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Aula a crise socioambiental planetária

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  2. 2.  A economia de mercado: o hamster impossível: https://www.youtube.com/watch?v=a73hjWQRak4  “Nenhuma sociedade na história foi guiada por uma sede de lucro como a contemporânea, que leva os proprietários do capital a acumular cada vez mais, criando cada vez mais falsas necessidades” (Daniel Tanuro, in “O Impossível Capitalismo Verde”).  “O progresso é um elevador sem mecanismo de descida, inteiramente autônomo e cego, donde não sabemos sair, nem aonde irá parar” (Serge Moscovici, in “Natureza: para pensar a ecologia”)
  3. 3. Sinais da Crise - aquecimento global e mudanças climáticas
  4. 4.  Nos "top ten"! 2012 desafia La Niña e entra para a lista dos mais quentes! (www.oquevocefariasesoubesse.blogspot.com.br )  2013 já é um dos anos mais quentes da História (12.11.2013 – Terra)  2014 foi o ano mais quente da história (http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2015/01/2014- foi-o-ano-mais-quente-da-historia.html )  Ano de 2015 foi o mais quente já registrado no planeta, confirma Nasa (http://g1.globo.com/ciencia-e- saude/noticia/2016/01/o-ano-de-2015-foi-o-mais-quente-ja- registrado-no-planeta-confirma-nasa.html )  2016 foi o ano mais quente da história. Terra bate recorde pelo 3°ano consecutivo (https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas- noticias/ag-estado/2017/01/18/pelo-terceiro-ano- consecutivo-2016-bate-recorde-de-temperatura.htm )
  5. 5.  2017 foi um dos três anos mais quentes já registrados, confirma relatório internacional  (Relatório do Estado do Clima de 2017, publicado em 01/08/18)  É oficial: 2017 foi o terceiro ano mais quente registrado no mundo, depois de 2016 (primeiro) e 2015, de acordo com o 28º relatório anual do Estado do Clima.  Descobertas notáveis do relatório internacional incluem:  Os níveis de gases de efeito estufa foram os mais altos registrados. As principais concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera – incluindo dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso – atingiram novos recordes. A concentração média global de CO2 em 2017 foi de 405 partes por milhão, a mais alta medida nos atuais 38 anos de registro climático global e registros criados a partir de amostras de núcleos de gelo que datam de 800.000 anos.  A subida do nível do mar atingiu um novo recorde – cerca de 3 polegadas (7,7 cm) acima da média de 1993. O nível global do mar está aumentando a uma taxa média de 1,2 polegadas (3,1 cm) por década.  https://www.ecodebate.com.br/2018/08/02/2017-foi-um-dos-tres- anos-mais-quentes-ja-registrados-confirma-relatorio- internacional/
  6. 6. O IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) e seus relatórios  O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, mais conhecido pelo acrônimo IPCC (da sua denominação em inglês Intergovernmental Panel on Climate Change) é uma organização científico-política criada em 1988 no âmbito da ONU) pela iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Organização Meteorológica Mundial(OMM).  Tem como objetivo principal sintetizar e divulgar o conhecimento mais avançado sobre as mudanças climáticas que hoje afetam o mundo, especificamente, o aquecimento global, apontando suas causas, efeitos e riscos para a humanidade e o meio ambiente e sugerindo maneiras de combater os problemas. O IPCC não produz pesquisa original, mas reúne e resume o conhecimento produzido por cientistas de alto nível independentes e ligados a organizações e governos.[2]
  7. 7.  Em 1995, o segundo relatório de avaliação de mudanças climáticas do IPCC calculava uma probabilidade maior que 50% de tais fenômenos serem causados preponderantemente por atividades humanas.  No terceiro relatório, em 2001, essa probabilidade subiu para 66-90%.  O 4º Relatório de Avaliação de fevereiro de 2007, concluiu que o aquecimento do sistema climático é inequívoco e que suas causas, ligadas à emissão de gases do efeito estufa (GEEs), são antropogênicas e não naturais e que seus impactos sobre a natureza e a sociedade já se fazem sentir. Na primeira parte do quinto relatório do IPCC, divulgado em setembro de 2013, lê-se que “a ciência agora mostra com 95% de certeza que a atividade humana é a causa dominante do aquecimento (do sistema climático) observado desde meados do século XX. Fatos: o superaquecimento da terra (cerca de 1ºC em 1 século); causa antropogênica (emisssão de GEE) e desencadeamento de mudanças climáticas.
  8. 8.  Os gases do efeito estufa (GEE) são substâncias gasosas que absorvem parte da radiação infravermelha, emitida principalmente pela superfície terrestre, e dificultam seu escape para o espaço. Isso impede que ocorra uma perda demasiada de calor para o espaço, mantendo a Terra aquecida. O efeito estufa é um fenómeno natural. Esse fenómeno acontece desde a formação da Terra e é necessário para a manutenção da vida no planeta, pois sem ele a temperatura média da Terra seria 33 °C mais baixa impossibilitando a vida no planeta, tal como conhecemos hoje. O aumento dos gases estufa na atmosfera têm potencializado esse fenómeno natural, causando um aumento da temperatura (fenómeno denominado mudança climática).  A atmosfera é uma camada que envolve o planeta, constituída de vários gases. Os principais são o Nitrogênio (N2) e o Oxigênio (O2) que, juntos, compõem cerca de 99% da atmosfera. Alguns outros gases encontram-se presentes em pequenas quantidades, incluindo os conhecidos como gases de efeito estufa (GEE). Dentre estes gases, estão o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), Perfluorcarbonetos (PFC's ) e também o vapor de água.
  9. 9. Elevação da temperatura média vs. Elevação na emissão de CO2.
  10. 10.  Elenco de fenômenos climáticos e de suas resultantes sobre a vida no planeta:  Acréscimo da temperatura média da terra (anos mais quentes nas últimas décadas);  Derretimento das geleiras e calotas polares (vide http://oquevocefariasesoubesse.blogspot.com.br/2013 /01/mais-uma-vez-o-artico.html#more) , a desaparição de espécies (comprometimento das fontes);  Enchentes, tornados e furacões com mais frequência;  Subida do nível do mar; desaparecimento de ilhas e faixas costeiras (http://oquevocefariasesoubesse.blogspot.com.br/2015/07/ por-agua-abaixo.html );  Desertificação (regiões áridas e semiáridas)  Refugiados climáticos (A Cruz Vermelha Internacional, que publicou, em 2001, o “Relatório Mundial de Desastres”, estima a existência de 25 milhões de refugiados climáticos atualmente, com uma projeção de mais de 200 milhões em 2050).
  11. 11.  Mudanças climáticas põem em risco segurança hídrica na América do Sul – 5º Relatório  As mudanças climáticas já observadas e as projetadas para as Américas do Sul e Central colocarão em risco a segurança hídrica das regiões e terão impactos diretos no abastecimento doméstico e industrial e em setores fortemente dependentes de água, como o de geração de energia hidrelétrica e a agricultura.  O capítulo 27 do documento, que aborda as projeções das mudanças climáticas paras as Américas do Sul e Central, destaca que a vulnerabilidade atual de abastecimento de água nas zonas semiáridas das duas regiões e nos Andes tropicais deverá aumentar ainda mais por causa das mudanças climáticas. E o problema poderá ser agravado pela redução das geleiras andinas, pela diminuição de chuvas e pelo aumento da evapotranspiração nas regiões semiáridas das Américas do Sul e Central, previstos pelo IPCC.  FONTE: http://www.portaldomeioambiente.org.br/noticias/mudanca s-climaticas/8359-mudancas-climaticas-poem-em-risco- seguranca-hidrica-na-america-do-sul
  12. 12.  Distribuição desigual dos riscos e danos:  Em última instância, a mudança do clima é uma ameaça para o mundo, como um todo. Mas são os pobres, aqueles que não têm responsabilidade pelo débito ecológico em que nos encontramos, que se deparam com os custos humanos mais severos e mais prementes (ONU. PNUD, 2007).  É o desenvolvimento desigual e combinado do sistema capitalista que acaba por gerar e distribuir, também de forma desigual e combinada, os impactos sociais e ambientais das mudanças climáticas por todo o planeta.  O consumo e a destruição de recursos da natureza por parte dos ricos entre as décadas de 1960 e 1990 deverá impor ao longo do século 21 uma perda de US$ 7,4 trilhões da economia de países de renda per capita baixa e média. A dívida externa dos países pobres na mesma época atingiu US$ 1,7 trilhão. GARCIA, RAFAEL. Jornal Folha de São Paulo, São Paulo, 22.01.2008.
  13. 13. Novo estudo confirma o que já havíamos debatido em relação à injustiça climática (vide http://oquevocefariasesoubesse.blogspot.com/2015/01/desigualdade-e- irracionalidade-marcas.html), ou seja, os países mais pobres, menos responsáveis pela crise climática, são os que estão mais expostos e são mais vulneráveis; os que estão sob maior risco climático, sob maior ameaça à sua população, a seus recurso...Ver mais
  14. 14.  Distribuição desigual dos riscos e danos:  Entre 2000 e 2004, cerca de 262 milhões de pessoas foram afetadas todos os anos por desastres meteorológicos: 98% das vítimas viviam em países em vias de desenvolvimento.  Alguns exemplos: a possiblidade de desaparição de países insulares no Pacífico Sul, como Tuvalu e as Maldivas; na Etiópia e no Quênia, dois dos países mais expostos às seca, as crianças menores de 5 anos têm, respectivamente, 36% e 50% mais probabilidades de sofrerem de subnutrição, se nascerem em um período de seca.  Fonte: O Impossível Capitalismo Verde, Daniel Tanuro.
  15. 15.  A ação dos “negacionistas”, ou negadores das mudanças climáticas:  James Hansen:  “Interesses Particulares têm bloqueado a transição em direção a um futuro de energias renováveis. Em vez de investir massivamente em energias renováveis as empresas que exploram os combustíveis fósseis optaram por lançar dúvidas sobre a mudança climática, tal qual fizeram as empresas de tabaco que procuram desacreditar a ligação entre tabagismo e câncer.  “Os dirigentes de empresas que exploram energias fósseis sabem o que fazem e são conscientes das conseqüências a longo prazo.  “Na minha opinião, esses patrões deveriam ser processados por crimes contra a humanidade e a natureza”.
  16. 16. Sinais da crise – escassez de água  Por volta de 97,5% da água em nosso planeta é salina. Dos 2,5% de água doce, cerca de 70% conservam-se em geleiras. O PNUMA sublinha que “o suprimento total de água doce utilizável pelos ecossistemas e pelos seres humanos é de cerca de 200 mil km2, menos de 1% dos recursos de água doce do planeta”.  O aumento da escassez hídrica se expressa menos pelo explosão demográfica que pelo maior consumo per capita de água. Entre 1990 e 2010, a população passou de 5,3 bilhões de pessoas para 6,8, um crescimento de menos de 20%, ao passo que o consumo humano de água aumentou 100%.  Exemplos: consumo de água em litros per capita por dia: EUA (575), Noruega (301), Brasil (150), Etiópia (15), Moçambique (4).
  17. 17.  Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 2,1 bilhões de pessoas não têm acesso a serviços de água potável com segurança (WHO/UNICEF, 2017), 4,5 bilhões de pessoas carecem de serviços de saneamento com segurança (WHO/UNICEF, 2017) e 340.000 crianças menores de cinco anos morrem todos os anos de doenças diarreicas. (WHO/UNICEF, 2015).  O Informe Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2018 (também intitulado “Soluções Baseadas na Natureza para a Gestão da Água”) nos adverte para o fato de que, em princípios da atual década de 2010, 1,9 bilhão de pessoas já viviam em áreas com potencial escassez severa de água, e que 3,6 bilhões de pessoas no mundo (quase metade da população total) vivem, hoje, em áreas com escassez de água pelo menos um mês por ano – esta cifra pode chegar a 5,7 bilhões de pessoas no ano de 2050, sendo que as áreas mais afetadas se situam na Ásia e na África.
  18. 18. mapa e relatório elaborados pelo International Water Managment Institute O relatório Avaliação Compreensiva do Gerenciamento de Água em Agricultura do IWMI afirma que um terço da população mundial sofre com algum tipo de escassez de água. Segundo o relatório e o mapa existem dois tipos de escassez de água. A escassez econômica ocorre devido à falta de investimento e é caracterizada por pouca infraestrutura e distribuição desigual de água. A escassez física ocorre quando os recursos hídricos não conseguem atender à demanda da população. Regiões áridas são as mais associadas com a escassez física de água.
  19. 19.  Não basta banho curto, nem reza para São Pedro: http://oquevocefariasesoubesse.blogspot.com.br/2 014/12/em-intervencao-realizada-na-praca- do.html#more http://msne.funceme.br/map/mapa- monitor/analise (mapa da seca no Nordeste)
  20. 20. Sinais da crise – extinção das espécies  A extinção de espécies é a mais elevada em 65 milhões de anos, com a perspectiva de extinções progressivas à medida que forem removidos os últimos remanescentes dos ecossistemas intactos . A taxa de extinção já está a aproximar-se 1000 vezes da "referência" ("benchmark") ou taxa natural ( Scientific American, Setembro/2005). Cientistas localizaram 25 pontos quentes sobre a terra que representam 44 por cento de todas as espécies de plantas vasculares e 35 por cento de todas as espécies em quatro grupos vertebrados, embora ocupem apenas 1,4 por cento da superfície da terra mundial. Todos este pontos quentes estão agora ameaçados de aniquilação rápida devido a causas humanas ( Nature, 24/Fevereiro/2000).
  21. 21.  Atividades humanas já danificaram 75% da superfície terrestre – 26/03/2018  Apenas 25% da superfície terrestre permanece livre de impactos substanciais causados por atividades humanas. E o índice deve cair para meros 10% até 2050, segundo projeções da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES).  “Apenas algumas regiões nos polos, desertos e as partes mais inacessíveis das florestas tropicais permanecem intactas”, afirmou o sul-africano Robert Scholes, um dos coordenadores do relatório temático sobre Degradação e Restauração de Terras Degradadas divulgado pela IPBES nesta segunda-feira (26/3), em Medellín, na Colômbia.  http://agencia.fapesp.br/atividades-humanas-ja-danificaram-75- da-superficie-terrestre/27430/
  22. 22.  Humanos representam 0,01% dos seres vivos e mataram 83% dos mamíferos  Apesar de representarem apenas 0,01% dos seres vivos do planeta, os humanos são responsáveis pela destruição de muitas espécies. Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, revela, inclusive, que a espécie humana acabou com 83% dos mamíferos selvagens da Terra.  Publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, a pesquisacompila os tipos de biomassa — matéria orgânica — dos reinos animais. "A análise revela uma visão holística da composição da biosfera e nos permite observar padrões de categorias taxonômicas e locais geográficos", escrevem os cientistas.  https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/05/h umanos-representam-001-dos-seres-vivos-e-mataram-83- dos-mamiferos.html
  23. 23.  Aquecimento global coloca espécies em risco de extinção  As implicações negativas do comportamento do ser humano nos habitats das espécies são evidentes: 21% de todos os mamíferos, 29%de anfíbios, 12% das aves, 17% dos tubarões e 27% dos recifes do coral estão em risco de desaparecer.  Os coalas, alerta a IUCN, são uma espécie muito sensível, devido às necessidades alimentares muito específicas. O eucalipto é a sua única forma de alimento, mas as folhas dessa árvore têm perdido capacidade nutritiva com o aumento da concentração de CO2. O resultado será a extinção por falta de alimento.  Na Antártida, a situação dos pinguins-imperador é igualmente preocupante, devido à espessura da camada de gelo sazonal que tem vindo a diminuir.  O aquecimento global também tem impacto nas temperaturas dos oceanos. Os corais, por exemplo, são dos mais prejudicados.
  24. 24. Sinais da crise – poluição do ar  Poluição do ar mata mais que Aids e Malária juntas, afirma órgão da ONU  (estudo realizado pela OMS, que avaliou a qualidade do ar de 1,1 mil cidades em 95 países, todas com mais de 100 mil habitantes.)  A poluição do ar tem causado mais mortes do que doenças graves, como o HIV e a malária juntas", afirmou o diretor geral da Organização para o Desenvolvimento Industrial (Unido), Kandeh Yumkella, em uma conferência da ONU ocorrida em Oslo, na Noruega, em abril de 2013.  Em 2011, a Aids matou 1,7 milhão de pessoas, enquanto 660 mil morreram com malária. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que 6,8 milhões de pessoas morrem anualmente devido a complicações relacionadas à poluição do ar.
  25. 25. Sinais da crise – quebra da capacidade regenerativa da Terra  “De acordo com um estudo publicado em 2002 pela National Academy of Sciences, a economia mundial excedeu a capacidade regenerativa da terra em 1980 e em 1999 ultrapassou-a em 20 por cento. Isto significa, segundo os autores do estudo, que "seriam precisas 1,2 terras, ou uma terra por cada 1,2 anos, para regenerar o que a humanidade utilizou em 1999" (Matthis Wackernagel, et. al, "Tracking the Ecological Overshoot of the Human Economy," Proceedings of the National Academy of Sciences, 09/Julho/2002)”.
  26. 26.  O Dia da Sobrecarga da Terra acontece cada vez mais cedo: 02/08/2017  A cada ano, a humanidade esgota mais cedo a cota apropriada da riqueza natural do planeta. Com base em estatísticas oficiais de 150 países, a Global Footprint Network registra que entre o dia primeiro de janeiro e o segundo dia de agosto de 2017, os humanos utilizaram toda a biocapacidade anual do Planeta. Ou seja, o dia 02 de agosto de 2017 é o Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day), do corrente ano.  Este dia marca o momento em que o sistema de produção e consumo absorveu todos os insumos naturais oferecidos pelo planeta, previstos para os 12 meses do ano. Portanto, o dia 02 de agosto é o dia em que a civilização global sai do verde do superávit ambiental para entrar no vermelho do déficit ambiental.  https://www.ecodebate.com.br/2017/07/31/o-dia-da-sobrecarga-da- terra-acontece-cada-vez-mais-cedo-02082017-artigo-de-jose- eustaquio-diniz-alves/  Em 2018, ele cai em 1º de agosto, o dia a partir do qual estouramos nosso “orçamento ecológico” do ano e entramos no “cheque especial” da natureza.  http://www.unicamp.br/unicamp/ju/artigos/luiz- marques/decrescimento-iv-os-limites-da-agua
  27. 27. Ano Dia da Sobrecarga 1987 19 de dezembro 1995 21 de novembro 2000 01 de novembro 2007 26 de outubro 2008 23 de setembro 2015 13 de agosto 2017 02 de agosto
  28. 28.  O que é Pegada Ecológica?  A Pegada Ecológica é uma metodologia de contabilidade ambiental que permite avaliar a demanda humana por recursos naturais, com a capacidade regenerativa do planeta.  A Pegada Ecológica de uma pessoa, cidade, país ou região corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e mar necessárias para gerar produtos, bens e serviços que utilizamos.  Ela mede a quantidade de recursos naturais biológicos renováveis (grãos, vegetais, carne, peixes, madeira e fibra, energia renovável entre outros) que estamos utilizando para manter o nosso estilo de vida.  A Pegada Ecológica do Brasil é de 2,9 hectares por habitante, indicando que o consumo médio do cidadão brasileiro é bem próximo da média mundial (2,7 hectares globais por habitante).  Isso significa que se todas as pessoas do planeta consumissem como o brasileiro (A MÉDIA), seria necessário 1,6 planeta para sustentar esse estilo de vida. A média mundial é de 1,5 planeta. Ou seja, estamos consumindo 50% além da capacidade anual do planeta.  Fonte: http://www.envolverde.com.br/1-1-canais/chegamos-ao-limite/
  29. 29.  Para mantermos o padrão de consumo extremamente desigual de nossas sociedades, seria já necessário, hoje, um planeta 70% maior que o nosso, medido em hectares globais, sendo que o pobre Brasil, dada a brutal concentração de patrimônio e de renda aqui imperante, já está acima dessa média, como mostra a Figura: nfographic depicting how many Earths we would need if the world's population lived like the countries indicated.
  30. 30. O ANTROPOCENO – a época geológica do colapso socioambiental ?
  31. 31.  O termo Antropoceno não é recente, tendo sido apresentado por Crutzen & Stoemer ( Paul Crutzen foi o vencedor do Prêmio Nobel de Química de 1995), em uma publicação do Programa Internacional da Geosfera-Biosfera, em 2000. No entanto, sua maior divulgação e notoriedade ocorreram após a publicação de um artigo do primeiro autor na Revista Nature, em 2002, intitulado “Geologia da Humanidade” (Crutzen, 2002 apud Filho et al, 2013).  De acordo com Crutzen, o termo Antropoceno se encontra mais adequado às efetivas alterações do homem na dinâmica da Terra, que aumentaram de forma acelerada em razão da evolução das ciências e das tecnologias modernas.  ttp://marlivieira.blogspot.com.br/2016/05/antropoceno-na-escala- internacional-do_28.html  O Antropoceno é assim uma nova época geológica, fundamentada na ideia de que o poder do ser humano se equipara ao das forças da natureza (a proposta de Paul Crutzen foi referendada por um grupo de 25 pesquisadores), nele exprime-se, segundo Luis Marques, a exorbitância das forças antrópicas em relação às demais forças que intervêm na moldagem do sistema Terra
  32. 32. O Antropoceno e seus impactos: (o que você faria se soubesse o que eu sei) https://www.facebook.com/OQueVoceFari aSeSoubesse/photos/a.128721200621455.26 935.128598950633680/700708180089418/?t ype=3&theater https://www.facebook.com/OQueVoceFari aSeSoubesse/photos/a.128721200621455.26 935.128598950633680/700899250070311/?t ype=3&theater https://www.facebook.com/OQueVoceFari aSeSoubesse/photos/rpp.128598950633680 /700706026756300/?type=3&theater
  33. 33. O caráter da crise planetária e sua superação  Morin e Kern (2005, p. 94), ainda na década de 90, do século passado, ao analisar a “agonia planetária” conceituam o estado da arte da “Terra-Pátria” e da “Humanidade-comunidade de destino” como “policrise” ou “conjunto policrístico”, num entrelaçamento das crises do desenvolvimento, da modernidade e das sociedades; uma crise civilizatória, portanto.  A crise do sistema capitalista: de seus valores, de seu modo de produção, de seu modelo de desenvolvimento, de seu modo de vida (JATM).
  34. 34.  Nas palavras de Jorge Richman:  El choque de las sociedades industriales contra los límites de la biosfera que se está produciendo en nuestro tiempo, que es un acontecimiento de dimensiones casi inimaginables, tiene una fuerza motora detrás: es la acumulación de capital.  Na concepção de Daniel Tanuro:  A chamada “crise ecológica” consiste numa crise histórica na relação entre a humanidade e o meio ambiente. A sua causa fundamental é a superprodução de mercadorias que acarreta um aumento crescente da acumulação de riquezas e do superconsumo por um lado; e, por outro lado, um aumento crescente da acumulação da pobreza e de subconsumo.
  35. 35. A crise da civilização do capital engendra a um só tempo: 1. A destruição acelerada das bases naturais que sustentam a vida em nosso planeta 2, Uma desigualdade social cada vez mais abissal entre uma “oligarquia global”- cuja renda de seus 500 mais ricos supera a dos 416 milhões mais pobres – e os mais de 1 bilhão de humanos que sobrevivem com menos de 1 dólar por dia; 2. A destruição acelerada das bases naturais que sustentam a vida em nosso planeta.
  36. 36.  1% da população global detém mesma riqueza dos 99% restantes, diz estudo  Essa é a conclusão de um estudo da organização não- governamental britânica Oxfam, baseado em dados do banco Credit Suisse relativos a outubro de 2015.  O relatório também diz que as 62 pessoas mais ricas do mundo têm o mesmo em riqueza que toda a metade mais pobre da população global.  A Oxfam critica a ação de lobistas – que influenciam decisões políticas que interessam empresas – e a quantidade de dinheiro acumulada em paraísos fiscais.  http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160 118_riqueza_estudo_oxfam_fn
  37. 37.  Oito homens possuem a mesma riqueza que a metade mais pobre da humanidade  O crescimento econômico só está beneficiando aqueles que têm mais. A superconcentração da riqueza piorou no ano passado, ameaçando a estabilidade e o crescimento global. Oito pessoas concentram em suas mãos a riqueza equivalente de outros 3,6 bilhões, a metade mais pobre da população mundial, como denunciou a ONG Oxfam no relatório Uma economia a serviço dos 99%, publicado na segunda-feira.  A organização atribui a responsabilidade por essa situação, que qualifica de “extrema, insustentável e injusta”, ao atual modelo econômico, “a serviço do 1% mais rico da população”.  http://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/13/economia/ 1484311487_191821.html
  38. 38. Manifesto Ecossocialista Internacional: “o atual sistema capitalista não pode regular, muito menos superar, as crises que deflagrou. Ele não pode resolver a crise ecológica porque fazê-lo implica em colocar limites ao processo de acumulação – uma opção inaceitável para um sistema baseado na regra ‘cresça ou morra’” (Löwy, 2005, p. 86).
  39. 39.  Além desse paradoxo – a imposição de limites a um sistema, cuja lógica é o crescimento sem limites, daí o surgimento do atualíssimo debate sobre decrescimento, serão encontradas, pelo menos, mais duas outras grandes contradições entre o “ethos” do sistema produtor de mercadorias e os processos ecológicos naturais: a apropriação privada da natureza – vista apenas como “recurso” natural – e sua incorporação como mercadoria, o que só é possível se ela se tornar escassa.
  40. 40.  Nas palavras de LUIZ MARQUES (Capitalismo e colapso ambiental):  O capitalismo é insustentável em termos ambientais e a esperança de torná-lo sustentável pode ser considerada como a mais extraviadora ilusão do pensamento político, social e econômico contemporâneo.  Esse sistema socioeconômico define-se por duas caracterísitcas: (1) um ordenamento jurídico fundado na propriedade privada do capital; (2) uma lógica econômica segundo a qual os recursos naturais e as forças produtivas da sociedade são alocadas e organizadas com vistas à reprodução ampliada e à máxima remuneração do capital.
  41. 41.  “Qualquer economia se resume, em última análise, a uma economia do tempo”, disse Marx. Afirmar a necessidade de produzir e consumir menos, é exigir um tempo para se viver, e para se viver melhor.  Significa abrir um debate de sociedade fundamental sobre o controle do tempo social, sobre o que é necessário e para que, porque, e em que quantidades.  Significaria despertar o desejo coletivo de um mundo sem guerras, onde se trabalhasse menos e de outra maneira, onde se poluísse menos, onde se desenvolvessem as relações sociais, se melhorasse substancialmente o bem- estar, a saúde pública, a educação e a participação democrática.  Um mundo onde os produtores associados reaprendessem a “dialogar” coletivamente com a natureza (...)  Este mundo será infinitamente menos fútil, menos estressado, menos apressado – numa palavra: mais rico.  Daniel Tanuro, em “O Impossível Capitalismo Verde”.  Man: https://www.youtube.com/watch?v=WfGMYdalClU

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