: Figura 25 Álcool etílico a 55ºC (curva 2) Pvap = 0,35barA PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 159
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    Da Tabela 15,temos que 1 bar = 1,02kgf/cm2. 1 bar = 1,02kgf/cm2 Pense e Anote 1,02kgf/cm 2 Pvap = 0,35barA x = 0,357kgf/cm2 A ~ 0,36kgf/cm2 A bar Usando a equação 6, podemos calcular o NPSH disponível: 10 x (Ps + Patm – Pvapor) Vs2 NPSHdisp = + + hs = 2g 10 x (– 0,5 + 1,033 – 0,36) 2,72 = + + 0,20 = 0,76 2 x 9,8 = 2,31 + 0,37 + 0,20 = 2,88 2,9m Para a vazão de 80m3/h, a Figura 82 fornece um NPSH requerido de 3m. Como o NPSH disponível é de 2,9m, temos o NPSHdisp<NPSHreq; logo, teoricamente a bomba irá cavitar. Seria conveniente que houvesse alguma folga no NPSH para evitar a cavitação. Se uma bomba nessa situ- ação estiver operando com ruído, vibração ou apresentando desgaste no impelidor, adotar um ou mais dos procedimentos listados no item Análi- se de Problemas em Bombas Centrífugas. Resumo As curvas características de uma bomba centrífuga são: AMT; potência; rendimento e NPSH versus a vazão. AMT, head, carga ou coluna de líquido é a energia cedida pela bomba por unidade de peso para cada vazão. O rendimento de uma bomba é dado por: pot fornecida ao líquido = pot recebida do acionador PETROBRAS ABASTECIMENTO 160 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote EQUAÇÃO 7 EQUAÇÃO EQU A potência consumida por uma bomba pode ser obtida pela fórmula: .H.Q Pot = 274 Pot – Potência em hp – Peso específico em gf/cm3 ou densidade H – AMT em metros Q – Vazão em m3/h – Rendimento O ponto de máximo rendimento corresponde ao de projeto da bomba e é denominado de BEP – Ponto de Máxima Eficiência (best efficient point ). Numa bomba centrífuga, a AMT decresce com a vazão, enquanto a potência e o NPSH requerido crescem. O rendimento inicialmente cresce com a vazão até o BEP, decrescendo depois. Curvas características para bombas de fluxos misto e axial Para efeito de comparação, estão representadas na Figura 84 as curvas características das bombas: centrífuga radial, de fluxo misto e de fluxo axial. FIGURA 84 CURVAS CARACTERÍSTICAS POR TIPO DE BOMBA Fluxo radial Fluxo radial tipo Francis Fluxo misto Fluxo axial Ns = 13 Ns = 33 Ns = 100 Ns = 200 Fluxo axial AMT AMT AMT AMT AMT AMT Pot Pot AMT Pot AMT AMT AMT Pot Pot Q Q Q Q Q BEP BEP BEP BEP BEP Examinando as curvas características para os diversos tipos de impeli- dor, podemos concluir: PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 161
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    Curvas de AMTx vazão Conforme aumenta a velocidade específica Ns, a curva de AMT fica mais inclinada. A curva de AMT correspondente ao impelidor de fluxo axial, mostrada à direita, na figura 84, apresenta o que chamamos de instabili- dade, ou seja, possui uma região onde, para uma mesma AMT, podemos Pense e Anote ter duas ou mais vazões distintas. Não é aconselhável operar nessa região. Por isso, quando uma bomba apresenta essa anomalia, temos de garantir que irá operar com uma vazão acima da correspondente dessa instabili- dade. Temos, nesse caso, um novo tipo de vazão mínima, que é devido à instabilidade da curva de AMT. Curvas de potência x vazão A potência das bombas centrífugas puras ou de fluxo radial cresce com o aumento de vazão. Nas de fluxo axial, a potência cai com o aumento de vazão. Por esse motivo, as bombas de fluxo radial devem partir com a válvula de descarga fechada, e as de fluxo axial, com a descarga aberta, condição de potência mínima. Nas bombas de fluxo misto, a parte final da curva de potência tende a ficar plana e, em algumas, pode até chegar a cair. Como a menor potência corresponde à vazão nula, as bombas de fluxo misto devem partir prefe- rencialmente com a válvula de descarga fechada. Nesse aspecto, elas são menos críticas que as radiais e as axiais, porque a diferença entre as po- tências com a vazão máxima e com vazão nula é menor. Influência do diâmetro do impelidor no desempenho da bomba centrífuga Numa bomba centrífuga, quanto maior a força centrífuga fornecida ao líquido, maior a vazão, a AMT e a potência consumida. O oposto também é verdadeiro. Se reduzirmos a força centrífuga, estas três variáveis também serão reduzidas. Temos dois modos de alterar a força centrífuga numa bomba: varian- do o diâmetro do impelidor ou variando a rotação. Podemos também usar os dois métodos simultaneamente. Para alterar o diâmetro do impelidor, temos de abrir a bomba; portanto, é um método que não pode ser aplica- do continuamente como a modificação da rotação. Vejamos como as variáveis se comportam com a modificação do diâ- metro do impelidor e da rotação em uma bomba centrífuga. A vazão varia diretamente com o diâmetro do impelidor. Q2 D2 = Q1 D1 PETROBRAS ABASTECIMENTO 162 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote A AMT varia com o quadrado do diâmetro do impelidor. 2 AMT2 AMT1 = ( ) D2 D1 A potência varia com o cubo do diâmetro do impelidor. 3 Pot2 Pot1 = ( ) D2 D1 O NPSH requerido varia com o diâmetro do impelidor. Para uma mes- ma vazão, quanto maior o diâmetro, menor o NPSH. Não existe uma relação matemática definida. Só podemos levar em conta esta va- riação quando o fabricante fornece essas curvas, como mostra a Fi- gura 85. FIGURA 85 VARIAÇÃO DO NPSH REQUERIDO EM FUNÇÃO DO DIÂMETRO DO IMPELIDOR 200mm dia 259mm dia Resumindo, a variação com o diâmetro do impelidor pode ser obtida aproximadamente por: EQUAÇÃO 8 EQUAÇÃO 8 AÇÃO 2 3 Q2 Q1 = D2 D1 AMT2 AMT1 = ( ) D2 D1 Pot2 Pot1 = ( ) D2 D1 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 163
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    PROBLEMA 7 Uma bomba centrífuga trabalha com um impelidor de 200mm de diâmetro, com a vazão de 100m3/h e AMT de 76m, consumindo uma potência de 46hp. Pense e Quais seriam as novas condições de trabalho se reduzíssemos o diâmetro Anote do impelidor para 180mm? Dados Para D1 – 200mm D2 – 180mm Q1 – 100m 3/h Q2 – T2 AMT 1 – 80m AMT2 – ? Pot1 – 46hp Pot2 – ? Aplicando a equação 8, temos: Vazão Q2 D2 Q2 180 100 x 180 = Q1 D1 ➜ 100 = 200 ➜ Q2 = 200 = 90m3/h AMT 2 2 AMT2 AMT1 = () D2 D1 ➜ AMT2 80 = ( ) 180 200 AMT2 = 80 x 0,92 = 64,8m Potência 3 3 Pot2 Pot1 = () D2 D1 ➜ Pot2 46 = ( ) 180 200 Pot2 = 46 x 0,93 = 33,5hp Na realidade, o novo ponto de trabalho da bomba não seria exatamen- te no ponto calculado. Seria na intercessão da nova curva de AMT para o impelidor de 180mm com a curva do sistema, ponto 2 da Figura 86. PETROBRAS ABASTECIMENTO 164 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 86 NOVO PONTO DE TRABALHO COM MUDANÇA DE DIÂMETRO AMT Sistema Diâmetro 200mm Diâmetro 180mm Vazão Resumo A variação com o diâmetro D do impelidor é dada por: EQUAÇÃO 8 2 Q2 Q1 = D2 D1 AMT2 AMT1 = () D2 D1 3 Pot2 Pot1 = () D2 D1 Influência da rotação N da bomba no desempenho da bomba centrífuga Vejamos agora o comportamento da bomba centrífuga com a modifica- ção da rotação N: PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 165
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    A vazão variadiretamente com a rotação. Q2 N2 Pense e Q1 = N1 Anote A AMT varia com o quadrado da rotação. 2 AMT2 AMT1 = () N2 N1 A potência varia com o cubo da rotação. 3 Pot2 Pot1 = () N2 N1 O NPSH requerido varia com o quadrado da rotação. 2 NPSHreq2 NPSHreq1 = () N2 N1 EQUAÇÃO 9 EQUAÇÃO 2 Q2 Q1 = N2 N1 AMT2 AMT1 = () N2 N1 3 2 Pot2 Pot1 = ( ) N2 N1 NPSHreq2 NPSHreq1 = () N2 N1 Conhecendo a curva atual, para saber a curva para uma nova rotação, basta escolher alguns pontos da curva conhecida e aplicar as equações acima, seja a curva de AMT, de potência, ou de NPSH requerido. A aplicação da variação de rotação como meio de controle em bom- bas acionadas por motor elétrico está crescendo bastante com o barate- amento dos dispositivos que permitem o controle da velocidade nesses acionadores. Os pontos obtidos com a variação da rotação são denominados pon- tos homólogos. Na Figura 87, mostramos a mudança desses pontos de A1, B1 e C1 para A2, B2 e C2 ao passarem da rotação rpm1 para uma rotação PETROBRAS ABASTECIMENTO 166 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote maisalta, rpm2. Os rendimentos dos pontos homólogos são iguais, ou seja, o rendimento de A1 é igual ao de A2, o de B1 é igual ao de B2, e assim sucessivamente. FIGURA 87 PONTOS HOMÓLOGOS OBTIDOS COM A MUDANÇA DE ROTAÇÃO Pontos homólogos AMT Pot A1 – A2 xQ xQ B1 – B2 A2 1 2 C1 – C2 A1 B2 Pot2 x Q Índice 1 – rpm1 Pot1 x Q Índice 2 – rpm2 B1 C2 rpm2 > rpm1 AMT 2 x Q C1 AMT1 x Q Q (m 3/h) PROBLEMA 8 Sabendo que a curva de AMT de uma bomba centrífuga gira a 3.550rpm e está representada na Figura 88, traçar a curva de AMT para a rotação de 3.000rpm. FIGURA 88 CURVA DE AMT X VAZÃO AMT ou H – metros Vazão m 3/h Modelo 3 x 2 x 8 dia 200mm 3.550rpm PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 167
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    Temos: N1= 3.550rpm N2 = 3.000rpm Vamos obter da curva da Figura 88 as AMTs para 4 pontos de vazões Pense e Anote diferentes: TABELA 24 PONTOS DA CURVA DE AMT X VAZÃO Ponto Vazão – m3/h AMT – m 1 0 90 2 60 86 3 80 83 4 110 72 Aplicando a equação 9 nos pontos da Tabela 24, teremos: Ponto 4 para 3.000rpm: Q2 N2 Q2 3.000 110 x 3.000 = = Q2 = = 93,0 Q1 N1 100 3.550 3.550 e 2 2 AMT2 AMT1 = ( ) N2 N1 AMT2 72 = ( ) 3.000 3.550 AMT2 = 72 x 0,8452 = 51,4 Repetindo estes cálculos para os pontos 1, 2 e 3, teremos: TABELA 25 PONTOS DE TRABALHO PARA DIFERENTES ROTAÇÕES N1 = 3.550rpm N2 = 3.000rpm Ponto Q1 AMT 1 Q2 AMT 2 1 0 90 0,0 64,3 2 60 87 50,7 62,1 3 80 83 67,6 59,3 4 110 74 93,0 52,4 Plotando os pontos em um gráfico, obtemos a curva para a rotação em questão. PETROBRAS ABASTECIMENTO 168 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 89 CURVAS AMT X VAZÃO PARA DIVERSAS ROTAÇÕES AMT (m) Pt 1 N 1 = 3.550rpm Pt 2 Sistema Pt 3 Pt 4 Pt1’ N2 = 3.000rpm Pt2’ Pt3’ Pt 4’ m 3/h Os novos pontos de operação serão sempre no encontro das novas cur- vas de AMT da bomba com a curva de AMT do sistema. Se a curva do siste- ma fosse igual à mostrada na Figura 89, os pontos de operação seriam: Pt A N1 = 3.550rpm Q1 = 98m3/h AMT1 = 77m Pt B N2 = 3.000rpm Q2 = 80m3/h AMT2 = 55m O controle da vazão pela variação da rotação é o melhor método do ponto de vista da economia de energia. Do mesmo modo que calculamos a curva para 3.000rpm, podemos calcular para diversas rotações e plotá-las num mesmo gráfico. Resumo A variação com a rotação N é dada por: EQUAÇÃO 8 2 3 2 Q2 Q1 = N2 N1 AMT2 AMT1 = ( )N2 N1 Pot2 Pot1 = ( ) N2 N1 NPSHreq2 NPSHreq1 = () N2 N1 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 169
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    Forças radiais eaxiais no impelidor Sempre que uma pressão atua numa área, o resultado é uma força. Como as áreas do impelidor de uma bomba ficam submetidas a dife- Pense e rentes pressões, serão criados esforços, tanto no sentido radial quanto axial. Anote Os mancais é que são os responsáveis por absorver estes esforços. Esforços radiais As bombas que possuem voluta simples, quando trabalham na sua vazão de projeto (BEP), possuem ao longo de toda a voluta aproximadamente a mesma pressão (ver Figura 90). Com isso, as forças radiais que atuam na largura do impelidor se cancelam e a resultante radial é praticamente nula. À medida que reduzimos ou aumentamos a vazão, a pressão ao longo do impelidor já não será constante e, quanto mais nos afastamos do ponto de projeto, maior a resultante da força radial. Quanto maior essa força, mais o eixo irá fletir, facilitando a ocorrência de roçamentos internos e de vibrações. FIGURA 90 ESFORÇO RADIAL COM VOLUTA SIMPLES Força radial Vazão Vazão de projeto Vazão de projeto Vazão diferente da de projeto Quando é utilizada a dupla voluta, temos uma resultante para cada voluta. Como elas são aproximadamente iguais, as resultantes também serão parecidas. Devido à oposição das volutas (ver Figura 91), a tendên- cia é cancelar essas resultantes, mesmo que a bomba venha a operar fora do ponto de projeto. Por isso, a força resultante final é pequena em qual- quer faixa de vazão. Na Figura 91, é mostrado um gráfico comparativo dos esforços radiais em função do tipo da carcaça. PETROBRAS ABASTECIMENTO 170 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 91 ESFORÇO RADIAL COM DUPLA VOLUTA Fr Carga radial BEP Concêntrica Simples voluta Dupla voluta Fr Vazão As bombas de menor porte, até 4 polegadas de flange de descarga, são quase sempre de simples voluta. Somente a partir de 6 polegadas na des- carga, é que os fabricantes passam a oferecer bombas projetadas com dupla voluta. Embora existam bombas de simples voluta com bons projetos de mancais, havendo opção entre os dois tipos, as bombas de dupla voluta devem ser tecnicamente preferidas devido ao seu menor esforço radial. O uso de difusor em vez da voluta também anula os esforços radiais, uma vez que a pressão em volta do impelidor passa a ser sempre igual. Esforços axiais A Figura 92, correspondente a um impelidor em balanço, mostra as áreas e as pressões que nelas atuam, resultando em forças axiais. FIGURA 92 FORÇA AXIAL NO IMPELIDOR SEM ANEL DE DESGASTE Fa P1 = P2 = P 3 = P 4 Pvol Pvol Cancela Somente no BEP Psuc Cancela Pvol Pvol PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 171
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    Na parte externaao olhal do impelidor, reina a pressão da voluta tanto na parte traseira quanto na dianteira. As forças geradas nessa área tendem a cancelar-se devido ao fato de a pressão ser a mesma de ambos os lados. Na Pense e área do olhal, de um lado temos a pressão de sucção e, do outro, a pressão Anote da voluta. Em bombas com impelidor em balanço, a área traseira é menor devido ao eixo. As diferenças de área, com as pressões atuando sobre elas, geram uma resultante axial que terá de ser suportada pelo mancal de escora. O contato do líquido contra os discos do impelidor girando tende a expulsá-lo para a periferia, o que leva à redução da pressão à medida que se aproxima do eixo. A pressão ao longo da voluta só é homogênea na vazão de projeto da bomba. Fora dessa vazão, a pressão é diferente em cada ponto. Para reduzir o esforço axial podem ser usados: ANEL DE DESGASTE TRASEIRO COM FURO DE BALANCEAMENTO NO IMPELIDOR FIGURA 93 ESFORÇO AXIAL EM UM IMPELIDOR DE SIMPLES SUCÇÃO EM BALANÇO d1 2 A1 = F1 = Ps x A1 Fa 4 Pvol Pvol F4 A4 (D2 – d12) A2 F2 A2 = F2 = Pvol x A2 F3 A3 4 Ps A1 (d32 – d22) Ps F1 A3 = F3 = Ps x A3 D d1 d2 d3 D 4 (D2 – d32) A4 = F4 = Pvol x A4 F3 A3 4 Ps A2 F2 F4 A4 Fa = F1 + F2 – F3 – F4 Pvol Pvol A Figura 93 mostra as áreas de um impelidor de simples sucção e as pressões que atuam sobre elas. Na parte frontal do impelidor, temos a área interna ao anel de desgaste (A1), na qual atua a pressão de sucção (Ps), e a área externa ao anel de desgaste (A2), em que atua a pressão da voluta (Pvol). Na parte posterior do impelidor, a área compreendida entre o eixo e o anel de desgaste traseiro (A3) fica submetida a uma pressão próxima da de sucção (Ps) e, na área externa ao anel de desgaste (A4), atua a pressão da voluta (Pvol). As pressões que atuam nessas áreas gerarão quatro forças, duas num sentido (F1 e F2) e duas no sentido inverso (F3 e F4). A resultante delas será a força axial que o mancal de escora terá de suportar. PETROBRAS ABASTECIMENTO 172 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote O cálculo da força axial é complexo por não sabermos exatamente qual a pressão reinante em cada ponto dos discos do impelidor (pressão da voluta), conforme comentado anteriormente. Mesmo a pressão na parte interna do anel de desgaste traseiro não é igual à de sucção, é ligeiramen- te superior. Dependendo da vazão, a AMT se modifica e, conseqüentemente, a pres- são da voluta é alterada, podendo modificar o sentido dos esforços axiais. Daí a necessidade de usar mancais de escora em ambas as direções. Bombas que trabalham com alta pressão de sucção costumam ter es- forços axiais elevados. Os fabricantes costumam limitar a pressão máxi- ma de sucção. Alguns projetos de bombas permitem o uso de três rolamentos, fican- do dois em série, no sentido da resultante da carga axial, conforme pode ser visto na parte inferior da Figura 41. Bombas de alta pressão na sucção são candidatas a esse arranjo. O anel de desgaste na parte traseira do impelidor, conforme mostrado na Figura 93, é uma das formas de reduzir o esforço axial. Variando seu diâmetro, podemos alterar a resultante da força axial. PÁS TRASEIRAS NO IMPELIDOR As pás traseiras ou pás de bombeamento bombeiam o líquido da parte de trás do impelidor, reduzindo a pressão nesta região e, conseqüente- mente, o esforço axial. O API 610 não permite que a redução de pressão pela ação das pás tra- seiras seja considerada no dimensionamento dos mancais. FIGURA 94 IMPELIDOR COM PÁS TRASEIRAS Pás traseiras do impelidor Pvol Pvol Psuc Redução de pressão devido às pás traseiras PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 173
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    IMPELIDORES MONTADOS EMOPOSIÇÃO Quando temos bombas multiestágios, cada impelidor gera um empuxo axial no mesmo sentido. Se os impelidores forem instalados em série, os esforços serão somados, resultando uma força considerável, a qual pode- rá sobrecarregar o mancal. Para atenuar essa força axial, uma das soluções Pense e Anote é inverter o sentido de metade dos impelidores. FIGURA 95 IMPELIDORES EM OPOSIÇÃO CANCELANDO O ESFORÇO AXIAL F F F F F F Essa solução implica interligar o fluxo que sai do meio da bomba com a outra extremidade, tornando mais complexa a fundição da carcaça. TAMBOR DE BALANCEAMENTO FIGURA 96 EQUILÍBRIO AXIAL COM TAMBOR DE BALANCEAMENTO Câmara de balanceamento (pressão primária Para sucção da sucção) Bucha do tambor F F F F F1 Tambor de Pressão da descarga balanceamento PETROBRAS ABASTECIMENTO 174 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Com esse método, os impelidores são mantidos em série, sendo colo- cado um tambor de balanceamento após o último impelidor com uma bucha externa com folga bem justa. Temos sempre um vazamento da des- carga para a câmara de balanceamento por essa folga. Como a câmara de balanceamento é ligada por uma linha à sucção da bomba, a pressão rei- nante nela fica próxima da de sucção. Assim, o tambor de balanceamento terá, de um lado, a pressão de descarga e, do outro, a pressão de sucção, gerando uma força axial, Ft, que é oposta às geradas pelos impelidores, reduzindo, dessa forma, o esforço a axial. DISCO DE BALANCEAMENTO Essa solução é semelhante à do tambor, só que, neste caso, é utilizado um disco com esse propósito. O líquido, sob a pressão de descarga, após o último impelidor, passa através de uma pequena folga axial, indo para uma câmara de balancea- mento. Dessa câmara, sai uma linha para a sucção da bomba com um orifício de restrição. Por meio desse arranjo, a câmara de balanceamento mantém com uma pressão intermediária entre a pressão de sucção e a de descarga. O disco de balanceamento fica submetido, de um lado, à pres- são de descarga e, do outro, à pressão da câmara de balanceamento. Essa diferença de pressões nos lados do disco gera uma força axial que se opõe à soma das forças geradas pelos impelidores, reduzindo significativamen- te o esforço axial. FIGURA 97 BALANCEAMENTO AXIAL POR MEIO DE DISCO Orifício de restrição Recirculação Câmara de para sucção balanceamento (pressão intermediária) Folga axial Pressão de descarga F imp F disco Disco de balanceamento PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 175
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    Vejamos como trabalhao disco. Devido à diferença de pressão e de áreas, o disco sempre irá gerar uma força no sentido da sucção para a descarga. Suponhamos que o sistema esteja funcionando em equilíbrio. Pense e Num dado momento, ocorreu um aumento do esforço axial dos impeli- Anote dores, deslocando o conjunto rotativo no sentido de reduzir a folga axial do disco. A passagem do líquido para a câmara de balanceamento será reduzida, caindo a pressão intermediária dessa câmara. Isso elevará a for- ça de compensação do disco, restaurando a posição do conjunto rotativo. Ocorrendo o deslocamento do conjunto no sentido de aumentar a folga axial, a pressão da câmara aumentará, reduzindo a força de compensação do disco e retornando o conjunto ao equilíbrio. Para cada força gerada pelos impelidores, teremos uma folga axial no disco de escora, que a compensará. É fácil notar que, para esta solução fun- cionar, os mancais devem permitir a movimentação axial do eixo, o que não ocorre quando são utilizados mancais de rolamentos. Portanto, essa solução só é aplicada em bombas com mancais de deslizamento na escora. DISCO E TAMBOR DE BALANCEAMENTO CONJUGADOS Essa solução só é aplicada em bombas com vários impelidores em série e também exige, a exemplo do disco de balanceamento, a utilização de mancais de deslizamento. FIGURA 98 DISCO E TAMBOR DE BALANCEAMENTO Orifício de restrição Para sucção Bucha Câmara de balanceamento Disco e tambor de balanceamento F imp F imp F disco / tambor Câmara intermediária Temos, após o último impelidor, um tambor de balanceamento, se- guido de um disco de balanceamento. Essa solução é uma soma das duas anteriores. PETROBRAS ABASTECIMENTO 176 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Quando o impelidor da bomba é de dupla sucção e está instalado entre os mancais, bombas BB, o empuxo axial tenderá a compensar-se, ficando a resultante praticamente nula. Se esse impelidor for instalado em balanço, teremos o empuxo axial devido à não-compensação da área do eixo. Resumo Quanto mais nos afastamos da vazão de projeto, maior o esforço radial numa bomba de simples voluta. Na de dupla voluta, os esforços são menores e não variam tanto com o afastamento da vazão de projeto. Nas bombas com difusor, o esforço radial é sempre compensado. Axialmente, os esforços podem ser reduzidos por: Anel de desgaste traseiro com furos de balanceamento. Pás traseiras. Impelidores montados em oposição. Tambor de balanceamento. Disco de balanceamento. Misto (tambor e disco de balanceamento). Bombas operando em paralelo A operação de duas ou mais bombas em paralelo objetiva, normalmente, o aumento de vazão. É comum ouvir afirmações de que a vazão de duas bombas operando em paralelo é o dobro da que teríamos com apenas uma bomba em ope- ração. Como veremos a seguir, isso não ocorre. Na Figura 99, temos um esquema de duas bombas operando em para- lelo (bombas A e B). É usual nesse tipo de operação a existência de uma válvula de retenção na descarga de cada bomba, evitando que ela venha a girar ao contrário. Sempre que existir a possibilidade de ocorrer um fluxo reverso pela bomba, há necessidade do uso de uma válvula de retenção. As pressões nos pontos X e Y são iguais para as duas bombas. Podemos afirmar que as AMTs das duas bombas serão sempre iguais, desde que as perdas de carga nos ramais das bombas sejam também iguais. Para qual- quer AMT, cada bomba irá contribuir com a sua vazão correspondente. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 177
  • 175.
    FIGURA 99 ESQUEMA DE BOMBAS EM PARALELO Pense e Anote Para obter a curva das bombas operando em paralelo, basta somar as vazões delas para cada AMT. Vejamos na Figura 100 a obtenção da curva para esse tipo de operação. Escolhemos três AMTs e marcamos as vazões “a”, “b” e “c”. Dobramos esses valores e passamos uma linha pelos no- vos pontos para obter a curva correspondente às duas bombas operando em paralelo. Se fossem três bombas em paralelo, marcaríamos três vezes o valor de “a”, de “b” e de “c”. Para quatro bombas, marcaríamos qua- tro vezes e assim sucessivamente para qualquer número de bombas. FIGURA 100 CURVA DE OPERAÇÃO EM PARALELO AMT – m a a a Curva do sistema b b b c c c 1 Bomba 2 Bombas 3 Bombas Vazão m 3/h PETROBRAS ABASTECIMENTO 178 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote O ponto de trabalho, como sempre, será na intercessão da curva da bomba com a do sistema. Na Figura 100, a curva do sistema interceptará a curva para uma bomba na vazão de 28m3/h. Portanto, quando tivermos apenas uma bomba operando, a vazão será esta. Se duas bombas estive- rem operando, o ponto de operação será de 52m3/h, cada bomba contribu- indo com 26m3/h. Com três bombas em paralelo, a vazão seria de 66m3/h, ou seja, cada uma contribuindo com 22m3/h. A vazão com duas bombas em operação só seria o dobro se a curva do sistema fosse uma reta paralela ao eixo da vazão, o que na prática não ocorre devido à perda de carga crescente que as tubulações apre- sentam com o aumento de vazão. Quanto mais vertical a curva do sis- tema, ou seja, com maior perda de carga na linha, menor o aumento de vazão ao acrescentar bombas em paralelo, conforme pode ser visto na Figura 101. FIGURA 101 VARIAÇÃO DA VAZÃO COM DIFERENTES CURVAS DO SISTEMA AMT – m Curva do sistema 2 Curva do sistema 1 1 Bomba 2 Bombas 3 Bombas Vazão m3 /h Com a curva do sistema 2, a vazão com uma bomba seria de 25m3/h, com duas, seria de 37m3/h, e com três bombas, seria de 43m3/h. A opera- ção da terceira bomba só acrescentaria 6m3/h de vazão ao conjunto. Se as curvas das bombas forem diferentes, como no caso de bombas de modelos distintos, ou se uma delas estiver desgastada, o que resulta- ria em um baixo desempenho, a bomba em melhor estado vai absorver uma vazão maior, conforme pode ser visto na Figura 102. Para obtenção dessa curva, marcamos em ambas curvas as AMTs para 150, 120, 90 e 60m e determinamos as respectivas vazões a1, a2, a3 e a4 para a bomba A e as vazões b1, b2, b3 e b4 (b1=0). Acima de 150m de AMT, apenas a bomba A terá vazão. A bomba B, mesmo no seu shutoff, não tem PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 179
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    como vencer apressão de descarga da bomba A nessa região da curva. Abai- xo de 150m de AMT, as duas bombas começam a trabalhar juntas. A Figura 102C mostra a soma das vazões das bombas A e B em paralelo. FIGURA 102 Pense e Anote DUAS BOMBAS COM CURVAS DIFERENTES OPERANDO EM PARALELO A Bomba A B Bomba B C Bomba A + B D Bomba A + B + sistema A+B Pt3 PtC Pt1 A PtD Pt2 B PETROBRAS ABASTECIMENTO 180 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Supondo que a curva do sistema seja a mostrada na Figura 102D, a bomba A, operando isoladamente, trabalharia no ponto Pt1 com a vazão de 36m3/h. A bomba B, também operando isoladamente, no ponto Pt2 com 33m3/h. As duas, operando em paralelo, no ponto Pt3 com 54m3/h. Nessa condição, a bomba A estaria contribuindo com 30m3/h (ponto C)e a bomba B com 24m3/h (ponto D). A pressão de descarga (AMT) da opera- ção em paralelo é superior à pressão de cada bomba individualmente. Pela Figura 102, se a vazão das duas bombas operando em paralelo caísse para menos de 23m3/h, apenas a bomba A teria vazão. Nesse caso, a bomba B ficaria operando em shutoff!!! Para saber a contribuição da vazão de cada bomba quando estiverem operando em paralelo, basta conhecer a AMT dessa condição de operação. No caso da Figura 102 é de ~105m. Com esse valor de AMT, basta verificar na curva de cada bomba qual a vazão correspondente. Devemos evitar o uso em paralelo de bombas que possuam os seguin- tes tipos de curvas: BOMBAS COM CURVAS DIFERENTES BOMBAS CURV Pela Figura 102D podemos ver que a divisão de vazão é desigual e, de- pendendo da vazão total, uma das bombas pode ficar trabalhando com vazão nula ou com uma vazão muito baixa. BOMBAS COM CURVAS ASCENDENTES E DESCENDENTES (CURVAS INSTÁVEIS) Acompanhar pelas Figuras 103A e 99. Essas curvas passam por um valor máximo de AMT. Suponhamos que a bomba A esteja operando perto da AMT máxima (inferior a 30 m3/h). A sua pressão de descarga estará atu- ando externamente na válvula de retenção da bomba B (ver). Se parti- mos a bomba B, ao atingir sua rotação final, ela estará inicialmente com a pressão de shutoff, que é inferior à pressão da bomba A. Portanto, a PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 181
  • 179.
    válvula de retençãoda bomba B não abrirá, funcionando o sistema ape- nas com a bomba A. Pense e CURVAS PLANAS Anote Acompanhar pela Figura 103B. Se uma das bombas estiver desgastada (bomba B mostrada), vai operar com vazão baixa ou até não bombear nada, trabalhando no shutoff. No caso mostrado, abaixo de 40m3/h de vazão, somente a bomba A irá contribuir no bombeamento. A bomba B ficaria trabalhando no shutoff. A curva ideal de bombas para trabalho em paralelo é a que tem um caimento razoável e seja ascendente. FIGURA 103 CURVA DE AMT ASCENDENTE/DESCENDENTE E CURVAS PLANAS CURVA ASCENDENTE/DESCENDENTE A AMT – m Vazão m 3/h CURVAS PLANAS B AMT – m A B Vazão m 3/h Caso seja necessário operar bombas de curvas planas em paralelo, um dos recursos que pode ser usado é o de utilizar um impelidor um pouco maior do que o necessário e colocar um orifício de restrição na descarga da bomba. O orifício irá gerar uma perda de carga crescente com a vazão. Com isso, a curva da bomba ficará inclinada (ver Figura 104). Do ponto de vista de gasto de energia esta solução não é boa. Por isto só é aplicada em bombas de pequena potência. PETROBRAS ABASTECIMENTO 182 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 104 CURVA DA BOMBA COM ORIFÍCIO DE RESTRIÇÃO AMT (m) Curva sem orifício hs1 hs2 Curva com orifício hs3 Vazão m 3/h Placa de orifício Resumo Para obtenção da curva de duas ou mais bombas em paralelo, basta somar as vazões correspondentes às mesmas alturas manométricas. Duas bombas que operem em paralelo não fornecem o dobro da vazão do que teria apenas uma bomba operando. Isso ocorre devido à inclinação da curva do sistema. Deve-se evitar operar em paralelo bombas com: Curvas muito diferentes de AMT x vazão. Curvas instáveis (ascendente/descendente). Curvas planas. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 183
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    Bombas operando emsérie Geralmente, quando usamos bombas em série, estamos querendo aumen- tar a pressão fornecida ao sistema. Mas, em algumas situações, esse tipo Pense e de operação é usado para aumentar a vazão. Anote FIGURA 105 ESQUEMA DE BOMBAS EM SÉRIE Pelo esquema da Figura 105, vemos que a vazão que passa pela bomba A é a mesma que passa pela bomba B. A primeira bomba, A, fornece uma AMT para uma determinada vazão. A segunda bomba, B, acrescentará nes- sa mesma vazão sua AMT. Para elaborar a curva das bombas operando em série, basta somar as AMTs de cada bomba para a vazão em questão. É raro ter mais de duas bombas operando em série, mas, se ocorrer, basta somar suas AMTs. FIGURA 106 BOMBAS IGUAIS OPERANDO EM SÉRIE AMT (m) a 2 Bombas b 1 Bomba c a b c PETROBRAS ABASTECIMENTO 184 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 107 BOMBAS COM CURVAS DIFERENTES EM SÉRIE AMT (m) Bomba A a1 a2 a3 m 3 /h AMT (m) Bomba B b1 b2 b3 m 3/h AMT (m) Bomba A + B em série b1 b2 a1 a2 b3 a3 m 3 /h A curva das bombas iguais operando em série, Figura 106, foi obtida dobrando os valores de AMT “a”, “b” e “c” correspondentes às vazões de 10, 25 e 40m3/h. A curva das bombas diferentes, Figura 107, foi obtida somando a AMT da bomba A (a1) com a AMT da bomba B (b1) para a vazão de 10m3/h. Usando o mesmo processo para outras vazões, no caso foram zero, 25 e 40m3/h, obtivemos outros pontos. Basta unir esses pontos e teremos a curva correspondente da operação em série. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 185
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    A operação emsérie é bastante usada quando o NPSH disponível é muito baixo. Nesse caso, escolhe-se a primeira bomba com baixa rotação, o que resulta em um NPSH requerido menor. Como a primeira bomba eleva a pressão do líquido, o NPSH disponível para a segunda fica bastante con- fortável. Essa segunda bomba é a que costuma ser a grande responsável Pense e Anote pela parcela de AMT do sistema (pressão). Quando usado este sistema, a segunda bomba recebe o nome de booster. As curvas planas são interessantes para operação em série, diferente- mente do que ocorre para as bombas que operam em paralelo. Os ganhos obtidos em relação a uma bomba dependerão da inclinação da curva da bomba e também da inclinação da curva do sistema. Na Figura 108, são mostrados dois exemplos. Na esquerda, as curvas das bombas são bem inclinadas e a curva do sistema é relativamente pla- na. Na direita, temos o inverso, curvas das bombas são planas e do siste- ma, inclinadas. No primeiro caso, o ganho de vazão foi de 10m3/h e, no segundo, de 17m3/h. FIGURA 108 AUMENTO DE VAZÃO COM OPERAÇÃO EM SÉRIE AMT (m) AMT (m) 2 Bombas 1 Bomba Sistema Vazão Vazão m³/h m³/h Para operação de bombas em série, devem ser tomados os seguintes cuidados: Verificar se o flange de sucção e o selo da segunda bomba suportam a pressão de descarga da primeira bomba. As vazões das bombas devem ser compatíveis, ou seja, não podemos colocar uma bomba capaz de bombear muito mais do que a outra. A vazão ficará limitada pela bomba de menor capacidade e, nesse caso, a de maior vazão poderá ter problema de recirculação interna. PETROBRAS ABASTECIMENTO 186 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Resumo Para obtenção da curva de duas bombas operando em série, basta somarmos as AMTs correspondentes a cada vazão das bombas. É comum a colocação de bombas em série quando temos baixo NPSH disponível. A primeira bomba normalmente é escolhida com baixa rotação, o que reduz o NPSH requerido. Como a segunda bomba terá na sucção a pressão de descarga da primeira, não deverá ter problema de NPSH. Correção para líquidos viscosos As curvas características das bombas centrífugas são elaboradas para água, que possui uma viscosidade muito baixa. Quando utilizamos um líquido com viscosidade maior, os atritos do líquido no interior da bomba aumen- tam, restringindo o desempenho, sendo necessário corrigir as curvas ela- boradas para água. FIGURA 109 INFLUÊNCIA DA VISCOSIDADE NAS CURVAS DAS BOMBAS H(m) 1cSt Bomba de centrífuga 120cSt 1.200cSt Bomba de deslocamento positivo Q (m³/h) PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 187
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    Pela Figura 109,vemos que, ao aumentar a viscosidade, as bombas centrífugas vão sendo mais afetadas no seu desempenho. Já as bombas de deslocamento positivo são pouco influenciadas, chegando até a me- Pense e lhorar um pouco o desempenho com o aumento da viscosidade. Anote O Hydraulic Institute (HI) fez testes com um grande número de bom- bas diferentes e elaborou uma carta (Figura 110) para determinar os fato- res de correção para vazão, AMT e rendimento das bombas que trabalham com líquidos viscosos. Essa carta é seguida por todos para corrigir o efeito da viscosidade no desempenho das bombas centrífugas radiais. Ela não é válida para bombas de fluxo misto e axial. Embora a carta tenha sido elaborada para corrigir a curva da bomba como um todo, podemos usá-la para um ponto de trabalho apenas. Para determinar os fatores de correção, entrar com a vazão em m3/h pelo eixo inferior do gráfico. Se o impelidor for de dupla sucção, dividir a vazão por 2. Subir verticalmente até o valor da AMT por estágio (havendo mais de um estágio, dividir a AMT total pelo número deles). Deslocar ho- rizontalmente até encontrar o valor da viscosidade. Subir verticalmente e ler os valores de correção: Ch, CQ e CH. São quatro curvas para CH. Qoo corresponde à vazão do ponto de rendimento máximo (BEP – Ponto de Máxima Eficiência) da bomba. Logo, as curvas para obtenção do CH significam: ➜ 0,6Qoo seria para 60% da vazão do BEP – Ponto de Máxima Eficiência. ➜ 0,8Qoo seria para 80% da vazão do BEP – Ponto de Máxima Eficiência. ➜ 1,0Qoo seria para 100% da vazão do BEP – Ponto de Máxima Eficiência. ➜ 1,2Qoo seria para 120% da vazão do BEP – Ponto de Máxima Eficiência. Quando não dispomos da curva original para saber a vazão no BEP, ado- tamos a curva média, que é a de 1,0Qoo. PETROBRAS ABASTECIMENTO 188 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Para obter os valores corrigidos, aplicamos as fórmulas: Qvisc = Qag x CQ AMTvisc = AMTag x CH visc = ag x C Qvisc x AMTvisc x Potvisc = 274 x visc Q – Vazão (m3/h) AMT – Altura manométrica total (m) – Rendimento Pot – Potência (hp) visc – Viscoso ag – Água CQ – Fator de correção para vazão C – Fator de correção para rendimento CH – Fator de correção para AMT. São quatro fatores: 0,60; 0,80; 1,00; e 1,2 do BEP. – Peso específico em gf/cm3 (o valor numérico é igual ao da densidade) PROBLEMA 9 Calcular a vazão, a AMT, o rendimento e a potência de uma bomba que bom- beará um óleo com densidade 0,86 e com viscosidade de 72cSt, sabendo que, para água, esta bomba forneceria 130m3/h, AMT = 58m e um rendimento de 0,66 (66%). A vazão de maior rendimento da bomba é de 170m3/h. Dados Água Qag – 130 m3/h AMTag – 58m ag – 0,66 Óleo Qoo – 170 m3/h dens óleo – 0,86 visc – 72cSt A vazão de 130m3/h corresponde a Q ag 130 = = 0,76 ou 76% do BEP Q oo 170 Adotaremos 0,8Qoo. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 189
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    Entrando com essesdados na carta de viscosidade (Figura 110 – linha pontilhada), obteremos: Pense e C = 0,80 CQ = 0,99 CH = 0,96 (p/ 0,8Qoo) Anote Cálculo do rendimento viscoso: visc = ag x C = 0,66 x 0,80 = 0,53 Cálculo da vazão viscosa: Qvisc = Qag x CQ = 130 x 0,99 = 128,7m3/h Cálculo da AMT viscosa: AMTvisc = AMTag x CH = 58 x 0,96 = 55,7m Cálculo da potência viscosa: Qvisc x AMTvisc x 128,7 x 55,7 x 0,86 Potvisc = = = 42,45hp 274 x visc 274 x 0,53 Resumo Quando a bomba trabalha com líquidos viscosos, a AMT, a eficiência e a vazão sofrem uma redução. O Hydraulic Institute publicou uma tabela na qual, em função da vazão, da AMT e da viscosidade, podemos obter os fatores de correção para as variáveis citadas. As curvas dos fatores de redução da AMT são mostradas para 4 vazões distintas, correspondentes a 60; 80; 100; e 120% da vazão de projeto (BEP – Ponto de Máxima Eficiência) da bomba. Os novos valores para os produtos viscosos são obtidos multiplicando-se os valores para desempenho da bomba para água pelos fatores de correção obtidos. Qvisc = Qag x CQ AMTvisc = AMTag x CH visc = ag x C Qvisc x AMTvisc x Potvisc = 274 x visc PETROBRAS ABASTECIMENTO 190 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 110 CARTA DE CORREÇÃO DE VISCOSIDADE Ch 0,6Qoo 0,8Qoo 1,0Qoo 1,2Qoo Cq Cn mm²/s = cSt 11 19 45 91 22 16 12 61 15 16, 60, 22 6,2 30 4 0 6 5 8 70 17 0 2 21, 11, 80 5 5 31 4 5 350 33, 45, 76 2 8 90 760 4 2 AMT (m) 200 150 100 80 60 40 420 30 25 20 15 10 300 8 1 ,5 8 30 6 4 ,5 6 2 25 2 ,5 3 10 120 80 15 20 50 220 60 100 40 160 4 Engler° Lubrificação A lubrificação adequada é fundamental para proporcionar campanhas lon- gas para as bombas. O objetivo da lubrificação de uma bomba, como a de qualquer outro equi- pamento, é o de reduzir o atrito e o desgaste. Para tal, é necessário man- ter um filme de lubrificante separando as superfícies metálicas que pos- sam entrar em contato. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 191
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    FIGURA 111 FILME LUBRIFICANTE SEPARANDO DUAS SUPERFÍCIES Pense e Anote F F Contato metálico F F Filme lubrificante Ampliando uma superfície metálica usinada, ou mesmo retificada, veremos que ela é formada por picos e vales. São as rugosidades. Havendo um deslizamento entre duas dessas superfícies, os picos se chocarão e quebrarão, formando novos picos que, com a continuação do movimento, também serão quebrados, e assim sucessivamente. Esse ar- rancar de pequenas partículas levará ao desgaste do material. Colocando entre essas superfícies uma película lubrificante, um óleo que mantenha os picos afastados, eles não mais se tocarão e não haverá mais desgastes. Além de reduzir ou eliminar o desgaste, se houver a formação desse filme lubrificante, teremos uma redução do atrito, uma vez que necessi- taremos de menor força para cisalhar o lubrificante do que para quebrar os picos do material metálico. A finalidade da lubrificação é a de manter um filme de uma espessura adequada através de um produto com características lubrificantes, evitando o contato metálico entre as duas superfícies. Sempre que a espessura des- se filme for inferior à altura dos picos, teremos contato de metal contra metal e, conseqüentemente, desgaste. A propriedade mais importante do lubrificante para garantir esse filme de óleo é a viscosidade. São dois os tipos de mancais utilizados em bombas: mancal de rola- mento e mancal de deslizamento. Algumas bombas usam os dois tipos simultaneamente. Vejamos como funcionam. PETROBRAS ABASTECIMENTO 192 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 112 POSIÇÃO DO EIXO NO MANCAL DE DESLIZAMENTO Óleo Óleo Óleo Eixo Eixo Eixo Eixo parado Eixo partindo Eixo girando Óleo Óleo Eixo Eixo F F Pressão de óleo Distribuição da pressão MANCAL DE DESLIZAMENTO Quando o eixo está parado, apóia-se na parte inferior do mancal, ocasio- nando um contato metálico. Ao iniciar a rotação, a tendência do eixo é subir no mancal. Mas, ao começar a girar, o eixo bombeia o óleo lubrifi- cante que se encontra entre ele e o mancal, criando uma pressão de óleo. Essa pressão irá gerar uma força, que elevará o eixo ligeiramente do man- cal. Devido ao formato da curva de pressão criada, a tendência do eixo é deslocar-se para o lado oposto de seu movimento inicial. Se o filme de óleo formado for mais espesso que as irregularidades da superfície do eixo, só teremos desgaste na partida da máquina. Se o filme de óleo romper- se, teremos contato metal com metal. Para evitar danos no eixo, a maio- ria desses mancais utiliza uma cobertura de metal bastante macio, cha- mada metal patente. Devido ao formato que o óleo assume no interior do mancal, é usual falar em cunha de óleo. MANCAIS DE ROLAMENTO A esfera de um rolamento possui uma área de apoio muito reduzida, praticamente um ponto. Qualquer força atuando numa área reduzida gera uma pressão muito elevada. Com esses esforços, ocorre uma deformação tanto na esfera quanto na pista, mas dentro do limite elástico, ou seja, PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 193
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    uma vez cessadaa força, a deformação deixa de existir. Essa deformação aumenta a área de contato, reduzindo a pressão. O óleo lubrificante é bombeado pelas esferas, formando um filme de óleo, que separa as esfe- Pense e ras das pistas do rolamento. Anote O óleo possui uma propriedade bastante interessante, que é a de au- mentar a viscosidade com o aumento da pressão. Nos rolamentos, o lubri- ficante fica submetido a pressões tão altas que se torna praticamente sóli- do, o que evita o rompimento do filme de óleo formado. Pelos motivos explicados, esse tipo é denominado de lubrificação elasto-hidrodinâmica. Em um rolamento submetido a uma carga, como o peso próprio do con- junto rotativo, somente as esferas inferiores absorverão os esforços. As es- feras na parte superior do rolamento estarão sem carga. Como as esferas giram, ora estarão com carga, ora sem carga, o que pode levar à falha por fadiga, que é um dos principais modos de falha dos rolamentos. As bombas centrífugas horizontais utilizam, com freqüência, mancais de rolamentos. Caso as condições de rotação, juntamente com a carga, levem a uma vida curta dos rolamentos, empregam-se mancais de desli- zamento. O API 610 fixa a vida mínima em 3 anos. Nas bombas verticais, são utilizados principalmente mancais guias (buchas) para manter o eixo centrado na coluna. Para sustentação do con- junto rotativo, algumas bombas utilizam mancal próprio, enquanto ou- tras são sustentadas pelo mancal do acionador. Os fabricantes de rolamentos afirmam que apenas 9% dos rolamentos atingem sua vida normal, ou seja, 91% falham antes do prazo esperado. Portanto, os mancais (com sua lubrificação) e a selagem são os itens que merecem mais atenção nas bombas. Sendo bem tratados e acompanha- dos, podem proporcionar muitos ganhos. Total atenção com mancais e selagem prolonga o tempo de campanha do equipamento!!! A falha catastrófica dos mancais é muito grave nas bombas, já que ocasiona a falha do selo mecânico, com o conseqüente vazamento do lí- quido bombeado. Leva também a roçamentos que podem gerar faíscas, o que, dependendo do produto bombeado, pode gerar um incêndio. Nor- malmente, uma bomba, quando chega a fundir os mancais, terá uma ma- nutenção de alto custo e de tempo prolongado. PETROBRAS ABASTECIMENTO 194 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Os principais produtos utilizados na lubrificação das bombas são: Graxa. Óleo lubrificante. • Por nível. • Forçada (ou pressurizada). • Por névoa de óleo. • Próprio produto bombeado, fazendo as vezes do lubrificante. Lubrificação por graxa Não é muito usada em mancais de bombas centrífugas nas refinarias, fi- cando restrita a algumas bombas pequenas, bombas de deslocamento po- sitivo e em alguns tipos de acoplamentos (de engrenagem e de grade). Nos motores elétricos, predomina a utilização da graxa na lubrificação dos ro- lamentos. Nas indústrias, em que o ambiente tem pós em suspensão, é usual o emprego da graxa. Com graxa, as rotações máximas admissíveis nos rolamentos são me- nores do que com óleo. Por exemplo, o rolamento de contato angular 7316B pode trabalhar até 3.200rpm com graxa, ou até 4.300rpm com óleo. As caixas de mancais lubrificadas por graxa devem ser preenchidas, no máximo, até 2/3 do seu volume. Os fabricantes das bombas, na sua mai- oria, recomendam usar graxa à base de sabão de lítio e de consistência 2. Óleo lubrificante É o principal produto utilizado na lubrificação de bombas centrífugas ho- rizontais. Existem três tipos principais de lubrificação com óleo. Lubrificação por nível É usada com óleo lubrificante. O nível de óleo na caixa de mancais é man- tido por meio de um copo nivelador. O nível ficará sempre na linha mais alta do chanfro do copo nivelador (Figura 113A). Para mancais de rolamento, o nível deve ficar situado no centro da es- fera inferior, nível este que é medido com a bomba parada. Para garantir a lubrificação, é usual dotar o eixo de anel salpicador de óleo (ver Figura 113B). O anel salpicador fica parcialmente mergulhado no nível de óleo e, ao girar, lança o óleo contra a parede da caixa de mancais. Este óleo escorre e cai numa canaleta coletora, que o direciona para os rolamentos. No lado do rolamento radial, o furo E leva o óleo para a parte traseira do rolamento, passa pelo interior do mesmo, retornando ao depósito da caixa de mancais. Do lado do mancal de escora, o óleo passa pelo furo F e vai para a parte traseira dos rolamentos, passando parte dele por dentro dos rolamentos. Para evitar que o nível fique alto nesta região, existe um furo G, que se comunica com o reservatório, garantindo que o nível máximo não será ultrapassado atrás do rolamento. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 195
  • 193.
    FIGURA 113A LUBRIFICAÇÃO POR NÍVEL NORMAL E COM ANEL PESCADOR Pense e Anote Copo nivelador Oleadeira Oleadeira Copo nivelador Nível Nível de óleo Dreno Submergência Dreno de óleo FIGURA 113B LUBRIFICAÇÃO COM ANEL SALPICADOR Canaleta coletora de óleo B E F F G G Secção B-B B Vista superior da caixa de mancais Algumas caixas de mancal de rolamentos usam anel pescador. Esse anel trabalha apoiado no eixo da bomba e é arrastado pelo seu giro. Como fica parcialmente mergulhado no óleo, ao girar, arrasta o óleo pela sua superfície interna, depositando-o no eixo e seguindo daí para o mancal, que pode ser de rolamento ou de deslizamento. O óleo empregado na lubrificação de bom- bas é geralmente um tipo turbina com viscosidade ISO 68. Lubrificação forçada ou pressurizada Esse tipo de lubrificação é utilizado somente para mancais de deslizamen- to. Esse sistema é empregado quando a geração de calor no mancal é alta, seja devido à carga, seja à rotação. O sistema de lubrificação forçado ne- cessita, no mínimo, de: uma bomba para circular o óleo, um filtro de óleo PETROBRAS ABASTECIMENTO 196 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 194.
    Pense e Anote (geralmenteduplo), um resfriador e uma válvula de segurança. Alguns sis- temas adotam apenas uma bomba de óleo lubrificante, acionada pelo eixo da bomba principal. Nesse caso, necessitam de um anel pescador nos man- cais para garantir a lubrificação durante a partida e a parada da bomba. Os sistemas mais sofisticados podem ter uma lubrificação segundo o API 614, em que temos duas bombas de lubrificação, dois resfriadores de óleo, dois filtros, duas válvulas de alívio, sistema de controle de pressão do óleo lubrificante, alarmes e cortes por pressão de óleo e por temperatura dos mancais, entre outros dispositivos. Lubrificação por névoa Esse tipo de lubrificação trabalha com uma mistura de ar e óleo na propor- ção de 200 mil partes de ar para 1 parte de óleo (5ppm). Essa mistura é preparada em um gerador, no qual é empregado um sistema de vórtice para pulverizar o óleo e misturá-lo com o ar. Do gerador, saem as linhas de dis- tribuição da névoa, geralmente de 2 polegadas de diâmetro. Elas possuem um pequeno caimento de modo que qualquer óleo condensado que venha a aparecer retornará ao tanque do sistema gerador. A pressão de distribui- ção é bem baixa, geralmente de 50mbar, o que equivale a 0,05kgf/cm2 ou 20pol H2O. A névoa gerada possui partículas de óleo inferiores a 3 mícrons, sendo adequada para ser transportada, mas não é boa para lubrificação. Próximo de cada equipamento, sai pelo topo da linha de distribuição uma linha de 3/4” de diâmetro, que desce até cerca de 1 metro de altura da bomba, onde é instalado um distribuidor. Este possui uma válvula de drenagem de óleo condensado e seis conexões roscadas, em que são ins- talados os reclassificadores. Para cada ponto a ser lubrificado, correspon- de um reclassificador. O reclassificador possui duas funções básicas: a primeira é dosar a quan- tidade de névoa que será fornecida, e a segunda é a de coalescer (reclassificar ou aumentar o tamanho) as partículas de óleo para diâmetros superiores a 3 mícrons de modo que fiquem adequadas para lubrificação. A partir do reclas- sificador, sai uma linha de inox de 1/4” que vai até o ponto a ser lubrificado. Nesse tipo de lubrificação, a caixa de mancal trabalha sem nível de óleo. O óleo condensado e a névoa residual saem pelo dreno da caixa de man- cal da bomba, onde existe um coletor transparente, que permite avaliar visualmente o estado do óleo. Na parte inferior desse coletor transparen- te, temos uma válvula que possibilita drenar o óleo. Na parte superior, temos uma tubulação de inox de 3/8” que vai até uma caixa com cerca de 4 litros, denominado coletor ecológico. Na tam- pa desta caixa temos uma linha de vent, pela qual sai a névoa não con- densada para a atmosfera ou para um sistema de recuperação de névoa residual. O óleo condensado fica na caixa ecológica, da qual posteriormente retirado. As principais vantagens desse sistema são: Aumento da vida dos rolamentos. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 197
  • 195.
    Redução da temperaturada caixa de mancais (em média 15%). Os rolamentos trabalham com um óleo sempre limpo. Por ficar levemente pressurizada, não entram umidade nem pós na caixa de mancais. Como o coeficiente de atrito é menor, a potência consumida pela bomba cai. Pense e Anote Na maioria dos casos, a água de resfriamento pode ser eliminada da caixa de mancais. Eliminação do uso de copo nivelador, do cachimbo, anéis salpicadores e pescadores (este último só no caso de rolamentos). FIGURA 114 SISTEMA DE GERAÇÃO E DE DISTRIBUIÇÃO DE NÉVOA Sistema de LubriMist ® Típico Motor Tubo 3/4” Reclassificador elétrico Perna de Bomba dreno Tubulação principal 2” Distribuidor Reclassificador Válvula de dreno Distribuidor Console gerador de névoa modelo IVT Coletor ecológico Baixada Sistema de Distribuição Distribuidor FIGURA 115 NÉVOA PURA PARA BOMBAS API ANTIGAS E NOVAS Reclassificador Distribuidor Tubing 1/4” Coletor transparente Vent Tubing 3/8” Ladrão Coletor Dreno de cléo ecológico Névoa para bombas antigas Névoa para bombas API novas PETROBRAS ABASTECIMENTO 198 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Nas bombas tipo API anteriores à 8a edição, a névoa entra pelo centro da caixa de mancais e sai pelo centro. Nas novas, quando especificado que serão lubrificadas por névoa, o fabricante já fornece entradas independentes para cada mancal, obrigando toda névoa injetada a passar pelos rolamen- tos (Figura 115). O reclassificador mais usado é o tipo névoa (ver Figura 116). Somente este modelo é montado no distribuidor. Os outros são montados próxi- mo ao ponto a ser lubrificado. O reclassificador do tipo névoa possui a numeração 501, 502, 503, 504 e 505. Quanto maior o número, maior a vazão de névoa. O tipo spray forma uma névoa mais densa e é usado quando temos rolamentos de rolos. O tipo condensado forma gotículas maiores de óleo e é utilizado para engrenagens. O reclassificador direcional é empregado principalmente em bombas BB, sendo roscado na caixa de mancal e com seu furo apontado para o centro da esfera do rolamento (ver Figura 117). Ele possui uma marca ex- terna para orientar a posição do furo durante a montagem. FIGURA 116 TIPOS DE RECLASSIFICADORES Spray Névoa Condensado Direcional Furo PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 199
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    FIGURA 117 UTILIZAÇÃO DO RECLASSIFICADOR DIRECIONAL Pense e Anote Reclassificador direcional Reclassificador direcional Coletor ecológico O sistema de névoa até agora descrito é denominado névoa pura. Exis- te também o de névoa de purga. FIGURA 118 NÉVOA DE PURGA Reclassificador Distribuidor Válvula de dreno Controle de nível Óleo Visor de Para caixa acrílico coletora Os mancais de deslizamento necessitam de óleo para a formação da cunha que irá garantir a sustentação do eixo. Por isso, nesse tipo de man- cal, é adotado o sistema de névoa de purga, sendo mantido o nível de lubrificante original. Essa névoa serve para pressurizar a caixa de mancal (evitar a entrada de umidade e pós) e para completar o nível de óleo. PETROBRAS ABASTECIMENTO 200 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 198.
    Pense e Anote Lubrificaçãopelo próprio fluido Muito usada em bombas verticais, nas quais o próprio fluido bombeado lubrifica os mancais guias. Nas bombas com acoplamento magnético e nas bombas canned, ambas sem selagem, também é usual o líquido bombe- ado ser utilizado na lubrificação dos mancais. Nessas bombas, o mancal costuma ser de carbeto de tungstênio ou carbeto de silício. A bomba canned, que significa “enlatada” em inglês, possui o impelidor montado no eixo do motor elétrico. As bobinas do motor ficam separadas do rotor por um cilindro de chapa, daí seu nome. FIGURA 119 BOMBAS CANNED E DE ACOPLAMENTO MAGNÉTICO Bomba Canned Estator do motor Mancal Radial Vendação dos cabos Luva de eixo Impelidor Mancal de escora Bomba de acoplamento magnético Ímãs Mancais Caixa de mancais convencional PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 201
  • 199.
    As principais falhasdos mancais das bombas são devido: À MONTAGEM INADEQUADA Pancadas, sujeiras etc. Pense e Anote À ENTRADA DE FLUIDOS ESTRANHOS NA CAIXA DE MANCAL Água, produto bombeado, vapores e gases. À ENTRADA DE SÓLIDOS NA CAIXA DE MANCAL Catalisadores, pós etc. AO NÍVEL DE ÓLEO OU À QUANTIDADE DE GRAXA INADEQUADOS NAS CAIXAS DE MANCAIS AOS ESFORÇOS ELEVADOS Vibração, desalinhamento entre bomba e acionador, desbalanceamen- to, esforços da tubulação etc. ÀS TOLERÂNCIAS INCORRETAS Diâmetro do eixo, diâmetro da caixa, raios de concordância etc. AO DESALINHAMENTO ENTRE OS DOIS ALOJAMENTOS DOS ROLAMENTOS À QUALIDADE DOS ROLAMENTOS Falsificação, produtos de 2a linha, estocagem inadequada etc. À QUALIDADE E LIMPEZA DO LUBRIFICANTE Viscosidade não adequada, abastecimento com funil ou regador sujo etc. AO AQUECIMENTO EXCESSIVO DO LUBRIFICANTE Oxidação e redução da vida do óleo. À OPERAÇÃO DA BOMBA FORA DO PONTO DE PROJETO Cavitação, recirculação, aumento de esforços radiais e axiais. A umidade no óleo lubrificante é um dos vilões que o levam a falhar prematuramente por deficiência de lubrificação. Estudos dos fabricantes de rolamentos indicam que a vida de um rolamento cai para menos da metade quando o óleo lubrificante possui 300ppm de água. O fabricante do óleo já o fornece com 100ppm de água. Nesses níveis, a água está dis- solvida no óleo e não é percebida. Para identificá-la, é necessária a realiza- ção de testes específicos de laboratório. Nem por centrifugação ela conse- gue ser separada porque está dissolvida. Somente com aplicação de vá- PETROBRAS ABASTECIMENTO 202 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 200.
    Pense e Anote cuoou com processos de transferência de massa é conseguida a separa- ção. Após 350ppm, nas temperaturas usuais da caixa de mancal, é que a água consegue ser detectada visualmente no óleo, porque fica emulsio- nada. A principal fonte de água no óleo é a umidade do ar. 300ppm de teor de água significa que temos 300 partes de água em cada 1.000.000 de partes da mistura água/óleo. Isto corresponde a 300 3 0,03 300 ppm = = = = 0,03% 1.000.000 10.000 100 o que significa algumas gotas numa caixa de mancais. Na Figura 120, temos um gráfico com a vida relativa do rolamento em função da umidade existente no óleo. Com 100ppm de água, a vida do rolamento é considerada normal, recebendo o valor de 100%. Se a umida- de do óleo baixasse em quatro vezes, ficando em 25ppm, o rolamento teria uma vida relativa de 230%, o que significa que o rolamento aumen- taria sua vida em 2,3 vezes. Se a falha ocorresse a cada ano, passaria a ser a cada 2,3 anos. Por outro lado, se a umidade aumentar três vezes, indo para 300ppm, a vida será reduzida para 45% da normal. O rolamento que teria vida útil de 1 ano passaria para 0,45 ano, ou pouco mais de 5 meses. Provavel- mente, a maioria dos óleos das caixas de mancais das bombas deve estar com mais de 300ppm de água, o que reduz significativamente sua vida. A Figura 120 mostra que, ao passar de 100 para 200ppm, a redução é de quase 50% na vida útil. Depois dos 1.000ppm, a queda passa a ser bem lenta. Nos percentuais mais baixos de água, um pequeno aumento na con- centração de água causa redução considerável. A temperatura de trabalho do óleo é um fator importante para sua vida e, como conseqüência, a do mancal. Quanto maior a temperatura, maior a oxidação, degradando rapidamente o óleo. Os óleos usados em lubrifi- cação possuem aditivos antioxidantes que são consumidos mais rapida- mente à medida que o trabalho é executado em temperaturas altas. Na Figura 121, a SKF mostra que um óleo trabalhando na temperatura de 30ºC dura 30 anos. O mesmo óleo a 100ºC dura apenas 3 meses. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 203
  • 201.
    FIGURA 120 VIDA RELATIVA DOS ROLAMENTOS VERSUS TEOR DE ÁGUA NO ÓLEO Vida relativa dos rolamentos Pense e Anote baseada em 100% para 100ppm de água % da vida relativa ppm da água no óleo FIGURA 121 VIDA DO ÓLEO EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA DE TRABALHO Vida do óleo Vida em anos Temperatura (°C) PETROBRAS ABASTECIMENTO 204 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Resumo Os mancais das bombas são lubrificados por: graxa, óleo lubrificante ou pelo próprio produto bombeado. A principal graxa utilizada nos rolamentos é à base de sabão de lítio e de consistência 2. As caixas de mancais para graxa devem ser preenchidas apenas com 2/3 do seu volume. Os óleos lubrificantes usados nas bombas são normalmente do tipo turbina com viscosidade ISO 68 como, por exemplo, o Marbrax 68. A lubrificação por óleo pode ser por: LUBRIFICAÇÃO POR NÍVEL Pode ser com ajuda de anel salpicador (fixo ao eixo), ou anel pescador (arrastado pelo giro do eixo). LUBRIFICAÇÃO FORÇADA A vazão e a pressão de óleo são fornecidas por uma bomba de lubrificação. LUBRIFICAÇÃO POR NÉVOA A lubrificação é realizada por uma mistura de ar com óleo na proporção de 5ppm de óleo. O nível de óleo normalmente é no meio da esfera inferior do rolamento. A temperatura do óleo lubrificante e o teor de água no óleo são dois fatores que, quando altos, reduzem sensivelmente a vida dos lubrificantes e, conseqüentemente, dos mancais. Acoplamento A função básica do acoplamento é a de transmitir o torque do acionador para a bomba. Os acoplamentos flexíveis possuem como funções complementares: absorver desalinhamentos e amortecer vibrações que poderiam ser transmitidas de uma máquina para outra. Os acoplamentos rígidos não possuem essas funções. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 205
  • 203.
    FIGURA 122 TIPOS DE ACOPLAMENTOS Pense e Anote A GRADES B LÂMINAS FLEXÍVEIS C GARRAS D PINOS COM E CORRENTES F LÂMINAS COM ELASTÔMEROS ESPAÇADOR G GRADES COM EIXO H ENGRENAGENS I TIPO PNEU FLUTUANTE J RÍGIDO K LÂMINAS COM ESPAÇADOR Furo máximo Diâmetro máximo DBSE distância entre pontas de eixo DE LÂMINAS FLEXÍVEIS PETROBRAS ABASTECIMENTO 206 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Existe uma grande diversidade de acoplamentos. Os principais tipos empregados são: Rígido. De lâminas ou discos flexíveis. De engrenagens. De garras com elastômero. Tipo pneu. De pinos amortecedores. De correntes. O acoplamento rígido é simplesmente uma conexão. É bastante usado em bombas verticais quando seu eixo é sustentado pelo mancal do acionador. Bombas horizontais não utilizam esse tipo de acoplamento. Para facilitar a desmontagem das bombas, é comum o uso de um espaçador no acoplamento. No caso de bombas em balanço, como as OH1 e OH2, é o espaçador que permite que elas sejam retiradas da base sem necessidade de movimentar o acionador e a sua carcaça. Em bombas com impelidor entre os mancais, tipo BB, é o espaçador que permite a troca do rolamento e do selo do lado acoplado sem grandes desmontagens. Quando a distância é muito grande entre as pontas de eixo, o emprego do espaçador pode levar a um peso excessivo no acoplamento. Nesses casos, podemos adotar o acoplamento com eixo flutuante. Consiste no uso de dois acoplamentos, um em cada extremidade, interligados por um eixo. Geralmente, os dois acoplamentos utilizados são híbridos, metade flexível e metade rígido. Atualmente, a preferência é pelos acoplamentos que não exigem lubrificação. Os lubrificados possuem as seguintes desvantagens: Necessidade de parar a bomba para sua lubrificação, o que ocorre a cada 6 meses. Necessidade de abrir o acoplamento para retirar a graxa antiga. Se lubrificarmos sem abrir o acoplamento, a graxa tomará caminhos preferenciais, realizando apenas uma renovação parcial. Custo da mão-de-obra e da graxa empregada na lubrificação. Na seleção de um acoplamento, devemos sempre utilizar o catálogo do fabricante. Os acoplamentos são dimensionados principalmente pelo torque. Temos sempre de verificar se a rotação máxima recomendada pelo fabricante atende à de trabalho do equipamento e se o furo máximo permitido comporta tanto o eixo da bomba quanto o do acionador. Este último costuma ter o diâmetro maior. Nos catálogos, são fornecidos coeficientes de segurança ou de serviço, FS, que são valores a serem multiplicados pela potência para a seleção. No caso de bombas centrífugas, os fabricantes quase sempre especificam PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 207
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    FS = 1,0. Entretanto, é aconselhável usar segurança adicional, principalmente nos acoplamentos de lâminas flexíveis, adotando, por exemplo, FS = 1,1. Pense e Para efeito de dimensionamento, sempre utilizamos a potência de placa Anote do acionador, embora saibamos que a bomba normalmente exige menos potência. Essa sobra fica como um fator de segurança adicional. PROBLEMA 10 Selecionar um acoplamento para uma bomba que gira a 3.550rpm e cujo motor possui a potência de 60hp. O diâmetro na região do acoplamento do eixo da bomba é de 60mm e do motor é de 70mm. A distância entre as pon- tas dos eixos é de 127mm (5"). Usar a tabela fornecida a seguir para aco- plamento tipo M. Dados: Potência – 60hp Rotação – 3.550rpm Diâmetro eixo bomba – 60mm Diâmetro eixo motor – 70mm TABELA 26 DADOS DO ACOPLAMENTO rpm Máx. hp/ Furo Peso kg Tamanho máximo 1.000rpm máximo s/furo 4M 6.000 1,3 33 2,7 5M 6.000 2,2 38 3,6 6M 6.000 3,0 46 4,5 7M 6.000 5,9 56 6,8 8M 5.000 11,8 67 14,0 9M 4.500 17,7 71 16,0 10M 3.750 23,7 83 23,0 11M 3.600 34,0 91 27,0 Adotando o fator de segurança de 1,1, temos: Potência para seleção = Pot. acionador x FS = 60 x 1,1 = 66hp PETROBRAS ABASTECIMENTO 208 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 206.
    Pense e Anote Cálculodo torque: Pot Pot 66 66 Torque = = = = = 18,6 hp/1.000rpm Rot rpm/1.000 3.550/1000 3,55 A divisão da rpm por 1.000 é devido ao fato de a tabela de seleção estar baseada em hp/1000rpm. Esta unidade é bastante comum nos catálogos de seleção dos acoplamentos. Entrando na tabela com o valor imediatamente acima de 18,6, achamos 23,7hp/1.000rpm, o que corresponde ao acoplamento 10M. Sua rotação máxima admitida é de 3.750rpm (a da bomba é 3.550rpm) e o furo máximo admissível é de 83mm (bomba 60mm e motor 70mm). Portanto, o acoplamento escolhido atende e deverá ser de 10M com espaçador de 127mm. Se o furo máximo fosse inferior ao desejado, teríamos de selecionar um tamanho acima que comportasse o diâmetro do eixo. Se a rotação máxima permitida do acoplamento selecionado for inferior à desejada, poderemos consultar o fabricante do acoplamento sobre o novo limite de rotação, caso ele seja balanceado dinamicamente. Se ainda assim não atender, escolher um outro modelo de acoplamento que comporte a rotação desejada. Em alguns desenhos de equipamentos vindos do exterior, aparecem as letras DBSE com relação ao acoplamento. Essas letras são de Distance Between Shafts End, que significa “o afastamento entre as pontas dos eixos do acionador e do acionado”. Resumo Há uma preferência por acoplamentos sem lubrificação em face da necessidade de parar as bombas para abrir o acoplamento a fim de realizar uma lubrificação adequada. Quando dimensionar um acoplamento para bombas, usar sempre um fator de serviço, FS, igual ou superior a 1,1. Os acoplamentos são dimensionados pela capacidade de transmitir torque (potência/rotação). Uma vez selecionado, há necessidade de verificar se ele comporta os diâmetros dos eixos da bomba e do acionador. Temos também de verificar se a rotação máxima especificada pelo fabricante do acoplamento atende à rotação da bomba. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 209
  • 207.
    Seleção de bombas As bombas são escolhidas, principalmente, em função das suas caracte- rísticas. Exemplificando, se o NPSH disponível pelo sistema for muito Pense e baixo, podemos especificar uma bomba de dupla sucção ou uma com Anote indutor de NPSH, que possuem NPSH requerido mais baixo. Se, ainda assim, essas bombas não atenderem, podemos optar por uma bomba vertical com o comprimento adequado, de modo que teremos uma co- luna de líquido sobre o impelidor, aumentando o NPSH disponível. Al- gumas partes da especificação provêm de normas, como no caso do API 610 que, entre outras coisas, recomenda carcaça partida radialmente para os seguintes casos: Temperatura do produto maior ou igual a 200ºC. Líquidos inflamáveis ou perigosos com densidade menor do que 0,7 na temperatura de bombeamento. Líquidos inflamáveis ou perigosos com pressão de descarga acima de 100bar. É usual, antes de fazer a especificação final, consultar alguns fabricantes para garantir a existência e a disponibilidade de bombas que atendam ao desejado. Uma vez escolhido o fabricante e o tipo da bomba a ser usada, entramos com a vazão e a AMT na carta de seleção para identificar o tamanho da bomba e a rotação de trabalho que irá atender ao especificado. Escolhido o tamanho da bomba, entramos na sua família de curvas e definimos o diâmetro do impelidor, o NPSH requerido e o rendimento, o que permite o cálculo da potência consumida. O NPSH requerido na vazão especificada terá de ser menor do que o NPSH disponível. Sempre que possível, a bomba deve ser escolhida para trabalhar perto do seu BEP – Ponto de Máxima Eficiência, evitando assim que venha a ter problemas de recirculação interna e esforços radiais maiores. Vamos a um exemplo de seleção de uma bomba. PROBLEMA 11 Determinar o modelo da bomba, o diâmetro do impelidor, o NPSH requeri- do e a potência para uma bomba que irá trabalhar nas seguintes condições: Vazão – 50m3/h Produto bombeado – querosene Pressão de sucção – 0,6kg/cm2M Densidade – 0,80 Pressão de descarga – 16,6kg/cm2M Temperatura – 30ºC AMT – 200m Viscosidade – 1,55cSt NPSHdisp – 10m Pressão de vapor a 80ºC – 0,8kg/cm2A PETROBRAS ABASTECIMENTO 210 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 208.
    Pense e Anote Com a vazão de 50m3/h e com a AMT = 200m, entramos na Figura 123 para bombas com 3.550rpm e determinamos a bomba 40-315. FIGURA 123 CARTA DE SELEÇÃO DE TAMANHOS H (m) n = 3500 40 - 315 50 - 315 50 65 32 - 250 40 - 250 250 80 - 250 250 40 80 - 200 50 - 200 32 - 200 200 100 65 - 200 200 32 - 160 40 - 160 50 65 160 160 100 80 - 160 160 32 - 125 40 - 125 50 - 125 65 125 Q (m³/h) Como a viscosidade do querosene é baixa, não necessitamos de fatores de correção. Entramos nas curvas da bomba 40-315, Figura 124, com a vazão e com a AMT, e marcamos o ponto de trabalho. Com esse ponto, obtemos o diâmetro do impelidor, o rendimento, o NPSH requerido e a potência para água. Diâmetro do impelidor = 322mm. Rendimento = 49% NPSHreq = 7m Potência = 76cv para água cuja densidade = 1 A potência varia diretamente com a densidade (ou peso específico). Para querosene com densidade de 0,8, a potência será de: Pot = 76 x 0,8 = 60,8cv Da Tabela 11, temos: 1cv = 0,986hp PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 211
  • 209.
    A potência consumidaem hp será: hp Pot = 60,8cv x 0,986 = 59,9hp cv Pense e Anote Poderíamos também ter estimado a potência de uma forma mais precisa pela fórmula: EQUAÇÃO 7 Q x AMT x 50 x 200 x 0,8 Pot = = = 59,6hp 274 274 x 0,49 FIGURA 124 CURVAS DA BOMBA 40-315 PETROBRAS ABASTECIMENTO 212 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 210.
    Pense e Anote A pequena diferença de potência encontrada pelos dois métodos é devido à imprecisão do gráfico. Como o NPSH disponível é de 10m e o requerido é de 7m e, portanto, o NPSHdisp > NPSHreq, a bomba selecionada atende. Se o NPSH não atender, podemos tentar uma bomba de tamanho imediatamente acima ou uma outra com menor rotação, o que logicamente levaria a uma bomba maior. Resumo Depois de escolhidos o tipo e o fabricante da bomba, entramos na carta de seleção com a vazão e a AMT desejadas e determinamos o tamanho da bomba e a rotação em que será necessário operar. Com o tamanho escolhido, entramos na família de curvas de AMT x vazão dessa bomba para escolher o tamanho do impelidor que irá atender ao especificado. Podemos retirar também o rendimento e o NPSH requerido a partir da vazão desejada. Verificamos então se o NPSH requerido é inferior ao NPSH disponível do sistema. A potência para água pode ser obtida diretamente do gráfico, devendo ser corrigida para a densidade (ou peso específico) do líquido que será bombeado. Podemos também calcular a potência pela sua fórmula (equação 7). Análise de problemas de bombas centrífugas Toda bomba que deixa de atender ao processo ou apresenta algum sinto- ma que resulta em risco operacional, como vazamento ou vibração alta, necessita de análise para determinar as ações a serem tomadas. Antes de abrir uma bomba que não esteja cumprindo seu papel ade- quadamente, devemos ter certeza de que o problema é da bomba. Muitas vezes o problema está nas condições do processo ou no sistema e, nesse caso, a abertura da bomba não é a solução para o caso. Algumas situações permitem um diagnóstico imediato da falha, como o vazamento pelo selo ou o travamento do conjunto rotativo, problemas PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 213
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    estes que sãovisíveis. Na abertura da bomba, as peças devem ser exami- nadas para identificar o motivo da falha. Outros tipos de situações neces- sitam de uma investigação para determinar sua causa. Pense e Não devemos apenas substituir as peças danificadas, mas tentar en- Anote tender que motivo levou à falha e tomar as providências para evitar sua repetição. A seguir, analisaremos os problemas mais freqüentes que ocorrem na operação de bombas centrífugas e que necessitam de investigação. Vamos dividi-los em cinco categorias principais: Bombas que não estão atendendo em vazão ou pressão de descarga. Bombas que apresentam vibração ou ruído. Bombas que estão exigindo potência acima da esperada. Bombas que apresentam aquecimento excessivo nos mancais. Bombas com vazamentos. Muitas vezes, o problema pode ser enquadrado em mais de uma das situações acima. Bombas que não estão atendendo em vazão ou pressão na descarga Uma bomba, estando em boas condições, deve trabalhar sobre suas cur- vas de AMT e de potência versus vazão. Entende-se como em boas con- dições: 1. NPSH disponível acima do requerido (sem cavitação). 2. Vazão acima da mínima de fluxo estável (sem recirculação interna). 3. Rotação correta. 4. Impelidor no diâmetro correto e sem problemas de desgaste ou obs- trução interna. 5. Carcaça ou difusores sem desgaste. 6. Folgas de anéis de desgaste e das buchas dentro de valores recomen- dados. 7. Líquido dentro das condições de projeto (densidade e viscosidade). Pequenos desvios em relação aos pontos das curvas são aceitáveis, seja pela imprecisão do método de medição no campo, seja pela diferença de desempenho de um impelidor para outro que, por serem peças fundidas, sempre apresentam pequenas variações na forma. No diagrama de bloco a seguir, Figura 125, procuramos fazer essa aná- lise partindo das verificações mais fáceis de serem executadas para as mais trabalhosas. Partimos do pressuposto de que a bomba operava satisfato- riamente antes, ou seja, não é um problema de projeto ou da seleção da bomba para a aplicação na qual está sendo utilizada. PETROBRAS ABASTECIMENTO 214 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 125 DIAGRAMA PARA DETERMINAÇÃO DE PROBLEMAS DE VAZÃO OU BAIXA PRESSÃO DE DESCARGA EM BOMBAS CENTRÍFUGAS Problema de baixa vazão ou pressão na descarga INÍCIO N N Verificar abrindo Bomba opera Bomba está vent da carcaça cavitando? escorvada? (cuidado se a bomba tiver vácuo na sucção) S S N N Vazão > projeto? Rotação correta? Corrigir rotação S S Viscosidade e N Solicitar correção Corrigir a vazão densidade para operação normais? S S N N Pressão de Ponto AMT x Q sucção normal? igual da curva? Desgaste interno S Ponto POT x q N Desgaste interno Desgaste interno igual da curva? S Verificar motivo do aumento da perda de carga Bomba em na sucção bom estado PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 215
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    A BOMBA ESTÁCAVITANDO? BOMBA CAVIT VITANDO? Começamos com esta pergunta por ser a mais fácil de responder. A cavita- ção é facilmente identificável pelo ruído característico, parecido com o de Pense e “batida de pedras” na carcaça, pela alta vibração e pela oscilação das pres- Anote sões de sucção e da descarga. Cavitação ocorre, normalmente, quando a bomba está trabalhando com vazões altas, tornando o NPSH disponível inferior ao NPSH requerido. Como a bomba está apresentando baixo desempenho, ou seja, não está conseguindo aumentar sua vazão, a recirculação interna, que ocorre quan- do trabalhamos com vazões baixas, não é uma causa provável. Nos casos de bombas com pressão de sucção negativa, convém verificar a possibilida- de de estar entrando ar pelas juntas dos flanges ou pela selagem. Se a resposta à pergunta sobre cavitação for positiva, uma das prová- veis causas é o aumento da perda de carga na linha de sucção (redução do NPSH disponível), que pode ter sua origem em: ✔Alguma obstrução parcial na linha de sucção, como válvula parcialmen- te fechada, filtro sujo etc. ✔Bomba operando com vazão mais alta do que a de projeto. Vazão maior significa maior NPSH requerido e menor NPSH disponível, portanto, mais propício à cavitação. ✔Aumento da viscosidade do líquido (caso de líquidos viscosos), que pode ocorrer pela redução da temperatura de bombeamento. O aumen- to da viscosidade aumenta as perdas de carga, reduzindo a pressão de sucção e o NPSH disponível. Se for decorrente do desgaste da bomba (aumento do NPSH requeri- do), sua origem é: ✔Bomba com folgas internas altas; por exemplo, se os anéis de desgaste ou a luva espaçadora entre o primeiro e o segundo estágios estiverem com folga excessiva, uma boa parte da vazão irá retornar internamen- te da descarga para a sucção. Para efeito de cavitação, é como se esti- vesse bombeando adicionalmente esse acréscimo de vazão. ✔Desgaste no impelidor, alterando suas características na região de suc- ção. Desgastes na região da voluta não afetam o NPSH requerido. Cavitação só ocorre no primeiro estágio de bombas multi-estágios. No segundo estágio, o NPSH disponível já é alto. PETROBRAS ABASTECIMENTO 216 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Os meios de tirar uma bomba da condição de cavitação, por ordem de facilidade, são: 1. Verificar a possibilidade de aumentar o nível do líquido no vaso de suc- ção. Alguns sistemas possuem controle de nível nesse vaso, bastando, nesse caso, alterar o valor de controle (set point). 2. Reduzir a perda de carga na linha de sucção, por exemplo, verificando se o filtro da sucção está sujo ou se alguma válvula está parcialmente fechada. 3. Limitar a vazão máxima da bomba em um valor em que não tenha- mos ruído ou vibração. 4. Resfriar o líquido (reduz a pressão de vapor), desde que as condições demandadas pelo processo (antes e depois da bomba) o permitam. 5. Verificar com o fabricante da bomba se existe outro modelo de impe- lidor que atende a necessidade do processo e com NPSH requerido mais baixo para essa carcaça. 6. Verificar se o modelo da bomba permite a instalação de um indutor de NPSH. 7. Avaliar se o aumento do diâmetro da linha de sucção, ou a simplificação do encaminhamento da linha, ou a eliminação de acessórios instalados nela, com a conseqüente redução da perda de carga, trará o ganho ne- cessário para evitar a cavitação. 8. Elevar o vaso de sucção ou rebaixar a bomba. 9. Alterar o material do impelidor para aço inoxidável, o qual resiste mais à cavitação. Dentre os materiais usuais, o que apresenta menor des- gaste é o ASTM A-743 CA6NM, que possui 12% de Cr. Essa solução ten- ta atenuar o efeito da cavitação. É usada para conviver com o proble- ma, aumentando apenas o tempo de falha do impelidor. Quando a bomba succiona de um vaso fechado, em que temos equilíbrio entre as fases líquidas e de vapor (ver Figura 126), o NPSH disponível para uma determinada vazão irá depender apenas do nível da coluna do líquido e da perda de carga entre o vaso e a bomba. A pressão de vapor acaba se cancelando, uma vez que a ela é somada para aumentar a pressão na sucção Ps, mas depois ela é subtraída para obter o NPSH disponível. Portanto, alterar a temperatura do líquido para mudar a pressão de vapor no caso de vasos fechados não resolverá o problema. O melhor meio de aumentar o NPSH disponível é aumentar a altura da coluna de líquido (nível do vaso), ou reduzir as perdas de carga na linha de sucção. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 217
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    FIGURA 126 PRESSÃO DE VAPOR E NPSH Pense e Anote Pvap Altura da coluna do líquido Ps h Ps = P vapor + P col líq – perdas de carga Ps + Patm – Pvap V2 NPSHdisp = + +h 2g Caso a bomba não esteja cavitando, passamos ao seguinte questiona- mento: A BOMBA ESTÁ ESCORVADA? A verificação pode ser feita com a bomba em funcionamento. Podemos abrir um pouco o vent da carcaça. Se vapores saírem, é sinal de que não temos apenas líquido no interior da bomba, o que reduzirá seu desempe- nho. As razões para isso podem ser: ✔A bomba pode não ter sido completamente cheia de líquido (escorva- da) antes da partida. ✔Entrada de ar pelas juntas da linha de sucção ou pelas gaxetas (somen- te no caso de bomba com pressão negativa na sucção). ✔A submersão da linha de sucção pode ser pequena, permitindo a for- mação de vórtice e, conseqüentemente, entrada de ar ou de gases. ✔O líquido contém quantidade excessiva de gases dissolvidos. Se tudo estiver correto, vamos ao passo seguinte. A ROTAÇÃO ESTÁ CORRETA? Sabemos que a vazão varia diretamente com a rotação e a AMT com o seu quadrado. Portanto, se a rotação estiver mais baixa, a bomba pode não atender ao processo. A solução, nesse caso, é ajustar a rotação. Caso não consigamos devido ao fato de a potência do acionador já ser a máxima, temos de diagnosticar se o problema é da bomba, que está exigindo mai- or potência ou do acionador, que apresenta alguma deficiência. PETROBRAS ABASTECIMENTO 218 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote A rotação pode ser medida por meio de tacômetros com fita de refle- xão ou por meio de aparelhos de vibração que possuam filtros de freqüên- cias. Podem também ser usados freqüencímetros de lâminas (tacômetros de Frahm), muito empregadas nas turbinas mais antigas. Baixa rotação só ocorre em turbinas a vapor, motores de combustão interna, ou com motores elétricos que possam ter sua rotação modifica- da. Motores elétricos comuns trabalham sempre na rotação especificada, ou próximo a ela, devido a um pequeno aumento da carga. Se não tive- rem potência suficiente para trabalhar na rotação especificada, irão atuar o sistema de proteção por alta corrente elétrica ou queimarão. O PRODUTO ESTÁ COM SUAS ESPECIFICAÇÕES CORRETAS? O aumento de viscosidade atua de dois modos negativos no desempenho da bomba: aumenta a perda de carga nas linhas de sucção e de descarga, exigindo da bomba para a mesma vazão AMT maior; e afeta negativamen- te o desempenho da bomba, reduzindo a AMT, a vazão e o rendimento. Portanto, não devemos desprezar sua importância no diagnóstico de pro- blemas nas bombas que trabalham com líquidos viscosos. A alteração da temperatura de bombeamento é uma das principais res- ponsáveis pela alteração da viscosidade. Quanto menor a temperatura, maior a viscosidade. Quanto maior a viscosidade, menor a vazão e a pres- são de descarga numa bomba centrífuga. A modificação da temperatura influencia também o peso específico (ou a densidade) do produto. Na prática, para um mesmo produto, essas va- riações de densidade costumam ser pequenas, a não ser em casos de gran- des variações de temperaturas. Ocorrendo modificação do peso específi- co ( ), temos alteração das pressões e da potência. A AMT (head) fornecida pela bomba centrífuga para uma determinada vazão é sempre a mesma. Se o peso específico for reduzido, a pressão também será reduzida na mesma proporção. A potência também irá variar diretamente com o peso específico. A BOMBA ESTÁ OPERANDO EM UM PONTO DA SUA CURVA DE AMT X VAZÃO? De posse da AMT e da vazão da bomba, podemos verificar se está traba- lhando sobre sua curva original. Se a bomba estiver com folgas internas excessivas nos anéis de desgas- te, nas buchas entre estágios ou, ainda, com o impelidor e/ou a carcaça desgastada, ela terá seu desempenho alterado. Dependendo dessa altera- ção, ela poderá não atender às necessidades do processo. A viscosidade também altera a curva da bomba. Necessitamos, portanto, saber a vazão e a AMT da bomba e dispor de sua curva para essa verificação. Grande parte das bombas usadas em refi- PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 219
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    narias tem medidorde vazão. Caso ele não exista, analisar se é possível calcular a vazão pela variação do nível de um vaso ou tanque na sucção ou na descarga. Existe a possibilidade de obter a vazão por meio de medi- Pense e dores externos adaptados à linha. Anote A AMT pode ser calculada simplificadamente com um manômetro na sucção e outro na descarga. 10 x (Pd – Ps) AMT = AMT – Altura manométrica total em m Pd – Pressão de descarga em kg/cm2 Ps – Pressão próxima ao flange de sucção em kg/cm2 – Peso específico do líquido na temperatura de bombeamento em gf/cm3, valor que é numericamente igual à densidade Nem sempre a bomba dispõe de um manômetro na sucção. Nesse caso, podemos adaptar um dreno ou vent próximo da bomba. É desejá- vel ter uma válvula de bloqueio antes do manômetro, que pode servir para amortecer pulsações da pressão. Em último caso, normalmente no flange de sucção da bomba, costuma ter um orifício de 1/4”, que pode servir para adaptar o manômetro. Nessa região, costumam ocorrer pul- sações, o que dificulta a medição. Manômetros próximos de curvas ou de qualquer acidente, como válvulas, oscilam muito e falseiam as pres- sões lidas. Se os manômetros estiverem muito afastados da linha de centro da bomba, corrigir os valores da pressão. Quando não dispomos de indicação de vazão, é usual levantar a AMT com vazão nula (shutoff). Cuidados devem ser tomados com a duração do teste devido à possibilidade de vaporização do líquido bombeado. Comparamos o ponto de AMT levantado com o da curva da bomba para a mesma vazão. Se o desvio for pequeno, a bomba está boa. O problema então deve ser do sistema ou do líquido bombeado. Anteriormente, pelo roteiro, já verificamos o NPSH, a escorva, a rotação e as condições do pro- duto (a densidade e a viscosidade), estando todos dentro dos valores con- siderados normais. Caso o ponto levantado esteja fora da curva da bomba, o problema é da bomba. Na maioria das vezes, ela necessita ser aberta para verificar internamente qual é o problema. PETROBRAS ABASTECIMENTO 220 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote VERIFICARSE A POTÊNCIA ESTÁ SOBRE A CURVA Essa verificação é feita para complementar o diagnóstico. Quando a bomba é acionada por motor elétrico, podemos avaliar gros- seiramente a sua potência, medindo a sua corrente e comparando-a com a da plaqueta, usando uma proporcionalidade. Se a corrente estiver aci- ma de 80% da nominal do motor, o erro será pequeno. Caso queiramos saber a potência do motor elétrico com mais precisão, teremos de obter, além da corrente, a voltagem real, o fator de potência e o rendimento do motor. Os setores de elétrica possuem aparelhos que permitem esses le- vantamentos. O rendimento do motor tem de ser tirado de uma tabela ou de uma curva do fabricante. A potência fornecida por um motor elétrico é dada por: 3 x V x I x x FP Para sistemas trifásicos Pot = 745,7 Pot – Potência em hp V – Voltagem em V I – Corrente em A FP – Fator de potência – Rendimento do motor. Ex.: 90% – usar 0,90 745,7 – Fator de conversão de Watt para hp Segue uma tabela de motores da WEG com exemplos de alguns valores de rendimento e FP para motores de 2 pólos e 60Hz (~3.550rpm), com 220V, trifásicos com grau de proteção IP55. Esses valores variam confor- me o fabricante e o tipo de motor. Embora a tabela seja para 220V, os valores são válidos para 440V também. TABELA 27 RENDIMENTO E FATOR DE POTÊNCIA DOS MOTORES ELÉTRICOS Potência (cv) Rendimento % Fator de potência (cos ) 50% carga 75% carga 100% carga 50% carga 75% carga 100% carga 25 89,5 90,5 90,5 0,78 0,85 0,88 50 89 91,1 92,2 0,86 0,88 0,90 75 89 91,3 92,5 0,85 0,88 0,90 100 90 92,1 93,1 0,85 0,90 0,91 150 89 91,4 92,7 0,82 0,86 0,88 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 221
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    Caso o acionadorseja uma turbina a vapor, a avaliação da potência é mais difícil, a não ser que tenhamos a curva de potência x consumo de va- por e a medição da vazão do vapor consumido. No caso de turbina acionan- Pense e do bombas, dificilmente dispomos desse dado. O que podemos verificar é Anote se a potência máxima já foi atingida, tentando aumentar a rotação. Os acionadores costumam ter uma folga de potência em relação à ne- cessária para a bomba. Para motores elétricos, o API 610 recomenda: Pot < 30hp – 125% 25 < Pot < 75hp – 115% Pot > 75hp – 110% Se a bomba estiver consumindo mais potência para a vazão indicada, é porque o rendimento dela caiu, ou seja, está com algum problema in- terno. Essa afirmação só deve ser feita depois de eliminarmos as hipóte- ses anteriores. Bombas que apresentam vibração e/ou ruído A vibração numa bomba centrífuga, geralmente, é ocasionada por um dos seguintes fatores: Desalinhamento entre a bomba e o acionador. Desbalanceamento dinâmico do conjunto rotativo ou do acoplamento. Problemas de tensão provocada pelas linhas de sucção e descarga. Tubulação próxima à bomba não apoiada corretamente nos suportes. “Pé manco” (apoio desigual) do motor ou da bomba. Pés do motor ou da bomba não apertados adequadamente. Chumbadores da base soltos. Base não grauteada adequadamente. Roçamento interno. Cavitação. Vazão abaixo da de fluxo mínimo estável (recirculação interna). Distância da periferia do impelidor para a lingüeta da voluta ou para difusor não adequada. Mancal de deslizamento com folga alta. Mancal de rolamento com desgaste. Folgas internas altas. Impelidor com um canal obstruído (desbalanceamento hidráulico). Para verificar qual dessas causas ocasiona a vibração, podemos reali- zar uma análise de vibração, determinando as freqüências envolvidas. PETROBRAS ABASTECIMENTO 222 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Desalinhamentoentre a bomba e o acionador É uma das principais causas da vibração, juntamente com o desbalancea- mento. Para diagnosticar se o problema é de desalinhamento, levantar as freqüências da vibração. O desalinhamento pode causar vibração nas fre- qüências de 1N, 2N, 3N, 4N e 6N. As mais usuais são 1 e 2N, onde N é a freqüência de rotação. Quando a freqüência predominante é de 2N, a cau- sa mais provável é desalinhamento. Testes efetuados em laboratório mostraram não ser verdadeira a afir- mação de que desalinhamentos angulares se manifestam mais como vi- bração axial e de que desalinhamentos paralelos se manifestam mais como vibração radial. Esses testes também mostraram que desalinhamento vertical afeta a vibração horizontal e vice-versa. Esse estudo mostrou as seguintes freqüên- cias como as mais prováveis para diagnosticar desalinhamentos em fun- ção do tipo de acoplamento: TABELA 28 FREQÜÊNCIA DE VIBRAÇÃO PARA DIFERENTES TIPOS DE ACOPLAMENTOS Tipo do Resposta da vibração Melhor freqüência indicativa acoplamento ao desalinhamento do desalinhamento Grade (Falk) Boa 4N Garras com elastômero Boa 3N (Lovejoy) Pneu (Ômega da Rexnord) Boa na vertical 2N Pobre na horizontal 2N Engrenagem de borracha Pobre 6N (Woods) Lâminas (Thomas) Muito pobre 6N N – rotação da máquina. Não foi realizado teste com acoplamento de engrenagens metálico. A classificação de boa resposta à vibração significa que a amplitude de vibração aumentava com o aumento do desalinhamento angular, ou com o paralelo. O de melhor resposta foi o de grade, e o de pior resposta foi o de lâminas. Desbalanceamento dinâmico É uma das principais causas de vibração em equipamentos mecânicos. No desbalanceamento, a freqüência radial é de 1N porque a força centrí- fuga, responsável pela vibração, ocorre na freqüência de rotação. Quan- do essa vibração é muito alta, provoca também vibração axial, podendo PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 223
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    ser confundida comdesalinhamento. O desbalanceamento dinâmico é causado por uma distribuição desigual de massa, oriunda de desgastes ou de roçamentos. Algumas vezes, um balanceamento realizado no cam- po no acoplamento pode reduzir a vibração, prolongando por algum tempo a vida da bomba, mas, na maioria das vezes, é necessário abrir a Pense e Anote bomba para correção. Tensão nos flanges da bomba provocada pelas linhas de sucção ou de descarga Esse tipo de esforço nos flanges da bomba, quando elevados, provo- cam uma torção na carcaça, causando o desalinhamento entre os seus mancais. Quando exagerada, essa tensão pode até causar roçamento interno. O projeto da bomba em si, dos pedestais e das bases são os responsá- veis pela limitação das deformações. A norma API 610 e os fabricantes das bombas fixam os valores dos esforços máximos que a tubulação pode trans- mitir para a bomba. A verificação da tensão pode ser feita com auxílio de dois relógios com- paradores colocados no flange do acoplamento, um na vertical e outro na horizontal. Ver Figura 127. Zerar os relógios com os flanges soltos. Apertar o flange de sucção e anotar as leituras dos relógios. Tornar a zerar os relógios e repetir a operação de aperto no flange de descarga. O ideal é que no aperto de cada flange as leituras não ultrapassem 0,05mm. FIGURA 127 MEDIDA DA TENSÃO DOS FLANGES PETROBRAS ABASTECIMENTO 224 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Geralmente o problema maior costuma ser na tubulação de sucção por esta possuir um diâmetro maior do que o de descarga. A tensão ocasionada pelas tubulações em bombas que trabalham com produtos quentes é mais crítica do que a de serviço frio devido à dilatação das linhas ao se aquecerem. Tubulação com suporte não apoiado Quando a tubulação não está bem apoiada nos suportes próximos à bomba, poderá ocasionar tensão nos flanges da bomba e gerar vibra- ção. Mesmo que o suporte esteja afastado da bomba, a linha pode vi- brar e transmitir para a bomba. Nesses casos, a freqüência de vibra- ção costuma ser bem baixa. A solução é inspecionar as linhas, verifi- cando se elas estão encostando nos suportes. Nos suportes com mo- las, teremos de ver se eles estão com a mesma tensão que foi especi- ficada no projeto. Pé manco (apoio desigual) Pé manco ocorre quando os pés de uma máquina não estão no mesmo plano e/ou as placas da base é que não estão no mesmo plano. Quando isso ocorre, ao apertar os parafusos de fixação, torcemos o pedestal da máquina, desalinhando-a. É mais freqüente aparecer em motores elétri- cos. Durante o alinhamento das máquinas, é usual sua verificação. Colo- ca-se um relógio comparador sobre o pedestal e compara-se a indicação do relógio com ele solto e apertado. A variação de leitura deve ser infe- rior a 0,05mm. Pés do motor ou da bomba não apertados adequadamente Não é muito comum, a não ser nos casos de vibração muito elevada que podem levar ao afrouxamento dos parafusos de fixação das máquinas. Pode ser verificado facilmente com auxílio de uma chave nos parafusos. Chumbadores soltos Os chumbadores soltos costumam ocorrer em bombas que ficam muito tempo submetidas a vibrações altas. Nesse caso, o chumbador pode se soltar da base. Se ocorrer, deve ser removido e reinstalado com auxílio de massa epóxi, que é apropriada para melhorar sua fixação. A vibração deve ser diagnosticada e corrigida para evitar a repetição do problema com o chumbador. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 225
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    Base inadequadamente grauteada A importância do grauteamento bem feito é fundamental para o resul- tado de baixas vibrações na bomba. Ele é o responsável por garantir a Pense e união da base metálica da bomba à base de concreto e pelo aumento Anote da rigidez da base metálica. Como o bloco de concreto pesa cerca de 5 vezes mais que a bomba, é fácil perceber a redução de vibração para uma mesma força perturbadora que essa união pode provocar. Batendo-se com um pequeno martelo na base metálica, pode-se iden- tificar se existem pontos vazios. A chapa no local do vazio deve receber dois furos nas suas extremidades, um deles para colocar a massa epóxi e o outro para sair o ar, mesmo que o graute original seja de cimento. Quando o graute está muito danificado, a base metálica deve ser re- movida e refeito o grauteamento. Existem cimentos próprios para graute, mas o epóxi é considerado superior, embora mais caro. A norma API 610 sugere a adoção de epóxi para grauteamento, no lugar de cimento, para melhorar a aderência entre a base metálica e a fundação. Roçamento interno O roçamento interno ocorre geralmente nas partes de menor folga, como anéis de desgaste e buchas. Pode ser ocasionado por má qualidade da centralização das peças (guias), tensões exageradas nos flanges, vibrações excessivas, uso de folgas inadequadas, ou por objetos estranhos no inte- rior da bomba. As freqüências da vibração costumam ser diversas devido ao efeito da excitação das velocidades críticas. Nem sempre o ruído cau- sado pelo roçamento é audível. Os roçamentos severos provocam desba- lanceamento, o que somado com o aumento das folgas, que reduzem o efeito de sustentação, fazem com que a vibração cresça bastante. Como o roçamento causa aquecimento localizado, uma termografia da bomba pode indicar o local do roçamento se o mesmo for severo e próximo da carcaça. Cavitação clássica Ocorre quando temos o NPSH disponível inferior ao requerido. O ru- ído é característico (como se estivesse bombeando pedras). Costuma gerar vibrações altas juntamente com o ruído e oscilações nas pres- sões. A vibração aparece numa ampla faixa de freqüências. É usual excitar as freqüências naturais e diversas outras freqüências. Alguns autores afirmam que o espectro mostra uma ampla faixa próxima de 2.000Hz. Muitas vezes a cavitação clássica é confundida com recircu- lação interna, também uma forma de cavitação. Os manômetros, tanto de sucção quanto de descarga, ficam oscilando. Ver o item seguinte sobre fluxo mínimo. PETROBRAS ABASTECIMENTO 226 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Fluxoabaixo do mínimo estável (recirculação interna) Ocorre quando estamos trabalhando com vazões baixas. O fenômeno é muito parecido com a cavitação e com a entrada de gases. Um dos modos de distinguir qual dos problemas está ocorrendo é alterar a vazão em pelo menos 10%. AUMENTO DA VAZÃO DA BOMBA Se o problema for de fluxo mínimo, a vibração e o ruído diminuirão. Se o problema for de cavitação clássica, a vibração e o ruído aumen- tarão. Se não alterar a vibração e o ruído, o problema pode ser de entrada de gases. REDUÇÃO DA VAZÃO DA BOMBA Se o problema for de fluxo mínimo, a vibração e o ruído aumentarão. Se o problema for de cavitação clássica, a vibração e o ruído dimi- nuirão. Se não alterar a vibração e o ruído, o problema pode ser de entrada de gases. Ao tentar provocar a alteração de vazão para o teste, devemos ter cer- teza de que a vazão variou. Muitas vezes, ao atuar na válvula de descarga, fechando-a parcialmente para esse fim, a válvula de controle abre mais, mantendo a mesma vazão anterior. A recirculação interna gera vibrações na freqüência de passagem das pás e em baixas freqüências, em torno de 5Hz (300CPM). As freqüências naturais da bomba também são excitadas. De uma maneira geral, podemos dizer que a cavitação clássica é um fenômeno que aparece com altas vazões e a recirculação interna, com baixas vazões da bomba (embora existam bombas que com 75% da vazão do BEP já estejam recirculando). A solução para o problema de recirculação interna é aumentar a va- zão. Existem válvulas denominadas “válvulas de fluxo mínimo” que ga- rantem que a bomba sempre trabalhará acima dessa vazão crítica. Quan- do o sistema está com a vazão normal, o ramal de fluxo mínimo fica fechado (Figura 128). Se a vazão começar a cair, a ponto de causar pro- blema de recirculação interna, a válvula abre uma passagem e começa a complementar a vazão do sistema (Figura 128B). Se o sistema não tiver vazão nenhuma, a válvula de fluxo mínimo irá abrir o suficiente para garantir a operação da bomba acima da vazão mínima, como pode ser verificado na Figura 128A. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 227
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    FIGURA 128 VÁLVULA DE FLUXO MÍNIMO Pense e Anote Fluxo principal Fluxo principal Recirculação fechado e recirculação fechada A B C Distância mínima do impelidor As pás do impelidor, quando passam muito próximas da lingüeta da volu- ta, geram um pulso que se transforma em vibração. O mesmo ocorre quando a distância das pás para o difusor também é pequena. Nas bom- bas ditas de alta energia (potência por estágio maior do que 300hp ou AMT maior do que 200m), esta vibração pode ser bastante acentuada. Quando surgir vibração com a freqüência igual ao número de pás do impelidor x rotação, é conveniente verificar se a folga radial é superior à mínima recomendada, dada pela fórmula a seguir: FIGURA 129 FOLGA MÍNIMA EXTERNA DO IMPELIDOR COM A VOLUTA E COM O DIFUSOR R3 R3 R2 R2 PETROBRAS ABASTECIMENTO 228 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote R2 – Raio da pá do impelidor (não é o raio das laterais do impelidor). R3 – Raio da voluta na região da lingüeta, ou raio interno do difusor. (R3 – R2) x 100 Folga mínima % = R2 Para bomba com voluta – folga mín. > 6 % Para bomba com difusor – folga mín. > 3% PROBLEMA 12 Uma bomba com impelidor de 300mm trabalha com um raio de 160mm na lingüeta. Calcular se podemos ter problemas de freqüência de passagem das pás do impelidor. Dados: R3 = 160mm R2 = 300/2 = 150mm (R3 – R2) x 100 (160 – 150) x 100 1.000 Folga mínima % = = = = 6,25% R2 160 160 Como estamos com mais de 6% de folga, não devemos ter problemas. O raio R3 nas bombas bipartidas e nas com difusor é fácil de ser medi- do. Nas bombas OH é um pouco complicado porque temos de determinar a linha de centro do eixo da bomba na voluta. Num torno, fica fácil, basta centrar pela guia da carcaça, que possui a mesma linha de centro do eixo. Exemplificando, uma bomba com impelidor de cinco pás, girando a 3.550rpm, terá freqüência de vibração de: Freqüência de vibração = número de pás x rotação = = 5 x 3.550 = 17.750CPM = 17.750/60 = 296CPS ou Hz ou 5N. Para aumentar a distância e solucionar o problema, usinar internamente o difusor ou esmerilhar um pouco a lingüeta da voluta. A redução do diâ- metro do impelidor seria uma outra solução, desde que não comprome- tesse o desempenho da bomba. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 229
  • 227.
    A freqüência correspondenteà passagem das pás ocorre também quan- do temos recirculação interna na descarga e cavitação clássica. Folga alta do mancal de deslizamento Pense e Anote Todo mancal de deslizamento possui uma folga mínima e uma máxima de projeto. Quanto menor essa folga, menor a vibração da bomba. A folga míni- ma é para garantir uma vazão mínima de óleo necessária para retirar o calor gerado. Quando ultrapassamos a folga máxima, o mancal deixa de cumprir sua função adequadamente, permitindo que a bomba vibre. Na falta da folga do fabricante, usar os valores recomendados no item Dados Práticos. Mancais de rolamentos com danos Quando estão danificados, os rolamentos apresentam vibração cuja freqüên- cia varia de acordo com a parte danificada: pista interna, pista externa, gaiola ou esferas. Os programas que acompanham os coletores de dados costumam disponibilizar estas freqüências. FIGURA 130 ROLAMENTO DE CONTATO ANGULAR n – Número de esferas ou rolos Ângulo de contato fR – Rotação por segundo Diâmetro – Ângulo de contato da esfera da esfera (BD) BD – Diâmetro da esfera PD – Diâmetro do círculo das esferas Pitch Diâmetro (PD) As partes danificadas também podem ser identificadas pelas fórmulas: Defeito na pista externa n BD f (Hz) = fR (1 – cos ) 2 PD PETROBRAS ABASTECIMENTO 230 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Defeitona pista interna n BD f (Hz) = fR (1 + cos ) 2 PD Defeito na esfera [( )] 2 n BD f (Hz) = fR 1– cos ) 2 PD Se o rolamento não for de contato angular, o ângulo é zero. Quando os danos dos rolamentos já estão acentuados, a vibração ocorre também na freqüência de rotação. Folgas internas altas Quando os anéis de desgaste ou as buchas ficam com folgas altas, essas partes deixam de funcionar como mancais auxiliares, aumentando em muito a vibração. As bombas com dois estágios em balanço são bastante suscetíveis a esse tipo de vibração, mesmo quando o aumento das folgas é pequeno. Impelidor com canal obstruído Se o impelidor tiver um dos canais obstruídos, seja por uma falha de fundi- ção, seja pela entrada de algum corpo estranho que fique preso na sua en- trada, ao girar, esse canal ficará parcial ou totalmente vazio de líquido, de- pendendo do grau de obstrução. Isso resultará em uma distribuição de massa irregular no impelidor (desbalanceamento dinâmico), causando vibrações elevadas na freqüência de 1N. Em impelidores pequenos, a visualização dessa obstrução pode ser difícil. Caso tenha dúvidas, passe um arame por dentro de cada canal, ou examine-os com o auxílio de uma lanterna. Neste caso, a verificação do balanceamento na balanceadora não resolverá o problema, uma vez que só irá aparecer quando estiver com líquido. Bombas que estão exigindo potência acima da esperada As causas mais freqüentes de bombas com potência acima da esperada estão listadas a seguir: PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 231
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    Vazão mais elevadado que a de projeto A curva de potência de uma bomba centrífuga radial cresce com a vazão. Portanto, se a vazão estiver acima da especificada, a bomba exigirá po- Pense e tência maior. Anote Na bomba de fluxo axial a potência cai com a vazão, e na de fluxo mis- to a potência tende a se estabilizar nas vazões mais altas; portanto, não deverá ocorre exigência de potências excessivas. Anéis de desgaste ou buchas folgadas Com as folgas maiores, teremos uma quantidade maior de líquido pas- sando da descarga para a sucção, ou de um estágio para outro nas bom- bas multi-estágios. Essa vazão adicional consome uma potência adicional. Roçamento severo O atrito provocado pelo roçamento consome uma potência adicional. Quando ocorre roçamento, as vibrações ficam instáveis. Aumento da viscosidade Com o aumento da viscosidade, o rendimento da bomba cai, aumentando a potência consumida para fornecimento de uma mesma vazão. Aumento do peso específico (densidade) A potência varia linearmente com a densidade (ou peso específico ). QxHx Pot = 274 x Desgaste interno O desgaste do impelidor ou da carcaça reduz o rendimento da bomba, ele- vando a potência consumida. Aumento da rotação Só pode ocorrer no caso de acionadores de velocidade variável. A potência varia com o cubo da rotação. Portanto, uma variação de 5% na rotação aumenta em quase 16% a potência (1,053= 1,16). Nesse caso, a vazão também deveria ter sido alterada com a rotação. PETROBRAS ABASTECIMENTO 232 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Bombasque apresentam aquecimento no mancal As principais causas de aquecimento dos mancais são: ✔Rolamentos danificados. ✔Contaminantes no óleo, principalmente água. ✔Desalinhamento entre os mancais da bomba, ou entre o eixo da bom- ba e do acionador. ✔Forças hidráulicas radiais, ou axiais elevadas. ✔Nível alto de óleo nos rolamentos. ✔Quantidade de óleo insuficiente chegando aos mancais. ✔Óleo com viscosidade inadequada. ✔Graxa em excesso na caixa de mancais. ✔Carga demasiadamente baixa no rolamento. ✔Bomba operando com alta vibração. ✔Tolerâncias do eixo ou da caixa fora do recomendado. ✔Linha de sucção não adequada no caso de bombas de dupla sucção, que irão gerar esforços axiais elevados (ver Figura 154). As razões anteriores são óbvias. O aumento dos esforços, ou do coefi- ciente de atrito, irá aumentar a geração de calor, elevando, conseqüente- mente, a temperatura dos mancais. Se a quantidade de óleo que chega aos mancais for inadequada, o óleo e os mancais aquecerão porque será retirado menos calor do que o gera- do. Se o nível de óleo estiver alto, as esferas do rolamento passam a bom- bear uma quantidade maior de óleo, aquecendo-o mais. Portanto, o óleo deve ser na quantidade adequada em função do sistema de lubrificação que está sendo usado. Quando a lubrificação é por névoa, o tamanho das partículas de óleo garante a lubrificação, mas mesmo assim elas devem estar dosadas na quantidade adequada. Os rolamentos radiais de esferas com folga interna maior do que a normal reduzem a temperatura de trabalho da caixa de mancal. Por outro lado, devido à sua folga maior, aumentam ligeiramente a vibração. Quanto maior a temperatura, mais rápida a oxidação do óleo. A oxida- ção dá origem a lamas, gomas e vernizes. Quanto mais oxidado, mais escu- ro o óleo. Quanto mais frio o óleo, maior a sua vida. Ver Figuras 120 e 121. A norma API 610 limita a temperatura do óleo lubrificante nos man- cais, com anel pescador ou com anel salpicador, em 82ºC ou 40ºC acima da temperatura ambiente. Se a temperatura ambiente for de 30ºC, a tem- peratura máxima do óleo será de 70ºC. Quando o rolamento trabalha sem carga ou com carga baixa, as esfe- ras tendem a deslizar em vez de rolar. Isso provoca o rompimento do fil- me de óleo, levando a esfera a ter contato com a pista, o que aquece e encurta a vida do rolamento. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 233
  • 231.
    Bombas que apresentampressão elevada na sucção são sempre candi- datas a elevados esforços axiais e, conseqüentemente, altas temperaturas nos mancais. Alterando o diâmetro dos anéis de desgaste, podemos redu- Pense e zir o esforço axial e reduzir a temperatura, desde que seja o empuxo axial Anote o responsável pelo aquecimento. As bombas de carcaça que operam com simples voluta e fora da vazão de projeto (BEP) também podem ter problemas de temperatura nos man- cais devido ao aumento dos esforços radiais. As bombas que utilizam impelidor com dupla sucção, caso tenham uma curva na tubulação de sucção próxima à bomba, devem ter essa cur- va perpendicular ao eixo. Se a curva ficar paralela ao eixo, a força centrífu- ga fará com que o líquido preferencialmente vá mais para o lado externo, o que provoca diferença de vazões em cada lado do impelidor, afetando o balanceamento axial (Figura 145). Algumas vezes, esse esforço axial é tão grande que dá para observar visualmente a movimentação de alguns mi- límetros do eixo da bomba, juntamente com seu mancal. Bombas com vazamentos O vazamento, se visível, é facilmente identificado. O local mais comum de ocorrer vazamento do produto é pela selagem. Podemos também ter vazamento pela junta da carcaça, embora menos comum. Na selagem por gaxetas, é normal um pequeno vazamento. Esse vazamento serve para lubrificar e refrigerar as gaxetas. Nos selos mecânicos, o local mais comum de vazamento é pelas sedes. Quando o vazamento é entre a luva e o eixo, se a luva prolongar-se além da sobreposta, como ocorre nos selos tipo cartucho, fica fácil sua determinação. Uma vez iniciado o vazamento do selo mecânico, raramente este volta a ficar estanque. A exceção fica por conta de alguns produtos leves que, durante a partida, vazam um pouco e, posteriormente, as sedes se acomodam, ou o processo passa a trabalhar em condições mais favoráveis e o vazamento cessa. Temos também alguns selos que começam a vazar e estabilizam o vazamento, trabalhando muito tempo sem evolução. Quando o vazamento vai aumentando progressivamente, temos de abrir o selo para reparo. PETROBRAS ABASTECIMENTO 234 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Dadospráticos Apresentamos a seguir algumas recomendações relativas à manutenção das bombas. Folgas e excentricidades permitidas Na montagem de uma bomba horizontal em balanço (OH1 e OH2), sem- pre que possível, monte a caixa de selagem na caixa de mancais com o eixo na posição vertical. Vale o mesmo para a montagem da carcaça. Mon- tando na posição horizontal, as folgas das guias ficarão sempre do mes- mo lado, facilitando um possível roçamento. A RPBC (Refinaria Presidente Bernardes – Cubatão) recomenda os seguintes ajustes de montagem: TABELA 29 TOLERÂNCIAS RECOMENDADAS Local Ajuste Acoplamento/eixo H7 / j6 Impelidor/eixo H7 /g6 Luva do eixo (selo)/eixo H7 / g6 Luva espaçadora/eixo H7 / g6 Rolamento/eixo – / k6 Alojamento rolamento/rolamento H6 / – Guia da carcaça/caixa de selagem H7 / f7 Guia caixa selagem/caixa de mancais H7 / f7 Anéis de desgaste do impelidor/carcaça H6 / – As tolerâncias dos diâmetros internos são dadas por letras maiúsculas, e as do diâmetro externo por letras minúsculas. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 235
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    TABELA 30 AJUSTES ISO UTILIZADOS EM BOMBAS – VALORES EM m Diâmetro (mm) H6 H7 f7 g6 h6 j6 k6 m6 >10 a 18 Máx. +11 +18 –16 –6 0 +8 +12 +18 Pense e Anote Mín. 0 0 –34 –17 –11 –3 +1 +7 >18 a 30 Máx. +30 +21 –20 –7 0 +9 +15 +21 Mín. 0 0 –41 –20 –13 –4 +2 +8 >30 a 50 Máx. +16 +25 –25 –9 0 +11 +18 +25 Mín. 0 0 –50 –25 –16 –5 +2 +9 >50 a 80 Máx. +19 +30 –30 –10 0 +12 +21 +30 Mín. 0 0 –60 –29 –19 –7 +2 +11 >80 a 120 Máx. +22 +35 –36 –12 0 +13 +25 +35 Mín. 0 0 –71 –34 –22 –9 +3 +13 >120 a 180 Máx. +25 +40 –43 –14 0 +14 +28 +40 Mín. 0 0 –83 –39 –25 –11 +3 +15 >180 a 250 Máx. +29 +46 –50 –15 0 +16 +33 +46 Mín. 0 0 –96 –44 –29 –13 +4 +17 >250 a 315 Máx. +32 +52 –56 –17 0 +16 +36 +52 Mín. 0 0 –108 –49 –32 –16 +4 +20 >315 a 400 Máx. +36 +57 –62 –18 0 +18 +40 +57 Mín. 0 0 –119 –54 –36 –18 +4 +21 >400 a 500 Máx. +40 +63 –68 –20 0 +20 +45 +63 Mín. 0 0 –131 –60 –40 –20 +5 +23 PROBLEMA 13 Que diâmetro devemos usar em um eixo com um rolamento de 49,999mm de diâmetro interno? Pela Tabela 29 – ajuste recomendado entre eixo/rolamento – k6. Da Tabela 30, para k6: Diâmetros > 30 a 50mm temos Máx. + 18 e Mín. + 2 O diâmetro do eixo deverá ficar entre: 49,999 + 0,018 e 49,999 + 0,002 ➜ Máx. = 50,017 e Mín. = 50,00mm PETROBRAS ABASTECIMENTO 236 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote PROBLEMA 14 Que valor devemos adotar para diâmetro interno da luva se o eixo possui 75mm diâmetro? Pela Tabela 29 – ajuste recomendado entre “luva do eixo/eixo” é de H7/g6 Da Tabela 30, para H7: Diâmetros > 50 a 80mm Máx. + 30 e Mín. 0 ➜ 75,000 a 75,030mm A norma API 610 recomenda as seguintes excentricidades (runout) para bombas centrífugas: 1. Para bombas apoiadas entre mancais BB: TABELA 31 EXCENTRICIDADES LTI DE BOMBAS BB RECOMENDADAS PELO API Fator de flexibilidade F = L 4/D 2 em mm2 >1 ,9 x 109 1 ,9 x 10 9 Excentricidade do eixo permitida LTI m 40 25 Componente no eixo com Folga Interferência Folga Interferência Excentricidade das peças LTI m 90 60 75 50 L em mm – é a distância entre os mancais das bombas BB. D em mm – é o diâmetro do eixo na região do impelidor da bomba BB. A excentricidade das peças é para o cubo do impelidor, para o tambor de balanceamento e para as luvas. Os fabricantes de selos mecânicos recomendam que a leitura total in- dicada (LTI) do relógio sobre a luva do selo seja inferior a 0,05mm. O API permite para bombas BB com eixos rígidos (F < 1,9 x 109) as excentricidades de 0,05mm para peças montadas no eixo com interferência e 0,075mm para peças montadas com folga PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 237
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    PROBLEMA 15 Qual deve ser a excentricidade máxima recomendada pelo API para um conjunto rotativo de uma bomba tipo BB cujas peças são montadas com Pense e interferência? O eixo é de 60mm de diâmetro e tem a distância entre man- Anote cais de 1.500mm. Fator de L4 1.500 4 5,0625 12 flexibilidade = = = = 1,406 x 109 < 1,9 x 109 D2 60 2 3.600 Coluna da direita da Tabela 31. Para montagem com interferência, a excentricidade máxima é de Eixo < 0,025mm Peças < 0,05mm 2. Para o eixo das bombas verticais, da VS-1 até a VS-7, o API recomenda que a excentricidade máxima seja de 40 m por metro de comprimen- to do eixo até o máximo de 80 m de LTI. A face do acoplamento das bombas verticalmente suspensas deve ficar perpendicular ao eixo com 0,1 m /mm de diâmetro da face, ou com 13 m, valendo o que for maior. Para acionadores verticais a norma API recomenda: FIGURA 131 CONCENTRICIDADES, EXCENTRICIDADES E PERPENDICULARIDADES DO ACIONADOR VERTICAL LTI – Leitura total indicada 1 2 3 4 5 1. Planicidade da face de apoio do acionador e perpendicularidade em relação ao eixo máx. 0,025mm LTI 2. Concentricidade entre eixo e a guia do suporte do acionador máx. 0,100mm LTI 3. Excentricidade máxima com o rotor girando livremente máx. 0,025mm LTI 4. Passeio axial máximo máx. 0,125mm LTI 5. Perpendicularismo do eixo com cubo do acoplamento 0,1 m/mm ou 13 m (vale o maior dos dois) PETROBRAS ABASTECIMENTO 238 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote 3.Para todas as bombas na caixa de selagem FIGURA 132 CONCENTRICIDADE E PERPENDICULARIDADE DA CAIXA DE SELAGEM 1 Concentricidade diâmetro externo LTI < 0,125mm 2 Concentricidade diâmetro interno LTI < 0,125mm 3 Perpendicularidade da face LTI < 0,125mm Se a sobreposta for guiada externamente, medir em 1. Se for guiada internamente, medir em 2. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 239
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    A RPBC utilizaas folgas e excentricidades da Figura 133 para bombas OH. FIGURA 133 Pense e EXCENTRICIDADE E FOLGAS MÁXIMAS USADAS NA RPBC PARA BOMBAS OH Anote 1 2 4 3 1 = 0,07mm 3 = 0,05mm 2 = 0,07mm 4 = 0,05mm Passeio 8 radial 6 Passeio 7 axial 5 5 = 0,03mm 7 = 0,01 a 0,10mm 6 = 0,03mm 8 = 0,07mm As concentricidades e os empenos dos eixos devem ser limitados aos valores anteriormente mencionados. O melhor modo de verificá-los é colocar o rotor apoiado pela região dos mancais em blocos em V ou sobre roletes, como os usados em máquinas de balanceamento. O torno não é um bom lugar devido ao problema de centralização. Os ressaltos do eixo, no qual os rolamentos se apóiam, devem ser per- pendiculares ao eixo e com um raio de concordância menor do que o do rolamento para garantir que ocorra o encosto no ressalto. A altura desse ressalto deve se situar entre um mínimo para dar uma boa área de apoio ao rolamento e um máximo, que permita a aplicação de dispositivos ex- tratores dos rolamentos. Os catálogos dos rolamentos publicam os raios e as alturas dos ressaltos recomendados para os eixos. PETROBRAS ABASTECIMENTO 240 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote FIGURA 134 REGIÃO DO ENCOSTO DOS ROLAMENTOS NO EIXO Pista externa do rolamento Eixo ra < r rg < r h r h r ra rg mín. r mín. r t mín. mín. b Eixo usinado Eixo retificado Teste hidrostático Quando a carcaça ou a caixa de selagem necessitarem de teste hidrostáti- co para confirmar sua resistência, ele deve ser realizado com 1,5 vez a pressão de projeto. A pressão de trabalho não é considerada para esses casos. Verificar se a classe de pressão do flange de sucção pode ser subme- tida a essa pressão de teste. A pressão de projeto da carcaça pode ser ob- tida na folha de dados da bomba. Balanceamento O API 610 – 9a edição recomenda balancear os componentes (impelidor, tambor de balanceamento, indutor de NPSH e partes rotativas maiores) com grau 2.5 da ISO 1940-1 ou com desbalanceamento residual de 7gmm, o que for maior. Os valores do desbalanceamento residual podem ser calculados por: 10.000 x G x M desbalanceamento (g) = NxR G – Grau de balanceamento M – Massa da peça em kg N – Rotação em rpm R – Raio de correção da massa em mm PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 241
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    PROBLEMA 16 Que desbalanceamento residual pode ser admitido para um impelidor com massa de 10kg que trabalha com 1.800rpm e cujo diâmetro é de 200mm? M – 10kg Pense e Anote G – 2,5 pelo API N – 1.800rpm D – 200mm R – D = 200 = 100mm 2 2 10.000 x G x M 10.000 x 2,5 x 10 desbalanceamento (g) = = = 1,388 1,4 g NxR 1.800 x 100 O desbalanceamento admissível seria de 1,4 grama na periferia do impelidor. A norma API 610 recomenda balancear em dois planos as peças cuja relação entre o diâmetro e a largura seja menor do que 6. As peças com a relação maior ou igual a 6 podem ser balanceadas em um plano apenas. FIGURA 135 BALANCEAMENTO EM 1 OU 2 PLANOS B B B D D D B D Impelidor Impelidor Colar Tambor de simples de dupla de de sucção sucção escora balanceamento D 6 Balancear em 1 plano B D 6 Balancear em 2 planos B PETROBRAS ABASTECIMENTO 242 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote No balanceamento dos conjuntos rotativos, usar: GRAU G-2.5 Bombas abaixo de 3.800rpm ou acima de 3.800rpm e com peças montadas com folga. GRAU G-1.0 Bombas acima de 3.800rpm e com peças montadas com interferência. O grau G-1.0 não é repetitivo se o conjunto rotativo for desmontado após o balanceamento para montagem. No balanceamento do conjunto rotativo, evitar corrigir no acoplamen- to. Isso porque, se necessitar ser substituído no campo, a bomba ficará desbalanceada. Como o cubo do acoplamento é uma peça simétrica, nor- malmente o desbalanceamento no seu plano é devido à não-compensa- ção dos rasgos de chavetas do eixo e do cubo do acoplamento. Portanto, tente ajustar a chaveta para que cubra o rasgo do eixo e do acoplamento adequadamente, utilizando uma chaveta coroada (concordando com o eixo) na região externa ao cubo. Guias A caixa de selagem é montada guiada na carcaça. Com o passar do tempo, ocorre um envelhecimento dos materiais fundidos, ocasionando um rela- xamento de tensões, o que gera deformações nas guias. É comum ver so- licitações para recuperação dos diâmetros dessas guias, onde normalmente são colocados 3 ou 4 pingos de solda, que são usinados para “recuperar” a folga recomendada. Na maioria das vezes, essa correção é desnecessá- ria, sendo resultado de medições não consistentes devido às deformações. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 243
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    FIGURA 136 PARAFUSO QUEBRA-JUNTA Pense e Anote Carcaça Caixa de selagem Parafuso quebra-junta NÃO ADEQUADO CORRETO CORRETO Ao apertar o parafuso quebra-juntas para soltar as guias, danificamos a superfície em que ocorre o encosto do parafuso. Esses danos impedem o assentamento de tais superfícies posteriormente. Para evitar esse problema, é recomendável fazer um pequeno rebaixo em uma das superfícies, conforme mostrado na Figura 136. Anéis de desgaste Usar preferencialmente nos anéis de desgaste as folgas recomendadas pelos fabricantes. Na falta delas, a norma API 610 – 9a edição, recomenda como folga mínima entre partes girantes os seguintes valores: PETROBRAS ABASTECIMENTO 244 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote TABELA 32 FOLGAS MÍNIMAS DE TRABALHO Diâmetro da parte rotativa Folga mínima Diâmetro da parte rotativa Folga mínima no local da folga (mm) diametral (mm) no local da folga (mm) diametral (mm) < 50 0,25 300 até 324,99 0,60 50 até 64,99 0,28 325 até 349,99 0,63 65 até 79,99 0,30 350 até 374,99 0,65 80 até 89,99 0,33 375 até 399,99 0,68 90 até 99,99 0,35 400 até 424,99 0,70 100 até 114,99 0,38 425 até 449,99 0,73 115 até 124,89 0,40 450 até 474,99 0,75 125 até 149,99 0,43 475 até 499,99 0,78 150 até 174,99 0,45 500 até 524,99 0,80 175 até 199,99 0,48 525 até 549,99 0,83 200 até 224,99 0,50 550 até 574,99 0,85 225 até 249,89 0,53 575 até 599,99 0,88 250 até 274,89 0,55 600 até 624,99 0,90 275 até 299,99 0,58 625 até 649,99 0,95 1. Para diâmetros superiores a 650mm, adotar a folga: Folga (mm) = 0,95 + (D – 650) x 0,001 D – Diâmetro do anel em mm. 2. Para ferro fundido, bronze, aço inoxidável martensítico endurecido (série 400, como o AISI 410 e AISI 420) e materiais similares com pouca ten- dência de agarramento (galling), usar as folgas da tabela. Acrescentar 0,12mm às folgas diametrais da tabela para materiais com alta ten- dência de agarramento e para todos os materiais trabalhando em tem- peratura acima de 260ºC. Os aços inoxidáveis austeníticos (série 300, como o AISI 304 e AISI 316) são materiais que apresentam alta tendên- cia de agarramento. 3. Essas folgas mostradas não são válidas para tambores de balanceamento ou componentes que trabalhem como mancais internos lubrificados pelo produto, caso das buchas das bombas verticais. Para materiais não metálicos (por exemplo, PEEK), com baixa ou ne- nhuma tendência de agarramento, os fornecedores poderão propor folgas inferiores às citadas na Tabela 32. Nesse tipo de aplicação, normalmente, um dos anéis é não metálico e o outro de AISI 410/420 endurecido, ou de PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 245
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    AISI 316 revestidode material duro. De modo geral, a folga com esse material costuma ser de 50% da folga mínima recomendada pelo API. Galling é a tendência que alguns materiais apresentam de agarramen- Pense e to (trancamento, travamento) ao serem movimentados com contato en- Anote tre suas superfícies. Os materiais diferentes e os de alta dureza possuem menor tendência de agarramento. Por causa dessa tendência, quando os anéis de desgaste da bomba são de AISI 304 ou de AISI 316, é usual escolher um deles e fazer um revesti- mento de algum material endurecido como carbeto de tungstênio, Stelli- te, ou Colmonoy com uma profundidade de 0,8mm na superfície que even- tualmente possa ter contato. O ideal é revestir a superfície do anel estaci- onário por ser o mais difícil de substituir, deixando o anel rotativo (o do impelidor) com o material básico. Se isso não for possível, aumentar as folgas para evitar o contato desses materiais. A diferença de dureza entre as superfícies de contato deve ser no míni- mo de 50BHN, a menos que ambas as superfícies, a estacionária e a rota- tiva, tenham dureza superior a 400BHN. A fixação do anel de desgaste pode ser por interferência com pinos de travamento, parafusos axiais ou radiais, ou pontos de solda. Embora a norma API 610 considere essas folgas mínimas para separar as superfícies rotativas das estacionárias, as folgas entre o tambor de ba- lanceamento e de sua bucha costumam ter valores inferiores aos da tabe- la. Nesse caso, seguir a recomendação do fabricante. A folga máxima admissível para os anéis de desgaste é normalmente de 1,5 a 2 vezes a folga citada pelo API. Em alguns tipos de bomba, como no caso das de dois estágios em balanço (OH), o dobro da folga pode levar a vibrações altas. Temos também que folgas grandes aumentam a fuga de líquido da descarga para a sucção, o que leva a um gasto maior de energia. PROBLEMA 17 Calcular a folga mínima do anel de desgaste de uma bomba que trabalha nas seguintes condições: Diâmetro do anel na área de contato – 300mm Material – AISI 316 sem revestimento Temperatura – 300ºC Da Tabela 32, temos: Folga diametral = 0,60mm PETROBRAS ABASTECIMENTO 246 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 244.
    Pense e Anote Como o material AISI 316 sem revestimento tem tendência ao agarra- mento, acrescentar 0,12mm. Como a temperatura de bombeamento é maior que 260ºC, acrescentar 0,12mm. Folga final = 0,60 + 0,12 + 0,12 = 0,84mm Impelidor Para reduzir estoques, é usual adquirir os impelidores no seu diâmetro máximo. Nesse caso, pode ser necessário adequar seu diâmetro na hora da substituição. Na Figura 137, são mostradas algumas recomendações bási- cas sobre o corte do impelidor. Nas bombas com difusor, o corte do impe- lidor deve ser realizado somente nas pás, deixando intactas suas laterais (Figura 137 C). Assim, o líquido que sai do impelidor fica guiado até a entra- da da voluta. Nas bombas com carcaça em voluta, não há ganho com esse tipo de corte; portanto, ele deve ser total tanto nos discos como nas pás (Fi- gura 137 A e B). Alguns fabricantes utilizam o corte oblíquo do impelidor em bombas com difusor ou de dupla sucção. Nesse caso, para efeito de cálculos, usar o diâmetro médio do corte do diâmetro D (ver Figura 137 D e E). Quan- do o fabricante envia o rotor com esse tipo de corte, ele deve ser mantido porque leva a uma maior estabilidade da curva da bomba. Com a utilização de uma ponta montada, podemos desbastar o impelidor e ganhar em al- gumas características interessantes no funcionamento da bomba. FIGURA 137 CORTE DO DIÂMETRO DO IMPELIDOR D2 D1 D2 D1 D2 D1 Redução diâmetro Redução diâmetro Redução pás e discos pás e discos diâmetro pás A B C D2 D1 D2 D1 D D D1 + D2 D= 2 Redução oblíqua das pás Redução oblíqua das pás D E PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 247
  • 245.
    Quanto mais lisasas superfícies internas do impelidor, maior o seu rendimento, o que pode ser obtido por meio do esmerilhamento das irre- gularidades da fundição nos impelidores de maior porte. Nos de tamanho reduzido, esse acabamento fica mais difícil pela falta de acesso. Pense e Anote Melhoria de desempenho da bomba Por meio do esmerilhamento do impelidor, tornando-o mais liso, afinan- do suas paredes ou modificando o perfil da lingüeta da voluta, é possível obter ganhos de rendimento, de vazão e da AMT. FIGURA 138 AUMENTO DE AMT POR MEIO DA REDUÇÃO DA ESPESSURA DA PÁ Espessura Espessura normal original Esmerilhar Largura Largura nova original de saída Estreitamento máximo Deixar no mínimo 2mm Aumento da área de saída do impelidor pelo estreitamento Com estreitamento AMT ou head e rendimento Sem estreitamento Ponto de maior eficiência (BEP) Vazão PETROBRAS ABASTECIMENTO 248 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 246.
    Pense e Anote Para aumentar a AMT (pressão de descarga) em até 5%, podemos alar- gar a passagem de saída do impelidor por meio da redução da espessura das pás. Manter uma espessura mínima para evitar que a pá venha a que- brar. Junto com o aumento de AMT, a vazão e o rendimento da bomba aumentarão e o BEP será deslocado um pouco para a direita, conforme pode ser visto na Figura 138. FIGURA 139 GANHO DE AMT E DE NPSH Melhorar AMT Melhorar NPSH Arredondar e aumentar a área de entrada do impelidor Aguçar e dar bom acabamento à entrada das palhetas Remover as imperfeições de fundição Uniformizar a área entre as pás FIGURA 140 GANHO DE VAZÃO E DE RENDIMENTO MELHORAR A VAZÃO MELHORAR A VAZÃO E O RENDIMENTO Esmerilhar a lingüeta da carcaça Esmerilhar a lingüeta Esmerilhar da carcaça de internamente as ambos os lados paredes do impelidor PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 249
  • 247.
    Anel pescador É importante que seja fabricado com material que não solte limalhas, uma vez que pode roçar lateralmente. Pense e Se estiver ovalizado, pode não girar com o eixo e prejudicar a lubrificação. Anote Se o nível de óleo estiver muito alto, pode impedir a rotação do anel e, se estiver baixo, pode não arrastar a quantidade de óleo necessária para a lubrificação adequada do mancal. Devemos seguir a recomendação do fabricante. É comum as caixas de mancais com anel pescador possuírem sobre ele uma oleadeira ou um bujão roscado que, uma vez aberto, permite verifi- car se o anel está girando com o eixo. Devemos ter cuidado com equipamentos que ficam na reserva giran- do em baixa rotação, como no caso de turbinas a vapor e de bombas aci- onadas por elas, uma vez que, abaixo de 400/500rpm, geralmente, os anéis não giram, o que levaria à falha do mancal. Nesse caso, é interessante determinar a rotação mínima que garanta o giro do anel pescador, colo- car cerca de 100rpm adicionais, fixando esta rotação como a mínima de operação. FIGURA 141 ANEL PESCADOR DE ÓLEO Mancais de rolamentos Durante a montagem, se necessário, use um martelo macio (de bronze ou de uretano) para bater no eixo. Como a área de apoio de uma esfera é mínima, qualquer força exercida gerará uma pressão elevada (Pressão = Força/Área) e, como não temos lubrificação, marcará a pista do rolamen- to, abreviando sua vida consideravelmente. PETROBRAS ABASTECIMENTO 250 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 248.
    Pense e Anote O consultor Heinz Bloch costuma avaliar a qualidade da manutenção de uma unidade examinando as mossas nos acoplamentos e nas pontas de eixo. Quanto maior a quantidade de mossas, pior a qualidade. A norma API 610 recomenda: 1. Os rolamentos de contato angular devem ter um ângulo de contato de 40º, ser montados aos pares, costas com costas (back to back) e pos- suir espaçadores de bronze usinado. Espaçadores não metálicos não devem ser usados. Os de aço prensado podem ser utilizados, desde que o usuário aceite. 2. Os rolamentos de esferas de uma carreira devem ser de pistas profun- das, com folga interna maior do que a normal (grupo 3 – antigo C3). Os rolamentos de uma e de duas carreiras de esferas devem ser do tipo Conrad (sem rebaixo na pista para entrada das esferas). O rebaixo na pista permite montar uma quantidade maior de esferas e de diâmetros maiores, o que aumenta a capacidade de carga do rolamen- to. Em compensação, essa região do rebaixo é, geralmente, o local inicial do processo de falha. Como os rolamentos radiais das bombas não costu- mam ser limitantes, do ponto de vista de cargas, é preferível utilizar rola- mentos sem rebaixo. O rolamento deve ser aquecido para sua montagem no eixo. Os méto- dos mais recomendados de aquecimento são por meio de uma chapa tér- mica ou do aquecimento por indução. O aquecimento por meio de banho de óleo possui alguns inconvenientes, como a oxidação do óleo usado no aquecimento e os pós que caem dentro do aquecedor, podendo vir a pre- judicar a vida do rolamento. O rolamento é projetado para ter um ajuste entre as esferas e as pis- tas. Ao ser montado no eixo, geralmente com interferência, a folga é redu- zida a um valor ideal para o seu funcionamento. Se a tolerância do diâmetro do eixo estiver no valor máximo e a da pista interna do rolamento estiver no valor mínimo, a interferência aumentará, re- duzindo a folga interna, o que aumentará a temperatura de funcionamento. Quando os furos da caixa de mancais estão desalinhados, a folga inter- na do rolamento pode não ser suficiente para absorver o desalinhamen- to, o que levará as esferas a entrarem em contato com as pistas, desgas- tar o espaçador e gerar aquecimento. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 251
  • 249.
    FIGURA 142 MÉTODOS DE AQUECIMENTO DO ROLAMENTO Pense e Anote Chapa térmica Aquecedor por indução FIGURA 143 TIPOS DE MONTAGEM DE ROLAMENTOS DE CONTATO ANGULARES AOS PARES E COM AS DESIGNAÇÕES USADAS Costa a costa Faca a face Em série Back to back Face to face Tandem Disposição O Disposição X Disposição DT Disposição DB Disposição DF Quando resfriamos a caixa de mancal com câmaras de água sobre os rolamentos, podemos deformar a pista externa deles, reduzindo sua fol- ga. Os especialistas recomendam resfriar o óleo e não a caixa. Devido aos motivos relacionados, a norma API 610 recomenda usar folga do Grupo 3, que é um pouco maior do que a normal para os rolamentos radiais (os de contato angular devem ter sua folga normal). As bombas horizontais do tipo API utilizam rolamentos de contato angular, projetados para serem montados aos pares, na disposição cos- ta com costa. Esses rolamentos possuem as faces das pistas lapidadas PETROBRAS ABASTECIMENTO 252 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 250.
    Pense e Anote demodo que, ao encostar um rolamento no outro, somente as pistas externas se tocam, ficando uma folga pequena entre as pistas internas. Esta folga só é eliminada com o aperto da porca do rolamento. Nessa condição, a folga das esferas nas pistas assume o valor ideal para supor- tar a carga axial e radial. Mancais de deslizamento As folgas dos mancais de deslizamento são fornecidas nos catálogos dos fabricantes, ou como folgas radiais ou como diametrais. As folgas diame- trais são o dobro das radiais. O melhor método de medição de folga nes- se tipo de mancal é o com uso de Plastigage. Trata-se de um filamento plástico que, ao ser deformado, adquire uma largura proporcional à folga. Depois de deformado, basta comparar sua espessura com uma escala na própria embalagem para saber a folga. Nunca devemos passar lixa em mancais de deslizamento. A areia pene- tra no metal patente e funciona como uma ferramenta de usinagem para o eixo. Se necessitar remover alguma parte riscada ou danificada, utilize uma rasquete. FIGURA 144 FOLGA DO MANCAL DE DESLIZAMENTO Folga Folga radial diametral Quando a folga do fabricante não estiver disponível, utilizar os seguin- tes valores: mm In Folga diametral normal dos mancais = 0,07 + 0,001x D(mm) 0,003 + 0,001 x D (in) Folga máxima admissível = 1,5 folga normal PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 253
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    EXEMPLO Eixo com 80mm de diâmetro: Folga diametral normal = 0,07 + 0,001 x 80 = 0,15mm Pense e Anote Folga máxima = 1,5 x 0,15 = 0,22mm Tubulação de sucção A tubulação de sucção deve ser projetada para evitar pontos altos que possam acumular gases no seu interior, o que prejudica o fluxo do líqui- do. A bolha acumulada também pode soltar-se repentinamente, causan- do problemas no bombeamento. Por esse motivo, a tubulação de sucção deve sempre ser ascendente ou descendente. Pelo mesmo motivo citado, as reduções devem ser excêntricas. A posi- ção do lado plano vai depender da orientação da tubulação de sucção. Caso a mesma venha reta, ou da parte de baixo da bomba, o lado plano deve ficar para cima. Caso a tubulação venha de cima, o lado plano deve ficar na parte inferior. FIGURA 145 POSIÇÃO DA REDUÇÃO EXCÊNTRICA E DAS CURVAS NA TUBULAÇÃO DE SUCÇÃO A B C Plana no topo Plana na parte inferior Nas bombas com impelidor de dupla sucção, caso tenhamos uma cur- va próxima à bomba, ela deve ser perpendicular ao eixo, conforme pode ser verificado nas Figuras 145A e 145B. Se for paralela, teremos fluxo pre- ferencial para um dos lados do impelidor devido à força centrífuga na curva (ver Figura 145C), gerando um elevado empuxo axial, o que leva à falha prematura do mancal. PETROBRAS ABASTECIMENTO 254 Manutenção e Reparo de Bombas
  • 252.
    Pense e Anote FIGURA 146 POSIÇÃO ERRADA DE VÁLVULA NA SUCÇÃO PARA IMPELIDOR DE DUPLA SUCÇÃO L 7D D Zona de vórtices Em bombas com impelidores de dupla sucção, a válvula na linha de entrada deve ficar afastada mais do que 7D do flange da bomba. A Figura 146 mostra uma posição da válvula que poderá induzir fluxo preferencial para um dos lados do impelidor, gerando empuxo axial alto. Caso não exista espaço, girar a válvula de 90º de modo que sua haste fique perpen- dicular ao eixo. Assim, as perturbações do fluxo serão igualmente dividi- das para os dois lados do impelidor. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 255
  • 253.
    Pense e Anote Bombas de deslocamento positivo ou volumétricas A s bombas de deslocamento positivo trabalham aprisionando um volume de líquido numa câmara na sucção, deslocam esse volume até a descarga e, nessa região, reduzem o volume da câmara, empurrando o lí- quido para fora da bomba. Os nomes dessas bombas, de deslocamento positivo ou volumétrica, são decorrentes desse seu modo de trabalhar. Nas bombas de deslocamento positivo, a energia é cedida ao líquido pelo deslocamento de um êmbolo, pistão, diafragma ou pela rotação de uma peça. Nas bombas centrífugas, tanto a vazão quanto a pressão de descarga são dadas pelo sistema juntamente com a bomba (ela trabalha no pon- to de encontro da sua curva de AMT x vazão com a curva do sistema). Já na bomba de deslocamento positivo, para uma mesma rotação, o vo- lume de líquido empurrado para a descarga é sempre o mesmo, ou seja, a vazão é constante, não depende do sistema. Quanto maior a resis- tência ao escoamento na linha de descarga, maior a pressão. Podemos afirmar então que, na operação da bomba de deslocamento positivo, a bomba é a responsável pela vazão e o sistema é o responsável pela pres- são de descarga. Na realidade, ocorre uma ligeira queda de vazão com o aumento de pressão, devido à fuga do líquido pelas folgas. Se a bomba estiver em bom estado, com as folgas adequadas, esta fuga pode ser considerada desprezível. Ocorrendo uma restrição grande na descarga, a pressão pode chegar a valores muito altos, já que a bomba volumétrica continuará a fornecer sua vazão. Por esse motivo, essas bombas devem possuir uma válvula de alí- vio na descarga, evitando que a pressão ultrapasse a de projeto da bom- ba. Essa válvula de alívio pode fazer parte do projeto da bomba, sendo interna, ou pode ser colocada na linha de descarga, externamente à bom- ba. Neste caso, por razões de segurança, deve ser instalada antes de qual- quer outra válvula na descarga. Ela pode aliviar para a sucção da bomba ou para um vaso (o que é melhor). PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 257
  • 254.
    TABELA 147 POSIÇÃO DA VÁLVULA DE ALÍVIO EXTERNAMENTE Pense e A BOMBA E ANTES DE QUALQUER BLOQUEIO Anote Válvula de segurança Bomba volumétrica Quando tratamos de bombas centrífugas, usamos por conveniência o termo AMT ou head em vez de pressão, porque esse tipo de bomba forne- ce uma mesma AMT para qualquer fluido. Como na bomba de desloca- mento positivo isso não ocorre, e é o sistema que comanda a pressão, não se usa AMT e sim a própria pressão, ou o diferencial de pressão (dife- rença entre a pressão de descarga e a de sucção). As bombas volumétricas, ao contrário das bombas centrífugas, são sempre auto-escorvantes, ou seja, conseguem bombear o ar do seu inte- rior e criar um vazio que será preenchido pelo líquido. Existem também bombas centrífugas com um projeto especial de uma câmara de líquido junto da carcaça, que as tornam auto-escorvantes. Mesmo sendo auto- escorvantes, as bombas de deslocamento positivo devem ser cheias de líquido antes de partir, evitando assim o desgaste que ocorre quando fun- cionam secas. Com líquidos de viscosidade alta, as bombas centrífugas perdem muito em rendimento e, conseqüentemente, aumentam a potência para o bom- beamento. Por isso, para líquidos acima de 1.000SSU (200cSt), raramente são usadas bombas centrífugas. As bombas de deslocamento positivo, por não serem afetadas pela viscosidade, são mais indicadas para esses casos. A maioria das bombas de deslocamento positivo pode trabalhar como motores hidráulicos. Para tal, basta que sejam alimentadas com líquido pressurizado pela descarga, deixando-o sair pela sucção da bomba. As bombas centrífugas também se adaptam a esse tipo de trabalho, sendo chamadas, neste caso, de turbinas de recuperação hidráulica. As bombas de deslocamento positivo podem sofrer problemas de vapo- rização na sucção. Devemos sempre ter o NPSH disponível maior do que o requerido. Nas bombas alternativas, como a vazão varia ao longo do curso PETROBRAS ABASTECIMENTO 258 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote dopistão, temos de levar em conta no cálculo do NPSH disponível a parce- la de energia correspondente à aceleração do líquido, subtraindo-a. Como muitas bombas de deslocamento positivo trabalham com pres- sões negativas na sucção, devemos ter cuidado com a entrada de ar pelas juntas da tubulação de sucção, o que leva a uma perda de desempenho. Bombas alternativas As bombas alternativas fornecem a energia ao líquido por meio do deslo- camento linear de um pistão, de um êmbolo ou de um diafragma. Essas bombas são ditas de simples efeito quando bombeiam apenas num dos sentidos do curso, e de duplo efeito quando bombeiam nos dois sentidos. Bombas de pistão ou de êmbolo Uma bomba é dita de pistão quando possui uma peça (o pistão) que é fixada na haste; a bomba de êmbolo é formada por uma única peça (a pró- pria haste), responsável por deslocar o líquido. Elas podem ser acionadas diretamente por um acionador de movimento linear, como um cilindro a vapor ou um diafragma com ar comprimido, ou podem utilizar um acionador rotativo, como um motor elétrico. Nesse caso, necessitam de um sistema biela/manivela para transformar o movi- mento rotativo em alternativo. Existem disponíveis bombas de um cilindro ou com vários cilindros em paralelo. As que possuem um único cilindro são denominadas simplex, as de dois cilindros são as duplex, as de três são as triplex e as de cinco são as quintuplex. FIGURA 148 BOMBA ALTERNATIVA DE PISTÃO, DE SIMPLES EFEITO, ACIONADA POR SISTEMA DE BIELA/MANIVELA 9 6 10 5 4 3 2 1. Carter 2. Eixo de manivela 3. Biela 4. Cruzela 5. Haste 6. Camisa 7. Cilindro 8. Pistão 9. Válvula 10. Anel de vedação 8 7 1 PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 259
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    FIGURA 149 BOMBA ALTERNATIVA SIMPLEX, DE DUPLO EFEITO, ACIONADA A VAPOR Pense e Anote Lado do vapor Lado do produto Válvula corrediça FIGURA 150 VÁLVULAS CORREDIÇAS DE DISTRIBUIÇÃO DE VAPOR Exaustão Válvula Câmara de distribuidora entrada de vapor de vapor Entrada Exaustão de vapor de vapor Pistão Sentido do movimento de êmbolo Exaustão Válvula distribuidora de vapor Exaustão Entrada de vapor de vapor Sentido do movimento de êmbolo Pistão PETROBRAS ABASTECIMENTO 260 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote A bomba alternativa acionada a vapor possui dois cilindros em linha. Um é o cilindro de vapor, que é o acionador. O outro é o cilindro do pro- duto que será bombeado. Esses cilindros possuem seus pistões interliga- dos por hastes, movendo-os solidários. O cilindro de vapor possui uma válvula corrediça de distribuição de vapor, comandada por um sistema de alavancas interligadas à haste da bomba. Vamos acompanhar o funcionamento pelas Figuras 149 e 150. Inicialmente, a válvula corrediça alimenta de vapor o lado esquerdo do cilindro e abre o lado direito para a exaustão, fazendo com que o pistão e a haste se desloquem para a direita. Quando o pistão de vapor chega ao final do curso, a válvula corrediça está na posição da figura da direita, fazendo a inversão das aberturas, e passa a admitir vapor do lado direito do cilindro e a fazer a exaustão no lado esquerdo. Com isso, o pistão irá mover-se para a esquerda. Ao chegar ao final desse curso, torna a inverter o movimento. Assim, o vapor gera um movimento contínuo alternativo. O pistão da bomba, que está interligado ao de vapor, aspira o produto de um dos lados e empurra o produto pela válvula de descarga do outro. Ao chegar ao final do curso, ele inverte. O cilindro mostrado é de duplo efeito e trabalha nos dois sentidos. Tanto as válvulas de sucção quanto as válvulas de descarga traba- lham com molas. A sua abertura é realizada pelo diferencial de pressão. Para controlar a vazão na bomba acionada a vapor, temos de controlar a quantidade de vapor admitida na bomba. Quanto maior a vazão de va- por, maior a velocidade de deslocamento do pistão, ou seja, maior o nú- mero de ciclos executados por minuto. Devemos sempre garantir que esteja chegando líquido na admissão da bom- ba alternativa acionada a vapor. Se ocorrer falta de produto na sucção ou a sua vaporização, a bomba tenderá a disparar, já que a quantidade de vapor forne- cida será a mesma de quando a bomba estava com carga. A bomba, em vez de líquido, estará bombeando ar ou gases, os quais demandam bem menos po- tência. Essa situação, geralmente, leva a bomba a disparar, com vibrações que acabam por afrouxar partes roscadas, podendo vir a quebrar a bomba. Bombas de diafragma As bombas de diafragma disponíveis podem ter diversas configurações. Vejamos o funcionamento da bomba de diafragma, lado esquerdo da Figura 151. Temos dois ciclos: admissão e descarga. Inicialmente, o ar comprimi- do é admitido na parte inferior do pistão, fazendo com que ele suba, le- vando junto o diafragma. O vácuo então formado na câmara abre a válvu- la de sucção e fecha a de descarga do produto. À medida que o diafragma vai subindo, o líquido vai enchendo a câmara da bomba. Ao atingir o pon- to superior, termina o ciclo de admissão e começa o de descarga. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 261
  • 258.
    Assim que olíquido parar de ser admitido, a esfera da válvula cai e bloqueia a sucção. O ar comprimido que era direcionado para o cilindro é desviado para a parte superior do diafragma. O diafragma começa a des- cer, arrastando com ele o pistão. O líquido começa a ser pressurizado e a deslocar-se, abrindo a válvula de descarga e permitindo o escoamento do Pense e Anote produto. Quando o diafragma chegar ao seu ponto inferior, termina o ci- clo de descarga e tem início um novo ciclo de admissão. A bomba de dia- fragma descrita é acionada por um cilindro de ar, mas existem outros modelos acionados por outros sistemas, como o de biela/manivela. FIGURA 151 BOMBAS DE DIAFRAGMA ACIONADAS POR PISTÃO E POR OUTRO DIAFRAGMA Bomba de diafragma A B Pistão Válvula de descarga Câmara Válvula de sucção Duplo diafragma A bomba de duplo diafragma possui duas câmaras com diafragmas in- terligados por uma haste. Uma das câmaras é a acionadora, movida a ar comprimido, e a outra é a do produto que será bombeado. O funciona- mento da bomba é semelhante ao descrito anteriormente. Algumas bombas alternativas possuem dispositivos que permitem al- terar a vazão. Quando a bomba é acionada pelo sistema de biela/manive- la, podemos modificar a vazão, variando a rotação ou o curso do pistão. Para variar o curso, modificamos o raio da manivela. As bombas dosado- ras costumam ser do tipo alternativa e utilizam êmbolo ou diafragma. PETROBRAS ABASTECIMENTO 262 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Algumasbombas, que trabalham com fluidos agressivos, usam dois dia- fragmas em série com óleo entre eles, evitando assim que ocorra conta- minação caso o diafragma venha a romper. A vazão fornecida pelas bombas de deslocamento positivo é pulsante. Ela é máxima, quando o cilindro está no meio do curso, e mínima (zero), quando está no início ou final do curso. Variando a vazão, a pressão tam- bém sofrerá variação. Para uma mesma rotação, quanto maior o número de cilindros, menor a pulsação de pressão e de vazão. Quando a pulsação puder trazer algum problema, é usual colocar um amortecedor de pulsa- ção na linha de descarga da bomba alternativa. Esses amortecedores po- dem ser de diafragma, de bexiga ou de pistão. FIGURA 152 VAZÃO AO LONGO DO TEMPO DA BOMBA ALTERNATIVA Vazão Vazão da bomba alternativa simplex Tempo de simples efeito Vazão Vazão da bomba alternativa simplex Tempo de duplo efeito Bombas rotativas As bombas rotativas fornecem energia ao líquido por meio de um elemen- to rotativo. A rotação visa apenas deslocar o líquido e não acelerá-lo. Como toda bomba de deslocamento positivo, as rotativas também aprisionam o líquido em uma câmara na região de sucção e, por meio de rotação, em- purram o líquido para a descarga. Esse tipo de bomba não necessita de válvulas para o seu funcionamen- to. Nas alternativas puras, é indispensável o uso de válvulas na entrada e na descarga da bomba. As bombas rotativas possuem folgas entre o elemento girante e o esta- cionário, de modo que sempre temos um pequeno vazamento interno. Se não tivéssemos as fugas, a vazão seria sempre a mesma, independente da pressão (caso teórico). No caso real, quanto maior o diferencial de pres- são da bomba ( P), maior esse vazamento e, conseqüentemente, um pouco menor a vazão fornecida ao sistema. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 263
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    FIGURA 153 VAZÃO X P PARA BOMBAS ROTATIVAS Pense e Anote P P Vazamento interno Vazão Vazão Teórico Teórico Quanto maior a viscosidade do líquido bombeado, menor as fugas, o que aumenta ligeiramente a vazão da bomba. Os principais tipos de bombas rotativas usadas são: de engrenagens (externas e internas); de fusos (1, 2 ou 3 fusos); de palhetas e de lóbulos. Bomba de engrenagens As bombas de engrenagem podem ser de dois tipos: engrenagens inter- nas e externas. As de engrenagens internas podem ser com crescente ou sem crescente. FIGURA 154 BOMBA DE ENGRENAGENS EXTERNAS E INTERNAS 3 3 4 2 1 1 2 Engrenagens externas Engrenagens internas com crescente Engrenagens internas sem crescente PETROBRAS ABASTECIMENTO 264 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote BOMBADE ENGRENAGENS EXTERNAS Acompanhar o funcionamento pela Figura 154. Ao girar, as engrenagens aprisionam o líquido que está na entrada da bomba, região 1, entre dois dentes consecutivos e a carcaça, levando-o para a região 2. Esse volume de líquido bloqueado vai sendo levado pelo giro das engrenagens até chegar à região 3, onde é liberado, seja qual for a pressão reinante na descarga. A engrenagem continuará girando e che- gará à região 4, onde os dentes se engrenam, impedindo o retorno do lí- quido para a sucção. As duas engrenagens, cada uma girando num senti- do, bombeiam simultaneamente. BOMBAS DE ENGRENAGENS INTERNAS COM CRESCENTE Ambas as engrenagens aprisionam os volumes entre seus dentes e o cres- cente. Antes do crescente, fica a região de sucção. Depois dele, a região de descarga. Ao chegar à parte superior, os dentes se engrenam, fazendo a vedação e impedindo o retorno do líquido bombeado. BOMBAS DE ENGRENAGENS INTERNAS SEM CRESCENTE O bombeamento é similar ao de engrenagens externas. Devido ao elevado número de dentes e à rotação, a vazão e a pressão forne- cidas pelas bombas de engrenagens não são consideradas pulsantes. Para ter um bom desempenho, as engrenagens têm de estar bem ajus- tadas entre si, como também devem estar na carcaça ou no crescente. Os dentes e as partes responsáveis pelo aprisionamento dos volumes não devem ter marcas nem arranhões, do contrário, haverá perdas no volume bombeado. Bomba de fusos ou de parafusos Essas bombas podem ter os fusos arrastados por um fuso motriz ou dis- porem de engrenagens de sincronismo. Podem succionar de um lado ape- nas ou dos dois lados. Neste caso, descarregam pelo centro da carcaça. A bomba de parafusos, mostrada na Figura 155, possui um fuso mo- triz e dois conduzidos. Como existe um diferencial de pressão nas faces dos fusos, há necessidade de um sistema de balanceamento axial. Por isso, possui nos mancais do lado da sucção uma linha ligada à descarga. Na bomba da Figura 156, a entrada do líquido é realizada pelas duas extre- midades, e a descarga ocorre pelo centro da bomba, o que equilibra o es- forço axial nos fusos. Essa bomba possui engrenagens de sincronismo para acionar o fuso conduzido. O bombeamento é realizado por meio do volume de líquido aprisi- onado entre os fusos e a carcaça. No caso de três fusos, temos também um volume entre os fusos laterais e o central. À medida que o fuso PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 265
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    vai girando, olíquido vai sendo deslocado axialmente, da sucção para a descarga. Os fusos se engrenam vedando e impedindo o retorno do líquido. Pense e A vazão é contínua, logo, não temos pulsação de pressão. Anote Algumas dessas bombas possuem uma válvula de alívio (segurança) interna. FIGURA 155 BOMBA DE 3 FUSOS E DE SIMPLES SUCÇÃO Entrada Saída Eixo motriz Mancal externo Selagem Fusos temperados Pistão de balanço Tampa do balanço Camisa dos rotores Câmara de empuxo ligada à descarga FIGURA 156 BOMBA DE 2 FUSOS E DE DUPLA SUCÇÃO Fuso conduzido Saída Selagem Mancal Engrenagens de sincronismo Fuso motor Entrada PETROBRAS ABASTECIMENTO 266 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Bombasde palhetas A bomba de palhetas, Figura 157, possui um rotor que gira excentricamen- te com a carcaça. Nesse rotor, ficam alojadas diversas palhetas que, pela força centrífuga ou por meio de molas, são expelidas, mantendo contato com a carcaça. Na região de sucção, a carcaça possui um rebaixo para per- mitir a entrada do líquido. Como o rotor é montado excêntrico com a carcaça, na sucção, as pás consecutivas formam uma câmara com a carca- ça, onde cabe um determinado volume. O rotor, ao girar, bloqueia o líquido nessas câmaras, deslocando-o até chegar à região da descarga. Devido à excentricidade do rotor, o volume da câmara fica praticamente nulo nessa região, obrigando o líquido a sair pela descarga da bomba. Com rotação alta, esse tipo de bomba não apresenta pulsação de va- zão nem de pressão. FIGURA 157 BOMBAS DE PALHETAS Bomba de cavidade progressiva Essa bomba é constituída por um rotor e um estator, o qual normalmen- te é construído de um material elástico, como Buna N e Viton. O líquido fica preso nas cavidades entre o rotor e o estator e vai sendo deslocado pelo giro do rotor, da sucção para a descarga. A pressão que esta bomba fornece não é muito alta, aproximadamente de 6kg/cm2. Quando se dese- jam pressões maiores, são utilizadas bombas em série. PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 267
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    FIGURA 158 BOMBA DE CAVIDADES PROGRESSIVAS Pense e Anote Rotor Selagem Estator Caixa de mancais Bomba de lóbulos As bombas de lóbulos possuem dois rotores que giram em sentido con- trário dentro da carcaça. Pelo seu formato, ao girarem, aprisionam na sucção um volume de líquido entre seus lóbulos e a carcaça, volume esse que é deslocado e liberado na descarga. Os rotores estão sempre em con- tato na parte central, fazendo a vedação. Existem bombas de um, dois, três e cinco lóbulos. FIGURA 159 BOMBAS COM 1, 2, 3 E 5 LÓBULOS PETROBRAS ABASTECIMENTO 268 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Bombaperistáltica Essa bomba é formada por um tubo flexível, montado sob a forma de U. Um ou mais roletes giratórios ou excêntricos passam espremendo o tubo, deslo- cando o líquido da sucção para a descarga. É uma bomba bastante simples e que não precisa de selagem. A única parte que entra em contato com o líqui- do é o tubo flexível. Seu principal desgaste ocorre no tubo flexível. FIGURA 160 BOMBA PERISTÁLTICA Tubo em U flexível Excêntrico giratório Bombas de pistão rotativo As bombas de pistões axiais variam a vazão pela alteração da inclinação de um disco que aciona os pistões. Quanto mais inclinado o disco, maior o curso dos pistões, portanto, maior a vazão. O disco é montado sobre o eixo por meio de uma junta esférica, não mostrado na figura, que permite sua oscilação. FIGURA 161 ESQUEMA DA VARIAÇÃO DE VAZÃO DA BOMBA ALTERNATIVA DE PISTÕES AXIAIS Curso do pistão Curso zero Ângulo máximo significa Redução do ângulo Ângulo zero significa curso máximo do pistão significa curso reduzido curso zero (pistão não se e máxima vazão e vazão reduzida move) e vazão nula PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 269
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    FIGURA 162 BOMBA DE PISTÃO AXIAL COM AJUSTE DA VAZÃO Pense e Anote Pistão de Porta de ajuste do curso enchimento Dispositivo Prato da de retorno válvula com mola Saída Bucha Mola Entrada Bloco do Pistão Placa cilindro oscilante As principais partes da bomba de vazão variável de pistão axial são: BLOCO DO CILINDRO Peça que gira junto com o eixo e possui diversos furos em que se alojarão os pistões axiais. É conectado ao eixo através de estrias. PISTÕES Cada furo do bloco do cilindro comporta um pistão. Um lado do pistão é esférico e se conecta com a placa oscilante. PLACA OSCILANTE Ela pode oscilar em torno do eixo sobre uma junta esférica. Os pistões são articulados com essa placa. DISPOSITIVO DE RETORNO COM MOLA Serve para empurrar a placa oscilante contra o pistão de ajuste. EIXO É acoplado ao bloco de cilindros por meio de estrias. O eixo é assentado por intermédio de um rolamento na carcaça e de uma bucha no prato da válvula. PETROBRAS ABASTECIMENTO 270 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote PRATO DA VÁLVULA PRAT DA VÁLVUL VULA VUL Peça estática, na qual se localizam as conexões de entrada e saída do pro- duto. Junta esférica, sapata da placa, mancal tipo bucha, mola e a caixa também fazem parte da bomba. Princípio de funcionamento O eixo, a placa oscilante e o bloco do cilindro, juntamente com os pis- tões, giram solidários. A placa oscilante permanece com uma determina- da inclinação ajustada e é livre girar no seu plano. À medida que o bloco de cilindros gira com o eixo, os pistões fazem um movimento alternativo nos seus furos. As portas de entrada e de saída do líquido são arranjadas de tal modo que os pistões passam na entrada quando estão sendo recolhidos e pas- sam na saída quando estão sendo empurrados. O volume deslocado depende do diâmetro, do número de pistões e do seu curso. O curso depende do ângulo de ajuste da placa oscilante. A variação do curso do pistão é possível pela mudança do ângulo da placa oscilante. Isso é feito por meio de um dispositivo de posicionamento angu- lar da placa. O ângulo pode ser modificado manualmente por meio de um parafuso de ajuste ou de uma linha-piloto (linha pressurizada). Batentes são providos para as posições de curso máximo e mínimo. Outros tipos de bombas rotativas de deslocamento positivo A variedade de bombas de deslocamento positivo rotativas é muito gran- de. Na Figura 163, mostramos alguns outros modelos que são utilizados. FIGURA 163 BOMBAS DE PALHETA EXTERNA, DE PÁS FLEXÍVEIS E DE CAME COM PISTÃO Bomba de palheta externa Bomba de pás flexíveis Bomba com came e pistão PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 271
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    A bomba depalheta externa possui uma peça rotativa elítica, que é a responsável pelo bombeamento, juntamente com uma palheta que faz a Pense e vedação. O líquido fica aprisionado entre a parte elítica e a câmara circu- Anote lar e, com o giro, vai sendo deslocado da sucção para a descarga. A palhe- ta impede o retorno do líquido para a sucção, obrigando-o a sair pela descarga. A bomba de pás flexíveis usa a deformação das pás para realizar o bom- beamento. A bomba de came e pistão funciona pelo movimento de um cilindro que gira excentricamente e em contato com um cilindro maior. O cilindro menor é guiado por uma haste cilíndrica (pistão) que trabalha numa bu- cha esférica. PETROBRAS ABASTECIMENTO 272 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Pense e Anote Bombas centrífugas especiais A lém das bombas centrífugas já citadas, existem algumas com ca- racterísticas específicas. Entre estas temos: FIGURA 164 BOMBA AUTO-ESCORVANTE, SUBMERSA E TIPO “VORTEX” Auto-escovante Submersa Vortex PETROBRAS ABASTECIMENTO Manutenção e Reparo de Bombas 273
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    Bomba auto-escorvante Essa bomba possui na frente de seu impelidor uma câmara com uma vál- vula de retenção. Quando a bomba é desligada, o líquido fica retido nessa Pense e câmara. Na próxima partida, não será necessário escorvá-la. Anote Bomba submersa É uma bomba centrífuga tipo canned. A maioria das vezes esse tipo de bomba é montado com mangueiras flexíveis. É muito usada para esgota- mentos de poços e de valas. Bomba tipo “vortex” Esse tipo de bomba possui um impelidor aberto, que fica recuado em relação à descarga da bomba. Ao girar, o impelidor faz um turbilhonamento do líquido dentro da carcaça. Esse turbilhonamento provoca o arraste do líquido que está adjacente. É muito usada quando temos materiais em suspensão que poderiam obstruir o impelidor. Seu rendimento é baixo. PETROBRAS ABASTECIMENTO 274 Manutenção e Reparo de Bombas
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    Referências bibliográficas 0 AMERICAN PETROLEUM INSTITUTE. API 610: centrifugal pumps for petro- leum, petrochemical and natural gas industries. 9.ed. Washington: 2003. MATTOS, E. E.; FALCO R. Bombas industriais. 2.ed. Rio de Janeiro: Inter- ciência, 1998. NELSON, W. E. Understanding pump cavitation. Chemical Processing. fev. de 1997. NSK. NSK Rolamentos - Motion Control NSK. São Paulo: 2002. SKF. Catálogo 4000P Reg. 47-6100-1990-09. Torino: 1990. SULZER BROTHERS LTD. Centrifugal pumps handbook. Winterthur: 1989. WORTHINGTON. PSI pump selection for industry. Nova York: [19 —]
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    SENAI / RJ PRODUZIDO PELA DIRETORIA DE EDUCAÇÃO Coordenador de formação, capacitação e certificação de abastecimento M AURÍCIO L IMA Diretora de educação ANDRÉA MARINHO F RANCO Elaboração GETÚLIO V. DR UM MOND Gerente de educação profissional L UIS R OBERTO ARRUDA Gerência de educação profissional A NA P AULA DE B ARROS L EITE R ICARDO G OMES R ODRIGUES R OSEMARY LOM ELI NO DE SOUZA XAVIER R OSILENE F ERREIRA MENEZES Revisão técnico-metodológica E RNESTO F ERREIRA M ARTINS S ÉRGIO MOLINA M ICAELO Revisão gramatical L OURDES S ETTE Revisão editorial R ITA G ODOY Projeto gráfico, programação I N -F ÓLIO – P RODUÇÃO EDITORIAL , visual e diagramação GRÁFICA E P ROGRAMAÇÃO VISUAL