A NOVA ANTIGA ESCOLA
Nestes últimos dias, venho me perguntando o
que é ser professor;
● Desde a época da faculdade, me deparo com leituras como
Vygotsky, Piaget, Paulo Freire e dos contemporâneos no
qual acompanho suas falas, o professor Mario Sérgio
Cortella;
● Entre estes, aprendemos as mais diversas ferramentas de
aprendizado;
● Aprendemos que precisamos olhar para o velho para
termos referencias, mas que precisamos caminhar para o
novo no processo de ensino e aprendizado;
● Mas quando saí da academia, me deparei com uma triste
realidade;
● Um sistema de ensino falho;
●
Professores sucateados, cansados e reprodutivos daquilo que está no livro
didático, que é por sua vez mais antigo que sua carcaça cansada;
●
Me deparo com escolas na sua maioria, refém dos pais e muitas vezes dos
próprios alunos;
● Que por sua vez, reproduzem em seus PPPs as algemas criadas pelo sistema
oriundo do método numérico, onde o que vale são os números e não as
pessoas;
● PPPs que reproduzem a ideia que o aluno deveria ser avaliado pelo
qualitativo, mas o que é apresentado no mesmo é que só vale o quantitativo;
● Mais vale o aluno que estuda, não entende, mas decora e tira 10,0 e que este,
mesmo se for convocado a fazer a mesma prova depois de 6 meses não
consegue atingir 5,0, pois não lembra de mais nada? Ou aquele aluno que
não decorou o conteúdo mas que de alguma forma depois de 6 meses ainda
consegue construir uma ideia crítica daquilo que aprendeu 6 meses antes?
● Se a primeira questão for a que é a que deve ser, convido meus colegas professores de
todas as escolas brasileiras a refazerem as provas de todas as matérias inclusive as suas
em que nossos alunos são obrigados a fazer e se todos tirarem acima de 8,0, então eu
estou errado;
● Somos professores, dotados de conhecimento no qual nosso papel é fazer que o aluno vá
além do que ele vê no livro didático ou no Google? Ou somos simples reprodutores de
informação? Se for isso, lamento informar mas perdemos para internet;
● Se chegamos ao ponto de perder para internet, então solicito aos governos que implantem
o ensino a distância em todos os níveis de ensino, pois o que os professores reproduzem
em sala está lá no Google e no Youtube, com aulas as vezes muito mais atrativas que as
que eles recebem em sala de aula.
● Se é para receber um PPP que diz que eu tenho que aplicar um numero X de provas e
trabalhos e que tenho que fazer uma avaliação de recuperação para aquele aluno que não
aprendeu e que eu sei que ele não vai aprender, pois ninguém é capaz de assimilar tudo
de um todo e que este mesmo PPP está reproduzindo aquilo que os governos querem,
que é apresentar números e não qualidade, então então tenho que rever o conceito de o
que é ser professor e processar meus mestres da faculdade pois me ensinaram uma
utopia;
● Eu aprendi que PPP seria o mecanismo de libertação para que os
professores pudessem ensinar seus alunos a ter asas.
● Mas por fim não passa de algo que é o “mais do mesmo”;
● Não sei se tenho pena de meus alunos que são obrigados a tirar 10,0 ou o
mais perto disso, para ganhar um celular novo fim do ano se passar;
● Ou se tenho pena dos pais que são obrigados a chantagear seus filhos a
aprender e tirar notas altas, que por muitas vezes não é para o filho, mais
sim para ativar o auterego como pais, na ilusão que isso lhes faz bons pais
e na ilusão que isto faz seus filhos inteligentes;
● Desculpem pais, mas vocês acabaram de perder a guerra para seus filhos;
● Uma guerra onde você da um celular para o filho a fim
de compensar os momentos que não estas com ele e
para se livrar da obrigação de estar com ele em seu
momento de folga;
● Uma guerra onde os pais perguntam “O que você quer
comer meu filho?”, em vez de “Sente e come meu
filho!”;
● Uma guerra onde pais negociam com os filhos e que os
mesmos não veem mais os pais como uma figura
segura de alguém que pode proteger a família e que
acabam os perdendo-os para a rua;
● Em meio a tudo isso, peço licença aos meus colegas
educadores, aos pais e aos governos; para que eu
continue vivendo na utopia;
● Utopia onde eu como professor me nego a perder para o Google e o
Youtube;
● Utopia onde, me nego reproduzir a ideia que meus alunos precisam
levar provas e trabalhos para casa com um 10,0, para provar aos seus
pais que são mais inteligentes que aquele aluno que tirou 6,0;
● Desculpe pais, aquele aluno que tira 6,0, muitas vezes têm mais
habilidades do que aquelas do aluno que decorou para tirar 10,0;
● O aluno que tirou 6,0 não tem tempo a perder em decorar uma
informação que esta na internet e que amanha ele não lembrará mais!;
● Utopia onde o pai pergunta para o filho, “Meu filho, você aprendeu a ler
este ano?”, em vez de “Quanto você tirou na prova de leitura hoje?”;
●
Utopia onde o pai pergunta para o filho, “Você aprendeu a dividir este ano
meu filho?” em vez de “Quanto você tirou na prova de dividir meu filho?”;
● Utopia onde o pai chega em casa e pergunta, “Meu filho, somos cristãos,
mas você sabe porque nem todo mundo acredita em Deus? E por que
existem pessoas que vão para religiões como o Candomblé?” em vez de
“Meu filho, somos cristãos, quem não acredita em Deus vai para o inferno e
não ande mais com aquele seu colega macumbeiro!”;
● Deixo uma mensagem as minhas filhas, Beatriz e Isabela, não tirem 10,0
por obrigação, nota 10,0 não irá lhes fazer inteligentes, mas aprendam o
máximo que estiver ao seu alcance, dentro e fora da escola;
● Por fim, depois deste desabafo, peço licença pela ultima vez…
● Peço licença aos meus colegas de profissão as
escolas que trabalhei, que trabalho e que
futuramente irei trabalhar…
● Me deixem na utopia, me deixem ser professor!
● Professor Fábio Dias Silveira
● Cientista da Religião
● Professor de Ensino Religioso
● E antes de tudo Pai, como a maioria de vocês.

A Nova e Atrazada Escola - Professor Fábio Dias Silveira

  • 1.
    A NOVA ANTIGAESCOLA Nestes últimos dias, venho me perguntando o que é ser professor;
  • 2.
    ● Desde aépoca da faculdade, me deparo com leituras como Vygotsky, Piaget, Paulo Freire e dos contemporâneos no qual acompanho suas falas, o professor Mario Sérgio Cortella; ● Entre estes, aprendemos as mais diversas ferramentas de aprendizado; ● Aprendemos que precisamos olhar para o velho para termos referencias, mas que precisamos caminhar para o novo no processo de ensino e aprendizado; ● Mas quando saí da academia, me deparei com uma triste realidade;
  • 3.
    ● Um sistemade ensino falho; ● Professores sucateados, cansados e reprodutivos daquilo que está no livro didático, que é por sua vez mais antigo que sua carcaça cansada; ● Me deparo com escolas na sua maioria, refém dos pais e muitas vezes dos próprios alunos; ● Que por sua vez, reproduzem em seus PPPs as algemas criadas pelo sistema oriundo do método numérico, onde o que vale são os números e não as pessoas; ● PPPs que reproduzem a ideia que o aluno deveria ser avaliado pelo qualitativo, mas o que é apresentado no mesmo é que só vale o quantitativo; ● Mais vale o aluno que estuda, não entende, mas decora e tira 10,0 e que este, mesmo se for convocado a fazer a mesma prova depois de 6 meses não consegue atingir 5,0, pois não lembra de mais nada? Ou aquele aluno que não decorou o conteúdo mas que de alguma forma depois de 6 meses ainda consegue construir uma ideia crítica daquilo que aprendeu 6 meses antes?
  • 4.
    ● Se aprimeira questão for a que é a que deve ser, convido meus colegas professores de todas as escolas brasileiras a refazerem as provas de todas as matérias inclusive as suas em que nossos alunos são obrigados a fazer e se todos tirarem acima de 8,0, então eu estou errado; ● Somos professores, dotados de conhecimento no qual nosso papel é fazer que o aluno vá além do que ele vê no livro didático ou no Google? Ou somos simples reprodutores de informação? Se for isso, lamento informar mas perdemos para internet; ● Se chegamos ao ponto de perder para internet, então solicito aos governos que implantem o ensino a distância em todos os níveis de ensino, pois o que os professores reproduzem em sala está lá no Google e no Youtube, com aulas as vezes muito mais atrativas que as que eles recebem em sala de aula. ● Se é para receber um PPP que diz que eu tenho que aplicar um numero X de provas e trabalhos e que tenho que fazer uma avaliação de recuperação para aquele aluno que não aprendeu e que eu sei que ele não vai aprender, pois ninguém é capaz de assimilar tudo de um todo e que este mesmo PPP está reproduzindo aquilo que os governos querem, que é apresentar números e não qualidade, então então tenho que rever o conceito de o que é ser professor e processar meus mestres da faculdade pois me ensinaram uma utopia;
  • 5.
    ● Eu aprendique PPP seria o mecanismo de libertação para que os professores pudessem ensinar seus alunos a ter asas. ● Mas por fim não passa de algo que é o “mais do mesmo”; ● Não sei se tenho pena de meus alunos que são obrigados a tirar 10,0 ou o mais perto disso, para ganhar um celular novo fim do ano se passar; ● Ou se tenho pena dos pais que são obrigados a chantagear seus filhos a aprender e tirar notas altas, que por muitas vezes não é para o filho, mais sim para ativar o auterego como pais, na ilusão que isso lhes faz bons pais e na ilusão que isto faz seus filhos inteligentes; ● Desculpem pais, mas vocês acabaram de perder a guerra para seus filhos;
  • 6.
    ● Uma guerraonde você da um celular para o filho a fim de compensar os momentos que não estas com ele e para se livrar da obrigação de estar com ele em seu momento de folga; ● Uma guerra onde os pais perguntam “O que você quer comer meu filho?”, em vez de “Sente e come meu filho!”; ● Uma guerra onde pais negociam com os filhos e que os mesmos não veem mais os pais como uma figura segura de alguém que pode proteger a família e que acabam os perdendo-os para a rua; ● Em meio a tudo isso, peço licença aos meus colegas educadores, aos pais e aos governos; para que eu continue vivendo na utopia;
  • 7.
    ● Utopia ondeeu como professor me nego a perder para o Google e o Youtube; ● Utopia onde, me nego reproduzir a ideia que meus alunos precisam levar provas e trabalhos para casa com um 10,0, para provar aos seus pais que são mais inteligentes que aquele aluno que tirou 6,0; ● Desculpe pais, aquele aluno que tira 6,0, muitas vezes têm mais habilidades do que aquelas do aluno que decorou para tirar 10,0; ● O aluno que tirou 6,0 não tem tempo a perder em decorar uma informação que esta na internet e que amanha ele não lembrará mais!; ● Utopia onde o pai pergunta para o filho, “Meu filho, você aprendeu a ler este ano?”, em vez de “Quanto você tirou na prova de leitura hoje?”;
  • 8.
    ● Utopia onde opai pergunta para o filho, “Você aprendeu a dividir este ano meu filho?” em vez de “Quanto você tirou na prova de dividir meu filho?”; ● Utopia onde o pai chega em casa e pergunta, “Meu filho, somos cristãos, mas você sabe porque nem todo mundo acredita em Deus? E por que existem pessoas que vão para religiões como o Candomblé?” em vez de “Meu filho, somos cristãos, quem não acredita em Deus vai para o inferno e não ande mais com aquele seu colega macumbeiro!”; ● Deixo uma mensagem as minhas filhas, Beatriz e Isabela, não tirem 10,0 por obrigação, nota 10,0 não irá lhes fazer inteligentes, mas aprendam o máximo que estiver ao seu alcance, dentro e fora da escola; ● Por fim, depois deste desabafo, peço licença pela ultima vez…
  • 9.
    ● Peço licençaaos meus colegas de profissão as escolas que trabalhei, que trabalho e que futuramente irei trabalhar… ● Me deixem na utopia, me deixem ser professor!
  • 10.
    ● Professor FábioDias Silveira ● Cientista da Religião ● Professor de Ensino Religioso ● E antes de tudo Pai, como a maioria de vocês.