Retextualização aula

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Retextualização aula

  1. 1. “RETEXTUALIZAÇÃO DA FALA PARA A ESCRITA” Marcuschi (2003)
  2. 2. Texto falado e escrito  as semelhanças são maiores que as diferenças tanto no aspecto linguistico quanto no aspecto sociocomunicativo;  As relações podem ser mais bem compreendidas dos genêros textuais (tabela de Marcuschi);  As duas modalidades são normatizadas;  São multissistemicas (gestualidade,mimica, prosodia – fala; cor, tamanho, simbolos – escrita);  Não tem relação dicotomica.
  3. 3. O que é RETEXTUALIZAÇÃO?
  4. 4. RETEXTUALIZAÇÃO  Passagem do texto falado para o texto escrito.  Não é um processo mecânico. Ela é automatizada;  A passagem do texto oral para o escrito recebe interferências mais ou menos acentuadas a depender do que se tem em vista;  Não é a passagem do caos para a ordem: é a passagem de uma ordem para outra ordem;
  5. 5. Eventos linguísticos de retextualização no cotidiano  A secretária que anota informações orais do chefe e com elas redige um documento;  A ata de reunião;  Uma pessoa contando a uma outra o que acabou de ler no jornal/revista;  Aluno que faz anotações da aula do professor;  Uma revista que edita uma entrevista;
  6. 6. Operações de produção do texto escrito a partir do texto falado
  7. 7. O modelo de operações de retextualizaçao  Não pode ser tomado como formula / mágica;  Regras de regularização e idealização – estratégias de eliminação e inserção (1-4);  Transformação - substituição , seleção e acréscimo, reordenação e condesação (5-9);  O indivíduo pode concluir sua atividade em qualquer ponto;  A depender do gênero textual, propósito, condições de produção, haveria uma perspectiva diversa na retextualizacao
  8. 8. Entrevista com o traficante “XAXIM” Líder do Morro do Dendê – RJ. “Não... a parada é que a gente já começou a fazer essa campanha aí desde que começaram a falar na história de... vou ser bem sincero com a senhora... quando começaram a falar esse negócio aí de... de reverendo... eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a negócio de de religião... tal... aí bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que pô e... e ... que pam... e aí... aí ia discutir sobre o desarmamento, certo? ... Aí, po! Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro não... Aí falamo assim... porra... começamo a conversar com os camarada aqui da área mermo... falamo, aí, po, o bagulho é a gente votar o SIM, cara; e aí resolvemo faze a campanha, que a senhora sabe que...po, aqui o.. a comunidade é muito unida, certo? ... E... assim... desde que eu to... que eu assumi aqui o bagulho aqui, desde que eu assumi ... eu to... eu vou mandando mermo. Então, a gente damo ... já demo cesta básica aí pras pessoas, já demo ..., já demo aí... silicone pras menina que qué coloca... que qué coloca peito... é, a gente ajuda, certo? Aí demo dente aí pro povo que... aí... precisa, que não tem dentadura; e.. e... mas em troca disso as pessoa tem que aderir à nossa campanha, certo? ... Aí pedi aqui... pedi não, né... que aqui a gente baixou a ordi e o morro todo aqui, o Dendê inteiro tá votando SIM”.
  9. 9. • Hesitações: ah..., eh, ...e..., o.., dos..., etc. • Marcadores conversacionais lexicalizados: né, sabe, bom, bem, assim, tipo assim, certo, viu, entendeu, que acha, hã, hum, etc. • Truncamentos de palavras: Sabe a Camilla el/ ela viu o Pedro, daí ela fal/ falo assim. • Sobreposições de vozes, que caracterizam dois falantes falando ao mesmo tempo. • Observações metalingüísticas sobre a situacionalidade ou sobre o fluxo da fala: ((risos)), ((ruídos)), ((tosse)), ((vozes externas)), etc. OPERAÇÃO 1: Eliminação das marcas interacionais, hesitações e partes de palavras. RETEXTUALIZAÇÃO
  10. 10. “Não... a parada é que a gente já começou a fazer essa campanha aí desde que começaram a falar na história de... vou ser bem sincero com a senhora... quando começaram a falar esse negócio aí de... de reverendo... eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a negócio de de religião... tal... aí bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que pô e... e ... que pam... e aí... aí ia discutir sobre o desarmamento, certo? ... Aí, po! Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro não... Aí falamo assim... porra... começamo a conversar com os camarada aqui da área mermo... falamo, aí, po, o bagulho é a gente votar o SIM, cara; e aí resolvemo faze a campanha, que a senhora sabe que...po, aqui o.. a comunidade é muito unida, certo? ... E... assim... desde que eu to... que eu assumi aqui o bagulho aqui, desde que eu assumi ... eu to... eu vou mandando mermo. OPERAÇÃO 1: Eliminação das marcas interacionais, hesitações e partes de palavras. “Não... a parada é que a gente já começou a fazer essa campanha aí desde que começaram a falar na história de... vou ser bem sincero com a senhora... quando começaram a falar esse negócio aí de... de reverendo... eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a negócio de de religião... tal... aí bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que pô e... e ... que pam... e aí... aí ia discutir sobre o desarmamento, certo? ... Aí, po! Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro não... Aí falamo assim... porra... começamo a conversar com os camarada aqui da área mermo... falamo, aí, po, o bagulho é a gente votar o SIM, cara; e aí resolvemo faze a campanha, que a senhora sabe que...po, aqui o.. a comunidade é muito unida, certo? ... E... assim... desde que eu to... que eu assumi aqui o bagulho aqui, desde que eu assumi ... eu to... eu vou mandando mermo.
  11. 11. OPERAÇÃO 1: Eliminação das marcas interacionais, hesitações e partes de palavras. RETEXTUALIZAÇÃO “A parada é que a gente já começou a fazer essa campanha desde que começaram a falar nessa história de, vou ser bem sincero com a senhora, quando começaram a falar sobre esse negócio de reverendo eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a negócio de religião. Bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que ia discutir sobre o desarmamento. Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro NÃO. Falamo assim, começamo a conversar com os camarada aqui da área mermo. Falamo, o bagulho é a gente votar o SIM, e resolvemo faze a campanha.
  12. 12. - um primeiro mecanismo de inserção da representação sonora que é marcada na escrita pela pontuação. Na escrita, as unidades devem ser visivelmente marcadas por pontos, vírgulas, dois pontos e etc, numa dependência intuitiva da prosódia da fala, pois auxilia na construção e interpretação do texto escrito a depender das intenções do indivíduo que o re-textualiza. Nessa operação poderá ou não aparecer a necessidade do parágrafo, isso irá depender das necessidades e intuições do retextualizador. OPERAÇÃO 2: Introdução da pontuação com base na intuição fornecida pela prosódia e entoação na fala. RETEXTUALIZAÇÃO
  13. 13. OPERAÇÃO 2: Introdução da pontuação com base na intuição fornecida pela prosódia e entoação na fala. RETEXTUALIZAÇÃO “A parada é que a gente já começou a fazer essa campanha desde que começaram a falar nessa história de, vou ser bem sincero com a senhora, quando começaram a falar sobre esse negócio de reverendo, eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a negócio de religião. Bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que ia discutir sobre o desarmamento. Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro NÃO. Falamo assim, começamo a conversar com os camarada aqui da área mermo. Falamo: o bagulho é a gente votar o SIM. E resolvemo faze a campanha.
  14. 14. OPERAÇÃO 3: Eliminação de repetições, reduplicações, redundâncias, paráfrases e pronomes egóticos. RETEXTUALIZAÇÃO • Retirada de certos itens lexicais, sintagmas, orações ou estruturas que estão a mais no texto, elementos sentidos como desnecessariamente reduplicados. • A retirada desses aspectos/elementos em conjunto, gera a necessidade de reformulações parafrásicas. O texto certamente sofre alterações na estrutura sintática. Os pronomes egóticos (eu, nós) em função de sujeito são eliminados, pois o morfema verbal marca a pessoa do verbo, e eles se tornam redundantes. •Quanto aos pronomes objetos (falei com ela, ele, você) podem ainda permanecer, isso dependerá da maturidade lingüística do aluno que o retextualiza.
  15. 15. OPERAÇÃO 3: Eliminação de repetições, reduplicações, redundâncias, paráfrases e pronomes egóticos. RETEXTUALIZAÇÃO “A parada é que nós já começou a fazer essa campanha desde que começaram a falar nessa história de, vou ser bem sincero com a senhora, [quando começaram a falar sobre esse] negócio de reverendo. Não me interessei muito, que não sou chegado a religião. Bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que ia discutir sobre o desarmamento. Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns que ia vota pro não. Começamo a conversar com os camarada da área. Falamo: o bagulho é a gente votar o SIM. E resolvemo faze a campanha
  16. 16. OPERAÇÃO 4: Introdução da paragrafação e pontuação detalhada sem modificar a ordem dos tópicos. RETEXTUALIZAÇÃO • A questão do parágrafo não se acha necessariamente ligado à pontuação, pois diz respeito a uma decisão de agrupamento do conteúdo por critérios. • Geralmente, a paragrafação surge da necessidade de se agrupar um novo conjunto temático. •É uma necessidade de "disciplinar" o texto, dando-lhe a aparência mínima da escrita que tem normas mais específicas, constitui uma espécie de depuração textual.
  17. 17. OPERAÇÃO 4: Introdução da paragrafação e pontuação detalhada sem modificar a ordem dos tópicos. RETEXTUALIZAÇÃO “A parada é que nós já começou a fazer essa campanha desde que começaram a falar nessa história de, vou ser bem sincero com a senhora, negócio de reverendo, não me interessei muito, que não sou chegado a religião. Bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada que ia discutir sobre o desarmamento. Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns que ia vota pro não. Começamo a conversar com os camarada da área. Falamo: o bagulho é a gente votar o SIM. E resolvemo faze a campanha.
  18. 18. OPERAÇÃO 5: Introdução de marcas metalinguísticas para a Referenciação de ações e verbalização de contextos expressos por dêitico. RETEXTUALIZAÇÃO • Essa operação geralmente é processada junto com a operação seguinte. Aqui já se iniciam os processos de transformação propriamente. • Aplicam-se as atividades de substituição e reorganização de natureza pragmática e morfossintática. • Um dêitico como (esse, esta, aqui, lá, etc) devem estar ligados a um referente no texto. Seu referente deve ser reconhecido no texto
  19. 19. OPERAÇÃO 5: Introdução de marcas metalingüísticas para a referenciação de ações e verbalização de contextos expressos por dêitico. RETEXTUALIZAÇÃO “A questão é que nós já começou a fazer a campanha desde que ouvimos falar sobre a história de, vou ser bem sincero com a senhora, reverendo, não me interessei muito, porque não gosto de religião. Disseram-me que não era reverendo, mas sim referendo, ou seja, tratava-se de um assunto que ia discutir sobre o desarmamento. Havia algumas pessoas que iam votar o SIM e outras que iam votar pelo NÃO. Conversamos com a comunidade e dissemos que era para todos votarem pelo SIM. Então, resolvemos aderir à campanha.
  20. 20. OPERAÇÃO 6: Reconstrução de estruturas truncadas, concordâncias, reordenação sintática, encadeamentos de orações. RETEXTUALIZAÇÃO • Essa operação complementa a anterior. • As noções de completude, regência e concordância devem-se voltar para as regras da escrita. • Deve-se estar atento para a concordância entre sujeito e verbo, substituição de sujeitos como "a gente vamos", por equivalentes. • Preenchimentos de frases inacabadas, típicas da fala. • Eliminação de pronomes sujeitos repetidos e uso da anáfora pronominal sempre com antecedente explícito.
  21. 21. OPERAÇÃO 6: Reconstrução de estruturas truncadas, concordâncias, reordenação sintática, encadeamentos de orações. RETEXTUALIZAÇÃO “A questão é que nós já começamos a fazer a campanha desde que ouvimos falar sobre a história de reverendo, mas não me interessei muito, porque não gosto de religião. Disseram-me que não era reverendo, mas sim referendo, ou seja, tratava-se de um assunto que ia discutir sobre o desarmamento. Havia algumas pessoas que iam votar o SIM e outras que iam votar pelo NÃO. Conversamos com a comunidade e dissemos que era para todos votarem pelo SIM. Então, resolvemos aderir à campanha.
  22. 22. REFERÊNCIAS MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2001.

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