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AMPLIAÇÃO DA DESOBSESSÃO REVISTA LITERÁRIA ESPÍRITA DELFOS ANO IX – EDIÇÃO 01 – Nº 33 AUTOR: ADENÁUER NOVAES PÁGINAS  10,11,12 E 13 Formatação: Castro Neto Música: When I Fall In Love Clique para cada quadro
Um dos principais objetivos da reunião mediúnica de desobsessão é o esclarecimento a espíritos desencarnados e,consequentemente, a prevenção, cura ou solução das obsessões contra os encarnados. Os Centros Espíritas, em sua maioria, são especialistas nessa tarefa, realizando um imprescindível trabalho para o equilíbrio psíquico da sociedade em que estão inseridos. Pessoas esforçadas e dedicadas nesse mister se doam no trabalho de erradicação das obsessões, num propósito contínuo, persistente e sutil, que exige, além de estudo constante da Doutrina Espírita, experiência por parte daqueles que lidam com a questão, sobretudo no que diz respeito aos processos psicológicos que ocorrem. Mentes despreparadas podem se desequilibrar ou mesmo permanecer aprisionadas, por muito tempo, na mesma atividade, sem alcançar patamares evolutivos melhores.
O trabalho em si, repetitivo, não é suficiente para elevar o ser humano, pois apenas se lida com os processos dos outros. Para evoluir, o ser humano necessita lidar com seus próprios processos, bem como envolver-se afetivamente para solução de seus conflitos. No que diz respeito à orientação aos desencarnados em desequilíbrio, não basta, ou talvez não se deva tentar doutrinar para que aceitem os princípios cristãos. Da mesma maneira, a obtenção imediata do perdão aos possíveis adversários encarnados nem sempre é a melhor opção, pois, muitas vezes, é necessário que se ofereçam outros instrumentos que permitam a efetiva transformação dos envolvidos.
Penetrar na história do indivíduo, identificar suas emoções, analisar os pontos vulneráveis de sua personalidade e os processos não resolvidos, bem como colocar-se em seu lugar (empatia), são atitudes imprescindíveis antes de se propor qualquer caminho. A evangelização das pessoas é uma proposta coletiva, isto é, dirigida a todos, que convida o ser humano a refletir sobre a necessidade de iniciar seu processo de autotransformação. Quando se parte para o diálogo direto com o outro, cujo momento é de agressividade, ou de depressão, ou de culpa, ou de confusão mental, ou de outro tipo de crise, a conversa deve ser de esclarecimento para tomada de consciência do próprio processo do indivíduo.
Deve-se tentar penetrar na alma do outro, sem a tentativa de conhecimento a crenças religiosas, que, na maioria dos casos, não são alcançadas pelo outro. Deve-se evitar a tentativa de conversão religiosa, buscando-se levar o outro à consciência de si mesmo e de como entender seu processo, para que ele mesmo encontre alternativas de solução. Isso não quer dizer que a mensagem religiosa seja desnecessária, pois seu conteúdo é a base moral do processo de transformação humana. O que se deve evitar é a tentativa de conversão pelo convencimento à simples aceitação de chavões religiosos, presentes em frases-feitas e convencionais.
O conhecimento em terapia deve ser adquirido por aqueles que se propõem ao trabalho de desobsessão, em favor deles mesmos. Os encarnados, operadores das reuniões mediúnicas, devem buscar especialização em terapia psicológica, não só para a compreensão de seus próprios processos na atual encarnação, como também para melhor possibilidade de auxílio aos desencarnados. Assim como estimula, no diálogo esclarecedor, a catarse dos desencarnados, aquele que trabalha com desobsessão deve também procurar auxílio para desabafar ou confessar suas culpas, medos, equívocos, ou questões pessoais não resolvidas nas experiências em curso .
O conhecimento espírita, bem como a experiência de vida, por maiores que sejam, não são suficientes para a complexidade do que se pretende alcançar. No Espiritismo deve-se pugnar por levar seus praticantes à consciência da autotransformação. Os adeptos da Doutrina Espírita, impulsionados por aqueles que dirigem as instituições, devem desenvolver o sentido da ampliação da consciência e não apenas  a devoção salvacionista, típica dos movimentos religiosos coletivos. A autotransformação deverá levar o indivíduo à consciência de que é um espírito imortal, a realizar-se como pessoa no mundo, a relacionar-se afetivamente, a construir sua independência a partir de um trabalho remunerado, ao exercício da cidadania, dentre outras experiências típicas da vida humana.
A terapia, chamada de Terapia do Espírito, fundamentar-se-á no tripé: aquisição da autodeterminação  ( domínio sobre sua existência como espírito  eterno), aquisição do saber ( conhecimento do funcionamento do Universo) e realização do inconsciente ( inclui o respeito à vida institiva). A meta será a construção de um estado de felicidade permanente. Da mesma forma que o trabalhador da desobsessão deve se preparar psicologicamente para a tarefa, colocando-se como sujeito  a se trabalhar interiormente, o mesmo deve ser proposto ao encarnado, obsidiado ou não, que procure uma instituição espírita. O encarnado deve ser encaminhado à terapia psicológica com base em princípios espirituais, que levem o indivíduo a um reposicionamento de sua vida atual, considerando-se um espírito imortal.
Sem uma terapia que leve o indivíduo a avaliar suas relações afetivas (principalmente em família), sua aquisição intelectual na atual em carnação, sua experiência religiosa, sua realização profissional, sua vida financeira (relação com dinheiro), sua participação política (exercício da cidadania), sua vida amorosa, dentre outros aspectos relativos aos conflitos comuns de casa pessoa, a desobsessão, bem como o esclarecimento ao encarnado e o aprimoramento do trabalhador espírita terão sido incompletos. Quem trabalha com desobsessão deve analisar detidamente as dimensões mais importantes de sua existência. Uma família equilibrada tem a participação efetiva de seus membros, sem a doutrinação característica do ambiente religioso. A vida intelectual deve contemplar a aquisição de conhecimentos da vida humana, principalmente o acesso a uma universidade.
A experiência religiosa contempla a forma como o indivíduo buscou a religião. Muitas vezes se deveu à procura da cura da própria doença, sem a inclinação natural para a religiosidade espontânea. A realização profissional diz respeito ao exercício de uma atividade remunerada, surgido  no desejo de auto-realização pelo trabalho numa profissão.
A relação com o dinheiro diz respeito ao uso e às relações de troca, isto é, como se gasta o que se ganha, verificando-se se há excesso de economia ou gasto demasiado com o supérfluo. A cidadania diz respeito à vida comunitária, ao cumprimento das obrigações sociais, das responsabilidades de quem vive numa comunidade, das regras comuns de convivência civilizada. A vida amorosa diz respeito aos sentimentos de amor e seu desenvolvimento e construção a serviço da evolução da pessoa.
Essas reflexões podem ser feitas a partir de grupos constituídos exclusivamente para os trabalhadores de instituição, conduzidos por pessoas preparadas, voltadas prioritariamente para essa atividade. Isso significa que as instituições espirituais deveriam de ocupar em preparar um setor ou núcleo de atendimento terapêutico adequado para esse mister. Com pessoas preparadas,  com organizações e atribuições bem definidas, com trabalho em equipe, envolvendo toda a instituição tem-se eficiência na atividade que se pretende. Tal núcleo atenderia, com propostas distintas, trabalhadores da instituição e todos aqueles que, após passarem por triagem, merecem atendimento terapêutico. Em paralelo ao trabalho dos espíritos desencarnados que se dedicam à desobsessão e em contribuição ao esclarecimento que se oferece ao encarnado, a terapia psicológica viria a dar mais consistência ao processo de evolução daqueles que buscam a instituição espírita.
A análise, no entanto, deve ser mais profunda considerando-se o caráter evolutivo de que se reveste o Espiritismo. Que seria da medicina em sua tarefa de curar as doenças se não se introduzissem novas técnicas baseadas em conhecimentos mais amplos e novos paradigmas? Tudo isso quer dizer que o indivíduo que trabalha com desobsessão, tanto quanto o obsidiado que deseja cura, devem analisar o curso de sua encarnação, para que não se confie em conversões religiosas que funcionam motivadas pelo desejo de cura ou pelo medo de sofrimento. Não se trata de uma psicologização da atividade de desobsessão, com a introdução de teorias e técnicas não referendadas pelos espíritos desencarnados, ou que pareçam incompatíveis com o espiritismo, nem de uma substituição de conteúdos, mas de ampliação e maior alcance do trabalho de cura e erradicação da obsessão.
Aparelhar as instituições espíritas para a constituição de núcleos de atendimento terapêutico será uma árdua tarefa, visto que ainda não há total claridade sobre sua necessidade por parte daqueles que dirigem as instituições espíritas. Há algo que tornará o tempo menor, pois a demanda por esse tipo de serviço aumenta, portanto, a pressão pelo surgimento será cada vez maior. F I M

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Ampliaçao da desobsessão

  • 1. AMPLIAÇÃO DA DESOBSESSÃO REVISTA LITERÁRIA ESPÍRITA DELFOS ANO IX – EDIÇÃO 01 – Nº 33 AUTOR: ADENÁUER NOVAES PÁGINAS 10,11,12 E 13 Formatação: Castro Neto Música: When I Fall In Love Clique para cada quadro
  • 2. Um dos principais objetivos da reunião mediúnica de desobsessão é o esclarecimento a espíritos desencarnados e,consequentemente, a prevenção, cura ou solução das obsessões contra os encarnados. Os Centros Espíritas, em sua maioria, são especialistas nessa tarefa, realizando um imprescindível trabalho para o equilíbrio psíquico da sociedade em que estão inseridos. Pessoas esforçadas e dedicadas nesse mister se doam no trabalho de erradicação das obsessões, num propósito contínuo, persistente e sutil, que exige, além de estudo constante da Doutrina Espírita, experiência por parte daqueles que lidam com a questão, sobretudo no que diz respeito aos processos psicológicos que ocorrem. Mentes despreparadas podem se desequilibrar ou mesmo permanecer aprisionadas, por muito tempo, na mesma atividade, sem alcançar patamares evolutivos melhores.
  • 3. O trabalho em si, repetitivo, não é suficiente para elevar o ser humano, pois apenas se lida com os processos dos outros. Para evoluir, o ser humano necessita lidar com seus próprios processos, bem como envolver-se afetivamente para solução de seus conflitos. No que diz respeito à orientação aos desencarnados em desequilíbrio, não basta, ou talvez não se deva tentar doutrinar para que aceitem os princípios cristãos. Da mesma maneira, a obtenção imediata do perdão aos possíveis adversários encarnados nem sempre é a melhor opção, pois, muitas vezes, é necessário que se ofereçam outros instrumentos que permitam a efetiva transformação dos envolvidos.
  • 4. Penetrar na história do indivíduo, identificar suas emoções, analisar os pontos vulneráveis de sua personalidade e os processos não resolvidos, bem como colocar-se em seu lugar (empatia), são atitudes imprescindíveis antes de se propor qualquer caminho. A evangelização das pessoas é uma proposta coletiva, isto é, dirigida a todos, que convida o ser humano a refletir sobre a necessidade de iniciar seu processo de autotransformação. Quando se parte para o diálogo direto com o outro, cujo momento é de agressividade, ou de depressão, ou de culpa, ou de confusão mental, ou de outro tipo de crise, a conversa deve ser de esclarecimento para tomada de consciência do próprio processo do indivíduo.
  • 5. Deve-se tentar penetrar na alma do outro, sem a tentativa de conhecimento a crenças religiosas, que, na maioria dos casos, não são alcançadas pelo outro. Deve-se evitar a tentativa de conversão religiosa, buscando-se levar o outro à consciência de si mesmo e de como entender seu processo, para que ele mesmo encontre alternativas de solução. Isso não quer dizer que a mensagem religiosa seja desnecessária, pois seu conteúdo é a base moral do processo de transformação humana. O que se deve evitar é a tentativa de conversão pelo convencimento à simples aceitação de chavões religiosos, presentes em frases-feitas e convencionais.
  • 6. O conhecimento em terapia deve ser adquirido por aqueles que se propõem ao trabalho de desobsessão, em favor deles mesmos. Os encarnados, operadores das reuniões mediúnicas, devem buscar especialização em terapia psicológica, não só para a compreensão de seus próprios processos na atual encarnação, como também para melhor possibilidade de auxílio aos desencarnados. Assim como estimula, no diálogo esclarecedor, a catarse dos desencarnados, aquele que trabalha com desobsessão deve também procurar auxílio para desabafar ou confessar suas culpas, medos, equívocos, ou questões pessoais não resolvidas nas experiências em curso .
  • 7. O conhecimento espírita, bem como a experiência de vida, por maiores que sejam, não são suficientes para a complexidade do que se pretende alcançar. No Espiritismo deve-se pugnar por levar seus praticantes à consciência da autotransformação. Os adeptos da Doutrina Espírita, impulsionados por aqueles que dirigem as instituições, devem desenvolver o sentido da ampliação da consciência e não apenas a devoção salvacionista, típica dos movimentos religiosos coletivos. A autotransformação deverá levar o indivíduo à consciência de que é um espírito imortal, a realizar-se como pessoa no mundo, a relacionar-se afetivamente, a construir sua independência a partir de um trabalho remunerado, ao exercício da cidadania, dentre outras experiências típicas da vida humana.
  • 8. A terapia, chamada de Terapia do Espírito, fundamentar-se-á no tripé: aquisição da autodeterminação ( domínio sobre sua existência como espírito eterno), aquisição do saber ( conhecimento do funcionamento do Universo) e realização do inconsciente ( inclui o respeito à vida institiva). A meta será a construção de um estado de felicidade permanente. Da mesma forma que o trabalhador da desobsessão deve se preparar psicologicamente para a tarefa, colocando-se como sujeito a se trabalhar interiormente, o mesmo deve ser proposto ao encarnado, obsidiado ou não, que procure uma instituição espírita. O encarnado deve ser encaminhado à terapia psicológica com base em princípios espirituais, que levem o indivíduo a um reposicionamento de sua vida atual, considerando-se um espírito imortal.
  • 9. Sem uma terapia que leve o indivíduo a avaliar suas relações afetivas (principalmente em família), sua aquisição intelectual na atual em carnação, sua experiência religiosa, sua realização profissional, sua vida financeira (relação com dinheiro), sua participação política (exercício da cidadania), sua vida amorosa, dentre outros aspectos relativos aos conflitos comuns de casa pessoa, a desobsessão, bem como o esclarecimento ao encarnado e o aprimoramento do trabalhador espírita terão sido incompletos. Quem trabalha com desobsessão deve analisar detidamente as dimensões mais importantes de sua existência. Uma família equilibrada tem a participação efetiva de seus membros, sem a doutrinação característica do ambiente religioso. A vida intelectual deve contemplar a aquisição de conhecimentos da vida humana, principalmente o acesso a uma universidade.
  • 10. A experiência religiosa contempla a forma como o indivíduo buscou a religião. Muitas vezes se deveu à procura da cura da própria doença, sem a inclinação natural para a religiosidade espontânea. A realização profissional diz respeito ao exercício de uma atividade remunerada, surgido no desejo de auto-realização pelo trabalho numa profissão.
  • 11. A relação com o dinheiro diz respeito ao uso e às relações de troca, isto é, como se gasta o que se ganha, verificando-se se há excesso de economia ou gasto demasiado com o supérfluo. A cidadania diz respeito à vida comunitária, ao cumprimento das obrigações sociais, das responsabilidades de quem vive numa comunidade, das regras comuns de convivência civilizada. A vida amorosa diz respeito aos sentimentos de amor e seu desenvolvimento e construção a serviço da evolução da pessoa.
  • 12. Essas reflexões podem ser feitas a partir de grupos constituídos exclusivamente para os trabalhadores de instituição, conduzidos por pessoas preparadas, voltadas prioritariamente para essa atividade. Isso significa que as instituições espirituais deveriam de ocupar em preparar um setor ou núcleo de atendimento terapêutico adequado para esse mister. Com pessoas preparadas, com organizações e atribuições bem definidas, com trabalho em equipe, envolvendo toda a instituição tem-se eficiência na atividade que se pretende. Tal núcleo atenderia, com propostas distintas, trabalhadores da instituição e todos aqueles que, após passarem por triagem, merecem atendimento terapêutico. Em paralelo ao trabalho dos espíritos desencarnados que se dedicam à desobsessão e em contribuição ao esclarecimento que se oferece ao encarnado, a terapia psicológica viria a dar mais consistência ao processo de evolução daqueles que buscam a instituição espírita.
  • 13. A análise, no entanto, deve ser mais profunda considerando-se o caráter evolutivo de que se reveste o Espiritismo. Que seria da medicina em sua tarefa de curar as doenças se não se introduzissem novas técnicas baseadas em conhecimentos mais amplos e novos paradigmas? Tudo isso quer dizer que o indivíduo que trabalha com desobsessão, tanto quanto o obsidiado que deseja cura, devem analisar o curso de sua encarnação, para que não se confie em conversões religiosas que funcionam motivadas pelo desejo de cura ou pelo medo de sofrimento. Não se trata de uma psicologização da atividade de desobsessão, com a introdução de teorias e técnicas não referendadas pelos espíritos desencarnados, ou que pareçam incompatíveis com o espiritismo, nem de uma substituição de conteúdos, mas de ampliação e maior alcance do trabalho de cura e erradicação da obsessão.
  • 14. Aparelhar as instituições espíritas para a constituição de núcleos de atendimento terapêutico será uma árdua tarefa, visto que ainda não há total claridade sobre sua necessidade por parte daqueles que dirigem as instituições espíritas. Há algo que tornará o tempo menor, pois a demanda por esse tipo de serviço aumenta, portanto, a pressão pelo surgimento será cada vez maior. F I M