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O NOVO TESTAMENTO
UMA PEQUENA INTRODUÇÃO
(EDIÇÃO - 2012)
Luiz Ricardo Monteiro da Cruz
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS
O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
O NOVO TESTAMENTO
UMA PEQUENA INTRODUÇÃO
I. Informações Sobre o Período Inter-Bíblico & Algumas Outras Notas
Nenhum estudo do Novo Testamento pode ser completo sem que se tome em consideração os acontecimentos
dos 400 anos que se passaram entre a profecia de Malaquias (Neemias) e o nascimento do Senhor Jesus. Esse período,
também chamado de período inter-bíblico ou de período silencioso (pelo fato de não ter surgido em Israel nenhum profeta
inspirado), é, na verdade, um período de grande atuação do nosso Deus na História, preparando tudo para que, vindo a
"plenitude do tempo", Ele enviasse Seu Filho, "nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a
lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos" (Gl 4.4,5).
Vamos conhecer alguma coisa do Período Inter-bíblico?! Podemos dividi-lo em quatro “momentos” distintos:
1. PERÍODO PERSA - 430 a 331 a.C.
Os persas dominaram o mundo desde 536 até 331 a.C. Ao contrário do que fizeram os assírios e babilônios, que
retiravam os povos conquistados de sua terra espalhando-os por outras regiões do Império, os persas procuraram repatriar
esses povos. Foi assim que Ciro permitiu aos judeus que voltassem para Jerusalém e reconstruíssem o Templo (2 Cr
36.22,23; Ed 1.1-4). Com isso, cumpriu-se a profecia de Isaías (Is 41,44,45) proclamada 150 anos antes! (Isaías citou,
inclusive, o nome do rei que viria, e predisse a reconstrução do Templo que, na sua época, nem havia sido destruído pelos
babilônios ainda!).
Durante todo esse período, aos judeus foi permitido observar suas ordenanças religiosas sem interferências. O
governo da Judéia era exercido pelo sumo sacerdote, que prestava contas ao governo persa. Havia bastante liberdade e
autonomia. Por outro lado, o cargo de sumo sacerdote passou a ser político, o que, posteriormente, gerou muitos problemas.
As lutas para ocupá-lo eram marcadas por inveja, intriga e, até, assassinato!
A Pérsia e o Egito, nessa época, passaram a envolver-se em conflitos constantes e, como a Judéia estava
geograficamente situada entre esses dois impérios, não teve como se eximir de envolvimento. Foi assim que, durante o
reinado de Artaxerxes III, muitos judeus se engajaram numa rebelião contra os seus dominadores persas, tendo sido
deportados (novamente) para a Babilônia ou para as margens do Mar Cáspio.
2. PERÍODO GREGO - 331 a 167 a.C.
Até a segunda metade do IV século a.C., os grandes impérios mundiais tinham suas bases na Ásia ou na África.
Contudo, os persas (que eram da Ásia) jamais foram vitoriosos em suas tentativas de subjugar os gregos (que eram da
Europa). E, em 333 a.C. Alexandre da Macedônia, discípulo de Aristóteles, completamente convencido de que a cultura
grega era a força que iria unificar o mundo, derrotou os exércitos persas estacionados na Ásia Menor (península asiática
localizada entre os mares Negro e Mediterrâneo). De lá, passando pela Síria e Palestina (e conquistando Tiro após sete
meses de ferrenha resistência), chegou ao Egito, onde foi recebido como libertador do domínio persa. Do Egito, Alexandre
passou para a Babilônia e Pérsia, estendendo as suas conquistas até à região de Punjab, na Índia. Sua meta era implantar
a cultura helênica, levando o mundo conhecido a experimentar uma espécie de globalização. Em cada país conquistado,
determinava a construção de uma cidade, que deveria servir de modelo para as demais. Eram construídos bons prédios
públicos, um ginásio (para os jogos), um teatro, etc. As pessoas eram estimuladas a adotar nomes gregos, vestir-se como os
gregos, e falar a língua grega. Aos poucos, ia se estabelecendo uma língua mundialmente falada.
Alexandre tornou-se amigo dos judeus, preservou a cidade de Jerusalém, permitiu-lhes observar as suas próprias
leis, e lhes ofereceu facilidades para se fixarem em Alexandria (cidade construída por ele em 331 a.C. no Egito) onde aos
judeus foram concedidos privilégios comparáveis àqueles de que gozavam os súditos gregos. Assim, muitos deles ficaram
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
fascinados pela cultura grega. E, se a idolatria foi a pedra de tropeço no período pré-exílico, a cultura helênica o foi
neste
período. Muitos tentaram adaptar a fé à filosofia grega. Por outro lado, outros resistiram ao helenismo, dedicando-se com
grande afinco ao estudo da Lei.
Alexandre morreu em 323 a.C., aos 33 anos de idade, na Babilônia. Depois de um período de vinte anos de lutas
e incertezas, seus generais (também chamados diádocos, que quer dizer sucessores, ou herdeiros) dividiram o império em
cinco regiões, distribuindo-as entre si, mantendo, porém, a mesma conduta de helenização dos povos:
a) Lisímaco recebeu a Trácia e a Ásia Menor;
b) Cassandro, a Macedônia e a Grécia;
c) Ptolomeu ou Ptolomeu Soter (cuja dinastia foi a mais estável de todas – e todos os seus
sucessores, até o Egito ser conquistado pelos romanos em 30 a.C., receberam o nome de Ptolomeu), recebeu o Egito e o
norte da África;
d) Seleuco, a Síria, e vasta região à leste desta.
e) A Judéia ficou sujeita, inicialmente, ao general Antígono Monoftalmos (detentor de maior
poder e maior extensão de territorial), responsável por controlar a Ásia. Posteriormente, passou a ser controlada por outro
general, Ptolomeu I ou Ptolomeu Soter (que já dominava o Egito). Ptolomeu Soter (Libertador), capturou a cidade de
Jerusalém num sábado. Iniciar-se, então, dentro do Período Grego, um "sub-período":
2.1 Sub-Período Grego, também chamado de Período Greco-Egípcio: os Ptolomeus - 301 a 198 a.C.
Sob o domínio dos Ptolomeus (reis egípcios) os judeus viveram em paz. Os que moravam no Egito construíram
sinagogas. Alexandria, definida como a capital por Ptolomeu I, tornou-se um centro influente do Judaísmo. Na época de
Ptolomeu II (também chamado de Filadelfo) - 285 a.C. - os judeus de Alexandria traduziram para o grego as Escrituras do
Velho Testamento. Essa tradução tornou-se conhecida como a Septuaginta, ou Tradução dos Setenta, pois 72 homens,
sendo 6 de cada tribo, foram enviados desde a Judéia para produzi-la. A Septuaginta passou a ser a Bíblia de muitos judeus
que moravam fora da Palestina. Mas ela não se tornou acessível apenas aos judeus; também o era para todo o mundo de
fala grega. E se tornou, mais tarde, a Bíblia usada pela Igreja Primitiva de fala grega, sendo citada com freqüência em o
Novo Testamento. [Nota: Nesse período, em Alexandria, judeus pouco ortodoxos adicionaram à Septuaginta livros
apócrifos, escritos por essa época. Somente no século XV – cerca de 1.700 anos depois - a Igreja Católica Romana os
adicionou ao Cânon. Todavia, os judeus nunca os consideraram canônicos, nem reconheceram neles autoridade profética.
Filon, o filósofo judeu de Alexandria, que viveu entre os anos 20 a.C. e 50 d.C., deixou uma lista com os nomes dos
escritos sagrados, e nela não incluiu os apócrifos. Também a maioria dos judeus que viviam na Palestina à época não
reconheciam os apócrifos como canônicos, posição reforçada pelo historiador Flávio Josefo, que viveu entre os anos 38 e
100 d.C. No Sínodo de Jamnia (realizado entre 90 e 118 d.C.) os rabinos judeus declararam a canonicidade apenas dos
livros já anteriormente reconhecidos como inspirados].
Os sumos sacerdotes continuaram governando a terra, como no Período Persa. O grande personagem dessa
época: o Sumo Sacerdote Simão, o Justo.
2.2 Sub-Período Grego: os Selêucidas - 198 a 167 a.C.
Os governadores sírios são chamados Selêucidas, porque o seu reino coube a Seleuco, outro dos generais de
Alexandre. Antíoco III, o Grande, conquistou a Palestina em 198 a.C, ao vencer Ptolomeu IV na batalha de Panéias.
Inicialmente, os selêucidas permitiram que o Sumo Sacerdote continuasse governando os judeus, de acordo com as leis
deles. Porém surgiram conflitos entre o partido helenista e os judeus ortodoxos, o que levou Antíoco IV (também
chamado Epifânio, que quer dizer ilustre) a se aliar aos helenistas e a nomear para o sacerdócio um homem que mudara
seu nome de Josué para Jasom, inimigo do sumo sacerdote Menelau, que era ortodoxo. Jasom, contando com o apoio
irrestrito de Epifânio, construiu em Jerusalém um ginásio em estilo grego, fato que ofendeu os judeus ortodoxos pelo fato
de os atletas que freqüentavam o local se exercitarem nus e também, obrigatoriamente, participarem do culto aos deuses
gregos. Acabou-se a paz. Antíoco Epifânio, ante a postura anti-helenista de muitos judeus, assumiu uma postura violenta,
esforçando-se grandemente por exterminá-los, bem como sua religião. Tendo marchado contra Jerusalém, no ano 167
a.C., levou consigo o altar e o candelabro de ouro com todos os seus acessórios, e profanou o Templo, oferecendo uma
porca em seu altar e suspendendo os sacrifícios diários. Construiu sobre o altar do holocausto um altar ao deus Zeus (o pai
dos deuses entre os gregos, correspondente ao deus Júpiter dos romanos); pelas cidades da Judéia mandou construir outros
altares (pagãos, naturalmente) sobre os quais eram oferecidos animais impuros; proibiu a circuncisão, a guarda do sábado e
das festas bíblicas; escravizou milhares de judeus; destruiu todas as cópias das Escrituras que encontrou; e torturou os
judeus, visando obrigá-los a renunciar à fé*. Enquanto os helenizados receberam e acataram de bom grado as ordens do rei,
os ortodoxos se viram mais e mais acossados, fato que gerou a revolta dos Macabeus, um dos passos mais heróicos da
História de Israel.
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
*Transcrevo aqui trechos de 2 Macabeus, capítulo 6, a fim de termos uma idéia mais clara da situação:
“Não muito tempo depois, o rei mandou um ancião ateniense convencer os judeus a que
abandonassem as leis dos antepassados e deixassem de se governar segundo as leis de Deus. Mandou
também profanar o Templo de Jerusalém e dedicá-lo a Júpiter Olímpico; e também a Júpiter Hospitaleiro,
dedicar o templo do monte Garizim, conforme desejo dos moradores do lugar.
Até para a massa do povo, era difícil e insuportável o crescimento dessa maldade. De fato, o Templo
ficou cheio de libertinagem e orgias de pagãos, que aí se divertiam com prostitutas e mantinham relações com
mulheres no recinto sagrado do Templo, além de levarem para dentro objetos proibidos. O próprio altar estava
repleto de ofertas proibidas pela Lei. Não se podia celebrar o sábado, nem as festas tradicionais, nem mesmo
se declarar judeu...
...Duas mulheres foram presas por terem circuncidado seus filhos. Depois de fazê-las percorrer
publicamente a cidade com os filhos pendurados ao seio, as jogaram muralha abaixo...”.
Obs.: o rei a que se refere o texto é Antíoco IV, ou Antíoco Epifânio.
3. PERÍODO MACABEU - 167 a 63 a.C.
Não demorou muito para que os judeus, tão oprimidos pelos selêucidas, encontrassem um líder para defender sua
causa. Certo emissário de Antíoco Epifânio, chegou à vila de Modina (distante cerca de 27 km a noroeste de Jerusalém) e
tentou fazer com que Matatias, um sacerdote já idoso, oferecesse um sacrifício pagão. Com a sua recusa, um judeu tímido e
covarde adiantou-se para atender à ordem do emissário. Irado, o sacerdote matou o judeu e o representante do rei e destruiu
o altar pagão. [Vale a pena ler a descrição dos fatos conforme descrita em 1 Macabeus 2.1-28]. Tendo bradado a seguinte
expressão: “Que venha comigo quem for dedicado à Lei e quiser continuar fiel à Aliança”, Matatias fugiu para a região
montanhosa da Judéia e, juntamente com os seus cinco filhos (Simão, Jônatas, Judas, João e Eleazar) e mais um grupo de
simpatizantes, começou a lutar contra os sírios e contra os judeus helenizados. Pouco tempo depois Matatias morreu e,
embora o velho sacerdote não tenha vivido para ver o seu povo liberto do jugo sírio, seu filho Judas (apelidado de
Macabeu, que quer dizer martelo) o sucedeu, continuando a luta. Os Macabeus, como passaram a ser chamados os
seguidores de Judas, conquistaram boa parte da cidade de Jerusalém (no ano 164 a.C., três anos após a profanação
realizada por Antíoco Epifânio), purificando e re-dedicando o Templo. [Eis aqui a origem da Festa da Dedicação – ou
Festa das Luzes, porque as lâmpadas do Templo foram novamente acesas - cujo início é a 25 de Quisleu/Dezembro. O
Senhor Jesus participou dessa festa ao menos uma vez – Jo 10.22]. Poucos dias após a vitória de Judas, Antíoco Epifânio
morreu na Pérsia. Porém as lutas entre os reis selêucidas e os Macabeus ainda continuaram por quase vinte anos!
Judas Macabeu encampou em si mesmo a autoridade sacerdotal e civil, estabelecendo uma linhagem de
sacerdotes-governadores (chamados hasmoneus, de Hasmon, o pai de Matatias) que iriam administrar uma Judéia
independente por um período de 100 anos, durante os quais houve expansão territorial (chegaram a estabelecer fronteiras
quase exatamente como as dos dias de Davi), o templo samaritano do Monte Gerizim foi destruído, e a Galiléia tornou-se
um centro importante do Judaísmo. A princípio, os hasmoneus receberam grande apoio de um grupo que, durante o
governo de Judas Macabeu, era conhecido como os hasidim -os piedosos. Mais tarde, os hasidim passaram a ser chamados
de fariseus - os separados.
Os anos passaram, e em 134 a.C. o macabeu João Hircano (filho de Simão Macabeu) assumiu o poder. E
começou a abrir as portas da família para a helenização (exatamente aquilo contra que um dia seus antepassados tanto
combateram!), apoiando os saduceus. Posteriormente, Aristóbulo I (provavelmente o primeiro dos governantes Macabeus
a assumir o título de “Rei dos Judeus”) mostrou-se mais próximo ainda dos gregos, no que recebeu também o apoio dos
saduceus. Seu reinado foi breve (apenas um ano), e ele foi substituído por seu irmão Alexandre Janeu, um tirano que
tentou exterminar os fariseus (mandou crucificar 800 deles, enquanto se divertia com as mulheres de seu harém). Após 27
anos, Alexandre Janeu, ao ficar doente em decorrência de suas bebedeiras, deixou o reino para sua mulher, Salomé
Alexandra que, reconhecendo que a força física era impotente para combater as convicções religiosas, passou a favorecer
os fariseus (daí por diante, estes passaram a dominar a vida religiosa do povo judeu). O reinado de Alexandra foi
relativamente pacífico. Com sua morte, seu filho mais novo (Aristóbulo II, um simpatizante dos saduceus) desapossou o
irmão mais velho (Hircano II), visando assumir o poder. Havia insatisfação entre o povo devido à corrupção, às brigas
entre os membros da família real (acrescentando: é bom lembrar que os Hasmoneus – ou a dinastia dos Macabeus - não
eram descendentes de Davi, o que gerava mais insatisfação ainda, pois, sendo descendentes de Levi, podiam ser sacerdotes,
mas não podiam ser reis!), e também à exploração dos pobres (especialmente dos camponeses). Diante disso, surgiu a
ameaça de acontecer uma guerra civil. Nesse ínterim (63 a.C.) o general romano Pompeu, tendo ido a Damasco, na Síria,
foi instado por representantes judeus a abolir o governo hasmoneu. Pompeu marchou sobre a Judéia com as suas legiões
buscando um acerto para as partes (Aristóbulo II e Hircano II) e também aquilo que melhor conviesse aos interesses dos
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
romanos (a região iria tornar-se nova fonte de abastecimento para o Império, com a Galiléia transformando-se em grande
produtora agrícola). Após um cerco de mais de três meses, tomou a cidade, massacrou sacerdotes, e penetrou até o Santo
dos Santos (satisfazendo sua curiosidade) sem, todavia, tocar nos tesouros do Templo. Todavia, os judeus nunca o
perdoaram por esse sacrilégio!
4. PERÍODO ROMANO - 63 a.C.
Conforme vimos no item anterior, após um cerco de mais de três meses, Pompeu invadiu Jerusalém,
assassinando 12 mil judeus. Anexou a Judéia à província da Síria (que recentemente se tornara província romana), e
determinou o pagamento de impostos anuais a Roma (dentre estes, 25% de toda a produção agrícola). Nomeou Hircano II
Sumo Sacerdote, mas não lhe deu poderes reais; e enviou Aristóbulo II a Roma como prisioneiro. Acabaram-se os anos de
autonomia. Hircano II foi destituído do cargo de Sumo Sacerdote, e Antígono II (filho de Aristóbulo II) assumiu o seu
lugar em meio a muita turbulência. Os romanos acabaram por nomear Antípatro, da Iduméia (descendente de Esaú),
governador – etnarca - da Judéia em 47 a.C.. Veio sucedê-lo o seu filho Herodes, o Grande, nomeado Rei da Judéia por
César*. Este Herodes** é o que estava reinando sobre a Judéia quando do nascimento do Senhor Jesus. (Era tão cruel, que
o Imperador Augusto chegou a dizer que ele cuidava melhor de seus porcos do que dos filhos, numa alusão à maldade dele
para com suas dez esposas e seus filhos! Não é de se estranhar a sua ordem, segundo Mt 2.16-18! Por outro lado,
procurando atrair a simpatia do povo, mandou reconstruir o Templo. Aliás, realizou grandes obras, construindo fortalezas,
estradas, parques e mercados. Uma das suas dez esposas foi Mariamne, neta do sumo sacerdote exilado Hircano II ( que,
reempossado em seu cargo, Herodes mandou matar depois de algum tempo). Seu casamento com ela deveu-se ao seu
desejo de legitimar seu governo junto à sociedade judaica. Por outro lado, em 29 a.C. mandou assassinar Mariamne e
iniciou a erradicação da família hasmoneia. Chegou a mandar matar os dois filhos que teve com Mariamne! Herodes, o
Grande, foi um amigo e aliado fiel a Roma).
Durante o domínio de Roma, que se estendeu até muito depois da nova destruição do Templo, no ano 70,
algumas características houve que nos ajudam a compreender a época do Senhor Jesus e dos apóstolos. Ei-las:
4.1 - GOVERNO ESTÁVEL, sob o qual era possível viver e viajar em paz pelo mundo de então. Era a
presença da famosa pax romana. [No geral, Roma procurava governar usando de benevolência, concedendo aos dirigentes
locais,
sempre que possível, alguma autonomia. Os romanos utilizavam as pessoas e as estruturas de cada região dominada para
manter a ordem e controlar o recebimento dos impostos. As legiões romanas ficavam de prontidão, apenas para garantir a
obediência às regras do Império e para apoiar a guarda local];
4.2 - BOAS ESTRADAS e ROTAS MARÍTIMAS, construídas (as estradas) ou traçadas (as rotas marítimas)
pelos romanos, e que tornavam as viagens mais fáceis. [Quanto às estradas: a grande rede viária romana, começou a ser
construída a partir da República, sendo a Via Appia a mais antiga de todas (312 a.C.). Mas foi durante o Império que essa
malha realmente cresceu, chegando a quase 100.000 km! O traçado das estradas era o mais retilíneo possível. As mais
importantes eram pavimentadas com pedras assentadas sobre uma base de concreto, cascalho e argamassa, e mediam de 6 a
8 metros de largura. Quem fazia uso dessas vias de comunicação era informado da distância que o separava do próximo
local de estadia através dos marcos miliários – as distâncias eram contadas em milhas, e não quilômetros. Havia, também,
algumas estruturas de apoio onde se podia pernoitar, descansar ou simplesmente trocar de cavalos. Uma estrada importante
para nós, que estudamos o Novo Testamento, é a Via Egnatia, estrada militar construída por volta de 146 a.C., que ligava
Bizâncio (atual Istambul, na Turquia) ao mar Adriático, cortando as regiões da Trácia, Macedônia e Ilírico (atuais Turquia,
Macedônia, Grécia e Albânia). Essa estrada fazia o elo entre Roma e as colônias do leste]; [Quanto às viagens marítimas:
os romanos preferiam realizá-las entre o final de maio e a primeira quinzena de setembro, pois, fora desse período, o céu
podia ficar coberto de nuvens, e isso impedia a navegação pela observação do sol e das estrelas. A maioria dos navios
mercantes era a vela];
4.3 - UMA LÍNGUA UNIVERSAL - o grego Koinê, usada em todo o mundo desde os dias de Alexandre. A
cultura do Império Romano era dominada pelas características gregas, daí falar-se mui apropriadamente em império greco-
romano (o domínio militar e organizacional era romano, mas a cultura era, em geral, grega). Assim, a língua dos romanos
(latim) não era a “língua universal” do império, mas a grega (falada pelas classes dominantes e usada no comércio). Dessa
forma, os primeiros pregadores cristãos tinham sempre um público pronto a ouvi-los em qualquer região do Império, sem
barreiras lingüísticas para atrapalhar;
4.4 - GRANDE CORRUPÇÃO MORAL, embora estivesse próximo de seu apogeu econômico e militar, o
Império Romano vivia um declínio moral, despertando no coração das pessoas um certo misto de ansiedade e tristeza pela
condição humana;
4.5 – CONFUSÃO ESPIRITUAL, gerada pela mistura de muitas religiões praticadas pelos diversos povos
conquistados, por filosofias estranhas, como o ocultismo (a astrologia era muito difundida, e havia muitas práticas de
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
magia; além disso, as decisões do governo eram geralmente tomadas sob a orientação de sacerdotes que decifravam as
entranhas de animais sacrificados), e por filosofias “humanas” como o estoicismo (que dizia que o mundo funciona de
acordo com um percurso pré-determinado, cabendo a nós viver sob uma rígida conduta ética, abrindo mão de excessos de
prazer e sofrimento), o cinismo (que ridicularizava os padrões sociais aceitos, pregando a “liberdade radical”), e o
ceticismo (que pregava que não existe uma verdade que esteja ligada a todas as pessoas, porque a verdade brota da
experiência individual de cada um). Esse conjunto de posturas gerava uma oportunidade muito rica para a apresentação da
verdade libertadora do Evangelho!
*Uma nota sobre Roma e alguns de seus Imperadores:
Durante os séculos II e I a.C. Roma cresceu em extensão territorial e no exercício da influência sobre as regiões
que conquistou. Por volta do ano 50 a.C. o grande general (e excelente administrador) Júlio César tentou promover a
unidade da república romana. Sendo assassinado (44 a.C.), foi sucedido – após muita luta política e militar – por seu
sobrinho-neto Otávio (Gaius Julius Caesar Otavianus Augustus), que se tornou o primeiro imperador romano, governando
entre 27 a.C. e 14 d.C. Otávio, conhecido como César Augusto, era o imperador à época em que o Senhor Jesus nasceu
(ver Lc 2.1). Sob seu governo, o Império Romano tornou-se uma unidade estável. Governante moderado e enérgico, e
administrador extraordinário, foi o idealizador da pax romana. Transformou o Egito em província romana, pacificou as
Gálias, ampliou os territórios do Império até o Danúbio. Deu à cidade de Roma um traçado urbanístico, dividindo-a em
bairros e ruas. Demarcou a Itália em regiões e o resto do Império em províncias e distritos. Fez grande reforma monetária,
criou os impostos públicos e um serviço postal estatal. Fortaleceu o exército e a esquadra. Tendo estudado em Atenas,
fundou bibliotecas públicas e favoreceu as artes e as letras. Tornou-se amigo do poeta Virgílio, a quem ajudou
financeiramente. O mês Sextilis passou a ser chamado Augustus (agosto) em sua homenagem. Após sua morte, foi
divinizado.
O sucessor de César Augusto foi Tibério (Tiberius Claudius Nero Caesar), que governou entre os anos 14 e 37
(ver Lc 3.1). Lívia, sua mãe, separou-se do marido enquanto Tibério era bem pequeno, e casou-se com César Augusto, que,
não tendo filhos, o adotou e terminou por nomeá-lo, um tanto a contragosto, seu sucessor. Mostrou-se competente nas
campanhas militares, era bom administrador. De natureza instável, entrou em conflito aberto com a mãe, recusando-lhe a
parte que lhe cabia da herança de César Augusto, e confiscava os bens de todos os que considerasse traidores. De
comportamento doentio, era pedófilo. Seu governo ficou marcado pelo engrandecimento da figura e do culto ao imperador,
e do aumento do caráter materialista da sociedade romana. Este é o imperador a que os evangelhos se referem (exceto
quando falam do nascimento do Senhor Jesus Cristo).
Tibério foi sucedido por Calígula, que governou entre 37 e 41, e não é mencionado em o Novo Testamento.
Cláudio (Tiberius Claudius Nero Caesar Drusus), foi seu sucessor (41 a 54). Homem culto, era coxo e fortemente gago.
Ninguém poderia imaginar que se tornaria imperador! Como era comum à sua época, o seu reinado não foi isento de
assassinatos e perseguições políticas, porém, foi mais calmo que os de seus antecessores. Mesmo assim, decretou a
expulsão dos judeus da cidade de Roma (ver At 11.28; 18.2). Aparentemente, foi assassinado por sua quarta esposa
(Agripina), que visava passar o império a seu filho Nero (de outro casamento), que tinha à época treze anos de idade.
Nero (Claudius Caesar Augustus Germanicus - 54 a 68), foi proclamado imperador sem maiores resistências,
crescendo em idade e fama (ver At 25.10-12; 27.24; 2 Tm 4.16,17). Inicialmente, foi um bom governante, reinando sob a
orientação de sua mãe, do filósofo Sêneca e do prefeito pretoriano, Burrus. No entanto, a paranóia que marcara a vida de
seus antecessores Tibério e Calígula, passou a tomar conta dele também. Chegou a assassinar muitas pessoas, inclusive a
própria mãe e uma de suas mulheres, a quem chutou até que morresse. Afastou-se de Sêneca, e é acusado de ter colocado
fogo na cidade de Roma, queimando dois terços de sua área. A pretexto do desastre, culpou os cristãos e passou a persegui-
los. Em seu governo as perseguições aos seguidores do Senhor Jesus tornaram-se comuns; ele torturou muitos deles em
público, jogando alguns na fogueira enquanto ainda estavam vivos. Considerava-se um artista, e queria ser tratado como
tal. Era dado à libertinagem. Favoreceu os cultos orientais. Sua crueldade e irresponsabilidade provocaram
descontentamento geral e revoltas. Sua resposta foi violenta, dando origem a outra onda de assassinatos, ocasião em que
Sêneca foi morto. Declarado persona non grata pelo Senado, acabou tendo que fugir. Suicidou-se com o auxílio de seu
secretário, a única pessoa que lhe permaneceu fiel.
Nero foi sucedido por imperadores de menor importância (ao menos no que toca à história do Novo
Testamento), até que veio Domiciano (Titus Flavius Domitianus - 81 a 96) o último dos doze césares. Ligeiramente menos
cruel que seu antecessor, mas a ele comparável, se intitulava (tanto nos documentos escritos como nas conversas) como
“Senhor e Deus”. Ambicioso e sedento de poder, concluiu a conquista da Grã-Bretanha, reformou a administração romana,
recompôs Roma a partir das ruínas provocadas pelos incêndios de 64 e 80, estreitou as relações comerciais com a China e a
Índia, e se notabilizou na construção de obras públicas. Mórbido, impiedoso, egocêntrico e cruel, era de temperamento
desconfiado e irascível, e grande admirador de Tibério; um tirano intolerante, extremamente impopular. Expulsou de Roma
filósofos e matemáticos, e perseguiu os cristãos, exilando, inclusive, o apóstolo João na ilha de Patmos. (É bem provável
que as perseguições citadas no livro do Apocalipse reflitam as condições existentes durante o governo de Domiciano). Foi
assassinado por sua própria família, inclusive sua esposa, Domícia Longina.
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6
O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
** Uma nota sobre os Herodes:
1. HERODES, O GRANDE: Indicado Rei da Judéia (37 a.C.) pelo Imperador, possuía autonomia quase que
ilimitada nos assuntos internos da nação. Sua corte era helenizada e culta. O nome “O Grande” vem da monumentalidade
de construções que realizou. Delas, subsiste como documento mais bem conservado, o Túmulo dos Patriarcas, em Hebron.
Fundou às margens do Mediterrâneo a cidade de Cesaréia, com seu belo porto. Construiu palácios, e as fortalezas de
Herodion (onde, posteriormente, foi sepultado) e de Massada. Tinha grande amor por tudo o que era grego, e queria
converter os seus súditos ao helenismo. Construiu um grande anfiteatro em Cesaréia. Seu objetivo era embeber a
população, através das apresentações nesse anfiteatro, do helenismo, e transformar o seu reino num local onde o povo
estivesse atualizado com o que havia de melhor na cultura mundial. Também restaurou a construção do Templo de
Jerusalém, convertendo-o num dos mais belos edifícios de seu tempo. Era tão luxuoso quanto o anfiteatro que construíra
em Cesaréia. O Templo, porém, não foi construído por fé, e, sim, como propaganda – ele buscava conquistar a simpatia dos
judeus, para fazer deles bons gregos! Apesar de suas obras, ele jamais conseguiu conquistar a confiança e o apoio dos seus
súditos judeus. No tempo do seu reinado, Jesus nasceu em Belém (Mt 2.1-23). Consultou os escribas quanto à vinda do
Messias. Foi tolerante com relação ao culto dos Samaritanos. Foi um dos governantes mais cruéis de todos os tempos.
Mandou matar sua própria esposa (Mariamne), neta de Hircano II, e seus dois filhos com ela. No seu leito de morte,
ordenou a execução de Antípater, seu filho com outra esposa. Foi ele quem determinou a morte dos meninos em Belém e
arredores, por temer o Rival que nascera para ser o Rei dos Judeus. Muitos judeus aguardavam abertamente a sua morte,
que ocorreu no ano 4a.C., quando tinha 69 anos.
2. HERODES ARQUELAU: Com a morte de Herodes, o Grande, seus três filhos (Arquelau, Filipe e Antipas)
começaram a disputar o poder. Cada um deles queria ser o único governante. Mas o Imperador dividiu a região em três: a
Arquelau deu o título de etnarca (governador) sobre a Iduméia, a Judéia e Samaria; Filipe foi nomeado tetrarca sobre a
Batanéia, Traconites, Auranites e outras regiões menores; e Antipas tornou-se tetrarca da Galiléia e da Peréia. Arquelau
governou a Judéia entre 4 a.C. e 6 d.C. Sendo o menos estimado dentre os filhos de Herodes o Grande, interferia
constantemente nas questões sacerdotais, foi cruel e despótico (por essa razão, José e Maria, ao retornarem do Egito, não
foram para Belém, na Judéia, mas para Nazaré, na Galiléia – Mt 2.22,23). Seus irmãos e súditos o acusaram diante do
Imperador, que o destituiu. Morreu no exílio. Após o seu reinado, a Judéia e Samaria passaram a ser governadas por
procuradores (a partir do ano 6 até o ano 41, quando o país foi unificado sob o governo de Herodes Agripa I). Esses
procuradores moravam em Cesaréia, às margens do Mediterrâneo, e comandavam uma considerável tropa de ocupação.
Houve seis ou sete procuradores, mas somente o quinto deles tem importância para nós: Pôncio Pilatos, que ficou dez anos
no poder (do ano 26 ao ano 36).
3. HERODES ANTIPAS: Filho de Herodes, o Grande, e irmão de Arquelau. Foi educado em Roma onde, por
certo, aprendeu a respeitar os valores pagãos do Império, desprezando, conseqüentemente, os valores do povo judeu. Com a
morte de seu pai, recebeu o governo da Galiléia e da Peréia (regiões onde o Senhor Jesus pregou amplamente). Em
homenagem ao Imperador, fundou a cidade de Tiberíades às margens do Mar da Galiléia, nos dias da infância do Senhor
Jesus. É o Herodes mais citado nos Evangelhos. A seu respeito, o Senhor Jesus fez a seguinte advertência, referindo-Se à
sua influência imoral: “guardai-vos do fermento de Herodes” - Mc 8.15. (Essa advertência se baseava, por certo, no
comportamento de Herodes Antipas para com Herodias, esposa de seu irmão Filipe – Mc 6.17,18). E mais: certa vez o
Senhor Jesus Se referiu a ele chamando-o de “raposa” (Lc 13.32). Gostava de ouvir João Batista e o temia por saber que era
homem justo e santo (Mc 6.20), mas acabou matando-o. Mais tarde, quis matar também o Senhor Jesus (Lc 13.31). No dia
do Seu sacrifício, O tratou com desprezo (Lc 23.11). Por falar nisso, qual a participação de Herodes Antipas no sacrifício
do Senhor Jesus? Sabemos que ele fora investido de autoridade somente sobre a Galiléia, e não sobre a Judéia, onde o
Senhor fora preso. Por que, então, teve participação em Seu processo de condenação? Acontece que Herodes Antipas
estava em visita a Jerusalém naquela Páscoa (talvez como estratégia política, com a finalidade de se mostrar simpático para
com os judeus, demonstrando a eles seu “apreço” por aquela festa judaica). Ora, a prisão do Senhor Jesus colocara
Pilatos** diante de um dilema: ele sabia que o Senhor era inocente (Lc 23.4); por outro lado, queria agradar os líderes
judeus, pois precisava do apoio destes. Ora, quando o governador soube que Ele provinha da Galiléia, viu a possibilidade
de escapar do dilema, entregando o Senhor a Herodes Antipas, afirmando ser Ele “da jurisdição de Herodes” (Lc 23.7).
Inicialmente Herodes Antipas se alegrou muito, pois fazia tempo que desejava conhecer pessoalmente Esse de quem tanto
ouvia falar. Queria vê-Lo fazer um milagre. Assim, movido por sua curiosidade maligna, passou a fazer muitas perguntas
ao Senhor, que nada lhe respondeu. Cheio de despeito, esse assassino e adúltero escarneceu do Senhor Jesus, mas foi
obrigado a devolvê-Lo a Pilatos, pois não teve o prazer maligno de encontrar nEle alguma falta, por pequena que fosse (Lc
23.14,14). Sua omissão em defender o Senhor fez de Herodes Antipas mais um culpado de Sua morte, fato que os primeiros
crentes tão bem reconheceram ao afirmar: “porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo
Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e povos de Israel” (At 4.27). Conta a História que, mais tarde,
Herodes Antipas foi banido pelo Imperador Calígula, e teve uma morte lamentável.
4. HERODES FILIPE: Viveu entre 4 a.C. e 34 d.C. Reinou sobre pequenos territórios a nordeste da Galiléia.
Era universalmente elogiado por não ser excessivamente ambicioso. Reconstruiu a cidade de Panéias, ao norte do Mar da
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
Galiléia, dando-lhe o nome de Cesaréia de Filipe. Também reconstruiu Betsaida. Josefo o descreve como “pessoa de
moderação e calma na conduta de sua vida e seu governo”.
5. HERODES AGRIPA I: Viveu entre 10 a.C. e 44 d.C. Neto de Herodes, o Grande, e de Mariana, foi educado
em Roma. Inicialmente, recebeu do Imperador Calígula os territórios que haviam pertencido a Filipe. Posteriormente,
recebeu também os territórios da Galiléia e da Peréia. Mais tarde, o Imperador Cláudio lhe outorgou o governo da Judéia
(41 a 44 d.C.) e Samaria. Seu reino tornou-se quase igual (em extensão territorial) ao de Herodes, o Grande. Ouviu o
evangelho por meio dos apóstolos e da igreja de Jerusalém. Matou Tiago. Prendeu Pedro (At 12.1-3). Morreu comido de
vermes numa festa em Cesaréia (At 12.21-23).
6. HERODES AGRIPA II: Filho de Herodes Agripa I, não assumiu o poder imediatamente por não ter idade
suficiente para fazê-lo. Novamente procuradores passaram a governar a região (desde o ano 44 até o ano 66, houve sete
procuradores, sendo Félix o quarto deles, e Festo, o quinto – At 25.1-22). Herodes Agripa II ouviu a defesa de Paulo,
dizendo-se quase persuadido a se fazer cristão (At 25.13-26-32). Presenciou, ao lado dos romanos, a tomada de Jerusalém
por Tito no ano 70 d.C. Retirou-se para Roma, onde morreu no ano 100.
*** Uma nota sobre Pôncio Pilatos:
Quinto governador da província romana da Judéia (26 a 36 d.C), tendo sucedido a Valério Grato. Sua jurisdição
chegava até a Samaria e a Iduméia. Seu trabalho consistia em manter a ordem pública e administrar a província tanto
judicial como economicamente. Dispunha de autoridade judicial absoluta sobre todos os que não fossem cidadãos romanos.
A Bíblia fala de sua crueldade (Lc 13.1) e no-lo apresenta como alguém indolente e covarde, e que também foi culpado
pela condenação do Senhor Jesus (Mt 27.11-26; Lc 23.1-25; At 4.27). O fato de ter escrito um título, colocando-o no cimo
da cruz do Senhor (Jo 19.19-22), demonstra uma certa ironia com relação a Ele e ao povo judeu, e também o desejo insano
de mostrar publicamente que quem mandava na Judéia e nos judeus era ele, Pilatos, e não o Senhor Jesus! (Coitado...).
No ano 36 Pilatos foi a Roma se avistar com Tibério, o Imperador, mas este faleceu antes do encontro. Sabe-se
que Pilatos faleceu durante o reinado de Calígula. Segundo o historiador Eusébio de Cesaréia, ele teria cometido suicídio,
porém não há provas históricas disso.
O fato de o seu nome ser citado no Credo Apostólico é de suma importância, pois nos lembra que a fé cristã é
uma fé histórica, e não um programa ético ou uma filosofia. Nossa redenção aconteceu num lugar concreto da Terra, a
Palestina; e num momento concreto da História, o tempo em que Pôncio Pilatos foi governador da Judéia.
II. Algumas Instituições e Grupos Importantes do Período Inter-
Bíblico & dos Dias do Senhor Jesus
1. SINAGOGA. Diz a tradição que, tendo perdido a Pátria e o Templo quando da invasão babilônica, não tendo
mais nem rei nem Estado nacional, deportados para a Babilônia, exilados no Egito (grupo que foi com Jeremias, o profeta),
ou dispersos entre estrangeiros, os judeus passaram a ter sua religião como único traço de união entre si e, com vistas a
manter essa união, foram organizadas as sinagogas. Estas, portanto, teriam surgido durante o Exílio Babilônico (ou seja,
antes do Período Inter-Bíblico). (Tornou-se costume entre os judeus que onde quer que houvesse dez famílias judias, estas
deveriam unir-se e fundar uma sinagoga!). Assim, após a destruição do Templo, em 587 a.C., os locais de reunião para
oração e estudo da Escritura se tornaram o centro da vida dos judeus. (Essas reuniões aconteciam, anteriormente, nos lares -
Ez 8.1; 20.1-3). Quando possível, as sinagogas eram construídas com a face voltada para Jerusalém, no local mais alto da
cidade, e perto da água (usada em certas cerimônias).
Nos dias do Senhor Jesus, a sinagoga tinha quatro funções básicas:
1.1 – escola para crianças, onde eram ensinadas a Lei e as tradições religiosas dos judeus;
1.2 – local de ensino e instrução, onde as Escrituras eram lidas, expostas, e se faziam orações;
1.3 – conselho comunitário, onde questões civis e religiosas eram decididas;
1.4 – local de interação social, onde eram realizados diversos tipos de reuniões.
É importante que façamos distinção clara entre as sinagogas e o Templo. Templo, só havia um, e ficava
localizado na cidade de Jerusalém. Sinagogas havia (e há!) muitas, espalhadas por todo o mundo! As sinagogas serviam
para ensino e instrução; o Templo era local de adoração e apresentação de sacrifícios. O Templo era administrado pelos
sacerdotes e levitas, sob a orientação do Sumo Sacerdote. As sinagogas eram regidas pelos seguintes oficiais:
1.5.1 – Diretor, que era responsável por gerir as diversas atividades realizadas na sinagoga, e por preparar
as reuniões (era ele, por exemplo, quem convidava os pregadores, ou ensinadores);
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
1.5.2 – Distribuidores, responsáveis por distribuir ajuda aos pobres;
1.5.3 – Ministro (Chazzan), responsável por cuidar dos rolos sagrados (cópias da Palavra), pela limpeza
do prédio, por tocar a trombeta de prata anunciando a chegada do sábado, e pelo ensino básico ministrado às crianças da
comunidade.
2. SINÉDRIO (transcrição de uma palavra grega que significa “assembléia”). Era a suprema corte dos judeus. É
de origem incerta. A primeira referência documentada, vem do Período dos Selêucidas. Só podiam fazer parte dele judeus
de nascimento. Seus 71 membros exerciam mandato vitalício. Era presidido pelo sumo sacerdote, que, nos dias de Jesus,
era nomeado pelo governador romano. A jurisdição do Sinédrio limitava-se à Judéia. Dava a palavra final nos assuntos de
interpretação da Lei. Tomava decisões em questões criminais, sujeitando-as à aprovação do governo romano. O Senhor
Jesus foi levado perante o Sinédrio (Mc 14. 53-55), assim como também os apóstolos (At 4.15-18; 22.30).
3. OS FARISEUS. Quando, após a conquista de Alexandre, o helenismo começou a influenciar fortemente a
mentalidade dos povos do Oriente Médio, alguns judeus se apegaram ainda mais tenazmente do que antes à fé de seus pais.
Outros, se dispuseram a adaptar o pensamento judaico às novas idéias que vinham da Grécia. O choque de opiniões quanto
a ceder ou não à helenização deu origem a partidos ou grupos. Um desses grupos é o dos fariseus, ou os separados (ou
"separatistas"). Estes judeus são mencionados pela primeira vez durante o Período Macabeu. Talvez o seu nome, em
primeira instância, quisesse demonstrar que procuravam separar-se da influência helênica. Buscavam zelar pela prática
da Lei. Sustentavam a doutrina da predestinação, criam na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo e na existência
do espírito, bem como de anjos. Assim como os essênios, esperavam a vinda de um Messias. Também criam nas
recompensas e castigos da vida futura. Sustentavam que a graça divina era derramada somente sobre aqueles que faziam o
que a Lei manda. Sua religião enfatizava a observância de atos externos, em detrimento das disposições do coração. Diante
da influência greco-romana cada vez maior sobre os judeus, procuravam interpretar a Lei de modo a aplicá-la às novas
circunstâncias. Os seus comentários da Lei (também chamados de "Tradição" ou “Lei Oral”) acabaram por assumir um
valor tão grande, que foram por eles equiparados à própria Lei. [Segundo o historiador Josefo, os fariseus “passavam às
pessoas muitas observações por tradição que não estavam escritas na Lei de Moisés”]. Nos dias do Senhor Jesus, embora
fosse um grupo relativamente pequeno, os fariseus exerciam muitíssima influência: controlavam as sinagogas e as escolas,
e eram muito respeitados pelas massas. A lealdade à verdade às vezes produz orgulho e até mesmo hipocrisia, e foram essas
perversões do antigo ideal farisaico que o Senhor Jesus tão fortemente denunciou. Eis alguns pontos de conflito entre o
Mestre e os fariseus:
3.1 - sua tradição (lei oral), com a qual invalidavam a Lei - Mc 7.9;
3.2 - sua falta de compreensão quanto à guarda do sábado - Mt 12.1-14;
3.3 - a questão das impurezas - Mc 7.18-23;
3.4 - a questão da hipocrisia - Mt 23.13;
3.5 - a falta de humildade - Lc 18.9-14.
3.6 – a questão da aceitação dos samaritanos, dos gentios e dos “pecadores”
João Batista chamou tanto os fariseus como os saduceus de “raça de víboras” (Mt 3.7). E o Senhor Jesus
os denunciou severamente (Mt 5.20; 16.6,11,12; 23.1-39). Também por isso, tomaram parte significativa na conspiração
contra a vida do Senhor (Mc 3.6; Jo 11.47-57). É interessante lembrar que o apóstolo Paulo se apresentava como um dos
membros desse grupo ortodoxo do Judaísmo de sua época (Fp 3.5; At 23.6; At 26.5).
É importante notarmos que o Senhor Jesus criticou asperamente tanto os fariseus como os saduceus.
Todavia, o Seu ensino estava, sob alguns aspectos, bem mais próximo da crença dos fariseus. Por exemplo: a necessidade
de se acatar a Lei, a realidade do Reino dos Céus, a necessidade da conversão, a ênfase dada à vinda do Messias, a
realidade do mundo sobrenatural (anjos, milagres, ressurreição, vida futura), a iminência do fim dos tempos. Para o Senhor
Jesus, o problema maior dos fariseus não estava tanto naquilo em que criam, mas no modo como viviam!
4. OS SADUCEUS. Reportamos sua origem à época da invasão grega. O partido dos saduceus mostrou-se
aberto às influências estrangeiras, procurando conciliar o judaísmo com o helenismo, a teologia hebraica com a filosofia
grega. Este partido, composto por gente abastada, teve grande aceitação entre os sacerdotes. Posteriormente, foram
considerados sustentadores de Epifânio em sua luta por helenizar o povo judeu e, mais tarde, do hasmoneu João Hircano I
(134-104 a.C). Nos dias do Senhor Jesus, formavam o partido da aristocracia de Jerusalém, vivendo separados das massas e
dos sacerdotes mais pobres (muitos destes, eram fariseus). Eram impopulares. Flávio Josefo afirma que eram ríspidos e
pouco comunicativos. Viviam de bem com os governantes (particularmente com os procuradores romanos), e ocupavam
posições de destaque na sociedade. Controlavam a administração do Templo (At 4.1). Apesar de serem numericamente
poucos, tinham maioria no Sinédrio. Eram os liberais da época. Não criam na ressurreição do corpo, em anjos, em espírito
(At 23.8. Ver também Lc 20.27-33).Eram defensores do "livre arbítrio", não aceitando a soberania de Deus. Quase não
tinham esperanças messiânicas. Negavam autoridade à “Tradição” e olhavam com suspeita para qualquer revelação que
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
fosse posterior à Lei de Moisés. Desprezavam as paixões nacionalistas e o entusiasmo religioso. A única coisa que tinham
em comum com os escribas e fariseus foi seu antagonismo à Pessoa do Senhor Jesus. Desempenharam papel importante
na política até a revolta judaica do ano 66. Desapareceram da História a partir da destruição de Jerusalém, no ano 70.
5. OS ESCRIBAS. Estritamente falando, estes judeus não constituíam um partido político, mas eram membros
de uma “corporação de profissionais”. Eram, antes de mais nada, os copistas da Lei. Inicialmente, os escribas eram
sacerdotes (Esdras foi sacerdote e escriba). Considerados autoridades quanto às Escrituras Sagradas, exerciam função de
ensino. Sua linha de pensamento era semelhante à dos fariseus, com quem aparecem associados freqüentemente nas
páginas do Novo Testamento. O valor do seu trabalho está na preservação dos escritos divinos, bem como na defesa dos
princípios da Lei. Por outro lado, quando passaram a defender a lei oral*, passaram a valorizá-la mais do que a escrita (tal
como o faziam os fariseus). Não são mencionados no Quarto Evangelho.
Os escribas atribuíam a si mesmos uma tríplice missão:
a) definir e aperfeiçoar os princípios legais decorrentes da Torah. Como toda lei escrita, a lei mosaica
requeria, em muitos casos, uma interpretação. Os escribas tomavam para si esse mister.
b) ensinar não somente a lei escrita mas, também, a lei oral, ou “tradição dos anciãos”. Inicialmente,
essa lei era ensinada por meio da memorização e repetição, pois não tinha sido redigida ainda. O discípulo era obrigado a se
expressar usando sempre exatamente as mesmas palavras utilizadas por seu mestre. A redação final de todo esse código de
jurisprudência recebeu o nome de Mishnah.
c) realizar a aplicação da justiça aplicando os princípios da lei oral.
*Algumas observações quanto à “lei oral”:
Até à época do Cativeiro os sacerdotes eram os guardiões da Torah. Após o Exílio, os escribas, chamados de
soferim, começaram a ganhar cada vez mais autoridade como mestres e intérpretes da Lei. Aos poucos, foram se formando
especialistas na interpretação e aplicação da Torah, tornando-se doutores da Lei. Esses mestres passaram a adaptar os
princípios da Lei às diversas situações concretas que iam surgindo, com uma supervalorização da letra em detrimento de
seu espírito. Uma jurisprudência foi se formando de acordo com as chamadas tradições dos anciãos. Essa jurisprudência é
que chamamos de “Lei Oral”, ou “Torah Oral”. A Torah Oral ganhou tamanha força que chegou a igualar-se ou, quem
sabe, superar o valor e respeito dedicados à própria Torah, da qual se originara! É a respeito dessa Torah Oral que o
Senhor Jesus diz: “...invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição... E em vão me adoram, ensinando
doutrinas que são preceitos de homens...” (Mt 15.6,9).
6. OS ZELOTES. Militantes patriotas judeus, que criam ser justificável a violência, se esta libertasse a nação
dos opressores estrangeiros. Surgiram durante o governo de Quirino (próximo, ou na mesma época do nascimento do
Senhor Jesus) como um partido clandestino, que fazia oposição a Roma. Eram também conhecidos como sicários, pelo
fato de levarem um punhal escondido, com o qual atacavam os inimigos. Inicialmente, atuaram mais na Galiléia, porém na
Guerra Judaica (66 a 70 d.C.) tiveram atuação destacada na Judéia. Respeitavam o Templo e a Lei. Opunham-se ao
pagamento de impostos a Roma e ao uso da língua grega. Acreditavam no Messias que, segundo eles, deveria ser um líder
político que libertasse Israel da ocupação romana. Seu desejo intenso por uma nação livre e independente poderá ter atraído
alguns de seus militantes ao Senhor Jesus. Pelo menos um deles** tornou-se discípulo (Lc 6.15; At 1.13). Em seu
extremismo, acabaram por provocar e encabeçar a guerra contra Roma no ano 66, que culminou com a destruição
completa de Jerusalém no ano 70, a dissolução do “estado” judeu e a dispersão de seu povo.
**Algumas observações quanto a “Simão o Zelote” (Mt 10.4):
6.1 – o nome Simão é derivado de Simeão, cujo significado é “Ouvido de Deus”. A princípio, bem pode
ser que tenha decidido se aproximar do Senhor Jesus por ter visto nEle o líder perfeito para alcançar os objetivos do seu
partido. Quem sabe quisesse convencer o Mestre a tornar-Se, Ele mesmo, um zelote também?! Ou talvez se tenha
impressionado com a pregação forte, arrebatadora e desafiante desse Profeta de Nazaré. Ou ainda pode ser que tenha visto
nEle, de imediato, o Messias que libertaria Israel de Roma. Seja por qual motivo for, o fato é que Simão acabou sendo
transformado pelo poder do Senhor Jesus!
6.2 - Interessante observarmos alguns prováveis contrastes entre ele e o Senhor:
6.2.1 - Simão defendia a rebeldia contra Roma; Jesus, longe de estimular a rebeldia, ordenava:
“Daí a César o que é de César” (Mt 22.21).
6.2.2 – Simão confiava na espada; o Senhor Jesus afirmava que “todos os que lançam mão da
espada, à espada perecerão” (Mt 26.52).
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
6.3 – Sendo um zelote, podemos deduzir que Simão fosse zeloso no que fazia, fervoroso em suas
convicções, devotado aos seus objetivos, ardoroso em seu amor pela causa que defendia. O Senhor Jesus te-lo-ía chamado
também porque desejava esse zelo ardente em Seu grupo, e o transformaria num “revolucionário” espiritual!
7. OS ESSÊNIOS. Não são mencionados na Bíblia. Assim como os fariseus, devem ter surgido no Período
Macabeu. Também eram contrários à helenização dos judeus. Foram, mui provavelmente, uma reação ascética ao
externalismo dos fariseus e também ao mundanismo dos saduceus. Os essênios (nome que, provavelmente significa “os
santos”) se retiravam da sociedade, e viviam em ascetismo e celibato. Em geral, viviam em mosteiros do tipo de Qumram,
ao norte do Mar Morto. Viviam em extrema simplicidade e sob severa disciplina. Estudavam as Escrituras e outros livros
religiosos, e davam atenção à oração e às lavagens cerimoniais. Possuíam o seu próprio calendário religioso e regras rituais
de purificação. Cada membro da comunidade era responsável por realizar algum tipo de trabalho manual, para o sustento de
todos. Tinham tudo em comum. Eram conhecidos por sua laboriosidade e piedade. Repudiavam a guerra e a escravidão.
Aguardavam ansiosamente a vinda do Messias, e se consideravam o único Israel verdadeiro, para o qual Ele viria. Estavam
convencidos de que todas as profecias do Velho Testamento estavam sedo cumpridas em seus dias, de modo que
aguardavam o fim iminente dos tempos. Recusavam-se a cooperar com o que criam ser uma religião corrupta: a praticada
no Templo. [O Senhor Jesus denunciou abusos que se praticavam no Templo, e anunciou a sua destruição. Contudo, não
repudiou as cerimônias ali realizadas. Foi a Jerusalém participar das grandes festas judaicas. Depois da Sua ressurreição, os
discípulos continuaram indo ao Templo (At 3). Apesar de o ascetismo e o monasticismo terem conquistado adeptos dentre
os cristãos desde cedo, o Cristianismo não é um movimento asceta. O Senhor Jesus ministrou à gente comum, na maior
parte do tempo. À gente que era rejeitada tanto pelos fariseus, quanto pelos saduceus, quanto pelos essênios: gente que
vivia o dia a dia]. Os essênios foram aniquilados em 68 d.C. pelos romanos.
8. OS HERODIANOS. Partido político formado por judeus (funcionários e soldados da corte herodiana,
alguns proprietários de terras e também por alguns comerciantes) que criam que os melhores interesses do Judaísmo
estavam na cooperação com os romanos. Seu nome foi tirado de Herodes, o Grande, que, em sua época, tentou romanizar a
Palestina. Mostraram forte hostilidade para com o Senhor Jesus (Mt 22.16; Mc 3.6). Como os saduceus, não criam na
ressurreição.
9. OS SAMARITANOS. Descendentes da união de colonos trazidos para a Palestina por Sargão, com judeus
pobres que permaneceram após a queda do Reino do Norte. [A Samaria era parte da região que constituía o Reino do
Norte, também chamado de Israel, após a divisão da nação, nos dias de Roboão, e que foi tomado pelos assírios em 722
a.C.]. Por algum tempo, cultuaram num templo erguido no Monte Gerizim, baseando sua religião numa tradução própria
do Pentateuco (2 Rs 17). Os samaritanos eram monoteístas, observavam a Lei, guardavam as festas judaicas, e esperavam
um Messias. Os judeus não se davam com os samaritanos (Ne 4.1,2; Jo 4.8).
III. PEQUENA CRONOLOGIA DO PERÍODO INTER-BÍBLICO
Ano (a.C.) Acontecimento
430 Os persas já estão dominando
399 Morre Sócrates
384 Nasce Aristóteles
356 Nasce Alexandre, o Grande
347 Morre Platão
334 a 323 Alexandre realiza suas conquistas
323 Morre Alexandre
306 O reino de Alexandre é dividido
301 Inicia-se o Período dos Ptolomeus
285 Inicia-se a tradução da Septuaginta
198 Os Selêucidas começam a controlar a Palestina
175 Grande perseguição de Epifâneo
168/7 Dá-se a profanação do Templo, por Epifâneo
167 Matatias e seus filhos se rebelam contra Epifânio
164 Os Macabeus conquistam Jerusalém
63 Pompeu toma Jerusalém
40 Antipas é apontado rei dos judeus
37 Herodes, o Grande, é apontado rei da Judéia
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
17 Herodes, o Grande, começa a reconstrução do Templo
4 Nascimento do SENHOR JESUS CRISTO
IV. PRINCÍPIOS BÁSICOS DO PENSAMENTO JUDAICO NOS DIAS
DO SENHOR JESUS
É importante destacar, ainda, alguns dos princípios básicos que norteavam – ou fundamentavam – o pensamento
do povo judeu (de modo geral) nos dias do Senhor Jesus:
1. convicção absoluta de que há um só Deus;
2. convicção absoluta de que esse Deus, que é único, os escolhera para ser o Seu povo particular;
3. super-valorização da “pureza ritual” (o que comer, como comer, lavar-se, circuncisão, guarda do
sábado, etc). Para o judeu daqueles dias, idéias e convicções teológicas não eram tão importantes quanto uma vida de
obediência aos padrões de pureza ritual;
4. convicção absoluta de que Deus lhes dera aquela terra – a Palestina – e essa terra deveria lhes
pertencer para sempre. E Jerusalém era o único lugar onde se poderia adorar ao SENHOR de modo aceitável. Cabia,
portanto, a eles, os judeus, a responsabilidade de, como único povo escolhido de Deus, defender a Terra Santa;
5. esperança generalizada de que Deus enviaria um Escolhido – o MESSIAS – que viria libertar o Seu
povo (também escolhido) das garras do domínio estrangeiro, estabelecendo a paz universal e mantendo Jerusalém como
centro da verdadeira adoração.
V. Oito razões pelas quais certamente os líderes judeus se
opuseram ao Senhor Jesus:
Finalizando esta parte introdutória, gostaria de apresentar oito possíveis razões que elucidam o antagonismo dos
líderes judeus para com o Senhor Jesus:
01. Inveja . Ele era aceito prontamente pelas pessoas, e multidões chegavam a viajar para ouvi-Lo!
02. Seu comportamento social antipreconceituoso. Ele Se associava a pessoas erradas (samaritanos,
publicanos, pecadores).
03. Suas atitudes “fora do padrão”. Ele simplificava a Lei e rejeitava regras humanas de interpretação.
04. Por não ter recebido uma educação formal. Ele não tinha credenciais humanas que Lhe conferissem
autoridade em assuntos religiosos.
05. Seu poder. Ele fazia sinais e maravilhas que eram inquestionáveis, e ninguém conseguia imitar!
06. O embaraço que lhes causava. Ele vencia debates, citando as Escrituras com absoluta maestria, e os
expunha ao ridículo de sua própria condição. Ele Se apresentava como o Messias, e não havia como refutá-Lo!
07. Sua autoridade. Os rabinos daqueles dias tinham o hábito de citarem-se uns aos outros, ou de citarem
ensinamentos rabínicos do passado. O Senhor Jesus jamais fez isso! Ele sempre falava com base nas Escrituras, -
reconhecendo que a autoridade delas era final e não estava aberta a discussão – ou com base na Sua própria autoridade
inerente, iniciando suas falas com expressões do tipo Em verdade, em verdade vos digo, consciente de que o que dizia
tinha a aprovação do Pai. No geral, as pessoas percebiam isso, e testemunhavam dizendo: “Jamais alguém falou como este
homem” (Jo 7.46).
08. A maneira como Ele tratava o pecado. Mostrava que a justiça de Deus só pode ser aplicada a corações
arrependidos, e não a corações satisfeitos consigo mesmos, que se baseavam em sua religiosidade e auto-justiça.
VI. UM POUCO DA GEOGRAFIA DA PALESTINA
A extensão do território da Palestina, se compararmos com a do imenso território brasileiro, é insignificante:
mede cerca de 80 km em sua largura máxima (sentido oeste-leste) por 240 km de comprimento (sentido sul-norte). De
acordo com suas características, podemos dividi-lo em cinco regiões longitudinais a partir do Mediterrâneo e indo em
direção ao Jordão (sentido oeste-leste):
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
1. a planície costeira;
2. as campinas (também chamadas de Sefelá);
3. a cadeia central de montanhas;
4. o deserto;
5. o vale do Jordão (à leste do vale do Jordão fica a cadeia oriental de montanhas).
É interessante notar que, apesar de tudo ser tão próximo, há mudanças mui profundas entre uma região e outra,
especialmente no que diz respeito ao clima. Assim, pode-se encontrar neve num lugar, enquanto a alguns poucos
quilômetros sente-se o sol brilhar com toda a sua força e calor!
Nos dias do Senhor Jesus esse território compreendia vários distritos administrativos, governados todos eles
pelos romanos. A oeste do Jordão havia três distritos:
1. ao norte, a GALILÉIA, em cuja planície de Genezaré (à beira do lago do mesmo nome) havia
abundante produção de frutas e legumes durante o ano todo;
2. no centro, a SAMARIA, região montanhosa onde eram criados grandes rebanhos de cabras e ovelhas, e
com planícies férteis onde se produzia frutas e grãos de toda espécie;
3. ao sul, a JUDÉIA, cujo lado ocidental (planície costeira e campinas) é também extremamente fértil,
contrastando com o lado oriental, formado especialmente pelo inóspito e estéril deserto da Judéia. Era na Judéia que ficava
situada Jerusalém*.
*Algumas observações quanto à cidade de Jerusalém dos dias do Senhor Jesus:
Durante o reinado de Herodes, o Grande, a população da cidade chegou a atingir 60.000 habitantes. O rei a
embelezou com melhoramentos ao estilo romano. O recinto do Templo foi ampliado, chegando a ocupar cerca de 15% da
área da cidade. Herodes também construiu um hipódromo, um teatro, um palácio real, e duas fortalezas, sendo uma delas a
Torre Antônia, que servia para proteger o Templo. O sistema de captação e fornecimento de água também foi amplamente
reformado e ampliado.
Já a leste do Jordão, havia:
1. um conjunto de pequenos distritos governados por Herodes Filipe, filho de Herodes, o Grande. Esses
distritos eram: Batanéia, Traconites, Auranites, Gaulanites e a região de Panéias, cidade reconstruída por Herodes Filipe
e que recebeu o nome de Cesaréia de Filipe (foi lá que o Senhor Jesus ouviu a confissão de Pedro a respeito da Sua
divindade – Mt 16.13-28);
2. a região extensa, formada por dez cidades gregas “quase” autônomas, chamada DECÁPOLIS, muito
conhecida na antiguidade pela produção de derivados de leite. Foi lá que o Senhor Jesus libertou um endemoninhado (Mc
5.1-20);
3. e a PERÉIA que, juntamente com a Galiléia, foi governada por Herodes Antipas. Na maior parte, um
grande deserto. Mesmo assim, havia regiões férteis onde se cultivavam oliveiras, parreiras e palmeiras. Segundo o
historiador Josefo, João Batista foi aprisionado e morto lá, na cidade fortificada de Maquero, onde Herodes Antipas tinha
um dos seus palácios.
Quanto à hidrografia, vamos citar apenas o mais importante: ao norte, o Mar da Galiléia; ao sul, o Mar Morto
(o lugar natural de menor altitude em todo o planeta – cerca de 400 metros abaixo do nível do mar!); e o rio Jordão, que
nasce nas montanhas ao norte, atravessa o Mar da Galiléia, e vai desaguar na região sul, no Mar Morto.
VII. OS LIVROS DO NOVO TESTAMENTO
O Período Inter-Bíblico serviu como preparação final para o maior de todos os eventos da História: "o Verbo Se
fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo
1.14). Sim, "havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos
dias nos falou pelo Filho a quem constituiu herdeiro de todas as cousas, pelo qual também fez o universo" (Hb 1.1,2). E
cumpriu-se o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: "O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam
na região e sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz" (Mt 4.16).
Por volta do ano 4 a.C. nasceu o Senhor Jesus Cristo. Chegara a plenitude do tempo! E, vindo "a plenitude do
tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que
recebêssemos a adoção de filhos. Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que
todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Gl 4.4,5; Jo 3.16).
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
Conhecemos a Sua história, e a história dos acontecimentos que se seguiram à Sua ascensão, bem como os Seus
ensinos e os desdobramentos desses ensinos, através dos livros que compõem o Novo Testamento. Quanto a esses livros
1. ÉPOCA EM QUE FORAM ESCRITOS. O Novo Testamento é composto por 27 livros, escritos por 8 ou 9
homens (dependendo de se atribuir a redação da epístola aos Hebreus ao apóstolo Paulo ou não), homens estes santos que,
"falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo" (2 Pe 1.21). Estes livros foram escritos entre os anos 45 e 100.
Suas referências históricas cobrem todo o primeiro século da nossa era, e apresentam nítidos reflexos culturais dos séculos
que precederam a chegada do Messias (Período Inter-Bíblico).
Os estudiosos divergem em suas opiniões quanto à data em que cada um dos livros do Novo Testamento foi
escrito. Todavia, gostaria de registrar aqui uma tabela sugestiva quanto ao tempo e local onde foram escritas as epístolas
paulinas:
LIVRO LOCAL DATA
Gálatas Antioquia da Síria 49 d.C.
1 Tessalonicenses Corinto 51 d.C.
2 Tessalonicenses Corinto 51 d.C.
1 Coríntios Éfeso 55 d.C.
2 Coríntios Tessalônica 55 d.C.
Romanos Corinto 57 d.C.
Efésios Roma 60 d.C.
Filipenses Roma 60 d.C.
Colossenses Roma 60 d.C.
Filemom Roma 60 d.C.
1 Timóteo Filipos 63 d.C.
2 Timóteo Roma 67 d.C.
Tito ? ?
2. OS ESCRITORES. Quanto aos homens que os escreveram, todos eram judeus, exceto Lucas
(provavelmente gentio). Três foram apóstolos, os quais acompanharam o Senhor Jesus em Sua trajetória ministerial:
Mateus, Pedro e João. Quatro foram homens que tiveram participação ativa na vida da Igreja Primitiva: Marcos, Paulo,
Judas e Tiago (sendo estes dois últimos, irmãos do Senhor Jesus - Mt 13.55). Lucas e Paulo, apesar de não terem sido
testemunhas oculares da vida do Senhor, viveram muito próximos aos que o foram.
3. DIVISÃO DE ACORDO COM O CARÁTER LITERÁRIO. Se considerarmos o caráter literário dos
livros do Novo Testamento, iremos dividi-los em quatro grupos:
3.1 - Históricos - são os livros que narram a história da vida do Senhor Jesus aqui no mundo (Mateus,
Marcos, Lucas e João), bem como a história da Igreja após Sua ascensão (Atos).
Mateus, Marcos e Lucas são chamados evangelhos “sinóticos”*, porque colocados lado a lado,
mostram semelhanças impressionantes em seu testemunho da vida do Senhor Jesus. Por outro lado João, também
chamado de o quarto evangelho, tem características próprias bem definidas – pelo menos 90% de seu texto não encontra
paralelo nos sinóticos! Todavia, é bom lembrar que os quatro evangelistas tinham algo muito especial em comum: criam
que Deus existe, e que é capaz de agir de acordo com a Sua vontade no mundo que Ele criou. Por isso, apresentaram a
verdade irrecusável de que Ele entrou na História por meio de Seu Filho, para resgatar a humanidade perdida.
Vejamos agora um quadro comparativo dos sinóticos com o evangelho de João:
SINÓTICOS JOÃO
3.1.1 - dão ênfase ao Seu ministério na Galiléia 3.1.1 - dá ênfase ao Seu ministério na Judéia
3.1.2 - falam mais de Jesus e as multidões 3.1.2 - fala mais de Jesus e indivíduos
3.1.3 - seu ensino concentra-se na ética (prática da vida cristã) 3.1.3 - seu ensino concentra-se na Pessoa do Senhor Jesus
* Algumas observações quanto aos Sinóticos:
Dá-se o nome de Sinóticos aos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas por apresentarem um relato
bastante semelhante dos mesmos eventos ocorridos na vida do Senhor Jesus. Há, em cada um deles, adições e omissões em
relação aos demais; todavia, de modo geral, o material que apresentam é o mesmo, e está organizado de forma
extremamente semelhante. É perfeitamente possível copiá-los em três colunas paralelas, lendo-os concomitantemente e
estabelecendo comparações.
De acordo com o estudioso William Barclay, o evangelho de Marcos pode ser dividido em 105 seções.
Destas, 93 ocorrem em Mateus, e 81 em Lucas. Das 105 seções de Marcos, somente 4 não aparecem nem em Mateus, nem
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
em Lucas. Marcos tem 661 versículos. Mateus, 1068. E Lucas, 1149. Mateus reproduz nada menos que 606 versículos de
Marcos; Lucas, 320. Dos 55 versículos de Marcos que Mateus não reproduz, Lucas reproduz 31. Portanto, em todo o
evangelho de Marcos há somente 24 versículos que não são encontrados em Mateus ou Lucas! E mais: de modo geral,
Mateus e Lucas apresentam a mesma ordem de acontecimentos apresentada por Marcos. Há muito pouca diferença. E,
quando Mateus diverge, Lucas concorda com Marcos; quando Lucas diverge, Mateus concorda. Assim, sempre um dos
dois segue a mesma ordem de eventos apresentada por Marcos!
3.2 - Doutrinários - em sua maioria, escritos em forma de cartas para Igrejas, têm como propósito
instruir os crentes quanto à fé cristã (doutrina) e também quanto à prática da vida cristã (ética). São eles: Romanos, 1 e 2
Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, Judas e 1 João.
3.3 - Particulares (ou Pessoais) - cartas escritas para indivíduos, visando dar instrução ou
aconselhamento pessoal. Como os seus destinatários eram líderes da Igreja, tais cartas acabaram por influenciar a muitos,
tornando-se documentos públicos. São elas: 1 e 2 Timóteo; Tito, Filemom e 2 e 3 João.
3.4 - Profético - o livro de Apocalipse que, por meio de um estilo altamente simbólico, trata do futuro,
bem como do presente.
4. NOTA: até à invenção da imprensa, que só veio acontecer na metade do século XV, toda a literatura,
inclusive os livros que compõem a Bíblia, tinha que ser copiada à mão, num processo extremamente trabalhoso. Ao longo
desse tempo, foram preservados 3.286 manuscritos de parte ou de todo o texto grego do Novo Testamento. Nenhuma outra
literatura antiga tem tantas cópias manuscritas preservadas!
VIII. VISÃO PANORÂMICA DE CADA LIVRO
Com o objetivo de termos uma visão panorâmica do Novo Testamento, daremos uma passada d'olhos através
cada um dos seus livros, destacando sempre:
1. o PROPÓSITO para o qual foi escrito o livro;
2. uma PALAVRA-CHAVE que nos ajude a lembrar qual é esse propósito;
3. um VERSÍCULO-CHAVE que justifique a palavra-chave;
4. como o SENHOR JESUS é visto nesse livro;
5. alguns DADOS E PARTICULARIDADES do livro;
6. algumas LIÇÕES que dele podemos extrair para a nossa vida.
Vejamos:
MATEUS
1. Propósito: o Espírito Santo escolheu o judeu Mateus para escrever este evangelho aos judeus, a respeito de
um JUDEU, tendo como propósito demonstrar que esse Judeu, o Senhor Jesus, é o Messias tão anunciado pelos profetas
do Velho Testamento. Ele é o verdadeiro Rei dos Judeus. Com muito cuidado e exatidão, Mateus faz várias referências ao
Velho Testamento (cerca de 130), fundamentando a sua declaração de que Jesus é o Cristo. [Obs.: mesmo tendo sido
escrito primordialmente para os judeus, o evangelho de Mateus não exclui os gentios. Ele mostra que o Messias os receberá
em Seu reino (8.11). Por isso mesmo, o Seu evangelho tem que ser pregado a todas as nações (24.14; 28.19)].
2. Palavra-Chave: MESSIAS
3. Versículo-Chave: "Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (16.16).
4. JESUS: é apresentado como o Rei Ungido que veio para salvar o Seu povo (1.23; 2.2,6; 3.17; 21.5,9;
26.63,34; 27.11,27-37). Os profetas do Velho Testamento anunciavam e ansiavam pela chegada do Messias, que viria para
redimir e libertar o Seu povo. O primeiro versículo de Mateus, de modo sucinto, anuncia o cumprimento da esperança de
Israel quanto ao Messias - "Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão" (1.1).
5. Dados e Particularidades:
5.1 - o evangelho de Mateus foi colocado em primeiro lugar no cânon do Novo Testamento pela igreja
primitiva porque, devido ao seu propósito, ele é a ponte natural que interliga os dois Testamentos.
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
5.2 - Variações da expressão para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do
profeta (1.22; 2.15; 2.17; 2.23; 13.34,35; 21.4; 27.9) são encontradas 9 vezes aqui. Isto está em acordo com o propósito do
livro, que é mostrar como as profecias do Velho Testamento se cumpriram em Jesus, levando os judeus a reconhecerem
ser Ele o Messias. Também a expressão reino dos céus aparece 32 vezes aqui, não sendo encontrada em qualquer outra
parte do Novo Testamento. Mais: somente em Mateus a cidade de Jerusalém é chamada de cidade santa (4.5) e cidade do
grande Rei (5.35).
5.3 - em Mateus, o evangelho do Reino, encontramos cinco discursos proferidos pelo Senhor Jesus:
[Nota: Há uma grande ênfase em Mateus dada ao conceito de Reino de Deus. No Sermão do Monte, temos a constituição
do Reino; no capítulo 10, temos a descrição dos deveres dos líderes do Reino; no capítulo 13, as parábolas que ilustram o
Reino; no capítulo 18 aprendemos sobre a grandeza do Reino; e nos capítulos 24 e 25 aprendemos sobre a vinda do Rei!
(Aliás, há uma preocupação constante neste evangelho em apresentar o Senhor Jesus como Rei – Ele é o homem que
nasceu para ser Rei; Ele é o Senhor a quem pertence o Reino, o Poder e a Glória!)].
5.3.1 - o Sermão do Monte - 5.3-7.27.
5.3.2 - as Instruções Para Os Discípulos - 10.5-42
5.3.3 - as Parábolas do Reino - 13.3-52
5.3.4 - novas Instruções Para Os Discípulos - 18.3-35
5.3.5 - o Sermão Profético do Monte das Oliveiras - 24.4-25.46. (Em Mateus vemos uma
apresentação destacada do que o Senhor Jesus disse com respeito à Sua segunda vinda, bem como de todos os
acontecimentos a ela relacionados).
5.4 – não há, em todo o Novo Testamento, um capítulo que fale mais fortemente em condenação que o
capítulo 23 deste livro (condenação esta dirigida primordialmente aos escribas e fariseus).
5.5 – um esboço possível do livro:
5.5.1 – A Primeira Fase da Vida do Messias (1.1-4.16)
5.5.1.1 – Seu nascimento e infância (1.1-2.23)
5.5.1.2 – A preparação para o ministério (3.1-4.16)
5.5.2 – O Ministério Público do Messias na Galiléia (4.17-16.20)
5.5.2.1 – O início do Seu ministério (4.17-25)
5.5.2.2 – A “Carta Magna” do Reino do Messias (5.1-7.29)
5.5.2.3 – O Messias demonstra Seu poder (8.1-9.34)
5.5.2.4 – O ministério dos discípulos do Messias (9.35-11.1)
5.5.2.5 – Reações ao ministério do Messias (11.2-12.50)
5.5.2.6 – As Parábolas do Reino do Messias (13.1-53)
5.5.2.7 – Outras reações ao ministério do Messias (13.54-16.20)
5.5.3 – O Ministério Particular do Messias na Galiléia (16.21-18.35)
5.5.3.1 – O Messias ensina sobre Sua missão (16.21-17.27)
5.5.3.2 – A questão do relacionamento entre os seguidores do Messias (18)
5.5.4 – O Ministério do Messias na Judéia (19.1-25.46)
5.5.4.1 – Os ensinamentos do Messias em sua viagem final a Jerusalém (19.1-20.34)
5.5.4.2 – Primeiros momentos em Jerusalém (21.1-17)
5.5.4.3 – Ensinos e confrontos em Jerusalém (21.18-25.46)
5.5.5 – A Paixão e a Ressurreição do Messias (26.1-28.20)
5.5.5.1 – O início da Paixão (26.1-46)
5.5.5.2 – Prisão e Julgamento do Messias (26.47-27.26)
5.5.5.3 – A Crucificação e Sepultamento do Messias (27.27-66)
5.5.5.4 – A Ressurreição do Messias (28.1-15)
5.5.5.5 – A Grande Comissão dada pelo Messias (28.16-20)
6. Lições:
6.1 - Deus transforma um impopular cobrador de impostos em uma dádiva para a humanidade (9.9). O
nome Mateus significa Presente de Deus. Sim, Mateus se tornou um “presente de Deus” porque teve uma experiência
genuína de conversão! Vejamos quais os traços de uma conversão genuína:
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
6.1.1 - obediência imediata ao chamado divino - 9.9
6.1.2 - o Senhor Jesus passa a ser o maior valor da vida - Lc 5.28: "deixando tudo"
6.1.3 - testemunho imediato - 9.12
6.2 - que valor tremendo tem a fé verdadeira! Sendo o único a narrar a visita dos magos, que vieram
desde o Oriente para adorar o Senhor Jesus (2.1-12), o evangelho de Mateus nos apresenta, na pessoa desses homens sobre
quem sabemos tão pouco, um notável exemplo de fé verdadeira! A respeito disso, J.C.Ryle diz: "Eles confiaram em
Cristo, ainda que nunca O tivessem visto. Mas, isso não foi tudo. Creram nEle mesmo depois que os escribas e os fariseus
demonstraram a sua incredulidade. Porém, nem mesmo isso foi tudo. Confiaram nEle quando O viram como um menino
pequeno, nos joelhos de Maria, e adoraram-nO como a um rei. Esse foi o ponto culminante da sua fé. Não contemplaram
qualquer milagre que pudesse convencê-los. Não ouviram qualquer ensino que pudesse persuadi-los... A ninguém mais
viram senão a um menino ainda pequeno, fraco e impotente, necessitado dos cuidados maternos como qualquer um de nós.
A despeito disso, quando viram aquele Menino, creram estar diante do divino Salvador do mundo. E, prostrando-se, O
adoraram". Você é um imitador dos magos em sua fé?
6.3 - a Palavra de Deus se cumpre. Haja o que houver! O evangelho de Mateus é um dos testemunhos
mais ricos neste sentido! (Is 46.9,10; Js 21.45 - "nenhuma promessa falhou de todas as boas palavras que o SENHOR
falara à casa de Israel: tudo se cumpriu).
6.4 – Nem sempre todos compreendem a atitude do Messias ao purificar o Templo (21.12,13). Elwell e
Yarbrough em sua obra “Descobrindo o Novo Testamento” nos ajudam quanto a isso: “Caifás tinha autorizado o
funcionamento de um mercado ali [no pátio externo do Templo, ao qual o acesso dos gentios era permitido], onde só se
podia vender itens ritualmente puros, para os sacrifícios no Templo. Isso não era necessário, pois havia vários mercados
oficiais em outros lugares da cidade.
Além disso, todos s judeus maiores de 20 anos tinham que pagar anualmente o imposto do Templo, no
valor de meio siclo. Três moedas circulavam na Palestina: uma romana (dinheiro imperial), uma grega (dinheiro provincial)
e uma tíria (dinheiro local). Uma vez que as moedas romanas e gregas tinham efígies humanas – que eram consideradas
idolatria pelos judeus – não podiam ser utilizadas para pagar a taxa do Templo e tinham que ser trocadas por moedas tírias.
Com efeito, Caifás tinha feito do Templo um banco. E, para deixar as coisas piores, havia fraude e extorsão em todas essas
transações, além do fato de os cambistas poderem cobrar uma pequena sobretaxa....
As ações de Jesus incluíram virar as mesas dos cambistas e as bancas dos vendedores de pombos...”. Em
Seu zelo pelo cumprimento e obediência à Palavra (21.13), Ele não teve como não agir da forma pela qual agiu!
Fica para nós a pergunta: o que os líderes e freqüentadores das casas de oração dos nossos dias podem
aprender com essa atitude do Senhor Jesus?
6.5 - é bom que jamais nos esqueçamos de quem é o Rei Jesus. Em 28.18 aprendemos que Ele tem TODA
autoridade, tanto no céu como na terra. Ele venceu a morte, o nosso último inimigo! ALELUIA!!!
MARCOS
1. Propósito: escrito para os romanos (veja só algumas das evidências que provam-no: a. não traz quase
nenhuma citação do Velho Testamento; b. traduz palavras que seriam desconhecidas para os romanos [3.17; 5.41; 7.11;
14.36]; c. dá explicações quanto aos costumes judeus [7.2-4; 15.42]), este evangelho tem como propósito apresentar o
Senhor Jesus como Aquele que, tendo autoridade e poder, veio para servir.
2. Palavra-Chave: SERVIR
3. Versículo-Chave: "Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua
vida em resgate por muitos" (10.45).
4. JESUS: o Carpinteiro (6.3) é apresentado como um Servo ativo e cheio de compaixão, que está
constantemente ministrando às necessidades físicas e espirituais das pessoas que O buscam. A palavra "euthus", traduzida
por "logo", ou "imediatamente", aparece 42 vezes aqui. O Filho de Deus está sempre a servir os homens, exercendo o Seu
grande poder (daí a ênfase especial dada à narração de milagres).
5. Dados e Particularidades:
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O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
5.1 - Marcos é também chamado de o evangelho de Pedro. Isso, por causa de um documento de Papias
(70-155), um discípulo de João. Nesse documento lê-se o seguinte: "O Presbítero também disse: Marcos, tendo-se tornado
o porta-voz de Pedro, escreveu com muito cuidado tudo aquilo de que se lembrou - contudo, não em ordem - tanto das
palavras quanto dos feitos de Cristo".
5.2 - somente uns 20 ou 30 versículos de Marcos não aparecem em Mateus ou Lucas. Em geral, este
evangelho está contido nos demais. Todavia, tem a sua personalidade própria, apresentando a vida do Senhor Jesus como
num filme documentário rápido, onde os fatos são mostrados sem maiores comentários (o Personagem fala por Si só!) da
seguinte forma:
5.2.1 - o Servo Perfeito, e Seu serviço perfeito - 1.1-8.30;
5.2.2 - o Servo Perfeito, e Seu sacrifício perfeito - 8.31-16.20
5.3 – Marcos é levado a iniciar a sua narrativa falando em João Batista. Por sinal, os quatro evangelhos
associam o Senhor Jesus à pessoa e ministério desse homem estranho, que vivia em austeridade ascética e lembrava muito
o profeta Elias! Tendo surgido no deserto a leste de Jerusalém, João foi uma figura arrebatadora que conclamava o povo ao
arrependimento, anunciando a chegada próxima do Messias. Mostrava que a mera religiosidade não podia substituir a
obediência autêntica e o amor a Deus. Também dizia que vida com Deus não é coisa hereditária – os descendentes físicos
de Abraão não são automaticamente salvos! Compromisso era a sua palavra-chave! Todavia, não era a sua intenção chamar
as pessoas para si, pois ele se via a si mesmo como precursor do Messias. E, se batizava as pessoas que se mostravam
arrependidas e dispostas a uma vida de compromisso com Deus, nunca deixava de frisar: “Após mim vem aquele que é
mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correrias das sandálias. Eu vos tenho
batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo” (1.7,8).
5.4 - se em Mateus ficamos conhecendo o Messias que cumpriu as Escrituras até em seus detalhes mais
simples, em Marcos aprendemos porque esse Messias foi rejeitado: a maneira pela qual Ele Se revelou aos homens foi
inaceitável, do ponto de vista humano. Um Messias-Servo, vítima expiatória, que condenava o pecado, perturbava a
consciência, confrontava o orgulho, ensinava que há maior valor em servir do que em ser servido, tinha de ser rejeitado!
5.5 - H. E. Alexander nos diz que "um dos traços característicos do evangelho de Marcos é constituído
pelos freqüentes quadros da multidão que Jesus, o Servo Perfeito, ama com tanto amor! O ódio religioso aumenta, a
incompreensão dos discípulos continua, mas Jesus não Se cansa de derramar o amor e a luz de Deus sobre essas vítimas de
cegos e condutores de cegos.
Deixemos que as palavras deste evangelho nos comovam e inspirem: "Todos te buscam" (1.37)... "De
todos os lados iam ter com ele" (1.45)... "Para lá correram a pé de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que eles"
(6.33)... "uma grande multidão esperava-o ao pé do monte" (9.14).
No princípio da última etapa de Sua carreira terrestre, quando Ele parte para Jerusalém, ainda Se acha
cercado pelo povo, a multidão que ama. Mas infelizmente, esta multidão que o clero teme, está sob a influência do clero.
(Leia Mt 21.26 e Lc 22.2). Pouco a pouco a solidão se estabelece em redor de Jesus, e até mesmo muitos discípulos se
afastam e não vão mais com Ele (Jo 6.66)... E esta mesma multidão, quando é mencionada pela última vez neste
evangelho, pede aos brados a libertação de Barrabás e a crucificação dAquele que lhe deu tudo, até a própria vida!".
6. Lições
6.1 - aquele que nos apresenta o Servo, tornou-se ele mesmo um servo precioso. Eis o testemunho: "Toma
contigo a Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério" ( 2 Tm 4.11).
6.2 - a ênfase dada ao conteúdo da verdadeira pregação: ARREPENDIMENTO e FÉ (1.15).
6.3 - em Marcos, vemos diversas vezes que os demônios sabem quem é Jesus (1.24, 34; 3.11; 5.6,7). E
nós, os homens, sabemos quem Ele é? (15.2). A propósito dessa realidade, Elwell e Yarbrough em sua obra “Descobrindo o
Novo Testamento” dizem o seguinte: “Todas as pessoas e todas as coisas reconheciam que Jesus é divino – João Batista, os
demônios, a doença, o vento e as ondas, os discípulos, até mesmo Deus – exceto os líderes religiosos. É uma ironia
suprema que aqueles que deviam ter sido os primeiros a ver a natureza sobrenatural de Jesus se recusassem a reconhecê-la.
O poder, eles reconheciam, mas atribuíam-no ao demônio (3.22). Marcos atribui essa cegueira espiritual ao misterioso
propósito de Deus, previsto há muito tempo (4.11,12; 7.6,7)”.
6.4 - na história da filha de Jairo (5.21-43) aprendemos uma lição prática e singela, mas de muito valor.
Há dias em que tudo parece acumular-se: a doença, a interrupção de outras pessoas, uma aparente falta de interesse da parte
de Jesus... Todos temos de enfrentar tais dias! Lembremo-nos, contudo, de que Ele continua presente. Enquanto age na vida
dos outros, Ele também está agindo em nosso favor. E Se mantém presente. No final, isso fica bem claro!
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18
O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
6.5 - na história de Herodes (Antipas), quando da morte de João Batista (6.14-29), fica bem claro em
Marcos que Jesus, o Servo, é Senhor; e que Herodes, o senhor, é escravo - um rei-escravo...
6.5.1 - das suas paixões carnais. Tão escravo, que foi capaz de roubar a esposa do próprio irmão!
6.5.2 - da sua precipitação. Num ímpeto, prometeu dar a uma jovem dançarina até metade do seu
reino. Teve que dar muitíssimo mais do que isso. E não pode voltar atrás.
6.5.3 - da sua covardia. Sabia quem era João Batista. Ouvia de boa mente a sua mensagem. Mas,
não tinha coragem de aceitá-la. Mantinha João no cárcere por causa de Herodias. Ouvia-o de boa mente, por causa do seu
coração sedento. Mas, porque não teve coragem de tomar uma decisão ao lado do Senhor, Satanás o apanhou numa
armadilha.
LUCAS
1. Propósito: O Espírito de Deus leva o médico amado - Lucas - a apresentar o Senhor Jesus como o Homem
Perfeito. A cultura helênica, por meio da sua filosofia, cultuava e buscava a perfeição. Assim, Lucas apresenta o Senhor
Jesus ao mundo helenizado da sua época, como o Filho do homem, Aquele que é perfeito. Mostra a Sua perfeita
humanidade, destacando, por exemplo, os Seus sentimentos. E, se em Mateus o Senhor Jesus é apresentado como o
Messias esperado pelos judeus, em Lucas Ele é “luz para revelação aos gentios” (2.32). [Veja 4.25-27; 11.31,32 e
24.46,47. Observe, ainda, a inclusão dos samaritanos nesse quadro: 10.25-37]. Isso, naturalmente, não exclui Israel (veja
1.30-33; 2.32), mas alarga a visão do Plano Redentor de Deus.
2. Palavra-Chave: HOMEM PERFEITO
3. Versículo-Chave: "Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido" (19.10).
4. JESUS: neste evangelho, temos o relato mais completo da Sua vida como homem: uma genealogia que
estende as suas raízes até Adão (3.38), a narração minuciosa do Seu nascimento, e dados do Seu desenvolvimento como
criança. Assim, Ele é apresentado como o Homem Ideal, cheio de compaixão, que Se identifica com as dores e lutas dos
seres humanos e que, como Homem Perfeito, veio para resgatar os pecadores.
5. Dados e Particularidades:
5.1 - inicialmente, este evangelho foi dirigido a um homem - TEÓFILO ("amigo de Deus") - que teria
ocupado uma posição destacada na sociedade da época (a expressão "excelentíssimo", em 1.3, era usada para destacar o
fato de que a pessoa seria um oficial ou um membro da aristocracia. Veja At 23.26; 24.2; 26.25). E Lucas, segundo
Eusébio (que viveu entre os anos 265 e 339), “no que diz respeito à raça, um dos de Antioquia, mas médico por profissão,
uma vez que tinha estado muito tempo com Paulo e que não tinha pouca associação com os outros apóstolos, deixou-nos
exemplos da terapia de almas que conseguiu com eles, em dois livros inspirados. O evangelho em que ele testifica diz
ainda que escreveu de acordo com o que lhe passaram aqueles que foram testemunhas oculares desde o início e ministros
da palavra, todos os quais ele afirma ter seguido também desde o início; e os Atos dos Apóstolos que ele redigiu a partir
do que aprendeu, não de ouvido, mas com os olhos”. Em seu intento de levar Teófilo a saber que a fé no Senhor Jesus se
fundamenta em fatos históricos, o médico amado reuniu informações com pessoas fidedignas, conferiu as provas e
organizou esta biografia maravilhosa. O Homem Perfeito é parte concreta da História da humanidade. E o relato da Sua
vida e obra é merecedor de toda confiança.
5.2 - em Lucas temos a inserção de 4 lindos cânticos, ou poemas:
5.2.1 - o cântico pronunciado por Maria, quando de sua visita a Isabel (1.46-55), conhecido como
o MAGNIFICAT;
5.2.2 - o cântico pronunciado por Zacarias por ocasião do nascimento de João Batista (1.68-79),
conhecido como o BENEDICTUS;
5.2.3 - o cântico pronunciado pela milícia celestial quando do nascimento do Senhor Jesus (2.14),
conhecido como o GLORIA IN EXCELSIS;
5.2.4 - o cântico pronunciado por Simeão, no dia em que o Senhor Jesus foi apresentado no
Templo (2.29-32), conhecido como o NUNC DIMITIS.
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19
O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
5.3 - este evangelho apresenta-nos a doutrina do Espírito Santo de um modo destacado!
5.3.1 - fala de pessoas cheias e capacitadas pelo Espírito: João Batista (1.15); Maria (1.35); Isabel
(1.41); Zacarias (1.67); Simeão (2.25,26).
5.3.2 - mostra como a vida terrena do Senhor Jesus foi vivida no Espírito. Ele foi:
5.3.2.1 - concebido pelo Espírito (1.35);
5.3.2.2 - batizado pelo Espírito (3.22);
5.3.2.3 - provado pelo Espírito (4.1);
5.3.2.4 - capacitado pelo Espírito para o exercício do ministério (4.14,18);
5.3.2.5 - animado pelo Espírito (10.21);
5.3.2.6 - e Ele prometeu aos discípulos a vinda do Espírito, a fim de que pudessem
testemunhar com poder (24.49).
5.4 - em Lucas, as mulheres são mais citadas do que em Mateus e Marcos juntos! O evangelista mostra
que o Senhor Jesus concedeu a elas a dignidade e o respeito que os rabinos de Sua época não lhes conferiam. Ensina que a
salvação é não somente para os judeus e para os gentios, mas também para os homens e para as mulheres! E destaca: Maria
e Isabel (1.5,6,39-45,57,60); a profetisa Ana (2.36-38); a viúva da cidade de Naim (7.13); várias mulheres que
acompanhavam o Senhor e Lhe prestavam assistência (8.1-3) [será interessante destacarmos aqui a pessoa de Joana, esposa
de Cuza, que era procurador de Herodes Antipas, sendo, com certeza membro da alta classe da sociedade dos seus dias e
que, tendo sido curada pelo Senhor, deu o seu tempo e bens materiais para Ele]; as irmãs Marta e Maria (10.38-42); a
viúva pobre (21.1-4); as mulheres que lamentaram a execução do Senhor (23.27,28); as que presenciaram o Seu
sepultamento e ressurreição (23.55,56; 24.1-11). [Obs.: o Espírito de Deus moveu o apóstolo Paulo a defender os mesmos
princípios defendidos pelo Senhor Jesus com relação às mulheres: elas são herdeiras da salvação em Cristo tanto quanto os
homens (Gl 3.28); também merecedoras de reconhecimento e dignas de servir na obra de Deus (Rm 16.1-12); e os maridos
devem colocar o bem-estar de suas esposas acima do seu próprio bem-estar (Ef 5.25). O texto de 1 Tm 2.11,12 não deve ser
visto como uma contradição ao que foi dito acima, mas como uma adição. E esse texto não deve ser visto como
ultrapassado (a Palavra de Deus permanece para sempre! – Sl 119.160) por não se “casar” com o pensamento moderno. Na
verdade, é o pensamento moderno que precisa acertar o passo e se casar com a Palavra de Deus!].
5.5 - uma parte do desígnio de Deus para o evangelho de Lucas é o de acentuar:
5.5.1 - o poder da Palavra de Deus (1.20,45; 2.29; 4.4,8; 8.21; 11.28);
5.5.2 - a autoridade da palavra do Senhor Jesus (4.22,32,36; 5.5; 7.7; 9.26; 20.26; 21.33; 22.61;
24.27,32,44,45).
6. Lições:
6.1 - (10.38-42) > a escolha de Maria. A boa parte é sempre ficar aos pés de Jesus. E essa parte é a única
coisa que não nos será tirada! A saúde, os queridos, etc., nos são tirados. Mas, a bênção de estar aos pés de Jesus, ainda
mesmo no leito de morte, não nos será tirada! Aleluia!!!
6.2 - (14.26,27,33) > o ser discípulo de Jesus é graça de Deus em nossa vida, sem dúvida alguma (Ef 2.8).
Contudo, essa manifestação da graça implica num preço: TUDO!
6.3 - (15.11-32) > aqui temos um lindo vislumbre do coração do Pai! No relato sobre o filho pródigo,
temos um retrato do coração amorável, compassivo e misericordioso do nosso Deus.
6.4 - (19.1-10) > aqui, temos um testemunho vivo do que é a verdadeira conversão:
6.3.1 - começa com uma sede por vê-Lo (v.4);
6.3.2 - continua, numa obediência incontinenti à palavra de Jesus (v.5);
6.3.3 - sela-se no recebê-Lo com alegria (v.6);
6.3.4 - prova-se, na manifestação do fruto do arrependimento (v.8);
6.3.5 - consuma-se, no testemunho do Senhor a nosso respeito (v.9);
6.3.6 - glorifica ao Senhor (v.10; Is 53.11).
6.5 - (24.13-35) > no episódio dos discípulos no caminho de Emaús, aprendemos uma lição
particularmente dolorosa: como somos tardios para crer na Palavra de Deus! Mesmo com o coração ardendo, não
conseguimos enxergar. Como carecemos da graça do Senhor!
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20
O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
JOÃO
1. Propósito: o evangelho de João apresenta claramente o seu propósito no versículo 31 do capítulo 20: "Estes,
porém, foram registados para que creiais que Jesus é o Cristo o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais vida em seu
nome". Inspirado pelo Espírito de Deus, João visa provocar fé no coração dos seus leitores, ao apresentar-lhes a
divindade do Senhor Jesus.
2. Palavra-Chave: CRER (aparece 98 vezes neste evangelho)
3. Versículo-Chave: "Estes, porém, foram registados para que creiais que Jesus é o Cristo o Filho de Deus, e
para que, crendo tenhais vida em seu nome" (20.31).
4. JESUS: desde o princípio do livro há uma apresentação clara e forte da divindade do Senhor Jesus. Ele é o
Verbo encarnado (1.14), o Santo de Deus (6.69). A Sua divindade é apresentada também através das afirmações EU SOU.
O Pr. Alfredo Reinke faz um comentário singelo e edificante a respeito dessa expressão. Diz ele: "Encontramos vários
textos na Bíblia nos quais Jesus afirma: 'Eu sou'. Pensemos inicialmente sobre o profundo significado dessas palavras com
tão poucas letras. Quando Jesus afirma 'Eu', significa que é só Ele, e ninguém mais. Nem religião, nem igreja, nem boas
obras, etc. Quando Jesus diz 'sou', isto mostra que Ele não disse 'fui' ou 'serei'. Ele é! Agora, neste instante. Nessas
afirmações do Messias aparece também um artigo definido. Jesus não disse que Ele é 'um', ou 'uma', mas que Ele é 'o' ou 'a',
algo totalmente definido, ou seja: Ele é único". Vejamos os 'Eu Sou" de Jesus apresentados neste evangelho:
4.1 EU SOU O PÃO DA VIDA 6.35
4.2 EU SOU A LUZ DO MUNDO 8.12
4.3 EU SOU A PORTA 10.9
4.4 EU SOU O BOM PASTOR 10.11,14
4.5 EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA 11.25
4.6 EU SOU O CAMINHO, A VERDADE, A
VIDA
14.6
4.7 EU SOU A VIDEIRA VERDADEIRA 15.1
O Senhor Jesus também Se apresenta como o EU SOU do Antigo Testamento de forma absolutamente
inquestionável (Ex. 3.14; Jo 8.24,58; 13.19).
Por outro lado, a humanidade do Mestre também é vista neste evangelho (4.6; 11.35; 12.27). Em João
aprendemos que a encarnação do Verbo – ou seja, a humanidade do Senhor Jesus – não foi mero aparecimento dEle na
Terra, mas uma verdadeira e total entrada dEle na vida e na carne humanas.
5. Dados e Particularidades:
5.1 - o evangelho de João é bastante peculiar: 90% dele não tem ligação aparente e direta com os
Sinóticos. É o único a apresentar o Senhor Jesus como o VERBO (Logos). Quase não traz parábolas. Narra oito milagres,
sendo que seis deles não são encontrados nos sinóticos. João também apresenta mais as falas do Senhor Jesus (públicas, ou
em conversas pessoais).
Eis os milagres de Jesus narrados em João:
5.1.1 Transformou água em vinho 2.1-12
5.1.2 Curou o filho de um oficial do rei 4.46-54
5.1.3 Curou o paralítico de Betesda 5.1-18
5.1.4 Multiplicou pães 6.1-15
5.1.5 Andou sobre o mar 6.16-20
5.1.6 Curou o cego de nascença 9
5.1.7 Ressuscitou Lázaro 11.1-46
5.1.8 A segunda pesca maravilhosa 21.4-6
I.2 - este é o evangelho da antítese ou dos contrastes. Fala em:
5.2.1 - carne e espírito (3.6);
5.2.2 - luz e trevas (8.12);
5.2.3 - mercenário e pastor (10.12);
5.2.4 - vida e morte (11.25), etc.
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21
O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução
5.3 - um terço do evangelho de João (capítulos 13 a 19) concentra-se em fatos e discursos que
aconteceram num período de tempo de menos de 24 horas! (Quanta riqueza há em estar com Jesus nesse curto espaço de
tempo!).
5.4 - o evangelho de João define com mais precisão do que os Sinóticos a época e o local dos
acontecimentos nele narrados. E, pelo fato de citar as festas judaicas de que o Senhor Jesus participou, pode-se descobrir
por quanto tempo Ele exerceu o Seu ministério terreno.
EIS AQUI UM QUADRO DAS FESTAS JUDAICAS
FESTA ÉPOCA TEXTOS
PÁSCOA (Pães Asmos) 14 a 21 do mês de Nisã (Março/Abril) Ex 12.43 - 13.10 / Jo 2.13
PENTECOSTES (Primícias /
Semanas)
6 do mês de Sivã (Maio/Junho) Dt 16.9-12 / At 2.1
TROMBETAS (Rosh Hashanah) 1 e 2 do mês de Tishri (Set/Out) Nm 29.1-6
DIA DA EXPIAÇÃO (Yom Kippur) 10 do mês de Tishri (Set/Out) Lv 23.26-32 / Hb 9.7
TABERNÁCULOS 15 a 22 do mês de Tishri (Set/Out) Ne 8.13-18 / Jo 7.2
DAS LUZES (Hanukkah - dedicação) 25 do mês de Kislev (Nov/Dez) Jo 10.22
PURIM 14 e 15 do mês de Adar (Fev/Mar) Et 9.18-32
Nota: destas, as três festas principais eram: Páscoa, Pentecoste e Tabernáculos. Delas, todo homem
judeu deveria participar, indo a Jerusalém.
5.5 - enquanto os Sinóticos nos apresentam o reino, o quarto evangelho nos apresenta o Rei. (É verdade
que, em João, lemos sobre a entrada no reino - 3.3-5 - e nos sinóticos lemos sobre o Rei. Todavia, a ênfase maior em João
é dada ao Rei).
6. Lições:
6.1 - é bonito acompanhar o ministério de André, aqui no evangelho de João. Observe como ele está
sempre levando alguém a Jesus:
6.1.1 - (1.40-42) > levou seu irmão Pedro a Jesus;
6.1.2 - (6.8,9) > levou a Ele o rapaz que trouxera pães e peixes;
6.1.3 - (12.20-22) > levou alguns gregos ao Senhor.
6.2 - a definição, ou delimitação claríssima de quem é salvo e quem não é está em 3:36. Observe: não há
meio termo. E não há outro caminho!
6.3 - o Senhor Jesus não implora a ninguém que O siga; pelo contrário! Constate esta verdade lendo
6.66,67.
6.4 - em nosso ministério, não podemos esperar lutas menores do que aquelas que o Senhor Jesus
enfrentou. Por outro lado, não devemos esperar resultados menores! Leia 15.20.
6.5 - o grande objetivo do coração do Senhor Jesus para os Seus é que TODOS sejamos UM! (17.21).
ATOS
1. Propósito: o livro de Atos começa onde termina o evangelho de Lucas. E mostra que, embora a morte do
Senhor tenha sido evidente e pública, Sua partida física (ascensão) não significava que tivesse deixado de agir nos negócios
humanos! Sua presença real, mesmo não sendo física, permanecia através do Espírito prometido. E o livro tem como
propósito mostrar como o Senhor Jesus continuou presente e agindo, por meio do Seu Espírito, promovendo a
implantação da Igreja, a partir do Pentecostes, começando em Jerusalém, e chegando aos mais distantes pontos do mundo
conhecido de então.
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APOSTILA DO NOVO TESTAMENTO

  • 1. O NOVO TESTAMENTO UMA PEQUENA INTRODUÇÃO (EDIÇÃO - 2012) Luiz Ricardo Monteiro da Cruz CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS
  • 2. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução O NOVO TESTAMENTO UMA PEQUENA INTRODUÇÃO I. Informações Sobre o Período Inter-Bíblico & Algumas Outras Notas Nenhum estudo do Novo Testamento pode ser completo sem que se tome em consideração os acontecimentos dos 400 anos que se passaram entre a profecia de Malaquias (Neemias) e o nascimento do Senhor Jesus. Esse período, também chamado de período inter-bíblico ou de período silencioso (pelo fato de não ter surgido em Israel nenhum profeta inspirado), é, na verdade, um período de grande atuação do nosso Deus na História, preparando tudo para que, vindo a "plenitude do tempo", Ele enviasse Seu Filho, "nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos" (Gl 4.4,5). Vamos conhecer alguma coisa do Período Inter-bíblico?! Podemos dividi-lo em quatro “momentos” distintos: 1. PERÍODO PERSA - 430 a 331 a.C. Os persas dominaram o mundo desde 536 até 331 a.C. Ao contrário do que fizeram os assírios e babilônios, que retiravam os povos conquistados de sua terra espalhando-os por outras regiões do Império, os persas procuraram repatriar esses povos. Foi assim que Ciro permitiu aos judeus que voltassem para Jerusalém e reconstruíssem o Templo (2 Cr 36.22,23; Ed 1.1-4). Com isso, cumpriu-se a profecia de Isaías (Is 41,44,45) proclamada 150 anos antes! (Isaías citou, inclusive, o nome do rei que viria, e predisse a reconstrução do Templo que, na sua época, nem havia sido destruído pelos babilônios ainda!). Durante todo esse período, aos judeus foi permitido observar suas ordenanças religiosas sem interferências. O governo da Judéia era exercido pelo sumo sacerdote, que prestava contas ao governo persa. Havia bastante liberdade e autonomia. Por outro lado, o cargo de sumo sacerdote passou a ser político, o que, posteriormente, gerou muitos problemas. As lutas para ocupá-lo eram marcadas por inveja, intriga e, até, assassinato! A Pérsia e o Egito, nessa época, passaram a envolver-se em conflitos constantes e, como a Judéia estava geograficamente situada entre esses dois impérios, não teve como se eximir de envolvimento. Foi assim que, durante o reinado de Artaxerxes III, muitos judeus se engajaram numa rebelião contra os seus dominadores persas, tendo sido deportados (novamente) para a Babilônia ou para as margens do Mar Cáspio. 2. PERÍODO GREGO - 331 a 167 a.C. Até a segunda metade do IV século a.C., os grandes impérios mundiais tinham suas bases na Ásia ou na África. Contudo, os persas (que eram da Ásia) jamais foram vitoriosos em suas tentativas de subjugar os gregos (que eram da Europa). E, em 333 a.C. Alexandre da Macedônia, discípulo de Aristóteles, completamente convencido de que a cultura grega era a força que iria unificar o mundo, derrotou os exércitos persas estacionados na Ásia Menor (península asiática localizada entre os mares Negro e Mediterrâneo). De lá, passando pela Síria e Palestina (e conquistando Tiro após sete meses de ferrenha resistência), chegou ao Egito, onde foi recebido como libertador do domínio persa. Do Egito, Alexandre passou para a Babilônia e Pérsia, estendendo as suas conquistas até à região de Punjab, na Índia. Sua meta era implantar a cultura helênica, levando o mundo conhecido a experimentar uma espécie de globalização. Em cada país conquistado, determinava a construção de uma cidade, que deveria servir de modelo para as demais. Eram construídos bons prédios públicos, um ginásio (para os jogos), um teatro, etc. As pessoas eram estimuladas a adotar nomes gregos, vestir-se como os gregos, e falar a língua grega. Aos poucos, ia se estabelecendo uma língua mundialmente falada. Alexandre tornou-se amigo dos judeus, preservou a cidade de Jerusalém, permitiu-lhes observar as suas próprias leis, e lhes ofereceu facilidades para se fixarem em Alexandria (cidade construída por ele em 331 a.C. no Egito) onde aos judeus foram concedidos privilégios comparáveis àqueles de que gozavam os súditos gregos. Assim, muitos deles ficaram CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 2
  • 3. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução fascinados pela cultura grega. E, se a idolatria foi a pedra de tropeço no período pré-exílico, a cultura helênica o foi neste período. Muitos tentaram adaptar a fé à filosofia grega. Por outro lado, outros resistiram ao helenismo, dedicando-se com grande afinco ao estudo da Lei. Alexandre morreu em 323 a.C., aos 33 anos de idade, na Babilônia. Depois de um período de vinte anos de lutas e incertezas, seus generais (também chamados diádocos, que quer dizer sucessores, ou herdeiros) dividiram o império em cinco regiões, distribuindo-as entre si, mantendo, porém, a mesma conduta de helenização dos povos: a) Lisímaco recebeu a Trácia e a Ásia Menor; b) Cassandro, a Macedônia e a Grécia; c) Ptolomeu ou Ptolomeu Soter (cuja dinastia foi a mais estável de todas – e todos os seus sucessores, até o Egito ser conquistado pelos romanos em 30 a.C., receberam o nome de Ptolomeu), recebeu o Egito e o norte da África; d) Seleuco, a Síria, e vasta região à leste desta. e) A Judéia ficou sujeita, inicialmente, ao general Antígono Monoftalmos (detentor de maior poder e maior extensão de territorial), responsável por controlar a Ásia. Posteriormente, passou a ser controlada por outro general, Ptolomeu I ou Ptolomeu Soter (que já dominava o Egito). Ptolomeu Soter (Libertador), capturou a cidade de Jerusalém num sábado. Iniciar-se, então, dentro do Período Grego, um "sub-período": 2.1 Sub-Período Grego, também chamado de Período Greco-Egípcio: os Ptolomeus - 301 a 198 a.C. Sob o domínio dos Ptolomeus (reis egípcios) os judeus viveram em paz. Os que moravam no Egito construíram sinagogas. Alexandria, definida como a capital por Ptolomeu I, tornou-se um centro influente do Judaísmo. Na época de Ptolomeu II (também chamado de Filadelfo) - 285 a.C. - os judeus de Alexandria traduziram para o grego as Escrituras do Velho Testamento. Essa tradução tornou-se conhecida como a Septuaginta, ou Tradução dos Setenta, pois 72 homens, sendo 6 de cada tribo, foram enviados desde a Judéia para produzi-la. A Septuaginta passou a ser a Bíblia de muitos judeus que moravam fora da Palestina. Mas ela não se tornou acessível apenas aos judeus; também o era para todo o mundo de fala grega. E se tornou, mais tarde, a Bíblia usada pela Igreja Primitiva de fala grega, sendo citada com freqüência em o Novo Testamento. [Nota: Nesse período, em Alexandria, judeus pouco ortodoxos adicionaram à Septuaginta livros apócrifos, escritos por essa época. Somente no século XV – cerca de 1.700 anos depois - a Igreja Católica Romana os adicionou ao Cânon. Todavia, os judeus nunca os consideraram canônicos, nem reconheceram neles autoridade profética. Filon, o filósofo judeu de Alexandria, que viveu entre os anos 20 a.C. e 50 d.C., deixou uma lista com os nomes dos escritos sagrados, e nela não incluiu os apócrifos. Também a maioria dos judeus que viviam na Palestina à época não reconheciam os apócrifos como canônicos, posição reforçada pelo historiador Flávio Josefo, que viveu entre os anos 38 e 100 d.C. No Sínodo de Jamnia (realizado entre 90 e 118 d.C.) os rabinos judeus declararam a canonicidade apenas dos livros já anteriormente reconhecidos como inspirados]. Os sumos sacerdotes continuaram governando a terra, como no Período Persa. O grande personagem dessa época: o Sumo Sacerdote Simão, o Justo. 2.2 Sub-Período Grego: os Selêucidas - 198 a 167 a.C. Os governadores sírios são chamados Selêucidas, porque o seu reino coube a Seleuco, outro dos generais de Alexandre. Antíoco III, o Grande, conquistou a Palestina em 198 a.C, ao vencer Ptolomeu IV na batalha de Panéias. Inicialmente, os selêucidas permitiram que o Sumo Sacerdote continuasse governando os judeus, de acordo com as leis deles. Porém surgiram conflitos entre o partido helenista e os judeus ortodoxos, o que levou Antíoco IV (também chamado Epifânio, que quer dizer ilustre) a se aliar aos helenistas e a nomear para o sacerdócio um homem que mudara seu nome de Josué para Jasom, inimigo do sumo sacerdote Menelau, que era ortodoxo. Jasom, contando com o apoio irrestrito de Epifânio, construiu em Jerusalém um ginásio em estilo grego, fato que ofendeu os judeus ortodoxos pelo fato de os atletas que freqüentavam o local se exercitarem nus e também, obrigatoriamente, participarem do culto aos deuses gregos. Acabou-se a paz. Antíoco Epifânio, ante a postura anti-helenista de muitos judeus, assumiu uma postura violenta, esforçando-se grandemente por exterminá-los, bem como sua religião. Tendo marchado contra Jerusalém, no ano 167 a.C., levou consigo o altar e o candelabro de ouro com todos os seus acessórios, e profanou o Templo, oferecendo uma porca em seu altar e suspendendo os sacrifícios diários. Construiu sobre o altar do holocausto um altar ao deus Zeus (o pai dos deuses entre os gregos, correspondente ao deus Júpiter dos romanos); pelas cidades da Judéia mandou construir outros altares (pagãos, naturalmente) sobre os quais eram oferecidos animais impuros; proibiu a circuncisão, a guarda do sábado e das festas bíblicas; escravizou milhares de judeus; destruiu todas as cópias das Escrituras que encontrou; e torturou os judeus, visando obrigá-los a renunciar à fé*. Enquanto os helenizados receberam e acataram de bom grado as ordens do rei, os ortodoxos se viram mais e mais acossados, fato que gerou a revolta dos Macabeus, um dos passos mais heróicos da História de Israel. CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 3
  • 4. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução *Transcrevo aqui trechos de 2 Macabeus, capítulo 6, a fim de termos uma idéia mais clara da situação: “Não muito tempo depois, o rei mandou um ancião ateniense convencer os judeus a que abandonassem as leis dos antepassados e deixassem de se governar segundo as leis de Deus. Mandou também profanar o Templo de Jerusalém e dedicá-lo a Júpiter Olímpico; e também a Júpiter Hospitaleiro, dedicar o templo do monte Garizim, conforme desejo dos moradores do lugar. Até para a massa do povo, era difícil e insuportável o crescimento dessa maldade. De fato, o Templo ficou cheio de libertinagem e orgias de pagãos, que aí se divertiam com prostitutas e mantinham relações com mulheres no recinto sagrado do Templo, além de levarem para dentro objetos proibidos. O próprio altar estava repleto de ofertas proibidas pela Lei. Não se podia celebrar o sábado, nem as festas tradicionais, nem mesmo se declarar judeu... ...Duas mulheres foram presas por terem circuncidado seus filhos. Depois de fazê-las percorrer publicamente a cidade com os filhos pendurados ao seio, as jogaram muralha abaixo...”. Obs.: o rei a que se refere o texto é Antíoco IV, ou Antíoco Epifânio. 3. PERÍODO MACABEU - 167 a 63 a.C. Não demorou muito para que os judeus, tão oprimidos pelos selêucidas, encontrassem um líder para defender sua causa. Certo emissário de Antíoco Epifânio, chegou à vila de Modina (distante cerca de 27 km a noroeste de Jerusalém) e tentou fazer com que Matatias, um sacerdote já idoso, oferecesse um sacrifício pagão. Com a sua recusa, um judeu tímido e covarde adiantou-se para atender à ordem do emissário. Irado, o sacerdote matou o judeu e o representante do rei e destruiu o altar pagão. [Vale a pena ler a descrição dos fatos conforme descrita em 1 Macabeus 2.1-28]. Tendo bradado a seguinte expressão: “Que venha comigo quem for dedicado à Lei e quiser continuar fiel à Aliança”, Matatias fugiu para a região montanhosa da Judéia e, juntamente com os seus cinco filhos (Simão, Jônatas, Judas, João e Eleazar) e mais um grupo de simpatizantes, começou a lutar contra os sírios e contra os judeus helenizados. Pouco tempo depois Matatias morreu e, embora o velho sacerdote não tenha vivido para ver o seu povo liberto do jugo sírio, seu filho Judas (apelidado de Macabeu, que quer dizer martelo) o sucedeu, continuando a luta. Os Macabeus, como passaram a ser chamados os seguidores de Judas, conquistaram boa parte da cidade de Jerusalém (no ano 164 a.C., três anos após a profanação realizada por Antíoco Epifânio), purificando e re-dedicando o Templo. [Eis aqui a origem da Festa da Dedicação – ou Festa das Luzes, porque as lâmpadas do Templo foram novamente acesas - cujo início é a 25 de Quisleu/Dezembro. O Senhor Jesus participou dessa festa ao menos uma vez – Jo 10.22]. Poucos dias após a vitória de Judas, Antíoco Epifânio morreu na Pérsia. Porém as lutas entre os reis selêucidas e os Macabeus ainda continuaram por quase vinte anos! Judas Macabeu encampou em si mesmo a autoridade sacerdotal e civil, estabelecendo uma linhagem de sacerdotes-governadores (chamados hasmoneus, de Hasmon, o pai de Matatias) que iriam administrar uma Judéia independente por um período de 100 anos, durante os quais houve expansão territorial (chegaram a estabelecer fronteiras quase exatamente como as dos dias de Davi), o templo samaritano do Monte Gerizim foi destruído, e a Galiléia tornou-se um centro importante do Judaísmo. A princípio, os hasmoneus receberam grande apoio de um grupo que, durante o governo de Judas Macabeu, era conhecido como os hasidim -os piedosos. Mais tarde, os hasidim passaram a ser chamados de fariseus - os separados. Os anos passaram, e em 134 a.C. o macabeu João Hircano (filho de Simão Macabeu) assumiu o poder. E começou a abrir as portas da família para a helenização (exatamente aquilo contra que um dia seus antepassados tanto combateram!), apoiando os saduceus. Posteriormente, Aristóbulo I (provavelmente o primeiro dos governantes Macabeus a assumir o título de “Rei dos Judeus”) mostrou-se mais próximo ainda dos gregos, no que recebeu também o apoio dos saduceus. Seu reinado foi breve (apenas um ano), e ele foi substituído por seu irmão Alexandre Janeu, um tirano que tentou exterminar os fariseus (mandou crucificar 800 deles, enquanto se divertia com as mulheres de seu harém). Após 27 anos, Alexandre Janeu, ao ficar doente em decorrência de suas bebedeiras, deixou o reino para sua mulher, Salomé Alexandra que, reconhecendo que a força física era impotente para combater as convicções religiosas, passou a favorecer os fariseus (daí por diante, estes passaram a dominar a vida religiosa do povo judeu). O reinado de Alexandra foi relativamente pacífico. Com sua morte, seu filho mais novo (Aristóbulo II, um simpatizante dos saduceus) desapossou o irmão mais velho (Hircano II), visando assumir o poder. Havia insatisfação entre o povo devido à corrupção, às brigas entre os membros da família real (acrescentando: é bom lembrar que os Hasmoneus – ou a dinastia dos Macabeus - não eram descendentes de Davi, o que gerava mais insatisfação ainda, pois, sendo descendentes de Levi, podiam ser sacerdotes, mas não podiam ser reis!), e também à exploração dos pobres (especialmente dos camponeses). Diante disso, surgiu a ameaça de acontecer uma guerra civil. Nesse ínterim (63 a.C.) o general romano Pompeu, tendo ido a Damasco, na Síria, foi instado por representantes judeus a abolir o governo hasmoneu. Pompeu marchou sobre a Judéia com as suas legiões buscando um acerto para as partes (Aristóbulo II e Hircano II) e também aquilo que melhor conviesse aos interesses dos CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 4
  • 5. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução romanos (a região iria tornar-se nova fonte de abastecimento para o Império, com a Galiléia transformando-se em grande produtora agrícola). Após um cerco de mais de três meses, tomou a cidade, massacrou sacerdotes, e penetrou até o Santo dos Santos (satisfazendo sua curiosidade) sem, todavia, tocar nos tesouros do Templo. Todavia, os judeus nunca o perdoaram por esse sacrilégio! 4. PERÍODO ROMANO - 63 a.C. Conforme vimos no item anterior, após um cerco de mais de três meses, Pompeu invadiu Jerusalém, assassinando 12 mil judeus. Anexou a Judéia à província da Síria (que recentemente se tornara província romana), e determinou o pagamento de impostos anuais a Roma (dentre estes, 25% de toda a produção agrícola). Nomeou Hircano II Sumo Sacerdote, mas não lhe deu poderes reais; e enviou Aristóbulo II a Roma como prisioneiro. Acabaram-se os anos de autonomia. Hircano II foi destituído do cargo de Sumo Sacerdote, e Antígono II (filho de Aristóbulo II) assumiu o seu lugar em meio a muita turbulência. Os romanos acabaram por nomear Antípatro, da Iduméia (descendente de Esaú), governador – etnarca - da Judéia em 47 a.C.. Veio sucedê-lo o seu filho Herodes, o Grande, nomeado Rei da Judéia por César*. Este Herodes** é o que estava reinando sobre a Judéia quando do nascimento do Senhor Jesus. (Era tão cruel, que o Imperador Augusto chegou a dizer que ele cuidava melhor de seus porcos do que dos filhos, numa alusão à maldade dele para com suas dez esposas e seus filhos! Não é de se estranhar a sua ordem, segundo Mt 2.16-18! Por outro lado, procurando atrair a simpatia do povo, mandou reconstruir o Templo. Aliás, realizou grandes obras, construindo fortalezas, estradas, parques e mercados. Uma das suas dez esposas foi Mariamne, neta do sumo sacerdote exilado Hircano II ( que, reempossado em seu cargo, Herodes mandou matar depois de algum tempo). Seu casamento com ela deveu-se ao seu desejo de legitimar seu governo junto à sociedade judaica. Por outro lado, em 29 a.C. mandou assassinar Mariamne e iniciou a erradicação da família hasmoneia. Chegou a mandar matar os dois filhos que teve com Mariamne! Herodes, o Grande, foi um amigo e aliado fiel a Roma). Durante o domínio de Roma, que se estendeu até muito depois da nova destruição do Templo, no ano 70, algumas características houve que nos ajudam a compreender a época do Senhor Jesus e dos apóstolos. Ei-las: 4.1 - GOVERNO ESTÁVEL, sob o qual era possível viver e viajar em paz pelo mundo de então. Era a presença da famosa pax romana. [No geral, Roma procurava governar usando de benevolência, concedendo aos dirigentes locais, sempre que possível, alguma autonomia. Os romanos utilizavam as pessoas e as estruturas de cada região dominada para manter a ordem e controlar o recebimento dos impostos. As legiões romanas ficavam de prontidão, apenas para garantir a obediência às regras do Império e para apoiar a guarda local]; 4.2 - BOAS ESTRADAS e ROTAS MARÍTIMAS, construídas (as estradas) ou traçadas (as rotas marítimas) pelos romanos, e que tornavam as viagens mais fáceis. [Quanto às estradas: a grande rede viária romana, começou a ser construída a partir da República, sendo a Via Appia a mais antiga de todas (312 a.C.). Mas foi durante o Império que essa malha realmente cresceu, chegando a quase 100.000 km! O traçado das estradas era o mais retilíneo possível. As mais importantes eram pavimentadas com pedras assentadas sobre uma base de concreto, cascalho e argamassa, e mediam de 6 a 8 metros de largura. Quem fazia uso dessas vias de comunicação era informado da distância que o separava do próximo local de estadia através dos marcos miliários – as distâncias eram contadas em milhas, e não quilômetros. Havia, também, algumas estruturas de apoio onde se podia pernoitar, descansar ou simplesmente trocar de cavalos. Uma estrada importante para nós, que estudamos o Novo Testamento, é a Via Egnatia, estrada militar construída por volta de 146 a.C., que ligava Bizâncio (atual Istambul, na Turquia) ao mar Adriático, cortando as regiões da Trácia, Macedônia e Ilírico (atuais Turquia, Macedônia, Grécia e Albânia). Essa estrada fazia o elo entre Roma e as colônias do leste]; [Quanto às viagens marítimas: os romanos preferiam realizá-las entre o final de maio e a primeira quinzena de setembro, pois, fora desse período, o céu podia ficar coberto de nuvens, e isso impedia a navegação pela observação do sol e das estrelas. A maioria dos navios mercantes era a vela]; 4.3 - UMA LÍNGUA UNIVERSAL - o grego Koinê, usada em todo o mundo desde os dias de Alexandre. A cultura do Império Romano era dominada pelas características gregas, daí falar-se mui apropriadamente em império greco- romano (o domínio militar e organizacional era romano, mas a cultura era, em geral, grega). Assim, a língua dos romanos (latim) não era a “língua universal” do império, mas a grega (falada pelas classes dominantes e usada no comércio). Dessa forma, os primeiros pregadores cristãos tinham sempre um público pronto a ouvi-los em qualquer região do Império, sem barreiras lingüísticas para atrapalhar; 4.4 - GRANDE CORRUPÇÃO MORAL, embora estivesse próximo de seu apogeu econômico e militar, o Império Romano vivia um declínio moral, despertando no coração das pessoas um certo misto de ansiedade e tristeza pela condição humana; 4.5 – CONFUSÃO ESPIRITUAL, gerada pela mistura de muitas religiões praticadas pelos diversos povos conquistados, por filosofias estranhas, como o ocultismo (a astrologia era muito difundida, e havia muitas práticas de CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 5
  • 6. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução magia; além disso, as decisões do governo eram geralmente tomadas sob a orientação de sacerdotes que decifravam as entranhas de animais sacrificados), e por filosofias “humanas” como o estoicismo (que dizia que o mundo funciona de acordo com um percurso pré-determinado, cabendo a nós viver sob uma rígida conduta ética, abrindo mão de excessos de prazer e sofrimento), o cinismo (que ridicularizava os padrões sociais aceitos, pregando a “liberdade radical”), e o ceticismo (que pregava que não existe uma verdade que esteja ligada a todas as pessoas, porque a verdade brota da experiência individual de cada um). Esse conjunto de posturas gerava uma oportunidade muito rica para a apresentação da verdade libertadora do Evangelho! *Uma nota sobre Roma e alguns de seus Imperadores: Durante os séculos II e I a.C. Roma cresceu em extensão territorial e no exercício da influência sobre as regiões que conquistou. Por volta do ano 50 a.C. o grande general (e excelente administrador) Júlio César tentou promover a unidade da república romana. Sendo assassinado (44 a.C.), foi sucedido – após muita luta política e militar – por seu sobrinho-neto Otávio (Gaius Julius Caesar Otavianus Augustus), que se tornou o primeiro imperador romano, governando entre 27 a.C. e 14 d.C. Otávio, conhecido como César Augusto, era o imperador à época em que o Senhor Jesus nasceu (ver Lc 2.1). Sob seu governo, o Império Romano tornou-se uma unidade estável. Governante moderado e enérgico, e administrador extraordinário, foi o idealizador da pax romana. Transformou o Egito em província romana, pacificou as Gálias, ampliou os territórios do Império até o Danúbio. Deu à cidade de Roma um traçado urbanístico, dividindo-a em bairros e ruas. Demarcou a Itália em regiões e o resto do Império em províncias e distritos. Fez grande reforma monetária, criou os impostos públicos e um serviço postal estatal. Fortaleceu o exército e a esquadra. Tendo estudado em Atenas, fundou bibliotecas públicas e favoreceu as artes e as letras. Tornou-se amigo do poeta Virgílio, a quem ajudou financeiramente. O mês Sextilis passou a ser chamado Augustus (agosto) em sua homenagem. Após sua morte, foi divinizado. O sucessor de César Augusto foi Tibério (Tiberius Claudius Nero Caesar), que governou entre os anos 14 e 37 (ver Lc 3.1). Lívia, sua mãe, separou-se do marido enquanto Tibério era bem pequeno, e casou-se com César Augusto, que, não tendo filhos, o adotou e terminou por nomeá-lo, um tanto a contragosto, seu sucessor. Mostrou-se competente nas campanhas militares, era bom administrador. De natureza instável, entrou em conflito aberto com a mãe, recusando-lhe a parte que lhe cabia da herança de César Augusto, e confiscava os bens de todos os que considerasse traidores. De comportamento doentio, era pedófilo. Seu governo ficou marcado pelo engrandecimento da figura e do culto ao imperador, e do aumento do caráter materialista da sociedade romana. Este é o imperador a que os evangelhos se referem (exceto quando falam do nascimento do Senhor Jesus Cristo). Tibério foi sucedido por Calígula, que governou entre 37 e 41, e não é mencionado em o Novo Testamento. Cláudio (Tiberius Claudius Nero Caesar Drusus), foi seu sucessor (41 a 54). Homem culto, era coxo e fortemente gago. Ninguém poderia imaginar que se tornaria imperador! Como era comum à sua época, o seu reinado não foi isento de assassinatos e perseguições políticas, porém, foi mais calmo que os de seus antecessores. Mesmo assim, decretou a expulsão dos judeus da cidade de Roma (ver At 11.28; 18.2). Aparentemente, foi assassinado por sua quarta esposa (Agripina), que visava passar o império a seu filho Nero (de outro casamento), que tinha à época treze anos de idade. Nero (Claudius Caesar Augustus Germanicus - 54 a 68), foi proclamado imperador sem maiores resistências, crescendo em idade e fama (ver At 25.10-12; 27.24; 2 Tm 4.16,17). Inicialmente, foi um bom governante, reinando sob a orientação de sua mãe, do filósofo Sêneca e do prefeito pretoriano, Burrus. No entanto, a paranóia que marcara a vida de seus antecessores Tibério e Calígula, passou a tomar conta dele também. Chegou a assassinar muitas pessoas, inclusive a própria mãe e uma de suas mulheres, a quem chutou até que morresse. Afastou-se de Sêneca, e é acusado de ter colocado fogo na cidade de Roma, queimando dois terços de sua área. A pretexto do desastre, culpou os cristãos e passou a persegui- los. Em seu governo as perseguições aos seguidores do Senhor Jesus tornaram-se comuns; ele torturou muitos deles em público, jogando alguns na fogueira enquanto ainda estavam vivos. Considerava-se um artista, e queria ser tratado como tal. Era dado à libertinagem. Favoreceu os cultos orientais. Sua crueldade e irresponsabilidade provocaram descontentamento geral e revoltas. Sua resposta foi violenta, dando origem a outra onda de assassinatos, ocasião em que Sêneca foi morto. Declarado persona non grata pelo Senado, acabou tendo que fugir. Suicidou-se com o auxílio de seu secretário, a única pessoa que lhe permaneceu fiel. Nero foi sucedido por imperadores de menor importância (ao menos no que toca à história do Novo Testamento), até que veio Domiciano (Titus Flavius Domitianus - 81 a 96) o último dos doze césares. Ligeiramente menos cruel que seu antecessor, mas a ele comparável, se intitulava (tanto nos documentos escritos como nas conversas) como “Senhor e Deus”. Ambicioso e sedento de poder, concluiu a conquista da Grã-Bretanha, reformou a administração romana, recompôs Roma a partir das ruínas provocadas pelos incêndios de 64 e 80, estreitou as relações comerciais com a China e a Índia, e se notabilizou na construção de obras públicas. Mórbido, impiedoso, egocêntrico e cruel, era de temperamento desconfiado e irascível, e grande admirador de Tibério; um tirano intolerante, extremamente impopular. Expulsou de Roma filósofos e matemáticos, e perseguiu os cristãos, exilando, inclusive, o apóstolo João na ilha de Patmos. (É bem provável que as perseguições citadas no livro do Apocalipse reflitam as condições existentes durante o governo de Domiciano). Foi assassinado por sua própria família, inclusive sua esposa, Domícia Longina. CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 6
  • 7. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução ** Uma nota sobre os Herodes: 1. HERODES, O GRANDE: Indicado Rei da Judéia (37 a.C.) pelo Imperador, possuía autonomia quase que ilimitada nos assuntos internos da nação. Sua corte era helenizada e culta. O nome “O Grande” vem da monumentalidade de construções que realizou. Delas, subsiste como documento mais bem conservado, o Túmulo dos Patriarcas, em Hebron. Fundou às margens do Mediterrâneo a cidade de Cesaréia, com seu belo porto. Construiu palácios, e as fortalezas de Herodion (onde, posteriormente, foi sepultado) e de Massada. Tinha grande amor por tudo o que era grego, e queria converter os seus súditos ao helenismo. Construiu um grande anfiteatro em Cesaréia. Seu objetivo era embeber a população, através das apresentações nesse anfiteatro, do helenismo, e transformar o seu reino num local onde o povo estivesse atualizado com o que havia de melhor na cultura mundial. Também restaurou a construção do Templo de Jerusalém, convertendo-o num dos mais belos edifícios de seu tempo. Era tão luxuoso quanto o anfiteatro que construíra em Cesaréia. O Templo, porém, não foi construído por fé, e, sim, como propaganda – ele buscava conquistar a simpatia dos judeus, para fazer deles bons gregos! Apesar de suas obras, ele jamais conseguiu conquistar a confiança e o apoio dos seus súditos judeus. No tempo do seu reinado, Jesus nasceu em Belém (Mt 2.1-23). Consultou os escribas quanto à vinda do Messias. Foi tolerante com relação ao culto dos Samaritanos. Foi um dos governantes mais cruéis de todos os tempos. Mandou matar sua própria esposa (Mariamne), neta de Hircano II, e seus dois filhos com ela. No seu leito de morte, ordenou a execução de Antípater, seu filho com outra esposa. Foi ele quem determinou a morte dos meninos em Belém e arredores, por temer o Rival que nascera para ser o Rei dos Judeus. Muitos judeus aguardavam abertamente a sua morte, que ocorreu no ano 4a.C., quando tinha 69 anos. 2. HERODES ARQUELAU: Com a morte de Herodes, o Grande, seus três filhos (Arquelau, Filipe e Antipas) começaram a disputar o poder. Cada um deles queria ser o único governante. Mas o Imperador dividiu a região em três: a Arquelau deu o título de etnarca (governador) sobre a Iduméia, a Judéia e Samaria; Filipe foi nomeado tetrarca sobre a Batanéia, Traconites, Auranites e outras regiões menores; e Antipas tornou-se tetrarca da Galiléia e da Peréia. Arquelau governou a Judéia entre 4 a.C. e 6 d.C. Sendo o menos estimado dentre os filhos de Herodes o Grande, interferia constantemente nas questões sacerdotais, foi cruel e despótico (por essa razão, José e Maria, ao retornarem do Egito, não foram para Belém, na Judéia, mas para Nazaré, na Galiléia – Mt 2.22,23). Seus irmãos e súditos o acusaram diante do Imperador, que o destituiu. Morreu no exílio. Após o seu reinado, a Judéia e Samaria passaram a ser governadas por procuradores (a partir do ano 6 até o ano 41, quando o país foi unificado sob o governo de Herodes Agripa I). Esses procuradores moravam em Cesaréia, às margens do Mediterrâneo, e comandavam uma considerável tropa de ocupação. Houve seis ou sete procuradores, mas somente o quinto deles tem importância para nós: Pôncio Pilatos, que ficou dez anos no poder (do ano 26 ao ano 36). 3. HERODES ANTIPAS: Filho de Herodes, o Grande, e irmão de Arquelau. Foi educado em Roma onde, por certo, aprendeu a respeitar os valores pagãos do Império, desprezando, conseqüentemente, os valores do povo judeu. Com a morte de seu pai, recebeu o governo da Galiléia e da Peréia (regiões onde o Senhor Jesus pregou amplamente). Em homenagem ao Imperador, fundou a cidade de Tiberíades às margens do Mar da Galiléia, nos dias da infância do Senhor Jesus. É o Herodes mais citado nos Evangelhos. A seu respeito, o Senhor Jesus fez a seguinte advertência, referindo-Se à sua influência imoral: “guardai-vos do fermento de Herodes” - Mc 8.15. (Essa advertência se baseava, por certo, no comportamento de Herodes Antipas para com Herodias, esposa de seu irmão Filipe – Mc 6.17,18). E mais: certa vez o Senhor Jesus Se referiu a ele chamando-o de “raposa” (Lc 13.32). Gostava de ouvir João Batista e o temia por saber que era homem justo e santo (Mc 6.20), mas acabou matando-o. Mais tarde, quis matar também o Senhor Jesus (Lc 13.31). No dia do Seu sacrifício, O tratou com desprezo (Lc 23.11). Por falar nisso, qual a participação de Herodes Antipas no sacrifício do Senhor Jesus? Sabemos que ele fora investido de autoridade somente sobre a Galiléia, e não sobre a Judéia, onde o Senhor fora preso. Por que, então, teve participação em Seu processo de condenação? Acontece que Herodes Antipas estava em visita a Jerusalém naquela Páscoa (talvez como estratégia política, com a finalidade de se mostrar simpático para com os judeus, demonstrando a eles seu “apreço” por aquela festa judaica). Ora, a prisão do Senhor Jesus colocara Pilatos** diante de um dilema: ele sabia que o Senhor era inocente (Lc 23.4); por outro lado, queria agradar os líderes judeus, pois precisava do apoio destes. Ora, quando o governador soube que Ele provinha da Galiléia, viu a possibilidade de escapar do dilema, entregando o Senhor a Herodes Antipas, afirmando ser Ele “da jurisdição de Herodes” (Lc 23.7). Inicialmente Herodes Antipas se alegrou muito, pois fazia tempo que desejava conhecer pessoalmente Esse de quem tanto ouvia falar. Queria vê-Lo fazer um milagre. Assim, movido por sua curiosidade maligna, passou a fazer muitas perguntas ao Senhor, que nada lhe respondeu. Cheio de despeito, esse assassino e adúltero escarneceu do Senhor Jesus, mas foi obrigado a devolvê-Lo a Pilatos, pois não teve o prazer maligno de encontrar nEle alguma falta, por pequena que fosse (Lc 23.14,14). Sua omissão em defender o Senhor fez de Herodes Antipas mais um culpado de Sua morte, fato que os primeiros crentes tão bem reconheceram ao afirmar: “porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e povos de Israel” (At 4.27). Conta a História que, mais tarde, Herodes Antipas foi banido pelo Imperador Calígula, e teve uma morte lamentável. 4. HERODES FILIPE: Viveu entre 4 a.C. e 34 d.C. Reinou sobre pequenos territórios a nordeste da Galiléia. Era universalmente elogiado por não ser excessivamente ambicioso. Reconstruiu a cidade de Panéias, ao norte do Mar da CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 7
  • 8. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução Galiléia, dando-lhe o nome de Cesaréia de Filipe. Também reconstruiu Betsaida. Josefo o descreve como “pessoa de moderação e calma na conduta de sua vida e seu governo”. 5. HERODES AGRIPA I: Viveu entre 10 a.C. e 44 d.C. Neto de Herodes, o Grande, e de Mariana, foi educado em Roma. Inicialmente, recebeu do Imperador Calígula os territórios que haviam pertencido a Filipe. Posteriormente, recebeu também os territórios da Galiléia e da Peréia. Mais tarde, o Imperador Cláudio lhe outorgou o governo da Judéia (41 a 44 d.C.) e Samaria. Seu reino tornou-se quase igual (em extensão territorial) ao de Herodes, o Grande. Ouviu o evangelho por meio dos apóstolos e da igreja de Jerusalém. Matou Tiago. Prendeu Pedro (At 12.1-3). Morreu comido de vermes numa festa em Cesaréia (At 12.21-23). 6. HERODES AGRIPA II: Filho de Herodes Agripa I, não assumiu o poder imediatamente por não ter idade suficiente para fazê-lo. Novamente procuradores passaram a governar a região (desde o ano 44 até o ano 66, houve sete procuradores, sendo Félix o quarto deles, e Festo, o quinto – At 25.1-22). Herodes Agripa II ouviu a defesa de Paulo, dizendo-se quase persuadido a se fazer cristão (At 25.13-26-32). Presenciou, ao lado dos romanos, a tomada de Jerusalém por Tito no ano 70 d.C. Retirou-se para Roma, onde morreu no ano 100. *** Uma nota sobre Pôncio Pilatos: Quinto governador da província romana da Judéia (26 a 36 d.C), tendo sucedido a Valério Grato. Sua jurisdição chegava até a Samaria e a Iduméia. Seu trabalho consistia em manter a ordem pública e administrar a província tanto judicial como economicamente. Dispunha de autoridade judicial absoluta sobre todos os que não fossem cidadãos romanos. A Bíblia fala de sua crueldade (Lc 13.1) e no-lo apresenta como alguém indolente e covarde, e que também foi culpado pela condenação do Senhor Jesus (Mt 27.11-26; Lc 23.1-25; At 4.27). O fato de ter escrito um título, colocando-o no cimo da cruz do Senhor (Jo 19.19-22), demonstra uma certa ironia com relação a Ele e ao povo judeu, e também o desejo insano de mostrar publicamente que quem mandava na Judéia e nos judeus era ele, Pilatos, e não o Senhor Jesus! (Coitado...). No ano 36 Pilatos foi a Roma se avistar com Tibério, o Imperador, mas este faleceu antes do encontro. Sabe-se que Pilatos faleceu durante o reinado de Calígula. Segundo o historiador Eusébio de Cesaréia, ele teria cometido suicídio, porém não há provas históricas disso. O fato de o seu nome ser citado no Credo Apostólico é de suma importância, pois nos lembra que a fé cristã é uma fé histórica, e não um programa ético ou uma filosofia. Nossa redenção aconteceu num lugar concreto da Terra, a Palestina; e num momento concreto da História, o tempo em que Pôncio Pilatos foi governador da Judéia. II. Algumas Instituições e Grupos Importantes do Período Inter- Bíblico & dos Dias do Senhor Jesus 1. SINAGOGA. Diz a tradição que, tendo perdido a Pátria e o Templo quando da invasão babilônica, não tendo mais nem rei nem Estado nacional, deportados para a Babilônia, exilados no Egito (grupo que foi com Jeremias, o profeta), ou dispersos entre estrangeiros, os judeus passaram a ter sua religião como único traço de união entre si e, com vistas a manter essa união, foram organizadas as sinagogas. Estas, portanto, teriam surgido durante o Exílio Babilônico (ou seja, antes do Período Inter-Bíblico). (Tornou-se costume entre os judeus que onde quer que houvesse dez famílias judias, estas deveriam unir-se e fundar uma sinagoga!). Assim, após a destruição do Templo, em 587 a.C., os locais de reunião para oração e estudo da Escritura se tornaram o centro da vida dos judeus. (Essas reuniões aconteciam, anteriormente, nos lares - Ez 8.1; 20.1-3). Quando possível, as sinagogas eram construídas com a face voltada para Jerusalém, no local mais alto da cidade, e perto da água (usada em certas cerimônias). Nos dias do Senhor Jesus, a sinagoga tinha quatro funções básicas: 1.1 – escola para crianças, onde eram ensinadas a Lei e as tradições religiosas dos judeus; 1.2 – local de ensino e instrução, onde as Escrituras eram lidas, expostas, e se faziam orações; 1.3 – conselho comunitário, onde questões civis e religiosas eram decididas; 1.4 – local de interação social, onde eram realizados diversos tipos de reuniões. É importante que façamos distinção clara entre as sinagogas e o Templo. Templo, só havia um, e ficava localizado na cidade de Jerusalém. Sinagogas havia (e há!) muitas, espalhadas por todo o mundo! As sinagogas serviam para ensino e instrução; o Templo era local de adoração e apresentação de sacrifícios. O Templo era administrado pelos sacerdotes e levitas, sob a orientação do Sumo Sacerdote. As sinagogas eram regidas pelos seguintes oficiais: 1.5.1 – Diretor, que era responsável por gerir as diversas atividades realizadas na sinagoga, e por preparar as reuniões (era ele, por exemplo, quem convidava os pregadores, ou ensinadores); CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 8
  • 9. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução 1.5.2 – Distribuidores, responsáveis por distribuir ajuda aos pobres; 1.5.3 – Ministro (Chazzan), responsável por cuidar dos rolos sagrados (cópias da Palavra), pela limpeza do prédio, por tocar a trombeta de prata anunciando a chegada do sábado, e pelo ensino básico ministrado às crianças da comunidade. 2. SINÉDRIO (transcrição de uma palavra grega que significa “assembléia”). Era a suprema corte dos judeus. É de origem incerta. A primeira referência documentada, vem do Período dos Selêucidas. Só podiam fazer parte dele judeus de nascimento. Seus 71 membros exerciam mandato vitalício. Era presidido pelo sumo sacerdote, que, nos dias de Jesus, era nomeado pelo governador romano. A jurisdição do Sinédrio limitava-se à Judéia. Dava a palavra final nos assuntos de interpretação da Lei. Tomava decisões em questões criminais, sujeitando-as à aprovação do governo romano. O Senhor Jesus foi levado perante o Sinédrio (Mc 14. 53-55), assim como também os apóstolos (At 4.15-18; 22.30). 3. OS FARISEUS. Quando, após a conquista de Alexandre, o helenismo começou a influenciar fortemente a mentalidade dos povos do Oriente Médio, alguns judeus se apegaram ainda mais tenazmente do que antes à fé de seus pais. Outros, se dispuseram a adaptar o pensamento judaico às novas idéias que vinham da Grécia. O choque de opiniões quanto a ceder ou não à helenização deu origem a partidos ou grupos. Um desses grupos é o dos fariseus, ou os separados (ou "separatistas"). Estes judeus são mencionados pela primeira vez durante o Período Macabeu. Talvez o seu nome, em primeira instância, quisesse demonstrar que procuravam separar-se da influência helênica. Buscavam zelar pela prática da Lei. Sustentavam a doutrina da predestinação, criam na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo e na existência do espírito, bem como de anjos. Assim como os essênios, esperavam a vinda de um Messias. Também criam nas recompensas e castigos da vida futura. Sustentavam que a graça divina era derramada somente sobre aqueles que faziam o que a Lei manda. Sua religião enfatizava a observância de atos externos, em detrimento das disposições do coração. Diante da influência greco-romana cada vez maior sobre os judeus, procuravam interpretar a Lei de modo a aplicá-la às novas circunstâncias. Os seus comentários da Lei (também chamados de "Tradição" ou “Lei Oral”) acabaram por assumir um valor tão grande, que foram por eles equiparados à própria Lei. [Segundo o historiador Josefo, os fariseus “passavam às pessoas muitas observações por tradição que não estavam escritas na Lei de Moisés”]. Nos dias do Senhor Jesus, embora fosse um grupo relativamente pequeno, os fariseus exerciam muitíssima influência: controlavam as sinagogas e as escolas, e eram muito respeitados pelas massas. A lealdade à verdade às vezes produz orgulho e até mesmo hipocrisia, e foram essas perversões do antigo ideal farisaico que o Senhor Jesus tão fortemente denunciou. Eis alguns pontos de conflito entre o Mestre e os fariseus: 3.1 - sua tradição (lei oral), com a qual invalidavam a Lei - Mc 7.9; 3.2 - sua falta de compreensão quanto à guarda do sábado - Mt 12.1-14; 3.3 - a questão das impurezas - Mc 7.18-23; 3.4 - a questão da hipocrisia - Mt 23.13; 3.5 - a falta de humildade - Lc 18.9-14. 3.6 – a questão da aceitação dos samaritanos, dos gentios e dos “pecadores” João Batista chamou tanto os fariseus como os saduceus de “raça de víboras” (Mt 3.7). E o Senhor Jesus os denunciou severamente (Mt 5.20; 16.6,11,12; 23.1-39). Também por isso, tomaram parte significativa na conspiração contra a vida do Senhor (Mc 3.6; Jo 11.47-57). É interessante lembrar que o apóstolo Paulo se apresentava como um dos membros desse grupo ortodoxo do Judaísmo de sua época (Fp 3.5; At 23.6; At 26.5). É importante notarmos que o Senhor Jesus criticou asperamente tanto os fariseus como os saduceus. Todavia, o Seu ensino estava, sob alguns aspectos, bem mais próximo da crença dos fariseus. Por exemplo: a necessidade de se acatar a Lei, a realidade do Reino dos Céus, a necessidade da conversão, a ênfase dada à vinda do Messias, a realidade do mundo sobrenatural (anjos, milagres, ressurreição, vida futura), a iminência do fim dos tempos. Para o Senhor Jesus, o problema maior dos fariseus não estava tanto naquilo em que criam, mas no modo como viviam! 4. OS SADUCEUS. Reportamos sua origem à época da invasão grega. O partido dos saduceus mostrou-se aberto às influências estrangeiras, procurando conciliar o judaísmo com o helenismo, a teologia hebraica com a filosofia grega. Este partido, composto por gente abastada, teve grande aceitação entre os sacerdotes. Posteriormente, foram considerados sustentadores de Epifânio em sua luta por helenizar o povo judeu e, mais tarde, do hasmoneu João Hircano I (134-104 a.C). Nos dias do Senhor Jesus, formavam o partido da aristocracia de Jerusalém, vivendo separados das massas e dos sacerdotes mais pobres (muitos destes, eram fariseus). Eram impopulares. Flávio Josefo afirma que eram ríspidos e pouco comunicativos. Viviam de bem com os governantes (particularmente com os procuradores romanos), e ocupavam posições de destaque na sociedade. Controlavam a administração do Templo (At 4.1). Apesar de serem numericamente poucos, tinham maioria no Sinédrio. Eram os liberais da época. Não criam na ressurreição do corpo, em anjos, em espírito (At 23.8. Ver também Lc 20.27-33).Eram defensores do "livre arbítrio", não aceitando a soberania de Deus. Quase não tinham esperanças messiânicas. Negavam autoridade à “Tradição” e olhavam com suspeita para qualquer revelação que CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 9
  • 10. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução fosse posterior à Lei de Moisés. Desprezavam as paixões nacionalistas e o entusiasmo religioso. A única coisa que tinham em comum com os escribas e fariseus foi seu antagonismo à Pessoa do Senhor Jesus. Desempenharam papel importante na política até a revolta judaica do ano 66. Desapareceram da História a partir da destruição de Jerusalém, no ano 70. 5. OS ESCRIBAS. Estritamente falando, estes judeus não constituíam um partido político, mas eram membros de uma “corporação de profissionais”. Eram, antes de mais nada, os copistas da Lei. Inicialmente, os escribas eram sacerdotes (Esdras foi sacerdote e escriba). Considerados autoridades quanto às Escrituras Sagradas, exerciam função de ensino. Sua linha de pensamento era semelhante à dos fariseus, com quem aparecem associados freqüentemente nas páginas do Novo Testamento. O valor do seu trabalho está na preservação dos escritos divinos, bem como na defesa dos princípios da Lei. Por outro lado, quando passaram a defender a lei oral*, passaram a valorizá-la mais do que a escrita (tal como o faziam os fariseus). Não são mencionados no Quarto Evangelho. Os escribas atribuíam a si mesmos uma tríplice missão: a) definir e aperfeiçoar os princípios legais decorrentes da Torah. Como toda lei escrita, a lei mosaica requeria, em muitos casos, uma interpretação. Os escribas tomavam para si esse mister. b) ensinar não somente a lei escrita mas, também, a lei oral, ou “tradição dos anciãos”. Inicialmente, essa lei era ensinada por meio da memorização e repetição, pois não tinha sido redigida ainda. O discípulo era obrigado a se expressar usando sempre exatamente as mesmas palavras utilizadas por seu mestre. A redação final de todo esse código de jurisprudência recebeu o nome de Mishnah. c) realizar a aplicação da justiça aplicando os princípios da lei oral. *Algumas observações quanto à “lei oral”: Até à época do Cativeiro os sacerdotes eram os guardiões da Torah. Após o Exílio, os escribas, chamados de soferim, começaram a ganhar cada vez mais autoridade como mestres e intérpretes da Lei. Aos poucos, foram se formando especialistas na interpretação e aplicação da Torah, tornando-se doutores da Lei. Esses mestres passaram a adaptar os princípios da Lei às diversas situações concretas que iam surgindo, com uma supervalorização da letra em detrimento de seu espírito. Uma jurisprudência foi se formando de acordo com as chamadas tradições dos anciãos. Essa jurisprudência é que chamamos de “Lei Oral”, ou “Torah Oral”. A Torah Oral ganhou tamanha força que chegou a igualar-se ou, quem sabe, superar o valor e respeito dedicados à própria Torah, da qual se originara! É a respeito dessa Torah Oral que o Senhor Jesus diz: “...invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição... E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens...” (Mt 15.6,9). 6. OS ZELOTES. Militantes patriotas judeus, que criam ser justificável a violência, se esta libertasse a nação dos opressores estrangeiros. Surgiram durante o governo de Quirino (próximo, ou na mesma época do nascimento do Senhor Jesus) como um partido clandestino, que fazia oposição a Roma. Eram também conhecidos como sicários, pelo fato de levarem um punhal escondido, com o qual atacavam os inimigos. Inicialmente, atuaram mais na Galiléia, porém na Guerra Judaica (66 a 70 d.C.) tiveram atuação destacada na Judéia. Respeitavam o Templo e a Lei. Opunham-se ao pagamento de impostos a Roma e ao uso da língua grega. Acreditavam no Messias que, segundo eles, deveria ser um líder político que libertasse Israel da ocupação romana. Seu desejo intenso por uma nação livre e independente poderá ter atraído alguns de seus militantes ao Senhor Jesus. Pelo menos um deles** tornou-se discípulo (Lc 6.15; At 1.13). Em seu extremismo, acabaram por provocar e encabeçar a guerra contra Roma no ano 66, que culminou com a destruição completa de Jerusalém no ano 70, a dissolução do “estado” judeu e a dispersão de seu povo. **Algumas observações quanto a “Simão o Zelote” (Mt 10.4): 6.1 – o nome Simão é derivado de Simeão, cujo significado é “Ouvido de Deus”. A princípio, bem pode ser que tenha decidido se aproximar do Senhor Jesus por ter visto nEle o líder perfeito para alcançar os objetivos do seu partido. Quem sabe quisesse convencer o Mestre a tornar-Se, Ele mesmo, um zelote também?! Ou talvez se tenha impressionado com a pregação forte, arrebatadora e desafiante desse Profeta de Nazaré. Ou ainda pode ser que tenha visto nEle, de imediato, o Messias que libertaria Israel de Roma. Seja por qual motivo for, o fato é que Simão acabou sendo transformado pelo poder do Senhor Jesus! 6.2 - Interessante observarmos alguns prováveis contrastes entre ele e o Senhor: 6.2.1 - Simão defendia a rebeldia contra Roma; Jesus, longe de estimular a rebeldia, ordenava: “Daí a César o que é de César” (Mt 22.21). 6.2.2 – Simão confiava na espada; o Senhor Jesus afirmava que “todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão” (Mt 26.52). CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 10
  • 11. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução 6.3 – Sendo um zelote, podemos deduzir que Simão fosse zeloso no que fazia, fervoroso em suas convicções, devotado aos seus objetivos, ardoroso em seu amor pela causa que defendia. O Senhor Jesus te-lo-ía chamado também porque desejava esse zelo ardente em Seu grupo, e o transformaria num “revolucionário” espiritual! 7. OS ESSÊNIOS. Não são mencionados na Bíblia. Assim como os fariseus, devem ter surgido no Período Macabeu. Também eram contrários à helenização dos judeus. Foram, mui provavelmente, uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e também ao mundanismo dos saduceus. Os essênios (nome que, provavelmente significa “os santos”) se retiravam da sociedade, e viviam em ascetismo e celibato. Em geral, viviam em mosteiros do tipo de Qumram, ao norte do Mar Morto. Viviam em extrema simplicidade e sob severa disciplina. Estudavam as Escrituras e outros livros religiosos, e davam atenção à oração e às lavagens cerimoniais. Possuíam o seu próprio calendário religioso e regras rituais de purificação. Cada membro da comunidade era responsável por realizar algum tipo de trabalho manual, para o sustento de todos. Tinham tudo em comum. Eram conhecidos por sua laboriosidade e piedade. Repudiavam a guerra e a escravidão. Aguardavam ansiosamente a vinda do Messias, e se consideravam o único Israel verdadeiro, para o qual Ele viria. Estavam convencidos de que todas as profecias do Velho Testamento estavam sedo cumpridas em seus dias, de modo que aguardavam o fim iminente dos tempos. Recusavam-se a cooperar com o que criam ser uma religião corrupta: a praticada no Templo. [O Senhor Jesus denunciou abusos que se praticavam no Templo, e anunciou a sua destruição. Contudo, não repudiou as cerimônias ali realizadas. Foi a Jerusalém participar das grandes festas judaicas. Depois da Sua ressurreição, os discípulos continuaram indo ao Templo (At 3). Apesar de o ascetismo e o monasticismo terem conquistado adeptos dentre os cristãos desde cedo, o Cristianismo não é um movimento asceta. O Senhor Jesus ministrou à gente comum, na maior parte do tempo. À gente que era rejeitada tanto pelos fariseus, quanto pelos saduceus, quanto pelos essênios: gente que vivia o dia a dia]. Os essênios foram aniquilados em 68 d.C. pelos romanos. 8. OS HERODIANOS. Partido político formado por judeus (funcionários e soldados da corte herodiana, alguns proprietários de terras e também por alguns comerciantes) que criam que os melhores interesses do Judaísmo estavam na cooperação com os romanos. Seu nome foi tirado de Herodes, o Grande, que, em sua época, tentou romanizar a Palestina. Mostraram forte hostilidade para com o Senhor Jesus (Mt 22.16; Mc 3.6). Como os saduceus, não criam na ressurreição. 9. OS SAMARITANOS. Descendentes da união de colonos trazidos para a Palestina por Sargão, com judeus pobres que permaneceram após a queda do Reino do Norte. [A Samaria era parte da região que constituía o Reino do Norte, também chamado de Israel, após a divisão da nação, nos dias de Roboão, e que foi tomado pelos assírios em 722 a.C.]. Por algum tempo, cultuaram num templo erguido no Monte Gerizim, baseando sua religião numa tradução própria do Pentateuco (2 Rs 17). Os samaritanos eram monoteístas, observavam a Lei, guardavam as festas judaicas, e esperavam um Messias. Os judeus não se davam com os samaritanos (Ne 4.1,2; Jo 4.8). III. PEQUENA CRONOLOGIA DO PERÍODO INTER-BÍBLICO Ano (a.C.) Acontecimento 430 Os persas já estão dominando 399 Morre Sócrates 384 Nasce Aristóteles 356 Nasce Alexandre, o Grande 347 Morre Platão 334 a 323 Alexandre realiza suas conquistas 323 Morre Alexandre 306 O reino de Alexandre é dividido 301 Inicia-se o Período dos Ptolomeus 285 Inicia-se a tradução da Septuaginta 198 Os Selêucidas começam a controlar a Palestina 175 Grande perseguição de Epifâneo 168/7 Dá-se a profanação do Templo, por Epifâneo 167 Matatias e seus filhos se rebelam contra Epifânio 164 Os Macabeus conquistam Jerusalém 63 Pompeu toma Jerusalém 40 Antipas é apontado rei dos judeus 37 Herodes, o Grande, é apontado rei da Judéia CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 11
  • 12. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução 17 Herodes, o Grande, começa a reconstrução do Templo 4 Nascimento do SENHOR JESUS CRISTO IV. PRINCÍPIOS BÁSICOS DO PENSAMENTO JUDAICO NOS DIAS DO SENHOR JESUS É importante destacar, ainda, alguns dos princípios básicos que norteavam – ou fundamentavam – o pensamento do povo judeu (de modo geral) nos dias do Senhor Jesus: 1. convicção absoluta de que há um só Deus; 2. convicção absoluta de que esse Deus, que é único, os escolhera para ser o Seu povo particular; 3. super-valorização da “pureza ritual” (o que comer, como comer, lavar-se, circuncisão, guarda do sábado, etc). Para o judeu daqueles dias, idéias e convicções teológicas não eram tão importantes quanto uma vida de obediência aos padrões de pureza ritual; 4. convicção absoluta de que Deus lhes dera aquela terra – a Palestina – e essa terra deveria lhes pertencer para sempre. E Jerusalém era o único lugar onde se poderia adorar ao SENHOR de modo aceitável. Cabia, portanto, a eles, os judeus, a responsabilidade de, como único povo escolhido de Deus, defender a Terra Santa; 5. esperança generalizada de que Deus enviaria um Escolhido – o MESSIAS – que viria libertar o Seu povo (também escolhido) das garras do domínio estrangeiro, estabelecendo a paz universal e mantendo Jerusalém como centro da verdadeira adoração. V. Oito razões pelas quais certamente os líderes judeus se opuseram ao Senhor Jesus: Finalizando esta parte introdutória, gostaria de apresentar oito possíveis razões que elucidam o antagonismo dos líderes judeus para com o Senhor Jesus: 01. Inveja . Ele era aceito prontamente pelas pessoas, e multidões chegavam a viajar para ouvi-Lo! 02. Seu comportamento social antipreconceituoso. Ele Se associava a pessoas erradas (samaritanos, publicanos, pecadores). 03. Suas atitudes “fora do padrão”. Ele simplificava a Lei e rejeitava regras humanas de interpretação. 04. Por não ter recebido uma educação formal. Ele não tinha credenciais humanas que Lhe conferissem autoridade em assuntos religiosos. 05. Seu poder. Ele fazia sinais e maravilhas que eram inquestionáveis, e ninguém conseguia imitar! 06. O embaraço que lhes causava. Ele vencia debates, citando as Escrituras com absoluta maestria, e os expunha ao ridículo de sua própria condição. Ele Se apresentava como o Messias, e não havia como refutá-Lo! 07. Sua autoridade. Os rabinos daqueles dias tinham o hábito de citarem-se uns aos outros, ou de citarem ensinamentos rabínicos do passado. O Senhor Jesus jamais fez isso! Ele sempre falava com base nas Escrituras, - reconhecendo que a autoridade delas era final e não estava aberta a discussão – ou com base na Sua própria autoridade inerente, iniciando suas falas com expressões do tipo Em verdade, em verdade vos digo, consciente de que o que dizia tinha a aprovação do Pai. No geral, as pessoas percebiam isso, e testemunhavam dizendo: “Jamais alguém falou como este homem” (Jo 7.46). 08. A maneira como Ele tratava o pecado. Mostrava que a justiça de Deus só pode ser aplicada a corações arrependidos, e não a corações satisfeitos consigo mesmos, que se baseavam em sua religiosidade e auto-justiça. VI. UM POUCO DA GEOGRAFIA DA PALESTINA A extensão do território da Palestina, se compararmos com a do imenso território brasileiro, é insignificante: mede cerca de 80 km em sua largura máxima (sentido oeste-leste) por 240 km de comprimento (sentido sul-norte). De acordo com suas características, podemos dividi-lo em cinco regiões longitudinais a partir do Mediterrâneo e indo em direção ao Jordão (sentido oeste-leste): CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 12
  • 13. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução 1. a planície costeira; 2. as campinas (também chamadas de Sefelá); 3. a cadeia central de montanhas; 4. o deserto; 5. o vale do Jordão (à leste do vale do Jordão fica a cadeia oriental de montanhas). É interessante notar que, apesar de tudo ser tão próximo, há mudanças mui profundas entre uma região e outra, especialmente no que diz respeito ao clima. Assim, pode-se encontrar neve num lugar, enquanto a alguns poucos quilômetros sente-se o sol brilhar com toda a sua força e calor! Nos dias do Senhor Jesus esse território compreendia vários distritos administrativos, governados todos eles pelos romanos. A oeste do Jordão havia três distritos: 1. ao norte, a GALILÉIA, em cuja planície de Genezaré (à beira do lago do mesmo nome) havia abundante produção de frutas e legumes durante o ano todo; 2. no centro, a SAMARIA, região montanhosa onde eram criados grandes rebanhos de cabras e ovelhas, e com planícies férteis onde se produzia frutas e grãos de toda espécie; 3. ao sul, a JUDÉIA, cujo lado ocidental (planície costeira e campinas) é também extremamente fértil, contrastando com o lado oriental, formado especialmente pelo inóspito e estéril deserto da Judéia. Era na Judéia que ficava situada Jerusalém*. *Algumas observações quanto à cidade de Jerusalém dos dias do Senhor Jesus: Durante o reinado de Herodes, o Grande, a população da cidade chegou a atingir 60.000 habitantes. O rei a embelezou com melhoramentos ao estilo romano. O recinto do Templo foi ampliado, chegando a ocupar cerca de 15% da área da cidade. Herodes também construiu um hipódromo, um teatro, um palácio real, e duas fortalezas, sendo uma delas a Torre Antônia, que servia para proteger o Templo. O sistema de captação e fornecimento de água também foi amplamente reformado e ampliado. Já a leste do Jordão, havia: 1. um conjunto de pequenos distritos governados por Herodes Filipe, filho de Herodes, o Grande. Esses distritos eram: Batanéia, Traconites, Auranites, Gaulanites e a região de Panéias, cidade reconstruída por Herodes Filipe e que recebeu o nome de Cesaréia de Filipe (foi lá que o Senhor Jesus ouviu a confissão de Pedro a respeito da Sua divindade – Mt 16.13-28); 2. a região extensa, formada por dez cidades gregas “quase” autônomas, chamada DECÁPOLIS, muito conhecida na antiguidade pela produção de derivados de leite. Foi lá que o Senhor Jesus libertou um endemoninhado (Mc 5.1-20); 3. e a PERÉIA que, juntamente com a Galiléia, foi governada por Herodes Antipas. Na maior parte, um grande deserto. Mesmo assim, havia regiões férteis onde se cultivavam oliveiras, parreiras e palmeiras. Segundo o historiador Josefo, João Batista foi aprisionado e morto lá, na cidade fortificada de Maquero, onde Herodes Antipas tinha um dos seus palácios. Quanto à hidrografia, vamos citar apenas o mais importante: ao norte, o Mar da Galiléia; ao sul, o Mar Morto (o lugar natural de menor altitude em todo o planeta – cerca de 400 metros abaixo do nível do mar!); e o rio Jordão, que nasce nas montanhas ao norte, atravessa o Mar da Galiléia, e vai desaguar na região sul, no Mar Morto. VII. OS LIVROS DO NOVO TESTAMENTO O Período Inter-Bíblico serviu como preparação final para o maior de todos os eventos da História: "o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1.14). Sim, "havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho a quem constituiu herdeiro de todas as cousas, pelo qual também fez o universo" (Hb 1.1,2). E cumpriu-se o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: "O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz" (Mt 4.16). Por volta do ano 4 a.C. nasceu o Senhor Jesus Cristo. Chegara a plenitude do tempo! E, vindo "a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Gl 4.4,5; Jo 3.16). CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 13
  • 14. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução Conhecemos a Sua história, e a história dos acontecimentos que se seguiram à Sua ascensão, bem como os Seus ensinos e os desdobramentos desses ensinos, através dos livros que compõem o Novo Testamento. Quanto a esses livros 1. ÉPOCA EM QUE FORAM ESCRITOS. O Novo Testamento é composto por 27 livros, escritos por 8 ou 9 homens (dependendo de se atribuir a redação da epístola aos Hebreus ao apóstolo Paulo ou não), homens estes santos que, "falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo" (2 Pe 1.21). Estes livros foram escritos entre os anos 45 e 100. Suas referências históricas cobrem todo o primeiro século da nossa era, e apresentam nítidos reflexos culturais dos séculos que precederam a chegada do Messias (Período Inter-Bíblico). Os estudiosos divergem em suas opiniões quanto à data em que cada um dos livros do Novo Testamento foi escrito. Todavia, gostaria de registrar aqui uma tabela sugestiva quanto ao tempo e local onde foram escritas as epístolas paulinas: LIVRO LOCAL DATA Gálatas Antioquia da Síria 49 d.C. 1 Tessalonicenses Corinto 51 d.C. 2 Tessalonicenses Corinto 51 d.C. 1 Coríntios Éfeso 55 d.C. 2 Coríntios Tessalônica 55 d.C. Romanos Corinto 57 d.C. Efésios Roma 60 d.C. Filipenses Roma 60 d.C. Colossenses Roma 60 d.C. Filemom Roma 60 d.C. 1 Timóteo Filipos 63 d.C. 2 Timóteo Roma 67 d.C. Tito ? ? 2. OS ESCRITORES. Quanto aos homens que os escreveram, todos eram judeus, exceto Lucas (provavelmente gentio). Três foram apóstolos, os quais acompanharam o Senhor Jesus em Sua trajetória ministerial: Mateus, Pedro e João. Quatro foram homens que tiveram participação ativa na vida da Igreja Primitiva: Marcos, Paulo, Judas e Tiago (sendo estes dois últimos, irmãos do Senhor Jesus - Mt 13.55). Lucas e Paulo, apesar de não terem sido testemunhas oculares da vida do Senhor, viveram muito próximos aos que o foram. 3. DIVISÃO DE ACORDO COM O CARÁTER LITERÁRIO. Se considerarmos o caráter literário dos livros do Novo Testamento, iremos dividi-los em quatro grupos: 3.1 - Históricos - são os livros que narram a história da vida do Senhor Jesus aqui no mundo (Mateus, Marcos, Lucas e João), bem como a história da Igreja após Sua ascensão (Atos). Mateus, Marcos e Lucas são chamados evangelhos “sinóticos”*, porque colocados lado a lado, mostram semelhanças impressionantes em seu testemunho da vida do Senhor Jesus. Por outro lado João, também chamado de o quarto evangelho, tem características próprias bem definidas – pelo menos 90% de seu texto não encontra paralelo nos sinóticos! Todavia, é bom lembrar que os quatro evangelistas tinham algo muito especial em comum: criam que Deus existe, e que é capaz de agir de acordo com a Sua vontade no mundo que Ele criou. Por isso, apresentaram a verdade irrecusável de que Ele entrou na História por meio de Seu Filho, para resgatar a humanidade perdida. Vejamos agora um quadro comparativo dos sinóticos com o evangelho de João: SINÓTICOS JOÃO 3.1.1 - dão ênfase ao Seu ministério na Galiléia 3.1.1 - dá ênfase ao Seu ministério na Judéia 3.1.2 - falam mais de Jesus e as multidões 3.1.2 - fala mais de Jesus e indivíduos 3.1.3 - seu ensino concentra-se na ética (prática da vida cristã) 3.1.3 - seu ensino concentra-se na Pessoa do Senhor Jesus * Algumas observações quanto aos Sinóticos: Dá-se o nome de Sinóticos aos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas por apresentarem um relato bastante semelhante dos mesmos eventos ocorridos na vida do Senhor Jesus. Há, em cada um deles, adições e omissões em relação aos demais; todavia, de modo geral, o material que apresentam é o mesmo, e está organizado de forma extremamente semelhante. É perfeitamente possível copiá-los em três colunas paralelas, lendo-os concomitantemente e estabelecendo comparações. De acordo com o estudioso William Barclay, o evangelho de Marcos pode ser dividido em 105 seções. Destas, 93 ocorrem em Mateus, e 81 em Lucas. Das 105 seções de Marcos, somente 4 não aparecem nem em Mateus, nem CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 14
  • 15. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução em Lucas. Marcos tem 661 versículos. Mateus, 1068. E Lucas, 1149. Mateus reproduz nada menos que 606 versículos de Marcos; Lucas, 320. Dos 55 versículos de Marcos que Mateus não reproduz, Lucas reproduz 31. Portanto, em todo o evangelho de Marcos há somente 24 versículos que não são encontrados em Mateus ou Lucas! E mais: de modo geral, Mateus e Lucas apresentam a mesma ordem de acontecimentos apresentada por Marcos. Há muito pouca diferença. E, quando Mateus diverge, Lucas concorda com Marcos; quando Lucas diverge, Mateus concorda. Assim, sempre um dos dois segue a mesma ordem de eventos apresentada por Marcos! 3.2 - Doutrinários - em sua maioria, escritos em forma de cartas para Igrejas, têm como propósito instruir os crentes quanto à fé cristã (doutrina) e também quanto à prática da vida cristã (ética). São eles: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, Judas e 1 João. 3.3 - Particulares (ou Pessoais) - cartas escritas para indivíduos, visando dar instrução ou aconselhamento pessoal. Como os seus destinatários eram líderes da Igreja, tais cartas acabaram por influenciar a muitos, tornando-se documentos públicos. São elas: 1 e 2 Timóteo; Tito, Filemom e 2 e 3 João. 3.4 - Profético - o livro de Apocalipse que, por meio de um estilo altamente simbólico, trata do futuro, bem como do presente. 4. NOTA: até à invenção da imprensa, que só veio acontecer na metade do século XV, toda a literatura, inclusive os livros que compõem a Bíblia, tinha que ser copiada à mão, num processo extremamente trabalhoso. Ao longo desse tempo, foram preservados 3.286 manuscritos de parte ou de todo o texto grego do Novo Testamento. Nenhuma outra literatura antiga tem tantas cópias manuscritas preservadas! VIII. VISÃO PANORÂMICA DE CADA LIVRO Com o objetivo de termos uma visão panorâmica do Novo Testamento, daremos uma passada d'olhos através cada um dos seus livros, destacando sempre: 1. o PROPÓSITO para o qual foi escrito o livro; 2. uma PALAVRA-CHAVE que nos ajude a lembrar qual é esse propósito; 3. um VERSÍCULO-CHAVE que justifique a palavra-chave; 4. como o SENHOR JESUS é visto nesse livro; 5. alguns DADOS E PARTICULARIDADES do livro; 6. algumas LIÇÕES que dele podemos extrair para a nossa vida. Vejamos: MATEUS 1. Propósito: o Espírito Santo escolheu o judeu Mateus para escrever este evangelho aos judeus, a respeito de um JUDEU, tendo como propósito demonstrar que esse Judeu, o Senhor Jesus, é o Messias tão anunciado pelos profetas do Velho Testamento. Ele é o verdadeiro Rei dos Judeus. Com muito cuidado e exatidão, Mateus faz várias referências ao Velho Testamento (cerca de 130), fundamentando a sua declaração de que Jesus é o Cristo. [Obs.: mesmo tendo sido escrito primordialmente para os judeus, o evangelho de Mateus não exclui os gentios. Ele mostra que o Messias os receberá em Seu reino (8.11). Por isso mesmo, o Seu evangelho tem que ser pregado a todas as nações (24.14; 28.19)]. 2. Palavra-Chave: MESSIAS 3. Versículo-Chave: "Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (16.16). 4. JESUS: é apresentado como o Rei Ungido que veio para salvar o Seu povo (1.23; 2.2,6; 3.17; 21.5,9; 26.63,34; 27.11,27-37). Os profetas do Velho Testamento anunciavam e ansiavam pela chegada do Messias, que viria para redimir e libertar o Seu povo. O primeiro versículo de Mateus, de modo sucinto, anuncia o cumprimento da esperança de Israel quanto ao Messias - "Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão" (1.1). 5. Dados e Particularidades: 5.1 - o evangelho de Mateus foi colocado em primeiro lugar no cânon do Novo Testamento pela igreja primitiva porque, devido ao seu propósito, ele é a ponte natural que interliga os dois Testamentos. CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 15
  • 16. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução 5.2 - Variações da expressão para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta (1.22; 2.15; 2.17; 2.23; 13.34,35; 21.4; 27.9) são encontradas 9 vezes aqui. Isto está em acordo com o propósito do livro, que é mostrar como as profecias do Velho Testamento se cumpriram em Jesus, levando os judeus a reconhecerem ser Ele o Messias. Também a expressão reino dos céus aparece 32 vezes aqui, não sendo encontrada em qualquer outra parte do Novo Testamento. Mais: somente em Mateus a cidade de Jerusalém é chamada de cidade santa (4.5) e cidade do grande Rei (5.35). 5.3 - em Mateus, o evangelho do Reino, encontramos cinco discursos proferidos pelo Senhor Jesus: [Nota: Há uma grande ênfase em Mateus dada ao conceito de Reino de Deus. No Sermão do Monte, temos a constituição do Reino; no capítulo 10, temos a descrição dos deveres dos líderes do Reino; no capítulo 13, as parábolas que ilustram o Reino; no capítulo 18 aprendemos sobre a grandeza do Reino; e nos capítulos 24 e 25 aprendemos sobre a vinda do Rei! (Aliás, há uma preocupação constante neste evangelho em apresentar o Senhor Jesus como Rei – Ele é o homem que nasceu para ser Rei; Ele é o Senhor a quem pertence o Reino, o Poder e a Glória!)]. 5.3.1 - o Sermão do Monte - 5.3-7.27. 5.3.2 - as Instruções Para Os Discípulos - 10.5-42 5.3.3 - as Parábolas do Reino - 13.3-52 5.3.4 - novas Instruções Para Os Discípulos - 18.3-35 5.3.5 - o Sermão Profético do Monte das Oliveiras - 24.4-25.46. (Em Mateus vemos uma apresentação destacada do que o Senhor Jesus disse com respeito à Sua segunda vinda, bem como de todos os acontecimentos a ela relacionados). 5.4 – não há, em todo o Novo Testamento, um capítulo que fale mais fortemente em condenação que o capítulo 23 deste livro (condenação esta dirigida primordialmente aos escribas e fariseus). 5.5 – um esboço possível do livro: 5.5.1 – A Primeira Fase da Vida do Messias (1.1-4.16) 5.5.1.1 – Seu nascimento e infância (1.1-2.23) 5.5.1.2 – A preparação para o ministério (3.1-4.16) 5.5.2 – O Ministério Público do Messias na Galiléia (4.17-16.20) 5.5.2.1 – O início do Seu ministério (4.17-25) 5.5.2.2 – A “Carta Magna” do Reino do Messias (5.1-7.29) 5.5.2.3 – O Messias demonstra Seu poder (8.1-9.34) 5.5.2.4 – O ministério dos discípulos do Messias (9.35-11.1) 5.5.2.5 – Reações ao ministério do Messias (11.2-12.50) 5.5.2.6 – As Parábolas do Reino do Messias (13.1-53) 5.5.2.7 – Outras reações ao ministério do Messias (13.54-16.20) 5.5.3 – O Ministério Particular do Messias na Galiléia (16.21-18.35) 5.5.3.1 – O Messias ensina sobre Sua missão (16.21-17.27) 5.5.3.2 – A questão do relacionamento entre os seguidores do Messias (18) 5.5.4 – O Ministério do Messias na Judéia (19.1-25.46) 5.5.4.1 – Os ensinamentos do Messias em sua viagem final a Jerusalém (19.1-20.34) 5.5.4.2 – Primeiros momentos em Jerusalém (21.1-17) 5.5.4.3 – Ensinos e confrontos em Jerusalém (21.18-25.46) 5.5.5 – A Paixão e a Ressurreição do Messias (26.1-28.20) 5.5.5.1 – O início da Paixão (26.1-46) 5.5.5.2 – Prisão e Julgamento do Messias (26.47-27.26) 5.5.5.3 – A Crucificação e Sepultamento do Messias (27.27-66) 5.5.5.4 – A Ressurreição do Messias (28.1-15) 5.5.5.5 – A Grande Comissão dada pelo Messias (28.16-20) 6. Lições: 6.1 - Deus transforma um impopular cobrador de impostos em uma dádiva para a humanidade (9.9). O nome Mateus significa Presente de Deus. Sim, Mateus se tornou um “presente de Deus” porque teve uma experiência genuína de conversão! Vejamos quais os traços de uma conversão genuína: CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 16
  • 17. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução 6.1.1 - obediência imediata ao chamado divino - 9.9 6.1.2 - o Senhor Jesus passa a ser o maior valor da vida - Lc 5.28: "deixando tudo" 6.1.3 - testemunho imediato - 9.12 6.2 - que valor tremendo tem a fé verdadeira! Sendo o único a narrar a visita dos magos, que vieram desde o Oriente para adorar o Senhor Jesus (2.1-12), o evangelho de Mateus nos apresenta, na pessoa desses homens sobre quem sabemos tão pouco, um notável exemplo de fé verdadeira! A respeito disso, J.C.Ryle diz: "Eles confiaram em Cristo, ainda que nunca O tivessem visto. Mas, isso não foi tudo. Creram nEle mesmo depois que os escribas e os fariseus demonstraram a sua incredulidade. Porém, nem mesmo isso foi tudo. Confiaram nEle quando O viram como um menino pequeno, nos joelhos de Maria, e adoraram-nO como a um rei. Esse foi o ponto culminante da sua fé. Não contemplaram qualquer milagre que pudesse convencê-los. Não ouviram qualquer ensino que pudesse persuadi-los... A ninguém mais viram senão a um menino ainda pequeno, fraco e impotente, necessitado dos cuidados maternos como qualquer um de nós. A despeito disso, quando viram aquele Menino, creram estar diante do divino Salvador do mundo. E, prostrando-se, O adoraram". Você é um imitador dos magos em sua fé? 6.3 - a Palavra de Deus se cumpre. Haja o que houver! O evangelho de Mateus é um dos testemunhos mais ricos neste sentido! (Is 46.9,10; Js 21.45 - "nenhuma promessa falhou de todas as boas palavras que o SENHOR falara à casa de Israel: tudo se cumpriu). 6.4 – Nem sempre todos compreendem a atitude do Messias ao purificar o Templo (21.12,13). Elwell e Yarbrough em sua obra “Descobrindo o Novo Testamento” nos ajudam quanto a isso: “Caifás tinha autorizado o funcionamento de um mercado ali [no pátio externo do Templo, ao qual o acesso dos gentios era permitido], onde só se podia vender itens ritualmente puros, para os sacrifícios no Templo. Isso não era necessário, pois havia vários mercados oficiais em outros lugares da cidade. Além disso, todos s judeus maiores de 20 anos tinham que pagar anualmente o imposto do Templo, no valor de meio siclo. Três moedas circulavam na Palestina: uma romana (dinheiro imperial), uma grega (dinheiro provincial) e uma tíria (dinheiro local). Uma vez que as moedas romanas e gregas tinham efígies humanas – que eram consideradas idolatria pelos judeus – não podiam ser utilizadas para pagar a taxa do Templo e tinham que ser trocadas por moedas tírias. Com efeito, Caifás tinha feito do Templo um banco. E, para deixar as coisas piores, havia fraude e extorsão em todas essas transações, além do fato de os cambistas poderem cobrar uma pequena sobretaxa.... As ações de Jesus incluíram virar as mesas dos cambistas e as bancas dos vendedores de pombos...”. Em Seu zelo pelo cumprimento e obediência à Palavra (21.13), Ele não teve como não agir da forma pela qual agiu! Fica para nós a pergunta: o que os líderes e freqüentadores das casas de oração dos nossos dias podem aprender com essa atitude do Senhor Jesus? 6.5 - é bom que jamais nos esqueçamos de quem é o Rei Jesus. Em 28.18 aprendemos que Ele tem TODA autoridade, tanto no céu como na terra. Ele venceu a morte, o nosso último inimigo! ALELUIA!!! MARCOS 1. Propósito: escrito para os romanos (veja só algumas das evidências que provam-no: a. não traz quase nenhuma citação do Velho Testamento; b. traduz palavras que seriam desconhecidas para os romanos [3.17; 5.41; 7.11; 14.36]; c. dá explicações quanto aos costumes judeus [7.2-4; 15.42]), este evangelho tem como propósito apresentar o Senhor Jesus como Aquele que, tendo autoridade e poder, veio para servir. 2. Palavra-Chave: SERVIR 3. Versículo-Chave: "Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos" (10.45). 4. JESUS: o Carpinteiro (6.3) é apresentado como um Servo ativo e cheio de compaixão, que está constantemente ministrando às necessidades físicas e espirituais das pessoas que O buscam. A palavra "euthus", traduzida por "logo", ou "imediatamente", aparece 42 vezes aqui. O Filho de Deus está sempre a servir os homens, exercendo o Seu grande poder (daí a ênfase especial dada à narração de milagres). 5. Dados e Particularidades: CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 17
  • 18. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução 5.1 - Marcos é também chamado de o evangelho de Pedro. Isso, por causa de um documento de Papias (70-155), um discípulo de João. Nesse documento lê-se o seguinte: "O Presbítero também disse: Marcos, tendo-se tornado o porta-voz de Pedro, escreveu com muito cuidado tudo aquilo de que se lembrou - contudo, não em ordem - tanto das palavras quanto dos feitos de Cristo". 5.2 - somente uns 20 ou 30 versículos de Marcos não aparecem em Mateus ou Lucas. Em geral, este evangelho está contido nos demais. Todavia, tem a sua personalidade própria, apresentando a vida do Senhor Jesus como num filme documentário rápido, onde os fatos são mostrados sem maiores comentários (o Personagem fala por Si só!) da seguinte forma: 5.2.1 - o Servo Perfeito, e Seu serviço perfeito - 1.1-8.30; 5.2.2 - o Servo Perfeito, e Seu sacrifício perfeito - 8.31-16.20 5.3 – Marcos é levado a iniciar a sua narrativa falando em João Batista. Por sinal, os quatro evangelhos associam o Senhor Jesus à pessoa e ministério desse homem estranho, que vivia em austeridade ascética e lembrava muito o profeta Elias! Tendo surgido no deserto a leste de Jerusalém, João foi uma figura arrebatadora que conclamava o povo ao arrependimento, anunciando a chegada próxima do Messias. Mostrava que a mera religiosidade não podia substituir a obediência autêntica e o amor a Deus. Também dizia que vida com Deus não é coisa hereditária – os descendentes físicos de Abraão não são automaticamente salvos! Compromisso era a sua palavra-chave! Todavia, não era a sua intenção chamar as pessoas para si, pois ele se via a si mesmo como precursor do Messias. E, se batizava as pessoas que se mostravam arrependidas e dispostas a uma vida de compromisso com Deus, nunca deixava de frisar: “Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correrias das sandálias. Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo” (1.7,8). 5.4 - se em Mateus ficamos conhecendo o Messias que cumpriu as Escrituras até em seus detalhes mais simples, em Marcos aprendemos porque esse Messias foi rejeitado: a maneira pela qual Ele Se revelou aos homens foi inaceitável, do ponto de vista humano. Um Messias-Servo, vítima expiatória, que condenava o pecado, perturbava a consciência, confrontava o orgulho, ensinava que há maior valor em servir do que em ser servido, tinha de ser rejeitado! 5.5 - H. E. Alexander nos diz que "um dos traços característicos do evangelho de Marcos é constituído pelos freqüentes quadros da multidão que Jesus, o Servo Perfeito, ama com tanto amor! O ódio religioso aumenta, a incompreensão dos discípulos continua, mas Jesus não Se cansa de derramar o amor e a luz de Deus sobre essas vítimas de cegos e condutores de cegos. Deixemos que as palavras deste evangelho nos comovam e inspirem: "Todos te buscam" (1.37)... "De todos os lados iam ter com ele" (1.45)... "Para lá correram a pé de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que eles" (6.33)... "uma grande multidão esperava-o ao pé do monte" (9.14). No princípio da última etapa de Sua carreira terrestre, quando Ele parte para Jerusalém, ainda Se acha cercado pelo povo, a multidão que ama. Mas infelizmente, esta multidão que o clero teme, está sob a influência do clero. (Leia Mt 21.26 e Lc 22.2). Pouco a pouco a solidão se estabelece em redor de Jesus, e até mesmo muitos discípulos se afastam e não vão mais com Ele (Jo 6.66)... E esta mesma multidão, quando é mencionada pela última vez neste evangelho, pede aos brados a libertação de Barrabás e a crucificação dAquele que lhe deu tudo, até a própria vida!". 6. Lições 6.1 - aquele que nos apresenta o Servo, tornou-se ele mesmo um servo precioso. Eis o testemunho: "Toma contigo a Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério" ( 2 Tm 4.11). 6.2 - a ênfase dada ao conteúdo da verdadeira pregação: ARREPENDIMENTO e FÉ (1.15). 6.3 - em Marcos, vemos diversas vezes que os demônios sabem quem é Jesus (1.24, 34; 3.11; 5.6,7). E nós, os homens, sabemos quem Ele é? (15.2). A propósito dessa realidade, Elwell e Yarbrough em sua obra “Descobrindo o Novo Testamento” dizem o seguinte: “Todas as pessoas e todas as coisas reconheciam que Jesus é divino – João Batista, os demônios, a doença, o vento e as ondas, os discípulos, até mesmo Deus – exceto os líderes religiosos. É uma ironia suprema que aqueles que deviam ter sido os primeiros a ver a natureza sobrenatural de Jesus se recusassem a reconhecê-la. O poder, eles reconheciam, mas atribuíam-no ao demônio (3.22). Marcos atribui essa cegueira espiritual ao misterioso propósito de Deus, previsto há muito tempo (4.11,12; 7.6,7)”. 6.4 - na história da filha de Jairo (5.21-43) aprendemos uma lição prática e singela, mas de muito valor. Há dias em que tudo parece acumular-se: a doença, a interrupção de outras pessoas, uma aparente falta de interesse da parte de Jesus... Todos temos de enfrentar tais dias! Lembremo-nos, contudo, de que Ele continua presente. Enquanto age na vida dos outros, Ele também está agindo em nosso favor. E Se mantém presente. No final, isso fica bem claro! CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 18
  • 19. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução 6.5 - na história de Herodes (Antipas), quando da morte de João Batista (6.14-29), fica bem claro em Marcos que Jesus, o Servo, é Senhor; e que Herodes, o senhor, é escravo - um rei-escravo... 6.5.1 - das suas paixões carnais. Tão escravo, que foi capaz de roubar a esposa do próprio irmão! 6.5.2 - da sua precipitação. Num ímpeto, prometeu dar a uma jovem dançarina até metade do seu reino. Teve que dar muitíssimo mais do que isso. E não pode voltar atrás. 6.5.3 - da sua covardia. Sabia quem era João Batista. Ouvia de boa mente a sua mensagem. Mas, não tinha coragem de aceitá-la. Mantinha João no cárcere por causa de Herodias. Ouvia-o de boa mente, por causa do seu coração sedento. Mas, porque não teve coragem de tomar uma decisão ao lado do Senhor, Satanás o apanhou numa armadilha. LUCAS 1. Propósito: O Espírito de Deus leva o médico amado - Lucas - a apresentar o Senhor Jesus como o Homem Perfeito. A cultura helênica, por meio da sua filosofia, cultuava e buscava a perfeição. Assim, Lucas apresenta o Senhor Jesus ao mundo helenizado da sua época, como o Filho do homem, Aquele que é perfeito. Mostra a Sua perfeita humanidade, destacando, por exemplo, os Seus sentimentos. E, se em Mateus o Senhor Jesus é apresentado como o Messias esperado pelos judeus, em Lucas Ele é “luz para revelação aos gentios” (2.32). [Veja 4.25-27; 11.31,32 e 24.46,47. Observe, ainda, a inclusão dos samaritanos nesse quadro: 10.25-37]. Isso, naturalmente, não exclui Israel (veja 1.30-33; 2.32), mas alarga a visão do Plano Redentor de Deus. 2. Palavra-Chave: HOMEM PERFEITO 3. Versículo-Chave: "Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido" (19.10). 4. JESUS: neste evangelho, temos o relato mais completo da Sua vida como homem: uma genealogia que estende as suas raízes até Adão (3.38), a narração minuciosa do Seu nascimento, e dados do Seu desenvolvimento como criança. Assim, Ele é apresentado como o Homem Ideal, cheio de compaixão, que Se identifica com as dores e lutas dos seres humanos e que, como Homem Perfeito, veio para resgatar os pecadores. 5. Dados e Particularidades: 5.1 - inicialmente, este evangelho foi dirigido a um homem - TEÓFILO ("amigo de Deus") - que teria ocupado uma posição destacada na sociedade da época (a expressão "excelentíssimo", em 1.3, era usada para destacar o fato de que a pessoa seria um oficial ou um membro da aristocracia. Veja At 23.26; 24.2; 26.25). E Lucas, segundo Eusébio (que viveu entre os anos 265 e 339), “no que diz respeito à raça, um dos de Antioquia, mas médico por profissão, uma vez que tinha estado muito tempo com Paulo e que não tinha pouca associação com os outros apóstolos, deixou-nos exemplos da terapia de almas que conseguiu com eles, em dois livros inspirados. O evangelho em que ele testifica diz ainda que escreveu de acordo com o que lhe passaram aqueles que foram testemunhas oculares desde o início e ministros da palavra, todos os quais ele afirma ter seguido também desde o início; e os Atos dos Apóstolos que ele redigiu a partir do que aprendeu, não de ouvido, mas com os olhos”. Em seu intento de levar Teófilo a saber que a fé no Senhor Jesus se fundamenta em fatos históricos, o médico amado reuniu informações com pessoas fidedignas, conferiu as provas e organizou esta biografia maravilhosa. O Homem Perfeito é parte concreta da História da humanidade. E o relato da Sua vida e obra é merecedor de toda confiança. 5.2 - em Lucas temos a inserção de 4 lindos cânticos, ou poemas: 5.2.1 - o cântico pronunciado por Maria, quando de sua visita a Isabel (1.46-55), conhecido como o MAGNIFICAT; 5.2.2 - o cântico pronunciado por Zacarias por ocasião do nascimento de João Batista (1.68-79), conhecido como o BENEDICTUS; 5.2.3 - o cântico pronunciado pela milícia celestial quando do nascimento do Senhor Jesus (2.14), conhecido como o GLORIA IN EXCELSIS; 5.2.4 - o cântico pronunciado por Simeão, no dia em que o Senhor Jesus foi apresentado no Templo (2.29-32), conhecido como o NUNC DIMITIS. CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 19
  • 20. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução 5.3 - este evangelho apresenta-nos a doutrina do Espírito Santo de um modo destacado! 5.3.1 - fala de pessoas cheias e capacitadas pelo Espírito: João Batista (1.15); Maria (1.35); Isabel (1.41); Zacarias (1.67); Simeão (2.25,26). 5.3.2 - mostra como a vida terrena do Senhor Jesus foi vivida no Espírito. Ele foi: 5.3.2.1 - concebido pelo Espírito (1.35); 5.3.2.2 - batizado pelo Espírito (3.22); 5.3.2.3 - provado pelo Espírito (4.1); 5.3.2.4 - capacitado pelo Espírito para o exercício do ministério (4.14,18); 5.3.2.5 - animado pelo Espírito (10.21); 5.3.2.6 - e Ele prometeu aos discípulos a vinda do Espírito, a fim de que pudessem testemunhar com poder (24.49). 5.4 - em Lucas, as mulheres são mais citadas do que em Mateus e Marcos juntos! O evangelista mostra que o Senhor Jesus concedeu a elas a dignidade e o respeito que os rabinos de Sua época não lhes conferiam. Ensina que a salvação é não somente para os judeus e para os gentios, mas também para os homens e para as mulheres! E destaca: Maria e Isabel (1.5,6,39-45,57,60); a profetisa Ana (2.36-38); a viúva da cidade de Naim (7.13); várias mulheres que acompanhavam o Senhor e Lhe prestavam assistência (8.1-3) [será interessante destacarmos aqui a pessoa de Joana, esposa de Cuza, que era procurador de Herodes Antipas, sendo, com certeza membro da alta classe da sociedade dos seus dias e que, tendo sido curada pelo Senhor, deu o seu tempo e bens materiais para Ele]; as irmãs Marta e Maria (10.38-42); a viúva pobre (21.1-4); as mulheres que lamentaram a execução do Senhor (23.27,28); as que presenciaram o Seu sepultamento e ressurreição (23.55,56; 24.1-11). [Obs.: o Espírito de Deus moveu o apóstolo Paulo a defender os mesmos princípios defendidos pelo Senhor Jesus com relação às mulheres: elas são herdeiras da salvação em Cristo tanto quanto os homens (Gl 3.28); também merecedoras de reconhecimento e dignas de servir na obra de Deus (Rm 16.1-12); e os maridos devem colocar o bem-estar de suas esposas acima do seu próprio bem-estar (Ef 5.25). O texto de 1 Tm 2.11,12 não deve ser visto como uma contradição ao que foi dito acima, mas como uma adição. E esse texto não deve ser visto como ultrapassado (a Palavra de Deus permanece para sempre! – Sl 119.160) por não se “casar” com o pensamento moderno. Na verdade, é o pensamento moderno que precisa acertar o passo e se casar com a Palavra de Deus!]. 5.5 - uma parte do desígnio de Deus para o evangelho de Lucas é o de acentuar: 5.5.1 - o poder da Palavra de Deus (1.20,45; 2.29; 4.4,8; 8.21; 11.28); 5.5.2 - a autoridade da palavra do Senhor Jesus (4.22,32,36; 5.5; 7.7; 9.26; 20.26; 21.33; 22.61; 24.27,32,44,45). 6. Lições: 6.1 - (10.38-42) > a escolha de Maria. A boa parte é sempre ficar aos pés de Jesus. E essa parte é a única coisa que não nos será tirada! A saúde, os queridos, etc., nos são tirados. Mas, a bênção de estar aos pés de Jesus, ainda mesmo no leito de morte, não nos será tirada! Aleluia!!! 6.2 - (14.26,27,33) > o ser discípulo de Jesus é graça de Deus em nossa vida, sem dúvida alguma (Ef 2.8). Contudo, essa manifestação da graça implica num preço: TUDO! 6.3 - (15.11-32) > aqui temos um lindo vislumbre do coração do Pai! No relato sobre o filho pródigo, temos um retrato do coração amorável, compassivo e misericordioso do nosso Deus. 6.4 - (19.1-10) > aqui, temos um testemunho vivo do que é a verdadeira conversão: 6.3.1 - começa com uma sede por vê-Lo (v.4); 6.3.2 - continua, numa obediência incontinenti à palavra de Jesus (v.5); 6.3.3 - sela-se no recebê-Lo com alegria (v.6); 6.3.4 - prova-se, na manifestação do fruto do arrependimento (v.8); 6.3.5 - consuma-se, no testemunho do Senhor a nosso respeito (v.9); 6.3.6 - glorifica ao Senhor (v.10; Is 53.11). 6.5 - (24.13-35) > no episódio dos discípulos no caminho de Emaús, aprendemos uma lição particularmente dolorosa: como somos tardios para crer na Palavra de Deus! Mesmo com o coração ardendo, não conseguimos enxergar. Como carecemos da graça do Senhor! CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 20
  • 21. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução JOÃO 1. Propósito: o evangelho de João apresenta claramente o seu propósito no versículo 31 do capítulo 20: "Estes, porém, foram registados para que creiais que Jesus é o Cristo o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais vida em seu nome". Inspirado pelo Espírito de Deus, João visa provocar fé no coração dos seus leitores, ao apresentar-lhes a divindade do Senhor Jesus. 2. Palavra-Chave: CRER (aparece 98 vezes neste evangelho) 3. Versículo-Chave: "Estes, porém, foram registados para que creiais que Jesus é o Cristo o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais vida em seu nome" (20.31). 4. JESUS: desde o princípio do livro há uma apresentação clara e forte da divindade do Senhor Jesus. Ele é o Verbo encarnado (1.14), o Santo de Deus (6.69). A Sua divindade é apresentada também através das afirmações EU SOU. O Pr. Alfredo Reinke faz um comentário singelo e edificante a respeito dessa expressão. Diz ele: "Encontramos vários textos na Bíblia nos quais Jesus afirma: 'Eu sou'. Pensemos inicialmente sobre o profundo significado dessas palavras com tão poucas letras. Quando Jesus afirma 'Eu', significa que é só Ele, e ninguém mais. Nem religião, nem igreja, nem boas obras, etc. Quando Jesus diz 'sou', isto mostra que Ele não disse 'fui' ou 'serei'. Ele é! Agora, neste instante. Nessas afirmações do Messias aparece também um artigo definido. Jesus não disse que Ele é 'um', ou 'uma', mas que Ele é 'o' ou 'a', algo totalmente definido, ou seja: Ele é único". Vejamos os 'Eu Sou" de Jesus apresentados neste evangelho: 4.1 EU SOU O PÃO DA VIDA 6.35 4.2 EU SOU A LUZ DO MUNDO 8.12 4.3 EU SOU A PORTA 10.9 4.4 EU SOU O BOM PASTOR 10.11,14 4.5 EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA 11.25 4.6 EU SOU O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA 14.6 4.7 EU SOU A VIDEIRA VERDADEIRA 15.1 O Senhor Jesus também Se apresenta como o EU SOU do Antigo Testamento de forma absolutamente inquestionável (Ex. 3.14; Jo 8.24,58; 13.19). Por outro lado, a humanidade do Mestre também é vista neste evangelho (4.6; 11.35; 12.27). Em João aprendemos que a encarnação do Verbo – ou seja, a humanidade do Senhor Jesus – não foi mero aparecimento dEle na Terra, mas uma verdadeira e total entrada dEle na vida e na carne humanas. 5. Dados e Particularidades: 5.1 - o evangelho de João é bastante peculiar: 90% dele não tem ligação aparente e direta com os Sinóticos. É o único a apresentar o Senhor Jesus como o VERBO (Logos). Quase não traz parábolas. Narra oito milagres, sendo que seis deles não são encontrados nos sinóticos. João também apresenta mais as falas do Senhor Jesus (públicas, ou em conversas pessoais). Eis os milagres de Jesus narrados em João: 5.1.1 Transformou água em vinho 2.1-12 5.1.2 Curou o filho de um oficial do rei 4.46-54 5.1.3 Curou o paralítico de Betesda 5.1-18 5.1.4 Multiplicou pães 6.1-15 5.1.5 Andou sobre o mar 6.16-20 5.1.6 Curou o cego de nascença 9 5.1.7 Ressuscitou Lázaro 11.1-46 5.1.8 A segunda pesca maravilhosa 21.4-6 I.2 - este é o evangelho da antítese ou dos contrastes. Fala em: 5.2.1 - carne e espírito (3.6); 5.2.2 - luz e trevas (8.12); 5.2.3 - mercenário e pastor (10.12); 5.2.4 - vida e morte (11.25), etc. CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 21
  • 22. O Novo Testamento - Uma Pequena Introdução 5.3 - um terço do evangelho de João (capítulos 13 a 19) concentra-se em fatos e discursos que aconteceram num período de tempo de menos de 24 horas! (Quanta riqueza há em estar com Jesus nesse curto espaço de tempo!). 5.4 - o evangelho de João define com mais precisão do que os Sinóticos a época e o local dos acontecimentos nele narrados. E, pelo fato de citar as festas judaicas de que o Senhor Jesus participou, pode-se descobrir por quanto tempo Ele exerceu o Seu ministério terreno. EIS AQUI UM QUADRO DAS FESTAS JUDAICAS FESTA ÉPOCA TEXTOS PÁSCOA (Pães Asmos) 14 a 21 do mês de Nisã (Março/Abril) Ex 12.43 - 13.10 / Jo 2.13 PENTECOSTES (Primícias / Semanas) 6 do mês de Sivã (Maio/Junho) Dt 16.9-12 / At 2.1 TROMBETAS (Rosh Hashanah) 1 e 2 do mês de Tishri (Set/Out) Nm 29.1-6 DIA DA EXPIAÇÃO (Yom Kippur) 10 do mês de Tishri (Set/Out) Lv 23.26-32 / Hb 9.7 TABERNÁCULOS 15 a 22 do mês de Tishri (Set/Out) Ne 8.13-18 / Jo 7.2 DAS LUZES (Hanukkah - dedicação) 25 do mês de Kislev (Nov/Dez) Jo 10.22 PURIM 14 e 15 do mês de Adar (Fev/Mar) Et 9.18-32 Nota: destas, as três festas principais eram: Páscoa, Pentecoste e Tabernáculos. Delas, todo homem judeu deveria participar, indo a Jerusalém. 5.5 - enquanto os Sinóticos nos apresentam o reino, o quarto evangelho nos apresenta o Rei. (É verdade que, em João, lemos sobre a entrada no reino - 3.3-5 - e nos sinóticos lemos sobre o Rei. Todavia, a ênfase maior em João é dada ao Rei). 6. Lições: 6.1 - é bonito acompanhar o ministério de André, aqui no evangelho de João. Observe como ele está sempre levando alguém a Jesus: 6.1.1 - (1.40-42) > levou seu irmão Pedro a Jesus; 6.1.2 - (6.8,9) > levou a Ele o rapaz que trouxera pães e peixes; 6.1.3 - (12.20-22) > levou alguns gregos ao Senhor. 6.2 - a definição, ou delimitação claríssima de quem é salvo e quem não é está em 3:36. Observe: não há meio termo. E não há outro caminho! 6.3 - o Senhor Jesus não implora a ninguém que O siga; pelo contrário! Constate esta verdade lendo 6.66,67. 6.4 - em nosso ministério, não podemos esperar lutas menores do que aquelas que o Senhor Jesus enfrentou. Por outro lado, não devemos esperar resultados menores! Leia 15.20. 6.5 - o grande objetivo do coração do Senhor Jesus para os Seus é que TODOS sejamos UM! (17.21). ATOS 1. Propósito: o livro de Atos começa onde termina o evangelho de Lucas. E mostra que, embora a morte do Senhor tenha sido evidente e pública, Sua partida física (ascensão) não significava que tivesse deixado de agir nos negócios humanos! Sua presença real, mesmo não sendo física, permanecia através do Espírito prometido. E o livro tem como propósito mostrar como o Senhor Jesus continuou presente e agindo, por meio do Seu Espírito, promovendo a implantação da Igreja, a partir do Pentecostes, começando em Jerusalém, e chegando aos mais distantes pontos do mundo conhecido de então. CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 22