0
AUTARQUIA DE ENSINO SUPERIOR DE BELO JARDIM
FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES – FABEJA
BREJO DE ALTITUDE DO MUNICÍPIO...
1
AUTARQUIA DE ENSINO SUPERIOR DE BELO JARDIM
FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES – FABEJA
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA – FA...
2
Silva, Henágio José da
Brejo de Altitude do Município do Brejo da Madre de Deus – PE e a Degradação do
Solo - o caso da ...
3
AUTARQUIA DE ENSINO SUPERIOR DO BELO JARDIM
FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES – FABEJA
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA – FA...
4
Primeiro ao Sr. Jesus Cristo por proporcionar
minha vida, aos meus pais: José Joaquim da Silva e
Maria de Fátima da Silv...
5
AGRADECIMENTOS
Á Jesus Cristo (01- 33 – a. d) por me proporcionar a vida;
Á presidente da AEB - Carmem Peixoto;
Á direto...
6
RESUMO
Os Brejos de Altitude são disjunções de floresta atlântica proporcionada pelos
acidentes orográficos de tais área...
7
ABSTRACT
The upland forests are disjunctions of accidents provided by the Atlantic forest
terrain in such areas with ele...
8
LISTAS DE ILUSTRAÇÕES
LISTAS DE FIGURAS
Figurajf
Figura 01 Parte de uma mapa da região Nordeste, com vegetação da Mata
A...
9
Figura 18 Figura representativa do município de Brejo da Madre de Deus... 75
Figura 19 Figura representativa da região d...
10
Figura 42 Gráfico de desmatamento em áreas de serra no Amaro................ 91
Figura 43 Gráfico de utilização da técn...
11
LISTA DE MAPAS
fvbfgbfth Descrição
Mapa 01 Principais brejos de altitude do Nordeste, 1971............................ ...
12
LISTA DE SIGLAS
APP - Área de Preservação Permanente
BDE –Base de Dados do Estado
COMPESA – Companhia Pernambucana de S...
13
SIBC - Sistema Brasileiro de Classificação de Solo
SUDENE – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste
ZAPE - Zone...
14
SUMÁRIO
1 Introdução............................................................................................ 17
2 R...
15
4.3.5.3 Uso inadequado do solo...................................................................... 53
5 Aspectos jurí...
16
10.1
10.2
10.3
10.4
10.5
10.6
10.7
10.8
10.9
Utilização da Técnica da Queimada............................................
17
1 INTRODUÇÃO
A degradação dos solos pode ser considerada um dos maiores problemas
ambientais dos dias atuais, isso porq...
18
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Paisagens de exceção, brejos e sua tipologia
As paisagens de exceção constituem fatos isola...
19
Os espaços subúmidos se destacam dos espaços semiáridos, dominantes na
região, por suas condições agroecológicas excepc...
20
temporária, vegetação natural de floresta caducifólia / caatinga hipoxerófila,
atualmente devastada em sua quase totali...
21
Lima (1960) o brejo de Altitude constitui em Pernambuco disjunções de
floresta tropical perenifólia, dentro da zona Caa...
22
Lavouras permanentes como as de banana, das frutas, de café, de citros
secundadas por lavouras temporárias como as de h...
23
projetando-se para o norte até a altura da Bahia, no caso brasileiro – contribuíram
para barrar a entrada de umidade at...
24
Com base na distribuição dos tipos de vegetação, estima-se que a floresta
Atlântica nordestina cobria uma área contínua...
25
Figura 02: Perfil esquemático representando a formação de chuvas orográficas e sua influencia na
manutenção das condiçõ...
26
2.4 Localização dos Brejos de Altitude
De acordo com Vasconcelos Sobrinho (1971), existem 43 brejos na floresta
Atlânti...
27
Localização dos brejos de altitude de Pernambuco e Paraíba
Brejos Estado Município Localização
Bananeiras Paraíba Banan...
28
Serra do Olho d’Água Pernambuco Belo Jardim 8° 19’, 36° 25’
Serra do Vento Pernambuco Belo Jardim 8° 19’, 36° 25’
Serra...
29
elucidou essa condição quando afirmou: “(...) se feira terminou, quando desmancha
as barracas e os toldos, vê-se os fei...
30
Segundo Sobrinho (1970) um fato que é constatado pelos estudiosos o
extremo grau de degradação que apresentam os brejos...
31
habitats, extração seletiva de plantas (e.g., madeiras, bromélias, plantas medicinais)
e eliminação de grandes vertebra...
32
3 Conceito e tipologia do solo
Segundo organização governamental e cientistas do estudo relacionado ao
solo, segue abai...
33
A classificação de um solo é obtida a partir dos dados morfológicos, físicos,
químicos e mineralógicos do perfil que o ...
34
Chernossolos:- São solos normalmente pouco coloridos (escuros ou com
tonalidades pouco cromadas e de matizes pouco aver...
35
Latossolos: São solos em avançado estágio de intemperização, muito
evoluídos, como resultado de enérgicas transformaçõe...
36
350g/kg de solo a partir do horizonte A), estrutura em blocos subangulares ou
angulares, ou prismática, de grau moderad...
37
Plintossolos: Compreende solos minerais, formados sob condições de
restrição à percolação da água, sujeitos ao efeito t...
38
Mapa 03: Mapa de solos do Estado de Pernambuco. Vê-se os tipos de solos representados por
manchas de cores diferenciada...
39
4 Conceito de degradação do solo e sua aplicação
“A degradação do solo pode ser entendida com a deterioração das suas
p...
40
citados acima, também os aspectos econômicos, uma vez que a perda de
produtividade pode estar relacionada com a degrada...
41
Degradação do Solo), registrou que 15% dos solos do planeta (aproximadamente 20
bilhões de ha) uma área do tamanho dos ...
42
4) Exploração intensiva da vegetação para fins domésticos, como
combustíveis, cercas, etc., expondo o solo à ação dos a...
43
Aliado a essa crescente quantidade de terras agrícolas que estão em
processo degradativo, que leva a perdas de produtiv...
44
Figura 06: Observa-se primeiramente na parte superior da figura um modelo esquemático que ilustra
o processo erosivo do...
45
no terreno (erosão laminar - a erosão laminar ocorre de maneira lenta e é de
difícil mensuração, porém sempre se espalh...
46
4.3.1O ciclo superficial da água e sua relação com o solo
Segundo Sengik (2005) a chuva é um dos fatores climáticos de ...
47
4.3.2 O ciclo sub-superficial da água no solo
A Infiltração é o movimento da água para dentro da superfície do solo. Qu...
48
material que pode ser arrastado varia com a quinta potência da velocidade de
escorrimento; (c) o tamanho das partículas...
49
matéria orgânica retém de duas a três vezes o seu peso em água, aumentando
assim a infiltração, do que resulta uma dimi...
50
Tipo de uso Perdas de solo Runoff
t/ha/ano % da chuva
Mata 0,001 1,1
Pastagem 1,0 1,6
Cafezal 1,4 1,6
Algodoal 36,0 8,2...
51
4.3.5.1 A retirada da cobertura vegetal e as consequências para o
solo
As florestas e matas naturais encontram-se prati...
52
alternativa geralmente eficiente, rápida e de custo relativamente baixo quando
comparada a outras técnicas que podem se...
53
4.3.5.3 Uso inadequado do Solo
O modo como a terra é manejada, ou seja, se está ou não recoberta de
vegetação, bem como...
54
5 Aspectos jurídicos ambiental
Sobre a conservação dos recursos naturais em especial a vegetação e o solo,
a nova lei d...
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
TCC de Geografia  Henágio José da Silva-Ano: 2011
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

TCC de Geografia Henágio José da Silva-Ano: 2011

335 visualizações

Publicada em

BREJO DE ALTITUDE DO MUNICÍPIO DO BREJO DA MADRE DE DEUS - PE E A DEGRADAÇÃO DO SOLO: O CASO DA COMUNIDADE DO AMARO -

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
335
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
9
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

TCC de Geografia Henágio José da Silva-Ano: 2011

  1. 1. 0 AUTARQUIA DE ENSINO SUPERIOR DE BELO JARDIM FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES – FABEJA BREJO DE ALTITUDE DO MUNICÍPIO DO BREJO DA MADRE DE DEUS - PE E A DEGRADAÇÃO DO SOLO - O CASO DA COMUNIDADE DO AMARO HENÁGIO JOSÉ DA SILVA BELO JARDIM – PE 2011 [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  2. 2. 1 AUTARQUIA DE ENSINO SUPERIOR DE BELO JARDIM FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES – FABEJA DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA – FABEJA HENÁGIO JOSÉ DA SILVA BREJO DE ALTITUDE DO MUNICÍPIO DO BREJO DA MADRE DE DEUS – PE E A DEGRADAÇÃO DO SOLO – O CASO DA COMUNIDADE DO AMARO Monografia apresentada ao Departamento de Geografia da FABEJA, como parte do programa de Trabalho de Conclusão de Curso – TCC. ORIENTADOR: PROF. Dr. NATALÍCIO RODRIGUES DE MELO BELO JARDIM – PE 2011 [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n
  3. 3. 2 Silva, Henágio José da Brejo de Altitude do Município do Brejo da Madre de Deus – PE e a Degradação do Solo - o caso da comunidade do Amaro. Belo Jardim, o Autor, 2011. 108 folhas: il., fig., gráf., mapas, quadros, fotos. Monografia de trabalho de Conclusão de Curso de Licenciatura Plena em Geografia – Faculdade de Formação de Professores de Belo Jardim- FABEJA – PE, 2011. ―Orientador: Prof. Dr. Natalício Rodrigues de Melo, FABEJA‖. [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  4. 4. 3 AUTARQUIA DE ENSINO SUPERIOR DO BELO JARDIM FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES – FABEJA DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA – FABEJA HENÁGIO JOSÉ DA SILVA Título: “BREJO DE ALTITUDE DO MUNICÍPIO DO BREJO DA MADRE DE DEUS - PE E A DEGRADAÇÃO DO SOLO – O CASO DA COMUNIDADE DO AMARO” BANCA EXAMINADORA TITULARES: Orientador:___________________________________________________ Prof. Dr. Natalício Rodrigues de Melo FABEJA 1º Examinador:__________________________________________________ Prof. Ms. Lindhiane Costa de Farias FABEJA 2º Examinador:__________________________________________________ Prof. Arnaldo Dantas FABEJA [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  5. 5. 4 Primeiro ao Sr. Jesus Cristo por proporcionar minha vida, aos meus pais: José Joaquim da Silva e Maria de Fátima da Silva que apesar de tanta dificuldade conseguiram cumprir seus papéis enquanto pais ensinando os valores éticos e morais. Aos meus irmãos Elizângela Maria da Silva, Ângelo José da Silva, Alberto José da Silva, Philippe José Joaquim da Silva e a minha sobrinha Maria Paula. A minha querida noiva Janaina Marinho da Silva que esteve presente ao meu lado durante todo processo de estudo e pesquisa. . Dedico [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  6. 6. 5 AGRADECIMENTOS Á Jesus Cristo (01- 33 – a. d) por me proporcionar a vida; Á presidente da AEB - Carmem Peixoto; Á diretora da FABEJA - Luzia Squinka; Ao coordenador do curso de Geografia – Prof. Dr. Natalício de Melo Rodrigues; Aos chefes do departamento de Geografia – Ricardo e Arnaldo Dantas; Aos professores – Lindhiane, Mario Benner e Luzia Chaves; Aos meus familiares: Meu pai José Joaquim da Silva Minha Mãe Maria ade Fátima da Silva Minha irmã Elizângela Maria da Silva e meus irmãos Ângelo José da Silva, José Alberto da Silva, Philippe José Joaquim da Silva. Aos meus colegas de Trabalho no INSTITUTO AGRONÔMICO DE PERNAMBUCO, Anamaria Jordão, Suzana Cordeiro e ao Engenheiro Agrônomo Francisco Maurício de Araújo que sempre me motivou para o estudo e contribuiu para minhas pesquisas orientando e informando os processos principalmente sobre a Degradação do Solo. Ao conselho ligado a agricultura do município CONDESB – Conselho de Desenvolvimento Sustentável de Brejo da Madre de Deus, na pessoa de Elizabeth Szilassy que disponibilizou mapas e registros Pluviométricos. Também ao INSTITUTO AGRÔMICO DE PERNAMBUCO – IPA de Brejo da Madre de Deus que disponibilizou informações fundamentais para execução do presente trabalho. Ao agricultor Maurício, que dispôs de seu tempo para se deslocar até as áreas de pesquisa no Amaro, tento um vasto conhecimento no objeto de pesquisa, conhecendo os espaços do brejo de Altitude, aos agricultores que contribuíram para pesquisa, abrindo os espaços e o tempo para ceder as informações necessárias. [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  7. 7. 6 RESUMO Os Brejos de Altitude são disjunções de floresta atlântica proporcionada pelos acidentes orográficos de tais áreas com elevações superiores a 600 m altitude em relação ao nível do mar que possuem características atípicas das áreas em seu contorno, essas áreas apresentam condições pluviométricas distinta a sua adjacência, com índices que passam dos 1.000 m anuais e condições de temperatura amena pela sua elevação e pela presença de uma vegetação arbórea verde durante todo o ano, solos profundos pelo grande grau de intemperismo químico. Esses espaços apresentam boa capacidade hídrica com várias nascentes que dão origem a riachos e rios muitas vezes perenes que dão suporte a agricultura local e ao abastecimento hídrico da cidade. No passado essas áreas apresentavam enorme significância para seu entorno pela produção agrícola de vegetais e frutas, pois forneciam essas mercadorias nos dias de feiras. Hoje esses espaços estão fortemente degradados, sua vegetação original praticamente não existe mais, dando espaço aos cultivos de hortaliças temporárias e frutas permanentes como Bananeira e mais recentemente a introdução da pecuária bovina com utilização de pasto de pisoteio. Essas práticas vêm causando a degradação e perda do solo principalmente pela erosão dos mesmos, o que naturalmente ocorrem e ocorreram durante milhões de anos, mas com as ações antrópicas esses espaços vêm sendo fortemente degradados o que vem causando a diminuição da produtividade das hortaliças e frutas. Palavras chave: Brejo de Altitude, solo, degradação, agricultura, erosão. [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  8. 8. 7 ABSTRACT The upland forests are disjunctions of accidents provided by the Atlantic forest terrain in such areas with elevations above 600 m altitude above sea level which are atypical features in its border areas. These areas have different rainfall conditions than its surrounding areas with amounts of more than 1,000 m and annual temperature conditions amenable for its elevation and the presence of green vegetation all year long, deep soils by chemical weathering to a large degree. These spaces have a good water capacity with several water springs that give rise to streams and rivers, often perennial, that support local agriculture and water supply to urban areas. In the past these areas had an important significance to the region supplying vegetable and fruit production to the weekly markets. Today these areas are heavily degraded, the original vegetation no longer exists, giving rise to temporary crops of vegetables and fruits like Banana and more recently the introduction of cattle grazing. These practices are causing erosion with soil degradation and loss, which naturally occur and have occurred over millions of years, but with human actions these areas have been greatly degraded causing a reduction in vegetable and fruit productivity. Palavras-chave: upland forests, soil, degraded, agriculture, erosion. [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  9. 9. 8 LISTAS DE ILUSTRAÇÕES LISTAS DE FIGURAS Figurajf Figura 01 Parte de uma mapa da região Nordeste, com vegetação da Mata Atlântica......................................................................................... 24 Figura 02 Esquema representativo das chuvas orográficas nos brejos de altitude............................................................................................ 25 Figura 03 Distribuição altitudinal da vegetação remanescente, Mata Atlântica.......................................................................................... 25 Figura 04 Ambiente do Bioma Mata Atlântica, com sinais de degradação.... 40 Figura 05 Estágio avançado de degradação do solo–Voçoroca.................... 40 Figura 06 Esquema do processo humano nas causas de erosão................. 44 Figura 07 Manejo inadequado ao solo – queimada....................................... 52 Figura 08 Esquema de práticas que degradam o solo.................................. 53 Figura 09 Polígono que compreende os limites do município de Brejo da Madre de Deus.............................................................................. 56 Figura 10 Figura representativa do município de Brejo da Madre de Deus... 56 Figura 11 Aspectos geomorfológicos da área de ocorrência de Brejo de Altitude............................................................................................ 65 Figura 12 Barragem Oitis na comunidade dos Oitis, 2010............................. 66 Figura 13 Valores pluviométricos anuais da sede do município de Brejo da Madre de Deus do ano 1984 a 1990.............................................. 68 Figura 14 Valores pluviométricos anuais da sede do município de Brejo da Madre de Deus do ano 1991 a 2000.............................................. 68 Figura 15 Valores pluviométricos anuais da sede do município de Brejo da Madre de Deus do ano 2001 a 2010.............................................. 69 Figura 16 Valores pluviométricos anual da sede e das áreas rurais do município de Brejo da Madre de Deus do ano 2010...................... 70 Figura 17 Distrito de Cavalo Ruço Região Brejeira, 2011.............................. 74 [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n
  10. 10. 9 Figura 18 Figura representativa do município de Brejo da Madre de Deus... 75 Figura 19 Figura representativa da região do brejo de altitude do município de Brejo da Madre de Deus............................................................ 75 Figura 20 Reserva Particular do Patrimônio Natural do Bitury - Região Brejeira............................................................................................ 76 Figura 21 Nascente d’água – Região Brejeira, 2010...................................... 77 Figura 22 Barragem de Santana II – Região Brejeira, 2010........................... 78 Figura 23 Serra da Prata – Região Brejeira, 2011.......................................... 78 Figura 24 Serra do Ponto – Região Brejeira, 2011......................................... 78 Figura 25 Cachoeira de São Francisco, Região Brejeira, 2011...................... 79 Figura 26 Perfil do solo Livramento– Região Brejeira, 2011.......................... 80 Figura 27 Perfil do solo Amaro – Região Brejeira, 2011................................. 80 Figura 28 Cultivo de hortaliças no Amaro – Região Brejeira, 2011................ 81 Figura 29 Cultivo de banana no Amaro – Região Brejeira, 2011................... 81 Figura 30 Preparo de solo no cultivo de morango, Região Brejeira, 2011.... 82 Figura 31 Cultivo de morango, Região Brejeira, 2011.................................... 82 Figura 32 Pasto para bovino no Amaro, Região Brejeira, 2011..................... 82 Figura 33 Pasto para bovino no Cajueiro, Região Brejeira, 2011.................. 82 Figura 34 Foto de área de pasto com sinais iniciais de erosão por sulco..... 83 Figura 35 Foto de erosão em estágio de sulcamento..................................... 83 Figura 36 Olaria de tijolos manual, Escorrego, Região Brejeira, 2011........... 84 Figura 37 Figura representativa da região de brejo de altitude do município de Brejo da Madre de Deus............................................................ 85 Figura 38 Foto de uma paisagem comum na comunidade do Amaro, com exploração de pasto para bovinos.................................................. 86 Figura 39 Gráfico da utilização de queimada na comunidade do Amaro....... 89 Figura 40 Gráfico dos motivos da queimada na comunidade do Amaro........ 89 Figura 41 Gráfico do uso de herbicida pelos agricultores do Amaro.............. 90 [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  11. 11. 10 Figura 42 Gráfico de desmatamento em áreas de serra no Amaro................ 91 Figura 43 Gráfico de utilização da técnica de curva de nível no Amaro......... 92 Figura 44 Gráfico do tipo de aração na comunidade do Amaro..................... 93 Figura 45 Gráfico do tipo de irrigação utilizada pelos agricultores do Amaro. 94 Figura 46 Gráfico do uso das terras em áreas de declividade....................... 95 Figura 47 Trabalho agrícola nas áreas de alto declive................................... 96 Figura 48 Pecuária em área de alto declive................................................... 97 [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  12. 12. 11 LISTA DE MAPAS fvbfgbfth Descrição Mapa 01 Principais brejos de altitude do Nordeste, 1971............................ 26 Mapa 02 Mapa de Solos de Pernambuco.................................................... 38 Mapa 03 Mapa Geológico de Brejo da Madre de Deus............................... 59 Mapa 04 Mapa pedológico do município de Brejo da Madre de Deus....... 60 Mapa 05 Mapa Geomorfológico da área de Brejo da Madre de Deus....... 61 Mapa 06 Mapa da distribuição fitofisiográficado Brejo da Madre de Deus. 63 Mapa 07 Mapa de valores hipsométricos do Brejo da Madre de Deus....... 64 LISTA DE QUADROS Nºvfbgfb Quadro 01 Localização dos Brejos de Altitude.................................................... 26 Quadro 02 Principais brejos de altitude de PE e PB........................................... 27 Quadro 03 Tipos de vegetação e vegetação remanescente da Mata Atlântica.. 30 Quadro 04 Tipos de vegetação remanescente nos brejos de altitude do Nordeste............................................................................................. 31 Quadro 05 Efeito do erosão em diferentes tipo de cobertura do solo................. 50 Quadro 06 Produção Agrícola do município de Brejo da Madre de Deus........... 72 Quadro 07 Rebanho pecuário do município de Brejo da Madre de Deus........... 72 Quadro 08 Quantitativo de propriedades por áreas do município de Brejo da Madre de Deus................................................................................... 73 Quadro 09 Perfil de uso de solo no sitio Amaro – impactos ambientais.............. 88 Quadro 10 Perfil de uso de solo no sitio Amaro – técnicas agrárias................... 93 [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  13. 13. 12 LISTA DE SIGLAS APP - Área de Preservação Permanente BDE –Base de Dados do Estado COMPESA – Companhia Pernambucana de Saneamento CONDESB – Conselho de Desenvolvimento Sustentável CPRM - Serviço Geológico do Brasil DATASUS – Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde DAEE-IPT- Departamento de Águas e Energia Elétrica – Instituto de Pesquisas Tecnológicas EBAPE–Empresa de Abastecimento de Pernambuco EMATER - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ETENE –Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste EW - Ondas de Este FAO - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação FMI – Fundo Monetário Internacional FPA - Correntes Perturbadas do Sul GLSOD– Global Assessment of Soil Degradation IAC – Instituto Agronômico de Campinas IBAMA–Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBGE–Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDH - Índice de Desenvolvimento Humano IVDN - Índice de Vegetação por Diferença Normalizada INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais IPA –Instituto Agronômico de Pernambuco MMA - Ministério do Meio Ambiente PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PSF - Posto de Saúde da Família RBGF-Revista Brasileira de Geografia Física RPPN - Reserva Particular de Patrimônio Natural [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  14. 14. 13 SIBC - Sistema Brasileiro de Classificação de Solo SUDENE – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste ZAPE - Zoneamento Agroecológico de Pernambuco ZCIT- Zona de Convergência Intertropical [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  15. 15. 14 SUMÁRIO 1 Introdução............................................................................................ 17 2 Revisão de Literatura........................................................................... 18 2.1 Paisagens de exceção, brejos e sua tipologia..................................... 18 2.1.1 Brejo de Fundo úmido e ou Vale......................................................... 19 2.1.2 Brejo de Altitude ou exposição............................................................ 20 2.2 A Teoria dos refúgios e redutos como modelo teórico para explicação da origem dos brejos......................................................... 22 2.3 Características da vegetação dos brejos............................................. 23 2.4 Localização dos brejos de altitude....................................................... 26 2.5 Importância socioeconômica dos brejos de altitude............................ 28 2.6 Degradação dos brejos de altitude...................................................... 29 3 Conceito e tipologia do solo................................................................. 32 3.1 Tipos de Solos..................................................................................... 32 4 Conceito de degradação do solo e sua aplicação............................... 39 4.1 O Problema da degradação do solo no mundo................................... 40 4.2 Causas de degradação do dolo........................................................... 43 4.2.1 Erosão antrópica................................................................................. 43 4.2.2 Erosão geológica................................................................................. 44 4.3 Fatores que contribuem para a erosão................................................ 45 4.3.1 O ciclo superficial da água e sua relação com o solo.......................... 46 4.3.2 O ciclo sub-superficial da água no solo............................................... 47 4.3.3 A influência da morfologia no solo....................................................... 47 4.3.4 Os diferentes tipos de solo e sua relação com os processos erosivos................................................................................................ 48 4.3.5 A importância da cobertura vegetal para a proteção do solo.............. 49 4.3.5.1 A retirada da cobertura vegetal e consequências no solo................... 51 4.3.5.2 As consequências da queimada para o solo....................................... 51 [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  16. 16. 15 4.3.5.3 Uso inadequado do solo...................................................................... 53 5 Aspectos jurídicos ambiental............................................................... 54 6 Caracterização Geográfica do Município de Brejo da Madre de Deus.................................................................................................... 56 6.1 Aspectos Socioeconômicosdo Município de Brejo da Madre de Deus..................................................................................................... 57 6.2 Características Geológica do Município de Brejo da Madre de Deus................................................................................. 58 6.3 Características Pedológica do Município de Brejo da Madre de Deus..................................................................................................... 60 6.4 Características Geomorfológica do Município de Brejo da Madre de Deus..................................................................................................... 61 6.5 Características da cobertura vegetal e Altimetria................................ 62 6.6 Recurso hídricos do município de Brejo da Madre de Deus............... 64 6.6.1 Águas subterrâneas............................................................................. 65 6.7 Características Climáticas do município de Brejo da Madre de Deus..................................................................................................... 66 6.8 Características Agropecuária e Fundiária do município de Brejo da Madre de Deus.................................................................................... 70 7 Características do brejo de altitude do Município do Brejo Madre de Deus.................................................................................................... 74 7.1 Características naturais do brejo de altitude da Madre de Deus........ 76 7.2 Características Pedológicas do Brejo de Altitude da Madre de Deus.................................................................................................... 80 7.3 Características Agropecuárias do Brejo de Altitude de Brejo da Madre de Deus.................................................................................... 80 7.4 Desgaste e uso inadequado do solo no Brejo de Altitude da Madre de Deus............................................................................................... 83 8 O caso da Comunidade Amaro........................................................... 85 9 Material e Método 87 10 Resultados........................................................................................... 88 [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t [ D i g i t e u
  17. 17. 16 10.1 10.2 10.3 10.4 10.5 10.6 10.7 10.8 10.9 Utilização da Técnica da Queimada.................................................... Uso do Herbicida................................................................................. Desmatamento em Área de Serra....................................................... Desmatamento em APP...................................................................... Prática da Curva de Nível.................................................................... Aração de Terra no Amaro.................................................................. Forma de Irrigação.............................................................................. Trabalho Agrícola nas Áreas Agrícolas............................................... Pecuária na Área de Declive............................................................... 89 90 91 92 93 94 95 96 97 11 Conclusão............................................................................................ 98 Referências Bibliográficas................................................................... 99 Apêndice.............................................................................................. 107 [ D i g i t e u m a c i t a ç ã o d o d o c u m e n t o o u o r e s u m o d e u m p o n t o i n t
  18. 18. 17 1 INTRODUÇÃO A degradação dos solos pode ser considerada um dos maiores problemas ambientais dos dias atuais, isso porque ela afeta não só as terras agrícolas, mas também as áreas de vegetação natural, e o Brasil não está livre desse desastre, inúmeras fontes de literatura e estudos de casos têm destacado uma grande área do nosso território como sendo de solo bastante degradado(Andrade, 1999). No Brasil, intimamente ligada à agricultura, resultam da combinação entre o clima implacável, um rápido desenvolvimento econômico e solos extremamente frágeis. São inúmeros os fatores causadores da degradação dos solos, podendo ser fatores causadores diretos ou simplesmente fatores facilitadores para que ocorra a degradação, também chamado de fatores aceleradores. Em outro caso, a ação de atores naturais sobre o solo causando a erosão é um fator direto, enquanto que um fator facilitador a essa ação pode ser antrópico. Os de ordem antrópicas designados de facilitadores são em geral os ligados aos desmatamentos, pastoreio, uso excessivo de vegetação, cortes em taludes, remoção de cobertura vegetal. Esses podem ser de ordem ou uso direto, a saber: uso de máquinas, condução de gado, encurtamento de pousio, entrada excessiva de água, uso excessivo de produtos químicos ou estrumes, deposição de resíduos, entre outros problemas de ordem ambiental. Quanto ao de ordem natural, destacam- se a chuvas torrenciais, ventos e alagamentos, entre outros (Andrade, 1999). Vale salientar que essa área abrejada é de suma importância, não só pela potencialidade agrária, mais também por ser considerada área de biodiversidade extremamente alta. Recentemente foi criada uma RPPN no local. Embora os remanescentes florestais estejam bastante fragmentados, a sua importância biológica é incontestável: a bioflora é rica e possui elementos vulneráveis, ratificando a necessidade de se priorizar a sua conservação e uso sustentável dos recursos naturais existentes.
  19. 19. 18 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Paisagens de exceção, brejos e sua tipologia As paisagens de exceção constituem fatos isolados, de diferentes aspectos físicos e ecológicos inseridos no corpo geral das paisagens habituais. Mais que isso são referências para o homem desde a pré-história. Enfatiza-se que as paisagens de exceção serviram de referência para os nossos antepassados, e por isso devem ser bem conservados e protegidos. Tendo uma localização, quase sempre, muito distanciada entre si, os sítios de paisagens bizarras em um país de tamanho gigante raramente podem ser conhecidos ou estudados em sua totalidade (AB’SABER, p. 149, 2003). Na linguagem simbólica utilizada nas ciências biogeográficas sucedem-se termos para designar “ilhas” de vegetação aparentemente anômalas, identificadas nos corredores de grandes domínios morfoclimáticos e fitogeográficos (AB’SABER, p. 145, 2003). O mais singelo desses termos é certamente a expressão relicto, aplicada para designar qualquer espécie vegetal encontrada em uma localidade específica e circundada por vários trechos de outro ecossistema. Um outro termo usado para designar manchas de ecossistemas típicos de outras províncias, porém, encravado no interior de um domínio de natureza totalmente diferente , é utilizada a expressão “enclave” fitogeográfico. Conforme Ab’ Saber ao explicar a razão de serem esses “enclaves‖ ecossistêmicos foi necessário toda trajetória de pesquisa que tornou possível a Teoria dos redutos e refúgios. Na realidade, os “enclaves” de ecossistemas em espaço de médio porte refletem a dinâmica das mudanças climáticas e paleoecológicas do período quaternário (AB’SABER, p. 145, 2003). Lins, 1989 conceitua como brejo “Subespaços úmidos que apresentam formas diversificadas de uso que as diferenciam das dominantes, no interior das quais se encontram situados”. Como sub - unidades regionais, que são, essas manchas úmidas reclamam uma caracterização geográfica sistemática ( ANDRADE, 1963).
  20. 20. 19 Os espaços subúmidos se destacam dos espaços semiáridos, dominantes na região, por suas condições agroecológicas excepcionais refletidas nos tipos e desempenho dos sistemas agrícolas em que sobressaem as lavouras e o manejo de baixo e ou médio nível tecnológico. Existem diferentes tipologias de brejos: Brejo de Várzea, Brejo de Fundo úmido e ou Vale e por fim Brejo de Altitude ou Exposição, que apresentam princípios fitoecológicos similares, mas com características próprias (LINS, 1989). Muitos desses espaços de exceção estão concentrados na faixa de rebordo do Planalto da Borborema. Eles ocupam posições inferiores do relevo e alternam com os Brejos de Altitude e estão caracterizados por condições climáticas com as mais elevadas cotas pluviométricas e pouca ou quase nenhuma deficiência hídrica, por exemplo o Brejo do Mimoso. Nesses ambientes a hidrografia é permanente e vegetação natural hidrófila, nesses campos de várzea, seus solos são moderadamente ou poucos desenvolvidos, profundos, argilosos, imperfeitamente drenados, ácidos, comumente saturados com água, durante boa parte do ano, sujeito a inundações com baixa fertilidade, denominados entre eles o hidromórficos e os aluviais distróficos (LINS, p 99, 1989). Essa acuidade, permitiu desenvolvimento de uma série de estudos, que perpassa por diversos autores brasileiros que deram grande contribuição para explicação e origem, desenvolvimento e tipologia dos brejos, entre os quais destacam-se: Ab’Saber (USP), Raquel de Caldas - UFPE, Vasconcelos Sobrinho (UFPE), Gilberto Osório de Andrade (UFPE), só para citar alguns e a relevância desse tipo de pesquisa. 2.1.1 Brejo de Fundo úmido e ou Vale São tipos agroecológicos de espaços ocorrentes entre algumas áreas serranas agrestinas, como a Serra do Mimoso e outras serras, constituídos por relevo pouco movimentado ou plano, com altimetria entre 500 a 700 metros, clima sub-úmido, com pluviosidade em torno de 700 a 900 mm anuais, com pouca ou moderada deficiência de água, hidrografia permanente e ou semipermanente e ou
  21. 21. 20 temporária, vegetação natural de floresta caducifólia / caatinga hipoxerófila, atualmente devastada em sua quase totalidade, e solos pouco desenvolvido, moderadamente profundo, textura média, boa disponibilidade de água, ácido a pouco ácido e com baixa a média fertilidade, onde dominam os aluviais distróficos e eutróficos (LINS, p 99, 1989). Ampla diversificação das formas de uso é constatada nessas áreas, onde os sistemas agrícolas envolvem culturas permanentes, como as de frutas diversas, de banana, de citros, de coco, e de pinha, assim como culturas temporárias, que incluem as hortaliças, de flores, de mandioca e de milho, além de pastagem de capineiras. Deficiência temporária de água e em alguns casos, a deficiência de fertilidade são seus principais entraves ao uso agrícola e em face disso esses espaços são dotados de regular e ou restrita aptidão para o uso com culturas. Os problemas acima referidos são superados através das práticas como a irrigação e as adubações orgânica e inorgânica. 2.1.2 Brejo de Altitude ou exposição Os brejos de altitude constituem zonas fisiográficas de maior importância para o suporte econômico das áreas semiáridas do Nordeste (SOBRINHO,1970). Segundo Paulo Kageyama (2004) ―os brejos de altitude nordestinos são enclaves da Mata Atlântica, formando ilhas de floresta úmida em plena região semiárida cercadas por vegetação de caatinga, tendo uma condição climática bastante atípica com relação à umidade, temperatura e vegetação e com pouco conhecimento sobre sua vegetação e ecologia‖. A predominância do extrativismo de madeira e de lenha como principal fonte de energia, tanto para as indústrias de gesso como para a população, coloca em risco esse bioma ainda tão pouco conhecido. Por outro lado, este bioma é rico em conhecimento popular tradicional, tanto sobre plantas medicinais fitoterápicas como sobre a cultura alimentar, e pode apontar alternativas para a conservação e o uso sustentável de sua biodiversidade.
  22. 22. 21 Lima (1960) o brejo de Altitude constitui em Pernambuco disjunções de floresta tropical perenifólia, dentro da zona Caatinga, e por sua condições geoambientais localizam-se, via de regra, nos níveis superiores das serras, quer graníticas, quer cretácea, acima de cotas nunca inferiores aos 500 metros, e progressivamente maiores, no sentido geral SE-NW, até os 1.100 metros. Por sua vez, o Geógrafo Gilberto Osório de Andrade define como brejo de altitude “Subunidade regionais, que jamais ultrapassam 1020 m sobre o nível do mar e geralmente tem menos de 600 m de relevo local(...) Há que levar em conta solidariamente os suprimentos hídricos atmosférico que nelas acarretam precipitação responsáveis pelas manchas úmidas. Ora esses suprimentos são de origem remota. O ar límpido, de baixa umidade relativa, dos sertões que as circundam não lhe proporcionam valores higroscópicos susceptíveis de condensação a tão modesta altitude. Trata-se então de verdadeiros complexos circunstanciais solidária, cuja resultante se exprime em termos de exposição. Exposição ao fluxo de massas advectivas de ar úmido, ou à dilatação de massas conectivas nevoentas. Em suma, de posição geográfica em relação as regiões de origem dessas massas e de postura em função da direção geral em que elas anualmente se propagam‖ Sobrinho, 1970 apud (Duque, p 23, 1964);Duque( 1964) afirma que Brejo de Altitude ―são as montanhas com altitudes acima de 600 metros com pluviosidade e umidade mais regulares, com ou sem fontes d’água, solo profundo de argila ou sílica, com revestimento de floresta ou de capoeiras de aspecto mais higrófilas que as Caatinga.‖ ( ETENE, 1964 p111). Lins (1989) afirma que brejo de altitude são espaços relevo com gradientes, suaves a fortes com altitudes superiores a 600 metros acima do nível do mar, raramente ultrapassando 1000 metros, clima úmido e ou sub-úmido, com cotas pluviométricas entre 900 e 1.300 mm anuais e pouca deficiência hídrica, hidrografia permanente e ou semipermanente. Sua vegetação natural primitiva de floresta subcaducifólia e ou subperenifólia em sua maioria erradicada, foi substituída por formações secundárias e seus solos são muitos desenvolvidos, muito profundos, argiloso, com alto teor de água disponível, pouco ácido a ácido, com média a baixa fertilidade, onde dominam os podzólicos vermelho – amarelos eutrófico e distrófico com ou sem A proeminente e os latossolos vermelho – amarelo húmicos e os amarelos, ambos distróficos.
  23. 23. 22 Lavouras permanentes como as de banana, das frutas, de café, de citros secundadas por lavouras temporárias como as de hortaliças, de flores, de mandioca, de milho e de feijão, dominam nos agrossistemas e comumente são conduzidos em manejo de baixo e ou médio nível tecnológico. As principais limitações das condições agrícolas ao uso com a agricultura são a suscetibilidade, a erosão, a obstáculos e à mecanização, devido a natureza do solo e ao gradiente do relevo, a deficiência de água durante os meses secos e a deficiência de fertilidade, em alguns solos. Por essa razão, num manejo de médio nível tecnológico e na dependência da classe do solo e de sua fase, assim como do gradiente do terreno são espaços que apresentam um potencial agroclimático de bom a restrito para uso agrícola (LINS, p 97, 1989). Assim Vasconcelos Sobrinho define o brejo de altitude como ―(...) um acidente orográfico que por sua elevação acentuada, incidência de correntes atmosféricas úmidas e natureza do solo, condiciona uma vegetação predominantemente mais higrófila que as áreas circunvizinhas em meio as que se encontram situados‖. 2.2 A Teoria dos redutos como modelo teórico para explicação da origem dos brejos Em uma visualização dinâmica e interdisciplinária dos fatos paleoclimáticos e paleocológicos, pode-se sintetizar os acontecimentos do seguinte modo: no período de Wurm IV – wiscosim superior, durante a última glaciação pleistocênica, quando se formaram fantásticas geleiras nos pólos Sul e Norte e em cordilheiras e altas montanhas, o nível do mar desceu até 100 metros menos do que é seu nível atual. As temperaturas médias em todo planeta baixaram de 3º a 4ºC, rebaixando o nível de calor das terras baixas intertropicais e tornando bem mais frio o ambiente das regiões subtropicais e temperada e muito fria a temperatura das montanhas a altiplanos existentes à altura dos trópicos (Itatiaia, por exemplo, entre nós) (AB’SABER, p. 52, 2003). O grande acontecimento, porém, foram os deslocamento das correntes marítimas frias ao longo da face leste dos continentes, sujeitos, até então, apenas aos efeitos de correntes quentes, propiciadoras de umidade. As correntes frias
  24. 24. 23 projetando-se para o norte até a altura da Bahia, no caso brasileiro – contribuíram para barrar a entrada de umidade atlântica, devido a uma atomização das massas de ar úmido. Estando o mar em nível mais baixo, as correntes frias (Malvinas/Falklands) ficavam mais distantes da costa antiga, contribuindo indiretamente diretamente para expansão dos climas semiáridos ao longo do litoral recuado e na retroterra de algumas regiões situadas em depressões de escarpa e serranias, ou em forte transição da faixa sub-litorânia na direção dos sertões da época (AB’SABER, p. 53, 2003). Foram processos que se fizeram atuar, progressivamente, por alguns milhares de anos, provavelmente 23.000 anos A.P até 12.700 anos A.P. (Antes do Presente). Nesse intervalo de tempo os ―corredores‖ da semiaridez em processo, feneceram as coberturas florestais anteriores, processou-se uma generalizada dessoalagem dos horizontes superficiais dos solos preexistentes e um extraordinário avanço das caatingas por muitos setores dos planaltos e terras baixas interiores do Brasil. Concomitantemente com a progressão da semiaridez, houve recuo e fragmentação dos espaços anteriormente florestados permanecendo matas biodiversas apenas na ―ilhas‖ de umidade testada de algumas escarpas voltadas para os ventos úmidos de exceção, tendo as florestas anteriores ao avanço da semiaridez permanecido em redutos, sub a forma de ecossistema minoritário ao seu entorno (AB’SABER, p. 53, 2003). 2.3 Características da vegetação dos Brejos A floresta Atlântica brasileira é uma das 25 prioridades mundiais para a conservação. Calcula-se que essa floresta abrigue 20.000 espécies de plantas vasculares, sendo 8.000 endêmicas (MYERS ET AL. 2000). Além do alto grau de endemismo observado em alguns grupos vegetais (veja Mori et al. 1981, Peixoto & Gentry 1990, Thomas et al. 1998), a floresta Atlântica apresenta elevada riqueza e diversidade de espécies (Begon et al. 1996) que, em alguns locais, são superiores às observadas em trechos de floresta Amazônica (Silva & Leitão Filho 1982; Brown & Brown 1992).
  25. 25. 24 Com base na distribuição dos tipos de vegetação, estima-se que a floresta Atlântica nordestina cobria uma área contínua de floresta com 76.938 km², ou 6,4%da extensão da floresta Atlântica brasileira, distribuídas em cinco tipos vegetacionais: 1. Áreas de tensão ecológica 43,8%; 2.floresta estacional semidecidual 22,9%;3.floresta ombrófila aberta 20,5%; 4.floresta ombrófila densa 7,9%; e5.formações pioneiras 6,1%.Nessa tipologia existem ainda as florestas de terras baixas (< 100 m de altitude), submontanas (100-600 m) e montanas(> 600 m) (IBGE 1985). Figura 01: Observa-se parte de um mapa da região Nordeste, especificamente os estados de Alagoas, Sergipe, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Piaui e Ceará. As manchas em tom cinza representa as áreas de florestas presente em algumas áreas, a mancha que bordeia o litoral do oceano Atlântico e onde se localiza a original da floresta Atlântica nordestina, e o seu domínio ambiental durante o período Pleistoceno. Fonte: IBGE, 1985. Parte da floresta Atlântica nordestina é composta pelos brejos de altitude: “ilhas” de floresta úmida estabelecidas na região semiárida, sendo cercadas por uma vegetação de caatinga (ANDRADE & LIMA, 1982). Os brejos são ―áreas de exceção” dentro do domínio do nordeste semiárido (LINS, 1989). A existência dessas ilhas de floresta em uma região onde a precipitação média anual varia entre 240 - 900 mm (IBGE 1985; Lima, 1989) está associada à ocorrência de planaltos e chapadas entre 500 - 1.100 m altitude (e.g., Borborema, Chapada do Araripe, Chapada de Ibiapaba), onde as chuvas orográficas garantem níveis de precipitação superiores a 1.200 mm/ano (ANDRADE & LIMA, 1960; 1961) (Figuras 2 e 3).
  26. 26. 25 Figura 02: Perfil esquemático representando a formação de chuvas orográficas e sua influencia na manutenção das condições agroambientais dos brejos de altitude no Planalto da Borborema, região Nordeste do Brasil. As nuvens se formam inicialmente no oceano, nesse local de origem há uma grande incidência de energia solar, essa quando combinadas com condições marítimas de abundancia de águas, propiciam elevação de água por processo de evaporação, consequentemente iniciam-se aumento de umidade nas nuvens, formando as do tipo cúmulos nimbos, as diferenças de temperatura atua que através dos ventos quentes e úmidos fazem-na deslocar-se do ponto de origem oceânica para o continente, o efeito continentalidade combinados com o efeito altitude, propicia a condensação, saturação, e por fim a precipitação nas áreas elevadas do relevo formando as chuvas. Fonte: Adaptado de Mayo & Fevereiro,1982. Figura 03. As cores e sua variação representada na figura simulam as variações das cotas altimétricas presente no Planalto da Borborema em relação ao nível do mar. A linha em cor azul os limites da territorialidade do Estado de Pernambuco. As cotas altimétricas estão representadas por cor e nível de altitude. As cotas de 1.000 metros em cor branca distribuídas em locais específicos, nesse caso exemplificam as colinas do morro do Magano no município de Garanhuns, são hoje os antigos testemunhos de pediplanosdo período geológico denominado pleistocênico, cognominados hoje de Pd3 e realçadas pelos pediplanos mais recente e de cotas mais baixas. As cotas que variam entre 800-500 são superfícies pediplanas exaltadas no pleistoceno denominadas de Pd2 e predominam em partes do sertão e principalmente no agreste; e por fim o Pd1 que vai de 40 metros até 500; as demais cotas são partes dos sedimentos denominados Barreira e acumulação e sedimentação litorânea ou praias. Fonte: SOS Mata Atlântica, 1993. C a a t i n g a F l o r e s t a A t l â n t i c a C a a t i n g a F l o r e s t a A t l â n t i c a _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ 3 0 0 5 0 0 1 . 1 0 0 7 0 0 1 . 1 0 0 2 . 1 0 0 m m / a n o Planalto da Borborema Ventos úmidos Oceano Atlântico
  27. 27. 26 2.4 Localização dos Brejos de Altitude De acordo com Vasconcelos Sobrinho (1971), existem 43 brejos na floresta Atlântica nordestina, distribuídos nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco (Figura 4), cobrindo uma área de pelo menos 18.589 km2 (quadro 01). Somente Pernambuco e Paraíba possuem 31 brejos, distribuídos em 28 municípios do agreste e sertão (quadro 02). Assim, pelo menos 1/4 da área de distribuição original da floresta Atlântica nordestina é representada pelos brejos de altitude (Figura03). Estados N° de Brejos Área Floresta em Km² % Ceará 11 6.596,5 35,48 Rio Grande do Norte 5 1.147,5 6,18 Paraíba 8 6.760 36,37 Pernambuco 23 4.850 21,97 Total 47 18.589 100 Quadro 01: Localização dos Brejos de Altitude nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Na primeira coluna identificam-se as unidades estaduais da federação que contém áreas de Brejo de Altitude, na segunda coluna apresenta a quantidade (em número) de brejo de altitude, na terceira coluna está demonstrado área ocupada pela vegetação original de Mata Atlântica nos Brejos de Altitude, na última coluna o percentual dos estados em relação a área florestada dos Brejos de Altitude e por fim a última linha da tabela consta o total das colunas citadas. Fonte: Sobrinho,1971. Mapa 01. Mapa parcial da Região Nordeste. Ao Norte, observa-se parte dos Estados do Ceará e Piaui onde praticamente não há brejos. Ao centro do mapa, os Estados da Paraíba e Pernambuco onde se concentra a maior parte dos brejos nordestinos. Em tom cinza a representação territorial dos municípios, e em tom verde as manchas que representam os brejos e sua distribuição espacial. Os Principais brejos de altitude se situam nos estados da Paraíba e Pernambuco. Fonte: Vasconcelos Sobrinho, 1971.
  28. 28. 27 Localização dos brejos de altitude de Pernambuco e Paraíba Brejos Estado Município Localização Bananeiras Paraíba Bananeiras 6° 45’, 35° 37’ Areia Paraíba Areia 6° 57’, 35° 40’ Alagoa Nova Paraíba Alagoa Nova 7° 04’, 35° 45’ Araruna Paraíba Araruna 6° 33’, 35° 44’ Umbuzeiro Paraíba Umbuzeiro 7° 40’, 35° 38’ Teixeira Paraíba Teixeira 7° 13’, 37° 15’ Princesa Paraíba Princesa Isabel 7° 44’, 37° 59’ Bonito Paraíba Bonito 8° 28’, 35° 43’ Triunfo Pernambuco Triunfo 7° 49’, 38° 6’ Tacaratu Pernambuco Tacaratu 9° 05’, 38° 7’ Mimoso Pernambuco Arcoverde 8° 25’, 37° 2’ Varas Pernambuco Arcoverde 8° 25’, 37° 2’ Taquaritinga Pernambuco Taquaritinga 7° 54’, 36° 1’ Brejo dos Cavalos Pernambuco Caruaru 8° 16’, 35° 58’ Gravatá Pernambuco Gravatá 8° 12’, 35° 32’ Bezerros Pernambuco Bezerros 8° 19’, 36° 25’ São Miguel Pernambuco São Miguel 7° 20’, 38° 39’ Camocim de São Felix Pernambuco Camocim de São Félix 8° 21’, 35° 45’ Agrestina Pernambuco Agrestina 8° 27’, 35° 56’ Catimbau Pernambuco Buíque 8° 37’, 37° 8’ São José Pernambuco Moxotó 8° 43’, 37° 31’ Serra Negra Pernambuco Bezerros 8° 13’, 35° 46’ Serra Negra Pernambuco Floresta 8° 36’, 38° 34’
  29. 29. 28 Serra do Olho d’Água Pernambuco Belo Jardim 8° 19’, 36° 25’ Serra do Vento Pernambuco Belo Jardim 8° 19’, 36° 25’ Serra do Genipapo Pernambuco Sanharó 8° 21’, 36° 32’ Serra de Ororubá Pernambuco Pesqueira 8° 19’, 36° 46’ Poções Pernambuco Poção 8º11’, 36º42’ Serra do Comunati Pernambuco Águas Belas 9° 5’, 37° 7’ Serra do Arapuã Pernambuco Floresta 8° 36’, 38° 34’ Serra do Araripe Pernambuco Exu 7° 30’, 39° 43’ Quadro 02. Na tabela consta a relação dos principais brejos de altitude de ocorrência nos estados de Pernambuco e Paraíba, onde é apresentado o nome do brejo na primeira coluna, na segunda os estados pertencentes, no terceiro a cidade em que o brejo está inserido e por último da coordenadas (latitude e longitude). Destacando-se a ausência do brejo de altitude da cidade de Brejo da Madre de Deus, que provavelmente está inserido no brejo de Serra dos Ventos no município de Belo Jardim, que faz fronteira com o brejo de altitude do município de Brejo da Madre de Deus. Fonte: Sobrinho, 1970. 2.5 Importância Socioeconômica dos Brejos de Altitude As condições privilegiadas dos brejos de altitude têm atraído pecuaristas e agricultores, que, através da criação de gado e do desenvolvimento de lavouras permanentes, como as de banana, café e citros, secundadas por lavouras temporárias, como as de hortaliças, mandioca, milho e feijão, constituem a base da estrutura socioeconômica desse setor da floresta Atlântica (LINS, 1989). Segundo Lins (1989), a população dos brejos é distribuída de forma desproporcional entre proprietários, arrendatários, parceiros e ocupantes, sendo, em sua maioria, constituída por analfabetos ou semianalfabetos que manejam a terra por meio de técnicas tradicionais, reduzindo a produtividade. Segundo esta autora, boa parte da população é subnutrida, enfrenta desemprego sazonal (durante as entressafras) e tem difícil acesso aos principais serviços básicos. Os espaços de Brejos de altitude teve no passado próximo uma enorme importância para economias locais, Gilberto Osório quando estudando os brejos
  30. 30. 29 elucidou essa condição quando afirmou: “(...) se feira terminou, quando desmancha as barracas e os toldos, vê-se os feirantes com os seus burros, e caixas, e balaios, rumando estrada a fora de regresso aos celeiros escondidos, são os Brejos” (OSÓRIO,1964). Ao sopé das serras de Brejo, desenvolveram-se muitas povoações ou situaram-se mesmo dentro de suas áreas, quando suficientemente amplas. Deste modo, os brejos constituem, de fato pólos de desenvolvimento, foram eles os criadores da civilização agrícola da caatinga. Segundo Manoel Correia de Andrade (1968) os brejos como centro de desenvolvimento econômico apresentam duas paisagens naturais que deram origem naturalmente, as formas de povoamento, de exploração do solo e de paisagens culturais. Assim, nos planaltos existiam em geral grandes propriedades dedicada a pecuária extensiva de bovinos, caprinos e ovinos e à cultura do algodão. Nas serras a paisagem é bem diversa, o povoamento é mais recente, pois os primeiros povoadores do sertão pouco numeroso, e preocupados com a pecuária, só as procuravam nas épocas de seca e as vezes para fazer pequenos roçados de lavoura de subsistência. Nela se refugiavam também, nos dois primeiros séculos, os indígenas, que só perderam o domínio das mesmas após a demorada Guerra dos Bárbaros. Especializam-se sobre tudo na cultura do café e da cana-de-açúcar para produção da rapadura e aguardente: nos últimos anos, porém, impossibilitados de competir com os produtos oriundos de áreas melhor localizadas, vem evoluindo para a policultura, desenvolvendo o cultivo de milho, do arroz e do feijão ao lado dos produtos tradicionais. (CORREIA, 1968, p.113-5). 2.6 Degradação dos Brejos de Altitude Os brejos poderiam ser considerados como unidades superiores de recursos naturais renováveis; megassistemas, se aceitos como complexos harmônicos resultantes de unidades menores que mutualmente se condicionem: solo, clima, água do solo, vegetação e fauna. E, como tal, são duplamente vulneráveis: em cada um dos seus componentes e no seu todo (SOBRINHO, p84 e 85. 1970).
  31. 31. 30 Segundo Sobrinho (1970) um fato que é constatado pelos estudiosos o extremo grau de degradação que apresentam os brejos: uns poucos, embora apareçam férteis, já não possuem as condições primitivas de produtividade que ofereciam aos primeiros ocupantes. E, então, somente se poderá esperar uma progressiva decadência em sua produtividade; em sua capacidade como centros de abastecimento das áreas que lhe são dependentes: eles próprios cada vez mais densamente povoados, diminuindo suas áreas de cultivo. Hoje tem em vista as potencialidades grande parte da floresta nordestina, incluindo os brejos, tem sido convertida em terras agricultáveis (Viana et al. 1997); as reservas naturais são pequenas e mal manejadas (Dias et al. 1990, Lima & Capobianco 1997) e a caça de subsistência é praticada de forma generalizada (ALMEIDA ET AL. 1995). De acordo com Ranta et a, (1998), grande parte do que restou desta floresta é composta por arquipélagos de fragmentos florestais, a maioria deles com menos de 10 hectares de área. Mesmo em áreas protegidas, a ausência de grandes vertebrados frugívoros é a regra (TABARELLI, 1998). Tipos de Vegetação Área de vegetação original (Km²) Vegetação remanescente (Km²) % do total Formação pioneiras 4.739,06 (6,1% ) 707,33 14,9 Áreas de tensão ecológica 33.684,03 (43,8 %) 1.465,56 4,35 Fl. Estacional semidecidual 17.677,5 (22,9) 1.942,7 10,9 Fl. ombrófila Densa 6.122,01 (7,9%) 277,9 4,5 Fl ombrófila aberta 14.715,86 (20,5%) 1.499,62 10,19 Total 76.938,46 5.983,1 7,6 Quadro 03: Na tabela acima apresentam-se os tipos de vegetação e vegetação remanescente na floresta Atlântica nordestina. Na primeira coluna encontram-se os tipos de vegetação da floresta Atlântica, onde se percebe cinco sub-tipos de vegetação Atlântica; já na segunda coluna se enfatiza a quantidade total em Km² de cada sub-tipo de vegetação Atlântica e suas áreas em percentagem; na terceira coluna encontra-se a quantidade dos remanescentes em Km² dos sub-tipos da vegetação Atlântica e na quarta coluna o percentual dos remanescentes dos sub-tipos de floresta Atlântica; por fim na última linha o total do quantitativo de cada coluna. Fonte: SOS Mata Atlântica (1993), IBGE (1985). De forma mais sistemática, os brejos têm sido convertidos em lavouras de café, banana e culturas de subsistência, como milho, feijão e mandioca, desde o século XIX (Lins 1989). Tais atividades têm representado perda e fragmentação de
  32. 32. 31 habitats, extração seletiva de plantas (e.g., madeiras, bromélias, plantas medicinais) e eliminação de grandes vertebrados pela caça (VASCONCELOS SOBRINHO 1971, SILVA & TABARELLI 2000). Sobrinho (1971) relata a existência de extensas florestas dominadas por cedro (Cedrelafissilis Vell Meliaceae) que sucumbiram devido à exploração madeireira na década de sessenta. Na verdade, a grande maioria das principais cidades situadas na região do semiárido nordestino está situada nas áreas de brejo, que ainda constituem celeiros agrícolas (LINS, 1989). O ―refúgio das plantas‖ também tem sido um refúgio para as populações humanas pobres do semiárido nordestino. Atualmente, restam 2.626,68 km² da vegetação original dos brejos (Tabela 4), a qual já representou, pelo menos, 18.500 km² de florestas semideciduais e ombrófilas abertas. Estes 2.626,68 km² de vegetação incluem também mosaicos com vegetação de cerrado e de caatinga (e.g., Chapada do Araripe, Ibiapaba), não discriminados no mapa de remanescentes (SOS MATA ATLÂNTICA, 1993). O valor da vegetação remanescente torna os brejos o setor mais ameaçado da floresta Atlântica brasileira, embora não seja possível estabelecer o quanto este valor representa em termos da área ocupada pela vegetação original, para a qual não há estimativas. Um outro setor ameaçado é a floresta Atlântica nordestina costeira (que se estende de Alagoas ao Rio Grande do Norte), que possui 3.197,62km² de floresta, mangues e restingas (5,6% da área de distribuição original, SOS Mata Atlântica 1993). Tipos de vegetação remanescente Área de vegetação remanescente (km²) % Vegetação Áreas de tensão ecológica 872,86 33,2 Fl. estacional semidecidual 1.057,94 40,3 Fl ombrófila aberta 695,88 26,5 Total 2.626,68 100 Quado 04. Nessa tabela encontramos os sub-tipos de vegetação remanescente nos brejos de altitude do Nordeste (Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco). Na primeira coluna temos os sub-tipos de remanescentes vegetação nos brejo de altitude; na segunda coluna a área em Km² remanescente dos sub-tipos de vegetação dos brejos de altitude; na terceira e última coluna o percentual de cada vegetação remanescentes e por fim na última linha o total em Km e Percentagem das vegetações remanescentes nos Brejos de Altitude. Fonte: SOS Mata Atlântica (1993), IBGE (1985).
  33. 33. 32 3 Conceito e tipologia do solo Segundo organização governamental e cientistas do estudo relacionado ao solo, segue abaixo algumas definições sobre o mesmo. Coleção de corpos naturais constituídos por parte sólida, líquida e gasosa, tridimensionais, dinâmicos, formados por materiais minerais e orgânicos, que ocupam a maior parte do manto superficial das extensões continentais (EMBRAPA, 2006). O solo é o resultante da interação de cinco fatores ambientais: material de origem, clima, relevo, organismos e tempo (JENNY, 1941). A pedologia é a ciência que estuda a formação do solo, e foi iniciada na Rússia por Dokuchaiev no ano de 1880. Os solos correspondem a camada viva que recobre a superfície da terra, em evolução permanente, por meio da alteração das rochas e de processos pedogenéticos comandados por agentes físicos, biológicos e químicos. Para ISO 11074-1 de 1/08/1996 a definição diz que o solo é a camada superficial da crosta terrestre constituída por partículas minerais, matéria orgânica, água, ar e organismos vivos. Numa perspectiva mais funcional é de salientar também que o solo é o meio natural mais importante para o crescimento das plantas. Nota-se que todas definições apresentam em comum o solo como um organismo dotado de diversidades química, física e biológica e que são o suporte para a formação vegetal e vida no planeta, apesar de ser diferenciado no ponto de vista agronômico e geológico. 3.1 Tipos de Solos A classificação pedológica nacional vigente consiste numa evolução do antigo sistema americano, formulado por Baldwin et al. (1938), modificada por Thorp & Smith (1949). As importantes mudanças que incidiram na trajetória da classificação de solos no sentido de sua nacionalização ora efetivada através das quatro aproximações elaboradas de 1980 a 1997 e da publicação do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA, 1998; 1999).
  34. 34. 33 A classificação de um solo é obtida a partir dos dados morfológicos, físicos, químicos e mineralógicos do perfil que o representa. Aspectos ambientais do local do perfil, tais como clima, vegetação, relevo, material originário, condições hídricas, características externas ao solo e relações solo-paisagem, são também utilizadas. A classificação de um solo começa no momento da descrição morfológica do perfil e na coleta de material no campo, que devem ser conduzidas conforme critérios estabelecidos nos manuais (LEMOS & SANTOS, 1996; SANTOS et al., 2005; IBGE, 2005), observando-se o máximo de zelo, paciência e critério na descrição do perfil e da paisagem que ele ocupa no ecossistema. Dentre os tipos de solos existentes e classificados pelo sistema brasileiro de classificação de solo, encontramos: argissollos, cambissollos, chernossolos, espodossolos, gleissolos, latossolos, luvissolos, neossolos, nitossolos, organossolos, planossolos, plintossolos, vertissolos. Argissolos: Grande parte dos solos desta classe apresenta um evidente incremento no teor de argila do horizonte superficial para o horizonte B, com ou sem decréscimo, para baixo no perfil. A transição entre os horizontes A e Bt é usualmente clara, abrupta ou gradual. São de profundidade variável, desde forte a imperfeitamente drenados, de cores avermelhadas ou amareladas, e mais raramente, brunados ou acinzentadas. A textura varia de arenosa a argilosa no horizonte A e de média a muito argilosa no horizonte Bt, sempre havendo aumento de argila daquele para este (EMPRAPA, SETEMBRO 2009). Cambissolos: Compreendem solos constituídos por material mineral, com horizonte B incipiente subjacente a qualquer tipo de horizonte superficial, desde que em qualquer dos casos não satisfaçam os requisitos estabelecidos para serem enquadrados nas classes Vertissolos, Chernossolos, Plintossolos ou Gleissolos. Têm seqüência de horizontes A ou hístico, Bi, C, com ou sem R. Devido à heterogeneidade do material de origem, das formas de relevo e das condições climáticas, as características destes solos variam muito de um local para outro. Assim, a classe comporta desde solos fortemente até imperfeitamente drenados, de rasos a profundos, de cor bruna ou bruno-76 amarelada até vermelho escuro.
  35. 35. 34 Chernossolos:- São solos normalmente pouco coloridos (escuros ou com tonalidades pouco cromadas e de matizes pouco avermelhados), bem a imperfeitamente drenados, tendo seqüências de horizontes A-Bt-C ou A-Bi-C, com ou sem horizonte cálcico, e A-C ou A-R, desde que apresentando caráter carbonático ou horizonte cálcico. São solos moderadamente ácidos a fortemente alcalinos, com argila de atividade alta, com capacidade de troca de cátions por vezes superior a 100 cmolc/kg de argila, saturação por bases alta, geralmente, superior a 70%, e com predomínio de cálcio ou cálcio e magnésio, entre os cátions trocáveis. Embora sejam formados sob condições climáticas bastante variáveis e a partir de diferentes materiais de origem. Espodossolos: A cor do horizonte A varia de cinzenta até preta e a do horizonte E desde cinzenta ou acinzentada-clara até praticamente branca. A cor do horizonte espódico varia desde cinzenta, de tonalidade escura ou preta, até avermelhada ou amarelada. A textura do solum é predominantemente arenosa, sendo menos comumente textura média e raramente argilosa (tendente para média ou siltosa) no horizonte B. A drenagem é muito variável, havendo estreita relação entre profundidade, grau de desenvolvimento, endurecimento ou cimentação do B e a drenagem do solo. São solos, em geral, muito pobres em fertilidade, moderada a fortemente ácidos, normalmente com saturação por bases baixa, podendo ocorrer altos teores de alumínio extraível. Podem apresentar fragipã, duripã ou ―ortstein‖ 80 . Gleissolos: Os solos desta classe encontram-se permanente ou periodicamente saturados por água, salvo se artificialmente drenados. A água permanece estagnada internamente, ou a saturação é por fluxo lateral no solo. Em qualquer circunstância, a água do solo pode se elevar por ascensão capilar, atingindo a superfície. São solos mal ou muito mal drenados, em condições naturais, tendo o horizonte superficial cores desde cinzentas até pretas, espessura normalmente entre 10 e 50cm e teores médios a altos de carbono orgânico. São solos que ocasionalmente podem ter textura arenosa (areia ou areia franca) somente nos horizontes superficiais, desde que seguidos de horizonte glei de textura franco arenosa ou mais fina.
  36. 36. 35 Latossolos: São solos em avançado estágio de intemperização, muito evoluídos, como resultado de enérgicas transformações no material constitutivo. Os solos são virtualmente destituídos de minerais primários ou secundários menos resistentes ao intemperismo. Variam de fortemente a bem drenados, embora ocorram solos que têm cores pálidas, de drenagem moderada ou até mesmo imperfeitamente drenados, transicionais para condições com um certo grau de gleização, são normalmente muito profundos, em geral, solos fortemente ácidos, com baixa saturação por bases, distróficos ou alumínicos. São típicos das regiões equatoriais e tropicais, ocorrendo também em zonas subtropicais, distribuídos, sobretudo, por amplas e antigas superfícies de erosão, pedimentos ou terraços fluviais antigos, normalmente em relevo plano e suave ondulado, embora possam ocorrer em áreas mais acidentadas, inclusive em relevo montanhoso. São originados a partir das mais diversas espécies de rochas e sedimentos, sob condições de clima e tipos de vegetação os mais diversos. Luvissolos: Estes solos variam de bem a imperfeitamente drenados, sendo normalmente pouco profundos (60 a 120cm). Podem ou não apresentar pedregosidade na parte superficial e o caráter solódico ou sódico, na parte subsuperficial. O horizonte Bt é de coloração avermelhada, amarelada e menos freqüentemente, brunada ou acinzentada. A estrutura é usualmente em blocos, moderada ou fortemente desenvolvida, ou prismática, composta de blocos angulares e subangulares. São moderadamente ácidos a ligeiramente alcalinos, com teores de alumínio extraível baixos ou nulos. Neossolos: Compreende solos constituídos por material mineral, ou por material orgânico pouco espesso, que não apresentam alterações expressivas em relação ao material originário devido à baixa intensidade de atuação dos processos pedogenéticos, seja em razão de características inerentes ao próprio material de origem, como maior resistência ao intemperismo ou composição química, ou dos demais fatores de formação (clima, relevo ou tempo), que podem impedir ou limitar a evolução dos solos. Nitossolos: Compreende solos constituídos por material mineral, com horizonte B nítico, textura argilosa ou muito argilosa (teores de argila maiores que
  37. 37. 36 350g/kg de solo a partir do horizonte A), estrutura em blocos subangulares ou angulares, ou prismática, de grau moderado ou forte, com cerosidade expressiva nas superfícies dos agregados ou caráter retrátil. Esta classe exclui solos com incremento no teor de argila requerido para a maior parte do horizonte B textural. São, em geral, moderadamente ácidos a ácidos, com argila de atividade baixa ou com caráter alítico, com composição caulinítico - oxídica. Organossolos: Compreende solos pouco evoluídos, com predominância de características devidas ao material orgânico, de coloração preta, cinzenta muito escura ou brunada, resultantes de acumulação de restos vegetais, em graus variáveis de decomposição, em condições de drenagem restrita (ambientes mal a muito mal drenados), ou em ambientes úmidos de altitudes elevadas, saturados com água por apenas poucos dias durante o período chuvoso. Ocorrem normalmente em áreas baixas de várzeas, depressões e locais de surgentes, sob vegetação hidrófila ou higrófila, quer do tipo campestre ou florestal. Ocorrem também em áreas que estão saturadas com água por poucos dias (menos de 30 dias consecutivos) no período das chuvas, situadas em regiões de altitudes elevadas e úmidas durante todo o ano, neste caso estando normalmente assentes diretamente sobre rochas não fraturadas. Planossolos: Os solos desta classe ocorrem preferencialmente em áreas de relevo plano ou suave ondulado, onde as condições ambientais e do próprio solo favorecem vigência periódica anual de excesso de água, mesmo que de curta duração, especialmente em regiões sujeitas à estiagem prolongada, e até mesmo sob condições de clima semiárido. Nas baixadas, várzeas e depressões, sob condições de clima úmido, estes solos são verdadeiramente solos hidromórficos. Embora, em zonas semiáridas e, mesmo em áreas onde o solo está sujeito apenas a um excesso d’água por curto período, principalmente sob condições de relevo suave ondulado, não chegam a ser propriamente solos hidromórficos. Entretanto, é difícil distinguir, sem observações continuadas e em períodos de seca e chuvosos, se as cores pálidas do solo resultam ou não da expressão de processos atuais de redução.
  38. 38. 37 Plintossolos: Compreende solos minerais, formados sob condições de restrição à percolação da água, sujeitos ao efeito temporário de excesso de umidade, de maneira geral imperfeitamente ou mal drenados. Alguns solos desta classe, embora tenham sua gênese associada a condições de excesso de umidade ou restrição temporária à percolação d’água, ocorrem nos tempos atuais em condições de boa drenagem, podendo apresentar cores avermelhadas na maior parte do perfil. São típicos de zonas quentes e úmidas, mormente com estação seca bem definida ou que, pelo menos, apresentem um período com decréscimo acentuado das chuvas. Ocorrem também na zona equatorial perúmida e mais esporadicamente em zona semiárida. Vertissolos: Variam de pouco profundos a profundos, embora ocorram também solos rasos. Em termos de drenagem, variam de imperfeitamente a mal drenados. Quanto à cor, podem ser escuros, acinzentados, amarelados ou avermelhados. Fisicamente, quando úmidos, têm permeabilidade muito lenta. A textura é normalmente argilosa ou muito argilosa, embora possa ser média (com um mínimo de 300g de argila por kg de solo) nos horizontes superficiais; quanto à consistência, varia de muito duro a extremamente duro quando seco, sendo firme a extremamente firme quando úmido, e muito plástico e muito pegajoso quando molhado. São solos desenvolvidos normalmente em ambientes de bacias sedimentares ou a partir de sedimentos com predomínio de materiais de textura fina e com altos teores de cálcio e magnésio.
  39. 39. 38 Mapa 03: Mapa de solos do Estado de Pernambuco. Vê-se os tipos de solos representados por manchas de cores diferenciadas, em cor laranja observa-se os solos Podzólicos comum na Zona da Mata, no Agreste e pequenos focos no Sertão do Estado. Na cor amarela vê-se o solo Latossolo comum na Zona da Mata e presente na parte mais Oeste do Sertão, em cor vermelha tem-se os solos Litólicos presente na parte em o Estado se divide com a Paraíba, em cor branca vê-se os Regossolos bem presente no agreste do Estado, em tom de marrom nota-se os solos Bruno Não Cálcico presente no Sertão do Estado, em cor azul observa-se o solo de Areia Quartzosa e por fim os solos Planossolos representado epela cor cinza e presente na Zona da Mata e Agreste. Fonte: SUDENE. Uso atual e potencial dos solos do Nordeste, 1985. ORG: Maria Jaci Câmara de Albuquerque DES./ ED. GRAF. : Fernando J. C. C. Lins.
  40. 40. 39 4 Conceito de degradação do solo e sua aplicação “A degradação do solo pode ser entendida com a deterioração das suas propriedades edáficas e tem como uma das principais causas à erosão” (EMBRAPA, 2008). Por sua vez o IBAMA (1990) define degradação de uma área que ocorre quando a vegetação nativa e a fauna foram destruídas, removidas ou expulsas; a camada fértil do solo for perdida, removida ou enterrada; e a qualidade e o regime de vazão do sistema hídrico forem alterados. A degradação ambiental ocorre quando há perda de adaptação às características físicas, químicas e biológicas e é inviabilizado o desenvolvimento socioeconômico‖. Muitas dessas degradações encontram-se possivelmente nas atividades agrícolas, industriais e construção civil têm ocasionado o surgimento de áreas degradadas que destoam claramente de suas características de solo, hídricas, relevo e biodiversidade original. Um dos problemas mais sérios observados e sentidos em muitos municípios, tanto no meio rural como urbano, é causado pela erosão conhecida como ―voçoroca‖, que provoca grandes perdas de solo, causa problemas sociais, econômicos e ambientais e, ainda, coloca em risco a vida e o patrimônio da população (EMBRAPA, 2008). Fundamentados em observações do campo agronômico, diferenciam processos e fatores de degradação do solo. Os primeiros correspondem às ações e interações químicas, físicas e biológicas que afetam a capacidade de autodepuração do solo e a sua produtividade (LAL et al. 1989). Os fatores compreendem os agentes e catalisadores naturais ou induzidos pelo homem, que colocam em movimento os processos e causam alterações nas propriedades do solo e nos seus atributos de sustentação da vida. Entre os processos de degradação induzidos pelo homem citam a compactação, a erosão acelerada, desertificação, salinização, lixiviação e acidificação. Menciona ainda que entre os fatores, a agricultura, indústria e urbanização. Citam que as alterações produzidas pelos processos geram, entre outros aspectos, efeitos negativos sobre a qualidade ambiental, estabelecendo, então, a relação com o conceito de solo enquanto espaço geográfico (―land‖) e, assim, o sentido amplo de degradação do solo (―land degradation‖). Ainda no campo agronômico, a degradação de terras agrícolas deve enfocar além dos processos de degradação
  41. 41. 40 citados acima, também os aspectos econômicos, uma vez que a perda de produtividade pode estar relacionada com a degradação do solo. Segundo POWER & MYERS, citado por DIAS & GRIFFITH (1998), define a qualidade de um solo como a sua capacidade de manter o crescimento vegetal, o que inclui fatores como agregação, conteúdo de matéria. Abaixo imagens de solos em fases de degradação. Figura 04 e 05: Na figura da esquerda encontra-se um ambiente característico de brejo de altitude com topografia ondulosa e vegetação original completamente ausente o que acelera os processos de degradação incipientes. A direita vê-se uma área com acelerado processo de degradação do solo, com estágio conhecido como ―voçoroca‖, causado pela retirada da vegetação natural, consequentemente a aceleração do escorrimento superficial acarretado pela dificuldade de infiltração da água por falta de vegetação para diminuir os impactos das gotas de água ao chegar no solo. Fonte: Fotos Dr. Cláudio Lucas Capeche, 2011. 4.1 O Problema da Degradação do Solo no Mundo Segundo o Banco Mundial, os solos agrícolas do mundo vêm se degradando a uma taxa de 0,1% ao ano, dados que corroboram com os estabelecidos pela FAO, que apontam a perda de cinco milhões de hectares de terras aráveis por ano devido a más práticas agrícolas, secas e pressão populacional, além de inúmeras ações antrópicas de exploração inadequada dos recursos naturais englobando o compartimento solo. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUD), através do GLSOD (Global Assessment of Soil Degradation – Projeto de Avaliação Mundial da
  42. 42. 41 Degradação do Solo), registrou que 15% dos solos do planeta (aproximadamente 20 bilhões de ha) uma área do tamanho dos Estados Unidos e Canadá junto, estão classificados como degradados devido às atividades humanas. Do total desta área degradada, 5% encontram-se na América do Norte, 12% na Oceania, 14% na América do Sul, 17% na África, 18% na Ásia, 21% na América Central e 13% na Europa. Se considerarmos as áreas inabitadas do mundo, o percentual de solos degradados no planeta sobe de 15% para 24% (OLDEMAN, 1994). O maior problema que reside nestas constatações é que a maioria destes solos degradados ou em processo de degradação está nos países menos desenvolvidos. Estima-se que 39% da população da Ásia (1,3 bilhão de pessoas) vivam em áreas com tendências para desertificação, na África, 65% dos solos agrícolas estão degradados e na América Latina e Caribe, o mau uso de produtos químicos e erosão degradaram 300 milhões de ha. Na Europa, dados de 2002 publicados pela Comissão Europeia, estabelecem que 52 milhões de ha (16% da área agrícola total), estão afetados por algum processo de degradação (salinização, erosão, desertificação, ou excesso de urbanização). Essa degradação ameaça a fertilidade das terras e a qualidade das águas. O solo perde a sua funcionalidade e o equilíbrio ecológico em geral. O problema é potencializado quando se leva em conta que a resiliência natural de determinadas propriedades solo é muito lenta. Estima-se sob um clima úmido, que são necessários cerca de 500 anos para que se formem uma camada de solo de 2,5 cm de espessura. Ainda, segundo o projeto da avaliação mundial da degradação de solo do PNUD (OLDEMAN, 1994), cinco são os principais fatores de degradação dos solos listados a seguir (com os seus percentuais de participações nas áreas mundiais degradadas): 1) Desmatamento ou remoção da vegetação natural para fins de agricultura, florestas comerciais, construção de estradas e urbanização (29,4%); 2) Superpastejo da vegetação (34,5%); 3) Atividades agrícolas, incluindo ampla variedade de práticas agrícolas, como o uso insuficiente ou excessivo de fertilizantes, uso de água de irrigação de baixa qualidade, uso inapropriado de máquinas agrícolas e ausência de práticas conservacionistas de solo (28,1%);
  43. 43. 42 4) Exploração intensiva da vegetação para fins domésticos, como combustíveis, cercas, etc., expondo o solo à ação dos agentes erosivos (6,8%); e 5) Atividades industriais ou bioindustriais que causam poluição do solo (1,2%). No continente Sul Americano, segundo o GLSOD, tem-se 244 milhões de ha de solo degradado, sendo o desmatamento responsável por 41%, o superpastejo por 27,9%, as atividades agrícolas por 26,2%, a exploração intensa da vegetação por 4,9%. Os dados relativos de solos degradados na América do Sul em decorrência das atividades industriais são ínfimos por dois motivos: falta de levantamento sistemático e global no continente de sites contaminados e/ou degradados pelos processos industriais e a baixíssima industrialização dos países do continente quando comparado aos países desenvolvidos e industrializados. No Brasil não existe até o momento nenhum estudo conclusivo quanto a quantidade e distribuição dos solos degradados em escala nacional. É importante ressaltar, que independente da ausência de avaliações exatas a respeito da extensão de áreas degradadas no Brasil, todas as estimativas apontam o desmatamento e as atividades agropecuárias como os principais fatores de degradação dos nossos solos. O impacto causado por obras de engenharia (estradas, ferrovias, barragens, etc.), por atividades de mineração a céu aberto e por algumas atividades indústrias, certamente sensibiliza a população de modo geral, que tende a atribuir a esses fatores a responsabilidade maior pela degradação dos solos. Essa impressão é plenamente justificável, uma vez que, são atividades altamente impactantes, pois devem-se lembrar que a degradação não pode ser avaliada apenas pela extensão, mas também por sua intensidade. No caso de impactos causados por atividades mineradoras podem resultar em uma área de influência muito maior que a área de lavra, proporcionando, por exemplo, a degradação de recursos hídricos, que vão refletir em toda a bacia, como é o caso clássico de minerações de carvão a céu aberto, onde a oxidação de sulfetos metálicos que acompanham o minério promove a ocorrência de drenagem ácida e a solubilização de metais pesados, podendo trazer consequências danosas para uma área de influência muito além da área de lavra. No entanto, ao avaliar a extensão de degradação causada por estas atividades, verifica-se que ela é mínima, principalmente comparando-a ao desmatamento e ao superpastejo nos solos nacionais.
  44. 44. 43 Aliado a essa crescente quantidade de terras agrícolas que estão em processo degradativo, que leva a perdas de produtividade dos sistemas de produção agrícola e a decretação por parte dos organismos internacionais como FAO e FMI, do início da ―Era de alimentos caros‖ em virtude de vários fatores, entre eles: estoques mundiais baixos, alto preço do petróleo (que encarece os insumos e incentiva à produção de etanol à base de milho) e demanda crescente (principalmente da China que aumentou o seu consumo anual de cereais de 450 milhões de toneladas em 2001 para 513 milhões de toneladas em 2007 (Stefano & Salgado, 2008) e que representa hoje o maior importador de algodão e soja do mundo), além de uma previsão da população mundial para 8,3 bilhões de pessoas em 2030, é de se esperar que as políticas nacionais e internacionais de uso e manejo dos solos sejam direcionadas no caminho da sustentabilidade deste importante ecossistema chamado solo. 4.2 Causas de Degradação do Solo É o processo de desgaste e consequente modificação da superfície das terras (rochas e solos), sendo influenciada por: água, vento, cobertura vegetal, topografia e tipo de solo. As erosões podem ser classificadas em geológica e antrópica: 4.2.1 Erosão Antrópica: refere-se àquela oriunda da interferência do homem sobre o ambiente, intensificando a ação da água da chuva e/ou vento sobre o solo
  45. 45. 44 Figura 06: Observa-se primeiramente na parte superior da figura um modelo esquemático que ilustra o processo erosivo do tipo antrópica. Em primeiro momento observa-se uma situação original em que a mata nativa mantém os processos dos ciclos naturais da água, carbono, nitrogênio, enxofre, e do fósforo, onde os mesmos encontram-se em harmonia; em outro momento o segundo, observa-se a retirada da cobertura vegetal; e por fim no terceiro momento o solo exposto em consequência da ação erosiva das chuvas, ventos e atividades de aeração agrárias inadequada. Na parte inferior da figura e a esquerda uma ilustração que enfatiza uma voçoroca em uma encosta de morro bastante desmatada; e a direita uma voçoroca em uma peneplanície, ao fundo pode ser visto uma encosta com a cobertura vegetal intacta e sem erosão. Fonte: G. Sparoveck, 2011. 4.2.2 Erosão geológica: refere-se àquela oriunda da atividade geológica (água, vento e gelo) sobre a superfície terrestre, correspondendo a um processo natural, sem a interferência do homem. As erosões do tipo geológica podem ser divididas em vários tipos, dependendo das condições locais: Erosão hídrica - corresponde à ação da água sobre a superfície do solo, promovendo três processos fundamentais: desagregação, transporte e deposição das partículas do solo.  Desagregação das partículas do solo - a desagregação ocorre devido ao impacto das gotas de chuva sobre a superfície do solo sem cobertura vegetal (viva ou morta), provocando o selamento superficial dos primeiros centímetros do solo, a redução da infiltração da água e o escorrimento superficial. Transporte das partículas – o transporte das partículas ocorre devido ao escoamento superficial da água que não infiltrou no solo. Dependendo da intensidade de escorrimento o arraste do solo pode ocorrer superficialmente
  46. 46. 45 no terreno (erosão laminar - a erosão laminar ocorre de maneira lenta e é de difícil mensuração, porém sempre se espalha sobre extensas áreas, chegando a recobrir cerca de dois terços ou mais das encostas, em uma bacia de drenagem, durante um pico de evento chuvoso (HORTON, 1945). É considerada por muitos autores como o principal responsável pela maior produção de sedimento em uma bacia hidrográfica (Marques, 1950; Marques et al., 1961; Morgan, 1986; Stocking, 1987; Selby, 1993; Thomas, 1994), em canais pouco a medianamente profundos, abertos pela força da enxurrada (erosão em sulcos - de acordo com a classificação do DAEE-IPT (1990), os sulcos constituem feições alongadas e rasas (inferiores a 50 cm)), ou através de grandes sulcos, os quais concentram grande quantidade de água (erosão em voçorocas – ainda acordo com a classificação do DAEE-IPT (1990) as boçorocas tem dimensões superiores e atingem o lençol de água subterrânea, havendo portanto processo de erosão subterrânea (piping) ).  Deposição das partículas – a deposição das partículas é o processo final da erosão e consiste no armazenamento do solo erodido em rios, lagos, represas, açudes, terraços. Erosão eólica - consiste na ação do vento causando a desagregação de rochas, bem como dos agregados do solo, e, ainda, no transporte e deposição do material desagregado. 4.3 Fatores que contribuem para a erosão Segundo Sengik, (2005) a erosão é causada por forças ativas, como as características da chuva, a declividade e comprimento do declive do terreno e a capacidade que tem o solo de absorver água, e por forças passivas, como a resistência que exerce o solo à ação erosiva da água e a densidade da cobertura vegetal.
  47. 47. 46 4.3.1O ciclo superficial da água e sua relação com o solo Segundo Sengik (2005) a chuva é um dos fatores climáticos de maior importância na erosão dos solos. O volume e a velocidade da enxurrada dependem da intensidade, duração e frequência da chuva. A intensidade é o fator pluviométrico mais importante na erosão, embora a intensidade seja o fator mais importante, assim, quanto maior a intensidade de chuva, maior a perda de solo por erosão. Dados obtidos (CASTRO, 1999) revelou que, para uma mesma chuva total de 21mm, uma intensidade de 7,9mm produziu uma perda de terras cem vezes maior que uma de 1mm. A erosividade é a habilidade da chuva em causar erosão (HUDSON, 1961). Esta relaciona-se com o total de chuva, a sua intensidade, o momento e a energia cinética. Em climas tropicais, por exemplo, também são considerados importantes a variação sazonal e a ocorrência de eventos anômalos (THOOMAS, 1994). A frequência das chuvas é um fator que influi nas perdas de terras pela erosão. Se os intervalos entre elas são curtos, o teor de umidade do solo é alto, e assim as enxurradas são mais volumosas, mesmo com chuvas de menor intensidade. As gotas de chuva que golpeiam o solo são um agente que contribui para o processo erosivo pelo menos por três formas: a) Desprendem partículas de solo no local que sofre o impacto; b) Transportam por salpicamento, as partículas desprendidas; c) Imprimem energia em forma de turbulência, à água superficial.
  48. 48. 47 4.3.2 O ciclo sub-superficial da água no solo A Infiltração é o movimento da água para dentro da superfície do solo. Quanto maior sua velocidade, menor a intensidade de enxurrada na superfície e, consequentemente, reduz-se a erosão. O movimento de água através do solo é realizado pelas forças de gravidade e de capilaridade; esse movimento através dos grandes poros, em solo saturado, é fundamentalmente pela gravidade, enquanto em um solo não saturado é principalmente pela capilaridade. Durante uma chuva, a velocidade máxima de infiltração ocorre no começo, e usualmente decresce muito rapidamente, de acordo com alterações na estrutura da superfície do solo. Se a chuva continua, a velocidade de infiltração gradualmente aproxima de um valor mínimo, determinado pela velocidade com que a água pode entrar na camada superficial e pela velocidade com que ela pode penetrar através do perfil do solo (SENGIK, 2005). 4.3.3 A influência da morfologia no solo A topografia do terreno pela declividade e pelo comprimento dos lançantes, exercem acentuada influência sobre a erosão. O tamanho e a quantidade do material em suspensão arrastado pela água dependem da velocidade cm que ela escorre, e essa velocidade é uma resultante do comprimento do lançante e do grau de declive do terreno (SENGIK, 2005). Do grau de declive dependem diretamente o volume e a velocidade das enxurradas que sobre ele escorrem. Aires (1999) apresenta alguns princípios de hidráulica que, teoricamente, podem explicar as relações entre a velocidade da água e o seu poder erosivo: (a) a velocidade da água varia com a raiz quadrada da distância vertical que ela percorre, e a sua energia cinética, de acordo com o quadrado da velocidade; a energia cinética é a capacidade erosiva. Assim, se o declive do terreno aumenta quatro vezes, a velocidade de escorrimento da água aumenta duas vezes e a capacidade erosiva quadruplica; (b) a quantidade de
  49. 49. 48 material que pode ser arrastado varia com a quinta potência da velocidade de escorrimento; (c) o tamanho das partículas arrastadas varia com a sexta potência da velocidade de escorrimento. O comprimento de rampa não é menos importante que o declive, pois à medida que o caminho percorrido vai aumentando, não somente as águas vão-se avolumando proporcionalmente como, também, a sua velocidade de escoamento vai aumentando progressivamente. Em princípio, quanto maior o comprimento de rampa, mais enxurrada se acumula, e a maior energia resultante se traduz por uma erosão maior. 4.3.4 Os diferentes tipos de solo e sua relação com os processos erosivos A erosão não é a mesma em todos os solos. As propriedades físicas, principalmente estrutura, textura, permeabilidade e densidade, assim como as características químicas e biológicas do solo exercem diferentes influências na erosão. Suas condições físicas e químicas, ao conferir maior ou menor resistência à ação das águas, tipificam o comportamento de cada solo exposto a condições semelhantes de topografia, chuva e cobertura vegetal (SENGIK, 2005). A textura, ou seja, o tamanho das partículas é um dos fatores que influem na maior ou menor quantidade de solo arrastado pela erosão. Assim, por exemplo, o solo arenoso, com espaços porosos grandes, durante uma chuva de pouca intensidade, pode absorver toda água, não havendo, portanto, nenhum dano; entretanto, como possui baixa proporção de partículas argilosas que atuam como uma ligação de partículas grandes, pequena quantidade de enxurrada que escorre na sua superfície pode arrastar grande quantidade de solo. Já no solo argiloso, com espaços porosos bem menores, a penetração da água é reduzida, escorrendo mais na superfície; entretanto, a força de coesão das partículas é maior, o que faz aumentar a resistência à erosão (SENGIK, 2005). A estrutura, ou seja, o modo como se arranjam às partículas de solo, também é de grande importância na quantidade de solo arrastado na erosão. A
  50. 50. 49 matéria orgânica retém de duas a três vezes o seu peso em água, aumentando assim a infiltração, do que resulta uma diminuição nas perdas por erosão. A profundidade do solo e as características do subsolo contribuem para a capacidade de armazenamento da água no solo que esse mesmo solo com um subsolo mais compacto e pouco permeável (SENGIK, 2005). 4.3.5 A importância da cobertura vegetal para a proteção do solo A cobertura vegetal é a defesa natural de um terreno contra a erosão. O efeito da vegetação pode ser assim enumerado: (a) proteção direta contra o impacto das gotas de chuva; (b) dispersão da água, interceptando-a e evaporando-a antes que atinja o solo; (c) decomposição das raízes das plantas que, formando canalículos no solo, aumentam a infiltração da água; (d) melhoramento da estrutura do solo pela adição de matéria orgânica, aumentando assim sua capacidade de retenção da água; (e) diminuição da velocidade de escoamento da enxurrada pelo aumento do atrito na superfície. A cobertura vegetal é o fator de maior relevância na proteção dos solos, pois afeta a sua erosão de várias maneiras, a saber: através dos efeitos espaciais da cobertura vegetal, dos efeitos de energia cinética da chuva e do papel da vegetação na estabilidade dos agregados de solos (GUERRA, 1994). A cobertura vegetal reduz as taxas de erosão do solo através de: proteção ao impacto da chuva, diminuição da água disponível ao escoamento superficial, decréscimo da velocidade de escoamento superficial e aumento da capacidade de infiltração de água no solo (COOKE & DOORNKAMP, 1990). Quando cai em um terreno coberto com densa vegetação, a gota de chuva se divide em inúmeras gotículas, diminuindo também, sua força de impacto. Em terreno descoberto, ela faz desprender e salpicar as partículas de solo, que são facilmente transportadas pela água. A vegetação, ao decompor-se, aumenta o conteúdo de matéria orgânica e de húmus do solo, melhorando-lhe a porosidade e a capacidade de retenção de água (SENGIK, 2005).
  51. 51. 50 Tipo de uso Perdas de solo Runoff t/ha/ano % da chuva Mata 0,001 1,1 Pastagem 1,0 1,6 Cafezal 1,4 1,6 Algodoal 36,0 8,2 Quadro 05: Tabela de diferentes formas de uso de solo com diferentes quantidades de perda de solo e de água. A coluna da esquerda elucida o tipo de vegetação em analise, a coluna central o total de perdas de solo por t/ha e por fim a coluna da direita a perda de água provenientes das precipitações pluviométrica em porcentagem. Os dados foram obtidos em pesquisa de solo em Campinas Estado de São Paulo. Fonte: Lal (1990). Na tabela acima percebe-se a perda de solo numa área natural, sem ação antrópica, que apresenta uma quantidade mínima de perda de solo com 0,001 t/ha, apenas, e uma perda mínima de água de 1,1% provenientes das precipitações. Diferentemente de uma área em que em que a ação humana está presente, no caso do uso agrícola do cultivo de algodoeiro, que chega a 36,0 t/ha o que representa uma enorme perda de solo e de água com 8,2% de perda de precipitações, que provavelmente se perde por escorrimento superficial e evaporação, dessa forma causando a perda do solo por erosão. A vegetação também tem papel importante no processo da erosão eólica, reduzindo a velocidade do vento na superfície do solo e absorvendo a maior parte da força exercida por ele. Aprisionando as partículas de solo, a vegetação previne a formação de nuvens de areia e impede que tais partículas sejam carregadas pelo vento. A vegetação é mais eficiente, porém, se os restos culturais estão bem fixados no solo, é benéfica na redução da erosão eólica.
  52. 52. 51 4.3.5.1 A retirada da cobertura vegetal e as consequências para o solo As florestas e matas naturais encontram-se praticamente em equilíbrio, cheias de vida, tanto nos seus solos, como nos rios e lagos. Isto pode ser comprovado pela grande quantidade e variedade de espécies vegetais e animais, também chamado de biodiversidade. A derrubada das florestas visando o uso com a atividade agropecuária e/ou a exploração para a retirada de madeiras, tem sido o principal agente destruidor da vegetação. Essas práticas deixam o solo exposto a ação da chuva e do vento, além de destruir a matéria orgânica, principal responsável pela fertilidade e vida do solo (CAPECHE, CLAUDIO LUCAS, 2005). 4.3.5.2 As consequência da queimada para a camada superficial do solo O fogo é uma técnica do Neolítico, amplamente utilizada na agricultura brasileira, apesar dos inconvenientes agronômicos, ecológicos e de saúde pública. As queimadas ocorrem em todo território nacional, desde formas de agricultura primitivas, como as praticadas por indígenas e caboclos, até os sistemas de produção altamente intensificados, como a cana de açúcar e o algodão. Elas são utilizadas em limpeza de áreas, colheita da cana de açúcar, renovação de pastagens, queima de resíduos, para eliminar pragas e doenças, como técnica de caça etc. Existem muitos tipos de queimadas, movidas por interesses distintos, em sistemas de produção e geografias diferentes. (EMBRAPA – Monitoramento por Satélite, 2011). Segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), durante o período de junho a novembro, grande parte do país é acometido por queimadas, que se estendem praticamente por todas as regiões, com maior ou menor intensidade. O fogo é normalmente empregado para fins diversos na agropecuária, na renovação de áreas de pastagem, na remoção de material acumulado, no preparo do corte manual em plantações de cana-de-açúcar etc. Trata-se de uma
  53. 53. 52 alternativa geralmente eficiente, rápida e de custo relativamente baixo quando comparada a outras técnicas que podem ser utilizadas para o mesmo fim. Os Estados que, tradicionalmente, apresentam maior número de focos de calor são Mato Grosso e Pará. A queimada descobre a superfície do solo transformando em cinzas e vapor no ar a vegetação existente, elimina a matéria orgânica do solo, eleva a temperatura do solo, Volatiliza N e S, destrói os micro-organismos do solo, assim possibilitando o agravamento do desgaste do solo e potencializando os processos iniciais da erosão. Figura 07: Observa-se uma área em que o processo de limpeza de terreno baseado em prática do tipo queimada. Esse tipo manejo tradicional tem sido ainda praticado, principalmente ente os agricultores sem conhecimento adequado sobre o uso do solo. Essa prática inadequada destrói a camada superficial ou o solo orgânico, proporcionando sua exposição ao sol e chuva, aumentando a eficiência dos processos erosivos. Localidade sítio Oitis, Brejo da Madre de Deus-PE. Fonte: Henágio José da Silva, 2011.
  54. 54. 53 4.3.5.3 Uso inadequado do Solo O modo como a terra é manejada, ou seja, se está ou não recoberta de vegetação, bem como o sistema de cultivo, são também fatores importantes para condicionar uma maior ou menor mobilidade dos solos. Os tipos de uso e ocupação do solo são considerados pela maioria dos autores como responsáveis pelo desencadeamento e/ou a aceleração dos processos erosivos nas encostas. As práticas agrícolas e de manejo de solo inadequados provocam a intensificação dos processos erosivos, pela exposição, remobilização e desagregação dos solos, e a alteração do escoamento superficial. A urbanização impõe modificações sérias no sistema de drenagem superficial e subsuperficial, que aceleram os processos erosivos nas encostas e nos vales fluviais, através de desmatamentos, aterros, impermeabilização dos solos, canalizações que subestimam o potencial hidráulico das drenagens, e construção de estradas e de reservatórios. Figura 08: Modelo elucidando as consequências das práticas inadequada do uso do solo: 1- Terreno desmatado em área de encostas com grande aclives favorecendo a erosão do solo por gravitação; tornando; 2- Terreno cultivado em encostas tende a perder os nutrientes do solo pelas enxurradas e escoamento de matéria orgânica para área mais baixa; 3- Assoreamento de rios por excessiva carga de sedimentos oriundos das encostas desmatadas; 4- Erosão com voçoroca carreadas para área de terras cultivadas; 5- Ocupação urbana no topo do morro propiciando desmoronamento e aumento de escoamento superficial por pavimentação e expansão urbana; 6. Lavouras cultivadas em área aclives sem uso de curva de nível com bastante possibilidade de ampliar a erosão; 7- Cultivo de pastagem para alimentação de gado; 8- Inundações provocadas pela excessiva carga de sedimentos oriundos das encostas, por processos naturais e por processos antrópicos oriundos de áreas desmatadas. Fonte: Souza Cruz, 2011.
  55. 55. 54 5 Aspectos jurídicos ambiental Sobre a conservação dos recursos naturais em especial a vegetação e o solo, a nova lei do código florestal atribui: Art. 1° As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendo-se os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem. II - área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2o e 3o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem- estar das populações humanas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) III - Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)

×