Equac~oes Diferenciais Parciais e o Teorema de Exist^encia e Unicidade para o 
Problema de Cauchy, caso linear 
Cristiane C. F. Cintra1y, Luciana B. Goecking2 
1Discente do curso de Matematica Licenciatura da Universidade Federal de Alfenas. 
2Docente do Instituto de Ci^encias Exatas da Universidade Federal de Alfenas. 
Resumo: Seja 
 de R2 uma regi~ao aberta, I um intervalo aberto e a equac~ao linear de primeira 
ordem n~ao homog^enea em sua forma mais geral a(x; y)ux +b(x; y)uy = c(x; y) e a condic~ao ini-cial 
u((t); (t)) = f(t) em que a, b e c s~ao de classe C1 em 
 que contem a curva suave 

 = ((t); (t)); t 2 I, chamada curva inicial do problema. Este tipo de problema e chamado 
um Problema de Cauchy. Para resolvermos este problema de Cauchy sera de import^ancia fun-damental 
o conceito das curvas caracterstica da equac~ao, pois estas representam o ponto de 
partida na busca da soluc~ao para o problema.Tambem, veremos que a forma como as curvas ca-racter 
sticas intersectam a curva inicial ((t); (t)) dada determina se o problema tera soluc~ao 
unica, in
nitas soluc~oes ou se a soluc~ao n~ao existe. Veremos o Teorema de Exist^encia e Unici-dade 
que nos da as condic~oes necessarias para a exist^encia e unicidade da soluc~ao do Problema 
de Cauchy mencionado. E 
importante observar que o Teorema de Exist^encia e Unicidade nos 
garante apenas resultados locais, ja que o comportamento das curvas caractersticas longe da 
curva inicial pode tornar-se demasiado complexo. 
Palavras-chave: Problema de valor inicial, mudanca de variaveis, curva caracterstica. 
Abstract: It 
 of R2 is a open region, I an open interval and the linear equation of
rst or-der 
non homogeneous in its most general form a(x; y)ux + b(x; y)uy = c(x; y) and the initial 
condition u((t); (t)) = f(t) that a, b and c are C1 class in 
 that contains the smoth curve 

 = ((t); (t)); t 2 I, initial curve of problem. This type of problem is called a Cauchy Pro-blem. 
To solve this Cauchy problem is fundamental the concept of characteristic curves of the 
equation, since these represent the starting point in the search for solution to the problem. Also, 
we will see that the way in which the characteristic curves intersect the initial curve ((t); (t)) 
given determines whether the problem will have unique solution, endless solutions or if the so-lution 
does not exist. We will see the Existence and Uniqueness Theorem that gives us the 
necessary conditions for the existence and uniqueness of solution of Cauchy Problem cited. It is 
important to note that the Existence and Uniqueness Theorem guarantees us just local results, 
since the behavior of the characteristic curves away from the initial curve can become to complex. 
Keywords: Initial value problem, variable changes, curve feature. 
yCorresponding author: cristiane.uai@oi.com.br. 
Sigmae, Alfenas, v.1, n.1, p. 44-56. 2012.
Cintra e Goecking (2012) 45 
Introduc~ao 
As Equac~oes Diferenciais Parciais (EDP's) s~ao utilizadas para descrever acontecimentos f- 
sicos, biologicos, entre outros. Da a grande relev^ancia de seu estudo. 
De acordo com Bassanezi e Junior (1988, p. 2) ...as Equac~oes Diferenciais talvez sejam o 
ramo da matematica que tenha maior proximidade e interac~oes com outras ci^encias. 
Muitos fen^omenos que ocorrem na otica, mec^anica, biologia, entre outros, podem ser mo-delados 
por Equac~oes Diferenciais Parciais. A Elasticidade e a Din^amica dos Fluidos, [...] 
tiveram seu desenvolvimento em comum com uma grande e boa parte da teoria matematica 
destas equac~oes. (BASSANEZI; JUNIOR, 1988, p. 469). A soluc~ao de inumeros problemas de 
import^ancia pratica e cient
ca em Mec^anica do Meio Contnuo depende do desenvolvimento da 
teoria das EDP's. 
Considere a equac~ao linear de primeira ordem n~ao homog^enea 
a(x; y)ux + b(x; y)uy = c(x; y); (x; y) 2 
 
u((t); (t)) = f(t); t 2 I 
em que 
  R2 e um aberto, a; b; c 2 C1(
), I representa um intervalo aberto e 
 = ((t); (t)) 
e uma parametrizac~ao de uma curva qualquer em 
, denominada Curva Inicial do problema. 
Este tipo de problema e chamado um Problema de Cauchy. 
O Problema de Cauchy e um problema classico dentro da teoria das Equac~oes Diferenciais. 
A. L. Cauchy (1789-1857) demonstrou rigorosamente pela primeira vez, e por 
tr^es metodos diferentes, a exist^encia de soluc~oes para uma vasta classe de 
Equac~oes Diferenciais que inclui essencialmente todos os modelos conhecidos. 
(BASSANEZI; JUNIOR, 1988, p. 9). 
Vamos ver como resolver problemas de Cauchy para equac~oes lineares de primeira ordem com 
duas variaveis independentes. Para isto, estudaremos o Teorema de Exist^encia e Unicidade para 
o caso linear para o Problema de Cauchy. Este teorema nos fornecera as condic~oes necessarias 
para que este problema tenha soluc~ao e para que esta seja unica. 
Conceitos Fundamentais 
Notac~oes 
Seja 
  Rn um aberto e u : 
 ! R uma func~ao diferenciavel. Se u = u(x1; :::; xn) e uma 
func~ao de varias variaveis, usaremos diferentes notac~oes para as derivadas parciais de u. Por 
exemplo, 
(i) 
@u 
@x1 
; ux1 ; @x1u ou D1u denota a derivada parcial de u em relac~ao a primeira variavel x1. 
(ii) 
@2u 
@x2@x1 
; ux1x2 ; @x2@x1u ou D2D1u denota a derivada de u primeiro em relac~ao a x1 e 
depois a x2. 
(iii) 
@2u 
@x2i 
; uxixi ; @2 
xiu ou D2 
i u denota a derivada de segunda ordem de u com relac~ao a mesma 
variavel xi. 
Sigmae, Alfenas, v.1, n.1, p. 44-56. 2012.
Cintra e Goecking (2012) 46 
Equac~ao Diferencial Parcial 
Uma Equac~ao Diferencial Parcial (EDP) e uma equac~ao que envolve variaveis independentes 
x1; x2; :::; xn e derivadas parciais de uma func~ao (variavel dependente) u = u(x1; x2; :::; xn). Uma 
EDP em n variaveis independentes x1; :::; xn e uma equac~ao da forma 
F 
 
x1; :::; xn; u; 
@u 
@xi 
; 
@2u 
@xi@xj 
; :::; 
@mu 
@xi1:::@xim 
 
= 0 (1) 
em que x = (x1; ::; xn) 2 
, que representa um subconjunto aberto de Rn, u : 
 ! R e uma 
func~ao com derivadas parciais de ordem m. 
Obs.: Um subconjunto 
 de Rn e aberto se, dado qualquer x0 2 
, existe uma bola aberta de 
raio r  0 centrada em x0 inteiramente contida em 
. 
Exemplos de EDP's: 
1) ut = uxxx + uux 
2) xux  yuy = sen(xy) 
3) (ux)2  x2 + ut = 0 
Classi
cac~ao de uma EDP 
Uma EDP pode ser classi
cada segundo sua ordem e linearidade. 
A ordem de uma EDP e dada pela sua derivada parcial de maior ordem. Dizemos que a 
EDP (1) e linear se F e linear em relac~ao a u e a todas as suas derivadas parciais; caso contrario 
a EDP e dita n~ao linear. 
O exemplo 1) e uma EDP linear de terceira ordem, no exemplo 2), temos uma EDP linear 
de primeira ordem e no exemplo 3), a EDP e n~ao linear de primeira ordem. 
Uma EDP linear de primeira ordem possui a forma geral 
Xn 
j=1 
aj(x)Dju + b(x)u + c(x) = 0; (2) 
em que algum dos coe
cientes aj n~ao e identicamente nulo. 
Ja no caso de equac~oes de segunda ordem, a forma mais geral de uma EDP linear e 
Xn 
i;j=1 
aij(x)DiDju + 
Xn 
j=1 
bj(x)Dju + c(x)u + d(x) = 0; (3) 
em que algum dos coe
cientes aij n~ao e identicamente nulo. 
Caso a EDP possua duas variaveis independentes x; y, as equac~oes (2) e (3) podem ser 
reescritas, respectivamente, 
A(x; y)ux + B(x; y)uy + C(x; y)u + D(x; y) = 0; (4) 
A(x; y)uxx + 2B(x; y)uxy + C(x; y)uyy + D(x; y)ux + E(x; y)uy + F(x; y)u + G(x; y) = 0: (5) 
Obs.: A equac~ao (5) n~ao contem o termo com uyx, pois procuramos soluc~oes u que s~ao duas 
vezes continuamente diferenciaveis na regi~ao de interesse e, para tais func~oes, uxy = uyx. 
Uma EDP linear e dita homog^enea se o termo que n~ao contem a variavel dependente e 
identicamente nulo. O exemplo 1) e de uma EDP linear homog^enea e no exemplo 2) temos uma 
EDP linear n~ao homog^enea. 
As equac~oes (4) e (5) se tornam homog^eneas quando as func~oes D(x; y) e G(x; y) s~ao res-pectivamente 
iguais a zero. 
Sigmae, Alfenas, v.1, n.1, p. 44-56. 2012.
Cintra e Goecking (2012) 47 
Tr^es EDP's importantes 
1) A equac~ao de Laplace, 
@2u 
@x2 + 
@2u 
@y2 = 0; 
e uma equac~ao linear de segunda ordem homog^enea. 
2) Uma outra equac~ao importante e a equac~ao unidimensional de calor 
@u 
@t 
= 2 @2u 
@x2 ; 
onde u = u(x; t), x 2 R, t  0 e 2 e uma constante. E 
uma equac~ao de segunda ordem, 
linear e homog^enea. 
3) A equac~ao unidimensional de onda 
@2u 
@t2 = c2 @2u 
@x2 : 
e tambem linear, homog^enea e de segunda ordem. 
Obs.: O termo unidimensional faz refer^encia ao fato de x ter dimens~ao espacial 1, enquanto t 
representa o tempo. 
O Operador Diferencial Parcial L 
Consideremos uma EDP de primeira ou segunda ordem com n variaveis independentes 
x1; :::; xn. Considerando uma equac~ao do tipo 
Xn 
i;j=1 
aij(x)DiDju + 
Xn 
j=1 
bj(x)Dju + c(x)u + d(x) = 0: (6) 
Denotaremos por k a ordem da equac~ao, k = 1 ou k = 2. Note que se k = 1, ent~ao aij  0 
quaisquer que sejam i; j 2 f1; :::; ng e existe j; 1  j  n, tal que bj6 0. 
Podemos colocar a equac~ao (6) na forma 
Lu = f; (7) 
em que f(x) = d(x) e 
(Lu)(x) = 
Xn 
i;j=1 
aij(x)DiDju(x) + 
Xn 
j=1 
bj(x)Dju(x) + c(x)u(x): (8) 
A cada func~ao u corresponde uma unica func~ao Lu. Assim, de
nimos o operador ou trans-forma 
c~ao L. Considere 
 um subconjunto aberto de Rn, onde as func~oes aij ; bj e c, 1  i; j  n; 
s~ao contnuas em 
 e tomam valores reais. De
nimos, ent~ao 
L : Ck(
) ! C(
) (9) 
u7! Lu 
onde Lu e dado pela formula (8) e Ck(
) e o conjunto das func~oes u : 
7! R que s~ao k vezes 
continuamente diferenciaveis. 
O operador L representa um exemplo de um operador diferencial parcial. Como a equac~ao 
(6) e linear, temos que o operador L de

92 268-1-pb (2)

  • 1.
    Equac~oes Diferenciais Parciaise o Teorema de Exist^encia e Unicidade para o Problema de Cauchy, caso linear Cristiane C. F. Cintra1y, Luciana B. Goecking2 1Discente do curso de Matematica Licenciatura da Universidade Federal de Alfenas. 2Docente do Instituto de Ci^encias Exatas da Universidade Federal de Alfenas. Resumo: Seja de R2 uma regi~ao aberta, I um intervalo aberto e a equac~ao linear de primeira ordem n~ao homog^enea em sua forma mais geral a(x; y)ux +b(x; y)uy = c(x; y) e a condic~ao ini-cial u((t); (t)) = f(t) em que a, b e c s~ao de classe C1 em que contem a curva suave = ((t); (t)); t 2 I, chamada curva inicial do problema. Este tipo de problema e chamado um Problema de Cauchy. Para resolvermos este problema de Cauchy sera de import^ancia fun-damental o conceito das curvas caracterstica da equac~ao, pois estas representam o ponto de partida na busca da soluc~ao para o problema.Tambem, veremos que a forma como as curvas ca-racter sticas intersectam a curva inicial ((t); (t)) dada determina se o problema tera soluc~ao unica, in
  • 2.
    nitas soluc~oes ouse a soluc~ao n~ao existe. Veremos o Teorema de Exist^encia e Unici-dade que nos da as condic~oes necessarias para a exist^encia e unicidade da soluc~ao do Problema de Cauchy mencionado. E importante observar que o Teorema de Exist^encia e Unicidade nos garante apenas resultados locais, ja que o comportamento das curvas caractersticas longe da curva inicial pode tornar-se demasiado complexo. Palavras-chave: Problema de valor inicial, mudanca de variaveis, curva caracterstica. Abstract: It of R2 is a open region, I an open interval and the linear equation of
  • 3.
    rst or-der nonhomogeneous in its most general form a(x; y)ux + b(x; y)uy = c(x; y) and the initial condition u((t); (t)) = f(t) that a, b and c are C1 class in that contains the smoth curve = ((t); (t)); t 2 I, initial curve of problem. This type of problem is called a Cauchy Pro-blem. To solve this Cauchy problem is fundamental the concept of characteristic curves of the equation, since these represent the starting point in the search for solution to the problem. Also, we will see that the way in which the characteristic curves intersect the initial curve ((t); (t)) given determines whether the problem will have unique solution, endless solutions or if the so-lution does not exist. We will see the Existence and Uniqueness Theorem that gives us the necessary conditions for the existence and uniqueness of solution of Cauchy Problem cited. It is important to note that the Existence and Uniqueness Theorem guarantees us just local results, since the behavior of the characteristic curves away from the initial curve can become to complex. Keywords: Initial value problem, variable changes, curve feature. yCorresponding author: cristiane.uai@oi.com.br. Sigmae, Alfenas, v.1, n.1, p. 44-56. 2012.
  • 4.
    Cintra e Goecking(2012) 45 Introduc~ao As Equac~oes Diferenciais Parciais (EDP's) s~ao utilizadas para descrever acontecimentos f- sicos, biologicos, entre outros. Da a grande relev^ancia de seu estudo. De acordo com Bassanezi e Junior (1988, p. 2) ...as Equac~oes Diferenciais talvez sejam o ramo da matematica que tenha maior proximidade e interac~oes com outras ci^encias. Muitos fen^omenos que ocorrem na otica, mec^anica, biologia, entre outros, podem ser mo-delados por Equac~oes Diferenciais Parciais. A Elasticidade e a Din^amica dos Fluidos, [...] tiveram seu desenvolvimento em comum com uma grande e boa parte da teoria matematica destas equac~oes. (BASSANEZI; JUNIOR, 1988, p. 469). A soluc~ao de inumeros problemas de import^ancia pratica e cient
  • 5.
    ca em Mec^anicado Meio Contnuo depende do desenvolvimento da teoria das EDP's. Considere a equac~ao linear de primeira ordem n~ao homog^enea a(x; y)ux + b(x; y)uy = c(x; y); (x; y) 2 u((t); (t)) = f(t); t 2 I em que R2 e um aberto, a; b; c 2 C1( ), I representa um intervalo aberto e = ((t); (t)) e uma parametrizac~ao de uma curva qualquer em , denominada Curva Inicial do problema. Este tipo de problema e chamado um Problema de Cauchy. O Problema de Cauchy e um problema classico dentro da teoria das Equac~oes Diferenciais. A. L. Cauchy (1789-1857) demonstrou rigorosamente pela primeira vez, e por tr^es metodos diferentes, a exist^encia de soluc~oes para uma vasta classe de Equac~oes Diferenciais que inclui essencialmente todos os modelos conhecidos. (BASSANEZI; JUNIOR, 1988, p. 9). Vamos ver como resolver problemas de Cauchy para equac~oes lineares de primeira ordem com duas variaveis independentes. Para isto, estudaremos o Teorema de Exist^encia e Unicidade para o caso linear para o Problema de Cauchy. Este teorema nos fornecera as condic~oes necessarias para que este problema tenha soluc~ao e para que esta seja unica. Conceitos Fundamentais Notac~oes Seja Rn um aberto e u : ! R uma func~ao diferenciavel. Se u = u(x1; :::; xn) e uma func~ao de varias variaveis, usaremos diferentes notac~oes para as derivadas parciais de u. Por exemplo, (i) @u @x1 ; ux1 ; @x1u ou D1u denota a derivada parcial de u em relac~ao a primeira variavel x1. (ii) @2u @x2@x1 ; ux1x2 ; @x2@x1u ou D2D1u denota a derivada de u primeiro em relac~ao a x1 e depois a x2. (iii) @2u @x2i ; uxixi ; @2 xiu ou D2 i u denota a derivada de segunda ordem de u com relac~ao a mesma variavel xi. Sigmae, Alfenas, v.1, n.1, p. 44-56. 2012.
  • 6.
    Cintra e Goecking(2012) 46 Equac~ao Diferencial Parcial Uma Equac~ao Diferencial Parcial (EDP) e uma equac~ao que envolve variaveis independentes x1; x2; :::; xn e derivadas parciais de uma func~ao (variavel dependente) u = u(x1; x2; :::; xn). Uma EDP em n variaveis independentes x1; :::; xn e uma equac~ao da forma F x1; :::; xn; u; @u @xi ; @2u @xi@xj ; :::; @mu @xi1:::@xim = 0 (1) em que x = (x1; ::; xn) 2 , que representa um subconjunto aberto de Rn, u : ! R e uma func~ao com derivadas parciais de ordem m. Obs.: Um subconjunto de Rn e aberto se, dado qualquer x0 2 , existe uma bola aberta de raio r 0 centrada em x0 inteiramente contida em . Exemplos de EDP's: 1) ut = uxxx + uux 2) xux yuy = sen(xy) 3) (ux)2 x2 + ut = 0 Classi
  • 7.
    cac~ao de umaEDP Uma EDP pode ser classi
  • 8.
    cada segundo suaordem e linearidade. A ordem de uma EDP e dada pela sua derivada parcial de maior ordem. Dizemos que a EDP (1) e linear se F e linear em relac~ao a u e a todas as suas derivadas parciais; caso contrario a EDP e dita n~ao linear. O exemplo 1) e uma EDP linear de terceira ordem, no exemplo 2), temos uma EDP linear de primeira ordem e no exemplo 3), a EDP e n~ao linear de primeira ordem. Uma EDP linear de primeira ordem possui a forma geral Xn j=1 aj(x)Dju + b(x)u + c(x) = 0; (2) em que algum dos coe
  • 9.
    cientes aj n~aoe identicamente nulo. Ja no caso de equac~oes de segunda ordem, a forma mais geral de uma EDP linear e Xn i;j=1 aij(x)DiDju + Xn j=1 bj(x)Dju + c(x)u + d(x) = 0; (3) em que algum dos coe
  • 10.
    cientes aij n~aoe identicamente nulo. Caso a EDP possua duas variaveis independentes x; y, as equac~oes (2) e (3) podem ser reescritas, respectivamente, A(x; y)ux + B(x; y)uy + C(x; y)u + D(x; y) = 0; (4) A(x; y)uxx + 2B(x; y)uxy + C(x; y)uyy + D(x; y)ux + E(x; y)uy + F(x; y)u + G(x; y) = 0: (5) Obs.: A equac~ao (5) n~ao contem o termo com uyx, pois procuramos soluc~oes u que s~ao duas vezes continuamente diferenciaveis na regi~ao de interesse e, para tais func~oes, uxy = uyx. Uma EDP linear e dita homog^enea se o termo que n~ao contem a variavel dependente e identicamente nulo. O exemplo 1) e de uma EDP linear homog^enea e no exemplo 2) temos uma EDP linear n~ao homog^enea. As equac~oes (4) e (5) se tornam homog^eneas quando as func~oes D(x; y) e G(x; y) s~ao res-pectivamente iguais a zero. Sigmae, Alfenas, v.1, n.1, p. 44-56. 2012.
  • 11.
    Cintra e Goecking(2012) 47 Tr^es EDP's importantes 1) A equac~ao de Laplace, @2u @x2 + @2u @y2 = 0; e uma equac~ao linear de segunda ordem homog^enea. 2) Uma outra equac~ao importante e a equac~ao unidimensional de calor @u @t = 2 @2u @x2 ; onde u = u(x; t), x 2 R, t 0 e 2 e uma constante. E uma equac~ao de segunda ordem, linear e homog^enea. 3) A equac~ao unidimensional de onda @2u @t2 = c2 @2u @x2 : e tambem linear, homog^enea e de segunda ordem. Obs.: O termo unidimensional faz refer^encia ao fato de x ter dimens~ao espacial 1, enquanto t representa o tempo. O Operador Diferencial Parcial L Consideremos uma EDP de primeira ou segunda ordem com n variaveis independentes x1; :::; xn. Considerando uma equac~ao do tipo Xn i;j=1 aij(x)DiDju + Xn j=1 bj(x)Dju + c(x)u + d(x) = 0: (6) Denotaremos por k a ordem da equac~ao, k = 1 ou k = 2. Note que se k = 1, ent~ao aij 0 quaisquer que sejam i; j 2 f1; :::; ng e existe j; 1 j n, tal que bj6 0. Podemos colocar a equac~ao (6) na forma Lu = f; (7) em que f(x) = d(x) e (Lu)(x) = Xn i;j=1 aij(x)DiDju(x) + Xn j=1 bj(x)Dju(x) + c(x)u(x): (8) A cada func~ao u corresponde uma unica func~ao Lu. Assim, de
  • 12.
    nimos o operadorou trans-forma c~ao L. Considere um subconjunto aberto de Rn, onde as func~oes aij ; bj e c, 1 i; j n; s~ao contnuas em e tomam valores reais. De
  • 13.
    nimos, ent~ao L: Ck( ) ! C( ) (9) u7! Lu onde Lu e dado pela formula (8) e Ck( ) e o conjunto das func~oes u : 7! R que s~ao k vezes continuamente diferenciaveis. O operador L representa um exemplo de um operador diferencial parcial. Como a equac~ao (6) e linear, temos que o operador L de