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Variações
Lingüístic
    as
Professora Isabel Oliveira
“A língua faz parte do aparelho
comunicativo e estético da sociedade
       que a própria língua define e
                      individualiza."


                                     
                      (Leonor Buescu)
Variedade Lingüística
            do nosso português
1. Variação e norma;
2.Variedades do Português:
  - Variedades geográficas;
  - Variedades sócio-culturais;
  - Variedades situacionais/ estilísticas.
3. Empréstimos lingüísticos.
1. Variação e Norma
     As línguas naturais são sistemas dinâmicos e
extremamente sensíveis a fatores como (entre
outros) a região geográfica, o sexo, a idade, a
classe social dos falantes e o grau de formalidade
do contexto.
2.Variedades
     do
  Português
 Precisamos    estar atentos aos
 conceitos de “certo” e “errado” no
 que se refere à língua.

 O preconceito linguístico inibe os
 processos comunicativos.
Preconceito linguístico
 Todas   as  variedades  constituem 
 sistemas  linguísticos  perfeitamente 
 adequados      para      a     expressão 
 comunicativa e cognitiva dos falantes. 

 O preconceito linguístico é uma forma
 de discriminação que         deve    ser
 enfaticamente combatida.
Que importa que uns falem mole
Descansado
Que os cariocas arranhem os erres na
garganta
Que os capixabas escancarem
As vogais?
Que quem tem quinhentos réis
meridional
Vira tostões do Rio pro Norte?
Juntos formamos este assombroso
De misérias e grandezas,
Brasil, nome de vegetal ...
                                Mário de Andrade
2.1 Variedades Geográficas
  Variações entre as formas que a língua portuguesa
  assume nas diferentes regiões em que é falada.
 Falares regionais / dialetos:
 Linguagem urbana/ rural.
  (o falar “caipira”)
Variantes
Regionais expressões
 Sotaques e
   típicas de cada região do
   país.

 bombacha         carta
                                salsicha
  penal 
                            estojo
       vina
                          farol
sinaleiro
                carteira 
2.2  Variedades Sócio-culturais
 Variedades devidas ao falante/ grupos
  culturais:
- O jargão;
- A gíria.
O jargão
 Linguagem    técnica      utilizada por
 profissionais de uma especialidade em
 comum. Logo, é empregada por um grupo
 restrito e, muitas vezes, inacessível a
 outros falantes da língua.
     Ex1: Sutura, traqueostomia, cefaléia,
 prescrição, profilaxia = jargão dos
 médicos.
      Ex2: Variações diafásicas, análises
 diacrônica e sincrônica, metafonia =
 jargão dos professores de Português.
A gíria
 Linguagem utilizada, predominantemente, por
  jovens. Também funciona como um meio de
  exclusão dos indivíduos externos a esse grupo.
2.3 Variedades Situacionais  

    A linguagem varia de
 acordo com a situação
 em que ela é empregada.
Em Situações formais:

 Uma palestra feita para uma platéia
 sobre matéria científica;

 Uma solenidade de formatura;


 Uma    carta    endereçada     a   uma
 autoridade.
Em Situações informais:
 Em uma reunião familiar;


 Em conversa com colegas e amigos;


 Em um bate-papo informal.
2.4 Variedades Temporais
 “     Quando Boorz partiu da abadia, uma voz lhe disse
     que fosse ao mar, ca Percival o atendia ali. Ele se
     pertiu ende, assi como o conto já há devisado. E
     quando chegou a riba do mar, a fremosa nave,
     coberta de um eixamente branco aportou, e Boorz
     desceu e encomendou-se a Nostro Senhor,e entrou
     e deixou seu cavalo fora.
         E tanto que entrou, viu que a nave se partiu tam
     toste de riba, como se voasse. E catou pela nave e
     nom viu rem, que a noite era mui escura; e acostou-
     se ao bordo e rogou a Nostro Senhor que a guiasse
     tal lugar u sua alma podesse salber”.

     (Trecho da Demanda do santo Graal, traduzido para o português do séc. XIII)
Variantes de
Época
                  telephone
      deposito
                   domestico
     escriptorio
                     villa
        unico
3. Empréstimos Lingüísticos
 O empréstimo linguístico ocorre quando
  uma língua integra uma palavra existente
  em outra língua, sendo que a palavra não
  sofre grandes alterações e mantém o
  mesmo sentido.
 As palavras tomadas como empréstimo são
  igualmente denominadas empréstimos.
Exemplos de Empréstimos
                      Lingüísticos
 INFLUÊNCIA                 EXEMPLOS DE ESTRANGEIRISMOS


Alemão             Gás, níquel.
Árabe              Algodão(al-qu Tun);
Dialetos africanos Acarajé, dendê, fubá, quilombo, moleque, caçula... 

Espanhol           Bolero, castanhola...
Francês            Paletó, boné, matinê, abat-jour (abajur), bâton (batom),
                   cabaret (cabaré), maiô...
Inglês             Show, software, hamburger, deletar...
Italiano           Macarrão, piano, soneto, bandido, ária, camarim, partitura,
                   lasanha...
Tupi               Nomes de animais e plantas: tatu, arara, jibóia,           caju,
                   maracujá...
                   Nomes de lugares: Ipanema, Copacabana...
                   Nomes de pessoas: Ubirajara, Iracema..
Palavras             de         origem
  O estrangeira
     uso de palavras     de origem estrangeira em
português     é     denominado     estrangeirismo:
galicismo do francês, anglicismo do inglês,
latinismo do latim, etc.

 Tal uso é considerado de mau tom por certos
eruditos da língua; no entanto, tal posição não
reflete a dinâmica da formação do próprio
português, que tal como todas as outras línguas
europeias, teve a sua origem e continua hoje a
transformar-se com a mistura e o contato entre
diversas línguas.
Língua Falada x Língua Escrita
    As diferenças entre os dois códigos não podem
  ser ignoradas por quem se dispõe a se
  comunicar de forma satisfatória.
 O domínio da língua falada, aparentemente mais
  fácil, ganha complexidade quando se trata do
  emprego da variedade formal: é necessário
  aprender o registro da língua falada mais
  adequado a situações de formalidade.
 O uso do código escrito, entretanto, é o que
  costuma produzir maiores obstáculos.
Variações de Estilo
 Estilo formal -  apresenta  grau  de  reflexão  sobre  o 
    que diz. É na linguagem escrita, em geral, que o grau 
    de formalidade é mais tenso.
     “ O que está acontecendo com os políticos é uma fragmentação 
   dos objetivos sociais... ou seja ...  eles perdem a noção do todo e 
   se concentra nas partes relevantes.


 Estilo         informal (ou  coloquial)  –  se  fala  sem 
      preocupação,  o  grau  de  reflexão  é  mínimo.  É  na 
      linguagem  oral  ,  íntima  e  familiar  que  esse  estilo 
      melhor se manifesta.
      “  ...  Tem  dias  que  minha  voz  não  sai...  Tá  assim  meio  taquara 
   rachada...”
Modalidades de Uso ou registro
        linguístico:
   Modalidade               Tipo
 Registro Formal          Comum;
                         Sofisticado.

 Registro Informal      Descontraído; 
                           coloquial;
                      Ultradescontraído.
Para não esquecer:
                      A língua é a
                identidade de um
                      povo.
                  Preserve-a!
                  Um abraço!

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Variações Linguísticas

  • 1. Variações Lingüístic as Professora Isabel Oliveira
  • 2. “A língua faz parte do aparelho comunicativo e estético da sociedade que a própria língua define e individualiza."   (Leonor Buescu)
  • 3. Variedade Lingüística do nosso português 1. Variação e norma; 2.Variedades do Português: - Variedades geográficas; - Variedades sócio-culturais; - Variedades situacionais/ estilísticas. 3. Empréstimos lingüísticos.
  • 4. 1. Variação e Norma As línguas naturais são sistemas dinâmicos e extremamente sensíveis a fatores como (entre outros) a região geográfica, o sexo, a idade, a classe social dos falantes e o grau de formalidade do contexto.
  • 5. 2.Variedades do Português
  • 6.  Precisamos estar atentos aos conceitos de “certo” e “errado” no que se refere à língua.  O preconceito linguístico inibe os processos comunicativos.
  • 7. Preconceito linguístico  Todas  as  variedades  constituem  sistemas  linguísticos  perfeitamente  adequados  para  a  expressão  comunicativa e cognitiva dos falantes.   O preconceito linguístico é uma forma de discriminação que deve ser enfaticamente combatida.
  • 8. Que importa que uns falem mole Descansado Que os cariocas arranhem os erres na garganta Que os capixabas escancarem As vogais? Que quem tem quinhentos réis meridional Vira tostões do Rio pro Norte? Juntos formamos este assombroso De misérias e grandezas, Brasil, nome de vegetal ...                         Mário de Andrade
  • 9. 2.1 Variedades Geográficas   Variações entre as formas que a língua portuguesa assume nas diferentes regiões em que é falada.  Falares regionais / dialetos:
  • 10.  Linguagem urbana/ rural. (o falar “caipira”)
  • 11. Variantes Regionais expressões  Sotaques e típicas de cada região do país.  bombacha         carta                                 salsicha   penal                              estojo        vina                           farol sinaleiro                 carteira 
  • 12. 2.2  Variedades Sócio-culturais  Variedades devidas ao falante/ grupos culturais: - O jargão; - A gíria.
  • 13. O jargão  Linguagem técnica utilizada por profissionais de uma especialidade em comum. Logo, é empregada por um grupo restrito e, muitas vezes, inacessível a outros falantes da língua. Ex1: Sutura, traqueostomia, cefaléia, prescrição, profilaxia = jargão dos médicos. Ex2: Variações diafásicas, análises diacrônica e sincrônica, metafonia = jargão dos professores de Português.
  • 14. A gíria  Linguagem utilizada, predominantemente, por jovens. Também funciona como um meio de exclusão dos indivíduos externos a esse grupo.
  • 15. 2.3 Variedades Situacionais   A linguagem varia de acordo com a situação em que ela é empregada.
  • 16. Em Situações formais:  Uma palestra feita para uma platéia sobre matéria científica;  Uma solenidade de formatura;  Uma carta endereçada a uma autoridade.
  • 17. Em Situações informais:  Em uma reunião familiar;  Em conversa com colegas e amigos;  Em um bate-papo informal.
  • 18. 2.4 Variedades Temporais  “ Quando Boorz partiu da abadia, uma voz lhe disse que fosse ao mar, ca Percival o atendia ali. Ele se pertiu ende, assi como o conto já há devisado. E quando chegou a riba do mar, a fremosa nave, coberta de um eixamente branco aportou, e Boorz desceu e encomendou-se a Nostro Senhor,e entrou e deixou seu cavalo fora. E tanto que entrou, viu que a nave se partiu tam toste de riba, como se voasse. E catou pela nave e nom viu rem, que a noite era mui escura; e acostou- se ao bordo e rogou a Nostro Senhor que a guiasse tal lugar u sua alma podesse salber”. (Trecho da Demanda do santo Graal, traduzido para o português do séc. XIII)
  • 19. Variantes de Época                 telephone     deposito                  domestico    escriptorio                    villa       unico
  • 20. 3. Empréstimos Lingüísticos  O empréstimo linguístico ocorre quando uma língua integra uma palavra existente em outra língua, sendo que a palavra não sofre grandes alterações e mantém o mesmo sentido.  As palavras tomadas como empréstimo são igualmente denominadas empréstimos.
  • 21. Exemplos de Empréstimos Lingüísticos INFLUÊNCIA EXEMPLOS DE ESTRANGEIRISMOS Alemão Gás, níquel. Árabe Algodão(al-qu Tun); Dialetos africanos Acarajé, dendê, fubá, quilombo, moleque, caçula...  Espanhol Bolero, castanhola... Francês Paletó, boné, matinê, abat-jour (abajur), bâton (batom), cabaret (cabaré), maiô... Inglês Show, software, hamburger, deletar... Italiano Macarrão, piano, soneto, bandido, ária, camarim, partitura, lasanha... Tupi Nomes de animais e plantas: tatu, arara, jibóia, caju, maracujá... Nomes de lugares: Ipanema, Copacabana... Nomes de pessoas: Ubirajara, Iracema..
  • 22. Palavras de origem   O estrangeira uso de palavras de origem estrangeira em português é denominado estrangeirismo: galicismo do francês, anglicismo do inglês, latinismo do latim, etc.  Tal uso é considerado de mau tom por certos eruditos da língua; no entanto, tal posição não reflete a dinâmica da formação do próprio português, que tal como todas as outras línguas europeias, teve a sua origem e continua hoje a transformar-se com a mistura e o contato entre diversas línguas.
  • 23. Língua Falada x Língua Escrita     As diferenças entre os dois códigos não podem ser ignoradas por quem se dispõe a se comunicar de forma satisfatória.  O domínio da língua falada, aparentemente mais fácil, ganha complexidade quando se trata do emprego da variedade formal: é necessário aprender o registro da língua falada mais adequado a situações de formalidade.  O uso do código escrito, entretanto, é o que costuma produzir maiores obstáculos.
  • 24. Variações de Estilo  Estilo formal -  apresenta  grau  de  reflexão  sobre  o  que diz. É na linguagem escrita, em geral, que o grau  de formalidade é mais tenso.      “ O que está acontecendo com os políticos é uma fragmentação  dos objetivos sociais... ou seja ...  eles perdem a noção do todo e  se concentra nas partes relevantes.  Estilo informal (ou  coloquial)  –  se  fala  sem  preocupação,  o  grau  de  reflexão  é  mínimo.  É  na  linguagem  oral  ,  íntima  e  familiar  que  esse  estilo  melhor se manifesta.       “  ...  Tem  dias  que  minha  voz  não  sai...  Tá  assim  meio  taquara  rachada...”
  • 25. Modalidades de Uso ou registro linguístico: Modalidade Tipo Registro Formal  Comum; Sofisticado. Registro Informal  Descontraído;  coloquial; Ultradescontraído.
  • 26. Para não esquecer:       A língua é a identidade de um povo. Preserve-a! Um abraço!