ESCOLA ESTADUAL PROFESSOR JOÃO CRUZ

Assunto: Movimento Literário Barroco no Brasil
Tema: As origens do Barroco no Brasil
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I. INTRODUÇÃO Esta pesquisa visa expor o Movimento Literário Barroco no
Brasil, ocorrido no século XVII ao início do sécul...
II. BARROCO: REVELAÇÃO DOS CONFLITOS HUMANOS 1. Origens A origem da palavra
“barroco” é muito controvertida. Dentre as vár...
III. Gregório de Matos: poeta das contradições humanas Nascido na Bahia,
provavelmente em 20 de dezembro de 1633, Gregório...
Buscando a Cristo
A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais ab...
Epigrama
Que falta nesta cidade?... Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha....
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2 Em cuja lei protesto de viver,
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Padre Vieira e seus sermões poéticos Também podemos destacar a figura do padre
Antônio Vieira, uma vez que o clérigo, embo...
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(...) tendo um demónio chamado Asmodeu morto sete maridos a Sara, casou com ela o
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Barroco

  1. 1. ESCOLA ESTADUAL PROFESSOR JOÃO CRUZ Assunto: Movimento Literário Barroco no Brasil Tema: As origens do Barroco no Brasil Alunos e números: Gabriel Henrique Kanashiro nº10 João Paulo Miragaia nº16 Murilo Pedrini Barbosa Donini nº 27 Yago dos Santos Nascimentonº39 Professora: Maria Piedade Teodoro da Silva Disciplina:Língua Portuguesa Jacareí, 11 de novembro de 2013
  2. 2. I. INTRODUÇÃO Esta pesquisa visa expor o Movimento Literário Barroco no Brasil, ocorrido no século XVII ao início do século XVIII; para isso buscará se responder aos questionamentos relacionados ao contexto sócio cultural em que está inserido o Movimento Barroco, além das características e autores desse movimento literário. O Brasil, quando o Movimento Barroco surgiu, estava sob domínio espanhol, já que Portugal se tornou colônia da Espanha. Ainda não existia uma literatura genuinamente nacional. O país estava dividido em Capitanias Hereditárias comandadas por donatários privados. A relação entre Brasil e Portugal se pautava acima de tudo pela exploração das riquezas por parte da metrópole. Paralelamente, considerando a extensão do Brasil e a incapacidade portuguesa de vigiar toda a costa, outro setor da economia nacional acabou sendo o contrabando e tráfico desses produtos de exportação, assim como o de escravos. A sociedade brasileira se constituía de uma pequena nobreza, de um clero rico e poderoso, de escravos (negros e indígenas) e do povo, composto principalmente por lavradores, comerciantes e artesão, além de burocratas e emergentes nos centros urbanos do Rio de Janeiro e de Salvador.
  3. 3. II. BARROCO: REVELAÇÃO DOS CONFLITOS HUMANOS 1. Origens A origem da palavra “barroco” é muito controvertida. Dentre as várias posições, a mais aceita é a de que a palavra teria originado do vocábulo espanhol “barrueco”, vindo do português arcaico e usado pelos joalheiros desde o século XVI para designar um tipo de pérola irregular e de formação defeituosa, aliás, até hoje conhecida por essa mesma denominação. A base para esse movimento foi o drama humano, que na pintura barroca foi bem encenado com gestos teatrais muitíssimo expressivos, sendo iluminado por um extraordinário claro-escuro e caracterizado por fortes combinações cromáticas. O Movimento Literário Barroco, no Brasil, durou entre 1601 a 1705, iniciando com a obra “Prosopopéia”, de Bento Teixeira, porém vale destacar que os representantes do Barroco brasileiro são Gregório de Matos e Padre Vieira. Já nas artes plásticas, principalmente, a escultura, o período prolonga-se até o século XVIII e chega até princípios do XIX. Durante esse período surge o Barroco mineiro, um conjunto de obras criado na segunda metade do século, no qual se destaca a figura de Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho. No Barroco mineiro no século XVIII, as manifestações artísticas na arquitetura, na pintura e na música surgem com todo esplendor com um século de atraso na região de Minas Gerais, graças à exploração de ouro. Alguns representantes daquela época que se destacam na arquitetura e na pintura é Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho; na pintura, Manuel da Costa Ataíde, o mestre Ataíde; na música José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita. (NICOLA, 2011).
  4. 4. III. Gregório de Matos: poeta das contradições humanas Nascido na Bahia, provavelmente em 20 de dezembro de 1633, Gregório de Matos firmase como o primeiro poete brasileiro. Após os primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas, vai para Coimbra, graduando-se em Direito. Formado, vive alguns anos em Lisboa, onde casa e exerce a profissão de advogado. Com o casamento em crise e perseguido pelas autoridades políticas e religiosas por causa de suas sátiras, retorna à Bahia. Em sua terra natal trabalha algum tempo com os jesuítas; ainda por suas sátiras, abandona os padres e é degredado para Angola. Em 1695, já bastante doente, retorna ao Brasil, vindo a falecer no ano seguinte. Apesar de ser conhecido como poeta satírico – daí o apelido”Boca do Inferno” -, Gregório também praticou, com esmero, a poesia religiosa e a poesia lírica. Adepto do cultismo (embora também cultivasse raciocínios sutis), sua obra é marcada por jogos de palavras e uso de figuras de linguagem, notadamente a metáfora e a antítese. Em sua sátiras, Gregório de Matos ridiculariza o brasileiro que trabalha para sustentar o colonizador, o colonizador português predatório, El-Rei, o clero e, numa postura moralista, os costumes da sociedade baiana do século XVII. Na poesia lírica e na poesia religiosa manifesta um certo idealismo renascentista, o lado do conflito gerado pela necessidade de viver a vida mundana a mesmo tempo que busca a pureza da Fé com que espera abrir a porta para a vida eterna. Sua obra permaneceu inédita até o século XX, quando a Academia Brasileira de Letras publicou, entre 1923 e 1933, seis volumes: I. Poesia sacra; II. Poesia lírica; III. Poesia graciosa; IV. e V. Poesia satírica e VI. Últimas.
  5. 5. Buscando a Cristo A vós correndo vou, braços sagrados, Nessa cruz sacrossanta descobertos, Que, para receber-me, estais abertos, E, por não castigar-me, estais cravados. A vós, divinos olhos, eclipsados De tanto sangue e lágrimas cobertos, Pois, para perdoar-me, estais despertos, E, por não condenar-me, estais fechado. A vós, pregados pés, por não deixar-me, A vós, sangue vertido, para ungir-me, A vós, cabeça baixa, pra chamar-me. A vós, lado patente, quero unir-me, A vós, cravos preciosos, quero atar-me, Para ficar unido, atado e firme. (SARMENTO & TUFANO, 2004) A poesia religiosa, representa mais a dimensão humana de Cristo, as marcas de seu sofrimento como homem, do que sua vitória sobre a morte, como Filho de Deus. Essa imagem do sofrimento físico causa um impacto muito forte e envolve emocionalmente as pessoas, e esse é um dos objetivos principais do artista barroco.
  6. 6. Epigrama Que falta nesta cidade?... Verdade. Que mais por sua desonra?... Honra. Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha. O demo a viver se exponha, Por mais que a fama a exalta, Numa cidade onde falta Verdade, honra, vergonha. (CEREJA & MAGALHÃES, 2003) A poesia satírica constitui a parte mais original da poesia de Gregório de Matos, pois foge plenamente dos padrões preestabelecidos pelo Barroco vigente e se volta para a realidade baiana do século XVII. Por isso, pode chamá-la de poesia “realista” e “brasileira”, não somente pelos temas escolhidos, mas também pela percepção crítica da exploração colonialista empreendida pelos portugueses na colônia.
  7. 7. A Cristo N. S. Crucificado 1 Meu Deus, que estais pendente de um madeiro, 2 Em cuja lei protesto de viver, 3 Em cuja santa lei hei de morrer, 4 Animoso, constante, firme e inteiro: 5 Neste lance, por ser o derradeiro, 6 Pois vejo a minha vida anoitecer; 7 É, meu Jesus, a hora de se ver 8 A brandura de um Pai, manso Cordeiro. 9 Mui grande é o vosso amor e o meu delito; 10 Porém pode ter fim todo o pecar, 11 E não o vosso amor que é infinito. 12 Esta razão me obriga a confiar, 13 Que, por mais que pequei, neste conflito 14 Espero em vosso amor de me salvar. A poesia lírica expressa a cosmovisão barroca: a insignificância do homem perante Deus, a consciência nítida do pecado e a busca do perdão. Ao lado de momentos de verdadeiro arrependimento, muitas vezes o tema religioso é utilizado como simples pretexto para o exercício poético, desenvolvendo engenhosos jogos de imagens e conceitos.
  8. 8. Padre Vieira e seus sermões poéticos Também podemos destacar a figura do padre Antônio Vieira, uma vez que o clérigo, embora fosse português, viveu boa parte de sua vida no Brasil, produzindo vários de seus sermões em nossas terras. Politicamente, Vieira tinha contra si: a pequena burguesia cristã, por defender o capitalismo judaico e os cristãos-novos; os pequenos comerciantes do Brasil, por ter ajudado na criação de um monopólio mercantil no Maranhão (que geraria a Revolta de Beckman, em 1684); os administradores e os colonos, por defender os índios, Essas posições , notadamente a defesa dos cristão-novos, custaram a Vieira uma condenção pela Inquisição (permaneceu dois anos presos). Faleceu em 1697, na Bahia. Sermão do Bom Ladrão . Levarem os reis consigo ao paraíso os ladrões, não só não é companhia indecente, mas ação tão gloriosa e verdadeiramente real, que com ela coroou e provou o mesmo Cristo a verdade do seu reinado, tanto que admitiu na cruz o título de rei. Mas o que vemos praticar em todos os reinos do mundo é, em vez de os reis levaram consigo os ladrões ao paraíso, os ladrões são os que levam consigo os reis ao inferno. (...) O “Sermão do Bom Ladrão”, foi escrito em 1655, pelo Padre Antônio Vieira. Ele proferiu este sermão na Igreja da Misericórdia de Lisboa (Conceição Velha), perante D. João IV e sua corte. Lá também estavam os maiores dignitários do reino, juízes, ministros e conselheiros. Sermão de Santo António aos Peixes
  9. 9. Sermão de Santo António aos Peixes (...) tendo um demónio chamado Asmodeu morto sete maridos a Sara, casou com ela o mesmo Tobias; e queimando na casa parte do coração, fugiu dali o demónio e nunca mais tornou; O “Sermão de Santo António aos Peixes” foi proferido na cidade de São Luís do Maranhão em 1654, na sequência de uma disputa com os colonos portugueses no Brasil. Sermão Pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal, contra as da Holanda E depois de tantos perigos, depois de tantas desgraças, depois de tantas e tão lastimosas mortes, ou nas praias desertas sem sepultura, ou sepultados nas entranhas dos arvores, das feras, dos peixes, que as terras que assim ganharmos, as hajamos de perder assim! (...) A formação discursiva, por excelência persuasiva, se faz presente no “Sermão Pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal, contra as da Holanda”, pois o contexto deixa claro que Portugal está perdendo o Brasil para os holandeses e Vieira pretende incitar os brasileiros à luta armada; para isto, prega o sermão Pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda. Para persuadir os brasileiros, Vieira dirige-se diretamente a Deus e “repreende-O” pelo que Ele está “permitindo” que aconteça com os portugueses. III. Considerações finais O Barroco foi um importante movimento literário que ocorreu no Brasil entre 1601 a 1705, embora nas artes plásticas tenha se estendido até princípios do século XIX. Também esteve presente em Portugal e Espanha. A obra que deu início a essa estética em nosso
  10. 10. país foi criada por Bento Teixeira, o poema “Presopopéia”, que geralmente só é citado pelo seu valor histórico. O grande realizador desse movimento literário foi Gregório de Matos, que produziu muitos poemas que satirizam personalidades políticas poderosos. Padre Antônio Vieira também merece ser destacado, já que produziu vários de seus sermões em nossas terras. Acreditamos que o grupo conseguiu relacionar o contexto sócio cultural da época com o Movimento Literário Barroco, falar dos autores que se destacaram nessa estética, além de apresentar suas principais características. Com isso, atingimos todos os nossos objetivos, que foram definidos no início desta pesquisa. IV. Referências bibliográficas NICOLA, José De. Português Ensino Médio. 1ª ed. São Paulo: Editora Scipione, 2011. CEREJA, William Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português : linguagens. 1ª ed. São Paulo: Atual Editora, 2003.

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