SUMÁRIO
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APRESENTAÇÃO
Quando nos deparamos co...
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1 ASPECTOS HISTÓRICOS
1.1 A ORIGEM D...
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maranhense, levando a palavra de Deu...
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Por volta de 1870 na chamada vila de...
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Figura 6 - Unidade territorial do m...
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Abaixo temos uma visualização do ma...
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2.2 VEGETAÇÃO
A Vegetação da paisag...
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2.3 HIDROGRAFIA
As bacias hidrográf...
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2.5 PLANÍCIE
A extensa planície do ...
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características de vegetação de ter...
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4 ASPECTOS BIÓTICOS
O município de ...
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O frango-d’água na região bacuritub...
24 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva
5 ATIVIDADES ECONÔMICAS
5.2 ASPECTO...
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abastecimento, (IBGE, 2010). O muni...
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Fonte: IBGE (2013)
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  1. 1. SUMÁRIO APRESENTAÇÃO .................................................................................. 3 1 ASPECTOS HISTÓRICOS ................................................................... 4 1.1 A ORIGEM DE BACURITUBA ...........................................................4 1.2 ECONOMIA DA ÉPOCA ....................................................................8 1.3 FORMAÇÃO ADMISTRATIVA DO MUNICÍPIO .................................10 1.4 A EMANCIPAÇÃO DE BACURITUBA .................................................11 2 ASPECTOS GEOGRÁFICOS ...............................................................14 2.1 LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA...........................................................14 2.2 VEGETAÇÃO ....................................................................................17 2.4 CLIMA ..............................................................................................19 2.5 PLANÍCIE .........................................................................................20 4 ASPECTOS BIÓTICOS.......................................................................22 4.1 FLORA..............................................................................................22 4.2 FAUNA .............................................................................................22 5 ATIVIDADES ECONÔMICAS ..............................................................24 BIBLIOGRAFIA....................................................................................27
  2. 2. 3 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva APRESENTAÇÃO Quando nos deparamos com tamanha beleza resplandecendo à luz do nascer do Sol ao amanhecer, ficamos boquiabertos ao vislumbrar aquilo que Deus fez com suas próprias mãos: os Campos Bacuritubenses. Discorrer sobre os célebres acontecimentos que repercutiram em nossa maravilhosa cidade e descrever as nossas raízes históricas, geográficas e até mesmo econômicas é de fato muito gratificante, podendo saber que posso compartilhar com professores, alunos, ou até mesmo leigos que o nosso município também possui uma historicidade muito rica. No entanto, estas poucas linhas que redigir é apenas um esboço do ainda está por vir, se perscrutarmos ainda mais a nossa raiz maternal de nossa bela cidade de Bacurituba que cresce e se desenvolve à medida que seu o povo luta e conquista seu espaço nas diversas áreas da sociedade. Este conhecimento não está limitado somente ao pesquisador, mas também aos trabalhadores que fazem parte desse conjunto de fatos, quer seja um pescador que experimenta cada segundo de sua lida nos campos alagados e utilizando do senso comum para que possa realizar sua árdua tarefa de pescar com tamanha perfeição, quer seja a dona de casa que luta para que seus filhos tenham a educação de cada dia ou o educador que exerce a tarefa de professar o conhecimento. O Autor.
  3. 3. 4 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva 1 ASPECTOS HISTÓRICOS 1.1 A ORIGEM DE BACURITUBA Segundo a mais forte tradição popular o nome Bacurituba tem sua origem em duas palavras indígenas, bacuri: fruta e tuba: grande, as duas palavras unidas significam bacuri grande. A palavra tuba que é de origem indígena, também é utilizado para designar um instrumento musical muito utilizado nas orquestras sinfônicas e que também era um tipo de instrumento dos índios, os quais segundo, pesquisadores, foram os primeiros habitantes dessa localidade. Já as árvores de bacurizeiros eram muito comuns na região nessa época, principalmente na área onde fica localizado atualmente o povoado Jacaré. Em função disso o nome Bacurituba é dado ao pequeno lugarejo. Outra versão além da tradição popular, afirmada pelo historiador César Augusto Marques, mostra que Bacurituba surge como um lugarejo conhecido primeiramente como o São Bento Velho constituído por apenas cinquenta casas situado a duas léguas mais ou menos da cidade de São Bento dos Perizes, no qual se achava separado pelos campos alagados. Relatos informam que o primeiro homem branco a pisar nestas terras foi o português de nome João Alves Pinheiro, considerado o primeiro povoador da cidade de São Bento. Sobre João Alves Pinheiro observamos o seguinte relato extraído do livro São Bento Nossa História e Nossa Gente de 1995: “João Alves Pinheiro, provavelmente português, mas tarde naturalizado brasileiro com o nome de João Pinheiro Canaçu é considerado o fundador de São Bento. Sob sua procedência há divergência, sendo mais aceitável a corrente que o considera oriundo de Portugal, chegando em Alcântara e, provavelmente, tomando conhecimento das vantagens que lhe adviriam dos vastíssimos e excelentes campos sambentoenses, resolveu fixar sua residência na Península em que se acha a populosa e decantada Suíça Maranhense – São Bento. Assim construiu-se a primeira casa, ou melhor, uma confortável fazenda de gado.” Segundo Zezinho Oliveira (2012) no ano de 1757 foi construído uma capela regida pelo padre Jorge Ayres de Santiago. Três monges da congregação dos Beneditinos, de passagem pela região da baixada e litoral ocidental
  4. 4. 5 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva maranhense, levando a palavra de Deus, chegaram ao arraial de Bacurituba. No local encontraram uma capela com paredes de barro e coberta com palha de babaçu, nesta capela havia um oratório com a imagem de São Bento. Ficaram encantados com o fato e resolveram construir uma igreja no local. Vestígios de objetos antigos também foram encontrados em escavações de poços como uma antiga bilha que era um objeto característico dos tempos dos escravos ou quilombolas para carregar água, o que demonstra a presença de escravos ou descendentes dos mesmos nesta região em épocas antigas. Provavelmente os negros que se refugiavam nos quilombos tiveram participação significativa no povoamento desta cidade. Um fato importante é que tem-se registro de um número de 2600 escravos habitando a região de São Bento dos Perizes, nas proximidades de São Bento de Bacurituba no ano de 1870. Esta informação reforça a ideia de que os negros vindos da África em navios ancorados no porto de Alcântara, conseguiram fazer este percurso até essa região. Atualmente a cidade de Bacurituba tem vários povoados reconhecidos legalmente por lei federal como áreas quilombolas. Em especial os povoados Serejo, Santa Maria e São Cristóvão. O historiador César Augusto Marques no seu livro Dicionário Histórico- Geográfico da Província do Maranhão, datado de 1870, relata que antigamente os lugarejos com poucos moradores eram conhecidos como arraiais, e posteriormente, por haver um significativo aumento da população, recebiam o título de freguesias da província maranhense. O lugar onde hoje está localizado o município de Bacurituba a princípio era um arraial como poucos moradores, a freguesia era chamada de São Bento de Bacurituba e o seu vizinho São Bento era conhecido como São Bento dos Perizes. O objetivo das criações dessas freguesias era para evitar contestações e também melhorar o serviço da igreja católica na época. O escritor César Marques também descreve que São Bento de Bacurituba foi criada em pela lei provincial de número 843 de 10 de julho de 1868, instituída canonicamente por sentença episcopal de 28 de agosto. Já a sua paróquia foi inaugurada e aberta em setembro deste mesmo ano. O seu próprio pároco, foi encomendado e, provisionado em 1º de setembro, e tomou posse apenas no dia 27 deste mesmo mês de 1868.
  5. 5. 6 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva Por volta de 1870 na chamada vila de São Bento de Bacurituba haviam apenas 30 casas, e uma igreja, edificada já a algum tempo, a cerca de 80 anos, pelos criadores de gado que aqui habitavam. O primeiro jesuíta a pregar várias vezes a palavra de Deus nesta região, foi o padre Gabriel Malagrida. Em 1856 o Dr. juiz de direito Manoel Jansen Ferreira empregou todas as diligências para descobrir o tempo da edificação da igreja de São Bento Velho, os seus fundadores, e os títulos do patrimônio feito à dita igreja para classificá-la de capela ou ermida, visto que em direito as prerrogativas do juiz diferiam na administração de uma ou outra. Assim, ele descobriu que em 1795 houve uma questão que surgiu entre os moradores de Inambu (localidade que ficava 4 léguas ao norte de São Bento dos Perizes) e os de São Bento Velho. A questão era a seguinte: os moradores de Inambu que eram representados pelo capitão Lino Antonio Pestana, Manoel Soares Pereira, Christovão da Costa e Francisco Pinheiro, exigiam a mudança da Igreja para a sua localidade e os moradores do arraial de São Bento Velho por não aceitarem tal exigência, apoiavam a permanência da Igreja no lugar de origem, e eram representados por Antonio de Barros, Manoel Alexandre Seco, José da Costa, Izabel de Barros, Antonio Alexandre, Maria Xavier Ferreira, João Muniz, Francisco de Barros, Luiz Campos, Felix de Padilha e outros. Após muitas alegações de ambas as partes contendoras, depois de informações do vigário de Alcântara padre Jorge Ayres de São Tiago, depois de sentenças, embargos, etc., o governador do bispado Dr. João de Bastos de Oliveira mandou por sentença de 21 de julho de 1798, que a capela continuasse no lugar de São Bento Velho, em que estava, com obrigação de a terem decente de bons paramentos. Do mesmo traslado e das diligências do Dr. Manoel Jansen Ferreira, vê-se que a capela, na época classificada por ermida, teve um bom patrimônio de gado. A princípio teve um capelão que distribuía os ensinos do catolicismo romano aos seus habitantes, um deles foi o padre Jorge Ayres de São Tiago. No entanto, as más administrações reduziram o patrimônio da capela, e deixaram de remunerar o capelão. Naquela época havia uma festa ao Orago e mais duas outras “santas” segundo a tradição católica. Estas festas eram
  6. 6. 7 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva seguidas de missa cantada e nelas haviam muitos expectadores. Devido esta busca, o Dr. Manoel Jansen Ferreira também descobriu que o principal motivo de haverem construído esta capela no meio do arraial, foi a multidão de serpentes que se encontrava nos campos principalmente as cascavéis e pintas (ou jararacas), ambas cobras muitos perigosas devido seu alto teor de veneno encontrado em seu organismo. Dessa forma o povo acreditava que a evocação do São Bento traria alguma solução para o problema do grande número de cobras na região. O nome São Bento Velho se refere em razão do lugarejo ser considerado pela tradição popular inclusive pelos moradores de São Bento dos Perizes (ou São Bento Novo), primeiro lugar a ser habitado e também por ser um arraial muito mais antigo do que a cidade de São Bento dos Perizes. Sobre o dito popular não existe nenhum documento que comprove tal afirmação. Já o nome de santo é em homenagem a uma imagem que segundo o dito popular fora encontrada em um tapecuim e que tinha por nome São Bento. Por esse motivo segundo a tradição católica, acabou tornando-se o padroeiro das duas cidades. Em seguida a imagem foi levada para São Bento dos Perizes pelos padres da ordem piamartina. No lugar onde se encontrava uma simples capela no arraial de São Bento de Bacurituba foi construído a primeira igreja de frente para os campos no ano de 1854 e foi inaugurada no dia 11 de novembro do mesmo ano. Esta igreja ficava de frente para os altos morros ao norte e possuía em sua estrutura três naves. O centro era reservado para a celebração da ceia. A do lado esquerdo era reservada aos batismos, consagrações e crisma, a do lado direito era reservada somente a casamentos que aconteciam esporadicamente. No dia 12 de agosto de 1868, o arcebispo da província de São Luís do Maranhão, Dom Luís da Conceição Saraiva criou a paróquia de São Bento de Bacurituba, desmembrando-a da paróquia de Alcântara. A igreja católica foi erguida com a invocação do santo São Bento que segundo a crença, ajudaria na diminuição da multidão de espécies de cobras cascavéis, animal muito perigoso e comum na região de campos alagados no
  7. 7. 8 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva período da estiagem. Atualmente ainda existem muitos adeptos e religiosos que festejam em homenagem ao santo padroeiro. Este é um dos festejos mais antigos da cidade. Figura 1 - Igreja Matriz de Bacurituba (em 2013). A Vila de São Bento Velho ou São Bento de Bacurituba cresceu devido a migração de pessoas vindas de outras regiões que ao chegarem neste lugar se encantavam com os campos favoráveis para a pesca e criação de animais, além de uma vegetação rica em babaçuais, carnaubeiras, entre outras, e uma imensidão de matas ainda intactas. 1.2 ECONOMIA DA ÉPOCA Os primeiros habitantes de Bacurituba viviam exclusivamente da pesca artesanal, da caça, da lavoura e da criação de animais (bovinos, suínos e caprinos), outra fonte de economia que também durou um longo período principalmente já na década de 1970 foi a produção de tijolos artesanais. Havia na vila de Bacurituba uma grande produção de tijolos e esta produção era exportada através de barcos à vela para a capital São Luís, e a viagem durava geralmente três dias. Nesta época o porto do Baltazar que atualmente está localizado no povoado Tucum, era um local propício para o escoamento de tijolos e grande parte da produção de animais (patos, galinhas, suínos, ovinos e caprinos) que eram vendidos na capital. Há relatos de que também
  8. 8. 9 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva havia um porto mais próximo que ficava na própria sede, onde hoje é localizado a residência do senhor de Ivo. Mas devido ao corte em grande escala dos manguezais que circundavam a vila de Bacurituba, houve um assoreamento dos igarapés e canais que ligavam esta passagem até o rio Bacurituba, isto acabou causando o entupimento dos canis de navegação de barcos. Ainda hoje é possível ver as marcas dessa época no porto Baltazar, pois os restos de tijolos são observados durante a maré baixa. Alguns dos grandes navegadores da época e donos de barcos foram os senhores Bageba, Bertholdo Oliveira, João Preto do Carmo e Gatinho. A produção de açúcar e cachaça também era comum em algumas localidades em especial no povoado Furo da Mangueira. Wilson Oliveira era um dos grandes produtores de açúcar e dono de engenho. Dessa forma o comércio se fortalecia e apesar das dificuldades. Os pagamentos da mercadoria comprada por parte dos mais pobres, segundo relata a senhora Maria Antônia Silva, moradora da cidade, eram muitos das vezes efetuados em forma de favor como lavagem de roupas por parte das mulheres e o trabalho na roça por parte dos homens. Os maiores comerciantes da época foram Bertholdo Oliveira que residia no povoado Furo da Mangueira e Antônio de Maneco que residia na sede da vila. Estes dois vendiam além de alimentos comuns como arroz, café, feijão e farinha de mandioca, outras especiarias como tecidos, confecções, objetos de armarinho com produtos no atacado e varejo. Outros comerciantes também tiveram fator significativo no desenvolvimento da economia da época. Na zona rural temos: José Garçom (Povoado Santa Maria), José de Mário (Povoado Jacaré) e na zona urbana: Coló Mendonça, Antero, Caboco Velho e José Costa. A pesca na vila era caracterizada por campos fartos de toda a espécie de peixes, como traíras, pirapemas, tilápias, jijus, piabas e acarás. Como não havia redes mais sofisticadas a pesca era feita com uso de objetos artesanais e de origem indígenas como o choque ou socó, caniços, currais, tarrafas tecidas com fio, além de espinheis e o cofo (objeto feito com palha de palmeira, a pindoba). O cofo era o principal aliado do pescador que o utilizava na cintura amarrado com uma corda ou envira de bananeira.
  9. 9. 10 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva A caça também era uma forma de sustento para os moradores da época e tinha como principais instrumentos um cacete de madeira e um cão bem treinado para pegar as jaçanãs, pirulicos, marrecos e japiaçocas. Na pecuária eram comuns os chamados retireiros, estes eram homens e mulheres que moravam em casas de palha e pau-a-pique com assoalhos dentro dos campos alagados na parte mais alta (os tesos). Eles criavam principalmente animais como: porcos, patos e paturis. Era o que determinava grande parte de sua sobrevivência além da caça e da pesca. Estes animais eram vendidos na própria vila e também eram exportados para a cidade São Luís, capital do estado do Maranhão também em viagens de barco a vela. 1.3 FORMAÇÃO ADMISTRATIVA DO MUNICÍPIO Por muito tempo a vila de Bacurituba pertenceu ao município de Cajapió. O lugarejo chamado Cajapió era uma antiga aldeia de índio segundo relata o historiador Cesar Augusto Marques (1870). Segundo informa-nos o IBGE – Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatística do Maranhão, em 10 de julho de 1868 foi criado o distrito com a denominação de Bacurituba, pela lei provincial, nº 843, subordinado ao município de Cajapió. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o distrito de Bacurituba figura pertencendo ao município de Cajapió. Pelo decreto estadual nº 241, de 09 de janeiro de 1932, é extinto o município de Cajapió, sendo Bacurituba perdendo à categoria de distrito. Em 19 de junho de 1935, pelo decreto nº 855, é recriado o município de Cajapió, passando Bacurituba a pertencer novamente ao município de Cajapió como vila ou povoado. Em divisão territorial datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o distrito de Bacurituba figura pertencendo ao município de Cajapió. E também no quadro fixado para vigorar no período de 1944 a 1948. Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1960, o distrito de Bacurituba permanece ainda no município de Cajapió. A vila foi elevada à categoria de município com a denominação de Bacurituba, pela lei estadual nº 6.196, de 10 de novembro de 1994, desmembrado de Cajapió. Sede no
  10. 10. 11 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva antigo distrito de Bacurituba. Constituído do distrito sede. Instalado em 01 de outubro de 1997. Em divisão territorial datada de 15 de julho de 1999, o município é constituído do distrito sede. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2005 (Fonte: IBGE – 2013). 1.4 A EMANCIPAÇÃO DE BACURITUBA Alguns fatores foram considerados significantes para que ocorresse a emancipação do município de Bacurituba. Segundo BREMAEKER (1993), as principais alegações para a emancipação de vários municípios no Brasil foram: descaso por parte da administração do município de origem; existência de forte atividade econômica local; grande extensão territorial do município de origem; e aumento da população local. Neste caso, para Bacurituba as duas últimas tiveram grande influência no processo de emancipação do município. Em resumo, a criação do município de Bacurituba ocorreu devido a necessidade do Estado do Maranhão em atender e mudar a distribuição de renda do próprio estado. Dessa forma, no início dos anos 90, foi fomentado dentro da Assembleia Legislativa o desenvolvimento de alguns povoados no estado do Maranhão, e esta criação aconteceu através de uma consulta popular, o chamado Plebiscito. A partir de então iniciou-se na vila de Bacurituba uma campanha de esclarecimento à população sobre o que realmente significava o Plebiscito. O Plebiscito é uma campanha sem candidato, mas ainda assim, existiam pessoas que eram contra, e ficaram com receio de que a emancipação acontecesse, pois acreditavam que isso não seria bom para o distrito de Bacurituba. Outros temiam ser prejudicados politicamente. Em Bacurituba criaram-se dois grupos: de um lado estava o grupo do sim lutando para não deixar o povo iludido, e do outro o grupo do não, que preferiam viver em um povoado totalmente dependente de Cajapió, mesmo com todas as dificuldades encontradas, principalmente na distância do distrito de Bacurituba para a sede municipal em Cajapió que é cerca de 28km de distância. No entanto, a data do Plebiscito já havia sido marcada, e no dia 19 de junho de 1994 exatamente a partir das oito horas da manhã, começaria o dia
  11. 11. 12 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva mais esperado pela grande parte da população da velha vila de Bacurituba. O povo percebeu a importância do ato, e muitos não mediram esforços para contribuir em favor da independência do distrito. O dia chegou e as pessoas começaram se deslocarem para os locais de votação. O povo parecia estar preparado para aquela ocasião, mas ainda assim, alguns estavam confusos e meio que indecisos não sabiam se votam no sim ou no não. Toda votação ocorreu de forma calma, deixando os mais interessados apreensivos e nervosos. Não havia partido de direita nem de esquerda nessa eleição, por isso, começou uma luta pelos interesses da vila de Bacurituba, alguns mais interessados buscavam as pessoas em suas casas persuadindo- as para votar e tornando-se quase uma obrigação. Depois do ocorrido, às dezesseis horas, após uma pesquisa nas urnas, descobriram que em todas as urnas consultadas, os votos depositados ainda não tinham atingidos os 51% do esperado e, desses, muitos não tinham certeza se os votos eram favoráveis ou não. Parecia que o sonho de liberdade havia se tornado um pesadelo, e que estavam em um filme de fim trágico. Finalmente às vinte e duas horas terminou-se a contagem de votos. Chega finalmente o momento mais esperado por todos. A vitória chegou. Todos cantavam, se alegravam e dançavam ao som de uma radiola. Foguetes enchiam o céu de Bacurituba ao som da liberdade e esta festa durou a noite toda. Bacurituba desligava-se do seu município mãe: Cajapió, para ser de uma vez por todas independente. E um dos principais fatores que favoreceram foi a distância rodoviária, cerca de 28 km da sua sede. Somente foi confirmada esta decisão de consulta do Plebiscito através do Decreto lei n.º 6.196 de 10 de novembro de 1994. Nesta data é comemorado o dia do Aniversário de Bacurituba sendo feriado municipal. 1.4 A POLÍTICA BACURITUBENSE Após tornar-se município em 10 de novembro de 1994, Bacurituba começou a ter eleições locais para vereadores e prefeito. Assim, o primeiro prefeito de Bacurituba a ser eleito foi Sebastião Prado Costa, também conhecido como Síbá, ele se elegeu em dois anos
  12. 12. 13 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva consecutivos, exercendo dois mandatos como prefeito. Em seguida José Sisto Ribeiro, foi eleito o segundo prefeito em Bacurituba, exercendo apenas um mandato, pois ao término de quatro, perdeu a eleição para a senhora Filomena Barros, a Filuca de Sibá e esposa do primeiro prefeito da cidade, e foi a terceira pessoa a eleger-se como prefeita do município. Já em 2012 nas últimas eleições, o senhor José Sisto Ribeiro tornou-se o atual prefeito vencendo novamente as eleições. Figura 2 - Sebastião Costa (Sibá) Figura 3 - José Sisto Ribeiro Figura 4 - Filomena Barros (Filuca de Sibá)
  13. 13. 14 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva 2 ASPECTOS GEOGRÁFICOS 2.1 LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA O município de Bacurituba está localizado na região nordeste no Estado do Maranhão precisamente na Mesorregião Norte Maranhense e está inserido na Microrregião Litoral Ocidental Maranhense. Suas coordenadas geográficas perfazem uma latitude de 2°50’ E, e uma longitude de 44°45’ O. Sua população segundo o último censo do IBGE é estimada no ano 2013 em 5.440 habitantes com área de unidade territorial de 674,512km². Densidade demográfica de 7,85 hab/km². A seguir temos a ilustração da Mesorregião Litoral Ocidental Maranhense a qual pertence o município de Bacurituba e a sua Unidade territorial. Figura 5 - Mesorregião Litoral Ocidental Maranhense. Fonte: IBGE (2001); NUGEO (2011)
  14. 14. 15 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva Figura 6 - Unidade territorial do município de Bacurituba/MA. Fonte: IBGE O município de Bacurituba limita-se ao Norte com os municípios de Alcântara e Bequimão, ao Sul com os municípios de Cajapió e São Vicente Ferrer, a Leste com o município de São Luís e a Oeste com os municípios de Peri Mirim e São Bento. É banhado pela Baía de São Marcos. A seguir temos o cartograma do município de Bacurituba em marrom onde mostra ao leste a Baía de São Marcos. Figura 7 - Cartograma do município de Bacurituba Fonte: Google Maps, 2013
  15. 15. 16 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva Abaixo temos uma visualização do mapa geral do estado do Maranhão e suas meso e microrregiões. Figura 8 - Divisão política do Estado do Maranho. Fonte: IBGE (2001); NUGEO (2011).
  16. 16. 17 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva 2.2 VEGETAÇÃO A Vegetação da paisagem bacuritubense caracteriza-se pelos chamados campos naturais, grandes campos alagados que enchem nos meses que correspondem ao inverno e secam nos meses que correspondem ao chamado verão. E ainda por apresentar uma vasta área litorânea com praias e manguezais além de florestas de babaçuais. Encontram-se matas de galeria e remanescentes de floresta amazônica. Os campos são caracterizados como:  Campos de Teso: são as partes altas dos campos que não inundam. Na época das chuvas, entre dezembro e junho, os campos baixos ficam alagados restando “ilhas” de terra firme e uma área de campos em terreno um pouco elevado, o “teso”. Esta área é predominantemente rural, basicamente ocupada por atividades agrícolas, pesqueira e exploração mineral de barro e areia;  Campos inundáveis: são terras baixas, planas, inundáveis, caracterizadas por campos, matas de galeria, manguezais e bacias lacustres. Possuem solos argilosos pouco consolidados com grande capacidade de retenção de água, nos estuários, os manguezais ocorrem penetrando os igarapés, por entre os campos, até onde existe influência das marés. Figura 9 - Campo alagado de Bacurituba
  17. 17. 18 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva 2.3 HIDROGRAFIA As bacias hidrográficas são subdivididas em sub-bacias e microbacias. Elas constituem divisões das águas, feitas pela natureza, sendo o relevo responsável pela divisão territorial de cada bacia, que é formada por um rio principal e seus afluentes.td O município de Bacurituba está assentado sobre as bacias hidrográficas dos rios Uru-Pericumã-Aurá e é drenado pelo rio Aurá, que deságua no oceano Atlântico. Essas bacias reúnem rios de trajetos curtos com características amazônicas. A hidrografia apresenta direção NE/SW e drena uma região relativamente plana. Os rios maranhenses procedentes das chapadas apresentam características distintas dos demais rios nordestinos pelo seu caráter perene. Esses rios, entre os quais o Rio Bacurituba e o Rio Aurá, tem seus mananciais em zonas de pluviosidade entre 2250mm a 2000mm anuais. Apresentam alguns trechos navegáveis mesmo no período de vazante. Estes rios são elementos decisivos no emaranhado paisagístico, onde se destacam a presença de vales caudalosos dos rios em seus baixos cursos, que em plano altimétrico baixo, se apresentam mais volumosos e dispostos em planícies de inundação mais expansivas. Assim mostra FRANCO (2012): Os rios emissários (temporários e perenes) entrelaçam os lagos em diferentes períodos sazonais, enquanto que os igarapés e nascentes formam microbacias que desempenham importantes pulsos de inundação que completarão os ciclos das cheias anuais. Os lagos em suas especificidades regionais (lagoas, lagunas, poções) experimentam um curioso dinamismo superficial diante das constantes mudanças de volume de água. Outros ambientes característicos de zonas úmidas como enseadas, estuários, rias afogadas, pântanos, charcos, igapós, manguezais e apicuns, são elementos pontuais na fisiologia das paisagens dessa região maranhense, por vezes funcionando como componente estrutural dos lagos ou como subsistema interativo. (Franco, 2012, p.12) O rio mais importante para o município é o Rio Bacurituba que deságua na Baía de São Marcos e exerce papel fundamental na economia da região ao suprir o comércio do pescado na localidade. Do rio são retiradas grandes quantidades de peixes e mariscos o ano inteiro. Dentre os mais comuns no comércio estão: pescadas, bagres, meros, cações, tainhas,
  18. 18. 19 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva uritingas, camurins, perapemas, etc., e os mariscos que são representados por sururus, camarões, siris e caranguejos. Além do rio Aurá, drena a área do município o rio Bacurituba e os igarapés: do Machado, do Furo e Guajuruba. Segundo o estudo do CPRM, o município de Bacurituba apresenta um domínio hidrogeológico: do aquífero poroso ou intergranular, relacionado aos sedimentos consolidados da formação Itapecuru; e dos sedimentos inconsolidados dos Depósitos de Pântanos e Mangues; dos Depósitos Flúvio- Marinhos; e dos Depósitos Aluvionares. O aquífero Itapecuru, ocorre como aquífero livre ou semiconfinado na área do município. Por ser formado litologicamente por arenitos finos a muito finos, predominantemente argilosos, com intercalações de siltitos e argilitos, pode ser classificado como de potencial hidrogeológico de fraco a médio, com vazões variando entre 5,0 a 12,0 m³/h, podendo, em alguns casos, atingir mais de 40,0m³/h. 2.4 CLIMA O clima no município de Bacurituba assim como em toda microrregião maranhense na qual ele pertence é do tipo úmido, com moderada deficiência de água no inverno, entre os meses de junho a setembro, podendo chegar até a meados de dezembro a janeiro, megatérmico, ou seja, temperatura média mensal sempre superior a 18° C, sendo que a soma da evapotranspiração potencial nos três meses mais quentes do ano é inferior a 48% em relação à evapotranspiração potencial anual. Com relação à temperatura, o município está localizado em uma área do Estado do Maranhão que apresenta médias térmicas anuais superiores a 18°C, devido a estar localizado na região Equatorial onde a temperatura do ar é normalmente elevada e uniforme ao longo do ano. Com relação à sazonalidade, as temperaturas mais elevadas ocorrem durante o segundo semestre, no qual se encontra na época seca. Devido à estação chuvosa, no primeiro semestre predominam dias com chuva e céu parcialmente nublado e aumento da umidade relativa do ar, que amenizam a sensação térmica.
  19. 19. 20 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva 2.5 PLANÍCIE A extensa planície do norte maranhense corresponde aos terrenos com amplitudes altimétricas inferiores a 200 m, que penetram para o interior acompanhando os vales dos rios. As áreas mais expressivas localizam-se nos vales inferiores de todos os rios que banham terras do Estado do Maranhão. A planície litorânea é modelada por agentes e processos marinhos e fluviomarinhos que dão origem às praias, mangues, vasas, pântanos, apicuns, lagunas e falésias, enquanto na área de fluxo indireto, maré dinâmica, ocorrem os pântanos e campos inundáveis. Neste ambiente destacam-se o Litoral Ocidental, o Golfão Maranhense e o Litoral Oriental no qual pertence o município de Bacurituba. O litoral corresponde à faixa de terras banhadas periodicamente pela água do mar, durante os movimentos de fluxo e refluxo, sendo delimitada pelas linhas de preamar e de baixa-mar. Possui largura variável, dependendo das características geomorfológicas da região e da amplitude das marés. Nesta faixa de terras, podem ser identificados os seguintes ecossistemas: apicuns, falésias, lagunas, manguezais, pântanos salinos e salobros, praias e vasas. As condições geográficas neste segmento do litoral denunciam alto grau de vulnerabilidade da paisagem em função da intensa dinâmica sedimentar. As atividades humanas não representam fator de desequilíbrio, exceto nas áreas de influência direta dos povoados por causa do predomínio do emprego de técnicas ainda rudimentares na pesca e na extração de recursos como o sururu e madeira de mangue. A proximidade do Equador e a configuração do relevo favorecem a amplitude das marés, que alcançam até 7,2 m com média em torno de 6,6 m (FEITOSA, 1989) e penetram os leitos dos rios causando influências até cerca de 150 km do litoral. A região bacuritubense por fazer limite com a Baixada Maranhense constitui um ambiente rebaixado, de formação sedimentar recente, ponteado de relevos residuais, formando outeiros e superfícies tabulares cujas bordas decaem em colinas de declividades variadas. No interior desses ambientes rebaixados formam-se os tesos, acumulações de sedimentos cujos topos ficam descobertos das inundações e onde se desenvolvem arbustos com
  20. 20. 21 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva características de vegetação de terra firme. A formação dos tesos ocorre em zonas de baixa energia onde se precipitam as partículas de sedimentos. Os lagos transbordam durante o período chuvoso, interligando-se por um sistema de canais divagantes que servem como vias de comunicação com a cidade principalmente de São Bento e os povoados, substituindo parcialmente a estrada como é no caso do deslocamento para o Povoado de Tamanduaí. Durante o período seco, o cenário hídrico transforma-se em grandes extensões de campos ressequidos.
  21. 21. 22 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva 4 ASPECTOS BIÓTICOS O município de Bacurituba está inserido numa região do Maranhão considerada Amazônia Legal que tem sua preservação garantida por Lei de acordo como código Florestal (Decreto Estadual 11.900 de 11 de junho de 1991), por conter um bioma bastante diversificado. Também faz parte da APA, Área de Proteção Ambiental que reúne 32 municípios da Mesorregião Norte Maranhense, designada também como Sítio Ramsar. 4.1 FLORA A vegetação presente é composta basicamente nos campos alagados por macrófitas aquáticas. Encontramos a Salvinia sp., a Juncus sp., e a Batis marítima. 4.2 FAUNA A fauna é constituída por uma grande diversidade de animais aquáticos que vivem nos manguezais e também nos campos alagados. Entre aves aquáticas as que merecem destaque são: o frango-d’água (Gallinula chloropus), a japieçoca (Jacana jaçanã), o marreco (Dendrocygna Autumnalis) e a garça (Egretta thula). Figura 10 - Frango d'água ou Jaçanã (Gallinula chloropus). Fonte: Wikipédia
  22. 22. 23 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva O frango-d’água na região bacuritubense é popularmente conhecido como jaçanã, ele mede aproximadamente 37 cm de comprimento. Apresenta um escudo facial vermelho, faixas brancas nos flancos, plumagem negra e patas amarelas. Os imaturos são castanho-escuros com abdome mais claro, sem o escudo facial vermelho. Alimenta-se de uma grande variedade de material vegetal, além de pequenos animais aquáticos. Frequenta lagos, lagoas, canais, pântanos e também lagunas salobras. É uma ave migratória, deslocando-se para o norte durante o inverno austral. O ninho é uma cesta coberta construída no chão em vegetação densa. A fêmea deposita entre oito e doze ovos. Pode haver uma segunda ninhada no ano, composta entre cinco e oito ovos. A incubação dura aproximadamente três semanas e é realizada por ambos os pais. Por muito tempo o frango-d’água ou jaçanã fez parte da culinária local, servindo também como presa fácil pelos caçadores da região. Atualmente o poder público vem tentando coibir o comércio e a venda desta ave temendo pelo desaparecimento da espécie na nossa região. Figura 11 – Japieçoca (Jacana Jacana)
  23. 23. 24 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva 5 ATIVIDADES ECONÔMICAS 5.2 ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS Os dados socioeconômicos relativos ao município foram obtidos a partir do Projeto Cadastro de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Maranhão da CPRM – Serviço Geológico do Brasil, onde foram utilizadas as informações disponíveis nos seguintes sites: do IBGE (www.ibge.gov.br), da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) (www.cnm.org.br) e no Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (2010). O CPRM relata que o município foi elevado à condição de cidade com a denominação de Bacurituba, pela lei estadual nº 6.196 em 10/11/1994 e segundo o IBGE (2010), cerca de 26,94% da população reside na zona urbana, sendo que a incidência de pobreza no município é de 59,27% e o percentual dos que estão abaixo do nível de pobreza é de 45,57%. Na educação destacam- se os seguintes níveis escolares presentes em Bacurituba: Educação Infantil (23,32%); Educação de Jovens e Adultos (3,90%); Ensino Fundamental do 1º ao 9º ano (60,30%); Ensino Médio do 1º ao 3º ano (12,47%) conforme informações do IMESC (2010). O analfabetismo atinge mais de 30% da população da faixa etária acima de sete anos, conforme os dados da CNM (2000). No campo da saúde, o CPRM descreve que o município conta com dois estabelecimentos públicos de atendimento. No censo de 2000, o estado do Maranhão teve o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil e Bacurituba teve baixos desempenhos, com IDH de 0,569. A pecuária, a extração vegetal, a lavoura temporária, as transferências governamentais, o setor empresarial com 12 unidades instaladas e o trabalho informal são as principais fontes de recursos para o município. A água consumida na cidade de Bacurituba é distribuída pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto – SAAE, autarquia municipal, que atende aproximadamente 4.245 pessoas com 923 ligações através de uma central de
  24. 24. 25 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva abastecimento, (IBGE, 2010). O município possui um sistema de escoamento superficial para os efluentes domésticos e pluviais que são lançados em lagoas e a disposição final do lixo urbano não é feita adequadamente em um aterro sanitário. De acordo com os dados da CNM (2000), apenas 0,67% dos domicílios têm seus lixos coletados, enquanto 96,28% lançam seus dejetos diretamente no solo ou os queimam e 3,06% jogam o lixo em lagos ou outros destinos. Dessa forma, a disposição final do lixo urbano e do esgotamento sanitário não atendem as recomendações técnicas necessárias, pois não há tratamento do chorume, nem dos efluentes domésticos e pluviais, como forma de reduzir a contaminação dos solos, a poluição dos recursos naturais e a proliferação de vetores de doenças de veiculação hídrica. Não existe a coleta do lixo dos estabelecimentos de saúde tendo seu acondicionamento feito de forma inadequada possibilitando um elevado risco de poluição aos recursos hídricos subterrâneos. O fornecimento de energia é feito pela ELETRONORTE através da CEMAR (2011) pelo Sistema Regional de Miranda que abrange a região Norte, Centro-Norte e Centro-Oeste maranhense. É composto atualmente por 26 subestações, sendo duas na tensão de 138/69/13,8 KV, 16 na tensão de 69/13,8 KV (15 da CEMAR e uma de um consumidor Especial), uma na tensão de 69/34,5 KV, seis na tensão de 34,5/13,8 KV e uma na tensão 230/69 KV. Segundo o IMESC (2010) existem 1.035 ligações de energia elétrica no município de Bacurituba. Gráficos de despesas e receitas orçamentárias:
  25. 25. 26 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva Fonte: IBGE (2013)
  26. 26. 27 Bacurituba – Aspectos históricos, Econômicos e Ambientais – Prof. Cid Ulysses Silva BIBLIOGRAFIA IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Wikipédia, a enciclopédia livre. AQUINO, Paula. HISTÓRIA DO MARANHÃO OLIVEIRA, Zezinho. De São Bento Velho à Bacurituba. 2010. MARQUES, César Augusto. Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão.1870.

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