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  1. 1. 1 KARLA REJANE REIS MARIA DA LUZ TRINDADEA INFERÊNCIA DE BRINQUEDOS E JOGOS NA CONSTRUÇÃO DOCONHECIMENTO EM CRIANÇAS DE 2 A 4 ANOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL BELÉM – PARÁ UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA 2001
  2. 2. 2A INFERÊNCIA DE BRINQUEDOS E JOGOS NA CONSTRUÇÃO DOCONHECIMENTO EM CRIANÇAS DE 2 A 4 ANOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL KARLA REJANE REIS MARIA DA LUZ TRINDADE Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado ao curso de Pedagogia do Centro de Ciências Humanas e Educação da UNAMA, como requisito para obtenção do grau em Pedagogia – Supervisão Escolar, orientado pelo professor Celso Michiles Barreto. BELÉM – PARÁ UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA 2001
  3. 3. 3A INFERÊNCIA DE BRINQUEDOS E JOGOS NA CONSTRUÇÃO DOCONHECIMENTO EM CRIANÇAS DE 2 A 4 ANOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL KARLA REJANE REIS MARIA DA LUZ TRINDADE AVALIADO POR: CELSO MICHILES BARRETO DATA: / / BELÉM – PARÁ UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA 2001
  4. 4. 4Brincar com criança não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais tristeainda é vê-los, sentados enfileirados, em salassem ar, com exercícios estéreis, sem valor para aformação do homem. Drummond
  5. 5. 5 DEDICATÓRIADedicamos este trabalho de Conclusão de Curso,aos nossos familiares e amigos, que no decorrerdessa jornada nos deram força para o nossocrescimento profissional.
  6. 6. 6AGRADECIMENTO Ao professor Celso Barreto, pela paciência e incansável orientação para a construção dessa pesquisa.
  7. 7. 7 RESUMO O propósito desta pesquisa é discutir as inferências de brinquedos e jogos na construçãodo conhecimento em crianças de 2 a 4 anos da Educação Infantil, tendo como ponto de partida oato de brincar como uma forma prazerosa de aprender. Portanto, é este ato de liberdade queproporciona a construção do conhecimento, que é adquirido pela criação de relações e não porexposições a fatos e conceitos isolados. É portanto através do lúdico que a criança desenvolveseus aspectos cognitivos, emocionais e afetivos. Nesta pesquisa procurou-se analisar quais osconceitos que os professores vem trabalhando o brinquedo e o jogo nas escolas, se eles usamesses recursos e se eles utilizam o lúdico como instrumento de avaliação. Os sujeitos da pesquisaforam 20 crianças de 2 a 4 anos (maternal e jardim II), duas professoras e uma supervisoraeducacional. Foram utilizados como instrumento de pesquisa, questionários para as professoras ea supervisora educacional. Os resultados do estudo evidenciaram que as professoras e a técnicaresponsável, já possuem um conhecimento a respeito do assunto proposto e já começaram adesenvolver dentro de suas atividades pedagógicas um trabalho relacionado ao lúdico. Portanto,concluímos que estes educadores já começaram a preocupar-se com a questão do brincar naescola, de como ele é importante para aprendizagem da linguagem e desenvolvimento cognitivoda criança.
  8. 8. 8 SUMÁRIOCAPÍTULO I – INTRODUÇÃO ..................................................................................01CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................03 2.1 – O jogo e o brinquedo ............................................................03 2.2 – O processo de desenvolvimento da criança de 02 a 04 anos .....................................................................07 2.2.1 – A teoria de Jean Piaget .....................................................08 2.2.2 – A teoria de Jerome Bruner ...............................................10 2.3 – A educação infantil ..............................................................12 2.4 – O jogo na educação infantil ................................................14CAPÍTULO III – METODOLOGIA ...........................................................................18 3.1 – Tipo de estudo .....................................................................18 3.2 – O contexto da pesquisa ......................................................18 3.3 – Os sujeitos da pesquisa .....................................................19 3.4 – A coleta de dados ................................................................19CAPÍTULO IV – ANÁLISE DOS RESULTADOS ....................................................20CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................25BIBLIOGRAFIA .....................................................................................................27ANEXOS
  9. 9. 9 CAPÍTULO I INTRODUÇÃO O presente estudo, parte do interesse de alcançar um entendimento acercadas inferências que brinquedos e jogos desenvolvem dentro do processo deaprendizagem trabalhados em crianças da Educação Infantil, especialmente emcrianças de 2 a 4 anos. A relevância de tal estudo está em identificar qual o valor do ato de brincar,atribuído pelos professores em sua prática educativa, verificar que metodologiavem sendo utilizada na atividade lúdica e se os mesmos refletem sobre estasinferências no desenvolvimento cognitivo dessas crianças. Portanto, preocupadas com a questão de um ensino através do lúdico éque nos propomos a investigar este tema e suas contribuições para a sociedade eo meio acadêmico. Esta proposta faz com que se perceba que o lúdico é uma opção detrabalhar o conhecimento de forma prazerosa, pois é através do brincar que acriança aprende a lidar com o mundo, e formar sua personalidade, recriandosituações do seu dia a dia na busca de novas experiências. Dentro destaconcepção BRUNER apud KISHIMOTO (1994) afirma dizendo: “O brincar também contribui para a aprendizagem da linguagem, que funciona como instrumento de pensamento e ação, para ser capaz de falar sobre o mundo, a criança precisa saber brincar com o mundo com a mesma desenvoltura que caracteriza a ação lúdica”. (p. 68). É importante refletirmos a maneira como o brinquedo vem sendotrabalhado nas escolas, e se eles favorecem um aprendizado significativo nasatividades pedagógicas. Logo, é persistente a busca de respostas que levam à solução do problemaenfatizado neste estudo com relação às inferências do brinquedo e do jogo na
  10. 10. 10construção do conhecimento em crianças de 2 a 4 anos, por este motivolançamos mão de tais questionamentos.• O que é brinquedo e jogo?• Qual a relação do lúdico com a construção do conhecimento em crianças de 2 a 4 anos?• O educador defende o brinquedo utilizado em sala de aula, como recurso pedagógico?• O educador considera o brinquedo como instrumento de avaliação? E para que direcionemos nossa pesquisa ao tema proposto, prevalecerãoos pensamentos de autores conceituados, que contribuíram para a solução daproblematização aqui lançada. Tais autores são: GROOS, CARR, CLAPAREDE,STEPH, PIAGET, BRUNER, SCHRAML, CHATEAU e FROEBEL. Estes servirãode base para nossa pesquisa, sem deixar de citar a contribuição de outrosautores como: KISHIMOTO, WINNICOT, RIZZI, HAYDT, BOMTEMPO, DANTASe MAUÉS que servirão de suporte para tal. Partindo de fatos que ocorrem no cotidiano, é necessário enfatizar umaabordagem qualitativa descritiva, objetivando um trabalho reflexivo e críticoatravés de análises e registros do educador, educando, e Supervisor da escola. Esta coleta de dados será realizada em um colégio particular de ordemreligiosa de Belém e serão utilizados instrumentos de pesquisa, tais como:questionários para professoras e Supervisor da Educação Infantil. A partir deste momento seguirá com a catalogação dos dados pesquisadose o fechamento do referente estudo com a análise dos mesmos, dando subsídiospara elaboração de um texto, contendo todas as relevâncias da pesquisacientífica. Para finalizar, serão realizadas as considerações finais do trabalho paraverificar se a problemática, os questionamentos e os objetivos obtiveram ou nãoêxito satisfatório.
  11. 11. 11 CAPÍTULO II FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA2.1. O JOGO E O BRINQUEDO Desde o século passado até os nossos dias, estudiosos têm se voltadopara a necessidade de explicar o brinquedo, a atividade lúdica, ou os jogos dascrianças. Assim, é que filósofos têm formulado teorias, explicando de diversasmaneiras. Por que as crianças têm a necessidade de brincar. Entre as várias idéias a respeito do assunto GROOS apud SSP (1998),explica o brinquedo como sendo um exercício preparatório para as atividadesadultas. Por isso segundo essa teoria, meninos e meninas têm necessidade debrincar durante anos, de homem ou de mulher, para se transformaremverdadeiramente em homens e mulheres. GROOS apud SSP (1998) também ressalta que o brinquedo corresponde auma necessidade natural, e isso explica a alegria que caracteriza os brinquedosinfantis. Tal entendimento é percebido por KISHIMOTO (1999), onde diz que:“Para a criança, brincar é viver.” Outra teoria, a de CARR apud SSP (1998), admite que o brinquedo tem afunção de descarregar as tendências anti-sociais que são naturais da criança,mas que se mostram incompatíveis com o estágio atual de nossa sociedade.Portanto, o brinquedo tem uma função purificadora. Este entendimento éconcebido por CLA PAREDE apud SSP (1998), posicionando-se, dizendo que: “O papel do jogo é purgar-nos, de tempos em tempos, das tendências anti-sociais (...) Brigando de brincadeiras com os companheiros, o menino não elimina de vez seu instinto combativo, que lhe é necessário possuir em caso de legítima defesa, mas se descarrega momentaneamente, de maneira inofensiva, das tendências agressivas.”
  12. 12. 12 Para tanto, entre os psicólogos se manifesta o interesse em explicar obrinquedo ou o jogo, que nada mais é, do que a livre expansão de tendênciasocultas mais ou menos represadas. Com isso, em Londres, foi introduzido o usodo brinquedo entre os psicanalistas de crianças, com a finalidade de descobrir ascausas dos distúrbios apresentados por seus pequenos pacientes e, assim curá-los. Para os psicólogos da escola ALFRED ADLER (1870 – 1937), vêem nobrinquedo e no jogo um desejo de superioridade, de afirmação, uma tendênciaforte em mandar. Portanto ao brincar, reproduzem-se as atividades dos pais, acriança faz de conta que é grande e realiza seu desejo de ser grande, seu anseiode domínio. Haja vista que, por ser uma compensação de inferioridade infantil éque o brinquedo de boneca atrai tanto a menina. Segundo vários psicólogos, como é o caso de STEPH apud SSP (1998) edo casal SCUPIN apud SSP (1998), baseados em diários organizados de seuspróprios filhos, descreveram o desenvolvimento da atividade lúdica. Também ofizeram em algumas obras, com base em observações infantis, o casal BÜHLER,em Viena, nos anos 30, e mais recentemente JEAN PIAGET, na Suíça. Estesverificaram que a medida que a criança avança em idade, consequentemente emseu desenvolvimento motor, mental e social, vai apresentando mudanças em suaatividade lúdica, no tipo de brinquedo e nos objetos com que brinca. Para tanto, percebe-se que os pais também sabem que as mudanças nobrinquedo estão relacionadas com a idade. Tanto que, ao descreverem oprogresso de suas crianças usam o advérbio já: “Ela já brinca disto ou daquilo.” Este desenvolvimento de atividades lúdicas, pode ser verificado por obraspublicadas por SCHRAML apud SSP (1998), onde são citados a idade da criança,o tipo de brinquedo e o objeto de brinquedo a ser utilizado, possibilitando umdiagnóstico aproximado no desenvolvimento de uma criança:a) Brinquedo funcional ou experimental No primeiro ano de vida a criança brinca, no início, com seus própriosmembros praticando movimentos com as pernas, os braços e os dedos, balbucia,agarra e sacode objetos, demonstrando grande prazer nesses brinquedos
  13. 13. 13motores. PIAGET (1971) privilegia muitos desses “jogos de exercício” à auto-imitação: o bebê imita a si mesmo, várias vezes repetindo um movimento casualou reflexo que acaba de efetuar. Olhar a luz e as cores, escutar os sons e ascanções de ninar, apalpar os objetos, sentindo a textura das roupas, parecemconstruir brinquedos sensoriais para a criança.b) Brinquedo de ficção, de ilusão ou simbólicos Os brinquedos surgem na segunda metade do segundo ano de vida e seprolongam até os anos pré-escolares. SCUPIN apud SSP (1998) observando seu filho, registra que a criança“fumava” seu dedão, fazia seus brinquedos “comerem” ou “dormirem” e elamesma “comia” as mais variadas refeições de potes vazios. Em relação às diversas modalidades de brinquedos de ficção, é natural acriança fazer de conta que está dirigindo um carro ou uma motocicleta, comotambém atribuir vida a objetos inanimados. Essa característica do pensamentoinfantil é um aspecto importante em relação aos brinquedos, sendo chamado deanimismo (do latim anima = alma). Na qual para a criança pequena sua boneca,seu ursinho e outros brinquedos sentem e pensam como as pessoas grandes.c) Brinquedos de representação de papéis e de construção Após o terceiro ano de vida, a criança já brinca imitando atividades quevivência ou das que toma conhecimento através dos livros, cinema e da televisão.Sendo assim, ela brinca de motorista de ônibus, de carteiro, de médico, professorou cozinheiro. CHÁTEAU apud SSP (1998) chama esses jogos de brinquedos deimitação. Pois neste período, há um interesse particular pelo brinquedo deconstrução, no qual a caixa de bloquinhos de madeira, pedras, areia, plantas,terra são elementos indispensáveis para esse tipo de brinquedo. Muitas vezes, os mesmos materiais servem aos dois tipos de brinquedo: omenino, misturando água à areia para levantar um castelo está empenhado emum brinquedo de construção. A menina por sua vez faz bolinhos de areia e
  14. 14. 14oferece aos seus amigos para “provarem”, está representando o papel da mãe.Os brinquedos de construção são acompanhados muitas vezes pelo entusiasmoda competição, ou seja, o meu é “mais bonito”, “mais alto”, “maior”,etc. SCHRAML apud SSP (1998) narra um exemplo de brinquedo derepresentação de papéis lembrando de sua própria infância, ligando várias casashavia um caminho asfaltado medindo cerca de 12 metros de comprimento por 1metro de largura, o resto da área era coberto por cascalho ou grama. O caminhoasfaltado, para as crianças, simbolizava um trem. Adultos que por acasoestivessem no local eram os passageiros, e as crianças o maquinista, o chefe dotrem e os fiscais. O brinquedo era vivenciado com total realidade que uma saídapara o cascalho ou para o gramado equivalia a pular do trem em movimento.d) Brinquedos com outros e com regras Na idade escolar de primeiro grau, a criança possui a capacidade debrincar em grupo, com outras, pois já opta a seguir a regras e a guardar a suavez. Antes dessa idade, ela já brinca paralelamente com outra criança ou emgrupo de no máximo três, mas não participou ainda de jogos sujeitos a regras,pois, embora possa percebê-las, mostrando-se incapaz de submeter-se a elas.De fato a criança nessa idade está ainda no estágio egocêntrico, no qual ela jogalivremente, a sua maneira. Este comportamento foi observado por PIAGET (1971)em seu estudo sobre a capacidade infantil de obediência a regras, nos jogos degude (para meninos) e de amarelinha (para meninas). Entretanto na fase escolar, formam-se grupos de idade aproximada que seselecionam por sexo, pois os meninos e meninas já não se interessam mais pelosmesmos brinquedos, ou seja, os meninos se agrupam para jogos movimentados,as meninas por sua vez dão mais importância aos brinquedos mais sedentárioscomo por exemplo, de escolinha ou de casinha. Tais escolhas são reflexos einfluência de nossos padrões culturais. Geralmente o grupo de brinquedo é comandado por um líder, que em geralé escolhido de acordo com sua capacidade, o maior, o mais corajoso, o que sabeo maior número de jogos ou mesmo o dono do brinquedo.
  15. 15. 15 Sem dúvida, alguns brinquedos como os de roda, acompanhados de canto,assemelham-se a rituais. Surgindo, por vezes na idade escolar, brinquedosinventivos, marcados por singular originalidade. CHATEAU apud SSP (1998)registrou diversos brinquedos e denominou de jogos de regras arbitrárias, aosquais a criança se entrega mesmo estando sozinha. Por exemplo, andar na beirada calçada que pode assumir inúmeras variações, como: pisou ou não nos riscosde junção, dar um passo em cada dois fora da calçada, etc. Ele ainda assinalaque esses brinquedos nos mostram como a criança preza as regras. Ressaltandoque estes são os únicos brinquedos nos quais a invenção e a espontaneidadeinfantil têm livre andamento, pois a própria criança invente a regra. Existem outros brinquedos no qual a criança deve ser capaz de inibir-se,não podendo falar, rir ou mover-se (como da estátua). PIAGET (1971) em seus estudos verificou que a criança tende asuperestimar o valor e a importância das regras aplicáveis a determinados jogos. Para a criança pequena, as regras são sagradas, não podendo sermudadas, ou seja, foram impostas por uma autoridade à qual todos devemobedecer. Mesmo assim, ela não consegue jogar com as crianças maiores, sóquando alcançar a idade escolar, ela estará apta à conseguí-lo. Pois é através daimitação e da interação com os colegas, que a criança vai atingir um estágio maiselevado; compreenderá, então que as regras existem porque todos concordam arespeito delas e elas poderão ser mudadas se todos concordarem com asmudanças.2.2. O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA DE 02 A 04 ANOS Em relação ao desenvolvimento cognitivo, nota-se a existência de estágiosou períodos sensíveis (ou de prontidão), são os períodos ou estágios em que ascrianças ao serem estimuladas passam a aprender comportamentos maiscomplexos. Portanto, faz-se necessário que façamos a correspondênciaadequada entre as tarefas de aprendizagem ao nível de desenvolvimento em quea criança está.
  16. 16. 16 Verifica-se que precisamos não apenas saber que ensino escolher, comoensinar, mas sobretudo, quando ela está pronta para aprender as várias tarefasintelectuais do processo ensino-aprendizagem. Nesta contextualização MAUÉS(2000) segue citando que: “É através do brincar que a criança representa a realidade à sua volta, e com isso vai construindo seus próprios valores, idéias e conceitos.” (p. 01) Haja visto que, se entendermos como o desenvolvimento cognitivo seprocessa, poderemos evitar dois incidentes: ensinar a criança antes que estejapronta para aprender e perder uma oportunidade preciosa por ensiná-la muitotempo após o momento adequado. É neste sentido que, para compreendermos este processo, analisaremosduas teorias: a teoria de PIAGET e a teoria de BRUNNER ambas citadas porBARROS (1995).2.2.1. A teoria de Jean Piaget Jean Piaget foi um psicólogo suíço, falecido em 1980. É conhecidomundialmente por suas obras e centenas de artigos publicados, reverenciando aanálise a evolução do pensamento infantil. Por mais de quarenta anos, realizou pesquisas com crianças, visandoconhecer melhor a evolução do pensamento até a adolesc6encia, para quehouvesse o aperfeiçoamento dos métodos educacionais. Com isso PIAGET(1975) propõe que o desenvolvimento cognitivo se realiza em estágios. Portanto,isso significa que a natureza e a caracterização da inteligência mudam com opassar do tempo. Para PIAGET apud BARROS (1995), os estágios e períodos dodesenvolvimento caracterizam as diferentes formas do indivíduo interagir com arealidade, de organizar seus conhecimentos visando sua adaptação. Com isso éque o indivíduo desde criança, vai construindo seu desenvolvimento mental,levando em consideração o ponto de vista motor, intelectual e afetivo.
  17. 17. 17 PIAGET apud BARROS (1995) identificou quatro períodos principais dodesenvolvimento sensório motor (0 a 2 anos); pré-operacional (2 a 6 anos);operações concretas (7 a 11 anos) e operações formais (12 anos em diante). A inteligência sensório- motora, que vai do nascimento até aos 18 mesesde idade, a criança analisa o ambiente e age sobre ele, contudo faz-se necessárioressaltar que o bebê receba a estimulação visual, auditiva e tátil, tendo umavariedade de objetos para manipular, de possibilidades para se movimentar. A inteligência intuitiva ou pré-operacional, acontece dos 2 aos 6 anos deidade, em relação a inteligência anterior, é o desenvolvimento da capacidadesimbólica, onde a criança começa a usar símbolos mentais (imagens oupalavras), que representam objetos que não estão presentes. É neste períodoque acontece a explosão linguística, desenvolvendo seu vocabulário. Nas operações concretas, que acontece dos 7 aos 11 anos, a criança usaa lógica e raciocínio, mas somente os aplica na manipulação de objetosconcretos. É preciso que se faça a relação entre objetos para estimular opensamento. Já nas operações formais, após aos 12 anos o pensamento já nãodepende da manipulação de objetos concretos. As operações lógicas realizam-seentre as idéias expressas em palavras ou símbolos, sem necessidade damanipulação da realidade. O pensamento formal é capaz de deduzir asconclusões de hipótese e não somente através de observação real. Entretanto, o período a qual daremos maior enfoque, é o Pré-operatório,que dura dos dois aos seis anos aproximadamente. Nesse período, ocorre odesenvolvimento da capacidade simbólica, que permite a criança ter umarepresentação mental dos objetos e das coisas do ambiente. Nesta fase, as crianças apresentam as seguintes características:egocentrismo, ou seja, tudo está centrado em sua pessoa, são incapazes deaceitar o ponto de vista de outra pessoa, quando diferentes ao delas;centralização, percebe apenas um dos aspectos de um objeto ou acontecimento,ou seja, focaliza apenas uma dimensão do estímulo, centralizando-se nela esendo incapaz de levar em conta mais de uma dimensão ao mesmo tempo;animismo, as crianças supõem que os objetos são vivos e capazes de sentir.
  18. 18. 18 Percebe-se portanto que é nessa faixa etária que a criança começasociabilizar-se. Ao final deste período, começa a representação mental, aformação de agrupamentos de ações interiorizadas, coordenadas entre si ereversíveis. Neste momento acontece a passagem do egocentrismo para a daorganização. Nessa fase, a criança dos dois aos três anos brinca com bonecos de panoou de borracha, objetos grandes e leves; jogos de encaixe e brinquedos da faseanterior. Dos três aos quatro anos, brinca de correr, escorregar, puxar e lançar. Neste sentido WALLON (1986), afirma que: “Brincar de andar, de pular, brincar de subir e descer, de pôr e tirar, de empilhar derrubar, de fazer e desfazer, de criar e destruir. Educar neste momento é sinônimo de preparar o espaço adequado, o espaço brincado, isto é, explorável”. (p. 117) Neste momento, são levados em consideração todos os itens acimacitados onde podemos observar o desenvolvimento físico, mental e sócio-emocional da criança, através de jogos e brincadeiras. Pois eles ajudam adesenvolver a confiança, a autonomia e a iniciativa.2.2.2. A teoria de Jerome Bruner Jerome Bruner, psicólogo americano contemporâneo, fundou nauniversidade de Harvard, o Centro de Estudos Cognitivos. Em 1960 publicou OProcesso da Educação, no qual expôs sua teoria da instrução, explicando que:“Qualquer assunto pode ser ensinado eficazmente, de alguma forma intelectualmentehonesta, a qualquer criança em qualquer estágio de desenvolvimento.” BRUNER apud BARROS (1995) propõe em sua teoria explicar como acriança, em diferentes etapas de sua existência, tende a representar o mundocom o qual interage. Contudo acredita que haja três níveis de representaçãocognitiva do mundo: enativa, icônica e simbólica.
  19. 19. 19a) Representação enativa (Ativa) A criança neste nível, representa o mundo pelas suas ações, ou seja, seperguntarmos onde fica algum lugar, com certeza ela não saberá responder, oseu reflexo será levar-nos ao lugar perguntando, pois não conseguirá representaro caminho através de desenhos ou indicar verbalmente. O autor ressalta que crianças muito novas comunicam-se melhor com omundo por meio de ação, elas entendem e assimilam melhor as mensagensexpressas sob a forma de movimentos. Assim como e uma aula sobre animais,possivelmente a professora ensinará que o coelho salta, saltando; a cobra rasteja,rastejando ou o cachorro late, latindo, o gato mia, miando e assimsucessivamente. PIAGET apud BARROS (1995) ressalta este momento, dando exemplo deJaqueline (1 ano e 11 meses), ao voltar de uma viagem, contou ao pai:”Robertchora, patos nadam no lago, foram embora”. (p. 104) Portanto, o autor nos coloca que os contos infantis, neste nível, são bemmais apreciados e compreendidos sob forma de dramatizações, apresentaçõesem fantoches, do que por meio de figuras estáticas ou narração verbal. Outra observação a ser feita por BRUNER apud BARROS (1995) nestenível, é sobre a recompensa, ou seja, se um adulto quiser elogiar ocomportamento de uma criança bem pequena, o melhor a ser feito é acariciar-lhea cabeça, bater palmas do que dizer palavras de elogio.b) Representação icônica Neste nível a criança já possui a imagem dos objetos, sem que se precisemanipulá-lo, ou representá-lo como acontece no nível anterior. As crianças jáconseguem desenhar uma figura de um objeto, sem que se precise representar aação que ele representa. O professor já consegue passar mensagens através dediagramas ou ilustrações, cujo as crianças apreciam bastante. BRUNER apudBARROS (1997) enfatiza dizendo: ”As crianças já podem desenhar a figura de umgarfo, por exemplo, sem representar o ato de comer” (p.111)
  20. 20. 20c) Representação simbólica Neste nível a criança representa o mundo através de símbolos, semnecessidade do uso de ação ou imagens, estando apta a traduzir suasexperiências em linguagem e a receber mensagens verbais do adulto. BRUNER apud BARROS (1995) também ressalta a importância doambiente para a o desenvolvimento intelectual do ser humano. O ambiente podedeterminar algumas diferenças em relação a idade dos diversos estágios em quea criança irá passar. Portanto é neste ponto que a teoria de BRUNER seassemelha com a de PIAGET. BRUNER apud BARROS (1995) diz que: “O desenvolvimento intelectual do ser humano resulta , em grande de parte, da estimulação ambiental. O ambiente no qual as crianças vivem podem determinar os graus de diferenças em relação à idade em que passam pelos diversos estágios”. (p.111) BARROS (1995) enfatiza que uma variedade de estímulos e mudanças noambiente é necessário para um desenvolvimento cognitivo adequado. Destemodo, verifica-se que a criança desde cedo, deve ser exposta a estímulosvariados, causando-lhe um desejo enorme de aprender. Conclui-se portanto que, tanto PIAGET como BRUNER dão importância, àcuriosidade das crianças, e isso deve ser aproveitado em seu processo ensino-aprendizagem.2.3. A EDUCAÇÃO INFANTIL: O BRINCAR ENQUANTO PROCESSOEDUCACIONAL O brincar na Educação Infantil exerce uma função essencial no processoeducacional da criança, pois este ato implica de forma prazerosa e significativa aconstrução de sua personalidade. Portanto é nos primeiros anos de vida que ela
  21. 21. 21irá compreender e se inserir em seu grupo, construir a função simbólica,desenvolver a linguagem, explorar e conhecer o seu ambiente. Para dar ênfase àesta idéia, WINNICOT (1975) posiciona-se dizendo que: “Afirma que a brincadeira é a melhor maneira da criança comunicar-se, ou seja, um instrumento que ela possui para relacionar-se com outras crianças. Brincando, a criança aprende sobre o mundo que a cerca e tem a oportunidade de procurar a melhor forma de integrar-se a esse mundo que já encontra pronto ao nascer”(p.78) Portanto o brincar chegou a escola com o objetivo de facilitar a assimilaçãoda aprendizagem do aluno, tornando-a a mais significativa e concreta. Entretanto este ambiente escolar deve ser criado com intuito de estimular oaparecimento das potencialidades da criança, sendo estimuladas e motivadas nomomento certo, sempre respeitando o tempo necessário para ela amadurecer. Verifica-se que existe diferença entre o brincar na escola e o brincar emoutro lugar. Na escola, o brincar muitas vezes é utilizado como um meiopedagógico e não apresenta interesse de brincar pelo simples prazer de brincar,mas com o objetivo de uma motivação para aprendizagem. Portanto, segundoesta concepção, alguns autores, tais como RIZZI e HAYDT (1987) sugerem: “A utilização de atividades lúdicas como forma de facilitar o período de adaptação e socialização ao meio escolar, pois através do lúdico a criança vai se adaptando ao ambiente em que está inserido e com as pessoas que muitas vezes o compõem” (p.8) Na Educação Infantil, o brincar estimula a inteligência da criança, faz comque ela solte sua imaginação e desenvolva sua criatividade, também possibilita oexercício de concentração, atenção e engajamento . Com esta contextualização,KISHIMOTO (1999), nos diz que:
  22. 22. 22 “Ao utilizar de modo metafórico a forma lúdica (objeto suporte de brincadeira) para estimular a construção do conhecimento, o brinquedo educativo conquistou o espaço definitivo na Educação Infantil.” (p.38). Outro fator importante a ressaltar é a linguagem da criança, ou seja,quando brinca, variadas situações lhe são favorecidas, possibilitando-lhesaquisição de novos conceitos principalmente se a criança (2-4 anos) tiver contatocom crianças mais velhas ou adultos, que possam introduzir novos conceitos,complementando sua integração com o mundo externo. Verifica-se também que o brincar, tem uma relação muito direta com aformação da motricidade da criança em idade pré-escolar, pois o controleconsciente do movimento no jogo, na brincadeira, é muito maior do que em outraatividade realizada por instrução. Portanto é através da observação dodesempenho das crianças em suas brincadeiras, é que poderemos avaliar o níveldo seu desempenho cognitivo e motor. Conclui-se portanto que, o brincar na Educação Infantil tem uma funçãoessencial no desenvolvimento da criança, principalmente nos primeiros quatroanos de vida, onde ela realiza tarefas primordiais que são: sociabilizar-se,construção da função simbólica, desenvolver a linguagem, explorar e conhecer omundo físico. Deste modo, percebe-se que o ato de brincar é considerado como umaatividade específica e fundamental na Educação Infantil. Este pressuposto é quenos permite estabelecer a relação da brincadeira infantil com a função sócio-pedagógica da pré-escola.2.4. O jogo na Educação Infantil O jogo é fundamental para o desenvolvimento infantil, pois através dele acriança passa a envolver-se com as exigências da sociedade, de forma divertida eprazerosa, sem ser impostas pela família, escola ou religião. Para FROEBEL apud RIZZI e HAYDT (1987), o valor do ato de brincar é defundamental importância para o desenvolvimento físico, moral e cognitivo da
  23. 23. 23criança e pelo estabelecimento das relações entre os objetos culturais e anatureza. Nos dias de hoje o brincar vem sendo cada vez mais utilizado naEducação, sendo destacado como uma peça importantíssima para a formação dapersonalidade, da inteligência, na evolução do pensamento, transformando-se emum artifício mais acessível para a construção do conhecimento. Dentro desta concepção BOMTEMPO (1986) posiciona-se dizendo: “O brinquedo parece com um pedaço de cultura colocado ao alcance da criança. E seu parceiro na brincadeira. A manipulação do brinquedo leva criança à ação e à representação, a agir e a imaginar”. (p. 68) FROEBEL apud RIZZI e HAYDT (1987) adotava uma pedagogia de ação,particularmente a do jogo. No seu trabalho docente, pôs em prática a teoria dovalor educativo do brinquedo e do jogo, elaborando um curriculum centrado emjogos para desenvolvimento da percepção sensorial, da expressão e parainiciação à matemática. Percebe-se portanto que alguns dos grandes educadores do passado járeconheciam o valor pedagógico do jogo, aproveitando-o como materialeducativo. É neste sentido que o jogo enfatiza a relação social, ou seja, éparticipando de jogos que a criança começa a ter formação de atitudes sociais:solidariedade, obediência às regras, respeito mútuo, cooperação, senso deresponsabilidade, iniciativa pessoal e grupal. É quando aprende a valorizar osentimento de vitória ou derrota. Portanto FROEBEL apud RIZZI e HAYDT (1987) enfatiza que o papel doeducador é fundamental no sentido de preparar a criança para a competiçãosadia, prevalecendo o respeito e a consideração pelo adversário. Sobre o aprendizado de crianças menores (2 a 4 anos) permanecem atéhoje princípios básicos da importância do brincar para a pré-escola. Dentre estaconcepção FROEBEL introduziu a atividade lúdica como forma de trabalhar obom desempenho da aprendizagem infantil, que são: os brinquedos cantados, ashistórias, o uso de material concreto.
  24. 24. 24 PIAGET (1971) também enfatiza que a imitação como origem de todarepresentação mental é base para o aparecimento do jogo infantil. WALLON (1986) “analisa a origem do comportamento lúdico como sendo proveniente da imitação. Esta faz parte da participação motora do que é imitado e um certo prolongamento do real, ou seja, a origem da representação está na imitação”. (p.41) PIAGET (1971) seguindo uma orientação cognitiva analisa o jogo integradoa vida mental caracterizado por orientações do comportamento que denominaassimilação. Dentro dessa perspectiva PIAGET (1971) ressalta que a inteligência édefinida pelo equilíbrio entre a assimilação e acomodação. Segundo o autor amaneira da criança ASSIMILAR é transformar o meio para que este se adapte àssuas necessidades, enquanto o ACOMODAR é a maneira da criança mudar a simesma para adaptar-se ao meio em que está inserida. Tal entendimento éreforçado pelo autor (1971) dizendo: “O jogo é a construção do conhecimento, principalmente, nos períodos sensório-motor e pré- operatório. Agindo sobre os objetos as crianças, desde pequenas estruturam seu espaço e seu tempo, desenvolvem a noção de casualidade, chegando à representação e finalmente à lógica”. (p.99) Dentro do período infantil PIAGET (1971), verificou que existem,basicamente, três tipos de estruturas que caracterizam os jogos: o exercício, osímbolo e a regra. O jogo de exercício, surge durante os primeiros dezoito mesesde vida, sob a forma de simples exercícios motores, consistindo na repetição degestos e movimentos simples.
  25. 25. 25 Para PIAGET (1971), “a criança movimentando-se descobre os seusgestos e os repete em busca de efeitos”. (p.180) Já no jogo simbólico compreendido entre os dois e seis anos de idade, olúdico manifesta-se sob a imaginação e de imitação. Neste período a criançatende a relacionar suas ações, situações e seu meio ambiente, ela tende amanifestar o tipo de tratamento que recebe, ou seja, é o caso da menina quebrincando de casinha, grita com a boca dando-lhes ordens, chamando-a dedesobediente e atribuindo-lhes castigos. Assim sendo, é através deste períodoque a criança expressa e integra as experiências de seu cotidiano. O jogo de regras é definido por PIAGET (1971) como: “O jogo de regras é a atividade lúdica do ser socializado e começa a ser praticado por volta dos sete anos, quando a criança abandona o jogo egocêntrico das crianças mais pequenas, um proveito de uma aplicação efetiva de regras e do espírito de cooperação entre os jogadores”. (p.29) Vale ressaltar neste período, o pensamento reversível, fazendo com que acriança estabeleça relações permitindo-lhes identificar regras. É neste momentoque são assimiladas relações envolvendo regras, dando oportunidade da criançaincorporar suas próprias regras e avaliar as regras de seus colegas . Em resumo, PIAGET (1971) assegura que o jogo na criança inicialmente éegocêntrico e espontâneo, tornando-se cada vez mais uma atividadesocializadora. Portanto, verifica-se que, ao brincar, a criança constrói conhecimento. Comisso uma das atribuições mais importantes do jogo é a confiança que a criançatem. Confiante, ela pode chegar às suas próprias conclusões, criar seus própriosvalores morais e culturais, visando sua auto-estima, o autoconhecimento, acooperação conduzindo à imaginação, à fantasia, à criatividade, à criticidade e aalgumas vantagens que facilitam suas vidas, sejam quando crianças ou comoadultos.
  26. 26. 26 CAPÍTULO III METODOLOGIA3.1. TIPO DE ESTUDO Tendo em vista o cotidiano de uma Escola Particular de Ensino, fez-senecessário realizar um estudo do tipo qualitativo, cujo nos proporcionou umadireção definida para fazer uma reflexão rigorosa a respeito do próprio sujeito. Mediante a este contexto obteve-se um estudo qualitativo, onde atravésdeste estaremos descrevendo os significados da pesquisa, além de obtermosuma compreensão sobre as inferências de brinquedos e jogos para a construçãodo conhecimento de crianças da Educação Infantil (2 a 4 anos) juntamente comuma pesquisa bibliográfica que deu condições para identificarmos característicasespecíficas consideradas por PIAGET e BRUNER. A partir daí foi necessário recolhermos dados que permitissem confrontar ateoria com a prática, através de questionários aplicados para as professoras e aSupervisora educacional, onde se propiciou registrar fatos importantes quepudessem favorecer a pesquisa de campo.3.2. O CONTEXTO DA PESQUISA A pesquisa apresentada foi desenvolvida em uma Instituição Particular deEnsino Infantil de cunho religioso na cidade de Belém. Tendo como espaço físico pesquisado, duas salas, uma de maternal eoutra de jardim I, uma brinquedoteca, um parque, cujo o solo é de areia brancacom vários brinquedos como: balanço, casinha um escorrega e uma rodagiratória. A instituição mencionada pertence a uma comunidade de nível sócio-econômico médio, localizada em São Bráz.
  27. 27. 27 Foi neste espaço que se desenvolveu o roteiro de observação e osquestionários. Estes recursos foram colocados frente à frente com a visão dosautores mencionados na pesquisa. Em seguida sob a forma de redação, foi construído um texto descritivofazendo o cruzamento das informações que propiciaram a elaboração de um textocontendo as relevâncias da Pesquisa Científica, fazendo uma comparação entreos questionamentos e os objetivos com as respostas obtidas pelos questionários,verificando se houve ou não um resultado satisfatório.3.3. OS SUJEITOS DA PESQUISA O presente estudo, desde os primeiros momentos foi destinado à criançasde 2 a 4 anos de idade, do turno da manhã de uma Instituição de EnsinoParticular de Belém do Pará. No período de setembro e outubro, foram feitas visitas com apresentaçãode questionários respondidos por duas professoras, uma do maternal, e outra dojardim I, elas forma denominadas de M e J respectivamente. E também aSupervisora da Educação Infantil. Vale ressaltar que as professoras possuem onível superior incompleto.3.4. A COLETA DE DADOS O material da coleta de dados, devidamente preenchidos nos proporcionoua elaboração de um texto descritivo fazendo um cruzamento das informações oqual nos permitiu redigir um novo texto contendo as relevâncias da pesquisacientífica. Logo após, fez-se a catalogação dos dados comparando osquestionamentos e os objetivos, momento em que foi feito um paralelo dasrespostas obtidas nos questionários, com a finalidade de verificar e analisar osresultados. Com isso elaborou-se o texto final com intuito de averiguar o resultadoobtido durante toda a pesquisa.
  28. 28. 28 CAPÍTULO IV ANÁLISE DOS RESULTADOS A referida análise, deu-se a partir de questionários realizados comprofessoras de maternal e jardim I e com a Supervisora Educacional da EducaçãoInfantil. Foram feitas análises uma a uma de cada questão, e ao final análise geraldos resultados. QUADRO I O que você sabe sobre brinquedos e jogos? Professoras Respostas Os brinquedos são utilizados pelas crianças livremente, sem regras pré-determinadas. Já os jogos M necessitam de regras sejam elas estabelecidas pelo autor do jogo ou pela própria criança ao brincar. O brinquedo, a criança brinca livremente e o jogo J possui regra. Os brinquedos não exigem regras. Já os jogos Supervisora exigem. Mas sabemos que estes conceitos dependem da forma que a criança utiliza os mesmos. De acordo com as respostas dadas, podemos observar um conhecimentobem restrito sobre os conceitos. Mas podemos verificar que ambas sabemdiferenciá-los e o quanto são importantes para o processo ensino-aprendizagem. Enfim, constamos que tanto as professoras como a Supervisora sabem oque os termos significam e a importância deles para a Educação Infantil.
  29. 29. 29 QUADRO IIDe que maneira você relaciona o lúdico com a construção do conhecimento emcrianças de 2 a 4 anos? Professoras Respostas M Através do lúdico a criança constrói seus conhecimentos de forma prazerosa. J A partir do momento em que a criança interage com o brinquedo ela já está Construindo conhecimento. Supervisora Através das atividades lúdicas, a criança desenvolve-se em todas as dimensões, afetivo, emocional , social e cognitivo. Analisando as respostas acima, verificamos que estas educadoras jápossuem um certo conhecimento sobre o lúdico, o quanto ele é importante para aconstrução do conhecimento, principalmente em crianças de 2 a 4 anos. É nestafaixa etária que a criança tem mais prazer pelas atividades livres. E o momentoem que eles expandem suas experiências e coordenação motora.
  30. 30. 30 QUADRO IIIVocê defende o brinquedo utilizado em sala de aula, como recurso pedagógico? Professoras Respostas M Sim, o brinquedo é fundamental para a criança e não deve ser negado este direito. Sim, desde que esta sala de aula tenha um J espaço apropriado e estimulante. Supervisora Sim, desde que este instrumento seja Sutilizado corretamente, em horários apropriados, sempre com o educador orientando sua utilização. Podemos verificar que as três possuem diferenciadas concepções, masque relacionadas ao recurso pedagógico estão corretíssimas quando referem-seao direito de brincar, espaço adequado para a atividade e o uso correto doinstrumento. Estes fatores são de suma importância para o desenvolvimento esocialização das crianças neste período. Logo, percebemos que as três estão preocupadas em trabalhar obrinquedo de forma adequada, sempre dando ênfase ao desenvolvimento econstrução de valores que estes recursos possam proporcionar.
  31. 31. 31 QUADRO IVVocê considera o brinquedo como instrumento de avaliação? Professoras Respostas M Sim, Desde que a criança seja observada pelo educador. Sim, Pois é através do brinquedo que verificamos: J de que forma a criança externaliza seus sentimentos. Quais os conceitos que estão claros na cabeça dela. Qual o seu nível de aprendizagem e se este condiz com sua faixa etária. Supervisora Sim, mas só pode ser considerado como instrumento de avaliação se o educador souber analisar sua utilização no momento em que a criança usa o mesmo. Podemos observar que as três educadoras estão seguras quanto aobrinquedo ser utilizado como instrumento de avaliação. Mas para que essaavaliação aconteça, faz-se necessário que o educador preocupe-se em organizarcritérios avaliativos para que o mesmo tenha resultados positivos em seudiagnóstico. Com base nos resultados, observamos que as educadoras possuem umconhecimento básico dos elementos pesquisados (brinquedos e jogos).Entretanto esses conhecimentos são bem diferenciados de acordo com oprocesso ensino-aprendizagem que desenvolvem.
  32. 32. 32 Sabem que o lúdico é importante para a construção do conhecimento,principalmente na faixa etária mencionada, citando também o prazer que ascrianças sentem ao brincar, pois é neste momento em que elas praticam suasexperiências e trabalham a sua motricidade. Também podemos perceber que elas possuem diferentes concepçõessobre brinquedo ser utilizado como recurso pedagógico, mas enfatizam que épreciso conceder o direito de brincar à criança, verificando se o espaço éadequado e se o instrumento está sendo utilizado corretamente. Portanto, ao relacionarmos o brinquedo como instrumento de avaliação,ambas nos responderam que é necessário que se construa critérios, para queessa avaliação obtenha resultados significativos. Logo, podemos perceber que elas estão preocupadas em trabalhar osbrinquedos e jogos de forma adequada, proporcionando um bom desenvolvimentocognitivo e social dessas crianças.
  33. 33. 33 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir de tudo o que foi esclarecido sobre o brinquedo e jogo, pode-seperceber que eles estão presentes em todas as dimensões da existência do serhumano e, muito especialmente, na vida das crianças. Portanto podemos afirmarque realmente “BRINCAR” é viver, e as crianças brincam porque esta é umanecessidade básica, assim como, a alimentação, a saúde e educação. Em vista disso, traçamos metas para alcançarmos nossos objetivos, jámencionados no início da pesquisa. Portanto partindo das análises dos dadospercebemos, pela prática, a realidade desta contextualização no cotidianoescolar, onde verificamos que já existe uma preocupação tanto dos docentesquanto dos técnicos a respeito do tema estudado. Estas colaboradoras (professoras e supervisora), nos permitiramproporcionar este estudo entre prática e teoria, acreditando na influênciasignificativa dos brinquedos e jogos na aprendizagem do educando. Percebemos que dentro de suas práticas, os brinquedos e jogos possuemconceitos bem restritos, mas que ambos são bem diferenciados pelaseducadoras. Elas também ressaltam que o lúdico é muito importante para odesenvolvimento das crianças, em especial as de 2 a 4 anos, pois enfatizam queé através dele que elas constróem seus conhecimentos de forma prazerosa. Portanto ao indagarmos que elas defendem o brinquedo como recursopedagógico, elas responderam que sim, pois na escola o brincar é visto comouma motivação para o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e emocional dacriança. A partir desta concepção , é preciso que se diferenciem esses doisaspectos do brincar: o brincar no âmbito da escola e o brincar em outro lugar, poisesta atividade deverá ser bem planejada, sendo utilizados critérios para ummomento avaliativo adequado, detectando progressos ou falhas nodesenvolvimento dessas crianças. Desta forma, podemos observar que esses profissionais estão cientes doensino através do lúdico, mas é preciso que obtenham mais informações esubsídios para poderem melhorar mais suas práticas. Estas informações e
  34. 34. 34subsídios poderão ser encontrados através de textos sobre o tema: brinquedos ejogos; oficinas oferecidas por instituições adequadas; obras de autores quepreocupados com o aprendizado livre, expõem seus pensamentos através demétodos e regras, proporcionando um momento de aprender mais satisfatóriopara essas crianças.
  35. 35. 35 BIBLIOGRAFIABARROS, Célia S. Guimarães. Pautas de Psicologia do Desenvolvimento. 9ªed. São Paulo: Ed. Ática, 1995.BOMTEMPO, Edda (org.). Psicologia do Brinquedo. São Paulo: Ed. daUniversidade de São Paulo: Nova Stella,1986.Enciclopédia Mirador Internacional. São Paulo. V12, 1976KISHIMOTO, Tizuko M. Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação. 3ª ed.São Paulo: Cortez, 1999._________ . O Jogo e a Educação Infantil. São Paulo: Pioneira, 1994.MAUÉS, Eva. A vida é feita de brincadeiras. Jornal Liberal. Belém.Pa.30.04.2000, caderno Muller. P.01.PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro. Zahar, 1971.RIZZI, Leonor, HAYDT, Regina Célia Cazaux. Atividades Lúdicas na Educaçãoda Criança: Subsídios Práticos para o Trabalho na Pré-escola e nas SériesIniciais do 1º Grau. 2ª ed.: Ática, 1987.SANTOS, Santa Marli Pires dos. (org.). Brinquedoteca: o lúdico em diferentescontextos. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1997.Serviço de Supervisão Pedagógica: O brinquedo. Educação Infantil. Belém. Pa.:Colégio São Paulo, 1998.TEIXEIRA, Elizabeth. Manual para elaboração de trabalhos de conclusão decurso-TCC. Belém: UNAMA, 1998.
  36. 36. 36WALLOW, Hensi. Origem do caráter na criança. São Paulo. Ed. Ática, 1986.WINNICOTT, D.W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
  37. 37. 37ANEXOS
  38. 38. 38 ANEXO I Cara Supervisora, Somos alunas da Universidade da Amazônia do 4º ano do Curso dePedagogia – Habilitação em Supervisão Escolar e estamos fazendo umlevantamento à cerca das inferências dos brinquedos e jogos na construção doconhecimento em crianças de 2 a 4 anos de idade. Desta forma, gostaríamos decontar com sua colaboração para o enriquecimento do nosso Trabalho deConclusão de Curso, respondendo a este questionário. Atenciosamente M.ª da Luz Parte I – Formação AcadêmicaInstituição:Ano de formação:Anos de atuação como Supervisora: Parte II – Questões específicas sobre a pesquisa1. O que você sabe sobre brinquedos e jogos?2. De que maneira você relaciona o lúdico com a construção do conhecimento em crianças de 2 a 4 anos?3. Você considera o brinquedo como instrumento de avaliação?4. Você defende o brinquedo utilizado em sala de aula, como recurso pedagógico?
  39. 39. 39ANEXO II Cara Professora, Somos alunas da Universidade da Amazônia do 4º ano do Curso dePedagogia – Habilitação em Supervisão Escolar e estamos fazendo umlevantamento a cerca das inferências dos brinquedos e jogos na construção doconhecimento em crianças de 2 a 4 anos de idade. Desta forma, gostaríamos decontar com sua colaboração para o enriquecimento do nosso Trabalho deConclusão de Curso, respondendo a este questionário. Atenciosamente Karla Reis Parte I – Formação Profissional( ) Nível médio( ) Nível Superior incompleto( ) nível Superior Completo Parte II – Questões específicas sobre a pesquisa1. O que você sabe sobre brinquedos e jogos?2. De que maneira você relaciona o lúdico com a construção do conhecimento em crianças de 2 a 4 anos?3. Você considera o brinquedo como instrumento de avaliação?4. Você defende o brinquedo utilizado em sala de aula, como recurso pedagógico?

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