A Reforma Católica
Sessão durante o Concílio de Trento, pintura de Paolo Farinatis, 1563.
TheJ.PaulGettyMuseum
Reforma ou Contrarreforma?
- Reforma Católica é o termo
utilizado pelos historiadores
que entendem o processo
como uma renovação
eclesiástica e doutrinária da
Igreja.
- Contrarreforma é o termo
utilizado pelos historiadores
que destacam a reação da
Igreja diante das novas
religiões protestantes.
NationalGallery,Londres
Adoração do nome de Jesus, têmpera
sobre madeira El Greco, 1578.
Concílio de Trento (1545-1563)
- Concílio convocado pelo papa
Paulo III para discutir as
necessidades de reforma da
Igreja e sua posição perante as
novas religiões protestantes.
- O concílio tinha como premissa
restaurar a disciplina eclesiástica,
corrigindo a conduta do clero e
dos cristãos.
- O concílio concluiu que a
salvação humana depende tanto
da Graça Divina (alcançada por
meio da fé) quanto pelos feitos
dos homens. Porém, apenas os
feitos sem a dedicação da fé não
poderiam garantir a salvação.
TheInternationalFineArtAuctioneers,Inglaterra
Primeiro capítulo da 25ª sessão do concílio de Trento,
óleo sobre tela de artista desconhecido,1630.
As principais resoluções do concílio de Trento
foram:
 Manutenção do latim como língua litúrgica e
dos escritos oficiais da Igreja.
 Reafirmação da infalibilidade do papa.
 Reafirmação dos sete sacramentos (batismo,
confirmação ou crisma, eucaristia, matrimônio,
penitência, ordenação e extrema unção).
 Reafirmação da validade dos santos.
 Manutenção das imagens nas igrejas.
 Reafirmação da prática das indulgências (que
no entanto não poderiam ser vendidas).
 Criação do index prohibitorum (lista de livros
proibidos).
 Desaprovação da venda de cargos eclesiásticos.
 Proibição da interpretação pessoal das
escrituras. A interpretação cabia exclusivamente
ao clero, no papel de intermediários de Deus.
Página de rosto de uma
edição parisiense de 1875
dos decretos editados no
Concílio de Trento.
ColeçãoLívioXavier,UNESP,SãoPaulo.
Outras medidas da Reforma Católica
O papa Paulo III recebe
representantes da Companhia de
Jesus, 1540. Gravura do século XVI.
BibliotecaNacional,Paris.
- Criação da Companhia de Jesus (1534)
 Atuação missionária na América,
África e Ásia.
 Possuíam rígida doutrina e
organização semelhante à militar.
 Forte ação educativa por meio de
colégios.
- Reinstituição dos Tribunais do Santo
Ofício (Inquisição)
 Órgão responsável por julgar atos dos
católicos considerados contrários à fé.
 Estados monárquicos católicos
promoveriam a punição dos culpados,
com prisões, degredos e execuções.
Auto de fé na Plaza Mayor em
Madrid. Óleo sobre tela de
Francisco Rizi, 1683
MuseodelPrado,Madrid.
Influências da Reforma Católica na cultura
Êxtase de Santa Teresa, escultura em mármore
de Gian Lorenzo Bernini, 1645-1652. Esta obra é
um dos mais belos exemplos da representação
da fé cristã por meio da arte barroca.
BibliotecaNacional,Paris.
- Condenação de algumas festas
populares de origem ou com algum
simbolismo pagão, como o
Carnaval.
- Expressão da fé por meio de
obras artísticas com grande teor de
dramaticidade (arte barroca).
A Igreja e as Monarquias
A Catedral Metropolitana da Cidade do
México é um dos símbolos da colonização
mexicana. Sua imponente construção,
ostentando o poder espanhol, só foi
possível graças ao Padroado Real.
Arturoosorno/Dreamstime.com
- Perda do poder da Igreja diante das
monarquias europeias desde o fim da
Idade Média.
- Alguns monarcas espanhóis
conseguiram o direito de nomear bispos.
- Padroado Real
 Reis controlavam toda a
administração eclesiástica de suas
colônias.
 Podiam nomear todos os cargos
clericais.
 Podiam fundar paróquias.
 Eram responsáveis pela
construção de igrejas e catedrais.
 Tinham o direito de recolher
dízimos e impostos clericais.
 Decisões papais só tinham efeito
nas colônias após aprovação do Rei.
União das Coroas Ibéricas
Única representação conhecida da Batalha
de Alcácer-Quibir, Miguel Leitão de Andrade
na obra Miscelânea, 1629.
GlasgowMuseumsandArtGalleries
- Ligação entre as casas reais
espanhola e portuguesa por meio de
política de casamentos.
- Morte de D. Sebastião na batalha
de Alcácer-Quibir (1578). Não deixa
herdeiros.
- Felipe II, monarca espanhol,
apoiado por parte da nobreza
lusitana, é coroado rei português.
- O império espanhol se torna vasto,
presente em 4 continentes e 3
oceanos.
- Resistências portuguesa à união
das coroas.
Retrato de Felipe
II, óleo sobre tela
de Alonso Sánchez
Coello, 1570.
MuseudoFortedaPontadaBandeira,Lagos
Guerras de Religião – França
Noite de São Bartolomeu, óleo sobre tela de
François Dubois, c. 1576.
- Perseguição dos huguenotes
(calvinistas franceses) por parte da
monarquia.
- Crescente influência dos
huguenotes sobre a nobreza
francesa.
- Perseguições aos protestantes
culminam na sangrenta Noite de
São Bartolomeu (1572).
- Henrique IV, huguenote, coroado
rei, é obrigado a renegar o
protestantismo.
- Tentativa de diminuição da
violência com o édito de Nantes
(1598), que permitia práticas
protestantes com algumas
restrições.
MuseuCantonal,Lausanne,Suíça
Guerras de Religião – Inglaterra
NationalPortraitGallery,Londres
- Disputas religiosas na casa real
inglesa (Maria I, católica, e Elizabeth I,
anglicana).
- Oposição de muitos grupos religiosos
à monarquia anglicana de Elizabeth:
católicos, puritanos e presbiterianos.
- Conflitos na Irlanda e Escócia gerados
pelos católicos (recusantes), apoiados
militarmente pela Espanha.
- Aumento das tensões com
intensificação das perseguições
promovidas pela coroa e com execução
de penas mais severas para os que não
seguiam os cultos anglicanos.
Retrato de Elizabeth I, óleo sobre
tela de artista desconhecido, 1575.
Guerras de Religião – Península Ibérica
- Pouca influência de grupos protestantes
na Península. Os “inimigos” católicos na
região eram os judeus e os muçulmanos.
- Obrigatoriedade de conversão ao
catolicismos e expulsões do reino.
- Guerra de Granada (1568-1570), gerada
pela resistência muçulmana, esmagada
pelas forças católicas.
- Forte perseguição aos judeus, obrigados
a se converterem (cristão novos).
- Entre os cristãos novos diferenciavam-se
os conversos (que teriam adotado
verdadeiramente o catolicismo) e os
marranos (que praticava apenas
exteriormente o catolicismo, mantendo
as práticas judaicas).
Expulsão dos judeus da Espanha,
litogravura colorida de Solomon Alexander
Hart, século XIX.
ColeçãoParticular

A reforma católica

  • 1.
    A Reforma Católica Sessãodurante o Concílio de Trento, pintura de Paolo Farinatis, 1563. TheJ.PaulGettyMuseum
  • 2.
    Reforma ou Contrarreforma? -Reforma Católica é o termo utilizado pelos historiadores que entendem o processo como uma renovação eclesiástica e doutrinária da Igreja. - Contrarreforma é o termo utilizado pelos historiadores que destacam a reação da Igreja diante das novas religiões protestantes. NationalGallery,Londres Adoração do nome de Jesus, têmpera sobre madeira El Greco, 1578.
  • 3.
    Concílio de Trento(1545-1563) - Concílio convocado pelo papa Paulo III para discutir as necessidades de reforma da Igreja e sua posição perante as novas religiões protestantes. - O concílio tinha como premissa restaurar a disciplina eclesiástica, corrigindo a conduta do clero e dos cristãos. - O concílio concluiu que a salvação humana depende tanto da Graça Divina (alcançada por meio da fé) quanto pelos feitos dos homens. Porém, apenas os feitos sem a dedicação da fé não poderiam garantir a salvação. TheInternationalFineArtAuctioneers,Inglaterra Primeiro capítulo da 25ª sessão do concílio de Trento, óleo sobre tela de artista desconhecido,1630.
  • 4.
    As principais resoluçõesdo concílio de Trento foram:  Manutenção do latim como língua litúrgica e dos escritos oficiais da Igreja.  Reafirmação da infalibilidade do papa.  Reafirmação dos sete sacramentos (batismo, confirmação ou crisma, eucaristia, matrimônio, penitência, ordenação e extrema unção).  Reafirmação da validade dos santos.  Manutenção das imagens nas igrejas.  Reafirmação da prática das indulgências (que no entanto não poderiam ser vendidas).  Criação do index prohibitorum (lista de livros proibidos).  Desaprovação da venda de cargos eclesiásticos.  Proibição da interpretação pessoal das escrituras. A interpretação cabia exclusivamente ao clero, no papel de intermediários de Deus. Página de rosto de uma edição parisiense de 1875 dos decretos editados no Concílio de Trento. ColeçãoLívioXavier,UNESP,SãoPaulo.
  • 5.
    Outras medidas daReforma Católica O papa Paulo III recebe representantes da Companhia de Jesus, 1540. Gravura do século XVI. BibliotecaNacional,Paris. - Criação da Companhia de Jesus (1534)  Atuação missionária na América, África e Ásia.  Possuíam rígida doutrina e organização semelhante à militar.  Forte ação educativa por meio de colégios. - Reinstituição dos Tribunais do Santo Ofício (Inquisição)  Órgão responsável por julgar atos dos católicos considerados contrários à fé.  Estados monárquicos católicos promoveriam a punição dos culpados, com prisões, degredos e execuções. Auto de fé na Plaza Mayor em Madrid. Óleo sobre tela de Francisco Rizi, 1683 MuseodelPrado,Madrid.
  • 6.
    Influências da ReformaCatólica na cultura Êxtase de Santa Teresa, escultura em mármore de Gian Lorenzo Bernini, 1645-1652. Esta obra é um dos mais belos exemplos da representação da fé cristã por meio da arte barroca. BibliotecaNacional,Paris. - Condenação de algumas festas populares de origem ou com algum simbolismo pagão, como o Carnaval. - Expressão da fé por meio de obras artísticas com grande teor de dramaticidade (arte barroca).
  • 7.
    A Igreja eas Monarquias A Catedral Metropolitana da Cidade do México é um dos símbolos da colonização mexicana. Sua imponente construção, ostentando o poder espanhol, só foi possível graças ao Padroado Real. Arturoosorno/Dreamstime.com - Perda do poder da Igreja diante das monarquias europeias desde o fim da Idade Média. - Alguns monarcas espanhóis conseguiram o direito de nomear bispos. - Padroado Real  Reis controlavam toda a administração eclesiástica de suas colônias.  Podiam nomear todos os cargos clericais.  Podiam fundar paróquias.  Eram responsáveis pela construção de igrejas e catedrais.  Tinham o direito de recolher dízimos e impostos clericais.  Decisões papais só tinham efeito nas colônias após aprovação do Rei.
  • 8.
    União das CoroasIbéricas Única representação conhecida da Batalha de Alcácer-Quibir, Miguel Leitão de Andrade na obra Miscelânea, 1629. GlasgowMuseumsandArtGalleries - Ligação entre as casas reais espanhola e portuguesa por meio de política de casamentos. - Morte de D. Sebastião na batalha de Alcácer-Quibir (1578). Não deixa herdeiros. - Felipe II, monarca espanhol, apoiado por parte da nobreza lusitana, é coroado rei português. - O império espanhol se torna vasto, presente em 4 continentes e 3 oceanos. - Resistências portuguesa à união das coroas. Retrato de Felipe II, óleo sobre tela de Alonso Sánchez Coello, 1570. MuseudoFortedaPontadaBandeira,Lagos
  • 9.
    Guerras de Religião– França Noite de São Bartolomeu, óleo sobre tela de François Dubois, c. 1576. - Perseguição dos huguenotes (calvinistas franceses) por parte da monarquia. - Crescente influência dos huguenotes sobre a nobreza francesa. - Perseguições aos protestantes culminam na sangrenta Noite de São Bartolomeu (1572). - Henrique IV, huguenote, coroado rei, é obrigado a renegar o protestantismo. - Tentativa de diminuição da violência com o édito de Nantes (1598), que permitia práticas protestantes com algumas restrições. MuseuCantonal,Lausanne,Suíça
  • 10.
    Guerras de Religião– Inglaterra NationalPortraitGallery,Londres - Disputas religiosas na casa real inglesa (Maria I, católica, e Elizabeth I, anglicana). - Oposição de muitos grupos religiosos à monarquia anglicana de Elizabeth: católicos, puritanos e presbiterianos. - Conflitos na Irlanda e Escócia gerados pelos católicos (recusantes), apoiados militarmente pela Espanha. - Aumento das tensões com intensificação das perseguições promovidas pela coroa e com execução de penas mais severas para os que não seguiam os cultos anglicanos. Retrato de Elizabeth I, óleo sobre tela de artista desconhecido, 1575.
  • 11.
    Guerras de Religião– Península Ibérica - Pouca influência de grupos protestantes na Península. Os “inimigos” católicos na região eram os judeus e os muçulmanos. - Obrigatoriedade de conversão ao catolicismos e expulsões do reino. - Guerra de Granada (1568-1570), gerada pela resistência muçulmana, esmagada pelas forças católicas. - Forte perseguição aos judeus, obrigados a se converterem (cristão novos). - Entre os cristãos novos diferenciavam-se os conversos (que teriam adotado verdadeiramente o catolicismo) e os marranos (que praticava apenas exteriormente o catolicismo, mantendo as práticas judaicas). Expulsão dos judeus da Espanha, litogravura colorida de Solomon Alexander Hart, século XIX. ColeçãoParticular