Sócrates platão e aristóteles

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Sócrates platão e aristóteles

  1. 1. SÓCRATES, PLATÃO E ARISTÓTELES preparando-se para o passo extremo em palestras espirituais com os amigos. Especialmente famoso é o diálogo sobre a imortalidade Disciplina: Filosofia – Prof. Wagno O. de Souza da alma - que se teria realizado pouco antes da morte e foi descrito por Platão no Fédon com arte incomparável. Suas últimas palavras Sócrates dirigidas aos discípulos, depois de ter sorvido tranqüilamente a cicuta, foram: "Devemos um galo a Esculápio". É que o deus da A Vida medicina tinha-o livrado do mal da vida com o dom da morte. Nasceu Sócrates em 470 ou 469 a.C., em Atenas, filho de Morreu Sócrates em 399 a.C. com 71 anos de idade.Sofrônico, escultor, e de Fenáreta, parteira. Aprendeu a arte Método de Sócratespaterna, mas dedicou-se inteiramente à meditação e ao ensinofilosófico. Desempenhou alguns cargos políticos, formou a sua É a parte polêmica. Insistindo no perpétuo fluxo das coisas einstrução sobretudo através da reflexão pessoal, na moldura da alta na variabilidade extrema das impressões sensitivas determinadascultura ateniense da época, em contato com o que de mais ilustre pelos indivíduos que de contínuo se transformam, concluíram oshouve na cidade de Péricles. sofistas pela impossibilidade absoluta e objetiva do saber. Sócrates restabelece-lhe a possibilidade, determinando o verdadeiro objeto Entretanto, a liberdade de seus discursos, a sua atitude da ciência.crítica, irônica e a conseqüente educação por ele ministrada,criaram descontentamento geral, inimizades pessoais, apesar de O objeto da ciência não é o sensível, o particular, o indivíduosua probidade. Diante da tirania popular, bem como de certos que passa; é o inteligível, o conceito que se exprime pela definição.elementos racionários, aparecia Sócrates como chefe de uma Este conceito ou idéia geral obtém-se por um processo dialético poraristocracia intelectual. Esse estado de ânimo hostil a Sócrates ele chamado indução e que consiste em comparar vários indivíduosconcretizou-se, tomou forma jurídica, na acusação movida contra da mesma espécie, eliminar-lhes as diferenças individuais, asele por Mileto, Anito e Licon: de corromper a mocidade e negar os qualidades mutáveis e reter-lhes o elemento comum, estável,deuses da pátria introduzindo outros. Sócrates desdenhou permanente, a natureza, a essência da coisa. Por onde se vê que adefender-se diante dos juizes e da justiça humana, humilhando-se e indução socrática não tem o caráter demonstrativo do modernodesculpando-se mais ou menos. Tinha ele diante dos olhos da alma processo lógico, que vai do fenômeno à lei, mas é um meio denão uma solução empírica para a vida terrena, e sim o juízo eterno generalização, que remonta do indivíduo à noção universal.da razão, para a imortalidade. E preferiu a morte. Declarado Praticamente, na exposição polêmica e didática destasculpado por uma pequena minoria, assentou-se com indômita idéias, Sócrates adotava sempre o diálogo, que revestia umafortaleza de ânimo diante do tribunal, que o condenou à pena dúplice forma, conforme se tratava de um adversário a confutar oucapital com o voto da maioria. de um discípulo a instruir. No primeiro caso, assumia humildemente Tendo que esperar mais de um mês a morte no cárcere - a atitude de quem aprende e ia multiplicando as perguntas atépois uma lei vedava as execuções capitais durante a viagem votiva colher o adversário presunçoso em evidente contradição ede um navio a Delos - o discípulo Criton preparou e propôs a fuga constrangê-lo à confissão humilhante de sua ignorância. É a ironiaao Mestre. Sócrates, porém, recusou, declarando não querer socrática. No segundo caso, tratando-se de um discípulo (e eraabsolutamente desobedecer às leis da pátria. E passou o tempo muitas vezes o próprio adversário vencido), multiplicava ainda as perguntas, dirigindo-as agora ao fim de obter, por indução dos
  2. 2. casos particulares e concretos, um conceito, uma definição geral do de preâmbulo, a teodicéia de estímulo à virtude e de naturalobjeto em questão. A este processo pedagógico, em memória da complemento da ética.profissão materna, denominava ele maiêutica ou engenhosa Em psicologia, Sócrates professa a espiritualidade eobstetrícia do espírito, que facilitava a parturição das idéias. imortalidade da alma, distingue as duas ordens de conhecimento, Doutrinas Filosóficas sensitivo e intelectual, mas não define o livre arbítrio, identificando a vontade com a inteligência. A introspecção é o característico da filosofia de Sócrates. Eexprime-se no famoso lema conhece-te a ti mesmo - isto é, torna-te Em teodicéia, estabelece a existência de Deus: a) com oconsciente de tua ignorância - como sendo o ápice da sabedoria, argumento teológico, formulando claramente o princípio: tudo o queque é o desejo da ciência mediante a virtude. E alcançava em é adaptado a um fim é efeito de uma inteligência; b) com oSócrates intensidade e profundidade tais, que se concretizava, se argumento, apenas esboçado, da causa eficiente: se o homem épersonificava na voz interior divina do gênio ou demônio. inteligente, também inteligente deve ser a causa que o produziu; c) com o argumento moral: a lei natural supõe um ser superior ao Como é sabido, Sócrates não deixou nada escrito. As homem, um legislador, que a promulgou e sancionou. Deus não sónotícias que temos de sua vida e de seu pensamento, devemo-las existe, mas é também Providência, governa o mundo comespecialmente aos seus dois discípulos Xenofonte e Platão , defeição intelectual muito diferente. Xenofonte, autor de Anábase, em sabedoria e o homem pode propiciá-lo com sacrifícios e orações.seus Ditos Memoráveis, legou-nos de preferência o aspecto prático Apesar destas doutrinas elevadas, Sócrates aceita em muitos pontos os preconceitos da mitologia corrente que ele aspirae moral da doutrina do mestre. Xenofonte, de estilo simples e reformar.harmonioso, mas sem profundidade, não obstante a sua devoçãopara com o mestre e a exatidão das notícias, não entendeu o Moral. É a parte culminante da sua filosofia. Sócrates ensinapensamento filosófico de Sócrates, sendo mais um homem de ação a bem pensar para bem viver. O meio único de alcançar a felicidadedo que um pensador. Platão, pelo contrário, foi filósofo grande ou semelhança com Deus, fim supremo do homem, é a prática dademais para nos dar o preciso retrato histórico de Sócrates; nem virtude. A virtude adquiri-se com a sabedoria ou, antes, com ela sesempre é fácil discernir o fundo socrático das especulações identifica. Esta doutrina, uma das mais características da moralacrescentadas por ele. Seja como for, cabe-lhe a glória e o socrática, é conseqüência natural do erro psicológico de nãoprivilégio de ter sido o grande historiador do pensamento de distinguir a vontade da inteligência. Conclusão: grandeza moral eSócrates, bem como o seu biógrafo genial. Com efeito, pode-se penetração especulativa, virtude e ciência, ignorância e vício sãodizer que Sócrates é o protagonista de todas as obras platônicas sinônimos. "Se músico é o que sabe música, pedreiro o que sabeembora Platão conhecesse Sócrates já com mais de sessenta anos edificar, justo será o que sabe a justiça".de idade. Sócrates reconhece também, acima das leis mutáveis e "Conhece-te a ti mesmo" - o lema em que Sócrates cifra toda escritas, a existência de uma lei natural - independente do arbítrioa sua vida de sábio. O perfeito conhecimento do homem é o humano, universal, fonte primordial de todo direito positivo,objetivo de todas as suas especulações e a moral, o centro para o expressão da vontade divina promulgada pela voz interna daqual convergem todas as partes da filosofia. A psicologia serve-lhe consciência. 2
  3. 3. Sublime nos lineamentos gerais de sua ética, Sócrates, em uma doutrina ao discente, mas o mestre deve tirá-la da mente doprática, sugere quase sempre a utilidade como motivo e estímulo discípulo, pela razão imanente e constitutiva do espírito humano, ada virtude. Esta feição utilitarista empana-lhe a beleza moral do qual é um valor universal. É a famosa maiêutica de Sócrates, quesistema. declara auxiliar os partos do espírito, como sua mãe auxiliava os partos do corpo. Gnosiologia Esta interioridade do saber, esta intimidade da ciência - que O interesse filosófico de Sócrates volta-se para o mundo não é absolutamente subjetivista, mas é a certeza objetiva dahumano, espiritual, com finalidades práticas, morais. Como os própria razão - patenteiam-se no famoso dito socrático "conhece-tesofistas, ele é cético a respeito da cosmologia e, em geral, a a ti mesmo" que, no pensamento de Sócrates, significarespeito da metafísica; trata-se, porém, de um ceticismo de fato, precisamente consciência racional de si mesmo, para organizarnão de direito, dada a sua revalidação da ciência. A única ciência racionalmente a própria vida. Entretanto, consciência de si mesmopossível e útil é a ciência da prática, mas dirigida para os valores quer dizer, antes de tudo, consciência da própria ignorância inicialuniversais, não particulares. Vale dizer que o agir humano - bem e, portanto, necessidade de superá-la pela aquisição da ciência.como o conhecer humano - se baseia em normas objetivas e Esta ignorância não é, por conseguinte, ceticismo sistemático, mastranscendentes à experiência. O fim da filosofia é a moral; no apenas metódico, um poderoso impulso para o saber, embora oentanto, para realizar o próprio fim, é mister conhecê-lo; para pensamento socrático fique, de fato, no agnosticismo filosófico porconstruir uma ética é necessário uma teoria; no dizer de Sócrates, a falta de uma metafísica, pois, Sócrates achou apenas a formagnosiologia deve preceder logicamente a moral. Mas, se o fim da conceptual da ciência, não o seu conteúdo.filosofia é prático, o prático depende, por sua vez, totalmente, doteorético, no sentido de que o homem tanto opera quanto conhece: O procedimento lógico para realizar o conhecimentovirtuoso é o sábio, malvado, o ignorante. O moralismo socrático é verdadeiro, científico, conceptual é, antes de tudo, a indução: isto é,equilibrado pelo mais radical intelectualismo, racionalismo, que está remontar do particular ao universal, da opinião à ciência, dacontra todo voluntarismo, sentimentalismo, pragmatismo, ativismo. experiência ao conceito. Este conceito é, depois, determinado precisamente mediante a definição, representando o ideal e a A filosofia socrática, portanto, limita-se à gnosiologia e àética, sem metafísica. A gnosiologia de Sócrates, que se conclusão do processo gnosiológico socrático, e nos dá a essência da realidade.concretizava no seu ensinamento dialógico, donde é preciso extraí-la, pode-se esquematicamente resumir nestes pontos A Moralfundamentais: ironia, maiêutica, introspecção, ignorância, indução, Como Sócrates é o fundador da ciência em geral, mediante adefinição. Antes de tudo, cumpre desembaraçar o espírito dos doutrina do conceito, assim é o fundador, em particular da ciênciaconhecimentos errados, dos preconceitos, opiniões; este é o moral, mediante a doutrina de que eticidade significa racionalidade,momento da ironia, isto é, da crítica. Sócrates, de par com os ação racional. Virtude é inteligência, razão, ciência, não sentimento,sofistas, ainda que com finalidade diversa, reivindica a rotina, costume, tradição, lei positiva, opinião comum. Tudo isto temindependência da autoridade e da tradição, a favor da reflexão livre que ser criticado, superado, subindo até à razão, não descendo atée da convicção racional. A seguir será possível realizar o à animalidade - como ensinavam os sofistas. É sabido queconhecimento verdadeiro, a ciência, mediante a razão. Isto quer Sócrates levava a importância da razão para a ação moral atédizer que a instrução não deve consistir na imposição extrínseca de 3
  4. 4. àquele intelectualismo que, identificando conhecimento e virtude - veneranda antigüidade e estabilidade política; a Itália meridional,bem como ignorância e vício - tornava impossível o livre arbítrio. onde teve ocasião de travar relações com os pitagóricos (tal contatoEntretanto, como a gnosiologia socrática carece de uma será fecundo para o desenvolvimento do seu pensamento); aespecificação lógica, precisa - afora a teoria geral de que a ciência Sicília, onde conheceu Dionísio o Antigo, tirano de Siracusa eestá nos conceitos - assim a ética socrática carece de um conteúdo travou amizade profunda com Dion, cunhado daquele. Caído,racional, pela ausência de uma metafísica. Se o fim do homem for o porém, na desgraça do tirano pela sua fraqueza, foi vendido comobem - realizando-se o bem mediante a virtude, e a virtude mediante escravo. Libertado graças a um amigo, voltou a Atenas.o conhecimento - Sócrates não sabe, nem pode precisar este bem, Em Atenas, pelo ano de 387, Platão fundava a sua célebreesta felicidade, precisamente porque lhe falta uma metafísica. escola, que, dos jardins de Academo, onde surgiu, tomou o nomeTraçou, todavia, o itinerário, que será percorrido por Platão e famoso de Academia. Adquiriu, perto de Colona, povoado da Ática,acabado, enfim, por Aristóteles. Estes dois filósofos, partindo dos uma herdade, onde levantou um templo às Musas, que se tornoupressupostos socráticos, desenvolverão uma gnosiologia acabada, propriedade coletiva da escola e foi por ela conservada duranteuma grande metafísica e, logo, uma moral. quase um milênio, até o tempo do imperador Justiniano (529 d.C.). Platão, ao contrário de Sócrates, interessou-se vivamente Platão pela política e pela filosofia política. Foi assim que o filósofo, após a morte de Dionísio o Antigo, voltou duas vezes - em 366 e em 361 - A Vida e as Obras à Dion, esperando poder experimentar o seu ideal político e realizar Diversamente de Sócrates , que era filho do povo, Platão a sua política utopista. Estas duas viagens políticas a Siracusa,nasceu em Atenas, em 428 ou 427 a.C., de pais aristocráticos e porém, não tiveram melhor êxito do que a precedente: a primeiraabastados, de antiga e nobre prosápia. Temperamento artístico e viagem terminou com desterro de Dion; na segunda, Platão foidialético - manifestação característica e suma do gênio grego - deu, preso por Dionísio, e foi libertado por Arquitas e pelos seus amigos,na mocidade, livre curso ao seu talento poético, que o acompanhou estando, então, Arquistas no governo do poderoso estado dedurante a vida toda, manifestando-se na expressão estética de Tarento.seus escritos; entretanto isto prejudicou sem dúvida a precisão e a Voltando para Atenas, Platão dedicou-se inteiramente àordem do seu pensamento, tanto assim que várias partes de suas especulação metafísica, ao ensino filosófico e à redação de suasobras não têm verdadeira importância e valor filosófico. obras, atividade que não foi interrompida a não ser pela morte. Esta Aos vinte anos, Platão travou relação com Sócrates - mais veio operar aquela libertação definitiva do cárcere do corpo, da qualvelho do que ele quarenta anos - e gozou por oito anos do a filosofia - como lemos no Fédon - não é senão uma assíduaensinamento e da amizade do mestre. Quando discípulo de preparação e realização no tempo. Morreu o grande Platão em 348Sócrates e ainda depois, Platão estudou também os maiores pré- ou 347 a.C., com oitenta anos de idade.socráticos. Depois da morte do mestre, Platão retirou-se com outros Platão é o primeiro filósofo antigo de quem possuímos assocráticos para junto de Euclides, em Mégara. obras completas. Dos 35 diálogos, porém, que correm sob o seu Daí deu início a suas viagens, e fez um vasto giro pelo nome, muitos são apócrifos, outros de autenticidade duvidosa.mundo para se instruir (390-388). Visitou o Egito, de que admirou a 4
  5. 5. A forma dos escritos platônicos é o diálogo, transição conhecimento intelectual, conceptual, universal e imutável. Aespontânea entre o ensinamento oral e fragmentário de Sócrates e gnosiologia platônica, porém, tem o caráter científico, filosófico, queo método estritamente didático de Aristóteles. No fundador da falta a gnosiologia socrática, ainda que as conclusões sejam, maisAcademia, o mito e a poesia confundem-se muitas vezes com os ou menos, idênticas. O conhecimento sensível deve ser superadoelementos puramente racionais do sistema. Faltam-lhe ainda o por um outro conhecimento, o conhecimento conceptual, porquantorigor, a precisão, o método, a terminologia científica que tanto no conhecimento humano, como efetivamente, apresentam-secaracterizam os escritos do sábio estagirita. elementos que não se podem explicar mediante a sensação. O conhecimento sensível, particular, mutável e relativo, não pode A atividade literária de Platão abrange mais de cinqüenta explicar o conhecimento intelectual, que tem por sua característicaanos da sua vida: desde a morte de Sócrates , até a sua morte. A a universalidade, a imutabilidade, o absoluto (do conceito); e aindaparte mais importante da atividade literária de Platão érepresentada pelos diálogos - em três grupos principais, segundo menos pode o conhecimento sensível explicar o dever ser, os valores de beleza, verdade e bondade, que estão efetivamentecerta ordem cronológica, lógica e formal, que representa a evolução presentes no espírito humano, e se distinguem diametralmente dedo pensamento platônico, do socratismo ao aristotelismo . seus opostos, fealdade, erro e mal-posição e distinção que o O Pensamento: A Gnosiologia sentido não pode operar por si mesmo. Como já em Sócrates, assim em Platão a filosofia tem um fim Segundo Platão, o conhecimento humano integral ficaprático, moral; é a grande ciência que resolve o problema da vida. nitidamente dividido em dois graus: o conhecimento sensível,Este fim prático realiza-se, no entanto, intelectualmente, através da particular, mutável e relativo, e o conhecimento intelectual,especulação, do conhecimento da ciência. Mas - diversamente de universal, imutável, absoluto, que ilumina o primeiro conhecimento,Sócrates, que limitava a pesquisa filosófica, conceptual, ao campo mas que dele não se pode derivar. A diferença essencial entre oantropológico e moral - Platão estende tal indagação ao campo conhecimento sensível, a opinião verdadeira e o conhecimentometafísico e cosmológico, isto é, a toda a realidade. intelectual, racional em geral, está nisto: o conhecimento sensível, Este caráter íntimo, humano, religioso da filosofia, em Platão embora verdadeiro, não sabe que o é, donde pode passaré tornado especialmente vivo, angustioso, pela viva sensibilidade indiferentemente o conhecimento diverso, cair no erro sem o saber;do filósofo em face do universal vir-a-ser, nascer e perecer de todas ao passo que o segundo, além de ser um conhecimento verdadeiro,as coisas; em face do mal, da desordem que se manifesta em sabe que o é, não podendo de modo algum ser substituído por umespecial no homem, onde o corpo é inimigo do espírito, o sentido se conhecimento diverso, errôneo. Poder-se-ia também dizer que oopõe ao intelecto, a paixão contrasta com a razão. Assim, primeiro sabe que as coisas estão assim, sem saber porque oconsidera Platão o espírito humano peregrino neste mundo e estão, ao passo que o segundo sabe que as coisas devem estarprisioneiro na caverna do corpo. Deve, pois, transpor este mundo e necessariamente assim como estão, precisamente porque élibertar-se do corpo para realizar o seu fim, isto é, chegar à ciência, isto é, conhecimento das coisas pelas causas.contemplação do inteligível, para o qual é atraído por um amor Sócrates estava convencido, como também Platão, de que onostálgico, pelo eros platônico. saber intelectual transcende, no seu valor, o saber sensível, mas Platão como Sócrates, parte do conhecimento empírico, julgava, todavia, poder construir indutivamente o conceito dasensível, da opinião do vulgo e dos sofistas, para chegar ao sensação, da opinião; Platão, ao contrário, não admite que da 5
  6. 6. sensação - particular, mutável, relativa - se possa de algum modo conceitos subjetivos que as representam. Estas realidadestirar o conceito universal, imutável, absoluto. E, desenvolvendo, chamam-se Idéias. As idéias não são, pois, no sentido platônico,exagerando, exasperando a doutrina da maiêutica socrática, diz representações intelectuais, formas abstratas do pensamento, sãoque os conceitos são a priori, inatos no espírito humano, donde têm realidades objetivas, modelos e arquétipos eternos de que asde ser oportunamente tirados, e sustenta que as sensações coisas visíveis são cópias imperfeitas e fugazes. Assim a idéia decorrespondentes aos conceitos não lhes constituem a origem, e sim homem é o homem abstrato perfeito e universal de que osa ocasião para fazê-los reviver, relembrar conforme a lei da indivíduos humanos são imitações transitórias e defeituosas.associação. Todas as idéias existem num mundo separado, o mundo dos Aqui devemos lembrar que Platão, diversamente de inteligíveis, situado na esfera celeste. A certeza da sua existênciaSócrates, dá ao conhecimento racional, conceptual, científico, uma funda-a Platão na necessidade de salvar o valor objetivo dosbase real, um objeto próprio: as idéias eternas e universais, que nossos conhecimentos e na importância de explicar os atributos dosão os conceitos, ou alguns conceitos da mente, personalizados. ente de Parmênides , sem, com ele, negar a existência do fieri. TalDo mesmo modo, dá ao conhecimento empírico, sensível, à opinião a célebre teoria das idéias, alma de toda filosofia platônica, centroverdadeira, uma base e um fundamento reais, um objeto próprio: as em torno do qual gravita todo o seu sistema.coisas particulares e mutáveis, como as concebiam Heráclito e os A Metafísicasofistas . Deste mundo material e contigente, portanto, não háciência, devido à sua natureza inferior, mas apenas é possível, no As Idéiasmáximo, um conhecimento sensível verdadeiro - opinião verdadeira O sistema metafísico de Platão centraliza-se e culmina no- que é precisamente o conhecimento adequado à sua natureza mundo divino das idéias; e estas contrapõe-se a matéria obscura einferior. Pode haver conhecimento apenas do mundo imaterial e incriada. Entre as idéias e a matéria estão o Demiurgo e as almas,racional das idéias pela sua natureza superior. Este mundo ideal, através de que desce das idéias à matéria aquilo de racionalidaderacional - no dizer de Platão - transcende inteiramente o mundo que nesta matéria aparece.empírico, material, em que vivemos. O divino platônico é representado pelo mundo das idéias e Teoria das Idéias especialmente pela idéia do Bem, que está no vértice. A existência Sócrates mostrara no conceito o verdadeiro objeto da desse mundo ideal seria provada pela necessidade de estabelecerciência. Platão aprofunda-lhe a teoria e procura determinar a uma base ontológica, um objeto adequado ao conhecimentorelação entre o conceito e a realidade fazendo deste problema o conceptual. Esse conhecimento, aliás, se impõe ao lado e acima doponto de partida da sua filosofia. conhecimento sensível, para poder explicar verdadeiramente o conhecimento humano na sua efetiva realidade. E, em geral, o A ciência é objetiva; ao conhecimento certo deve mundo ideal é provado pela necessidade de justificar os valores, ocorresponder a realidade. Ora, de um lado, os nossos conceitos dever ser, de que este nosso mundo imperfeito participa e a quesão universais, necessários, imutáveis e eternos (Sócrates), do aspira.outro, tudo no mundo é individual, contigente e transitório(Heráclito). Deve, logo, existir, além do fenomenal, um outro mundo Visto serem as idéias conceitos personalizados, transferidosde realidades, objetivamente dotadas dos mesmos atributos dos da ordem lógica à ontológica, terão consequentemente as 6
  7. 7. características dos próprios conceitos: transcenderão a experiência, ser da experiência. Da matéria - indeterminada, informe, mutável,serão universais, imutáveis. Além disso, as idéias terão aquela irracional, passiva, espacial - depende, ao contrário, tudo que há demesma ordem lógica dos conceitos, que se obtém mediante a negativo na experiência.divisão e a classificação, isto é, são ordenadas em sistema Consoante a astronomia platônica, o mundo, o universohierárquico, estando no vértice a idéia do Bem, que é papel da sensível, são esféricos. A terra está no centro, em forma de esferadialética (lógica real, ontológica) esclarecer. Como a multiplicidade e, ao redor, os astros, as estrelas e os planetas, cravados emdos indivíduos é unificada nas idéias respectivas, assim a esferas ou anéis rodantes, transparentes, explicando-se destemultiplicidade das idéias é unificada na idéia do Bem. Logo, a idéia modo o movimento circular deles.do Bem, no sistema platônico, é a realidade suprema, dondedependem todas as demais idéias, e todos os valores (éticos, No seu conjunto, o mundo físico percorre uma grandelógicos e estéticos) que se manifestam no mundo sensível; é o ser evolução, um ciclo de dez mil anos, não no sentido do progresso,sem o qual não se explica o vir-a-ser. Portanto, deveria representar mas no da decadência, terminados os quais, chegado o grande anoo verdadeiro Deus platônico. No entanto, para ser verdadeiramente do mundo, tudo recomeça de novo. É a clássica concepção gregatal, falta-lhe a personalidade e a atividade criadora. Desta do eterno retorno, conexa ao clássico dualismo grego, que dominapersonalidade e atividade criadora - ou, melhor, ordenadora - é, também a grande concepção platônica.pelo contrário, dotado o Demiurgo o qual, embora superior àmatéria, é inferior às idéias, de cujo modelo se serve para ordenar amatéria e transformar o caos em cosmos. Aristóteles O Mundo A Vida e as Obras O mundo material, o cosmos platônico, resulta da síntese de Este grande filósofo grego, filho de Nicômaco, médico dedois princípios opostos, as idéias e a matéria. O Demiurgo plasma o Amintas, rei da Macedônia, nasceu em Estagira, colônia grega dacaos da matéria no modelo das idéias eternas, introduzindo no caos Trácia, no litoral setentrional do mar Egeu, em 384 a.C. Aos dezoitoa alma, princípio de movimento e de ordem. O mundo, pois, está anos, em 367, foi para Atenas e ingressou na academia platônica,entre o ser (idéia) e o não-ser (matéria), e é o devir ordenado, como onde ficou por vinte anos, até à morte do Mestre. Nesse períodoo adequado conhecimento sensível está entre o saber e o não- estudou também os filósofos pré-platônicos, que lhe foram úteis nasaber, e é a opinião verdadeira. Conforme a cosmologia construção do seu grande sistema.pampsiquista platônica, haveria, antes de tudo, uma alma do Em 343 foi convidado pelo Rei Filipe para a corte demundo e, depois, partes da alma, dependentes e inferiores, a Macedônia, como preceptor do Príncipe Alexandre, então jovem desaber, as almas dos astros, dos homens, etc. treze anos. Aí ficou três anos, até à famosa expedição asiática, O dualismo dos elementos constitutivos do mundo material conseguindo um êxito na sua missão educativo-política, que Platãoresulta do ser e do não-ser, da ordem e da desordem, do bem e do não conseguiu, por certo, em Siracusa. De volta a Atenas, em 335,mal, que aparecem no mundo. Da idéia - ser, verdade, bondade, treze anos depois da morte de Platão, Aristóteles fundava, perto dobeleza - depende tudo quanto há de positivo, de racional no vir-a- templo de Apolo Lício, a sua escola. Daí o nome de Liceu dado à 7
  8. 8. sua escola, também chamada peripatética devido ao costume de escritos que dele ainda nos restam, poder-se-á avaliar a suadar lições, em amena palestra, passeando nos umbrosos caminhos prodigiosa atividade literária". A primeira edição completa das obrasdo ginásio de Apolo. Esta escola seria a grande rival e a verdadeira de Aristóteles é a de Andronico de Rodes pela metade do últimoherdeira da velha e gloriosa academia platônica. Morto Alexandre século a.C. substancialmente autêntica, salvo uns apócrifos e umasem 323, desfez-se politicamente o seu grande império e interpolações. Aqui classificamos as obras doutrinais de Aristótelesdespertaram-se em Atenas os desejos de independência, do modo seguinte, tendo presente a edição de Andronico de Rodes.estourando uma reação nacional, chefiada por Demóstenes. I. Escritos lógicos: cujo conjunto foi denominado ÓrganonAristóteles, malvisto pelos atenienses, foi acusado de ateísmo. mais tarde, não por Aristóteles. O nome, entretanto, correspondePreveniu ele a condenação, retirando-se voluntariamente para muito bem à intenção do autor, que considerava a lógicaEubéia, Aristóteles faleceu, após enfermidade, no ano seguinte, no instrumento da ciência.verão de 322. Tinha pouco mais de 60 anos de idade. A respeito docaráter de Aristóteles, inteiramente recolhido na elaboração crítica II. Escritos sobre a física: abrangendo a hodiernado seu sistema filosófico, sem se deixar distrair por motivos práticos cosmologia e a antropologia, e pertencentes à filosofia teorética,ou sentimentais, temos naturalmente muito menos a revelar do que juntamente com a metafísica.em torno do caráter de Platão, em que, ao contrário, os motivos III. Escritos metafísicos: a Metafísica famosa, em catorzepolíticos, éticos, estéticos e místicos tiveram grande influência. Do livros. É uma compilação feita depois da morte de Aristótelesdiferente caráter dos dois filósofos, dependem também as mediante seus apontamentos manuscritos, referentes à metafísicavicissitudes exteriores das duas vidas, mais uniforme e linear a de geral e à teologia. O nome de metafísica é devido ao lugar que elaAristóteles, variada e romanesca a de Platão. Aristóteles foi ocupa na coleção de Andrônico, que a colocou depois da física.essencialmente um homem de cultura, de estudo, de pesquisas, depensamento, que se foi isolando da vida prática, social e política, IV. Escritos morais e políticos: a Ética a Nicômaco, em dezpara se dedicar à investigação científica. A atividade literária de livros, provavelmente publicada por Nicômaco, seu filho, ao qual éAristóteles foi vasta e intensa, como a sua cultura e seu gênio dedicada; a Ética a Eudemo, inacabada, refazimento da ética deuniversal. "Assimilou Aristóteles escreve magistralmente Leonel Aristóteles, devido a Eudemo; a Grande Ética, compêndio das duasFranca todos os conhecimentos anteriores e acrescentou-lhes o precedentes, em especial da segunda; a Política, em oito livros,trabalho próprio, fruto de muita observação e de profundas incompleta.meditações. Escreveu sobre todas as ciências, constituindo V. Escritos retóricos e poéticos: a Retórica, em três livros;algumas desde os primeiros fundamentos, organizando outras em a Poética, em dois livros, que, no seu estado atual, é apenas umacorpo coerente de doutrinas e sobre todas espalhando as luzes de parte da obra de Aristóteles. As obras de Aristóteles as doutrinassua admirável inteligência. Não lhe faltou nenhum dos dotes e que nos restam - manifestam um grande rigor científico, semrequisitos que constituem o verdadeiro filósofo: profundidade e enfeites míticos ou poéticos, exposição e expressão breve e aguda,firmeza de inteligência, agudeza de penetração, vigor de raciocínio, clara e ordenada, perfeição maravilhosa da terminologia filosófica,poder admirável de síntese, faculdade de criação e invenção de que foi ele o criador.aliados a uma vasta erudição histórica e universalidade deconhecimentos científicos. O grande estagirita explorou o mundo dopensamento em todas as suas direções. Pelo elenco dos principais 8
  9. 9. O Pensamento: A Gnosiologia precisamente este processo de derivação ideal, que corresponde a Segundo Aristóteles, a filosofia é essencialmente teorética: uma derivação real. A lógica aristotélica, portanto, bem como adeve decifrar o enigma do universo, em face do qual a atitude inicial platônica, é essencialmente dedutiva, demonstrativa, apodíctica. O seu processo característico, clássico, é o silogismo. Os elementosdo espírito é o assombro do mistério. O seu problema fundamental primeiros, os princípios supremos, as verdades evidentes,é o problema do ser, não o problema da vida. O objeto próprio da consoante Platão, são fruto de uma visão imediata, intuiçãofilosofia, em que está a solução do seu problema, são as essências intelectual, em relação com a sua doutrina do contato imediato daimutáveis e a razão última das coisas, isto é, o universal e o alma com as idéias - reminiscência. Segundo Aristóteles,necessário, as formas e suas relações. Entretanto, as formas são entretanto, de cujo sistema é banida toda forma de inatismo,imanentes na experiência, nos indivíduos, de que constituem a também os elementos primeiros do conhecimento - conceito eessência. A filosofia aristotélica é, portanto, conceptual como a de juízos - devem ser, de um modo e de outro, tirados da experiência,Platão mas parte da experiência; é dedutiva, mas o ponto de da representação sensível, cuja verdade imediata ele defende,partida da dedução é tirado - mediante o intelecto da experiência. Afilosofia, pois, segundo Aristóteles, dividir-se-ia em teorética, prática porquanto os sentidos por si nunca nos enganam. O erro começae poética, abrangendo, destarte, todo o saber humano, racional. A de uma falsa elaboração dos dados dos sentidos: a sensação,teorética, por sua vez, divide-se em física, matemática e filosofia como o conceito, é sempre verdadeira. Por certo, metafisicamente,primeira (metafísica e teologia); a filosofia prática divide-se em ética ontologicamente, o universal, o necessário, o inteligível, é anteriore política; a poética em estética e técnica. Aristóteles é o criador da ao particular, ao contigente, ao sensível: mas, gnosiologicamente,lógica, como ciência especial, sobre a base socrático-platônica; é psicologicamente existe primeiro o particular, o contigente, odenominada por ele analítica e representa a metodologia científica. sensível, que constituem precisamente o objeto próprio do nosso conhecimento sensível, que é o nosso primeiro conhecimento.Trata Aristóteles os problemas lógicos e gnosiológicos no conjuntodaqueles escritos que tomaram mais tarde o nome de Órganon. Assim sendo, compreende-se que Aristóteles, ao lado e em conseqüência da doutrina de dedução, seja constrangido aLimitar-nos-emos mais especialmente aos problemas gerais dalógica de Aristóteles, porque aí está a sua gnosiologia. Foi dito que, elaborar, na lógica, uma doutrina da indução. Por certo, ela não está efetivamente acabada, mas pode-se integrar logicamenteem geral, a ciência, a filosofia - conforme Aristóteles, bem como segundo o espírito profundo da sua filosofia. Quanto aos elementossegundo Platão - tem como objeto o universal e o necessário; pois primeiros do conhecimento racional, a saber, os conceitos, a coisanão pode haver ciência em torno do individual e do contingente, parece simples: a indução nada mais é que a abstração doconhecidos sensivelmente. Sob o ponto de vista metafísico, oobjeto da ciência aristotélica é a forma, como idéia era o objeto da conceito, do inteligível, da representação sensível, isto é, a "desindividualização" do universal do particular, em que o universalciência platônica. A ciência platônica e aristotélica são, portanto, é imanente. A formação do conceito é, a posteriori, tirada daambas objetivas, realistas: tudo que se pode aprender precede a experiência. Quanto ao juízo, entretanto, em que unicamente temossensação e é independente dela. No sentido estrito, a filosofiaaristotélica é dedução do particular pelo universal, explicação do ou não temos a verdade, e que é o elemento constitutivo da ciência,condicionado mediante a condição, porquanto o primeiro elemento a coisa parece mais complicada. Como é que se formam os princípios da demonstração, os juízos imediatamente evidentes,depende do segundo. Também aqui se segue a ordem da donde temos a ciência? Aristóteles reconhece que é impossívelrealidade, onde o fenômeno particular depende da lei universal e o uma indução completa, isto é, uma resenha de todos os casos osefeito da causa. Objeto essencial da lógica aristotélica é 9
  10. 10. fenômenos particulares para poder tirar com certeza absoluta leisuniversais abrangendo todas as essências. Então só resta possíveluma indução incompleta, mas certíssima, no sentido de que oselementos do juízo os conceitos são tirados da experiência, aposteriori, seu nexo, porém, é a priori, analítico, colhidoimediatamente pelo intelecto humano mediante a sua evidência,necessidade objetiva. Filosofia de Aristóteles Partindo como Platão do mesmo problema acerca do valorobjetivo dos conceitos, mas abandonando a solução do mestre,Aristóteles constrói um sistema inteiramente original. Os caracteresdesta grande síntese são: 1. Observação fiel da natureza - Platão, idealista, rejeitaraa experiência como fonte de conhecimento certo. Aristóteles, maispositivo, toma sempre o fato como ponto de partida de suas teorias,buscando na realidade um apoio sólido às suas mais elevadasespeculações metafísicas. 2. Rigor no método - Depois de estudas as leis dopensamento, o processo dedutivo e indutivo aplica-os, com rarahabilidade, em todas as suas obras, substituindo à linguagemimaginosa e figurada de Platão, em estilo lapidar e conciso ecriando uma terminologia filosófica de precisão admirável. Podeconsiderar-se como o autor da metodologia e tecnologia científicas.Geralmente, no estudo de uma questão, Aristóteles procede porpartes: a) começa a definir-lhe o objeto; b) passa a enumerar-lhesas soluções históricas; c) propõe depois as dúvidas; d) indica, emseguida, a própria solução; e) refuta, por último, as sentençascontrárias. 3. Unidade do conjunto - Sua vasta obra filosófica constituium verdadeiro sistema, uma verdadeira síntese. Todas as partes secompõem, se correspondem, se confirmam. 10

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