DONZELA TEODORA (CORDEL)                      Leandro Gomes de BarrosEis a real descriçãoDa história da donzelaDos sábios ...
O húngaro conheceu nelaFormato de fidalguiaMandou educá-la bemNa melhor casa que haviaEm pouco tempo ela soubeO que ningué...
Descrevia os doze signosDe que é composto o anoDa cabeça até os pésConhecia o corpo humanoE dava definiçãoDe tudo do ocean...
E pediu o parecer delaDisse ele: minha filhaBem vês minha naturezaE sabes que o oceanoEspoliou minha riquezaEspero que teu...
É esse o único meioQue salvará o senhorEl-rei lhe perguntaráPor quanto vai me venderPor dez mil dobras de ouroMeu senhor h...
Sendo cortada pra elaEla quando vestiu tudoParecia ficar mais belaO mercador aprontou-seE seguiu com brevidadeFalou ao gua...
Por 10 mil dobras de outroÉ o que peço por elaE não estou pedindo caroVisto a habilidade dela.Disse o rei ao mercador:— Se...
— Mestre pode perguntarEu lhe responderei tudoSem cousa alguma faltarFarei debaixo da leiTudo que o senhor mandarO sábio a...
— Existem outros três signosÁries, Léo e GeminisNo signo Léo quem nascerSerá um homem felizInclinado a viajarPor fora de s...
Em abril governa TauroUm signo bem conhecidoO homem que nascer neleSerá muito presumidoAltivo de coraçãoSerá rico e atrevi...
Por isso cai em pobrezaEm setembro reina LibraA Vênus assinaladoO homem que nascer neleSerá um pouco inclinadoA viajar pel...
E com isso vossa altezaQue estou vencido por elaO rei ali ordenouQue fosse o sábio segundoFoi um matemático e clínicoUm gê...
Como eu já expliqueiCompactam com a químicaQuer saber? ExplicareiÁries domina a cabeçaUma parte melindrosaPara quem nascer...
Onde esta discutirNinguém pode ser letradoEsta só vindo a propósitoDe planeta adiantadoO sábio disse: DonzelaEu quero se t...
— Deviam estar num casteloRezando por quem morreuLamentando o tempo beloO que dizes das de 80?— Só prestam para o cuteloEn...
Será comprida em três partesA que tiver formosuraCompridos os dedos das mãosO pescoço e a cinturaRosada cútis e gengivasLá...
Então a donzela disse:Senhor mestre estarei dispostaDe todas suas perguntasO senhor terá respostaSe tem confiança em siVam...
E o corte nunca mudaDonzela qual é a coisaMais doce do que mel?— O amor do pai a um filhoOu dama esposa fielA ingratidão d...
São antes oito sinaisQue o gafanhoto temPerguntou o sábio a ela:— Que homem foi que viveuPorém nunca foi meninoExistiu mas...
Qual prazer duma hora?— Dum negócio que se ganhaDum passeio que se queiraA donzela respondeuCom a maior rapidezDisse: um h...
Disse ela: É o dinheiroQue o homem e a mulherNão se farta de ganharTenha a soma que tiverQual é a coisa que o homemPossui ...
Cheia de tantos horrores?Disse ela: É descansoDos homens trabalhadoresÉ capa dos assassinosQue encobre os malfeitores— Ond...
— Qual foi a primeira nauQue foi para o estaleiro— Foi a Arca de NoéA que no mar foi primeiroOnde escapou um casalDe tudo ...
É fraco como o coelhoArrogante como o geloAiroso como o furãoForçoso como o cavaloE mais te digo que o homemNinguém pode d...
Não podia ser criadaOs reinos da naturezaCada um possui um gênioÉ necessário o azotoPrecisa o oxigênioPara a infusão disso...
Prostou-se aos pés de El-reiSe sufocando em soluçosE disse: Senhor, confessoA vossa real majestadeQue vejo nesta donzelaA ...
Não posso me despir delaA donzela perguntou-lhe:O senhor nasceu com ela?O trato foi o seguinteDe nós quem fosse vencidoPer...
Vendo que toda razãoSó podia caber nelaDisse ao sábio: Mande verO dinheiro e pague a elaCinco mil dobras de ouroA donzela ...
Discutiu também com elaMas ciente de tudoQuanto podia haver nelaE disse vinte mil dobrasNão pagam esta donzelaVoltou ela e...
Tanto quando ele entrouQue fitou bem a donzelaCalculou dentro de siA força que havia nelaConfiando em sua forçaPor isso ap...
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Donzela Teodora (Cordel) de Leandro Gomes de Barros

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Poema na íntegra de Leandro Gomes de Barros - Donzela Teodora. Produzido por Ana Fabyely para divulgação no site: http://www.desmazelas.com.br

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Donzela Teodora (Cordel) de Leandro Gomes de Barros

  1. 1. DONZELA TEODORA (CORDEL) Leandro Gomes de BarrosEis a real descriçãoDa história da donzelaDos sábios que ela venceuE a aposta ganha por elaTirado tudo direitoDa história grande delaHouve no reino de TúnisUm grande negocianteEra natural da HungriaE negociava ambulanteUma alma pura e constanteAndando um dia na praçaNuma porta pôde verUma donzela cristãPara ali se venderO mercador vendo aquiloNão pôde mais se conterTinha feição de fidalgaEra uma espanhola belaEle perguntou ao mouroQuanto queria por elaEntraram então em negócioNegociaram a donzela
  2. 2. O húngaro conheceu nelaFormato de fidalguiaMandou educá-la bemNa melhor casa que haviaEm pouco tempo ela soubeO que ninguém mais sabiaMandou ensinar primeiroMúsica e filosofiaEla sem mestre aprendeuMetafísica e astrologiaDescrever com distinçãoHistória e anatomiaEla que já era um enteNascida por excelênciaComo quem tivesse vindoDas entranhas da ciênciaTinha por pai o saberE por mãe a inteligênciaEm pouco tempo ela tinhaTão grande adiantamentoQue só Salomão teriaUm igual conhecimentoCantava música e tocavaA qualquer um instrumentoEstudou e conheciaAs sete artes liberaisConhecia a naturezaDe todos os vegetaisDescrevia muito bemA castra dos animais
  3. 3. Descrevia os doze signosDe que é composto o anoDa cabeça até os pésConhecia o corpo humanoE dava definiçãoDe tudo do oceanoAdmirou todo mundoO saber desta donzelaTudo que era ciênciaPodia se encontrar nelaO professor que ensinou-aDepois aprendeu com elaMas como tudo no mundoÉ mutável e inconstanteEsse rico mercadorNegociava ambulanteE toda sua fortunaPerdeu no mar num instanteAtrás do bem vem o malAtrás da honra a torpezaQuando ele saiu de casaLevava grande riquezaVoltou trazendo somenteUma extrema pobrezaSó via em torno de siO vil manto da marzelaEm casa só lhe restavaA mulher e a donzelaEntão chamou Teodora
  4. 4. E pediu o parecer delaDisse ele: minha filhaBem vês minha naturezaE sabes que o oceanoEspoliou minha riquezaEspero que teus conselhosMe tirem desta pobrezaEla quando ouviu aquiloSentiu no peito uma dorE lhe disse, tenha féEm Deus nosso salvadorVou estudar um remédioQue salvará o senhorE disse: meu senhor saiaProcure um amigo seuÉ bom ir logo na casaDo mouro que me vendeuChegue lá converse com eleE conte o que lhe sucedeuO que ele oferecer-lheDe muito bom grado aceiteE veja se ele lhe vendeVestidos que me endireiteCompre a ele todas as jóiasQue uma donzela se enfeiteSe o mouro vender-lhe tudoCom que possa me comporVossa mercê vai daquiVender-me ao rei Almançor
  5. 5. É esse o único meioQue salvará o senhorEl-rei lhe perguntaráPor quanto vai me venderPor dez mil dobras de ouroMeu senhor há de dizerQuando ele admirar-seVeja o que vai responderDizendo alto senhorNão fique admiradoEu vendo-a com precisãoNão peço preço alteradoDobrada esta quantiaTenho com ela gastadoÉ esse o único meioPara a sua salvaçãoSe o mouro vende-lhe tudoDescanse seu coraçãoDaqui para o fim da vidaNão terá mais precisãoO mercador seguiu tudoQuando a donzela ditavaChegou ao mouro e contou-lheO desespero em que estavaEntão o mouro vendeu-lheTudo quanto precisavaRoupa, objetos e jóiasPara enfeitar a donzelaAs roupas vinha que só
  6. 6. Sendo cortada pra elaEla quando vestiu tudoParecia ficar mais belaO mercador aprontou-seE seguiu com brevidadeFalou ao guarda da corteCom muita amabilidadePara deixá-lo falarCom a real majestadeEntão subiu um vassaloDeu parte ao rei AlmoçorO rei chegou a escadaPerguntou ao mercador:— Amigo qual o negócioQue tem comigo o senhor?Então disse o mercadorSem grande humildade:— Senhor venho a vossa altezaCom grande necessidadeVer se vendo esta donzelaA vossa real majestadeO rei olhou a donzelaE disse dentro de si:Foi a mulher mais formosaQue neste mundo já viTrinta ou quarenta minutosO rei presenciou ela aliPerguntou ao mercador:Por quanto vendes a donzela?
  7. 7. Por 10 mil dobras de outroÉ o que peço por elaE não estou pedindo caroVisto a habilidade dela.Disse o rei ao mercador:— Senhor, estou surpreendidoDez mil dobras de ouroÉ preço desconhecidoOu tu não queres vendê-laOu estás fora do sentidoDisse o mercador: El reiNão é caro esta donzelaDobrado a esta quantiaGastei para educar elaExcede a todos os sábiosA sabedoria delaO rei mandou logo chamarUm grande sábio que haviaO instrutor da cidadeEm física e astronomiaEm matemática e retóricaHistória e filosofiaEsse veio e perguntou-lhe— Donzela estás preparadaPara responder-me tudoSem titubiar em nada?Se não estiver seja francaSe não sai envergonhadaEntão ela respondeu-lhe
  8. 8. — Mestre pode perguntarEu lhe responderei tudoSem cousa alguma faltarFarei debaixo da leiTudo que o senhor mandarO sábio ali preparou-sePara entrar em discussãoEla com muita vergonhaEla não teve alteraçãoPediu licença a El-reiE ficou de prontidão— Diz-me donzela o que DeusSob o céu primeiro fezRespondeu o sol e a luaE a lua por sua vezÉ por uma obrigaçãoCheia e nova todo mês— Além do sol e a luaDoze signos foram feitosFormando a constelaçãoSendo ao sol todos sujeitosDesiguais na naturezaCom diversos preconceitosComo se chama esses signos?Perguntou o emissárioA donzela respondeu:— Capricórnio e AquárioTauro, Câncer, Libra, VirgoPisces, Escórpio e Sagitário
  9. 9. — Existem outros três signosÁries, Léo e GeminisNo signo Léo quem nascerSerá um homem felizInclinado a viajarPor fora de seu paísO sábio disse: DonzelaÉ necessário dizerQue condições tem o homemQue em cada signo nascerPor influência o signoDe que forma pode ser?Disse ela o signo AquárioReina o mês de janeiroO homem que nascer neleTem o crescimento varqueiroSerá amante das mulheresVentaroso e lisonjeiroPisces reina em fevereiroQuem nesse signo nascerÉ muito gentil de corpoMuito guloso em comerRisonho, gosta de viagemNão faz o que prometerEm março governa ÁriesNeste signo nascerãoHomens nem ricos nem pobresPor nada se zangarãoNeles se notam um defeitoFalando sós andarão
  10. 10. Em abril governa TauroUm signo bem conhecidoO homem que nascer neleSerá muito presumidoAltivo de coraçãoSerá rico e atrevidoGeminis governa em maioSua qualidade é quenteO homem que nascer neleSerá fraco e diligentePara os palácios e cortesSe inclina constantementeEm julho governa CâncerSua qualidade é friaO homem que nascer neleÉ forte e tem energiaÉ gentil e tem muita forçaE sempre tem alegriaEm julho governa LéoPor um leão figuradoO homem que nascer neleÉ lutador e honradoAltivo de coraçãoInteligente e letradoEm agosto reina VirgoVem da terra a naturezaO homem que nascer neleTem princípio tem riquezaDepois se descuidará
  11. 11. Por isso cai em pobrezaEm setembro reina LibraA Vênus assinaladoO homem que nascer neleSerá um pouco inclinadoA viajar pelo marÉ lutador e honradoO que nascer em outubroSerá homem faladorInclinado aos maus costumesTeimoso e namoradorPouco jeito nos negóciosFalso grave e enganadorEntão o mês de novembroSagitário é o reinanteO homem que nascer neleSerá cínico e inconstanteDesobediente aos paisIntratável assim por dianteEm dezembro é CapricórnioTem a natureza de terraO homem que nascer neleSerá inclinado a guerraGosta de falar sozinhoE por qualquer coisa esperaO sábio ali levantou-seDisse ao rei esta donzelaNão há sábio aqui no mundoQue tenha a ciência dela
  12. 12. E com isso vossa altezaQue estou vencido por elaO rei ali ordenouQue fosse o sábio segundoFoi um matemático e clínicoUm gênio grande e fecundoE conhecido por umDos sábios maior do mundoChegou o segundo sábioQue inda estava orelhudoE disse: Donzela eu tenhoDezoito anos de estudoNão sou o que tu vencesteConheço um pouco de tudoA donzela respondeuCom licença de el-reiTudo que me perguntaresAqui te respondereiCom brevidade e acertoTudo vos explicareiPerguntou o sábio a ela:Em nosso corpo dominaQualquer um dos doze signosQue a donzela descriminaTerá alguma influênciaOs signos com a medicina?Então a donzela disse:Descrito mestre direiSabe que os signos são doze
  13. 13. Como eu já expliqueiCompactam com a químicaQuer saber? ExplicareiÁries domina a cabeçaUma parte melindrosaPara quem nascer em marçoA sangria é perigosaA pessoa que sangrar-seDeve ficar receosaLibra domina as espáduasCâncer domina os peitosPara os que são deste signoPurgantes tem maus efeitosE as sangrias tambémNão serão de bons proveitosTauro domina o pescoçoLéo domina o coraçãoCapricórnio influi nos olhosEscórpio a organizaçãoGeminis domina os braçose influi na musculaçãoVirgo domina o ventreE Aquário nas canelasPara os que são desses signosPurgas e sangrias são belasEntão Sagitário e PiscesAmbos têm igual tabelasO sábio dentro de siDisse meio admirado
  14. 14. Onde esta discutirNinguém pode ser letradoEsta só vindo a propósitoDe planeta adiantadoO sábio disse: DonzelaEu quero se tu puderesIsto é, eu creio que podesNão dirás se não quiseresO peso, idade e condutaQue têm todas as mulheresDisse a donzela: A mulherÉ sempre a arca do bemPorém só quem a criouSabe o peso que ela temIsso é uma coisa ignotaDisso não sabe ninguémQue me dizes das donzelasDe vinte anos de idade?Respondeu: Sendo formosaParece uma divindadePrincipalmente ao homemQue lhe tiver amizadeAs de trinta e quarentaQue dizes tu que elas são?Disse ela: Uma dessasÉ de muita consideração— Das de 50 o que dizer?— Só prestam para oração— Que dizes das de 70?
  15. 15. — Deviam estar num casteloRezando por quem morreuLamentando o tempo beloO que dizes das de 80?— Só prestam para o cuteloEntão classificas as velhasTudo de mal a pior?E nos defeitos de tantasNão se encontra um menorDisse ela: Deus me livreDe ser vizinho da melhorDonzela o sábio lhe disseSei que és caprichosaEntre todas as pessoasÉs a mais estudiosaDiga que sinais precisamPara a mulher ser formosaEntão a donzela disse:Para a mulher ser formosaTerá dezoito sinaisNão tendo é defeituosaA obra por seu defeitoDeixa de ser melindrosaHá de ter três partes negrasDe cores bem reluzentesSobrancelhas, olhos, cabelosDe cores negras e ardentesBranco o lacrimal dos olhosTer branca a face e os dentes
  16. 16. Será comprida em três partesA que tiver formosuraCompridos os dedos das mãosO pescoço e a cinturaRosada cútis e gengivasLábios cor de rosa puraTerá três partes pequenasO nariz, boca e péLarga a cadeira e ombroNinguém dirá que não éCujos sinais teve-se todosUma virgem em NazaréO sábio quando ouviu istoFicou tão surpreendidoE disse: El-reiAlmançorConfesso que estou vencidoE quem argumenta com elaSe considera vencidoEl-rei mandou que outro sábioEntrasse em discussãoEntão escolheram umDos de maior instruçãoA quem chamavam na GréciaProfessor da criaçãoAbraão de TrabadorVeio argumentar com elaE disse logo ao entrar:Previne-te bem, donzelaDizendo dentro siEu hoje hei de zombar dela
  17. 17. Então a donzela disse:Senhor mestre estarei dispostaDe todas suas perguntasO senhor terá respostaSe tem confiança em siVamos fazer uma aposta?Minha aposta é a seguinteDe nós o que for vencidoFicará aqui na cortePublicamente despidoFicando completamenteComo quando foi nascidoO sábio disse que simMandaram o termo lavrarE a donzela pediuAo rei para assinarPara a parte que perdesseDepois não se recusarLavraram o termo e foiÀs mãos do rei AlmoçorPra fazer válido o tratoE ficar por fiadorObrigando quem perdesseDar as roupas ao vencedorO sábio aí perguntou:Qual é a coisa mais aguda?Disse ela: é a línguaDuma mulher linguarudaQue corta todos os nomes
  18. 18. E o corte nunca mudaDonzela qual é a coisaMais doce do que mel?— O amor do pai a um filhoOu dama esposa fielA ingratidão de um dessesAmarga mais do que felO sábio disse: DonzelaConheces os animais?Quero agora que descrevasAlguns irracionaisMe diga qual é o bichoQue possui oito sinaisMestre, isto é gafanhotoVive embaixo dos outeirosTem pescoço como vacaEsporas de cavaleirosTem olhos como marelUm pássaro dos estrangeirosFocinho como de vacaTem pés como de cegonhaTem cauda como de víboraUma serpente medonhaE é infeliz o viventeQue a boca dela se oponhaTem peito como cavalosE não ofende a ninguémTem asas como de águiaA que voa muito além
  19. 19. São antes oito sinaisQue o gafanhoto temPerguntou o sábio a ela:— Que homem foi que viveuPorém nunca foi meninoExistiu mas não nasceuA mãe dele ficou virgemAté que o neto morreu— Este homem foi AdãoQue da terra se gerouFoi feito já homem grandeNão nasceu, Deus o formouA terra foi a mãe deleE nela se sepultouFoi feita mas não nascidaEssa nobre criaturaA terra foi a mãe deleServiu-lhe de sepulturaPara Abel o neto deleFez-se a primeira abertura— Donzela qual é a coisaQue pode ser mais ligeira?Respondeu: O pensamentoQue voa de tal maneiraQue vai ao cabo do mundoNum segundo que se queiraO sábio fitou-a e disse:— Donzela diga-me agoraQual o prazer de um dia
  20. 20. Qual prazer duma hora?— Dum negócio que se ganhaDum passeio que se queiraA donzela respondeuCom a maior rapidezDisse: um homem viajandoE se bom negócio fezÉ um dos grande prazeresQue verá por sua vezDonzela o que é vida?Disse ela: Um mar de torpezaO que pode assemelhar-seÀ vela que está acesaÀs vezes está tão formosaE se apaga de surpresaDonzela por quantas formasMente a pessoa afinal?Respondeu: Mente por trêsTendo como essencialExaltar a quem quer bemE pôr taxa em quem quer malDonzela que é velhice?Respondeu com brevidade:É vestidura de doresÉ a mãe da mocidadeE o que mais aborrecemos?Respondeu: É a idadeDonzela qual é a coisaQue quem tem muito ainda quer?
  21. 21. Disse ela: É o dinheiroQue o homem e a mulherNão se farta de ganharTenha a soma que tiverQual é a coisa que o homemPossui e não pode ver?Disse ela: O coraçãoQue aberto tem que nascerVer a raiz dos seus olhosNão há quem possa obterDonzela qual foi o homemQue por dois ventres passou?Disse a donzela: Foi JonasQue uma baleia o tragouConservou-o dentro três diasE depois o vomitouO sábio disse: DonzelaQual o homem mais de bem?Disse ela: É aqueleQue menos defeitos temQuem terá menos defeitos?— Isso não sabe ninguém— Donzela qual é a coisaQue não se pode saber?O pensamento do homemSe ele não quer dizerPor mais que a mulher procureNão poderá obter— Donzela o que é a noite
  22. 22. Cheia de tantos horrores?Disse ela: É descansoDos homens trabalhadoresÉ capa dos assassinosQue encobre os malfeitores— Onde a primeira cidadeDo mundo foi construída?— A cidade de NiniveA primeira conhecidaQue depois de certo tempoFoi pela Grécia abatidaPerguntou: Qual o guerreiroQue teve a antigüidade?Respondeu: Foi AlexandreAssombro da humanidadeGuerreou vinte e dois anosE morreu na flor da idadeDonzela falaste bemDo maior conquistadorDiga dos homens qual foiO maior sentenciador?— Pilatos que deu sentençaa Cristo Nosso SenhorDe todos os patriarcasqual seria o mais valente?— O patriarca JacóQue lutou heroicamenteCom os anjos mensageirosDo monarca onipotente
  23. 23. — Qual foi a primeira nauQue foi para o estaleiro— Foi a Arca de NoéA que no mar foi primeiroOnde escapou um casalDe tudo no mundo inteiro— O que corta maisQue a navalha afiada?É a língua da pessoaDepois de estar iradaCorta com mais rapidezQue qualquer lâmina amolada— Qual é o maior prazerCom que se ocupa a história?Respondeu: Quando um guerreiroNo campo ganha vitóriaSabei que não pode haverTanto prazer tanta glóriaO sábio disse: DonzelaTens falado muito bemMe diga que condiçõesO homem no mundo tem?Disse a donzela: tem todasPara o mal e para o bemÉ manso como a ovelhaE feroz como o leãoSeboso como o suínoÉ limpo como o pavãoÉ falso como a serpenteÉ tão leal como o cão
  24. 24. É fraco como o coelhoArrogante como o geloAiroso como o furãoForçoso como o cavaloE mais te digo que o homemNinguém pode decifrá-loÉ calado como peixeFala como papagaioÉ lerdo como preguiçaÉ veloz igual ao raioÉ sábio quando ouviu istoQuase que dar-lhe um desmaioEntão inventou um meioPara ver se a pegariaPerguntou: O sol da noiteTerá luz quente ou fria?A donzela respondeuQue à noite sol não haviaCom a presença do solÉ que se conhece o diaSe de noite houvesse solA noite não existiaE sem o sereno delaTodo vivente morreriaSem água, sem ar, sem luzA terra não tinha nadaNão tinha os seres que temSeria desabitadaA própria vegetação
  25. 25. Não podia ser criadaOs reinos da naturezaCada um possui um gênioÉ necessário o azotoPrecisa o oxigênioPara a infusão disso tudoO carbono e o hidrogênioO dia Deus fez bem claroA noite fez bem escuraSe de noite houvesse solEstava o homem à alturaDe notar esse defeitoE censurar a naturaO sábio baixou a vistaE ouviu tudo caladoNada teve a dizerPois já estava esgotadoE tinha plena certezaQue ficava injuriadoDisse ao público: SenhoresA donzela me venceuNão sei com qual professorEsta mulher aprendeuAí a donzela disse:Então o mestre perdeu?Ele vendo que estavaEsgotado e sem recursosFicou trêmulo e muito pálidoFugiu-lho até os pulsos
  26. 26. Prostou-se aos pés de El-reiSe sufocando em soluçosE disse: Senhor, confessoA vossa real majestadeQue vejo nesta donzelaA maior capacidadeEla merece ter prêmioPois tem grande habilidadeA donzela levantou-seFoi ao soberano reiEntão beijando-lhe a mãoDisse: Vos suplicareiMande o sábio entregar-meTudo que dele ganheiO rei ali ordenouQue o sábio se despojasseDe todas as vestes que tinhaE à donzela as entregasseO jeito que tinha aliEra ele envergonhar-seO sábio pôs-se a despir-seComo quem estava doenteFraque, colete e camisaFicando ali indecenteE pediu para ficarCom a ceroula somenteDepois sufocado em prantoProstrado disse à donzela:Resta-me apenas a ceroula
  27. 27. Não posso me despir delaA donzela perguntou-lhe:O senhor nasceu com ela?O trato foi o seguinteDe nós quem fosse vencidoPerante a todos da corteHavia de ficar despidoComo quando veio ao mundoNa hora que foi nascidoEl-rei foi o fiadorNosso ajuste foi exatoO senhor tem que despir-seE dar-lhe fato por fatoFicando com a ceroulaNão teve efeito o contratoE não quis dar a ceroulaO rei mandou que ele desseOu pagaria à donzelaO tanto que ela quisesseTanto que indenizasse-aEmbora que não pudesseDonzela quanto queresPerguntou o sábio enfimA donzela ali fitou-oE lhe respondeu assim:A metade do dinheiroQue meu senhor quer por mimO rei ali conhecendoO direito da donzela
  28. 28. Vendo que toda razãoSó podia caber nelaDisse ao sábio: Mande verO dinheiro e pague a elaCinco mil dobras de ouroA donzela recebeuO sábio também aliNem mais satisfação deuAquele foi um exemploQue a donzela lhe vendeuO rei então disse à ela:Donzela podes pedirDou-te a palavra de honraFarei-te o que exigirDe tudo que pertencer-mePoderás tu te servirEla beijou-lhe a mãoLhe disse peço que dê-meA quantia do dinheiroQue meu senhor quer vender-meDeixando eu voltar com elaPara assim satisfazer-meO rei julgou que a donzelaPedisse para ficarTanto que se arrependeuDe tudo lhe franquearMas a palavra de reiNão pode se revogarMandou dar-lhe o dinheiro
  29. 29. Discutiu também com elaMas ciente de tudoQuanto podia haver nelaE disse vinte mil dobrasNão pagam esta donzelaVoltou ela e o senhorÀ sua antiga moradaPor uma guarda de honraVoltou ela acompanhadaO senhor dela trazendoUma fortuna avaliadaFicaram todos os sábiosDaquilo impressionadosPois uma donzela escravaVencer três homens letradosProfessores de ciênciasDoutores habilitadosAbraão de TrabadorCom todos não discutiaJá tinha vencido muitosEm música e filosofiaEm história naturalMatemática e astronomiaEle descrevia a fundoOs reinos da naturezaEra engenheiro peritoDe tudo tinha a certezaDescrevia o oceanoDa flor dágua a profundeza.
  30. 30. Tanto quando ele entrouQue fitou bem a donzelaCalculou dentro de siA força que havia nelaConfiando em sua forçaPor isso apostou com elaCaro leitor escreviTudo que no livro sabeiSó fiz rimar a históriaNada aqui acrescenteiNa história grande delaMuitas coisas consulteiArquivo produzido por Ana Fabyely Kams e disponibilizado no site: slidesharepara divulgação do poema. 31/03/2013 – Boa Vista, RR.

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