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Mary Mills PatrickSEXTO EMPÍRICOE O CETICISMO GREGO   TRADUÇÃO: JAIMIR CONTE
Mary Mills Patrick  SEXTO EMPÍRICOE O CETICISMO GREGO         Tradução       Jaimir Conte
Título original: Sextus Empiricus and Greek ScepticismMary Mills Patrick (1850-1940)Cambridge, Deighton Bel & Co. 1899Trad...
NOTA INTRODUTÓRIA         Este estudo sobre Sexto Empírico e o ceticismogrego foi preparado, conforme nos diz Mary MillsPa...
SUMÁRIOCAPÍTULO 1As relações históricas de Sexto Empírico         07Sua profissão. – A época em que ele viveu. – Olugar on...
CAPÍTULO 1      As relações históricas de Sexto EmpíricoNos últimos tempos o interesse pelas obras de SextoEmpírico renasc...
8compreender de maneira mais completa o ponto de vistaa partir do qual ele considerou as questões filosóficas.         Com...
9™mpeirikÒj 4 . Seu nome é frequentemente encontradonos manuscritos grafado com o sobrenome, como, porexemplo, no final da...
10introduza suas objeções admitindo que “alguns dizemque eles são idênticos”, em reconhecimento da estreitaunião que tinha...
11referem à mesma obra 16 , a qual, infelizmente para asolução da difícil questão que nós temos em mãos, estáperdida, e na...
12considera essa afirmação um exemplo de umanegligência da parte de Sexto ao exprimir-se, 19 .         A posição de Pappen...
13Sexto julga as Escolas empírica e metódica em suasdiferentes obras é explicado pela suposição que ele eraum empírico, ma...
14sido um nome próprio no caso de Sexto, ou existemmuitas outras maneiras em que ele poderia ter seoriginado, como os que ...
15          Quanto à época exata em que Sexto Empíricoviveu, obtemos muito pouco conhecimento a partir dasevidências inter...
16em Berlim, em 1886, por Val Rose 29 . Tem sido dadamuita importância, entretanto, para a relação da mençãode Basílides o...
17Galeno 32 . Como Galeno morreu por volta de 200 d.C.,com a idade de setenta anos 33 , deveríamos fixar a épocaem que Sex...
18         Sexto tem um nome latino, mas ele era grego;sabemos isso com base em sua própria afirmação 34 .Sabemos também q...
19e Pappenheim não dão nenhum valor a esse testemunhode Suidas 37 . Haas, entretanto, afirma 38 que não érazoável supor qu...
20Hipotiposes ele se refere ao ceticismo como um sistemafilosófico distinto, kaˆ t¾n di£krisin tÁj skšyewj¢pÕ tîn parakeim...
21razão para pensar que a ligação de Sexto com Alexandriaera uma ligação íntima, não só porque Alexandria tinhasido durant...
22invisível para nós” 46 . Em outras passagens também elecompara os atenienses com as pessoas a quem ele está sedirigindo....
23definição de lei 49 é particularmente uma definição dodireito romano. Esse argumento poderia aplicar-se, aoque parece, a...
24opinião de que Roma foi, mesmo por um curto período,a sede da Escola cética. Essa opinião é o resultado de umestudo post...
25religiosos. O imperador Juliano faz uso das obras deSexto, e ele é frequentemente citado pelos eclesiásticos daIgreja Or...
26Roma nas Hipotiposes não mostra necessariamente queele alguma vez viveu em ambos os lugares, porque umagrande parte de s...
27como um argumento contra o conhecimento dopirronismo em Roma. Devemos lembrar, entretanto,que na época de Cícero Eneside...
28todas as ciências e em filosofia 64 , e Favorinos fez deRoma o centro de seu ensino e de sua ocupação literária.Sua data...
29de Sexto contra os físicos, ele deve aparentemente terescrito esse livro em Alexandria ou ter citado taispassagens a par...
30juntada com a precedente contra os geômetras, comoaparentemente poderia ser, as duas obras juntas seriamdivididas em dez...
CAPÍTULO 2         A posição e o objetivo do pirronismo         O primeiro volume das Hipotiposes pirrônicasfornece o mais...
32desconhecido” era uma forma de se expressar a qual ospróprios pirrônicos às vezes incorriam, não obstante seucuidado de ...
33descobrimos que Hipóboto, em sua obra intitulada perˆaƒršsewn, escrita um pouco antes de nossa era, nãoinclui o pirronis...
34ataraxia, e sua origem estava no estado mentalperturbado ocasionado pela discrepância das coisas e pelaincerteza em rela...
35dos objetos 86 . Nós vemos de acordo com isso que Sextojulga que a única realidade consiste na experiênciasubjetiva, mas...
36vida impõe 89 . Em outras palavras, encontramos aqui omesmo desejo natural do ser humano de superar aslimitações que a d...
37sofrimento, um devido aos próprios sentimentos, etambém por causa da convicção que eles são pornatureza um mal 95 . Para...
38representação da espuma 100 . Portanto, os céticos nuncaforam capazes de alcançar a ataraxia examinando asanomalias entr...
39partir das obras de Sexto que ele afirmou a não-existência da alma 102 , ou o eu, e negou completamente aexistência abso...
CAPÍTULO 3                       Os tropos céticos         A exposição dos tropos do pirronismo constituihistórica e filos...
42palavra latina modus 107 , e trÒpoj também éfrequentemente usado alternadamente com a palavralÒgoj por Sexto, Diógenes L...
43contemporâneos 113 . Além disso, o fato de Diógenesintroduzir os tropos quando trata da vida de Pirro nãosignifica neces...
44estreitamente ligadas ao pensamento das épocasanteriores. O caráter decididamente empírico dos troposprova essa ligação,...
45evidente. Não que as ideias dos tropos céticos fossemoriginais de Enesidemo, mas porque uma declaraçãopositiva de crença...
46oferecer uma classificação metódica e sistemática, eencerra sua lista deles, na sua forma concisa original,com a observa...
47que o décimo foi acrescentado mais tarde. Se esse tivessesido o caso, entretanto, o fato seguramente teria sidomencionad...
48a ele quando aborda a doutrina iniciada por de Pirro. Aotratar das razões subjetivas para duvidar quanto ànatureza da re...
49        Embora Sexto seja cuidadoso para nãodogmatizar com respeito à ordem dos tropos, existe,contudo, na classificação...
50nos espelhos côncavos são muito diferentes daquelas dosconvexos; e da mesma maneira como os olhos dosanimais são de dife...
51encontrados em outros autores da Antiguidade,apresentados de uma maneira similar 137 . O resultadológico do raciocínio u...
52        Sexto sustenta com uma maior liberdade deexpressão do que a encontrada em alguns capítulosaparentemente menos or...
53essa razão, parece-me, alguns filósofos honraram-se a simesmos com o nome desse animal” 150 , fazendo, dessemodo, uma al...
54menos remonta a época de Pirro, pois Pirro, devido à suaintimidade com Alexandre quando ele o acompanhou àÍndia, teve mu...
55         Sexto cita ainda os belos versos de Píndaro 160 ,         “Uns se deleitam com honras e coroas adquiridas em   ...
56qualidades. (iii) Que sequer as qualidades percebidasexistem 164 . Portanto, qualquer experiência que possaoriginar tais...
57combater o ensino filosófico que nega que apreendemoso mundo externo como ele é. Ele foi usado contra Kantpor seus oposi...
58mundo diferente daquele em que se encontra alguémacordado, a existência de ambos os mundos sendorelativa à condição de e...
59fÚsin e par¦ fÚsin. Essa distinção era uma distinçãoimportante, mesmo em Aristóteles, e foi especialmentedesenvolvida pe...
60ideias variam. As crianças gostam de bolas e bambolês,ao passo que os jovens preferem outras coisas, e osadultos ainda o...
61Protágoras também para provar a relatividade dapercepção por meio dos sentidos. “O pescoço preto dapomba na sombra parec...
62órgão do ¹gemonikÒn, ou a faculdade de julgar, podetambém causar misturas. Pappenheim pensa que temosaqui a ideia de Kan...
63tropo –, inteiramente na condição do órgão do intelecto,é evidente que sua teoria da alma era uma teoriamaterialista.   ...
64uma afirmação de que todas as coisas estão relacionadasde uma de duas maneiras: ou diretamente, ou comosendo uma parte d...
65conduz à ™poc». Diógenes fornece somente doisexemplos para esse tropo, o do sol e o do terremoto 206 .         O décimo ...
66as discussões metafísicas e filosóficas. Fabricius pensa quea definição dada por Sexto no início da exposição dessetropo...
67merece o último lugar, ou é a soma de todos os demaisargumentos.        Seguindo a exposição dos dez tropos dos céticosa...
Sexto Empírico e o ceticismo grego, de Mary Mills Patrick
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Sexto Empírico e o ceticismo grego, de Mary Mills Patrick

  1. 1. Mary Mills PatrickSEXTO EMPÍRICOE O CETICISMO GREGO TRADUÇÃO: JAIMIR CONTE
  2. 2. Mary Mills Patrick SEXTO EMPÍRICOE O CETICISMO GREGO Tradução Jaimir Conte
  3. 3. Título original: Sextus Empiricus and Greek ScepticismMary Mills Patrick (1850-1940)Cambridge, Deighton Bel & Co. 1899Tradução: Jaimir Conte, 2010.Edição em e-book, 2011.http://www.cfh.ufsc.br/~conte/txt-patrick.htmlFlorianópolis, SC.
  4. 4. NOTA INTRODUTÓRIA Este estudo sobre Sexto Empírico e o ceticismogrego foi preparado, conforme nos diz Mary MillsPatrick no Prefácio à primeira edição publicada em1899, com o objetivo de suprir uma lacuna constadapelos estudantes de filosofia grega. Pois, segundo aautora, enquanto outras escolas filosóficas gregas játeriam sido discutidas de forma crítica e exaustiva pelosespecialistas, havia na época poucos estudos disponíveispara o estudante que desejasse se familiarizar com osensinamentos pirrônicos. O objetivo de Mills Patrick,portanto, foi o de fornecer uma apresentação concisa dasprincipais ideias do pirronismo e de seu desenvolvimentohistórico, fazendo uso, além das próprias obras de SextoEmpírico, de outros estudos críticos então existentessobre assunto. Apesar das importantes contribuições que oestudo do ceticismo recebeu durante o século XX, e,portanto, da ausência neste livro de referências críticas aestudos mais recentes, a apresentação que Mills Patrickfaz do ceticismo antigo continua válida e muito útil atodos aqueles que desejam conhecer melhor essa“doutrina” filosófica –, cuja retomada foi extremamenteimportante no início da Idade Moderna e que continua ainfluenciar a reflexão filosófica contemporânea. Jaimir Conte
  5. 5. SUMÁRIOCAPÍTULO 1As relações históricas de Sexto Empírico 07Sua profissão. – A época em que ele viveu. – Olugar onde ele ensinou. – A natureza de seusescritos.CAPÍTULO 2A posição e objetivo do ceticismo pirrônico 31Sua origem. – Sua terminologia. – O critériodo pirronismo. – ™poc» e ¢tarax…a.CAPÍTULO 3Os tropos do ceticismo pirrônico 41Os dez tropos da ™poc». – Os cinco tropos deAgripa. – Os dois tropos. – Os oito troposcontra a etiologia.CAPÍTULO 4Enesidemo e a filosofia de Heráclito 79Colocação do problema. – As principais teoriassobre o assunto. – Exame crítico do assunto.CAPÍTULO 5Uma análise do ceticismo pirrônico 99O pirronismo e Pirro. – O pirronismo e aAcademia. A força e a fraqueza do pirronismo.Referências 119
  6. 6. CAPÍTULO 1 As relações históricas de Sexto EmpíricoNos últimos tempos o interesse pelas obras de SextoEmpírico renasceu, especialmente, pode-se dizer, desde aépoca de Herbart 1 . Há muita coisa nos escritos de Sextoque encontra um paralelo nos métodos da filosofiamoderna. Existe um ponto de partida comum no estudodos poderes e limites do pensamento humano. Existe umdesejo comum de investigar os fenômenos da percepçãosensível, as relações genéticas do homem com os animaisinferiores, e um interesse comum pela teoria doconhecimento humano. No entanto, embora algumas das páginas dasobras de Sexto constituam uma possível introdução acertas linhas do pensamento filosófico moderno, nãopodemos levar a analogia mais longe, pois o pirronismocomo um todo não tem o elemento essencial de todoprogresso filosófico, que é uma crença na possibilidadede descobrir e estabelecer a verdade nos assuntosinvestigados. Antes de iniciar um estudo crítico dos escritos deSexto Empírico, e da compreensão que eles lançam sobreo desenvolvimento do ceticismo grego, é necessário quenós mesmos nos familiarizemos com o meio em que eleviveu e escreveu. Dessa forma seremos capazes de1 Johann Friedrich Herbart (1776-1841) autor de várias obras pedagógicas que o colocam, ao lado de Comênio, Rousseau e Pestalozzi, como uma das principais figuras da Pedagogia clássica. (N. do T.)
  7. 7. 8compreender de maneira mais completa o ponto de vistaa partir do qual ele considerou as questões filosóficas. Comecemos, então, fornecendo alguns detalhesde sua vida, incluindo sua profissão, a época em que eleviveu, o lugar de seu nascimento, o país em que ensinoue o objetivo geral e natureza de suas obras. Aqui,entretanto, encontramos grandes dificuldades, poisembora possuamos a maior parte dos escritos de Sextobem preservados, a evidência que eles fornecem sobre ospontos mencionados é muito insignificante. Ele não nosdá detalhes biográficos sobre si mesmo, nem se refere aosseus contemporâneos de uma maneira que forneça algumconhecimento exato sobre eles. Seu nome igualmentenos fornece um problema impossível de solucionar. Ele échamado Sšxtoj Ð ™mpeirikÒj por Diógenes Laércio 2 :`HrodÒtou d di»kouse Sšxtoj Ð ™mpeirikÒj, oákaˆ t¦ dška tîn skeptikîn kaˆ ¥lla k£llista.Sšxtou d di»kouse Satorn‹noj Ð KuqÁnaj,™mpeirikÕj kaˆ aÙtÒj. Embora nesta passagemDiógenes fale de Sexto a segunda vez sem o sobrenome,não podemos compreender o significado de outramaneira senão que Diógenes considerava Sexto ummédico da Escola empírica. Não faltam também outrasevidências de que Sexto tinha esse sobrenome. Fabricius,em sua edição das obras de Sexto, cita, da Tabella deSectis Medicorum, de Lambécio, a afirmação de queSexto era chamado de Empírico por causa de sua atitudeem medicina 3 . Pseudo-Galeno também se refere a ele como umdos diretores da Escola empírica, e o chama de Sšxtoj Ð2 Diógenes Laércio, IX. 12, 116.3 Fabricius, Testimonia, p. 2.
  8. 8. 9™mpeirikÒj 4 . Seu nome é frequentemente encontradonos manuscritos grafado com o sobrenome, como, porexemplo, no final da Lógica II 5 . Em outros lugares ele éencontrado grafado sem o sobrenome, como testemunhaFabricius, onde Sexto é mencionado como um céticoligado a Pirro. A Escola cética esteve durante muito tempoestreitamente ligada à Escola empírica de medicina, e ospirrônicos posteriores, quando eram médicos, como erafrequentemente o caso, pertenciam, na maior parte dasvezes, a essa escola. Menônodos de Nicomédia é oprimeiro cético, entretanto, que é explicitamenteconsiderado como um médico empírico 6 , e seucontemporâneo Teodas de Laodiceia era também ummédico empírico. É difícil datar a época em queMenôdotos e Teodas viveram, mas Brochard e Hassconcordam que ele viveu por volta de 150 d.C. 7Posteriormente à época desses dois médicos, queestiveram também, cada um por sua vez, à frente daescola cética 8 , parece ter havido uma aliança definitivaentre o pirronismo e o empirismo na medicina, e nóstemos toda razão para acreditar que essa aliança existiuaté a época de Sexto. A dificuldade quanto ao nome surge do própriotestemunho de Sexto. No primeiro livro das Hipotiposesele apresenta fortes razões contra a identificação dopirronismo e empirismo na medicina. Embora ele4 Pseudo-Galeno, Isag. 4; Fabricius, Testimonia, p. 2.5 Bekker, Math. VIII, 481.6 Dióg. IX, 12, 115.7 Brochard, Op. cit. Livro IV, p. 311.8 Dióg. IX, 12, 116.
  9. 9. 10introduza suas objeções admitindo que “alguns dizemque eles são idênticos”, em reconhecimento da estreitaunião que tinha existido entre eles, ele irá dizer que o“empirismo não é idêntico ao ceticismo, nem ficaria bempara o cético abraçar essa doutrina” 9 , porque oempirismo mantém dogmaticamente a impossibilidadedo conhecimento, mas ele preferirá pertencer à Escolametódica, que era a única escola médica digna do cético.“Pois de todas as seitas médicas somente essa nada afirmatemerariamente sobre as coisas não evidentes, e nãopresume dizer se elas são compreensíveis ou não, masguia-se pelos fenômenos 10 . Veremos, dessa maneira, quea Escola metódica de medicina tem certa relação com oceticismo que é mais estreita que a das outras seitasmédicas” 11 . Sabemos a partir do testemunho do próprioSexto que ele era um médico. Num determinadocontexto ele usa a primeira pessoa a respeito de si mesmocomo um médico 12 , num outro fala de Asclépio como “ofundador da nossa ciência” 13 , e todos os seus exemplosmostram um conhecimento médico amplo e variado quesomente um médico poderia possuir. Ele publicou umaobra sobre medicina, a qual se refere uma vez como„atrik¦ Øpomn»mata 14 , e outra vez como ™mpeirik¦Øpomn»mata 15 . Essas passagens provavelmente se9 Hip. I, 236.10 Hip. I, 237.11 Hip. I, 241.12 Hip. II, 238.13 Adv. Math. A. 260.14 Adv. Math. VII, 202.15 Adv. Math. A, 61.
  10. 10. 11referem à mesma obra 16 , a qual, infelizmente para asolução da difícil questão que nós temos em mãos, estáperdida, e nada é conhecido sobre seu conteúdo. Em visível contradição com sua afirmação nasHipotiposes I, que o ceticismo e o empirismo sãocontrários um ao outro, na medida em que o empirismonega a possibilidade do conhecimento e o ceticismo nãofaz nenhuma declaração dogmática desse tipo, Sextoclassifica os céticos e os empiristas juntos num outroexemplo, pois considerariam o conhecimentoimpossível 17 ¢ll oƒ mšn fasin aÙt¦ m»katalamb£nesqai, éster oƒ ¢pÕ tÁj ™mpeir…aj„atroˆ kaˆ oƒ ¢pÕ tÁj skšyewj filÒsofoi. Emoutro caso, ao contrário, ele contrapõe os céticosexatamente com os empiristas quanto ao ¢pÒdeixij 18 . oƒd ™mpeirikoˆ ¢nairoàsin, o… d skeptikoˆ ™n™pocÍ taÚthn ™fÚlaxan. Pappenheim pensa que Sexto pertencia à Escolametódica, não só por causa de sua forte manifestação afavor dessa escola nas Hipotiposes (I, 236), comomencionado, mas também porque muitas de suasopiniões médicas, como encontradas em suas obras,estão mais de acordo com os ensinamentos da Escolametódica do que com aqueles dos empíricos.Pappenheim também sustenta que não encontramosnenhuma inconsistência com essa visão na passagemdada onde Sexto associa os céticos aos empiristas, mas16 Zeller, Op. cit. III. 43.17 Adv. Math. VIII, 191.18 Adv. Math. VIII, 328.
  11. 11. 12considera essa afirmação um exemplo de umanegligência da parte de Sexto ao exprimir-se, 19 . A posição de Pappenheim é suscetível de críticaporque ao lidar com qualquer problema a respeito de umautor com base em evidências internas, não temosnenhum direito de considerar uma de suas afirmaçõesdigna de crédito e outra não, na suposição de que ele seexpressou de forma negligente no segundo caso. Depreferência, devemos tentar encontrar seu verdadeiroponto de vista tomando conhecimento de maneiraimparcial de todas as dificuldades oferecidas naspassagens aparentemente conflitantes. Isso foi tentadopor Zeller, Brochard, Natorp e outros, com o resultadogeral que, considerando-se todas as coisas, eles pensamsem dúvida que Sexto pertenceu à Escola empírica 20 . Asoutras referências que ele faz são muito claras parapermitir que sua fidelidade à Escola empírica seja postaem dúvida. Ele é chamado um dos líderes do empirismopor Pseudo-Galeno, e sua única obra médica tinha otítulo ™mpeirik¦ Øpomn»mata. A opinião dosescritores acima referidos é que a passagem que citamosdas Hipotiposes não significa necessariamente que Sextonão era um empírico, mas que, como ele era mais céticoque médico, deu preferência àquelas doutrinas que erammais compatíveis com o ceticismo e, consequentemente,afirmou que não era absolutamente necessário que umcético que era médico devesse ser um empírico. Natorpconsidera que o ponto de vista diferente a partir do qual19 Lebensverhältnisse des Sex. Em., 36.20 Brochard, Op. cit. Livro IV, 317; Zeller, Op. cit., III, 15; Natorp, Op. cit. p. 155.
  12. 12. 13Sexto julga as Escolas empírica e metódica em suasdiferentes obras é explicado pela suposição que ele eraum empírico, mas não estava de acordo com aquelaescola sobre um único ponto 21 . Natorp indica que Sextonão fala mais favoravelmente da posição médica daEscola metódica, mas simplesmente compara a maneiracomo ambas as escolas consideravam a questão dapossibilidade do conhecimento, e pensa que Sextopoderia ter sido um empírico como um médico, nãoobstante sua condenação da atitude da Escola empíricaem relação à teoria do conhecimento. Essa diferençaentre as duas escolas era muito pequena, e sobre umponto muito sutil e sem importância; na realidade, umadiferença quanto à teoria filosófica, e não quanto àprática médica. Embora nós concordemos com os autores acimareferidos, que Sexto muito provavelmente reconheceu aligação entre a Escola empírica de medicina e opirronismo, contudo, deduzir de sua possível ligaçãocom aquela escola a explicação de seu nome dá a ele maisnotoriedade como um médico do que é compatível como que sabemos de sua carreira. A união ininterruptaexistente durante muito tempo entre o empirismo e oceticismo confirmaria naturalmente a opinião que Sextofoi, pelo menos durante a primeira parte de sua vida, ummédico daquela escola, e, no entanto, pode ser que elenão tenha sido chamado de Empírico por essa razão.Existe um exemplo nos escritos antigos onde Empírico éconhecido como um simples nome próprio 22 . Pode ter21 Natorp, Op. cit. 157.22 Pappenheim, Leb. Ver. Sex. Em. 6.
  13. 13. 14sido um nome próprio no caso de Sexto, ou existemmuitas outras maneiras em que ele poderia ter seoriginado, como os que têm estudado a origem dosnomes prontamente admitirão, talvez, na verdade, porcausa do título da obra acima mencionada, ™mpeirik¦Øpomn»mata. O principal argumento a favor dessaopinião é que havia outros líderes da Escola cética, arespeito dos quais podemos alegar maior influênciacomo empiristas do que aquela de Sexto, e para os quaiso cognome Empírico teria sido mais apropriado, se elefosse dado em conseqüência da importância na Escolaempírica. Sexto é conhecido por todos como um cético enão como um médico. Ele foi associado mais tarde aPirro, e suas obras filosóficas sobreviveram, ao passo queseus escritos médicos não, mas são principalmenteconhecidos porque ele mesmo os menciona. Além disso,a passagem que citamos das Hipotiposes é muito clarapara levar-nos facilmente a acreditar que Sextopermaneceu toda sua vida como membro da Escolaempírica. Ele dificilmente poderia ter dito, “não ficariabem para o cético abraçar essa doutrina”, se ao mesmotempo pertencesse a ela. As suas outras referências àEscola empírica, de um cunho mais favorável, podem serfacilmente explicadas com base na longa e contínuaunião que tinha existido entre as duas escolas. Étotalmente possível supor que Sexto foi um empíricodurante certo tempo de sua vida, e que posteriormentejulgou a Escola metódica preferível, e semelhantemudança não teria de qualquer maneira afetado suaposição como um médico.
  14. 14. 15 Quanto à época exata em que Sexto Empíricoviveu, obtemos muito pouco conhecimento a partir dasevidências internas, e as fontes de informações externassão igualmente incertas. Diógenes Laércio deve ter sidouma geração mais jovem que Sexto, pois ele menciona odiscípulo de Sexto, Saturnino, como um médicoempírico 23 . Geralmente se considera a primeira metadedo século III d.C. como a época em que Diógenesviveu 24 . Portanto, não se pode situar Sexto muito depoisdo início do século. Sexto, entretanto, dirige seus escritosinteiramente contra os dogmáticos, por quem eleclaramente afirma que ele quer dizer os estóicos 25 , e ainfluência dos estóicos começou a declinar no início doséculo III d.C. Um fato frequentemente usado como umrecurso para determinar a época em que Sexto viveu é aalusão que ele faz a Basílides o estóico 26 , ¢ll¦ kaˆ oƒstwŠko…, æj oƒ perˆ tÕn Basile…dhn. Considerou-seque esse Basílides seria o mesmo que foi um dos mestresde Marco Aurélio 27 . Isso é aceito por Zeller na segundaedição de sua History of Philosophy, mas não na terceira,porque Sexto, em toda a obra da qual essa referência étomada, ou seja, Adv. Math. VII-XI., não mencionaninguém além de Enesidemo, que viveu depois dametade do século I a.C. 28 O Basílides referido por Sextopode ser o mesmo mencionado numa lista de vinteestóicos, num fragmento de Diógenes Laércio, publicado23 Dióg. IX, 12, 116.24 Ueberweg, Hist. of Phil. p. 21.25 Hip. I, 65.26 Adv. Math. VIII, 258.27 Fabricius, Vita Sexti.28 Zeller, Op. cit. III. 8.
  15. 15. 16em Berlim, em 1886, por Val Rose 29 . Tem sido dadamuita importância, entretanto, para a relação da mençãode Basílides o estóico com o problema da época em queSexto viveu. Mesmo que se admita que o Basílidesmencionado por Sexto foi o mestre de Marco Aurélio,isso serve somente para mostrar que Sexto ou viveu namesma época que Marco Aurélio ou depois dele, o que éuma conclusão que devemos em qualquer caso alcançarpor outras razões. O fato que tem causado a maior incertezaquanto à época em que Sexto viveu é que CláudioGaleno em suas obras menciona vários céticos que eramtambém médicos da Escola empírica 30 , e frequentementefala de Heródoto, supostamente o mesmo que foi,segundo Diógenes Laércio 31 , mestre de Sexto, mas nãofaz nenhuma referência que seja a Sexto. Como a épocaem que Galeno viveu ultrapassa o limite do século IId.C., devemos ou inferir que Sexto não era o médico tãoconhecido como Pseudo-Galeno afirmou que ele era, e,consequentemente, não era conhecido de Galeno, ouque Galeno escreveu antes de Sexto tornar-se conhecidocomo um cético. Esse silêncio da parte de Galenorelativamente a Sexto aumenta a dúvida, causada pelaprópria crítica de Sexto à Escola empírica de medicina,quanto a ele ter sido um empírico. A questão tornou-semais complicada, pois é difícil fixar a identidade doHeródoto que é tão frequentemente mencionado por29 Brochard, Op. cit. IV, 315.30 Zeller, III. 7.31 Dióg. XI, 12, 116.
  16. 16. 17Galeno 32 . Como Galeno morreu por volta de 200 d.C.,com a idade de setenta anos 33 , deveríamos fixar a épocaem que Sexto viveu no início do século III, e a deDiógenes talvez um pouco depois da metade, pois foisomente no início do século III que os estóicos passarama ter menos influência, e dificilmente poderiam terdespertado a grande animosidade revelada por Sexto.Devemos então supor que Sexto escreveu na exatasegunda metade do século II, e ou que Galeno não oconheceu ou que os livros de Galeno foram publicadosantes de Sexto tornar-se conhecido ou como um médicoou como um cético. O fato que ele pode ter sido maisconhecido como cético do que como médico não explicasuficientemente o silêncio de Galeno, pois outros céticosmenos importantes que Sexto são mencionados por ele, eeste, mesmo se não tão importante como médico comoPseudo-Galeno afirma, era certamente tanto um céticocomo um médico, e deve ter pertencido a uma das duasescolas médicas muito amplamente discutidas porGaleno – ou a empírica ou a metódica. Portanto, seSexto foi um contemporâneo de Galeno, ele estava tãoafastado do círculo dos conhecidos de Galeno que nãocausou qualquer impressão sobre ele, seja como umcético, seja como um médico, uma suposição que émuito improvável. Devemos então fixar a época em queSexto viveu perto do final do século II, e concluir que oápice de sua carreira pública foi atingido depois queGaleno tinha terminado as obras de sua autoria queainda sobrevivem.32 Pappenheim, Lebens. Ver. Sex. Em. 30.33 Zeller, Grundriss der Ges. der Phil. p. 260.
  17. 17. 18 Sexto tem um nome latino, mas ele era grego;sabemos isso com base em sua própria afirmação 34 .Sabemos também que ele deve ter sido um grego porcausa da beleza e simplicidade de seu estilo, e por causade seu conhecimento dos dialetos gregos. O lugar de seunascimento pode somente, entretanto, ser conjeturado,de argumentos deduzidos indiretamente de seus escritos.As frequentes referências, em todas as suas obras, aoscostumes precisos de diferentes nações deveriam nosfornecer uma chave para a solução desse problema, mas éestranho dizer que elas não nos forneceram uma chavedecisiva. Dentre essas referências um grande número,entretanto, refere-se aos costumes da Líbia, revelandoum conhecimento detalhado relativamente aos costumespolíticos e religiosos desse país que ele não revela quantoa nenhum outro país a não ser o Egito 35 . Fabricius pensaque a Líbia não era seu lugar de nascimento por causa deuma referência que ele faz a ela nas Hipotiposes –Qrvkîn d kaˆ GaitoÚlwn (LibÚwn d œqnojtoàto) 36 . Essa conclusão é, entretanto, completamenteinfundada, pois a explicação de Sexto simplesmentemostra que as pessoas a quem ele estava então sedirigindo não estavam familiarizadas com a Líbia. Suidasfala de dois homens chamados Sexto, um de Queronéia eum da Líbia, ambos os quais ele chama de céticos, e aum deles lhe atribui os livros de Sexto. Todas asautoridades estão de acordo em afirmar que existe umagrande confusão nas obras de Suidas; e Fabricius, Zeller34 Adv. Math. A. 246; Hip. I, 152; Hip. III, 211, 214.35 Haas, Op. cit. p. 10.36 Hip. III, 213.
  18. 18. 19e Pappenheim não dão nenhum valor a esse testemunhode Suidas 37 . Haas, entretanto, afirma 38 que não érazoável supor que essa confusão poderia chegar aoponto de atribuir os escritos de Sexto Empírico à Sextode Queronéia, e também julga o último um cético, econsidera muito mais razoável aceitar o testemunho deSuidas, pois ele coincide perfeitamente com as evidênciasinternas dos escritos de Sexto quanto a seu país deorigem. É não obstante evidente, a julgar pela suafamiliaridade com os costumes, com a linguagem e as leisde Atenas, Alexandria e Roma, que ele deve ter resididoalgum tempo em cada uma dessas cidades. De todos os problemas relacionados com osdetalhes históricos da vida de Sexto, aquele que é maisdifícil de resolver, e também o mais importante paranosso presente objetivo de fazer um estudo crítico de seuensinamento, é determinar a sede da Escola céticadurante o tempo em que ele foi encarregado dela. AsHipotiposes são aulas dadas em público naquele períodode sua vida. Onde então foram dadas? Sabemos que aEscola cética deve ter tido uma existência bastante longacomo um movimento filosófico definido, embora algunstenham afirmado o contrário. Que ela existiu como umadireção organizada de pensamento é demonstrado pelaformulação de seus ensinamentos, pela lista fornecidapor Diógenes Laércio de seus principais líderes 39 , e pelasreferências dos escritos de Sexto. No primeiro livro das37 Pappenheim, Lebens. Ver. Sex. Em. 5, 22; Zeller, Op. cit. III, 39; Fabricius, Vita de Sextus.38 Haas, Op. cit. p. 6.39 Dióg. XI, 12, 115, 116.
  19. 19. 20Hipotiposes ele se refere ao ceticismo como um sistemafilosófico distinto, kaˆ t¾n di£krisin tÁj skšyewj¢pÕ tîn parakeimšnwn aÙtÍ filosofiîn 40 . Ele falatambém dos céticos mais antigos 41 , e dos céticos maisrecentes 42 . Pirro, o fundador da escola, ensinou em Élis, suacidade natal; mas, certamente, já na época de Timão, seuseguidor imediato, seus ensinamentos foram de algummodo conhecidos em Alexandria, onde Timão residiupor certo tempo 43 . Os discípulos imediatos de Timão,como apresentados por Diógenes, não eram homensconhecidos na Grécia ou mencionados nos escritosgregos. Além disso, temos o testemunho bastanteconhecido de Arístocles o peripatético relativamente aEnesidemo, de que ele ensinou o pirronismo emAlexandria 44 – ™cq j kaˆ prèhn ™n Alexandre…vtÍ kat A‡gupton Aˆnhs…dhmÒj tij ¢nazwpure‹n½rxato tÕn Ûqlon toàton. Esta seria posteriormente a tendência dogmáticada Academia sob a direção de Antíocos, e seus seguidorestinham conduzido o pirronismo a partir da união parcialcom a Academia, a qual tinha experimentado depois aruptura da Escola sob a direção dos sucessores imediatosde Timão. Enesidemo ensinou por volta do início denossa era em Alexandria, e estabeleceu a escola lá maisuma vez; e se fala de seus seguidores de uma maneira quepressupõe sua continuidade no mesmo lugar. Existe toda40 Hip. I, 5.41 Hip. I, 36.42 Hip. I, 164.43 Chaignet, Op. cit. 45.44 Aristocles, apud* Euseb., Praep. Ev. XIV, E, 446.
  20. 20. 21razão para pensar que a ligação de Sexto com Alexandriaera uma ligação íntima, não só porque Alexandria tinhasido durante muito tempo a sede do pirronismo, mastambém por causa das evidências internas de seusescritos e de sua subseqüente influência histórica; e,contudo, as Hipotiposes não poderiam ter sido escritas emAlexandria, pois ele freqüentemente se refere àquelelugar comparando-o com o lugar de onde ele está entãofalando. Ele diz, além disso, que ele ensina no mesmolugar onde seu mestre ensinou 45 . blšpwn te Óti œnqa ÐØfhght¾j Ð ™mÕj dielšgeto, ™ntaàqa ™gë nàndialšgomai. Portanto, a escola deve ter sido transferidade Alexandria, antes ou durante a época em que o mestrede Sexto viveu, para algum outro centro. As Hipotiposessão do início ao fim um ataque direto contra osdogmáticos; portanto, Sexto deve ter ensinado emalguma cidade onde a filosofia dogmática era forte, ouem algum centro filosófico rival. As Hipotiposes revelamtambém que o escritor tinha acesso a uma grandebiblioteca. Alexandria, Roma e Atenas são os três lugaresmais prováveis de escolha para semelhante objetivo. Porseja qual for a razão pela qual a sede da escola foitransferida de Alexandria pelo mestre de Sexto, ou porele mesmo, do lugar onde ela tinha estado durante muitotempo unida à Escola empírica de medicina, Atenaspareceria a cidade mais provável para sua continuação,na terra onde o pirronismo nasceu pela primeira vez.Sexto, entretanto, num exemplo, quando se refere àscoisas invisíveis por causa de suas relações exteriores, diz,para ilustrar, “como a cidade de Atenas é atualmente45 Hip. III, 120.
  21. 21. 22invisível para nós” 46 . Em outras passagens também elecompara os atenienses com as pessoas a quem ele está sedirigindo. Ele procede da mesma maneira em relação aosalexandrienses, colocando Atenas, deste modo, assimcomo Alexandria, fora de questão. Dentre os diversos autores que escreveram sobreSexto Empírico, aqueles que trataram essa parte doassunto de maneira mais crítica são Haas e Pappenheim.Por esse motivo, consideremos mais extensamente osresultados apresentados por esses dois autores. Haaspensa que as Hipotiposes foram ministradas em Romapelas seguintes razões. As aulas de Sexto devem ter sidodadas em algum centro de ensino e aprendizagemfilosóficos. Ele nunca contrapõe referências romanasàquelas dos lugares de onde ele está falando, como ele fazquanto a Atenas e Alexandria. Ele usa o nome“romanos” somente três vezes 47 : uma ao compará-loscom os rodianos, outra com os persas, e outra em geralcom outras nações 48 . Nas primeiras duas dessasreferências a expressão “entre os romanos” na primeiraparte da antítese é seguida pela expressão, “entre nós”, nasegunda parte, que Haas interpreta como sendosinônima. A terceira referência é em relação ao direitoromano, e o uso da palavra “romano” não mostra demodo algum que Sexto não estava então em Roma. Ocaráter das leis mencionadas por Sexto como par ¹m‹nmostra que elas eram sempre leis romanas, e a sua46 Hip. II, 98.47 Haas, Op. cit. p. 15.48 Hip. I, 149, 152; III, 211.
  22. 22. 23definição de lei 49 é particularmente uma definição dodireito romano. Esse argumento poderia aplicar-se, aoque parece, a qualquer parte do Império Romano, masHaas alega que toda a relação da lei com o costume,como tratada por Sexto, e todas as suas afirmações sobreos costumes proibidos naquela época pela lei, apontampara Roma como o lugar de sua residência. Além disso,Haas considera que o Heródoto mencionado porGaleno 50 como um conhecido médico em Roma – lugaronde Sexto diz que está ensinando – foi o predecessor emestre de Sexto 51 . Haas pensa também que a refutaçãopor parte de Sexto da identificação do pirronismo com oempirismo refere-se evidentemente a um parágrafo daSubfiguratio empirica 52 , que seria natural se as Hipotiposesfossem escritas logo depois da Subfiguratio empirica, deGaleno, e no mesmo lugar. Além disso, Hipólito, queescreveu em Roma ou perto de Roma logo depois daépoca em que Sexto viveu, usou, aparentemente, asHipotiposes, o que seria mais natural se ele compôs nomesmo lugar. De acordo com Haas, todas as evidênciasinternas e os testemunhos externos indicam que Romafoi a cidade onde Sexto ocupou sua posição como chefeda Escola cética. Passando agora para a posição de Pappenheimsobre esse assunto, descobrimos que, em seu últimotrabalho 53 , ele se posiciona decididamente contra a49 Hip. I, 146.50 Galen, de puls. IV, 11; parte VIII, 751.51 Hip. III, 120.52 Galen, Sub. Em. 123 B-126 D. (Basileae, 1542).53 Pappenheim, Sitz der Skeptischen Schule. Archiv für Geschichte der Phil., 1888.
  23. 23. 24opinião de que Roma foi, mesmo por um curto período,a sede da Escola cética. Essa opinião é o resultado de umestudo posterior da parte de Pappenheim, pois numestudo anterior, Lebensverhältnisse des Sextus Empiricus,Berlin 1875, ele diz, “Dass Herodotus in Rom lebte sagtGalen. Vermuthlich auch Sextus.” As razões que elefornece no artigo posterior para não relacionar a Escolacética de modo algum com Roma são as seguintes. Elenão encontra nenhuma prova da influência do ceticismoem Roma, pois Cícero comenta que o pirronismo estáextinto 54 , e ele também dá importância ao bastanteconhecido dito sarcástico de Sêneca, Quis est qui tradatpraecepta Pyrrhonis! 55 . Enquanto Haas sustenta queSexto procuraria naturalmente um dos centros dodogmatismo a fim de combatê-lo de maneira maisefetiva, Pappenheim, ao contrário, sustenta que teriasido loucura da parte de Sexto pensar em estabelecer aEscola cética em Roma, onde o estoicismo era a filosofiaprotegida dos imperadores romanos; e quando, em razãode uma possível disputa entre as escolas empírica emetódica, ou por alguma outra causa, a Escola pirrônicafoi transferida de Alexandria, Pappenheim sustenta quetodos os testemunhos apontam para a conclusão de queela foi fundada em alguma cidade do Oriente. O nomede Sexto nunca é citado na literatura romana, mas noOriente, ao contrário, a literatura fala durante séculos deSexto e Pirro. As Hipotiposes, especialmente, erambastante conhecidas no Oriente, e referências a Sexto sãoencontradas nos escritos dogmáticos filosóficos e54 Cícero, De Orat. III, 17, 62.55 Sêneca, nat. qu. VII, 32. 2.
  24. 24. 25religiosos. O imperador Juliano faz uso das obras deSexto, e ele é frequentemente citado pelos eclesiásticos daIgreja Oriental 56 . Pappenheim, por conseguinte, concluique a sede do pirronismo, depois que a escola foitransferida de Alexandria, era em alguma cidadedesconhecida do Oriente. Considerando a força desses argumentos,devemos aceitar com Pappenheim a estreita relação dopirronismo com Alexandria, e a subseqüente influênciaque ele exerceu sobre a literatura do Oriente. Todas asrelações históricas tendem a fixar a sede permanente dopirronismo, depois de sua separação da Academia, emAlexandria. Não há nada que indique sua transferênciade Alexandria antes da época de Menôdotos, que é omestre de Heródoto 57 , e por muitas razões considerado overdadeiro mestre de Sexto. Foi Menôdotos quemaperfeiçoou as doutrinas empíricas; quem efetuou umaunião oficial entre o ceticismo e o empirismo; quem deuao pirronismo, em grande medida, o éclat 58 que eledesfrutou em Alexandria; e quem parece ter sido ainfluência mais poderosa na escola desde a época deEnesidemo até a de Sexto. Além disso, a familiaridade deSexto com os costumes de Alexandria dá a impressão deconhecimento direto, e não pode, como Zeller sugere,ser aceito como simples citação. Dificilmente se poderiaconcordar com Zeller 59 que a familiaridade revelada porSexto com os costumes tanto de Alexandria como de56 Fabricius, de Sexto Empirico Testimonia.57 Dióg. IX, 12, 116.58 Esplendor, em francês no original. (N. do T.)59 Zeller, Op. cit. III, p. 39.
  25. 25. 26Roma nas Hipotiposes não mostra necessariamente queele alguma vez viveu em ambos os lugares, porque umagrande parte de suas obras consiste de compilações deoutros livros; mas, ao contrário, o leitor cuidadoso dasobras de Sexto deve encontrar em todas elas muitasevidências de um conhecimento pessoal de Alexandria,de Atenas e de Roma. Um parte dos livros de Sexto também pode tersido escrita em Alexandria. PrÕj fusikoÝj pode tersido escrita em Alexandria 60 . Se eles constituíam tambémaulas expositivas, então Sexto ensinou em Alexandriaassim como em outro lugar. A história da literaturaOriental durante os séculos imediatamente seguintes aépoca de Sexto, ao mostrar, como ela o faz, muitosexemplos da influência do pirronismo, e umconhecimento das Hipotiposes, nos fornece uma provaincontestável de que a escola não pode ter estado durantemuito tempo afastada do Oriente, e a ausência de talconhecimento na literatura romana é também umargumento forte contra sua longa permanência naquelacidade. Parece, entretanto, a julgar por todos os dados àdisposição, que durante os anos que a Escola céticaesteve afastada de Alexandria, sua sede estava em Roma,e que as Hipotiposes foram ministradas em Roma.Permitam-me brevemente considerar os argumentos afavor de tal hipótese. O ceticismo não era desconhecidoem Roma. Pappenheim cita o comentário de Cícero queo pirronismo estava há muito tempo morto, e o ditoirônico de Sêneca, Quis est qui tradat praecepta Pyrrhonis?60 Pappenheim, Sitz der Skeptischen Schule; Archiv für Geschichte der Phil., 1888; Adv. Math. X, 15, 95.
  26. 26. 27como um argumento contra o conhecimento dopirronismo em Roma. Devemos lembrar, entretanto,que na época de Cícero Enesidemo ainda não tinha seseparado da Academia; ou se considerarmos LúcioTubero a quem Enesidemo dedicou suas obras, como omesmo Lúcio Tubero que era o amigo de Cícero em suajuventude, e de acordo com isso fixarmos a época queEnesidemo viveu por volta de 50 a.C. 61 , mesmo nessecaso a obra de Enesidemo em Alexandria seria muitotardia para necessariamente ter sido conhecida porCícero, cujo comentário deve ter sido referente à velhaescola do ceticismo. Se admitirmos, porém, que asafirmações de Cícero e de Sêneca provam que em suaépoca o pirronismo estava extinto em Roma, elascertamente não mostram que depois de sua morte elenão poderia ter revivido outra vez, pois as Hipotiposesforam proferidas mais que um século depois da morte deSêneca. Há muito poucos autores na própria época deEnesidemo que revelam alguma influência de seusensinamentos 62 . Essa influência foi sentida mais tarde,quando o pirronismo tornou-se mais conhecido. Que opirronismo recebeu alguma atenção em Roma antes daépoca de Sexto é, não obstante, demonstrado pelosensinamentos de Favorinos nesse lugar. EmboraFavorinos fosse conhecido como um Acadêmico, o títulode sua principal obra era toÝj filosofoumšnoujaÙtù tîn lÒgwn, ïn ¥ristoi oƒ Pu¸·èneioi 63 .Suidas chama Favorinos de um grande autor, versado em61 Zeller, Op. cit. III, 10.62 Zeller, Op. cit. p. 63.63 Zeller, Op. cit. p. 67.
  27. 27. 28todas as ciências e em filosofia 64 , e Favorinos fez deRoma o centro de seu ensino e de sua ocupação literária.Sua data é fixada por Zeller em 80-150 d.C., portanto, opirronismo era conhecido em Roma um pouco antes daépoca de Sexto. Todo o tom das Hipotiposes, com as constantesreferências aos estóicos como adversárioscontemporâneos e vivos, revela que essas aulasexpositivas devem ter sido dadas num dos centros doestoicismo. Como Alexandria e Atenas estão fora dequestão, todas as evidências apontam para Roma comotendo sido a sede da escola pirrônica, durante pelomenos uma parte do tempo que Sexto esteve à suafrente. Devemos então admitir que o mestre de Sexto,que segundo este teria ensinado em Roma, foi oHeródoto frequentemente mencionado por Galeno 65 , oqual viveu em Roma. As freqüentes referências de Sextoa Asclépio, que ele menciona dez diferentes vezes pelonome em suas obras 66 , conta a favor de Roma na questãoem discussão, pois Asclépio fez essa cidade um doscentros da cultura médica. Por outro lado, o fato quenão existe nenhuma indicação da presença dasHipotiposes na literatura romana mais recente, com aúnica exceção das obras de Hipólito, ao contrário dodifundido conhecimento delas revelado no Orientedurante séculos, é uma prova histórica incontestável deque a Escola cética não pode ter tido sua sede em Roma.A julgar pelas duas passagens apresentadas acima da obra64 Brochard, Op. cit. 329.65 Galeno, VIII. 751.66 Bekker, Index.
  28. 28. 29de Sexto contra os físicos, ele deve aparentemente terescrito esse livro em Alexandria ou ter citado taispassagens a partir de alguma outra obra. Nós nãopodemos concluir, então, que Sexto esteve à frente daescola em Roma por um curto período, de onde pode terse afastado temporariamente por causa da dificuldadecom os empiristas, sugerida nas Hipotiposes I, 236-241,ou a fim de estar mais apto a atacar os estóicos, mas queele também ensinou em Alexandria, onde se encontrava,na verdade, a verdadeira sede da escola? Elaprovavelmente chegou a um fim por volta de cinqüentaanos depois da época em que Sexto viveu, e a partirdaquele centro as obras céticas de Sexto tiveram suadifundida influência no Oriente. Os livros de Sexto Empírico nos fornecem amelhor e mais completa apresentação do ceticismoantigo que foi preservada para os tempos modernos, e dáa Sexto a posição de um dos mais importantesrepresentantes da escola cética. Suas obras que aindasobrevivem são as Hipotiposes pirrônicas, em três livros, eas duas obras que compreendem 11 livros que foramreunidos mais tarde sob o título de prÕjmaqhmatikoÚj, uma das quais é dirigida contra asciências em geral, e a outra contra os filósofosdogmáticos. Os seis livros que compõem a primeiradessas obras são escritos respectivamente contra osgramáticos, os retóricos, os geômetras, os aritméticos, osastrônomos e os músicos. Os cinco livros da segundaconsistem de dois contra os lógicos, dois contra os físicose um contra os sistemas morais. Se a última e curta obrado primeiro livro dirigido contra os aritméticos fosse
  29. 29. 30juntada com a precedente contra os geômetras, comoaparentemente poderia ser, as duas obras juntas seriamdivididas em dez partes diferentes; existem evidênciasque mostram que na Antigüidade tal divisão era feita 67 .Existiam duas outras obras de Sexto que estão agoraperdidas, a obra médica antes mencionada e um livrointitulado perˆ yucÁj. A natureza da obras existentesde Sexto é semelhante, pois elas são todas dirigidas oucontra a ciência ou contra os dogmáticos, e elas todasexibem o lado negativo do pirronismo. A vasta série deargumentos abarcando o assunto, frequentementerepetidos da mesma forma ou de formas diferentes, sãoevidentemente extraídos em grande medida das obrascéticas que Sexto tinha utilizado, e são, na realidade, umresumo de toda a sabedoria da Escola cética. O estilodesses livros é fluente, e o grego empregado faz lembrarde Plutarco e Tucídides, e embora Sexto não reivindiqueoriginalidade, mas apresente em todos os casos osargumentos dos céticos, contudo, os exemplos e a formaem que os argumentos são apresentados, frequentementerevelam as marcas de seu próprio pensamento e sãocaracterizadas aqui e ali por uma riqueza de humor quenão tem sido suficientemente notada nas obras críticassobre Sexto. De todos os autores que examinaram Sexto,Brochard é o único que parece ter compreendido eapreciado seu lado humorístico. Passaremos agora ao exame da posição geral e doobjetivo do pirronismo.67 Dióg. IX, 12, 116.
  30. 30. CAPÍTULO 2 A posição e o objetivo do pirronismo O primeiro volume das Hipotiposes pirrônicasfornece o mais completo balanço encontrado emqualquer uma das obras de Sexto Empírico dosensinamentos do pirronismo e de sua relação com outrasescolas filosóficas. A principal fonte do tema apresentadoé uma obra do mesmo nome de Enesidemo 68 , sejadiretamente usada por Sexto, ou através dos escritos dosseguidores de Enesidemo. O título completoPu¸·èneioi Øpotupèseij foi muito provavelmenteusado em geral para designar aulas expositivas dadaspelos líderes da Escola cética. Nos capítulos iniciais das Hipotiposes Sexto tentadefinir a posição e o objetivo do pirronismo 69 . Aointroduzir o assunto ele trata brevemente das diferençasentres as escolas filosóficas, dividindo-as em três classes:aquelas que alegam que encontraram a verdade, como asescolas de Aristóteles, de Epicuro e dos estóicos; aquelasque negam a possibilidade de encontrá-la, como a dosacadêmicos; e aquelas que ainda a procuram, como aEscola cética. A acusação contra os acadêmicos, que elesnegavam a possibilidade de descobrir a verdade, era umaacusação que os céticos gostavam muito de fazer. Nósdiscutiremos depois se ela é justa, simplesmenteobservando aqui que afirmar a “incompreensibilidade do68 Dióg. IX, 11, 78.69 Hip. I, 3, 4.
  31. 31. 32desconhecido” era uma forma de se expressar a qual ospróprios pirrônicos às vezes incorriam, não obstante seucuidado de evitar afirmações dogmáticas 70 . Depois de definir os três tipos de filosofia comoa dogmática, a acadêmica e a cética, Sexto lembra a seusouvintes que ele não fala dogmaticamente em nada doque ele diz, mas que pretende simplesmente apresentaros argumentos céticos historicamente, e como eles lheaparecem. Ele caracteriza seu tratamento do assuntocomo geral em vez de crítico, incluindo um balanço danatureza do ceticismo, de sua ideia, de seus princípios,de sua maneira de raciocinar, de seu critério e objetivo,uma apresentação dos tropos, ou aspectos da dúvida, asfórmulas céticas e a distinção entre o ceticismo e asescolas filosóficas aparentadas 71 . O resultado de todas as mudanças graduais que odesenvolvimento do pensamento produziu nas relaçõesexternas da Escola cética foi aumentar a seriedade dareivindicação dos céticos de serem simplesmenteseguidores de Pirro, o famoso fundador do movimento.Quando discute os nomes dados aos céticos, Sexto dápreferência muito claramente ao título “pirrônico”,porque Pirro parece o melhor representante doceticismo, e o mais importante de todos os que antesdele se ocuparam com o ceticismo 72 . Era uma questão muito discutida entre osfilósofos da Antigüidade, se o pirronismo deveria serconsiderado uma seita filosófica ou não. Assim, nós70 Adv. Math. VIII, 191.71 Hip. I, 5, 6.72 Hip. I, 7.
  32. 32. 33descobrimos que Hipóboto, em sua obra intitulada perˆaƒršsewn, escrita um pouco antes de nossa era, nãoinclui o pirronismo entre as outras seitas 73 . O próprioDiógenes, depois de alguma hesitação ao comentar quemuitos não o consideram uma seita, finalmente decidechamá-lo assim 74 . Sexto, quando discute o assunto, chama oceticismo um ¢gwg», ou um movimento, em vez deuma a†resij, dizendo que o ceticismo não é uma seita,se essa palavra implica um arranjo sistemático dedogmas, pois o cético não tem dogmas. Se, entretanto,seita significa simplesmente os adeptos de certo sistemade raciocínio de acordo com o que parece ser verdadeiro,então o ceticismo é uma seita 75 . A partir de uma citaçãosobre Enesidemo apresentada mais tarde por Sexto,sabemos que Enesidemo usou o termo ¢gog» 76 . Sextocita também as outras denominações, bastanteconhecidas, que foram aplicadas ao ceticismo, ou seja,zhthtik», ™fektik», e ¢porhtik» 77 . A dÚnamij 78 doceticismo é opor as coisas dos sentidos e do intelectoumas às outras de todas as maneiras possíveis, e atravésda igual força das coisas opostas, ou „sosqšneia,alcançar primeiro o estado de suspensão do juízo, edepois a ataraxia, ou “repouso e tranqüilidade daalma” 79 . O objetivo do ceticismo é então a esperança da73 Dióg. Pro., 19.74 Dióg. Pro., 20.75 Hip. I, 15, 17.76 Hip. I, 210.77 Hip. I, 7; Dióg. IX, 11, 70.78 Hip. I, 8.79 Hip. I, 10.
  33. 33. 34ataraxia, e sua origem estava no estado mentalperturbado ocasionado pela discrepância das coisas e pelaincerteza em relação à verdade. Portanto, diz Sexto,homens de grande talento começaram o sistema céticocolocando em oposição a todo argumento umargumento igual, conduzindo assim a um sistemafilosófico sem um dogma, pois o cético alega que ele nãotem nenhum dogma 80 . Não se supõe-se nunca que ocético expressa uma opinião decidida, mas somente diz oque lhe aparece. Mesmo as expressões céticas, tais como“Não mais 81 , ou “Não decido nada” 82 , ou “Tudo éfalso,” incluem-se elas mesmas junto com as outrascoisas. As únicas afirmações que o cético pode fazerdizem respeito à suas próprias sensações. Ele não podenegar que ele sente calor ou frio ou fome. Sexto responde a acusação de que os céticosnegam os fenômenos, refutando-a 83 . O cético não negaos fenômenos, porque eles são os únicos critérios pelosquais ele pode regular suas ações. “Dizemos que ocritério da escola cética é o fenômeno, querendo dizercom isso a ideia que temos a seu respeito” 84 . Osfenômenos são as únicas coisas que o cético não nega, eele guia sua vida por eles. Eles são, entretanto, subjetivos.Sexto claramente afirma que as sensações são osfenômenos 85 , e que elas consistem na sensibilidade esentimento voluntário, e que constituem as aparências80 Hip. I, 12.81 Hip. I, 14.82 Hip. I, 14.83 Hip. I, 19.84 Hip. I, 19.85 Hip. I, 22; Dióg. IX, 11, 105.
  34. 34. 35dos objetos 86 . Nós vemos de acordo com isso que Sextojulga que a única realidade consiste na experiênciasubjetiva, mas ele não passa disso para sua conclusãológica, e duvida da existência de qualquer coisa fora damente. Ele antes admite como certo que existe algumacoisa exterior desconhecida, acerca da qual o cético nãopode fazer nenhuma afirmação. Os fenômenos são oscritérios de acordo com os quais o cético regula sua vidacotidiana, pois ele não pode viver inteiramente inativo, eeles afetam a vida de quatro maneiras diferentes. Elesconstituem o guia da natureza, o impulso dossentimentos; eles dão origem às tradições dos costumes eàs leis, e tornam o ensino das artes importante 87 . Deacordo com a tradição das leis e dos costumes, a piedadeé um bem na vida cotidiana, mas ela não é em si mesmaum bem abstrato. O cético da época de Sextorecomendava também o ensino das artes, como narealidade devia ser o caso com médicos praticantes, comoa maioria dos líderes céticos era. Sexto diz, “Não somosinativos nas artes a que nos dedicamos” 88 . Essa era umatendência positiva a que nenhuma filosofia, por maisnegativa, poderia livrar-se, e o cético tentou evitar ainconsistência a esse respeito, separando sua filosofia dasua teoria sobre a vida. Sua filosofia restringia suasopiniões, e sua vida era governada pelos fenômenos. O objetivo do pirronismo era a ataraxia nascoisas relativas à opinião, e a moderação nas coisas que a86 Hip. I, 22.87 Hip. I, 23.88 Hip. I, 24.
  35. 35. 36vida impõe 89 . Em outras palavras, encontramos aqui omesmo desejo natural do ser humano de superar aslimitações que a dor e as paixões impõem, o que éexpresso de outras maneiras, e com outros nomes, emoutras escolas filosóficas. O método, entretanto, peloqual a ataraxia ou a paz mental pode ser atingida, erapeculiar ao cético. É um estado de equilíbrio psicológicoque resulta da igualdade da força dos diferentesargumentos que são opostos uns aos outros, e daconseqüente impossibilidade de afirmar em relação a umou a outro que ele é correto 90 . A descoberta da ataraxiaera, em primeiro lugar, aparentemente acidental, poisenquanto o cético suspendia sua opinião, incapaz dedecidir que coisas eram verdadeiras, e que coisas eramfalsas, seguia-se, como que por acaso, a ataraxia 91 .Depois de ter começado a filosofar com o desejo dediscriminar entre as ideias, e separar as verdadeiras dasfalsas 92 , durante a ™poc», ou suspensão do juízo, seguia-se, como que por acaso, a ataraxia, como a sombra segueo corpo 93 . O cético, ao buscar a ataraxia nas coisasopináveis, não está inteiramente isento de sofrer porcausa de suas sensações. Ele não vive completamenteimperturbado, pois às vezes sente frio e fome, e assimpor diante 94 . Ele alega, contudo, que ele sofre menos queo dogmático, que é perturbado por dois tipos de89 Hip. I, 25.90 Hip. I, 26.91 Hip. I, 26.92 Dióg. IX, 11, 107.93 Hip. I, 29.94 Hip. I, 30.
  36. 36. 37sofrimento, um devido aos próprios sentimentos, etambém por causa da convicção que eles são pornatureza um mal 95 . Para o cético, nada é em si mesmoum mal ou um bem, e assim ele pensa que “ele escapadas dificuldades mais facilmente” 96 . Por exemplo, aqueleque considera a riqueza um bem em si mesmo é infelizquando a perde, e na sua posse vive com medo de perdê-la, ao passo que o cético, lembrando o dito cético “nãomais,” vive tranqüilo em qualquer condição em quepossa se encontrar, visto que a perda da riqueza não émais um mal do que a posse dela é um bem 97 . Poisaquele que considera algo bom ou mau por natureza estásempre perturbado, e quando aquilo que parece bomnão está mais ao alcance dele, ele pensa que éatormentado por aquilo que é naturalmente mau, econtinua em busca daquilo que pensa ser bom. Tendo-oadquirido, contudo, não vive mais em repouso, pois suarazão lhe diz que uma mudança inesperada pode privá-lodesse objeto que ele considera um bem 98 . O cético,entretanto, não se esforça nem para evitar nem parabuscar algo avidamente 99 . A ataraxia sobrevém ao cético como o êxito napintura da espuma da boca de um cavalo sobreveio aopintor Apeles. Depois de muitas tentativas para pintar aespuma, e de muitos fracassos, ele desistiu desesperado elançou no quadro a esponja que tinha usado para limparo pincel. Logo que tocou o quadro ela produziu uma95 Hip. I, 30.96 Hip. I, 30; Dióg. IX, 11, 61.97 Adv. Math. XI, 146-160.98 Hip. I, 27.99 Hip. I, 28.
  37. 37. 38representação da espuma 100 . Portanto, os céticos nuncaforam capazes de alcançar a ataraxia examinando asanomalias entre os fenômenos e as coisas dopensamento, mas ela sobrevém para eles por iniciativaprópria, justamente quando desesperam de encontrá-la. A preparação intelectual para produzir a ataraxiaconsiste em colocar argumentos em oposição uns aosoutros, tanto em relação aos fenômenos como emrelação às coisas do intelecto. Colocando os fenômenosem oposição aos fenômenos, as coisas intelectuais àscoisas intelectuais, e o fenomênico às coisas intelectuais,e vice versa, o presente ao presente, passado, e futuro,descobriremos que não existe nenhum argumento queseja incontrovertível. Não é necessário aceitar qualquerafirmação seja qual for como verdadeira, e,consequentemente, um estado de ™poc» pode sempreser mantido 101 . Embora a ataraxia seja concernente àscoisas opináveis, e deva ser precedida pelo processointelectual descrito acima, não é ela mesma uma funçãodo intelecto, ou alguma espécie sutil de raciocínio, masparece ser, em vez disso, uma forma singular deaperfeiçoamento moral, levando à felicidade, ou é elamesma a felicidade. O objetivo do ceticismo era o de não saber nada,e não afirmar nada em relação a qualquer assunto, masao mesmo tempo não afirmar que o conhecimento detodos os assuntos é impossível, e, consequentemente, tera atitude de investigar continuadamente. O ponto devista do pirronismo era materialista. Nós descobrimos a100 Hip. I, 28, 29.101 Hip. I, 32-35.
  38. 38. 39partir das obras de Sexto que ele afirmou a não-existência da alma 102 , ou o eu, e negou completamente aexistência absoluta 103 . As afirmações introdutórias deDiógenes a respeito do pirronismo estariam de acordocom esse ponto de vista 104 . Não existe nenhum critério de verdade noceticismo. Não podemos provar que os fenômenosrepresentam objetos, ou descobrir qual é a relação dosfenômenos com os objetos. Não existe nenhum critérioque nos diga, dentre todas as diferentes representaçõesdo mesmo objeto, e dentre todas as variedades desensações que surgem através das muitas fases darelatividade das condições que governam a natureza dosfenômenos, qual é verdadeira. Todo o esforço para descobrir a verdade podetratar somente dos fenômenos, e a realidade absolutanunca pode ser conhecida.102 Adv. Math. VII, 55; Hip. II, 32.103 Adv. Math. XI, 140.104 Dióg. IX, 11, 61.
  39. 39. CAPÍTULO 3 Os tropos céticos A exposição dos tropos do pirronismo constituihistórica e filosoficamente a parte mais importante dosescritos de Sexto Empírico. Esses tropos representam asoma total da sabedoria da Escola cética antiga, egozaram de muita consideração durante séculos, nãosomente por parte dos pirrônicos, mas também por partede muitos fora dos estreitos limites dessa escola. Noprimeiro livro das Hipotiposes Sexto apresenta duasclasses de tropos: os da ™poc» e os oito tropos deEnesidemo contra a etiologia. Os tropos da ™poc» são dispostos em grupos dedez, cinco e dois, segundo o período da escola cética aque eles pertencem; o primeiro desses grupos, ou os deztropos da ™poc», é historicamente o mais importante,pois está muito mais estreitamente ligado aodesenvolvimento geral do ceticismo do que osposteriores. Pela palavra trÒpoj ou tropo, o céticoentende uma maneira de pensar, ou forma deargumento, ou modo de ver. Era um termo comum nafilosofia grega, usado nesse sentido desde a época deAristóteles 105 . Os estóicos, entretanto, usaram a palavracom um significado diferente daquele atribuído a elapelos céticos 106 . Stephanus e Fabricius a traduziram pela105 Pappenheim, Erlauterung Pyrrh. Grundzugen, p. 35.106 Dióg I. 76; Adv. Math. VIII, 227.
  40. 40. 42palavra latina modus 107 , e trÒpoj também éfrequentemente usado alternadamente com a palavralÒgoj por Sexto, Diógenes Laércio e outros; às vezestambém como sinônimo de tÒpoj 108 , e tÚpoj éencontrado na edição mais antiga de Sexto 109 . Diógenesdefine a palavra como ponto de vista, ou tipo deargumento, pelo qual os céticos chegam ao estado dedúvida, em conseqüência da igualdade deprobabilidades, e ele chama de tropos os dez tropos dadúvida 110 . Todos os autores que escreveram sobre opirronismo depois da época de Enesidemo concederamaos tropos o lugar principal em seu tratamento doassunto. Sexto ocupa dois terços do primeiro livro dasHipotiposes com a sua exposição e discussão; e quase umquarto da apresentação que Diógenes faz do ceticismo édedicado aos tropos. Além desses dois autores, Arístocleso peripatético refere-se a eles em seu ataque aoceticismo 111 . Favorinos escreveu um livro intituladoTropos pirrônicos, e Plutarco um intitulado Os dez tropos(tÒpoi) de Pirro 112 . Ambas essas últimas obras estãoperdidas. Todas as autoridades concordam em atribuir aEnesidemo o trabalho de sistematizar e apresentar aomundo os dez tropos da ™poc». Ele foi o primeiro aconceber o projeto de opor um sistema filosóficopirrônico organizado ao dogmatismo de seus107 Fabricius, Cap. XIV, 7.108 Hip. I, 36.109 Fabricius, in Hip. I. 36; Cap. XIV. G.110 Dióg. IX, 11, 79-108.111 Arístocles, Euseb. praep. ev. X, 14, 18.112 Fabricius, cf. Hip. I, 36.
  41. 41. 43contemporâneos 113 . Além disso, o fato de Diógenesintroduzir os tropos quando trata da vida de Pirro nãosignifica necessariamente que ele considerava Pirro seuautor, pois Diógenes invariavelmente combina osensinamentos dos seguidores de um movimento comaqueles dos próprios fundadores; ele apresenta essestropos depois de falar da obra de Enesidemo intituladaHipotiposes pirrônicas e, aparentemente cita esse livro, aofazer pelo menos uma parte de sua apresentação dopirronismo, ou diretamente ou por intermédio das obrasdos outros. Nietzsche propõe uma correção do texto deDiógenes IX. 11, 79, o que o faria citar os tropos a partirde um livro de Teodósio 114 , autor de um comentáriosobre as obras de Teodas. Nenhum escritor daantiguidade reivindica para os tropos uma fonte maisantiga que os livros de Enesidemo, a quem Arístoclestambém os atribui 115 . Eles não são mencionados porDiógenes quando ele escreve sobre a vida de Timão, odiscípulo imediato de Pirro. Cícero não tem nenhumconhecimento dos tropos, e não os menciona em suadiscussão do ceticismo. Enesidemo foi indubitavelmente o primeiro aformular esses tropos, mas muitas coisas tendem amostrar que eles resultaram, na verdade, da gradualclassificação dos resultados dos ensinamentos de Pirro,no desenvolvimento subseqüente do pensamento de suaprópria época até a de Enesidemo. As ideias contidas nostropos não eram originais de Enesidemo, mas estão mais113 Comparar Saisset, Op. cit. p. 78.114 Brochard, Op. cit. 254, Nota 4.115 Aristocles, Eus. praep. ev. XIV, 18, 8.
  42. 42. 44estreitamente ligadas ao pensamento das épocasanteriores. O caráter decididamente empírico dos troposprova essa ligação, pois os oito tropos da etiologia, quesão originais de Enesidemo, possuem um caráterdialético mais forte, mostrando assim uma influênciadialética mais evidente da Academia do que a encontradanos tropos da ™poc». Muitos dos exemplos dados dostropos, além disso, dão testemunho de uma época maisantiga do que a de Enesidemo. A palavra tropo erabastante conhecida nos tempos antigos, e o número deznos faz lembrar os dez princípios de oposição dePitágoras, e das dez categorias de Aristóteles, a quartadelas era idêntica ao oitavo tropo. A terminologia,entretanto, com bem poucas exceções, indica umperíodo posterior ao de Pirro. Zeller chama a atençãopara várias expressões na exposição dos tropos, tanto deDiógenes quanto de Sexto, que não poderiam datarmuito antes da época de Enesidemo 116 . Uma dascaracterísticas mais impressionantes de toda aapresentação dos tropos, especialmente comotransmitidos por Sexto, é seu caráter mosaico,caracterizando-os não como a obra de uma pessoa, mascomo um desenvolvimento, e, além disso, umdesenvolvimento aglutinador, carecendo evidentementeda simetria de pensamento que a obra de uma menteteria mostrado. Na época da separação do pirronismo daAcademia, nenhuma outra força era tão poderosa paradar vida à escola quanto o tratamento sistemático deEnesidemo dos dez tropos da ™poc». A razão disso é116 Zeller, Op. cit. p. 25.
  43. 43. 45evidente. Não que as ideias dos tropos céticos fossemoriginais de Enesidemo, mas porque uma declaraçãopositiva de crença constitui sempre uma influência maispoderosa do que princípios que são vagamentecompreendidos e aceitos. Existe sempre, entretanto, operigo para o cético, ao fazer uma afirmação mesmo dosprincípios do ceticismo, de que o resultado psicológicoseja uma tendência dogmática da mente, como veremosmais tarde que foi o caso até mesmo com o próprioEnesidemo. Que a Escola cética não escapou da acusaçãode dogmatizar feita pelos dogmáticos, ao expor as basesde seu ceticismo, nós sabemos a partir de Diógenes 117 .Para evitar essa tendência dogmática dos dez tropos,Sexto faz a freqüente afirmação de que ele não afirmaque as coisas são absolutamente verdadeiras, mas as relatacomo elas lhe aparecem, e que elas podem ser diferentesdo que ele disse 118 . Sexto nos diz que “alguns tropos, em número dedez, para produzir o estado de ™poc», foramtransmitidos pelos céticos antigos” 119 . Ele os mencionaem outra obra como os “tropos de Enesidemo” 120 . Nãoexiste nenhuma evidência de que a substância dessestropos foi alterada depois da época de Enesidemo,embora muitos dos exemplos fornecidos por Sexto sejamde uma data posterior, acrescentados durante os doisséculos que decorreram entre a época de Enesidemo eSexto. Ao apresentar esses tropos Sexto não alega117 Dióg. IX, 11, 102.118 Hip. I, 4, 24.119 Hip. I, 36.120 Adv. Math. VII, 345.
  44. 44. 46oferecer uma classificação metódica e sistemática, eencerra sua lista deles, na sua forma concisa original,com a observação, “nós mesmos estabelecemos essaordem” 121 . A ordem é apresentada diferentemente porDiógenes, e também por Favorinos 122 . O tropo queSexto apresenta como o décimo é o quinto apresentadopor Diógenes, o sétimo de Sexto é o oitavo apresentadopor Diógenes, o quinto de Sexto, o sétimo de Diógenes,o décimo de Diógenes, o oitavo de Sexto. Diógenes dizque aquele que ele apresenta como o nono, Favorinosclassifica como oitavo, e Sexto e Enesidemo comodécimo. Essa afirmação não corresponde à lista dostropos que Sexto apresenta, provando que Diógenestoma algum outro texto diferente daquele de Sexto comosua autoridade 123 . A diferença na ordem dos troposmostra, também, que a ordem não era considerada umaquestão de grande importância. Existe um evidentecontraste no espírito das duas apresentações dos troposoferecidas por Sexto e Diógenes. O primeiro transmite-os não apenas como um orador, mas como alguém quesente que ele está defendendo sua própria causa, e aescola da qual ele é o líder, contra inimigos mortais, aopasso que Diógenes relata-os como um historiador. Pappenheim tenta provar 124 que Enesidemooriginalmente transmitiu somente nove tropos em suasHipotiposes pirrônicas, ao passo que Arístocles mencionasomente nove ao se referir aos tropos de Enesidemo, e121 Hip. I, 38.122 Dióg. IX, 11, 87.123 Dióg. IX, 11, 87.124 Pappenheim, Die Tropen der Griechen, p. 23.
  45. 45. 47que o décimo foi acrescentado mais tarde. Se esse tivessesido o caso, entretanto, o fato seguramente teria sidomencionado ou por Diógenes ou por Sexto, ambos osquais se referem aos dez tropos de Enesidemo. Os tropos pretendem provar que a natureza dosfenômenos é tão relativa e inconstante que oconhecimento seguro não pode ser baseado neles, e,como mostramos, que não existe nenhum outro critériode conhecimento para o cético a não ser o fenômeno 125 .Todos os tropos, exceto o décimo, relacionam-se com apercepção sensível, e dizem respeito à diferença dosresultados obtidos por meio dos sentidos sob diferentescircunstâncias. Eles podem ser divididos em duas classes,i.e., aqueles baseados nas diferenças de nosso organismofísico, e aqueles baseados nas diferenças externas. Àprimeira classe pertencem o primeiro, segundo, terceiro equarto; à segunda classe, o quinto, sexto, sétimo e oitavo,e também o nono. O oitavo, ou o da relação, é aplicadoobjetivamente tanto por Sexto como por Diógenes emseu tratamento dos tropos, e não é usado para objetos dopensamento apenas, mas principalmente para mostrar arelação dos objetos externos uns com os outros. Odécimo é o único que tem um significado moral, e eletem também um valor subjetivo mais alto que os demais;ele extrai seus argumentos de uma esfera de pensamentointeiramente diferente e trata das contradições dasopiniões metafísicas e religiosas, e da questão do bem edo mal. Que esse tropo é um dos mais antigos nós osabemos por causa da clara menção que Diógenes 126 faz125 Hip. I, 22.126 Dióg. IX, 11, 61.
  46. 46. 48a ele quando aborda a doutrina iniciada por de Pirro. Aotratar das razões subjetivas para duvidar quanto ànatureza da realidade externa, os céticos estavam muitopróximos da negação de toda realidade exterior, umaposição, entretanto, a que eles nunca chegaramcompletamente. Existe, evidentemente, muito do própriopensamento de Sexto misturado com os exemplos dostropos, mas é impossível separar as partes originais domaterial daquelas partes que eram propriedade comumda Escola cética. Muitos dos exemplos, todavia, mostramperfeita familiaridade com as doutrinas científicas emédicas da época. Antes de iniciar a exposição dostropos, Sexto os apresenta na forma muito concisa emque eles devem primeiro ter existido 127 .(i) Baseados na variedade dos animais.(ii) Baseados nas diferenças entre os homens.(iii) Baseados nas diferenças na constituição dos órgãos dos sentidos.(iv) Baseados nas circunstâncias.(v) Baseados na posição, distância e lugar.(vi) Baseados nas misturas.(vii) Baseados nas quantidades e constituições dos objetos.(viii) Relação.(ix) Baseados na freqüência ou raridade das ocorrências.(x) Baseados nos sistemas, costumes e leis, crenças míticas e opiniões dogmáticas.127 Hip. I, 36-38.
  47. 47. 49 Embora Sexto seja cuidadoso para nãodogmatizar com respeito à ordem dos tropos, existe,contudo, na classificação que ele faz deles, uma transiçãogradual dos argumentos baseados nas diferenças dosanimais para aquelas existentes nos homens, primeiroconsiderando os homens quanto à constituição física, edepois quanto às circunstâncias externas a nós, efinalmente o tratamento das diferenças metafísicas emorais. O primeiro tropo 128 . Que não se encontram asmesmas representações mentais nos diferentes animaispode ser inferido das suas diferenças na constituição queresultam de suas diferentes origens, e a partir dasdiferenças em seus órgãos dos sentidos. Sexto examina oscinco sentidos um depois do outro, fornecendo exemplospara provar os resultados relativos das representaçõesmentais de todos eles, como, por exemplo, asubjetividade da cor 129 e do som 130 . Todo conhecimentodos objetos por intermédio dos sentidos é relativo e nãoabsoluto. Sexto não se limita, portanto, àimpossibilidade do conhecimento certo quanto àsqualidades que Locke considera secundárias, mas incluitambém as primárias nessa afirmação 131 . A forma e oaspecto dos objetos como eles nos aparecem podemmudar mediante a pressão sobre o globo ocular. Alémdisso, o caráter dos reflexos nos espelhos dependecompletamente de suas formas, assim como as imagens128 Hip. I, 40-61.129 Hip. I, 44-46.130 Hip. I, 50.131 Hip. I, 47.
  48. 48. 50nos espelhos côncavos são muito diferentes daquelas dosconvexos; e da mesma maneira como os olhos dosanimais são de diferentes formas e abastecidos comdiferentes fluidos, as ideias dos cães, dos peixes, doshomens e dos gafanhotos devem ser muito diferentes 132 . Ao discutir as representações mentais de animaisde diferentes graus de inteligência, Sexto revela umacompreensão muito boa do desenvolvimentofilogenético dos órgãos dos sentidos, e extrai a conclusãofinal de que os objetos externos são percebidosdiferentemente pelos animais, de acordo com suasdiferenças na constituição 133 . Essas diferenças nas ideiasque diferentes animais têm dos mesmos objetos sãodemonstradas por seus diferentes gostos, pois as coisasdesejadas por alguns são fatais para outros 134 . Osexemplos práticos fornecidos a esse respeito mostramuma familiaridade com a história natural, econhecimento dos gostos e hábitos de muitos animais 135 ,mas provavelmente poucos deles eram do próprio Sexto,salvo talvez em sua aplicação; que essa série deraciocínios era propriedade comum da Escola cética nóssabemos a partir do fato que Diógenes começa suaexposição do primeiro tropo de uma maneira similar àde Sexto 136 . Seus exemplos são, entretanto, poucos eescassos comparados àqueles de Sexto, e os fatoscientíficos usados por ambos podem na maior parte ser132 Hip. I, 49.133 Hip. I, 54.134 Hip. I, 55.135 Hip. I, 55-59.136 Dióg. IX, 11, 79-80.
  49. 49. 51encontrados em outros autores da Antiguidade,apresentados de uma maneira similar 137 . O resultadológico do raciocínio usado para explicar o primeiro tropoé que não podemos comparar as ideias dos animais umascom as outras, nem com as nossas próprias; nempodemos provar que nossas ideias são mais fidedignasque aquelas dos animais 138 . Como, portanto, um examedas ideias é impossível, qualquer opinião decidida sobresua fidedignidade é também impossível, e esse tropo levaà suspensão do juízo ou ™poc» 139 , relativamente aosobjetos externos. Depois de chegar a essa conclusão, Sextointroduz um longo capítulo para provar que os animaispodem raciocinar. Não existe nenhuma referência a issoem Diógenes, mas existe outro testemunho que mostraque essa era uma linha argumentativa favorita doscéticos 140 . Sexto, entretanto, diz que seu curso deraciocínio é diferente daquele da maioria dos céticossobre o assunto 141 , uma vez que eles usualmentedestinam seus argumentos a todos os animais, ao passoque ele escolhe somente um, a saber, o cão 142 . Essecapítulo é repleto de ataques irônicos aos dogmáticos, econtém a alusão especial aos estóicos como os maioresoponentes dos céticos, a qual foi mencionada antes143 .137 Pappenheim, Erlauterung Pyrr. Grundzüge Par. 41.138 Hip. I, 59.139 Hip. I, 61.140 Hip. I, 238.141 Comparar Brochard, Op. cit. 256.142 Hip. I, 62-63.143 Hip. I, 65.
  50. 50. 52 Sexto sustenta com uma maior liberdade deexpressão do que a encontrada em alguns capítulosaparentemente menos originais, e com uma riqueza deexemplos específicos, que o cão é superior ao homem emacuidade perceptiva 144 , que ele tem poder de escolha epossui uma arte, a de caçar 145 , e, também, não é privadode virtude 146 , pois a verdadeira natureza da virtude émostrar justiça a todos, o que o cão faz conservandolealdade àqueles que são amáveis com ele e mantendodistância daqueles que lhe fazem mal 147 . O poder deraciocínio desse animal é provado pela história, tomadaemprestada de Crisipo, do cão que chegou a umaconfluência de três caminhos ao seguir um rastro.Depois de procurar o rastro em vão em dois caminhos,ele seguiu o terceiro caminho sem cheirá-lo, comoresultado de um ativo processo de pensamento que provaque ele compartilha, na famosa dialética de Crisipo 148 , ascinco formas de ¢napÒdeiktoi lÒgoi, da qual o cãoescolheu a quinta. Ou A ou B ou C, não A ou B,portanto C. O cão e outros animais irracionais podemtambém possuir linguagem falada, visto que a únicaprova que temos ao contrário é o fato que não podemoscompreender os sons que eles produzem 149 . Temos nessecapítulo um exemplo do humor de Sexto, que depois deestender-se sobre o caráter perfeito do cão, observa, “por144 Hip. I, 64.145 Hip. I, 66.146 Hip. I, 67.147 Hip. I, 67.148 Hip. I, 69; Hip. II, 166; Dióg. VII, 1, 79.149 Hip. I, 74.
  51. 51. 53essa razão, parece-me, alguns filósofos honraram-se a simesmos com o nome desse animal” 150 , fazendo, dessemodo, uma alusão irônica aos cínicos, especialmente aAntístenes 151 . O segundo tropo. Passando para o segundo tropo,Sexto visa provar que mesmo se deixarmos fora dediscussão as diferenças das imagens mentais dos animais,não existe suficiente concordância nas imagens mentaisdos seres humanos, a ponto de podermos basear nelasquaisquer de nossas afirmações sobre a natureza dosobjetos externos 152 . Ele tinha anunciado anteriormenteque pretendia opor o fenomênico ao intelectual “detodas as maneiras” 153 , de modo que ele começa aquireferindo-se às duas partes das quais se diz que o homemé composto, a alma e o corpo, e continua discutindo asdiferenças entre os homens quanto à percepção sensível eàs opiniões 154 . A maioria dos exemplos fornecidos dasdiferenças na percepção sensível são exemplos médicos;dentre os mais gerais deles mencionarei somente os doisque são também fornecidos por Diógenes em suaexposição desse tropo 155 , isto é, Demofon, o mordomode Alexandre, que tremia de frio ao sol, e Ândron oargivo, que sentia tão pouca sede que atravessava odeserto da Líbia sem beber nada. Alguns concluíram, porcausa da presença do primeiro desses exemplos naexposição dos tropos, que uma parte desse material pelo150 Hip. I, 72.151 Diog. VI, 1, 13.152 Hip. I, 79.153 Hip. I, 8.154 Hip. I, 80.155 Dióg. IX, 11, 80-81.
  52. 52. 54menos remonta a época de Pirro, pois Pirro, devido à suaintimidade com Alexandre quando ele o acompanhou àÍndia, teve muitas oportunidades de observar asexcentricidades de seu mordomo Demofon 156 . Oexemplo de Ândron o argivo, segundo Diógenes 157 , étomado emprestado de Aristóteles. Passando às diferenças de opinião, temos outroexemplo do humor sarcástico de Sexto quando ele serefere à fusiognwmonik¾ sof…a 158 como a autoridadepara acreditar que o corpo é uma representação da alma.Assim como os corpos dos homens diferem, do mesmomodo as almas também provavelmente diferem. Asdiferenças de espírito entre os homens não sãomencionadas por Diógenes, a não ser na afirmação geralde que eles escolhem diferentes profissões, ao passo queSexto entra em pormenores sobre esse ponto, falando dasgrandes diferenças entre as escolas filosóficasantagônicas, e sobre os objetos de preferência e aversão,bem como sobre as fontes de prazer para diferenteshomens 159 . Os poetas compreenderam essas marcantesdiferenças nos desejos humanos, tal como Homero diz, “Um homem gosta disso, outro daquilo”.156 Comparar Pyrrhon et le Scepticism primitive, Revue phil., Paris, 1885, nº. 5; Victor Brochard, p. 521.157 Dióg. IX, 11, 81.158 Hip. I, 85.159 Hip. I, 87-89.
  53. 53. 55 Sexto cita ainda os belos versos de Píndaro 160 , “Uns se deleitam com honras e coroas adquiridas em corridas de cavalos; Outros em passar a vida em aposentos ornados de ouro; Outros se comprazem em viajar, numa nave veloz, sobre as ondas do mar”. O terceiro tropo. O terceiro tropo limita oargumento às percepções sensíveis de um homem, umdogmático, de preferência, ou a alguém que osdogmáticos consideram sábio 161 , e afirma que, visto queas ideias fornecidas pelos diferentes órgãos dos sentidosdiferem radicalmente de uma maneira que não admitemser comparadas umas com as outras, eles não fornecemnenhum testemunho confiável quanto à natureza dosobjetos 162 . “Cada fenômeno percebido por nós pareceapresentar-se de muitas formas, como a maçã, lisa,fragrante, avermelhada e doce.” A maçã eraevidentemente o exemplo comum fornecido para essetropo, pois Diógenes usa o mesmo, mas de uma formamuito mais resumida, e não com igual compreensão dosresultados a serem deduzidos dele 163 . A conseqüência daincompatibilidade das representações mentais produzidaspor meio dos vários órgãos dos sentidos pela maçã podeser a aceitação de uma ou outra das três seguintesproposições: (i) Que somente aquelas qualidades existemna maçã, as quais percebemos. (ii) Que existem mais160 Hip. I, 86.161 Hip. I, 90.162 Hip. I, 94.163 Dióg. IX, 11 81.
  54. 54. 56qualidades. (iii) Que sequer as qualidades percebidasexistem 164 . Portanto, qualquer experiência que possaoriginar tais visões diferentes a respeito dos objetosexternos não pode contar como um testemunho a seurespeito. A natureza não-homogênea das imagens mentaisconectadas com os diferentes órgãos dos sentidos, comoapresentados por Sexto, nos faz recordar a discussão domesmo assunto por parte de Berkeley em sua Teoria davisão. Sexto diz que um homem que nasceu com umnúmero menor de sentidos do que o usual formariaideias completamente diferentes do mundo exterior doque aqueles que têm o número usual, e como as ideiasque temos dos objetos dependem de nossas imagensmentais, um número maior de órgãos dos sentidos nosforneceria, entretanto, ideias diferentes da realidadeexterior 165 . O argumento forte dos estóicos contraraciocínios como esse era sua doutrina da harmonia pré-estabelecida entre a natureza e a alma, de modo quequando uma representação de um objeto real éproduzida em nós, uma katalhptik¾ fantas…a 166 ,por meio dessa representação a alma apreende averdadeira existência. Existe um lÒgoj em nós que é damesma espécie, sÚggenoj, ou em relação a todanatureza. Esse argumento da harmonia pré-estabelecidaentre as faculdades da alma e os objetos da natureza é umargumento que tem sido usado em todas as épocas para164 Hip. I, 99.165 Hip. I, 96-97.166 Adv. Math. VII, 93.
  55. 55. 57combater o ensino filosófico que nega que apreendemoso mundo externo como ele é. Ele foi usado contra Kantpor seus opositores, que pensaram desta maneira refutarsua doutrina 167 . Os céticos não poderiam, é claro, aceitaruma teoria da natureza que incluísse a alma e o mundoexterior num todo harmonioso, mas Sexto, em suadiscussão do terceiro tropo, não refuta esse argumento demaneira tão completa como o faz mais tarde em sua obracontra os lógicos. 168 Ele afirma simplesmente aqui que ospróprios filósofos não podem concordar quanto àquiloque a natureza é, e, além disso, que o próprio filósofo éparte da discórdia, e que deve ser julgado, antes dehabilitar-se a julgar, e que nenhuma conclusão pode seralcançada por aqueles que são eles mesmos parte daincerteza 169 . O quarto tropo. Esse tropo limita o argumento acada sentido separado, e considera os efeitos dascondições do corpo e da mente sobre a percepçãosensível na relação com os vários órgãos dos sentidos 170 .Os estados físicos que modificam a percepção sensívelsão a saúde e a doença, o sono e a vigília, a juventude e avelhice, a fome e a saciedade, a embriaguez e asobriedade. Todas essas condições do corpo mudamcompletamente a natureza das imagens mentais,produzindo diferentes juízos sobre a cor, o gosto, atemperatura dos objetos, e sobre a natureza dos sons.Um homem que está adormecido encontra-se num167 Ueberweg, Op. cit. 195.168 Adv. Math. VII, 354.169 Hip. I, 98-99.170 Hip. I, 100.
  56. 56. 58mundo diferente daquele em que se encontra alguémacordado, a existência de ambos os mundos sendorelativa à condição de estar acordado ou dormindo 171 . Os estados subjetivos que Sexto menciona aquicomo modificando o caráter das representações mentaissão ódio ou amor, coragem ou medo, tristeza ou alegria esanidade ou demência 172 . Nenhum homem jamais seencontra duas vezes exatamente na mesma condiçãocorporal ou mental, e nunca é capaz de examinar asdiferenças de suas ideias em sua totalidade, pois somenteas do momento presente são suscetíveis de cuidadosoexame 173 . Além disso, ninguém está livre da influênciade todas as condições corporais ou mentais, de modo aser imparcial ao julgar suas ideias, e não se podeestabelecer nenhum critério passível de ser demonstradocomo verdadeiro, mas, pelo contrário, seja qual for ocurso perseguido sobre o assunto, tanto o critério como aprova, cairá no circulus in probando, pois a verdade doprimeiro baseia-se na verdade da segunda, e vice-versa 174 . Diógenes fornece em parte os mesmos exemplosdesse tropo, mas de uma forma mais resumida. Acaracterística marcante dessa série de raciocínios é atentativa de provar que as condições anormais sãotambém naturais. Referindo-se primeiramente aosestados corporais e mentais contrários, que tambémmudam o caráter da percepção sensível, Sexto osclassifica, de acordo com o uso popular, como kat¦171 Hip. I, 104.172 Hip. I, 100.173 Hip. I, 112.174 Hip. I, 117.
  57. 57. 59fÚsin e par¦ fÚsin. Essa distinção era uma distinçãoimportante, mesmo em Aristóteles, e foi especialmentedesenvolvida pelos estóicos 175 num sentido mais amplodo que aquele que se referia meramente à saúde e àdoença. Os estóicos, entretanto, consideraram somenteas condições normais como sendo de acordo com anatureza. Sexto, ao contrário, declara que estadosanormais são também condições em conformidade coma natureza 176 , e exatamente como aqueles que têm saúdeestão num estado que é natural àqueles que têm saúde,da mesma forma também aqueles que não têm saúdeestão num estado que é natural àqueles que não têmsaúde, e sob certo ponto de vista em conformidade coma natureza. A existência, então, e a não existência, nãosão absolutas, mas relativas, e o mundo do sono existe deuma maneira tão verdadeira para aqueles que estãoadormecidos quanto as coisas que existem no estado devigília existem, embora elas não existam no sono 177 .Uma representação mental, portanto, não pode serjulgada por outra, a qual se encontra também numestado de relação com condições físicas e mentaisexistentes. Diógenes expressa esse princípio ainda maisclaramente em sua exposição desse tropo. “Os loucosnão se encontram numa condição contrária à natureza;por que seu estado seria mais contrário que o nosso? Poisnós também vemos o sol como se ele estivesseparado” 178 . Além disso, em diferentes períodos da vida as175 Dióg. VII, 1, 86.176 Hip. I, 103.177 Hip. I, 104.178 Dióg. IX, 11, 82.
  58. 58. 60ideias variam. As crianças gostam de bolas e bambolês,ao passo que os jovens preferem outras coisas, e osadultos ainda outras 179 . A sabedoria contida nesse tropocom referência ao valor relativo das coisas mais desejadasnão é original de Sexto, mas encontra-se nosensinamentos éticos mais importantes dos autoresantigos. Sexto, entretanto, não tira qualquer conclusãomoral desse raciocínio, mas apenas o emprega como umargumento para a ™poc». O quinto tropo. Esse tropo deixa de lado adiscussão da dependência das ideias da natureza física eocupa-se com a influência do meio sobre elas. Eleconsidera que a diferença entre as ideias depende daposição, distância e lugar dos objetos, tomando, assim,aparentemente, sua real existência como garantida. Ascoisas mudam sua forma e aparência de acordo com adistância a partir da qual são observadas, e a posição emque se encontram 180 . A mesma luz ou som muda decididamente emdiferentes ambientes. A perspectiva nas pinturas dependedo ângulo de colocação do quadro. 181 Em Diógenes essetropo é o sétimo 182 , e a exposição que ele faz dele ésimilar à de Sexto, mas, como usualmente, maisresumida. Tanto Sexto como Diógenes fornecem oexemplo 183 do pescoço da pomba, o qual varia de cor emdiferentes graus de inclinação – um exemplo usado por179 Hip. I, 106.180 Hip. I, 118.181 Hip. I, 120.182 Dióg. IX, 11, 85.183 Hip. I, 120; Dióg. IX, 11, 86.
  59. 59. 61Protágoras também para provar a relatividade dapercepção por meio dos sentidos. “O pescoço preto dapomba na sombra parece preto, mas à luz, claro ebrilhante” 184 . Portanto, uma vez que todos os fenômenossão observados num certo lugar, de uma determinadadistância e em conformidade com uma certa posição, eque cada uma dessas relações produz uma grandediferença em relação às imagens mentais, seremosobrigados também por esse tropo a chegar à suspensãodo juízo 185 . O sexto tropo. Esse tropo conduz à ™poc» quantoà natureza dos objetos, porque nenhum objeto jamaispode ser apresentado aos órgãos dos sentidosdiretamente, mas deve sempre ser percebido através dealgum meio, ou em alguma mistura 186 . Essa misturapode ser uma mistura externa, relacionada àtemperatura, ou à densidade do ar, ou da água 187 quecircunda o objeto, ou pode ser uma mistura resultantedos diferentes humores dos órgãos dos sentidos 188 . Umhomem com icterícia, por exemplo, vê as coresdiferentemente de uma pessoa saudável. O exemplo daicterícia é um exemplo favorito dos céticos. Diógenes oemprega várias vezes em sua apresentação do ceticismo, eele aparece em todos os escritos de Sexto, como umexemplo, em oito diferentes passagens 189 . A condição do184 Schol. zu Arist. 60, 18, ed. Brandis; Pappen. Er. Pyrr. Grundzüge, p. 54.185 Hip. I, 121.186 Hip. I, 124.187 Hip. I, 125.188 Hip. I, 126.189 Ver o Index da edição de Sexto, de Bekker.
  60. 60. 62órgão do ¹gemonikÒn, ou a faculdade de julgar, podetambém causar misturas. Pappenheim pensa que temosaqui a ideia de Kant de a priori, só que sobre umfundamento materialista 190 . Um exame cuidadoso dapassagem, entretanto, revela-nos que o pensamento deSexto está mais em conformidade com as descobertas dapsiquiatria moderna do que com a filosofia de Kant. Se afrase ‡swj d kaˆ aÜth (¹ di£noia) ™pimix…an tin¦„d…an poie‹tai prÕj t¦ ØpÕ tîn a„sq»sewn¢naggellÒmena 191 , estivesse sozinha, sem explicaçãoadicional, poderia bem referir-se às leis a priori dopensamento, mas a explicação que se segue, ao começarcom “porque”, torna isso impossível 192 . “Porque em cadaum dos lugares onde os dogmáticos pensam que afaculdade de julgar se encontra, percebemos a presençade certos humores, que são a causa das misturas.” Sextonão avança qualquer opinião em relação ao lugar dafaculdade de julgar no corpo, que é, de acordo com osestóicos, a parte principal da alma, onde as ideias, osdesejos e o raciocínio se originam 193 , mas simplesmentese refere às duas teorias dos dogmáticos que alegam, deum lado, que ela se situa no cérebro e, de outro lado, queela se situa no coração 194 . Ele aborda de maneira maiscompleta esse assunto em sua obra contra os lógicos 195 .Entretanto, como ele baseia seu argumento – ao discutiras possíveis misturas intelectuais no exemplo do sexto190 Papp. Er. Pyr. Gr. p. 55.191 Hip. I, 128.192 Hip. I, 128.193 Dióg. VII, 1, 159.194 Hip. I, 128.195 Adv. Math. VII, 313.
  61. 61. 63tropo –, inteiramente na condição do órgão do intelecto,é evidente que sua teoria da alma era uma teoriamaterialista. O sétimo tropo. Esse tropo, baseado nasquantidades e composições dos objetos, é ilustrado pelosexemplos de diferentes tipos de comidas, bebidas emedicamentos, mostrando os diferentes efeitos conformea quantidade tomada, visto que a nocividade e autilidade de muitas coisas depende de sua quantidade. Ascoisas atuam diferentemente sobre os sentidos seaplicadas em pequenas ou em grandes quantidades,como as limalhas de metal ou de chifre, e grãos de areiaseparados, têm uma cor diferente e uma sensaçãosemelhante quando tomadas na forma sólida 196 . Oresultado é que as ideias variam segundo a composiçãodo objeto, e esse tropo também traz perplexidade quantoà existência dos objetos externos e nos leva a suspendernossa opinião em relação a eles 197 . Esse tropo é ilustradopor Diógenes com excessiva brevidade 198 . O oitavo tropo. O tropo baseado na relaçãocontém, como Sexto corretamente observa, a essênciados outros nove 199 , pois a afirmação geral da relatividadedo conhecimento inclui as outras afirmações feitas. Odestaque que Sexto dá a esse tropo na sua introdução aosdez tropos nos leva a esperar aqui novos exemplos eacréscimos 200 de argumentos para a ™poc». Nãoencontramos, entretanto, nada disso, mas simplesmente196 Hip. I, 129-131.197 Hip. I, 134.198 Dióg. IX, 11, 86.199 Hip. I, 39.200 Hip. I, 135-140.
  62. 62. 64uma afirmação de que todas as coisas estão relacionadasde uma de duas maneiras: ou diretamente, ou comosendo uma parte de uma diferença. Esses dois tipos derelação são aplicados por Protágoras e poderiam ter sidousados com proveito na introdução aos tropos, ou nofinal, para provar que todos os outros eram realmentesubordinados ao oitavo. O raciocínio é, entretanto,simplesmente aplicado à relação dos objetos uns com osoutros, e nada é acrescentado que não seja encontradoem outro lugar como um argumento a favor da™poc» 201 . Esse tropo é o décimo em Diógenes, e elereforça seu raciocínio quanto ao mesmo com umaafirmação que Sexto não faz diretamente, ou seja, quetudo existe em relação ao entendimento 202 . O nono tropo. Este é baseado na freqüência eraridade dos acontecimentos e refere-se a algunsfenômenos da natureza, tais como o nascimento do sol, eo mar, que não são mais causa de espanto, ao passo queum cometa ou um terremoto constituem motivo deespanto para aqueles que não estão acostumados comeles 203 . O valor dos objetos também depende de suararidade, como, por exemplo, o valor do ouro 204 . Alémdisso, as coisas podem ser valiosas numa época, e emoutra não, segundo a freqüência e a raridade daocorrência 205 . Por conseguinte, esse tropo também201 Hip. I, 135-140.202 Dióg. IX, 11, 88.203 Hip. I, 141-142.204 Hip. I, 143.205 Hip. I, 144.
  63. 63. 65conduz à ™poc». Diógenes fornece somente doisexemplos para esse tropo, o do sol e o do terremoto 206 . O décimo tropo. Nós já comentamos a respeito dadiferença na natureza do décimo tropo, na medida emque ele se ocupa, não com as ideias dos objetos, como osoutros nove tropos, mas com as opiniões filosóficas ereligiosas e com questões sobre o certo e o errado. Erabem conhecido o intuito dos céticos de submeter-se àsleis e aos costumes do país em que eles se encontravam, econformar-se a certos ensinamentos morais e cerimôniasreligiosas; isso eles fizeram sem afirmar ou negar averdade dos princípios sobre os quais esses ensinamentosestavam baseados 207 , e também sem qualquer paixão ouforte sentimento em relação a eles 208 , pois em si mesmonada pode ser considerado bom ou mau. O décimotropo, portanto, chama a atenção para as contradiçõesnos costumes, nas leis e nas crenças adotadas emdiferentes países para mostrar que elas são tambémvariáveis e relativas, e não possuem valor absoluto. Aideia central desse tropo é apresentada duas vezes porDiógenes, uma vez, como afirmamos antes, em suaintrodução 209 à vida de Pirro, e também como um dostropos 210 . Como ele é aparentemente um dos troposmais antigos, deve naturalmente ter sido muito usadonas discussões com os estóicos, cuja filosofia tinha umsignificado ético muito amplo, e deve também terocupado um importante lugar na escola cética em todas206 Dióg. IX, 11, 87.207 Hip. I, 24.208 Hip. III, 235.209 Dióg. IX, 11, 61.210 Dióg. IX, 11, 83.
  64. 64. 66as discussões metafísicas e filosóficas. Fabricius pensa quea definição dada por Sexto no início da exposição dessetropo 211 foi tomada de Aristóteles, das escolas, das leis,dos costumes, das crenças míticas e das opiniõesdogmáticas 212 , e a definição que Diógenes fornece da leiem sua vida de Platão 213 é semelhante. Pappenheim,entretanto, pensa que elas foram tomadas dos estóicos,talvez de Crisipo 214 . O argumento baseia-se nasdiferenças no desenvolvimento do pensamento, queafetam os pontos de vista das opiniões na filosofia, namoral e na religião, e cujos resultados encontramosamplamente nas escolas filosóficas antagônicas, navariedade de crenças religiosas e nas leis e costumes dediferentes países. Portanto, as decisões alcançadas nomundo do pensamento deixam-nos igualmente emdúvida quanto ao valor absoluto de quaisquer padrões,em relação àqueles obtidos por meio da percepçãosensível, e o conflito universal de opiniões relativamentea todas as questões da filosofia e da ética nos levatambém, conforme esse tropo, à suspensão de juízo 215 .Esse tropo é o quinto conforme apresentado porDiógenes, que o colocou imediatamente depois dosprimeiros quatro que se referem mais particularmente aodesenvolvimento humano 216 , ao passo que Sexto oemprega como o último, talvez por pensar que umargumento baseado nos elevados poderes do homem211 Hip. I, 145-147.212 Fabricius, Cap. IV, H.213 Dióg. III. 86.214 Pappenheim, Gr. Pyrr. Grundzüge, p. 50.215 Hip. I, 163.216 Dióg. IX, 11, 83.
  65. 65. 67merece o último lugar, ou é a soma de todos os demaisargumentos. Seguindo a exposição dos dez tropos dos céticosantigos, Sexto apresenta os cinco tropos que ele atribuiaos “céticos mais recentes” 217 . Sexto em nenhum lugarmenciona o autor desses tropos. Diógenes, entretanto, osatribui a Agripa, de quem nada sabemos exceto que émencionado por Diógenes. Ele foi, evidentemente, umdos seguidores de Enesidemo e um sábio influente naEscola cética, que deve ter tido, ele mesmo, discípulos,pois Diógenes diz: oƒ perˆ Agr…ppan 218 acrescentarama estes outros cinco tropos, usando o verbo no plural.Outro cético, também mencionado por Diógenes, e umhomem desconhecido de outras fontes, intitulou algunsde seus livros em homenagem a Agripa 219 . Agripa não éincluído por Diógenes na lista dos líderes da Escolacética, mas 220 a sua influência no desenvolvimento dopensamento da escola deve ter sido grande, pois atransição dos dez tropos dos “céticos antigos” para oscinco atribuídos a Agripa é algo marcante e revela aintrodução na escola de um poder lógico antesdesconhecido nela. Esses últimos tropos não constituemuma redução dos tropos de Enesidemo, mas são escritosde um ponto de vista inteiramente diferente. Os deztropos são empíricos, e visam fornecer provas objetivasdas ideias centrais do pirronismo, ao passo que os cincosão mais propriamente regras de pensamento que217 Hip. I, 164.218 Dióg. IX, 11, 88.219 Dióg. IX, 11, 106.220 Dióg. IX, 12, 115-116.

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