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A IMPORTÂNCIA DA ARBORIZAÇÃO NOS CENTROS URBANOS 
HOZANI THAIS BUZELATTO GUIMARÃES* 
PROFESSOR ORIENTADOR: JORGE AUGUSTO CALLADO AFONSO 
Resumo: Os locais arborizados contribuem para o equilíbrio físico-ambiental das 
cidades. GROSTEIN (2001) decorre que os problemas ambientais urbanos estão relacionados 
a falta de planejamento das cidade e às diferentes opções políticas e econômicas que optam 
por irracionalidades no uso e ocupação do solo como a transformação dos fundos de vale em 
avenidas, áreas protegidas em loteamentos e a pavimentação exagerada do solo que causam 
diversos problemas como as enchentes e as ilhas de calor. 
Segundo KAPLAN (1995) e MCPHERSON et al. (1997) as árvores em ambiente urbano 
exercem função ecológica, como a redução da poluição do ar, interceptação da água de chuva, 
sombreamento e estabilização da temperatura, redução do ruído e promoção de melhorias no 
bem-estar psicológico e físico. 
PALAVRAS-CHAVES: Arborização urbana; áreas verdes; aquecimento global; centros 
urbanos; qualidade de vida. 
Abstract: The wooded sites contribute to the physical and environmental cities. Grostein (2001) 
follows that urban environmental problems are related to lack of planning of the city and the 
different policy options and economic irrationalities opt for the use and occupation of land as the 
transformation of the avenues in valley bottoms, protected areas and allotments paving 
exaggerated soil that cause various problems such as floods and heat islands. 
According to Kaplan (1995) and MCPHERSON et al. (1997) the trees in the urban environment 
exert ecological function, such as reduced air pollution, stormwater interception, shading and 
temperature stabilization, noise reduction and promoting improvements in psychological well-being 
and physical. 
KEYWORDS: Street arborization; green areas; global warming; urban centers; 
quality of life. 
Nos últimos anos a concentração de 
pessoas nos centros urbanos tem aumentado 
significativamente. Esse crescimento é feito 
de forma acelerada e desordenada, 
impactando de maneira negativa o ambiente 
pela substituição do ecossistema natural por 
edificações e pavimentações propiciando a 
formação de problemas que afetam a 
qualidade de vida da população. 
O aumento da cobertura florestal 
modifica os fluxos de energia e de água, e 
causa mudanças na temperatura do ar, no 
regime de ventos e na concentração de 
poluentes do ar. Quando se mantém a 
temperatura mais baixa, há maior 
possibilidade da umidade relativa do ar 
permanecer em níveis adequados para a 
saúde. 
De acordo com HEISLER (1974), nas 
superfícies pavimentadas descobertas, não 
há proteção da luz solar incidente. O calor 
absorvido pelo pavimento é armazenado no 
chão e aquece o ar emitindo grande 
quantidade de radiação de onda longa. À 
noite, a radiação armazenada nos prédios e 
no pavimento continua a ser emitida na forma 
de radiação de ondas longas e contribui para 
tornar as cidades mais aquecidas do que 
áreas rurais no entorno (SERPA et al., 2009). 
A menor troca de ar causada pela 
restrição dos ventos contribui para manter o 
calor. 
Aluna Graduanda do Curso de Licenciatura Plena em Biologia da FACULDADES INTEGRADAS 
“ESPÍRITA” – UNIBEM 
Rua Tobias de Macedo Júnior 333, Bairro Santo Inácio. Curitiba - PR - CEP 82010-340
NOWAK, (1994) afirma que a poluição 
do ar afeta a saúde dos moradores dos 
centros urbanos e aflige mais gravemente 
crianças, idosos e enfermos, podendo causar 
tosse, dor de cabeça, irritação nos olhos, na 
garganta e nos pulmões, e em alguns casos, 
câncer. 
Áreas sem arborização são 
superaquecidas durante o dia e geram 
térmicas intensas, que lançam as impurezas 
para o alto. Segundo DANIELS et al. (1995) e 
PRIMAVESI et al. (2007) essas impurezas 
caem sobre as áreas verdes com térmicas 
mais fracas e por isso atuam como vácuo. De 
acordo com HEISLER (1974) e MCPHERSON 
et al. (1997) as árvores aumentam a área de 
sombreamento, o que, aliado à 
evapotranspiração, reduz a quantidade de 
calor na atmosfera portanto, a alocação 
estratégica de árvores pode contribuir 
também para reduzir os gastos de energia 
com resfriamento ou com aquecimento e com 
umidificação do ar(SERPA et al., 2009). 
COOK e HAVERBEKE (1977) afirmam 
que o problema dos ruídos urbanos pode ser 
minimizado com a utilização de árvores e 
arbustos. Associações de plantas podem ser 
usadas para permitir a formação de uma 
barreira desde o solo. As árvores e os 
arbustos devem ser plantados densamente, 
em faixas largas (SERPA et al., 2009). 
Chuvas intensas representam um 
desafio para a drenagem urbana. Na tentativa 
de conter os alagamentos e enchentes, são 
constantemente investidos recursos em obras 
paliativas. 
A impermeabilização do solo causa 
grandes impactos sobre a capacidade de 
recarga do lençol freático e sobre as 
enchentes e enxurradas que atingem as 
cidades. As áreas verdes aumentam a 
capacidade de absorção de água pelo solo 
(CUFR, 2002). Segundo PINTO (2007) os 
parques lineares são uma tentativa de 
recuperar fundos de vale e cursos d’água, 
permitindo a drenagem natural e melhorando 
a permeabilidade do solo, minimizando as 
enchentes, além de proteger os cursos d’água 
ainda não canalizados. 
O principal problema da má qualidade 
da arborização urbana (Figs. 01 e 02) é 
devido tanto à escolha inadequada das 
espécies vegetais como do espaço físico para 
as mesmas, ocasionando vários problemas. 
Fig. 01: Galhos de árvores ameaçando a fiação. 
Fonte: Redação Ambiente Brasil 
Fig. 02: Calçada danificada pelo crescimento das 
raízes. Fonte: Redação Ambiente Brasil 
Não se pode julgar a arborização de 
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fazem necessários. Muitas vezes a pratica da 
poda se faz indispensável na manutenção de 
árvores urbanas pelo mau planejamento na 
hora do plantio. A poda dos ramos que 
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pública deve ser realizada por equipes 
treinadas da companhia responsável. 
Algumas árvores plantadas 
erroneamente necessitam de poda para evitar 
danos. Faz-se necessário, também, a 
remoção de árvores que estejam interferindo 
(física ou visualmente) na passagem de
pessoas ou de veículos. Portanto deve-se 
observar e planejar o plantio de acordo com a 
disponibilidade das áreas, além de levar em 
conta as vias para os pedestres e os padrões 
variados de pavimentação (BONAMETTI, 
2008). 
Conclusão: Segundo KAPLAN 
(1995), ruas arborizadas favorecem o maior 
bem-estar da população, minimizam o 
estresse, provocam sentimentos positivos 
duradouros e estimulam a manutenção de 
hábitos que promovem essa interação. 
A presença da vegetação dentro dos 
centros urbanos quebra a artificialidade do 
meio, além de ser fundamental à qualidade do 
ambiente, reduzindo a poluição e melhorando 
a qualidade do ar, reduzindo a poluição 
sonora, estabilizando as áreas de calor 
excessivo além protegendo o solo e garantir a 
permeabilidade (Quadro 01). 
Devido à grande devastação que vem 
ocorrendo nos ecossistemas brasileiros, o 
plantio de espécies nativas do Brasil pode se 
tornar uma medida de conservação e 
valorização. 
Uma cidade que investe em áreas 
verdes além de contribuir para a qualidade de 
vida de seus habitantes, também contribui 
para o equilíbrio do planeta e aumenta seu 
potencial turístico. 
Organograma dos Principais Benefícios das Áreas Verdes Urbanas 
Fatores Urbanos Principais Formas de Degradação Principais Benefícios das 
Áreas Verdes Urbanas 
Físico 
Clima/ar. Alterações micro climáticas: 
Deterioração da qualidade 
do ar; 
Poluição Sonora. 
Conforto micro climático; 
Controle da poluição 
atmosférica; 
Controle da poluição sonora. 
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hídrica. 
Regularização hídrica 
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biológicas do solo. 
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naturais. Controle de vetores. 
Territorial 
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edificações; 
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Conforto ambienta nas 
edificações; 
Controle da poluição visual. 
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saneamento; 
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Quadro 01: Organograma dos Principais Benefícios das Áreas Verdes Urbanas. Fonte: Redação Ambiente 
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Referências: 
AMBIENTE BRASIL. Disponível em: 
http://ambientes.ambientebrasil.com.br/urba 
no/arborizacao_urbana/a_paisagem_urbana 
.html acessado em: 14/04/2013 
BONAMETTI, JH. ARBORIZAÇÃO 
URBANA. TERRA E CULTURA, ANO XIX, 
Nº 36, 2008 
COOK, DI.; HAVERBEKE, DF. van. 
SUBURBAN NOISE CONTROL WITH 
PLANT MATERIALS AND SOLID 
BARRIERS. In: CONFERENCE ON
METROPOLITAN PHYSICAL 
ENVIRONMENT, 1975, Syracuse, New 
York. Use of vegetation, space and 
structures to improve amenities for 
people: proceedings... Upper Darby, PA: 
USDA, 1977. p. 234- 241. (USDA Forest 
Service. General Technical Report, 25). 
CUFR – CENTER FOR URBAN FOREST 
RESEARCH. FACT SHEET 4: CONTROL 
STORMWATER RUNOFF WITH TREES. 
[2002]. Disponível em: 
<http://www.fs.fed.us/psw/programs/cufr/pro 
ducts> Acesso em: 10/04/2013. 
DANIELS, P.; FALLOW, A.; KINNEY, K. 
(Ed.). TEMPO E CLIMA. Rio de Janeiro: 
Abril Livros, Time Life, 1995. 150 p. 
(Coleção Ciência e Natureza). 
GROSTEIN, MD. METRÓPOLE E 
EXPANSÃO URBANA: A PERSISTÊNCIA 
DE PROCESSOS “INSUSTENTÁVEIS”. 
SÃO PAULO EM PERSPECTIVA, 15(1) 
2001 
HEISLER, GM. TREES AND HUMAN 
COMFORT IN URBAN AREAS. Journal of 
Forestry, v. 72, n. 8, p. 466- 469, 1974. 
KAPLAN, S. THE RESTORATIVE 
BENEFITS OF NATURE: TOWARD AN 
INTEGRATIVE FRAMEWORK. Journal of 
Environmental Psychology, v. 15, p. 169- 
182, 1995. 
MARQUES, LEMM. O PAPEL DA 
MADEIRA NA SUSTENTABILIDADE DA 
CONSTRUÇÃO. Tese de mestrado 
integrado. Engenharia Civil (especialização 
em Construções Civis). Faculdade de 
Engenharia. Universidade do Porto. 2008 
disponível em: 
http://hdl.handle.net/10216/58999 acesso 
em: 16/04/2013. 
MCPHERSON, G et al. Quantifying urban 
forest structure, function, and value: the 
Chicago Urban Forest Climate Project. 
Urban Ecosystems, v. 1, p. 49-61, 1997. 
NOWAK, DJ. AIR POLLUTION REMOVAL 
BY CHICAGO’S URBAN FOREST. In: 
MCPHERSON, EG.; NOWAK, DJ.; 
ROWNTREE, RA. (Ed.). CHICAGO’S 
URBAN FOREST ECOSYSTEM: 
RESULTS OF THE CHICAGO URBAN 
FOREST CLIMATE PROJECT. Radnor, 
PA: U.S. Department of Agriculture, Forest 
Service, Northeastern Forest Experiment 
Station, 1994. p. 63-81. (General Technical 
Report.NE-186). 
PINTO, M. PARQUES LINEARES EM SP 
PRETENDEM COMBATER ILHAS DE 
CALOR CAUSADAS PELA ‘SELVA DE 
PEDRA’. Ag Solve, 15 out. 2007. Disponível 
em: <http://www.agsolve.com.br/ 
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15/04/2013. 
PRIMAVESI, O.; ARZABE, C.; PEDREIRA, 
M. S. AQUECIMENTO GLOBAL E 
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SERPA, DS.; MORAIS, NA.; MOURA, TM. 
ARBORIZAÇÃO URBANA EM TRÊS 
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SP, v.4, n.3, p.98-112, 2009 
TARNOWSKI, LC. PRESERVAÇÃO DO 
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URBANA. In: NEMA, 3º ENCONTRO 
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MEIO AMBIENTE. Anais. Londrina: 
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A importância da arborização nos centros urbanos

  • 1. A IMPORTÂNCIA DA ARBORIZAÇÃO NOS CENTROS URBANOS HOZANI THAIS BUZELATTO GUIMARÃES* PROFESSOR ORIENTADOR: JORGE AUGUSTO CALLADO AFONSO Resumo: Os locais arborizados contribuem para o equilíbrio físico-ambiental das cidades. GROSTEIN (2001) decorre que os problemas ambientais urbanos estão relacionados a falta de planejamento das cidade e às diferentes opções políticas e econômicas que optam por irracionalidades no uso e ocupação do solo como a transformação dos fundos de vale em avenidas, áreas protegidas em loteamentos e a pavimentação exagerada do solo que causam diversos problemas como as enchentes e as ilhas de calor. Segundo KAPLAN (1995) e MCPHERSON et al. (1997) as árvores em ambiente urbano exercem função ecológica, como a redução da poluição do ar, interceptação da água de chuva, sombreamento e estabilização da temperatura, redução do ruído e promoção de melhorias no bem-estar psicológico e físico. PALAVRAS-CHAVES: Arborização urbana; áreas verdes; aquecimento global; centros urbanos; qualidade de vida. Abstract: The wooded sites contribute to the physical and environmental cities. Grostein (2001) follows that urban environmental problems are related to lack of planning of the city and the different policy options and economic irrationalities opt for the use and occupation of land as the transformation of the avenues in valley bottoms, protected areas and allotments paving exaggerated soil that cause various problems such as floods and heat islands. According to Kaplan (1995) and MCPHERSON et al. (1997) the trees in the urban environment exert ecological function, such as reduced air pollution, stormwater interception, shading and temperature stabilization, noise reduction and promoting improvements in psychological well-being and physical. KEYWORDS: Street arborization; green areas; global warming; urban centers; quality of life. Nos últimos anos a concentração de pessoas nos centros urbanos tem aumentado significativamente. Esse crescimento é feito de forma acelerada e desordenada, impactando de maneira negativa o ambiente pela substituição do ecossistema natural por edificações e pavimentações propiciando a formação de problemas que afetam a qualidade de vida da população. O aumento da cobertura florestal modifica os fluxos de energia e de água, e causa mudanças na temperatura do ar, no regime de ventos e na concentração de poluentes do ar. Quando se mantém a temperatura mais baixa, há maior possibilidade da umidade relativa do ar permanecer em níveis adequados para a saúde. De acordo com HEISLER (1974), nas superfícies pavimentadas descobertas, não há proteção da luz solar incidente. O calor absorvido pelo pavimento é armazenado no chão e aquece o ar emitindo grande quantidade de radiação de onda longa. À noite, a radiação armazenada nos prédios e no pavimento continua a ser emitida na forma de radiação de ondas longas e contribui para tornar as cidades mais aquecidas do que áreas rurais no entorno (SERPA et al., 2009). A menor troca de ar causada pela restrição dos ventos contribui para manter o calor. Aluna Graduanda do Curso de Licenciatura Plena em Biologia da FACULDADES INTEGRADAS “ESPÍRITA” – UNIBEM Rua Tobias de Macedo Júnior 333, Bairro Santo Inácio. Curitiba - PR - CEP 82010-340
  • 2. NOWAK, (1994) afirma que a poluição do ar afeta a saúde dos moradores dos centros urbanos e aflige mais gravemente crianças, idosos e enfermos, podendo causar tosse, dor de cabeça, irritação nos olhos, na garganta e nos pulmões, e em alguns casos, câncer. Áreas sem arborização são superaquecidas durante o dia e geram térmicas intensas, que lançam as impurezas para o alto. Segundo DANIELS et al. (1995) e PRIMAVESI et al. (2007) essas impurezas caem sobre as áreas verdes com térmicas mais fracas e por isso atuam como vácuo. De acordo com HEISLER (1974) e MCPHERSON et al. (1997) as árvores aumentam a área de sombreamento, o que, aliado à evapotranspiração, reduz a quantidade de calor na atmosfera portanto, a alocação estratégica de árvores pode contribuir também para reduzir os gastos de energia com resfriamento ou com aquecimento e com umidificação do ar(SERPA et al., 2009). COOK e HAVERBEKE (1977) afirmam que o problema dos ruídos urbanos pode ser minimizado com a utilização de árvores e arbustos. Associações de plantas podem ser usadas para permitir a formação de uma barreira desde o solo. As árvores e os arbustos devem ser plantados densamente, em faixas largas (SERPA et al., 2009). Chuvas intensas representam um desafio para a drenagem urbana. Na tentativa de conter os alagamentos e enchentes, são constantemente investidos recursos em obras paliativas. A impermeabilização do solo causa grandes impactos sobre a capacidade de recarga do lençol freático e sobre as enchentes e enxurradas que atingem as cidades. As áreas verdes aumentam a capacidade de absorção de água pelo solo (CUFR, 2002). Segundo PINTO (2007) os parques lineares são uma tentativa de recuperar fundos de vale e cursos d’água, permitindo a drenagem natural e melhorando a permeabilidade do solo, minimizando as enchentes, além de proteger os cursos d’água ainda não canalizados. O principal problema da má qualidade da arborização urbana (Figs. 01 e 02) é devido tanto à escolha inadequada das espécies vegetais como do espaço físico para as mesmas, ocasionando vários problemas. Fig. 01: Galhos de árvores ameaçando a fiação. Fonte: Redação Ambiente Brasil Fig. 02: Calçada danificada pelo crescimento das raízes. Fonte: Redação Ambiente Brasil Não se pode julgar a arborização de uma cidade apenas pelo número de árvores que ela possui, pois a qualidade de uma arborização é o fator fundamental para avaliar a eficiência do manejo aplicado à arborização. A escolha da espécie e do local também se fazem necessários. Muitas vezes a pratica da poda se faz indispensável na manutenção de árvores urbanas pelo mau planejamento na hora do plantio. A poda dos ramos que interferem nas linhas dos serviços de utilidade pública deve ser realizada por equipes treinadas da companhia responsável. Algumas árvores plantadas erroneamente necessitam de poda para evitar danos. Faz-se necessário, também, a remoção de árvores que estejam interferindo (física ou visualmente) na passagem de
  • 3. pessoas ou de veículos. Portanto deve-se observar e planejar o plantio de acordo com a disponibilidade das áreas, além de levar em conta as vias para os pedestres e os padrões variados de pavimentação (BONAMETTI, 2008). Conclusão: Segundo KAPLAN (1995), ruas arborizadas favorecem o maior bem-estar da população, minimizam o estresse, provocam sentimentos positivos duradouros e estimulam a manutenção de hábitos que promovem essa interação. A presença da vegetação dentro dos centros urbanos quebra a artificialidade do meio, além de ser fundamental à qualidade do ambiente, reduzindo a poluição e melhorando a qualidade do ar, reduzindo a poluição sonora, estabilizando as áreas de calor excessivo além protegendo o solo e garantir a permeabilidade (Quadro 01). Devido à grande devastação que vem ocorrendo nos ecossistemas brasileiros, o plantio de espécies nativas do Brasil pode se tornar uma medida de conservação e valorização. Uma cidade que investe em áreas verdes além de contribuir para a qualidade de vida de seus habitantes, também contribui para o equilíbrio do planeta e aumenta seu potencial turístico. Organograma dos Principais Benefícios das Áreas Verdes Urbanas Fatores Urbanos Principais Formas de Degradação Principais Benefícios das Áreas Verdes Urbanas Físico Clima/ar. Alterações micro climáticas: Deterioração da qualidade do ar; Poluição Sonora. Conforto micro climático; Controle da poluição atmosférica; Controle da poluição sonora. Água. Alterações da quantidade de água. Deterioração da qualidade hídrica. Regularização hídrica Controle da poluição edáfica Solo/subsolo. Alterações físicas do solo. Alterações químicas e biológicas do solo. Estabilidade do solo; Controle da poluição edáfica. Biológicos Flora. Redução da cobertura vegetal. Redução da biodiversidade. Controle da redução da biodiversidade. Fauna. Proliferação de vetores. Destruição de habitats naturais. Controle de vetores. Territorial Uso/ocupação do solo. Desconforto ambiental das edificações; Poluição visual. Alterações micro climáticas. Conforto ambienta nas edificações; Controle da poluição visual. Infra-estrutura/serviços. Dificuldade no deslocamento; Aumento da necessidade de saneamento; Redução da sociabilidade. Desperdício de energia. Racionalização do transporte; Saneamento ambiental; Conservação de energia. Sociais Demografia; Equipamentos e serviço social. Concentração populacional. Crescimento das necessidades sociais. Conscientização ambiental; Atendimento das necessidades sociais. Econômicos Setores produtivos; Renda/Ocupação. Valor e desvalorização da atividade/propriedade; Concentração de pobreza e desemprego. Valorização das atividades e propriedades; Amenizações dos bolsões da pobreza. Instituição Setor Público; Instrumentos Normativos. Redução da capacidade de gestão urbana; Instrumental insuficiente. Apoio à capacidade de gestão urbana; Instrumento de regulamentação específica. Quadro 01: Organograma dos Principais Benefícios das Áreas Verdes Urbanas. Fonte: Redação Ambiente Brasil Referências: AMBIENTE BRASIL. Disponível em: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/urba no/arborizacao_urbana/a_paisagem_urbana .html acessado em: 14/04/2013 BONAMETTI, JH. ARBORIZAÇÃO URBANA. TERRA E CULTURA, ANO XIX, Nº 36, 2008 COOK, DI.; HAVERBEKE, DF. van. SUBURBAN NOISE CONTROL WITH PLANT MATERIALS AND SOLID BARRIERS. In: CONFERENCE ON
  • 4. METROPOLITAN PHYSICAL ENVIRONMENT, 1975, Syracuse, New York. Use of vegetation, space and structures to improve amenities for people: proceedings... Upper Darby, PA: USDA, 1977. p. 234- 241. (USDA Forest Service. General Technical Report, 25). CUFR – CENTER FOR URBAN FOREST RESEARCH. FACT SHEET 4: CONTROL STORMWATER RUNOFF WITH TREES. [2002]. Disponível em: <http://www.fs.fed.us/psw/programs/cufr/pro ducts> Acesso em: 10/04/2013. DANIELS, P.; FALLOW, A.; KINNEY, K. (Ed.). TEMPO E CLIMA. Rio de Janeiro: Abril Livros, Time Life, 1995. 150 p. (Coleção Ciência e Natureza). GROSTEIN, MD. METRÓPOLE E EXPANSÃO URBANA: A PERSISTÊNCIA DE PROCESSOS “INSUSTENTÁVEIS”. SÃO PAULO EM PERSPECTIVA, 15(1) 2001 HEISLER, GM. TREES AND HUMAN COMFORT IN URBAN AREAS. Journal of Forestry, v. 72, n. 8, p. 466- 469, 1974. KAPLAN, S. THE RESTORATIVE BENEFITS OF NATURE: TOWARD AN INTEGRATIVE FRAMEWORK. Journal of Environmental Psychology, v. 15, p. 169- 182, 1995. MARQUES, LEMM. O PAPEL DA MADEIRA NA SUSTENTABILIDADE DA CONSTRUÇÃO. Tese de mestrado integrado. Engenharia Civil (especialização em Construções Civis). Faculdade de Engenharia. Universidade do Porto. 2008 disponível em: http://hdl.handle.net/10216/58999 acesso em: 16/04/2013. MCPHERSON, G et al. Quantifying urban forest structure, function, and value: the Chicago Urban Forest Climate Project. Urban Ecosystems, v. 1, p. 49-61, 1997. NOWAK, DJ. AIR POLLUTION REMOVAL BY CHICAGO’S URBAN FOREST. In: MCPHERSON, EG.; NOWAK, DJ.; ROWNTREE, RA. (Ed.). CHICAGO’S URBAN FOREST ECOSYSTEM: RESULTS OF THE CHICAGO URBAN FOREST CLIMATE PROJECT. Radnor, PA: U.S. Department of Agriculture, Forest Service, Northeastern Forest Experiment Station, 1994. p. 63-81. (General Technical Report.NE-186). PINTO, M. PARQUES LINEARES EM SP PRETENDEM COMBATER ILHAS DE CALOR CAUSADAS PELA ‘SELVA DE PEDRA’. Ag Solve, 15 out. 2007. Disponível em: <http://www.agsolve.com.br/ noticia.php?cod=296>. Acesso em: 15/04/2013. PRIMAVESI, O.; ARZABE, C.; PEDREIRA, M. S. AQUECIMENTO GLOBAL E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: UMA VISÃO INTEGRADA TROPICAL. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste, 2007. 213 p. SERPA, DS.; MORAIS, NA.; MOURA, TM. ARBORIZAÇÃO URBANA EM TRÊS MUNICÍPIOS DO SUL DO ESTADO DE GOIÁS: MORRINHOS, GOIATUBA E CALDAS NOVAS. REVSBAU, Piracicaba – SP, v.4, n.3, p.98-112, 2009 TARNOWSKI, LC. PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE E A ARBORIZAÇÃO URBANA. In: NEMA, 3º ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE O MEIO AMBIENTE. Anais. Londrina: Universidade Estadual de Londrina – UEL, 1991.