Integral Indefinida
Relação entre funções com derivadas iguais
Introdução: Mostraremos como obter uma função conhecendo
apenas a sua derivada.
Teorema: Seja 𝑓 contínua no intervalo 𝐼. Se 𝑓′( 𝑥) = 0 em todo 𝑥
interior a 𝐼, então existirá uma constante 𝑘 tal que 𝑓( 𝑥) = 𝑘 para todo
𝑥 ∈ 𝐼.
Demonstração: Seja 𝑥 𝑜 um ponto fixo em 𝐼, vamos mostrar que
𝑓( 𝑥) = 𝑓(𝑥 𝑜), para todo 𝑥 ∈ 𝐼.
Para todo 𝑥 ∈ 𝐼, com 𝑥 ≠ 𝑥 𝑜, existe pelo TVM, um 𝑐 pertencente ao
intervalo aberto de extremos 𝑥 e 𝑥 𝑜, tal que:
𝑓( 𝑥) − 𝑓( 𝑥 𝑜) = 𝑓′(𝑐)(𝑥 − 𝑥 𝑜)
Mas, como 𝑐 pertence ao interior de I, por hipótese, temos que
𝑓′( 𝑐) = 0. Portanto,
𝑓( 𝑥) = 𝑓(𝑥 𝑜), ∀ 𝑥 ∈ 𝐼
Tomando 𝑓( 𝑥 𝑜) = 𝑘, resulta o teorema.
Corolário: Sejam 𝑓 e 𝑔 contínuas no intervalo I. Se 𝑓′( 𝑥) = 𝑔′(𝑥) em
todo 𝑥 interior a I, então existirá uma constante 𝑘, tal que
𝑔( 𝑥) = 𝑓( 𝑥) + 𝑘, ∀ 𝑥 ∈ 𝐼.
Demonstração: A função ℎ( 𝑥) = 𝑔( 𝑥) − 𝑓( 𝑥) é contínua em I, e para
todo 𝑥 interior a I, ℎ′( 𝑥) = 𝑔′( 𝑥) − 𝑓′( 𝑥) = 0. Pelo teorema anterior,
existe uma constante 𝑘 tal que
ℎ( 𝑥) = 𝑘
𝑔( 𝑥) − 𝑓( 𝑥) = 𝑘
Ou seja,
𝑔( 𝑥) = 𝑓( 𝑥) + 𝑘, ∀ 𝑥 ∈ 𝐼.
Observação: Se 𝑓 e 𝑔 satisfazerem as hipóteses do corolário e se
𝑓( 𝑥0) = 𝑔(𝑥0) para algum 𝑥0 ∈ 𝐼, então 𝑓( 𝑥) = 𝑔(𝑥) para todo 𝑥 ∈ 𝐼.
Exercício 1: Seja 𝑓 definida e derivável em ℝ tal que, para todo
𝑥, 𝑓′( 𝑥) = 𝑓( 𝑥). Prove que existe uma constante k, tal que, para todo
𝑥, tem-se 𝑓( 𝑥) = 𝑘 𝑒 𝑥
.
O exercício acima nos diz que as soluções da equação diferencial
𝑑𝑦
𝑑𝑥
= 𝑦 são as funções da forma 𝑦 = 𝑘 𝑒 𝑥
, 𝑘 constante.
Exercício 2: Seja 𝑓 definida e derivável em ℝ tal que, para todo
𝑥, 𝑓′( 𝑥) = 𝛼𝑓( 𝑥), 𝑥 ∈ ℝ e 𝛼 constante. Prove que as únicas funções
que satisfazem a equação acima, são as funções da forma 𝑓( 𝑥) =
𝑘 𝑒 𝛼𝑥
, 𝑘 constante.
O exercício acima nos diz que as soluções da equação diferencial
𝑑𝑦
𝑑𝑥
= 𝛼𝑦 são as funções da forma 𝑦 = 𝑘 𝑒 𝛼𝑥
, 𝑘 constante.
Exercício 3: Determine 𝑦 = 𝑓( 𝑥), 𝑥 ∈ ℝ que satisfaz as condições
𝑓′( 𝑥) = 2𝑓( 𝑥) e 𝑓(0) = −1.
Exercício 4: Determine uma função 𝑦 = 𝑓( 𝑥), definida num intervalo
aberto 𝐼, com 1 ∈ 𝐼, tal que 𝑓(1) = 1 e, para todo 𝑥 em I,
𝑑𝑦
𝑑𝑥
= 𝑥𝑦.
Primitiva de uma função
Definição: Uma função 𝐹(𝑥) é chamada uma primitiva da função
𝑓(𝑥) no intervalo I se para todo 𝑥 ∈ 𝐼, tem-se:
𝐹′( 𝑥) = 𝑓(𝑥)
Muitas vezes não faremos menção ao intervalo I, mas a primitiva de
uma função sempre será definida sobre um intervalo.
Exemplo 1: 𝐹( 𝑥) =
1
4
𝑥4
é uma primitiva de 𝑓( 𝑥) = 𝑥3
em ℝ, pois,
para todo 𝑥 ∈ ℝ, tem-se
𝐹′( 𝑥) =
1
4
4 𝑥3
= 𝑥3
= 𝑓( 𝑥)
Observe que, para toda constante 𝑘, 𝐺( 𝑥) =
1
4
𝑥4
+ 𝑘 é, também, uma
primitiva de 𝑓( 𝑥) = 𝑥3
.
Proposição: Sendo 𝐹 uma primitiva de 𝑓 no intervalo I. Então,
𝐺( 𝑥) = 𝐹( 𝑥) + 𝑘, 𝑘 ∈ ℝ, é também uma primitiva de 𝑓 no intervalo I
Diremos, então, que
𝐺(𝑥) = 𝐹( 𝑥) + 𝑘, 𝑘 constante
É a família das primitivas de 𝑓 em 𝐼. A notação ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 será usada
para representar a família das primitivas de 𝑓:
∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 = 𝐹( 𝑥) + 𝑘
Na notação ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥, o símbolo ∫ é chamado sinal de integração, a
função 𝑓(𝑥) denomina-se função integrando, 𝑓(𝑥)𝑑𝑥 denomina-se
integrando e ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 é denominada integral indefinida da função 𝑓.
Da definição de integral indefinida, decorre:
1. ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 = 𝐹( 𝑥) + 𝑘 ⟺ 𝐹′( 𝑥) = 𝑓(𝑥)
2. ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 representa uma família de funções (a família de todas
as primitivas da função integrando)
Exemplo 2: A figura abaixo, mostra uma família de primitivas da
função integrando 𝑓( 𝑥) = 𝑥2
+ 1. Observamos que o valor da
constante para a figura apresentada assumiu os valores 𝑘 =
−3, −2, −1,0,1,2,3.
Propriedades da Integral Indefinida
Proposição. Sejam 𝑓, 𝑔: 𝐼 → ℝ e 𝑘 uma constante. Então:
( 𝑖) ∫ 𝑘 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 = 𝑘 ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 .
( 𝑖𝑖) ∫( 𝑓( 𝑥) + 𝑔(𝑥)) 𝑑𝑥 = ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 + ∫ 𝑔( 𝑥) 𝑑𝑥.
Demonstração (𝒊):
Seja 𝐹(𝑥) uma primitiva de 𝑓( 𝑥). Então, 𝑘𝐹(𝑥) é uma primitiva de
𝑘 𝑓(𝑥), pois, (𝑘𝐹( 𝑥))
′
= 𝑘 𝐹′( 𝑥) = 𝑘 𝑓( 𝑥). Dessa forma, temos:
∫ 𝑘 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 = 𝑘. 𝐹( 𝑥) + 𝑘𝑐1 = 𝑘 ( 𝐹( 𝑥) + 𝑐1) = 𝑘 ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 .
Demonstração (𝒊𝒊):
Sejam 𝐹( 𝑥) e 𝐺(𝑥) funções primitivas de 𝑓( 𝑥) e 𝑔(𝑥),
respectivamente. Então, 𝐹( 𝑥) + 𝐺( 𝑥) é uma primitiva da função
𝑓( 𝑥) + 𝑔( 𝑥), pois ( 𝐹( 𝑥) + 𝐺( 𝑥) )′
= 𝐹′( 𝑥) + 𝐺′( 𝑥) = 𝑓( 𝑥) + 𝑔( 𝑥).
Portanto,
∫(𝑓( 𝑥) + 𝑔( 𝑥)) 𝑑𝑥 = (𝐹( 𝑥) + 𝐺( 𝑥)) + 𝑘
= (𝐹( 𝑥) + 𝐺( 𝑥)) + 𝑘1 + 𝑘2
= [ 𝐹( 𝑥) + 𝑘1] + [ 𝐺( 𝑥) + 𝑘2]
= ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 + ∫ 𝑔( 𝑥) 𝑑𝑥
Exercício 5. Calcule:
a) ∫ 𝑥3
𝑑𝑥
b) ∫ 𝑑𝑥
c) ∫
𝑑𝑥
√ 𝑥
d) ∫ 𝑥 𝛼
𝑑𝑥, onde 𝛼 ≠ −1 é um real fixo.
e) ∫ √ 𝑥
3
𝑑𝑥
f) ∫ (3𝑥2
+ 𝑥 +
1
𝑥3
) 𝑑𝑥
g) ∫ 𝑒 𝛼𝑥
𝑑𝑥, onde 𝛼 ≠ 0 é um real fixo.
INTEGRAIS IMEDIATAS
Usaremos como variável independente 𝑥.
1. ∫ 𝑐 𝑑𝑥 = 𝑐𝑥 + 𝑘
2. ∫ 𝑑𝑥 = 𝑥 + 𝑘
3. ∫ 𝑥 𝛼
𝑑𝑥 =
𝑥 𝛼+1
𝛼+1
+ 𝑘, 𝑠𝑒 𝛼 ≠ −1
4. ∫
1
𝑥
𝑑𝑥 = ln 𝑥 + 𝑘 , (𝑥 > 0)
5. ∫
1
𝑥
𝑑𝑥 = ln(−𝑥) + 𝑘 , (𝑥 < 0)
6. ∫
1
𝑥
𝑑𝑥 = 𝑙𝑛| 𝑥| + 𝑘
7. ∫ 𝛼 𝑥
𝑑𝑥 =
𝛼 𝑥
𝑙𝑛𝛼
+ 𝑘
8. ∫ 𝑒 𝛼𝑥
𝑑𝑥 =
1
𝛼
𝑒 𝛼𝑥
+ 𝑘
9. ∫ 𝑒 𝑥
𝑑𝑥 = 𝑒 𝑥
+ 𝑘
10. ∫ 𝑠𝑒𝑛 𝑥 𝑑𝑥 = − cos 𝑥 + 𝑘
11. ∫ 𝑐𝑜𝑠 𝑥 𝑑𝑥 = sen 𝑥 + 𝑘
12. ∫ 𝑠𝑒𝑐2
𝑥 𝑑𝑥 = tg 𝑥 + 𝑘
13. ∫ 𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐2
𝑥 𝑑𝑥 = −cotg 𝑥 + 𝑘
14. ∫ sec 𝑥 𝑡𝑔 𝑥 𝑑𝑥 = sec 𝑥 + 𝑘
15.∫ sec 𝑥 𝑑𝑥 = 𝑙𝑛|sec 𝑥 + 𝑡𝑔𝑥| + 𝑘
16. ∫ tg 𝑥 𝑑𝑥 = −𝑙𝑛|cos 𝑥| + 𝑘
17.∫ 𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐 𝑥 𝑐𝑜𝑡𝑔 𝑥 𝑑𝑥 = −𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐 𝑥 + 𝑘
18.∫
𝑑𝑥
√1−𝑥2
= 𝑎𝑟𝑐 𝑠𝑒𝑛 𝑥 + 𝑘
19.∫
− 𝑑𝑥
√1−𝑥2
= 𝑎𝑟𝑐 𝑐𝑜𝑠 𝑥 + 𝑘
20. ∫
𝑑𝑥
1+𝑥2
= 𝑎𝑟𝑐 𝑡𝑔𝑥 + 𝑘
Exercício 6. Calcule as integrais indefinidas:
a) ∫ (8𝑥3
− 6𝑥2
+ 5𝑥 −
1
𝑥3
+ 𝑥√ 𝑥 − 2 +
3
𝑥
) 𝑑𝑥
b) ∫(4 sec 𝑥 𝑡𝑔𝑥 + 𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐2
𝑥) 𝑑𝑥
c) ∫
𝑠𝑒𝑐2 𝑥
𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐𝑥
𝑑𝑥
d) ∫ (3𝑒 𝑥
+ 2𝑐𝑜𝑠𝑥 +
1
√ 𝑥
) 𝑑𝑥
e) ∫ 𝑡𝑔2
𝑥 𝑑𝑥
f) ∫ cos( 𝛼𝑥) 𝑑𝑥
g) ∫ sen( 𝛼𝑥) 𝑑𝑥
h) ∫ 𝑒−𝑥
𝑑𝑥
i) ∫ 𝑐𝑜𝑠2
𝑥 𝑑𝑥
j) ∫ 𝑠𝑒𝑛2
𝑥 𝑑𝑥
k) ∫ 𝑠𝑒𝑛3𝑥 𝑐𝑜𝑠4𝑥 𝑑𝑥
l) ∫ 𝑠𝑒𝑛3𝑥 𝑠𝑒𝑛2𝑥 𝑑𝑥
m) ∫ 𝑐𝑜𝑠5𝑥 𝑐𝑜𝑠2𝑥 𝑑𝑥
Método da Substituição ou Mudança de Variável para Integração
Algumas vezes, é possível determinar a integral de uma dada função
aplicando uma das fórmulas básicas depois de ser feita uma
mudança de variável. Esse processo é análogo à regra da cadeia
para derivação.
Sejam 𝑓( 𝑥) e 𝐹( 𝑥) duas funções tais que 𝐹′( 𝑥) = 𝑓( 𝑥). Suponhamos
que 𝑔 seja outra função derivável tal que a imagem de 𝑔 esteja
contida no domínio de 𝐹. Podemos considerar a função composta 𝐹 ∘
𝑔.
Pela regra da cadeia, temos:
[𝐹(𝑔( 𝑥))]
′
= 𝐹′
(𝑔( 𝑥)). 𝑔′( 𝑥) = 𝑓(𝑔( 𝑥)). 𝑔′(𝑥)
Portanto,
∫(𝑓(𝑔( 𝑥)). 𝑔′(𝑥)) 𝑑𝑥 = 𝐹(𝑔( 𝑥)) + 𝑘
Fazendo 𝑢 = 𝑔( 𝑥), temos 𝑑𝑢 = 𝑔′( 𝑥) 𝑑𝑥. Portanto,
∫ 𝑓(𝑢)𝑑𝑢 = 𝐹( 𝑢) + 𝑘
Na prática, devemos definir uma função 𝑢 = 𝑔(𝑥) conveniente, de tal
forma que a integral obtida seja mais simples.
Exemplo 3. Calcule ∫
2𝑥
1+𝑥2
𝑑𝑥
Solução: Façamos 𝑢 = 1 + 𝑥2
. Assim, 𝑑𝑢 = 2𝑥 𝑑𝑥. Portanto,
∫
2𝑥
1 + 𝑥2
𝑑𝑥 = ∫
𝑑𝑢
𝑢
= 𝑙𝑛| 𝑢| + 𝑘
= 𝑙𝑛(1 + 𝑥2) + 𝑘
Exercício 7. Calcule as integrais:
a) ∫ 𝑥2(7 − 4𝑥3)8
𝑑𝑥
b) ∫
2 cos 𝑥 𝑑𝑥
√1+𝑠𝑒𝑛𝑥
c) ∫ 𝑡𝑔3
𝑥 . 𝑠𝑒𝑐2
𝑥 𝑑𝑥
d) ∫ 𝑠𝑒𝑐4
𝑥 𝑡𝑔 𝑥 𝑑𝑥
e) ∫ 𝑡𝑔 𝑥 𝑑𝑥
f) ∫ 𝑠𝑒𝑛3
𝑥 𝑑𝑥
Exercício resolvido 1. Mostre que ∫
𝑑𝑥
√𝑎2−𝑥2
= 𝑎𝑟𝑐 𝑠𝑒𝑛
𝑥
𝑎
+ 𝑘 (𝑎 ≠ 0)
Solução: Como 𝑎 ≠ 0, podemos escrever a integral na forma:
∫
𝑑𝑥
√𝑎2
√ 𝑎2 − 𝑥2
𝑎2
=
1
𝑎
∫
𝑑𝑥
√1 −
𝑥2
𝑎2
Fazendo a substituição 𝑢 =
𝑥
𝑎
. Temos 𝑑𝑢 =
1
𝑎
𝑑𝑥 ou 𝑑𝑥 = 𝑎 𝑑𝑢.
Portanto,
∫
𝑑𝑥
√𝑎2 − 𝑥2
=
1
𝑎
∫
𝑎 𝑑𝑢
√1 − 𝑢2
= ∫
1
√1 − 𝑢2
𝑑𝑢
= 𝑎𝑟𝑐 𝑠𝑒𝑛 𝑢 + 𝑘
= 𝑎𝑟𝑐 𝑠𝑒𝑛
𝑥
𝑎
+ 𝑘
Exemplo 4: ∫
𝑑𝑥
√16−4𝑥2
=
1
2
𝑎𝑟𝑐 𝑠𝑒𝑛
2𝑥
4
+ 𝑘
Exemplo resolvido 2. Mostre que ∫
𝑑𝑥
𝑎2+𝑥2
=
1
𝑎
𝑎𝑟𝑐 𝑡𝑔
𝑥
𝑎
+ 𝑘 (𝑎 ≠ 0)
Solução: Como 𝑎 ≠ 0, podemos escrever a integral na forma:
∫
𝑑𝑥
𝑎2
𝑎2 + 𝑥2
𝑎2
=
1
𝑎2
∫
𝑑𝑥
1 +
𝑥2
𝑎2
Fazendo a substituição 𝑢 =
𝑥
𝑎
. Temos 𝑑𝑢 =
1
𝑎
𝑑𝑥 ou 𝑑𝑥 = 𝑎 𝑑𝑢.
Portanto,
∫
𝑑𝑥
𝑎2 + 𝑥2
=
1
𝑎2
∫
𝑎 𝑑𝑢
1 + 𝑢2
=
1
𝑎
∫
1
1 + 𝑢2
𝑑𝑢
=
1
𝑎
𝑎𝑟𝑐 𝑡𝑔 𝑢 + 𝑘
=
1
𝑎
𝑎𝑟𝑐 𝑡𝑔
𝑥
𝑎
+ 𝑘
Exercício 8. Calcule
a) ∫
𝑑𝑥
5+𝑥2
b) ∫
𝑑𝑥
𝑥2+6𝑥+13
Exercício 9. Mostre que ∫
√ 𝑥−2
𝑥+1
𝑑𝑥 = 2√ 𝑥 − 2 −
6
√3
𝑎𝑟𝑐 𝑡𝑔
√ 𝑥−2
√3
+ 𝑘
MÉTODO DE INTEGRAÇÃO POR PARTES
Aplicamos a técnica de integração por partes, geralmente, às
integrais em cujos integrandos figuram produtos, funções
exponenciais ou funções logarítmicas.
Assim, ∫ 𝑥 𝑒 𝑥
𝑑𝑥; ∫ 𝑥2
𝑠𝑒𝑛 𝑥 𝑑𝑥; ∫ 𝑎𝑟𝑐 𝑡𝑔𝑥 𝑑𝑥; ∫ ln(𝑥2
+ 1) 𝑑𝑥
são integrais às quais aplicamos a integração por partes.
Fórmula
Sejam 𝑓( 𝑥) e 𝑔(𝑥) funções deriváveis no intervalo I. Temos:
[ 𝑓( 𝑥). 𝑔( 𝑥)]′
= 𝑓′( 𝑥) 𝑔( 𝑥) + 𝑓(𝑥)𝑔′(𝑥)
Ou seja,
𝑓( 𝑥) 𝑔′( 𝑥) = [ 𝑓( 𝑥). 𝑔( 𝑥)]′
− 𝑓′( 𝑥) 𝑔( 𝑥)
Integrando ambos os membros dessa equação, obtemos:
∫ 𝑓( 𝑥) 𝑔′( 𝑥) 𝑑𝑥 = 𝑓( 𝑥). 𝑔( 𝑥) − ∫ 𝑓′( 𝑥) 𝑔( 𝑥) 𝑑𝑥 (*)
Fazendo,
𝑢 = 𝑓( 𝑥) ⇒ 𝑑𝑢 = 𝑓′( 𝑥) 𝑑𝑥 e 𝑣 = 𝑔( 𝑥) ⇒ 𝑑𝑣 = 𝑔′( 𝑥) 𝑑𝑥
Substituindo na expressão (*), obtemos:
∫ 𝑢𝑑𝑣 = 𝑢𝑣 − ∫ 𝑣 𝑑𝑢
Que é a fórmula de integração por partes.
Exercício 10: Calcule
a) ∫ ln 𝑥 𝑑𝑥
b) ∫ 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝑥 𝑑𝑥
c) ∫ 𝑥3
𝑒 𝑥2
𝑑𝑥
d) ∫ 𝑎𝑟𝑐 𝑠𝑒𝑛𝑥 𝑑𝑥
e) ∫ 𝑠𝑒𝑐3
𝑥 𝑑𝑥
Exercício 11. Verifique que:
∫ 𝑠𝑒𝑐 𝑛
𝑥 𝑑𝑥 =
1
𝑛 − 1
𝑠𝑒𝑐 𝑛−2
𝑥 𝑡𝑔 𝑥 +
𝑛 − 2
𝑛 − 1
∫ 𝑠𝑒𝑐 𝑛−2
𝑥 𝑑𝑥
onde 𝑛 > 1 é um natural.
Exemplo:
∫ 𝑠𝑒𝑐5
𝑥 𝑑𝑥 =
1
4
𝑠𝑒𝑐3
𝑥 𝑡𝑔 𝑥 +
3
4
∫ 𝑠𝑒𝑐3
𝑥 𝑑𝑥
=
1
4
𝑠𝑒𝑐3
𝑥 𝑡𝑔 𝑥 +
3
4
(
1
2
sec 𝑥 𝑡𝑔𝑥 +
1
2
ln|sec 𝑥 + 𝑡𝑔 𝑥|)
=
1
4
𝑠𝑒𝑐3
𝑥 𝑡𝑔 𝑥 +
3
8
sec 𝑥 𝑡𝑔𝑥 +
3
8
ln|sec 𝑥 + 𝑡𝑔 𝑥| + 𝑘
Integração de Funções Racionais por Frações Parciais
Vamos apresentar um procedimento sistemático para calcular a
integral de qualquer função racional. A ideia básica é escrever a
função racional dada como uma soma de frações mais simples. Para
isto, usaremos um resultado importante da Álgebra, que é dado na
proposição seguinte:
Proposição: Se 𝑝(𝑥) é um polinômio com coeficientes reais, 𝑝(𝑥)
pode ser expresso como um produto de fatores lineares ou
quadráticos, todos com coeficientes reais.
Exemplos:
1) O polinômio 𝑞( 𝑥) = 𝑥2
− 3𝑥 + 2 pode ser escrito como o
produto dos fatores lineares 𝑥 − 2 e 𝑥 − 1.
2) O polinômio 𝑞( 𝑥) = 𝑥3
− 𝑥2
+ 𝑥 − 1 pode ser escrito como o
produto do fator linear e 𝑥 − 1 e pelo fator quadrático irredutível
𝑥2
+ 1.
3) 𝑝( 𝑥) = 3 (𝑥 +
1
3
) ( 𝑥 − 1)2
(𝑥2
+ 3𝑥 + 4) é uma decomposição
de 𝑝( 𝑥) = 3𝑥5
+ 4𝑥4
− 2𝑥3
− 16𝑥2
+ 7𝑥 + 4.
A decomposição da função racional 𝑓( 𝑥) =
𝑝(𝑥)
𝑞(𝑥)
em frações mais
simples está subordinada ao modo como o denominador 𝑞(𝑥) se
decompõe nos fatores lineares e/ ou quadráticos irredutíveis. Vamos
considerar os vários casos separadamente.
Vamos supor, também que o grau de 𝑝(𝑥) é menor que o grau de
𝑞( 𝑥). Caso isso não ocorra, devemos primeiro efetuar a divisão de
𝑝(𝑥) por 𝑞( 𝑥).
Teorema. Sejam 𝛼, 𝛽, 𝑚 e 𝑛 reais dados, com 𝛼 ≠ 𝛽. Então, existem
constantes 𝐴 e 𝐵 tais que:
a)
𝑚𝑥+𝑛
(𝑥−𝛼)(𝑥−𝛽)
=
𝐴
(𝑥−𝛼)
+
𝐵
(𝑥−𝛽)
b)
𝑚𝑥+𝑛
(𝑥−𝛼)2
=
𝐴
(𝑥−𝛼)2
+
𝐵
(𝑥−𝛼)
1º Caso: Os fatores do denominador são todos distintos e do 1º
grau.
Neste caso, podemos escrever 𝑞(𝑥) na forma:
𝑞( 𝑥) = ( 𝑥 − 𝑎1) ( 𝑥 − 𝑎2) … (𝑥 − 𝑎 𝑛)
Onde os 𝑎𝑖, 𝑖 = 1,2, … , 𝑛 são distintos dois a dois.
A decomposição da função racional 𝑓( 𝑥) =
𝑝(𝑥)
𝑞(𝑥)
em frações mais
simples é dada por:
𝑓( 𝑥) =
𝐴1
𝑥 − 𝑎1
+
𝐴2
𝑥 − 𝑎2
+ ⋯ +
𝐴 𝑛
𝑥 − 𝑎 𝑛
Onde 𝐴1, 𝐴2, … , 𝐴 𝑛 são constantes que devem ser determinadas.
Neste caso, temos:
∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 = ∫ (
𝐴1
𝑥 − 𝑎1
+
𝐴2
𝑥 − 𝑎2
+ ⋯ +
𝐴 𝑛
𝑥 − 𝑎 𝑛
) 𝑑𝑥
= 𝐴1 𝑙𝑛| 𝑥 − 𝑎1| + 𝐴2 𝑙𝑛| 𝑥 − 𝑎2| + ⋯ + 𝐴 𝑛 𝑙𝑛| 𝑥 − 𝑎 𝑛| + 𝑘
Exercício 12: Calcule:
a) ∫
𝑥−2
𝑥3−3𝑥2−𝑥+3
𝑑𝑥.
b) ∫
𝑥3−4𝑥+6
𝑥2+3𝑥
𝑑𝑥.
2º Caso: Os fatores do denominador são lineares, e alguns deles
se repetem.
Se um fator linear 𝑥 − 𝑎𝑖 de 𝑞(𝑥) tem multiplicidade 𝑟, a esse fator
corresponderá uma soma de frações parciais da forma a seguir:
𝐵1
( 𝑥 − 𝑎𝑖) 𝑟
+
𝐵2
( 𝑥 − 𝑎𝑖) 𝑟−1
+ ⋯ +
𝐵𝑟
( 𝑥 − 𝑎𝑖)
Onde 𝐵1, 𝐵2, … , 𝐵𝑛 são constantes que devem ser determinadas.
EXERCÍCIO 13: Calcule:
a) ∫
𝑥3+3𝑥−1
𝑥4−4𝑥2
𝑑𝑥 b) ∫
2𝑥3+6𝑥2−𝑥−22
𝑥3+2𝑥2−4𝑥−8
𝑑𝑥
3º Caso: Os fatores de 𝒒(𝒙) são lineares e quadráticos
irredutíveis, e os fatores quadráticos não se repetem.
A cada fator quadrático 𝑥2
+ 𝑏𝑥 + 𝑐 de 𝑞(𝑥) corresponderá uma
fração parcial da forma:
𝐶𝑥 + 𝐷
𝑥2 + 𝑏𝑥 + 𝑐
EXERCÍCIO 14: Calcule:
a) ∫
𝑥−5
𝑥3−2𝑥2+5𝑥
𝑑𝑥 b) ∫
3𝑥2+5𝑥+4
𝑥3+𝑥2+𝑥−3
𝑑𝑥
4º Caso: Os fatores de 𝒒(𝒙) são lineares e quadráticos
irredutíveis, porém com a repetição de alguns fatores.
Se um fator quadrático 𝑥2
+ 𝑏𝑥 + 𝑐 de 𝑞(𝑥) tem multiplicidade 𝑠, a
esse fator corresponderá uma soma de frações parciais da forma:
𝐶1 𝑥 + 𝐷1
( 𝑥2 + 𝑏𝑥 + 𝑐) 𝑠
+
𝐶2 𝑥 + 𝐷2
( 𝑥2 + 𝑏𝑥 + 𝑐) 𝑠−1
+ ⋯ +
𝐶𝑠 𝑥 + 𝐷𝑠
𝑥2 + 𝑏𝑥 + 𝑐
EXERCÍCIO 15: Decomponha a fração 𝐹 =
𝑥+1
𝑥 ( 𝑥2+2𝑥+3)2
.
INTEGRAÇÃO POR SUBSTITUIÇÃO TRIGONOMÉTRICAS
Esse método é aplicado, geralmente, às integrais, cujos integrandos
contém fator do tipo √ 𝑎2 − 𝑢2, √𝑎2 + 𝑢2 ou √𝑢2 − 𝑎2, onde 𝑎 > 0.
As figuras abaixo nos sugerem tal substituição.
i) A função integrando envolve √𝑎2 − 𝑢2
Neste caso, temos 𝑢 = 𝑎 𝑠𝑒𝑛𝜃. Então, 𝑑𝑢 = 𝑎 𝑐𝑜𝑠𝜃 𝑑𝜃. Supondo que
−
𝜋
2
≤ 𝜃 ≤
𝜋
2
, temos pela figura (a), que
cos 𝜃 =
√𝑎2 − 𝑢2
𝑎
Ou seja, √𝑎2 − 𝑢2 = 𝑎 cos 𝜃.
ii) A função integrando envolve √𝑎2 + 𝑢2
Neste caso, temos 𝑢 = 𝑎 𝑡𝑔𝜃. Então, 𝑑𝑢 = 𝑎 𝑠𝑒𝑐2
𝜃 𝑑𝜃. Supondo que
−
𝜋
2
< 𝜃 <
𝜋
2
, temos pela figura (b), que
cos 𝜃 =
𝑎
√𝑎2 + 𝑢2
Ou seja, √𝑎2 + 𝑢2 = 𝑎 sec 𝜃.
iii) A função integrando envolve √𝑢2 − 𝑎2
Neste caso, temos 𝑢 = 𝑎 𝑠𝑒𝑐𝜃. Então, 𝑑𝑢 = 𝑎 𝑠𝑒𝑐𝜃 𝑡𝑔𝜃 𝑑𝜃. Supondo
que 0 < 𝜃 <
𝜋
2
ou 𝜋 ≤ 𝜃 <
3𝜋
2
temos pela figura (c), que
tg 𝜃 =
√𝑢2 − 𝑎2
𝑎
Ou seja, √𝑢2 − 𝑎2 = 𝑎 tg 𝜃.
EXERCÍCIO 16: Calcule as integrais abaixo:
a) ∫
𝑑𝑥
(4−𝑥2)3/2
b) ∫
𝑥2
3√𝑥2+4
𝑑𝑥
EXERCÍCIO 17: Mostre que
∫
√𝑥2 − 𝑎2
𝑥4
𝑑𝑥 =
1
3𝑎2
(√𝑥2 − 𝑎2)
3
𝑥3
+ 𝐶

189778 integral indefinida

  • 1.
    Integral Indefinida Relação entrefunções com derivadas iguais Introdução: Mostraremos como obter uma função conhecendo apenas a sua derivada. Teorema: Seja 𝑓 contínua no intervalo 𝐼. Se 𝑓′( 𝑥) = 0 em todo 𝑥 interior a 𝐼, então existirá uma constante 𝑘 tal que 𝑓( 𝑥) = 𝑘 para todo 𝑥 ∈ 𝐼. Demonstração: Seja 𝑥 𝑜 um ponto fixo em 𝐼, vamos mostrar que 𝑓( 𝑥) = 𝑓(𝑥 𝑜), para todo 𝑥 ∈ 𝐼. Para todo 𝑥 ∈ 𝐼, com 𝑥 ≠ 𝑥 𝑜, existe pelo TVM, um 𝑐 pertencente ao intervalo aberto de extremos 𝑥 e 𝑥 𝑜, tal que: 𝑓( 𝑥) − 𝑓( 𝑥 𝑜) = 𝑓′(𝑐)(𝑥 − 𝑥 𝑜) Mas, como 𝑐 pertence ao interior de I, por hipótese, temos que 𝑓′( 𝑐) = 0. Portanto, 𝑓( 𝑥) = 𝑓(𝑥 𝑜), ∀ 𝑥 ∈ 𝐼 Tomando 𝑓( 𝑥 𝑜) = 𝑘, resulta o teorema. Corolário: Sejam 𝑓 e 𝑔 contínuas no intervalo I. Se 𝑓′( 𝑥) = 𝑔′(𝑥) em todo 𝑥 interior a I, então existirá uma constante 𝑘, tal que 𝑔( 𝑥) = 𝑓( 𝑥) + 𝑘, ∀ 𝑥 ∈ 𝐼. Demonstração: A função ℎ( 𝑥) = 𝑔( 𝑥) − 𝑓( 𝑥) é contínua em I, e para todo 𝑥 interior a I, ℎ′( 𝑥) = 𝑔′( 𝑥) − 𝑓′( 𝑥) = 0. Pelo teorema anterior, existe uma constante 𝑘 tal que ℎ( 𝑥) = 𝑘 𝑔( 𝑥) − 𝑓( 𝑥) = 𝑘 Ou seja, 𝑔( 𝑥) = 𝑓( 𝑥) + 𝑘, ∀ 𝑥 ∈ 𝐼.
  • 2.
    Observação: Se 𝑓e 𝑔 satisfazerem as hipóteses do corolário e se 𝑓( 𝑥0) = 𝑔(𝑥0) para algum 𝑥0 ∈ 𝐼, então 𝑓( 𝑥) = 𝑔(𝑥) para todo 𝑥 ∈ 𝐼. Exercício 1: Seja 𝑓 definida e derivável em ℝ tal que, para todo 𝑥, 𝑓′( 𝑥) = 𝑓( 𝑥). Prove que existe uma constante k, tal que, para todo 𝑥, tem-se 𝑓( 𝑥) = 𝑘 𝑒 𝑥 . O exercício acima nos diz que as soluções da equação diferencial 𝑑𝑦 𝑑𝑥 = 𝑦 são as funções da forma 𝑦 = 𝑘 𝑒 𝑥 , 𝑘 constante. Exercício 2: Seja 𝑓 definida e derivável em ℝ tal que, para todo 𝑥, 𝑓′( 𝑥) = 𝛼𝑓( 𝑥), 𝑥 ∈ ℝ e 𝛼 constante. Prove que as únicas funções que satisfazem a equação acima, são as funções da forma 𝑓( 𝑥) = 𝑘 𝑒 𝛼𝑥 , 𝑘 constante. O exercício acima nos diz que as soluções da equação diferencial 𝑑𝑦 𝑑𝑥 = 𝛼𝑦 são as funções da forma 𝑦 = 𝑘 𝑒 𝛼𝑥 , 𝑘 constante. Exercício 3: Determine 𝑦 = 𝑓( 𝑥), 𝑥 ∈ ℝ que satisfaz as condições 𝑓′( 𝑥) = 2𝑓( 𝑥) e 𝑓(0) = −1. Exercício 4: Determine uma função 𝑦 = 𝑓( 𝑥), definida num intervalo aberto 𝐼, com 1 ∈ 𝐼, tal que 𝑓(1) = 1 e, para todo 𝑥 em I, 𝑑𝑦 𝑑𝑥 = 𝑥𝑦. Primitiva de uma função Definição: Uma função 𝐹(𝑥) é chamada uma primitiva da função 𝑓(𝑥) no intervalo I se para todo 𝑥 ∈ 𝐼, tem-se: 𝐹′( 𝑥) = 𝑓(𝑥) Muitas vezes não faremos menção ao intervalo I, mas a primitiva de uma função sempre será definida sobre um intervalo.
  • 3.
    Exemplo 1: 𝐹(𝑥) = 1 4 𝑥4 é uma primitiva de 𝑓( 𝑥) = 𝑥3 em ℝ, pois, para todo 𝑥 ∈ ℝ, tem-se 𝐹′( 𝑥) = 1 4 4 𝑥3 = 𝑥3 = 𝑓( 𝑥) Observe que, para toda constante 𝑘, 𝐺( 𝑥) = 1 4 𝑥4 + 𝑘 é, também, uma primitiva de 𝑓( 𝑥) = 𝑥3 . Proposição: Sendo 𝐹 uma primitiva de 𝑓 no intervalo I. Então, 𝐺( 𝑥) = 𝐹( 𝑥) + 𝑘, 𝑘 ∈ ℝ, é também uma primitiva de 𝑓 no intervalo I Diremos, então, que 𝐺(𝑥) = 𝐹( 𝑥) + 𝑘, 𝑘 constante É a família das primitivas de 𝑓 em 𝐼. A notação ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 será usada para representar a família das primitivas de 𝑓: ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 = 𝐹( 𝑥) + 𝑘 Na notação ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥, o símbolo ∫ é chamado sinal de integração, a função 𝑓(𝑥) denomina-se função integrando, 𝑓(𝑥)𝑑𝑥 denomina-se integrando e ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 é denominada integral indefinida da função 𝑓. Da definição de integral indefinida, decorre: 1. ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 = 𝐹( 𝑥) + 𝑘 ⟺ 𝐹′( 𝑥) = 𝑓(𝑥) 2. ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 representa uma família de funções (a família de todas as primitivas da função integrando) Exemplo 2: A figura abaixo, mostra uma família de primitivas da função integrando 𝑓( 𝑥) = 𝑥2 + 1. Observamos que o valor da constante para a figura apresentada assumiu os valores 𝑘 = −3, −2, −1,0,1,2,3.
  • 4.
    Propriedades da IntegralIndefinida Proposição. Sejam 𝑓, 𝑔: 𝐼 → ℝ e 𝑘 uma constante. Então: ( 𝑖) ∫ 𝑘 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 = 𝑘 ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 . ( 𝑖𝑖) ∫( 𝑓( 𝑥) + 𝑔(𝑥)) 𝑑𝑥 = ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 + ∫ 𝑔( 𝑥) 𝑑𝑥. Demonstração (𝒊): Seja 𝐹(𝑥) uma primitiva de 𝑓( 𝑥). Então, 𝑘𝐹(𝑥) é uma primitiva de 𝑘 𝑓(𝑥), pois, (𝑘𝐹( 𝑥)) ′ = 𝑘 𝐹′( 𝑥) = 𝑘 𝑓( 𝑥). Dessa forma, temos: ∫ 𝑘 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 = 𝑘. 𝐹( 𝑥) + 𝑘𝑐1 = 𝑘 ( 𝐹( 𝑥) + 𝑐1) = 𝑘 ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 . Demonstração (𝒊𝒊): Sejam 𝐹( 𝑥) e 𝐺(𝑥) funções primitivas de 𝑓( 𝑥) e 𝑔(𝑥), respectivamente. Então, 𝐹( 𝑥) + 𝐺( 𝑥) é uma primitiva da função 𝑓( 𝑥) + 𝑔( 𝑥), pois ( 𝐹( 𝑥) + 𝐺( 𝑥) )′ = 𝐹′( 𝑥) + 𝐺′( 𝑥) = 𝑓( 𝑥) + 𝑔( 𝑥). Portanto, ∫(𝑓( 𝑥) + 𝑔( 𝑥)) 𝑑𝑥 = (𝐹( 𝑥) + 𝐺( 𝑥)) + 𝑘 = (𝐹( 𝑥) + 𝐺( 𝑥)) + 𝑘1 + 𝑘2 = [ 𝐹( 𝑥) + 𝑘1] + [ 𝐺( 𝑥) + 𝑘2] = ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 + ∫ 𝑔( 𝑥) 𝑑𝑥
  • 5.
    Exercício 5. Calcule: a)∫ 𝑥3 𝑑𝑥 b) ∫ 𝑑𝑥 c) ∫ 𝑑𝑥 √ 𝑥 d) ∫ 𝑥 𝛼 𝑑𝑥, onde 𝛼 ≠ −1 é um real fixo. e) ∫ √ 𝑥 3 𝑑𝑥 f) ∫ (3𝑥2 + 𝑥 + 1 𝑥3 ) 𝑑𝑥 g) ∫ 𝑒 𝛼𝑥 𝑑𝑥, onde 𝛼 ≠ 0 é um real fixo. INTEGRAIS IMEDIATAS Usaremos como variável independente 𝑥. 1. ∫ 𝑐 𝑑𝑥 = 𝑐𝑥 + 𝑘 2. ∫ 𝑑𝑥 = 𝑥 + 𝑘 3. ∫ 𝑥 𝛼 𝑑𝑥 = 𝑥 𝛼+1 𝛼+1 + 𝑘, 𝑠𝑒 𝛼 ≠ −1 4. ∫ 1 𝑥 𝑑𝑥 = ln 𝑥 + 𝑘 , (𝑥 > 0) 5. ∫ 1 𝑥 𝑑𝑥 = ln(−𝑥) + 𝑘 , (𝑥 < 0) 6. ∫ 1 𝑥 𝑑𝑥 = 𝑙𝑛| 𝑥| + 𝑘 7. ∫ 𝛼 𝑥 𝑑𝑥 = 𝛼 𝑥 𝑙𝑛𝛼 + 𝑘 8. ∫ 𝑒 𝛼𝑥 𝑑𝑥 = 1 𝛼 𝑒 𝛼𝑥 + 𝑘 9. ∫ 𝑒 𝑥 𝑑𝑥 = 𝑒 𝑥 + 𝑘 10. ∫ 𝑠𝑒𝑛 𝑥 𝑑𝑥 = − cos 𝑥 + 𝑘 11. ∫ 𝑐𝑜𝑠 𝑥 𝑑𝑥 = sen 𝑥 + 𝑘 12. ∫ 𝑠𝑒𝑐2 𝑥 𝑑𝑥 = tg 𝑥 + 𝑘 13. ∫ 𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐2 𝑥 𝑑𝑥 = −cotg 𝑥 + 𝑘 14. ∫ sec 𝑥 𝑡𝑔 𝑥 𝑑𝑥 = sec 𝑥 + 𝑘 15.∫ sec 𝑥 𝑑𝑥 = 𝑙𝑛|sec 𝑥 + 𝑡𝑔𝑥| + 𝑘 16. ∫ tg 𝑥 𝑑𝑥 = −𝑙𝑛|cos 𝑥| + 𝑘
  • 6.
    17.∫ 𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐 𝑥𝑐𝑜𝑡𝑔 𝑥 𝑑𝑥 = −𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐 𝑥 + 𝑘 18.∫ 𝑑𝑥 √1−𝑥2 = 𝑎𝑟𝑐 𝑠𝑒𝑛 𝑥 + 𝑘 19.∫ − 𝑑𝑥 √1−𝑥2 = 𝑎𝑟𝑐 𝑐𝑜𝑠 𝑥 + 𝑘 20. ∫ 𝑑𝑥 1+𝑥2 = 𝑎𝑟𝑐 𝑡𝑔𝑥 + 𝑘 Exercício 6. Calcule as integrais indefinidas: a) ∫ (8𝑥3 − 6𝑥2 + 5𝑥 − 1 𝑥3 + 𝑥√ 𝑥 − 2 + 3 𝑥 ) 𝑑𝑥 b) ∫(4 sec 𝑥 𝑡𝑔𝑥 + 𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐2 𝑥) 𝑑𝑥 c) ∫ 𝑠𝑒𝑐2 𝑥 𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐𝑥 𝑑𝑥 d) ∫ (3𝑒 𝑥 + 2𝑐𝑜𝑠𝑥 + 1 √ 𝑥 ) 𝑑𝑥 e) ∫ 𝑡𝑔2 𝑥 𝑑𝑥 f) ∫ cos( 𝛼𝑥) 𝑑𝑥 g) ∫ sen( 𝛼𝑥) 𝑑𝑥 h) ∫ 𝑒−𝑥 𝑑𝑥 i) ∫ 𝑐𝑜𝑠2 𝑥 𝑑𝑥 j) ∫ 𝑠𝑒𝑛2 𝑥 𝑑𝑥 k) ∫ 𝑠𝑒𝑛3𝑥 𝑐𝑜𝑠4𝑥 𝑑𝑥 l) ∫ 𝑠𝑒𝑛3𝑥 𝑠𝑒𝑛2𝑥 𝑑𝑥 m) ∫ 𝑐𝑜𝑠5𝑥 𝑐𝑜𝑠2𝑥 𝑑𝑥 Método da Substituição ou Mudança de Variável para Integração Algumas vezes, é possível determinar a integral de uma dada função aplicando uma das fórmulas básicas depois de ser feita uma mudança de variável. Esse processo é análogo à regra da cadeia para derivação. Sejam 𝑓( 𝑥) e 𝐹( 𝑥) duas funções tais que 𝐹′( 𝑥) = 𝑓( 𝑥). Suponhamos que 𝑔 seja outra função derivável tal que a imagem de 𝑔 esteja
  • 7.
    contida no domíniode 𝐹. Podemos considerar a função composta 𝐹 ∘ 𝑔. Pela regra da cadeia, temos: [𝐹(𝑔( 𝑥))] ′ = 𝐹′ (𝑔( 𝑥)). 𝑔′( 𝑥) = 𝑓(𝑔( 𝑥)). 𝑔′(𝑥) Portanto, ∫(𝑓(𝑔( 𝑥)). 𝑔′(𝑥)) 𝑑𝑥 = 𝐹(𝑔( 𝑥)) + 𝑘 Fazendo 𝑢 = 𝑔( 𝑥), temos 𝑑𝑢 = 𝑔′( 𝑥) 𝑑𝑥. Portanto, ∫ 𝑓(𝑢)𝑑𝑢 = 𝐹( 𝑢) + 𝑘 Na prática, devemos definir uma função 𝑢 = 𝑔(𝑥) conveniente, de tal forma que a integral obtida seja mais simples. Exemplo 3. Calcule ∫ 2𝑥 1+𝑥2 𝑑𝑥 Solução: Façamos 𝑢 = 1 + 𝑥2 . Assim, 𝑑𝑢 = 2𝑥 𝑑𝑥. Portanto, ∫ 2𝑥 1 + 𝑥2 𝑑𝑥 = ∫ 𝑑𝑢 𝑢 = 𝑙𝑛| 𝑢| + 𝑘
  • 8.
    = 𝑙𝑛(1 +𝑥2) + 𝑘 Exercício 7. Calcule as integrais: a) ∫ 𝑥2(7 − 4𝑥3)8 𝑑𝑥 b) ∫ 2 cos 𝑥 𝑑𝑥 √1+𝑠𝑒𝑛𝑥 c) ∫ 𝑡𝑔3 𝑥 . 𝑠𝑒𝑐2 𝑥 𝑑𝑥 d) ∫ 𝑠𝑒𝑐4 𝑥 𝑡𝑔 𝑥 𝑑𝑥 e) ∫ 𝑡𝑔 𝑥 𝑑𝑥 f) ∫ 𝑠𝑒𝑛3 𝑥 𝑑𝑥 Exercício resolvido 1. Mostre que ∫ 𝑑𝑥 √𝑎2−𝑥2 = 𝑎𝑟𝑐 𝑠𝑒𝑛 𝑥 𝑎 + 𝑘 (𝑎 ≠ 0) Solução: Como 𝑎 ≠ 0, podemos escrever a integral na forma: ∫ 𝑑𝑥 √𝑎2 √ 𝑎2 − 𝑥2 𝑎2 = 1 𝑎 ∫ 𝑑𝑥 √1 − 𝑥2 𝑎2 Fazendo a substituição 𝑢 = 𝑥 𝑎 . Temos 𝑑𝑢 = 1 𝑎 𝑑𝑥 ou 𝑑𝑥 = 𝑎 𝑑𝑢. Portanto, ∫ 𝑑𝑥 √𝑎2 − 𝑥2 = 1 𝑎 ∫ 𝑎 𝑑𝑢 √1 − 𝑢2 = ∫ 1 √1 − 𝑢2 𝑑𝑢 = 𝑎𝑟𝑐 𝑠𝑒𝑛 𝑢 + 𝑘 = 𝑎𝑟𝑐 𝑠𝑒𝑛 𝑥 𝑎 + 𝑘
  • 9.
    Exemplo 4: ∫ 𝑑𝑥 √16−4𝑥2 = 1 2 𝑎𝑟𝑐𝑠𝑒𝑛 2𝑥 4 + 𝑘 Exemplo resolvido 2. Mostre que ∫ 𝑑𝑥 𝑎2+𝑥2 = 1 𝑎 𝑎𝑟𝑐 𝑡𝑔 𝑥 𝑎 + 𝑘 (𝑎 ≠ 0) Solução: Como 𝑎 ≠ 0, podemos escrever a integral na forma: ∫ 𝑑𝑥 𝑎2 𝑎2 + 𝑥2 𝑎2 = 1 𝑎2 ∫ 𝑑𝑥 1 + 𝑥2 𝑎2 Fazendo a substituição 𝑢 = 𝑥 𝑎 . Temos 𝑑𝑢 = 1 𝑎 𝑑𝑥 ou 𝑑𝑥 = 𝑎 𝑑𝑢. Portanto, ∫ 𝑑𝑥 𝑎2 + 𝑥2 = 1 𝑎2 ∫ 𝑎 𝑑𝑢 1 + 𝑢2 = 1 𝑎 ∫ 1 1 + 𝑢2 𝑑𝑢 = 1 𝑎 𝑎𝑟𝑐 𝑡𝑔 𝑢 + 𝑘 = 1 𝑎 𝑎𝑟𝑐 𝑡𝑔 𝑥 𝑎 + 𝑘 Exercício 8. Calcule a) ∫ 𝑑𝑥 5+𝑥2 b) ∫ 𝑑𝑥 𝑥2+6𝑥+13 Exercício 9. Mostre que ∫ √ 𝑥−2 𝑥+1 𝑑𝑥 = 2√ 𝑥 − 2 − 6 √3 𝑎𝑟𝑐 𝑡𝑔 √ 𝑥−2 √3 + 𝑘 MÉTODO DE INTEGRAÇÃO POR PARTES
  • 10.
    Aplicamos a técnicade integração por partes, geralmente, às integrais em cujos integrandos figuram produtos, funções exponenciais ou funções logarítmicas. Assim, ∫ 𝑥 𝑒 𝑥 𝑑𝑥; ∫ 𝑥2 𝑠𝑒𝑛 𝑥 𝑑𝑥; ∫ 𝑎𝑟𝑐 𝑡𝑔𝑥 𝑑𝑥; ∫ ln(𝑥2 + 1) 𝑑𝑥 são integrais às quais aplicamos a integração por partes. Fórmula Sejam 𝑓( 𝑥) e 𝑔(𝑥) funções deriváveis no intervalo I. Temos: [ 𝑓( 𝑥). 𝑔( 𝑥)]′ = 𝑓′( 𝑥) 𝑔( 𝑥) + 𝑓(𝑥)𝑔′(𝑥) Ou seja, 𝑓( 𝑥) 𝑔′( 𝑥) = [ 𝑓( 𝑥). 𝑔( 𝑥)]′ − 𝑓′( 𝑥) 𝑔( 𝑥) Integrando ambos os membros dessa equação, obtemos: ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑔′( 𝑥) 𝑑𝑥 = 𝑓( 𝑥). 𝑔( 𝑥) − ∫ 𝑓′( 𝑥) 𝑔( 𝑥) 𝑑𝑥 (*) Fazendo, 𝑢 = 𝑓( 𝑥) ⇒ 𝑑𝑢 = 𝑓′( 𝑥) 𝑑𝑥 e 𝑣 = 𝑔( 𝑥) ⇒ 𝑑𝑣 = 𝑔′( 𝑥) 𝑑𝑥 Substituindo na expressão (*), obtemos: ∫ 𝑢𝑑𝑣 = 𝑢𝑣 − ∫ 𝑣 𝑑𝑢 Que é a fórmula de integração por partes. Exercício 10: Calcule
  • 11.
    a) ∫ ln𝑥 𝑑𝑥 b) ∫ 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝑥 𝑑𝑥 c) ∫ 𝑥3 𝑒 𝑥2 𝑑𝑥 d) ∫ 𝑎𝑟𝑐 𝑠𝑒𝑛𝑥 𝑑𝑥 e) ∫ 𝑠𝑒𝑐3 𝑥 𝑑𝑥 Exercício 11. Verifique que: ∫ 𝑠𝑒𝑐 𝑛 𝑥 𝑑𝑥 = 1 𝑛 − 1 𝑠𝑒𝑐 𝑛−2 𝑥 𝑡𝑔 𝑥 + 𝑛 − 2 𝑛 − 1 ∫ 𝑠𝑒𝑐 𝑛−2 𝑥 𝑑𝑥 onde 𝑛 > 1 é um natural. Exemplo: ∫ 𝑠𝑒𝑐5 𝑥 𝑑𝑥 = 1 4 𝑠𝑒𝑐3 𝑥 𝑡𝑔 𝑥 + 3 4 ∫ 𝑠𝑒𝑐3 𝑥 𝑑𝑥 = 1 4 𝑠𝑒𝑐3 𝑥 𝑡𝑔 𝑥 + 3 4 ( 1 2 sec 𝑥 𝑡𝑔𝑥 + 1 2 ln|sec 𝑥 + 𝑡𝑔 𝑥|) = 1 4 𝑠𝑒𝑐3 𝑥 𝑡𝑔 𝑥 + 3 8 sec 𝑥 𝑡𝑔𝑥 + 3 8 ln|sec 𝑥 + 𝑡𝑔 𝑥| + 𝑘 Integração de Funções Racionais por Frações Parciais Vamos apresentar um procedimento sistemático para calcular a integral de qualquer função racional. A ideia básica é escrever a função racional dada como uma soma de frações mais simples. Para isto, usaremos um resultado importante da Álgebra, que é dado na proposição seguinte:
  • 12.
    Proposição: Se 𝑝(𝑥)é um polinômio com coeficientes reais, 𝑝(𝑥) pode ser expresso como um produto de fatores lineares ou quadráticos, todos com coeficientes reais. Exemplos: 1) O polinômio 𝑞( 𝑥) = 𝑥2 − 3𝑥 + 2 pode ser escrito como o produto dos fatores lineares 𝑥 − 2 e 𝑥 − 1. 2) O polinômio 𝑞( 𝑥) = 𝑥3 − 𝑥2 + 𝑥 − 1 pode ser escrito como o produto do fator linear e 𝑥 − 1 e pelo fator quadrático irredutível 𝑥2 + 1. 3) 𝑝( 𝑥) = 3 (𝑥 + 1 3 ) ( 𝑥 − 1)2 (𝑥2 + 3𝑥 + 4) é uma decomposição de 𝑝( 𝑥) = 3𝑥5 + 4𝑥4 − 2𝑥3 − 16𝑥2 + 7𝑥 + 4. A decomposição da função racional 𝑓( 𝑥) = 𝑝(𝑥) 𝑞(𝑥) em frações mais simples está subordinada ao modo como o denominador 𝑞(𝑥) se decompõe nos fatores lineares e/ ou quadráticos irredutíveis. Vamos considerar os vários casos separadamente. Vamos supor, também que o grau de 𝑝(𝑥) é menor que o grau de 𝑞( 𝑥). Caso isso não ocorra, devemos primeiro efetuar a divisão de 𝑝(𝑥) por 𝑞( 𝑥). Teorema. Sejam 𝛼, 𝛽, 𝑚 e 𝑛 reais dados, com 𝛼 ≠ 𝛽. Então, existem constantes 𝐴 e 𝐵 tais que: a) 𝑚𝑥+𝑛 (𝑥−𝛼)(𝑥−𝛽) = 𝐴 (𝑥−𝛼) + 𝐵 (𝑥−𝛽) b) 𝑚𝑥+𝑛 (𝑥−𝛼)2 = 𝐴 (𝑥−𝛼)2 + 𝐵 (𝑥−𝛼)
  • 13.
    1º Caso: Osfatores do denominador são todos distintos e do 1º grau. Neste caso, podemos escrever 𝑞(𝑥) na forma: 𝑞( 𝑥) = ( 𝑥 − 𝑎1) ( 𝑥 − 𝑎2) … (𝑥 − 𝑎 𝑛) Onde os 𝑎𝑖, 𝑖 = 1,2, … , 𝑛 são distintos dois a dois. A decomposição da função racional 𝑓( 𝑥) = 𝑝(𝑥) 𝑞(𝑥) em frações mais simples é dada por: 𝑓( 𝑥) = 𝐴1 𝑥 − 𝑎1 + 𝐴2 𝑥 − 𝑎2 + ⋯ + 𝐴 𝑛 𝑥 − 𝑎 𝑛 Onde 𝐴1, 𝐴2, … , 𝐴 𝑛 são constantes que devem ser determinadas. Neste caso, temos: ∫ 𝑓( 𝑥) 𝑑𝑥 = ∫ ( 𝐴1 𝑥 − 𝑎1 + 𝐴2 𝑥 − 𝑎2 + ⋯ + 𝐴 𝑛 𝑥 − 𝑎 𝑛 ) 𝑑𝑥 = 𝐴1 𝑙𝑛| 𝑥 − 𝑎1| + 𝐴2 𝑙𝑛| 𝑥 − 𝑎2| + ⋯ + 𝐴 𝑛 𝑙𝑛| 𝑥 − 𝑎 𝑛| + 𝑘 Exercício 12: Calcule: a) ∫ 𝑥−2 𝑥3−3𝑥2−𝑥+3 𝑑𝑥. b) ∫ 𝑥3−4𝑥+6 𝑥2+3𝑥 𝑑𝑥. 2º Caso: Os fatores do denominador são lineares, e alguns deles se repetem. Se um fator linear 𝑥 − 𝑎𝑖 de 𝑞(𝑥) tem multiplicidade 𝑟, a esse fator corresponderá uma soma de frações parciais da forma a seguir:
  • 14.
    𝐵1 ( 𝑥 −𝑎𝑖) 𝑟 + 𝐵2 ( 𝑥 − 𝑎𝑖) 𝑟−1 + ⋯ + 𝐵𝑟 ( 𝑥 − 𝑎𝑖) Onde 𝐵1, 𝐵2, … , 𝐵𝑛 são constantes que devem ser determinadas. EXERCÍCIO 13: Calcule: a) ∫ 𝑥3+3𝑥−1 𝑥4−4𝑥2 𝑑𝑥 b) ∫ 2𝑥3+6𝑥2−𝑥−22 𝑥3+2𝑥2−4𝑥−8 𝑑𝑥 3º Caso: Os fatores de 𝒒(𝒙) são lineares e quadráticos irredutíveis, e os fatores quadráticos não se repetem. A cada fator quadrático 𝑥2 + 𝑏𝑥 + 𝑐 de 𝑞(𝑥) corresponderá uma fração parcial da forma: 𝐶𝑥 + 𝐷 𝑥2 + 𝑏𝑥 + 𝑐 EXERCÍCIO 14: Calcule: a) ∫ 𝑥−5 𝑥3−2𝑥2+5𝑥 𝑑𝑥 b) ∫ 3𝑥2+5𝑥+4 𝑥3+𝑥2+𝑥−3 𝑑𝑥 4º Caso: Os fatores de 𝒒(𝒙) são lineares e quadráticos irredutíveis, porém com a repetição de alguns fatores. Se um fator quadrático 𝑥2 + 𝑏𝑥 + 𝑐 de 𝑞(𝑥) tem multiplicidade 𝑠, a esse fator corresponderá uma soma de frações parciais da forma: 𝐶1 𝑥 + 𝐷1 ( 𝑥2 + 𝑏𝑥 + 𝑐) 𝑠 + 𝐶2 𝑥 + 𝐷2 ( 𝑥2 + 𝑏𝑥 + 𝑐) 𝑠−1 + ⋯ + 𝐶𝑠 𝑥 + 𝐷𝑠 𝑥2 + 𝑏𝑥 + 𝑐 EXERCÍCIO 15: Decomponha a fração 𝐹 = 𝑥+1 𝑥 ( 𝑥2+2𝑥+3)2 . INTEGRAÇÃO POR SUBSTITUIÇÃO TRIGONOMÉTRICAS
  • 15.
    Esse método éaplicado, geralmente, às integrais, cujos integrandos contém fator do tipo √ 𝑎2 − 𝑢2, √𝑎2 + 𝑢2 ou √𝑢2 − 𝑎2, onde 𝑎 > 0. As figuras abaixo nos sugerem tal substituição. i) A função integrando envolve √𝑎2 − 𝑢2 Neste caso, temos 𝑢 = 𝑎 𝑠𝑒𝑛𝜃. Então, 𝑑𝑢 = 𝑎 𝑐𝑜𝑠𝜃 𝑑𝜃. Supondo que − 𝜋 2 ≤ 𝜃 ≤ 𝜋 2 , temos pela figura (a), que cos 𝜃 = √𝑎2 − 𝑢2 𝑎 Ou seja, √𝑎2 − 𝑢2 = 𝑎 cos 𝜃. ii) A função integrando envolve √𝑎2 + 𝑢2 Neste caso, temos 𝑢 = 𝑎 𝑡𝑔𝜃. Então, 𝑑𝑢 = 𝑎 𝑠𝑒𝑐2 𝜃 𝑑𝜃. Supondo que − 𝜋 2 < 𝜃 < 𝜋 2 , temos pela figura (b), que cos 𝜃 = 𝑎 √𝑎2 + 𝑢2 Ou seja, √𝑎2 + 𝑢2 = 𝑎 sec 𝜃. iii) A função integrando envolve √𝑢2 − 𝑎2 Neste caso, temos 𝑢 = 𝑎 𝑠𝑒𝑐𝜃. Então, 𝑑𝑢 = 𝑎 𝑠𝑒𝑐𝜃 𝑡𝑔𝜃 𝑑𝜃. Supondo que 0 < 𝜃 < 𝜋 2 ou 𝜋 ≤ 𝜃 < 3𝜋 2 temos pela figura (c), que
  • 16.
    tg 𝜃 = √𝑢2− 𝑎2 𝑎 Ou seja, √𝑢2 − 𝑎2 = 𝑎 tg 𝜃. EXERCÍCIO 16: Calcule as integrais abaixo: a) ∫ 𝑑𝑥 (4−𝑥2)3/2 b) ∫ 𝑥2 3√𝑥2+4 𝑑𝑥 EXERCÍCIO 17: Mostre que ∫ √𝑥2 − 𝑎2 𝑥4 𝑑𝑥 = 1 3𝑎2 (√𝑥2 − 𝑎2) 3 𝑥3 + 𝐶