Gabriel monteiro

579 visualizações

Publicada em

Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
579
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Gabriel monteiro

  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieA SATISFAÇÃO COM O USO DO TWITTER E A SUBJETIVIDADEADMINISTRADAGabriel Monteiro da Fonseca Leal Maia (IC) e Ednilton José Santa-Rosa (Orientador)Apoio: PIBIC Mackenzie/MackPesquisaResumoO presente trabalho teve como objetivo investigar os elementos subjetivos envolvidos na utilização dosítio da internet Twitter. Foram realizadas três sessões de grupo focal com usuários regulares do sítio,pertencentes à faixa etária de 18 a 24 anos. As sessões foram gravadas e posteriormente transcritas.Desse modo, após uma série de leituras das transcrições, foram identificados nas falas dos sujeitoselementos que se relacionavam direta e indiretamente com a satisfação no uso do Twitter. Emseguida foram definidas categorias de análise que diziam respeito às satisfações dos sujeitos emrelação: à integração do Twitter com a televisão, à publicidade no sítio, à utilidade e praticidadeproporcionadas pelo sítio, ao narcisismo, ao isolamento e ao hiper-realismo. A teoria crítica dasociedade embasou a pesquisa, destacando-se as discussões sobre a formação do indivíduo,considerando os conceitos de indústria cultural, subjetividade administrada, entre outros. Concluiu-seque as falsas necessidades individuais produzidas pelas instâncias de controle social, objetivando aadministração das forças contrárias ao progresso e à dominação, encontram boa parte de suasatisfação no uso do Twitter.Palavras-chave: Twitter, subjetividade, teoria crítica da sociedadeAbstractThe aim of this paper was to study the subjective elements involved in the use of the website Twitter.Three focus group sessions were carried out with site’s regular users between 18 and 24 years old.The discussions that took place at the sessions were audio taped and later transcript. Thereby, afterthe reading of the transcripts, elements related both direct and indirectly to the satisfaction on the useof Twitter were identified in the subject’s speech. Categories of analysis regarding to subject’ssatisfaction were defined in relation to: the integration of Twitter with television, the publicity on thewebsite, the utility and practicality provided by the website, narcissism, isolation and hyper-realism.The paper was based in the critical theory of society, highlighting the discussions about humanindividual development, considering the concepts of cultural industry, administrated subjectivity,among others. It was concluded that fake individual necessities produced by social control instances,whose aim is the subjective administration of the forces opposed to progress and domination, find agreat part of its satisfaction in the use of Twitter.Key-words: Twitter, subjectivity, critical theory of society 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011INTRODUÇÂOSegundo dados de 2009, publicados em 2010 (CGI BRASIL, 2010), 45% da populaçãobrasileira já acessou a Internet ao menos uma vez, e destes, 58% o fazem diariamente - decasa (41%), do trabalho (14%) ou de centros públicos de acesso pago (30%). Dentre asatividades desenvolvidas pelos usuários de Internet, 90 % se destina à comunicação, sendoque 67% destas relacionadas a sítios de relacionamento ou “redes sociais da Internet”(RECUERO, 2009) como o Twitter, uma ferramenta na qual se é convidado a responder em,no máximo 140 caracteres, à pergunta “O que você está fazendo?”. O sítio, fundado em2006, foi se caracterizando ao longo de sua história por outras funções, pois os usuários nãose limitam a responder a pergunta-título da ferramenta, praticando atividades como a trocade informação e o estabelecimento de conversações (MISCHAUD, 2007; HONEYCUTT &HERRING, 2009 apud RECUERO e ZAGO, 2009). Além dos usuários comuns, empresas epessoas famosas também estão cadastradas no sítio, praticando atividades como ocomércio de mercadorias (BALDOCCHI, 2010) e o contato com celebridades (PRIMO,2009).Castells (2000) afirma que, além da propriedade interativa da internet, sua diferença emrelação aos meios de comunicação de massa reside na possibilidade do receptor dainformação exercer também o papel de emissor, o que revolucionaria as relações de poderdos tradicionais processos de comunicação em favor dos usuários. Mas estariam essaspropriedades de interação e individualização “tecnologicamente embutidas” (CASTELLS,2000) na internet efetivamente criando condições para a reversão, não só do processo decomunicação, mas do crescente processo de aniquilamento da autonomia individual e decessão da subjetividade ao controle e administração externos, conforme nos alerta Marcuse(1967)? Recuero e Zago (2009) afirmam que a troca de mensagens em rede no Twitterfavorece “o acesso a novas informações, a novas discussões e, por isso, auxiliam naconstrução do conhecimento” (p. 8). Mas o grande acesso às informações e a participaçãoem discussões possibilitariam, de fato, a construção de conhecimento? Ou, pelo contrário,significam o esvaziamento da experiência no mundo administrado por meio da veiculaçãofrenética de informações, opiniões, manifestações, etc, - sobretudo com um limite pré-estabelecido de palavras - já que, segundo Adorno (1993), é na “experiência intensa” que oconhecimento tem lugar? O fato de as pessoas mostrarem voluntariamente suas vidasprivadas e estabelecerem conversas e trocas de informação em público pela Internet nãoestaria justamente exercendo a função de desacostumá-las da subjetividade ao tornarpúblicos até os seus desejos mais íntimos, como afirmam Adorno e Horkheimer (1985)? Nãoseria o Twitter uma ferramenta tecnológica de grande eficácia ao detectar e computarestatisticamente as necessidades – ao mesmo tempo em que expõe a popularidade - dos 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana Mackenzieconsumidores, tornando-se assim um instrumento de alta precisão em favor dos mentoresdo processo produtivo por favorecer a ampliação da produção e do consumo de falsasnecessidades, nos moldes daquilo que aqueles autores definem como “indústria cultural”? Oque a crescente popularização de um sítio que permite a comunicação à distância - mediadapelo computador – entre os indivíduos, entre empresas e indivíduos, entre famosos eanônimos, poderia nos dizer a respeito da subjetividade na atual sociedade? É objetivodeste trabalho investigar os elementos subjetivos envolvidos na utilização do Twitter porparte dos indivíduos.REFERENCIAL TEÓRICOCastells (2000) afirma que o sistema de massa outrora predominante estruturado em tornoda televisão teria sido sucedido – em função de inovações tecnológicas como a fibra ótica eo processamento digital – pela fusão entre uma “mídia descentralizada e diversificada”(p.355) (cuja emissão de informações especializadas e diversificadas à audiência permite aadequação da mídia a públicos-alvo específicos, como acontece na TV a cabo) e umsistema organizado em função da comunicação mediada por computadores conectados emrede, a atual internet. Para o autor, enquanto nos tradicionais meios de comunicação ou seemite ou se recebe a comunicação, a partir do surgimento e popularização da comunicaçãomediada por computadores seria possível uma “reversão dos jogos de poder tradicionais noprocesso de comunicação” (p. 384). Entretanto, o grande potencial comercial que aintegração da propriedade interativa da rede mundial de computadores com o conteúdoveiculado pelos meios de comunicação de massa pode proporcionar (PÓVOA, 2000) nãodeixou de determinar os rumos da internet. Dados de 2009 (CGI BRASIL, 2010) mostraramque 86% dos brasileiros usuários da rede o fazem com finalidades como o lazer: 53%destes com o consumo de filmes ou vídeos, 44% para ler jornais e revistas, 40% para ouvirrádio e 39% para a obtenção de filmes, músicas entre outros itens. Para Marcuse (1967), namedida em que a tecnologia facilita e induz o acesso às mercadorias, prepara asubjetividade para a aceitação inconteste dos sacrifícios impostos por esta sociedade. Oencurtamento do caminho entre os produtos culturais e seus consumidores, que os obtémrapidamente por meio de seus computadores pessoais, valendo-se do mínimo esforço, nosleva a considerar a hipótese de que a internet, assim como afirma Adorno (2000) sobre atelevisão, constitua “um momento no sistema conjunto da cultura de massa dirigistacontemporânea orientada numa perspectiva industrial” (p. 88), e possa também serentendida enquanto parte de uma totalidade que opera em função da “modelagem conjuntada consciência e do inconsciente” (p.88). 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011A possibilidade de emissão da comunicação pelos indivíduos – e não somente recepção -abre caminho para a divulgação maciça de dados pessoais e a elaboração de perfis deconsumo, não só por meio dos cadastros realizados durante as compras, mas também pelaexposição da vida privada em sítios públicos de relacionamento, como o Twitter. No sítio, apergunta-título “O que você está fazendo?”, que precede o campo destinado à escrita dasmensagens, já contém em si um incentivo à exposição. Não somente pessoas, masempresas e instituições podem ter acesso a essas informações, o que facilita oaperfeiçoamento do processo de aproximação dos produtos às necessidades individuais e oaumento da eficácia na manipulação dessas necessidades por parte dos meios deprodução. Resta saber se os indivíduos realmente permitem o acesso irrestrito às suasinformações. Talvez aí resida uma possível relação entre o Twitter e a indústria cultural(ADORNO; HORKHEIMER, 1985), pois uma vez expostas, as informações pessoais servemà publicidade, que pode ser direcionada não só à massa como um todo, mas direta eimediatamente a uma espécie de “massa de indivíduos”, de acordo com a prévia detecçãode perfis de consumo. A aparente aproximação, tecnologicamente produzida, entre produtoe consumidor (ADORNO, 1981) esconde o real distanciamento entre produção e consumo,entre o poder das instâncias sociais que exercem o controle e os indivíduos a elesubmetidos (MARCUSE, 1998). Além de empresas e instituições, o Twitter abriga tambémfiguras famosas nos meios de comunicação de massa (PRIMO, 2009) – como atores,músicos, jornalistas, apresentadores, entre outros – que publicam mensagens, fotos evídeos no sítio. A ilusão de proximidade que o acesso a partes da intimidade dessaspessoas possibilita, aparentemente coloca os modelos de identificação veiculados pelosmeios de comunicação de massa - antes idealizados e mantidos à distância - mais próximosdos espectadores. Mais próximo se torna também o ideal socialmente produzido noindivíduo de tornar-se um dia, ele mesmo, uma celebridade: o usuário “comum” do Twitterpode também mensurar sua própria popularidade de acordo com o número de “seguidores”que seu perfil possui. Se o uso do Twitter incentiva a exposição de partes da vida privadaem troca de pretensa popularidade, não estaria ele alçando ainda mais o indivíduo ao statusmercadológico de celebridade, ou seja, de objeto? Tais características do Twitter tambémnos remetem à tese de que a atual fase do modo de produção capitalista favorece aconsciência passiva do indivíduo-consumidor, submetido ao controle externo de suasubjetividade e confinado ao seu bem-estar privado (SODRÉ,1987). Para Ramos (2008),esse confinamento também decorre de um sentimento geral de medo: de perder o emprego,de não cumprir as metas, de sair de casa, do outro, de si mesmo, de acabar inteiramenteintegrado e de ficar à margem. E as soluções oferecidas pela mesma sociedade que oprimeo indivíduo ajudam-no a esquecer dos sacrifícios e ameaças que lhe são infringidas. O autoraponta que o isolamento é compensado não só pelas gratificações proporcionadas pela 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana Mackenzieindústria cultural, mas também pelas satisfações decorrentes do próprio confinamento.Ainda segundo Ramos (2008), a comunicação mediada por computadores reproduz ascondições totalitárias da sociedade na medida em que exclui as mediações corporais docontato com o outro.MÉTODOForam realizados 3 encontros utilizando o instrumento do grupo focal: o primeiro reunindo 3participantes, o segundo 9 participantes e o terceiro 3 participantes, na faixa etária entre 18e 24 anos. A escolha da faixa etária se deu em razão dos dados apresentados na pesquisado Comitê Gestor da Internet no Brasil (2009) que apontam que 71% dos jovens entre 16 e24 anos usaram computador nos 3 meses anteriores à realização, e destes, 60% sãousuários diários. Participaram da pesquisa somente pessoas que afirmassem ser usuáriosdo Twitter. A divulgação do trabalho, realizada conforme descrito logo abaixo, nãodeterminava como critério de exclusão para a participação na pesquisa o gênero dospossíveis participantes. Mesmo assim, todos os sujeitos que participaram das 3 sessões degrupo focal são do gênero feminino. O recrutamento dos participantes foi realizado por meioda divulgação do trabalho pelo pesquisador aos alunos do curso de Psicologia, no espaçodo campus da mesma universidade em que foram realizadas as sessões de grupo focal.Uma vez manifestado o interesse em participar, os sujeitos forneceram seus endereçoseletrônicos para corresponderem-se com o pesquisador afim de determinar um dia e umhorário em comum para a realização dos encontros. As sessões de grupo focal tiveram, emmédia, aproximadamente 1 hora de duração. Nas três sessões foi utilizado um equipamentopara registrar o áudio das discussões – sob o devido consentimento dos sujeitos, mediantea assinatura do “Termo de consentimento livre e esclarecido”. O local para os encontros,como é sugerido por Gomes (2003), foi uma sala arejada, com boa iluminação e cadeirasconfortáveis em volta de uma mesa. Após a verificação do horário e dia disponíveis aosparticipantes para a realização do grupo focal, foi solicitada junto ao representante de umauniversidade da cidade de São Paulo a utilização de uma de suas salas para a realizaçãodos encontros. O procedimento de análise das informações colhidas no grupo focal foirealizado a partir da transcrição das sessões gravadas. Foram identificadas categoriaspresentes nos discursos, levantando as principais idéias presentes nas falas dos sujeitos, ascoincidências e diferenças entre as opiniões e as direções trilhadas nas discussõestravadas. A análise destas categorias teve como base o referencial teórico adotado narevisão teórica. Anteriormente à realização da pesquisa, tanto o instrumento quanto osprocedimentos foram avaliados e aprovados pelo Comitê de ética em Pesquisa daUniversidade Presbiteriana Mackenzie, que autorizou a continuidade do trabalho. Os riscos 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011físicos e/ou psicológicos que a pesquisa apresentou foram mínimos. Os sujeitos foramdevidamente informados que, no caso de se sentirem em situação de desconforto, poderiamabandonar a pesquisa a qualquer momento, se assim o desejassem – o que não aconteceu.Previamente ao início de cada sessão de grupo focal, foi entregue a cada um dosparticipantes a carta de informação ao sujeito de pesquisa, contendo uma breve e claradescrição do projeto, solicitando a autorização para a gravação e utilização sigilosa dasinformações colhidas para a pesquisa. A mesma carta continha o termo de consentimentolivre e esclarecido, que foi devidamente assinado por todos os participantes. Uma cópiadeste documento ficou com cada um dos participantes, enquanto outra ficou com opesquisador.O grupo focal, instrumento utilizado para a coleta de informações que permitiram investigaros elementos subjetivos envolvidos na utilização do sítio Twitter, é uma técnica qualitativa,não-diretiva, que consiste na mediação da discussão de um grupo de pessoas que não seconhecem, porém tem características comuns. Diferentemente da entrevista em grupo, opapel do pesquisador é o de facilitador da discussão e visa favorecer a interação entre osparticipantes, promover a participação de todos, evitar a dispersão dos objetivos dadiscussão e a monopolização de alguns participantes sobre outros (GOMES, 2003). Autilização do grupo focal favorece a participação ativa dos integrantes, sendo fonte deinformações de alta fidedignidade, pois o ambiente de grupo minimiza o risco de opiniõesfalsas ou extremadas (GOMES, 2003). Outra vantagem é que devido ao formato flexível, omoderador pode explorar perguntas não previstas anteriormente. Ao iniciar o encontro, apósa leitura e assinatura das cartas de informação ao sujeito, foi proposta uma breve auto-apresentação aos participantes. Em seguida, foram esclarecidos os objetivos do encontro, omodo de seleção dos participantes, o uso do gravador, o sigilo das informações obtidas, aduração do encontro e a importância de cada pessoa falar na sua vez, permitindo a boagravação das falas. Deixou-se claro também que todas as opiniões eram importantes einteressantes para a pesquisa. Uma rodada inicial de falas foi então promovida,possibilitando a todos um comentário geral sobre o tema. Como incentivo à discussão, opesquisador fez perguntas abertas sobre o tema, tendo consigo uma lista de questões quepoderiam ou não ser usadas, de acordo com a pertinência na discussão. O pesquisadortambém procurou evitar a monopolização da discussão por um dos participantes e encorajaros mais reticentes. 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana MackenzieRESULTADOS E DISCUSSÃOO procedimento de análise das informações colhidas teve como objetivo identificar trechosdas falas dos participantes que contribuíssem para o entendimento dos elementossubjetivos envolvidos na utilização do Twitter. Foram obtidos dados referentes a diversosusos que os sujeitos ou outras pessoas conhecidas dos sujeitos - segundo eles próprios -fazem do sítio, assim como às motivações, justificativas e opiniões relativas a tais usos. Ostrechos das falas foram identificados por sujeito e, em seguida, por grupo - por exemplo:“Sujeito 1G2” significa que a fala é do sujeito 1 do grupo 2, e assim por diante. De acordocom a análise do material colhido nas três sessões de grupo focal, percebeu-se a presençade alguns tipos de satisfações que os participantes relataram obter com o uso do Twitter.Contudo, uma série de insatisfações com relação ao Twitter também foram observadas nasdiscussões, mas esse descontentamento não chegou a interferir na intensidade de uso dosparticipantes e nem indica a presença de uma consciência crítica desenvolvida, já que, emsua maioria, referiu-se a possíveis aperfeiçoamentos nos mecanismos de satisfação denecessidades produzidas. Houve também sujeitos que citaram descontentamentos com ouso do sítio de maneira contraditória, destacando as mesmas razões para justificar tanto osmalefícios quanto os benefícios do uso. Não se pode desconsiderar os descontentamentoscitados como possíveis focos de resistência à submissão do indivíduo ao controle social,restando-nos incentivar o investimento na potencialização dos mesmos em direção a umaconsciência crítica e de negação do todo repressivo. Entretanto, nas sessões realizadas, osrelatos sobre as satisfações com o uso superaram em muito a aparição destes possíveisfocos de resistência. Sendo assim, a análise foi dividida nas seguintes categorias desatisfação: satisfação na integração com a televisão, satisfação com a publicidade,satisfação com a utilidade e a praticidade, satisfação narcísica, satisfação no isolamento esatisfação com o hiper-realismo. Entendemos que o lugar ocupado pelas satisfaçõesindividuais na atual sociedade relaciona-se intimamente com o papel desempenhado pelasinstâncias de controle desta mesma sociedade. Diante das renúncias impostas ao princípiodo prazer na fundação da civilização humana, a fruição do prazer nesta sociedade só seriapossível mediante a sublimação das pulsões, que preserva tanto a consciência dasrenúncias infligidas pela repressão ao indivíduo, quanto a necessidade de liberação – aoposição à ordem vigente (MARCUSE, 1967). Porém, a necessidade de controle eadministração das forças contrárias à manutenção da ordem capitalista produz meios deredirecionamento das pulsões na forma de satisfações não-sublimadas, o que representaantes uma contração do que uma extensão do desenvolvimento das necessidadespulsionais do indivíduo por não tratarem-se de satisfações autênticas e de caráter autônomoe sim compensatórias e de caráter heterônomo. Para Adorno e Horkheimer (1985), a 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011satisfação proporcionada pelos produtos da indústria cultural não é sublimada, masrepressiva, pois apenas excita o prazer preliminar não sublimado, conservando oculta anecessidade de liberação e impedido o desenvolvimento da consciência que se opõe aoestabelecido. Desse modo, o aparato tecnológico se encarrega da produção denecessidades cuja satisfação aparentemente reconcilia o indivíduo com a sociedaderepressiva por meio da consciência feliz (MARCUSE, 1967), da aceitação sem oposição dosmalefícios da sociedade.A satisfação na integração com a televisãoAs informações coletadas apontam para a necessidade de se compreender o Twitter comoparte de uma totalidade, de um sistema que abarca outros meios de comunicação como orádio e, principalmente, a televisão. Tanto a televisão aparece como extensão do Twitter eincorpora ao programa o que lhe convém das opiniões dos telespectadores (“eles jáinteragem com o Twitter diretamente e já mostra aquilo na televisão” (SUJEITO 1G2),quanto o Twitter aparece como uma extensão da televisão, já que transmitesimultaneamente a programação televisiva por meio de mensagens de texto, assim comotambém realiza o anúncio de programas. O Sujeito 8G2 afirma que a interação dostelespectadores com um programa de televisão por meio do Twitter é requisitada pelaprópria emissora: “Ela pede os comentários”. A televisão promove o uso do Twitter entre ostelespectadores por meio de suas celebridades, como afirma o Sujeito 3G1: “Pra ver TVagora tem que tá o Twitter lá pra ver o que a galera tá falando [...] até os própriosapresentadores, eles mandam as pessoas seguirem os programas no Twitter”. A satisfaçãodo indivíduo com sua participação nos programas de televisão não provém de umanecessidade dele e sim da televisão. Segundo Adorno e Horkheimer (1985) “o poder daindústria cultural provém de sua identificação com a necessidade produzida” (p.128),necessidade imposta aos indivíduos também por programas de televisão que determinam oconsumo da massa. Quando o Sujeito 3G1 afirma haver uma necessidade de usar o Twitterenquanto se assiste televisão, aponta também para outra necessidade: “pra ver o que agalera tá falando”. Ou seja, já não basta assistir ao programa, é preciso mais, é precisoestar em contato com os outros telespectadores, identificados com a mesma necessidadeproduzida. Se por um lado a necessidade do contato com o apresentador de um programade televisão e com todos os outros telespectadores ao mesmo tempo pelo Twitter revela asujeição dos homens ao controle, por outro lado denuncia o afastamento do indivíduo de simesmo. Como afirma Marcuse (1998), separado dos grandes, o indivíduo é condenado àsolidão, ao vazio, ao ódio ou mesmo aos sonhos do próprio eu – condição que é evitadapela “antena em cada casa, o rádio em cada praia, a vitrola em cada bar” (p. 97) e, segundo 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana Mackenzieparece indicar o material colhido neste trabalho, também pelo uso do Twitter. A solução paraa angústia do indivíduo em seu encontro consigo mesmo lhe é imposta de fora e favorece,dessa maneira, a administração de sua subjetividade. Ao mesmo tempo, o encontro consigomesmo e com sua impotência diante da realidade poderia favorecer o desenvolvimento daconsciência a respeito da dominação à qual o indivíduo está submetido e o encontro de umasolução na recusa à administração externa. Se a internet oferece a possibilidade dereversão do processo de comunicação como afirma Castells (2000), o indivíduo não parecefavorecido por essa possibilidade pois, no caso do Twitter, sua integração à indústria culturalconverte a possibilidade do exercício da consciência autônoma no indivíduo em mais ummecanismo social de satisfação de necessidades individuais hetenonomamente produzidas.A possibilidade de expressão da individualidade, potencialidade técnica inerente à Internet,não é o que mais parece cativar o Sujeito 1G2 a fazer uso do sítio: “enquanto vai passandoo clipe, tem os tweets [...] na tela da TV [...] você quer porque quer que seu post apareça natelevisão”. O desejo narcísico de onipotência camufla a impotência do indivíduo diante darealidade. Ver sua mensagem veiculada na televisão satisfaz a necessidade de tornar suavoz única e onipresente, ser reconhecido em sua particularidade mesmo que por uma fraçãoínfima de tempo. Não é suficiente expressar-se: é imposta ao indivíduo a necessidade deaparecer para a massa, o que o torna ainda mais dependente das instâncias produtoras desua necessidade para que ele se satisfaça, do grande meio de comunicação de massa paraque seu desejo – que é o desejo do meio - se realize.A satisfação com a publicidadePara Adorno e Horkheimer (1985) a publicidade e a indústria cultural se confundem tantotécnica quanto economicamente, pois a repetição das mercadorias culturais coincide com arepetição dos slogans de propaganda. Um meio individualizado de comunicação como ainternet torna possível o envio de propagandas diretamente aos indivíduos de maneiraparticular, tornando-se o aperfeiçoamento da publicidade de massa. Como afirma Póvoa(2000), “a observação do comportamento dos usuários é o caminho para uma experiênciaverdadeiramente ‘sem costura’ entre conteúdo e comércio” (p. 44). Essa estratégia pareceter sido adotada amplamente no Twitter e os sujeitos apontam para alguns supostosbenefícios ao receber publicidade em seus perfis. O Sujeito 1G1 prefere abrir mão dapossibilidade de buscar informações por conta própria e concede esse papel à fonte dasinformações: “ao invés de entrar em todos os sites você recebe na sua página tudo quevocê quer saber sobre novidades”. Da mesma maneira, o Sujeito 2G2 pensa ser positivo ofato de que a publicidade individualizada “atinge mais diretamente a pessoa, ao invés de serum sítio em que você tem que mandar um e-mail, esperar dias”, apontando a facilidade em 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011se ter o que se deseja como um benefício. Percebe-se nos trechos acima que aquilo que écitado como benefício é, na verdade, um sinal da cessão de autonomia ao controle externo.Marcuse (1998) afirma que ao receber de fora o que ele mesmo desejaria, o indivíduo cedeà administração externa o poder de controle da sua subjetividade. E a “intensidade com queé capaz de ‘entregar as mercadorias’ em escala cada vez maior” (MARCUSE, 1967, p. 17) éo que reprime no indivíduo a necessidade de se opor ao controle: “só de você colocar [...]‘eu preciso de tal coisa’, aí quando você vai ver alguma empresa [...] te mandou umamensagem” (SUJEITO 8G2). As promoções oferecidas pelos anunciantes foram bastantecitadas como motivações para que os sujeitos autorizassem o recebimento de publicidadeem suas páginas pessoais no Twitter. Mais do que o prazer que o produto consumido podeoferecer, é a promessa que vai além desse prazer que impulsiona ainda mais o consumo(ADORNO; HORKHEIMER, 1985). O sentido das promoções é produzir nos indivíduos asensação de que estão obtendo alguma vantagem ao consumir, o que lhes condiciona aparticipar. Trata-se portanto de uma necessidade produzida. Observou-se claramente, emdeterminados relatos, a presença da administração e do controle: não só a necessidade éimposta (a vantagem em participar de uma promoção) mas são igualmente impostas ascondições para que o indivíduo satisfaça essa necessidade. Condições que condicionam oindivíduo tanto a permanecer atento às mensagens, quanto a praticamente trabalhar pelaempresa, divulgando imediatamente a outras pessoas a promoção em questão, ou seja,auxiliando as instâncias de controle a implementar sua estratégia de dominação dasubjetividade. Ocorre aquilo que Adorno e Horkheimer (1985) afirmam a respeito daindústria cultural: em nome da eficácia, a técnica converte-se em psicotécnica, emprocedimento de manipulação das pessoas. Ao comentar sobre a publicidade de empresasno Twitter, o Sujeito 2 G1 diz que “é uma forma de você atingir a população, você vai falar eas pessoas vão te seguir”. Já outro participante afirma que esse mesmo fim publicitário étambém almejado por ele em relação a si mesmo: “você joga no Twitter, ‘veja meu video tal’,acho que ele é uma forma dessa divulgação rápida mesmo” (SUJEITO 3G1). Não só osprodutos da indústria cultural se valem do Twitter para fins publicitários, mas os própriosindivíduos aceitam ocupar a posição de mercadoria à venda quando usam o sítio, e sesatisfazem com isso. Assim como afirmam Adorno e Horkheimer (1985) que todo close deuma atriz de cinema serve de publicidade de seu nome, a exposição e divulgação de fotos evideos pessoais pelo Twitter são, para o Sujeito 3 G1, uma forma de autopromoção. Peloque vemos, o sítio não se constitui somente como parte de uma estratégia eficaz para apublicidade das empresas, mas também como publicidade dos indivíduos, que expõem osregistros de suas vidas privadas, divulgando-os a um grande número de pessoas. Adinâmica entre publicidade e indústria cultural, cuja identificação dos consumidores com asmercadorias é ponto central, parece culminar na própria equivalência entre indivíduo e 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana Mackenziemercadoria, significando a objetificação do primeiro. No capitalismo atual a mercadoria devecoincidir com sua publicidade, já que o prazer que promete enquanto mercadoria não passade uma simples promessa, o que a tornaria intragável (ADORNO; HORKHEIMER, 1985)não fosse a imagem a ela associada, à qual os indivíduos se identificam. Quando osindivíduos, confinados no bem-estar de suas vidas privadas, são tolhidos do contatocorporal e consequentemente das possibilidades de identificação com o outro (RAMOS,2008), restam-lhes para tanto as imagens produzidas pela indústria cultural. Segundo Sodré(1987), a produção de uma realidade imaginária aos indivíduos que identifique-se ao realalia-se atualmente à produção de imagens eletrônicas, tornando o ato de ver e ser vistocomo medida de poder e de existência legítima. A integração, em um mesmo ambientetecnológico (neste caso, o Twitter), entre as esferas da publicidade e das relações humanas,subjuga esta última ao modo de funcionamento da primeira. A publicidade de si-mesmo, pormeio de fotos, vídeos e outros recursos imagéticos, como o Sujeito 3 G1 afirma fazer noTwitter, configura-se como objetificação de sua subjetividade por meio do desvelamento dascaracterísticas próprias ao particular em nome de sua dissolução em um código universalbaseado em imagens, assim como a publicidade faz com as mercadorias.A satisfação com a utilidade e a praticidadeSegundo Adorno e Horkheimer (1985) como a promessa de satisfação dos produtos daindústria cultural nunca é plenamente cumprida, estes precisam ser úteis ao indivíduotambém para outras coisas. Para o Sujeito 6G2 o Twitter “não só diverte, facilita a nossavida”. Já para o Sujeito 2G1, o sítio facilita a satisfação com o consumo: “torna a vida muitomais prática, né? Você não precisa sair de um lugar pra ver as coisas”. Já o Sujeito 3G1, apesar de assumir que “perde” seu tempo usando o Twitter, não deixa de usar o programa,mas procura até encontrar satisfação no uso: “Virou útil pra mim de certa forma [...] eu eramuito desinformada, aproveitei já que eu perco tempo naquilo, eu agora tô caçando algumascoisas”. O princípio da utilidade da sociedade, do qual falam Adorno e Horkheimer (1985),coincide com o imperativo da produção, pois considera inútil qualquer atividade que nãoesteja de acordo com a lógica de produção e consumo. Útil, portanto, é aquilo que podeproporcionar satisfação. Algumas das utilidades do Twitter, de acordo com os participantes,são a possibilidade de conquista de popularidade e a aparente aproximação com ascelebridades. Identificados aos modelos da indústria cultural, os indivíduos consideram oTwitter uma maneira prática de também alcançarem eles mesmos a popularidade: “Se opessoal começa a te seguir, vai indicando, que foi isso que aconteceu com eles, você podeconseguir muito mais fácil (SUJEITO 1G1). “Eles”, neste caso, são pessoas que tornaram-sefamosas pelo Twitter. Além de popularidade, o contato com os outros é facilitado pela ilusão 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011de proximidade: “você faz mais amizades com as pessoas porque como elas tão meio quefazendo parte do seu cotidiano, é muito mais fácil se aproximar” (SUJEITO 2G1). A ilusão degrandeza que provoca a falsa sensação de estar perto dos ídolos é a mesma onipotênciaque almeja a popularidade. E tanto uma quanto a outra contribuem para fazer os indivíduosesquecerem-se de sua impotência diante das instâncias que os controlam. As relaçõeshumanas não mais possuem um fim em si, são incorporadas pela frieza da técnica que asconverte em meios que proporcionam alguma utilidade. A aliança entre a frieza e oisolamento protetor decorrente do medo das relações (RAMOS, 2008) fica clara nadeclaração de alguns dos participantes. O fato de poder acessar conversas rapidamente aomesmo tempo em que pode parar de conversar sem a necessidade de se reportar ao outrorepresenta “praticidade” para o Sujeito 1G1. O Sujeito 2G1 também concorda que aausência de mediação humana nas relações proporcionada pelo Twitter torna mais práticorelacionar-se: “você [...] dá tchau geral e para de falar”. O que parece é que do mesmomodo com que os produtos da indústria cultural, para atenuar a incapacidade de cumprir porinteiro suas promessas de satisfação, precisam demonstrar utilidade para além de seus finsoriginais, a cada vez mais longínqua possibilidade de identificação com a figura paterna(MARCUSE, 1998) - progressivamente substituída por modelos pré-fabricados – e comoutras pessoas pela mediação corporal – esvaziada devido ao confinamento do isolamentoprotetor (RAMOS, 2008) – é atenuada por compensações que acabam determinando aimpossibilidade da experiência nas relações humanas. Assim como, segundo Ramos(2008), a negação do corpo nas relações mediadas por computador evita a percepção dascausas dessa negação, os indivíduos entendem como utilidade e praticidade oaperfeiçoamento técnico da satisfação com o consumo, da onipotência e da frieza nasrelações - justamente aquilo que os afasta do reconhecimento da promessa de felicidadenegada pela sociedade.A satisfação narcísicaO enfraquecimento do papel do pai na formação subjetiva do indivíduo, cedendo lugar aosmecanismos de dominação social (MARCUSE, 1998) compromete a autonomia individualnão só em razão da atrofia da função mediadora do ego, mas também devido à fragilidadena constituição do superego. O princípio de realidade administrado que atualmente ocupa olugar antes pertencente à função paterna oferece uma grande variedade de modelosidentificatórios que não variam qualitativamente – relacionam-se com os indivíduos demaneira distante, não sendo introjetados adequadamente, assim fragilizando a formação doego que “não pode, de um lado, dar conta das exigências do id e nem responder a elas deforma adequada, e de outro lado, dificulta a formação do superego” (CROCHÍK, 1990, p. 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana Mackenzie151). Comprometido em sua constituição, o superego não é capaz de exercer a censura àentidade censora, ou seja, de fundar a consciência (MARCUSE, 1967) no indivíduo, quepassa a ter sua existência reduzida aos outros – não só abdicando do papel de sujeitosocio-histórico que se opõe ao status quo, mas também deixando de se sentir responsávelpelos seus atos e alienando-se do sentimento de culpa. O narcisista, segundo Crochík(2000), é justamente aquele que se julga independente do mundo e do sofrimento que esteprovoca, privando-se de relações amorosas (e, portanto, conflituosas) com os outros aoredirecionar a libido para o próprio eu. Desprovido da capacidade de negar o existente,assim como da auto-crítica, o indivíduo submetido à heteronomia defende-se criando umaauto-imagem especular onipotente, fundida ao imaginário disseminado pelos meios decomunicação de massa.Nas sessões de grupo focal, o Sujeito 3G1 afirmou entender o Twitter como um meio de servisto rapidamente pelos outros: “você joga o link lá no Twitter que você postou uma fotonova [...] você joga no Twitter, ‘veja meu video tal’, acho que ele é uma forma dessadivulgação rápida mesmo”. Já o Sujeito 2G1 disse: “você tinha que passar o link pra todomundo ler, tem que fazer toda uma elaboração e no Twitter não, você posta e tá lá pra todomundo ver”. Percebe-se que no Twitter a exibição de si mesmo é tecnologicamentefacilitada às custas da exclusão do contato com o outro, o que nos remete ao o narcisismoem suas relações com a ideologia da racionalidade tecnológica. A ideologia que sustenta afalsa neutralidade da tecnologia, seu formalismo característico (a redução científica dohomem e da natureza a equivalentes gerais), o pragmatismo e a frieza do cálculo, invade aesfera das relações individuais e sociais (CROCHÍK, 2000) produzindo ao invés de umaconsciência política, uma consciência tecnológica “que reduz a si mesmo e aos outros, aobjetos técnicos” (CROCHÍK, 1990, p. 153). Abstendo-se do contato com o outro, oindivíduo alimenta a sensação de onipotência e evita o sofrimento do desamparo: “Você nãotem a frustração de conferir quem leu ou não” (SUJEITO 3G1). “Exato, não tem essenegócio de comentar. Tá ali” (SUJEITO 2G1). O distanciamento do outro também se revelana busca por relações que se baseiem somente na semelhança, no espelho, evitando-seassim o conflito com o diferente. “No Twitter você vai saber o que a pessoa tem em comumcom você, eu não vou seguir alguém que não goste do que eu goste” (SUJEITO 3G2). Ascaracterísticas de onipotência, exibicionismo e do direcionamento da libido para o próprio euaparecem ainda mais claramente no trecho a seguir: “O Twitter é uma forma de você falarcoisas de si mesma pra você e pro resto do mundo, é uma forma de você se expor, mas nãose expor de forma tão consciente” (SUJEITO 2G1). Segundo Sodré (1987), os meios decomunicação de massa, ao reproduzirem a auto-imagem da sociedade tecnológica,produzem um imaginário controlado, uma realidade simulada na qual se identificam e 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011“investem narcisicamente as consciências” (p. 60). É o que vemos na integração entreTwitter e televisão: “você quer porque quer que seu post apareça na televisão [...] Entãovocê vai lá e fica no Twitter e assistindo a televisão toda hora” (SUJEITO 1G2). O “prazer dese ver tecnologicamente reproduzido” (SODRÉ, 1987, p. 67) determina também as relaçõesque se estabelecem em um mundo reduzido a imagens: o aparente encontro com o outroconfigura-se na verdade em um encontro consigo mesmo por meio do “reconhecimentoautoritário, mimético, que serve de pretexto ao sujeito para exprimir seu narcisismoindividual” (SODRÉ, 1987, p. 67). Um recurso do Twitter bastante citado pelos participantesfoi o Trending Topics. Por meio de um sinal característico (#) digitado imediatamente antesda palavra desejada, este recurso permite ao usuário cadastrar termos que sãoautomaticamente elencados em uma mesma página, segundo a freqüência com que sãocitados no sítio. Um dos participantes argumenta que esse recurso não necessariamentemassifica a comunicação no Twitter: “Não é todo mundo falando a mesma coisa” (SUJEITO1G2). Mas por trás desta suposta “democratização das opiniões”, reside a redução destasmesmas opiniões a equivalentes, já que não importa o conteúdo do que é escrito, oimportante mesmo é ser visto: “é uma forma de você atingir o resto do mundo também né?[...] todo mundo quer ter alguma coisa do seu país lá” (SUJEITO 2G1). O exibicionismo e aonipotência narcísicos aliam-se à estatística na mensuração do potencial manipulador quecada um é capaz de alcançar: “A intenção é deixar ele famoso. Todo mundo usar e ir lá protop, pros Topics” (SUJEITO 1G1). A relação entre o elenco das palavras mais citadas pelosusuários do sítio e a possibilidade de conquista de popularidade parece ter sido percebidapelos administradores do Twitter: “Principalmente em Trending Topics [...] tem lá ‘Cliqueaqui pra conseguir mais seguidores’” (SUJEITO 1G2). A frieza estatística e oaperfeiçoamento tecnológico servem à auto-adoração narcisista: “Tem um site [...] que eleste dão seguidor [...] em 3 semanas ela tava com trezentas e tantas pessoas seguindo ela. Éautomático” (SUJEITO 1G3 ). E a própria indústria cultural reforça essa ideologia, comoobservou o Sujeito 8G2: “Acho que na última ‘Superinteressante’ tinha assim ‘Comoconseguir mais seguidores’ e eles davam as dicas”. A objetificação do outro para finssatisfatórios de característica narcisista por meio do uso do Twitter parece se dar pela falsaintenção de contato que encobre uma finalidade exibicionista: “te segue só pra você seguir[...] só pra aumentar os seguidores” (SUJEITO 8G2). O mesmo processo também éobservado, segundo o Sujeito 5G2, em outros sítios de redes sociais: “Orkut lotado é statusalto [...] o bom era ter o Orkut lotado”. No Twitter, o alcance da popularidade sujeita o própriopensamento à objetificação: “você vai ser, tipo, popular pelo que você escreve [...], pelo quevocê tá pensando” (SUJEITO 3G2). Com todo o aparato disponível nos sítios de redessociais como o Twitter, o exibicionismo individual, se comprovado o seu valor de uso pelomercado por meio da mensuração estatística de sua aprovação, é recompensado pela 14
  15. 15. Universidade Presbiteriana Mackenzieteleorganização, que promove o narcisista a celebridade: “Ele conseguiu um programa naMTV [...] de tantos acessos que teve” (SUJEITO 3G1). Essa possibilidade parece rondar ossonhos do Sujeito 2G1, seus ideais narcísicos de auto-adoração: “por mais desconhecidoque você seja, você é importante o bastante pra as pessoas te seguirem cada segundo doseu dia-a-dia, como uma estrela”. Para Sodré (1987), em suas relações com a tecnologiaatual, o ego do indivíduo narcisista se define “por princípios de visibilidade absoluta ou detactilidade universal – suscitados pela ligação global (através da imagem e do som) domundo sensível com os sentidos de cada um” (p. 67). Os modelos produzidos pelarealidade, responsáveis pela constituição do indivíduo como um “Narciso onipotente” (p. 68),correspondem à “obsessão contemporânea de tudo ver, falar, ouvir, sentir – a exacerbaçãotecnológica dos sentidos – e de pretender definir-se por um espaço-tempo de imediatez eubiquidade” (SODRÉ, 1987, p. 67-68). Imerso no que o autor define como “telerealidade”, onarcisista vê o outro como um prolongamento de si mesmo, sem diferenças, ao mesmotempo em que a sociedade para ele se apresenta como redutível ao universo individual pormeio de um controle de ordem tecnocrática.A satisfação com o isolamentoA consciência feliz (MARCUSE, 1967) daqueles que permanecem passivamente confinadosem suas casas, usufruindo de meios de comunicação à distância como o Twitter para quenão se percebam isolados, auxilia na justificação da dominação, ocultando o fato de que oisolamento protetor é na verdade seu resultado. Diante dos sacrifícios e ameaças impostospela sociedade, os homens “correm para suas casas e não para as ruas” (RAMOS, 2008, p.84), encontrando solução para o desamparo em satisfações que não demandam oabandono de seus domicílios. E a ausência de encontros presenciais aparentementeencontra solução na tecnologia: “na sua casa, a pessoa na casa dela, mas tácompartilhando o que tá acontecendo” (SUJEITO 3G3). Entretanto, o isolamento não secaracteriza apenas pelo confinamento domiciliar. Diante da possibilidade de comunicar-seindividual e instantaneamente em escala global mesmo fora de casa (por meio de aparelhosmóveis como o telefone celular), o indivíduo sente-se permanentemente “conectado” àspessoas que deseja. Como o Sujeito 2G1 que disse ser possível “encontrar todo mundo noTwitter” e o Sujeito 3G2 que afirmou: “a pessoa pode estar do outro lado do mundo [...]vocês conseguem se conversar pelo Twitter”. Assim, enquanto se satisfaz com sua pretensaonipresença, o indivíduo alimenta a indiferença narcísica por todo real externo à consciênciaindividual (SODRÉ, 1987) e ameniza qualquer vestígio de solidão que possa decorrer doisolamento decorrente dos sacrifícios exigidos pela sociedade. O Sujeito 2G1 defende queparte da satisfação que desfruta ao utilizar o Twitter se dá em razão da facilidade em 15
  16. 16. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011construir laços: “um monte de pessoas com quem eu mal falava vieram falar comigo [...]você faz mais amizades com as pessoas porque, como elas tão meio que fazendo parte doseu cotidiano, é muito mais fácil se aproximar”. “Saber o que a pessoa está fazendo”, “fazermais parte da vida da pessoa” ou “ficar mais próximo do cotidiano da pessoa” foramsatisfações citadas de modo recorrente nas sessões de grupo focal. Ramos (2008) afirmaque, no que diz respeito à exposição da vida privada pela Internet, a contrapartida donarcisismo daquele que se expõe é a solidão daquele que assiste. O gozo vouyerista dequem invade a privacidade alheia se alia à noção do outro enquanto um “completo estranhoa ser desvendado” (p. 84), pois o tipo de contato que exclui a mediação corporal excluitambém a identificação e reforça o isolamento. Portanto, “ficar mais próximo do cotidiano dapessoa”, como afirmou o Sujeito 3G1, não significa estar mais próximo do outro. Naescassez de relações mediadas pelo corpo, o indivíduo recorre às identificações produzidaspela indústria cultural, o que reforça sua heteronomia. Segundo o Sujeito 4G2, o Twitter “é amelhor forma de você estar presente ou sabendo da vida dos artistas”. Isolado, o indivíduose contenta com a ilusão de proximidade com seus ídolos pré-fabricados: “dá aquelasensação de proximidade, ‘Eu te conheço’, então faz o fã ficar mais tipo ‘Ai, eu sigo ele, euconheço o Justin Bieber, eu sei da vida dele’” (SUJEITO 3G2). O Sujeito 2G1 argumentouque, após acompanhar o cotidiano de uma pessoa, “se você quer se aproximar, vocêconversa com ela”. Contudo, segundo Ramos (2008), nas novas formas de relaçãomediadas por computador “o olhar e quaisquer outras mediações corporais podem serevitados, [...] o anonimato pode estar garantido, [...] a identificação e o rompimento daproteção do isolamento e da solidão não são necessários” (p.84). Para indivíduosamedrontados e cada vez menos afeitos às relações presenciais (que implicam a mediaçãodo corpo, ou da “materialidade sobre a qual incide a opressão” (RAMOS, 2008, p. 84), arealização do encontro real torna-se quase insuportável: “Tem muitas coisas que eu falo noTwitter que eu não falo para as pessoas normalmente [...] porque cara a cara eu nãoconsigo interagir com a pessoa” (SUJEITO 3G2). Protegido do contato corporal e fortalecidopelo anonimato, o indivíduo pode assim escoar energia psíquica na direção do objeto aoqual ela se dirige: “É uma forma de você por alguma coisa que está dentro de você e quevocê não sabe expressar e que você põe pra fora” (SUJEITO 3G2). “E com a oportunidadeainda de ser anônimo, não saber que é você que está expondo aquilo” (SUJEITO 6G2). Asrelações mediadas pelo Twitter contribuem para o isolamento pois proporcionam satisfaçãona solidão, como podemos observar nos trechos seguintes: “É a forma de você estar emcontato com todo mundo mesmo quando você está sozinho” (SUJEITO 3G2). “Mesmo quenão seja pra outra pessoa você quer falar do seu dia” (SUJEITO 2G1). 16
  17. 17. Universidade Presbiteriana MackenzieA satisfação com o hiper-realismoSegundo Adorno (2000) o movimento de adaptação dos indivíduos ao status quo relaciona-se com o modo com que a realidade se apresenta à eles: como uma comprovação daprópria realidade. Como afirma Crochik (2006), a ideologia “fixa e expressa a realidadeexistente, impedindo qualquer tentativa de alteração” (p. 126), pois desse modo impede quehaja pensamento sobre essa realidade, o que criaria condições para a sua transformação.Os indivíduos “precisam impor a adaptação a si mesmos de um modo dolorido, exagerandoo realismo em relação a si mesmo, e, nos termos de Freud, identificando-se ao agressor”(ADORNO, 2000, p. 145). Ou seja, quando a realidade torna-se tão poderosa na suaimposição aos homens, estes reproduzem eles mesmos a realidade que os oprime,afirmando o existente. Uma vez que a realidade não pode ser apresentada de outra forma, oculto aos fatos - a descrição do objeto sem a negação que permita o pensar sobre ele - éexpressão atualmente do hiper-realismo (CROCHIK, 2006, p. 126). Em geral, aquilo que osparticipantes das sessões de grupo focal relataram como sendo o conteúdo de suasmensagens no Twitter, possui uma característica em comum: a revelação de fatos sobreseus cotidianos, “tem dia que eu fico o dia inteiro assim, eu respiro, eu anoto ‘tô respirando’”(SUJEITO 3G3). Tida pelos sujeitos como suposto benefício do uso do Twitter, a reproduçãoda realidade e o acesso constante a essa reprodução se mostra bastante atraente: “Sabeaquela rádio CBN? [...] fica mandando mensagem, assim, de informações do que estáacontecendo no dia” (SUJEITO 7G2). Segundo os participantes, alguns recursosproporcionados pelo Twitter promovem a sensação de participação nos acontecimentos:“[...] blogueiros [...] filmam ao vivo [...] e você vai fazendo pergunta e ele vai respondendo aovivo” (SUJEITO 2G1). O limite imposto para a extensão das mensagens veiculadas noTwitter torna ainda mais rápida a atualização das informações: “você fala menos, só tem 140caracteres, mais direto” (SUJEITO 3G1). Apesar da clara redução da expressão individualdevido ao limite imposto pelo sítio, o Sujeito 2G1 não parece se importar: “você faz tipo unstrês, quatro posts tentando resumir o máximo e às vezes não dá. Bem interessante”. Dentreos sítios de relacionamento da internet, o Twitter parece ser aquele que aperfeiçoou a uniãoentre a afirmação imediata da realidade e o imperativo da velocidade: “Começou com oMSN1, que aí você põe no seu nick ‘Estou na casa da A. vendo filme’. Aí foi pro Orkut ‘Festade não-sei-quem amanhã’ [...] o Facebook segue a mesma linha. Aí de repente entra oTwitter [...] ‘Estou na festa’”. O Sujeito 3G2 completa “’Continuo na festa’. ‘A festa estálegal’”. Observando a fala a seguir do Sujeito 2G2, percebe-se que a velocidade é umaexigência do culto aos fatos da realidade: “’Agora estou triste’. [...] cinco minutos depois,1 Programa de computador que permite o envio e o recebimento de mensagens de textoimediatamente (CGI BRASIL, 2010) 17
  18. 18. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011meu, o ‘estou triste’ de antes já foi, já passou a frase”. A demanda por rapidez exige atençãototal aos estímulos, o que reduz a consciência ao sistema perceptivo: “sem o relaxamento eo despreendimento necessários ao trato dos estímulos, a compreensão da realidade nãoconsegue ultrapassar a superfície e o instantâneo da captação dessas satisfações”(RAMOS, 2008, p. 91). E a reprodução excessiva do fato torna-o praticamente inapreensívelpara a memória, pois assim “o estímulo fica imediatamente velho após sua apreensãoinstantânea” (RAMOS, 2008, p. 91). Perguntado por outro participante se iria escrever sobrea sessão de grupo focal no Twitter, o Sujeito 3G2 respondeu: “[...] provavelmente não.Porque eu vou chegar 6 horas da tarde em casa e já vai ter acontecido muita coisa hoje [...]se eu lembrar o que aconteceu hoje eu vou escrever”. Sem poder sequer se lembrar dosfatos devido à rapidez com que a realidade estimula sua percepção, o indivíduo fica aindamais sujeito a interpretações prontas da realidade, impostas de fora. De acordo com Ramos(2008), “a organização do mundo se reduz ao processo superficial e limitado da açãoperceptiva e se fragiliza, assim, às imposições de modelos administrados” (p.91). Se “o ritmode videoclipe da vida contemporânea impede a percepção e a compreensão paciente ereflexiva do todo, o que caracterizaria a experiência particular e mediada” (RAMOS, 2008, p.91), o pensamento submetido a esse ritmo não chega a elaborar a reflexão pois é excluídode sua dimensão subjetiva e convertido em realidade no ato da sua concepção: “Eu achoque é aquele estilo do pensamento, né? Porque, tipo, o pensamento ele é uma coisa muitorápida” (SUJEITO 2G2). Ao encontrar satisfação com a conversão de seu pensamento emfato, ao objetificar sua subjetividade, o indivíduo se priva da reflexão, de pensar seu própriopensamento. A dimensão particular, que deveria se opor à realidade totalitária para pensá-lae transformá-la (CROCHÍK, 1998) é tornada pública e integrada à essa mesma realidade.CONCLUSÃOA presente investigação sobre os elementos subjetivos envolvidos no uso do Twitterencontrou alguns fatores que parecem indicar que o sítio contribui para intensificar oprocesso de supressão da autonomia individual, mediante a cessão da subjetividade aocontrole e manipulação externos. Se o aparato produtivo como um todo determina asnecessidades dos indivíduos, o Twitter - por promover não a contestação da opressão, masa coesão e o contentamento sociais – aparenta ser um meio de satisfação dessasnecessidades concedido pela própria sociedade tecnológica. As diversas formas desatisfação obtidas por meio do uso do sítio segundo as palavras dos sujeitos participantes,talvez nos permitam classificá-lo como pertencente ao sistema produtor de necessidadesdenominado por Adorno e Horkheimer de indústria cultural. Isso porque tratam-se desatisfações que dão conta apenas de necessidades produzidas – e não legítimas do 18
  19. 19. Universidade Presbiteriana Mackenzieindivíduo – e que justamente por isso perpetuam a ordem repressiva existente. Algunsfatores em relação aos procedimentos nos levam a vislumbrar outras possibilidades parapesquisas futuras. O fato de haver participado da pesquisa somente pessoas do mesmogênero (feminino) sugere a realização de um trabalho semelhante somente com pessoas dogênero masculino, com o objetivo de comparar os resultados de ambos. O nível deescolaridade, que não foi estabelecido como critério de participação, também sugere acomparação futura dos resultados entre os diferentes níveis.REFERÊNCIASADORNO, Theodor W.; HORKHEIMER, Max; Dialética do Esclarecimento: fragmentosfilosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.ADORNO, T.W. Mínima moralia. São Paulo: Ática, 1993.______. Educação e emancipação. Trad. Wolfgang Leo Maar. 2 ed. São Paulo. Rio deJaneiro: Paz e Terra, 2000.______. Televisão, consciência e indústria cultural. In: Cohn, Gabriel (org). Meios decomunicação de massa e indústria cultural. São Paulo, Cultrix, p. 346-354, 1981.CASTELLS, M. A sociedade em Rede. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2000.COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL (CGI BRASIL). Pesquisa sobre o Uso dasTecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil 2009. São Paulo, 2010.CROCHÍK, J. L. A personalidade narcisista segundo a Escola de Frankfurt e a ideologia daracionalidade tecnológica. Psicologia-USP, São Paulo, 1 (2): 141-154, 1990.CROCHÍK, J. L. O computador no ensino e a limitação da consciência. 1. ed. São Paulo:Editora Casa do Psicólogo, v. 1., 198 p., 1998.______. Tecnologia e individualismo: um estudo de uma das relações contemporâneasentre ideologia e personalidade. Análise Psicológica, nov. 2000, vol.18, no.4, p.529-543,2000.______. Preconceito, Indivíduo e Cultura. 3. ed. São Paulo: Editora Casa do Psicólogo, v. 1.174 p., 2006.GOMES, Alberto Albuquerque. Usos e possibilidades do grupo focal e outras alternativasmetodológicas. Revista dos alunos do programa de pós-graduação em sociologiaantropologia da UFRJ, V. 2. n. 1 - julho de 2003.MARCUSE, H. Eros e civilização. Rio de Janeiro: Zahar, 1981. 19
  20. 20. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011______. A Obsolescência da Psicanálise. In: Cultura e Sociedade. Vol 2. São Paulo: Paz eTerra, 1998.______. A Ideologia da Sociedade Industrial. Rio de Janeiro: Zahar, 1967.PÓVOA, Marcello. Anatomia da Internet: investigações estratégicas sobre o universo digital.Rio de Janeiro: Casa da Palavra. 2000.PRIMO, Alex. A busca por fama na web: reputação e narcisismo na grande mídia, em blogse no Twitter. Trabalho apresentado no GP Cibercultura, IX Encontro dos Grupos/Núcleos dePesquisas em Comunicação, evento componente do XXXII Congresso Brasileiro deCiências da Comunicação, 2009.RAMOS, C.. Indústria cultural, consumismo e a dinâmica das satisfações no mundoadministrado. In: Fábio Akcelrud Durão; Antônio Zuin; Alexandre Fernandez Vaz. (Org.). Aindústria cultural hoje. 1ª ed. São Paulo: Boitempo, p. 79-93, 2008.RECUERO, Raquel. Diga-me com quem falas e dir-te-ei quem és: a conversação mediadapelo computador e as redes sociais na internet. Revista da Famecos, Vol. 1, No 38 , 2009.RECUERO, R. e ZAGO, G. Em busca das "redes que importam": Redes Sociais e CapitalSocial no Twitter. Anais do XVIII Encontro da Compós: Belo Horizonte, MG, junho de 2009.SODRÉ, Muniz. Televisão e Psicanálise. São Paulo: Ática, 1987.Contato: bilomaia@gmail.com e ednilton@mackenzie.com.br 20

×