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A poética do
espaço
GASTON
BACHELARD
ESSENCIAL
Notas iniciais
Tradução: Antonio de Pádua Danesi
Editora Martins Fontes
2008.
“Gasto Bachelard (1884-1962), filósofo,
epistemólogo e crítico literário, nasceu em
Bar-sur-Aube, na Champagne.
Formou-se em matemática em 1912 e foi
professor de física e química em liceus por
dez anos. Durante esse período converte-
se à filosofia; ganha o título de agregé em
1922 e torna-se doutor em 1927.
Foi professor de filosofia na Faculdade de
Letras de Dijon e depois na Sorbonne
(cadeira de história e filosofia das
ciências). Foi também diretor do Instituto
de História das Ciências e Técnicas.”
Introdução
O fauvismo está no interior. Portanto, tal pintura é um
fenômeno da alma. A obra deve redimir uma alma
apaixonada.
A poesia é um compromisso da alma.
O espírito pode relaxar-se; mas no devaneio poético a alma está
de vigília, sem tensão, repousada e ativa.
Para fazer um poema completo, bem estruturado, será preciso
que o espírito o prefigure em projetos. Mas para uma simples
imagem poética não há projeto, não lhe é necessário mais que um
movimento da alma.
A exuberância e a profundidade de um poema são sempre
fenômenos do par ressonância-repercussão. É como se,
com sua exuberância, o poema reanimasse profundezas em
nosso ser.
Na ressonância ouvimos o poema; na repercussão o
falamos, ele é nosso.
Trata-se de determinar pela repercussão de uma única imagem
poética, um verdadeiro despertar da criação poética na alma do
leitor.
Introdução
A imagem que a leitura de um poema nos
oferece torna-se realmente nossa. Enraíza-
se em nós mesmos. Nós a recebemos, mas
sentimos a impressão de que teríamos
podido criá-la, de que deveríamos tê-la
criado.
Por uma fatalidade de método, o
psicanalista intelectualiza a imagem.
Introdução
Considerada na transmissão de uma alma
para outra, uma imagem poética foge às
pesquisas de causalidade.
As doutrinas timidamente causais como a
psicologia, ou fortemente causais, como a
psicanálise, não podem determinar a
ontologia do poético.
Nada prepara uma imagem poética: nem a
cultura, no modo literário, nem a percepção,
no modo psicológico.
Introdução
O verdadeiro fenomenólogo deve ser
sistematicamente modesto.
Seria falta de modéstia de nossa parte
assumir pessoalmente uma posição
organizada e completa referente ao poema
como um todo.
Introdução
Nós, acostumados a leitura feliz, só relemos
aquilo que nos agrada, com um pequeno
orgulho de leitura mesclado de muito
entusiasmo.
Ninguém sabe que na leitura revivemos
nossas tentações de ser poeta.
Todo leitor um pouco apaixonado pela leitura
alimenta e recalca, pela leitura, um desejo
de ser escritor.
Introdução
Todo leitor que relê uma obra que ama sabe
que as páginas amadas lhe dizem respeito.
A simpatia de leitura é inseparável da
admiração.
O bem dizer é um elemento do bem viver.
Introdução
Um grande verso pode ter grande influência na alma de
uma língua. Ele desperta imagens apagadas. E ao mesmo
tempo sanciona a imprevisibilidade da palavra.
Tornar imprevisível a palavra não será uma grande
aprendizagem de liberdade?
Antigamente as Artes Poéticas codificavam as licenças.
Mas a poesia contemporânea colocou a liberdade no
próprio corpo da linguagem. A poesia surge então como
um fenômeno de liberdade.
Introdução
A imagem poética está sob o signo de um
novo ser. Esse novo ser é o homem feliz.
O psicanalista vê, mostra os sofrimentos
secretos do poeta. Explica a flor pelo adubo.
A poesia tem uma felicidade que lhe é
própria, independentemente do drama que
ela seja levada a ilustrar.
Introdução
Por princípio, a fenomenologia liquida um
passado e encara a novidade.
“É preciso que o saber seja acompanhado
de um igual esquecimento do saber. O não-
saber não é uma ignorância, mas um ato
difícil de superação do conhecimento”
Jean Lescure sobre a obra do pintor Lapicque.
Introdução
A arte é uma reduplicação da vida, uma
espécie de emulação nas surpresas que
excitam a nossa consciência e a impedem
de cair no sono.
“O artista não cria como vive, mas vive como
cria.”
Jean Lescure
Introdução
Pretendemos examinar as imagens do
espaço feliz... Poderiam ser chamados de
topofilia.
É um espaço vivido, espaços louvados.
Quase sempre ele atrai.
Introdução
Cap. 1 – A casa do porão ao sótão,
o sentido da cabana
O fenomenólogo faz o esforço necessário para compreender o germe da
felicidade central, segura, imediata.
Encontrar a concha inicial em toda moradia, no próprio castelo – é sua
tarefa.
A casa é nosso canto no mundo, nosso primeiro universo.
Vista intimamente, a humilde moradia não é bela?
Todo espaço realmente habitado traz a essência da noção de casa.
O ser abrigado sensibiliza os limites do seu abrigo.
Os verdadeiros bem-estares tem um passado.
Nunca somos verdadeiros historiadores; somos sempre um pouco poetas,
e nossa emoção talvez não expresse mais que a poesia perdida.
Cap. 1 – A casa do porão ao sótão,
o sentido da cabana
A casa permite sonhar em paz.
É exatamente porque as lembranças das antigas moradas são revividas como
devaneios que as moradas do passado são imperecíveis dentro de nós.
A casa é uma das maiores forças de integração para os pensamentos, as
lembranças e os sonhos dos homens.
Sem ela o homem seria um ser disperso.
Em nossos devaneios ela é um grande berço.
A vida começa bem, começa fechada, protegida, agasalhada no regaço da casa.
Quando se sonha com a casa natal, na extrema profundeza do devaneio,
participa-se desse calor inicial, dessa matéria bem temperada do paraíso
material.
A topoanálise seria o estudo psicológico sistemático dos locais de nossa vida
íntima.
Em seus mil alvéolos, o espaço retém o tempo comprimido. É essa a função do
espaço.
Cap. 1 – A casa do porão ao sótão,
o sentido da cabana
O calendário de nossa vida só pode ser estabelecido em seu processo produtor
de imagens.
É preciso desassociar nossas grandes lembranças e atingir o plano dos
devaneios que vivenciávamos nos espaços de nossas solidões.
Para tais indagações os devaneios são mais úteis que os sonhos.
É pelo espaço, é no espaço que encontramos os belos fósseis de duração
concretizados por longas permanências.
Mais urgente que a determinação de datas é, para o conhecimento da intimidade,
a localização nos espaços da nossa intimidade.
Na verdade, as paixões cozinham e recoziam na solidão. É encerrado em sua
solidão que o ser de paixão prepara suas explosões ou seus feitos
Esses espaços de sua solidão são constitutivos.
Mesmo quando eles estão para sempre riscados do presente, doravante
estranhos a toda promessa de futuro, mesmo quando não se tem o sótão ,
mesmo quando se perdeu a mansarda, ficará para sempre o fato de que se
amou um sótão, de que se viveu numa mansarda.
Cap. 1 – A casa do porão ao sótão,
o sentido da cabana
Mas agora, na lembrança reencontrada pelo devaneio, não sabemos por qual
sincretismo a mansarda é pequena e grande, quente e fresca, sempre
reconfortante.
Observávamos que o inconsciente está alojado... Alojado no espaço de sua
felicidade.
Que lindo objeto dinâmico é um caminho!
Que pode haver de mais belo que um caminho? É o símbolo e a imagemda vida
ativa e variada. - Geroge Sand – Consuelo II pg 116
Toda pessoa deveria então falar de suas estradas, de suas encruzilhadas, de seu
bancos. Toda pessoa deveria fazer o cadastro de seus campos perdidos.
O espaço convida à ação.
Não há intimidade verdadeira que repila. Todos os espaços de intimidade
designam-se por uma atração.
A palavra de um poeta, tocando o ponto exato, abala as camadas profundas do
nosso ser.
Cap. 1 – A casa do porão ao sótão,
o sentido da cabana
A casa natal gravou em nós a hierarquia das diversas funções de habitar. Somos
o diagrama das funções de habitar aquela casa; e todas as outras não passam
de variações de um tema fundamental.
A infância é certamente maior que a realidade.
É no plano do devaneio, e não no plano dos fatos, que a infância permanece em
nós viva e poeticamente útil.
Feliz a criança que possuir, que realmente possuiu as suas solidões. É bom, é
saudável que uma crianças tenha suas horas de tédio, que conheça a dialética
do brinquedo exagerado e dos tédios sem causa, do tédio puro.
A casa é um corpo de imagens que dão ao homem razões ou ilusões de
estabilidade.
No porão há trevas dia e noite.
Que nos aconselha a atitude fenomenológica? Pede para instituir em nós um
orgulho de leitura que nos dará a ilusão de participar do próprio trabalho do
escritor.
Cap. 1 – A casa do porão ao sótão,
o sentido da cabana
Os elevadores destroem o heroísmo das escadas.
Yvonne Caroutch ouve a aurora citadina quando a cidade tem “rumores de
conchas vazias”. Essa imagem me ajuda, ser madrugador que sou, a acordar
suavemente, naturalmente. Todas as imagens são boas desde que saibamos nos
servir delas.
O eremita está só diante de Deus. A cabana do eremita é o antitipo do mosteiro.
A cabana não pode receber a menor riqueza deste mundo. Tem uma feliz
intensidade de pobreza. A caba na do eremita é uma glória da pobreza. De
despojamento em despojamento, ela nos dá acesso ao absoluto do refúgio.
É preciso avançar na idade para conquistar a juventude, para livrá-la dos
entraves, para viver segundo seu impulso inicial.
Cap. 1 – A casa do porão ao sótão,
o sentido da cabana
A lâmpada é o signo de uma grande espera. Pela luz da casa distante, a casa vê,
vela, vigia, espera.
Uma lâmpada acesa atrás da janela
Vela no coração secreto da noite
- Chrstiane Barucos, ‘Anteé’.
Por sua luz, a casa é humana.
Por mais cósmica que se torne a casa isolada iluminada pela estrela de sua
lâmpada, ela se impõe sempre como uma solidão.
Cap. 1 – A casa do porão ao sótão,
o sentido da cabana
Cap. 2
A casa e o universo.
O inverno evocado é um reforço da felicidade de habitar.
No reino da imaginação, o inverno relembrado aumenta o valor de habitação da
casa.
Do inverno, a casa recebe reservas de intimidade, delicadezas de intimidade.
Um pequeno filamento animal vive no menor dos ódios.
O cosmos forma o homem, transforma o um homem das colinas em um homem da
ilha e do rio. A casa remodela o homem.
Eu gostaria de habitar nas casas como as que se veem nas gravuras. A casa rústica,
a casa feita com madeira talhada, atraí-me ainda mais.
Quanto mais simples a casa gravada, mais ela trabalha a minha imaginação de
habitar.
Uma imensa casa cósmica existe potencialmente em todo sonho de casa.
Todo ser intensamente terrestre – e a casa é um ser intensamente terrestre –
registra apesar disso os apelos de um mundo aéreo, de um mundo celeste.
Cap. 2
A casa e o universo.
Estranha situação: os espaços amados nem sempre querem ficar fechados! Eles
se desdobram.
“Onde foi que vos perdi, minhas imagens pisoteadas?” – André de Richaud, Le
droit d’asile.
O terreno em que o acaso semeou a planta humana, nada era. E nesse fundo do
nada crescem os valores humanos!
No entardecer da vida, com uma coragem invencível, dizemos ainda: o que ainda
não fizemos será feito. Construiremos a casa.
Talvez seja bom guardarmos alguns sonhos para uma casa que habitaremos
mais tarde, sempre mais tarde, tão tarde que não teremos tempo para construí-
la.
Cap. 2
A casa e o universo.
Cap. 2 – Casa e universo
George Sand diz que se pode classificar os homens segundo seu anseio de
viver numa choupana ou num palácio.
...o poeta conta como a choupana irradia a humanidade, a fraternidade
camponesa. Essa casa-pomba é uma arca acolhedora.
Que alegria de leitura quando se reconhece a importância das coisas
insignificantes!
No reino dos valores, a chave fecha mais do que abre. A maçaneta abre mais do
que fecha. E o gesto que fecha é sempre mais nítido, mais forte, mais rápido que
o gesto que abre.
Cap. 2
A casa e o universo.
Cap. 3
A gaveta, os cofres e os armários.
Cap. 3
A gaveta, os cofres e os armários.
Passo sempre por um pequeno choque, um pequeno sofrimento de linguagem
quando um grande escritor toma uma palavra em sentido pejorativo. Em primeiro
lugar, todas as palavras, cumprem honestamente o seu ofício na linguagem
cotidiana.
... (na) comparação entre metáfora e imagem, compreenderemos que a metáfora
não pode ser objeto de um estudo fenomenológico. Não vale a pena. Ela carece
de valor fenomenológico. É, quando muito, uma imagem fabricada, sem raízes
profundas, verdadeiras, reais. É uma expressão efêmera o que deveria ser
efêmera, empregada de passagem.
Ao contrário da metáfora, a uma imagem podemos dar o nosso ser de leitor; ela
é doadora de ser. A imagem, obra pura da imaginação absoluta, é um fenômeno
do ser, um dos fenômenos específicos do ser falante.
O conceito é um pensamento morto, já que é, por definição, pensamento
classificado.
Quando se pressente uma metáfora, é porque a imaginação está fora de
questão.
Cap. 3 – A gabeta, os cofres e os
armários.
Uma metáfora não deveria ser mais que um acidente da expressão, e é perigoso
transformá-la em pensamento. A metáfora é uma falsa imagem, já que não tem a
virtude direta de uma imagem produtora de expressão, formada no devaneio
falado.
Em francês, as grandes palavras, as palavras poeticamente dominadoras, tem
apenas duas sílabas.
As imagens são mais imperiosas que as ideias.
Poderíamos dizer que os escritores nos dão seu cofre para ler.
No cofre estão as coisas inesquecíveis; inesquecíveis para nós, mas também
para aqueles a quem daremos nos nossos tesouros. O passado, o presente, um
futuro, nele se condensam. E assim o cofre é a memória do imemorial.
No momento em que o cofre se abre não há mais dialética. O exterior já nada
significa. ...e as dimensões do volume não tem mais sentido porque uma nova
dimensão acaba de se abrir: a dimensão da intimidade.
Cap. 3
A gaveta, os cofres e os armários.
Cap. 3 – A gabeta, os cofres e os
armários.
Sempre haverá mais coisas num cofre fechado do que num cofre aberto. A
verificação faz as imagens morrerem. Imaginar sempre será maior que viver.
Quem enterra um tesouro enterra-se nele.
É preciso escutar os poetas.
Cap. 3
A gaveta, os cofres e os armários.
Cap. 4 – O ninhoCap. 4
O ninho
Cap. 4 – O ninho
Ninho branco, teus pássaros irão florir. – Robert Ganzo, L’oeuvre poétique.
Na felicidade física, o ser gosta de “recolher-se ao seu canto”.
Os homens sabem fazer tudo, menos ninhos do s pássaros – provérbio.
A fenomenologia filosófica do ninho começaria se pudéssemos reviver a ingênua
admiração com que outrora descobríamos um ninho... Descobrir um ninho leva-
nos de volta à nossa infância, a uma infância. A infâncias que deveríamos ter
tido.
O ninho vazio zomba do seu descobridor.
Hoje trago comigo uma alegria: os pássaros fizeram um ninho no meu jardim.
Nas imagens aproximadas do ninho e da casa repercute um componente íntimo
de fidelidade.
Se voltamos à velha casa como quem volta ao ninho, é porque as lembranças
são sonhos, é porque a casa do passado se transformou numa grande imagem,
a grande imagem das intimidades perdidas.
Cap. 4
O ninho
Cap. 4 – O ninho
Esse centro de vida animal é dissimulado no imenso volume de vida vegetal. O
ninho é um buquê de folas que canta. Participa da paz vegetal. É um ponto no
ambiente de felicidade das grandes árvores.
- Sonhei com um ninho em que as árvores repeliam a morte ... Sonhei com um
ninho em que os tempos não dormiam mais. – Adolphe Shedrou, Berceau
sans promesses.
Contemplando o ninho estamos na origem de uma confiança no mundo,
recebemos um aceno de confiança, um apelo à confiança cósmica. O pássaro
construiria seu ninho se não tivesse seu instinto de confiança no mundo?
O ninho e a casa onírica não conhecem a hostilidade do mundo.
O sonhador pode dizer: o mundo é o ninho do homem.
Cap. 4
O ninho
Cap. 5 – A conchaCap. 5
A concha
Cap. 5 – A concha
O fenomenólogo poderia ao menos aprender com o conquilionlogista se este lhe
confidenciasse seus primeiros espantos.
A vida desgasta rapidamente os primeiros espantos.
A melhor marca da admiração é o exagero.
Na imaginação, entrar e sair, nunca são imagens simétricas.
Gostaríamos de ver e temos medo de ver. Eis o limiar sensível de todo
conhecimento.
Quando o cinema acelera a floração de uma flor, temos uma sublime imagem de
oferenda.
Os lobos fechados em conchas são mais cruéis que os lobos errantes.
Até a época carolíngia, as sepulturas frequentemente contém conchas de caracol
– alegoria de um túmulo em que o homem vai ser despertado.
Cap. 5
A concha
Cap. 5 – A concha
Temos de nos perguntar como as mais simples imagens podem, em certos
devaneios ingênuos, alimentar uma tradição.
Na Natureza raramente estamos em terras do conhecimento. A cada passo
existe algo para humilhar e mortificar os Espíritos soberbos.
Das imagens gastas, nenhuma é mais gasta que a da concha-casa. É simples
demais para que possamos complicá-la com sucesso, velha demais para que
possamos rejuvenescê-la. Diz o que tem a dizer numa única palavra. Mas nem
por isso deixa de ser uma imagem inicial, e esta é uma imagem indestrutível.
Pertence ao indestrutível bazar de velharias da imaginação humana.
A natureza tem uma maneira muito simples de nos espantar: é fazer coisas
grandes.
Nada sei a respeito das realidades biológicas. Sou apenas um sonhador de
livros.
Cap. 5
A concha
Cap. 5 – A concha
- E se eu não tivesse este quartinho, este quarto profundo e secreto como uma
concha? Ah, os caracóis não sabem como são felizes! – Georges Duhamel,
Confession de minuit.
Estamos procurando multiplicar todas as nuanças dialéticas com as quais a
imaginação dá vida às imagens mais simples.
Para um oleiro e para um esmaltador, que grande objeto de meditação é a
concha!
Com os ninhos, com as conchas, multiplicamos, sob pena de fatigar a paciência
do leitor, as imagens que acreditamos ilustrar sob formas elementares, talvez
imaginadas demais, a função do habitar.
Também a sombra é uma habitação.
Cap. 5
A concha
Cap. 6 – Os cantosCap. 6
Os cantos
Cap. 6 – Os cantos
Acreditamos que todo retiro da alma tem figuras de refúgio.
O canto é um refúgio que nos assegura um primeiro valor do ser: a imobilidade.
É preciso designar o espaço da imobilidade fazendo dele o espaço do ser.
- Sou o espaço onde estou – Noël Arnaud – L’état d’ébauche.
O canto é a casa do ser.
- Que pensará de ti, durante as noites de inverno e abandono a velha lâmpada
amiga? Que pensarão de ti os objetos que te foram ternos, tão fraternalmente
ternos? Seu destino obscuro não estava estreitamente unido ao teu? ... As coisas
móveis e mudas jamais esquecem: melancólicas e desprezadas, elas recebem a
confidência daquilo que trazemos de mais humilde, de mais ignorado no fundo de
nós mesmos. – Michel Leiris, Biffures.
Cap. 6
Os cantos
Cap. 6 – Os cantos
Leonardo da Vinci aconselhava os pintores com falta de inspiração diante da
natureza a contemplarem com olhos sonhadores as fissuras de uma velha
parede.
Há ângulos de onde não se pode mais sair.
Cap. 6
Os cantos
Cap. 7 – A miniaturaCap. 7
As miniaturas
Cap. 7 – A miniatura
Para sair da prisão, todos os meios são bons.
É preciso ultrapassar a lógica para viver o que há de grande no pequeno.
É preciso, inicialmente, no trabalho científico, psicologicamente, digerir a
surpresa.
Pegar uma lupa é prestar atenção, mas prestar atenção já não será possuir uma
lupa? A atenção, por si só, é uma lente de aumento.
O ato do prestidigitador espanta e diverte. O ato do poeta faz sonhar. Não posso
viver e reviver o ato do primeiro. Mas a página do poeta me pertence, desde que
eu ame o devaneio.
Por que os atos da imaginação não haveriam de se tão reais quanto os atos da
percepção?
A enormidade do mundo é para mim apenas o emaranhamento das ondas
mundificadoras. A miniatura sinceramente vivenciada desprende-me do mundo
ambiente, ajuda-me a resistir à dissolução do ambiente.
De quantos devaneios no priva a leitura linear!
Cap. 7
As miniaturas
Cap. 7 – A miniatura
O conto é uma imagem que raciocina.
O poeta não repete contos da vovó. Ele não tem passado. Está num mundo
novo.
- Encontro-me de novo à mesa habitual
- Na terra cultivada
- Que dá o milho e os rebanhos
- Eu reencontrava os rostos ao meu redor
- Com os cheios e os vazios da verdade.
- . Jules Supervielle, Gravitations.
O poeta impede que a imagem se imobilize.
Em Supervielle percebemos que o mundo famiiar assume o novo relevo de uma
miniatura cósmica deslumbrante. Não sabíamos que o mundo familiar fosse tão
grande. O poeta mostrou-nos que o grande não é incompatível com o pequeno.
O longínquo forma miniaturas em todos os pontos do horizonte.
Cap. 7
As miniaturas
Cap. 7 – A miniatura
Quantos teoremas de topoanálise seria preciso elucidar para determinar todo o
trabalho do espaço em nós! A imagem não quer deixar-se medir. Por mais que
fale de espaço, ela muda de grandeza. O menor valor amplia-a, eleva-a,
multiplica-a. e o sonhador converte-se no ser da sua imagem. Absorve todo o
espaço da sua imagem. Ou então se confina na miniatura das suas imagens. É
em cada imagem que seria preciso determinar, como dizem os metafísicos,
nosso estar-aí, com o risco de às vezes encontrar em nós apenas uma miniatura
de ser.
Só podemos analisar fenomenologicamente imagens transmissíveis, imagens
que recebemos numa transmissão feliz.
De um modo geral, os fatos não explicam os valores.
- Ouve-se gorjearem as flores do biomboRené_Guy Cadou, Hélène ou le règne
végétal.
- ...Pois todas as flores falam, cantam, mesmo as que desenhamos. Não se
pode desenhar uma flor, um pássaro e permanecer taciturno.
É supérfluo que tais imagens sejam verdadeiras. Elas são. Tem o absoluto da
imagem.
Cap. 7
As miniaturas
Cap. 7 – A miniatura
- O cheiro do silêncio é tão velho... – O. W. de L. Milosz.
Ah, de quantos silêncios precisamos nos lembrar na vida que passa.
Nós, filósofos do adjetivo, estamos presos nos embaraços da dialética do
profundo e do grande; do infinitamente reduzido que aprofunda ou do grande que
se estende sem limite.
- Eu me ouvia fechando os olhos e reabrindo-os. – Loys Masson, Icare ou le
voyageur.
Todo sonhador solitário sabe que ouve de outra maneira quando fecha os olhos.
Para refletir, para escutar a voz interior, para escrever a frase central,
condensada, que diz o “fundo” do pensamento, quem nunca apertou fortemente
as pálpebras com os dedos? Então o ouvido sabe que os olhos estão fechados,
sabe que a responsabilidade do ser que pensa, que escreve, está nele. Poderá
relaxar quando a pessoa reabrir os olhos.
Cap. 7
As miniaturas
Cap. 7 – A miniatura
Acolhendo todos os documentos da fantasia e dos devaneios que gostam de
jogar com as palavras, com as impressões mais efêmeras, confessamos mais
uma vez nossa vontade permanecer superficial. Exploramos apenas a camada
mais fina das imagens nascentes. Sem dúvida, a imagem mais frágil, mais
inconsistente pode revelar vibrações profundas.
Cap. 7
As miniaturas
Cap. 8 – A imensidão íntimaCap. 8
A imensidão íntima
Cap. 8 – A imensidão íntima
- O mundo é grande, mas em nós ele é profundo como o mar. – Rilke.
A imensidão é uma categoria filosófica do devaneio.
O devaneio alimenta-se de espetáculos variados; mas por uma espécie de
inclinação inerente, ele contempla a grandeza. E a contemplação da grandeza
determina uma atitude tão especial, um estado de alma tão particular que o
devaneio coloca o sonhador fora do mundo próximo, diante de um mundo que
traz o signo do infinito.
Se pudéssemos analisar as impressões de imensidão, as imagens da imensidão
ou o que a imensidade traz a uma imagem, logo entraríamos numa região da
mais pura fenomenologia – uma fenomenologia sem fenômenos ou, para falar
menos paradoxalmente, uma fenomenologia que não precisa esperar que os
fenômenos da imaginação se constituam e se estabilizem em imagens completas
para conhecer o fluxo de produção da imagens. Noutras palavras, como o
imenso não é um objeto, uma fenomenologia do imenso nos remeteria sem
rodeios à nossa consciência imaginante.
A imensidão é o movimento do homem imóvel.
- Eu me crio com um traço de pena
Senhor do mundo,
Homem ilimitado Pierre Albert-Birrot
Cap. 8
A imensidão íntima
Cap. 8 – A imensidão íntima
- A floresta sobretudo, com o mistério de seu espaço indefinidamente
prolongado para além do véu de seus troncos e folhas, espaço velado para os
olhos mas transparente à ação, é um verdadeiro transcendente psicológico.
- Marcault e Thérèse Brosse, L’education de demain.
Como dizer melhor, se queremos “viver a floresta”, que nos achamos diante de
uma imensidão local, diante da imensidão locas de sua profundidade?
Jules Superviellle, sabe que somos, nas horas serenas, ...”Habitantes delicados
das florestas de nós mesmos”.
A Floresta vive sua idade avançada, porque não, no reino da imaginação,
florestas jovens.
No vasto mundo do não-eu, o não-eu dos campos não é o mesmo que o não-eu
das faz florestas. A floresta é um antes-de-mim, um antes-de-nós. Quanto aos
campos e às pradarias, meus sonhos e minhas lembranças os acompanham em
todos os tempos da lavoura e das colheitas. Quando se abranda a dialética do eu
e do não-eu, sinto as pradarias e os campos comigo, no comigo e no conosco.
Mas a floresta reina no antecedente.
Cap. 8
A imensidão íntima
Cap. 8 – A imensidão íntima
- Quando te sentires sozinho e abandonado diante do mar, imagina como devia
ser a solidão das águas na noite, e a soidão da noite no universo sem fim!
Milosz, L’amourese initation.
Na alma relaxada que medita e sonha, uma imensidão parece esperar as
imagens da imensidão. O espírito vê e revê objetos. A alma econtra no objeto o
ninho de uma imensidão. Teremos várias provas disso se seguirmos os
devaneios que têm início na alma de Baudelaire, sob o signo da palavra vasto.
Vasto é uma das palavras mais baudelairianas, a palavra que, para o poeta,
marca mais naturalmente a infinidade do espaço íntimo.
O devaneio é propiciado pelos “vastos silêncios do campo”.
“As nações, vastos seres coletivos”.
Assim, sob o signo da palavras vasto, a alma encontra seu ser sintético. A
palavra vasto reúne os contrários.
Em Baudelaire, a imensidade é uma dimensão íntima.
Cap. 8
A imensidão íntima
Cap. 8 – A imensidão íntima
Quando vive realmente a palavra imenso, o sonhador se vê libertado de suas
preocupações, de seus pensamentos, libertado de seus sonhos. Já não está
enclausurado em seu peso. Já não é prisioneiro de seu próprio ser.
Para Baudelaire, o destino poético do homem é o de ser o espelho da imensidão;
ou, mais exatamente ainda, a imensidão vem tomar consciência de si mesma no
homem. Para Baudelaire, o homem é um ser vasto.
Para Baudelaire a palavra vasto é um valor vocal. É uma palavra pronunciada,
jamais apenas lida, jamais apenas vista nos objetos com os quais a
relacionamos. Há palavras que um escritor sempre pronuncia baixinho enquanto
as escreve. Seja em verso ou em prosa, ela tem uma ação poética, uma ação de
poesia vocal. Essa palavra ganha imediatamente relevo sobre as palavras
vizinhas, sobre as imagens, talvez sobre o pensamento. É um “poder da palavra”.
Quando a lemos em Baudelaire, na medida do verso ou na amplidão dos
períodos dos poemas em prosa, parece que o poeta nos obriga a pronunciá-la. A
palavra vasto é então um vocábulo da respiração. Ela se coloca em nosso alento.
Exige que a respiração seja lenta e calma.
Cap. 8
A imensidão íntima
Cap. 8 – A imensidão íntima
Vasto evoca calma, paz, serenidade. Traduz uma convicção vital, uma convicção
íntima. Traz-nos o eco das câmaras secretas do nosso ser. É uma palavra grave,
inimiga das turbulências, hostil aos excessos vocais da declamação. Uma dicção
submetida à medida iria quebrá-la. É preciso que a palavra vasto reine sobre o
silêncio tranquilo do ser.
A palavra vasto transmite calma e unidade, essa palavra que abre um espaço,
que abre o espaço ilimitado.
A imensidão é uma ‘categoria’ da imaginação poética e não somente uma ideia
geral formada na contemplação de espetáculos grandiosos.
A árvore sempre tem um destino de grandeza . Esse destino, ela o propaga.
- Por todos os seres se desdobra o espaço único, espaço íntimo no mundo.
Rilke.
Quando um espaço é um valor – e haverá maior valor que a intimidade? – ele
cresce. O espaço valorizado é um verbo; em nós ou fora de nós, a grandeza
nunca é um ‘objeto’.
- O espaço não está em parte alguma. O espaço está em si mesmo como o mel
no favo. Joë Bousquet, La neige d’um autre âge.
Cap. 8
A imensidão íntima
Cap. 8 – A imensidão íntima
- A planície é o sentimento que nos faz crescer. Rilke.
Para Diolé, “essas montanhas em farrapos, essas areias e esses rios mortos,
essas pedras e esse sol escaldante”, todo esse universo que tem o signo do
deserto está “anexado ao espaço interior". Por essa anexação, a diversidade das
imagens é unificada na profundidade “do espaço interior”. Fórmula decisiva para
a demonstração que queremos fazer da correspondência entre a imensidade do
espaço do mundo e a profundidade do “espaço interior”.
- No deserto que trazemos escondido dentro de nós, onde penetrou o deserto
da areia e da pedra, a extensão da alma se perde através da extensão
infinitamente desabitada que desola as solidões da terra.
- Estendia-se em mim de novo aquele vazio, e eu era o deserto no deserto. Eu
já não tinha alma.
- - Henri Bosco, Le plus beau désert du monde.
- Quem tiver conhecido o mar profundo já não podia voltar a ser um homem
como os outros. Diolé.
Cap. 8
A imensidão íntima
Cap. 8 – A imensidão íntima
Toda doutrina do imaginário é obrigatoriamente uma filosofia do excessivo. Toda
imagem tem um destino de engrandecimento.
- Habito a tranquilidade das folhas, o verã cresce. Jean Lescure.
Em certas horas, a poesia propaga ondas de tranquilidade.
Os poemas são realidades humanas; não basta referir-se a impressões para
explicá-las. É preciso vivê-las em sua imensidão poética.
Cap. 8
A imensidão íntima
Cap. 9 – A dialética do exterior e do
interior
Cap. 9
A dialética do interior e do exterior
- Os senhores sentem qual é o alcance desse mito da formação do exterior e
do interior: é o da alienação que se baseia nesses dois termos.
Jena Hyppolite, Commentaire parlé sur la Venninung de Freud.
Muitas metafísicas exigiram uma cartografia. Mas em filosofia todas as
facilidades tem seu preço; e o saber filosófico começa mal se teiver como base
experiências esquematizadas.
Apresentaremos um texto em que a prisão se encontra no exterior.
É preciso constatar que em antropologia metafísica os dois termos, exterior e
interior, colocam problemas que não são simétricos. Tornar concreto o interior e
vasto o exterior são, parece, tarefas iniciais, os primeiros problemas de uma
antropologia da imaginação. Entre o concreto e o vasto, a oposição não é clara.
Ao menor toque, porém, a simetria aparece. E é sempre assim: o interior e o
exterior não recebem do mesmo modo os qualificativos, esses qualificativos que
são amedida da nossa adesão às coisas. Não se pode viver da mesma maneira
os qualificativos ligados ao interior e ao exterior. Tudo, mesmo a grandeza, é
valor humano; e num capítulo anterior mostramos que a miniatura sabe
armazenar a grandeza. Ela é vasta à sua maneira.
Cap. 9
A dialética do interior e do exterior
- As obras de arte nascem sempre de quem afrontou o perigo, de quem foi atéo
extremo de uma experiência, até o ponto que nenhum ser humano pode ultrapassar.
Quanto mais longe a levamos, mais pessoal, mais única se torna uma vida.
Rilke.
- O excesso de espaço sufoca-nos muito mais do que a sua falta.
- Por causa justamente de um excesso de andar a cavalo e de liverdade, e desse
horizonte imutável, a despeito dos nossos galopes desesperados, o pampa assumia
para mim o aspecto de uma prisão, maior que as outras. Jules
Supervielle.
Na superfície do ser, nessa região em que o ser quer manifestar e quer se ocultar, os
movimentos de fechamento e abertura são tão numerosos, tão frequentemente
invertidos, tão carregados de hesitação, que poderíamos concluir com esta fórmula: o
homem é o ser entreaberto.
Narraríamos toda nossa vida se fizéssemos a narrativa de todas as portas que já
fechamos, que abrimos, de todas as portas que gostaríamos de reabrir.
Sobre quê, para quem se abrem as portas? Elas se abrem para o mundo dos homens
ou para o mundo da solidão?
Cap. 9
A dialética do interior e do exterior
- As portas que se abrem para o campo parecem proporcionar uma liberdade à
revelia do mundo. Ramón Gómez de La Serna, Echantilons.
Nosso problema é discutir imagens da imaginação pura, da imaginação liberada,
liberante, sem nenhuma relação com incitações orgânicas.
Todo projeto é uma contextura de imagens e pensamentos que pressupõe uma
ascendência sobre a realidade.
- Uma lenta humildade penetra no quarto / Que habita em mim na palma do
repouso. Tristan Tzara, Où boivent les loups.
O quarto é, em profundiade, o nosso quarto, o quarto está em nós. Já não o vemos.
Ele já nos limita, pois estamos no próprio fundo de seu repouso, no repouso que ele
nos conferiu.
O fenomenólogo encara a imagem tal como ela é, tal como o poeta a cria; e tenta
fazer dela uma bem seu, alimentar-se desse fruto raro; leva a imagem `a própria
fronteira daquilo que ele pode imaginar.
É preciso também, para bem recebê-la, que estejamos nas horas felizes da
superimaginação.
Cap. 9
A dialética do interior e do exterior
- A cela de mim mesmo enche de espanto / A muralha caiada do meu segredo.
Pierre-Jean Jouve, Les noces.
É preciso debruçar-se sobre si mesmo para ler na tonalidade de ser quem (a poesia)
foi escrita.
- Desse quarto, mergulhado na noite mais imensa, eu conhecia tudo, havia
penetrado nele, trazia-o em mim, fazia-o viver uma vida que não é a vida, mas
que é mais forte que ela e que nenhuma força do mundo poderia vencer.
Maurice Blanchot, L’arrêt d emort.
- E aqui não há quase espaço; e tu quase te acalmas com o pensamento de que é
impossível que alguma coisa de muito grande possa caber nessa estreiteza.
Rilke, Les cahiers...
Cap. 9
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Cap. 10
A fenomenologia do redondo
Quando os metafísicos falam pouco, podem atingir a verdade imediata, uma
verdade que seria desgastada pelas provas.
- Provavelmente a vida é redonda. Van Gogh.
Haverá, sem dúvida, os que desejarão ‘compreender’, quando o que se precisa
incialmente é tomar a imagem no seu ponto de partida.
É o benefício da elementaridade que encontramos da imaginação.
quando se está na idade de imaginar, não se sabe dizer como e por que se imagina.
Quando se pode dizer como se imagina, jã não se imagina. Seria preciso então,
desamadurecer.
Cap. 10
A fenomenologia do redondo
A poética do
espaço
GASTON
BACHELARD
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Seleção de textos
Carlos Elson Cunha
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A poética do espaço

  • 2. Notas iniciais Tradução: Antonio de Pádua Danesi Editora Martins Fontes 2008. “Gasto Bachelard (1884-1962), filósofo, epistemólogo e crítico literário, nasceu em Bar-sur-Aube, na Champagne. Formou-se em matemática em 1912 e foi professor de física e química em liceus por dez anos. Durante esse período converte- se à filosofia; ganha o título de agregé em 1922 e torna-se doutor em 1927. Foi professor de filosofia na Faculdade de Letras de Dijon e depois na Sorbonne (cadeira de história e filosofia das ciências). Foi também diretor do Instituto de História das Ciências e Técnicas.”
  • 3. Introdução O fauvismo está no interior. Portanto, tal pintura é um fenômeno da alma. A obra deve redimir uma alma apaixonada. A poesia é um compromisso da alma. O espírito pode relaxar-se; mas no devaneio poético a alma está de vigília, sem tensão, repousada e ativa. Para fazer um poema completo, bem estruturado, será preciso que o espírito o prefigure em projetos. Mas para uma simples imagem poética não há projeto, não lhe é necessário mais que um movimento da alma.
  • 4. A exuberância e a profundidade de um poema são sempre fenômenos do par ressonância-repercussão. É como se, com sua exuberância, o poema reanimasse profundezas em nosso ser. Na ressonância ouvimos o poema; na repercussão o falamos, ele é nosso. Trata-se de determinar pela repercussão de uma única imagem poética, um verdadeiro despertar da criação poética na alma do leitor. Introdução
  • 5. A imagem que a leitura de um poema nos oferece torna-se realmente nossa. Enraíza- se em nós mesmos. Nós a recebemos, mas sentimos a impressão de que teríamos podido criá-la, de que deveríamos tê-la criado. Por uma fatalidade de método, o psicanalista intelectualiza a imagem. Introdução
  • 6. Considerada na transmissão de uma alma para outra, uma imagem poética foge às pesquisas de causalidade. As doutrinas timidamente causais como a psicologia, ou fortemente causais, como a psicanálise, não podem determinar a ontologia do poético. Nada prepara uma imagem poética: nem a cultura, no modo literário, nem a percepção, no modo psicológico. Introdução
  • 7. O verdadeiro fenomenólogo deve ser sistematicamente modesto. Seria falta de modéstia de nossa parte assumir pessoalmente uma posição organizada e completa referente ao poema como um todo. Introdução
  • 8. Nós, acostumados a leitura feliz, só relemos aquilo que nos agrada, com um pequeno orgulho de leitura mesclado de muito entusiasmo. Ninguém sabe que na leitura revivemos nossas tentações de ser poeta. Todo leitor um pouco apaixonado pela leitura alimenta e recalca, pela leitura, um desejo de ser escritor. Introdução
  • 9. Todo leitor que relê uma obra que ama sabe que as páginas amadas lhe dizem respeito. A simpatia de leitura é inseparável da admiração. O bem dizer é um elemento do bem viver. Introdução
  • 10. Um grande verso pode ter grande influência na alma de uma língua. Ele desperta imagens apagadas. E ao mesmo tempo sanciona a imprevisibilidade da palavra. Tornar imprevisível a palavra não será uma grande aprendizagem de liberdade? Antigamente as Artes Poéticas codificavam as licenças. Mas a poesia contemporânea colocou a liberdade no próprio corpo da linguagem. A poesia surge então como um fenômeno de liberdade. Introdução
  • 11. A imagem poética está sob o signo de um novo ser. Esse novo ser é o homem feliz. O psicanalista vê, mostra os sofrimentos secretos do poeta. Explica a flor pelo adubo. A poesia tem uma felicidade que lhe é própria, independentemente do drama que ela seja levada a ilustrar. Introdução
  • 12. Por princípio, a fenomenologia liquida um passado e encara a novidade. “É preciso que o saber seja acompanhado de um igual esquecimento do saber. O não- saber não é uma ignorância, mas um ato difícil de superação do conhecimento” Jean Lescure sobre a obra do pintor Lapicque. Introdução
  • 13. A arte é uma reduplicação da vida, uma espécie de emulação nas surpresas que excitam a nossa consciência e a impedem de cair no sono. “O artista não cria como vive, mas vive como cria.” Jean Lescure Introdução
  • 14. Pretendemos examinar as imagens do espaço feliz... Poderiam ser chamados de topofilia. É um espaço vivido, espaços louvados. Quase sempre ele atrai. Introdução
  • 15. Cap. 1 – A casa do porão ao sótão, o sentido da cabana
  • 16. O fenomenólogo faz o esforço necessário para compreender o germe da felicidade central, segura, imediata. Encontrar a concha inicial em toda moradia, no próprio castelo – é sua tarefa. A casa é nosso canto no mundo, nosso primeiro universo. Vista intimamente, a humilde moradia não é bela? Todo espaço realmente habitado traz a essência da noção de casa. O ser abrigado sensibiliza os limites do seu abrigo. Os verdadeiros bem-estares tem um passado. Nunca somos verdadeiros historiadores; somos sempre um pouco poetas, e nossa emoção talvez não expresse mais que a poesia perdida. Cap. 1 – A casa do porão ao sótão, o sentido da cabana
  • 17. A casa permite sonhar em paz. É exatamente porque as lembranças das antigas moradas são revividas como devaneios que as moradas do passado são imperecíveis dentro de nós. A casa é uma das maiores forças de integração para os pensamentos, as lembranças e os sonhos dos homens. Sem ela o homem seria um ser disperso. Em nossos devaneios ela é um grande berço. A vida começa bem, começa fechada, protegida, agasalhada no regaço da casa. Quando se sonha com a casa natal, na extrema profundeza do devaneio, participa-se desse calor inicial, dessa matéria bem temperada do paraíso material. A topoanálise seria o estudo psicológico sistemático dos locais de nossa vida íntima. Em seus mil alvéolos, o espaço retém o tempo comprimido. É essa a função do espaço. Cap. 1 – A casa do porão ao sótão, o sentido da cabana
  • 18. O calendário de nossa vida só pode ser estabelecido em seu processo produtor de imagens. É preciso desassociar nossas grandes lembranças e atingir o plano dos devaneios que vivenciávamos nos espaços de nossas solidões. Para tais indagações os devaneios são mais úteis que os sonhos. É pelo espaço, é no espaço que encontramos os belos fósseis de duração concretizados por longas permanências. Mais urgente que a determinação de datas é, para o conhecimento da intimidade, a localização nos espaços da nossa intimidade. Na verdade, as paixões cozinham e recoziam na solidão. É encerrado em sua solidão que o ser de paixão prepara suas explosões ou seus feitos Esses espaços de sua solidão são constitutivos. Mesmo quando eles estão para sempre riscados do presente, doravante estranhos a toda promessa de futuro, mesmo quando não se tem o sótão , mesmo quando se perdeu a mansarda, ficará para sempre o fato de que se amou um sótão, de que se viveu numa mansarda. Cap. 1 – A casa do porão ao sótão, o sentido da cabana
  • 19. Mas agora, na lembrança reencontrada pelo devaneio, não sabemos por qual sincretismo a mansarda é pequena e grande, quente e fresca, sempre reconfortante. Observávamos que o inconsciente está alojado... Alojado no espaço de sua felicidade. Que lindo objeto dinâmico é um caminho! Que pode haver de mais belo que um caminho? É o símbolo e a imagemda vida ativa e variada. - Geroge Sand – Consuelo II pg 116 Toda pessoa deveria então falar de suas estradas, de suas encruzilhadas, de seu bancos. Toda pessoa deveria fazer o cadastro de seus campos perdidos. O espaço convida à ação. Não há intimidade verdadeira que repila. Todos os espaços de intimidade designam-se por uma atração. A palavra de um poeta, tocando o ponto exato, abala as camadas profundas do nosso ser. Cap. 1 – A casa do porão ao sótão, o sentido da cabana
  • 20. A casa natal gravou em nós a hierarquia das diversas funções de habitar. Somos o diagrama das funções de habitar aquela casa; e todas as outras não passam de variações de um tema fundamental. A infância é certamente maior que a realidade. É no plano do devaneio, e não no plano dos fatos, que a infância permanece em nós viva e poeticamente útil. Feliz a criança que possuir, que realmente possuiu as suas solidões. É bom, é saudável que uma crianças tenha suas horas de tédio, que conheça a dialética do brinquedo exagerado e dos tédios sem causa, do tédio puro. A casa é um corpo de imagens que dão ao homem razões ou ilusões de estabilidade. No porão há trevas dia e noite. Que nos aconselha a atitude fenomenológica? Pede para instituir em nós um orgulho de leitura que nos dará a ilusão de participar do próprio trabalho do escritor. Cap. 1 – A casa do porão ao sótão, o sentido da cabana
  • 21. Os elevadores destroem o heroísmo das escadas. Yvonne Caroutch ouve a aurora citadina quando a cidade tem “rumores de conchas vazias”. Essa imagem me ajuda, ser madrugador que sou, a acordar suavemente, naturalmente. Todas as imagens são boas desde que saibamos nos servir delas. O eremita está só diante de Deus. A cabana do eremita é o antitipo do mosteiro. A cabana não pode receber a menor riqueza deste mundo. Tem uma feliz intensidade de pobreza. A caba na do eremita é uma glória da pobreza. De despojamento em despojamento, ela nos dá acesso ao absoluto do refúgio. É preciso avançar na idade para conquistar a juventude, para livrá-la dos entraves, para viver segundo seu impulso inicial. Cap. 1 – A casa do porão ao sótão, o sentido da cabana
  • 22. A lâmpada é o signo de uma grande espera. Pela luz da casa distante, a casa vê, vela, vigia, espera. Uma lâmpada acesa atrás da janela Vela no coração secreto da noite - Chrstiane Barucos, ‘Anteé’. Por sua luz, a casa é humana. Por mais cósmica que se torne a casa isolada iluminada pela estrela de sua lâmpada, ela se impõe sempre como uma solidão. Cap. 1 – A casa do porão ao sótão, o sentido da cabana
  • 23. Cap. 2 A casa e o universo.
  • 24. O inverno evocado é um reforço da felicidade de habitar. No reino da imaginação, o inverno relembrado aumenta o valor de habitação da casa. Do inverno, a casa recebe reservas de intimidade, delicadezas de intimidade. Um pequeno filamento animal vive no menor dos ódios. O cosmos forma o homem, transforma o um homem das colinas em um homem da ilha e do rio. A casa remodela o homem. Eu gostaria de habitar nas casas como as que se veem nas gravuras. A casa rústica, a casa feita com madeira talhada, atraí-me ainda mais. Quanto mais simples a casa gravada, mais ela trabalha a minha imaginação de habitar. Uma imensa casa cósmica existe potencialmente em todo sonho de casa. Todo ser intensamente terrestre – e a casa é um ser intensamente terrestre – registra apesar disso os apelos de um mundo aéreo, de um mundo celeste. Cap. 2 A casa e o universo.
  • 25. Estranha situação: os espaços amados nem sempre querem ficar fechados! Eles se desdobram. “Onde foi que vos perdi, minhas imagens pisoteadas?” – André de Richaud, Le droit d’asile. O terreno em que o acaso semeou a planta humana, nada era. E nesse fundo do nada crescem os valores humanos! No entardecer da vida, com uma coragem invencível, dizemos ainda: o que ainda não fizemos será feito. Construiremos a casa. Talvez seja bom guardarmos alguns sonhos para uma casa que habitaremos mais tarde, sempre mais tarde, tão tarde que não teremos tempo para construí- la. Cap. 2 A casa e o universo.
  • 26. Cap. 2 – Casa e universo George Sand diz que se pode classificar os homens segundo seu anseio de viver numa choupana ou num palácio. ...o poeta conta como a choupana irradia a humanidade, a fraternidade camponesa. Essa casa-pomba é uma arca acolhedora. Que alegria de leitura quando se reconhece a importância das coisas insignificantes! No reino dos valores, a chave fecha mais do que abre. A maçaneta abre mais do que fecha. E o gesto que fecha é sempre mais nítido, mais forte, mais rápido que o gesto que abre. Cap. 2 A casa e o universo.
  • 27. Cap. 3 A gaveta, os cofres e os armários.
  • 28. Cap. 3 A gaveta, os cofres e os armários. Passo sempre por um pequeno choque, um pequeno sofrimento de linguagem quando um grande escritor toma uma palavra em sentido pejorativo. Em primeiro lugar, todas as palavras, cumprem honestamente o seu ofício na linguagem cotidiana. ... (na) comparação entre metáfora e imagem, compreenderemos que a metáfora não pode ser objeto de um estudo fenomenológico. Não vale a pena. Ela carece de valor fenomenológico. É, quando muito, uma imagem fabricada, sem raízes profundas, verdadeiras, reais. É uma expressão efêmera o que deveria ser efêmera, empregada de passagem. Ao contrário da metáfora, a uma imagem podemos dar o nosso ser de leitor; ela é doadora de ser. A imagem, obra pura da imaginação absoluta, é um fenômeno do ser, um dos fenômenos específicos do ser falante. O conceito é um pensamento morto, já que é, por definição, pensamento classificado. Quando se pressente uma metáfora, é porque a imaginação está fora de questão.
  • 29. Cap. 3 – A gabeta, os cofres e os armários. Uma metáfora não deveria ser mais que um acidente da expressão, e é perigoso transformá-la em pensamento. A metáfora é uma falsa imagem, já que não tem a virtude direta de uma imagem produtora de expressão, formada no devaneio falado. Em francês, as grandes palavras, as palavras poeticamente dominadoras, tem apenas duas sílabas. As imagens são mais imperiosas que as ideias. Poderíamos dizer que os escritores nos dão seu cofre para ler. No cofre estão as coisas inesquecíveis; inesquecíveis para nós, mas também para aqueles a quem daremos nos nossos tesouros. O passado, o presente, um futuro, nele se condensam. E assim o cofre é a memória do imemorial. No momento em que o cofre se abre não há mais dialética. O exterior já nada significa. ...e as dimensões do volume não tem mais sentido porque uma nova dimensão acaba de se abrir: a dimensão da intimidade. Cap. 3 A gaveta, os cofres e os armários.
  • 30. Cap. 3 – A gabeta, os cofres e os armários. Sempre haverá mais coisas num cofre fechado do que num cofre aberto. A verificação faz as imagens morrerem. Imaginar sempre será maior que viver. Quem enterra um tesouro enterra-se nele. É preciso escutar os poetas. Cap. 3 A gaveta, os cofres e os armários.
  • 31. Cap. 4 – O ninhoCap. 4 O ninho
  • 32. Cap. 4 – O ninho Ninho branco, teus pássaros irão florir. – Robert Ganzo, L’oeuvre poétique. Na felicidade física, o ser gosta de “recolher-se ao seu canto”. Os homens sabem fazer tudo, menos ninhos do s pássaros – provérbio. A fenomenologia filosófica do ninho começaria se pudéssemos reviver a ingênua admiração com que outrora descobríamos um ninho... Descobrir um ninho leva- nos de volta à nossa infância, a uma infância. A infâncias que deveríamos ter tido. O ninho vazio zomba do seu descobridor. Hoje trago comigo uma alegria: os pássaros fizeram um ninho no meu jardim. Nas imagens aproximadas do ninho e da casa repercute um componente íntimo de fidelidade. Se voltamos à velha casa como quem volta ao ninho, é porque as lembranças são sonhos, é porque a casa do passado se transformou numa grande imagem, a grande imagem das intimidades perdidas. Cap. 4 O ninho
  • 33. Cap. 4 – O ninho Esse centro de vida animal é dissimulado no imenso volume de vida vegetal. O ninho é um buquê de folas que canta. Participa da paz vegetal. É um ponto no ambiente de felicidade das grandes árvores. - Sonhei com um ninho em que as árvores repeliam a morte ... Sonhei com um ninho em que os tempos não dormiam mais. – Adolphe Shedrou, Berceau sans promesses. Contemplando o ninho estamos na origem de uma confiança no mundo, recebemos um aceno de confiança, um apelo à confiança cósmica. O pássaro construiria seu ninho se não tivesse seu instinto de confiança no mundo? O ninho e a casa onírica não conhecem a hostilidade do mundo. O sonhador pode dizer: o mundo é o ninho do homem. Cap. 4 O ninho
  • 34. Cap. 5 – A conchaCap. 5 A concha
  • 35. Cap. 5 – A concha O fenomenólogo poderia ao menos aprender com o conquilionlogista se este lhe confidenciasse seus primeiros espantos. A vida desgasta rapidamente os primeiros espantos. A melhor marca da admiração é o exagero. Na imaginação, entrar e sair, nunca são imagens simétricas. Gostaríamos de ver e temos medo de ver. Eis o limiar sensível de todo conhecimento. Quando o cinema acelera a floração de uma flor, temos uma sublime imagem de oferenda. Os lobos fechados em conchas são mais cruéis que os lobos errantes. Até a época carolíngia, as sepulturas frequentemente contém conchas de caracol – alegoria de um túmulo em que o homem vai ser despertado. Cap. 5 A concha
  • 36. Cap. 5 – A concha Temos de nos perguntar como as mais simples imagens podem, em certos devaneios ingênuos, alimentar uma tradição. Na Natureza raramente estamos em terras do conhecimento. A cada passo existe algo para humilhar e mortificar os Espíritos soberbos. Das imagens gastas, nenhuma é mais gasta que a da concha-casa. É simples demais para que possamos complicá-la com sucesso, velha demais para que possamos rejuvenescê-la. Diz o que tem a dizer numa única palavra. Mas nem por isso deixa de ser uma imagem inicial, e esta é uma imagem indestrutível. Pertence ao indestrutível bazar de velharias da imaginação humana. A natureza tem uma maneira muito simples de nos espantar: é fazer coisas grandes. Nada sei a respeito das realidades biológicas. Sou apenas um sonhador de livros. Cap. 5 A concha
  • 37. Cap. 5 – A concha - E se eu não tivesse este quartinho, este quarto profundo e secreto como uma concha? Ah, os caracóis não sabem como são felizes! – Georges Duhamel, Confession de minuit. Estamos procurando multiplicar todas as nuanças dialéticas com as quais a imaginação dá vida às imagens mais simples. Para um oleiro e para um esmaltador, que grande objeto de meditação é a concha! Com os ninhos, com as conchas, multiplicamos, sob pena de fatigar a paciência do leitor, as imagens que acreditamos ilustrar sob formas elementares, talvez imaginadas demais, a função do habitar. Também a sombra é uma habitação. Cap. 5 A concha
  • 38. Cap. 6 – Os cantosCap. 6 Os cantos
  • 39. Cap. 6 – Os cantos Acreditamos que todo retiro da alma tem figuras de refúgio. O canto é um refúgio que nos assegura um primeiro valor do ser: a imobilidade. É preciso designar o espaço da imobilidade fazendo dele o espaço do ser. - Sou o espaço onde estou – Noël Arnaud – L’état d’ébauche. O canto é a casa do ser. - Que pensará de ti, durante as noites de inverno e abandono a velha lâmpada amiga? Que pensarão de ti os objetos que te foram ternos, tão fraternalmente ternos? Seu destino obscuro não estava estreitamente unido ao teu? ... As coisas móveis e mudas jamais esquecem: melancólicas e desprezadas, elas recebem a confidência daquilo que trazemos de mais humilde, de mais ignorado no fundo de nós mesmos. – Michel Leiris, Biffures. Cap. 6 Os cantos
  • 40. Cap. 6 – Os cantos Leonardo da Vinci aconselhava os pintores com falta de inspiração diante da natureza a contemplarem com olhos sonhadores as fissuras de uma velha parede. Há ângulos de onde não se pode mais sair. Cap. 6 Os cantos
  • 41. Cap. 7 – A miniaturaCap. 7 As miniaturas
  • 42. Cap. 7 – A miniatura Para sair da prisão, todos os meios são bons. É preciso ultrapassar a lógica para viver o que há de grande no pequeno. É preciso, inicialmente, no trabalho científico, psicologicamente, digerir a surpresa. Pegar uma lupa é prestar atenção, mas prestar atenção já não será possuir uma lupa? A atenção, por si só, é uma lente de aumento. O ato do prestidigitador espanta e diverte. O ato do poeta faz sonhar. Não posso viver e reviver o ato do primeiro. Mas a página do poeta me pertence, desde que eu ame o devaneio. Por que os atos da imaginação não haveriam de se tão reais quanto os atos da percepção? A enormidade do mundo é para mim apenas o emaranhamento das ondas mundificadoras. A miniatura sinceramente vivenciada desprende-me do mundo ambiente, ajuda-me a resistir à dissolução do ambiente. De quantos devaneios no priva a leitura linear! Cap. 7 As miniaturas
  • 43. Cap. 7 – A miniatura O conto é uma imagem que raciocina. O poeta não repete contos da vovó. Ele não tem passado. Está num mundo novo. - Encontro-me de novo à mesa habitual - Na terra cultivada - Que dá o milho e os rebanhos - Eu reencontrava os rostos ao meu redor - Com os cheios e os vazios da verdade. - . Jules Supervielle, Gravitations. O poeta impede que a imagem se imobilize. Em Supervielle percebemos que o mundo famiiar assume o novo relevo de uma miniatura cósmica deslumbrante. Não sabíamos que o mundo familiar fosse tão grande. O poeta mostrou-nos que o grande não é incompatível com o pequeno. O longínquo forma miniaturas em todos os pontos do horizonte. Cap. 7 As miniaturas
  • 44. Cap. 7 – A miniatura Quantos teoremas de topoanálise seria preciso elucidar para determinar todo o trabalho do espaço em nós! A imagem não quer deixar-se medir. Por mais que fale de espaço, ela muda de grandeza. O menor valor amplia-a, eleva-a, multiplica-a. e o sonhador converte-se no ser da sua imagem. Absorve todo o espaço da sua imagem. Ou então se confina na miniatura das suas imagens. É em cada imagem que seria preciso determinar, como dizem os metafísicos, nosso estar-aí, com o risco de às vezes encontrar em nós apenas uma miniatura de ser. Só podemos analisar fenomenologicamente imagens transmissíveis, imagens que recebemos numa transmissão feliz. De um modo geral, os fatos não explicam os valores. - Ouve-se gorjearem as flores do biomboRené_Guy Cadou, Hélène ou le règne végétal. - ...Pois todas as flores falam, cantam, mesmo as que desenhamos. Não se pode desenhar uma flor, um pássaro e permanecer taciturno. É supérfluo que tais imagens sejam verdadeiras. Elas são. Tem o absoluto da imagem. Cap. 7 As miniaturas
  • 45. Cap. 7 – A miniatura - O cheiro do silêncio é tão velho... – O. W. de L. Milosz. Ah, de quantos silêncios precisamos nos lembrar na vida que passa. Nós, filósofos do adjetivo, estamos presos nos embaraços da dialética do profundo e do grande; do infinitamente reduzido que aprofunda ou do grande que se estende sem limite. - Eu me ouvia fechando os olhos e reabrindo-os. – Loys Masson, Icare ou le voyageur. Todo sonhador solitário sabe que ouve de outra maneira quando fecha os olhos. Para refletir, para escutar a voz interior, para escrever a frase central, condensada, que diz o “fundo” do pensamento, quem nunca apertou fortemente as pálpebras com os dedos? Então o ouvido sabe que os olhos estão fechados, sabe que a responsabilidade do ser que pensa, que escreve, está nele. Poderá relaxar quando a pessoa reabrir os olhos. Cap. 7 As miniaturas
  • 46. Cap. 7 – A miniatura Acolhendo todos os documentos da fantasia e dos devaneios que gostam de jogar com as palavras, com as impressões mais efêmeras, confessamos mais uma vez nossa vontade permanecer superficial. Exploramos apenas a camada mais fina das imagens nascentes. Sem dúvida, a imagem mais frágil, mais inconsistente pode revelar vibrações profundas. Cap. 7 As miniaturas
  • 47. Cap. 8 – A imensidão íntimaCap. 8 A imensidão íntima
  • 48. Cap. 8 – A imensidão íntima - O mundo é grande, mas em nós ele é profundo como o mar. – Rilke. A imensidão é uma categoria filosófica do devaneio. O devaneio alimenta-se de espetáculos variados; mas por uma espécie de inclinação inerente, ele contempla a grandeza. E a contemplação da grandeza determina uma atitude tão especial, um estado de alma tão particular que o devaneio coloca o sonhador fora do mundo próximo, diante de um mundo que traz o signo do infinito. Se pudéssemos analisar as impressões de imensidão, as imagens da imensidão ou o que a imensidade traz a uma imagem, logo entraríamos numa região da mais pura fenomenologia – uma fenomenologia sem fenômenos ou, para falar menos paradoxalmente, uma fenomenologia que não precisa esperar que os fenômenos da imaginação se constituam e se estabilizem em imagens completas para conhecer o fluxo de produção da imagens. Noutras palavras, como o imenso não é um objeto, uma fenomenologia do imenso nos remeteria sem rodeios à nossa consciência imaginante. A imensidão é o movimento do homem imóvel. - Eu me crio com um traço de pena Senhor do mundo, Homem ilimitado Pierre Albert-Birrot Cap. 8 A imensidão íntima
  • 49. Cap. 8 – A imensidão íntima - A floresta sobretudo, com o mistério de seu espaço indefinidamente prolongado para além do véu de seus troncos e folhas, espaço velado para os olhos mas transparente à ação, é um verdadeiro transcendente psicológico. - Marcault e Thérèse Brosse, L’education de demain. Como dizer melhor, se queremos “viver a floresta”, que nos achamos diante de uma imensidão local, diante da imensidão locas de sua profundidade? Jules Superviellle, sabe que somos, nas horas serenas, ...”Habitantes delicados das florestas de nós mesmos”. A Floresta vive sua idade avançada, porque não, no reino da imaginação, florestas jovens. No vasto mundo do não-eu, o não-eu dos campos não é o mesmo que o não-eu das faz florestas. A floresta é um antes-de-mim, um antes-de-nós. Quanto aos campos e às pradarias, meus sonhos e minhas lembranças os acompanham em todos os tempos da lavoura e das colheitas. Quando se abranda a dialética do eu e do não-eu, sinto as pradarias e os campos comigo, no comigo e no conosco. Mas a floresta reina no antecedente. Cap. 8 A imensidão íntima
  • 50. Cap. 8 – A imensidão íntima - Quando te sentires sozinho e abandonado diante do mar, imagina como devia ser a solidão das águas na noite, e a soidão da noite no universo sem fim! Milosz, L’amourese initation. Na alma relaxada que medita e sonha, uma imensidão parece esperar as imagens da imensidão. O espírito vê e revê objetos. A alma econtra no objeto o ninho de uma imensidão. Teremos várias provas disso se seguirmos os devaneios que têm início na alma de Baudelaire, sob o signo da palavra vasto. Vasto é uma das palavras mais baudelairianas, a palavra que, para o poeta, marca mais naturalmente a infinidade do espaço íntimo. O devaneio é propiciado pelos “vastos silêncios do campo”. “As nações, vastos seres coletivos”. Assim, sob o signo da palavras vasto, a alma encontra seu ser sintético. A palavra vasto reúne os contrários. Em Baudelaire, a imensidade é uma dimensão íntima. Cap. 8 A imensidão íntima
  • 51. Cap. 8 – A imensidão íntima Quando vive realmente a palavra imenso, o sonhador se vê libertado de suas preocupações, de seus pensamentos, libertado de seus sonhos. Já não está enclausurado em seu peso. Já não é prisioneiro de seu próprio ser. Para Baudelaire, o destino poético do homem é o de ser o espelho da imensidão; ou, mais exatamente ainda, a imensidão vem tomar consciência de si mesma no homem. Para Baudelaire, o homem é um ser vasto. Para Baudelaire a palavra vasto é um valor vocal. É uma palavra pronunciada, jamais apenas lida, jamais apenas vista nos objetos com os quais a relacionamos. Há palavras que um escritor sempre pronuncia baixinho enquanto as escreve. Seja em verso ou em prosa, ela tem uma ação poética, uma ação de poesia vocal. Essa palavra ganha imediatamente relevo sobre as palavras vizinhas, sobre as imagens, talvez sobre o pensamento. É um “poder da palavra”. Quando a lemos em Baudelaire, na medida do verso ou na amplidão dos períodos dos poemas em prosa, parece que o poeta nos obriga a pronunciá-la. A palavra vasto é então um vocábulo da respiração. Ela se coloca em nosso alento. Exige que a respiração seja lenta e calma. Cap. 8 A imensidão íntima
  • 52. Cap. 8 – A imensidão íntima Vasto evoca calma, paz, serenidade. Traduz uma convicção vital, uma convicção íntima. Traz-nos o eco das câmaras secretas do nosso ser. É uma palavra grave, inimiga das turbulências, hostil aos excessos vocais da declamação. Uma dicção submetida à medida iria quebrá-la. É preciso que a palavra vasto reine sobre o silêncio tranquilo do ser. A palavra vasto transmite calma e unidade, essa palavra que abre um espaço, que abre o espaço ilimitado. A imensidão é uma ‘categoria’ da imaginação poética e não somente uma ideia geral formada na contemplação de espetáculos grandiosos. A árvore sempre tem um destino de grandeza . Esse destino, ela o propaga. - Por todos os seres se desdobra o espaço único, espaço íntimo no mundo. Rilke. Quando um espaço é um valor – e haverá maior valor que a intimidade? – ele cresce. O espaço valorizado é um verbo; em nós ou fora de nós, a grandeza nunca é um ‘objeto’. - O espaço não está em parte alguma. O espaço está em si mesmo como o mel no favo. Joë Bousquet, La neige d’um autre âge. Cap. 8 A imensidão íntima
  • 53. Cap. 8 – A imensidão íntima - A planície é o sentimento que nos faz crescer. Rilke. Para Diolé, “essas montanhas em farrapos, essas areias e esses rios mortos, essas pedras e esse sol escaldante”, todo esse universo que tem o signo do deserto está “anexado ao espaço interior". Por essa anexação, a diversidade das imagens é unificada na profundidade “do espaço interior”. Fórmula decisiva para a demonstração que queremos fazer da correspondência entre a imensidade do espaço do mundo e a profundidade do “espaço interior”. - No deserto que trazemos escondido dentro de nós, onde penetrou o deserto da areia e da pedra, a extensão da alma se perde através da extensão infinitamente desabitada que desola as solidões da terra. - Estendia-se em mim de novo aquele vazio, e eu era o deserto no deserto. Eu já não tinha alma. - - Henri Bosco, Le plus beau désert du monde. - Quem tiver conhecido o mar profundo já não podia voltar a ser um homem como os outros. Diolé. Cap. 8 A imensidão íntima
  • 54. Cap. 8 – A imensidão íntima Toda doutrina do imaginário é obrigatoriamente uma filosofia do excessivo. Toda imagem tem um destino de engrandecimento. - Habito a tranquilidade das folhas, o verã cresce. Jean Lescure. Em certas horas, a poesia propaga ondas de tranquilidade. Os poemas são realidades humanas; não basta referir-se a impressões para explicá-las. É preciso vivê-las em sua imensidão poética. Cap. 8 A imensidão íntima
  • 55. Cap. 9 – A dialética do exterior e do interior Cap. 9 A dialética do interior e do exterior
  • 56. - Os senhores sentem qual é o alcance desse mito da formação do exterior e do interior: é o da alienação que se baseia nesses dois termos. Jena Hyppolite, Commentaire parlé sur la Venninung de Freud. Muitas metafísicas exigiram uma cartografia. Mas em filosofia todas as facilidades tem seu preço; e o saber filosófico começa mal se teiver como base experiências esquematizadas. Apresentaremos um texto em que a prisão se encontra no exterior. É preciso constatar que em antropologia metafísica os dois termos, exterior e interior, colocam problemas que não são simétricos. Tornar concreto o interior e vasto o exterior são, parece, tarefas iniciais, os primeiros problemas de uma antropologia da imaginação. Entre o concreto e o vasto, a oposição não é clara. Ao menor toque, porém, a simetria aparece. E é sempre assim: o interior e o exterior não recebem do mesmo modo os qualificativos, esses qualificativos que são amedida da nossa adesão às coisas. Não se pode viver da mesma maneira os qualificativos ligados ao interior e ao exterior. Tudo, mesmo a grandeza, é valor humano; e num capítulo anterior mostramos que a miniatura sabe armazenar a grandeza. Ela é vasta à sua maneira. Cap. 9 A dialética do interior e do exterior
  • 57. - As obras de arte nascem sempre de quem afrontou o perigo, de quem foi atéo extremo de uma experiência, até o ponto que nenhum ser humano pode ultrapassar. Quanto mais longe a levamos, mais pessoal, mais única se torna uma vida. Rilke. - O excesso de espaço sufoca-nos muito mais do que a sua falta. - Por causa justamente de um excesso de andar a cavalo e de liverdade, e desse horizonte imutável, a despeito dos nossos galopes desesperados, o pampa assumia para mim o aspecto de uma prisão, maior que as outras. Jules Supervielle. Na superfície do ser, nessa região em que o ser quer manifestar e quer se ocultar, os movimentos de fechamento e abertura são tão numerosos, tão frequentemente invertidos, tão carregados de hesitação, que poderíamos concluir com esta fórmula: o homem é o ser entreaberto. Narraríamos toda nossa vida se fizéssemos a narrativa de todas as portas que já fechamos, que abrimos, de todas as portas que gostaríamos de reabrir. Sobre quê, para quem se abrem as portas? Elas se abrem para o mundo dos homens ou para o mundo da solidão? Cap. 9 A dialética do interior e do exterior
  • 58. - As portas que se abrem para o campo parecem proporcionar uma liberdade à revelia do mundo. Ramón Gómez de La Serna, Echantilons. Nosso problema é discutir imagens da imaginação pura, da imaginação liberada, liberante, sem nenhuma relação com incitações orgânicas. Todo projeto é uma contextura de imagens e pensamentos que pressupõe uma ascendência sobre a realidade. - Uma lenta humildade penetra no quarto / Que habita em mim na palma do repouso. Tristan Tzara, Où boivent les loups. O quarto é, em profundiade, o nosso quarto, o quarto está em nós. Já não o vemos. Ele já nos limita, pois estamos no próprio fundo de seu repouso, no repouso que ele nos conferiu. O fenomenólogo encara a imagem tal como ela é, tal como o poeta a cria; e tenta fazer dela uma bem seu, alimentar-se desse fruto raro; leva a imagem `a própria fronteira daquilo que ele pode imaginar. É preciso também, para bem recebê-la, que estejamos nas horas felizes da superimaginação. Cap. 9 A dialética do interior e do exterior
  • 59. - A cela de mim mesmo enche de espanto / A muralha caiada do meu segredo. Pierre-Jean Jouve, Les noces. É preciso debruçar-se sobre si mesmo para ler na tonalidade de ser quem (a poesia) foi escrita. - Desse quarto, mergulhado na noite mais imensa, eu conhecia tudo, havia penetrado nele, trazia-o em mim, fazia-o viver uma vida que não é a vida, mas que é mais forte que ela e que nenhuma força do mundo poderia vencer. Maurice Blanchot, L’arrêt d emort. - E aqui não há quase espaço; e tu quase te acalmas com o pensamento de que é impossível que alguma coisa de muito grande possa caber nessa estreiteza. Rilke, Les cahiers... Cap. 9 A dialética do interior e do exterior
  • 61. Quando os metafísicos falam pouco, podem atingir a verdade imediata, uma verdade que seria desgastada pelas provas. - Provavelmente a vida é redonda. Van Gogh. Haverá, sem dúvida, os que desejarão ‘compreender’, quando o que se precisa incialmente é tomar a imagem no seu ponto de partida. É o benefício da elementaridade que encontramos da imaginação. quando se está na idade de imaginar, não se sabe dizer como e por que se imagina. Quando se pode dizer como se imagina, jã não se imagina. Seria preciso então, desamadurecer. Cap. 10 A fenomenologia do redondo
  • 62. A poética do espaço GASTON BACHELARD ESSENCIAL Seleção de textos Carlos Elson Cunha Agosto de 2016 a. D. alunoeterno.blogspot.com.br