Atividade extra-sobre-variação-linguística-1

Bia Crispim
Bia CrispimProfessor em Currais Novos

Atividades sobre variação linguística

GABARITANDO - LÍNGUA PORTUGUESA
LINGUAGEM, LINGUAS, VARIAÇÕES
A linguagem, no sentido que aqui lhe atribuímos:
A capacidade, a aptidão humana para o exercício da comunicação, processo através do qual se
produz a troca de informações.
Linguagem verbal: aquela em que se usa apenas a palavra, falada ou escrita.
Linguagem não-verbal: utiliza outros tipos de código, que não a palavra: desenhos, pinturas, fotos,
gestos.
Língua: um código, conjunto de signos e regras de uso que obrigam todos os falantes de uma
determinada comunidade linguística, apesar de suas diversidades.
É, também, um instrumento da nacionalidade, um elemento básico na formação do conceito de
pátria.
FALA: USO INDIVIDUAL DA LÍNGUA
Língua : virtualidade
Fala: realidade
A fala, ao contrário da língua, por se constituir de atos individuais, torna-se múltipla, imprevisível,
irredutível a uma pauta sistemática. Os atos linguísticos individuais são ilimitados, não formam um
sistema
LINGUAGEM FALADA X LINGUAGEM ESCRITA
VERBA VOLANT X SCRIPTA MANENT
Linguagem oral Linguagem escrita
espontânea disciplinada, rígida
agramatical gramatical
vocabulário mais limitado vocabulário mais extenso
descuidada elaborada
envolvimento distanciamento
frases inacabadas, estrutura frasal
formas contraídas e vocabular respeitada
recursos adicionais: rítmicos, a palavra, sinais de
melódicos, corporais pontuação, acentuação
Variações linguísticas
Possibilidades que a língua, dinâmica e versátil como é, apresenta, para a expressão comunicativa de
grupos sociais definidos em função de aspectos regionais, sociais, históricos, profissionais, etc
Tipos de variação linguística:
HISTÓRICA
GEOGRÁFICA
SÓCIOCULTURAL
PROFISSIONAL
CONTEXTUAL
Surfista 01: E aí brother, tranquilão?
Surfista 02: Show!!! Viu que doideira o campeonato
da prainha ontem?
Surfista 01: Vi cara! O maluco virou a bateria no finzinho
tirando um tubão animal!
Surfista 02: Alucinante, né não?
Surfista 01: Então, vamos aproveitar e dar uma caída?
Surfista 02: Como é que tá o mar?
Surfista 01: Um metrão, lisinho,
abrindo várias direitas...
tá clássico!
Surfista 02: Demorô! Só se for agora!
Surfista 01: já é então. Partiu!
Norma culta
A variante culta da língua é a língua padrão: É a variante ensinada na escola, de utilização em contextos
que exigem formalidade e inteira observância dos princípios gramaticais. Predomina nos textos
escritos.
Registro coloquial
A variante coloquial (ou registro coloquial) da língua é de utilização em situações de informalidade.
Não há aqui preocupação com o rigorismo gramatical ou vocabular.
É linguagem familiar, popular, predominantemente oral, mas não exclusivamente,
Exercícios de aplicação:
1 - Que considerações se podem fazer , do ponto de vista da
norma culta e/ou do registro coloquial, sobre o emprego do
verbo “ter” na figura abaixo?
2 – Pode se afirmar que o texto abaixo, de Oswald de Andrade,
relativiza o emprego da norma culta?
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
(ANDRADE, Oswald de. Seleção de textos. São Paulo: Nova Cultural.1988.)
3 – Pode-se afirmar que o texto abaixo ratifica a concepção da linguagem como um fenômeno dinâmico?
Não Tem Tradução
(Noel Rosa, Francisco Alves e Ismael Silva)
(...)
A gíria que o nosso morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou
Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote
Na gafieira dançar o Fox-Trote
(...)
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
Com voz macia é brasileiro, já passou de português
Amor lá no morro é amor pra chuchu
As rimas do samba não são I love you
E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
Só pode ser conversa de telefone
Concluindo, com Bechara:
“Temos que ser poliglotas em nossa própria língua”
Concluindo, com Bechara:
“Temos que ser poliglotas em nossa própria língua”
Variação linguística - exercícios de fixaçãoL
DICAS DE VESTIBULAR! FIQUE DE OLHO NAS VARIEDADES
LINGUÍSTICAS!
Um dos assuntos mais recorrentes nas provas dos grandes
vestibulares é o dos diferentes modos de utilizar a língua, na
modalidade falada e escrita. A esse tópico, denomina-se Variedades
Linguísticas. Por isso, quem está se preparando para as provas dos
grandes vestibulares e, sobretudo para o ENEM, é importante
lembrar os principais assuntos acerca desse tema:
Variedades Linguísticas.
Variedade linguística demostra como uma língua é sensível a fatores
como região geográfica, o sexo, a idade, a classe social dos falantes e o
grau de formalidade do contexto. Assim, é impossível todos usarem a
língua da mesma forma, já que cada um apresenta uma característica
social específica.
Língua Culta e Língua Coloquial.
A língua culta ou formal é usualmente falada e escrita em situações mais
formais pelas pessoas de maior instrução e de maior escolaridade. Os
documentos oficiais (leis, sentenças judiciais, etc.), os livros e relatórios
científicos, os contratos, as cartas comerciais, os discursos políticos etc.
são exemplos de textos escritos nessa variedade linguística.
A língua coloquial ou informal, por sua vez, é uma variante mais
espontânea, utilizada nas relações informais entre os falantes. É a língua
do cotidiano, sem preocupações com as regras rígidas da gramática
normativa. Outra característica da língua coloquial é o uso constante de
expressões populares, frases feitas, gírias, etc.
Adequação e inadequação linguística.
Mais do que saber as regras da impostas pela Gramática Normativa, um
bom falante da língua é aquele que sabe adequar o modo de utilizar a
linguagem a determinados contextos de comunicação. Como exemplo,
pode-se citar um falante que utiliza uma linguagem formal em um bilhete
para seu amigo de escola, uma pessoa com quem ele tem intimidade.
Sendo assim, esse falante não soube adequar o tipo de linguagem a este
contexto.
Fatores que influenciam na inadequação:
O interlocutor: Não se fala do mesmo modo com um adulto e com uma
criança
O Assunto: Falar sobre a morte de uma pessoa amiga requer uma
linguagem diferente da usada para lamentar a derrota do time de futebol.
O ambiente: Não se fala do mesmo jeito em um templo religioso e em
um festa com os amigos.
A relação falante-ouvinte: Não se fala da mesma maneira com um amigo
e com um estranho.
A intenção: Para se fazer um elogio ou um agradecimento, fala-se de
um jeito; para ofender, chocar, provocar ou ironizar alguém.
Agora, observe as duas questões retiradas da prova modelo do Enem,
disponível pelo MEC, e da prova da Unicamp de Língua Portuguesa (2009). As
perguntas seguem com os gabaritos:
Prova Modelo do Enem (2009)
Observe a tirinha abaixo:
O personagem Chico Bento pode ser considerado um típico habitante da zona
rural, comumente chamado de “roceiro” ou “caipira”. Considerando a sua fala,
essa tipicidade é confirmada primordialmente pela:
a) transcrição da fala característica de áreas rurais.
b) redução do nome “José” para “Zé”, comum nas comunidades rurais.
c) emprego de elementos que caracterizam sua linguagem como coloquial.
d) escolha de palavras ligadas ao meio rural, incomuns nos meios urbanos.
e) utilização da palavra “coisa”, pouco frequente nas zonas mais urbanizadas.
Nessa questão, o Enem pretendia testar a habilidade 25, cujo objetivo é:
Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que
singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.
(UNICAMP-2009) É sabido que as histórias de Chico Bento são situadas no
universo rural brasileiro.
a) Explique o recurso utilizado para caracterizar o modo de falar das
personagens na tira.
b) É possível afirmar que esse modo de falar caracterizado na tira é
exclusivo do universo rural brasileiro? Justifique.
Gabarito:
Prova Modelo Enem: A
Questão Unicamp 2009:
a) Resposta Esperada pela Banca: O recurso utilizado é a transgressão
da ortografia ou, dito de outra forma, o uso da grafia como transcrição da
fala; ou seja, a tira apresenta uma forma de escrita que tenta reproduzir a
fala das personagens.
Esse recurso pode ser exemplificado de três maneiras: troca da
consoante l por r (como em prantando); supressão da vogal na
proparoxítona (como em árv[o]re), processo muito comum na fala; e troca
da vogal e por i (como em di e isperança).
b) Resposta Esperada pela Banca: NÃO. Os fenômenos representados
na tira encontram-se também em regiões urbanas e não refletem,
necessariamente, escolaridade ou classe social do falante. Por exemplo,
a troca da consoante l por r é um processo bastante recorrente nas
regiões urbanas. A supressão da vogal em palavras proparoxítonas
(xícara, abóbora, etc.) faz parte de um processo fonológico amplamente
presente no português brasileiro de forma geral. Finalmente, a elevação
da vogal átona (e i) é uma marca de diferenciação regional e não de
oposição rural/urbano. Não se cobrará o uso de metalinguagem na
referência aos fenômenos aqui mencionados.
Por isso, é importante estudar muito esse assunto e, sobretudo, saber
adequar a língua aos contextos de comunicação.
MAIS PRÁTICA
Texto 1
O poeta da roça
Sou fio das mata, cantô da mão grossa,
Trabaio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de paia de mio.
Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.
Não tenho sabença, pois nunca estudei.
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.
Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça,
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.
Só canto o buliço da vida apertada,
Da lida pesada, das roça e dos eito.
E às vez, recordando a feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.
Eu canto o caboco com suas caçada,
Nas noite assombrada que tudo apavora,
Por dentro da mata, com tanta corage
Topando as visage chamada caipora.
Eu canto o vaquero vestido de coro,
Brigando com o toro no mato fechado,
Que pega na ponta do brabo novio,
Ganhando lugio do dono do gado.
Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão.
E assim, sem cobiça dos cofre lüzente,
Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade,
Cantando as verdade das coisa do Norte.
ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá.5. ed. Petrópolis: Vozes,
1984.
Texto 2
CAPÍTULO III
Da Educação, da Cultura e do Desporto
Seção I Da Educação
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família,
será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando
ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II. liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a
arte e o saber;
III. pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas e coexistência de
instituições públicas e privadas de ensino;
IV. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V. valorização dos profissionais do ensino, garantindo, na forma da lei,
planos de carreira para o magistério público, com piso salarial
profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e
títulos, assegurado regime jurídico único para todas as instituições
mantidas pela União;
VI. gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII. garantia de padrão de qualidade.
Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988.
Texto 3
Poliacrilatos e polimetacrilatos
A história de laboratório dos monômeros acrílicos começou em 1843,
quando da primeira síntese do ácido acrílico.
A isto seguiu-se em 1865 a preparação do etil-metacrilato, por Frankland
e Duppa, enquanto que em 1877 Fittig e Paul notavam que ele possuía
uma certa tendência para polimerizar. Por volta de 1900, a maioria dos
acrilatos mais comuns havia sido preparada em laboratório e ao mesmo
tempo já existiam alguns trabalhos sobre a sua polimerização. Em 1901,
o Dr. Rohm, na Alemanha, começou um estudo sistemático no campo
dos acrílicos e mais tarde tomou parte ativa no desenvolvimento
industrial dos polímeros do éster acrílico naquele país. O polimetilacrilato
foi o primeiro polímero acrílico produzido industrialmente (por Rohm e
Haas, em 1927). Foi vendido como uma solução do polímero em solvente
orgânico e foi usado principalmente em laças e formulações para
revestimentos superficiais. Mais tarde, Rowland Hill (da I.C.I.) estudou o
metílmetacrilato e sua polimerização em profundidade, enquanto que
Crawford (também da I.C.I.) desenvolveu um método econômico para a
fabricação do monômero.
BRISTON, J. H. & MILES, D. C. Tecnologia dos polímeros. São Paulo:
Polígono/Edusp, 1975.
1. A forma de língua portuguesa apresentada no texto 1 nos
remete a que tipo de realidade? Comente.
2. O texto 2 é uma poética, ou seja, é um texto que expõe as
propostas criativas de um poeta. Na sua opinião, a forma de língua
pela qual o artista optou e a temática de sua poesia se
harmonizam? Por quê?
3. Observe, ainda no texto 1, as formas fio, mio, paioça
(correspondentes, na língua-padrão, a filho, milho e palhoça,
respectivamente) ou os plurais "das mata", "das brenha", "das roça
e dos eito", "dos home" e outros. As diferenças entre essas formas e
aquelas da língua-padrão são sistemáticas, ou seja, seguem
determinados padrões. Observe e comente.
4. A que grupo social pertencem as pessoas que utilizaram a
forma de língua portuguesa do texto 2? Por que usaram essa forma
de língua?
5. Que tipo de conhecimento é necessário para a perfeita
compreensão do texto 3? Que forma de língua é aí apresentada?
6. Que fatores estão na origem destas três variantes da língua
portuguesa?
Com um pouco mais de tempo, postarei a resolução dos
exercícios deste post lá no blog de Downloads do Análise de Textos.
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Segundo o site
O que determina os níveis de fala?
Os dois grandes níveis de fala, o coloquial e o culto, são determinados
pela cultura e formação escolar dos falantes, pelo grupo social a que eles
pertencem e pela situação concreta em que a língua é utilizada. Um
falante adota modos diferentes de falar dependendo das circunstâncias
em que se encontra: conversando com amigos, expondo um tema
histórico na sala de aula ou dialogando com colegas de trabalho.
1. Língua e fala
A língua, segundo o lingüista Ferdinand de Saussure, 'é a parte social da
linguagem', isto é, ela pertence a uma comunidade, a um grupo social – a
língua portuguesa, a língua chinesa. A fala é individual, diz respeito ao
uso que cada falante faz da língua. Nem a língua nem a fala são
imutáveis. Uma língua evolui, transformando-se foneticamente,
adquirindo novas palavras, rejeitando outras. A fala do indivíduo
modifica-se de acordo com sua história pessoal, suas intenções e sua
maior ou menor aquisição de conhecimentos.
2. Nível culto
O nível culto é utilizado em ocasiões formais. É uma linguagem mais
obediente às regras gramaticais da norma culta. O nível culto segue a
língua padrão, também chamada norma culta ou norma padrão.
3. Nível coloquial
O nível coloquial ou popular é utilizado na conversação diária, em
situações informais, descontraídas.
É o nível acessível a qualquer falante e se caracteriza por:
• Expressividade afetiva, conseguida
pelo emprego de diminutivos,
aumentativos, interjeições e
expressões populares:
É só uma mentirinha, vai!
Você me deu
um trabalhão, nem te conto!
• Tendência a transgredir a norma culta:
Você viu ele por aí?
Você me empresta teu carro?
• Repetição de palavras e uso de
expressões de apoio:
Né? Você está me entendendo? Falou!
4. Gíria
É uma variante da língua, falada por um grupo social ou etário. É a fala
mais variável de todas, pois as expressões entram e saem 'da moda' com
muita freqüência, sendo substituídas por outras. Algumas se incorporam
ao léxico, dando origem a palavras derivadas. É o caso de dedo-
duro que deu origem a dedurar.
5. Variedades geográficas ou diatópicas
São as variantes de uma mesma língua que identificam o falante com
sua origem tradicional. Podemos distinguir entre elas:
• Dialetos: variantes da língua comum utilizadas num espaço
geográfico delimitado. O dialeto é o resultado da transformação
regional de uma língua nacional (o idioma). O açoriano e o
madeirense, por exemplo, são dialetos do português. Algumas
línguas têm uma origem histórica comum, mas por razões
políticas ou econômicas uma delas ganhou status de língua,
enquanto outras permaneceram como dialetos. As línguas
românicas eram dialetos do latim.
• Falares: modalidades regionais de uma língua cujas variações
não são suficientes para caracterizar um dialeto. Às vezes, são
apenas algumas palavras ou expressões ou mesmo certos tipos de
construção de frases. A esse uso regional da língua também dá-
se o nome de regionalismo.
6. A fala popular na literatura
O registro da fala popular na literatura tem sido largamente empregado
como forma de atribuir expressividade e veracidade ao texto. Na década
de 30, por exemplo, quando os escritores propunham uma literatura
engajada e realista, o aproveitamento do nível coloquial, pela transcrição
dos falares regionais, foi elemento fundamental para o sucesso do
romance brasileiro:
'Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum
cinamomo, entrou arrastando as esporas, batendo na coxa direita com o
rebenque, e foi logo gritando, assim com ar de velho conhecido:
– Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes
dou de talho! [...]
O capitão tomou seu terceiro copo de cachaça. Juvenal, que o observava
com olhos parados e inexpressivos, puxou dum pedaço de fumo em
rama e duma pequena faca e ficou a fazer um cigarro.
– Pois le garanto que estou gostando deste lugar – disse Rodrigo. –
Quando entrei em Santa Fé, pensei cá comigo: Capitão, pode ser que
vosmecê só passe aqui uma noite, mas também pode ser que passe o
resto da vida...'
(O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo)
Variação Diatópica - É o que neste trabalho iremos abordar.
Mas o que seria a variação diatópica? Na verdade trata-se de uma
diversidade lingüística regional ou geográfica, apresentadas por pessoas
de diferentes regiões que falam a mesma língua. As variações diatópicas
são responsáveis pelos regionalismos ou falares locais. Esses falares
representam os costumes e a cultura de cada região.
A título de exemplificação, podemos citar as diferenças do português
falado no Brasil para o português falado em Portugal.
Telemóvel – Portugal
Celular – Brasil
Estas são as designações utilizadas pelos falantes dos dois países para
representar um aparelho de comunicação cuja designação técnica é
Telefone Celular.
No Brasil, falantes do Sudeste do país usam variantes distintas dos
falantes da região Sul.
Bergamota ou Vergamota – Florianópolis e região sul em geral
Mexerica – Minas Gerais
Os dois termos designam a mesma coisa, uma fruta cítrica de cor
alaranjada e sabor adocicado, conhecida como tangerina.
Estas diferenças normalmente são encontradas no campo lexical e
fonético e toda esta variação (no Brasil) é decorrente das influências que
cada região sofreu durante o processo de colonização do país,
adicionados as importações lexicais de outras línguas.
Aqui segue alguns exemplo dos variantes:
FEXOSO/FECHOSO(AL): Pessoa que é bonita, linda seja nas
vestimentas ou na beleza.
TABACUDO(PE): Pessoa que não tem entendimento
BARROADA(PI): Atropelamento.
MARMITEX(SP): Quentinha
MINA(RJ): Namorada
MACAXEIRA(PI): Aipim
Embora todos sejamos falantes da mesma língua, cada região do nosso
país possui característica próprias que resultam em sua cultura e
apresentam diversidades: variantes lexicais nos falares brasileiros.
Sendo assim, uma palavra pode ser usada de diversos modos, assim
como possui conotação diferentes, dependendo da região em que ela
está sendo utilizada.
VARIAÇÃO DIASTRÁTICA
A variação social ou diastrática constitui um dos tipos de variação
linguística a que os falantes são submetidos. São as diferenças entre os
estratos socioculturais (nível culto, nível popular, língua padrão), ou seja,
são as variações que acontecem de um grupo social para outro.
Relaciona-se a um conjunto de fatores que têm a ver com a identidade
dos falantes e também com a organização sociocultural da comunidade
de fala. Assim, é possível apontar alguns fatores relacionados às
variações de natureza social: a) classe social; b) idade; c) sexo.
Observemos alguns exemplos indicativos dos fatores:
- O uso de dupla negação, como em “ninguém não viu”, indica a fala de
grupos situados abaixo na escala social.
- presença de [r], em lugar de [l], em grupos consonantais, como em
“brusa” (blusa) e “grobo” (globo), também sugere que os falantes estão
situados abaixo na escala social ou possuem baixo grau de letramento.
- o uso do léxico particular, como presente em certas gírias (“maneiro”,
“esperto”, com o sentido de avaliação positiva acerca das coisas,
pessoas e situações), denota faixa etária jovem;
- o uso do pronome “tu” em situações de interação entre iguais no Rio de
Janeiro, como em “Tu viu só?”, também sugere que os falantes são
jovens.
- a duração de vogais como recurso expressivo, como em
“maaaravilhoso”, costuma ocorrer na fala de mulheres (Camacho, 1978),
assim como o uso freqüente de diminutivos, como “bonitinho”,
“vermelhinho”.
Referências:
• (Adaptado de ALKMIM, Tânia Maria. “Sociolingüística”. In: Introdução à
lingüística: domínios e fronteiras, v.1/Fernanda Mussalim, Anna Cristina
Bentes (orgs.) – São Paulo: Cortez, 2001).
LEIA COM ATENÇÃO:
Língua é um sistema gramatical pertencente a um grupo de
indivíduos. Expressão da consciência de uma colectividade, a
LÍNGUA é o meio por que ela concebe o mundo que cerca e sobre
ele age. A utilização social da faculdade da linguagem, criação da
sociedade, não pode ser imutável; ao contrário, tem de viver em
perpétua evolução, paralela à do organismo social que a criou.
Em princípio, uma língua apresenta, pelo menos, três tipos de
diferenças internas, que podem ser mais ou menos profundas:
1. Diferenças no espaço geográfico, ou VARIAÇÕES
DIATÓPICAS (falares locais, variantes regionais, e, até,
intercontinentais);
2. Diferenças entre as camadas socioculturais, VARIAÇÕES
DIASTRÁTICAS (nível culto, língua padrão, nível popular, etc);
3. Diferenças entre os tipos de modalidade expressiva, ou
VARIAÇÕES DIAFÁSICAS (língua falada, língua escrita, língua
literária, linguagens especiais, linguagem dos homens, linguagem
das mulheres, etc).
Condicionada de forma consistente dentro de cada grupo social
e parte integrante da competência linguística dos seus membros, a
variação é, pois, inerente ao sistema da língua e ocorre em todos os
níveis: fonético, fonológico, morfológico, sintáctico, etc. e essa
multiplicidade de realizações do sistema em nada prejudica as suas
condições funcionais.
Todas as variedades linguísticas são estruturadas, e
correspondem a sistemas e subsistemas adequados às necessidades
dos seus usuários. Mas o facto de estar a língua fortemente ligada à
estrutura social e aos sistemas de valores da sociedade conduz a uma
avaliação distinta das características das suas diversas modalidades
diatópicas, diastráticas e diafásicas. A língua padrão, por exemplo,
embora seja uma entre as muitas variedades de um idioma, é sempre
a mais prestigiosa, porque actua como modelo, como norma, como
ideal linguístico de uma comunidade. Do valor normativo decorre a
sua função coercitiva sobre as outras variedades, com o que se torna
uma ponderável força contrária à variação.
Numa língua existe, pois, ao lado da força centrífuga da
inovação, a força centrípeta da conservação, que, contra-regrando a
primeira, garante a superior unidade de um idioma como o português,
falado por povos que se distribuem pelos cinco continentes.
Cintra, Luís F. Lindley, e Cunha, Celso (1999): Breve Gramática do
Português Contemporâneo. 12ª edição. Lisboa: Edições João
Sá da Costa.
Complementando:
A língua é um sistema em aberto e está sempre em elaboração. A língua
não é um produto nem um instrumento, é uso. É falada por indivíduos de
regiões, profissões e estratos sociais diferentes, situações diferentes — e
épocas diferentes.
2. A linguística estruturalista europeia recorreu ao prefixo dia- (que
significa ao «longo de», «através de») e produziu diferentes termos para
designar estes tipos de variações:
— diatopia/variações diatópicas (em função das diferenças
geográficas/regionais);
— diastratia/variações diastráticas (em função dos estratos sociais);
— diafasia/variações diafásicas (em função da situação em que se
encontram os interlocutores);
— diacronia/variações diacrónicas (dia + kronos, «tempo»).
3. Variação diacrónica ou histórica
Porque é que nos custa tanto a ler um texto da época medieval?
Dom Afonso Henriques falava o português que hoje falamos?
A razão de ser destas perguntas permite verificar que a língua
portuguesa — e qualquer língua — apresenta diversas manifestações ao
longo do tempo. Cabe à Linguística Histórica o estudo deste tipo de
variação.
Estas mudanças nunca são bruscas, havendo geralmente um período de
transição entre um estádio e outro.
As mudanças diacrónicas podem ocorrer:
— no som/pronúncia;
— na flexão e na derivação;
— nos padrões de estruturação da frase;
— ao nível dos significados;
— pela introdução de novas palavras (neologismos e estrangeirismos).
Factores de variação:
— internos à língua (pelo desaparecimento de oposições que não se
revelem funcionais; pela prevalência do princípio da economia, que tende
a eliminar redundâncias; pela introdução de novos elementos com a
função de tornarem a comunicação clara/não ambígua);
— externos à língua (relativos a mudanças políticas e sociais, por
exemplo, a criação de fronteiras políticas que é cumulativa à criação de
fronteiras linguísticas).
Fonte(s):
http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php…
Em boa hora > embora
arbores> árvores
fidele> fiel
debere> dever
mense > mês
inter > entre
portucalense > português
super > sobre
luce> luz
clave>chave
conceptu > conceito
Fonte(s):
Gramática Histórica - Ismael de Lima Coutinho
[Pergunta] O que são registros regionais da língua portuguesa? Cite
exemplos.
O que são variações linguísticas? Cite exemplos.
[Resposta] Registro é termo usado no Brasil correspondente a registo,
em Portugal e demais países lusófonos. Em linguística, designa a
variedade da língua definida de acordo com o seu uso em situações
sociais.
Assim, o termo registos linguísticos designa os diversos estilos que um
falante pode usar consoante a situação comunicativa em que participa:
numa conversa informal num café com os amigos, por exemplo, utilizará
um registo diferente do que utiliza em família, com a avó. A esta variação
chama-se variação diafásica.
Variações linguísticas são as diferentes manifestações e realizações da
língua, as diversas formas que a língua possui, decorrentes de factores
de natureza histórica, regional, social ou situacional. Essas variações
podem ocorrer a nível fonético e fonológico, morfológico, sintáctico e
semântico.
Podemos considerar cinco campos de estudo da variação linguística.
1.º - Variação diacrónica (do grego dia + kronos = ao longo de,
através de + tempo): as diversas manifestações de uma língua
através dos tempos.
2.º - Variação sincrónica (do grego sy'n = simultaneidade): as
variações num mesmo período de tempo.
3.º - Variação diatópica (do grego topos = lugar), geolinguística ou
dialectal: a variação relacionada com factores geográficos
(pronúncia diferente, diferentes palavras para designar as mesmas
realidades ou conceitos, acepções de um termo diferentes de região
para região, expressões ou construções frásicas próprias de uma
região).
4.º - Variação distrática (do grego stratos = camada, nível): modos
de falar que correspondem a códigos de comportamento de
determinados grupos sociais. O sociolecto é uma variedade
linguística partilhada por um grupo social que o demarca em relação
a outros (por exemplo, as gírias). O tecnolecto (ou linguagem
técnica) consiste na utilização de termos que designam com rigor
elementos de determinada área do conhecimento (literatura, artes,
ciência, medicina, etc.).
5.º - Variação diafásica (do grego phasis = fala): variação
relacionada com a diferente situação de comunicação, variação
relacionada com factores de natureza pragmática e discursiva: em
função do contexto, um falante varia o seu registo de língua,
adaptando-o às circunstâncias. O idiolecto é a maneira própria de
cada falante usar a língua: o uso preferencial de determinadas
palavras ou construções frásicas, o valor semântico dado a um ou
outro termo, etc. Há tantos idiolectos quantos os falantes.

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  • 1. GABARITANDO - LÍNGUA PORTUGUESA LINGUAGEM, LINGUAS, VARIAÇÕES A linguagem, no sentido que aqui lhe atribuímos: A capacidade, a aptidão humana para o exercício da comunicação, processo através do qual se produz a troca de informações. Linguagem verbal: aquela em que se usa apenas a palavra, falada ou escrita. Linguagem não-verbal: utiliza outros tipos de código, que não a palavra: desenhos, pinturas, fotos, gestos.
  • 2. Língua: um código, conjunto de signos e regras de uso que obrigam todos os falantes de uma determinada comunidade linguística, apesar de suas diversidades.
  • 3. É, também, um instrumento da nacionalidade, um elemento básico na formação do conceito de pátria. FALA: USO INDIVIDUAL DA LÍNGUA Língua : virtualidade Fala: realidade A fala, ao contrário da língua, por se constituir de atos individuais, torna-se múltipla, imprevisível, irredutível a uma pauta sistemática. Os atos linguísticos individuais são ilimitados, não formam um sistema LINGUAGEM FALADA X LINGUAGEM ESCRITA VERBA VOLANT X SCRIPTA MANENT Linguagem oral Linguagem escrita espontânea disciplinada, rígida agramatical gramatical vocabulário mais limitado vocabulário mais extenso descuidada elaborada envolvimento distanciamento frases inacabadas, estrutura frasal formas contraídas e vocabular respeitada
  • 4. recursos adicionais: rítmicos, a palavra, sinais de melódicos, corporais pontuação, acentuação Variações linguísticas Possibilidades que a língua, dinâmica e versátil como é, apresenta, para a expressão comunicativa de grupos sociais definidos em função de aspectos regionais, sociais, históricos, profissionais, etc Tipos de variação linguística: HISTÓRICA GEOGRÁFICA SÓCIOCULTURAL PROFISSIONAL CONTEXTUAL
  • 5. Surfista 01: E aí brother, tranquilão? Surfista 02: Show!!! Viu que doideira o campeonato da prainha ontem? Surfista 01: Vi cara! O maluco virou a bateria no finzinho
  • 6. tirando um tubão animal! Surfista 02: Alucinante, né não? Surfista 01: Então, vamos aproveitar e dar uma caída? Surfista 02: Como é que tá o mar? Surfista 01: Um metrão, lisinho, abrindo várias direitas... tá clássico! Surfista 02: Demorô! Só se for agora! Surfista 01: já é então. Partiu! Norma culta A variante culta da língua é a língua padrão: É a variante ensinada na escola, de utilização em contextos que exigem formalidade e inteira observância dos princípios gramaticais. Predomina nos textos escritos. Registro coloquial A variante coloquial (ou registro coloquial) da língua é de utilização em situações de informalidade. Não há aqui preocupação com o rigorismo gramatical ou vocabular.
  • 7. É linguagem familiar, popular, predominantemente oral, mas não exclusivamente, Exercícios de aplicação: 1 - Que considerações se podem fazer , do ponto de vista da norma culta e/ou do registro coloquial, sobre o emprego do verbo “ter” na figura abaixo? 2 – Pode se afirmar que o texto abaixo, de Oswald de Andrade, relativiza o emprego da norma culta? Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno
  • 8. E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (ANDRADE, Oswald de. Seleção de textos. São Paulo: Nova Cultural.1988.) 3 – Pode-se afirmar que o texto abaixo ratifica a concepção da linguagem como um fenômeno dinâmico? Não Tem Tradução (Noel Rosa, Francisco Alves e Ismael Silva) (...) A gíria que o nosso morro criou Bem cedo a cidade aceitou e usou Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote Na gafieira dançar o Fox-Trote (...) Tudo aquilo que o malandro pronuncia Com voz macia é brasileiro, já passou de português Amor lá no morro é amor pra chuchu As rimas do samba não são I love you E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
  • 9. Só pode ser conversa de telefone Concluindo, com Bechara: “Temos que ser poliglotas em nossa própria língua” Concluindo, com Bechara: “Temos que ser poliglotas em nossa própria língua” Variação linguística - exercícios de fixaçãoL DICAS DE VESTIBULAR! FIQUE DE OLHO NAS VARIEDADES LINGUÍSTICAS! Um dos assuntos mais recorrentes nas provas dos grandes vestibulares é o dos diferentes modos de utilizar a língua, na modalidade falada e escrita. A esse tópico, denomina-se Variedades Linguísticas. Por isso, quem está se preparando para as provas dos
  • 10. grandes vestibulares e, sobretudo para o ENEM, é importante lembrar os principais assuntos acerca desse tema: Variedades Linguísticas. Variedade linguística demostra como uma língua é sensível a fatores como região geográfica, o sexo, a idade, a classe social dos falantes e o grau de formalidade do contexto. Assim, é impossível todos usarem a língua da mesma forma, já que cada um apresenta uma característica social específica. Língua Culta e Língua Coloquial. A língua culta ou formal é usualmente falada e escrita em situações mais formais pelas pessoas de maior instrução e de maior escolaridade. Os documentos oficiais (leis, sentenças judiciais, etc.), os livros e relatórios científicos, os contratos, as cartas comerciais, os discursos políticos etc. são exemplos de textos escritos nessa variedade linguística. A língua coloquial ou informal, por sua vez, é uma variante mais espontânea, utilizada nas relações informais entre os falantes. É a língua do cotidiano, sem preocupações com as regras rígidas da gramática normativa. Outra característica da língua coloquial é o uso constante de expressões populares, frases feitas, gírias, etc. Adequação e inadequação linguística. Mais do que saber as regras da impostas pela Gramática Normativa, um bom falante da língua é aquele que sabe adequar o modo de utilizar a linguagem a determinados contextos de comunicação. Como exemplo, pode-se citar um falante que utiliza uma linguagem formal em um bilhete para seu amigo de escola, uma pessoa com quem ele tem intimidade. Sendo assim, esse falante não soube adequar o tipo de linguagem a este contexto. Fatores que influenciam na inadequação: O interlocutor: Não se fala do mesmo modo com um adulto e com uma criança O Assunto: Falar sobre a morte de uma pessoa amiga requer uma linguagem diferente da usada para lamentar a derrota do time de futebol. O ambiente: Não se fala do mesmo jeito em um templo religioso e em um festa com os amigos. A relação falante-ouvinte: Não se fala da mesma maneira com um amigo e com um estranho.
  • 11. A intenção: Para se fazer um elogio ou um agradecimento, fala-se de um jeito; para ofender, chocar, provocar ou ironizar alguém. Agora, observe as duas questões retiradas da prova modelo do Enem, disponível pelo MEC, e da prova da Unicamp de Língua Portuguesa (2009). As perguntas seguem com os gabaritos: Prova Modelo do Enem (2009) Observe a tirinha abaixo: O personagem Chico Bento pode ser considerado um típico habitante da zona rural, comumente chamado de “roceiro” ou “caipira”. Considerando a sua fala, essa tipicidade é confirmada primordialmente pela: a) transcrição da fala característica de áreas rurais. b) redução do nome “José” para “Zé”, comum nas comunidades rurais. c) emprego de elementos que caracterizam sua linguagem como coloquial. d) escolha de palavras ligadas ao meio rural, incomuns nos meios urbanos. e) utilização da palavra “coisa”, pouco frequente nas zonas mais urbanizadas. Nessa questão, o Enem pretendia testar a habilidade 25, cujo objetivo é: Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. (UNICAMP-2009) É sabido que as histórias de Chico Bento são situadas no universo rural brasileiro. a) Explique o recurso utilizado para caracterizar o modo de falar das personagens na tira.
  • 12. b) É possível afirmar que esse modo de falar caracterizado na tira é exclusivo do universo rural brasileiro? Justifique. Gabarito: Prova Modelo Enem: A Questão Unicamp 2009: a) Resposta Esperada pela Banca: O recurso utilizado é a transgressão da ortografia ou, dito de outra forma, o uso da grafia como transcrição da fala; ou seja, a tira apresenta uma forma de escrita que tenta reproduzir a fala das personagens. Esse recurso pode ser exemplificado de três maneiras: troca da consoante l por r (como em prantando); supressão da vogal na proparoxítona (como em árv[o]re), processo muito comum na fala; e troca da vogal e por i (como em di e isperança). b) Resposta Esperada pela Banca: NÃO. Os fenômenos representados na tira encontram-se também em regiões urbanas e não refletem, necessariamente, escolaridade ou classe social do falante. Por exemplo, a troca da consoante l por r é um processo bastante recorrente nas regiões urbanas. A supressão da vogal em palavras proparoxítonas (xícara, abóbora, etc.) faz parte de um processo fonológico amplamente presente no português brasileiro de forma geral. Finalmente, a elevação da vogal átona (e i) é uma marca de diferenciação regional e não de oposição rural/urbano. Não se cobrará o uso de metalinguagem na referência aos fenômenos aqui mencionados. Por isso, é importante estudar muito esse assunto e, sobretudo, saber adequar a língua aos contextos de comunicação. MAIS PRÁTICA Texto 1 O poeta da roça
  • 13. Sou fio das mata, cantô da mão grossa, Trabaio na roça, de inverno e de estio. A minha chupana é tapada de barro, Só fumo cigarro de paia de mio. Sou poeta das brenha, não faço o papé De argum menestré, ou errante cantô Que veve vagando, com sua viola, Cantando, pachola, à percura de amô. Não tenho sabença, pois nunca estudei. Apenas eu sei o meu nome assiná. Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre, E o fio do pobre não pode estudá. Meu verso rastero, singelo e sem graça, Não entra na praça, no rico salão, Meu verso só entra no campo e na roça, Nas pobre paioça, da serra ao sertão. Só canto o buliço da vida apertada, Da lida pesada, das roça e dos eito. E às vez, recordando a feliz mocidade, Canto uma sodade que mora em meu peito. Eu canto o caboco com suas caçada, Nas noite assombrada que tudo apavora, Por dentro da mata, com tanta corage Topando as visage chamada caipora. Eu canto o vaquero vestido de coro, Brigando com o toro no mato fechado, Que pega na ponta do brabo novio, Ganhando lugio do dono do gado. Eu canto o mendigo de sujo farrapo, Coberto de trapo e mochila na mão, Que chora pedindo o socorro dos home, E tomba de fome, sem casa e sem pão.
  • 14. E assim, sem cobiça dos cofre lüzente, Eu vivo contente e feliz com a sorte, Morando no campo, sem vê a cidade, Cantando as verdade das coisa do Norte. ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá.5. ed. Petrópolis: Vozes, 1984. Texto 2 CAPÍTULO III Da Educação, da Cultura e do Desporto Seção I Da Educação Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II. liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III. pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V. valorização dos profissionais do ensino, garantindo, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, assegurado regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União; VI. gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII. garantia de padrão de qualidade. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988. Texto 3 Poliacrilatos e polimetacrilatos
  • 15. A história de laboratório dos monômeros acrílicos começou em 1843, quando da primeira síntese do ácido acrílico. A isto seguiu-se em 1865 a preparação do etil-metacrilato, por Frankland e Duppa, enquanto que em 1877 Fittig e Paul notavam que ele possuía uma certa tendência para polimerizar. Por volta de 1900, a maioria dos acrilatos mais comuns havia sido preparada em laboratório e ao mesmo tempo já existiam alguns trabalhos sobre a sua polimerização. Em 1901, o Dr. Rohm, na Alemanha, começou um estudo sistemático no campo dos acrílicos e mais tarde tomou parte ativa no desenvolvimento industrial dos polímeros do éster acrílico naquele país. O polimetilacrilato foi o primeiro polímero acrílico produzido industrialmente (por Rohm e Haas, em 1927). Foi vendido como uma solução do polímero em solvente orgânico e foi usado principalmente em laças e formulações para revestimentos superficiais. Mais tarde, Rowland Hill (da I.C.I.) estudou o metílmetacrilato e sua polimerização em profundidade, enquanto que Crawford (também da I.C.I.) desenvolveu um método econômico para a fabricação do monômero. BRISTON, J. H. & MILES, D. C. Tecnologia dos polímeros. São Paulo: Polígono/Edusp, 1975. 1. A forma de língua portuguesa apresentada no texto 1 nos remete a que tipo de realidade? Comente. 2. O texto 2 é uma poética, ou seja, é um texto que expõe as propostas criativas de um poeta. Na sua opinião, a forma de língua pela qual o artista optou e a temática de sua poesia se harmonizam? Por quê? 3. Observe, ainda no texto 1, as formas fio, mio, paioça (correspondentes, na língua-padrão, a filho, milho e palhoça, respectivamente) ou os plurais "das mata", "das brenha", "das roça e dos eito", "dos home" e outros. As diferenças entre essas formas e aquelas da língua-padrão são sistemáticas, ou seja, seguem determinados padrões. Observe e comente. 4. A que grupo social pertencem as pessoas que utilizaram a forma de língua portuguesa do texto 2? Por que usaram essa forma de língua? 5. Que tipo de conhecimento é necessário para a perfeita compreensão do texto 3? Que forma de língua é aí apresentada? 6. Que fatores estão na origem destas três variantes da língua portuguesa?
  • 16. Com um pouco mais de tempo, postarei a resolução dos exercícios deste post lá no blog de Downloads do Análise de Textos. Não conhece? Visite-o agora! Segundo o site O que determina os níveis de fala? Os dois grandes níveis de fala, o coloquial e o culto, são determinados pela cultura e formação escolar dos falantes, pelo grupo social a que eles pertencem e pela situação concreta em que a língua é utilizada. Um falante adota modos diferentes de falar dependendo das circunstâncias em que se encontra: conversando com amigos, expondo um tema histórico na sala de aula ou dialogando com colegas de trabalho. 1. Língua e fala A língua, segundo o lingüista Ferdinand de Saussure, 'é a parte social da linguagem', isto é, ela pertence a uma comunidade, a um grupo social – a língua portuguesa, a língua chinesa. A fala é individual, diz respeito ao uso que cada falante faz da língua. Nem a língua nem a fala são imutáveis. Uma língua evolui, transformando-se foneticamente, adquirindo novas palavras, rejeitando outras. A fala do indivíduo modifica-se de acordo com sua história pessoal, suas intenções e sua maior ou menor aquisição de conhecimentos. 2. Nível culto O nível culto é utilizado em ocasiões formais. É uma linguagem mais obediente às regras gramaticais da norma culta. O nível culto segue a língua padrão, também chamada norma culta ou norma padrão. 3. Nível coloquial O nível coloquial ou popular é utilizado na conversação diária, em situações informais, descontraídas. É o nível acessível a qualquer falante e se caracteriza por: • Expressividade afetiva, conseguida pelo emprego de diminutivos, aumentativos, interjeições e
  • 17. expressões populares: É só uma mentirinha, vai! Você me deu um trabalhão, nem te conto! • Tendência a transgredir a norma culta: Você viu ele por aí? Você me empresta teu carro? • Repetição de palavras e uso de expressões de apoio: Né? Você está me entendendo? Falou! 4. Gíria É uma variante da língua, falada por um grupo social ou etário. É a fala mais variável de todas, pois as expressões entram e saem 'da moda' com muita freqüência, sendo substituídas por outras. Algumas se incorporam ao léxico, dando origem a palavras derivadas. É o caso de dedo- duro que deu origem a dedurar. 5. Variedades geográficas ou diatópicas São as variantes de uma mesma língua que identificam o falante com sua origem tradicional. Podemos distinguir entre elas: • Dialetos: variantes da língua comum utilizadas num espaço geográfico delimitado. O dialeto é o resultado da transformação regional de uma língua nacional (o idioma). O açoriano e o madeirense, por exemplo, são dialetos do português. Algumas línguas têm uma origem histórica comum, mas por razões políticas ou econômicas uma delas ganhou status de língua, enquanto outras permaneceram como dialetos. As línguas românicas eram dialetos do latim. • Falares: modalidades regionais de uma língua cujas variações não são suficientes para caracterizar um dialeto. Às vezes, são apenas algumas palavras ou expressões ou mesmo certos tipos de construção de frases. A esse uso regional da língua também dá- se o nome de regionalismo.
  • 18. 6. A fala popular na literatura O registro da fala popular na literatura tem sido largamente empregado como forma de atribuir expressividade e veracidade ao texto. Na década de 30, por exemplo, quando os escritores propunham uma literatura engajada e realista, o aproveitamento do nível coloquial, pela transcrição dos falares regionais, foi elemento fundamental para o sucesso do romance brasileiro: 'Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum cinamomo, entrou arrastando as esporas, batendo na coxa direita com o rebenque, e foi logo gritando, assim com ar de velho conhecido: – Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho! [...] O capitão tomou seu terceiro copo de cachaça. Juvenal, que o observava com olhos parados e inexpressivos, puxou dum pedaço de fumo em rama e duma pequena faca e ficou a fazer um cigarro. – Pois le garanto que estou gostando deste lugar – disse Rodrigo. – Quando entrei em Santa Fé, pensei cá comigo: Capitão, pode ser que vosmecê só passe aqui uma noite, mas também pode ser que passe o resto da vida...' (O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo) Variação Diatópica - É o que neste trabalho iremos abordar. Mas o que seria a variação diatópica? Na verdade trata-se de uma diversidade lingüística regional ou geográfica, apresentadas por pessoas de diferentes regiões que falam a mesma língua. As variações diatópicas são responsáveis pelos regionalismos ou falares locais. Esses falares representam os costumes e a cultura de cada região. A título de exemplificação, podemos citar as diferenças do português falado no Brasil para o português falado em Portugal. Telemóvel – Portugal Celular – Brasil Estas são as designações utilizadas pelos falantes dos dois países para representar um aparelho de comunicação cuja designação técnica é Telefone Celular. No Brasil, falantes do Sudeste do país usam variantes distintas dos falantes da região Sul.
  • 19. Bergamota ou Vergamota – Florianópolis e região sul em geral Mexerica – Minas Gerais Os dois termos designam a mesma coisa, uma fruta cítrica de cor alaranjada e sabor adocicado, conhecida como tangerina. Estas diferenças normalmente são encontradas no campo lexical e fonético e toda esta variação (no Brasil) é decorrente das influências que cada região sofreu durante o processo de colonização do país, adicionados as importações lexicais de outras línguas. Aqui segue alguns exemplo dos variantes: FEXOSO/FECHOSO(AL): Pessoa que é bonita, linda seja nas vestimentas ou na beleza. TABACUDO(PE): Pessoa que não tem entendimento BARROADA(PI): Atropelamento. MARMITEX(SP): Quentinha MINA(RJ): Namorada MACAXEIRA(PI): Aipim Embora todos sejamos falantes da mesma língua, cada região do nosso país possui característica próprias que resultam em sua cultura e apresentam diversidades: variantes lexicais nos falares brasileiros. Sendo assim, uma palavra pode ser usada de diversos modos, assim como possui conotação diferentes, dependendo da região em que ela está sendo utilizada. VARIAÇÃO DIASTRÁTICA A variação social ou diastrática constitui um dos tipos de variação linguística a que os falantes são submetidos. São as diferenças entre os estratos socioculturais (nível culto, nível popular, língua padrão), ou seja, são as variações que acontecem de um grupo social para outro. Relaciona-se a um conjunto de fatores que têm a ver com a identidade dos falantes e também com a organização sociocultural da comunidade de fala. Assim, é possível apontar alguns fatores relacionados às variações de natureza social: a) classe social; b) idade; c) sexo. Observemos alguns exemplos indicativos dos fatores: - O uso de dupla negação, como em “ninguém não viu”, indica a fala de
  • 20. grupos situados abaixo na escala social. - presença de [r], em lugar de [l], em grupos consonantais, como em “brusa” (blusa) e “grobo” (globo), também sugere que os falantes estão situados abaixo na escala social ou possuem baixo grau de letramento. - o uso do léxico particular, como presente em certas gírias (“maneiro”, “esperto”, com o sentido de avaliação positiva acerca das coisas, pessoas e situações), denota faixa etária jovem; - o uso do pronome “tu” em situações de interação entre iguais no Rio de Janeiro, como em “Tu viu só?”, também sugere que os falantes são jovens. - a duração de vogais como recurso expressivo, como em “maaaravilhoso”, costuma ocorrer na fala de mulheres (Camacho, 1978), assim como o uso freqüente de diminutivos, como “bonitinho”, “vermelhinho”. Referências: • (Adaptado de ALKMIM, Tânia Maria. “Sociolingüística”. In: Introdução à lingüística: domínios e fronteiras, v.1/Fernanda Mussalim, Anna Cristina Bentes (orgs.) – São Paulo: Cortez, 2001). LEIA COM ATENÇÃO: Língua é um sistema gramatical pertencente a um grupo de indivíduos. Expressão da consciência de uma colectividade, a LÍNGUA é o meio por que ela concebe o mundo que cerca e sobre ele age. A utilização social da faculdade da linguagem, criação da sociedade, não pode ser imutável; ao contrário, tem de viver em perpétua evolução, paralela à do organismo social que a criou. Em princípio, uma língua apresenta, pelo menos, três tipos de diferenças internas, que podem ser mais ou menos profundas: 1. Diferenças no espaço geográfico, ou VARIAÇÕES DIATÓPICAS (falares locais, variantes regionais, e, até, intercontinentais);
  • 21. 2. Diferenças entre as camadas socioculturais, VARIAÇÕES DIASTRÁTICAS (nível culto, língua padrão, nível popular, etc); 3. Diferenças entre os tipos de modalidade expressiva, ou VARIAÇÕES DIAFÁSICAS (língua falada, língua escrita, língua literária, linguagens especiais, linguagem dos homens, linguagem das mulheres, etc). Condicionada de forma consistente dentro de cada grupo social e parte integrante da competência linguística dos seus membros, a variação é, pois, inerente ao sistema da língua e ocorre em todos os níveis: fonético, fonológico, morfológico, sintáctico, etc. e essa multiplicidade de realizações do sistema em nada prejudica as suas condições funcionais. Todas as variedades linguísticas são estruturadas, e correspondem a sistemas e subsistemas adequados às necessidades dos seus usuários. Mas o facto de estar a língua fortemente ligada à estrutura social e aos sistemas de valores da sociedade conduz a uma avaliação distinta das características das suas diversas modalidades diatópicas, diastráticas e diafásicas. A língua padrão, por exemplo, embora seja uma entre as muitas variedades de um idioma, é sempre a mais prestigiosa, porque actua como modelo, como norma, como ideal linguístico de uma comunidade. Do valor normativo decorre a sua função coercitiva sobre as outras variedades, com o que se torna uma ponderável força contrária à variação. Numa língua existe, pois, ao lado da força centrífuga da inovação, a força centrípeta da conservação, que, contra-regrando a primeira, garante a superior unidade de um idioma como o português, falado por povos que se distribuem pelos cinco continentes. Cintra, Luís F. Lindley, e Cunha, Celso (1999): Breve Gramática do Português Contemporâneo. 12ª edição. Lisboa: Edições João Sá da Costa. Complementando: A língua é um sistema em aberto e está sempre em elaboração. A língua não é um produto nem um instrumento, é uso. É falada por indivíduos de regiões, profissões e estratos sociais diferentes, situações diferentes — e épocas diferentes.
  • 22. 2. A linguística estruturalista europeia recorreu ao prefixo dia- (que significa ao «longo de», «através de») e produziu diferentes termos para designar estes tipos de variações: — diatopia/variações diatópicas (em função das diferenças geográficas/regionais); — diastratia/variações diastráticas (em função dos estratos sociais); — diafasia/variações diafásicas (em função da situação em que se encontram os interlocutores); — diacronia/variações diacrónicas (dia + kronos, «tempo»). 3. Variação diacrónica ou histórica Porque é que nos custa tanto a ler um texto da época medieval? Dom Afonso Henriques falava o português que hoje falamos? A razão de ser destas perguntas permite verificar que a língua portuguesa — e qualquer língua — apresenta diversas manifestações ao longo do tempo. Cabe à Linguística Histórica o estudo deste tipo de variação. Estas mudanças nunca são bruscas, havendo geralmente um período de transição entre um estádio e outro. As mudanças diacrónicas podem ocorrer: — no som/pronúncia; — na flexão e na derivação; — nos padrões de estruturação da frase; — ao nível dos significados; — pela introdução de novas palavras (neologismos e estrangeirismos). Factores de variação: — internos à língua (pelo desaparecimento de oposições que não se revelem funcionais; pela prevalência do princípio da economia, que tende
  • 23. a eliminar redundâncias; pela introdução de novos elementos com a função de tornarem a comunicação clara/não ambígua); — externos à língua (relativos a mudanças políticas e sociais, por exemplo, a criação de fronteiras políticas que é cumulativa à criação de fronteiras linguísticas). Fonte(s): http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php… Em boa hora > embora arbores> árvores fidele> fiel debere> dever mense > mês inter > entre portucalense > português super > sobre luce> luz clave>chave conceptu > conceito Fonte(s): Gramática Histórica - Ismael de Lima Coutinho [Pergunta] O que são registros regionais da língua portuguesa? Cite exemplos. O que são variações linguísticas? Cite exemplos. [Resposta] Registro é termo usado no Brasil correspondente a registo, em Portugal e demais países lusófonos. Em linguística, designa a variedade da língua definida de acordo com o seu uso em situações sociais. Assim, o termo registos linguísticos designa os diversos estilos que um falante pode usar consoante a situação comunicativa em que participa: numa conversa informal num café com os amigos, por exemplo, utilizará um registo diferente do que utiliza em família, com a avó. A esta variação chama-se variação diafásica. Variações linguísticas são as diferentes manifestações e realizações da
  • 24. língua, as diversas formas que a língua possui, decorrentes de factores de natureza histórica, regional, social ou situacional. Essas variações podem ocorrer a nível fonético e fonológico, morfológico, sintáctico e semântico. Podemos considerar cinco campos de estudo da variação linguística. 1.º - Variação diacrónica (do grego dia + kronos = ao longo de, através de + tempo): as diversas manifestações de uma língua através dos tempos. 2.º - Variação sincrónica (do grego sy'n = simultaneidade): as variações num mesmo período de tempo. 3.º - Variação diatópica (do grego topos = lugar), geolinguística ou dialectal: a variação relacionada com factores geográficos (pronúncia diferente, diferentes palavras para designar as mesmas realidades ou conceitos, acepções de um termo diferentes de região para região, expressões ou construções frásicas próprias de uma região). 4.º - Variação distrática (do grego stratos = camada, nível): modos de falar que correspondem a códigos de comportamento de determinados grupos sociais. O sociolecto é uma variedade linguística partilhada por um grupo social que o demarca em relação a outros (por exemplo, as gírias). O tecnolecto (ou linguagem técnica) consiste na utilização de termos que designam com rigor elementos de determinada área do conhecimento (literatura, artes, ciência, medicina, etc.). 5.º - Variação diafásica (do grego phasis = fala): variação relacionada com a diferente situação de comunicação, variação relacionada com factores de natureza pragmática e discursiva: em função do contexto, um falante varia o seu registo de língua, adaptando-o às circunstâncias. O idiolecto é a maneira própria de cada falante usar a língua: o uso preferencial de determinadas palavras ou construções frásicas, o valor semântico dado a um ou outro termo, etc. Há tantos idiolectos quantos os falantes.