Um diálogo honesto

Raphael Vaz

Nada de ataques desenfreados à teoria evolucionista. Longe disso, o livro Fé, Razão e História da Terra,do Ph.D
Leonard R. Brand (professor de Biologia e Paleontologia na Universidade de Loma Linda, Estados Unidos), aborda
de maneira franca as relações possíveis entre Bíblia e ciência. Desarmado da arrogância de quem defende uma ou
outra teoria, Brand assume os pontos fortes e fracos da teoria criacionista através de análises nas áreas biológica
e geológica.

Segundo o próprio autor, o livro é uma tentativa de “ilustrar como um cientista que é criacionista pensa” na for-
mação de uma teoria alternativa que explique a história da terra e suas origens. Ainda nas palavras de Brand, “um
criacionista pode ser um cientista competente”. Para essa afirmação, baseia-se na sua experiência pessoal e na
observação de outros “indivíduos que são criacionistas e também cientistas produtivos”.

O início do livro é um tanto pedagógico. Relata e teoriza em que consiste o método científico (formulação de
hipóteses, coleta de informações, experimentos e generalizações ou leis científicas), as limitações da ciência e a
história da ciência, remontando a Era Escura até a redescoberta européia da sua herança científica. Em seguida,
aborda a relação entre fé e ciência, suas diferenças e aponta uma relação funcional existente entre essas duas
fontes de conhecimento.

Para Brand, a ciência é uma ferramenta que nos ajuda a reconhecer de forma eficiente quando idéias que foram
preconcebidas por nós mesmos são incorporadas à Bíblia. Da mesma forma, afirma que esta é uma relação de
mão dupla onde a Bíblia serve para identificar quando teorias científicas caminham em direções incorretas e dessa
forma, concentrar os esforços para a explicação mais coerente e exata do fato. “Nesse ponto, precisamos lembrar-
nos de não deixar que nossas visões religiosas torçam nossa interpretação de dados científicos”, ressalva.

No restante do livro, Brand disseca o criacionismo, apontando seus pontos relevantes e questionáveis através do
viés geológico e da biologia. Com muitas imagens de apoio as explicações debatem a microevolução e especia-
ção, analisando a divergência entre as teorias naturalista e intervencionista no tocante à origem dos principais
grupos de organismo, por exemplo. Analisa também os fósseis sob o olhar da geologia convencional e da geologia
catastrofista, dando ênfase à Teoria Catastrofista da História da Terra, ou Dilúvio.

Fé, Razão e História é um livro ponderado, que transpassa um autor equilibrado, procurando esclarecer e mostrar
que a teoria criacionista também possui suas fundamentações cabíveis e que não podem deixar de ser levadas
em consideração. É uma tentativa de oferecer àqueles que preferem não reconhecer o criacionismo, informações
sensatas e embasadas sobre o mesmo num território neutro, distante das discussões reacionárias de qual teoria
deverá ser ensinada nas salas de aula.

Canal da Imprensa - 86 r

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    Um diálogo honesto RaphaelVaz Nada de ataques desenfreados à teoria evolucionista. Longe disso, o livro Fé, Razão e História da Terra,do Ph.D Leonard R. Brand (professor de Biologia e Paleontologia na Universidade de Loma Linda, Estados Unidos), aborda de maneira franca as relações possíveis entre Bíblia e ciência. Desarmado da arrogância de quem defende uma ou outra teoria, Brand assume os pontos fortes e fracos da teoria criacionista através de análises nas áreas biológica e geológica. Segundo o próprio autor, o livro é uma tentativa de “ilustrar como um cientista que é criacionista pensa” na for- mação de uma teoria alternativa que explique a história da terra e suas origens. Ainda nas palavras de Brand, “um criacionista pode ser um cientista competente”. Para essa afirmação, baseia-se na sua experiência pessoal e na observação de outros “indivíduos que são criacionistas e também cientistas produtivos”. O início do livro é um tanto pedagógico. Relata e teoriza em que consiste o método científico (formulação de hipóteses, coleta de informações, experimentos e generalizações ou leis científicas), as limitações da ciência e a história da ciência, remontando a Era Escura até a redescoberta européia da sua herança científica. Em seguida, aborda a relação entre fé e ciência, suas diferenças e aponta uma relação funcional existente entre essas duas fontes de conhecimento. Para Brand, a ciência é uma ferramenta que nos ajuda a reconhecer de forma eficiente quando idéias que foram preconcebidas por nós mesmos são incorporadas à Bíblia. Da mesma forma, afirma que esta é uma relação de mão dupla onde a Bíblia serve para identificar quando teorias científicas caminham em direções incorretas e dessa forma, concentrar os esforços para a explicação mais coerente e exata do fato. “Nesse ponto, precisamos lembrar- nos de não deixar que nossas visões religiosas torçam nossa interpretação de dados científicos”, ressalva. No restante do livro, Brand disseca o criacionismo, apontando seus pontos relevantes e questionáveis através do viés geológico e da biologia. Com muitas imagens de apoio as explicações debatem a microevolução e especia- ção, analisando a divergência entre as teorias naturalista e intervencionista no tocante à origem dos principais grupos de organismo, por exemplo. Analisa também os fósseis sob o olhar da geologia convencional e da geologia catastrofista, dando ênfase à Teoria Catastrofista da História da Terra, ou Dilúvio. Fé, Razão e História é um livro ponderado, que transpassa um autor equilibrado, procurando esclarecer e mostrar que a teoria criacionista também possui suas fundamentações cabíveis e que não podem deixar de ser levadas em consideração. É uma tentativa de oferecer àqueles que preferem não reconhecer o criacionismo, informações sensatas e embasadas sobre o mesmo num território neutro, distante das discussões reacionárias de qual teoria deverá ser ensinada nas salas de aula.