O documento fornece 9 dicas sobre direito penal e processual penal. A dica 1 trata da teoria da atividade para determinar o tempo do crime. A dica 2 trata da retroatividade da lei penal mais benéfica. A dica 3 explica o que é tentativa.
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Novaes & Bello
Dicas Penal & Processo Penal
Felipe Novaes
Advogado
Mestre em Direito – UGF/RJ
Rodrigo Bello
Advogado
Especialista em Ciências Criminais – UGF/RJ
Direito Penal
Dicas
Direito Processual Penal
Dicas
Dica 1 – O CP para determinar o tempo do crime adotou a teoria da
atividade, art. 4o, por isso o tempo do crime e o tempo da conduta,
ainda que outro seja o do resultado. Esta regra nao pode ser confundida
com a teoria da ubiquidade, adotada para determinar o Lugar do
Crime, art.6o, que considera praticado o crime tanto no lugar da
conduta, no todo ou em parte, bem como o lugar onde se produziu ou
deveria produzir-se o resultado.
Dica 2 – A leis penais beneficas sempre retroagem aos fatos anteriores,
mesmo que decididos por sentenca transitada em julgado. Esta
retroatividade somente nao ocorre quando se tratar de leis penais
temporarias ou excepcionais, art.3o, que tem ultra-atividade. A
competencia para aplicar a lei benefica depois do transito em julgado
da sentenca condenatoria e do juiz da execucao penal, conforme
entendimento do STF no enunciado 611 da sumula.
Dica 3 – Tentativa ocorre quando iniciada a execução o crime não se
consuma por circunstancias alheias a vontade do agente. Trata-se de
adequação típica indireta ou mediata, punível com a pena do crime
consumado diminuída em 1/3 a 2/3.
Dica 4 – Tentativa perfeita – ocorre somente em crimes materiais quando
a execução é toda praticada, mas o resultado não ocorre por
circunstância alheia a vontade do agente. Tentativa imperfeita – ocorre
em crimes materiais, formais ou de mera conduta, que sejam
plurissubsistentes, quando DURANTE a execução do crime for
interrompida por circunstância alheia a vontade do agente. Outra
classificação importante divide a tentativa em tentativa branca ou
Dica 01: Súmula 714 STF: É concorrente a legitimidade do ofendido,
mediante queixa, e do Ministério Público, condicionada à representação
do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor
público em razão do exercício de suas funções.
Dica 02: Súmula 73 STJ: A utilização de papel moeda grosseiramente
falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, da competência
da Justiça Estadual.
Súmula 122 STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento
unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se
aplicando a regra do Art. 78, II, a, do Código de Processo Penal.
Dica 03: Arquivamento do IP
Art. 28 CPP. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a
denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer
peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as
razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao
procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão
do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de
arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.
Dica 04: Substituição Processual Diferente da Ação Civil Ex Delicto
Art. 31 CPP. No caso de morte do ofendido ou quando declarado
ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou prosseguir
na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
Art. 63 CPP. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão
promover-lhe a execução, no juízo cível, para o efeito da reparação do
dano, o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros.
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incruenta – ocorre quando o bem jurídico não sofre qualquer tipo de
lesão como consequência da tentativa. Tentativa vermelha ou cruenta –
o bem jurídico é lesionado, embora não chegue a consumação.
Dica 5 – Os crimes materiais são aqueles que dependem da ocorrência
do resultado naturalístico para a consumação (homicídio, furto, roubo,
apropriação indébita...). Crimes formais são crimes que podem causar
resultados naturalísticos, mas a consumação ocorre com a conduta, não
há necessidade de ocorrência do resultado (calúnia, difamação, injúria,
concussão, corrupção passiva e ativa, extorsão, extorsão mediante
sequesto...). Já os crimes de mera conduta são crimes que não tem
resultado naturalístico, a consumação ocorre com a conduta (violação
de domicilio).
Dica 6 – Não admitem tentativa:
1- os crimes unissubsistentes – pois dependem de um único ato
executório que já causa a consumação, se o agente inicia a execução,
pratica o tal ato único, o crime já está consumado, não sendo possível
caracterizar a tentativa.
2- Os crimes omissivos próprios – ou o agente se omite e o crime está
consumado, ou ele faz o que a lei mandou fazer e não houve crime.
ATENÇÃO – os crime omissivos impróprios (comissivos por omissão)
admitem tentativa, pois o agente pode se omitir dolosamente e o
resultado não ocorrer por circunstâncias alheias a vontade dele. P.ex. a
mãe decide parar de alimentar o filho, pretendendo sua morte, o pai
percebe o que esta acontecendo e salva a vida da criança. A mãe
deverá responder por tentativa de homicídio doloso.
3- Os crimes culposos – os crimes culposos dependem do resultado,
conforme dispõe o art.18,II do CP, por isso se o resultado não ocorre o
fato é atípico, não há tentativa.
4- Os crimes preterdolosos, como o resultado qualificador é culposo
a tentativa não é possível pelos mesmos motivos acima.
5- Crime habitual próprio– são crimes que exigem uma reiteração da
conduta para tipificação do fato, por isso se o agente pratica a conduta
uma única vez ou se faz eventualmente o fato é atípico. Assim, a
doutrina entende que a tentativa seria atípica já que somente há
relevância penal com a repetição habitual da conduta.
6- Crimes de atentado – são crimes que a tentativa é considerada
como modalidade consumada no próprio tipo penal, não há aplicação
do art.14,II. P.ex. art.352 do CP.
7- Crimes que dependem de resultado para serem punidos – são
fatos que somente tem relevância penal quando o resultado ocorre, a
Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a
execução poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV
do caput do art. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a
apuração do dano efetivamente sofrido.
Dica 05: Local do Crime Diferenças entre CP e CPP
Art. 6º CP - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a
ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou
deveria produzir-se o resultado.
Art. 70 CPP - A competência será, de regra, determinada pelo lugar em
que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que
for praticado o último ato de execução.
Dica 06: Foro Privilegiado
Deputados Federais, Senadores, Presidente BC, Ministros – STF
Governador, Desembargador – STJ
Juiz Federal – TRF
Juiz Estadual – TJ
Prefeito – TJ (OBS: Súmula 702 STF: A competência do Tribunal de Justiça
para julgar Prefeitos restringe-se aos crimes de competência da Justiça
comum estadual; nos demais casos, a competência originária caberá ao
respectivo tribunal de segundo grau.)
Dica 07: Prova Penal – Assistente Técnico
Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados
por perito oficial, portador de diploma de curso superior.
§ 1o Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas)
pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior
preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação
técnica relacionada com a natureza do exame.
§ 2o Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e
fielmente desempenhar o encargo.
§ 3o Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de
acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de
quesitos e indicação de assistente técnico.
§ 4o O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e
após a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos
oficiais, sendo as partes intimadas desta decisão.
§ 5o Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes,
quanto à perícia:
I – requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para
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relevância penal está vinculada ao resultado. P.ex. art.122 do CP.
8- Contravenções penais – a tentativa não é punível na forma do
art.4o da LCP – 3688/41.
Dica 7 - Na desistência voluntária e no arrependimento eficaz (art.15),
bem como no arrependimento posterior (art.16) a lei exige
VOLUNTARIAMENTE, mas NÃO exige que seja ESPONTÂNEO, ou seja, se o
agente não pode ser forçado a desistir ou se arrepender, mas a idéia
pode partir de terceira pessoa, até da própria vítima. Há desistência
voluntária quando o agente voluntariamente interrompe a execução da
própria conduta impedindo a consumação, o agente sequer termina a
conduta. Já o arrependimento eficaz ocorre quando após concluir toda
a execução, o agente impede voluntariamente o resultado impedindo a
consumação, por isso somente ocorre em crimes materiais, pois somente
esses dependem do resultado para a consumação.
Dica 8 - O arrependimento posterior – é causa de diminuição de pena –
art.16 – incide na terceira fase da dosimetria - ATENÇÃO – não pode ser
confundido com o arrependimento eficaz (este evita a consumação,
enquanto o posterior é depois de consumado). O arrependimento
posterior tem quatro requisitos – 1 – crime sem violência ou grave
ameaça; 2 – reparação integral dos danos; 3 – a reparação deve ser
feita até o RECEBIMENTO da denúncia ou da queixa; 4 – por ato
VOLUNTÁRIO do agente.
Dica 9 – Os crimes comissivos são aqueles que o tipo penal prevê uma
ação como conduta núcleo do tipo legal. Os omissivos próprios são
aqueles que tem a omissão prevista no tipo penal, a omissão é a
conduta normal, ordinária, PRÓPRIA do crime. O crime comissivo por
omissão, também chamado de omissivo impróprio, é um crime que
deveria ser praticado por ação, mas foi praticado por omissão, somente
poderá ser tipificado quando o omitente for garantidor (art.13, §2o).
Portanto, os crimes comissivos por omissão ou omissivos impróprios exigem
a posição de garantidor do omitente, é essa posição que cria para ele a
obrigação de agir para impedir o resultado e torna possível a
adequação típica da omissão em tipos que originalmente deveriam ser
praticados por ação.
Dica 10 – Diferença fácil entre erro de tipo e de proibição em questões
de caso concreto:
a) se o agente NÃO SABE O QUE ESTÁ FAZENDO, ou seja, acha que
está fazendo uma coisa, mas na verdade está fazendo outra (esta
responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os
quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com
antecedência mínima de 10 (dez) dias, podendo apresentar as respostas
em laudo complementar;
II – indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres
em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência.
§ 6o Havendo requerimento das partes, o material probatório que
serviu de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão
oficial, que manterá sempre sua guarda, e na presença de perito oficial,
para exame pelos assistentes, salvo se for impossível a sua conservação.
§ 7o Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma
área de conhecimento especializado, poder-se-á designar a atuação de
mais de um perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico.
Dica 08: Ofendido – Vítima
Art. 201. Sempre que possível, o ofendido será qualificado e perguntado
sobre as circunstâncias da infração, quem seja ou presuma ser o seu
autor, as provas que possa indicar, tomando-se por termo as suas
declarações.
§ 1o Se, intimado para esse fim, deixar de comparecer sem motivo
justo, o ofendido poderá ser conduzido à presença da autoridade.
§ 2o O ofendido será comunicado dos atos processuais relativos ao
ingresso e à saída do acusado da prisão, à designação de data para
audiência e à sentença e respectivos acórdãos que a mantenham ou
modifiquem.
§ 3o As comunicações ao ofendido deverão ser feitas no endereço
por ele indicado, admitindo-se, por opção do ofendido, o uso de meio
eletrônico.
§ 4o Antes do início da audiência e durante a sua realização, será
reservado espaço separado para o ofendido.
§ 5o Se o juiz entender necessário, poderá encaminhar o ofendido
para atendimento multidisciplinar, especialmente nas áreas psicossocial,
de assistência jurídica e de saúde, a expensas do ofensor ou do Estado.
§ 6o O juiz tomará as providências necessárias à preservação da
intimidade, vida privada, honra e imagem do ofendido, podendo,
inclusive, determinar o segredo de justiça em relação aos dados,
depoimentos e outras informações constantes dos autos a seu respeito
para evitar sua exposição aos meios de comunicação.
Dica 09: Testemunha Art. 212. As perguntas serão formuladas pelas partes
diretamente à testemunha, não admitindo o juiz aquelas que puderem
induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na
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prevista como no tipo penal), estará em erro de tipo, NINGUÉM PODE
QUERER FAZER ALGO, SEM SABER O QUE ESTÁ FAZENDO, por isso o erro
de tipo exclui o dolo. – TIPICIDADE
b) Se o agente SABE O QUE ESTÁ FAZENDO , QUER FAZER, MAS
NÃO SABE QUE É CRIME, erra quanto a proibição, quanto a ilicitude do
fato, o erro será de proibição, não tem consciência da ilicitude –
CULPABILIDADE.
Dica 11 - Erro quanto a pessoa – art.20, §3o – quando o agente quer
praticar um crime contra uma determinada pessoa e por confusão
pratica contra outra pessoa, achando que era a que queria atingir,
responde como se tivesse praticado o crime contra quem queria atingir.
A mesma coisa ocorre no ABERRATIO ICTUS, erro na execução, previsto
no art.73 do CP, que ocorre quando o agente por erro ou acidente no
uso dos meios de execução atinge pessoa diversa da que queria atingir.
Devendo responder como se tivesse atingido quem ele queria. P.ex. o
policial que mira no seqüestrador e, por erro ou acidente no uso da
arma, acaba atingindo o refém. Deverá responder como se tivesse
atingido o seqüestrador e absolvido com base na legitima defesa.
Dica 12 - o erro na execução – aberratio ictus – não pode ser confundido
com o resultado diverso do pretendido – aberratio criminis – que ocorre
quando o agente com o dolo de atingir uma coisa (crime de dano)
acaba por atingir uma pessoa. Nessa hipótese o art.74 do CP prevê que
o agente deve responder culposamente. Então por ex. Se com o dolo de
praticar crime de dano, quer quebrar uma janela, a pedra acaba
atingindo uma pessoa, causando lesão corporal, deverá o agente: 1- se
a janela não foi quebrada, somente a pessoa atingida – responder
somente pela lesão corporal culposa; 2 – se quebrou a janela e atingiu a
pessoa – por concurso formal (art.70) entre o crime de dano doloso e o
crime de lesão corporal culposa.
Dica 13 - ABERRATIO CAUSAE – ocorre quando o agente pratica a
conduta, com o dolo de causar um determinado resultado, e acredita,
por erro, que o resultado foi produzido (na verdade não ocorreu). Então
pratica uma segunda conduta, já sem o dolo anterior, e acaba por
causar o resultado que queria anteriormente. A doutrina brasileira
entende que o agente deverá responder pelo crime consumado,
permitindo a extensão do dolo, presente na primeira conduta, ao
resultado causado no segundo momento – é o chamado dolo geral. Por
ex. O agente com dolo de matar atira na vítima, acredita que causou a
morte (que na verdade não aconteceu), então decide ocultar o
repetição de outra já respondida.
Art. 217. Se o juiz verificar que a presença do réu poderá causar
humilhação, temor, ou sério constrangimento à testemunha ou ao
ofendido, de modo que prejudique a verdade do depoimento, fará a
inquirição por videoconferência e, somente na impossibilidade dessa
forma, determinará a retirada do réu, prosseguindo na inquirição, com a
presença do seu defensor.
Dica 10: Hipóteses de Flagrante
Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus
agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante
delito.
Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:
I - está cometendo a infração penal;
II - acaba de cometê-la;
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por
qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração;
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou
papéis que façam presumir ser ele autor da infração.
Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão
comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e
à família do preso ou à pessoa por ele indicada.
§ 1o Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão,
será encaminhado ao juiz competente o auto de prisão em flagrante e,
caso o autuado não informe o nome de seu advogado, cópia integral
para a Defensoria Pública.
§ 2o No mesmo prazo, será entregue ao preso, mediante recibo, a
nota de culpa, assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o
nome do condutor e os das testemunhas.
Dica 11: Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do
processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, de
ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do Ministério
Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da
autoridade policial.
Dica 12: Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela
domiciliar quando o agente for: I - maior de 80 (oitenta) anos;
II - extremamente debilitado por motivo de doença grave;
III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis)
anos de idade ou com deficiência;
IV - gestante a partir do 7o (sétimo) mês de gravidez ou sendo esta de
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cadáver jogando em um rio que passa pelo local, com esta segunda
conduta causa a morte por afogamento. Deve responder como se
tivesse matado na primeira conduta.
Dica 14 - Na desistência voluntária e no arrependimento eficaz (art.15),
bem como no arrependimento posterior (art.16) a lei exige
VOLUNTARIAMENTE, mas NÃO exige que seja ESPONTÂNEO, ou seja, se o
agente não pode ser forçado a desistir ou se arrepender, mas a idéia
pode partir de terceira pessoa, até da própria vítima. Há desistência
voluntária quando o agente voluntariamente interrompe a execução da
própria conduta impedindo a consumação, o agente sequer termina a
conduta. Já o arrependimento eficaz ocorre quando após concluir toda
a execução, o agente impede voluntariamente o resultado impedindo a
consumação, por isso somente ocorre em crimes materiais, pois somente
esses dependem do resultado para a consumação.
Dica 15 - Dolo direto – quando o agente dirige sua conduta livre e
consciente a realizar um determinado resultado, portanto tem uma
finalidade, um propósito. Ele QUER realizar a conduta descrita no tipo
penal. O dolo direto está regido pela teoria da vontade.
Dica 16 - Dolo de primeiro grau – é a vontade de realizar o objetivo
principal do agente, aquele objetivo final da conduta, aquilo que ele
quer de forma principal, que move sua atuação. Dolo de segundo grau –
é a vontade de realizar qualquer outro resultado que seja necessário,
certo, para conseguir alcançar o objetivo principal. São as
conseqüências que acontecerão, com certeza, em virtude dos meios
empregados para alcançar o objetivo principal. Por ex. Se o agente
decide praticar um homicídio, quer a morte de uma determinada
pessoa, e seleciona como meio intoxicá-la dentro de uma sala de aula,
sabendo que causará necessariamente a morte dos outros alunos, terá
dolo de primeiro grau na morte da vitima principal e de segundo grau
em todas as demais mortes.
Dica 17 - Culpa – ocorre crime culposo quando o agente causa um
resultado, previsto ou previsível, através de uma conduta de
inobservância de deveres objetivos de cuidado. Portanto, são elementos
do crime culposo: 1- uma conduta descuidada – imprudência,
negligência ou imperícia. 2- um resultado previsível. 3- nexo causal. 4-
previsão no tipo penal (só há crime culposo quando expressamente
previsto no tipo penal).
alto risco.
Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos
requisitos estabelecidos neste artigo.
Dica 13: Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão:
I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas
pelo juiz, para informar e justificar atividades;
II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando,
por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado
permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações;
III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por
circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela
permanecer distante;
IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja
conveniente ou necessária para a investigação ou instrução;
V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga
quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos;
VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de
natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua
utilização para a prática de infrações penais;
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados
com violência ou grave ameaça, quando os peritos concluírem ser
inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco
de reiteração;
VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o
comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu
andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial;
IX - monitoração eletrônica.
Dica 14: Art. 322. A autoridade policial somente poderá conceder fiança
nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima não seja
superior a 4 (quatro) anos.
Parágrafo único. Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz, que
decidirá em 48 (quarenta e oito) horas.
Dica 15: Art. 350. Nos casos em que couber fiança, o juiz, verificando a
situação econômica do preso, poderá conceder-lhe liberdade
provisória, sujeitando-o às obrigações constantes dos arts. 327 e 328 deste
Código e a outras medidas cautelares, se for o caso.
Parágrafo único. Se o beneficiado descumprir, sem motivo justo,
qualquer das obrigações ou medidas impostas, aplicar-se-á o disposto no
§ 4o do art. 282 deste Código.
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Dica 18 - Culpa consciente – o agente prevê o resultado como
conseqüência de sua conduta (até aqui igual ao dolo eventual), mas
acredita ser capas de evitá-lo. Nega o resultado, não quer e não aceita
causar o resultado. Culpa inconsciente – o agente NÃO PREVÊ o
resultado, embora este resultado fosse previsível. ATENÇÃO – só há crime
culposo quando o resultado for ao menos previsível, se o agente prevê a
culpa é consciente, se não prevê, embora previsível, a culpa é
inconsciente.
Dica 19 - A ausência de dolo ou culpa torna o fato atípico. Por ex. Se
alguém conduz um veículo automotor com toda a prudência necessária,
observando todas as regras de trânsito, e sem querer causar qualquer
resultado proibido, mas mesmo assim atropela um pedestre que se atirou
na frente do automóvel repentinamente, não há homicídio, nem doloso
nem culposo, houve um mero acidente, irrelevante para o direito penal.
O fato é atípico!
Dica 20 - As penas restritivas de direitos são autônomas e substitutivas das
penas privativas de liberdade. Portanto, cumpridos os requisitos do art.44
do CP o juiz deverá substituir a pena privativa de liberdade pela restritiva
de direitos. O Código de Trânsito Brasileiro – lei 9503/97 – apresenta uma
exceção a esta regra, nele há previsão de penas privativas de liberdade
cumuladas com penas restritivas de direitos (proibição de dirigir),
devendo o juiz condenar pelas duas penas cumulativamente. Claro que
a pena privativa de liberdade poderá ser substituída, desde que por
outras restritivas, cumpridos os requisitos do art.44 do CP.
Dica 21 - PODE ser aplicada pena restritiva de direitos aos reincidentes
em crimes dolosos, quando for socialmente recomendável, e desde que
a reincidência não seja NO MESMO CRIME. Conforme art.44, II e §3o do
CP.
Dica 22 - As penas de multa são consideradas divida de valor e serão
executadas observada a legislação de execução fiscal, inclusive no que
concerne as causas interruptivas e suspensivas da prescrição.
Dica 23 - Detração – consiste no abatimento do tempo de prisão
processual (temporária, preventiva, flagrante, sentença condenatória
não transitada em julgado e sentença de pronúncia) ou de internação
cautelar na pena aplicada na condenação ou na medida de
segurança. Conforme dispõe o art.42 do CP.
Dica 16: Citação Art. 358. A citação do militar far-se-á por intermédio do
chefe do respectivo serviço.
Art. 359. O dia designado para funcionário público comparecer em juízo,
como acusado, será notificado assim a ele como ao chefe de sua
repartição.
Art. 360. Se o réu estiver preso, será pessoalmente citado.
Dica 17: Art. 413. O juiz, fundamentadamente, pronunciará o acusado,
se convencido da materialidade do fato e da existência de indícios
suficientes de autoria ou de participação.
§ 1o A fundamentação da pronúncia limitar-se-á à indicação da
materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria
ou de participação, devendo o juiz declarar o dispositivo legal em que
julgar incurso o acusado e especificar as circunstâncias qualificadoras e
as causas de aumento de pena.
§ 2o Se o crime for afiançável, o juiz arbitrará o valor da fiança para a
concessão ou manutenção da liberdade provisória.
§ 3o O juiz decidirá, motivadamente, no caso de manutenção,
revogação ou substituição da prisão ou medida restritiva de liberdade
anteriormente decretada e, tratando-se de acusado solto, sobre a
necessidade da decretação da prisão ou imposição de quaisquer das
medidas previstas no Título IX do Livro I deste Código.
Art. 414. Não se convencendo da materialidade do fato ou da
existência de indícios suficientes de autoria ou de participação, o juiz,
fundamentadamente, impronunciará o acusado.
Parágrafo único. Enquanto não ocorrer a extinção da punibilidade,
poderá ser formulada nova denúncia ou queixa se houver prova nova.
Art. 415. O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado,
quando:
I – provada a inexistência do fato;
II – provado não ser ele autor ou partícipe do fato;
III – o fato não constituir infração penal;
IV – demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime.
Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV do caput deste
artigo ao caso de inimputabilidade prevista no caput do art. 26 do
Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, salvo
quando esta for a única tese defensiva.
Art. 419. Quando o juiz se convencer, em discordância com a acusação,
da existência de crime diverso dos referidos no § 1o do art. 74 deste
Código e não for competente para o julgamento, remeterá os autos ao
juiz que o seja.
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Dica 24 - Cabe trabalho externo para o condenado em qualquer dos
três regimes – fechado, semiaberto e aberto – art.36 da LEP – 7210/84. O
trabalho do preso é remunerado e gera direitos previdenciários, mas não
é regido pela CLT.
Dica 25 - A remição de parte da pena pelo trabalho ou pelo estudo
(como já era previsto pelo STJ – Súmula 341), somente se aplica aos
condenados a pena PRIVATIVA DE LIBERDADE, que estejam cumprindo
em REGIME FECHADO ou SEMIABERTO, conforme dispõe a LEP, art. 126
com as alterações introduzidas em 2011. No regime ABERTO e no
livramento condicional não há remição pelo trabalho, mas a nova
estruturação legal admite a remição pelo ESTUDO. A remição será
considerada como pena cumprida para cálculo de benefícios penais
em percentual da pena. A remição era perdida integralmente em caso
de falta disciplinar (redação original do art. 127 da LEP – 7210/84)
ratificado pelo STF na Súmula Vinculante n.9. Entretanto com a nova
redação do art.127 deverá o juiz observar as peculiaridades do caso
concreto e decretar a perda de no máximo 1/3 do tempo remido. Não
há mais perda integral.
Novas Súmulas STJ
Súmula 500: a configuração do crime previsto no
artigo 244-B do Estatuto da Criança e do
Adolescente independe da prova da efetiva
corrupção do menor, por se tratar de delito formal.
Súmula 501: é cabível a aplicação retroativa da Lei
11.343/06, desde que o resultado da incidência das
suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao
réu do que o advindo da aplicação da Lei 6.368/76,
sendo vedada a combinação de leis.
Súmula 502: presentes a materialidade e a autoria,
Parágrafo único. Remetidos os autos do processo a outro juiz, à
disposição deste ficará o acusado preso.
Dica 18: Art. 440. Constitui também direito do jurado, na condição do art.
439 deste Código, preferência, em igualdade de condições, nas
licitações públicas e no provimento, mediante concurso, de cargo ou
função pública, bem como nos casos de promoção funcional ou
remoção voluntária.
Dica 19: Art. 483 CPP: Quesitos
I – a materialidade do fato;
II – a autoria ou participação;
III – se o acusado deve ser absolvido;
IV – se existe causa de diminuição de pena alegada pela defesa;
V – se existe circunstância qualificadora ou causa de aumento de
pena reconhecidas na pronúncia ou em decisões posteriores que
julgaram admissível a acusação.
Dica 20: Art. 619. Aos acórdãos proferidos pelos Tribunais de Apelação,
câmaras ou turmas, poderão ser opostos embargos de declaração, no
prazo de dois dias contados da sua publicação, quando houver na
sentença ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão.
Art. 620. Os embargos de declaração serão deduzidos em requerimento
de que constem os pontos em que o acórdão é ambíguo, obscuro,
contraditório ou omisso.
§ 1o O requerimento será apresentado pelo relator e julgado,
independentemente de revisão, na primeira sessão.
§ 2o Se não preenchidas as condições enumeradas neste artigo, o
relator indeferirá desde logo o requerimento.
Dica 21: O STF recentemente entendeu cabível a retratação do
recebimento da denúncia, caso a defesa alegue em resposta do
acusado uma das hipóteses do art. 395 CPP.
Dica 22: Para o STF o Pacto de São José da Costa Rica tem natureza de
norma supralegal.
Dica 23: A Súmula 721 STF não se aplica ao Deputado Estadual tendo em
vista a disposição similar do foro privilegiado na Constituição Federal.
(Simetria).
Dica 24: Não vigora na ação penal pública o princípio da indivisibilidade.
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afigura-se típica, em relação ao crime previsto no
artigo 184, parágrafo 2º, do Código Penal, a
conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas.
Dica 25: Defesa Preliminar é o nome que se dá ao incidente defensivo
antes do recebimento da ação penal, presente na lei de drogas,
funcionário público e lei 8.038/90.
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Serão 80h-100hs onde implantaremos algumas novidades.
A) Simulado. Como funciona? O aluno vai pra sala como se tivesse fazendo a prova. 2hs para a peça, trabalhando na dificuldade,
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aferida, assim como todos os itens exigidos pela banca. Galera do online manda por e-mail. Vale observar que existe uma aula tutorial
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saber fazer as remissões.
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turmas Forum Penal têm ficado para a história.
I) A implementação durante o curso das teses de defesa que são maioria numa prova OAB.
H) Elaboração das peças pensando naquele q nunca fez uma peça.
Indicação Bibliográfica: LANÇAMENTO!
Manual de Prática Penal